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	<title>Minas de História</title>
	
	<link>http://www.minasdehistoria.blog.br</link>
	<description>Minas de História é uma janela para o passado mineiro; é o weblog de Marcos Lobato Martins, professor, doutor em História Econômica pela USP, autor de livros como História e Meio Ambiente (2007) e Breve História de Diamantina (1996). Pretende abrigar leituras de historiografia sobre Minas Gerais e apresentar pequisas sobre a trajetória regional.</description>
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		<title>O consumo de lenha e a pressão de desmatamento</title>
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		<pubDate>Sat, 17 Sep 2011 00:47:07 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Marcos Lobato Martins</dc:creator>
				<category><![CDATA[história]]></category>
		<category><![CDATA[história ambiental]]></category>
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		<description><![CDATA[Há alguns dias, o Ministério do Meio Ambiente divulgou dados sobre a devastação do cerrado, comemorando a redução das taxas de desmatamento neste bioma cuja biodiversidade é das mais elevadas. Em Minas Gerais, desde os anos 1980, as terras do cerrado tornaram-se fronteira agrícola em rápida expansão. Culturas como soja, café e feijão têm ocupado [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Há alguns dias, o Ministério do Meio Ambiente divulgou dados sobre a devastação do cerrado, comemorando a redução das taxas de desmatamento neste bioma cuja biodiversidade é das mais elevadas. Em Minas Gerais, desde os anos 1980, as terras do cerrado tornaram-se fronteira agrícola em rápida expansão. Culturas como soja, café e feijão têm ocupado porções enormes do cerrado mineiro, que sofre também com a continuidade da produção de carvão vegetal para abastecer as usinas de ferro-gusa. Quem viaja pelas rodovias do Norte e do Nordeste mineiro, principalmente durante as madrugadas, encontra grande número de caminhões repletos de carvão rumando, por exemplo, para polos siderúrgicos como Sete Lagoas. Este carvão, em parte ainda significativa, é resultado da destruição de mata nativa; outra parte origina-se dos reflorestamentos de eucalipto, maciços florestais homogêneos que substituíram o cerrado em zonas extensas dos vales dos rios São Francisco, Jequitinhonha e Doce.</p>
<div class="mceTemp mceIEcenter" style="text-align: center;">
<dl id="attachment_916" class="wp-caption aligncenter" style="width: 290px;">
<dt class="wp-caption-dt"><a href="http://www.minasdehistoria.blog.br/wp-content/arquivos/2011/09/Carvoaria-no-Rio-Doce.jpg" rel="lightbox[915]"><img class="size-full wp-image-916 " src="http://www.minasdehistoria.blog.br/wp-content/arquivos/2011/09/Carvoaria-no-Rio-Doce.jpg" alt="" width="280" height="180" /></a></dt>
<dd class="wp-caption-dd">Carvoaria no Rio Doce.</dd>
</dl>
</div>
<p>Este é um dos mais graves problemas ambientais de Minas Gerais e remete à frase de Leon Tolstoi: <em>Há quem passe pelo bosque e só veja lenha para a fogueira</em>. No fim do século XIX e na primeira metade do século XX, o consumo de lenha já constituía fonte de preocupação para as autoridades governamentais. Em Minas Gerais, a questão central era, então, garantir o abastecimento de combustível vegetal para os domicílios e as atividades econômicas dele dependentes: desde pequenas padarias até ferrovias e usinas siderúrgicas. A opinião pública daquele período assustou-se com os montes infindáveis de lenha acumulados na beira das linhas férreas, e o governo adotou medidas de política florestal. Com Arthur Bernardes, por exemplo, a ênfase recaiu sobre o reflorestamento por eucalipto, a criação de hortos florestais (que educariam os fazendeiros no sentido de explorar racionalmente as matas) e de fiscais florestais, cuja missão era coibir a ação dos grandes desmatadores. Nada disso funcionou a contento. Além do mais, o governo subestimou o impacto sobre as matas da produção difusa de lenha para abastecer os fogões das residências mineiras.</p>
<p><span id="more-915"></span></p>
<p>A avaliação deste impacto é tarefa que a História Ambiental pode conduzir. Não se trata simplesmente de promover exercícios de “econometria retrospectiva”, geradores de números desprovidos de sentido histórico. Mas de estimar ordens de grandeza para o consumo de lenha e para a pressão de desmatamento que este consumo induzia. A tentativa de calcular estas variáveis para determinados períodos e lugares pode nos ajudar a compreender melhor as relações sociedade-natureza, na medida em que exige o refinamento de hipóteses sobre os usos do solo, as técnicas disponíveis, os modos de apropriação dos recursos naturais, etc. O importante não é chegar a números definitivos, mas vislumbrar mais claramente a dimensão dos impactos que o generalizado consumo de lenha (ou de qualquer outro recurso natural) provocou sobre as paisagens locais e regionais. É isto que apresento ao leitor no trabalho <em><a href="http://www.minasdehistoria.blog.br/wp-content/arquivos/2011/09/Artigo-HALAC-2011.pdf">A política florestal, os negócios de lenha e o desmatamento: Minas Gerais, 1890-1950.</a></em> Trata-se de artigo publicado na revista eletrônica HALAC, v. 1, n. 1, set. 2011/fev. 2012, p. 29-54, que constitui necessário e bem-vindo canal de comunicação da SOLCHA (Sociedade Latinoamericana e Caribenha de História Ambiental).</p>
<p>Aproveito para recomendar pelo menos uma espiadinha na referida revista, no site: <a href="http://www.fafich.ufmg.br/halac">www.fafich.ufmg.br/halac</a>. Há leituras bastante instigantes para os interessados nas temáticas ambientais.</p>
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		<title>As tropas de comércio e o abastecimento de Diamantina</title>
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		<comments>http://www.minasdehistoria.blog.br/2011/04/as-tropas-de-comercio-e-o-abastecimento-de-diamantina/#comments</comments>
		<pubDate>Wed, 06 Apr 2011 13:20:42 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Marcos Lobato Martins</dc:creator>
				<category><![CDATA[história]]></category>
		<category><![CDATA[história de Minas Gerais]]></category>
		<category><![CDATA[história econômica]]></category>
		<category><![CDATA[Abastecimento local]]></category>
		<category><![CDATA[Diamantina]]></category>
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		<description><![CDATA[Uma das cenas típicas do passado mineiro era o lento percurso das tropas de muares, carregadas de mercadorias diversas, por trilhas sinuosas e difíceis, rumo a povoados, vilas e cidades dispersos por vastíssimo interior. Hoje, o mourejar dos tropeiros é idealizado, romantizado mesmo. E os antigos pousos de tropas e mercados onde os gêneros transportados [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Uma das cenas típicas do passado mineiro era o lento percurso das tropas de muares, carregadas de mercadorias diversas, por trilhas sinuosas e difíceis, rumo a povoados, vilas e cidades dispersos por vastíssimo interior. Hoje, o mourejar dos tropeiros é idealizado, romantizado mesmo. E os antigos pousos de tropas e mercados onde os gêneros transportados pelos burros e mulas eram expostos e negociados viraram pontos turísticos.</p>
<p style="text-align: center;"><div class="img aligncenter size-full wp-image-905" style="width:500px;">
	<a href="http://www.minasdehistoria.blog.br/wp-content/arquivos/2011/04/mercado.jpg" rel="lightbox[904]"><img src="http://www.minasdehistoria.blog.br/wp-content/arquivos/2011/04/mercado.jpg" alt="" width="500" height="348" /></a>
