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	<title>ISPN – Instituto Sociedade, População e Natureza</title>
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	<title>ISPN – Instituto Sociedade, População e Natureza</title>
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		<title>Serrinha do Paranoá e a luta pela água do Cerrado são temas de roda de conversa em Brasília</title>
		<link>https://ispn.org.br/noticia/serrinha-do-paranoa-e-a-luta-pela-agua-do-cerrado-sao-temas-de-roda-de-conversa-em-brasilia/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Luana Piotto]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 26 Mar 2026 17:56:33 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Notícia]]></category>
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					<description><![CDATA[O encontro teve objetivo de ampliar o debate público sobre a importância de proteger o bioma, que já perdeu 50% da vegetação nativa]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>A Serrinha do Paranoá, no Distrito Federal, virou alvo de interesses que expõem a pressão sobre a região. Há algumas semanas, o local entrou na mira do Governo do Distrito Federal, que cogitou seu uso para capitalizar o Banco de Brasília (BRB), envolvido no caso de corrupção com o Banco Master. A área está listada entre nove imóveis públicos que podem ser destinados para cobrir os prejuízos causados pelos negócios com o banco privado.</p>
<p>O local, que fica situado entre o Varjão e o Paranoá, e abriga 119 nascentes e importantes remanescentes de Cerrado nativo, é considerado um manancial hídrico estratégico para o DF. Foi justamente esse cenário que reuniu pesquisadores e ativistas no Eixão do Lazer, em Brasília, no último domingo (22), Dia Mundial da Água. O evento integrou a campanha Cerrado, Coração das Águas e chamou a atenção para a importância do bioma na segurança hídrica do país.</p>
<p>Para a Presidente da Associação Preserva Serrinha, Lucia Mendes, a resposta começa pelo reconhecimento. &#8220;A maioria da população de Brasília nunca tinha ouvido falar da Serrinha do Paranoá. Para nós que somos moradores, ativistas que fazemos parte de uma comunidade organizada e que vêm há anos buscando conhecimento sobre aquele território, entendemos quando o território está ameaçado. Mas como você vai defender o que você não conhece?&#8221;, questionou.</p>
<figure id="attachment_32962" aria-describedby="caption-attachment-32962" style="width: 800px" class="wp-caption aligncenter"><img fetchpriority="high" decoding="async" class="wp-image-32962 size-large" src="https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/03/Eixao-do-Lazer-Brasilia-Dia-Mundial-da-Agua-Cerrado-2-1024x768.jpeg" alt="" width="800" height="600" srcset="https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/03/Eixao-do-Lazer-Brasilia-Dia-Mundial-da-Agua-Cerrado-2-1024x768.jpeg 1024w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/03/Eixao-do-Lazer-Brasilia-Dia-Mundial-da-Agua-Cerrado-2-300x225.jpeg 300w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/03/Eixao-do-Lazer-Brasilia-Dia-Mundial-da-Agua-Cerrado-2-768x576.jpeg 768w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/03/Eixao-do-Lazer-Brasilia-Dia-Mundial-da-Agua-Cerrado-2.jpeg 1280w" sizes="(max-width: 800px) 100vw, 800px" /><figcaption id="caption-attachment-32962" class="wp-caption-text">A urgência de proteger a Serrinha do Paranoá, no Distrito Federal, esteve no centro do debate. Foto: Ariel Rocha/Acervo ISPN</figcaption></figure>
<p><strong>Cerrado: o protagonista esquecido</strong></p>
<p>A ameaça à Serrinha não é um caso isolado, o Cerrado como um todo segue sob intensa pressão, impulsionada pela expansão agropecuária e fragilidade da legislação ambiental. O pesquisador e diretor do Instituto Cerrados, Yuri Salmona, destacou na conversa que o papel do bioma é central e ainda assim é subestimado.</p>
<p>&#8220;O protagonista no provimento de água do Brasil é o bioma Cerrado. Isso é um fato científico, não é uma opinião. Oito das 12 bacias hidrográficas do Brasil são abastecidas com água que vem do Cerrado&#8221;, afirma.</p>
<p>Mesmo assim, o bioma segue sendo o mais desmatado do país pelo segundo ano consecutivo, superando a Amazônia. “Daqui a alguns anos todo mundo vai falar de boca cheia da importância de proteger o Cerrado. A questão é se vai dar tempo. Essa é uma pergunta que nos preocupa muito. Por quê essa pergunta é muito pertinente? Porque 50% do Cerrado, já foi desmatado”, explica.</p>
<p>A professora Mercedes Bustamante, do Departamento de Ecologia da UnB, explicou o mecanismo que torna o Cerrado vital. Segundo ela, as raízes profundas da vegetação permitem acessar água mesmo durante a estação seca.</p>
<p>“Durante o auge da estação seca, o primeiro metro de solo do Cerrado está completamente seco. A vegetação do Cerrado, ela é tão resiliente, que começa a colocar as folhas novas antes do período chuvoso”, explica. “E o que isso significa? Que o Cerrado começa a retornar umidade para a atmosfera antes da chuva começar. Isso faz com que as massas úmidas que venham do norte do Brasil, consigam se transformar em chuva aqui”.</p>
<figure id="attachment_32963" aria-describedby="caption-attachment-32963" style="width: 800px" class="wp-caption aligncenter"><img decoding="async" class="wp-image-32963 size-large" src="https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/03/Eixao-do-Lazer-Brasilia-Dia-Mundial-da-Agua-Cerrado-3-1024x768.jpeg" alt="" width="800" height="600" srcset="https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/03/Eixao-do-Lazer-Brasilia-Dia-Mundial-da-Agua-Cerrado-3-1024x768.jpeg 1024w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/03/Eixao-do-Lazer-Brasilia-Dia-Mundial-da-Agua-Cerrado-3-300x225.jpeg 300w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/03/Eixao-do-Lazer-Brasilia-Dia-Mundial-da-Agua-Cerrado-3-768x576.jpeg 768w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/03/Eixao-do-Lazer-Brasilia-Dia-Mundial-da-Agua-Cerrado-3.jpeg 1280w" sizes="(max-width: 800px) 100vw, 800px" /><figcaption id="caption-attachment-32963" class="wp-caption-text">A mobilização contou com oficina de lambe-lambe (colagem de cartazes com a marca da campanha) aberta ao público. Foto: Ariel Rocha/Acervo ISPN</figcaption></figure>
<p><strong>Quem protege</strong></p>
<p>A coordenadora do Programa Cerrado do ISPN, Isabel Figueiredo, destacou a importância dos povos e comunidades tradicionais para a proteção do bioma. E citou grupos que mantêm uma conexão com o Cerrado, como as quebradeiras de coco babaçu , fecheiros de pasto, apanhadoras de sempre-vivas, raizeiros e os retireiros do Araguaia.</p>
<p>“Eles estão lá há muitas e muitas gerações, algumas até anteriores ao próprio estabelecimento do estado, e têm um papel muito importante na conservação do Cerrado, porque elas conseguem ter um modo de vida que permite que o Cerrado esteja lá”, explica. “É uma interação com a paisagem que permite que as águas fluam, que o carbono esteja láarmazenado, que a fauna possa permear e caminhar pelas áreas”, finaliza.</p>
<p><strong>Cerrado, Coração das Águas</strong></p>
<p>A roda de conversa no Dia Mundial da Água foi uma iniciativa da campanha Cerrado, Coração das Águas, que reúne ISPN, Instituto Cerrados, Rede Cerrado, Funatura, IPAM, IEB e WWF-Brasil. A inciativa contou com o apoio do Choro no Eixo. A proposta da campanha é comunicar, de forma acessível e mobilizadora, a centralidade do bioma para o equilíbrio hídrico do país.</p>
<p>Ao destacar o Cerrado como um “coração” que pulsa e distribui água para diferentes regiões, a campanha busca sensibilizar a sociedade sobre a urgência de proteger suas nascentes, rios e territórios.</p>
]]></content:encoded>
					
		
		
			</item>
		<item>
		<title>Fundo Ecos abre chamada para projetos em territórios conservados por comunidades</title>
		<link>https://ispn.org.br/noticia/fundo-ecos-abre-chamada-para-projetos-em-territorios-conservados-por-comunidades/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Ariel Rocha]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 26 Mar 2026 16:15:27 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Notícia]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://ispn.org.br/?p=32943</guid>

					<description><![CDATA[O 47° Edital recebe propostas de organizações em Territórios e Áreas Conservadas por Povos Indígenas e Comunidades Tradicionais e Locais (TICCAs) no Cerrado e na Caatinga ]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p><span style="font-weight: 400;">A chamada </span><b>Fortalecimento de Segurança Alimentar e Governança de Territórios de Comunidades do Cerrado e da Caatinga</b><span style="font-weight: 400;"> do </span><b>47° Edital (n° 1/2026)</b><span style="font-weight: 400;"> do Fundo Ecos, mecanismo financeiro do Instituto Sociedade, População e Natureza (ISPN), está aberta para envio de projetos até dia 27 de abril de 2026, às 18h, horário de Brasília (DF). </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O edital é voltado para as organizações inseridas no contexto de <strong>TICCAs – Territórios de Vida</strong>, um conceito internacional definido como territórios e áreas geridos, manejados e conservados por povos e comunidades tradicionais, indígenas ou locais. E precisam compreender três características: </span></p>
<ul>
<li style="font-weight: 400;" aria-level="1"><span style="font-weight: 400;">relação profunda com o território, ligada à identidade, cultura, espiritualidade e bem-estar; </span></li>
<li style="font-weight: 400;" aria-level="1"><span style="font-weight: 400;">autonomia para tomar decisões e gerir o território; </span></li>
<li style="font-weight: 400;" aria-level="1"><span style="font-weight: 400;">modos de vida que contribuem para a conservação da biodiversidade e valores sociais associados.</span></li>
</ul>
<p>Os projetos da chamada devem se enquadrar em pelo menos uma das seguintes linhas temáticas: (i) produção sustentável, segurança alimentar e tecnologias sociais; ou (ii) gestão territorial, fortalecimento organizacional e incidência política, com protagonismo de mulheres e/ou jovens.</p>
<p><span style="font-weight: 400;">O recurso previsto para este edital é de R$1,3 milhão e apoiará exclusivamente a categoria de pequenos projetos, com valor máximo de R$130 mil por iniciativa, destinados prioritariamente a organizações em fase inicial de desenvolvimento, com pouca ou nenhuma experiência em gestão de projetos, visando incentivar e fortalecer suas ações. Cada organização poderá submeter apenas uma proposta. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Acesse o edital </span><a href="https://fundoecos.org.br/edital/edital-47-ticcas/"><b>aqui</b></a><span style="font-weight: 400;">, leia os itens com atenção antes do envio do projeto que deve ser feito por formulário online com link disponível na página do edital. A submissão deve seguir rigorosamente todas as questões do formulário que guiam essa elaboração de propostas. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Mas atenção:</span> <span style="font-weight: 400;">o formulário não tem salvamento parcial, ele precisa ser preenchido de uma só vez. Faça um rascunho do seu projeto. Nos anexos na página do edital, está disponível o “roteiro offline” na versão .docx para ser utilizado como rascunho pela sua organização na hora de submeter a proposta. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Para ajudar organizações comunitárias e demais interessados em desenvolverem inciativas com impactos ambientais e sociais, o ISPN tem uma série de vídeos que auxiliam na elaboração da proposta. Veja os vídeos </span><a href="https://youtube.com/playlist?list=PLijMKiJgIFZExKj3TnlaS1PDRIgIr8Wgm&amp;si=JVStgSVGsiqccnZK"><b>aqui</b></a><span style="font-weight: 400;">. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Também, para entender melhor sobre TICCAs, o ISPN elaborou uma publicação que sistematiza estratégias de proteção de territórios conservados por comunidades tradicionais no Cerrado a partir das experiências do Fundo Ecos (antigo PPP-ECOS) e pode ser acessada </span><a href="https://ispn.org.br/publicacao/fortalecimento-de-areas-conservadas-por-comunidades-ticcas-no-brasil-a-experiencia-do-ppp-ecos/"><b>aqui</b></a><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<figure id="attachment_32944" aria-describedby="caption-attachment-32944" style="width: 1600px" class="wp-caption alignnone"><img decoding="async" class="size-full wp-image-32944" src="https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/03/Print.png" alt="" width="1600" height="762" srcset="https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/03/Print.png 1600w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/03/Print-300x143.png 300w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/03/Print-1024x488.png 1024w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/03/Print-768x366.png 768w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/03/Print-1536x732.png 1536w" sizes="(max-width: 1600px) 100vw, 1600px" /><figcaption id="caption-attachment-32944" class="wp-caption-text">Série de vídeos produzida pelo ISPN ajuda organizações comunitárias no processo de elaboração de projetos ecossociais. Foto: Captura de tela do Youtube</figcaption></figure>
<p><b>Recursos e abrangência do edital </b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Os recursos para apoiar os projetos são do Ministério do Meio Ambiente, Proteção da Natureza e Segurança Nuclear da Alemanha (BMU) e da Iniciativa Internacional do Clima (IKI), sendo executados pelo ISPN em parceria com o Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD).</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A chamada se insere na Oitava Fase Operacional do </span><i><span style="font-weight: 400;">Small Grants Programme (SGP)</span></i><span style="font-weight: 400;"> no Brasil, que tem apoio financeiro do Fundo Global para o Meio Ambiente (GEF), executado pelo ISPN em parceria com o PNUD. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">São elegíveis propostas inseridas nas Paisagens Prioritárias dos biomas Cerrado e Caatinga apoiadas pela Oitava Fase Operacional do </span><i><span style="font-weight: 400;">SGP</span></i><span style="font-weight: 400;"> no Brasil. Confira a seguir os municípios de abrangência das paisagens prioritárias do edital , que foram pactuadas nas Oficinas de Consultas previamente realizadas com parceiros locais  dos territórios: </span></p>
<ul>
<li style="list-style-type: none;">
<ul>
<li style="font-weight: 400;" aria-level="1"><b>Alto Rio Poti, Piauí (PI)</b><span style="font-weight: 400;"> &#8211; municípios de Pedro II, Milton Brandão, Juazeiro do Piauí;</span></li>
<li style="font-weight: 400;" aria-level="1"><b>Cerrado Sul Maranhense, Maranhão (MA)</b><span style="font-weight: 400;"> – municípios de Balsas, Carolina, Riachão, São Raimundo das Mangabeiras, Sambaíba, Loreto, São Domingos do Azeitão, São Félix de Balsas, Benedito Leite, Tasso Fragoso e Alto Parnaíba.</span></li>
<li style="font-weight: 400;" aria-level="1"><b>Kaiowá e Guarani, Mato Grosso do Sul (MS) </b><span style="font-weight: 400;">– municípios de Antônio João, Bela Vista, Aral Moreira, Coronel Sapucaia, Rio Brilhante, Dourados, Douradina, Caarapó, Amambaí e Itaporã.</span></li>
<li style="font-weight: 400;" aria-level="1"><b>Oeste da Bahia:</b></li>
</ul>
</li>
</ul>
<p><b>&#8211; Bacia hidrográfica do Rio Corrente (BA)</b><span style="font-weight: 400;"> &#8211; municípios de Correntina, Santa Maria da Vitória e Coribe;</span></p>
<p><b>&#8211; Oeste da Bahia, Bacia Hidrográfica do Rio Grande (BA)</b><span style="font-weight: 400;"> &#8211; município de Formosa do Rio Preto, Barreiras, São Desidério.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">De acordo com a assessora técnica do ISPN, a engenheira florestal Jessica Pedreira, a definição das áreas de abrangência do edital busca potencializar as iniciativas nas paisagens prioritárias, fortalecendo os territórios e ampliando os impactos das ações em curso na Oitava Fase Operacional do </span><i><span style="font-weight: 400;">SGP</span></i><span style="font-weight: 400;"> no Brasil. </span></p>
<blockquote><p><span style="font-weight: 400;">“Pactuamos com os parceiros locais nos territórios a abrangência das paisagens prioritárias da Oitava Fase Operacional, e ao direcionar o apoio do edital para esses territórios, conseguimos fortalecer processos que já estão em andamento e promover resultados mais consistentes e duradouros junto às comunidades”, destaca.</span></p></blockquote>
<figure id="attachment_32946" aria-describedby="caption-attachment-32946" style="width: 1920px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-32946" src="https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/03/BrunaBraz-9058.png" alt="" width="1920" height="1280" srcset="https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/03/BrunaBraz-9058.png 1920w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/03/BrunaBraz-9058-300x200.png 300w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/03/BrunaBraz-9058-1024x683.png 1024w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/03/BrunaBraz-9058-768x512.png 768w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/03/BrunaBraz-9058-1536x1024.png 1536w" sizes="(max-width: 1920px) 100vw, 1920px" /><figcaption id="caption-attachment-32946" class="wp-caption-text">Mulheres Guarani e Kaiowá durante intercâmbio na Terra Indígena Rio Pindaré no Maranhão. Foto: Bruna Braz/Acervo ISPN</figcaption></figure>
<p><b>Sobre o Fundo Ecos</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O Fundo Ecos, mecanismo financeiro do ISPN, integra a estratégia da instituição voltada à promoção de Paisagens Produtivas Ecossociais, atuando como um instrumento de ampliação do acesso a recursos por iniciativas comunitárias.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Com mais de 30 anos de atuação, o Fundo Ecos apoia projetos que fortalecem o protagonismo das comunidades, incentivando meios de vida sustentáveis, a conservação ambiental e ações de adaptação às mudanças do clima. Ao longo desse percurso, o Fundo já destinou mais de 31 milhões de dólares para mais de mil iniciativas, apoiando diretamente organizações de base comunitária.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Saiba mais sobre o Fundo Ecos no site: </span><a href="https://fundoecos.org.br/"><span style="font-weight: 400;">fundoecos.org.br</span></a><span style="font-weight: 400;"> </span></p>
]]></content:encoded>
					
