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	<title>Ceticismo Aberto</title>
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	<description>Paranormal e Ufologia sem ofender sua inteligência</description>
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		<title>Novo Fen&#244;meno Natural tem Nome: Crown Flash</title>
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		<pubDate>Thu, 25 Aug 2011 02:59:40 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Mori</dc:creator>
				<category><![CDATA[Ciência]]></category>
		<category><![CDATA[Fortianismo]]></category>
		<category><![CDATA[meteorologia]]></category>
		<category><![CDATA[natureza]]></category>
		<category><![CDATA[vídeos]]></category>

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		<description><![CDATA[Novos vídeos de um&#160; fascinante fenômeno foram capturados na Singapura no último dia 14 de agosto de 2011, e prontamente [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><iframe height="480" src="http://www.youtube.com/embed/E4sY98zsBH0" frameborder="0" width="600" allowfullscreen="allowfullscreen"></iframe></p>
<p>Novos vídeos de um&#160; fascinante fenômeno foram capturados na Singapura no último dia 14 de agosto de 2011, e prontamente partilhados na rede em alta definição. O usuário “<a href="http://www.youtube.com/user/abrigatti" target="_blank">abrigatti</a>” descreve o registro:</p>
<blockquote><p>“Estava ao lado da piscina na Singapura, quando vi algo estranho nos céus. Quando olhei para cima vi estranhas nuvens dispararem luz e vapores enquanto elas se alteravam esporadicamente. Podia ver que a nuvem de tempestade estava se formando, mas o show de luz visual me intrigou. Então peguei meu iPhone e gravei isto”.</p>
</blockquote>
<p>O segundo vídeo permite uma visão um tanto mais detalhada, e pelo visto a melhor já feita do fenômeno:</p>
<p><iframe height="480" src="http://www.youtube.com/embed/hJokSDCSePQ" frameborder="0" width="600" allowfullscreen="allowfullscreen"></iframe></p>
<p><a href="http://www.ceticismoaberto.com/ufologia/6222/novo-fenocircmeno-natural-faz-luzes-danccedilarem-no-ceacuteu" target="_blank">No mês passado havíamos abordado em <em>CeticismoAberto</em></a> como este novo fenômeno natural, sugerido pelo engenheiro <strong>William Beaty</strong> e encontrado em vídeos diversos pela rede poderia ser explicado.</p>
<p>Seriam algo relacionado a parélios e <a href="http://www.ceticismoaberto.com/fortianismo/1348/clouds-of-wonder" target="_blank">nuvens</a> <a href="http://www.ceticismoaberto.com/galeria/imagens-de-ovnis/5418/pileus" target="_blank">pileus</a>, onde os cristais de gelo no topo de nuvens de tempestade se realinhariam rapidamente – em conjunto, em velocidades superiores à do som &#8212; em resposta quase imediata às mudanças dos campos elétricos de tempestades próximas.</p>
<p align="center"><img style="background-image: none; border-bottom: 0px; border-left: 0px; padding-left: 0px; padding-right: 0px; display: inline; border-top: 0px; border-right: 0px; padding-top: 0px" title="pileus 1 900   Novo Fen&ocirc;meno Natural tem Nome: Crown Flash" border="0" alt="pileus 1 900 ciencia" src="http://www.ceticismoaberto.com/wp-content/uploads/2011/08/pileus-1-900.jpg" width="600" height="399" />    <br />[<a href="http://www.gccaz.edu/earthsci/imagearchive/pileus.htm" target="_blank">Nuvem pileus</a>]</p>
<p>Desde então, Beaty adicionou novas especulações em sua página, e recebemos em correspondência pessoal mais confirmações do fenômeno. Ao final de nosso artigo perguntávamos por que o fenômeno ainda não havia sido explorado academicamente, ou mesmo na literatura alternativa.</p>
<p>Resulta que ele já foi descrito, como nos apontou o belga <a href="http://www.caelestia.be/" target="_blank"><strong>Wim Van Utrecht</strong></a>. Em uma correspondência à revista <em>Nature</em> em 1971, <strong>John Gall</strong> e <strong>Maurice Graves</strong> descrevem um “<a href="http://www.nature.com/nature/journal/v229/n5281/abs/229184b0.html" target="_blank">Possível Novo Fenômeno Meteorológico Chamado <em>Crown Flash</em></a>”:</p>
<blockquote><p>2 de Julho de 1970, Ann Arbor, Michigan: Enquanto observávamos uma nuvem de tempestade, “No e logo acima do pico de uma célula de tempestade uma massa de nuvem pareceu passar por mudanças bruscas de luminosidade durando vários segundos de cada vez… O fenômeno continuou a ocorrer repetidamente em intervalos de 30-60s durante os próximos 15 ou 20 minutos, fornecendo a base para a seguinte descrição. O aumento no brilho repentino começou ao mesmo tempo que os raios na massa principal da nuvem, mas continuou depois que o flash do raio havia acabado. Tinha a aparência de um facho estendendo-se como uma onda para cima e para fora da região logo a oeste do pico da nuvem cúmulo, lembrando uma exibição em leque da aurora boreal. Durou uma fração substancial de um segundo com cada raio. Em uma ou duas ocasiões tinha a aparência de um anel luminoso movendo-se rapidamente para fora e cima do pico do cúmulo. Nestas ocasiões, observou-se claramente que se estendia além da nuvem e em direção ao céu azul. Uma sombra linear, aparentemente causada por uma das massas de cúmulo, pareceu alterar sua posição subitamente para cima ou para baixo em cada ocorrência do evento”.</p>
</blockquote>
<p>A referência havia sido compilada por <strong>William Corliss</strong>, conhecido estudioso coletando anomalias relatadas na literatura científica. Utrecht encontrou diversas outras referências descrevendo o fenômeno datando desde o fim do século 19, e que agora sabemos ter sido batizado de “<em><strong>Crown Flash</strong></em>”, e que podem ser lidas <a href="http://forgetomori.com/2011/science/a-new-natural-phenomenon-crown-flash/" target="_blank">na versão em inglês desta nota</a>.</p>
<p>O britânico <a href="http://martinshough.com/aerialphenomena/" target="_blank"><strong>Martin Shough</strong></a> também notou que <a href="http://www.fma-research.com/Sprites99/CHAPTER-X.pdf" target="_blank">nos anais de um congresso científico realizado em 1999</a> (PDF), há menção à súbita mudança na luminosidade de nuvens associada a tempestades elétricas. Que teriam sido… observadas por satélites! E uma das explicações, de fato “<em>a única explicação viável</em>” à qual os cientistas chegaram para explicar o evento foi aquela apontada por Beaty em sua página: “<em>o realinhamento de cristais de gelo como resultado da dinâmica de cargas associada com grandes eventos de relâmpagos positivos</em>”.</p>
<p>Há pouco, Utrecht nos avisou ter encontrado um artigo do periódico da <em>Sociedade Meteorológica Americana</em> (<a href="http://journals.ametsoc.org/doi/pdf/10.1175/1520-0450(1974)013%3C0573%3ARTIEOM%3E2.0.CO%3B2" target="_blank">PDF</a>), em que a observação de Gall e Graves do Crown Flash é mencionada, bem como a explicação a ele, em linha com a sugestão de Beaty, mas indicada pelo professor <strong>Bernard Vonnegut</strong>, publicada nada menos que em 1965!</p>
<blockquote><p>“A teoria de Vonnegut sugere a seguinte explicação ao fenômeno <em>crown flash</em>. Acima da faixa de derretimento, a nuvem é composta primariamente de cristais de gelo, comumente na forma de placas, agulhas ou colunas hexagonais. Na ausência de um campo eletrostático forte, a orientação dos cristais de gelo é governada primariamente pela gravidade e forças aerodinâmicas dentro da massa da nuvem. Durante uma tempestade, a carga começa a se separar dentro da nuvem. Na influência de um campo eletrostático assim formado, os cristais de gelo aceitam um momento de dipolo induzido. (…) Quando a descarga ocorre, a corrente tende a relaxar os campos nas nuvens rapidamente, com um drástico realinhamento subsequente dos cristais de gelo. Uma mudança na distribuição de luz sobre a superfície da nuvem ocorre enquanto os cristais de gelo, agindo como pequenos espelhos, mudam seu ângulo de reflectividade da luz solar incidente. Um observador no ângulo apropriado perceberá o efeito como um flash de luz”.</p>
</blockquote>
<p>Apesar de descrito como um “possível novo fenômeno” em 1971 e já ter uma explicação física indicada em 1965, até onde sabemos não havia nenhum registro filmográfico de um <em>crown flash</em>. A Internet, Bill Beaty, usuários do Youtube e os pesquisadores incluindo Utrecht podem merecer o crédito por serem os primeiros a registrar, e então a reconhecer este novo fenômeno em vídeo.</p>
<p>O que seria realmente notável: nem tudo que surge no Youtube é falso. De fato, esta poderosa ferramenta de compartilhamento de vídeos, que agora podem ser capturados por centenas de milhões de tudo de inusitado que vejam, pode finalmente ter capturado um fenômeno descrito há séculos mas que havia escapado das câmeras mesmo por décadas após ter sido descrito por cientistas.</p>
<p>O que não significa que tudo que surja no Youtube deva ser verdadeiro – de fato, existe a possibilidade de que o recente vídeo na Singapura seja falso, apesar de (ou mesmo exatamente por que) combina com as descrições na literatura acadêmica.</p>
<p>Contudo, a literatura, combinada com diversos vídeos independentes fornece cada vez mais apoio à aceitação de que o <em>Crown Flash</em> foi capturado, e que podemos vê-lo em alta definição, dias depois de capturado quase do outro lado do mundo, pela Internet.</p>
<p>- &#8211; -</p>
<p>[Com agradecimentos a Bill Beaty, Martin Shough e Wim Van Utrecht. Tristemente, William Corliss, grande compilador, faleceu no mês passado]</p>
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		<title>Teorias de Conspira&#231;&#227;o s&#227;o Naturais</title>
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		<pubDate>Tue, 16 Aug 2011 03:21:08 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Mori</dc:creator>
				<category><![CDATA[Ceticismo]]></category>
		<category><![CDATA[Destaques]]></category>
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		<category><![CDATA[psicologia]]></category>
		<category><![CDATA[teorias de conspiração]]></category>

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		<description><![CDATA[&#160; artigo de Douglas T. Kenrick, publicado em Psychology Today tradução cortesia de André Rabelo Que tipo de pessoa teria [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><img style="background-image: none; border-right-width: 0px; padding-left: 0px; padding-right: 0px; display: inline; border-top-width: 0px; border-bottom-width: 0px; border-left-width: 0px; padding-top: 0px" title="osama obama   Teorias de Conspira&ccedil;&atilde;o s&atilde;o Naturais" border="0" alt="osama obama ceticismo" src="http://www.ceticismoaberto.com/wp-content/uploads/2011/08/osama_obama.jpg" width="600" height="448" />&#160;</p>
<p>artigo de <strong>Douglas T. Kenrick</strong>, publicado em <a href="http://www.psychologytoday.com/blog/sex-murder-and-the-meaning-life/201107/conspiracy-theories-come-naturally" target="_blank">Psychology Today</a>     <br />tradução cortesia de <strong><a href="http://cienciaumavelanoescuro.haaan.com/" target="_blank">André Rabelo</a></strong></p>
<p>Que tipo de pessoa teria tão pouca confiança em seus companheiros para acreditar que o presidente dos E.U.A e a CIA conspiraram para forjar a morte de <strong>Osama Bin Laden</strong>, ou que a imprensa é rigidamente controlada por um grupo poderoso de extremistas ricos? Se você examinar a literatura em psicologia sobre a crença em teorias da conspiração, ou leu comentários políticos sobre o tópico, vai ouvir falar muito sobre paranóia, alienação e <a href="http://en.wikipedia.org/wiki/Anomie" target="_blank">anomia</a>. Você vai aprender que pessoas que acreditam em uma teoria da conspiração bizarra também são propensas a acreditar em outras (está tudo conectado com os <a href="http://en.wikipedia.org/wiki/Illuminati" target="_blank">illuminati</a> e os assassinatos dos Kennedy, afinal de contas). Você descobrirá que crenças em conspirações têm sido relacionadas com ser pobre, ser membro de uma minoria oprimida, ter a sensação generalizada de que a vida é controlada por fatores externos e outras circunstâncias lamentáveis.</p>
<p>Mas existe outra perspectiva que decorre do pensamento sobre a história evolutiva de nossa espécie: o cérebro humano foi moldado para teorias da conspiração. Nesta perspectiva, somos todos teóricos da conspiração &#8211; você, eu e sua tia Ginger de Iowa.</p>
<p>Vamos desconsiderar os detalhes da teoria de conspiração excêntrica <em>du jour</em>, e considerar isso: Algumas alegadas conspirações se mostraram posteriormente bem reais &#8211; a <em>Al Qaeda</em>, a CIA, a KGB e a Máfia envolveram pessoas reais se juntando para planejar ações reais e nefastas. Só porque você é paranóico não significa que eles não estejam atrás de você. Teóricos evolucionistas como <strong>Robert Trivers</strong> e <strong>Bill von Hippel</strong> observaram: um aspecto ruim da comunicação é que ela abre as portas para o engano (Isso é uma deliciosa minhoca ou uma armadilha de pescador para peixes? O pássaro está realmente machucado ou fingindo?). Seres humanos são comunicadores especialmente talentosos e ótimos enganadores também. Pesquisadores que estudam a psicologia da mentira descobriram não apenas que a pessoa comum mente sobre alguma coisa todos os dias, mas também que não nos saímos muito melhor que o mero acaso ao distinguir uma afirmação verdadeira de uma mentira deliberada.</p>
<p>Nossos ancestrais tinham que se preocupar com conspirações de membros de seu próprio grupo, bem como conspirações de membros de outros grupos (que tinham ainda menos o que perder e mais a ganhar ao prejudicá-los). Psicólogos evolucionistas como <strong>Pascal Boyer</strong> e <strong>Ara Norenzayan</strong> têm notado que o cérebro humano possui mecanismos poderosos para buscar causas complexas e escondidas. A popularidade de Sherlock Holmes, James Bond e Harry Potter se deve em grande parte aos talentos de seus autores para exercitar estes mecanismos causais em seus leitores.</p>
<p>E como os psicólogos evolucionistas <strong>Randy Nesse</strong> e <strong>Martie Haselton</strong> têm argumentado, a mente é moldada como um detector de fumaça, pronta para acionar o alerta vermelho a qualquer possível sinal de ameaça no ambiente (ao invés de esperar até que a evidência seja tão esmagadora que seja muito tarde para apagar o fogo). Uma vez que tenhamos aceitado uma crença, possuímos uma série de mecanismos cognitivos projetados para nos enviesar contra a rejeição desta crença. Um dos meus estudos favoritos dessa natureza foi realizado pelos psicólogos de Stanford <strong>Charlie Lord</strong>, <strong>Lee Ross</strong> e <strong>Mark Lepper</strong>.</p>
<p>Eles apresentaram aos seus brilhantes alunos um cuidadoso balanço de evidências científicas a favor e contra os benefícios da pena de morte. Depois de ouvir as evidências balanceadas, os estudantes que favoreceram inicialmente a pena de morte estavam ainda mais convencidos de que estavam certos, enquanto os que eram contra se tornaram ainda mais convencidos na direção oposta. O que aconteceu foi que os estudantes se lembraram seletivamente das fraquezas no argumento do outro lado e dos pontos fortes das evidências favorecendo o seu próprio lado. Parece familiar? (e lembre-se, estes eram estudantes de Stanford, não membros de um grupo extremista entrincheirado ao redor de Two Dot, Montana).</p>
<p>E quanto à pesquisa que mostra que os indivíduos pertencentes a grupos oprimidos são mais propensos a crenças conspiratórias do que aqueles de nós lendo o <em>New York Times</em> em algum subúrbio de classe média-alta? Esses dados assinalam para outro aspecto da nossa psicologia evoluída &#8211; nossos cérebros amplificam o volume dos nossos sistemas de perigo quando estamos sob ameaça. Pesquisas de nossos laboratórios têm demonstrado que pessoas que estejam tenham despertado seu sentido de auto-proteção (depois de assistir um filme assustador) estão mais propensas a projetar raiva nas faces de homens desconhecidos de outros grupos, e as pesquisas de <strong>Mark Schaller</strong> e seus colaboradores demonstraram que estar em um quarto escuro amplifica tipos específicos de estereótipos (aqueles envolvendo a periculosidade de americanos árabes ou africanos). Na mesmo medida em que a vida envolve ameaças e perigos diários, é provável que estejamos atentos a sinais de perigo à espreita.</p>
<p>Ao afirmar que o cérebro humano é moldado para estar alerta a conspirações e que sempre houveram conspirações reais pelo mundo afora, estaria eu querendo dizer que não há nada que possamos fazer para evitar acreditar na próxima história que escutarmos sobre a conspiração envolvendo Obama, a AMA e a Igreja Católica Romana? Não. <strong>Charlie Lord</strong> e seus colaboradores demonstraram que estudantes de Stanford poderiam ser um pouco mais objetivos se perguntassem primeiro para si mesmos a simples questão: &quot;<em>Como eu me sentiria se essa mesma evidência corroborasse a conclusão exatamente oposta?</em>&quot;.</p>
<p>O sociólogo de Rutgers <strong>Ted Goertzel</strong> tem estudado crenças em teorias conspiratórias por duas décadas, e ele tem alguns conselhos adicionais para aqueles que desejam &quot;<em>distinguir entre os excêntricos engraçados, os honestamente equivocados, os litigantes avarentos e os céticos sérios, questionando um consenso prematuro</em>&quot;. Primeiro, procure pela &quot;<em>cascata lógica</em>&quot; – um raciocínio que exige que crentes incluam mais e mais pessoas na conspiração sempre que alguém relate evidências contra suas afirmações (<em>arrá, eles fazem parte dela também!</em>). Segundo, seja cético quanto a afirmações que exigem quantidades irreais de poder e controle por parte dos conspiradores.</p>
<p>Goertzel dá o exemplo da suposta conspiração para forjar o pouso na Lua, que teria demandado cumplicidade completa de milhares de cientistas e técnicos trabalhando no projeto, assim como toda a mídia cobrindo os eventos e até mesmo os cientistas em outros países (incluindo a Rússia) que acompanharam os eventos.</p>
<p>Mas é claro, é possível que a CIA tenha financiado este artigo e eu esteja dizendo tudo isso para despistá-lo.</p>
<p>- &#8211; -</p>
<p><strong>Douglas T. Kenrick</strong> é o autor de <a href="http://www.amazon.com/Sex-Murder-Meaning-Life-Revolutionizing/dp/0465020445">Sex, Murder, and the Meaning of Life: A psychologist investigates how evolution, cognition, and complexity are revolutionizing our view of human nature</a>.&#160; O livro foi recentemente escolhido como uma seleção mensal pela <a href="http://www.sciambookclub.com/biology-books/cognitive-science-books/sex-murder-and-the-meaning-of-life-by-douglas-t-kenrick-1071326626.html">Scientific American Book Club</a>.&#160; Ele afirma não ter qualquer conexões com a illuminati.</p>
<h3>Referências</h3>
<blockquote><p>Abalakina-Paap, M., Stephan, W. G., Craig,T., &amp; Gregory, W. L. (1999). Beliefs inconspiracies. Political Psychology, 20,637–647.</p>
<p>Atran , S. , &amp; Norenzayan , A. ( 2004 ). Religion’s evolutionary landscape: Counterintuition, commitment, compassion, communion . Behavioral and Brain Sciences, 27 , 713 –770.</p>
<p>Boyer, P. (2003). Religious thought and behavior as by-products of brain function.&#160; Trends in Cognitive Science, 7, 119-124.</p>
<p>Nesse, R. M. (2005). Evolutionary psychology and mental health. In D. Buss (Ed.), Handbook of evolutionary psychology (pp. 903–930). Hoboken, NJ: Wiley.</p>
<p>Haselton, M. G., &amp; Nettle D. (2006). The paranoid optimist: An integrative evolutionary model of cognitive biases. Personality and social psychology Review, 10, 47–66.</p>
<p>Lord, C. G., Lepper, M. R., &amp; Preston, E. (1984). Considering the opposite: A corrective strategy for social judgment. Journal of Personality and Social Psychology, 47, 1231–1243.</p>
<p>Lord, C. G., Ross, L., &amp; Lepper, M. R. (1979). Biased assimilation and attitude polarization. Journal of Personality and Social Psychology, 37, 2098–2109.</p>
<p>Schaller, M., Park, J. H., &amp; Mueller, A. (2003). Fear of the dark: Interactive effects of beliefs about danger and ambient darkness on ethnic stereotypes. Personality &amp; Social Psychology Bulletin, 29, 637–649.</p>
<p>Goertzel, T. (2010). Conspiracy theories in science.&#160; EMBO reports, 11, 493-499.</p>
<p>von Hippel, W. &amp; Trivers, R. (2011). The evolution and psychology of self- deception. Behavioral and Brain Sciences, 34, 1-16.</p>
<p><a href="http://chicagoist.com/2008/12/08/take_the_obama_conspiracy_quiz.php">Responda ao Quiz da Teoria da Conspiração de Obama</a>.</p>
</blockquote>
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		<title>O &#8220;Mist&#233;rio&#8221; das Esferas de Klerksdorp</title>
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		<pubDate>Sat, 13 Aug 2011 20:12:47 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Mori</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Pequenas pedras esféricas e discóides encontradas em minas da África do Sul , próximas da cidade de Klerksdorp, têm sido [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><img style="background-image: none; padding-left: 0px; padding-right: 0px; display: inline; padding-top: 0px; border: 0px;" title="esferas klerksdorp   O &ldquo;Mist&eacute;rio&rdquo; das Esferas de Klerksdorp" src="http://www.ceticismoaberto.com/wp-content/uploads/2011/08/esferas-klerksdorp.jpg" border="0" alt="esferas klerksdorp destaques" width="600" height="396" /></p>
<p>Pequenas pedras esféricas e discóides encontradas em minas da África do Sul , próximas da cidade de Klerksdorp, têm sido promovidas como grandes mistérios inexplicáveis pela ciência por grupos variados de defensores de teorias alternativas. Todo tipo de características e atributos quase mágicos foram atribuídos aos objetos, incluindo:</p>
<ul>
<li>Uma composição de materiais, incluindo uma “<em>liga de níquel e aço não encontrada na natureza</em>”, ou ainda não encontrada no planeta Terra;</li>
<li>Resistência extraordinária, igual ou superior ao aço;</li>
<li>Não obstante, quando “abertas”, revelam um frágil material interno “esponjoso” que se transforma em pó;</li>
<li>Grande precisão em suas dimensões, com elementos perfeitamente esféricos, “<em>perfeitamente equilibrados, excedendo os limites de precisão dos instrumentos de medida</em>” em uma análise do Instituto Espacial da Califórnia, que fabrica giroscópios para a NASA;</li>
<li>Um número variado de ranhuras próximas do centro, ou “perfeitamente” centralizadas;</li>
<li>A capacidade inexplicável de girar espontaneamente, o que pôde ser observado nos espécimes exibidos em mostradores selados do museu de Klerksdorp;</li>
</ul>
<p>E, no que completaria o mistério, o principal detalhe:</p>
<ul>
<li>As esferas foram encontradas nas minas de Wonderstone, sendo datadas em <strong>aproximadamente 3 bilhões de anos de idade</strong>.</li>
</ul>
<p>Incrivelmente, esta última característica é verdadeira. Contudo, é também uma das únicas características verdadeiras entre todas as histórias circuladas a respeito das esferas.</p>
<h3>Comédia de Erros</h3>
<p>As rochas não são originárias realmente de Klerksdorp, e sim da cidade vizinha de Ottosdal, onde ficam as <a href="http://www.miningweekly.com/article/new-horizons-for-wonderstone-2004-12-03" target="_blank">minas <em>Wonderstone</em></a>. Seria um mero detalhe, mas que praticamente todas as fontes alternativas o ignorem ou mesmo misturem este simples fato básico já é um sinal de problemas. As minas em que foram encontradas também já foram incorretamente denominadas como de prata, quando em verdade são depósitos de pirofilita. Este é um detalhe importante, como veremos adiante.</p>
<p>As esferas foram atribuídas a Klerksdorp simplesmente devido ao <a href="http://web.archive.org/web/20030126160357/http://klerksdorp.org/navigation/30.htm" target="_blank">museu da cidade vizinha</a> que as exibe e chegou mesmo a promover algo de seu mistério. Os erros apenas começam aí.</p>