	<div>Mercado de Diamantina.</div>
</div>
<p>O Mercado de Diamantina, cartão postal do antigo Tijuco, recentemente participou de concurso patrocinado por uma rede de televisão que desejava escolher a imagem-símbolo de Minas Gerais. O velho edifício, que não mais funciona como ponto de compra e venda de mantimentos, foi pré-escolhido por uma comissão de intelectuais, artistas e empresários para disputar tal “honraria”. Não ganhou, é verdade. Contudo, contribuiu mais uma vez para fortalecer o peso específico de Diamantina no turismo mineiro.</p>
<p>O texto que apresento aos leitores tem no Mercado de Diamantina personagem destacado <a href="http://www.minasdehistoria.blog.br/wp-content/arquivos/2011/04/Artigo-Locus-20101.pdf">(ver texto anexo)</a>. Trata-se de artigo publicado no número atual da “Locus: revista de história”, v. 16, n. 2, periódico especializado vinculado à UFJF (Universidade Federal de Juiz de Fora). O artigo analisa aspectos do comércio de abastecimento na cidade de Diamantina, entre as décadas de 1880 e 1930, enfatizando o papel dos tropeiros e do Mercado Municipal, bem como os conflitos entre as autoridades e os atacadistas locais. O trabalho também discute as razões da longevidade da atuação das tropas de muares na região, cujo declínio só viria a ocorrer nos anos 1950. Foi este declínio que arrastou o Mercado de Diamantina para décadas de perda de importância na cidade, o que chegou a ameaçar a preservação do belo edifício.</p>
<p>Esta história, creio eu, certamente prenderá a atenção dos muitos turistas que visitam Diamantina e das inúmeras pessoas que adoram esta joia urbana que embeleza o Espinhaço central.</p>
<p>&nbsp;</p>
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		<title>História de países imaginários</title>
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		<pubDate>Wed, 02 Mar 2011 15:00:26 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Marcos Lobato Martins</dc:creator>
				<category><![CDATA[cultura]]></category>
		<category><![CDATA[eventos e seminários]]></category>
		<category><![CDATA[história]]></category>
		<category><![CDATA[imaginário social]]></category>
		<category><![CDATA[Distopias]]></category>
		<category><![CDATA[História Intelectual]]></category>
		<category><![CDATA[Utopias]]></category>

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		<description><![CDATA[Pieter Bruegel: &#34;A Terra de Cocanha&#34; (1567) Utopia: eis uma palavra que nos intriga, ao mesmo tempo em que prende a nossa atenção. Polissêmica, ela desperta reações variadas. Porém, dificilmente há quem fique inerte diante de uma narrativa utópica, seja qual for o seu teor. Uns descartam liminarmente as utopias, pois pensam que são simples [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div class="img aligncenter size-full wp-image-899" style="width:624px;">
	<a href="http://www.minasdehistoria.blog.br/wp-content/arquivos/2011/03/pieter_bruegel_the_elder_023_la_terra_di_Cockaigne_1567.jpg" rel="lightbox[897]"><img src="http://www.minasdehistoria.blog.br/wp-content/arquivos/2011/03/pieter_bruegel_the_elder_023_la_terra_di_Cockaigne_1567.jpg" alt="" width="624" height="468" /></a>
	<div>Pieter Bruegel: &quot;A Terra de Cocanha&quot; (1567)</div>
</div>
<p>Utopia: eis uma palavra que nos intriga, ao mesmo tempo em que prende a nossa atenção. Polissêmica, ela desperta reações variadas. Porém, dificilmente há quem fique inerte diante de uma narrativa utópica, seja qual for o seu teor. Uns descartam liminarmente as utopias, pois pensam que são simples sonhos, sem força para mudar a dura realidade social. Outros se agarram a elas, a tal ponto de se sacrificarem por elas ou se deixarem fanatizar. Utopias antigas e utopias modernas, todas integram a bagagem cultural da humanidade, enriquecendo-a. Merecem ser mais bem conhecidas e mais debatidas. Até porque as utopias revelam muito sobre as sociedades e as almas dos seus criadores, lançam luz sobre projetos de futuro que determinados sujeitos acalentaram. Falam do presente e do passado, enquanto projetam futuros.</p>
<p>Por isso, é bom saudar o aparecimento de um livro da Eduel (Editora da Universidade Estadual de Londrina), inteiramente voltado para uma história intelectual das manifestações utópicas desde a Antiguidade até os dias de hoje. É o livro organizado pelos professores Marcos Antônio Lopes e Renato Moscateli, cujo título é um achado: “História de países imaginários: variedades dos lugares utópicos”.</p>
<p>O propósito da publicação é apresentado com clareza na orelha do livro. Aí se pode ler: “Idealizar um mundo melhor não é um exercício apenas de nossa época, perturbada por crises econômicas, epidemias e guerras devastadoras, ao que se somam catástrofes climáticas e desequilíbrios ambientais cada vez mais inquietantes. O desejo por um lugar para se viver em paz e com abundância de recursos é uma expectativa que embala os sonhos da humanidade em todos os tempos. Conhecer os planos idealizados por algumas das mentes mais criativas no quadro geral das ficções filosóficas, contemplar um bom punhado das mais extravagantes propostas de eugenia social e, de quebra, poder avaliar outro tanto das construções mais sombrias e contrastantes a esses projetos regeneradores – as chamadas distopias – eis a essência dessas histórias de países imaginários”.</p>
<p>O livro, no qual tenho contribuição, é composto pelos seguintes pequenos ensaios:<br />
<strong>Para uma geografia do imaginário</strong><br />
Introdução por Marcos Antônio Lopes e Renato Moscateli<br />
<strong>Utopia: uma história sem fim</strong><br />
Estevão de Rezende Martins<br />
<strong>As utopias greco-romanas</strong><br />
Fábio Duarte Joly<br />
<strong>A geografia nas utopias renascentistas</strong><br />
Márcia Siqueira de Carvalho<br />
<strong>Utopias e profecias na Europa Moderna</strong><br />
Célia Maia Borges<br />
<strong>A melhor das utopias</strong><br />
Marcos Antônio Lopes<br />
<strong>Utopias do Iluminismo</strong><br />
Renato Moscateli<br />
<strong>Utopias socialistas</strong><br />
João Antônio de Paula<br />
<strong>A utopia dos prazeres</strong><br />
José D’Assunção Barros<br />
<strong>Utopia e ficção científica</strong><br />
Marcos Lobato Martins<br />
<strong>Utopias na Era de Aquário</strong><br />
Marcos Lobato Martins</p>
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		<title>I Jornada de História Regional José Pedro Xavier da Veiga</title>
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		<comments>http://www.minasdehistoria.blog.br/2011/02/i-jornada-de-historia-regional-jose-pedro-xavier-da-veiga/#comments</comments>
		<pubDate>Sun, 27 Feb 2011 19:07:07 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Marcos Lobato Martins</dc:creator>
				<category><![CDATA[ensino superior]]></category>
		<category><![CDATA[eventos e seminários]]></category>
		<category><![CDATA[História regional]]></category>
		<category><![CDATA[imaginário social]]></category>
		<category><![CDATA[Papel do historiador]]></category>
		<category><![CDATA[Arquivo histórico]]></category>
		<category><![CDATA[José Pedro Xavier da Veiga]]></category>
		<category><![CDATA[memória e política]]></category>
		<category><![CDATA[Sul de Minas]]></category>