		
		
			</item>
		<item>
		<title>Intercâmbio entre povos indígenas fortalece estratégias de restauração e defesa dos territórios</title>
		<link>https://ispn.org.br/noticia/territorios-livres-e-floresta-em-pe/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Vivian Tiemi]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 23 Mar 2026 14:51:10 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Notícia]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://ispn.org.br/?p=32923</guid>

					<description><![CDATA[Encontro entre lideranças do Mato Grosso do Sul e do Maranhão promove troca de saberes, articula resistência e impulsiona a recuperação de áreas degradadas diante da ausência do Estado e da pressão do agronegócio]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>Uma longa viagem de quase três mil quilômetros levou um grupo de indígenas Guarani-Kaiowá do Mato Grosso do Sul rumo aos territórios indígenas Ka’apor e Guajajara, no Maranhão. Na jornada eram oito mulheres e um homem com expectativas bem parecidas. A viagem teve um objetivo claro:<strong> trocar saberes sobre proteção da natureza e fortalecer estratégias para restaurar territórios devastados</strong>. Para eles, o encontro também representou um sonho coletivo: <strong>ver novamente florestas em pé e territórios livres</strong>. Uma paisagem que está apenas na memória dos anciãos Guarani-Kaiowá.</p>
<p>Os participantes vivem em <strong>áreas de retomada — territórios tradicionais em disputa</strong>, que são auto demarcados diante da ausência do Estado em garantir o território ancestral. No Mato Grosso do Sul, essas retomadas reivindicam o direito de existir em terras sagradas, hoje profundamente degradadas pelo avanço do agronegócio.</p>
<blockquote><p>“<em>O agro planta soja, milho, joga veneno. Devido a esse envenenamento, no nosso território já não existem mais plantas medicinais, já não existem mais árvores nativas, já não existe mais nascente, está secando. Tem algumas que já secaram bastante, já não existem mais os peixes, o remédio. Muitas coisas estão gerando mais doenças, a gente está passando por mais problemas de saúde</em>”, relata Clara Lúcia, indígena Guarani-Kaiowá.</p></blockquote>
<p>Diante desse cenário, além da luta pelo reconhecimento e pela demarcação das terras, os Guarani-Kaiowá também enfrentam o desafio de<strong> recuperar o que foi destruído</strong>. A <strong>restauração biocultural dos territórios</strong> garante a proteção da terra e das águas, fortalece a segurança alimentar nas aldeias, possibilita o acesso a plantas medicinais, protege os animais e contribui para o equilíbrio dos modos de vida e da espiritualidade.</p>
<p>Nas áreas de retomada, o cultivo da terra também tem um significado político. A presença de roças, viveiros e florestas em recuperação ajuda a <strong>legitimar as retomadas indígenas</strong> e pode ser considerada em processos judiciais de demarcação.</p>
<figure id="attachment_32928" aria-describedby="caption-attachment-32928" style="width: 800px" class="wp-caption aligncenter"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-32928 size-large" src="https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/03/Daniela_Almeida_Kaiowa_Maranhao_2025-9240-1-1024x683.png" alt="" width="800" height="534" srcset="https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/03/Daniela_Almeida_Kaiowa_Maranhao_2025-9240-1-1024x683.png 1024w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/03/Daniela_Almeida_Kaiowa_Maranhao_2025-9240-1-300x200.png 300w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/03/Daniela_Almeida_Kaiowa_Maranhao_2025-9240-1-768x512.png 768w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/03/Daniela_Almeida_Kaiowa_Maranhao_2025-9240-1-1536x1024.png 1536w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/03/Daniela_Almeida_Kaiowa_Maranhao_2025-9240-1.png 1920w" sizes="(max-width: 800px) 100vw, 800px" /><figcaption id="caption-attachment-32928" class="wp-caption-text">Visita às roças da Aldeia Piçarra Preta, em Bom Jardim, no Maranhão. Foto: Daniela Almeida Kaiowá/Acervo ISPN</figcaption></figure>
<h3>Cerrado ameaçado</h3>
<p>O Cerrado é o segundo maior bioma brasileiro, cobrindo cerca de 24% do território nacional, uma área de aproximadamente 2 milhões de km que atravessam 13 estados brasileiros. Um bioma vital para regulação hídrica. Por isso, é considerado o <strong>coração das águas do Brasil</strong>. Dados do MapBiomas mostram que entre 1985 e 2024, o Cerrado perdeu<strong> 40,5 milhões de hectares de vegetação nativa</strong>, o equivalente a 28% de sua cobertura original.</p>
<p>A pesquisa também mostra que as atividades agropecuárias cresceram 74%, a área de pastagem 14,7 milhões de hectares, atingindo seu pico em 2007, com 54,5 milhões de hectares no mesmo período.</p>
<p>Apesar de ser considerada a savana mais biodiversa do mundo, <strong>mais da metade do Cerrado já foi desmatada</strong>, principalmente pela expansão do agronegócio. A devastação provoca desertificação, escassez de água e aumenta a vulnerabilidade social das comunidades tradicionais que dependem do bioma.</p>
<blockquote><p>“<em>O nosso Cerrado foi todo devastado devido ao agro. A gente não tem mais as plantas nativas, as árvores e as frutas</em>”, afirma Maristela.</p></blockquote>
<h3>Aliança entre Povos</h3>
<p>Além das iniciativas de restauração, os povos indígenas têm fortalecido<strong> redes de articulação em âmbito nacional</strong>, promovendo encontros, intercâmbios e trocas de experiências. Essas conexões permitem compartilhar estratégias de resistência e reforçar a<strong> luta coletiva pelo direito à terra</strong>.</p>
<blockquote><p><em>“A nossa luta e a luta deles são iguais. Porque a gente luta pelos nossos direitos às terras indígenas. A terra para nós é muito preciosa. A terra é a Mãe Terra, e nós não vivemos sem a terra. Nós não vivemos sem as águas</em>”, afirma Edite Guarani.</p></blockquote>
<p>Inspiradas nessa confluência entre povos, as mulheres Guarani-Kaiowá visitaram as Terras Indígenas Alto Turiaçu e Rio Pindaré, no Maranhão, onde foram recebidas pelos povos Ka’apor e Guajajara. O objetivo era conhecer<strong> experiências locais de proteção, conservação e restauração territorial</strong>.</p>
<p>O intercâmbio contou com apoio do Instituto Sociedade, População e Natureza (ISPN), por meio do projeto Cerrativistas: Mulheres das Águas, implementado com recursos do Fundo de Parceria para Ecossistemas Críticos (CEPF). O projeto promoveu uma <strong>formação voltada ao fortalecimento de lideranças de povos e comunidades tradicionais do Cerrado</strong>. Entre as 30 mulheres participantes do curso, cinco eram indígenas Guarani-Kaiowá, que desenvolveram projetos de coleta de sementes e produção de mudas voltadas à restauração dos territórios onde vivem.</p>
<figure id="attachment_32926" aria-describedby="caption-attachment-32926" style="width: 800px" class="wp-caption aligncenter"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-32926 size-large" src="https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/03/BrunaBraz-8441-1-1024x683.png" alt="" width="800" height="534" srcset="https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/03/BrunaBraz-8441-1-1024x683.png 1024w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/03/BrunaBraz-8441-1-300x200.png 300w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/03/BrunaBraz-8441-1-768x512.png 768w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/03/BrunaBraz-8441-1-1536x1024.png 1536w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/03/BrunaBraz-8441-1.png 1920w" sizes="(max-width: 800px) 100vw, 800px" /><figcaption id="caption-attachment-32926" class="wp-caption-text">Visita às matas preservadas nos territórios da TI Alto Turiaçu. Foto: Bruna Braz/Acervo ISPN</figcaption></figure>
<h3>Aprendizados na floresta</h3>
<p>Durante a visita ao Maranhão, as indígenas Guarani-Kaiowá caminharam por florestas nativas e áreas em processo de restauração, coletaram sementes e mudas, beberam água de cipó, se banharam em rios amazônicos e experimentaram açaí puro pela primeira vez.</p>
<blockquote><p>“<em>Eu vim para cá para conhecer a aldeia deles, a experiência deles, como eles têm trabalhado, como eles têm aquela vontade de reflorestar o que já tinham perdido. Para nós é uma experiência que vamos levar para o nosso estado. Lá no Mato Grosso do Sul, a nossa área é bem terra nua mesmo, não tem quase nada</em>”, conta Ifigeninha Hirto Kaiowá.</p></blockquote>
<p>Odenilda Hirto Kaiowá também destacou as <strong>estratégias de proteção territorial </strong>adotadas pelos Ka’apor.</p>
<blockquote><p>“A preservação que eles fazem, o monitoramento, tudo isso eu vi lá. Quando as queimadas fizeram estrago, eles cuidaram e a floresta começou a nascer novamente.”</p></blockquote>
<p>Para Maristela Aquino, do povo Guarani Nhandeva, a troca de experiências fortalece a luta coletiva.</p>
<blockquote><p>“<em>Essa experiência foi muito importante para a gente voltar para o Mato Grosso do Sul e entender que precisamos reforçar a luta. Apoiar os territórios de retomada, seja com sementes, seja ensinando a ter viveiros de mudas, porque o contexto aqui é outro, é um contexto devastado</em>.”</p></blockquote>
<p>O intercâmbio também evidenciou diferenças entre os biomas. Enquanto os povos Ka’apor e Guajajara vivem na Amazônia, as retomadas Guarani-Kaiowá estão localizadas no Cerrado, o segundo maior bioma do Brasil.</p>
<h3>Espiritualidade e resistência</h3>
<figure id="attachment_32925" aria-describedby="caption-attachment-32925" style="width: 800px" class="wp-caption aligncenter"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-32925 size-large" src="https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/03/BrunaBraz-8405-1-1024x683.png" alt="" width="800" height="534" srcset="https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/03/BrunaBraz-8405-1-1024x683.png 1024w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/03/BrunaBraz-8405-1-300x200.png 300w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/03/BrunaBraz-8405-1-768x512.png 768w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/03/BrunaBraz-8405-1-1536x1024.png 1536w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/03/BrunaBraz-8405-1.png 1920w" sizes="(max-width: 800px) 100vw, 800px" /><figcaption id="caption-attachment-32925" class="wp-caption-text">Indígenas Guarani-Kaiowá em imersão nas matas da Aldeia Piçarra Preta, no Maranhão. Foto: Bruna Braz/Acervo ISPN</figcaption></figure>
<p>Entre os Guarani-Kaiowá, a relação com a terra envolve <strong>dimensões materiais e espirituais inseparáveis</strong>. A natureza é entendida como um conjunto de seres vivos e espirituais com os quais os humanos estabelecem relações de respeito, cuidado e reciprocidade.</p>
<p>A vida Guarani-Kaiowá está profundamente integrada ao ambiente natural, em sua sociabilidade que atravessa planos materiais e imateriais. Os seres que habitam essas duas dimensões interagem continuamente, em relações que expressam respeito e interdependência entre humanos, animais, plantas e demais elementos da natureza. Por isso, a restauração do lar dos Guarani-Kaiowá, o bioma Cerrado, vai além da recuperação de recursos naturais. <strong>Trata-se de reconstruir vínculos culturais e espirituais ligados ao Tekohá</strong>, o território onde a vida coletiva se organiza. Além do Cerrado, os Guarani-Kaiowá também ocupam a Mata Atlântica. Na dimensão espiritual, o Tekohá abrange a terra, as florestas, os campos, as águas, as plantas e os remédios da natureza.É nesse espaço que o modo de vida dos Guarani-Kaiowá se desenvolve e ganha sentido.</p>
<p>Nesse território, também se estabelece a relação com os Tekojara, os guardiões dos “modos de ser”. Essas entidades espirituais habitam diferentes planos, tangíveis e intangíveis &#8211; e cuidam dos elementos da natureza, como animais, vegetais, minerais, águas, organizando o <strong>equilíbrio do Tekohá</strong>, lugar onde a vida se expressa.</p>
<figure id="attachment_32924" aria-describedby="caption-attachment-32924" style="width: 800px" class="wp-caption aligncenter"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-32924 size-large" src="https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/03/20251209_145331-1024x768.jpg" alt="" width="800" height="600" srcset="https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/03/20251209_145331-1024x768.jpg 1024w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/03/20251209_145331-300x225.jpg 300w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/03/20251209_145331-768x576.jpg 768w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/03/20251209_145331-1536x1152.jpg 1536w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/03/20251209_145331-2048x1536.jpg 2048w" sizes="(max-width: 800px) 100vw, 800px" /><figcaption id="caption-attachment-32924" class="wp-caption-text">Banho nas águas do Rio Pindaré. Foto: Daniela Almeida Kaiowá/Acervo ISPN</figcaption></figure>
<p>“<em>Nós precisamos do nosso território para continuar a cuidar da nossa natureza legítima, que é criada por deus, Tekojara, como falamos na minha língua. Por isso estamos saindo para defender</em>”, explica o líder indígena, Bonifácio Reginaldo.</p>
<p>“<em>Ka&#8217;aguy, na minha língua, mato, ele tem dono. Fizemos reza ali na frente para entrar aqui, pedindo proteção das matas. Tudo tem dono. Para cortar uma planta, pedimos permissão. Para retomarmos a terra também precisamos pedir para ele nos dar o território</em>”, diz Bonifácio.</p>
<p>Essa dimensão espiritual, no entanto, tem enfrentado novas ameaças. De acordo com relatos de lideranças e organizações indígenas, a expansão de igrejas neopentecostais nas comunidades tem provocado <strong>conflitos religiosos e episódios de violência</strong> contra casas de reza e lideranças espirituais.</p>
<p>“<em>Aqui no Mato Grosso do Sul, as igrejas evangélicas vêm com muita força e desestruturam os territórios. É outro pensamento, outra forma de entender o mundo. Acaba apagando a memória dos ancestrais, das nossas rezadoras e rezadores</em>”, relata Maristela.</p>
<h3>Terras demarcadas também sofrem pressão</h3>
<figure id="attachment_32927" aria-describedby="caption-attachment-32927" style="width: 800px" class="wp-caption aligncenter"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-32927 size-large" src="https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/03/BrunaBraz-9341-1024x683.png" alt="" width="800" height="534" srcset="https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/03/BrunaBraz-9341-1024x683.png 1024w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/03/BrunaBraz-9341-300x200.png 300w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/03/BrunaBraz-9341-768x512.png 768w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/03/BrunaBraz-9341-1536x1024.png 1536w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/03/BrunaBraz-9341.png 1920w" sizes="(max-width: 800px) 100vw, 800px" /><figcaption id="caption-attachment-32927" class="wp-caption-text">Vivências na sede da Aldeia Piçarra Preta. Foto: Bruna Braz/Acervo ISPN</figcaption></figure>
<p>Mesmo em territórios já demarcados, a segurança não está garantida. Cacique Pedro Viana Guajajara, da aldeia Piçarra Preta,Terra Indígena Rio Pindaré, relata que as invasões continuam ocorrendo.</p>
<p>“Mesmo tendo o território demarcado, sempre tem frustrações. O pessoal quer invadir, entra dentro do território e causa angústia. Ainda vêm ataques.”</p>
<p>Nesse contexto, a troca de experiências entre diferentes povos se torna uma <strong>ferramenta importante de resistência frente à violência e o preconceito</strong>.</p>
<h3>Juventude e futuro</h3>
<figure id="attachment_32929" aria-describedby="caption-attachment-32929" style="width: 800px" class="wp-caption aligncenter"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-32929 size-large" src="https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/03/Daniela_Almeida_Kaiowa_Maranhao_2025-9279-1024x683.png" alt="" width="800" height="534" srcset="https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/03/Daniela_Almeida_Kaiowa_Maranhao_2025-9279-1024x683.png 1024w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/03/Daniela_Almeida_Kaiowa_Maranhao_2025-9279-300x200.png 300w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/03/Daniela_Almeida_Kaiowa_Maranhao_2025-9279-768x512.png 768w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/03/Daniela_Almeida_Kaiowa_Maranhao_2025-9279-1536x1024.png 1536w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/03/Daniela_Almeida_Kaiowa_Maranhao_2025-9279.png 1920w" sizes="(max-width: 800px) 100vw, 800px" /><figcaption id="caption-attachment-32929" class="wp-caption-text">Mulheres da Aldeia Piçarra Preta, no município de Bom Jardim, Maranhão. Foto: Daniela Almeida Kaiowá/Acervo ISPN</figcaption></figure>
<p>A juventude indígena também desempenha <strong>papel central nesse processo</strong>. Daniela Almeida Kaiowá, de 17 anos, viajou de avião pela primeira vez para participar do intercâmbio.</p>
<p>“As plantas que eu trouxe, açaí e outros, mandioca, eu já plantei também. Agora mesmo está chovendo. Já está dando, daqui a pouco já vai dar”, conta.</p>
<p>Para muitos jovens das retomadas, o contato com plantas nativas é algo recente, já que cresceram em áreas onde a vegetação original foi quase completamente destruída.</p>
<p>Plantar, nesses territórios, é um gesto de reconstrução. Significa restaurar a natureza, imaginar o futuro e reafirmar a permanência indígena na terra dos ancestrais. <strong>Restaurar para demarcar e demarcar para restaurar</strong>: essa é a simbiose que sustenta o futuro do Cerrado. A partir da restauração biocultural, do fortalecimento da juventude e das alianças entre povos, os Guarani-Kaiowá seguem abrindo caminhos de resistência.</p>
<blockquote><p>“Nós, jovens, somos o futuro para as gerações. Devemos fortalecer nosso modo de viver e existir, levando força no lugar dos nossos anciãos, que já não estão mais aguentando. É a nossa vez de aprender mais para cuidar da natureza e das florestas”, afirma Manoela Almeida Kaiowá, também de 17 anos.</p></blockquote>
<figure id="attachment_32930" aria-describedby="caption-attachment-32930" style="width: 800px" class="wp-caption aligncenter"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-32930 size-large" src="https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/03/Daniela_Almeida_Kaiowa_Maranhao_2025-9289-1024x683.png" alt="" width="800" height="534" srcset="https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/03/Daniela_Almeida_Kaiowa_Maranhao_2025-9289-1024x683.png 1024w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/03/Daniela_Almeida_Kaiowa_Maranhao_2025-9289-300x200.png 300w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/03/Daniela_Almeida_Kaiowa_Maranhao_2025-9289-768x512.png 768w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/03/Daniela_Almeida_Kaiowa_Maranhao_2025-9289-1536x1024.png 1536w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/03/Daniela_Almeida_Kaiowa_Maranhao_2025-9289.png 1920w" sizes="(max-width: 800px) 100vw, 800px" /><figcaption id="caption-attachment-32930" class="wp-caption-text">Os saberes ancestrais presentes em várias gerações na Aldeia Piçarra Preta, Terra Indígena Pindaré, Maranhão. Foto: Daniela Almeida Kaiowá. Acervo/ISPN</figcaption></figure>
]]></content:encoded>
					
