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	<title>Revista Pesquisa Fapesp</title>
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		<title>Pesquisa FAPESP conquista o José Reis de 2026</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Redação]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 25 May 2026 15:42:30 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Ciência]]></category>
		<category><![CDATA[Notas]]></category>
		<category><![CDATA[Notícias]]></category>
		<category><![CDATA[Comunicação]]></category>
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					<description><![CDATA[Prêmio promovido pelo CNPq reconhece a qualidade e a trajetória da publicação]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>Em maio, <em>Pesquisa FAPESP</em> foi reconhecida com a 46ª edição do Prêmio José Reis de Divulgação Científica e Tecnológica, o mais prestigiado do país, na categoria Instituição e Veículo de Comunicação. O vencedor na categoria Jornalista em Ciência e Tecnologia foi Bernardo Esteves, autor de livros e estudos acadêmicos nessa área e repórter da revista <em>piauí</em>. A revista competiu com outros 20 candidatos e Esteves com 24.</p>
<p>Promovido pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), o prêmio consiste em diploma, medalha e, para o jornalista, R$ 20 mil. A cerimônia de premiação ocorrerá em julho durante a 78ª Reunião Anual da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC), a ser realizada este ano em Niterói (RJ).</p>
<p>Em 2000, a FAPESP já havia ganhado o 20º Prêmio José Reis de Divulgação Científica, ao qual concorreram 34 candidatos, também na categoria Instituição e Veículo de Comunicação, em reconhecimento ao seu trabalho de divulgação científica, expresso pela revista. Em 2020, o editor de Ciências da Terra, Carlos Fioravanti, ganhou como Jornalista em Ciência e Tecnologia.</p>
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  </picture><span class="embed media-credits-inline">Alexandre Affonso / Revista Pesquisa FAPESP</span>
<p>Durante seus 27 anos de existência, a revista e os jornalistas receberam por suas reportagens quatro prêmios internacionais e 33 nacionais. Reportagens de <em>Pesquisa FAPESP</em> conquistaram, em 2009, o Stop TB Partnership Award for Excellence in Reporting on Tuberculosis, promovido pela Organização Mundial da Saúde (OMS), e, em 2010, o primeiro lugar no Biodiversity Reporting Award – International Category, promovido pela Conservation International (CI). A revista ganhou 11 vezes as versões nacionais do prêmio da CI.</p>
<p><em>Pesquisa FAPESP</em> foi lançada em outubro de 1999 com 44 páginas e tiragem de 22 mil exemplares. Nos anos seguintes o número de páginas foi para 100, com 28 mil exemplares. A cobertura, além dos projetos apoiados pela FAPESP, começou a incluir resultados de pesquisas feitas em outros estados.</p>
<p>Todo o material produzido pela publicação, desde o seu início, está disponível com acesso aberto em www.revistapesquisa.fapesp.br. Lá estão as edições regulares em português e também em inglês, espanhol e francês, suplementos especiais e todos os vídeos e podcasts produzidos.</p>
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			</item>
		<item>
		<title>Fonética forense é usada para analisar vozes e auxiliar investigações criminais</title>
		<link>https://revistapesquisa.fapesp.br/fonetica-forense-e-usada-para-analisar-vozes-e-auxiliar-investigacoes-criminais/?utm_source=rss&#038;utm_medium=rss&#038;utm_campaign=fonetica-forense-e-usada-para-analisar-vozes-e-auxiliar-investigacoes-criminais</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Mônica Manir]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 25 May 2026 12:57:56 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Humanidades]]></category>
		<category><![CDATA[Engenharia]]></category>
		<category><![CDATA[Linguística]]></category>
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					<description><![CDATA[Especialistas comparam locutores em gravações de áudio e enfrentam desafios como semelhança entre falas e qualidade dos registros sonoros]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>Ramo da linguística dedicado ao estudo dos sons da fala humana, a fonética tem uma subárea que vem ganhando espaço não apenas na academia como também entre peritos criminais: a fonética forense. Trata-se da aplicação de técnicas de análise de fala para caracterizar quem está falando em gravações obtidas pela polícia e, a partir disso, utilizar essas informações como evidência em investigações. A possibilidade de empregar conhecimento científico em uma prática concreta atrai não apenas especialistas do próprio campo da linguística, como também de outras áreas, como engenharia. “É importante para nós, linguistas, ter esse olhar voltado à aplicação dos nossos estudos na solução de demandas sociais”, afirma Cláudia Regina Brescancini, do Programa de Pós-graduação em Letras da Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUC-RS).</p>
<p>A “comparação de locutor” é a aplicação mais tradicional da fonética forense. O método consiste em confrontar uma amostra de autoria desconhecida – chamada de questionada, como um áudio de escuta telefônica – com a voz de um ou mais suspeitos por um crime, denominada amostra de referência ou padrão. Com base em estudos de anatomia do trato vocal, da análise acústica e de informações sobre o contexto em que vivem os indivíduos, é possível avaliar a probabilidade de que as duas amostras pertençam, ou não, à mesma pessoa.</p>
<p>Como sociolinguista, Brescancini se dedica ao estudo das variações sonoras, ou seja, variações de pronúncia que não afetam o significado das palavras ou frases e que são motivadas por fatores tanto linguísticos quanto sociais. Uma dessas questões é a geográfica, relacionada às diferentes colonizações de uma região. Nesse cenário, o português falado no Brasil representa um desafio para a fonética forense. “Nosso país é um baú de sotaques”, constata a pesquisadora. Ela destaca o “s” chiado, característico da influência portuguesa e açoriana em cidades como Rio de Janeiro, Recife e Florianópolis, e o chamado “r” caipira, típico do interior paulista, do sul de Minas Gerais e de Goiás.</p>
<p>Porém as variações sonoras não são determinadas apenas pelo local onde se vive. Pessoas com maior nível de escolaridade, por exemplo, tendem a apresentar padrões linguísticos distintos daquelas com menor escolaridade. Há ainda diferenças associadas ao gênero. Em geral, a voz masculina apresenta mais nasalidade e crepitância, enquanto a feminina tende à soprosidade, à suavidade. Além disso, isso o fato de que muitas pessoas circulam pelo país incorporando sotaques. “A migração traz um tempero a mais nessa variação”, afirma Brescancini. No caso de suspeitos por crimes, o histórico de confinamento por longos períodos em penitenciárias acrescenta outra complexidade: o contato de diferentes dialetos em razão do convívio entre presos de origens diversas.</p>
<p>Além da similaridade, os peritos precisam considerar a tipicidade: o grau de raridade de um determinado traço linguístico. Mesmo quando há forte semelhança entre os áudios comparados, se as características observadas no material questionado forem comuns na população à qual se supõe que o suspeito pertença, o valor probatório da evidência diminui. Brescancini é coautora de um artigo sobre tipicidade publicado em 2024 no periódico <em>Cadernos de Estudos Linguísticos</em>, da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp). “Na comparação de locutor, é preciso avaliar em que medida similaridade e tipicidade sustentam a hipótese de que duas amostras provenham do mesmo aparelho fonador, ou seja, da mesma pessoa”, diz. “A resposta será sempre em termos de probabilidade.”</p>
<p>Diante desse cenário, Brescancini e a perita criminal Cíntia Schivinscki Gonçalves, doutora em linguística pela PUC-RS, vêm desenvolvendo um método voltado a auxiliar peritos oficiais no tratamento das variações sonoras. A primeira versão da proposta virou um dos capítulos do livro<em> Análise fonético-forense: Em tarefa de comparação de locutor</em> (Editora Millennium, 2020), coorganizado pelo linguista Plínio Barbosa, do Instituto de Estudos da Linguagem da Unicamp, onde coordena o Grupo de Estudos de Fonética Forense (Geff).</p>
<p>Fruto da parceria entre o Geff e a Escola Superior do Ministério Público de São Paulo, a obra é resultado de projeto realizado por Barbosa entre 2016 e 2018 na Unicamp com apoio da FAPESP. Primeiro, o livro apresenta os procedimentos para o ensino sistemático e a aplicação da análise de comparação de locutor no contexto forense. Na sequência, pesquisadores detalham técnicas fonético-acústicas ou sociolinguísticas relacionadas a esse tipo de comparação.</p>
<p><img fetchpriority="high" decoding="async" width="1140" height="1061" class="vertical size-full wp-image-584756 alignright" src="https://revistapesquisa.fapesp.br/wp-content/uploads/2026/05/rpf-Fonetica-forense-2026-06-800.jpg" alt="" srcset="https://revistapesquisa.fapesp.br/wp-content/uploads/2026/05/rpf-Fonetica-forense-2026-06-800.jpg 1140w, https://revistapesquisa.fapesp.br/wp-content/uploads/2026/05/rpf-Fonetica-forense-2026-06-800-250x233.jpg 250w, https://revistapesquisa.fapesp.br/wp-content/uploads/2026/05/rpf-Fonetica-forense-2026-06-800-700x651.jpg 700w, https://revistapesquisa.fapesp.br/wp-content/uploads/2026/05/rpf-Fonetica-forense-2026-06-800-120x112.jpg 120w" sizes="(max-width: 1140px) 100vw, 1140px" /><span class="media-credits-inline">Julia Jabur</span></p>
<p>Para Barbosa, o principal desafio da fonética forense enquanto ciência é a busca por parâmetros de comparação mais robustos. Ele ressalta que houve avanço na área com a popularização de áudios obtidos por aplicativos de mensagem, como o WhatsApp. “Antigamente, a maioria das amostras vinha da telefonia fixa ou do celular, cujas bandas alcançam no máximo 3.400 Hertz (Hz) de frequência”, conta. Esse limite dificultava a análise de segmentos que podem ser diferenciadores de indivíduos, como a pronúncia do “s”, que ultrapassa essa faixa. A frequência do WhatsApp, de até 8 mil Hz, ampliou o espectro da investigação.</p>
<p>O efeito da transmissão telefônica na fala foi objeto de estudo da linguista Renata Passetti tanto no mestrado (2015) quanto no doutorado (2018) realizados na Unicamp, ambos com apoio da FAPESP. “Quando nos comunicamos pelo telefone, adotamos inconscientemente algumas modificações acústicas e prosódicas que caracterizam esse tipo de interação”, afirma a pesquisadora. Prosódia é o componente da linguagem oral relacionado à sua musicalidade, que abrange aspectos como ritmo e acentuação, ajudando a transmitir emoções e intenções.</p>
<p>Passetti também investigou bancos de dados de língua portuguesa no Brasil, destacando seu potencial como apoio para a comparação de locutor na avaliação da tipicidade de traços linguísticos. Esses acervos reúnem tanto registros brutos de fala do português brasileiro quanto atlas linguísticos, nos quais os dados já foram sistematizados e analisados. O levantamento desse material é realizado principalmente por linguistas, dialetólogos e geolinguistas vinculados a centros de pesquisa.</p>
<p>A pesquisadora assina com os linguistas Pablo Arantes e Daniel Fonseca Vieira, ambos da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar), um artigo publicado em 2025 no qual avaliam acervos que registram variações em diferentes níveis da língua: o lexical (diferenças no vocabulário usado para expressar o mesmo conceito, sem alteração de sentido), o sintático (variações na construção, organização e ordem das palavras em frases e orações) e o conversacional (a adaptação da língua ao contexto, ao falante e ao grupo social). “Dos 45 acervos analisados, apenas 13 possuem áudios, material essencial para a fonética forense, e 46% dessa parcela estão concentrados no Sudeste”, informa Arantes, coordenador do Laboratório de Fonética da UFSCar. “Não identificamos acervos com amostras de áudio provenientes de falantes das regiões Centro-Oeste e Norte.”</p>
<blockquote><p>A Polícia Federal tem promovido cursos na área, com a participação de pesquisadores brasileiros</p></blockquote>
<p>Nos Países Baixos, um dos centros de referência mundial em fonética forense, há um conhecimento acústico avançado dos diferentes modos de falar, resultado sobretudo do trabalho do Instituto Forense dos Países Baixos (NFI, na sigla em inglês), em Haia, vinculado ao Ministério da Segurança e Justiça. A Suécia também abriga um centro de excelência: o Instituto Real de Tecnologia (KTH), em Estocolmo, que vem avançando no reconhecimento de falantes com o uso de inteligência artificial (IA).</p>
<p>É no KTH que Julio Cesar Cavalcanti realiza atualmente estágio de pós-doutorado, com apoio da FAPESP, como desdobramento de sua pesquisa na Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP). Com doutorado em linguística pela Unicamp, defendido em 2021, ele tem analisado a transparência dos modelos de IA aplicados à identificação de autoria de voz. “Há um problema ético em permitir que uma máquina ou um modelo de IA incrimine um ser humano sem que se compreendam exatamente os critérios utilizados para chegar a essa conclusão”, alerta.</p>
<p>Em artigo publicado em 2024 no periódico <em>Frontiers in Artificial Intelligence</em>, Cavalcanti, Barbosa, o linguista sueco Anders Eriksson, da Universidade de Estocolmo, e o perito da Polícia Federal (PF) Ronaldo Rodrigues da Silva analisaram gravações de 20 pares de gêmeos idênticos do sexo masculino em diálogos e entrevistas espontâneas. Os resultados evidenciam o desafio significativo que gêmeos idênticos impõem aos sistemas automáticos de reconhecimento de falantes, uma tecnologia de IA voltada à comparação de vozes com base em características acústicas individuais. Segundo o estudo, vozes humanas carregam marcas individualizantes importantes, mas o caso dos gêmeos idênticos mostra que essa individualidade não deve ser tratada como absoluta. “Há diferentes graus de semelhança vocal, e algumas vozes podem ser especialmente difíceis de distinguir até mesmo pela IA”, comenta Cavalcanti.</p>
<p><img decoding="async" width="1140" height="696" class="aligncenter size-full wp-image-584764" src="https://revistapesquisa.fapesp.br/wp-content/uploads/2026/05/rpf-Fonetica-forense-2026-06-1140-2.jpg" alt="" srcset="https://revistapesquisa.fapesp.br/wp-content/uploads/2026/05/rpf-Fonetica-forense-2026-06-1140-2.jpg 1140w, https://revistapesquisa.fapesp.br/wp-content/uploads/2026/05/rpf-Fonetica-forense-2026-06-1140-2-250x153.jpg 250w, https://revistapesquisa.fapesp.br/wp-content/uploads/2026/05/rpf-Fonetica-forense-2026-06-1140-2-700x427.jpg 700w, https://revistapesquisa.fapesp.br/wp-content/uploads/2026/05/rpf-Fonetica-forense-2026-06-1140-2-120x73.jpg 120w" sizes="(max-width: 1140px) 100vw, 1140px" /><span class="media-credits-inline">Julia Jabur</span>Por causa de desafios assim, desde 2007, a PF oferece cursos de capacitação em comparação de locutor, com participação de universidades brasileiras, entre elas Unicamp, PUC-SP, PUC-RS, UFSCar e Universidade de Brasília (UnB). Até o momento, foram realizados cinco ciclos de formação, com intervalos médios de dois anos entre eles, ministrados no Instituto Nacional de Criminalística (INC), em Brasília, com a participação do Serviço de Perícias em Audiovisual e Eletrônicos do próprio instituto.</p>
<p>Os cursos são voltados aos peritos da PF e também aos que atuam nos institutos de criminalística dos governos estaduais e do Distrito Federal. O mais recente ocorreu entre 2021 e 2023. Nessas formações, os profissionais aprendem a analisar registros de áudio por meio de softwares de análise acústica, como o Praat (“falar”, em holandês), e, em uma etapa posterior, recebem instruções de pesquisadores sobre linguística, fonética, sociolinguística e etiquetagem, processo que consiste em converter o sinal sonoro em dados anotados, permitindo comparações mais sistemáticas.</p>
<p>Além disso, os peritos analisam a qualidade vocal, tema central das pesquisas da linguista Sandra Madureira, do Programa de Pós-graduação em Linguística Aplicada e Estudos da Linguagem da PUC-SP. “A singularidade de cada voz não resulta apenas da vibração das pregas vocais, mas também da maneira recorrente como posicionamos os órgãos articulatórios da fala, como os lábios”, explica Madureira, uma das líderes do Grupo de Pesquisa em Estudos sobre a Fala, da mesma instituição. “A voz é influenciada ainda por fatores fisiológicos, como o prognatismo [projeção da mandíbula, por exemplo], e por hábitos, como o tabagismo.”</p>
<p>Madureira, Barbosa, Passetti, Arantes e Brescancini lecionaram em cursos da PF, mas, por força da legislação, não poderiam ingressar na carreira de perito criminal federal, caso desejassem. O Decreto nº 5.116, de 24 de junho de 2004, não inclui linguistas e fonoaudiólogos entre as formações habilitadas para o cargo.</p>
<p>Segundo o engenheiro elétrico André Luiz da Costa Morisson, chefe do Serviço de Perícias em Audiovisual e Eletrônicos da PF, seis peritos federais especializados em fonética forense, todos com formação em engenharia, compõem hoje a equipe do órgão. “Produzimos cerca de 50 laudos por ano”, contabiliza. O espectro de apurações abrange desde crimes eleitorais e tráfico de drogas a casos de abuso sexual infantil e difamação. “Nossas conclusões não se baseiam em resultados categóricos, mas em avaliações de natureza probabilística”, diz.</p>
<p>Morisson explica que todo resultado de perícia apresenta uma escala de probabilidade de nove pontos, que vai do &#8211; 4 (quando é muitíssimo mais provável que a evidência seja obtida caso as amostras padrão e questionada pertençam a pessoas diferentes) ao + 4 (quando é muitíssimo mais provável que a evidência seja obtida caso as amostras pertençam à mesma pessoa). O zero seria inconclusivo.</p>
<p>Nesse sentido, os pesquisadores ouvidos para esta reportagem ressaltam de forma unânime que, apesar dos avanços na precisão da técnica, os resultados da fonética forense devem ser interpretados como parte de um quadro mais amplo de evidências. “A comparação de locutor é um elemento adicional na investigação, não o único. É fundamental considerar outros vestígios, que, em conjunto com a voz, ajudam a compor o contexto do crime”, conclui Arantes.</p>
<p class="bibliografia separador-bibliografia"><strong>Projetos</strong><br />
<strong>1.</strong> Análise fonético-acústica multidimensional em gêmeos idênticos e sujeitos não geneticamente relacionados: Implicações para a comparação forense de locutor em diferentes dialetos e estilos de elocução (<a href="https://bv.fapesp.br/pt/bolsas/213799/analise-fonetico-acustica-multidimensional-em-gemeos-identicos-e-sujeitos-nao-geneticamente-relacion/?q=23/11070-1" target="_blank" rel="noopener">nº 23/11070-1</a>); <strong>Modalidade</strong> Bolsa de Pós-doutorado; <strong>Pesquisadora responsável</strong> Sandra Madureira (PUC-SP); <strong>Bolsista</strong> Julio Cesar Cavalcanti de Oliveira.<br />
<strong>2.</strong> Explorando o potencial do reconhecimento automático de falantes usando inteligência artificial e dados de gêmeos: Implicações para as ciências forenses e da fala (<a href="https://bv.fapesp.br/pt/bolsas/223158/explorando-o-potencial-do-reconhecimento-automatico-de-falantes-usando-inteligencia-artificial-e-dad/?q=24/06797-2" target="_blank" rel="noopener">nº 24/06797-2</a>); <strong>Modalidade</strong> Estágio de Pesquisa no Exterior – Pós-doutorado; <strong>Pesquisadora responsável</strong> Sandra Madureira (PUC-SP); <strong>Bolsista</strong> Julio Cesar Cavalcanti de Oliveira.<br />
<strong>3.</strong> Estudo acústico-perceptual do estilo de fala telefônico com implicações para a verificação de locutor em português brasileiro (<a href="https://bv.fapesp.br/pt/bolsas/160587/estudo-acustico-perceptual-do-estilo-de-fala-telefonico-com-implicacoes-para-a-verificacao-de-locuto/?q=15/12174-9" target="_blank" rel="noopener">nº 15/12174-9</a>); <strong>Modalidade</strong> Bolsa de Doutorado; <strong>Pesquisador responsável</strong> Plínio Almeida Barbosa (Unicamp); <strong>Bolsista</strong> Renata Regina Passetti.<br />
<strong>4.</strong> Análise fonético-acústica e elaboração de protocolo para comparação de locutor em casos forenses (<a href="https://bv.fapesp.br/pt/auxilios/94230/analise-fonetico-acustica-e-elaboracao-de-protocolo-para-comparacao-de-locutor-em-casos-forenses/?q=16/09530-0" target="_blank" rel="noopener">nº 16/09530-0</a>); <strong>Modalidade</strong> Auxílio à Pesquisa – Regular; <strong>Pesquisador responsável</strong> Plínio Almeida Barbosa (Unicamp).</p>
<p class="bibliografia"><strong>Artigos científicos</strong><br />
CAVALCANTI, J. C. <em>et al</em>. <a href="https://www.frontiersin.org/journals/artificial-intelligence/articles/10.3389/frai.2024.1287877/full" target="_blank" rel="noopener">Exploring the performance of automatic speaker recognition using twin speech and deep learning-based artificial neural networks</a>. <strong>Frontiers in Artificial Intelligence</strong>, 2024<br />
PASSETTI, R. R. e CONSTANTINI, A. C. <a href="https://www.sciencedirect.com/science/article/abs/pii/S0892199717305696" target="_blank" rel="noopener">The effect of telephone transmission on voice quality perception</a>. <strong>Journal of Voice</strong>, 2019.<br />
PASSETTI, R. <em>et al.</em> <a href="https://periodicos.sbu.unicamp.br/ojs/index.php/cel/article/view/8675468" target="_blank" rel="noopener">Tipicidade e qualidade de voz: Considerações metodológicas sobre o controle de critérios sociolinguísticos, fonéticos e de voz</a>. <strong>Cadernos de Estudos Linguísticos</strong>, 2024.<br />
VIEIRA D. F. <a href="https://openurl.ebsco.com/openurl?sid=ebsco:plink:scholar&amp;id=ebsco:gcd:191618886&amp;crl=c" target="_blank" rel="noopener">Possibilidades de uso de acervos de dados do português brasileiro em Fonética Forense</a>. <strong>Domínios de Linguagem</strong>, 2025.</p>
<p class="bibliografia"><strong>Livro</strong><br />
BARBOSA P. A. <em>et al.</em> (Org.) <strong>Análise fonético-forense: em tarefa de comparação de locutor</strong>. São Paulo: Millennium, 2020.</p>
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			</item>
		<item>
		<title>Indígenas usam drones para revelar cidades ancestrais na Amazônia</title>
		<link>https://revistapesquisa.fapesp.br/indigenas-usam-drones-para-revelar-cidades-ancestrais-na-amazonia/?utm_source=rss&#038;utm_medium=rss&#038;utm_campaign=indigenas-usam-drones-para-revelar-cidades-ancestrais-na-amazonia</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Redação]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 24 May 2026 14:03:35 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Vídeos]]></category>
		<category><![CDATA[Arqueologia]]></category>
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					<description><![CDATA[Tecnologia Lidar ajuda povo Kuikuro a mapear vestígios arqueológicos escondidos sob a floresta no Xingu &#124; 5'33]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p><iframe title="YouTube video player" src="https://www.youtube.com/embed/jcrz3BAYi40?si=HcmohkUze12aDx90" width="560" height="315" frameborder="0" allowfullscreen="allowfullscreen"></iframe></p>
<p>Tecnologia Lidar ajuda povo Kuikuro a <a href="https://revistapesquisa.fapesp.br/tecnologia-a-laser-enxerga-milenios-de-ocupacao-humana-na-amazonia/" target="_blank" rel="noopener">mapear vestígios arqueológicos escondidos sob a floresta no Xingu.</a></p>
]]></content:encoded>
					
