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	<title>Jesus, me chicoteia!</title>
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		<title>Bibi não tem medo de IA</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Marco Aurélio Gois dos Santos]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 16 Mar 2026 22:54:15 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Uncategorized]]></category>
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					<description><![CDATA[They don&#8217;t believe meBut you won&#8217;t let those robots eat me Chorei muito de ontem pra hoje escutando uma música que conheço há mais de 20 anos. Essa aqui: Explico. Semana passada, meu irmão me mandou uma página de caderno cheia de desenhos da filha mais velha dele, Gabriela, a Bibi do título. Olha aqui: [&#8230;]]]></description>
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<p class="has-text-align-right has-small-font-size wp-block-paragraph">T<em>hey don&#8217;t believe me<br>But you won&#8217;t let those robots eat me</em></p>



<p class="wp-block-paragraph"></p>



<p class="wp-block-paragraph">Chorei muito de ontem pra hoje escutando uma música que conheço há mais de 20 anos. Essa aqui:</p>



<p class="wp-block-paragraph"></p>



<figure class="wp-block-embed is-type-video is-provider-youtube wp-block-embed-youtube wp-embed-aspect-16-9 wp-has-aspect-ratio"><div class="wp-block-embed__wrapper">
<iframe title="Yoshimi Battles the Pink Robots" width="720" height="405" src="https://www.youtube.com/embed/sAptY67PcuI?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe>
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<p class="wp-block-paragraph">Explico.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Semana passada, meu irmão me mandou uma página de caderno cheia de desenhos da filha mais velha dele, Gabriela, a Bibi do título. Olha aqui:</p>



<figure class="wp-block-image size-large is-style-default"><img fetchpriority="high" decoding="async" width="768" height="1024" src="https://jesusmechicoteia.com.br/wp-content/uploads/2026/03/image-768x1024.png" alt="" class="wp-image-23510" style="aspect-ratio:3/4;object-fit:contain" srcset="https://jesusmechicoteia.com.br/wp-content/uploads/2026/03/image-768x1024.png 768w, https://jesusmechicoteia.com.br/wp-content/uploads/2026/03/image-225x300.png 225w, https://jesusmechicoteia.com.br/wp-content/uploads/2026/03/image.png 960w" sizes="(max-width: 768px) 100vw, 768px" /></figure>



<p class="wp-block-paragraph"></p>



<p class="wp-block-paragraph">Pirei, claro. Sou um tio babão. Mas vejam isso aí. O senso artístico de uma criança de 9 anos. </p>



<p class="wp-block-paragraph">Muitos maranhenses, baianos, sergipanos e japoneses precisaram se encontrar para que Bibi existisse. Dessa mistura nasceu uma menina com cara de japonesa mas uma alma do universo inteiro. Ela pensa rápido, só fala o que é preciso (necessário, e também exato), escuta e entende tudo mesmo quando parece que está em outro mundo. E desenha.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Bibi não tem medo de IA, a IA precisa ter medo de Bibi. Minha sobrinha é um lembrete de que a inteligência humana não tem nada a ver com a inteligência artificial, a gente nem devia usar a mesma palavra para as duas coisas. IA é só um monte de informação (boa parte dela roubada) maçarocada, processada, analisada estatisticamente e vomitada em padrões mais ou menos previsíveis. A inteligência humana é outra coisa. Carregamos esses 2 quilos de gelatina dentro do crânio a vida toda e não fazemos ideia de como ela funciona. Não sabemos nem o que é consciência, como ela se forma. Quem sabe se ela mora no cérebro mesmo? Eu, hein&#8230;</p>



<p class="wp-block-paragraph">A inteligência humana funciona aos tropeços, com associações de ideias distantes no tempo no espaço que se conectam (onde?) e fazem um cinquentão chorar escutando uma música que conhece há décadas porque um desenho criou essa nova camada para a canção. </p>



<p class="wp-block-paragraph">Bibi é minha Yoshimi; há milhões de outras por aí. Vejo amigos de várias áreas preocupados com o avanço da IA, inseguros quanto ao futuro, sem ver que é isso justamente que eles (ELES!) querem que a gente pense e sinta. Não sei se existe uma inteligência dentro de você e outra dentro de mim, ou se há uma Inteligência de onde brotamos e que nos nutre com ideias, sensações, sentimentos, eu sei lá. Só sei que IA não é nada perto disso (até porque <a href="https://youtu.be/EUrOxh_0leE?si=W_McoDvz_UrevSeV">IA nem existe</a>, esse é só um nome que o marketing deu para um negócio muito rudimentar; seria como chamar de automóvel a primeira roda criada pelo ser humano, e mesmo isso seria mais justificado).</p>



