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	<title>Lá e de Volta » Lá e de Volta, conteúdo desconexo e aleatório</title>
	
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	<description>Sobre tecnologia e sociedade</description>
	<lastBuildDate>Wed, 04 Jan 2012 17:24:30 +0000</lastBuildDate>
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		<title>A Máquina Definitiva (ou mais inútil, dependendo do ponto de vista)</title>
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		<pubDate>Wed, 04 Jan 2012 17:20:19 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Ricardo</dc:creator>
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		<category><![CDATA[Tecnologia da Informação]]></category>

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		<description><![CDATA[Dei de presente a um amigo um protótipo da “Máquina Definitiva”. A máquina surgiu de uma idéia de Marvin Minsky quando este trabalhou com Claude Shannon:  “Eu trabalhei com Shannon na Bell Labs no verão de 1952. Eu sugeri a máquina, Shannon gostou da idéia, e fez com que a empresa construísse um bocado delas; [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<abbr class="unapi-id" title="http://laedevolta.com.br/blog/?p=808"><!-- &nbsp; --></abbr>
<p>Dei de presente a um amigo um protótipo da “Máquina Definitiva”. A máquina surgiu de uma idéia de <a href="http://www.kk.org/thetechnium/archives/2008/03/the_unspeakable.php">Marvin Minsky quando este trabalhou com Claude Shannon</a>:</p>
<blockquote><p> “Eu trabalhei com Shannon na Bell Labs no verão de 1952. Eu sugeri a máquina, Shannon gostou da idéia, e fez com que a empresa construísse um bocado delas; e deu de presente para vários executivos. Eu pedi que uma patente fosse registrada mas eles disseram não, e eu não fui mais atrás disso.”</p></blockquote>
<p>O funcionamento da máquina foi muito bem descrito poucos anos depois por Arthur C. Clarke no seu livro &#8220;Voice Across the Sea: Telstar and the Laying of the Trans-Atlantic Cable&#8221; (tradução minha):</p>
<blockquote><p> “Nada poderia ser mais simples. É apenas uma pequena caixa de madeira, no tamanho e na forma de uma caixa de charuto, com um único interruptor numa das faces. Quando você aciona o interruptor, há um zumbido proposital. A tampa sobe lentamente, e debaixo dela emerge uma mão. A mão desce, desliga a chave e recua na caixa. A tampa se fecha, o zumbido cessa e a paz reina mais uma vez. O efeito psicológico, se você não sabe o que esperar, é devastador. Há algo indizivelmente sinistro numa máquina que não faz nada &#8211; absolutamente nada – exceto desligar-se.”</p></blockquote>
<div id="attachment_812" class="wp-caption alignleft" style="width: 226px"><a href="http://laedevolta.com.br/blog/wp-content/uploads/2012/01/OldAdSmall.jpg"><img class="size-medium wp-image-812" title="OldAdSmall" src="http://laedevolta.com.br/blog/wp-content/uploads/2012/01/OldAdSmall-216x300.jpg" alt="" width="216" height="300" /></a><p class="wp-caption-text">Um anúncio antigo da máquina (fonte)</p></div>
<p>Após vários anos no esquecimento, a máquina começou a se tornar popular recentemente quando Michael criou o site <a href="http://leavemealonebox.com/welcome.html">LeaveMeAloneBox</a> em 2008, e publicou nele a história da máquina e um vídeo com a sua versão construída. Dias depois o site (e o vídeo) foi destacado no portal <a href="http://boingboing.net/2008/04/24/ultimate-machine-fli.html">boingboing</a> e logo várias versões da máquina surgiram. No final de 2009 Brett Coulthard foi mais além e <a href="http://www.instructables.com/id/The-Most-Useless-Machine/">publicou instruções detalhadas</a> de como construir sua própria Máquina Definitiva.</p>
<p>O projeto ganhou popularidade devido a simplicidade de construção. Logo Brett passou a receber colaborações para tornar o projeto ainda mais simples e a sua versão acabou se tornando “A Mais Simples Máquina Inútil”. Demorou dois anos mas Brett colocou duas versões de sua máquina à venda no final do ano passado. Em ambas você compra os componentes para montar, você mesmo, a máquina. E foi uma dessas que dei ao meu amigo.</p>
<p>Ele gostou do presente. E publicou um vídeo onde exibe em “fast-motion” todo o processo de montagem, e a máquina funcionando no final. O resultado ficou bacana, confira:</p>
<p><span style="text-align:center; display: block;"><a href="http://laedevolta.com.br/blog/2012/01/04/a-maquina-definitiva-ou-mais-inutil-dependendo-do-ponto-de-vista/"><img src="http://img.youtube.com/vi/MiSTEBvwwfQ/2.jpg" alt="" /></a></span><br />
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</ul>
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<img src="http://laedevolta.com.br/blog/?ak_action=api_record_view&id=808&type=feed" alt="" /><img src="http://feeds.feedburner.com/~r/laedevolta/~4/5E4tn21-unc" height="1" width="1"/>]]></content:encoded>
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		<title>O Kindle e a Revolução da Leitura</title>
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		<pubDate>Thu, 29 Dec 2011 11:29:26 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Ricardo</dc:creator>
				<category><![CDATA[Tecnologia da Informação]]></category>

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		<description><![CDATA[Em 2010, um artigo de co-autoria minha foi publicado no Manual de Gestão de Tecnologia. Intitulado “Organizational Impacts of Information Technology” (impactos organizacionais da tecnologia da informação), o artigo fala, dentre outras coisas, do mito do “escritório sem papel”. O mito de que no futuro não utilizaríamos mais papel no nosso dia-a-dia surgiu como previsão [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<abbr class="unapi-id" title="http://laedevolta.com.br/blog/?p=803"><!-- &nbsp; --></abbr>
<p>Em 2010, um artigo de co-autoria minha foi publicado no <a href="http://eu.wiley.com/WileyCDA/WileyTitle/productCd-0470249471.html">Manual de Gestão de Tecnologia</a>. Intitulado “Organizational Impacts of Information Technology” (impactos organizacionais da tecnologia da informação), o artigo fala, dentre outras coisas, do mito do “escritório sem papel”. O mito de que no futuro não utilizaríamos mais papel no nosso dia-a-dia surgiu como previsão na década de 70 e até hoje não se concretizou. Pelo contrário, com alguma exceção nos últimos anos, de 70 para cá o que vimos foi um consumo cada vez maior de papel. A previsão do “escritório sem papel” não podia estar mais errada.</p>
<p>Um dos argumentos no artigo para a previsão incorreta é o de que as sensações físicas que obtemos com o papel ainda não são transportadas para o meio digital. Não há cheiro ou sensação de tato que caracteriza, por exemplo, um livro. Hoje, nossas sensações para interagir com o meio digital são reduzidas ao toque com os dedos. Segundo Bret Victor, num excelente <a href="http://worrydream.com/ABriefRantOnTheFutureOfInteractionDesign/">discurso sobre o futuro das interfaces</a>, esta é uma redução que ignora um universo de possibilidades que nossas mãos oferecem para sentir e manipular coisas. Sem falar do resto do nosso corpo. Clark, Goodwin, Samuelson e Coker foram além das possibilidades humanas de interação em <a href="http://www.emeraldinsight.com/journals.htm?articleid=1736795&amp;show=pdf">um estudo publicado em 2008</a>. Para eles, além das limitações que Victor destaca com as interfaces, os atuais dispositivos tem problemas com padrões incompatíveis entre os formatos de livros digitais, com ergonomia, e com a gestão dos direitos digitais (em inglês, DRM).</p>