		
		
			</item>
		<item>
		<title>Dia Mundial da Água: campanha alerta para a importância do Cerrado na segurança hídrica do país</title>
		<link>https://ispn.org.br/noticia/dia-mundial-da-agua-campanha-alerta-para-a-importancia-do-cerrado-na-seguranca-hidrica-do-pais/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[leticia@ispn.org.br]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 20 Mar 2026 17:43:03 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Notícia]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://ispn.org.br/?p=32912</guid>

					<description><![CDATA[Campanha Cerrado Coração das Águas promove ação no dia 22 de março para debater a importância do bioma para o Distrito Federal e o país]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>No próximo dia 22 de março, quando se celebra o Dia Mundial da Água, o Instituto Sociedade, População e Natureza (ISPN) se soma a organizações parceiras para reforçar um alerta urgente: o bioma Cerrado, responsável por abastecer grande parte do território brasileiro, está perdendo suas águas.</p>
<p>Como parte da campanha Cerrado, Coração das Águas, será realizada uma mobilização em Brasília (DF), no Eixão do Lazer (altura da 204 Norte), a partir das 10h30. A programação inclui uma roda de conversa sobre o papel estratégico do bioma na segurança hídrica e uma oficina de lambe-lambe (colagem de cartazes com a marca da campanha) aberta ao público.</p>
<p>O evento reúne diversas organizações socioambientalistas como ISPN, Instituto Cerrados, Rede Cerrado, Funatura, IPAM, IEB e WWF-Brasil, com o objetivo de ampliar o debate público sobre a importância do Cerrado como um verdadeiro “coração das águas”, responsável por alimentar grandes bacias hidrográficas do país.</p>
<h2>Cerrado sob pressão</h2>
<p>Dados recentes evidenciam a gravidade da situação. <a href="https://repositorio.unb.br/handle/10482/48441?locale=en" target="_blank" rel="noopener">Estudo conduzido pelo pesquisador Yuri Salmona</a> (UnB) analisou 81 bacias hidrográficas do Cerrado entre 1985 e 2022 e identificou redução da vazão em 88% delas. Segundo a <a href="https://cerrado.ambiental.media/pt/?_gl=1*z7cltr*_ga*NTQ4NzgwODI2LjE3NTA3MTk3NDA.*_ga_9F6ZEN5Q5P*czE3NTA3MjIyMDIkbzIkZzEkdDE3NTA3MjIyMDIkajYwJGwwJGgw" target="_blank" rel="noopener">Ambiental, agência de jornalismo baseado em ciência e dados</a>, seria o equivalente a esvaziar 30 piscinas olímpicas de água por minuto desde a década de 1970. A projeção é de perda de até 35% das reservas hídricas do bioma até 2050.</p>
<p>A principal causa está associada às mudanças no uso da terra, especialmente ao desmatamento e à expansão da fronteira agropecuária. Segundo dados do MapBiomas, mais de 50% da vegetação nativa do Cerrado já foi suprimida.</p>
<p>Entre os casos mais críticos está a bacia do Rio São Francisco, cuja vazão mínima de segurança caiu pela metade nas últimas décadas. A substituição da vegetação nativa por monoculturas e pastagens tem impacto direto na recarga hídrica e na manutenção dos rios.</p>
<p>Além disso, o uso intensivo da água para irrigação &#8211; que representa mais da metade do consumo hídrico nacional, segundo a Agência Nacional de Águas &#8211; aumenta ainda mais a pressão sobre os recursos disponíveis.</p>
<h2>Contaminação e impactos sociais</h2>
<p>O cenário de escassez é agravado pela contaminação das águas. O uso intensivo de agrotóxicos no Cerrado afeta diretamente a qualidade da água e a saúde das populações locais. Comunidades tradicionais, que historicamente protegem o bioma, estão entre as mais impactadas. No Cerrado, <a href="https://dados.tonomapa.org.br/" target="_blank" rel="noopener">2.600 comunidades, distribuídas em 480 municípios</a>, que desempenham papel central na proteção das águas e da biodiversidade.</p>
<p>Relatos de territórios no oeste da Bahia apontam para o desaparecimento de nascentes, redução do nível dos aquíferos e aumento de problemas de saúde associados à exposição a substâncias químicas.</p>
<figure id="attachment_32915" aria-describedby="caption-attachment-32915" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-32915 size-large" src="https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/03/Fellipe-Abreu-Correntina-2024-WEB-129-1024x683.jpg" alt="" width="800" height="534" srcset="https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/03/Fellipe-Abreu-Correntina-2024-WEB-129-1024x683.jpg 1024w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/03/Fellipe-Abreu-Correntina-2024-WEB-129-300x200.jpg 300w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/03/Fellipe-Abreu-Correntina-2024-WEB-129-768x512.jpg 768w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/03/Fellipe-Abreu-Correntina-2024-WEB-129.jpg 1080w" sizes="(max-width: 800px) 100vw, 800px" /><figcaption id="caption-attachment-32915" class="wp-caption-text">Elizete Barreto, representante da comunidade de Fundo e Fecho de Pasto em Correntina, no oeste da Bahia. Foto: Fellipe Abreu/Acervo ISPN</figcaption></figure>
<p>Elizete Barreto, representante da comunidade de Fundo e Fecho de Pasto em Correntina, no oeste da Bahia, manifesta preocupação com a morte de nascentes na região. “Nossa comunidade está aqui há pelo menos 300 anos. Nos últimos 50, a comunidade perdeu 97% de sua extensão para a grilagem e empresas do agronegócio, e 60 nascentes já morreram”, afirma. Além do desaparecimento das nascentes, verifica-se também a redução do nível da água do lençol freático.</p>
<blockquote><p>“A água é o sangue da terra. Assim como a gente precisa do sangue para viver, a água é o que faz brotar a vida no Cerrado. Cada árvore que é derrubada e cada nascente que morre é um pouco da gente que acaba secando também. Pensamos nas vidas que dependem daquela nascente, em toda fauna e flora que deixam de existir porque perdem sua fonte de água”, completa Elizete.</p></blockquote>
<p>Para o ISPN, reconhecer e proteger os territórios de povos e comunidades tradicionais é uma estratégia fundamental para conservar o Cerrado. Esses grupos estão presentes em milhares de comunidades e desempenham papel central na proteção das águas e da biodiversidade.</p>
<blockquote><p>&#8220;Sob uma perspectiva que valoriza a soberania nacional, reconhecer os territórios dos povos e das comunidades tradicionais do Cerrado é um passo estratégico para conservar a biodiversidade do bioma para a segurança hídrica e climática do país”, destaca a coordenadora do Programa Cerrado, Isabel Figueiredo.</p></blockquote>
<h2>Serrinha do Paranoá em alerta</h2>
<p>A campanha também chama atenção para a situação da Serrinha do Paranoá, área localizada no Distrito Federal que abriga 119 nascentes e importantes remanescentes de Cerrado. A comunidade está recolhendo <a href="https://www.change.org/p/proteja-a-serrinha-do-parano%C3%A1" target="_blank" rel="noopener">assinaturas aqui</a> pela proteção permanente da Serrinha.</p>
<p>A possibilidade de destinação da área para fins de capitalização do Banco de Brasília, envolvido no caso de corrupção no Banco Master, levanta preocupações entre organizações socioambientais. A região integra a Área de Proteção Ambiental do Planalto Central e desempenha papel relevante na segurança hídrica do Lago Paranoá.</p>
<h2>Cerrado, Coração das Águas</h2>
<p>A campanha Cerrado, Coração das Águas reúne ISPN, Instituto Cerrados, Rede Cerrado, Funatura, IPAM, IIEB e WWF-Brasil. A proposta é comunicar, de forma acessível e mobilizadora, a centralidade do bioma para o equilíbrio hídrico do país.</p>
<p>Ao destacar o Cerrado como um “coração” que pulsa e distribui água para diferentes regiões, a campanha busca sensibilizar a sociedade sobre a urgência de proteger suas nascentes, rios e territórios.</p>
<p><img loading="lazy" decoding="async" class="alignnone size-medium wp-image-32917" src="https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/03/Assinaturas-RGB_Cerrado-Coracao-das-Águas_Assinatura-Principal_Cor-Sol-300x191.png" alt="" width="300" height="191" srcset="https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/03/Assinaturas-RGB_Cerrado-Coracao-das-Águas_Assinatura-Principal_Cor-Sol-300x191.png 300w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/03/Assinaturas-RGB_Cerrado-Coracao-das-Águas_Assinatura-Principal_Cor-Sol-1024x653.png 1024w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/03/Assinaturas-RGB_Cerrado-Coracao-das-Águas_Assinatura-Principal_Cor-Sol-768x490.png 768w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/03/Assinaturas-RGB_Cerrado-Coracao-das-Águas_Assinatura-Principal_Cor-Sol-1536x980.png 1536w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/03/Assinaturas-RGB_Cerrado-Coracao-das-Águas_Assinatura-Principal_Cor-Sol-2048x1306.png 2048w" sizes="(max-width: 300px) 100vw, 300px" /></p>
<h2>Serviço</h2>
<p><strong>Roda de conversa: Do Cerrado à sua torneira &#8211; proteção integral da Serrinha do Paranoá</strong><br />
Data: 22 de março (domingo)<br />
Horário: 10h30 às 12h<br />
Local: Eixão do Lazer, Choro no Eixo, altura da 204 Norte – Brasília (DF)</p>
<p><strong>Oficina de lambe-lambe – Cerrado, Coração das Águas</strong><br />
Horário: 12h30 às 13h30<br />
Mesmo local<br />
A atividade é aberta ao público e convida todas e todos a refletirem sobre o papel do Cerrado na garantia da água, hoje e no futuro.</p>
]]></content:encoded>
					
