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	<title>Lino Resende</title>
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	<description>Um blog pessoal, que fala de vários assuntos, sem restrições</description>
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		<title>UM HOMEM MAIS QUE NOTÁVEL</title>
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		<pubDate>Sat, 04 Jul 2015 14:41:58 +0000</pubDate>
		<dc:creator><![CDATA[Lino Resende]]></dc:creator>
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				<content:encoded><![CDATA[<p>O que transforma um homem em notável? Alguns poderão dizer que é a realização de um grande feito. Einstein, por exemplo, foi notável. Thomas Edson, também. Ambos fizeram coisas que os tornaram lembrados e que continuarão. Mas este não é o único caminho para a notabilidade, pois, sabemos, existem muitos outros. A questão, aqui, no entanto, não é discutir a persona pública de alguém ou o que ele fez que o tornasse famoso. Quero, até na contramão dessa ótica, olhar a ação humana sob um ângulo diferente.</p>
<p>Tenho, de início, um nome. E é a partir dele que quero construir o meu tema. O nome é Geraldo Antunes de Souza, um ilustre anônimo, mas uma das pessoas mais notáveis que já conheci. Aos meus olhos – e nos de muitos outros – ele construiu a notabilidade por ter conseguido um dos maiores feitos que presenciei: criar uma família de 12 filhos – e mais um, adotado – dando-lhes um ótimo rumo, transformando-os em homens e os vendo seguir um caminho de sucesso, sem nenhuma exceção. Junto com a esposa, Noêmia – outra pessoa notável – fez isso com uma simplicidade comovedora, com os frutos do seu trabalho, do curto salário que recebia e que, bem administrado, rendia para manter a família, sem que nunca tenha lhe faltado nada.</p>
<p>Os filhos, que se sucediam, foram crescendo, estudando, começando a trabalhar, constituindo novas famílias, tendo filhos e, alguns, até netos. A cada passo, ao lado, observando, estava sempre “seu” Geraldo, o exemplo vivo de como se portar, de como encarar a vida, fornecendo o espelho para que todos se vissem e soubessem que, sim, eram capazes de também construírem uma vida, mesmo que diferente da dele, mas de forma sustentável. E com isso, a família foi crescendo. Chegaram os primeiros genros, vieram os primeiros netos, apareceram os primeiros bisnetos. Para todos “seu” Geraldo tinha sempre um sorriso, uma piada pronta, uma palavra carinhosa, mas, sobretudo, servia como exemplo vivo de como um homem deve se portar.</p>
<p>Aposentado, depois de uma longa vida de trabalho, nunca parou. Cuidava da casa, da horta, plantava, olhava suas galinhas, sempre arranjando uma atividade. Quando o convidavam para alguma coisa, sempre alegava estar muito ocupado, pois tinha muito que fazer. E em tudo o que fazia colocava sua alegria, divertia-se e divertia filhos, netos e bisnetos. Para alguém que teve infância difícil, saindo do campo, chegando à cidade, construindo uma grande família e a vendo florescer, a vida do “seu” Geraldo foi, sob todos os aspectos, notável. Ele conseguiu o que muitos sonharam e não realizaram: ter uma família unida, alegre, consciente, solidária, acolhedora. E quanto a este último detalhe, posso falar com propriedade, pois fui o primeiro genro a ser acolhido pela família que, no final, acabou transformando-se na minha própria família, com muito orgulho.</p>
<p>Tenho a grande honra de ter convivido com este homem notável por mais de 40 anos. É quase uma vida e, examinando-a e ao que vi, participei e constatei, posso afirmar, sem nenhuma dúvida: Geraldo Antunes de Souza foi um homem notável, ímpar mesmo.</p>
<p>No momento em que já não o temos, este reconhecimento é o mínimo que posso fazer. Sei que a vida segue, mas ela ficará menos alegre e um pouco mais vazia sem a presença do “seu” Geraldo, sua alegria, suas tiradas, a música que tirava dos mais variados instrumentos, os causos que contava, os problemas que enfrentou e venceu. Foi-se um grande homem. Ficaram os seus exemplos de vida. Estes, garanto, não serão esquecidos, perpetuando-se através da memória daqueles que o amaram – e que o amam – que cuidarão de passar a seus descendentes um pouco do que foi e fez.</p>
<p>Obrigado, “seu” Geraldo. E que Deus o tenha!</p>
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		<title>JALAPÃO: BELEZA DE UMA ÁREA (QUASE) INTOCADA</title>
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		<pubDate>Mon, 19 Jan 2015 14:15:30 +0000</pubDate>
		<dc:creator><![CDATA[Lino Resende]]></dc:creator>
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				<content:encoded><![CDATA[<p>“O Jalapão é bruto”. O slogan, usado por uma operadora que leva visitantes ao <a href="http://www.jalapao.com/Guia.html">Parque Ecológico do Jalapão</a>, em Tocantins, é verdadeiro, mas não revela o que a região efetivamente é: Quase intocada, muito bela, um areal imenso coberto por uma vegetação baixa e muita água no meio de um quase deserto. O melhor que o Jalapão oferece ao visitante é a natureza, que é diversa, bela, mas de difícil acesso, sobretudo nos <a href="http://www.linoresende.jor.br/category/eufui/">pontos considerados turísticos</a>.</p>
<p>Se você for ao Google e procurar por “Jalapão” irá encontrar belas fotos, referencias ao parque e ao que tem. É um indicativo, mas não diz, de verdade, o que ele é. Primeiro, é longe e para nele chegar é necessário enfrentar estradas de terra – costelas, buracos, areia e condições que estão longe de proporcionar conforto ao viajante – e depois, a precariedade da infraestrutura que as cidades onde o visitante fica oferecem. Depois, as distâncias entre as atrações, que são de quilômetros de distância. O parque, para lembrar, é quase do tamanho do Espírito Santo e, por isso, para chegar aos locais turísticos é preciso enfrentar trilhas, calor e desconforto.</p>