		
		
			</item>
		<item>
		<title>Bruno Cogliati</title>
		<link>https://revistapesquisa.fapesp.br/bruno-cogliati-2/?utm_source=rss&#038;utm_medium=rss&#038;utm_campaign=bruno-cogliati-2</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Pesquisa Brasil]]></dc:creator>
		<pubDate>Sat, 23 May 2026 20:14:24 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Entrevistas]]></category>
		<category><![CDATA[Imunologia]]></category>
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					<description><![CDATA[Técnica experimental modifica células de defesa para combater fibrose no fígado]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<div
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<p><a href="https://revistapesquisa.fapesp.br/tecnica-experimental-modifica-celulas-de-defesa-no-proprio-organismo-para-combater-fibrose-no-figado/" target="_blank" rel="noopener">Técnica experimental modifica células de defesa para combater fibrose no fígado.</a></p>
<p><em>Apresentação</em>: Fabrício Marques<br />
<em>Produção, roteiro e edição</em>: Sarah Caravieri</p>
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		<item>
		<title>Rosangela Botelho</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Pesquisa Brasil]]></dc:creator>
		<pubDate>Sat, 23 May 2026 20:12:30 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Entrevistas]]></category>
		<category><![CDATA[Ambiente]]></category>
		<category><![CDATA[Biologia]]></category>
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					<description><![CDATA[Classificação do relevo brasileiro inclui montanhas, ao lado de planaltos e planícies]]></description>
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<p>Classificação do relevo brasileiro <a href="https://revistapesquisa.fapesp.br/geografos-reconhecem-as-montanhas-do-brasil/" target="_blank" rel="noopener">inclui montanhas, ao lado de planaltos e planícies.</a></p>
<p><em>Apresentação</em>: Fabrício Marques<br />
<em>Produção, roteiro e edição</em>: Sarah Caravieri</p>
]]></content:encoded>
					
		
		
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		<item>
		<title>Rafaela Campostrini Forzza</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Pesquisa Brasil]]></dc:creator>
		<pubDate>Sat, 23 May 2026 20:10:46 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Entrevistas]]></category>
		<category><![CDATA[Ambiente]]></category>
		<category><![CDATA[Biologia]]></category>
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		<category><![CDATA[Geografia]]></category>
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					<description><![CDATA[Expedições revelam a riqueza da biodiversidade das áreas mais altas da Amazônia]]></description>
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<p>Expedições revelam a riqueza da <a href="https://revistapesquisa.fapesp.br/geografos-reconhecem-as-montanhas-do-brasil/" target="_blank" rel="noopener">biodiversidade das áreas mais altas da Amazônia.</a></p>
<p><em>Apresentação</em>: Fabrício Marques<br />
<em>Produção, roteiro e edição</em>: Sarah Caravieri</p>
]]></content:encoded>
					
		
		
			</item>
		<item>
		<title>Marcos Marcon</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Pesquisa Brasil]]></dc:creator>
		<pubDate>Sat, 23 May 2026 20:09:29 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Entrevistas]]></category>
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					<description><![CDATA[Quais são as características de pequenas e médias empresas inovadoras que exportam]]></description>
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<p>Quais são as <a href="https://revistapesquisa.fapesp.br/estudo-identifica-caracteristicas-de-pequenas-e-medias-empresas-inovadoras-que-exportam/" target="_blank" rel="noopener">características de pequenas e médias empresas inovadoras que exportam.</a></p>
<p><em>Apresentação</em>: Fabrício Marques<br />
<em>Produção, roteiro e edição</em>: Sarah Caravieri</p>
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			</item>
		<item>
		<title>Lucas Pires de Oliveira</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Pesquisa Brasil]]></dc:creator>
		<pubDate>Sat, 23 May 2026 20:06:05 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Entrevistas]]></category>
		<category><![CDATA[Biodiversidade]]></category>
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					<description><![CDATA[Perda de matas ciliares reduz diversidade de peixes em riachos do estado do Acre]]></description>
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<p>Perda de matas ciliares <a href="https://revistapesquisa.fapesp.br/menos-mata-menor-a-diversidade-de-peixes/" target="_blank" rel="noopener">reduz diversidade de peixes em riachos do estado do Acre.</a></p>
<p><em>Apresentação</em>: Fabrício Marques<br />
<em>Produção, roteiro e edição</em>: Sarah Caravieri</p>
]]></content:encoded>
					
		
		