<p>Ao contrário do promovido, as esferas foram descritas e estudadas academicamente tanto antes quanto depois que passassem a fazer parte do arsenal de vendedores de mistérios. Destas investigações acadêmicas se destaca o trabalho do geólogo e arqueólogo <a href="http://members.cox.net/pyrophyllite/" target="_blank"><strong>Paul V. Heinrich</strong></a>, da Universidade de Louisiana.</p>
<p>Heinrich analisou a literatura acadêmica bem como a alternativa e testou as muitas características extraordinárias atribuídas às esferas sul-africanas. Em <a href="http://ncse.com/rncse/28/1/mysterious-spheres-ottosdal-south-africa" target="_blank">um artigo publicado pelo <em>National Center for Science Education</em></a>, o geólogo que também estudou cinco espécimes diretamente pôde concluir que praticamente todas as alegações alternativas são falsas. Um bom sinal de que Heinrich realmente sabia do que estava falando é que seu artigo é intitulado “<a href="http://ncse.com/rncse/28/1/mysterious-spheres-ottosdal-south-africa" target="_blank">As Misteriosas ‘Esferas’ de Ottosdal, África do Sul</a>”, atribuindo corretamente a origem dos objetos.</p>
<p>Nenhum dos espécimes examinados possuía dureza maior do que 5 na escala Mohs – sendo que o aço tipicamente alcança durezas de 7-8.</p>
<p>Cortando espécimes ao meio, não se descobriu um material que virava pó. Tampouco uma liga de níquel-aço sobrenatural. Análises por técnicas de difração por raio-X, bem como exames petrográficos conduzidos também no departamento de geociências da Universidade do Nebraska, revelaram que são compostos de dois minerais: hematita, uma forma comum e muito natural de óxido de ferro, e wollastonita, outro mineral metamórfico comum.</p>
<p>A alegação sobre a perfeição das esferas e de suas ranhuras é ainda outro sinal do quão falaciosas são as histórias contadas por vendedores de falsos mistérios. Uma simples vista às imagens que costumam acompanhar seus artigos basta para notar as muitas imperfeições em todos os espécimes apresentados. Heinrich nota como estes autores de fato se contradizem, ora alegando que os objetos são “<em>perfeitamente esféricos</em>”, ora que são apenas “<em>esféricos</em>” ou por vezes concedendo que alguns são “<em>esferóides</em>”, “<em>discóides</em>” ou “<em>oblongos</em>”.</p>
<p>Os espécimes analisados diretamente por Heinrich incluíam “<em>três espécimes aproximadamente esféricos, mas que definitivamente não eram ‘</em>perfeitamente redondos<em>’ como muitos autores alternativos alegam</em>”, notou.</p>
<p>Mas e quanto às análises do Instituto Espacial da Califórnia sobre a perfeição dos… esferóides? Esta é a origem do suposto envolvimento da NASA neste mistério. Os resultados chegaram mesmo a ser publicados pelo Museu de Klerksdorp.</p>
<p>Detalhe: as conclusões do “técnico da NASA” não foram descritas diretamente, e sim em uma carta enviada ao museu por um certo <strong>John Hund</strong>, que as teria ouvido. Heinrich consultou o Instituto Especial diretamente, e um funcionário lembrou ter examinado uma esfera de Ottosdal enviada por Hund.</p>
<blockquote><p>“No entanto, [o funcionário] negou que qualquer de seus colegas tenha dito a Hund que o objeto possuía as propriedades extraordinárias descritas na carta e citadas pelo Museu de Klerksdorp. Ele sugeriu que teria havido ‘algum erro de transmissão’ e que Hund havia entendido de forma completamente errada o que lhe havia sido explicado. Além disso, [o funcionário] notou que a afirmação de Hund de que o Instituto Espacial da Califórnia fabrica giroscópios para a NASA é completamente falsa”.</p></blockquote>
<p>Nem NASA, nem Instituto Espacial da Califórnia. Uma simples olhada às imagens das esferas basta para perceber que estão muito longe de serem esferas perfeitas.</p>
<p>Finalmente, e quanto ao inexplicável poder de girarem sozinhas? Heinrich traçou a origem da história a <strong>Roelf Marx</strong>, curador do Museu de Klerksdorp. Mas aqui está outro “<em>detalhe</em>”:</p>
<blockquote><p>“Marx declarou que um repórter havia citado erroneamente o que ele havia dito sobre a rotação dos objetos. De acordo com ele, é verdade que os objetos de Ottosdal haviam girado em seus mostradores no museu. Contudo, ele declarou enfaticamente que a história contada por <strong>Barritt</strong> (1979, 1982) de que os mostradores do Museu de Klerksdorp estão livres de vibrações externas é completamente falsa. De acordo com sua correspondência, Marx disse claramente ao repórter que as vibrações de explosões subterrâneas em minas de ouro locais faziam os mostradores vibrarem regularmente, fazendo com que os objetos de Ottosdal girassem. A julgar pelos relatos em primeira mão de Marx, é evidente que a alegação de que esses objetos giram por força própria é completamente falsa”.</p></blockquote>
<p>Uma comédia de erros. Porém, se a história vendida por muitos é falsa, como explicar estes objetos?</p>
<h3>Geologia</h3>
<p>As esferas são parte de uma grande gama de fenômenos naturais que produzem uma enorme variedade de formas, dentre as quais as mais simétricas são geralmente selecionadas e exibidas como “inexplicáveis”.</p>
<p>No caso aqui, o fenômeno natural é a <a href="http://en.wikipedia.org/wiki/Concretion" target="_blank"><strong>concreção</strong></a>, uma precipitação de minerais em torno de um núcleo em meio a rocha que pode selar os poros existentes ou mesmo substituir a rocha circundante. Um aspecto fascinante é que o núcleo que dá origem à concreção pode ser um pedaço de galho ou folha em meio à rocha sedimentar, e que devido ao seu carbono pode atrair minerais carregados negativamente. Um objeto orgânico irregular dando origem a uma rocha inorgânica esférica. A concreção literalmente cresce ao seu redor, sendo assim comum que adquira formas esféricas ou discóides.</p>
<p><img style="background-image: none; padding-left: 0px; padding-right: 0px; display: block; float: none; margin-left: auto; margin-right: auto; padding-top: 0px; border: 0px;" title="553px SchoharieC2   O &ldquo;Mist&eacute;rio&rdquo; das Esferas de Klerksdorp" src="http://www.ceticismoaberto.com/wp-content/uploads/2011/08/553px-SchoharieC2.jpg" border="0" alt="553px SchoharieC2 destaques" width="300" height="325" /></p>
<p>Heinrich cortou os espécimes que analisou, e notou como:</p>
<p><img style="background-image: none; padding-left: 0px; padding-right: 0px; display: block; float: none; margin-left: auto; margin-right: auto; padding-top: 0px; border: 0px;" title="ottosdal cut   O &ldquo;Mist&eacute;rio&rdquo; das Esferas de Klerksdorp" src="http://www.ceticismoaberto.com/wp-content/uploads/2011/08/ottosdal-cut.jpg" border="0" alt="ottosdal cut destaques" width="299" height="236" /></p>
<blockquote><p>“A secção de uma concreção de Ottosdal mostra uma estrutura interna radial típica destes objetos. Como outras concreções de Ottosdal, este espécime consiste de duas concreções crescendo em conjunto”.</p></blockquote>
<p>A estrutura radial deixa claro como o objeto “cresceu” a partir de um núcleo, por vezes em mais de uma concreção simultânea. A imagem também permite ver como as ranhuras que surgem na face exterior das esferas não são gravadas apenas em sua superfície, sendo sim parte da estrutura interna da concreção, refletindo as camadas de sedimentos em que cresceram.</p>
<p><a href="http://members.cox.net/pyrophyllite/geofact.html" target="_blank"><img style="background-image: none; padding-left: 0px; padding-right: 0px; display: block; float: none; margin-left: auto; margin-right: auto; padding-top: 0px; border: 0px;" title="Item1A   O &ldquo;Mist&eacute;rio&rdquo; das Esferas de Klerksdorp" src="http://www.ceticismoaberto.com/wp-content/uploads/2011/08/Item1A.jpg" border="0" alt="Item1A destaques" width="300" height="313" /></a></p>
<p>Concreções variam largamente em tamanho, de alguns milímetros a mais se seis metros!</p>
<p><img style="background-image: none; padding-left: 0px; padding-right: 0px; display: inline; padding-top: 0px; border: 0px;" title="Koutu boulder11   O &ldquo;Mist&eacute;rio&rdquo; das Esferas de Klerksdorp" src="http://www.ceticismoaberto.com/wp-content/uploads/2011/08/Koutu_boulder11.jpg" border="0" alt="Koutu boulder11 destaques" width="600" height="338" /></p>
<p>Acima, uma enorme concreção parte das “<em>Bolas de Koutu</em>”, na Nova Zelândia. O fenômeno geológico em si é relativamente comum, ocorrendo por todo o planeta e sendo comumente associadas ao folclore local.</p>
<p>Nos Estados Unidos, concreções de óxido de ferro fazem parte das tradições Hopi, e são conhecidas como “<a href="http://en.wikipedia.org/wiki/Navajo_Sandstone#Iron_oxide_concretions_.28Moqui_marbles.29" target="_blank">pedras Moqui</a>”, devido à tribo local. Abaixo, exemplos de pedras Moqui destacam sua similaridade com as esferas sul-africanas:</p>
<p><img style="background-image: none; padding-left: 0px; padding-right: 0px; display: inline; padding-top: 0px; border: 0px;" title="33450870   O &ldquo;Mist&eacute;rio&rdquo; das Esferas de Klerksdorp" src="http://www.ceticismoaberto.com/wp-content/uploads/2011/08/33450870.jpg" border="0" alt="33450870 destaques" width="600" height="451" /></p>
<p>No vídeo abaixo, ainda que não se entenda chinês, é fácil compreender que há mistério sendo promovido pelo que tudo indica serem apenas mais exemplos de concreções:</p>
<div align="center"><iframe width="500" height="405" src="http://www.youtube.com/embed/o9y4ExVVmk8" frameborder="0" allowfullscreen></iframe></div>
<p>Mesmo no Brasil, em anos mais recentes, um grupo que vende terrenos para contatos com discos voadores e se tornou mais conhecido por um suposto “<em>extraterrestre adolescente</em>” que aconselhava a “<em>buscar conhecimento</em>” também tem promovido concreções esféricas e discóides como “<em>sondas </em>[extraterrestres] <em>cuja capacidade energética foi esgotada </em>… [e] <em>se solidificam de acordo com as composições dos minerais que as abasteciam</em>”.</p>
<p>São rochas comuns entendidas pela geologia há muito, com uma explicação que envolve a passagem de milhares, ou processos por até bilhões de anos envolvendo de cargas elétricas e mesmo núcleos orgânicos dando origem a rochas inorgânicas de formas quase perfeitas. Evidências do fenômeno de concreção de hematita são mesmo uma das explicações propostas para as <a href="http://www.thunderbolts.info/tpod/2005/arch05/050325blueberries.htm" target="_blank">pequenas esferas marcianas</a>.</p>
<p><img style="background-image: none; padding-left: 0px; padding-right: 0px; display: inline; padding-top: 0px; border: 0px;" title="050325blueberries   O &ldquo;Mist&eacute;rio&rdquo; das Esferas de Klerksdorp" src="http://www.ceticismoaberto.com/wp-content/uploads/2011/08/050325blueberries.jpg" border="0" alt="050325blueberries destaques" width="600" height="347" /></p>
<p>Embora como estas esferas podem ter se formado na geologia do planeta vermelho ainda permaneça em discussão.</p>
<p>Infelizmente, a educação científica não chega a todos, e os mitos do passado se misturam com o do presente, a ponto de algumas histórias a respeito de concreções esféricas lembrarem mesmo lendas modernas como as esferas do seriado de desenho animado “<em>Dragon Ball Z</em>”.</p>
<p>A natureza sim é capaz de criar estas formas, e entender como o faz e os mistérios verdadeiros que se estendem pelo sistema solar é participar do enorme conhecimento acumulado pela civilização em que vivemos agora mesmo.</p>
<p>- &#8211; -</p>
<p>Heinrich, PV, “<a href="http://ncse.com/rncse/28/1/mysterious-spheres-ottosdal-south-africa" target="_blank">The Mysterious &#8220;Spheres&#8221; of Ottosdal, South Africa</a>”, Reports of the National Center for Science Education, Vol, 28, 1, pp. 28-33, 2008</p>
]]></content:encoded>
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		<title>O Mais Antigo Debate do Ceticismo: Uma Pré-História de “Não Seja um Cretino” (1838-2010)</title>
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		<pubDate>Sun, 31 Jul 2011 05:27:12 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Mori</dc:creator>
				<category><![CDATA[Ceticismo]]></category>
		<category><![CDATA[Destaques]]></category>
		<category><![CDATA[carl sagan]]></category>
		<category><![CDATA[personalidades]]></category>

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		<description><![CDATA[por Daniel Loxton, publicado no SkepticBlog Tradução gentilmente autorizada, colaboração de Vitor Moura A conferência “The Amazing Meeting 9” – [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><img class="alignnone size-full wp-image-6253" title="cet maos   O Mais Antigo Debate do Ceticismo: Uma Pré História de “Não Seja um Cretino” (1838 2010)" src="http://www.ceticismoaberto.com/wp-content/uploads/2011/07/cet_maos.jpg" alt="cet maos ceticismo" width="610" height="342" /></p>
<p>por <strong>Daniel Loxton</strong>, publicado no <a href="http://skepticblog.org/2011/06/21/a-prehistory-of-dbad/" target="_blank">SkepticBlog</a><br />
Tradução gentilmente autorizada, colaboração de Vitor Moura</p>
<p>A conferência “<a href="http://www.amazingmeeting.com/">The Amazing Meeting 9</a>” – o maior, mais amplo e mais importante encontro de mentes do ceticismo organizado – está chegando. Parece um bom momento para relembrar a apresentação mais debatida da TAM no ano passado: o discurso do astrônomo <strong>Phil Plait</strong> “<em>Não seja um Cretino</em>” (<a href="http://vimeo.com/13704095">vídeo em inglês</a>) pedindo menos xingamentos<a name="_ftnref1_8546" href="$">[1]</a> e mais civilidade na diligência cética:</p>
<blockquote><p>“A melhor idéia já concebida na história da humanidade é <em>inútil</em> a menos que alguém a comunique. Ela vai morrer no tubo de ensaio. E no nosso caso, o que nós estamos aqui comunicando para as pessoas não é necessariamente algo que elas querem ouvir. E assim, a nossa atitude – <em>como</em> passamos esta mensagem – assume uma importância crucial”.</p></blockquote>
<p>Como alguns leitores devem saber, o discurso “NSC” de Plait desencadeou uma <a href="http://skepticblog.org/2010/08/27/war-over-nice/">tempestade online</a> que se estende até hoje.</p>
<p>Eu exploro <a href="http://skepticblog.org/2010/09/10/further-thoughts-on-the-ethics-of-skepticism/">a ética do ceticismo</a> bastante freqüentemente<a name="_ftnref2_8546" href="$-0">[2]</a> (essa é uma das principais razões pelas quais blogo além de escrever livros e artigos para a revista <a href="http://www.skeptic.com/"><em>Skeptic</em></a>), mas hoje eu gostaria de me voltar para algo mais simples e mais concreto. Vamos explorar uma pergunta histórica direta:</p>
<p>Seria o pedido de Plait por civilidade algo <em>novo</em> para o ceticismo?</p>
<p>Acontece que a resposta é: “Não, nem de longe”. (<strong>Por favor, note: Este é <em>longo</em> um artigo, com mais de 4500 palavras</strong>)</p>
<h3>O Mais Antigo Debate Interno do Ceticismo</h3>
<p>Imediatamente após o discurso de Plait, eu comecei a ouvir sugestões de que na verdade o discurso era uma tentativa velada de proteger a religião, e que poderia até estar relacionado a algumas então recentes controvérsias no mundo ateu (controvérsias que eu nem vou fingir ser capaz de acompanhar).</p>
<p>Mas chamados similares por um ceticismo mais gentil, mais cuidadoso, pré-datam a blogosfera ateísta <em>por quase 200 anos</em> (<a href="http://skepticblog.org/2011/06/21/a-prehistory-of-dbad/#unwise">como veremos</a>) e provavelmente muito mais. Eles são <em>sobre</em> o ceticismo baseado na ciência – e durante os anos 1980 e 1990, eles eram uma linha dominante definindo o que fazemos.</p>
<p>Por que os pedidos por uma maior civilidade são tão persistentes? Isso é uma conseqüência inevitável da tensão entre dois dos papéis fundamentais do ceticismo: a <em>crítica</em> (que é inerentemente conflituosa, pelo menos em algum grau) e o <em>alcance educacional</em> (que deve, por sua natureza, <em>alcançar</em> as pessoas). O resultado é que os pedidos por “Mais ação! Arregacem as mangas!” têm sempre sido alternados com pedidos por uma abordagem mais empática e ciente de nossos objetivos.</p>
<p>Mas vamos deixar a análise do “por quê” para outro dia. Por agora, é suficiente nos voltarmos para uma pequena seleção de séculos de discussões no ceticismo sobre o “tom” do que fazemos.</p>
<p>Antes de começarmos, devo observar de passagem que eu rufei os tambores da civilidade durante anos. (Para exemplos recentes, considere a minha <a href="http://media.libsyn.com/media/skepchick/loxton.mp3">discussão em 2009 sobre civilidade</a> com <strong>Maria Walters</strong> e <strong>Blake Smith</strong> do <em>MonsterTalk</em> no podcast <em>Skepchick</em>, ou a seção “Não xingue as pessoas” do meu painel de ativismo <a href="http://www.skeptic.com/downloads/WhatDoIDoNext.pdf"><em>O que devo fazer em seguida?</em></a> em PDF. Essas foram lições aprendidas duramente do meu trabalho de criticar a criptozoologia e as alegações paranormais, e não tinha nada a ver com religião.)</p>
<p>Mas você já sabia que <em>eu </em>promovo essas coisas. Vejamos o que outros têm dito.</p>
<p><em>Perceba que isso não é de forma alguma uma revisão exaustiva da literatura</em>. Esses são apenas alguns dos primeiros exemplos que me vêm à mente. Mesmo assim, estou passando direto por alguns dos mais recentes trabalhos relacionados ao tema, incluindo a apresentação de 2010 “<a href="http://youtu.be/ktezbfBhdyE">Não Seja um Cretino: Etiqueta para Ateístas e Céticos</a>” de <strong>Rebecca Watson</strong> (na qual ela conclama: “<em>Faça o que for preciso para lembrar que a pessoa com quem você está falando é um ser humano!</em>” e o podcast de curta duração <a href="http://www.actuallyspeaking.com/"><em>Actually Speaking</em></a> (que tenta explorar “O Lado Humano do Ceticismo”). Além disso, note que esta é explicitamente concebida como uma introdução para uma escola de pensamento proeminente dentro do ceticismo científico; o outro lado do pêndulo vai ter que esperar por outro post. Finalmente, note que estou deixando de lado discussões semelhantes em muitas outras esferas (como o ateísmo, política, <a href="http://wilwheaton.typepad.com/wwdnbackup/2007/08/pax-ftw.html">jogos online</a> e <a href="http://martinfowler.com/bliki/NetNastiness.html">a blogosfera como um todo</a>).</p>
<h3>Apelos Céticos à Civilidade Antes de NSC</h3>
<h3>2010</h3>
<p>O paralelo mais divertidamente exato de “Não Seja um Cretino” deve ser <a href="http://www.skepticnorth.com/2010/01/dont-be-a-jerk/">“Não seja um Idiota!”</a> – um artigo que <strong>Jonathan Abrams</strong>, presidente dos Céticos de Ottawa escreveu poucos meses antes do discurso de Plait. “<em>Quando contrariar uma alegação</em>”, Abrams alertou, “<em>faça o possível para evitar o desentendimento pessoal. Seja humilde, admita que você possa estar errado também, mas o mais importante: não seja um idiota</em>”.</p>
<h3>2008</h3>
<p>Abrams, por sua vez foi inspirado pelo próprio <em>Skepticblog</em> de ​​<strong>Brian Dunning</strong>, que em 2008 explorou o assunto “<a href="http://skeptoid.com/episodes/4116">Como Ser um Cético e ainda ter amigos</a>.”</p>
<blockquote><p>“Disseminar o pensamento crítico envolvendo-se em conversas com seus amigos deve ser uma maneira de criar laços, não feridas. Se você quiser extrair o essencial deste podcast, é exatamente isso. Concentre-se no que vocês concordam. Eu descobri que isso converteu as pessoas que me viam como um inimigo e vinham desafiar-me com novas alegações em amigos que procuram a minha opinião sobre as histórias que lhes parecem improváveis”.</p></blockquote>
<h3>2004</h3>
<p>Um marco importante foi um artigo da <em>Skeptical Inquirer</em> em 2004 chamado “<a href="http://www.csicop.org/si/show/bridging_the_chasm_between_two_cultures/">Cruzando o Abismo entre as Duas Culturas</a>”. Escrito por uma autora chamada <strong>Karla McLaren</strong> que fazia parte do movimento da <em>Nova Era</em> que acabou se envolvendo com a comunidade cética,<a name="_ftnref3_8546" href="$-1">[3]</a> este trabalho comovente compartilhou uma perspectiva da audiência que os céticos precisavam ouvir.</p>
<blockquote><p>“Por que eu tenho que digitar a palavra “charlatão” quando quero um comentário cético sobre as escolhas que faço nos serviços de saúde? E por que eu tenho que gastar tanto tempo traduzindo nos sites céticos que visito – ou apenas pulando palavras como <em>golpista</em>, <em>impostor</em>, <em>charlatão</em>, <em>fraude</em>, <em>crente</em> e <em>tolo</em>? Por que eu (o tipo de pessoa que realmente <em>precisa</em> de informações céticas) tenho de me ver descrita em termos ofensivos e abaixar minha cabeça cheia de vergonha antes que possa realmente acessar as informações disponíveis em sua cultura?”</p></blockquote>
<p>Boa pergunta. Fiquei comovido com este artigo.</p>
<p>McLaren destacou uma falha crítica e sistemática na divulgação cética e na mídia cética: ela é criada por céticos, e seu sucesso é medido pela aprovação de outros céticos. Nossas informações que por vezes salvam vidas parecem quase intencionalmente voltadas para atingir a pequena minoria de pessoas que não precisa dela – e para repelir a maioria,<a name="_ftnref4_8546" href="$-2">[4]</a> que o faz. (Como o discurso NSUC de Phil Plait diz: “Olhe, nós temos que admitir que a nossa reputação entre a maioria da população não é exatamente uma maravilha.”)</p>
<p>Lembrando <strong>Carl Sagan</strong> de forma profunda, McLaren enfatizou que “<em>a busca da verdade, a preocupação com o bem-estar dos outros, a necessidade de ser tratado com respeito e a necessidade de ser acolhido em uma cultura – essas são coisas que a minha turma compartilha com vocês</em>.” Ela implorou pela <em>construção de</em> <em>pontes</em>: tentativas inteligentes, acolhedoras de genuinamente comunicar-se com aqueles que mais precisam.</p>
<p>Mas nada disso era novo para os anos 2000. Absolutamente.</p>
<h3>1999</h3>
<p>Considere o movimento como foi descrito no artigo da folclorista <strong>Stephanie Hall</strong> em 1999, <a href="http://www.temple.edu/english/isllc/newfolk/skeptics.html">“O Folclore e o Surgimento da Moderação Entre os Céticos Organizados.”</a> Sua análise do movimento naquele momento soa muito diferente da situação de hoje, mas é consistente com as minhas próprias lembranças. Durante a década de 1990, o “ceticismo científico” de escopo limitado era dominante entre os grupos céticos locais, regionais e nacionais e, graças à influência do astrônomo Carl Sagan (quase certamente a mais amplamente admirada voz pública pelo ceticismo científico) a tendência foi levar os céticos para mais longe da retórica exaltada, hostil, autoritária.</p>
<h3>Os Argumentos NSUC de Sagan</h3>
<h3>1996</h3>
<p>Carl Sagan esteve envolvido com o primeiro grupo cético norte-americano de sucesso (CSICOP, agora chamado CSI) desde a sua formação em 1976. Mas o seu envolvimento com o ativismo cético retrocede além dessa data – e, ironicamente, <em>o seu primeiro ato foi o de se opor ao “tom” de um projeto cético</em>.</p>
<p>Foi um caso que significou tanto para ele que ele ainda estava falando sobre isso 20 anos depois. Como lembrou Sagan no livro de 1996 <em>O Mundo Assombrado pelos Demônios </em>(na minha opinião, o melhor livro cético já escrito),</p>
<blockquote><p>“Na metade dos anos 70, um astrônomo que admiro redigiu um manifesto modesto chamado “Objeções à astrologia”, e me pediu que o endossasse. Lutei com o seu fraseado, e por fim me vi incapaz de assinar – não porque achasse que a astrologia tem alguma validade, mas porque sentia (e ainda sinto) que o tom do discurso era autoritário”.<a name="_ftnref5_8546" href="$-3">[5]</a></p></blockquote>
<p>Convido você a ler <a href="http://psychicinvestigator.com/demo/AstroSkc2.htm">“Objeções à Astrologia”</a> antes de continuarmos. (É curto. Vamos te esperar.) Você vai notar que ele é leve para os padrões da blogosfera, e não muito diferente de projetos céticos atuais (como a <a href="http://www.1023.org.uk/">campanha “10:23”</a> contra a homeopatia). Então, qual era o problema de Sagan com a declaração, que foi, afinal de contas, assinada por vários vencedores do Prêmio Nobel?</p>
