<?xml version="1.0" encoding="ISO-8859-1"?>
<?xml-stylesheet type="text/xsl" media="screen" href="/~d/styles/rss2spanishfull.xsl"?><?xml-stylesheet type="text/css" media="screen" href="http://feeds.feedburner.com/~d/styles/itemcontent.css"?><rss version="2.0">
   <channel>
      <title>O Biscoito Fino e a Massa</title>
      <link>http://www.idelberavelar.com/</link>
      <description>Um blog de esquerda sobre política, literatura, música e cultura em geral, com algum arquivo sobre futebol. Estamos na rede desde 28/10/2004.</description>
      <language>pt</language>
      <lastBuildDate>Tue, 10 May 2011 15:23:56 -0200</lastBuildDate>
      <copyright>Idelber Avelar 2004-2006</copyright>
      <managingEditor>idelberavelar@gmail.com</managingEditor>
      <ttl>360</ttl>
      <image>
      <link>http://feeds.feedburner.com/idelber</link>
      <url>http://feeds.feedburner.com/~fc/idelber?bg=FF9900&amp;fg=000000</url>
      <title>O Biscoito Fino e a Massa</title>
      </image>
            <atom10:link xmlns:atom10="http://www.w3.org/2005/Atom" rel="self" type="application/rss+xml" href="http://feeds.feedburner.com/idelber" /><feedburner:info xmlns:feedburner="http://rssnamespace.org/feedburner/ext/1.0" uri="idelber" /><atom10:link xmlns:atom10="http://www.w3.org/2005/Atom" rel="hub" href="http://pubsubhubbub.appspot.com/" /><item>
         <title>Novo endereço</title>
<CommentCount>0</CommentCount> 
        <description>
        <![CDATA[<p>Aviso: o Biscoito fechou as portas, mas eu continuo em atividade, agora mais intensa e frequente, na <a href="http://www.revistaforum.com.br/">Revista Fórum</a>, tanto <a href="http://revistaforum.com.br/idelberavelar/">no meu blog pessoal</a> aberto no site da Revista, como nas <a href="http://www.revistaforum.com.br/">matérias de capa</a>, às quais passo a contribuir com textos, entrevistas e traduções. Apareçam <a href="http://www.revistaforum.com.br/">por lá</a>.  </p>]]>
        
        </description>
         <link>http://www.idelberavelar.com/archives/2011/05/novo_endereco.php</link>
         <guid isPermaLink="true">http://www.idelberavelar.com/archives/2011/05/novo_endereco.php</guid>
         <category>Metablogagem</category>
         <pubDate>Tue, 10 May 2011 15:23:56 -0200</pubDate>
         <comments>http://www.idelberavelar.com/mt336/xyz457.cgi?entry_id=1438</comments>
      </item>
            <item>
         <title>Este blog encerrou suas atividades</title>
<CommentCount>176</CommentCount> 
        <description>
        <![CDATA[<p>Seis anos depois de publicar o<a href="http://idelberavelar.com/archives/2005/03/decalogo_dos_di.php"> Decálogo dos Direitos do Blogueiro</a>, que marca a inauguração desta URL, e seis anos e meio após sua primeira postagem no UOL, O Biscoito Fino e a Massa encerra suas atividades, agora em definitivo. Os arquivos continuarão aqui. Da mesma forma como, na hibernação de 2009-10, eu já imaginava que o blog voltaria durante as eleições, agora tenho a convicção de que é a hora de fechar a bodega e voltar para o trabalho de pesquisa. Desse front, a quem interessar possa, aí vão as notícias: o <a href="http://www.dukeupress.edu/Catalog/ViewProduct.php?productid=18706&viewby=subject&categoryid=128&sort=newest">Brazilian Popular Music and Citizenship</a> sai nas próximas duas semanas, a minha tradução de Tununa Mercado<a href="http://www.livrariacultura.com.br/scripts/cultura/resenha/resenha.asp?sid=624971250132378436400611&nitem=25000488"> já saiu</a> e o <em>Figuras da violência</em> será lançado pela Editora UFMG no segundo semestre deste ano. Mas produzir outro livro vai mesmo exigir dedicação em tempo integral. Meus Twitter, FormSpring e Google Buzz também serão fechados hoje. </p>

<p>Despeço-me mencionando e linkando alguns dos blogueiros que me brindaram com sua amizade e interlocução nestes quase sete anos. Incentivo os leitores a que sigam os links. </p>

<p>Agradeço a Fábio Sampaio, que cuidou da nossa retaguarda e hospedagem. <a href="http://www.nemonox.com/ppp/">Nemo Nox</a> desenhou o layout do blog. <a href="http://www.culturaebarbarie.org/blog/">Alexandre Nodari</a>, <a href="http://www.culturaebarbarie.org/mundoabrigo/">Flávia Cera</a>, <a href="http://descurvo.blogspot.com/">Hugo Albuquerque</a> e <a href="http://www.urbanamente.net/blog/">Ana Paula Medeiros</a>, entre outros, já testemunharam que sua participação aqui deu algum impulso para que eles abrissem seus próprios blogs. Isso me orgulha muito, porque os considero quatro dos melhores blogueiros do Brasil. O próprio Alexandre, a <a href="http://cynthiasemiramis.org/">Cynthia Semíramis</a>, a <a href="http://marjorierodrigues.com/">Marjorie Rodrigues</a> e o Paulo Candido abrilhantaram o blog como colunistas convidados, e a eles vai um agradecimento especial. </p>

<p>Com muita gente que conheci em blogolândia ao longo destes anos, os laços de amizade passaram também a incluir o mundo chamado real. </p>

<p><a href="http://www.rafael.galvao.org/">Rafael Galvão</a> e Mônica me proporcionaram uma estadia inesquecível em Sergipe. </p>

<p>Na megalópole maior, há uma lista enorme de agradecimentos pela hospitalidade e/ou interlocução, em casas, restaurantes e bares: a Lauro Mesquita, Tiago Mesquita e Joaquim Toledo, do blog <a href="http://guaciara.wordpress.com/">Guaciara</a>, a <a href="http://www.interney.net/blogs/malla/">Lucia Malla</a> que, viajante contumaz, anda agora pelo Havaí, mas a quem conheci em São Paulo;<a href="http://biajoni.opsblog.org/"> Luiz Biajoni</a>, <a href="http://www.revistaforum.com.br/sitefinal/blog/">Renato Rovai</a>, Glauco Faria e Frédi do <a href="http://www.futepoca.com.br/">Futepoca</a>, <a href="http://dropsdafal.blogbrasil.com/">Fal Azevedo</a>, <a href="http://www.alessandraalves.blogspot.com/">Alessandra Alves</a>, <a href="http://pandinigp.blogspot.com/">Pandini</a>, <a href="http://rre.opsblog.org/">Camila Pavanelli</a>, <a href="http://www.interney.net/blogs/inagaki">Alexandre Inagaki</a>, <a href="http://maryw.posterous.com/">Mary W</a>, <a href="http://qquechose.blogspot.com/">Kellen Guiterres</a>, <a href="http://bibi.org/">Bibi</a>, <a href="http://www.frankamente.blogspot.com/">Franka</a>, <a href="http://lixomania.wordpress.com/">Klein</a>, <a href="http://doidivana.wordpress.com/">Ivana Arruda Leite</a>, <a href="http://www.atorredemarfim.apostos.com/">Marcos Matamoros</a>, <a href="http://andreadelfuego.wordpress.com/">Andrea del Fuego</a>, <a href="http://hedonismos.posterous.com/">Marcos Donizetti</a>, <a href="http://www.interney.net/blogs/fiapodejaca/">Tuca Hernandes</a>, <a href="http://marconileal.opsblog.org/">Marconi Leal</a>, <a href="http://www.oprazerdotexto.blogspot.com/">Fabiana Motroni</a>,<a href="http://brancoleone.wordpress.com/"> Branco Leone</a>, <a href="http://blogs.estadao.com.br/pedro-doria/">Pedro Dória</a>, o <a href="http://politicaetica.com/">Pax</a>, <a href="http://www.marciabechara.blogspot.com/">Márcia Bechara</a>,<a href="http://www.alefelix.com.br/"> Alê Félix</a>, <a href="http://escrupulosprecarios.blogspot.com/">Iraldo</a>, <a href="http://dialetica.org/marmota/">André Marmota</a>, <a href="http://www.andrekenji.com.br/weblog/">André Kenji</a> e <a href="http://namarianews.blogspot.com/">NaMaria</a>, além do Hugo e da Marjorie, citados acima. Com todos eles passei momentos memoráveis. </p>

<p>No Rio de Janeiro, contei com a hospitalidade e/ou interlocução de <a href="http://agora.opsblog.org/">Ricardo Cabral</a>, Monix e Helê do <a href="http://duasfridas.wordpress.com/">Duas Fridas</a>,<a href="http://www.interney.net/blogs/lll/"> Alex Castro</a>, <a href="http://www.marinaw.com.br/">Marina W</a>, <a href="http://pirao.wordpress.com/">Marcos Vasconcelos</a>, <a href="http://www.novoaemfolha.com/">Christiana Nóvoa</a>, <a href="http://eugeniainthemeadow.blogspot.com/">Silvia Chueiri</a>, <a href="http://www.kitbasico.blogger.com.br/">Renata Maneschy</a>, Viva e Yvonne do já extinto “Nós por Nós”, <a href="http://lembrancaeterna.wordpress.com/">Bruno Freitas</a>, <a href="http://todososfogos.blogspot.com/">Maurício Santoro</a>, <a href="http://oluquetucho.wordpress.com/">Lucas Abreu</a>, <a href="http://www.gonzum.com/">Miguel do Rosário</a>, <a href="http://cesarkiraly.opsblog.org/">César Kiraly</a>, <a href="http://hisbrasileiras.blogspot.com//">Luiz Antonio Simas</a>, <a href="http://www.butecodoedu.blogspot.com/">Eduardo Goldenberg</a>, o <a href="http://geografiassuburbanas.blogspot.com/">Marechal</a>, o <a href="http://www.nababu.org/">Nababu </a>e o tuiteiro e amigo militante <a href="http://twitter.com/bernardocotrim">Bernardo Cotrim</a>. </p>

<p>As visitas à minha cidade, Belo Horizonte, têm sido ocasiões para reuniões blogueiras com muita gente especial: além da Cynthia, já citada, <a href="http://tuliovianna.wordpress.com/">Túlio Vianna</a>, as pioneiras <a href="http://mothern.blogspot.com/">Laura Guimarães e Juliana Sampaio</a>, <a href="http://prascabecas.blogspot.com/">Cláudio Costa</a>, <a href="http://www.mineirasuai.blogspot.com/">Ana Letícia</a>, <a href="http://www.carlosmagalhaes.com.br/">Carlos Magalhães</a> (o Guto), a Mônica, do extinto Monicômio, <a href="http://ojornalismorreu.posterous.com/">Jorge Rocha</a>, <a href="http://gscotti.blogspot.com/">Guilherme Scotti</a>, <a href="http://www.cria-minha.blogger.com.br/">Fernanda Castro</a>, <a href="http://parededemeia.blogspot.com/">Fernando Lara</a>, <a href="http://twitter.com/daftm1">Daniel Fernandes</a>, <a href="http://leticianaweb.blogspot.com/">Letícia Marteleto</a>, <a href="http://favoritos.wordpress.com/">Luiza Voll</a>, <a href="http://nalu.in/">Nalu</a>, <a href="http://quintarola.blogspot.com/">Cibbele Carvalho</a>, <a href="http://inquietudine.wordpress.com/">Érika Pretes</a>, <a href="http://twitter.com/odisseia">Leandro Oliveira</a> e <a href="http://www.blogdadeborahrajao.blogspot.com/">Déborah Rajão</a> já são amigos de vida real, junto com a carioca <a href="http://carlarodrigues.uol.com.br">Carla Rodrigues</a>, os gaúchos <a href="http://alexprimo.com/">Alex Primo</a> e <a href="http://www.verbeat.org/blogs/gabrielazago/">Gabriela Zago</a>, e o paulista <a href="http://www.trezentos.blog.br/">Sérgio Amadeu,</a> todos eles conhecidos em BH. Também em BH, <a href="http://fserb.posterous.com/">Fernando Serboncini</a> me proporcionou uma tarde muito especial no Google.</p>

<p>Em Porto Alegre, sou muito grato especialmente ao <a href="http://rsurgente.opsblog.org/">Marco Aurélio Weissheimer</a> e à <a href="http://palestinadoespetaculo.zip.net/">Katarina Peixoto</a>, que me hospedaram em sua casa, e ao <a href="http://miltonribeiro.opsblog.org/">Milton Ribeiro</a> e à Claudia Antonini, que me receberam na sua. Tive também o prazer de conhecer o Tiagón, do extinto e saudoso Bereteando, o Daniel Cassol e Douglas Ceconello, do <a href="http://www.insanus.org/impedimento/?cat=1">Impedimento</a>, o <a href="http://cloacanews.blogspot.com/">Senhor Cloaca</a>, Cláudia Cardoso e Eugênio Neves, do <a href="http://dialogico.blogspot.com/">Dialógico</a>, <a href="http://animot.blogspot.com/">César Schirmer</a>, <a href="http://sul21.com.br/">Rachel Duarte</a> e a Elenara Lelex, além da tuiteira <a href="http://twitter.com/clapont">Clarissa Pont</a>, que outro dia me transportou no túnel do tempo, me lembrando da época em que eu militava com o seu pai, o Deputado Raul Pont (PT-RS). Ainda não conheci pessoalmente o <a href="http://www.diariogauche.blogspot.com/">Cristóvão Feil</a>, mas não faltará oportunidade. O Diário Gauche tem sido leitura diária minha há anos. </p>

<p>Em Brasília, o <a href="http://sergioleo.opsblog.org/">Sérgio Leo</a> me recebeu com mais carinho e generosidade do que eu mereceria, dadas as minhas invectivas raivosas contra o jornalismo. É uma amizade que ficará para sempre, tenho certeza. Na Coreia do Sul, contei com as dicas e a hospitalidade da<a href="http://www.sindromedeestocolmo.com/"> Denise Arcoverde</a>. Na Califórnia, usufruí da hospitalidade da Leila Couceiro, do extinto "Stuck in Sac". </p>

<p>Com certeza deixei de mencionar muita gente, por esquecimento ou porque os links já não estão na rede. Agora vocês imaginem: eu conheci todas essas pessoas por causa deste blog. De todas elas eu guardo pelo menos uma memória especial. </p>

<p>Além daqueles a quem conheci pessoalmente, quero mencionar alguns dos colegas com quem ainda não cruzei no mundo chamado real. <a href="http://index.opsblog.org/">Daniel Lopes</a> montou o fantástico <a href="http://www.amalgama.blog.br/">Amálgama</a>, que é nosso interlocutor há tempos. De <a href="http://www.aomirante.net/">Nelson Moraes</a> e <a href="http://cyncity.zip.net/">Cynthia Feitosa</a> me lembrarei sempre. Os blogs de <a href="http://moysespintoneto.wordpress.com/">Moysés Pinto Neto</a> e <a href="http://opalcoeomundo.blogspot.com">Pádua Fernandes</a> continuarão a fazer parte das minhas leituras diárias, com certeza. Praticamente toda a turma congregada no portal OPS tem dialogado com este blog ao longo dos anos, e deixo na despedida, além dos já citados, menção e link a <a href="http://andreegg.opsblog.org/">André Egg</a>, <a href="http://aterceiramargemdosena.opsblog.org/">Lelec</a>, <a href="http://serbon.opsblog.org/">Serbão</a>, <a href="http://diegoviana.opsblog.org/">Diego Viana</a>, <a href="http://incautosdoontem.opsblog.org/">Ulisses Adirt</a>, <a href="http://googala.opsblog.org/">Gugala </a>, <a href="http://felipedeamorim.opsblog.org/">Felipe de Amorim</a>, <a href="http://ddd.opsblog.org/">Fabiano Camilo</a> e <a href="http://vistoseescritos.opsblog.org/">Rodrigo Cássio</a>, este último já um amigo no mundo chamado real. </p>

