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		<title>Apesar de queda, taxa de gravidez na adolescência segue elevada no Brasil</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Ricardo Zorzetto]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 04 May 2026 13:02:34 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Ciência]]></category>
		<category><![CDATA[Notícias]]></category>
		<category><![CDATA[Epidemiologia]]></category>
		<category><![CDATA[Saúde Pública]]></category>
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					<description><![CDATA[Ter filho antes dos 20 anos dificulta completar os estudos e obter emprego mais bem remunerado]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>A adolescência é uma fase de transformações intensas. O corpo muda muito e muito rapidamente, em um ritmo que talvez não se veja em outros momentos da vida. O mesmo ocorre com a mente. Nesse período, que pela definição da Organização Mundial da Saúde (OMS) vai dos 10 aos 19 anos, o cérebro passa por uma remodelagem radical. As áreas associadas às emoções amadurecem primeiro e favorecem a busca por novidades e sensações intensas. Já as regiões responsáveis pelo controle dos impulsos só atingem o funcionamento pleno mais tarde, no início da vida adulta. Na adolescência, torna-se importante conquistar uma identidade própria e demonstrar independência dos pais, em paralelo à maior necessidade de aceitação e reconhecimento pelo grupo. É nessa fase que surgem o desejo sexual e os primeiros amores. Também é nela que, com o corpo feminino já apto para conceber, mas não totalmente preparado para gestar e parir, pode surgir o primeiro filho.</p>
<p>No Brasil, todos os meses nascem por volta de 22 mil bebês gerados por mães adolescentes. Ao longo de 2025, foram 274,4 mil, segundo dados do Sistema Nacional de Nascidos Vivos (Sinasc), do Ministério da Saúde. Esses bebês representam 11,3% dos 2,4 milhões que se somaram à população naquele ano. Uma proporção pequena deles, mas não desprezível – 11,6 mil ou 0,6% do total –, foi concebida por meninas na faixa etária dos 10 aos 14 anos. São crianças gestadas por outras crianças, que, segundo a legislação em vigor no país, foram vítimas de violência sexual. Desde 2009, o Código Penal brasileiro qualifica o sexo com menores de 14 anos como estupro de vulnerável.</p>
<p>“A gestação na adolescência é uma das consequências da falta de perspectiva nessa etapa da vida”, afirma o estatístico Edson Martinez, da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto da Universidade de São Paulo (FMRP-USP), que há mais de uma década investiga o contexto socioeconômico em que ela ocorre. Em estudo publicado em 2020 na revista <a href="https://www.sciencedirect.com/science/article/abs/pii/S187151921930068X?via%3Dihub" target="_blank" rel="noopener"><em>Women and Birth</em></a>, ele e a estatística Daiane da Roza, da Faculdade de Saúde Pública da USP (FSP-USP), mapearam a distribuição dos nascimentos de filhos de adolescentes no país.</p>
<p><img fetchpriority="high" decoding="async" width="1140" height="628" class="size-full wp-image-583486 aligncenter" src="https://revistapesquisa.fapesp.br/wp-content/uploads/2026/05/rpf-gravidez-adolescencia-2026-05-1140-2.jpg" alt="" srcset="https://revistapesquisa.fapesp.br/wp-content/uploads/2026/05/rpf-gravidez-adolescencia-2026-05-1140-2.jpg 1140w, https://revistapesquisa.fapesp.br/wp-content/uploads/2026/05/rpf-gravidez-adolescencia-2026-05-1140-2-250x138.jpg 250w, https://revistapesquisa.fapesp.br/wp-content/uploads/2026/05/rpf-gravidez-adolescencia-2026-05-1140-2-700x386.jpg 700w, https://revistapesquisa.fapesp.br/wp-content/uploads/2026/05/rpf-gravidez-adolescencia-2026-05-1140-2-120x66.jpg 120w" sizes="(max-width: 1140px) 100vw, 1140px" /><span class="media-credits-inline">Natália Gregorini</span></p>
<p>Embora seja difícil estabelecer com clareza o que é causa e o que é consequência, ter filhos muito cedo na vida torna mais difícil completar o ciclo formal de educação e, mais tarde, obter emprego com melhor remuneração. Isso parece ser verdade principalmente nos países de média e baixa renda, que concentram 92% dos 13 milhões de nascimentos de filhos de adolescentes registrados por ano no mundo – ainda que, em certos contextos, a gestação nessa faixa etária nem sempre seja acompanhada de uma carga social e cultural negativa.</p>
<p>Os números registrados em 2025 no Brasil são os mais baixos desde a virada do século e confirmam a tendência de queda do fenômeno. Analisando os registros do Sinasc, a ginecologista Denise Maia Monteiro, da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj), e colaboradores identificaram uma queda de 44% no total de filhos de mães adolescentes em 20 anos. Em 2000, meninas com idade entre 10 e 19 anos deram à luz 750,5 mil bebês, ou 23,4% dos nascidos no país naquele ano. Esse número baixou para 419,3 mil (14,7% do total) em 2019. O estudo, publicado em 2021 na <a href="https://www.scielo.br/j/ramb/a/M85fFkGNHvbdjsWTP5XPCkp/?format=html&amp;lang=en" target="_blank" rel="noopener"><em>Revista da Associação Médica Brasileira</em></a>, não explora as razões da queda. Ela, porém, deve-se ao menos em parte ao encolhimento da população adolescente feminina, que diminuiu de 17,5 milhões para 16,2 milhões no período.</p>
<p>Nesse intervalo, também caiu a taxa de fecundidade das adolescentes, uma medida mais aceita pelos epidemiologistas por permitir a comparação tanto entre estratos etários diferentes de uma mesma população quanto entre populações de países com estrutura etária distinta. A redução foi contínua e mais pronunciada na faixa dos 15 aos 19 anos, que concentra 95% dos nascimentos de filhos de adolescentes no país. A taxa de fecundidade era de 81 bebês por mil adolescentes desse grupo em 2000 e caiu para 48 por mil em 2019. A queda foi menor e mais recente entre as garotas de 10 a 14 anos: passou de 3,4 por mil para 2,5 por mil (<em>ver gráficos abaixo</em>). “No período do estudo, observou-se inicialmente um declínio lento, seguido por um período de estabilidade e, mais tarde, uma redução mais consistente nos últimos cinco anos”, escreveram Monteiro e os demais autores.</p>
</div><div class='overflow-responsive-img' style='text-align:center'><picture data-tablet="/wp-content/uploads/2026/05/RPF-gravidezadolescencia-2026-05-info1-1140.png" data-tablet_size="1140x520" alt="Total de bebês e fecundidade de mães com 10 e 14 anos caíram de modo consistente no país a partir de 2014">
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  </picture><span class="embed media-credits-inline">Alexandre Affonso / Revista Pesquisa FAPESP</span></div><div class="post-content sequence">
<p>Os especialistas em saúde pública consideram a taxa de fecundidade um indicador importante porque dá pistas sobre a saúde reprodutiva, a igualdade de gênero e o nível de desenvolvimento socioeconômico de um país. No Brasil, apesar da queda neste quarto de século, a taxa de fecundidade das adolescentes na faixa dos 15 aos 19 anos coloca o país, classificado como de renda média-alta pelo Banco Mundial, no mesmo patamar de nações mais pobres. Isso é evidente em particular nas áreas brasileiras mais carentes de recursos e com nível de desenvolvimento mais baixo.</p>
<p>Em um estudo publicado este ano nos <a href="https://www.scielo.br/j/csp/a/R8chbWN4Vtsvz3qs7NMDFRw/?lang=pt" target="_blank" rel="noopener"><em>Cadernos de Saúde Pública</em></a>, o epidemiologista Aluísio Barros, da Universidade Federal de Pelotas (UFPel), analisou o total de bebês nascidos de mães adolescentes em 5.502 municípios brasileiros entre 2020 e 2022. Também obteve a taxa média de fecundidade do período para cada um deles e confrontou com o Índice Brasileiro de Privação de cada cidade, que combina informações sobre a porcentagem de domicílios com renda inferior a meio salário mínimo, a proporção de pessoas analfabetas com mais de 7 anos e a fração da população sem acesso a água potável e saneamento básico.</p>
</div><div class='overflow-responsive-img' style='text-align:center'><picture data-tablet="/wp-content/uploads/2026/05/RPF-gravidezadolescencia-2026-05-info2-1140.png" data-tablet_size="1140x520" alt="Desde 2000, fecundidade e número de filhos nascidos de garotas na faixa dos 15 aos 19 anos, responsáveis por 95% das gestações na adolescência, estão em queda no Brasil">
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  </picture><span class="embed media-credits-inline">Alexandre Affonso / Revista Pesquisa FAPESP</span></div><div class="post-content sequence">
<p>No período analisado, a mediana da taxa de fecundidade foi de 43,3 filhos para cada mil adolescentes com idade entre 15 e 19 anos. A mediana é uma medida que os estatísticos geralmente usam para lidar com dados cujos valores variam muito – as taxas de fecundidade encontradas no trabalho, por exemplo, iam de 0 a 200 bebês por mil adolescentes. Ela separa uma amostra em duas partes iguais e, no caso acima, indica que metade dos municípios tinha taxa de fecundidade superior a 43,3 filhos por mil adolescentes, e a outra metade, inferior a esse valor. A mediana da fecundidade nacional foi ligeiramente superior ao da média mundial (41,3 nascimentos por mil garotas na faixa dos 15 aos 19 anos), mas muito mais elevada do que a de países de alta renda (11,2 por mil).</p>
<p>Além de elevada, a fecundidade das adolescentes brasileiras não é homogênea. Barros e colaboradores, ao olhar de perto os dados, depararam-se com disparidades regionais gritantes. Nos municípios da região Norte, a mediana foi de 77 nascimentos por mil adolescentes, mais que o dobro da mais baixa (35 por mil), registrada na região Sul, de renda mais elevada (<em>ver mapa abaixo</em>).</p>
<picture data-tablet="/wp-content/uploads/2026/05/RPF-gravidezadolescencia-2026-05-info3-670-DESKTOP.png" data-tablet_size="670x620" alt="Mapa mpstra a taxa de fecundidade das adolescentes* foi mais elevada na região Norte e mais baixa na Sul no período 2020-2022">
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  </picture><span class="embed media-credits-inline">Alexandre Affonso / Revista Pesquisa FAPESP</span>
<p>Mesmo São Paulo, o estado mais rico da nação, revelou-se um microcosmo do que ocorre no Brasil. Há cerca de dois anos, a pediatra neonatologista Ruth Guinsburg e sua equipe na Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) decidiram mapear a evolução dos casos de gestação de adolescentes ocorridos entre 2004 e 2020 e sua distribuição no estado. Com financiamento da FAPESP e apoio da Fundação Sistema Estadual de Análise de Dados (Seade), os pesquisadores acessaram as informações sobre número, local local de nascimento e morte de bebês e chegaram a algumas conclusões semelhantes às apresentadas pelos estudos nacionais, detalhadas em um artigo publicado em 2025 na revista <a href="https://bmjopen.bmj.com/content/15/11/e106373" target="_blank" rel="noopener"><em>BMJ Open</em></a> e em outro na <a href="https://link.springer.com/article/10.1186/s12884-025-07202-1" target="_blank" rel="noopener"><em>BMC Pregnancy and Childbirth</em></a>.</p>
<p>A primeira é que, como no restante do país, as gestações de adolescentes ocorrem com frequência mais elevada nos municípios com Índice de Desenvolvimento Humano do Município (IDHM) e renda per capta mais baixos. Essas cidades se concentram em uma faixa mais larga da porção sul do estado de São Paulo, próximo ao Vale do Ribeira, e em pequenas manchas no extremo norte (divisa com Minas Gerais) e no extremo oeste (Pontal do Paranapanema).</p>
<p>A segunda é que a proporção de bebês gestados por mães adolescentes caiu nos 17 anos analisados, diminuindo a um ritmo médio de 3% ao ano. As adolescentes geravam cerca de 17% dos bebês nascidos no estado em 2004 e pouco mais de 10% em 2020. Essa redução se deveu principalmente à diminuição no nascimento de filhos de garotas na faixa dos 15 aos 19 anos. Na maior parte do tempo, a proporção de bebês nascidos de meninas entre 10 e 14 anos permaneceu estável: em torno de 0,5% do total de nascimentos no estado. “Só a partir de 2014 surgiu uma tendência mais sólida de redução nesse último grupo, justamente aquele em que a gestação é acompanhada de mais complicações”, relata a neonatologista Carina Oliveira, primeira autora dos trabalhos. “Mesmo assim”, ela explica, “não houve uma diferença estatisticamente significante para as garotas com 10 a 14 anos entre o início e o final do período”.</p>
<p>Os pesquisadores da Unifesp observaram também que as mortes dos bebês das adolescentes nas quatro primeiras semanas após o parto, o chamado período neonatal, diminuíram. A taxa de mortalidade neonatal era de 1,9 óbito em cada grupo de mil nascidos vivos em 2004 e baixou para algo em torno de 0,8 por mil em 2020. Assim como no resto do país, essa taxa também caiu entre os filhos das mães adultas, passando de pouco mais de 6,5 por mil para 6 por mil. A redução entre os bebês das adolescentes, no entanto, ocorreu em um ritmo médio bem mais acelerado: de 4,5% ao ano, contra 0,8% no grupo das mulheres com 20 anos ou mais. “Apesar da queda, ainda há uma proporção importante de mortes que poderia ser evitada, com atendimento de melhor qualidade”, afirma Guinsburg.</p>
<p>Gestar um bebê durante a adolescência não é uma experiência isenta de riscos. Nem para a mãe nem para o filho. Preparado para conceber desde a puberdade, o corpo da mulher ainda se encontra em crescimento e pode competir por nutrientes com o feto. Em parte dos casos, a pelve ainda não alcançou a maturidade e as dimensões necessárias para a passagem mais suave do bebê. Essas características, além de problemas mais frequentes entre grávidas adolescentes do que entre as adultas, aumentam a probabilidade de a gestação precisar ser interrompida antes do tempo adequado (mais de 39 semanas) e de ocorrerem complicações no parto.</p>
<p>Investigando as características da mãe e do bebê que elevam o risco de óbito neonatal, o grupo da Unifesp verificou que a idade materna não foi a que mais gerou impacto na mortalidade. Ter entre 10 e 19 anos durante a gravidez elevou em 4% a probabilidade de a criança morrer nas primeiras semanas de vida. Um problema mais comum e fácil de prevenir se mostrou bem mais relevante: a realização de pré-natal adequado, com ao menos sete consultas médicas. A falta do pré-natal aumentou em 2,8 vezes o risco de morte neonatal. No que diz respeito à criança, nascer com baixo peso (menos de 2,5 quilos) elevou em 20 vezes a probabilidade de óbito.</p>
<p><img decoding="async" width="1140" height="599" class="size-full wp-image-583490 aligncenter" src="https://revistapesquisa.fapesp.br/wp-content/uploads/2026/05/rpf-gravidez-adolescencia-2026-05-1140-3.jpg" alt="" srcset="https://revistapesquisa.fapesp.br/wp-content/uploads/2026/05/rpf-gravidez-adolescencia-2026-05-1140-3.jpg 1140w, https://revistapesquisa.fapesp.br/wp-content/uploads/2026/05/rpf-gravidez-adolescencia-2026-05-1140-3-250x131.jpg 250w, https://revistapesquisa.fapesp.br/wp-content/uploads/2026/05/rpf-gravidez-adolescencia-2026-05-1140-3-700x368.jpg 700w, https://revistapesquisa.fapesp.br/wp-content/uploads/2026/05/rpf-gravidez-adolescencia-2026-05-1140-3-120x63.jpg 120w" sizes="(max-width: 1140px) 100vw, 1140px" /><span class="media-credits-inline">Natália Gregorini</span></p>
<p>“É preciso melhorar o cuidado dessas gestantes, de modo a garantir que façam um bom pré-natal, porque nessa fase é possível controlar muitos fatores que podem influenciar o desenvolvimento do bebê”, afirma o pediatra Tulio Konstantyner, da Unifesp. Ele é coautor dos dois trabalhos, que mostraram ainda que os óbitos nas primeiras semanas de vida estão concentrados nos municípios com menor nível de desenvolvimento socioeconômico.</p>
<p>O acompanhamento mais próximo dessas meninas-gestantes, no entanto, ainda está longe do desejável. As evidências vêm da comparação de dados das duas edições do estudo “Nascer no Brasil”, que, com uma década de separação, entrevistou milhares de mulheres nas primeiras horas após o parto em centenas de municípios brasileiros. Na primeira edição, realizada em 2010 e 2011, a equipe da médica sanitarista Maria do Carmo Leal falou com 23,8 mil puérperas em 191 cidades. Desse total, cerca de 4,5 mil (19%) eram adolescentes. Apenas metade dessas garotas, constataram os pesquisadores, havia iniciado o pré-natal até a 12ª semana de gravidez e comparecido ao número mínimo de consultas – na época, seis.</p>
<p>Na edição mais recente, feita entre 2021 e 2025, as menores de 19 anos representavam 12% das 24,3 mil entrevistadas. Novamente, apenas metade começou o pré-natal no período preconizado pelo Ministério da Saúde e compareceu ao mínimo de consultas – entre as mulheres com mais de 35 anos a proporção ultrapassa os 70%.</p>
<p>Talvez por esse motivo, dois indicadores da saúde dos recém-nascidos praticamente não mudaram no período. Dos filhos das adolescentes, 12,7% haviam nascido prematuros (antes de completar a 37ª semana da gestação) na década passada. Agora, foram 12,3% – a média nacional para filhos de mulheres de todas as idades oscilou entre 10,9% e 11,9% no período, de acordo com dados do Ministério da Saúde. A proporção de bebês com baixo peso ao nascer era de 11% no “Nascer no Brasil I” e 10% na versão atual, segundo dados compilados pela epidemiologista Silvana Granado Gama, da Fiocruz, coordenadora-adjunta do estudo, a pedido de <em>Pesquisa FAPESP</em>. Já a fração de óbito nas primeiras semanas de vida quase dobrou, passando de 1% para 1,9%.</p>
<p>Em uma avaliação recente dos dados apenas do Rio de Janeiro, Gama constatou que as mães adolescentes receberam pior assistência das equipes de saúde do que as mais velhas. Por exemplo, era menor a probabilidade de receberem orientação sobre qual maternidade deviam procurar para dar à luz e sobre a possibilidade de terem um acompanhante, segundo os resultados publicados em 2025 na <em>Revista de Saúde Pública</em>. “As gestantes jovens em particular são as que deveriam receber mais orientação, porque são mais inexperientes”, conta a epidemiologista. “Ter a informação sobre qual é o hospital mais adequado para as receber reduz a probabilidade de que tenham de peregrinar de uma maternidade a outra na hora do parto e diminui o risco de complicações”, explica.</p>
<p>Em termos de custo, a gestação de uma adolescente representa um impacto considerável para o Sistema Único de Saúde (SUS). Em Porto Alegre, pesquisadores do Hospital Moinhos de Vento (HMV) e da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) coletaram informações sobre valores gastos com consultas, vacinação, uso de medicamentos, testes laboratoriais e outros serviços médicos prestados por uma maternidade de referência a 131 gestantes adolescentes e 132 grávidas na faixa dos 20 aos 30 anos.</p>
<p>A gestação de cada garota com idade entre 10 e 19 anos custou aos cofres públicos, em média, R$ 3.325,69, enquanto a das adultas saiu por R$ 2.868,64. Isso quando as grávidas são saudáveis e tudo vai bem – uma das razões da diferença de valores foram as internações mais prolongadas das adolescentes. No caso de intercorrências, os custos unitários sobem um pouco, para, respectivamente, R$ 3.528,26 e R$ 2.965,08. Já a preexistência de uma enfermidade eleva em 60% os gastos com as adolescentes (R$ 5.330,04), enquanto com as adultas quase não<br />
muda, de acordo com artigo publicado em 2024 no <a href="https://www.tandfonline.com/doi/full/10.1080/13625187.2024.2416587" target="_blank" rel="noopener"><em>European Journal of Contraception &amp; Reproductive Health Care</em></a>. Ao extrapolar os valores para o total de gestantes em cada faixa etária, os pesquisadores concluíram que o país gasta, por ano, em torno de R$ 1,2 bilhão para atender as futuras mães com idade entre 10 e 19 anos e R$ 3,8 bilhões com as mulheres entre 20 e 30 anos, que são em número mais elevado (<em>ver gráfico abaixo</em>).</p>
</div><div class='overflow-responsive-img' style='text-align:center'><picture data-tablet="/wp-content/uploads/2026/05/RPF-gravidezadolescencia-2026-05-info4-1140.png" data-tablet_size="1140x500" alt="Gráfico mostra o impacto financeiro da gestação">
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  </picture><span class="embed media-credits-inline">Alexandre Affonso / Revista Pesquisa FAPESP</span></div><div class="post-content sequence">
<p>Esses, no entanto, são apenas os custos mais facilmente mensuráveis. “A gestação na adolescência representa uma importante carga clínica, econômica e social no Brasil, que extrapola as despesas diretas com os atendimentos no pré-natal, parto e puerpério”, lembra a nutricionista Bruna Marmett, da Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre (UFCSPA), primeira autora do estudo.</p>
<p>A psicóloga e sanitarista Cristiane Cabral, da Faculdade de Saúde Pública da USP, estuda o comportamento reprodutivo e sexual dos jovens há quase 30 anos e entende a gestação na adolescência como um fenômeno com múltiplas camadas. “Ela pode ocorrer em contextos sociais muito distintos. Além disso, acontece muitas vezes de forma imprevista e envolve um processo complexo de assimilação tanto da jovem quanto da família”, explica.</p>
<p>Em termos de saúde, a gestação na adolescência produz um impacto imediato, enquanto a garota alimenta o bebê em seu ventre. Mas também pode gerar efeitos tardios e mais duradouros, como os psicológicos, sociais e econômicos.</p>
<p>Em um estudo publicado este ano na revista <a href="https://www.mdpi.com/2076-328X/16/2/221" target="_blank" rel="noopener"><em>Behavioral Sciences</em></a>, pesquisadores do Instituto de Perinatologia do México avaliaram indicadores de saúde mental em 338 meninas com idade entre 11 e 19 anos que haviam tido o primeiro filho. Constataram que uma em cada três apresentava sinais compatíveis com os de depressão, 18% de ansiedade e 67% de baixa autoestima. O risco de apresentar os sinais desses transtornos variou segundo o contexto social em que viviam. As que tinham menos de 15 anos, aquelas que estavam no grupo mais pobre ou as que viviam com outros familiares, além do parceiro e do filho, apresentaram probabilidade maior de ter baixa autoestima. Já as casadas ou que moravam com o pai da criança tinham probabilidade maior de manifestar sinais depressivos. Os riscos de ter baixa autoestima, depressão e experimentar níveis elevados de estresse foram ainda mais altos para as que trabalhavam fora de casa.</p>
<p>Além das mudanças de humor, outras questões costumam aparecer. Ao revisar 15 estudos publicados entre 2014 e 2024 sobre complicações médicas e efeitos psicossociais da gestação na adolescência, pesquisadores da Universidade de Sherbrooke, no Canadá, elencaram também a falta de apoio social e a dificuldade de se relacionar com outras pessoas, em especial familiares e amigos; o surgimento de problemas financeiros; o desafio de se equilibrar entre os cuidados da criança e as atividades que realizava antes; e a perpetuação intergeracional da gravidez, como se viu na novela <em>Três Graças</em>, da Rede Globo, na qual as personagens principais são mulheres de uma mesma família – mãe, filha e neta – que engravidaram na adolescência. Os detalhes estão em um artigo deste ano na <a href="https://link.springer.com/article/10.1186/s12889-026-26269-9" target="_blank" rel="noopener"><em>BMC Public Health</em></a>.</p>
<p>Diversos trabalhos feitos no Brasil e no exterior já associaram a gestação na adolescência à manutenção da pobreza. Seria um problema cíclico. Mais frequente em comunidades mais pobres e desassistidas de serviços, a gravidez nessa etapa da vida atrapalharia a conclusão dos estudos e a obtenção de empregos que exigem maior qualificação e pagam mais. Os filhos dessas mulheres, por sua vez, teriam menos oportunidades de acesso a boa educação e bons serviços de saúde, ficando expostos aos fatores que levaram suas mães a engravidar cedo.</p>
<p><img decoding="async" width="800" height="1020" class="size-full wp-image-583494 alignright" src="https://revistapesquisa.fapesp.br/wp-content/uploads/2026/05/rpf-gravidez-adolescencia-2026-05-5-800.jpg" alt="" srcset="https://revistapesquisa.fapesp.br/wp-content/uploads/2026/05/rpf-gravidez-adolescencia-2026-05-5-800.jpg 800w, https://revistapesquisa.fapesp.br/wp-content/uploads/2026/05/rpf-gravidez-adolescencia-2026-05-5-800-250x319.jpg 250w, https://revistapesquisa.fapesp.br/wp-content/uploads/2026/05/rpf-gravidez-adolescencia-2026-05-5-800-700x893.jpg 700w, https://revistapesquisa.fapesp.br/wp-content/uploads/2026/05/rpf-gravidez-adolescencia-2026-05-5-800-120x153.jpg 120w" sizes="(max-width: 800px) 100vw, 800px" /><span class="media-credits-inline">Natália Gregorini</span></p>
<p>Anos atrás, a economista Ana Lúcia Kassouf, da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq-USP), usou dados da Pesquisa Nacional de Saúde, de 2013, para estimar como a gestação na adolescência havia afetado a vida de mulheres que agora tinham entre 20 e 49 anos. O estudo, publicado em 2020 no <em>Partnership for Economic Policy Working Paper</em>, concluiu que ter filho muito cedo reduziu, em média, em 1,3 ano o nível de escolaridade dessas mães, em comparação com o daquelas que só engravidaram depois de adultas. Ter filho cedo aumentou a probabilidade de essas mulheres entrarem no mercado de trabalho, refletindo a necessidade imediata de renda. Em geral, porém, eram ocupações em atividades informais e menos bem remuneradas. Ao chegar à idade adulta, as mulheres que foram mães na adolescência, independentemente de fatores como cor e nível de escolaridade, entre outros, ganhavam significativamente menos (até 30%, dependendo do modelo usado) do que as que experimentaram a maternidade apenas mais tarde.</p>
<p>Um pouco antes, a nutricionista Denise Gigante, da UFPel, havia observado algo parecido em Pelotas, no Rio Grande do Sul, ao verificar o impacto que ter filho na adolescência produzia no longo prazo sobre o nível educacional e a renda. Ao chegar aos 30 anos, as mulheres que haviam gerado uma criança entre os 16 e os 19 anos tinham, em média, 2,8 anos a menos de estudo do que as que não tiveram filhos. A redução na escolaridade foi ainda maior, de 4,4 anos, quando a gestação ocorreu entre os 11 e os 15 anos, de acordo com os resultados, publicados em 2018 na revista <a href="https://obgyn.onlinelibrary.wiley.com/doi/epdf/10.1111/1471-0528.15428" target="_blank" rel="noopener"><em>BJOG</em></a>.</p>
<p>As mulheres que haviam sido mães na adolescência também ganhavam menos do que as sem filhos. A renda era 49% menor quando haviam tido o primeiro filho entre os 16 e os 19 anos e 33% mais baixa se tivessem se tornado mães entre os 11 e os 15 anos. Para os homens, tornar-se pais durante a adolescência não reduziu os rendimentos mais tarde na vida.</p>
<p>Há tempos se sabe, porém, que esse efeito da gestação precoce sobre a escolaridade e o trabalho, apesar de bem documentado na literatura científica, não se manifesta da mesma forma em todas as situações. Em 1997, o sociólogo Carlos Stern, do Colégio de México, instituição de ensino superior especializada em ciências sociais e humanas, publicou na revista <em>Salud Pública de México</em> um ensaio crítico no qual rebate o argumento – já então bem disseminado – de que a gravidez na adolescência seria um mecanismo de transmissão de pobreza entre gerações.</p>
<p>“O fato de a gravidez precoce ser frequentemente associada à pobreza não implica que seja um fenômeno que leve à pobreza nem que a perpetue”, afirmou. Ele atribui esse tipo de gestação principalmente às condições socioeconômicas e culturais da população mexicana, que, em algumas situações, a valoriza para a formação precoce da família, e, em outras, utiliza-se dela para sair da casa dos pais e escapar de situações de violência e abuso. Stern relatou ainda que, segundo as evidências disponíveis à época, a maioria das adolescentes grávidas já havia abandonado a escola antes de engravidar, o que tornava improvável que a gestação fosse o motivo de interrupção dos estudos.</p>
<p>Na virada do século, a historiadora e antropóloga Maria Luiza Heilborn, da Uerj, observou algo semelhante no Brasil. No estudo “Gravidez na adolescência (Gravad)”, ela e colaboradores entrevistaram 4.634 homens e mulheres de 18 a 24 anos no Rio de Janeiro, em Porto Alegre e Salvador. Constaram que 47% das mulheres que foram mães na adolescência já não frequentavam a escola quanto tiveram o primeiro filho. O mesmo ocorreu com 53% dos homens. Além disso, 19% das mulheres e 65% dos rapazes já trabalhavam. Em média, 45% das famílias ficaram felizes com a notícia da chegada de um novo integrante e 26% ofereceram ajuda para criar a criança, segundo dados publicados em 2011 na revista <a href="https://onlinelibrary.wiley.com/doi/10.5402/2011/975234" target="_blank" rel="noopener"><em>ISRN Obstetrics and Gynecology</em></a>.</p>
<p>Heilborn e Cabral, coautora do artigo, notaram uma clara distinção de acordo com o nível socioeconômico. No segmento social mais pobre, com ausência de perspectiva acadêmica e profissional, tornar-se mãe representava uma mudança de <em>status</em> desejada pela mulher. Já nas classes média e alta, a maternidade era entendida como uma experiência a ser vivida mais tarde, com a situação profissional e a financeira consolidadas. “Essa concepção ideal de passagem para a vida adulta ignora que a disponibilidade de oportunidades sociais não é oferecida em condições iguais para jovens de diferentes classes sociais”, lembram Heilborn e Cabral.</p>
<p>Não há saída simples para reduzir ainda mais as gestações na adolescência, que não são planejadas em mais da metade – às vezes, 80% – dos casos. Estratégias de prevenção da gravidez são necessárias, mas não bastam. Segundo os estudiosos do assunto ouvidos por <em>Pesquisa FAPESP</em>, é preciso também proporcionar ensino de qualidade, que permita qualificar melhor para o mercado de trabalho; mais acesso aos serviços de saúde; e maior disponibilidade de creches, para facilitar o retorno da adolescente aos estudos. “Os jovens querem mais informação sobre sexualidade, que é assunto pouco discutido na escola e ainda um tabu em casa”, constatou Cabral em estudo qualitativo feito há dois anos para avaliar a necessidade de uma nova edição do Gravad. “Falar sobre sexualidade ajuda a prepará-los para vivê-la de modo saudável e responsável. Não falar os deixa desprotegidos.”</p>
<p class="bibliografia separador-bibliografia"><strong>Projeto<br />
</strong>Tendência secular, evolução espacial e condições maternas e neonatais associadas à mortalidade neonatal precoce e tardia decorrente de distúrbios respiratórios, infecções, anomalias congênitas e asfixia perinatal no estado de São Paulo entre 2002-2015 (<a href="https://bv.fapesp.br/pt/auxilios/99312/tendencia-secular-evolucao-espacial-e-condicoes-maternas-e-neonatais-associadas-a-mortalidade-neonat/" target="_blank" rel="noopener">nº 17/03748-7</a>); <strong>Modalidade</strong> Projeto Temático; <strong>Pesquisadora responsável</strong> Ruth Guinsburg (Unifesp); <strong>Investimento</strong> R$ 927.500,94.</p>
<p class="bibliografia"><strong>Artigos científicos<br />
</strong>MONTEIRO, D. L. M. <em>et al. </em><a href="https://www.scielo.br/j/ramb/a/M85fFkGNHvbdjsWTP5XPCkp/?lang=en" target="_blank" rel="noopener">Trends in teenage pregnancy in Brazil in the last 20 years (2000-2019)</a>. <strong>Revista da Associação Médica Brasileira</strong>. jun. 2021.<br />
MARTINEZ, E. Z. e DA ROZA, D. L. <a href="https://www.sciencedirect.com/science/article/abs/pii/S187151921930068X?via%3Dihub" target="_blank" rel="noopener">Ecological analysis of adolescent birth rates in Brazil: Association with Human Development Index</a>. <strong>Women and Birth</strong>. mar. 2020.<br />
BARROS, A. J. D. <em>et al</em>. <a href="https://www.scielo.br/j/csp/a/R8chbWN4Vtsvz3qs7NMDFRw/?lang=pt">Maternidade na adolescência no Brasil: Altas taxas de fecundidade e desigualdades gritantes entre municípios e regiões</a>. <strong>Cadernos de Saúde Pública</strong>. 6 fev. 2026.<strong><br />
</strong>VIEIRA E OLIVEIRA, C. N. <em>et al</em>. <a href="https://bmjopen.bmj.com/content/15/11/e106373" target="_blank" rel="noopener">Clusters of adolescent pregnancies and neonatal deaths in São Paulo state, Brazil: A population-based spatial analysis with a socioeconomic approach</a>. <strong>BMJ Open</strong>. 5 nov. 2025.<strong><br />
</strong>VIEIRA E OLIVEIRA, C. N. <em>et al</em>. <a href="https://link.springer.com/article/10.1186/s12884-025-07202-1">Live births and deaths of neonates born to adolescent mothers: Analysis of trends and associations from a population study in a region of a middle-income country</a>. <strong>BMC Pregnancy and Childbirth</strong>. 19 fev. 2025.<br />
GAMA, S. G. N. <em>et al.</em> <a href="https://www.scielosp.org/article/rsp/2025.v59suppl1/e9s/pt/" target="_blank" rel="noopener">Desfechos maternos e perinatais em adolescentes e mulheres com idade materna avançada</a>. <strong>Revista de Saúde Pública</strong>. 20 out. 2025.<br />
MARMETT, B. <em>et al</em>. <a href="https://www.tandfonline.com/doi/full/10.1080/13625187.2024.2416587" target="_blank" rel="noopener">The cost burden of adolescent and young adult pregnancy: Real-world evidence from the Brazilian public health care system</a>. <strong>The European Journal of Contraception &amp; Reproductive Health Care</strong>. 30 out. 2024.<br />
HERNÁNDEZ-CHÁVEZ, C. <em>et al</em>. <a href="https://www.mdpi.com/2076-328X/16/2/221" target="_blank" rel="noopener">Mental health in pregnant adolescents: Associations with family structure, educational continuity, and marital status</a>. <strong>Behavioral Sciences</strong>. 3 de fev. 2026.<br />
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KASSOUF, A. L. <em>et al</em>. <a href="https://papers.ssrn.com/sol3/papers.cfm?abstract_id=3673549" target="_blank" rel="noopener">Examining the impact of early childbearing on labor outcomes in Brazil</a>. 2020.<br />
GIGANTE, D. P. <em>et al</em>. <a href="https://obgyn.onlinelibrary.wiley.com/doi/epdf/10.1111/1471-0528.15428" target="_blank" rel="noopener">Adolescent parenthood associated with adverse socio-economic outcomes at age 30 years in women and men of the Pelotas, Brazil: 1982 birth cohort study</a>.<strong> BJOG. </strong>12 ago. 2018.<br />
STERN, C. <a href="https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/9254438/" target="_blank" rel="noopener">El embarazo en la adolescencia como problema público: Una visión crítica</a>. <strong>Salud Pública de México</strong>. mar-abr. 1997.<br />
HEILBORN, M. L. e CABRAL, C. S. <a href="https://pmc.ncbi.nlm.nih.gov/articles/PMC3170800/">A new look at teenage pregnancy in Brazil</a>. <strong>ISRN – Obstetrics and Gynecology</strong>. 5 set. 2011.</p>
]]></content:encoded>
					
