<?xml version='1.0' encoding='UTF-8'?><rss xmlns:atom='http://www.w3.org/2005/Atom' xmlns:openSearch='http://a9.com/-/spec/opensearchrss/1.0/' xmlns:georss='http://www.georss.org/georss' xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0' version='2.0'><channel><atom:id>tag:blogger.com,1999:blog-4712132652640391937</atom:id><lastBuildDate>Sun, 11 Apr 2010 12:21:08 +0000</lastBuildDate><title>Sereias e desconfiados</title><description>Experimentos e ficções</description><link>http://ladyofcups.blogspot.com/</link><managingEditor>noreply@blogger.com (Madalena de Vilhena)</managingEditor><generator>Blogger</generator><openSearch:totalResults>67</openSearch:totalResults><openSearch:startIndex>1</openSearch:startIndex><openSearch:itemsPerPage>25</openSearch:itemsPerPage><item><guid isPermaLink='false'>tag:blogger.com,1999:blog-4712132652640391937.post-442533266154189284</guid><pubDate>Sun, 11 Apr 2010 11:56:00 +0000</pubDate><atom:updated>2010-04-11T09:21:08.551-03:00</atom:updated><category domain='http://www.blogger.com/atom/ns#'>Ciclos</category><category domain='http://www.blogger.com/atom/ns#'>Desabafos</category><category domain='http://www.blogger.com/atom/ns#'>Reflexões</category><category domain='http://www.blogger.com/atom/ns#'>Quebras na ficção</category><category domain='http://www.blogger.com/atom/ns#'>Confissão</category><category domain='http://www.blogger.com/atom/ns#'>Lugares e coisas</category><category domain='http://www.blogger.com/atom/ns#'>Estranhamentos</category><title>Keep Walking</title><description>Um mês intenso. Uma mudança significativa. Um desejo antigo realizado. Saí de São Paulo para viver um tempo longe do stress e da opressão que existia para mim lá. É curioso como as coisas se direcionaram para cá. Três semanas de uma nova realidade. E a cidade é mais leve, pacata; as pessoas menos armadas e mais dispostas ao contato embora muitos digam o contrário, não consigo deixar de ver assim. E, dessa forma, uma situação que sempre temi ao longo dos anos mostrou-se bem mais favorável se comparada à anterior. Eu vivia muito mal em São Paulo. Não me alimentava bem, era compulsiva e neurótica, vivia assombrada e confusa. Três semanas após a viagem, me sinto extraordinariamente mais leve e minhas vontades voltaram, já desejo ler e voltar a escrever a tese, agora com disposição autêntica, ausente nos últimos 3 anos. É incrível como eu permitia a interferência nefasta em minha vida. Sinto falta de lugares em São Paulo, os lugares listados no post anterior. Do comércio barato, vasto e democrático. Dos amigos queridos que lá estão. A falta essencial é deles, de poder falar sem receio nem pudores. Enfim. Enquanto reconheço a cidade e seus habitantes, consigo visualizar muito melhor as minhas reais necessidades e a principal delas é conseguir um trabalho para não mais voltar a morar em São Paulo. 
Apesar do provincianismo e dos preços altos, a qualidade de vida é significativa. As distâncias são pequenas, os alimentos têm mais sabor, são menos industrializados e mais rústicos. E as pessoas são menos angustiadas e exaustas. Nem tudo é felicidade, tive um momento de stress ontem que serviu para exercer a cautela e a tolerância. Melhor ficar quieto. Aos poucos começa a surgir a minha personalidade, reservada e forte que tanto tento esconder. Ontem conversei novamente com a dona da casa e discutimos longamente o incidente. Por sorte pensamos da mesma forma, temos afinidade e a cada conversa mais um pouco do gelo é derretido. Continuo a ser uma pessoa extremamente crítica e observadora. Entretanto, é preciso cautela e diplomacia. Não me expor. Difícil. Sei que avalio e é recíproco. Daí o cuidado. E delinear aos poucos uma meta: trabalho, trabalho, trabalho que me permita continuar a viver aqui, onde sempre desejei estar de alguma forma.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;a href="http://feeds.feedburner.com/ladyofcups" title="Subscribe to my feed" rel="alternate" type="application/rss+xml"&gt;&lt;img src="http://www.feedburner.com/fb/images/pub/feed-icon32x32.png" alt="" style="border:0"/&gt;&lt;/a&gt;&lt;a href="http://feeds.feedburner.com/ladyofcups" title="Subscribe to my feed" rel="alternate" type="application/rss+xml"&gt;Subscribe in a reader&lt;/a&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4712132652640391937-442533266154189284?l=ladyofcups.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</description><link>http://ladyofcups.blogspot.com/2010/04/keep-walking.html</link><author>noreply@blogger.com (Madalena de Vilhena)</author><thr:total>0</thr:total></item><item><guid isPermaLink='false'>tag:blogger.com,1999:blog-4712132652640391937.post-7547585868806931138</guid><pubDate>Wed, 03 Mar 2010 02:50:00 +0000</pubDate><atom:updated>2010-03-03T00:04:10.716-03:00</atom:updated><category domain='http://www.blogger.com/atom/ns#'>Confissão</category><category domain='http://www.blogger.com/atom/ns#'>Lugares e coisas</category><category domain='http://www.blogger.com/atom/ns#'>Nostalgias</category><title>Listinha</title><description>Khan el khalili. Cepeusp. Mercadão. Maevva. Autobahn. Padaria Benjamin Abrahão. Conjunto Nacional. Le Vin. La casserole. El tranvía. Footing na Angélica. Museu do Ipiranga. Cidade Universitária. Comércio 24 horas. Rua Vinte e cinco de março. Ginásio da Barra Funda. Asia House. Pizza em pedaços. Pastel de bacalhau.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;a href="http://feeds.feedburner.com/ladyofcups" title="Subscribe to my feed" rel="alternate" type="application/rss+xml"&gt;&lt;img src="http://www.feedburner.com/fb/images/pub/feed-icon32x32.png" alt="" style="border:0"/&gt;&lt;/a&gt;&lt;a href="http://feeds.feedburner.com/ladyofcups" title="Subscribe to my feed" rel="alternate" type="application/rss+xml"&gt;Subscribe in a reader&lt;/a&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4712132652640391937-7547585868806931138?l=ladyofcups.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</description><link>http://ladyofcups.blogspot.com/2010/03/listinha.html</link><author>noreply@blogger.com (Madalena de Vilhena)</author><thr:total>0</thr:total></item><item><guid isPermaLink='false'>tag:blogger.com,1999:blog-4712132652640391937.post-9135060681894597758</guid><pubDate>Wed, 03 Mar 2010 01:17:00 +0000</pubDate><atom:updated>2010-03-02T23:49:38.658-03:00</atom:updated><category domain='http://www.blogger.com/atom/ns#'>Dores</category><category domain='http://www.blogger.com/atom/ns#'>Ciclos</category><category domain='http://www.blogger.com/atom/ns#'>Reflexões</category><category domain='http://www.blogger.com/atom/ns#'>Início</category><category domain='http://www.blogger.com/atom/ns#'>Turkish Night</category><title>Intervalo</title><description>&lt;p&gt;"Está findando o meu tempo...A tarde encerra mais cedo..."


&lt;p&gt;Longa ausência...necessidade de escrever...mudanças próximas.

&lt;p&gt; Fiz uma grande burrada. Agora preciso consertar de algum modo e tentar salvar o que sobrou: tempo.

