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	<title>Revista Pesquisa Fapesp</title>
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	<title>Revista Pesquisa Fapesp</title>
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		<title>Milton Santos: 100 anos do pensador que redefiniu o espaço geográfico</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Redação]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 12 Apr 2026 14:00:43 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Vídeos]]></category>
		<category><![CDATA[Geografia]]></category>
		<category><![CDATA[História]]></category>
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					<description><![CDATA[Entenda como as ideias do geógrafo revolucionaram seu campo de pesquisa ao conectar sociedade, economia e território no Brasil e no mundo &#124; 5'47]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p><iframe title="YouTube video player" src="https://www.youtube.com/embed/n4d-mK4OP2s?si=e2VdkpRg0B9jP20g" width="560" height="315" frameborder="0" allowfullscreen="allowfullscreen"></iframe></p>
<p>Entenda como as <a href="https://revistapesquisa.fapesp.br/milton-santos-refletiu-sobre-a-realidade-dos-paises-pobres/" target="_blank" rel="noopener">ideias do geógrafo revolucionaram seu campo de pesquisa</a> ao conectar sociedade, economia e território no Brasil e no mundo.</p>
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			</item>
		<item>
		<title>Educador ajuda a articular projetos de desenvolvimento sustentável na Amazônia</title>
		<link>https://revistapesquisa.fapesp.br/educador-ajuda-a-articular-projetos-de-desenvolvimento-sustentavel-na-amazonia/?utm_source=rss&#038;utm_medium=rss&#038;utm_campaign=educador-ajuda-a-articular-projetos-de-desenvolvimento-sustentavel-na-amazonia</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Patricia Mariuzzo]]></dc:creator>
		<pubDate>Sat, 11 Apr 2026 13:00:29 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Itinerários de pesquisa]]></category>
		<category><![CDATA[Ecologia]]></category>
		<category><![CDATA[Educação]]></category>
		<category><![CDATA[Matemática]]></category>
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					<description><![CDATA[Dzoodzo Baniwa começou a frequentar escola aos 10 anos e hoje é professor de matemática]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>Em 2018, foi criada a Organização Baniwa e Koripako Nadzoeri, sediada no Amazonas, e naquele mesmo ano assumi sua secretaria executiva. Ela representa hoje 85 comunidades, 10 escolas e três coletivos de mulheres desses dois povos indígenas, os Baniwa e os Koripako.</p>
<p>O nome da organização traz a palavra Nadzoeri, que é a junção das sílabas iniciais de três divindades: Ñapirikoli, Dzooli e Eeri. Elas fazem parte da mitologia da nossa comunidade, que vive ao norte do estado, às margens do rio Içana. Ele, por sua vez, deságua no rio Negro, na região do município São Gabriel da Cachoeira, que concentra grande número de indígenas.</p>
<p>A Nadzoeri, como nossa organização é mais conhecida, está vinculada à <a href="https://foirn.org.br/" target="_blank" rel="noopener">Federação das Organizações Indígenas do Rio Negro</a> [Foirn]. Uma das primeiras atividades que realizamos foi um diagnóstico socioambiental, feito de forma coletiva, ainda em 2018. A meta era entender as potencialidades locais e incentivar atividades voltadas para o desenvolvimento sustentável.</p>
<p>Uma das demandas veio dos moradores da comunidade de Nazaré do Rio Cubate, localizada na Terra Indígena do Alto Rio Negro. Eles queriam conhecer melhor a diversidade de aves daquela região, tendo em vista um futuro projeto de ecoturismo de base comunitária para observação de pássaros.</p>
<p>Essa ideia se desdobrou. No ano seguinte, firmamos uma parceria com o Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia [Inpa] para elaborar um inventário de avifauna da região. O trabalho entre pesquisadores do órgão e as comunidades rendeu o livro <em>Espécies de aves do Rio Cubate: Terra Indígena do Alto Rio Negro</em>, escrito em nheengatu, baniwa e português. A obra reúne 310 espécies e apresenta descrições físicas e comportamentais, além de relatos sobre o significado desses animais para o nosso povo.</p>
<p>Tenho orgulho de ser um dos organizadores dessa obra, publicada pelo próprio Inpa. No ano passado, o livro recebeu o prêmio Jabuti Acadêmico na área de ciências biológicas, biodiversidade e biotecnologia. É um reconhecimento que celebra essa construção coletiva de conhecimento, mas que, em âmbito pessoal, também reafirma a importância da educação na minha trajetória.</p>
<p>Nasci em 1985 e cresci na aldeia Santa Isabel, às margens do rio Ayari, na bacia do rio Içana. Só fui para a escola aos 10 anos e entrei em uma classe de educação infantil, com crianças bem mais novas do que eu. Para completar, meu professor só falava em português, língua que eu não dominava na época.</p>
<p>Eu tinha medo de ir para a escola e só não desisti pela insistência do meu pai. Ele tem um profundo conhecimento sobre a floresta, mas sentiu na pele as consequências de ser analfabeto. No passado, chegou a ser submetido à condição de trabalho análogo à escravidão por não saber ler e escrever.</p>
<p>Aos 15 anos, me transferi para a então recém-inaugurada Escola Indígena Baniwa e Koripako Pamáali. Criada em 2000, ela é resultado de um longo processo de discussão sobre currículo, metodologia e calendário escolar, que contou com a participação efetiva das comunidades.</p>
<p>Essa foi a primeira escola indígena de ensino fundamental II do nosso território. Como eu era um pouco mais velho do que meus colegas, comecei a participar de projetos agroflorestais, de piscicultura e de meliponicultura. Em 2004, quando terminei o ciclo do fundamental, acabei sendo contratado como técnico no laboratório de criação de peixes da escola, onde permaneci até 2010.</p>
<div id="attachment_581744" style="max-width: 1150px" class="wp-caption aligncenter"><img fetchpriority="high" decoding="async" class="wp-image-581744 size-full" src="https://revistapesquisa.fapesp.br/wp-content/uploads/2026/04/RPF-itinerarios-baniwa-jabuti-2026-05-1140.jpg" alt="" width="1140" height="630" srcset="https://revistapesquisa.fapesp.br/wp-content/uploads/2026/04/RPF-itinerarios-baniwa-jabuti-2026-05-1140.jpg 1140w, https://revistapesquisa.fapesp.br/wp-content/uploads/2026/04/RPF-itinerarios-baniwa-jabuti-2026-05-1140-250x138.jpg 250w, https://revistapesquisa.fapesp.br/wp-content/uploads/2026/04/RPF-itinerarios-baniwa-jabuti-2026-05-1140-700x387.jpg 700w, https://revistapesquisa.fapesp.br/wp-content/uploads/2026/04/RPF-itinerarios-baniwa-jabuti-2026-05-1140-120x66.jpg 120w" sizes="(max-width: 1140px) 100vw, 1140px" /><p class="wp-caption-text"><span class="media-credits-inline">Divulgação Prêmio Jabuti Acadêmico</span>Com os demais organizadores do livro <em>Espécies de aves do Rio Cubate: Terra Indígena do Alto Rio Negro</em>, durante a cerimônia do prêmio Jabuti Acadêmico, em 2025<span class="media-credits">Divulgação Prêmio Jabuti Acadêmico</span></p></div>
<p>No ano seguinte, aos 20 anos, fui para Manaus cursar o ensino médio na modalidade supletivo. Pela primeira vez tive aulas teóricas formais de química, biologia e física e me surpreendi ao perceber que já aplicávamos alguns princípios dessas disciplinas em atividades na nossa comunidade, como, por exemplo, na criação de peixes ou nos sistemas agroflorestais.</p>
<p>Foi movido pelo desejo de ampliar as conexões entre os saberes tradicionais indígenas e a ciência que optei pela licenciatura intercultural em física. Fiz essa graduação no Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Amazonas [Ifam], em São Gabriel da Cachoeira.</p>
<p>Em 2016, após terminar o curso, voltei para a minha aldeia disposto a colocar em prática o que tinha aprendido no curso de física. O primeiro projeto a que me dediquei foi inspirado por uma lembrança da minha mãe carregando água do rio até a aldeia para cozinhar. Para facilitar essa atividade, desenvolvi um sistema de bombeamento simples e sustentável, que não usa eletricidade, mas a energia do fluxo da água. Nos últimos anos, melhoramos o sistema, incluindo uma bomba elétrica movida a energia solar fotovoltaica e implementamos o kit [bomba e placas solares] em cerca de 40 aldeias no território do rio Içana.</p>
<p>A água foi tema da minha pesquisa de mestrado, concluída em 2021, no curso de Pós-graduação de Mestrado Profissional para o Ensino de Ciências Ambientais da Universidade Federal do Amazonas [Ufam]. No estudo tratei dos significados cultural e cosmológico desse recurso natural para o povo Baniwa e do direito a ele na perspectiva dos 17 Objetivos de Desenvolvimento Sustentável, da Organização das Nações Unidas [ODS-ONU]. Além disso, discuti como a questão da água pode ser mais bem explorada no currículo integral da escola indígena.</p>
<p>Eventos extremos como ondas de calor, secas e inundações já são realidade em nosso território. No meu trabalho como educador, tenho defendido a adoção de metodologias participativas, que envolvam as crianças e jovens nos processos de monitoramento da natureza e os preparem para responder a esses desafios ambientais. É o que eu chamo de educação territorializada, onde a escola assume um papel ativo na busca de solução criativa aos problemas da comunidade e, nesse sentido, se torna uma fonte de oportunidades para as pessoas e para o local.</p>
<p>Essa premissa me motivou a liderar o estabelecimento de um convênio assinado em 2022 entre a Nadzoeri e a Foirn com a Faculdade de Educação da Universidade de São Paulo [FE-USP]. Por meio desse acordo, a Escola Municipal Baniwa Eeno Hiepole, onde sou professor de matemática, começou a participar do programa global Escolas2030, financiado pela Fundação Aga Khan, sediada em Genebra, na Suíça. No Brasil, essas atividades são coordenadas pela FE-USP e a organização de empreendedores sociais Ashoka.</p>
<p>Com duração de 10 anos, o programa busca catalisar a ação das escolas como laboratórios de uma educação integral e transformadora. Essa proposta tem a ver com a nossa escola, que defende a diversificação dos ambientes de aprendizagem.</p>
<p>Em setembro recebi o Prêmio Fundação Bunge. Fui agraciado na categoria Vida e Obra, no tema Saberes e práticas dos povos tradicionais e sua importância para a conservação dos recursos naturais.</p>
<p>Nós, indígenas, temos conhecimentos de assuntos como astronomia e ciclos da natureza, só que as nossas referências não estão nos livros, mas escritas nas pedras, no céu, na floresta. Talvez por isso nosso saber nem sempre seja respeitado e costume ser visto como inferior em relação ao conhecimento dos brancos.</p>
<p>Mas não desanimo. Espero que o diálogo entre o conhecimento ancestral, a ciência e o poder público se fortaleça. É a partir dessa tríade que podemos encontrar meios para enfrentar a emergência climática no planeta.</p>
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		<title>Percia Paiva Barbosa</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Pesquisa Brasil]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 10 Apr 2026 13:05:49 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Entrevistas]]></category>
		<category><![CDATA[Educação]]></category>
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					<description><![CDATA[Escola cria base curricular para iniciação científica no ensino básico]]></description>
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<p>Escola cria base curricular para iniciação científica no ensino básico.</p>
<p><em>Apresentação</em>: Fabrício Marques<br />
<em>Produção, roteiro e edição</em>: Sarah Caravieri</p>
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		<item>
		<title>Mariana da Silva Alves</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Pesquisa Brasil]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 10 Apr 2026 13:04:58 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Entrevistas]]></category>
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					<description><![CDATA[Universidade desenvolve diferentes formulações de bioplásticos]]></description>
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<p>Universidade desenvolve<a href="https://revistapesquisa.fapesp.br/madeiras-frutas-e-legumes-formam-os-novos-plasticos/" target="_blank" rel="noopener"> diferentes formulações de bioplásticos.</a></p>
<p><em>Apresentação</em>: Fabrício Marques<br />
<em>Produção, roteiro e edição</em>: Sarah Caravieri</p>
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			</item>
		<item>
		<title>Stelvio Mazza</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Pesquisa Brasil]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 10 Apr 2026 13:03:02 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Entrevistas]]></category>
		<category><![CDATA[Engenharia]]></category>
		<category><![CDATA[Química]]></category>
		<category><![CDATA[Tecnologia]]></category>
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					<description><![CDATA[Empresa utiliza mandioca como matéria-prima para embalagens]]></description>
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<p>Empresa utiliza <a href="https://revistapesquisa.fapesp.br/madeiras-frutas-e-legumes-formam-os-novos-plasticos/" target="_blank" rel="noopener">mandioca como matéria-prima para embalagens.</a></p>
<p><em>Apresentação</em>: Fabrício Marques<br />
<em>Produção, roteiro e edição</em>: Sarah Caravieri</p>
]]></content:encoded>
					
		
		
			</item>
		<item>
		<title>Marcel Botelho</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Pesquisa Brasil]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 10 Apr 2026 13:02:16 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Entrevistas]]></category>
		<category><![CDATA[Ambiente]]></category>
		<category><![CDATA[Financiamento]]></category>
		<category><![CDATA[Pol. Públicas]]></category>
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					<description><![CDATA[Como as fundações estaduais de amparo à pesquisa se articulam]]></description>
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<p>Como as fundações <a href="https://revistapesquisa.fapesp.br/marcel-botelho-expoe-planos-para-articular-a-ciencia-nos-estados/" target="_blank" rel="noopener">estaduais de amparo à pesquisa se articulam.</a></p>
<p><em>Apresentação</em>: Fabrício Marques<br />
<em>Produção, roteiro e edição</em>: Sarah Caravieri</p>
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			</item>
		<item>
		<title>Filipe Lima</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Pesquisa Brasil]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 10 Apr 2026 13:01:22 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Entrevistas]]></category>
		<category><![CDATA[Epidemiologia]]></category>
		<category><![CDATA[Saúde Pública]]></category>
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					<description><![CDATA[Estudo avalia método para diagnóstico precoce da hanseníase]]></description>
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<p>Estudo avalia método para diagnóstico precoce da hanseníase.</p>
<p><em>Apresentação</em>: Fabrício Marques<br />
<em>Produção, roteiro e edição</em>: Sarah Caravieri</p>
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			</item>
		<item>
		<title>A propagação dos bioplásticos</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Pesquisa Brasil]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 10 Apr 2026 13:00:41 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Podcast Pesquisa Brasil]]></category>
		<category><![CDATA[Ambiente]]></category>
		<category><![CDATA[Educação]]></category>
		<category><![CDATA[Engenharia]]></category>
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		<category><![CDATA[Tecnologia]]></category>
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					<description><![CDATA[Podcast aborda o desenvolvimento de polímeros à base de madeira, mandioca, açaí e resíduos agrícolas em universidades e empresas brasileiras. E mais: curiosidade científica; agências de fomento; biomarcadores]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<div
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          08:00          Percia Paiva Barbosa        </li>
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<p><strong>Percia Paiva Barbosa</strong>: Escola cria base curricular para iniciação científica no ensino básico.</p>
<p><strong>Mariana da Silva Alves</strong>: <a href="https://revistapesquisa.fapesp.br/madeiras-frutas-e-legumes-formam-os-novos-plasticos/" target="_blank" rel="noopener">Universidade desenvolve diferentes formulações de bioplásticos.</a></p>
<p><strong>Stelvio Mazza</strong>: <a href="https://revistapesquisa.fapesp.br/madeiras-frutas-e-legumes-formam-os-novos-plasticos/" target="_blank" rel="noopener">Empresa utiliza mandioca como matéria-prima para embalagens.</a></p>
<p><strong>Marcel Botelho</strong>: <a href="https://revistapesquisa.fapesp.br/marcel-botelho-expoe-planos-para-articular-a-ciencia-nos-estados/" target="_blank" rel="noopener">Como as fundações estaduais de amparo à pesquisa se articulam.</a></p>
<p><strong>Filipe Lima</strong>: Estudo avalia método para diagnóstico precoce da hanseníase.</p>
<p><em>Apresentação</em>: Fabrício Marques<br />
<em>Produção, roteiro e edição</em>: Sarah Caravieri</p>
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		<item>
		<title>É importante aproximar os formuladores de políticas públicas de quem as executa, diz pesquisadora</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Ana Paula Orlandi]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 08 Apr 2026 16:45:13 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Entrevista]]></category>
		<category><![CDATA[Humanidades]]></category>
		<category><![CDATA[Educação]]></category>
		<category><![CDATA[Pol. Públicas]]></category>
		<category><![CDATA[Sociologia]]></category>
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					<description><![CDATA[A cientista política Gabriela Lotta é uma das organizadoras do livro que trata dos estudos sobre burocracia do nível de rua no Brasil]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>Conceito do campo da administração pública que surgiu nos Estados Unidos na década de 1960, a burocracia do nível de rua refere-se aos profissionais que atuam na linha de frente do serviço público, como policiais, assistentes sociais e enfermeiros. “Em geral, eles não gostam de ser chamados dessa forma. Isso porque a palavra ‘burocrata’ costuma ter uma conotação pejorativa e a expressão ‘nível de rua’ pode parecer uma desvalorização do trabalho que exercem”, conta a cientista política Gabriela Lotta, coordenadora do Núcleo de Estudos da Burocracia da Escola de Administração de Empresas da Fundação Getulio Vargas (FGV), em São Paulo. “Na verdade, o sentido é oposto. O burocrata representa o Estado e a própria democracia, enquanto o ‘nível de rua’ remete à concretização dos direitos na vida cotidiana.”</p>
<p>Lotta é uma das organizadoras do livro <em>Na linha de frente: Avanços e contribuições dos estudos sobre burocracia do nível de rua no Brasil</em>, lançado no final do ano passado pela Escola Nacional de Administração Pública (Enap). Ela divide o trabalho com Roberto Rocha Coelho Pires, pesquisador com doutorado em administração pública que atua no Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea). Com 15 capítulos, a obra traz textos assinados por 35 pesquisadores brasileiros.</p>
<p>Na entrevista a seguir, Lotta fala sobre o cenário brasileiro e como as pesquisas vêm contribuindo para melhorar esse contexto. Em fevereiro, ela foi uma das vencedoras da segunda edição do prêmio Mulheres e Ciência, concedido pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq).</p>
<p><strong>Por que os estudos sobre burocracia do nível de rua demoraram tanto para se consolidar no Brasil em comparação com Estados Unidos e Europa, cujas pesquisas começaram na década de 1970?</strong><br />
Até a Constituição de 1988, o Brasil não tinha um sistema amplo de serviços públicos universais. Foi só a partir desse período que saúde, educação e assistência passaram a ser organizadas de forma mais estruturada. Isso significa que, antes disso, o próprio campo empírico para pesquisa era muito limitado. Um segundo fator é que a área de políticas públicas no país também é relativamente recente. Os estudos sobre burocracia do nível de rua só começam a engatinhar nos anos 2000, com a expansão das universidades e a criação de cursos específicos. A partir do início da década de 2010, se forma uma comunidade de pesquisadores dedicada ao tema da burocracia do nível de rua.</p>
<p><strong>Essas pesquisas no Brasil têm caráter interdisciplinar?</strong><br />
Sim. Ao contrário da Europa e dos Estados Unidos, onde o debate costuma ficar mais concentrado na administração pública, aqui o tema atravessa áreas como sociologia, educação e outros campos das ciências humanas. Antes de 2010, os pesquisadores estavam dispersos em diferentes áreas. Quando o conceito passou a ser utilizado, muitos profissionais reconheceram suas próprias pesquisas nele. Um exemplo é o grupo de educadores ligado à PUC-Rio [Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro], que estudava professores e diretores da educação básica. Ao entrar em contato com os trabalhos que vinham sendo feitos no Brasil a respeito, eles se identificaram com a abordagem e criaram em 2014 a Rede de Estudos de Implementação de Políticas Públicas Educacionais, passando a adotar o termo “burocracia do nível de rua”. No Brasil e, de forma mais ampla, no Sul global, é difícil tratar desse tema sem dialogar com as ciências sociais, por exemplo, até porque o trabalho desses profissionais é fortemente marcado por disputas políticas.</p>
<blockquote><p>É preciso estreitar o diálogo entre quem formula e quem executa as políticas públicas</p></blockquote>
<p><strong>Em que sentido?</strong><br />
Muitos desses profissionais atuam como cabos eleitorais de candidatos a, por exemplo, prefeito ou deputado durante períodos eleitorais por opção ou coação. Também enfrentam interferências para alterarem suas agendas de trabalho em função disso. Alguns, inclusive, se candidatam a cargos políticos eletivos. Sem contar que, no caso brasileiro, estudar a burocracia do nível de rua significa ultrapassar as fronteiras formais do Estado. Envolve analisar organizações da sociedade civil contratadas para prestar serviços públicos e figuras como a do conselheiro tutelar, que é eleito pela população para atuar nessa esfera. São arranjos muito mais híbridos do que o modelo tradicional, em que o Estado implementa diretamente as políticas.</p>
<p><strong>Como se dá a relação dos pesquisadores com os burocratas do nível de rua?</strong><br />
Em geral, esses profissionais não gostam de ser chamados assim. Embora o termo seja importante do ponto de vista teórico, na prática ele não é bem recebido. No cotidiano, essa expressão soa ofensiva, porque “burocrata” tem uma conotação negativa e “nível de rua” pode parecer uma desvalorização desse trabalho. Na verdade, o sentido é oposto. O burocrata representa o Estado e a própria democracia, enquanto o “nível de rua” remete à concretização dos direitos na vida cotidiana. Para conseguir pesquisar esse grupo, é fundamental construir relações de confiança, o que exige tempo, presença em campo, diálogo e muita negociação. Nem sempre isso funciona, especialmente em setores mais fechados, como a polícia, onde o acesso é muito difícil e as entrevistas tendem a ser mais pró-forma. Além disso, as pesquisas em nosso campo partem de uma preocupação ética central: o objetivo não é julgar as práticas, mas entender por que as pessoas agem como agem. Muitas vezes, esses profissionais fazem o que é possível dentro de condições precárias. Quando o sistema falha, eles precisam buscar soluções improvisadas, como agentes da saúde que precisam negociar com o mundo do crime organizado para atuar em determinados territórios. Nesses casos, a responsabilidade não é individual, mas de um Estado que não oferece suporte adequado.</p>
<p><strong>Qual é o papel das pesquisas nesse cenário?</strong><br />
Em geral, as pesquisas são muito concretas e permitem descrever, por exemplo, o que acontece quando um professor entra em sala de aula e interage com seus alunos. Para os gestores, é muito mais fácil pensar soluções quando os problemas são apresentados de maneira objetiva. No Núcleo de Estudos da Burocracia investigamos durante a pandemia de Covid-19 como os profissionais da linha de frente estavam vivenciando esse período. Como não era possível realizar pesquisas presenciais, foram feitas várias rodadas de <em>surveys</em>, autorrespondidos por celular ou computador, com trabalhadores da saúde, da assistência social, da defensoria pública e da polícia penal. Os resultados desses estudos tiveram impacto concreto. Os relatórios foram utilizados na Comissão Parlamentar de Inquérito [CPI] da corrupção, embasaram o processo movido pela Organização dos Estados Americanos [OEA] contra o governo brasileiro pela falta de apoio aos profissionais da linha de frente e fundamentaram ações judiciais de sindicatos para garantir, por exemplo, a distribuição de máscaras. Além disso, contribuíram para a criação de uma nova legislação para os agentes comunitários de saúde, durante a pandemia, servindo de base para o debate legislativo. Esses exemplos mostram que existe, sim, um diálogo relevante entre pesquisa e formulação de políticas públicas, embora seus efeitos dependam, em grande medida, da disposição dos governos em incorporar evidências e promover mudanças.</p>
<p><strong>O que é necessário para melhorar a atuação desses profissionais?</strong><br />
O primeiro passo é valorizá-los e reconhecer a importância do trabalho que realizam. Há, claro, a dimensão material: salário, carga horária, estabilidade e carreira. Mas faz também parte desse processo parar de tratá-los como responsáveis pelos fracassos das políticas e passar a vê-los como atores centrais no acesso a serviços e a direitos. Em geral, as políticas são formuladas longe da realidade das escolas, dos postos de saúde e dos serviços sociais. Por isso, é fundamental criar processos sistemáticos de escuta, como consultas, reuniões e espaços permanentes de diálogo antes da publicação de normas. Medidas simples como essas já fazem muita diferença. Além disso, é importante aproximar quem formula políticas de quem as executa. Experiências de imersão, em que gestores acompanham o trabalho na ponta, ajudam a entender limites e dificuldades reais. Essa vivência torna as políticas mais viáveis, eficazes e sensíveis às condições concretas de implementação.</p>
<p class="bibliografia separador-bibliografia">A entrevista acima foi publicada com o título “<strong>Gabriela Lotta: Longe dos gabinetes</strong>” na edição impressa nº 362, de abril de 2026.</p>
]]></content:encoded>
					