		
		
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		<item>
		<title>Historiadora francesa defende museus engajados nos debates do presente</title>
		<link>https://revistapesquisa.fapesp.br/historiadora-francesa-defende-museus-engajados-nos-debates-do-presente/?utm_source=rss&#038;utm_medium=rss&#038;utm_campaign=historiadora-francesa-defende-museus-engajados-nos-debates-do-presente</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Guilherme Costa]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 03 May 2026 12:57:55 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Entrevista]]></category>
		<category><![CDATA[Humanidades]]></category>
		<category><![CDATA[História]]></category>
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					<description><![CDATA[Para Aurélie Clemente-Ruiz, do Museu do Homem, em Paris, essas instituições devem ir além da conservação do patrimônio e ajudar as pessoas a pensar sobre o mundo em que vivem]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>Foram as viagens pelo mundo árabe na juventude que despertaram na historiadora francesa Aurélie Clemente-Ruiz a vontade de confrontar diferentes formas de criar e pensar a arte. Nesse exercício de alteridade, ela descobriu não apenas um objeto de pesquisa, mas também a convicção de que o encontro com o outro é, acima de tudo, um caminho para o autoconhecimento.</p>
<p>Essa perspectiva orientou sua atuação por mais de duas décadas no Instituto do Mundo Árabe, em Paris, onde de 2001 a 2020 dirigiu exposições voltadas ao diálogo intercultural, e também como professora na Universidade Sorbonne em Abu Dhabi, nos Emirados Árabes Unidos, além da Escola do Louvre, na França. Em 2021, ingressou no Museu do Homem, na capital francesa, como diretora de exposições e, no ano seguinte, assumiu a direção geral, tornando-se a primeira mulher à frente da instituição desde sua criação, em 1938. O museu reúne coleções da pré-história, de antropologia biológica e cultural, assim como um centro de pesquisa, ensino, formação e divulgação sobre a evolução do homem e das sociedades.</p>
<p>Defensora de uma museologia engajada, a historiadora sistematizou essa visão no livro recém-lançado <em>Pour un musée engagé – Transmettre, interroger, inspirer </em>(Editions de l’Aube e Fondation Jean-Jaurès, 2025), ainda inédito no Brasil. Nele, propõe o museu como espaço de diálogo, formação cidadã e reflexão sobre temas como desigualdade e diversidade cultural.</p>
<p>Em março, Clemente-Ruiz esteve em São Paulo para realizar a abertura do ciclo Conferências FAPESP 2026. Na ocasião, aproveitou para visitar uma série de instituições culturais, como o Museu do Futebol e o Museu de Arte de São Paulo (Masp). “No Brasil, percebi um público mais jovem e uma relação mais descontraída com esses espaços, o que me pareceu muito revigorante. Temos muito a aprender com isso”, contou em entrevista concedida a <em>Pesquisa FAPESP</em>.</p>
<p>Você é a primeira mulher a dirigir o Museu do Homem. Em que medida isso se reflete na sua gestão e nas suas prioridades institucionais?<br />
Não sei se o fato de ser mulher influencia diretamente minhas escolhas ou minha gestão, mas certamente me torna mais atenta ao lugar das mulheres nos projetos que desenvolvemos, assim como à presença de diferentes minorias e comunidades, garantindo representatividade real dentro do museu. Nosso objetivo não é impor um único ponto de vista, mas estar abertos à escuta e oferecer aos nossos visitantes uma pluralidade de perspectivas.</p>
<p><strong>Vivemos em um mundo polarizado politicamente, com uma crescente fragmentação social. Que papel os museus podem desempenhar na reconstrução de laços coletivos?</strong><br />
O museu cumpre um duplo papel: preserva coleções e atua como espaço de debate, promovendo diálogo entre diferentes perspectivas. Em um mundo polarizado e fragmentado, nossa função é contextualizar histórica, cultural, social e politicamente os acontecimentos, evidenciando nuances. No Museu do Homem, trabalhamos de forma transdisciplinar para mostrar que não existe apenas uma maneira de compreender a realidade: fatos científicos convivem com múltiplas interpretações, abordagens e sensibilidades. Essa diversidade de olhares é justamente o que torna o museu um espaço rico e capaz de contribuir para a reconstrução de laços coletivos.</p>
<p><strong>No livro recém-lançado, você apresenta o museu como um espaço de abertura ao outro e como um exercício de alteridade. Como essa ideia se traduz na prática e que experiências tornam isso possível?</strong><br />
O museu precisa dialogar com questões contemporâneas, conectando-se à realidade do dia a dia das pessoas. No ano passado, por exemplo, organizamos a exposição <em>Migrações, uma odisseia humana</em>, abordando um tema muito debatido na França e em outras partes do mundo. O objetivo foi apresentar dados científicos, contextualizar o fenômeno historicamente e ampliá-lo para uma perspectiva global, mostrando por que as pessoas migram e quais são as consequências. Não se trata de julgar se a migração é boa ou ruim, mas de oferecer compreensão. A exposição, que recebeu mais de 200 mil visitantes, foi complementada por debates, conferências e oficinas para jovens, permitindo que experimentassem na prática o que significa ser migrante e exercitar a alteridade.</p>
<p><strong>Você acredita que os museus podem ir além da conservação do patrimônio e ajudar as pessoas a pensar sobre o lugar que ocupam no complexo mundo de hoje?</strong><br />
Sim. A coleção existe e é importante porque alimenta a reflexão, mas não é suficiente em si mesma. Ela está lá para nos fazer pensar sobre nós enquanto humanos, sobre o mundo que nos rodeia e sobre o que queremos para o amanhã, em que mundo queremos viver. Há também uma dimensão ecológica que não podemos ignorar. Tentamos abordá-la sem culpar as pessoas, mas com uma perspectiva holística e ampla. O homem está sempre inserido em um ambiente, onde quer que esteja, e cada ação individual gera um impacto coletivo. O museu está talvez na fronteira disso, pensando o individual e o coletivo com consciência longitudinal. Afinal, estamos aqui também para conservar coleções, mas o que conservamos para as gerações futuras?</p>
<blockquote><p>Acho os museus brasileiros mais avançados nas questões de acessibilidade e democratização social do que os europeus</p></blockquote>
<p><strong>Nesse contexto, os museus devem se posicionar nos debates contemporâneos ou manter uma postura de neutralidade?</strong><br />
Na prática, é possível conciliar os dois. Em um museu público, precisamos manter certa neutralidade, pois não estamos ali para tomar partido. Mas isso não significa ser indiferente: um museu evolui dentro de um contexto social, cultural e político, e isso exige escolhas. Nenhuma instituição é totalmente neutra, porque todos somos influenciados pelo que nos cerca. A diferença está entre engajamento e militância, e é nessa fronteira que procuro atuar. Também acompanho o que outras instituições vêm fazendo nesse sentido. O Museu d’Orsay, em Paris, por exemplo, reúne um acervo magnífico de arte do século XIX, especialmente pinturas de paisagens. Recentemente, criaram um percurso mostrando aos visitantes como essas paisagens se relacionam com a crise ambiental atual. É um espaço de belas-artes que propõe uma experiência sobre um tema extremamente contemporâneo, fazendo as pessoas refletirem sobre sua relação com o meio ambiente. Ou seja, os museus podem se engajar a partir das próprias coleções, sem abrir mão de sua essência.</p>
<p><strong>E essa instituição deve também ser um espaço de emoção?</strong><br />
Sem dúvida. Existe uma dimensão sensível no museu que é essencial preservar, ou seja, a emoção que surge no encontro com uma obra. É isso que alimenta o diálogo entre o visitante, a criação artística e o contexto ao redor, tornando o museu um espaço singular. Essa experiência não precisa ser uniforme: não somos obrigados a gostar das mesmas obras e essa diversidade de percepções é parte fundamental da experiência. Ao mesmo tempo, é importante lembrar que o museu não existe apenas para exibir o que é considerado “mais belo”, “mais valioso” ou “mais refinado”, como foi comum durante muito tempo. A partir dos anos 1960, houve uma mudança importante nessa visão em países como a França. O museu passou a se afirmar como um espaço mais inclusivo, onde diferentes públicos têm lugar e múltiplas histórias podem ser contadas.</p>
<p><strong>Em seu livro mais recente, você discute os desafios do financiamento, especialmente a tensão entre a busca por recursos para inovar e a necessidade de manter independência em relação a patrocinadores. Que caminhos são possíveis hoje para os museus públicos?</strong><br />
É uma questão complexa. Na França, os recursos públicos vêm diminuindo, o que leva muitas instituições a buscar financiamento privado. Nesse processo, no Museu do Homem, seguimos um princípio ético fundamental: somos nós que definimos os projetos e só depois buscamos parceiros. Nunca o contrário, e jamais alteramos nossos conteúdos em função de financiadores. O problema é que, quando tratamos de temas sensíveis, torna-se mais difícil obter apoio. E isso nos coloca diante de um dilema: ainda é possível sustentar projetos mais ousados contando apenas com recursos públicos? Essa é uma pergunta urgente. Por isso, é essencial fortalecer o diálogo com os gestores públicos, para que compreendam a importância dessas iniciativas. Sem esse apoio, corremos o risco de nos tornar excessivamente dependentes do financiamento privado.</p>
<p><strong>No Brasil, instituições como o Museu do Amanhã, no Rio de Janeiro, adotam um modelo de gestão híbrido, com participação do poder público, da iniciativa privada e da filantropia. Esse formato, que tem ampliado o público e o vínculo com a comunidade, pode ser um caminho para os museus de forma geral?</strong><br />
Os modelos francês e brasileiro são bastante diferentes. Na França, os museus públicos estão vinculados a diferentes esferas do Estado, ou seja, nacional, regional ou municipal, enquanto as iniciativas privadas, em geral, aparecem na forma de fundações empresariais. A combinação desses dois modelos ainda é pouco comum. Historicamente, o Estado teve um papel central na gestão da cultura, mas esse modelo vem sendo questionado nos últimos anos diante da redução dos recursos públicos. Ainda não desenvolvemos um sistema híbrido como o brasileiro, que me parece uma alternativa bastante interessante, especialmente por estimular parcerias e diversificar as fontes de financiamento.</p>
<p><strong>Há diferenças entre os papéis dessas instituições na França e no Brasil?</strong><br />
De modo geral, considero os museus brasileiros mais avançados nas questões de acessibilidade e democratização social do que os franceses e europeus. No nosso caso, o peso de uma tradição museológica mais longa acabou, de certa forma, sacralizando essas instituições. Elas ainda são vistas como espaços quase intocáveis. No Brasil, percebi um público mais jovem e uma relação mais descontraída com esses espaços, o que me pareceu muito revigorante. Temos muito a aprender com isso. Não por acaso, foi no Brasil que nasceu a museologia social, nos anos 1970, justamente com consciência de que os museus têm um papel social e político, estão ligados a um território e precisam dialogar com as comunidades ao seu redor. Na França, esse processo seguiu outro caminho. Por isso mesmo, acredito que o intercâmbio entre nossas instituições é tão importante. Há aprendizados valiosos dos dois lados.</p>
<p><strong>Falando sobre os mais jovens, as redes sociais mudaram profundamente a forma como as pessoas buscam conhecimento e informação. Como isso impacta o papel tradicional dos museus?</strong><br />
É fundamental estar presente no universo digital, produzir conteúdos relevantes e garantir visibilidade, não apenas para atrair visitantes, mas também para existir de fato nesse espaço. Precisamos considerar também outros indicadores, como o número de acessos aos sites ou de downloads de aplicativos dos museus. Isso revela formas de uso que não são presenciais, mas que fazem parte da experiência contemporânea e são igualmente importantes. Se queremos dialogar com as gerações mais jovens, não podemos abrir mão dessa comunicação digital. E não se trata apenas de divulgar atividades: é essencial oferecer conteúdo consistente, que informe, provoque reflexão e gere interesse real.</p>
<p><strong>Você visitou algum museu durante sua estadia em São Paulo? Quais foram suas impressões?</strong><br />
Fui, por exemplo, ao Museu do Futebol, ao Museu de Arte Contemporânea da Universidade de São Paulo [MAC-USP], ao Masp, ao Museu Afro Brasil, além de uma exposição no Sesc Pompeia. Em todos os lugares, o visitante estava no centro da abordagem, os projetos eram dinâmicos e as equipes muito engajadas, mesmo sendo pequenas, em vários casos. Nessas visitas, vi o papel social dos museus acontecendo de verdade, com um nível muito alto de profissionalismo. Todos temos nossas dificuldades de espaço, orçamento e pessoal, mas o que senti aqui foi uma vontade real de fazer acontecer, e isso é sempre muito estimulante.</p>
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		<title>Astronautas da missão lunar Artemis II usaram “relógio” brasileiro para monitorar a saúde</title>
		<link>https://revistapesquisa.fapesp.br/astronautas-da-missao-lunar-artemis-usaram-relogio-brasileiro-para-monitorar-saude/?utm_source=rss&#038;utm_medium=rss&#038;utm_campaign=astronautas-da-missao-lunar-artemis-usaram-relogio-brasileiro-para-monitorar-saude</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Mariana Ceci]]></dc:creator>
		<pubDate>Sat, 02 May 2026 12:57:52 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Ciência]]></category>
		<category><![CDATA[Pesquisa Inovativa em Pequenas Empresas (PIPE)]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://revistapesquisa.fapesp.br/?p=583283</guid>

					<description><![CDATA[Chamado de actígrafo, dispositivo mede as funções vitais durante o sono e a vigília]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>Quando a missão Artemis II partiu em 1º de abril para a primeira viagem tripulada ao redor da Lua em mais de meio século, um pouco da tecnologia brasileira também foi ao espaço pela primeira vez. Atado ao pulso de cada um dos quatros astronautas, um actígrafo desenvolvido no Brasil registrou os ciclos de atividade e de repouso dos norte-americanos Reid Wiseman (comandante do voo espacial), Victor Glover e Christina Koch e do canadense Jeremy Hansen durante a jornada. Esse tipo de dispositivo se parece com um relógio de pulso e registra continuamente dados como movimento corporal, níveis de atividade e exposição à luz, informações sobre o sono, o ritmo biológico e o funcionamento do organismo em ambientes extremos, como o espaço. Discreta, a presença brasileira na missão ajuda a mostrar como o país vem se inserindo, em áreas específicas, nas pesquisas que cercam o retorno humano à Lua.</p>
<p>A Artemis II estabeleceu alguns recordes. A bordo da espaçonave Orion, os astronautas, três da agência espacial norte-americana (Nasa) e um da Agência Espacial Canadense, percorreram 406.777 quilômetros em 10 dias e se tornaram os seres que foram mais longe no espaço. A distância percorrida em sua viagem superou em mais de 6 mil quilômetros o recorde anterior, estabelecido em 1970 pela missão Apollo 13. A tripulação foi a primeira a sobrevoar o chamado lado oculto ou mais afastado da Lua, o hemisfério do satélite que não pode ser visto integralmente da Terra por estar sempre “de costas” para nosso planeta. Coube aos chineses, no entanto, serem os primeiros a pousar um veículo de exploração no lado oculto da Lua, em 2019, e a recolher amostras dessa região, em 2024.</p>
<p>Segundo a Nasa, a Artemis II foi planejada como um voo tripulado de teste no espaço lunar, destinado a validar tecnologias, operações e procedimentos que serão fundamentais para as próximas etapas do programa, voltadas ao pouso de astronautas na superfície lunar e, futuramente, ao estabelecimento de uma presença humana mais duradoura no satélite. Uma possível base lunar também serviria de uma espécie de primeiro passo para uma viagem a Marte. Entre os aspectos avaliados na Artemis II estão a capacidade de sustentar a tripulação durante a viagem e o retorno à Terra, o funcionamento de sistemas críticos da cápsula Orion e a resposta a situações de emergência, como abortamentos e resgates.</p>
<p>Resultado de 20 anos de desenvolvimento, a tecnologia brasileira que deu origem ao actígrafo utilizado na missão ajudou a monitorar os ritmos circadianos dos astronautas, responsáveis por regular funções vitais como sono, temperatura corporal, metabolismo e produção hormonal. O dispositivo foi desenvolvido pela empresa paulista Condor Instruments, criada por egressos da Escola Politécnica da Universidade de São Paulo (Poli-USP). Estudos feitos pelos biólogos Luiz Silveira Menna Barreto e Mario Pedrazzoli, da Escola de Artes, Ciências e Humanidades (EACH) da USP, serviram de apoio à concepção do produto.</p>
<div id="attachment_583288" style="max-width: 810px" class="wp-caption alignright vertical"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-583288 size-full" src="https://revistapesquisa.fapesp.br/wp-content/uploads/2026/04/RPF-artemis-batata-doce-2026-05-800.jpg" alt="" width="800" height="800" srcset="https://revistapesquisa.fapesp.br/wp-content/uploads/2026/04/RPF-artemis-batata-doce-2026-05-800.jpg 800w, https://revistapesquisa.fapesp.br/wp-content/uploads/2026/04/RPF-artemis-batata-doce-2026-05-800-250x250.jpg 250w, https://revistapesquisa.fapesp.br/wp-content/uploads/2026/04/RPF-artemis-batata-doce-2026-05-800-700x700.jpg 700w, https://revistapesquisa.fapesp.br/wp-content/uploads/2026/04/RPF-artemis-batata-doce-2026-05-800-120x120.jpg 120w" sizes="auto, (max-width: 800px) 100vw, 800px" /><p class="wp-caption-text"><span class="media-credits-inline">Paula Rodrigues</span>Desenvolvimento de cultivos na Embrapa para pesquisas em agricultura espacial<span class="media-credits">Paula Rodrigues</span></p></div>
<p>Fundada em 2013 com o apoio do Programa Pesquisa Inovativa em Pequenas Empresas (Pipe) da FAPESP, a Condor passou a desenvolver, a partir do protótipo criado pelos pesquisadores da EACH, uma versão apta a chegar ao mercado. Em 2023, a empresa foi procurada pela Nasa, que havia aberto uma chamada para selecionar tecnologias capazes de monitorar o ritmo circadiano dos astronautas da missão. Ao final do processo, o actígrafo brasileiro foi escolhido entre os concorrentes.</p>
<p>O dispositivo é vendido por US$ 700 (cerca de R$ 3,5 mil) no mercado externo, que atualmente concentra a maior parte da clientela da empresa, e por cerca de R$ 3 mil no Brasil. “O preço do actígrafo no Brasil é mais baixo porque sabemos das dificuldades de financiamento enfrentadas pelos centros de pesquisa daqui e queremos estimular os estudos como esse tipo de dispositivo”, afirma o engenheiro mecatrônico Rodrigo Okamoto, um dos fundadores da Condor.</p>
<p>A limitação orçamentária para a pesquisa também se impõe a outros grupos brasileiros envolvidos em estudos ligados ao programa Artemis como um todo, não especificamente ao voo da Orion realizado em abril. Desde que se tornou signatário dos Acordos Artemis, em 2021, o Brasil passou a integrar iniciativas internacionais associadas à nova fase da exploração lunar. Entre elas está uma rede de pesquisadores voltada à produção de alimentos no espaço, campo conhecido como agricultura espacial, ou <em>space farming</em> (<a href="https://revistapesquisa.fapesp.br/pesquisadores-brasileiros-investigam-o-crescimento-de-plantas-fora-da-terra/" target="_blank" rel="noopener"><em>ver</em> Pesquisa FAPESP <em>nº 339</em></a>). Coordenada pela Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), a Rede Space Farming Brazil reúne 24 instituições e cerca de 60 pesquisadores.</p>
<p>A rede se organiza em cinco grandes áreas: gestão; melhoramento genético de plantas no espaço; adaptação do ambiente de cultivo; microbiologia espacial com fins de promoção de crescimento vegetal para tratamento de resíduos ou consumo humano; e desenvolvimento experimental, etapa que busca converter essas diferentes frentes em tecnologias com potencial de aplicação em missões espaciais ou de introdução no mercado brasileiro. “Cada parceiro tem uma expertise diferente e, como todas as instituições são públicas, a ideia é não duplicar esforços, otimizando recursos e trabalho”, relata a agrônoma Alessandra Fávero, da Embrapa, que coordena a Space Farming Brazil.</p>
<div id="attachment_583292" style="max-width: 1150px" class="wp-caption aligncenter"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-583292 size-full" src="https://revistapesquisa.fapesp.br/wp-content/uploads/2026/04/RPF-artemis-equipe-2026-05-1140.jpg" alt="" width="1140" height="599" srcset="https://revistapesquisa.fapesp.br/wp-content/uploads/2026/04/RPF-artemis-equipe-2026-05-1140.jpg 1140w, https://revistapesquisa.fapesp.br/wp-content/uploads/2026/04/RPF-artemis-equipe-2026-05-1140-250x131.jpg 250w, https://revistapesquisa.fapesp.br/wp-content/uploads/2026/04/RPF-artemis-equipe-2026-05-1140-700x368.jpg 700w, https://revistapesquisa.fapesp.br/wp-content/uploads/2026/04/RPF-artemis-equipe-2026-05-1140-120x63.jpg 120w" sizes="auto, (max-width: 1140px) 100vw, 1140px" /><p class="wp-caption-text"><span class="media-credits-inline">Nasa</span>Astronautas da missão levaram em seu pulso um actígrafo desenvolvido no Brasil, dispositivo na forma de um relógio que mede funções vitais<span class="media-credits">Nasa</span></p></div>
<p>As pesquisas da rede concentram-se em duas plantas: o grão-de-bico e a batata-doce. A escolha foi guiada por critérios nutricionais, genéticos e fisiológicos. Cada 100 gramas (g) de grão-de-bico tem cerca de 21 g de proteínas. A batata-doce é uma fonte importante de carboidratos complexos, que liberam energia de forma gradual e evitam picos de insulina. Além disso, o tubérculo pode apresentar maior tolerância à radiação, um atributo importante para cultivos que, no espaço, estarão expostos a esse tipo de ameaça, da qual são protegidos na Terra pela atmosfera. “As escolhas se complementam: uma é mais simples, a outra mais complexa; uma é rica em proteínas, a outra em carboidratos. A ideia é verificar como essas diferentes plantas se comportam”, diz Fávero.</p>
<p>No laboratório do biólogo Gustavo Maia, da Universidade Federal de Pelotas (UFPel), no Rio Grande do Sul, os efeitos da radiação ionizante sobre plantas formam uma das três principais linhas de pesquisa. As outras duas se concentram nos impactos da microgravidade sobre hortaliças e no desenvolvimento de uma interface planta-computador capaz de captar sinais eletrofisiológicos do organismo vegetal. Esses estímulos elétricos podem ser registrados e analisados para diagnosticar condições específicas das plantas, em uma lógica semelhante à dos eletrocardiogramas usados na medicina.</p>
<p>Para estudar os efeitos da microgravidade, Maia e sua equipe precisaram criar uma versão própria dos equipamentos que simulam essas condições. “Fizemos uma versão ‘faça você mesmo’ que parece estar funcionando bem. O principal desafio na captação de recursos para esse tipo de pesquisa é a ausência de chamadas específicas para pesquisas espaciais, principalmente envolvendo agricultura”, explica o biólogo. Na Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq) da USP, o engenheiro-agrônomo Paulo Hercílio Viegas precisou bancar com recursos próprios os equipamentos usados na construção de um clinostato, aparelho que simula a microgravidade ao submeter amostras biológicas a uma rotação contínua, processo chamado de clinorrotação, capaz de atenuar os efeitos da gravidade ao longo do tempo.</p>
<p>Apesar das dificuldades, algumas pesquisas brasileiras passaram recentemente a fazer parte do cardápio de experimentos espaciais realizados em condições reais de voo. Em 2025, amostras de grão-de-bico e batata-doce foram enviadas em uma missão suborbital da empresa privada norte-americana Blue Origin. Durante a viagem, os alimentos ficaram expostos à microgravidade. O material, atualmente em processo de sequenciamento genômico nos Estados Unidos, deverá retornar ao Brasil para ser analisado por pesquisadores da rede. Um dos participantes do trabalho é o biólogo Carlos Hotta, do Instituto de Química da USP, que investiga os ritmos circadianos das plantas.</p>
<p>Segundo Hotta, o interesse por esse tipo de pesquisa vai além dos desafios de futuras missões espaciais. Em um cenário de mudanças climáticas, com aumento das temperaturas e impactos crescentes sobre a agricultura, compreender como produzir alimentos em ambientes adversos pode gerar aplicações também na Terra. “Temperaturas mais altas, ambientes mais secos, mais baixos ou altos: todo o conhecimento vindo dessa rede vai permitir produzir alimentos de forma mais eficiente em diferentes condições oferecidas pelo planeta”, afirma.</p>
<p>De acordo com a Embrapa, novas amostras, dessa vez de microrganismos, devem ser enviadas em agosto de 2026 a outra missão espacial, a bordo de um foguete suborbital desenvolvido pela Força Aérea Brasileira (FAB). O veículo vai alçar voo a partir do Centro de Lançamento da Barreira do Inferno (CLBI), no Rio Grande do Norte, como parte da Operação Potiguar. “Assim como tivemos a oportunidade de enviar plantas, agora enviaremos os microrganismos promotores de crescimento de plantas”, diz Fávero.</p>
<p class="bibliografia"><strong>Projeto</strong><br />
ActTrust &#8211; desenvolvimento de um actímetro nacional para pesquisas e uso médico (<a href="https://bv.fapesp.br/pt/auxilios/82485/acttrust-desenvolvimento-de-um-actimetro-nacional-para-pesquisas-e-uso-medico/" target="_blank" rel="noopener">n° 13/50078-6</a>); <strong>Modalidade</strong> Pesquisa Inovativa em Pequenas Empresas (Pipe); <strong>Pesquisador responsável</strong> Rodrigo Okamoto (Condor Instruments).</p>
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		<title>Suelia Fleury Rosa</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Pesquisa Brasil]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 01 May 2026 13:05:58 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Entrevistas]]></category>
		<category><![CDATA[Biotecnologia]]></category>
		<category><![CDATA[Engenharia]]></category>
		<category><![CDATA[Medicina]]></category>
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					<description><![CDATA[Aparelho combina curativos de látex e LED para tratar pé diabético]]></description>
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<p><a href="https://revistapesquisa.fapesp.br/tecnologia-une-latex-e-luz-led-para-curar-ulceras-de-portadores-de-pe-diabetico/" target="_blank" rel="noopener">Aparelho combina curativos de látex e LED para tratar pé diabético.</a></p>
<p><em>Apresentação</em>: Fabrício Marques<br />
<em>Produção, roteiro e edição</em>: Sarah Caravieri</p>
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		<title>Carlos Augusto Rosa</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Pesquisa Brasil]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 01 May 2026 13:04:01 +0000</pubDate>
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		<category><![CDATA[Biodiversidade]]></category>
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					<description><![CDATA[Rede de pesquisa usa leveduras brasileira para criar novas cervejas]]></description>
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<p><a href="https://revistapesquisa.fapesp.br/novas-leveduras-ampliam-os-sabores-das-cervejas-nacionais/" target="_blank" rel="noopener">Rede de pesquisa usa leveduras brasileira para criar novas cervejas.</a></p>
<p><em>Apresentação</em>: Fabrício Marques<br />
<em>Produção, roteiro e edição</em>: Sarah Caravieri</p>
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		<title>Jean Carlos Rodrigues da Silva</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Pesquisa Brasil]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 01 May 2026 13:03:04 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Entrevistas]]></category>
		<category><![CDATA[Biodiversidade]]></category>
		<category><![CDATA[Biotecnologia]]></category>
		<category><![CDATA[Tecnologia]]></category>
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					<description><![CDATA[Projeto desenvolve tecnologia nacional para produzir levedura em pó]]></description>
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<p><a href="https://revistapesquisa.fapesp.br/novas-leveduras-ampliam-os-sabores-das-cervejas-nacionais/" target="_blank" rel="noopener">Projeto desenvolve tecnologia nacional para produzir levedura em pó.</a></p>
<p><em>Apresentação</em>: Fabrício Marques<br />
<em>Produção, roteiro e edição</em>: Sarah Caravieri</p>
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		<title>Olival Freire Junior</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Pesquisa Brasil]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 01 May 2026 13:02:08 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Entrevistas]]></category>
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					<description><![CDATA[O CNPq, principal agência federal de apoio à ciência, faz 75 anos]]></description>
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<p>O CNPq, principal agência federal de apoio à ciência, faz 75 anos.</p>
<p><em>Apresentação</em>: Fabrício Marques<br />
<em>Produção, roteiro e edição</em>: Sarah Caravieri</p>
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		<item>
		<title>Diandra de Andrades</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Pesquisa Brasil]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 01 May 2026 13:01:10 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Entrevistas]]></category>
		<category><![CDATA[Tecnologia]]></category>
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					<description><![CDATA[Enzima ajuda a branquear a celulose de um modo mais sustentável]]></description>
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<p>Enzima ajuda a branquear a celulose de um modo mais sustentável.</p>
<p><em>Apresentação</em>: Fabrício Marques<br />
<em>Produção, roteiro e edição</em>: Sarah Caravieri</p>
]]></content:encoded>
					