<p class="wp-block-paragraph">Da próxima vez que você sentir essa insegurança (plantada na sua mente pelo marketing pago por vagabundos cheios de dinheiro), pense na sua Yoshimi. Pode ser uma sobrinha, um filho, uma avó, seu pai, o vizinho esquisito que gosta muito de trens por algum motivo que ninguém sabe qual é (*pigarro* AUTISMO *pigarro*), pode ser você mesmo nas coisas que só você sabe fazer. Confie na inteligência da Yoshimi. Robô tá aí pra trabalhar pra gente, fazer a parte chata. O resto, <a href="https://open.spotify.com/intl-pt/track/1SjjEWAJvT6yI2ANLdA2Bj?si=93771d23936d452c">já dizia Raul Yoshimi Seixas</a>, é com vocês.</p>



<p class="has-large-font-size wp-block-paragraph"><strong><em><a href="https://open.spotify.com/intl-pt/track/0ccCwNzXvr1Yoz91vKz31Z?si=067a69aae4b24801">Yoshimi Battles the Pink Robots &#8211; pt 1.</a></em></strong></p>



<div class="wp-block-columns is-layout-flex wp-container-core-columns-is-layout-8f761849 wp-block-columns-is-layout-flex">
<div class="wp-block-column is-layout-flow wp-block-column-is-layout-flow">
<p class="wp-block-paragraph">Her name is Yoshimi<br>She&#8217;s a black belt in karate<br>Working for the city<br>She has to discipline her body</p>



<p class="wp-block-paragraph">&#8216;Cause she knows that<br>It&#8217;s demanding to defeat those evil machines<br>I know she can beat them</p>



<p class="wp-block-paragraph">Oh, Yoshimi, they don&#8217;t believe me<br>But you won&#8217;t let those robots eat me<br>Yoshimi, they don&#8217;t believe me<br>But you won&#8217;t let those robots defeat me</p>



<p class="wp-block-paragraph">Those evil natured robots<br>They&#8217;re programmed to destroy us<br>She&#8217;s gotta be strong to fight them<br>So she&#8217;s taking lots of vitamins</p>



<p class="wp-block-paragraph">&#8216;Cause she knows that<br>It&#8217;d be tragic if those evil robots win<br>I know she can beat them</p>



<p class="wp-block-paragraph">Oh, Yoshimi, they don&#8217;t believe me<br>But you won&#8217;t let those robots defeat me<br>Yoshimi, they don&#8217;t believe me<br>But you won&#8217;t let those robots eat me, Yoshimi</p>
</div>



<div class="wp-block-column is-layout-flow wp-block-column-is-layout-flow">
<p class="wp-block-paragraph">O nome dela é Yoshimi<br>Ela é faixa preta de caratê<br>Trabalhando na prefeitura<br>Ela precisa de disciplina corporal</p>



<p class="wp-block-paragraph">Porque ela sabe <br>que é é difícil derrotar aquelas máquinas do mal<br>Eu sei que ela pode vencê-las</p>



<p class="wp-block-paragraph">Ah, Yoshimi, eles não acreditam em mim<br>Mas você não vai deixar esses robôs me comerem<br>Yoshimi, eles não acreditam em mim<br>Mas você não vai deixar esses robôs me derrotarem</p>



<p class="wp-block-paragraph">Esse robôs de natureza maligna<br>Eles são programados para nos destruir<br>Ela precisa ser forte para enfrentá-los<br>Então ela toma muitas vitaminas</p>



<p class="wp-block-paragraph">Porque ela sabe <br>Que seria trágico se aqueles robôs malignos vencessem<br>Eu sei que ela pode vencê-los</p>



<p class="wp-block-paragraph">Ah, Yoshimi, eles não acreditam em mim<br>Mas você não vai deixar esses robôs me derrotarem<br>Yoshimi, eles não acreditam em mim<br>Mas você não vai deixar esses robôs me comerem, Yoshimi</p>
</div>
</div>



<div class="wp-block-columns is-layout-flex wp-container-core-columns-is-layout-8f761849 wp-block-columns-is-layout-flex">
<div class="wp-block-column is-layout-flow wp-block-column-is-layout-flow"></div>