&lt;p&gt; A perspectiva de mudar de cidade, estado e região causa ansiedade. Não sei o que me espera. É o caminho do louco, enfim.
A necessidade de afastamento sempre esteve presente. De um modo ou de outro, queria ter feito há mais tempo. No entanto, não compreendo o que me impediu. Artifícios da sedução paterna e materna. Sempre desejei ter a minha própria vida, diferente da dos meus primos, tios, pais. E não compreendo o motivo de não buscar  isso anteriormente. Tentei mas de uma forma equivocada. Era uma fuga suficiente na época embora não satisfatória nem definitiva. A conversa com o Flávio ajudou um pouco. Tempo. Tempo de buscar minha própria vida, seja lá como for. Levantar acampamento. Dar no pé. Fugir. Buscar. Ir. Adelante. Desde a época da graduação, eu fazia um exercício breve ao imaginar como seria viver longe daqui. E escrevia os trabalhos embalada pelas canções. Terminei a dissertação ao som de música nativista do Rio Grande do Sul.
&lt;p&gt;
Há algumas semanas percebi nas tvs do metrô, imagens de locais turísticos interessantes e paradisíacos como Jericoacora, praias baianas, Amazonas, Lençóis Maranhenses, Natal - com a legenda "Preferia estar". E achei engraçado como há muito mais tempo eu já fazia esse exercício ao pensar "Preferia estar" em qualquer outro lugar mais tranqüilo. E refleti o quanto era "sacanagem" colocar tais imagens em vagões cheios de pessoas exaustas e apressadas, na temperatura tórrida de verão na capital seca e poluída. 
&lt;p&gt;
Agora a mudança se faz próxima, pode ser uma oportunidade única, pode não ser. Já comecei a me despedir das pessoas que gosto. Estranhamente as canções nativistas me davam força pra concluir a redação. Estranhamente percebo que boa parte da minha vontade era "teórica". Navegarei por mares desconhecidos. Enfrentarei questões novas. Algum movimento há de se fazer. O problema maior é mesmo o dinheiro. E não entendo porque fui tão burra. Isso já poderia ter sido resolvido há dois meses, pelo menos.
&lt;p&gt;
Reconheço que tentei tudo para evitar sair de São Paulo mas agora isso é uma questão de vida ou morte, praticamente. Lembro do Guilherme me dizendo: "Só experimentando para saber". Pena que ele não esteja mais na Terra, iria ficar feliz com essa decisão, com a minha ida.
Enfim...
Banzo antecipado.
Mas essa decisão me aliviou um bocado. Eu estava muito mal, muito exausta.
Banzooo!!!!&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;a href="http://feeds.feedburner.com/ladyofcups" title="Subscribe to my feed" rel="alternate" type="application/rss+xml"&gt;&lt;img src="http://www.feedburner.com/fb/images/pub/feed-icon32x32.png" alt="" style="border:0"/&gt;&lt;/a&gt;&lt;a href="http://feeds.feedburner.com/ladyofcups" title="Subscribe to my feed" rel="alternate" type="application/rss+xml"&gt;Subscribe in a reader&lt;/a&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4712132652640391937-9135060681894597758?l=ladyofcups.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</description><link>http://ladyofcups.blogspot.com/2010/03/intervalo.html</link><author>noreply@blogger.com (Madalena de Vilhena)</author><thr:total>1</thr:total></item><item><guid isPermaLink='false'>tag:blogger.com,1999:blog-4712132652640391937.post-5877546143859416010</guid><pubDate>Wed, 23 Dec 2009 22:06:00 +0000</pubDate><atom:updated>2009-12-23T19:43:33.746-03:00</atom:updated><category domain='http://www.blogger.com/atom/ns#'>Ciclos</category><category domain='http://www.blogger.com/atom/ns#'>Loser Life</category><category domain='http://www.blogger.com/atom/ns#'>Turkish Night</category><category domain='http://www.blogger.com/atom/ns#'>Estranhamentos</category><title>Turkish Night</title><description>&lt;div align="justify"&gt;Ontem decidi fazer algo que desejava há muito tempo: ir ao show do Tony Mouzayek num bar da Vila Olímpia. Sozinha, como todo loser que se preze. O folder dizia 22 horas e lá estava eu na porta na hora exata. Do lado de fora via a dança das taças e espadas e a quantidade de gente era muito grande, surpreendente para uma noite de terça-feira. Mas, como já me disseram, São Paulo possui muitas tribos e constatei a veracidade de tal afirmação. A pista do bar estava tomada por dançarinas e uma multidão de amigas-das-dançarinas ocupava todo o espaço restante. Foi difícil perfurar o cerco de mulheres e conseguir um lugar em pé na escada do palco ao lado do músico que tocava pandeiro, perto dos derbakistas. Desse modo, passei a maior parte da noite em pé. E lá estava eu alone na multidão. A maioria das pessoas estava em grupo e muitos se conheciam. Fiquei ali a observar. Seria divertido se não estivesse tão cheio. Minha coluna dava sinal de alerta e caminhei até o bar, onde bebi um refrigerante que custou extorsivos 5 reais. Enfim. Achei uma mesa vazia e ali fiquei por uns minutos. Logo veio um coroa bêbado me abordar, dizendo que meu olhar era muito sério. Será mesmo que tenho uma cara tão brava? Só os outros pra me dizerem isso. A conversa dele era chata assim como o modo de aproximação, batido. Me perguntou para onde eu costumava ir e não soube responder pois realmente não saio. Me deu um cartão e disse que era filho de gregos. "Adorei te conhecer" (De novo, isso??). Nem me lembro da cara do sujeito mas não interessou. Depois veio um japa boy com um copázio de vodca na mão. Japoneses não me atraem, acho que são muito sem graça. Mas estava chato o cara querendo me abraçar por trás da cadeira e eu tendo que tirar a mão dele e explicar que eu não tinha intenção de ficar com ninguém. Só assim se convenceu e saiu de perto. Bêbados são chatos. As alunas de dança do ventre ocupavam a pista o que me fez pensar o seguinte: ou aprendo isso bem ou paro de freqüentar esse tipo de lugar. Quando o show acabou, pedi um táxi e ainda ouvi xaveco do motorista o caminho inteiro de volta. Ele tinha uma conversa legal mas nada além disso também. Nem vi o rosto dele direito no escuro do carro. E veio com várias considerações: eu não tinha "cara de baladeira", que ele conhecia esse tipo de pessoa à distância, etc, etc. Eu mereço mesmo. Saí com intenção de apenas de observar e ver como me sentia e tive que aguentar essas chatices de 3 homens desinteressantes. Mas me diverti minimamente. O ambiente era descontraído e informal. Tentarei repetir a saída mas em outro bar de programação semelhante. Ou então ir num dia "não árabe". &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;a href="http://feeds.feedburner.com/ladyofcups" title="Subscribe to my feed" rel="alternate" type="application/rss+xml"&gt;&lt;img src="http://www.feedburner.com/fb/images/pub/feed-icon32x32.png" alt="" style="border:0"/&gt;&lt;/a&gt;&lt;a href="http://feeds.feedburner.com/ladyofcups" title="Subscribe to my feed" rel="alternate" type="application/rss+xml"&gt;Subscribe in a reader&lt;/a&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4712132652640391937-5877546143859416010?l=ladyofcups.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</description><link>http://ladyofcups.blogspot.com/2009/12/observacoes.html</link><author>noreply@blogger.com (Madalena de Vilhena)</author><thr:total>0</thr:total></item><item><guid isPermaLink='false'>tag:blogger.com,1999:blog-4712132652640391937.post-566792771526866096</guid><pubDate>Mon, 23 Nov 2009 11:25:00 +0000</pubDate><atom:updated>2009-11-23T10:50:42.233-03:00</atom:updated><category domain='http://www.blogger.com/atom/ns#'>Desabafos</category><category domain='http://www.blogger.com/atom/ns#'>Sadness</category><category domain='http://www.blogger.com/atom/ns#'>Reflexões</category><category domain='http://www.blogger.com/atom/ns#'>Confissão</category><category domain='http://www.blogger.com/atom/ns#'>Mundo Dark-Lonely</category><category domain='http://www.blogger.com/atom/ns#'>Loser Life</category><title>Buscas</title><description>&lt;p align="justify"&gt;
A leitura dos romances baratos de banca causou um estrago grande. Fiquei encerrada em um calabouço a ler os enredos onde o amor platônico triunfava sobre todas as coisas (entre elas a desconfiança, a adversidade, a incerteza) e nos quais o fim invariavelmente chegava quando o protagonista masculino dizia finalmente "Eu te amo" e, como num passe de mágica, tudo ficava azul e límpido com o desfecho de narrativas cujos títulos eram "Canção do mar", "Noite encantada", "Amor, o pacto quebrado", "Outono de ternura","Passaporte para o amor", "Delírios ao luar" dentre outras. &lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;Incrivelmente tais narrativas me alimentaram durante oito anos ao longo dos quais lia e relia incansavelmente todas elas. E assim passei da puberdade ao final da adolescência cronológica. O ingresso na universidade não modificou muita coisa. Continuava virgem, com poucos amigos, fechada, receosa. Condenava os relacionamentos infindáveis, buscava um simples namoro em danceterias e não compreendia o motivo de tanta rejeição, tanta solidão enquanto a maioria das garotas tinham vários pretendentes disponíveis como a minha prima da qual me vinguei literariamente. &lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;Angelo foi uma fuga e embarquei para Santa Clara da Campanha para escapar de uma situação insuportável no meu ambiente familiar, foi um equívoco afetivo dentre os muitos vividos até agora. As adversidades e distâncias encerraram a fuga e o período de luto foi longo e recorrente, só quebrado pela conclusão da dissertação e a chegada de Lúcio na minha vida. Um segundo relacionamento à distância também permeado por adversidade, ardis, mentiras, rupturas, sofrimentos e impasses. Novamente decepção e o luto foi tão longo e doloroso quanto o anterior. Viera o esquecimento, uma nova jornada de estudos e todavia sua vida permanecia truncada como um todo. É possível que tal truncamento fosse visível para todas pessoas menos para mim. E não compreendo. Não entendo o porque de tamanha letargia comigo mesmo, com a minha vida profissional, com a minha vida afetiva. Assim como não compreendo o porque de tanto desencontro, incompreensão e novas rejeições no momento em que pretendia reabrir-me, recomeçar, tentar o desabrochar de um novo sentimento. E ruminando a dor, me pergunto o motivo de um comportamento tão estranhamente retraído e frágil para uma pessoa que enfrentou tantas situações dificultosas e se sente tão derrotadamente sozinha e inadequada na vida, no mundo. &lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;a href="http://feeds.feedburner.com/ladyofcups" title="Subscribe to my feed" rel="alternate" type="application/rss+xml"&gt;&lt;img src="http://www.feedburner.com/fb/images/pub/feed-icon32x32.png" alt="" style="border:0"/&gt;&lt;/a&gt;&lt;a href="http://feeds.feedburner.com/ladyofcups" title="Subscribe to my feed" rel="alternate" type="application/rss+xml"&gt;Subscribe in a reader&lt;/a&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4712132652640391937-566792771526866096?l=ladyofcups.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</description><link>http://ladyofcups.blogspot.com/2009/11/buscas.html</link><author>noreply@blogger.com (Madalena de Vilhena)</author><thr:total>0</thr:total></item><item><guid isPermaLink='false'>tag:blogger.com,1999:blog-4712132652640391937.post-5671412092421371455</guid><pubDate>Sat, 21 Nov 2009 17:46:00 +0000</pubDate><atom:updated>2009-11-21T15:36:26.916-03:00</atom:updated><category domain='http://www.blogger.com/atom/ns#'>Revoltas</category><category domain='http://www.blogger.com/atom/ns#'>Sadness</category><category domain='http://www.blogger.com/atom/ns#'>SMF - Ficções</category><category domain='http://www.blogger.com/atom/ns#'>Loser Life</category><category domain='http://www.blogger.com/atom/ns#'>Vida vidinha</category><category domain='http://www.blogger.com/atom/ns#'>Estranhamentos</category><title>O churrasco</title><description>&lt;p align="justify"&gt;
Chovia...e ali estávamos...como personagens da repartição dos pães mas a conversar. Acabei montando uma mesa extra à toa, os homens ficaram à volta da churrasqueira e as mulheres à mesa. Eu estava sendo testada todo o tempo e aquilo era cansativo. Tive uma afinidade natural com a filha de dois anos de uma das mulheres e isso me valera a suposta aprovação da mãe. Eram irmãs, eu estrangeira. Até quando viveria essa condição? Estrangeira na cidade, na universidade, na família, na família dos outros, nas relações humanas. Era uma sensação consoladora mas desconcertante. Consoladora por me dar uma identidade singular. Desconcertante por não encontrar um lugar em espaço nenhum e quase ser de parte nenhuma. Pelo menos no universo do senso comum eu me sentia totalmente à margem. Aliás, com relação ao universo particular daquelas pessoas, eu estava verdadeiramente à margem. Mas a condição estrangeira me dava a oportunidade de análise e de reflexão, ô par raro.
&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;
As irmãs viviam em guerra com a balança e a vida. Cabelos tingidos, narizes proeminentes, unhas bem feitas, olhar medidor. Não eram ortodoxos, o traço cultural árabe sobrevivia no modo de encarar o mundo e as pessoas. E eu com a minha fleuma britânica só a observar e pensar. A mais velha tinha mais pose, era jornalista, evangélica, mãe e com um discurso destrambelhado dos que falam sem parar. A mais nova era um pouco retraída, também mãe, tentava ser simpática mas havia um descontentamento tamanho em seu olhar que a tornava um ser triste e apático, sem muito a dizer. Fizera a cirurgia do estômago, emagrecera quarenta quilos e a compulsão permanecia como uma sombra na relação com a comida e a vida - “perdi meu primeiro casamento pelo uso prolongado das anfetaminas”. Uma confissão lamentável essa. Pelo visto foram anos e anos de neuroses crônicas. A mais velha tentava emagrecer e estava a passar mal com a comida e as sobremesas pelo uso das fórmulas. A mais nova revelava um tédio típico das donas de casa enfaradas e apreensivas com o desemprego recente do marido.
&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;
Achei-a muito triste e perdida. Assim como o seu irmão. Era incrível como o equilíbrio mantido no trabalho era apenas uma fachada profissional. Internamente eu só enxergava frangalhos, angústias, caos, confusão, fugas, pequenezas, rancores. Não era compulsivo e sim ansioso, neurótico, no limite de um transtorno mais sério. Extremamente preocupado com aparências e ostentações. Dava importâncias a coisas irrelevantes, como uma coberta jogada ou um prato sujo. Tinha “sonhos” que o tornavam tão imaturo quanto um garoto de 17 anos. E eu ali? A estrangeira, a pesquisadora, a sublimadora.
&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;
A casa recebia o visitante com uma discreta lufada fria. Na porta eu sempre a sentia ao entrar. Não podia esquecer o choque e o estranhamento que o espaço me provocara. Quase um mausoléu. O lugar menos frio era o sótão com o teto de madeira inclinado e água-furtada abandonada como um escritório que não deu certo. De tudo era o único local cobiçado - pela janela pequena e mesa adequada para o estudo e a leitura. Apesar das estantes envidraçadas de madeira superior, os livros eram poucos. Alguns relativos ao exercício profissional, revistas afins mas insuficientes. Entre eles “Amar pode dar certo” e “Mulheres certas que amam homens errados”, este último nem parecia ter sido aberto ou lido.
&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;
O tapete afundava os pés, os móveis eram caros, os utensílios de cozinha, inúmeros e supérfluos. Para quem viveu uma pobreza franciscana nesse sentido me parecia excessivo. Eu sobrevivia com pouco, milhões sobreviviam com menos do que eu. As minhas neuroses não eram tão engessadas e sérias, embora fossem importantes também. Eu não ambicionava ostentar uma casa coberta de marmorarias onde o chão resplandecia. Preferia a madeira, os tacos, a simplicidade. Ambicionava um apartamento médio que abrigasse a mim e meus livros com algum conforto, o suficiente para me trazer tranqüilidade e independência. Eu continuaria a buscar o conhecimento e a transmiti-lo.
&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;
Nesse sentido, éramos totalmente opostos. A mentalidade classe média me aborrecia. Propriedade na praia, carros, casa de campo, carros importados, viagens excursionadas a locais fabricados para os turistas endinheirados. Tudo isso aborrecia a quem havia pegado a estrada rumo a paisagens mais verdadeiras e distantes tantas vezes. Conhecer Gramado não é conhecer o Rio Grande do Sul, nem Fernando de Noronha é conhecer um país complexo como o Brasil. Essa superficialidade me entristecia, as pequenezas me entristeciam, as diferenças me pareciam quase abismais. Não que eu não pudesse conviver nessa classe: eu posso. Mas a pobreza de espírito me parece o obstáculo maior e mais difícil de ajustar. Não tenho ilusões, não quero nem posso modificar os pensamentos do homem. Eles já estão por demais cristalizados.
&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;
Quando vi a bíblia decorativa aberta justamente no livro do Eclesiastes, achei oportuno. A sabedoria do rei de Israel é algo ímpar no velho testamento assim como os cânticos dos cânticos. Vaidade das vaidades. Coma, beba e goza do que possa tirar do seu trabalho. De resto nada permanece, a vida passa, as aflições dos acúmulos não compensam. Nu veio e nu voltará. Disse para que lesse, seria interessante para o momento que estava a sofrer. Duvido que leia. Só se eu colocasse o livro nas mãos dele e dissesse pra ler na mesma hora. Compensaria? Não. Era essa a minha função docente? Na verdade eu imaginei que um médico tivesse uma mentalidade mais rica e aberta. Mas esbarrei em muitos muros. Muros afetivos, muros de in-compreensão, carência de entendimentos, carência cultural, carência de viver plena e verdadeiramente.
&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;
Eu ainda tinha um caminho a percorrer, a diferença de idade era grande só na conta bancária e na experiência profissional; de resto eu me sentia mais tranqüila, madura e feliz. Minha bagagem é leve, não preciso de advogados a carregá-la. Mas minha experiência “social” está um pouco além, o sofrimento fez de mim uma pessoa melhor.
A chuva caía forte sobre a piscina, o jardim, a grama. Eu mastigava pouco, conversava um pouco mais, observava muito. Via a satisfação dele, a nos olhar de lá, feliz que eu estivesse a entreter as irmãs, embora elas não tivessem muito a me dizer. O problema é como se constrói um relacionamento. Era tudo muito convencional, chato. Do benhê ao churrasco, tive a impressão de que tal cena poderia se repetir muitas vezes. Isso é inquietante. A minha vida com ele seria isso? Hum, pouco satisfatório. O mundo ainda está a me esperar. Se o que ele poderia oferecer era só esse aspecto social, já sei que não seria suficiente. E não seria por saber que só isso não sustenta um relacionamento nem uma convivência conjugal realmente SATISFATÓRIA. E ele me parece ter uma forma distorcida de enxergar isso. Relacionamentos não são unilaterais nem uma só voz fala. Deve ter esbarrado nisso muitas vezes e ainda não compreendeu.
&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;
Não creio que a mãe da filha dele fosse tão má pessoa nem tão movida pelo interesse, ela agüentou por bastante tempo, teve a criança, isso me parece relevante e ademais eu não sei a sua versão dos fatos. Desconfio. Penso que com esse comportamento ele só vá atrair mais e mais pessoas superficiais e esvaziadas. Por minha vez, falei o que pensava. Já disse que pra mim seria indiferente o local de moradia dele, poderia ser no prédio onde moro, para mim daria na mesma. E penso se não seria melhor estar com alguém que seja simples como eu, sem tantos vícios de comportamento. Não poderia deixar de ser quem eu sou, já foi tão difícil construir isso. Lido com a frustração com criatividade, como estou a fazer agora. Vejo, escrevo, produzo. Dr.Jekyll tinha regrinhas demais e não suportava o Mr. Hyde que aparecia sempre.