		
		
			</item>
		<item>
		<title>Fundo Ecos divulga projetos selecionados no edital 45°</title>
		<link>https://ispn.org.br/noticia/fundo-ecos-divulga-projetos-selecionados-no-edital-45/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Ariel Rocha]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 16 Mar 2026 20:18:32 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Notícia]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://ispn.org.br/?p=32889</guid>

					<description><![CDATA[Iniciativas promovem produção sustentável, valorização cultural e autonomia de comunidades em territórios do Cerrado e da Caatinga]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p><span style="font-weight: 400;">Um total de 26 projetos foi selecionado na chamada do Fundo Ecos, voltada ao apoio de iniciativas de organizações da sociedade civil (OSCs) e organizações de base comunitária (OBCs) nos biomas Cerrado e Caatinga.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O </span><a href="https://fundoecos.org.br/editais/45o-edital-cerrado-e-caatinga/"><span style="font-weight: 400;">45º edital (nº 2 de 2025)</span></a><span style="font-weight: 400;"> apoia propostas que buscam promover práticas socioeconômicas sustentáveis, contribuindo para o bem-estar das comunidades e gerando benefícios ambientais globais. As iniciativas selecionadas valorizam cadeias da sociobiodiversidade e promovem a conservação dos territórios, das culturas e dos saberes tradicionais.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A chamada contemplou duas categorias de apoio. Na categoria pequenos projetos, 15 iniciativas receberão até R$ 150 mil cada, voltadas a organizações em fase inicial de desenvolvimento que necessitam de recursos para fortalecer suas ações. Já na categoria projetos de consolidação, 11 iniciativas contarão com apoio de até R$ 250 mil para ampliar a escala de atuação de organizações que já apresentam resultados e impactos positivos comprovados. Confira o resultado abaixo:</span></p>
<pre><b>PEQUENOS PROJETOS 
</b></pre>
<table>
<tbody>
<tr>
<td><strong>Nome </strong></td>
<td><strong>Organização Proponente</strong></td>
<td><strong>Estado</strong></td>
<td><strong>Bioma </strong></td>
</tr>
<tr>
<td>Sistema agroflorestal: ACOMAF-TABOCA</td>
<td>Associação Comunitária dos Moradores e Agricultores Familiares do Povoado Taboca</td>
<td>Alagoas</td>
<td>Caatinga</td>
</tr>
<tr>
<td>Quintais Produtivos Agroecológicos</td>
<td>Associação dos Moradores de Maracajá</td>
<td>Ceará</td>
<td>Caatinga</td>
</tr>
<tr>
<td>Raízes do Sertão: Quintais Produtivos e Sistemas Agroflorestais para a Sustentabilidade no Vale do Canindé</td>
<td>Associação dos Pequenos Produtores Rurais da Localidade Estreito</td>
<td>Piauí</td>
<td>Caatinga</td>
</tr>
<tr>
<td>Nutrindo a terra, alimentando o povo: práticas e saberes Xukuru-Kariri no fortalecimento da Caatinga</td>
<td>Associação Indígena do Grupo Wpyra-Swpirá</td>
<td>Alagoas</td>
<td>Caatinga</td>
</tr>
<tr>
<td>Regeneração Etnoecológica do Quilombo de Serra Negra e requalificação de seu sítio arqueológico no entorno do Parque Nacional da Chapada Diamantina</td>
<td>Grupo Ambientalista de Palmeiras</td>
<td>Bahia</td>
<td>Caatinga</td>
</tr>
<tr>
<td>Elas em Rede: Fortalecimento de Grupos de Mulheres e Agroecologia nos Territórios de Babaçuais</td>
<td>Associação Comunitária de Educação em Saúde e Agricultura</td>
<td>Maranhão</td>
<td>Cerrado</td>
</tr>
<tr>
<td>Semeando resiliência: Fortalecimento e defesa dos modos de produção para a permanência das famílias e jovens de forma digna em seus locais de origem</td>
<td>Associação Comunitária dos Pequenos Agricultores de Baixa Grande e Arredores</td>
<td>Bahia</td>
<td>Cerrado</td>
</tr>
<tr>
<td>Tecendo Histórias: Identidade, Saberes e Resistência das Fiandeiras e Tintureiras de Talismã</td>
<td>Associação Anjos da Selva</td>
<td>Tocantins</td>
<td>Cerrado</td>
</tr>
<tr>
<td>Zum, Zum, Zum Ecológico. “Jovens Apicultores do Cerrado. Cultivando o Futuro com abelhas”.</td>
<td>Associação comunitária e Educacional Ribinha Rego</td>
<td>Maranhão</td>
<td>Cerrado</td>
</tr>
<tr>
<td>Projeto Sol que Transforma: Mulheres do Cerrado Produção Sustentável, Energia Limpa e Bioeconomia o Caminho para Assegurar o Futuro</td>
<td>Associação dos Agricultores da Nova Descoberta</td>
<td>Maranhão</td>
<td>Cerrado</td>
</tr>
<tr>
<td>Delícias do Babassu: Fortalecimento da Agroindústria Comunitária das Mulheres Rurais Quilombolas de Pedrinhas</td>
<td>Clube de Mães Trabalhadoras Rurais Quilombolas Lar de Maria</td>
<td>Maranhão</td>
<td>Cerrado</td>
</tr>
<tr>
<td>Mulheres da Peneira – Casa da Farinha e da Memória Quilombola de Dona Nair</td>
<td>Comunidade Quilombola Nossa Senhora Aparecida</td>
<td>Goiás</td>
<td>Cerrado</td>
</tr>
<tr>
<td>Ró Tsoreptuna: Mapear o território, Conservar o Cerrado e Consultar os A’uwé Xavante</td>
<td>Flor de Ibez &#8211; Instituto de Vida Integral</td>
<td>Mato Grosso</td>
<td>Cerrado</td>
</tr>
<tr>
<td>Produção Sustentável de Biogás e Biofertilizantes a partir de Resíduos de Mandioca em Biodigestor de Baixo Custo como Alternativa Energética e Ambiental para Agricultores Familiares</td>
<td>Fundação de Apoio Científico e Tecnológico do Tocantins</td>
<td>Tocantins</td>
<td>Cerrado</td>
</tr>
<tr>
<td>Areias Pedagógicas do Cerrado</td>
<td>União das Associações das Escolas Famílias Agrícolas do Maranhão</td>
<td>Maranhão</td>
<td>Cerrado</td>
</tr>
</tbody>
</table>
<p><b>PROJETOS DE CONSOLIDAÇÃO </b></p>
<table>
<tbody>
<tr>
<td><strong>Nome </strong></td>
<td><strong>Organização Proponente </strong></td>
<td><strong>Estado</strong></td>
<td><strong>Bioma </strong></td>
</tr>
<tr>
<td>Terra Viva, Mesa Farta: Cultivo Sustentável com Segurança Alimentar</td>
<td>Associação dos Pequenos Produtores Rurais da Comunidade Vereda</td>
<td>Piauí</td>
<td>Caatinga</td>
</tr>
<tr>
<td>Caatinga que Produz: Juventude, saberes e sociobiodiversidade fortalecendo a associação JOCA e o território</td>
<td>Associação Slow Food do Brasil</td>
<td>Rio Grande do Norte</td>
<td>Caatinga</td>
</tr>
<tr>
<td>Pajeú Agroecológico</td>
<td>Diaconia</td>
<td>Pernambuco</td>
<td>Caatinga</td>
</tr>
<tr>
<td>Todos pelo Rio Mosquito – Fase II: Tecendo Redes pelo Bem Viver</td>
<td>Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Porteirinha</td>
<td>Minas Gerais</td>
<td>Caatinga e Cerrado</td>
</tr>
<tr>
<td>Rota Caminhos da Agroecologia II &#8211; Garantindo os direitos de Povos e Comunidades Tradicionais</td>
<td>Associação do Centro de Tecnologia Alternativa</td>
<td>Mato Grosso</td>
<td>Cerrado</td>
</tr>
<tr>
<td>Fortalecimento Organizacional de Mulheres Indígenas no Cerrado: produção sustentável e gestão territorial para segurança alimentar</td>
<td>Associação dos Povos Tradicionais e Indígenas da Comunidade Laranjeiras</td>
<td>Piauí</td>
<td>Cerrado</td>
</tr>
<tr>
<td>Fortalecendo e ampliando Iniciativas Produtivas Sustentáveis desenvolvidas por comunidades rurais em Áreas de Proteção Ambiental no Cerrado Tocantinense.</td>
<td>Associação Onça D’água de apoio à Gestão e ao Manejo das Unidades de Conservação do Tocantins</td>
<td>Tocantins</td>
<td>Cerrado</td>
</tr>
<tr>
<td>Cozinha Quilombola Kalunga: Saberes, Sabores e Autonomia das Mulheres para a Conservação do Cerrado</td>
<td>Associação Quilombola Kalunga</td>
<td>Goiás</td>
<td>Cerrado</td>
</tr>
<tr>
<td>Nossas Plantas, Nossa Saúde</td>
<td>Cáritas Diocesana de Goiás (CDG)</td>
<td>Goiás</td>
<td>Cerrado</td>
</tr>
<tr>
<td>IÊ Baru: Inteligência Econômica e Ecológica da Cadeia do Baru no Cerrado</td>
<td>Casa de Cultura Cavaleiro de Jorge</td>
<td>Goiás, Minas Gerais e Mato Grosso do Sul</td>
<td>Cerrado</td>
</tr>
<tr>
<td>Na Chapada das Veredas: mulheres que transformam!</td>
<td>Centro de Agricultura Alternativa Vicente Nica</td>
<td>Minas Gerais</td>
<td>Cerrado</td>
</tr>
</tbody>
</table>
<p style="text-align: center;"><a href="https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/03/Projetos-selecionados-45o-edital-Fundo-Ecos.pdf"><strong>Confira mais informações dos projetos selecionados</strong></a></p>
<p><span style="font-weight: 400;">“As iniciativas selecionadas estão voltadas ao fortalecimento de povos e comunidades tradicionais, da agricultura familiar e de práticas produtivas sustentáveis em diferentes territórios, com protagonismo de mulheres e jovens. Há destaque para temas como agroecologia, quintais produtivos, sistemas agroflorestais, fortalecimento de cadeias da sociobiodiversidade e valorização cultural”, explica o coordenador do programa Iniciativas Comunitárias do ISPN, Rodrigo Noleto.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A chamada prevê cerca de R$ 5 milhões a projetos no âmbito da Oitava Fase Operacional do </span><i><span style="font-weight: 400;">Small Grants Programme</span></i><span style="font-weight: 400;"> (SGP) no Brasil, com recursos do Fundo Global para o Meio Ambiente (GEF) em parceria com o Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD). </span></p>
<figure id="attachment_32891" aria-describedby="caption-attachment-32891" style="width: 1920px" class="wp-caption aligncenter"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-32891" src="https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/03/Camila-Araujo-EFA-Rio-Peixe-WEB-19.jpg" alt="" width="1920" height="1280" srcset="https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/03/Camila-Araujo-EFA-Rio-Peixe-WEB-19.jpg 1920w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/03/Camila-Araujo-EFA-Rio-Peixe-WEB-19-300x200.jpg 300w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/03/Camila-Araujo-EFA-Rio-Peixe-WEB-19-1024x683.jpg 1024w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/03/Camila-Araujo-EFA-Rio-Peixe-WEB-19-768x512.jpg 768w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/03/Camila-Araujo-EFA-Rio-Peixe-WEB-19-1536x1024.jpg 1536w" sizes="(max-width: 1920px) 100vw, 1920px" /><figcaption id="caption-attachment-32891" class="wp-caption-text">Mulheres e jovens lideram iniciativas que promovem inovação comunitária. Foto: Camila Araujo/Acervo ISPN</figcaption></figure>
<p><b>Próximos passos</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">As organizações selecionadas receberão comunicados do ISPN para a condução dos trâmites necessários e a mobilização dos pontos focais responsáveis pelas iniciativas. Os projetos também participarão de oficinas iniciais de orientação e contarão com o acompanhamento da equipe do Fundo Ecos durante a execução das ações, que poderá ocorrer por até 18 meses.</span></p>
<p><b>Sobre o Fundo Ecos</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O Fundo Ecos, mecanismo financeiro do ISPN, é parte fundamental da estratégia de atuação da organização para a promoção de Paisagens Produtivas Ecossociais, sendo um instrumento de democratização do acesso a recursos para projetos comunitários.</span></p>
<div class="flex flex-col text-sm pb-25">
<article class="text-token-text-primary w-full focus:outline-none [--shadow-height:45px] has-data-writing-block:pointer-events-none has-data-writing-block:-mt-(--shadow-height) has-data-writing-block:pt-(--shadow-height) [&amp;:has([data-writing-block])&gt;*]:pointer-events-auto scroll-mt-[calc(var(--header-height)+min(200px,max(70px,20svh)))]" dir="auto" tabindex="-1" data-turn-id="request-69b46df1-fd48-83e9-bea5-9a2630139914-1" data-testid="conversation-turn-40" data-scroll-anchor="true" data-turn="assistant">
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<p data-start="88" data-end="473" data-is-last-node="" data-is-only-node="">Implementado há mais de 30 anos pelo ISPN, o Fundo Ecos apoia iniciativas que fortalecem o protagonismo comunitário, promovendo meios de vida sustentáveis, conservação ambiental e estratégias de adaptação às mudanças do clima. Ao longo de sua trajetória, já apoiou mais de mil projetos, com repasses superiores a 31 milhões de dólares diretamente para organizações de base comunitária.</p>
</div>
</div>
</div>
</div>
</div>
</div>
</article>
</div>
<p><b>Acompanhe mais sobre o Fundo Ecos </b><a href="https://fundoecos.org.br/"><b>aqui</b></a><b>. </b></p>
<figure id="attachment_32892" aria-describedby="caption-attachment-32892" style="width: 1200px" class="wp-caption aligncenter"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-32892" src="https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/03/Nova-Conquista-II-03.jpg" alt="" width="1200" height="800" srcset="https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/03/Nova-Conquista-II-03.jpg 1200w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/03/Nova-Conquista-II-03-300x200.jpg 300w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/03/Nova-Conquista-II-03-1024x683.jpg 1024w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/03/Nova-Conquista-II-03-768x512.jpg 768w" sizes="(max-width: 1200px) 100vw, 1200px" /><figcaption id="caption-attachment-32892" class="wp-caption-text">Projetos selecionados valorizam cadeias da sociobiodiversidade e promovem a conservação dos territórios, culturas e saberes tradicionais. Foto: Acervo da Associação de Agricultores e Agricultoras do Assentamento Nova Conquista II</figcaption></figure>
]]></content:encoded>
					