<div class="wp-block-column is-layout-flow wp-block-column-is-layout-flow"></div>
</div>
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		<title>Palavras</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Marco Aurélio Gois dos Santos]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 11 Feb 2025 19:20:10 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Sem categoria]]></category>
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					<description><![CDATA[Você já ouviu uma frase que te marcou? Algo que te disseram e você ficou com aquilo na cabeça, repetindo para você mesmo, fascinado? Aconteceu comigo faz uns dez dias, e até agora fico pensando na frase maravilhosa que escutei. Vou contar. Aqui no prédio onde eu moro tem um daqueles mercadinhos de prédio, sabe? [&#8230;]]]></description>
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<p class="wp-block-paragraph">Você já ouviu uma frase que te marcou? Algo que te disseram e você ficou com aquilo na cabeça, repetindo para você mesmo, fascinado? Aconteceu comigo faz uns dez dias, e até agora fico pensando na frase maravilhosa que escutei. Vou contar.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Aqui no prédio onde eu moro tem um daqueles mercadinhos de prédio, sabe? Uns produtos superfaturados, um caixa eletrônico para pagamento, tudo na base da confiança (e do &#8220;sorria, você está sendo filmado&#8221;, lógico). Nesse dia eu ia ao mercadinho comprar um refrigerante e de longe vi duas crianças lá dentro: uma menina de uns 10 anos, pagando no caixa, e um menino pequeno, talvez uns 4 anos de idade, de óculos, sacudindo uma garrafinha de H2OH. O menino também me viu e ficou me olhando fixamente. Assim que botei o pé no mercadinho, ele falou:</p>



<p class="wp-block-paragraph">— Você viu o ôme que saiu sem pagar?</p>



<p class="wp-block-paragraph">— Como é?!</p>



<p class="wp-block-paragraph">— Saiu sem pagar! Pegou <em>uma disso</em> — apontou para um saco de batata Lay&#8217;s — e foi embora!</p>



<p class="wp-block-paragraph">— Que absurdo!</p>



<p class="wp-block-paragraph">— É!</p>



<p class="wp-block-paragraph">— Que coisa feia!</p>



<p class="wp-block-paragraph">— É!!!</p>



<p class="wp-block-paragraph">— Eu vou pegar um desse aí igual o seu, mas eu vou pagar. </p>



<p class="wp-block-paragraph">Peguei uma H2OH, decidi levar também um guaraná. Peguei a latinha e&#8230;</p>



<p class="wp-block-paragraph">— Ué. Tá vazia — falei, meio pra mim mesmo.</p>



<p class="wp-block-paragraph">— Vazia?! — disse o menino, a curiosidade transbordando na voz.</p>



<p class="wp-block-paragraph">— Vazia! Ó.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Entreguei a lata pra ele.</p>



<p class="wp-block-paragraph">— Tá vazia mesmo!</p>



<p class="wp-block-paragraph">— Pois é! Mas tá fechada. Como será que esvaziou sem abrir?</p>



<p class="wp-block-paragraph">— <em>ÔTO MISTÉLIO</em>!</p>



<p class="wp-block-paragraph">A irmã, que já estava impaciente, chamou o moleque. Foram embora.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Faz dez dias que vez por outra eu me pego olhando pro vazio e dizendo: &#8220;<em>ôto mistélio&#8230;</em>&#8220;</p>
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		<title>Vinte e três</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Marco Aurélio Gois dos Santos]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 07 Feb 2025 12:58:21 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Sem categoria]]></category>
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					<description><![CDATA[Bati o olho na data no canto do monitor e me lembrei de alguma coisa. 7 de fevereiro? 7 de fevereiro. 7 de fevereiro! Hoje este blog macambúzio completa 23 anos de idade. Engraçado isso acontecer bem num período em que estou me afastando das redes sociais e considerando voltar a escrever no blog. Em [&#8230;]]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p class="wp-block-paragraph">Bati o olho na data no canto do monitor e me lembrei de alguma coisa. 7 de fevereiro? 7 de fevereiro. 7 de fevereiro! Hoje este blog macambúzio completa 23 anos de idade. Engraçado isso acontecer bem num período em que estou me afastando das redes sociais e considerando voltar a escrever no blog.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Em 2002, quando comecei com o JMC, pouca gente tinha a tal &#8220;presença online&#8221;. Aqui eu postava meus textos de sátira da Bíblia, mas também uns desabafos, uns relatos, coisas curtinhas, fotos&#8230; Era minha rede social antes das redes sociais.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Corta para este começo de 2025. Eu não sei bem o que aconteceu. Talvez tenha sido a imagem dos bilionários apoiando com entusiasmo o fascismo ultrabrega de Trump. Talvez os anúncios. Talvez a IA. Provavelmente tudo isso, junto com a idade pesando (em maio chego aos 50). Só sei que dia acordei já com preguiça de rede social, aí entrei no BlueSky e tomei duas patadas, entrei no Instagram e era só anúncio, fui olhar o Twitter e não entendi nada das conversas&#8230; e aí decidi dar um tempo.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Do Twitter eu já tinha me afastado, e só entrava mesmo para assuntos de trabalho. Apaguei a conta no BlueSky, que estava se tornando outro vício (é só um Twitter sem anúncios nem golpes — por enquanto). Instalei um aplicativo que deixa o telefone sem ícones e limita o uso de redes sociais. Ontem, desinstalei o app do Instagram do celular. Não tenho mais nenhum aplicativo de rede social.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Ontem entrei no Twitter pra dar uma olhada e não entendi os assuntos. Entrei no Bluesky com uma conta secundária e pior ainda: aparentemente o assunto era boné. Não entendi, não quis entender.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Talvez eu poste minhas coisas por aqui. Pelo menos é a minha casa, não tô trabalhando de graça para algum bilionário vagabundo dono de plataforma.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Eu acho.<br><br></p>
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		<title>Reboot?</title>
		<link>https://jesusmechicoteia.com.br/2024/11/20/reboot/</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Marco Aurélio Gois dos Santos]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 20 Nov 2024 22:18:37 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Bíblia]]></category>
		<category><![CDATA[Sem categoria]]></category>
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					<description><![CDATA[Quem topa?]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<div class="wp-block-image">
<figure class="aligncenter size-full is-resized"><img decoding="async" src="https://jmchicoteia.wordpress.com/wp-content/uploads/2025/03/2532c-image.png" alt="" class="wp-image-23434" style="width:376px;height:auto" /></figure>
</div>