			</item>
		<item>
		<title>O Brasil das montanhas</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Pesquisa Brasil]]></dc:creator>
		<pubDate>Sat, 23 May 2026 19:51:22 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Pesquisa Inovativa em Pequenas Empresas (PIPE)]]></category>
		<category><![CDATA[Podcast Pesquisa Brasil]]></category>
		<category><![CDATA[Ambiente]]></category>
		<category><![CDATA[Biodiversidade]]></category>
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					<description><![CDATA[Podcast expõe um debate científico sobre a classificação do relevo do país. E mais: reprogramação de células; competitividade; ecossistemas aquáticos]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<div
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          20:33          Rosangela Botelho        </li>
              <li data-position="2170">
          36:10          Rafaela Campostrini Forzza        </li>
              <li data-position="2886">
          48:06          Marcos Marcon        </li>
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          63:21          Lucas Pires de Oliveira        </li>
          </ul>
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<p><strong>Bruno Cogliati</strong>: <a href="https://revistapesquisa.fapesp.br/tecnica-experimental-modifica-celulas-de-defesa-no-proprio-organismo-para-combater-fibrose-no-figado/" target="_blank" rel="noopener">Técnica experimental modifica células de defesa para combater fibrose no fígado.</a></p>
<p><strong>Rosangela Botelho</strong>: <a href="https://revistapesquisa.fapesp.br/geografos-reconhecem-as-montanhas-do-brasil/" target="_blank" rel="noopener">Classificação do relevo brasileiro inclui montanhas, ao lado de planaltos e planícies.</a></p>
<p><strong>Rafaela Campostrini Forzza</strong>: <a href="https://revistapesquisa.fapesp.br/geografos-reconhecem-as-montanhas-do-brasil/" target="_blank" rel="noopener">Expedições revelam a riqueza da biodiversidade das áreas mais altas da Amazônia.</a></p>
<p><strong>Marcos Marcon</strong>: <a href="https://revistapesquisa.fapesp.br/estudo-identifica-caracteristicas-de-pequenas-e-medias-empresas-inovadoras-que-exportam/" target="_blank" rel="noopener">Quais são as características de pequenas e médias empresas inovadoras que exportam.</a></p>
<p><strong>Lucas Pires de Oliveira</strong>: <a href="https://revistapesquisa.fapesp.br/menos-mata-menor-a-diversidade-de-peixes/" target="_blank" rel="noopener">Perda de matas ciliares reduz diversidade de peixes em riachos do estado do Acre.</a></p>
<p><em>Apresentação</em>: Fabrício Marques<br />
<em>Produção, roteiro e edição</em>: Sarah Caravieri</p>
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		<title>Cupins machos e fêmeas diferem nas funções e na organização do cérebro</title>
		<link>https://revistapesquisa.fapesp.br/cupins-machos-e-femeas-diferem-nas-funcoes-e-na-organizacao-do-cerebro/?utm_source=rss&#038;utm_medium=rss&#038;utm_campaign=cupins-machos-e-femeas-diferem-nas-funcoes-e-na-organizacao-do-cerebro</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Guilherme Costa]]></dc:creator>
		<pubDate>Sat, 23 May 2026 12:57:34 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Ciência]]></category>
		<category><![CDATA[Biologia]]></category>
		<category><![CDATA[Genética]]></category>
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					<description><![CDATA[Estudo revela que a divisão de tarefas baseada no sexo está ligada à arquitetura cerebral e à expressão gênica desses insetos]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>Durante semanas, o biólogo Iago Bueno da Silva frequentou áreas de mata no <em>campus</em> da Universidade de São Paulo (USP), em Ribeirão Preto, com um caderno na mão e uma lanterna na cabeça. Sua busca era por cupins da espécie <em>Syntermes dirus</em>, insetos que só ocorrem na região neotropical e são considerados engenheiros do ecossistema por seu papel na reciclagem de matéria orgânica e na modificação do solo, embora ainda pouco compreendidos pela ciência. No Brasil, eles são encontrados em regiões de Cerrado e Mata Atlântica.</p>
<p>Acompanhado de um sapo que aparecia quase toda noite, a cada 15 minutos da Silva, então pesquisador em estágio de pós-doutorado da Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras de Ribeirão Preto (FFCLRP) da USP, monitorava 27 entradas de três colônias diferentes, querendo entender se machos e fêmeas de cupins operários tinham atividades distintas. “Quando o inseto faz tarefas fora da colônia, lidando com uma diversidade de estímulos, isso pode refletir em um cérebro mais desenvolvido”, explica. Essa relação entre comportamento e estrutura cerebral já havia sido identificada em abelhas, formigas e vespas, mas os cupins seguiam à margem dessas investigações. A tarefa é mais difícil por existirem representantes dos dois sexos em cada casta, o que não acontece nos outros insetos sociais.</p>
<p>Os resultados das noites de campo, publicados em abril na revista científica <em>iScience</em>, mostram que a região do cérebro chamada complexo central, associada ao processamento de informações espaciais e que auxilia na orientação e navegação no ambiente externo, é proporcionalmente maior nos machos. A diferença acompanha a função: são eles que deixam o ninho à noite para forragear (buscar fragmentos de folhas para a colônia), enfrentando predadores, variações de temperatura e um terreno desconhecido. Como são cegos, os cupins se orientam por vibrações e pelo olfato, detectando sinais químicos do ambiente com as antenas.</p>
<p>As fêmeas, por sua vez, apresentam esse centro neural menos desenvolvido e permanecem próximo à entrada, trabalhando na construção do ninho. “O cérebro é um órgão extremamente plástico, sujeito a variações que refletem o que o bicho está fazendo”, explica o biólogo Fábio Nascimento, da FFCLRP-USP e um dos autores do estudo. “Quando o inseto começa uma atividade, vários subcompartimentos do cérebro ainda não estão desenvolvidos e são os estímulos que aumentam as conexões, resultando em um volume ampliado de determinada região cerebral.”</p>
<p>Para compreender a plasticidade cerebral dos cupins, os pesquisadores combinaram observações nas entradas do ninho, análise genética e, no cérebro, dissecaram e marcaram com anticorpos que se ligam às proteínas envolvidas nas sinapses (as conexões entre neurônios), tornando visíveis as regiões ativas. Em seguida, a equipe escaneou os órgãos por microscopia confocal, técnica que gera fatias sequenciais do tecido e permite reconstruir o órgão em três dimensões. Com isso, os pesquisadores conseguiram calcular o volume de regiões específicas, como os lobos antenais, associados à percepção olfativa, os corpos pedunculados, ligados à memória e ao aprendizado, e o complexo central, relacionado à navegação e à orientação – justamente a região que se mostrou mais desenvolvida nos machos.</p>
<div id="attachment_584776" style="max-width: 810px" class="wp-caption alignright vertical"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-584776 size-full" src="https://revistapesquisa.fapesp.br/wp-content/uploads/2026/05/RPF-cupim-esquema-2026-06-800.jpg" alt="" width="800" height="734" srcset="https://revistapesquisa.fapesp.br/wp-content/uploads/2026/05/RPF-cupim-esquema-2026-06-800.jpg 800w, https://revistapesquisa.fapesp.br/wp-content/uploads/2026/05/RPF-cupim-esquema-2026-06-800-250x229.jpg 250w, https://revistapesquisa.fapesp.br/wp-content/uploads/2026/05/RPF-cupim-esquema-2026-06-800-700x642.jpg 700w, https://revistapesquisa.fapesp.br/wp-content/uploads/2026/05/RPF-cupim-esquema-2026-06-800-120x110.jpg 120w" sizes="auto, (max-width: 800px) 100vw, 800px" /><p class="wp-caption-text"><span class="media-credits-inline">DA SILVA, I. B. <em>et al</em>. <strong>iScience</strong>. 2026</span>Imagens seriadas de microscopia (<em>à esq.</em>) permitem construir modelo 3D do cérebro e comparar áreas entre animais diferentes<span class="media-credits">DA SILVA, I. B. <em>et al</em>. <strong>iScience</strong>. 2026</span></p></div>
<p>Já na análise genética, era preciso capturar os insetos no exato momento em que estavam em atividade – machos cortando folhas, fêmeas construindo o ninho – e congelá-los imediatamente em nitrogênio líquido, preservando o estado do cérebro naquele instante. Cada indivíduo coletado no campo era colocado em um tubo e mergulhado no nitrogênio ali mesmo, na entrada do ninho, antes de ser armazenado em freezer a -80 graus Celsius (°C) até a dissecação. Só então os cérebros eram retirados e submetidos à extração de RNA. “Se a gente leva o inseto para o laboratório e no outro dia começa a análise, a dinâmica cerebral já mudou, porque ele não está mais tendo aquele comportamento que nos interessa”, explica da Silva, primeiro autor da publicação, atualmente em estágio pós-doutoral na Universidade Paris-Saclay, na França.</p>
<p>Os pesquisadores mediram a expressão do gene <em>foraging</em>, presente em vários insetos e associado ao comportamento de busca por alimento. Contudo, encontraram um obstáculo: a espécie <em>Syntermes dirus </em>não tinha genoma sequenciado. A equipe buscou referências de outros cupins em bancos de dados, alinhou essas sequências e usou as regiões conservadas para desenhar <em>primers</em>, que são fragmentos de DNA que funcionam como ponto de partida para a amplificação conforme onde se acoplam.</p>
<p>Para garantir que a estratégia funcionaria, os pesquisadores fizeram a clonagem e o sequenciamento do fragmento do gene em questão para confirmar se a região correta havia sido amplificada. Funcionou e permitiu quantificar, pela primeira vez, a expressão desse gene em cupins sob condições naturais. O resultado mostrou que o gene tem expressão maior no cérebro dos machos do que no das fêmeas e dos soldados, a casta responsável exclusivamente pela defesa da colônia.</p>
<p>“A gente sabe muito mais sobre plasticidade cerebral em abelhas, formigas e vespas do que em cupins e não é à toa. A importância da abelha todo mundo conhece, mas não a dos cupins”, destaca a bióloga sistemata Eliana Cancello, do Museu de Zoologia da USP. “A divisão de trabalho dentro das castas de cupins ainda é pouco compreendida. O operário faz tudo, mas por que existem diferentes tipos de operário? Esse trabalho responde a isso ligando comportamento, genética e arquitetura cerebral.” Em uma colônia de cupins, operários se ocupam do forrageio, da construção, da limpeza e da alimentação da prole, enquanto soldados são especializados exclusivamente na defesa.</p>
<p>Cancello não participou do estudo, mas vê nos resultados um avanço para a compreensão desses insetos que considera centrais nos ecossistemas tropicais. Diferente dos cupins que aparecem em casa e são tratados como pragas, a espécie estudada constrói ninhos com uma grande parte subterrânea, abre galerias e estoca folhas secas de gramíneas em câmaras internas, processo que modifica a composição física e química do solo, aumenta a infiltração de água e contribui para o ciclo de nutrientes.</p>
<p>Essa atividade, porém, é sensível ao calor. Durante o trabalho de campo, houve noites em que os insetos não saíam, coincidindo com as temperaturas mais altas. Em um cenário de extremos climáticos, esse comportamento levanta questões ainda sem resposta: como esses insetos respondem a variações térmicas persistentes e quais seriam as consequências para os ecossistemas beneficiados com sua atividade? Para Cancello, os cupins estão entre os grupos suscetíveis a essas mudanças e a perda de vegetação, combinada com o aumento de temperatura, pode ser suficiente para alterar profundamente as populações dessas espécies.</p>
<p class="bibliografia"><strong>Projeto</strong><br />
A evolução da plasticidade e o dimorfismo entre as castas em sociedades de insetos (<a href="https://bv.fapesp.br/pt/auxilios/109547/a-evolucao-da-plasticidade-e-o-dimorfismo-entre-as-castas-em-sociedades-de-insetos/?q=21/05598-8" target="_blank" rel="noopener">nº 21/05598-8</a>); <strong>Modalidade</strong> Auxílio à Pesquisa – Regular; Cooperação Research Foundation &#8211; Flanders (FWO); <strong>Pesquisadores responsáveis</strong> Fábio Santos do Nascimento (USP), Tom Wenseleers (Universidade de Leuven); <strong>Investimento</strong> R$ 814.867,30.</p>
<p class="bibliografia"><strong>Artigo científico</strong><br />
DA SILVA, I. B. <em>et al.</em> <a href="https://www.cell.com/iscience/fulltext/S2589-0042(26)00653-X" target="_blank" rel="noopener">Sex-specific division of labor in termites is linked to differential brain architecture and foraging gene expression</a>. <strong>iScience</strong>. v. 29, n. 4, 115278. 10 abr. 2026.</p>
]]></content:encoded>
					
		
		
