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	<title>Laboratório do Processo Formativo</title>
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	<description>Laboratório do Processo Formativo</description>
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		<title>O tempo voa</title>
		<link>https://laboratoriodoprocessoformativo.com/2026/03/o-tempo-voa/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Regina Favre]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 18 Mar 2026 14:31:38 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[destaque]]></category>
		<category><![CDATA[o que penso]]></category>
		<category><![CDATA[formatividade]]></category>
		<category><![CDATA[pandemia]]></category>
		<category><![CDATA[processo formativo]]></category>
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					<description><![CDATA[Regina Favre descreve o loop formativo que aconteceu há seis anos, com a instalação da pandemia entre nós, e suas consequências para as práticas formativas e para o Laboratório do Processo Formativo.]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<div id="attachment_4049" style="width: 730px" class="wp-caption aligncenter"><img fetchpriority="high" decoding="async" aria-describedby="caption-attachment-4049" class="wp-image-4049 size-full" src="https://laboratoriodoprocessoformativo.com/wp-content/uploads/Looping-realidade-somatica.jpg" alt="Regina e o looping formativo" width="720" height="900" srcset="https://laboratoriodoprocessoformativo.com/wp-content/uploads/Looping-realidade-somatica.jpg 720w, https://laboratoriodoprocessoformativo.com/wp-content/uploads/Looping-realidade-somatica-240x300.jpg 240w" sizes="(max-width: 720px) 100vw, 720px" /><p id="caption-attachment-4049" class="wp-caption-text">Preparar-se para o que vem</p></div>
<p class="wp-block-paragraph">Pouco tempo antes da notícia da chegada do vírus, talvez em fevereiro de 2020, fiz para um grupo de jovens alunos, TO&#8217;s, trabalhadores da área da saúde coletiva autonomeado Embriões, um quadro no ovo. O ovo é um quadro branco gigante, oval, na sala do consultório, onde desenho &#8211; ou desenhava, hesito no tempo verbal -, cartografias, somagramas e diagramas para pacientes e alunos. Naquele dia, postei a foto desse desenho no Facebook adicionando a legenda “preparar-se para o que vem’. Bolsonaro e seus ratos já roíam fortemente nossos alicerces e evidentemente tudo tendia a piorar, era a isso a que me referia, mas atirei no que vi e acertei no que não vi. Inimaginável que a piora fosse na proporção que se seguiu.</p>
<p>Alguns dias depois, mais precisamente no dia 16 de março de 2020, uma segunda-feira, ficou evidente que o vírus chegara ao Brasil. Ao longo do dia, arrastei as cadeiras do atendimento clínico individual para perto da janela aberta e telefonei para alguns amigos perguntando como pretendiam lidar com a higiene do consultório&#8230; nada impossível, me disseram, desinfetar maçanetas, janela aberta, álcool gel junto da porta de entrada, sem contato físico. Mas quando me vi diante do último paciente do dia, frente à frente, temerosa daquele corpo desconfortável diante de mim, já acuada ao pé da janela, tomei a decisão de não mais voltar. E de fato nunca mais pisei lá. Literalmente. Esses momentos em que tudo muda, em que tudo o que vinha sendo e para o que estávamos organizados desaparece subitamente por buraco negro, são momentos sagrados e a vida com seu mistério se revela para além do nosso adormecimento.</p>
<p>Certamente me foi possível nunca mais voltar lá. A secretária que me acompanhava há mais de vinte anos e que votara comigo em Lula e Dilma, em tempos passados, havia se transmutado em bolsonarista. Essa proximidade num primeiro momento me gerou imensa angústia. Mas, ao longo dos meses que se seguiram a essa revelação, pude ir enxergando melhor a arrogância ética e intelectual da classe média dita esclarecida de que sou parte e que atiça tanta inveja e ódio nessa pequena classe média brasileira conservadora que nos atende direta ou indiretamente. </p>
<p>Quando me retirei naquela noite, após a última sessão do dia, desci a pé três quadras da ladeira da mesma rua e entrei no prédio onde está meu apartamento. Ela seguiu sua rotina, saindo de manhã também a pé de sua casa, também no bairro, virando a esquina da rua onde está o prédio do nosso trabalho, mantendo impecavelmente, com absoluta regularidade, o espaço que sempre me ajudou a organizar. Fazia pagamentos, encomendava coisas de que preciso, virtualmente, fazia algumas compras que deixava sobre uma cadeira na porta da minha cozinha, resolvia problemas burocráticos pela internet. Honrava seu salário e não temia o vírus, com a força do seu negacionismo. Nunca mais nos vimos face a face até o dia do acordo da sua saída. Seu bolsonarismo me produzia um estranhamento, um retraimento que não era só o reflexo do corpo evitando, no caso, a contaminação do vírus pela porta entreaberta, mas uma discreta aversão que evitava sentir. Acredito que o mesmo ocorresse com ela.</p>
<p>Aos poucos fomos recuperando pelo whatsapp, sem erros ou mal-entendidos, uma comunicação que foi permitindo de novo o funcionar dos elementos quase invisíveis da vida de uma mulher profissional. Então uma apreciação mútua passou aos poucos a transparecer, na formulação singela do estrito necessário das pequenas mensagens.</p>
<p>A sala grande de grupo tempos depois foi alugada para uma psicanalista de crianças e famílias, amiga, que atendia algumas vezes lá. Isso me confirmou mais uma vez que a vida encontrará sempre maneiras de fazer seus movimentos. Minha amiga guardou a sala para mim até que uma continuidade se apresentasse nessa situação imobilizada para pessoas que, como eu, não são obrigadas a enfrentar as diversas aglomerações, em moradias, filas ou condução. Naquele presente ao qual me refiro aqui, incubei futuros em casa.</p>
<p>Também criei para aqueles alunos do Grupo Embriões, naquele mesmo dia quase que premonitório, um protocolo que chamei de <a href="https://laboratoriodoprocessoformativo.com/2020/05/corpo-adaptacao-desejo-de-seguir/">Corpo, Adaptação, Desejo de Seguir</a> e que passei a aplicar, ensinar e recomendar em todos os ambientes virtuais, onde passei a clinicar individualmente, produzir workshops sobre nossa condição de reféns do vírus e ensinar em grupos essa filosofia formativa corporificada. A vida se mudara para o Skype, para o Meet, para o Zoom, para o YouTube, para o Facebook, para o Instagram, para o Vimeo. E, logo a seguir, na chamada para o primeiro workshop virtual com esse título inspirado, escrevi:</p>
<blockquote>
<p><br />Estamos como quando o famoso meteorito se chocou com a Terra e levantou aquela imensa poeira que obscureceu o sol e extinguiu os dinossauros. Este é o preciso momento de ativar em nós as forças adaptativas guardadas como um segredo em nosso DNA.<br />Convido para um workshop em que vamos praticar:<br />1. Mapear nossa vida meio à transformação de condições pela qual passamos.<br />2. Identificar nossos modos de funcionamento em meio a essa desconfiguração do conhecido.<br />3. Estudar nossos padrões corporais-emocionais que estão nos impedindo de responder funcionalmente ao problema. <br />4. Buscar novas formas que permitam maior contato com as forças de continuidade da vida. <br />5. Praticar o que é mudança<br />6. Compartilhar experiência<br />7. Fortalecer nossa capacidade de vínculo ou conexão.<br />8. Acreditar que não seremos mais os mesmos.</p>
</blockquote>
<p><br />Oito verbos preciosos indicavam ações a serem praticadas conduzindo um processo adaptativo à continuidade da vida e suas vicissitudes. O convite continha também a bela ilustração de um coração aconchegado entre os pulmões que pesquei nas redes sociais, desenhado pelo artista Rodrigo Leão cuja autorização de uso solicitei. A imagem aludia claramente ao perigo de sufocação que nos espreitava com aquela doença para qual ainda não havíamos encontrado meios de nos imunizar. Esse workshop aberto repetiu-se mensalmente durante um bom tempo em que buscávamos a primeira adaptação a esse novo enquadre de vida.</p>
<p>Nos primeiríssimos momentos do impacto da doença, fiz uma primeira live para o canal do Instagram, <a href="https://www.instagram.com/nasvozesdelas?utm_source=ig_web_button_share_sheet&amp;igsh=ZDNlZDc0MzIxNw=="><em>Nas Vozes Delas</em></a>, criado pela linguista e semioticista Carolina Tomasi que me entrevistou e seguiu entrevistando durante toda a pandemia em um programa diário, Mulheres Que Têm O Que Dizer. Ouvi de mim mesma naquele fim de tarde , surpresa, a narrativa dos primeiros passos de uma singela adaptação à vida do lar. Lives começaram a aparecer por todo lado como modos de contato com pessoas ilhadas em seus mundos. <br />Naquele primeiro mês de profunda desterritorialiação, também assisti a uma live do médico e psicanalista carioca Joel Birman. Pude nesse momento imaginar uma primeira cartografia dessa doença que conhecíamos através dos mundos criados pelas mídias e que começaram a nos envolver inteiramente em nosso isolamento. Vislumbrei naquele sábado à tarde, juntamente com um número imenso de internautas, esse novo ambiente que asfixiava a continuidade da vida com seus efeitos sociais e econômicos destrutivos e impensáveis consequências do ponto de vista epidemiológico e psicopatológico. A situação absurda ali descrita me lembrou a Chave do Tamanho, de Monteiro Lobato, livro que na infância me impressionou de tal modo que posso me lembrar dele até hoje em detalhe.</p>
<p><br />Emília, a boneca rebelde, aborrecida com o horror da Segunda Guerra Mundial de que tinha notícias pelas conversas com Dona Benta e seus netos no Sitio do Pica-pau Amarelo, imaginou que deveria existir em algum lugar uma casa onde estariam as chaves que regulassem os acontecimentos do mundo. Tomou uma pitada do pó do famoso Pirlimpimpim, invenção do Visconde de Sabugosa, e emergiu na tal casa das chaves que parecia uma antiga estação de trem do interior paulista daqueles tempos, abandonada e envolta em bruma. Bem no alto de uma parede estavam, de fato, várias chaves do tipo alavanca porém sem nenhuma indicação. Pensou que ali, entre as muitas chaves deveria estar certamente a chave que regulasse a guerra. Aspirou então outra pitada do pó que a fizesse subir até uma das chaves que intuiu ser a chave da guerra e se pendurou nela. E, de repente, viu-se coberta por um monte de pano, que entendeu depois ser o seu vestido, como se um toldo de circo desabasse sobre ela. Ao longo do livro, vamos descobrindo que ela havia baixado a chave que regulava o tamanho dos corpos, e não a chave da guerra como pretendia, e que todos os corpos humanos e meio humanos como o dela, boneca, haviam se reduzido radicalmente no mesmo instante ao tamanho de um gafanhoto, digamos. E se inicia aí uma aventura de instauração de uma nova vida e de uma nova sociedade onde os gatos domésticos famintos, por exemplo, passam a caçar humanos como se fossem baratas, onde acampamentos começam a se instalar junto de torneiras de jardim que pingam. Assim me pareceu estarmos. Logo em seguida aceitei que por um bom tempo essa seria nossa vida. E migrei com pacientes, alunos e grupos para o mundo virtual, buscando apoiada pelo formativo, dar corpo à nova experiência.</p>
]]></content:encoded>
					
		
		
