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	<title>Marmota, mais dos mesmos</title>
	
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	<description>Desde 2002, muito obrigado por nada.</description>
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		<title>Feliz 1984</title>
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		<pubDate>Thu, 02 Feb 2012 15:44:00 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Marmota</dc:creator>
				<category><![CDATA[E eu, uma pedra]]></category>

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		<description><![CDATA[Sabe quando um comentarista de futebol cai na armadilha de avaliar como está o jogo e cravar algum prognóstico nos primeiros cinco minutos? Sabemos que é burrice soltar um &#8220;o desempenho do time da casa promete&#8221; e ser surpreendido por um gol sem querer dos visitantes aos quarenta do segundo tempo. Mas a frase acaba [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><img src="http://marmota.org/blog/secoes/pedra.gif" alt="" align="right" />Sabe quando um comentarista de futebol cai na armadilha de avaliar como está o jogo e cravar algum prognóstico nos primeiros cinco minutos? Sabemos que é burrice soltar um &#8220;o desempenho do time da casa promete&#8221; e ser surpreendido por um gol sem querer dos visitantes aos quarenta do segundo tempo. Mas a frase acaba saindo, com facilidade de tamanho equivalente ao nosso medo do desconhecido. O futebol, assim como a vida, é uma caixinha de surpresas. E como é difícil aceitar isso.</p>
<p>Eu também banquei o tolo ao me esconder no meio do mato a partir dos últimos dias de dezembro. Quando janeiro deu as caras, soltei um atrevido &#8220;feliz ano da marmota&#8221;, numa alusão pouco criativa (e mentirosa) ao dois de fevereiro. Nosso dia de Iemanjá tem outro significado em um impronunciável município <s>canadense</s> norte-americano (bem observado, Adriano!) onde um <a title="Já escrevi sobre isso antes" href="http://dialetica.org/marmota/feliz-dia-da-marmota" target="_blank"><strong>ritual envolvendo o roedor</strong></a> prevê o rigor do inverno local. Creia (ou não) na rainha das águas ou no rei do buraco, Bill Murray e Andie MacDowell, sob a batuta de Harold Ramis (o Egon dos Caça-Fantasmas), ainda nos fizeram acreditar que o intervalo de tempo &#8220;da marmota&#8221; é aquele no qual a rotina é a única possibilidade.</p>
<p>Ao dizer &#8220;feliz ano da marmota&#8221;, quis confortar minha mente ao disfarçar meu incômodo, como se quisesse <a title="Caí na pegadinha! Ráááá!" href="http://marmota.org/noticia/?titulo=2012+%C3%A9+o+ano+da+marmota,+aponta+estudo" target="_blank"><strong>ignorar as surpresas da vida</strong></a>. Não sei quanto a você, mas olho para os últimos trinta dias e vejo reflexos de um turbilhão. Mesmo que elas sejam inevitáveis, insisti em uma negociação com o futuro. Lembrei que, desde as gambiarras no calendário feitas pela Igreja em 1582 e sua adoção universal ao longo dos séculos seguintes, temos uma coincidência: os dias do ano se repetem a cada 28 anos. Dessa forma, 2012 segue o mesmo caminho de 1984.</p>
<p align="center"><img src="http://marmota.org/blog/images/calendario020212.jpg" alt="" /><br />
<em>A URSS ainda existia&#8230;</em></p>
<p>Eu tinha seis anos naquela virada de ano. A imagem que surge em minha mente é a da televisão ligada no Viva a Noite (era aos sábados), com a Marriete, o Liminha, o Bugalu e a Galinha Azul revezando-se no papel de ponteiros num cronômetro, até o Gugu desejar felicidades enquanto um &#8220;Feliz 84&#8243; surgia no GC. Foi o ano de inauguração da Sapucaí, e a recém inaugurada TV Manchete mostrou com exclusividade aquele Carnaval &#8211; eu mesmo imaginei, por muito tempo, que aquele M ao final do desfile tinha a ver com a emissora&#8230; Curiosamente, vejam, a passarela do samba carioca passou por uma boa reforma: vai estar diferente, com novas arquibancadas para a festa de Momo dentro de alguns dias.</p>
<p>Claro que as coincidências existem apenas diante de quem as veem. As mais evidentes: 84 e 12 são anos bissextos; e também teremos Olimpíadas. Em Los Angeles, vimos os soviéticos e outros países socialistas boicotarem os Jogos, numa resposta a ausência dos EUA em Moscou. Agora, o boicote vai ser só nosso, por conta de uma briga envolvendo direitos de transmissão &#8211; consolidada justamente nos anos 1980 para garantir a realização de um evento esportivo deficitário e ameaçado. Resolveram um problema, vieram outros.</p>
<p>Não lembro nada daquelas Olimpíadas, apenas do Joaquim Cruz, medalhista nos 400m. Também tinha um albinho de capa vermelha da Coca-Cola, denominado &#8220;passaporte para os Jogos&#8221;, com explicações sobre as modalidades e figurinhas do Pateta. Estava na primeira série, era aluno da tia Amélia. Uma escola nova, como uma folha sulfite prestes a ser rabiscada &#8211; historinha que escrevi no mesmo colégio pelos oito anos seguintes. Ainda que eu tenha mudado meu papel na sala de aula, o mês terminou com uma notícia incrível: uma escola nova, como um tablet de 64Gb esperando por novos conteúdos e aplicativos.</p>
<p>Mas voltando. A tensão entre URSS e EUA, que estava prestes ao seu auge naquele tempo, remete às palavras de George Orwell, escritor que cunhou a expressão &#8220;Guerra Fria&#8221;. Dizia que o homem destruiria seu planeta por meio de suas armas. Ainda no pós-guerra, ao final dos anos 1940, Orwell lançou outra obra, vislumbrando uma sociedade vigiada por câmeras, controlada e punida pela razão, representada pela imagem aterradora por trás de telas (o &#8220;Big Brother&#8221;). O livro, alusivo a um jeito cruel de acabarmos com o nosso mundo, chama-se 1984.</p>
<p>Foi também em 1984 que o diretor James Cameron exibiu sua versão de extermínio futurista nas telonas, com o Arnold Schwarzenegger no papel de andróide. Recentemente, o cinema nos trouxe outro blockbuster, misturando complicações climáticas e calendário maia: 2012. Nova coincidência: se naquele janeiro de 84 o povo se engajava pedindo eleições diretas e aguardava, após o sucesso da novela Champagne, a estréia da dupla Glória Perez e Aguinaldo Silva em uma novela (ninguém lembra de Partido Alto), nosso janeiro começou com a possibilidade do PT disputar a prefeitura de São Paulo com um vice indicado por um partido amorfo, dissidência do PFL &#8211; que, por sua vez, foi dissidência do PDS. Adicione o Michel Teló, a Mega-grávida de Taubaté e o Globo Esporte de São Paulo e Big Brother como entretenimento nas evidências do apocalipse e pronto.</p>
<p>Mas enfim. O ano de 1984 não teve só Exterminador do Futuro, mas também História Sem Fim (aquele do Atreio), Amor com Amor se Paga (aquele do Nonô Corrêa), Loucademia de Polícia, Jerônimo (aquele justiceiro do sertão!) e Caça-Fantasmas (aquele do Harold Ramis). Teve também o primeiro bebê de proveta do Brasil (hoje uma moça bonita de nome Anna Paula Bittencourt Caldeira), o lançamento do Macintosh (em um comercial que remete ao Big Brother de Orwell), Serginho Chulapa no Santos e Ayrton Senna na Toleman. Teve ainda uma pedra na vesícula da minha mãe, que naquele ano, foi diagnosticada como hepatite&#8230; E impressiona, ao vê-la passar mal 28 anos depois, uma legião de médicos ainda sofrerem para acharem um diagnóstico &#8211; descobri o que é fibromialgia depois de ouvir falar em reumatismo, dengue, toxoplasmose.</p>
<p>Relembrar as vitórias e os desafios também é viver, enquanto tentamos prever como será o amanhã. Passamos, sobrevivemos e aproveitamos por 1984. Que 2012 também seja divertido, promissor e surpreendente.</p>
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		<title>Recomeçando, de onde paramos</title>
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		<pubDate>Sun, 22 Jan 2012 04:11:39 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Marmota</dc:creator>
				<category><![CDATA[Sobre o MMM]]></category>

