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	<title>Minas de História</title>
	
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	<description>Minas de História é uma janela para o passado mineiro; é o weblog de Marcos Lobato Martins, professor, doutor em História Econômica pela USP, autor de livros como História e Meio Ambiente (2007) e Breve História de Diamantina (1996). Pretende abrigar leituras de historiografia sobre Minas Gerais e apresentar pequisas sobre a trajetória regional.</description>
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		<title>Patrimônio cultural, espaços públicos e pertencimento</title>
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		<pubDate>Wed, 08 Sep 2010 20:04:25 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Marcos Lobato Martins</dc:creator>
				<category><![CDATA[cultura]]></category>
		<category><![CDATA[patrimônio cultural]]></category>
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		<category><![CDATA[Concepções sobre preservação]]></category>
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		<description><![CDATA[Feira Livre do domingo, em Alfenas   É comum que muitos conselhos municipais de patrimônio cultural, sinceramente preocupados com a preservação de traços marcantes da memória e da história locais, acabem dominados por visões idealizadas e simplificadoras da cultura e do passado das cidades. Visões que tendem a “congelar” determinados lugares, ao privilegiarem a materialidade [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: center;"><div class="img size-full wp-image-805  aligncenter" style="width:500px;">
	<a href="http://www.minasdehistoria.blog.br/wp-content/arquivos/2010/09/Feira-Livre-do-domingo-em-Alfenas.jpg" rel="lightbox[804]"><img src="http://www.minasdehistoria.blog.br/wp-content/arquivos/2010/09/Feira-Livre-do-domingo-em-Alfenas.jpg" alt="" width="500" height="333" /></a>
	<div>Feira Livre do domingo, em Alfenas</div>
</div>
<p> </p>
<p>É comum que muitos conselhos municipais de patrimônio cultural, sinceramente preocupados com a preservação de traços marcantes da memória e da história locais, acabem dominados por visões idealizadas e simplificadoras da cultura e do passado das cidades. Visões que tendem a “congelar” determinados lugares, ao privilegiarem a materialidade que compõe os espaços urbanos, os objetos e prédios, os estilos figurativos e as técnicas construtivas, como que a reconstruir cartões postais antigos, impressos em preto e branco. Fotografias monumentais que focalizam urbes por assim dizer imóveis, despovoadas, costumam calar fundo na sensibilidade dos conselheiros do Patrimônio Cultural. O problema está no fato de que as fotografias monumentais não se preocupavam com a apreensão, sempre difícil, senão impossível, das relações sociais que davam forma e conteúdo aos diversos espaços retratados. Os lugares são dignos de preservação não somente porque possuem figuração imponente, cenografia destacada. O valor dos lugares também decorre, fundamentalmente, das tramas sociais que nele tiveram e/ou têm vez. As formas de sociabilidade que nos espaços se desenvolveram são tão importantes quanto as pedras, o cal e as árvores que integram suas silhuetas. O patrimônio cultural é, antes de tudo, repertório de relações sociais e culturais, emoldurado em paisagens deste ou daquele tipo arquitetônico.</p>
<p>Esta incompreensão, cuja superação talvez não se faça pela difusão do conceito de “patrimônio imaterial”, tem levado conselheiros municipais a projetarem ações bem-intencionadas, mas equivocadas, de proteção de lugares urbanos. Exemplifico: em Alfenas, no primeiro semestre deste ano, pretendeu-se proibir a presença de vendedores ambulantes e de quiosques de comércio na Praça da Matriz, oficialmente denominada Praça Getúlio Vargas. Com isso, seriam retiradas as bancas de revistas, proibidos os carros de venda de churrasquinho, carrocho-quente e churros. Quem sabe até os “hippies” vendedores de pulseiras e os carrinhos de picolé seriam impedidos de ficar na praça. Mas, nesse caso, para que serve a praça? Ora, na ampla maioria das cidades, as praças, em geral, e a praça central, em particular, sempre foram espaços ocupados pelo pequeno comércio. Sem esta atividade, elas não sustentam movimento, não possuem vida, não aglomeram pessoas, não produzem a aproximação pacífica entre “nativos” e “forasteiros”. As bancas de jornais, os carrinhos de picolé, a tenda improvisada do camelô atiçam a convivência, atraem as crianças e os jovens. Moços e moças nas barracas das praças olham e são olhados pelos que freqüentam esses espaços urbanos, aproveitam o sol e a sombra. Em torno destes agentes do pequeno comércio, crianças e adultos conversam, trocam informações e afetos, arriscam expor seus pensamentos, formam grupos e elaboram identidades. A praça – espaço público – nada significa se não for capaz de irmanar na diversidade. Para isto, o pequeno comércio, razoavelmente desembaraçado e valorizado, é elemento necessário. Ainda bem que a proposta de assepsia da Praça Getúlio Vargas (que está muito longe de configurar um “camelódromo”) não prosperou. Teria sido uma pena se vingasse, pois desde a antiguidade tem-se notícia da existência do pequeno comércio no seu interior e nas suas imediações. Em nome de uma memória idealizada, a praça seria esvaziada de traço proeminente de sua historicidade.</p>
<p>Curiosamente, a mesma cidade, em decisão acertada do Prefeito, enviou à Câmara Municipal, na semana passada, projeto de lei que transforma em patrimônio histórico e cultural de Alfenas as feiras livres do domingo – realizada no entorno da Praça Fausto Monteiro – e da quarta – realizada no entorno da Praça Rachid B. Saliba. Conforme a mensagem do Prefeito à Câmara, “as feiras são elementos integrantes dos costumes dos cidadãos alfenenses, pois há décadas se encontram em plena atividade nestes logradouros, o que, por si só, já é causa suficiente para que passem a integrar o patrimônio histórico e cultural desta municipalidade”. Embutida no projeto está a proposta de incentivo fiscal por dez anos, prorrogáveis por igual período, para os feirantes de hotifrutigranjeiros: a isenção de taxas de licença municipal. Além de objetivar o aumento da produção, da diversidade e da qualidade do que os agricultores expõem nas suas barracas, o aludido mecanismo fiscal poderá contribuir para dinamizar e fortalecer a própria “prática cultural” que se deseja preservar. O tombamento das feiras livres de Alfenas representa o reconhecimento de que elas, assim como os parques e as praças, precisam ser freqüentadas para que os moradores das cidades evitem a tribalização excessiva e possam se sentir em casa, no encontro com o diferente em espaços que são “terra de ninguém”, onde todos são donos sem ter que pedir licença para lá estar.</p>
<p>As feiras livres, aparentemente caóticas, sujas, barulhentas, agitadas, são tão importantes na história das cidades mineiras. Por isso, merecem figurar no rol dos “bens tombados” pelas municipalidades, tanto quanto os espaços projetados minuciosamente planejados por artistas e técnicos, sob a égide da ordem, da monumentalidade, da perenidade e da civilização.</p>
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		<title>Os gibis, a cultura e a anti-cultura</title>
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		<pubDate>Sun, 05 Sep 2010 21:09:17 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Marcos Lobato Martins</dc:creator>
				<category><![CDATA[crônica]]></category>
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		<description><![CDATA[Coleção de gibis: Pato Donald, 60 anos de Brasil Os colegas professores de História talvez não tenham se dado conta de uma efeméride importante: o ano de 2010 marca o cinqüentenário da primeira edição do Pato Donald no Brasil. Este gibi, publicado ininterruptamente desde então, é a mais bem-sucedida HQ da Editora Abril, empresa destacada [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: center;"><div class="img size-full wp-image-798  aligncenter" style="width:287px;">
	<a href="http://www.minasdehistoria.blog.br/wp-content/arquivos/2010/09/Pato-Donald-60-anos.jpg" rel="lightbox[797]"><img src="http://www.minasdehistoria.blog.br/wp-content/arquivos/2010/09/Pato-Donald-60-anos.jpg" alt="" width="287" height="404" /></a>
	<div>Coleção de gibis: Pato Donald, 60  anos de Brasil</div>
</div>
<p>Os colegas professores de História talvez não tenham se dado conta de uma efeméride importante: o ano de 2010 marca o cinqüentenário da primeira edição do Pato Donald no Brasil. Este gibi, publicado ininterruptamente desde então, é a mais bem-sucedida HQ da Editora Abril, empresa destacada na história da imprensa e da indústria cultural brasileira.</p>