			</item>
		<item>
		<title>O COMO</title>
		<link>https://laboratoriodoprocessoformativo.com/2026/03/o-como/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Regina Favre]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 01 Mar 2026 21:14:13 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[o que penso]]></category>
		<category><![CDATA[cinco passos]]></category>
		<category><![CDATA[formatividade]]></category>
		<category><![CDATA[keleman]]></category>
		<category><![CDATA[processo formativo]]></category>
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					<description><![CDATA[Texto produzido por Regina Favre para compor com Flavia Liberman e Glenda Milek em um texto maior sobre um grupo de bordado realizado no departamento de Terapia Ocupacional da UNIFESP, Campus Baixada Santista, a ser publicado na revista Interfaces, UNESP.]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p class="wp-block-paragraph"><img decoding="async" class="aligncenter size-full wp-image-4041" src="https://laboratoriodoprocessoformativo.com/wp-content/uploads/O-Como.jpeg" alt="" width="960" height="885" srcset="https://laboratoriodoprocessoformativo.com/wp-content/uploads/O-Como.jpeg 960w, https://laboratoriodoprocessoformativo.com/wp-content/uploads/O-Como-300x277.jpeg 300w, https://laboratoriodoprocessoformativo.com/wp-content/uploads/O-Como-768x708.jpeg 768w" sizes="(max-width: 960px) 100vw, 960px" /></p>
<p><em>Texto produzido por Regina Favre para compor com Flavia Liberman e Glenda Milek em um texto maior sobre um grupo de bordado realizado no departamento de Terapia Ocupacional da UNIFESP, Campus Baixada Santista, a ser publicado na revista Interfaces, UNESP.</em></p>
<p><br />Há décadas venho sendo procurada por terapeutas ocupacionais, do campo daqueles profissionais que pensam a terapia ocupacional como arte, clínica e política, entre estes, muitos docentes, muitos trabalhadores da Saúde Publica. Essa afinidade entre o meu campo, do processo formativo, e o campo da terapia ocupacional, foi se desvendando, ganhando consistência e se desdobrando em diferentes situações, composições, projetos e diálogos onde a profunda afinidade e a coincidência de origens foram se condensando em torno da importância total do COMO, no olhar do COMO, na prática do COMO. O COMO é o que importa a ambos os campos. Partimos da ação. Nascemos no mesmo berço do pragmatismo americano no início do século 20 e praticamos a estética da ordinariedade. <br />John Dewey é um dos três criadores do pragmatismo, juntamente com William James e Pierce. A educação e o aprender para a vida pautam essa filosofia, evidenciando que o fazer e o como fazer são a espinha dorsal dessa filosofia democrática que inspirou inúmeras políticas humanistas nos tempos do governo Roosevelt, tempos prósperos e democráticos. E com esse foco evidencia-se, então, que o coletivo é a ecologia onde corpos desenvolvem suas vidas. Para a ética pragmatista não basta pensar, o coletivo pede uma filosofia prática, encarnada, onde se aprende fazendo o que se faz ( crianças fazendo hortas nas escolas, alunas da UNIFESP bordando). Que se nutra o agir, que se reconheça a diferença, que se compartilhe os modos e os comos, que se cultive conexão, que se amadureça para a cooperação , que se pratique a inteligência coletiva. Essa é a filosofia de Dewey. <br />Stanley Keleman, geração da Psicologia Humanística americana, desenvolveu nas seis décadas que se seguiram ao seu surgimento no campo das psicoterapias e filosofias somáticas, nos anos 50, quando formatou e apresentou sua filosofia, sua prática somática e sua clínica formativa. Todos sabem que nessa década o corpo se impôs como um campo de estudo e uma infinidade de métodos e teorias emergiram no mercado da educação, da clínica, da filosofia. Distanciando-se da herança de Reich e de todo um campo de terapias e filosofias que honravam a psicanálise, Keleman organizou seu pensamento reconectando-se a sua raiz filosófica americana sobretudo ao pragmatismo de William James. Sua compreensão dos conceitos básicos do pensamento da psicologia de James , fluxo, estrutura, hábito, emoção e vontade, absorvidos de Nina Bull, sua tutora na universidade de Columbia, a neurocientista pesquisadora do comportamento, alicerçaram o que viria a seu o Pensamento Formativo.<br />O Processo Formativo é o impulso do processo evolutivo planetário que segue em cada corpo no seu processo particular de levar-se adiante no tempo. A Filosofia Formativa de Stanley Keleman mostra como esse desejo de prosseguir se expressa no modo como os corpos geram sempre mais corpo e mais mundo, criando novas conexões com os ambientes e voltando sobre si para ajustar-se e assimilar cada nova forma de funcionamento que emerge em sua continuidade. O Processo Formativo não segue por capítulos pré-determinados, mas impulsiona-se como um alargamento e um aprofundamento do processo de corporificação em curso na situação presente dos corpos que estamos sendo, aqui e agora. <br />Quando esse grupo de bordado estiver bastante adiantado no tempo , as pessoas poderão se perguntar, por exemplo, como dissolveram a timidez ou a vergonha de se expor em grupo aprendendo algo que não sabiam antes ou como aprenderam a ser mais relaxadas para compartilhar, aprender, ensinar, conviver com pessoas desconhecidas etc etc… como diz Caetano Veloso, &#8220;isso é um jeito de corpo&#8221;. Um corpo para deixar de ser timido, por exemplo, precisa aprender várias operações ou &#8220;jeitos de corpo&#8221; para conter a excitação dos encontros dentro de si, para firmar melhor suas paredes corporais, para criar uma certa estabilidade interna diante dos outros, para regularizar a respiração, para não se deixar invadir pelas presenças e se perder de si. Tudo isso são jeitos de corpo, manejos de si através de micro movimentos sobre si. <br />No treino de se apropriar de modos e comos para executar ações várias interpretando-as como à partitura de uma música, novos comportamentos encaminham a continuidade da vida. Cada comportamento é o agenciamento de partituras somáticas, sejam eles práticos ou emocionais. A forma que vemos nos corpos é o COMO se dá sua conexão com o ambiente. COMO, COMO, COMO. Os corpos pedem um pragmatismo radical. Ao mesmo tempo em que lemos o sentido de um acontecimento, das ações e posturas dos corpos envolvidos nele, podemos identificar que se está fazendo para satisfazer o desejo de inclusão, de agir no mundo, de ser agente, de ser capaz de repetir tal ação e incluí-la no seu repertório. Estabilizar comportamentos, desmontar comportamentos, gerar sempre uma nova adaptação ao presente que funcione. COMO? Entre os inúmeros nomes que Keleman atribuiu ao exercicio formativo o mais significativo é Pratica do COMO, isto é, como um corpo configura anatomicamente aquilo que está fazendo, isto é, suas ações. A Anatomia Emocional de Keleman está longe de ser a anatomia das partes tal como foi inventada pelos caçadores, a anatomia de Vesalius ou a chamada &#8220;anatomia do açougueiro&#8221;. Os comportamentos e modos de ser sujeito. nos seus menores detalhes, nos antecedem no que Keleman coincidindo com Felix Guattari, chama de pós-pessoal, têm uma forma clara que se expressa nas leis e nas narrativas. As coreografias das ações não param de se produzir no coletivo e nos jogos do poder. Nossos os corpos podem ser tomados por elas ou intepretá-los como um ator ou um musico interpreta algo de modo singular. O COMO é nosso grande aliado na produção de variação e diferença, nessa brava resistencia à constante captura dos corpos pelas forças dominantes, no campo social onde estamos mergulhados.</p>
<p style="text-align: right;"><br /><br />Regina Favre &#8211; 2024</p>
]]></content:encoded>
					
		
		