		
		
			</item>
		<item>
		<title>Do fogão à conquista de espaços: a força do coletivo das mulheres da Chapada das Veredas</title>
		<link>https://ispn.org.br/noticia/do-fogao-a-conquista-de-espacos-a-forca-do-coletivo-das-mulheres-da-chapada-das-veredas/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Juliana Simões]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 06 Mar 2026 19:01:49 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Notícia]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://ispn.org.br/?p=32867</guid>

					<description><![CDATA[Por entre as grotas e chapadas do Alto Jequitinhonha, em Minas Gerais, um movimento de união feminina fortalece a comunidade, o sentimento de pertencimento e o resgate de tradições culturais]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: left;">O que começou com um lanche compartilhado nos encontros de mulheres no Vale do Jequitinhonha (MG) tornou-se o alicerce de uma mudança estrutural. Desde 2023, moradoras de 11 comunidades rurais passaram a se reunir mensalmente pelo desejo de conquistar autonomia, partilhar saberes e vivências.</p>
<p style="text-align: left;">Mirante, Ribeirão Veredinha, Ribeirão das Posses, Pindaíba, Boiada I, Boiada II, Gameleira, Monte Alegre, Caquente, Pontezinha, Vendinhas e Macaúbas ficaram mais próximas com encontros femininos que quebraram barreiras e construíram pontes. Maria Aparecida Guimarães, da comunidade quilombola de Macaúbas, município de Veredinha, participa do grupo de mulheres desde o início das reuniões que, atualmente, conta com mais de 90 participantes. “Hoje, chegar no grupo e ver aquele tanto de mulher é uma alegria muito grande”, relata.</p>
<p>Anteriormente ao grupo de mulheres, na comunidade do Gentio, também foi criada a Associação de Mulheres Agricultoras do Córrego da Lagoa e Beira do Fanado (ASMAFA). Fundada em 2015 com apenas 12 mulheres, a associação hoje tem mais de 105 participantes que se encontram periodicamente para alçar voos ainda mais altos.</p>
<p>Mais do que paredes de tijolos, a sede abriga cursos de costura, apicultura, compartilhamento de técnicas de agricultura familiar e <a href="https://ispn.org.br/noticia/encurraladas-por-eucalipto-comunidades-do-alto-jequitinhonha-lutam-para-preservar-modo-de-vida-comunitario/">tecnologias sociais, como as cisternas e as barraginhas para mitigar a escassez de água, muito afetada pelo cultivo de eucalipto que ocupou a região</a>. A criação da associação possibilitou geração de renda, encontros que romperam o isolamento rural e fortaleceram a identidade da comunidade.</p>
<p>Outra grande realização foi a certidão de reconhecimento como comunidade quilombola, a primeira do município de Turmalina a conquistar o título. Para Salete Maciel, vice-presidente da ASMAFA, a conclusão da sede própria, onde as decisões são tomadas coletivamente, é a materialização de um sonho. &#8220;Nossa finalidade é unir. Aqui todo mundo tem respeito, fala e ouve&#8221;, afirma.</p>
<figure id="attachment_32871" aria-describedby="caption-attachment-32871" style="width: 800px" class="wp-caption aligncenter"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-32871 size-large" src="https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/03/IMG_0317-1024x683.jpg" alt="" width="800" height="534" srcset="https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/03/IMG_0317-1024x683.jpg 1024w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/03/IMG_0317-300x200.jpg 300w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/03/IMG_0317-768x512.jpg 768w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/03/IMG_0317-1536x1024.jpg 1536w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/03/IMG_0317-2048x1365.jpg 2048w" sizes="(max-width: 800px) 100vw, 800px" /><figcaption id="caption-attachment-32871" class="wp-caption-text">Dona Salete, vice-presidente da ASMAFA, na nova sede. Foto: Juliana Simões/Acervo ISPN</figcaption></figure>
<p>A inauguração da sede da ASMAFA e a possibilidade dos encontros do grupo das mulheres são ações de um ciclo de projetos com financiamento do Fundo Ecos do ISPN e execução em parceria com o Centro de Agricultura Alternativa Vicente Nica (CAV).</p>
<p>Esses projetos estão no contexto da Sétima Fase Operacional do Small Grants Programme no Brasil (SGP) e fazem parte da estratégia de Promoção de Paisagens Produtivas Ecossociais do ISPN, apoiada com recursos do Fundo Global para o Meio Ambiente (GEF) e implementada em parceria com o Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD). Por meio desse projeto, 22 iniciativas de conservação do Cerrado foram selecionadas, sendo 10 no Alto Vale do Jequitinhonha, em Minas Gerais.</p>
<p>Ao longo dos últimos 30 anos, o Fundo Ecos executou mais de mil projetos, alcançando a participação de cerca de 77 mil mulheres. “Esse projeto é muito importante para nós, fortaleceu a Associação e a comunidade”, enfatizou Dona Salete.</p>
<h3>Além do cuidado da casa: a ocupação de espaços e o fortalecimento da rede de mulheres</h3>
<p>A estrutura patriarcal historicamente limitou a mulher ao espaço privado. A coordenadora da Escola Família Agrícola Veredinha (EFAV), Neltinha Oliveira, destaca que o maior desafio foi despertar essas mulheres para ocuparem espaços de decisão. Ela afirmou que, por causa da sobrecarga de tarefas e afazeres domésticos, muitas delas não conseguiam participar de espaços políticos e de formação. Muitas também são mães e incluem seus filhos nas atividades lúdicas dos encontros. Mesmo com a resistência de alguns maridos, elas não têm deixado de participar.</p>
<p>Para além dos desafios, Neltinha complementou sobre a relevância dos encontros nessa transformação, abrindo portas para a escuta, partilhas e aprendizados. “Ao se engajarem, elas perceberam a importância desse espaço para criarem laços e se fortalecerem&#8221;, pontua.</p>
<p>Esse fortalecimento se reflete na saúde mental, autocuidado e no bem-estar. Tereza dos Santos, da Comunidade de Monte Alegre, Veredinha, relata que os encontros, que contam também com apoio de psicólogos, tornam &#8220;a vida mais leve&#8221;. O lanche compartilhado não é apenas alimento; é troca de sabores, saberes e realidades. Também ressalta como os encontros e as escutas entre as mulheres são relevantes nessa transformação. &#8220;O grupo trouxe um desenvolvimento grande para as comunidades. Nos tornamos todas amigas, como se fosse uma família&#8221;, disse Tereza.</p>
<figure id="attachment_32872" aria-describedby="caption-attachment-32872" style="width: 800px" class="wp-caption aligncenter"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-32872 size-large" src="https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/03/IMG_0082-1024x683.jpg" alt="" width="800" height="534" srcset="https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/03/IMG_0082-1024x683.jpg 1024w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/03/IMG_0082-300x200.jpg 300w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/03/IMG_0082-768x512.jpg 768w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/03/IMG_0082-1536x1024.jpg 1536w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/03/IMG_0082-2048x1365.jpg 2048w" sizes="(max-width: 800px) 100vw, 800px" /><figcaption id="caption-attachment-32872" class="wp-caption-text">Tereza dos Santos, da Comunidade de Monte Alegre, município de Veredinha (MG). Foto: Juliana Simões/Acervo ISPN</figcaption></figure>
<p>Nessas ocasiões, as mulheres também dialogam sobre seus direitos, modos de resgatar a ancestralidade, valorizar o território, práticas agroecológicas, uso de plantas medicinais, participação em feiras da região, rodas de conversa e oficinas de acesso ao crédito.</p>
<h3>Tradição, cultura e identidade vivas</h3>
<figure id="attachment_32881" aria-describedby="caption-attachment-32881" style="width: 200px" class="wp-caption alignleft"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-32881 size-medium" src="https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/03/IMG_0218-1-200x300.jpg" alt="" width="200" height="300" srcset="https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/03/IMG_0218-1-200x300.jpg 200w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/03/IMG_0218-1-683x1024.jpg 683w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/03/IMG_0218-1-768x1152.jpg 768w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/03/IMG_0218-1-1024x1536.jpg 1024w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/03/IMG_0218-1-1365x2048.jpg 1365w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/03/IMG_0218-1-scaled.jpg 1707w" sizes="(max-width: 200px) 100vw, 200px" /><figcaption id="caption-attachment-32881" class="wp-caption-text">Neltinha conduzindo cantos durante a Roda da Gamela no Vale do Jequitinhonha. Foto: Juliana Simões/Acervo ISPN</figcaption></figure>
<p>Um dos marcos mais emocionantes do projeto na Chapada das Veredas é o resgate cultural. A Roda da Gamela, uma tradição que estava se perdendo no tempo, voltou a girar. Por meio do grupo, as mulheres resgataram a dança e os cantos passados de geração em geração, envolvendo agora jovens e crianças também.</p>
<p>&#8220;O grupo de mulheres nos tirou da beira do fogão, nos levou para outras comunidades e resgatou a Roda da Gamela&#8221;, disse Maria Aparecida celebrando esse reencontro com as raízes. Ela recordou que dançava na comunidade na qual nasceu. Explicou que, além do canto das músicas, as pessoas vão ao centro da roda, sobem na gamela e recitam versos.</p>
<p>Tereza Silva, da comunidade de Gameleira, Veredinha, lembra dessa tradição desde o tempo dos seus avós e bisavós. “Agora, as pessoas estão recuperando o que já estava esquecido. A dança da gamela foi uma coisa muito importante que resgatamos”, disse.</p>
<p>A secretária escolar da EFAV, Margarete Alves, reforça que essa transmissão da herança cultural para os mais novos garante que a identidade da Chapada das Veredas permaneça viva. “É fundamental transmitir a nossa cultura, a nossa essência e as nossas raízes para os nossos jovens para manter viva a nossa história”, argumentou.</p>
<p>O impacto do projeto é visível na criação de redes, no fortalecimento de parcerias e, sobretudo, no brilho nos olhos de cada agricultora familiar e quilombola que se reconhece como parte de algo maior. “A semente já foi plantada e muitos frutos já foram colhidos. Pude perceber a questão da elevação da autoestima das mulheres nesses encontros, do pertencimento e se permitirem ser cuidadas”, celebrou Margarete.</p>
<p>O isolamento deu lugar à rede; o silêncio deu lugar ao canto da Gamela. “Elas saíram de casa, se conectaram, trocaram experiências, se fortaleceram enquanto grupo e vem fazendo um trabalho maravilhoso na nossa comunidade”, concluiu ela.</p>
<figure id="attachment_32869" aria-describedby="caption-attachment-32869" style="width: 800px" class="wp-caption aligncenter"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-32869 size-large" src="https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/03/foto-1-1024x658.jpg" alt="" width="800" height="514" srcset="https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/03/foto-1-1024x658.jpg 1024w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/03/foto-1-300x193.jpg 300w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/03/foto-1-768x494.jpg 768w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/03/foto-1-1536x987.jpg 1536w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/03/foto-1-2048x1317.jpg 2048w" sizes="(max-width: 800px) 100vw, 800px" /><figcaption id="caption-attachment-32869" class="wp-caption-text">Mulheres reunidas com a gamela. Foto: Joice Cristene/Acervo CAV</figcaption></figure>
<p>Neste 8 de março, quando celebramos o Dia Internacional da Mulher, a trajetória das mulheres da Chapada das Veredas reafirma uma verdade fundamental: coletivos de mulheres organizados são estratégicos para o bem-viver, para a soberania dos territórios e para o fortalecimento comunitário.</p>
<p>Ao transformar a roda em resistência e o encontro em espaço de decisão, elas mostram que desenvolvimento com justiça socioambiental se constrói com protagonismo feminino. Que as histórias dessas mulheres sirvam de exemplo e inspiração — e que mais comunidades reconheçam e invistam na força coletiva das mulheres como caminho para um futuro mais solidário, sustentável e cheio de raízes vivas.</p>
]]></content:encoded>
					
		
		
			</item>
		<item>
		<title>Quilombo Cariongo lança Plano de Gestão Territorial e Ambiental</title>
		<link>https://ispn.org.br/noticia/cariongo-lanca-plano-de-gestao-territorial-e-ambiental-quilombola-do-maranhao/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Cristiane Moraes]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 05 Mar 2026 11:48:29 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Notícia]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://ispn.org.br/?p=32848</guid>