<p style="text-align: center;"> ***</p>
<p>Papai Noel foi generoso este ano e me deu um <a href="http://www.amazon.com/gp/product/B0051QVESA">Kindle</a> de presente. Devo ter me comportado bem.</p>
<p style="text-align: center;"> ***</p>
<p><a href="http://laedevolta.com.br/blog/wp-content/uploads/2011/12/Kindle-4.jpg"><img class="alignleft size-medium wp-image-804" title="Kindle-4" src="http://laedevolta.com.br/blog/wp-content/uploads/2011/12/Kindle-4-300x235.jpg" alt="" width="300" height="235" /></a>O Kindle é um leitor de livros digitais. Seu foco é nesta atividade e o dispositivo foi desenvolvido para proporcional ao leitor a experiência mais intuitiva possível entre o leitor e o livro. Nas palavras do Jeff Bezos, Diretor Executivo da Amazon, empresa que criou o Kindle, o dispositivo foi feito para desaparecer nas mãos do leitor ou “sair da frente”. Em outras palavras, o objetivo é fazer com que o leitor esqueça que está lendo algo em um dispositivo digital e embarque na experiência da leitura como faria num livro impresso.</p>
<p>Para mim, em vários aspectos, este objetivo foi atingido.</p>
<p style="text-align: center;">***</p>
<p>Eu acabei de ler meu primeiro livro no Kindle. <a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Os_Homens_que_N%C3%A3o_Amavam_as_Mulheres">“Os Homens que Não Amavam as Mulheres”</a> é um romance criminal de mais de 520 páginas, o primeiro na trilogia escrita pelo autor sueco Stieg Larsson. Uma adaptação do livro para o cinema está em cartaz nos cinemas brasileiros. Ainda não vi o filme. Na história, o jornalista Mikael Blomkvist investiga o desaparecimento de uma jovem na década de 60, herdeira de um império industrial. No desenrolar das descobertas, vamos descobrindo junto com o jornalista os esqueletos no armário da família e o sadismo de alguns de seus membros contra mulheres de maneira geral.</p>
<p>O romance é repleto de clichês previsíveis e os personagens são quase todos maniqueístas. Entretanto, a descrição rica da história da família e sua conexão com o nazismo sueco, além da curiosidade que provoca em torno do mistério, tornam o livro palatável. Em vários momentos parecia que estava lendo O Código DaVinci, de Dan Brown. Os personagens principais de ambos, por exemplo, são parecidos. Mas em poucos momentos me dei conta que estava lendo o livro no Kindle.</p>
<p style="text-align: center;">***</p>
<p>Do que gostei no Kindle:</p>
<ul>
<li>Dicionário integrado e que permite a rápida localização de vocábulos durante a leitura;</li>
<li>Formato e peso apropriados e que permitem segurar o Kindle com facilidade em várias posições;</li>
<li>Possibilidade de destacar e anotar trechos do livro e navegar ou compartilhá-los no Twitter ou Facebook depois;</li>
<li>Preço dos livros é, em geral, mais baixo que o de livros impressos e ainda é possível ler uma infinidade de livros gratuitos;</li>
<li>Tela não-reflexiva que realmente se assemelha e muito a um livro impresso.</li>
</ul>
<p>Do que não gostei:</p>
<ul>
<li>Da ausência de teclado. Escrever qualquer coisa no Kindle é um martírio utilizando apenas os botões direcionais;</li>
<li>Relativa dificuldade em navegar pelo livro. O Kindle funciona muito bem com uma leitura em sequência, uma página após a outra. Mas revisitar páginas anteriores e retornar ao ponto em que estava não é sempre prático;</li>
<li>Da maneira como o Kindle exibe arquivos em pdf. É praticamente impossível ler textos em pdf formatados em duas colunas, por exemplo;</li>
<li>Da perda de identidade dos livros.</li>
</ul>
<p>Sobre o último ponto, comento um pouco mais. Cada livro é único quando impresso. Não só porque após manuseá-lo ele terá características individuais do leitor marcadas nele mas porque os livros impressos são diferentes uns dos outros. Por exemplo, capa, tamanho, número de páginas e tipografia identificam um livro impresso de maneira que não é possível no Kindle. Nele, cada livro é igual exceto pelo conteúdo. Perde-se no processo o valor de perceber o livro. De vê-lo numa estante ao lado de outros. De mostrá-lo a amigos em sua casa e ler as orelhas. De emprestá-lo.</p>
<p>Sim, embora existam alguns passos no sentido de permitir o empréstimo de livros digitais, isto ainda é praticamente impossível na prática. E mesmo que fosse, o seu amigo precisaria ter um leitor de livros digital também. Com o Kindle, o livro deixa de ser uma entidade independente e passa a ser subserviente de uma máquina. Lê-lo nela, portanto, não é apenas uma transição de meios mas uma revolução na maneira como lidamos com a leitura.</p>
<p style="text-align: center;"> ***</p>
<p>Eu não acho que o Kindle irá substituir o livro impresso por completo. Acho que o processo de transição (que já dura décadas)  não será (não está sendo) linear. Não acho que o Kindle, hoje, é capaz de substituir o livro didático impresso ou revistas (principalmente as mais gráficas). Estas últimas podem ter uma transição melhor para o iPad, por exemplo. Também acho que o Kindle não irá substituir os livros impressos preferidos de um leitor. Exibir estes numa estante ainda tem um valor forte que nenhum dispositivo digital hoje é capaz de substituir.</p>
<p>Mas o Kindle pode sim ser um bom complemento. Uma maneira adicional (dentre tantas existentes hoje) de ler. Estou gostando muito dele e acho que, como outros já disseram, pode fazer com que eu leia mais. Acho que o Kindle é um candidato forte para substituir o livro de bolso (paperback). Aquele livro impresso mais barato e de qualidade inferior pode muito bem ser lido no Kindle sem muita perda. Eu, por exemplo, sempre comprei este tipo de livro por não me importar com seus aspectos físicos. Queria apenas uma forma barata de ler seu conteúdo. No Kindle, o barato pode até sair de graça e suponho que a qualidade da leitura será melhor.</p>
<p style="text-align: center;"> ***</p>
<p>Para quem estiver interessado, meu perfil online do Kindle pode ser acessado <a href="https://kindle.amazon.com/profile/Ricardo-Lage/3229122/">aqui</a>.<strong>Posts Relacionados:</strong>
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<img src="http://laedevolta.com.br/blog/?ak_action=api_record_view&id=803&type=feed" alt="" /><img src="http://feeds.feedburner.com/~r/laedevolta/~4/ockmC7hfo5c" height="1" width="1"/>]]></content:encoded>
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		<title>Steve Jobs, Apple, e a transformação do mundo – Parte 2</title>
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		<comments>http://laedevolta.com.br/blog/2011/11/02/steve-jobs-apple-e-a-transformacao-do-mundo-%e2%80%93-parte-2/#comments</comments>
		<pubDate>Wed, 02 Nov 2011 14:09:13 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Ricardo</dc:creator>