<p>Seria impossível citar as centenas de blogs com os quais mantivemos diálogo ao longo destes anos, mas deixo um alô de despedida também a <a href="http://www.aleporto.com.br/">Alexandre Porto</a>, <a href="http://joaovillaverde.blogspot.com/">João Villaverde</a>, <a href="http://www.pedroalexandresanches.blogspot.com/">Pedro Alexandre Sanches</a>, <a href="http://napraticaateoriaeoutra.org/">Celso de Barros</a> (já hibernando), <a href="http://pt.globalvoicesonline.org/author/paulagoes/">Paula Góes</a>, <a href="http://www.escrevalolaescreva.blogspot.com/">Lola Aronovich</a>, <a href="http://amanteprofissional.com/blog/">Paula Lee</a>, <a href="http://politikaetc.blogspot.com/">Raphael Neves</a>, <a href="http://gatoprecambriano.wordpress.com/">Gato Precambriano</a>, <a href="http://www.interney.net/blogs/cintaliga/">Menina Eva</a>, <a href="http://cinemaeoutrasartes.blogspot.com/">Mauricio Caleiro</a>, <a href="http://www.victordarosa.blogspot.com/">Victor da Rosa</a>, <a href="http://www.naopostaras.blogspot.com/">João Guilherme</a>, <a href="http://quadradodosloucos.blogspot.com/">Bruno Cava</a>, <a href="http://ladyrasta.com.br/">Lady Rasta</a>, <a href="http://rafaelfortes.wordpress.com/">Rafael Fortes</a>, <a href="http://educarparaomundo.wordpress.com/">Deisy Ventura</a>, <a href="http://catatau.blogsome.com/">Catatau</a>, <a href="http://ericocordeiro.blogspot.com/">Érico Cordeiro</a>, <a href="http://pimentacomlimao.wordpress.com/">Niara de Oliveira</a>, <a href="http://pontoecontraponto.com.br/index.php/">Len</a>, <a href="http://www.gutierrez.pro.br/">Suzana Gutierrez</a>, <a href="http://www.alcinea.com/">Alcinéa Cavalcanti</a>, <a href="http://caderno.allanpatrick.net/">Allan Patrick</a>, <a href="http://flabbergasted2.wordpress.com/">Meg Guimarães</a>, <a href="http://guerrilheirodoentardecer.blogspot.com/">Marcos Doniseti</a>, <a href="http://srtabia.com/">Bianca Cardoso</a>, <a href="http://www.botequimdobruno.blogspot.com/">Bruno Ribeiro</a>, <a href="http://blogdosakamoto.uol.com.br/">Leonardo Sakamoto</a>, <a href="http://palpit.blogspot.com/">Marcelo Manzano</a>, <a href="http://desculpeanossafalha.com.br/">Lino Bocchini</a>, <a href="http://borboletasnosolhos.blogspot.com/">Luciana Nepomuceno</a>, <a href="http://www.brausen.com.br/">Leonardo Bernardes</a>, <a href="http://patriciafornitani.blogspot.com/">Patrícia Fornitani</a>, <a href="http://www.ideiasmutantes.com.br/">Marcelo "Muta" Ramos</a>, <a href="http://objetosimobjetonao.blogspot.com/">Fred Coelho</a>, <a href="http://lampertop.com.br/">Vanessa Lampert</a>, <a href="http://www.cartadaitalia.blogspot.com/">Allan Robert</a>, <a href="http://altino.blogspot.com/">Altino Machado</a>, <a href="http://www.mariafro.com.br/">Maria Frô</a>, <a href="http://tranversaldotempo.blogspot.com/">Gilson Moura Jr.</a>, <a href="http://www.alfarrabio.org/">Paulo Bicarato</a>, <a href="http://ecodigital.blogspot.com/">José Murilo Jr.</a>, o <a href="http://deolhonofato.blogspot.com/">Luiz lá no Ceará</a> e aos importantíssimos projetos <a href="http://machismomata.wordpress.com/">Machismo Mata</a>, <a href="http://blogueirasfeministas.com/">Blogueiras Feministas</a> e <a href="http://www.redebrasilatual.com.br/">Rede Brasil Atual</a>. </p>

<p>Este blog recebeu alguns milhões de visitas e algumas dezenas de milhares de comentários. Que todos os leitores não blogueiros se sintam contemplados no meu agradecimento a Renata Lins, Jair Fonseca e Paulo SPS. Que vocês representem todos os sem-URL. </p>

<p>Além de tudo isso, este blog me permitiu conhecer <a href="http://anamariagoncalves.blogspot.com/">o meu amor</a>, que nunca mais terá que ouvir <em>peraí que estou terminando um post</em>. Valeu a pena ou não valeu? </p>

<p>Ao sambista mais novo, está entregue o bastão. </p>]]>
        
        </description>
         <link>http://www.idelberavelar.com/archives/2011/03/este_blog_encerrou_suas_atividades.php</link>
         <guid isPermaLink="true">http://www.idelberavelar.com/archives/2011/03/este_blog_encerrou_suas_atividades.php</guid>
         <category>Metablogagem</category>
         <pubDate>Mon, 14 Mar 2011 02:56:57 -0200</pubDate>
         <comments>http://www.idelberavelar.com/mt336/xyz457.cgi?entry_id=1437</comments>
      </item>
            <item>
         <title>Começo do governo Dilma, 2ª parte: Guia da Reforma Política</title>
<CommentCount>71</CommentCount> 
        <description>
        <![CDATA[<p>Já é um senso comum anódino dizer que o cidadão deveria fiscalizar seus representantes. Mas no caso da <a href="http://ultimosegundo.ig.com.br/politica/mudanca+no+modelo+de+voto+nao+e+garantia+de+transparencia/n1237993743522.html">reforma política</a>, há que se reiterar o chavão com renovado senso de urgência. Uma rápida observação da história recente da política brasileira e uma visão um pouquinho mais complexa da realidade--que não se limite a acreditar que a corrupção, por exemplo, é algo que trazemos no sangue ou nos genes-- são suficientes para concluir que a reforma é urgente. Basta alguma familiaridade com Brasília para saber que, ou ela se realiza agora, no primeiro ano do mandato dos deputados, ou a próxima chance será em 2015. Se a cidadania fracassar na tarefa de acompanhamento e fiscalização dos parlamentares, não adiantará filiar-se ao “Cansei” e ao “Não reeleja ninguém”, ou bradar aos quatro ventos “contra tudo o que está aí”. Prestam um tremendo desserviço à democracia, portanto, os supostamente radicais que <a href="http://ultimosegundo.ig.com.br/politica/chico+de+oliveira+reforma+politica+e+perfumaria/n1237994025119.html">afirmam </a>que reforma política é “perfumaria” de “quem não tem o que fazer”. O espírito deste post é o oposto: <strong>informe-se sobre o processo e fiscalize o seu parlamentar</strong>. A hora é agora. </p>

<p><a href="http://www.cartacapital.com.br/politica/camara-cria-comissao-que-tratara-da-reforma-politica">Estão instaladas</a> as comissões do Senado (15 membros) e da Câmara (40 membros) encarregadas de discutir os vários itens que compõem a reforma. Segundo <a href="http://www.cartacapital.com.br/politica/sistema-majoritario-deve-ser-tema-mais-discutido-na-reforma-politica">matéria da Carta Capital</a>, serão onze os principais temas: sistemas eleitorais; financiamento eleitoral e partidário; suplência de senador; filiação partidária e domicílio eleitoral; coligação na eleição proporcional; voto facultativo; data da posse dos chefes do poder executivo; cláusula de desempenho; fidelidade partidária; reeleição e mandato; candidatura avulsa. </p>

<p>No espírito de contribuir com o debate, aí vão minhas opiniões sobre estes temas, em ordem crescente de complexidade. As observações serão acompanhadas de links a alguns dos melhores materiais que encontrei por aí sobre a reforma. </p>

<p>1.<strong> Data da posse dos chefes do poder executivo</strong>: o Brasil perde prestígio e protagonismo ao empossar seus prefeitos, governadores e presidente no dia 1º de janeiro. Com a exceção dos representantes dos países vizinhos, só pode vir quem se dispõe a passar o réveillon dentro de um avião ou em solo estrangeiro. É uma estultícia. Como a alteração da data não contraria os interesses corporativistas de parlamentar nenhum, não deve ser polêmica a aprovação de uma mudança.</p>

<p>2. <strong>Suplência de Senador</strong>: não creio que nossos ínclitos Senadores tenham condições políticas de manter o sistema atual, por mais que ele favoreça alguns caciques. Para quem não sabe, hoje, no Brasil, no caso de vacância de uma cadeira no Senado, assume um suplente eleito na mesma chapa e invariavelmente desconhecido dos eleitores. Na maioria dos casos, a suplência tem funcionado como o lugar dos financiadores. Você ajuda a bancar uma campanha e recebe, em troca, o lugar de suplente. <s>Washington</s> Wellington Salgado (PMDB-MG, aquele “do cabelo”), Senador suplente empossado no lugar de Hélio Costa, reconheceu isso com a sua tradicional sinceridade. Essa excrescência tem que acabar. </p>

<p>3. <strong>Fidelidade partidária</strong>: este blog defende que o fortalecimento da democracia passa pela construção de partidos mais representativos. Quer trocar de partido? Maravilha. Entregue o mandato e se candidate de novo, na eleição seguinte, pelo seu novo partido. Pela mesma razão, este blog é contra as candidaturas avulsas. </p>

<p>4. <strong>Voto facultativo</strong>: aqui começa a polêmica. Há <a href="http://www.portalfiel.com.br/noticias.php?id=851-eleicoes-2010-cresce-apoio-ao-voto-facultativo-no-pais.html">significativo apoio</a> no eleitorado à proposta de instalação do voto facultativo. Também não há muita dúvida de que, instituída a facultatividade do voto, aconteceria nas <a href="http://www.senado.gov.br/senado/conleg/textos_discussao/NOVOS%20TEXTOS/texto6%20-%20Voto%20Obrigat%F3rio.pdf">camadas mais pobres</a> o afastamento mais acentuado das urnas. Eu, pessoalmente, entendo o voto como um direito-dever. <a href="http://movimentovotolivre.multiply.com/photos/album/27/27">Neste site</a> em defesa do voto facultativo, você encontrará declarações de vários intelectuais brasileiros a favor do voto obrigatório. Eu estou com eles. </p>

<p>5. <strong>Cláusula de desempenho</strong>: É a obrigatoriedade de que um partido atinja uma determinada porcentagem dos votos para que tenha direito a assentos no parlamento, tempo de televisão e dinheiro do fundo partidário. Os seus defensores a apresentam como um antídoto contra os partidos de aluguel. A minha opinião é que há outras formas de desidratar as legendas de aluguel sem criar barreiras para que partidos de verdade, ainda que pequenos (como o PSOL), tenham o direito de participar do jogo. Lembremos que o maior partido brasileiro de hoje, o PT, quase foi vítima da draconiana cláusula de barreira da ditadura militar nas eleições de 1982. <br><br></p>

<p><img alt="paulo-teixeira.jpg" src="http://www.idelberavelar.com/paulo-teixeira.jpg" width="316" height="237" /><br />
<em>Líder do PT na Câmara, Paulo Teixeira (PT-SP)</em><br><br></p>

<p>6. <strong>Reeleição e mandato</strong>: meu problema com a reeleição não era o instituto em si, mas o fato de ele haver sido aprovado mudando as regras com o jogo em andamento, com o claríssimo propósito de favorecer o governante da época. Agora, curiosamente, muitos dos que apoiaram a manobra de então querem manobrar de novo, abolindo a reeleição e instaurando um mandato de cinco anos. Opinião pessoal: o Brasil é um país ainda bastante burocratizado. Boa parte das ações do Executivo passa por um calvário de estágios no Judiciário e no Legislativo. Quatro anos não é tanto tempo assim, e há uma ótima forma de se impedir a reeleição de alguém: que a oposição ganhe na bola, nas urnas. Três mandatos é demais, mas eu defendo a possibilidade de uma reeleição. Sou a favor da manutenção do sistema atual. </p>

<p>7. <strong>Coligações nas eleições proporcionais</strong>: é outra excrescência que tem que acabar. Nas eleições proporcionais brasileiras, combina-se o voto nominal, no candidato (permitindo-se também o voto em legenda), com um quociente eleitoral calculado não pelo partido, mas pela coligação. A porcentagem dos votos recebidos pela coligação determina o número de cadeiras daquela coligação no parlamento. É o pior de todos os mundos possíveis. Um Enéas, por exemplo, com seus milhões de votos, levou ao Congresso Nacional meia dúzia de parlamentares que haviam tido não mais que algumas centenas. Numa coligação como a que ocorreu em Minas Gerais no ano passado, você corre o risco de votar num Patrus Ananias e ajudar a eleger um Washington Salgado (pode-se argumentar que a culpa é do próprio PT, que escolheu coligar-se com o PMDB; é verdade, mas enquanto o sistema funcionar assim, os partidos agirão segundo os seus interesses). Cabe um alerta aos eleitores do PT: existe resolução do partido contra as coligações nas proporcionais. Fiscalize. </p>

<p>8. <strong>Financiamento</strong>: aqui, impõe-se outro alerta aos eleitores do PT: depois de exaustiva discussão, o partido tirou resolução pela defesa do financiamento exclusivamente  público das campanhas eleitorais, com distribuição de recursos proporcional à representatividade nas urnas. É obrigação dos parlamentares do PT sustentar essa posição (sim, cada um é livre para ter sua opinião, mas uma vez que a maioria decidiu qual é a posição do partido, é tarefa de todos os representantes defendê-la; do contrário, que se decrete a abolição dos partidos). O financiamento exclusivamente público das campanhas eleitorais é bandeira difícil de se defender. Com o descrédito da política, ganha terreno o argumento de que “não há que se dar dinheiro público a esses políticos safados”. O que acontece, claro, é que a “safadeza dos políticos” não vem da jabuticaba nem do clima tropical, mas de um sistema que favorece a promiscuidade entre o financiador e o representante popular. Há que se argumentar que, a longo prazo, o financiamento privado custa muito mais caro aos cofres do país, ao estimular a corrupção e o caixa dois (é verdade que o financiamento público não resolve tudo, e crimes eleitorais continuarão acontecendo; mas ele inibe bem a coisa). Tome-se, como exemplo, um único caso: a lista dos parlamentares <a href="http://www.cartacapital.com.br/politica/planos-de-saude-ajudaram-na-campanha-de-75-candidatos-eleitos">financiados por planos de saúde</a>. A quem pertencerá o mandato desses representantes? Qual é a outra forma de coibir, por exemplo, o poder das empreiteiras ante o estado brasileiro? Pra não falar dos bicheiros, traficantes, milicianos e igrejas. </p>

<p><br />
&&&&&&&&&&&&</p>

<p><br />
9. <strong>Sistema eleitoral</strong>. Aqui, sem dúvida, é onde ocorrerá a maior briga de foice. Repasso abaixo algumas das propostas que estão na mesa:</p>

<p><strong>Voto distrital</strong>: transforma a eleição legislativa de proporcional em majoritária. Pressupondo-se que o número de deputados permanecesse o mesmo, o país seria dividido em 513 distritos e em cada um deles seria eleito apenas o mais votado. O sistema é defendido, em geral, com o argumento de que os representantes ficariam mais “próximos” do eleitor. Este blog acredita que o argumento é uma balela.  A “proximidade” do político com o cidadão dependerá da representatividade dos partidos e do funcionamento dos mecanismos próprios à democracia, não da extensão geográfica do universo eleitoral. Partidos como o PSOL ou o PcdoB, que não são majoritários em lugar nenhum, mas existentes em todos e importantes em vários, seriam bastante prejudicados. O voto distrital cria brutais distorções num princípio básico da democracia, que é a <a href="http://jus.uol.com.br/revista/texto/11804/representacao-proporcional-e-sistema-de-partidos">proporcionalidade</a>. No Reino Unido, que utiliza o sistema distrital puro, o Partido Liberal Democrático obteve, em 2010, 23,1% dos votos e conquistou apenas 8,76% das cadeiras. Na eleição de 1974, incrivelmente, os liberais obtiveram 16,3% dos votos, mas só 2,2% das cadeiras. Um dos mecanismos de engessamento da democracia estadunidense num bipartidismo cada vez menos representativo é justamente o voto distrital, que dificulta o surgimento de uma terceira alternativa. Para piorar, o voto distrital favorece a prática conhecida como <em>gerrymandering</em>, o desenho de distritos geograficamente estapafúrdios, feitos para inflar, de forma artificial, a representação de um determinado grupo político. Numa democracia como a brasileira, seria um prato cheio para as oligarquias. <a href="http://www.pt.org.br/portalpt/opinioes/ricardo-berzoini-e-athos-pereira:-o-golpe-do-voto-distrital-43871.html">Neste texto</a> você encontra uma explicação mais detalhada dos problemas do sistema distrital. </p>

<p><strong>Distritão</strong>: É a proposta que está transitando dentro do PMDB. As raposas, evidentemente, <a href="http://www.inesc.org.br/noticias/noticias-do-inesc/2011/fevereiro/lista-fechada-e-voto-distrital-dividem-pt-e-pmdb">não vão se entregar</a> sem luta. O distritão transforma a representação parlamentar em matéria puramente pessoal, individual. Se o estado de Minas Gerais tem direito a 53 cadeiras na Câmara, seriam eleitos os 53 candidatos mais votados, independente do partido. É claro que os partidos mais coesos e programáticos (ou seja, aqueles que são partidos de verdade) ficam prejudicados: seus votos se dividem entre candidatos que defendem o mesmo programa, que fica assim subrrepresentado no parlamento. É o projeto que mais favorece a personalização da política. Faço meus <a href="http://sergyovitro.blogspot.com/2011/02/distritao-uma-ideia-que-piora-os-vicios.html">todos os argumentos de Fernando Abrucio</a>: o distritão piora todos os vícios da política brasileira. </p>

<p><strong>Voto proporcional em lista preordenada</strong>: é a proposta defendida por este blog. Cada partido teria direito a um número de assentos proporcional aos seus votos. No caso de um partido ter direito a 20 cadeiras, seriam eleitos os 20 primeiros de uma lista pré-determinada pelo próprio partido. O eleitor vota numa proposta partidária, num projeto político. Desfulaniza-se a eleição. Lembremos que o voto em lista é a única possibilidade de se estabelecer o financiamento público de campanhas eleitorais, já que não há hipótese de o Estado sair distribuindo dinheiro a indivíduos que se candidatem. Lembremos também que várias pesquisas já demonstraram que, no Brasil, uma parcela enorme do eleitorado não se lembra de qual foi o deputado ou vereador que recebeu o seu voto. O argumento comumente usado contra o voto em lista é de que ele favoreceria os manda-chuva de cada partido, que organizariam a lista a seu bel prazer. O contra-argumento é simples: junto com o voto em lista, pode se aprovar também a obrigatoriedade de prévias para a definição da ordem dos candidatos. Concedo que isso não cancelaria, por si só, o poder das burocracias partidárias (é ingenuidade achar que ele será completamente eliminado, em qualquer sistema), mas o voto em lista é o que mais politiza e estimula a participação na vida interna dos partidos. Usam o sistema de voto em lista Argentina, Espanha, Portugal, Israel, Bélgica, Holanda, Noruega e África do Sul, entre outros. Os países de sistema distrital misto, que combina o voto distrital-majoritário com o proporcional, <a href="http://www.flc.org.br/revista/materias_view.asp?id={50097250-D800-4C6C-AA4D-068E18E4C904}">também usam</a>, para este último, <a href="http://medidasdascoisas.blogspot.com/2009/05/reforma-politica-lista-fechada.html">a lista preordenada</a>. </p>