			</item>
		<item>
		<title>Microcápsulas permitem reduzir proporção de gordura saturada em alimentos</title>
		<link>https://revistapesquisa.fapesp.br/microcapsulas-permitem-reduzir-proporcao-de-gordura-saturada-em-alimentos/?utm_source=rss&#038;utm_medium=rss&#038;utm_campaign=microcapsulas-permitem-reduzir-proporcao-de-gordura-saturada-em-alimentos</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Fernanda Ravagnani]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 21 May 2026 12:57:55 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Pesquisa Inovativa em Pequenas Empresas (PIPE)]]></category>
		<category><![CDATA[Tecnologia]]></category>
		<category><![CDATA[Engenharia]]></category>
		<category><![CDATA[Inovação]]></category>
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					<description><![CDATA[Cristais de óleos vegetais se mostraram capazes de melhorar a consistência de produtos alimentícios industrializados]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>Cristais de gordura microencapsulados desenvolvidos na Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) e no Instituto de Tecnologia de Alimentos (Ital) já estão sendo usados na indústria de alimentos. Produzidos a partir de óleos vegetais como os de soja, palma ou milho, permitem uma redução da quantidade de gordura saturada, componente indesejado nos alimentos por ser responsável pelo aumento dos níveis sanguíneos de um tipo prejudicial de colesterol associado ao risco de doenças circulatórias e ao infarto.</p>
<p>O ingrediente em pó, com textura semelhante à da farinha de trigo e produzido por meio de microencapsulação, recebeu o nome de Microcap e desde o ano passado está sendo comercializado por meio de licenciamento pela Noviga Partner, startup criada para aprimorar a tecnologia, e sublicenciamento pela multinacional de alimentos Kerry, que produz a formulação. A inovação já está presente no recheio de bombons de uma fabricante brasileira de chocolates e está em testes em chocolates, biscoitos recheados, pastas de avelã e de amendoim, margarinas e barrinhas proteicas de outras empresas do país e do México.</p>
<p>A fabricação de alimentos cremosos com 1% do total de gorduras composto por Microcap, mostram os experimentos, resulta em melhor consistência das gorduras saudáveis, as insaturadas, que tendem a derreter, e na manutenção da textura e do sabor.</p>
<p>A pesquisa rendeu vários prêmios. O mais recente foi concedido em setembro de 2025 pela Inova, a agência de inovação da Unicamp, na categoria Tecnologia Absorvida pelo Mercado do Prêmio Inventores, às três inventoras. São elas: a engenheira de alimentos Maria Cristina Mascarenhas, autora da tese de doutorado que iniciou a pesquisa e sócia da Noviga; sua orientadora de doutorado, a química Lireny Gonçalves; e a engenheira de alimentos Izabela Dutra Alvim, do Ital, vinculado à Diretoria de Pesquisa dos Agronegócios da Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo.</p>
</div><div class='overflow-responsive-img' style='text-align:center'><picture data-tablet="/wp-content/uploads/2026/05/RPF-gordurasaturada-2026-06-info-1140-1.png" data-tablet_size="1140x400" alt="">
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  </picture><span class="embed media-credits-inline">Alexandre Affonso/Revista Pesquisa FAPESP</span></div><div class="post-content sequence">
<p><strong>Colesterol bom e ruim</strong><br />
Em 2010, ao começar seu doutorado na Faculdade de Engenharia de Alimentos da Unicamp, Mascarenhas encontrou um ambiente favorável à busca de alternativas à chamada gordura trans na indústria. Produzida desde os anos 1940 por meio da injeção de hidrogênio aos lipídios, a gordura trans tem a consistência ideal para os processos de fabricação e deixa os alimentos crocantes, cremosos e saborosos.</p>
<p>O problema é que surgiram sucessivas indicações de que aumentava o colesterol ruim (ou lipoproteína de baixa densidade, LDL) e reduzia o bom (lipoproteína de alta densidade, HDL), elevando riscos de infarto e outros problemas cardiovasculares. Por isso, a partir do início dos anos 2000, sua produção industrial foi sendo proibida em muitos países, incluindo o Brasil, em 2023.</p>
<p>“O desejo de simplificação nos levou a dizer que o LDL é o colesterol ruim e o HDL é o bom, mas não é bem assim”, explica o coordenador do Laboratório de Genômica Nutricional da Unicamp, Dennys Esper Cintra, ao descrever o mecanismo deletério da gordura trans. “O LDL leva colesterol e gordura para os tecidos e o HDL os remove. O LDL, depois de entregar, volta ao fígado, mas a gordura trans bloqueia os receptores de LDL nesse órgão. O LDL então não consegue entrar, fica circulando no sangue, cheio de gordura, sofre oxidação [reação com o oxigênio] e acaba preso na parede das artérias.” A síntese do HDL, por sua vez, também é afetada e sua concentração no sangue diminui.</p>
<p>Com o apoio de uma bolsa da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes), Mascarenhas propôs durante o seu doutorado o uso de cristais de gordura microencapsulados, que poderiam funcionar como sementes para promover a cristalização e homogeneização de outras gorduras, tornando-as mais consistentes, estáveis e adequadas à fabricação e ao consumo. “Não sabíamos se poderia funcionar, porque o ideal para essa técnica é ter água, e o recheio do biscoito, nosso alvo, não tinha”, recorda-se Mascarenhas.</p>
<p>No mestrado, ela já havia trabalhado com microencapsulação, mas, como ia precisar de mais ajuda técnica, procurou Alvim, que coordenava o trabalho sobre essa técnica no Centro de Tecnologia de Cereais e Chocolates do Ital. Nascida na indústria de medicamentos e já usada no setor de alimentos para manter o valor nutricional de vitaminas e minerais, essa tecnologia forma cápsulas minúsculas e permite o controle da liberação de seu conteúdo.</p>
<p>“Na época eu tinha um <em>spray dryer</em>, um secador por pulverização, do tipo que produz leite em pó e café solúvel, pequeno, para uso em laboratório”, explica Alvim. O equipamento serviu para fazerem o protótipo das cápsulas, com diâmetro de 7,8 a 10,5 micrômetros (µm; 1 micrômetro equivale à milésima parte do milímetro). As paredes das esferas são formadas por amido de milho. O protótipo foi apresentado na defesa do doutorado de Mascarenhas, em 2015.</p>
<p>“Sabíamos que, com a saída de cena da gordura trans, haveria uma substituição quase automática por gorduras de alto teor de saturados, que também podem fazer mal à saúde se consumidas em excesso”, recorda a engenheira de alimentos da Unicamp Ana Paula Badan. “O doutorado de Mascarenhas veio como alternativa para permitir uma redução nesses saturados, formando uma rede de estruturação totalmente diferente no alimento, uma abordagem nova na época”, afirma. As gorduras insaturadas, por causa do formato não linear, que dificulta a interação com outras moléculas, são mais líquidas que as saturadas. Para obter uma consistência parecida com a das gorduras trans, diz ela, a indústria acabou recorrendo em peso às gorduras saturadas.</p>
<p>A nova pesquisa passou a integrar um projeto temático apoiado pela FAPESP do qual a docente fazia parte, liderado pela Faculdade de Engenharia Química da Unicamp com coordenação do engenheiro químico Theo Guenter Kieckbusch (1942-2021). “Esse grupo da academia se antecipou muito bem para trazer as novas soluções”, recorda Badan.</p>
<div id="attachment_584241" style="max-width: 810px" class="wp-caption alignright"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-584241 size-full" src="https://revistapesquisa.fapesp.br/wp-content/uploads/2026/05/RPF-gordura-saturada-Microcap-laboratorio-2026-6-800jpg.jpg" alt="" width="800" height="1307" srcset="https://revistapesquisa.fapesp.br/wp-content/uploads/2026/05/RPF-gordura-saturada-Microcap-laboratorio-2026-6-800jpg.jpg 800w, https://revistapesquisa.fapesp.br/wp-content/uploads/2026/05/RPF-gordura-saturada-Microcap-laboratorio-2026-6-800jpg-250x408.jpg 250w, https://revistapesquisa.fapesp.br/wp-content/uploads/2026/05/RPF-gordura-saturada-Microcap-laboratorio-2026-6-800jpg-700x1144.jpg 700w, https://revistapesquisa.fapesp.br/wp-content/uploads/2026/05/RPF-gordura-saturada-Microcap-laboratorio-2026-6-800jpg-120x196.jpg 120w" sizes="auto, (max-width: 800px) 100vw, 800px" /><p class="wp-caption-text"><span class="media-credits-inline">Fernanda Lima / Inova Unicamp</span>Aplicação do Microcap sob agitação em processo de fabricação de um creme (<em>topo</em>). Imagem de microscopia eletrônica de varredura mostra a morfologia de partículas de Microcap<span class="media-credits">Fernanda Lima / Inova Unicamp</span></p></div>
<p><strong>Menos gordura em biscoitos</strong><br />
Em um exemplo da vantagem da aplicação prática da tecnologia, o uso das microcápsulas do Microcap permitiu a substituição de 20% de gordura saturada por insaturada na preparação do recheio para biscoitos de uma fábrica de alimentos, nos testes realizados pela Noviga.</p>
<p>Em paralelo à conclusão do doutorado de Mascarenhas, a agência de inovação da Unicamp recomendou o patenteamento do método de produção dos cristais de gordura. “A Inova faz a avaliação técnica e estratégica dos resultados das pesquisas acadêmicas feitas na universidade, considerando seu potencial de transferência para as empresas”, conta o diretor-executivo da agência, Renato Lopes. Solicitada em 2014 em nome de Mascarenhas, Alvim e Gonçalves, a patente foi concedida em 2021.</p>
<p>Disposta a levar sua ideia adiante, Mascarenhas participou em 2015 de uma competição de empreendedorismo promovida pela Inova para criar um modelo de negócio para uma tecnologia nascida na universidade. Como prêmio pelo terceiro lugar, ganhou uma pré-aceleração pela Baita Aceleradora, localizada no Parque Científico e Tecnológico da Unicamp, e dois anos depois criou a startup Noviga.</p>
<p>Dois projetos de pesquisa contribuíram para o aprimoramento do processo de produção: um apoiado pelo programa Pesquisa Inovativa em Pequenas Empresas (Pipe) da FAPESP e outro pela empresa M. Dias Branco, fabricante cearense de farinha de trigo, massas e biscoitos. “Não queríamos montar uma fábrica, mas facilitar a busca por parceiros”, diz Mascarenhas. Assim, em 2022 ela fez um acordo com a Kerry, que assumiu a produção e distribuição dos cristais de gordura microencapsulados.</p>
<p>“Ao modificar a estrutura do alimento ao qual é aplicada, a formulação diminui a necessidade de utilização das gorduras saturadas e melhora o sabor e a estabilidade dos produtos”, corrobora a engenheira química Suzana Caetano da Silva Lannes, da Faculdade de Ciências Farmacêuticas da Universidade de São Paulo (FCF-USP), que não participou da pesquisa e trabalha com as propriedades de alimentos de alto teor de gordura. “É um facilitador industrial, digamos assim. E as indústrias trabalham intensamente na busca por um novo portfólio de gorduras, com boa funcionalidade e preço baixo.”</p>
<p>Entre as opções adotadas nacional e internacionalmente, de acordo com Lannes, estão processos como a interesterificação química ou enzimática da gordura – que encarece o ingrediente – e o fracionamento, que tem limitações na eficácia. Há também a possibilidade de usar outras gorduras, como o óleo de palma, com maior teor em óleos saturados. Contudo, as gorduras saturadas são prejudiciais quando consumidas em excesso, favorecendo distúrbios como a obesidade, o que fez a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) determinar que produtos sólidos com mais de 6 gramas (g) ou líquidos com mais de 3 g de gordura saturada a cada 100 g devem ter uma lupa no rótulo frontal com os dizeres “Alto em gordura saturada”. Outra vantagem do Microcap é, dependendo do caso, deixar o produto final com uma proporção de gordura saturada que dispense a advertência.</p>
<p>Mascarenhas reconhece, no entanto, as dificuldades para avançar. Primeiro porque a adoção da tecnologia demanda desenvolvimento conjunto para adequar as formulações no processo industrial das empresas interessadas, o que envolve custo, em um mercado de produtos de baixo valor agregado.</p>
<p>Segundo porque os fabricantes de alimentos processados tendem a manter sigilo de seus métodos de fabricação, o que impede a propaganda de usos bem-sucedidos dos cristais encapsulados de gordura. Há também a concorrência com alternativas na corrida por boas opções, a exemplo de emulsões e dos chamados oleogéis, uma inovação em desenvolvimento na Unicamp. Apesar dos desafios, a Noviga trabalha para abrir outras frentes de negócio para o Microcap, como nos ramos de carne cultivada e cosméticos.</p>
<p class="bibliografia"><strong>Projetos</strong><br />
<strong>1.</strong> Estudo das propriedades das estruturas de parede na microencapsulação de compostos hidrofóbicos por spray drying (<a href="https://bv.fapesp.br/pt/auxilios/98534/estudo-das-propriedades-das-estruturas-de-parede-na-microencapsulacao-de-compostos-hidrofobicos-por-/" target="_blank" rel="noopener">n° 17/15410-0</a>); <strong>Modalidade</strong> Auxílio à Pesquisa – Regular; <strong>Pesquisadora responsável</strong> Izabela Dutra Alvim (Ital); <strong>Investimento</strong> R$ 81.309,90.<br />
<strong>2.</strong> Ingrediente microencapsulado para aplicação industrial como solução para gorduras trans free (<a href="https://bv.fapesp.br/pt/auxilios/99330/ingrediente-microencapsulado-para-aplicacao-industrial-como-solucao-para-gorduras-trans-free/" target="_blank" rel="noopener">n° 16/15335-6</a>); <strong>Modalidade</strong> Programa Pesquisa Inovativa em Pequenas Empresas (Pipe); <strong>Pesquisadora responsável</strong> Maria Cristina Chiarinelli Nucci Mascarenhas (Noviga); <strong>Investimento</strong> R$ 192.242,39.<br />
<strong>3.</strong> Ingrediente microencapsulado para aplicação industrial como solução para gorduras trans free (<a href="https://bv.fapesp.br/pt/bolsas/177160/ingrediente-microencapsulado-para-aplicacao-industrial-como-solucao-para-gorduras-trans-free/" target="_blank" rel="noopener">n° 18/06082-2</a>); <strong>Modalidade</strong> Programa Pesquisa Inovativa em Pequenas Empresas (Pipe); <strong>Pesquisadora responsável</strong> Maria Cristina Chiarinelli Nucci Mascarenhas (Noviga); <strong>Investimento</strong> R$ 73.820,40.</p>
]]></content:encoded>
					
		
		
			</item>
		<item>
		<title>Páginas clonadas</title>
		<link>https://revistapesquisa.fapesp.br/paginas-clonadas/?utm_source=rss&#038;utm_medium=rss&#038;utm_campaign=paginas-clonadas</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Redação]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 20 May 2026 11:50:58 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Boas práticas]]></category>
		<category><![CDATA[Ética]]></category>
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					<description><![CDATA[Filóloga acusada de plágio é condenada por tribunal a ressarcir agência que financiou seus livros]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>Acusada de copiar trechos de outros autores e reciclar textos próprios sem dar as devidas referências, a filóloga Carla Rossi foi condenada pelo Tribunal Administrativo Federal da Suíça a devolver cerca de US$ 51 mil ‒ aproximadamente R$ 290 mil ‒ recebidos em bolsas de uma agência de fomento à pesquisa do país, a Fundação Nacional de Ciência da Suíça (SNSF). A decisão também a impede de solicitar novos pedidos de auxílio ao órgão pelos próximos cinco anos.</p>
<p>Rossi atua como diretora científica do Centro Scaligero de Estudos sobre Dante, em Verona, na Itália. Também fundou e preside o Instituto de Estudos Filológicos Dantescos e Digitais Avançados, em Barcelona, na Espanha, e dirige o Centro de Pesquisa para a Tradição Filológica Europeia (Receptio), na Suíça, que administra uma editora responsável pela publicação das suas obras acusadas de plágio.</p>
<p>A punição decorre da análise de três livros de sua autoria financiados pela SNSF. Segundo o tribunal, duas das obras apresentavam extensa reprodução indevida de conteúdo. Em um dos casos, a pesquisadora incorporou, como capítulo inteiro, um artigo de 44 páginas que já havia publicado anteriormente, sem informar a reutilização. Em outro livro, cerca de 30% do texto continha passagens copiadas de trabalhos de terceiros, algumas literais outras levemente modificadas.</p>
<p>De acordo com o site <a href="https://retractionwatch.com/2026/05/05/court-orders-historian-to-repay-grant-funding-for-pattern-of-plagiarism-in-books/" target="_blank" rel="noopener">Retraction Watch</a>, Rossi contestou as acusações na Justiça, alegando que as versões examinadas não eram as corretas, sugerindo manipulação digital dos arquivos disponíveis on-line. O tribunal rejeitou o argumento, uma vez que analisou as edições disponibilizadas pela editora vinculada à pesquisadora. Os juízes concluíram, por fim, que o problema ultrapassava falhas de citação e demonstrava “compreensão profundamente equivocada” sobre o que caracteriza plágio acadêmico.</p>
<p>A condenação é um desdobramento de um escândalo envolvendo o trabalho de Rossi, que teve grande repercussão em redes sociais. Em 2022, a Universidade de Zurique, na Suíça, investigou a então professora adjunta depois que Peter Kidd, pesquisador independente que mantém o blog Medieval Manuscripts Provenance, acusou Rossi de ter usado, em um livro dela, texto e imagens seus sem os devidos créditos – a obra é uma das três que foram agora analisadas pelo tribunal suíço. Em uma <a href="https://www.receptiogate.org/" target="_blank" rel="noopener">plataforma</a> que criou para se defender do escândalo, que ficou conhecido como ReceptioGate, a filóloga afirma ser vítima de uma “campanha de difamação digital” baseada em alegações infundadas e que sua saída da Universidade de Zurique em 2025 se deu pelo término natural de seu contrato com a instituição, e não por uma expulsão, como divulgado nas redes sociais.</p>
]]></content:encoded>
					
		
		
			</item>
		<item>
		<title>Sem consentimento</title>
		<link>https://revistapesquisa.fapesp.br/sem-consentimento/?utm_source=rss&#038;utm_medium=rss&#038;utm_campaign=sem-consentimento</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Redação]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 20 May 2026 11:50:23 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Boas práticas]]></category>
		<category><![CDATA[Ética]]></category>
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					<description><![CDATA[Pai constrange filha ao incluí-la indevidamente como coautora em mais de 100 trabalhos científicos]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>O chinês Shifa Liu, que já divulgou cerca de 500 trabalhos científicos nas áreas de física e matemática em repositórios de <em>preprints</em>, está no centro de uma controvérsia acadêmica após o relato de que incluiu repetidamente o nome da própria filha, uma aluna de graduação de uma universidade norte-americana, como coautora em mais de 100 de seus manuscritos. O caso foi noticiado pelo site <a href="https://retractionwatch.com/2026/04/21/preprint-authorship-father-adds-daughter-name-without-permission/" target="_blank" rel="noopener">Retraction Watch</a>.</p>
<p>O nome da filha não foi divulgado pelo site, mas uma consulta aos manuscritos mostra que se trata de Dongqi Liu, aluna da Universidade da Carolina do Norte, em Chapel Hill. Ela garante que não teve participação na pesquisa e na redação dos trabalhos, nem consentiu que fosse incluída no rol de autores. “Pedi a ele que parasse, mas ele não parou”, disse ao Retraction Watch. Em alguns casos, o nome da estudante é citado como autora correspondente, uma espécie de porta-voz dos autores de um artigo e interlocutora do grupo com revistas científicas. Ela informou ter procurado os administradores de repositórios como Zenodo e Cambridge Open Engage, onde os manuscritos foram divulgados, para pedir a retirada de seu nome dos artigos.</p>
<p>Questionado pelo Retraction Watch, o pai declarou nunca ter recebido formação acadêmica formal em áreas avançadas das ciências exatas, mas sustenta que seus estudos são originais e questionam métodos tradicionais da matemática e da física. Ele também disse não ter atuado em instituições de pesquisa, embora declare nos manuscritos vínculo com a Universidade de Pequim. Indagado sobre sua prolífica produção de trabalhos científicos, Shifa Liu afirmou: “Todos os artigos são fruto de um longo e profundo processo de reflexão e escrita diligente e foram apenas organizados e publicados recentemente”. Segundo ele, a filha estava “profundamente envolvida em alguns deles, me proporcionando enorme inspiração e ajuda”.</p>
]]></content:encoded>
					
		
		
			</item>
		<item>
		<title>Revista predatória</title>
		<link>https://revistapesquisa.fapesp.br/revista-predatoria/?utm_source=rss&#038;utm_medium=rss&#038;utm_campaign=revista-predatoria</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Redação]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 20 May 2026 11:45:39 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Boas práticas]]></category>
		<category><![CDATA[Ética]]></category>
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					<description><![CDATA[Autor descobre artigo falso que levava sua assinatura, pede retratação e recebe cobrança de taxa]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>O biólogo cipriota Evgenios Agathokleous, pesquisador na Universidade de Ciência e Tecnologia da Informação de Nanjing, na China, descobriu que um artigo do qual não era autor foi publicado com sua assinatura em 2023 na revista <em>European Journal of Experimental Biology</em>, sediada na Índia. Poderia ser apenas mais um caso de periódico antiético que publica artigos atribuídos a cientistas sérios para simular respeitabilidade e atrair autores incautos, mas suas práticas predatórias revelaram-se ainda mais disseminadas. Agathokleous solicitou à revista que o artigo fosse retratado, ou seja, removido dos registros da publicação, e recebeu da Prime Scholars, empresa que edita o periódico, dois e-mails com respostas-padrão. O primeiro informava que o artigo havia sido publicado com sucesso na revista, “de acordo com as normas e políticas da empresa”. O segundo trazia uma cobrança de € 519 euros, o equivalente a cerca de R$ 3 mil, para cobrir &#8220;custos associados ao processamento da publicação, preparação para indexação e manutenção do banco de dados&#8221;. O biólogo, que figura em uma lista produzida pela Universidade Stanford como um dos autores mais influentes na área das Ciências Ambientais, não fez o pagamento e não mais teve notícia da editora. Procurada pelo site <a href="https://retractionwatch.com/2026/04/01/european-journal-experimental-biology-fee-demand-prime-scholars/" target="_blank" rel="noopener">Retraction Watch</a>, a Prime Scholars afirmou que resolveria o problema. Até o início de maio, contudo, o artigo falso, sobre técnicas de controle ecológico de pragas na agricultura e na jardinagem, não havia sido retratado e continuava disponível para leitura.</p>
]]></content:encoded>
					
		
		