				<category><![CDATA[Tecnologia da Informação]]></category>

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		<description><![CDATA[Steve Jobs: &#8220;Picasso tinha um ditado &#8211; &#8216;bons artistas copiam, grandes artistas roubam&#8217; &#8211; e nós nunca tivemos vergonha de roubar grandes idéias.&#8221; (Steve Jobs by Walter Isaacson 2011) *** (Se ainda não leu, a Parte 1 está aqui) Em 1985, recém demitido da Apple, Steve Jobs deu uma entrevista para a revista Playboy americana. [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<abbr class="unapi-id" title="http://laedevolta.com.br/blog/?p=791"><!-- &nbsp; --></abbr>
<p>Steve Jobs: &#8220;Picasso tinha um ditado &#8211; &#8216;bons artistas copiam, grandes artistas roubam&#8217; &#8211; e nós nunca tivemos vergonha de roubar grandes idéias.&#8221; (Steve Jobs by Walter Isaacson 2011)</p>
<p style="text-align: center;">***</p>
<p>(Se ainda não leu, a Parte 1 está <a title="Steve Jobs, Apple, e a transformação do mundo – Parte 1" href="http://laedevolta.com.br/blog/2011/10/09/steve-jobs-apple-e-a-transformacao-do-mundo-parte-1/">aqui</a>)</p>
<p>Em 1985, recém demitido da Apple, Steve Jobs deu <a href="http://www.txtpost.com/playboy-interview-steven-jobs/">uma entrevista</a> para a revista Playboy americana. No longo texto, Steve fala de muita coisa, e faz previsões sobre o futuro tecnológico. Previsões estas, hoje revistas, que estavam quase todas erradas. Quando acertou, a previsão era óbvia, e tratava de algo que já estava ocorrendo, como a Internet, por exemplo, introduzida 3 anos antes.</p>
<p style="text-align: center;"><a href="http://laedevolta.com.br/blog/wp-content/uploads/2011/10/Steve-Jobs.jpeg"><img class="aligncenter size-full wp-image-794" title="Steve-Jobs" src="http://laedevolta.com.br/blog/wp-content/uploads/2011/10/Steve-Jobs.jpeg" alt="" width="450" /></a><em>Steve Jobs na Playboy</em></p>
<p>Jobs errou ao falar que não haveria mais empresas de garagem relacionadas a computadores (três contra-exemplos dentre as grandes incluem Compaq, Lenovo e Dell). Errou sobre a redução do consumo de papel. Errou sobre a AT&amp;T se manter operante (ela não se transformou por vontade própria mas foi forçada a ser desmantelada por causa do monopólio, e fracassou no mercado de computadores). Errou sobre Xerox e RadioShack estarem fora dos negócios (ano passado esta última lucrou mais de USD 4bi). Errou sobre os japoneses (e.g., Sony e Nintendo). E, meu favorito, errou sobre termos hoje melhores políticos.</p>
<p>Errou também ao afirmar que o IBM PC não seria o único padrão de computadores desktop, e ao prever as vendas deles e dos computadores Apple. Aliás, errou feio. <a href="http://jeremyreimer.com/postman/node/6">Jeremy Reimer</a> publicou no final de 2005 um trabalho de pesquisa impressionante sobre a venda de computadores pessoais entre 1975 e 2005. Segundo ele, foram várias noites viradas comparando os números de publicações antigas, até encontrar fontes que não se contradiziam. O resultado é uma planilha com os números de computadores vendidos por modelo e por ano.</p>
<p style="text-align: center;"><a href="http://laedevolta.com.br/blog/wp-content/uploads/2011/10/totalshare0.gif"><img class="aligncenter size-medium wp-image-797" title="totalshare0" src="http://laedevolta.com.br/blog/wp-content/uploads/2011/10/totalshare0-300x131.gif" alt="" width="450" /></a><em>A planilha de Jeremy Reimer. Clique na imagem para ampliar</em></p>
<p>A planilha mostra que a previsão de Jobs de que a Apple disputaria o mercado junto com a IBM nunca se concretizou. Primeiro, a Apple nunca teve mais do que 22% do mercado de computadores (em 2005 o número foi 2,41%). Com preços sempre mais altos, a empresa nunca conseguiu popularizar seus produtos. Segundo, a IBM também não conseguiu manter sua linha de produtos dominante diante da concorrência com os clones. Na época, a Compaq se transformava no mais forte deles. Steve Jobs errou ao supor que a briga se daria entre Apple e IBM mas teve quem acertaria prevendo o domínio do padrão IBM PC.</p>
<p>Ainda em 1985, Bill Gates escreveu um <a href="http://arstechnica.com/old/content/2005/12/total-share.ars/6">memorando</a> para a Apple. No texto, ele elogiava o Macintosh por seu design mas alertava para o fato dos computadores da empresa não terem se tornado o padrão de mercado. Bill Gates deduzia corretamente que era o preço baixo dos clones do IBM PC que estavam transformando-o no padrão. Mesmo que estes computadores tivessem deficiências em relação aos produtos da Apple, estas seriam minimizadas pela quantidade de competidores dentro do mesmo padrão capazes de superá-las mais rapidamente.</p>
<p>Dentro deste contexto, o memorando de Bill Gates propunha uma parceria entre a Microsoft e a Apple, onde a Apple licenciaria seu sistema operacional e design de hardware para outras empresas. Segundo Jeremy Reimer, a proposta era genuína visto que a Microsoft, na época, apoiava e promovia o Macintosh. Bill Gates temia que sem computadores compatíveis, a Apple não se tornaria um segundo padrão como previa Jobs.</p>
<p>E Gates estava certo. Jean-Louis Gassée, então diretor executivo da Apple, rejeitou o memorando e decidiu concentrar seus esforços em criar computadores melhores. A estratégia garantiu sobrevida à empresa, mas ela nunca conseguiu chegar perto de dominar o mercado. De 22% em 1984, a fatia da Apple no mercado caiu para 15% no ano seguinte e 12% em 1986. A Apple ia aos poucos se tornando uma empresa de nicho, agradando apenas a profissionais gráficos e entusiastas. Mas seu preço mais alto e incompatibilidade com o PC manteve, até hoje, seu mercado restrito.</p>
<p>Houve na Apple quem tentasse por em prática a proposta de Bill Gates. John Sculley, outro executivo da empresa, viajou os Estados Unidos e conseguiu criar o interesse de licenciar os seus produtos em várias grandes empresas. Mas Gassée era irredutível. Além de achar que a superioridade dos produtos Apple prevaleceria, ele suspeitava das intenções de Bill Gates. Mas até então, a Microsoft lucrava mais com a venda do Word e do MultiPlan (predecessor do Excel) para os usuários da Apple do que com a venda do sistema operacional DOS para computadores no padrão IBM.</p>
<p style="text-align: center;"><a href="http://laedevolta.com.br/blog/wp-content/uploads/2011/10/win101tile2.gif"><img class="aligncenter size-full wp-image-793" title="win101tile2" src="http://laedevolta.com.br/blog/wp-content/uploads/2011/10/win101tile2.gif" alt="" width="450" /></a><em>Esta era a interface com o usuário do Windows 1.0</em></p>
<p>O interesse de Gates em ajudar a Apple parecia genuíno. Mas a recusa de Gassée forçou a Microsoft a acelerar o desenvolvimento do Windows. Em Novembro de 1985, Gates anunciava o sofrível Windows 1.0. O produto estava atrasado pelo menos 3 anos em relação a outros no mercado mas já apresentava notáveis semelhanças em relação ao sistema operacional da Apple. As semelhanças, na verdade, estavam em quase todas as interfaces gráficas com o usuário (GUI em inglês) da época, inspiradas na original da Xerox.</p>