<p>Este post ficará em destaque durante alguns dias. O blog deixa o convite a que você leia os textos linkados, com calma, e dê o seu pitaco. </p>]]>
        
        </description>
         <link>http://www.idelberavelar.com/archives/2011/03/comeco_do_governo_dilma_2_parte_guia_da_reforma_politica.php</link>
         <guid isPermaLink="true">http://www.idelberavelar.com/archives/2011/03/comeco_do_governo_dilma_2_parte_guia_da_reforma_politica.php</guid>
         <category>Polí­tica</category>
         <pubDate>Thu, 10 Mar 2011 09:33:14 -0200</pubDate>
         <comments>http://www.idelberavelar.com/mt336/xyz457.cgi?entry_id=1436</comments>
      </item>
            <item>
         <title>Links para o 8 de março</title>
<CommentCount>10</CommentCount> 
        <description>
        <![CDATA[<p>Aí vão alguns links recomendados pelo blog para este 8 de março: </p>

<p>Segundo estudo da Fundação Perseu Abramo, uma mulher é vítima de violência no Brasil a cada 24 segundos. Em 80% dos casos, os agressores são maridos e namorados. Inaugurado em janeiro deste ano, o blog <a href="http://machismomata.wordpress.com/">Quem o Machismo Matou Hoje?</a> compila as notícias dos horrores da violência contra as mulheres. Vale a visita, como lembrete reiterado da realidade para a qual o 8 de março deve nos alertar. O blog também tem <a href="http://twitter.com/machismomata">perfil no Twitter</a>. </p>

<p>Agora em domínio próprio, o blog coletivo <a href="http://blogueirasfeministas.com/">Blogueiras Feministas</a> reúne várias das mais destacadas blogueiras do Brasil com postagens diárias. Chamo a atenção especialmente para as <a href="http://blogueirasfeministas.com/?category_name=midia">postagens sobre mídia</a>, que mapeiam a reprodução cotidiana da cultura machista na grande imprensa. </p>

<p>A Universidade Livre Feminista é a responsável pelo belo projeto <a href="http://www.bibliotecafeminista.org.br">Biblioteca Feminista</a>, um centro de documentação e repositório de teses, livros e artigos sobre questões de gênero. A biblioteca está organizada em pastas temáticas e algumas delas, como a de políticas públicas, já têm um acervo considerável. </p>

<p>Dois sites governamentais enfocados em políticas públicas são o <a href="http://www.observatoriodegenero.gov.br">Observatório da Igualdade de Gênero</a> e a página da <a href="http://www.sepm.gov.br/">Secretaria de Políticas para as Mulheres</a>, portais com informações acerca das ações do governo no combate à discriminação, à violência e ao machismo. </p>

<p>Outros dois portais que valem a pena ter entre os favoritos são o da <a href="http://www.agenciapatriciagalvao.org.br">Agência Patrícia Galvão</a> e o da S<a href="http://www.sof.org.br/">empre Viva Organização Feminista</a>, espaços de debates, opinião e notícias. </p>

<p>O blog <a href="http://livrosfeministas.wordpress.com/">Livros Feministas</a> já tem um belo arquivo de obras para baixar. Recomendadíssimos são os dois clássicos <a href="http://livrosfeministas.wordpress.com/2008/01/20/o-segundo-sexo/">O Segundo Sexo</a>, de Simone de Beauvoir e <a href="http://livrosfeministas.wordpress.com/2007/11/18/um-teto-todo-seu/">Um Teto Todo Seu</a>, de Virginia Woolf. </p>

<p>Para quem quiser revisitar a ubíqua presença do machismo nas últimas eleições, os arquivos do blog coletivo <a href="http://sexismonapolitica.wordpress.com/">Sexismo na política</a> são parada obrigatória. </p>

<p><br />
&&&&&&&&&</p>

<p><br />
Textos, alguns deles já clássicos, que este blog recomenda para o dia de hoje: </p>

<p><a href="http://inquietudine.wordpress.com/2011/03/08/dispenso-esta-rosa-marjorie-rodrigues/">Dispenso esta rosa</a>, de <a href="http://marjorierodrigues.com/">Marjorie Rodrigues</a>, uma magnífica explicação do porquê de os parabéns e a rosa não serem exatamente a melhor tradução do espírito do 8 de março. </p>

<p>Na mesma linha, <a href="http://cynthiasemiramis.org/2008/03/07/os-machistas-no-dia-internacional-da-mulher/">Os machistas no dia internacional da mulher</a>, de Cynthia Semíramis, analisa alguns dos clichês aparentemente elogiosos nos quais se diluem as pautas de luta feminista. </p>

<p>Da lavra de Leonardo Sakamoto, <a href="http://blogdosakamoto.uol.com.br/2011/03/07/a-dura-vida-das-jornalistas-brasileiras/">A dura vida das jornalistas brasileiras</a> discute o machismo nas salas de redação. </p>

<p>Também saído do forno, o ótimo texto da Beauvoiriana analisa como o machismo se reproduz também na indústria editorial: <a href="http://opensadorselvagem.org/ciencia-e-humanidades/instantaneos-sociologicos/mulheres-sem-voz">Mulheres sem voz</a>. O perfil dela no Twitter é o <a href="http://twitter.com/literariamente">Literariamente</a>. </p>

<p>Para quem se interessa pela luta pelo direitos reprodutivos das mulheres, há um texto imperdível da Dra. Diana Curado: <a href="http://www.rupturafer.org/index.php?option=com_content&view=article&id=179:portugal-3-anos-de-aborto-legal-seguro-e-gratuito&catid=82:saude&Itemid=534">Três anos de aborto legal, seguro e gratuito em Portugal</a>, que demonstra, entre outras coisas, que a legalização não representou um aumento no número de cirurgias e que neste período não ocorreu uma só morte relacionada a aborto no país. </p>

<p>E para quem ainda não teve a notícia, aí vai: <a href="http://mulheresemmarcha.blogspot.com/2011/03/governo-kassab-despeja-o-cim-maior.html">o governo Kassab acaba de despejar o Centro de Informação da Mulher</a>, o maior acervo sobre a mulher da América Latina. </p>

<p>As postagens d'O Biscoito Fino e a Massa sobre feminismo, homofobia, tratamento da sexualidade na literatura e assuntos correlatos estão agrupadas na tag <a href="http://www.idelberavelar.com/archives/genero/">Gênero</a>. </p>

<p>Recebam todas--e todos--o convite a que compartilhem na caixa de comentários outros links relevantes neste 8 de março. <br />
</p>]]>
        
        </description>
         <link>http://www.idelberavelar.com/archives/2011/03/links_para_o_8_de_marco.php</link>
         <guid isPermaLink="true">http://www.idelberavelar.com/archives/2011/03/links_para_o_8_de_marco.php</guid>
         <category>Gênero</category>
         <pubDate>Tue, 08 Mar 2011 05:46:20 -0200</pubDate>
         <comments>http://www.idelberavelar.com/mt336/xyz457.cgi?entry_id=1435</comments>
      </item>
            <item>
         <title>O acontecimento literário do ano: Lançado o Museu do Romance da Eterna</title>
<CommentCount>43</CommentCount> 
        <description>
        <![CDATA[<p><img alt="macedonio-fernandez.jpg" src="http://www.idelberavelar.com/macedonio-fernandez.jpg" width="200" height="268" align=left vspace=5 hspace=5/>O ano mal começou, mas nenhum acontecimento literário que por ventura tenha lugar nestas plagas poderá se comparar a este. Está disponível em português, com 44 anos de atraso, um dos mais assombrosos livros já escritos. Trata-se do romance mais decisivo e influente de toda a literatura argentina; uma das grandes obras-primas da narrativa do século XX, em qualquer língua; talvez o livro mais anunciado e adiado de todos os tempos; um mito tecido ao longo de meio século de rabiscos esquecidos em quartos de pensão, cafés, bares e bondes. Saiu a tradução do <a href="http://editora.cosacnaify.com.br/ObraApresentacao/10298/Museu-do-Romance-da-Eterna.aspx">Museu do Romance da Eterna</a>, a invenção genial de Macedonio Fernández (1874-1952), aquele que ninguém menos que Jorge Luis Borges chamava de “meu mestre”. </p>

<p>Macedonio se mudava de pensão a pensão com seu violãozinho e uma mala de anotações, às vezes largando para trás montanhas de papéis em que escrevia, sem se preocupar em publicar, o romance no qual purgava o luto pela morte da mulher Elena. Macedonio leva ao limite o gesto da vanguarda, fazendo da espera pelo romance que nunca se publicará a história mesma que se narra. O resultado são cinquenta e tantos prólogos, onde se arma uma poética invencionista, anti-naturalista do romance. Ali ele brinca com a espera, reflete sobre a escrita, a literatura e a publicação, constrói a figura da mulher ausente e, depois de centenas de páginas e dezenas de anos, chega ao “romance” propriamente dito, que é muito mais curto que os prólogos, e no qual os personagens não parecem seres humanos, e sim seres de papelão, como que num conto de fadas. Acredite: não há nada neste planeta que se assemelhe a este livro. </p>

<p><em>Ninguém morre no romance</em>, diz Macedonio num dos muitos prólogos, <em>ainda que ele seja imortal, pois ele entendeu que, sendo os personagens gente de fantasia, eles perecem todos ao concluir o relato. Tarefa desnecessária que tomam os autores, com o perigo de esquecimentos e de repetir a morte a algum</em>. Tudo em Macedonio funciona assim, de forma a expor, ao invés de esconder, os mecanismos de produção do texto e a relação com o leitor. Este, aliás, é o grande personagem do Museu. Macedonio elabora uma verdadeira galeria, onde se destacam o Leitor-de-Vitrine, o Leitor-de-Porta, o Leitor-de-Capa, o Leitor-Mínimo (ao qual o autor dedica o Título-Obra), o Leitor Não-Conseguido e, finalmente, o Leitor-Salteado. Para este último, o autor reserva um carinho especial: o livro onde não é necessário saltar nada, pois tudo já vem salteado: <em>Não lhe peço, leitor salteado, desculpas por apresentar-lhe um livro inseguido que, como tal, é uma interrupção para você, que se interrompe sozinho … um livro tão picotado que não houve recurso senão lê-lo seguido, para manter assim desunida a leitura</em>. <img alt="museo.jpg" src="http://www.idelberavelar.com/museo.jpg" width="240" height="350" align=right vspace=5 hspace=5/></p>

<p>As histórias narradas por Jorge Luis Borges sobre Macedonio ao longo dos anos foram compondo um conjunto de mitos que, pouco a pouco, passaram a ser indissociáveis da própria biografia. <em>Eu o imitei até a transcrição, até o apaixonado e devoto plágio</em>, diria Borges no discurso pronunciado no velório de Macedonio, em 1952. Borges repetiria à exaustão que a obra escrita de Macedonio, por mais genial que fosse, era só um pálido reflexo da espontaneidade oral, da invenção conversacional que ele elevou à condição de arte. Macedonio escreveu contos, poemas, romances, ensaios, tratados, cartas, mas talvez o seu gênero literário por excelência tenha sido o <b>brinde</b>. Nele se desenvolveram alguns dos achados macedonianos que chegariam à condição de clichês, como o célebre <em>faltaram tantas pessoas na sua festa que se faltassem mais algumas não caberia ninguém</em>. </p>

<p>Num desses brindes surgiu outra das obras-happening de Macedonio, sua candidatura humorística à Presidência da Argentina, em 1927. Com bilhetes deixados nos bondes e nos livros das bibliotecas públicas, anúncios irônicos nos jornais, envelopes distribuídos pela cidade com propostas incongruentes e contraditórias, vai se construindo a figura do candidato. A segunda parte do plano incluía a intervenção na cidade com uma série de objetos impossíveis: pentes com dentes dos dois lados, escarradeiras oscilantes, colarinhos desmontáveis (de forma que, ao agarrar um sujeito para começar uma briga, você ficava só com o colarinho), escadas assimétricas, onde cada degrau é de um tamanho etc. Era a política transformada em ficção dadaísta. </p>

<p>Macedonio era, acima de tudo, um inimigo da verossimilhança, do realismo, da ilusão de realidade na arte. Ao invés de buscar o real na ficção, procurava na realidade o seu grão de ficcionalidade constitutiva: <em>eu quero que o leitor saiba que está lendo um romance e não vendo um viver, não presenciando 'vida'. No momento em que o leitor caia na Alucinação, ignomínia da arte, eu perdi, não ganhei, leitor. O que quero é mui outra coisa, é ganhá-lo, a ele, de personagem, ou seja, que por um momento ele mesmo acredite não viver</em>. </p>

<p>O primeira edição do Museu é de 1967, quinze anos posterior à morte de Macedonio e mais de meio século posterior às primeiras menções do livro nos brindes macedonianos. Como se trata de romance póstumo compilado a partir de uma papelada esparramada, que inclui dezenas de prólogos, todas as quatro edições—a do Centro Editor de América Latina, já esgotada, a da Corregidor, a da Cátedra e a da Coleção Archivos—são diferentes entre si. Ainda não manuseei a edição brasileira, mas ela parece ser muito bem cuidada. A tradução é de Gênese Andrade e a apresentação é do escritor, editor e tradutor argentino Damián Tabarovsky. <br />
<br><br />
<iframe title="YouTube video player" width="480" height="390" src="http://www.youtube.com/embed/phQXmpZ321Q" frameborder="0" allowfullscreen></iframe><br />
<br></p>

<p>Nada, absolutamente nada que possa acontecer no mercado literário brasileiro este ano terá a importância e a dimensão--eu já ia dizer "transcendência", mas andaram assassinando essa palavra por aí--desta publicação. É o único livro de metafísica do qual você dá gargalhadas do começo ao fim. </p>

<p>Se um, só um de vocês decidir não morrer antes de ler esse livro, a existência deste blog já terá valido a pena. </p>]]>
        
        </description>
         <link>http://www.idelberavelar.com/archives/2011/03/o_acontecimento_literario_do_ano_lancado_o_museu_do_romance_da_eterna.php</link>
         <guid isPermaLink="true">http://www.idelberavelar.com/archives/2011/03/o_acontecimento_literario_do_ano_lancado_o_museu_do_romance_da_eterna.php</guid>
         <category>Literatura</category>
         <pubDate>Wed, 02 Mar 2011 04:04:52 -0200</pubDate>
         <comments>http://www.idelberavelar.com/mt336/xyz457.cgi?entry_id=1434</comments>
      </item>
            <item>
         <title>Consenso no topo, divergência na base: Os primeiros 60 dias de Dilma Rousseff (1ª parte)</title>
<CommentCount>65</CommentCount> 
        <description>
        <![CDATA[<p><strong>A perplexidade da direita e a indignação da esquerda é uma tradição dos começos de governo lulistas.</strong> É provável que muita gente não se lembre, mas quando Fernando Collor de Mello foi eleito presidente, ele prometeu um governo que deixaria “a direita indignada e a esquerda perplexa”. Como se sabe, a profecia fracassou, mas treze anos depois Lula a atualizaria com signo trocado: em 2003, a reforma da Previdência, a elevação do superávit primário de 3,75% para 4,25%, a manutenção das metas de inflação e do câmbio flutuante, assim como o privilégio à estabilidade macroeconômica deixariam a direita perplexa e a esquerda indignada. Em dezembro de 2003, atendendo o convite da saudosa revista argentina <em>Punto de Vista</em>, escrevi um <a href="http://www.bazaramericano.com/bazar_opina/articulos/avelar_dic2003.htm">balanço otimista</a> do primeiro ano do governo Lula, a partir da noção de superação do populismo. Quem se lembra de quantas bordoadas o governo Lula levou pela esquerda naquele ano saberá como era difícil que um cabra de esquerda mantivesse aquela posição. No número seguinte da <em>Punto de Vista</em>, Norberto Ferrera, argentino radicado no Brasil e professor da Universidade Federal Fluminense, publicava uma <a href="http://www.bazaramericano.com/correo/ferreras_avelar.htm">resposta</a>, em que falava de “vergonha alheia” pelo meu otimismo e aludia ao “péssimo político Gilberto Gil” e à “falta de efeitos práticos” do governo Lula. Deixo ao leitor a decisão sobre quem riu por último. </p>

<p>Relembro aquele episódio não para bater no peito e dizer que eu estava certo. Talvez eu estivesse certo mas era, com certeza, pelas razões erradas. Seis anos depois, já com a perspectiva de dois mandatos de Lula, André Singer escreveria aquela que ainda é a <a href="http://novosestudos.uol.com.br/acervo/acervo_artigo.asp?idMateria=1356">melhor análise do lulismo</a>, mostrando como ele se apropria da bandeira da redução da desigualdade <strong>sem perturbação da ordem</strong>, o que seria a chave para a conquista da população de baixíssima renda, o subproletariado, que havia sido anti-Lula até um passado recente. Observando a votação das várias classes sociais nas eleições brasileiras desde 1989, Singer vê o ponto de inflexão em 2006, justamente quando setores da classe média abandonavam Lula, e os muito pobres, que em 1989 haviam seguido Collor por medo da desordem, abraçavam seu novo líder, favorecidos pelas políticas de valorização do salário mínimo, pelo Bolsa Família, e por programas como o Luz para Todos, mas movidos também pela empatia com o retirante nordestino que chegou à Presidência. </p>