&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;a href="http://feeds.feedburner.com/ladyofcups" title="Subscribe to my feed" rel="alternate" type="application/rss+xml"&gt;&lt;img src="http://www.feedburner.com/fb/images/pub/feed-icon32x32.png" alt="" style="border:0"/&gt;&lt;/a&gt;&lt;a href="http://feeds.feedburner.com/ladyofcups" title="Subscribe to my feed" rel="alternate" type="application/rss+xml"&gt;Subscribe in a reader&lt;/a&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4712132652640391937-5671412092421371455?l=ladyofcups.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</description><link>http://ladyofcups.blogspot.com/2009/11/o-churrasco.html</link><author>noreply@blogger.com (Madalena de Vilhena)</author><thr:total>0</thr:total></item><item><guid isPermaLink='false'>tag:blogger.com,1999:blog-4712132652640391937.post-4098573962882373343</guid><pubDate>Wed, 18 Nov 2009 23:00:00 +0000</pubDate><atom:updated>2009-11-18T19:09:48.638-03:00</atom:updated><category domain='http://www.blogger.com/atom/ns#'>Participação especial</category><category domain='http://www.blogger.com/atom/ns#'>Ficções</category><category domain='http://www.blogger.com/atom/ns#'>Quem se importa?</category><category domain='http://www.blogger.com/atom/ns#'>Insônias</category><category domain='http://www.blogger.com/atom/ns#'>Vida vidinha</category><title>Chorume</title><description>&lt;p align="justify"&gt;
Elisabete acordou com um certo sobressalto: era a hora do revezamento. Fazia isso todas as noites, tornara-se uma necessidade familiar. O filho bebê tinha dificuldades para dormir em seu próprio quartinho e, até mesmo, na cama do casal. Tocou o ombro do marido: era o momento dele descer da cama e ficar com o filho num colchão no chão. Ela subiu às tontas para mais algumas horas de sono. A convivência conjugal limitara-se a uma rotina desgastante de pai e mãe.
&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;
Estavam casados havia três anos após seis de namoro e um de noivado. O noivado dera-se em função de uma gravidez inesperada. Seu pai começara a reforma da casa para acomodar a filha, não estava nos planos de Elisabete mudar para o sobrado imenso onde o noivo morava com a mãe doente. Em todo o tempo de namoro, ele sempre cedera em tudo. Era um sujeito pacato, tranqüilo, de paz. Elisabete sempre fora esquentada, nervosa, braba, pavio curto embora escondesse tais características sob uma superfície de poucas palavras e aparente calmaria. Achava mais fácil fazer-se de sonsa, pelo menos para os pais, irmão, avó, tios e primos. A reforma e os preparativos para as bodas estavam em andamento quando ela tivera um aborto espontâneo no terceiro mês. Como o tempo era longo e as providências tomadas, uniram-se assim mesmo. O pai já estava cansado do noivo enfurnado em sua casa todos os finais de semana ao longo de um namoro infindável e resmungara que aquilo não poderia continuar. Como o tempo era longo, o casório parecia ser a única conseqüência.
&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;
A mãe de Elisabete fizera questão de seguir os protocolos e houve cerimônia, duas dúzias de padrinhos, recepção e valsa com direito a atos de mau gosto como cortar a gravata do noivo para arrecadar uns trocados. Aliás, ninguém na família de Elisabete conhecia os “bons modos”:a avó sujara o vestido de festa com a gordura dos espetinhos enquanto o primo e o irmão bêbados esvaziavam os copázios plásticos de chope e uma tia afetada pelo álcool levantava a saia. Ela e Alexandre estavam ocupados em sorrir, agradecer, posar para fotos e perguntar se todos estavam servidos.
&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;
Os barulhos da rua acordam Elisabete para mais um dia de trabalho. Levanta, vai à cozinha, abre a geladeira, despeja lentamente leite no copo e o completa com três colheres de sopa de Nescau Power. Era viciada em chocolate, fosse qual fosse sua forma e sempre tivera biscoitos recheados, bombons e barras no guarda-roupa. Corta um pão francês amanhecido e polvilha generosamente o achocolatado. O pão com nescau era um hábito que mantinha desde criança. Chocolate, arroz, carne vermelha e frituras eram a sua única alimentação. Não suportava nada além disso. Tamanha restrição talvez tivesse contribuído para o fato de não ter tido uma gota de leite sequer para amamentar o filho quando recém nascido. Falta de nutrientes? Ou mais provavelmente isso fosse o reflexo de uma grande ansiedade.
&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;
O filho já andava e ficava a maior parte do tempo com a mãe de Elisabete. Ela trabalhava como recepcionista numa empresa há oito anos. O marido trabalhava numa indústria próxima como operador de montagem automobilística. Conheceram-se numa casa noturna muito “mal freqüentada” por ficar próxima a um luxuoso bordel. Elisabete e a sua prima menor iam lá todos os finais de semana. Iam e voltavam de táxi. A prima era rechonchuda e sempre usava vestido e sapatos de salto. Elisabete era atlética, praticava ginástica aeróbica, body board e natação. Numa daquelas noites ambas conheceram Alexandre e um amigo. Alexandre era alto, forte, tinha belos cabelos escuros contrastando com uma pele clara e traços harmoniosos. Conversaram um pouco e logo ficaram juntos. A prima preferira um coroa charmoso ao amigo de Alexandre. E dessa forma iniciaram o namoro que não foi levado a sério por Elisabete durante quase um ano. Continuaram a sair juntas por mais um ano ao longo do qual o namoro tornara-se sério. Elisabete contava vinte e seis anos e cedera finalmente a virgindade a Alexandre ao se sentir suficientemente segura para isso. Está claro que ele tivera uma paciência indiana após enregelar noites a fio a esperá-la do lado de fora da casa, dentre outras coisas.
&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;
Antes de namorar “a sério”, Elisabete tivera uma vida muito dinâmica. Além de freqüentar academias e casas noturnas, viajava seguidamente e passeara pelas praias mais belas do litoral brasileiro, até as mais longínquas e rústicas. Com amigas excursionara para Cancun. Ela adorava praias e baladas e instalara um complexo de luzes coloridas dentro do próprio quarto para simular o ambiente dancing em casa. Saía muito, jogava vôlei e mantinha uma rotina saudável sem bebidas ou cigarros. Tinha muitos admiradores e orgulhava-se de sua coleção de cartões de ex-namorados, ficantes e candidatos. Mostrara a caixa um dia à prima mais nova antes de saírem. Pudera enxergar a tristeza e encabulamento dela: sofria rejeições constantemente por não ter a sua aparência atlética e se importar muito com os homens além de ansiar muito por um namoro e isso era evidente e explicava o sumiço de todos os rapazes que dela se aproximavam. Elisabete e a prima mais nova faziam parte de uma geração transitória, na qual ainda havia ranços de repressão e de educação católica. Ambas eram comportadas e virgens. Elisabete rompera seu hímen antes da prima de acordo com uma série de normas estabelecidas por ela mesma e obedecidas por Alexandre.
&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;
O quarto de Elisabete fora uma bagunça na solteirice e a casa não era diferente depois do casamento. O quartinho do filho tranformara-se em depósito de objetos não usados. A esteira ergométrica acumulava uma grossa camada de pó. As roupas lavadas e passadas amontoavam-se em cadeiras. A cama estava sempre desfeita pois Elisabete achava inútil arrumá-la para deitar novamente. A mãe cuidava do neto e mandava os pratos de comida à noite para ela e Alexandre. Elisabete não tinha vocação para tarefas domésticas e impacientava-se freqüentemente com o filho que era chorão e inquieto. Alexandre, ausente e calado assistia aos campeonatos da UEFA na televisão de 40 polegadas. Seus cabelos escuros tornaram-se grisalhos, perdera a postura forte, engordara e antes do casamento já ostentava uma aparência de cinqüentão embora fosse um ano mais jovem que Elisabete. A gravidez, o trabalho e a correria pós nascimento mudaram a rotina de Elisabete e ela parara com os exercícios. O chocolate, o stress e as doses de depo-provera fizeram-na perder a esbeltez de antes. Estava desleixada, as roupas foram para o baú e adotora definitivamente o moletom em casa. Os dias da semana eram sempre iguais e caóticos, o filho dava incômodos e trabalhos, a rotina sexual tornava-se mais e mais míngua. Alexandre jantava pratarrões de comida, os olhos fixos na televisão, mudo. Conhecia bem o gênio da esposa. O filho choramingava atrás de Elisabete que – agora sempre irritada – fritava batatas pré-prontas e congeladas.
&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;
Os gestos de Elisabete eram a cada dia mais ríspidos assim como os berros. As tias e avó estranhavam tamanho nervosismo. A mãe resignara-se a ser babá do neto e dar todas as noites os pratos de comida para o casal. O pai mantinha-se em neutralidade com os cães na parte inferior da casa. Alexandre não sabia pegar o filho ao colo e o menino preferia os avós. Os copos sujos e suas marcas estavam em todos os lugares. O banheiro fedia a mijo e uma crosta de sal cobria o vaso sanitário. Os raros visitantes não-familiares sentiam-se intrigados com a aparência caótica da residência. Elisabete sempre fora desleixada em assuntos domésticos, qual a surpresa? O marido casara consciente de que ela não seria uma rainha do lar nem cozinharia. O nervosismo de Elisabete traduzia – na verdade – uma latente insatisfação com a vida atual pós-casamento. E isso era bastante compreensível: como uma mulher que tinha a qualidade de vida anterior poderia sentir-se satisfeita com uma rotina e um relacionamento insípidos e desgastados onde só sobrara espaço para obrigações e problemas? Lembrara-se de estender a mão para a leitura da prima mais nova numa festa de família e perguntara-lhe se faria novas viagens. “Não vejo”. – respondera ela, que entendia um pouco de quiromancia. Elisabete entristecera levemente. Os tempos áureos haviam passado.
&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;
Tal insatisfação pulsava em suas têmporas, veias e coração embora ela não a tivesse ainda identificado claramente. A alienação doméstico-conjugal a imobilizava. Dirigia rápido pela avenida rumo ao trabalho. Trabalho-casa-trabalho. Era obrigada a sorrir para os clientes todos os dias, ser solícita serviçal, ser mãe, ser esposa, ser profissional. Era tudo muito cansativo, muito cansativo. Todos os dias eram os mesmos. O resto da família ria da passividade de Alexandre, de sua lentidão de boi manso. Era suportável aquilo? Ela sabia que não e enfiava o pé no acelerador. Sua educação repressora impedia-a de tomar um amante e ademais não se sentia minimamente atraente para tal coisa. A imagem do filho pesava na consciência. Era mais fácil permanecer e aceitar a sua sina. Lágrimas escorriam pelo rosto. Afastava-se da rota habitual, o carro a conduzia, chegaria atrasada na empresa. Uma angústia paralisadora a consumia. Por que não conseguia modificar a própria vida? Inúmeros fatores pareciam empatar-lhe as atitudes. Tinha coragem, sempre tivera. O que teria acontecido? Quem era essa Elisabete de hoje, fora de forma e de foco, sem vontade de ser mãe. Teria tido o filho para contentar a família, por fazer parte das convenções sociais que seguira religiosamente? O pânico começa a dominá-la e o braço direito a adormecer. O carro desliza pelo asfalto rumo a serra do mar. Mas para onde estou indo? O pé continua no acelerador embora a paralisia tomasse conta do corpo e do cérebro. Era medo, resistência, covardia...? Os protocolos enganavam e a família mesmo xucra tinha suas regras de comportamento. A paralisia vencia aos poucos. Ou seria resistência? Como é possível sentir satisfação se antes a qualidade era incomparável, ao menos gostava de si. Mas e agora? Mergulhara no stress e seu pior lado levava a melhor. As lágrimas continuam a escorrer no seu rosto vermelho. Por que, para que? Estava encalacrada, isso sim. Encalacrada pelas tarefas, repetições, exaustões, vampiros. Fecha os olhos. Muito medo. As quaresmeiras do acostamento desabrocham. A água estende-se embaixo, a linha do trem na serra oposta. Onde estavam os seus desejos? Um aperto no peito, cadeados invisíveis, prisões. Os pneus rangem em curvas irregulares, o motorista de trás grita “Cuidado, dona!” Elisabete abre os olhos. O vôo. Ela sente alívio e medo. Presa pelo cinto sente todos os solavancos da lataria pelo barranco. A dor. Seus olhos enxergam o céu azul e límpido.