<p>É um erro afirmar que a Apple mudou o foco do mercado para as GUIs quando todos ainda pensavam em computadores com interfaces mais rudimentares. Ninguém havia feito antes porque o custo era alto e não por falta visão. A própria Apple lançou seu primeiro computador com uma GUI ao preço de US$ 10 mil e não emplacou. Enquanto isto, outros desenvolviam suas versões. A Microsoft, por exemplo, desenvolvia a sua desde 1983, desde antes do lançamento do Macintosh, e também tinha licenças da Xerox.</p>
<p>O Windows 1.0 era muito ruim. E, por isso, foi um fracasso de vendas. Mas o desenvolvimento acelerado do sistema logo gerou o mais bem sucedido Windows 2.0, lançado em 1987, dois anos depois do primeiro. Em paralelo, Apple e Microsoft continuaram brigando na justiça. A Apple acusava a Microsoft de copiar sua GUI e a Microsoft se defendia com as licenças da Xerox e alegações de desenvolvimento próprio. A Apple, numa única ação, contestava 189 cópias de elementos visuais. O juiz deu ganho de causa para a Microsoft mas a primeira só sossegou quando recebeu US$ 100 milhões da Microsoft em 1997.</p>
<p>Em paralelo a tudo isto, Steve Jobs assumia duas empresas. A pouco conhecida NeXT foi fundada por ele em 1985 com o foco no mercado de computadores para empresas e educação superior. A outra empresa chamava-se Graphics Group quando foi comprada em 1986 por Steve e renomeada Pixar. A primeira acabou por levar Jobs de volta à Apple em 1997. A segunda revolucionou a indústria de longas-metragens animados por computador.</p>
<p>(continua se eu arrumar tempo e disposição para continuar escrevendo sobre o assunto, e depois que eu terminar de ler a <a href="http://www.amazon.com/Steve-Jobs-Walter-Isaacson/dp/1451648537">biografia de Steve Jobs, por Walter Isaacson</a>)</p>
<p>Referências:</p>
<ul>
<li><a href="http://arstechnica.com/old/content/2005/12/total-share.ars/">Total share: 30 years of personal computer market share figures</a></li>
<li><a href="http://lowendmac.com/orchard/06/apple-vs-microsoft.html">The Apple vs. Microsoft GUI Lawsuit</a></li>
</ul>
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		<title>Pink Martini e o Spotify na Dinamarca</title>
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		<pubDate>Wed, 19 Oct 2011 17:54:39 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Ricardo</dc:creator>
				<category><![CDATA[Música]]></category>

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		<description><![CDATA[Eu nunca falei da banda Pink Martini aqui no blog. A “pequena orquestra” fundada em Portland, EUA, em 1994 é minha banda favorita desde 2002 quando descobri “Sympathique” a música que dá título ao primeiro álbum. A música de cabaré dos anos 20 cantada em francês é uma provocação: Uma melodia alegre conta a história [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<abbr class="unapi-id" title="http://laedevolta.com.br/blog/?p=785"><!-- &nbsp; --></abbr>
<p>Eu nunca falei da banda <a href="http://pinkmartini.com/">Pink Martini</a> aqui no blog. A “pequena orquestra” fundada em Portland, EUA, em 1994 é minha banda favorita desde 2002 quando descobri “Sympathique” a música que dá título ao primeiro álbum. A música de cabaré dos anos 20 cantada em francês é uma provocação: Uma melodia alegre conta a história triste do dia-a-dia de uma prostituta.</p>
<p><object width="500" height="281"><param name="movie" value="http://www.youtube.com/v/satMi-rws1A?version=3&#038;feature=oembed"></param><param name="allowFullScreen" value="true"></param><param name="allowscriptaccess" value="always"></param><embed src="http://www.youtube.com/v/satMi-rws1A?version=3&#038;feature=oembed" type="application/x-shockwave-flash" width="500" height="281" allowscriptaccess="always" allowfullscreen="true"></embed></object></p>
<p>Mas este não é o tom do álbum ou da banda em geral. É praticamente impossível classificar o Pink Martini em um único gênero musical. Variando entre jazz, pop, samba, bolero, salsa, clássico, dentro outros, cada álbum é uma surpresa música a música. Surpresa também na língua cantada. De origem escocesa, francesa e afro-americana, a vocalista China Forbes já gravou em pelos menos 6 línguas: inglês, francês, espanhol, português, árabe, e japonês.</p>
<p>E quando eles colocam toda essa mistura numa única música, o resultado é este:</p>
<p><object width="500" height="281"><param name="movie" value="http://www.youtube.com/v/dfarJuLT-Cs?version=3&#038;feature=oembed"></param><param name="allowFullScreen" value="true"></param><param name="allowscriptaccess" value="always"></param><embed src="http://www.youtube.com/v/dfarJuLT-Cs?version=3&#038;feature=oembed" type="application/x-shockwave-flash" width="500" height="281" allowscriptaccess="always" allowfullscreen="true"></embed></object></p>
<p>Famosa no ano novo de países anglófonos, a música de origem escocesa ganha uma versão do Pink Martini ao ritmo de batucada e cuíca, e cantada em inglês, francês e árabe. Como não admirar? Este ano a ousadia foi ainda mais longe com o lançamento do álbum 1969. Praticamente todas as músicas são cantadas em Japonês por Saori Yuki. Recomendo muito “Mas que nada”, disponível para download no <a href="http://pinkmartini.com/">site da banda</a>.</p>
<p>Outro álbum lançado este ano é um bom ponto de partida para quem quer conhecer mais. O álbum “A Retrospective” reúne os melhores momentos da banda e mais 7 inéditas. Dentre essas últimas, destaco a improvisada “The Man With The Big Sombrero”.</p>
<p>***<br />
Enquanto curtia os dois novos álbuns do Pink Martini, recebo a notícia que o <a href="http://www.spotify.com/">Spotify</a> estava disponível na Dinamarca. O serviço surgido na Suécia em 2008 é mais um a oferecer streaming de música mas com diferenças importantes nos recursos. Enquanto a maioria oferece o serviço na web, o Spotify precisa ser instalado. Isto torna a navegação mais rápida e, mais importante, permite integrar as músicas do catálogo da empresa disponíveis online com suas próprias músicas locais.</p>
<p>O catálogo é vasto e permite a navegação de maneira similar ao popular Last.fm. Uma vez localizado um artista ou banda, é possível ver todos os seus álbuns, músicas mais populares e artistas relacionados. O programa se integra com o Facebook e permite que você veja as ‘playlists’ públicas de seus amigos. E tudo isto é gratuito, desde que você não se incomode com os anúncios. Caso contrário, o preço do pacote básico é R$ 16,00/mês. Nada mal para poder escutar milhões de músicas a qualquer momento, inclusive no seu celular.</p>
<p>Infelizmente o serviço ainda não está disponível no Brasil e não tem previsão de lançamento. Mas você pode cadastrar seu e-mail no site para ser notificado assim que o lançamento ocorrer.<strong>Posts Relacionados:</strong>
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		<title>Viajando pelo interior da Dinamarca</title>
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		<pubDate>Wed, 12 Oct 2011 17:44:03 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Ricardo</dc:creator>
				<category><![CDATA[Dinamarca]]></category>