<p>&&&&&</p>

<p>O petismo pode ter representado uma superação do populismo, como eu dissera em 2003 (há um belo livro de Raul Pont, aliás, que recomendo a todos: <em>Da crítica do populismo à construção do PT</em>). Mas o lulismo, que foi quem efetivamente governou, é <strong>uma atualização do populismo</strong>, que combina o ganho econômico para os mais pobres, o sólido cuidado com os interesses do andar de cima, especialmente do capital financeiro, o papel do Estado na correção (moderada) das desigualdades, e o apreço pela ordem. É o que <a href="http://www.diariogauche.blogspot.com/">Cristóvão Feil</a> resume num ótimo achado: lulismo de resultados. Dilma mantém tudo isso, mas o lulismo agora sobrevive sem um de seus pilares: a identificação dos mais pobres com seu nordestino retirante, nove-dedos e corintiano. Todos os assessores e colaboradores coincidem na avaliação de que Dilma é extremamente difícil de ser lida, mas alguns de seus movimentos iniciais têm a ver, acredito eu, com a sua percepção desse problema: como reinventar o lulismo sem Lula. Nós sequer temos uma tradição de presidentes concluindo mandatos e transmitindo o cargo a um(a) correligionário(a). Dilma tem a tarefa de suceder o maior mito político de nossa história moderna. </p>

<p>&&&&</p>

<p><strong>O lulismo é uma coalizão heterogênea de classes e interesses</strong>. A afirmativa é até banal, de tão óbvia, mas é chave para entender estes primeiros 60 dias. Têm alguma representação na coalizão lulista o subproletariado e o capital financeiro; ruralistas e ambientalistas; o capital industrial e as centrais sindicais; oligarquias peemedebistas e setores trotskistas do PT. A administração dessa coalizão heterogênea, com Dilma, certamente terá um caráter diferente da que teve com Lula. A <a href="http://moysespintoneto.wordpress.com/2011/02/20/tecnocracia-de-esquerda/">tecnocracia de esquerda</a>, para usar a certeira expressão de Moysés Pinto Neto, não é simplesmente um traço da personalidade da Presidenta, mas uma estratégia real, que recoloca os problemas políticos—onde a expressão dos antagonismos de classe é inevitável—como questões técnicas e gerenciais. Ao contrário dos antagonismos políticos, as escolhas gerenciais colocam aos sujeitos a tarefa de escolher “a opção correta”. Quanto menos explícitos ficarem os antagonismos, mais traduzível fica a política na linguagem do gerenciamento. </p>

<p>As frentes amplas—como aquela formada em apoio a Dilma durante as eleições—são reconfortantes. Nos sentimos parte de um todo unitário. Há um inimigo comum. É uma ótima sensação: "somos todos companheiros!" Mas seria uma ingenuidade, na melhor das hipóteses, imaginar que essa unidade se manteria durante o governo. Daí o fato de que, seja qual for sua opinião sobre os primeiros 60 dias, qualquer tentativa de sufocar o debate com afirmativas sobre a necessidade de manter a “unidade” são daninhas e devem ser rechaçadas. Se, no topo, há um consenso—até a Revista Veja e Kátia Abreu reservam elogios para Dilma, sem que a esquerda do PT, por exemplo, sequer cogite romper com o governo—, na base há uma proliferação de avaliações diferentes, da perplexidade à indignação, da justificativa automática de qualquer ação da Presidenta a julgamentos peremptórios sobre a hegemonia neoliberal no governo. É normal que assim seja. Estamos todos tateando. </p>

<p>No caso da internet e da blogosfera, foi o feminismo o primeiro a ser acusado de “desagregador”, já logo na época da posse. Houve gente que se dispôs a “investigar” quem estaria “por trás” da crítica ao masculinismo da esquerda. Houve gente que comparou a crítica feminista ao masculinismo progressista no Brasil de hoje ao colapso dos republicanos espanhóis na Guerra Civil em 1937. Houve gente que viu, por trás da crítica feminista, os dedos de um misterioso e onipotente ex-assessor da Soninha. Mal sabiam os acusadores de então que seriam depois, também eles, acusados de romper a “unidade”, seja ao questionar ações do MinC, ou criticar a política do salário mínimo, ou questionar a ida da Presidenta à Folha de São Paulo, ou defender essa mesma visita (neste caso, aliás, eu entendo os que se indignaram e entendo os que a justificaram; só não entendo aqueles que, dos dois lados, se surpreenderam). A estas alturas, portanto, já não tem sentido pensar em agregadores ou desagregadores, posto que está mais ou menos óbvio que existe uma pluralidade de avaliações acerca dos primeiros 60 dias de Dilma—o que é muito positivo. </p>

<p>Esta é, portanto, a primeira tese: <strong>a pluralidade de avaliações dos primeiros passos do governo Dilma deve ser incentivada</strong>. A retórica da “necessidade de manter a unidade da blogosfera” é enganosa e serve interesses escusos. A conversa deve ser ampliada para incluir camaradas que optaram pelo apoio a Marina Silva, e que agora com certeza terão algo a dizer, por exemplo, sobre a construção da Usina Belo Monte. Ela deve incluir também forças da oposição de esquerda, como, digamos, Ivan Valente e Milton Temer, cuja exclusão do debate sobre os rumos do governo não interessa em absoluto ao petismo. Eles serão aliados, por exemplo, no debate sobre a reforma política. Está mais ou menos claro que haverá uma reconfiguração das forças políticas brasileiras nos próximos anos: quem, em sã consciência, um ano atrás, imaginaria Kassab no PSB ou Kátia Abreu na base dilmista? </p>

<p>A hegemonia sobre os rumos do governo não está dada de antemão. Vale a pena brigar por ela. Volto ao assunto num próximo post, tratando da reforma política e das comunicações. </p>]]>
        
        </description>
         <link>http://www.idelberavelar.com/archives/2011/02/consenso_no_topo_divergencia_na_base_os_primeiros_60_dias_de_dilma_rousseff_1_parte.php</link>
         <guid isPermaLink="true">http://www.idelberavelar.com/archives/2011/02/consenso_no_topo_divergencia_na_base_os_primeiros_60_dias_de_dilma_rousseff_1_parte.php</guid>
         <category>Polí­tica</category>
         <pubDate>Mon, 28 Feb 2011 01:26:31 -0200</pubDate>
         <comments>http://www.idelberavelar.com/mt336/xyz457.cgi?entry_id=1433</comments>
      </item>
            <item>
         <title>Na Revista Fórum: A escalada da ultradireita nos EUA</title>
<CommentCount>24</CommentCount> 
        <description>
        <![CDATA[<p>Se lições podem ser tiradas dos dois primeiros anos da presidência de Barack Obama, uma das principais terá que ser esta: é impossível dialogar com um surto psicótico coletivo. Obama tem pago um altíssimo preço político por se eleger e governar baseado num projeto de diálogo com esse surto, estratégia que se ancora na tentativa de um debate racional e razoável (ao modo sonhado pela “ética comunicativa”, do pensador liberal Jürgen Habermas) com um interlocutor imaginário, sujeito político que não quer ser interlocutor, mas inimigo encarregado de aniquilar, eliminar, destruir o adversário. Os 8 anos de governo de extrema-direita, a manipulação midiática dos ataques de 11 de setembro de 2001, a violenta crise econômica que explodiu em 2008 e a irrupção, mais forte que nunca, do racismo e da xenofobia contribuíram para a configuração de um quadro político verdadeiramente assustador nos Estados Unidos de hoje, do qual não há saída imediata à vista. O ataque terrorista no Arizona, em que seis pessoas foram assassinadas e a deputada democrata Gabrielle Giffords saiu ferida na cabeça, foi o mais recente capítulo dessa macabra narrativa. </p>

<p>Até mesmo o leitor da <em>Fórum </em>deve ter se surpreendido com meu uso do termo “terrorista” na frase anterior. Apesar de consistente com o sentido que a palavra classicamente teve —matança indiscriminada, por motivos políticos, de uma população civil desarmada, com o objetivo de disseminar o medo —, o uso do termo “terrorista”, para designar eventos como os de Tucson, tenderá a provocar estupefação hoje em dia, por um motivo dos mais simples e prosaicos. A manipulação a que foi submetido esse termo nos EUA ao longo da última década nos levou a uma situação em que a violência de extrema-direita, tão estadunidense como a torta de maçã, já não cabe sob a alcunha do terrorismo. Esta se encontra definitivamente reservada para o “outro” — em especial para o outro árabe. </p>

<p>Enquanto isso, uma retórica delirante se fortalece em setores dos meios de comunicação de massas e no Partido Republicano. A partir das assembleias populares (<em>town hall meetings</em>), propostas por Obama para a discussão da reforma do sistema de Saúde, em 2009, a retórica de extrema-direita encontrou terreno fértil. A caracterização de Obama como nazista, bolchevique e islamista — para ficarmos em três definições obviamente contraditórias entre si — já é parte da paisagem, do discurso político aceito como normal e razoável nos EUA. Os questionamentos ao patriotismo de Obama, nos quais um visível racismo não deixa de cumprir seu papel, também são matéria cotidiana na TV e no rádio dos EUA. O discurso do ódio ao diferente, tão típico dos impérios em declínio, pavimenta o caminho para tragédias como a de Tucson. </p>

<p><br />
<a href="http://www.revistaforum.com.br/noticias/2011/02/15/a_escalada_da_ultradireita_nos_eua/">Continue lendo "A escalada da ultradireita nos EUA" no site da Revista Fórum</a> e volte aqui caso queira papear sobre o texto. <br />
</p>]]>
        
        </description>
         <link>http://www.idelberavelar.com/archives/2011/02/na_revista_forum_a_escalada_da_ultradireita_nos_eua.php</link>
         <guid isPermaLink="true">http://www.idelberavelar.com/archives/2011/02/na_revista_forum_a_escalada_da_ultradireita_nos_eua.php</guid>
         <category>Polí­tica</category>
         <pubDate>Wed, 23 Feb 2011 14:26:36 -0200</pubDate>
         <comments>http://www.idelberavelar.com/mt336/xyz457.cgi?entry_id=1432</comments>
      </item>
            <item>
         <title>Crônica de uma visita à Coreia do Sul</title>
<CommentCount>19</CommentCount> 
        <description>
        <![CDATA[<p>Aconteceu entre os dias 23 e 25 de abril de 2010, na época em que o blog estava hibernando, o Primeiro Encontro das Literaturas da Ásia, África e América Latina, em Incheon, na Coreia do Sul, para o qual tive a honra de ser um dos três convidados latino-americanos. É uma história que há tempos quero contar aqui, em parte para que o blog volte à sua rotina pré-eleitoral de misturar a política com outros assuntos, mas também pelo interesse e curiosidade que gera aquela parte do mundo. </p>

<p>Já aviso de cara que todos os meus comentários são baseados numa visita de uma semana, que eu não entendo uma palavra de coreano, e que há pelo menos <a href="http://sindromedeestocolmo.com">duas </a><a href="http://www.interney.net/blogs/malla/">blogueiras </a>que conhecem a Coreia por longas estadias. Elas estão muito mais equipadas que eu para responder perguntas gerais sobre o país. Relato só o que vi e as impressões que tive. </p>

<p>O encontro era parte de um esforço cada vez mais visível, que vai muito além dos estudos literários: construir pontes de diálogo Sul-Sul, através das quais África, Ásia e América Latina possam interagir sem a mediação das potências do Atlântico Norte. Para o encontro de Incheon, infelizmente, os dois outros convidados latino-americanos—dois dos mais aclamados escritores cubanos, Miguel Barnet e Nancy Morejón—não puderam comparecer, por motivos que desconheço. Éramos, portanto, vários asiáticos, vários africanos e eu. Esta era a turma que se reuniu em Incheon: <br><br></p>

<p><img alt="31359_399440542712_565462712_4082711_1120465_n-1.jpg" src="http://www.idelberavelar.com/31359_399440542712_565462712_4082711_1120465_n-1.jpg" width="320" height="240" /><br />
<br><br />
Era a primeira vez que eu visitava um país cuja língua desconheço completamente (ok, eu estive na <a href="http://www.idelberavelar.com/archives/2007/11/amsterdam_primeiro_dia.php">Holanda</a>, mas ali não conta: em Amsterdã, pelo menos, todo mundo fala inglês). Cheguei ao aeroporto de Incheon no dia 22 de abril e, já de saída, fui tomado pela sensação que seria constante nos dias que se seguiriam: a de completa ignorância. Na van que nos levava ao hotel, juntos com dois membros da equipe de organização, estávamos eu e o romancista vietnamita Ho Ahn Thai (que depois apresentaria uma comunicação impressionante sobre o processo de perdão aos estadunidenses no Vietnã). Qual foi o primeiro medo que sentiu a besta quadrada aqui? <em>Puxa, será que as línguas coreana e vietnamita são mutuamente compreensíveis e eu vou ficar boiando? </em> Logo descobri que as duas não têm nada a ver e que o idioma ali na van seria o inglês. </p>

<p><br></p>

<p><br />
<img alt="lanternas.jpg" src="http://www.idelberavelar.com/lanternas.jpg" width="454" height="144" /><br />
<em>Lanternas no Cheonggyecheon. Foto: <a href="http://sindromedeestocolmo.com">Denise</a></em>.</p>

<p><br />
Ao longo da estadia em Incheon e Seul, meus dois grandes choques foram: a verdadeira paixão dos coreanos pelo caraoquê e o tremendo impacto da separação entre as Coreias sobre uma parcela enorme das famílias do país. Numa das noites em que saímos por Seul, eu, Harry Garuba, crítico literário nigeriano radicado na África do Sul, e outros amigos fomos parar num caraoquê em que havia uma única mesa enorme, com umas quinze pessoas. O nosso grupo era composto, na sua totalidade, por gente reconhecivelmente estrangeira. </p>

<p>Com a típica amabilidade, a turma da mesa trocou a música coreana por sucessos do pop americano (claro que sem saber que alguns de nós preferimos qualquer música coreana a “Hotel California” e congêneres). Acabamos contagiados pela alegria dos anfitriões e dançamos bastante. Conversando com uma senhora bem idosa, descubro que ela tem um filho do outro lado da fronteira, a quem ela não vê <b>desde 1953</b>. A separação entre coreanos significa isolamento total: sem telefone, sem comunicação de qualquer espécie, sem notícias. Ela não tem como saber se o filho está vivo. Praticamente todos os coreanos com quem conversei têm histórias dolorosas sobre um pedaço da família do outro lado da fronteira. É algo muito mais presente do que eu imaginava. Todos os assuntos, em algum momento, resvalam ali. Quando acontece, é visível a mudança na expressão facial das pessoas. <br />
<br><br />
<img alt="cartaz-coreia.jpg" src="http://www.idelberavelar.com/cartaz-coreia.jpg" width="320" height="240" /><br />
<em>Cartaz do encontro</em></p>

<p><br />
Ao longo da minha estadia, foi se reforçando a sensação de que os coreanos se parecem a nós, brasileiros, bem mais que os chineses, japoneses ou vietnamitas. Apesar da intransponível barreira da língua, seu jeito afetuoso e sorridente trazia algo de conhecido. A hospitalidade é impressionante: tudo funcionava à perfeição. Não só os tradicionais componentes de um congresso bem organizado (horários, transporte, programação etc.), mas também coisas mais intangíveis. Dou um exemplo: depois da última palestra, nos avisaram que havia presentes para os convidados na saída do auditório. É claro que imaginei que todos receberíamos a mesma coisa, ou coisas parecidas. Ao pegar a sacolinha, me dei conta de que os presentes eram <strong>personalizados</strong>. Na minha, havia vários agrados, incluindo-se uma coleção de <a href="http://www.bookhouse.pt/catalogo/literatura-autores-estrangeiros_0880/contos-contemporaneos-coreanos_02673301.aspx">contos coreanos</a> traduzidos para o português. Dali nos levaram a um banquete inesquecível. </p>

<p>A comida coreana é requintada, mas de sabor fortíssimo para o nosso paladar. Talvez a iguaria mais famosa seja o kimchi, uma espécie de repolho fermentado com bastante tempero. Algas marinhas são presença frequente. As sopas são bastante apimentadas. Peixes cozidos são comuns no café da manhã. Mesmo na megalópole Seul não é muito fácil encontrar culinária ocidental em meio aos restaurantes coreanos, japoneses e chineses. Só graças à <a href="http://sindromedeestocolmo.com/">Denise Arcoverde</a>, colega de blogosfera a quem conheci pessoalmente na Coreia, pude ter a minha única refeição ocidental em toda a estadia. </p>

<p>Tive a honra de conhecer intelectuais e escritores gigantes: Lui Zhenyun, romancista chinês que vende nada menos que 5 milhões de exemplares, em média, dos seus livros; Makerand Paranjape, crítico indiano que conhece o Brasil melhor que muitos de nós; Harry Garuba, pesquisador nigeriano que foi o grande companheiro de cervejas durante a visita e com quem aprendi muito sobre a África; o ensaísta palestino Fahri Saleh, exilado na Jordânia e proibido de visitar suas laranjeiras, que brincava dizendo que eu era “mais palestino” que ele; a grande escritora egípcia Salwa Bakr: </p>