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		<description><![CDATA[Retrato do jovem José Pedro Xavier da Veiga No próximo mês de maio, entre os dias 24 e 27, será realizada a primeira edição da Jornada de História Regional José Pedro Xavier da Veiga, promoção do curso de História da Universidade Federal de Alfenas (UNIFAL-MG), que pretende ser bienal. O objetivo é reunir estudiosos da [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: left;"><div class="img aligncenter size-full wp-image-888" style="width:183px;">
	<a href="http://www.minasdehistoria.blog.br/wp-content/arquivos/2011/02/José-Pedro-Xavier-da-Veiga.jpg" rel="lightbox[887]"><img src="http://www.minasdehistoria.blog.br/wp-content/arquivos/2011/02/José-Pedro-Xavier-da-Veiga.jpg" alt="" width="183" height="275" /></a>
	<div>Retrato do jovem José Pedro Xavier da Veiga</div>
</div>No próximo mês de maio, entre os dias 24 e 27, será realizada a primeira edição da Jornada de História Regional José Pedro Xavier da Veiga, promoção do curso de História da Universidade Federal de Alfenas (UNIFAL-MG), que pretende ser bienal. O objetivo é reunir estudiosos da história regional e local, especialmente do espaço sul-mineiro, para debater questões historiográficas relevantes e apresentar pesquisas em andamento. Além de palestras e mesas redondas, a cargo de professores convidados de diversas universidades, a Jornada compreenderá sessões de comunicações coordenadas, nas quais serão debatidos os trabalhos inscritos por estudantes de graduação, pós-graduação e pesquisadores voltadas para a investigação de aspectos da trajetória histórica sul-mineira.</p>
<p style="text-align: left;">A programação da I Jornada José Pedro Xavier da Veiga é a seguinte:<br />
<strong>Dia 24 de maio</strong><br />
Tarde Credenciamento<br />
Noite Palestra de abertura: Elites sul-mineiras no Oitocentos: negócios, fortunas e política<br />
Prof. Dr. Marcos Ferreira de Andrade (UFSJ)<br />
<strong>Dia 25 de maio</strong><br />
Tarde Sessão de comunicações 1: Relações sociais e políticas no Sul de Minas<br />
Noite Mesa redonda: Poder e cultura política no Sul de Minas oligárquico (1830-1930)<br />
Profa. Dra. Cláudia Maria Ribeiro Viscardi (UFJF)<br />
Prof. Dr. Isaías Pascoal (IFSULDEMINAS)<br />
<strong>Dia 26 de maio</strong><br />
Tarde Sessão de comunicações 2: História econômica e demográfica do Sul de Minas<br />
Noite Mesa redonda: Sul de Minas em transição: economia regional na virada para o século XX<br />
Prof. Dr. Alexandre Macchione Saes (USP)<br />
Prof. Dr. Marcos Lobato Martins (UNIFAL-MG)<br />
<strong>Dia 27 de maio</strong><br />
Tarde Sessão de comunicações 3: Cultura, memória e patrimônio no Sul de Minas<br />
Noite Palestra de encerramento: Escravidão e mestiçagem: Minas Gerais e o mundo atlântico<br />
Prof. Dr. Eduardo França Paiva (UFMG)</p>
<p>Os interessados em apresentar comunicações deverão ficar de olho no site da UNIFAL-MG, pois logo estará no ar a chamada de trabalhos para o evento.</p>
<p>O nome da Jornada é homenagem a importante personagem do Sul de Minas oitocentista, filho da vizinha cidade de Campanha. Jornalista, político e historiador, José Pedro Xavier da Veiga é nome fundamental no que se refere ao processo de institucionalização da memória no século XIX, por meio da criação de lugares de memória. Em 1895, ele fundou o Arquivo Público Mineiro (APM), baseado no modelo do IHGB (Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro), com o objetivo de reunir fontes primárias para a história e geografia das Minas Gerais. No ano seguinte, ele criou a “Revista do Arquivo Público Mineiro”, respondendo pelos cinco primeiros números do periódico. Em 1897, José Pedro Xavier da Veiga publicou, pela Imprensa Oficial do Estado de Minas Gerais, em 4 volumes, a obra “Efemérides mineiras”, que consumiu quase dezoito anos de árduo trabalho. Trata-se de uma enorme e detalhada cronologia da história mineira, muitas vezes confusa, vazada em molde linear e factualista, enfim, presidida por concepção de história que é, no plano metodológico, positivista à la Langlois e Seignobos, e, no plano da filosofia, hegeliana. História política, referida à formação e consolidação do Estado, cuja finalidade é a realização da liberdade e da razão, expressão da marcha do pensamento civilizador. Para José Pedro Xavier da Veiga, a pesquisa histórica, a guarda e a publicação de documentos relativos às Minas Gerais teriam o papel de glorificar as lutas em prol da liberdade e do espírito.</p>
<p>No interior dessa moldura intelectual, situa-se o maior esforço de José Pedro Xavier da Veiga: recuperar os documentos públicos que estavam em posse de políticos, uma vez que a tradição era a de, uma vez cumprido seu mandato, o político levar consigo os documentos referentes ao seu período administrativo para constituir acervo familiar privado. Na verdade, como bem salientou Marisa Ribeiro Silva, “Xavier da Veiga foi o responsável pela seleção de grande parte dos documentos que se encontram no Arquivo, influenciando até hoje a escrita de nossa história. É um exercício de poder que não está datado, mas que se estende e influencia os estudos atuais” (SILVA, Marisa Ribeiro. História, memória e poder: Xavier da Veiga, o Arconte do Arquivo Público Mineiro. Belo Horizonte: FAFICH/UFMG, 2006. p. 96. Dissertação de mestrado).</p>
<p>O decisivo é não perder de vista que o homenageado, José Pedro Xavier da Veiga, como historiador era consciente de que a memória constitui instrumento de poder, servindo a estratégias de legitimação de regimes políticos e à criação artificial de sentimentos de pertencimento e de imaginários sócio-políticos. A propósito, no campo político, José Pedro Xavier da Veiga era conservador, elitista, paternalista, cuja intervenção nos debates nacionais foi pautada pelos valores da “ordem”, da “conciliação” e do “gradualismo” (o Brasil não comportaria mudanças bruscas). Daí sua capacidade de, sendo monarquista apaixonado, aderir ao regime republicano e manter-se vivo na política mineira.</p>
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		<item>
		<title>Livro novo na estante: “Historiadores do nosso tempo”</title>
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		<pubDate>Sun, 20 Feb 2011 22:08:55 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Marcos Lobato Martins</dc:creator>
				<category><![CDATA[eventos e seminários]]></category>
		<category><![CDATA[história]]></category>
		<category><![CDATA[Notas]]></category>
		<category><![CDATA[Historiadores notáveis]]></category>
		<category><![CDATA[historiografia]]></category>
		<category><![CDATA[Século XX]]></category>

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		<description><![CDATA[Capa do livro &#34;Historiadores do nosso tempo&#34; A Editora Alameda publicou, no fim de 2010, o livro organizado pelos professores Marcos Antônio Lopes (UEL) e Sidnei J. Munhoz (UEM), que reúne ensaios de historiadores brasileiros sobre grandes historiadores estrangeiros. Em cada ensaio, há um panorama do percurso de cada historiador homenageado, no qual são destacados [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: center;"><div class="img size-full wp-image-884  aligncenter" style="width:385px;">
	<a href="http://www.minasdehistoria.blog.br/wp-content/arquivos/2011/02/Capa.jpg" rel="lightbox[883]"><img src="http://www.minasdehistoria.blog.br/wp-content/arquivos/2011/02/Capa.jpg" alt="" width="385" height="577" /></a>
	<div>Capa do livro &quot;Historiadores do nosso tempo&quot;</div>
</div>
<p>A Editora Alameda publicou, no fim de 2010, o livro organizado pelos professores Marcos Antônio Lopes (UEL) e Sidnei J. Munhoz (UEM), que reúne ensaios de historiadores brasileiros sobre grandes historiadores estrangeiros. Em cada ensaio, há um panorama do percurso de cada historiador homenageado, no qual são destacados seus interesses temáticos, posições teóricas e mudanças de perspectiva no decorrer de sua carreira.</p>