		
		
			</item>
		<item>
		<title>Inovação na mesa de bar</title>
		<link>https://revistapesquisa.fapesp.br/inovacao-na-mesa-de-bar/?utm_source=rss&#038;utm_medium=rss&#038;utm_campaign=inovacao-na-mesa-de-bar</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Pesquisa Brasil]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 01 May 2026 13:00:46 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Podcast Pesquisa Brasil]]></category>
		<category><![CDATA[Biodiversidade]]></category>
		<category><![CDATA[Biotecnologia]]></category>
		<category><![CDATA[Engenharia]]></category>
		<category><![CDATA[Medicina]]></category>
		<category><![CDATA[Tecnologia]]></category>
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					<description><![CDATA[Podcast mostra o esforço de pesquisadores para criar cervejas usando leveduras da biodiversidade brasileira. E mais: cicatrização; bolsas científicas; papel]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<div
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          06:27          Suelia Fleury Rosa        </li>
              <li data-position="1153">
          19:13          Carlos Augusto Rosa        </li>
              <li data-position="2060">
          34:20          Jean Carlos Rodrigues da Silva        </li>
              <li data-position="2629">
          43:49          Olival Freire Junior        </li>
              <li data-position="3351">
          55:51          Diandra de Andrades        </li>
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<p><strong>Suelia Fleury Rosa</strong>: <a href="https://revistapesquisa.fapesp.br/tecnologia-une-latex-e-luz-led-para-curar-ulceras-de-portadores-de-pe-diabetico/" target="_blank" rel="noopener">Aparelho combina curativos de látex e LED para tratar pé diabético.</a></p>
<p><strong>Carlos Augusto Rosa</strong>: <a href="https://revistapesquisa.fapesp.br/novas-leveduras-ampliam-os-sabores-das-cervejas-nacionais/" target="_blank" rel="noopener">Rede de pesquisa usa leveduras brasileira para criar novas cervejas.</a></p>
<p><strong>Jean Carlos Rodrigues da Silva</strong>: <a href="https://revistapesquisa.fapesp.br/novas-leveduras-ampliam-os-sabores-das-cervejas-nacionais/" target="_blank" rel="noopener">Projeto desenvolve tecnologia nacional para produzir levedura em pó.</a></p>
<p><strong>Olival Freire Junior</strong>: O CNPq, principal agência federal de apoio à ciência, faz 75 anos.</p>
<p><strong>Diandra de Andrades</strong>: Enzima ajuda a branquear a celulose de um modo mais sustentável.</p>
<p><em>Apresentação</em>: Fabrício Marques<br />
<em>Produção, roteiro e edição</em>: Sarah Caravieri</p>
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		<title>Bióloga da Amazônia recebe prêmio Almirante Álvaro Alberto</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Redação]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 28 Apr 2026 11:48:55 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Notas]]></category>
		<category><![CDATA[Biologia]]></category>
		<category><![CDATA[Ecologia]]></category>
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					<description><![CDATA[Maria Teresa Fernandez Piedade, do Inpa, estuda o funcionamento ecológico dos pulsos de inundação]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>A bióloga Maria Teresa Fernandez Piedade, do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa), foi reconhecida com uma das principais premiações da área de ciência e tecnologia no Brasil. Há quase 50 anos ela pesquisa ecologia de ecossistemas na Amazônia, com foco na influência do pulso de inundação sobre a biota.</p>
<p>“Receber o prêmio Almirante Álvaro Alberto é um sonho inimaginável, muitos dos laureados que me precederam foram pessoas de grande importância e influência na minha carreira e vida”, agradeceu ela em entrevista ao Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), citando o geógrafo Aziz Ab’Saber (1927-2012) e a biomédica Helena Nader, presidente da Academia Brasileira de Ciências (ABC).</p>
<p>Piedade foi responsável pelo estabelecimento do Programa Ecológico de Longa Duração (Peld) Maua, que coordenou entre 2013 e 2019. Os estudos sobre ecossistemas de áreas úmidas da Amazônia realizados no âmbito do programa geram dados sobre biodiversidade, dinâmica de carbono e impactos de mudanças antrópicas e do clima nesses ambientes críticos.</p>
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		<title>Aquecimento global empurra corais para ponto de não retorno</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Redação]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 26 Apr 2026 14:05:37 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Vídeos]]></category>
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					<description><![CDATA[Mortalidade em massa registrada entre 2024 e 2025 acende alerta sobre o futuro dos recifes no Brasil e no mundo &#124; 7'28]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p><iframe loading="lazy" title="YouTube video player" src="https://www.youtube.com/embed/gsPkR120eoM?si=0VuUiipwMkF1EVoz" width="560" height="315" frameborder="0" allowfullscreen="allowfullscreen"></iframe></p>
<p>Mortalidade em massa registrada entre 2024 e 2025 acende alerta sobre o futuro dos recifes no Brasil e no mundo.</p>
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			</item>
		<item>
		<title>Um físico que estudou raios cósmicos e construiu o sonar brasileiro</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Suzel Tunes]]></dc:creator>
		<pubDate>Sat, 25 Apr 2026 12:57:11 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Memória]]></category>
		<category><![CDATA[Física]]></category>
		<category><![CDATA[História]]></category>
		<category><![CDATA[Inovação]]></category>
		<category><![CDATA[Tecnologia]]></category>
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					<description><![CDATA[Paulus Pompeia uniu a teoria e a experimentação, projetou equipamentos usados na Segunda Guerra Mundial e ajudou a criar o ITA]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>Quem entra no túnel da avenida 9 de Julho, na cidade de São Paulo, não suspeita que está passando por um dos marcos históricos da ciência brasileira. Em 1939, na obra ainda em construção, ali estava o jovem Paulus Aulus Pompeia (1911­‑1993), sob a orientação do físico Gleb Wataghin (1899­‑1986), fazendo medições de raios cósmicos, partículas subatômicas de alta energia que bombardeiam a Terra continuamente. Outro cientista da equipe, Marcello Damy de Souza Santos (1914­‑2009), mandou da Universidade de Cambridge, no Reino Unido, o projeto de um dispositivo para a detecção dessas partículas (<em>ver</em> Pesquisa FAPESP <em>n<sup>os </sup>195 e 167</em>). Pompeia analisou os desenhos do equipamento e resolveu construir, ele mesmo, um modelo semelhante.</p>
<div id="attachment_582949" style="max-width: 810px" class="wp-caption alignright vertical"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-582949 size-full" src="https://revistapesquisa.fapesp.br/wp-content/uploads/2026/04/RPF-memoria-paulus-pompeia-raio-cosmico-2026-05-800.jpg" alt="" width="800" height="724" srcset="https://revistapesquisa.fapesp.br/wp-content/uploads/2026/04/RPF-memoria-paulus-pompeia-raio-cosmico-2026-05-800.jpg 800w, https://revistapesquisa.fapesp.br/wp-content/uploads/2026/04/RPF-memoria-paulus-pompeia-raio-cosmico-2026-05-800-250x226.jpg 250w, https://revistapesquisa.fapesp.br/wp-content/uploads/2026/04/RPF-memoria-paulus-pompeia-raio-cosmico-2026-05-800-700x634.jpg 700w, https://revistapesquisa.fapesp.br/wp-content/uploads/2026/04/RPF-memoria-paulus-pompeia-raio-cosmico-2026-05-800-120x109.jpg 120w" sizes="auto, (max-width: 800px) 100vw, 800px" /><p class="wp-caption-text"><span class="media-credits-inline">BLACKETT, P. M. S. <em>et al</em>. <strong>Proceedings of the Royal Society</strong>. 1933 | CAPH / USP</span>Paulus Pompeia integrava a equipe que estudava também os chuveiros de partículas<span class="media-credits">BLACKETT, P. M. S. <em>et al</em>. <strong>Proceedings of the Royal Society</strong>. 1933 | CAPH / USP</span></p></div>
<p>O experimento mostrou que os raios cósmicos tinham a capacidade de penetrar espessas camadas de rocha, o que se confirmou em outros locais, como na mina de Morro Velho, em Minas Gerais. “Com Pompeia e Damy fizemos aparelhos para receber somente partículas de energias muito altas, capazes de atravessar camadas de chumbo e ferro de 20, 40 centímetros. Com isto, fomos os primeiros do mundo a descobrir os <em>showers</em> (chuveiros) penetrantes de partículas elementares, que ainda hoje têm esse nome”, relatou Wataghin em 1975 em entrevista ao Centro de Pesquisa e Documentação de História Contempo­rânea do Brasil da Fundação Getulio Vargas (CPDOC­‑FGV).</p>
<p>As descobertas da equipe do recém­‑criado curso de física da Universidade de São Paulo (USP) foram publicadas em 1940 na <em>Physical Review</em>. “Foi o primeiro trabalho experimental de física brasileira publicado em uma revista científica de alto impacto”, destaca o físico Nelson Studart, professor da Ilum Escola da Ciência, do Centro Nacional de Pesquisas em Energia e Materiais (CNPEM), em Campinas.</p>
<p>Segundo Studart, com essa pesquisa o Brasil se colocava na fronteira internacional do conhecimento. “Os raios cósmicos eram, naquele momento, uma das principais fontes de partículas de alta energia disponíveis para investigação. Antes da construção de grandes aceleradores, eles constituíam um laboratório natural de física de partículas”, comenta.</p>
<div id="attachment_582953" style="max-width: 1150px" class="wp-caption aligncenter"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-582953 size-full" src="https://revistapesquisa.fapesp.br/wp-content/uploads/2026/04/RPF-memoria-paulus-pompeia-tunel-2026-05-1140.jpg" alt="" width="1140" height="702" srcset="https://revistapesquisa.fapesp.br/wp-content/uploads/2026/04/RPF-memoria-paulus-pompeia-tunel-2026-05-1140.jpg 1140w, https://revistapesquisa.fapesp.br/wp-content/uploads/2026/04/RPF-memoria-paulus-pompeia-tunel-2026-05-1140-250x154.jpg 250w, https://revistapesquisa.fapesp.br/wp-content/uploads/2026/04/RPF-memoria-paulus-pompeia-tunel-2026-05-1140-700x431.jpg 700w, https://revistapesquisa.fapesp.br/wp-content/uploads/2026/04/RPF-memoria-paulus-pompeia-tunel-2026-05-1140-120x74.jpg 120w" sizes="auto, (max-width: 1140px) 100vw, 1140px" /><p class="wp-caption-text"><span class="media-credits-inline">Acervo Histórico do IF-USP</span>Ainda em construção, o túnel 9 de Julho evidenciou que os raios cósmicos atravessavam rochas<span class="media-credits">Acervo Histórico do IF-USP</span></p></div>
<p><strong>Físicos convertidos</strong><br />
Ucraniano naturalizado italiano, Wataghin era um físico teórico que havia vindo ao Brasil a convite do engenheiro­‑matemático Theodoro Ramos (1895­‑1935), diretor da então Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras (FFCL) da USP, para criar o curso de física e montar um laboratório experimental. Escolheu um tema de pesquisa de vanguarda e encontrou uma geração de estudantes talentosos. “Marcello Damy e Paulus Pompeia [&#8230;] deram uma ajuda fundamental”, ele comentou no depoimento de 1975. “Eles eram verdadeiros físicos experimentais e sabiam construir circuitos elétricos, soldar, tudo isso.”</p>
<p>Ambos eram jovens pesquisadores convertidos da engenharia para a física, inspirados por Wataghin. Damy havia ingressado no curso de engenharia elétrica da Escola Politécnica (Poli) da USP em 1933, mas migrou para a física, onde se formou em 1936. Pompeia se formou engenheiro em 1935, também na Poli. Filho de Jonas Pompeia, engenheiro eletricista formado pela Universidade de Syracuse, nos Estados Unidos, iniciaria a trajetória acadêmica seguindo os mesmos passos. “Meu pai me ensinou a usar ferramentas e instrumentos elétricos. Isso me deu uma certa vantagem sobre meus colegas de turma, que eram todos de formação teórica. Para terem uma ideia, eu fiz o curso de engenheiro eletricista e nunca um professor meu pegou numa chave de parafuso. Nunca vi um professor de eletricidade fazer uma ligação elétrica. Eles tinham técnicos para executar esses trabalhos, porque se consideravam professores de alto gabarito!”, criticou Pompeia em uma entrevista concedida em 1977 ao sociólogo Simon Schwartzman, no projeto de história da ciência do CPDOC­‑FGV.</p>
<div id="attachment_582945" style="max-width: 810px" class="wp-caption alignright"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-582945 size-full" src="https://revistapesquisa.fapesp.br/wp-content/uploads/2026/04/RPF-memoria-paulus-pompeia-damy-2026-05-800.jpg" alt="" width="800" height="1158" srcset="https://revistapesquisa.fapesp.br/wp-content/uploads/2026/04/RPF-memoria-paulus-pompeia-damy-2026-05-800.jpg 800w, https://revistapesquisa.fapesp.br/wp-content/uploads/2026/04/RPF-memoria-paulus-pompeia-damy-2026-05-800-250x362.jpg 250w, https://revistapesquisa.fapesp.br/wp-content/uploads/2026/04/RPF-memoria-paulus-pompeia-damy-2026-05-800-700x1013.jpg 700w, https://revistapesquisa.fapesp.br/wp-content/uploads/2026/04/RPF-memoria-paulus-pompeia-damy-2026-05-800-120x174.jpg 120w" sizes="auto, (max-width: 800px) 100vw, 800px" /><p class="wp-caption-text"><span class="media-credits-inline">Acervo Histórico do IF-USP</span>Marcello Damy com aparelhos usados para contagem de raios cósmicos, provavelmente na década de 1930<span class="media-credits">Acervo Histórico do IF-USP</span></p></div>
<p>“Meu avô nunca fez discurso, mas seu exemplo nos ensinava a manter a mente aberta diante do conhecimento e não falar de cima para baixo, principalmente com estudantes”, testemunha o físico Raul Abramo, do Instituto de Física da USP. “Trago isso comigo até hoje.”</p>
<p>Abramo é a segunda geração de sua numerosa família – Paulus e Wanda Mat­tos Pimenta Pompeia tiveram 12 re­ben­­tos –, filho de Sílvia Pompeia, que também trilhou uma dupla trajetória, a exemplo do pai: formou­‑se em física e é doutora em psicologia da educação. Ela reconhece em suas escolhas a inspiração do pai. “Toda vez que eu tinha dúvida, ele explicava de uma forma sempre muito interessante, lógica e fácil. O bom professor é aquele que ajuda o aluno a entender, não a decorar”, afirma.</p>
<p>Em 1940, graças à projeção dos estudos brasileiros sobre raios cósmicos e aos contatos de Wataghin, Pompeia foi estudar na Universidade de Chicago, nos Estados Unidos, na equipe do físico norte­‑americano Arthur Compton (1892­‑1962), Prêmio Nobel de Física de 1927. Esse encontro resultaria em outro marco histórico para a física brasileira: “A partir da interação com o Pompeia na Universidade de Chicago, Compton concebeu a ideia de visitar o Brasil para fazer medidas de raios cósmicos, o que aconteceu em meados de 1941 e levou à realização talvez da primeira conferência internacional de física moderna no Brasil, o Simpósio sobre Raios Cósmicos, realizado no Rio de Janeiro, em agosto de 1941”, afirma o físico e historiador da ciência Olival Freire Júnior, presidente do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq).</p>
<p>O jovem físico brasileiro chegou a ser convidado por Compton para trabalhar com ele em um novo e ultrassecreto laboratório montado na Universidade de Chicago, que se tornaria parte do Projeto Manhattan, voltado ao desenvolvimento da bomba atômica. Pompeia declinou, alegando que o Brasil ainda não havia firmado um acordo com os aliados. Segundo Sílvia, ele já previa o que viria a ser a bomba atômica e não queria participar de seu desenvolvimento, ainda que se posicionasse contra o nazifascismo.</p>
<div id="attachment_582941" style="max-width: 810px" class="wp-caption alignright"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-582941 size-full" src="https://revistapesquisa.fapesp.br/wp-content/uploads/2026/04/RPF-memoria-paulus-pompeia-campton-2026-05-800.jpg" alt="" width="800" height="1019" srcset="https://revistapesquisa.fapesp.br/wp-content/uploads/2026/04/RPF-memoria-paulus-pompeia-campton-2026-05-800.jpg 800w, https://revistapesquisa.fapesp.br/wp-content/uploads/2026/04/RPF-memoria-paulus-pompeia-campton-2026-05-800-250x318.jpg 250w, https://revistapesquisa.fapesp.br/wp-content/uploads/2026/04/RPF-memoria-paulus-pompeia-campton-2026-05-800-700x892.jpg 700w, https://revistapesquisa.fapesp.br/wp-content/uploads/2026/04/RPF-memoria-paulus-pompeia-campton-2026-05-800-120x153.jpg 120w" sizes="auto, (max-width: 800px) 100vw, 800px" /><p class="wp-caption-text"><span class="media-credits-inline">Simpósio Sobre Raios Cósmicos / Academia Brasileira de Ciências</span>Arthur Compton em uma das reuniões no Rio de Janeiro em 1941<span class="media-credits">Simpósio Sobre Raios Cósmicos / Academia Brasileira de Ciências</span></p></div>
<p>Enquanto Pompeia voltava ao Brasil, o país declarava guerra à Alemanha e à Itália. Assim, ao chegar ele foi convocado, junto com outros cientistas brasileiros, a se unir aos esforços de guerra. Segundo Studart, Pompeia começou participando do desenvolvimento de um aparelho para medir a velocidade inicial dos projéteis. Outra demanda atendida pelo cientista, mais uma vez em parceria com Damy, foi a construção de sonares, necessários para proteger os navios mercantes brasileiros que estavam sendo afundados por submarinos alemães e italianos. Foram desenvolvidos 80 aparelhos, o que impulsionou a indústria metalúrgica e eletrônica de São Paulo, pois várias empresas foram convocadas para a produção dos equipamentos.</p>
<p>“Com a guerra, ficou evidente que o Brasil precisaria ter uma terceira força militar, a Aeronáutica [criada em 1941], e era necessário capacitar seus oficiais. Então, o coronel Casimiro Montenegro Filho [1904­‑2000] buscou ajuda nos Estados Unidos, que ofereceram os préstimos do professor Smith [Richard Harbert Smith, 1894­‑1957)”, conta Sílvia. Smith era chefe do Departamento de Engenharia Aeronáutica do Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT) e viria a ser o primeiro reitor do Instituto Tecnológico de Aeronáutica (ITA), de 1946 a 1951. Segundo ela, o norte­‑americano pediu um professor que o acompanhasse no trabalho de organização do ITA e o indicado foi seu pai.</p>
<p>Em 1949, Pompeia montou os laboratórios de física e química para as aulas que se iniciariam em 1950. “Ele teve a sorte de encontrar muito material excedente de guerra dos Estados Unidos, pagando barato”, diz Studart. Como chefe do Departamento de Física, Pompeia também organizou o quadro docente. “Selecionava os melhores professores não para os últimos anos ou para a pós­‑graduação, mas para o primeiro e segundo anos”, conta a filha. Entendendo que a base do ensino deveria ser muito sólida para o sucesso da formação do estudante, em 1964 ele também realizou cursos de capacitação para professores de física do ensino médio de todas as partes do país.</p>
<div id="attachment_582957" style="max-width: 1150px" class="wp-caption aligncenter"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-582957 size-full" src="https://revistapesquisa.fapesp.br/wp-content/uploads/2026/04/090-093_memoria-Paulus-Pompeia_363-1140.jpg" alt="" width="1140" height="508" srcset="https://revistapesquisa.fapesp.br/wp-content/uploads/2026/04/090-093_memoria-Paulus-Pompeia_363-1140.jpg 1140w, https://revistapesquisa.fapesp.br/wp-content/uploads/2026/04/090-093_memoria-Paulus-Pompeia_363-1140-250x111.jpg 250w, https://revistapesquisa.fapesp.br/wp-content/uploads/2026/04/090-093_memoria-Paulus-Pompeia_363-1140-700x312.jpg 700w, https://revistapesquisa.fapesp.br/wp-content/uploads/2026/04/090-093_memoria-Paulus-Pompeia_363-1140-120x53.jpg 120w" sizes="auto, (max-width: 1140px) 100vw, 1140px" /><p class="wp-caption-text"><span class="media-credits-inline">Acervo Histórico do IF-USP</span>Paulus Pompeia na USP entre Roberto Salmeron e Gleb Wataghin em 1982; e na Unicamp em 1971 (<em>segundo da esquerda para a direita</em>)<span class="media-credits">Acervo Histórico do IF-USP</span></p></div>
<p>No ITA, Pompeia criou o “Ano Prévio”, uma espécie de cursinho destinado a alunos que não haviam passado no vestibular. Eles ficavam um ano participando de um programa intensivo, já residindo no <em>campus</em> do instituto, em São José dos Campos, para ingresso no ano seguinte. “Segundo relatam os que conviveram com Pompeia, ele dizia que não seria justo perder bons alunos por não terem feito um bom colegial [atual ensino médio]”, diz o engenheiro civil Anderson Correia, diretor­‑presidente do Instituto de Pesquisas Tecnológicas de São Paulo (IPT) e reitor do ITA por dois mandatos (2016­‑2019 e 2020­‑2024).</p>
<div id="attachment_582961" style="max-width: 810px" class="wp-caption alignright"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-582961 size-full" src="https://revistapesquisa.fapesp.br/wp-content/uploads/2026/04/RPF-memoria-paulus-pompeia-aula-2026-05-800.jpg" alt="" width="800" height="877" srcset="https://revistapesquisa.fapesp.br/wp-content/uploads/2026/04/RPF-memoria-paulus-pompeia-aula-2026-05-800.jpg 800w, https://revistapesquisa.fapesp.br/wp-content/uploads/2026/04/RPF-memoria-paulus-pompeia-aula-2026-05-800-250x274.jpg 250w, https://revistapesquisa.fapesp.br/wp-content/uploads/2026/04/RPF-memoria-paulus-pompeia-aula-2026-05-800-700x767.jpg 700w, https://revistapesquisa.fapesp.br/wp-content/uploads/2026/04/RPF-memoria-paulus-pompeia-aula-2026-05-800-120x132.jpg 120w" sizes="auto, (max-width: 800px) 100vw, 800px" /><p class="wp-caption-text"><span class="media-credits-inline">Acervo da Família</span>Pompeia na década de 1950, provavelmente no Laboratório de Química do ITA<span class="media-credits">Acervo da Família</span></p></div>
<p>Em 2016, o engenheiro eletrônico Helio Waldman, reitor da Universidade Federal do ABC (UFABC) entre 2010 e 2014, participou de uma homenagem a Pompeia feita pela turma de formandos do ITA de 1966. “Vimos com naturalidade a escolha do professor Pompeia como nosso homenageado na comemoração dos 50 anos de formatura. Ele era muito admirado por todos, por sua atitude e perfil multidisciplinar”, conta Waldman, hoje professor aposentado que segue colaborando com programas de pós­‑graduação da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp). “Pompeia foi engenheiro e físico numa época em que não se falava nada sobre multidisciplinaridade e se idolatrava a figura do especialista. Ele sempre fazia observações filosóficas para falar da relação da física com a matemática e com a engenharia e mostrar que tudo está relacionado”, lembra. O ex­‑reitor acabaria levando os princípios da multidisciplinaridade para o modelo de universidade que ajudou a criar no ABC.</p>
<p>Após deixar o ITA, Pompeia foi professor de física na Faculdade de Arquitetura e Urbanismo (FAU) da USP, de 1966 a 1970, e assessor cultural e científico da superintendência do IPT de São Paulo, durante 11 anos. “Ele criou um plano de carreira de pesquisador do instituto. Incentivava a formação internacional e tinha como meta ter 10% dos pesquisadores do IPT em formação no exterior”, revela Correia. Integrante do grupo que apoiou a criação da FAPESP, Pompeia fez parte do Conselho Superior logo após sua implementação, de 1961 a 1965.</p>
<p>Para Studart, a trajetória de Pompeia deixa lições importantes que sempre convém revisitar: “Entre elas, estão o espírito pioneiro na construção da pesquisa científica no Brasil, o entusiasmo pela formação de novos pesquisadores e a convicção de que a pesquisa fundamental pode dialogar com o desenvolvimento tecnológico”.</p>
<p class="bibliografia"><strong>Artigos científicos</strong><br />
FREIRE JR., O. e SILVA, I. <a href="https://doi.org/10.1590/S0102-01882014000100009" target="_blank" rel="noopener">Diplomacia e ciência no contexto da Segunda Guerra Mundial: A viagem de Arthur Compton ao Brasil em 1941</a>. <strong>Revista Brasileira de História</strong>. v. 34, n. 67, p. 181-201. jun. 2014.<br />
JUNQUEIRA FILHO, L. M. e POMPÉIA, S. <a href="https://aterraeredonda.com.br/o-sonar-brasileiro/" target="_blank" rel="noopener">O sonar brasileiro</a>. <strong>A Terra é Redonda</strong> (site). dez. 2025.<br />
OLIVEIRA, M. A. L. e STUDART, N. <a href="https://doi.org/10.1590/1806-9126-RBEF-2022-0151" target="_blank" rel="noopener">Gleb Wataghin e a pesquisa sobre os chuveiros penetrantes de raios cósmicos em São Paulo (1939–1949)</a>. <strong>Revista Brasileira de Ensino de Física</strong>. v. 44. set. 2022.<br />
POMPÉIA, P. A. <a href="https://www18.fgv.br/cpdoc/storage/historal/arq/Entrevista528.pdf" target="_blank" rel="noopener">Depoimento</a>. Centro de Pesquisa e Documentação de História Contemporânea do Brasil da Fundação Getulio Vargas (CPDOC/FGV). 1977.<br />
WATAGHIN, Gleb. <a href="https://www18.fgv.br/CPDOC/acervo/historia-oral/entrevista-tematica/gleb-wataghin" target="_blank" rel="noopener">Depoimento</a>. Centro de Pesquisa e Documentação de História Contemporânea do Brasil da Fundação Getulio Vargas (CPDOC/FGV). 1975.</p>
<p class="bibliografia"><strong>Livro</strong><br />
TABACNIKS, M. H. (org.) <a href="https://portal.if.usp.br/extensao/sites/portal.if.usp.br.extensao/files/Origens_e_Formacao_do_Instituto_de_Fisica.pdf" target="_blank" rel="noopener"><strong>Origens e formação do Instituto de Física da Universidade de São Paulo</strong></a>. São Paulo: Instituto de Física, 2020.</p>
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			</item>
		<item>
		<title>William Marciel de Souza</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Pesquisa Brasil]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 24 Apr 2026 13:00:17 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Entrevistas]]></category>
		<category><![CDATA[Ambiente]]></category>
		<category><![CDATA[Biologia]]></category>
		<category><![CDATA[Ecologia]]></category>
		<category><![CDATA[Epidemiologia]]></category>
		<category><![CDATA[Medicina]]></category>
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					<description><![CDATA[Estudo avalia a dinâmica de transmissão do vírus Oropouche em epidemia em Manaus]]></description>
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<p>Estudo avalia a dinâmica de transmissão do vírus Oropouche em epidemia em Manaus.</p>
<p><em>Apresentação</em>: Fabrício Marques<br />
<em>Produção, roteiro e edição</em>: Sarah Caravieri</p>
]]></content:encoded>
					