<p>A propósito dos personagens de Walt Disney, muito já se escreveu sobre o papel que eles desempenharam na aproximação entre Brasil e Estados Unidos durante a Segunda Guerra. Há quem veja a indústria cultural ianque como porta-voz super-eficiente do american way of life, instrumento por excelência do soft power estadunidense na conjuntura da Guerra Fria, entre as décadas de 1950 e 1970. Filmes de Hollywood e gibis da Disney teriam contribuído decisivamente na formação e consolidação da dependência brasileira diante do Tio Sam. Por isso, os gibis do Pato Donald, do Mickey, do Zé Carioca, do Tio Patinhas seriam, intrinsecamente, nefastos para a vida cultural dos brasileiros, ao promover a desvalorização dos elementos “autenticamente” nacionais e fazer avançar a homogeneização das demandas e dos sonhos mundo afora. Nos anos 1960, houve quem defendesse a urgência de enfrentar o Pato Donald e o Mickey com um exército de sacis-pererês, curupiras e iaras, que preenchessem, com fervor nacionalista, as páginas de revistinhas 100% brasileiras, e populares. A turma da Mônica – a menina dentuça que brandia seu coelhinho azul como borduna na cabeça do Cebolinha, do Cascão, da Magali – foi saudada por muitos como a troupe capaz de ocupar esta suposta lacuna.</p>
<p>Nos anos 1970, na senda de Adorno e Horkheimer, virou moda anatematizar a onipresença dos produtos da indústria cultural no seio da sociedade contemporânea, fenômeno que estaria até mesmo deslocando a “alta cultura” de seu assento tradicional na Universidade. Não haveria mais lugar nem preocupação com a boa literatura, a arte refinada e vanguardista, o humanismo. Tudo estaria sendo sufocado e destruído pela atenção excessiva dedicada à técnica eficaz e pela adesão folgazã à torrente de choques imagéticos e visuais gerada pela “sociedade do espetáculo”. A “anti-cultura”, destilada e disseminada pela indústria cultural, tornaria seus “usuários” cada vez mais dependentes, ignorantes e intelectualmente aleijados. Espécie de zumbis culturais, para ficar no registro dos filmes trash dos anos 1980 e 1990. Banalização, esvaziamento de sentidos, simplificação absurda, entretenimento fácil e fugaz: somente isto os produtos da indústria cultural ofereceriam aos incautos consumidores, enquanto enchem as burras das empresas do setor. Também nos anos 1970 e 1980, sob a chancela de conceitos de certo marxismo que flertava com o estruturalismo então em voga, os gibis, em particular, e a indústria cultural, em geral, foram reduzidos a meras engrenagens nos “aparelhos ideológicos de estado” (Althusser). Curiosamente, a mesma acusação foi desferida contra o futebol.</p>
<p>Ironicamente, porém, a garotada e muitos adultos continuaram lendo gibis e jogando futebol. Fizeram isso com prazer e gratuidade, ainda bem. E aprenderam algo sobre a vida e o mundo nas páginas coloridas dos gibis, nas telas de TV, nos campinhos de várzea e nos estádios onde jogavam os times profissionais com torcidas apaixonadas.</p>
<p>Para comemorar o cinqüentenário do Pato Donald no Brasil, a Editora Abril presenteou os aficionados de HQs com uma série especial, chamada de “Clássicos da Literatura Disney”. Coleção de 20 revistinhas que traz os personagens famosos em estórias inspiradas em obras importantes da literatura mundial, com roteiros e desenhos de Osvaldo Pavese, Guido Scala, Carl Barks, dentre outros. As adaptações livres que compõem cada revistinha representam exercícios instigantes, com resultados diversos, de busca de equilíbrio numa linha tênue entre o respeito ao “original” e a transcriação, entre a homenagem e a vulgarização. Algumas adaptações são inéditas no Brasil, outras já tinham sido publicadas aqui anteriormente. Todos os volumes da coleção têm introduções curtas, mas informativas que esclarecem minimamente a época e a autoria das adaptações, bem como o lugar das obras adaptadas na cultura ocidental. Não há dúvida de que a coleção é iniciativa que agrada colecionadores.</p>
<p>Mas eu penso que ela é também bem-vinda por outra razão. Uma vez que não é desprezível o número de crianças e adolescentes que enveredam pela prática da leitura por causa do contato com os gibis, esta coleção comemorativa dos 60 anos de publicação do Pato Donald no Brasil poderá ser a porta de entrada de muita gente no mundo da “alta literatura”. Quantos não serão induzidos, pela leitura das revistinhas da coleção, a buscarem, mais cedo ou mais tarde, as obras originais? Monteiro Lobato não realizou trabalho similar em seus livros infanto-juvenis, hoje enaltecidos pelos “bem-pensantes”? A Ediouro, nos anos 1970, possuiu uma coleção de livros de bolso, vendida em bancas de jornais, que traziam adaptações de grandes obras da literatura, assinadas por consagrados escritores brasileiros. Eu fui um leitor de carteirinha dessa série da Ediouro – até recentemente guardei a brochura de capa branca de Moby Dick, recontada por Carlos Heitor Cony. Como aconteceu comigo, por que duvidar que outros adolescentes jamais lerão os originais?</p>
<p>Por outro lado, a coleção “Clássicos da Literatura Disney” cumpre o papel de oferecer aos leitores uma lista que coloca alguma ordem na insondável (para os iniciantes) galeria da literatura universal, oferecendo-lhes uma maneira de não naufragar no repertório de opções e, num segundo momento, ajudando-lhes a recortar seus interesses e desenvolver uma paixão pessoal pela literatura.</p>
<p>Apenas o preconceito obstinado é capaz de negar qualquer valor a produtos como as revistinhas comemorativas dos 60 anos de publicação do Pato Donald. Convém lembrar que a industrial cultural nunca encontrou diante de si receptores absolutamente passivos, cérebros vazios como papel em branco, nos quais ela deposita os conteúdos que desejar do jeito que lhe aprouver. Também vale ressaltar que, na história da cultura, os conteúdos e as formas têm enorme circularidade, no sentido de que transitam, de alto a baixo, na pirâmide social e no interior das diversas instituições, de maneira complexa e imprevisível. Por isso, deve-se ter cuidado com afirmações que associam, mecanicamente, “indústria cultural” com “vulgarização” ou “banalização”.</p>
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		<title>A armadilha da especialização regressiva: cadê o debate econômico?</title>
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		<pubDate>Sat, 04 Sep 2010 19:39:31 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Marcos Lobato Martins</dc:creator>
				<category><![CDATA[crítica social]]></category>
		<category><![CDATA[economia]]></category>
		<category><![CDATA[política]]></category>
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		<description><![CDATA[Da indústria brasileira restará apenas pintura de Tarsila no museu?   A última Copa do Mundo irmanou mais um pouco brasileiros e argentinos, graças ao fiasco – e que fiasco! – das seleções nacionais no certame protagonizado pela instável, caprichosa Jabulani. Fizemos feio, com Dunga e Maradona, e jogadores que decepcionaram o mundo inteiro. Seria [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: center;"><div class="img size-full wp-image-793  aligncenter" style="width:256px;">
	<a href="http://www.minasdehistoria.blog.br/wp-content/arquivos/2010/09/Tarsila-do-Amaral.jpg" rel="lightbox[792]"><img src="http://www.minasdehistoria.blog.br/wp-content/arquivos/2010/09/Tarsila-do-Amaral.jpg" alt="" width="256" height="188" /></a>
	<div>Da indústria brasileira restará apenas pintura de Tarsila no museu?</div>
</div>
<p> </p>
<p>A última Copa do Mundo irmanou mais um pouco brasileiros e argentinos, graças ao fiasco – e que fiasco! – das seleções nacionais no certame protagonizado pela instável, caprichosa Jabulani. Fizemos feio, com Dunga e Maradona, e jogadores que decepcionaram o mundo inteiro. Seria bom que, até o início da Copa de 2014 no Brasil, usássemos este fiasco conjunto para nos precaver contra outras “derrotas”, muito mais graves, que poderemos sofrer no futuro. Aqui me refiro a ameaças econômicas que pairam sobre nossos países, nesses tempos de euforia pós-crise dos sub-primes e de eleições presidenciais na Terra dos Papagaios.</p>
<p>Os argentinos, no entanto, parecem mais preocupados com o futuro de sua indústria do que os brasileiros. Ambos os países têm surfado bem a onda de aumento da demanda internacional de commodities, mas, ao sul do Rio da Prata, governo e sociedade parecem dispostos a crescer de maneira mais equilibrada no que se refere ao balanço intersetorial da economia. A rápida recuperação econômica dos vizinhos platinos é, em boa medida, puxada pelo Brasil: a recuperação das exportações agrícolas e industriais argentinas se deve ao motor da expansão brasileira. Porém, os argentinos demonstram real interesse pela sua reindustrialização depois de sucessivas crises e da longa vigência de políticas governamentais baseadas na adesão irrestrita ao Consenso de Washington: liberalização comercial e financeira, crescimento apoiado na poupança externa, moeda valorizada, etc. Escaldados por tantos desastres recentes, os argentinos parecem redescobrir e repensar as idéias de Raúl Prebisch, o grande economista da CEPAL nos anos 1950, que alertava contra as armadilhas contidas na cartilha liberal para os países em desenvolvimento. Brasil e Argentina têm pouco a ganhar, e muito a perder, se se comportarem como bons alunos dos cursos de economia ou MBAs idolatrados pelo “mercado”. Levar a sério demais o livre comércio, o câmbio flutuante, a eficiência alocativa do mercado e a teoria das vantagens competitivas, é dar um tiro nos pés. Os argentinos compreenderam isto quando dizem que não querem trocar trigo por aço e nem ser a granja da América do Sul. Eles estão certos. Uma inserção internacional baseada preponderantemente na produção de recursos naturais não convém a países grandes como a Argentina e o Brasil.</p>