		
		
			</item>
		<item>
		<title>Folheie ou baixe a edição 362</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Redação]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 08 Apr 2026 14:56:18 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Impressa]]></category>
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					<description><![CDATA[Folheie ou baixe a edição de abril de 2026]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<div style="position: relative; padding-top: max(60%,326px); height: 0; width: 100%;"><iframe style="position: absolute; border: none; width: 100%; height: 100%; left: 0; right: 0; top: 0; bottom: 0;" title="O Brasil das alturas " src="https://e.issuu.com/embed.html?d=o_brasil_das_alturas_&amp;u=pesquisafapesp" sandbox="allow-top-navigation allow-top-navigation-by-user-activation allow-downloads allow-scripts allow-same-origin allow-popups allow-modals allow-popups-to-escape-sandbox allow-forms" allowfullscreen="allowfullscreen"></iframe></div>
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			</item>
		<item>
		<title>Cores do tempo</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Redação]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 08 Apr 2026 14:51:30 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Fotolab]]></category>
		<category><![CDATA[Ambiente]]></category>
		<category><![CDATA[Biologia]]></category>
		<category><![CDATA[Botânica]]></category>
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					<description><![CDATA[Visão microscópica de raiz de planta do Cerrado permite estimar a sua idade]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>Em fatias de arbustos do Cerrado, o engenheiro florestal Tiago Gomes-Pinto experimentou maneiras de enxergar anéis de crescimento durante a graduação na Universidade de São Paulo (USP). Nessa parte subterrânea da planta <em>Jacaranda decurrens</em> – as partes aéreas são periodicamente eliminadas pelo fogo –, o método de coloração de Mäule permite enxergar ao microscópio de fluorescência, em verde, a lignina-S, que forma a parede celular das fibras. Em laranja aparece a lignina do tipo G, mais resistente e abundante no final de cada anel de crescimento. Partindo do princípio de que a cada ano se forma um anel, os pesquisadores estimam a idade de 27 anos para essa raiz pouco mais espessa que um dedo.</p>
<p><em>Imagem enviada pela jornalista Beatriz Ortiz, bolsista de jornalismo científico no projeto Biota Campos, com sede no Instituto de Pesquisas Ambientais (IPA)</em></p>
<p class="bibliografia">Sua pesquisa rende fotos bonitas? Mande para <a href="mailto:imagempesquisa@fapesp.br" target="_blank" rel="noopener noreferrer">imagempesquisa@fapesp.br</a>. Seu trabalho poderá ser publicado na revista.</p>
]]></content:encoded>
					
		
		
			</item>
		<item>
		<title>Comentários 362</title>
		<link>https://revistapesquisa.fapesp.br/comentarios-362/?utm_source=rss&#038;utm_medium=rss&#038;utm_campaign=comentarios-362</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Redação]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 08 Apr 2026 14:48:10 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Cartas]]></category>
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					<description><![CDATA[Médicos, enfermagem, carbono e vídeos]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p><strong>Formação dos médicos</strong><br />
O problema central é a qualidade da formação dos médicos e as condições de trabalho (“<a href="https://revistapesquisa.fapesp.br/os-efeitos-colaterais-da-multiplicacao-de-medicos/" target="_blank" rel="noopener">Efeitos colaterais da expansão</a>”, edição 361). Não precisamos de mais diplomas. Precisamos de formação médica rigorosa, com fisca-lização efetiva e punição às instituições que graduam profissionais sem o preparo esperado. Também é indispensável enfrentar a precarização do trabalho médico. A expansão da pejotização, com empresas intermediando contratos com prefeituras e serviços de saúde, cria um sistema distorcido.<br />
<strong>Evelyn Bandeca</strong></p>
<p>*</p>
<p>No Brasil, muitos municípios estão desassistidos por médicos especialistas. A questão é que os médicos, em sua maioria, não querem trabalhar no interior do país. Os grandes centros acabam saturados.<br />
<strong>Gustavo André de Araújo Santos</strong></p>
<p>**</p>
<p><strong>Enfermagem<br />
</strong>É tão problemática a questão da enfermagem, que afeta várias camadas (“<a href="https://revistapesquisa.fapesp.br/enfermagem-enfrenta-sobrecarga-baixos-salarios-e-multiplos-vinculos-trabalhistas/" target="_blank" rel="noopener">Enfermagem sob pressão</a>”, edição 360). A principal delas: a segurança do paciente. Os baixos salários fazem com que muitos acumulem cargos e trabalhem exaustos. Um profissional sobrecarregado, exausto, compromete o cuidado tanto do paciente como dele mesmo. É um adoecimento geral.<br />
<strong>Tacyanne Melo</strong></p>
<p>**</p>
<p><strong>Cerrado e carbono</strong><br />
Mais um motivo para a proteção integral das veredas e campos úmidos do Cerrado, mesmo daqueles localizados em propriedade privada (“<a href="https://revistapesquisa.fapesp.br/solos-do-brasil-liberaram-14-bilhao-de-toneladas-de-carbono-devido-ao-avanco-da-agropecuaria/" target="_blank" rel="noopener">Da terra para o ar</a>”, edição 361).<br />
<strong>Luciana de Mendonça Galvão</strong></p>
<p>**</p>
<p><strong>Vídeos</strong><br />
Amei o conteúdo (“<a href="https://revistapesquisa.fapesp.br/o-que-e-a-virada-cartografica/" target="_blank" rel="noopener">O que é a virada cartográfica?</a>”). Vou mostrar para meus alunos de topografia aqui na Unicamp.<br />
<strong>Claudia Vanessa Corrêa</strong></p>
<p>*</p>
<p>Coisa linda o vídeo “<a href="https://revistapesquisa.fapesp.br/dicionario-kuikuro-valoriza-saber-indigena-e-amplia-preservacao-linguistica-no-brasil/" target="_blank" rel="noopener">Língua kuikuro ganha dicionário feito em parceria com a comunidade</a>”. É o conhecimento transpondo barreiras.<br />
<strong>Luciano Monteiro</strong></p>
<p>***</p>
<p class="bibliografia">Sua opinião é bem-vinda. As mensagens poderão ser resumidas por motivo de espaço e clareza. <a href="mailto:cartas@fapesp.br" target="_blank" rel="noopener">cartas@fapesp.br</a>.</p>
]]></content:encoded>
					
		
		
			</item>
		<item>
		<title>Ascensão e queda</title>
		<link>https://revistapesquisa.fapesp.br/ascensao-e-queda-2/?utm_source=rss&#038;utm_medium=rss&#038;utm_campaign=ascensao-e-queda-2</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Vera Lucia Amaral Ferlini]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 08 Apr 2026 14:47:01 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Resenhas]]></category>
		<category><![CDATA[Economia]]></category>
		<category><![CDATA[História]]></category>
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					<description><![CDATA[Livro traça a história econômica do Rio de Janeiro da colonização ao século XXI]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p><img decoding="async" width="800" height="1150" class="size-full wp-image-581442 alignright" src="https://revistapesquisa.fapesp.br/wp-content/uploads/2026/04/RPF-resenha-Historia-economica-Rio-2026-04-800-1.jpg" alt="" srcset="https://revistapesquisa.fapesp.br/wp-content/uploads/2026/04/RPF-resenha-Historia-economica-Rio-2026-04-800-1.jpg 800w, https://revistapesquisa.fapesp.br/wp-content/uploads/2026/04/RPF-resenha-Historia-economica-Rio-2026-04-800-1-250x359.jpg 250w, https://revistapesquisa.fapesp.br/wp-content/uploads/2026/04/RPF-resenha-Historia-economica-Rio-2026-04-800-1-700x1006.jpg 700w, https://revistapesquisa.fapesp.br/wp-content/uploads/2026/04/RPF-resenha-Historia-economica-Rio-2026-04-800-1-120x173.jpg 120w" sizes="(max-width: 800px) 100vw, 800px" />A partir da criação, em 1929, da revista <em>Annales. Économies, Sociétés, Civilisations</em>, na França, a história econômica ganhou importante espaço acadêmico. Nos anos 1970, outras abordagens marcaram o surgimento da nova história, e a quantificação impactou as análises demográficas e econômicas. No Brasil, a implantação dos cursos de pós-graduação a partir de 1971 deu impulso a esses estudos, sem descurar de visões de conjunto e questões político-sociais.</p>
<p>A publicação, em 1978, do livro de Eulália Lahmeyer Lobo, <em>História do Rio de Janeiro: Do capital comercial ao capital industrial e financeiro</em>, abriu perspectivas inovadoras na análise do período, entre 1763 e 1945, apoiado em tabelas, gráficos e ampla bibliografia. Trata-se de estudo minucioso e ousado, ao tomar e retraçar a economia da cidade em dois séculos.</p>
<p>O recente <em>História econômica da cidade do Rio de Janeiro: Da fundação ao século XXI</em>, de André Arruda Villela, retoma o assunto, retrocedendo aos dois primeiros séculos da colonização e avançando no estudo após 1945. Especialista em história financeira do Império, com importantes publicações sobre o assunto, a exemplo do livro <em>The political economy of money and banking in Imperial Brazil, 1850-1870</em>, editado no Reino Unido pela Palgrave MacMillan, em 2020, ele é professor da Escola de Pós-graduação em Economia da Fundação Getulio Vargas, no Rio de Janeiro.</p>
<p>Ao longo de quatro capítulos, que cobrem mais de quatro séculos de história, a obra traz dezenas de gráficos, tabelas e figuras que dão base às análises. O livro apresenta ainda exaustivo arrolamento de fontes e bibliografia, além de dois importantes anexos sobre as alterações do território da cidade no período e sobre sua evolução populacional.</p>
<p>Essa ampliação oferece desafios de pesquisa para os 200 anos iniciais da história da cidade devido à escassez de dados numéricos e mesmo de relatos. Para suprir essas lacunas, o autor buscou fontes paralelas, como contratos de arrematação de dízimo e movimentos de alfândega. E, nesse ponto, destaca-se a relevância do livro, que vai além da reconstituição do período e aponta, em vários momentos, crítica de fontes, diálogo com a historiografia e opções metodológicas.</p>
<p>Como mostra a obra, a produção açucareira impulsionou no período colonial a economia da cidade, alimentada principalmente pelo comércio triangular entre Angola e a região platina, provedora de importante fluxo de prata. Mesmo a turbulência da reconfiguração do equilíbrio Atlântico e a concorrência antilhana tiveram curto impacto e logo o vigor da produção de açúcar foi retomado.</p>
<p>No século XVIII, a cidade beneficiou-se da descoberta das jazidas de ouro em Minas Gerais, Goiás e Mato Grosso. Principal porto de escoamento do mineral e de entrada de manufaturados e escravizados, o Rio de Janeiro assumiu importância na economia da América portuguesa, de igual ou de maior importância que as capitanias do Nordeste e do Norte, culminando na instalação do vice-reino, em 1763.</p>
<p>Para traçar a dinâmica econômica carioca no período imperial, o autor faz uso de análises recentes, em importante exercício de rigor metodológico. Nesses 80 anos, a população local passou de 100 mil habitantes para cerca de 500 mil. O porto teve importância nevrálgica, com o aumento expressivo da produção cafeeira e o crescimento das importações. Capital financeira do Brasil, a cidade concentrava, por exemplo, bancos e bolsa de valores. A efervescência urbana era completada por comércio, teatros, restaurantes e cafés.</p>
<p>O período republicano como capital federal reforçou, até 1930, o perfil econômico da cidade. Entre 1945 e 1960, os indicadores mostram estabilidade financeira, mas sem crescimento do setor industrial e com aumento nos serviços, dando sinais de uma economia “que estava ficando para trás”.</p>
<p>Em 1960, a transferência da capital para Brasília e a criação do Estado da Guanabara acelera o processo de esvaziamento do vigor econômico do Rio, acompanhando as turbulências político-institucionais do Brasil. O “milagre econômico”, a oferta de energia e a produção de bens de capital não incentivaram a economia do Rio de Janeiro. Frente à situação atual da cidade, o livro de Villela permite entender seu declínio econômico e pensar as possibilidades de sua retomada.</p>
<p class="bibliografia"><strong>Vera Lucia Amaral Ferlini</strong> é professora do Departamento de História da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da Universidade de São Paulo (FFLCH-USP).</p>
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		<title>Acervos de áudio preservam de sons da natureza às histórias do futebol</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Ana Paula Orlandi]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 08 Apr 2026 14:40:47 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Humanidades]]></category>
		<category><![CDATA[Arqueologia]]></category>
		<category><![CDATA[Artes Visuais]]></category>
		<category><![CDATA[Biologia]]></category>
		<category><![CDATA[História]]></category>
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					<description><![CDATA[Gravações guardadas em museus, universidades e coleções particulares ampliam possibilidades de documentação]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>Ao longo do filme <em>O agente secreto </em>(2025), de Kleber Mendonça Filho, duas jovens pesquisadoras escutam áudios do acervo pessoal de Elza, doado por sua família a uma universidade no Rio de Janeiro. Interpretada por Maria Fernanda Cândido, a personagem procurava ajudar cidadãos perseguidos pela ditadura militar (1964-1985) como Armando, vivido por Wagner Moura. Na trama, esses registros sonoros funcionam como elo entre o passado – ambientado nos anos 1970, sobretudo na cidade do Recife (PE) – e o tempo presente, evocando a importância da preservação da memória, um dos temas centrais do longa-metragem.</p>
<p>Na vida real, os arquivos de áudio inspiram pesquisas. É o caso do projeto sobre a construção da memória nos esportes e a história oral no Brasil, que abrangeu o período de 1960 a 1990. O estudo foi desenvolvido entre 2022 e 2024, com apoio da FAPESP, pelo historiador Bernardo Buarque de Hollanda, atualmente professor da Fundação Getulio Vargas, no Rio de Janeiro. Ele investigou o acervo do Museu da Imagem e do Som (MIS) do Rio de Janeiro e de São Paulo.</p>
<p>Segundo o pesquisador, o MIS carioca foi inaugurado em 1965, durante o governo de Carlos Lacerda (1914-1977), no antigo estado da Guanabara, em uma das últimas obras de sua gestão. “Na época, o pesquisador Ricardo Cravo Albin, que dirigiu a instituição entre 1965 e 1971, idealizou a série <em>Depoimentos para a posteridade</em>, que até hoje é realizada pelo MIS-RJ. A princípio, ela era voltada à preservação da memória da música popular brasileira”, explica.</p>
<p>A partir de 1967, o projeto passou também a registrar relatos de esportistas, sobretudo do futebol. A série com atletas começou com Marcos Carneiro de Mendonça (1894-1988), primeiro goleiro da Seleção Brasileira que conquistou os campeonatos sul-americanos de 1919 e 1922. “Ele relembra episódios daquela época e usa termos em inglês, como <em>corner</em> [escanteio], evidenciando a influência da ascendência britânica do esporte sobre os jogadores daquele período”, destaca Hollanda.</p>
<div id="attachment_581533" style="max-width: 810px" class="wp-caption aligncenter"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-581533 size-full" src="https://revistapesquisa.fapesp.br/wp-content/uploads/2026/04/RPF-arquivos-sonoros-discos-mis-rj-2026-04-800.jpg" alt="" width="800" height="384" srcset="https://revistapesquisa.fapesp.br/wp-content/uploads/2026/04/RPF-arquivos-sonoros-discos-mis-rj-2026-04-800.jpg 800w, https://revistapesquisa.fapesp.br/wp-content/uploads/2026/04/RPF-arquivos-sonoros-discos-mis-rj-2026-04-800-250x120.jpg 250w, https://revistapesquisa.fapesp.br/wp-content/uploads/2026/04/RPF-arquivos-sonoros-discos-mis-rj-2026-04-800-700x336.jpg 700w, https://revistapesquisa.fapesp.br/wp-content/uploads/2026/04/RPF-arquivos-sonoros-discos-mis-rj-2026-04-800-120x58.jpg 120w" sizes="auto, (max-width: 800px) 100vw, 800px" /><p class="wp-caption-text"><span class="media-credits-inline">Acervo MIS-RJ</span>Discos lançados na década de 1960 pelo Museu da Imagem e do Som do Rio de Janeiro<span class="media-credits">Acervo MIS-RJ</span></p></div>
<p>Anunciadas nos jornais, as gravações dos depoimentos atraíam público ao MIS-RJ principalmente nas décadas de 1960 e 1970, de acordo com o historiador. Na seara esportiva, entre os entrevistados por jornalistas como João Máximo e Nelson Rodrigues (1912-1980), figuravam atletas do futebol, a exemplo de Garrincha (1933-1983), e de outras modalidades, como a nadadora Maria Lenk (1915-2007), primeira brasileira a competir em Jogos Olímpicos, em 1932.</p>
<p>De acordo com o pesquisador, na década de 1960, o MIS-RJ chegou a produzir discos com entrevistas da série<em> Depoimentos para a posteridade</em>. Comercializados em bancas de jornal, os <em>long plays</em> veicularam relatos de nomes como Pelé (1940-2022) e João Saldanha (1917-1990), jornalista e comentarista esportivo que foi técnico do Botafogo nos anos 1960 e teve uma passagem como treinador da Seleção Brasileira.</p>
<p>Fundado em 1970, o MIS paulista realizaria mais tarde iniciativa parecida: o projeto <em>Memória do futebol</em>. Entre 1981 e 1984, durante a gestão do fotógrafo e historiador Boris Kossoy, foram entrevistadas cerca de 40 personalidades ligadas ao esporte nas categorias profissional e amador. Entre eles estavam, por exemplo, Roberto Rivellino, atacante da Seleção Brasileira, e o jornalista Juca Kfouri.</p>
<p>Para o time de entrevistadores, Kossoy convocou pesquisadores ligados à Universidade de São Paulo (USP), a exemplo dos historiadores José Sebastião Witter (1933-2014), que era também diretor do Arquivo Público do Estado de São Paulo, e José Carlos Sebe Bom Meihy. O sociólogo Sergio Miceli (1945-2025) participou de algumas gravações. “Eles figuravam entre os poucos estudiosos do futebol na época, tema que era desprezado pela academia”, diz Hollanda.</p>
<p>Os arquivos sonoros de teatro estão no centro da pesquisa coordenada por Rafaella Uhiara, do Programa de Pós-graduação em Artes Cênicas da Escola de Comunicações e Artes (ECA) da USP. No momento, uma das frentes do projeto, que tem apoio da FAPESP, analisa o acervo da sonoplasta Maria Antonia Ferreira Teixeira (1949-2019), conhecida como Tunica Teixeira.</p>
<div id="attachment_581537" style="max-width: 810px" class="wp-caption alignright"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-581537 size-full" src="https://revistapesquisa.fapesp.br/wp-content/uploads/2026/04/RPF-arquivos-sonoros-kfouri-mis-sp-2026-04-800.jpg" alt="" width="800" height="1100" srcset="https://revistapesquisa.fapesp.br/wp-content/uploads/2026/04/RPF-arquivos-sonoros-kfouri-mis-sp-2026-04-800.jpg 800w, https://revistapesquisa.fapesp.br/wp-content/uploads/2026/04/RPF-arquivos-sonoros-kfouri-mis-sp-2026-04-800-250x344.jpg 250w, https://revistapesquisa.fapesp.br/wp-content/uploads/2026/04/RPF-arquivos-sonoros-kfouri-mis-sp-2026-04-800-700x963.jpg 700w, https://revistapesquisa.fapesp.br/wp-content/uploads/2026/04/RPF-arquivos-sonoros-kfouri-mis-sp-2026-04-800-120x165.jpg 120w" sizes="auto, (max-width: 800px) 100vw, 800px" /><p class="wp-caption-text"><span class="media-credits-inline">Autoria Desconhecida. Acervo Museu da Imagem e do Som de São Paulo</span>O jornalista Juca Kfouri durante depoimento ao MIS-SP, em 1982<span class="media-credits">Autoria Desconhecida. Acervo Museu da Imagem e do Som de São Paulo</span></p></div>
<p>Ao longo de cinco décadas, a sonoplasta trabalhou em espetáculos de diretores como Antunes Filho (1929-2019), Fauzi Arap (1938-2013) e Antônio Abujamra (1932-2015). “Na história do teatro brasileiro muito se fala sobre atores, dramaturgos e diretores, mas raramente a respeito dos profissionais da técnica”, comenta Uhiara. “Outro aspecto dessa história é o fato de Tunica ter atuado em um campo predominantemente masculino.”</p>
<p>Pertencente ao Centro de Documentação de Teatro (CDT) da USP, o acervo da sonoplasta reúne cerca de 6.200 gravações, como 1.500 discos de vinil e 300 fitas magnéticas de rolo. Além disso, a coleção abriga livros, filmes e anotações, entre outros itens. “Pela natureza dos suportes, dá para acompanhar as mudanças tecnológicas que ela experimentou ao longo da carreira”, observa Uhiara.</p>
<p>Para manejar o material, o grupo montou na universidade, em 2023, um laboratório de digitalização de arquivos sonoros. “Um dos grandes desafios é encontrar equipamentos para reproduzir os áudios, já que esses suportes, como as fitas DAT [<em>Digital Audio Tape</em>], estão obsoletos”, diz Elizabeth Azevedo, vice-coordenadora do CDT-USP. “O trabalho realizado com o acervo da Tunica vem ajudando a criar uma infraestrutura que poderá ser aplicada a outros conjuntos documentais do CDT, como o da produtora teatral e atriz Ruth Escobar [1935-2017].”</p>
<p>Outro desdobramento do projeto é a elaboração de um dicionário dedicado aos sons da cena teatral, desenvolvido em parceria com Cesar Lignelli, professor da Universidade de Brasília (UnB). Prevista para ser finalizada em 2028, a obra está sendo escrita por cerca de 90 pesquisadores de 36 instituições de ensino superior das cinco regiões do país.</p>
<p>A ideia é produzir cerca de 450 verbetes. Um deles discorre sobre sonoplastia. “A definição do termo varia: ele costuma ser usado para designar todos os sons presentes em uma cena, como também para se referir a efeitos sonoros específicos, como o ranger de uma porta ou o som de um carro passando”, conta Lignelli. “Isso acontece com outras palavras do nosso campo de estudo. Organizar esse vocabulário é importante tanto para a pesquisa quanto para a catalogação de acervos sonoros.”</p>
<p>“No Brasil, não há uma percepção generalizada de que documentos de arquivo vão além do papel”, avalia o historiador e arquivista Marcelo Nogueira de Siqueira, da Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro (UniRio). Ele é um dos organizadores do livro <em>Ampliando a discussão em torno de documentos audiovisuais, iconográficos, sonoros e musicais </em>(Edufba, 2016), resultado do trabalho de uma câmara técnica do Conselho Nacional de Arquivos (Conarq), órgão vinculado ao Arquivo Nacional.</p>
<p>Criada em 2014, a câmara busca estabelecer diretrizes e normas que orientem as instituições a inserir esse tipo de documento em seus planos de gestão arquivística. Naquele ano, formulou a Resolução nº 41 do Conarq. “A medida estabelece que os órgãos integrantes do sistema de arquivos do país devem incluir registros audiovisuais, iconográficos, sonoros e musicais, como partituras, em seus planos de gestão documental”, explica Siqueira, que também atua como coordenador de articulação de projetos institucionais do Arquivo Nacional. “Mas isso ainda não acontece de forma plena. Em muitas universidades e instituições federais, fotografias e registros sonoros costumam ficar sob responsabilidade da área de comunicação, como se fossem algo à parte.”</p>
<div id="attachment_581541" style="max-width: 1150px" class="wp-caption aligncenter"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-581541 size-full" src="https://revistapesquisa.fapesp.br/wp-content/uploads/2026/04/RPF-arquivos-sonoros-Vielliard-Teixeira-2026-04-1140.jpg" alt="" width="1140" height="750" srcset="https://revistapesquisa.fapesp.br/wp-content/uploads/2026/04/RPF-arquivos-sonoros-Vielliard-Teixeira-2026-04-1140.jpg 1140w, https://revistapesquisa.fapesp.br/wp-content/uploads/2026/04/RPF-arquivos-sonoros-Vielliard-Teixeira-2026-04-1140-250x164.jpg 250w, https://revistapesquisa.fapesp.br/wp-content/uploads/2026/04/RPF-arquivos-sonoros-Vielliard-Teixeira-2026-04-1140-700x461.jpg 700w, https://revistapesquisa.fapesp.br/wp-content/uploads/2026/04/RPF-arquivos-sonoros-Vielliard-Teixeira-2026-04-1140-120x79.jpg 120w" sizes="auto, (max-width: 1140px) 100vw, 1140px" /><p class="wp-caption-text"><span class="media-credits-inline">Antoninho Perri/SEC/UNICAMP - Retratos do Teatro (2013), de Bob Sousa | Antoninho Perri/SEC/UNICAMP</span>A partir da esquerda, o ornitólogo Jacques Vielliard e a sonoplasta Tunica Teixeira<span class="media-credits">Antoninho Perri/SEC/UNICAMP - Retratos do Teatro (2013), de Bob Sousa | Antoninho Perri/SEC/UNICAMP</span></p></div>
<p>Os arquivos em áudio integram o campo dos estudos sonoros, uma área multidisciplinar que ganhou impulso internacional no início dos anos 2000, como informa Uhiara, da USP. O interesse científico pelas gravações, no entanto, é anterior a isso. Um dos pioneiros no Brasil foi o ornitólogo francês Jacques Vielliard (1944-2010). Após realizar quatro expedições pelo Brasil, ele ingressou como docente na Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), em 1978, e criou um laboratório de bioacústica naquela instituição de ensino.</p>
<p>Foi assim que deu início a uma das maiores coleções de sons de animais do mundo: o Arquivo Sonoro Tropical, inaugurado naquele ano. Com a morte do pesquisador, o espaço passou a se chamar Fonoteca Neotropical Jacques Vielliard (FNJV) e está vinculado ao Museu de Diversidade Biológica (MDBio-Unicamp). Atualmente, a coleção reúne quase 140 mil registros sonoros de animais como aves, anfíbios, mamíferos, répteis, peixes e invertebrados, que podem ser escutados no site da FNJV.</p>
<p>Além de digitalizar e disponibilizar os registros on-line, a equipe busca ampliar o acervo ao estimular o depósito de novos materiais e recuperar gravações antigas. “Às vezes, alguém grava um grilo cantando no quintal com o celular e nos envia. Mas também há registros que exigem entrar em brejos à noite, no meio da Amazônia, ou mesmo captar sons no fundo do mar com equipamentos especializados”, conta a bióloga Simone Dena, do MDBio e uma das curadoras da fonoteca.</p>
<p>Os arquivos da FNJV têm diversas aplicações científicas. “Por meio dos áudios, os pesquisadores conseguem estudar o comportamento animal, investigar processos evolutivos e até identificar novas espécies, já que cada uma possui vocalização própria. Temos registros de espécies que já foram extintas, como alguns sapos e aves. São sons que provavelmente não voltarão a ser ouvidos”, diz o biólogo Felipe Toledo, do Instituto de Biologia da Unicamp, que também é curador da fonoteca. “Além disso, artistas costumam utilizar os sons dos animais em obras musicais, teatrais e audiovisuais.”</p>
<p>Vozes de artistas como a da atriz alemã Marlene Dietrich (1901-1992) cantando a música <em>Luar do sertão</em> integram a Vozoteca, arquivo sonoro doado em 2013 pelo jornalista Luiz Ernesto Kawall (1927-2024) ao Instituto de Estudos Brasileiros (IEB) da USP. A coleção de áudios é composta por cerca de 12 mil itens, como discursos políticos, entrevistas, programas de rádio e televisão, declamações de poesia e registros musicais. Desses, por volta de 1.400 estão catalogados e podem ser consultados presencialmente. “Há registros raros, como um breve trecho da voz de Santos Dumont [1873-1932] e uma gravação de Mário de Andrade [1893-1945]”, destaca Dina Elisabete Uliana, supervisora técnica do serviço de arquivo do IEB.</p>
<p>Segundo Paulo José de Moura Palumbo, técnico do arquivo do IEB responsável pela digitalização do material, Kawall começou a colecionar vozes na década de 1960, quando trabalhou com Carlos Lacerda. Por sugestão do político, passou a guardar discursos registrados em discos. “Ao longo desse tempo, ele ampliou o acervo, inclusive com gravações que fazia de falas transmitidas por rádio e televisão. Sem contar os depoimentos de personalidades colhidos pelo próprio Kawall”, relata.</p>
<p>A socióloga Maria Aparecida de Moraes Silva, da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar), mantém em sua casa, nessa cidade do interior paulista, cerca de 800 fitas cassete. Nelas estão guardadas quatro décadas de pesquisa. Ao longo desse período, Silva registrou o cotidiano de cortadores de cana, sobretudo migrantes nordestinos e trabalhadores oriundos do Vale do Jequitinhonha (MG); além de assentados da reforma agrária e pequenos produtores que permaneceram na terra.</p>
<p>As gravações foram feitas principalmente na região de Ribeirão Preto (SP), hoje um dos principais polos do agronegócio brasileiro, além de povoados rurais em Minas Gerais, Maranhão e Piauí. “Com a mecanização acelerada da colheita da cana e outras mudanças tecnológicas no campo, muitos desses trabalhadores desapareceram da paisagem da região”, afirma a pesquisadora.</p>
<p>Nos últimos anos, Silva digitalizou os áudios para que não se deteriorassem. Desde 2022, estão disponíveis no site <em>Vozes e memórias</em>. “O repositório tem um sentido acadêmico, mas também político e social: dar visibilidade às experiências de trabalhadores cujas histórias raramente aparecem em um cenário dominado pelo agronegócio”, esclarece. “Ele surgiu da preocupação em evitar o que chamo de ‘memoricídio’, isto é, o apagamento da memória dessas populações.”</p>
<p class="bibliografia">A reportagem acima foi publicada com o título “<strong>Lembranças sonoras</strong>” na edição impressa nº 362, de abril de 2026.</p>
<p class="bibliografia"><strong>Projetos<br />
1.</strong> A construção da memória nos esportes e a história oral no Brasil: Um estudo das coleções sonoras do Museu da Imagem e do Som em São Paulo e no Rio de Janeiro (anos 1960-1990) (<a href="https://bvs.fapesp.br/pt/bolsas/205771/a-construcao-da-memoria-nos-esportes-e-a-historia-oral-no-brasil-um-estudo-das-colecoes-sonoras-do-m/" target="_blank" rel="noopener">nº 22/04786-8</a>); <strong>Modalidade</strong> Auxílio à Pesquisa – Regular; <strong>Pesquisador responsável </strong>Bernardo Borges Buarque de Hollanda (FGV-SP); <strong>Investimento</strong> R$ 32.073,14.<br />
<strong>2.</strong> Arquivos sonoros de teatro: Implementação de uma base para a pesquisa da dimensão sonora em artes cênicas (<a href="https://bv.fapesp.br/pt/auxilios/113362/arquivos-sonoros-de-teatro-implementacao-de-uma-base-para-a-pesquisa-da-dimensao-sonora-em-artes-cen/" target="_blank" rel="noopener">nº 22/15032-4</a>); <strong>Modalidade</strong> Auxílio à Pesquisa – Jovens Pesquisadores; <strong>Pesquisadora responsável</strong> Rafaella Uhiara (USP); <strong>Investimento</strong> R$ 479.464,88.</p>
<p class="bibliografia"><strong>Artigos científicos<br />
</strong>WEGNER, A e UHIARA, R. (org.). <a href="https://seer.ufrgs.br/index.php/presenca/issue/view/5092">Som em cena</a>. <strong>Revista Brasileira de Estudos da Presença</strong>. v. 14, n. 4. 2024.<br />
DENA. S. <em>et al</em>. <a href="https://www.tandfonline.com/doi/full/10.1080/09524622.2019.1633567">How much are we losing in not depositing anuran sound recordings in scientific collections?</a> <strong>Bioacoustics</strong>. v. 29, n. 5, p. 590-601. 2020.</p>
]]></content:encoded>
					