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		<description><![CDATA[Antes de mais nada, um breve comentário. Dias atrás recebi um e-mail. Era de um desses novos profetas do maravilhoso universo moldado com a esfarelenta massinha de modelar da mídia social. Começava com um safado &#8220;olá&#8221; impessoal, seguido de &#8220;como você sabe, eu sou aquele cara que todo mundo conhece e estou cuidando de um [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Antes de mais nada, um breve comentário. Dias atrás recebi um e-mail. Era de um desses novos profetas do maravilhoso universo moldado com a esfarelenta massinha de modelar da mídia social. Começava com um safado &#8220;olá&#8221; impessoal, seguido de &#8220;como você sabe, eu sou aquele cara que todo mundo conhece e estou cuidando de um negócio&#8230;&#8221;. Juro que, antes de escrever as linhas que seguem, veio uma vontade enorme de não provocar em você a mesma sensação rarefeita que senti diante da minha caixa postal.</p>
<p>Por isso, vou partir da premissa de que você, amigo navegante, ao clicar de repente em algum lugar abriu um texto de blog escrito em 2012 (já dá pra chamar isso de &#8220;vintage&#8221;?), não sabe nada sobre mim, menos ainda sobre uma pagininha de nome &#8220;marmota maia dos mesmos&#8221;, assim mesmo, no plural.</p>
<p>Marmota sou eu. Encantado em vê-lo aqui. Não é nome, evidentemente. Este é André, como devo ser lembrado por boa parte dos meus interlocutores. Meus pais, meu irmão e minha cunhada vez ou outra falam Dé. Algo similar ao que algumas das minhas ex-namoradas faziam &#8211; uma delas grafava &#8220;Deh&#8221; em nossas trocas de cartões. Outra grande mulher que conheço gosta de dizer meu nome e sobrenome, numa linda e marcante formalidade íntima: André Rosa. Nem sempre o achei belo. Muito antes da garotada banalizar o termo bullying, meus coleguinhas do primário cantavam a musiquinha de um comeercial alusivo ao lançamento dos bonecos da Turma da Mônica. Dizia &#8220;Chiiico Beeento e Rosiiinha&#8230;&#8221;. E Rosinha era eu.</p>
<p>De uns tempos pra cá, também me chamam bastante de &#8220;professor&#8221;. Foi o que decidi fazer da minha vida, depois de me divertir uns dez anos com jornalismo esportivo. Tenho amigos que perguntam se, além de dar aulas, também trabalho. Alguns destes, sem brincadeira. Eu mesmo sinto uma saudade danada da redação, dos incêndios, da correria, das pizzas às quartas-feiras durante a rodada. Então me dou conta que posso me dar ao luxo de programar uma vida a partir de finais de semana e feriados. Também olho por uma fresta na porta do mundo caótico que habitava: muitas das coisas que gostava não estão mais lá, enquanto raízes daninhas se fixaram no tronco. Aí a saudade passa.</p>
<p>Foi durante uma tarde rotineira de labuta, em 4 de setembro de 2002, que lembrei do papo com uma colega sobre algum site bacana mantido por um sujeito qualquer. Figura que talvez a gente nunca teria chance de saber o que gosta, o que pensa, o que faz. Não entendia exatamente por que um amontoado de cotidianidades interessaria outra pessoa. Mas achei aquele sisteminha de publicação simples, robusto e fascinante. Em poucos cliques, tinha um blog. Este aqui, pra ser exato.</p>
<p>Naquele ano, muita gente plugada na rede teve a mesma idéia. Compartilhavam sua presença por meio de uma interface baseada em teias compostas por zeros e uns. Até por isso, imaginava que o meu cantinho surgiu para ser mais um entre os muitos. Quer dizer, os mesmos. Aquela grande mulher que me referia há pouco me disse certa vez: a primeira impressão a meu respeito não foi das melhores. &#8220;Vou escrever pra esse idiota pra dizer que o correto é mais do mesmo&#8221;. Mal saberia que nossa convivência, bem como o nome deste espaço, também teria um bocado de licença poética.</p>
<p>Enfim. Contrariando o nome, este blog já mudou de sistema, de URL, de companhia. Começou no promissor &#8220;marmota.blogger.com.br&#8221;, e em poucas semanas, foi catapultado aos píncaros da fugaz popularidade virtual pelas constantes menções dos editores do serviço mantido pela Globo.com. Ganhou domínio próprio e experimentou o Movable Type, uma demonstração perfeita de tecnologia incapaz de se mostrar pertinente no decorrer do tempo. Namorou um tempinho com o WordPress antes de se casar com um projeto que sintetizou um período de efervescência: blogs organizados em condomínios, planos de negócio, monetização, manchetes que saltavam dos cadernos de informática para as revistas semanais. Era divertido, ainda que <a href="http://dialetica.org/marmota/blogueiro-famoso-e-igual-a-miss-cangaiba" title="E essa camiseta nào me serve mais..."><b>blogueiro famoso seja igual a Miss Cangaíba</b></a>.</p>
<p>Por fim, influenciado por uma grande mulher (se não são elas em nossas vidas, hein&#8230;), meus textos organizados em ordem descrescente de data atracaram num portalzinho familiar, como se fosse aquela pracinha onde pessoas bacanas viessem bater papo ao redor do coreto. Um lugar tão legal que, se procurar por algum <a href="http://dialetica.org/becoescuro" title="No beco escuro explode a violência..."><b>beco escuro</b></a>, o incauto dá de cara com um poeminha.</p>
<p>E lá se vão, puxa vida, dez anos. Podemos dizer que este intervalo de tempo começa com algum heavy-user da web programando três ou nove postagens por meio de uma arcaica combinação de PHP com MySQL, antecipando a descrição de seu casamento com algumas cores e tons; e termina com este mesmo usuário exibindo em sua timeline do Facebook uma sutil mudança de status para &#8220;solteiro&#8221;, coisinha que cabe em pouco menos de 140 espaços. No meio destes dois pontos, cabem uns 60 milhões de brasileiros olhando através de janelas amigáveis baseadas em textos, fotos e vídeos, descobrindo as alegrias e decepções humanas de um jeito nada fácil de se entender. Ainda que eu duvide, talvez tenhamos sido mais inteligentes algum dia, como disse aquele outro jornalista.</p>
<p>Mas enfim. Eu mesmo me sentia uma fraude quando comecei a dar aulas de verdade. Foi assim que investi algum tempo (e alguma grana) em um mestrado acadêmico. Qualquer dia desses pretendo escrever mais sobre esse período. Mas já posso adiantar que foi um processo repleto de obstáculos&#8230; Dos dois anos que tive para entregar a dissertação, levei um ano e meio só para entender o que estava fazendo! De qualquer forma, gostei bastante <a href="http://www.facasper.com.br/pesquisas/pesquisa/index.php/analise-de-processos-comunicacionais-assincronos-para-colaboracao-em-um-ambiente-virtual-de-aprendizagem-aberto,111.html" title="Baixe e, se tiver alguma dúvida, dê um alô!"><b>do resultado final</b></a>. Tanto que já penso seriamente em como vai ser meu doutorado &#8211; definitivamente, já fui mais inteligente algum dia.</p>
<p>Ah, sim. Nesse meio tempo, como todo castigo pra pobre é pouco, fui levado a outra investigação de cunho acadêmico: levantar hipóteses e aplicações empíricas relacionadas ao desejo das grandes mulheres. É uma arapuca sem fundo, mas já redigi a conclusão. Cabe em cinco palavras: &#8220;elas sempre querem outra coisa&#8221;.</p>
<p>Olho para frente e vejo ao longe perspectivas interessantes. Mas também gosto muito de olhar para trás, e este blog é uma coleção de fragmentos que, em um clique, emergem do passado e reaparecem. Enquanto passava as últimas semanas brincando de aparar a grama, varrer o quintal, <a href="http://dialetica.org" title="Dê uma navegada por aí e veja o que andei fazendo!"><b>ajustar templates</b></a> e atualizar wordpress, encontrei comentários perdidos e sem aprovação nos cantos da sala. Como as jovens admiradas com a <a href="http://dialetica.org/marmota/o-taurino-na-festa-da-aquariana" title="Baseado em fatos quase reais"><b>relação de um taurino com uma aquariana</b></a>, compartilhando suas experiências similares &#8211; e pensar que a moça que inspirou essa trama já é mãe. Ou na legião de pilotos, aeromoças e passageiros divergindo sobre a experiência de <a href="http://dialetica.org/marmota/pantanal-como-e-voar-num-onibus-com-asas" title="Ônibus com asas!"><b>voar num ATR-42 da Pantanal</b></a>. E os mais injuriados, que frequentam o link mais acessado em todo o Dialetica.org: gente frustrada ao esbarrar na minha receita para <a href="http://dialetica.org/marmota/como-fazer-um-carrinho-de-controle-remoto" title="Não leve a vida tão a sério"><b>fazer um carrinho de controle remoto</b></a>.</p>