<p>A declaração denunciava o que chamava de “as afirmações pretensiosas dos charlatães astrológicos”, mas não conseguiu fazer uma investigação séria, um caso baseado na ciência para apoiar esta opinião. “Eu teria endossado”, refletiu Sagan, “uma declaração que descrevesse e refutasse os principais dogmas da crença astrológica.”</p>
<p>Em vez disso, ele sentiu, este “rejeição arrogante por um grupo de cientistas”, simplesmente decretou que a astrologia é estúpida. “Ele criticava a astrologia”, Sagan observou, “por ter origens encobertas na superstição” – mas o mesmo acontece com muitas ciências legítimas. E daí? A pergunta é <em>se isto funciona</em>. Sagan continuou:</p>
<blockquote><p>“E então havia especulação sobre as motivações psicológicas daqueles que acreditam na astrologia. Esses motivos – por exemplo, o sentimento de impotência num mundo complexo, penoso e imprevisível – poderiam explicar por que a astrologia não é geralmente submetida ao exame cético que merece, mas ficam à margem da questão que é de saber se ela funciona.</p>
<p>A declaração enfatizava ser impensável um mecanismo pelo qual a astrologia pudesse funcionar. Esse ponto é decerto relevante, mas por si só não é convincente”.</p></blockquote>
<p>(Sabíamos que muitas coisas eram verdade muito antes de sabermos <em>por que </em>eram verdade).</p>
<p>Os argumentos de Sagan sobre o tom foram amplamente aceitos, e ajudaram a definir o ceticismo da década de 1990. Em particular, seria difícil exagerar a influência de “O Mundo Assombrado pelos Demônios”, que explicitamente reconheceu o problema do tom:</p>
<blockquote><p>“Já ouvi um cético falar de modo superior e desdenhoso? Certamente. Às vezes até escutei, para minha posterior consternação, esse tom desagradável na minha própria voz. &#8230; Pela forma como o ceticismo é às vezes aplicado a questões de interesse público, <em>há</em> uma tendência para apequenar os opositores, tratá-los com ar de superioridade, ignorar o fato de que, iludidos ou não, os adeptos da superstição e da pseudociência são seres humanos com sentimentos reais que, como os céticos, tentam compreender como o mundo funciona e qual poderia ser o nosso papel nele. Em muitos casos, seus motivos se harmonizam com a ciência. Se a sua cultura não lhes deu todas as ferramentas necessárias para levar adiante essa grande busca, vamos moderar as nossas críticas com bondade. Nenhum de nós nasce plenamente equipado”.<a name="_ftnref6_8546" href="$-4">[6]</a></p></blockquote>
<p>Note que a crítica de Sagan foi em todos os sentidos idêntica aos argumentos do discurso NSC de Plait. Sagan escreveu,</p>
<blockquote><p>“Entretanto, a principal deficiência que vejo no movimento cético está na sua polarização: Nós versus Eles – o sentimento de que <em>nós</em> temos o monopólio da verdade; de que as outras pessoas que acreditam em todas essas doutrinas estúpidas são imbecis; de que, se forem sensatas, elas vão nos escutar; e de que, se não o fizerem, estão fora do alcance da redenção. Isso não é construtivo. Não consegue transmitir a mensagem. Condena os céticos a um permanente status de minoria; ao passo que uma abordagem compassiva, que desde o início reconhecesse as raízes humanas da pseudociência e da superstição, poderia ser aceita por muito mais gente”.<a name="_ftnref7_8546" href="$-5">[7]</a></p></blockquote>
<h3>O Bom e Velho Senso Comum</h3>
<h3>1992</h3>
<p>Algumas vezes se diz que o ceticismo não tem um manual; mas a <em>investigação</em> cética, ao menos, tem mais de um. Estes incluem <a href="http://www.amazon.com/gp/product/0879757299/ref=as_li_ss_tl?ie=UTF8&amp;tag=skepticblog04-20&amp;linkCode=as2&amp;camp=217153&amp;creative=399349&amp;creativeASIN=0879757299">Peças Faltantes — Como Investigar Fantasmas, OVNIs, Psíquicos, &amp; Outros Mistérios</a>, por <strong>Robert Baker</strong> e <strong>Joe Nickell</strong>; e o recente <a href="http://www.skeptic.com/productlink/b142PB">Investigação Científica do Paranormal: Como Resolver Mistérios Inexplicados</a> de <strong>Ben Radford</strong>.</p>
<p>Como um guia prático, o livro de 1992 de Nickell e Baker está, naturalmente, repleto de conselhos práticos. Empatia e cortesia são enfatizadas por todo o livro como as melhores práticas. Esta passagem (sob o cabeçalho da seção “Algumas Questões Éticas”) é particularmente contundente.</p>
<blockquote><p>“Você pode evitar dilemas éticos na maioria das vezes usando o seu bom e velho senso comum e o bom senso. Se você faria mais mal para as pessoas ridicularizando as suas crenças religiosas em vez de permitir-lhes mantê-las e ainda ajudá-las a resolver os seus problemas imediatos, você esqueça as crenças delas e as ajude a resolver os seus problemas urgentes. Esta é a <em>única</em> coisa ética a fazer. O fanatismo, quer por parte de um cético, quer por parte de um psíquico, é igualmente deplorável”.<a name="_ftnref8_8546" href="$-6">[8]</a></p></blockquote>
<p>Essa reserva nem era simplesmente uma questão de compaixão, de acordo com <em>Peças Faltantes</em>, mas de responsabilidade.</p>
<blockquote><p>“Infelizmente, muitas vezes nos últimos anos, os céticos zelosos exibiram frequentemente mais emoção do que lógica, fizeram acusações violentas de que a evidência falhou em dar apoio, não conseguiram comprovar as suas afirmações e, geralmente, não fez o que era necessário para tornar os seus desafios credíveis. Tais críticas irrefletidas podem fazer muito mais mal do que bem”.<a name="_ftnref9_8546" href="$-7">[9]</a></p></blockquote>
<p>Os conselhos deles? Sigam os passos descritos pelo psicólogo <strong>Ray Hyman</strong>, em seu artigo “A crítica adequada” (que nós abordaremos <a href="http://skepticblog.org/2011/06/21/a-prehistory-of-dbad/#propercriticism">brevemente</a>) – especialmente “O princípio da caridade.”</p>
<h3>Não se Deve Escarnecer das Ações Humanas, Mas Compreendê-las</h3>
<h3>1992</h3>
<p>Fundada em 1992, a revista Skeptic foi inspirada no exemplo de Carl Sagan – e tem sido um projeto explicitamente consciente de seu tom desde o primeiro dia. <strong>Michael Shermer</strong> é bem conhecido por sua exploração de <a href="http://www.michaelshermer.com/2002/09/smart-people-believe-weird-things/">por que as pessoas inteligentes acreditam em coisas estranhas</a> (um tema que ele aborda, mais uma vez, em seu livro lançado em 2011 <a href="http://www.amazon.com/gp/product/0805091254/ref=as_li_ss_tl?ie=UTF8&amp;tag=skepticcom-20&amp;linkCode=as2&amp;camp=217153&amp;creative=399349&amp;creativeASIN=0805091254"><em>O Cérebro Crente</em></a>); não é nenhuma surpresa que ele e <strong>Pat Linse</strong> decidiram promover esta máxima de Spinoza como a mensagem no coração da <a href="http://www.skeptic.com/about_us/">Sociedade de Céticos</a>:</p>
<blockquote><p>“Eu fiz um esforço incessante para não ridicularizar, não lamentar, não desprezar as ações humanas, mas para compreendê-las”.</p></blockquote>
<p>Refletindo sobre este lema, Pat Linse, co-editor da <em>Skeptic</em>, recorda,</p>
<blockquote><p>“Quando eu trabalhei em uma caixa registradora, um dos melhores indícios de que eu estava prestes a receber um cheque sem fundos era uma atitude agressiva por parte do cliente. É o mesmo com uma discussão. Um dos melhores indicadores de um argumento fraco é a agressão por parte da pessoa que faz isso”.<a name="_ftnref10_8546" href="$-8">[10]</a></p></blockquote>
<p>Além disso, como Michael Shermer enfatiza,</p>
<blockquote><p>“Se você começar uma conversa com as pessoas lhes dizendo que as suas crenças mais queridas e enraizadas são um total absurdo e ridículas, você encerrou a conversa antes mesmo de ela começar – e fechou a porta a qualquer outra comunicação sobre as virtudes do ceticismo”.<a name="_ftnref11_8546" href="$-9">[11]</a></p></blockquote>
<p>Esses sentimentos são construídos em suas palestras, e não são só conversa. Shermer manteve-se firme na abordagem calma, de busca da verdade, mesmo diante de uma pressão enorme, e mesmo quando a tentação possa ter sido julgar primeiro e entender depois.</p>
<p>Em 14 de março de 1994, Shermer apareceu no <em>The Phil Donahue Show</em> (uma fábrica de audiência pioneira do gênero de entrevistas diárias depois dominado por Oprah<a name="_ftnref12_8546" href="$-10">*</a>) para refutar as alegações dos negadores do Holocausto <strong>Bradley Smith</strong> e <strong>David Cole</strong>. (<a href="http://www.youtube.com/watch?v=muyRvoVje-g" target="_blank">Vídeo</a>) Shermer lembrou o que aconteceu durante um intervalo comercial entre os segmentos do debate:</p>
<blockquote><p>“Pensando que eu tinha me saído bem em analisar as metodologias dos negadores, eu estava confortavelmente à espera do próximo segmento, quando o produtor veio correndo para mim. “Shermer, o que você está fazendo? <em>O que você está fazendo?</em> Você precisa ser mais agressivo. Meu chefe está furioso. Vamos lá!” Eu fiquei chocado. Aparentemente ou Donahue acreditava que os negadores do Holocausto poderiam ser refutados em questão de minutos, ou ele estava esperando que eu iria apenas chamá-los de anti-semitas como ele fez e encerrado o assunto”.<a name="_ftnref13_8546" href="$-11">[12]</a></p></blockquote>
<p>Shermer certamente defendeu a história legítima, e ele criticou os argumentos dos revisionistas; mas ele não passou para os ataques pessoais. Em vez disso, ele realmente concordou diante da câmera com algumas das reivindicações feitas pelos negadores do Holocausto – porque aquelas afirmações <em>particulares</em> por acaso eram verdadeiras. Algum palpite sobre se ele gostava de estar nessa posição? A resposta é que não importa: Shermer é um cético e historiador. A verdade deve vir em primeiro lugar.</p>
<p>Pesquisando para o seu livro de 2000, <a href="http://www.amazon.com/gp/product/0520260988/ref=as_li_ss_tl?ie=UTF8&amp;tag=skepticblog04-20&amp;linkCode=as2&amp;camp=217145&amp;creative=399369&amp;creativeASIN=0520260988"><em>Negando a História</em></a>, os co-autores Michael Shermer e <strong>Alex Grobman</strong> rejeitaram críticas profissionais de que era impróprio que eles tivessem encontros cordiais com negadores do Holocausto.</p>
<blockquote><p>“Ao lidar com as reivindicações dos negadores do Holocausto, acreditamos que não é o suficiente sermos acadêmicos numa torre de marfim, tentando alcançar a objetividade com a distância, quando os sujeitos que fazem essas alegações são amigáveis, ansiosos para conversar, e estão a apenas um telefonema ou vôo de distância. &#8230;</p>
<p>As fontes primárias são a ferramenta mais importante do historiador, e o que poderia ser mais primário em escrever um livro sobre a negação do Holocausto do que reunir-se com os próprios negadores, ver seus escritórios, fazer-lhes perguntas, ler a sua literatura, e, em geral, tentar entrar em suas mentes?”<a name="_ftnref14_8546" href="$-12">[13]</a></p></blockquote>
<p>Este é um aspecto pouco apreciado para a questão do tom: a vantagem de pesquisa da colegialidade. Quando os céticos tratam os adversários com cortesia, estamos melhor posicionados para adquirir a compreensão que precisamos para sermos críticos bem informados e eficazes.<a name="_ftnref15_8546" href="$-13">[14]</a> Durante a aventura de Shermer no <em>Donahue</em>, o anfitrião logo se viu em apuros,<a name="_ftnref16_8546" href="$-14">*</a> porque lhe faltava o conhecimento específico sobre o revisionismo do Holocausto. Isso pode acontecer facilmente para os céticos que se negam a ter conversas em profundidade através de divisões ideológicas profundas.</p>
<h3>O Lado Negro do Ridículo</h3>
<p>Os críticos freqüentemente emolduram os debates de civilidade como uma dicotomia: seja comedido <em>ou</em> seja honesto. Mas os céticos há muito tempo aprenderam que a escolha é freqüentemente entre <em>comedimento honesto</em> e <em>inventar coisas</em>. Isso é, a incivilidade às vezes vai de mãos dadas com o exagero, imprecisão factual e responsabilidade legal. (Considere frases céticas comuns tais como “Ele é uma fraude”. Essa frase sempre insulta, mas só de vez em quando é verdadeira).</p>
<h3>1991</h3>
<p>O cético <strong>Jim Lippard</strong> abordou isso em seu artigo de 1991, “<a href="http://www.discord.org/~lippard/hnta.html">Como não discutir com Criacionistas</a>”, publicado no jornal <em>Criação/Evolução</em> do Centro nacional para Educação Científica. De acordo com Lippard, “os oponentes do criacionismo na Austrália envolveram-se em táticas que levaram ao pedido de desculpas públicas aos criacionistas por rádio e mídia impressa, a crítica por outros opositores do criacionismo, e até mesmo ação judicial.” Ele forneceu vários estudos de caso detalhados, que eu convido os céticos a lerem.</p>
<p>Por exemplo, Lippard criticou o que chamou de “falsas declarações” de <strong>Ian Plimer</strong>, que estava entre os adversários mais contundentes do criacionismo. (Plimer é mais conhecido aos céticos de hoje por seus ataques <a href="http://www.youtube.com/watch?v=VBQCsMJm3Zg">muito controversos</a> contra a ciência do clima). Lippard citou casos em que Plimer fez graves acusações sobre irregularidades financeiras por parte de organizações criacionistas – alegações pelas quais a Companhia de Radiodifusão da Austrália e o jornal <em>Media Information Australia<a name="_ftnref17_8546" href="$-15"><strong>[15]</strong></a></em> mais tarde pediram desculpas.</p>
<p>Lippard também citou uma carta na qual Plimer escreveu sobre “um grupo de jovens (principalmente meninos) acompanhando o [criacionista Duane] Gish os quais continuamente o tocavam. Isso é igual ao testemunho de outras fontes que lançam luz sobre a vida pessoal de Gish e que faz com que <strong>Jimmy Swaggart</strong> pareça um guardião moral da fé.” Lippard concluiu que essa alegação era uma “insinuação <em>ad hominem</em> sem base.” (O próprio Gish chamou de “uma escandalosa falsidade caluniosa”, dizendo “Eu desafio Plimer a produzir um pingo de evidência para apoiar a acusação acima.”)</p>
<p>Note que os argumentos de Lippard por “um estilo mais cuidadoso de debate e disputa” foram pragmáticos:</p>
<blockquote><p>“Ian Plimer e outros têm defendido seu estilo com o fundamento de que o criacionismo é um movimento político ao invés de científico. A minha impressão é que eles acham que o criacionismo deve ser detido a qualquer custo, por quase todos os meios disponíveis. &#8230; Enquanto o estilo mão de ferro poderia convencer algumas pessoas de que o criacionismo é ridículo e que não vale a pena ser considerado seriamente pelos cientistas, deturpações certamente virão à luz (como têm vindo). Quando isso ocorre, todos os ganhos de curto prazo e mais são perdidos.</p>
<p>Não devemos perder de vista o fato de que não importa quão tolo o criacionismo pareça de uma perspectiva informada, aqueles que aderem a ele são seres humanos. &#8230; O ridículo e o abuso simplesmente confirmam as suas suspeitas sobre os malignos evolucionistas conspiratórios que estão tentando suprimir o ponto de vista criacionista”.<a name="_ftnref18_8546" href="$-16">[16]</a></p></blockquote>
<p>Lippard não foi, aliás, o primeiro advogado da ciência a expressar preocupação sobre a abordagem de Plimer. Em 1989, <strong>David Suzuki</strong> utilizou Plimer como um exemplo para sua crítica que “alguns evolucionistas se tornaram fanáticos em sua busca da verdade, sendo tão rancorosos quanto seus alvos.”<a name="_ftnref19_8546" href="$-17">[17]</a></p>
<p><a href="http://www.talkorigins.org/faqs/how-not-to-argue.html" target="_blank">Revendo a questão</a>, Lippard ofereceu uma simples conclusão: “Os opositores do criacionismo não devem usar a mesma tática que os criacionistas costumam usar; eles devem ser cuidadosos, honestos e acurados.”</p>
<p>(Não está diretamente relacionado, mas Plimer mais tarde levou a sua batalha contra o criacionismo ao tribunal – e <a href="http://www.timeshighereducation.co.uk/story.asp?storyCode=100407&amp;sectioncode=26" target="_blank">diz-se</a> acabou tendo que pagar meio milhão de dólares em custos judiciais.)</p>
<h3>Crítica Apropriada</h3>
<h3>1987</h3>
<p>Isto nos leva ao que pode ser o argumento mais conciso e valioso já defendido para o comedimento cético: um artigo de 1987 chamado “<a href="http://www.csicop.org/si/show/proper_criticism/">A crítica adequada</a>”, escrito pelo psicólogo <strong>Ray Hyman</strong> (outro fundador do CSICOP). De acordo com o diretor executivo do CSI, <strong>Barry Karr</strong>, “A crítica adequada” de Hyman é “provavelmente o item mais reimpresso e amplamente divulgado que já apareceu na <em>Skeptical Inquirer</em> ou na <em>Skeptical Briefs</em>”, sendo amplamente adotado e reproduzido por organizações céticas em todo os Estados Unidos – e em todo o mundo.<a name="_ftnref20_8546" href="$-18">[18]</a></p>
<p>“A crítica adequada” veio no final da infância do movimento cético, depois de uma década passada aprendendo a dura lição de que, como Hyman, “a tarefa do crítico, se é para ser realizada adequadamente, é ao mesmo tempo desafiadora e cheia de perigos imprevistos.”</p>
<p>Que perigos? Processos estavam na lista de Hyman (não sem razão: James Randi e o CSICOP logo acabaram enfrentando um processo de difamação de $15 milhões de dólares – uma ameaça sempre presente que <a href="http://business.timesonline.co.uk/tol/business/law/article7098157.ece">pode levar os céticos à ruína</a> hoje). Desperdícios era outro:</p>
<blockquote><p>“Durante a primeira década de existência do CSICOP, os membros do Conselho Executivo, muitas vezes viram-se dedicando a maior parte do tempo disponível para controlar os danos – gerado pelos comentários descuidados de colegas céticos – em vez de para a causa comum de explicar a agenda cética”.<a name="_ftnref21_8546" href="$-19">[19]</a></p></blockquote>
<p>Mas Hyman estava mais preocupado quanto à integridade:</p>
<blockquote><p>“Nós podemos fazer melhorias enormes em nossos esforços coletivos e individuais, por simplesmente tentar aderir a esses padrões que nós professamos admirar e que acreditamos que muitos dos vendedores ambulantes do paranormal violam. Se nós próprios nos vemos como os defensores da racionalidade, da ciência e da objetividade, então devemos mostrar essas mesmas qualidades em nossas críticas. Apenas por tentar falar e escrever no espírito de precisão, ciência, lógica e racionalidade &#8230; elevaríamos a qualidade de nossas críticas por pelo menos uma ordem de magnitude”.</p></blockquote>
<p>Hyman tinha sugestões concretas sobre como realizar isso, discutidas nestes subtítulos:</p>
<blockquote><p>1. Esteja preparado.</p>
<p>2. Esclareça os seus objetivos.</p>
<p>3. Faça seu dever de casa.</p>
<p>4. Não vá além do seu nível de competência.</p>
<p>5. Deixe que os fatos falem por si.</p>
<p>6. Seja preciso.</p>
<p>7. Use o princípio da caridade.</p>
<p>8. Evite palavras carregadas e sensacionalismo.</p></blockquote>
<p>(Você notará que esta lista de um quarto de século de idade cobre exatamente o mesmo terreno que os dois discursos mais desafiadores na conferência de 2010 da TAM8: o discurso NSC de Plait e o alerta de <strong>Massimo Pigliucci</strong> para os céticos sobre a arrogância de opinar fora de nossa competência.)</p>
<p>Destes princípios, Hyman antecipou que o “princípio da caridade” pode ser o mais controverso.</p>
<blockquote><p>“Sei que muitos de meus colegas críticos acharão este princípio intragável. Para alguns, os crentes no paranormal são o “inimigo”, e parece inconsistente dar-lhes o benefício da dúvida.<a name="_ftnref22_8546" href="$-20">*</a> Mas ser caridoso com as alegações paranormais é simplesmente o outro lado de ser honesto e justo”.</p></blockquote>
<p>Isto é funcionalmente equivalente ao “<a href="http://skepticblog.org/2011/05/09/a-failure-to-engage/">engajamento justo</a>” de <strong>Steven Novella</strong>, ou à “<a href="http://en.wikipedia.org/wiki/Wikipedia:Assume_good_faith">Suposição de boa-fé</a>” da Wikipédia: <em>faça</em> um esforço genuíno para entender o melhor ponto do seu oponente, e prossiga nisso; <em>não</em> assuma motivos ímpios que não estão em evidência. Como Hyman continuou,</p>
<blockquote><p>“Nós freqüentemente podemos questionar a precisão ou a validade de uma dada afirmação paranormal. Mas raramente estamos em posição de saber se aquele que a defende está deliberadamente mentindo ou está auto-iludido. Além disso, muitas vezes temos uma escolha em como interpretar ou retratar os argumentos de um oponente. O princípio nos diz para retratar a posição do adversário de um modo objetivo, imparcial e não emocional”.</p></blockquote>
<p>Isto, diz Barry Karr, “nos fornece um lembrete necessário de que estamos no ramo de examinar as alegações e de criticar as idéias, não a pessoa. Sim, nós podemos ser firmes em nossas objeções, mas acima de tudo temos de ser justos e honestos na nossa abordagem.”</p>
<p>O Conselho Executivo do CSI continua a lutar com questões éticas espinhosas, em que Hyman e o seu pensamento permanecem como luzes orientadoras. Como <strong>Kendrick Frazier</strong> (Editor da <em>Skeptical Inquirer</em> nos últimos 34 anos) explica,</p>
<blockquote><p>“A crítica adequada” é e tem sido um dos principais guias éticos e estratégicos para os céticos. É especialmente importante que a nova geração de céticos a leia e adote. Ela fornece uma noção das disputas antigas pelas quais céticos passaram, como evitá-las e, mais importante, como ser eficaz.<a name="_ftnref23_8546" href="$-21">[20]</a></p></blockquote>
<h3>Uma Cisma Inicial</h3>
<h3>1977</h3>
<p>O sociólogo <strong>Marcello Truzzi</strong> foi um membro fundador do CSICOP (de fato, o CSICOP foi criado a partir de um grupo novato que Truzzi iniciou em 1975), e o primeiro editor de seu periódico, <em>The Zetetic</em> (agora chamado <em>Skeptical Inquirer</em>). Ele renunciou a esse cargo depois de apenas duas edições alegando diferenças de princípio – incluindo as questões ligadas a tom e abertura.</p>
<p>Comentando sobre a renúncia de Truzzi, o jornal <em>Science</em> resumiu a discordância:</p>
<blockquote><p>“Há, portanto, um espectro de opinião sobre o comitê dentre aqueles que tendem a favorecer uma linha mais dura, desmascarando o tratamento do paranormal e aqueles que tendem para uma avaliação cética, mas de mente aberta das alegações paranormais. Os “céticos” desejam implantar todo o poder do método científico contra crenças paranormais; os “céticos” consideram que tal prejulgamento das alegações paranormais é tão anti-científico como algumas das próprias alegações podem ser”.<a name="_ftnref24_8546" href="$-22">[21]</a></p></blockquote>
<p>Ray Hyman é citado neste mesmo artigo da <em>Science</em>, expressando um sentimento que prenuncia o seu artigo “A crítica adequada” 10 anos depois:</p>
<blockquote><p>“Pessoas com um passado em mágica &#8230; tendem a ver isto como uma cruzada pela mente das pessoas, na qual devemos usar fogo contra fogo, e não sermos muito sutis ou eruditos ou vamos perder por omissão. Acredito que seria mais eficaz sermos mais eruditos e construir a nossa credibilidade”.</p></blockquote>
<p>Truzzi passou a escrever décadas de críticas do ceticismo organizado, e fez alguns acertos notáveis. (Seu artigo de 1987 “<a href="http://www.anomalist.com/commentaries/pseudo.html">Sobre o Pseudo-ceticismo</a>” é essencialmente idêntico em conteúdo ao meu recente “<a href="http://skepticblog.org/2010/10/22/burden-of-proof/">Escalando o Monte Heinlein</a>”). Ainda assim, continuo não persuadido pelo seu desdém geral para o estilo de ceticismo do CSICOP. Um advogado do diabo, afinal, diz apenas a metade de toda a história. De qualquer maneira, Truzzi foi uma figura fundamental na criação do movimento cético da língua inglesa: ele ajudou a criar os primeiros grupos céticos norte-americanos, ele foi o editor original da primeira publicação cética norte-americana, e ele recebe o crédito por ter cunhado a frase “uma alegação extraordinária exige provas extraordinárias” (mais famosa na forma modificada usada posteriormente por Sagan, embora o sentimento anteceda ambos).<a name="_ftnref25_8546" href="$-23">[22]</a></p>
<p>E lá no início: a batalha sobre o tom.</p>
<h3>Sem Lágrimas, Sem Honras, Sem Cânticos</h3>
<h3>1838</h3>