<p>Sobre a obra, escreveu o Prof. Francisco José Calazans Falcon: “Oportuna, esta iniciativa coloca ao alcance do leitor, sobretudo docentes e alunos dos cursos de Ciências Humanas em geral, e de História, em particular, textos fundamentais da historiografia contemporânea, isto é, autores e obras que constituem verdadeiros marcos no campo da escrita da História ao longo do último século”.</p>
<p>Nesta obra, contribuo com um texto sobre o historiador marxista Eric Hobsbawm. Colegas de diversas universidades abordam outros 15 historiadores, dentre os quais Carlo Ginzburg, E. P. Thompson, Emmanuel Le Roy Ladurie, Eugene Genovese, Georges Duby, Jacques Le Goff, Quentin Skinner e Robert Darnton. Como bem lembrou o Prof. Francisco Falcon, neste tipo de obra há a questão da escolha do “repertório”. Quem deve entrar? O próprio Falcon respondeu: “Boas escolhas, isto é, suficiente representativas? Pensamos que sim! Claro, sempre haveria outras escolhas possíveis, mas este vem a ser o grande mérito dos organizadores: o de terem ousado escolher alguns nomes, mesmo com o risco de deixar entre os esquecidos outros nomes igualmente significativos”.</p>
<p>Creio que os leitores interessados em História e no “ofício do historiador” encontrarão proveito neste livro. Os autores, é claro, aguardam os comentários críticos.</p>
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		<title>Faz sentido apregoar o triunfo das cidades?</title>
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		<pubDate>Sun, 20 Feb 2011 17:13:33 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Marcos Lobato Martins</dc:creator>
				<category><![CDATA[desenvolvimento sustentável]]></category>
		<category><![CDATA[Resenha]]></category>
		<category><![CDATA[Desenvolvimento territorial]]></category>
		<category><![CDATA[Grandes cidades]]></category>
		<category><![CDATA[Ruralidade]]></category>

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		<description><![CDATA[Belo Horizonte vista do Mirante das mangabeiras   Os leitores me permitam apontar para um livro recente, cujo interesse é extraordinário. Trata-se da obra de Edward Glaeser, intitulada “Triumph of the City”, publicada pela Penguin no final de 2010. O subtítulo do livro – “Como nossa maior invenção nos faz mais ricos, espertos, vivos, saudáveis [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: center;"><div class="img size-full wp-image-880  aligncenter" style="width:320px;">
	<a href="http://www.minasdehistoria.blog.br/wp-content/arquivos/2011/02/Belo-Horizonte-vista-do-Mirante-das-mangabeiras.jpg" rel="lightbox[878]"><img src="http://www.minasdehistoria.blog.br/wp-content/arquivos/2011/02/Belo-Horizonte-vista-do-Mirante-das-mangabeiras.jpg" alt="" width="320" height="240" /></a>
	<div>Belo Horizonte vista do Mirante das mangabeiras</div>
</div>
<p> </p>
<p>Os leitores me permitam apontar para um livro recente, cujo interesse é extraordinário. Trata-se da obra de Edward Glaeser, intitulada “Triumph of the City”, publicada pela Penguin no final de 2010. O subtítulo do livro – “Como nossa maior invenção nos faz mais ricos, espertos, vivos, saudáveis e felizes” (em tradução livre) – prepara o leitor para o argumento central do economista de Harvard. Glaeser enxerga as grandes cidades como epicentro das realizações humanas, lugares capazes de potencializar a energia e a criatividade da humanidade, porque elas estimulam a inovação ao facilitarem a interação face a face. As grandes cidades atrairiam os talentos e os moldariam pela competição. As grandes cidades encorajariam o empreendedorismo e possibilitariam a mobilidade econômica e social. Ao abordar as economias urbanas de Atenas, Londres, Tóquio, Bangalore, Kinshasa, Houston, Boston, Cingapura e Vancouver, Glaeser lista as vantagens econômicas e culturais da aglomeração urbana.</p>
<p>Neste sentido, o economista de Harvard não poupa o modelo de vida suburbana típico dos Estados Unidos e, por tabela, as políticas públicas que subsidiam a expansão dos “subúrbios verdejantes”, repletos de grandes casas e gramados viçosos, ruas arborizadas e vazias. Edward Glaeser faz a defesa apaixonada da construção vertical, cada vez mais alta. Ele prefere vizinhanças de arranha-céus a centenas de acres de casas suburbanas rentes ao solo. Glaeser é enfático: maiores densidades deveriam ser o objetivo, pois mais pessoas significariam mais oportunidades e possibilidades. Curiosamente, para irritação dos ambientalistas mais ortodoxos, Glaeser argumenta que viver em cidades é uma forma mais eficiente de poupar a natureza. Questões como saneamento, congestionamento, segurança e impactos ambientais seriam mais facilmente equacionadas nas grandes cidades do que no cenário de difusão da vida suburbana – a suburbanização estaria produzindo um desastre ecológico.</p>
<p>O livro de Glaeser tem o mérito de recolocar o debate sobre o “urbano”, e, dessa forma, acender polêmicas sobre o “rural” na contemporaneidade e sobre os modelos de desenvolvimento territorial. Mas ele traz mais água para o velho moinho de que o futuro estaria na urbanização triunfante. De que o “rural” estaria ferido de morte, incapaz de ajustar contas com o desenvolvimento, de gerar renda, inovação, capital social. Uma perspectiva arraigada no campo das Humanidades, felizmente, porém, contraposta pela própria trajetória dos países desenvolvidos. O “rural” permanece, e tende mesmo a crescer; o “rural” congrega espaços de elevado IDH e dinamismo econômico. Há, portanto, um problema de empiria nas análises de Glaeser, além de ser problemático seu apego à ideia de que é sustentável o movimento ininterrupto para cima e para frente. A visão da ruralidade de Edward Glaeser é enviesada, para não dizer distorcida. Senão, vejamos.</p>
<p>Hoje, em toda parte, o campo é atravessado por transformações significativas, a que os especialistas costumam chamar de “nova ruralidade” (GRAZIANO DA SILVA, 1999). Têm crescido as atividades não-agrícolas, principalmente aquelas relacionadas com agroindústrias, com a “urbanização do meio rural” (moradia, turismo, lazer e outros serviços) e com a preservação do meio ambiente. Nas famílias de pequenos proprietários rurais, avançam tanto a pluriatividade como a dedicação de tempo-parcial à agricultura. Tudo isso, que é bem visível no Sul de Minas, especialmente nos municípios lindeiros do lago de Furnas, origina uma série de desdobramentos econômicos, sociais, políticos e culturais, gerando demandas variadas que requerem encaminhamentos adequados. A despeito das transformações recentes, o espaço rural nem desapareceu, como previram apologistas da urbanização, nem afundou nas águas do tempo lento da “história imóvel”. Ao contrário, mostra-se dinâmico, complexo e, por isso mesmo, desafia a capacidade de compreensão dos pesquisadores. Tem razão Paulo Roberto Alentejano (1997) ao propor que seguem existindo muitos “rurais” e “urbanos”, distinguidos pela relação com a terra e a intensidade da territorialidade: o urbano representa relações mais deslocadas do território, ao passo que o rural reflete uma maior territorialidade, uma vinculação mais intensa com a terra, tanto em termos econômicos como socioculturais.</p>
<p><span id="more-878"></span><br />