<p class="wp-block-paragraph">Quem topa?</p>



<p class="wp-block-paragraph"></p>
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		<title>Retomada?</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Marco Aurélio Gois dos Santos]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 07 Oct 2024 17:34:38 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Sem categoria]]></category>
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					<description><![CDATA[Um dos motivos para eu desanimar deste blog foi a repetição de histórias na Bíblia. Eu já me preocupava com isso desde o começo, mas não pensava em chegar tão longe. Já existem repetições nos livros da Lei de Moisés (Êxodo, Levítico, Números, Deuteronômio), mas dava para contornar. Mas nos livros dos Reis, o problema [&#8230;]]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p class="wp-block-paragraph">Um dos motivos para eu desanimar deste blog foi a repetição de histórias na Bíblia. Eu já me preocupava com isso desde o começo, mas não pensava em chegar tão longe. Já existem repetições nos livros da Lei de Moisés (<a href="http://www.jesusmechicoteia.com.br/BibliaJMC/02_chicoteia_exodo.pdf">Êxodo</a>, <a href="http://www.jesusmechicoteia.com.br/BibliaJMC/03_chicoteia_levitico.pdf">Levítico</a>, <a href="http://www.jesusmechicoteia.com.br/BibliaJMC/04_chicoteia_numeros.pdf">Números</a>, <a href="http://www.jesusmechicoteia.com.br/BibliaJMC/05_chicoteia_deuteronomio.pdf">Deuteronômio</a>), mas dava para contornar. Mas nos livros dos Reis, o problema virou um muro: tem muita repetição nos livros das Crônicas, tem profetas que estão lá na frente na ordem dos livros bíblicos mas são contemporâneos dos reis, enfim, uma zona.<br><br>Só recentemente fiquei sabendo da existência de uma edição da Bíblia em ordem cronológica. Quando soube, fui procurar e estava fora de catálogo. Semana passada<a href="https://bsky.app/profile/neil.so/post/3l5mm3wbanl2x"> o Neil choramingou lá no Bluesky</a> por eu ter parado de reescrever a Bíblia. Por curiosidade, fui caçar de novo a tal edição em ordem cronológica, e não é que tinha voltado? Comprei e tá aqui. Essa é a boa notícia.</p>


<div class="wp-block-image">
<figure class="alignleft size-full is-resized"><img decoding="async" src="https://jmchicoteia.wordpress.com/wp-content/uploads/2025/03/4d362-image-1.png" alt="" class="wp-image-23406" style="width:216px;height:auto" /></figure>
</div>


<p class="wp-block-paragraph">A notícia ruim é que eu já estou no segundo livro dos Reis escrito do jeito de sempre, na ordem dos capítulos, e a coisa não é simples assim. <a href="https://jesusmechicoteia.com.br/2017/11/03/o-sincretismo-religioso-em-israel/">O último trecho que escrevi</a> (em 2017!) é a segunda parte do capítulo 17 de II Reis. Olhando a Bíblia nova, descubro que o que acontece nesse capítulo está distribuído em vários períodos. Entre um trecho e outro, tem várias histórias que se passam nos livros das Crônicas; nas profecias de Isaías, Miquéias, Oséias; uns Salmos&#8230; Enfim, uma salada que, em vez de aliviar, aumentou mais ainda minha ansiedade.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Eu achei que a Bíblia em ordem cronológica seria a solução, mas ela acabou me trazendo mais problemas ainda. Vou precisar estudar mais e pensar em como eu abordaria esse negócio.</p>



<p class="wp-block-paragraph">— Marcurélio, relaxa, só retoma de onde você parou.</p>