			</item>
		<item>
		<title>Uma dramaturgia dos conceitos</title>
		<link>https://laboratoriodoprocessoformativo.com/2026/02/uma-dramaturgia-dos-conceitos/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Regina Favre]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 22 Feb 2026 22:52:45 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[destaque]]></category>
		<category><![CDATA[o que penso]]></category>
		<category><![CDATA[biologia]]></category>
		<category><![CDATA[conceitos]]></category>
		<category><![CDATA[corpo]]></category>
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		<category><![CDATA[subjetividade]]></category>
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					<description><![CDATA[Anotações dos conceitos de Keleman by Favre, feitas ao longo da história do Laboratório e da prática de grupos que ajudam a viver a anatomia dentro do seu estágio maturacional, história, subjetividade. ]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<h3><strong>Presença</strong></h3>
<p>Viver o processo formativo no processo grupal… video-gravar, transcrever, editar, produzir a partir das edições… prosseguir absorvendo o vivido, aprendendo em si como os corpos se produzem continuamente no acontecimento … produzir sempre novas experiências sobre experiências anteriores gerando mais camadas de experiencia… contemplar as gravações, aprender a ler as mutações do vivido sobre os corpos… e, mais finamente, corpar as ações … problematizar ao vivo… produzir diferença… finamente…aplicando a metodologia formativa em aprendizagem…viver, apreciar e praticar as novas conexões e realidades que a diferença dispara… mais e mais camadas de realidade somática se seguem, incluindo a diferença produzida…</p>
<h3><strong>Um diálogo formativo editado.</strong></h3>
<p>Para que se possa aprofundar a organização da <span style="color: #aa0005;">presença</span> é necessário aprofundar seu lugar no plano do <span style="color: #aa0005;">acontecimento</span>. ?<span style="color: #aa0005;">Acontecimento</span> é o estado de coisas em seus devires, ambientes dentro de ambientes, onde o corpo, em seu também devir, está imerso como parte do mesmo em seu ato de existir. Acontecimento é o que é contemporâneo às ações de um corpo pelas quais modela o seu prosseguimento em particular.? <span style="color: #aa0005;">Acontecimento</span> é o fora, o dentro e o fora do fora, em sua interação e simultaneidade. O <span style="color: #aa0005;">acontecimento</span> é uma configuração temporal.?O <span style="color: #aa0005;">Acontecimento</span> é feito de simultaneidades, muitas camadas, ecologias físicas, afetivas, sociais, antropológicas, culturais, históricas, tecnológicas, políticas, de poderes e valores… Podemos chamar o <span style="color: #aa0005;">acontecimento</span> também de <span style="color: #aa0005;">campo corpante</span> (<em>bodying field</em>), o ambiente de tensão onde tudo está se formando, expressão utilizada com grande propriedade por Stanley Keleman, autor de <a href="http://books.google.com.br/books?id=v5gQmgCP9QgC&amp;hl=pt-BR&amp;redir_esc=y">Anatomia Emocional</a>.</p>
<p>Cada um de nós é um <span style="color: #aa0005;">lugar</span>, um <span style="color: #aa0005;">aqui</span>. Para começar a aprofundar e organizar melhor esse lugar, organize um fora, só isso. O que acontece quando você organiza um fora??O dentro, o fora, o fora do fora… <span style="color: #aa0005;">como você absorve</span> o fora do fora? ?<span style="color: #aa0005;">Como o seu fora absorve</span>, transporta o efeito do fora do fora para o dentro?</p>
<p>Seu fora esboça <span style="color: #aa0005;">um certo design que é uma resposta</span> a este estímulo ou afetação, a este acontecimento do fora do fora, criando a transposição do fora do fora para o dentro, ou seja, o fora organiza um certo design que é uma alteração na membrana entre o dentro e o fora do fora. ?<span style="color: #aa0005;">Isso se chama comportamento</span>. Trata-se de uma anatomia particularizada, um <span style="color: #aa0005;">design vivo</span>, que em si é uma resposta, que em si é uma configuração entre o dentro e o fora do fora, uma configuração do fora que organiza as partes de um certo modo.</p>
<p>Posso, por exemplo, neste momento, fazer uma <span style="color: #aa0005;">experimentação com o meu fora</span>.? Quero afinar o meu ouvido, para sintonizar melhor com esse ruído que me chega e captar melhor que melodia é esta que um martelo está produzindo, neste momento, no andar de cima. Vou me organizar nesta forma de escuta fina como um todo. E em seguida desorganizar.? Parou. ?Começou de novo. ?O que eu faço com o interior da minha cabeça? Como eu modelo a escuta ou como me modelo para escutar? Ou escutar menos…É um modelar-se que a gente descobre que é muito antigo… esse modo de isolar o dentro do fora do fora… Se você tocar uma minhoca você vai ver como ela se engrossa para se proteger. Esse engrossar e voltar-se em direção a si mesmo é muito antigo e se faz à minha revelia. É uma ação reflexa, um movimento sobre si mesmo, que altera a forma do corpo. <span style="color: #aa0005;">Mas eu posso usar a minha condição de animal corticalizado para exercer uma ação sobre isso</span>. Parou o martelo. ?O que eu fiz? Talvez esteja ainda com o <span style="color: #aa0005;">aqui</span>, eu-Regina, endurecido para me preparar para a próxima martelada. ?Mas eu vou afinar intencionalmente de novo as minhas paredes e me expor ao susto da próxima martelada. Quero ver como é. Isso me educa. Quero ver como é.</p>
<p>Capto a minha resposta. Que resposta dei à martelada? Como se desencadeou essa resposta muito antiga aqui? Posso me perguntar “como é a forma do meu fora?”,&#8221;o que se contraiu em mim com estas três marteladas que acabam de irromper?”.</p>
<p>O fora não é só o que a gente enxerga. São todas as paredes que envolvem as <span style="color: #aa0005;">passagens pulsáteis</span> que mantêm este pulso funcionando do fora para dentro, do dentro para fora.(V. <a href="http://books.google.com.br/books?hl=pt-BR&amp;id=v5gQmgCP9QgC&amp;q=bomba+puls%C3%A1til#v=snippet&amp;q=bomba%20puls%C3%A1til&amp;f=false">Bomba pulsátil em Anatomia Emociona</a>l)</p>
<p>Tudo isso é um design construído no continuum da minha história formativa. São variações possíveis de uma anatomia. Temos um número imenso de variações. Mas são variações em cima da minha forma contemporânea ao <span style="color: #aa0005;">acontecimento</span>, uma escultura anatômica em camadas da minha história formativa.</p>
<p>Esse <span style="color: #aa0005;">aqui</span> está não só pulsante quanto está habitado por palavras, por imagens, por impulsos de ligação entre as pessoas, entre os corpos, entre os assuntos, o dia. Este <span style="color: #aa0005;">aqui</span> é sempre habitado.</p>
<p>Antes de fazer uma afirmação a partir desta configuração do aqui que eu estou captando, posso fazer um somagrama. O <a href="http://books.google.com.br/books?id=hBGXuI01qXQC&amp;lpg=PA71&amp;dq=somagrama&amp;hl=pt-BR&amp;pg=PA71#v=onepage&amp;q=somagrama&amp;f=false">somagrama é um registro gráfico dessa superfície, destas zonas</a>.</p>
<p><div id="attachment_4029" style="width: 778px" class="wp-caption aligncenter"><img decoding="async" aria-describedby="caption-attachment-4029" class="wp-image-4029 size-full" src="https://laboratoriodoprocessoformativo.com/wp-content/uploads/somagrama-1.jpg" alt="imagem de um somagrama" width="768" height="1024" srcset="https://laboratoriodoprocessoformativo.com/wp-content/uploads/somagrama-1.jpg 768w, https://laboratoriodoprocessoformativo.com/wp-content/uploads/somagrama-1-225x300.jpg 225w" sizes="(max-width: 768px) 100vw, 768px" /><p id="caption-attachment-4029" class="wp-caption-text">Este somagrama foi feito por um aluno durante um Seminário</p></div></p>
<p>Podemos a essa altura experimentar fazer duas operações, agora: uma é <span style="color: #aa0005;">anotar</span> como é o que é e outra é <span style="color: #aa0005;">problematizar</span>.</p>
<p>Esses são passos aprendidos da Bodying Methodology de Stanley Keleman. O que estou descrevendo é o processo de dar corpo à experiência ou <span style="color: #aa0005;">CORPAR</span>.</p>
<p>Para isso é necessário primeiro <span style="color: #aa0005;">VIVENCIAR</span> e, em seguida, ?<span style="color: #aa0005;">INIBIR</span> a continuidade do desencadeamento de formas. Inibir é ?<span style="color: #aa0005;">DESACELERAR</span> o processo. Em seguida, ?<span style="color: #aa0005;">REPETIR A FORMA SELECIONADA PELA INIBIÇÃO</span> e ?<span style="color: #aa0005;">ANOTAR /POSTURAR/DESENHAR</span>… De algum modo, aprender a <span style="color: #aa0005;">FIXAR O FLUXO DE FORMAS</span> que continuamente se desencadeiam nos corpos, por um momento.</p>
<p>A gente pode começar, metodicamente: já vimos pelo próprio desenho que ao <span style="color: #aa0005;">INIBIR</span> a continuidade do fluxo de formas em seu desencadeamento contínuo que <span style="color: #aa0005;">faço uma borda sobre o acontecido</span>.</p>
<p>Acabamos de colocar uma borda sobre o acontecido. Como fiz o que fiz? Que acontecimento é este que está dentro desta borda? O que aconteceu? O que quero trazer de volta para cá e reapresentar para mim? Ou para o outro?? Ao colocar uma borda, posso começar a agir sobre essa forma.</p>
<p>O destino dos corpos é prosseguir. Eles nascem para desencadear formas, mas também nascem com equipamento para <span style="color: #aa0005;">moldar esta relação com o vivido</span>, com o dentro, com o fora, com o fora do fora, estabilizando, agregando repertórios, secretando tecido, formatando-o, ao longo da <span style="color: #aa0005;">jornada maturacional de cada soma</span>.</p>
<p>Podemos transformar o vivido em experiência em vez de deixar o vivido apenas escorrer ou nos traumatizar. Nossa herança genética humana permite que se criem alças do vivido sobre si mesmo e se transformem algumas respostas em corpo, em formas que são muito preciosas para nossa adaptação. Isso não é luxo, é uma finura adaptativa.  Adaptação é conexão.</p>
<p><span style="color: #aa0005;">Quanto mais eu refino a expressão da minha forma, mais finamente eu me conecto com o presente e com o acontecimento.</span></p>
<p><img loading="lazy" decoding="async" class="aligncenter size-full wp-image-4030" src="https://laboratoriodoprocessoformativo.com/wp-content/uploads/BS2-enc-3-set11-48-1-scaled.jpg" alt="" width="2560" height="1709" srcset="https://laboratoriodoprocessoformativo.com/wp-content/uploads/BS2-enc-3-set11-48-1-scaled.jpg 2560w, https://laboratoriodoprocessoformativo.com/wp-content/uploads/BS2-enc-3-set11-48-1-300x200.jpg 300w, https://laboratoriodoprocessoformativo.com/wp-content/uploads/BS2-enc-3-set11-48-1-1024x684.jpg 1024w, https://laboratoriodoprocessoformativo.com/wp-content/uploads/BS2-enc-3-set11-48-1-768x513.jpg 768w, https://laboratoriodoprocessoformativo.com/wp-content/uploads/BS2-enc-3-set11-48-1-1536x1025.jpg 1536w, https://laboratoriodoprocessoformativo.com/wp-content/uploads/BS2-enc-3-set11-48-1-2048x1367.jpg 2048w" sizes="auto, (max-width: 2560px) 100vw, 2560px" /></p>
<p>Há formas que acontecem à minha revelia e formas que acontecem com a minha participação. O trauma acontece à minha revelia. Aprendizagem, com a minha participação. Esta é a diferença. O trauma se instala a partir de um reflexo do tronco cerebral. A aprendizagem se instala a partir de um trabalho cortical, neuromotor, sobre o vivido.</p>
<p>Quando habitamos a <span style="color: #aa0005;">anatomia da presença</span> temos contato com o pulso que preenche essa forma. O pulso não é só uma constatação mental. O pulso é o ritmo digital do presente captado na operação de presentificar-se. Estamos sempre problematizando como construir bordas, como nos mover de uma superfície para outra, como estabilizar bordas, como suportar bordas.</p>
<p><span style="color: #aa0005;">Problematizar</span> permite encontrar uma adaptação mais fina para a estrutura somática que se capta no presente.?A gente é capaz de se auto-narrar, eu sou aquela que… Mas o funcional está em reeditar-se, sempre de maneira mais límpida, checando o encontro do corpo com as condições presentes, com o acontecimento… não é bem assim… atenção…?A clínica é isso, trabalhar junto para atualizar a sua forma, a sua narrativa de si e seus modos vinculares, presentificando-se e promovendo sustentação de presença no campo corpante junto com seu paciente.</p>
<h3><strong>Uma pequena conversa formativa</strong></h3>
<p><span style="color: #a00005;">Aluna</span>: Organizar um fora criou bem estar. Quando organizo um dentro e parece que surge espaço para as trocas, cria buracos para acontecerem as entradas e as saídas. Quando você falou para pensar no fora do fora veio uma sensação do muito, de opressão, o corpo todo fica pequeno e contraído, tira a sensação de bem estar, o maxilar fica rígido, como se quisesse morder, foi difícil sair daí.</p>
<p><span style="color: #a00005;">Regina</span>: São muitas as formas do reflexo do ataque… várias estruturas preservadas pela evolução através das quais os animais operam o ataque. O maxilar é poderoso, o masseter é o músculo mais forte do organismo, a mordida tem a força para a imobilização da fonte do perigo, o maxilar é um ancestral da mão. Antes da mão já havia maxilar. Entre os peixes, quando surge o maxilar para a preensão da caça, isso transforma os peixes que têm maxilar nos grandes poderosos dos oceanos.</p>
<p><span style="color: #a00005;">Aluna</span>: agora, falando e fazendo ao mesmo tempo, me dá uma sensação de <span style="color: #a00005;">presença</span> muito forte.</p>
<p><span style="color: #a00005;">Regina</span>: Quando a gente se habita enquanto forma, como anatomia, as camadas se apresentam, as históricas e as comportamentais. Você pode ampliar a presença do maxilar para as mãos e para os pés, para as extremidades da excitação.</p>
<p><span style="color: #a00005;">Aluna</span>: parece que a energia sai para fora.</p>
<p><span style="color: #a00005;">Regina</span>: intensificou, espalhou</p>
<p><span style="color: #a00005;">Aluna</span>: cria bem-estar.</p>
<p><span style="color: #a00005;">Regina</span>: esse bem-estar se chama atualização de si, aumento de potência, possibilidade de estar no ambiente, usar a si mesmo de maneira mais ampla. Quanto mais você usa de si, mais você se identifica com a lógica única do seu funcionamento.</p>
<p>A invenção da <span style="color: #a00005;">membrana</span> pela vida é o começo de tudo, membrana como o fora, como regulador do pulso, como a relativa separação, regulação do pulso que bombeia o acontecimento  para dentro e para fora. O acontecimento vai sendo bombeado, espremido, processado e projetado no ambiente como resposta. Isso vale do micro ao macro. É um concerto de partes produzindo um processamento maior. A parede corporal repete o modelo da membrana celular.</p>
<p>Estado de parede, longe, perto, misturado, denso, ameaçado, invasivo: o estado de parede nos remete de volta o sentido da imagem corporal. Por aí, posso apreender como faço o que faço. Como eu faço presença? Me afastando, com medo, invadindo, misturando… como faço? Para fazer o que faço como faço,  muita atividade aqui, pouca aqui… é uma geografia mótil.  Essa captação permite uma definição. O tempo todo a gente está captando o que está fazendo. É como os corpos se regulam. Podemos fazer isso mais finamente, intencionalmente. É dessa configuração das intensidades em nós é que sabemos o que estamos vivendo. É de dentro da minha forma que tenho a experiência de ser quem eu sou, de fazer o que faço e como faço.</p>
<p>Pulsos, vários pulsos coexistindo, num concerto pulsátil e excitatório. Todas as células, todos os tubos transmitindo em ondas, todos os órgãos e tecidos em seus formatos presentes, num conjunto de varias frequências ao mesmo tempo, tocando a música silenciosa do acontecimento em nós. Evidências zen… experiências imediatas.</p>
<h3><strong>Consigna: Organize um fora.</strong></h3>
<p><img loading="lazy" decoding="async" class="aligncenter size-full wp-image-4033" src="https://laboratoriodoprocessoformativo.com/wp-content/uploads/cena-do-laboratorio-presencial.jpg" alt="cena do laboratório dos tempos presenciais" width="800" height="600" srcset="https://laboratoriodoprocessoformativo.com/wp-content/uploads/cena-do-laboratorio-presencial.jpg 800w, https://laboratoriodoprocessoformativo.com/wp-content/uploads/cena-do-laboratorio-presencial-300x225.jpg 300w, https://laboratoriodoprocessoformativo.com/wp-content/uploads/cena-do-laboratorio-presencial-768x576.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 800px) 100vw, 800px" /></p>
