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	<title>Lomyne&#039;s in tha house</title>
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	<description>Já não sou mais tão jovem para ter tantas certezas</description>
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	<title>Lomyne&#039;s in tha house</title>
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		<title>Momento diarinho 2022</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Lomyne]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 19 Sep 2022 17:07:22 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[diarinho]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Em abril de 2020 eu comecei um post. Este blog fez 20 anos e eu deveria ter escrito algo. Sabe, eu pretendia. Mas aí foi mais um post que sofreu da mesma dor de muitos posts de gaveta: a ideia não foi concluída como eu gostaria e eu deixei pra outro dia e&#8230; desde então [&#8230;]</p>
<p>Publicado originalmente em <a href="https://lomyne.com">Lomyne&#039;s in tha house</a>.</p>
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<p>Em abril de 2020 eu comecei um post. Este blog fez 20 anos e eu deveria ter escrito algo. Sabe, eu pretendia. Mas aí foi mais um post que sofreu da mesma dor de muitos posts de gaveta: a ideia não foi concluída como eu gostaria e eu deixei pra outro dia e&#8230; desde então nenhuma linha. Dois anos e meio depois, lá vamos nós, tentar mais uma vez.&nbsp;</p>



<span id="more-3187"></span>



<p>A pandemia mudou muitas coisas na minha vida assim como de todo mundo.&nbsp; A única coisa que não mudou pra mim foi o que mais mudou pra todo mundo: meu trabalho. Eu já vivia de home office há mais de 2 anos, quase 5 agora. Fora isso, teve de tudo: comprei um apartamento, casamento acabou, estresse saiu de controle, perdi cabelo, perdi 10kg (pergunte-me como), mudei a forma de me relacionar com a sociedade em geral.&nbsp;</p>



<p>Comecei a rascunhar esse post há alguns dias, a memória do Facebook de um ano atrás me fez decidir que de hoje não passa. Exatamente há um ano, eu estava nos Lençóis Maranhenses. Ai que rhyca, ai que phyna, ai que loucura. Meias verdades nisso,&nbsp;pois que a viagem não era de férias, mas não vem ao caso. Importante mesmo é: conheça os Lençóis Maranhenses, é sensacional, nenhuma foto faz justiça ao lugar.&nbsp;</p>



<p>Há um ano eu estava aguardando minha vez para tomar a segunda dose da vacina, minha separação era recente e eu voltei do Maranhão com um pacote de resoluções de ano novo que pode ser resumido em &#8220;voltar a viver&#8221;. Vacinar, rever amigos, ir a praia, ao cinema e por aí vai.&nbsp;</p>



<p>A montanha russa desse ano eu nem quero detalhar, fato é que agora eu estou muito feliz. Ontem eu abri um livro de colorir, coisa que não fazia sabe lá Deus desde quando. Hoje eu acordei irritantemente bem-humorada, tipo chefe de excursão. Voltar a escrever tem a ver com isso: estar bem e querer ficar melhor. Colorir é um pequeno prazer, escrever também é, algo que eu faço muito mais para digerir ideias do que realmente para difundi-las. Escrever é algo que faço para esvaziar o copo, acho que preciso ser mais frequente nisso.&nbsp;&nbsp;</p>



<p>Eu tenho uma ideia equivocada de mim mesma. Eu fui uma leitora voraz na infância e juventude, lia e escrevia muito bem. Recentemente tenho escrito atrocidades que me estremecem quando o corretor sublinha, verdadeiros crimes contra a última flor do lácio.&nbsp;Eu me chicoteio a respeito, mas fato é que não leio quase nada, mal e mal leio notícias.&nbsp;</p>



<p>Há muitas coisas a se retomar na saída da montanha russa. O chão ainda não parece bem firme sob os pés, mas cá estou tentando de novo voltar a escrever, assim como colocando mais a mão o livro físico, pois esta senhora aprecia o papel de um jeito vintage, ou melhor, cringe (como dizem os adolescentes de agora, se é que ainda dizem, pois isso é tão 2021).</p>



<p>Cá estou passando um espanador no blog e arrumando a casa para receber visitas, quem sabe estes novos ventos venham para ficar, não vamos criar expectativas. Tenho muitos planos, inclusive tenho mais de um planner, vou ser o adulto responsável por mim.&nbsp;</p>
<p>Publicado originalmente em <a href="https://lomyne.com">Lomyne&#039;s in tha house</a>.</p>
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		<title>A política do Cheetos</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Lomyne]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 18 Apr 2019 14:50:43 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[política]]></category>
		<category><![CDATA[pessoas]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Semana passada tivemos a maior comoção de notícias sobre os 100 dias de governo do presidente Bolsonaro. Li muitas coisas a respeito, uma delas me chamou atenção por me causar a mesma sensação das manifestações de 2013 (revolta do vinagre, 20 centavos, jornadas de junho, esse rolê aí). Suspeito que em 2013 algo mágico tirou [&#8230;]</p>
<p>Publicado originalmente em <a href="https://lomyne.com">Lomyne&#039;s in tha house</a>.</p>
]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p>Semana passada tivemos a maior comoção de notícias sobre os 100 dias de governo do presidente Bolsonaro. Li muitas coisas a respeito, uma delas me chamou atenção por me causar a mesma sensação das manifestações de 2013 (revolta do vinagre, 20 centavos, jornadas de junho, esse rolê aí).</p>



