<?xml version="1.0" encoding="UTF-8"?>
<?xml-stylesheet type="text/xsl" media="screen" href="/~d/styles/rss2full.xsl"?><?xml-stylesheet type="text/css" media="screen" href="http://feeds.feedburner.com/~d/styles/itemcontent.css"?><rss xmlns:content="http://purl.org/rss/1.0/modules/content/" xmlns:wfw="http://wellformedweb.org/CommentAPI/" xmlns:dc="http://purl.org/dc/elements/1.1/" xmlns:atom="http://www.w3.org/2005/Atom" xmlns:sy="http://purl.org/rss/1.0/modules/syndication/" xmlns:slash="http://purl.org/rss/1.0/modules/slash/" xmlns:geo="http://www.w3.org/2003/01/geo/wgs84_pos#" xmlns:feedburner="http://rssnamespace.org/feedburner/ext/1.0" version="2.0">

<channel>
	<title>Minas de História</title>
	
	<link>http://www.minasdehistoria.blog.br</link>
	<description>Minas de História é uma janela para o passado mineiro; é o weblog de Marcos Lobato Martins, professor, doutor em História Econômica pela USP, autor de livros como História e Meio Ambiente (2007) e Breve História de Diamantina (1996). Pretende abrigar leituras de historiografia sobre Minas Gerais e apresentar pequisas sobre a trajetória regional.</description>
	<lastBuildDate>Tue, 29 Jun 2010 14:31:55 +0000</lastBuildDate>
	<generator>http://wordpress.org/?v=2.8.4</generator>
	<language>en</language>
	<sy:updatePeriod>hourly</sy:updatePeriod>
	<sy:updateFrequency>1</sy:updateFrequency>
			<atom10:link xmlns:atom10="http://www.w3.org/2005/Atom" rel="self" type="application/rss+xml" href="http://feeds.feedburner.com/minasdehistoria" /><feedburner:info uri="minasdehistoria" /><atom10:link xmlns:atom10="http://www.w3.org/2005/Atom" rel="hub" href="http://pubsubhubbub.appspot.com/" /><geo:lat>-19.630330</geo:lat><geo:long>-44.032719</geo:long><feedburner:emailServiceId>minasdehistoria</feedburner:emailServiceId><feedburner:feedburnerHostname>http://feedburner.google.com</feedburner:feedburnerHostname><item>
		<title>O futuro requer uma nova Revolução Industrial?</title>
		<link>http://feedproxy.google.com/~r/minasdehistoria/~3/i0ATN-rVCvI/</link>
		<comments>http://www.minasdehistoria.blog.br/2010/06/o-futuro-requer-uma-nova-revolucao-industrial/#comments</comments>
		<pubDate>Tue, 29 Jun 2010 14:31:54 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Marcos Lobato Martins</dc:creator>
				<category><![CDATA[crítica social]]></category>
		<category><![CDATA[desenvolvimento sustentável]]></category>
		<category><![CDATA[meio-ambiente]]></category>
		<category><![CDATA[Combustíveis fósseis]]></category>
		<category><![CDATA[Crise ambiental]]></category>
		<category><![CDATA[Economia verde]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://www.minasdehistoria.blog.br/?p=751</guid>
		<description><![CDATA[
	
	Desastre da plataforma da BP no Golfo do México

No domingo, dia 20 de junho, o físico Marcelo Gleiser, famoso no Brasil pelos livros de divulgação científica que escreveu e publicou pela prestigiosa editora Companhia das Letras, publicou coluna no jornal “Folha de São Paulo” em que apresenta um apelo forte: “alguma coisa tem de ser [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div class="img aligncenter size-full wp-image-752" style="width:619px;">
	<a rel="attachment wp-att-752" href="http://www.minasdehistoria.blog.br/2010/06/o-futuro-requer-uma-nova-revolucao-industrial/desastre-da-plataforma-da-bp-no-golfo-do-mexico/"><img src="http://www.minasdehistoria.blog.br/wp-content/arquivos/2010/06/Desastre-da-plataforma-da-BP-no-Golfo-do-México.jpg" alt="Desastre da plataforma da BP no Golfo do México" width="619" height="464" /></a>
	<div>Desastre da plataforma da BP no Golfo do México</div>
</div>
<p>No domingo, dia 20 de junho, o físico Marcelo Gleiser, famoso no Brasil pelos livros de divulgação científica que escreveu e publicou pela prestigiosa editora Companhia das Letras, publicou coluna no jornal “Folha de São Paulo” em que apresenta um apelo forte: “alguma coisa tem de ser mudada na maneira como se usa energia. E não só nos EUA, mas no mundo”. As palavras de Gleiser ganham intensidade, tom quase desesperado, no fim do artigo: “As pessoas precisam se convencer disso. Olho para meu filho de quatro anos com um misto de otimismo e desespero. Sonho com um novo mundo, no qual interagimos com a natureza para preservá-la. Essa guerra é entre nosso passado e nosso futuro. E o fato é que só pode ser lutada no presente”.</p>
<p>A preocupação do físico gira em torno aos impactos – ambientais, econômicos e políticos – da exploração do petróleo, da expansão da civilização baseada na queima de combustíveis fósseis, hoje prospectados em lugares cada vez mais remotos (abismos oceânicos e regiões polares). Esta “era do petróleo” tem seu fim anunciado e próximo, de maneira que as coisas precisam mudar. Para Marcelo Gleiser, “à medida que a população mundial cresce, e um número cada vez maior de pessoas entra para a classe média, o apetite por energia só vai aumentar. Com isso, aumentará também o lucro das empresas que produzem e fornecem essa energia”. Logo, concluiu o cientista, “existe muito dinheiro para ser feito numa economia verde”. Gleiser desafia as companhias petroleiras a se transformarem em vetores dessa nova Revolução Industrial, apoiada em fontes energéticas integradas e diferentes (sol, ventos, biomassa), mão de obra especializada, mais engenheiros e cientistas, incentivos fiscais para tecnologias alternativas. Mais, mais e mais&#8230; Embora distintas, mais técnicas, mais produção, mais dinheiro, mais produção.</p>
<p>Eis o problema da proposta ou do apelo do eminente físico. O modelo produtivista permanece sólido, intocável. A aposta em meios alternativos e no progresso da ciência e da técnica é patente. A crença no progresso continua inabalável, alimentando o sonho – ou será delírio? – da autossuficiência moderna, expresso no desejo de controlar o destino, de moldar precisamente o sentido do mundo e da vida, de escapar aos limites do ambiente na busca de uma vida materialmente melhor. A questão reside justamente na crítica a este paradigma, posto em movimento vertiginoso pela lógica capitalista que tudo abarca. A crise ambiental de hoje, que já se arrasta faz muitas décadas, motivadora do discurso do Presidente Barak Obama ao povo americano sobre o desastre do vazamento de óleo no Golfo do México – no qual o ocupante da Casa Branca afirmou que “é inaceitável não fazermos nada” – talvez requeira mais do que mudanças técnicas para ser solucionada. Quem sabe precisamos de novos padrões civilizacionais, mais do que de uma nova revolução industrial!</p>
<p>O artigo de Marcelo Gleiser parace não atentar para a complexa circunstância histórica na qual ocorre o episódio do desastre do poço da BP, circunstância caracterizada por uma crise do sistema mundial que poderá constituir, oxalá, o começo da transição para outro mundo possível, melhor do que o que conhecemos, cuja possibilidade emerge da decomposição do que, até hoje, afigurava-se como o núcleo duro, triunfante e imperturbável de um pensamento único, que engendrou uma civilização produtivista, consumista, dominada pela racionalidade instrumental e, de fato, por uma ordem liberal-oligárquica, plutocrática. Um mundo cujas bases políticas, econômicas e culturais assentam-se sobre gigantesco assalto à natureza.</p>
<p>Caso aspiremos a um novo mundo e, portanto, um ambiente distinto, nós devemos contribuir para a criação de uma sociedade diferente da que temos hoje. Devemos passar da demanda de crescimento econômico sustentável, apoiado em manejo previdente dos ecossistemas de que são dependentes qualquer economia, para a busca obstinada da garantia de sustentabilidade de nossa espécie, a humanidade, mediante a criação de sociedades nas quais a harmonia das relações com a natureza expressa a harmonia das relações dos grupos humanos entre si. É precisamente na identificação da diferença imprescindível, bem como na afirmação de sua viabilidade, que radicam os desafios maiores que todos nós somos convocados a enfrentar. De outra forma, não haverá desenlace favorável para a crise ambiental e civilizacional hodierna.</p>
<img src="http://feeds.feedburner.com/~r/minasdehistoria/~4/i0ATN-rVCvI" height="1" width="1"/>]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://www.minasdehistoria.blog.br/2010/06/o-futuro-requer-uma-nova-revolucao-industrial/feed/</wfw:commentRss>
		<slash:comments>1</slash:comments>
		<feedburner:origLink>http://www.minasdehistoria.blog.br/2010/06/o-futuro-requer-uma-nova-revolucao-industrial/</feedburner:origLink></item>
		<item>
		<title>Sul de Minas no Encontro Regional da ANPUH-MG</title>
		<link>http://feedproxy.google.com/~r/minasdehistoria/~3/yG2EK5U5No0/</link>
		<comments>http://www.minasdehistoria.blog.br/2010/05/sul-de-minas-no-encontro-regional-da-anpuh-mg/#comments</comments>
		<pubDate>Fri, 07 May 2010 03:22:08 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Marcos Lobato Martins</dc:creator>
				<category><![CDATA[História regional]]></category>
		<category><![CDATA[eventos e seminários]]></category>