		
		
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		<title>Matheus Moroti</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Pesquisa Brasil]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 24 Apr 2026 12:59:19 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Entrevistas]]></category>
		<category><![CDATA[Zoologia]]></category>
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					<description><![CDATA[Países têm acesso desigual a técnicas avançadas para descrever mamíferos]]></description>
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<p>Países têm acesso desigual a técnicas avançadas para descrever mamíferos.</p>
<p><em>Apresentação</em>: Fabrício Marques<br />
<em>Produção, roteiro e edição</em>: Sarah Caravieri</p>
]]></content:encoded>
					
		
		
			</item>
		<item>
		<title>Paulo Rossi Menezes</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Pesquisa Brasil]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 24 Apr 2026 12:58:21 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Entrevistas]]></category>
		<category><![CDATA[Pol. Públicas]]></category>
		<category><![CDATA[Saúde Pública]]></category>
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					<description><![CDATA[Aplicativo estimula sobriedade em pessoas com transtorno por uso de álcool]]></description>
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<p>Aplicativo estimula sobriedade em pessoas com transtorno por uso de álcool.</p>
<p><em>Apresentação</em>: Fabrício Marques<br />
<em>Produção, roteiro e edição</em>: Sarah Caravieri</p>
]]></content:encoded>
					
		
		
			</item>
		<item>
		<title>Zila Sanchez</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Pesquisa Brasil]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 24 Apr 2026 12:57:24 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Entrevistas]]></category>
		<category><![CDATA[Pol. Públicas]]></category>
		<category><![CDATA[Saúde Pública]]></category>
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					<description><![CDATA[Como o padrão de uso de álcool e drogas dos pais influencia o dos filhos]]></description>
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<p>Como o padrão de uso de álcool e drogas dos pais influencia o dos filhos.</p>
<p><em>Apresentação</em>: Fabrício Marques<br />
<em>Produção, roteiro e edição</em>: Sarah Caravieri</p>
]]></content:encoded>
					
		
		
			</item>
		<item>
		<title>Deborah Carvalho Malta</title>
		<link>https://revistapesquisa.fapesp.br/deborah-carvalho-malta-2/?utm_source=rss&#038;utm_medium=rss&#038;utm_campaign=deborah-carvalho-malta-2</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Pesquisa Brasil]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 24 Apr 2026 12:56:26 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Entrevistas]]></category>
		<category><![CDATA[Pol. Públicas]]></category>
		<category><![CDATA[Saúde Pública]]></category>
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					<description><![CDATA[Expectativa de vida no Brasil aumentou mais de 7 anos entre 1990 e 2023]]></description>
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<p>Expectativa de vida no Brasil aumentou mais de 7 anos entre 1990 e 2023.</p>
<p><em>Apresentação</em>: Fabrício Marques<br />
<em>Produção, roteiro e edição</em>: Sarah Caravieri</p>
]]></content:encoded>
					
		
		
			</item>
		<item>
		<title>Risco no fundo do copo</title>
		<link>https://revistapesquisa.fapesp.br/risco-no-fundo-do-copo/?utm_source=rss&#038;utm_medium=rss&#038;utm_campaign=risco-no-fundo-do-copo</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Pesquisa Brasil]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 24 Apr 2026 12:55:46 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Podcast Pesquisa Brasil]]></category>
		<category><![CDATA[Ambiente]]></category>
		<category><![CDATA[Biologia]]></category>
		<category><![CDATA[Ecologia]]></category>
		<category><![CDATA[Epidemiologia]]></category>
		<category><![CDATA[Medicina]]></category>
		<category><![CDATA[Pol. Públicas]]></category>
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		<category><![CDATA[Zoologia]]></category>
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					<description><![CDATA[Podcast discute novas estratégias para enfrentar o consumo abusivo de álcool e drogas. E mais: vida longa; ferramentas genéticas; vírus endêmico]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<div
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<p><strong>Deborah Carvalho Malta</strong>: Expectativa de vida no Brasil aumentou mais de 7 anos entre 1990 e 2023.</p>
<p><strong>Zila Sanchez</strong>: Como o padrão de uso de álcool e drogas dos pais influencia o dos filhos.</p>
<p><strong>Paulo Rossi Menezes</strong>: Aplicativo estimula sobriedade em pessoas com transtorno por uso de álcool.</p>
<p><strong>Matheus Moroti</strong>: Países têm acesso desigual a técnicas avançadas para descrever mamíferos.</p>
<p><strong>William Marciel de Souza</strong>: Estudo avalia a dinâmica de transmissão do vírus Oropouche em epidemia em Manaus.</p>
<p><em>Apresentação</em>: Fabrício Marques<br />
<em>Produção, roteiro e edição</em>: Sarah Caravieri</p>
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		<title>Suspensão incomum</title>
		<link>https://revistapesquisa.fapesp.br/suspensao-incomum/?utm_source=rss&#038;utm_medium=rss&#038;utm_campaign=suspensao-incomum</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Redação]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 24 Apr 2026 11:35:37 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Boas práticas]]></category>
		<category><![CDATA[Ética]]></category>
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					<description><![CDATA[Relatório que apontou a eficácia da vacina contra Covid-19 no último inverno tem a divulgação adiada]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>Um relatório produzido pelos Centros de Controle e Prevenção de Doenças dos Estados Unidos teve sua publicação adiada, em fevereiro, por ordem de Jay Bhattacharya, diretor interino do órgão. De acordo com reportagem do jornal <a href="https://www.washingtonpost.com/health/2026/04/09/covid-vaccine-report-delayed/" target="_blank" rel="noopener"><em>The</em> <em>Washington Post</em></a>, os dados do relatório indicavam que adultos saudáveis que receberam a vacina contra a Covid-19 no último inverno reduziram em 50% a probabilidade de visitarem prontos-socorros e em 55% de serem hospitalizados por causa da doença.</p>
<p>Bhattacharya suspendeu a divulgação e contestou a metodologia utilizada na pesquisa. Embora estudos observacionais sejam comumente usados para avaliar a eficácia de vacinas em grandes populações, ele alegou que a metodologia poderia apresentar uma visão imprecisa e sugeriu a aplicação de um ensaio clínico randomizado, no qual os pesquisadores, em vez de analisar dados da realidade e fazer inferências estatísticas, separam os participantes em grupos que receberam e não receberam o imunizante e comparam os resultados. Debra Houry, que atuou como diretora médica dos CDC até agosto de 2025, disse ao jornal <a href="https://www.nytimes.com/2026/04/09/health/cdc-bhattacharya-covid-shot-report-delay.html" target="_blank" rel="noopener"><em>The New York Times</em></a> que o adiamento é uma medida incomum no órgão e a revisão de relatórios antes de sua publicação costumava ser tarefa de cientistas de carreira, e não do topo do comando.</p>
<p>Durante a pandemia de Covid-19, Bhattacharya se notabilizou por combater políticas de isolamento social – ele propunha deixar o vírus se espalhar naturalmente – e se opor à obrigatoriedade do uso de máscaras e de vacinas. Pesquisador da Universidade Stanford na área de economia da saúde, dirige desde 2025 os Institutos Nacionais de Saúde, principal agência de apoio à pesquisa biomédica nos Estados Unidos. Ele assumiu interinamente o comando dos CDC porque o cargo ficou vago por oito meses. Em agosto de 2025, o secretário de Saúde dos Estados Unidos, Robert Kennedy Jr., demitiu a diretora dos CDC, Susan Monarez, depois que ela se recusou a chancelar recomendações de vacinas que não têm base científica. No dia 16 de abril, o governo Trump finalmente designou um novo dirigente para os CDC, a médica e advogada Erica Schwartz.</p>
]]></content:encoded>
					
		
		