<p class="wp-block-paragraph">SE EU FOSSE CAPAZ DE RELAXAR, NADA DISSO SERIA PROBLEMA, CARALHO.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Então fica aí a explicação para as duas ou três pessoas que teriam algum interesse numa retomada. VAMOS AGUARDAR.</p>
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		<title>Assinado</title>
		<link>https://jesusmechicoteia.com.br/2024/10/05/assinado/</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Marco Aurélio Gois dos Santos]]></dc:creator>
		<pubDate>Sat, 05 Oct 2024 14:48:48 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Sem categoria]]></category>
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					<description><![CDATA[A assinatura do meu pai era simples e elegante como ele: apenas as iniciais L e S, depois um floreio que dava uma volta por cima das letras e um pontinho pra arrematar. Quando criança, eu assistia fascinado o meu pai assinando documentos, cheques, o que fosse. Ele me explicava que a assinatura era uma [&#8230;]]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p class="wp-block-paragraph">A assinatura do meu pai era simples e elegante como ele: apenas as iniciais L e S, depois um floreio que dava uma volta por cima das letras e um pontinho pra arrematar. Quando criança, eu assistia fascinado o meu pai assinando documentos, cheques, o que fosse. Ele me explicava que a assinatura era uma marca única, que servia para confirmar que a pessoa concordava com o papel assinado, ou para autenticar a autoria. Coisa muito séria, a assinatura.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Ele me ensinou a assinar como ele, mas a minha assinatura não prestava. Eu tentava fazer o M e o A como os do meu pai, mas não tinha a desenvoltura dele com a mão. As letras saíam tortas, o floreio era troncho, o pontinho era um traço. Demorou muito tempo para eu ter uma caligrafia decente, e naquele ponto minha assinatura também já tinha virado outra.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Há muito tempo eu pensava em tatuar a assinatura do meu pai. Quando decidi viajar a Monte Santo, resolvi também aproveitar a oportunidade e fazer a tatuagem. Procurei tatuadores da cidade, gostei do trabalho do <a href="https://www.instagram.com/souza.fabricio.tattoo/">Fabrício</a>, marquei com ele, fui, fiz.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Meu pai talvez não aprovasse isso. Ele não gostava de tatuagens, achava que era coisa de bandido. Para ser justo com ele: na periferia de São Paulo dos anos 1970 e 80, só bandido mesmo que tinha tatuagem. Aquelas tatuagens azuladas, feitas na cadeia com tinta de caneta Bic. É, definitivamente ele não ia aprovar. Paciência, ninguém mandou morrer. Tá aqui, Seu Lindauro. Sua obra mais torta, mais estranha, agora devidamente assinada.</p>


<div class="wp-block-image">
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		<title>Vem aí?</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Marco Aurélio Gois dos Santos]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 04 Oct 2024 17:19:02 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Bíblia]]></category>
		<category><![CDATA[Blog]]></category>
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					<description><![CDATA[Por que Marcurélio comprou essa bíblia em ordem cronológica?]]></description>
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<p class="wp-block-paragraph">Por que Marcurélio comprou essa bíblia em ordem cronológica?</p>


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<figure class="aligncenter size-large"><img decoding="async" src="https://jmchicoteia.wordpress.com/wp-content/uploads/2025/03/94eca-20241004_1321495476990250974255001.jpg?w=577&#038;h=1024" alt="" class="wp-image-23391" /><figcaption class="wp-element-caption">QUEISSO?</figcaption></figure>
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		<title>Casa de farinha, agora em vídeo</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Marco Aurélio Gois dos Santos]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 18 Sep 2024 23:01:08 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[O Leôncio foi meu guia na farinhada. Finalmente consegui editar o vídeo que fiz, que mostra o que contei no post sobre a casa de farinha.]]></description>
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<p class="wp-block-paragraph">O Leôncio foi meu guia na farinhada. Finalmente consegui editar o vídeo que fiz, que mostra o que contei no <a href="https://jesusmechicoteia.com.br/2024/09/10/casa-de-farinha/">post sobre a casa de farinha</a>.</p>



<figure class="wp-block-embed is-type-video is-provider-youtube wp-block-embed-youtube wp-embed-aspect-16-9 wp-has-aspect-ratio"><div class="wp-block-embed__wrapper">
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		<title>Itapicuru</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Marco Aurélio Gois dos Santos]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 16 Sep 2024 20:13:19 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Sem categoria]]></category>
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					<description><![CDATA[No meu último dia em Monte Santo, Romana me mostra um áudio. &#8220;Oi, aqui é Maria, viúva de André, irmão do seu avô&#8221;. A Maria diz que gostava muito do meu pai e dos irmãos dele. Fico sabendo que Maria mora em Itapicuru, e decido que vou dar uma passada por lá no caminho para [&#8230;]]]></description>
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<p class="wp-block-paragraph">No meu último dia em Monte Santo, Romana me mostra um áudio. &#8220;Oi, aqui é Maria, viúva de André, irmão do seu avô&#8221;. A Maria diz que gostava muito do meu pai e dos irmãos dele. Fico sabendo que Maria mora em Itapicuru, e decido que vou dar uma passada por lá no caminho para o aeroporto em Salvador. Combino tudo com o filho dela, Josuel, e tudo certo.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Ou quase.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Primeiro, descubro que Itapicuru é mais longe do que eu pensava, já quase perto da família dos meus avós maternos, em Sergipe. </p>