&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;a href="http://feeds.feedburner.com/ladyofcups" title="Subscribe to my feed" rel="alternate" type="application/rss+xml"&gt;&lt;img src="http://www.feedburner.com/fb/images/pub/feed-icon32x32.png" alt="" style="border:0"/&gt;&lt;/a&gt;&lt;a href="http://feeds.feedburner.com/ladyofcups" title="Subscribe to my feed" rel="alternate" type="application/rss+xml"&gt;Subscribe in a reader&lt;/a&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4712132652640391937-4098573962882373343?l=ladyofcups.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</description><link>http://ladyofcups.blogspot.com/2009/11/chorume.html</link><author>noreply@blogger.com (Madalena de Vilhena)</author><thr:total>0</thr:total></item><item><guid isPermaLink='false'>tag:blogger.com,1999:blog-4712132652640391937.post-4769407058167193331</guid><pubDate>Wed, 18 Nov 2009 12:49:00 +0000</pubDate><atom:updated>2009-11-18T08:59:31.878-03:00</atom:updated><category domain='http://www.blogger.com/atom/ns#'>Dores</category><category domain='http://www.blogger.com/atom/ns#'>Sadness</category><category domain='http://www.blogger.com/atom/ns#'>Mundo Dark-Lonely</category><category domain='http://www.blogger.com/atom/ns#'>Loser Life</category><category domain='http://www.blogger.com/atom/ns#'>Letargias</category><category domain='http://www.blogger.com/atom/ns#'>Fim</category><category domain='http://www.blogger.com/atom/ns#'>angústias</category><title>Lâminas</title><description>&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_HTq8R9bWG_o/SwPezOcFlYI/AAAAAAAAALo/f37LARHXp2k/s1600/44-Minor-Swords-09.jpg"&gt;&lt;img style="TEXT-ALIGN: center; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 190px; DISPLAY: block; HEIGHT: 320px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5405408949405324674" border="0" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_HTq8R9bWG_o/SwPezOcFlYI/AAAAAAAAALo/f37LARHXp2k/s320/44-Minor-Swords-09.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;
&lt;div&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_HTq8R9bWG_o/SwPdRH55NuI/AAAAAAAAALg/sj2Da30lUac/s1600/38_Minor_Swords_03.jpg"&gt;&lt;img style="TEXT-ALIGN: center; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 174px; DISPLAY: block; HEIGHT: 317px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5405407264024114914" border="0" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_HTq8R9bWG_o/SwPdRH55NuI/AAAAAAAAALg/sj2Da30lUac/s320/38_Minor_Swords_03.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;
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&lt;div align="justify"&gt;Acordo às 5 e 24. Quando escrevi "Almas rasas", relatei uma situação que eu vivi na pele. Naquele momento sentia-me muito solitária e passados quatro anos, a solidão continua maior e mais intensa. Tão difícil suportar, tão duro superar a rejeição, o estar só. Esta semana será curta - mais um holiday pra aumentar a angústia. Gostaria de ter ao menos uma compensação, por pequena que fosse. Mas não tenho, não há. Estou com medo do que pode acontecer, de ser enganada e manipulada. Cansada dessa vida loser. Cansada fisicamente. Vejo que deprimi depois de um ano e 4 meses. Minha vida pessoal nunca esteve tão ruim, tão sem perspectiva e eu me sinto arrasada. Naquela época adoeci. Hoje recaí em alguns maus hábitos de antigamente e faltei às minhas aulas de apoio psicológico. A dança vem do coração,  o meu está furado. As imagens completam as palavras. &lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;a href="http://feeds.feedburner.com/ladyofcups" title="Subscribe to my feed" rel="alternate" type="application/rss+xml"&gt;&lt;img src="http://www.feedburner.com/fb/images/pub/feed-icon32x32.png" alt="" style="border:0"/&gt;&lt;/a&gt;&lt;a href="http://feeds.feedburner.com/ladyofcups" title="Subscribe to my feed" rel="alternate" type="application/rss+xml"&gt;Subscribe in a reader&lt;/a&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4712132652640391937-4769407058167193331?l=ladyofcups.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</description><link>http://ladyofcups.blogspot.com/2009/11/quando-escrevi-almas-rasas-relatei-uma.html</link><author>noreply@blogger.com (Madalena de Vilhena)</author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_HTq8R9bWG_o/SwPezOcFlYI/AAAAAAAAALo/f37LARHXp2k/s72-c/44-Minor-Swords-09.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></item><item><guid isPermaLink='false'>tag:blogger.com,1999:blog-4712132652640391937.post-7179014048337864922</guid><pubDate>Mon, 16 Nov 2009 22:29:00 +0000</pubDate><atom:updated>2009-11-18T07:33:06.473-03:00</atom:updated><category domain='http://www.blogger.com/atom/ns#'>Dores</category><category domain='http://www.blogger.com/atom/ns#'>Sadness</category><category domain='http://www.blogger.com/atom/ns#'>Loser Life</category><category domain='http://www.blogger.com/atom/ns#'>angústias</category><title>El madi</title><description>&lt;div align="justify"&gt;Como ele previra, o momento é de julgamento. O juízo acontece aqui mesmo, em diversos momentos da vida e o resto é literatura (seja da bíblia ou de Dante). Sinto uma tristeza profunda mas não chega a deprimir, apenas dilacera. Como K. disse hoje, o xis é a solidão, creio ser este o desencanto maior. Enquanto o telefone toca pra me ofercer planos de tv a cabo e velocidade maior da internet banda larga, a cabeça me dói, a coluna ameaça travar novamente. Saí da aula de francês na hora certa, o turbilhão me arrastara desde o final de setembro, um efeito dominó. Uma decepção colada à outra, não conseguiam me enxergar como ser humano tãopouco a minha fragilidade. Ao lado do pai naquele estabelecimento detestável, continha as lágrimas pois sabia que algo se perdera irremediavelmente nesses dias e a minha solidão se agigantava. No fim das contas, ambos seguiram o rumo de suas vidas e eu permaneci envolvida pelas lembranças, pelas carências de menina, pela dor.
Tive ímpeto de abrir mão de tudo, fazer a roda girar de algum modo. Mas as atitudes dos outros me empurravam à frente, fosse como fosse. Colecionando decepções e machucados. &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;a href="http://feeds.feedburner.com/ladyofcups" title="Subscribe to my feed" rel="alternate" type="application/rss+xml"&gt;&lt;img src="http://www.feedburner.com/fb/images/pub/feed-icon32x32.png" alt="" style="border:0"/&gt;&lt;/a&gt;&lt;a href="http://feeds.feedburner.com/ladyofcups" title="Subscribe to my feed" rel="alternate" type="application/rss+xml"&gt;Subscribe in a reader&lt;/a&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4712132652640391937-7179014048337864922?l=ladyofcups.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</description><link>http://ladyofcups.blogspot.com/2009/11/el-madi.html</link><author>noreply@blogger.com (Madalena de Vilhena)</author><thr:total>0</thr:total></item><item><guid isPermaLink='false'>tag:blogger.com,1999:blog-4712132652640391937.post-694519747992886899</guid><pubDate>Sat, 14 Nov 2009 20:01:00 +0000</pubDate><atom:updated>2009-11-14T22:46:27.981-03:00</atom:updated><category domain='http://www.blogger.com/atom/ns#'>SMF - Ficções</category><category domain='http://www.blogger.com/atom/ns#'>Loser Life</category><category domain='http://www.blogger.com/atom/ns#'>Fim</category><title>Resíduo</title><description>&lt;p&gt;
"De tudo fica um pouco." Carlos Drummond de Andrade é um poeta com algumas chatices mas sempre algo é possível salvar. Fica um pouco. Fica um pouco do passado. Fica um pouco do rancor. Fica um pouco de ressentimento. Fica um pouco da lembrança do que foi bom. Fica um pouco da sensação de incapacidade. Fica um pouco da culpa. Fica um pouco do passado. &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;p&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;I. me parecera um homem calmo, equilibrado e sedutor. Há tempos não sentia tanta vontade de estar com um homem, esse tipo de atração, de magnetismo forte. Debati-me com as questões éticas por um mês, fiquei feliz ao descobrir que ele estava sozinho e com a possibilidade de um relacionamento. Mas as diferenças se mostraram grandes demais, as muralhas constituíram um obstáculo verdadeiro e ficamos reféns do medo. Medo de ser reprovada e repudiada, medo de ser envolvido e enganado. O processo doloroso da separação e seus desdobramentos transformara-o num homem extremamente tenso, desconfiado, ríspido, enfim, um frangalho emocional. Deixara-se endurecer de tal forma, a ponto de não conseguir mais enxergar nada que estivesse fora da sua área de conforto e familiaridade. O semblante era sério, os músculos faciais sempre tensos, lábios apertados. Raros momentos os olhos adquiriam uma luz quente de carinho e entrega. Isso que dói mais. As fotos emolduradas mostravam um outro homem. Os cabelos não eram grisalhos, a expressão do olhar era calma e límpida. Gostaria de tê-lo conhecido antes disso. Todavia a versão dos fatos não condizia muito com a versão dos autos. Não havia provas contra o comportamento indigno da mulher, conforme dissera. Ou as provas não haviam sido entregues ou não existiam e ele poderia ter mentido o tempo inteiro. Esse modo distorcido de enxergar as pessoas e coisas...esse alienamento só o tornavam mais só e isolado. Não acredito que haja muita solidariedade e senso de humanidade na classe alta embora isso independa de classe social. Mas I. parecia extremamente preocupado com a opinião pública para tentar me compreender. Vira somente mais um mulher, mais menina do que mulher. E assim rotulara-me. Eu até agora não entendo o meu próprio comportamento e porque estive mesmo tão retraída.
&lt;/p&gt;
Lamento pela forma como tudo acabou, essa forma covarde de simplesmente fugir. Gostaria de continuar a conhecer o envolvimento afetivo, o sexo, construir uma relação limpa, verdadeira, leve, cúmplice fundamentada na confiança e no bem-estar juntos. Quero me conhecer e conhecer o outro, ir além do dois de copas ou prolongá-lo por mais tempo.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;a href="http://feeds.feedburner.com/ladyofcups" title="Subscribe to my feed" rel="alternate" type="application/rss+xml"&gt;&lt;img src="http://www.feedburner.com/fb/images/pub/feed-icon32x32.png" alt="" style="border:0"/&gt;&lt;/a&gt;&lt;a href="http://feeds.feedburner.com/ladyofcups" title="Subscribe to my feed" rel="alternate" type="application/rss+xml"&gt;Subscribe in a reader&lt;/a&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4712132652640391937-694519747992886899?l=ladyofcups.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</description><link>http://ladyofcups.blogspot.com/2009/11/residuo.html</link><author>noreply@blogger.com (Madalena de Vilhena)</author><thr:total>0</thr:total></item><item><guid isPermaLink='false'>tag:blogger.com,1999:blog-4712132652640391937.post-732463275700935848</guid><pubDate>Sun, 08 Nov 2009 19:02:00 +0000</pubDate><atom:updated>2009-11-10T14:08:26.361-03:00</atom:updated><category domain='http://www.blogger.com/atom/ns#'>Avisos do baralho</category><category domain='http://www.blogger.com/atom/ns#'>Pausa para comentários</category><title>Ele fala</title><description>&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_HTq8R9bWG_o/SvcglxZupwI/AAAAAAAAAK4/uf5VDOXghYU/s1600-h/62_Minor_Cups_Queen.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 260px; height: 400px;" src="http://3.bp.blogspot.com/_HTq8R9bWG_o/SvcglxZupwI/AAAAAAAAAK4/uf5VDOXghYU/s400/62_Minor_Cups_Queen.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5401822111342700290" /&gt;&lt;/a&gt;

A cada dia eu e ele estamos mais e mais unidos, quase uma só alma. Depois da consagração tornara-se ainda mais afiado, incisivo, claro. Havia me dito o que acontecia mas eu não entendera. A dama de paus, a mulher que vai até as últimas conseqüências, roda da fortuna (um passado que retorna), dez de espadas. Agora seis de copas, sete de paus. O passado, a briga, a competição, o sentimento prisioneiro. 
E eu continuarei ligada às coisas ocultas, a cultivar a habilidade de trazer à tona os sentimentos profundos das pessoas com as quais estabeleço algum tipo de relacionamento. É a marca da Rainha de Copas - um modelo de feminino ainda não completamente amadurecido - mas que consegue enxergar um pouco além  da superfície.

**************

Cansada de passagens, cansada de sofrer, mais um golpe na sua auto-estima, uma decepção a mais.

**************
Uma tempestade grande a se aproximar, mais uma situação limite dentre as muitas já vividas. E uma tese inteira por escrever no caos.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;a href="http://feeds.feedburner.com/ladyofcups" title="Subscribe to my feed" rel="alternate" type="application/rss+xml"&gt;&lt;img src="http://www.feedburner.com/fb/images/pub/feed-icon32x32.png" alt="" style="border:0"/&gt;&lt;/a&gt;&lt;a href="http://feeds.feedburner.com/ladyofcups" title="Subscribe to my feed" rel="alternate" type="application/rss+xml"&gt;Subscribe in a reader&lt;/a&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4712132652640391937-732463275700935848?l=ladyofcups.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</description><link>http://ladyofcups.blogspot.com/2009/11/ele-fala.html</link><author>noreply@blogger.com (Madalena de Vilhena)</author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_HTq8R9bWG_o/SvcglxZupwI/AAAAAAAAAK4/uf5VDOXghYU/s72-c/62_Minor_Cups_Queen.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></item><item><guid isPermaLink='false'>tag:blogger.com,1999:blog-4712132652640391937.post-5810275127536694439</guid><pubDate>Wed, 04 Nov 2009 15:11:00 +0000</pubDate><atom:updated>2009-11-04T13:06:34.257-03:00</atom:updated><category domain='http://www.blogger.com/atom/ns#'>Dores</category><category domain='http://www.blogger.com/atom/ns#'>Ciclos</category><category domain='http://www.blogger.com/atom/ns#'>Desabafos</category><category domain='http://www.blogger.com/atom/ns#'>SMF - Ficções</category><category domain='http://www.blogger.com/atom/ns#'>Resíduos</category><category domain='http://www.blogger.com/atom/ns#'>Confissão</category><category domain='http://www.blogger.com/atom/ns#'>Loser Life</category><category domain='http://www.blogger.com/atom/ns#'>Distanciamentos</category><title>Carta</title><description>&lt;em&gt;Para I.K.J.&lt;/em&gt;

