<?xml version='1.0' encoding='UTF-8'?><rss xmlns:atom="http://www.w3.org/2005/Atom" xmlns:openSearch="http://a9.com/-/spec/opensearchrss/1.0/" xmlns:blogger="http://schemas.google.com/blogger/2008" xmlns:georss="http://www.georss.org/georss" xmlns:gd="http://schemas.google.com/g/2005" xmlns:thr="http://purl.org/syndication/thread/1.0" version="2.0"><channel><atom:id>tag:blogger.com,1999:blog-125173370585501828</atom:id><lastBuildDate>Fri, 01 Nov 2024 10:37:54 +0000</lastBuildDate><category>Alameda do Conde</category><category>Carl Winterblood</category><category>As Estufas</category><category>ele</category><category>A Casa de Troncos</category><category>Charles</category><category>Júlia</category><category>Louis Bott</category><category>Posto Médico</category><category>Reverendo Lossar</category><category>Samuel</category><category>Scott</category><category>Simon Santarot</category><category>Soncina</category><category>Ted Vernon</category><category>carta</category><title>Crônicas da Montanha da Neblina</title><description>E, enfim, nascerá o sol, que tudo vos mostrará.</description><link>http://fogmountain.blogspot.com/</link><managingEditor>noreply@blogger.com (Luciano A. Santos)</managingEditor><generator>Blogger</generator><openSearch:totalResults>11</openSearch:totalResults><openSearch:startIndex>1</openSearch:startIndex><openSearch:itemsPerPage>25</openSearch:itemsPerPage><item><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-125173370585501828.post-7328974304372301547</guid><pubDate>Tue, 22 Jul 2014 14:16:00 +0000</pubDate><atom:updated>2014-07-22T07:20:05.665-07:00</atom:updated><category domain="http://www.blogger.com/atom/ns#">As Estufas</category><title>Apagão</title><description>As luzes das estufas piscaram três vezes antes que se apagassem de vez. Não demorou muito e um alarme soou, indicando o problema, e pessoas de todos os cantos saíram de suas casas apressados, sabendo - e temendo - o que estava acontecendo. O que poderiam fazer se a estufa falhasse? Eram aquelas luzes que, acesas mesmo durante o dia, e em potência máxima à noite, garantiam que hortaliças fossem produzidas mesmo no clima rigoroso da montanha, e inclusive nos meses de inverno.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Alguma coisa teria de ser feita, e logo.</description><link>http://fogmountain.blogspot.com/2014/07/apagao.html</link><author>noreply@blogger.com (Luciano A. Santos)</author><thr:total>0</thr:total></item><item><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-125173370585501828.post-6979365133962296880</guid><pubDate>Sat, 10 Jul 2010 01:18:00 +0000</pubDate><atom:updated>2010-07-09T18:18:42.909-07:00</atom:updated><category domain="http://www.blogger.com/atom/ns#">Alameda do Conde</category><category domain="http://www.blogger.com/atom/ns#">Carl Winterblood</category><category domain="http://www.blogger.com/atom/ns#">Posto Médico</category><title>Posto médico</title><description>&lt;p align=&quot;justify&quot;&gt;O posto de atendimento médico ficava na Alameda do Conde, estrategicamente posicionado na metade da montanha, assim como outros importantes órgãos que cuidavam do bem-estar da comunidade, o que evitava que se tivesse que subir ou descer completamente a montanha em busca de algum atendimento. &lt;/p&gt;  &lt;p align=&quot;justify&quot;&gt;Carl Winterblood parou em frente à porta, eram aproximadamente 11 da manhã, e os olhares de todos os moradores ainda o incomodava, mas para isso, pensou ele, o único remédio era o tempo. Pousou sua bagagem no chão de pedra e tateou o bolso a procura da chave.&lt;/p&gt;  &lt;p align=&quot;justify&quot;&gt;O fato de terem lhe enviado a chave pelo serviço postal o incomodou um pouco, era quase como se não lhe permitissem recusar o convite, ou, pior, como se soubesse que ele não tinha condições de recusá-lo. E não tinha mesmo.