<p><img alt="egypt.jpg" src="http://www.idelberavelar.com/egypt.jpg" width="320" height="240" /><br />
<br><br></p>

<p>a poeta sul-africana Sindiwe Magona, de quem você terá uma versão das letras sul-africanas completamente diferente da mais canônica, consagrada pela Prêmio Nobel Nadine Gordimer: </p>

<p><img alt="31359_399439507712_565462712_4082706_786411_n-1.jpg" src="http://www.idelberavelar.com/31359_399439507712_565462712_4082706_786411_n-1.jpg" width="320" height="240" /><br />
<br><br><br />
e finalmente o decano das letras filipinas, Francisco Sionil José, um verdadeiro cidadão do mundo, com uma vida dedicada à luta pela justiça, e com quem aprendi dezenas de palavras em tagalo que são idênticas às do espanhol: </p>

<p><img alt="31359_399637922712_565462712_4085236_2792183_n-2.jpg" src="http://www.idelberavelar.com/31359_399637922712_565462712_4085236_2792183_n-2.jpg" width="320" height="240" /><br />
<br><br><br />
Tivemos situações bem divertidas com a língua. Durante o congresso, todos os não-coreanos fizemos nossas apresentações em inglês, com a exceção dos chineses, que usavam o mandarim. Havia, então, serviços de tradução simultânea entre mandarim e coreano, entre inglês e coreano, e entre mandarim e inglês. No congresso, tudo perfeito. Num passeio pela ChinaTown de Incheon, resolvemos entrar numa loja. Éramos vários: o nigeriano, a egípcia, eu, o filipino, o chinês, o vietnamita, a sul-africana. Mas nenhum coreano. A garota da loja só falava chinês. Mas Lui Zhenyun, o chinês que andava conosco, não falava inglês. Resultado: dizíamos, em inglês, ao vietnamita, o que queríamos; ele transmitia o pedido em vietnamita ao chinês, que entendia o idioma. Este, por sua vez, se comunicava com a garota da loja no idioma nativo de ambos. Invariavelmente voltava uma explicação que nos chegava, em inglês, já meio incompreensível. O mais sensacional telefone-sem-fio que já presenciei. </p>

<p>Com o idioma, registre-se, fui um fracasso completo. A sensação de ser analfabeto e ter diante de mim  caracteres indecifráveis era mais tranquila dentro da universidade, onde todos, de alguma forma, tínhamos uma língua em comum. Nas vezes em que me aventurei sozinho pela cidade, a sensação de desamparo era constante. A cada dez minutos, enfiava a mão nos bolsos das calças para ter certeza de que ainda tinha o endereço do hotel anotado para entregar ao taxista. Apesar de ter decorado a sequência de fonemas, por exemplo, da palavra “obrigado”--<em><s>samkahamnida</s></em>  <em>gamsahamnida</em>--, só depois de uma semana pude pronunciar a última sílaba com a entonação exigida. Conversando com meu anfitrião, o Prof. Suk Kyun Woo, perguntei num certo momento: </p>

<p>-- Você convive com ocidentais aqui há décadas. Conhece algum que tenha aprendido a língua?<br><br />
-- Não. Nunca. Nenhum. </p>]]>
        
        </description>
         <link>http://www.idelberavelar.com/archives/2011/02/cronica_de_uma_visita_a_coreia_do_sul.php</link>
         <guid isPermaLink="true">http://www.idelberavelar.com/archives/2011/02/cronica_de_uma_visita_a_coreia_do_sul.php</guid>
         <category>Primeira Pessoa</category>
         <pubDate>Mon, 21 Feb 2011 18:43:13 -0200</pubDate>
         <comments>http://www.idelberavelar.com/mt336/xyz457.cgi?entry_id=1431</comments>
      </item>
            <item>
         <title>Retratação</title>
<CommentCount>0</CommentCount> 
        <description>
        <![CDATA[<p>Em conformidade com uma decisão da Justiça, já irrecorrível, este blog deve uma explicação e uma retratação. No dia 29/06/2009, publicamos um post intitulado “Gravataí Merengue era mesmo autor no blog anônimo de difamação contra Luis Nassif”. No contexto do processo movido por este contra aquele, a Justiça <a href="http://esaj.tjsp.jus.br/cpo/pg/search.do;jsessionid=8523DBE1410F69DF3E9134D1A6F91C65?paginaConsulta=1&localPesquisa.cdLocal=-1&cbPesquisa=NMPARTE&tipoNuProcesso=UNIFICADO&dePesquisa=fernando+renato+garcia+gouveia#">decidiu</a>: </p>

<p><em>A ação e o pedido contraposto são improcedentes (...). No caso em exame, cinge-se a controvérsia em verificar se houve, efetivamente, ofensa à honra e à dignidade do autor em razão das afirmações veiculadas pelo réu em seu blog. Analisando o teor das declarações do requerido, verifica-se que o réu não agiu com o dolo, com o intuito específico (elemento subjetivo) de agredir moralmente o autor, pois não extrapolou o limite do animus criticandi ou animus narrandi, na medida em que noticiou fatos.</p>

<p>Claro, assim, que o réu ficou adstrito ao limite do animus narrandi, razão pela qual não se vislumbra nenhuma ofensa à vítima. Desta forma, restou clara a inexistência dos pressupostos do dever de indenizar, restando, ausente, pois, o dever de indenizar (...) POSTO ISSO e pelo mais que dos autos consta, julgo IMPROCEDENTES o pedido principal e o contraposto, nos moldes da fundamentação supra. Custas e honorários indevidos, na forma do artigo 54 da Lei n° 9.099/95.</em></p>

<p><br />
O post, portanto, foi apagado. Sendo matéria irrecorrível, evidentemente, não cabe discussão, razão pela qual o blog fechará a caixa deste post e não publicará comentários sobre este tema em outras caixas. Fica registrada a retratação. <br />
</p>]]>
        
        </description>
         <link>http://www.idelberavelar.com/archives/2011/02/retratacao.php</link>
         <guid isPermaLink="true">http://www.idelberavelar.com/archives/2011/02/retratacao.php</guid>
         <category />
         <pubDate>Sun, 20 Feb 2011 16:18:08 -0200</pubDate>
         <comments>http://www.idelberavelar.com/mt336/xyz457.cgi?entry_id=1430</comments>
      </item>
            <item>
         <title>Um blog aos sábados: Pensar Enlouquece, Pense Nisso</title>
<CommentCount>21</CommentCount> 
        <description>
        <![CDATA[<p><em>Está de volta no Biscoito a série “Um blog aos sábados”. Ela tenta colocar em prática um dos princípios que norteiam o blog desde sua inauguração: circular links, recomendar outros textos na rede,  levar os leitores a ampliarem o seu leque de referências na internet. Esta série já homenageou <a href="http://www.idelberavelar.com/archives/2009/07/um_blog_aos_sabados_uma_malla_pelo_mundo.php">Uma Malla pelo Mundo</a>, <a href="http://www.idelberavelar.com/archives/2009/07/um_blog_aos_sabados_rafael_galvao.php">Rafael Galvão</a>, <a href="http://www.idelberavelar.com/archives/2009/07/um_blog_aos_sabados_drops_da_fal.php">Drops da Fal</a>, <a href="http://www.idelberavelar.com/archives/2009/06/um_blog_aos_sabados_palestina_do_espetaculo_triunfante.php">Palestina do Espetáculo Triunfante</a> e <a href="http://www.idelberavelar.com/archives/2009/05/um_blog_aos_sabados_ao_mirante_nelson.php">Ao Mirante, Nelson!</a> O homenageado de hoje é Alexandre Inagaki, do <a href="http://www.interney.net/blogs/inagaki/">Pensar Enlouquece, Pense Nisso</a></em>.<br />
<br><br />
<img alt="pensar-enlouquece.gif" src="http://www.idelberavelar.com/pensar-enlouquece.gif" width="430" height="221" /></p>

<p><br></p>

<p><br />
Quando se escreva a história da internet brasileira, caberá um lugar de destaque a Alexandre Inagaki. Pioneiro que transita por várias áreas, o jornalista, poeta bissexto, leonino, japaraguaio, air drummer e cínico cênico—algumas de suas autodescrições—é o signatário do blog <a href="http://www.interney.net/blogs/inagaki/">Pensar Enlouquece, Pense Nisso</a>. É referência incontornável na internet. Autor de texto fino, sempre escrito em português escorreito, Ina tem algumas características que são verdadeiras marcas registradas: a apuração rigorosa de tudo o que diz, o olhar <a href="http://www.interney.net/blogs/inagaki/2008/03/07/1001_dicas_sexo_enlouquecer_homem_cama/">levemente irônico</a>, mas nunca sarcástico ou agressivo, a generosidade ao linkar de forma profusa e constante, a multiplicidade de interesses, o assombroso domínio de referências da cultura pop e o incrível talento para desenterrar coisas insólitas na internet, como os <a href="http://www.interney.net/blogs/inagaki/2007/04/17/piores_cantores_do_mundo/">piores cantores do mundo</a>, os <a href="http://www.interney.net/blogs/inagaki/2005/12/14/virunduns_lemgreloadedl_emg/">hilários virunduns</a> ou <a href="http://www.interney.net/blogs/inagaki/2007/12/05/oito_dancas_mais_bizarras_do_youtube/">as danças mais bizarras do YouTube</a>. Quando este blog abriu suas portas, em outubro de 2004, Ina já era mito. Nós nos conhecemos pessoalmente em agosto de 2005 e eu me orgulho de tê-lo como amigo há quase seis anos. </p>

<p>Fazer uma antologia dos textos de Inagaki na internet é como escolher os gols mais belos de Reinaldo ou os melhores poemas de Drummond. A profusão é estonteante. Se, por alguma misteriosa conjunção dos astros, você não sabe quem é Alexandre Inagaki, minha sugestão é que você siga o <a href="http://www.interney.net/blogs/inagaki/">link ao blog </a>e faça um passeio tranquilo e demorado pelos arquivos. Já tradicionais, por exemplo, são os seus balanços telegráficos de fim de ano. Delicie-se com os flashbacks de <a href="http://www.interney.net/blogs/inagaki/2004/12/31/retrospectiva_2004/">2004</a>, <a href="http://www.interney.net/blogs/inagaki/2006/12/30/2006/">2006</a>, <a href="http://www.interney.net/blogs/inagaki/2008/01/01/2007/">2007 </a>e <a href="http://www.interney.net/blogs/inagaki/2008/12/31/retrospectiva_2008/">2008</a>. </p>

<p><a href="http://www.interney.net/blogs/inagaki/2007/02/27/prologo_para_um_romance/">Romântico contumaz</a>, Inagaki é também responsável por uma série de inovações formais na blogosfera. Generoso, Ina mantém à direita da página uma lista de “blogs da semana”, na qual ele recomenda blogs de qualidade, mas ainda pouco conhecidos. O blogroll do Biscoito inclui vários sites com os quais tomei contato, pela primeira vez, através do Pensar Enlouquece. Quando vejo referências à história da blogosfera brasileira como se ela tivesse começado anteontem, me lembro <a href="http://www.interney.net/blogs/inagaki/2003/01/01/momentos_da_blogosfera_brasileira/">dessa cronologia</a> escrita por Ina, que se remonta ao ano de 1998, além dos vários outros posts de historiografia de blogolândia que ele já publicou. É importante reconhecer quem veio antes de nós. É importante dar o crédito. São duas lições do Pensar Enlouquece às quais tenho tentado fazer jus ao longo dos anos. <br />
<br><br />
<img alt="DSC00281.JPG" src="http://www.idelberavelar.com/Post-images/DSC00281.JPG" width="390" height="293" /><br />
<em>Inagaki, em pé, de preto, no centro do grupo de blogueiros que se reuniu em agosto de 2005 no debate sobre blogs promovido pelo <a href="http://www.idelberavelar.com/archives/2005/08/no_salao_do_liv.php">Salão do Livro</a> de Belo Horizonte</em>.<br />
<br></p>

<p>A <a href="http://www.interney.net/blogs/inagaki/2005/12/10/os_10_melhores_discos_de_musica_popular_/">música popular</a>, o <a href="http://www.interney.net/blogs/inagaki/2005/12/10/como_era_gostoso_o_meu_cinema_brasileiro/">cinema</a>, os <a href="http://www.interney.net/blogs/inagaki/2007/04/03/charlie_brown_e_a_garotinha_ruiva/">quadrinhos </a>e a <a href="http://www.interney.net/blogs/inagaki/2008/01/29/qual_livro_que_mais_marcou_sua_infancia/">literatura </a>são presenças constantes no blog desse torcedor do <a href="http://www.interney.net/blogs/inagaki/2006/11/27/masoquista_ludopedico/">Guarani de Campinas</a>. Mais além das óbvias polêmicas possíveis, os textos de Ina esbanjam erudição, mas sempre de forma simples, sem exibicionismos ou carteiradas. Invariavalmente, eles demonstram seu talento de frasista, como na célebre <a href="http://www.cracatoa.com.br/2005/desejo/archives/2006/02/amar_hemburresc.php">"Amar é decretar uma chacina de neurônios"</a>. Quando algum acontecimento abala o mundo da cultura popular, é alta a probabilidade de que Ina faça um dos melhores balanços do tema, como foi o caso na <a href="http://mtv.uol.com.br/popcabeca/blog/michael-jackson-s%C3%ADndrome-de-peter-pan-e-o-museu-de-grandes-novidades">morte de Michael Jackson</a>. </p>

<p>A primeira visita de Ina ao Biscoito—feita quando o PE, PN já era uma referência para mim—me encheu de orgulho na época, e vinha expressar uma discordância sobre García Márquez, escritor que não está meu panteão, mas por quem Ina tem muito apreço. De lá pra cá, votamos em candidatos diferentes, tivemos opiniões discordantes sobre uma infinidade de assuntos e polemizamos um par de vezes. Continuamos amigos. </p>

<p>Nos últimos dias, por razões que não vêm ao caso, tenho me lembrado muito do mantra estampado por Ina em seu blog: <em>A vida é bela e cheia de possibilidades. A vida é bela e cheia de possibilidades.</em> </p>

<p><a href="http://www.interney.net/blogs/inagaki/">Pensar Enlouquece, Pense Nisso</a>. Valeu, Ina. <br />
</p>]]>
        
        </description>
         <link>http://www.idelberavelar.com/archives/2011/02/um_blog_aos_sabados_pensar_enlouquece_pense_nisso.php</link>
         <guid isPermaLink="true">http://www.idelberavelar.com/archives/2011/02/um_blog_aos_sabados_pensar_enlouquece_pense_nisso.php</guid>
         <category>Metablogagem</category>
         <pubDate>Sat, 19 Feb 2011 08:09:18 -0200</pubDate>
         <comments>http://www.idelberavelar.com/mt336/xyz457.cgi?entry_id=1429</comments>
      </item>
            <item>
         <title>Carta Aberta ao Ziraldo, por Ana Maria Gonçalves</title>
<CommentCount>323</CommentCount> 
        <description>
        <![CDATA[<p>Caro Ziraldo,</p>

<p>Olho a triste figura de Monteiro Lobato abraçado a uma mulata, estampada nas camisetas do bloco carnavalesco carioca "<a href="http://oglobo.globo.com/carnaval2011/blocos/video/2011/22068/default.asp">Que merda é essa?</a>" e vejo que foi obra sua. Fiquei curiosa para saber se você conhece a opinião de Lobato sobre os mestiços brasileiros e, de verdade, queria que não. Eu te respeitava, Ziraldo. Esperava que fosse o seu senso de humor falando mais alto do que a ignorância dos fatos, e por breves momentos até me senti vingada. Vingada contra o racismo do <a href="http://www.google.com/url?sa=t&source=web&cd=2&ved=0CCEQFjAB&url=http%3A%2F%2Fwww.rj.anpuh.org%2Fresources%2Frj%2FAnais%2F2004%2FSimposios%2520Tematicos%2FMaria%2520Ana%2520Quaglino.doc&rct=j&q=eugenia%20e%20monteiro%20lobato&ei=-C9eTdiIEoOGtwf85MDOCw&usg=AFQjCNG2OjH54AVU4c6HBwE0AdS2BP4fpA&sig2=JcnPR6Ee438sueCN076xgQ&cad=rja">eugenista Monteiro Lobato</a> que, em <a href="http://www.estadao.com.br/estadaodehoje/20101127/not_imp645872,0.php">carta </a>ao amigo Godofredo Rangel, desabafou: "<em>(...)Dizem que a mestiçagem liquefaz essa cristalização racial que é o caráter e dá uns produtos instáveis. Isso no moral – e no físico, que feiúra! Num desfile, à tarde, pela horrível Rua Marechal Floriano, da gente que volta para os subúrbios, que perpassam todas as degenerescências, todas as formas e má-formas humanas – todas, menos a normal. Os negros da África, caçados a tiro e trazidos à força para a escravidão, vingaram-se do português de maneira mais terrível – amulatando-o e liquefazendo-o, dando aquela coisa residual que vem dos subúrbios pela manhã e reflui para os subúrbios à tarde. E vão apinhados como sardinhas e há um desastre por dia, metade não tem braço ou não tem perna, ou falta-lhes um dedo, ou mostram uma terrível cicatriz na cara. “Que foi?” “Desastre na Central.” Como consertar essa gente? Como sermos gente, no concerto dos povos? Que problema terríveis o pobre negro da África nos criou aqui, na sua inconsciente vingança!..." (em "A barca de Gleyre". São Paulo: Cia. Editora Nacional, 1944. p.133).</em><br />
<br><br />
<img alt="27_MHG_camisa_do_que_m_e_essa%20%281%29.jpg" src="http://www.idelberavelar.com/27_MHG_camisa_do_que_m_e_essa%20%281%29.jpg" width="320" height="205" /></p>