					<description><![CDATA[Instrumento de construção coletiva consolida décadas de luta, fortalece a resistência quilombola e reivindica políticas públicas]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p><span style="font-weight: 400;">O Quilombo Cariongo, localizado no município de Santa Rita (MA), entrou para a história ao se tornar a </span><b>primeira comunidade quilombola do Maranhão</b><span style="font-weight: 400;"> a construir um </span><b>Plano de Gestão Territorial e Ambiental Quilombola (PGTAQ)</b><span style="font-weight: 400;"> elaborado de forma participativa e a partir das prioridades definidas pelo próprio território. O plano foi apresentado à comunidade, a lideranças de outros quilombos e a representantes de instituições, consolidando-se como um marco político, social e histórico. Pioneiro no estado, por ser o primeiro a ser construído após o </span><b>decreto 11.786/2023</b><span style="font-weight: 400;"> que institui a Política Nacional de Gestão fTerritorial e Ambiental Quilombola.</span></p>
<blockquote><p><span style="font-weight: 400;">Para a agricultora familiar </span><b>Maria Filomena Teixeira</b><span style="font-weight: 400;">, de 47 anos, o significado do plano representa a luta e a resistência de um povo. </span><i><span style="font-weight: 400;">“</span></i><b><i>O plano é como um jardim florido que a gente vai continuar cuidando para florescer</i></b><i><span style="font-weight: 400;">”</span></i><span style="font-weight: 400;">, afirmou, emocionada, durante a apresentação.</span></p></blockquote>
<figure id="attachment_32850" aria-describedby="caption-attachment-32850" style="width: 637px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class=" wp-image-32850" src="https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/03/WhatsApp-Image-2026-03-02-at-14.47.19-e1772710702461-300x221.jpeg" alt="" width="637" height="469" srcset="https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/03/WhatsApp-Image-2026-03-02-at-14.47.19-e1772710702461-300x221.jpeg 300w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/03/WhatsApp-Image-2026-03-02-at-14.47.19-e1772710702461-1024x755.jpeg 1024w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/03/WhatsApp-Image-2026-03-02-at-14.47.19-e1772710702461-768x567.jpeg 768w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/03/WhatsApp-Image-2026-03-02-at-14.47.19-e1772710702461.jpeg 1220w" sizes="(max-width: 637px) 100vw, 637px" /><figcaption id="caption-attachment-32850" class="wp-caption-text">Trabalhadora rural na comunidade de Cariongo, Maria Filomena Teixeira. Foto: Ariel Rocha/Acervo ISPN</figcaption></figure>
<h3><b>Um plano que nasce da comunidade e da luta pelo território</b></h3>
<p>A construção do <strong>PGTAQ</strong> surgiu como demanda direta da comunidade durante as atividades do Projeto Quintais Agroecológicos de Cariongo, no âmbito do<strong> Projeto Floresta + Amazônia – modalidade Comunidades</strong>, iniciativa do Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA), realizada em parceria com o Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD ) e executado pelo ISPN no território.</p>
<p><span style="font-weight: 400;">Mais do que um documento técnico, o plano consolida décadas de resistência em um </span><b>instrumento estratégico de planejamento e defesa do território</b><span style="font-weight: 400;">, articulando proteção territorial, conservação ambiental, produção sustentável, valorização cultural, educação quilombola e fortalecimento da organização social.</span></p>
<blockquote><p><span style="font-weight: 400;">Segundo o consultor do PGTAQ, </span><b>Thiago dos Santos</b><span style="font-weight: 400;">, o processo participativo foi essencial para dar legitimidade ao documento.</span><i><span style="font-weight: 400;"> “</span></i><b><i>A participação da comunidade foi fundamental para a construção desse instrumento, porque nos permitiu acesso a uma memória coletiva e a documentos que atestam a organização da comunidade como um quilombo</i></b><i><span style="font-weight: 400;">”</span></i><span style="font-weight: 400;">, destacou.</span></p></blockquote>
<figure id="attachment_32851" aria-describedby="caption-attachment-32851" style="width: 639px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class=" wp-image-32851" src="https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/03/20251017_110805-300x225.jpg" alt="" width="639" height="479" srcset="https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/03/20251017_110805-300x225.jpg 300w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/03/20251017_110805-1024x768.jpg 1024w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/03/20251017_110805-768x576.jpg 768w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/03/20251017_110805-1536x1152.jpg 1536w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/03/20251017_110805-2048x1536.jpg 2048w" sizes="(max-width: 639px) 100vw, 639px" /><figcaption id="caption-attachment-32851" class="wp-caption-text">Oficina de construção do PGTAQ com a comunidade de Cariongo. Foto: Ariel Rocha/Acervo</figcaption></figure>
<h3><b>Raízes históricas e resistência quilombola</b></h3>
<p><span style="font-weight: 400;">A trajetória do Quilombo Cariongo remonta ao início do século XX, quando </span><b>Sebastião Cariongo</b><span style="font-weight: 400;">, descendente de pessoas escravizadas, chegou à região do Vale do Itapecuru em busca de terra para viver e produzir. Em 1915, ele conquistou a posse do território por meio da aquisição com o próprio trabalho, dando início a uma ocupação contínua baseada na roça tradicional, no uso coletivo da terra e na transmissão de saberes ancestrais.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Ao longo do tempo, o Quilombo Cariongo construiu formas próprias de organização social, baseadas na solidariedade, nos mutirões, na produção agrícola coletiva, nas manifestações culturais e na transmissão dos saberes ancestrais. No entanto, essa permanência nunca se deu sem conflitos. A comunidade enfrentou, historicamente, processos de invisibilização, pressão de fazendeiros, tentativas de grilagem e restrições ao acesso a recursos naturais essenciais à sobrevivência.</span></p>
<figure id="attachment_32852" aria-describedby="caption-attachment-32852" style="width: 655px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class=" wp-image-32852" src="https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/03/20251018_083827-300x225.jpg" alt="" width="655" height="491" srcset="https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/03/20251018_083827-300x225.jpg 300w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/03/20251018_083827-1024x768.jpg 1024w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/03/20251018_083827-768x576.jpg 768w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/03/20251018_083827-1536x1152.jpg 1536w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/03/20251018_083827-2048x1536.jpg 2048w" sizes="(max-width: 655px) 100vw, 655px" /><figcaption id="caption-attachment-32852" class="wp-caption-text">Moradora do Quilombo Cariongo buscando água. A comunidade ainda sofre com o abastecimento de água potável. Foto: Ariel Rocha/Acervo ISPN</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">A situação do abastecimento de água nos quilombos do Maranhão é marcada por  precarização e insegurança hídrica. De acordo com dados do Censo 2022 do IBGE, a maioria da população quilombola que vive em territórios titulados enfrenta infraestrutura inadequada de saneamento e abastecimento de água. Nas áreas rurais, 94,6% dos quilombolas convivem com precariedades no saneamento básico, incluindo limitações no acesso à água.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Um marco importante da trajetória de reconhecimento de Cariongo foi a emissão da Certidão de Autorreconhecimento pela Fundação Cultural Palmares, em 2006, que reafirmou oficialmente a identidade quilombola da comunidade e fortaleceu sua luta por direitos territoriais. Posteriormente, os estudos antropológicos do INCRA reconheceram a extensão aproximada de 3.267 hectares como território tradicionalmente ocupado, reforçando a legitimidade da reivindicação quilombola.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Diante das ameaças, o quilombo fortaleceu sua organização política, com a criação da Associação dos Agroprodutores Rurais da Vila Cariongo e do Comitê de Defesa dos Direitos dos Povos Quilombolas de Santa Rita e Itapecuru-Mirim, além da construção do </span><b>Protocolo de Consulta Prévia</b><span style="font-weight: 400;">, aprovado em 2022.</span></p>
<h3><b>Desigualdade racial, território e invisibilidade</b></h3>
<figure id="attachment_32853" aria-describedby="caption-attachment-32853" style="width: 629px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class=" wp-image-32853" src="https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/03/WhatsApp-Image-2026-03-02-at-14.45.18-1-300x200.jpeg" alt="" width="629" height="419" srcset="https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/03/WhatsApp-Image-2026-03-02-at-14.45.18-1-300x200.jpeg 300w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/03/WhatsApp-Image-2026-03-02-at-14.45.18-1-1024x682.jpeg 1024w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/03/WhatsApp-Image-2026-03-02-at-14.45.18-1-768x512.jpeg 768w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/03/WhatsApp-Image-2026-03-02-at-14.45.18-1-1536x1023.jpeg 1536w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/03/WhatsApp-Image-2026-03-02-at-14.45.18-1.jpeg 1600w" sizes="(max-width: 629px) 100vw, 629px" /><figcaption id="caption-attachment-32853" class="wp-caption-text">Prática de mutirão para construção de casas. Foto: Bruno Muniz/Acervo Associação dos Agroprodutores Rurais da Vila Cariongo</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">A realidade vivida por Cariongo reflete um cenário nacional. Dados do </span><b>Censo 2022 do IBGE</b><span style="font-weight: 400;"> apontam que mais de </span><b>1,3 milhão de quilombolas vivem no Brasil</b><span style="font-weight: 400;">, sendo que cerca de </span><b>90% residem em territórios não titulados</b><span style="font-weight: 400;">. O Maranhão concentra o maior número de comunidades quilombolas do país, cerca de mil comunidades. Mas apenas uma pequena parcela dos territórios foi titulada. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Segundo a coordenadora de projetos do ISPN, Ana Tereza Ferreira, o PGTAQ é mais que um documento técnico, ele é um processo de construção coletiva, que garantiu voz às lideranças locais, mulheres, jovens e anciões do Quilombo Cariongo. </span></p>
<blockquote><p><b><i>“O resultado foi um Plano que valorizou o encontro dos saberes técnicos com os conhecimentos locais e que reflete as necessidades, os sonhos e as estratégias de resistência para proteger  o território e fortalecer a autonomia&#8221;</i></b><span style="font-weight: 400;">, ressalta.</span></p></blockquote>
<h3><b>Cinco eixos para garantir o futuro do território</b></h3>
<p><span style="font-weight: 400;">O PGTAQ de Cariongo foi construído a partir de pesquisa histórica, análise documental e diagnóstico participativo, que identificaram </span><b>forças, oportunidades, fraquezas e ameaças do território</b><span style="font-weight: 400;">. O plano organiza ações concretas em </span><b>cinco eixos temáticos</b><span style="font-weight: 400;">, alinhados à </span><b>Política Nacional de Gestão Territorial e Ambiental Quilombola (PNGTAQ)</b><span style="font-weight: 400;">, instituída pelo Decreto nº 11.786/2023. A política tem como foco apoiar a gestão territorial e ambiental das comunidades quilombolas, fortalecer a proteção dos territórios e do patrimônio cultural, incentivar o uso sustentável da sociobiodiversidade e promover o desenvolvimento socioambiental, o bem-viver e a justiça climática, garantindo melhores condições de vida às atuais e futuras gerações quilombolas.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Entre os eixos que norteiam o Plano estão a integridade territorial e a conservação ambiental, com foco na titulação da terra, na proteção dos recursos hídricos e no combate à grilagem; a produção sustentável, a saúde e a segurança alimentar, incluindo a agroecologia, o acesso à água potável e o fortalecimento da saúde pública; a valorização cultural, com ênfase na religiosidade de matriz africana, nas manifestações culturais e nos espaços de memória; a educação e formação, defendendo uma educação quilombola diferenciada; e a organização social e a governança, com o fortalecimento da participação comunitária, especialmente da juventude.</span></p>
<blockquote><p><span style="font-weight: 400;">A agrônoma </span><b>Marluze Pastor</b><span style="font-weight: 400;">, que acompanhou as oficinas durante o processo de construção do plano, destacou o caráter político do documento. “O plano é a comunidade dizendo o que quer do Estado. Ele revela injustiças territoriais, ambientais e a falta de acesso a direitos básicos, como a água. É uma forma de mostrar que essas comunidades existem e precisam sair da invisibilidade”, explicou.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A coordenadora do Programa Maranhão, Ruthiane Pereira, destaca a importância do plano para garantir a segurança fundiária dos territórios, além de ser um instrumento de visibilidade e de acesso às políticas públicas.</span><i><span style="font-weight: 400;">“</span></i><b><i>O PGTAQ é um documento de autonomia política que visa proteger o legado dos povos e ainda proteger o meio ambiente, seus recursos naturais,  saberes tradicionais, além de  assegurar a sustentabilidade das comunidades,”</i></b><b> diz Ruthiane.</b></p></blockquote>
<h3><b>Vozes que constroem o plano</b></h3>
<figure id="attachment_32854" aria-describedby="caption-attachment-32854" style="width: 635px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class=" wp-image-32854" src="https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/03/WhatsApp-Image-2026-03-02-at-14.45.18-300x200.jpeg" alt="" width="635" height="423" srcset="https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/03/WhatsApp-Image-2026-03-02-at-14.45.18-300x200.jpeg 300w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/03/WhatsApp-Image-2026-03-02-at-14.45.18-1024x682.jpeg 1024w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/03/WhatsApp-Image-2026-03-02-at-14.45.18-768x512.jpeg 768w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/03/WhatsApp-Image-2026-03-02-at-14.45.18-1536x1023.jpeg 1536w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/03/WhatsApp-Image-2026-03-02-at-14.45.18.jpeg 1600w" sizes="(max-width: 635px) 100vw, 635px" /><figcaption id="caption-attachment-32854" class="wp-caption-text">Pesca coletiva no Quilombo de Cariongo. Foto: Bruno Muniz/Acervo Associação dos Agroprodutores Rurais da Vila Cariongo</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">A voz de Sebastião Cariongo, fundador do quilombo, parecia ressoar nas palavras daqueles que vivem hoje a história do lugar e estavam presentes na apresentação do plano. Do início do século XX para cá, algumas questões não mudaram. Cariongo continua na luta pela legitimidade de seu território e vem reafirmando a força comunitária, buscando sua memória, oralidade e a herança dos antepassados.</span></p>
<blockquote><p><span style="font-weight: 400;">Para </span><b>Antônia Cariongo</b><span style="font-weight: 400;">, o lançamento do PGTAQ representa uma conquista coletiva.“</span><b>Foi um momento de alegria. A gente consolida nosso plano de gestão, abre portas para as políticas públicas e fortalece a nossa resistência, servindo também de encorajamento para outros quilombos</b><span style="font-weight: 400;">”, afirmou.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Já a presidenta da União das Comunidades Quilombolas de Uniquituba, </span><b>Heliane Frazão</b><span style="font-weight: 400;">, vê o PGTAQ como referência. “</span><b>É um marco que vamos levar para outras comunidades, para que também construam seus planos e registrem sua forma de gerir o território</b><span style="font-weight: 400;">.”</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A presidenta da Associação de Moradores, </span><b>Maria</b> <b>Natália Silva Alves </b><span style="font-weight: 400;">, reforçou o caráter ancestral do processo. </span><i><span style="font-weight: 400;">“</span></i><b><i>Toda a comunidade contribuiu. Mulheres, lideranças e anciãos. Foi um mergulho na nossa história. Esse plano é mais um instrumento de luta para manter nosso quilombo em pé</i></b><i><span style="font-weight: 400;">.”</span></i></p>
<p><b><i>“O conteúdo deve chegar aos governos e diversas instituições para ganhar vida e ser um catalisador de políticas que Cariongo já deixou claro que necessita. E que sirva de modelo para um movimento de transformação nos quilombos do Maranhão,” </i></b><span style="font-weight: 400;">diz o Coordenador Executivo do ISPN, </span><b>Fábio Vaz. </b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Para a liderança </span><b>Auxiliadora Frazão</b><span style="font-weight: 400;">, tornar público o PGTAQ é também um ato de luta e fortalecimento da identidade quilombola.</span><i><span style="font-weight: 400;"> “</span></i><b><i>Ele respeita o legado dos nossos antepassados e afirma a nossa história</i></b><span style="font-weight: 400;">”, concluiu.</span></p></blockquote>
]]></content:encoded>
					
		
		