&lt;p&gt;
Entendi o quanto este momento de litígio - que só renova as lacerações do passado - é angustiante para você. Percebi a existência de muitos obstáculos emocionais: inseguranças, medos, receios, as dores da separação familiar. De tudo fica um pouco. Tais sentimentos são compreensíveis especialmente no início de um relacionamento e de certa forma foram recíprocos. Acredite, eu não sou tão calada o tempo todo como estive. Ao contrário, tenho muitas coisas a dizer. Mas será que você queria mesmo ouvir? O fato de eu ter permanecido mais quieta foi pelo receio de que você não o quisesse.  Sua postura deixou-me várias vezes cautelosa e retraída.
&lt;p&gt;
Quero mostrar do que sou capaz, quero ser valorizada por mim, pelo que sou e essa é a única e verdadeira autenticidade. Este é o meu desejo e objetivo. Quero que me enxerguem como ser humano não como um robô ou uma persona pré-estabelecida criada por antecipação. Senso de humanidade não depende de cultura ou posses. Mas de uma disposição especial que é muito escassa nos seres humanos.
&lt;p&gt;
Penso ter deixado o meu objetivo bem claro desde o primeiro momento. Tenho vontade de fazer várias coisas – das pequeninas às mais importantes - e mostrar &lt;strong&gt;gradativamente&lt;/strong&gt; como eu sou, como superei várias dificuldades por meio da atividade criativa, suporte a me sustentar desde a infância. Este foi o meu caminho, enfrentar a dor com a ajuda da criação: tarefa solitária a exigir concentração, dedicação, paciência. Conheço literatura onde, bem ou mal, os escritores tentam entender a natureza humana. E assim desapeguei um pouco do sofrimento.
&lt;p&gt;
Estou preparada para dar compreensão, apoio, carinho. Todavia senti uma espécie de “muro” afetivo causado por feridas abertas e doloridas demais. Tal sensação me deixou sem saber como agir inicialmente. Fiquei assustada. Daí preferi ser cautelosa embora o fato de não estar conseguindo me posicionar estivesse a me incomodar muito. Pretendo seguir pela via do diálogo, da clareza e da verdade pois não existe outro caminho além desse. 
&lt;p&gt;
Quando a dureza e os mecanismos de defesa afrouxavam, surgia um homem adorável e carinhoso, o qual eu desejaria continuar a conhecer. Foi este o motivo da minha aproximação, o desejo puro e simples de estar com e por você. Conheço bem os problemas que envolvem um relacionamento. Já tive um namoro anterior com muitos dos citados problemas, sofri momentos bem difíceis, tristes e marcantes. E fiquei firme ao lado dele no pior momento de sua vida. Não há pendência alguma no meu passado, não sou prisioneira dele. Estou livre e pronta para demonstrar e investir todo o meu potencial afetivo. Todavia &lt;strong&gt;esbarrei a quase todo o momento em seus mecanismos de defesa e de ansiedade&lt;/strong&gt;. Isso me entristeceu.  Você estaria  preparado para ver, compreender, valorizar e aceitar a mulher que eu sou? Pois você mesmo confirmou não a ter enxergado, infelizmente. 
&lt;p&gt;
Está claro que são necessários ajustes de ambas as partes.  Mas tive a impressão de ser avaliada o tempo todo, o tempo inteiro. Isso me deixou confusa e fragilizada, daí o silêncio, o cuidado. Mas era apenas o início e você poderia ter relevado. É importante afrouxar um pouco – como direi – tal mecanismo. Julgamentos apressados atrapalham muito nesse sentido. Não é possível permitir o início de uma relação fértil, gostosa, leve, profunda e fundamentada num desejo comum de &lt;strong&gt;construir ao longo do tempo e alcançar posteriormente um estágio agradável, satisfatório, sólido e maduro&lt;/strong&gt;?
&lt;p&gt;
Creio ter entendido o seu desejo: estar com uma mulher de atitudes firmes, companheira, leal e dedicada numa futura relação de convívio juntos.  Para conseguir tal objetivo, é primordial estar disposto a construir a base de um relacionamento. É o essencial. E qual seria o primeiro requisito? Permitir. Permitir a si mesmo e ao seu par uma abertura que possibilite caminhar lado a lado em busca do mesmo objetivo. 
&lt;p&gt;
Também me desiludi. Acredito nunca ter sido realmente valorizada até agora. E quero conseguir isso pelo que sou. Quero estar num relacionamento que possibilite a mim ter posições e decisões efetivas no mesmo. Ou seja, é o meu desejo e o desejo do outro, não só o meu desejo e não só o desejo do outro. São posicionamentos dos dois. Os desejos de ambos precisam conviver juntos em harmonia e flexibilidade mútuas. Eu devo ser flexível, o outro idem. A relação se fundamenta na autenticidade, na verdade, na confiança e na exposição de fragilidades e sentimentos, na parceria, um dia de cada vez. São dois: necessário é respeitar e aceitar o outro e seus eventuais limites.  
&lt;p&gt;
O que senti por você foi forte. Hesitei um bocado, pensei  mais  ainda antes de escrever aquela mensagem primeira. Decidi ir adiante por ter percebido um desejo semelhante. E foi bom ter prosseguido. Tudo o que vivi com você foi novo para mim. 
Não estive interessada em seu patrimônio em nenhum momento. Como eu já disse anteriormente, o que você possui nesse sentido para mim não faz diferença. Sou uma pessoa simples e sem muitos vícios de comportamento. Minha bagagem é leve apesar do sofrimento já vivenciado. E tal sofrimento - hoje percebo - não me impede de ter o coração aberto novamente. 
&lt;p&gt;
Sei  o quanto é difícil confiar novamente depois de todos os acontecimentos. Você possui razões suficientes para desconfiar até o fim de seus dias. Contudo será que a possibilidade de gostar e de se encantar novamente numa relação foi perdida? Um relacionamento limpo, sincero, honesto, autêntico, de vínculos afetivos fortes &lt;strong&gt;construídos aos poucos&lt;/strong&gt; com o envolvimento, a intimidade, a parceria e a amizade que as duas pessoas precisam encontrar uma na outra. Se não existir isso, sobra alguma coisa? Penso que só reste o aspecto social do mesmo, as aparências, o acomodamento, o ficar pela conveniência, pela falta de perspectivas ou pela obrigação. Não é isso que desejo nem me importo com essa questão social de exibir um homem &lt;strong&gt;como é o caso de várias mulheres e a maioria delas vive infeliz pois só quis isso&lt;/strong&gt;. Não é à toa que estive só durante tanto tempo. Se eu me unir a uma pessoa será pelos motivos já expostos acima, ou seja, os únicos fundamentalmente relevantes.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;a href="http://feeds.feedburner.com/ladyofcups" title="Subscribe to my feed" rel="alternate" type="application/rss+xml"&gt;&lt;img src="http://www.feedburner.com/fb/images/pub/feed-icon32x32.png" alt="" style="border:0"/&gt;&lt;/a&gt;&lt;a href="http://feeds.feedburner.com/ladyofcups" title="Subscribe to my feed" rel="alternate" type="application/rss+xml"&gt;Subscribe in a reader&lt;/a&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4712132652640391937-5810275127536694439?l=ladyofcups.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</description><link>http://ladyofcups.blogspot.com/2009/11/carta.html</link><author>noreply@blogger.com (Madalena de Vilhena)</author><thr:total>0</thr:total></item><item><guid isPermaLink='false'>tag:blogger.com,1999:blog-4712132652640391937.post-5892822525100013463</guid><pubDate>Wed, 21 Oct 2009 23:59:00 +0000</pubDate><atom:updated>2009-10-21T22:25:08.333-03:00</atom:updated><category domain='http://www.blogger.com/atom/ns#'>Ciclos</category><category domain='http://www.blogger.com/atom/ns#'>Dúvidas e Pausas</category><category domain='http://www.blogger.com/atom/ns#'>Sadness</category><category domain='http://www.blogger.com/atom/ns#'>SMF - Ficções</category><category domain='http://www.blogger.com/atom/ns#'>Estranhamentos</category><title>Alteridades</title><description>&lt;p&gt;
&lt;div align="justify"&gt;Nunca estivera tão calada...era uma surpresa até para ela mesma. Não se viam há dias e, uma vez no carro, permaneciam quietos. Ele tinha a expressão tensa, com a linha do maxilar contraída, os lábios apertados denunciando uma dureza quiçá irreversível. Não sabia o porquê mas ela não encontrava abertura para falar muito. E tinha coisas a dizer. Todavia estava ultimamente assim, realmente calada. Sabia perfeitamente que o motivo da relação era o desejo puro e simples. Debatera-se por semanas, decidira arriscar. Foi recíproco. A tensão sexual era muito forte, latente, urgente. Não foi possível seguir as regrinhas sobre o período de carência sexual, acontecera rápido demais e ela sentia como se uma espécie de vendaval tivesse passado sobre seu corpo: apenas se deixara levar, desconsiderando os riscos de tal atitude. No caso ambos desconsideraram. E isso a preocupava. Como um sujeito podia se importar mais com o modo como suas toalhas estavam empilhadas e ignorar acontecimentos de mais gravidade e risco? Isso a intrigava. &lt;/div&gt;&lt;p&gt;
&lt;div align="justify"&gt;Uma vez em consulta com o especialista, este rira do seu receio. Mas ela sabia que errara. Afinal eram desconhecidos praticamente. O fato dele ser mais velho, médico e bem cuidado deixara-a menos enlouquecida. Mas o medo continuava como uma voz a repetir e repetir e repetir. As semanas se sucediam, vislumbrara uma possibilidade de entendimento via diálogo mas não sabia o motivo do distanciamento que ainda permanecia. Seria só conseqüência da batalha judicial? Não conseguia expor mais de si mesma, de seus pensamentos e preferências, queria mostrar do que gostava e era capaz, queria ser valorizada por si e tinha muita dúvida se seria possível. No entanto, sentia que gostava um pouco dele, percebia o quanto era infeliz. O rei e seu castelo. Um sujeito atormentado pelo passado recorrente, marcado pelo comportamento inadequado e mesmo assim dizia buscar a felicidade. Será mesmo - ela o inquirira. Pelo que pudera observar nessas poucas semanas, os obstáculos emocionais eram muitos: inseguranças, desconfianças, receios, medos, posturas cristalizadas, falta de flexibilidade, as feridas da separação familiar. Tudo lhe parecia ainda muito presente e a briga na justiça só renovava as lacerações. &lt;/div&gt;&lt;p&gt;
&lt;div align="justify"&gt;Ela por sua vez havia acertado definitivamente as contas com o passado nesse sentido. Tão bom desapegar do sofrimento. Nesse sentido a relação era boa, aprendia isso. Quando a dureza  e a neurose afrouxavam, surgia um homem agradável mesmo com todo o senso comum. Tinha esperanças de alguma evolução mas não de milagres. Aos poucos conseguia se posicionar e tal exercício era ótimo. Gostaria de continuar a exercitar. Mas ele estava muito preocupado com aparências e pensamentos alheios, possibilidades de golpes, antecipação de acontecimentos tenebrosos, eventuais abandonos. Não acreditava na sua versão dos fatos, seis anos lhe parecia muito tempo, evidenciava uma tentativa real e não poderia ser desconsiderada. Infelizmente a união parecia ter terminado de um jeito muito difícil. Enfim. Permaneceria neutra. Já sofrera um bocado no seu relacionamento anterior por não ficar em posição neutra. Isso aprendera. A tentar ser mais tranquila, ponderada. Ademais não sabia se iriam continuar os encontros e se alcançariam um estágio mais profundo e maduro.  Pressentia desconfianças e incompreensão. Lamentava também por antecipação. Também tinha algumas neuroses, especialmente a de rejeição e culpas. Era difícil viver um dia por vez, especialmente para duas pessoas ansiosas e neuróticas.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;a href="http://feeds.feedburner.com/ladyofcups" title="Subscribe to my feed" rel="alternate" type="application/rss+xml"&gt;&lt;img src="http://www.feedburner.com/fb/images/pub/feed-icon32x32.png" alt="" style="border:0"/&gt;&lt;/a&gt;&lt;a href="http://feeds.feedburner.com/ladyofcups" title="Subscribe to my feed" rel="alternate" type="application/rss+xml"&gt;Subscribe in a reader&lt;/a&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4712132652640391937-5892822525100013463?l=ladyofcups.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</description><link>http://ladyofcups.blogspot.com/2009/10/alteridades.html</link><author>noreply@blogger.com (Madalena de Vilhena)</author><thr:total>1</thr:total></item><item><guid isPermaLink='false'>tag:blogger.com,1999:blog-4712132652640391937.post-4476529143229233502</guid><pubDate>Fri, 16 Oct 2009 12:21:00 +0000</pubDate><atom:updated>2009-10-16T11:01:42.871-03:00</atom:updated><category domain='http://www.blogger.com/atom/ns#'>Dores</category><category domain='http://www.blogger.com/atom/ns#'>Ciclos</category><category domain='http://www.blogger.com/atom/ns#'>Desabafos</category><category domain='http://www.blogger.com/atom/ns#'>Sadness</category><category domain='http://www.blogger.com/atom/ns#'>SMF - Ficções</category><category domain='http://www.blogger.com/atom/ns#'>Resíduos</category><category domain='http://www.blogger.com/atom/ns#'>angústias</category><category domain='http://www.blogger.com/atom/ns#'>Estranhamentos</category><title>Água-furtada</title><description>&lt;p align="justify"&gt;
Tantas coisas li e muitas só começam a fazer sentido agora. Há tempo conheço a história do personagem escritor Floriano Cambará de &lt;em&gt;O tempo e vento&lt;/em&gt;, a produzir numa água-furtada, isolado da família e da sociedade e começo a refletir - para o bem do meu tema de pesquisa - como o papel do escritor possui tantas particularidades a permear a produção literária. Tarefa solitária, árdua, a exigir isolamento, concentração, paciência, excesso de sublimação. Melancólicos sublimam, deprimidos paralisam, de toda a forma, as angústias a existir, a questão é como lidar com elas.
&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;
Conheci uma água-furtada de teto inclinado e janelinha a descortinar uma paisagem das alturas de um telhado. Deve ter sido a evocação do romance e da tarefa do escritor que despertou em mim a simpatia por esse único cantinho do casarão, único objeto de "cobiça" meu dentre tantos cômodos espaçosos e cheios de luxos, esmaltados como espelhos. A casa era grande, recebia o visitante com uma lufada de ar frio sempre. A marmoraria intimidava, brilhava demais. A ordem excessiva dos objetos, bibelôs e decoração bem escolhidos e o quarto pomposo de sultão poderiam fazer parte de uma cadeia turística de hotéis. Nada escapa ao meu senso crítico. A casa tinha uma alma mas era por demais distante e impassível. Seu dono vivia nela sozinho, a conviver com lembranças dolorosas e a ver todos os dias, os quartos de filhos que não estavam nem existiam. Aquele quarto azul decorado de bebê com o berço desmontado me intrigava. Que teria acontecido? E por que a porta sempre estava aberta? Até redes de proteção esses quartos tinham. E a dureza de espírito predominava. Junto com um comportamento extremamente alienado, à beira da paranóia e de um transtorno mais sério.
&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;
Nem eu compreendo como a dureza do meu passado não me transformara num ser contaminado assim. Consegui escapar. A criatividade e a sublimação me ajudaram a não enlouquecer e minhas neuroses são infinitamente menores, restritas ao modo de conviver e com a família. Mas são perfeitamente superáveis. A terapia longa também tem me ajudado. Terapia tem a ver com o sofrimento e isso todos nós temos em algum momento. O excesso de sofrimento é que pode conduzir à loucura. Daí sublimamos e nos salvamos em parte embora as dores permaneçam. Mas aprender a conviver de forma saudável é que é. Nem todos conseguem. Consegui colocar tudo em palavras, na forma de conto. Li para K. na quarta-feira. Ela pensa que o principal objetivo foi alcançado e o resto é querer experimentar ou não. Eu bem que gostaria mas está difícil. Esbarro em muros. Muros afetivos, muros de incompreensão, muros de angústia, frangalhos emocionais, feridas profundas demais. E não sei se o outro está disposto a cuidar disso, a sair de seu círculo de giz, a me enxergar como ser humano e a valorizar quem e o que sou. Duvido e duvido muito. Também não posso falar do meu passado nem mostrar como moro e  vivo. Temo que o julgamento seja severo demais. E lamento, gostaria que as coisas fossem diferentes, sempre é ruim interromper uma relação mas não vejo muito por onde possa crescer bem. Muitos entraves, muita rigidez, muitos vícios de comportamento, posturas engessadas que, se trincadas, desencadeariam uma crise enorme mas benéfica. No fim das contas toda a crise é boa de alguma forma pois mostra que o sujeito está vivo.