Esta percepção contrasta com o ponto de vista que predominou nos séculos XVIII e XIX, nos albores da “modernidade”. A difusão dos fenômenos da industrialização e urbanização alimentou a hegemonia da abordagem dualista de economistas, antropólogos, sociólogos, geógrafos e historiadores, cujo pilar era a suposição da dicotomia rural-urbano (SOROKIN, ZIMMERMAN e GALPIN, 1986). Tanto liberais (Adam Smith e David Ricardo, na Economia; Emile Durkheim e Max Weber, na Sociologia) quanto pensadores de esquerda (Karl Marx e Henri Lefebvre são referências incontornáveis) compartilharam visões do campo que enfatizavam o tradicionalismo dos hábitos e crenças, o conservadorismo político, o atraso econômico e social das populações rurais. Nessa perspectiva, o mundo rural, reduzido à dimensão da agricultura, seria um estorvo aos processos de modernização e, por isso mesmo, destinatário de políticas estatais impositivas orientadas para promover, de um lado, a subordinação do campo à lógica da economia industrial e, de outro lado, retirar-lhe substância demográfica. A cidade e a indústria seriam o futuro; o campo e a agricultura, o passado. No Brasil, esta abordagem dualista foi empregada por Jacques Lambert (1970) e Roger Bastide (1969) na interpretação da formação social brasileira, vista como dividida em dois setores: um “aberto e moderno”, associado ao urbano e à indústria; outro “fechado e arcaico”, referido ao campo e à agricultura. O “arcaico” explicava-se pelo passado colonial. O “moderno” era produto da importação da “civilização industrial”. Celso Furtado (2003, 2007) aderiu à sua maneira a esta visão da formação brasileira. Enfim, a dicotomia campo-cidade parecia bem apoiada na marcha da história nos países centrais do capitalismo, sustentando a aposta no desenvolvimentismo glorificador do “pendor urbanóide-industrialóide”, para usar a expressão de Gilberto Freyre (1982).</p>
<p>No fim do século XVIII e início do século XIX, pensadores influenciados pelo Romantismo reafirmaram a dicotomia campo-cidade, embora com sinal invertido, pois idealizaram a vida camponesa ao avalizar imagens de um mundo rural como território mais “natural”, sem conflitos e disputas, lugar de paisagens esplendorosas, próprias para o lazer e turismo, e de comunidades simples e “autênticas”. Estas imagens ainda hoje circulam e integram as representações simbólicas de numerosos e diversos grupos sociais. Nem mesmo no nascimento da Geografia Humana, a dicotomia rural-urbano sofreu abalos – basta pensar nos estudos regionais de Pierre Vidal de la Blache (1903), fortemente centrados nos recortes dos antigos pays e na noção de “gênero de vida”. Até os anos 1960, o mainstream acadêmico pensava o campo como part society, enquanto folcloristas, missionários e funcionários governamentais tendiam a vê-lo como “mercado de antiguidades”.</p>
<p>No Pós-Guerra, processos de transformação de escala mundial contribuíram para desacreditar a abordagem dualista do rural. Evaporaram-se algumas das mais caras esperanças da “modernidade” burguesa e as certezas do “progresso”, baseado no avanço da ciência e da técnica. A modernidade capitalista, urbano-industrial, tecno-científica, terminou sub judice. Por conseguinte, as idéias de rural e urbano também sofreram mutação radical.<br />
Ilustram direções desta mutação, por exemplo, as pesquisas do historiador Edward Palmer Thompson (1998) sobre a cultura plebéia na Inglaterra do século XVIII. Uma cultura permeada por costumes tradicionais que geravam exigências por novos direitos e desencadeavam pressões e protestos populares, preservada, atualizada e revigorada de geração em geração. Uma cultura transmitida oralmente e por almanaques, livretos, anedotas e músicas de escárnio, colocada a serviço da resistência perante situações de expropriação, exploração e perdas. Uma “economia moral” da plebe em confronto com a inovadora economia de mercado, que conferia dimensão e sentido social aos protestos, rebeldias e contestações populares. Plebe, cuja parcela campesina era ponderável, que Thompson não via como massa amorfa, passiva, facilmente manipulável. O historiador inglês ressaltava no antigo rural a faceta do protagonismo, da criatividade, da inovação e da luta contra aberrações econômicas e políticas. Outro exemplo da mutação aludida é fornecido pelas proposições dos sociólogos Mottura e Pugliesi (1980) concernentes à pequena agricultura familiar de tempo-parcial no Sul da Itália. Eles mostraram a interdependência da indústria e da pequena produção agrícola, ao analisar a estratégia camponesa de vincular-se, simultaneamente, ao emprego industrial e ao labor rural, mormente nos períodos de maior pujança da indústria. De uma só vez, expunha-se a existência de racionalidades próprias ao campesinato e a integração das esferas de produção agrícola e não-agrícola, o que falseava a ideia do campo como part society. Um terceiro exemplo, mais recente, são as pesquisas de Robert Putnam (2008) sobre “capital social” e desenvolvimento na Itália. Putnam mostrou que regiões rurais do norte italiano e do sul alemão possuíam posições vantajosas para inserção na economia de “acumulação flexível” justamente em função de valores e capacidades resultantes de suas tradições, hábitos. Dessa forma, não surpreendia o fato de que áreas rurais e pequenas cidades nelas localizadas surgissem como campeãs do ranking do IDH em muitos países ocidentais. Nada mais equivocado, portanto, do que insistir na suposição de que os espaços rurais constituem ilhas de primitivismo no paraíso da modernidade. Eunice Ribeiro Durham (1973), ao analisar os processos de adaptação de migrantes rurais na periferia de São Paulo por meio da reinvenção de formas de sociabilidade e de organização trazidas do campo, mostrou que o rural pode subsistir culturalmente por longo tempo fora da economia agrícola. Assim, no Brasil e na América Latina existem enclaves rurais no mundo urbano, nos subúrbios, favelas e cortiços em que milhões de pessoas sobrevivem com dificuldade.</p>
<p>Hoje, os estudos acadêmicos do mundo rural estão às voltas com a diversidade dos processos de mudança e adaptação da economia rural, a introdução de novos valores culturais e de atividades produtivas e as transformações sociais no campo. O desafio é lidar com “novas ruralidades” e novas identidades rurais que estão sendo construídas em todo canto do planeta. No caso do Brasil e da América Latina, este processo está imbricado com as postulações de fortalecimento da agricultura familiar e de realização da reforma agrária, com as diversas formas da luta dos pequenos proprietários (em cooperativas e sindicatos, por preços agrícolas, contra os juros bancários, etc.), dos posseiros (nos sindicatos, para regularizar a sua situação, etc.), dos arrendatários, todos exigindo direitos, abrindo pendências na Justiça, em suma, lutando por autonomia e liberdade. Há um grande debate sobre o rural, fertilizado pela lenta descoberta de que as populações do campo têm seus próprios códigos de conhecimento e sua própria concepção de destino, que são tão legítimos quanto os códigos e as concepções de outros setores da sociedade. Debate que gira em torno de novas categorias – localidade, ruralidade, globalização, pluriatividade, “urbanização do campo”, território, paisagem, identidade, sustentabilidade, etc. – e parte da aceitação da complexidade das dinâmicas do desenvolvimento no território rural. Aliás, como salientou o sociólogo José de Souza Martins (2001, p. 35), as recentes pesquisas estão, aos poucos, impondo outra imagem do campo: “As populações rurais, mais do que instrumentos da produção agrícola, são autoras e consumadoras de um modo de vida que é também um poderoso referencial de compreensão das irracionalidades e contradições que existem fora do mundo rural. São uma reserva importante de um tipo de inovação e criatividade que tende a ser destruído e que pode desaparecer”.</p>