<figure class="wp-block-image size-full"><img decoding="async" src="https://jmchicoteia.wordpress.com/wp-content/uploads/2025/03/40c8f-image-14.png" alt="" class="wp-image-23376" /></figure>



<p class="wp-block-paragraph">E depois, porque perdi algum tempo <a href="https://jesusmechicoteia.com.br/2024/09/13/tal-pai-tal-filho/">emburacado em Monte Santo</a>. Fui me enrolando, e quando vi já era de tarde. Acabou que cheguei a Itapicuru já às sete da noite, com todo mundo me esperando. Quando soube que eu precisava sair no mesmo dia para ir a Salvador, Maria ficou desenxabida: tinha preparado cama e tudo, pensava que eu ia pelo menos passar a noite lá. Alguma falha de comunicação entre ela, Josuel, Romana e eu. </p>



<p class="wp-block-paragraph">Os valores de Maria parecem estar todos atrelados à religião: ou você é crente, o que é bom, ou não é, o que depende. Mesmo que você seja crente, precisa ver se segue a doutrina. E se é crente e segue a doutrina, tem que ver se não trocou de igreja, como fez meu pai (ela conta de uma censura que fez a ele por isso; eu ignoro). O primeiro casamento dela foi na igreja católica, então ela não considera. Quando meu tio-avô, então viúvo, a conheceu (numa igreja batista da Zona Leste aqui de São Paulo), perguntou se ela era viúva, ela disse que tinha se casado na igreja católica, não tinha mais marido, portanto era solteira. </p>



<p class="wp-block-paragraph">André era 19 anos mais velho que Maria, e ela o chamava de &#8220;senhor&#8221;. Ela mostra as fotos do casamento em 1995. André se parecia muito com meu avô. Ela diz que ele era muito quieto, e ela o apelidou de Cacique. No primeiro casamento, André teve 6 filhos, 3 deles mudos. </p>



<p class="wp-block-paragraph">— Deficientes auditivos, mãe! — corrige Josuel.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Eu digo que tudo bem, que ela não vai mudar agora, aos 80 anos. Ele diz que sempre corrige: eu não me ofendo, mas outros podem se ofender. </p>



<p class="wp-block-paragraph">FIquei sabendo depois pelo Luís, irmão mais velho do meu pai, que Síria, primeira mulher de André, ficou grávida 22 vezes. Pelo que entendi, as crianças nasciam mortas, ou eram abortadas espontaneamente. Com esse histórico de mortes e deficiências, André não queria mais ter filhos. </p>



<p class="wp-block-paragraph">— Ele sempre amou os filhos mudos&#8230;</p>



<p class="wp-block-paragraph">— DEFICIENTES AUDITIVOS!</p>



<p class="wp-block-paragraph">— &#8230; mas era muito trabalho, né? Ainda mais naquela época.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Maria, que já tinha filhos do primeiro casamento, não se importou em não ter mais. Pergunto o que aconteceu com o primeiro marido, ela desconversa. Insisto e ela diz que era &#8220;raparigueiro&#8221;. </p>



<p class="wp-block-paragraph">— Viveu 93 anos! Quem dera o velho André tivesse vivido tanto quanto aquele troço ruim!</p>



<p class="wp-block-paragraph">Pelo que entendo, André era caladão. Maria diz que os irmãos todos eram assim, e não sabe se herdaram isso de Ana ou de Salu, meus bisavós. &#8220;A família de Salu não se comunica, aí ninguém conhece ninguém&#8221;, ela diz. Por isso ninguém do meu lado da família foi ao casamento: ela só soube que havia todo um ramo da família por ali mesmo, na Zona Leste, depois de se casar.</p>



<p class="wp-block-paragraph">As histórias de Maria são confusas. Não é que ela esteja senil nem nada, parece ser mesmo o jeito que a cabeça dela funciona. Ela conta uma história, pula para outra, depois volta. Estranhamente, em toda história dela aparece um homem lavando o carro. Talvez as pessoas lavem muito o carro em Itapicuru, sei lá. Ela conta que uma vez recebeu a visita de um filho de André, um dos mudos.</p>