<p>E, no entanto, os argumentos sobre o tom do ceticismo antecedem mesmo a fundação das primeiras organizações céticas. Eles são anteriores à televisão, aviões e lâmpadas elétricas.</p>
<p>Muito antes da invenção do Pé Grande, ou dos discos voadores, ou de quiropratas, ou do espiritualismo, ou da “pesquisa psíquica”, os céticos estavam fazendo apelos fervorosos para outros céticos sobre o tom.</p>
<p>Vou encerrar hoje com uma longa citação do livro de 1838 <a href="http://books.google.ca/books?id=2dERAAAAYAAJ&amp;lpg=PA15&amp;ots=0DAFUf5yLI&amp;dq=%22Unhappily%2C%20however%2C%20those%20who%20have%20buckled%20on%20the%20armour%22&amp;pg=PA15#v=onepage&amp;q=%22Unhappily,%20however,%20those%20who%20have%20buckled%20on%20the%20armour%22&amp;f="><em>Impostores de Nova Iorque</em></a>.</p>
<p>Ela realmente diz tudo.</p>
<p>“Infelizmente, no entanto, aqueles que têm se vestido com a armadura contra as loucuras dos tempos, têm sido muitas vezes imprudentes e indiscretos no caráter e no espírito de suas ações. Desgostosos com a estupidez das vítimas da ilusão, e provocados por sua adesão obstinada ao erro, eles as atacaram de forma pessoal, em vez de atacar a falsa filosofia e a pseudo-filantropia que lhes foram impostas, e assim eles criaram um show de intolerância que tem sido fatal para o seu sucesso. &#8230;</p>
<p>A perseguição só serve para propagar novas teorias, sejam da filosofia ou da religião, como a história do mundo demonstra; e isso nunca falhou, fossem essas teorias verdadeiras ou falsas. Elas adquirem um vigor novo sob os golpes da intolerância, e como insetos vivazes parecem se multiplicar por dissecção. Assim, todas as tentativas para acabar com os impostores, ou os entusiastas, pela censura e pela injúria, dirigida contra eles pessoalmente, por causa de suas loucuras ou de seus crimes, jamais foi vencida. Eles próprios são tão sensíveis que a oposição deste tipo promove a sua causa, de forma que eles desejam, convidam, e até mesmo provocam isso. De fato, algumas das loucuras populares atuais se devem apenas às perseguições alegadas ou reais que sofreram, não só aos seus devotos, mas mesmo à sua existência presente; não fosse por isso há muito teriam descido para o túmulo dos Capuletos, “sem lágrimas, sem honras, sem cânticos.”<a name="_ftnref26_8546" href="$-24">[23]</a></p>
<hr size="1" />
<blockquote><p><a name="_ftn1_8546" href="$-25"><span style="font-size: xx-small;">[1]</span></a><span style="font-size: xx-small;"> Plait pegou emprestada a frase “não seja um cretino” de uma máxima existente na internet, a Lei Wheaton, e a incluiu perto do fim do seu discurso como um floreio retórico. Seu argumento poderia ter sido feito sem ele (como, aliás, Carl Sagan fez em 1996). Era previsível que “Phil está nos chamando de cretinos!” iria dominar a discussão, em muitos casos, deixando-se de lado os argumentos de Plait? Provavelmente. É lamentável que este tenha sido o resultado, mas isso demonstra o que Plait queria dizer. Quando as pessoas se sentem insultadas, o insulto torna-se a discussão.</span></p>
<p><a name="_ftn2_8546" href="$-26"><span style="font-size: xx-small;">[2]</span></a><span style="font-size: xx-small;"> Veja meus posts (entre outros): </span><a href="http://skepticblog.org/2011/05/24/horse-laughs/"><span style="font-size: xx-small;">“Horse-Laughs, the Rapture, and Ticking Bombs”</span></a><span style="font-size: xx-small;">;</span><a href="http://skepticblog.org/2010/09/19/skeptics-as-model-train-lovers-2/"><span style="font-size: xx-small;">“Skeptics as Model Train Lovers (Part II)”</span></a><span style="font-size: xx-small;">; </span><a href="http://skepticblog.org/2010/07/26/the-reasonableness-of-weird-things/"><span style="font-size: xx-small;">“The Reasonableness of Weird Things”</span></a><span style="font-size: xx-small;">; ou,</span><a href="http://skepticblog.org/2010/07/02/science-of-honey-and-vinegar/"><span style="font-size: xx-small;">“Bring on the Science of Honey and Vinegar.”</span></a></p>
<p><a name="_ftn3_8546" href="$-27"><span style="font-size: xx-small;">[3]</span></a><span style="font-size: xx-small;"> “Eu não sou apenas um membro da comunidade da Nova Era”, enfatizou McLaren. “Eu também tenho sido uma fonte de muitas das coisas com as quais a comunidade cética se preocupa. Eu estive envolvida na metafísica e na Nova Era por mais de 30 anos, eu escrevi quatro livros e gravei cinco cds sobre a matéria, e eu era considerada uma das líderes no campo.” Seus livros anteriores incluem títulos tais como Sua Aura e Seus Chakras: Manual do Proprietário. (Seu recente livro A Linguagem das Emoções enfatiza a ciência social, continuando em uma veia de auto-ajuda.) Muito tem se falado sobre a sua jornada em direção ao ceticismo, mas é a sua visão sobre a cultura da Nova Era que é útil a este “tom” da discussão.</span></p>
<p><a name="_ftn4_8546" href="$-28"><span style="font-size: xx-small;">[4]</span></a><span style="font-size: xx-small;"> Como observa Michael Shermer em seu post “</span><a href="http://skepticblog.org/2011/05/31/demographics-of-belief/"><span style="font-size: xx-small;">A Demografia da Crença</span></a><span style="font-size: xx-small;">”, “Embora os percentuais específicos da crença no sobrenatural e no paranormal entre os países e as décadas variem um pouco, os números permanecem bastante consistentes de que a maioria das pessoas tem algum tipo de crença paranormal ou sobrenatural.”</span></p>
<p><a name="_ftn5_8546" href="$-29"><span style="font-size: xx-small;">[5]</span></a><span style="font-size: xx-small;"> Sagan, Carl. The Demon-Haunted World. (Random House: New York, 1996.) p. 302</span></p>
<p><a name="_ftn6_8546" href="$-30"><span style="font-size: xx-small;">[6]</span></a><span style="font-size: xx-small;"> ibid. p. 297–298</span></p>
<p><a name="_ftn7_8546" href="$-31"><span style="font-size: xx-small;">[7]</span></a><span style="font-size: xx-small;"> ibid. p. 300</span></p>
<p><a name="_ftn8_8546" href="$-32"><span style="font-size: xx-small;">[8]</span></a><span style="font-size: xx-small;"> Baker, Robert and Joe Nickell. Missing Pieces: How to Investigate Ghosts, UFOs, Psychics, &amp; Other Mysteries. (Prometheus Books: Buffalo, New York, 1992.) p. 298</span></p>
<p><a name="_ftn9_8546" href="$-33"><span style="font-size: xx-small;">[9]</span></a><span style="font-size: xx-small;"> ibid. p. 286. Esta passagem foi extraída com pouca modificação do artigo de Ray Hyman que eles estavam discutindo.</span></p>
<p><a name="_ftn10_8546" href="$-34"><span style="font-size: xx-small;">[10]</span></a><span style="font-size: xx-small;"> Comunicação pessoal de Pat Linse. 16 de junho de 2011</span></p>
<p><a name="_ftn11_8546" href="$-35"><span style="font-size: xx-small;">[11]</span></a><span style="font-size: xx-small;"> Comunicação pessoal de Michael Shermer. 20 de junho de 2011.</span></p>
<p><a name="_ftn12_8546" href="$-36"><span style="font-size: xx-small;">*</span></a><span style="font-size: xx-small;"> a ratings powerhouse that pioneered the daytime talk genre later dominated by Oprah</span></p>
<p><a name="_ftn13_8546" href="$-37"><span style="font-size: xx-small;">[12]</span></a><span style="font-size: xx-small;"> Shermer, Michael. <em>Why People Believe Weird Things</em>. (W.H. Freeman and Company: New York, 1997.) p. 179</span></p>
<p><a name="_ftn14_8546" href="$-38"><span style="font-size: xx-small;">[13]</span></a><span style="font-size: xx-small;"> Shermer, Michael, and Alex Grobman. Denying History. (University of California Press: California, 2002.) p. 2</span></p>
<p><a name="_ftn15_8546" href="$-39"><span style="font-size: xx-small;">[14]</span></a><span style="font-size: xx-small;"> Um caso clássico no ceticismo é a “familiaridade agradável” entre Harry Houdini (um defraudador implacável de médiuns espíritas) e Ira Davenport (a metade sobrevivente de “Os Irmãos Davenport”, que foram pioneiros superstar da mediunidade de espíritos). Davenport revelou a Houdini “muito de valor histórico sobre os irmãos, que nunca apareceu na imprensa” – ou seja, <em>exatamente como eles o faziam</em>. Enquanto todos os registros anteriores dos irmãos tinham sido “vagos, especulativos, superficiais”, Houdini foi o único investigador a obter a “confissão de um coração aberto” de Ira. Houdini, Harry. <em>A Magician Among the Spiritis</em>. (Fredonia Livros:. Amsterdam, 2002) p. 17-37</span></p>
<p><a name="_ftn16_8546" href="$-40"><span style="font-size: xx-small;">*</span></a><span style="font-size: xx-small;"> During Shermer’s Donahue adventure, the host soon found himself in over his head</span></p>
<p><a name="_ftn17_8546" href="$-41"><span style="font-size: xx-small;">[15]</span></a><span style="font-size: xx-small;"> “Apology to Creation Science Foundation Ltd.” <em>Media Information Australia</em>. N º 55. Fevereiro de 1990. p. 64. “&#8230; <em>Media Information Australia</em> deseja comunicar que as opiniões e as alegações contidas no artigo acima são do Professor Plimer e não são adotadas ou compartilhadas pela Escola de Cinema, Televisão e Rádio Australiana, seus diretores, empregados e agentes ou os editores e outros envolvidos com a publicação da Media lnformation Australia. Qualquer dano que tenha sido sofrido pela Creation Science Foundation Ltd e seus diretores e outros oficiais e membros e T Duane Gish pedimos desculpas e lamentamos”.</span></p>
<p><a name="_ftn18_8546" href="$-42"><span style="font-size: xx-small;">[16]</span></a><span style="font-size: xx-small;"> Lippard, Jim. “How Not to Argue With Creationists.” Creation/Evolution. Vol. 11, No. 2 (Winter 1991–1992.) p. 9–21. </span><a href="http://ncse.com/webfm_send/1159"><span style="font-size: xx-small;">Full issue PDF</span></a><span style="font-size: xx-small;">. Acessado em 11 de junho de 2011.</span></p>
<p><a name="_ftn19_8546" href="$-43"><span style="font-size: xx-small;">[17]</span></a><span style="font-size: xx-small;"> Suzuki, David. “Creationism Flourishes in North America.” The Lethbridge Herald, Dec 16, 1989. p. 6</span></p>
<p><a name="_ftn20_8546" href="$-44"><span style="font-size: xx-small;">[18]</span></a><span style="font-size: xx-small;"> Comunicação pessoal de Barry Karr. 20 de junho de 2011</span></p>
<p><a name="_ftn21_8546" href="$-45"><span style="font-size: xx-small;">[19]</span></a><span style="font-size: xx-small;"> Hyman, Ray. “Proper Criticism.” <em>Skeptical Inquirer</em>, Vol. 25, No. 4. July / August 2001. p. 53–55.</span></p>
<p><a name="_ftn22_8546" href="$-46"><span style="font-size: xx-small;">*</span></a><span style="font-size: xx-small;"> To some, the paranormalists are the “enemy,” and it seems inconsistent to lean over backward to give them the benefit of the doubt</span></p>
<p><a name="_ftn23_8546" href="$-47"><span style="font-size: xx-small;">[20]</span></a><span style="font-size: xx-small;"> Comunicação pessoal de Kendrick Frazier. 20 de junho de 2011.</span></p>
<p><a name="_ftn24_8546" href="$-48"><span style="font-size: xx-small;">[21]</span></a><span style="font-size: xx-small;"> Wade, Nicholas. “Schism Among Psychic-Watchers.” <em>Science</em> 197. 1977. p. 1344</span></p>
<p><a name="_ftn25_8546" href="$-49"><span style="font-size: xx-small;">[22]</span></a><span style="font-size: xx-small;"> Articulações anteriores deste sentido também existem; por exemplo, a máxima de David Hume, “Um homem sábio, portanto, proporciona a sua crença à evidência.” Hume, David. <em>An Enquiry Concerning Human Understanding</em>. (Open Court Publishing Company:. Peru, Illinois, 1993) p. 144</span></p>
<p><a name="_ftn26_8546" href="$-50"><span style="font-size: xx-small;">[23]</span></a><span style="font-size: xx-small;"> Reese, David Meredith. <em>Humbugs of New York: being a remonstrance against popular delusion</em>. (New York: 1838.) p. 14–16.</span></p></blockquote>
<p><span style="font-size: xx-small;">[imagem inicial: <a href="http://www.sxc.hu/photo/911615" target="_blank">sxc.hu/bluegum</a>]</span></p>
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		<title>Pseudo-Psicoterapia: OVNIS, Cloudbusters, Conspirações e Paranóia na Psicoterapia de Wilhelm Reich</title>
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		<pubDate>Mon, 18 Jul 2011 00:43:57 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Mori</dc:creator>
				<category><![CDATA[Ceticismo]]></category>
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		<description><![CDATA[por Richard Morrock, publicado em eSkeptic, 12 out 2010 Traduzido por colaboração de Lisângelo Berti As idéias do psicanalista dissidente [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><img class="alignnone size-full wp-image-6248" title="wilhelm reich org2   Pseudo Psicoterapia: OVNIS, Cloudbusters, Conspirações e Paranóia na Psicoterapia de Wilhelm Reich" src="http://www.ceticismoaberto.com/wp-content/uploads/2011/07/wilhelm_reich_org2.jpg" alt="wilhelm reich org2 ceticismo" width="600" height="455" /></p>
<p>por <strong>Richard Morrock</strong>, publicado em <a href="http://www.skeptic.com/eskeptic/10-12-29/" target="_blank">eSkeptic</a>, 12 out 2010</p>
<p>Traduzido por colaboração de Lisângelo Berti</p>
<p>As idéias do psicanalista dissidente <strong>Wilhelm Reich</strong> tendem a ser encontradas na costa mais distante da vida intelectual americana, onde abundam as teorias de conspiração, OVNIs assombram os céus, e a esquerda radical começa a confundir-se com o ultra-direitismo. Ofuscado ainda na década de 1960 por seu rival, <strong>Herbert Marcuse</strong>, Reich continuou a ser um herói e mártir para um pequeno mas fragmentado grupo de seguidores, e uma grande influência sobre o pensamento de um grupo muito maior de não-conformistas políticos e sexuais que podem não se intitular como Reichianos.</p>
<p>Wilhelm Reich nasceu e cresceu no remoto interior oriental do Império Austríaco por volta da virada do século. Após mudar-se para Viena ao fim da Primeira Guerra Mundial, ele envolveu-se com o crescente movimento da psicanálise de <strong>Sigmund Freud</strong>, e logo veio a ser considerado como o seu discípulo mais produtivo. Ao mesmo tempo, Reich envolveu-se com a política marxista; ele era um membro do Partido Comunista da Áustria, e mais tarde foi um membro do Partido Comunista Alemão por um breve período.</p>
<p>Reich não era de longe o único a combinar uma profissão psicanalítica com uma ocupação proletária revolucionária, embora tivesse uma propensão peculiar para discutir com outros, tais como Marcuse e <strong>Otto Fenichel</strong>, que compartilhavam essas duas orientações. Reich, entretanto, combinou o político e o pessoal de tal forma que o distinguiu até mesmo de seus colegas psicoanalíticos mais radicais. Ele argumentou que a repressão sexual era a base da opressão classista, e que só a libertação do indivíduo do seu complexo de Édipo poderia preparar o caminho para o surgimento da justiça social após a revolução vindoura.</p>
<p>Essa teoria estabelecia um desafio tanto para os fundamentos comunistas como para os psicanalíticos. Dos primeiros, Reich exigiu um compromisso com a revolução sexual que, após um curto período de experimentação, no levante da revolução bolchevique, os seguidores de Lenin não estavam dispostos a fazer. Dos últimos, Reich exigiu apoio tanto à revolução sexual como social, mas os psicanalistas não estavam preparados para exigir a eliminação de toda a repressão sexual, e a maioria estava muito confortável em sua vida profissional para erguer barricadas em nome da classe trabalhadora internacional. Consequentemente, em 1935, Reich tinha sido expulso das fileiras tanto do movimento comunista como da Associação Psicanalítica Internacional.</p>
<p>Apesar de seus seguidores ignorarem o fato, há uma contradição na prescrição de Reich para a sociedade. Se, como Reich argumenta, a repressão sexual é essencial para a sobrevivência da sociedade classista opressora e se, como ele também afirma, a sociedade classista opressora impõe a repressão sexual, então por onde é que se começa a eliminar a opressão? Não pode ser através da psicoterapia, porque a classe dominante não permitiria, nem pode ser feito através da revolução, porque os trabalhadores sexualmente reprimidos não seriam capazes de criar uma sociedade verdadeiramente livre &#8211; basta olhar para a Rússia. Dadas as hipóteses de Reich, progresso social significativo é quase impossível. Não deveria ser surpresa, então, que seu grupo mais ativo de adeptos, o Colégio Americano de Orgonomia, já se afastou das idéias originais esquerdistas de seu fundador e apoia uma variedade linha dura de ultra-conservadorismo. O próprio Reich, no final de sua vida, idolatrava Eisenhower e apoiou a Guerra da Coréia, mas mesmo ele teria hesitado em pedir mais autoritarismo nas escolas públicas ou insinuar que a queda do comunismo na Europa Oriental era na verdade uma conspiração comunista.</p>
<p>A ascensão do nazismo na Alemanha e na Áustria obrigaram Reich a emigrar para os Estados Unidos, após uma curta estadia na Escandinávia onde, mesmo na relativamete liberal Noruega, seus pontos de vista sexuais radicais levaram-no a ter problemas com as autoridades. Chegando em Nova York, Reich estabeleceu-se na região classe média Forest Hills e fundou uma escola de pensamento psicanalítico que posteriormente ampliou para incluir as opiniões sobre tudo, desde a educação sexual até as origens do universo. Depois de sua morte, seus seguidores dividiram-se em facções rivais. Existem agora três organizações Reichianas &#8220;ortodoxas&#8221; que lutam ferrenhamente entre si, enquanto ao mesmo tempo desprezam os &#8220;neo-Reichianos&#8221; como <strong>Alexander Lowen</strong>, fundador da bioenergética.</p>
<p>Para seu crédito, Reich foi o primeiro teórico a levar o corpo humano para dentro da psicoterapia, continuando um processo que foi iniciado, de modo algo hesitante, por Freud. Reich argumentava que as emoções reprimidas foram enterradas no que ele descreveu como armadura muscular. Algumas vezes ele ilustraria o que chamava de &#8220;<em>segmentos</em>&#8221; do corpo &#8211; cabeça, tórax, pélvis, etc &#8211; em mapas notavelmente parecidos com aqueles usados por médicos hindus para retratar os chacras, ou centros de energia. Essencial para a terapia Reichiana é a liberação de emoções reprimidas através da manipulação física do corpo do paciente, em conjunto com a psicoterapia de orientação mais ou menos freudiana. Às vezes isso teve resultados dramáticos, mas nem sempre positivos. Nos casos em que o paciente não está preparado para aceitar os sentimentos que são liberados, os efeitos são semelhantes a uma &#8220;<em>bad trip</em>&#8221; de LSD. Após sua experiência, o paciente começa a acreditar em algumas coisas bem estranhas.</p>
<p>Paradoxalmente, maus resultados na terapia Reichiana apoiam suas teorias, tanto quanto o ouro transformado em chumbo, ainda que sem proveito, ao menos prova que os alquimistas foram de fato capazes de transmutar metais.</p>
<p><strong>Anna Freud</strong>, que bem conheceu Reich durante seus dias em Viena, considerava-o psicótico. Não se pode aceitar sem reservas essa afirmação, desnecessário dizer, já que basta lembrar que a defesa de Reich pela liberação sexual pode não ter se encaixado muito bem com o celibato da Sra. Freud. Mas nos últimos anos de sua vida, Reich estava mostrando sinais de paranóia, que até mesmo seus seguidores mais devotados foram duramente pressionados a negar. Dois de seus últimos livros, &#8220;<em>Escute, Zé Ninguém</em>&#8221; e &#8220;<em>O Assassinato de Cristo</em>&#8220;, podem ser lidos como sermões bizarros, onde Reich expunha a perversidade dos tolos tacanhos que não o reconhecem como o messias secular. Estas duas obras fazem Reich soar como a quintessência dos cientistas loucos.</p>
<p><img class="size-full wp-image-6249 aligncenter" title="amoeba12   Pseudo Psicoterapia: OVNIS, Cloudbusters, Conspirações e Paranóia na Psicoterapia de Wilhelm Reich" src="http://www.ceticismoaberto.com/wp-content/uploads/2011/07/amoeba12.jpg" alt="amoeba12 ceticismo" width="472" height="461" /></p>
<p>Mas nenhum destes livros se compara com seu último, <em>Contact With Space</em>. Enquanto Reichianos acusam o governo dos Estados Unidos de táticas totalitárias porque a <em>Food and Drug Administration</em> (FDA &#8211; Administração de Alimentos e Remédios), em um excesso de zelo burocrático, queimou os livros de Reich quando fecharam seu laboratório, os Reichianos têm mantido <em>Contact With Space</em> impublicado, para garantir que o público permaneça sem conhecimento das curiosas noções de Reich sobre discos voadores hostis.</p>
<p>Diferentemente de grupos conhecidos pelos céticos, como <em>MUFON</em> e <em>CUFOS</em>, Reich não se limitou a sustentar que a Terra estava sendo visitada por alienígenas. Ele chegou até a alegar que os OVNIs eram hostis, pilotados por seres que ele chamava de &#8220;<em>povo CORE</em>&#8221; que vinha para roubar a energia orgônica de nosso planeta. Ele até mesmo divagou se seu pai não seria um desses &#8220;<em>povo CORE</em>&#8220;, que faria de Reich o produto de miscigenação interplanetária. Pela maneira hesitante na qual ele expressou esta opinião, parece que sua formação psicanalítica alertou-o sobre a possibilidade de que esta noção seria ilusória.</p>
<p>Seus seguidores nem sempre tiveram essas dúvidas. Um graduado em terapia Reichiana, <strong>Jerome Eden</strong> (já falecido), fundou um grupo chamado <em>Conselho de Cidadãos Planetários Profissionais</em>, cujo título pretensioso disfarçava o fato de nunca ter tido mais de oito ou dez membros. Eden não só alardeava a teoria de que a Terra estava sendo atacada por discos voadores hostis, como ainda afirmava ter traduzido um manual de &#8220;<em>Combate Cósmico</em>&#8220;, supostamente encontrado em um local de pouso de OVNI junto com um conveniente dicionário bilíngue, entregando os planos dos alienígenas para subjugar a Terra através de dissimulação e trapaça. &#8220;<em>Se alguém detectar a nossa intenção</em>&#8220;, as supostas criaturas espaciais furtivamente declaram: &#8220;<em>a melhor defesa é publicamente afirmar que tal alegação é absurda e tachar essa pessoa como obviamente insana</em>&#8220;. O autor do documento cita o grande teórico militar prussiano <strong>Clausewitz </strong>, levantando algumas suspeitas em minha mente de que ele/ela (ou ser) deve ter sido do nosso próprio planeta, embora alguém possa se opor a tão precipitadas conclusões!</p>
<p><img class="size-full wp-image-6250 aligncenter" title="cloudbuster2   Pseudo Psicoterapia: OVNIS, Cloudbusters, Conspirações e Paranóia na Psicoterapia de Wilhelm Reich" src="http://www.ceticismoaberto.com/wp-content/uploads/2011/07/cloudbuster2.jpg" alt="cloudbuster2 ceticismo" width="368" height="397" /></p>
<p>Reichianos relataram enfrentamentos com OVNIs, usando seus &#8220;C<em>loudbusters</em>&#8221; (arrasa-nuvens) &#8211; dispositivos de controle climático de valor não comprovado. Em fevereiro de 1955, um grupo de cientistas reichianos alegou ter expulsado OVNIs invasores de Tucson, Arizona, sofrendo uma baixa de um heróico defensor ferido por uma explosão radioativa. Os invasores nunca retornaram. O próprio Reich uma vez disse ter rechaçado um OVNI com seu próprio cloudbuster perto de seu laboratório em Rangeley, Maine.</p>
<p>Reichianos não têm enfatizado a ameaça dos OVNIs em anos recentes. No entanto, <strong>Peter Robins</strong> de Nova York tem falado em reuniões do Colégio Americano de Orgonomia sobre os visitantes espaciais, e parece aspirar ao título de Eden como principal autoridade reichiana sobre OVNIs.</p>
<p>Uma questão controversa sobre a qual Reichianos têm muito a dizer é o controle climático. Reichianos, com os seus &#8220;cloudbusters&#8221; baseados em &#8220;energia orgônica&#8221;, exigem reconhecimento cada vez que uma seca termina no Ocidente, embora grupos reichianos rivais frequentemente briguem entre si sobre quais experiências realmente causaram a chuva. A alegação não comprovada de controle climático tende a afastar algumas pessoas que poderiam ser atraídas para as idéias reichianas; salvar o mundo é uma coisa, brincar de Deus é outra. Reichianos de carteirinha, no entanto, esperam que suas experiências de fabricar chuva obriguem os céticos a aceitar toda sua cosmologia.</p>