			</item>
		<item>
		<title>Coleção de problemas</title>
		<link>https://revistapesquisa.fapesp.br/colecao-de-problemas/?utm_source=rss&#038;utm_medium=rss&#038;utm_campaign=colecao-de-problemas</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Redação]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 20 May 2026 11:43:41 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Boas práticas]]></category>
		<category><![CDATA[Ética]]></category>
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					<description><![CDATA[Falhas éticas e inconsistência de dados invalidam estudo sobre o uso de células-tronco pós-infarto]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>A revista médica <em>The BMJ</em> anunciou a retratação de um artigo que apontava uma terapia com células-tronco como um “valioso procedimento” após o infarto na prevenção de insuficiência cardíaca. O <em>paper</em> recebeu o carimbo de inválido depois que uma coleção de inconsistências em seus dados foi apontada no PubPeer, site onde é possível postar críticas e anotações sobre artigo.</p>
<p>Uma delas foi um “padrão curioso de repetição” no conjunto de dados, com um alto contingente de números inteiros para a altura e o peso dos pacientes, o que sugere erro ou manipulação de informações. Também chamou a atenção a inclusão de participantes acima dos 65 anos, fora do critério de idade especificado.</p>
<p>Em uma correção anexada à retratação, dois dos 10 autores tiveram seus nomes removidos, ambos vinculados à Universidade Queen Mary de Londres, na Inglaterra (os demais são pesquisadores de universidades iranianas). Os cardiologistas Anthony Mathur e Sheik Dowlut alegaram que apenas forneceram “feedback sobre o manuscrito antes de seu envio” e que haviam pedido ao autor correspondente para não assinarem o artigo. Sobre um deles, Mathur, pesava um questionamento sobre conflito de interesses. Ele é um dos curadores da Heart Cells Foundation, patrocinadora de uma instituição, também administrada por ele, que fornece terapias com células-tronco para cardíacos.</p>
<p>Problemas no registro do estudo acenderam outro alerta. O protocolo que os autores submeteram a <em>The BMJ</em> indicava que ele ocorreu antes do recrutamento de pacientes, prática que garantiria transparência à pesquisa. Mas a data registrada no <a href="http://clinicaltrials.gov/" target="_blank" rel="noopener">clinicaltrials.gov</a>, banco de dados de ensaios clínicos, foi posterior.</p>
<p>Os autores alegaram que os problemas não foram intencionais e resultaram da integração de conjuntos de dados hospitalares. Eles forneceram um conjunto revisado, o que não impediu a retratação. Como o ensaio clínico ocorreu no Irã, o periódico solicitou à Administração de Alimentos e Medicamentos do país que avaliasse a origem dos equívocos e incoerências do artigo, mas não obteve retorno. Ao site <a href="https://retractionwatch.com/2026/03/31/bmj-retracts-cardiac-stem-cell-paper-removes-authors-months-after-sleuths-flag-data-mismatch/#more-134507" target="_blank" rel="noopener">Retraction Watch</a>, a neuropsicóloga Dorothy Bishop, primeira a sinalizar problemas no estudo, explicou por que ficou apreensiva com o caso: “Existiam amplas evidências de que os dados não eram confiáveis havia cinco meses, e é preocupante que <em>The</em> <em>BMJ</em> não tenha retratado o artigo mais rapidamente, dadas as implicações para a segurança dos pacientes”. O estudo estava na fase III, etapa de confirmação da eficácia do tratamento.</p>
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			</item>
		<item>
		<title>Supervisão falha</title>
		<link>https://revistapesquisa.fapesp.br/supervisao-falha/?utm_source=rss&#038;utm_medium=rss&#038;utm_campaign=supervisao-falha</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Redação]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 20 May 2026 11:41:04 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Boas práticas]]></category>
		<category><![CDATA[Ética]]></category>
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					<description><![CDATA[Oncologista chinês perde cargo de liderança após investigação apontar negligência em pesquisa sobre tumores]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>A Universidade Tongji, em Shangai, na China, demitiu o oncologista Wang Ping do cargo de diretor da Escola de Ciências da Vida e Tecnologia da instituição e proibiu-o de receber promoções, financiamento e prêmios por 24 meses, depois que uma investigação que durou um mês concluiu que ele cometeu má conduta em um artigo publicado na revista <a href="https://www.nature.com/articles/s41586-024-08248-5" target="_blank" rel="noopener"><em>Nature</em></a> em 2024. O estudo afirma que privar células cancerígenas de um aminoácido, a valina, poderia desencadear danos ao DNA e retardar o crescimento de tumores. Mas foram encontrados problemas em 14 das 15 figuras que ilustram o <em>paper</em> – em 10 delas, a equipe não conseguiu contar de modo preciso o número total de células e o de células danificadas, distorcendo análises quantitativas.</p>
<p>Um comunicado divulgado pela universidade informou que os dados haviam sido coletados ​​pela primeira autora do artigo, Jin Jiali, que perdeu seu cargo de pesquisadora no Instituto de Estudos Avançados da instituição, mas observou que Wang também teve responsabilidade, porque “falhou em supervisionar adequadamente os dados experimentais e a qualidade do artigo, e não cumpriu as responsabilidades de um autor correspondente em garantir a autenticidade e a reprodutibilidade dos dados”.</p>
<p>De acordo com <a href="https://www.scmp.com/news/china/science/article/3352700/chinas-tongji-university-punishes-top-cancer-researcher-wang-ping-misconduct" target="_blank" rel="noopener">reportagem</a> do jornal <em>South China Morning Post</em>, o caso se tornou público em abril, quando um blog de ciência chinês apontou inconsistências nos dados do artigo. Wang defendeu-se na imprensa do país, alegando que os problemas eram resultado de “erros operacionais do sistema de computador” e “uso indevido de imagens”.</p>
<p>A <em>Nature</em> já havia publicado uma nota de correção no artigo no ano passado, avisando os leitores de que quatro figuras haviam sido atualizadas ou substituídas. Há um mês, os editores da revista adicionaram outra nota ao texto, informando que surgiram novas preocupações sobre a confiabilidade dos dados e que há uma investigação sobre o artigo em curso. Wang é um dos mais proeminentes pesquisadores da Universidade Tongji. Embora afastado da direção da escola, ele segue liderando o Laboratório de Microambiente Tumoral, que reúne 40 pesquisadores e estuda como as células cancerígenas interagem com o ambiente a seu redor para impulsionar o crescimento de tumores.</p>
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		<item>
		<title>Crime organizado</title>
		<link>https://revistapesquisa.fapesp.br/crime-organizado/?utm_source=rss&#038;utm_medium=rss&#038;utm_campaign=crime-organizado</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Redação]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 20 May 2026 11:38:09 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Boas práticas]]></category>
		<category><![CDATA[Ética]]></category>
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					<description><![CDATA[Análise de anúncios de empresas que vendem artigos revela um mercado global de fraude acadêmica]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>Um levantamento internacional trouxe novos detalhes sobre o funcionamento das chamadas fábricas de <em>papers</em>, empresas fraudulentas que comercializam manuscritos científicos, muitas vezes com dados falsos ou plagiados. O estudo, o maior do gênero já realizado, está disponível no repositório <a href="https://arxiv.org/abs/2604.24576" target="_blank" rel="noopener">ArXiv</a> e reuniu mais de 18 mil anúncios publicados entre 2020 e 2026 em aplicativos e sites de sete dessas empresas, que operam em países como Índia, Iraque, Uzbequistão, Rússia, Letônia, Cazaquistão e Ucrânia.</p>
<p>A pesquisa foi conduzida pelo biólogo computacional Reese Richardson, que faz pós-doutorado na Universidade Northwestern, em Evanston, nos Estados Unidos, e contou com mais dois colaboradores: Spencer Hong, da mesma universidade, e Ana Abalkina, pesquisadora da Universidade Livre de Berlim, na Alemanha, e especialista em investigação de fraudes científicas.</p>
<p>Segundo os autores, os dados revelam estruturas bem organizadas, que ofereciam vagas de coautoria em artigos já preparados para submissão ou publicação, inclusive indicando o periódico de destino. Os valores cobrados variavam bastante. A posição de primeiro autor, considerada a mais valorizada em avaliações acadêmicas, custava em média cerca de US$ 800, mas alguns anúncios ultrapassavam US$ 5 mil. Havia ainda promoções sazonais e descontos, indicando uma lógica comercial semelhante à de negócios convencionais. Sarah Eaton, especialista em integridade acadêmica da Universidade de Calgary, no Canadá, que não participou do estudo, disse à revista <a href="https://www.nature.com/articles/d41586-026-01340-y" target="_blank" rel="noopener"><em>Nature</em></a> que o material evidencia como plataformas digitais passaram a ser usadas para sustentar redes globais de fraude acadêmica. “O conjunto de dados nos diz muito sobre as empresas, seu marketing e algumas de suas operações”, afirmou.</p>
<p>Há evidências de que parte desses trabalhos chegou efetivamente à literatura científica. A equipe de jornalistas da <em>Nature</em> analisou anúncios de cerca de 400 manuscritos, que incluíam títulos em inglês, e identificou 53 artigos publicados com títulos correspondentes – cinco deles haviam sido retratados e um foi retirado enquanto ainda estava em processo de publicação.</p>
<p>Outro dado que chamou a atenção foi a diversidade dos negócios. Duas das empresas ofereciam autoria em outros tipos de publicação, como livros didáticos, bem como a inclusão de nomes em patentes e registros de direitos autorais, além do recebimento de prêmios. “A expressão fábrica de <em>papers</em> não abrange tudo o que está acontecendo”, disse Richardson à <em>Nature</em> “Penso nessas fábricas como empresas que operam no mercado de manipulação de reputação.”</p>
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		<item>
		<title>Doença imaginária</title>
		<link>https://revistapesquisa.fapesp.br/doenca-imaginaria/?utm_source=rss&#038;utm_medium=rss&#038;utm_campaign=doenca-imaginaria</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Redação]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 20 May 2026 11:35:59 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Boas práticas]]></category>
		<category><![CDATA[Ética]]></category>
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					<description><![CDATA[Experimento mostra que programas de inteligência artificial podem reproduzir desinformação médica]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>Uma doença oftalmológica fictícia, inventada em um experimento sobre desinformação, passou a ser tratada como real por sistemas de inteligência artificial e chegou até a ser mencionada em um artigo científico revisado por pares. Batizada de “bixonimania”, a suposta condição foi apresentada por Almira Osmanovic Thunström, da Universidade de Gotemburgo, na Suécia, para testar se grandes modelos de linguagem (LLMs) são capazes de identificar desinformação médica ou se estão vulneráveis a ela. O resultado expôs fragilidades tanto dos chatbots quanto do próprio sistema de publicação científica.</p>
<p>A falsa enfermidade foi apresentada em março de 2024 em postagens publicadas na plataforma Medium e, semanas depois, em dois artigos depositados em uma rede social de pesquisadores, a SciProfiles. Os textos descreviam uma suposta alteração nas pálpebras, com vermelhidão e coceira, causada pela exposição excessiva à luz azul de telas digitais. O autor principal dos estudos era fictício: Lazljiv Izgubljenovic, pesquisador de uma universidade inexistente no estado norte-americano da Califórnia chamada Asteria Horizon University, na também fictícia cidade de Nova City. A foto de Izgubljenovic que ilustrou o artigo foi gerada por IA.</p>
<p>Almira Thunström, que trabalha com pesquisas sobre o uso de inteligência artificial e realidade virtual especialmente na área de psiquiatria, espalhou pistas evidentes de que se tratava de uma fraude. Os artigos mencionavam instituições imaginárias e agradecimentos à Academia da Frota Estelar, onde personagens da ficção científica <em>Star Trek</em>, como o capitão Kirk e o oficial Spock, treinaram. Um dos trechos afirmava explicitamente que “todo este artigo é inventado”. Ainda assim, poucos dias após a publicação, plataformas como ChatGPT, Gemini, Copilot e Perplexity mostraram-se vulneráveis ao embuste e passaram a responder a perguntas sobre a bixonimania como se ela fosse uma condição médica legítima.</p>
<p>O episódio alarmou pesquisadores que estudam desinformação. Alex Ruani, do University College London, na Inglaterra, disse à revista <a href="https://www.nature.com/articles/d41586-026-01100-y" target="_blank" rel="noopener"><em>Nature</em></a> que o caso é exemplar de como conteúdos falsos podem ganhar credibilidade quando apresentados em formato acadêmico. O médico e pesquisador Mahmud Omar, da Harvard Medical School, nos Estados Unidos, observa que modelos de IA tendem a confiar mais em textos com aparência técnica e linguagem científica, ampliando o risco de “alucinações” ‒ respostas fabricadas apresentadas como verdadeiras. O experimento teve consequências além dos chatbots. Um artigo publicado no periódico <em>Cureus</em> citou os <em>preprints</em> falsos e descreveu a bixonimania como uma condição “emergente”. Após questionamentos da revista <em>Nature</em>, o estudo da <em>Cureus</em> foi retratado em março.</p>
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		<item>
		<title>Impacto questionado</title>
		<link>https://revistapesquisa.fapesp.br/impacto-questionado/?utm_source=rss&#038;utm_medium=rss&#038;utm_campaign=impacto-questionado</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Redação]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 20 May 2026 11:33:14 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Boas práticas]]></category>
		<category><![CDATA[Ética]]></category>
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					<description><![CDATA[Revista cancela artigo que apontava efeitos positivos do ChatGPT no desempenho de aprendizagem de alunos]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>A editora Springer Nature anunciou a retratação de um artigo científico que atribuía ao programa ChatGPT efeitos positivos no aprendizado de estudantes. O estudo foi considerado inválido devido a discrepâncias na análise feita pelos autores, que levaram os editores a perder a confiança nas conclusões do <em>paper</em>. O trabalho havia sido publicado em maio de 2025 na revista <em>Humanities &amp; Social Sciences Communications</em> e teve grande repercussão tanto em meios acadêmicos como em mídias sociais: recebeu mais de 500 citações em outros trabalhos científicos e teve alto índice de leitura na internet, sendo consultado on-line por mais de meio milhão de pessoas.</p>
<p>Os autores, Jing Wang e Wenxiang Fan, ambos da Escola de Educação da Universidade Normal de Hangzhou, na China, analisaram os dados de 51 pesquisas sobre efeitos do ChatGPT em indicadores acadêmicos e relataram “grande impacto positivo” na melhoria do desempenho de aprendizagem e “impacto moderadamente positivo” no estímulo ao pensamento crítico. A metodologia implicava comparar dados de grupos que utilizaram o chatbot em atividades educacionais com dados de grupos de controle sem acesso à ferramenta. Com base nos resultados, foram apresentadas recomendações para uso educacional da ferramenta, incluindo sua integração em diferentes modalidades de aprendizagem. O estudo sugeria ainda o uso contínuo do ChatGPT por quatro a oito semanas para alcançar efeitos mais estáveis, além de sua incorporação flexível no ensino como tutor inteligente, parceiro de aprendizagem e instrumento educacional.</p>
<p>Com a repercussão dos resultados, vários pesquisadores apontaram problemas no artigo, como falhas na seleção e na comparação dos estudos. Um dos críticos, o professor de educação digital Ben Williamson, da Universidade de Edimburgo, na Escócia, afirmou ao site <a href="https://arstechnica.com/ai/2026/05/influential-study-touting-chatgpt-in-education-retracted-over-red-flags/" target="_blank" rel="noopener">Ars Technica</a> que as pesquisas selecionadas foram combinadas de forma inadequada. “Em alguns casos, parece que o artigo sintetizou estudos de qualidade muito baixa ou misturou resultados de estudos que simplesmente não podem ser comparados com precisão devido a métodos, populações e amostras muito diferentes”, disse. Para Williamson, o curto intervalo entre o lançamento público do ChatGPT, em 2022, e a publicação de um volume considerado suficiente de estudos revisados por pares sobre seus efeitos na educação já deveria ter sido um sinal de alerta para os revisores. Na <a href="https://www.nature.com/articles/s41599-026-07310-z" target="_blank" rel="noopener">nota</a> de retratação, a editora Springer Nature informa que os autores não responderam às tentativas de contato para dirimir as dúvidas sobre o artigo.</p>
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			</item>
		<item>
		<title>Alucinação coletiva</title>
		<link>https://revistapesquisa.fapesp.br/alucinacao-coletiva/?utm_source=rss&#038;utm_medium=rss&#038;utm_campaign=alucinacao-coletiva</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Redação]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 20 May 2026 11:30:13 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Boas práticas]]></category>
		<category><![CDATA[Ética]]></category>
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					<description><![CDATA[Vem aumentando rapidamente o número de papers com referências bibliográficas fabricadas, diz estudo]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>Uma auditoria realizada em cerca de 2,5 milhões de artigos da área biomédica publicados desde 2023 mostrou que vem aumentando rapidamente a quantidade de <em>papers</em> com referências bibliográficas fabricadas, um problema comumente atribuído a falhas de programas de inteligência artificial (IA) usados para auxiliar autores na escrita científica. Em 2023, a cada 2.828 artigos disponibilizados na base de dados Pubmed, ao menos um citava algum estudo inexistente. Essa proporção começou a ganhar fôlego no segundo semestre de 2024 até atingir, na média de 2025, um em cada 458 artigos. Nas primeiras sete semanas de 2026, houve um novo salto, e um em cada 277 novos artigos da Pubmed apresentava pelo menos uma referência falsa.</p>