			</item>
		<item>
		<title>Posição divergente</title>
		<link>https://revistapesquisa.fapesp.br/posicao-divergente/?utm_source=rss&#038;utm_medium=rss&#038;utm_campaign=posicao-divergente</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Redação]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 24 Apr 2026 11:32:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Boas práticas]]></category>
		<category><![CDATA[Ética]]></category>
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					<description><![CDATA[Espaço para abrigar 1.800 primatas na França expõe dissenso de pesquisadores acerca do bem-estar animal]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>Um projeto que pretende ampliar de 300 para 1.800 o número de primatas disponíveis para pesquisas biomédicas na França enfrenta questionamentos do Comitê de Ética do Centro Nacional de Pesquisa Científica (CNRS), organização a que está vinculado o Centro Nacional de Primatologia, responsável pelo espaço para criação dos animais, em Rousset, perto de Marselha.</p>
<p>A bióloga evolucionista Virginie Courtier-Orgogozo, diretora de pesquisa do CNRS, opôs-se publicamente ao projeto depois que o Comitê de Ética da organização emitiu um parecer com uma “posição divergente” – segundo o documento, o espaço para primatas carece de uma justificativa científica rigorosa e é preciso fazer uma análise minuciosa das alternativas.</p>
<p>“O CNRS precisa servir como catalisador para garantir que a França adote um plano ambicioso que inclua detalhes sobre casos em que se pode e em que não se pode substituir os animais”, disse Christine Noiville, presidente do Comitê de Ética, em entrevista publicada no <a href="https://www.cnrs.fr/en/update/comets-opinion-animal-testing-transparency-justification-and-search-alternatives-found-be" target="_blank" rel="noopener">site</a> do CNRS.</p>
<p>Segundo o jornal francês <a href="https://www.lemonde.fr/sciences/article/2026/02/17/experimentation-animale-un-projet-de-centre-d-elevage-de-primates-du-cnrs-fait-debat_6667101_1650684.html" target="_blank" rel="noopener"><em>Le Monde</em></a>, o projeto está orçado em mais de € 30 milhões e foi motivado pela dificuldade em obter animais para experimentação durante a pandemia de Covid-19. Historicamente, a China era o maior exportador mundial de primatas para laboratórios franceses. Após a pandemia, o Camboja e as Ilhas Maurício, no oceano Índico, emergiram como dois dos principais fornecedores.</p>
<p>A meta é que o espaço consiga fornecer, no início da década de 2030, aproximadamente um terço dos macacos cinomolgos (<em>Macaca fascicularis</em>) apontados como necessários para lastrear pesquisas na França – esses animais são bastante utilizados na pesquisa biomédica global devido à semelhança genética, fisiológica e anatômica com os seres humanos –, além de promover autossuficiência em macacos-rhesus e babuínos.</p>
<p>Entre 2021 e 2023, a França utilizou em pesquisa básica e aplicada uma média anual de 747 primatas não humanos. No mesmo período, o Reino Unido fez uso de 181 desses modelos animais por ano e a Alemanha de 118. Segundo o Comitê de Ética do CNRS, isso não resultou em um desempenho superior dos laboratórios franceses em número de publicações científicas envolvendo primatas não humanos.</p>
]]></content:encoded>
					
		
		
			</item>
		<item>
		<title>Engrenagem fraudulenta</title>
		<link>https://revistapesquisa.fapesp.br/engrenagem-fraudulenta/?utm_source=rss&#038;utm_medium=rss&#038;utm_campaign=engrenagem-fraudulenta</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Redação]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 24 Apr 2026 11:29:19 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Boas práticas]]></category>
		<category><![CDATA[Ética]]></category>
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					<description><![CDATA[Retratação de artigos cresce em velocidade bem maior do que a do avanço da produção científica]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>Um estudo feito por pesquisadores da Universidade Northwestern, nos Estados Unidos, concluiu que estudos fraudulentos estão surgindo em uma velocidade mais acelerada que a de publicações científicas legítimas. Enquanto a produção científica mundial dobra a cada 15 anos, a quantidade de artigos que sofreram retratação, ou seja, que foram considerados inválidos por erros ou má conduta, tem duplicado a cada 3,3 anos. Já o contingente de artigos suspeitos de serem produzidos por fábricas de <em>papers</em>, organizações fraudulentas que produzem e vendem artigos científicos falsos ou de baixa qualidade, se multiplica por dois a cada período de 18 meses.</p>
<p>De acordo com a análise, publicada nos <a href="https://www.pnas.org/doi/10.1073/pnas.2420092122#sec-2" target="_blank" rel="noopener"><em>Anais da Academia Nacional de Ciências</em></a> (<em>PNAS</em>), isso ocorre porque práticas fraudulentas na ciência deixaram de ser obra apenas de indivíduos desonestos e foram assumidas por grupos bem articulados, que operam em larga escala, de forma resiliente, fora da vista do público e com grande margem de lucro. “Essas redes são essencialmente organizações criminosas, que agem em conjunto para falsificar o processo científico”, disse ao site <a href="https://www.sciencedaily.com/releases/2026/03/260306224235.htm" target="_blank" rel="noopener">ScienceDaily</a> o físico português Luís Amaral, da Escola de Engenharia McCormick da Universidade Northwestern, que coordenou o estudo. “Milhões de dólares estão envolvidos nesse processo.”</p>
<p>Ele e mais quatro pesquisadores examinaram registros de artigos retratados, informações editoriais e imagens duplicadas oriundos de bases de dados como Web of Science (WoS), da Clarivate; Scopus, da Elsevier; e PubMed/MEDLINE, da Biblioteca Nacional de Medicina. Também vasculharam registros de estudos que sofreram retratação, compilados pelo site Retraction Watch, além de comentários no PubPeer, um site onde é possível postar críticas sobre <em>papers</em> publicados, e metadados de artigos, como nomes de editores, datas de submissão e aceitação de periódicos selecionados. Analisaram, ainda, periódicos removidos das bases de dados por serem de baixa qualidade ou ferirem padrões éticos.</p>
<p>Os resultados apontam a ação de grupos organizados, que produzem e comercializam a autoria de artigos fraudulentos, e de intermediários que identificam periódicos com processo de revisão por pares falho ou vulnerável e canalizam para eles os trabalhos forjados. Para dar uma feição de veracidade, os fraudadores também podem assumir o controle de publicações legítimas que deixaram de operar. Recriam seus sites e postam as publicações forjadas. “As fábricas de <em>papers</em> operam sob diferentes modelos”, explicou o físico e matemático Reese Richardson, outro autor do levantamento.</p>
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			</item>
		<item>
		<title>Artigo roubado</title>
		<link>https://revistapesquisa.fapesp.br/artigo-roubado/?utm_source=rss&#038;utm_medium=rss&#038;utm_campaign=artigo-roubado</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Redação]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 24 Apr 2026 11:27:57 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Boas práticas]]></category>
		<category><![CDATA[Ética]]></category>
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					<description><![CDATA[Retratação de artigo sobre energia e economia na Índia expõe provável atuação de fábrica de <em>papers</em>]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>Um estudo sobre o impacto de energias renováveis e não renováveis no desempenho da agricultura, indústria e serviços da Índia foi alvo de retratação, ou seja, foi considerado inválido, depois de o site <a href="https://retractionwatch.com/2026/03/09/stolen-economics-study-retracted-following-retraction-watch-coverage/" target="_blank" rel="noopener">Retraction Watch</a> denunciar que o trabalho havia sido roubado de seu autor original e publicado por usurpadores. A suspeita é de que o caso seja mais um envolvendo fábricas de <em>papers</em>, empresas fraudulentas que comercializam manuscritos científicos, muitas vezes com dados falsos ou plagiados.</p>
<p>A economista Vijayalakshmi S, a autora de fato, é pesquisadora da Escola de Negócios da Universidade RV em Bangalore, cidade no sul da Índia conhecida como o principal polo tecnológico e de inovação do país. Ela descobriu o roubo quando submeteu o trabalho a um periódico e ele foi rejeitado sob a alegação de que os resultados eram muito semelhantes aos de um estudo publicado em 2024 no <em>Journal of Infrastructure, Policy and Development (JIPD)</em>. A pesquisadora foi verificar e constatou que os dados, conclusões e referências bibliográficas do estudo eram mesmo idênticos aos de seu estudo.</p>
<p>Na ocasião, denunciou o caso e postou sua indignação na plataforma LinkedIn, marcando os cinco autores que se apropriaram de seu artigo, um deles vinculado a uma universidade em Omã, outro à uma faculdade técnica na Árabia Saudita e os demais, a instituições de ensino na Índia.</p>
<p>A postagem suscitou um comentário de um internauta também residente na Índia, Ashutosh Tiwari – ele diz ter feito uma busca com o nome do periódico no aplicativo de mensagens Telegram e encontrado um anúncio oferecendo por US$ 200 a chance de assinar o artigo como coautor. Mohammed Ahmar Uddin, da Universidade Dhofar, em Salalah, Omã, que aparece como primeiro autor no <em>paper</em> do <em>JIPD</em>, admitiu ao Retraction Watch que não conhece os coautores do trabalho – o que é característico de estudos cuja autoria é comercializada –, mas negou a fraude. “Os dados utilizados na pesquisa estavam disponíveis publicamente em fontes governamentais”, disse.</p>
<p>A equipe editorial do <em>JIPD </em>afirmou ao Retraction Watch que, após uma “investigação minuciosa”, retirou o artigo de circulação e notificou os envolvidos. Desde janeiro de 2025, o <em>JIPD </em>não consta mais da lista de periódicos indexados da base de dados Scopus, o que teria sido motivado por um aumento anômalo no número de artigos publicados, geralmente interpretado como sinal de queda de qualidade nas publicações. Vijayalakshmi S vê dois momentos em que o texto original do artigo pode ter sido roubado: depois de apresentar seus achados em uma conferência ou depois de submeter uma versão anterior ao periódico <em>Discover Energy</em>, que o rejeitou. Ela pretende publicar uma versão revisada de seu artigo em outra revista.</p>
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			</item>
		<item>
		<title>Comentário tóxico</title>
		<link>https://revistapesquisa.fapesp.br/comentario-toxico/?utm_source=rss&#038;utm_medium=rss&#038;utm_campaign=comentario-toxico</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Redação]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 24 Apr 2026 11:25:57 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Boas práticas]]></category>
		<category><![CDATA[Ética]]></category>
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					<description><![CDATA[Revista cancela publicação de texto de 1977 devido a ligações não conhecidas do autor com a indústria]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>A revista médica <em>The Lancet</em> anunciou a retratação de um <a href="https://www.thelancet.com/pdfs/journals/lancet/PIIS0140-6736(77)92558-2.pdf" target="_blank" rel="noopener">artigo</a> de opinião de apenas cinco parágrafos, publicado em 1977, que foi usado por décadas como referência científica da segurança de produtos à base de talco – ainda que, à época, a matéria-prima do talco, um mineral argiloso, pudesse sofrer contaminação em seu processo de extração por um outro mineral, o amianto, de conhecido potencial cancerígeno. Hoje, os talcos comercializados são feitos à base de amido de milho.</p>
<p>O texto em questão tinha autoria desconhecida, já que foi publicado em uma seção de comentários da revista que dispensava a identificação do responsável. O trabalho foi considerado inválido agora, quase meio século após a publicação, ante as evidências de que seu autor era o patologista Francis John Caldwell Roe, que atuou nos comitês de carcinogenicidade e toxicidade do Departamento de Saúde e Segurança Social do Reino Unido e no Painel Consultivo de Especialistas em Segurança Alimentar da Organização Mundial da Saúde, mas paralelamente era consultor remunerado da Johnson &amp; Johnson, uma das principais produtoras de talco na época.</p>
<p>Roe morreu em 2007, aos 82 anos. Em uma carta publicada na <em>Lancet</em> em 1979 – dois anos depois do seu comentário –, ele se referia ao texto anônimo como “equilibrado” e revelou, ao mesmo tempo, ser consultor da Associação de Cosméticos, Artigos de Higiene Pessoal e Perfumaria. Foi a deixa para que dois historiadores da área da saúde pública, David Rosner, da Universidade Columbia, e Gerald Markowitz, do John Jay College of Criminal Justice, investigassem sua relação com a Johnson &amp; Johnson. De acordo com o site <a href="https://retractionwatch.com/2026/03/25/lancet-retraction-commentary-talc-powder-johnson-johnson-industry-consultant/" target="_blank" rel="noopener">Retraction Watch</a>, a dupla descobriu documentos que mostram como Roe submeteu à Johnson &amp; Johnson uma cópia do texto antes da publicação na <em>Lancet</em>, pedindo comentários. Em uma carta dirigida a Gavin Hildick-Smith, então diretor de assuntos médicos da empresa, Roe afirmou ter “levado em consideração seus dois pontos sobre o original […] de uma maneira ligeiramente diferente da que você propôs — mas acho que atendi aos seus dois pontos”.</p>
<p>Em comunicado, a Johnson &amp; Johnson afirmou que, embora respeite “o compromisso da <em>Lancet</em> em garantir a ausência de viés nos materiais que publica, infelizmente, nesse caso, a revista está sendo usada como parte de táticas de litígio contínuas e desonestas”. Em 2023, a empresa retirou definitivamente de seu catálogo o talco à base de minerais, substituindo-o por produtos à base de amido de milho.</p>
<p>Os editores da <em>Lancet</em> contaram, na nota de retratação, que a publicação de comentários não assinados “costumava ser uma prática padrão”. Ao site Retraction Watch, um representante da revista disse que ela só consideraria divulgar uma carta não assinada atualmente “em raras circunstâncias em que haja preocupações com a segurança do autor”. Ainda assim, a publicação teria conhecimento dos nomes e afiliações dos autores.</p>
]]></content:encoded>
					
		
		
			</item>
		<item>
		<title>Crianças imaginárias</title>
		<link>https://revistapesquisa.fapesp.br/criancas-imaginarias/?utm_source=rss&#038;utm_medium=rss&#038;utm_campaign=criancas-imaginarias</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Redação]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 24 Apr 2026 11:22:56 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Boas práticas]]></category>
		<category><![CDATA[Ética]]></category>
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					<description><![CDATA[Periódico de pediatria reconhece que 138 relatos de casos publicados como reais eram fictícios]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>A revista <em>Paediatrics &amp; Child Health</em>, da Sociedade Canadense de Pediatria, publicou correções em 138 artigos divulgados nos últimos 25 anos, fazendo uma revelação desconcertante: os casos relatados nos <em>papers</em> não eram exemplos reais. O periódico publicava estudos com discussões de casos concretos desde 2000 a fim de orientar a prática clínica dos pediatras do país. Os artigos partiam de um evento supostamente ocorrido com um paciente e apresentavam “pontos de aprendizado”, que incluíam estatísticas, observações clínicas e outros dados. Embora os resultados fossem revisados por outros especialistas, não havia menção ao fato de que os casos descritos eram inventados.</p>
<p>O caráter ficcional dos relatos veio à tona em janeiro, quando a revista norte-americana <em>The</em> <em>New Yorker</em> publicou uma reportagem sobre uma controvérsia científica: a possibilidade de gestantes que tomaram paracetamol com o opióide codeína para reduzir a dor pós-parto transmitirem quantidades do analgésico potencialmente letais para seus bebês via leite materno. Uma das raras evidências desse tipo de desfecho era um estudo de caso do <em>Paediatrics &amp; Child Health</em> e um dos autores do trabalho, confrontado pela <em>New Yorker</em>, admitiu que o exemplo era imaginário.</p>
<p>Joan Robinson, editora-chefe da revista, afirmou ao site <a href="https://retractionwatch.com/2026/03/03/canadian-pediatric-society-journal-correction-case-reports-fictional-paediatrics-child-health/" target="_blank" rel="noopener">Retraction Watch</a> que a proposta de publicar artigos com casos fictícios visava não expor pacientes de verdade. “Com exceção do caso que levou ao recente artigo da <em>New Yorker,</em> todos ou quase todos eram de condições muito conhecidas, como sífilis congênita, síndrome alcoólica fetal, trauma grave causado por quadriciclos, infecção por hepatite C”, informou ela.</p>
]]></content:encoded>
					
		
		
			</item>
		<item>
		<title>Da teoria à prática</title>
		<link>https://revistapesquisa.fapesp.br/da-teoria-a-pratica-4/?utm_source=rss&#038;utm_medium=rss&#038;utm_campaign=da-teoria-a-pratica-4</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Redação]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 24 Apr 2026 11:20:56 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Boas práticas]]></category>
		<category><![CDATA[Ética]]></category>
		<category><![CDATA[Inovação]]></category>
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					<description><![CDATA[China substitui tese por inovações concretas no doutorado e busca novas formas de medir o conhecimento]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>Estudantes chineses já conseguem obter o grau de doutor sem escrever uma tese – em vez disso, eles podem apresentar um protótipo, produto ou uma solução tecnológica concreta desenvolvidos durante sua formação de pós-graduação. Uma lei aprovada em 2024 permitiu que universidades do país concedam títulos de mestre e doutor com base em realizações práticas dos alunos. Os alunos trabalham com dupla orientação: a de um professor e a de um especialista da indústria. Por enquanto, a novidade se aplica apenas à pós-graduação em engenharia e a setores como semicondutores, inteligência artificial e manufatura avançada.</p>
<p>Em janeiro, uma turma pioneira de 11 estudantes chineses obteve o doutorado apresentando invenções e novas tecnologias. Um dos alunos, de acordo com reportagem da revista <a href="https://www.nature.com/articles/d41586-026-00356-8" target="_blank" rel="noopener"><em>Nature</em></a>, foi Zheng Hehui, que fez doutorado em engenharia civil na Universidade do Sudeste, em Nanjing. Ele criou um conjunto de blocos semelhantes a Lego, feitos de aço reforçado, que se encaixam para formar um pilar de ponte. A tecnologia está sendo usada em uma grande ponte construída sobre o rio Yangtzé.</p>
<p>O experimento chinês também é uma resposta à crise de credibilidade do sistema científico do país. A China assumiu a liderança da produção científica mundial, à frente dos Estados Unidos, mas também aparece no topo de indicadores associados à má conduta acadêmica. Segundo o banco de dados do site Retraction Watch, dos 4,5 mil artigos científicos que sofreram retratação, ou seja, que foram considerados inválidos por erros ou violações éticas, no ano de 2025, cerca de 40% tinham coautores chineses.</p>
<p>O problema é atribuído a políticas, agora revogadas, que estimulavam estudantes e pesquisadores do país a publicar artigos a qualquer custo para conseguir emprego e ascender na carreira. Isso fomentou a ação das fábricas de <em>papers</em>, organizações fraudulentas que produzem e vendem artigos científicos falsos ou de baixa qualidade, sob encomenda. Os doutorados práticos, embora ainda tenham um alcance limitado, sinalizam a busca de novas formas de medir a relevância do conhecimento produzido pelos chineses.</p>
]]></content:encoded>
					
		
		
			</item>
		<item>
		<title>Paráfrases bizarras</title>
		<link>https://revistapesquisa.fapesp.br/parafrases-bizarras/?utm_source=rss&#038;utm_medium=rss&#038;utm_campaign=parafrases-bizarras</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Redação]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 24 Apr 2026 11:17:27 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Boas práticas]]></category>
		<category><![CDATA[Ética]]></category>
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					<description><![CDATA[“Frases torturadas” e imagens reutilizadas expõem problemas de integridade científica e falhas na revisão]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>As chamadas “frases torturadas” são expressões estranhas ou semanticamente sem nexo que aparecem em artigos científicos visando burlar softwares que detectam plágio. No seu blog <a href="https://scienceintegritydigest.com/2026/03/12/the-camels-camel/" target="_blank" rel="noopener">Science Integrity Digest</a>, a microbiologista e especialista em integridade científica Elisabeth Bik pinçou exemplos de “frases torturadas” em um artigo publicado na revista <em>Advances in Environmental Biology</em> em 2019.</p>
<p>Assinado por quatro cientistas, dois da Arábia Saudita e dois do Egito, o artigo trazia, já no resumo, um texto rebuscado e repetitivo para tentar explicar a importância de estudar microrganismos presentes nas mamas dos camelos a fim de evitar a contaminação do leite do animal. Algumas frases estavam completamente truncadas, como a que mencionava “definição e definição de micróbios no camelo do camelo”, o que despertou a atenção de Bik.</p>
<p>“O artigo substitui sistematicamente termos comuns de microbiologia por sinônimos e paráfrases bizarras”, escreveu a microbiologista. A palavra <em>cell</em> (célula) foi erroneamente apresentada como <em>cubicle</em> (cubículo ou cela). <em>Ecological niches</em> (nichos ecológicos) se converteram em <em>biological specialties</em> (especialidades biológicas), enquanto <em>virulence factors</em> (fatores de virulência) se transformaram em <em>destructiveness parts</em> (algo como partes destrutivas). Bik descobriu que a fonte provável do texto “torturado” era uma tese de 2017 assinada pelo português Alexandre Almeida, na Universidade de Paris VI, na França. A má conduta não se restringia ao plágio da tese. Fotos atribuídas a células das mamas de camelos foram reaproveitadas de um estudo saudita e não se referiam a mamas, e sim a células infectadas do coração e da língua de um dromedário.</p>
]]></content:encoded>
					
		
		