<p>Como é <span style="color: #a00005;">organizar um fora</span>? Como você faz para organizar um fora? Isso é um know-how importante porque não é apenas um estado meditativo. É necessária a <span style="color: #a00005;">lentificação</span> para organizar um fora, é <span style="color: #a00005;">uma delimitação de um aqui onde estou processando o acontecimento</span>. Meu estado de forma contemporâneo a este acontecimento, um aqui no processo formativo mais geral… imerso e processando um acontecimento onde sou produtor e participante. Organize um fora. Captar a forma do que a gente faz não é simples, mas é tudo para estar presente e é tudo para ter potência na presença. <span style="color: #a00005;">Captar o que a gente faz e como a gente faz é tudo que a gente precisa para ter potência na presença</span>. Captar é diferente de observar ou ter consciência.</p>
<p>A membrana é a mediação, uma configuração entre o dentro e o fora do fora. A resposta diz respeito ao momento. Mas a resposta é o que a minha forma pode dar, é uma construção histórica que faz com que eu capte e responda segundo essa expressão ontogenética. A ontogênese é o próprio processo em seu materializar-se e desmaterializar-se contínuo no tempo.</p>
<p>A alteração sobre isso (si) é lenta. O tempo constrói e cria uma forma dentro de uma continuidade. Os corpos têm um modo de fazer as coisas e irem se constituindo. A forma capta, responde e organiza uma resposta ao mesmo tempo. Não é simples apenas pensar isso porque esse é um ato profundamente anatômico. É necessário pensar corpando.</p>
<h3><strong>Para pensar corpando:</strong></h3>
<p>Faça um fora.  Faça o seu fora. Sentir não basta, organize o seu fora. Quando a gente torna um pouco mais nítido muscularmente o fora, ele  fica um pouco mais nítido como desenho mental. O cérebro capta melhor a forma e isso se chama <span style="color: #a00005;">propriocepção</span>, é uma captação de sentido, não apenas mecânica. Porqu<span style="color: #a00005;">e a forma em si tem uma inteligência</span>, a inteligência do seu funcionamento.  Que forma é esta? É <span style="color: #a00005;">uma forma que tem um sentido</span>, a forma da minha presença, a forma através da qual me presentifico, ela contém o meu estar vivo, a minha pulsação e regula <span style="color: #a00005;">o tanto e o como estou em conexão com o acontecimento</span>.</p>
<p><img loading="lazy" decoding="async" class="aligncenter size-full wp-image-4034" src="https://laboratoriodoprocessoformativo.com/wp-content/uploads/dar-corpo.jpg" alt="dar corpo" width="1818" height="1204" srcset="https://laboratoriodoprocessoformativo.com/wp-content/uploads/dar-corpo.jpg 1818w, https://laboratoriodoprocessoformativo.com/wp-content/uploads/dar-corpo-300x199.jpg 300w, https://laboratoriodoprocessoformativo.com/wp-content/uploads/dar-corpo-1024x678.jpg 1024w, https://laboratoriodoprocessoformativo.com/wp-content/uploads/dar-corpo-768x509.jpg 768w, https://laboratoriodoprocessoformativo.com/wp-content/uploads/dar-corpo-1536x1017.jpg 1536w" sizes="auto, (max-width: 1818px) 100vw, 1818px" /></p>
<p>Fora não é só aparência. Fora é uma contenção que mantém as paredes que sustentam os pulsos de uma certa maneira. A sinfonia dos pulsos em mim me transmite o que estou vivendo, a qualidade da experiência. Neste pulso do tórax, por exemplo, onde as paredes estão organizadas de um certo jeito, em você, em mim, está interpretado de modo pulsátil e digital o acontecimento.</p>
<p>Posso não só organizar como também desorganizar a configuração do meu fora. Passo a passo. E mudar a experiência. Quando você faz atualizações sobre a sua forma, você prossegue, você desencalha da forma conhecida, do design de fazer o mesmo e você introduz diferença e continuidade. A forma dá forma também ao fora do fora: recorta e interpreta o acontecimento.</p>
<p>A elaboração da questão da presença permite que a gente administre nossos ambientes, responsabilizando-se por mantê-los vivos, numa elaboração conjunta, tateando, contribuindo para sua manutenção e prosseguimento. O que é estar vivo, ser parte de um ambiente?</p>
<h3><strong>Como a lentificação da sequência das nossas formas ensina para os músculos, para o sistema nervoso, para a excitação</strong></h3>
<p>A gente está ensinando para si mesmo como estar e constituir ambientes. Evidentemente, é com a maior facilidade que a gente é pressionado a tirar cartas da manga e resolver correndo situações e com isso a gente perde a oportunidade de ser parte do acontecimento.</p>
<p>Presença é uma questão de sintonizar músculos e sistema nervoso, se dar conta da nossa forma e com isso a gente começa a se conceber como uma anatomia única, singular, nossa, e com isso posso ter acesso a quem estou sendo, o que estou fazendo, para que não esteja à mercê de forças. Essas forças não são apenas forças naturais, mas são forças fortíssimas de manipulação da nossa produção de corpo no grande ambiente em que vivemos e que se expressa em cada detalhe do nosso viver.</p>
<p>Hoje, no capitalismo global, nosso ambiente chama-se mercado. E nesse sentido, <span style="color: #a00005;">o que estamos fazendo aqui é aprender que regras são essas a partir das quais o corpo se produz e que método é este que permite que eu capte como é, o que é e que eu possa atualizar mais a minha forma e a narrativa de mim a respeito do presente.</span></p>
<p>Forma presença, postura ereta, são organizações anatômicas – tubos, bolsas, tubo profundo, médio e superficial, um diafragma que é o rosto que capta, que faz contato com outros rostos. Aí eu me capto intensificado, eu capto a minha forma, quem estou sendo hoje, quem estou deixando de ser, a tendência da minha forma, quem estou me tornando. Isso que me facilita produzir mais de mim, de uma maneira atual.</p>
<h3><strong>O que me dificulta produzir mais de mim?</strong></h3>
<p>As dificuldades que a gente está encontrando de estar aqui e agora hoje, estas dificuldades são as minhas dificuldades formativas de prosseguir, prosseguir formando mais de eu mesmo com aquilo que o corpo secreta de si para prosseguir.</p>
<p>Confusão, excesso de atividade mental, dificuldade de conectar imagens com ações, muita informação, pressões de exclusão e dificuldade de conectar estas informações de maneira própria são algumas das muitíssimas dificuldades que podemos identificar.</p>
<p>Como fazer, como selecionar, como encarnar, como levar adiante uma vida singular, como suportar tanto desafio, como suportar tanta oferta de informação e sentido? Como a gente reconhece a dificuldade que a gente está tendo agora de estar presente? Como a gente reconhece isso como parte dos nossos padrões formativos?</p>
<p>Quando a gente aprende a associar a presença finamente com uma certa organização muscular de conter a si mesmo, de conter a vida em si mesmo, a gente ganha a potência de prosseguir se sentindo parte.</p>
<p>A grande dificuldade é atribuir à presença essa qualidade totalmente física, totalmente anatômica, totalmente real. Estar na realidade.</p>
<p>O ambiente, quando a gente se liga nele, excita. A gente capta ambiente e isso produz um aumento de excitação. Mas esse é o começo do <strong>co-corpar</strong> com o ambiente e atualizar presença.</p>
<p>Com este estado de forma atual, eu recorto, eu capto: a mim, ao ambiente, a própria forma, ao mesmo tempo captando acontecimentos internos, movimentos viscerais, um senso de viscosidade que não é mecânico, em absoluto, mas é carregado de vivências difíceis de dar nome. E aquilo que eu vivo arrasta consigo associações… cada presente arrasta associações de imagens, de pensamentos, de projetos, de passados, de outras cenas, de linguagem. E como a linguagem afeta os corpos e os corpos atraem linguagem? Isso tudo, quando contemplamos e consideramos, nos enche de um senso de mistério…</p>
<p>Somos, em nosso design, uma <span style="color: #a00005;">bomba pulsátil</span>, uma <span style="color: #a00005;">máquina de estar no acontecimento</span>, de ser parte do acontecimento, uma máquina que se autoproduz, que se constrói com o acontecimento e com as próprias respostas ao acontecimento, uma bomba pulsátil que como as medusas, fica oca e enche, fica oca e enche, suga o ambiente e esvazia, suga o ambiente e se esvazia, do mesmo modo que o coração se enche de sangue e bombeia, enche o vazio de sangue e espreme.</p>
<p>É o vácuo que atrai o ambiente para dentro. Encher-se do ambiente, esvaziar-se, expressar-se, propulsionar-se. Nadar na excitação. Os corpos nadam na excitação do acontecimento. E a minha forma responde ao acontecimento, influi no acontecimento, recorta o acontecimento, capta o acontecimento, forma com matéria do acontecimento. Quanto mais a gente suporta se preencher de excitação do acontecimento e manejar esse estado, mais a gente exerce potência formativa.</p>
<p><em>… produzir sempre novas experiências sobre experiências anteriores, gerando mais camadas de experiência… contemplar nossas imagens, aprender a ler as mutações do vivido sobre os corpos… e, mais finamente, corpar as ações … problematizar ao vivo… produzir diferença… finamente…aplicando a metodologia formativa em aprendizagem…viver, apreciar e praticar as novas conexões e realidades que a diferença dispara… mais e mais camadas de realidade somática se seguem, incluindo a diferença produzida…</em></p>
<h3><strong>Elementos para uma dramaturgia do conceito:</strong></h3>
<p>Como são as regras de produção de corpo e como eu me capto? Lembremos da ideia de que a gente bombeia o ambiente&#8230; fazer um pouco isso, como se a gente fosse a medusa, a ideia de que a gente é atravessado por ocos, que a gente traz ambiente para dentro, absorve, pulsa e que o movimento tem a ver com este bombeamento de si no espaço. Lembrar que a gente é uma anatomia viva, se fazendo e desfazendo, reginando e desreginando, no meu caso. E que a gente tem um focinho que é um conector com a biosfera, que a gente tem um senso de que é parte da biosfera, parte dos ambientes. Que o negócio da vida e da biosfera, é continuamente fazer corpo, fazer corpos para se canalizar e prosseguir.</p>
<p>Somos parte de uma continuidade de corpos, por onde a vida passa, passa, passa. A gente é parte de uma corrente da evolução. A gente está fazendo corpo continuamente, por onde a vida passa, constrói e a gente é um canal em construção com material genético e ambiental.</p>
<p>Presença é uma questão de sintonizar músculo e sistema nervoso, se dar conta da nossa forma e com isso a gente começa a se conceber como uma anatomia única, singular, nossa. Isso me dá acesso ao que estou sendo, ao que estou fazendo, para que não esteja à mercê das forças do ambiente. Que não são só naturais, são forças fortíssimas de manipulação da nossa produção de corpo. E nesse sentido o que estamos fazendo aqui é aprender que regras são essas a partir das quais o corpo se produz e que método é este que permite que eu capte como é, o que é e que eu possa atualizar mais a minha forma e a narrativa de mim a respeito do presente.</p>
<p>O presente é a única coisa a que tenho acesso, portanto se a presença é a única coisa a que tenho acesso, eu posso ter acesso a ele ou ser levada.</p>
<p>E como eu capto esse fora segundo as regras da minha constituição e este grande fora que eu recorto com a minha forma.</p>
<p>Forma, presença, postura ereta, são organizações anatômicas – tubos, bolsas, tubo profundo, médio, superficial, um diafragma que é o rosto que capta que faz contato com outros rostos. Aí eu me capto intensificada, eu capto a minha forma, quem estou sendo hoje, quem estou deixando de ser, a tendência da minha forma, quem estou me tornando. Isso me facilita produzir mais de mim, de uma maneira atual e identificar o que me dificulta produzir mais de mim. Hoje a gente vê as dificuldades que a gente está encontrando de estar aqui onde estamos e agora, hoje, essas dificuldades são as minhas dificuldades formativas de prosseguir, prosseguir formando mais de eu mesma: confusão, muito mental, dificuldade de conectar imagens com ações, muita informação e dificuldade de conectar estas informações de maneira própria.</p>
<p>Como faz, como seleciona, como encarna, como leva adiante uma vida singular, como suporta tanto desafio, como suporta tanta oferta. A gente está falando de nós aqui. A mesma dificuldade que estamos encontrando aqui é a dificuldade que encontramos na vida para conseguir seguir.</p>
<p>Como a gente reconhece a dificuldade que a gente está tendo agora de estar presente? Como a gente reconhece isso como parte dos nossos padrões formativos? Padrão formativo é o que eu aprendi com a vida a fazer, é assim que eu não aprendi com a vida a fazer, com esse corpo, esse conjunto de comportamentos estabilizados como tecido. Assim.</p>
<p>E quando a gente aprende a associar a presença finamente com uma certa organização muscular de conter a si mesmo, de conter a vida em si mesmo, a gente ganha a potência de prosseguir se sentindo parte. A grande dificuldade é atribuir à presença esta qualidade totalmente física, totalmente anatômica, totalmente real. Estar na realidade.</p>
<h3><strong>Somagrama como captação da presença</strong></h3>
<p>Um somagrama dá a forma de superfície, profundidade, intensidades e excitação. Somagrama é projetar graficamente essa anatomia que condensa hoje nosso estado de presença. O somagrama e o corpar são um modo de reconhecer o que está acontecendo comigo, um modo de ler onde estou, o que estou fazendo, me alinhar com o processo formativo para poder prosseguir. O somagrama é uma captação.</p>
<p>O somagrama expressa uma captação da forma da minha presença. Da forma através da qual, do design da minha presença, da qualidade, seja ela sonolenta, irritada, não importa. É o que é, não tem ideal, é o que é. E é com isso que a gente tem que lidar. Corpar e descrever o somagrama. É assim que o corpo aprende a se configurar.</p>
<h3><strong>Somagrama e conexão com o ambiente</strong></h3>
<p>Com o somagrama podemos evocar com as superfícies que desenhamos o que é. Como eu faço o que eu faço para aguentar estar no mundo. O que eu faço para aguentar? Estar no mundo não é pouco, aliás, é tudo. Como eu faço?</p>
<p>Como eu faço para me nutrir do mundo, aprender a me ligar ao ambiente para poder me nutrir dele. O ambiente quando a gente se liga nele, ele excita a gente. A gente capta e  essa captação produz aumento de excitação. E o começo de co-corpar com o ambiente. Vive-se a sensação de estar imersa no ambiente e se excitar.</p>
<p>Alinhar-se com o próprio processo de continuidade em com conexão com o ambiente. Isso é o que importa para tudo o que a gente faz na vida.  Sair do lugar isolado para poder estar nos ambientes. Realidade é atmosfera, cadeia alimentar e não é para sentir bem ou mal, é para estar na realidade. Às vezes é muito ruim a realidade, mas formar é sempre bom, embora não seja necessariamente prazeroso usar os tecidos para formar uma conexão com o meio ambiente.</p>
<p>Uma ação neuromotora, uma imagem trabalhada, encarnada, modificada, ajudada, formando alguma coisa. Tenho certeza que você não vai esquecer disso e que vai praticar isso. Praticando, os tecidos se organizam diferentemente e isso é totalmente diferente de relaxar, é navegar no programa formativo do corpo. Completamente diferente.</p>
<h3><strong>Exercitar a bomba pulsátil para a conexão com o ambiente</strong></h3>
<p>A medusa nas profundidades oceânicas faz um vácuo, atrai a água para dentro e, quando solta, se move. Todos os corpos animais ao se moverem tonificam-se enquanto bomba pulsátil, usar a bomba para interagir com o ambiente. A questão central formativa é ganhar força na bomba pulsátil. A bomba dá conexão com o ambiente, senso de realidade e elementos para prosseguir formando, e não repetindo solitariamente.</p>
<p>A lógica do corpo é a conexão com os ambientes. Conectar, trazer o ambiente para dentro, esvaziar e descansar. Contração e expansão, o pulso da bomba pulsátil se conectando com o ambiente na sua complexidade. O dentro assimila, processa, formata o impulso genético de prosseguir e ir adiante. Formar é complexificar conexões e amadurecer formas e tecidos para poder se conectar mais complexamente com os ambientes. Potência são conexões altamente complexas e singulares.</p>
<p>Esse é o princípio da vida, de cada corpo que a biosfera produz, e isso dá o verdadeiro senso de pertencer a algo maior e se beneficiar deste pool da vida, contribuindo  e se beneficiando.</p>
<h3><strong>A Musculatura está a serviço da Bomba Pulsátil</strong></h3>