<p>A análise foi publicada na seção de correspondência da revista <a href="https://www.thelancet.com/journals/lancet/article/PIIS0140-6736(26)00603-3/fulltext" target="_blank" rel="noopener"><em>The Lancet</em></a> por pesquisadores dos Estados Unidos, Israel e Finlândia, que utilizaram um sistema automatizado para verificar 125.615.773 referências de 2.471.758 artigos. Segundo os autores, um exemplo extremo foi o de um estudo publicado em 2025 em uma revista de oncologia sobre um procedimento que conecta os ureteres ao intestino delgado após cirurgias para remoção de bexiga: 18 das 30 referências eram “alucinações” da IA.</p>
<p>“As referências fabricadas que identificamos não eram obviamente defeituosas. Eram específicas sobre o tema, formatadas corretamente, atribuídas a pesquisadores reais e ainda apresentavam datas de publicação plausíveis”, escreveram os responsáveis pela auditoria. Um deles, o cientista de dados Maxim Topaz, da Universidade Columbia, nos Estados Unidos, disse ao site <a href="https://retractionwatch.com/2026/05/07/one-in-277-pubmed-indexed-papers-in-2026-shows-fabricated-references-says-analysis/" target="_blank" rel="noopener">Retraction Watch</a> que o estrago causado pela IA na literatura científica é grande e precisará ser enfrentado mesmo que os modelos de linguagem melhorem de qualidade e parem de alucinar.</p>
<p>“A contaminação de mais de 4 mil referências bibliográficas fabricadas que encontramos não vai desaparecer”, afirmou. Ele e seus coautores recomendam medidas para enfrentar o problema, como a adoção por revistas científicas de técnicas mais avançadas de verificação de referências, baseadas também em IA, ainda durante o processo de avaliação dos artigos. Também defendem que as editoras examinem retroativamente suas publicações, corrijam as referências fabricadas e retratem os <em>papers</em> que, para além das citações inexistentes, também tiveram suas conclusões comprometidas por alucinações de modelos de linguagem.</p>
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			</item>
		<item>
		<title>Historiador associou colonização e tráfico de escravizados ao capitalismo</title>
		<link>https://revistapesquisa.fapesp.br/historiador-associou-colonizacao-e-trafico-de-escravizados-ao-capitalismo/?utm_source=rss&#038;utm_medium=rss&#038;utm_campaign=historiador-associou-colonizacao-e-trafico-de-escravizados-ao-capitalismo</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Fernanda Ravagnani]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 19 May 2026 12:54:24 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Notícias]]></category>
		<category><![CDATA[Obituário ]]></category>
		<category><![CDATA[Economia]]></category>
		<category><![CDATA[História]]></category>
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					<description><![CDATA[Autor de obra clássica, Fernando Novais analisou o papel de Portugal e do Brasil nesse contexto]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>“Sou um historiador marxista, não um marxista historiador.” “Não é a escravidão que justifica o tráfico, é o tráfico que justifica a escravidão.” “O cientista social reconstitui para explicar, enquanto o historiador explica para reconstituir os acontecimentos passados.” As máximas que o historiador Fernando Antonio Novais proferia em aulas, palestras e entrevistas denotam a preocupação com a didática e revelam temas fundamentais de seu trabalho acadêmico ao longo de quase sete décadas. Autor do livro<em> Portugal e Brasil na crise do antigo sistema colonial (1777-1808)</em>, publicado em 1979 pela editora Hucitec e considerado um dos clássicos da historiografia brasileira, ele morreu no dia 30 de abril, aos 93 anos, em São Paulo.</p>
<p>“Com essa obra, Novais propôs uma nova forma de pensar a colonização e impactou o debate historiográfico, inclusive em âmbito internacional”, afirma o historiador Pedro Puntoni, da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da Universidade de São Paulo (FFLCH-USP), referindo-se ao livro, reeditado em 2019 pela Editora 34, que o classifica como “incontornável”. A obra é resultado da tese de doutorado defendida por Novais na USP em 1973. Sua repercussão, porém, veio antes do lançamento do livro. Em 1974, o segundo capítulo da tese foi publicado em caderno do Centro Brasileiro de Análise e Planejamento (Cebrap) e, no ano seguinte, saiu também em Portugal.</p>
<p>“Quando eu estava na graduação, no início dos anos 1980, a tese de Novais era uma novidade e teve enorme impacto sobre nossa interpretação do período colonial”, lembra Junia Furtado, do Programa de Pós-graduação em História da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). “Ele formulou uma maneira de compreender o Brasil a partir do Brasil, articulando esse ponto de vista a processos mais amplos. Entre outras coisas, mostrou como a escravidão aqui exigiu a organização de um sistema produtivo muito distinto daquele observado na Europa durante a transição do mundo medieval para o capitalismo.”</p>
<p>Na tese, Novais foi orientado pelo historiador Eduardo d’Oliveira França (1917-2003), de quem se disse um eterno discípulo em entrevista a <a href="https://revistapesquisa.fapesp.br/fernando-novais-as-esferas-da-existencia/" target="_blank" rel="noopener"><em>Pesquisa FAPESP</em></a>, em 2022. Influenciado pela obra dos historiadores Caio Prado Jr. (1907-1990) e Fernand Braudel (1902-1985), o trabalho é considerado um dos principais frutos do chamado Seminário Marx, realizado entre 1958 e 1964, sob liderança do filósofo José Arthur Giannotti (1930-2021). Nesses encontros, um grupo de jovens pesquisadores lia <em>O capital</em>, de Karl Marx (1818-1883), sob uma perspectiva acadêmica, distinta da abordagem político-partidária que predominava à época.</p>
<p>“Giannotti chamou Fernando Henrique Cardoso, pelo lado da sociologia, e Novais, pelo viés da história. Eles formaram o ‘núcleo duro’ do seminário, ao qual depois se juntaram nomes como Octavio Ianni [1926-2004], Michel Löwy, Roberto Schwarz, Bento Prado Jr. [1937-2007], Ruy Fausto [1935-2020] e Paul Singer [1932-2018]”, conta a historiadora Lidiane Soares Rodrigues, coordenadora do Programa de Pós-graduação em Ciências Humanas e Sociais da Universidade Federal do ABC (UFABC), que estudou o Seminário Marx no doutorado defendido na FFLCH-USP, em 2012. “A tese de Novais, de que o tráfico de escravizados acelerou a acumulação primitiva de capital na Europa, não teria sido possível sem a leitura que ele e os colegas fizeram da obra de Marx.”</p>
<p>O pesquisador nasceu em Guararema, passou a infância em Colina e a adolescência em São José do Rio Preto, todas cidades do interior paulista. Mudou-se para a capital aos 15 anos e, em 1958, formou-se pela USP em história e geografia (à época, um curso conjunto). Pouco depois, em 1961, foi contratado como professor de história moderna e contemporânea pela mesma instituição, onde permaneceu até se aposentar, em 1986.</p>
<p>Naquele ano, passou a integrar o recém-criado Instituto de Economia da Universidade Estadual de Campinas (IE-Unicamp). “Ele foi fundamental para a construção do nosso programa de História Econômica”, afirma o economista Luiz Gonzaga de Mello Belluzzo, docente do IE-Unicamp e um dos fundadores da Faculdade de Campinas (Facamp) nos anos 1990, na qual Novais também lecionou a partir de 2003. “Devemos muito a ele a ampliação do debate para além dos modelos econômicos. Discutíamos bastante as limitações da chamada ciência econômica que, ao adotar uma perspectiva positivista, passou a privilegiar modelos e deixou em segundo plano os processos sociais.”</p>
<p>Na década de 1990, Novais dirigiu a coleção <em>História da vida privada no Brasil</em> (Companhia das Letras), composta por quatro volumes, todos vencedores do Prêmio Jabuti. Cada tomo foi coordenado por um historiador, respectivamente: Laura de Mello e Souza, Luiz Felipe de Alencastro, Nicolau Sevcenko (1952-2014) e Lilia Schwarcz. Crítico da fragmentação associada à Nova História (corrente surgida na França nos anos 1980, que ampliou o escopo da disciplina em contraposição ao estruturalismo e ao marxismo), Novais dizia que, com a quebra dos paradigmas, os historiadores haviam “mudado de assunto” e passado a se dedicar aos “amores, humores e odores” do cotidiano. Ainda assim, procurou conciliar na coleção os princípios que até então haviam orientado sua obra.</p>
<p>“No capítulo ‘Condições de privacidade na colônia’, que abre o primeiro volume, Novais dialoga e, em certa medida, revê a interpretação de Gilberto Freyre [1900-1987], ao mostrar que o fenômeno da miscigenação não se reduz às relações interculturais, mas assumiu também dimensões políticas e socioeconômicas na colonização. Foi, ao mesmo tempo, um canal de aproximação e uma forma de dominação, um espaço de acomodação e um território de enrijecimento do sistema escravista.  A mestiçagem articulou relações de dependência e hierarquia social baseadas na discriminação de cor, religião e estatuto”, analisa a historiadora Iris Kantor, da FFLCH-USP, que foi orientada por Novais no mestrado (1996) e no doutorado (2002) na mesma instituição. “Ele foi intérprete dos intérpretes do Brasil, e um leitor voraz da literatura sociológica, antropológica e política.”</p>
<p>Segundo a pesquisadora, Novais defendia que o senhoriato colonial havia feito a independência contra o colonizador, mas não em favor do colonizado. Daí, para ele, o caráter fugidio da identidade brasileira. Essa interpretação aparece também na leitura que o historiador fazia de <em>Macunaíma</em>: o protagonista do livro escrito por Mário de Andrade (1893-1945) seria um herói “sem caráter” justamente por ser incaracterizável, e não por um atributo moral.</p>
<p>O último capítulo do quarto volume da coleção é assinado por Novais em parceria com o economista João Manuel Cardoso de Mello, professor aposentado da Unicamp e também fundador da Facamp. No texto “Capitalismo tardio e sociabilidade moderna”, a dupla discorre sobre as mudanças de consumo no país a partir da década de 1950. “Ele não gostava muito dessa temática contemporânea. Costumava dizer que o mundo havia perdido a graça no século XVIII”, diverte-se Mello.</p>
<p>Perfeccionista e avesso à edição de seus textos, o pesquisador publicou pouco ao longo da carreira. Em 2005, por iniciativa de ex-alunos, saiu a coletânea <em>Aproximações, estudos de história e historiografia</em>, reunindo artigos escritos em diferentes momentos de sua trajetória. A obra foi relançada pela Editora 34 em 2022 e, segundo Kantor, um segundo volume está a caminho. Novais organizou também, ao lado do historiador Rogério Forastieri da Silva, <em>Nova história em perspectiva, </em>antologia em dois volumes publicada pela Cosac Naify, em 2011 e 2013.</p>
<p>Novais é lembrado pelo antidogmatismo, pela aversão a polêmicas e pela desenvoltura em sala de aula, espaço do qual nunca se afastou. A convite de Puntoni, ministrava todos os anos a aula de encerramento do curso de Brasil colonial na USP. Também lecionou na Universidade do Texas (EUA), na Universidade de Paris (França), na Universidade de Louvain (Bélgica), na Universidade de Coimbra e na Universidade de Lisboa, ambas em Portugal. Em 2006, recebeu o título de professor emérito da FFLCH-USP.</p>
<p>Intelectualmente ativo até os últimos dias, o historiador não resistiu a complicações de um infarto sofrido em fevereiro. Deixa dois filhos, o economista Luis Fernando e a editora Ana Lúcia, além de quatro netos e três bisnetos.</p>
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			</item>
		<item>
		<title>A cópia ao alcance de todos</title>
		<link>https://revistapesquisa.fapesp.br/a-copia-ao-alcance-de-todos/?utm_source=rss&#038;utm_medium=rss&#038;utm_campaign=a-copia-ao-alcance-de-todos</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Mônica Manir]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 17 May 2026 13:00:09 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Boas práticas]]></category>
		<category><![CDATA[Ética]]></category>
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					<description><![CDATA[A inteligência artificial não está transformando estudantes em plagiadores, sugere levantamento]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>Apropriação indevida de ideias ou textos de terceiros sem a devida citação, o plágio é uma grave e comum violação da integridade científica. Com o aprimoramento das ferramentas de inteligência artificial (IA), paira a desconfiança de que a prática está ganhando fôlego na escrita acadêmica. Mas um levantamento feito com estudantes australianos indicou uma redução consistente de plágio nas últimas duas décadas, que se manteve mesmo após o advento da IA generativa.</p>
<p>Entre 2004 e 2024, pesquisadores aplicaram periodicamente um questionário a estudantes, a maioria deles de graduação, de diferentes cursos da Universidade do Oeste de Sydney (WSU), na Austrália. De forma anônima, os alunos respondiam a perguntas relacionadas a diferentes formas de plágio: falsa paráfrase (quando o autor troca algumas palavras de uma frase original por sinônimos, mencionando a fonte), paráfrase ilícita (quando reescreve a ideia de outra pessoa com novas palavras, mas sem dar o devido crédito), reciclagem (reutilização de trechos de obras próprias), cópia literal (quando se reproduz o texto integralmente sem citação), <em>ghostwriting</em> (quando se paga para outra pessoa escrever um texto em seu nome) e roubo (quando alguém se apresenta como autor de um trabalho feito por outro pesquisador).</p>
<p>Para testar sua compreensão sobre o tema, os participantes tinham de dizer quais comportamentos, para eles, configuravam plágio e quais não. Também foram questionados sobre a frequência com que já haviam praticado tais violações. Com o avanço da IA generativa, em 2024 os responsáveis pelo levantamento acrescentaram uma pergunta sobre cópia literal de textos fornecidos por esse tipo de ferramenta. E, nesse mesmo ano, além da WSU, onde o estudo se desenrolou desde o início, foram incluídas outras cinco instituições de ensino australianas para comparação adicional.</p>
<p>Um gráfico mostrou que a porcentagem de estudantes que se envolveram em qualquer forma de plágio caiu a cada rodada da pesquisa, de 80,7% em 2004 para 59,6% em 2024. O delito mais cometido foi a falsa paráfrase (38,8%), seguida de perto pela paráfrase ilícita (38,3%). O roubo ficou em último lugar, com 1,3% da amostra assumindo que o praticaram na vida acadêmica. Quanto ao uso de inteligência artificial, 14,2% dos alunos em 2024 indicaram já ter copiado um texto produzido por chatbots sem dar o devido crédito, mas a maioria deles também se envolveu em pelo menos uma outra forma de plágio que não implicou usar a ferramenta. A cópia literal por IA como única má conduta foi registrada entre apenas 2% dos alunos.</p>
<p>A conclusão principal da pesquisa é que a inteligência artificial, por si só, não está transformando alunos em fraudadores. “Nosso estudo sugere que alunos que plagiaram de alguma outra forma agora também podem plagiar por meio de IA”, afirmou Guy Curtis, professor da área de neurociência aplicada na Universidade do Oeste da Austrália, em Perth, e um dos autores do trabalho – ele relatou os resultados em um texto publicado na plataforma <a href="https://theconversation.com/does-ai-mean-more-uni-students-are-plagiarising-their-work-279565" target="_blank" rel="noopener">The Conversation</a>. Curtis atribui a queda da incidência de plágio ao longo dos anos, entre outras medidas, a um melhor treinamento dos estudantes sobre as regras de referência e de citação, que teve impacto principalmente na redução de violações não intencionais.</p>
<p>Ao mesmo tempo, a combinação das respostas dos alunos sobre se eles entendem determinada prática como cópia e se já plagiaram mostrou que, atualmente, a maioria comete a violação de modo consciente. Quando se trata de copiar literalmente da IA, por exemplo, 88% dos alunos sabiam que aquele ato configurava plágio. A melhor compreensão, contudo, não eliminou a ocorrência do delito. “Isso significa que educar os alunos e fiscalizar a conduta acadêmica deve continuar sendo uma batalha constante”, afirmou Curtis.</p>
<p>Se avanços tecnológicos, como a internet e as ferramentas de inteligência artificial, tornaram o plágio mais acessível, também permitiram que esse tipo de má conduta pudesse ser rastreado com mais facilidade, graças a softwares como Turnitin, Grammarly e iThenticate, observou o psicólogo Roger Kreuz, pesquisador da Universidade de Memphis, nos Estados Unidos, autor do livro <em>Semelhanças impressionantes: Plágio e apropriação, de Chaucer aos chatbots</em>, lançado em janeiro pela Editora da Universidade de Cambridge, no Reino Unido. Apesar da facilidade em identificar cópias, o grande volume de trabalhos criativos produzidos torna desafiador detectar todas as violações, segundo o autor.</p>
<p>Kreuz observa como o conceito de plágio sofreu transformações ao longo do tempo. O poeta Geoffrey Chaucer (1343-1400), cujo nome aparece na capa do livro, adaptou ou traduziu histórias de fontes italianas, como Giovanni Boccaccio (1313-1375), num processo que foi chamado de apropriação ou reescrita, e não de plágio – simplesmente porque o conceito de autoria intelectual não existia na Idade Média. Na era Moderna, o plágio torna-se condenável, do ponto de vista moral e legal, mas somente ganha a concepção atual nos últimos 200 anos, com a consolidação da proteção dos diretos autorais. O advento do <a href="https://criticalinquiry.uchicago.edu/zheng_wang_reviews_strikingly_similar/" target="_blank" rel="noopener">ChatGPT</a>, segundo diz, demarca um momento histórico. Mas Kreuz questiona até que ponto copiar e colar os resultados de uma consulta ao chatbot realmente se encaixa no conceito mais amplo de plágio – na sua avaliação, estaria mais para <em>ghostwriting</em>, já que não se baseia na cópia de um único original e omite sua verdadeira origem.</p>
<p>Na ânsia de descobrir o perfil de quem comete esse tipo de má conduta – e ele enumera exemplos na música, na política e na ciência –, chegou a três categorias principais: os desavisados, que o fazem sem saber o que é plágio; os que o praticam acidentalmente, por falta de organização nos próprios registros, por exemplo; e aqueles que recorrem à cópia deliberadamente e com conhecimento de sua falha ética. O psicólogo entende que a apropriação de conteúdo alheio não é apenas um desrespeito à pessoa cuja escrita foi surrupiada, mas um ataque à noção de que deve ser possível rastrear a origem das ideias, identificando as pessoas de carne e osso que as formularam. “Se deixarmos de nos importar com a origem dos pensamentos, abrimos caminho para um mundo caótico de roubo e descontextualização.”</p>
]]></content:encoded>
					