<span id="more-3157"></span>



<p>Suspeito que em 2013 algo mágico tirou as pessoas da zona de conforto. Uma insatisfação generalizada, milhares de pessoas foram às ruas e demonstraram que assim não pode, assim não dá. Eu fui uma dessas pessoas, mas admito que a comoção da época foi tão surpresa pra mim quanto pra então presidente Dilma Rousseff. </p>



<p>Estamos cá em 2019, ninguém se mexendo como naquela época, todo mundo cuidando de suas próprias vidas. Mesmo assim eu vejo muita insatisfação. Então, galera, eu concordo que o Brasil não tá maneiro, que esse não é o país que a gente sonha. E aí?</p>



<p>Ao que me parece, tanto em 2013 quanto em 2019, estamos fazendo a mesma coisa: agindo como uma criança que não quer comer o prato que a mãe colocou na frente dela. Fazendo manha, dizendo que não quer, na esperança de que daqui uma hora vai ganhar Cheetos e chocolate. Claramente, o brasileiro médio não teve uma mãe como a minha. </p>



<p>Tá ok, eu entendi que a reforma da previdência não está maneira. O status atual também não está. Eu concordo que certas coisas no pacote anti-corrupção são falhas. Eu percebo que muita coisa tá errada, não quero o prato que está na minha frente. O que eu não entendo é: vocês acham que vai ter Cheetos e chocolate? </p>



<p>Tanto faz se estamos falando de todo mundo nas ruas em 2013 ou do ativismo de sofá que tem agora. Não adianta reclamar se não temos alternativas. Não vai ter Cheetos. </p>



<p>O Brasil precisa de uma reforma da previdência. Precisa ser mais eficiente no combate ao crime organizado, da periferia ao colarinho branco. Precisa pensar em desenvolvimento e parcerias internacionais. Se os caminhos que a presidência propõe não servem, não somos mais crianças, precisamos de alternativas.</p>



<p>A quem cabe essa responsabilidade? Aos representantes na Câmara e no Senado? Provavelmente, afinal são esses os primeiros de quem esperamos alguma atitude. Isso me parece muito otimismo. Nesses 20 anos em que presto atenção em política, nunca vi nada parecido. </p>



<p>O que eu acho mesmo é que a gente precisa aprender a se mexer. Não com post no Facebook nem encaminhando coisas nos grupos de WhatsApp. Mas com um raciocínio sério e adulto como pensamos que somos. </p>



<p>Que tal buscar alternativas de verdade? Que tal entrar em contato com o gabinete do deputado que representa seu estado e pedir satisfações do que ele está fazendo? Que tal pesquisar de verdade alternativas responsáveis, não só esperneios que fazem sucesso em rede social? Que tal se engajar em grupos de pesquisa sérios, se comprometer com uma proposta de nova educação, gastar seu tempo com isso além de só reclamar? Comece pequeno, vá nos encontros das associações de moradores do seu bairro, por exemplo. Mexa-se.</p>



<p>A movimentação política séria só será adequada ao bem da maioria quando a maioria se envolver. Alguém já disse que aqueles que não gostam de política estão fadados a serem governados pelos que gostam. E gostar de política, colega, não é compartilhar a abobrinha do dia da Ministra Damares. </p>
<p>Publicado originalmente em <a href="https://lomyne.com">Lomyne&#039;s in tha house</a>.</p>
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		<title>Coisas que não deviam acontecer</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Lomyne]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 17 Apr 2019 11:17:41 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[pessoas]]></category>
		<category><![CDATA[ônibus]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Outro dia eu resolvi ajudar um cara. O busão quebrou e o que veio pra dar carona não era a mesma linha, um rapaz perdido precisava de ajuda pra reprogramar sua rota. Perguntei onde queria chegar, expliquei como fazer, corrigi as informações erradas que ele tinha, por uns 10 minutos bati papo. Quase chegando no [&#8230;]</p>
<p>Publicado originalmente em <a href="https://lomyne.com">Lomyne&#039;s in tha house</a>.</p>
]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p>Outro dia eu resolvi ajudar um cara. O busão quebrou e o que veio pra dar carona não era a mesma linha, um rapaz perdido precisava de ajuda pra reprogramar sua rota. Perguntei onde queria chegar, expliquei como fazer, corrigi as informações erradas que ele tinha, por uns 10 minutos bati papo. </p>



<span id="more-3143"></span>



<p>Quase chegando no meu destino, meio descontextualizado, o rapaz comenta uma pequena notícia de expressão da sua cidade:</p>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow"><p>Você viu o cara que roubou linguiça lá em Matinhos? Aí pegaram ele, bateram nele, ele disse que roubou porque estava com fome. Teve até celebridade que foi pra lá e aí veio essa gente de humanas e o cara ganhou 30 mil porque roubou linguiça. </p></blockquote>



<p>Eu tinha que descer, não dava tempo de entender a notícia estapafúrdia que ouvi, só senti o ódio me fervendo nessa história que mesmo sem saber de nada eu já emiti juízo de valor:</p>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow"><p>Com certeza ele não ganhou 30 mil porque roubou linguiça. Ele recebeu 30 mil porque alguém achou que tinha direito de bater e retaliar como quisesse, porque pessoas sem noção pensaram que são polícia, lei, juiz e carrasco. E inclusive violaram a lei. Ninguém tem o direito de bater em ninguém, não importa o motivo. E a propósito, eu sou de humanas. </p></blockquote>



<p>Se ele pode cagar regra, eu posso também. Cheguei em casa quase bufando, chateada com essa história. Fui atrás da verdade, já que papo de busão tem a mesma credibilidade de grupo de WhatsApp: nenhuma.</p>