		
		
			</item>
		<item>
		<title>População indígena no Brasil cresce e se urbaniza</title>
		<link>https://revistapesquisa.fapesp.br/populacao-indigena-no-brasil-cresce-e-se-urbaniza/?utm_source=rss&#038;utm_medium=rss&#038;utm_campaign=populacao-indigena-no-brasil-cresce-e-se-urbaniza</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Christina Queiroz]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 08 Apr 2026 14:40:02 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Humanidades]]></category>
		<category><![CDATA[Demografia]]></category>
		<category><![CDATA[Educação]]></category>
		<category><![CDATA[Urbanismo]]></category>
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					<description><![CDATA[Avanço da autodeclaração e revitalização cultural redesenham o perfil dos povos originários no país]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>Em pouco mais de uma década, a população que se autodeclara indígena no Brasil cresceu cerca de 89%, ultrapassando 1,6 milhão de pessoas em 2022. Mais do que um salto numérico, o dado reflete mudanças profundas nos modos de identificação, na distribuição territorial e nas dinâmicas sociais desses povos. Essas transformações começaram a ser detalhadas no relatório “O Brasil indígena”, publicado no final de 2025. Elaborado a partir de uma parceria entre o Ministério dos Povos Indígenas, a Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai), o Fundo de População das Nações Unidas (UNFPA) e o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o documento reúne os principais resultados do Censo Demográfico 2022 sobre essa parcela da população.</p>
<p>Para a antropóloga Marta Antunes, coordenadora do grupo de trabalho de povos e comunidades tradicionais do IBGE, o crescimento da população indígena registrado no censo é multifatorial, mas está ligado a mudanças metodológicas que ampliaram a capacidade de retratar esse grupo nas estatísticas oficiais. “Houve um avanço no mapeamento de localidades indígenas, que passou a incluir aldeias e comunidades em áreas remotas e em contextos urbanos, alcançando regiões antes não mapeadas”, informa. Além disso, a aplicação da pergunta “Você se considera indígena?” foi expandida para além de territórios oficialmente reconhecidos. Dessa forma, indivíduos residentes em cidades ou fora de áreas demarcadas passaram a integrar a contagem do IBGE.</p>
<blockquote><p>Amazonas (305 mil), Bahia (180 mil) e Pernambuco (58 mil) têm as maiores concentrações de indígenas em cidades</p></blockquote>
<p>O avanço metodológico do Censo Demográfico 2022 ajudou a revelar histórias que por muito tempo ficaram fora das estatísticas oficiais. Esse é o caso, por exemplo, do Piauí. Durante décadas, o estado foi descrito como um território sem presença indígena. “No sul do estado, comunidades como os Akroá-Gamella enfrentaram processos de dispersão ao longo do século XX. Parte dessa população foi deslocada para outros territórios, perdendo referências identitárias”, explica o historiador André Machado, da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) e um dos organizadores do livro <em>Povos indígenas entre olhares</em> (Editora Unifesp/Edições Sesc, 2022). Para a historiadora Rebeca Freitas Lopes, que atualmente faz doutorado na Unifesp sob orientação de Machado, apesar dessa dispersão, os indígenas sempre estiveram presentes na região.</p>
<p>Lopes nasceu e cresceu em Uruçuí, no sul do Piauí, a cerca de 450 quilômetros de Teresina, em uma região marcada por disputas fundiárias e pela expansão do agronegócio. Integrante da comunidade indígena Akroá-Gamella, ela busca compreender em sua pesquisa por que durante tanto tempo se afirmou que não havia indígenas no estado. Segundo a historiadora, esse discurso, ainda presente no imaginário local, sustenta que os povos originários teriam sido exterminados no período colonial ou assimilados à população regional, tornando-se caboclos. Em sua análise, essa construção remonta ao século XIX, quando instituições como o Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro (IHGB) ajudaram a formular um ideal de nação que apagava a presença indígena em determinadas regiões. “Houve um processo de deslegitimação étnica que serviu para justificar a apropriação de nossos territórios”, afirma. No caso piauiense, essa narrativa ganhou força também na política: governadores da província, ainda no período imperial, mobilizavam o argumento do desaparecimento indígena para legitimar a expansão da pecuária pelo interior. “Criou-se um imaginário de que a população do sertão era essencialmente cabocla e sertaneja, sem vínculos com identidades indígenas”, afirma.</p>
<p>Para Lopes, os dois últimos censos contribuem para refutar essa visão. Assim, o Censo de 2010 registrou cerca de 3 mil pessoas que se autodeclararam indígenas no estado, enquanto em 2022 o número ultrapassou 7 mil. Ela atribui essa mudança ao fortalecimento do movimento indígena no Nordeste, sobretudo a partir da década de 1990, no contexto posterior à Constituição de 1988. “Houve uma reorganização política, com a participação em congressos e a articulação com antropólogos e historiadores comprometidos com a valorização de vozes indígenas”, relata. “Grupos como os Akroá-Gamella, os Kariri de Queimada Nova e os Tabajara de Piripiri passaram a se organizar durante esse período.”</p>
</div><div class='overflow-responsive-img' style='text-align:center'><picture data-tablet="/wp-content/uploads/2026/04/RPF-censoindigena-2026-04-info-1140.png" data-tablet_size="1140x430" alt="Em 2022, a maior parte desse grupo populacional, ou cerca de 914 mil pessoas, residia em cidades">
    <source srcset="/wp-content/uploads/2026/04/RPF-censoindigena-2026-04-info-1140.png" media="(min-width: 1920px)" />
    <source srcset="/wp-content/uploads/2026/04/RPF-censoindigena-2026-04-info-1140.png" media="(min-width: 1140px)" />
    <img decoding="async" class="responsive-img" src="/wp-content/uploads/2026/04/RPF-censoindigena-2026-04-info-760.png" />
  </picture><span class="embed media-credits-inline">Alexandre Affonso / Revista Pesquisa FAPESP</span></div><div class="post-content sequence">
<p>Na avaliação do antropólogo João Rivelino Rezende Barreto, da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) e pertencente ao povo Tukano, o aumento da autodeclaração exige uma análise cuidadosa. “O censo traz uma questão importante: quem são as pessoas que estão se autodeclarando indígenas?”, questiona o pesquisador, cujo nome em tukano é Yúpuri. Ele ressalta que cada povo possui sistemas próprios de organização social, regras de pertencimento e formas específicas de transmissão do conhecimento. Uma de suas preocupações é o uso indevido da autodeclaração para acessar direitos como cotas e bolsas de estudo em universidades. “Esses direitos são fundamentais para os povos originários, mas a identificação indígena não pode ser feita sem considerar o conhecimento da pessoa sobre as regras da própria etnia”, pondera Barreto. Nascido na região de São Gabriel da Cachoeira (AM), ele se tornou o primeiro indígena a concluir o doutorado em antropologia social na UFSC, em 2019. Cinco anos depois, voltou à universidade como professor aprovado no primeiro concurso público da instituição exclusivo para candidatos indígenas.</p>
<p>O Censo de 2022 indica que a maioria dos indígenas brasileiros vive em contextos urbanos: são 914 mil pessoas, ou 53% do total. O contingente representa um aumento de 181% em relação ao Censo de 2010, quando a população urbana somava 324 mil pessoas. Para Antunes, isso não significa um êxodo das terras indígenas, mas uma ampliação da capacidade de mensuração do IBGE. “Estamos conseguindo enxergar os indígenas que sempre estiveram nas cidades”, defende a antropóloga.</p>
<div id="attachment_581263" style="max-width: 1150px" class="wp-caption aligncenter"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-581263 size-full" src="https://revistapesquisa.fapesp.br/wp-content/uploads/2026/04/RPF-censo-indigena-documentos-2026-04-1140.jpg" alt="" width="1140" height="684" srcset="https://revistapesquisa.fapesp.br/wp-content/uploads/2026/04/RPF-censo-indigena-documentos-2026-04-1140.jpg 1140w, https://revistapesquisa.fapesp.br/wp-content/uploads/2026/04/RPF-censo-indigena-documentos-2026-04-1140-250x150.jpg 250w, https://revistapesquisa.fapesp.br/wp-content/uploads/2026/04/RPF-censo-indigena-documentos-2026-04-1140-700x420.jpg 700w, https://revistapesquisa.fapesp.br/wp-content/uploads/2026/04/RPF-censo-indigena-documentos-2026-04-1140-120x72.jpg 120w" sizes="auto, (max-width: 1140px) 100vw, 1140px" /><p class="wp-caption-text"><span class="media-credits-inline">Cecília Pederzoli / TJMG</span>Indígenas da aldeia Brejo Mata Fome, em São João das Missões (MG), recebem atendimento para emitir documentos<span class="media-credits">Cecília Pederzoli / TJMG</span></p></div>
<p>No entanto, mesmo em áreas urbanas, onde, em tese, o acesso a serviços seria maior, a população indígena segue em desvantagem em relação à não indígena. “Em geral, eles vivem nas franjas das cidades, em áreas periféricas. Quando comparamos indígenas com não indígenas, a desigualdade é brutal”, enfatiza Antunes. Em termos de alfabetização, a população indígena no meio urbano apresenta indicadores mais elevados do que no rural: em 2022, a taxa de alfabetização para aqueles com 15 anos ou mais em áreas urbanas foi de 89,14%, um leve aumento comparado aos 87,71% registrados em 2010.</p>
<p>Ao comentar a expansão da presença indígena em contextos urbanos, o antropólogo Márcio Meira, do Museu Paraense Emílio Goeldi, destaca que esse movimento foi impulsionado por fatores como o acesso a benefícios sociais, entre eles o programa Bolsa Família, e a ampliação das oportunidades educacionais em universidades, especialmente com a adoção de sistemas de cotas a partir dos anos 2000. O pesquisador ressalta, no entanto, que a urbanização não implica o abandono dos territórios tradicionais. “Não sabemos até que ponto essa permanência nas cidades é definitiva”, afirma Meira, que presidiu a Funai entre 2007 e 2012 e, desde os anos 1980, desenvolve pesquisas sobre história indígena e políticas indigenistas na Amazônia. “O que predomina é um padrão de mobilidade pendular, em que indivíduos alternam períodos entre aldeias e centros urbanos.”</p>
<p>Por sua vez, o geógrafo Bernardo Mançano, da Universidade Estadual Paulista (Unesp), <em>campus</em> de Presidente Prudente, avalia que o aumento da população indígena urbana também pode estar associado com a migração forçada de territó­rios tradicionais.</p>
<blockquote><p>61% do total de indígenas estão no Amazonas, na Bahia, em Mato Grosso do Sul, Pernambuco e Roraima</p></blockquote>
<p>O antropólogo Geraldo Andrello, da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar), associa essas transformações ao crescimento demográfico indígena observado desde os anos 1990. “Enquanto a população brasileira aumentou a partir dos anos 1960, entre os indígenas esse avanço ocorreu 30 anos mais tarde”, explica Andrello. Segundo ele, a geração nascida nesse período chegou à vida adulta em um cenário de expansão de direitos, de forma que muitos migraram para cidades em busca de oportunidades educacionais e profissionais.</p>
<p>Andrello e Meira são organizadores do dossiê “<a href="https://www.scielo.br/j/bgoeldi/a/STn8GrCdmQ9Y9HQqSw9Bv7j/?lang=pt" target="_blank" rel="noopener">Temporalidades e interações socioambientais no noroeste amazônico</a>”, publicado em 2024 no <em>Boletim do Museu Paraense Emílio Goeldi – Ciências humanas</em>. Um dos eixos do trabalho é analisar a intensificação da urbanização indígena na região do Alto Rio Negro, no Amazonas. “Esse processo vem se consolidando ao longo das última duas décadas. Em São Gabriel da Cachoeira, 92% da população urbana é indígena”, destaca Andrello. Além disso, uma parcela significativa da população indígena vive hoje em pequenas cidades do interior, mantendo vínculos simultâneos com as aldeias. Para os pesquisadores, essa mobilidade não enfraquece a identidade indígena. “Assim como palestinos ou judeus mantêm sua identidade fora dos territórios de origem, os indígenas também preservam vínculos culturais e simbólicos tradicionais com a terra dos antepassados. A identidade está ligada às raízes e aos sistemas culturais, não ao local de nascimento”, assegura Andrello.</p>
<div id="attachment_581267" style="max-width: 1150px" class="wp-caption aligncenter"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-581267 size-full" src="https://revistapesquisa.fapesp.br/wp-content/uploads/2026/04/RPF-censo-indigena-saude-mercado-2026-04-1140.jpg" alt="" width="1140" height="627" srcset="https://revistapesquisa.fapesp.br/wp-content/uploads/2026/04/RPF-censo-indigena-saude-mercado-2026-04-1140.jpg 1140w, https://revistapesquisa.fapesp.br/wp-content/uploads/2026/04/RPF-censo-indigena-saude-mercado-2026-04-1140-250x138.jpg 250w, https://revistapesquisa.fapesp.br/wp-content/uploads/2026/04/RPF-censo-indigena-saude-mercado-2026-04-1140-700x385.jpg 700w, https://revistapesquisa.fapesp.br/wp-content/uploads/2026/04/RPF-censo-indigena-saude-mercado-2026-04-1140-120x66.jpg 120w" sizes="auto, (max-width: 1140px) 100vw, 1140px" /><p class="wp-caption-text"><span class="media-credits-inline">Fabio Colombini</span>Mulher da etnia Iny Karajá (<em>à esq</em>.) faz compras em São Félix do Araguaia (MT), enquanto outra pertencente ao mesmo grupo é atendida por pajé na ilha do Bananal<span class="media-credits">Fabio Colombini</span></p></div>
<p>Com reflexão similar, Lopes, da Unifesp, enfatiza que a diversidade das experiências indígenas contemporâneas vai além dos territórios tradicionais. A pesquisadora lembra que em Teresina, por exemplo, há uma aldeia urbana formada por indígenas Guajajara, Timbira e Warao, sendo estes últimos migrantes da Venezuela, que chegaram ao Brasil em razão da crise política e econômica naquele país. Situações semelhantes ocorrem em outras cidades, como Guarulhos (SP), onde vivem indígenas oriundos do Nordeste. “Muitos migram em busca de melhores condições de vida e isso não os torna menos indígenas”, sustenta.</p>
<p>A diversidade cultural foi outro marco do Censo Demográfico 2022, com a autodeclaração de 391 etnias, povos ou grupos indígenas. Um aumento expressivo em comparação com os 305 registrados em 2010. As etnias mais populosas identificadas foram Tikuna, Kokama, Makuxi e Guarani Kaiowá. No campo linguístico, o levantamento contabilizou 295 línguas indígenas faladas nos domicílios por pessoas a partir de 2 anos. Entre as mais difundidas estão tikuna, guarani kaiowá, guajajara e kaingang. O avanço no número de pessoas que declaram falar línguas indígenas sugere que políticas de educação bilíngue e intercultural têm produzido efeitos concretos. “Estamos assistindo ao reavivamento de línguas que foram silenciadas por séculos, sobretudo no Nordeste”, analisa Lopes.</p>
<p>O pedagogo Elie Ghanem, da Universidade de São Paulo (USP), observa que, ao contrário do que ocorreu no passado, as escolas em comunidades indígenas têm sido progressivamente apropriadas por esses povos. Ele ressalta que essa mudança é recente quando vista em perspectiva histórica. Em 1910, com a criação do Serviço de Proteção ao Índio (SPI), o Estado brasileiro instituiu uma política indigenista baseada na assimilação. “O projeto era equiparar o indígena ao restante da sociedade brasileira”, detalha. Nesse contexto, as escolas implementadas nesse período seguiam modelos externos às comunidades, contrapostos às suas realidades culturais. A inflexão começou a partir da Constituição de 1988, que reconheceu o direito dos povos indígenas a uma educação específica, intercultural e bilíngue. Desde então, segundo o pedagogo, observa-se um movimento de ressignificação das instituições de ensino. “As comunidades passaram a se apropriar das escolas e a transformá-las em ferramentas úteis para seus projetos de vida”, avalia.</p>
<blockquote><p>85% dos indígenas com 15 anos ou mais estavam alfabetizados em 2022, ante 76,6% em 2010</p></blockquote>
<p>Com estudos sobre educação escolar indígena realizados desde 2008, Ghanem desenvolve atualmente pesquisa sobre alfabetização e diversidade sociolinguística no Alto Rio Negro, com financiamento da FAPESP. Na região, 23 povos convivem e pelo menos 19 línguas são faladas. “Nas comunidades, a rotina se inicia com uma refeição coletiva, reunindo moradores que compartilham laços de parentesco. A educação escolar indígena está profundamente conectada à vida comunitária, colaborando com processos de fortalecimento de identidades”, destaca.</p>
<p>Nos territórios estudados, que incluem os povos Baniwa, Koripako, Tuiuka e Kotiria, essa transformação se expressa de diversas formas. Os professores são, em grande parte, indígenas e frequentemente indicados pelas comunidades, ainda que formalmente vinculados à secretaria estadual ou municipal de Educação. Os saberes ensinados também são definidos localmente. “Há uma escolha ativa sobre quais conhecimentos devem ser passados aos estudantes”, explica o pedagogo. Segundo ele, esse processo não implica rejeição do conhecimento não indígena. Ao contrário, busca-se o equilíbrio. “Há uma valorização tanto dos saberes tradicionais quanto dos conhecimentos científicos não indígenas”, diz. Em algumas comunidades, inclusive, opta-se por modelos escolares mais próximos do ensino não indígena.</p>
<p>Ao mesmo tempo, o pedagogo enfatiza que a escolarização indígena enfrenta desafios estruturais persistentes. Muitas escolas estão localizadas em áreas remotas, com acesso difícil e instalações precárias. Dados do Censo Demográfico 2022 indicam que embora a taxa de analfabetismo em terras indígenas tenha recuado de 32% para 20% entre 2010 e 2022, ela segue elevada especialmente entre mulheres e pessoas mais velhas.</p>
<div id="attachment_581271" style="max-width: 1150px" class="wp-caption aligncenter"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-581271 size-full" src="https://revistapesquisa.fapesp.br/wp-content/uploads/2026/04/RPF-censo-indigena-vestibular-2026-04-1140.jpg" alt="" width="1140" height="761" srcset="https://revistapesquisa.fapesp.br/wp-content/uploads/2026/04/RPF-censo-indigena-vestibular-2026-04-1140.jpg 1140w, https://revistapesquisa.fapesp.br/wp-content/uploads/2026/04/RPF-censo-indigena-vestibular-2026-04-1140-250x167.jpg 250w, https://revistapesquisa.fapesp.br/wp-content/uploads/2026/04/RPF-censo-indigena-vestibular-2026-04-1140-700x467.jpg 700w, https://revistapesquisa.fapesp.br/wp-content/uploads/2026/04/RPF-censo-indigena-vestibular-2026-04-1140-120x80.jpg 120w" sizes="auto, (max-width: 1140px) 100vw, 1140px" /><p class="wp-caption-text"><span class="media-credits-inline">Antonio Scarpinetti / SEC-Unicamp</span>Vestibular indígena realizado pela Universidade Estadual de Campinas (Unicamp)<span class="media-credits">Antonio Scarpinetti / SEC-Unicamp</span></p></div>
<p>Parte dessas limitações decorre do próprio modelo de avaliação. “Muitos testes são padronizados e baseados no domínio do português”, observa Ghanem. Segundo ele, em contextos plurilíngues, isso produz distorções. Em muitas comunidades do Alto Rio Negro, é comum que as crianças cresçam falando mais de uma língua indígena e, às vezes, também espanhol, no caso de famílias com origem na Colômbia. “São populações poliglotas, mas isso não aparece nas avaliações”, comenta o pesquisador. Nesses contextos, a alfabetização se torna um desafio adicional, dada a realidade linguística dos alunos. Além disso, a formação de professores é insuficiente para lidar com essa diversidade. “Faltam programas que contemplem efetivamente o plurilinguismo”, analisa Ghanem.</p>
<p>Nas cidades, onde a presença indígena cresce rapidamente, surgem novos obstáculos. Em geral, as escolas urbanas não estão preparadas para acolher esses estudantes. “Isso se traduz em dificuldades de adaptação, além de episódios frequentes de preconceito”, relata o pesquisador. Ainda assim, os avanços são significativos. Nas últimas décadas, houve expansão do número de escolas em territórios indígenas e crescimento das licenciaturas interculturais voltadas à formação de professores. “Esse movimento contribuiu para a formação de um contingente expressivo de docentes oriundos das próprias comunidades”, assegura o pedagogo.</p>
<p>Segundo o Ministério da Educação (MEC), o país conta hoje com 3,3 mil escolas indígenas, sendo um terço delas localizada no estado do Amazonas. No início de 2026, o governo federal anunciou investimentos de R$ 785 milhões para a construção de 117 novas unidades em todo o país. “O retrato traçado pelo Censo de 2022 revela um Brasil indígena mais visível em sua complexidade. Ao mesmo tempo que evidencia avanços na afirmação identitária, na ampliação do acesso à educação e na presença em diferentes territórios, o levantamento também expõe limites persistentes das políticas públicas e dos instrumentos de mensuração dessa diversidade”, conclui o pedagogo.</p>
<p class="bibliografia">A reportagem acima foi publicada com o título “<strong>Maior e mais diverso</strong>” na edição impressa nº 362, de abril de 2026.</p>
<p class="bibliografia"><strong>Projeto<br />
</strong>Autoformação docente indígena para problemas locais de alfabetização escolar: Demandas da diversidade sociolinguística baniwa-koripako do Alto Rio Negro, AM (<a href="https://bv.fapesp.br/pt/auxilios/119075/autoformacao-docente-indigena-para-problemas-locais-de-alfabetizacao-escolar-demandas-da-diversidade/" target="_blank" rel="noopener">nº 25/04847-5</a>); <strong>Modalidade</strong> Auxílio à Pesquisa – Regular; <strong>Pesquisador responsável</strong> Elie George Guimaraes Ghanem Junior (USP); <strong>Investimento</strong> R$ 484.468,59.</p>
<p class="bibliografia"><strong>Dossiê<br />
</strong>ANDRELLO, G. <em>et al</em>. <a href="https://www.scielo.br/j/bgoeldi/a/STn8GrCdmQ9Y9HQqSw9Bv7j/?lang=pt" target="_blank" rel="noopener">Temporalidades e interações socioambientais no noroeste amazônico</a>. Parte II. <em><strong>Boletim do Museu Paraense Emílio Goeldi. Ciências Humanas</strong></em>. v. 19, n. 3. 2024.</p>
<p class="bibliografia"><strong>Relatório<br />
</strong><a href="https://www.ibge.gov.br/brasil-indigena/" target="_blank" rel="noopener"><strong>O Brasil indígena: Povos indígenas no Censo Demográfico 2022</strong></a>. Rio de Janeiro: IBGE, 2025.</p>
<p class="bibliografia"><strong>Livro<br />
</strong>MACHADO, A. R. de A. e MACEDO, V. (orgs.). <em><strong>Povos indígenas entre olhares</strong></em>. São Paulo: Edições Sesc São Paulo. Editora Unifesp, 2022.</p>
]]></content:encoded>
					