		
		
			</item>
		<item>
		<title>Nair Tavares Milhem Ygnatios</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Pesquisa Brasil]]></dc:creator>
		<pubDate>Sat, 16 May 2026 13:05:39 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Entrevistas]]></category>
		<category><![CDATA[Nutrição]]></category>
		<category><![CDATA[Pol. Públicas]]></category>
		<category><![CDATA[Saúde Pública]]></category>
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					<description><![CDATA[Como a fome na infância tem efeitos sobre a saúde de pessoas idosas]]></description>
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<p>Como a fome <a href="https://revistapesquisa.fapesp.br/fome-na-infancia-ecoa-na-velhice/" target="_blank" rel="noopener">na infância tem efeitos sobre a saúde de pessoas idosas.</a></p>
<p><em>Apresentação</em>: Fabrício Marques<br />
<em>Produção, roteiro e edição</em>: Sarah Caravieri</p>
]]></content:encoded>
					
		
		
			</item>
		<item>
		<title>Marta Antunes</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Pesquisa Brasil]]></dc:creator>
		<pubDate>Sat, 16 May 2026 13:04:44 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Entrevistas]]></category>
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		<category><![CDATA[Educação]]></category>
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					<description><![CDATA[População indígena brasileira cresce e se urbaniza, mostra relatório]]></description>
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<p>População indígena brasileira <a href="https://revistapesquisa.fapesp.br/populacao-indigena-no-brasil-cresce-e-se-urbaniza/" target="_blank" rel="noopener">cresce e se urbaniza, mostra relatório.</a></p>
<p><em>Apresentação</em>: Fabrício Marques<br />
<em>Produção, roteiro e edição</em>: Sarah Caravieri</p>
]]></content:encoded>
					
		
		
			</item>
		<item>
		<title>Rebeca Freitas Lopes</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Pesquisa Brasil]]></dc:creator>
		<pubDate>Sat, 16 May 2026 13:03:51 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Entrevistas]]></category>
		<category><![CDATA[Demografia]]></category>
		<category><![CDATA[Educação]]></category>
		<category><![CDATA[Urbanismo]]></category>
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					<description><![CDATA[Comunidades de povos originários ganham visibilidade no Piauí]]></description>
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<p>Comunidades de <a href="https://revistapesquisa.fapesp.br/populacao-indigena-no-brasil-cresce-e-se-urbaniza/" target="_blank" rel="noopener">povos originários ganham visibilidade no Piauí.</a></p>
<p><em>Apresentação</em>: Fabrício Marques<br />
<em>Produção, roteiro e edição</em>: Sarah Caravieri</p>
]]></content:encoded>
					
		
		
			</item>
		<item>
		<title>Roberto Goulart Menezes</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Pesquisa Brasil]]></dc:creator>
		<pubDate>Sat, 16 May 2026 13:02:22 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Entrevistas]]></category>
		<category><![CDATA[Educação]]></category>
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					<description><![CDATA[Os impactos da avaliação dos programas de pós-graduação do país]]></description>
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<p>Os impactos <a href="https://revistapesquisa.fapesp.br/avaliacao-quadrienal-da-capes-registra-avanco-em-programas-de-pos-graduacao-de-excelencia/" target="_blank" rel="noopener">da avaliação dos programas de pós-graduação do país.</a></p>
<p><em>Apresentação</em>: Fabrício Marques<br />
<em>Produção, roteiro e edição</em>: Sarah Caravieri</p>
]]></content:encoded>
					
		
		
			</item>
		<item>
		<title>Otávio Cabral-Marques e Anny Silva Adri</title>
		<link>https://revistapesquisa.fapesp.br/otavio-cabral-marques-e-anny-silva-adri/?utm_source=rss&#038;utm_medium=rss&#038;utm_campaign=otavio-cabral-marques-e-anny-silva-adri</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Pesquisa Brasil]]></dc:creator>
		<pubDate>Sat, 16 May 2026 13:01:26 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Entrevistas]]></category>
		<category><![CDATA[Genética]]></category>
		<category><![CDATA[Neurociência]]></category>
		<category><![CDATA[Psicologia]]></category>
		<category><![CDATA[Psiquiatria]]></category>
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					<description><![CDATA[Mapeamento de rede de genes reforça caráter sistêmico da depressão]]></description>
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</div>

<p>Mapeamento de rede de genes <a href="https://revistapesquisa.fapesp.br/uma-longa-maturacao/" target="_blank" rel="noopener">reforça caráter sistêmico da depressão.</a></p>
<p><em>Apresentação</em>: Fabrício Marques<br />
<em>Produção, roteiro e edição</em>: Sarah Caravieri</p>
]]></content:encoded>
					
		
		
			</item>
		<item>
		<title>O redesenho dos povos originários</title>
		<link>https://revistapesquisa.fapesp.br/o-redesenho-dos-povos-originarios/?utm_source=rss&#038;utm_medium=rss&#038;utm_campaign=o-redesenho-dos-povos-originarios</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Pesquisa Brasil]]></dc:creator>
		<pubDate>Sat, 16 May 2026 12:57:18 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Podcast Pesquisa Brasil]]></category>
		<category><![CDATA[Demografia]]></category>
		<category><![CDATA[Educação]]></category>
		<category><![CDATA[Neurociência]]></category>
		<category><![CDATA[Nutrição]]></category>
		<category><![CDATA[Pol. Públicas]]></category>
		<category><![CDATA[Psicologia]]></category>
		<category><![CDATA[Psiquiatria]]></category>
		<category><![CDATA[Saúde Pública]]></category>
		<category><![CDATA[Urbanismo]]></category>
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					<description><![CDATA[Podcast discute os fatores que levaram ao crescimento de 89% da população autodeclarada indígena no país entre 2010 e 2022. E mais: idosos; pós-graduação; neurônios]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<div
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<p><strong>Nair Tavares Milhem Ygnatios</strong>: Como a <a href="https://revistapesquisa.fapesp.br/fome-na-infancia-ecoa-na-velhice/" target="_blank" rel="noopener">fome na infância tem efeitos sobre a saúde de pessoas idosas</a>.</p>
<p><strong>Marta Antunes</strong>: <a href="https://revistapesquisa.fapesp.br/populacao-indigena-no-brasil-cresce-e-se-urbaniza/" target="_blank" rel="noopener">População indígena brasileira cresce e se urbaniza</a>, mostra relatório.</p>
<p><strong>Rebeca Freitas Lopes</strong>: Comunidades de povos originários <a href="https://revistapesquisa.fapesp.br/populacao-indigena-no-brasil-cresce-e-se-urbaniza/" target="_blank" rel="noopener">ganham visibilidade no Piauí</a>.</p>
<p><strong>Roberto Goulart Menezes</strong>: Os impactos da avaliação dos <a href="https://revistapesquisa.fapesp.br/avaliacao-quadrienal-da-capes-registra-avanco-em-programas-de-pos-graduacao-de-excelencia/" target="_blank" rel="noopener">programas de pós-graduação do país</a>.</p>
<p><strong>Otávio Cabral-Marques e Anny Silva Adri</strong>: Mapeamento de rede de genes reforça <a href="https://revistapesquisa.fapesp.br/uma-longa-maturacao/" target="_blank" rel="noopener">caráter sistêmico da depressão</a>.</p>
<p><em>Apresentação</em>: Fabrício Marques<br />
<em>Produção, roteiro e edição</em>: Sarah Caravieri</p>
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			</item>
		<item>
		<title>Uma fonte de biodiversidade</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Igor Zolnerkevic]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 14 May 2026 17:48:31 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Ciência]]></category>
		<category><![CDATA[Ambiente]]></category>
		<category><![CDATA[Biodiversidade]]></category>
		<category><![CDATA[Ecologia]]></category>
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					<description><![CDATA[Rios da Amazônia moldaram o relevo e promoveram a distribuição de espécies ao longo de 500 mil anos]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>Uma equipe liderada pelos geólogos Cristiano Galeazzi, da Universidade de Tecnologia de Chengdu, na China, e Renato Almeida, da Universidade de São Paulo (USP), reconstruiu as mudanças no curso de oito dos principais rios da Amazônia Central, ao longo de cerca de 500 mil anos. Entre eles estão o Solimões (nome do rio Amazonas antes da confluência com o rio Negro) e alguns de seus afluentes, como o Juruá e o Madeira. O estudo sugere que o deslocamento desses rios pela planície amazônica poderia explicar a distribuição atual de seis grandes áreas de endemismo – regiões delimitadas pelos rios atuais, onde vivem muitas espécies exclusivas, sobretudo aves e macacos.</p>
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&#8211; <a href="https://revistapesquisa.fapesp.br/vazao-da-agua-cresce-ate-60-em-afluentes-do-amazonas/" target="_blank" rel="noopener">Vazão da água cresce até 60% em afluentes do Amazonas</a><br />
</div>
<p>A pesquisa demandou viagens floresta adentro para analisar as camadas sedimentares de grandes barrancos expostos nos rios Solimões e Japurá, mas começou na frente do computador. Analisando imagens de radar de alta precisão do terreno da Amazônia Central, obtidas durante uma missão do ônibus espacial <em>Endeavour</em>, da Nasa, em 2000, os pesquisadores identificaram conjuntos de cristas e depressões em forma de arcos, com mais de 2 km de raio, espalhados pelo interior da floresta. Esses vestígios de meandros abandonados são uma prova de que os grandes rios da região já cruzaram terrenos hoje mais elevados de seus canais. “Os rios migravam por áreas bem mais amplas”, afirma Galeazzi.</p>
<p>De acordo com o estudo publicado na revista , até cerca de 350 mil anos atrás, a Amazônia Central era uma planície ainda mais suave, com rios serpenteando entre florestas e pântanos frequentemente alagados – uma paisagem distinta da atual, marcada por terraços de florestas de terra firme, cortados por vales com florestas de várzea. À medida que mudava de curso, cada rio depositava grandes quantidades de areia e lama ao longo de extensas áreas chamadas de leques aluviais. Esse cenário começou a mudar há cerca 350 mil anos, quando quedas no nível do mar, associadas ao aumento do gelo nas calotas polares, reduziram o nível dos rios, que passaram a escavar vales mais profundos. “Com a incisão dos vales, áreas mais altas ficaram fora do alcance das águas dos rios, transformando leques em terra firme”, explica Galeazzi.</p>
<p>O processo se repetiu ao menos quatro vezes, em episódios separados por dezenas de milhares de anos, expandindo a área coberta pelos terraços de 150 metros (m) a 30 m de altura. Ao mesmo tempo, o avanço da terra firme permitiu a colonização gradual da planície por espécies vindas de regiões vizinhas mais elevadas. Cada população de espécies ocupou seis áreas distintas separadas pelos rios. “Os rios de hoje separam ecossistemas que antes estavam mais distantes uns dos outros”, explica o geólogo.</p>
<p>Essas evidências sugerem uma interpretação mais complexa da hipótese proposta inicialmente pelo naturalista britânico Alfred Russel Wallace (1823-1913), segundo a qual os grandes rios amazônicos seriam barreiras geográficas capazes de separar espécies de animais distintas em margens opostas. O estudo mostrou que a diversificação de espécies antecede a paisagem atual, e que os rios funcionam como barreiras dinâmicas, criando, modificando, separando e aproximando hábitats ao longo do tempo.</p>
]]></content:encoded>
					
		
		