<p>Acontece que um idoso passando fome roubou pão e linguiça no mercado, foi agredido fisicamente pelos funcionários e mandado embora, segundo as notícias. Nada disso foi reportado à polícia. </p>



<p>Inicialmente, eu achava que o cara tinha recebido indenização pela agressão física, emocional, exposição do vídeo em redes sociais. Não foi o caso. Um vídeo que mostra as condições precárias de vida desse idoso viralizou e MC Mirella fez uma vaquinha de R$ 30 mil para ajudá-lo. Ultrapassou a meta com facilidade e foram R$ 65 mil arrecadados. Não sei se ele já recebeu.</p>



<p>Furto deveria ser punido? Sim. Teve queixa? Não. Agressão física por funcionários da loja deveria ser punida? Sim. Teve queixa? Não. O cara ganhou dinheiro porque roubou? <strong>Não.</strong></p>



<p>Que espécie é essa que faz esse raciocínio estúpido de causa e efeito? Seja qual for, humano não é. </p>



<p>Ajudei alguém que precisava e fui embora me sentindo o mordomo do Tang: <em>ele não merece</em>. Faz parte, né? Eu jamais deixaria de ajudar. Porque percebo que, assim como o idoso, o rapaz no busão precisava de ajuda. Uma pena que ele não percebe. Quem sabe um dia. Quem sabe se ele conhecer a <a href="https://lomyne.com/2019/04/isabel-e-os-papos-de-almoco/">Isabel</a>.</p>
<p>Publicado originalmente em <a href="https://lomyne.com">Lomyne&#039;s in tha house</a>.</p>
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		<title>Isabel e os papos de almoço</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Lomyne]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 15 Apr 2019 19:30:49 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[pessoas]]></category>
		<category><![CDATA[conversa de almoço]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Ela vem a cada duas semanas. Por volta das oito e meia, Isabel chega retumbante. Enquanto tomo café ela me conta alguma história, pergunta algumas coisas e eu passo algumas instruções. Isabel é conversadeira, às vezes me interrompe no trabalho, puxando algum assunto que eu respondo monossilábica. Conversamos mesmo no almoço. Falamos de notícias, do [&#8230;]</p>
<p>Publicado originalmente em <a href="https://lomyne.com">Lomyne&#039;s in tha house</a>.</p>
]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p>Ela vem a cada duas semanas. Por volta das oito e meia, Isabel chega retumbante. Enquanto tomo café ela me conta alguma história, pergunta algumas coisas e eu passo algumas instruções. </p>



<span id="more-3145"></span>



<p>Isabel é conversadeira, às vezes me interrompe no trabalho, puxando algum assunto que eu respondo monossilábica. Conversamos mesmo no almoço. Falamos de notícias, do passado e do presente, às vezes do futuro. Quanto mais eu converso com a Isabel, mais incrível eu percebo que ela é.</p>



<p>A Isabel trabalha de diarista com familiares a muitos anos, conhece todo mundo. Um dia ela chegou contando que estava comprando mais uma casa, pro seu filho mais novo. Veio me agradecer porque fui eu que disse a ela que guardasse dinheiro. Dez anos depois, tem a casa dela e deu entrada em uma casa pra cada filho no Minha Casa, Minha Vida. Mora com o marido e alugou a casinha dela, paga as prestações com o rendimento do aluguel.</p>



<p>Desde esse papo da casa, eu passei a prestar mais atenção e quis saber mais da história dela.</p>



<p>Pelo que sei, a Isabel nasceu no interior, no norte do Paraná. Trabalhou na roça, estudou até a quarta série (quinto ano pra essa juventude aí). Não é um começo de vida fácil. Com muito esforço terminou o estudos com supletivo, bem mais velha. Isabel entende o valor da educação, fez todos os filhos concluírem o ensino médio com algum técnico, hoje vive preocupada com os netos.</p>



<p>Outro dia ela me contou orgulhosa da neta que está fazendo 14 anos, está correndo atrás de seu primeiro emprego como menor aprendiz e a menina já andou perguntando por quanto tempo ela precisa guardar R$ 100 por mês até comprar uma casa pra ela. Melhor que muito adulto. </p>



<p>Isabel passou um tempão tentando resolver documentos do trabalho dela na roça, está quase se aposentando, hoje mesmo falamos sobre pagar o carnê do INSS pra se aposentar. Isabel gosta de tudo muito correto e por vezes briga com muita gente por isso, desde a própria família até alguns &#8220;patrões&#8221;. </p>



<p>Ela é como tantos que vem de uma história de vida sofrida, mas tem algo de especial. Isabel adora aprender. Tem dias que isso me dá trabalho, como quando perguntou o que é direita, o que é esquerda e porque os dois são ruim. Foi um longo almoço. </p>



<p>Já se vão alguns anos que converso com ela sempre que posso. Porque Isabel gosta de aprender, Isabel me ensina. A cada conversa, preciso me readequar para escolher como falar, ensinar palavras, explicar como as coisas grandes do país e do mundo afetam a vida dela. Não é um exercício fácil, preciso sair da minha zona de conforto de linguagem, de meio social, de formação educacional. </p>