<p>Não é à toa que as operadoras que levam ao parque chamam a visita de “expedição”, pois está bem dentro do que se convencionou chamar de “turismo de aventura”. Os caminhos são percorridos por carros com tração 4 x 4, necessária para enfrentar as trilhas de areia em que um veículo convencional ficaria “atolado”. Se o que já foi dito assusta, desista do Jalapão. Se não, siga em frente e irá se surpreender, vendo a combinação de um quase deserto com mananciais límpidos, de águas mornas e uma maior surpresa dos “fervedouros” ; nascentes que devido à sua força, impedem que a pessoa afunde, mantendo-a na superfície.</p>
<p>Então, vamos começar a descobrir o parque? O roteiro é repleto de belas cachoeiras, começando bem próximo de Palmas, a capital do Tocantins, em Taquaruçu. Depois, já chegando no Jalapão, o cânion de Sussuapara, esculpido pelo vento e pela água, que oferece ao visitante a oportunidade do primeiro banho, proporcionado por uma pequena cachoeira, que desce pela venda formada ao longo de milhares de anos. Daí, chega-se à primeira cidade, Ponte Alta, uma das entradas para a imensa área do parque.</p>
<p>A partir de Ponte Alta é que a aventura realmente começa e são quilômetros e quilômetros de terra, poeira e calor para se chegar à primeira atração, que no nosso caso foi o fervedouro de Buritis e a surpresa que oferece: águas límpidas, areia branca e pura diversão, flutuando sobre o nascente que brota com força do chão. Depois, a “praia” do Rio Novo, outra vez com águas cristalinas e que refresca o calor do trajeto. A surpresa vem dos pequenos peixes, os lambaris, que – se você deixar – acabam se banqueteando, já que se aproximam e dão pequenas “bocadas” nas suas costas, às vezes, assustando quem está nadando e não espera por isso.</p>
<p>O passo seguinte foi duas formações “rochosas” do Jalapão, a pedra do Chapéu, morada de maritacas e outros pássaros, além de uma grande colônia de morcegos, e a pedra Furada. As duas, na verdade, não são rochas, mas formadas de arenito, que se desgasta com o vento e as chuvas. Marcadas pelo tom avermelhado, ambas se destacam na paisagem plana e de que se vê o horizonte. Na pedra Furada, há um grande “arco”, que continua sendo ampliado e, mais acima, de onde se acompanha o por do sol, um outro, menor, que parece ter sido feito de propósito para uma boa foto. O dia se encerra com um por do sol espetacular, se o céu estiver limpo. Já à noite, toma-se o caminho da pousada, em Mateiros, a segunda cidade do percurso. No quarto, é o único momento de conforto, pois tem ar condicionado. Mas não espera internet, wifi ou mesmo um bom sinal de telefone. Este existe e funciona, mas como em Ponte Alta, há uma única operadora e se sua linha não é dela, espere problemas para falar.</p>
<p>No segundo dia em Mateiros, tudo recomeça. Café da manhã e estrada de chão, trilhas no meio de areia, vegetação quase rasteira e a chegada aos fervedouros, cachoeiras e praias, que surgem quase do meio do nada. Apesar de ser muito quente e seco, ao longo de todo o parque o que não falta são rios, praias, cachoeiras e fervedouros. Estes são cerca de 30, com pelo menos 10 sendo usados por quem se aventura no Jalapão. É a oportunidade, também, para ver a fazenda de Pablo Escobar, o chefão do tráfico de cocaína, morto há alguns anos. Ele construiu toda uma estrutura no meio do Jalapão, onde refinava a droga e a vendia para o Brasil e para outros locais. A fazenda foi descoberta e confiscada pelo Governo e chegou a ser usada como pousada, mas hoje há, apenas, um posto de fiscalização no local.</p>
<p>No quarto dia do parque do Jalapão, volta à estrada e as atrações – fervedouros, praias e cachoeiras – e no final do dia o caminho de São Felix de Tocantins, onde haveria pernoite e, no dia seguinte, novas atrações e, depois, o caminho para Palmas, com o encerramento de expedição. A volta foi a pior das partes enfrentadas no Jalapão. No início, mais um fervedouro, o de Alecrim, nova praia no rio próximo e, então, estrada. Da saída até a chegada a Palmas, a capital do Tocantins, foram cerca de 7 horas de viagem, com parada em Novo Acordo para o almoço, já no meio da tarde. Depois de andar quase mil quilômetros para ir, andar pelo Jalapão e voltar à civilização, o conforto de um bom hotel, celular funcionando, wifi que conecta, acesso à internet, a vida voltando ao normal.</p>
<p>E então, depois de tudo, o que dizer da “expedição” e do próprio Jalapão. No meu caso, fiquei surpreendido favoravelmente. A região é bela, os fervedouros surpreendentes, as águas cristalinas. Há desconforto? Sim. Mas ele é superado pelo prazer de mergulhar em águas mornas, divertir-se tentando afundar no olho do fervedouro e até apreciando a simplicidade da comida. E nessa opinião, não estou sozinho: minha esposa, filha e genro que também foram, gostaram da experiência. Desde o início há um ritmo diferente, mais lento.</p>
<p>O que o Jalapão proporciona é um retorno à simplicidade, fugindo de um mundo acelerado, ligado. A vida volta a ser simples, quase de sobrevivência. A comida volta a ser o básico, para alimentar somente, não para degustar. Dorme-se bem, anda-se bastante, chacoalha-se muito, enfrenta-se o calor, mas, no final, o balanço de tudo é que, sim, vale muito pena conhecer o Jalapão e sua beleza única, de um local quase intocado pelo homem e que ainda consegue nos surpreender.</p>
<p>É uma viagem que recomendo.</p>
CAPIM DOURADO E QUILOMBOLAS
<p>Se a natureza oferece belezas em abundância, uma das coisas que praticamente não existem no Jalapão são as compras. Como tudo é básico, o único atrativo é o artesanato local, feito de capim dourado, um tipo de capim que só nasce na região do parque e que não pode ser dele retirado, a não ser com as peças produzidas por artesãos que moram nas cidades circunvizinhas.</p>