			</item>
		<item>
		<title>Intercâmbios agroecológicos conectam quilombolas, agricultores familiares e indígenas no Maranhão</title>
		<link>https://ispn.org.br/noticia/intercambios-agroecologicos-conectam-quilombolas-agricultores-familiares-e-indigenas-no-maranhao/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Ariel Rocha]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 27 Feb 2026 19:45:59 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Notícia]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://ispn.org.br/?p=32781</guid>

					<description><![CDATA[Programação promoveu trocas sobre sistemas agroflorestais, produção agroecológica, mercado sustentável e proteção territorial ]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>Para fortalecer a troca de experiências e impulsionar práticas agroecológicas que geram renda e preservam o meio ambiente, uma série de três intercâmbios ocorreu entre quilombolas, agricultores familiares e indígenas do povo Guajajara, no Maranhão. Mais do que visitas entre territórios, os intercâmbios se consolidaram como espaços de formação coletiva, diálogo intercultural e construção de estratégias comuns.</p>
<p>Os intercâmbios foram realizados no âmbito do Projeto Floresta Amazônia, por meio da Modalidade Comunidades, com a parceria do Instituto Sociedade População e Natureza (ISPN), Associação dos Agroprodutores Rurais da Vila Cariongo e a União das Associações Quilombolas das Comunidades Remanescentes de Quilombos (Uniquituba).</p>
<p>As atividades fortaleceram capacidades produtivas e a incidência política dos grupos, articulando conhecimentos técnicos e saberes tradicionais. Participaram os moradores do Quilombo Cariongo, em Santa Rita (MA), e de comunidades quilombolas de Anajatuba (MA), que visitaram experiências agroecológicas em Bacabal (MA), São Luís Gonzaga (MA) e na capital São Luís, além da Terra Indígena Rio Pindaré, localizada em Bom Jardim (MA).</p>
<blockquote><p>Para a coordenadora do Programa Maranhão do ISPN, Ruthiane Pereira, os intercâmbios cumprem um papel estratégico de fortalecer vínculos entre territórios e valorizar os saberes dos povos e comunidades tradicionais. “Esses encontros criam pontes entre realidades que enfrentam desafios semelhantes. Ao trocar experiências, esses grupos fortalecem suas práticas produtivas, sua organização coletiva e sua capacidade de incidência por políticas públicas que respeitem seus modos de vida e seus territórios”, destacou.</p></blockquote>
<figure id="attachment_32788" aria-describedby="caption-attachment-32788" style="width: 2560px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-32788" src="https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/02/20250822_152631-scaled.jpg" alt="" width="2560" height="1920" srcset="https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/02/20250822_152631-scaled.jpg 2560w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/02/20250822_152631-300x225.jpg 300w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/02/20250822_152631-1024x768.jpg 1024w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/02/20250822_152631-768x576.jpg 768w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/02/20250822_152631-1536x1152.jpg 1536w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/02/20250822_152631-2048x1536.jpg 2048w" sizes="(max-width: 2560px) 100vw, 2560px" /><figcaption id="caption-attachment-32788" class="wp-caption-text">As atividades fortaleceram capacidades produtivas, conectaram realidades e movimentaram a incidência política dos grupos. Foto: Ariel Rocha/Acervo ISPN</figcaption></figure>
<p><strong>Agroecologia como prática</strong><br />
O primeiro intercâmbio teve como foco a agroecologia enquanto caminho concreto de produção e cuidado com a terra. Em assentamentos rurais nos municípios de Bacabal (MA) e São Luís Gonzaga (MA), os quilombolas conheceram sistemas agroflorestais cultivados ao longo de décadas por agricultores familiares, que integram produção de alimentos, recuperação ambiental e geração de renda.</p>
<p>A vivência em áreas produtivas diversificadas possibilitou compreender princípios como o manejo do solo, a importância da biodiversidade e o papel da cobertura vegetal no equilíbrio dos sistemas agrícolas. Mais do que observar técnicas, o intercâmbio estimulou reflexões sobre como esses conhecimentos podem ser adaptados à realidade dos quintais produtivos e das roças quilombolas.</p>
<blockquote><p>Vinda do Quilombo Cariongo, a agricultora quilombola Erly Teixeira participou do intercâmbio para fortalecer a expansão de sua roça e a criação de pequenos animais no quintal de casa. “Esses dias significaram um ano de aula. Ver essa variedade de plantas e árvores juntas me mostrou que é possível produzir, preservar e viver do quintal. Volto para casa com vontade de colocar tudo em prática”, afirmou.</p></blockquote>
<figure id="attachment_32789" aria-describedby="caption-attachment-32789" style="width: 2560px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-32789" src="https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/02/20250823_095420-scaled.jpg" alt="" width="2560" height="1196" srcset="https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/02/20250823_095420-scaled.jpg 2560w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/02/20250823_095420-300x140.jpg 300w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/02/20250823_095420-1024x478.jpg 1024w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/02/20250823_095420-768x359.jpg 768w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/02/20250823_095420-1536x717.jpg 1536w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/02/20250823_095420-2048x956.jpg 2048w" sizes="(max-width: 2560px) 100vw, 2560px" /><figcaption id="caption-attachment-32789" class="wp-caption-text">Momento de trocas sobre produção agroecológica e manejo do solo em São Luís Gonzaga (MA). Foto: Ariel Rocha/Acervo ISPN</figcaption></figure>
<p><strong>Incidência política e fortalecimento da comercialização</strong><br />
O segundo intercâmbio focou na incidência política e no acesso a mercados. Em São Luís, lideranças quilombolas participaram de agendas institucionais, ampliando o diálogo direto com espaços de decisão e com representações da agricultura familiar.</p>
<figure id="attachment_32790" aria-describedby="caption-attachment-32790" style="width: 2560px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-32790" src="https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/02/20250909_093636-scaled.jpg" alt="" width="2560" height="1441" srcset="https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/02/20250909_093636-scaled.jpg 2560w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/02/20250909_093636-300x169.jpg 300w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/02/20250909_093636-1024x577.jpg 1024w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/02/20250909_093636-768x432.jpg 768w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/02/20250909_093636-1536x865.jpg 1536w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/02/20250909_093636-2048x1153.jpg 2048w" sizes="(max-width: 2560px) 100vw, 2560px" /><figcaption id="caption-attachment-32790" class="wp-caption-text">Participantes do intercâmbio apresentaram suas demandas na Assembleia Legislativa do Maranhão. Foto: Ariel Rocha/Acervo ISPN</figcaption></figure>
<p>Nesses encontros, os participantes apresentaram demandas relacionadas ao acesso à água, a conflitos territoriais e à necessidade de políticas públicas voltadas ao fortalecimento da produção quilombola. A atividade também evidenciou o potencial econômico dos territórios, com destaque para a apicultura e outras iniciativas de produção sustentável.</p>
<blockquote><p>O intercâmbio incluiu ainda o contato com experiências agroecológicas voltadas à comercialização, permitindo aos quilombolas visualizar caminhos para ampliar a geração de renda. Para o jovem quilombola Bruno Muniz, estudante de agronomia e morador de Cariongo, a vivência ajudou a conectar teoria e prática. “Conhecer essas experiências ajuda a pensar como fortalecer a produção no nosso quilombo. Me mostrou elementos que eu conhecia na teoria, mas que ganham outro sentido quando a gente vê funcionando na prática”, comentou.</p></blockquote>
<figure id="attachment_32791" aria-describedby="caption-attachment-32791" style="width: 2560px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-32791" src="https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/02/20250909_150739-scaled.jpg" alt="" width="2560" height="1441" srcset="https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/02/20250909_150739-scaled.jpg 2560w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/02/20250909_150739-300x169.jpg 300w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/02/20250909_150739-1024x577.jpg 1024w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/02/20250909_150739-768x432.jpg 768w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/02/20250909_150739-1536x865.jpg 1536w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/02/20250909_150739-2048x1153.jpg 2048w" sizes="(max-width: 2560px) 100vw, 2560px" /><figcaption id="caption-attachment-32791" class="wp-caption-text">Em São Luís, conheceram experiências de fortalecimento da comercialização para uma produção sustentável. Foto: Ariel Rocha/Acervo ISPN</figcaption></figure>
<p><strong>Entre o quilombo e a aldeia</strong><br />
O terceiro intercâmbio conectou os quilombolas ao povo indígena Guajajara, na Terra Indígena Rio Pindaré, em Bom Jardim (MA). Na Aldeia Piçarra Preta, a troca promoveu um encontro de técnicas produtivas, práticas culturais e vivências políticas construídas a partir da relação ancestral com a terra.</p>
<figure id="attachment_32792" aria-describedby="caption-attachment-32792" style="width: 2000px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-32792" src="https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/02/Terra-Indigena-Rio-Pindare.png" alt="" width="2000" height="1426" srcset="https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/02/Terra-Indigena-Rio-Pindare.png 2000w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/02/Terra-Indigena-Rio-Pindare-300x214.png 300w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/02/Terra-Indigena-Rio-Pindare-1024x730.png 1024w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/02/Terra-Indigena-Rio-Pindare-768x548.png 768w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/02/Terra-Indigena-Rio-Pindare-1536x1095.png 1536w" sizes="(max-width: 2000px) 100vw, 2000px" /><figcaption id="caption-attachment-32792" class="wp-caption-text">Quilombolas e indígenas Guajajara reconheceram as experiências que conectam lutas semelhantes. Foto: Ariel Rocha/Acervo ISPN</figcaption></figure>
<p>Os diálogos abordaram temas como proteção territorial, segurança alimentar, comunicação comunitária e fortalecimento cultural, evidenciando como os processos formativos se constroem no reconhecimento mútuo e na articulação entre povos tradicionais. Os participantes também conheceram uma nascente considerada marco inicial da ocupação da comunidade.</p>
<blockquote><p>A participação de jovens teve papel central nesse processo. Para o estudante Luís Henrique, de 16 anos, morador do Quilombo Centro do Isidório, em Anajatuba, a experiência aproximou grupos que compartilham desafios semelhantes. “Conhecemos lugares muito importantes do território, fomos na escola bilíngue, conhecemos a nascente e também áreas de plantio. Essa experiência aproximou muito a gente, porque enfrentamos desafios parecidos e estamos na mesma luta pela defesa da natureza e dos nossos modos de vida”, disse.</p></blockquote>
<figure id="attachment_32793" aria-describedby="caption-attachment-32793" style="width: 2560px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-32793" src="https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/02/20251028_081013-scaled.jpg" alt="" width="2560" height="1920" srcset="https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/02/20251028_081013-scaled.jpg 2560w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/02/20251028_081013-300x225.jpg 300w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/02/20251028_081013-1024x768.jpg 1024w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/02/20251028_081013-768x576.jpg 768w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/02/20251028_081013-1536x1152.jpg 1536w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/02/20251028_081013-2048x1536.jpg 2048w" sizes="(max-width: 2560px) 100vw, 2560px" /><figcaption id="caption-attachment-32793" class="wp-caption-text">Na Aldeia Piçarra Preta, conhecer a nascente no território foi um momento de forte conexão entre os grupos. Foto: Ariel Rocha/Acervo ISPN</figcaption></figure>
<p><strong>Floresta+ Amazônia</strong><br />
Para a assessora técnica do Projeto Floresta+ Amazônia, Raquel Marques, os intercâmbios demonstram como a troca entre territórios fortalece a implementação de políticas públicas na prática. “O Floresta+ busca fortalecer capacidades locais e valorizar iniciativas que já existem nos territórios. Esses intercâmbios mostram como o aprendizado entre pares, entre povos e comunidades tradicionais, gera resultados concretos para a produção sustentável, a proteção dos territórios e o fortalecimento da organização comunitária”, ressaltou.</p>
<p>O Floresta+ Amazônia é uma iniciativa de cooperação internacional do Governo do Brasil, liderada pelo Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima, em parceria com o Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD) Brasil, com apoio da Agência Brasileira de Cooperação e financiamento do Green Climate Fund.</p>
<figure id="attachment_32794" aria-describedby="caption-attachment-32794" style="width: 2560px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-32794" src="https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/02/Roda-de-Conversa-em-Sao-Luis-MA-scaled.jpg" alt="" width="2560" height="1441" srcset="https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/02/Roda-de-Conversa-em-Sao-Luis-MA-scaled.jpg 2560w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/02/Roda-de-Conversa-em-Sao-Luis-MA-300x169.jpg 300w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/02/Roda-de-Conversa-em-Sao-Luis-MA-1024x577.jpg 1024w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/02/Roda-de-Conversa-em-Sao-Luis-MA-768x432.jpg 768w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/02/Roda-de-Conversa-em-Sao-Luis-MA-1536x865.jpg 1536w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/02/Roda-de-Conversa-em-Sao-Luis-MA-2048x1153.jpg 2048w" sizes="(max-width: 2560px) 100vw, 2560px" /><figcaption id="caption-attachment-32794" class="wp-caption-text">Durante roda de conversa em São Luís (MA), os participantes debateram sobre políticas públicas e acesso aos mercados institucionais. Foto: Ariel Rocha/Acervo ISPN</figcaption></figure>
]]></content:encoded>
					
		
		
			</item>
		<item>
		<title>Jovem indígena é selecionado para o programa internacional Restoration Steward</title>
		<link>https://ispn.org.br/noticia/jovem-indigena-e-selecionado-para-o-programa-internacional-restoration-steward/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Luana Piotto]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 13 Feb 2026 13:58:29 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Notícia]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://ispn.org.br/?p=32764</guid>