&lt;/p&gt;  &lt;p align=&quot;justify&quot;&gt;“Espartano”.&lt;/p&gt;  &lt;p align=&quot;justify&quot;&gt;Foi a primeira palavra na qual Carl pensou ao olhar o interior. A recepção era espaçosa, uma sólida construção de pedra e argamassa, com grandes janelas em três paredes que possibilitavam uma boa ventilação do recinto, e algumas poucas cadeiras cobertas com lençóis brancos espalhadas pelo local. &lt;/p&gt;  &lt;p align=&quot;justify&quot;&gt;Winterblood deixou a bagagem sobre o balcão de pedra da recepção e olhou melhor ao seu redor. “Não é de todo ruim”, pensou, encaminhando-se para as altas janelas e abrindo suas folhas para o exterior, afim de que o ar morto acumulado por 5 anos finalmente escapasse dali.&lt;/p&gt;  &lt;p align=&quot;justify&quot;&gt;Nos fundos da recepção havia um umbral que dava para um corredor, nele, a poucos passos da recepção, haviam duas salas, uma de cada lado. Após uma rápida inspeção, Carl notou que a da esquerda estava desprovida de qualquer tipo de móvel ou equipamento, e a da direita, pouco maior que a anterior, possuía alguns armários, uma grande mesa de madeira e uma cadeira giratória do outro lado, tudo coberto por lençóis. “Este é meu consultório”, pensou, sentindo-se culpado ao ver, logo depois, pendurado na parede atrás da cadeira um diploma emoldurado, pertencente a algum médico anterior que ele não se preocupou em saber quem fora.&lt;/p&gt;  &lt;p align=&quot;justify&quot;&gt;Saindo da sala, a direita, havia um grande cômodo que Carl constatou ser a cozinha, e, ao final do corredor, uma pequena porta levava a uma sala com diversos armários vitrine com recipientes como cubas e tubos de ensaio, e um quadro geral com algumas válvulas e registros que o médico adivinhou serem as responsáveis pela iluminação e aquecimento a gás do posto médico. Ao fundo havia uma segunda porta, que Carl logo seguiu para investigar o que era. Ela havia sido escavada na pedra e nela a temperatura era sensivelmente menor que nas outras repartições. Ali se encontravam prateleiras com dezenas de recipientes com substâncias que Carl julgou medicamentosas, apesar de estarem em tal estado que o médico decidiu por descartá-las mais tarde.&lt;/p&gt;  &lt;p align=&quot;justify&quot;&gt;Por fim, o corredor virava a esquerda, onde, lado a lado, haviam duas escadas, uma para o pavimento superior, onde ficavam as dependências para internação, quatro ao total, todas com com boa ventilação e dutos de aquecimento; e uma para o subsolo, todo escavado na pedra dura da montnha, onde Carl, não sem um sincero pesar, verificou ficar sua nova casa.&lt;/p&gt;  &lt;p align=&quot;justify&quot;&gt;“Que assim seja”.&lt;/p&gt;  </description><link>http://fogmountain.blogspot.com/2010/07/posto-medico.html</link><author>noreply@blogger.com (Luciano A. Santos)</author><thr:total>2</thr:total></item><item><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-125173370585501828.post-8507018113482136832</guid><pubDate>Sun, 20 Jun 2010 00:34:00 +0000</pubDate><atom:updated>2010-06-19T20:35:18.862-07:00</atom:updated><category domain="http://www.blogger.com/atom/ns#">carta</category><title>A Carta</title><description>&lt;p align=&quot;justify&quot;&gt;As ruas, desertas, foram as únicas testemunhas daquele pequeno pedaço de papel que, sem direção, única e exclusivamente ao sabor do vento, planava incerto. Assim, ninguém jamais soube de seu conteúdo, a não ser quem a escrevera, que agora estava num lugar de onde não poderia sair tão cedo. &lt;/p&gt;  &lt;p align=&quot;justify&quot;&gt;Dizia mais ou menos assim:&lt;/p&gt;  &lt;blockquote&gt;   &lt;p align=&quot;justify&quot;&gt;Sabe que te amei e sempre vou te amar, mas é difícil suportar ver como as coisas são, como tudo se tornou tão incerto e escuro, e como você mudou tanto.