<p>O mais difícil mesmo é tentar explicar que o mundo não é binário como todo mundo quer fazer crer. Não é tudo preto ou branco, certo ou errado, bom ou ruim. Tem coisas que são boas e tem efeitos colaterais ruins, mesmo parecendo certo, pode dar errado e existe muita coisa cinza por aí. O que eu tento, em cada conversa, é dar subsídios pra Isabel construir suas opiniões. E o que eu vejo, nesses mais de 10 anos, é que ela tem conseguido. Nem sempre ela concorda comigo, mas isso não importa. Importa que são opiniões dela, embasadas, não ideias compradas. </p>



<p>No fundo do meu coração, eu sou de humanas. E tenho um orgulho bobo de achar que Isabel também é de humanas, não precisa de faculdade pra exercitar senso crítico. Isabel é uma pessoa melhor do que muita gente que eu conheço. Provavelmente, muito melhor que eu. </p>



<p>Moral da história: converse com pessoas com perspectivas sociais muito diferentes das suas. Mais ricos, mais pobres, outras cores, outras identidades de gênero. Ouça de verdade. Talvez você os ensine, talvez não. Com certeza, você vai aprender.

</p>
<p>Publicado originalmente em <a href="https://lomyne.com">Lomyne&#039;s in tha house</a>.</p>
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		<title>Plano de vida</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Lomyne]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 12 Apr 2019 18:45:12 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[diarinho]]></category>
		<category><![CDATA[pessoas]]></category>
		<category><![CDATA[plano de vida]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Essa semana tive 3 conversas parecidas, com pessoas além dos 30 anos. Tínhamos um plano de vida e ele foi pro espaço ao longo do caminho. Tem gente pra quem o plano desenhado funcionou, mas definitivamente não é a maioria. O plano é meio parecido para todo mundo, quase igual o das plantas que a [&#8230;]</p>
<p>Publicado originalmente em <a href="https://lomyne.com">Lomyne&#039;s in tha house</a>.</p>
]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p>Essa semana tive 3 conversas parecidas, com pessoas além dos 30 anos. Tínhamos um plano de vida e ele foi pro espaço ao longo do caminho. Tem gente pra quem o plano desenhado funcionou, mas definitivamente não é a maioria.</p>



<span id="more-3133"></span>



<p>O plano é meio parecido para todo mundo, quase igual o das plantas que a gente aprendeu no primário: nasce-cresce-reproduz-morre. Um pouco mais elaborado, um modelinho bem classe média (desculpe, é meu meio social):</p>



<ol class="wp-block-list"><li>Nasce</li><li>Cresce</li><li>Faz uma faculdade</li><li>Conquista um bom emprego ou abre um negócio de sucesso</li><li>Casa e tem filhos</li><li>Segue em linha reta até morrer</li></ol>



<p>Muitos planos que eu conheço foram pro beleléu entre o 3 e o 5. Ao que me parece porque essas metas deveriam ser cumpridas antes dos 30 anos. Essas etapas não funcionaram pra maioria, porque né, isso não era bem um plano, era meique sonho, planejamento é outra coisa. </p>



<p>Tem gente que desistiu da primeira faculdade ou não teve grana pra concluir, foi levando a vida como dava. Tem mais um monte de gente que atrasou no sucesso profissional esperado, não chegamos no modelo yuppie de sucesso. E claro, tem uma quantidade obscena de gente que não achou o grande amor pra construir a família perfeita do comercial de margarina.</p>



<p>Na minha idade meus pais estavam com o plano todo completinho. Alguns percalços financeiros, mas o plano funcionou pra eles. Pra mim a faculdade deu certo, mas a estabilidade financeira e profissional chegou lá pelos 30 mesmo. O casamento só depois. Aliás, já estou no segundo e não tenho filhos. </p>



<h3 class="wp-block-heading"> E agora?</h3>



<p>Pois então. Em essência, os planos da minha geração não fracassaram miseravelmente, só atrasaram. Apesar do atraso do plano, o amadurecimento chega pra todo mundo. E agora acontece que a gente enxerga que isso não era um plano. </p>



<p>Conheço muitos que olham para o mundo e pensam: é melhor não colocar mais um ser humano nissaê, não tá bom não. Conheço outros tantos que depois dos 30 anos decidiram recomeçar a carreira. À exceção dos herdeiros de empresas, não conheço ninguém que acredite na estabilidade do trabalho como acreditavam os mais velhos.</p>



<p>No fim do dia, acho que não queremos mais o plano. E sabe de uma coisa? Tá tudo bem. Somos adultos, as certezas dos nossos pais não nos servem, porque elas não existem mais. </p>



<p>Talvez você precise de um grande plano de vida, talvez não. De toda forma, acho melhor abandonar o plano que não era seu e tomar as suas decisões. A modernidade é liquida demais para sermos tão simplistas como outras gerações foram.</p>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow"><p> A coisa mais adulta que você pode fazer é fracassar naquilo que você acha importante. </p><cite>(A Loja de Unicórnios, Netflix)</cite></blockquote>
<p>Publicado originalmente em <a href="https://lomyne.com">Lomyne&#039;s in tha house</a>.</p>
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		<title>Lá se vão 17 anos</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Lomyne]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 04 Apr 2019 15:13:41 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[metablog]]></category>
		<category><![CDATA[aniversário]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Hoje o blog faz aniversário. Há 17 anos, escrevi meu primeiro post, perdido junto com os primeiros meses em alguma migração. Então melhor dizendo, hoje eu faço aniversário de blogueira. Como todo ano desde então, eu não passo 4 de abril sem refletir sobre o assunto. Esse exercício de refletir não muda muito. O que [&#8230;]</p>
<p>Publicado originalmente em <a href="https://lomyne.com">Lomyne&#039;s in tha house</a>.</p>
]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p>Hoje o blog faz aniversário. Há 17 anos, escrevi meu primeiro post, perdido junto com os primeiros meses em alguma migração. Então melhor dizendo, hoje eu faço aniversário de blogueira. Como todo ano desde então, eu não passo 4 de abril sem refletir sobre o assunto.<span id="more-3064"></span></p>