<p class="wp-block-paragraph">— Deficiente auditivo, mãe!</p>



<p class="wp-block-paragraph">Ela ignora a correção de Josuel. Diz que o enteado chegou à cidade e conseguiu achar a casa dela, o que muito a impressionou. &#8220;Chegou ali em cima na casa de um rapaz que estava lavando o carro e ele, mesmo sem entender mudo, trouxe ele direitinho até aqui&#8221;.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Ela começa a me mostrar fotos naqueles slides dentro de monóculos. Diz que quer me mostrar o pai dela, os irmãos, os netos. Eu fico olhando e admirando por educação. Não estou interessado naquelas pessoas, honestamente, e o fervor religioso de Maria, que pontua tudo que ela diz, me incomoda. Não tanto pela religião, mas também porque ela joga veneno em muito do que fala dos outros, e nisso vejo o que me afastou da igreja: a hipocrisia dos religiosos.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Assim que possível, peço licença porque tenho um voo para pegar. Ela ainda quer me apresentar à vizinha, e eu vou, fazer o quê? Converso um pouco com a vizinha, depois vou até o carro. Ela me acompanha, ainda falando.</p>



<p class="wp-block-paragraph">No caminho para Salvador, me pergunto se valeu a pena ir até Itapicuru. Dias depois, em São Paulo, falo dela para os meus tios, e não há muito entusiasmo em relação a ela. Parece ser uma nota de rodapé na família, alguém que nunca se encaixou direito. Ela me contou que os filhos de André nunca aprovaram o casamento, e um deles chegou a chamá-la de Dalila. Entendo que nunca vou saber tudo que essa mulher sofreu juntando o marido raparigueiro, o segundo casamento contra a vontade de tanta gente, as críticas que deviam ser constantes, e provavelmente permanecem até hoje. </p>



<p class="wp-block-paragraph">Um pensamento, porém, me consola: pelo menos três dos filhos do meu tio-avô André nunca falaram mal dela&#8230;</p>
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		<title>Tal pai, tal filho</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Marco Aurélio Gois dos Santos]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 13 Sep 2024 05:10:54 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Sem categoria]]></category>
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					<description><![CDATA[Meu pai tinha o dom muito especial: sempre que viajávamos, não importava pra onde, dava algum problema no carro: furava um pneu, ou dava lá uma pane qualquer. O fato de ele só ter carro velho contribuía para isso também. A gente tirava sarro, ficava em volta cornetando. Nesses dias eu rodei o sertão da [&#8230;]]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p class="wp-block-paragraph">Meu pai tinha o dom muito especial: sempre que viajávamos, não importava pra onde, dava algum problema no carro: furava um pneu, ou dava lá uma pane qualquer. O fato de ele só ter carro velho contribuía para isso também. A gente tirava sarro, ficava em volta cornetando. </p>



<p class="wp-block-paragraph">Nesses dias eu rodei o sertão da Bahia num carro alugado, zero problemas. Mas claro que meu pai não ia deixar de me visitar. Hoje inventei de ir ver um açude num povoado de Monte Santo chamado Tapera. Coloquei no Google Maps, dava 12 quilômetros. Pertinho, fui.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Saindo da cidade, pega-se um trecho de BR e a maior parte do trajeto é por estradas de terra. São boas estradas, então fui tranquilo. Só que uma hora o GPS mandou entrar numa estradinha mais estreita, irregular. Titubeei, mas tava tão perto, então fui. </p>



<p class="wp-block-paragraph">Logo de cara, um buraco imenso na lateral da estradinha. Passei com muuuuito cuidado para não cair no buraco e fui adiante. Uns 100 metros depois, vi que a estrada ficava mais irregular ainda, e mais adiante nem tinha mais cara de estrada. Achei melhor voltar. Só que não havia espaço para manobrar, então fui voltando de ré. Tudo certo, tudo tranquilo, eu só precisava ir devagar, prestando atenção, e tomando cuidado pra não cair no-</p>



<p class="wp-block-paragraph">PUFT</p>



<p class="wp-block-paragraph">Só senti o solavanco e o carro parando. Acelerei mais, só ouvi barulho de areia. Engatei uma primeira, mas pra frente ele não ia também. Eu tinha caído no buraco. Claro que tinha.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Em outros tempos, eu ficaria irritado, xingando a mim mesmo. Depois de velho, passei a aceitar que as coisas são como são. Depois de ficar um tempinho admirando meu autocontrole e estoicismo, decidi procurar ajuda. Por sorte minha, o buraco ficava bem em frente a uma propriedade com uma casa lá no fundo, depois de duas porteiras. A primeira porteira não estava trancada, abri, andei até a outra, bati palmas, gritei o protocolar &#8220;ô, de casa!&#8221;, e nada. Voltei para o carro, peguei minha garrafa d&#8217;água para dar um gole (imaginem o calor do sertão perto do meio-dia), e comecei a pensar no que fazer. Sinal de celular, não tinha (aliás, hoje deu alguma pane na operadora, porque eu só fui ter sinal de celular uns 100 quilômetros adiante). Lembrei que tinha passado por um lugar onde trabalhavam com tratores. Depois, pensei que podia pegar umas pedras e tentar calçar a roda solta do carro. Foi eu pegar a primeira pedra, chegou um rapaz de moto. Era o dono da casa, ou trabalhava na propriedade. Nicácio.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Prontamente o Nicácio começou a me ajudar. Pegamos pedras, ele foi colocando atrás da roda, liguei o carro, engatei a ré&#8230; E nada. A roda continuava flutuando sobre o fundo do buraco, e não havia nada que se pudesse fazer. </p>



