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	<title>Marmota, Mais dos Mesmos</title>
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	<description>Desde 2002, muito obrigado por nada</description>
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		<title>O último blogueiro</title>
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		<dc:creator><![CDATA[André Marmota]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 02 Jan 2026 23:36:40 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Marmota no Digiverso do Chorume]]></category>
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					<description><![CDATA[Manhã movimentada de uma quarta-feira qualquer em São Paulo. Em um vagão de metrô cheio, mas não abarrotado, Adriano está segurando uma edição impressa de “Regresso ao Admirável Mundo Novo” quando ergue a cabeça. Acabara de ler algo sobre “o imenso trabalho que a natureza teve para que cada indivíduo fosse diferente dos outros”. Vê [&#8230;]]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p><img decoding="async" src="http://marmota.org/blog/secoes/chorume.gif" align="right">Manhã movimentada de uma quarta-feira qualquer em São Paulo. Em um vagão de metrô cheio, mas não abarrotado, Adriano está segurando uma edição impressa de “Regresso ao Admirável Mundo Novo” quando ergue a cabeça.</p>
<p>Acabara de ler algo sobre “o imenso trabalho que a natureza teve para que cada indivíduo fosse diferente dos outros”. Vê um ajuntamento de gente com fones de ouvido e olhar fixo no smartphone. “Muita gente estranha num mesmo lugar. Estamos todos no mesmo sentido… Ao mesmo tempo, cada um é sua própria direção. Todo mundo aqui, só que não”, pensa.</p>
<p>Guarda o livro em sua bolsa-carteiro. Desembarca, desvia de um ou outro “zumbi diante da tela” e segue caminhando. Não está num bairro familiar, mas as poucas memórias o surpreendem. “Aqui não era uma livraria?”, questiona-se diante de um desses minimercados de rede de arquitetura padronizada — como os “caixotes cinzentos envidraçados” que tomam conta da cidade.</p>
<p>Ainda resistem poucas casinhas antigas. Uma delas, de fachada simples, reboco branco descascando, piso de caquinhos vermelhos e portão de ferro com sinais de zarcão. Adriano não encontra o botão da campainha; decide bater palmas e chamar “ô de casa”. Como os Maias faziam, diria um tiktoker. “Era melhor ele ter visto a mensagem que mandei no Zap”, ri.</p>
<p>Um bonachão de meia idade caminha pelo quintal. Barba por fazer, cabelo em desalinho, camiseta desbotada, bermuda na altura do joelho. Abre o portão. Logo depois, os braços e o sorriso.</p>
<p>— Desculpa, era pra esse abraço acontecer… Ah, sei lá quando… E não consegui vir antes…</p>
<p>— Não seja besta! Vem! Entra! A casa é sua! Você veio! Está aqui. Agora!</p>
<p>Adriano senta no sofá de couro em estofado florido. Observa o piso de tacos irregulares, estantes de madeira maciça altas e abarrotadas de livros e quinquilharias. O sol da manhã reflete em um mochinho, que cumpre a função de mesa de centro.</p>
<p>Mal consegue tirar o smartphone da bolsa para fotografar alguma coisa ou pedir a senha do wi-fi. Levanta do sofá incomodado com os livros espalhados no sofá, empilhados perto do mochinho…</p>
<p>— Se segura aí, o café já está saindo!</p>
<p>Na porta da cozinha, segurando três ou cinco livros diferentes, puxa assunto daquele jeito clássico.</p>
<p>— Mas você sumiu, hein!</p>
<p>— Ué!? Estou exatamente aqui, no mesmo cantinho. Sobrevivemos à pandemia! Seguimos trabalhando! E, veja só, tem café! É tudo o que a gente precisa.</p>
<p>— É, só que você não posta mais nada por aí!</p>
<p>O anfitrião termina de verter água no coador, deixa a chaleira no fogão e respira antes do café terminar de passar. Começa a elocubrar sobre o que estamos fazendo da vida na Internet. No fundo, Adriano esperava exatamente por esse momento.</p>
<p>— Eu poderia ter telefonado, né? Você também poderia ter dito &#8220;me liga!&#8221;. Houve um tempo em que a gente dizia essas coisas com frequência. Agora a gente não pensa mais nisso, percebeu? E quando alguém lembra, põe na conta da correria.</p>
<p>Enquanto prepara uma bandeja com xícaras e biscoitinhos, seguiu.</p>
<p>— Você fez uma associação engraçada agora. Eu &#8220;sumi&#8221;, ou seja, eu &#8220;não existo&#8221; sob o seu ponto de vista, só porque não apareço nas plataformas. Seria muito cruel com você, com a gente, se esse encontro incrível só pudesse existir se a gente posasse pra uma foto e publicasse em uma plataforma dessas. Não acha? Inclusive…</p>
<p>Sem terminar de ajeitar biscoitinhos, corre para uma das estantes da sala, pega um livro e entrega para Adriano.</p>
<p>— Mmmhh. O meio é a mensagem! Essa frase é famosa! McLuhan, isso mesmo!</p>
<p>— Está certo disso? Veja a capa outra vez.</p>
<div align="center"><a href="https://www.ubueditora.com.br/meio-massagem.html" target="_blank"><img decoding="async" src="http://marmota.org/blog/images/mcluhandoidao020126.jpg" title="O meio é a massagem! Massagem!!!" alt="O meio é a massagem! Massagem!!!"></a></div>
<p>Massagem! Ficaram repetindo &#8220;massagem&#8221; enquanto gargalhavam.</p>
<p>— Então. A nossa visão, digamos assim, ingênua, é a de que, para você saber como estou, você precisa receber a minha mensagem. A pergunta relevante, nesse caso, é: &#8220;o que ele disse?&#8221;, concorda? Questionar &#8220;por onde ele disse?&#8221; não parece tão relevante assim. Faz sentido?</p>
<p>Adriano balança a cabeça, positivamente.</p>
<p>— Pois é. Esquece. Os meios afetam todo mundo, independentemente do conteúdo. É a massagem, entende? Molde de cognição. E vou mais longe. O meio, hoje, te distrai. Desvia o seu olhar. Joga sua mente pra superfície. Você pode até estar conectado, mas em que lugar? Conversando com quem?</p>
<p>Enquanto faz a relação entre a &#8220;aulinha de McLuhan&#8221; e o vagão de metrô, Adriano encontra um <b><a href="https://www.flickr.com/photos/copovermelho/albums/72057594143123075/" target="_blank" title="Provavelmente um dos poucos registros de que esse evento realmente existiu!">copo vermelho de acrílico</a></b>, guardando algumas canetas e pen-drives perdidos, enquanto empilha livros na estante de madeira.</p>
<p>— Olha isso! &#8220;Festa do Copo Vermelho, Vila Madalena, 20 de maio de 2006&#8243;&#8230; Nem lembrava mais disso!</p>
<p>Os dois viajam por longos minutos para aquela ação que pretendia divulgar uma famosa marca de bebidas (aquela do &#8220;João andarilho&#8221;) e de outras iniciativas semi-amadoras de marketing que só duas mentes saudosistas seriam capazes de resgatar. Como um desfile de sungas na Paulista ou uma fracassada chuva de chocolate Twix.</p>
<p>— Esse copo aqui é a prova de que você já foi um influenciador digital!</p>
<p>— De jeito nenhum. Basicamente, você está dizendo que já fui um jogador de tênis só porque batia uma bolinha de borracha com raquete de frescobol. Aliás, não dá nem pra comparar blogueiro e influenciador com qualquer atleta ou esporte. A diferença é&#8230;</p>
<p>Adriano se acomoda no sofá com cara de &#8220;continue, quero saber a diferença&#8221;. O livro da &#8220;massagem&#8221; do McLuhan reaparece.</p>
<p>— Vejamos. Se a estrutura massageia o pensamento, vamos entender o que um blog faz. Quem escreve ou, sei lá, pede pra um chat publicar, sabe que está acumulando ideias em ordem cronológica. Mesmo quem não fizer nenhum ajuste na ferramenta, consegue convidar quem clica a navegar por data. Também pode inventar rótulos, abrindo uma ou outra porta diferente. E é só isso.</p>
<p>— Tá. E por que isso é mais importante do que a mensagem?</p>
<p>— Porque essa é a única estrutura que define o contrato com quem lê. É a simplicidade como a condição de existência do conteúdo. Não tem promessa. Não tem uma utilidade imediata. Não tem certeza. Nem pedido para vir aqui badalar o meu sininho. Mas tem voz. Tem contradição. Tem uma tentativa de enxergar e compartilhar o que vê. Tem um convite permanente para conversar, entende?</p>
<p>— Ou um café.</p>
<p>A frase é um lembrete. O café está na cozinha. Caminham até lá, servem-se e voltam.</p>
<p>— Agora, veja o que você precisou fazer para que pudéssemos tomar café. O clique num texto qualquer, provavelmente alguma conversa presa num contexto do tempo e do espaço&#8230; Como a Festa do Copo Vermelho, vai. Houve um esforço aí. Então, num outro momento, vem outro clique. Lembrar o que viu antes, fazer conexões entre as ideias, comentar e voltar mais uma vez, no futuro, é um movimento 100% produzido pelo autor do clique. É o leitor que constrói seu esquema com o blog. A estrutura vira filtro. Quem não está disposto a conversar, não fica.</p>
<p>— É o meu caso…</p>
<p>— Isso. Esse é o contrato. Um blogueiro e seu público constroem a partir do pensamento. O texto é evento. As coisas são datadas, dizem respeito ao contexto apresentado nele. Também é processo. O que vai ser escrito amanhã pode ser bem diferente do que se publicou ontem, mas ambos coexistem. O registro da mente se movendo com tempo é parte do sentido.</p>
<p>— Entendi. O blog é o conteúdo que se recusa a virar estrutura.</p>
<p>— Bingo. Agora abre o seu feed aí. Escolhe qualquer plataforma.</p>
<p>Adriano descreve o que vê. Cenas absurdas e engraçadas, curiosidades, anúncios, comentários vazios sobre política, discursos motivacionais…</p>
<p>— Tudo isso aqui se baseia em performance. O vídeo aparece automaticamente e a rolagem infinita deixa tudo fácil. Não tem esforço, só hiper-atenção. E cada fragmento desses só se justifica se houver número. As coisas são ditas a serviço da plataforma. Das notificações que viram métricas.</p>
<p>Os dois caem em um vídeo de algum fofoqueiro comentando qualquer treta relacionada a perfis que nenhum deles ouviu falar antes.</p>
<p>— Olha que loucura. Até agora, não vi nada de quem escolhi acompanhar. Todas as outras mensagens servem pra provocar reação. Pode ser riso. Mas normalmente é raiva. Não tem contrato com o pensamento de quem fala, só energia dissipada e cansaço. Amanhã ninguém vai lembrar do que provocou tanta reação difusa.</p>
<p>Adriano quer lembrar dos memes incríveis que recebeu recentemente. Tenta recuperá-los para mostrar mas não consegue. Paralelamente, saltam da estante livros sobre crônicas, ensaios, gêneros, experimentos. Falam ainda sobre esportes, viagens, família, esposa, filhos, crianças, jovens, pessoas, histórias, tempo, enfim.</p>
<p>Antes de ir, Adriano pergunta.</p>
<p>— Você não fica triste em saber que essa visão sobre blogs não existe mais?</p>
<p>— Não sei. Ainda fico mais triste com a fadiga de quem vive nas plataformas. Com nosso tempo sendo consumido por algum esquema ao invés da conversa. Gosto de pensar na utopia na qual, lá na frente, alguém vai perceber que está trocando algum indicador sem sentido pela chance de pensar. É muita ingenuidade?</p>
<p>A resposta que Adriano deixa para esta pergunta é um abraço, acompanhado por um &#8220;vê se não some&#8221;.</p>
<div align="center">***</div>
<p>Se o Adriano homônimo ao personagem estivesse entre a gente, perguntaria &#8220;por que esse texto ao invés de outros que nunca escrevi, como aquele da esfinge que pegou minha carteira de motorista&#8221;. Lembraria que apenas um indivíduo, em 20 e poucos anos, o chamou deliberadamente de Adriano.</p>
<p>Das últimas coisas que ele registrou, fica essa frase: &#8220;Não dê muita importância às coisas. Tudo vai se perder no tempo. Inclusive nós.&#8221;</p>
<div align="center">***</div>
<p>Quando penso na expressão &#8220;o último blogueiro&#8221;, vejo o <b><a href="http://www.rafael.galvao.org" target="_blank" title="Cabra bom, esse aqui">Rafael Galvão</a></b>.</p>
<div align="center">***</div>
<p>Compartilho o desejo do <b><a href="https://boanoiteinternet.com.br/p/em-2026-eu-desejo-que-voce-tenha" target="_blank" title="Outro cabra bom, esse aqui">Cris Dias</a></b>: escreva. E feliz ano novo.</p>
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		<title>Meu primeiro encontro com Luis Fernando Veríssimo</title>
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		<dc:creator><![CDATA[André Marmota]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 18 Aug 2025 17:29:42 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Plantão Marmota]]></category>
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					<description><![CDATA[No final de 1992, o horário nobre da TV estava movimentado. Guilherme de Pádua havia assassinado a filha de Glória Perez a facadas, mexendo na novela De Corpo e Alma – aquela que Tarcísio Meira se apaixonava por Cristiana Oliveira por causa do coração transplantado, que era da Bruna Lombardi, mas que os três espectadores [&#8230;]]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p><img decoding="async" src="/blog/secoes/denovo.gif" align="right">No final de 1992, o horário nobre da TV estava movimentado. Guilherme de Pádua havia assassinado a filha de Glória Perez a facadas, mexendo na novela De Corpo e Alma – aquela que Tarcísio Meira se apaixonava por Cristiana Oliveira por causa do coração transplantado, que era da Bruna Lombardi, mas que os três espectadores só lembram por causa do gótico Eri Reginaldo Johnson. Antes, no Jornal Nacional, o noticiário político tratava do então presidente da República, Fernando Collor de Mello, que na mesma época renunciou para evitar o processo de impeachment.</p>
<p>Eu era um moleque de quinze anos, passando férias em Pelotas. Antes de sintonizar a televisão à noite, passeava pela Marechal Floriano, perto da Praça Coronel Pedro Osório, flanando na Livraria do Globo. Ficava ao lado das Lojas Brasileiras e daquele prédio antigo onde ficava a farmácia Khautz.</p>
<p><img decoding="async" src="/blog/images/humorcollor250818.jpg" width="250" title="Foto que tirei agora, agorinha!" align="right">Ali comprei, por alguns milhares de cruzeiros, a 12ª edição de “Humor nos Tempos do Collor”, uma coletânea de humor político da L&#038;PM daquilo que, nos anos 1990, acreditava-se ser o pior governo da história do país. Mal sabíamos o que viria em 2018.</p>
<p>Mas enfim. Assinam o livro Jô Soares, que mantinha uma coluna semanal na Revista Veja; Millôr Fernandes, com suas participações no Jornal do Brasil; e um cronista, que também ensaiava tirinhas com cobras, publicado semanalmente no Zero Hora e no Estadão.</p>
<p>A crônica da página 50, “O quase”, é minha primeira lembrança de um texto do Luis Fernando Veríssimo. Aquela que me fez continuar procurando por ele desde sempre.</p>
<div align="center">***</div>
<p><i>Sentado sozinho no seu gabinete, Collor olha para o botão vermelho.</p>
<p>Retrocede no tempo, em pensamento. Lembra a primeira vez em que entrou no Palácio do Planalto. Já estava eleito, mas ainda não tomara posse. la ter uma reunião secreta com Sarney.</p>
<p>Collor lembra-se de todos os detalhes da visita. De como chegou ao Palácio do Planalto discretamente, vestindo um macacão cor de abóbora, de ultraleve, com uma escolta de seguranças em asas-deltas, e entrou pela porta dos fundos abanando para as câmaras. De como foi levado diretamente ao gabinete do Sarney.</p>
<p>O presidente estava sentado à cabeceira de sua mesa de trabalho. Disse para Collor dispensar seus acompanhantes. Precisavam ter uma conversa a sós.</p>
<p>– Senta aí – disse Sarney, indicando uma cadeira.</p>
<p>Coltor sentou. Sua cadeira, lentamente, começou a baixar</p>
<p>– O que é isso?! – disse Collor, quando notou que seu queixo quase encostava na mesa.</p>
<p>– Eu controlo a altura da cadeira com um botão aqui em baixo. É para quando recebo a visita do general Pires Gonçalves ou do Roberto Marinho. Para eles não se sentirem muito superiores.</p>
<p>– E dá certo?</p>
<p>– Não. O Gonçalves é tão alto que não faz efeito. E o Roberto Marinho traz dois catálogos telefônicos. E o Antônio Carlos Magalhães traz a sua própria cadeira. Mas é sempre bom saber que existe o recurso.</p>
<p>– Acho que não terei esse problema com o meu ministro do Exército…</p>
<p>– Sei. Você escolheu o Tinoco. O nome já é uma cadeira baixa.</p>
<p>Sarney apontou para uma fileira de botões em cima da mesa e foi descrevendo para o que servia cada um.</p>
<p>– Este aqui é para desintegrar o Maílson. Nunca usei, claro, mas estive perto de apertá-lo muitas vezes. Este aqui é para avisar a Marly que tive um dia terrível e que é para ela preparar minha tintura de bigode. Ah, e este aqui vai lhe dar muita alegria. É para chamar o Roberto Cardoso Alves.</p>
<p>– Mas o Roberto Cardoso Alves não será meu ministro.</p>
<p>– Exatamente. Você pode apertar o botão à vontade, sabendo que ele não aparecerá. Que inveja!</p>
<p>Subitamente, Sarney ficou sério. Apontou para um botão vermelho, maior que os outros.</p>
<p>– Preste atenção – disse. –  Este botão é importantíssimo. Ele aciona um dispositivo que nós chamamos de Último Cartucho ou Juízo Final ou ainda PQP!</p>
<p>– Do que se trata?</p>
<p>– Quando chegar o momento, quando tudo, mas tudo, der errado, quando o Brasil não tiver mais salvação, quando a crise chegar a um ponto absolutamente sem solução e quase mais nada no país estiver funcionando, basta apertar este botão e esta sala toda será expelida pelo teto do palácio, transformando-se num helicóptero que transportará o presidente para um lugar seguro. Mas atenção: só aperte este botão no momento certo.</p>
<p>Agora Collor olha para o botão vermelho e se pergunta se chegou o momento.</p>
<p>Decide que sim. Tudo deu errado. A crise não tem solução.</p>
<p>Ele aperta o botão vermelho.</p>
<p>Nada acontece.</p>
<p>Collor lembra a frase de Sarney sobre o momento certo: “Quando quase nada mais no país estiver funcionando &#8230;&#8221;.</p>
<p>Descobre que deixou passar o momento certo. No governo Sarney faltava o quase. Agora não falta mais nada.</p>
<p>Nem o botão vermelho está funcionando. </i></p>
<div align="center">***</div>
<p>Lembrei desse texto ao ouvir que, aos 88 anos, LFV está internado no hospital Moinhos de Vento com um grave quadro de pneumonia. <a href="https://www.brasildefato.com.br/2025/05/28/luis-fernando-verissimo-nao-escreve-mais-as-palavras-escapam-e-nao-toca-mais-sax-diz-a-sua-mulher-lucia/" target="_blank" title="Ele já não escreve mais, nem toca sax. Ficamos na torcida para que siga conosco."><b>Nas últimas semanas, lida com as consequências do Parkinson, seguido por um AVC</b></a>.</p>
<p>Qual a sua primeira lembrança de Luis Fernando Veríssimo? E qual a mais legal?</p>
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		<title>Poeminha do Jardim Popular</title>
		<link>https://marmota.org/blog/poeminha-do-jardim-popular/</link>
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		<dc:creator><![CDATA[André Marmota]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 14 Mar 2024 21:33:31 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Curtas]]></category>
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					<description><![CDATA[O asfalto derrete O ar nos sufoca Pessoas com o rosto cansado Cidade estressada Pouca esperança O sol se esconde Mas o calor continua E a vida congela As ruas ficam vazias Pessoas se escondem Asfalto, calçadas, bueiros Lá, longe, um quintal Olha essa terra&#8230; Essa terra seca! Seca! Seca! Que não dá nem chuchu [&#8230;]]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>O asfalto derrete<br />
O ar nos sufoca<br />
Pessoas com o rosto cansado<br />
Cidade estressada<br />
Pouca esperança</p>
<p>O sol se esconde<br />
Mas o calor continua<br />
E a vida congela<br />
As ruas ficam vazias<br />
Pessoas se escondem</p>
<p>Asfalto, calçadas, bueiros<br />
Lá, longe, um quintal<br />
Olha essa terra&#8230;<br />
Essa terra seca!<br />
Seca!<br />
Seca!<br />
Que não dá nem chuchu</p>
<div align="center">***</div>
<p>Dia 14 de março, além de ser o dia do pi (3.14) é também o dia nacional da poesia.</p>
<div align="center">***</div>
<p>Esse texto, na verdade, não é meu. Diz-se que um velhinho, com roupa de missa, passava pela avenida Amador Bueno da Veiga numa manhã quente de domingo, desgostoso da vida. Testemunhas dizem que ele ainda abaixou-se lentamente para pegar um torrão de terra desse quintal antes de esfarelá-lo entre os dedos. &#8220;Seeeca seeeca seeeca&#8221;, entoou o veterano, lírico.</p>
<div align="center">***</div>
<p>Saudades das tardes no Jardim Popular, <a href="https://twitter.com/elismarchioni">Elis</a>.</p>
]]></content:encoded>
					