<p>Esse exercício de refletir não muda muito. O que eu escrevi <a href="http://lomyne.com/2015/07/sobre-ter-um-blog-em-2015/">sobre ter um blog em 2015</a> é praticamente a mesma coisa que eu penso hoje. Houveram alguns marcos na evolução até então, mas de 2015 pra cá escrever pra dar opinião é uma atividade praticamente igual. </p>



<p>A epifania desse ano tem algo de especial. Esse ano eu assumi que meu blog é um hobby. A primeira evidência disso é que esse blog sempre deu mais despesa do que lucro. Nem sei quanto de dinheiro já foi, entre domínio, hospedagem e templates. Não importa, é meu hobby. </p>



<p>Como qualquer hobby, a coisa mais importante sobre esse blog é que eu faço pra mim. Desde o primeiro dia, sempre foi pra mim. Sempre escrevi como eu falo e se você já conversou comigo pessoalmente sabe que não é exatamente o modelo ideal da garota popular (um beijo pra Julie e sua eterna piada &#8220;você escreve tudo em caixa alta?&#8221;).</p>



<p>Na época eu já estudava publicidade, se eu quisesse ganhar audiência e dinheiro, teria que ser de outro jeito, eu sei que assim não é popular, pra cada um que gosta, 10 que odeiam. Já dizia Oscar Wilde: </p>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow"><p>A cada bela impressão que causamos, conquistamos um inimigo. Para ser popular é indispensável ser medíocre.</p></blockquote>



<p>Como hobby, eu sou bem relapsa, na real. Dizem que ter um hobby pode fazer muito bem a pessoa, mas recomenda-se mantê-lo com regularidade. Esse blog já passou 4 anos abandonado. Mesmo a consistência de postagem de 2019 não é algo que eu garanta que vou manter pra sempre. Hobby. </p>



<p>O que importa mesmo é soprar as velinhas, dizer parabéns a mim mesma e agradecer por cada pessoa maravilhosa que os blogs me deram. A maioria hoje abandonou, mas os mais especiais estão nas minhas redes sociais, são meus amigos amados demais. Obrigada aos que acompanham. Vamos em frente, que isso aqui está pago até 2021. 

</p>
<p>Publicado originalmente em <a href="https://lomyne.com">Lomyne&#039;s in tha house</a>.</p>
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		<title>Capitã Marvel, os metaleiros, o Vasco e o shampoo</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Lomyne]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 02 Apr 2019 12:43:46 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[comportamento]]></category>
		<category><![CDATA[cultura]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Semana passada fomos no cinema ver Capitã Marvel. Enquanto as letrinhas subiam, meu marido perguntou: mas por que tanta gente reclamou desse filme? Qual foi o problema mesmo? Na hora respondi que não sei bem, mas tenho minhas teorias. Filme visto, várias resenhas lidas, não consigo encontrar problema maior do que o fato de que [&#8230;]</p>
<p>Publicado originalmente em <a href="https://lomyne.com">Lomyne&#039;s in tha house</a>.</p>
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<p> Semana passada fomos no cinema ver Capitã Marvel. Enquanto as letrinhas subiam, meu marido perguntou: <em>mas por que tanta gente reclamou desse filme? Qual foi o problema mesmo?</em> Na hora respondi que não sei bem, mas tenho minhas teorias. </p>


<p><span id="more-3060"></span></p>


<p>Filme visto, várias resenhas lidas, não consigo encontrar problema maior do que o fato de que Capitã Marvel é uma mulher. Não tem outra justificativa. O escrutínio que este filme está passando é um velho conhecido. </p>



<p>Se por acaso você é uma mulher metaleira (ou tem alguma amiga que seja), você já viu uma situação semelhante:<em> ah, você gosta de Judas Priest? Então me diga, em qual cidade nasceu o produtor do terceiro disco? Não sabe? Ah, então você não gosta de Judas Priest de verdade.</em> Qualquer homem com camiseta de Pink Floyd é um roqueiro respeitado, até os do tipo que vaiam Roger Waters podem manter a chancela em paz. Mas nasceu mulher, fodeu-se, tem que provar que merece gostar de rock. </p>



<p>Ou pra falar de mim mesma, não raro ao dizer que torço pro Vasco me perguntam coisas como: <em>ah, é? então diz aê, qual a escalação do Vasco quando foi campeão brasileiro em 1998?</em> Sim, desse jeito mesmo, de eu ter que corrigir que foi em 1997, não 98, o cidadão &#8220;vascaíno&#8221; não acerta nem o ano, mas como eu sou mulher preciso saber escalar o time! Desculpa se não sou vascaína o suficiente pra você, mas você questiona um homem assim?</p>



<p>Muitos foram ver Capitã Marvel duvidando que seria bom, assistiram procurando defeitos a cada segundo, saíram gralhando nas redes sociais. Se a gente prestar atenção de verdade nas &#8220;críticas&#8221; negativas do filme, vai perceber que nenhum dos outros filmes do Universo Marvel do Cinema passa na mesma avaliação. Espero que ninguém se atreva a dizer que é porque a audiência está mais refinada. Brie Larson tem um OSCAR na prateleira, mas vi gente por aí dizendo que ela é má atriz. Adivinha a qualificação técnica do crítico? Exatamente: nerd-zé-ruela.</p>