			</item>
		<item>
		<title>Práticas questionáveis</title>
		<link>https://revistapesquisa.fapesp.br/praticas-questionaveis-2/?utm_source=rss&#038;utm_medium=rss&#038;utm_campaign=praticas-questionaveis-2</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Redação]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 24 Apr 2026 11:15:19 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Boas práticas]]></category>
		<category><![CDATA[Ética]]></category>
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					<description><![CDATA[Pesquisadores portugueses admitem ter incorrido em desvios éticos que não são considerados graves]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>Um levantamento realizado com 1.573 cientistas empregados em universidades de Portugal buscou mapear a prevalência no país de formas de má conduta consideradas de gravidade menor, as chamadas práticas questionáveis de pesquisa. O resultado foi contundente: 92% dos entrevistados admitiram ter incorrido nessas práticas pelo menos uma vez e 63% em até quatro vezes.</p>
<p>A maioria dos deslizes relatados estava relacionada à redação de trabalhos científicos, como “incluir autores que não contribuíram suficientemente”, “citar artigos sem consultar a fonte primária” e “não realizar uma revisão bibliográfica completa”. Também tiveram frequência elevada condutas como “formular hipóteses depois de conhecer os resultados” e “citar publicações apenas porque elas já eram reconhecidas pela comunidade científica”. Entre as menos mencionadas, de acordo com o estudo, estavam “usar a ideia de um pesquisador sem dar crédito” e “não divulgar conflitos de interesse”.</p>
<p>Publicado na revista <a href="https://journals.plos.org/plosone/article?id=10.1371/journal.pone.0339056" target="_blank" rel="noopener"><em>PLOS ONE</em></a>, o levantamento foi conduzido por Marta Entradas, Yan Feng e Ines Carneiro e Sousa, sociólogos do Centro de Investigação e Estudos de Sociologia, no Instituto Universitário de Lisboa, em Portugal. “Fiquei feliz em ver que as pessoas admitiram conscientemente a gravidade de algumas dessas práticas”, disse Entradas à revista <a href="https://www.the-scientist.com/over-90-percent-of-scientists-admit-to-questionable-research-behaviors-74258" target="_blank" rel="noopener"><em>The Scientist</em></a>.</p>
<p>A incidência de desvios éticos menos graves foi generalizada: não foram encontradas diferenças significativas no número de faltas relatadas por pesquisadores que atuam em diferentes áreas de pesquisa e entre homens e mulheres. Os autores do estudo observaram, contudo, que pesquisadores mais jovens e mais prolíficos estão mais propensos a se envolver em práticas questionáveis, mas também são os que mais admitem isso. Entradas acredita que contratos temporários de trabalho e a pressão por “publicar ou perecer” possam estar contribuindo para esse cenário e são necessários códigos de conduta claros para definir o que chamou de “tons de cinza” na integridade científica.</p>
<p>A epidemiologista Gowri Gopalakrishna, da Universidade de Maastricht, nos Países Baixos, que em 2021 fez um estudo semelhante sobre a incidência de má conduta entre cientistas holandeses, disse à <em>The Scientist</em> que ficou surpresa com o reconhecimento tão elevado de algumas práticas questionáveis e com a sinceridade dos cientistas portugueses. “Por outro lado, não fico surpresa, porque as práticas questionáveis de pesquisa são comuns.”</p>
]]></content:encoded>
					
		
		