<p><br><br />
Ironia das ironias, Ziraldo, o nome do livro de onde foi tirado o trecho acima é inspirado em um quadro do pintor suíço Charles Gleyre (1808-1874), Ilusões Perdidas. Porque foi isso que aconteceu. Porque lendo uma matéria sobre o bloco e a sua participação, você assim o <a href="http://extra.globo.com/noticias/carnaval/bloco-que-merda-essa-critica-censura-na-literatura-1040905.html">endossa </a>:<em> "Para acabar com a polêmica, coloquei o Monteiro Lobato sambando com uma mulata. Ele tem um conto sobre uma neguinha que é uma maravilha. Racismo tem ódio. Racismo sem ódio não é racismo. A ideia é acabar com essa brincadeira de achar que a gente é racista". </em>A gente quem, Ziraldo? Para quem você se (auto) justifica? Quem te disse que racismo sem ódio, mesmo aquele com o "humor negro" de unir uma mulata a quem grande ódio teve por ela e pelo que ela representava, não é racismo? Monteiro Lobato, sempre que se referiu a negros e mulatos, foi com ódio, com desprezo, com a certeza absoluta da própria superioridade, fazendo uso do dom que lhe foi dado e pelo qual é admirado e defendido até hoje. Em uma das cartas que iam e vinham na barca de Gleyre (nem todas estão publicadas no livro, pois a seleção foi feita por Lobato, que as censurou, claro) com seu amigo Godofredo Rangel, Lobato confessou que sabia que a escrita <em>"é um processo indireto de fazer eugenia, e os processos indiretos, no Brasil, 'work' muito mais eficientemente". </em></p>

<p>Lobato estava certo. Certíssimo. Até hoje, muitos dos que o leram não vêem nada de errado em seu processo de chamar negro de burro aqui, de fedorento ali, de macaco acolá, de urubu mais além. Porque os processos indiretos, ou seja, sem ódio, fazendo-se passar por gente boa e amiga das crianças e do Brasil, "work" muito bem. Lobato ficou frustradíssimo quando seu "processo" sem ódio, só na inteligência, não funcionou com os norte-americanos, quando ele tentou em vão encontrar editora que publicasse o que considerava ser sua obra prima em favor da eugenia e da eliminação, via esterilização, de todos os negros. Ele falava do livro <a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/O_Presidente_Negro">"O presidente negro ou O choque das raças"</a> que, ao contrário do que aconteceu nos Estados Unidos, país daquele povo que odeia negros, como você diz, Ziraldo, foi publicado no Brasil. Primeiro em capítulos no jornal carioca A Manhã, do qual Lobato era colaborador, e logo em seguida em edição da Editora Companhia Nacional, pertencente a Lobato. Tal livro foi dedicado secretamente ao amigo e <a href="http://www2.uol.com.br/historiaviva/reportagens/eugenia_a_biologia_como_farsa_imprimir.html">médico eugenista</a> Renato Kehl, em meio à vasta e duradoura correspondência trocada pelos dois:<em> “Renato, tu és o pai da eugenia no Brasil e a ti devia eu dedicar meu Choque, grito de guerra pró-eugenia. Vejo que errei não te pondo lá no frontispício, mas perdoai a este estropeado amigo. (...) Precisamos lançar, vulgarizar estas idéias. A humanidade precisa de uma coisa só: póda. É como a vinha".</em> </p>

<p>Impossibilitado de colher os frutos dessa poda nos EUA, Lobato desabafou com Godofredo Rangel: <em> "Meu romance não encontra editor. [...]. Acham-no ofensivo à dignidade americana, visto admitir que depois de tantos séculos de progresso moral possa este povo, coletivamente, cometer a sangue frio o belo crime que sugeri. Errei vindo cá tão verde. Devia ter vindo no tempo em que eles linchavam os negros." </em>Tempos depois, voltou a se animar: <em>"Um escândalo literário equivale no mínimo a 2.000.000 dólares para o autor (...) Esse ovo de escândalo foi recusado por cinco editores conservadores e amigos de obras bem comportadas, mas acaba de encher de entusiasmo um editor judeu que quer que eu o refaça e ponha mais matéria de exasperação. Penso como ele e estou com idéias de enxertar um capítulo no qual conte a guerra donde resultou a conquista pelos Estados Unidos do México e toda essa infecção spanish da América Central. O meu judeu acha que com isso até uma proibição policial obteremos - o que vale um milhão de dólares. Um livro proibido aqui sai na Inglaterra e entra boothegued como o whisky e outras implicâncias dos puritanos".</em> Lobato percebeu, Ziraldo, que talvez devesse apenas exasperar-se mais, ser mais claro em suas ideias, explicar melhor seu ódio e seu racismo, não importando a quem atingiria e nem por quanto tempo perduraria, e nem o quão fundo se instalaria na sociedade brasileira. Importava o dinheiro, não a exasperação dos ofendidos. 2.000.000 de dólares, ele pensava, por um ovo de escândalo. Como também foi por dinheiro que o <a href="http://www.redetec.org.br/inventabrasil/biofont.htm.">Jeca Tatu</a>, reabilitado, estampou as propagandas do Biotônico Fontoura. </p>

<p>Você sabe que isso dá dinheiro, Ziraldo, mesmo que o investimento tenha sido a longo prazo, como ironiza Ivan Lessa: <em>"Ziraldo, o guerrilheiro do traço, está de parabéns. Finalmente o governo brasileiro tomou vergonha na cara e acabou de pagar o que devia pelo passe de Jeremias, o Bom, imortal personagem criado por aquele que também é conhecido como “o Lamarca do nanquim”. Depois do imenso sucesso do calunguinha nas páginas de diversas publicações, assim como também na venda de diversos produtos farmacêuticos, principalmente doenças da tireóide, nos idos de 70, Ziraldo, cognominado ainda nos meios esclarecidos como “o subversivo da caneta Pilot”, houve por bem (como Brutus, Ziraldo é um homem de bem; são todos uns homens de bem – e de bens também) vender a imagem de Jeremias para a loteca, ou seja, para a Caixa Econômica Federal (federal como em República Federativa do Brasil) durante o governo Médici ou Geisel (os déspotas esclarecidos em muito se assemelham, sendo por isso mesmo intercambiáveis)".</em></p>

<p>No tempo em que linchavam negros, disse Lobato, como se o linchamento ainda não fosse desse nosso tempo. Lincham-se negros nas ruas, nas portas dos shoppings e bancos, nas escolas de todos os níveis de ensino, inclusive o superior. O que é até irônico, porque Lobato nunca poderia imaginar que chegariam lá. Lincham-se negros, sem violência física, é claro, sem ódio, nos livros, nos artigos de jornais e revistas, nos cartoons e nas redes sociais, há muitos e muitos carnavais. Racismo não nasce do ódio ou amor, Ziraldo, sendo talvez a causa e não a consequência da presença daquele ou da ausência desse. Racismo nasce da relação de poder. De poder ter influência ou gerência sobre as vidas de quem é considerado inferior. <em>"Em que estado voltaremos, Rangel,"</em> se pergunta Lobato, ao se lembrar do quadro para justificar a escolha do nome do livro de cartas trocadas, "<em>desta nossa aventura de arte pelos mares da vida em fora? Como o velho de Gleyre? Cansados, rotos? As ilusões daquele homem eram as velas da barca – e não ficou nenhuma. Nossos dois barquinhos estão hoje cheios de velas novas e arrogantes, atadas ao mastro da nossa petulância. São as nossas ilusões".</em> Ah, Ziraldo, quanta ilusão (ou seria petulância? arrogância; talvez? sensação de poder?) achar que impor à mulata a presença de Lobato nessa festa tipicamente negra, vá acabar com a polêmica e todos poderemos soltar as ancas e cada um que sambe como sabe e pode. Sem censura. Ou com censura, como querem os quemerdenses. Mesmo que nesse do <em>Caçadas de Pedrinho </em>a palavra censura não corresponda à verdade, servindo como mero pretexto para manifestação de discordância política, sem se importar com a carnavalização de um tema tão dolorido e tão caro a milhares de brasileiros. E o que torna tudo ainda mais apelativo é que o bloco aponta censura onde não existe e se submete, calado, ao pedido da prefeitura para que não use o próprio nome no desfile. Não foi assim? Você não teve que escrever "M*" porque a <a href="http://www.publishnews.com.br/telas/clipping/detalhes.aspx?id=61682">palavra "merda" foi censurada</a>? Como é que se explica isso, Ziraldo? Mente-se e cala-se quando convém? Coerência é uma <a href="http://www.semcortes.com/?p=33">questão de caráter</a>.</p>

<p><img alt="ziraldo_direitos_humanos.jpg" src="http://www.idelberavelar.com/ziraldo_direitos_humanos.jpg" width="221" height="308" align=left hspace=5 vspace=5 />O que o MEC solicita não é censura. É respeito aos Direitos Humanos. Ao direito de uma criança negra em uma sala de aula do ensino básico e público, não se ver representada (sim, porque os processos indiretos, como Lobato nos ensinou, "work" muito mais eficientemente) em personagens chamados de macacos, fedidos, burros, feios e outras indiretas mais. Você conhece os direitos humanos, inclusive foi o artista escolhido para ilustrar a <a href="http://portal.mj.gov.br/sedh/documentos/CartilhaZiraldo.pdf">Cartilha de Direitos Humanos</a> encomendada pela Presidência da República, pelas secretarias Especial de Direitos Humanos e de Promoção dos Direitos Humanos, pela ONU, a UNESCO, pelo MEC e por vários outros órgãos. Muitos dos quais você agora desrespeita ao querer, com a sua ilustração, acabar de vez com a polêmica causada por gente que estudou e trabalhou com seriedade as questões de educação e desigualdade racial no Brasil. A adoção do <em>Caçadas de Pedrinho</em> vai contra a lei de Igualdade Racial e o Estatuto da Criança e do Adolescente, que você conhece e ilustrou tão bem. Na página 25 da sua Cartilha de Direitos Humanos, está escrito: <em>"O único jeito de uma sociedade melhorar é caprichar nas suas crianças. Por isso, crianças e adolescentes têm prioridade em tudo que a sociedade faz para garantir os direitos humanos. Devem ser colocados a salvo de tudo que é violência e abuso. É como se os direitos humanos formassem um ninho para as crianças crescerem."</em> Está lá, Ziraldo, leia de novo: "crianças e adolescentes têm prioridade". Em tudo. Principalmente em situações nas quais são desrespeitadas, como na leitura de um livro com passagens racistas, escrito por um escritor racista com finalidades racistas. Mas você não vê racismo e chama de patrulhamento do politicamente correto e censura. Você está pensando nas crianças, Ziraldo? Ou com medo de que, se a moda pega, a "censura" chegue ao seu direito de continuar brincando com o assunto? "Acho injusto fazer isso com uma figura da grandeza de Lobato", você disse em uma reportagem. E com as crianças, o público-alvo que você divide com Lobato, você acha justo? Sim, vocês dividem o mesmo público e, inclusive, alguns personagens, como uma boneca e pano e o Saci, da sua Turma do Pererê. Medo de censura, Ziraldo, talvez aos deslizes, chamemos assim, que podem ser cometidos apenas porque se acostuma a eles, a ponto de pensar que não são, de novo chamemos assim, deslizes.</p>

<p>A gente se acostuma, Ziraldo.  Como o seu <a href="http://www.webartigos.com/articles/31289/1/A-REPRESENTACAO-DO-NEGRO-EM-O-MENINO-MARROM-DE-ZIRALDO/pagina1.html#ixzz1DzGd2xoB">menino marrom se acostumou</a> com as sandálias de dedo:<em> "O menino marrom estava tão acostumado com aquelas sandálias que era capaz de jogar futebol com elas, apostar corridas, saltar obstáculos sem que as sandálias desgrudassem de seus pés. Vai ver, elas já faziam parte dele" </em>(ZIRALDO, 1986,p. 06, em O Menino Marrom). O menino marrom, embora seja a figura simpática e esperta e bonita que você descreve, estava acostumado e fadado a ser pé-de-chinelo, em comparação ao seu amigo menino cor-de-rosa, porque <em>"(...) um já está quase formado e o outro não estuda mais (...). Um já conseguiu um emprego, o outro foi despedido do quinto que conseguiu. Um passa seus dias lendo (...), um não lê coisa alguma, deixa tudo pra depois (...). Um pode ser diplomata ou chofer de caminhão. O outro vai ser poeta ou viver na contramão (...). Um adora um som moderno e o outro – Como é que pode? – se amarra é num pagode. (...) Um é um cara ótimo e o outro, sem qualquer duvida, é um sujeito muito bom. Um já não é mais rosado e o outro está mais marrom"</em> (ZIRALDO, 1986, p.31). O menino marrom, ao crescer, talvez virasse marginal, fado de muito negro, como você nos mostra aqui: <em>"(...) o menino cor-de-rosa resolveu perguntar: por que você vem todo o dia ver a velhinha atravessar a rua? E o menino marrom respondeu: Eu quero ver ela ser atropelada" </em>(ZIRALDO, 1986, p.24), porque a própria professora tinha ensinado para ele a diferença e a (não) mistura das cores. Então ele pensou que <em>"Ficar sozinho, às vezes, é bom: você começa a refletir, a pensar muito e consegue descobrir coisas lindas. Nessa de saber de cor e de luz (...) o menino marrom começou a entender porque é que o branco dava uma idéia de paz, de pureza e de alegria. E porque razão o preto simbolizava a angústia, a solidão, a tristeza. Ele pensava: o preto é a escuridão, o olho fechado; você não vê nada. O branco é o olho aberto, é a luz!</em>" (ZIRALDO, 1986, p.29), e que deveria se conformar com isso e não se revoltar, não ter ódio nenhum ao ser ensinado que, daquela beleza, pureza e alegria que havia na cor branca, ele não tinha nada. O seu texto nos ensina que é assim, sem ódio, que se doma e se educa para que cada um saiba o seu lugar, com docilidade e resignação: <em>"Meu querido amigo: Eu andava muito triste ultimamente, pois estava sentindo muito sua falta. Agora estou mais contente porque acabo de descobrir uma coisa importante: preto é, apenas, a <u>ausência </u> do branco"</em> (ZIRALDO, 1986, p.30).</p>

<p>Olha que interessante, Ziraldo: nós que sabemos do racismo confesso de Lobato e conseguimos vê-lo em sua obra, somos acusados por você de "macaquear" (olha o termo aí) os Estados Unidos, vendo racismo em tudo. "Macaqueando" um pouco mais, será que eu poderia também acusá-lo de estar "macaqueando" Lobato, em trechos como os citados acima? Sem saber, é claro, mas como fruto da introjeção de um "processo" que ele provou que "work" com grande eficiência e ao qual podemos estar todos sujeitos, depois de sermos submetidos a ele na infância e crescermos em uma sociedade na qual não é combatido. Afinal, há quem diga que não somos racistas. Que quem vê o racismo, na maioria os negros, que o sofrem, estão apenas "macaqueando". Deveriam ficar calados e deixar dessa bobagem. Deveriam se inspirar no menino marrom e se resignarem. Como não fazem muitos meninos e meninas pretos e marrons, aqueles que são a ausência do branco, que se chateiam, que se ofendem, que sofrem preconceito nas ruas e nas escolas e ficam doídos, pensando nisso o tempo inteiro, pensando tanto nisso que perdem a vontade de ir à escola, <a href="http://www.wscom.com.br/noticia/educacao/PELE+INFLUENCIA+DESEMPENHO+ESCOLAR-97619">começam a tirar notas baixas</a> porque ficam matutando, ressentindo, a atenção guardadinha lá debaixo da dor. E como chegam à conclusão de que aquilo não vai mudar, que não vão dar em nada mesmo, que serão sempre pés-de-chinelo, saem por aí especializando-se na arte de esperar pelo atropelamento de velhinhas. </p>

<p>Racismo é um dos principais fatores responsáveis pela limitada participação do negro no sistema escolar, Ziraldo, porque desvia o foco, porque baixa a auto-estima, porque desvia o foco das atividades, porque a criança fica o tempo todo tendo que pensar em como não sofrer mais humilhações, e o material didático, em muitos casos, <a href="http://www.google.com/url?sa=t&source=web&cd=1&ved=0CBMQFjAA&url=http%3A%2F%2Fwww.anped.org.br%2Freunioes%2F28%2Ftextos%2Fgt21%2Fgt211256int.rtf&rct=j&q=rendimento%20escolar%20de%20crian%C3%A7as%20negras&ei=fDZeTYezC4Sztwf73rnlCw&usg=AFQjCNEi-rYYOZ_cQbJb0PEEXERTqpXW-g&sig2=6xpcbK556F_VWXeCyXvITg&cad=rja">não facilita nada a vida delas</a>. E quando alguma dessas crianças encontra um jeito de fugir a esse destino, mesmo que não tenha sido através da educação, fica insuportável e merece o linchamento público e exemplar, como o sofrido por Wilson Simonal. Como exemplo, temos a sua opinião sobre ele:<em> "Era tolo, se achava o rei da cocada preta, coitado. E era mesmo. Era metido, insuportável".</em> Sabe, Ziraldo, é por causa da perpetuação de estereótipos como esses que às vezes a gente nem percebe que eles estão ali, reproduzidos a partir de preconceitos <a href="www.revistaforum.com.br/noticias/2011/01/17/racismo_ninguem_sente_ninguem_ve_ninguem_sabe_o_que_e/">adquiridos na infância</a>, que a SEPPIR pediu que o MEC reavaliasse a adoção de <em>Caçadas de Pedrinho</em>. Não a censura, mas a reavaliação. Uma nota, talvez, para ser colocada junto com as outras notas que já estão lá para proteger os direitos das onças de não serem caçadas e o da ortografia, de evoluir. Já estão lá no livro essas duas notas e a SEPPIR pede mais uma apenas, para que as crianças e os adolescentes sejam "colocados a salvo de tudo que é violência e abuso", como está na cartilha que você ilustrou. Isso é um direito delas, como seres humanos. É por isso que tem gente lutando, como você também já lutou por direitos humanos e por reparação. É isso que a SEPPIR pede: reparação pelos danos causados pela escravidão e pelo racismo. </p>