&lt;/p&gt;    &lt;p align=&quot;justify&quot;&gt;Ouve um tempo que sonhei em sempre estar com você, dividir cada segundo meu com coisas tuas, em sentir em mim tudo o que pudesse me oferecer, aceitando sem pestanejar. Mas você mudou. Mudou e, de forma alguma posso dizer que admiro a pessoa que se tornou. Nada pode mudar desta forma sem uma explicação, sem um motivo, e você nunca me disse se possuía algum, e sinceramente duvido que eu possa entendê-los, sejam eles quais forem. &lt;/p&gt;    &lt;p align=&quot;justify&quot;&gt;Penso numa lagarta, que, repugnante e perigosa, se recolhe em seu casulo para se tornar um ser melhor, que nos encanta com suas cores vivas e a graça de seu voo. Você, ao contrário, passou, de uma boa pessoa, amigável, amorosa e tenaz, a uma fera pronta para ferir, maltratar e humilhar.&lt;/p&gt;    &lt;p align=&quot;justify&quot;&gt;Acredite, não era esta a carta que gostaria de escrever-te, mas é a única que nossa atual condição me permite redigir.&lt;/p&gt;    &lt;p align=&quot;justify&quot;&gt;Caso mude, um dia, talvez ainda esteja te esperando, mas somente se você ainda for capaz de amar, de ser quem um dia já foi. Mas não pense que espero que este amor seja direcionado à mim. &lt;/p&gt;    &lt;p align=&quot;justify&quot;&gt;Terei de ir, levando consigo algo teu, não por desejo meu, mas por imposição de nossa natureza.&lt;/p&gt; &lt;/blockquote&gt;  &lt;p&gt;Por fim, o pequeno papel amassado encontrou um precipício e se perdeu. Talvez para sempre.&lt;/p&gt; &lt;a name=&#39;more&#39;&gt;&lt;/a&gt; &lt;p&gt;____&lt;/p&gt;  &lt;p align=&quot;justify&quot;&gt;Esta postagem faz parte da blogagem coletiva proposta pela Vanessa do &lt;a href=&quot;http://fio-de-ariadne.blogspot.com/2010/06/cartas-de-amor_14.html&quot;&gt;Fio de Ariadne&lt;/a&gt;, assim como é de fundamental importância ao que aconteceu na montanha, um dia.&lt;/p&gt;  </description><link>http://fogmountain.blogspot.com/2010/06/carta.html</link><author>noreply@blogger.com (Luciano A. Santos)</author><thr:total>4</thr:total></item><item><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-125173370585501828.post-4710020046584014037</guid><pubDate>Fri, 28 May 2010 18:36:00 +0000</pubDate><atom:updated>2010-05-28T11:36:22.832-07:00</atom:updated><category domain="http://www.blogger.com/atom/ns#">A Casa de Troncos</category><category domain="http://www.blogger.com/atom/ns#">Alameda do Conde</category><category domain="http://www.blogger.com/atom/ns#">Ted Vernon</category><title>Ted Vernon</title><description>&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;O véu formado pela neblina envolvia toda a montanha, ficando mais espesso à medida que se subia por seus caminhos tortuosos rumo ao cume. Ted Vernon, um vigia-noturno de trinta e poucos anos percorria o caminho que trilhava quase todas as noites, montanha acima, direcionando sua lanterna para um lado e o outro, assoprando, às vezes, o apito que trazia nos lábios, avisando aos moradores de bem, àquela hora já deitados e no segundo sono, que estava ali para manter a ordem, e que a mesma seria mantida.&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;br /&gt;
&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;Mesmo tendo nascido na montanha - e sendo seu filho por direito de quatro gerações - não se lembrava de a névoa ser tão espessa e fria naquela época do ano, e nem de carregar o ar com tamanha sensação de desespero, de abandono. Homem feito, crente nas leis que a Religião propunha aos seus fiéis, tratou de afastar tais pensamentos, procurando assoviar uma antiga canção. &lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;br /&gt;