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		<description><![CDATA[Eduardo Maia, do jornal O Globo, viajou a convite do Visit Denmark pelo interior da Dinamarca: Num reino muito distante, crianças passeiam como gigantes por uma cidade em miniatura, onde palácios e até animais são feitos de blocos coloridos; &#8220;homens do passado&#8221; encenam guerras e danças observados por &#8220;homens do futuro&#8221;, e uma ilha ainda [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<abbr class="unapi-id" title="http://laedevolta.com.br/blog/?p=781"><!-- &nbsp; --></abbr>
<p>Eduardo Maia, do jornal O Globo, viajou a convite do <a href="http://www.visitdenmark.dk/brasil/pt-br/menu/turistas/dinamarca.htm">Visit Denmark</a> pelo interior da Dinamarca:</p>
<blockquote><p>Num reino muito distante, crianças passeiam como gigantes por uma cidade em miniatura, onde palácios e até animais são feitos de blocos coloridos; &#8220;homens do passado&#8221; encenam guerras e danças observados por &#8220;homens do futuro&#8221;, e uma ilha ainda festeja, em placas e praças, o nome de seu filho mais ilustre, um menino desengonçado, filho de um humilde sapateiro, que venceu a pobreza e a feiúra para conquistar a simpatia do rei e se tornar o mais famoso entre seus compatriotas. No interior da Dinamarca, de onde Hans Christian Andersen tirou a inspiração para tantas histórias infantis, como &#8220;A pequena sereia&#8221; e &#8220;O patinho feio&#8221;, cenários dignos de contos de fadas convidam o turista a deixar um pouco de lado a cosmopolita Copenhague. E virar criança na Legoland. E voltar ao passado em Odense, onde nasceu Andersen, e Ribe, a mais antiga cidade dinamarquesa.</p></blockquote>
<p><a href="http://oglobo.globo.com/viagem/mat/2011/09/14/no-interior-da-dinamarca-uma-terra-de-conto-de-fadas-925354294.asp">Texto completo</a> no site do jornal.<strong>Posts Relacionados:</strong>
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		<item>
		<title>Steve Jobs, Apple, e a transformação do mundo – Parte 1</title>
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		<comments>http://laedevolta.com.br/blog/2011/10/09/steve-jobs-apple-e-a-transformacao-do-mundo-parte-1/#comments</comments>
		<pubDate>Sun, 09 Oct 2011 07:33:37 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Ricardo</dc:creator>
				<category><![CDATA[Tecnologia da Informação]]></category>

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		<description><![CDATA[Semana passada com o falecimento de Steve Jobs variações dessa frase percorreram os meios de comunicação: “Três maçãs que mudaram o mundo; A de Adão, A de Newton e A de Steve Jobs.” *** Falar de Steve Jobs requer falar da história das tecnologias que compõem seus produtos, começando pelo computador pessoal. A Apple lançou [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<abbr class="unapi-id" title="http://laedevolta.com.br/blog/?p=766"><!-- &nbsp; --></abbr>
<p>Semana passada com o falecimento de Steve Jobs variações dessa frase percorreram os meios de comunicação: “Três maçãs que mudaram o mundo; A de Adão, A de Newton e A de Steve Jobs.”</p>
<p style="text-align: center;">***</p>
<p>Falar de Steve Jobs requer falar da história das tecnologias que compõem seus produtos, começando pelo computador pessoal. A Apple lançou o seu primeiro em 1976. Era isso aqui:</p>
<p style="text-align: center;"><a href="http://laedevolta.com.br/blog/wp-content/uploads/2011/10/250px-Apple_I_Computer.jpg"><img class="aligncenter size-full wp-image-767" title="250px-Apple_I_Computer" src="http://laedevolta.com.br/blog/wp-content/uploads/2011/10/250px-Apple_I_Computer.jpg" alt="" width="250" height="152" /></a><em>Este pedaço de madeira com botões custava US$666,66. Número suspeito.</em></p>
<p>A década de 70 viu uma proliferação de “kits” de computadores que, em geral, deveriam ser montados por quem os adquiria. Era um mercado para quem gostava do “hobby”. Antes, computadores eram limitados a máquinas de grande porte, ocupavam uma sala inteira, e que custavam milhares de dólares. Estes computadores também eram limitados a funções específicas que eram acopladas ao hardware (a parte física de um computador). Mesmo uma calculadora daquela época, por exemplo, era limitada às funções de seu hardware. Para modificar o seu software (a parte lógica), por exemplo adicionando uma nova função, era necessário mudá-lo no hardware.</p>
<p>Foi a Intel quem deu um dos primeiros importantes passos em direção ao computador pessoal ao inventar o microprocessador em 1971. Graças a ele, se tornou possível desacoplar o “software” do “hardware” onde o primeiro era executado.Foi também graças a esta separação que o custo para produção do hardware começou a cair drasticamente, permitindo o lançamento de computadores menores e de menor custo. Um dos primeiros foi o francês Micral N, considerado o primeiro computador pessoal a não ser vendido como “kit”.</p>
<p style="text-align: center;"><a href="http://laedevolta.com.br/blog/wp-content/uploads/2011/10/800px-Micral_MGR_Lyon-IMG_9895.jpg"><img class="aligncenter size-medium wp-image-768" title="800px-Micral_MGR_Lyon-IMG_9895" src="http://laedevolta.com.br/blog/wp-content/uploads/2011/10/800px-Micral_MGR_Lyon-IMG_9895-300x199.jpg" alt="" width="300" height="199" /></a><em>O Micral N. Sim, isto é um computador.</em></p>
<p>Dois anos depois, em 1973, o primeiro computador pessoal como o conhecemos hoje foi lançado pela Xerox em um protótipo. Tinha mouse, interface gráfica com usuário, e a metáfora do desktop. Mas o protótipo ficou limitado aos laboratórios da empresa. Enquanto isto, computadores pessoais continuavam a ser lançados por várias empresas. A IBM lançou o seu em 1975 como um computador desktop (o famoso PC seria lançado em 1981) e logo em seguida veio o Altair 8800. Este último é considerado a faísca para a rápida expansão dos computadores pessoais que se seguiu nos anos 80 até hoje.</p>
<p>Mas o primeiro sucesso de vendas foi o do Commodore PET, lançado em 1977, vendendo cerca de 1 milhão de unidades. Um ano antes o primeiro computador da Apple havia sido lançado com o objetivo de obter dinheiro suficiente para a fundação da empresa. O produto vendeu apenas cerca de 200 cópias e foi logo substituído pelo Apple II, este sim um modelo de sucesso. O Apple II foi lançado pouco depois do Commodore PET mas era um produto superior e mais caro. Quem o desenvolveu foi um outro Steve, o Wozniak, outro fundador da Apple. Dentre as <a href="http://apple2history.org/history/ah01/">inovações do produto</a> estavam o uso de uma interface gráfica com o usuário primitiva (ainda não era o modelo inventado pela Xerox) e a possibilidade de uso de disquetes. Nada do que foi incluído no computador era novidade do ponto de vista tecnológico, já que outros computadores permitiam a aquisição destes itens como expansão. Mas o Apple II foi o primeiro a colocar estes itens juntos e vendê-los como um produto para o consumidor final. Outro recurso que vale destacar no Apple II era a possibilidade de expansão da memória. Esta possibilidade continuou a existir em modelos subseqüentes da Apple apesar da <a href="http://gawker.com/5847124/steve-jobs-is-dead">intenção contrária de Steve Jobs</a>.</p>