<p>Bibliografia:<br />
ALENTEJANO, Paulo Roberto R. Reforma Agrária e Pluriatividade no Rio de Janeiro: repensando a dicotomia rural-urbana nos assentamentos rurais. Dissertação de Mestrado. Curso de Pós-Graduação em Desenvolvimento, Agricultura e Sociedade. UFRRJ, 1997.<br />
BASTIDE, Roger. Brasil terra de contrastes. 3. ed. São Paulo: Difel, 1969.<br />
DURHAM, Eunice Ribeiro. A caminho da cidade: a vida rural e a migração para São Paulo. São Paulo: Perspectiva, 1973.<br />
FREYRE, Gilberto. Rurbanização: que é? Recife: Massangana/Fundação Joaquim Nabuco, 1982.<br />
FURTADO, Celso. Formação econômica do Brasil. 34. ed. São Paulo: Companhia das Letras, 2007.<br />
________. Raízes do subdesenvolvimento. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 2003.<br />
GRAZIANO DA SILVA, José. O novo rural brasileiro. 2. ed. rev. Campinas, SP: IE UNICAMP, 1999. (Col. Pesquisas, 1)<br />
LA BLACHE, Pierre Vidal de. Tableau de la Géographie de la France. Paris: Hachette, 1903.<br />
LAMBERT, Jacques. Os dois Brasis. 6. ed. São Paulo: Companhia Editora Nacional, 1970.<br />
MARTINS, José de Souza. O futuro da Sociologia Rural e sua contribuição para a qualidade de vida rural. Estudos Avançados, São Paulo, v. 15, n. 43, set.-dez. 2001.<br />
MOTTURA, G.; PUGLIESE, E. Capitalistic Agriculture and Capitalism in Agriculture: the Italian Case. In: BUTTELM, F. H.; NEWBY, H. (Eds.). The Rural Sociology of Advanced Societies: Critical Prespectives. Montclair, N. J.:Allanheld, Osmun &amp; Co. Publishers, 1980.<br />
PUTNAM, Robert. Comunidade e democracia: a experiência da Itália moderna. Rio de Janeiro: Editora FGV, 2008.<br />
SOROKIN, P. A.; ZIMMERMAN, C. A.; GALPIN, C. J. Diferenças fundamentais entre o mundo rural e o urbano. In: MARTINS, José de Souza (Org.). Introdução crítica à Sociologia Rural. São Paulo: Hucitec, 1986. p. 198-224.<br />
THOMPSON, Edward P. Costumes em comum: estudos sobre a cultura popular tradicional. São Paulo: Companhia das Letras, 1998.</p>
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		<title>Imagens de uma trajetória urbana no Sul de Minas</title>
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		<pubDate>Sat, 06 Nov 2010 17:08:11 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Marcos Lobato Martins</dc:creator>
				<category><![CDATA[crônica]]></category>
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		<category><![CDATA[imaginário social]]></category>
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		<category><![CDATA[História urbana]]></category>
		<category><![CDATA[Imagens e representações]]></category>
		<category><![CDATA[Sul de Minas]]></category>

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		<description><![CDATA[Fama. Óleo sobre tela de Elisabete Gonzaga Rocha (2008). Popularmente se diz que “uma imagem vale mais do que mil palavras”. De fato, as imagens costumam falar mais diretamente à sensibilidade, mobilizando elementos da intuição e do imaginário antes que recursos do pensamento lógico-conceitual. Por outro lado, especialmente com o desenvolvimento da fotografia, do filme [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: center;"><a href="http://www.minasdehistoria.blog.br/wp-content/arquivos/2010/11/Estação-de-Fama.jpg" rel="lightbox[866]"></a><a href="http://www.minasdehistoria.blog.br/wp-content/arquivos/2010/11/Estação-de-Fama2.jpg" rel="lightbox[866]"></a><div class="img size-medium wp-image-868  aligncenter" style="width:512px;">
	<a href="http://www.minasdehistoria.blog.br/wp-content/arquivos/2010/11/2010_01150011.jpg" rel="lightbox[866]"><img src="http://www.minasdehistoria.blog.br/wp-content/arquivos/2010/11/2010_01150011-512x384.jpg" alt="" width="512" height="384" /></a>
	<div>Fama. Óleo sobre tela de Elisabete Gonzaga Rocha (2008).</div>
</div>
<p style="text-align: left;">Popularmente se diz que “uma imagem vale mais do que mil palavras”. De fato, as imagens costumam falar mais diretamente à sensibilidade, mobilizando elementos da intuição e do imaginário antes que recursos do pensamento lógico-conceitual. Por outro lado, especialmente com o desenvolvimento da fotografia, do filme e do vídeo, o senso-comum acostumou-se a tratar as imagens como registros fiéis, neutros e objetivos da realidade. Assim, por exemplo, quanto mais pixels uma foto contiver, mais próxima do real ela seria. Analogamente, o vídeo exibido na TV ou internet equivaleria à observação direta, em tempo real, de determinado fenômeno natural ou social. As imagens seriam, por natureza, verdadeiras.</p>
<p style="text-align: center;"><div class="img size-full wp-image-872  aligncenter" style="width:500px;">
	<a href="http://www.minasdehistoria.blog.br/wp-content/arquivos/2010/11/Estação-de-Fama3.jpg" rel="lightbox[866]"><img src="http://www.minasdehistoria.blog.br/wp-content/arquivos/2010/11/Estação-de-Fama3.jpg" alt="" width="500" height="263" /></a>
	<div>Foto da Estação de Fama, anos 1940. Autor desconhecido.</div>
</div>
<p>É claro que não é bem assim. Toda imagem é um “constructo” e, nisso, ela se parece com qualquer discurso elaborado com palavras. Imagens são representações da realidade, produzidas por atores específicos a partir de pontos de vista, intenções e repertórios simbólicos e conceituais que é preciso esmiuçar. Elas não podem ser vistas, ou melhor, lidas e interpretadas ingenuamente. Para os cientistas sociais e historiadores, as imagens são documentos. Dizem alguma coisa, ao mesmo tempo em que silenciam sobre outras coisas. As imagens são carregadas de historicidade, porque são marcas que apreendem dimensões sutis das vidas de indivíduos e sociedades, de hoje ou de outros tempos.</p>
<p style="text-align: center;"><div class="img size-medium wp-image-873  aligncenter" style="width:512px;">
	<a href="http://www.minasdehistoria.blog.br/wp-content/arquivos/2010/11/2010_02190174.jpg" rel="lightbox[866]"><img src="http://www.minasdehistoria.blog.br/wp-content/arquivos/2010/11/2010_02190174-512x384.jpg" alt="" width="512" height="384" /></a>
	<div>Águas de Fama. Foto de M. L. Martins (25/10/2010)</div>
</div>
<p>Mais que chamativas, cativantes, espetaculares, as imagens permitem ao olhar treinado recuperar os sentidos que orientaram sua própria concepção e fabricação. Na miríade de documentos iconográficos, memória, história e utopia vivem juntas, e misturadas. Por isso as imagens tornaram-se tão importantes no estudo do passado.</p>
<p>Convido o leitor e a leitora a examinarem o conjunto de imagens apresentadas neste post, referente à pequena cidade sul-mineira de Fama, na beira do lago de Furnas. Imagens antigas e imagens recentes, fotografias e pinturas, produzidas por autores diferentes. O que estas imagens sugerem a respeito da trajetória histórica de Fama?</p>
<p style="text-align: center;"><div class="img size-medium wp-image-874  aligncenter" style="width:512px;">
	<a href="http://www.minasdehistoria.blog.br/wp-content/arquivos/2010/11/2010_02190188.jpg" rel="lightbox[866]"><img src="http://www.minasdehistoria.blog.br/wp-content/arquivos/2010/11/2010_02190188-512x682.jpg" alt="" width="512" height="682" /></a>
	<div>Janela do lago. Foto de M. L. Martins. Hotel Náutico de Fama, 25/10/2010 </div>
</div>