		
		
			</item>
		<item>
		<title>Pesquisadores desconhecem que fenômeno gerou o neutrino mais energético detectado na Terra</title>
		<link>https://revistapesquisa.fapesp.br/pesquisadores-desconhecem-que-fenomeno-gerou-o-neutrino-mais-energetico-detectado-na-terra/?utm_source=rss&#038;utm_medium=rss&#038;utm_campaign=pesquisadores-desconhecem-que-fenomeno-gerou-o-neutrino-mais-energetico-detectado-na-terra</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Igor Zolnerkevic]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 08 Apr 2026 14:35:20 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Ciência]]></category>
		<category><![CDATA[Física]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://revistapesquisa.fapesp.br/?p=581319</guid>

					<description><![CDATA[Não há consenso de que a superpartícula teria sido produzida por um buraco negro surgido no início do Universo]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<div id="attachment_581335" style="max-width: 810px" class="wp-caption alignright"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-581335 size-full" src="https://revistapesquisa.fapesp.br/wp-content/uploads/2026/04/RPF-neutrino-mar-2026-04-800b.jpg" alt="" width="800" height="1033" srcset="https://revistapesquisa.fapesp.br/wp-content/uploads/2026/04/RPF-neutrino-mar-2026-04-800b.jpg 800w, https://revistapesquisa.fapesp.br/wp-content/uploads/2026/04/RPF-neutrino-mar-2026-04-800b-250x323.jpg 250w, https://revistapesquisa.fapesp.br/wp-content/uploads/2026/04/RPF-neutrino-mar-2026-04-800b-700x904.jpg 700w, https://revistapesquisa.fapesp.br/wp-content/uploads/2026/04/RPF-neutrino-mar-2026-04-800b-120x155.jpg 120w" sizes="auto, (max-width: 800px) 100vw, 800px" /><p class="wp-caption-text"><span class="media-credits-inline">Paschal Coyle / CNRS</span>Unidade de detecção de neutrinos do experimento KM3NeT, localizado perto da costa da Sicília<span class="media-credits">Paschal Coyle / CNRS</span></p></div>
<p>Na noite de 13 de fevereiro de 2023, vindo do espaço, um neutrino, uma partícula subatômica sem carga elétrica e extremamente leve, chegou à Terra em um voo rasante e mergulhou no mar Mediterrâneo. Viajando quase à velocidade da luz, ele seguiu em linha reta até colidir com um núcleo atômico da água do mar. O choque produziu um múon – partícula semelhante a um elétron mais pesado – que atravessou um dos dois conjuntos de detectores submarinos do Cubic Kilometer Neutrino Telescope (KM3NeT), localizado a 3.450 metros (m) de profundidade, próximo à ilha da Sicília, no sul da Itália. Em menos de 2 microssegundos, a passagem do múon provocou um rastro de luz tão intenso que ativou mais de um quarto dos 12 mil sensores do instrumento.</p>
<p>Após um longo processo de análise, a colaboração internacional de pesquisadores do KM3NeT publicou, dois anos depois, em fevereiro de 2025, um artigo na revista científica <em>Nature </em>com suas conclusões: o neutrino atingira a energia mais alta já observada nesse tipo de partícula, algo entre 72 petaeletronvolts (PeV, equivalente a 10<sup>15</sup> elétron-volts) e 6,2 exaeletronvolts (EeV, 10<sup>18</sup> elétron-volts). O valor se situa entre cerca de 100 mil e 1 milhão de trilhões de vezes a energia de uma partícula de luz (fóton) no comprimento de onda visível.</p>
<p>A origem desse superneutrino, batizado de KM3-230213A, permanece um total mistério. Recentemente, alguns pesquisadores levantaram a possibilidade de que a explosão final de pequenos buracos negros primordiais, nascidos no início do Universo e vagando pelo Sistema Solar, poderia ser a fonte desse e de outros neutrinos ultraenergéticos. A hipótese ganhou destaque em um artigo assinado por físicos do Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT), dos Estados Unidos, no segundo semestre do ano passado na principal revista científica de física, a <em>Physical Review Letters </em>(<em>PRL</em>). Mas, no início deste ano, uma equipe liderada pela física Renata Zukanovich Funchal, do Instituto de Física da Universidade de São Paulo (IF-USP), argumentou no mesmo periódico que a proposta é muito improvável, ao menos para o caso específico do KM3-230213A. “Diante dos limites impostos pelos dados do experimento, é muito improvável que o neutrino do KM3NeT tenha vindo de um buraco negro primordial”, afirma Funchal, especialista nesse tipo de partícula e estudiosa de fenômenos além da física padrão, teoria dominante que descreve as interações entre as partículas e as forças fundamentais, com exceção da gravidade.</p>
<p>Um dos principais motivos para a construção do KM3NeT e do IceCube Neutrino Observatory – outro telescópio de neutrinos, com uma rede de 5.160 detectores instalados sob 1 bilhão de toneladas de gelo, próxima ao polo Sul, na Antártida – foi a busca pelos chamados neutrinos cosmogênicos. São os neutrinos criados quando prótons acelerados por jatos emitidos por buracos negros gigantes em galáxias distantes colidem com os fótons da radiação cósmica de fundo, um resquício da explosão que deu origem ao Universo, o Big Bang. De acordo com os modelos teóricos, essas partículas deveriam chegar à Terra, vindas de todas as partes do céu, com energias em torno de 100 PeV a 1 EeV. Entretanto, ao longo de 10 anos de operação do IceCube e 3 anos do KM3NeT, nenhum sinal de neutrino cosmogênico foi registrado. Os 10 neutrinos mais energéticos detectados pelo IceCube chegaram no máximo a energias entre 1 PeV e 10 PeV. O KM3NeT não detectou absolutamente nada próximo disso – até o registro do extraordinário KM3-230213A.</p>
<div id="attachment_581588" style="max-width: 810px" class="wp-caption alignright vertical"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-581588 size-full" src="https://revistapesquisa.fapesp.br/wp-content/uploads/2026/04/RPF-neutrino-modulos-2026-04-800.jpg" alt="" width="800" height="600" srcset="https://revistapesquisa.fapesp.br/wp-content/uploads/2026/04/RPF-neutrino-modulos-2026-04-800.jpg 800w, https://revistapesquisa.fapesp.br/wp-content/uploads/2026/04/RPF-neutrino-modulos-2026-04-800-250x188.jpg 250w, https://revistapesquisa.fapesp.br/wp-content/uploads/2026/04/RPF-neutrino-modulos-2026-04-800-700x525.jpg 700w, https://revistapesquisa.fapesp.br/wp-content/uploads/2026/04/RPF-neutrino-modulos-2026-04-800-120x90.jpg 120w" sizes="auto, (max-width: 800px) 100vw, 800px" /><p class="wp-caption-text"><span class="media-credits-inline">KM3NeT</span>Figura mostra o caminho do neutrino superenergético, da direita para a esquerda, ao ser detectado pelos módulos do KM3NeT<span class="media-credits">KM3NeT</span></p></div>
<p>Foi nesse contexto que o físico David Kaiser, do MIT, e sua aluna de doutorado Alexandra Klipfel propuseram que a existência de buracos negros primordiais poderia explicar o neutrino extremamente energético observado pelo KM3NeT. Buracos negros são corpos celestes de força gravitacional tão intensa que nem a luz consegue escapar. Astrônomos já observaram dois tipos deles: os de massa estelar, criados pelo colapso gravitacional de estrelas gigantes, e os supermassivos no centro das galáxias, cuja origem ainda é debatida. Buracos negros primordiais seriam uma terceira categoria, formada por flutuações de densidade logo após o Big Bang. Até agora, nenhuma observação astronômica confirmou sua existência, mas também não a descartou.</p>
<p>Assim como todos os buracos negros, os primordiais deveriam encolher lentamente ao longo de bilhões de anos. Emitiriam partículas elementares de todos os tipos, incluindo prótons, fótons e neutrinos – um efeito previsto pelo físico britânico Stephen Hawking (1942-2018), em 1974. Para buracos negros estelares ou maiores, essa emissão é muito tênue e impossível de ser observada por telescópios. No entanto, a chamada radiação Hawking aumenta cada vez mais à medida que a massa do buraco negro diminui. Quando ela cai para cerca de 6 mil toneladas, o processo se torna extremamente violento: produz partículas cada vez mais energéticas até o buraco negro desaparecer em uma explosão final que dura 100 segundos.</p>
<p>Em seu artigo na <em>PRL</em>, Kaiser e Klipfel argumentaram que, se esses buracos negros primordiais constituírem grande parte da matéria escura, a maioria teria massas grandes demais para produzir sinais observáveis. Porém uma pequena subpopulação deles teria massas abaixo da média e estaria próxima de explodir. Segundo os cálculos da dupla, a distribuição esperada desses buracos negros menores na Via Láctea poderia fazer com que alguns deles atravessassem a nuvem de Oort – a região mais afastada do Sistema Solar, composta de cometas e outros corpos gelados –, onde sua explosão emitiria neutrinos como os observados pelo KM3NeT e IceCube. Eles também calcularam que, para um único neutrino com a energia do KM3-230213A atingir qualquer parte da Terra, um buraco negro primordial precisaria explodir no mínimo na porção mais interna da nuvem de Oort, a cerca de 2 mil unidades astronômicas (UA). A distância média entre a Terra e o Sol equivale a uma UA. A chance de tal explosão ocorrer uma vez a cada 14 anos seria de 8%, de acordo com o estudo.</p>
<p>A hipótese levantada pelos pesquisadores do MIT não é consensual. “Quando li o trabalho, logo vi que esse não deveria ser o caso do KM3&#8211;230213A”, conta Funchal. Ela resolveu examinar a fundo a questão com o auxílio de um time de colaboradores. Recrutou primeiramente a física Lua Airoldi, aluna de mestrado sob sua orientação, que estuda sinais de buracos negros primordiais em detectores de neutrinos. Como buracos negros primordiais não são o seu forte, Funchal convidou um especialista no assunto, seu ex-aluno de doutorado, o físico Yuber Perez-Gonzalez, da Universidade de Madri, Espanha, para coorientar Airoldi. Em seguida, mais dois pesquisadores se interessaram pelo projeto: seu ex-aluno de doutorado, o físico Gustavo Alves, atualmente no Fermilab, nos Estados Unidos, e o físico Gabriel Salla, hoje no Deutsches Elektronen-Synchrotron (Desy), na Alemanha.</p>
<div id="attachment_581592" style="max-width: 1150px" class="wp-caption aligncenter"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-581592 size-full" src="https://revistapesquisa.fapesp.br/wp-content/uploads/2026/04/RPF-neutrino-polo-sul-2026-04-1140.jpg" alt="" width="1140" height="630" srcset="https://revistapesquisa.fapesp.br/wp-content/uploads/2026/04/RPF-neutrino-polo-sul-2026-04-1140.jpg 1140w, https://revistapesquisa.fapesp.br/wp-content/uploads/2026/04/RPF-neutrino-polo-sul-2026-04-1140-250x138.jpg 250w, https://revistapesquisa.fapesp.br/wp-content/uploads/2026/04/RPF-neutrino-polo-sul-2026-04-1140-700x387.jpg 700w, https://revistapesquisa.fapesp.br/wp-content/uploads/2026/04/RPF-neutrino-polo-sul-2026-04-1140-120x66.jpg 120w" sizes="auto, (max-width: 1140px) 100vw, 1140px" /><p class="wp-caption-text"><span class="media-credits-inline">IceCube</span>Detector de neutrinos IceCube, no polo Sul, na Antártida<span class="media-credits">IceCube</span></p></div>
<p>Diferentemente do estudo do MIT, a equipe de Funchal não analisou a probabilidade de um neutrino atingir a Terra como um todo, mas de ele chegar e ser detectado em um ponto específico do planeta, no caso, os detectores do KM3NeT. Para que isso pudesse ocorrer, o time de físicos concluiu que o buraco negro teria de estar muito mais próximo da Terra, a uma distância entre 2 e 12 UA, antes de Júpiter e um pouco além da órbita de Saturno. Também teria de ter emitido uma grande quantidade de neutrinos menos energéticos, fótons, raios gama e raios cósmicos em 12 fevereiro de 2023, véspera do dia em que o detector perto da costa da Sicília registrou o superneutrino. De acordo com esse cenário, o KM3NeT deveria ter registrado cerca de 150 neutrinos com energias um pouco mais baixas, horas antes da detecção do KM3-230213A, e o IceCube deveria ter observado cerca de 300 neutrinos no instante da explosão final. Nessa data, porém, não houve registros inesperados de fótons e raios cósmicos em qualquer observatório do planeta. Para Funchal e colaboradores, todas essas ausências de detecção descartariam a hipótese de que o superneutrino tenha sido produzido por um buraco negro primordial.</p>
<p>“O trabalho deles e o nosso abordam questões distintas, porém complementares”, comenta Kaiser, do MIT, em entrevista a <em>Pesquisa FAPESP </em>por e-mail. “Como eles mostraram, se restringirmos a análise apenas ao detector KM3NeT, infere-se uma distância relativamente pequena entre o buraco negro que explodiu e a Terra. No entanto, se considerarmos a Terra inteira como a região-alvo do neutrino, a distância do buraco negro seria maior, na nuvem de Oort. Mas a probabilidade de detectar na Terra fótons energéticos produzidos em uma explosão ocorrida nessa região é muito pequena.”</p>
<p>Para o físico Orlando Peres, da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), que não participou de nenhum dos dois artigos, o trabalho dos brasileiros é mais amplo do que o dos colegas dos Estados Unidos por ter investigado a possibilidade de detecção de raios gama e outras partículas, além de neutrinos. Suas conclusões seriam, portanto, mais prováveis. “Observatórios de raios gama são muito mais precisos que os de neutrinos”, explica. “Se tivesse havido um sinal como previsto no artigo de Funchal, esse tipo de detector teria registrado.” Por enquanto, a única certeza é que o KM3-230213A foi produzido em um algum evento astrofísico transiente, em que partículas são emitidas por um breve período. De acordo com Peres, tanto o KM3NeT quanto o IceCube estão instalando novos detectores para medirem sinais ultraenergéticos com mais eficiência, na esperança de registrarem outro evento nos próximos anos parecido ao observado em 2023 na costa da Sicília.</p>
<p class="bibliografia">A reportagem acima foi publicada com o título “<strong>O mistério da superpartícula</strong>” na edição impressa nº 362, de abril de 2026.</p>
<p class="bibliografia"><strong>Projeto<br />
</strong>Fenomenologia de partículas (<a href="https://bv.fapesp.br/pt/auxilios/106083/fenomenologia-de-particulas/" target="_blank" rel="noopener">nº19/04837-9</a>); <strong>Modalidade</strong> Auxílio à Pesquisa – Temático; <strong>Pesquisador responsável</strong> Gustavo Burdman (USP); <strong>Investimento</strong> R$ 5.311.368,70.</p>
<p class="bibliografia"><strong>Artigos científicos<br />
</strong>AIROLDI, L.F.T. <em>et al</em>. <a href="https://journals.aps.org/prl/abstract/10.1103/w9dp-dfkx" target="_blank" rel="noopener">Could a Primordial Black Hole Explosion Explain the Extremely High-Energy KM3NeT Neutrino Event?.</a> <strong>Physical Review Letters</strong>. 28 jan. 2026<br />
KLIPFEL, A. P. e KAISER, D.I. <a href="https://journals.aps.org/prl/abstract/10.1103/vnm4-7wdc" target="_blank" rel="noopener">Ultrahigh-Energy Neutrinos from Primordial Black Holes</a>. <strong>Physical Review Letters</strong>. 18 set. 2025.</p>
]]></content:encoded>
					