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			</item>
		<item>
		<title>Liga pra esse homem e diz que é pra ele reinventar</title>
		<link>https://marmota.org/blog/liga-pra-esse-homem-e-diz-que-e-pra-ele-reinventar/</link>
					<comments>https://marmota.org/blog/liga-pra-esse-homem-e-diz-que-e-pra-ele-reinventar/#comments</comments>
		
		<dc:creator><![CDATA[André Marmota]]></dc:creator>
		<pubDate>Sat, 18 Nov 2023 00:43:40 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Marmota no Digiverso do Chorume]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://marmota.org/blog/?p=2569</guid>

					<description><![CDATA[Não é todo dia que alguém faz uma pergunta como essa: &#8211; Você viu que apareceu uma “Xurrasca”, que é sósia do “Xurrasco”? Meu repertório semântico, pautado em maminha na manteiga fatiada sob uma parrillera uruguaia, não tinha registro, até então, de um garoto que parece ter saído de um bairro caiçara, no Litoral Norte, [&#8230;]]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p><img decoding="async" src="http://marmota.org/blog/secoes/chorume.gif" align="right" />Não é todo dia que alguém faz uma pergunta como essa:</p>



<p>&#8211; Você viu que apareceu uma “Xurrasca”, que é sósia do “Xurrasco”?</p>



<p>Meu repertório semântico, pautado em maminha na manteiga fatiada sob uma parrillera uruguaia, não tinha registro, até então, de um garoto que parece ter saído de um bairro caiçara, no Litoral Norte, reconhecido após viralizar no TikTok requebrando ao som de um cover da Nelly Furtado.</p>



<p>A notícia &#8211; ou termo equivalente se considerarmos ao menos o multiverso do Xurrasco &#8211; é a de uma mocinha emulando os trejeitos do rapaz.</p>



<p>O multiverso do Xurrasco, por sua vez, é só uma entre bilhões de teias intrincadas, costuradas dinamicamente por meio de sistemas computacionais desenhadas de acordo com os interesses de grandes corporações. Está tudo lá nos termos de uso e serviço das plataformas, devidamente assinaladas como lidas. É claro que você leu, não leu?</p>



<p>Há quem acorde, faça refeições, mantenha a TV ligada e vá dormir com o nariz na tela, arrastando o polegar curtindo cachorrinhos, depoimentos fortes, explosões, memes, registros de assalto à mão armada e a dança do Xurrasco.</p>