&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;
Continuar o caminho do louco. Gostaria de poder ajudá-lo mas estou achando muito complicado isso tudo. A postura cristalizada só atrapalha. E como modificar isso a essa altura de uma vida?&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;a href="http://feeds.feedburner.com/ladyofcups" title="Subscribe to my feed" rel="alternate" type="application/rss+xml"&gt;&lt;img src="http://www.feedburner.com/fb/images/pub/feed-icon32x32.png" alt="" style="border:0"/&gt;&lt;/a&gt;&lt;a href="http://feeds.feedburner.com/ladyofcups" title="Subscribe to my feed" rel="alternate" type="application/rss+xml"&gt;Subscribe in a reader&lt;/a&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4712132652640391937-4476529143229233502?l=ladyofcups.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</description><link>http://ladyofcups.blogspot.com/2009/10/agua-furtada.html</link><author>noreply@blogger.com (Madalena de Vilhena)</author><thr:total>1</thr:total></item><item><guid isPermaLink='false'>tag:blogger.com,1999:blog-4712132652640391937.post-2898797869746516024</guid><pubDate>Wed, 11 Mar 2009 12:11:00 +0000</pubDate><atom:updated>2009-03-11T09:12:57.410-03:00</atom:updated><category domain='http://www.blogger.com/atom/ns#'>Distanciamentos</category><category domain='http://www.blogger.com/atom/ns#'>Avisos</category><title>Recesso</title><description>O blog estará em recesso por algum tempo, talvez indeterminado. Hora do meu recesso particular terminar.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;a href="http://feeds.feedburner.com/ladyofcups" title="Subscribe to my feed" rel="alternate" type="application/rss+xml"&gt;&lt;img src="http://www.feedburner.com/fb/images/pub/feed-icon32x32.png" alt="" style="border:0"/&gt;&lt;/a&gt;&lt;a href="http://feeds.feedburner.com/ladyofcups" title="Subscribe to my feed" rel="alternate" type="application/rss+xml"&gt;Subscribe in a reader&lt;/a&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4712132652640391937-2898797869746516024?l=ladyofcups.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</description><link>http://ladyofcups.blogspot.com/2009/03/recesso.html</link><author>noreply@blogger.com (Madalena de Vilhena)</author><thr:total>0</thr:total></item><item><guid isPermaLink='false'>tag:blogger.com,1999:blog-4712132652640391937.post-6425336399325524115</guid><pubDate>Wed, 03 Dec 2008 23:47:00 +0000</pubDate><atom:updated>2008-12-03T21:31:01.048-03:00</atom:updated><category domain='http://www.blogger.com/atom/ns#'>Dores</category><category domain='http://www.blogger.com/atom/ns#'>Ciclos</category><category domain='http://www.blogger.com/atom/ns#'>Resíduos</category><category domain='http://www.blogger.com/atom/ns#'>Confissão</category><category domain='http://www.blogger.com/atom/ns#'>Loser Life</category><category domain='http://www.blogger.com/atom/ns#'>Letargias</category><category domain='http://www.blogger.com/atom/ns#'>angústias</category><title>Cadeados</title><description>Sempre as mesmas, sempre os mesmos...mecanismos.
Entretanto, já não há mais espaço para eles ou seria melhor construir novos e mais eficientes.
Perdida em angústia, medo, resistência, paralisia.
A depressão fora temporiamente curada mas a resistência permanece.
Necessário é adotar novas formas de viver e ousar e realizar, uma vez que as realizações fazem parte da gama ainda tímida de desejos e aspirações.
Conheci pessoas que estabeleceram uma relação de leveza com a vida e me esforço para começar a fazer o mesmo. É o início. É o medo. É a resistência entoando esta velha e repetitiva cantiga interior. O medo de conquistar o novo e de alcançar mais.
Ao mesmo tempo já estou consciente, saí um pouco da alienação de antes mas continuo um ser travado.
Há dois anos conheci um homem cuja relação com o mundo é uma das mais interessantes. Ele busca as pessoas, as mulheres, o prazer. Acho que J. vive de acordo com o princípio do prazer embora execre os psicólogos como inúteis. E depois de tê-lo conhecido - ainda que muito superficialmente - obtive novas referências mais saudáveis sobre o ser masculino e a vida, de modo geral. Simpatizo com ele por razões de identificação: acredito que ele também seja um ser humano remando contra a correnteza.  Além de ser um &lt;em&gt;bon vivant &lt;/em&gt; em regra.
Depois de ler um de seus textos - supostamente literário - há um ano, um desespero estranho tomou conta de mim. A descrição das vivências no exterior e as breves menções aos episódios sexuais me deixaram inquieta e - admito - aflita. Excitada, diria a psicóloga. Talvez eu tenha um mecanismo de mortificação tão eficiente que mascare de forma dolorosa até mesmo os momentos de excitação que se traduzem em uma espécie de desespero auto-destrutivo. No fundo é isso, é o traço histérico. "Deixa disso e te aproxima de mim". Ele fora gentil e eu tapada, "desapareci". É que apesar da idade ainda sou imatura em múltiplos aspectos. Aspectos que só a experiência nos proporciona e liberta. A experiência salva, liberta. É, isso faz sentido. Não há outro caminho. É preciso lançar-se ao desconhecido, perder e ganhar. Ninguém vence 100%, ninguém perde 100%. Não há conquistadores nem rejeitados absolutos. 
O potencial existe e não é pequeno. Sofremos com a repressão que nos paralisa ao longo do tempo. E interromper um processo tão arraigado é difícil. Mais difícil é continuar com ele. Acertei  as contas com o meu passado enamorado. São várias as histórias de rejeição, cabeçadas, erros, teimosias, choro e ranger de dentes. Creio que a intensidade foi grande a ponto de me deixar mais cuidadosa em alguns aspectos e menos em outros. As situações análogas me impacientam e fico em estado de alerta. Desejo o novo, não há mais nada a esquadrinhar lá. Não me deixo mais aprisionar pelo mito do amor romântico que tanto empatou o crescimento da afetividade. É incrível como eu tinha um pensamento católico, convencional, restrito, ingênuo. Ainda tento me autoconhecer. E não sou assim, quiçá nunca tenha sido, mas vivia submersa no mundo sublimatório, castrada, infeliz. Empreendi fuga nas estradas em busca de algo menos doloroso. Mas a dor lá me esperava. Fosse na hostilidade, incompreensão ou mentiras. Essas dores se distanciaram, esvaziei-me. Hoje só há espaço para novas atitudes, novas formas de relação com o masculino: mais leves, mais prazerosas, não convencionais. Fui muito cabeça dura. Quero mudar. Ainda estou em transição, mais de 300 dias de transição. Começo a me compreender melhor. Aceito o que errei. Não há o que lamentar o que passou. Não busco mais os cavaleiros. Buscarei a leveza e a satisfação.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;a href="http://feeds.feedburner.com/ladyofcups" title="Subscribe to my feed" rel="alternate" type="application/rss+xml"&gt;&lt;img src="http://www.feedburner.com/fb/images/pub/feed-icon32x32.png" alt="" style="border:0"/&gt;&lt;/a&gt;&lt;a href="http://feeds.feedburner.com/ladyofcups" title="Subscribe to my feed" rel="alternate" type="application/rss+xml"&gt;Subscribe in a reader&lt;/a&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4712132652640391937-6425336399325524115?l=ladyofcups.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</description><link>http://ladyofcups.blogspot.com/2008/12/cadeados.html</link><author>noreply@blogger.com (Madalena de Vilhena)</author><thr:total>0</thr:total></item><item><guid isPermaLink='false'>tag:blogger.com,1999:blog-4712132652640391937.post-6061664655253084336</guid><pubDate>Mon, 17 Nov 2008 00:31:00 +0000</pubDate><atom:updated>2008-11-16T20:37:16.048-03:00</atom:updated><category domain='http://www.blogger.com/atom/ns#'>Ciclos</category><category domain='http://www.blogger.com/atom/ns#'>Resíduos</category><category domain='http://www.blogger.com/atom/ns#'>Ficções</category><category domain='http://www.blogger.com/atom/ns#'>Fim</category><category domain='http://www.blogger.com/atom/ns#'>Início</category><category domain='http://www.blogger.com/atom/ns#'>Distanciamentos</category><title>Xadrez</title><description>Com um véu diante dos olhos - assim o enxergava embora ele se mostrasse exatamente como era. Só visualizara o próprio desejo e não o outro. Por muito tempo embalara a esperança de entendimento, era a primícia paixão, o amor romântico, Lady Shalott e seu espelho, o cavaleiro mascarado, uma concepção quase medieval de tão católica a respeito das relações afetivas que deveriam objetivar o casamento dentro dos padrões sociais e a construção do núcleo familiar. 
Na época comprara revista de noivas, olhara vestidos, almejava a união com seu primeiro namorado. Acreditava ser este o único e correto modo de estabelecer relações. E choviam conflitos com o be loved, desejos sexuais não se adequam a padrões, do contrário não são essencialmente autênticos. E ele era autêntico, seus defeitos eram mais que verdadeiros. Mas ela preferia permanecer num intrincado mecanismo alienatório, embora o fato de estabelecer aquele relacionamento significasse uma fuga de um contexto real insuportável.
Ambos viviam mergulhados em suas alienações particulares, não havia comunicabilidade nem parceria de fato. Havia ensaios, estranhamentos, atração, corpos desejantes e travas inúmeras. As dela de formação, as dele de afeto. Embora frágil, o relacionamento tivera momentos líricos. Tal lirismo se deve a autenticidade do sentimento investido, era uma fuga mas consciente, buscava algo muito desejado. A fuga durou tempo considerável, os protegia de envolvimentos definitivos, concretos de fato. 
De tudo fica um pouco e o fantasma da culpa a perseguiu insistentemente. Faltara diálogo, compreensão, habilidade, leveza, maturidade. Tinha o péssimo hábito de levar tudo a fogo e ferro. Faltas, sempre as faltas, marca registrada de seus envolvimentos ditos amorosos. Os anos passaram.
De tudo fica um pouco e a lembrança dele começou a persegui-la em sonhos durante noites seguidas. Teria ele morrido? Conseguira depois de muita auto-análise e novas experiências expulsar  culpas e  fantasmas. Permanecera a melancolia e a conclusão de que nunca se tinham conhecido profundamente, verdadeiramente, emaranhados estavam por fatores adversos e limitações. O sentimento se fora, apenas uma longínqua memória, um filtro que decantara os momentos felizes mais expressivos.
De tudo fica um pouco e finalmente conseguira se libertar do passado, conversara com ele após seis anos de silêncio, pudera explicar em parte como se sentira depois do fim. 
De tudo fica um pouco e sentiu-se muito aliviada. Ele permanecia ainda disciplicente, alegre, imaturo quase ingênuo a usar uma máscara de destruidor de corações femininos. Abrira-se após alguma resistência e ela entendera que ele ainda era o mesmo, como se o tempo e eles nunca tivessem existido. 
De tudo fica um pouco e ficara contente ao compreender, por fim, que a culpa sempre fora inútil, pesada e em vão, não poderia ter evitado o desfecho das coisas como realmente ocorreram, tudo só poderia ter acontecido como realmente aconteceu. 
Estava livre da dúvida. Leve. A memória afetiva poderia ficar num passado bem distante. As travas restantes seriam superadas pouco a pouco e para isso os casos sempre ajudavam muito. O espelho de Lady Shalott estilhaçara-se. Ela fora salva da morte nas águas de Camelot. No lugar do véu pintado, a luz. Pés a caminhar em direções nunca trilhadas anteriormente.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;a href="http://feeds.feedburner.com/ladyofcups" title="Subscribe to my feed" rel="alternate" type="application/rss+xml"&gt;&lt;img src="http://www.feedburner.com/fb/images/pub/feed-icon32x32.png" alt="" style="border:0"/&gt;&lt;/a&gt;&lt;a href="http://feeds.feedburner.com/ladyofcups" title="Subscribe to my feed" rel="alternate" type="application/rss+xml"&gt;Subscribe in a reader&lt;/a&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4712132652640391937-6061664655253084336?l=ladyofcups.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</description><link>http://ladyofcups.blogspot.com/2008/11/xadrez.html</link><author>noreply@blogger.com (Madalena de Vilhena)</author><thr:total>0</thr:total></item><item><guid isPermaLink='false'>tag:blogger.com,1999:blog-4712132652640391937.post-2324159695807927650</guid><pubDate>Sat, 18 Oct 2008 23:59:00 +0000</pubDate><atom:updated>2008-10-18T21:31:05.863-03:00</atom:updated><category domain='http://www.blogger.com/atom/ns#'>Ciclos</category><category domain='http://www.blogger.com/atom/ns#'>Reflexões</category><category domain='http://www.blogger.com/atom/ns#'>Confissão</category><category domain='http://www.blogger.com/atom/ns#'>Saltos</category><title>Curtas</title><description>Revejo-me num vídeo antigo gravado no vão livre do MASP há tempos. Tinha um ar desajeitado, tímido, meio medroso mas ao mesmo tempo sorridente e meigo. O olhar era límpido, quase inocente. Escondia-me do cinegrafista, tapava o rosto. Hoje constato que aquela pessoa desapareceu. Não mais me reconheço emocionalmente naquela expressão quiçá ingênua, esperançosa. Admito que boa parte daquelas esperanças foram-se. Completei o ciclo da Morte e o passado está longínquo, como se pertencesse a outra. Hades carregou as últimas ilusões do amor romântico que hoje não mais compreendo. Não sei se apaixonar-me-ei novamente mas no momento isso me parece extremamente difícil - embora eu esteja disposta a conhecer gente. Pela primeira vez experimento o sabor da leveza e se vier a manter um relacionamento duradouro com alguém, quero que o mesmo se fundamente em liberdade, compreensão mútua, leveza. Seria isso possível? Será possível modificar esse modelo sufocante e ultrapassado da maioria dos relacionamentos ditos amorosos?
***
Cansada de ser um pára-raio gigante de malucos
****
Não há mais tempo nem disposição a investir nesse sentido.
****
Tenho a impressão de que todas as pessoas interessantes estão acompanhadas. 
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Entretanto a vida oferece muitas possibilidades boas e prazerosas além. É preciso apenas enxergar. Eu vislumbro algumas. Não me sinto mais tão solitária mas sim um pouco incomodada e talvez perplexa com algumas constatações.
****
Endorfinas!&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;a href="http://feeds.feedburner.com/ladyofcups" title="Subscribe to my feed" rel="alternate" type="application/rss+xml"&gt;&lt;img src="http://www.feedburner.com/fb/images/pub/feed-icon32x32.png" alt="" style="border:0"/&gt;&lt;/a&gt;&lt;a href="http://feeds.feedburner.com/ladyofcups" title="Subscribe to my feed" rel="alternate" type="application/rss+xml"&gt;Subscribe in a reader&lt;/a&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4712132652640391937-2324159695807927650?l=ladyofcups.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</description><link>http://ladyofcups.blogspot.com/2008/10/curtas.html</link><author>noreply@blogger.com (Madalena de Vilhena)</author><thr:total>0</thr:total></item><item><guid isPermaLink='false'>tag:blogger.com,1999:blog-4712132652640391937.post-5345678278687426588</guid><pubDate>Thu, 21 Aug 2008 12:58:00 +0000</pubDate><atom:updated>2008-08-21T11:17:52.417-03:00</atom:updated><category domain='http://www.blogger.com/atom/ns#'>Ficções</category><category domain='http://www.blogger.com/atom/ns#'>Curtas</category><category domain='http://www.blogger.com/atom/ns#'>Repressões</category><category domain='http://www.blogger.com/atom/ns#'>Cotidiano</category><category domain='http://www.blogger.com/atom/ns#'>Estranhamentos</category><title>O Sem-nome</title><description>&lt;p&gt;
- Você acredita na existência do demônio?
&lt;p&gt;
Olho para o garoto ao meu lado. Ele é atraente. No entanto, a alienação religiosa estava conseguindo minar a minha paciência. 