&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;Saindo da Alameda do Conde, virou à direita e pegou um caminho estreito, que levava até a face da montanha onde se encontrava a habitação no extremo norte habitável, uma simples casa de troncos, de um cômodo só, e aparentemente abandonada a anos. Passando por ela, Ted não pode deixar de se benzer, e enterrou o pescoço nos ombros para evitar o calafrio que sempre acompanhava uma passagem pelo local. Pouco depois, cerca de vinte ou trinta passos, o vigia chegou até o chamado limite habitável, que terminava abruptamente num despenhadeiro com duas centenas de metros de profundidade. &lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;br /&gt;
&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;Tirando um cigarro do bolso interno do blusão, Ted olhou para baixo admirando o mar branco de névoa, que, de cima, parecia compacto ao ponto de poder sustentar uma pessoa, de modo que ela pudesse caminhar tranquilamente pela neblina.&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;br /&gt;
&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;Por um momento Ted divagou em pensamentos, e, então, sentiu algo tocar suas costas, primeiro de leve, depois empurrando-o com força para o precipício. Dois segundos depois e Ted Vernon entendeu que o mar de névoa não o sustentaria.&lt;/div&gt;</description><link>http://fogmountain.blogspot.com/2010/05/ted-vernon.html</link><author>noreply@blogger.com (Luciano A. Santos)</author><thr:total>2</thr:total></item><item><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-125173370585501828.post-3715631529547921181</guid><pubDate>Sun, 25 Apr 2010 18:26:00 +0000</pubDate><atom:updated>2010-04-25T11:26:02.909-07:00</atom:updated><category domain="http://www.blogger.com/atom/ns#">Carl Winterblood</category><category domain="http://www.blogger.com/atom/ns#">Louis Bott</category><title>Carl Winterblood</title><description>&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;O novo médico chegara no trem das 9 da manhã, usava um terno marrom e gravata preta, e, como todo forasteiro em uma cidade pequena, imediatamente chamou a atenção de todos na estação.&amp;nbsp;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;br /&gt;
&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;Se esforçou para não parecer embaraçado com a situação, e tratou logo de exibir o sorriso mais encantador que se poderia exibir numa situação como aquela, mas de pouco adiantou, pois as pessoas não se animaram a retribuir.&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;br /&gt;
&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;Os moradores mais antigos não gostavam dos forasteiros, achavam que eles não eram merecedores de morar na montanha por não serem filhos dela, ou seja, por não serem filhos de um morador dela, mas Carl Winterblood fora nomeado pelo governador, então não tinha outra escolha a não ser assumir seu posto. Ele sabia que não seria fácil, e imaginava como receberiam - e respeitariam - um médico que ainda não completara 25 anos, e que apenas tivera contato com os pacientes nos tempos de faculdade, supervisionado por um professor.&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;br /&gt;
&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;Pelo que conseguiu apurar na capital, a mais de cinco anos nenhum médico aceitara residir na montanha, pois, afirmavam, era um lugar frio, isolado, e com moradores difíceis de lidar. O último, Louis Bott, abandonara o posto e pedira demissão sem dar maiores detalhes. Mas Carl não tinha escolha: como recém formado, não tinha um tostão sequer para montar um consultório, e tampouco influência para conseguir clinicar juntamente com algum médico renomado da capital.&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;br /&gt;