<p>Quem descobriu o capim dourado haste de uma pequena flor branca da família das sempre-vivas – e o utilizou primeiro foram os índios, mas o artesanato de hoje é criação de dona Miúda, matriarca dos quilombolas de Mumbuca, que fica no meio do parquet do Jalapão. Ela repassou a técnica às filhas, dando identidade à produção da região. Hoje, na aldeia quilombola, há uma foto em destaque de dona Miúda, a árvore genealógica da família, que ficam na loja onde as mulheres da comunidade vendem sua produção.</p>
<p>Há uma boa variedade de peças em Mumbuca, onde o visitante é também brindado pelo coral formado pelas crianças da comunidade, que lhes dão as boas vindas. Além do artesanato pode-se adquirir um CD com cantigas de rodas, gravadas pelos quilombolas, que são simples, mas belas, aliás como o próprio artesanato e toda a região. No caso do capim dourado, segundo se conta na região, já houve tentativa de plantá-lo fora do Jalapão, mas as experiências não foram bem sucedidas.</p>
<p>O capim dourado é nativo na região, aparecendo nas veredas – locais próximos de fontes de água – e no meio de outra vegetação, sendo colhido a partir do mês de setembro e indo, no máximo, até novembro. Se foi criado pelos quilombolas, o artesanato, hoje, não ser resume à produção deles. Em Ponte Alta, Mateiros e nas cidades que cercam o parque há artesãos que também trabalham com o capim e parte da produção deles chega à capital, Palmas, e até outros Estados.</p>
ANIMAIS, PLANTAS E DOCES
<p>O Jalapão, que forma um bioma único, pode ser dividido em quatro tipos de paisagem: platô, rebordos ou encostas, planícies e veredas. Os platôs são os chapadões e planaltos, que se parecem, olhados de longe, com uma mesa e que rodeiam o parque. Os rebordos são onde se localizam as nascentes dos rios e os processos de erosão, provocados pelos ventos e chuvas, e que dão origem às dunas.</p>
<p>As planícies são áreas abertas de vegetação do cerrado que, embora pareçam iguais, não o são, já que há variações, dependendo da qualidade do solo. Onde é mais rico, a vegetação á maior e vai diminuindo de tamanho na medida em que empobrece, até ficar quase uma cobertura rasteira, que mão esconde o solo arenoso. As veredas são áreas úmidas e podem ser facilmente identificadas pelos buritis. Onde eles aparecem, é sinal de que há água ou, pelo menos, maior umidade.</p>
<p>É nessa paisagem que surgem plantas nativas e típicas da região, algumas usadas para doces e sorvetes, como é o caso do próprio buriti, do murici, da cagaita e do cajá. Mas por lá podem ser encontrados ipês, cedro, sucupira, mangaba e toda uma vegetação típica da região. E nela, uma fauna que, embora pouco dela sej veja, existe, com muitos pássaros, emas, gaviões, lobo do cerrado, vários tipos de araras, siriemas, perdiz e codorna, dentre outros.</p>
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		<title>CONSTRUA O FUTURO. COMECE AGORA!</title>
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		<pubDate>Fri, 12 Dec 2014 12:36:16 +0000</pubDate>
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		<description><![CDATA[<p>Comece agora e construa o futuro. A afirmação parece grandiosa, mas se olharmos bem de perto e com atenção vamos descobrir que toda construção é feita passo a passo. Neste aspecto, como já observaram líderes e pensadores, o passado pode nos servir de base &#8211; e exemplo &#8211; para o que queremos construir, dando a [&#8230;]</p>
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				<content:encoded><![CDATA[<p>Comece agora e construa o futuro. A afirmação parece grandiosa, mas se olharmos bem de perto e com atenção vamos descobrir que toda construção é feita passo a passo. Neste aspecto, como já observaram líderes e pensadores, o passado pode nos servir de base &#8211; e exemplo &#8211; para o que queremos construir, dando a direção do que podemos mudar e o que queremos manter. Chegando ao final de um ano e próximo do início de outro, sempre refletimos sobre o que fizemos e alinhamos o que pretendemos fazer. A hora é, portanto, propícia para pensarmos no que queremos para nós, nossos filhos, netos e descendentes.</p>
<p>Alguém, de quem não me lembro o nome, já disse que pequenas ações são o impulso para as transformações. Não precisamos de grandes coisas para mudar, transformando o presente em um futuro diferente. Que tal viver uma vida mais saudável? Uma forma é <a href="http://www.linoresende.jor.br/coma-comida-mais-plantas-e-nao-muito/">comer melhor, evitar o desperdício</a>. Na hora de sua escolha lembre-se que há excesso de comida no mundo e, mesmo assim, um terço da população da Terra passa fome. Esta é uma pequena ação que tem muito significado e que se todos nós a tomarmos fará uma grande diferença.</p>
<p>Toda mudança começa com ações individuais. Então, <a href="http://www.linoresende.jor.br/agua-comida-e-sua-importancia-para-o-meio-ambiente/">que tal economizar água</a>, que é preciosa e, ao contrário do que muitos pensam, não existe assim tão em abundância &#8211; veja-se o caso de São Paulo. Água potável é uma das coisas mais escassas no mundo e, como temos visto, a mudança climática está agravando o problema. No Brasil, onde temos muita água, várias regiões sentem falta dela ou se veem ameaçadas pela sua falta. Então, imagine no resto do planeta. Aqui, mais uma vez, a ação individual pode fazer a diferença, até como exemplo. E podemos, também, e pelo mesmo princípio, economizar energia &#8211; o que ajuda a economizar água.</p>
<p>O fato é que em cada ação, sempre podemos viver de forma mais simples, consumindo menos, evitando o desperdício, deixando de produzir lixo, ajudando na reciclagem. Há muito tempo, Heráclito, um filósofo grego, afirmou que a única certeza que temos é da mudança. Como ela é inevitável, podemos aproveitar que sempre vem e nos prepararmos para, com pequenas mudanças, adotar uma nova postura e, ao adotá-lá, dar o primeiro passo na construção de um futuro melhor.</p>