<p>O Apple II foi considerado pela revista Byte como parte da “Trindade de 1977”, o grupo de três modelos de computadores pessoais a obter o maior sucesso na época. Além dele e do Commodore PET, faz parte do grupo o TRS-80, lançado 2 meses depois do Apple II. O TRS-80 também tinha uma interface gráfica primitiva e a possibilidade de adição de disquetes veio um ano depois. Mas problemas de interferência levaram a sua substituição em 1981. Até então o produto havia vendido 1,5 milhões de unidades, muito mais que o Apple II até então. Este último só foi obter sucesso comercial no começo da década de 80: Até 1985, 2,5 milhões de cópias haviam sido vendidas.</p>
<p style="text-align: center;"><a href="http://laedevolta.com.br/blog/wp-content/uploads/2011/10/Xerox_8010_compound_document.jpg"><img class="aligncenter size-full wp-image-769" title="Xerox_8010_compound_document" src="http://laedevolta.com.br/blog/wp-content/uploads/2011/10/Xerox_8010_compound_document.jpg" alt="" width="325" height="274" /></a><em>Interface Gráfica da Xerox</em></p>
<p>&nbsp;</p>
<p>Foi também no começo de 80 que as invenções da Xerox começaram a ser incorporadas a produtos e copiadas por outras empresas. O primeiro foi um computador da própria Xerox, o Xerox 8010 Information System, lançado em 1981 e sem muito sucesso comercial. Só dois anos depois a Apple lançou o Apple Lisa, batizado com o nome da filha de Jobs e que por dois anos antes ele se recusou a reconhecer a paternidade. Lisa, o primeiro computador a copiar a Xerox, foi um fracasso comercial e um sucesso tecnológico. Mas Steve Jobs não pode ser responsabilizado por nenhum dos dois feitos já que foi forçado a se retirar do projeto um ano antes do lançamento.</p>
<p>Dentre as inovações tecnológicas estavam a proteção de memória, a multi-tarefa, o melhor gerenciamento do sistema operacional no disco rígido, a inclusão do protetor de tela, espaço para expansão do hardware, e uma maior resolução de imagem. Várias destas inovações só seriam incluídas anos mais tarde (em alguns casos, quase dez anos depois) em outros produtos da Apple. Talvez o único trunfo de Jobs no projeto do Lisa foi convencer a Xerox de demonstrar os recursos de sua interface gráfica para a equipe da Apple ainda em 1979. Mas a revista Byte considerou <a href="http://blog.modernmechanix.com/2008/05/29/a-behind-the-scenes-look-at-the-development-of-apples-lisa/">Wayne Rosing como a pessoa mais importante no desenvolvimento do computador</a>.</p>
<p>Embora um sucesso tecnológico, o produto fracassava comercialmente devido ao seu alto custo, cerca de 10 mil dólares. Enquanto isto, Steve Jobs passou a trabalhar no projeto do primeiro Macintosh. Lançado em 1984, ele foi o primeiro produto de sucesso a conter a famosa interface gráfica com a metáfora do desktop que conhecemos hoje e mouse. O idealizador do projeto, ainda no final da década de 70, foi Jef Raskin. Foi ele quem vislumbrou a possibilidade de um computador de baixo custo e fácil de usar pela população em geral. O responsável pelo hardware foi Burrell Smith. Veio dele boa parte das adaptações de design do hardware do Lisa para o Macintosh, mantendo o preço baixo do segundo. Ao longo de todo o projeto, vários conflitos entre Steve Jobs e Jef Raskin (que se retirou do projeto) e, depois, com o então CEO da Apple John Sculley, fizeram com que Steve fosse demitido da empresa em 1985 para só retornar em 1997.</p>
<p>Ao mesmo tempo, o começo da década de 80 viu um número grande de empresas lançando seus próprios designs de hardware para os computadores que lançavam e com sistema operacional incluso. Em 1981 a IBM era uma destas empresas mas com uma diferença: O seu IBM PC vendia o sistema operacional MS-DOS do então desconhecido Bill Gates em separado. O design do hardware do IBM PC também era relativamente padronizado e não patenteado. Isto permitiu que várias outras empresas começassem a copiar os designs da IBM e a vender computadores compatíveis, onde o sistema operacional DOS da Microsoft podia ser instalado sem problemas. A IBM, sem querer, e sem lucrar, estabelecia ali o padrão de mercado para os computadores pessoais que persiste até hoje. E que quase levou a Apple a falência.</p>
<p>(<a title="Steve Jobs, Apple, e a transformação do mundo – Parte 2" href="http://laedevolta.com.br/blog/2011/11/02/steve-jobs-apple-e-a-transformacao-do-mundo-%e2%80%93-parte-2/">clique aqui para ver a Parte 2</a>)</p>
<p>Referências:</p>
<ul>
<li><a href="http://en.wikipedia.org/wiki/History_of_personal_computers">History of Personal Computers</a>, Wikipedia, e links subsequentes</li>
<li><a href="http://www.amazon.com/History-Modern-Computing/dp/0262532034/">A History of Modern Computing</a>, Paul Ceruzzi</li>
</ul>
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<li><a href="http://laedevolta.com.br/blog/2009/05/11/entrevistando-candidatos-ao-mestrado-do-iiit-b/" rel="bookmark" title="11 de maio de 2009">Entrevistando Candidatos ao Mestrado do IIIT-B</a></li>
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</ul>
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		<title>Jorge Pontual, sua nova bicicleta e o direito de usar o carro</title>
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		<pubDate>Wed, 31 Aug 2011 14:15:47 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Ricardo</dc:creator>
				<category><![CDATA[Bicicleta]]></category>

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		<description><![CDATA[Jorge Pontual, jornalista, correspondente internacional da Rede Globo em Nova Iorque, é mais um a adotar a bicicleta no seu dia-a-dia. Ele deu uma entrevista ao blog Ir e Vir de Bike onde conta empolgado sua experiência. Acho bacana. Mas no final, a resposta para a pergunta &#8220;Porque no Brasil ainda existe resistência do poder [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<abbr class="unapi-id" title="http://laedevolta.com.br/blog/?p=758"><!-- &nbsp; --></abbr>
<p>Jorge Pontual, jornalista, correspondente internacional da Rede Globo em Nova Iorque, é mais um a adotar a bicicleta no seu dia-a-dia. Ele deu uma <a href="http://www.gazetadopovo.com.br/blog/irevirdebike/?id=1162849">entrevista ao blog Ir e Vir de Bike</a> onde conta empolgado sua experiência. Acho bacana. Mas no final, a resposta para a pergunta &#8220;Porque no Brasil ainda existe resistência do poder público para incentivar o uso das bicicletas nas grandes cidades?&#8221; expõe um problema no seu discurso em favor das bicicletas (grifos meus):</p>
<blockquote><p>&#8220;Não acompanho a situação no Brasil mas gostaria de saber mais a respeito. Acho que o nível insustentável de congestionamento do trânsito nas nossas grandes cidades vai levar o poder público e, espero, a população, a adotar medidas que restrinjam o uso dos veículos motorizados e incentivem o uso da bicicleta. É inevitável. O que a gente vê, <strong>uma nova classe média no Brasil que aproveita seu recém-conquistado padrão de vida para adquirir um carro para cada membro da família, é insustentável.</strong> Vamos acabar tendo que aceitar que o excesso de veículos torna o trânsito inviável, e que a bicicleta é uma boa alternativa, se houver investimento em ciclovias e educação de motoristas e pedestres.&#8221;</p></blockquote>