<p>Foi assim que percebi duas coisas. A primeira: entre as muitas formas de se aproveitar um blog, agrada-me a possibilidade de escrever despretensiosamente sobre o que der na telha (como agora), criar laços com quem aparece para dar uma lida ou mesmo conversar, reunir cada uma destas palavras num repositório capaz de compor minha identidade e, acima de tudo, não ter pressa para fazer nada disso.</p>
<p>A segunda: estava com saudades disso aqui&#8230; É como voltar ao nosso lar depois de um tempo viajando, minhas malas colocar no chão e meu cachorro me sorrir latindo.</p>
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		<title>Feliz fim de Páscoa</title>
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		<pubDate>Mon, 25 Apr 2011 13:33:26 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Marmota</dc:creator>
				<category><![CDATA[Marmota ilustrado]]></category>

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		<description><![CDATA[Eu já acreditei em coelho que põe ovos de chocolate. Já fui uma dessas felizes crianças que faziam ninhos de palha e papel picado na beira da janela, imaginando que o tal bicho de olhos vermelhos e pelo branquinho deixasse aquele monte de doces ali. Inclusive, teve uma vez que eu fui surpreendido por gotas [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><a target="_blank" href="http://www.flickr.com/photos/marmota/451058440/" title="a mesma cena, com um delay de 20 anos."><img src="http://farm1.static.flickr.com/201/451058440_0ef3d93977.jpg" width="490" height="268" border="0" alt="Fim de Páscoa" /></a></p>
<p><img src="http://marmota.org/blog/secoes/ilustrado.gif" align="right" />Eu já acreditei em coelho que põe ovos de chocolate. Já fui uma dessas felizes crianças que faziam ninhos de palha e papel picado na beira da janela, imaginando que o tal bicho de olhos vermelhos e pelo branquinho deixasse aquele monte de doces ali. Inclusive, teve uma vez que eu fui surpreendido por gotas d’água ao lado dos ovos. “Deve ter sido o coelho”, pensava.</p>
<p>Só depois de um tempo descobri que esse papo de coelho, na verdade, simboliza um tempo de fartura, fertilidade e prosperidade. Afinal, é no domingo de Páscoa que a ressurreição transforma o sofrimento e o sacrifício em amor. Infelizmente, cresci com a impressão distorcida: nossas crianças não estão nem aí pro sentido da Páscoa. Querem mesmo é comer chocolate.</p>
<p>Até na escola, onde a professora deveria ao menos explicar o sentido amplo desse “feriado prolongado onde vou viajar com os amiguinhos e ganhar lindos ovos recheados com bombons e brinquedos”, isso não acontece mais. É orelha de cartolina, bigode e nariz pintado no rosto e, é claro, mais chocolate.</p>
<p>O reflexo dessa imagem distorcida fica mais evidente no supermercado. Um ovo de 300g custando R$ 20, enquanto duas caixas de Bis, também com 300g, sai por R$ 4. Qual o sentido disso? Onde está o valor daquele cidadão que deu sua própria vida e, dois dias depois, surpreendeu aos cristãos e deixando sua mensagem de paz?</p>
<p>Ora, paz é o cacete: os fabricantes sabem que eu e você adoramos chocolate, e quando chega a Páscoa, a gente esquece o quanto nos sentimos enganados. Então vamos pagar dez vezes mais no mesmo produto, só por causa da forma de ovo. Há quem compre dúzias, e na hora de pagar, divida em doze vezes – só vai quitar sua dívida na Páscoa que vem.</p>
<p>Minha Páscoa era bem mais doce quando eu ainda acreditava no coelho. Mas tudo bem, apesar de tudo, ainda vou me divertir com chocolate até o fim da semana. Divirta-se você também.</p>
<p><i>(Postado em 08/04/2007)</i></p>
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		<title>Ei, não feche o Dialética</title>
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		<pubDate>Mon, 31 Jan 2011 15:58:29 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Marmota</dc:creator>
				<category><![CDATA[E eu, uma pedra]]></category>

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		<description><![CDATA[- Viu que o Rafael Galvão fechou o blog dele? Nem &#8220;oi&#8221;, &#8220;saudade&#8221;, &#8220;como você está&#8221; ou outra demonstração de afago. Foi assim que começou meu dia. Só por curiosidade, fui ver o último texto publicado por um sujeito que conheci e aprendi a admirar graças a essa ferramentinha simples, que teve seu tempo de [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><img src="http://marmota.org/blog/secoes/pedra.gif" align="right">- Viu que o Rafael Galvão fechou o blog dele?</p>
<p>Nem &#8220;oi&#8221;, &#8220;saudade&#8221;, &#8220;como você está&#8221; ou outra demonstração de afago. Foi assim que começou meu dia. Só por curiosidade, fui ver o último texto publicado por um sujeito que conheci e aprendi a admirar graças a essa ferramentinha simples, que teve seu tempo de festa mas hoje não consegue arrumar tempo para se enturmar com sistemas que fazem a mesma coisa, só que melhor (leia &#8220;Facebook&#8221;).</p>
<p>&#8220;E com tudo isso o tempo passou e escrever um blog deixou de ser tão divertido&#8221;. Como eu entendo o que o Rafael quer dizer. Na década passada, as motivações para compartilhar idéias normalmente brotavam dentro de si, como uma válvula de escape. De repente, entendíamos o verdadeiro significado de &#8220;rede&#8221;: conectar pessoas incríveis, diferentes, com suas virtudes e defeitos, passou a ser mais fascinante do que elaborar parágrafos repletos de entrelinhas.</p>
<p>Mas tem mais. Estamos falando em conectar pessoas a partir de uma ferramentinha simples. Pense em uma ferramenta qualquer. Por mais que ela permaneça útil com o passar do tempo, ela se torna obsoleta. E se a metáfora do instrumento pura e simples não for suficiente, imaginando que para &#8220;conectar pessoas&#8221; é preciso um lugar agradável como um chalé, a ferramenta deixa de ser simples. &#8220;Mas os cupins; é preciso ser veloz ou os cupins comem toda a madeira, e o preço do concreto pela hora da morte?&#8221;, lembrou o Tiagón, ao falar da depreciação e falta de &#8220;novas luzinhas piscantes&#8221; no condomínio que administrava, o Verbeat, e que fechou ao final do ano passado. </p>
<p>A bem da verdade é que, salvo algum novato entusiasmado com alguém que (ainda) ouviu falar em monetização, poucos ainda tem paciência com blogs. Acabamos aproveitando nossas 24 horas diante de prioridades necessárias para a nossa sobrevivência, enfraquecendo aquelas conexões &#8211; ou otimizando-as a partir dos sistemas melhores, onde boa parte daquelas pessoas estão agora (leia &#8220;Facebook&#8221;).</p>
<p>&#8220;Foi, o condomínio, se transformando numa espécie de pensão de avôzinho simpático, enrugadito, sempre sorridente, esperando moradores e amigos com um café&#8221;. A imagem que o Tiagón identificou em seu Verbeat é bem parecida com a que este Dialética.org acabou se transformando. Com uma diferença: aqui, os responsáveis pela pensão não param mais em casa, encontraram coisas mais importantes pra fazer &#8211; e ainda que procrastinem, estão fazendo.</p>
<p>- Ah, nós fechamos nossos blogs também. Só não anunciamos.</p>
<p>Antes que eu pudesse perguntar como ela ainda vê esta nossa tapera com mato dessa altura no terreiro, assombrado por algum espírito sem paciência com as imperfeições humanas, como se estivesse faltando algo para ser um lugar divertido e acolhedor (nem precisa ser como quando as mãos suavam e as pernas tremiam apaixonadamente), ouvi, ainda com um tom confuso e melancólico:</p>
<p>- Ei, por favor, não feche o Dialética. Eu ainda o vejo como um miniportal familiar.</p>