<p>Elas realçam a existência de uma linha de corte na história do lugar. Falam de virada inesperada, de um golpe de vento que mudou o rumo da história. Um dilúvio que demarcou um antes e um depois. Um antes agrário, rural, movimentado pelas boiadas e pelo trem. Um tempo antigo pacato, de fartura e trabalho com a terra. Um tempo novo dominado pela água, organizado pelo turismo e pelo lazer, um depois de cidade-balneário, transformada em refúgio de fim de semana, ainda pacata, mas onde as fazendas cederam espaço aos condomínios de sítios e casas de veraneio.</p>
<p>Estas imagens insinuam um programa de pesquisa, a ser conduzido na interseção do social com o ambiental, do urbano com o rural, do econômico com o cultural.</p>
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		<title>Casas de morada das elites rurais de Alfenas no XIX</title>
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		<pubDate>Fri, 05 Nov 2010 23:32:15 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Marcos Lobato Martins</dc:creator>
				<category><![CDATA[História regional]]></category>
		<category><![CDATA[imagens de Minas]]></category>
		<category><![CDATA[patrimônio cultural]]></category>
		<category><![CDATA[Antigas sedes de fazendas]]></category>
		<category><![CDATA[Edificações rurais]]></category>
		<category><![CDATA[Elites proprietárias]]></category>
		<category><![CDATA[Habitações rurais]]></category>

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		<description><![CDATA[Fazenda Campo Redondo, nas proximidades de Alfenas São conhecidas as casas imponentes que abrigaram as elites oitocentistas mineiras, especialmente as construções rurais, sedes de fazendas notórias pela amplitude da área e das atividades nelas desenvolvidas. Muitas delas tornaram-se cartões postais. Outras ofereceram cenários para filmes e telenovelas. Os guias turísticos nunca perdem a chance de [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: center;"><div class="img size-medium wp-image-864  aligncenter" style="width:512px;">
	<a href="http://www.minasdehistoria.blog.br/wp-content/arquivos/2010/11/2010_02190135.jpg" rel="lightbox[863]"><img src="http://www.minasdehistoria.blog.br/wp-content/arquivos/2010/11/2010_02190135-512x682.jpg" alt="" width="512" height="682" /></a>
	<div>Fazenda Campo Redondo, nas proximidades de Alfenas</div>
</div>
<p>São conhecidas as casas imponentes que abrigaram as elites oitocentistas mineiras, especialmente as construções rurais, sedes de fazendas notórias pela amplitude da área e das atividades nelas desenvolvidas. Muitas delas tornaram-se cartões postais. Outras ofereceram cenários para filmes e telenovelas. Os guias turísticos nunca perdem a chance de mostrar estas grandes habitações para os visitantes que percorrem municípios mineiros.</p>
<p>Vale lembrar, entretanto, que as grandes fazendas, confortáveis, ricas e solidamente construídas foram exceção à regra mineira. Qual era a regra no nosso campo? Fazendas pequenas e médias, simples, rústicas mesmo, sem qualquer nota de singularidade, de produção relativamente diversificada – criação de gado, plantação de roças de mantimentos, artesanato ou manufatura. Nas Minas Gerais do século XVIII, a força da mineração, se não impediu o desenvolvimento da agropecuária, conferiu ao território urbanismo mais acentuado, com vilas dotadas de monumentos religiosos e casas imponentes. O campo mineiro, nessa centúria, não foi tão viçoso quanto o de capitanias como Bahia e Pernambuco, onde construções rurais suntuosas dominaram a paisagem nas zonas canavieiras. No século XIX, a enxada predominou sobre a bateia, as cidades do ouro transformaram-se em “villes de dimanche”, só movimentadas no domingo pela troca de produtos e solenidades religiosas. No oitocentos, portanto, a cidade mineira empalidece um pouco, enquanto as fazendas se ampliam, mas sem rivalizar com as congêneres fluminenses e paulistas. A cafeicultura, primeiro na Zona da Mata, depois no Sul de Minas, ensejou o erguimento de algumas sedes de fazendas ricas e de bom gosto.</p>
<p>No entorno de Alfenas, estão de pé algumas destas construções. É o caso da Fazenda Campo Redondo, na margem da rodovia que liga Alfenas a Areado. Outro exemplar é a Fazenda Monte Alegre, situada no município de Monte Belo. Na década de 1980, a Monte Alegre media quase 18 mil hectares, produzia 75 mil sacas anuais de café limpo, 450 mil caixas de cítricos e 485 mil toneladas de cana, empregando diretamente 2900 pessoas. Em Machado, a Fazenda Espírito Santo, cuja sede possui cerca de 180 anos, dedicada à produção de café e leite, prende a atenção.</p>
<p>Todas elas exibem características mineiras de construção. Madeiras pintadas de azul, amplas varandas, estrutura autônoma de madeira e vedação leve de pau-a-pique, andar nobre elevado, telhado prolongado para frente apoiado em pilares de madeira, guarda-corpos vazados nas varandas, escadas em madeira ou pedra como que soltas do contexto das varandas, para não pesar nelas. Pátios e muros fronteiros bem construídos, geralmente em pedra. Na planta, o predomínio do quadrado na composição geral, puxado para trás nas cozinhas e anexos. No processo construtivo, ressalta a perfeição nos encaixes das madeiras (o que confere solidez e segurança aos edifícios) e o esmero nos acabamentos (entalhes, pinturas, forros, vedações almofadadas).</p>
<p>Infelizmente, por toda Minas Gerais, antigas fazendas têm desaparecido numa deplorável perda de patrimônio histórico e artístico. Umas por causa da ação do tempo sobre as precárias edificações rurais. Outras em razão da incúria de seus donos ou vitimadas pelo mau gosto e iconoclastia associados a noções equivocadas de “progresso”. Com sua sede de terras para fábricas, vias públicas e casas, o avanço inabalável da urbanização também contribui para a absorção (descaracterizadora ou destrutiva) das antigas construções rurais. As que restam tendem a ser convertidas em refúgio para o lazer de fim de semana, em válvula de escape à correria e ao caos das metrópoles e megalópoles. Terminam, pois, como signos idealizados da vida de antanho, vida pretensamente tranquila e saudável, capaz de provocar saudosismo.</p>
<p>Do ponto de vista do historiador, a nostalgia não é boa companhia quando refletimos acerca destas antigas construções que ainda resistem ao turbilhão contemporâneo. Estes exemplares de casas de morada do passado falam de outro tempo, enquanto deleitam nossos olhos. Eles valem como documentos, ajudando a compreender a trajetória de Minas Gerais nos últimos três séculos.</p>
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		<title>Continuidade no cenário agrário de Alfenas, MG: segunda metade do XIX</title>
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		<pubDate>Sun, 24 Oct 2010 18:01:20 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Marcos Lobato Martins</dc:creator>
				<category><![CDATA[eventos e seminários]]></category>
		<category><![CDATA[história de Minas Gerais]]></category>
		<category><![CDATA[história econômica]]></category>
		<category><![CDATA[História regional]]></category>
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		<category><![CDATA[Cafeicultura]]></category>
		<category><![CDATA[Propriedades rurais]]></category>
		<category><![CDATA[Século XIX]]></category>
		<category><![CDATA[Sul de Minas]]></category>