<p>O primeiro desenvolvimento é sair da condição umbilical para a condição oro-nasal, o feto através do umbigo e o bebê através do focinho. Faz ficar em pé. Vivido e geneticamente maturado. A musculatura está a serviço da bomba. A gente se move pela musculatura extrínseca ou pela excitação? A serviço do crescimento e da excitação, a excitação. Perturbada porque o bebê tem que se bastar, tem que desempenhar. Uma resposta parcial, pedaço se basta e outros não se desenvolvem. Importa amadurecer, atualizar a forma e as narrativas de si continuamente. Por isso é importante esta noção de desenvolvimento, porque é uma participação efetiva e real.</p>
<p>A gente não aprende a modelar comportamento, nem a criar linguagem própria, porque a velocidade não deixa a gente formatar respostas próprias, isso tem a ver com adaptação fina, uma conexão fina com o ambiente e com o próprio processo formativo que se desencadeia no tempo. Não adianta ter pressa, porque existe um tempo para formar. Formas, conexões, tudo exige tempo.</p>
<p>O corpo é uma continuidade de produção dentro da biosfera. O corpo é tratado de uma maneira muito individualista, tratado de maneira privatizada. A rede de produção de corpos é a rede de produção de corpos, é um produto da biosfera para que a vida prossiga se canalizando, é uma rede que faz com que o corpo possa se transformar em sujeito, a gente é tomado pela ideia de individualidade e a subjetividade só se produz na rede.</p>
<h3><strong>How a body becomes somebody. </strong><strong>Como um corpo se torna alguém?</strong></h3>
<p>Isso é uma demanda: aprender a guardar. A experiência que a gente viveu hoje foi a de que vocês não tinham guardado nada, chegando de outro planeta, sem passado. Isso fala muito da velocidade da vida, dos ambientes, informação, quantidade de acontecimentos que atravessam a gente. A gente não tem nada, vocês estavam absolutamente desertificados quando chegaram, o grupo estava desertificado.</p>
<p>Sobrecarga da vida é disso que estamos falando, a vida banaliza tudo pelas pressões de sobrevivência, enfrentamento, ameaças, demanda, voracidade. Ficar no presente é difícil. Viveu e agora? Como assimila? Acho bom que a gente grave, que escreva, que tenha blog, são maneiras de lidar com a evasão do vivido. Sem tecido não tem memória, sem fixação de comportamento, não tem repertório.</p>
<p>A regulagem é que inicia a aprendizagem. A gente aprende fazendo presença, fazendo corpo, se manejando dentro do ambiente. A gente acha que aprender é acumulação de conteúdo, regra do poder, acumulação de conhecimento é aprendizagem.</p>
<h3><strong>A postura ereta é vincular</strong></h3>
<p>A descrição da postura ereta. A postura ereta não é evolutiva, é vincular, é um desenvolvimento do humano dentro do vínculo, não é uma aquisição evolutiva, depende da excitação dos contatos e da maturação dos tecidos. Só existe na medida em que a maturação acontece. Não é evolutiva, é uma possibilidade que a evolução dá. Se a coisa acontecer vincularmente. O humano tem tanta abertura de crescimento, desenvolvimento e crescimento tão lento e com tantas possibilidade, resulta seres tão diferentes entre si por conta da indiferenciação, pelo tempo maturacional.</p>
<p>Os bichos já nascem mais ou menos prontos. A postura ereta reflete isso exatamente, usa o adulto. O que ele diz: o que é concebido é um adulto. E todo o trabalho é em cima do adulto. Que adulto você é hoje? Dá uma visão de maturidade e de paradigma, que remete para a postura ereta, a compreensão da postura ereta se dá em cima do adulto, de todas as questões que estão ali acessíveis, presentificáveis, trabalháveis. Adulto é aquele que tem plena conexão com o presente.</p>
<p>O único acesso à forma é pela musculatura estriada. E através dela que você influencia as outras estruturas somáticas, você chega no metabolismo, no visceral.</p>
<h3><strong>Corpo formativo e corpo narcísico</strong></h3>
<p>Questão complicada, trabalhar a musculatura independente da produção da forma, o corpo está secretando a si mesmo e você pode influir nesta produção retomando aspectos pouco formados. Como trabalhar muscularmente, acessando musculatura esquelética. E ao mesmo tempo entendendo o processo formativo. Como é este corpo que está produzindo diferença e formas adaptativas à realidade? Formas conectivas finas à realidade?</p>
<p>Como você resolve uma forma se você tem um certo modo de vida? Todo mundo quer estar ótimo, lindo, maravilhoso, mas não paga o preço. Se você não ativa a forma para que seja mais conectiva, mais adaptativa, mais singular, você não cria biodiversidade, a gente vai formatar as mesmas possibilidades. Se muda os jogos de força, dá pra mudar a forma. Não pode ter dor, não pode sofrer, não pode envelhecer, não pode morrer. Não dá para querer ter um corpo formativo, vai viver seu narcisismo com você mesmo.</p>
<p>Não adianta, a mudança tem que ser assimilada dentro do que você precisa para continuar produzindo vida e conexões.</p>
<p>Menopausa talvez esteja acenando, mudança hormonal mexe muito. O que nos move é hormônio. A gente é alimentado a hormônio, este desapego, você está desapegando de um corpo que já está avisando que está querendo se dissolver. Os corpos se dissolvem, como a gente suporta o estado de uma certa indiferenciação depois do desmanchamento, e como as novas formas começam a emergir. E isso demora, a não ser que você use uma forma pronta, você pode fabricar uma Jane Fonda de 80 anos que não tem uma grama de gordura. Ver acompanhar o surgimento de uma nova forma, sonhos que emergem, que imantam as proteínas, tudo isso é um processo. Não tem graça passar por fora do processo. Pra quem você vai mostrar as suas medalhas?</p>
<h3><strong>Ter acesso ao corpo é uma ação política</strong></h3>
<p>Na competição mundial de inclusão, quem é mais identificado, quem tira mais vantagem da identificação com formas e comportamentos mais valorizados, quem pode mais. Quem aguenta se constituir de maneira real diante destas pressões do capitalismo que quanto mais global é comunicação, mercado, mais acontece e mais captura as pessoas. É a tal da biopolítica, em cima do vivo, em cima das pessoas. Como organizar as pessoas dentro do mercado.</p>
<p>99% somos nós, assumir o direito de ser singular e assumir a nossa trajetória. Planeta dominado por 1% leva à estagnação. É política. Ter acesso ao corpo é uma ação política. Se eu não sei maturar, não tenho corpo, não vivo em rede. Tem que ter corpo vincular, corpo canal. Vale para qualquer coisa que a gente faça. Conhecimento de como fazer as coisas dentro de uma política de corpos. A gente faz política onde a gente está.</p>
<h3><strong>O ambiente ensina tanto quanto os conteúdos da informação</strong></h3>
<p>Corpos em grupo, corpos em ambiente. Observar fotos é importante, imagem das coisas que não sabe, não vê, não identifica, a quantidade de coisas não identificadas dentro de um grupo. As imagens mostram intensidades, dobras, formas estáveis, formas em dispersão em condensação, tudo isso acontece dentro deste ambiente. O dispositivo é um recorte dentro do ambiente. Uma coisa que acho legal e vai se configurando cada vez melhor na minha maneira de trabalhar é que o ambiente ensina tanto quanto o conteúdo, estamos no mundão, fazendo corpo no mundão, não é corpo individual hiper privatizado que foi se fazendo dentro do capitalismo cada vez mais neoliberal, uma lorota sem proporções que movimenta o mercado.</p>
<h3><strong>Corpo formado na experiência</strong></h3>
<p>O pensamento formativo do Keleman é muito rico, mais que outras visões de corpo. Coloca, por exemplo, a idade biológica dos corpos, a gente não tem esta noção em outras teorias, do desencadear de formas ao longo da vida e isso é assim, corpos se sucedem numa grande curva, vão adensando, desmanchando, mas tem outra coisa que vai além desta maturação biológica natural da forma: existe a maturação subjetiva dos corpos, à medida que vai acompanhando o crescimento e tirando o máximo proveito do estado maturacional. Por exemplo, um jovem atleta que tira o máximo e o adulto de 50 anos que quer ser como o jovem &#8211; e se arrebenta.</p>
<p>A diferença está em captar-se, na sua idade, pele, ossos, dentes, metabolismo, mas também, como em uma estrutura que se percebe imatura. Uma imaturidade que mobiliza ou canaliza comportamentos também mais imaturos, mais porosos, mais frágeis, menos sustentação, subjetividade. Isso produz tipos de vínculos mais imaturos também. Quando a gente pensa o que é amadurecer, ou um conceito de saúde, entende saúde como estado de maturação que permite que aquele organismo subjetivo se conecte com a realidade, que é estar em rede.</p>
<p>Uma realidade que se descobriu lá pelos anos 1960, quando se formulou a ecologia, a noção sistêmica de que não existem realidades separadas, a ideia de processo que a física trouxe e em seguida a biologia trouxe, corpos são canais de corpos, redes de corpos.</p>
<p>A imaturidade faz com que os corpos vivam dependências, pendurados, apequenados&#8230; poder se aguentar na realidade da rede requer autocontenção, ser capazes de gerar alta intensidade e de sustentar membranas de maneira realmente organizada. Amadurecer é um trabalhão. Reconhecer seu estado maturacional, batalhar e crescer a partir daquele estado real é muito bom.</p>
<h3><strong>Lentidão para captar o ambiente</strong></h3>
<p>Como é interessante que posturas básicas permitem que a gente veja muito. Como a expressão da estrutura vai se sucedendo e a gente vai vendo, muito diferente de os corpos se deslocando no espaço, performando. Deslocamento de intensidades nas três bolsas, no tubo dentro do tubo, bombeado por uma certa anatomia formativa, mobilizando a sua estrutura contemporânea, gerando respostas para o ambiente, gerando ambiente, captando ambientes com sua superfície, respondendo como pulsos que mobilizam a superfície, que comunicam para o ambiente o que o corpo está vivendo dentro dele, neste ambiente, em contato com este acontecimento dentro de acontecimentos maiores.</p>
<p>Nesta lentificação do acontecimento dos corpos que vão se afetando, se formando dentro do acontecimento, como a lentidão é importante para captar o acontecimento. E quando volta vê a quantidade de acontecimento que circulou.</p>
<h3><strong>Exercício de presença</strong></h3>
<p>Reconhecer intensidades. Sugo, espremo pra fora, me identificar com esta bomba pulsátil, reconhecendo a expansão e contração, quantas pulsações compõem esta pulsação, de expandir e esvaziar, este oco que se enche do fora do fora, o meu oco que se expande com fotogramas e fotogramas e fotogramas, como as partes se juntam, como as partes se expandem dentro de uma configuração unitária, de uma maneira. Como esta unidade somática que eu posso sentir como <em>self,</em> como auto, como posso captar a excitação, reconhecer a excitação, ver como esta excitação se configura, se anima.</p>
<p>Como a excitação mantém as partes coesas de alguma maneira e como eu me reconheço nesta coesão, como esta coesão tem um sabor, um sentido, uma familiaridade ou uma estranheza, tem uma aceitação e uma rejeição, uma identificação e um rechaço.</p>
<p>Tem ameaças de descontrole, tem um sofrimento por excesso de controle às vezes; tem uma busca da medida do controle, a gente tenta, tenta, tenta encontrar esta auto-agência. Tem um senso de vitalidade. Tem um humor. Tem estar dentro do ambiente e estar dentro do próprio fora, da própria superfície, tem uma vivência neural do acontecimento, quando me capto, capto a minha própria forma, minha intensidade, meu pulso, o ambiente, decodifico o ambiente, as experiências neurais têm uma qualidade, as ósseas, tecidos musculares, conjuntivos que são recortes da minha experiência.</p>
<p>Com esta forma eu recorto, com esta forma eu capto: a mim, ao ambiente, a própria forma, ao mesmo tempo capto acontecimentos internos, movimentos viscerais, senso de viscosidade que não é mecânico, em absoluto, é carregado de experiência, difícil de dar nome. E como aquilo que eu vivo arrasta associações, cada presente arrasta associações de imagens, de pensamentos, de projetos, de passado, de outras cenas, de linguagem. E como misteriosamente a linguagem afeta os corpos e os corpos puxam linguagem. Isso tudo chama presença.</p>
<h3><strong>Corpar</strong></h3>
<p>O método de corpar é o método para participar deste processo de produção de corpo. O processo de produção de corpo no planeta está completamente mercantilizado e capturado pelas forças do capitalismo.</p>
<p>A batalha da captura dos corpos pelo uso do mercado, nascemos no mercado e as forças da midiatização do planeta nos capturam simultaneamente nos ameaçando da exclusão, da impossibilidade de acompanhar o processo de produção planetário. Tudo não é à toa, o esmalte me inclui, se usar uma cor esquisita me desinclui, cada escolha mínima da oferta monumental diz respeito à inclusão e pertinência, no mundo dos significados, dos vivos e dos mortos. Acredito que estes detalhes me mantêm em continuidade.</p>
<p>Esta política dos corpos é necessária, participar do processo de maturação dos corpos e ter a mão sobre isso. Não existe produção de sujeito sem constituição de corpo. Oferta de linguagem e de falação, a gente não dá conta da oferta de linguagem, muito louca, porque dá a ilusão de que a gente sabe e a gente controla. Todo mundo quer falar, quer publicar, como se falar e viver fosse a mesma coisa.</p>
<p>Como se saber o como se faz fosse a mesma coisa que fazer. Grande distância entre o que se fala e o que é possível. O silêncio e a modéstia de viver e a diferença de exibir e cagar regra.</p>
<p>O primeiro capítulo do Anatomia Emocional é da maior utilidade para ter noção de que anatomia é essa, capaz de captar ambiente, selecionar, trabalhar sobre o vivido gerando aprendizado que é sustentado pela produção de tecidos.</p>
<p>Maturação da capacidade coletiva permite que a gente vá ganhando cada vez mais conexão com o real – que é em rede – e é preciso maturar para aguentar este rojão.</p>
<h3><strong>Anatomia e somagrama</strong></h3>
<p>A biosfera é física. A mente é uma produção a partir do vivido. A anatomia é uma das maneiras de compreender como o vivo funciona. Formulação interessante de mostrar como o vivo funciona, como uma bomba pulsátil. Formular o que o Keleman formulou, bomba desde o início, sem ser acadêmico, mas vinculado.</p>
<p>É difícil juntar existencial e biológico de maneira concreta. Esta compreensão que o Keleman tem do organismo que vira sujeito, a gente nasce organismo que se faz sujeito ao longo da vida através das relações. Você pode ir pra cima da montanha pra se separar do capitalismo, mas você ainda está dentro do capitalismo.</p>
<p>Ele é o ambiente que você come, bebe, fala, pensa, usa o corpo. Ele está nas tradições, em tudo o que você carrega dentro dos fluxos biológicos, históricos, familiares, linguísticos, mercantis, políticos, de valores. O mais inventivo não inventou, ele deu avanço no que já tem. Esta é a ideia que o Keleman traz e formula, do organismo como bomba que bombeia ambiente, que tem canais, que os filos atravessam, desenhar uma anatomia que mostre que anatomia é esta que prossegue, que cresce, que se molda, que aprende. Quem faz isso que está aqui é uma anatomia que faz parte de uma rede de anatomias. Que se fizeram dentro de uma linhagem evolutiva. Aprender sobre esta anatomia, se identificar com esta anatomia, dá uma potência e uma ancoragem muito grandes.</p>
<p>Neste somagrama que é uma projeção gráfica da minha anatomia em mim, é uma imagem tão boa quanto uma foto, tão boa quanto um vídeo, uma projeção daquilo com o que estou fazendo a vida neste exato momento.</p>
<p>O somagrama é: viver, imitar o vivido e anotar, a mesma coisa que viver. O que é, como é, anotar a forma. Projetar para poder introjetar, esta é utilidade do somagrama, uma linguagem pré-letramento, uma coisa espontânea do humano. Isso tem uma força muito grande, tanto que os primitivos sentem a mágica, as forças mágicas que tem nisso, na hora que você projeta e isso volta sobre você. Este jogo que a gente faz com as imagens tem esta função de alimentar o processo do vivo.</p>
<p>Estágio maturacional, história, anatomia particular de cada um, o modo como cada um vai pra dentro pra fora, as camadas de cada um, um enorme agregado de comportamentos, modos e comos ser agente de todos os verbos. Assim vamos aprendendo a acessar, configurar e sustentar as singularidades.</p>
<p style="text-align: right;"><strong>Regina Favre</strong><strong>, </strong><strong>Março, 2012</strong></p>
<p>&nbsp;</p>
]]></content:encoded>
					