<p>Antes desse vórtice sugar cada um de nós para esse buraco de onde mal se enxerga o multiverso do Xurrasco cruzar num piscar de olhos, as pessoas se encontravam pessoalmente. Conversavam para arejar o cérebro. Eu tenho três ou nove fragmentos de ideias; ouço as suas, guardo algumas na gaveta, misturo outras com uma ou duas das minhas. É a tal dialética, que os antigos celebravam.</p>



<p>Hoje estamos enrolados em algumas dessas teias. Chamam isso de “Fomo” (acrônimo para “medo de ficar fora da patota”, em inglês). Ou, na versão extra-forte, de “Folo” (é o “medo do logoff”, de ficar “desconectado”). Quanto maior a enrolação, mais dinheiro para as grandes corporações que desenham o tal sistema.</p>



<p>Eles querem o seu tempo. O meu. O do Xurrasco. O da assessoria de branding e mídia da Taylor Swift. E daquele tio reaça que se sente o jornalista do grupo mutado da família. Não precisa conversar. Pensar, então, é bobagem. É só curtir. Compartilhar, Replicar. Pra quê trocar e refletir sob fragmentos de ideias se eu posso levar uma surra de estilhaços, arremessados nos sabores “feito em casa” e “coloridos artificialmente”?</p>



<p>Mal dá tempo de organizar a mente e sintetizar esse cenário em uma tuitada (e vai continuar sendo tuitada, elão mosca). A mesma voz que trouxe o Xurrasco pra pauta não está muito preocupada com o que eu possa explicar.</p>



<p>&#8211; Você devia parar de se preocupar. As coisas são como são. Comece a gravar selfies e vá ser um influenciador digital. Nunca é tarde para se reinventar e faturar.</p>


<p align="center"><img decoding="async" src="/blog/images/reinventar181123.jpg"><br />
<i>Blé.</i></p>


<p>Por que isso me incomoda tanto?</p>



<p>Provavelmente eu seria ainda mais pobre e endividado se eu não levasse em conta o quanto esse vórtice está mexendo com o mundo do trabalho. Até recentemente, as pessoas me apresentavam como “blogueiro e jornalista”. Soa tão anacrônico quanto ser um franqueado da Blockbuster.</p>



<p>Sim, eu cheguei na idade em que posso assumir sem amarras o meu lado ranzinza que já ostentava no ginásio. Vai ver que, em algum lugar incrustado em meio às quinquilharias acumuladas na memória, ainda existe alguma essência. Aquilo que me define. A resposta que aquece minha alma para quando perguntam “qual o valor que as pessoas enxergam em você?”, que não cabe em uma palavra só.&nbsp;</p>



<p>Provavelmente, “dialética” está contida nessa essência.</p>



<p>Não sou ingênuo a ponto de tentar frear a inércia que nos move. É preciso adaptar-se para sobreviver às teias que compõem o digiverso infinito da treta, zoeira, chorume e Xurrasco. Mas se não dá pra dialogar nesse lugar, é o desenhista dos sistemas computacionais que precisa se reinventar, não?</p>


<div align="center">***</div>


<p><em>Obs.: O título é uma adaptação de um verso da música O Dono da Terra, cantarolado pelo trio infantil Os Abelhudos durante o Festival dos Festivais em 1985 &#8211; aquele vencido pela Tetê Espíndola. A letra evoca esse “gerente do planeta” que faz desse lugar um ambiente hostil a ponto de uma bomba explodir no trem ou uma criança ser largada à própria sorte. “Bora telefonar pra esse cabeçudo”, exige a garotada.</em></p>



<p><em>Outra obs.: Dizem que escrever é como andar de bicicleta. Depois que você aprende, precisa fazer alongamento, evitar planos inclinados e lembrar que os motoristas não estão nem aí pra você.</em></p>
]]></content:encoded>
					