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		<description><![CDATA[Cândido Portinari, Colheita de café (1958), óleo sobre madeira No início desta semana, visitei a cidade de Itajubá, no Sul de Minas. Viagem de trabalho, é verdade, mas que me permitiu conhecer a simpática urbe atravessada pelo Rio Sapucaí e limitada pelos contrafortes da Serra da Mantiqueira. Fui participar do I Encontro de Economia do [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: center;"><div class="img size-full wp-image-858  aligncenter" style="width:380px;">
	<a href="http://www.minasdehistoria.blog.br/wp-content/arquivos/2010/10/Colheita-de-café.jpg" rel="lightbox[857]"><img src="http://www.minasdehistoria.blog.br/wp-content/arquivos/2010/10/Colheita-de-café.jpg" alt="" width="380" height="311" /></a>
	<div>Cândido Portinari, Colheita de café (1958), óleo sobre madeira</div>
</div>
<p>No início desta semana, visitei a cidade de Itajubá, no Sul de Minas. Viagem de trabalho, é verdade, mas que me permitiu conhecer a simpática urbe atravessada pelo Rio Sapucaí e limitada pelos contrafortes da Serra da Mantiqueira. Fui participar do I Encontro de Economia do Sul de Minas Gerais, realizado de 18 a 20 de outubro, pelo Instituto de Engenharia de Produção e Gestão (IEPG) da Universidade Federal de Itajubá (UNIFEI), em parceria com a Faculdade de Ciências Sociais Aplicadas do Sul de Minas (FACESM).</p>
<p>Neste evento, marcado pela presença de trabalhos realizados por pesquisadores de diversas universidades brasileiras, abordando temas variados da Economia e da História Econômica, com ênfase sobre a região do Sul de Minas, apresentei comunicação oral intitulada “Notas sobre as propriedades rurais de Alfenas, MG: décadas de 1870-1880”. A comunicação divulgou resultados iniciais de uma pesquisa sobre a transição da economia de abastecimento para a cafeicultura na região de Alfenas, na segunda metade do Oitocentos. Com base em documentos cartorários, notadamente inventários, o trabalho examina as pautas de atividades das propriedades rurais e a estrutura da riqueza dos fazendeiros, bem como o lugar da cafeicultura na dinâmica das unidades agrícolas do município. A pesquisa prossegue – o número de inventários lidos praticamente dobrou desde o momento em que o trabalho foi encaminhado aos organizadores do I EESM. E tudo indica que as tendências inicialmente encontradas não serão alteradas.</p>
<p>O trabalho em tela permite inferir que a introdução do café na região de Alfenas guarda semelhança com o caso do Vale do Paraíba paulista, onde o café começou como lavoura secundária entre pequenos, médios e grandes proprietários voltados para a produção de alimentos. Posteriormente, já no século XX, ocorreu a especialização produtiva regional na rubiácea. Os dados levantados também sugerem que o financiamento inicial da cafeicultura em Alfenas dependeu dos capitais acumulados na tradicional agricultura de abastecimento.</p>
<p>A pesquisa de que resultou o trabalho anteriormente referido tem o objetivo de esclarecer dois problemas historiográficos. O primeiro diz respeito aos processos de transição da “economia de abastecimento” para a “economia cafeeira”: as alterações nos sistemas agrícolas regionais, na composição das fortunas dos grandes proprietários e as reorientações de suas ações políticas nos planos provincial e nacional. O segundo problema está ligado mais diretamente à própria compreensão da expansão da cafeicultura no Sul de Minas: quem a promoveu, como o fez e de que maneira a financiou?</p>
<p>Sem mais delongas, coloco à disposição do leitor e da leitora o pequeno artigo <a href="http://www.minasdehistoria.blog.br/wp-content/arquivos/2010/10/Notas-sobre-as-propriedades-rurais-de-alfenas-MG-décadas-de-1870-1880.pdf"><strong>Notas sobre as propriedades rurais de alfenas, MG: décadas de 1870-1880.</strong></a></p>
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		<title>Passarinhos salvam o dia</title>
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		<pubDate>Sun, 17 Oct 2010 17:45:21 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Marcos Lobato Martins</dc:creator>
				<category><![CDATA[crônica]]></category>
		<category><![CDATA[imagens de Minas]]></category>
		<category><![CDATA[meio-ambiente]]></category>
		<category><![CDATA[Cidades "verdes"]]></category>
		<category><![CDATA[Corredores ecológicos]]></category>
		<category><![CDATA[Pássaros de Minas]]></category>

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		<description><![CDATA[Pica-pau assenhora-se da ponta oeste de Alfenas Sob o peso do feriado, a cidade envergava preguiçosa. Procurava cama, pedia sono. As ruas vazias cediam terreno para a poeira fina, vermelha, soprada de vez em quando por brisa fraca. O suor escorria no rosto de quem observava a tarde declinante, nublada, abafada. O tempo não se [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: center;"><a href="http://www.minasdehistoria.blog.br/wp-content/arquivos/2010/10/2010_01310029.jpg" rel="lightbox[852]"></a><div class="img size-medium wp-image-853  aligncenter" style="width:512px;">
	<a href="http://www.minasdehistoria.blog.br/wp-content/arquivos/2010/10/2010_01310044.jpg" rel="lightbox[852]"><img src="http://www.minasdehistoria.blog.br/wp-content/arquivos/2010/10/2010_01310044-512x384.jpg" alt="" width="512" height="384" /></a>
	<div>Pica-pau assenhora-se da ponta oeste de Alfenas</div>
</div>
<p>Sob o peso do feriado, a cidade envergava preguiçosa. Procurava cama, pedia sono. As ruas vazias cediam terreno para a poeira fina, vermelha, soprada de vez em quando por brisa fraca. O suor escorria no rosto de quem observava a tarde declinante, nublada, abafada. O tempo não se decidia: hesitava entre chover e firmar. A hora mais triste do dia se aproximava, prometendo cobrir de melancolia a ave-maria entoada no alto-falante do rádio.</p>
<p>Nas Minas Gerais, há dias de Irlanda – plúmbeos, pesados, desesperados. Salvam-nos os passarinhos. A elegância das aves, seus modos delicados, sua altivez sem afetação. A generosidade dos passarinhos remedia tanto o raso quanto o ácido da cena urbana. E indicam o caminho: reconstruir a cidade em bases mais humanas significa torná-la amiga dos pássaros.</p>
<p>Estas criaturinhas merecem mais do que quintais, ruas e parques arborizados, comedouros abastecidos por zelosos porteiros ou motoristas de praça. Não lhes bastam “ilhas verdes” salpicadas no vasto território mineiro. As aves precisam da retração das monoculturas. São poucos os pássaros que conseguem atravessar um cafezal, por exemplo, para alcançar uma mancha de floresta. São poucos os refúgios à disposição das aves nas áreas de nascentes, topos de morros e beiras de rios. As cidades deveriam servir como “âncoras” de capilares e abrangentes “corredores ecológicos”.</p>
<p style="text-align: center;"><div class="img size-medium wp-image-855  aligncenter" style="width:512px;">
	<a href="http://www.minasdehistoria.blog.br/wp-content/arquivos/2010/10/2010_013100291.jpg" rel="lightbox[852]"><img src="http://www.minasdehistoria.blog.br/wp-content/arquivos/2010/10/2010_013100291-512x384.jpg" alt="" width="512" height="384" /></a>
	<div>Uma palheta de ouro no macadame de Alfenas</div>
</div>
<p>Os passarinhos das fotos, flagrados em Alfenas, retribuiriam com mais cor, mais canto, mais beleza. As cidades ficariam mais otimistas, a vida urbana ganharia mais qualidade. Os dias hesitantes, plúmbeos e abafados seriam mais suportáveis. Na paisagem ocupada pelo homem e suas cidades, encontraríamos um caminho de menor resistência.</p>
<p>Esta promessa não é pequena. Realizá-la talvez nos permita morrer a boa morte, morrer como passarinho. Este era o desejo do meu avô. Só agora compreendo seu alcance.</p>
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