<p>O fato é que Capitã Marvel é um filme sobre uma mulher. Apesar do longo histórico de filmes excelentes da Marvel no cinema, não importa. A predisposição da audiência é negativa. Acaba sendo necessário que uma mulher se prove 10x melhor para merecer estar ao lado. Não importa se ela é metaleira, vascaína ou super-heroína. </p>



<p>Sabe quem reclama de Capitã Marvel? Os homens cuja masculinidade não dá conta de um rótulo de shampoo. Não conhece o conceito? Vou te explicar: tem produtos para absolutamente todos os tipos de cabelo, mas o cara compra aquele que está escrito HOMEM ou MEN no rótulo. Isso é o homem &#8220;normal&#8221;: precisa que até o rótulo de shampoo reafirme sua masculinidade. </p>



<p>Bendito seja meu marido e seu shampoo reconstrutor sem sal de arginina. Eu e ele amamos Capitã Marvel. Aguardamos ansiosamente um filme da Viúva Negra.</p>



<p>obs.: se ao ler este post você pensou coisas como &#8220;<em>der, judas priest não é metal</em>&#8220;, &#8220;<em>ah, torce pro vasco, não manja nada de futebol</em>&#8221; ou &#8220;<em>ain, um oscar não garante nada</em>&#8220;, saiba que esse post é precisamente uma crítica a você. Assume de uma vez e manda a foto do seu shampoo.  <img src="https://s.w.org/images/core/emoji/17.0.2/72x72/1f61b.png" alt="😛" class="wp-smiley" style="height: 1em; max-height: 1em;" /></p>
<p>Publicado originalmente em <a href="https://lomyne.com">Lomyne&#039;s in tha house</a>.</p>
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		<title>O que meu pai me ensinou sobre a Ditadura</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Lomyne]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 01 Apr 2019 15:13:36 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[política]]></category>
		<category><![CDATA[ditadura]]></category>
		<category><![CDATA[educação]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Tudo que os professores não diziam e eu não perguntava na escola pra não ser a pária social CDF, eu perguntava pro meu pai. Quando a pergunta era difícil e de resposta longa, ele dava uma boa suspirada, mas tinha uma paciência de Jó pra responder. Assim foi no dia da pergunta &#8220;Pai, como era [&#8230;]</p>
<p>Publicado originalmente em <a href="https://lomyne.com">Lomyne&#039;s in tha house</a>.</p>
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<p>Tudo que os professores não diziam e eu não perguntava na escola pra não ser a pária social CDF, eu perguntava pro meu pai. Quando a pergunta era difícil e de resposta longa, ele dava uma boa suspirada, mas tinha uma paciência de Jó pra responder. Assim foi no dia da pergunta &#8220;<em>Pai, como era viver na ditadura?</em>&#8221; Um enorme suspiro e uma explicação maior ainda.<span id="more-3055"></span></p>



<p>Quando a ditadura começou, meu pai tinha 15 anos, ele viu endurecer, teve sua fichinha no DOPS por ser universitário, mas nunca passou perrengue algum de fato. Enquanto o Brasil vivia seus anos de chumbo, meus pais construíam a família, a casa, a vida, cuidando de seus próprios problemas e não das grandes questões nacionais.</p>



<p>Haviam os festivais, os programas de TV, a consolidação da comunicação de massa com a tv e com o rádio. Mas vocês já conversaram com seus antecessores? Se fizerem isso, é bem provável que escutem versões muito brandas daquela época, coisas que levam pessoas famosas hoje em dia a duvidar da história porque seus pais não vivenciaram os problemas, nem conhecem ninguém que passou por isso. </p>



<p>Meu pai dizia que para quem não se importava, não morava nos grandes centros urbanos nem se envolveu nas universidades e nos meios intelectuais, a ditadura passou em brancas nuvens. Sim, caro leitor, em brancas nuvens. Porque para quem não tem conhecimento do quanto está sendo oprimido, para quem não reage, não há perseguição. Gado é gado, tanto faz hoje ou há 50 anos.</p>



<p>Não foi o seu avô vendedor de hortaliças que foi preso e torturado, nem meu pai representante comercial. Ninguém viu a ditadura passar na sua família se ninguém tinha nível educacional pra entender conceitos como poder de compra, dívida externa, macroeconomia, liberdade de expressão. E sejamos sinceros, há 50 anos não era em qualquer família que alguém conseguia chegar na universidade, menos ainda eram famílias em que um jovem poderia falar contra os absurdos do governo na mesa de domingo sem ser repreendido por um tio ou avô ignorante que não queria esse tipo de conversa baderneira. Provavelmente, a avó do interior que viu uma receita no lugar de uma notícia, recortou a receita pra fazer no final de semana sem sequer perceber o crime nas entrelinhas.</p>



<p>A maioria das pessoas se preocupa muito mais com seus problemas imediatos e complementa sua visão de mundo com seus achismos. Se você consegue perceber que isso é errado, saiba que você é um privilegiado. Para se preocupar com questões maiores de desenvolvimento da sociedade, você precisa ser uma pessoa que tem comida, roupa, teto e principalmente educação. Mesmo meus pais, que não eram ignorantes, tinham mais coisas pessoais a resolver do que se engajar em movimentos nacionais perigosos. Se mantiveram alienados porque precisavam cuidar das próprias vidas. </p>