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		<title>Papai Noel, quero uma final de Copa memorável de presente</title>
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		<dc:creator><![CDATA[André Marmota]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 20 Nov 2022 13:16:53 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Marmota na Copa]]></category>
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					<description><![CDATA[Volte em instantes nessa página para ler um texto decente. Por hora, apenas para manter a tradição desse espaço, segue o nosso singelo simulador de palpites &#8211; que não chega aos pés da versão calculada do Nate Silver. Primeira fase Grupo A&#160;&#160;&#160;1&#186; Escolha...CatarEquadorSenegalHolanda2&#186; Escolha...CatarEquadorSenegalHolanda Grupo E&#160;&#160;&#160;1&#186; Escolha...EspanhaCosta RicaAlemanhaJapao2&#186; Escolha...EspanhaCosta RicaAlemanhaJapao Grupo B&#160;&#160;&#160;1&#186; Escolha...InglaterraIraEUAGales2&#186; Escolha...InglaterraIraEUAGales Grupo [&#8230;]]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p><img decoding="async" src="/blog/secoes/e-copa.gif" align="right">Volte em instantes nessa página para ler um texto decente. Por hora, apenas para manter a tradição desse espaço, segue o nosso singelo simulador de palpites &#8211; que não chega aos pés da <a href="https://projects.fivethirtyeight.com/2022-world-cup-predictions/bracket/" target="_blank" title="Se bem que eles cravaram Brasil campeão em 2014..." rel="noopener">versão calculada do Nate Silver</a>.</p>
<div style="width: 70%; margin: 0px auto;">
<form name="palpitescopa2022">
<h3 class="palpites_title" style="color: #660033;"><b>Primeira fase</b></h3>
</p>
<table cellspacing="2" border="0" align="center">
<tr>
<td align="center"><b>Grupo A</b><br /><img decoding="async" src="http://marmota.org/blog/copa_bandeiras/qat.gif">&nbsp;<img decoding="async" src="http://marmota.org/blog/copa_bandeiras/ecu.gif">&nbsp;<img decoding="async" src="http://marmota.org/blog/copa_bandeiras/sen.gif">&nbsp;<img decoding="async" src="http://marmota.org/blog/copa_bandeiras/ned.gif"><br />1&ordm; <select style="width: 100px;" name="a1" onChange="oi11.value = this.value"><option selected>Escolha...</option><option value="Catar">Catar</option><option value="Equador">Equador</option><option value="Senegal">Senegal</option><option value="Holanda">Holanda</option></select><br />2&ordm; <select style="width: 100px;" name="a2" onChange="oi32.value = this.value"><option selected>Escolha...</option><option value="Catar">Catar</option><option value="Equador">Equador</option><option value="Senegal">Senegal</option><option value="Holanda">Holanda</option></select></select></td>
<td align="center"><b>Grupo E</b><br /><img decoding="async" src="http://marmota.org/blog/copa_bandeiras/esp.gif">&nbsp;<img decoding="async" src="http://marmota.org/blog/copa_bandeiras/cri.gif">&nbsp;<img decoding="async" src="http://marmota.org/blog/copa_bandeiras/ger.gif">&nbsp;<img decoding="async" src="http://marmota.org/blog/copa_bandeiras/jpn.gif"><br />1&ordm; <select style="width: 100px;" name="e1" onChange="oi51.value = this.value"><option selected>Escolha...</option><option value="Espanha">Espanha</option><option value="Costa Rica">Costa Rica</option><option value="Alemanha">Alemanha</option><option value="Japao">Japao</option></select><br />2&ordm; <select style="width: 100px;" name="e2" onChange="oi72.value = this.value"><option selected>Escolha...</option><option value="Espanha">Espanha</option><option value="Costa Rica">Costa Rica</option><option value="Alemanha">Alemanha</option><option value="Japao">Japao</option></select></td>
</tr>
<tr>
<td align="center"><b>Grupo B</b><br /><img decoding="async" src="http://marmota.org/blog/copa_bandeiras/eng.gif">&nbsp;<img decoding="async" src="http://marmota.org/blog/copa_bandeiras/irn.gif">&nbsp;<img decoding="async" src="http://marmota.org/blog/copa_bandeiras/usa.gif">&nbsp;<img decoding="async" src="http://marmota.org/blog/copa_bandeiras/wal.gif"><br />1&ordm; <select style="width: 100px;" name="b1" onChange="oi31.value = this.value"><option selected>Escolha...</option><option value="Inglaterra">Inglaterra</option><option value="Ira">Ira</option><option value="EUA">EUA</option><option value="Gales">Gales</option></select><br />2&ordm; <select style="width: 100px;" name="b2" onChange="oi12.value = this.value"><option selected>Escolha...</option><option value="Inglaterra">Inglaterra</option><option value="Ira">Ira</option><option value="EUA">EUA</option><option value="Gales">Gales</option></select></td>
<td align="center"><b>Grupo F</b><br /><img decoding="async" src="http://marmota.org/blog/copa_bandeiras/bel.gif">&nbsp;<img decoding="async" src="http://marmota.org/blog/copa_bandeiras/can.gif">&nbsp;<img decoding="async" src="http://marmota.org/blog/copa_bandeiras/mar.gif">&nbsp;<img decoding="async" src="http://marmota.org/blog/copa_bandeiras/hrv.gif"><br />1&ordm; <select style="width: 100px;" name="1" onChange="oi71.value = this.value"><option selected>Escolha...</option><option value="Belgica">Belgica</option><option value="Canada">Canada</option><option value="Marrocos">Marrocos</option><option value="Croacia">Croacia</option></select><br />2&ordm; <select style="width: 100px;" name="f2" onChange="oi52.value = this.value"><option selected>Escolha...</option><option value="Belgica">Belgica</option><option value="Canada">Canada</option><option value="Marrocos">Marrocos</option><option value="Croacia">Croacia</option></select></td>
</tr>
<tr>
<td align="center"><b>Grupo C</b><br /><img decoding="async" src="http://marmota.org/blog/copa_bandeiras/arg.gif">&nbsp;<img decoding="async" src="http://marmota.org/blog/copa_bandeiras/ksa.gif">&nbsp;<img decoding="async" src="http://marmota.org/blog/copa_bandeiras/mex.gif">&nbsp;<img decoding="async" src="http://marmota.org/blog/copa_bandeiras/pol.gif"><br />1&ordm; <select style="width: 100px;" name="c1" onChange="oi21.value = this.value"><option selected>Escolha...</option><option value="Argentina">Argentina</option><option value="Arabia Saudita">Arabia Saudita</option><option value="Mexico">Mexico</option><option value="Polonia">Polonia</option></select><br />2&ordm; <select style="width: 100px;" name="c2" onChange="oi42.value = this.value"><option selected>Escolha...</option><option value="Argentina">Argentina</option><option value="Arabia Saudita">Arabia Saudita</option><option value="Mexico">Mexico</option><option value="Polonia">Polonia</option></select></td>
<td align="center"><b>Grupo G</b><br /><img decoding="async" src="http://marmota.org/blog/copa_bandeiras/bra.gif">&nbsp;<img decoding="async" src="http://marmota.org/blog/copa_bandeiras/srb.gif">&nbsp;<img decoding="async" src="http://marmota.org/blog/copa_bandeiras/sui.gif">&nbsp;<img decoding="async" src="http://marmota.org/blog/copa_bandeiras/cmr.gif"><br />1&ordm; <select style="width: 100px;" name="g1" onChange="oi61.value = this.value"><option selected>Escolha...</option><option value="Brasil">Brasil</option><option value="Servia">Servia</option><option value="Suica">Suica</option><option value="Camaroes">Camaroes</option></select><br />2&ordm; <select style="width: 100px;" name="g2" onChange="oi82.value = this.value"><option selected>Escolha...</option><option value="Brasil">Brasil</option><option value="Servia">Servia</option><option value="Suica">Suica</option><option value="Camaroes">Camaroes</option></select></td>
</tr>
<tr>
<td align="center"><b>Grupo D</b><br /><img decoding="async" src="http://marmota.org/blog/copa_bandeiras/fra.gif">&nbsp;<img decoding="async" src="http://marmota.org/blog/copa_bandeiras/aus.gif">&nbsp;<img decoding="async" src="http://marmota.org/blog/copa_bandeiras/den.gif">&nbsp;<img decoding="async" src="http://marmota.org/blog/copa_bandeiras/tun.gif"><br />1&ordm; <select style="width: 100px;" name="d1" onChange="oi41.value = this.value"><option selected>Escolha...</option><option value="Franca">Franca</option><option value="Australia">Australia</option><option value="Dinamarca">Dinamarca</option><option value="Tunisia">Tunisia</option></select><br />2&ordm; <select style="width: 100px;" name="d2" onChange="oi22.value = this.value"><option selected>Escolha...</option><option selected>Escolha...</option><option value="Franca">Franca</option><option value="Australia">Australia</option><option value="Dinamarca">Dinamarca</option><option value="Tunisia">Tunisia</option></select></td>
<td align="center"><b>Grupo H</b><br /><img decoding="async" src="http://marmota.org/blog/copa_bandeiras/por.gif">&nbsp;<img decoding="async" src="http://marmota.org/blog/copa_bandeiras/gha.gif">&nbsp;<img decoding="async" src="http://marmota.org/blog/copa_bandeiras/uru.gif">&nbsp;<img decoding="async" src="http://marmota.org/blog/copa_bandeiras/kor.gif"><br />1&ordm; <select style="width: 100px;" name="h1" onChange="oi81.value = this.value"><option selected>Escolha...</option><option value="Portugal">Portugal</option><option value="Gana">Gana</option><option value="Uruguai">Uruguai</option><option value="Coreia">Coreia</option></select><br />2&ordm; <select style="width: 100px;" name="h2" onChange="oi62.value = this.value"><option selected>Escolha...</option><option value="Portugal">Portugal</option><option value="Gana">Gana</option><option value="Uruguai">Uruguai</option><option value="Coreia">Coreia</option></select></td>
</tr>
</table>
<h3 style="color: #660033;"><b>Oitavas-de-final</b></h3>
</p>
<table border="0" cellspacing="2" width="70%" align="center">
<tr>
<td align="center"><input type="text" name="oi11"style="width: 100px"></td>
<td align="center"><input type="radio" name="jogo1" onClick="qua1.value = oi11.value">x<input type="radio" name="jogo1" onClick="qua1.value = oi12.value"></td>
<td align="center"><input type="text" name="oi12"style="width: 100px"></td>
</tr>
<tr>
<td align="center"><input type="text" name="oi21"style="width: 100px"></td>
<td align="center"><input type="radio" name="jogo2" onClick="qua2.value = oi21.value">x<input type="radio" name="jogo2" onClick="qua2.value = oi22.value"></td>
<td align="center"><input type="text" name="oi22"style="width: 100px"></td>
</tr>
<tr>
<td align="center"><input type="text" name="oi31"style="width: 100px"></td>
<td align="center"><input type="radio" name="jogo3" onClick="quc1.value = oi31.value">x<input type="radio" name="jogo3" onClick="quc1.value = oi32.value"></td>
<td align="center"><input type="text" name="oi32"style="width: 100px"></td>
</tr>
<tr>
<tr>
<td align="center"><input type="text" name="oi41"style="width: 100px"></td>
<td align="center"><input type="radio" name="jogo4" onClick="quc2.value = oi41.value">x<input type="radio" name="jogo4" onClick="quc2.value = oi42.value"></td>
<td align="center"><input type="text" name="oi42"style="width: 100px"></td>
</tr>
<td align="center"><input type="text" name="oi51"style="width: 100px"></td>
<td align="center"><input type="radio" name="jogo5" onClick="qub1.value = oi51.value">x<input type="radio" name="jogo5" onClick="qub1.value = oi52.value"></td>
<td align="center"><input type="text" name="oi52"style="width: 100px"></td>
</tr>
<tr>
<td align="center"><input type="text" name="oi61"style="width: 100px"></td>
<td align="center"><input type="radio" name="jogo6" onClick="qub2.value = oi61.value">x<input type="radio" name="jogo6" onClick="qub2.value = oi62.value"></td>
<td align="center"><input type="text" name="oi62"style="width: 100px"></td>
</tr>
<tr>
<td align="center"><input type="text" name="oi71"style="width: 100px"></td>
<td align="center"><input type="radio" name="jogo7" onClick="qud1.value = oi71.value">x<input type="radio" name="jogo7" onClick="qud1.value = oi72.value"></td>
<td align="center"><input type="text" name="oi72"style="width: 100px"></td>
</tr>
<tr>
<td align="center"><input type="text" name="oi81"style="width: 100px"></td>