		
		
			</item>
		<item>
		<title>Nevoeiro da Amazônia transporta microrganismos que podem regenerar a floresta</title>
		<link>https://revistapesquisa.fapesp.br/nevoeiro-da-amazonia-transporta-microrganismos-que-podem-regenerar-a-floresta/?utm_source=rss&#038;utm_medium=rss&#038;utm_campaign=nevoeiro-da-amazonia-transporta-microrganismos-que-podem-regenerar-a-floresta</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Igor Zolnerkevic]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 08 Apr 2026 14:35:02 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Ciência]]></category>
		<category><![CDATA[Biologia]]></category>
		<category><![CDATA[Ecologia]]></category>
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					<description><![CDATA[Equipe internacional identifica pela primeira vez bactérias e fungos vivos em gotículas de neblina]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>Um estudo envolvendo 36 biólogos, engenheiros ambientais, físicos, meteorologistas e químicos de instituições do Brasil e de seis outros países demonstrou pela primeira vez que o nevoeiro que recobre ocasionalmente a floresta amazônica abriga microrganismos vivos. Os pesquisadores identificaram em gotículas suspensas no ar, a mais de 40 metros (m) de altura, espécies como a bactéria<em> Serratia marcescens</em> e o fungo <em>Aspergillus niger</em>, normalmente encontradas no solo da floresta, onde decompõem madeira e folhas mortas, fornecendo nutrientes para a próxima geração de plantas. “Os nevoeiros transportam esses microrganismos, ajudando-os a colonizar novas áreas da floresta”, afirma o químico Ricardo Godoi, do Departamento de Engenharia Ambiental da Universidade Federal do Paraná (UFPR) e líder da pesquisa.</p>
<p>É bem conhecida a presença de microrganismos vivendo em gotículas das nuvens, em grãos de poeira e outras partículas microscópicas suspensas no ar, conhecidas como aerossóis, <a href="https://revistapesquisa.fapesp.br/as-maquinas-que-fazem-da-biologia-uma-ciencia-de-grandes-numeros/" target="_blank" rel="noopener">inclusive na Amazônia</a>. Quase nada, porém, sabe-se sobre a vida microbiana em nevoeiros. Um estudo pioneiro publicado em 2019 na revista <em>Science of the Total Environment</em>, liderado pela bióloga norte-americana Sarah Evans, da Universidade Estadual de Michigan, nos Estados Unidos, mostrou que a diversidade de micróbios no ar aumenta durante eventos de neblina costeira na Namíbia (África), em comparação com períodos sem neblina. Já o novo estudo na Amazônia, publicado em fevereiro na revista <em>Communications Earth and Environment</em>, é o primeiro a confirmar que células vivas, aptas à reprodução, viajam em nevoeiros. De acordo com Godoi, as gotículas funcionam como abrigo contra a radiação ultravioleta do Sol e a desidratação. “A neblina é um hábitat microbiológico”, conclui.</p>
<div id="attachment_581131" style="max-width: 1150px" class="wp-caption aligncenter"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-581131 size-full" src="https://revistapesquisa.fapesp.br/wp-content/uploads/2026/04/054-057_microbiota-neblina_362-1140.jpg" alt="" width="1140" height="599" srcset="https://revistapesquisa.fapesp.br/wp-content/uploads/2026/04/054-057_microbiota-neblina_362-1140.jpg 1140w, https://revistapesquisa.fapesp.br/wp-content/uploads/2026/04/054-057_microbiota-neblina_362-1140-250x131.jpg 250w, https://revistapesquisa.fapesp.br/wp-content/uploads/2026/04/054-057_microbiota-neblina_362-1140-700x368.jpg 700w, https://revistapesquisa.fapesp.br/wp-content/uploads/2026/04/054-057_microbiota-neblina_362-1140-120x63.jpg 120w" sizes="auto, (max-width: 1140px) 100vw, 1140px" /><p class="wp-caption-text"><span class="media-credits-inline">Bruna Sebben / UFPR</span>Muito acima do dossel da floresta<span class="media-credits">Bruna Sebben / UFPR</span></p></div>
<p>O interesse de Godoi pelos nevoeiros começou cerca de 10 anos atrás, quando sua então aluna de doutorado, a engenheira ambiental Cybelli Barbosa, coletou aerossóis no topo do Observatório de Torre Alta da Amazônia (Atto), uma estrutura de 325 m de altura instalada na reserva de floresta virgem de Uatumã, mantida pelo Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa), a 156 quilômetros a nordeste de Manaus, e os institutos Max Planck de Química e de Biogeoquímica, da Alemanha. Entre os aerossóis, ela encontrou pólen, esporos de fungos e outras partículas de material biológico vindas do chão da floresta, como descreveu em artigo publicado em 2022 na revista <em>NPJ Climate and Atmospheric Science</em>. O resultado parecia impossível. Como essas partículas relativamente grandes teriam subido tão alto? “Aquilo me tirava o sono”, lembra Godoi.</p>
<p>Foi quando o próprio pesquisador subiu na torre do Atto e testemunhou uma neblina cobrindo a floresta até o horizonte. Impressionado, consultou colegas meteorologistas. Os nevoeiros costumam se formar à noite, quando o ar úmido da floresta esfria, condensando vapor-d’água em gotículas. Com o nascer do sol, o aquecimento do solo cria correntes de ar ascendentes que elevam o nevoeiro acima da copa das árvores, onde a evaporação e os ventos terminam de dissipá-lo.</p>
<div id="attachment_581135" style="max-width: 810px" class="wp-caption alignright"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-581135 size-full" src="https://revistapesquisa.fapesp.br/wp-content/uploads/2026/04/RPF-microbiota-torre-arvores-2026-04-800.jpg" alt="" width="800" height="1003" srcset="https://revistapesquisa.fapesp.br/wp-content/uploads/2026/04/RPF-microbiota-torre-arvores-2026-04-800.jpg 800w, https://revistapesquisa.fapesp.br/wp-content/uploads/2026/04/RPF-microbiota-torre-arvores-2026-04-800-250x313.jpg 250w, https://revistapesquisa.fapesp.br/wp-content/uploads/2026/04/RPF-microbiota-torre-arvores-2026-04-800-700x878.jpg 700w, https://revistapesquisa.fapesp.br/wp-content/uploads/2026/04/RPF-microbiota-torre-arvores-2026-04-800-120x150.jpg 120w" sizes="auto, (max-width: 800px) 100vw, 800px" /><p class="wp-caption-text"><span class="media-credits-inline">Bruna Sebben / UFPR</span>A torre de 325 m de altura permite estudar condições atmosféricas<span class="media-credits">Bruna Sebben / UFPR</span></p></div>
<p>Alguns anos depois, Godoi iniciou um projeto com outra aluna de mestrado, a engenheira ambiental Bruna Sebben, para descobrir se o nevoeiro poderia funcionar como uma espécie de elevador para partículas e microrganismos. Entre 2021 e 2023, ela realizou quatro campanhas de coleta de nevoeiro no Atto, cada uma ao longo de cerca de 45 dias. No escuro da madrugada, acompanhada de algum colega, ela caminhava de lanterna na mão por uma estrada (veículos a combustão são proibidos próximo ao experimento, para não interferir nas medidas atmosféricas), vestia os equipamentos de segurança e subia os degraus escorregadios da torre até 42 m de altura, pouco abaixo da copa das árvores. Ali permanecia das 3h às 7h, monitorando um equipamento cedido pelo meteorologista Fábio Gonçalves, da Universidade de São Paulo (USP), que suga as gotículas e as armazena em uma garrafa. Assim ela conseguiu registrar 13 eventos de nevoeiro, ao longo das estações seca e chuvosa da Amazônia.</p>
<p>A água de nevoeiro foi inicialmente analisada na UFPR, por meio de uma técnica chamada citometria de fluxo, que usa um feixe laser para contabilizar células: desde cerca de 3,5 mil até 80 mil células por mililitro de água. “A concentração poderia ter sido zero, pois não fazíamos ideia do que encontrar”, lembra Godoi. “Foi um momento de eureca.”</p>
<p>Usando corantes especiais que reagem com as células quando iluminadas por laser, a citometria revelou que muitas células apresentavam mitocôndrias ativas e DNA intacto. As amostras foram então enviadas ao Instituto Adolfo Lutz, em São Paulo, onde a bióloga Dulcilena Castro e Silva e o biomédico Valter Duo Filho isolaram e cultivaram as células, revelando oito espécies de bactérias e sete de fungos. Tanto a quanti­dade de células quanto a diversidade de espécies variaram, sem relação aparente com a estação (seca ou chuvosa). “Ainda é cedo para estabelecer conclusões sobre frequência ou distribuição das espécies”, afirma Castro, que já estudou fungos atmosféricos em florestas e cidades.</p>
</div><div class='overflow-responsive-img' style='text-align:center'><picture data-tablet="/wp-content/uploads/2026/04/RPF-microbiotaneblina-2026-04-info-1140.png" data-tablet_size="1140x480" alt="Protegidos pela umidade, bactérias e fungos percorrem distâncias na Amazônia">
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  </picture><span class="embed media-credits-inline">Alexandre Affonso / Revista Pesquisa FAPESP</span></div><div class="post-content sequence">
<p>Além desses resultados, a equipe internacional também colaborou para entender as implicações da descoberta para o ecossistema da floresta. Os pesquisadores sugerem que o transporte por nevoeiro poderia explicar por que bactérias e fungos decompositores estão tão bem espalhados pela mata, reciclando nutrientes em toda parte. Por outro lado, eles preveem que o aumento de temperatura e a redução de umidade provocados por queimadas, desmatamento e mudanças climáticas devem reduzir drasticamente a geração de nevoeiros, diminuindo assim a capacidade da floresta de se regenerar.</p>
<p>“O artigo traz insights ótimos e a hipótese faz todo o sentido”, considera o ecólogo Bruno Rosado, do Departamento de Ecologia da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj), que não participou da pesquisa. “Ainda assim, a presença de microrganismos na neblina talvez não faça diferença na decomposição. Se eles já estiverem presentes em abundância na matéria orgânica em primeiro lugar, o efeito da neblina será apenas uma maior disponibilidade de água e não o enriquecimento da microbiota.”</p>
<p>Para verificar o papel dos microrganismos da neblina na decomposição orgânica, Rosado propõe um experimento comparando a presença de espécies microbianas associadas à decomposição em quatro situações diferentes na floresta: sem neblina, com neblina natural, com neblina filtrada sem microrganismos e com neblina filtrada inoculada com microrganismos. Ele lembra que as plantas variam na capacidade de repelir água. “Folhas e tecidos de espécies diferentes podem apresentar ‘molhabilidades’ diferentes, de modo que os efeitos da neblina e de seus microrganismos não são os mesmos”, explica.</p>
<div id="attachment_581139" style="max-width: 1150px" class="wp-caption aligncenter"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-581139 size-full" src="https://revistapesquisa.fapesp.br/wp-content/uploads/2026/04/RPF-microbiota-neblina-microorganismos-2026-04-1140.jpg" alt="" width="1140" height="584" srcset="https://revistapesquisa.fapesp.br/wp-content/uploads/2026/04/RPF-microbiota-neblina-microorganismos-2026-04-1140.jpg 1140w, https://revistapesquisa.fapesp.br/wp-content/uploads/2026/04/RPF-microbiota-neblina-microorganismos-2026-04-1140-250x128.jpg 250w, https://revistapesquisa.fapesp.br/wp-content/uploads/2026/04/RPF-microbiota-neblina-microorganismos-2026-04-1140-700x359.jpg 700w, https://revistapesquisa.fapesp.br/wp-content/uploads/2026/04/RPF-microbiota-neblina-microorganismos-2026-04-1140-120x61.jpg 120w" sizes="auto, (max-width: 1140px) 100vw, 1140px" /><p class="wp-caption-text"><span class="media-credits-inline">Bruna Sebben / UFPR | Dulcilena Castro e Silva / Adolfo Lutz</span>Instrumento (<em>à esq</em>.) coleta neblina de onde microrganismos, como fungos filamentosos, podem ser isolados e cultivados (<em>à dir</em>.)<span class="media-credits">Bruna Sebben / UFPR | Dulcilena Castro e Silva / Adolfo Lutz</span></p></div>
<p>Os novos resultados se somam a trabalhos anteriores do grupo de Godoi, que já sugeriam a importância dos microrganismos atmosféricos para a Amazônia. Em 2021, uma análise metagenômica do DNA obtido de aerossóis coletados no Atto revelou uma abundância de bactérias dos gêneros <em>Beijerinckiaceae</em> e <em>Azospirillum</em>, de acordo com artigo liderado pelo biólogo Luciano Huergo, da UFPR, e publicado na revista <em>Science of the Total Environment</em>. Elas são capazes de transformar nitrogênio atmosférico em amônio, que funciona como fertilizante para as plantas. Em outro artigo, publicado em 2017 na revista <em>Atmospheric Chemistry and Physics</em>, a bióloga Joana Rizzolo, então estudante de doutorado de Godoi, coletou grãos de poeira vindos do deserto do Saara. A surpresa foi encontrar, nesses grãos que viajaram do norte da África à Amazônia de carona com os ventos Alísios, microrganismos que convertem ferro e fósforo minerais em compostos químicos capazes de serem absorvidos pelas plantas.</p>
<p>Godoi avalia o estudo recém-publicado como um passo importante em uma área de pesquisa ainda pouco explorada. Com a hipótese de que o nevoeiro deve abrigar muito mais espécies do que as já identificadas, a equipe pretende realizar um estudo de metagenômica, sequenciando todo o DNA encontrado na água coletada do nevoeiro. Planejam também usar a linha de radiação infravermelha Imbuia e a linha de raios X Carnaúba, do acelerador de luz síncrotron Sirius, em Campinas, para analisar as propriedades das partículas de aerossóis presentes entre as gotículas de nevoeiro. Os pesquisadores suspeitam que essas partículas contenham sódio e potássio ligados à matéria orgânica, que serviriam como núcleos de condensação de nuvens na atmosfera da região.</p>
<p class="bibliografia">A reportagem acima foi publicada com o título “<strong>Vida no nevoeiro</strong>” na edição impressa nº 362, de abril de 2026.</p>
<p class="bibliografia"><strong>Artigos científicos<br />
</strong>GODOI, R. H. M., <em>et al</em>. <a href="https://doi.org/10.1038/s43247-026-03233-4" target="_blank" rel="noopener">Amazonian fog harbors viable microbes</a>. <strong>Communications Earth &amp; Environment</strong>. 3 fev. 2026.<br />
BARBOSA, C. G. G. <em>et al</em>. <a href="https://www.nature.com/articles/s41612-022-00294-y" target="_blank" rel="noopener">Identification and quantification of giant bioaerosol particles over the Amazon rainforest</a>. <strong>NPJ Climate and Atmospheric Science. </strong>v. 5, 73. 16 set. 2022.<br />
EVANS, S. E. <em>et al.</em> <a href="https://www.sciencedirect.com/science/article/pii/S0048969718330134" target="_blank" rel="noopener">The biology of fog: Results from coastal Maine and Namib Desert reveal common drivers of fog microbial composition</a>. <strong>Science of the Total Environment</strong>. v. 647, p. 1547-56. 10 jan. 2019.<br />
SOUZA, F. F. C. <em>et al.</em> <a href="https://www.sciencedirect.com/science/article/abs/pii/S0048969720376233" target="_blank" rel="noopener">Influence of seasonality on the aerosol microbiome of the Amazon rainforest</a>. <strong>Science of the Total Environment</strong>. v. 760, 144092. 15 mar. 2021.<br />
RIZZOLO, J. A. <em>et al</em>. <a href="https://acp.copernicus.org/articles/17/2673/2017/" target="_blank" rel="noopener">Soluble iron nutrients in Saharan dust over the central Amazon rainforest</a>. <strong>Atmospheric Chemistry and Physics</strong>. v. 17, n. 4, p. 2673-87. 22 fev. 2017.</p>
]]></content:encoded>
					
		
		
			</item>
		<item>
		<title>Concentração de DNA no suco digestivo pode auxiliar na detecção de câncer gástrico</title>
		<link>https://revistapesquisa.fapesp.br/concentracao-de-dna-no-suco-digestivo-pode-auxiliar-na-deteccao-de-cancer-gastrico/?utm_source=rss&#038;utm_medium=rss&#038;utm_campaign=concentracao-de-dna-no-suco-digestivo-pode-auxiliar-na-deteccao-de-cancer-gastrico</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Giselle Soares]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 08 Apr 2026 14:31:05 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Ciência]]></category>
		<category><![CDATA[Medicina]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://revistapesquisa.fapesp.br/?p=581098</guid>