&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;A montanha era sua única alternativa, e ele estava disposto a encará-la.&lt;/div&gt;</description><link>http://fogmountain.blogspot.com/2010/04/carl-winterblood.html</link><author>noreply@blogger.com (Luciano A. Santos)</author><thr:total>4</thr:total></item><item><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-125173370585501828.post-1037638083729606051</guid><pubDate>Sat, 16 Jan 2010 02:53:00 +0000</pubDate><atom:updated>2010-01-21T02:17:26.193-08:00</atom:updated><category domain="http://www.blogger.com/atom/ns#">Charles</category><category domain="http://www.blogger.com/atom/ns#">Reverendo Lossar</category><category domain="http://www.blogger.com/atom/ns#">Scott</category><title>Citações</title><description>&lt;div align=&quot;justify&quot;&gt;“O poder da palavra pode mudar o mundo”.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;/div&gt;&lt;div align=&quot;justify&quot;&gt;Segundo muitos, estas foram as últimas palavras do Reverendo Lossar antes de partir para, segundo o próprio, um mundo melhor.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;/div&gt;&lt;div align=&quot;justify&quot;&gt;Aqueles que presenciaram a cena comentaram, tempos depois, que o Reverendo dissera aquilo com uma convicção tão grande que, no momento, acreditaram piamente que bastava uma palavra para mudar o mundo.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;/div&gt;&lt;div align=&quot;justify&quot;&gt;Mas qual palavra?&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;/div&gt;&lt;div align=&quot;justify&quot;&gt;“O pior de se ouvir confissões de um moribundo é que ele pode não ter tempo de concluir o que iria dizer.”&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;/div&gt;&lt;div align=&quot;justify&quot;&gt;Esta era a opinião de Charles, o vigilante, que estivera presente no momento em que o velho reverendo pronunciara suas últimas palavras. Apesar de ter formulado este pensamento, Charles não era uma pessoa má, pelo contrário, acreditara, como os outros, que uma palavra bastaria para mudar o mundo, mas que palavra? Pelo visto o Reverendo levara o segredo para o túmulo.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;/div&gt;&lt;div align=&quot;justify&quot;&gt;“Mais um. E em pleno inverno.”&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;/div&gt;&lt;div align=&quot;justify&quot;&gt;Scott, o coveiro, não era um fã ardoroso de cavar a terra dura da montanha, ainda mais em pleno inverno. Sendo assim, não conseguiu conter as palavras, e, assustado, ouviu seus lábios a sussurrarem quando foram chamá-lo para providenciar o que fosse necessário para que o Reverendo alcançasse seu sono eterno.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;/div&gt;&lt;div align=&quot;justify&quot;&gt;“Quinze anos de azar”&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;/div&gt;&lt;div align=&quot;justify&quot;&gt;Dissera o mensageiro que fora acordar Scott em sua casa. Homem supersticioso, acreditava que sete anos seriam pouco para tamanha blasfêmia, ainda mais em se tratando de um reverendo. Scott amargaria quinze anos de azar.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;/div&gt;&lt;div align=&quot;justify&quot;&gt;E fez o sinal da cruz.&lt;br /&gt;
&lt;/div&gt;</description><link>http://fogmountain.blogspot.com/2010/01/citacoes.html</link><author>noreply@blogger.com (Luciano A. Santos)</author><thr:total>8</thr:total></item><item><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-125173370585501828.post-22979481393022605</guid><pubDate>Fri, 01 Jan 2010 17:39:00 +0000</pubDate><atom:updated>2010-01-01T09:39:00.942-08:00</atom:updated><category domain="http://www.blogger.com/atom/ns#">As Estufas</category><category domain="http://www.blogger.com/atom/ns#">ele</category><category domain="http://www.blogger.com/atom/ns#">Júlia</category><title>Júlia</title><description>&lt;p align=&quot;justify&quot;&gt;O primeiro pensamento que lhe vinha à cabeça era de como tudo, por mais estranho que fosse, era perfeitamente normal.&lt;/p&gt;  &lt;p align=&quot;justify&quot;&gt;Se já não tivesse perdido a conta estava ali a pelo menos nove meses, o que era engraçado, pois lembrava o tempo de gestação de uma pessoa comum. Não que ela já tivesse estado grávida, ou que não fosse uma pessoa comum, mas, muitas vezes, os outros faziam com que se sentisse estranha, diferente, e fora do mundo ao qual devia pertencer.