<td align="center"><input type="radio" name="jogo8" onClick="qud2.value = oi81.value">x<input type="radio" name="jogo8" onClick="qud2.value = oi82.value"></td>
<td align="center"><input type="text" name="oi82"style="width: 100px"></td>
</tr>
</table>
<h3 style="color: #660033;"><b>Quartas-de-final</b></h3>
</p>
<table border="0" cellspacing="2" width="70%" align="center">
<tr>
<td align="center"><input type="text" name="qua1"style="width: 100px"></td>
<td align="center"><input type="radio" name="jogoa" onClick="se1.value = qua1.value">x<input type="radio" name="jogoa" onClick="se1.value = qua2.value"></td>
<td align="center"><input type="text" name="qua2"style="width: 100px"></td>
</tr>
<tr>
<td align="center"><input type="text" name="qub1"style="width: 100px"></td>
<td align="center"><input type="radio" name="jogob" onClick="se2.value = qub1.value">x<input type="radio" name="jogob" onClick="se2.value = qub2.value"></td>
<td align="center"><input type="text" name="qub2"style="width: 100px"></td>
</tr>
<tr align="center">
<td><input type="text" name="quc1"style="width: 100px"></td>
<td><input type="radio" name="jogoc" onClick="sf1.value = quc1.value">x<input type="radio" name="jogoc" onClick="sf1.value = quc2.value"></td>
<td><input type="text" name="quc2"style="width: 100px"></td>
</tr>
<tr>
<td align="center"><input type="text" name="qud1"style="width: 100px"></td>
<td align="center"><input type="radio" name="jogod" onClick="sf2.value = qud1.value">x<input type="radio" name="jogod" onClick="sf2.value = qud2.value"></td>
<td align="center"><input type="text" name="qud2"style="width: 100px"></td>
</tr>
</table>
<h3 style="color: #660033;"><b>Semifinal</b></h3>
</p>
<table border="0" cellspacing="2" width="70%" align="center">
<tr>
<td align="center"><input type="text" name="se1"style="width: 100px"></td>
<td align="center"><input type="radio" name="jogoe" onClick="dec1.value = se1.value">x<input type="radio" name="jogoe" onClick="dec1.value = se2.value"></td>
<td align="center"><input type="text" name="se2"style="width: 100px"></td>
</tr>
<tr>
<td align="center"><input type="text" name="sf1"style="width: 100px"></td>
<td align="center"><input type="radio" name="jogof" onClick="dec2.value = sf1.value">x<input type="radio" name="jogof" onClick="dec2.value = sf2.value"></td>
<td align="center"><input type="text" name="sf2"style="width: 100px"></td>
</tr>
</table>
<h3 style="color: #660033;"><b>Final</b></h3>
</p>
<table border="0" cellspacing="2" width="70%" align="center">
<tr align="center">
<td align="center"><input type="text" name="dec1"style="width: 100px"></td>
<td align="center"> x </td>
<td align="center"><input type="text" name="dec2"style="width: 100px"></td>
</tr>
</table>
<div align="center"><input type="reset" value="Fazer de novo"></div>
</form>
</div>
<p><b>Atualizado ao final de 2022</b>: Papai Noel, muito obrigado pela final da Copa, nosso presente de Natal antecipado.</p>
<p>Tudo já foi dito sobre o Mundial do Catar.A escolha equivocada de uma casa regrada demais para uma festa de arromba. Todas as figurinhas do álbum coladas. As carimbadas. As que não deveriam estar ali. As da Coca Cola. A taça inflável da Saara e fogos juninos a cada início de partida. Feriado em dia de jogo do Brasil. Acordar cedo e torcer pela Arábia. Pelo Japão. Por Marrocos! Aquele gol croata faltando quatro minutos, instantes depois do único lance genial do melhor jogador desta geração. Todos os rótulos extracampo que esse aglomerado carrega. Somam-se os impactos da globalização futebolística, onde a gente passa a torcer por um jogador, uma história &#8211; e não por uma seleção.</p>
<p>Viva Messi. Viva Argentina. Viva Abuela Lalala.</p>
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			</item>
		<item>
		<title>Dois anos de entropia em troca da sobrevivência</title>
		<link>https://marmota.org/blog/dois-anos-de-entropia-em-troca-da-sobrevivencia/</link>
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		<dc:creator><![CDATA[André Marmota]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 13 Mar 2022 16:47:03 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[E eu, uma pedra]]></category>
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					<description><![CDATA[Eu já não lembro mais a sensação. Mas se eu fechar os olhos, consigo imaginar uma sala apinhada de gente jovem e inteligente relacionando os tópicos da aula com situações cotidianas, aquele livro ou série que estava no topo da agenda na semana. Abro os olhos de novo. Meus filhos sobem em cima de mim. [&#8230;]]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p><img decoding="async" src="https://marmota.org/blog/secoes/pedra.gif" align="right" title="É minha categoria de posts preferida nesses 20 anos!">Eu já não lembro mais a sensação. Mas se eu fechar os olhos, consigo imaginar uma sala apinhada de gente jovem e inteligente relacionando os tópicos da aula com situações cotidianas, aquele livro ou série que estava no topo da agenda na semana.</p>
<p>Abro os olhos de novo. Meus filhos sobem em cima de mim. Eles não vão para a escola esta semana, com febre e nariz entupido. Tento lembrar o que estava fazendo antes, se era o momento de voltar ao computador para se virar no home office ou levar o smartphone para a cozinha. Ouço o som da TV: é aquele filme do streaming que já vimos umas treze vezes essa semana.</p>
<p>Respiro fundo. Fecho os olhos de novo e estou caminhando. Andando de metrô. Entrando em alguma faculdade. Dando  “boa tarde” ao pessoal da sala dos professores. Até 13 de março de 2020, dia que sepultou o mundo como conhecíamos, era a minha rotina, de segunda a sexta.</p>
<p>Outra vez o menino constipado, já sem febre, sobe no meu cangote para pular na minha barriga. Minha cabeça, cansada, se apóia no sofá. Só as crianças, ao que parece, não estão exaustas.</p>
<p>A turma do coach curte uma resiliência. Toma para si atributos da personagem Rocky Balboa, mergulha no storytelling corporativo e celebra, naquela rede social de arrumar emprego, sua incrível capacidade de ser socado no ringue da vida e tentar encontrar, mesmo desnorteado e sangrando, algo próximo de “era aqui o lugar onde estava antes, daqui posso dar mais um passo”.</p>
<p>Agora levei uma pancada de cada filho. Estão brincando de super heróis e eu sou algum tipo de vilão involuntário. “É só mais um soco, seja resiliente”, diria a turma do coach.</p>
<p>Não, meus consagrados. A lição que aprendi nesses dois anos pandêmicos foi: quando se está soterrado, qualquer movimento te faz afundar mais. Adaptar e voltar ao lugar significa sair do atoleiro a cada período do dia. Cansa. Perturba.</p>
<p>Em 13 de março de 2020 eu era professor universitário. Era algo que, diziam, eu era relativamente capaz de fazer. De certa forma, lidava há uns quinze anos com um processo viciante: planejar uma sequência de trabalho, estruturar objetivos e relacioná-los a atividades, estar alinhado às pesquisas mais recentes da área. A aula propriamente dita era só o desfecho &#8211; ironicamente, o salário dos professores, calculado por hora/aula, leva em conta apenas o tempo em sala. Enfim.</p>
<p>Ainda sobravam uns dois ou três neurônios para escrever bobagem, sair para visitar os amigos, ir ao cinema, viajar com a família. Ver gente.</p>
<p>Era um milagre. Eu nem sei como esse texto aqui conseguiu nascer. Sinto que desaprendi a escrever. Aliás, a pia está abarrotada com a louça do almoço; eu deveria cuidar disso ao invés de resgatar a vontade de dialogar comigo mesmo, descrever o cotidiano, refletir… Essas coisas de quem já está com a vida ganha.</p>
<p>(Ouvi isso uma vez da turma do coach).</p>
<p>Eu não era um professor universitário típico. Meu foco sempre esteve na compreensão e encadeamento das disciplinas, no relacionamento com a turma. Nunca fui tarado pelo Lattes. Sempre tive preguiça com os academicismos que exigem aproximação com &#8220;igrejinhas de pesquisa&#8221; e &#8220;panelinhas ególatras no banho-maria&#8221;. As grandes ideias para desenvolvimento de artigos (muitas caíram no meu colo graças ao olhar brilhante do meu orientador) estão até hoje nos meus rascunhos, em busca da estrutura perfeita (um dos mais famosos tipos de autossabotagem).</p>
<p>Isso porque, no fundo, era interessante manter um pé na vida acadêmica e outro no mercado, praticamente um “operário underground” que mistura produção de conteúdo e desenvolvimento tecnológico. A turma do coach vai me cercar outra vez para dizer que não dá para se equilibrar em duas canoas. Com alguma dose de razão: a cada final de semestre, apesar das demissões, fusões e outros quetais nas universidades privadas, eu não precisava me preocupar com a minha não-escolha.</p>
<p>Eu não entro em uma sala de aula presencial desde 13 de março de 2020. Foi também o último dia de rotina escolar de duas crianças que, agora e talvez por um bom tempo, precisam recuperar parte de seu desenvolvimento após longas semanas de clausura. Daquele final de semana em diante, minha cabeça configurou um estado de entropia: “meu único objetivo, nos próximos dias, é sobreviver”.</p>
<p>Resumindo? Arremedo de home office. Bombardeio midiático do medo. Círculos sociais desfeitos. Covid quântica, aquela que “parece que está mas talvez não seja”. Gente sem máscara. Gente sem teste. Gente querida sendo entubada. Alguns sem deixar o hospital com vida.</p>
<p>Era desgastante para mim. Mas foi fichinha se comparado com <a href="https://instagram.com/vemprocolomaterno" target="_blank" title="Ela ainda faz as pajelanças dela para mães, vai lá no Insta conhecer!" rel="noopener"><b>Rina</b></a>, que batalhava em sua transição de carreira se aproximando de gestantes e puérperas, ficou sem qualquer perspectiva de carreira. Segurou a marimba e levou toda sorte de baquetadas na cabeça enquanto eu me virava para manter a carga horária, intensa para uma rotina presencial mas impraticável num apartamento.</p>
<p>Assumo, inclusive, que não fiz o bastante para quebrar o ciclo que culmina com o <a href="https://brasil.elpais.com/brasil/2019/03/01/politica/1551460732_315309.html" target="_blank" title="Esse artigo faz referência ao consagrado quadrinho da Emma Clit: era só pedir" rel="noopener"><b>aumento da carga mental</b></a> das mães, seguramente no topo da lista das maiores vítimas entre quem escapou da pandemia. Sei que só um pedido de desculpas é pouco. Terminar aqui e cuidar da louça também.</p>
<p>Mas enfim. Não foi exatamente por solidariedade ao caos da rotina doméstica… De toda forma, boa parte das instituições de ensino privado resolveram o meu problema. <a href="https://apublica.org/2020/09/e-cruel-professores-relatam-de-aulas-on-line-com-300-alunos-a-demissoes-por-pop-up/" target="_blank" title="Em 2020, teve professor sendo demitido por popup. Foram mais de 1600 no segundo semestre daquele ano." rel="noopener"><b>Não fui o único</b></a>. Em dois anos, ouço relato de colegas que conseguiram ficar, que voltaram, que ainda acreditam na importância da educação, que se perguntam “como é que chegamos nessa terra arrasada onde os sobreviventes recebem uma mariola por hora”.</p>
<p>Eu não voltei. Nem todos voltaram. Aliás, é importante lembrar: aquele lugar, igual a muitos outros, não existe mais.</p>
<p>Finalmente, 13 de março de 2022. Apesar das crises emocionais, dos rombos orçamentários, das narinas cobertas por catota esverdeada e de toda essa gente acéfala que se esforçou para nos atrasar, chegamos. Todas as doses de vacina garantidas. Empregos cujos desafios cotidianos e relações interpessoais ajudam a distrair a mente. Uma ou outra forma de reinventar o que somos.</p>
<p>Ainda sou acordado repentinamente por alguma criança exigindo atenção e leite, mas já dá para isolar um neurônio para trabalhar em formas de “abandonar o modo sobrevivência”. Se eu fechar os olhos, consigo me ver além da sala de aula. Ou em uma sala com Rina, as crianças e alguns parentes e amigos e longas tardes de conversa. Ou em uma sala de embarque rumo ao futuro.</p>