<p>Outra teoria aceita pelos Reichianos é a geração espontânea. Reich argumentava que formas de vida poderiam surgir de matéria inorgânica em tubos de ensaio lacrados e esterilizados, contendo entulho de quintal comum fervido em água. Se isso fosse verdade, invalidaria todas as pesquisas biológicas dos últimos séculos. Reich desdenhou dos críticos que argumentavam que o surgimento de amebas e outros micro-organismos nos tubos de ensaio era devido a seus controles inadequados, que permitiram que esporos sobrevivessem no composto. Seus seguidores alegam que os cientistas convencionais são incapazes de apreciar as descobertas de Reich porque estão &#8220;blindados&#8221; por suas neuroses &#8211; uma espécie de equivalente moderno à Roupa Nova do Imperador. Dizem que se outros cientistas passassem pela terapia orgonômica, veriam os mesmos fenômenos que o Reichianos relatam em seus próprios laboratórios. Isso pode até ser verdade, se assumirmos que a terapia reichiana é tão prejudicial que frequentemente leva as pessoas a ver coisas que não existem.</p>
<p><img class="alignnone size-full wp-image-6251" title="4899254920 8bfcef8f612 e1310950128641   Pseudo Psicoterapia: OVNIS, Cloudbusters, Conspirações e Paranóia na Psicoterapia de Wilhelm Reich" src="http://www.ceticismoaberto.com/wp-content/uploads/2011/07/4899254920_8bfcef8f612-e1310950128641.jpg" alt="4899254920 8bfcef8f612 e1310950128641 ceticismo" width="600" height="394" /></p>
<p>Reich terminou sua vida na prisão, morrendo de ataque cardíaco pouco antes do prazo para ser liberto. A acusação original contra ele era vender &#8220;<em>acumuladores orgônicos</em>&#8221; além da fronteira estadual, o que o levou a ter problemas com a FDA. No entanto, ele poderia facilmente ter se livrado desta acusação se assim quisesse. Reich recusou-se a contestar a acusação em tribunal, alegando que suas doutrinas &#8220;científicas&#8221; não poderiam ser discutidas em uma corte de justiça. Ele foi condenado não por fraude ou charlatanismo, mas por desrespeito ao tribunal.</p>
<p>Seguidores de Reich sustentam que seu líder foi enquadrado como parte de uma conspiração comunista e que o governo americano, no auge da Guerra Fria e depois de anos de histeria macarthista, estava atuando como instrumento de Moscou, quando processou ​​Reich.</p>
<p>Ironicamente, o objetivo original de Reich era eliminar da doutrina de Freud sua bagagem metafísica e colocá-la numa base científica sólida. Mas enquanto sua escola de pensamento desenvolvia-se, ela passou a incluir mais e mais teorias há muito descartadas e histórias populares, vestidas com terminologia pseudocientífica e confirmadas através de experimentos duvidosos que não-Reichianos não foram capazes de repetir. A geração espontânea é revivida nas descrições de Reich dos &#8220;Bacilos T&#8221;. Magnetismo animal se transforma em energia orgônica e o Yin e Yang do Budismo Mahayana são retrabalhados na teoria de Reich sobre a sobreposição cósmica.</p>
<p>Com o quê Reich nunca rompeu na psicanálise foi a noção de reducionismo, que vê os eventos sociais como nada mais do que o reflexo da realidade psicológica. Reich, de fato, levou-o ainda mais longe, tentando reduzir a psicologia à biologia e física, sendo esta última, como <strong>Martin Gardner</strong> salientou, um assunto sobre o qual Reich tinha muito pouco conhecimento. Juntamente com o seu autoritarismo e sua própria aparente incapacidade de distinguir o objetivo de fenômenos subjetivos, o reducionismo de Reich levou-o a desenvolver uma psicoterapia pseudocientífica que excede todas as outras, tanto em seu âmbito e dogmatismo como na intolerância de seus adeptos.</p>
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		<title>Novo Fenômeno Natural Faz Luzes Dançarem no Céu</title>
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		<pubDate>Sun, 26 Jun 2011 03:06:59 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Mori</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Um engenheiro da Universidade de Washington pode ter descoberto um fascinante fenômeno natural através de vídeos na Internet. “Há alguns [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><a href="http://www.ceticismoaberto.com/wp-content/uploads/2011/06/Himmelserscheinung_ber_Nrnberg_vom_14._April_1561f.jpg"><img class="alignnone size-full wp-image-6219" title="Himmelserscheinung ber Nrnberg vom 14. April 1561f   Novo Fenômeno Natural Faz Luzes Dançarem no Céu" src="http://www.ceticismoaberto.com/wp-content/uploads/2011/06/Himmelserscheinung_ber_Nrnberg_vom_14._April_1561f.jpg" alt="Himmelserscheinung ber Nrnberg vom 14. April 1561f ciencia" width="600" height="401" /></a></p>
<p>Um engenheiro da Universidade de Washington pode ter descoberto um fascinante fenômeno natural através de vídeos na Internet.</p>
<p>“<em>Há alguns anos em apresentações em museus eu estava explicando a ótica dos arco-íris e explicando a dinâmica de tempestades</em>”, conta <a href="http://amasci.com/" target="_blank"><strong>William Beaty</strong></a>. “<em>Tropecei então com uma estranha ideia: não deveriam os fortes campos eletrostáticos das tempestades terem um efeito visível em arco-íris? Campos elétricos deveriam distorcer levemente gotas d’água, fazendo com que a distribuição de luz de um arco-íris mudasse um pouco</em>”, especulou.</p>
<p>Como esse fenômeno se pareceria? “<em>Por vezes deveríamos notar um arco-íris tremeluzindo durante um relâmpago, e então retornando lentamente a seu padrão inicial enquanto os campos elétricos se acumulassem antes de outro raio</em>”.</p>
<p>Apesar da possibilidade tantalizante, Beaty não encontrou evidências do fenômeno de arco-íris dançando em meio a tempestades – pelo menos ainda. Mas os usuários do site Youtube, “LordHermie” e “JimBob” lhe chamaram a atenção para algo não muito diferente: vídeos capturados em diferentes partes do globo, dos EUA à Malásia, registrando fachos de luz em rápido movimento sobre nuvens de tempestades.</p>
<h3>Parélios Dançantes?</h3>
<p><iframe width="290" height="247" src="http://www.youtube.com/embed/1Z_-uK5Btik" frameborder="0" allowfullscreen></iframe><iframe width="290" height="247" src="http://www.youtube.com/embed/Sc9Ks6H3coY" frameborder="0" allowfullscreen></iframe><br />
<iframe width="290" height="247" src="http://www.youtube.com/embed/cUcH3VClzUI" frameborder="0" allowfullscreen></iframe><iframe width="290" height="247" src="http://www.youtube.com/embed/fEiQKOLXU8Y" frameborder="0" allowfullscreen></iframe></p>
<p>Os vídeos acima, capturados por diferentes testemunhas pelo mundo, assistidos e compartilhados com perplexidade, demonstram algo muito similar ao sugerido por Beaty. “<em>Ao invés da distorção de gotas de água</em>”, nota Beaty, “<em>estes devem ser padrões luminosos de parélios causados por cristais de gelo alinhados</em>”.</p>
<p><a href="http://www.ceticismoaberto.com/wp-content/uploads/2011/06/fig20.jpg"><img class="alignnone size-full wp-image-6220" title="fig20   Novo Fenômeno Natural Faz Luzes Dançarem no Céu" src="http://www.ceticismoaberto.com/wp-content/uploads/2011/06/fig20.jpg" alt="fig20 ciencia" width="420" height="343" /><br />
</a>[<a href="http://www.atoptics.co.uk/" target="_blank">Atmospheric Optics</a>]</p>
<p><a href="http://www.atoptics.co.uk/halosim.htm" target="_blank">Parélios</a> são relativamente comuns: basicamente, basta que haja cristais de gelo na atmosfera para que o fenômeno ocorra. Para que ele seja mais facilmente percebido, contudo, as condições propícias são que a fonte de luz, como o Sol, esteja próximo do horizonte e o céu limpo.</p>
<p>Quando os cristais estão desalinhados, forma-se um <a href="http://en.wikipedia.org/wiki/Halo_(optical_phenomenon)" target="_blank">halo</a>, um círculo de luz em torno do Sol. Quando estão alinhados, principalmente por forças aerodinâmicas, criam os parélios (ou “falsos sóis”) propriamente ditos, surgindo como um par de “sóis” aos lados do astro-rei. O fenômeno ótico não ocorre apenas com o Sol, e uma Lua cheia particularmente brilhante, com as condições atmosféricas apropriadas, também pode ser vista com halos ou <a href="http://en.wikipedia.org/wiki/Moon_dog" target="_blank">paraselenes</a> ao seu redor.</p>
<p><a href="http://www.ceticismoaberto.com/wp-content/uploads/2011/06/sunhalo_rosen.jpg"><img class="alignnone size-full wp-image-6221" title="sunhalo rosen   Novo Fenômeno Natural Faz Luzes Dançarem no Céu" src="http://www.ceticismoaberto.com/wp-content/uploads/2011/06/sunhalo_rosen.jpg" alt="sunhalo rosen ciencia" width="600" height="351" /></a><br />
[Peter Rosén, <a href="http://apod.nasa.gov/apod/ap110110.html" target="_blank">APOD</a>]</p>
<p>Se basta a existência de cristais de gelo, sabemos que eles podem popular o topo de nuvens de tempestades. E se a “estranha ideia” de Beaty é que os cristais poderiam se alinhar em resposta a campos elétricos de tempestades, o alinhamento foi tanto observado em laboratório a campos elétricos relativamente fracos (Foster, Hallet, 2002, 2008), como através de radares meteorológicos em resposta à atividade elétrica de tempestades (Caylor, Chandrasekar, 1996).</p>
<p>A novidade, e a espetacular novidade, seria que estes fenômenos já reconhecidos e sendo estudados se combinem para produzir espetáculos de luzes visíveis, algo que ainda não parece ter sido estudado academicamente.</p>
<h3>Em Busca de Confirmação</h3>
<p>O brilho particular de um halo ou de parélios está literalmente nos olhos do observador: os cristais de gelo não se distribuem apenas em um anel ou na região onde se observam os parélios. Como o fim dos arco-íris, você poderia perseguir os parélios, mas nunca os alcançaria. Os cristais se distribuem pelo céu, e apenas aqueles nos ângulos certos, determinados pela geometria dos cristais e o ângulo entre a fonte de luz e o observador responde pelos brilhos particulares.</p>
<p>O que vemos nos vídeos, na opinião deste autor, não é completamente similar a halos. Realmente parece haver algo direcionando a luz solar em fachos, e é relevante que todos os vídeos mostram os fachos próximos do topo iluminado das nuvens com o sol brilhando obliquamente. Cristais de gelo alinhando-se em resposta a campos elétricos em rápida mudança, a sugestão original de Beaty, parecem parte da resposta, mas o fenômeno não parece se enquadrar como uma classe de halo ou parélio.</p>
<p>Mais pesquisa é necessária, e explicações alternativas aos vídeos podem incluir desde fraudes digitais, artefatos das câmeras até fenômenos muito mais mundanos, como movimentos de partes das nuvens direcionando os raios de luz por entre vãos, ou algo talvez tão inusitado, sugerido pelo físico <strong>Martin Shough</strong>, como ondas de choque de trovôes provocando triboluminescência.</p>
<p>Todas estas explicações alternativas têm seus problemas. Os vídeos foram enviados por usuários diferentes e não foram associados, até o momento, a uma campanha viral. Os fenômenos não são compatíveis com as características de artefatos digitais ou óticos próprios de câmeras, e o movimento rápido dos fachos de luz não parece compatível com uma simples ação mecânica direta.</p>
<p>Uma das mais fortes evidências de que o fenômeno se relaciona com o campo elétrico é de fato a forma como as luzes se movimentam, primeiro bruscamente e então retornando lentamente a seu estado inicial, em um movimento que traçado lembra o de um dente de serra. É exatamente o comportamento esperado da acumulação de um campo elétrico que é então descarregado através de um relâmpago, para então acumular-se novamente. Que ele seja produzido pelo alinhamento simultâneo de um conjunto de cristais de gelo também é mais plausível que o movimento direto de uma nuvem.</p>
<p>Beaty divulgou sua ideia e os vídeos relacionados no ano de 2009, mas resta confirmar, ou refutar, se o fenômeno realmente faz o cruzamento entre cristais de gelo, a luz do Sol e o campo elétrico de tempestades. Restaria ainda compreendê-lo plenamente. Caso se confirme, é algo que deve ter sido observado incontáveis vezes ao longo da história em todo o mundo, e como os parélios tradicionais, pode ter sido registrado associado a um sem número de superstições e mistificações, até que seu mecanismo físico real seja compreendido.</p>
<p>Porém, tão curioso quanto o fato de que o fenômeno ainda não tenha sido explorado academicamente é que tampouco parece haver registro na literatura fortiana ou ufológica. Ou haveria? Temos relatos de fachos de luz dançando ao redor de nuvens de tempestades?</p>
<p>Seja como for, não é a toda hora que se descobre um novo fenômeno natural, e se há algo excitante no estudo do inusitado é assistir à descoberta de algo verdadeiramente novo.</p>
<p>[Com agradecimentos a Bill Beaty, Martin Shough e Manuel Borraz]</p>
<p>- &#8211; -</p>
<h3>Referências</h3>
<p>- Beaty, W. J.; “<strong><a href="http://amasci.com/amateur/sundog.html" target="_blank">Leaping Sundogs produced by storm electrostatic fields</a></strong>”, Nov 2009</p>
<p>- Caylor, I.J.;   Chandrasekar, V.; “<a href="http://ieeexplore.ieee.org/xpl/freeabs_all.jsp?arnumber=508402" target="_blank">Time-varying ice crystal orientation in thunderstorms observed with multiparameter radar</a>”, Geoscience and Remote Sensing, IEEE Transactions, Volume 34, Issue 4 , Jul 1996, pp 847-858</p>
<p>- Foster, TC; Hallett, J; “<a href="http://www.sciencedirect.com/science/article/pii/S016980950200008X" target="_blank">The alignment of ice crystals in changing electric fields</a>”, Atmospheric Research, Volume 62, Issues 1-2, May 2002, pp 149-169</p>
<p>- Foster, TC; Hallett, J; “<a href="http://www.sciencedirect.com/science/article/pii/S0169809508000884" target="_blank">Enhanced alignment of plate ice crystals in a non-uniform electric field</a>”, Atmospheric Research, Volume 90, Issue 1, October 2008, pp 41-53</p>
]]></content:encoded>
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		<title>Voc&#234; foi Cutucado por Deus</title>
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		<pubDate>Sat, 18 Jun 2011 02:44:58 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Mori</dc:creator>
				<category><![CDATA[Ceticismo]]></category>
		<category><![CDATA[Destaques]]></category>
		<category><![CDATA[Paranormal]]></category>
		<category><![CDATA[isaac asimov]]></category>
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		<description><![CDATA[Artigo de Daniel Loxton, publicado em Skepticblog Tradução gentilmente autorizada O pioneiro cético Isaac Asimov (um dos fundadores do CSICOP, [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><img style="background-image: none; padding-left: 0px; padding-right: 0px; display: inline; padding-top: 0px; border: 0px;" title="touched by his noodly appendage   Voc&ecirc; foi Cutucado por Deus" src="http://www.ceticismoaberto.com/wp-content/uploads/2011/06/touched_by_his_noodly_appendage.jpg" border="0" alt="touched by his noodly appendage ceticismo" width="600" height="307" /></p>
<p>Artigo de <strong>Daniel Loxton</strong>, publicado em <a href="http://skepticblog.org/2011/06/07/you-have-been-poked-by-god/" target="_blank"><em>Skepticblog</em></a><br />
Tradução gentilmente autorizada</p>
<p>O pioneiro cético <strong>Isaac Asimov</strong> (um dos fundadores do <a href="http://www.csicop.org/about/about_csi" target="_blank"><em>CSICOP</em></a>, hoje <em>CSI</em>) produziu uma biblioteca tão impressionante de livros (<a href="http://www.asimovonline.com/oldsite/asimov_catalogue.html" target="_blank">mais de 500!</a>) que suas múltiplas autobiografias foram apenas pontuações. Eu tenho três autobiografias de Asimov na biblioteca <em><a href="http://www.skeptic.com/junior_skeptic/" target="_blank">Junior Skeptic</a></em>. Às vezes, apenas por diversão, pego uma ao acaso, abro-a e leio as primeiras duas páginas que vejo à minha frente. Toda vez que faço isso, sem falta:</p>
<ol>
<li>leio algo engraçado;</li>
<li>aprendo algo interessante e;</li>
<li>sinto um post no blog surgindo pronto em minha cabeça.</li>
</ol>
<p>Isto certamente aconteceu quando li a história de Asimov de sua experiência pessoal com a premonição psíquica ou a intervenção divina – na forma de um literal cutucão no ombro.[1]</p>
<p><a href="http://www.amazon.com/gp/product/055356997X?ie=UTF8&amp;tag=skepticblog04-20&amp;linkCode=as2&amp;camp=1789&amp;creative=9325&amp;creativeASIN=055356997" target="_blank"><img style="background-image: none; margin: 0px 0px 0px 10px; padding-left: 0px; padding-right: 0px; display: inline; float: right; padding-top: 0px; border: 0px;" title="Asimov Cover2   Voc&ecirc; foi Cutucado por Deus" src="http://www.ceticismoaberto.com/wp-content/uploads/2011/06/Asimov-Cover2.jpg" border="0" alt="Asimov Cover2 ceticismo" width="220" height="360" align="right" /></a>Como contado em <em><a href="http://www.amazon.com/gp/product/055356997X?ie=UTF8&amp;tag=skepticblog04-20&amp;linkCode=as2&amp;camp=1789&amp;creative=9325&amp;creativeASIN=055356997" target="_blank">I. Asimov</a></em> [um trocadilho entre a abreviatura de seu nome e “<em>Eu. Asimov</em>” em inglês], a história tomou lugar em uma tarde de 1990. Asimov estava dormindo em um leito privado de hospital (onde estava sendo tratado por sérios problemas cardíacos). Sua esposa <strong>Janet</strong> havia voltado para casa para alguns afazeres domésticos, deixando Asimov sozinho em seu quarto trancado.</p>
<p>Então algo estranho aconteceu. Asimov recordou: “<em>Eu estava dormindo e então um dedo me cutucou. Eu acordei, é claro, e olhei assustado para ver o que havia me acordado e por que motivo</em>”.</p>
<p>Ele examinou o quarto bem claro, iluminado pelo Sol. Estava vazio. A porta estava trancada e com correntes. O banheiro estava vazio. Não havia ninguém no armário. Era um verdadeiro mistério intrigante, envolvendo um quarto trancado, muito parecido com aqueles sobre o qual ele comumente escrevia. Sua mente se apressou sozinha a chegar a uma solução:</p>
<blockquote><p>“Por mais racionalista que seja, não havia forma pela qual pudesse evitar pensar que alguma influência sobrenatural havia interferido para me dizer que algo havia acontecido com Janet (naturalmente, meu maior medo). Eu hesitei por um momento, tentando combater a ideia, e se envolvesse qualquer outra pessoa que não Janet, eu realmente teria deixado a ideia de lado. Mas eu liguei para ela”.</p></blockquote>
<p>Felizmente, sua esposa atendeu prontamente. Ela estava bem.</p>
<blockquote><p>“Aliviado, eu desliguei o telefone e parei para considerar o problema de quem ou o que havia me cutucado. Teria sido apenas um sonho acordado, uma alucinação? Talvez, mas pareceu absolutamente real”.</p></blockquote>
<p>Ao final, ele descobriu o que havia acontecido: envolvido em seus próprios braços, Asimov havia conseguido cutucar <em>a si mesmo</em> no ombro. Mistério solucionado.</p>
<p>Mas imagine, ele refletiu, que as coisas tivessem se desenrolado de outra forma.</p>
<blockquote><p>“Agora suponha que no exato momento em que me cutuquei, Janet, por alguma coincidência absolutamente sem significado, tivesse tropeçado e machucado seu joelho. E suponha que eu tivesse ligado e ela houvesse reclamado e dito, ‘Eu acabei de me machucar’.</p>
<p>Teria eu resistido ao pensamento de uma interferência sobrenatural? Eu espero que sim. No entanto, não posso estar seguro. É o mundo em que vivemos. Corromperia os mais fortes, e não imagino que eu seja o mais forte”.</p></blockquote>
<h3>A Persuasão da Experiência Pessoal</h3>
<p>É fácil ver como a experiência visceralmente convincente de Asimov poderia tê-lo persuadido, e Asimov foi honesto o suficiente para admiti-lo. Afinal, aconteceu durante uma doença ameaçadora, próxima do final de sua vida, em uma época em que ele estava obcecado com a morte. (Em uma nota relacionada porém mais leve, Asimov teve um sonho ao redor dessa época em que ele chegou, surpreso, no Céu. Depois de discutir com um anjo que o saudou a respeito de haver um engano em permitir a entrada de um velho ateu, Asimov ‘<em>pensou por um momento e então se voltou ao anjo escrivão e perguntou: ‘Há alguma máquina de escrever por aqui que eu possa usar?’</em>’[2]).</p>
<p>Eventos como a premonição de Asimov são uma força inexorável a favor da crença sobrenatural: humanos são facilmente confundidos, e se agarram facilmente a explicações sobrenaturais; experiências deste tipo são imensamente poderosas; e as implicações das crenças sobrenaturais podem ser muito, muito sedutoras. É muita coisa para resistir.</p>
<p>Como Asimov perguntou em uma [edição da revista] <em>Skeptical Inquirer</em> em 1986:</p>
<blockquote><p>“Você gosta de ideia de morrer, ou de que alguém que você ame morra? Você pode culpar alguém por convencer-se de que há algo como uma vida eterna e que essa pessoa verá todos aqueles que ama em um estado de felicidade perpétua?</p>
<p>Você se sente confortável com as incertezas diárias da vida, sem nunca saber o que o próximo momento trará? Você pode culpar alguém por convencer-se de que pode alertar e se precaver contra estas incertezas ao ver o futuro através da configuração das posições planetárias, ou da disposição de cartas de baralho, o padrão de folhas de chá ou eventos em sonhos?” [3]</p></blockquote>
<p>Isaac Asimov era um cético, um racionalista, um cientista por formação (sem mencionar “<em>o maior educador de ciência de nosso tempo, e talvez de todos os tempos</em>”, como foi saudado pelo editor da <em>Skeptical Inquirer</em>, <strong>Kendrick Frazier </strong>[4]). Ainda assim, um engano trivial o levou muito perto da fronteira da crença sobrenatural – tão próximo que ele <em>tomou uma atitude</em> levado por esta crença. Apenas para estar seguro.</p>
<p>A história de Asimov não é incomum, mesmo entre céticos. Por exemplo, <strong>James Randi</strong> (outro dos fundadores do CSICOP) uma vez acordou e descobriu-se flutuando no teto, olhando para baixo e vendo seu corpo, dormindo em sua cama. Esta experiência deixou Randi não apenas impressionado, como convencido. Foi, ele disse, “<em>uma experiência muito forte para mim. Eu realmente acreditei, pela evidência apresentada a mim, que havia tido uma experiência fora do corpo que se ajustava à descrição que ouvimos tantas vezes</em>”. No entanto, depois lhe foi  mostrada evidência clara de que seu vôo astral não poderia ter ocorrido literalmente, mas deve ter sido ao invés um sonho ou alucinação. Durante sua experiência fora do corpo, Randi interagiu com sua gata Alice enquanto ela estava deitada sobre o lençol de cor <em>chartreuse</em>. Depois lhe foi mostrado que a gata estava trancada do lado de fora, e o lençol chartreuse estava na lavanderia – não em sua cama. [5] Sem o acaso de que elementos físicos não combinavam com sua experiência, “<em>eu teria agora que dizer a vocês que, até onde sabia, havia tido uma experiência fora-do-corpo</em>”. Mas e quanto àqueles que viveram um episódio assim sem o benefício da experiência investigativa de Randi – ou seu golpe de sorte [com a gata]? “<em>Se não tiverem uma evidência convincente do contrário</em>”, Randi refletiu, “<em>o que os impedirá de dizer ‘Estou absolutamente seguro de que tive uma experiência extra-corpórea’? … Por favor, considere isto cuidadosamente, e não se esqueça, porque é um bom exemplo de que mesmo um arqui-cético poderia ter sucumbido</em>”.</p>
<p>Muito de meu próprio trabalho <a href="http://skepticblog.org/2010/07/26/the-reasonableness-of-weird-things/" target="_blank">enfatiza</a> o mesmo ponto: é compreensível que tantas pessoas boas e inteligentes acreditem em coisas estranhas. De fato, é mais que compreensível; é comumente <em>razoável</em>. Para muitas pessoas em muitas situações, o paranormal <em>é a melhor explicação que têm para os fatos à sua frente</em>.</p>
<p>E quando esses fatos incluem experiências diretas e pessoais que parecem inexplicáveis… Bem, as palavras de Asimov se aplicam a mim também:</p>
<p>“<em>Corromperia os mais fortes, e não imagino que eu seja o mais forte</em>”.</p>
<p>Nem de longe.</p>