			</item>
		<item>
		<title>Vazão da água cresce até 60% em afluentes do Amazonas</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Igor Zolnerkevic]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 12 May 2026 18:57:04 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Ciência]]></category>
		<category><![CDATA[Ambiente]]></category>
		<category><![CDATA[Biodiversidade]]></category>
		<category><![CDATA[Ecologia]]></category>
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					<description><![CDATA[Em consequência, aumentam a erosão e o transporte de sedimentos, prejudicando organismos aquáticos e comunidades ribeirinhas]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>O mais extenso e volumoso rio do mundo vem ganhando mais superlativos, dessa vez preocupantes. O Amazonas percorre cerca de 6.900 quilômetros (km), de suas cabeceiras na cordilheira dos Andes peruana ao oceano Atlântico, formando a maior bacia hidrográfica do mundo. No município de Óbidos, no Pará, a 800 km de sua foz, a vazão média do rio chegou a 160 mil metros cúbicos por segundo (m³/s) — um valor comparável à soma dos outros sete rios mais caudalosos do planeta. Durante três a oito meses por ano, o Amazonas inunda vastas áreas de sua várzea, entre 10 km e 100 km de largura, levando sedimentos e nutrientes para florestas, zonas rurais e urbanas por meio de uma rede intrincada de canais e lagos adjacentes. Nas últimas décadas, porém, o rio vem sofrendo com secas e inundações cada vez mais extremas. Durante as grandes enchentes de 2009 e 2021, na planície alagada, também chamada de várzea ou planície de inundação, de Parintins, no estado do Amazonas, a vazão quebrou recordes históricos, ultrapassando os 40 mil m³/s — quase a mesma vazão média do Congo, o principal rio da segunda maior bacia hidrográfica do mundo, na África.</p>
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<a href="https://revistapesquisa.fapesp.br/uma-fonte-de-biodiversidade/" target="_blank" rel="noopener">&#8211; Uma fonte de biodiversidade</a><br />
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<p>Essa é uma das conclusões de um estudo realizado por uma equipe de hidrólogos do Brasil, França e Reino Unido, que combinou medidas do nível e da vazão do rio, imagens de satélite e modelos computacionais para reconstituir o histórico até então desconhecido do fluxo das águas em quatro planícies de inundação do baixo Amazonas, entre os municípios de Manaus, no Amazonas, e Santarém, no Pará, durante os anos de 1970 a 2023. A pesquisa liderada pela hidróloga Alice Fassoni de Andrade, da Universidade de Brasília (UnB), mostrou mudanças surpreendentes nessa região a partir de 2005. Entre esse ano e 2023, a vazão do rio aumentou 4,7% em relação ao período de 1970 a 2004. O aumento registrado na planície do Lago Grande do Curuai, em Santarém, em frente a Óbidos, chegou a 60% — um aumento relativo 13 vezes maior, cujas consequências para a floresta de várzea e as comunidades ribeirinhas ainda precisam ser mais bem compreendidas.</p>
<p>“Já havia estudos mostrando o aumento da vazão no rio, mas não nas planícies”, conta Andrade. Sua pesquisa começou ainda durante seu doutorado, defendido em 2020, sob orientação do hidrólogo Rodrigo de Paiva, da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), coautor do artigo publicado em março na <em>Environmental Research Letters</em>. Andrade dedicou o capítulo final de sua tese ao desenvolvimento de um modelo computacional de um trecho de 1.100 km do rio Amazonas, com uma área de quase 40 mil quilômetros quadrados (km²), entre as confluências com o rio Negro, na altura de Manaus, e com o rio Xingu, em Porto de Moz, a leste de Santarém, a partir do relevo estimado por imagens de satélites, como os da série Landsat, da agência espacial norte-americana (Nasa). Modelos como esse são comuns em hidrologia, mas detalhando regiões bem menores. “Não existem muitos exemplos no mundo de um modelo tão sofisticado”, afirma Paiva.</p>
<div id="attachment_584143" style="max-width: 1150px" class="wp-caption aligncenter"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-584143 size-full" src="https://revistapesquisa.fapesp.br/wp-content/uploads/2026/05/rpf-inundacoes-amazonia-Lago-Grande-de-Curuai-2026-06-1140.jpg" alt="" width="1140" height="581" srcset="https://revistapesquisa.fapesp.br/wp-content/uploads/2026/05/rpf-inundacoes-amazonia-Lago-Grande-de-Curuai-2026-06-1140.jpg 1140w, https://revistapesquisa.fapesp.br/wp-content/uploads/2026/05/rpf-inundacoes-amazonia-Lago-Grande-de-Curuai-2026-06-1140-250x127.jpg 250w, https://revistapesquisa.fapesp.br/wp-content/uploads/2026/05/rpf-inundacoes-amazonia-Lago-Grande-de-Curuai-2026-06-1140-700x357.jpg 700w, https://revistapesquisa.fapesp.br/wp-content/uploads/2026/05/rpf-inundacoes-amazonia-Lago-Grande-de-Curuai-2026-06-1140-120x61.jpg 120w" sizes="auto, (max-width: 1140px) 100vw, 1140px" /><p class="wp-caption-text"><span class="media-credits-inline">Alice Fassoni / UNB</span>Casas e moradores da planície inundável do Lago Grande de Curuai, em Santarém (PA), durante a cheia de junho de 2022<span class="media-credits">Alice Fassoni / UNB</span></p></div>
<p>Medir a vazão de um rio tão grande é uma tarefa complexa. Entre Manaus e Santarém, a Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico (ANA) mantém algumas estações fluviométricas que monitoram continuamente o nível do Amazonas. Nas estações de Porto de Manaus, esse monitoramento remonta a 1902. Pesquisadores do Serviço Geológico do Brasil (SGB) medem a vazão diretamente apenas algumas vezes por ano, utilizando um equipamento chamado de perfilador acústico de correntes por efeito Doppler (ADCP), que usa pulsos de ultrassom para determinar a velocidade da água em diferentes profundidades. Os hidrólogos usam essas medidas para calibrar a chamada curva-chave, uma relação matemática entre a vazão e o nível medido pelas estações, que permite estimar a vazão do rio e da várzea em qualquer momento.</p>
<p>O modelo de Andrade utilizou essas estimativas de vazão do Amazonas e aquelas dos rios tributários, obtidas a partir de outro modelo de toda a bacia amazônica, desenvolvido anteriormente por Paiva e outros pesquisadores da UFRGS. A partir desses dados, o modelo usou as equações da hidrodinâmica para simular o escoamento de água pela região em duas dimensões, entre os anos de 2008 e 2010. Com uma resolução espacial de 400 metros, a simulação demorou dias para ser concluída em um computador do tipo workstation.</p>
<p>Durante a defesa de tese de Andrade, um dos membros da banca, o hidrólogo Walter Collischonn, também da UFRGS, foi o primeiro a notar que o modelo sugeria um fluxo muito elevado sobre as planícies de inundação, comparável ao de um grande rio. Em 2022, trabalhando em outro projeto, Andrade participou de uma expedição do SBG para medir a vazão na planície do Lago Grande do Curuai, durante o pico da cheia, em junho. A pesquisadora estava com o hidrólogo Ayan Fleischmann, ex-aluno de doutorado de Collischonn e atualmente no Instituto de Desenvolvimento Sustentável Mamirauá, em Tefé, Amazonas. A vazão medida em Curuai chegou quase a 17 mil m³/s — a mesma vazão média do Mississippi, o maior rio da América do Norte. Mais tarde, descobriram que pesquisadores do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) já haviam feito medidas semelhantes no mesmo local, registrando 19 mil m³/s, em junho de 2006, e 12 mil m³/s, em julho de 2014.</p>
</div><div class='overflow-responsive-img' style='text-align:center'><picture data-tablet="/wp-content/uploads/2026/05/RPF-inundacoesamazonia-2026-06-info-1140.png" data-tablet_size="1140x500" alt="">
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  </picture><span class="embed media-credits-inline">Alexandre Affonso/Revista Pesquisa FAPESP</span></div><div class="post-content sequence">
<p>Foi o que motivou a equipe a criar curvas-chave, relacionando os resultados do modelo de Andrade aos dados das estações fluviométricas entre 1970 e 2023, para estimar o histórico das vazões nas maiores planícies de inundação desse trecho do rio, com 40 a 50 km de largura: Jatuarana, em Manaus; Parintins, em Parintins; Curuai, em Santarém; e Monte Alegre, em Monte Alegre, no Pará. Os resultados mostraram que pequenas mudanças na vazão do rio ao longo de décadas foram amplificadas em até 13 vezes nas planícies de inundação. “Diante disso, propomos que é necessário monitorar continuamente os fluxos de água nas planícies, o que ainda não é feito”, afirma Andrade.</p>
<p>De acordo com os pesquisadores, o aumento não linear nos fluxos do rio e nas planícies depende de variáveis como profundidade, largura, declividade e resistência da vegetação, que freia as correntezas. Para ajudar a entender como pequenas variações no rio podem provocar grandes alterações na planície, Andrade dá um exemplo envolvendo apenas profundidade. “Se a profundidade de um rio aumenta de 50 para 55 metros [m], o aumento relativo é de 10%”, ela explica. “Agora, se o nível da água na planície, que é mais rasa que o rio, sobe de 2 para 7 m, o aumento relativo é de 250%.”</p>
<p>“É um trabalho muito importante”, considera o ecólogo Jochen Schöngart, do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa), em Manaus, que não participou da pesquisa. De acordo com ele, o aumento observado da vazão nas várzeas vai ao encontro das conclusões de outros estudos, mostrando uma intensificação do ciclo hidrológico da bacia amazônica no século XXI. Dados da estação de Porto de Manaus revelam um aumento de 18% na diferença entre o nível mínimo e máximo do Amazonas em relação ao século anterior. Essa tendência de secas e cheias cada vez mais intensas também está registrada em diferenças nos anéis de crescimento de árvores, como a arapari (<em>Macrolobium acaciifolium</em>) e o cedro-cheiroso (<em>Cedrela odorata</em>). Em 2025, uma equipe de pesquisadores do Reino Unido e do Brasil, da qual Schöngart fez parte, publicou uma análise de isótopos estáveis de oxigênio nessas espécies, mostrando o aumento da precipitação na estação chuvosa e a diminuição das chuvas no período seco, durante os últimos 40 anos.</p>
<blockquote><p>Sem as plantas e árvores da várzea, o impacto das cheias seria ainda maior</p></blockquote>
<p>Paiva explica que essa intensificação de secas e inundações na Amazônia é prevista pelos modelos do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC), que levam em conta o aquecimento global provocado pelo aumento das emissões de gases estufa. Esses modelos também indicam um aumento das chuvas no noroeste da bacia amazônica, no Peru e na Bolívia, juntamente com uma redução no sul, o que pode afetar afluentes importantes como os rios Tapajós e Xingu. “Existe muita incerteza sobre como essa combinação de mudanças no regime de chuvas vai afetar o Amazonas no futuro”, ele explica.</p>
<p>A metodologia do estudo das várzeas não permitiu analisar períodos de seca com precisão, mas outras pesquisas envolvendo colaboradores da equipe conseguiram avaliar, por meio de imagens de satélite, os impactos da seca recorde de 2023. Um estudo liderado por Fleischmann mostrou que a seca, combinada a uma onda de calor, elevou perigosamente as temperaturas dos lagos da Amazônia Central. As águas do lago Tefé chegaram a 41 graus Celsius, provocando a morte de mais de 200 botos vermelhos (<em>Inia geoffrensis</em>) e tucuxis (<em>Sotalia fluviatilis</em>) (<a href="https://revistapesquisa.fapesp.br/seca-extrema-e-onda-de-calor-elevaram-temperatura-em-lago-da-amazonia-a-41-oc-em-2023/" target="_blank" rel="noopener"><em>ver</em> Pesquisa FAPESP <em>nº 358</em></a>). Já um estudo coordenado pelo hidrólogo Daniel Maciel, do Inpe, revelou uma redução de 8% na superfície coberta por água da Amazônia Central durante os piores meses da seca, em relação à média de anos anteriores, com alguns lagos encolhendo em até 80%. Em contraste, outro estudo liderado por Fleischmann mostrou que a extensão máxima de todas as áreas alagadas durante enchentes do Amazonas aumentou 26% desde 1980.</p>
<p>“O estudo de Andrade mostra que enchentes muito intensas não causam impactos apenas por atingirem níveis elevados de água, mas também porque aumentam a velocidade com que a água se movimenta dentro das planícies de inundação”, comenta o ecólogo Leandro Castello, do Instituto Politécnico e Universidade Estadual da Virgínia, Estados Unidos, especialista em peixes da Amazônia, que não participou da pesquisa. “O aumento da velocidade da água tende a acelerar os processos de erosão, o transporte de sedimentos e de matéria orgânica, especialmente detritos, folhas, frutos e pequenos organismos que caem das árvores.”</p>
<p>“Ainda é difícil prever com precisão como o aumento da velocidade da água afetará os peixes”, avalia Castello. Ele lembra que muitas espécies podem ter dificuldades, como o pirarucu (<em>Arapaima gigas</em>), o tucunaré (<em>Cichla </em>spp.) e o acará-açu (<em>Astronotus ocellatus</em>), que vivem geralmente em lagos e dependem de áreas com correnteza mais lenta, onde se alimentam de frutos e outros itens que caem das árvores inundadas. Mas outras espécies talvez possam ser beneficiadas pelas novas condições.</p>
<p>Schöngart lembra da importância das plantas aquáticas e das árvores da várzea em absorver a força das águas. Sem elas, o impacto das cheias extremas para as populações ribeirinhas seria ainda maior. Estima-se que um sexto da biodiversidade de árvores da Amazônia venha da floresta de várzea, que por sua vez é cercada por uma grande abundância de espécies de gramíneas e outras plantas aquáticas, como o aguapé (<em>Eichhornia crassipes</em>). Entretanto, poucas áreas da várzea do Amazonas estão protegidas por unidades de conservação.</p>
<p>Entender melhor como a aceleração das cheias afeta a biodiversidade e as populações é um dos objetivos do Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia Rede de Paisagens Úmidas Brasileiras, criado em 2025 pelo Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação e coordenado por Schöngart. Andrade faz parte de um dos projetos interdisciplinares do instituto, coordenado por Fleischmann e o ecólogo Rafael Magalhães Rabelo, também do Instituto Mamirauá.</p>
<p>O objetivo desse projeto de pesquisa é propor um zoneamento ecológico-econômico da várzea da Amazônia Central, mapeando as vulnerabilidades e a resiliência de cada macro hábitat da região frente a secas e cheias extremas, cada vez mais comuns na região. “Vamos fornecer informações relevantes para políticas públicas voltadas à conservação da várzea”, afirma Schöngart.</p>
<p class="bibliografia"><strong>Artigos científicos</strong><br />
CINTRA, B. B. L. <em>et al.</em> <a href="https://doi.org/10.1038/s43247-025-02408-9" target="_blank" rel="noopener">Tree ring isotopes reveal an intensification of the hydrological cycle in the Amazon</a>. <strong>Nature Communications</strong>. 17 jun. 2025.<br />
FASSONI-ANDRADE, A. <em>et al</em>. <a href="https://iopscience.iop.org/article/10.1088/1748-9326/ae45be" target="_blank" rel="noopener">Amplified response of Amazon floodplain flows to rising river levels</a>. <strong>Environmental Reasearch Letters</strong>. 10 mar. 2026.<br />
FLEISCHMANN, A. <em>et al</em>. <a href="https://doi.org/10.1126/science.adr4029" target="_blank" rel="noopener">Extreme warming of Amazon waters in a changing climate</a>. <strong>Science</strong>. 6 nov. 2025.<br />
FLEISCHMANN, A. <em>et al</em>. <a href="https://iopscience.iop.org/article/10.1088/1748-9326/acb9a7" target="_blank" rel="noopener">Increased floodplain inundation in the Amazon since 1980</a>. <strong>Environmental Reasearch Letters</strong>. 24 fev. 2023.<br />
GALEAZZI, C. P. <em>et al</em>. <a href="https://www.science.org/doi/10.1126/sciadv.aee2085" target="_blank" rel="noopener">Mid-late Pleistocene evolution of fluvial landscapes in Central Amazonia: shaping ecosystems and areas of endemism</a>. <strong>Science Advances</strong>. v. 12, n. 20. 13 maio 2026.<br />
MACIEL, D. A. <em>et al</em>. <a href="https://iopscience.iop.org/article/10.1088/1748-9326/ad8a71" target="_blank" rel="noopener">Sentinel-1 data reveals unprecedented reduction of open water extent due to 2023-2024 drought in the central Amazon basin</a>. <strong>Environmental Reasearch Letters</strong>. 13 nov. 2024.</p>
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