		<category><![CDATA[história de Minas Gerais]]></category>
		<category><![CDATA[ANPUH-MG]]></category>
		<category><![CDATA[Encontro Regional de História]]></category>
		<category><![CDATA[Sul de Minas]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://www.minasdehistoria.blog.br/?p=743</guid>
		<description><![CDATA[
	
	Vapor em Carmo do Rio Claro, 1925
O prof. Alexandre Macchione Saes e eu propusemos à Comissão organizadora do XVII Encontro Regional da ANPUH-MG, que ocorrerá em julho, na cidade de Uberlândia, a realização de um Simpósio Temático, com o nome “História do Sul de Minas: sociedade, economia e política”. Proposta aprovada, nós ficamos ansiosamente à [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div class="img aligncenter size-full wp-image-744" style="width:173px;">
	<a rel="attachment wp-att-744" href="http://www.minasdehistoria.blog.br/2010/05/sul-de-minas-no-encontro-regional-da-anpuh-mg/vapor-em-carmo-do-rio-claro-1925/"><img src="http://www.minasdehistoria.blog.br/wp-content/arquivos/2010/05/Vapor-em-Carmo-do-rio-Claro-1925.gif" alt="Vapor em Carmo do Rio Claro, 1925" width="173" height="130" /></a>
	<div>Vapor em Carmo do Rio Claro, 1925</div>
</div>O prof. Alexandre Macchione Saes e eu propusemos à Comissão organizadora do XVII Encontro Regional da ANPUH-MG, que ocorrerá em julho, na cidade de Uberlândia, a realização de um Simpósio Temático, com o nome “História do Sul de Minas: sociedade, economia e política”. Proposta aprovada, nós ficamos ansiosamente à espera das inscrições de trabalhos. O resultado foi muito bom, tendo em vista que se trata de simpósio novinho em folha.</p>
<p>A seguir, transcrevo a avaliação preliminar dos trabalhos que, como coordenadores, encaminhamos para a Comissão Organizadora do evento. Ela dá idéia da diversidade temática das comunicações e, creio eu, talvez incentive colegas professores e estudantes de História a participar das sessões do Simpósio. Vamos à avaliação:</p>
<p>A avaliação dos coordenadores sobre as propostas enviadas para o Simpósio Temático 11 foi bastante favorável, pois, de maneira geral, os pesquisadores remeteram comunicações pertinentes à proposta inicial. Foram organizadas, assim, quatro mesas temáticas (História Política, História Econômica, História Urbana e História dos Transportes) que possibilitarão consideravelmente o diálogo entre os autores.<br />
Todos os estudos apresentados no Simpósio fazem parte de pesquisas em andamento tanto de Professores como de Pós-Graduandos, refletindo uma preocupação de apresentar fontes inéditas para a análise da história local. Assim, todos os textos foram aprovados. Conforme a organização temática, as mesas a serem organizadas serão:</p>
<p><strong>História Política</strong><br />
Irene Nogueira de Rezende em &#8220;Imprensa liberal e o federalismo como projeto. O debate nos periódicos O Universal e Astro de Minas (1830-1834)&#8221; procura expor algumas observações sobre os projetos de parte das elites regionais mineiras, debatidos nos momentos em que se delineavam as propostas de reformas à Constituição de 1824 e que antecederam o Ato Adicional de 1834. Dialogando com ela, Pérola Maria Goldfeder e Castro apresenta &#8220;Separatismo e clivagens regionais no Sul de Minas Gerais no século XIX&#8221; com o intuito de discutir a divergência de projetos e interesses políticos regionais, analisando a origem e o desenvolvimento das idéias separatistas no Sul de Minas Gerais durante o século XIX. Edna Mara Ferreira da Silva, em &#8220;O Sertão ao sul das Minas: aspectos da formação da vila de Campanha da Princesa&#8221;, também numa perspectiva de história política, quer discutir as aproximações e rupturas nos discursos político-administrativos que consolidaram a definição da fronteira de Campanha da Princesa a despeito da própria influência proclamada pelos moradores da região do governo de São Paulo. Finalmente, André Silva de Souza, com o texto &#8220;Propriedades rurais de Alfenas na fase inicial da expansão da cafeicultura no Sul de Minas&#8221;, mostrará a origem do novo grupo político que se constitui na região já em fins do século XIX.</p>
<p><strong>História Econômica</strong><br />
Sobre o desenvolvimento das atividades econômicas no Sul de Minas na transição para o século XX serão apresentados os textos de Alexandre Macchione Saes e Graziela Mara de Faria, &#8220;Emergência industrial no Sul de Minas&#8221;, cujo objetivo é apresentar a estrutura industrial do Sul de Minas Gerais em comparação com os outros centros industriais da Província, no período de transição do século XIX ao século XX. Apontando para o importante papel bancário, Thiago Fontelas Rosado Gambi introduz em &#8220;Um estudo exploratório sobre os bancos do sul de Minas Gerais a partir da década de 1910&#8243; algumas questões sobre os bancos do sul de Minas, a fim de mapear acervos locais que poderiam ajudar a preencher essa lacuna, importante para compreender o funcionamento do crédito na economia sul-mineira em sua transição para o capitalismo. Numa dimensão da montagem dos mercados e feiras locais, Elton Rodrigo Rosa e Alexandre Saes discutem, em &#8220;Mercado Pontual: análise da atuação estatal na formação da feira de gado de Três Corações (1900-1920)&#8221;, a regulamentação da feira de gado de Três Corações – a maior do Estado, responsável inclusive pela urbanização da cidade – sob o olhar da imposição estatal e, finalmente, Paula Chaves Teixeira, em &#8220;Articulações no comércio regional na comarca do Rio das Mortes (1840-1880)&#8221;, lança luzes, através do caso do fazendeiro mineiro Gervásio Pereira Alvim e seus contatos mercantis, tanto na praça carioca, como em diversos pontos da comarca, sobre o comércio mineiro com a Corte, a atuação dos comerciantes com vistas a construir sua dinâmica mercantil e os processos de inserção nos circuitos mercantis inter-provinciais.</p>
<p><strong>História Urbana</strong><br />
Numa outra ótica sobre as transformações da sociedade sul-mineira, esta mesa deverá estudar os casos de urbanização da região. Para tanto, Daniel do Val Cosentino, Daniele da Silva e Jessica Airton discutem em &#8220;Notas sobre o desenvolvimento urbano de Varginha (1882-1930)&#8221; o processo de urbanização de Varginha, que permite compreender melhor a formação e estruturação da cidade e da região do Sul de Minas. Já Francislei Lima da Silva, com o texto &#8220;A política das águas nas estâncias sul mineiras em finais do século XIX e início do século XX&#8221;, apresentará o processo de construção dos balneários e de edificação do complexo aquífero, como relevantes ações que fazem dos balneários um importante objeto de estudo para compreendermos o processo de modernização das cidades mineiras, dentro de um exemplo particular, que se oferece por meio de uma política hidráulica. Outros dois importantes trabalhos sobre urbanização discutirão aspectos da formação dos serviços públicos urbanos, com Vinícius Guimarães de Almeida em &#8220;A &#8216;Cidade Luz&#8217; do Sul de Minas: implantação dos serviços de eletricidade em Itajubá na primeira década do século XX&#8221;, e, numa perspectiva mais atual, Maira Carvalho apresenta o texto “&#8217;Mar de Minas&#8217;: percepções das populações de Alfenas e Fama sobre a formação do lago de Furnas (anos 1960-1990)&#8221; que indica os caminhos atuais para a reformulação do papel das cidades.</p>
<p><strong>História dos transportes</strong><br />
Finalmente, construindo os caminhos e percursos pelo Sul de Minas, três trabalhos irão desvendar os circuitos de comércio e comunicação da região. Marcos Lobato Martins, com o texto “&#8217;Estradas móveis&#8217; no Sul de Minas: colonização, expansão da produção e navegação fluvial nos rios Grande, Sapucaí e Verde (1880-1930)&#8221;, analisa as iniciativas de navegação nos rios Grande, Sapucaí e Verde no período entre as décadas de 1880 e 1930, apresentando as características das empresas que exploraram essa modalidade de transporte, o papel por elas desempenhado na economia regional, as dificuldades que elas enfrentaram e as razões que levaram à extinção do trânsito de vapores nos rios citados. Marcel Pereira da Silva discutirá numa perspectiva comparativa com São Paulo o papel das ferrovias no Sul de Minas, com o texto &#8220;Tem café nesse trem? As Ferrovias no Sul de Minas Gerais (1876 – 1910)&#8221;, e, finalmente, Pablo Luiz de Oliveira Lima, no trabalho &#8220;Patrimônio cultural ferroviário no centro-sul de Minas Gerais: o trabalho noticiado, fotografado e rememorado&#8221;, lança luz sobre sinais dos trabalhadores nas fontes, buscando analisar algumas de suas formas no imaginário acerca da Estrada de Ferro Oeste de Minas (EFOM) e da Estrada de Ferro Goiás (EFG), ferrovias construídas entre o sul e o oeste de Minas Gerais no final do século XIX e início do século XX.</p>
<img src="http://feeds.feedburner.com/~r/minasdehistoria/~4/yG2EK5U5No0" height="1" width="1"/>]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://www.minasdehistoria.blog.br/2010/05/sul-de-minas-no-encontro-regional-da-anpuh-mg/feed/</wfw:commentRss>