					<description><![CDATA[Biopsia líquida tem o potencial de aprimorar a precisão da análise de amostras de lesões no estômago obtidas por endoscopia]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<div id="attachment_581103" style="max-width: 810px" class="wp-caption alignright"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-581103 size-full" src="https://revistapesquisa.fapesp.br/wp-content/uploads/2026/04/RPF-biopsia-liquida-2026-04-800.jpg" alt="" width="800" height="924" srcset="https://revistapesquisa.fapesp.br/wp-content/uploads/2026/04/RPF-biopsia-liquida-2026-04-800.jpg 800w, https://revistapesquisa.fapesp.br/wp-content/uploads/2026/04/RPF-biopsia-liquida-2026-04-800-250x289.jpg 250w, https://revistapesquisa.fapesp.br/wp-content/uploads/2026/04/RPF-biopsia-liquida-2026-04-800-700x809.jpg 700w, https://revistapesquisa.fapesp.br/wp-content/uploads/2026/04/RPF-biopsia-liquida-2026-04-800-120x139.jpg 120w" sizes="auto, (max-width: 800px) 100vw, 800px" /><p class="wp-caption-text"><span class="media-credits-inline">temet / Getty Images</span>Estômago, observado em uma radiografia com uso de contraste<span class="media-credits">temet / Getty Images</span></p></div>
<p>O líquido aspirado e descartado nos exames de endoscopia do estômago pode ajudar a aprimorar a detecção do câncer gástrico. Provocado por infecção pela bactéria<em> Helicobacter pylori</em>, consumo de tabaco e álcool, excesso de peso ou dietas ricas em alimentos conservados em sal, além de fatores genéticos e outros ainda incertos, os tumores de estômago são o quinto tipo mais comum no mundo, com quase 1 milhão de casos novos por ano e 660 mil mortes. Há décadas, a forma mais eficaz de identificá-lo é por meio da endoscopia digestiva alta. Nela, o médico insere, pela boca do paciente sedado, um tubo flexível contendo uma câmera e diminutas pinças, o que permite visualizar lesões no estômago e colher amostras de tecido. O método, porém, não é infalível. O tecido que recobre internamente o estômago é enrugado e ocupa uma área bastante extensa. Além disso, parte dos tumores pode estar em camadas mais profundas da parede do estômago, difíceis de serem avaliadas. Analisando o suco gástrico, descartado nas endoscopias para facilitar inspeção visual do órgão, o grupo coordenado pelo biólogo molecular Emmanuel Dias-Neto observou que a quantidade de material genético (DNA) dispersa nesse líquido pode indicar a existência de um câncer e, potencialmente, ajudar a definir o seu grau de agressividade.</p>
<p>Dias-Neto e colaboradores chegaram a essa conclusão depois de medir a concentração de DNA no suco gástrico de 941 pessoas que passaram por endoscopia no A.C.Camargo Cancer Center, em São Paulo. Dos participantes, 10 não apresentavam problemas gástricos, 596 sofriam de gastrite ou outros problemas inflamatórios no trato digestivo, 99 apresentavam lesões pré-cancerosas e 236 tinham câncer de estômago em diferentes estágios de desenvolvimento. A quantidade de DNA livre no suco gástrico de indivíduos com câncer foi mais de duas vezes mais elevada do que a encontrada no fluido digestivo dos participantes com lesões pré-tumorais. Enquanto no primeiro grupo a concentração foi, em média, 26,9 nanogramas de DNA por microlitro de suco gástrico (ng/µL), no segundo ela ficou em 10,1 ng/µL, de acordo com os resultados, apresentados em um artigo publicado em dezembro na revista <a href="https://elifesciences.org/articles/107103" target="_blank" rel="noopener"><em>eLife</em></a>. Entre os participantes com mucosa saudável ou inflamação digestiva, a média foi de 10,8 ng/µL, valor que, do ponto de vista estatístico, não difere do observado entre as pessoas com lesões pré-cancerígenas.</p>
<p>A dosagem de DNA também foi diferente de acordo com o estágio de progressão do câncer. A concentração no suco gástrico de pessoas com tumores iniciais (T0, T1 ou T2) ficou, em média, em 15,1 ng/µL e, nas lesões de nível intermediário (T3), chegou a 25,7 ng/µL. Nos casos mais graves (T4), a concentração foi ainda mais alta (38,1 ng/µL), mas, do ponto de vista estatístico, não diferiu da observada em T3. “Esse método tem a vantagem de ser simples e de baixo custo, já que o líquido é aspirado rotineiramente durante a endoscopia e normalmente descartado”, destaca o oncologista Felipe Coimbra, líder do Centro de Referência em Tumores do Aparelho Digestivo Alto do A.C.Camargo Cancer Center e um dos autores do estudo.</p>
<p>“Células de tumores se multiplicam e morrem, liberando fragmentos de DNA no ambiente ao redor. Se parte desse material se acumula no conteúdo do estômago, capturá-lo é como fazer um retrato molecular do que está acontecendo naquele momento”, comenta o médico Roger Chammas, diretor do Centro de Investigação Translacional em Oncologia do Instituto do Câncer do Estado de São Paulo (Icesp), que não participou do estudo.</p>
<div id="attachment_581107" style="max-width: 810px" class="wp-caption alignright"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-581107 size-full" src="https://revistapesquisa.fapesp.br/wp-content/uploads/2026/04/RPF-biopsia-liquida-bacteria-2026-04-800.jpg" alt="" width="800" height="1009" srcset="https://revistapesquisa.fapesp.br/wp-content/uploads/2026/04/RPF-biopsia-liquida-bacteria-2026-04-800.jpg 800w, https://revistapesquisa.fapesp.br/wp-content/uploads/2026/04/RPF-biopsia-liquida-bacteria-2026-04-800-250x315.jpg 250w, https://revistapesquisa.fapesp.br/wp-content/uploads/2026/04/RPF-biopsia-liquida-bacteria-2026-04-800-700x883.jpg 700w, https://revistapesquisa.fapesp.br/wp-content/uploads/2026/04/RPF-biopsia-liquida-bacteria-2026-04-800-120x151.jpg 120w" sizes="auto, (max-width: 800px) 100vw, 800px" /><p class="wp-caption-text"><span class="media-credits-inline">Biomedical Imaging Unit, Southampton General Hospital / Science Photo Library / Fotoarena</span>Imagem de microscopia eletrônica (<em>colorida artificialmente</em>) da bactéria Helicobacter pylori, uma das causadoras do câncer de estômago<span class="media-credits">Biomedical Imaging Unit, Southampton General Hospital / Science Photo Library / Fotoarena</span></p></div>
<p>Um achado aparentemente contraditório chamou a atenção dos pesquisadores e sugere que o teste possa funcionar para predizer o desfecho do câncer. Entre as pessoas com tumor em estágio mais inicial (sem espalhamento para outros órgãos), concentrações de DNA no fluido gástrico superiores a certo limite indicaram mais chance de sobreviver. Pouco mais de 70% daquelas com concentrações maiores do que 1,28 ng/µL continuavam vivas mil dias após o teste. Essa proporção foi inferior a 40% no grupo com níveis de DNA abaixo desse limite.</p>
<p>“Essa associação faz sentido quando entendemos que o DNA no líquido gástrico não vem apenas das células tumorais. Esse material genético também pode refletir a atividade do sistema imunológico no microambiente do tumor, já que células imunes que morrem ou se degradam nessa região também liberam DNA”, explica Dias-Neto, que atualmente é pesquisador visitante na Universidade Rutgers, nos Estados Unidos. Por essa razão, conta ele, supõe-se que tumores atacados por maior quantidade de células de defesa tendem a liberar mais DNA no interior do estômago, o que pode estar associado a uma evolução mais favorável da doença.</p>
<p>Sozinha, no entanto, a quantificação do DNA no suco gástrico apresentou um desempenho modesto na separação das pessoas com e sem tumor de estômago. Ela permitiu identificar corretamente em 66% das vezes se o paciente tinha câncer. Esse grau de sucesso não torna possível ainda substituir a biopsia feita com auxílio da endoscopia, considerada atualmente o padrão-ouro por fornecer informações sobre o tipo e o estágio do tumor. A quantificação do DNA, porém, pode ajudar a aprimorar a biopsia por endoscopia. “A precisão da endoscopia digestiva alta com biopsia não é absoluta. Há uma margem de erro que pode levar a resultados falso-negativos”, explica Coimbra. “Em alguns estudos com pacientes com câncer gástrico avançado, as biopsias apresentaram resultado negativo para malignidade em cerca de 16% na avaliação inicial. Isso significa que, em quase um a cada seis casos, o câncer não foi detectado na primeira biopsia, mesmo com a presença de lesões. Fatores como o tipo de lesão, que pode se infiltrar na submucosa do estômago, e o grau de diferenciação do tumor podem influenciar nesse resultado”, acrescenta.</p>
<p>A medição da quantidade de DNA encontrada no suco gástrico entra na categoria do que os especialistas chamam de biopsia líquida do tumor, técnica que busca fragmentos de material genético liberados por células tumorais em fluidos corporais – o mais usado é o sangue (<a href="https://revistapesquisa.fapesp.br/no-sangue-mais-pistas-sobre-o-cancer/" target="_blank" rel="noopener"><em>ver</em> Pesquisa FAPESP <em>nº 253</em></a>). Essa abordagem, no entanto, enfrenta limitação, principalmente nos estágios iniciais da doença. “A detecção precoce por meio do sangue é desafiadora, porque o DNA tumoral só aparece na circulação quando o tumor já invadiu vasos sanguíneos e, nesse estágio, o tratamento costuma ser mais complexo”, explica a gastroenterologista chinesa Lianlian Wu, da Universidade de Cambridge, no Reino Unido, que investiga a detecção precoce do câncer e não participou do estudo atual. “Por isso, as biopsias líquidas órgão-específicas, como a análise do fluido gástrico, são uma ideia conceitualmente muito interessante”, diz. “O material derivado do tumor tende a estar mais concentrado no próprio estômago.”</p>
<p>Ela ressalta que a endoscopia com biópsia continuará sendo o padrão-ouro, por oferecer visualização direta e análise histológica detalhada. Mas, assim como Coimbra, lembra que pode haver erro de amostragem. “A mucosa gástrica é extensa e frequentemente inflamada, o que pode dificultar a escolha do local ideal para a coleta. O fluido gástrico funciona como uma amostra mais abrangente, reunindo material liberado por diferentes áreas. É um bom complemento, mas não substitui a biopsia”, alerta Wu.</p>
<picture data-tablet="/wp-content/uploads/2026/04/RPF-biopsialiquida-2026-04-info-670-DESKTOP.png" data-tablet_size="670x700" alt="O mapa mostra a frequência de casos novos esperada para 2026 nos diferentes estados">
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  </picture><span class="embed media-credits-inline">Alexandre Affonso / Revista Pesquisa FAPESP</span>
<p>No Brasil, o câncer gástrico apresenta forte variação regional e ainda costuma ser diagnosticado em fases mais avançadas, quando as possibilidades de cura são menores. Segundo dados do <a href="https://www.gov.br/inca/pt-br/assuntos/cancer/numeros/estimativa/por-neoplasia-taxas-ajustadas/estomago" target="_blank" rel="noopener">Instituto Nacional de Câncer</a> (Inca), os estados com maiores taxas estimadas de incidência para 2026 concentram-se na região Norte do país. O Amapá lidera o ranking, com 16,18 casos por 100 mil habitantes, seguido por Pará (11,77/100 mil), Amazonas (11,06/100 mil) e Rondônia (8,43/100 mil). No Sul, Santa Catarina (10,96/100 mil) e Paraná (8,92/100 mil) também registram índices elevados. Já no Nordeste, o Ceará apresenta taxa estimada de 9,92 casos por 100 mil habitantes (<em>ver mapa acima</em>).</p>
<p>Embora avanços tecnológicos ampliem a possibilidade de diagnóstico, o câncer gástrico permanece fortemente condicionado por fatores socioeconômicos. “A falta de saneamento básico e as condições de vida mais precárias contribuem para uma maior exposição aos fatores de risco, como a infecção por <em>Helicobacter pylori</em>”, acrescenta o biólogo molecular português Rui Reis, diretor científico do Instituto de Ensino e Pesquisa (IEP) do Hospital de Câncer de Barretos, que não participou do estudo da <em>eLife</em>. “O câncer gástrico é, em certa medida, um reflexo dessas desigualdades”, afirma.</p>
<p class="bibliografia">A reportagem acima foi publicada com o título “<strong>No descarte, pistas do câncer</strong>” na edição impressa nº 362, de abril de 2026.</p>
<p class="bibliografia"><strong>Projetos<br />
1. </strong>Epidemiologia e genômica de adenocarcinomas gástricos no Brasil (<a href="https://bv.fapesp.br/pt/auxilios/90130/epidemiologia-e-genomica-de-adenocarcinomas-gastricos-no-brasil/" target="_blank" rel="noopener">nº 14/26897-0</a>); <strong>Modalidade</strong> Projeto Temático; <strong>Pesquisador responsável</strong> Emmanuel Dias Neto (A.C. Camargo Cancer Center); <strong>Investimento</strong> R$ 3.517.723,16.<strong><br />
2. </strong>Microbioma fúngico em tumores humanos (<a href="https://bv.fapesp.br/pt/processo/18/02972-3" target="_blank" rel="noopener">nº 18/02972-3</a>); <strong>Modalidade</strong> Bolsa de Doutorado; <strong>Pesquisador responsável</strong> Israel Tojal da Silva (A.C. Camargo Cancer Center); <strong>Bolsista</strong> Bruno Spinetti Moda; <strong>Investimento</strong> R$ 140.933,66.</p>
<p class="bibliografia"><strong>Artigo científico<br />
</strong>CADONÁ, F. C. <em>et al.</em><a href="https://doi.org/10.7554/eLife.107103.3" target="_blank" rel="noopener"> Endoscopic liquid biopsies of gastric fluid in a large human patient cohort reveal DNA content as a candidate tumor biomarker in gastric cancer</a>. <strong>eLife</strong>. 16 dez. 2025.</p>
]]></content:encoded>
					
		
		
			</item>
		<item>
		<title>Estudo projeta aumento de mortes e de perda de produtividade por câncer de intestino</title>
		<link>https://revistapesquisa.fapesp.br/estudo-projeta-aumento-de-mortes-e-de-perda-de-produtividade-por-cancer-de-intestino/?utm_source=rss&#038;utm_medium=rss&#038;utm_campaign=estudo-projeta-aumento-de-mortes-e-de-perda-de-produtividade-por-cancer-de-intestino</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Mariana Ceci]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 08 Apr 2026 14:30:03 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Ciência]]></category>
		<category><![CDATA[Epidemiologia]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://revistapesquisa.fapesp.br/?p=581047</guid>

					<description><![CDATA[Total de óbitos deve crescer 2,7 vezes nos próximos cinco anos em relação ao período 2001-2005 e custo por saída do mercado de trabalho aumentar 5,4 vezes ]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<div id="attachment_581052" style="max-width: 810px" class="wp-caption alignright vertical"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-581052 size-full" src="https://revistapesquisa.fapesp.br/wp-content/uploads/2026/03/RPF-cancer-colorretal-2026-04-800.jpg" alt="" width="800" height="802" srcset="https://revistapesquisa.fapesp.br/wp-content/uploads/2026/03/RPF-cancer-colorretal-2026-04-800.jpg 800w, https://revistapesquisa.fapesp.br/wp-content/uploads/2026/03/RPF-cancer-colorretal-2026-04-800-250x251.jpg 250w, https://revistapesquisa.fapesp.br/wp-content/uploads/2026/03/RPF-cancer-colorretal-2026-04-800-700x702.jpg 700w, https://revistapesquisa.fapesp.br/wp-content/uploads/2026/03/RPF-cancer-colorretal-2026-04-800-120x120.jpg 120w" sizes="auto, (max-width: 800px) 100vw, 800px" /><p class="wp-caption-text"><span class="media-credits-inline">Ej Grubbs / Getty Images</span>Laço azul-marinho, símbolo da campanha de conscientização, prevenção e diagnóstico do câncer colorretal, realizada todo mês de março<span class="media-credits">Ej Grubbs / Getty Images</span></p></div>
<p>Nos próximos cinco anos, cerca de 162 mil pessoas com mais de 15 anos devem morrer no Brasil em consequência de tumores malignos do intestino grosso – especificamente, no cólon e no reto. No mesmo período, a enfermidade, o chamado câncer colorretal, o segundo tipo mais frequente no país, com exceção dos tumores de pele não melanoma, deve acarretar a perda de 3,27 milhões de anos potenciais de vida, o que representa um encurtamento médio de 20 anos no tempo de vida de cada pessoa com a doença, segundo estudo publicado em março na revista médica <a href="https://www.thelancet.com/journals/lanam/article/PIIS2667-193X(26)00013-X/fulltext" target="_blank" rel="noopener"><em>The Lancet Regional Health – Americas</em></a>. Em termos econômicos, o prejuízo indireto, por perda de produtividade em consequência do óbito precoce, foi calculado em US$ 7,14 bilhões nos próximos cinco anos, sem considerar os gastos com diagnóstico, tratamento e acompanhamento.</p>
<p>O grupo coordenado pela epidemiologista Marianna de Camargo Cancela, do Instituto Nacional do Câncer (Inca), no Rio de Janeiro, chegou a essa estimativa depois de verificar o total de mortes por tumores colorretais registrado de 2001 a 2015 no Sistema de Informação de Mortalidade (SIM), do Ministério da Saúde. A equipe também usou os dados obtidos no mesmo intervalo de tempo da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (Pnad Contínua), do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), para estimar o salário médio formal e informal, as taxas de participação na força de trabalho e de desemprego por sexo e idade. Com os números desses primeiros 15 anos em mãos, os pesquisadores projetaram o que se espera em termos de mortes e perda de produtividade no país de 2016 a 2030.</p>
<p>O cenário é preocupante. Os casos de câncer de cólon e reto vêm crescendo no Brasil desde o início deste século e, segundo os autores do artigo, as ocorrências se encontram em ascensão até mesmo entre as pessoas mais jovens, assim como ocorre em países mais ricos. O estudo projeta um salto de 2,7 vezes no total de óbitos do quinquênio 2001-2005 para o que se inicia agora (2026-2030). O país registrou 57.631 mortes em consequência de tumores colorretais no primeiro período e deve contabilizar 157.027 nos próximos cinco anos – o total de mortes é um pouco mais elevado entre as mulheres (<em>ver gráfico abaixo</em>). No mesmo intervalo, a população brasileira cresceu cerca de 23,5%, passando de aproximadamente 170 milhões de pessoas, na virada do século, para os atuais 210 milhões. No acumulado de 2001 a 2030, as mortes por esse tipo de câncer devem chegar a 635,3 mil.</p>
</div><div class='overflow-responsive-img' style='text-align:center'><picture data-tablet="/wp-content/uploads/2026/03/RPF-cancercolorretal-2026-04-info2-1140.png" data-tablet_size="1140x470" alt="Custo por saída do mercado de trabalho pode aumentar 5,4 vezes no período 2026-2030 em comparação com o primeiro quinquênio do século">
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  </picture><span class="embed media-credits-inline">Alexandre Affonso / Revista Pesquisa FAPESP</span></div><div class="post-content sequence">
<p>Não é apenas o número absoluto de óbitos que vem aumentando. Há também um incremento contínuo na taxa de mortalidade ajustada por idade, que leva em conta a estrutura etária da população brasileira. Ocorriam 10,8 óbitos em cada grupo de 100 mil homens no período 2001-2005. Essa taxa deve chegar a 13,8 por 100 mil no quinquênio 2026-2030, um aumento de 28%. Entre as mulheres, a projeção é de uma elevação mais modesta, de 12%, subindo de 10,1 para 11,3 por 100 mil.</p>
<p>O crescimento do total de mortes e da taxa de mortalidade vem acompanhado de dois impactos importantes. Um tem natureza social: a perda de anos potenciais de vida, ceifada pela doença antes do esperado. O outro é de fundo econômico: a perda de produtividade, também provocada pelo óbito precoce.</p>
<p>A equipe, que incluiu pesquisadores da Austrália, da França, do Reino Unido e da Irlanda, usou uma métrica da epidemiologia chamada anos potenciais de vida perdidos (YPLL) para calcular o tempo que a morte prematura das pessoas com câncer colorretal rouba da força de trabalho do país. De 2001 a 2030, o valor total chega a 12,6 milhões de YPLL, sendo 5,7 milhões entre os homens e 6,9 milhões entre as mulheres. A soma do tempo perdido por causa das mortes precoces deve subir, no sexo masculino, de 459 mil no período 2001-2005 para 1,5 milhão no quinquênio 2026-2030. Entre as mulheres, o total de YPLL deve passar de 599 mil para 1,8 milhão. Já a perda de produtividade, também crescente, deve totalizar US$ 22 bilhões nesses 30 anos, com participação maior (US$ 16,8 bilhões) masculina (<em>ver gráfico</em>).</p>
</div><div class='overflow-responsive-img' style='text-align:center'><picture data-tablet="/wp-content/uploads/2026/04/RPF-cancercolorretal-2026-04-info1-1140.png" data-tablet_size="1140x470" alt="Total de óbitos deve crescer 2,7 vezes nos próximos cinco anos em relação ao período 2001-2005">
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  </picture><span class="embed media-credits-inline">Alexandre Affonso / Revista Pesquisa FAPESP</span></div><div class="post-content sequence">
<p>“É alarmante olhar os anos de vida e a produtividade que se perdem no Brasil pela ausência de políticas capazes de impedir a progressão de uma doença que, em muitos casos, é prevenível”, comenta o oncologista Jorge Sabbaga, chefe do Grupo de Tumores Gastrointestinais do Instituto do Câncer do Estado de São Paulo (Icesp), que não participou do estudo da <em>The Lancet Regional Health – Americas</em>.</p>
<p>Os quatro indicadores analisados no estudo – total de mortes, taxa de mortalidade, anos de vida perdidos e perda de produtividade – foram mais elevados nos estados das regiões Sudeste, Sul e Nordeste, as mais populosas do país. O Sudeste, onde vivem 84 milhões de brasileiros, deve concentrar o maior número absoluto de mortes (355,2 mil), de anos de vida perdidos (3,1 milhões de YLPP) e de perda de produtividade (US$ 12,2 bilhões) de 2001 a 2030. A região Sul, a terceira mais populosa, com 30 milhões de habitantes, apresenta vários desses indicadores mais elevados do que a Nordeste, a segunda com maior número de habitantes. Até 2030, os estados do Sul devem acumular 127,3 mil mortes, 2,4 milhões de anos saudáveis de vida perdidos e uma queda de produtividade de US$ 4,5 bilhões. Essa concentração, segundo os autores do artigo, é explicada por diferenças nos hábitos de vida (por exemplo, maior índice de tabagismo e consumo de alimentos ultraprocessados), somadas à maior proporção de pessoas com mais de 60 anos vivendo nessas regiões. A partir dessa idade, aumenta a incidência do câncer de cólon e reto.</p>
<p>Nas três décadas incluídas no estudo, a perda de produtividade aumentou, em média, em torno de cinco vezes. Era da ordem de US$ 1,33 bilhão no quinquênio 2001-2005 e deve chegar a US$ 7,14 bilhões no período 2026-2030. Embora concentrem o menor número de mortes e as taxas de mortalidade mais baixas, os estados da região Norte são os que devem apresentar o maior aumento relativo na perda de produtividade. Entre os homens, ela deve crescer 9,7 vezes e, entre as mulheres, 8,7. A região também apresenta os maiores valores de anos potenciais de vida perdidos por morte: 22 anos entre os homens e 24 entre as mulheres, acima da média nacional de 18 anos e 21 anos, respectivamente.</p>
<p>“Essa variação deve-se principalmente a diferenças socioeconômicas”, afirma o epidemiologista Jonas Eduardo Monteiro dos Santos, primeiro autor do estudo, financiado pelo programa de apoio a políticas de oncologia independente da empresa farmacêutica norte-americana Merck Sharp &amp; Dohme. Mais pobres, os estados do Norte (e do Nordeste) têm menos acesso a serviços de saúde. “Isso aumenta o tempo para o diagnóstico e o início do tratamento, o que eleva a probabilidade de óbito precoce”, conclui Santos, pesquisador do Inca e da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz).</p>
<p>A demora no diagnóstico, aliás, é um problema frequente no país. No <a href="https://www.cancer.org.br/wp-content/uploads/2025/11/info_oncollect_2025_volume10.pdf" target="_blank" rel="noopener">boletim</a> <em>Câncer Colorretal no Brasil – O desafio invisível do diagnóstico</em>, publicado em 2025, a Fundação do Câncer, entidade filantrópica que atua na prevenção da doença, estimou que 60% dos mais de 177 mil casos de câncer colorretal registrados em hospitais públicos e privados brasileiros entre 2013 e 2022 foram diagnosticados em estágios avançados, o que contribui para que o país responda pela quinta maior taxa de mortalidade por câncer colorretal da América Latina e por 41% do total de mortes pela doença na região. “No Brasil, temos o Sistema Único de Saúde [SUS], que é um dos mais eficientes do mundo, mas ele não está sendo capaz de proporcionar à população um trabalho de varredura e detecção precoce das lesões pré-malignas”, afirma Sabbaga.</p>
<p>O câncer de cólon e reto, segundo especialistas, é uma enfermidade que pode ser prevenida em boa parte das vezes por meio da adoção de hábitos saudáveis de vida, como a realização de atividade física regular, o consumo de uma dieta rica em fibras e com poucos alimentos embutidos e ultraprocessados e evitando o tabagismo. Seu rastreamento pode ser feito por meio do exame que detecta sangue oculto nas fezes, associado à análise do histórico familiar. Uma vez confirmada a suspeita, é possível realizar o diagnóstico precoce por meio do exame de colonoscopia, que permite a detecção de lesões iniciais (pólipos) e sua remoção, impedindo que a doença progrida e se dissemine.</p>
<p class="bibliografia">A reportagem acima foi publicada com o título “<strong>Os custos de uma doença</strong>” na edição impressa nº 362, de abril de 2026.</p>
<p class="bibliografia"><strong>Artigo científico</strong><br />
DOS SANTOS, J. E. M. <em>et al</em>. <a href="https://www.thelancet.com/journals/lanam/article/PIIS2667-193X(26)00013-X/fulltext" target="_blank" rel="noopener">Regional inequalities in mortality from colorectal cancer and its indirect economic impact in Brazil from 2001 to 2030: A human capital approach study</a>. <strong>The Lancet Regional Health – Americas</strong>. mar. 2026.</p>
]]></content:encoded>
					
		
		
			</item>
		<item>
		<title>Déficit comercial de bens de alta intensidade tecnológica</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Redação]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 08 Apr 2026 14:26:19 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Dados]]></category>
		<category><![CDATA[Tecnologia]]></category>
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					<description><![CDATA[Déficit comercial de bens de alta intensidade tecnológica]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<ul>
<li>Em 2025, enquanto os setores intensivos em recursos naturais continuaram gerando superávits expressivos, os segmentos industriais de maior intensidade tecnológica permaneceram dependentes de importações. Tal configuração evidencia os desafios de política industrial e tecnológica associados à ampliação da capacidade doméstica de inovação, produção de bens de capital e inserção em cadeias globais de maior valor agregado</li>
<li>O Brasil registrou em 2025 um superávit comercial de US$ 68,3 bilhões. Foi menor que nos dois anos anteriores, mas sustentado pelo desempenho positivo de produtos agropecuários e minerais (saldo de US$ 139,4 bilhões). Já o déficit dos bens típicos da indústria de transformação passou de US$ 57,4 bilhões em 2024 para US$ 71,1 bilhões em 2025, novo recorde em dólares correntes. Tal resultado evidencia a intensificação da assimetria estrutural da balança comercial brasileira</li>
</ul>
</div><div class='overflow-responsive-img' style='text-align:center'><picture data-tablet="/wp-content/uploads/2026/04/RPF-dados-2026-04-info1-1140.png" data-tablet_size="1140x450" alt="Assimetria na balança comercial brasileira">
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  </picture><span class="embed media-credits-inline">Alexandre Affonso / Revista Pesquisa FAPESP</span></div><div class="post-content sequence">
<ul>
<li>O déficit no comércio exterior dos bens de alta intensidade tecnológica – formado pelo complexo eletrônico, produtos farmacêuticos e equipamentos aeronáuticos – atingiu US$ 50,6 bilhões em 2025, ultrapassando pela primeira vez a marca de US$ 50 bilhões e configurando o maior saldo negativo da série histórica</li>
<li>A despeito disso, tanto importações como exportações cresceram pouco mais de 10% neste ano. Porém, em valores absolutos, as importações atingiram o inédito patamar de US$ 59,2 bilhões, em contraste com exportações, que, mesmo em valor recorde, chegaram a US$ 8,6 bilhões</li>
<li>Parte relevante da dependência tecnológica brasileira também se manifesta no segmento de máquinas e equipamentos, classificado internacionalmente como de média-alta intensidade tecnológica. Esse setor apresenta igualmente déficits estruturais elevados na balança comercial brasileira</li>
</ul>
</div><div class='overflow-responsive-img' style='text-align:center'><picture data-tablet="/wp-content/uploads/2026/04/RPF-dados-2026-04-info2-1140.png" data-tablet_size="1140x420" alt="Bens de alta intensidade tecnológica – Brasil, 2025">
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<p class="bibliografia"><strong>Fonte </strong>COMEX STAT / Instituto de Estudos para o Desenvolvimento Industrial (IEDI), Carta IEDI 1347 <strong>Elaboração</strong> GPAFI / DPCTA / FAPESP</p>
]]></content:encoded>
					
		
		