<p>Se hoje você sabe, você deve isso a pessoas que se levantavam pelo bem de todos, enquanto aqueles que relevam a ditadura só estavam tentando resolver seus próprios problemas. Mesmo que a pessoa não ache que foi uma vítima, ela foi. Síndrome de Estocolmo, sabe?</p>



<p>Por isso, se você tem que lidar com alguém que acha que a ditadura não existiu (ou foi susse, ou só prendeu vagabundos), respire bem fundo como meu pai e explique. Explique como meu pai fazia, não seja como aquele velho que não queria conversa baderneira. Tente mostrar que o mundo inteiro não é medido pelo próprio umbigo egoísta. O objetivo todo é fazer a próxima geração menos alienada do que a atual, assim como no geral somos bem menos alienados que a geração anterior.</p>



<p>Se não fizermos isso, estamos fadados a uma existência em que o cara aponta uma régua pra linha do horizonte e assim prova que a Terra é Plana. Esse é um ignorante também, caso alguém tenha dúvida. Ambos os casos são alienações resultantes do indivíduo que não percebe sua mediocridade na existência coletiva, seja do país ou do universo. É só pretensão, a gente pode ajudar. </p>



<p>obs.: por favor, não se ofenda com a palavra &#8220;ignorante&#8221;, pois isso só significa que a pessoa não sabe, não é uma ofensa, qualquer ignorante pode aprender, desde que ele queira e encontre alguém que queira ensinar. Que tal você?</p>
<p>Publicado originalmente em <a href="https://lomyne.com">Lomyne&#039;s in tha house</a>.</p>
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		<title>Ô Abre Alas, o Bolsonaro vai passar</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Lomyne]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 08 Mar 2019 15:59:54 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[comportamento]]></category>
		<category><![CDATA[pessoas]]></category>
		<category><![CDATA[política]]></category>
		<category><![CDATA[presidente]]></category>
		<category><![CDATA[twitter]]></category>
		<category><![CDATA[vergonha]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Em pleno Carnaval, o presidente do Brasil Jair Bolsonaro causou mais uma vez. Poderia estar trabalhando, poderia estar falando o que pensa só para os amigos íntimos, mas como qualquer adolescente bêbado que se preze, estava usando o Twitter sem pensar. A fuzarca foi tamanha que eu estava contando as horas para ver o William [&#8230;]</p>
<p>Publicado originalmente em <a href="https://lomyne.com">Lomyne&#039;s in tha house</a>.</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p>Em pleno Carnaval, o presidente do Brasil Jair Bolsonaro causou mais uma vez. Poderia estar trabalhando, poderia estar falando o que pensa só para os amigos íntimos, mas como qualquer adolescente bêbado que se preze, estava usando o Twitter sem pensar. A fuzarca foi tamanha que eu estava contando as horas para ver o William Bonner explicar o que aconteceu em rede nacional (confesso que me diverti). </p>


<p><span id="more-3033"></span></p>


<p>Parágrafo de explicação pra você que passou o Carnaval num bunker: Vossa Excelência publicou um vídeo sobre o que &#8220;<em>tem virado muitos blocos de rua no carnaval brasileiro</em>&#8220;. Eu me recuso a incorporar o tweet, se quiser ver, <a rel="noreferrer noopener" aria-label="clica aqui (abre em uma nova aba)" href="https://twitter.com/jairbolsonaro/status/1103069837876711425" target="_blank">clica aqui</a>. Na manhã seguinte, lá estava ele perguntando no Twitter <a rel="noreferrer noopener" aria-label="O que é golden shower? (abre em uma nova aba)" href="https://twitter.com/jairbolsonaro/status/1103270588850806787" target="_blank">O que é golden shower?</a></p>



<blockquote class="wp-block-quote is-style-large is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow"><p>VOSSA EXCELÊNCIA NÃO SABE PROCURAR NO GOOGLE ANTES DE COLOCAR NO TWITTER!</p></blockquote>



<p>Acho que faz uns 10 anos que qualquer usuário do Twitter sabe que tuitar uma pergunta é correr risco de passar ridículo. Talvez o presidente ache que ele não é &#8220;qualquer um&#8221;. Se for isso, eu não consigo compreender como o nobre senhor não sabe que &#8220;não ser qualquer um&#8221; é muito mais catastrófico.</p>



<p>Ontem meu marido até comentou a noite: mas será que é ele mesmo que posta no Twitter? Não é um funcionário? Meu argumento é que não, porque afinal um funcionário seria alguém que pensaria o que está fazendo. Um funcionário sabe usar o Google, quem sabe até entenda de redes sociais. No mínimo, um funcionário não faria isso por medo de perder o emprego.</p>



<p>Aliás, por falar nisso, uma animação momentânea se espalhou com a possibilidade de impeachment por quebra de decôro. Aham, vamos derrubar um presidente por causa de um tweet. Por favor, não sejam ridículos! Dois meses de governo e já temos uma quantidade gigante de cenas constrangedoras muito mais sérias, essa não será o suficiente. Além do quê, se rola esse impeachment, já reparou no vice? Como isso seria motivo de alegria?</p>