<p>Os dados relativos ao Brasil são impressionantes. Mais do que isto, são assustadores. A balança comercial de manufaturados afunda em um mergulho desmesurado. Na longínqua década de 1940, quando o país dava passos vigorosos na direção da industrialização, o setor de transformação representava 20% do PIB. Em 1985, a indústria respondia por 36% do PIB. Há dois anos, em 2008, o peso setorial da indústria no PIB brasileiro caiu para 16%. Algo bem próximo do patamar registrado nos países centrais do capitalismo – o problema é que nós não somos ricos, donos de renda per capita tão alta que estimule o deslocamento da mão de obra para setores de serviço com elevado valor adicionado e fortemente inovadores. Em 2006, o Brasil possuía superávit de US$ 5 bilhões. Desde então, caímos em déficit constante que só aumenta, devendo atingir neste ano US$ 60 bilhões. Esta tendência significa redução da produção industrial, perda de empregos no país e importações desordenadas. Nós estamos nos tornando produtores de commodities: minério de ferro, soja, petróleo e derivados, biocombustíveis, carnes. Trata-se, como afirma Luiz Carlos Bresser-Pereira, de desindustrialização prematura da economia brasileira. Nas últimas duas décadas, muitas empresas brasileiras eficientes deixaram de crescer ou mesmo quebraram. As cadeias produtivas em diversos setores da produção manufatureira foram ou estão sendo desmontadas, porque ficou mais em conta comprar insumos e componentes no exterior do que produzi-los no país. Sem exagero, caminhamos para transformar a indústria brasileira em maquiladoras, na desgraçada direção do México.</p>
<p>Parece ter razão o citado Bresser-Pereira: “O Brasil está se desindustrializando desde 1992”, tanto no decurso da administração Fernando Henrique Cardoso quanto no governo de Luiz Inácio Lula da Silva. O momento decisivo deste processo de “especialização regressiva”, para dizer o mínimo, foi o acordo do Brasil com o FMI, em dezembro de 1991. Capitulamos ao Consenso de Washington: adotamos juros altos para combater a inflação e atrair capitais e realizamos a abertura financeira, abrindo mão, dessa forma, de possuir e empregar mecanismos que possibilitassem neutralizar a tendência estrutural à sobreapreciação da taxa de câmbio. Entramos na farra do consumo alimentada com “real forte” e importações crescentes, cobrindo os rombos nas contas-correntes por meio da entrada à larga de capitais de curto prazo. Numa conjuntura em que havia excesso de capitais no mercado internacional, entusiasmadamente optamos por crescer com poupança externa. E até a questão do déficit público, embora tenha melhorado, não foi definitivamente equacionada. A permanência de taxas selic de dois dígitos, tão maiores que os níveis das economias centrais, continua a gerar baixas taxas de investimento público e privado no Brasil.</p>
<p>Esta política econômica de liberalismo de manual acadêmico, focada no que Yoshiaki Nakano chamou de “disciplina macroeconômica de mercado” (contas públicas em ordem, câmbio flutuante e juros altos), vitimiza, como bala de revólver ou peixeira de baiano, a indústria nacional. Ainda mais num cenário como o de agora, no qual Estados Unidos e Europa estão em baixa e amargarão taxas ínfimas de crescimento por longos anos, ao passo que a China e os seus satélites asiáticos, em alta, atuam agressivamente nas exportações ao mesmo tempo em que protegem suas moedas e mercados internos, demandando tão somente matérias-primas e recursos naturais. Se as coisas continuarem como estão, a tendência da economia brasileira será a de experimentar aumento inadvertido e relativo da importância do setor de recursos naturais, capitaneado pelo agronegócio e pela mineração. Que trem danado! O nome disso é “doença holandesa”.</p>
<p>A campanha eleitoral não tem interesse em tocar neste assunto. A sensação de bem-estar e satisfação do eleitorado inibe temáticas deste tipo, talvez excessivamente sombrias e revestidas de tecnicalidades complicadas. Mas o sinal amarelo do balanço de contas-correntes está aceso já faz tempo. Algo terá que ser mudado no curto prazo, a atual política econômica não poderá perdurar por muito mais tempo. Os neodesenvolvimentistas, como Luiz Carlos Bresser-Pereira e Yoshiaki Nakano, têm apresentado propostas que merecem exame adequado, sereno e rigoroso. Propostas que retomam criticamente a nossa história econômica e descartam a palavra de ordem do “Estado Mínimo”, que deve ser substituído pelo “Estado-Indutor” (bem organizado constitucionalmente, suficientemente forte para impor a construção de instituições que controlem e regulem o setor privado, e capaz de desenhar política econômica que dê os incentivos corretos aos agentes). Dentre as propostas neodesenvolvimentistas, estão:<br />
a) Planejar o aumento do consumo e do investimento;<br />
b) Elevar o investimento e incentivar o capital a dirigir-se para setores de mais alta produtividade, especialmente o de bens industrializados exportáveis;<br />
c) Reduzir o gasto público de modo a deixar mais espaço ao investimento e ao consumo privado;<br />
d) Administrar a taxa de câmbio, o que requer baixar a taxa de juros real para nível internacional, estabelecer barreiras à entrada de capitais não desejados e impor taxação sobre as exportações de bens que dão origem à doença holandesa;<br />
e) Reduzir o déficit público com recursos fiscais decorrentes da taxação de determinados tipos de exportações e das operações do hot money;<br />
f) Reformar o sistema de financiamento da dívida pública, que, atualmente, oferece demasiada liquidez, segurança e rentabilidade a quem empresta ao Governo, uma “bonança perdulária nos dias de economia mais estável” (Nakano).<br />
g) Controlar a importação de manufaturas com tarifas antidumping e outros mecanismos que levem em conta interesses nacionais.</p>
<p>Como salienta Bresser-Pereira, o Brasil praticou essas ações no passado e, hoje, há países bem sucedidos no mundo que aplicam essas medidas na gestão das suas economias. O que não pode continuar é o clima de oba-oba, de céu de brigadeiro que induz a pensar que temos, no Brasil, projeto nacional e estratégia de desenvolvimento bem formulados e eficientemente postos em prática. É hora de debater novo “modelo de desenvolvimento” para o Brasil.</p>
<p>A dificuldade de tornar este debate amplo, relevante e sincero no Brasil tem a ver com os problemas da republicanização do país. Republicanização que envolve não somente a luta de inclusão dos mais pobres e marginalizados na esfera dos direitos econômicos, sociais e políticos, mas também as questões do trabalho, da terra, do direito à cidade e, por último, mas não menos importante, a questão do “rentismo”. Infelizmente, no Brasil, a luta contra os nefastos propósitos e ganhos do rentismo financeiro, sobretudo nas suas formas de arbitragem de movimentos livres de capitais internacionais, avançou muito pouco.</p>
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		<title>As matas do Mucuri entre as décadas de 1890 e 1950</title>
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		<pubDate>Thu, 26 Aug 2010 16:25:09 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Marcos Lobato Martins</dc:creator>
				<category><![CDATA[História regional]]></category>
		<category><![CDATA[história ambiental]]></category>
		<category><![CDATA[história de Minas Gerais]]></category>
		<category><![CDATA[meio-ambiente]]></category>
		<category><![CDATA[Bacia do Mucuri]]></category>
		<category><![CDATA[desmatamento]]></category>
		<category><![CDATA[História de florestas]]></category>
		<category><![CDATA[Minas Gerais]]></category>
		<category><![CDATA[Ocupação]]></category>

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		<description><![CDATA[Rio Mucuri em Nanuque, MG Uma das últimas fronteiras agrícolas do Sudeste, a bacia do Mucuri, nordeste de Minas Gerais, teve seu processo de ocupação concentrado entre as décadas de 1890 e 1950. As imensas terras devolutas da região, cobertas por densas florestas, foram “desbravadas” por camponeses, garimpeiros e pecuaristas. O café (com certa expressividade [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: center;"><div class="img size-medium wp-image-782  aligncenter" style="width:512px;">
	<a href="http://www.minasdehistoria.blog.br/wp-content/arquivos/2010/08/Rio-Mucuri-em-Nanuque.jpg" rel="lightbox[781]"><img src="http://www.minasdehistoria.blog.br/wp-content/arquivos/2010/08/Rio-Mucuri-em-Nanuque-512x384.jpg" alt="" width="512" height="384" /></a>
	<div>Rio Mucuri em Nanuque, MG</div>
</div>
<p>Uma das últimas fronteiras agrícolas do Sudeste, a bacia do Mucuri, nordeste de Minas Gerais, teve seu processo de ocupação concentrado entre as décadas de 1890 e 1950. As imensas terras devolutas da região, cobertas por densas florestas, foram “desbravadas” por camponeses, garimpeiros e pecuaristas. O café (com certa expressividade até os anos 1920), o gado e a madeira adquiriram destaque na pauta de exportações regional, simultaneamente ao avanço das fazendas sobre as matas. A ocupação do Mucuri, indissociável do processo de conversão da Mata Atlântica, representa episódio importante da história das florestas brasileiras, abarcando articulações entre grilagem de terras, extermínio de povos indígenas e destruição do ambiente natural.</p>