<p>Quer dizer, agora que os mais pobres estão finalmente conquistando um padrão melhor de vida, vem um sujeito que sempre se beneficiou deles dizer que não pode. Indiretamente, acusa essas pessoas de causar os problemas que as grandes cidades enfrentam no trânsito há pelo menos uma década.</p>
<p>Esta é a mesma forma de acusação que vários meios de comunicação utilizam para culpar China e Índia pelo crescimento insustentável do consumo no mundo. Durante décadas os países desenvolvidos abusaram do planeta, com uma proporção de consumo muito maior do que a dos países mais pobres. Agora que alguns destes últimos ameaçam ter um padrão similar, os ricos são os primeiros a apontar o dedo: Não pode, é insustentável.</p>
<p>Bicicletas e carros podem viver perfeitamente bem e em harmonia no trânsito. O que é preciso para isto é aumentar e melhorar a infraestrutura para bicicletas. Mas isto não quer dizer, necessariamente, reduzir o espaço dos carros. Há um bom exemplo em andamento nesse sentido que torço para que seja aprovado. Refiro-me ao <a href="http://www2.camara.gov.br/agencia/noticias/TRANSPORTE-E-TRANSITO/144931-PROJETO-CRIA-PROGRAMA-DE-INCENTIVO-AO-USO-DE-BICICLETAS.html">projeto de lei do deputado Jaime Martins</a> que propõe destinar 15% do valor arrecado com multas no trânsito para:</p>
<ul>
<li>apoiar Estados e municípios na instalação de bicicletários públicos e construção de ciclovias e ciclofaixas;</li>
<li>promover a integração das bicicletas ao sistema de transporte público coletivo;</li>
<li>promover campanhas de divulgação dos benefícios do uso da bicicleta como meio de transporte econômico, saudável e ambientalmente adequado.</li>
</ul>
<p>É um projeto que garante uma verba exclusiva de infraestrutura para bicicletas e não afeta os motoristas que se comportam dentro das leis de trânsito. Além disso, não rotula de &#8220;insustentável&#8221; as atitudes dos mais pobres que finalmente estão podendo realizar o sonho de comprar o carro próprio. Ao contrário, o projeto cria incentivos para que mais pessoas passem a utilizar a bicicleta, porque, como eu, acham que andar de carro nas cidades é um pesadelo.<strong>Posts Relacionados:</strong>
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		<title>O problema de medir só tempo e não a distância de locomoção nas cidades</title>
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		<pubDate>Thu, 18 Aug 2011 09:35:33 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Ricardo</dc:creator>
				<category><![CDATA[Bicicleta]]></category>

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		<description><![CDATA[A pesquisa Retratos da sociedade Brasileira: Locomoção Urbana [arquivo pdf] divulgada pelo CNI/Ibope esta semana tem um problema em sua concepção: Ela mostra o tempo gasto pela população em seus deslocamentos pela cidade entre sua residência e o local de sua atividade rotineira, mas não a distância. Segundo a pesquisa, 43% dos brasileiros gastam até 30 minutos por [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<abbr class="unapi-id" title="http://laedevolta.com.br/blog/?p=751"><!-- &nbsp; --></abbr>
<p>A pesquisa <a href="http://www.cni.org.br/portal/data/files/FF80808131D306B60131D9067A4F0083/Pesquisa%20CNI_IBOPE%20Retratos%20da%20Sociedade%20Brasileira%20Locomocao%20urbana%20Agosto%202011.pdf">Retratos da sociedade Brasileira: Locomoção Urbana</a> [arquivo pdf] divulgada pelo CNI/Ibope esta semana tem um problema em sua concepção: Ela mostra o tempo gasto pela população em seus deslocamentos pela cidade entre sua residência e o local de sua atividade rotineira, <strong>mas não a distância</strong>. Segundo a pesquisa, 43% dos brasileiros gastam até 30 minutos por dia em seus deslocamentos. Este tempo leva em conta os trajetos de ida e volta, mais o tempo de espera. Outros 27% gastam entre 30 minutos e 1 hora. O gráfico abaixo, retirado da pesquisa, mostra todos os tempos.</p>
<p style="text-align: center;"><img class="aligncenter" title="tempo_gasto" src="http://laedevolta.com.br/blog/wp-content/uploads/2011/08/tempo_gasto.jpg" alt="" width="400" /></p>
<p>O problema é que esta é uma visão geral de todos os brasileiros, considerando pessoas no interior, na periferia e em grandes centros, e desconsiderando as distâncias de deslocamento. O tempo deveria ser relativo às distâncias percorridas. Por exemplo, 30 minutos por dia para se deslocar em uma cidade com 30 mil habitantes pode ser considerado muito se comparado ao mesmo tempo em uma cidade com milhões de habitantes.</p>
<p>O mesmo vale para o tipo de deslocamento. Segundo a pesquisa, 31% da população utiliza algum tipo de transporte individual motorizado (carro, carona, taxi, motocicleta ou van) como principal meio de transporte. Isto significa que cerca de 13% da população utiliza um transporte individual como principal meio de transporte e gasta até 30 minutos por dia em deslocamentos com ele. Se considerarmos <a href="http://www1.folha.uol.com.br/folha/cotidiano/ult95u702406.shtml">os 15km/h de velocidade média do trânsito de São Paulo</a>, isto significa que estes 13% da população percorrem até 7,5km por dia, incluindo todos os seus deslocamentos. Outros 8,4% gastam entre 30 minutos e 1 hora, ou percorrem entre 7,5km e 15km por dia.</p>
<p>Mas a pesquisa não informa as distâncias então o exemplo do parágrafo anterior serve apenas como suposição. Sem saber as distâncias, não dá para medir a eficiência dos diferentes tipos de transportes utilizados. Também não dá para saber os tipos de deslocamentos realizados pela população. Por exemplo, no Canadá, <a href="http://www12.statcan.ca/census-recensement/2006/dp-pd/tbt/Rp-eng.cfm?LANG=E&amp;APATH=3&amp;DETAIL=0&amp;DIM=0&amp;FL=A&amp;FREE=0&amp;GC=0&amp;GID=0&amp;GK=0&amp;GRP=1&amp;PID=90655&amp;PRID=0&amp;PTYPE=88971,97154&amp;S=0&amp;SHOWALL=0&amp;SUB=762&amp;Temporal=2006&amp;THEME=76&amp;VID=0&amp;VNAMEE=&amp;VNAMEF=">de acordo com o Censo de 2006</a>, a média de distância entre a residência e o local de trabalho da população foi 7,6km. Mais de 50% de todos que fazem este tipo de deslocamento por lá percorrem menos de 10km.</p>
<p>Eu adoraria ver este número no Brasil. Pois eu suspeito que não seria muito diferente aqui. Mesmo em São Paulo, acredito que a maioria das pessoas se desloca em média menos de 10km por trajeto. 10km numa bicicleta, a uma velocidade baixa, por exemplo 15km/h, significa percorrer o trajeto em 40min. É um tempo em uma distância perfeitamente viáveis para este tipo de transporte. Mas no Brasil <a href="http://laedevolta.com.br/blog/2011/05/04/bicicletas-no-transito-brasileiro-por-que-nao-vinga/">não vinga</a> porque a bicicleta ainda é vista por muitos como uso esportivo ou transporte &#8220;para pobre&#8221; e o carro é considerado um item de status, conforto e segurança. A própria pesquisa divulgada pelo CNI/Ibope mostra um pouco disto: Quanto maior a renda, maior é o uso do carro, e maior é a justificativa de seu uso por conta do conforto.</p>