<p>Sabe em quem eu penso? Nas almas infelizes trabalhando com comunicação e jornalismo. Vi pelo menos 3 jornalistas brasileiros que moram fora contando que colegas gringos vieram perguntar &#8220;<em>foi o presidente mesmo? Isso não é fake?</em>&#8221; Imagina que bosta, você tendo que explicar o mau uso da internet do seu presidente. Pensa nos coitados que não votaram nele e tem que explicar essa situação ridícula! Já repercutiu  muito mal na Inglaterra, na Alemanha, em Portugal e na Argentina. Segundo <a href="https://www.poder360.com.br/midia/postagem-de-bolsonaro-no-twitter-gera-mais-de-260-mil-posts-em-sites-no-mundo/" target="_blank" rel="noreferrer noopener" aria-label="essa notícia (abre em uma nova aba)">essa notícia</a>, foram mais de 260 mil notícias pelo mundo. Pesquisei no Google, recomendo. </p>



<p>Aí corre o pessoal da comunicação social da Presidência da República pra fazer uma nota no mínimo risível:</p>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow"><p> <em>“A respeito de publicação realizada na conta pessoal do Presidente da República, em 5 de março, convém esclarecer que:</em><br><em>– No vídeo, postado pelo Sr Presidente da República em sua conta pessoal de uma rede social, há cenas que escandalizaram, não só o próprio Presidente, bem como grande parte da sociedade.</em><br><em>– É um crime, tipificado na legislação brasileira, que violenta os valores familiares e as tradições culturais do carnaval.</em><br><em>– Não houve intenção de criticar o carnaval de forma genérica, mas sim caracterizar uma distorção clara do espírito momesco, que simboliza a descontração, a ironia, a crítica saudável e a criatividade da nossa maior e mais democrática festa popular.”</em> </p></blockquote>



<p>Sério, galera, vocês que estão trabalhando aí na comunicação da Presidência: vocês dormem à noite? O dinheiro tá compensando a vergonha? Ou vocês não tem vergonha? Vocês teriam coragem de olhar nos olhos dos seus professores de faculdade de comunicação e dizer pra eles &#8220;<em>eu me orgulho do que eu estou fazendo porque estou ajudando a fazer um país melhor</em>&#8220;? Sério, como vocês conseguem?</p>



<p>Na verdade essas perguntas são retóricas. Eu conheço uns torcedores do Bolsonaro. Tenho um grupo de WhatsApp cheio deles (e defender o Bolsonaro nem é a coisa mais escrota que costuma rolar ali, por isso no mudo e eternamente ignorado). Eu poderia conversar com eles para saber o que pensam. Mas sabe, eu não quero. Eu não tenho estômago para descobrir até que ponto vão defendê-lo em nome da moral e dos bons costumes, estes legítimos cidadãos de bem contra a corrupção. E também não sei dizer até que ponto conseguiria ouvi-los civilizadamente antes de começar a jogar na cara as práticas destes mesmos cidadãos de bem.</p>



<p>Este post começou a ser escrito na quinta-feira, dia 7 de março. Antes de eu terminar e publicar, Vossa Excelência já disse que &#8220;democracia e liberdade, só existe quando a sua respectiva Forças Armadas assim o quer&#8221; (<a rel="noreferrer noopener" aria-label="link (abre em uma nova aba)" href="https://g1.globo.com/rj/rio-de-janeiro/noticia/2019/03/07/democracia-e-liberdade-so-existem-se-as-forcas-armadas-quiserem-diz-bolsonaro-a-militares-no-rj.ghtml" target="_blank">link</a>) e recomendou que pais arranquem as páginas sobre educação sexual da Caderneta de Saúde da Adolescente, além de avisar que vai reeditar (<a rel="noreferrer noopener" aria-label="link (abre em uma nova aba)" href="https://oglobo.globo.com/sociedade/bolsonaro-sugere-que-pais-rasguem-paginas-sobre-educacao-sexual-de-caderneta-de-saude-da-adolescente-23506442" target="_blank">link</a>). É tanto absurdo que eu não faço a menor ideia de porquê me dou ao trabalho. </p>



<p>Eu não sei como conseguem dormir à noite. Eu só sinto vergonha. Vergonha alheia, porque não foi com meu voto que ele chegou lá.</p>



<figure class="wp-block-image"><img fetchpriority="high" decoding="async" width="960" height="304" src="http://lomyne.com/wp-content/uploads/2019/03/malvados-20190307-2.jpg" alt="" class="wp-image-3044" srcset="https://lomyne.com/wp-content/uploads/2019/03/malvados-20190307-2.jpg 960w, https://lomyne.com/wp-content/uploads/2019/03/malvados-20190307-2-300x95.jpg 300w, https://lomyne.com/wp-content/uploads/2019/03/malvados-20190307-2-768x243.jpg 768w" sizes="(max-width: 960px) 100vw, 960px" /><figcaption><a href="https://www.facebook.com/malvadoshq/" target="_blank" rel="noreferrer noopener" aria-label="Malvados - André Dahmer (abre em uma nova aba)">Malvados &#8211; André Dahmer</a></figcaption></figure>



<p class="has-small-font-size"><em><strong>Créditos da imagem do cabeçalho:</strong> Marcelo Camargo/Agência Brasil [</em><a href="https://creativecommons.org/licenses/by/3.0/br/deed.en"><em>CC BY 3.0 br</em></a><em>], </em><a href="https://commons.wikimedia.org/wiki/File:Jair_Bolsonaro_discute_viol%C3%AAncia_contra_mulheres.jpg"><em>via Wikimedia Commons</em></a><em>, imagem redimensionada.</em> </p>
<p>Publicado originalmente em <a href="https://lomyne.com">Lomyne&#039;s in tha house</a>.</p>
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