<p>Convido os leitores a examinar o trabalho que publiquei recentemente na Revista de História Regional (v. 15, n. 1, pp. 40-77, 2010) sobre os distintos modos de apropriação das terras devolutas florestadas no Mucuri, elaborado com o intuito avaliar o papel que os diferentes agentes vinculados à ocupação da bacia – governo, camponeses, fazendeiros de gado e madeireiros – desempenharam na transformação das paisagens naturais, sem perder de vista os significados que eles conferiram à terra e à mata, seus interesses e os conflitos que os enredaram. O artigo é intitulado “Ocupação e desflorestamento numa área de fronteira: Vale do Mucuri, MG – 1890 a 1950” e está disponível no endereço da <a href="http://www.revistas.uepg.br/index.php?journal=rhr"><strong>Revista de História Regional</strong></a>.</p>
<p>É justamente esta perspectiva que coloca o referido trabalho em diálogo crítico com dois textos fundadores da história ambiental sobre o Brasil, embora compartilhe com eles a conclusão mais geral. Warren Dean, no conhecido A Ferro e Fogo (São Paulo: Companhia das Letras, 1996), interpretou a secular devastação da mata costeira brasileira como resultado incontornável da ganância imediatista dos colonos, de todos os colonos. A idéia-chave de Dean é a de que a colonização portuguesa criou, na América, um modelo econômico irresponsável, imprevidente e esbanjador, marcado pelo desperdício dos recursos da Mata Atlântica. Por sua vez, Shawn W. Miller, na obra Fruitless Trees: Portuguese conservation and Brazil’s colonial timber (Stanford: Stanford University Press, 2000) enfatiza o papel da política da Coroa portuguesa como causa principal da devastação das florestas no período colonial. Ao gerar uma legislação conservacionista das madeiras de lei, desencadeadora de monopólios duradouros sobre diversos tipos de recursos florestais, a Metrópole teria emitido sinais econômicos equivocados: proprietários rurais e posseiros se viram obrigados a simplesmente derrubar e queimar as árvores, substituindo a floresta por lavouras e pastos, ao invés de promover a sua exploração racional. Ao não apostar num “mercado de produtos florestais”, livre e auto-regulado, o governo metropolitano teria condenado as matas brasileiras à sanha do fogo e do machado. Imprevidência atávica do colono ou falta de capitalismo teriam sido, para Dean e Miller, respectivamente, os móveis da destruição da floresta brasileira.</p>
<p>Inegavelmente, os trabalhos citados estimularam discussões importantes entre os historiadores dedicados à História Ambiental no Brasil. Mas é preciso reconhecer que existe um problema fundamental nestas análises, que reside precisamente reside na adoção de modelos e categorias históricas apriorísticas (a ganância atávica dos colonos ou o mercado capitalista), relegando a plano secundário o entendimento das motivações culturais dos agentes que transformaram a floresta. Uma das coisas que tento mostrar no trabalho é que nem todos os colonos de terras devolutas florestadas no Mucuri agiram com ganância e imprevidência, tampouco que a disposição do governo de encorajar e auxiliar a exploração “progressista” das matas foi suficiente para concretizar este objetivo e, dessa forma, proteger as terras florestadas no Vale do Mucuri.</p>
<p>Ao fim e ao cabo, porém, historicamente prevaleceu tendência de desmatamento na bacia do Mucuri, no período que se estende entre as décadas de 1890 e 1950. A derrubada da mata produziu a intensificação da erosão dos solos, principalmente nas encostas dos morros, e a perda da biodiversidade. Os processos erosivos, por sua vez, prejudicaram os cursos d’água e a fertilidade do solo. Tudo isso gerou a expropriação de lavradores e o rompimento da complementaridade entre o “sítio” (ou a pequena posse) e a mata, bem como a superexploração das áreas que restaram sob controle da agricultura familiar. Dessa forma, os modos predominantes de apropriação das terras devolutas e de conversão das matas no Mucuri deram origem a um círculo vicioso, reforçando a “vocação pastoril” da região, construída a partir dos anos 1920. Na perspectiva da longa duração, as atividades antrópicas na bacia do Mucuri, notadamente nas zonas centro-leste e norte, minaram as próprias bases de reprodução no espaço da sociedade regional.</p>
<p>Uma trajetória de crise ambiental que, ainda hoje, parece não ter encontrado seu termo. Ao contrário, as pressões socioambientais que pesam sobre o Mucuri continuam acentuadas. No atual momento de intensificação da produção e exportação de commodities, que implica num impulso na mercantilização dos territórios, assiste-se a expansão das monoculturas da cana-de-açúcar, de eucalipto e de pinus na região, bem como a implantação apressada e nada cautelosa de projetos hidrelétricos. Dessa forma, emergem novos conflitos ambientais no Mucuri ao mesmo tempo em que os grandes empreendimentos que se instalam na região persistem marcados pela baixa geração de empregos.</p>
<p>Dominado pela criação de gado, que agora se vê obrigado a dividir as áreas de pastagem com as grandes lavouras de matérias-primas usadas na produção de celulose e biocombustíveis, o Vale do Mucuri continua a exportar “água e sol”, a dilapidar sua base de recursos naturais e a oferecer poucas oportunidades de vida digna para seus habitantes.</p>
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		<title>A navegação fluvial a vapor no Sul de Minas</title>
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		<pubDate>Thu, 26 Aug 2010 15:16:51 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Marcos Lobato Martins</dc:creator>
				<category><![CDATA[História dos Transportes]]></category>
		<category><![CDATA[história de Minas Gerais]]></category>
		<category><![CDATA[Navegação a vapor]]></category>
		<category><![CDATA[Rio Grande]]></category>
		<category><![CDATA[Rio Sapucaí]]></category>
		<category><![CDATA[Sul de Minas]]></category>

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		<description><![CDATA[Na virada do século XIX para o século XX, a modernização dos transportes terrestres e aquáticos constituiu fator do processo de transição da economia brasileira do escravismo para o capitalismo, bem como da formação de mercado interno crescentemente integrado, sob a hegemonia paulista. Minas Gerais, província interiorana dotada de vasto território, experimentou este processo com [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Na virada do século XIX para o século XX, a modernização dos transportes terrestres e aquáticos constituiu fator do processo de transição da economia brasileira do escravismo para o capitalismo, bem como da formação de mercado interno crescentemente integrado, sob a hegemonia paulista. Minas Gerais, província interiorana dotada de vasto território, experimentou este processo com distintos matizes regionais. Acima das diferenças existentes no “mosaico mineiro”, as elites regionais convenceram-se de que um dos principais obstáculos para o desenvolvimento de Minas Gerais era justamente a deficiência de meios de transporte modernos. Por isso, dirigentes, parlamentares e homens de negócio elaboraram planos viários para Minas Gerais e fundaram companhias de transporte, rodoviárias, ferroviárias e de navegação fluvial. Entender a evolução destas preocupações e empresas é, portanto, tarefa incontornável para quem busca compreender a transição mineira para economia capitalista de base urbano-industrial.</p>
<div id="attachment_767" class="wp-caption aligncenter" style="width: 510px"><a rel="attachment wp-att-767" href="http://www.minasdehistoria.blog.br/2010/08/a-navegacao-fluvial-a-vapor-no-sul-de-minas-2/porto-sapucai-navegacao-2/"><img class="size-full wp-image-767" src="http://www.minasdehistoria.blog.br/wp-content/arquivos/2010/08/Porto-Sapucaí-navegação.JPG" alt="Navegação em Porto Sapucaí" width="500" height="301" /></a><p class="wp-caption-text">Navegação em Porto Sapucaí</p></div>
<p>Nos últimos meses, venho examinando faceta específica do problema mais geral da modernização dos transportes em Minas Gerais, a partir da perspectiva dos imperativos das economias locais dos municípios a oeste da Serra da Mantiqueira e aquém do Rio Grande, que conformam o chamado Sul de Minas. Mais precisamente, tenho investigado a navegação fluvial a vapor nas bacias do Rio Grande e do Rio Sapucaí e suas conexões com as estradas de ferro que surgiram na região. O foco da pesquisa é a tentativa de deslindar os múltiplos interesses que incidiram sobre as operações das diferentes companhias de vapores que atuaram no Sul de Minas, bem como avaliar a capacidade que elas tiveram de responder às demandas das municipalidades ribeirinhas. As fontes empregadas neste empreendimento são variadas. Destacam-se trabalhos de memorialistas locais, documentos oficiais (relatórios dos presidentes da província e do estado de Minas Gerais, relatórios ministeriais), testemunhos de moradores de cidades situadas na bacia do Sapucaí.</p>
<p><span id="more-766"></span></p>