<p>Então hoje passei aqui, diante da porteira, vi a casa ao longe e preferi ignorar a sujeira acumulada. Vi apenas saudade e lembranças. Num dia azul de verão, sinto o vento; há folhas no meu coração, é o tempo. E gira em volta de mim, sussurra que apaga os caminhos&#8230; Enfim, deixa o tempo passar, acumular folhas, cristalizar idéias. Vou ali dar uma volta, resolver algumas coisas. Quando você quiser, volto por aqui e te ajudo a varrer, queimar papéis e galhos secos, trocar a fiação elétrica.</p>
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		<title>Proposição para 2011</title>
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		<pubDate>Mon, 13 Dec 2010 01:53:44 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Marmota</dc:creator>
				<category><![CDATA[Curtas]]></category>

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		<description><![CDATA[Tudo o que posso dizer sobre o ano que está chegando pode ser encontrado neste QR Code (aqui você encontra como lê-lo). Enfim, ao menos voltei aqui pra dar um alô.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Tudo o que posso dizer sobre o ano que está chegando pode ser encontrado neste QR Code (<a href="http://www.google.com.br/search?q=como+ler+qr+code" target="_blank"><b>aqui</b></a> você encontra como lê-lo).</p>
<p align="center"><img src="http://marmota.org/blog/images/qr121210.gif"></p>
<p>Enfim, ao menos voltei aqui pra dar um alô.</p>
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		<title>Presenteando Anadiômena</title>
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		<pubDate>Sat, 14 Aug 2010 03:01:05 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Marmota</dc:creator>
				<category><![CDATA[E eu, uma pedra]]></category>

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		<description><![CDATA[Então um dia eu estive em uma praia deserta, vestindo meu calção do Internacional. Parecia mesmo Cassandoca, em Ubatuba. Ali eu tive uma visão que mudou minha vida. Era Vênus Anadiômena, eterna amante saindo das águas em busca do amor verdadeiro. Aquele diálogo, reproduzido em prosa, tornou-se oferenda capaz de aflorar das águas outras lembranças [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><img src="http://marmota.org/blog/secoes/pedra.gif" align="right" />Então um dia eu estive em uma praia deserta, vestindo meu calção do Internacional. Parecia mesmo Cassandoca, em Ubatuba. Ali eu tive <a href="//dialetica.org/marmota/sonhando-com-anadiomena" target="_blank"><b>uma visão</b></a> que mudou minha vida. Era Vênus Anadiômena, eterna amante saindo das águas em busca do amor verdadeiro. Aquele diálogo, reproduzido em prosa, tornou-se oferenda capaz de aflorar das águas outras lembranças doces, verdadeiras, fundamentais. Uma alegria semelhante aos ventos inesperados na tarde quente soprou enquanto permanecia sentado em uma pedra, tentando guardar aquela sensação para mim.</p>
<p>De repente, fechava meus olhos e, mesmo sem querer, lá estava eu naquela praia. Mas não era como da primeira vez: a notícia daquela aparição efêmera invadiu o inconsciente coletivo. Todos queriam saber quem era o barrigudo, carregado de frustrações, despertou uma deusa. Muitos torciam por um encontro para a eternidade. Vários alertavam: deuses são efêmeros e inconstantes&#8230;</p>
<p>Mais uma vez, a gota que o orvalho escorreu da noite nos lábios da aurora atingiu os seis azuis daquela criatura multípede, alada&#8230; Linda. Ah se eu pudesse tirá-la desse mundo de sonhos e levá-la para minha casa&#8230; Não precisei pedir: ela segurou na minha mão e, como se trocássemos alianças, selamos nossa união.</p>
<p>Passei a dedicar horas da minha vida ali, naquela pedra, admirando o horizonte e sorrindo, bobo, feliz. Descobri que Anadiômena, verdadeira pérola, vivia em uma concha, onde colecionava outras de várias partes do mundo. Passei a atirar conchas na água, imaginando ser uma forma singela de representar o quanto me sentia bem em ficar ali. A retribuição era sempre maravilhosa: aparecia, sempre brilhando mais que o sol, e chegava bem pertinho. Lembrava que, entre sonho e realidade, não havia distância intangível.</p>
<p>Até que um dia fechei os olhos, adormeci, atirei uma conchinha, mas o tempo fechou. Nuvens pesadas, chuva forte. E uma onda surpreendente me jogou para fora da pedra.</p>
<p>Corri para qualquer lado. De repente, me vi perdido no meio da mata. Fiz o que pude para demonstrar força, mas o frio e a chuva eram mais fortes. Não consegui segurar minha fraqueza. Ajoelhei, ergui os braços e pedi auxílio à primeira entidade que pudesse aparecer.</p>
<p>Surgiu uma figura alta, barbuda, com um belo traje. Chamou a atenção o fato de não ter uma perna. Ofereceu algumas folhas.</p>
<p>- Mastigue isso. Vai tranquilizar sua mente.</p>
<p>- Cê é loco? Botar isso na boca? E quem é você? Um saci maconhista?</p>
<p>Aquela figura sorriu, pacientemente.</p>
<p>- Sou Ossanha, meu caro. O Orixá das plantas e das matas. Tenho o reino e poder das plantas, além de tranquilidade e equilíbrio emocional que podem ajudá-lo. Agora mastigue e mantenha a calma. Vai ficar tudo bem.</p>
<p><img src="http://marmota.org/blog/images/ossanha140810.jpg" align="right" />- Não parece nada bem. Está vendo essa tempestade? Frente fria! Como eu posso ser feliz com Anadiômena e um calção do Inter? Aliás&#8230; Espere aí! Você é o cara daquela música infame! Coitado do homem que cai / No canto de Ossanha traidor / Atrás de mandinga de amor / O amor só é bom se doer / Vai vai vai&#8230; Sofrer! Ora, seu&#8230;</p>
<p>- Não me culpe. Nada tenho a ver com essa letra. Vá reclamar com Vinícius e Baden. E outra: você não está raciocinando. Afinal, o homem que diz &#8220;sou&#8221; não é, porque quem é mesmo é &#8220;não sou&#8221;. E o homem que diz &#8220;dou&#8221; não dá, porque quem dá mesmo não diz. Não concordas?</p>
<p>- Tá, tá. Com tanta água na cabeça, não sei mais se sou ou se dou. Só me diz uma coisa: essa tempestade vai passar ou vou ter que sair daqui? Posso gritar do alto daquela pedra alguma palavra mágica, capaz de quebrar o encanto e nos deixar felizes de novo?</p>
<p>- Encanto? Não parou pra pensar que estas interpéries são obras da natureza? Você devia aproveitar esta oportunidade pra pensar em você. Agora me diga: que coisas surgem em sua mente quando pensa em Anadiômena?</p>
<p>- Ah, as mais doces, amorosas, intensas&#8230; Não consigo mais imaginar minha vida sem esse lugar aqui.</p>
<p>- Ótimo. E como você demonstra isso a ela?</p>
<p>- Mmmhhh&#8230; Eu fico admirando o horizonte&#8230; Atiro conchinhas para ela&#8230;</p>
<p>- Conchinhas? CONCHINHAS???</p>
<p>- Ué&#8230; O que tem? Ela coleciona conchinhas, gosta delas.</p>
<p>- Sim&#8230; Mas&#8230; Só conchinhas??? Eu&#8230; Pensei que você a amasse!!!</p>
<p>- Poxa, Ossanha, tem várias formas de mostrar isso, não acha? Observe outras praias por aí. Repare como tem gente atirando toda sorte de coisas na água, sem nenhum critério ou razão. Há uma banalidade tão forte nisso tudo&#8230; Eu mesmo já dei presentes por aí  que me arrependo&#8230; Lembro daquelas cestas jogadas ao mar e vejo um vazio danado&#8230;</p>
<p>- Certo. Mas perceba: o vazio não está naquela cesta. Está em você.</p>
<p>- Cuma?!</p>
<p>- Meu amigo, esqueça o passado. Se você quer oferecer algo maior do que sua admiração e algumas conchas, mas só consegue ver o vazio de um cesto antigo, é porque ele espera que você o preencha. Seus traumas, bobagens&#8230; Tudo de ruim que você associou a esta ausência antes de subir naquela pedra pela primeira vez&#8230; Nada disso cabe entre você e sua amada Anadiômena. Você consegue entender isso?</p>
<p>- Cacetada&#8230; Estou me sentindo um idiota. Lógico que eu poderia ter feito mais, mas sabe&#8230; Eu julgava que eu pudesse ter deixado meus sentimentos claros, tudo esclarecido&#8230;</p>
<p>- Entendo perfeitamente, meu caro. Agora, pense: agir assim significa pedir para não mexer no que te trava. Como se você dissesse: “é assim que eu vejo, eu sou desse jeito”. Mas você precisa mesmo agir desse jeito? Não consegue questionar? Se você nunca ofereceu algo mais a ela por algum presente mal entregue no passado&#8230;</p>