<p>- &#8211; -</p>
<h3>Referências</h3>
<ol>
<li>Asimov, Isaac. <em>I. Asimov.</em> (Bantam: New York, 1994.) p. 14</li>
<li>ibid. p. 337 – 338</li>
<li>Asimov, Isaac. “The Perennial Fringe.” <em>Skeptical Inquirer.</em> Vol. 10. Spring, 1986. p. 212</li>
<li>Frazier, Kendrick. “A Celebration of Isaac Asimov: A Man for the Universe.” <em>Skeptical Inquirer.</em> Vol. 17. Fall 1992. p. 30</li>
<li>Randi, James. “A Report from the Paranormal Trenches.” <a href="http://www.skeptic.com/productlink/magv01n1" target="_blank">Skeptic magazine. Vol. 1, No. 1. 1992.</a> p. 25. Transcrito de uma palestra dada na Caltech em 12 de April de 1992.</li>
</ol>
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		<title>Positivamente Enganados: Os Mitos e Erros do Movimento do Pensamento Positivo</title>
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		<pubDate>Mon, 13 Jun 2011 03:18:43 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Mori</dc:creator>
				<category><![CDATA[Ceticismo]]></category>
		<category><![CDATA[mídia]]></category>
		<category><![CDATA[psicologia]]></category>

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		<description><![CDATA[por Steve Salerno, publicado em e-Skeptic, 15 de abril de 2009 Traduzido por colaboração de Vitor Moura Meu técnico de [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><img style="background-image: none; padding-left: 0px; padding-right: 0px; display: inline; padding-top: 0px; border: 0px;" title="teletubbies 1   Positivamente Enganados: Os Mitos e Erros do Movimento do Pensamento Positivo" src="http://www.ceticismoaberto.com/wp-content/uploads/2011/06/teletubbies-1.jpg" border="0" alt="teletubbies 1 ceticismo" width="600" height="386" /></p>
<p>por <a href="http://www.shambook.blogspot.com/" target="_blank"><strong>Steve Salerno</strong></a>, publicado em <a href="http://www.skeptic.com/eskeptic/09-04-15/#feature" target="_blank">e-Skeptic</a>, 15 de abril de 2009<br />
Traduzido por colaboração de Vitor Moura</p>
<p>Meu técnico de futebol americano era o tipo de pessoa que Stanley Kubrick devia ter em mente quando concebeu o exagerado sargento instrutor para o seu filme clássico sobre o Vietnã, Nascido para Matar. Na metade de um jogo no meu segundo ano, eu e meus companheiros na linha de ataque estávamos tendo problemas em abrir espaço para nossos jogadores levarem a bola. O treinador nos chamou à parte no intervalo e alinhou-nos contra a parede. Ele então passou por nós e — de uma distância de mais ou menos cinco centímetros — gritou colado em cada um de nossos rostos: “Eu quero que você me diga agora, você vai perder outro bloqueio?!”. Havia um pungente gerúndio anglo-saxão entre outro e bloqueio, mas o bom gosto me obriga a omiti-lo.</p>
<p>A única resposta aceitável era “Não, senhor!”, a qual ele esperava que nós também gritássemos em um volume ensurdecedor. Essa intimidação garantiria ao treinador nossa coragem, dedicação e mérito para o resto da temporada. Mas, para mim, a pergunta do treinador não parecia razoável. Eu ainda tinha duas temporadas e meia de futebol diante de mim. Que garantias eu poderia dar? E assim, quando chegou a minha vez, eu dei um suspiro e disse: “Olha, treinador, eu certamente não quero perder outro bloqueio! Mas, provavelmente, sim, eu acho que vou perder alguns. De vez em quando.”</p>
<p>Pelo olhar perplexo no rosto do treinador, você pensaria que eu tinha acabado de me transformar em uma toupeira de quase dois metros diante de seus olhos. Por um momento, ele apenas olhou para mim. Então ele explodiu. Chamou-me de “espertinho”, que estava “querendo peitá-lo” , e me colocou no fim do banco. Pouco tempo depois que o jogo recomeçou, no entanto, ele discretamente me inseriu de volta no jogo. Parece que a minha substituição — por um daqueles jogadores que “nunca perderiam um outro bloqueio” — estava perdendo vários bloqueios.</p>
<p>Não há qualquer dúvida sobre o fascínio da idéia de que você vai ganhar todos os jogos, conseguir todos os trabalhos em que você se candidatar, fechar todas as vendas e conquistar o coração de cada homem ou mulher que chame a sua atenção. Isso ficou claro para mim muitos anos após a faculdade, quando comecei a pesquisa para um livro sobre o movimento do potencial humano. Eu rapidamente percebi o quanto os americanos estavam envolvidos em seu otimismo — e o quanto ficavam furiosos ao serem desafiados, ou mesmo questionados sobre isso; eu estava descobrindo o que a ensaísta Barbara Ehrenreich, escrevendo mais tarde na Harper’s, chamaria de esperança “patológica” . É uma visão de mundo que é sedutora, edificante e enobrecedora — tudo isso — e, ainda assim, a evidência e o senso comum sugerem que não tem nada a ver com o estabelecimento (e a implementação) de metas realistas, instituir (e observar) prioridades e, talvez o mais importante, reconhecer as limitações e os obstáculos válidos.</p>
<p>Em uma cultura cuja insaciável sede de auto-aperfeiçoamento é estimada em torno de 14 bilhões de dólares em gastos diretos em 2010 (tal como previsto pelas Marketdata Enterprises), a primazia de uma “atitude mental positiva” (AMP) é inquestionável. A fé no efeito catalisador do otimismo, da auto-confiança e nos outros componentes com vários títulos de uma AMP pode ser o traço definidor do zeitgeist. A positividade é a pedra fundamental, a condição sine qua non da vida americana de sucesso.</p>
<h3>A Ascensão do Movimento da Atitude Mental Positiva</h3>
<p>O reforço cultural de tudo isto é potente e onipresente. A positividade é central para muitos, basta ver o Oprah Winfrey Show, enquanto o otimismo e a manutenção geral de uma “atitude de que posso realizar tudo” formam os temas de quase todos os best-sellers de auto-ajuda. Vá no Google e digite “atitude mental positiva”, e você obterá um quarto de milhão de resultados. Isso não é tão surpreendente quanto o fato de que na página 20 de resultados – o ponto onde a maioria dos resultados do Google há muito degradaram em significados terciários – os resultados da AMP permanecem fortemente centrados em torno da idéia básica: melhorar a sua vida através de pensamentos felizes.</p>
<p>O pensamento positivo até desfruta de publicações no mainstream psicológico, graças a Martin Seligman, autor de Learned Optimism: How to Change Your Mind and Your Life e pai da chamada psicologia positiva. A “psiquê positiva” defende uma abordagem terapêutica de que o copo está meio cheio, e transmite a idéia de que os pensamentos otimistas são a sua própria recompensa auto-realizável. Em outubro passado centenas de psicólogos de duas dezenas de nações participaram da anual Positive Psychology International Summit, patrocinada pela Toyota.</p>
<p>O mundo corporativo abraçou totalmente o movimento. Segundo a Sociedade Americana para Treinamento e Desenvolvimento, porções crescentes dos 50 bilhões de dólares que as empresas investem anualmente em treinamento são destinados a palestrantes motivacionais, seminários externos e “programas selvagens”, destinados a incutir uma perspectiva positiva e confiante. Quando a Meeting Professionals International estudou seus membros em 2004, 81% preferiram a motivação passada por celebridades ao invés do treinamento intensivo de habilidades. No circuito de palestras, Tony Robbins e seus companheiros palestrantes motivacionais e técnicos de auto-ajuda foram acompanhados por um elenco colorido e improvável de auto-proclamados gurus, incluindo as vítimas de catástrofes nos Alpes, ex-atores pornográficos e viciados em crack confessos, havendo ainda espaço para um desertor da máfia, como outrora foi o subchefe Mike Franzese, da Família Colombo. Todos dizendo claramente que eles não poderiam ter feito isso sem as suas AMPs.<br />
O otimismo ou a falta dele leva a oscilações no mercado financeiro dos EUA a um grau maior do que o desempenho mensurável das empresas listadas lá. O ex-presidente do Fed, Alan Greenspan, certificou esta obviedade em um memorável discurso de dezembro de 1996 em que usou a expressão “exuberância irracional” para caracterizar o clima de investimento. Apesar da América Fortune 500 não ter ficado menos solvente no dia após os comentários de Greenspan do que na véspera, Wall Street — com o seu próprio otimismo abalado — entrou em queda livre.</p>
<p>Na política, os líderes ao fazer discursos políticos importantes sobre questões vitais irão proferir o otimismo como um vale para resultados reais, e é uma moeda que o público americano aceita acriticamente. O ex-presidente George W. Bush expressou otimismo sobre uma série de coisas: que o governo iraquiano poderia sustentar-se e formar o modelo para um novo Oriente Médio democrático; que os EUA poderiam adaptar de agendas díspares uma política de imigração que satisfaz tudo para todas as pessoas; que poderia neutralizar as tensões nu-cu-la-res crônicas entre os EUA e a Coréia do Norte. (Se ele não pudesse desfazer a causa das tensões, o seu chefe do Pentágono especialista em Star Wars, o tenente-general Henry Obering, estava otimista sobre as chances de abater qualquer míssil que viesse.)</p>
<p>Mas mesmo a política ocupa uma posição inferior àquela do esporte, onde ganhar e perder são explicados quase inteiramente em termos de uma AMP. Em entrevistas pós-jogo, os atletas e seus treinadores glorificam o “jogo mental”, falando de pausas para reflexão e pontos de virada emocional e de queimação na barriga — tudo, exceto as habilidades físicas naturais que separam um Roger Federer ou uma Serena Williams de você e de mim. A mídia, também, suspende a descrença no que se refere à suposta ligação entre o querer e o vencer. Dado o êxito, aqueles que escrevem sobre o esporte ignoram explicações óbvias (talento? muita prática? “oportunidades”?) e se esforçam ao invés em encontrar a AMP que o pressagiou. “Ele só desejou isso com mais força” é uma explicação freqüentemente ouvida de por que um atleta superou o outro, mesmo quando se trata de uma diferença de frações de pontos ou de tempo que poderia ter ido facilmente para o adversário. Quando o Miami Heat derrotou o Dallas Mavericks em 2006 nas finais da NBA, a AP definiu o tom da reportagem da mídia autorizada repassando em seus artigos a “promessa” do treinador do Heat, Pat Riley, de trazer um título da NBA para a Flórida. Esse Riley, ele próprio um super-astro do basquete, fez esta promessa quando assumiu o comando da equipe em 1995 e não pareceu incomodar ninguém; não mais do que o fato que várias equipes cujos treinadores não tinham feito nenhuma promessa conseguiram vencer títulos no ínterim. Os sábios do esporte seguiram o roteiro, enquadrando a vitória do Heat como a confirmação de um juramento que havia ficado acumulado poeira por 11 anos.</p>
<p>Tais tendências têm produzido alguns momentos olímpicos extraordinariamente idiotas — como aquele dia em Atlanta, em 1996, quando os anunciantes da NBC pareciam determinados a creditar os atos heróicos do velocista Michael Johnson a qualquer coisa menos à velocidade dos seus pés. Eles aclamaram a confiança de Johnson, sua preparação mental, sua determinação interior. Chegava-se a pensar que a possibilidade de que Johnson era simplesmente mais rápido do que os seus adversários não tinha ocorrido a ninguém.</p>
<p>Em suma, então, pode-se dizer que os americanos querem ser positivos, cercar-se de outras pessoas que sejam positivas, confiarem os seus destinos e as suas próprias vidas àqueles que exalam positividade. No que a América realmente acredita é na crença.</p>
<p>A ironia é esta: a noção de que o enigma do sucesso é mais facilmente resolvido pela atitude do que pela aptidão pode ser uma das forças mais sutilmente destrutivas na sociedade americana. Não só é uma censura ao pensamento racional, mas em uma sociedade que já está se voltando ameaçadoramente para o narcisismo, esta publicidade exagerada da esperança também corrói a reverência ao trabalho duro, a paciência, o estudo, a auto-disciplina, o auto-sacrifício, a diligência e outros componentes tradicionais do sucesso.</p>
<h3>O Segredo da Auto-Estima</h3>
<p>A resposta definitiva de como chegamos a este estado de coisas é melhor deixada aos historiadores e psicólogos sociais. Mas é seguramente possível postular que o otimismo é uma “memória racial” americana: uma extensão lógica do pioneirismo e do sentido de destino manifesto que tomou os primeiros colonizadores. Como o membro do conselho editorial do New York Times Adam Cohen escreveu: “.O pessimismo&#8230; é a mais anti-americana das filosofias”. A positividade está no gene americano. Ela também é sutilmente evocada no preceito dos fundadores da democracia americana, a declaração poética que “todos os homens são criados iguais”, que os defensores da atitude mental têm deturpado para implicar que “todos os homens [e mulheres] são igualmente capazes.” Ou, reformulado na linguagem importuna que é típica de materiais de auto-ajuda: “Não deixe que ninguém impeça os seus sonhos!”</p>
<p>O apelo universal desse sentimento era indiscutível no fenômeno do pensamento positivo de 2007, “O Segredo” — com os seus declarados 6 milhões de livros e DVDs agora em circulação. Ancorado na chamada Lei da Atração, O Segredo argumenta que nós somos “ímãs vivos” — aquilo em que acreditamos, bom ou ruim, virá ao nosso encontro. Munido do “conhecimento que os maiores líderes, descobridores e filósofos possuem”, diz a criadora de O Segredo, Rhonda Byrne, “não há nada que qualquer ser humano não possa ser, fazer ou ter&#8230; não há uma única coisa. Não há limite algum.” Para Byrne, a mente rege a matéria. E isso é tudo.</p>
<p>Como muitas das mensagens melosas que inundam a América moderna, “O Segredo” é sobre a rejeição das verdades “inconvenientes” do mundo físico. Na cultura geral, a ciência e a lógica ficaram fora de moda. Somos, afinal, um povo que cada vez mais abandona a medicina ortodoxa em lugar de regimes mente-corpo cujos próprios defensores não só se recusam a citar as provas clínicas, mas julgam a própria ciência como “enfraquecedora”. (O grito de guerra de que “você tem dentro de si as energias de que precisa para se curar” é uma razão pela qual as visitas aos praticantes de todas as formas de medicina alternativa agora superam as visitas aos médicos de família tradicionais por uma margem de quase dois para um.) O que eu acho mais notável sobre O Segredo, no entanto, é que de alguma forma integrou a mentalidade solipsista “A vida é aquilo que você pensa que é” que já foi associada a doenças mentais como a esquizofrenia. O Segredo era (e continua) o totem perfeito para a sua época, cativando de modo inigualado duas gerações antagônicas: os Baby Boomers chegando à meia-idade em massa e desesperados para libertarem-se de tudo o que tinham sido até agora; e jovens adultos distantes dos pais indulgentes e — especialmente — da escolaridade indulgente.</p>
<p>Com efeito, se houve um momento divisor de águas no pensamento positivo moderno, teria que ser o advento em 1970 do ensino baseado na auto-estima: um experimento em larga escala social que fez de ratos de laboratório milhões de crianças americanas. Na época, havia a teoria de que um ego saudável ajudaria os alunos a alcançar a grandeza (mesmo se os mecanismos necessários para incutir a auto-estima “temporariamente” minassem o ensino tradicional). Embora naquela época ninguém soubesse realmente o que a auto-estima fazia ou não, os líderes educacionais da nação não obstante presumiram que quanto mais as crianças tivessem disso, melhor.</p>
<p>Seguiu-se que quase tudo sobre a experiência escolar foi reconfigurado para apoiar o desenvolvimento do ego e a positividade sobre o aprendizado e a vida. Para proteger os alunos da ignomínia do fracasso, as escolas afrouxaram os critérios para que muito menos crianças repetissem. A classificação em curva se tornou mais comum, mesmo nos níveis mais baixos; as normas sociais substituíram os padrões nacionais. A tinta vermelha começou a desaparecer dos trabalhos dos alunos quando os administradores determinaram que os professores fizessem as correções em cores menos “estigmatizantes”. A orientação dos conselheiros defendia a causa da “promoção social”, onde o baixo desempenho dos estudantes — em vez de ficarem para trás — fosse repassado para a classe seguinte de qualquer maneira, para mantê-los com os seus amigos da mesma idade.</p>
<p>O que houve após isso foi uma celebração indiscriminada da mediocridade: as escolas abandonaram as suas listas de honra para não ferir os sentimentos dos estudantes que não conseguiam atingir a nota necessária. Jean Twenge, autora de Generation Me: Why Today’s Young Americans Are More Confident, Assertive, Entitled … and More Miserable Than Ever Before [Geração Eu: Por que os jovens americanos de hoje estão mais confiantes, assertivos, habilitados ... e mais miseráveis do que nunca], fala de festas da pizza que “costumavam acontecer apenas para crianças que tiravam A, mas nos últimos anos a escola tem convidado todas as crianças que simplesmente passaram”. (Twenge também fala de professores que eram dissuadidos de fazer correções que pudessem tirar o orgulho de um estudante como um “soletrador individual”.) Foram proibidos jogos no recreio que inerentemente produzissem vencedores e perdedores; não poderia haver vencidos neste admirável mundo novo de vibrações positivas.</p>
<p>Em meio a tudo isso, as camisas e blusas das crianças tornaram-se, na prática, quadros de avisos para uma miscelânea de fitas, alfinetes e prêmios que comemoravam tudo exceto conquistas reais. Às vezes, quanto piores as notas, mais um estudante era premiado, sob a teoria de que a fim de fazer com que as crianças em risco se superassem, primeiro você tinha que fazê-las se sentir otimistas e capazes.</p>
<p>Nas décadas seguintes após as prioridades baseadas na auto-estima confiscarem a agenda educacional americana, as notas SAT, a inflação das notas, as taxas de graduação, o desempenho dos Estados Unidos em testes internacionais de matemática e ciências, e outros barômetros menos tangíveis têm demonstrado que a grandeza escolar não é o que a auto-estima promove. Os administradores descobriram que aqueles relaxamentos “temporários” nos padrões tinham que ser institucionalizados de uma maneira sistêmica depois que os estudantes transferidos para o nível seguinte também não conseguiam — ou não queriam? — fazer o trabalho de nível superior. Com o tempo, a inflação das notas percorreu todo o caminho até o ensino secundário. (O número de calouros que agora precisam de cursos de recuperação, a fim de lidar com a matemática da faculdade e outros trabalhos beira o alarmante — 40%, em um estudo realizado pela Evergreen Freedom Foundation, um think-tank do estado de Washington).</p>
<p>Significativamente, quando os psicólogos Harold Stevenson e James Stigler compararam as habilidades acadêmicas dos estudantes de escola primária em três países asiáticos aos de seus colegas dos EUA, os asiáticos facilmente superaram os norte-americanos — mas quando se pediu aos mesmos alunos, em seguida, que classificassem suas proezas acadêmicas, as crianças americanas expressaram auto-avaliações muito maiores que suas contrapartes estrangeiras. Em outras palavras, os alunos americanos se atribuíram notas altas para trabalhos ruins. Stevenson e Stigler viram este enviesamento como fruto da ênfase retrógrada nas salas de aula americanas; a Brookings Institution 2006 Brown Center Report on Education também descobriu que as nações em que as famílias e as escolas enfatizam a auto-estima não podem competir academicamente com as culturas onde a ênfase é sobre a aprendizagem, e ponto final.</p>
<p>Hoje periódicos acadêmicos estão repletos de artigos revisionistas que lamentam a pilhagem das escolas americanas em nome da positividade. O fracasso é tão grande que a educação baseada na auto-estima foi repudiada até mesmo por algumas das suas mais apaixonadas vozes iniciais. (William R. Coulson, por exemplo, durante a década de 1990 tornou-se uma espécie de trovador lacrimal que cruzou a paisagem americana, confessando o seu erro e suplicando às escolas para repensar os seus programas de auto-estima). O cinismo global talvez seja melhor capturado pelo título do provocativo livro de 1995 de Charles Sykes, Dumbing Down Our Kids: Why American Children Feel Good About Themselves but Can’t Read, Write or Add. [Emburrecendo as Nossas Crianças: Por Que as Crianças Americanas se Sentem Bem Consigo Mesmas, Mas Não Conseguem Ler, Escrever ou Somar].</p>
<p>A verdadeira lição aqui, porém, não é que as doses maciças de positividade não produziram brilhantismo — é que a obsessão com o cultivo do otimismo e da “força interior”, na verdade, provou ser contraproducente. Está claro agora que não só metodologias de educação baseadas na auto-estima não produzem excelência, como de fato a comprometem.</p>
<p>A evidência sugere que houve conseqüências mais obscuras também. Ao falsamente elogiar estudantes e protegê-los do fracasso, o sistema educacional também os estava “blindando” contra a resiliência e habilidades que permitam ao adulto maduro processar a adversidade. Criados no casulo protetor do sistema escolar, muitas vezes com o reforço do ambiente de pais e mães “helicópteros”, as crianças cresceram despreparadas para um implacável Mundo Real.</p>
<p>De forma mais presente, ao criar um clima de merecimento, o movimento da auto-estima pode ter inconscientemente ajudado a treinar as crianças a se sentirem bem com relação a um comportamento duvidoso e egoísta. Twenge descobriu um significado amargo em um relatório de 2002 do Josephson Institute of Ethics, um think-tank de Los Angeles que estuda os costumes americanos, o qual revelou que “colar nas provas, roubar e mentir por parte de estudantes do ensino médio tem continuado sua alarmante espiral ascendente pela década.” O Instituto observa que quase três quartos dos estudantes admitiram alguma forma de fraude durante o ano anterior.</p>
<p>Assim parece que, se o sistema escolar não conseguiu imbuir os estudantes com uma verdadeira auto-estima, ele foi mais bem sucedido ao fomentar o narcisismo. No sentido clínico mais simples, o narcisismo pode ser definido como um sentimento exagerado de seu lugar no mundo. Os verdadeiros narcisistas necessitam dos outros apenas por sua utilidade em alimentar o seu sentimento de grandiosidade. E ainda assim o narcisismo é uma doença paradoxal, na medida em que os narcisistas nunca estão verdadeiramente seguros em seu sentido inchado de auto-estima; eles anseiam por uma validação constante. Não é razoável pensar que tal condição resulte de uma escolaridade que apregoa uma auto-estima vazia e infundada? Isso é precisamente o que o psicólogo Charles Elliott conclui em seu livro, Hollow Kids: Recapturing the Soul of a Generation Lost to the Self-Esteem Myth [Crianças Vazias: Retomando a Alma de uma Geração Perdida para o Mito da Auto-Estima]. E Elliott dificilmente é uma voz solitária no deserto.</p>
<p>“Um dos aspectos mais preocupantes da auto-estima por si mesmo é que você corre o risco de produzir crianças que não podem tolerar desafios à fachada que você construiu para elas”, disse-me o psicólogo acadêmico Roy Baumeister, uma das principais figuras na investigação da auto-estima, em uma entrevista de 2004 para o meu livro, SHAM: How the Self-Help Movement Made America Helpless [IMPOSTURA: Como o Movimento da Auto-Ajuda deixou a América Desamparada].</p>
<p>Isso não é pouca coisa, porque o narcisismo está desenfreado hoje, diagnosticado por uma ferramenta de avaliação conhecida como Inventário da Personalidade Narcisista (NPI). Twenge, que também é uma psicóloga na San Diego State University, analisou as respostas de 16.475 estudantes universitários que tinham concluído o NPI entre 1982 e 2006. Ela observou um salto de 30 por cento dos estudantes que marcaram “acima da média” para o narcisismo entre essas duas datas finais — um período de intensa atividade de construção da auto-estima na cultura americana.</p>