<p>Espero que você também (mesmo sendo da turma do coach, vai).</p>
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		<title>Um resumo daquele ano que deve ser esquecido</title>
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		<dc:creator><![CDATA[André Marmota]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 01 Jan 2021 21:19:54 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Curtas]]></category>
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					<description><![CDATA[Este blog conseguiu um feito pouco digno de nota. Desde 2002, quando comecei a escrever sobre temas aleatórios, nunca tinha passado um ano inteiro em branco. Pode olhar: nos arquivos anuais, a sequência vai até 2019; depois, salta para 2021. Eu morro de vontade de voltar a escrever aqui, com frequência. Também tenho outros desejos, [&#8230;]]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>Este blog conseguiu um feito pouco digno de nota. Desde 2002, quando comecei a escrever sobre temas aleatórios, nunca tinha passado um ano inteiro em branco. Pode olhar: nos arquivos anuais, a sequência vai até 2019; depois, salta para 2021.</p>
<p>Eu morro de vontade de voltar a escrever aqui, com frequência. Também tenho outros desejos, projetos e demandas rotineiras. Não consigo parar para pensar nelas como deveria.</p>
<p>Enfim, decidi abrir o computador nesse primeiro dia do ano para refletir sobre mim, o que ando fazendo com meu tempo, onde preciso dar foco&#8230; Organizar de fato minha vida e o que merece minha atenção durante ahdhhfhthrhhrheushhehdh hahdhhfhthrhhr heushhehdhdhzhhdg dhdhrhrhrhrhrhhrhrhrhrh hrhehhshdhdshjdhdhhfdhhdhdhdhdhdhhrh hrhrhrhrhrhhrruuhrhhrhrhhrhhrhrhhrggrgr hryrydyydhdhgdhhhhhdhdgdhh dhdhdhheg ehehhgsvshd hshhhbdbbdhshsbgsgsggsgsgsvv sbsbsbbsbssbbsbb sbbhhZbsbbsbsbhgsvsvvzggsgsvgsvvkxxxxgznssjmxdjkkjjjfgff s bjrchdbnfbbfbxbxvdbbfhfrjjrjrjrhfhhhfhhfjffjfjfjfhfhfnbfnbfbfbfbfb bfhfbfbfhfjhh fhfhfhfhfhhfh hffhfhhfhfhffhhhfhfrhhfh fhfhfhhhfhfhr hrhrhhrhrhhfhfrhrjrjr hfjhfgdggfhegsjhdsh fdvvfdhebdhfbbdbb bjjxjxjxhhxhhrbnfnnrnb fbfbgdggdgdgdhhdhdhl.</p>
<p>Bbbsbdhhdhdhhdhdhdhd gdhtthhrhrhrhrhrhhrhrhbrbbrbrbrbrbrvbbrrbrbbdbbffbb rvbtbrrbtbbtbrbbbrb bbbrrbbrbrbrbrbrbbrbrbrbrbrbrbrbbrbbrbrbbrbrbrb brbrbbrbrbbrdhfbdbbfbbdbd bdbdbdbrbd vc vvadvdhfjrhjrhrrhrbrrrr.,.</p>
<p>Ghihfvhuhudhuhcuhfhufhuhhrfhfr hrhgjtbrhibrhbrbhhrhhhhhhhhhhihvh rgrfhfhegdgrgfryfrhrfh ruwsmsjsjkskdk dkkdkkdkekekekdks.ldkskdkdkkd kdjjdjdjdjdjdjdjdjdjjdjdjdjdjdjdjjdjdjjdj. Ieieeoeiodkdidk dkkdkdkdkjdjdjdmdjjdjdkkd. Sksollsls,s,s,s,s,s,s,s,,sks,skmdmdkdkkdkkd. Eoieooeoeokdkd kekkkekd memejejd dkkd. Ekekk sk lee sllee leleelle dkkdkdkdkdkdk mdmdkdkdk mddmkdkdk emekemee kekdkdkdkkd kekekek kekdkdk mdkkd dmkd dmek ekiekekekkdkdkekekkd iekdkdkjdjdjd. Kerii iekekek j jeoeoeoek kkkkeke ekkekeke,kewldkdkdkdkdkkdkdkdkek kekeekekdokdkdkemkekkekekekekkekekekekke kekekeoekkekekdkkdkdkdkjdjdj djdjjdjdjdjdjdjdjjdjdjdjdjd jdjjdjdjdjdjkdkdkkdjdjjcjcjjd nuhdfuhtuhjhhjohjrghffrhjuhrouohfrouh ruohrhjghjlfsj=hoitnrighrhigkurgihfijhdfi<br />
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		<title>Boas vindas ao Matias! (Ou: relato de um parto natural humanizado no box do nosso banheiro)</title>
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		<dc:creator><![CDATA[André Marmota]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 12 Nov 2019 19:31:49 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Back to the Future]]></category>
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					<description><![CDATA[— Aqui é a doutora médica!? Eu vou tomar um pic no braço, papai?! — perguntou Joana, aflita, identificando semelhanças entre um hospital e a sala de espera do cartório. Nem deu tempo de negar enquanto ela esboçava sentar e brincar nas cadeiras cor-de-rosa: ninguém precisa de um cartório ao meio-dia de uma sexta-feira chuvosa [&#8230;]]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>— Aqui é a doutora médica!? Eu vou tomar um pic no braço, papai?! —  perguntou Joana, aflita, identificando semelhanças entre um hospital e a sala de espera do cartório.</p>
<p>Nem deu tempo de negar enquanto ela esboçava sentar e brincar nas cadeiras cor-de-rosa: ninguém precisa de um cartório ao meio-dia de uma sexta-feira chuvosa e emenda de feriado, 16 de novembro de 2018. Mal chegamos e já éramos os próximos.</p>
<p>Sentamos, Jojô e eu, diante do guichê da Soraia.</p>
<p>— Olá, bom dia! Eu vim para registrar o nascimento do meu segundo filho.</p>
<p>— Ah, pois não. O senhor trouxe todos os documentos?</p>
<p>Claro que sim. Tirei da pastinha a certidão de casamento, RG original, comprovante de endereço, a cópia de tudo isso e, por fim, o papelinho amarelo preenchido e assinado horas após o nascimento do Matias, na segunda anterior, dia 12.</p>
<p>— Desculpe, senhor. Apenas confirme comigo. Segundo esta Declaração de Nascido Vivo, o seu filho nasceu em casa?</p>
<p>— Exato. Mais precisamente, no box do banheiro.</p>
<p align="center"><img decoding="async" src="/blog/images/relatoporta121119.jpg"><br />
<i>O enfeite da porta anunciava o novo membro da família</i></p>
<p>Não era a primeira vez que dava essa resposta ao tentar explicar a escolha por um parto domiciliar, feita em conjunto com Rina. Terça-feira cedo, quando a professora de Joana quis saber do novo irmãozinho e se a mamãe ainda estava no hospital, eu já tinha falado da criança que veio ao mundo em meio a azulejos oitentistas no box do nosso apartamento alugado.</p>
<p>— Nossa! Mas que mulher corajosa!</p>
<p>Ela é, sim.</p>
<p>A reação de todo mundo diante de um &#8220;parto caseiro&#8221;, um &#8220;parto artesanal&#8221; ou um &#8220;parto socialista&#8221; (ouvi todas estas versões!) varia entre a total surpresa (&#8220;Mas ela bancou isso desde o começo?! Cê é looooouco!&#8221;) e a incredulidade. Tanto que a mesma professora, na manhã seguinte, perguntou se Rina &#8220;já estava em casa&#8221;.</p>
<p>— Mas&#8230; Mas eu disse que ela não saiu de casa! Matias nasceu no box!</p>
<p>— Ah, é&#8230; Então não teve hospital, né!? Não teve, o hospital?</p>
<p>Não. Sem hospital.</p>
<p>Enfim, talvez fosse melhor dizer que nem  todo mundo reagiu assim. Soraia, a escrevente, fez diferente.</p>
<p>— Senhor, em respeito à Lei de número 6.015, eu vou precisar de cópias dos exames pré-natal de sua esposa. De preferência os de ultrassom. Também vamos precisar do testemunho de duas pessoas, desde que não sejam os pais.</p>
<p>Oi?!</p>
<p>Quer que eu traga também a placenta congelada? Umas três ou quatro fraldas com mecônio? Ou, talvez a própria criança pelada, balangando o coisinho na frente do guichê até o xixi acertar sua cabeça?</p>
<p>— Mas Soraia, eu consultei o site do cartório e não diz nada disso. Além do mais, não há motivo algum pra suspeitar desta DNV. Ela foi assinada por uma profissional de saúde devidamente habilitada. Podem verificar os dados. Ah, também tenho fotos do parto. Quer ver?</p>
<p>— Não se aplicam, senhor. Mesmo com elas, o Juiz pode encontrar motivos para duvidar da declaração. Isso é praxe em casos de parto ocorrido em residência, fora de unidade hospitalar ou em casa de saúde, sem assistência médica. É para nossa segurança. Mas o senhor tem tempo. É possível registrar em até 15 dias após o nascimento. Foi na segunda-feira, né?</p>
<p align="center"><img decoding="async" src="/blog/images/relatojojo121119.jpg"><br />
<i>Nossa cara de &#8220;mas que carálea&#8221; no cartório.</i></p>
<p>Jamais poderia imaginar que seria na manhã de segunda, dia 12. Joana nasceu dois dias após Rina completar 40 semanas de gestação. Se houvesse uma regularidade cartesiana (não existe), a data prevista seria lá para o dia 20. Preferencialmente depois, para que nossa família pudesse contar com a ousadia e a alegria de um sagitariano.</p>
<p>Era isso ou a imprevisibilidade atarantada de um escorpiano.</p>
<p>O tamanho da nossa tranquilidade é equivalente à sensação de quem sai de uma churrascaria rodízio após um almoço de duas horas. Buffet de saladas, pratos quentes, bebidas e sobremesa inclusos no pacote. Foi exatamente o que fizemos, ao lado de Adelise, &#8220;irmã postiça&#8221; da Rina, e um amigo dela, na tarde de domingo, dia 11.</p>
<p>Ainda com o status de filha única, Joana driblou o sono pós-restaurante e não cochilou no carro na volta para casa. Enquanto nos perguntávamos &#8220;como isso é possível&#8221;, tratamos de executar um plano de distração infalível: shopping center decorado para o Natal. Mudamos a rota e seguimos para o norte.</p>
<p>Mal entramos no acesso da avenida Moyses Roysen e já levei uma cutucada.</p>
<p>— Meu bem, tente estacionar rápido. Preciso muito ir ao banheiro!</p>
<p>Deu certo. Rina correu para casinha de força enquanto Joana e eu admirávamos a árvore de Natal cantarolando &#8220;Center Nooorteee… Alegriiiaaa…&#8221;.</p>
<p>Repetimos o jingle que pergunta quem vem voando com o trenó e suas renas carregando mil presentes umas três vezes quando Rina, de volta, demonstrou que Papai Noel existe mesmo e mora lá.</p>
<p>— Ei… Acho que vamos voltar pra casa um pouco mais cedo…</p>
<p>Explicou que sentiu sair algo a mais no caminho do banheiro. Demonizou uma provável incontinência e, com calma e já com a calça molhada, reparou que havia mais líquido que o normal. Demais até pra ser só o tampão. Ou, em outras palavras:</p>
<p>— Talvez a bolsa tenha rompido.</p>
<p>— ?!</p>
<p>E o que a gente faz agora?</p>
<p align="center"><img decoding="async" src="/blog/images/relatonatal121119.jpg"><br />
<i>Joana, no shopping: &#8220;Mamãe, você está iluminada&#8230; Está acontecendo alguma coisa?&#8221;</i></p>
<p>Pense naquela sequência clichê de parto no último capítulo da novela (ou daquele comercial sem noção de SUV). Gente aflita. Mãe sentido dores. Pai correndo com uma bolsa na mão. Vai todo mundo apressado pro carro. Enquanto dirige, o marido segura o telefone e avisa todo mundo.</p>
<p>Pensou? Agora esqueça. Volte para meu diálogo no shopping.</p>
<p>— E como você está?</p>
<p>— Ah, normal. Uma coliquinha leve. A barriga contrai muito de leve quando caminho. Podemos caminhar uma meia hora, tomar um sorvete… Aí a gente volta pra casa.</p>
<p>E o tamanho da nossa tranquilidade continuava com sabores doce de leite tentação e tramontana, da Freddo, enquanto admirávamos o chafariz dançante ao lado do carrossel das renas na pracinha de eventos.</p>
<p>Existe outro clichê, bem mais verdadeiro, que todo casal à espera do segundo filho escuta: nenhuma gestação é igual. Inevitável comparar: Joana nasceu no Hospital São Luiz, com direito a um furacão Rina e seus oito centímetros de dilatação gritando loucamente naquele saguão asséptico, onde normalmente as mães são recepcionadas para conhecer seus bebês com hora marcada.</p>
<p>Naquela manhã de segunda-feira, 25 de abril de 2016, as famílias do Anália Franco que deixaram suas SUV com o manobrista (as mesmas que devem achar aquele comercial incrível) se surpreenderam com dois metros de mulher apoiando as mãos em um sofá lilás, em pleno trabalho de parto. Uma atendente se aproximou.</p>
<p>— Com licença, a senhora precisa de algo? Posso ajudá-la a preencher sua ficha?</p>
<p>A resposta foi uma mistura de urros com estranhos pedidos relacionados a orifícios internos e externos da auxiliar. Alguém um pouco mais sensível levou Rina para a triagem e, minutos depois, para o &#8220;delivery room&#8221;, como é chamada a sala para parto normal.</p>
<p>Com minha bermuda vermelha e camiseta desbotada como se fosse domingo à tarde, acompanhei a transferência ao lado da doula Janie e a enfermeira obstetra Karina, da Commadre. &#8220;Aquele povo estranho do natural&#8221;, mencionou uma enfermeira do São Luiz, como se fôssemos todos um grupo saído do filme Hair.</p>