<p>- Eu preciso agir, lógico! Mas&#8230; Essa chuva&#8230; Esse vento&#8230; Não sei o que posso fazer agora.</p>
<p>- Bom, como disse, o mais importante agora é se acalmar. O tempo é sábio, e você saberá decidir com serenidade. Sobre o presente&#8230; Já pensou em palavras dentro de uma garrafa?</p>
<p>- Palavras?</p>
<p>- Sim. A palavra tem força, meu caro. Você diz que desvalorizou presentes no passado pois não via mais sentido neles&#8230; Uma palavra entregue com certeza, com significado&#8230; Ela marca uma vida. É maior que qualquer medo. E dependendo do que escrever, você vai demonstrar que está todo ali, naquela pedra, vulnerável&#8230; Mas é a única maneira de se entregar, meu rapaz. É se deixar levar, a despeito de todos os traumas.</p>
<p>Acordei daquele sonho tenso, mas entusiasmado para arremessar todas as garrafas que estavam ao meu alcance, antes que o tempo pudesse virar, na praia de Cassandoca. Todas com uma conchinha dentro e um papelzinho com a frase: “imagine que cada conchinha que te dei fosse como se eu lhe dissesse eu te amo, e pense em cada garrafa dessas como se eu desejasse enchê-la com todo o amor que pudermos acumular juntos”.</p>
<p>Desde então, perdi meu medo das ondas, da chuva, do frio, da vida.</p>
<p align="center">***</p>
<p>Hoje é aniversário da minha amada Anadiômena, e há dias não paro de pensar em duas coisas. Uma é o fato de não estar lá, diante dela, para dizer meus votos de felicidades, desejos, experiências e tudo o que vier à cabeça: só posso me contentar em fechar meus olhos e sentir a areia entre o dedos, a água chegando de mansinho, a brisa e o calor do sol.</p>
<p>A segunda é que, mesmo se pudesse, seria apenas eu, e não o Capitão Neruda.</p>
<p><i>Toda la noche he dormido contigo<br />junto al mar, en la isla.<br />Salvaje y dulce eras entre el placer y el sue&ntilde;o,<br />entre el fuego y el agua.</p>
<p>Tal vez muy tarde<br />nuestros sue&ntilde;os se unieron<br />en lo alto o en el fondo,<br />arriba como ramas que un mismo viento mueve,<br />abajo como rojas ra&iacute;ces que se tocan.</p>
<p>Tal vez tu sue&ntilde;o<br />se separ&oacute; del m&iacute;o<br />y por el mar oscuro<br />me buscaba<br />como antes<br />cuando a&uacute;n no exist&iacute;as,<br />cuando sin divisarte<br />navegu&eacute; por tu lado,<br />y tus ojos buscaban<br />lo que ahora<br />&mdash;pan, vino, amor y c&oacute;lera&mdash;<br />te doy a manos llenas<br />porque t&uacute; eres la copa<br />que esperaba los dones de mi vida.</p>
<p>He dormido contigo<br />toda la noche mientras<br />la oscura tierra gira<br />con vivos y con muertos,<br />y al despertar de pronto<br />en medio de la sombra<br />mi brazo rodeaba tu cintura.<br />Ni la noche, ni el sue&ntilde;o<br />pudieron separarnos.</p>
<p>He dormido contigo<br />y al despertar tu boca<br />salida de tu sue&ntilde;o<br />me dio el sabor de tierra,<br />de agua marina, de algas,<br />del fondo de tu vida,<br />y recib&iacute; tu beso<br />mojado por la aurora<br />como si me llegara<br />del mar que nos rodea.</i></p>
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		<title>Da minha vontade de ser pai</title>
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		<pubDate>Sun, 08 Aug 2010 23:05:37 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Marmota</dc:creator>
				<category><![CDATA[E eu, uma pedra]]></category>

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		<description><![CDATA[Ainda tem quem se surpreenda com esses encontros que começam casualmente pela Internet e acabam durando uma vida inteira. Mais distante ainda é lembrar que, antes dos bits trocados por computadores, laços parecidos eram constituídos via ondas eletromagnéticas. Meg Ryan que o diga. Antes de dar um beijo apaixonado em Tom Hanks em Mensagem pra [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><img src="http://marmota.org/blog/secoes/pedra.gif" align="right" />Ainda tem quem se surpreenda com esses encontros que começam casualmente pela Internet e acabam durando uma vida inteira. Mais distante ainda é lembrar que, antes dos bits trocados por computadores, laços parecidos eram constituídos via ondas eletromagnéticas.</p>
<p>Meg Ryan que o diga. Antes de dar um beijo apaixonado em Tom Hanks em <i>Mensagem pra Você</i> após encontrá-lo na AOL, fez o mesmo anos antes ao ouvi-lo num programa de rádio em <i>Sintonia de Amor</i>.</p>
<p>Longe dos roteiros de Hollywood, temos a impressão de que a vida escreve histórias ainda mais surpreendentes. Quem poderia imaginar que um desses pedidos apaixonados em ondas curtas seria capaz de dar ao velho Alencar Antunes, casado com a &#8220;tia&#8221; Maria, um final de vida tão triste quanto sua existência, mas ao menos digno?</p>
<p align="center">***</p>
<p>O tal &#8220;recadinho do coração&#8221; foi propagado no início dos anos 90, mas é preciso voltar às primeiras décadas do século passado para entender o contexto. Os caminhos abertos entre Pelotas e cidades próximas como Canguçu, Bagé e Jaguarão mudaram a vida de famílias consolidadas naqueles campos. Houve quem montou armazéns ou entrepostos, mas também casas à beira da faixa que sempre representaram um mistério &#8211; especialmente num ambiente em que todos se conheciam e se tratavam pelo nome das famílias. Era o Rui dos Maciel, a Helena dos Peter&#8230;</p>
<p>E haviam os &#8220;filhos do pequeninho&#8221;. Sabia-se que mantinham um paradouro na estrada, mas nunca exatamente o que ofereciam aos viajantes que passavam por lá. Ou vai ver que sabiam, mas evitavam falar para não chocar as famílias.</p>
<p>Pensando bem, talvez comentassem sim, carregando nas tintas e dando corpo a um ambiente ainda mais impróprio para menores do que, de fato, era&#8230; Mas enfim, o fato é que uma das &#8220;filhas do pequeninho&#8221; era também a mãe do Alencar.</p>
<p>A então Mariazinha nem desconfiava, mas provavelmente chegou a acenar para o jovem Alencar uma ou duas vezes, quando era incumbida de tocar as vacas de casa para o arroio do Passo das Pedras &#8211; o único lugar onde era possível banhar os animais após tratamento com veneno para carrapatos. E é estranho imaginar que, se a aproximação entre os dois fosse naquela época, o enredo poderia ser bem diferente. Jamais saberemos a razão pela qual Alencar cresceu num ambiente sem amor.</p>
<p align="center">***</p>
<p>Alencar não fazia idéia de quem era o seu pai &#8211; nem sua mãe, desconfia-se. Entendeu mais ou menos o conceito de &#8220;família&#8221; quando a enigmática &#8220;filha do pequeninho&#8221; decidiu casar com o Antunes, dono de um empório bem sucedido, viúvo e com quatro filhos. Generoso, assumiu o enteado, registrando-o em seu nome. Imaginava encontrar gente que poderia acolhê-lo, mas se viu sob o jugo da tresloucada mãe. A casa nova virou sinônimo de masmorra, com direito a toda sorte de maus tratos físicos e verbais.</p>
<p>Não demorou para que abandonasse logo seu lar. Trocou uma vida de sopapos por uma carreira de garçom em diversos bares e bailões das redondezas, uma das poucas diversões daquela juventude rural. Aliás, foi assim que meus pais se conheceram e, lógico, fofocavam com os amigos &#8211; entre eles, Maria.</p>
<p>As mesas e balcões se tornaram a sala de aula do Alencar. A clientela faceira e bailarina, seus professores. A bebida e o cigarro, seus melhores amigos. Desenvolveu na boêmia seu estilo, sua prosa, virtude que levou por toda a vida. Também foi ali que o álcool e a fumaça começaram a minar sua força de vontade: não faltavam relatos de companheiros, preocupados Alencar atirado em uma cadeira ao fim da noite. Não à toa, a jovem Maria nunca daria bola para um sujeito desses.</p>
<p>Incrível como situações inesperadas (há quem as definas simplesmente como &#8220;Deus&#8221;) tentam abrir novos caminhos. Foi graças a sua longa presença na noite que Alencar conheceu sua primeira mulher. Dessa relação, nasceu Rosana.</p>