			</item>
		<item>
		<title>Wilson Suzigan renovou as interpretações sobre a história da indústria brasileira</title>
		<link>https://revistapesquisa.fapesp.br/wilson-suzigan-renovou-as-interpretacoes-sobre-a-historia-da-industria-brasileira/?utm_source=rss&#038;utm_medium=rss&#038;utm_campaign=wilson-suzigan-renovou-as-interpretacoes-sobre-a-historia-da-industria-brasileira</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Tato Coutinho]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 22 Apr 2026 18:27:58 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Obituário ]]></category>
		<category><![CDATA[Economia]]></category>
		<category><![CDATA[História]]></category>
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					<description><![CDATA[Economista destacou-se pelo uso inovador de dados e formou gerações de pesquisadores]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<div id="attachment_582800" style="max-width: 810px" class="wp-caption alignright"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-582800 size-full" src="https://revistapesquisa.fapesp.br/wp-content/uploads/2026/04/RPF-obituario-wilson-suzigan-2026-05-800.jpg" alt="" width="800" height="818" srcset="https://revistapesquisa.fapesp.br/wp-content/uploads/2026/04/RPF-obituario-wilson-suzigan-2026-05-800.jpg 800w, https://revistapesquisa.fapesp.br/wp-content/uploads/2026/04/RPF-obituario-wilson-suzigan-2026-05-800-250x256.jpg 250w, https://revistapesquisa.fapesp.br/wp-content/uploads/2026/04/RPF-obituario-wilson-suzigan-2026-05-800-700x716.jpg 700w, https://revistapesquisa.fapesp.br/wp-content/uploads/2026/04/RPF-obituario-wilson-suzigan-2026-05-800-120x123.jpg 120w" sizes="auto, (max-width: 800px) 100vw, 800px" /><p class="wp-caption-text"><span class="media-credits-inline">Antonio Scarpinetti/SEC-Unicamp</span>Suzigan em registro de 2015, na Unicamp<span class="media-credits">Antonio Scarpinetti/SEC-Unicamp</span></p></div>
<p>Um ponto de fuga no horizonte acadêmico. Assim a comunidade científica da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) reverenciou o economista Wilson Suzigan na cerimônia em que concedeu a ele o título de professor emérito, em setembro de 2024. Morto no último dia 10 de abril, aos 84 anos, em decorrência de complicações associadas a uma doença autoimune, Suzigan era saudado não apenas pela solidez teórica de suas contribuições para o pensamento econômico brasileiro, mas também pela natureza disseminadora de sua atuação como formador de pesquisadores.</p>
<p>“No papel de orientador, ele era a expressão mais bonita do encontro entre rigor acadêmico e generosidade intelectual”, diz a economista Suzana Paiva, da Faculdade de Ciências e Letras da Universidade Estadual Paulista (Unesp), <em>campus</em> de Araraquara. Ela foi orientada por Suzigan na pesquisa de doutorado “Estratégias de política industrial e desenvolvimento econômico: Ideias e ideais de Fernando Fajnzylber para a América Latina”, defendida em 2006, na Unicamp, com apoio da FAPESP. “Lembro, em especial, de nossas primeiras reuniões, de como cheguei sem clareza da contribuição que daria. Foi Suzigan quem me deu de presente o tema da minha tese de doutorado. A seu lado, aprendi não apenas a fazer boa pesquisa, mas a pensar com responsabilidade e sensibilidade.”</p>
<p>Nascido em Americana (SP), Suzigan se graduou em ciências econômicas pela Pontifícia Universidade Católica de Campinas (PUC-Campinas), em 1961. Dez anos mais tarde, ingressou no Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), órgão do governo federal, o que não o impediu de ser docente na Fundação Getulio Vargas (FGV), no Rio de Janeiro, e na PUC-Rio. Sua trajetória na Unicamp se iniciou em 1985, primeiro no Instituto de Economia (IE), no qual se aposentaria em 1999, e depois no Instituto de Geociências (IG), onde atuou como professor colaborador no Departamento de Política Científica e Tecnológica.</p>
<p>A amplitude da contribuição acadêmica de Suzigan pode ser aferida por suas orientações: foram 27 teses de doutorado, 18 dissertações de mestrado e 42 projetos de iniciação científica. A Plataforma Acácia, que traça a genealogia no ecossistema da produção científica nacional, aponta 2.455 “descendentes” do economista desde sua primeira orientação, em 1983, relacionando seus orientandos e os orientandos de seus orientandos por múltiplas áreas e gerações.</p>
<p>“Quando fiz o doutorado em economia da indústria e da tecnologia, na UFRJ [Universidade Federal do Rio de Janeiro], em 1998, tive o privilégio de ter Suzigan na banca”, lembra Eduardo Albuquerque, da Faculdade de Ciências Econômicas da Universidade Federal de Minas Gerais (Face-UFMG). “Suas análises identificavam problemas com a classe rara de quem sabia fazer uma crítica, a mais ampla possível, como se fosse um elogio.”</p>
<p>Suzigan foi aluno da primeira turma de mestrado em economia no país, na Escola de Pós-graduação em Economia da FGV-RJ. Na época, escreveu a dissertação “O processo de substituição de importações no Brasil”, defendida em 1968. Ele se tornaria uma referência pelo rigor metodológico com a tese de doutorado “Investment in the manufacturing industry in Brazil, 1869-1939”, que defendeu em 1984 na Universidade de Londres, no Reino Unido.</p>
<p>Publicado em livro como <em>Indústria brasileira – Origem e desenvolvimento </em>(Brasiliense/Hucitec, 1986), o estudo apurava o engenho aplicado em uma obra anterior, <em>Política de governo e crescimento da economia brasileira, 1889-1945</em> (Ipea/Inpes, 1973), que fez em parceria com o economista Annibal Villela (1926-2000). Suzigan foi um pioneiro no uso de forma sistemática de dados quantitativos nas pesquisas acadêmicas no campo da história econômica, até então usados de forma apenas ilustrativa na área.</p>
<p>“Para buscar entender a industrialização brasileira, ele foi nos registros da Secretaria de Comércio Exterior da Inglaterra e catalogou ‘na unha’ todos os registros de exportação de máquinas para o Brasil”, relata o economista Renato Garcia, sucessor de Suzigan na cadeira de Política Industrial e Desenvolvimento na pós-graduação do IE-Unicamp. “A partir desse estudo empírico, considerado à época uma das mais importantes pesquisas de base de dados de investimentos no Brasil, mudou-se a interpretação sobre a industrialização brasileira. Por isso, a obra é até hoje leitura obrigatória em qualquer boa escola de economia no Brasil.”</p>
<p>“Suzigan foi um gigante”, comenta o historiador André Villela, da Escola Brasileira de Economia e Finanças da FGV-RJ, ao lembrar outra de suas obras clássicas, <em>História monetária do Brasil</em> (Editora UnB, 1976), assinada com o economista cubano Carlos Manuel Peláez. “Na área em que atuo, qualquer pesquisador teria enorme orgulho de ter escrito um desses três livros [<em>Indústria brasileira&#8230;, Política de governo&#8230; </em>e <em>História monetária&#8230;</em>]”, diz o pesquisador. “Ele escreveu, sozinho ou em coautoria, os três. E sem jamais deixar-se tomar pelo embevecimento.”</p>
<p>Ao longo da trajetória de pesquisador, Suzigan publicou 69 artigos em revistas brasileiras e internacionais e 38 capítulos em coletâneas, além de ter organizado 17 livros. “O enfoque de suas pesquisas esteve voltado especialmente à organização industrial, interação universidade-empresas, sistemas produtivos locais e pequenas e médias empresas”, enumera o economista Maurício Chalfin Coutinho, do IE-Unicamp.</p>
<p>Para Paiva, da Unesp, o economista foi um dos autores que mais contribuiu para qualificar o debate sobre política industrial no Brasil. “Ele defendia que políticas industriais eficazes exigem coordenação entre Estado e setor privado, continuidade institucional e foco na construção de capacidades produtivas e tecnológicas”, afirma. “Essa visão dialoga diretamente com as discussões atuais sobre neoindustrialização, inovação e reconfiguração das cadeias globais de valor.”</p>
<p>Nos últimos anos, Suzigan se afastou das atividades de pesquisa e docência, mas seguia ativo como editor-chefe da <em>Revista Brasileira de Inovação</em> (<em>RBI</em>), criada em 2002 pela Financiadora de Estudos e Projetos (Finep), vinculada ao governo federal. Ele ajudou também a implantar as revistas <em>História Econômica &amp; História de Empresas</em>, em 1998, publicada pela Associação Brasileira de Pesquisadores em História Econômica (ABPHE), e, no ano seguinte,<em> Economia</em>, da Associação Nacional dos Centros de Pós-graduação em Economia (Anpec). “Suzigan foi decisivo na criação da própria ABPHE, em 1993, instituição que viria a presidir entre 2001 e 2003”, diz Villela.</p>
<p>Editor adjunto da <em>RBI</em> desde 2014, Garcia guarda as anotações de uma das últimas reuniões de trabalho com Suzigan, em outubro passado. “Como ele já não ia mais à Unicamp, fui à casa dele porque tínhamos coisas a resolver”, lembra. “Tomamos café, batemos papo, demos risada. Suzigan fazia o trabalho normal de editor, como entrar em contato com os autores e pareceristas, além de ler os artigos.  Desse ponto de vista, ele se manteve ativo até o fim.”</p>
<p>Suzigan é lembrado também pelo bom humor. Albuquerque, da UFMG, recorda-se do folclore em torno da assiduidade do pesquisador no Seminário de Diamantina (MG), promovido desde 1982 pelo Centro de Desenvolvimento e Planejamento Regional (Cedeplar), da UFMG. “Na dúvida se ia ser convidado para as mesas especiais de Diamantina, Wilson submetia um artigo para garantir o convite, como lembrou um colega do grupo de professores do Cedeplar”, comenta Albuquerque. Ele coorganizou com Suzigan a parte brasileira do livro <em>Developing National Systems of Innovation: University–Industry Interactions in the Global South</em>, publicado em 2015 pela Editora Edward Elgar, do Reino Unido.</p>
<p>Em sua 21ª edição, programada para a semana de 17 a 22 de agosto, o Seminário de Diamantina vai homenagear Suzigan com uma sessão especial no evento. Viúvo de Vera Suzigan desde 2022, o economista deixa dois filhos e quatro netos.</p>
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		<title>Hospitais do SUS em São Paulo recebem alimentos orgânicos</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Carlos Fioravanti]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 22 Apr 2026 13:00:19 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Ciência]]></category>
		<category><![CDATA[Agricultura]]></category>
		<category><![CDATA[Engenharia]]></category>
		<category><![CDATA[Nutrição]]></category>
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					<description><![CDATA[Projeto pioneiro leva às instituições de saúde a produção da agricultura familiar e da agroecologia]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>É uma rotina que se repete duas vezes por semana. Nas terças e quartas-feiras, em torno das 7 h, um caminhão-baú chega no setor de entregas do Hospital São Paulo da Universidade Federal de São Paulo (HSP-Unifesp) e dezenas de caixas com frutas, legumes, verduras, feijão e ovos são descarregadas. Os alimentos abastecerão a cozinha do hospital universitário, vinculado ao Sistema Único de Saúde (SUS) e localizado na Vila Clementino, na zona sul da capital. Em pouco tempo, serão empregados no preparo das refeições dos pacientes e de seus acompanhantes.</p>
<p>Um detalhe importante: são alimentos provenientes da agricultura familiar, cultivados por pequenos produtores associados à Cooperativa dos Produtores Agrícolas Solidários do Alto Tietê (Coopasat), de Mogi das Cruzes, e ao Instituto Terra Viva Brasil de Agroecologia, de Sorocaba, ambos em São Paulo. Parte do lote é composta por alimentos orgânicos ou de base agroecológica. A agroecologia é um sistema agrícola em que os alimentos são produzidos de forma considerada socialmente justa e ambientalmente sustentável, sem uso de agrotóxicos ou fertilizantes sintéticos, respeitando os ecossistemas, a biodiversidade e as comunidades envolvidas. Preconiza a transição do modelo agropecuário atual, baseado na monocultura e no uso de produtos químicos, para um sistema alicerçado em princípios ecológicos, sociais e econômicos.</p>
<p>O Hospital São Paulo integra um projeto pioneiro fruto de um acordo assinado em outubro de 2023 entre a Associação Paulista para o Desenvolvimento da Medicina (SPDM) e o Ministério do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar (MDA). O compromisso visa ao fornecimento de alimentos da agricultura familiar nas unidades hospitalares geridas pela associação, uma organização social com atuação na área da saúde e mantenedora do HSP.</p>
<p>Também fazem parte da iniciativa o Hospital Municipal de Parelheiros, no extremo sul da capital paulista, o Hospital Regional Alto Tietê, em Suzano, e o Hospital das Clínicas Luzia de Pinho Melo, em Mogi das Cruzes. Até o fim do ano, mais oito unidades serão incorporadas à iniciativa. Além da Coopasat e do Terra Viva, participam do projeto a Cooperativa Agroecológica dos Produtores Rurais de Água Limpa da Região Sul de São Paulo (Cooperapas), a Cooperativa dos Produtos Rurais de Juquitiba e Região (Coopjuqui) e a Annona – Cooperativa de Agricultura Sustentável.</p>
<p>“O projeto começou como um grande desafio de interação entre ciência, territórios de agricultura familiar e políticas públicas”, explica a advogada Larissa Beltramim, chefe do Escritório de Políticas Públicas, Desenvolvimento Sustentável e Inovação Social da SPDM. “O que temos feito é implementar na rede de hospitais do SUS em São Paulo o Programa de Aquisição de Alimentos [PAA], uma política pública federal, com adesão de estados e municípios, para a compra de alimentos diretamente da agricultura familiar.”</p>
<div id="attachment_582786" style="max-width: 1150px" class="wp-caption aligncenter"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-582786 size-full" src="https://revistapesquisa.fapesp.br/wp-content/uploads/2026/04/rpf-agroecologia-pesca-2026-04-1140.jpg" alt="" width="1140" height="763" srcset="https://revistapesquisa.fapesp.br/wp-content/uploads/2026/04/rpf-agroecologia-pesca-2026-04-1140.jpg 1140w, https://revistapesquisa.fapesp.br/wp-content/uploads/2026/04/rpf-agroecologia-pesca-2026-04-1140-250x167.jpg 250w, https://revistapesquisa.fapesp.br/wp-content/uploads/2026/04/rpf-agroecologia-pesca-2026-04-1140-700x469.jpg 700w, https://revistapesquisa.fapesp.br/wp-content/uploads/2026/04/rpf-agroecologia-pesca-2026-04-1140-120x80.jpg 120w" sizes="auto, (max-width: 1140px) 100vw, 1140px" /><p class="wp-caption-text"><span class="media-credits-inline">Larissa Beltramim</span>Couve e plantio de orgânicos em Mogi das Cruzes; pescados artesanais em fase de teste para inclusão no SUS; cozinheiro do Hospital São Paulo seleciona tomates para o preparo das refeições<span class="media-credits">Larissa Beltramim</span></p></div>
<p>Para a biomédica Helena Nader, presidente da Academia Brasileira de Ciências (ABC), levar a agricultura familiar ao SUS é um dos mais relevantes projetos de saúde pública do país. “O Brasil é um dos maiores produtores globais de alimentos. E tem o maior sistema de saúde pública, reconhecido internacionalmente. Por isso, é preciso incentivar a agricultura familiar e a produção de alimentos orgânicos e agroecológicos no SUS para termos o maior programa de agricultura familiar na saúde pública do mundo.”</p>
<p>Mesmo com tão pouco tempo de existência do projeto, Beltramim afirma que já é possível perceber suas vantagens. “Há benefícios do ponto de vista social, econômico e ambiental. Ele estimula a agenda da transição agroalimentar, fortalece a cadeia produtiva da agricultura familiar, gerando renda para pequenos produtores, e os pacientes do hospital e seus familiares recebem uma nutrição muito mais saudável, com a garantia do direito humano à alimentação adequada e à saúde”, diz.</p>
<p>O projeto tem a coordenação científica do neurocientista Fulvio Alexandre Scorza, do Departamento de Neurologia e Neurocirurgia da Escola Paulista de Medicina (EPM) da Unifesp. Ele concorda que a introdução de alimentos orgânicos nos hospitais tem se mostrado importante para a saúde dos pacientes. “Reduzem o risco de exposição aos agrotóxicos, apresentam maior valor nutricional, auxiliam na prevenção de doenças crônicas e aumentam a satisfação dos pacientes com a alimentação hospitalar”, avalia Scorza.</p>
<p>O projeto foi um dos destaques do I Congresso Técnico-Científico de Agricultura Orgânica, organizado pelo Instituto Brasil Orgânico (IBO) na Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) em março. De acordo com um levantamento realizado pelo IBO, o número de propriedades rurais com cultivo de orgânicos cresceu 150% entre 2013 e 2025, chegando a 25.178. O Paraná é o estado com maior quantidade de propriedades, seguido por Rio Grande do Sul, Pará, Bahia e São Paulo, segundo o Ministério da Agricultura e Pecuária (<em>ver infográfico</em>).</p>
</div><div class='overflow-responsive-img' style='text-align:center'><picture data-tablet="/wp-content/uploads/2026/04/RPF-agroecologia-2026-05-info-1140.png" data-tablet_size="1140x570" alt="">
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  </picture><span class="embed media-credits-inline">Alexandre Affonso / Revista Pesquisa FAPESP</span></div><div class="post-content sequence">
<p>Apesar da evolução, os orgânicos ainda representam uma parcela ínfima da produção nacional, conforme revelou estudo feito em 2021 por pesquisadores da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) e do Instituto de Economia da Unicamp. O trabalho, intitulado “Construção de uma tipologia para a produção orgânica no Brasil”, mostrou que do total da área agriculturável do país, de mais de 351 milhões de hectares (ha), apenas 1,2 milhão de ha é destinado ao cultivo de orgânicos, menos de 0,5% do total.</p>
<p>Durante o evento do IBO, Scorza chamou a atenção para o fato de 44% dos princípios ativos liberados no Brasil serem proibidos por países da União Europeia em razão dos riscos à saúde humana e ao meio ambiente (<a href="https://revistapesquisa.fapesp.br/agrotoxicos-na-berlinda/" target="_blank" rel="noopener"><em>ver</em> Pesquisa FAPESP <em>nº 271</em></a>). “Somos o maior produtor e exportador de alimentos do planeta, mas, infelizmente, também lideramos o ranking entre os maiores consumidores de agrotóxicos”, lamenta o neurologista. O uso de agrotóxicos em grandes monoculturas, como soja e cana de açúcar, segundo seus defensores, é o que faz do Brasil o maior celeiro agrícola do mundo.</p>