&lt;/p&gt;  &lt;p align=&quot;justify&quot;&gt;Este era o problema de se morar numa montanha: se não te aceitam, para onde pode ir?&lt;/p&gt;  &lt;p align=&quot;justify&quot;&gt;Não que ela não tenha tentado. Anos a fio trabalhou nas estufas, tentando parecer com todo mundo, rir como riam, contar histórias como contavam, viver, simplesmente, como viviam. Mas as cores não ajudavam muito. Sempre as cores. E sua mania de falar sobre elas.&lt;/p&gt;  &lt;p align=&quot;justify&quot;&gt;Júlia não entendia como as cores podiam aparecer em lugares tão insólitos. Claro que ela admirava a brancura da neve, o amarelo pálido do sol, e o alegre mar de cores que surgia diante de seus olhos no interior das estufas, mas não conseguia atinar com o por que de uma conversa maldosa ser vermelho vivo, de um sussurro conspirador ser negro, de uma palavra amigável ser branca.&lt;/p&gt;  &lt;p align=&quot;justify&quot;&gt;Lembrava-se bem da cor das palavras d’Ele naquela noite. Eram do vermelho mais vivo que já vira, seus olhos marejaram no mesmo instante, e ela soube que algo de muito ruim iria acontecer.&lt;/p&gt;  &lt;p align=&quot;justify&quot;&gt;Duas batidas na porta a trouxe de volta à realidade. Pouco depois uma voz, forçosamente agradável, disse:&lt;/p&gt;  &lt;p align=&quot;justify&quot;&gt;- Júlia, querida, é hora de tomar seus remédios.&lt;/p&gt;  </description><link>http://fogmountain.blogspot.com/2010/01/julia.html</link><author>noreply@blogger.com (Luciano A. Santos)</author><thr:total>5</thr:total></item><item><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-125173370585501828.post-8815900379683884582</guid><pubDate>Fri, 23 Oct 2009 17:44:00 +0000</pubDate><atom:updated>2009-11-10T03:48:55.113-08:00</atom:updated><category domain="http://www.blogger.com/atom/ns#">Alameda do Conde</category><category domain="http://www.blogger.com/atom/ns#">Samuel</category><title>Samuel</title><description>&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;Pela vidraça ela conseguiu ver que ele estava lá. Sempre estava, todos os dias, do começo da manhã até o início da noite &lt;br /&gt;
&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;br /&gt;
&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;Samuel perdera o filho haviam mais de vinte anos, mas desde então se dirigia ao mesmo lugar e lá ficava, quase sem se mover, como que esperando que um milagre trouxesse seu garoto de volta. Com o tempo as pessoas se acostumaram com sua presença ali, na grande entrada da mina, e desviavam dele, balbuciando tímidos cumprimentos, alguns tocando levemente em seus ombros, e seguindo seus caminhos de cabeças baixas partilhando com aquele pai desesperado toda a dor que pode haver no mundo.&lt;br /&gt;
&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;br /&gt;
&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;Ninguém em toda a montanha era capaz de dizer ao certo quando fora a última vez que ouvira Samuel&amp;nbsp; pronunciar uma palavra sequer. Alguns diziam que ele não falara mais nada desde a perda do filho, outros juravam que ouviram, pouco tempo depois, ele gritar alucinado para dentro das profundezas da mina o nome de seu &quot;pequeno&quot;. O fato é que ele permanecia todos os dias ali, tal qual uma estátua, como um rascunho humano, à espera de alguém que sabiam que não voltaria mais.&lt;br /&gt;
&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;br /&gt;
&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;No fim da tarde, já quase noite, viam-no se dirigir para sua casa, na Alameda do Conde. Ao entrar pela porta, era como se desaparecesse para o mundo. Nenhuma vela era acesa, nada se ouvia. Pouco a pouco a névoa descansava sobre a terra, e não se falava ou se pensava mais em Samuel. Era apenas mais um triste entardecer para aquele rascunho de homem. &lt;br /&gt;