			</item>
		<item>
		<title>Pesquisadores brasileiros desenvolvem aplicações para combater desinformação</title>
		<link>https://revistapesquisa.fapesp.br/pesquisadores-brasileiros-desenvolvem-aplicacoes-para-combater-desinformacao/?utm_source=rss&#038;utm_medium=rss&#038;utm_campaign=pesquisadores-brasileiros-desenvolvem-aplicacoes-para-combater-desinformacao</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Sarah Schmidt]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 08 Apr 2026 14:16:35 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Política C&T]]></category>
		<category><![CDATA[Comunicação]]></category>
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					<description><![CDATA[Projetos vão de chatbots no WhatsApp a algoritmos que ajudam a checar a veracidade de vídeos]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>Em março, um vídeo da suposta explosão de uma bomba no porto de Haifa, em Israel, chegou à caixa de e-mail do Laboratório de Inteligência Artificial da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), o Recod.ai. Os remetentes eram jornalistas da agência internacional de notícias <em>France-Presse</em> (<em>AFP</em>), que pediam ajuda para verificar a autenticidade do material. A requisição foi intermediada pela Witness, organização internacional que ajuda pessoas a produzir e divulgar vídeos para defender direitos humanos e mantém parceria com instituições de pesquisa para verificar se os conteúdos são reais ou manipulados.</p>
<p>Coube ao cientista da computação Mateus de Padua Vicente, estudante de doutorado da Unicamp, analisar o vídeo do ataque usando diferentes ferramentas. A conclusão foi que o material provavelmente era falso. Seu relatório identificou <em>frames</em> – momentos estáticos de vídeo – com alta probabilidade de serem artificiais. “Nosso modelo apontou, por exemplo, que a trilha de fumaça parecia suave demais, sem textura, e que os prédios ao fundo estavam borrados. Outro ponto: a iluminação na fumaça não parecia bater com o ponto focal da luz do sol. O momento da explosão indicou que ela não parecia real, pois ficou borrada justamente quando acontecia”, explica Vicente. Por ora, a ferramenta só permite a análise de imagens e, por isso, é preciso analisar quadro a quadro. Ele observa que esses casos concretos de checagem funcionam como um “laboratório vivo” para testar e melhorar as ferramentas. “Os casos reais expõem limitações que não aparecem em bases de dados disponíveis ou referenciais acadêmicos e são muito úteis para avaliar a capacidade das ferramentas de gerar dados precisos.”</p>
<p>O Recod.ai é um dos laboratórios de universidades brasileiras que têm produzido ferramentas para identificar conteúdos falsos e combater a desinformação em diferentes esferas, da política à saúde. De acordo com o cientista da computação Anderson Rocha, coordenador do Recod.ai e orientador de Vicente, nos primeiros meses deste ano já foram analisados cerca de 10 vídeos em parceria com a Witness. “Aparentemente, está havendo um aumento na disseminação desse tipo de conteúdo. No ano passado inteiro, recebemos 20 vídeos suspeitos de manipulação; alguns envolviam políticos ou autoridades em cargos importantes”, observa. Essa percepção coincide com uma tendência apontada em um relatório da agência Lupa, especializada em checagem de informações, divulgado em fevereiro, mostrando que conteúdos falsos gerados por inteligência artificial (IA) cresceram 308% entre 2024 e 2025 e passaram a representar 25% das verificações da empresa no país.</p>
<p>O grupo da Unicamp coordena um projeto temático apoiado pela FAPESP, o Horus, que busca criar técnicas de IA para detectar e analisar imagens sintéticas. Um dos modelos que integram o conjunto de ferramentas desenvolvidas pela equipe é o FakeScope, criado em parceria com pesquisadores chineses para identificar imagens geradas por IA e, ao mesmo tempo, explicar por que elas são falsas. Sua funcionalidade foi apresentada em um texto em <em>preprint</em> (sem revisão por pares) publicado em março de 2025 no repositório arXiv. “Diferentemente de métodos que apenas classificam imagens como reais ou falsas, o FakeScope foi treinado com grandes conjuntos de imagens geradas por IA e reais, além de anotações detalhadas sobre indícios visuais, como luz, textura e bordas”, explica Vicente.</p>
<p>Outro modelo é o Pixel-Inconsistency, que analisa inconsistências nos pixels de imagens e vídeos para identificar possíveis manipulações. No caso do vídeo sobre a suposta explosão em Israel, foi essa ferramenta que destacou as irregularidades na fumaça, possivelmente adicionadas por IA. Há, ainda, o Deepfake Detection System, ferramenta que analisa biometria facial para identificar manipulações em vídeos que mostram pessoas conhecidas. Um dos casos enviados pela Witness envolvia um vídeo em que o presidente do Líbano, general Joseph Aoun, supostamente sugeria que planejava criminalizar a organização política paramilitar islâmica Hezbollah, instalada há quatro décadas no país, responsável por embates com Israel. O vídeo era falso. Sinais como mudanças no modelo do relógio, movimentos faciais pouco naturais e distorções no fundo foram apontados pelo DeepFake Detection, enquanto o FakeScope identificou distorções em uma bandeira na sala e problemas nas bordas da imagem. “Além da parceria com a Witness, também já ajudamos em casos de checagem de fatos em parceria com veículos brasileiros, como o G1 e a Lupa”, conta Rocha. Para o período de eleições deste ano, o laboratório deve formalizar uma parceria com a agência. Já a ferramenta de detecção de deepfake foi cedida para ser usada pelas polícias legislativas da Câmara e do Senado.</p>
<blockquote><p>Casos concretos de checagem ajudam a testar e a melhorar as ferramentas</p></blockquote>
<p>A desinformação em saúde, especialmente a relacionada com vacinas, também é alvo de pesquisas do laboratório. No projeto Aletheia, financiado pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) e pelo Ministério da Saúde, os pesquisadores mapearam 119 canais e grupos públicos em português e inglês no aplicativo de mensagens Telegram que promoviam narrativas antivacina e anticiência entre 2020 e 2025, reunindo uma base de dados com cerca de 4 milhões de postagens, entre imagens, textos, vídeos e documentos. “Vimos que vários grupos que estavam no WhatsApp migraram para o Telegram por ser um espaço menos monitorado”, observa Rocha.</p>
<p>O banco de dados aberto está disponível em um repositório da Unicamp para pesquisadores que queiram produzir estudos sobre como esse tipo de desinformação se espalha e pode influenciar o comportamento público. “Estamos analisando as mensagens para entender o comportamento dos usuários e como os conteúdos circulam nesses espaços”, explica a jornalista Ana Carolina Monari, pesquisadora em estágio de pós-doutorado no projeto. “Desenvolvemos uma taxonomia de discursos de desinformação em saúde, com 17 categorias, que servirá para treinar modelos de IA em português que ajudem a identificar automaticamente os problemas nas redes sociais”, complementa. Para o levantamento, os pesquisadores desenvolveram um modelo que pudesse identificar as postagens desinformativas sobre vacinação.</p>
<p><strong>WhatsApp e outros modelos<br />
</strong>Um programa para o WhatsApp que usa inteligência artificial para checar informações foi desenvolvido por três estudantes de ciência da computação da Universidade de São Paulo (USP) em São Carlos. O usuário precisa apenas salvar em sua lista de contatos o número de telefone vinculado ao programa e encaminhar para ele mensagens suspeitas. “Nosso slogan é ‘verificar é tão fácil quanto encaminhar’. Pode ser texto, vídeo, áudio ou link, e o software analisa o conteúdo”, conta o estudante Cauê Paiva Lira, de 21 anos, um dos criadores da ferramenta Tá Certo Isso AI?.</p>
<p>Ele conta que a ideia surgiu em uma maratona que reuniu programadores na USP para criar soluções de IA contra a desinformação, na qual a proposta acabou sendo vencedora. “Fomos selecionados por um programa internacional chamado AI for Good, organizado pela Brazil Conference e realizado no MIT [Instituto de Tecnologia de Massachusetts] e na Universidade Harvard, entre mais de 170 inscritos”, conta Lira, que se preparava com o grupo para apresentar o projeto em Boston, nos Estados Unidos, no final de março.</p>
<p>Os estudantes usaram modelos de linguagem como o Gemini e o GPT, mas, ressalta Lira, com um diferencial importante: o chatbot, assistente virtual que simula conversas humanas, faz a verificação com base exclusivamente em fontes confiáveis, como agências de checagem. Um exemplo foi o caso de uma mensagem que dizia que era preciso pagar pela CNH Social no estado do Paraná. A conclusão do aplicativo é de que a informação era falsa, já que a emissão da carteira de motorista é gratuita para pessoas de baixa renda. A ferramenta checou a informação em reportagens do G1 e do jornal <em>O Estado de S. Paulo</em>.</p>
<p><img loading="lazy" decoding="async" width="1140" height="640" class="size-full wp-image-581527 aligncenter" src="https://revistapesquisa.fapesp.br/wp-content/uploads/2026/04/rpf-desinformacao-2026-04-1140-2.jpg" alt="" srcset="https://revistapesquisa.fapesp.br/wp-content/uploads/2026/04/rpf-desinformacao-2026-04-1140-2.jpg 1140w, https://revistapesquisa.fapesp.br/wp-content/uploads/2026/04/rpf-desinformacao-2026-04-1140-2-250x140.jpg 250w, https://revistapesquisa.fapesp.br/wp-content/uploads/2026/04/rpf-desinformacao-2026-04-1140-2-700x393.jpg 700w, https://revistapesquisa.fapesp.br/wp-content/uploads/2026/04/rpf-desinformacao-2026-04-1140-2-120x67.jpg 120w" sizes="auto, (max-width: 1140px) 100vw, 1140px" /><span class="media-credits-inline">João Montanaro</span></p>
<p>Quando não consegue verificar a autenticidade da informação, o aplicativo avisa para o usuário. Depois de serem analisadas, as mensagens são anonimizadas, para evitar a exposição dos usuários, e alimentam uma base de dados pública, que pode ser usada por outros pesquisadores. “Agora buscamos expandir o projeto, formar parcerias e nos aproximar mais da pesquisa acadêmica, porque acreditamos que combater a desinformação com IA é uma área com muito potencial de impacto social”, diz o estudante.</p>
<p>Na Universidade Federal de São Carlos (UFSCar), um grupo de pesquisadores do Laboratório Interfaces desenvolveu um modelo que busca detectar notícias falsas de uma forma diferente da maioria dos modelos tradicionais. “O algoritmo aprende a identificar <em>fake news</em> tendo acesso apenas a exemplos de conteúdos falsos, para encontrar padrões mesmo sem conhecer todos os casos possíveis”, explica o matemático Guilherme Henrique Messias, primeiro autor de um artigo que explica o modelo, publicado em 2026 pela editora Springer nos anais da <em>Brazilian Conference on Intelligent Systems</em>.</p>
<p>“A nossa proposta foi desenvolver um modelo que funcione mesmo com poucos dados”, diz o cientista da computação Alan Valejo, da UFSCar, orientador de Messias no doutorado em ciência da computação. “Em vez de precisar de grandes bases com notícias verdadeiras e falsas, o modelo aprende usando apenas exemplos de notícias falsas, o que resolve um dos principais desafios da área: a dificuldade e o alto custo de rotular dados confiáveis”, explica.</p>
<p>Ele funciona transformando o conteúdo de textos em representações gráficas para detectar características típicas de <em>fake news</em>. Embora ainda não esteja disponível como um software funcional, sua base está no GitHub, plataforma colaborativa de projetos de software, e pode ser usada por jornalistas ou pesquisadores com conhecimentos básicos de programação em Python. “Além de identificar desinformação, o modelo pode ser usado em outras áreas com pouca informação disponível, como na análise de redes sociais e científicas, para encontrar padrões e relações escondidas. De forma geral, o programa ajuda a descobrir informações importantes mesmo quando há poucos dados organizados ou completos”, vislumbra Messias.</p>
<p class="bibliografia">A reportagem acima foi publicada com o título “<strong>IA contra <em>fake news</em></strong>” na edição impressa nº 362, de abril de 2026.</p>
<p class="bibliografia"><strong>Projetos<br />
1.</strong> Horus: técnicas de inteligência artificial para detecção e análise de realidades sintéticas (<a href="https://bv.fapesp.br/pt/auxilios/114665/horus-tecnicas-de-inteligencia-artificial-para-deteccao-e-analise-de-realidades-sinteticas/" target="_blank" rel="noopener">nº 23/12865-8</a>); <strong>Modalidade </strong>de apoio Auxílio à Pesquisa &#8211; Temático; <strong>Pesquisador responsável</strong> Anderson de Rezende Rocha; <strong>Investimento</strong> R$ 2.880.293,19.<br />
<strong>2.</strong> Análise de grandes volumes de dados políticos e redes complexas: mineração, modelagens e aplicações em Ciência Política Computacional (<a href="https://bv.fapesp.br/pt/auxilios/112024/analise-de-grandes-volumes-de-dados-politicos-e-redes-complexas-mineracao-modelagens-e-aplicacoes-em/" target="_blank" rel="noopener">nº 22/03090-0</a>); <strong>Modalidade</strong> de apoio Auxílio à Pesquisa &#8211; Projeto Inicial; <strong>Pesquisador responsável</strong> Sylvia Iasulaitis; <strong>Investimento</strong> R$ 913.540,45.</p>
]]></content:encoded>
					
		
		
			</item>
		<item>
		<title>Avaliação Quadrienal da Capes registra avanço em programas de pós-graduação de excelência</title>
		<link>https://revistapesquisa.fapesp.br/avaliacao-quadrienal-da-capes-registra-avanco-em-programas-de-pos-graduacao-de-excelencia/?utm_source=rss&#038;utm_medium=rss&#038;utm_campaign=avaliacao-quadrienal-da-capes-registra-avanco-em-programas-de-pos-graduacao-de-excelencia</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Sarah Schmidt]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 08 Apr 2026 14:15:16 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Política C&T]]></category>
		<category><![CDATA[Educação]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://revistapesquisa.fapesp.br/?p=581473</guid>