		
		
			</item>
		<item>
		<title>Fundamentos kelemanianos da Prática do Corpar ou do Exercício Formativo</title>
		<link>https://laboratoriodoprocessoformativo.com/2026/01/fundamentos-kelemanianos-da-pratica-do-corpar-ou-do-exercicio-formativo/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Regina Favre]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 26 Jan 2026 23:53:51 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[destaque]]></category>
		<category><![CDATA[exercícios formativos]]></category>
		<category><![CDATA[artigo]]></category>
		<category><![CDATA[exercicio formativo]]></category>
		<category><![CDATA[regina favre]]></category>
		<category><![CDATA[teoria]]></category>
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					<description><![CDATA[Artigo sobre os fundamentos kelemanianos que compõem a Prática do Corpar - ou o exercício formativo. ]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<h4 style="text-align: center;">Regina Favre</h4>
<p>Stanley Keleman diz, em sua linguagem biológica contemplativa, que vivemos dentro de um oceano orgânico, uma manta viva chamada biosfera e que, como sistemas vivos, nós, organismos, fazemos a mesma coisa que a biosfera como um todo: nos estendemos, nos encolhemos, formamos sub-organizações, exatamente como o unicelular. Este é o modo pelo qual nós cultivamos conexões com o mundo e formamos também conexões internas de subsistemas do self. Somos móteis e pulsáteis, e a Evolução nos dotou de um sistema cortical voluntário cujo esforço mobiliza o pulso vivo do corpo para fazer crescer mais conexões sinápticas. Não apenas em situações reais que requerem de nós o acolhimento e organização de respostas vivas, podemos, e devemos, praticar essa operação como um exercício de si onde quer que estejamos fazendo nosso mundo.</p>
<p>“Se usarmos o esforço voluntário, necessariamente estaremos criando uma cadeia comportamental, isto é, uma acumulação de massa crítica de axônios fazendo que se produza uma memória anatômica”(SK)</p>
<p>“Com esta prática, aprendemos a diferenciar e maturar nossa corporificação herdada da espécie através do fortalecimento e da formação de conexões sinápticas. Isso intensifica e vivifica a experiência do si mesmo.”(SK)</p>
<p>“Repetir ações voluntariamente, como trechos de comportamentos anatômicos é a fase inicial da formação de novas conexões neurais através do fortalecimento de um continuo feedback de contato intra-organísmico com diferentes intensidades e amplitudes.”(SK)</p>
<p>Para Keleman essa é a fonte primária da organização da experiência como forma somática. Afirma que “o esforço voluntário cortical-muscular estimula o crescimento de axônios e esses axônios vão formar uma estrutura conectiva, as sinapses, conectando a parede do corpo ao córtex.” Assim cérebro e músculos trabalham juntos formando comportamento.</p>
<p>“Na medida em que retemos, por momentos, voluntariamente, uma forma, uma expressão do nosso fluxo comportamental de ações e reações aos acontecimentos, internos e externos, fazemos um recorte muscular distinto, um engrossamento ou afinamento da parede do corpo, com seu pulso excitatório único e, consequentemente, com sua expressão única, sua conexão única com o ambiente, sua única experiência”.</p>
<p>Esse é o primeiro dos 5 passos da sua Prática de Corpar (Bodying Practice) que acompanha a visão formativa kelemaniana do crescimento de cada corpo em particular ao longo de uma vida, através da qual gerenciamos e praticamos o voluntário sobre o involuntário, na operação de produção de diferenças sobre as formas recebidas, seja da evolução, seja da maturação somática, seja das identificações sociais, seja dos reflexos de defesa às intensidades intoleráveis, seja das emoções, seja dos modos de conexão.</p>
<p>Com a <b>Prática de Corpar</b>, vamos reconhecer a forma somática presente de um comportamento e organizá-la muscularmente, operar micromovimentos sobre ela e receber a brotação dos efeitos morfogênicos dessas ações sobre si, metamorfose em ato. A partir dessa autoidentificação com a forma somática presente, se a consideramos expressão e linguagem do vivo, estabelecemos uma experiência imediata de si sobre si mesmo, uma certeza imediata da presença ao acontecimento, uma verdadeira epistemologia do corpo.</p>
<p>Estaremos selecionando no fluxo comportamental uma forma que é digitalizável na linguagem do pulso vivo das forças biológicas configuradas por aquele estado de forma, implicadas nesse ato singular de presença, captável pelo próprio sistema nervoso, subcortical e cortical, e, acrescentamos, que pode ser envelopada pelas palavras, as palavras do mar de palavras onde nascemos e vivemos, sendo também moldada por elas. Esse é o seu “plus” em relação a qualquer outro autor neste tipo de busca.</p>
<p>Em 1985, diz em sua linguagem absolutamente anatômica: “Quando alguém usa o esforço cortical muscular voluntário para fazer distinções na sua forma somática, está reorganizando a estrutura, fazendo mais camadas internas e mais conexões internas. Quando os padrões motéis dos comportamentos que emergem como respostas involuntárias ganham estabilidade e duração, o organismo experimenta alguma coisa nova tomando forma dentro de si”.</p>
<p>Para Keleman, “estar corporalmente presente é a tarefa mais urgente do soma”. Afirma, com isso, que encaramos todo o tempo problemas formativos e tentamos encontrar uma solução, isto é, organizar uma formatação de si que seja funcionalmente única, nossa, como resposta aos acontecimentos. E isso requer esforço volitivo sobre o soma. Note-se que Keleman se refere ao corpo como individual, propriedade privada, e não uma formação do processo evolutivo do planeta dotada de enorme potência singularizante graças precisamente às suas condicões evolutivas. Trata-se de uma finura adaptativa essa potência de diferenciação entre os corpos humanos e não de um luxo pessoal. Devemos praticar continuamente essa diferenciação que nos inclui na absolutamente necessária <strong>concepção ecológica de sermos parte</strong>. Uma ética imprescindível.</p>
<p>“O córtex influencia as respostas corporais&#8221;, diz ele. Através deste processo, cérebro e corpo formam um sujeito-objeto, uma relação subjetiva-objetiva. O cérebro e o corpo tecem um si mesmo pessoal a partir do corpo herdado, um corpo que não existia antes. “As consequências disso são imensas, uma vez que tornam o corpo e seu comportamento uma entidade pessoal.”</p>
<p>Keleman usa as ideias de reentrada neural do conhecido neurocientista Gerald Edelman para descrever o processo de como aquele em que o cérebro mapeia as ações do corpo e então faz cotas neurais nesses mapas. Então os mapas conversam entre si e compartilham informação. Este é o modo que, para ele, o cérebro estabiliza ações musculares como as formas que modelam um corpo ao longo de sua duração enquanto corpo numa vida em particular.</p>
<p>E Keleman, alargando suas próprias ideias, diz que “quando há um novo comportamento, um novo padrão de ação, o cérebro tem que fazer muitos novos mapas neurais.” Assim, na Prática de Corpar, ele usa esse processo neural de reentrada inato para recombinar comportamentos e estabilizá-los.<br />
O potencial morfogenético, ou a metamorfose, para Keleman não é um ato de fé ou poético, mas uma compreensão com um manejo pragmático da vida tal como se configura na anatomia vivida por cada corpo.</p>
<p>Imagem do destaque: Modigliani, acervo do <a href="https://unsplash.com/@artchicago?utm_source=unsplash&amp;utm_medium=referral&amp;utm_content=creditCopyText">Art Institute of Chicago</a> on <a href="https://unsplash.com/photos/8vPoXI1P-LA?utm_source=unsplash&amp;utm_medium=referral&amp;utm_content=creditCopyText">Unsplash</a></p>
]]></content:encoded>
					