		<slash:comments>3</slash:comments>
		<feedburner:origLink>http://www.minasdehistoria.blog.br/2010/05/sul-de-minas-no-encontro-regional-da-anpuh-mg/</feedburner:origLink></item>
		<item>
		<title>Quintais, chácaras e abastecimento em Diamantina</title>
		<link>http://feedproxy.google.com/~r/minasdehistoria/~3/Hes5GOhoEiI/</link>
		<comments>http://www.minasdehistoria.blog.br/2010/04/quintais-chacaras-e-abastecimento-em-diamantina/#comments</comments>
		<pubDate>Wed, 14 Apr 2010 00:30:51 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Marcos Lobato Martins</dc:creator>
				<category><![CDATA[História regional]]></category>
		<category><![CDATA[história]]></category>
		<category><![CDATA[história de Minas Gerais]]></category>
		<category><![CDATA[história econômica]]></category>
		<category><![CDATA[Chácaras e quintais]]></category>
		<category><![CDATA[Diamantina]]></category>
		<category><![CDATA[Mercado Municipal]]></category>
		<category><![CDATA[Produção e comércio de alimentos]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://www.minasdehistoria.blog.br/?p=735</guid>
		<description><![CDATA[O turista que visita Diamantina inevitavelmente fica impressionado com a profusão de rochas que cercam toda a cidade, brotando do chão por todo lado, disputando espaço com o capim natural que forma os campos rupestres do topo da Serra do Espinhaço. Caso o turista caminhe pelas imediações da antiga cidade, encontrará solo arenoso, raso, coberto [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>O turista que visita Diamantina inevitavelmente fica impressionado com a profusão de rochas que cercam toda a cidade, brotando do chão por todo lado, disputando espaço com o capim natural que forma os campos rupestres do topo da Serra do Espinhaço. Caso o turista caminhe pelas imediações da antiga cidade, encontrará solo arenoso, raso, coberto quase sempre por uma camada de pedregulhos que brilham sob o sol. Um ambiente em nada favorável à agricultura, uma terra que mais parece lunar, boa para lagartixas e mocós, animais muito à vontade no mar de lajes de pedra sobre o qual o vento bate inclemente, frio, barulhento. Nem mesmo os numerosos fios d’água que correm nos terrenos de Diamantina são capazes de evitar um juízo comum: neste canto de Minas Gerais, as lavouras nunca prosperaram.</p>
<p style="text-align: center;"><div class="img size-full wp-image-738 aligncenter" style="width:500px;">
	<a rel="attachment wp-att-738" href="http://www.minasdehistoria.blog.br/2010/04/quintais-chacaras-e-abastecimento-em-diamantina/mercado-municipal/"><img src="http://www.minasdehistoria.blog.br/wp-content/arquivos/2010/04/mercado-municipal.jpg" alt="Mercado municipal de Diamantina, por Vítor Lima." width="500" height="332" /></a>
	<div>Mercado municipal de Diamantina, por Vítor Lima.</div>
</div>
<p>Também assim julgaram os historiadores: o abastecimento alimentar de Diamantina e, antes dela, do Arraial do Tijuco, sempre teve que vir de longe, de plagas mais favoráveis aos trabalhos de roça e de criação de gado. De Minas Novas e do Serro, no lombo de burros, teriam chegado os “gêneros do país” que alimentaram os moradores do Tijuco e Diamantina. De, no mínimo, dez, quinze léguas de distância chegariam os grãos, os legumes, as hortaliças, as frutas, os queijos, as farinhas, o toucinho, etc.</p>
<p><span id="more-735"></span></p>
<p>Está na hora de rever este ponto de vista, equivocamente consolidado na historiografia regional. Na senda aberta por José Newton Coelho Meneses, autor de “O continente rústico: abastecimento alimentar nas Minas Gerais setecentistas” (Diamantina: Maria Fumaça, 2000), é preciso seguir criticando a tradicional oposição entre mineração e agropecuária no Alto Jequitinhonha. Insistir que, também nesta região, os indivíduos e as famílias se envolveram com a produção, o beneficiamento, o transporte e a comercialização de alimentos que chegavam aos lares do Tijuco/Diamantina. Inclusive no entorno imediato da cidade, em quintais e chácaras que se estendiam sobre os terrenos tão rochosos das serras de Santo Antônio, da Formação, dos Cristais.<br />
Uma pequena contribuição nesse sentido ofereci, recentemente, por meio de artigo submetido à Comissão Organizadora do XIV Seminário sobre a Economia Mineira, evento que é tradicionalmente promovido pelo CEDEPLAR/UFMG, na cidade de Diamantina. O trabalho, intitulado “Quintais, chácaras, intendências e abastecimento alimentar em Diamantina: séculos XIX e XX”, será apresentado na Sessão de História 1: Produção, Comércio e Abastecimento”, programada para o dia 25 de maio próximo, no horário de 10h45 às 12h.</p>
<p>Coloco à disposição do leitor e da leitora, desde já, o link ( <a rel="attachment wp-att-737" href="http://www.minasdehistoria.blog.br/2010/04/quintais-chacaras-e-abastecimento-em-diamantina/texto-minas-de-historia-2/">baixe aqui</a>) do referido trabalho, cujo resumo é o seguinte: “Este trabalho investiga a produção alimentar nos quintais e chácaras de Diamantina e o movimento do Mercado Municipal no Oitocentos e Novecentos. O objetivo é analisar as estruturas existentes nos domicílios para a produção de alimentos que contribuíram para o abastecimento local e o papel da Municipalidade nesse campo, especialmente com a criação do Mercado Municipal. São assinaladas as mudanças de atitude da Câmara diante da produção nos quintais e chácaras, bem como os conflitos e dificuldades que marcaram o funcionamento inicial do Mercado Municipal. Utilizam-se narrativas de viajantes e memorialistas, documentos cartoriais, jornais locais e registros fiscais de Diamantina.”</p>
<img src="http://feeds.feedburner.com/~r/minasdehistoria/~4/Hes5GOhoEiI" height="1" width="1"/>]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://www.minasdehistoria.blog.br/2010/04/quintais-chacaras-e-abastecimento-em-diamantina/feed/</wfw:commentRss>
		<slash:comments>0</slash:comments>
		<feedburner:origLink>http://www.minasdehistoria.blog.br/2010/04/quintais-chacaras-e-abastecimento-em-diamantina/</feedburner:origLink></item>
		<item>
		<title>Hobsbawm, mestre de todos nós</title>
		<link>http://feedproxy.google.com/~r/minasdehistoria/~3/7L_tTJIOq7s/</link>
		<comments>http://www.minasdehistoria.blog.br/2010/04/hobsbawm-mestre-de-todos-nos/#comments</comments>
		<pubDate>Sat, 03 Apr 2010 14:46:30 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Marcos Lobato Martins</dc:creator>
				<category><![CDATA[Papel do historiador]]></category>
		<category><![CDATA[história]]></category>
		<category><![CDATA[Eric Hobsbawm]]></category>
		<category><![CDATA[história marxista]]></category>
		<category><![CDATA[historiadores contemporâneos]]></category>
		<category><![CDATA[historiografia]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://www.minasdehistoria.blog.br/?p=721</guid>
		<description><![CDATA[Os professores Marcos Antônio Lopes (UEL) e Sidney Munhoz (USP) conceberam e executaram um livro que será, para os jovens estudantes de História e de Ciências Sociais, uma pequena jóia, de muito valor e utilidade. No final de maio, conforme a programação da editora paulista Alameda, o livro “Historiadores do nosso tempo” estará nas livrarias. [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Os professores Marcos Antônio Lopes (UEL) e Sidney Munhoz (USP) conceberam e executaram um livro que será, para os jovens estudantes de História e de Ciências Sociais, uma pequena jóia, de muito valor e utilidade. No final de maio, conforme a programação da editora paulista Alameda, o livro “Historiadores do nosso tempo” estará nas livrarias. A obra conterá textos de apresentação de grandes mestres contemporâneos do ofício de historiador, nomes como Thompson, Skinner, Ginsburg, Le Goff, Gruzinsky, etc.</p>
<div id="attachment_722" class="wp-caption alignleft" style="width: 310px"><a rel="attachment wp-att-722" href="http://www.minasdehistoria.blog.br/2010/04/hobsbawm-mestre-de-todos-nos/hobsbawm_eric/"><img class="size-full wp-image-722" src="http://www.minasdehistoria.blog.br/wp-content/arquivos/2010/04/Hobsbawm_Eric.jpg" alt="" width="300" height="400" /></a><p class="wp-caption-text">Eric Hobsbawm</p></div>
<p>A proposta do livro é oferecer ao jovem leitor informações básicas sobre a trajetória intelectual de cada um dos “mestres”, apontar os principais temas que surgem em suas obras, delinear as principais contribuições teóricas e metodológicas que eles trouxeram para a seara de Clio e, algo muito importante, a recepção que eles tiveram no Brasil, discutindo o modo como eles influenciaram os estudos históricos desenvolvidos por aqui, na universidade brasileira.</p>
<p>Modestamente, contribuo para o livro “Historiadores do nosso tempo” com pequeno texto sobre Eric Hobsbawm, o historiador marxista inglês cuja vida praticamente se confunde com a história do século XX, o “breve século XX” que ele tão bem analisou numa de suas obras mais recentes e conhecidas. Hobsbawm é o mais destacado historiador vivo, dono de obra volumosa, e mestre inigualável na elaboração de sínteses sobre a história contemporânea que se tornaram manuais de sucesso mundo afora, caso da trilogia “A Era das Revoluções”, “A Era do Capital” e “A Era dos Impérios”.</p>