<p>A única coisa que temos de fazer é começar agora. Este é o meu e o seu desafio.</p>
<p>&nbsp;</p>
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		<title>TRABALHO E AS TAREFAS QUE NÃO VEMOS</title>
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		<pubDate>Wed, 26 Nov 2014 12:02:04 +0000</pubDate>
		<dc:creator><![CDATA[Lino Resende]]></dc:creator>
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		<description><![CDATA[<p>Como é o seu trabalho? A pergunta, que não é assim tão comum, deveria ser corriqueira, pois sempre estamos buscando informações sobre o que as outras pessoas fazem. Mas, neste caso, o mais comum é perguntar: O que você faz? Estamos, aqui, no nível do que comumente se chama de &#8220;trabalho intelectual&#8221;, entendendo que é, [&#8230;]</p>
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				<content:encoded><![CDATA[<p>Como é o seu <a href="http://www.linoresende.jor.br/?s=trabalho">trabalho</a>? A pergunta, que não é assim tão comum, deveria ser corriqueira, pois sempre estamos buscando informações sobre o que as outras pessoas fazem. Mas, neste caso, o mais comum é perguntar: O que você faz? Estamos, aqui, no nível do que comumente se chama de &#8220;trabalho intelectual&#8221;, entendendo que é, quase sempre, em ambientes refrigerados e com tarefas que contam com a ajuda da mais moderna tecnologia. É isso o que ocorre agora que estou escrevendo este post. Mas, pense bem, isto é a norma? Talvez no nosso meio, sim. Mas fora dele existem tantos outros tipos de trabalhos e, em muitos casos, sequer sonhamos com o que as pessoas fazem para viver.</p>
<p>É interessante que não nos despertemos para isso, talvez devido à acomodação que a própria atividade nos traz e que, no final, nos deixa pensando que todo mundo tem trabalho idêntico ao nosso. Isso está longe de ser verdade e já serviu, até, para uma série na Tv a cabo, que no Brasil se chama &#8220;<a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Dirty_Jobs">Trabalho Sujo</a>&#8220;, que apresenta tarefas bem desagradáveis, mas que muitas pessoas fazem. Afinal, este é o trabalho delas. É o caso, por exemplo, de um amigo de minha filha que vivendo nos Estados Unidos ganhava a vida lavando cadáveres, preparando-os para os funerais. Esta é uma tarefa que existe aqui no Brasil, também, mas da qual não tomamos conhecimento e nem falamos.</p>
<p>O que me chamou a atenção para o assunto <a href="http://narrative.ly/stories/the-secret-life-of-a-crime-scene-cleaner/?src=longreads">foi uma matéria de uma jornalista australiana</a> que relata o encontro com uma profissional que faz este tipo de trabalho, limpando casas em que as pessoas suicidam e fazendo outros tipos de limpezas e arrumações que, do nosso ponto de vista, vai além do trabalho sujo. É o modo que arrumou para ganhar a vida e, nele, executa tarefas que ninguém mais quer fazer e que deixa o lavar cadáveres como uma das mais agradáveis. Ah, dirão, é lá longe do outro lado do mundo, muito longe daqui, de onde estou. Ledo engano. Aqui também se morre, se suicida, se suja e sempre existe alguém para limpar. Se não é da família, é algum profissional que aceita encarar a tarefa.</p>
<p>Um dos aspectos que a matéria expõe &#8211; válido também para nós, brasileiros &#8211; é que se temos Polícia, Bombeiros e Médicos envolvidos, por exemplo, em um acidente, a eles cabem dar atendimento, esclarecer, socorrer. O lado da limpeza, no entanto, não lhes cabe nem é a tarefa deles. Isto tem de ser feito por outros e, neste caso, apresenta-se mais um &#8220;trabalho sujo&#8221;. O que ocorre, na verdade, é que lá fora, longe dos ambientes condicionados, existem milhões de pessoas que fazem coisas que não imaginamos para viver. Do nosso lado, na redoma de vidro em que vivemos, achamos que o trabalho se executa em um <a href="http://www.linoresende.jor.br/internet-a-dependencia-criada-pela-tecnologia/">computador</a>, com o uso do celular e com programas que nos ajudam nas tarefas.</p>
<p>Isso é verdade, sim, mas não para todos. E constatar esta realidade é fácil, bastando olhar para a rua e ver o gari que faz a limpeza ou o recolhimento do lixo produzido nos belos prédios em que vivemos, que estão bem visíveis. Quando aos outros trabalhos sujos, eles podem não aparecer, mas existem. E é deles que milhões de pessoas, no Brasil e no mundo, sobrevivem. Fazem uma atividade silenciosa, que não traz status social e que não lhes traz reconhecimento, mas lhe garantem a sobrevivência. Assim como nós, são trabalhadores e talvez executem, no final, tarefas mais essenciais que a nossa.</p>
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		<title>BRASIL, UM PAÍS MAIS CRÍTICO E POLITIZADO</title>
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		<pubDate>Mon, 27 Oct 2014 16:25:54 +0000</pubDate>
		<dc:creator><![CDATA[Lino Resende]]></dc:creator>
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				<content:encoded><![CDATA[<p>O Brasil saiu das eleições presidenciais deste ano mais crítico e politizado. A afirmação não serve de explicação para quem ganhou e tampouco de consolo para quem perdeu, mas o fato é que vimos nascer, ao longo da campanha, um país bem mais crítico e politizado que antes, chegando a quase uma divisão meio a meio entre os dois lados. No final, contatos os votos, como acontece em todas as eleições e em todas as democracias, um candidato venceu, os outros, não. Este, na verdade, é apenas um olhar &#8211; e neste caso, muito particular &#8211; sobre o resultado das eleições. Outros, podem ser encontrados nos jornais, na televisão e no rádio através das múltiplas análises já feitas e que ainda se farão.</p>