		
		
			</item>
		<item>
		<title>Amadurecer seu estar no mundo</title>
		<link>https://laboratoriodoprocessoformativo.com/2025/12/amadurecer-seu-estar-no-mundo/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Regina Favre]]></dc:creator>
		<pubDate>Sat, 20 Dec 2025 18:24:17 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[videos]]></category>
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					<description><![CDATA[]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[]]></content:encoded>
					
		
		
			</item>
		<item>
		<title>A forma que eu faço para estar no mundo</title>
		<link>https://laboratoriodoprocessoformativo.com/2025/09/a-forma-que-eu-faco-para-estar-no-mundo/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Regina Favre]]></dc:creator>
		<pubDate>Sat, 20 Sep 2025 22:11:05 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[exercícios formativos]]></category>
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					<description><![CDATA[A forma dos corpos é uma anatomia muito particular, construída ao longo de uma vida. Veja como mapeamos e encarnamos formas, aprendendo com elas. ]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>Regina nos conduz a encontrar um ritmo respiratório, estabelecendo contato com a respiração que já está acontecendo. “Decodifiquem um pouco esse ritmo, identifiquem-se com ele. A proposta não é se acalmar; é apenas se identificar com o ritmo”.</p>
<p>Havia muita excitação no grupo e foi proposto entrar em contato com o coração neste estado. “Ao buscar a respiração, notamos que o pulmão vazio atrai o ambiente, cria um vácuo. E ao encher, sentimos um empurrar das paredes internas, que se abrem um pouco, criam espaço entre as moléculas, afrouxam o tecido. É uma experiência de <i>desprender</i>. Desprender algo da parede interna. Quando isso acontece, soltamos as paredes, alargamos um pouco com a pressão do pulmão cheio. É muito diferente de antes, quando focávamos apenas em silenciar o tórax. Agora, estamos deixando o tronco se expressar. Muitas vezes, o que acontece no tronco — no coração, no pulmão, nas paredes internas que contêm algo — atrapalha o pensamento. É dessas paredes que tratamos aqui: das formas que elas tomam para conter a excitação interna”.</p>
<p>Regina explica que os órgãos emitem excitação junto com o sistema neural. Sentimos mais as paredes quando respiramos. Descobrimos áreas que são mais duras, mais frouxas, mais inertes, mais compactas: <b>a forma que eu faço para estar no mundo. </b></p>
<p>“Achamos muito natural a nossa forma, mas é uma forma muito particular que aprendeu a ficar mais largada, endurecida, compacta ou estufada. Com isso, capto o que faço para ser quem eu sou, para estar no mundo. Este corpo não para de responder ao mundo. Não para de respirar, de chegar no mundo, de voltar para si, de entrar em contato, de pulsar e processar este mundo continuamente. Capto o mundo com a forma contemporânea ao acontecimento”.</p>
<p><strong>Consigna:</strong></p>
<p>Intensifiquem um pouco essa forma. Deem mais consistência a ela, como se estivessem se desenhando.</p>
<p>Captem-se e perguntem: quem é essa que está aqui, nesta altura da minha vida? Quem está sendo? Quem é essa que você está sendo?</p>
<p>Vamos voltar, largar um pouco, descansar. Deem um <i>refresh</i> na forma. Respirem, fechem os olhos, captem essa sensação. Cada um tem seu modo: espreguiçar, esfregar o rosto, girar o pescoço.</p>
<p>De olhos fechados, respirem nas paredes, por dentro. Há um coração que bate, um pulmão que enche e esvazia, um estômago mais ou menos acomodado, intestinos mais ou menos acomodados. Eles emitem um estado profundo do corpo, que encosta nas paredes. As paredes contêm esse estado profundo de um certo modo.</p>
<p>O que os órgãos produzem se chama <b>excitação</b>. Excitação do vivo, que se intensifica ou desintensifica conforme o acontecimento e os meus padrões. Eu vivo mais ou menos intensidade? Estou mais próxima das minhas intensidades profundas ou as isolo, sem perceber o que acontece lá dentro, na profundidade dos órgãos?</p>
<p>À medida que afrouxo as paredes — musculatura voluntária, fáscia, conexões musculares com os ossos —, é dali, de dentro dessas carnes, que emerge o senso da experiência. Ao esvaziar, as paredes se aproximam, se firmam, se compactam. Ao soltar, elas se afastam e sugam o ar para dentro, revelando-se pela pressão interna da excitação e da respiração.</p>
<p>Ao esvaziar, as paredes também revelam. Revelam o sentimento que vem junto com a presença. Essas operações de expandir, contrair, encher, esvaziar, encostar e firmar as paredes, identificar-se com o que estou fazendo — tudo isso transmite aquele senso de presença. &#8220;Eu estou hoje aqui, com este corpo que eu venho sendo&#8221;. Eu deixei de ser alguma coisa, estou me tornando outra, mas este corpo eu venho sendo.</p>
<p>Vamos conversar um pouco sobre o que surpreende vocês quando o forro das paredes faz vocês sentirem ou pensarem algo que diz respeito a este movimento presente, este estado, esta vida, este dia.</p>
<p>Aluna: Eu fui sentindo um corpo em transição, de um corpo disponível e aberto para um movimento que trouxe um formigamento no rosto e lágrimas. Foi a primeira vez que não senti na garganta; antes esse movimento ficava preso na garganta. Chegou no rosto.</p>
<p><img loading="lazy" decoding="async" class="aligncenter size-full wp-image-4001" src="https://laboratoriodoprocessoformativo.com/wp-content/uploads/mamae_exercicios.jpg" alt="" width="490" height="167" srcset="https://laboratoriodoprocessoformativo.com/wp-content/uploads/mamae_exercicios.jpg 490w, https://laboratoriodoprocessoformativo.com/wp-content/uploads/mamae_exercicios-300x102.jpg 300w" sizes="auto, (max-width: 490px) 100vw, 490px" /></p>
<p>Regina: Um sentimento preso na garganta, conhece? Você pode identificar essa excitação no rosto com algo que vem da profundidade do corpo. Olhem como vivemos essas coisas o tempo inteiro. O corpo existindo, expressando, absorvendo, processando a nossa experiência. Nós, corpos vivos, em grupo, rumando no mundo. Ondas coletivas e ondas particulares.</p>
<p>Aluno: Eu senti a necessidade de sentir minhas pernas e meus pés. Sempre que falamos para respirar e sentir, eu fico muito na cabeça, sinto muito calor aqui em cima. Preciso colocar os pés para cima, passar a mão no corpo, sentir os pés frios, para deixar o corpo todo quente e confortável.</p>
<p><img loading="lazy" decoding="async" class="aligncenter size-full wp-image-4002" src="https://laboratoriodoprocessoformativo.com/wp-content/uploads/walmir_exercicio.jpg" alt="" width="516" height="364" srcset="https://laboratoriodoprocessoformativo.com/wp-content/uploads/walmir_exercicio.jpg 516w, https://laboratoriodoprocessoformativo.com/wp-content/uploads/walmir_exercicio-300x212.jpg 300w" sizes="auto, (max-width: 516px) 100vw, 516px" /></p>
<p>Regina: Você é uma pessoa que tem fortemente a experiência de si através da pele. Precisa acordar a pele para saber que está aqui, que está vivo, que é você. É muito familiar para você essa sensação de pele, e você sente falta dela para se reconhecer. No formativo, Keleman define muito bem as três camadas da embriogênese continuada: neural, visceral e muscular. Ele aponta os <b>tipos constitucionais:</b> as pessoas nascem pertencendo a linhagens mais viscerais, mais musculares ou mais neurais.</p>
<ul>
<li aria-level="1">Neurais (Ectomórficas): Pessoas finas e compridas. Temperamento e constitucionalidade neural. Vivência predominante através da camada neural.</li>
</ul>
<ul>
<li aria-level="1">Viscerais (Endomórficas): Corpos mais redondos.</li>
</ul>
<ul>
<li aria-level="1">Musculares (Mesomórficas): Pessoas mais quadradas, sólidas, como eu.</li>
</ul>
<p>O que as pessoas são e fazem é visível. Entendemos o mundo ouvindo e olhando, encarnando os efeitos do que ouvimos e vemos, e agindo de maneira neuromotora no mundo. Cada um sentado aqui é uma organização neuromotora. Estamos o tempo todo nos usando para prosseguir.</p>
<p>Vamos experimentar e intensificar novamente a forma de quem estamos sendo neste momento, nesta fase da vida. Com este corpo, esta forma, este estado maturacional — ou seja, a esta altura do seu processo entre o nascimento e a morte —, vocês estão vivendo, desejando, sonhando, encarando. Captem esta forma a partir do forro.</p>
<p>Estou empurrando, recebendo de volta, empurrando com a respiração, captando o mundo e me percebendo com a minha fome. Assim, começa um diálogo consigo mesmo. Esse diálogo pode tocar alarmes ou pode ser apenas um comentário. Ao observar, pensamos &#8220;preciso dar um jeito nisso&#8221;. Continuem empurrando e vejam o que desencadeia uma conversa.</p>
<p>Como cada um está vivendo esse empurrar das paredes por dentro e recebendo o que as paredes emitem: imagem, preocupação, desejo, associação, questões. Balancem um pouco, apoiados nos ossos, dando um tempo para reconhecer o que está sendo emitido pelo forro.</p>
<p>É interessante: quando balanço, apoiada nos ossos, balanço a coluna. O tronco se compacta quando vou para frente e aflora quando volto. As paredes fazem um pulso de mais ou menos, mais cheio ou menos cheio, mais compacto ou menos compacto. O corpo está sempre pulsando para absorver o mundo, devolver o mundo, viver seu processamento continuamente. Essa pulsação acontece no grande e no pequeno, no coração, nos vasos, nas células. Isso afeta as paredes, e elas vivem estados que se comunicam conosco.</p>
<p>É algo tão próprio que temos dificuldade de recortar. Estamos acostumados a ter um corpo quase objeto, e não sabemos bem o que fazer com este corpo em ação, neste &#8220;sem parar&#8221; que traz continuamente informação e estados. <b>Os estados são a informação.</b></p>
<p>O que fazer com a percepção de que a pele é muito importante para a captação do mundo e para a relação consigo? Pode-se contar toda uma história, fazer uma narrativa de si a partir daí.</p>
<p>Vamos perceber o silêncio do grupo e o estado que o acompanha. Pode ser um espanto, um estranhamento, ou não encontrar palavras. Tão profunda e íntima é a experiência de contato de si consigo.</p>
<p>Aluna: Quando você fez a devolutiva para o Walmir acerca dos tipos constitucionais e da relação dele com a pele, uma onda se espalhou pelo grupo, como uma revelação da percepção da forma e de uma certa natureza inerente a cada corpo. Parece que mergulhamos numa coisa de pele. &#8220;Como é a minha relação com a pele?&#8221;</p>
<p>Regina: Será que cada um teve mais contato com as vísceras, com os músculos, com a pele? O que predomina? Sou muito ativa, contemplativa, calorosa? Como eu capto o mundo? Como eu sempre fui? Esse &#8220;sempre fui&#8221; é constitucional.</p>
<p>Aluna: No primeiro movimento, veio uma imagem forte dos músculos da face. Neste segundo exercício, estou suando, sentindo a presença muito forte dos músculos. Acho que comigo, a experiência neural é muito presente; a pele parece se colar no osso. Esqueço que existe uma musculatura que bombeia sangue, e isso ficou muito forte.</p>
<p>Regina: Sim. Todo mundo tem as três camadas, mas há uma predominância. A Roberta está descobrindo que também é muito muscular. Olhem os ombros dela, o alto do tórax. Mova um pouco os músculos do rosto, veja como é a experiência de movê-los.</p>
<p>Vamos fazer junto. Como vocês vivem a movimentação do rosto? Como vivem o rosto? Nós, humanos, uma das primeiras coisas que um bebê configura na percepção é o rosto da mãe. A primeira comunicação é rosto com rosto. O bebê recebe a excitação do olhar materno sobre sua face antes de controlar os músculos. A criança começa a desenvolver a percepção da linha do cabelo, da sobrancelha, do nariz, construindo o reconhecimento do rosto materno e o manejo do próprio rosto. O bebê começa a fazer caras, a rir, a responder, a imitar sons, criando a possibilidade do balbucio e da imitação da &#8220;mamanhês&#8221; — a língua que as mães instintivamente criam.</p>
<p>Aluna: Eu parei na revelação. Essa possibilidade de aprender sobre o próprio temperamento, a forma, as tendências, é algo muito forte. Eu, por exemplo, sou muito tônica, muito muscular. Minhas estratégias são de musculação, de ir, fazer, desbravar. Meu desafio formativo é entrar em contato com as vísceras, com coisas muito profundas, como a tristeza. São estratégias de vida para lidar com a excitação, para não desmanchar. É um desafio de uma vida. Isso me abriu um leque de possibilidades e desafios formativos.</p>
<p>Aluna: Na semana passada, você falou sobre a continuidade evolutiva. Quando traz a questão dos tipos constitucionais, isso dá uma concretude à ideia de uma linha evolutiva. Cria um arco temporal: como os tipos ectomórficos se formaram, respondendo a quais desafios ambientais? Isso nos insere dentro da história planetária de forma muito concreta.</p>
<p>Aluna: Eu me identifico com a forma ectomórfica, mas senti que minhas vísceras e a camada externa são operadas juntas. Meu desafio é a camada muscular. Quando me capturei, senti as paredes internas da bolsa do peito me segurando, como uma camiseta pequena. No peito, é como se tivesse uma carcaça mais justa do que o preciso, uma dificuldade de caber dentro dessa bolsa.</p>
<p>Regina: Isso imediatamente conta uma história de vida. Um peito pequeno cedendo intensidade para outras bolsas (cabeça, barriga), mas a bolsa do peito — que guarda coração e pulmão — está contida. O que fazemos quando nos damos conta? Formativamente, para nos apropriarmos, damos mais intensidade àquela forma. Configuramos melhor o que percebemos: um tórax apertado, pequeno. Ao fazer isso, percebemos que ele não é apenas apertado; tem uma expressão que se comunica conosco. Costelas que se juntam, paredes que protegem, uma frente que recua, costas que envolvem. Percebemos o jogo de partes compondo uma expressão de uma área conectiva consigo e com o outro. Como lido com as respostas do coração e do pulmão? Minha forma me diz: &#8220;sempre lidei assim&#8221;. Isso é tão antigo. Reconheço desde sempre. Isso desencadeia uma narrativa do seu funcionamento, revelando uma história para você lidar com ela.</p>
<p>A expressão é um modo de ser, um certo modo de viver. Desde quando? Com quem? Com o quê?</p>
<p>Aluna: Eu também parei na percepção da pele. Isso me retomou ao desenho aquático e fluido que fiz. A pele é um contorno para esse fluido. Preciso perceber esse contorno para não me perder na fluidez. Em vários momentos da vida me perdi desse contorno. Tocar a pele me trouxe a percepção de que esse contorno é essencial. Na vivência, me perco dele por me abrir demais e absorver muito do entorno. A pulsação às vezes é desmedida. Ao longo da vida, fui precisando perceber mais essa musculatura de contorno que me protege, que antes não percebia. E com o rosto: gosto muito de carinho no rosto porque me faz desenhar esse contorno, percebê-lo melhor.</p>
<p>Aluna: Percebendo essas questões de músculo e pele, eu me vejo como uma pessoa muito sensível. Atualmente, tenho buscado contornos pelo músculo. Acesso a capoeira, estou mais ativa para aumentar essa percepção muscular. Passei por movimentos musculares involuntários que me afetaram emocionalmente. Agora, este controle muscular, sentir mais o corpo a partir do músculo, me dá um contorno para essas questões mais emocionais. É como se estivesse transitando sobre essas formas de ser e sentir.</p>
<p>Regina: Vejam como esta linguagem que estamos exercitando oferece a oportunidade de uma pessoa dizer tão claramente o que está vivendo e como ela se usa no que lhe acontece. Isso é lindo.</p>
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		<title>Sonhos e o processo formativo</title>
		<link>https://laboratoriodoprocessoformativo.com/2025/09/sonhos-e-o-processo-formativo/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Regina Favre]]></dc:creator>
		<pubDate>Sat, 20 Sep 2025 21:44:38 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[o que vai acontecer]]></category>
		<category><![CDATA[cursos]]></category>
		<category><![CDATA[processo formativo]]></category>
		<category><![CDATA[sonhos]]></category>
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					<description><![CDATA[Um convite para ler Do Corpo ao Livro com Regina e conversar sobre como os sonhos conduzem a continuidade formativa de nossas vidas. ]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p><img loading="lazy" decoding="async" class="aligncenter wp-image-3998 size-large" src="https://laboratoriodoprocessoformativo.com/wp-content/uploads/20250920_183219-scaled-e1758404611286-731x1024.jpg" alt="" width="620" height="869" srcset="https://laboratoriodoprocessoformativo.com/wp-content/uploads/20250920_183219-scaled-e1758404611286-731x1024.jpg 731w, https://laboratoriodoprocessoformativo.com/wp-content/uploads/20250920_183219-scaled-e1758404611286-214x300.jpg 214w, https://laboratoriodoprocessoformativo.com/wp-content/uploads/20250920_183219-scaled-e1758404611286-768x1075.jpg 768w, https://laboratoriodoprocessoformativo.com/wp-content/uploads/20250920_183219-scaled-e1758404611286-1097x1536.jpg 1097w, https://laboratoriodoprocessoformativo.com/wp-content/uploads/20250920_183219-scaled-e1758404611286-1463x2048.jpg 1463w, https://laboratoriodoprocessoformativo.com/wp-content/uploads/20250920_183219-scaled-e1758404611286.jpg 1750w" sizes="auto, (max-width: 620px) 100vw, 620px" /></p>
<p>Um convite para ler Do Corpo ao Livro com Regina e conversar sobre como os sonhos conduzem a continuidade formativa de nossas vidas.</p>
<p>Encontros às terças-feiras, das 19h às 20h30, a partir de novembro.</p>
<p>Valor: R$ 300,00</p>
<p>Inscreva-se pelo WhatsApp <a href="http://wa.me/5511994881700">11-994881700</a></p>
]]></content:encoded>
					