<p>O resultado de minha empreitada – nada fácil, ainda mais quando se deve obedecer aos limites postos pela natureza da proposta editorial – tomo a liberdade de deixar à mostra para o leitor e a leitora, em anexo. O referido texto tem título de verbete de enciclopédia, como, aliás, todos os demais textos que compõem o livro. Chama-se <a href="http://www.minasdehistoria.blog.br/wp-content/arquivos/2010/04/Lobato_Sobre_Hobsbawm.pdf">Eric Hobsbawm</a>. Direto assim, conforme a preferência dos pragmáticos jovens estudantes de hoje [para acessá-lo, <a href="http://www.minasdehistoria.blog.br/wp-content/arquivos/2010/04/Lobato_Sobre_Hobsbawm.pdf">clique no link</a>].</p>
<img src="http://feeds.feedburner.com/~r/minasdehistoria/~4/7L_tTJIOq7s" height="1" width="1"/>]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://www.minasdehistoria.blog.br/2010/04/hobsbawm-mestre-de-todos-nos/feed/</wfw:commentRss>
		<slash:comments>0</slash:comments>
		<feedburner:origLink>http://www.minasdehistoria.blog.br/2010/04/hobsbawm-mestre-de-todos-nos/</feedburner:origLink></item>
		<item>
		<title>Cidade Administrativa tem olhos voltados ao futuro?</title>
		<link>http://feedproxy.google.com/~r/minasdehistoria/~3/35nQO150nzA/</link>
		<comments>http://www.minasdehistoria.blog.br/2010/03/cidade-administrativa-tem-olhos-voltados-ao-futuro/#comments</comments>
		<pubDate>Sat, 13 Mar 2010 16:48:14 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Marcos Lobato Martins</dc:creator>
				<category><![CDATA[imaginário social]]></category>
		<category><![CDATA[política]]></category>
		<category><![CDATA["Velho Desenvolvimentismo"]]></category>
		<category><![CDATA[Expansão urbana]]></category>
		<category><![CDATA[Impactos de grandes obras]]></category>
		<category><![CDATA[Região Metropolitana de Belo Horizonte]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://www.minasdehistoria.blog.br/?p=714</guid>
		<description><![CDATA[
	
	Obra do nova Cidade Administrativa de Minas Gerais

O engenheiro José Carlos Sussekind publicou, na edição de 11 de março, na Folha de São Paulo, um pequeno artigo em defesa da obra da Cidade Administrativa Tancredo Neves, inaugurada com pompa e circunstância pelo Governador Aécio Neves. O artigo é muito instrutivo, no sentido de que revela [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div class="img aligncenter size-full wp-image-715" style="width:500px;">
	<a rel="attachment wp-att-715" href="http://www.minasdehistoria.blog.br/2010/03/cidade-administrativa-tem-olhos-voltados-ao-futuro/cidade-administrativa/"><img src="http://www.minasdehistoria.blog.br/wp-content/arquivos/2010/03/cidade-administrativa.jpg" alt="Obra do nova Cidade Administrativa de Minas Gerais" width="500" height="426" /></a>
	<div>Obra do nova Cidade Administrativa de Minas Gerais</div>
</div>
<p>O engenheiro José Carlos Sussekind publicou, na edição de 11 de março, na Folha de São Paulo, um pequeno artigo em defesa da obra da Cidade Administrativa Tancredo Neves, inaugurada com pompa e circunstância pelo Governador Aécio Neves. O artigo é muito instrutivo, no sentido de que revela a permanência de arraigadas ideias sobre desenvolvimento urbano e regional nas lideranças políticas mineiras. O século XXI já começou faz tempo, mas ainda há quem siga acreditando que governar é fazer obra, e que o desenvolvimento regional se alcança com gigantescos projetos, orçados em bilhões de dólares.</p>
<p>O artigo de Sussekind principia pela afirmação de que a Cidade Administrativa é projeto vanguardista, visionário. As palavras do engenheiro são contundentes: “Situada em um dos pontos extremos (sic) da região metropolitana de Belo Horizonte, a Cidade Administrativa é o catalisador final que se soma ao vizinho aeroporto internacional, à via expressa que os interconeta (e também ao centro da cidade) e à disponibilidade de terras (sic) que abrirão o caminho para a expansão urbana e o crescimento da Grande Belo Horizonte. É um projeto cuja gênese contemplou uma lúcida análise com olhos voltados ao futuro”. Para Sussekind, a obra, que é a vitrine principal do “choque de gestão” do tucano Aécio Neves, tem o poder de reverter a “tendência autofágica da maioria das grandes cidades brasileiras”, de evitar adensamento populacional, engarrafamentos, desabamentos e enchentes, fazendo “Minas se juntar ao bom exemplo de Curitiba”. É o caso de se perguntar qual Belo Horizonte o engenheiro está enxergando. Desde quando a simples construção de um complexo administrativo, situado a 20 km do centro da capital, resolve problemas tão diversos como enchentes e desabamentos ou gargalos de trânsito na metrópole? Quem, sem recair no simplismo ou na pura apologia de uma ação governamental, pode acreditar que uma única obra grandiosa, vazada em concreto e vidro, realizada com “técnica e fantasia” e projetada por Oscar Niemeyer, encaminha de uma vez por todas os problemas urbanos de Belo Horizonte?</p>
<p>Na verdade, há quem preveja, e com muita razão, que a expansão do chamado “vetor norte” de Belo Horizonte já está produzindo problemas de montão. O engenheiro Sussekind se esqueceu de que não há, para início de conversa, disponibilidade de terras na região. A área norte-metropolitana é sensível do ponto de vista ambiental – aí estão situados o entorno do Parque Nacional da Serra do Cipó e a área carste de Lagoa Santa, patrimônio arqueológico brasileiro e mundial bastante ameaçado pela expansão de cidades que integram a RMBH, expansão esta que a obra de Aécio terá o condão de acelerar. Parece que Sussekind não se dispôs a tomar conhecimento dos debates que ocorrem entre o governo e a sociedade a respeito da fragilidade ambiental da região norte-metropolitana, no qual abundam críticas bem fundamentadas a diversos projetos estaduais para essa parte da RMBH. A simples combinação de “Linha Verde” e “Cidade Administrativa” muda o quê nos crônicos problemas de transporte coletivo na região? A extensão do metrô rumo a Pedro Leopoldo, Matozinhos e Lagoa Santa é apenas conversa, há décadas. O engenheiro também não atentou para a onda de especulação imobiliária que a megaobra deslanchou na área. Por isso, é retórica ou, para ser diplomático, exercício de “wishfull thinking” a afirmação de Sussekind: “Vejo a atual Belo Horizonte interromper e reverter o processo que, fatalmente, inviabilizaria sua qualidade de vida”.</p>
<p>Por outro lado, parte do enorme investimento feito na construção da Cidade Administrativa Tancredo Neves não teria sido melhor aplicado em desburocratização e simplificação da gestão estadual? Não daria a mesma visibilidade ao candidato à Presidência da República, é certo. Assim como considerações relativas aos patrimônios ambiental e cultural e à preservação da vitalidade do centro de Belo Horizonte pesam pouco nos cálculos políticos das lideranças mineiras.</p>
<p>Enfim, o artigo do engenheiro José Carlos Sussekind carrega o indisfarçável odor do “velho desenvolvimentismo”, aquele obcecado com grandes obras. Que os mineiros, aliás, JK à frente, souberam promover como ninguém nesse país.</p>
<img src="http://feeds.feedburner.com/~r/minasdehistoria/~4/35nQO150nzA" height="1" width="1"/>]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://www.minasdehistoria.blog.br/2010/03/cidade-administrativa-tem-olhos-voltados-ao-futuro/feed/</wfw:commentRss>
		<slash:comments>0</slash:comments>
		<feedburner:origLink>http://www.minasdehistoria.blog.br/2010/03/cidade-administrativa-tem-olhos-voltados-ao-futuro/</feedburner:origLink></item>
		<item>
		<title>Do litoral ao sertão, a Estrada de Ferro Bahia-Minas.</title>
		<link>http://feedproxy.google.com/~r/minasdehistoria/~3/mKpfKaJ4lW0/</link>
		<comments>http://www.minasdehistoria.blog.br/2010/03/do-litoral-ao-sertao-a-estrada-de-ferro-bahia-minas/#comments</comments>
		<pubDate>Tue, 02 Mar 2010 12:59:36 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Marcos Lobato Martins</dc:creator>
				<category><![CDATA[história de Minas Gerais]]></category>
		<category><![CDATA[história econômica]]></category>
		<category><![CDATA[Bahia-Minas]]></category>
		<category><![CDATA[ferrovia]]></category>
		<category><![CDATA[Modernização]]></category>
		<category><![CDATA[Vale do Mucuri]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://www.minasdehistoria.blog.br/?p=704</guid>
		<description><![CDATA[Recebi muitas respostas sobre os “posts” referentes à antiga Estrada de Ferro Bahia-Minas, que ligava o litoral sul da Bahia – Ponta de Areia e Caravelas – ao sertão mineiro do Médio Jequitinhonha, terminando na cidade de Araçuaí. Muitos moradores do Vale do Mucuri ou pessoas que lá nasceram e hoje residem em outras partes [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Recebi muitas respostas sobre os “posts” referentes à antiga Estrada de Ferro Bahia-Minas, que ligava o litoral sul da Bahia – Ponta de Areia e Caravelas – ao sertão mineiro do Médio Jequitinhonha, terminando na cidade de Araçuaí. Muitos moradores do Vale do Mucuri ou pessoas que lá nasceram e hoje residem em outras partes do País enviaram comentários. Alguns são ex-ferroviários, outros filhos de ferroviários da “Baiminas”, enquanto outros se lembram de uma infância vivida à beira da linha de trem, colorida pelo movimento das pequenas composições e das belas estações da ferrovia imortalizada na canção de Milton Nascimento. Confesso que me surpreendi com tantas respostas.</p>