<p>A pesquisa, que está por assim dizer no início e requer a análise de documentação de arquivos locais, especialmente nas cidades de Carmo do Rio Claro e Fama, já gerou alguns frutos. Um destes resultados é o pequeno texto apresentado no Simpósio Temático “História do Sul de Minas: economia, sociedade e política”, realizado no XVII Encontro Regional de História, promovido pela ANPUH-MG, em Uberlândia, no último mês de julho. Tomo a liberdade de apresentar aos leitores o referido texto que integrará os anais eletrônicos do evento, cuja publicação ocorrerá em breve (ver texto <a rel="attachment wp-att-772" href="http://www.minasdehistoria.blog.br/2010/08/a-navegacao-fluvial-a-vapor-no-sul-de-minas-2/estradas-moveis-no-sul-de-minas-a-navegacao-nos-rios-grande-e-sapucai-1880-1960/"><strong>Estradas móveis no Sul de Minas &#8211; a navegação nos rios Grande e Sapucaí (1880 &#8211; 1960)</strong>.</a></p>
<div id="attachment_771" class="wp-caption aligncenter" style="width: 460px"><a rel="attachment wp-att-771" href="http://www.minasdehistoria.blog.br/2010/08/a-navegacao-fluvial-a-vapor-no-sul-de-minas-2/vapor-w-braz-naveg-no-sapucai-3/"><img class="size-full wp-image-771" src="http://www.minasdehistoria.blog.br/wp-content/arquivos/2010/08/Vapor-W.-Braz-naveg.-no-Sapucaí.JPG" alt="Vapor W. Braz (naveg. no Sapucaí)." width="450" height="218" /></a><p class="wp-caption-text">Vapor W. Braz (naveg. no Sapucaí).</p></div>
<p>Vale ressaltar que os vapores que operaram no Grande e no Sapucaí ajudaram a manter a secular integração comercial e produtiva da economia sul-mineira ao antigo centro dinâmico que era o Rio de Janeiro, em declínio relativo na virado do século XIX para o XX, e ao novo motor da economia nacional, São Paulo, numa época marcada por transformações profundas do País, comandadas pelos processos de industrialização e urbanização. Vapores como “Guapy”, “Dr. Jorge”, “Vesúvio”, “Júpiter”, “Wenceslau Braz”, “Júlio Bueno” e “Sapucaí” também representaram para muitos moradores do Sul de Minas a própria chegada da “civilização” ao vasto hinterland a oeste da serra da Mantiqueira.</p>
<p>Entretanto, se não há exagero em dizer que os “gaiolas” do Sul de Minas, articulados às “marias-fumaças”, constituíram face bem visível da formação de uma economia capitalista na região, deve-se também reconhecer que as empresas de navegação fluvial tiveram pequeno desenvolvimento. No caso da “seção fluvial” da EFOM, cujos vapores, lanchas e chatas navegaram no Rio Grande, o trem substituiu a embarcação. Na estratégia da companhia ferroviária, investir na linha fluvial de Ribeirão Vermelho a Capetinga (atual Santo Hilário, distrito de Pimenta), ampliá-la a jusante da Cachoeira da Bocaina (em direção a Passos e Sacramento) e modernizar continuamente o material flutuante representava dispersão de recursos financeiros e administrativos. Como acontecera com a Companhia Paulista de Estradas de Ferro (que, em 1903, extinguiu a navegação no Rio Mogi-Guaçu, entre Porto Ferreira e Pontal) e a Estrada de Ferro Santa Catarina (que, em 1954, desativaria por completo a navegação no Rio Itajaí-Açu), a EFOM pensou valer mais a pena construir ramal ferroviário acompanhando o Rio Grande até Formiga, e de lá para o Triângulo Mineiro e Goiás, do que incrementar sua “seção fluvial”. Esta decisão inviabilizou economicamente a empresa privada que, em 1931, em função da criação da RMV, sucedeu a EFOM na exploração do transporte nesse rio.</p>
<p>Já no caso do Rio Sapucaí, em que atuaram pequenas companhias privadas de navegação, sem garantias e regalias governamentais, o desenvolvimento dessas empresas ficou limitado por sua baixa capacidade de investimento, desenhando-se, portanto, uma trajetória de lento declínio do serviço dos vapores. Declínio este que não sensibilizou o governo, a despeito das preocupações e sugestões de autoridades municipais, porque o Estado e a União saíram da “febre ferroviária” para entrar na “febre rodoviária”. O advento da brusca ruptura da conexão ferroviária, provocada pela formação do reservatório da hidrelétrica de Furnas, fez cessar o trânsito de vapores nas águas então represadas do Sapucaí.</p>
<p>Hoje, ironicamente, o Sul de Minas – que já teve hidrovias no Rio Grande e no Rio Sapucaí – acompanha, ressabiado, notícias de que a “hidrovia do lago de Furnas está saindo do campo das conversas e partindo para a prática, tanto que já existe até uma data prevista para que o trecho entre Formiga e Alfenas esteja funcionando: 2014” (jornal alfenense Folha do Lago, n. 57, 03 de julho de 2010, p. 3). Pode ser que o boom dos biocombustíveis na região ofereça plausibilidade à proposta, mas é o caso de se perguntar: O Brasil está realmente curado da “febre rodoviária”? E quais são as estruturas ferroviárias modernas que se ligarão a esta hidrovia, dando-lhe viabilidade econômica efetiva?</p>
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		<title>Lago de Furnas na Iniciação Científica Jr.</title>
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		<pubDate>Thu, 05 Aug 2010 15:12:21 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Marcos Lobato Martins</dc:creator>
				<category><![CDATA[história ambiental]]></category>
		<category><![CDATA[história de Minas Gerais]]></category>
		<category><![CDATA[imaginário social]]></category>
		<category><![CDATA[meio-ambiente]]></category>
		<category><![CDATA[Lago de Furnas]]></category>
		<category><![CDATA[Percepções ambientais]]></category>
		<category><![CDATA[Sul de Minas]]></category>

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		<description><![CDATA[Lago de Furnas na cidade de Fama Apresento abaixo o painel preparado pela estudante Paloma Andrade, bolsista de Iniciação Científica Jr., apresentado na III Jornada de Iniciação Científica 2010 da Universidade Federal de Alfenas. Uma pequena pesquisa no campo da História Ambiental, ainda em andamento, na qual a Paloma tem mostrado empenho, inteligência e discernimento. [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div class="img aligncenter size-medium wp-image-756" style="width:512px;">
	<a rel="attachment wp-att-756" href="http://www.minasdehistoria.blog.br/2010/08/lago-de-furnas-na-iniciacao-cientifica-jr/imagem-055-2/"><img src="http://www.minasdehistoria.blog.br/wp-content/arquivos/2010/08/Imagem-055-512x384.jpg" alt="Lago de Furnas na cidade de Fama" width="512" height="384" /></a>
	<div>Lago de Furnas na cidade de Fama</div>
</div>Apresento abaixo o painel preparado pela estudante Paloma Andrade, bolsista de Iniciação Científica Jr., apresentado na III Jornada de Iniciação Científica 2010 da Universidade Federal de Alfenas. Uma pequena pesquisa no campo da História Ambiental, ainda em andamento, na qual a Paloma tem mostrado empenho, inteligência e discernimento. Pena que o formato de divulgação, fixado pela UNIFAL-MG, não seja dos mais apropriados para a divulgação de trabalhos da área das Humanidades. Mas regras são regras&#8230; Caberá a nós lutar para flexibilizar os padrões escolhidos pela instituição, em conformidade com a tradição e as necessidades de cada área do conhecimento, sem prejuízo, é claro, da qualidade e do rigor acadêmicos.</p>
<p><strong>Trajetória das percepções dos moradores de Alfenas e Fama relativas ao lago de Furnas (1963-1999)</strong><br />
<em>Bolsista BIC-Jr</em>: Paloma Andrade<br />
<em>Orientador</em>: Prof. Marcos Lobato Martins</p>
<p><strong>Introdução</strong><br />
A Usina Hidrelétrica de Furnas surgiu no início da década de 1960, transformando a vida e as paisagens no sul de Minas. Neste trabalho, pretende-se examinar as variações nas percepções (TUAN, 1980) relativas ao lago de Furnas dos moradores das cidades de Alfenas e Fama, de 1963 até os dias de hoje.</p>
<p><strong>Metodologia</strong><br />
A abordagem escolhida foi histórica e qualitativa.</p>
<p>As fontes da pesquisa foram notícias de jornais locais, textos de memorialistas de Alfenas e testemunhos de moradores. As obras dos memorialistas foram empregadas para obter informações do processo de construção da Usina de Furnas e do enchimento do reservatório. O <em>Jornal dos Lagos</em> teve suas edições do período 1984-2009 examinadas, anotando-se as matérias que faziam referência à represa. As matérias foram classificadas, tabuladas e analisadas. As entrevistas semi-estruturadas, num total de 7 (sete), foram realizadas com pessoas de idades, profissões e condições sociais diferentes, incluindo ex-funcionários de Furnas e deslocados pela represa.</p>
<p>Os dados das diversas fontes foram cruzados para encontrar padrões e discrepâncias, visando elaborar “modelos” das percepções do lago ao longo do período estudado.</p>
<p><strong>Discussão dos resultados</strong><br />
Os textos dos memorialistas (VIEIRA, 2002), de modo geral, enfatizam as profundas alterações do espaço regional, os sofrimentos e as perdas provocados pela Hidrelétrica de Furnas. Da mesma forma, a maioria dos depoentes que vivenciaram o processo ressaltou as consequências funestas da represa: inundação de terras agricultáveis, rompimento de laços sociais e modos de vida tradicionais, deslocamento forçado, etc. Curiosamente, o tema da perda e do sofrimento ainda predomina nas notícias do <em>Jornal dos Lagos</em> nos primeiros anos da década de 1980.</p>