&lt;p&gt;
- Acredito. 
&lt;p&gt;
Eu narrara o antológico episódio do diabo surdo-mudo presenciado há anos mas ao contrário de todos os interlocutores anteriores, ele ficou sério e retrucou:

&lt;p&gt; - Eu já tive um demônio surdo-mudo.

&lt;p&gt;
Por essa eu não esperava. Ele apresentava um comportamento estranho, ora desinibido, ora calado demais. E as críticas eram muito chatas.
&lt;p&gt;

&lt;p&gt;
- Você é muito dona de si. Está errado. Somente Deus é dono de nós. 

&lt;p&gt;
A tarde caía no parque. Cães  e respectivos propríetários passeavam. A temperatura era agradável.

&lt;p&gt;
- Você iria a uma igreja comigo?

&lt;p&gt;
Olho para ele sem entender. Tombo minha cabeça no banco de madeira e fito os galhos superiores das árvores.

&lt;p&gt;
- Para que?

&lt;p&gt;
- Por que a gente precisa ir.

&lt;p&gt;
- Acho que não temos nada em comum - respondo com uma frieza que ultimamente me surpreende.

&lt;p&gt;
- Alguma coisa temos.

&lt;p&gt;
- Moramos no mesmo andar, prédio, rua, bairro, cidade?

&lt;p&gt;
- É.

&lt;p&gt;
 Um amigo convictamente ateu sempre diz que os religiosos-praticantes-de-igrejas pouco lêem a Bíblia. Se a lessem com alguma seriedade, enxergariam seu pronunciado tom ficcional.

&lt;p&gt;
- Você já leu a história de Jó?
&lt;p&gt;

- Não.
&lt;p&gt;

&lt;p&gt;
Como eu esperava, mais um evangélico que só lê versículo cabresteado.

&lt;p&gt;
- Deus e o tinhoso fizeram uma aposta sobre a fé de Jó, fervoroso fiel, servo de Deus e homem corretíssimo. O Santíssimo deixou que o Coisa Ruim se divertisse um pouco às custas de Jó, ao permitir que lhe tirasse todos os bens materiais, filhos, amigos, saúde. A cada adversidade, a fé de Jó não era abalada. Somente com a morte dos filhos ele proferiu a primeira reclamação mas uma vez aconselhado pelos três únicos amigos, recupera a sua fé e Deus lhe devolve tudo em dobro.
&lt;p&gt;

&lt;p&gt;
Ele ri e diz:

&lt;p&gt;
- Você é engraçada.

&lt;p&gt;
Juro que não compreendo. Minha mãe embora freqüente as missas quase todos os dias, tão pouco conhecia a história de Jó ou mais trechos do Livro. Lembro de uma tia que só sabia os trechos indicados em culto. E de como os donos dos templos distorciam passagens do mesmo em seu favor.

&lt;p&gt;
A minha paciência está cada vez mais curta com pessoas assim. Uma pena. Lembro da fala do escritor João Silvério Trevisan sobre a intrínseca relação entre a sexualidade e o sagrado. Atos de repressão sublimatória. Bastavam-me os longos de anos de auto-mortificação. 

&lt;p&gt;
- Não o entendo.
&lt;p&gt;

&lt;p&gt;Uma mão trêmula toca a minha.
&lt;p&gt;

&lt;p&gt;
- Só Jesus me entende.

&lt;p&gt;
- Ele entende a todos nós.

&lt;p&gt;

Percebo o quanto ele apreciou a resposta. Mas o que me intrigava era a oscilação de humor, ora brincalhão, ora sarcástico quase rude. Eu já declarara meu agnosticismo ou não conhecimento. E pouco importava a existência ou não de Satanás. Eu já abdicara da salvação eterna aos dezoito anos ao romper a amizade com o grupo cristão da universidade, uns fiscais chatos que censuravam roupas, batom, comportamento e ainda queriam me obrigar a fazer lições de bíblia todos os dias. Além disso, eu detestava as cantorias e as palmas freqüentes destes estabelecimentos. No mais eu ainda dou prioridadade aos recados do baralho  (terei a cabeça torcida ao contrário quando chegar ao inferno - de acordo com Dante)&lt;p&gt;

&lt;p&gt;
Fico com uma certa pena do menino, tão jovem e a lutar dessa forma contra a leveza vital.
&lt;p&gt;
Ele tenta me fazer rir sem sucesso. Para provocar o meu riso, é preciso fazer muito. Sou de pouca fala e pouca risada. 
&lt;p&gt;


&lt;p&gt;Por fim, permito que ele me beije. Seus lábios são delicados e superficiais. Retribuo da mesma forma. Já não intensifico os beijos como outrora, agora prefiro perceber o ritmo do outro. E mesmo não adiantava muito, uma vez que o guri se desvencilhou suavemente de mim quando acariciei de leve seu pescoço.

&lt;p&gt;
- Tchau. 
&lt;p&gt;
- Tchau.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;a href="http://feeds.feedburner.com/ladyofcups" title="Subscribe to my feed" rel="alternate" type="application/rss+xml"&gt;&lt;img src="http://www.feedburner.com/fb/images/pub/feed-icon32x32.png" alt="" style="border:0"/&gt;&lt;/a&gt;&lt;a href="http://feeds.feedburner.com/ladyofcups" title="Subscribe to my feed" rel="alternate" type="application/rss+xml"&gt;Subscribe in a reader&lt;/a&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4712132652640391937-5345678278687426588?l=ladyofcups.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</description><link>http://ladyofcups.blogspot.com/2008/08/o-sem-nome.html</link><author>noreply@blogger.com (Madalena de Vilhena)</author><thr:total>0</thr:total></item><item><guid isPermaLink='false'>tag:blogger.com,1999:blog-4712132652640391937.post-5305339378524451607</guid><pubDate>Fri, 01 Aug 2008 16:41:00 +0000</pubDate><atom:updated>2008-08-01T14:40:26.733-03:00</atom:updated><category domain='http://www.blogger.com/atom/ns#'>Dores</category><category domain='http://www.blogger.com/atom/ns#'>Ciclos</category><category domain='http://www.blogger.com/atom/ns#'>Ficções</category><category domain='http://www.blogger.com/atom/ns#'>Quem se importa?</category><category domain='http://www.blogger.com/atom/ns#'>Loser Life</category><category domain='http://www.blogger.com/atom/ns#'>Estranhamentos</category><title>25-24-14</title><description>Tanto tempo. Não era mais possível voltar, não havia para onde, nenhum lugar. Nunca pensara lembrar daquela combinação. Já reconhecia e aceitava suas reais necessidades. Não havia mais disfarces. O corpo sofria com a auto-mortificação, agradecia algum raro momento de trégua. Sim, fora uma trégua.  Em seguida uma profunda melancolia tomara conta de seu espírito. As travas narcísicas do outro  arranhavam-lhe a pele e a auto-estima, machucavam-lhe uma epiderme que implorava por mão perspicaz. À luta do corpo, o relaxamento do corpo, trouxeram a  paz medida por conta-gotas e poucas horas depois - embora a fome estivesse parcialmente apaziguada e resíduos sensoriais ainda estivessem presentes - a satisfação breve cedia espaço à melancolia. Na melancolia era possível sublimar, produzir, tentar não pensar nos avisos incessantes do corpo, um corpo que sofrera com  resistências e temores prolongados. No entanto - agora sabia - as questões eram de outra natureza. Já não é mais possível enganar a si mesmo. Ainda pensa nos porquês da persistente melancolia. Estivera muito perto da loucura. Alcançara uma fronteira limite. O limite de uma existência insatisfatória, insustentável, insuportável. Cheia de repetições, falhas, medos. Uma existência precária. Não é possível mais esconder, talvez isso o tivesse deixado tão melancólico. O outro era como um cofre, cujo acesso era-lhe permitido apenas uma única vez, por minutos cronometrados antes do trancamento final, depois do qual nenhuma combinação surtia efeito e a luta dos dedos era inútil. Era essa a causa da melancolia maior. Sentia-se microscópico. Percebia tal fato nas reações dos outros. Era uma crise. Mais uma.  Estava calmo. Visceralmente triste.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;a href="http://feeds.feedburner.com/ladyofcups" title="Subscribe to my feed" rel="alternate" type="application/rss+xml"&gt;&lt;img src="http://www.feedburner.com/fb/images/pub/feed-icon32x32.png" alt="" style="border:0"/&gt;&lt;/a&gt;&lt;a href="http://feeds.feedburner.com/ladyofcups" title="Subscribe to my feed" rel="alternate" type="application/rss+xml"&gt;Subscribe in a reader&lt;/a&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4712132652640391937-5305339378524451607?l=ladyofcups.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</description><link>http://ladyofcups.blogspot.com/2008/08/25-24-14.html</link><author>noreply@blogger.com (Madalena de Vilhena)</author><thr:total>0</thr:total></item><item><guid isPermaLink='false'>tag:blogger.com,1999:blog-4712132652640391937.post-6101560959270136170</guid><pubDate>Fri, 27 Jun 2008 20:48:00 +0000</pubDate><atom:updated>2008-06-27T17:58:56.730-03:00</atom:updated><category domain='http://www.blogger.com/atom/ns#'>Ciclos</category><category domain='http://www.blogger.com/atom/ns#'>Início</category><category domain='http://www.blogger.com/atom/ns#'>Cotidiano</category><category domain='http://www.blogger.com/atom/ns#'>Estranhamentos</category><title>Sede ao pote</title><description>As antigas armadilhas psíquicas já se mostram ineficazes. Até sinto espanto diante de um comportamento de duas semanas atrás, apenas. A velha voracidade. Raras vezes dou-me ao luxo de agir sem pensar... minutos depois me arrependo (não sempre, claro). Parece que perdi um pouco do medo de viver mas ainda não sei bem como fazer aproximações entre seres humanos. Meto os pés pelas mãos, demonstro todo meu desejo. 
Tirei um grande peso dos braços e do cérebro. Os ruídos externos da avenida já incomodam menos. Convivo comigo tentando descobrir quem sou. Antigas preferências retornam numa nova roupagem. Penso como pesquisador e ajo como adolescente a descobrir modos de olhar, de falar, de sentir.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;a href="http://feeds.feedburner.com/ladyofcups" title="Subscribe to my feed" rel="alternate" type="application/rss+xml"&gt;&lt;img src="http://www.feedburner.com/fb/images/pub/feed-icon32x32.png" alt="" style="border:0"/&gt;&lt;/a&gt;&lt;a href="http://feeds.feedburner.com/ladyofcups" title="Subscribe to my feed" rel="alternate" type="application/rss+xml"&gt;Subscribe in a reader&lt;/a&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4712132652640391937-6101560959270136170?l=ladyofcups.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</description><link>http://ladyofcups.blogspot.com/2008/06/sede-ao-pote.html</link><author>noreply@blogger.com (Madalena de Vilhena)</author><thr:total>0</thr:total></item><item><guid isPermaLink='false'>tag:blogger.com,1999:blog-4712132652640391937.post-4784267974618363294</guid><pubDate>Wed, 25 Jun 2008 22:25:00 +0000</pubDate><atom:updated>2008-06-27T11:37:56.400-03:00</atom:updated><category domain='http://www.blogger.com/atom/ns#'>Ciclos</category><category domain='http://www.blogger.com/atom/ns#'>Reflexões</category><category domain='http://www.blogger.com/atom/ns#'>Quebras na ficção</category><category domain='http://www.blogger.com/atom/ns#'>Quem se importa?</category><category domain='http://www.blogger.com/atom/ns#'>Loser Life</category><title>Footing</title><description>Não sei qual de nós é a mais estúpida: eu ou a cidade onde vivo.