<p>Mais voltemos. Por compromisso profissional ou por interesse acompanho as campanhas eleitorais no Brasil desde a época do regime militar &#8211; a decantada ditadura. Nele, as eleições eram apenas legislativas, já que eram os generais que consagravam os próximos presidentes, limitando os acertos a um pequeno número de &#8220;eleitores qualificados&#8221;, com a população nada podendo dizer. Quando os militares deixaram o poder, a primeira eleição presidencial também foi indireta, só que agora sancionada pelo Congresso, que havia sido eleito pelo voto popular, embora ainda fosse fruto de uma eleição feita sob a égide dos militares.</p>
<p>Na primeira experiência de eleição democrática &#8211; a última havia sido em 1960 &#8211; os brasileiros que, em sua maioria ainda não tinham votado para Presidente escolheram Fernando Color de Mello, apeado do poder devido a um processo de impeachment. Saiu Color e entrou Itamar Franco, que era o seu vice. Começamos, de fato, a época da democracia, com a substituição de Presidente sendo feito respeitando-se todas as formalidades legais e sem atropelos. É de Itamar Franco a invenção do Plano Real, que catapultou Fernando Henrique Cardoso à Presidência com uma vitória no primeiro turno.</p>
<p>A partir da eleição de FHC já passamos por cinco novas eleições ao longo de 20 anos e, nelas, se olharmos a história e os números de votos de cada eleito constatamos que as diferenças foram maiores e que, nem de longe, houve a polarização da eleição deste ano. E foi esta polarização que, em determinados momentos, chegou a ameaçar a reeleição da presidente Dilma Roussef e deixou-nos a todos no suspense até que o Tribunal Superior Eleitoral divulgasse os primeiros números da apuração. O que vimos é que a polarização chegou a tal ponto que as posições deixaram de ser razoáveis, com discussões de tom elevado e bastante xingamento entre partidários dos dois candidatos, com a mídia social tendo um papel se não central, pelo menos muito destacado na campanha.</p>
<p>Concluído o processo temos um quadro que mostra o país dividido. De um lado, as regiões Sul, Sudeste e Centro Oeste. Do outro, o Nordeste e o Norte. O desafio agora é voltar a unir novamente este país, atendendo a apoiadores e críticos e transformando o belo processo democrático em um benefício para todos os brasileiros. A presidente Dilma ganha uma nova oportunidade, mas certamente vai governar sob lentes muito mais críticas do cidadão.</p>
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		<title>EDUCAÇÃO É O QUE FAZ A DIFERENÇA</title>
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		<pubDate>Sat, 18 Oct 2014 13:53:45 +0000</pubDate>
		<dc:creator><![CDATA[Lino Resende]]></dc:creator>
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		<description><![CDATA[<p>A educação é fundamental no crescimento das pessoas e do próprio país onde vivem. Isso é o que todos dizem, indo de quem aspira melhorar de vida aos mais altos dirigentes dos países e das empresas. Todos sabemos que uma boa educação faz a diferença, mudando as vidas das pessoas. A questão, aqui e no [&#8230;]</p>
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				<content:encoded><![CDATA[<p>A <a href="http://www.linoresende.jor.br/category/educacao/">educação</a> é fundamental no crescimento das pessoas e do próprio país onde vivem. Isso é o que todos dizem, indo de quem aspira melhorar de vida aos mais altos dirigentes dos países e das empresas. Todos sabemos que uma boa educação faz a diferença, mudando as vidas das pessoas. A questão, aqui e no entanto, não é apenas a educação, mas a sua excelência, o cuidado com a formação, o incentivo ao conhecimento e, sobretudo, à inovação, preparando o estudante para enfrentar os desafios do atual momento em que vivemos. Este, infelizmente, não é o caminho que o Brasil está percorrendo.</p>
<p>Não sou especialista em educação, mas se cheguei onde hoje estou devo às várias e várias horas que passei &#8211; e ainda passo &#8211; estudando, agora não em uma escola formal, mas com o espírito de aprender sempre. Orgulho-me de dizer que, do lado formal, cursei três faculdades, fiz especialização e mestrado. E fiz tudo isso trabalhando, já que minha família nunca teve recursos que me permitissem somente estudar. Talvez eu não sirva de exemplo, mas defendo que todos se esforcem ao máximo &#8211; a tal da meritocracia &#8211; para atingir seus objetivos. Se consegui, imagino que todos possam.</p>
<p>Mas não sou o foco deste texto e ele nasce da leitura, ainda incompleta, de <a href="http://www1.folha.uol.com.br/livrariadafolha/970545-latinos-tem-que-deixar-obsessao-pela-historia-e-viver-futuro-diz-autor.shtml">Basta de Histórias</a>, de Andrés Oppenheimer. O que o livro nos traz são exemplos de países que foram bem sucedidos investindo forte na educação e adotando a meritocracia para ela. É impressionante o que fazem Cingapura, Coréia do Sul, Finlândia e China, por exemplo. A ideia, que o livro nos &#8220;vende&#8221; a partir das constatações que se autor fez, é que precisamos parar de olhar para o passado &#8211; a história e quem a fez &#8211; e olhar adiante, para o futuro, preparando a juventude para o futuro, para um ambiente em que os desafios são muito maiores e em que a experiência passada não serve de referência.</p>
<p>Mas isso funciona? Veja-se o exemplo de Cingapura, uma pequena ilha que importa até água. Em 40 anos, com o foco na educação e na preparação para o futuro, ela saiu de uma das mais pobres nações do mundo para figurar entre as mais ricas, com renda per capita anual de mais de 52 mil dólares. E o país tem apenas 5 milhões de habitantes. Maior e com mais habitantes, a Coréia do Sul fez o mesmo percurso e hoje é uma das líderes mundiais em tecnologia. A China segue o mesmo caminho, assim como a Finlândia. O que todos tem em comum é a preocupação com a educação, sobretudo a que olha à frente, a inovação e a inserção do que hoje se costuma chamar de &#8220;sociedade do conhecimento&#8221;.</p>