<p><em>Nós não acreditávamos na construção da represa, porque era um abismo cercar um rio como aquele. Se estancasse o rio, ele ia embrabar, cobrir os baixos, emporcalhar e criar mosquito. Quando vi aquele mar de água, foi só recordação e mau humorismo</em> (Depoimento de Benedito Fialho, 79 anos, pequeno agricultor, deslocado pela barragem).</p>
<p>Os depoimentos de pessoas mais jovens, na faixa de 35 a 65 anos, que não afetadas diretamente pelo enchimento do lago de Furnas, tendem a valorizar a beleza cênica da represa e as novas possibilidades de lazer e sociabilidade que surgiram em torno dela. O lago de Furnas é lugar para curtir a “natureza”, os amigos e a família, relaxar e distrair.</p>
<p><em>Nossa região é privilegiada pela natureza. Tem o lago de Furnas, que é a coisa mais linda. É ideal para ir com a família, ver passarinhos, pescar. Isso alivia a gente. Desde rapazinho eu vou com os amigos para Harmonia e Barranco Alto</em> (Depoimento de Davi Hipólito da Silva, 53 anos, trabalhador rural, colhido em 16 de maio de 2010).</p>
<p>Estas mesmas percepções aparecem nas matérias do <em>Jornal dos Lagos</em> na virada dos anos 1980 para os anos 1990. O jornal fala mais de beleza paisagística e de turismo. E diz que “todos sofrem com a imagem da água secando”, como em 1999.</p>
<p>A partir de 1992-1993, o <em>Jornal dos Lagos</em>, além de diversificar os temas da cobertura relativa ao lago de Furnas, desloca a atenção editorial para as questões do aproveitamento econômico da represa. Esta preocupação, no entanto, não encontra correspondência nos depoimentos da maioria dos entrevistados.</p>
<p><em>Até pouco tempo o que a população fazia era reclamar. Afinal muita terra foi inundada pela represa de Furnas. Depois veio a fase de somente aproveitar o lago sem qualquer cuidado para sua preservação. (&#8230;) Agora a realidade é outra, o lago pode se transformar numa imensa fonte de lucro</em> (<em>Jornal dos Lagos</em>, 15 de fevereiro de 1997).</p>
<p><strong>Considerações finais</strong><br />
No período 1963-2009, podem ser identificados três conjuntos distintos de percepções relativas ao lago de Furnas entre os moradores de Alfenas e Fama. São eles:</p>
<p><em>Mar artificial funesto</em>: percepção que predominou nos anos 1960 e 1970, na qual o lago de Furnas aparece como obra imposta pelo Governo, causadora de inundação, perdas de terras agricultáveis, rompimento de modos de vida e laços sociais tradicionais.</p>
<p><em>Natureza aprazível</em>: percepção formada a partir dos anos 1970, com forte presença entre a população comum, que realça as ideias do lago de Furnas como &#8220;cartão postal&#8221; do Sul de Minas, lugar para curtir a natureza, os amigos e as famílias, patrimônio &#8220;natural&#8221; da região.</p>
<p><em>Natureza mercantilizável</em>: percepção formada a partir dos anos 1990, predominante entre técnicos governamentais, políticos e empresários da região, na qual o lago de Furnas é fonte de recursos para os municípios, oportunidade de negócios e suas belezas cênicas são encaradas como algo a ser preservado e submetido a exploração racional.</p>
<p><strong>Bibliografia sumária</strong><br />
VIEIRA, Ildeu Manso. <em>Mandassaia</em>. Alfenas, MG: ArteGráfica Atenas, 2002.<br />
MARTINS, Marcos Lobato. <em>História e meio ambiente</em>. São Paulo: Annablume, 2008.<br />
TUAN, Yi-Fu. <em>Topofilia</em>: um estudo da percepção, atitudes e valores do meio ambiente. São Paulo: Difel, 1980.</p>
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		<item>
		<title>O futuro requer uma nova Revolução Industrial?</title>
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		<comments>http://www.minasdehistoria.blog.br/2010/06/o-futuro-requer-uma-nova-revolucao-industrial/#comments</comments>
		<pubDate>Tue, 29 Jun 2010 14:31:54 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Marcos Lobato Martins</dc:creator>
				<category><![CDATA[crítica social]]></category>
		<category><![CDATA[desenvolvimento sustentável]]></category>
		<category><![CDATA[meio-ambiente]]></category>
		<category><![CDATA[Combustíveis fósseis]]></category>
		<category><![CDATA[Crise ambiental]]></category>
		<category><![CDATA[Economia verde]]></category>

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		<description><![CDATA[Desastre da plataforma da BP no Golfo do México No domingo, dia 20 de junho, o físico Marcelo Gleiser, famoso no Brasil pelos livros de divulgação científica que escreveu e publicou pela prestigiosa editora Companhia das Letras, publicou coluna no jornal “Folha de São Paulo” em que apresenta um apelo forte: “alguma coisa tem de [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div class="img aligncenter size-full wp-image-752" style="width:619px;">
	<a rel="attachment wp-att-752" href="http://www.minasdehistoria.blog.br/2010/06/o-futuro-requer-uma-nova-revolucao-industrial/desastre-da-plataforma-da-bp-no-golfo-do-mexico/"><img src="http://www.minasdehistoria.blog.br/wp-content/arquivos/2010/06/Desastre-da-plataforma-da-BP-no-Golfo-do-México.jpg" alt="Desastre da plataforma da BP no Golfo do México" width="619" height="464" /></a>
	<div>Desastre da plataforma da BP no Golfo do México</div>
</div>
<p>No domingo, dia 20 de junho, o físico Marcelo Gleiser, famoso no Brasil pelos livros de divulgação científica que escreveu e publicou pela prestigiosa editora Companhia das Letras, publicou coluna no jornal “Folha de São Paulo” em que apresenta um apelo forte: “alguma coisa tem de ser mudada na maneira como se usa energia. E não só nos EUA, mas no mundo”. As palavras de Gleiser ganham intensidade, tom quase desesperado, no fim do artigo: “As pessoas precisam se convencer disso. Olho para meu filho de quatro anos com um misto de otimismo e desespero. Sonho com um novo mundo, no qual interagimos com a natureza para preservá-la. Essa guerra é entre nosso passado e nosso futuro. E o fato é que só pode ser lutada no presente”.</p>
<p>A preocupação do físico gira em torno aos impactos – ambientais, econômicos e políticos – da exploração do petróleo, da expansão da civilização baseada na queima de combustíveis fósseis, hoje prospectados em lugares cada vez mais remotos (abismos oceânicos e regiões polares). Esta “era do petróleo” tem seu fim anunciado e próximo, de maneira que as coisas precisam mudar. Para Marcelo Gleiser, “à medida que a população mundial cresce, e um número cada vez maior de pessoas entra para a classe média, o apetite por energia só vai aumentar. Com isso, aumentará também o lucro das empresas que produzem e fornecem essa energia”. Logo, concluiu o cientista, “existe muito dinheiro para ser feito numa economia verde”. Gleiser desafia as companhias petroleiras a se transformarem em vetores dessa nova Revolução Industrial, apoiada em fontes energéticas integradas e diferentes (sol, ventos, biomassa), mão de obra especializada, mais engenheiros e cientistas, incentivos fiscais para tecnologias alternativas. Mais, mais e mais&#8230; Embora distintas, mais técnicas, mais produção, mais dinheiro, mais produção.</p>
<p>Eis o problema da proposta ou do apelo do eminente físico. O modelo produtivista permanece sólido, intocável. A aposta em meios alternativos e no progresso da ciência e da técnica é patente. A crença no progresso continua inabalável, alimentando o sonho – ou será delírio? – da autossuficiência moderna, expresso no desejo de controlar o destino, de moldar precisamente o sentido do mundo e da vida, de escapar aos limites do ambiente na busca de uma vida materialmente melhor. A questão reside justamente na crítica a este paradigma, posto em movimento vertiginoso pela lógica capitalista que tudo abarca. A crise ambiental de hoje, que já se arrasta faz muitas décadas, motivadora do discurso do Presidente Barak Obama ao povo americano sobre o desastre do vazamento de óleo no Golfo do México – no qual o ocupante da Casa Branca afirmou que “é inaceitável não fazermos nada” – talvez requeira mais do que mudanças técnicas para ser solucionada. Quem sabe precisamos de novos padrões civilizacionais, mais do que de uma nova revolução industrial!</p>
<p>O artigo de Marcelo Gleiser parace não atentar para a complexa circunstância histórica na qual ocorre o episódio do desastre do poço da BP, circunstância caracterizada por uma crise do sistema mundial que poderá constituir, oxalá, o começo da transição para outro mundo possível, melhor do que o que conhecemos, cuja possibilidade emerge da decomposição do que, até hoje, afigurava-se como o núcleo duro, triunfante e imperturbável de um pensamento único, que engendrou uma civilização produtivista, consumista, dominada pela racionalidade instrumental e, de fato, por uma ordem liberal-oligárquica, plutocrática. Um mundo cujas bases políticas, econômicas e culturais assentam-se sobre gigantesco assalto à natureza.</p>
<p>Caso aspiremos a um novo mundo e, portanto, um ambiente distinto, nós devemos contribuir para a criação de uma sociedade diferente da que temos hoje. Devemos passar da demanda de crescimento econômico sustentável, apoiado em manejo previdente dos ecossistemas de que são dependentes qualquer economia, para a busca obstinada da garantia de sustentabilidade de nossa espécie, a humanidade, mediante a criação de sociedades nas quais a harmonia das relações com a natureza expressa a harmonia das relações dos grupos humanos entre si. É precisamente na identificação da diferença imprescindível, bem como na afirmação de sua viabilidade, que radicam os desafios maiores que todos nós somos convocados a enfrentar. De outra forma, não haverá desenlace favorável para a crise ambiental e civilizacional hodierna.</p>