Nos meus dias infindáveis de footing - mesmo com a onda polar estacionada sobre a região metropolitana - observo, observo e observo. 

Queria olhar e não ver mas isso é impossível. Ao caminhar vejo pobres enrolados em cobertas rotas, babás uniformizadas e moradores das ruas "de cima" a passear com seus cães de grife enquanto um sujeito toca violino na agência bancária. A mistura de arquitetura neo clássica e high tech me espanta quando encaro o edifício OLD ENGLAND. Estava com a cara para cima ao trocar um olhar mais demorado com um motociclista na avenida. Seria ele o meu personagem de "Almas rasas", conto escrito há um ano? Acho que não poderei saber. Tento em vão descobrir mas um homem se faz de louco do outro lado da linha. Bem-feito. Para deixar de ser estúpida. Mil vezes estúpida. 

Na varanda enxergo os três cavaleiros do apocalipse paulistano - três edifícios de desenho ímpar, um deles está entre os mais altos da cidade. Impossível esquecer onde vivo. Essa mesma varanda de onde os moradores do século passado contemplavam uma vista outrora agradável. Não fora projetada para fumaça, sirenes, gritos, motores, buzinas incessantes e atletas de weekends. Penso na região destruída por uma política urbana autoritária e sem visão prática. O que podemos esperar de uma cidade cujo cidadão número um é uma máquina, o carro?

Contudo, um carro não é a prioridade da minha vida. As pessoas sim. 

Saí do peso, conhecerei aos poucos a leveza. O tempo perdido é considerável. Caminho ainda timidamente, passos incertos,  não sei o que nem como conversar com as pessoas e as tentativas de aproximação são tímidas e pífias. Acho que as aborreço na maior parte do tempo. Eremitério, diz o baralho. Até quando??&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;a href="http://feeds.feedburner.com/ladyofcups" title="Subscribe to my feed" rel="alternate" type="application/rss+xml"&gt;&lt;img src="http://www.feedburner.com/fb/images/pub/feed-icon32x32.png" alt="" style="border:0"/&gt;&lt;/a&gt;&lt;a href="http://feeds.feedburner.com/ladyofcups" title="Subscribe to my feed" rel="alternate" type="application/rss+xml"&gt;Subscribe in a reader&lt;/a&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4712132652640391937-4784267974618363294?l=ladyofcups.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</description><link>http://ladyofcups.blogspot.com/2008/06/estupidez.html</link><author>noreply@blogger.com (Madalena de Vilhena)</author><thr:total>0</thr:total></item><item><guid isPermaLink='false'>tag:blogger.com,1999:blog-4712132652640391937.post-6091816039083656006</guid><pubDate>Mon, 02 Jun 2008 02:44:00 +0000</pubDate><atom:updated>2008-06-01T23:49:33.043-03:00</atom:updated><category domain='http://www.blogger.com/atom/ns#'>Pausa</category><title>Poema</title><description>&lt;p&gt;
&lt;strong&gt;Ao carinho das marés (Jaime Vaz Brasil)&lt;/strong&gt;&lt;p&gt;


&lt;p&gt;
Prendeu-se ao vento cigano
&lt;p&gt;
a alma de um oceano


&lt;p&gt;
que põe, a cada momento,
&lt;p&gt;
as águas em movimento


&lt;p&gt;
enquanto atiras olhares
&lt;p&gt;
ao corpo aflito dos mares.


&lt;p&gt;
]As ondas cortam as veias
&lt;p&gt;
Para morrer nas areias


&lt;p&gt;
e a água aos poucos desmaia
&lt;p&gt;
humildemente na praia

&lt;p&gt;
enquanto afunda teus pés
&lt;p&gt;
ao carinho das marés.&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;a href="http://feeds.feedburner.com/ladyofcups" title="Subscribe to my feed" rel="alternate" type="application/rss+xml"&gt;&lt;img src="http://www.feedburner.com/fb/images/pub/feed-icon32x32.png" alt="" style="border:0"/&gt;&lt;/a&gt;&lt;a href="http://feeds.feedburner.com/ladyofcups" title="Subscribe to my feed" rel="alternate" type="application/rss+xml"&gt;Subscribe in a reader&lt;/a&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4712132652640391937-6091816039083656006?l=ladyofcups.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</description><link>http://ladyofcups.blogspot.com/2008/06/poema.html</link><author>noreply@blogger.com (Madalena de Vilhena)</author><thr:total>0</thr:total></item><item><guid isPermaLink='false'>tag:blogger.com,1999:blog-4712132652640391937.post-1140844406324019843</guid><pubDate>Sat, 31 May 2008 16:16:00 +0000</pubDate><atom:updated>2008-06-01T13:01:51.700-03:00</atom:updated><category domain='http://www.blogger.com/atom/ns#'>Ciclos</category><category domain='http://www.blogger.com/atom/ns#'>Avisos do baralho</category><category domain='http://www.blogger.com/atom/ns#'>Confissão</category><category domain='http://www.blogger.com/atom/ns#'>Início</category><title>Re-nata</title><description>&lt;p&gt;&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;Minhas mãos geladas assustam pessoas e teclados. Objetos espalhados, livros encaixotados, cozinha e quarto desarrumados. Mudança de espaço. De novo, novamente. Não será a última mas talvez seja fundamental para a próxima, já que nada é definitivo por enquanto. Abri a caixa lacrada depois de quatro meses. Penso no tempo que perdi e ainda perco. Faço auto-avaliações, não me compreendo e concluo o quanto fiquei ausente. Tal ausência se reflete no desleixo, na depressão leve, na falta de interesse pelas atividades de pesquisa e pela insegurança crônica. Penso até quando serei uma pessoa tão travada. E porque demoro tanto a buscar um pouco de qualidade de vida. Ainda travo, recuo, encolho, tenho medo. Enfim compreendi não ser mais possível continuar a me esconder, a evitar, a isolar. Mecanismos utilizados a fim de preservar um pouco de estrutura psíquica que, no entanto, percebo, não são eficientes. O modus vivendi isolatório tornou-me uma boa pesquisadora, afinal para isso é necessário concentração e dedicação quase absolutas. Mas há tempos elas se ausentaram. O tempo é ardiloso, corre à minha frente e não adianta pensar nas muitas coisas e situações que não me permiti vivenciar. &lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;O campus ainda é um local de acolhimento, com algumas possibilidades de interação social. Devo buscar mais, minhas incursões ainda são tímidas no quesito produtividade profissional e também nos demais. Consulto o oráculo e a seqüência ás de espadas, ás de paus, quatro de ouros, seis de espadas e rainha de paus respondem que devo estabelecer estratégias, que tenho receio mas devo persistir muito e reconhecer o que possuo. &lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;Por vezes sinto-me um tanto quanto jurássica a estudar literatura e temas do século passado num período de velocidade extrema, de rumos culturais indefinidos, de um futuro não muito promissor nesse contexto. Penso se o que faço é relevante embora digam que eu tenho vocação para a pesquisa.
&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;Re-visão, Re-avaliação, Re-estruturação, Re-encontro, Re-fazer, Re-erguer. &lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;Tento re-encontrar a pesquisadora incansável e dedicada mas também quero me achar no presente. Abrir mão do passado. Sim, aceito, admito, reconheço, estendo as mãos, abaixo os olhos. Muitas posturas não manterei, várias já deixei. O baralho havia me advertido no post anterior (isso &lt;em&gt;deve&lt;/em&gt; ocorrer de forma imperiosa). Caminharei de pés descalços pela terra rústica. &lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;a href="http://feeds.feedburner.com/ladyofcups" title="Subscribe to my feed" rel="alternate" type="application/rss+xml"&gt;&lt;img src="http://www.feedburner.com/fb/images/pub/feed-icon32x32.png" alt="" style="border:0"/&gt;&lt;/a&gt;&lt;a href="http://feeds.feedburner.com/ladyofcups" title="Subscribe to my feed" rel="alternate" type="application/rss+xml"&gt;Subscribe in a reader&lt;/a&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4712132652640391937-1140844406324019843?l=ladyofcups.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</description><link>http://ladyofcups.blogspot.com/2008/05/re-nata.html</link><author>noreply@blogger.com (Madalena de Vilhena)</author><thr:total>0</thr:total></item><item><guid isPermaLink='false'>tag:blogger.com,1999:blog-4712132652640391937.post-2630434275869418204</guid><pubDate>Wed, 21 May 2008 19:41:00 +0000</pubDate><atom:updated>2008-05-21T17:03:58.617-03:00</atom:updated><category domain='http://www.blogger.com/atom/ns#'>Avisos do baralho</category><category domain='http://www.blogger.com/atom/ns#'>Reflexões</category><title>Leitura</title><description>&lt;div align="center"&gt;&lt;a href="http://bp1.blogger.com/_HTq8R9bWG_o/SDR9lYRmUGI/AAAAAAAAAHY/ZP945O6B9Sg/s1600-h/04_Major_Emperor.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5202921550644662370" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://bp1.blogger.com/_HTq8R9bWG_o/SDR9lYRmUGI/AAAAAAAAAHY/ZP945O6B9Sg/s400/04_Major_Emperor.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;strong&gt; O imperador&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;


&lt;div align="center"&gt;&lt;a href="http://bp0.blogger.com/_HTq8R9bWG_o/SDR9aIRmUFI/AAAAAAAAAHQ/xjs2ls-8MuQ/s1600-h/07_Major_Chariot.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5202921357371134034" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://bp0.blogger.com/_HTq8R9bWG_o/SDR9aIRmUFI/AAAAAAAAAHQ/xjs2ls-8MuQ/s400/07_Major_Chariot.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;
&lt;strong&gt;O carro&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;
&lt;a href="http://bp3.blogger.com/_HTq8R9bWG_o/SDR8x4RmUEI/AAAAAAAAAHI/2heuxXe0Igg/s1600-h/13_Major_Death.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5202920665881399362" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://bp3.blogger.com/_HTq8R9bWG_o/SDR8x4RmUEI/AAAAAAAAAHI/2heuxXe0Igg/s400/13_Major_Death.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;
&lt;strong&gt;A morte
&lt;/strong&gt;&lt;div&gt;&lt;a href="http://bp0.blogger.com/_HTq8R9bWG_o/SDR8eIRmUDI/AAAAAAAAAHA/s2BDRmoEXVg/s1600-h/77_Minor_Wands_King.jpg"&gt;&lt;/a&gt;


&lt;div&gt;&lt;a href="http://bp0.blogger.com/_HTq8R9bWG_o/SDR8KIRmUCI/AAAAAAAAAG4/NkrH4i_YQcY/s1600-h/68_Minor_Wands_05.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5202919982981599266" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://bp0.blogger.com/_HTq8R9bWG_o/SDR8KIRmUCI/AAAAAAAAAG4/NkrH4i_YQcY/s400/68_Minor_Wands_05.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;

&lt;strong&gt;Cinco de paus
&lt;/strong&gt;

&lt;div&gt;&lt;a href="http://bp1.blogger.com/_HTq8R9bWG_o/SDR76YRmUBI/AAAAAAAAAGw/rXcRafL5IAA/s1600-h/41_Minor_Swords_06.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5202919712398659602" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://bp1.blogger.com/_HTq8R9bWG_o/SDR76YRmUBI/AAAAAAAAAGw/rXcRafL5IAA/s400/41_Minor_Swords_06.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;

&lt;strong&gt;Seis de espadas&lt;/strong&gt;



&lt;div&gt;&lt;a href="http://bp2.blogger.com/_HTq8R9bWG_o/SDR7uoRmUAI/AAAAAAAAAGo/AoOaharFySk/s1600-h/45_Minor_Swords_10.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5202919510535196674" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://bp2.blogger.com/_HTq8R9bWG_o/SDR7uoRmUAI/AAAAAAAAAGo/AoOaharFySk/s400/45_Minor_Swords_10.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt; &lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;strong&gt;Dez de espadas&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;




Imagens: Tarô mitológico&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;a href="http://bp0.blogger.com/_HTq8R9bWG_o/SDR7RIRmT_I/AAAAAAAAAGg/svISsz3bhlw/s1600-h/45_Minor_Swords_10.jpg"&gt;&lt;/a&gt;







&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;
&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;a href="http://feeds.feedburner.com/ladyofcups" title="Subscribe to my feed" rel="alternate" type="application/rss+xml"&gt;&lt;img src="http://www.feedburner.com/fb/images/pub/feed-icon32x32.png" alt="" style="border:0"/&gt;&lt;/a&gt;&lt;a href="http://feeds.feedburner.com/ladyofcups" title="Subscribe to my feed" rel="alternate" type="application/rss+xml"&gt;Subscribe in a reader&lt;/a&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4712132652640391937-2630434275869418204?l=ladyofcups.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</description><link>http://ladyofcups.blogspot.com/2008/05/leitura.html</link><author>noreply@blogger.com (Madalena de Vilhena)</author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://bp1.blogger.com/_HTq8R9bWG_o/SDR9lYRmUGI/AAAAAAAAAHY/ZP945O6B9Sg/s72-c/04_Major_Emperor.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></item></channel></rss>