<p>O que <a href="http://en.wikipedia.org/wiki/Andr%C3%A9s_Oppenheimer">Oppenheimer</a> nos mostra é que, não só no caso do Brasil, mas da própria América Latina, temos de deixar de lado a obsessão pelo passado, investindo no futuro. Nossos heróis viveram em outra época, em outro mundo e não são modelos para o que se tem de fazer hoje. Enfrentamos mudanças rápidas e é preciso que o sistema educacional leve isso em conta, formando pessoas que vão nos ajudar a construir o futuro, não estudar o passado, que ainda fica como referencial do que já foi feito, mas não serve de base para o que se deve fazer. O livro é um choque, mostrando uma realidade que nos deixa ainda mais distantes desta &#8220;sociedade do conhecimento&#8221;.</p>
<p>Vou voltar ao assunto assim que terminar a leitura. Mas do que já li, fica a sensação de que estamos fazendo tudo errado, privilegiando a formação em humanidades e esquecendo a técnica, a ciência, que é de onde vem as inovações. O que Oppenheimer mostra claramente é que só vamos chegar lá se mudarmos o sistema educacional, privilegiando-o, tendo ótimos mestres, pagando bem e, sobretudo, avaliando alunos e professores a todos momento. Excelência é prática e ela, como disse Aristóteles há muito tempo, ela tem de ser exercida e praticada todos os dias.</p>
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		<title>FAMÍLIA, TUDO JUNTO E MUITO MISTURADO</title>
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		<pubDate>Thu, 16 Oct 2014 15:00:33 +0000</pubDate>
		<dc:creator><![CDATA[Lino Resende]]></dc:creator>
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				<content:encoded><![CDATA[<p>Família, no meu meio, é coisa bastante séria e <a href="http://linoresende.jor.br/rezsendes/">quando se trata dos Reszendes</a>, então, nem se fala. Isso fica evidente pela pequena história desta família que o blog traz há algum tempo e que, de longe, é um dos assuntos mais comentados nele. No meu caso, especificamente, os ramos familiares não se limitam aos Reszendes, mas envolvem também os Barbosas e os Bolsois. Tudo junto e misturado, resulta que no meu ramos familiar há sangue português, judeu e francês e isso pode ser constatado traçando-se a ancestralidade das três famílias que, por algum propósito, vieram morar próximas e acabaram se unindo através de casamentos.</p>
<p>Se tenho pendor para falar nestes assuntos, muito mais do lado Reszende, que é o mais visível da minha família, muito do que hoje sei devo a um tio que, sem um propósito definido, acabou coletando dados que permitem chegar à afirmação do título. Tio Raphael &#8211; assim mesmo, com PH e Rezende com Z &#8211; conseguiu confirmar, de forma documental, a partir de levantamento de terceiros, a descendência francesa, como se pode ver no texto <a href="http://www.linoresende.jor.br/o-meu-lado-frances/">O meu lado francês</a>. E as informações me chegaram a partir de uma conversa, quando me disse que possuía papéis que confirmavam a união dos Bossois com os Reszendes.</p>
<p>Confirmados dois ramos, faltava o terceiro, como informa <a href="http://www.linoresende.jor.br/os-barbosas-e-o-meu-lado-judeu/">O meu lado judeu</a>. No caso de fazer o percurso contrário para descobrir as origens da família não avancei quase nada, mas, mais uma vez, meu tio veio com novidades, novamente de algo que havia descoberto e que tinha guardado. Os dados foram levantados pela professora Cheynne Figueiredo Cota, do  Aristeu Aguiar, no Alegre da minha infância, e fazem parte do recorte de  um antigo jornal. O que lá está mostrado de forma clara é que os Barbosas, Bossois e Reszendes, no caso da minha família, estão entrelaçados por casamentos entre eles, ligando meus bisavôs e, antes deles, seus pais e avôs.</p>
<p>A história levantada pela professora Cheynne mostra que os Bossois se ligaram tanto aos Reszendes quanto aos Barbosa, já que todos moravam em áreas próximas, e que dessas uniões acabaram vindo meus avôs dos lados maternos &#8211; Barbosa &#8211; e do lado paterno &#8211; Reszende. Afunilando a questão, tudo acabou desaguando na união mistura que nossa família se tornou. Sou assim Reszende, Barbosa e Bossois, talvez com um pouco mais ou um pouco menos de uma ou de outra família.</p>
<p>A verdade, no entanto, é que esta mistura acaba me tornando um verdadeiro brasileiro. Afinal, se existe alguém que seja misturado somos nós.</p>
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		<title>JORNAIS, CRÔNICA DE UMA MORTE ANUNCIADA</title>
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		<pubDate>Fri, 22 Aug 2014 23:00:07 +0000</pubDate>
		<dc:creator><![CDATA[Lino Resende]]></dc:creator>
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		<description><![CDATA[<p>Os jornais impressos, no Brasil e no mundo, passam por um momento singular, procurando descobrir um meio que garanta sua sobrevivência devido à expansão da mídia digital. Os jornais, aliás, tem sido assunto neste blog e a razão é que venho do meio impresso, vivi nele muitos anos, ajudei na expansão deste meio no Espírito [&#8230;]</p>
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				<content:encoded><![CDATA[<p><a href="http://www.linoresende.jor.br/?s=jornais">Os jornais impressos</a>, no Brasil e no mundo, passam por um momento singular, procurando descobrir um meio que garanta sua sobrevivência devido à expansão da mídia digital. Os jornais, aliás, tem sido assunto neste blog e a razão é que venho do meio impresso, vivi nele muitos anos, ajudei na expansão deste meio no Espírito Santo e, hoje, o vejo decaindo, perdendo circulação, influência e com o olhar de quem está do lado de fora, constatando o que todos os especialistas dizem: os jornais impressos estão perdendo publicidade, essencial para a sobrevivência deles. No Brasil, este cenário ainda é um pouco atenuado, mas lá fora, as coisas estão muito piores.</p>