<p>Assim você <a href="http://oglobo.globo.com/pais/mat/2008/04/04/anistia_ziraldo_jaguar_vao_receber_indenizacao_pensao_mensal-426702935.asp">se defendeu</a> de quem o atacou na época em que conseguiu fazer valer os seus direitos: "<em>(…) Espero apenas que os leitores (que o criticam) não tenham sua casa invadida e, diante de seus filhos, sejam seqüestrados por componentes do exército brasileiro pelo fato de exercerem o direito de emitir sua corajosa opinião a meu respeito, eu, uma figura tão poderosa”.</em> Ziraldo, você tem noção do que aconteceu com os, citando Lobato,  <em>"negros da África, caçados a tiro e trazidos à força para a escravidão"</em>, e do que acontece todos os dias com seus descendentes em um país que naturalizou e, paradoxalmente, nega o seu racismo? De quantos já morreram e ainda morrem todos os dias porque tem gente que não os leva a sério? Por causa do racismo é bem difícil que essa gente fadada a ser pé-de-chinelo a vida inteira, essas pessoas dos subúrbios, que perpassam todas as degenerescências, todas as formas e má-formas humanas – todas, menos a normal, - porque nelas está a ausência do branco, esse povo todo representado pela mulata dócil que você faz sorrir nos braços de um dos escritores mais racistas e perversos e interesseiros que o Brasil já teve, aquele que soube como ninguém que um país (racista) também de faz de homens e livros (racistas), por causa disso tudo, Ziraldo, é que eu ia dizendo ser quase impossível para essa gente marrom, herdeira dessa gente de cor que simboliza a angústia, a solidão, a tristeza, gerar pessoas tão importantes quanto você, dignas da reparação (que nem é financeira, no caso) que o Brasil também lhes deve: respeito. Respeito que precisou ser ancorado em lei para que tivesse validade, e cuja aplicação você chama de censura.<img alt="menino-lendo.jpg" src="http://www.idelberavelar.com/menino-lendo.jpg" width="240" height="180" align=right hspace=5 vspace=5 /></p>

<p>Junto com outros grandes nomes da literatura infantil brasileira, como <a href="http://cadaminuto.com.br/noticia/2009/09/13/ruth-rocha-e-ana-maria-machado-falam-sobre-monteiro-lobato">Ana Maria Machado</a> e <a href="http://www.estadao.com.br/estadaodehoje/20100916/not_imp610479,0.php">Ruth Rocha</a>, você assinou uma carta que, em defesa de Lobato e contra a censura inventada pela imprensa, diz: <em>"Suas criações têm formado, ao longo dos anos, gerações e gerações dos melhores escritores deste país que, a partir da leitura de suas obras, viram despertar sua vocação e sentiram-se destinados, cada um a seu modo, a repetir seu destino. (...) A maravilhosa obra de Monteiro Lobato faz parte do patrimônio cultural de todos nós – crianças, adultos, alunos, professores – brasileiros de todos os credos e raças. Nenhum de nós, nem os mais vividos, têm conhecimento de que os livros de Lobato nos tenham tornado pessoas desagregadas, intolerantes ou racistas. Pelo contrário: com ele aprendemos a amar imensamente este país e a alimentar esperança em seu futuro. Ela inaugura, nos albores do século passado, nossa confiança nos destinos do Brasil e é um dos pilares das nossas melhores conquistas culturais e sociais."</em> É isso. Nos livros de Lobato está o racismo do racista, que ninguém vê, que vocês acham que não é problema, que é alicerce, que é necessário à formação das nossas futuras gerações, do nosso futuro. E é exatamente isso. Alicerce de uma sociedade que traz o racismo tão arraigado em sua formação que não consegue manter a necessária distância do foco, a necessário distância para enxergá-lo. Perpetuar isso parece ser patriótico, esse racismo que<em> "faz parte do patrimônio cultural de todos nós – crianças, adultos, alunos, professores – brasileiros de todos os credos e raças."</em> Sabe o que Lobato disse em carta ao seu amigo Poti, nos albores do século passado, em 1905? Ele chamava de patriota o brasileiro que se casasse com uma italiana ou alemã, para apurar esse povo, para acabar com essa raça degenerada que você, em sua ilustração, lhe entrega de braços abertos e sorridente. Perpetuar isso parece alimentar posições de pessoas que, mesmo não sendo ou mesmo não se achando racistas, não se percebem cometendo a atitude racista que você ilustrou tão bem: entregar essas crianças negras nos braços de quem nem queria que elas nascessem. <em>Cada um a seu modo, a repetir seu destino</em>. Quem é poderoso, que cobre, muito bem cobrado, seus direitos; quem não é, que sorria, entre na roda e aprenda a sambar. </p>

<p>Peguei-o para bode expiatório, Ziraldo? Sim, sempre tem que ter algum. E, sem ódio, espero que você não queira que eu morra por te criticar. Como faziam os racistas nos tempos em quem ainda linchavam negros. Esses abusados que não mais se calam e apelam para a lei ao serem chamados de "macaco", "carvão", "fedorento", "ladrão", "vagabundo", "coisa", "burro", e que agora querem ser tratados como gente, no concerto dos povos. Esses que, ao denunciarem e quererem se livrar do que lhes dói, tantos problemas criam aqui, nesse país do futuro. Em uma matéria do Correio Braziliense você <a href="http://www.divirta-se.uai.com.br/html/sessao_7/2010/11/29/ficha_agitos/id_sessao=7&id_noticia=31636/ficha_agitos.shtml">disse </a>que<em> "Os americanos odeiam os negros, mas aqui nunca houve uma organização como a Ku Klux Klan. No Brasil, onde branco rico entra, preto rico também entra. Pelé nunca foi alvo de uma manifestação de ódio racial. O racismo brasileiro é de outra natureza. Nós somos afetuosos”. </em>Se dependesse de Monteiro Lobato, o Brasil teria tido sua Ku-Klux-Klan, Ziraldo. Leia só o que ele disse em carta ao amigo Arthur Neiva, enviada de Nova Iorque em 1928, querendo macaquear os brancos norte-americanos: <em>"Diversos amigos me dizem: Por que não escreve suas impressões? E eu respondo: Porque é inútil e seria cair no ridículo. Escrever é aparecer no tablado de um circo muito mambembe, chamado imprensa, e exibir-se diante de uma assistência de moleques feeble-minded e despidos da menos noção de seriedade. Mulatada, em suma. País de mestiços onde o branco não tem força para organizar uma Kux-Klan é país perdido para altos destinos. André Siegfred resume numa frase as duas atitudes. "Nós defendemos o front da raça branca - diz o sul - e é graças a nós que os Estados Unidos não se tornaram um segundo Brasil". Um dia se fará justiça ao Kux-Klan; tivéssemos aí uma defesa dessa ordem, que mantém o negro no seu lugar, e estaríamos hoje livres da peste da imprensa carioca - mulatinho fazendo o jogo do galego, e sempre demolidor porque a mestiçagem do negro destroem (sic) a capacidade construtiva." </em>Fosse feita a vontade de Lobato, Ziraldo, talvez não tivéssemos a imprensa carioca, talvez não tivéssemos você. Mas temos, porque, como você também diz,<em> "o racismo brasileiro é de outra natureza. Nós somos afetuosos."</em> Como, para acabar com a polêmica, você nos ilustra com o desenho para o bloco quemerdense. Olho para o rosto sorridente da mulata nos braços de Monteiro Lobato e quase posso ouvi-la dizer: "<a href="http://www.youtube.com/watch?v=xOj9Uwzq9is">Só dói quando eu rio</a>". </p>

<p>Com pesar, e em retribuição ao seu afeto,</p>

<p>Ana Maria Gonçalves<br />
Negra, escritora, autora de <em>Um defeito de cor</em>.<br />
</p>]]>
        
        </description>
         <link>http://www.idelberavelar.com/archives/2011/02/carta_aberta_ao_ziraldo_por_ana_maria_goncalves.php</link>
         <guid isPermaLink="true">http://www.idelberavelar.com/archives/2011/02/carta_aberta_ao_ziraldo_por_ana_maria_goncalves.php</guid>
         <category>Literatura</category>
         <pubDate>Fri, 18 Feb 2011 08:04:36 -0200</pubDate>
         <comments>http://www.idelberavelar.com/mt336/xyz457.cgi?entry_id=1428</comments>
      </item>
            <item>
         <title>A presunção de inocência na época da reprodutibilidade digital</title>
<CommentCount>17</CommentCount> 
        <description>
        <![CDATA[<p>Um dos mais belos princípios do Direito é a <a href="http://jus.uol.com.br/revista/texto/162/o-principio-da-presuncao-de-inocencia-e-sua-repercussao-infraconstitucional">presunção de inocência</a>. Trata-se de um daqueles pilares que separam a Justiça do puro justiçamento. O artigo 5º, inciso LVII, da Constituição Federal, dispõe que “ninguém será considerado culpado até o trânsito em julgado da sentença penal condenatória”. Como <a href="http://jus.uol.com.br/revista/texto/7198/o-principio-da-presuncao-de-inocencia">nota </a>Simone Schreiber, é comum que se diferencie esse enunciado encontrado na Carta Magna—para todos os efeitos, um princípio da desconsideração prévia da culpabilidade--da formulação mais radical de presunção de inocência encontrada na Declaração dos Direitos do Homem e do Cidadão (1789), na Declaração Universal dos Direitos do Homem (1948), no Pacto Internacional de Direitos Civis e Políticos (1966) e na Convenção Americana de Direitos Humanos (1969). </p>

<p>Deixando de lado por um momento a diferença entre a presunção de inocência e a presunção de não culpabilidade, eu gostaria de oferecer dois centavos sobre o que acontece com esses princípios na era da circulação global e instantânea de informação. Como sempre nos casos dos posts sobre <a href="http://www.idelberavelar.com/archives/direito_e_justica/">Direito e Justiça</a>, falo como leigo e convido os profissionais da área a que corrijam qualquer bobagem. </p>

<p>Que a presunção da não culpabilidade seja com frequência desrespeitada na aplicação da lei realmente existente—e sabemos quem são as vítimas preferencias—não implica que o princípio, em si, não deva continuar sendo um horizonte que nos guie. A Justiça nunca é redutível à Lei, mas sem aquela como horizonte, ainda que irrealizável na sua plenitude, não há lei que valha a pena defender. </p>

<p>Minha suspeita de leigo—e não sei até que ponto há pesquisa especializada sobre isso—é que a reprodutibilidade infinita e global da informação, maravilha tornada possível pela internet, também torna extremamente difícil a vida desse princípio. Seria bom que os internautas refletissem um pouco sobre isso, e o titular deste blog certamente não está isento de culpa nesse cartório. </p>

<p>Já conhecemos de sobra o estrago feito pela mídia tradicional. Episódios como o da <a href="http://www.espacoacademico.com.br/054/54lima.htm">Escola Base</a>, o massacre sofrido por <a href="http://rsurgente.opsblog.org/category/jose-paulo-bisol/">José Paulo Bisol</a> no Rio Grande do Sul ou o caso <a href="http://www.observatoriodaimprensa.com.br/artigos.asp?cod=311FDS002">RPG-Ouro Preto</a> demonstraram amplamente o dano que a mídia é capaz de causar ao princípio da presunção de inocência. Quando esta é provada, muitas vezes o prejuízo já é irreparável. Reputações já foram destruídas e, em alguns casos, inclusive vidas humanas já foram perdidas. </p>

<p>Na semana passada, quando desapareceram <a href="http://www.cultura.gov.br/site/2008/08/28/seminario-de-sao-paulo-discute-os-direitos-autorais-e-o-acesso-a-cultura/">arquivos </a>do site do MinC, alguns camaradas—movidos pelo mais salutar dos desejos, a preservação das conquistas da gestão Gil/Juca—se precipitaram bastante nas acusações à Ministra. Não repetirei os termos aqui, mas foram bastante pesados. Durante dois ou três dias, simplesmente não havia espaço para outra versão: o MinC estava apagando deliberadamente a memória da gestão anterior. Incrédulo, fui apurar a história e confirmei o que depois foi <a href="http://www.trezentos.blog.br/?p=5551">comunicado </a>pelo próprio MinC. Era um problema técnico na migração de arquivos. </p>

<p>(Abro um parêntesis para oferecer um palpite no caso MinC. Acredito que o melhor que podem fazer aqueles que querem defender o legado dos últimos anos é <b>desfulanizar</b> a discussão, organizar-se ao redor de algumas <b>pautas</b> e tentar construir canais de interlocução com o ministério. Esses canais são possíveis e essa é a saída mais madura que se pode encaminhar no momento). </p>

<p>No caso da mídia tradicional, a unidirecionalidade do formato—a telinha fala, você escuta—favorece um uso interessado, político ou mercadológico, do justiçamento. No caso da internet, o funcionamento me parece um pouco distinto. A velocidade estonteante dos instrumentos de que dispomos faz com que às vezes se consolidem as versões mais simples e “tuitáveis” para os fatos. Acaba ficando difícil desconstruí-las depois. O pobre José Saramago—escritor que não está, nem de longe, entre meus favoritos— foi linchado na ágora da internet quando <a href="http://oglobo.globo.com/blogs/prosa/posts/2009/07/26/jose-saramago-fala-sobre-twitter-lula-seu-novo-livro-208101.asp">disse </a>que o Twitter apontava para um mundo em que, de degrau em degrau, íamos descendo até o grunhido. Mas, sem falsos saudosismos por um passado não-digital que em quase nada foi superior ao que é o presente, será que o autor português não disse algo sobre o qual vale a pena refletir? Será que a reprodutibilidade infinita e a instantaneidade da informação não produzem nenhum dano à nuance? </p>

<p>O atleticano que assina este blog tem pensado um pouco sobre essas coisas, sem encontrar solução nenhuma, sublinhe-se. Permanece intacto meu entusiasmo pela cultura digital e pelas mídias sociais, mas também entendo que elas nos colocam em encruzilhadas éticas nunca dantes visitadas. O pisoteio ocasional à presunção de inocência é uma delas. Conjugar o martelo da razão crítica-- sem o qual, afinal de contas, a política passa a ser uma medíocre adaptação aos limites do possível--com o respeito a esse belo princípio é tarefa cada vez mais urgente. As atualizações mais espaçadas e lentas deste blog, inclusive, devem ser entendidas neste contexto. </p>

<p>Desacelerar um pouco talvez nos faça bem. <br />
</p>]]>
        
        </description>
         <link>http://www.idelberavelar.com/archives/2011/02/a_presuncao_de_inocencia_na_epoca_da_reprodutibilidade_digital.php</link>
         <guid isPermaLink="true">http://www.idelberavelar.com/archives/2011/02/a_presuncao_de_inocencia_na_epoca_da_reprodutibilidade_digital.php</guid>
         <category>Direito e Justiça</category>
         <pubDate>Thu, 17 Feb 2011 07:26:36 -0200</pubDate>
         <comments>http://www.idelberavelar.com/mt336/xyz457.cgi?entry_id=1427</comments>
      </item>
            <item>
         <title>Mensagem aos cristãos que leem o blog</title>
<CommentCount>61</CommentCount> 
        <description>
        <![CDATA[<p>Outro dia, conversando com a <a href="http://www.interney.net/blogs/heresialoira/">Juliana Dacoregio</a> no Twitter, me lembrei de que devo um pedido de desculpas. </p>

<p>Em 13 de julho de 2009, este blog publicou um post intitulado <a href="http://www.idelberavelar.com/archives/2009/07/ateus_saiam_do_armario_ateismo_e_falsas_simetrias.php">Ateus, saiam do armário!</a>, que gerou bastante debate aqui e alhures. Reproduzido pelo <a href="http://ateusdobrasil.com.br/p/1937/">Ateus do Brasil</a> e por vários outros portais e blogs, o post também foi aquele que, até hoje, me gerou mais correspondência pessoal de leitores. Em geral, não incentivo o envio de emails sobre posts—prefiro que os leitores debatam na caixa de comentários, onde a conversa é pública e eu não tenho que me preocupar em responder a todo momento. Mas, neste caso, por motivos óbvios, muita gente, de vários rincões do Brasil, “saiu do armário” por email, me contando histórias sobre os efeitos da repressão religiosa. Algumas delas são terroríficas. </p>

<p>Enfim, é um post do qual eu me orgulho porque sei que cumpriu o papel ao qual ele se destinava. Infelizmente, errei a mão num trecho e, por <b>esse trecho</b>, quero me desculpar com os leitores cristãos do blog. </p>