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		<title>Sul de Minas no Encontro Regional da ANPUH-MG</title>
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		<pubDate>Fri, 07 May 2010 03:22:08 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Marcos Lobato Martins</dc:creator>
				<category><![CDATA[História regional]]></category>
		<category><![CDATA[eventos e seminários]]></category>
		<category><![CDATA[história de Minas Gerais]]></category>
		<category><![CDATA[ANPUH-MG]]></category>
		<category><![CDATA[Encontro Regional de História]]></category>
		<category><![CDATA[Sul de Minas]]></category>

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		<description><![CDATA[Vapor em Carmo do Rio Claro, 1925 O prof. Alexandre Macchione Saes e eu propusemos à Comissão organizadora do XVII Encontro Regional da ANPUH-MG, que ocorrerá em julho, na cidade de Uberlândia, a realização de um Simpósio Temático, com o nome “História do Sul de Minas: sociedade, economia e política”. Proposta aprovada, nós ficamos ansiosamente [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div class="img aligncenter size-full wp-image-744" style="width:173px;">
	<a rel="attachment wp-att-744" href="http://www.minasdehistoria.blog.br/2010/05/sul-de-minas-no-encontro-regional-da-anpuh-mg/vapor-em-carmo-do-rio-claro-1925/"><img src="http://www.minasdehistoria.blog.br/wp-content/arquivos/2010/05/Vapor-em-Carmo-do-rio-Claro-1925.gif" alt="Vapor em Carmo do Rio Claro, 1925" width="173" height="130" /></a>
	<div>Vapor em Carmo do Rio Claro, 1925</div>
</div>O prof. Alexandre Macchione Saes e eu propusemos à Comissão organizadora do XVII Encontro Regional da ANPUH-MG, que ocorrerá em julho, na cidade de Uberlândia, a realização de um Simpósio Temático, com o nome “História do Sul de Minas: sociedade, economia e política”. Proposta aprovada, nós ficamos ansiosamente à espera das inscrições de trabalhos. O resultado foi muito bom, tendo em vista que se trata de simpósio novinho em folha.</p>
<p>A seguir, transcrevo a avaliação preliminar dos trabalhos que, como coordenadores, encaminhamos para a Comissão Organizadora do evento. Ela dá idéia da diversidade temática das comunicações e, creio eu, talvez incentive colegas professores e estudantes de História a participar das sessões do Simpósio. Vamos à avaliação:</p>
<p>A avaliação dos coordenadores sobre as propostas enviadas para o Simpósio Temático 11 foi bastante favorável, pois, de maneira geral, os pesquisadores remeteram comunicações pertinentes à proposta inicial. Foram organizadas, assim, quatro mesas temáticas (História Política, História Econômica, História Urbana e História dos Transportes) que possibilitarão consideravelmente o diálogo entre os autores.<br />
Todos os estudos apresentados no Simpósio fazem parte de pesquisas em andamento tanto de Professores como de Pós-Graduandos, refletindo uma preocupação de apresentar fontes inéditas para a análise da história local. Assim, todos os textos foram aprovados. Conforme a organização temática, as mesas a serem organizadas serão:</p>
<p><strong>História Política</strong><br />
Irene Nogueira de Rezende em &#8220;Imprensa liberal e o federalismo como projeto. O debate nos periódicos O Universal e Astro de Minas (1830-1834)&#8221; procura expor algumas observações sobre os projetos de parte das elites regionais mineiras, debatidos nos momentos em que se delineavam as propostas de reformas à Constituição de 1824 e que antecederam o Ato Adicional de 1834. Dialogando com ela, Pérola Maria Goldfeder e Castro apresenta &#8220;Separatismo e clivagens regionais no Sul de Minas Gerais no século XIX&#8221; com o intuito de discutir a divergência de projetos e interesses políticos regionais, analisando a origem e o desenvolvimento das idéias separatistas no Sul de Minas Gerais durante o século XIX. Edna Mara Ferreira da Silva, em &#8220;O Sertão ao sul das Minas: aspectos da formação da vila de Campanha da Princesa&#8221;, também numa perspectiva de história política, quer discutir as aproximações e rupturas nos discursos político-administrativos que consolidaram a definição da fronteira de Campanha da Princesa a despeito da própria influência proclamada pelos moradores da região do governo de São Paulo. Finalmente, André Silva de Souza, com o texto &#8220;Propriedades rurais de Alfenas na fase inicial da expansão da cafeicultura no Sul de Minas&#8221;, mostrará a origem do novo grupo político que se constitui na região já em fins do século XIX.</p>
<p><strong>História Econômica</strong><br />
Sobre o desenvolvimento das atividades econômicas no Sul de Minas na transição para o século XX serão apresentados os textos de Alexandre Macchione Saes e Graziela Mara de Faria, &#8220;Emergência industrial no Sul de Minas&#8221;, cujo objetivo é apresentar a estrutura industrial do Sul de Minas Gerais em comparação com os outros centros industriais da Província, no período de transição do século XIX ao século XX. Apontando para o importante papel bancário, Thiago Fontelas Rosado Gambi introduz em &#8220;Um estudo exploratório sobre os bancos do sul de Minas Gerais a partir da década de 1910&#8243; algumas questões sobre os bancos do sul de Minas, a fim de mapear acervos locais que poderiam ajudar a preencher essa lacuna, importante para compreender o funcionamento do crédito na economia sul-mineira em sua transição para o capitalismo. Numa dimensão da montagem dos mercados e feiras locais, Elton Rodrigo Rosa e Alexandre Saes discutem, em &#8220;Mercado Pontual: análise da atuação estatal na formação da feira de gado de Três Corações (1900-1920)&#8221;, a regulamentação da feira de gado de Três Corações – a maior do Estado, responsável inclusive pela urbanização da cidade – sob o olhar da imposição estatal e, finalmente, Paula Chaves Teixeira, em &#8220;Articulações no comércio regional na comarca do Rio das Mortes (1840-1880)&#8221;, lança luzes, através do caso do fazendeiro mineiro Gervásio Pereira Alvim e seus contatos mercantis, tanto na praça carioca, como em diversos pontos da comarca, sobre o comércio mineiro com a Corte, a atuação dos comerciantes com vistas a construir sua dinâmica mercantil e os processos de inserção nos circuitos mercantis inter-provinciais.</p>
<p><strong>História Urbana</strong><br />
Numa outra ótica sobre as transformações da sociedade sul-mineira, esta mesa deverá estudar os casos de urbanização da região. Para tanto, Daniel do Val Cosentino, Daniele da Silva e Jessica Airton discutem em &#8220;Notas sobre o desenvolvimento urbano de Varginha (1882-1930)&#8221; o processo de urbanização de Varginha, que permite compreender melhor a formação e estruturação da cidade e da região do Sul de Minas. Já Francislei Lima da Silva, com o texto &#8220;A política das águas nas estâncias sul mineiras em finais do século XIX e início do século XX&#8221;, apresentará o processo de construção dos balneários e de edificação do complexo aquífero, como relevantes ações que fazem dos balneários um importante objeto de estudo para compreendermos o processo de modernização das cidades mineiras, dentro de um exemplo particular, que se oferece por meio de uma política hidráulica. Outros dois importantes trabalhos sobre urbanização discutirão aspectos da formação dos serviços públicos urbanos, com Vinícius Guimarães de Almeida em &#8220;A &#8216;Cidade Luz&#8217; do Sul de Minas: implantação dos serviços de eletricidade em Itajubá na primeira década do século XX&#8221;, e, numa perspectiva mais atual, Maira Carvalho apresenta o texto “&#8217;Mar de Minas&#8217;: percepções das populações de Alfenas e Fama sobre a formação do lago de Furnas (anos 1960-1990)&#8221; que indica os caminhos atuais para a reformulação do papel das cidades.</p>
<p><strong>História dos transportes</strong><br />
Finalmente, construindo os caminhos e percursos pelo Sul de Minas, três trabalhos irão desvendar os circuitos de comércio e comunicação da região. Marcos Lobato Martins, com o texto “&#8217;Estradas móveis&#8217; no Sul de Minas: colonização, expansão da produção e navegação fluvial nos rios Grande, Sapucaí e Verde (1880-1930)&#8221;, analisa as iniciativas de navegação nos rios Grande, Sapucaí e Verde no período entre as décadas de 1880 e 1930, apresentando as características das empresas que exploraram essa modalidade de transporte, o papel por elas desempenhado na economia regional, as dificuldades que elas enfrentaram e as razões que levaram à extinção do trânsito de vapores nos rios citados. Marcel Pereira da Silva discutirá numa perspectiva comparativa com São Paulo o papel das ferrovias no Sul de Minas, com o texto &#8220;Tem café nesse trem? As Ferrovias no Sul de Minas Gerais (1876 – 1910)&#8221;, e, finalmente, Pablo Luiz de Oliveira Lima, no trabalho &#8220;Patrimônio cultural ferroviário no centro-sul de Minas Gerais: o trabalho noticiado, fotografado e rememorado&#8221;, lança luz sobre sinais dos trabalhadores nas fontes, buscando analisar algumas de suas formas no imaginário acerca da Estrada de Ferro Oeste de Minas (EFOM) e da Estrada de Ferro Goiás (EFG), ferrovias construídas entre o sul e o oeste de Minas Gerais no final do século XIX e início do século XX.</p>