<div class="img aligncenter size-full wp-image-706" style="width:500px;">
	<a rel="attachment wp-att-706" href="http://www.minasdehistoria.blog.br/2010/03/do-litoral-ao-sertao-a-estrada-de-ferro-bahia-minas/arassuai041/"><img src="http://www.minasdehistoria.blog.br/wp-content/arquivos/2010/03/arassuai041.jpg" alt="Estação de Arassuaí, em 2004. Foto Custódio Neto ." width="500" height="342" /></a>
	<div>Estação de Arassuaí, em 2004. Foto Custódio Neto .</div>
</div>
<p>E, como houve nesses comentários pedidos de mais informações sobre a antiga “Baiminas”, coloco à disposição dos leitores um trabalho que escrevi recentemente sobre essa ferrovia. Desde já, quero humildemente dedicar o texto ao Sr. Arysbure Batista Eleutério, memória viva da EFBM e autor de livro que é bastante útil para quem deseja saber mais sobre a Bahia-Minas. Livro que eu conheci e li na estação de Sucanga.</p>
<p>O texto, intitulado “<a rel="attachment wp-att-705" href="http://www.minasdehistoria.blog.br/2010/03/do-litoral-ao-sertao-a-estrada-de-ferro-bahia-minas/proxima-ao-rio-dentro-da-mata-de-ponta-de-areia-e-aracuai-a-bahia-minas/">Próxima ao rio, dentro da mata, de Ponta de Areia e Araçuaí &#8211; a Bahia Minas.</a>”, foi submetido à comissão científica do Seminário de Diamantina 2010, o famoso Seminário sobre a Economia Mineira, promovido a cada dois anos pelo CEDEPLAR/UFMG. O resumo do trabalho é o seguinte: “A Estrada de Ferro Bahia-Minas é o objeto deste texto. Abordam-se assuntos como a construção e o funcionamento da ferrovia que ligou Ponta de Areia a Araçuaí, passando por Teófilo Otoni, a sua tumultuada história administrativa, os aspectos do cotidiano dos ferroviários, o papel da EFBM na economia regional e as razões de sua desativação. O trabalho faz síntese do conhecimento historiográfico existente sobre a Bahia-Minas e propõe interpretações relativas aos significados regionais da ferrovia. As fontes são memórias e teses escritas sobre a EFBM, documentos oficiais, jornais mineiros e depoimentos de ferroviários e moradores do Vale do Mucuri”.</p>
<p>Espero que este trabalho contribua um pouco para saciar a curiosidade dos que desejam saber mais a respeito da antiga “Baiminas”.</p>
<img src="http://feeds.feedburner.com/~r/minasdehistoria/~4/mKpfKaJ4lW0" height="1" width="1"/>]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://www.minasdehistoria.blog.br/2010/03/do-litoral-ao-sertao-a-estrada-de-ferro-bahia-minas/feed/</wfw:commentRss>
		<slash:comments>1</slash:comments>
		<feedburner:origLink>http://www.minasdehistoria.blog.br/2010/03/do-litoral-ao-sertao-a-estrada-de-ferro-bahia-minas/</feedburner:origLink></item>
		<item>
		<title>As utopias libertárias dos jovens rebeldes dos anos 1960</title>
		<link>http://feedproxy.google.com/~r/minasdehistoria/~3/OKKNtyhD4Ao/</link>
		<comments>http://www.minasdehistoria.blog.br/2010/02/as-utopias-libertarias-dos-jovens-rebeldes-dos-anos-1960/#comments</comments>
		<pubDate>Sat, 20 Feb 2010 21:25:57 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Marcos Lobato Martins</dc:creator>
				<category><![CDATA[crítica social]]></category>
		<category><![CDATA[história]]></category>
		<category><![CDATA[imaginário social]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://www.minasdehistoria.blog.br/?p=698</guid>
		<description><![CDATA[O colunista da “Folha de São Paulo”, Ruy Castro, escreveu um texto bem humorado sobre fenômeno que tem chamado a atenção de demógrafos e sociólogos mundo afora. Trata-se da permanência de filhos e filhos nas casas dos pais, por tempo bem mais longo do que no passado. Há até quem diga que o antigo ditado [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>O colunista da “Folha de São Paulo”, Ruy Castro, escreveu um texto bem humorado sobre fenômeno que tem chamado a atenção de demógrafos e sociólogos mundo afora. Trata-se da permanência de filhos e filhos nas casas dos pais, por tempo bem mais longo do que no passado. Há até quem diga que o antigo ditado popular – quem casa, quer casa – perdeu validade.</p>
<div class="img aligncenter size-full wp-image-700" style="width:300px;">
	<a rel="attachment wp-att-700" href="http://www.minasdehistoria.blog.br/2010/02/as-utopias-libertarias-dos-jovens-rebeldes-dos-anos-1960/protesto-estudantil-em-maio-de-68-paris/"><img src="http://www.minasdehistoria.blog.br/wp-content/arquivos/2010/02/protesto-estudantil-em-maio-de-68-paris..jpg" alt="Protesto estudantil em maio de 68, Paris. Foto: Serge Hambourg." width="300" height="465" /></a>
	<div>Protesto estudantil em maio de 68, Paris. Foto: Serge Hambourg.</div>
</div>
<p><span id="more-698"></span></p>
<p>No texto, intitulado “Morando com mamãe”, Ruy Castro mostra certa perplexidade com o fenômeno e indaga se a juventude teria abdicado da ousadia de aventurar-se, de experimentar novos padrões de comportamento, de ariscar-se para viver intensamente. Nas palavras do colunista: “Custei a perceber que era uma tendência: a quantidade de rapazes de 30 anos ou mais, hoje em dia, ainda vivendo com os pais e sendo sustentados por eles – abdicando da liberdade pelos confortos e conveniências da cama, comida e roupa lavada. Foi para isso que os jovens dos anos 60 fizeram duas ou três revoluções?” Não quero discutir as razões do fenômeno que Ruy Castro observa com espanto, mesmo porque há gente muito mais competente para fazer isso. Mas aproveito a oportunidade para apresentar ao leitor um pequeno texto que redigi recentemente, justamente sobre as utopias libertárias produzidas pelos jovens rebeldes da década de 1960.</p>
<p>O trabalho será publicado pela editora paulista Alameda, ainda esse ano, e integra uma coletânea de ensaios que abordam propostas utópicas surgidas na história ocidental, desde a Antiguidade. O livro, organizado pelos professores Marcos Antônio Lopes e Renato Moscateli, se chamará “História de países imaginários: variedades utópicas”. Penso que é desejável e ilustrativo rever os projetos – mesmo aqueles que foram taxados de utópicos – que, no decorrer da história, ficaram pela estrada, inteiramente abandonados ou abalroados numa curva fechada. No mínimo, os sonhos coletivos ensinam algo sobre os valores e as esperanças das sociedades, além de estimular a reflexão sobre a realidade na qual vivemos.</p>
<p>Então, leitor, sem mais delongas, coloco à sua disposição o trabalho: <a rel="attachment wp-att-699" href="http://www.minasdehistoria.blog.br/2010/02/as-utopias-libertarias-dos-jovens-rebeldes-dos-anos-1960/utopias-na-era-de-aquario/">Utopias na Era de Aquário</a>.</p>
<img src="http://feeds.feedburner.com/~r/minasdehistoria/~4/OKKNtyhD4Ao" height="1" width="1"/>]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://www.minasdehistoria.blog.br/2010/02/as-utopias-libertarias-dos-jovens-rebeldes-dos-anos-1960/feed/</wfw:commentRss>
		<slash:comments>0</slash:comments>
		<feedburner:origLink>http://www.minasdehistoria.blog.br/2010/02/as-utopias-libertarias-dos-jovens-rebeldes-dos-anos-1960/</feedburner:origLink></item>
		<item>
		<title>Rios do Sul de Minas: navegação, pontes e força hidráulica</title>
		<link>http://feedproxy.google.com/~r/minasdehistoria/~3/U00gcG6XbNA/</link>
		<comments>http://www.minasdehistoria.blog.br/2010/02/rios-do-sul-de-minas-navegacao-pontes-e-forca-hidraulica/#comments</comments>
		<pubDate>Tue, 16 Feb 2010 22:09:11 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Marcos Lobato Martins</dc:creator>
				<category><![CDATA[História regional]]></category>
		<category><![CDATA[história ambiental]]></category>
		<category><![CDATA[história de Minas Gerais]]></category>
		<category><![CDATA[imagens de Minas]]></category>
		<category><![CDATA[imaginário social]]></category>
		<category><![CDATA[História de rios e lagos]]></category>
		<category><![CDATA[Rio Sapucaí]]></category>
		<category><![CDATA[Rio Verde]]></category>
		<category><![CDATA[Sul de Minas]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://www.minasdehistoria.blog.br/?p=685</guid>
		<description><![CDATA[
	
	Pontes nova e antiga sobre o Rio Verde, na ligação de Varginha com a BR-381

O Lago de Furnas ocupa lugar destacado nas representações sociais de populações do Sudoeste mineiro, desde quando sua formação, em 1962-1963, produziu alterações marcantes nas paisagens regionais, afogando terras, povoados e mesmo rios. Os rios do Sul de Minas terminaram praticamente [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div class="img aligncenter size-medium wp-image-689" style="width:512px;">