<p>Há um momento do texto em que me escapou o sintagma <s>burrice digna de um cristão</s>.  A expressão aparece aqui rasurada porque a considero ofensiva e desnecessária. Ela é, inclusive, contraditória com a lógica do post, resumida na frase <em>tem que respeitar religião porra nenhuma</em>, que eu mantenho integralmente. A lógica é simples e está explicada no próprio texto: ideias não foram feitas para serem “respeitadas”, mas discutidas. Ideias religiosas estão incluídas aí e não devem gozar de nenhum privilégio. <strong>Pessoas </strong>devem ser respeitadas. </p>

<p>Exatamente porque pessoas merecem respeito, a expressão <s>burrice digna de um cristão</s> não cabia. Minhas desculpas a todos os cristãos que leem o blog. O termo não voltará a aparecer aqui. A primeira pessoa a me chamar a atenção para isso, na própria caixa de comentários, foi o <a href="http://twitter.com/davidbutter">David Butter</a>. Quero agradecer a ele pela discordância honesta e sempre ponderada. Obrigado, seu flamenguista. </p>

<p>Há várias outras coisas que eu gostaria de dizer sobre a relação entre <a href="http://www.revistaforum.com.br/noticias/2010/09/20/religiao_e_politica_no_brasil_atual/">religião e política</a>, mas aprendi que, quando se pede desculpas, é melhor não ficar falando demais (conhecem aqueles casais em que um diz <em>eu te peço desculpas, mas você também fez isso, aquilo, aquilo outro etc.</em>, de tal maneira que, quando o sujeito termina, as desculpas já se perderam?). Em breve, devo entrar numa conversa rica sobre <a href="http://www.idelberavelar.com/archives/2007/04/a_ilusao_de_deus_de_richard_dawkins.php">Richard Dawkins</a> que rolou na blogosfera, com contribuições de <a href="http://donizetti.opsblog.org/2011/01/26/dawkins-e-necessario-tanto-quanto-stephenie-meyer/">Doni</a>, <a href="http://biajoni.opsblog.org/2011/01/26/dawkins-e-necessario/">Biajoni</a>, <a href="http://andreegg.opsblog.org/2011/01/28/mais-um-pitaco-sobre-dawkins-ou-o-ateismo-que-desconhece-a-teologia/">André Egg</a>, <a href="http://index.opsblog.org/01/2011/dawkins-e-necessario-pode-acreditar/">Daniel Lopes</a>, <a href="http://carlosmagalhaes.com.br/2011/01/30/qual-e-o-alvo-de-deus-um-delirio/">Guto</a>, <a href="http://aterceiramargemdosena.opsblog.org/2011/02/08/dawkins-o-zagueirao/">Leonardo de Souza</a> e <a href="http://gatoprecambriano.wordpress.com/2011/02/04/o-resgate-de-dawkins/">Gato Précambriano</a>. Este não é o momento. As relações entre religião e política serão tema de muitas conversas por aqui ainda. Mas antes, era necessário este esclarecimento. </p>

<p>Portanto: cristãos, desculpem o uso do termo. Ele não voltará a ocorrer aqui. </p>]]>
        
        </description>
         <link>http://www.idelberavelar.com/archives/2011/02/mensagem_aos_cristaos_que_leem_o_blog.php</link>
         <guid isPermaLink="true">http://www.idelberavelar.com/archives/2011/02/mensagem_aos_cristaos_que_leem_o_blog.php</guid>
         <category>Polí­tica</category>
         <pubDate>Mon, 14 Feb 2011 11:12:56 -0200</pubDate>
         <comments>http://www.idelberavelar.com/mt336/xyz457.cgi?entry_id=1426</comments>
      </item>
            <item>
         <title>Resposta do Projeto Regularização Fundiária Sustentável na Vila Acaba Mundo, do Programa Pólos de Cidadania da UFMG, a uma matéria de O Tempo</title>
<CommentCount>13</CommentCount> 
        <description>
        <![CDATA[<p><strong>O DESPEJO DE POBRES NÃO É SOLUÇÃO PARA A CRISE IMOBILIÁRIA</strong></p>

<p>Por Ananda Martins, Cíntia Melo, Elyza Cyrillo, João Carneiro, Lorena Figueiredo, Luiz Eduardo Chauvet, Marcos Mesquita (*)</p>

<p>O Jornal “O Tempo” publicou no dia 26 de janeiro do presente ano <a href="http://www.otempo.com.br/noticias/ultimas/?IdNoticia=161824,OTE&busca=Vila%20Acaba%20Mundo&pagina=1">matéria </a>intitulada “Belo Horizonte tem apenas 20 mil lotes vazios para obras”, tendo como objetivo apontar a escassez de áreas vagas para empreendimentos imobiliários na cidade de Belo Horizonte. Uma das causas apontadas pela matéria é a invasão de determinadas áreas por populações de baixa renda, problema exemplificado com a situação da Vila Acaba Mundo, pequena favela localizada no bairro Sion, uma das áreas mais nobres da cidade, e, por isso, muito visada pelo mercado imobiliário.</p>

<p>Contudo, a matéria desconsiderou que a ocupação citada possui respaldo na ordem jurídico-urbanística brasileira, que tem como figura central a função social da propriedade, constitucionalmente prevista.</p>

<p>A Vila Acaba Mundo encontra-se consolidada há mais de seis décadas, destinada para a moradia de mais de 400 famílias em vulnerabilidade social, sendo este direito, inclusive, um dos direitos sociais elencados no rol do artigo 6º da nossa Constituição Federal e protegido internacionalmente por tratados dos quais o Brasil é signatário.</p>

<p>Muito pesar causa a constatação de que o ponto de vista do autor privilegia os interesses econômicos e financeiros do mercado imobiliário em franca expansão na capital mineira, a despeito de direitos fundamentais exercidos por pessoas economicamente desprivilegiadas, cujas histórias misturam-se com o crescimento dos bairros do entorno.</p>

<p>Cumpre ressaltar que uma ocupação somente se consolida em áreas nas quais a propriedade não cumpra sua função social, como é o caso citado, em que a suposta invasão, somente agora, décadas depois de se estabelecer, recebe pressões para que sucumba a outros interesses que não o de moradia popular.</p>

<p>A ocupação foi iniciada em meados de 1950, com a instalação da Mineradora Lagoa Seca, que implementou, desde então, um projeto de moradia para os trabalhadores provenientes do interior. A partir da década de setenta, o número de moradores no local tornou-se mais significativo. Ao longo deste tempo foi-se desenvolvendo uma história de vida, não somente de cada morador, mas, principalmente, da comunidade, criando uma identidade coletiva catalisada pelo local de vivência.</p>

<p>Apesar de o senso comum indicar que o único tipo de capital existente ser aquele relacionado aos valores monetários, muito importante ressaltar que este não pode se sobrepor a outro tipo de capital, o capital social, conceituado pela professora Miracy Gustin. Em linhas gerais, o capital social se constitui a partir das relações entre os indivíduos, possibilitadas pelo pertencimento a uma mesma comunidade e, neste sentido, a manutenção e construção coletiva do espaço onde se vive é fundamental para sua perpetuação.</p>

<p>Em 1988, nossa sociedade participou de um movimento muito importante, findo o qual tivemos promulgada uma das mais avançadas cartas de direitos do planeta, na qual valores como a construção de uma sociedade livre, justa e solidária e princípios como o da dignidade da pessoa humana se tornaram centrais para a sociedade que queremos construir. Todos nós fazemos parte deste pacto, inclusive o mercado imobiliário, que não pode se furtar a honrar o compromisso democrático estabelecido.</p>

<p>(*) Integrantes do Projeto Regularização Fundiária Sustentável na Vila Acaba Mundo, do Programa Pólos de Cidadania da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG).</p>]]>
        
        </description>
         <link>http://www.idelberavelar.com/archives/2011/02/resposta_do_projeto_regularizacao_fundiaria_sustentavel_na_vila_acaba_mundo_do_programa_polos_de_cid.php</link>
         <guid isPermaLink="true">http://www.idelberavelar.com/archives/2011/02/resposta_do_projeto_regularizacao_fundiaria_sustentavel_na_vila_acaba_mundo_do_programa_polos_de_cid.php</guid>
         <category>Polí­tica</category>
         <pubDate>Sat, 12 Feb 2011 06:16:58 -0200</pubDate>
         <comments>http://www.idelberavelar.com/mt336/xyz457.cgi?entry_id=1425</comments>
      </item>
            <item>
         <title>31º aniversário do PT: algumas memórias</title>
<CommentCount>63</CommentCount> 
        <description>
        <![CDATA[<p>Ocorreu num domingo, no dia 10 de fevereiro de 1980, a partir das 11:30 da manhã, no Colégio Sion, em São Paulo, a reunião de fundação do Partido dos Trabalhadores. Havia cerca de 700 pessoas no auditório. Presidia a mesa Jacó Bittar, do Sindicato dos Petroleiros de Paulínia. O secretário era Henrique Santillo, médico formado pela UFMG e Senador por Goiás (sim, havia um Senador da República na fundação do PT). Também presente na mesa estava um certo Luiz Inácio, do Sindicato dos Metalúrgicos de São Bernardo e Diadema, já na época um líder sindical internacionalmente famoso pela greve que ajudou a solapar as bases da ditadura. De acordo com vários presentes, o momento mais emocionante foi a chamada dos seis primeiros signatários do manifesto. Eles foram: Mário Pedrosa, crítico de arte; Lélia Abramo, então presidenta licenciada do Sindicato dos Artistas de São Paulo; Manoel da Conceição, líder camponês; Sérgio Buarque de Hollanda, um dos maiores pensadores da nossa história como nação; Moacir Gadoti, que assinou em nome de Paulo Freire; e o mítico líder popular Apolônio de Carvalho, combatente na Guerra Civil Espanhola. </p>

<p>Mas o objetivo deste post não é contar uma história que já está documentadíssima nos ricos arquivos da Fundação <a href="http://www2.fpa.org.br/">Perseu Abramo</a>. Ao contrário, eu gostaria de fazer algo mais parecido ao que Bia, filha de Perseu, <a href="http://www.fpabramo.org.br/sites/default/files/TD86-colcomportamento.pdf">fez no ano passado</a>: narrar um pouco da minha relação com esse projeto. </p>

<p>Tenho alguma lembrança do histórico <a href="http://www.fpabramo.org.br/uploads/discursodelula1convecao.pdf">discurso </a>de Lula na 1ª Convenção Nacional, em agosto de 1981, no qual ele disse: <em>nosso partido é um menino que nasceu contra a descrença, a desesperança e o medo</em>. Mas minha primeira memória de participação real no PT foi a campanha de Sandra Starling para o governo de Minas em 1982. Ali eu já havia me convertido no que se poderia chamar um <em>militante</em>. Nunca mais deixei de me associar a essa palavra, e em definitivo não me importo que me associem a ela, apesar de que meus períodos de militância são intermitentes e de que militei no PT mesmo, em tempo integral, no Brasil, “somente” oito anos. As decepções foram muitas, as derrotas numerosas. Quem é torcedor de futebol e já disse, alguma vez, enraivecido, <em>nunca mais saio de casa para torcer para esse time</em> saberá do que falo. Olhando para trás e, acima de tudo, olhando para o Brasil de hoje, não consigo escapar da conclusão de que valeu a pena. </p>

<p>Nossa relação com o restante da esquerda era dificílima. O PCB, o PcdoB e o MR-8 nos odiavam mortalmente. Tudo no PT parecia diferente da esquerda tradicional: havia sindicalistas e havia desbundados fumando maconha; havia parlamentares do MDB e havia feministas; havia militantes oriundos da POLOP, da AP e de outros grupos de resistência à ditadura e havia militantes do movimento negro; havia gays e lésbicas saindo do armário, ansiosos para colocar suas pautas na mesa, coexistindo com ativistas católicos das pastorais da terra; havia uma coleção de grupos trotskistas. Aquilo era um saco de gatos. Não tinha a menor chance de dar certo, nos diziam. </p>

<p>A grande acusação recebida pelo PT ao longo da década de 80 foi a de <em>dividir o campo das forças democráticas</em>. Tanto o PCB como o PCdoB haviam optado por alianças preferenciais com o PMDB, coerentes com a teoria etapista que sustentavam (o PcdoB só abandonaria essa estratégia no final da década de 80). O PT era a força política que atrapalhava o consenso, a voz dissonante que desafinava o coro dos contentes da transição. Essa acusação foi repetida  até o momento em que ela deixou de fazer sentido, dado o fato de que o PT havia se tornado uma agremiação muito maior que todas as outras forças de esquerda reunidas.  <br />
<br><br />
<img alt="elza-monerat.jpg" src="http://www.idelberavelar.com/elza-monerat.jpg" width="400" height="270" /><br />
<em>Elsa Monerat, militante do PCB a partir de 1945 e do PCdoB a partir de 1956. No comício de Lula-Bisol no Rio, em 1989. <a href="http://www.memoriaemovimentossociais.com.br/bancodeimagens/displayimage.php?album=3&pos=42">Daqui</a>. </em><br />
 <br />
<br><br />
Um dos auges desses ataques pode ser visto num vídeo que desenterrei para a ocasião: o último programa eleitoral do candidato do PMDB à prefeitura de São Paulo em 1985, Fernando Henrique Cardoso. Para quem não se lembra, as eleições para prefeito na época eram em turno único. Concorriam em SP Jânio Quadros, pelo PTB, FHC pelo PMDB, e Eduardo Suplicy, pelo PT. As pesquisas apontavam a vitória de FHC, que dedicou boa parte de sua campanha a atacar o PT como divisionista. Como se sabe, Suplicy chegou à imponente marca de 20% dos votos, e FHC ficou atrás de Jânio (39 x 35). Aqui, se vê a comemoração antecipada de FHC no último dia de campanha na televisão. O programa, repleto de ataques ao PT, já contava com a indefectível Regina Duarte, comparando a emergência do partido com a divisão dos democratas alemães que permitiu a ascensão de Hitler (a comparação com a ascensão dos franquistas na Espanha viria alguns anos depois): <br />
<br></p>

<p><iframe title="YouTube video player" width="480" height="390" src="http://www.youtube.com/embed/uyvWXZDlhNY" frameborder="0" allowfullscreen></iframe><br />
<br><br />
Aquela época deixou um legado que sobrevive até hoje para muitos petistas: a desconfiança ante aqueles que querem sufocar o debate em nome da necessidade de consenso e de unidade. A lição continua atual, num momento em que jornalistas que até anteontem serviam aos Marinho ou aos Frias acusam, por exemplo, as feministas de serem “a esquerda de que a direita gosta”. Foi exatamente essa a acusação contra a qual o PT surgiu. Derrubá-la foi sua razão de ser. </p>

<p>Talvez a memória que mais me provoca risadas seja do comício de encerramento da campanha de Lula no segundo turno das eleições de 1989, na Praça da Estação, em Belo Horizonte. Brizola era o favorito para ficar com a segunda vaga que definiria o adversário do líder Collor, mas uma arrancada na reta final, impulsionada pela militância, levou Lula a ultrapassá-lo. Três lembranças daquele comício ficaram comigo: a chuva torrencial que caía sobre BH (mas que não fez ninguém arredar pé da praça), o discurso interminável de Fernando Gabeira e o hilário momento em que alguém colocou para tocar a “Internacional Comunista”. Lula vinha fazendo um esforço para se aproximar da classe média, ampliar sua base, espantar, enfim, os medos que aquela terrorífica barba não aparada provocava em alguns segmentos da sociedade. A última coisa que queríamos, evidentemente, era a “Internacional Comunista” tocando num comício. <br />
<br><br />
<img alt="comicio-lula.jpg" src="http://www.idelberavelar.com/comicio-lula.jpg" width="400" height="268" /><br />
<em>Comício da campanha de Lula-Bisol, no Rio, em 1989. <a href="http://www.memoriaemovimentossociais.com.br/bancodeimagens/displayimage.php?album=3&pos=41">Daqui</a></em>. <br />
<br></p>

<p>Situado atrás do palanque, eu me lembro de ficar literalmente gelado ao som dos primeiros acordes da Internacional. Quando ecoa o <em>de pé, ó vítimas da fome</em>, desencadeia-se uma correria repleta de trombadas entre os membros da direção da campanha. Um dos líderes da campanha em Minas (talvez tenha sido Luiz Dulci, mas disso eu não me lembro) desembesta na direção do aparelho de som gritando <em>tira essa porra, tira essa porra, põe o Lula-lá, põe o Lula-lá</em>. Por sorte, alguém trocou a Internacional pelo jingle da campanha e o comício prosseguiu sem grandes percalços. </p>

<p>De lá para cá, como se sabe, Lula perdeu mais duas, ganhou mais duas, e elegeu sua sucessora. Foram muitas as conquistas, numerosos os erros, graves algumas traições ao longo da história. Mas, no todo, ela não envergonha a memória de Apolônio de Carvalho e Elza Monerat. <br />
</p>]]>
        
        </description>
         <link>http://www.idelberavelar.com/archives/2011/02/31_aniversario_do_pt_algumas_memorias.php</link>
         <guid isPermaLink="true">http://www.idelberavelar.com/archives/2011/02/31_aniversario_do_pt_algumas_memorias.php</guid>
         <category>Polí­tica</category>
         <pubDate>Thu, 10 Feb 2011 09:43:08 -0200</pubDate>
         <comments>http://www.idelberavelar.com/mt336/xyz457.cgi?entry_id=1424</comments>
      </item>
      
   </channel>
</rss>