<p>E isto, por sua vez, é importante por causa do crescente corpo de pesquisa que liga o narcisismo e a agressividade. Muitas dessas intrincadas relações comportamentais só recentemente foram exploradas em profundidade, e se quer evitar os saltos de fé que marcaram o movimento da auto-estima anterior. Ainda assim, o trabalho de pessoas notáveis da psicologia como Baumeister, Jennifer Crocker, e Nicholas Emler afirma que o maior sintoma de grave comportamento anti-social não é a “baixa auto-estima”, como teorizado uma vez, mas sim a ultra-alta auto-estima. De fato, o estudo pioneiro Baumeister, publicado em 1998 no Journal of Personality and Social Psychology, revelou que os níveis mais elevados de auto-estima e/ou narcisismo são freqüentemente encontrados em serial killers, traficantes de drogas e outros misantropos.<br />
O colaborador de Baumeister no estudo, o psicólogo Brad Bushman, disse à Science Daily, “Se as crianças começam a desenvolver opiniões irrealisticamente otimistas de si mesmas, e essas crenças são constantemente rejeitadas pelos outros, seus sentimentos de amor próprio poderiam torná-las perigosas para as pessoas ao seu redor.”</p>
<h3>Confiança Empresarial</h3>
<p>Vale a pena ressaltar que o movimento da auto-estima foi o resultado de uma das mais colossais gafes lógicas da história. Os psicólogos educacionais haviam observado que as crianças que tiram boas notas geralmente pontuam um pouco maior na auto-estima do que os estudantes ruins. Então — eles pensaram — tudo o eles tinham a fazer para transformar baixos resultados em grandes resultados era “disparar” uma dose extra de auto-estima. O que os educadores não perceberam, é claro, foi que eles tinham invertido a causalidade: as crianças com boas notas tinham maior auto-estima por causa das notas, e não vice-versa.<br />
No entanto, essas lições não foram assimiladas pelos promotores modernos do pensamento positivo, que continuam a violar as regras mais elementares da lógica e da evidência:</p>
<p>A subcultura “sem limites” alega que tudo é possível através da aplicação pura e simples da vontade. Satirizando a ideia, o consultor de gestão Payson Hall escreve: “Outro dia eu quebrei uma tábua de pinho 12” x 12” x 1” apenas com a mão depois de ouvir uma palestra motivacional de 90 minutos sobre a quebra de barreiras para alcançar metas. [Mas] a mensagem inspiradora ‘você pode fazer qualquer coisa se estiver comprometido’ me incomodou&#8230; Eu suspeito que o facilitador da mensagem teria concordado com meu incômodo, especialmente se eu tivesse levado uma chapa de aço 12” x 12 “x 1”.</p>
<p>Mas então, o bom senso nunca dissuadiu a vontade de um guru da AMP em defender sua causa. Nem o bom gosto. Quando partes de San Diego ficaram envoltas em chamas, em 2007, o guru de auto-ajuda Joe Vitale observou em seu blog que o inferno poupou as casas de alguns dos seus amigos colaboradores para “O Segredo”, o que implica fortemente que os proprietários menos afortunados atraíram para si mesmos o cataclismo por não serem suficientemente otimistas.</p>
<p>A AMP é muito dependente do argumento pelo exemplo, divulgando o sucesso de pessoas positivas como prova de que “você pode fazer isso também!” Do ponto de vista evidencial, é absurda a tática de “colher cerejas” escolhendo as pessoas de sucesso, perguntar a elas sobre o seu estado de espírito, descobrir que elas se sentem de bem com a vida, e em seguida usar essa “investigação” ao argumentar que a atitude positiva promove o sucesso. Quantas pessoas fracassadas também se sentiam positivas — até que suas vidas tomaram um rumo inesperado para o pior? Tal raciocínio faz tanto sentido quanto usar Bill Gates e Ted Turner, dois jovens notáveis que desistiram da faculdade, como evidência para a teoria de que não fazer faculdade leva à riqueza incalculável (ou observar que Kobe Bryant tem um nome incomum e, portanto, assumir que se você dar ao seu filho um nome tão incomum ele vai acabar virando um astro da NBA).</p>
<p>Muito pior é quando os gurus da AMP realmente usam os tipos de Gates e Turner como “prova” de “por que um diploma universitário não é tão importante quanto uma boa atitude.” Gates e Turner são exceção. A grande maioria dos desistentes da faculdade não se saiu tão bem, não importa quão positivos eles tenham sido.</p>
<h3>Um Vencedor Comprovado: A Mentalidade Campeã nos Esportes</h3>
<p>Esperando imbuir suas ideologias com uma bravata mística, a turma da AMP inventou um jargão absurdo de mente elevada — frases que não podem verdadeiramente ser definidas, muito menos quantificadas ou aplicadas à vida real. Esta saraivada de clichês e chavões raramente resulta em uma filosofia coesa. Eu estou assistindo as Olimpíadas de Pequim enquanto escrevo isto e, a julgar pelos comentários de vários comentaristas — todos especialistas em seus respectivos esportes — o competidor olímpico ideal é calmo e ainda assim selvagem que está ao mesmo tempo relaxado e orientado, paciente e faminto, um atleta que permanece dentro de seus limites, embora saiba como ultrapassá-los. Este indivíduo extremamente confiante (mas não excessivamente confiante) entra na competição com uma mente clara e com uma concentração intensa, percebe a importância de vencer, mas não se preocupa em perder; conhece o próprio ritmo, mas sempre dá 110% — e ainda tem uma energia extra guardada, caso precise. Este é um concorrente que se entrega totalmente em campo mesmo sabendo que às vezes é melhor viver para lutar outro dia &#8230;</p>
<p>Eu desafio qualquer um a encontrar todas essas qualidades díspares na mesma pessoa (sã). É evidente que, ao final, a assim chamada mentalidade campeã é o que funciona para o campeão em questão. O que significa, na prática, que não há uma coisa como uma mentalidade campeã, por si. Isso poderia ser uma arrogância insuportável para um atleta e um uma modéstia nauseante para o seu principal rival. Vimos isso em Torino, na verdade, no contraste total entre os esquiadores dos EUA Bode Miller (o ego ambulante) e Ted (“Eu estou apenas feliz por estar aqui”) Ligety.</p>
<p>Da mesma forma, os gigantes do seminário falam de jogadores superstar envolvidos no empreendimento de equipes complexas como se esses jogadores pudessem chegar, tal qual Uri Geller, e dobrar dezenas de variáveis desconhecidas em um padrão ordenado levando inexoravelmente à vitória. Considere o seguinte: “Ele é sem dúvida um vencedor”, ou, mais especificamente, “Ele sabe como vencer”, elogios muitas vezes outorgados para atletas de primeira linha como, digamos, o jogador de beisebol Derek Jeter do New York Yankees. O que significa isso? Como é possível ser assim? Jeter, situando-se a poucos metros de distância, emite ondas de energia invisíveis que de alguma forma impedem o seu lançador de desistir das corridas? E se Jeter pode motivar a si mesmo (e/ou um companheiro de equipe) a conseguir a pegada certeira na nona rodada — por que ele esperou tanto tempo? Por que não colocou o jogo em segurança muito antes? Além disso, como explicar a grande perda dos ianques? Se o homem pode simplesmente “conjurar” vitórias à vontade, então por que, em 2002, o ano em que os Yankees conquistaram uma flâmula, ganhando 103 jogos durante a temporada regular, Derek Jeter permitiu que a equipe fosse eliminada dos playoffs pelo California Angels? Será que ele de repente se esqueceu de como vencer quando mais importava?</p>
<h3>Você Também Pode Ser Presidente: O Otimismo Delirante</h3>
<p>Os defensores mais entusiásticos de hoje do pensamento positivo — não contentes em prometer somente excelência individual — retratam sua busca como a maré que levanta todos os barcos, supostamente permitindo a América como um todo alcance novos níveis de realização. É uma perspectiva atraente, apesar de impossível, porque tantas atividades competitivas são casos de soma zero: para cada vencedor, existem vários perdedores. Não há simplesmente nenhuma maneira deste goulash de aspirações conflitantes reduzir a parceiros sociais uma sociedade estruturada na existência de patrões e empregados, ricos e menos ricos, vencedores e também perdedores. E o absurdo começa com a mensagem fundamental do pensamento positivo em todos os lugares nas escolas: “Você pode ser o presidente dos Estados Unidos, se você realmente quiser!” Mesmo deixando de lado os inúmeros fatores contextuais que podem atrapalhar uma corrida para a Casa Branca, a simples aritmética de escassez de oportunidade — o fato de que a qualquer momento haverá talvez 10 presidências disponíveis para 150 milhões ou mais de americanos entre 35 anos até a época de sua morte — exclui o sonho de quase todos os que sonham com isso.<br />
Uma mensagem mais verdadeira seria: “Você tem uma chance muito maior de ser atingido por um raio do que virar presidente dos Estados Unidos. Mas relaxe, não há praticamente nenhuma chance de que você seja atingido por um raio, de toda forma”.</p>
<p>Mais uma vez aqui — como vimos com a auto-estima — isto não é simplesmente idiota. Há um claro lado negativo na positividade infundada.</p>
<p>No mundo dos negócios, o pensamento positivo muitas vezes se manifesta como uma aversão ao planejamento de contingência. Certamente um dos aspectos mais preocupantes da cultura corporativa guiada pela AMP de hoje é o modo com que intimida os trabalhadores cautelosos, fazendo-os ficar com a boca fechada sobre todos os sinais de perigo que vêem em uma determinada estratégia ou empreendimento. Discussões francas sobre o risco são interpretadas como indícios de negatividade da pessoa, ou mesmo que essa pessoa está “lançando as bases para o fracasso”. Os empregados que exprimem preocupações razoáveis podem ser rotulados como “profetas da desgraça” — e verem-se menosprezados durante as avaliações periódicas por “não fazerem parte da equipe”. Em seu artigo na Harvard Business Review, “Ilusões de Sucesso” — sobre a atual atmosfera na América corporativa — os autores Dan Lovallo e Daniel Kahneman são diretos: “Nós recompensamos o otimismo e interpretamos o pessimismo como uma deslealdade”.<br />
Ironicamente, a incapacidade de lidar com riscos — o que Lovallo e Kahneman chamam de “otimismo delirante” — torna-se um fator de risco por si mesma. Vale lembrar a citação memorável de Russell Ackoff em seu livro clássico, Management in Small Doses: “O custo de preparação para situações críticas que não ocorrem geralmente é muito pequeno em comparação com o custo de se estar despreparado para aquelas que ocorrem.”</p>
<p>Mais adiante em um projeto malfadado, a AMP novamente mostra a sua desagradável presença na forma de uma recusa obstinada em reconhecer a derrota. Como o consultor Payson Hall escreve, a idéia de que “qualquer projeto é possível, dada uma atitude ‘pode ser feito’ “provou ser um equívoco muito caro e destrutivo.” Muito dinheiro é desperdiçado porque, afinal de contas, se você realmente acredita &#8230; como pode falhar?</p>
<p>O Consultor de Gestão Jay Kurtz tem uma visão mais colorida na mesma armadilha familiar. “A pessoa mais perigosa na América corporativa”, Kurtz uma vez me disse, “é o incompetente altamente entusiástico. Ele está sempre correndo rápido demais na direção errada”.</p>
<h3>Produtividade Positiva x Competência Irritante</h3>
<p>Para constar, estudos sobre a alegada ligação entre a positividade e a produtividade raramente mostram uma correlação linear. Embora as pesquisas mostrem que os trabalhadores americanos são altamente produtivos e relativamente otimistas, não se pode postular uma relação causal sem ajuste para a miríade de variáveis ambientais que tornam a vida americana muito mais edificante para começar. Os estudos mais rigorosos da História, como o esforço direcionado de 1985 pelos psicólogos Hackett e Guion, lançaram dúvidas sobre até mesmo as correlações mais básicas que você esperaria encontrar — por exemplo, entre a satisfação no trabalho e a alta frequência no serviço. Note-se que no Japão, a própria fonte do “5S” e outros programas de produtividade alardeados atualmente na Fortune 500 America, os empregados não são exatamente eufóricos. De acordo com um estudo realizado em 2002 por Andrew Oswald, professor de economia na Universidade de Warwick, Reino Unido, apenas 30% dos trabalhadores japoneses se descrevem como “felizes” no trabalho.</p>
<p>No final, há pouca evidência confiável de que uma atitude positiva tenha algo a ver com o resultado de qualquer empreendimento objetivamente mensurável. Há, de fato, uma evidência modesta, mas intrigante, de que uma perspectiva positiva pode ser ruim para os negócios. No ano passado, uma equipe de psicologia da Universidade de Alberta estudou vários grupos de trabalhadores na montagem de circuitos impressos e considerou os empregados ranzinzas superiores às suas contrapartes otimistas. As pessoas alegres estavam investindo muito na sua alegria e dedicavam uma energia significativa para perpetuá-la. Seus colegas de cara fechada simplesmente se dedicavam a seu trabalho — e o fizeram melhor: os descontentes cometeram metade dos erros. (Nem, por falar nisso, devemos descartar o papel desempenhado pelo otimismo injustificado na recente quebra das hipotecas e moradias — por parte dos credores e devedores igualmente)</p>
<p>O fisiculturista Mike Mahler, por sua vez, discorda da maioria das pessoas nas artes de treinamento físico, acusando a cultura da atitude acima de tudo de hoje como “uma forma garantida de jamais alcançar os seus objetivos&#8230; Vamos dizer que você está falido, com excesso de peso e não tenha amigos. Você decide aplicar o pensamento positivo&#8230; Você diz a si mesmo que você é sortudo por ser você e caminha com um sorriso em seu rosto. Isto está realmente resolvendo o problema?” Sabiamente, Mahler nota que é o descontentamento que “motiva a ação e mudança”. Descontentamento e — apenas talvez? — a disposição em aceitar o fracasso.</p>
<h3>Espere o Fracasso&#8230; mas Continue Tentando</h3>
<p>Conheça o Dr. James Hill. Ele é diretor do Centro para Nutrição Humana, uma agência financiada pela NIH que Hill supervisiona de seu cargo de professor de pediatria na Universidade de Colorado. Hill se perguntou por que a maioria das pessoas que perdem peso em dietas rápidas logo recuperam tudo e ainda ganham alguns quilos. Trabalhando em conjunto com colegas da Universidade de Pittsburgh, a equipe de Hill compilou um Registro de Controle de Peso Nacional que inclui 4.500 indivíduos que perderam pelo menos 13kg e assim se mantiveram por, pelo menos, um ano. Depois da pesquisa e estudo dos dados, Hill identificou as principais características que permitiram que estas pessoas que buscavam emagrecer atingissem os seus resultados impressionantes, e ele as tem destrinchado em uma série de dicas. Entre as primeiras dicas está esta: Espere o fracasso&#8230; mas continue tentando.</p>
<p>Espere o fracasso? Isso não é algo que você ouviria no programa da Oprah, não é? No entanto, pelo menos entre os que emagreceram de Hill, havia a antecipação do fracasso — combinado, sim, com a vontade de perseverar — que abriu o caminho para o sucesso.</p>
<p>Um mantra como espere o fracasso, mas continue tentando é um exemplo perfeito de um meio-termo do senso comum que tem chance zero de ganhar força na cultura pop de hoje. Os americanos estão condicionados a mamar na teta de mensagens categóricas, edificantes. Muitos de nós não queremos ouvir “talvez você possa fazê-lo, e talvez você não possa.” Mesmo que seja verdade.<br />
Preferimos nos apegar à noção de que “é claro que você pode fazer isso!” Mesmo que seja falsa.</p>
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		<title>A Neurologia das Experi&#234;ncias de Quase Morte</title>
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		<pubDate>Sun, 29 May 2011 20:06:03 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Mori</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Artigo de Alex Likerman, publicado em Happiness in this World Traduzido por colaboração de Rodrigo Véras e André Rabelo Eu [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><img style="background-image: none; border-right-width: 0px; padding-left: 0px; padding-right: 0px; display: inline; border-top-width: 0px; border-bottom-width: 0px; border-left-width: 0px; padding-top: 0px" title="astral projection   A Neurologia das Experi&ecirc;ncias de Quase Morte" border="0" alt="astral projection ceticismo" src="http://www.ceticismoaberto.com/wp-content/uploads/2011/05/astral-projection.jpg" width="600" height="400" /></p>
<p align="right">Artigo de <strong>Alex Likerman</strong>, publicado em <em><a href="http://www.happinessinthisworld.com/2011/05/15/the-neurology-of-near-death-experiences/" target="_blank">Happiness in this World</a></em>    <br />Traduzido por colaboração de <a href="http://calmariatempestade.wordpress.com/" target="_blank">Rodrigo Véras</a> e <a href="http://cienciaumavelanoescuro.haaan.com/" target="_blank">André Rabelo</a></p>
<p>Eu nunca tive um paciente que confessasse ter tido uma experiência de quase morte (<a href="http://www.neardeath.woerlee.org/" target="_blank">EQM</a>), mas recentemente me deparei com um livro fascinante chamado <em>O Portal Espiritual no Cérebro </em>(<a href="http://us.penguingroup.com/nf/Book/BookDisplay/0,,9780525951889,00.html?The_Spiritual_Doorway_in_the_Brain_Kevin_Nelson" target="_blank"><em>The Spiritual Doorway in the Brain</em></a><em>)</em> de <a href="http://www.psychologytoday.com/blog/the-spiritual-doorway-in-the-brain" target="_blank"><strong>Kevin Nelson</strong></a>, que relata que cerca de 18 milhões de americanos podem ter tido uma. Se for verdade<strong>, </strong>é provável não apenas que alguns dos meus pacientes estejam entre eles, mas também alguns dos meus amigos. O que me levou a pensar: o que exatamente a ciência tem a nos dizer sobre a sua causa?</p>
<p>Que <a href="http://www.susanblackmore.co.uk/Chapters/ShermerNDE.htm" target="_blank">EQMs</a> acontecem não está em disputa. A sequência e os tipos de eventos dos quais elas são compostas são suficientemente similares entre as pessoas que as relatam de tal forma que EQMs poderiam ser consideradas como algum tipo de síndrome, semelhante a uma doença sem causa conhecida. Mas apenas porque milhões de pessoas já viveram EQMs, isso não significa que a explicação mais comumente aceita para elas – que almas deixam os corpos e encontram deus ou alguma outra evidência de vida após a morte – esteja correta.</p>
<p>Afinal de contas, as pessoas interpretam erroneamente as suas experiências o tempo todo (uma ilusão ótica representando o exemplo mais básico). Sem dúvida, muitas pessoas que relatam EQMs são profundamente afetadas por elas<strong>, </strong>mas, geralmente,<strong> </strong>mais <strong></strong>como um resultado de suas interpretações das experiências (i.e., “a vida após a morte é real”) do que como resultado da experiência em si. Acontece que um número de observações reproduzíveis combinado com uma pitada de conjecturas gerou uma explicação neurológica inteiramente plausível para todos os casos de experiências que incluam EQM.</p>
<p>Em seu livro, Nelson comenta que normalmente 20% do fluxo sanguíneo é direcionado para o cérebro, mas que este fluxo pode abaixar para 6% antes de ficarmos inconscientes (e mesmo nesse nível, nenhum dano permanente será causado). Nelson ainda observa que quando nossa pressão sanguínea diminui demais e desmaiamos, o nervo vago (um longo nervo que se conecta com o coração) <strong></strong>desloca a consciência para o sono REM – mas não totalmente em algumas pessoas. Um número de sujeitos parece ser suscetível ao que ele chama de “intromissão REM”.</p>
<p>A intromissão REM ocorre tipicamente, quando ocorre, na transição da vigília para o sono. Nelson descobriu em sua pesquisa que o funcionamento do mecanismo que alterna as pessoas entre o sono REM e a vigília tendeu a ser diferente naquelas que relataram EQMs. Nessas pessoas, ele descobriu que a mudança era mais propensa a “fragmentar e misturar” esses dois estados de consciência (o controle do nosso estado de consciência é localizado no nosso tronco cerebral<strong> </strong>e é precisamente regulado), fazendo com que essas pessoas exibam simultaneamente características de ambos. Durante a intromissão REM, as pessoas se viram paralisadas (“<a href="http://psychology.uwaterloo.ca/~acheyne/" target="_blank"><em>paralisia do sono</em></a>”), totalmente despertas, mas experimentando luzes, sensações fora do corpo e narrativas surpreendentemente vívidas. Durante o sono REM, muitos dos centros de prazer do cérebro são estimulados também (animais que tiveram suas regiões REM danificadas perderam todo o interesse em comida e até em morfina), o que pode explicar os sentimentos de paz e unicidade também relatados durante EQMs.</p>
<p><img style="background-image: none; border-right-width: 0px; padding-left: 0px; padding-right: 0px; display: inline; border-top-width: 0px; border-bottom-width: 0px; border-left-width: 0px; padding-top: 0px" title="centrifuge blackout   A Neurologia das Experi&ecirc;ncias de Quase Morte" border="0" alt="centrifuge blackout ceticismo" src="http://www.ceticismoaberto.com/wp-content/uploads/2011/05/centrifuge_blackout.jpg" width="600" height="200" /></p>
<p>A neurofisiologia também pode explicar o sentimento de estar se movendo através de um túnel, tão regularmente mencionado em EQMs. É bem sabido que pessoas experimentam uma “visão de túnel” imediatamente antes de desmaiar. Experimentos com pilotos <strong></strong>girados<strong> </strong>em centrífugas gigantes têm reproduzido o fenômeno de visão de túnel, aumentando as forças G e diminuindo o fluxo sanguineo em suas retinas (a periferia da retina é mais suscetível a quedas na pressão sanguínea do que o seu centro, de tal forma que o campo de visão parece comprimido, fazendo cenas parecerem vistas dentro de um túnel). Quando óculos especiais que geram sucção foram colocados nos olhos dos pilotos para neutralizar o efeito de queda da pressão sanguínea da centrífuga, os pilotos perderam a consciência sem desenvolver o efeito da visão de túnel – provando que a experiência da visão de túnel é causada por uma redução no fluxo sanguineo dos olhos.</p>
<p>Talvez o aspecto mais intrigante das EQMs seja o quão costumeiramente elas estão associadas com experiências fora do corpo. Isso também, entretanto, trata-se de uma ilusão. Evidências de que experiências fora do corpo nada têm a ver com almas deixando corpos podem ser encontradas na observação de que elas também têm sido relatadas por pessoas acordando do sono, recuperando-se de anestesia, enquanto estão desmaiando, durante convulsões, durante enxaquecas e quando estão em altas altitudes (não há razão para pensar que as almas das pessoas estão deixando seus corpos durante nenhuma dessas situações não ameaçadoras para a vida).</p>
<p>Mas as evidências mais fascinantes de que experiências fora do corpo são fenômenos neurológicos vêm dos estudos feitos inicialmente na década de 1950 por um neurocirurgião chamado <a href="http://www.psych.ualberta.ca/GCPWS/Penfield/Tour.html" target="_blank"><strong>Penfield</strong></a>. Ele estava interessado em compreender como poderia distinguir tecidos cerebrais normais de tumores cerebrais ou<strong> </strong>“cicatrizes” que eram responsáveis por causar convulsões. Ele estimulou os cérebros de centenas de pacientes conscientes no esforço de mapear o córtex cerebral e entender aonde em nossos cérebros nosso corpo físico é representado.</p>
<p>Um paciente sofria de danos no lobo temporal e quando Penfield estimulou a região temporoparietal do seu cérebro, ele relatou ter deixado o seu corpo. Quando a estimulação parou, ele “voltou”, e quando Penfield estimulou a região temporoparietal de novo, ele deixou o seu corpo mais uma vez. Penfield também descobriu quando variava a corrente e a localização do estímulo, podia fazer os membros do seu paciente parecerem<strong> </strong>encurtados ou produzir uma cópia de seu corpo que existia ao seu lado!</p>