&lt;/div&gt;</description><link>http://fogmountain.blogspot.com/2009/10/samuel.html</link><author>noreply@blogger.com (Luciano A. Santos)</author><thr:total>2</thr:total></item><item><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-125173370585501828.post-1683691394199035210</guid><pubDate>Fri, 28 Aug 2009 16:43:00 +0000</pubDate><atom:updated>2009-08-28T09:52:39.823-07:00</atom:updated><category domain="http://www.blogger.com/atom/ns#">ele</category><title>Ele</title><description>&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;Não se lembrava das madrugadas terem sido tão frias um dia, até mesmo a neblina parecia enrijecida, e os ventos sequer assobiavam.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Olhou para o céu e viu a Lua, redonda, se insinuar timidamente com seu brilho através do espesso véu.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O silêncio reinava noite a dentro, nenhum som de coisa alguma. Por um momento não ouviu sua própria respiração e se assustou. Havia coisas com as quais não conseguia se acostumar. Mas não era importante. Ouvir ou não, estar presente ou não. Nada fazia diferença.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No final, ele pensou, o que importa é que tudo estava como sempre estivera, e era bom que estivesse assim.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No entanto, ele bem sabia, estava pronto para mudar.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;</description><link>http://fogmountain.blogspot.com/2009/08/ele.html</link><author>noreply@blogger.com (Luciano A. Santos)</author><thr:total>6</thr:total></item><item><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-125173370585501828.post-5881684349883509126</guid><pubDate>Sat, 06 Jun 2009 19:02:00 +0000</pubDate><atom:updated>2010-01-04T10:33:43.739-08:00</atom:updated><category domain="http://www.blogger.com/atom/ns#">Alameda do Conde</category><category domain="http://www.blogger.com/atom/ns#">Simon Santarot</category><title>Alameda do Conde</title><description>&lt;div align=&quot;justify&quot;&gt;Há milênios ela estava ali, porém os homens que chegaram vários séculos depois acreditavam que a haviam construído. Até deram um nome a ela. Por mais ridículo que pudesse parecer, chamavam seus tortuosos caminhos de alameda, e, apesar de precisarem dela mais do que de qualquer outra, já que, se tinham de subir ou descer tinham de passar por ela, teimavam em maltratá-la, em esculpíila, em deixar que seus dejetos corressem por ela livremente (pelo menos até que Simon Santarot, um velhinho estranho, instalara as tubulações de saneamento básico), e em banhá-la de sangue depois das brigas mortais que volta e meia aconteciam. Não que ela achasse isso ruim. Não é agradável sustentar o peso de uma raça inútil que se acha dona do mundo. Quando um se vai mais cedo é um peso a menos para sustentar.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;/div&gt;&lt;div align=&quot;justify&quot;&gt;Mas não havia opção.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;/div&gt;&lt;div align=&quot;justify&quot;&gt;Então era ficar ali, esperando o dia em que a névoa, o frio e o isolamento os consumisse. Isso já acontecera uma vez, com uma tribo qualquer. Por que, então, não aconteceria de novo?&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;/div&gt;&lt;div align=&quot;justify&quot;&gt;Era esperar. Ao contrário de todos os outros, ela não tinha pressa. Afinal, onde poderia ir?&lt;br /&gt;