	<a rel="attachment wp-att-689" href="http://www.minasdehistoria.blog.br/2010/02/rios-do-sul-de-minas-navegacao-pontes-e-forca-hidraulica/img_6682/"><img src="http://www.minasdehistoria.blog.br/wp-content/arquivos/2010/02/IMG_6682-512x384.jpg" alt="Pontes nova e antiga sobre o Rio Verde, na ligação de Varginha com a BR-381" width="512" height="384" /></a>
	<div>Pontes nova e antiga sobre o Rio Verde, na ligação de Varginha com a BR-381</div>
</div>
<p>O Lago de Furnas ocupa lugar destacado nas representações sociais de populações do Sudoeste mineiro, desde quando sua formação, em 1962-1963, produziu alterações marcantes nas paisagens regionais, afogando terras, povoados e mesmo rios. Os rios do Sul de Minas terminaram praticamente relegados à invisibilidade pelo gigantismo do lago artificial surgido com a Hidrelétrica de Furnas.</p>
<p>Na verdade, entre os mais jovens da região, observa-se aquilo que se poderia caracterizar como a “naturalização” do Lago de Furnas: o enorme espelho d’água é imensamente familiar, captura o tempo de lazer dos habitantes e figura nos cartões postais que correm o país e o mundo. Pouca gente se dá conta de que, na história das relações do homem com a natureza, os barramentos com a finalidade de gerar eletricidade representam somente uma forma, relativamente recente, de apropriação dos cursos d’água. É difícil encontrar quem perceba que a ação humana reorganiza, há milênios, a natureza. E faz isso com intensidade cada vez maior na era industrial, a partir do século XVIII. Por meio de “objetos técnicos” – pontes, portos, balsas, represas, cidades, balneários, estações de captação de água, eclusas, etc. – o homem impõe suas marcas sobre a natureza e tenta dominar o fluxo das águas. Algumas dessas marcas desaparecem com certa facilidade, a exemplo de pinguelas e pequenas pontes de madeira ou cordas que serviam aos viajantes do passado. Outras adquirem perenidade, transformando-se em documentos da intervenção humana, monumentos da história nacional, a exemplo das pontes sobre o rio Sena, em Paris. Para o olhar treinado no campo da História ou das Ciências Sociais, um rio nunca é inteiramente natural, coisa que só existiria num passado idealizado, mítico. Como ensinou Lucien Febvre, o curso de um rio oferece registros de diversas temporalidades, fixados nos objetos técnicos construídos pelos homens. A própria percepção que se tem dos rios é amálgama de apropriações, funções e representações que lhes foram atribuídas pelas comunidades e sociedades existentes nas bacias hidrográficas, ao longo de milênios ou séculos (FEBVRE, Lucien. <strong>O Reno, mitos e realidades</strong>. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 2000).</p>
<p>Nos séculos XVIII e XIX, os rios do Sul de Minas foram referidos nos documentos oficiais e nos textos de viajantes e memorialistas a partir de uma chave muito específica: meios de comunicação ou, não raro, obstáculos para o transporte de pessoas e cargas. Os rios eram, então, potenciais “estradas que andam”, se pudessem receber canoas e embarcações maiores, principalmente vapores. Os rios poderiam facilitar o comércio e as comunicações, razão pela qual havia estímulo das autoridades, ainda que meramente formal, para o indivíduo ou empresa que se aventurasse a explorar esses caminhos aquáticos. Na esfera mais prática, a Capitania, a Província, e, depois, o Estado cuidou de auxiliar os Senados das Câmaras a erigir pontes e travessias de balsas nos rios mais caudalosos – tratando, é claro, de cobrar pelos direitos de passagem. O Rio Verde e o Rio Sapucaí, porque interceptavam trilhas de tropas que levavam para São Paulo e Rio de Janeiro, receberam alguma atenção dos governos mineiros. No último quartel do século XIX, as ferrovias gradualmente penetraram o território sul-mineiro e, por isso mesmo, levantaram o problema da construção de pontilhões para transbordo dos rios. Caras estruturas metálicas, fabricadas na Inglaterra, cuja instalação nos rios da região foi bastante onerosa, as pontes ferroviárias “instrumentalizaram” os rios, isto é, fizeram deles simples moldura para obras civis indicadoras do progresso, da modernidade que chegava a Minas Gerais puxada pela Maria-fumaça. Com isso, não se mais via o rio, somente a estrada que passava sobre ele. Os cursos dos rios, aliás, forneceram aos projetistas dos ramais ferroviários a orientação geográfica para marcar o leito que receberia os trilhos. Como antes serviram aos cartógrafos na tarefa de determinar linhas fronteiriças nos mapas político-administrativos elaborados a mando dos impérios, para o exercício e a afirmação de seu poder sobre vastos domínios coloniais.</p>
<p>Longe das ferrovias, os rios continuaram atravessados por tropeiros, boiadeiros e viajantes em vaus amplamente conhecidos ou em portos de balsas. No tempo das cheias, estas passagens costumavam obstruir o tráfego por muitos dias, às vezes até por semanas inteiras. O correio atrasava, as notícias demoravam, os preços dos gêneros disparavam. Mas não havia recursos suficientes para vencer a interrupção regular das caravanas de muares, estancadas diante de rios tornados correntes bravias pelas chuvas torrenciais.</p>
<p>Na virada do século XIX para o século XX, rios do Sul de Minas receberam iniciativas de navegação a vapor, que buscavam interligar pontos remotos da região com estações ferroviárias bem situadas. Este foi, particularmente, o caso do Rio Sapucaí e, mais para ocidente, do Rio Grande. As estações de Fama (próxima a Alfenas) e de Ribeirão Vermelho (próxima a Lavras) tiveram seus respectivos portos, com movimento expressivo. Os vapores traziam passageiros e produtos agrícolas de áreas distantes, os quais seguiam para mercados do Rio de Janeiro e São Paulo em vagões de trem. Os vapores regressavam para o oeste, transportando sal, querosene e artigos industriais. De Porto Belo, situado nas vizinhanças da Cachoeira das Cruzes, no entorno da desembocadura do Rio Sapucaí no Rio Grande, os vapores transportavam rumo a Fama laticínios de uma fábrica pioneira. Em 1905, a Empresa de Navegação do Sapucaí, fundada pelo Dr. Buarque Macedo, operava nesta rota o pequeno vapor “Júpiter”. Alguns anos depois, Francisco Feio assumiu a empresa e construiu outro vapor, mais moderno. A tradição oral de Carmo do Rio Claro diz que o novo vapor foi fabricado pelo artesão José Saksida (de Fama), empregando toras de pereira oriundas da Fazenda do Pinhal, propriedade do Coronel José Braz de Carvalho Vilela. Em 1924, surgiu a Companhia Viação Fluvial do Rio Sapucaí, sob o comando do Dr. Epiphânio Magalhães de Macedo. Em 1930, esta Companhia lançou nas águas do Sapucaí o vapor “São Cristóvão”, construído pela Casa Holtz. Dessa forma, a rota fluvial entre Porto Belo e Fama ficou movimentada até meados dos anos 1950. Os vapores do Sapucaí, diziam os antigos habitantes de Carmo do Rio Claro, levaram a civilização do país e do mundo para as localidades ao redor da Serra da Tormenta, da Serra do Tabuleiro, da Serra dos Pinheiros, Serra dos Ferreiras, Serra de Santana, Serra de Pararaca, Serra da Cachoeira, Serra do Córrego Bonito e Serra da Tromba (HORVÁTH, Eugen Emmerich. <strong>Carmo do Rio Claro</strong>. Cento e trinta anos de emancipação política, 1877-2007. Carmo do Rio Claro, MG: O Artesanal, 2008).</p>
<p> <div class="img aligncenter size-medium wp-image-695" style="width:512px;">
	<a rel="attachment wp-att-695" href="http://www.minasdehistoria.blog.br/2010/02/rios-do-sul-de-minas-navegacao-pontes-e-forca-hidraulica/img_6685-2/"><img src="http://www.minasdehistoria.blog.br/wp-content/arquivos/2010/02/IMG_66851-512x384.jpg" alt="Rio Sapucaí, na ponte (203 m de extensão) da BR-491, perto de Paraguaçu" width="512" height="384" /></a>
	<div>Rio Sapucaí, na ponte (203 m de extensão) da BR-491, perto de Paraguaçu</div>
</div>
<p>Pois foi no ocaso da navegação fluvial no Sapucaí que surgiu o projeto de construir usina hidrelétrica que aproveitasse a “força hidráulica” da garganta do Rio Grande, logo a jusante da confluência com o Sapucaí. Nos tempos de JK e do Plano de Metas, os rios do Sul de Minas passaram a ser percebidos sob a perspectiva do potencial energético. O Brasil avançava na sua industrialização e carecia de energia. O Sul de Minas, vizinho aos dois principais centros industriais do país, poderia suprir a energia que as plantas industriais requeriam. Furnas foi rapidamente planejada e construída, entre 1957 e 1962. O Lago de Furnas foi formado num tempo em que não havia ambientalistas, atores políticos tão desconfiados em relação aos grandes projetos hidrelétricos. Houve resistência de fazendeiros e sitiantes, mas elas foram vencidas com relativa facilidade. As milhares de pessoas desalojadas mal conseguiram registrar seus sofrimentos, a não ser nos textos de um ou outro memorialista local (VIEIRA, Ildeu Manso. <strong>Mandassaia</strong>. Alfenas, MG: Arte Gráfica Atenas, 2002).</p>