		
		
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		<title>Supervisão com Regina</title>
		<link>https://laboratoriodoprocessoformativo.com/2025/09/supervisao-com-regina/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Regina Favre]]></dc:creator>
		<pubDate>Sat, 20 Sep 2025 21:28:33 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[o que está acontecendo]]></category>
		<category><![CDATA[educação]]></category>
		<category><![CDATA[processo formativo]]></category>
		<category><![CDATA[psicologia]]></category>
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					<description><![CDATA[Venha aprender com Regina sobre o Processo Formativo de mundos, corpos e vínculos examinando a sua clínica.   ]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>Todos os modos de viver com todos os comportamentos que os constituem têm uma configuração anatômica. Vamos aprender sobre o Processo Formativo de corpos, mundos e vínculos examinando a sua clínica? Estou convidando aqui todos os que se interessaram pelo meu pensamento e compareceram aos encontros comigo produzidos por Mariana Watanabe e Mario Gaiarsa em maio e junho de 2025.</p>
<p>Formamos dois grupos online, em horários diferentes, no valor 200 reais/mês<br />
manhã: 6a feira das 11h às 12.30<br />
noite: 2a feira das 19hs às 20.30</p>
<p>Confira o primeiro encontro em maio</p>
<p><iframe loading="lazy" title="Pensamento formativo para psis, com Regina Favre - 24/05/2025" width="620" height="349" src="https://www.youtube.com/embed/V6e8BcTPWPc?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></p>
<p>As inscrições ainda estão abertas. Entre em contato: <a href="http://wa.me/5511994881700">11-994881700</a>.</p>
]]></content:encoded>
					
		
		
			</item>
		<item>
		<title>Um adulto emerge de um adolescente</title>
		<link>https://laboratoriodoprocessoformativo.com/2025/09/um-adulto-emerge-de-um-adolescente/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Regina Favre]]></dc:creator>
		<pubDate>Sat, 20 Sep 2025 20:42:22 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[videos]]></category>
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					<description><![CDATA[Este vídeo registra uma protagonização de um aluno na última fase do Seminário de Biodiversidade Subjetiva 3 do Laboratório do Processo Formativo coordenado por mim. Esse seminário teve a duração de 3 anos, como os anteriores também compostos de um total de 15 encontros, em finais de semana a cada dois meses. Nessa última fase [&#8230;]]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p><strong>Este vídeo</strong> registra uma protagonização de um aluno na última fase do Seminário de Biodiversidade Subjetiva 3 do Laboratório do Processo Formativo coordenado por mim. Esse seminário teve a duração de 3 anos, como os anteriores também compostos de um total de 15 encontros, em finais de semana a cada dois meses.<br />
<strong>Nessa última fase de estudo formativo</strong>, os alunos, como tarefa, pesquisaram fotos pessoais e produziram com elas uma trilha mostrando a produção no tempo do corpo-sujeito adulto, eles, então, naquele nosso presente.<br />
<strong>O processo formativo</strong>, tal como formulado por seu criador Stanley Keleman, descreve os corpos como um processo continuo em que agem em conjunto as forças da Evolução, as forças da espécie, as forças do crescimento ou brotação continua de corpo imantada pelas forças da vida juntamente com as formas dos comportamentos vinculares e adaptativos que se sucederam e se repetiram nos corpos, nos múltiplos ambientes de que fizeram parte, com suas expressões e narrativas. Stanley Keleman, tal como Félix Guattari, se refere a essas forças com pre-pessoais e pós-pessoais.<br />
<strong>O aluno, protagonista deste trabalho editado neste vídeo</strong>, apresentou uma única foto, ele menino de 9 anos, magro e muito comprido, sentado no chão, enrolando o corpo em pernas muito longas. Ele abraçava essas pernas contra o tronco fino. O rosto olhava para a câmera e tinha uma expressão doce. A forma mostrava a fragilidade porosa de um imenso crescimento recente.<br />
<strong>O protocolo de estudo do formativo</strong>, nesses grupos, desse tempo presencial, incluía muitas ações: gravar, transcrever, fotografar, produzir cartografias, postar em grupos fechados do Facebook exclusivos do grupo em questão, rever, corpar e estudar gravações e transcrições produzidas especificamente com essa finalidade, convocar a colaboração de membros do grupo em diferentes circunstâncias. Tudo sempre se passando dentro de uma perspectiva vincular, crítica e clínica. Impossível operar uma transmissão de outro modo.<br />
<strong>O texto inicial</strong> apresenta bases do <strong>pensamento formativo</strong> que conduz a <strong>intervenção</strong> de maneira <strong>didática e real</strong>, cuja gravação embora legendada, para melhor entendimento, pede que se discriminem aqui <strong>os passos desse processo formativo acontecido ao vivo em dois dias</strong>.</p>
<h3>sábado: a partir de uma foto.</h3>
<p><strong>1o passo</strong>: a foto de um menino de 9 anos magro e alto<br />
<strong>2o passo</strong>: o momento de separação dos pais<br />
<strong>3o passo</strong>: o protagonista imita e compreende o corpo da mãe &#8211; magro, forte, alto e duro que se comprime para evitar o desmanchamento da depressão.</p>
<h3>domingo: a partir de um sonho</h3>
<p><strong>1o passo</strong>: narrativa do sonho em que pai e filho vêm pela estrada em direções opostas prontos para se chocar em alta velocidade. Ele impede o choque com as mãos. Pai e filho se encontram com bom humor. Aparece no sonho o homem jovem que pode ser intenso com o pai e não só o amigo das mulheres. Reconhece a própria intensidade que não se expressa.<br />
<strong>2o passo</strong>: Peço que ele escolha uma mulher do grupo para posturar junto, frente a frente, mão com mão. A força, o contato e o olhar intensificam a excitação e firmam o tônus frontal.<br />
<strong>3o passo</strong>: recebe o efeito do exercício é compreender seu crescimento ainda fino e poroso.<br />
<strong>4o passo</strong>: pergunta-se como uma mãe separada lida sozinha com o corpo de um menino de 9 anos crescendo.<br />
<strong>5o passo</strong>: os tecidos começam a se manifestar.<br />
<strong>6o passo</strong>: lembro a narrativa ouvida de uma garota do grupo na véspera onde ela provocava um motorista no trânsito e era perseguida em alta velocidade por ele.<br />
<strong>7o passo</strong>: Peço ele que posture junto, costas com costas com a garota valente com homens &#8211; a força intensifica mais a excitação e tonifica as costas<br />
<strong>8o passo</strong>: as forças do crescimento começam a se manifestar como uma ereção geral do corpo e são acolhidas e manejadas pelo protagonista enquanto converso sobre o que é ser um homem adulto e intenso. As mulheres do grupo recebem e admiram a vibração masculina desse homem jovem e sexualizado.</p>
]]></content:encoded>
					
		
		
			</item>
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		<title>Produção de formas</title>
		<link>https://laboratoriodoprocessoformativo.com/2025/09/producao-de-formas/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Regina Favre]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 19 Sep 2025 18:40:20 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[ovos]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://laboratoriodoprocessoformativo.com/?p=3986</guid>

					<description><![CDATA[Um ovo sobre o processo de geração contínua das formas. ]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p><img loading="lazy" decoding="async" class="aligncenter size-full wp-image-3987" src="https://laboratoriodoprocessoformativo.com/wp-content/uploads/OVO_processo-formativo.jpg" alt="Uma mão faz anotações num quadro branco. Entre loopings desenhados com caneta azul, se lê: ending, new forming, middle ground e Realidade" width="2048" height="1152" srcset="https://laboratoriodoprocessoformativo.com/wp-content/uploads/OVO_processo-formativo.jpg 2048w, https://laboratoriodoprocessoformativo.com/wp-content/uploads/OVO_processo-formativo-300x169.jpg 300w, https://laboratoriodoprocessoformativo.com/wp-content/uploads/OVO_processo-formativo-1024x576.jpg 1024w, https://laboratoriodoprocessoformativo.com/wp-content/uploads/OVO_processo-formativo-768x432.jpg 768w, https://laboratoriodoprocessoformativo.com/wp-content/uploads/OVO_processo-formativo-1536x864.jpg 1536w" sizes="auto, (max-width: 2048px) 100vw, 2048px" /></p>
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