<p>Em o <em>Cérebro Contador de Histórias </em>(<em><a href="http://books.wwnorton.com/books/detail.aspx?ID=17227" target="_blank">The Tell-tale Brain</a></em>)<strong>, </strong><a href="http://cbc.ucsd.edu/ramabio.html" target="_blank"><strong>V. S. Ramachandran</strong></a> descreve um paciente que teve um tumor removido da sua região frontoparietal direita e desenvolveu um “gêmeo fantasma” ligado ao lado esquerdo do seu corpo. Quando Ramachandran colocou água fria no seu ouvido (um procedimento conhecido como teste calórico de água fria, o qual estimula o sistema de equilíbrio do cérebro, conhecido por ter conexões com a região frontoparietal), o gêmeo do paciente se afogou, movimentou-se e mudou de posições.</p>
<p>Neurologistas têm reconhecido desde então que a região temporoparietal do cérebro é responsável por manter a representação de nossos esquemas corporais. Quando uma corrente externa é aplicada nessa região, ela para de funcionar normalmente e nossa <em></em>representação<strong><em> </em></strong>do corpo “<a href="http://www.sciencedirect.com/science/article/pii/S1364661303000275" target="_blank">flutua</a>”. Outras evidências de que esse fenômeno é uma ilusão vêm de experimentos nos quais as pessoas que tiveram experiências fora do corpo enquanto passavam do sono para a vigília eram incapazes de identificar objetos colocados no quarto depois que adormeciam, sugerindo fortemente que a imagem que viram deles mesmos dormindo nas suas camas era reconstruída em sua memória. Embora não exista ainda nenhuma evidência de que níveis baixos de oxigênio no sangue causem disfunção da região temperoparietal da mesma forma que uma corrente aplicada, esta permanece como uma hipótese testável e a explicação mais provável.</p>
<p>Em suma, embora longe de estar provada como uma explicação para o que realmente explica as EQMs, a hipótese da intromissão REM tem mais evidências para corroborá-la do que a idéia de que nós realmente deixamos nossos corpos quando a morte está à espreita.</p>
<p>- &#8211; -</p>
<p><strong>Mais informações sobre experiências de quase morte:</strong></p>
<ul>
<li>Keith Augustine (2008) &#8211; <a href="http://www.infidels.org/library/modern/keith_augustine/HNDEs.html" target="_blank">Experiências alucinatórias de quase morte</a> </li>
<li><a href="http://lnco.epfl.ch/page-26369.html" target="_blank">Página de Olaf Blanke</a>, grande pesquisador da área </li>
<li><a href="http://lnco.epfl.ch/media" target="_blank">Vídeos do Laboratório de Neurociência Cognitiva (LNCO)</a> </li>
<li><a href="http://www.psychology.uwaterloo.ca/people/faculty/acheyne/index.html" target="_blank">Página de Al Cheyne</a>, grande pesquisador da área </li>
<li>Artigos disponíveis de Al Cheyne sobre <a href="http://www.psychology.uwaterloo.ca/people/faculty/acheyne/index.html" target="_blank">paralisia do sono</a> </li>
</ul>
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		<item>
		<title>Os Tr&#234;s Super-Her&#243;is de Chernobyl</title>
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		<pubDate>Mon, 23 May 2011 02:02:05 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Mori</dc:creator>
				<category><![CDATA[Ciência]]></category>
		<category><![CDATA[Destaques]]></category>
		<category><![CDATA[história]]></category>
		<category><![CDATA[união soviética]]></category>

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		<description><![CDATA[Artigo original de La Pizarra de Yuri Tradução gentilmente autorizada, colaboração de Jorge Jarufe Podem-se salvar milhões de pessoas sacrificando [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><img style="background-image: none; border-right-width: 0px; padding-left: 0px; padding-right: 0px; display: inline; border-top-width: 0px; border-bottom-width: 0px; border-left-width: 0px; padding-top: 0px" title="chernobyl entrada   Os Tr&ecirc;s Super Her&oacute;is de Chernobyl" border="0" alt="chernobyl entrada ciencia" src="http://www.ceticismoaberto.com/wp-content/uploads/2011/05/chernobyl_entrada.jpg" width="600" height="284" /></p>
<p align="right">Artigo original de <strong><a href="http://www.lapizarradeyuri.com/" target="_blank">La Pizarra de Yuri</a></strong>     <br />Tradução gentilmente autorizada, colaboração de Jorge Jarufe</p>
<p><strong>Podem-se salvar milhões de pessoas sacrificando a sua própria, sem que ninguém se lembre.</strong></p>
<p>É uma das histórias mais conhecidas do nosso tempo: no dia 26 de abril de 1986, o reator número 4 da central nuclear de Chernobyl explodiu durante um teste de segurança mal executado, depois de 24 horas de manipulações insensatas e mais de duzentas violações do Regulamento de Segurança Nuclear da União Soviética. Estas ações conduziram ao envenenamento por xenônio do núcleo, levando-o a uma acumulação neutrônica seguida por um aumento de energia que causou duas grandes explosões às 01h24 da madrugada.</p>
<p>Sobre Chernobyl foram contadas muitas mentiras. E foram contadas por muitas pessoas, desde as autoridades soviéticas da época até a indústria nuclear ocidental, passando pelos propagandistas de todos os tipos e a coleção de conspiracionistas habituais. Há uma delas que me molesta de modo particular, e é a de que os <em>liquidadores</em> – quase um milhão de pessoas que se encarregaram do problema &#8211; eram uma horda de pobres ignorantes levados lá sem saberem a classe de monstro que tinham na frente. E molesta-me porque constitui um desprezo ao seu heroísmo.</p>
<p>E também porque é radicalmente falso. Uma turba ignorante não serve para nada em um acidente tecnológico tão complexo. As equipes de liquidadores estavam compostas, principalmente, por bombeiros, cientistas e especialistas da indústria nuclear; tropas terrestres e aéreas prontas para a guerra atômica e engenheiros de minas, geólogos e mineradores de urânio, pela sua ampla experiência na manipulação dessas substâncias. É néscio supor que estas pessoas ignoravam os perigos de um reator nuclear destripado cujos conteúdos você vê brilhar na frente dos seus olhos num enorme buraco.</p>
<p><img style="background-image: none; border-right-width: 0px; padding-left: 0px; padding-right: 0px; display: inline; border-top-width: 0px; border-bottom-width: 0px; border-left-width: 0px; padding-top: 0px" title="chernobyl liquidadores bronceado radiactivo   Os Tr&ecirc;s Super Her&oacute;is de Chernobyl" border="0" alt="chernobyl liquidadores bronceado radiactivo ciencia" src="http://www.ceticismoaberto.com/wp-content/uploads/2011/05/chernobyl_liquidadores_bronceado_radiactivo.jpg" width="600" height="337" /></p>
<p>Os <em>liquidadores</em> sabiam o que tinham perante si, e apesar disso realizaram o seu trabalho com enorme valor e responsabilidade. Centenas, milhares deles, de maneira heróica: os bombeiros que se alternavam entre vômitos e diarréias radiológicas para subir ao mítico <em>telhado de Chernobyl</em>, onde havia mais de 40.000 Roentgens/hora, para apagar dali os incêndios (a radiação ambiental normal é de uns 20 <em>micro</em>rroentgens/hora); os pilotos que detinham os seus helicópteros por cima do reator aberto e refulgente para esvaziar sobre ele areia e argila com chumbo e boro; os técnicos e soldados que corriam a toda velocidade pelas galerias devastadas comunicando aos gritos as leituras dos contadores Geiger e os cronômetros para romper paredes, restabelecer conexões e bloquear canalizações em períodos de quarenta ou sessenta segundos junto às turbinas (20.000 roentgens/hora); os mineradores e engenheiros que trabalhavam em túneis subterrâneos, inundando-se constantemente com água de sinistro brilho azul, para instalar os canos de um extrator de calor que roubasse algo de temperatura ao núcleo fundido e radiante, a escassos metros de distância; os milhares de trabalhadores e arquitetos que levantavam o sarcófago ao seu redor, retiravam do entorno os escombros furiosamente radioativos e evacuavam a população.</p>
<p>Salvo os soldados submetidos a disciplina militar, ninguém era proibido de ir embora se não quisesse continuar ali; mas quase ninguém o fez. Ao contrário, muitos chegaram como voluntários de toda a URSS, especialmente muitos estudantes e pós-graduados das faculdades de física e engenharia nuclear. Esta foi a classe de homens e não poucas mulheres que alguns acreditam ou querem acreditar que foram uma ignorante e patética turba. Esses foram os <em>liquidadores</em>.</p>
<p align="center"><iframe height="405" src="http://www.youtube.com/embed/aw-ik1U4Uvk" frameborder="0" width="500" allowfullscreen="allowfullscreen"></iframe>    <br /><span style="font-size: xx-small"><strong>No dia 2 de outubro um helicóptero Mi-8 tocou os cabos de um guindaste utilizado        <br />na construção do sarcófago e caiu enquanto tentava descarregar areia         <br />com boro sobre o reator aberto. As operações de liquidação estenderam-se por mais de um ano.</strong></span></p>
<p>Chamavam-lhes, e chamavam-se a si próprios, os <em>bio-robôs</em>, porque continuavam funcionando quando o aço cedia e as máquinas paravam. Não o fizeram pelo dinheiro, nem pela fama, que foi praticamente inexistente. O fizeram por responsabilidade, pela humanidade e porque alguém tinha que fazer o maldito trabalho. Hoje quero falar de três deles, que fizeram algo ainda mais extraordinário num lugar onde o heroísmo era coisa corrente. Por isso, só ocorre-me denominá-los: <em>os três super-heróis de Chernobyl</em>.</p>
<h3>O monstro da água que brilha azul</h3>
<p>O único que há de certo nessas suposições sobre a ignorância dos liquidadores é que, nas primeiras horas, não sabiam que o reator havia explodido. Mas não sabiam porque ninguém sabia. A mesma lógica equivocada dos responsáveis das instalações que provocou o acidente os fez crer que havia explodido o trocador de calor, e não o reator, e assim foi informado tanto ao pessoal que acudia como aos seus superiores. Há uma história um tanto sinistra sobre os aviões que levavam destacados membros da Academia de Ciências da URSS ao lugar. Eles deram a volta no ar por ordens da KGB quando esta descobriu, através da sua equipe de proteção da central, que o reator explodira (além das suas atribuições de espionagem, pelas quais é tão conhecida, a “KGB uniformizada&quot;, ela desempenhava na União Soviética um papel muito semelhante ao da nossa Guarda Civil, excetuando o tráfico de veículos, mas incluindo a segurança das instalações radiológicas).</p>
<p align="center"><iframe height="405" src="http://www.youtube.com/embed/6HPddRn-Sn8" frameborder="0" width="500" allowfullscreen="allowfullscreen"></iframe>    <br /><span style="font-size: xx-small"><strong>Na manhã seguinte ao acidente, um helicóptero militar obteve as primeiras        <br />tomadas de vídeo onde se observava o reator aberto e fundindo-se.</strong></span></p>
<p>Devido a isto, em um primeiro momento jogaram sobre o buraco milhões de litros de água e nitrogênio líquido com o propósito de manter frio e proteger o reator, que acreditavam a salvo e selado além das chamas e a densa fumaça preta. Isso contribuiu para piorar as conseqüências do sinistro, pois a água vaporizava-se instantaneamente ao tocar o núcleo fundido a mais de 2.000ºC e saía velozmente à estratosfera em grandes nuvens de vapor, que o vento arrastava em todas as direções.</p>
<p><img style="background-image: none; border-right-width: 0px; padding-left: 0px; padding-right: 0px; display: block; float: none; border-top-width: 0px; border-bottom-width: 0px; margin-left: auto; border-left-width: 0px; margin-right: auto; padding-top: 0px" title="chernobyl fallout   Os Tr&ecirc;s Super Her&oacute;is de Chernobyl" border="0" alt="chernobyl fallout ciencia" src="http://www.ceticismoaberto.com/wp-content/uploads/2011/05/chernobyl_fallout.jpg" width="435" height="428" /></p>
<p>De qualquer jeito havia pouco o que fazer: era preciso apagar os grandes incêndios. Quando o fogo foi finalmente extinto, a contaminação não só estava no ar, mas também na água acumulada nas piscinas de segurança sob o reator. As piscinas de segurança, conhecidas como piscinas de bolhas, achavam-se em dois níveis inferiores e sua função era conter a água no caso de ser preciso esfriar emergencialmente o reator. Elas também serviam para condensar o vapor e reduzir a pressão no caso em que estourasse algum cano do circuito primário (daí o seu nome), junto a um terceiro nível que atuava como condução, imediatamente abaixo do reator. Assim, em caso de ruptura de alguma canalização, o vapor circularia por esse nível de condução, através de um manto de água, o que reduziria sua periculosidade.</p>
<p>Agora, depois da aniquilação, essas piscinas inferiores estavam cheias e trasbordando de água procedente dos canos arrebentados do circuito primário e da água utilizada pelos bombeiros para apagar o incêndio e pela frustrada tentativa de manter frio o reator. E sobre elas encontrava-se o reator aberto, fundindo-se lentamente em forma de lava de cúrio a 1.660 ºC. Em qualquer momento podiam começar a cair grandes gotas desta lava poderosamente radioativa, ou até o conjunto completo, provocando assim uma ou várias explosões de vapor que projetariam à atmosfera centenas de toneladas de cúrio. Isso teria multiplicado em grande escala a contaminação provocada pelo acidente, destruindo o lugar e afetando gravemente toda a Europa. Além disso, a mistura de água e cúrio radioativos escaparia e se infiltraria no subsolo, contaminando as águas subterrâneas e pondo em grave risco o abastecimento da cidade de Kiev, com dois milhões e meio de habitantes, numa espécie de síndrome da China.</p>
<p>Foi tomada a decisão de esvaziar as piscinas de maneira controlada. Em condições normais, isto seria uma tarefa fácil: bastava abrir as eclusas mediante uma simples ordem ao computador SKALA que administrava a central, e a água fluiria com segurança a um reservatório exterior. No entanto, com os sistemas de controle destruídos, a única maneira de fazê-lo agora era atuando manualmente as válvulas. O problema é que as válvulas estavam sob a água, dentro da piscina, perto do fundo cheio de escombros altamente radioativos que a faziam brilhar suavemente com uma cor azul pela radiação de Cherenkov, logo abaixo do reator que se fundia, emitindo um sinistro brilho vermelho.</p>
<p><img style="background-image: none; border-right-width: 0px; padding-left: 0px; padding-right: 0px; display: block; float: none; border-top-width: 0px; border-bottom-width: 0px; margin-left: auto; border-left-width: 0px; margin-right: auto; padding-top: 0px" title="Pictureofchernobyllavaflow   Os Tr&ecirc;s Super Her&oacute;is de Chernobyl" border="0" alt="Pictureofchernobyllavaflow ciencia" src="http://www.ceticismoaberto.com/wp-content/uploads/2011/05/Pictureofchernobyllavaflow.jpg" width="435" height="302" /></p>
<p>E foi assim, como as máquinas já não funcionavam, que era um trabalho para os bio-robôs. Alguém teria que caminhar, um passo após outro, até o reator exposto e ardente, ao longo de um cinzento campo de destruição onde a radioatividade era tão intensa que provocava um sabor metálico na boca, confusão na mente e uma sensação de agulhadas na pele. Eles viam como as suas mãos se bronzeavam em segundos, como depois de semanas sob o sol. E logo teriam que submergir na água oleaginosa e de suave brilho azul com o instável monstro radioativo por cima das suas testas, para abrir as válvulas a mão. Uma operação difícil e perigosa até em circunstâncias normais.</p>
<p>Essa era uma viagem só de ida.</p>
<p>Ao que parece, a decisão de quem o faria tomou-se de maneira muito simples, com aquela velha frase que, ao longo da história da humanidade, sempre foi suficiente para os heróis:</p>
<blockquote><p>- Eu irei.</p>
</blockquote>
<p><img style="background-image: none; border-right-width: 0px; padding-left: 0px; padding-right: 0px; display: inline; border-top-width: 0px; border-bottom-width: 0px; border-left-width: 0px; padding-top: 0px" title="chernobyl helo1   Os Tr&ecirc;s Super Her&oacute;is de Chernobyl" border="0" alt="chernobyl helo1 ciencia" src="http://www.ceticismoaberto.com/wp-content/uploads/2011/05/chernobyl_helo1.jpg" width="600" height="407" /></p>
<h3>Os três homens que foram</h3>
<p>Os dois primeiros a oferecerem-se como voluntários foram <strong>Alexei Ananenko</strong> e <strong>Valeriy Bezpalov</strong>. Alexei Ananenko era um prestigiado tecnólogo da indústria nuclear soviética, que participara extensivamente no desenvolvimento e construção do complexo eletronuclear de Chernobyl. Ele cooperou no desenho das eclusas e sabia exatamente onde estavam as válvulas. Era casado e tinha um filho.</p>
<p>Valeriy Bezpalov era um dos engenheiros que trabalhavam na central, ocupando um posto de responsabilidade no departamento de exploração. Também era casado, e tinha uma menina e dois meninos de poucos anos.</p>
<p>Os dois eram engenheiros nucleares. Os dois compreendiam além de qualquer dúvida que estavam se dispondo a caminhar para a morte.</p>
<p>Enquanto vestiam suas roupas de mergulho, sentados num banco, observaram que precisariam de um ajudante para segurar a lâmpada subaquática desde a borda da piscina enquanto eles fossem trabalhar nas profundidades. E olharam aos olhos dos homens que tinham ao redor. Então um deles, um jovem rapaz trabalhador da central, sem família, chamado <strong>Boris Baranov</strong>, se levantou e disse aquela outra frase que quase sempre segue a anterior:</p>
<blockquote><p>- Eu irei com vocês.</p>
</blockquote>
<p>No meio da manhã, os heróis Alexei Ananenko, Valery Bezpalov e Boris Baranov tomaram um gole de vodka para se encorajar, pegaram as caixas de ferramentas e começaram a andar em direção à lava radioativa em que se convertera o reator número 4 do complexo eletro nuclear de Chernobyl. Assim, sem mais.</p>
<p><img style="background-image: none; border-right-width: 0px; padding-left: 0px; padding-right: 0px; display: block; float: none; border-top-width: 0px; border-bottom-width: 0px; margin-left: auto; border-left-width: 0px; margin-right: auto; padding-top: 0px" title="chernobyl lectura   Os Tr&ecirc;s Super Her&oacute;is de Chernobyl" border="0" alt="chernobyl lectura ciencia" src="http://www.ceticismoaberto.com/wp-content/uploads/2011/05/chernobyl_lectura.jpg" width="435" height="388" /></p>
<p>Perante os olhos encolhidos dos que ficaram para trás, os três camaradas caminharam os mil e duzentos metros que havia até o nível -0,5, dizem que, conversando calmamente entre si: “Como vai? Quanto tempo sem ver você! E seus filhos? Você eu não conhecia, rapaz. &#8230; É que eu não sou daqui. Bem, parece que hoje vamos trabalhar um pouco juntos&#8230; Podemos descer melhor por aí, eu vou na válvula da direita e você a da esquerda, e você nos ilumina desde lá. &#8230; Parece que vai chover, não? Está boa a secretária do engenheiro Kornilov, hem? Sim, e que rebolado! &#8230; Parece que este ano os Dínamos de Moscou não vão ganhar o campeonato”. Essas coisas, que possivelmente falam os bio-robôs, enquanto vêem como a sua pele se escurece lentamente, e somem um pouco suas idéias pela ionização dos neurônios e sentem na boca cada vez mais o sabor de urânio causando náuseas, sacudindo-se incomodamente, porque sentem como se milhares de duendes maléficos estivessem dando agulhas na sua pele. Cinco mil roentgens/hora, é como chamam a isso.</p>
<p>E sob aquele céu cinzento e os restos fulgurantes de um reator nuclear, os heróis Alexei Ananemko e Valeriy Bezpalov submergiram-se na piscina de bolhas do nível -0,5, com uma radioatividade tão sólida que se podia sentir, enquanto o seu camarada Boris Baranov lhes segurava a lâmpada subaquática, que aliás, estava com defeito e falhou pouco depois. Do exterior, já ninguém os ouvia nem os via.</p>
<p>De repente, as eclusas começaram a abrir-se, e um milhão de metros cúbicos de água radioativa começou a jorrar para a o reservatório seguro, preparado para tal efeito. Eles haviam conseguido! Alguém murmurou que os heróis Ananenko, Bezpalov e Baranov acabavam de salvar a Europa. É difícil determinar até que ponto isso era verdade.</p>
<p>Há versões contraditórias sobre o que aconteceu depois. A mais tradicional diz que jamais regressaram, e que ainda estão sepultados lá. A mais provável assegura que conseguiram sair da piscina e celebrar a sua vitória rindo e abraçando-se aos mesmíssimos pés do monstro, na borda da piscina; outra diz que até recuperaram os seus corpos, embora não as suas vidas. Morreram pouco depois, de síndrome de radioatividade extrema, nos hospitais de Kiev e Moscou. Ainda outra versão, que parece quase impossível, sugere que Ananenko e Bezpalov morreram, mas que Baranov conseguiu sobreviver e anda ou andou um tempo por aí.</p>
<p><img style="background-image: none; border-right-width: 0px; padding-left: 0px; padding-right: 0px; display: inline; border-top-width: 0px; border-bottom-width: 0px; border-left-width: 0px; padding-top: 0px" title="chernobyl monumento   Os Tr&ecirc;s Super Her&oacute;is de Chernobyl" border="0" alt="chernobyl monumento ciencia" src="http://www.ceticismoaberto.com/wp-content/uploads/2011/05/chernobyl_monumento.jpg" width="600" height="438" /></p>
<p>Esta é a história de Alexei Ananenko, Valeriy Bezpalov e Boris Baranov, os três super-herois de Chernobyl, de quem se diz que salvaram a Europa ou ao menos um ou outro milhão de pessoas a milhares de quilômetros ao redor, num frio dia de abril. Foram à morte conscientemente, deliberadamente, por responsabilidade e humanidade e sentimento da honra, para que os demais pudéssemos viver. Quando alguém pensar que nosso gênero humano não tem salvação, sempre pode lembrar de homens como estes e outras centenas ou milhares desse estilo que também estiveram lá. Não circulam fotos deles, nem fizeram superproduções de Hollywood sobre eles, e até os seus nomes são difíceis de encontrar. Porém hoje, vinte e quatro anos depois, eu brindo à sua lembrança, faço uma continência perante a sua memória e agradeço mil vezes. Por terem ido.</p>
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<p align="center"><embed id="VideoPlayback" style="width: 500px; height: 408px;" type="application/x-shockwave-flash" src="http://video.google.com/googleplayer.swf?docid=-2643496351524645529&amp;hl=es&amp;fs=true" allowscriptaccess="always" allowfullscreen="true"></embed> </p>
<p align="center"><em>O Sacrifício</em>, de Wladimir Tcherkoff.</p>
<h4>Leitura recomendada:</h4>
<ul>
<li><strong><em>A verdade sobre Chernobyl</em></strong>, com prólogo do Prêmio Nobel Andrei Sakharov (1991), escrito pelo engenheiro nuclear Grigory Medvédev, um profundo conhecedor deste complexo eletronuclear e da política energética soviética. Inclui um relato exaustivo do acidente e fazendo honra ao seu título, é o que menos mentiras conta, segundo a minha opinião. Seguramente por esse mesmo motivo, é o mais difícil de conseguir. Na Espanha foi editado por <a href="http://www.unilibro.es/find_buy_es/result_editori_id.asp?editore=3949&amp;idaff=0" target="_blank">Heptada</a> com o ISBN 84-7892-049-8; está esgotado, mas sempre se pode tentar dar uma ligada e perguntar. Em inglês foi editado com ISBN 1-85043-331-3 (Tauris &amp; Co, Londres) e <a href="http://books.google.com.au/books?hl=en&amp;id=VtmW082nSaIC&amp;dq=%22truth+about+chernobyl&amp;printsec=frontcover&amp;source=web&amp;ots=5_mZTcolaP&amp;sig=OrxJNPprZdtigX9a9bvNAbPaV40&amp;sa=X&amp;oi=book_result&amp;resnum=4&amp;ct=result#v=onepage&amp;q&amp;f=false" target="_blank">está disponível aqui</a>. </li>
</ul>
<p>De visualização necessária:</p>
<ul>
<li><strong><em>O coração de Chernobyl</em></strong>. Provavelmente, o melhor documentário que se filmou sobre as conseqüências humanas do desastre. Desde dentro; tão dentro que a diretora da ONG que o apresenta sofreu envenenamento por césio -137 durante a realização. Duríssimo, mas absolutamente necessário. Em inglês, disponível no YouTube: <a href="http://www.youtube.com/watch?v=p1Peky_WBvY" target="_blank">Parte 1</a>, <a href="http://www.youtube.com/watch?v=rR_ZvCjBVhk&amp;NR" target="_blank">Parte 2</a>, <a href="http://www.youtube.com/watch?v=bSilU8XyCnA" target="_blank">Parte 3</a>, <a href="http://www.youtube.com/watch?v=R0mqEwcMEiw" target="_blank">Parte 4</a>. Se você deseja colaborar com esta ONG pode fazê-lo <a href="http://www.chernobyl-international.com/" target="_blank">aqui</a>. </li>
</ul>
]]></content:encoded>
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