<p>Mas por que estou voltando ao assunto? Nesta semana li um artigo publicado por <a href="https://medium.com/@cshirky/last-call-c682f6471c70">Clay Shirky</a>, um estudioso dos Estados Unidos, que tem se debruçado sobre o futuro dos jornais impressos. O que ele diz é de uma crueza rude. O resumo: os jornais impressos não tem futuro. Como mudar isso? Talvez, afirma, os jovens de 25 anos comecem a pedir as notícias de ontem, uma vez por dia, sem nenhuma possibilidade de interação ou compartilhamento. Os jornais impressos, hoje, são assim. E sempre foram. Durante muito tempo, faziam sentido. Hoje, com a mídia e os meios de comunicação on line, não mais. Tudo &#8211; ou quase tudo &#8211; que os jornais publicam já foi divulgado, comentado, discutido e debatido. Então, pra que o jornal do dia seguinte que traz as notícias de ontem.</p>
<p><a href="http://www.linoresende.jor.br/wp-content/uploads/2014/04/Jornais.pdf">Em um antigo artigo</a>, Shirky chega a defender que, como no caso do livro impresso, os jornais como os conhecemos hoje virarão um produto de nicho. Agora, o que observa é que o maior problema dos jornais impressos não está nos leitores &#8211; que estão em queda, é verdade &#8211; mas na receita publicitária. Tomando-se como base os Estados Unidos, que sempre foi modelo para a indústria de jornais, a receita publicitária do segmento voltou à base dos anos 20 do século passado, mesmo com o acréscimo da publicidade on line. Com a receita encolhendo, é preciso cortar custos, o que significa demissão de pessoas, principalmente jornalistas, empobrecendo o produto oferecido ao leitor.</p>
<p>Shirky considera inevitável a migração dos anunciantes e explica que, em todos os negócios, o que se busca ao anunciar é público e com a prevalência da mídia digital, a maior parte do público está nela, principalmente os mais jovens. Aqui no Brasil, agora mesmo, a Associação Nacional de Jornais acabou de realizar um congresso e, pelo que li, a maior preocupação das empresas é criar plataformas que permitam o aumento do faturamento publicitário. E é isso, argumenta Clay Shirky, que não irá acontecer. Afinal, os leitores estão diminuindo e, com eles, o atrativo que os jornais oferecem para os grandes anunciantes.</p>
<p>Se de um lado o meio enfrenta enormes desafios para permanecer, do lado dos jornalistas também eles estão presentes. Primeiro, é preciso olhar à frente e ver a possibilidade de desemprego, devido à diminuição das redações, um fenômeno que há muito chegou ao Brasil. E nesta perspectiva, é preciso se preparar para atuar em outros meios, buscando alternativas de formação e de aquisição de habilidades que serão úteis aos profissionais em outros campos. Uma coisa é certa, o mercado vai diminuir &#8211; pelo menos em um primeiro momento &#8211; já que as demandas criadas no meio on line são muito menores que no lado da informação impressa. E, neste caso, muito da informação divulgada é produzida por não especialistas.</p>
<p>Enfim, parodiando Gabriel Garcia Marques, o futuro dos jornais impressos é uma crônica de uma morte anunciada.</p>
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		<title>POLÍTICA, POSIÇÕES E A SUA NECESSIDADE</title>
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		<pubDate>Fri, 15 Aug 2014 23:00:11 +0000</pubDate>
		<dc:creator><![CDATA[Lino Resende]]></dc:creator>
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		<description><![CDATA[<p>Entre uma boa parcela de brasileiros a política é vista como algo desnecessário e de que devemos ficar distantes. Esta ideia parte de uma falsa premissa que confunde políticos com a política, o que não é verdadeiro. Os políticos são, na verdade, uma pequena parte da política, que é muito maior, muito mais abrangente e [&#8230;]</p>
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				<content:encoded><![CDATA[<p>Entre uma boa parcela de brasileiros a política é vista como algo desnecessário e de que devemos ficar distantes. Esta ideia parte de uma falsa premissa que confunde políticos com a política, o que não é verdadeiro. Os políticos são, na verdade, uma pequena parte da política, que é muito maior, muito mais abrangente e está inserida no dia a dia de todo mundo. Aos que me dizem que não são políticos, costumo mostrar que o simples fato de assim se posicionar é uma atitude política. Participar ou não, é decisão de cada um, mas revela, sim, a sua postura política.</p>
<p>Se a política é o centro deste texto, não é nela, em si, que quero focar. Estamos em um período eleitoral e nele, normalmente, vemos surgir posições extremadas ao centro, à esquerda e à direita – classificações  que, hoje, na verdade, não tem muito significado. Na disputa, o mundo torna-se dual, com alguns sendo contra e outros a favor. Tudo vira branco ou preto. Chegamos ao texto de “se não sou a favor, sou contra”, referindo-se sempre a uma posição política ou partidária ou a uma atitude em relação a um ou mais candidatos.</p>
<p>O mundo e as coisas não são assim. Há, em todos os campos, uma multiplicidade e, nela, convivem as mais variadas tendências, opções, opiniões, posições. Às vezes, algumas se chocam. Em outras, são complementares. Em uma terceira, podem se afastarem ou se aproximarem, dependendo da situação. Colocar tudo como se fosse uma ou outra coisa, restringe as opções e dirige o olhar, fazendo com que deixemos de ver coisas que são importantes. O que deve determinar uma postura é o momento e a análise do que ele nos trás, olhando todo o contexto, não apenas o que estamos vendo.</p>