<p>Para a historiografia mineira, uma área que precisa ser bem mais desenvolvida é justamente a de, por assim dizer, “História dos rios”. E, nesse campo, é urgente mapear os objetos técnicos ao longo dos rios e suas temporalidades específicas, bem como analisar a trajetória dos estudos/relatórios/investigações sobre os rios mineiros e dos diversos órgãos governamentais com responsabilidade sobre eles. Também quanto a este objeto, a história dos rios mineiros mal começou a ser escrita. [Um trabalho interessante sobre esta temática é ARRUDA, Gilmar. Rios e governos no Estado do Paraná: pontes, “força hydraúlica” e a era das barragens (1835-1940). In: <strong>Varia Historia</strong>, Belo Horizonte, v. 24, n. 39, jan/jun 2008, p. 153-175.]</p>
<img src="http://feeds.feedburner.com/~r/minasdehistoria/~4/U00gcG6XbNA" height="1" width="1"/>]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://www.minasdehistoria.blog.br/2010/02/rios-do-sul-de-minas-navegacao-pontes-e-forca-hidraulica/feed/</wfw:commentRss>
		<slash:comments>1</slash:comments>
		<feedburner:origLink>http://www.minasdehistoria.blog.br/2010/02/rios-do-sul-de-minas-navegacao-pontes-e-forca-hidraulica/</feedburner:origLink></item>
		<item>
		<title>Água e montanha no Sudoeste de Minas</title>
		<link>http://feedproxy.google.com/~r/minasdehistoria/~3/82Tc2iZyUCo/</link>
		<comments>http://www.minasdehistoria.blog.br/2010/02/agua-e-montanha-no-sudoeste-de-minas/#comments</comments>
		<pubDate>Tue, 16 Feb 2010 00:27:30 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Marcos Lobato Martins</dc:creator>
				<category><![CDATA[crônica]]></category>
		<category><![CDATA[imagens de Minas]]></category>
		<category><![CDATA[imaginário social]]></category>
		<category><![CDATA[Lago de Furnas]]></category>
		<category><![CDATA[Representações sobre as águas]]></category>
		<category><![CDATA[Sudoeste de Minas]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://www.minasdehistoria.blog.br/?p=675</guid>
		<description><![CDATA[ 
	
	Povoado de Itaci (carmo do Rio Claro), visto da balsa sobre o Lago de Furnas

A “caixa d’água” do Brasil é imensa. Quem se dá ao trabalho de abrir um bom mapa de Minas Gerais vê que muitos rios cortam o território do estado e que alguns desses rios, porque foram represados, originaram grandes lagos. Enormes [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p> <div class="img aligncenter size-medium wp-image-678" style="width:512px;">
	<a rel="attachment wp-att-678" href="http://www.minasdehistoria.blog.br/2010/02/agua-e-montanha-no-sudoeste-de-minas/img_6653/"><img src="http://www.minasdehistoria.blog.br/wp-content/arquivos/2010/02/IMG_6653-512x682.jpg" alt="Povoado de Itaci (carmo do Rio Claro), visto da balsa sobre o Lago de Furnas" width="512" height="682" /></a>
	<div>Povoado de Itaci (carmo do Rio Claro), visto da balsa sobre o Lago de Furnas</div>
</div>
<p>A “caixa d’água” do Brasil é imensa. Quem se dá ao trabalho de abrir um bom mapa de Minas Gerais vê que muitos rios cortam o território do estado e que alguns desses rios, porque foram represados, originaram grandes lagos. Enormes reservatórios de água doce, sem ondas, mas azuis como o céu. Mares interiores, que flertam com serras circundantes, e animam cidades diversas, enchendo-as de pescadores e banhistas.<br />
Talvez o mais famoso desses mares mineiros seja o Lago de Furnas. Chamado de “Mar de Minas”, o Lago de Furnas possui números impressionantes. O “Mar de Minas” é cinco vezes maior que a Baía de Guanabara – a superfície do espelho d’água mede quase 1.500 km2. O volume de água alcança 23 bilhões de m3, e o perímetro da costa do “Mar de Minas” chega a 3.700 km (quase metade da extensão do litoral brasileiro). A usina hidrelétrica de Furnas produz até 1.216 megawatts de energia. O lago banha mais de 30 municípios, onde habitam aproximadamente 1 milhão de pessoas. Um mar de água doce que molha montanhas, vales, matas, plantações de milho e de café. Que não tem praias compridas de areia clara, mas encanta por causa de cânions com cachoeiras que deságuam diretamente no lago.</p>
<p>Como surgiu este imenso lago artificial? Em 28 de fevereiro de 1957, Juscelino Kubitschek de Oliveira criou a Central Elétrica de Furnas, por meio de decreto assinado no Palácio do Rio Negro, em Petrópolis (RJ). O então Presidente, no âmbito de seu Plano de Metas – que objetivava fazer o país avançar “50 anos em 5” – ousava construir a maior e mais moderna usina hidrelétrica do Brasil, para evitar o colapso energético do Sudeste. No ano seguinte, as obras começaram, tanto na construção da barragem como dos túneis de desvio da nova usina. A sede da empreitada ficou em Pouso Alegre e um dos acampamentos de “furneiros” – os trabalhadores das obras civis da hidrelétrica – foi instalado em Carmo do Rio Claro. Quatro anos foram consumidos na construção da barragem, situada na garganta do Rio Grande, a jusante de sua confluência com o Rio Sapucaí. Em 1962, o lago de Furnas começou a encher rapidamente, alterando as paisagens regionais e afetando a vida de muitas cidades e famílias.</p>
<p>Principalmente em Guapé, Carmo do Rio Claro, Alfenas, Boa Esperança e Formiga, as mulheres encheram as igrejas com terços nas mãos, entoando cânticos lamuriosos pedindo por salvação do dilúvio. Fazendeiros se rebelaram contra as obras, tentaram deter a construção da barragem, entraram em choque com as autoridades. Até tropa do Exército de Itajubá deslocou-se para Guapé, para dirimir resistências contra Furnas. A inundação terminou ocorrendo: submergiram povoados, estradas, fazendas, memórias, afetos. O enchimento do reservatório de Furnas obrigou a mudança de numerosas famílias de áreas rurais para as maiores cidades da região.</p>
<p>O “Mar de Minas”, contudo, está aí. Grande, azul, cheio por causa das boas chuvas dos últimos anos. Em torno dele avolumam-se promessas e problemas, mas já não há tantas resistências como nos anos 1960 e 1970. As cidades da região não querem mais ficar de costas para o “Mar de Minas”, querem aproveitá-lo de alguma forma. Tateiam em busca de caminhos para alcançar o desenvolvimento.</p>
<div class="img aligncenter size-medium wp-image-682" style="width:512px;">
	<a rel="attachment wp-att-682" href="http://www.minasdehistoria.blog.br/2010/02/agua-e-montanha-no-sudoeste-de-minas/img_6627/"><img src="http://www.minasdehistoria.blog.br/wp-content/arquivos/2010/02/IMG_6627-512x384.jpg" alt="Braço do Lago de Furnas. Ao fundo, Pico de São Gabriel e Serra da Tormenta" width="512" height="384" /></a>
	<div>Braço do Lago de Furnas. Ao fundo, Pico de São Gabriel e Serra da Tormenta</div>
</div>
<p>O Lago de Furnas, enfim, impede a indiferença. Não se pode observá-lo, de longe ou de perto, sem se inquietar, sem pensar na relação intrincada dos mineiros do sudoeste com as águas, as águas dos rios e as águas da represa, as águas de ontem e as águas de hoje. Não se consegue percorrer as áreas lindeiras ao lago sem matutar sobre a paixão intrincada, paradoxalmente explícita e recatada, do mineiro pelo mar. Os poetas é que sabem falar dessas coisas. Um deles, Cacaso, escreveu “O Fazendeiro do Mar”, de que transcrevo abaixo alguns versos:</p>
<p>“Mar de mineiro é vão/ mar de mineiro é chão/ (&#8230;) mar de mineiro é lagoa/ (&#8230;) Mar de mineiro é viagem/ (&#8230;) mar de mineiro é margem/ (&#8230;) Mineiro tem o mar de menos/ mineiro tem o mar de mais/ (&#8230;) Mar de mineiro é savana/ mar de mineiro é sovina/ mar de mineiro é banana/ mar de mineiro é bonina/ mar de mineiro é mina/ (&#8230;) mineiro tem o mar de fonte/ mineiro tem o mar de rio/ mineiro tem o mar de monte/ mar de mineiro é horizonte/ Mar de mineiro é tudo/ (&#8230;) Mar de mineiro é mar/ (&#8230;) mar de mineiro é ar/ mar de mineiro é lago/ mar de mineiro é vago/ (&#8230;) mar de mineiro é profundo/ (&#8230;) mar de mineiro é mundo/ (&#8230;) mar de mineiro é montanha/ (&#8230;) mar de mineiro é benvindo/ mar de mineiro é maldito/ (&#8230;) mar de mineiro é céu/ (&#8230;) Mar de mineiro é centro/ (&#8230;) mar de mineiro é dentro/ (&#8230;) Mar de mineiro é arroio/ (&#8230;) mar de mineiro é aboio/ (&#8230;) mar de mineiro é minério/ Mar de mineiro é Gerais/ mar de mineiro é campinas/ mar de mineiro é Goiás/ Mar de mineiro é colinas/ mar de mineiro é minas”.</p>
<p>Meu primeiro sonho foi ser marinheiro. Tinha, então, 13 anos. Hoje estou vivendo no litoral do “Mar de Minas”, grumete recém-chegado, disposto a singrar o oceano de histórias que se misturaram às terras e águas do Sul, na antiga bacia do Sapucaí.</p>
<img src="http://feeds.feedburner.com/~r/minasdehistoria/~4/82Tc2iZyUCo" height="1" width="1"/>]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://www.minasdehistoria.blog.br/2010/02/agua-e-montanha-no-sudoeste-de-minas/feed/</wfw:commentRss>
		<slash:comments>1</slash:comments>
		<feedburner:origLink>http://www.minasdehistoria.blog.br/2010/02/agua-e-montanha-no-sudoeste-de-minas/</feedburner:origLink></item>
		<item>
		<title>No sábado de Carnaval, de automóvel e balsa</title>
		<link>http://feedproxy.google.com/~r/minasdehistoria/~3/Xbd1qWdPlfE/</link>
		<comments>http://www.minasdehistoria.blog.br/2010/02/no-sabado-de-carnaval-de-automovel-e-balsa/#comments</comments>