&lt;/div&gt;</description><link>http://fogmountain.blogspot.com/2009/06/alameda-do-conde.html</link><author>noreply@blogger.com (Luciano A. Santos)</author><thr:total>4</thr:total></item><item><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-125173370585501828.post-5946518369260370160</guid><pubDate>Sun, 31 May 2009 01:32:00 +0000</pubDate><atom:updated>2010-05-01T21:30:29.952-07:00</atom:updated><category domain="http://www.blogger.com/atom/ns#">Carl Winterblood</category><category domain="http://www.blogger.com/atom/ns#">Soncina</category><title>Soncina</title><description>&lt;div align=&quot;justify&quot;&gt;Soncina, uma velha senhora, levantava com dificuldade de sua cama. Há dias não dormia bem, justo ela que estava velha, morava sozinha e precisava descansar o máximo de tempo possível para que pudesse dar conta de seus afazeres no dia seguinte. Não queria que pensassem que ela era uma mulher sebosa. Nunca o fora, não seria agora, na velhice, que deixaria que a insultassem.&lt;br /&gt;
&lt;/div&gt;&lt;p&gt;&lt;div align=&quot;justify&quot;&gt;A cama velha rangia a cada movimento, os cobertores estavam jogados aos seus pés, com uma das pontas no chão, resultado de seu movimento intuitivo de se livrar deles para se por de pé. Tateou com os pés em busca de suas sapatilhas que sempre ficavam no ponto onde bastasse ela tocar no chão e não encostaria no piso frio, mas no forro de cortiça da sapatilha.&lt;br /&gt;
&lt;/div&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;div align=&quot;justify&quot;&gt;Calçou, se levantou com um pequeno impulso dos braços contra a cama e apanhou um toco de vela num criado-mudo bambo. Acendeu a vela com dificuldade depois de riscar um palito de fósforo na parede de pedra centenária. A fraca luz da chama iluminou o pequeno e pobre quarto, a cozinha ficava logo ao lado, mas ela se sentia fraca e daria qualquer coisa para não ter que ir até lá, mas a sede era torturante, e sentia sua garganta arder, então dispôs-se a ir rápido, quanto antes voltasse para a cama melhor, dormiria mais.&lt;/div&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;div align=&quot;justify&quot;&gt;&quot;Um copo ao lado da cama&quot;, pensava Soncina aborrecida, &quot;nem pensar, não sei onde aquele doutor estava com a cabeça. Como vou deixar um copo ao lado da cama a noite toda, e se um rato cismar em beber dele? Ou uma barata? Aquele doutor é estranho, e além do mais não é um nativo, não é filho da pedra. E se fosse bom médico não teria acontecido nada do que aconteceu. Nada.&quot;&lt;br /&gt;
&lt;/div&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;div align=&quot;justify&quot;&gt;Com a visão embaçada, em parte pela idade, em parte pela teimosia em não usar os óculos que o doutor indicara, e ainda em parte pelo sono mal dormido, Soncina ia em direção a cozinha se apoiando nas paredes, arrastando as sapatilhas de cortiça no piso frio, vagarosamente, até que parou defronte a pia e se serviu da água. O silêncio era tão grande que ela ouviu o líquido bater no fundo do estômago vazio. Soncina não tinha comido nada aquela noite, estivera cansada demais para cozinhar.&lt;br /&gt;
&lt;/div&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;div align=&quot;justify&quot;&gt;Pela janela de vidros grossos ela podia ver grande parte da cidade, porém nada estava visível, nem um metro sequer, nem mesmo os lampiões que iluminavam os corredores estreitos que eram as ruas. Tudo estava silencioso, calmo e envolto numa grossa cortina de névoa.&lt;br /&gt;
&lt;/div&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;div align=&quot;justify&quot;&gt;Soncina deixou a caneca de metal velho cair na pia de pedra gasta com um som metálico que lutou para se propagar, mas, pouco depois de sair dos limites da casa, foi abafado pela névoa, então voltou em direção ao seu quarto. &quot;Tudo está como sempre esteve&quot;, pensou Soncina, &quot;e é bom que esteja assim&quot;.&lt;/div&gt;&lt;/p&gt;</description><link>http://fogmountain.blogspot.com/2009/05/soncina.html</link><author>noreply@blogger.com (Luciano A. Santos)</author><thr:total>2</thr:total></item></channel></rss>