<p>Nunca me furtei de tomar posições e as tomo, sempre, às claras e, nesta eleição, não é diferente. Todos nós temos o direito – e acho que até o dever – de nos posicionar e fazê-lo com a mais ampla liberdade. E o fato de não nos alinharmos com um amigo, com suas posições, não significa que estejamos contra ele. As amizades, no meu entender, estão acima das posições políticas e estas prevalecem, mesmo na discordância.</p>
<p>Cheguemos, após tudo isso, a um novo ponto: a escolha de um candidato. Como é que o fazemos? Não posso falar pelos outros, mas sempre tenho alguns parâmetros e um dos que mais me influenciam é a biografia do candidato, o que ele fez, que posições tomou, como se porta na vida pública e na vida privada, quais são suas crenças, como encara um mandato e como pretende exercê-lo. Dentre todas as coisas, o mais essencial é que tenha uma vida limpa.</p>
<p>Tudo isso vem a propósito de uma posição que reconhece a vida como múltipla, não como dual. E que a vê inserida no mundo, inclusive da política, no qual defendo a participação. Afinal, se não participarmos construindo o que queremos, deixamos o futuro nas mãos dos outros. Sou dos que acham que temos de posicionar e ao adotar uma posição – ignorando as classificações que nos irão dar – pensemos não em nós mesmos, mas em benefício da maioria. Afinal, se ela for beneficiada, nós também seremos.</p>
<p>E quando se trata de política, como já muito bem observou Maquiavel, o bem maior se sobrepõe ao menor – o coletivo tem precedência sobre o individual.</p>
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		<title>ISRAEL, DIREITO DE DEFESA E PALESTINOS</title>
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		<pubDate>Fri, 25 Jul 2014 21:00:02 +0000</pubDate>
		<dc:creator><![CDATA[Lino Resende]]></dc:creator>
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				<content:encoded><![CDATA[<p>Uma das coisas discutidas pela ciência são os instintos humanos, principalmente o de defesa, quando o corpo entra no automático e evita que sejamos prejudicados. A legislação internacional e a nacional, na maioria dos países, reconhece a existência desse direito, significando que alguém pode &#8211; e deve &#8211; se defender quando atacado. É o sentido de preservação. de proteção. E esta ação é também estendida aos Estados, considerados soberanos e, por isso, capazes de se defenderem contra agressões de outros Estados ou como é muito comum nos dias de hoje, dos chamados &#8220;grupos terroristas&#8221;, ideologicamente movidos que tentam atingir outro grupo &#8211; frequente em alguns países da África e Oriente Médio &#8211; ou países.</p>
<p>A propósito de que vem esta introdução, deve estar se perguntando se chegou até aqui? O título é uma indicação. Temos visto, nos últimos dias, o noticiário recheado com informações sobre a campanha de Israel contra os palestinos na Faixa de Gaza. A violência da ação já deixou centenas de mortos, crianças e adultos. As primeiras, na certa, nada tinham com o conflito e, no caso dos segundos, acredito que a grande maioria. Sou daqueles que penso que Israel tem todo o direito de existir, mas isto não exclui o direito dos palestinos. Acho, também, que Israel tem o direito de se defender, mas a reação que tomou, sob qualquer ângulo que seja analisada, é desproporcional e, por isso mesmo, não justificável, principalmente por atingir civis.</p>
<p>A desproporcionalidade se dá não apenas pelo volume do ataque, mas também pela relação de força, uso da tecnologia e recursos armados que combinam forças do Exército, Marinha e Aeronáutica. Para usar uma figura de linguagem é como se alguém usasse um canhão para matar um mosquito. A justificativa de prevenção do terrorismo e de ataques contra Israel pode servir para aplacar as dúvidas éticas dos apoiadores incondicionais do país e de suas ações, mas estão longe de se sustentarem. Nada pode justificar a matança, a irracionalidade de uma guerra que, no final, não terá ganhadores, mas apenas perdedores. Perdem os palestinos, que irão continuar ilhados, isolados e submetidos a uma extrema pobreza.</p>
<p>E perde os judeus e Israel. Os primeiros, por se tornarem objeto &#8211; mais uma vez &#8211; da antipatia e, em alguns casos, do ódio de outros povos, principalmente os que professam o islamismo como religião. E o país, em si, por se ver como pária da comunidade internacional, adotando ações que são condenáveis, tanto pela opinião pública, quanto pelos próprios Governos, que se mobilizam para parar a ação e estabelecer tréguas ou negociações. Racionalmente, é preciso parar uma briga sem fim, reconhecendo que palestinos e judeus tem, sim, direito ao seu próprio Estado, como já reconhecido há muitos anos pela Organização da Nações Unidas, e que apesar das diferenças podem, sim, viver em paz.</p>
<p>Sem um claro caminho para a paz, pode vir uma escalada do conflito e é o que ninguém deseja ver. O fato &#8211; além da deselegância da diplomacia de Israel de chamar o Brasil de &#8220;anão diplomático, por não apoiar a ação do país &#8211; é que a ação do Estado Judeu &#8211; e não se refere, aqui, à confissão dos cidadãos israelenses ou de sua origem étnica &#8211; não é justificável, como já afirmei. E um dos pontos é exatamente que não se trata de uma defesa e está longe de ser, como gostam os militares de dizer, de um ataque cirúrgico. Não é isso. O que vem acontecendo está sendo chamado de massacre e as imagens mostradas falam mais do que tudo.</p>
<p>Em nome até da racionalidade, é preciso parar com este tipo de matança. E isso, é claro, não se aplica só a Israel, mas a qualquer país que tome iniciativas idênticas. A guerra é, sob todos os aspectos, irracional. E nela, como se tem provado ao longo da história, todos perdem.</p>
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