		<pubDate>Sun, 14 Feb 2010 02:34:15 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Marcos Lobato Martins</dc:creator>
				<category><![CDATA[História regional]]></category>
		<category><![CDATA[crônica]]></category>
		<category><![CDATA[história ambiental]]></category>
		<category><![CDATA[memórias]]></category>
		<category><![CDATA[Carmo do Rio Claro]]></category>
		<category><![CDATA[História de rios e lagos]]></category>
		<category><![CDATA[Sul de Minas]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://www.minasdehistoria.blog.br/?p=663</guid>
		<description><![CDATA[
	
	Balsa de Itaci, lago de Furnas em Carmo do Rio Claro

Viajar é, para mim, um prazer inigualável. Aprecio o movimento, o esforço de ligar paisagens infinitamente variáveis às linhas dos mapas rodoviários e das cartas geográficas, na tentativa de pôr carne nos esqueletos minuciosos – porém bidimensionais – gerados pela ultramoderna cartografia. Penso também que [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: center;"><div class="img size-full wp-image-664 aligncenter" style="width:640px;">
	<a rel="attachment wp-att-664" href="http://www.minasdehistoria.blog.br/2010/02/no-sabado-de-carnaval-de-automovel-e-balsa/balsa/"><img src="http://www.minasdehistoria.blog.br/wp-content/arquivos/2010/02/Balsa.jpg" alt="Balsa de Itaci, lago de Furnas em Carmo do Rio Claro" width="640" height="480" /></a>
	<div>Balsa de Itaci, lago de Furnas em Carmo do Rio Claro</div>
</div>
<p>Viajar é, para mim, um prazer inigualável. Aprecio o movimento, o esforço de ligar paisagens infinitamente variáveis às linhas dos mapas rodoviários e das cartas geográficas, na tentativa de pôr carne nos esqueletos minuciosos – porém bidimensionais – gerados pela ultramoderna cartografia. Penso também que o historiador regionalista precisa viajar, percorrer os lugares sobre os quais recai sua vontade de pesquisar, perder-se nas rugosidades do território e do espaço social. E, principalmente, acredito que devemos valorizar o problema da formação regional como eixo historiográfico indispensável para a compreensão da história nacional.</p>
<p>Mesmo que essas coisas sejam somente racionalizações para meu “espírito de andarilho”, formado em viagens de infância pelos trilhos sertanejos da antiga Estrada de Ferro Central do Brasil e fortalecido nas leituras adolescentes de Jack London, o fato é que aproveito os feriados prolongados para rodar, para conhecer mais pedaços de Minas Gerais, para conversar com outros mineiros e descansar debaixo de árvores de praças diferentes. Subir montanhas que não vira antes, entrar em águas que jamais tocara, queimar a pele outra vez, mesmo que o cair da noite se faça acompanhar de incômodas ardências. Essas pequenas viagens me rendem perguntas, dúvidas e hipóteses – por quanto tempo ficarão à espera de projetos de pesquisa que buscarão elucidá-las?</p>
<p>Neste sábado de Carnaval, saí de Alfenas para conhecer Carmo do Rio Claro, um ponto afamado no litoral do Mar de Minas. Uma cidade pequena aos pés da Serra da Tormenta, cujas terras são banhadas por braços do lago de Furnas. Urbe hospitaleira, organizada, onde se pode saborear comida simples e gostosa, boa cachaça, doces extraordinários. Carmo do Rio Claro oferece artesanato em tecido, variado, notável e tem o bom senso de não esfolar o visitante com preços absurdos. A tecelagem de panos grossos de algodão, na base da roca e do tear de madeira, na melhor tradição da indústria têxtil doméstica do Oitocentos, está sabendo utilizar ferramentas modernas de gestão, capacitação de mão de obra e comercialização/divulgação da produção. A atividade secular foi retomada em novas bases, e parece ter futuro promissor em Carmo do Rio Claro. Na área rural do município, de enorme beleza, a lavoura do milho e a cafeicultura predominam, embora a pecuária de leite conserve posição de destaque. O que se observa é a modernização da agropecuária local, processo que não parece ficar circunscrito às maiores propriedades, pois alcança as unidades camponesas. Nesse aspecto, Carmo do Rio Claro não destoa do que acontece no Sul de Minas. O dado singular talvez seja a cronologia: no município, essa modernização é tardia se comparada a outras partes da região. A própria cafeicultura adquiriu maior força nas terras carmelitanas a partir dos anos 1960, coisa, portanto, recente.</p>
<p>Quem percorre os caminhos rurais de Carmo do Rio Claro não perde a referência da Serra da Tormenta e, recorrentemente, avista as águas azuis de Furnas nos fundos de vales. Espelho d’água brilhante que não deixa esquecer quanta terra agricultável ficou submersa ao se fecharem as comportas da Usina Hidrelétrica de Furnas, no início dos anos 1960. Minha impressão é a de que apenas hoje, mais de cinqüenta anos depois do enchimento do lago, os carmelitanos acomodaram-se à transformação radical do espaço regional desencadeada pelo projeto de Furnas. Somente agora as antigas queixas das numerosas famílias afetadas pela construção de Furnas – queixas que não foram esquecidas, é claro – começam a ser nuançadas, e não silenciam completamente as vozes dos que enxergam perspectivas renovadas para a cidade e sua gente. O trauma do passado começa a ser superado, por meio de uma combinação espontânea de reconversão agrícola (cafeicultura), manufatura de tecidos e negócios de lazer (pousadas e pesca esportiva) que exploram o mundo de água e o sol que Carmo do Rio Claro tem o ano inteiro.</p>
<p>Na volta para Alfenas, escolhi passar por Itaci e Campo do Meio. Estradas de terra e travessias em balsas sobre o lago de Furnas eram as vantagens dessa opção. São dezenas de quilômetros no meio de imenso jardim, de faixas cultivadas com esmero que descem até as margens do espelho d’água da represa e se estendem, para oeste, até os contrafortes de serra magnífica, espichada no sentido norte-sul. Na balsa de Itaci, conversei com uma velha senhora que retornava a sua terra natal para passar o Carnaval. Ela falou sobre o rio Sapucaí, afogado pela represa quando ela era criança. Lembrou-se do vapor que navegava pelo Sapucaí. Mas preferiu lamentar as vidas que afundaram nas águas de Furnas, vidas de moços e meninos que o lago tragou nesses anos todos. Entre elas, a de seu jovem e belo sobrinho que voltava de festa numa fazenda próxima a Itaci, vida perdida por causa do naufrágio da canoa em que seis pessoas atravessam o lago, conduzidas por um barqueiro bêbado. Impossível não pensar no repertório multifacetado de sofrimentos, tensões e conflitos que o lago de Furnas acumulou na região. Essa matéria doída não deve pertencer exclusivamente à seara dos memorialistas – dizia eu para mim mesmo, já na estrada de Itaci para outro porto de balsa que atravessa para o lado de Campo do Meio.</p>
<p>As rápidas manobras desta segunda balsa para permitir o embarque de três veículos deram-me uns minutos para conversar com um senhor que observava o movimento. Nascido nos anos da Segunda Guerra, ele apontou a linha do leito do rio Sapucaí. Indaguei sobre a navegação de vapores, ao que o homem respondeu que o trânsito de embarcações cessara antes do enchimento do lago, ainda nos anos 1950. De criança, ele viu o vapor subir e descer o Sapucaí. Quando subia, levava no sentido de Alfenas principalmente manteiga e doce, fabricados no entorno de Carmo do Rio Claro. Quando descia, o vapor trazia sal, querosene e artigos industriais. O curtíssimo testemunho do septuagenário senhor coloca uma dúvida: poderá mesmo ser creditada na conta dos malfeitos de Furnas a extinção da navegação no Sapucaí, como querem muitos memorialistas do Sul de Minas?</p>
<div class="img aligncenter size-full wp-image-666" style="width:657px;">
	<a rel="attachment wp-att-666" href="http://www.minasdehistoria.blog.br/2010/02/no-sabado-de-carnaval-de-automovel-e-balsa/jardineira-atravessando-o-rio-sapucai-2/"><img src="http://www.minasdehistoria.blog.br/wp-content/arquivos/2010/02/Jardineira-atravessando-o-rio-Sapucaí1.jpg" alt="Jardineira atravessando o rio Sapucaí" width="657" height="716" /></a>
	<div>Jardineira atravessando o rio Sapucaí</div>
</div>
<p>Na segunda travessia de balsa, na estrada para Campo do Meio – outra cidade pousada à beira das águas de Furnas –, e, finalmente, na sinuosa rodovia asfaltada que leva a Campos Gerais e Alfenas, permaneci enredado na frase de Guimarães Rosa: “Perto de muita água, tudo é feliz”. Será assim realmente? Ou apenas é assim nas veredas do sertão?</p>
<p>Neste sábado de Carnaval, viajando de automóvel e balsa, convenci-me de que a “história íntima” do Mar de Minas está para ser escrita.</p>
<img src="http://feeds.feedburner.com/~r/minasdehistoria/~4/Xbd1qWdPlfE" height="1" width="1"/>]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://www.minasdehistoria.blog.br/2010/02/no-sabado-de-carnaval-de-automovel-e-balsa/feed/</wfw:commentRss>
		<slash:comments>0</slash:comments>
		<feedburner:origLink>http://www.minasdehistoria.blog.br/2010/02/no-sabado-de-carnaval-de-automovel-e-balsa/</feedburner:origLink></item>
	</channel>
</rss>