<p class="wp-block-paragraph">Nicácio perguntou como eu tinha caído no buraco. Contei a história. Ele falou que a estrada não tinha saída, que o caminho para o açude era a estrada seguinte. E, além do mais, nem precisava dar aquela volta toda: o outro lado do açude ficava bem atrás das casas do povoado, quase na BR. Bom, paciência, já estava emburacado. Falei que tinha passado por um lugar onde alguns homens trabalhavam com tratores, sugeri chamá-los. &#8220;Precisa disso não, a gente tira. Vou chamar um amigo ali.&#8221;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Nicácio saiu e logo chegou com o amigo, cada um em sua moto. Era o Eduardo. Eduardo era mais engenhoso: deu a ideia de tentar levantar um lado do carro com o macaco (a ferramenta, não eu; bando de racista do caralho). Tentamos, não deu certo: não havia espaço para encaixar o macaco. Voltei a falar dos tratores. &#8220;Precisa não&#8221;. Nicácio perguntou se o carro tinha algum lugar onde fosse possível prender uma corda. Olhei embaixo. &#8220;Só se prender no eixo&#8221;, eu disse. Então no eixo seria. Eduardo saiu para buscar o carro. &#8220;Volto em uns 10 minutos&#8221;. Nicácio entrou na propriedade falando alguma coisa sobre uma raposa. Eu entrei no carro e fiquei aproveitando a brisa do sertão, que remédio?</p>



<p class="wp-block-paragraph">Em bem menos de 10 minutos, Eduardo voltou com o carro dele, um gol branco com dois adesivos imensos do Lula no vidro traseiro, e umas cordas grossas. Nisso chegou um terceiro, o Ricardo. Eduardo achava que as cordas iam arrebentar. Eu e Nicácio garantimos que não. Ricardo preferiu não opinar. Por via das dúvidas, amarramos duas cordas no eixo traseiro do carro alugado, a outra ponta no engate do carro do Eduardo. Enquanto Eduardo amarrava as cordas, perguntou de onde eu era. Expliquei que era de São Paulo, mas meu pai e minha família toda eram de Monte Santo. Que sempre tinha sonhado em visitar a cidade, mas só agora tinha conseguido.</p>



<p class="wp-block-paragraph">— E sua família é da cidade mesmo?</p>



<p class="wp-block-paragraph">— Não, dá área rural. Da Silgueira.</p>



<p class="wp-block-paragraph">—Da Siligueira? Eu tenho família na Siligueira, talvez nós até é parente!</p>



<p class="wp-block-paragraph">— Meu avô era o Júlio&#8230;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Aí o rosto do Eduardo se iluminou:</p>



<p class="wp-block-paragraph">— Neto de Júlio da SIligueira??? Rapaz, que satisfação! Teu avô é muito conhecido aqui, todo mundo falava bem dele.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Ali o negócio mudou. Os três estavam me ajudando, muito solícitos, como é o povo simples do Brasil. Mas ao falar o nome do meu avô, eu imediatamente me tornei um deles.</p>



<p class="wp-block-paragraph">O carro já estava desatolado. Agradeci muito e falei:</p>



<p class="wp-block-paragraph">— Se eu bem conheço o povo de Monte Santo, vocês não vão aceitar, mas eu tenho que oferecer. Não aceitam alguma coisa aí pelo trabalho?</p>



<p class="wp-block-paragraph">Nicácio nem me deixou terminar:</p>



<p class="wp-block-paragraph">— Eu mesmo não quero.</p>



<p class="wp-block-paragraph">O Eduardo:</p>



<p class="wp-block-paragraph">— Eu só quero que você seja muito feliz.</p>



<p class="wp-block-paragraph">O Ricardo preferiu não opinar, mas ele já tinha aparecido no final e nem tinha feito nada.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Nos despedimos com abraços e trocas mútuas de &#8220;Deus abençoe&#8221;.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Transamos.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Não, mentira.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Voltei para a estrada de terra, mandei todos os açudes da Bahia tomarem no rabo, e segui viagem para Itapicuru. Essa parte eu conto depois.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Quebrar o carro é muito mais fácil sem gente cornetando. Mal aí, pai.</p>



<figure class="wp-block-video"><video controls src="http://jesusmechicoteia.com.br/wp-content/uploads/2024/09/20240912_131557.mp4"></video><figcaption class="wp-element-caption">A resignação de um emburacado</figcaption></figure>
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