<p>Para Scorza, estudos científicos trazem evidências de que alguns tipos de agrotóxico – entre eles os carbamatos, amplamente utilizados como inseticidas, herbicidas e fungicidas, os organofosforados, compostos químicos empregados em inseticidas, e os organoclorados, conhecidos pela elevada persistência ambiental e bioacumulação – podem provocar danos ao cérebro. Por isso, são considerados fatores de risco potenciais para a eclosão de distúrbios neuropsiquiátricos.</p>
<p>Entre junho e outubro de 2025, a engenheira-agrônoma Sandra Maria Pereira da Silva atuou com sua equipe em Paraibuna, a 70 quilômetros (km) da unidade da Agência Paulista de Tecnologia dos Agronegócios (Apta) em Pindamonhangaba, onde trabalha. Em dois eventos técnicos, ela se reuniu com a equipe de outros órgãos da agricultura e da saúde, gestores públicos e produtores rurais com o propósito de, também ali, promover o uso de plantas medicinais e fitoterápicos, por meio de um projeto apoiado pela FAPESP. “Muitos prefeitos e secretários de Saúde ainda não sabem que podem contar com um crédito do Ministério da Saúde de até R$ 1 real por habitante para implantar ações com plantas medicinais e fitoterápicos”, diz.</p>
<p>A experiência-piloto do HSP e das demais unidades da Grande São Paulo mostra, de acordo com Beltramim e Scorza, que a aquisição de alimentos da agricultura familiar para unidades de saúde é viável e positiva, mas muitos obstáculos, principalmente de logística, precisaram ser superados. Um ponto importante foi o estabelecimento de uma rede colaborativa de parceiros do poder público em âmbito federativo, universidades, entidades da sociedade civil organizada e movimentos sociais. Outro foi a garantia de uma infraestrutura de transporte e armazenamento que garantisse a conservação adequada dos alimentos e permitisse o melhor aproveitamento deles, com redução do desperdício, no preparo das refeições.</p>
<p><strong>Hortas comunitárias<br />
</strong>Em outra frente de trabalho, a equipe da professora Vanilde Esquerdo, da Faculdade de Engenharia Agrícola da Unicamp, tem se dedicado a estudar as políticas públicas implementadas no país para fortalecer a agroecologia e a produção orgânica. Durante o encontro em Campinas, ela e sua equipe lançaram três publicações com os resultados mais recentes de seus trabalhos nesse campo, apoiados pela FAPESP.</p>
<p>A primeira examina o cenário nacional de Políticas Estaduais de Agroecologia e Produção Orgânica (Peapos), constituídas por lei, decretos e outros instrumentos normativos, e de Planos Estaduais de Agroecologia e Produção Orgânica (Pleapos), que coordenam as ações previstas nas políticas. Treze unidades da federação já promulgaram as políticas estaduais e sete (Rio Grande do Sul, Mato Grosso do Sul, São Paulo, Rio de Janeiro, Espírito Santo, Distrito Federal e Sergipe) aprovaram o plano de implantação.</p>
<p>“Nos estados, houve um esforço grande para a construção da política, com a participação de gestores, universidades e movimentos sociais, mas a implementação ainda é um problema, por falta de orçamento e planejamento”, observa Esquerdo. “Ainda assim, localmente, a agro­ecologia avança, como resultado do trabalho de agricultores, extensionistas, associações e cooperativas.”</p>
<div id="attachment_582780" style="max-width: 810px" class="wp-caption aligncenter"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-582780 size-full" src="https://revistapesquisa.fapesp.br/wp-content/uploads/2026/04/rpf-agroecologia-hortela-2026-04-800.jpg" alt="" width="800" height="982" srcset="https://revistapesquisa.fapesp.br/wp-content/uploads/2026/04/rpf-agroecologia-hortela-2026-04-800.jpg 800w, https://revistapesquisa.fapesp.br/wp-content/uploads/2026/04/rpf-agroecologia-hortela-2026-04-800-250x307.jpg 250w, https://revistapesquisa.fapesp.br/wp-content/uploads/2026/04/rpf-agroecologia-hortela-2026-04-800-700x859.jpg 700w, https://revistapesquisa.fapesp.br/wp-content/uploads/2026/04/rpf-agroecologia-hortela-2026-04-800-120x147.jpg 120w" sizes="auto, (max-width: 800px) 100vw, 800px" /><p class="wp-caption-text"><span class="media-credits-inline">Larissa Beltramim</span>Pés de hortelã e de cravo-amarelo: ideia é promover o uso de plantas medicinais e fitoterápicas em unidades públicas de saúde de cidades paulistas<span class="media-credits">Larissa Beltramim</span></p></div>
<p>A segunda publicação examina as estruturas de governança da agroeco­logia no sudoeste paulista, uma das regiões estudadas pelo grupo da Unicamp por meio de um projeto de pesquisa apoiado pela FAPESP. Ali, de acordo com esse estudo, sobressaem-se “estruturas pujantes e ativas, com inserção local significativa, como a Rede Sociotécnica do Sudoeste Paulista, que apresenta composição plural e atuação alinhada a demandas e propostas voltadas à transição agroecológica”.</p>
<p>Enquanto em Itapeva, Itaberá e outros municípios do sudoeste paulista predominam as pequenas propriedades rurais e a agricultura familiar, com a produção de hortaliças, feijão, ovos e ervas medicinais, a outra área de estudo, a Região Metropolitana de São Paulo, examinada no terceiro volume, é marcada pelas hortas comunitárias. Elas são mais comuns na zona leste da capital, com a produção centrada em hortaliças, tanto para o consumo familiar quanto, eventualmente, para venda a escolas públicas.</p>
<p>O levantamento evidenciou falhas de articulação entre os produtores e consumidores. “Por causa da falta de extensão rural, da regularidade e do planejamento da produção, poucos produtores acessam o PNAE [Programa Nacional de Alimentação Escolar] e outros programas de compras públicas”, diz Esquerdo. “Os técnicos da extensão rural são muito importantes para aumentar a qualificação dos produtores.”</p>
<p>Ao percorrer as propriedades rurais e conversar com os produtores, Esquerdo, com sua equipe, notou a participação intensa das mulheres, expressa por meio de organizações como a Rede de Agricultoras Paulistanas Periféricas Agroecológicas (Rappa), da capital, e a Rede Agroecológica de Mulheres Agricultoras (Rama), do Vale do Ribeira, que atua junto à Rede Sampa de Grupos de Consumo Responsável na Grande São Paulo. Há também dificuldades para acesso à água e regularização jurídica das terras, além do risco de contaminação do solo.</p>
<p><strong>Fitoterápicos<br />
</strong>A equipe da Apta costuma levar às reuniões mudas certificadas de algumas das 20 espécies já selecionadas para oferecer às equipes dos postos de saúde, entre elas guaco, calêndula e babosa. O propósito é manter um horto matriz e, nas dinâmicas de grupo, despertar lembranças familiares nos participantes e motivá-los a usar as plantas de que se esqueceram e continuam eficazes contra tosse, ferimentos ou indigestão. Silva sugere que os agricultores plantem também outras espécies, como alecrim e hortelã, com as quais possam gerar renda.</p>
<p>Ainda há muito por fazer. “Há uma lei federal que incentiva o uso de fitoterápicos no SUS, mas precisamos orientar os produtores sobre as melhores técnicas de controle de qualidade, embalagem e distribuição”, diz ela. “Precisamos também regulamentar e certificar o processo artesanal de produção de ingredientes botânicos.” Outro gargalo, segundo ela, é a capacitação profissional. “É preciso treinar os profissionais prescritores de fitoterápicos, como médicos, enfermeiros, farmacêuticos e dentistas dos postos de saúde. Do contrário, os fitoterápicos ficarão na prateleira”, diz.</p>
<p>A equipe do projeto já chegou ao outro extremo do estado para apresentar as possibilidades de produção e uso das plantas medicinais e aromáticas. “Tanto em Andradina, no oeste paulista, quanto em Mogi das Cruzes, na Grande São Paulo, há produtores com potencial para fornecer ao SUS, mas ainda não têm uma infraestrutura adequada de produção para atender aos centros de saúde e hospitais, que exigem entregas regulares e embalagens apropriadas”, observa Silva.</p>
<p class="bibliografia"><strong>Projetos<br />
1.</strong> Política Estadual de Agroecologia e Produção Orgânica (Peapo) e Plano Estadual de Agroecologia e Produção Orgânica (Pleapo) do estado de São Paulo: Implementação e governança territorial (<a href="https://bv.fapesp.br/pt/auxilios/114420/politica-estadual-de-agroecologia-e-producao-organica-peapo-e-plano-estadual-de-agroecologia-e-produ/" target="_blank" rel="noopener">n<sup>o</sup> 23/10150-1</a>); <strong>Modalidade</strong> Programa Pesquisa em Políticas Públicas; <strong>Pesquisadora</strong> <strong>responsável</strong> Vanilde Ferreira de Souza Esquerdo (Unicamp); <strong>Investimento</strong> R$ 1.024.043,32.<br />
<strong>2. </strong>Políticas públicas de plantas medicinais, aromáticas e fitoterápicos no estado de São Paulo: Regulamentações e implementações participativas para fortalecer agricultura familiar e movimentos da sociedade civil (<a href="https://bv.fapesp.br/pt/auxilios/114895/politicas-publicas-de-plantas-medicinais-aromaticas-e-fitoterapicos-no-estado-de-sao-paulo-regulamen/?q=2023/10183-7" target="_blank" rel="noopener">n<sup>o</sup> 23/10183-7</a>); <strong>Modalidade</strong> Programa Pesquisa em Políticas Públicas; <strong>Pesquisadora</strong> <strong>responsável</strong> Sandra Maria Pereira da Silva (APTA); Investimento R$ 1.741.790,00.</p>
<p class="bibliografia"><strong>Artigos científicos<br />
</strong>SCORZA F. A. <em>et al.</em> Agrotóxicos e o sistema vascular: Uma ligação oculta. <strong>Revista de Geopolítica</strong>. v. 17, n. 1. 2026.<br />
SCORZA F. A. <em>et al.</em> Neurogenesis and pesticides: News of no new neurons. <strong>Arq Neuropsiquiatr</strong>. maio 2024.<br />
SCORZA F. A., BOMBARDI, L. M. <em>et al.</em> L. Pesticide exposure and human health: Toxic legacy. <strong>Clinics</strong>. 20 jul. 2023.<br />
ESQUERDO, V. F. de S. e KAMIYAMA, A. (coord.). <a href="https://sites.google.com/unicamp.br/lera/publica%C3%A7%C3%B5es/policy-brief" target="_blank" rel="noopener">Estado da Arte das Políticas Estaduais de Agroecologia e Produção Orgânica no Brasil</a>. <strong>Policy Brief – Agroecologia nos Territórios</strong>. n. 1. Campinas: Faculdade de Engenharia Agrícola, Universidade Estadual de Campinas, 2026.<br />
ESQUERDO, V. F. de S. e KAMIYAMA, A. (coord.). <a href="https://sites.google.com/unicamp.br/lera/publica%C3%A7%C3%B5es/policy-brief" target="_blank" rel="noopener">Atores e agências relacionados à agroecologia e produção orgânica no território sudoeste paulista</a>. <strong>Policy Brief – Agroecologia nos Territórios</strong>. n. 2. Campinas: Faculdade de Engenharia Agrícola, Universidade Estadual de Campinas, 2026.<br />
ESQUERDO, V. F. de S. e KAMIYAMA, A. (coord.). <a href="https://sites.google.com/unicamp.br/lera/publica%C3%A7%C3%B5es/policy-brief" target="_blank" rel="noopener">Atores e agências relacionados à agroecologia e produção orgânica no Território Metropolitano de São Paulo</a>. <strong>Policy Brief – Agroecologia nos Territórios</strong>. n. 3. Campinas: Faculdade de Engenharia Agrícola, Universidade Estadual de Campinas, 2026.</p>
<p class="bibliografia"><strong>Livro<br />
</strong>SCORZA F. A. e BOMBARDI, L. M. <em>et al.</em> <strong>Agrotóxicos e a saúde humana</strong>. Editora dos Editores. 2024.</p>
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		<title>A armadilha das alucinações</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Mônica Manir]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 21 Apr 2026 12:57:38 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Boas práticas]]></category>
		<category><![CDATA[Notícias]]></category>
		<category><![CDATA[Comunicação]]></category>
		<category><![CDATA[Ética]]></category>
		<category><![CDATA[Tecnologia]]></category>
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					<description><![CDATA[Os riscos e as oportunidades oferecidos pela inteligência artificial na cobertura da imprensa sobre ciência]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>Um caso constrangedor envolvendo o veterano jornalista belga Peter Vandermeersh ilustrou os perigos associados ao uso indiscriminado de ferramentas de inteligência artificial (IA) na produção de conteúdo jornalístico. Chefe das operações irlandesas do Mediahuis, um dos principais grupos de mídia na Europa, ele foi suspenso de suas funções em março após uma investigação interna constatar que incorporou a seus textos falsas declarações entre aspas atribuídas a especialistas, que foram geradas erroneamente por programas como ChatGPT, Perplexity e Google NotebookLM.</p>
<p>Dezenas de declarações presentes em 15 textos publicados por Vandermeersh não correspondiam a fontes verificáveis e sete fontes citadas nos artigos negaram veementemente ter proferido aquelas palavras. “Existem citações que não podem ser encontradas nas publicações das quais Vandermeersch afirma tê-las obtido, como estudos científicos e notícias”, informou o jornal <em>NRC </em>(do qual Vandermeersch já foi editor-chefe), responsável pela investigação. O jornalista reconheceu os equívocos e afirmou ter “caído na armadilha das alucinações”, termo usado para descrever erros gerados por IA, ao confiar excessivamente nas ferramentas sem verificar o conteúdo replicado.</p>
<p>“Perdi muitos minutos do meu tempo procurando onde eu poderia ter dito alguma besteira sobre ‘conhecimento imersivo’”, queixou-se Emily Bell, diretora do Centro Tow de Jornalismo Digital da Universidade Columbia, nos Estados Unidos, uma das vítimas das alucinações disseminadas por Vandermeersh. Usando ferramentas de IA do Google, Bell encontrou frases muito semelhantes em um discurso feito por outra pessoa. Seu nome também foi mencionado nesse discurso, mas em outro contexto, o que pode ser a origem da alucinação. O episódio evidencia um paradoxo da IA generativa: a tecnologia é capaz de produzir textos verossímeis, mas não há garantia de que sejam verdadeiros. Isso coloca em xeque princípios fundamentais do jornalismo profissional, como a verificação e a precisão dos fatos transmitidos ao público.</p>
<p>O tema tem sido abordado em estudos que investigam como jornalistas que cobrem assuntos científicos estão lidando com a incorporação da IA em suas rotinas de trabalho. Um artigo publicado em dezembro no <em>Sage Journals</em> por seis pesquisadores da área de comunicação, três deles brasileiros (Luisa Massarani e Cleiton Bezerra, da Fundação Oswaldo Cruz, e Luiz Neves, da Universidade Federal de Goiás), evidenciou uma ampla adoção das ferramentas de IA por repórteres especializados em ciência em tarefas corriqueiras, como transcrição de gravações e apoio à escrita. Nas entrevistas com os profissionais de imprensa, também foram relatadas preocupações com a confiabilidade das informações e com a compatibilidade do uso de IA com valores jornalísticos, como responsabilidade e ética. A maioria ainda é cautelosa ao utilizar a tecnologia em tarefas mais sofisticadas, como a análise de dados.</p>
<p>A adoção da inteligência artificial nas redações, segundo a pesquisa, varia entre países. Os autores se debruçaram sobre três deles: Brasil, Índia e Reino Unido. Jornalistas científicos britânicos mostraram certa resistência ao uso avançado das ferramentas, enquanto brasileiros e indianos indicaram ser mais flexíveis. Uma particularidade dos brasileiros é que adotam amplamente as ferramentas para traduzir textos e apoiar a escrita em um segundo idioma. Entre os benefícios propiciados pela IA, os entrevistados destacam o aumento da eficiência e o acesso facilitado à informação e, entre os perigos, a possibilidade de disseminar desinformação e a eliminação de postos de trabalho, que são cada vez mais escassos no jornalismo, incluindo sua vertente de ciência.</p>
<p>Outro estudo, esse publicado no <em>Journal of Science Comunication</em> por pesquisadores das universidades de Mainz e Ludwig Maximillian, de Munique, entrevistou 30 jornalistas científicos alemães sobre as perspectivas abertas pelo uso de IA. Os autores tinham interesse em saber se as novas ferramentas poderiam amenizar ou agravar o que se convencionou chamar de “crise do jornalismo científico”, impulsionada pela crescente digitalização dos meios de comunicação, pela perda de anunciantes e pelas mudanças nos hábitos de consumo de notícias do público. Em um fenômeno ambivalente, pesquisadores e divulgadores científicos criaram canais de comunicação direta com os leitores, por meio de blogs e redes sociais, enquanto os jornalistas profissionais foram impactados por demissões e sobrecarga de trabalho. A maioria dos profissionais entrevistados, contudo, disse não se sentir ameaçada e reconhece que sua atividade caminha pra uma integração cada vez maior com a IA.</p>
<p>Já um estudo da <em>PLOS ONE</em> realizado por duas pesquisadoras da Universidade de Twente, nos Países Baixos, e outro da Universidade de Bolonha, na Itália, analisou a qualidade da cobertura da imprensa sobre IA em quatro nações (Bélgica, Itália, Portugal e Espanha), examinando notícias e entrevistando jornalistas científicos. De forma geral, os entrevistados demonstraram preocupação com a situação do jornalismo científico, incluindo a falta de financiamento, que pode afetar a qualidade das reportagens. Segundo o estudo, novas vertentes, como o jornalismo de engajamento, que prevê a participação da audiência na produção da notícia, e o jornalismo de soluções, que busca evidências capazes de resolver problemas sociais, teriam potencial para contribuir no enfrentamento desses desafios, inclusive nesse momento de transição, com a IA batendo à porta.</p>
<p>Para auxiliar nessa travessia, em 2024 o Centro de Estudos de Ciência, Comunicação e Sociedade da Universidade Pompeu Fabra (SCS-UPF), instituição pública localizada em Barcelona, na Espanha, liderou o desenvolvimento de um guia de ferramentas de inteligência artificial para jornalistas científicos. O manual se divide em três blocos. O primeiro indica plataformas que auxiliam na pesquisa de documentos e imagens, na identificação de pesquisas revisadas por pares, na tradução de textos e na transcrição de áudios. O segundo se detém em recursos para podcasts e o terceiro na organização do fluxo de trabalho. Para selecionar as melhores ferramentas, foi realizado um webinar com profissionais da comunicação científica, que apontaram aquelas que usavam com mais frequência. Todas elas foram testadas em um curso-piloto realizado em Barcelona, para verificar se eram mesmo eficientes e úteis.</p>
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