					<description><![CDATA[A iniciativa Restoration Stewards 2026 selecionou 5 jovens, entre 18 e 35 anos, do mundo todo para atuar como embaixadores da restauração de ecossistemas]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>O programa internacional Restoration Stewards 2026, promovido pelo Global Landscapes Forum (GLF), selecionou cinco jovens de diferentes países para atuar na restauração e no cuidado com ecossistemas em diversas partes do mundo. Entre os escolhidos está o jovem indígena brasileiro Breno Amajunepá, do povo Balatiponé-Umutina, da Terra Indígena Umutina, no Mato Grosso.</p>
<p>O jovem selecionado, entre mais de 1.250 candidaturas de todo o mundo, é estudante de Relações Internacionais na Universidade de Brasília (UnB) e estagiário de comunicação no Instituto Sociedade, População e Natureza (ISPN), pelo Programa Indígena de Permanência e Oportunidades na Universidade, o Pipou. Além disso, integra o grupo de pesquisa Juventude pelo Clima do Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia (IPAM) e o grupo de trabalho de biodiversidade da rede Engajamundo, pelas quais desenvolve seu trabalho de análise dos impactos da crise climática na TI Balatiponé-Umutina.</p>
<p>A notícia da seleção representa para ele o reconhecimento de uma trajetória construída a partir do território, dos ensinamentos dos mais velhos, da vivência comunitária e da relação direta com o meio ambiente.</p>
<blockquote><p>“Ao ocupar esse espaço, levo comigo o meu povo Balatiponé e também os conhecimentos de outros povos indígenas que vivem nos territórios e sentem, no dia a dia, os impactos das mudanças climáticas. Estar no GLF é afirmar que estamos aqui, que vivemos esses impactos na prática, que os nossos modos de vida tradicionais estão sendo afetados e precisam ser protegidos e preservados”, diz Breno.</p></blockquote>
<h2>Liderança jovem</h2>
<p>O Restoration Stewards é um programa internacional criado pelo Global Landscapes Forum (GLF) em parceria com a Youth in Landscapes Initiative que apoia jovens líderes com projetos de restauração ecológica e socioambiental. O programa tem quatro pilares principais: financiamento (grant), desenvolvimento de capacidades, mentoria com especialistas e visibilidade em eventos e plataformas do GLF ao longo de um ano.</p>
<p>Nesta edição, os jovens selecionados recebem orientação técnica e profissional, acesso a ferramentas de planejamento e aprendizado estruturado, além de um financiamento de aproximadamente € 5.000. Segundo Breno, o apoio permitirá fortalecer e qualificar ainda mais as ações de restauração e adaptação climática do projeto <em>O&#8217;rebuta&#8217; yxula</em> (Nascer da Mata), que ele conduz e que nasceu a partir da escuta e do diálogo com seu povo.</p>
<p>Para o jovem, o Restoration Stewards é uma ponte onde ele poderá contribuir a partir da perspectiva indígena e ao mesmo tempo, trazer ferramentas, articulações e parcerias que fortaleçam seu trabalho.</p>
<blockquote><p>“Minhas expectativas para essa experiência são aprimorar minha atuação profissional, ganhar mais clareza e segurança na tomada de decisões cotidianas e fortalecer a forma como planejo, organizo e implemento as ações no meu trabalho. Espero que o programa contribua para estruturar melhor as ideias, processos e prioridades, para tornar a minha atuação ainda mais consistente e eficiente”, finaliza.</p></blockquote>
]]></content:encoded>
					
		
		
			</item>
		<item>
		<title>Povos e comunidades tradicionais cobram celeridade do governo por decreto que protege territórios</title>
		<link>https://ispn.org.br/noticia/povos-e-comunidades-tradicionais-cobram-celeridade-do-governo-por-decreto-que-protege-territorios/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[leticia@ispn.org.br]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 12 Feb 2026 21:10:28 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Notícia]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://ispn.org.br/?p=32747</guid>

					<description><![CDATA[Sem instrumento legal próprio, 28 segmentos de povos e comunidades tradicionais pressionam o governo federal para garantir o reconhecimento e a proteção de seus territórios
]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>Na região onde vive Rosângela (nome original alterado para preservar a identidade), retireira do Araguaia, no município de Luciara (MT), a grilagem avança sobre territórios tradicionais. “Eles vêm com máquinas e derrubam árvores. Colocam cercas e capangas para vigiar, alegando que a terra é deles”, relata.</p>
<p>Algo parecido ocorre no oeste da Bahia, nos territórios de fundo e fecho de pasto, onde a grilagem, a destruição ambiental e violência no campo assustam moradores. “Restam 3% de nossas terras originais, e é onde acontecem os conflitos”, conta Eldo Barreto, agricultor familiar e liderança comunitária da região, testemunha ocular desse processo.</p>
<p>Ambos os retireiros do Araguaia, populações tradicionais que vivem às margens do Rio Araguaia, e as comunidades de fundo e fecho de pasto partilham em comum um modo de vida tradicional com o bioma Cerrado e o manejo do gado. Eles integram o grupo de 28 segmentos de povos e comunidades tradicionais (PCTs) reconhecidos pelo estado brasileiro.</p>
<figure id="attachment_32749" aria-describedby="caption-attachment-32749" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-32749 size-large" src="https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/02/Fellipe-Abreu-Correntina-2024-WEB-84-1024x576.jpg" alt="" width="800" height="450" srcset="https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/02/Fellipe-Abreu-Correntina-2024-WEB-84-1024x576.jpg 1024w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/02/Fellipe-Abreu-Correntina-2024-WEB-84-300x169.jpg 300w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/02/Fellipe-Abreu-Correntina-2024-WEB-84-768x432.jpg 768w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/02/Fellipe-Abreu-Correntina-2024-WEB-84.jpg 1080w" sizes="(max-width: 800px) 100vw, 800px" /><figcaption id="caption-attachment-32749" class="wp-caption-text">Comunidade da Praia, município de Correntina (BA), é território de fundo e fecho de pasto onde vive o agricultor Eldo Barreto. Foto: Fellipe Abreu/Acervo ISPN</figcaption></figure>
<p>Representados pelo Conselho Nacional dos Povos e Comunidades Tradicionais (CNPCT), cobram do Governo Federal um decreto de regularização fundiária específico para territórios tradicionais capaz de enfrentar a insegurança fundiária em que vivem. Diferente dos povos indígenas e quilombolas, que contam com instrumentos jurídicos próprios para demarcação e proteção territorial, os povos e as comunidades tradicionais ainda não dispõem de um mecanismo legal específico que assegure o reconhecimento formal de seus territórios.</p>
<p>O processo é liderado pelo CNPCT, com apoio da Rede de Povos e Comunidades Tradicionais, da Rede Cerrado, Instituto Sociedade, População e Natureza (ISPN), da Terra de Direitos, da FASE, da Campanha em Defesa do Cerrado e da Associação de Advogados de Trabalhadores Rurais (AATR).</p>
<blockquote><p>“Esse debate tem sido feito com ampla participação do governo. Afinal, sem o governo não há decreto. O que queríamos, de fato, era uma lei, mas isso não é viável no atual Congresso”, afirmou o presidente do CNPCT, geraizeiro Samuel Caetano, durante reunião virtual realizada na segunda-feira, 9 de fevereiro, com representantes dos povos tradicionais, do governo federal e do Ministério Público Federal.</p></blockquote>
<p>A minuta do decreto já foi validada pelo Ministério do Desenvolvimento Agrário (MDA), com parecer favorável da Consultoria Jurídica do próprio ministério, e tramita agora no Ministério do Meio Ambiente e de Mudanças Climáticas (MMA) e no Ministério da Gestão e da Inovação em Serviços Públicos (MGI). Por fim, passa pela Casa Civil.</p>
<blockquote><p>“O decreto busca garantir, por meio do reconhecimento da posse tradicional, o acesso dos PCTs a políticas públicas que hoje não podem ser demandadas sem o reconhecimento territorial. Ele não anula nem enfraquece as modalidades de regularização já existentes”, explica Fábio Martins, assessor jurídico da Rede Cerrado.</p></blockquote>
<p>Integrante dos povos de terreiro, o pedagogo Doté Olissassì defende que cada segmento tradicional elabore pareceres técnicos, acadêmicos e jurídicos que evidenciem a importância do decreto para a garantia dos modos de vida tradicionais. “Precisamos falar a linguagem do mundo branco”, afirma.</p>
<p>A base legal dessa reivindicação é o Decreto nº 6.040, de 2007, que instituiu a Política Nacional de Desenvolvimento Sustentável dos Povos e Comunidades Tradicionais (PNPCT). A norma representou um avanço ao adotar o auto-reconhecimento como critério central e ao reconhecer o território como dimensão essencial da vida desses povos. Mas deixou uma lacuna: a inexistência de um instrumento específico para garantir a posse da terra aos 28 segmentos reconhecidos, que incluem povos de matriz africana, ciganos, pantaneiros, comunidades de ilhas, fundos e fechos de pasto, entre outros.</p>
<p>&nbsp;</p>
<figure id="attachment_32756" aria-describedby="caption-attachment-32756" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-32756 size-large" src="https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/02/signal-2026-02-10-154746_002-1024x697.jpeg" alt="" width="800" height="545" srcset="https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/02/signal-2026-02-10-154746_002-1024x697.jpeg 1024w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/02/signal-2026-02-10-154746_002-300x204.jpeg 300w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/02/signal-2026-02-10-154746_002-768x523.jpeg 768w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/02/signal-2026-02-10-154746_002-1536x1045.jpeg 1536w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/02/signal-2026-02-10-154746_002.jpeg 1600w" sizes="(max-width: 800px) 100vw, 800px" /><figcaption id="caption-attachment-32756" class="wp-caption-text">O calendário das <a href="https://ispn.org.br/noticia/ativismo-pelo-cerrado-reune-mulheres-indigenas-e-de-comunidades-tradicionais-em-brasilia/" target="_blank" rel="noopener">Cerrativistas das Águas do Cerrado</a> nas mãos da secretária de Diálogos Sociais da PR, Kelli Mafort. Foto: Divulgação</figcaption></figure>
<p>A retomada desse debate no atual governo teve como marco o seminário “Marcos regulatórios de reconhecimento e regularização fundiária dos PCTs”, realizado em Brasília, em 2023, na sede do Ministério Público Federal (MPF). Agora, com a minuta pronta, a corrida é para que o decreto seja publicado no primeiro semestre de 2026, antes que tarefas eleitorais absorvam as agendas de ministros, parlamentares e secretários.</p>
<p>O próprio ministro do MDA, Paulo Teixeira, vai se descompatibilizar do cargo em março para concorrer às eleições, segundo informou Julia Dalla Costa, assessora da Secretaria-Executiva da pasta, e que seu compromisso é entregar o decreto antes de sua saída. “Precisamos apenas de um instrumento adicional, que reforce princípios já presentes em outras normas, como a autodeterminação e a participação comunitária”, diz.</p>
<p>Diversos órgãos federais atuam em diferentes frentes de regularização fundiária no país:</p>
<ul>
<li>O Incra é responsável por projetos de assentamentos ambientalmente diferenciados, como PAE, PDS e PAF;</li>
<li>o ICMBio propõe a criação, implementa e gerencia Unidades de Conservação, como Resex, RDS e Flonas;</li>
<li>a Secretaria do Patrimônio da União (SPU/MGI) administra áreas da União;</li>
<li>enquanto MDA e MMA atuam nos territórios de florestas.</li>
</ul>
<p>A diversidade dos povos e comunidades tradicionais desafia classificações rígidas. Há grupos nômades e seminômades, comunidades urbanas, ribeirinhas, pantaneiras, de fundo e fecho de pasto, entre muitas outras. Parte desses modos de vida não se enquadra nos critérios utilizados para criação de Reservas Extrativistas, Reservas de Desenvolvimento Sustentável ou Projetos de Assentamento.</p>
<p>O decreto em debate propõe uma inovação prática no âmbito do Incra e abre três frentes principais. A primeira é a titulação definitiva coletiva, ao prever procedimentos ágeis para destinação de terras públicas federais a comunidades tradicionais, tanto em áreas rurais quanto urbanas, reconhecendo a coletividade como sujeito de direito.</p>
<p>A segunda é a proteção de territórios tradicionais urbanos e periurbanos, por meio de instrumentos do Estatuto da Cidade, protegendo comunidades de matriz africana, terreiros e outras ocupações contra a especulação imobiliária, a favelização e a atuação de milícias. A terceira é a consolidação de direitos, ao sistematizar princípios já previstos em outras normas, como a consulta livre, prévia e informada, o respeito às cosmovisões e a abordagem territorial.</p>
<figure id="attachment_32751" aria-describedby="caption-attachment-32751" style="width: 980px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-32751 size-full" src="https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/02/Captura-de-tela-2026-02-09-111542-980x337-1.png" alt="" width="980" height="337" srcset="https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/02/Captura-de-tela-2026-02-09-111542-980x337-1.png 980w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/02/Captura-de-tela-2026-02-09-111542-980x337-1-300x103.png 300w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/02/Captura-de-tela-2026-02-09-111542-980x337-1-768x264.png 768w" sizes="(max-width: 980px) 100vw, 980px" /><figcaption id="caption-attachment-32751" class="wp-caption-text">Reunião virtual do CNPT com Governo Federal e Ministério Público Federal. Foto: Reprodução</figcaption></figure>
<p>Para Patrícia Silva, que acompanha a agenda pelo Instituto Sociedade, População e Natureza (ISPN), a proposta nunca foi substituir os instrumentos existentes. “Ao contrário, a ideia é reforçá-los e abrir novos caminhos. Hoje, temos muito pouco feito nesse sentido”, avalia. Ela observa que, recentemente, apenas três Reservas Extrativistas foram criadas na Amazônia, duas Reservas de Desenvolvimento Sustentável no Paraná e, no Cerrado, apenas um monumento natural voltado à proteção de cavernas, no oeste da Bahia.</p>
<blockquote><p>“Enquanto isso, o Cerrado segue marcado por um processo de expropriação extremamente violento”, lamenta Patrícia. Dados do Atlas dos Conflitos no Campo Brasileiro, da Comissão Pastoral da Terra (CPT), indicam que, entre 1985 e 2023, ocorreram 17.946 conflitos por terra e água no bioma, envolvendo 5.333 localidades.</p></blockquote>
<p>A proteção da vegetação no Cerrado é significativamente menor quando comparada à de outros biomas, como a Amazônia, onde as áreas protegidas correspondem a quase metade do território legal. No Cerrado, as unidades de conservação abrangem 8,3% do bioma, sendo 3,1% em categorias de proteção integral e 5,6% de uso sustentável (com sobreposição em algumas áreas). 4,1% do território cerratense é composto por terras indígenas.</p>
<blockquote><p>“As comunidades seguem pressionadas pela mineração, pelo agronegócio e pelas grilagens, em um contexto de múltiplos mecanismos de apropriação da terra”, afirma Nenzão Geraizeiro, morador do território tradicional Vale das Cancelas, no norte de Minas Gerais. Ele defende a mobilização permanente para garantir a celeridade do processo. “Vamos continuar essa luta com a nossa alma, e juntos.”</p></blockquote>
<p>Juan Felipe Negret, da assessoria jurídica do MDA, explica que todos os órgãos envolvidos foram amplamente notificados e participaram do debate. “Disputa por terra é guerra”, resume, ao destacar que o processo foi iniciado em 2023 e que este é o momento de sanar dúvidas e consolidar consensos.</p>
<p>Para o procurador da República Wilson Rocha, a construção do decreto demonstrou sensibilidade do governo diante da centralidade da questão territorial. “A justiça territorial é a mãe de todas as justiças e precisa ser construída a partir da base”, afirma.</p>
<figure id="attachment_32752" aria-describedby="caption-attachment-32752" style="width: 980px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-32752 size-full" src="https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/02/VEN_2194-1536x1025-1-980x654-1.png" alt="" width="980" height="654" srcset="https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/02/VEN_2194-1536x1025-1-980x654-1.png 980w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/02/VEN_2194-1536x1025-1-980x654-1-300x200.png 300w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/02/VEN_2194-1536x1025-1-980x654-1-768x513.png 768w" sizes="(max-width: 980px) 100vw, 980px" /><figcaption id="caption-attachment-32752" class="wp-caption-text">Rede de PCTs se reuniram na COP30 para debater e cobrar decreto de regularização fundiária. Foto: Carolynne Matos/Reprodução</figcaption></figure>
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