<p>Só que esse episódio não teve lá um destino dos melhores: desorientada, a moça largou companheiro e filha. Mais desorientado ainda, Alencar fez o que esteve em seu curto alcance: Rosana ficava um tempo com a família dela, outro com os irmãos adotivos&#8230;</p>
<p align="center">***</p>
<p>Alencar nunca teve um pai, muito menos alguém que o amasse. Natural que entregasse apenas isso para sua primeira filha, que não demorou para seguir a sina dos pais e sumir do mapa. Difícil perceber quem sentiu mais solidão e desprezo.</p>
<p>Alencar era a personificação do que podemos chamar de ausência. A tia Maria, curiosamente, era exatamente o oposto: enquanto via seus irmãos deixarem a casa para casarem e construírem seus próprios lares, ela continuava ali, dedicada aos pais. Quando a relação entre o trabalho no campo e os dividendos passou a ser desfavorável, esteve ao lado deles na mudança para a cidade.</p>
<p>Sempre que eu passava o final de ano em Pelotas, dava um jeito de visitar a &#8220;tia&#8221; Maria. E era impressionante como, a cada ano, as coisas estavam exatamente iguais. Hoje eu fico me perguntando o que faltou para que ela pudesse &#8220;soltar as amarras&#8221;, ao menos um tiquinho, e aproveitar melhor sua vida&#8230;</p>
<p>Enfim, agora não é momento para perguntas complexas. Porque não muito longe dali, o Alencar buscava por uma guinada em sua vida. Sua formação como garçom o motivou a tentar a carreira de vendedor. Investia cada centavo conquistado em novas mercadorias para comercializar. Como empreendedor, mostrou ter boa lábia, mas péssima estratégia: era comum acumular mais quinquilharias do que cruzeiros.</p>
<p>Foi como vendedor que Alencar conheceu sua segunda mulher &#8211; e dessa vez fez o possível para acertar. Casou-se no papel, como manda o figurino. Foram morar numa bela casa alugada &#8211; a garagem, lógico, virou depósito de bugigangas. Tiveram três filhos e, finalmente, uma família que parecia encaminhada.</p>
<p>Não fosse por um detalhe: sua mulher faleceu, quando o filho mais novo tinha três anos. As más línguas dizem que foi puro desgosto, já que Alencar nunca soube o que é amar alguém de verdade. Nada disso importa: ao contrário da irmã doidivanas Rosana, os três outros filhos de Alencar foram morar com parentes da mãe &#8211; cada um com um tio, ao que parece. Melhor para as crianças, apesar de Alencar se ver, mais uma vez, sozinho.</p>
<p align="center">***</p>
<p>Peço ajuda e desculpas aos meus amigos psicólogos pela simplificação grosseira. Mas ouvi certa vez que, dentro de uma das filosofias possíveis, todo ser humano pode ser categorizado entre psicóticos, neuróticos, geológicos, narcóticos&#8230; Não vou lembrar exatamente, mas entre estes rótulos, é possível identificar pessoas que, inconscientemente, estarão predispostas a preencher vazios. Outras, da mesma forma, esperam encontrar alguém que o preencha. Normalmente, são perfis cuja atração é inevitável.</p>
<p>Lembrei disso agora ao me dar conta que a tia Maria é tudo. E Alencar, o nada. Fatalmente seria um encontro explosivo, um &#8220;big bang&#8221;. Eles só precisariam de algum daqueles truques inexplicáveis &#8211; aquilo que muitos definem como &#8220;Deus&#8221;, lembra?</p>
<p>A tia Maria era ouvinte de um programa noturno, repleto de músicas grudentas e recadinhos românticos. Em uma realidade sem aglomerações egoístas, telefone ou Internet, é possível entender que algumas destas mensagens eram enviadas por solteiros e solteiras em busca de um amor. Pois é, garotada: antes do disque-amizade ou da sala de chat, os &#8220;encontros no escuro&#8221; funcionavam com cartas ao locutor da estação.</p>
<p>Ela nunca falou abertamente sobre isso, mas é fato que foram alguns os pretendentes encontrados desta forma. Em um dos finais de ano que estive lá, ela estava namorando um rapaz muito falante e divertido. Parecia um sujeito boa praça, carinhoso e amigo. Soou maluquice quando soube, antes do Natal seguinte, que o namoro havia acabado &#8211; e que ela já havia marcado casamento com outro!</p>
<p>A essa altura, eu fico pensando: provavelmente a tia Maria deve ter saído com uma porção de galanteadores após sintonizá-los em casa à noite. Evidentemente, nenhum deles era perfeito, e nessas circunstâncias, é fácil criar confusão. Talvez aquele cara bacana não tenha lhe dado flores, não saía para beber, nem dito palavras doces ou algo assim. Pior pra ele. Enfim, não me admira que nosso inconsciente possa identificar opções diversas e decidir, inexplicavelmente, apenas pelo simples fato de que &#8220;eu posso preencher o vazio dele&#8221; e vice-versa.</p>
<p>É óbvio assim: o autor das palavras doces, que deve ter entregue flores à tia Maria e acabou casando com ela há vinte anos, era o Alencar.</p>
<p align="center">***</p>
<p>Ganha um brinde, comprado na loja de R$ 1,99 e comercializado pelo Alencar, quem puder dizer como foi a relação entre os dois pombinhos. O pai da tia Maria pouco a aconselhou: morreu dois anos depois, semanas após o nascimento do Fernando, uma das crianças mais queridas que já conheci.</p>
<p>O Alencar sempre gostou muito de seu quinto filho, mas não demorou para a tia Maria conhecê-lo de verdade&#8230; E não foi fácil. As vendas iam mal, mas problemas de saúde o impediam de procurar um trabalho. Acabava em casa, diante da TV, enquanto a mulher sustentava a família. A relação com os parentes degringolou quando foi a vez da mãe dela padecer, debilitada. Na tentativa de se dividir entre seu trabalho, a casa e os cuidados da mãe, Alencar chegou a dizer que &#8220;ela devia receber, dos outros irmãos, um salário para cuidar da sogra&#8221;. </p>
<p>Cheguei a visitá-los uma vez. Tudo o que fiz foi brincar e dar risada com o Fê, enquanto meus pais, na cozinha, se impressionavam com os modos de Alencar. Maltratava não só os convidados, mas também a própria. Eram frequentes os comentários inacreditáveis dos conhecidos: &#8220;fomos lá na Maria e o Alencar não saiu da cama sequer pra dizer oi&#8221;. Ou &#8220;antes de se retirar, o Alencar ainda disse pra Maria guardar as panelas e parar de comer, pois estava gorda como uma porca&#8221;&#8230; Humilhante assim.</p>
<p>Eu me sinto até mal em lembrar que, em qualquer comemoração reunindo família e amigos, só a tia Maria e o Fernando apareciam&#8230; E não me importava com a ausência do Alencar. Na única festa de reveillon que participamos juntos, não consegui abraça-los à meia-noite, pois precisavam &#8220;voltar logo para casa&#8221;. Mas&#8230; Por que ele não estava lá? Pois o amargurado não media palavras ao confidenciar para a esposa que &#8220;odiava toda essa gente&#8221;. Então tá.</p>
<p align="center">***</p>
<p>Quando estive em Pelotas em janeiro deste ano, para o casamento de uma prima, vi a tia Maria e o Fernando rapidamente, na cerimônia. Eles não puderam ir à festa, pois queriam ficar em casa com o Alencar. O próprio foi buscá-los, de carro, em frente à catedral. Fui até eles para me despedir dos dois e, ao menos, dar um aperto de mão no sujeito &#8211; ele podia me odiar, mas eu não tinha nada com isso.</p>
<p>Alencar estava irreconhecível. Abatido. Sombrio. Eram nítidos os efeitos implacáveis do álcool e do cigarro no decorrer dos anos. Perguntei a ele se, ao menos naquela noite, não valeria a pena esquecer qualquer coisa e curtir uma festinha ao lado de gente querida. A negativa, junto com uma breve despedida, foram as últimas palavras que troquei com ele.</p>
<p>Soube esses dias que Alencar havia sido internado na UTI, com enfisema pulmonar em estado muito avançado. Nos últimos dias, tinha sido transferido para um quarto, onde ficou até dar seu último suspiro essa semana.</p>
<p>Numa prosa que teve conosco há pouco, a tia Maria revelou todos estes e muitos outros detalhes da vida deste homem, que passou a vida inteira tentando descobrir o que é o amor. Ao que tudo indica, teve uma lição definitiva antes de morrer. Nas palavras dela, um dos últimos diálogos, que partiu de Alencar:</p>