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		<title>Quintais, chácaras e abastecimento em Diamantina</title>
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		<pubDate>Wed, 14 Apr 2010 00:30:51 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Marcos Lobato Martins</dc:creator>
				<category><![CDATA[História regional]]></category>
		<category><![CDATA[história]]></category>
		<category><![CDATA[história de Minas Gerais]]></category>
		<category><![CDATA[história econômica]]></category>
		<category><![CDATA[Chácaras e quintais]]></category>
		<category><![CDATA[Diamantina]]></category>
		<category><![CDATA[Mercado Municipal]]></category>
		<category><![CDATA[Produção e comércio de alimentos]]></category>

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		<description><![CDATA[O turista que visita Diamantina inevitavelmente fica impressionado com a profusão de rochas que cercam toda a cidade, brotando do chão por todo lado, disputando espaço com o capim natural que forma os campos rupestres do topo da Serra do Espinhaço. Caso o turista caminhe pelas imediações da antiga cidade, encontrará solo arenoso, raso, coberto [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>O turista que visita Diamantina inevitavelmente fica impressionado com a profusão de rochas que cercam toda a cidade, brotando do chão por todo lado, disputando espaço com o capim natural que forma os campos rupestres do topo da Serra do Espinhaço. Caso o turista caminhe pelas imediações da antiga cidade, encontrará solo arenoso, raso, coberto quase sempre por uma camada de pedregulhos que brilham sob o sol. Um ambiente em nada favorável à agricultura, uma terra que mais parece lunar, boa para lagartixas e mocós, animais muito à vontade no mar de lajes de pedra sobre o qual o vento bate inclemente, frio, barulhento. Nem mesmo os numerosos fios d’água que correm nos terrenos de Diamantina são capazes de evitar um juízo comum: neste canto de Minas Gerais, as lavouras nunca prosperaram.</p>
<p style="text-align: center;"><div class="img size-full wp-image-738 aligncenter" style="width:500px;">
	<a rel="attachment wp-att-738" href="http://www.minasdehistoria.blog.br/2010/04/quintais-chacaras-e-abastecimento-em-diamantina/mercado-municipal/"><img src="http://www.minasdehistoria.blog.br/wp-content/arquivos/2010/04/mercado-municipal.jpg" alt="Mercado municipal de Diamantina, por Vítor Lima." width="500" height="332" /></a>
	<div>Mercado municipal de Diamantina, por Vítor Lima.</div>
</div>
<p>Também assim julgaram os historiadores: o abastecimento alimentar de Diamantina e, antes dela, do Arraial do Tijuco, sempre teve que vir de longe, de plagas mais favoráveis aos trabalhos de roça e de criação de gado. De Minas Novas e do Serro, no lombo de burros, teriam chegado os “gêneros do país” que alimentaram os moradores do Tijuco e Diamantina. De, no mínimo, dez, quinze léguas de distância chegariam os grãos, os legumes, as hortaliças, as frutas, os queijos, as farinhas, o toucinho, etc.</p>
<p><span id="more-735"></span></p>
<p>Está na hora de rever este ponto de vista, equivocamente consolidado na historiografia regional. Na senda aberta por José Newton Coelho Meneses, autor de “O continente rústico: abastecimento alimentar nas Minas Gerais setecentistas” (Diamantina: Maria Fumaça, 2000), é preciso seguir criticando a tradicional oposição entre mineração e agropecuária no Alto Jequitinhonha. Insistir que, também nesta região, os indivíduos e as famílias se envolveram com a produção, o beneficiamento, o transporte e a comercialização de alimentos que chegavam aos lares do Tijuco/Diamantina. Inclusive no entorno imediato da cidade, em quintais e chácaras que se estendiam sobre os terrenos tão rochosos das serras de Santo Antônio, da Formação, dos Cristais.<br />
Uma pequena contribuição nesse sentido ofereci, recentemente, por meio de artigo submetido à Comissão Organizadora do XIV Seminário sobre a Economia Mineira, evento que é tradicionalmente promovido pelo CEDEPLAR/UFMG, na cidade de Diamantina. O trabalho, intitulado “Quintais, chácaras, intendências e abastecimento alimentar em Diamantina: séculos XIX e XX”, será apresentado na Sessão de História 1: Produção, Comércio e Abastecimento”, programada para o dia 25 de maio próximo, no horário de 10h45 às 12h.</p>
<p>Coloco à disposição do leitor e da leitora, desde já, o link ( <a rel="attachment wp-att-737" href="http://www.minasdehistoria.blog.br/2010/04/quintais-chacaras-e-abastecimento-em-diamantina/texto-minas-de-historia-2/">baixe aqui</a>) do referido trabalho, cujo resumo é o seguinte: “Este trabalho investiga a produção alimentar nos quintais e chácaras de Diamantina e o movimento do Mercado Municipal no Oitocentos e Novecentos. O objetivo é analisar as estruturas existentes nos domicílios para a produção de alimentos que contribuíram para o abastecimento local e o papel da Municipalidade nesse campo, especialmente com a criação do Mercado Municipal. São assinaladas as mudanças de atitude da Câmara diante da produção nos quintais e chácaras, bem como os conflitos e dificuldades que marcaram o funcionamento inicial do Mercado Municipal. Utilizam-se narrativas de viajantes e memorialistas, documentos cartoriais, jornais locais e registros fiscais de Diamantina.”</p>
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		<title>Hobsbawm, mestre de todos nós</title>
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		<pubDate>Sat, 03 Apr 2010 14:46:30 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Marcos Lobato Martins</dc:creator>
				<category><![CDATA[Papel do historiador]]></category>
		<category><![CDATA[história]]></category>
		<category><![CDATA[Eric Hobsbawm]]></category>
		<category><![CDATA[história marxista]]></category>
		<category><![CDATA[historiadores contemporâneos]]></category>
		<category><![CDATA[historiografia]]></category>

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		<description><![CDATA[Os professores Marcos Antônio Lopes (UEL) e Sidney Munhoz (USP) conceberam e executaram um livro que será, para os jovens estudantes de História e de Ciências Sociais, uma pequena jóia, de muito valor e utilidade. No final de maio, conforme a programação da editora paulista Alameda, o livro “Historiadores do nosso tempo” estará nas livrarias. [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Os professores Marcos Antônio Lopes (UEL) e Sidney Munhoz (USP) conceberam e executaram um livro que será, para os jovens estudantes de História e de Ciências Sociais, uma pequena jóia, de muito valor e utilidade. No final de maio, conforme a programação da editora paulista Alameda, o livro “Historiadores do nosso tempo” estará nas livrarias. A obra conterá textos de apresentação de grandes mestres contemporâneos do ofício de historiador, nomes como Thompson, Skinner, Ginsburg, Le Goff, Gruzinsky, etc.</p>
<div id="attachment_722" class="wp-caption alignleft" style="width: 310px"><a rel="attachment wp-att-722" href="http://www.minasdehistoria.blog.br/2010/04/hobsbawm-mestre-de-todos-nos/hobsbawm_eric/"><img class="size-full wp-image-722" src="http://www.minasdehistoria.blog.br/wp-content/arquivos/2010/04/Hobsbawm_Eric.jpg" alt="" width="300" height="400" /></a><p class="wp-caption-text">Eric Hobsbawm</p></div>
<p>A proposta do livro é oferecer ao jovem leitor informações básicas sobre a trajetória intelectual de cada um dos “mestres”, apontar os principais temas que surgem em suas obras, delinear as principais contribuições teóricas e metodológicas que eles trouxeram para a seara de Clio e, algo muito importante, a recepção que eles tiveram no Brasil, discutindo o modo como eles influenciaram os estudos históricos desenvolvidos por aqui, na universidade brasileira.</p>
<p>Modestamente, contribuo para o livro “Historiadores do nosso tempo” com pequeno texto sobre Eric Hobsbawm, o historiador marxista inglês cuja vida praticamente se confunde com a história do século XX, o “breve século XX” que ele tão bem analisou numa de suas obras mais recentes e conhecidas. Hobsbawm é o mais destacado historiador vivo, dono de obra volumosa, e mestre inigualável na elaboração de sínteses sobre a história contemporânea que se tornaram manuais de sucesso mundo afora, caso da trilogia “A Era das Revoluções”, “A Era do Capital” e “A Era dos Impérios”.</p>
<p>O resultado de minha empreitada – nada fácil, ainda mais quando se deve obedecer aos limites postos pela natureza da proposta editorial – tomo a liberdade de deixar à mostra para o leitor e a leitora, em anexo. O referido texto tem título de verbete de enciclopédia, como, aliás, todos os demais textos que compõem o livro. Chama-se <a href="http://www.minasdehistoria.blog.br/wp-content/arquivos/2010/04/Lobato_Sobre_Hobsbawm.pdf">Eric Hobsbawm</a>. Direto assim, conforme a preferência dos pragmáticos jovens estudantes de hoje [para acessá-lo, <a href="http://www.minasdehistoria.blog.br/wp-content/arquivos/2010/04/Lobato_Sobre_Hobsbawm.pdf">clique no link</a>].</p>
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