<p>Eram pouco depois das dez horas quando chegamos. &#8220;Banheeeiraaaaaaaaa!!!&#8221;, pediu Rina, em busca de água para aliviar as contrações. Foi quando Camila, a médica, entrou na sala. Cinco minutos antes das onze, Joana estava no colo da mamãe. Conseguiu vir antes da fotógrafa e da pediatra. Entre as primeiras contrações durante a madrugada até o nascimento de Jojô, passando pelo deslocamento entre nossa casa e o São Luiz com direito a &#8220;mulher-sirene&#8221; no banco de trás, foram sete horas.</p>
<p align="center"><img decoding="async" src="/blog/images/relatojojozinha121119.jpg"><br />
<i>Jojô já foi assim.</i></p>
<p>Nos três anos seguintes, cresceram tanto a menina sapeca quanto a vontade de Rina em seguir acompanhando mulheres em busca de um parto respeitoso e baseado em muita informação. Seu preparo como doula foi determinante ainda para aquela confiança toda no fim da tarde. Ela sabia que, depois que a bolsa rompe, há um limite para o trabalho de parto espontâneo começar: a preocupação só viria se, após longas horas, nada de contrações fortes ou dilatação. Por conta do histórico, as chances disso acontecer eram próximas a zero.</p>
<p>Enquanto voltávamos para casa, Rina sentiu uma contração dolorida enquanto avisava quem interessava: os membros do grupo &#8220;#BoraTião&#8221; no WhatsApp. Eram as parteiras do Grupo de Parto Domiciliar Matrona e duas companheiras que consolidaram a rede de apoio pós-Joana: as amigas Debora e Cacau, agora nos papéis de doula e fotógrafa, respectivamente.</p>
<p>Ah, claro, também era importante conversar com minha sogra. Nesse caso, o WhatsApp não era suficiente.</p>
<p>— Está tudo bem, mãe. Estive essa semana com a obstetra, os exames pré-natal estão em ordem. Pressão controlada. Níveis de glicose também. Pode ficar sossegada.</p>
<p>De fato, era uma gravidez de risco baixo. Havia um plano B para transferência em caso de emergência. As escolhas eram seguras e planejadas. Estávamos cercados de informação. Era o bastante.</p>
<p>Ninguém gosta de receber conselhos ou de ficar ouvindo palpites, por isso entenda o que vou registrar aqui como uma sugestão valiosa. Caso você e sua companheira decidam bancar um parto em casa, avisem apenas quem de fato vai apoiar a empreitada durante o processo todo. Para garantir a alegria e felicidade dos nossos pais e amigos, todos souberam do parto domiciliar apenas quando Matias nasceu.</p>
<p>Evite o constrangimento de amigos e parentes que vão contar a história daquela conhecida &#8220;que fez cesárea no plantão do hospital do plano e deu tudo certo&#8221; (a gente torce para que dê sempre, mas não era a nossa escolha). Poupe seus pais da tensão nervosa do &#8220;minha nossa senhora que ideia mais maluca mas isso é seguro mesmo não vai ter hospital?&#8221;.</p>
<p>Porque não teve hospital. Talvez eu já tenha dito isso.</p>
<p align="center"><img decoding="async" src="/blog/images/relatohospital121119.jpg"><br />
<i>Isso aqui é um hospital. Joana nasceu aqui. Matias não.</i></p>
<p>A Vivian, uma das parteiras do Grupo Matrona, chegou em casa antes do Faustão acabar. Ficou até o meio do Fantástico. Avaliou Rina, conversou, mediu o intervalo das contrações. A orientação era simples: descansar e esperar. Foi o que ela fez, não sem antes manter a rotina de colocar Joana para dormir.</p>
<p>Eu fiz o que pude para abstrair o que podia acontecer naquela madrugada. Fui para o computador e prossegui com uma tarefa que devia entregar naquela semana: a gravação de um curso online. A escrivaninha fica ao lado da nossa cama, onde Rina costuma desmaiar em sono profundo. Em circunstâncias normais, a relação entre esses dois extremos num ambiente acanhado é pacífico.</p>
<p>Em algum momento, enquanto falava alguma coisa sobre variáveis importantes para otimização de páginas HTML para serem indexadas pelo Google, ouço um gemidão. Eram as contrações de Rina, com cada vez mais intensidade. É possível que, caso alguém acesse ao menos uma das videoaulas que produzi, consiga ouvir um berro ululante. Era Matias chegando.</p>
<p>O grupo &#8220;#Boratião&#8221; movimentou-se freneticamente. Cacau e Debora chegaram em casa nas primeiras horas da madrugada. Prepararam a sala de casa com incensos, aromas e iluminação leve enquanto eu fervia água para garantir litros de café. A térmica estava cheia quando Rina, ainda consciente, pediu para que eu fosse deitar por algumas horas e despertar quando o parto estivesse engrenado.</p>
<p>Não lembro se já eram quatro ou cinco da manhã quando alguém veio me tirar da cama. Enquanto abria os olhos, ouvia, ao fundo, Rina xingar o Universo e questionar &#8220;quem teve a ideia de engravidar outra vez e passar por aquilo de novo&#8221;. Quase consciente, vi que era Debora, ao meu lado, com uma dúvida complexa.</p>
<p>— André, onde fica o registro do chuveiro?</p>
<p>Mesmo que eu lembrasse qual torneira era responsável por cortar a água do banheiro, não havia possibilidade alguma dela ter sido acionada por alguém nos últimos meses. Na realidade, desde quando nos mudamos para aquele apartamento, dois anos antes, nunca houve qualquer interrupção no abastecimento.</p>
<p>Naquela madrugada de 12 de novembro, no entanto, não havia água no chuveiro.</p>
<p align="center"><img decoding="async" src="/blog/images/relatodebora121119.jpg"><br />
<i>A madrugada em casa estava assim, serena. Até Debora abrir a torneira.</i></p>
<p>Alguns dias antes, providenciei um &#8220;kit banheira&#8221; para o apartamento. A equipe do Matrona levaria uma daquelas piscinas infláveis para um eventual parto na água &#8211; igual ao de Jojô. Eu arrumei um plástico preto comprido, que seria usado para forrar o chão. Troquei ainda a mangueira do chuveirinho: ficou comprida o bastante para alcançar a sala.</p>
<p>Esse plano nunca foi executado. Sem água, Rina precisava relaxar de outras formas. Ficava um tempo em pé, apoiada na parede; sentava alguns instantes em uma bola de pilates, antes das contrações mais fortes chegarem. Apoiava-se na poltrona de joelhos e mordia uma toalha enquanto gritava. Enquanto abraçava Rina, Debora ainda tentou oferecer frutas e sorvete. Recusou tudo. Nós dois ainda nos alternávamos na massagem em suas costas.</p>
<p>Nunca soubemos o que houve exatamente. Haviam cortado o fluxo apenas nos banheiros: na cozinha e na lavanderia, as torneiras funcionavam normalmente. Para quem acredita em coisas, pode-se pensar em uma intervenção cósmica: se Rina estivesse relaxada embaixo do chuveiro, talvez o neném viesse antes das obstetrizes chegarem. E ninguém queria um parto em casa sem a assistência delas.</p>
<p>Quando Fernanda e Vivian, do Grupo Matrona, apareceram carregando bolsas de material, cilindro de oxigênio e a piscina inflável (que saiu do jeito que entrou), Rina ainda estava apoiada na poltrona. Suspirou aliviada: agora Matias podia chegar. A água do chuveiro, se possível, também.</p>
<p>Eram quase seis da manhã quando finalmente a ducha voltou a funcionar. Milagre! A alegria de Rina estava quase completa. Exausta, pediu para sentar dentro do box. As meninas arrumaram uma banqueta própria para parto humanizado. Ela tem o formato de um semicírculo: a gestante fica sentada como naqueles assentos sanitários elevados com abertura na frente, para idosos e deficientes. Perfeito.</p>
<p>Só havia um porém: eu só descobri isso depois de entrar no box com a banqueta e posicioná-la como um U invertido, com a curvatura para cima.</p>
<p>— André, tá errado isso aí. Inverte.</p>
<p>Eu inverti. Isto é: o U invertido estava no sentido longitudinal. Deixei na transversal.</p>
<p>Rina afastou minhas mãos de perto, deitou a banqueta como deveria estar, sentou e começou a rir.</p>
<p>Enquanto Rina ficou embaixo do chuveiro sentada na banqueta, Joana despertou. Ouvia os gritos do box. Estranhou aquelas mulheres todas na volta da sala. Estava assustada. Perguntou o que estava acontecendo, seus olhinhos tinham algumas lágrimas. Peguei no colo, expliquei que o maninho estava chegando. Fomos ao banheiro, dar bom dia para a mamãe.</p>
<p align="center"><img decoding="async" src="/blog/images/relatobox121119.jpg"><br />
<i>Essa foto da Cacau deveria concorrer a algum prêmio.</i></p>
<p>Fiquei com ela nos minutos seguintes, distraindo-a. Segui para a cozinha. Peguei um café para mim e uma tigela com sucrilhos para ela. Tensa, não quis comer. Imaginando que o trabalho de parto ainda levaria tempo, tratei de conduzir a manhã como se fosse um dia normal.</p>
<p>— Filha, vamos nos arrumar para ir a escola?</p>
<p>Eu mal sabia que era uma tolice. Joana ficaria o dia em casa, mas ainda não sabíamos. Ao menos ela tirou o pijama e escolheu um vestido rosa.</p>
<p>Nesse mesmo instante, a &#8220;baixinha&#8221; Vivian estava &#8220;encaixada&#8221; dentro do box (e era realmente a única que podia ficar ali), esperando Matias. No lado de fora, Debora segurava a mão de Rina com tanta força que o aparador de ferro sobre o box desgrudou. Cacau se equilibrava em cima do sanitário, apontando a objetiva para a cabeça de Rina.</p>
<p>Eu estava no quarto de Joana, ajeitando seu vestido rosa e escolhendo a sandália, quando ouvi um chorinho. Eram 7h09. Matias chegou com 3,795kg e 50,5cm. Laceração zero, períneo íntegro, como registram as enfermeiras em um parto normal. Em casa. Não teve hospital.</p>
<p align="center"><img decoding="async" src="/blog/images/relatonenenho121119.jpg"><br />
<i>Oun!</i></p>
<p>Rina ainda ficou longos minutos tomando banho, feliz, já sem a placenta. Seguiu para a cama, na companhia da família. Debora preparou um suco de uva batido com um pedaço da placenta &#8211; ideia &#8220;desse povo estranho do natural&#8221;. Diz Rina que estava doce, ainda que os ingredientes tenham sido apenas suco integral e placenta. Hoje ela recorda: &#8220;foi aquilo que me deu energia naquela semana. Um parto curto, mas cansativo. Uma filha mais velha na volta. E eu lá, plena&#8221;.</p>
<p>As meninas logo foram embora. Levei Joana para almoçar na padaria. Montamos uma marmita com feijão, arroz, saladinha e frango &#8211; tinha que ser, já que Rina não suportava o cheiro e o gosto de frango durante a gestação. Meus pais chegaram no meio da tarde, com o nosso jantar.</p>
<p>Já na terça-feira, Joana estava de volta à escola. No dia seguinte, Matias fez seu primeiro passeio: foi até a Apae, na Vila Mariana, fazer o teste do pezinho. Uma aventura que teve como protagonista nosso esquecimento: o papelinho amarelo com o registro provisório tinha ficado em casa. Acionamos um Rappi e contamos com Nice, que estava em casa, fazendo faxina. Encontrou o DNV dentro da impressora (eu realmente não lembro como um documento importante daqueles foi parar lá).</p>
<p>Enfim, na sexta-feira, um dia depois do viaduto na Marginal Pinheiros cair, estava no cartório.</p>
<p align="center"><img decoding="async" src="/blog/images/relatoeujojonenenho121119.jpg"><br />
<i>Oun de novo!</i></p>
<p>— Ele nasceu na segunda-feira, né?</p>
<p>— Sim, Soraia. Segunda-feira.</p>
<p>— Perfeitamente. Neste sábado, vamos funcionar até meio-dia. Mas nos outros dias da semana, pode nos procurar a qualquer hora. Não esqueça os exames, os nomes e prenomes, a profissão e a residência das duas testemunhas do assento, e que já viram o recém-nascido.</p>
<p>Voltei ao cartório com toda a papelada e um casal de amigos, Clécio e Debora, na semana seguinte. Num protesto pirracento, era um casal que ainda não tinha visto Matias. Chupa essa manga, Soraia!</p>
<p>Quando Matias nasceu, chamava-o de &#8220;pequeno chinesinho&#8221;, por causa dos olhos fechadinhos. Inacreditavelmente, um ano já passou. Aconteceu coisa adoidado, apesar da vida ter seguido rápido demais. Hoje, Matias já não é tão pequeno. Muito menos chinesinho. Descobriu, veja só, como faz para a mangueira do chuveirinho chegar na sala. Exatamente como seria, sem nunca ter sido.</p>
<p align="center"><img decoding="async" src="/blog/images/relatofim121119.jpg"><br />
<i>Papai! Seu texto ficou tão grande quanto esse negócio aqui!</i></p>
]]></content:encoded>
					