<p>- Sabe&#8230; Agora eu me pergunto por que eu agi assim&#8230; De um jeito tão&#8230; Tão desumano, menosprezando tanta gente&#8230; Eu também me surpreendo porque, mesmo comigo agindo assim, você cuidou de mim&#8230; Sempre esteve ao meu lado&#8230;</p>
<p>- Ah, eu te amo, e você sabe&#8230; E sinto uma saudade muito grande da gente junto.</p>
<p>E seguraram a mão um do outro, bem forte. Não era preciso dizer mais nada.</p>
<p align="center">***</p>
<p>Alencar foi embora lamentando não ter feito muita coisa boa em sua vida. Partiu sem se despedir direito da mãe ou dos parentes emprestados de sua primeira família num passado muito distante. Deixou este plano sabendo que sua primeira filha, a Rosana, morreu numa prisão na Espanha, após ser presa por tráfico, e que seus três filhos do segundo casamento estão encaminhados, formados, felizes.</p>
<p>Nunca soube, no entanto, quem era o seu verdadeiro pai. Nasceu e morreu com essa mágoa. Enfim, dos males, o mais tênue: se dependesse apenas de seu histórico, o velho Alencar Antunes talvez não tivesse um velório, ou sequer uma história para ser lembrada.</p>
<p>Queria muito dar um abração na tia Maria e outro no Fernandão, que agora precisa lembrar que é o homem da casa. Por fim, esse longo episódio nos deixa uma lição: ao invés de se arrepender por algo que fez ou deixou de fazer, a melhor coisa do mundo é viver.</p>
<p>E hoje, mais do que nunca, acordei com vontade de ser pai.</p>
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		<title>A minha resposta ao tempo</title>
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		<pubDate>Mon, 02 Aug 2010 11:24:02 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Marmota</dc:creator>
				<category><![CDATA[Curtas]]></category>

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			<content:encoded><![CDATA[<p>És um senhor tão bonito quanto a cara do meu filho tempo tempo tempo tempo vou te fazer um pedido tempo tempo tempo tempo compositor de destinos tambor de todos os ritmos tempo tempo tempo tempo entro num acordo contigo tempo tempo tempo tempo por seres tão inventivo e pareceres contínuo tempo tempo tempo tempo és um dos deuses mais lindos tempo tempo tempo tempo que sejas ainda mais vivo no som do meu estribilho tempo tempo tempo tempo ouve bem o que te digo tempo tempo tempo tempo peço-te o prazer legítimo e o movimento preciso tempo tempo tempo tempo quando o tempo for propício tempo tempo tempo tempo de modo que o meu espírito ganhe um brilho definido tempo tempo tempo tempo e eu espalhe benefícios tempo tempo tempo tempo o que usaremos pra isso fica guardado em sigilo tempo tempo tempo tempo apenas contigo e migo tempo tempo tempo tempo e quando eu tiver saído para fora do círculo tempo tempo tempo tempo não serei nem terás sido tempo tempo tempo tempo ainda assim acredito ser possível reunirmo-nos tempo tempo tempo tempo num outro nível de vínculo tempo tempo tempo tempo portanto peço-te aquilo e te ofereço elogios tempo tempo tempo tempo nas rimas do meu estilo tempo tempo tempo tempo&#8230;</p>
<p>A Oração ao Tempo, do Caeteano Veloso, pra ver se ele me dá uma força.</p>
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		<title>Virei, quem diria, consultor de relacionamentos!</title>
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		<pubDate>Wed, 28 Jul 2010 14:57:22 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Marmota</dc:creator>
				<category><![CDATA[E eu, uma pedra]]></category>

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		<description><![CDATA[Quem me conhece sabe do meu humilde e tísico passado galanteador. Até esses dias, contabilizava todo tipo de insucesso com qualquer pretendente, a ponto de vez ou outra ainda desconfiar se vou mesmo casar, constituir uma família, essas coisas burocráticas que, sabemos, em nada se parece com aqueles loucos dias apaixonados do passado. Mas enfim, [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><img src="http://marmota.org/blog/secoes/pedra.gif" align="right" />Quem me conhece sabe do meu humilde e tísico passado galanteador. Até esses dias, contabilizava todo tipo de insucesso com qualquer pretendente, a ponto de vez ou outra ainda desconfiar se vou mesmo casar, constituir uma família, essas coisas burocráticas que, sabemos, em nada se parece com aqueles loucos dias apaixonados do passado. Mas enfim, dizem que os cabelos brancos representam algum tipo de experiência e maturidade, como se fossem &#8220;checkpoints&#8221;: se alguém estiver na mesma estrada que você já passou, pode haver algum padrão.</p>
<p>Alguém vai dizer que isso não existe, pois o &#8220;cerumano&#8221; é uma espécie imprevisível e inconstante. Concordo. Mas em pelo menos esses dias, algumas semelhanças envolvendo situações pessoais foram úteis para uma amiga. Uma moça que, além de linda, vive guiada pelos seus sentimentos &#8211; é o mínimo que se pode dizer de alguém que, até hoje, usa como pseudônimo o sobrenome de seu primeiro amor platônico: Schneck. Pinçado da lista de chamada, já que ela nunca teve coragem de lhe dirigir um único &#8220;oi&#8221;.</p>
<p>Mas enfim. Ela é daquelas mulheres que, no primeiro olhar, você tem a certeza de que é impossível estar solteira. De fato, a Schneck namorava por longos anos com um rapaz simpático e pragmático. Falavam até em casamento, filhos, temáticas que costumam substituir as palavras no diminutivo dos primeiros dias. É um tipo de desânimo que costuma levar a dois caminhos: a constatação de que são realmente feitos um para o outro&#8230; Ou uma sensação desagradável de comodismo. O duro é que ambas são tão parecidas que, muitas vezes, fatores externos &#8220;empurram&#8221; para um destes lados.</p>
<p>O &#8220;fator externo&#8221; da Schneck trabalhava com ela há poucos dias. Era infinitamente mais sorridente, simpático e gentil que o namorido velho de guerra. Olharam um para o outro; sorriram; disseram &#8220;oi&#8221;; tomaram café; foram almoçar&#8230; Bom, foi o que ouvi dela quando ofereci carona para sua casa &#8211; quando o &#8220;fator externo&#8221; souber o que conversamos exatamente na noite em que ele não apareceu, vai me convidar para padrinho.</p>
<p>&#8220;Eu terminei meu namoro há umas duas semanas, e esse rapaz já sabe disso. Tem um clima muito bacana entre a gente&#8230; Mas é estranho. Afinal, se ele está a fim de mim, por que ainda não falou nada? Ele devia tomar a iniciativa, não acha? Até porque, se depender da minha timidez, as coisas não vão evoluir&#8230; O que você acha?&#8221;, perguntou Schneck, tensa por uma solução.</p>
<p>Naquele instante, pelo pouco que apreendi daquela descrição, incorporei o rapaz simpático e gentil, que gosta da moça, mas impõe uma porção de obstáculos ao invés de colaborar para a coisa toda fluir. Não foi difícil: se dependesse apenas do meu comportamento, jamais estaria usando uma aliança na mão direita. No meu caso, fui agraciado por uma mulher realmente decidida e sincera. Minha amiga, no entanto, não tinha o mesmo perfil. Pelo contrário: não imaginava ser capaz de &#8220;agarrá-lo&#8221;.</p>
<p>&#8220;Se você não demonstrar com clareza, de um jeito que ele não tenha a menor dúvida, isso vai ficar assim até a coisa esfriar. Entendo que você não queira se abrir, mas é preciso dar um empurrão. O máximo que você puder. Quer que ele se esforce e consiga te conquistar? Experimente deixar tudo praticamente preparado e sigam em frente&#8221;. A Schneck deve ter dito uns três ou quatro &#8220;não acredito&#8221;, &#8220;não vou fazer isso&#8221; e &#8220;não é possível&#8221; até chegar em casa. Recebeu de volta a mesma quantidade de &#8220;vai por mim&#8221;.</p>
<p>Em pouco mais de uma semana, recebi um breve e-mail.</p>
<p>&#8220;Caraca, você estava MEGA certo! Acredita que, na quinta-feira passada, ele me disse que estava apaxonado&#8230; Mas não me beijou? Aí na sexta, quando ele foi me deixar em casa, estava quase indo embora como se nada estivesse acontecendo. Mas&#8230; EU o BEIJEI! Saímos no fim de semana, e no almoço ele conseguiu me pedir em namoro, gaguejando&#8230; Um fofo!&#8221;</p>