					<description><![CDATA[Número de cursos de mestrado e doutorado com notas 6 e 7 aumentou 21% no ciclo de 2021-2024]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>O número de programas de pós-graduação com notas 6 e 7, considerados de excelência, aumentou 21% no país, de acordo com a Avaliação Quadrienal 2021-2024 da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes), cujos resultados foram divulgados em fevereiro. No total, 808 programas <em>stricto sensu</em> alcançaram esse patamar, ante 667 no quadriênio anterior (2017 a 2020). Eles se concentram nas universidades públicas: 18,6% dos cursos dessas instituições receberam notas 6 e 7, ante 13,1% nas privadas.</p>
<p>Adotada desde a década de 1970, a avaliação mede a qualidade dos cursos de mestrado e doutorado <em>stricto sensu</em>, tanto acadêmicos quanto profissionais, e orienta a distribuição de bolsas e recursos financeiros para eles. Os responsáveis preenchem periodicamente um relatório com informações sobre vários quesitos: a proposta do programa, a qualificação do corpo docente, o perfil dos estudantes e a produção intelectual, além da inserção internacional. Ao todo, 4.555 programas em 50 áreas de avaliação foram analisados por 1.980 membros da comunidade científica.</p>
<p>O desempenho é mensurado por meio de uma escala de 1 a 7, em que as notas 1 e 2 são insuficientes, 3 é o padrão mínimo de funcionamento, 4 e 5 sinalizam boa qualidade e consolidação e 6 e 7 representam níveis de excelência, com destaque internacional. No balanço geral, 28% (1.272) dos programas subiram de nota, 60% (2.721) mantiveram-se estáveis e 8% (382) pioraram. Segundo a Capes, os 48 programas que receberam notas 1 ou 2 serão descredenciados pelo Ministério da Educação (MEC).</p>
<p>Na comparação com a avaliação anterior, houve uma queda no número de programas que receberam notas 3, passando de 928 para 622. Já os classificados com nota 4 aumentaram de 1.752 para 1.859, e os de nota 5, de 1.032 para 1.218. Para o físico Antonio Gomes, diretor de Avaliação da Capes, a redução no percentual de notas 3 é um movimento importante. “Avaliamos que isso se deve, em parte, a uma iniciativa da Capes chamada Programa de Redução de Assimetrias da Pós-graduação, que fez um investimento em cerca de 100 programas que historicamente apresentavam dificuldades. Como resultado, 70% deles aumentaram suas notas”, diz ele, que também é pesquisador da Universidade Federal do Ceará (UFC). É possível que esse panorama ainda mude, porque 18% dos programas entraram com pedido de reconsideração das notas e os recursos vão ser analisados até o final de maio. “A avaliação pode apresentar eventuais falhas ou gerar dúvidas de interpretação, seja por falta de cristalinidade nos pareceres ou por dificuldades na compreensão por parte dos programas”, pondera.</p>
</div><div class='overflow-responsive-img' style='text-align:center'><picture data-tablet="/wp-content/uploads/2026/04/RPF-capes-2026-04-info2-1140.png" data-tablet_size="1140x580" alt="Distribuição das notas nas 30 instituições de ensino superior com mais programas no Brasil">
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  </picture><span class="embed media-credits-inline">Alexandre Affonso / Revista Pesquisa FAPESP</span></div><div class="post-content sequence">
<p>Cursos com desempenhos melhores reforçam sua reputação, atraem o interesse de mais alunos e têm acesso a oportunidades extras de financiamento. “Os que recebem notas 6 e 7 passam a ser contemplados pelo Proex [Programa de Excelência Acadêmica]. O problema é que o orçamento da Capes não tem aumentado ao longo dos últimos anos, o que pode limitar a expansão do apoio”, observa Roberto Goulart Menezes, decano de pós-graduação da Universidade de Brasília (UnB). Esses recursos podem ser investidos em bolsas, custeio de material de laboratório, passagens e diárias, e na realização de eventos, com a vantagem adicional de que os programas de excelência podem aplicá-los de forma flexível, seguindo suas próprias prioridades. Cursos com notas entre 3 e 5 também recebem apoio da agência federal via Programa de Apoio à Pós-graduação (Proap), com repasses mais modestos e autonomia menor.</p>
<p>Cláudia Wasserman, pró-reitora de Pós-graduação da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), conta que, embora quase três quartos dos programas da instituição tenham sido classificados com notas 5, 6 e 7 na avaliação de 2020, houve uma redução do número de bolsas, inclusive em programas de excelência, como bioquímica e genética, nos últimos anos. “Isso tem impacto direto na formação, já que alguns estudantes acabam deixando a pós-graduação por falta de recursos”, observa. Na avaliação recente, o número de programas da UFRGS com as três notas mais elevadas subiu de 73% para 79%. “Temos atuado de forma estratégica, apoiando os programas na construção de planos de curto, médio e longo prazo.”</p>
<p>Gomes, da Capes, reconhece a importância de ampliar o orçamento da agência. “Em 2025, a Capes concedeu o maior número de bolsas da sua história. Mas o fomento e a avaliação caminham juntos. Outras fontes de financiamento também utilizam a nossa avaliação de qualidade dos programas como referência. O fluxo de financiamento federal, estadual e até privado para esses programas tende a aumentar a partir desse reconhecimento”, complementa.</p>
<p>O Norte e o Centro-Oeste foram as regiões que mais se destacaram por aumentar as notas de seus programas. “Isso mostra uma capilarização da pós-graduação, com maior distribuição da qualidade pelo território do país”, destaca Gomes. A Universidade Federal do Pará (UFPA), que mantém a maior quantidade de programas de pós-graduação na região Norte, viu 38% de seus 92 programas subirem de nota, 42% se manterem estáveis e 9% apresentarem queda. Iracilda Sampaio, pró-reitora de Pesquisa e Pós-graduação da UFPA, conta que a ampliação de programas que tiveram notas 4 e 5 – 30 no total – deve permitir a abertura de novos doutorados. “Isso tem impacto direto no desenvolvimento regional, especialmente na Amazônia”, afirma. O número de programas de excelência dobrou para 14 – um dos exemplos foi o de ecologia, no <em>campus</em> de Belém, cuja nota saltou de 5 para 7, uma novidade na avaliação deste ano, que permitiu ascensões ou quedas abruptas.</p>
<picture data-tablet="/wp-content/uploads/2026/04/RPF-capes-2026-04-info1-670-DESKTOP.png" data-tablet_size="670x480" alt="Número de programas avaliados e notas recebidas em 2025">
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  </picture><span class="embed media-credits-inline">Alexandre Affonso / Revista Pesquisa FAPESP</span>
<p>Na UnB, pela primeira vez, um programa de pós-graduação em educação alcançou nota 6. “Isso é inédito na região Centro-Oeste e bastante significativo”, afirma o decano Menezes. “Outro exemplo relevante é o mestrado profissional voltado a povos e territórios tradicionais, majoritariamente composto por indígenas, ribeirinhos e quilombolas, que passou de nota 3 para 4 e agora poderá abrir doutorado, ampliando o impacto social e regional.” Ele destaca que, dos 90 programas da UnB, 26 subiram de nota e agora 54 deles (60%) atingiram conceitos 5, 6 e 7.</p>
<p>“Hoje, cerca de 54% dos nossos 94 programas têm notas 5, 6 e 7, um avanço em relação aos cerca de 50% da avaliação anterior”, conta a pró-reitora de Pós-graduação da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), Carol Leandro. Um dos fatores que contribuíram para esse resultado foi um programa de ações estratégicas criado em 2022. “Com recursos próprios da universidade, promovemos um modelo de mentoria em que programas com notas 5, 6 e 7 apoiaram aqueles com notas 3 e 4. Esse trabalho coletivo teve impacto direto nos resultados: conseguimos reduzir o número de programas com nota 3 de 24 em 2017 para 10 em 2025.</p>
<p>A Universidade de São Paulo (USP) permanece na liderança das instituições com o maior número de programas com notas 6 e 7 – 125 no total –, seguida pela Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), com 50, UFRGS, com 45, Estadual Paulista (Unesp), com 44, e Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), com 42. “Nesse ciclo, tivemos um crescimento de cerca de 42% nos programas de excelência, com notas 6 e 7, acima da média nacional”, observa Maria Valnice Boldrin, pró-reitora de Pós-graduação da Unesp. Ela avalia que um dos fatores que explicam esse desempenho foi o esforço para aumentar a internacionalização dos cursos. Em 2020, havia cerca de 50 alunos estrangeiros na universidade, hoje são mais de 500. Já na Unicamp, 55% dos programas acadêmicos foram classificados com notas 6 e 7. “Nos programas profissionais, também há um desempenho relevante, com 50% dos mestrados atingindo a nota máxima”, observa Claudia Morelli, pró-reitora de Pós-graduação da instituição.</p>
<p>Gomes, da Capes, destaca que os parâmetros de avaliação devem sofrer modificações importantes no próximo ciclo, relativo ao período de 2025-2028. Uma das principais diz respeito a exigências para que programas recebam notas 6 e 7. Antes, a elegibilidade para esse patamar estava centrada na internacionalização, ou seja, em sua inserção em redes de pesquisa internacionais, um sinal de que seus pesquisadores e estudantes atuam no estado da arte de seus temas de estudo. “Na nova abordagem, os programas nota 7 vão precisar apresentar desempenho excelente em várias dimensões ao mesmo tempo, incluindo impacto na sociedade, destaque na internacionalização, contribuição para os ODS [Objetivos de Desenvolvimento Sustentável], capacidade de nuclear outros programas, interdisciplinaridade e boas práticas de pesquisa nos processos formativos”, explica.</p>
</div><div class='overflow-responsive-img' style='text-align:center'><picture data-tablet="/wp-content/uploads/2026/04/RPF-capes-2026-04-info3-1140.png" data-tablet_size="1140x410" alt="Desempenho dos cursos de pós-graduação pelo país">
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  </picture><span class="embed media-credits-inline">Alexandre Affonso / Revista Pesquisa FAPESP</span></div><div class="post-content sequence">
<p>Já para alcançar a nota 6, os programas também deverão ser muito bons nesses quesitos, obtendo excelente na maioria dessas dimensões. “Isso permite que programas com forte impacto regional sejam reconhecidos como de excelência, mesmo que a internacionalização não seja sua principal estratégia.” As mudanças devem deve tornar mais complexo o processo de avaliação.</p>
<p>Outra novidade será o aumento do peso de quesitos como planejamento e autoavaliação. E haverá uma transformação na avaliação de qualidade da produção científica dos programas. Em vez de se basear apenas em uma classificação de revistas em que os artigos científicos são publicados, o Qualis Periódicos, passa-se a considerar também de forma individualizada o impacto e os indicadores de cada <em>paper</em>. Há também a introdução dos chamados casos de impacto, que buscam valorizar contribuições específicas dos programas de pós-graduação para a sociedade, além de um olhar mais atento para políticas de inclusão e permanência.</p>
<p>“O grande mérito da avaliação da Capes é ser um sistema nacional único e consolidado, que influencia diretamente a produção científica e a formação de pesquisadores no país. Sem ele, a pesquisa no Brasil não seria o que é”, avalia Sergio Salles-Filho, coordenador do Laboratório de Estudos sobre Organização da Pesquisa e da Inovação da Unicamp. Ele observa que a Capes tem procurado aprimorar o processo de avaliação, identificando pontos de ajuste. Em sua visão, no entanto, há variações significativas e crescentes nos critérios adotados pelas diferentes áreas do conhecimento. “Embora essa situação possa ser justificada pelas especificidades das áreas e sub­áreas, seria preciso entender melhor como isso vem reposicionando critérios de qualidade.”</p>
<p>Salles aponta a necessidade de incorporar parâmetros externos de avaliação dos programas, e cita como exemplo o Research Excellence Framework (REF), modelo de avaliação do Reino Unido que analisa o impacto e a qualidade da pesquisa nas instituições de ensino superior britânicas. “Lá, há avaliação feita por pessoas que não estão envolvidas diretamente no mesmo trabalho”, observa. “O sistema brasileiro, apesar de sua inegável importância, tem uma dinâmica endógena, em que a comunidade científica define seus critérios e se autoavalia.” Gomes concorda que os critérios precisam evoluir. “A avaliação hoje é muito focada em nós mesmos”, diz. “A participação de avaliadores externos com experiência internacional é desejável e poderá nos ajudar a qualificar ainda mais os nossos parâmetros e contribuir para o aprimoramento da pós-graduação.”</p>
<p class="bibliografia">A reportagem acima foi publicada com o título “<strong>Desempenho mais robusto</strong>” na edição impressa nº 362, de abril de 2026.</p>
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			</item>
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		<title>Uma floresta plantada nas bordas de um deserto</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Redação]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 08 Apr 2026 14:05:40 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Notas]]></category>
		<category><![CDATA[Ecologia]]></category>
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					<description><![CDATA[Área reflorestada em deserto chinês se torna sumidouro de carbono e retém dunas]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<div id="attachment_581559" style="max-width: 1150px" class="wp-caption alignright vertical"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-581559 size-full" src="https://revistapesquisa.fapesp.br/wp-content/uploads/2026/03/RPF-notas-floresta-deserto-2026-04-1140.jpg" alt="" width="1140" height="630" srcset="https://revistapesquisa.fapesp.br/wp-content/uploads/2026/03/RPF-notas-floresta-deserto-2026-04-1140.jpg 1140w, https://revistapesquisa.fapesp.br/wp-content/uploads/2026/03/RPF-notas-floresta-deserto-2026-04-1140-250x138.jpg 250w, https://revistapesquisa.fapesp.br/wp-content/uploads/2026/03/RPF-notas-floresta-deserto-2026-04-1140-700x387.jpg 700w, https://revistapesquisa.fapesp.br/wp-content/uploads/2026/03/RPF-notas-floresta-deserto-2026-04-1140-120x66.jpg 120w" sizes="auto, (max-width: 1140px) 100vw, 1140px" /><p class="wp-caption-text"><span class="media-credits-inline">Costfoto/ Nurphoto via Getty Images </span>Árvores resistentes à seca bloqueiam o avanço das dunas na China<span class="media-credits">Costfoto/ Nurphoto via Getty Images </span></p></div>
<p>Durante 46 anos, de 1978 a 2024, a China plantou bilhões de mudas de árvores nas bordas do deserto de Taklamakan, um dos maiores e mais secos do mundo. Com 337 mil quilômetros quadrados, é cercado por altas montanhas, que impedem a chegada de ar úmido durante a maior parte do ano, criando condições extremamente áridas. Agora, pesquisadores da Universidade de Houston, nos Estados Unidos, e de Beijing, na China, com base em observações em campo combinadas com dados de satélites sobre precipitação e cobertura vegetal, verificaram que a área reflorestada do deserto está absorvendo mais dióxido de carbono (CO₂) da atmosfera do que libera, o que significa que pode estar se transformando em um sumidouro de carbono. A precipitação na estação chuvosa do deserto de Taklamakan, de julho a setembro, foi 2,5 vezes maior do que na estação seca, com uma média de cerca de 16 milímetros por mês. A precipitação aumentou a cobertura vegetal, o verde e a fotossíntese nas margens do deserto, reduzindo assim os níveis de CO₂ sobre o deserto. A vegetação também estabilizou as dunas de areia e aumentou a cobertura florestal no país de 10% de sua área em 1949 para mais de 25% atualmente (<a href="https://doi.org/10.1073/pnas.2523388123" target="_blank" rel="noopener"><em>PNAS</em></a>, 19 de janeiro).</p>
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		<title>Fim de outro processo sobre as células HeLa</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Redação]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 08 Apr 2026 14:03:56 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Notas]]></category>
		<category><![CDATA[Ética]]></category>
		<category><![CDATA[Genética]]></category>
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					<description><![CDATA[Empresa farmacêutica faz acordo com a família de Henrieta Lacks, cujas células foram usadas em pesquisa por décadas]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<div id="attachment_580892" style="max-width: 810px" class="wp-caption alignright vertical"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-580892 size-full" src="https://revistapesquisa.fapesp.br/wp-content/uploads/2026/03/RPF-notas-celulas-hela-2026-04-800.jpg" alt="" width="800" height="873" srcset="https://revistapesquisa.fapesp.br/wp-content/uploads/2026/03/RPF-notas-celulas-hela-2026-04-800.jpg 800w, https://revistapesquisa.fapesp.br/wp-content/uploads/2026/03/RPF-notas-celulas-hela-2026-04-800-250x273.jpg 250w, https://revistapesquisa.fapesp.br/wp-content/uploads/2026/03/RPF-notas-celulas-hela-2026-04-800-700x764.jpg 700w, https://revistapesquisa.fapesp.br/wp-content/uploads/2026/03/RPF-notas-celulas-hela-2026-04-800-120x131.jpg 120w" sizes="auto, (max-width: 800px) 100vw, 800px" /><p class="wp-caption-text"><span class="media-credits-inline">NIH</span>Células HeLa (<em>núcleos em lilás</em>): dois processos ainda abertos<span class="media-credits">NIH</span></p></div>
<p>O grupo farmacêutico suíço Novartis resolveu um processo movido pelos herdeiros de Henrietta Lacks (1920-1951), encerrando as alegações de que lucrou com o uso de suas células sem permissão. A família alega enriquecimento ilícito e uso indevido da linhagem celular conhecida pela sigla HeLa, derivada de tecido retirado de Lacks, sem seu conhecimento ou consentimento, para desenvolver novos produtos. Quando Lacks buscou tratamento para câncer cervical em 1951, em Baltimore, nos Estados Unidos, os médicos usaram uma amostra de seu tumor para cultivar a primeira linhagem celular desse tipo, capaz de se dividir indefinidamente em laboratório. Desde então, as células HeLa têm sido bastante usadas na pesquisa biomédica, desde a vacina contra a poliomielite até tratamentos para o HIV e protetores solares. A Novartis e a família de Lacks fizeram uma declaração conjunta e se recusaram a fazer mais comentários. Em 2023, a empresa de biotecnologia Thermo Fisher Scientific resolveu reivindicações semelhantes por uma quantia não divulgada. Os processos contra a Ultragenyx Pharmaceutical e a Viatris permanecem pendentes (<em>Reuters</em>, 23 de fevereiro).</p>
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		<item>
		<title>Um dinossauro menor que uma galinha</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Redação]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 08 Apr 2026 14:01:34 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Notas]]></category>
		<category><![CDATA[Paleontologia]]></category>
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					<description><![CDATA[Fóssil encontrado na Argentina revela um dos menores dinossauros já registrados]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<div id="attachment_580902" style="max-width: 1150px" class="wp-caption alignright vertical"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-580902 size-full" src="https://revistapesquisa.fapesp.br/wp-content/uploads/2026/03/RPF-notas-Alnashetri-cerropoliciensis-2026-04-1140.jpg" alt="" width="1140" height="669" srcset="https://revistapesquisa.fapesp.br/wp-content/uploads/2026/03/RPF-notas-Alnashetri-cerropoliciensis-2026-04-1140.jpg 1140w, https://revistapesquisa.fapesp.br/wp-content/uploads/2026/03/RPF-notas-Alnashetri-cerropoliciensis-2026-04-1140-250x147.jpg 250w, https://revistapesquisa.fapesp.br/wp-content/uploads/2026/03/RPF-notas-Alnashetri-cerropoliciensis-2026-04-1140-700x411.jpg 700w, https://revistapesquisa.fapesp.br/wp-content/uploads/2026/03/RPF-notas-Alnashetri-cerropoliciensis-2026-04-1140-120x70.jpg 120w" sizes="auto, (max-width: 1140px) 100vw, 1140px" /><p class="wp-caption-text"><span class="media-credits-inline">MAKOVICHY, P. J. <em>et al</em>. <strong>Nature</strong>. 2026</span><em>Alnashetri cerropoliciensis</em>: focinho parecido com um bico e patas dianteiras curtas<span class="media-credits">MAKOVICHY, P. J. <em>et al</em>. <strong>Nature</strong>. 2026</span></p></div>
<p>Um dinossauro com menos de 1 quilograma (kg) corria entre outros, gigantes, há cerca de 95 milhões de anos por onde agora é a província de Neuquén, no norte da Patagônia argentina. Batizada de <em>Alnashetri cerropoliciensis</em>, a espécie é uma das menores já descritas entre os dinossauros não avícolas da América do Sul. O esqueleto quase completo permitiu a paleontólogos dos Estados Unidos e da Argentina fazerem uma reconstrução detalhada desse animal do grupo dos alvarezsaurídeos. A fêmea, apelidada de Alna, tinha um focinho parecido com um bico, patas dianteiras curtas e traseiras longas, com garras. A partir dos dentes, das adaptações para a escavação e de características sensoriais adaptadas à vida noturna, a hipótese é de que os alvarezsaurídeos se alimentavam de insetos sociais como cupins ou formigas. Alna, porém, era diferente, com dentes maiores que provavelmente lhe permitiriam caçar pequenos vertebrados. O grupo se espalhou pelo mundo antes de surgirem suas versões miniaturizadas, com patas reduzidas a um único dedo, várias vezes ao longo da evolução (<a href="https://www.nature.com/articles/s41586-026-10194-3" target="_blank" rel="noopener"><em>Nature</em></a>, 25 de fevereiro).</p>
]]></content:encoded>
					
		
		
			</item>
		<item>
		<title>Internações psiquiátricas em queda</title>
		<link>https://revistapesquisa.fapesp.br/internacoes-psiquiatricas-em-queda/?utm_source=rss&#038;utm_medium=rss&#038;utm_campaign=internacoes-psiquiatricas-em-queda</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Redação]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 08 Apr 2026 14:00:27 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Notas]]></category>
		<category><![CDATA[Psiquiatria]]></category>
		<category><![CDATA[Saúde Pública]]></category>
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					<description><![CDATA[Mudança no modelo de atendimento em saúde mental no SUS reduziu pela metade as internações psiquiátricas no Brasil]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>As alterações feitas no início deste século para atendimento psiquiátrico pelo Sistema Único de Saúde (SUS), com foco nos Centros de Atenção Psicossocial (Caps), têm se convertido em uma redução nas internações, de acordo com estudo da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). Foram 314.686 internações (315 a cada 100 mil pessoas) em 2008, diminuindo mais de 50% para 151.113 (151 a cada 100 mil) em 2022. A duração média das internações caiu de 45 para 22 dias. As quedas mais acentuadas se deram na região Sudeste, onde há mais Caps, enquanto na região Norte, onde as internações já eram raras, não houve muita diferença. O estudo estima que 70% da população vive em áreas com pouca ou nenhuma infraestrutura psiquiátrica. A maior parte das internações permanece ligada a distúrbios do espectro da esquizofrenia. Hospitalizações de homens são quase o dobro das de mulheres, sobretudo por causa do abuso de álcool e outras substâncias. As mulheres enfrentam mais distúrbios de humor, como depressão (<a href="https://www.thelancet.com/journals/lanam/article/PIIS2667-193X(26)00055-4/fulltext" target="_blank" rel="noopener"><em>The Lancet Regional Health</em></a>, abril).</p>
]]></content:encoded>
					
		
		
			</item>
		<item>
		<title>Amostras do ar expõem vírus de aves</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Redação]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 08 Apr 2026 13:58:57 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Notas]]></category>
		<category><![CDATA[Epidemiologia]]></category>
		<category><![CDATA[Saúde Pública]]></category>
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					<description><![CDATA[Método mostra que é possível detectar vírus perigosos em mercados de aves analisando o ar e as superfícies]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<div id="attachment_580936" style="max-width: 810px" class="wp-caption alignright vertical"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-580936 size-full" src="https://revistapesquisa.fapesp.br/wp-content/uploads/2026/03/RPF-notas-mercado-aves-2026-04-800.jpg" alt="" width="800" height="693" srcset="https://revistapesquisa.fapesp.br/wp-content/uploads/2026/03/RPF-notas-mercado-aves-2026-04-800.jpg 800w, https://revistapesquisa.fapesp.br/wp-content/uploads/2026/03/RPF-notas-mercado-aves-2026-04-800-250x217.jpg 250w, https://revistapesquisa.fapesp.br/wp-content/uploads/2026/03/RPF-notas-mercado-aves-2026-04-800-700x606.jpg 700w, https://revistapesquisa.fapesp.br/wp-content/uploads/2026/03/RPF-notas-mercado-aves-2026-04-800-120x104.jpg 120w" sizes="auto, (max-width: 800px) 100vw, 800px" /><p class="wp-caption-text"><span class="media-credits-inline">Nicolas Axelrod / Getty Images</span>Galinhas à venda no mercado Orussy, no centro de Phnom Penh, a capital do Camboja<span class="media-credits">Nicolas Axelrod / Getty Images</span></p></div>
<p>Está emergindo uma alternativa para procurar vírus causadores de doenças em aves vendidas em mercados de animais vivos, comuns na Ásia. Pesquisadores da Universidade Duke, nos Estados Unidos, e da Universidade de Cingapura mostraram que a coleta de amostras de ar, água, gaiolas e superfícies pode revelar uma ampla gama de vírus, mesmo quando não são detectados nas aves no momento da coleta. Foram coletadas 35 amostras de ar, da superfície da boca, faringe e cloaca (swab) de 30 galinhas e 29 de patos, 17 de resíduos em gaiolas, 17 da água de lavagem de carcaças e 9 de água potável entre janeiro de 2022 e abril de 2023 de um mercado de Phnom Penh e outro de Takeo, ambos no Camboja. As amostras de ar, analisadas por metagenômica, capturaram a maior diversidade de vírus de aves: 40 vírus de famílias patogênicas, incluindo o vírus influenza A/H5N1, altamente patogênico, não detectado nas amostras colhidas das aves. Amostras de ar coletadas perto de áreas de abate e de espera continham material viral de patógenos aviários. Se avançar, essa abordagem poderia reduzir o risco de transmissão de doenças para pessoas (<a href="https://www.nature.com/articles/s41467-025-68245-8" target="_blank" rel="noopener"><em>Nature Communications</em></a>, 12 de janeiro).</p>
]]></content:encoded>
					
		
		
			</item>
		<item>
		<title>Menos mata, menor a diversidade de peixes</title>
		<link>https://revistapesquisa.fapesp.br/menos-mata-menor-a-diversidade-de-peixes/?utm_source=rss&#038;utm_medium=rss&#038;utm_campaign=menos-mata-menor-a-diversidade-de-peixes</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Redação]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 08 Apr 2026 13:58:43 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Notas]]></category>
		<category><![CDATA[Biodiversidade]]></category>
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					<description><![CDATA[A retirada da vegetação nas margens de rios da Amazônia pode reduzir a diversidade de peixes]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<div id="attachment_580918" style="max-width: 1150px" class="wp-caption alignright vertical"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-580918 size-full" src="https://revistapesquisa.fapesp.br/wp-content/uploads/2026/03/RPF-notas-tamboata-2026-04-1140.jpg" alt="" width="1140" height="517" srcset="https://revistapesquisa.fapesp.br/wp-content/uploads/2026/03/RPF-notas-tamboata-2026-04-1140.jpg 1140w, https://revistapesquisa.fapesp.br/wp-content/uploads/2026/03/RPF-notas-tamboata-2026-04-1140-250x113.jpg 250w, https://revistapesquisa.fapesp.br/wp-content/uploads/2026/03/RPF-notas-tamboata-2026-04-1140-700x317.jpg 700w, https://revistapesquisa.fapesp.br/wp-content/uploads/2026/03/RPF-notas-tamboata-2026-04-1140-120x54.jpg 120w" sizes="auto, (max-width: 1140px) 100vw, 1140px" /><p class="wp-caption-text"><span class="media-credits-inline">CHUCAO / Wikimedia Commons</span>O tamboatá vive no fundo de rios de águas lentas ou paradas<span class="media-credits">CHUCAO / Wikimedia Commons</span></p></div>
<p>A perda das matas às margens de riachos da Amazônia, ao alterar os ambientes aquáticos, pode promover o desaparecimento de peixes. Algumas espécies que seriam mais afetadas são o tamboatá (<em>Callichthys callichthys</em>) e o muçum (<em>Synbranchus marmoratus</em>), ambos capazes de respirar fora d’água por períodos curtos de tempo; duas espécies de peixe-elétrico, o sarapó (<em>Gymnotus coropinae</em>) e o falso-peixe-faca-tigre (<em>G. javari</em>); o jundiá (<em>Rhamdia quelen</em>); e o ituí-transparente (<em>Eigenmannia virescens</em>). O biólogo Lucas Pires Oliveira, da Universidade Federal do Pará, examinou a relação entre a perda da mata ciliar e a diversidade de peixes em 23 riachos de duas reservas extrativistas e em outros 12 de uma área não protegida próxima a uma delas, todas no Acre, entre 2019 e 2024. As coletas reuniram 4.072 indivíduos de 127 espécies de peixes. Nos riachos das duas reservas viviam 75 e 60 espécies e na área não protegida, com maior perda de vegetação, 58. A perda da diversidade de espécies refletia a intensidade e a duração do desmatamento às margens dos riachos (<a href="https://www.sciencedirect.com/science/article/pii/S030147972600215X" target="_blank" rel="noopener"><em>Journal of Environmental</em><em> Management</em></a>, fevereiro).</p>
]]></content:encoded>
					
		
		
			</item>
		<item>
		<title>Diretor científico é reconduzido ao cargo</title>
		<link>https://revistapesquisa.fapesp.br/diretor-cientifico-e-reconduzido-ao-cargo/?utm_source=rss&#038;utm_medium=rss&#038;utm_campaign=diretor-cientifico-e-reconduzido-ao-cargo</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Redação]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 08 Apr 2026 13:57:24 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Notas]]></category>
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					<description><![CDATA[Marcio de Castro Silva Filho foi reconduzido ao cargo de diretor científico da FAPESP]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>Diretor científico desde 2023, Marcio de Castro Silva Filho foi reconduzido ao cargo em março. Ele encabeçava a lista tríplice de candidatos ao cargo elaborada pelo Conselho Superior da FAPESP em reunião realizada em 11 de fevereiro e sua nomeação foi oficializada em decreto publicado em 11 de março no <em>Diário Oficial do Estado de São Paulo</em>. Formado em engenharia agronômica, com mestrado em genética e melhoramento de plantas na Universidade Federal de Lavras (Ufla), em Minas Gerais, fez o doutorado em biologia molecular na Universidade de Louvain (1994), na Bélgica. Foi professor visitante na Universidade de Melbourne, na Austrália, e na Universidade Estadual de Ohio, nos Estados Unidos e presidente do Fórum Nacional de Pró-reitores de Pesquisa e Pós-graduação (Foprop). Na Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes), foi coordenador da área de Ciências Biológicas I, diretor de Relações Internacionais e de Programas e Bolsas no país. Atualmente, é professor titular do Departamento de Genética da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz da Universidade de São Paulo (Esalq-USP), em Piracicaba, e membro titular da Academia Brasileira de Ciências (ABC) e da Academia de Ciências do Estado de São Paulo (Aciesp).</p>
]]></content:encoded>
					
		
		
			</item>
		<item>
		<title>Cérebro ágil espanta demência</title>
		<link>https://revistapesquisa.fapesp.br/cerebro-agil-espanta-demencia/?utm_source=rss&#038;utm_medium=rss&#038;utm_campaign=cerebro-agil-espanta-demencia</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Redação]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 08 Apr 2026 13:55:39 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Notas]]></category>
		<category><![CDATA[Neurociência]]></category>
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					<description><![CDATA[Exercícios mentais que exigem raciocínio rápido, como alguns jogos e aplicativos, podem reduzir o risco de demência]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<div id="attachment_580946" style="max-width: 810px" class="wp-caption alignright vertical"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-580946 size-full" src="https://revistapesquisa.fapesp.br/wp-content/uploads/2026/03/RPF-notas-idoso-videogame-2026-04-800.jpg" alt="" width="800" height="709" srcset="https://revistapesquisa.fapesp.br/wp-content/uploads/2026/03/RPF-notas-idoso-videogame-2026-04-800.jpg 800w, https://revistapesquisa.fapesp.br/wp-content/uploads/2026/03/RPF-notas-idoso-videogame-2026-04-800-250x222.jpg 250w, https://revistapesquisa.fapesp.br/wp-content/uploads/2026/03/RPF-notas-idoso-videogame-2026-04-800-700x620.jpg 700w, https://revistapesquisa.fapesp.br/wp-content/uploads/2026/03/RPF-notas-idoso-videogame-2026-04-800-120x106.jpg 120w" sizes="auto, (max-width: 800px) 100vw, 800px" /><p class="wp-caption-text"><span class="media-credits-inline">herraez / Getty Images</span>Jogar videogame pode ajudar idosos a preservar os neurônios<span class="media-credits">herraez / Getty Images</span></p></div>
<p>Um estudo que começou no final da década de 1990, com 2.021 participantes que tinham 65 anos ou mais, sugere que exercícios de treinamento cerebral, incluindo certos videogames ou aplicativos de treinamento cerebral, podem reduzir o risco de demência se envolverem raciocínio rápido. Os participantes foram divididos em quatro grupos: ao longo de cinco ou seis semanas, em até 10 sessões de 60 a 75 minutos de duração, um grupo fez exercícios de treinamento de velocidade; outros dois, com a mesma frequência, completaram exercícios de memorização ou de raciocínio; e um quarto grupo (de controle) não fez nenhum exercício cognitivo. Vinte anos após o início do estudo, os pesquisadores da Universidade da Pensilvânia, junto com outras instituições dos Estados Unidos, verificaram que apenas os exercícios de treinamento de velocidade estavam associados a um risco 25% menor de receber um diagnóstico de demência. Em comparação, a doença foi tão comum nos outros dois grupos de treinamento quanto no grupo de controle, sugerindo que as tarefas de memória e raciocínio não tiveram efeito protetor. A descoberta poderia levar pesquisadores a desenvolver videogames para ajudar a preservar a função cognitiva dos usuários à medida que envelhecem (<a href="https://alz-journals.onlinelibrary.wiley.com/doi/10.1002/trc2.70197" target="_blank" rel="noopener"><em>Alzheimer’s &amp; Dementia</em></a>, fevereiro).</p>
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