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		<title>Tá com dor na costa, Tite?</title>
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		<dc:creator><![CDATA[André Marmota]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 12 Jun 2018 18:38:44 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[Toda unanimidade é meio burra. A que envolve o técnico Tite é ainda mais surpreendente: ele está sempre certo, a mídia o defende como a mente brilhante por trás de um trabalho impecável à frente da seleção&#8230; Por que não questioná-lo um pouquinho? Essa montagem estúpida usa a intervenção carinhosa de Paulo Moraes Júnior, o [&#8230;]]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p><img decoding="async" src="/blog/secoes/e-copa.gif" align="right">Toda unanimidade é meio burra. A que envolve o técnico Tite é ainda mais surpreendente: ele está sempre certo, a mídia o defende como a mente brilhante por trás de um trabalho impecável à frente da seleção&#8230; Por que não questioná-lo um pouquinho?</p>
<p><iframe width="960" height="720" src="https://www.youtube.com/embed/kQMsRh7jr1o?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture" allowfullscreen></iframe></p>
<p>Essa montagem estúpida usa a intervenção carinhosa de Paulo Moraes Júnior, o Jubão, torcedor do XV de Piracicaba, no papel do Canarinho Pistola (eu ainda prefiro &#8220;Putaço&#8221;). O registro foi feito pelo Globo Esporte em 2013, quando Adenor Bacchi era o técnico do Corinthians.</p>
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		<title>Simulador da Copa de 2018: qual o seu palpite?</title>
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		<dc:creator><![CDATA[André Marmota]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 01 Dec 2017 20:03:12 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Marmota na Copa]]></category>
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					<description><![CDATA[Procurando pelos palpites da Copa de 2022? Vem Catar ele aqui! Finalmente chegou a hora de ouvir o improvável diálogo entre a Mãe Dináh e o Bruxo Chik Jeitoso que vivem dentro de você! Até julho de 2018, ficaremos longos minutos elaborando os confrontos da Copa do Mundo da Rússia. É muito simples: basta escolher [&#8230;]]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p><a href="https://marmota.org/blog/simulador-da-copa-2022/" style="color: #660033;"><b>Procurando pelos palpites da Copa de 2022? Vem Catar ele aqui!</b></a></p>
<p>Finalmente chegou a hora de ouvir o improvável diálogo entre a Mãe Dináh e o Bruxo Chik Jeitoso que vivem dentro de você! Até julho de 2018, ficaremos longos minutos elaborando os confrontos da Copa do Mundo da Rússia. É muito simples: basta escolher os dois classificados em cada grupo (primeiro e segundo lugares) e, na fase seguinte, apontar o vencedor dos mata-matas até a finalíssima. Vamos brincar?</p>
<div style="width: 70%; margin: 0px auto;">
<form name="palpitescopa2018">
<h3 class="palpites_title"><b>Primeira fase</b></h3>
</p>
<table cellspacing="2" border="0" align="center">
<tr>
<td align="center"><b>Grupo A</b><br /><img decoding="async" src="http://marmota.org/blog/copa_bandeiras/rus.gif"> <img decoding="async" src="http://marmota.org/blog/copa_bandeiras/ksa.gif"> <img decoding="async" src="http://marmota.org/blog/copa_bandeiras/egy.gif"> <img decoding="async" src="http://marmota.org/blog/copa_bandeiras/uru.gif"><br />1&ordm; <select style="width: 100px;" name="a1" onChange="oi11.value = this.value"><option selected>Escolha...</option><option value="Russia">Russia</option><option value="Arabia Saudita">Arabia Saudita</option><option value="Egito">Egito</option><option value="Uruguai">Uruguai</option></select><br />2&ordm; <select style="width: 100px;" name="a2" onChange="oi32.value = this.value"><option selected>Escolha...</option><option value="Russia">Russia</option><option value="Arabia Saudita">Arabia Saudita</option><option value="Egito">Egito</option><option value="Uruguai">Uruguai</option></select></select></td>
<td align="center"><b>Grupo E</b><br /><img decoding="async" src="http://marmota.org/blog/copa_bandeiras/bra.gif"> <img decoding="async" src="http://marmota.org/blog/copa_bandeiras/sui.gif"> <img decoding="async" src="http://marmota.org/blog/copa_bandeiras/cri.gif"> <img decoding="async" src="http://marmota.org/blog/copa_bandeiras/srb.gif"><br />1&ordm; <select style="width: 100px;" name="e1" onChange="oi51.value = this.value"><option selected>Escolha...</option><option value="Brasil">Brasil</option><option value="Suica">Suica</option><option value="Costa Rica">Costa Rica</option><option value="Servia">Servia</option></select><br />2&ordm; <select style="width: 100px;" name="e2" onChange="oi72.value = this.value"><option selected>Escolha...</option><option value="Brasil">Brasil</option><option value="Suica">Suica</option><option value="Costa Rica">Costa Rica</option><option value="Servia">Servia</option></select></td>
</tr>
<tr>
<td align="center"><b>Grupo B</b><br /><img decoding="async" src="http://marmota.org/blog/copa_bandeiras/por.gif"> <img decoding="async" src="http://marmota.org/blog/copa_bandeiras/esp.gif"> <img decoding="async" src="http://marmota.org/blog/copa_bandeiras/mar.gif"> <img decoding="async" src="http://marmota.org/blog/copa_bandeiras/irn.gif"><br />1&ordm; <select style="width: 100px;" name="b1" onChange="oi31.value = this.value"><option selected>Escolha...</option><option value="Portugal">Portugal</option><option value="Espanha">Espanha</option><option value="Marrocos">Marrocos</option><option value="Ira">Ira</option></select><br />2&ordm; <select style="width: 100px;" name="b2" onChange="oi12.value = this.value"><option selected>Escolha...</option><option value="Portugal">Portugal</option><option value="Espanha">Espanha</option><option value="Marrocos">Marrocos</option><option value="Ira">Ira</option></select></td>
<td align="center"><b>Grupo F</b><br /><img decoding="async" src="http://marmota.org/blog/copa_bandeiras/ger.gif"> <img decoding="async" src="http://marmota.org/blog/copa_bandeiras/mex.gif"> <img decoding="async" src="http://marmota.org/blog/copa_bandeiras/swe.gif"> <img decoding="async" src="http://marmota.org/blog/copa_bandeiras/kor.gif"><br />1&ordm; <select style="width: 100px;" name="1" onChange="oi71.value = this.value"><option selected>Escolha...</option><option value="Alemanha">Alemanha</option><option value="Mexico">Mexico</option><option value="Suecia">Suecia</option><option value="Coreia do Sul">Coreia do Sul</option></select><br />2&ordm; <select style="width: 100px;" name="f2" onChange="oi52.value = this.value"><option selected>Escolha...</option><option value="Alemanha">Alemanha</option><option value="Mexico">Mexico</option><option value="Suecia">Suecia</option><option value="Coreia do Sul">Coreia do Sul</option></select></td>
</tr>
<tr>
<td align="center"><b>Grupo C</b><br /><img decoding="async" src="http://marmota.org/blog/copa_bandeiras/fra.gif"> <img decoding="async" src="http://marmota.org/blog/copa_bandeiras/aus.gif"> <img decoding="async" src="http://marmota.org/blog/copa_bandeiras/per.gif"> <img decoding="async" src="http://marmota.org/blog/copa_bandeiras/den.gif"><br />1&ordm; <select style="width: 100px;" name="c1" onChange="oi21.value = this.value"><option selected>Escolha...</option><option value="Franca">Franca</option><option value="Australia">Australia</option><option value="Peru">Peru</option><option value="Dinamarca">Dinamarca</option></select><br />2&ordm; <select style="width: 100px;" name="c2" onChange="oi42.value = this.value"><option selected>Escolha...</option><option value="Franca">Franca</option><option value="Australia">Australia</option><option value="Peru">Peru</option><option value="Dinamarca">Dinamarca</option></select></td>
<td align="center"><b>Grupo G</b><br /><img decoding="async" src="http://marmota.org/blog/copa_bandeiras/bel.gif"> <img decoding="async" src="http://marmota.org/blog/copa_bandeiras/pan.gif"> <img decoding="async" src="http://marmota.org/blog/copa_bandeiras/tun.gif"> <img decoding="async" src="http://marmota.org/blog/copa_bandeiras/eng.gif"><br />1&ordm; <select style="width: 100px;" name="g1" onChange="oi61.value = this.value"><option selected>Escolha...</option><option value="Belgica">Belgica</option><option value="Panama">Panama</option><option value="Tunisia">Tunisia</option><option value="Inglaterra">Inglaterra</option></select><br />2&ordm; <select style="width: 100px;" name="g2" onChange="oi82.value = this.value"><option selected>Escolha...</option><option value="Belgica">Belgica</option><option value="Panama">Panama</option><option value="Tunisia">Tunisia</option><option value="Inglaterra">Inglaterra</option></select></td>
</tr>
<tr>
<td align="center"><b>Grupo D</b><br /><img decoding="async" src="http://marmota.org/blog/copa_bandeiras/arg.gif"> <img decoding="async" src="http://marmota.org/blog/copa_bandeiras/isl.gif"> <img decoding="async" src="http://marmota.org/blog/copa_bandeiras/hrv.gif"> <img decoding="async" src="http://marmota.org/blog/copa_bandeiras/nga.gif"><br />1&ordm; <select style="width: 100px;" name="d1" onChange="oi41.value = this.value"><option selected>Escolha...</option><option value="Argentina">Argentina</option><option value="Islandia">Islandia</option><option value="Croacia">Croacia</option><option value="Nigeria">Nigeria</option></select><br />2&ordm; <select style="width: 100px;" name="d2" onChange="oi22.value = this.value"><option selected>Escolha...</option><option selected>Escolha...</option><option value="Argentina">Argentina</option><option value="Islandia">Islandia</option><option value="Croacia">Croacia</option><option value="Nigeria">Nigeria</option></select></td>
<td align="center"><b>Grupo H</b><br /><img decoding="async" src="http://marmota.org/blog/copa_bandeiras/pol.gif"> <img decoding="async" src="http://marmota.org/blog/copa_bandeiras/sen.gif"> <img decoding="async" src="http://marmota.org/blog/copa_bandeiras/col.gif"> <img decoding="async" src="http://marmota.org/blog/copa_bandeiras/jpn.gif"><br />1&ordm; <select style="width: 100px;" name="h1" onChange="oi81.value = this.value"><option selected>Escolha...</option><option value="Polonia">Polonia</option><option value="Senegal">Senegal</option><option value="Colombia">Colombia</option><option value="Japao">Japao</option></select><br />2&ordm; <select style="width: 100px;" name="h2" onChange="oi62.value = this.value"><option selected>Escolha...</option><option value="Polonia">Polonia</option><option value="Senegal">Senegal</option><option value="Colombia">Colombia</option><option value="Japao">Japao</option></select></td>
</tr>
</table>
<h3><b>Oitavas-de-final</b></h3>
</p>
<table border="0" cellspacing="2" width="70%" align="center">
<tr>
<td align="center"><input type="text" name="oi11"style="width: 100px"></td>
<td align="center"><input type="radio" name="jogo1" onClick="qua1.value = oi11.value">x<input type="radio" name="jogo1" onClick="qua1.value = oi12.value"></td>
<td align="center"><input type="text" name="oi12"style="width: 100px"></td>
</tr>
<tr>
<td align="center"><input type="text" name="oi21"style="width: 100px"></td>
<td align="center"><input type="radio" name="jogo2" onClick="qua2.value = oi21.value">x<input type="radio" name="jogo2" onClick="qua2.value = oi22.value"></td>
<td align="center"><input type="text" name="oi22"style="width: 100px"></td>
</tr>
<tr>
<td align="center"><input type="text" name="oi31"style="width: 100px"></td>
<td align="center"><input type="radio" name="jogo3" onClick="quc1.value = oi31.value">x<input type="radio" name="jogo3" onClick="quc1.value = oi32.value"></td>
<td align="center"><input type="text" name="oi32"style="width: 100px"></td>
</tr>
<tr>
<tr>
<td align="center"><input type="text" name="oi41"style="width: 100px"></td>
<td align="center"><input type="radio" name="jogo4" onClick="quc2.value = oi41.value">x<input type="radio" name="jogo4" onClick="quc2.value = oi42.value"></td>
<td align="center"><input type="text" name="oi42"style="width: 100px"></td>
</tr>
<td align="center"><input type="text" name="oi51"style="width: 100px"></td>
<td align="center"><input type="radio" name="jogo5" onClick="qub1.value = oi51.value">x<input type="radio" name="jogo5" onClick="qub1.value = oi52.value"></td>
<td align="center"><input type="text" name="oi52"style="width: 100px"></td>
</tr>
<tr>
<td align="center"><input type="text" name="oi61"style="width: 100px"></td>
<td align="center"><input type="radio" name="jogo6" onClick="qub2.value = oi61.value">x<input type="radio" name="jogo6" onClick="qub2.value = oi62.value"></td>
<td align="center"><input type="text" name="oi62"style="width: 100px"></td>
</tr>
<tr>
<td align="center"><input type="text" name="oi71"style="width: 100px"></td>
<td align="center"><input type="radio" name="jogo7" onClick="qud1.value = oi71.value">x<input type="radio" name="jogo7" onClick="qud1.value = oi72.value"></td>
<td align="center"><input type="text" name="oi72"style="width: 100px"></td>
</tr>
<tr>
<td align="center"><input type="text" name="oi81"style="width: 100px"></td>
<td align="center"><input type="radio" name="jogo8" onClick="qud2.value = oi81.value">x<input type="radio" name="jogo8" onClick="qud2.value = oi82.value"></td>
<td align="center"><input type="text" name="oi82"style="width: 100px"></td>
</tr>
</table>
<h3><b>Quartas-de-final</b></h3>
</p>
<table border="0" cellspacing="2" width="70%" align="center">
<tr>
<td align="center"><input type="text" name="qua1"style="width: 100px"></td>
<td align="center"><input type="radio" name="jogoa" onClick="se1.value = qua1.value">x<input type="radio" name="jogoa" onClick="se1.value = qua2.value"></td>
<td align="center"><input type="text" name="qua2"style="width: 100px"></td>
</tr>
<tr>
<td align="center"><input type="text" name="qub1"style="width: 100px"></td>
<td align="center"><input type="radio" name="jogob" onClick="se2.value = qub1.value">x<input type="radio" name="jogob" onClick="se2.value = qub2.value"></td>
<td align="center"><input type="text" name="qub2"style="width: 100px"></td>
</tr>
<tr align="center">
<td><input type="text" name="quc1"style="width: 100px"></td>
<td><input type="radio" name="jogoc" onClick="sf1.value = quc1.value">x<input type="radio" name="jogoc" onClick="sf1.value = quc2.value"></td>
<td><input type="text" name="quc2"style="width: 100px"></td>
</tr>
<tr>
<td align="center"><input type="text" name="qud1"style="width: 100px"></td>
<td align="center"><input type="radio" name="jogod" onClick="sf2.value = qud1.value">x<input type="radio" name="jogod" onClick="sf2.value = qud2.value"></td>
<td align="center"><input type="text" name="qud2"style="width: 100px"></td>
</tr>
</table>
<h3><b>Semifinal</b></h3>
</p>
<table border="0" cellspacing="2" width="70%" align="center">
<tr>
<td align="center"><input type="text" name="se1"style="width: 100px"></td>
<td align="center"><input type="radio" name="jogoe" onClick="dec1.value = se1.value">x<input type="radio" name="jogoe" onClick="dec1.value = se2.value"></td>
<td align="center"><input type="text" name="se2"style="width: 100px"></td>
</tr>
<tr>
<td align="center"><input type="text" name="sf1"style="width: 100px"></td>
<td align="center"><input type="radio" name="jogof" onClick="dec2.value = sf1.value">x<input type="radio" name="jogof" onClick="dec2.value = sf2.value"></td>
<td align="center"><input type="text" name="sf2"style="width: 100px"></td>
</tr>
</table>
<h3><b>Final</b></h3>
</p>
<table border="0" cellspacing="2" width="70%" align="center">
<tr align="center">
<td align="center"><input type="text" name="dec1"style="width: 100px"></td>
<td align="center"> x </td>
<td align="center"><input type="text" name="dec2"style="width: 100px"></td>
</tr>
</table>
<div align="center"><input type="reset" value="Fazer de novo"></div>
</form>
</div>
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