<p>Não consigo esconder o sorriso até agora. Ficarei ainda mais feliz quando, daqui uns meses, os dois se virarem bem quando já estiverem unidos, a ponto de ignorar qualquer dilema capaz de se sobrepor ao que realmente importa.</p>
<p>A propósito, <a href="http://ego.globo.com/Gente/Noticias/0,,MUL1609020-9798,00.html" target="_blank"><b>Claudia Raia</b></a>, se precisar de alguma coisa, deixe um recado aí.</p>
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		<title>Um breve resumo da Copa 2010</title>
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		<pubDate>Tue, 13 Jul 2010 21:00:47 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Marmota</dc:creator>
				<category><![CDATA[Esporte Esportivo]]></category>

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		<description><![CDATA[Tanzânia, Zimbábue, treino fechado, Túlio Tanaka Facts, shosholoza, Shakira, Waka Waka, Tshabalala, Jabulani, cala boca Galvão, terno do Maradona, Green e seu frango, Camarões caídos, o choro de Tae-Se, Suíça apronta pra Espanha, Senderos muito louco, defesa de Valladares, defesa de Enyeama, primeira vitória grega, Uruguai apronta Vuvuzelazzo, chupa Bafana Bafana, gol dos EUA anulado, [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><img src="http://marmota.org/blog/secoes/ee.gif" align="right" /><img src="http://dialetica.org/copa/files/2010/07/polvo_taca.jpg" align="left" />Tanzânia, Zimbábue, treino fechado, Túlio Tanaka Facts, shosholoza, Shakira, Waka Waka, Tshabalala, Jabulani, cala boca Galvão, terno do Maradona, Green e seu frango, Camarões caídos, o choro de Tae-Se, Suíça apronta pra Espanha, Senderos muito louco, defesa de Valladares, defesa de Enyeama, primeira vitória grega, Uruguai apronta Vuvuzelazzo, chupa Bafana Bafana, gol dos EUA anulado, Eslovênia quase classificada, caquinha do Joachim Low, cavalos da Costa do Marfim, tchau Elano, até mais Kaká &#8220;bad boy&#8221;, a &#8220;mãozinha&#8221; do Fabuloso, dunguices na coletiva e a resposta do Tadeu Schmidt, o celular da Larissa Riquelme, o microfone da Sara Carbonero, as minissaias das torcedoras holandesas, Domenech muito louco, Evra mais ainda, chupa França, quase gol da Nigéria, cadê o Messi, cadê o Cristiano Ronaldo, cadê o Rooney gol dos EUA anulado de novo, chupa Sérvia, chupa Itália, Nova Zelândia invicta, Eslováquia classificada, Japão classificado, Pepe x Felipe Melo, fracassou o dia sem Globo, cabeçada de Heinze na câmera, Argentina passa com gol irregular, Alemanha passa com gol irregular, queremos tecnologia na arbitragem, Mick Jagger elimina Inglaterra, Mick Jagger elimina os EUA, chupa Chile, anúncio errado na Folha, David Maravilla, chupa Portugal, chupa Komano, Mick Jagger elimina o Brasil, chupa Felipe Melo, chupa Dunga, Sneijder Bátema e Arjen Robben, chupa Maradona, chupa Argentina, Klose quase recordista, mãozinha de Suárez, chute de Gyan na trave e o melhor minuto da copa, cavadinha de Loco Abreu, Gana perde pênaltis, Cardoso perde pênalti, Xabi Alonso perde pênalti, Larissa Riquelme perde aposta mas sai pelada, jabulanada de van Bronckhorst, jabulanada de Forlán, chute de Cáceres na cara do holandês, cabeçada de Puyol, cadê a Alemahha, Uruguai até o fim, bola na trave de Forlán, duas viradas e terceiro lugar, botinadas holandesas, defesa de Casillas, doze cartões amarelos, um vermelho, gol de Iniesta, Dani Jarque sempre conosco, finalmente a taça, festa espanhola, beijo na Sara Carbonero, viva o Twitter, viva Madiba e viva o polvo Paul.</p>
<p align="center">***</p>
<p>Com o fim do Mundial, quem também vai perder ritmo até 2014 é o <a href="http://www.dialetica.org/copa" target="_blank"><b>Blog da Copa</b></a>, que a despeito de seus 22,2 mil pageviews, dezenas de menções no Twitter e citações web afora, me deixou feliz por três razões fundamentais.</p>
<p>A primeira diz respeito ao fato do futebol brasileiro, ao menos durante um mês, demonstrar como é possível estabelecer diálogos com qualquer pessoa, em qualquer nível. Desde o porteiro do prédio falando mal do Felipe Melo ao presidente da empresa até gente da Catalunha, do País Basco e de Madri celebrarem juntos um título.</p>
<p>E isso foi representado no blog, graças a um time que teve total liberdade para escrever o que bem entendesse sobre o tema, como se estivéssemos todos na sala de casa. A começar pela A <a title="Posts de Luciana" href="http://dialetica.org/copa/author/luciana/" target="_blank">Luciana</a>, que pode não ter se expressado tanto mas é a &#8220;mãe da criança&#8221;; passando pelo <a title="Posts de Rodrigo" href="http://dialetica.org/copa/author/rodrigo/" target="_blank">Rodrigo</a>, a <a title="Posts de Luninha" href="http://dialetica.org/copa/author/luna/" target="_blank">Luninha</a> e o <a title="Posts de Dragão Gordo" href="http://dialetica.org/copa/author/marcelo/" target="_blank">Marcelo</a>, que registraram crônicas do cotidiano; até palpites femininos, como os da <a title="Posts de Fefa" href="http://dialetica.org/copa/author/fefa/" target="_blank">Fefa</a> e da <a title="Posts de Ma" href="http://dialetica.org/copa/author/marilia/" target="_blank">Marília</a> (cuja observação sobre <a href="http://dialetica.org/copa/2010/06/24/teoria-da-conspiracao" target="_blank"><b>conspirações</b></a> foi uma das mais clicadas). Se fosse uma escalação de futebol, o <a title="Posts de Doni" href="http://dialetica.org/copa/author/doni/" target="_blank">Doni</a> poderia ser o &#8220;Messi&#8221;, o &#8220;Cristiano Ronaldo&#8221;: pode ter aparecido pouco, mas quando o faz, meio mundo comenta. E o ataque contou com o incansável <a title="Posts de Pedrox" href="http://dialetica.org/copa/author/pedrox/" target="_blank">Pedrox</a> e, ao seu lado, <a title="Posts de MarcosVP" href="http://dialetica.org/copa/author/marcosvp/" target="_blank">MarcosVP</a> &#8211; onde, aliás, recomendo o primeiro clique a quem perdeu o Mundial.</p>
<p>A segunda razão tem a ver com um antigo objetivo: sempre quis entender, ainda que minimamente, como funciona a ferramenta Flash. Tio Steve Jobs que me desculpe, entendo as limitações do brinquedinho e concordo que seja um pouco tarde para aprender, já que não vai demorar para o HTML5 substituir a tecnologia. Também percebo que não faz sentido algum aprender a manusear qualquer artefato se não soubermos exatamente o que fazer com ele. Mesmo assim, não escondi meu sorriso de aprendiz ao ver funcionando um infográfico vagabundo sobre <a href="http://dialetica.org/copa/2010/07/09/sao-paulo-precisa-de-mais-estadios" target="_blank"><b>estádios paulistanos</b></a>, além do experimento que não vai deixar saudade alguma: o <a href="http://dialetica.org/copa/2010/07/01/coloque-um-botao-vuvuzela-em-seu-blog" target="_blank"><b>botão vuvuzela</b></a>.</p>
<p><div align="center"><object width="400" height="400"><param name="movie" value="http://dialetica.org/copa/files/2010/06/vuvu.swf"></param><embed type="application/x-shockwave-flash" src="http://dialetica.org/copa/files/2010/06/vuvu.swf" width="400" height="400"></embed></object></div></p>
<p>Finalmente, a terceira razão. Graças ao Mundial, eu me entusiasmei de forma tal a somar <a href="http://dialetica.org/copa/author/marmota" target="_blank"><b>uns 40 posts</b></a> desde o início do Mundial, trocados por madrugadas de sono. Como se eu estivesse de novo em 2002, louco para ver minhas idéias, ainda que iguais aos de outros torcedores, transformadas em posts. Apesar da Copa 2010 ter sido a do Twitter, foi graças a ela &#8211; e a todos que compartilharam seu tempo ali &#8211; que redescobri aquele prazer de blogar, um pouco sumido ultimamente.</p>
<p>Ah sim, guardem o link do <a href="http://www.dialetica.org/copa" target="_blank"><b>Blog da Copa</b></a> por aí. Ainda tenho alguns parágrafos engatilhados, como rescaldo. Sem contar que, como diria o Vanucci, o Brasil é logo ali.</p>
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