<p>No caso das bicicletas, a solução para a melhorar a mobilidade urbana a curto prazo com seu uso, para mim, é <a href="http://laedevolta.com.br/blog/2011/06/14/a-solucao-mais-rapida-barata-e-eficiente-para-aumentar-o-numero-de-ciclistas-nas-ruas/">construir ciclovias</a> e encarecer o custo de se ter um automóvel nas cidades. Por exemplo, mais impostos locais, mais taxas de estacionamento, mais multas. A construção de ciclovias aumento o conforto e a segurança de quem opta pela bicicleta. O aumento do custo para se ter um carro diminui, de certa forma, o seu conforto, criando um desincentivo para o seu uso.</p>
<p>Mas sem termos os dados das distâncias e principais percursos das pessoas numa cidade para saber onde construir as ciclovias, fica um pouco mais difícil argumentar a favor delas.<strong>Posts Relacionados:</strong>
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		<title>Comentando o ataque terrorista em Oslo</title>
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		<pubDate>Fri, 29 Jul 2011 07:42:47 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Ricardo</dc:creator>
				<category><![CDATA[Sociedades]]></category>

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		<description><![CDATA[Meses atrás um dinamarquês bem humorado se aproximou de mim e um amigo no bar. Visivelmente embriagado (o que talvez explique sua súbita aproximação extrovertida), o sujeito soltava algumas piadas desconexas entre um gole e outro de cerveja. Mas em certo ponto da conversa começou a falar da Alemanha e, em seguida, de Hitler. Foi [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<abbr class="unapi-id" title="http://laedevolta.com.br/blog/?p=748"><!-- &nbsp; --></abbr>
<p>Meses atrás um dinamarquês bem humorado se aproximou de mim e um amigo no bar. Visivelmente embriagado (o que talvez explique sua súbita aproximação extrovertida), o sujeito soltava algumas piadas desconexas entre um gole e outro de cerveja. Mas em certo ponto da conversa começou a falar da Alemanha e, em seguida, de Hitler. Foi quando profeciou a frase: &#8220;O único problema de Hitler foi não ter terminado o serviço&#8221;.</p>
<p>Saímos da mesa na mesma hora. Foi um choque ter ouvido aquilo. É muito triste saber que existem pessoas que pensam desta forma.</p>
<p style="text-align: center;">***</p>
<p style="text-align: left;">Para mim, a Escandinávia (principalmente Suécia, Noruega e Finlândia) tem sérios problemas em seus processos de integracão multi-cultural e étnico. Eles todos estavam acostumados a uma população uniforme. Praticamente todos compartilhavam a mesma origem, a mesma história. Foi só nas últimas décadas que a imigracão começou a aumentar &#8211; por necessidade deles, diga-se. Mas nem todos os escandinavos aceitam bem isso. Há muito racismo e muita xenofobia latente aqui mas poucos se dão conta.  Não é a toa que um movimento de extrema direita discretamente começa a ganhar força.</p>
<p>Mas há muita intolerância religiosa de nossa parte também na interpretação dos fatos. É fácil ver a Noruega como um país perfeito onde tudo funciona e tratar os seus &#8220;problemas&#8221; como incidentes isolados. Mas esse atentado em Oslo não foi um fato isolado de um ser humano louco. Foi um ato extremo, claro, mas de uma pessoa entre várias que pensam da mesma forma aqui: Foi um ato planejado e executado com sucesso contra os muçulmanos. Fosse o contrário, não teria tanta gente assim tratando o <strong>terrorista cristão</strong> como louco. Já vimos este episódio antes.</p>
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		<title>Preikestolen – Primeiras impressões da Noruega</title>
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		<comments>http://laedevolta.com.br/blog/2011/07/06/preikestolen-primeiras-impressoes-da-noruega/#comments</comments>
		<pubDate>Wed, 06 Jul 2011 16:41:01 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Ricardo</dc:creator>
				<category><![CDATA[Noruega]]></category>

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		<description><![CDATA[Na terça-feira da semana passada fui à Preikestolen, na Noruega. O nome, que significa “Rocha do Púlpito”, faz referência a uma falésia de 604 metros de altura localizada no belo fiorde de Lyse, no sudoeste da Noruega. No Brasil o local é relativamente famoso por conta de uma apresentação do PowerPoint sobre a região que [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<abbr class="unapi-id" title="http://laedevolta.com.br/blog/?p=744"><!-- &nbsp; --></abbr>
<p>Na terça-feira da semana passada fui à Preikestolen, na Noruega. O nome, que significa “Rocha do Púlpito”, faz referência a uma falésia de 604 metros de altura localizada no belo fiorde de Lyse, no sudoeste da Noruega. No Brasil o local é relativamente famoso por conta de uma <a href="http://sorisomail.com/powerpoint/5037.html">apresentação do PowerPoint</a> sobre a região que vez ou outra circula por nossas caixas postais. Foi, aliás, como fiquei sabendo do lugar.</p>
<p>Para se chegar lá, o mais rápido é voar até a cidade de Stavanger, que por si só vale uma visita curta. No meu caso, estando no norte da Dinamarca, chegar até lá é um pouco mais complicado. Primeiro, peguei um trem até Hirtshals, uma cidade portuária no extremo norte da Dinamarca. De lá, uma balsa nos leva até Kristiansand, na Noruega. De Kristiansand chega-se a Stavanger depois de 3 horas de trem num percurso belíssimo entre fiordes, lagoas, cachoeiras e florestas. Todos entrecortados por montanhas, claro.</p>
<p>Estando em Stavanger, dá para ir e voltar à Preikestolen em um dia. O tempo total é estimado em 8 horas. Eu preferi ficar no hotel/albergue <a href="http://www.turistforeningen.no/preikestolenfjellstue/index.php?fo_id=3011">Preikestolhytta</a> que fica no pé da falésia, num vale presenteado por uma grande lagoa e pequenas cachoeiras. Para iniciar a subida, você precisa ir até ali de qualquer maneira. Para chegar lá, uma balsa te leva até Tau, do outro lado do canal, em uns 40 minutos. Um ônibus te espera na saída da balsa e te deixa na porta do hotel em outros 40 minutos. Se decidir hospedar-se no hotel e o tempo estiver bom (você vai precisar de sorte), curta o visual e a paz que a região no entorno oferece. Deixe para subir a falésia no dia seguinte.</p>
<p>A subida dura em média 2 horas (e a descida só um pouco menos). É relativamente fácil mas requer um pouco de preparo físico. Calçados apropriados são recomendados. Eu senti falta deles em alguns pontos onde a subida é mais íngreme. O trajeto por si só é belo, novamente repleto de cachoeiras, lagoas e belas vistas. Placas e marcas nas pedras sinalizam o caminho então é bem fácil chegar. Uma vez lá, prepare-se para ficar boquiaberto.</p>
<p>A falésia parece um bloco de concreto que foi colado no penhasco que margeia o fiorde. É uma protuberância natural que proporciona uma visão espetacular do entorno e vertigens ao chegar perto das bordas. Vou parar aqui e deixar as fotos falarem por mim. Este passeio foi uma excelente primeira impressão da Noruega mas prepare o bolso. É tudo muito caro por lá.</p>
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