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	<title>Velho do Farol</title>
	
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	<description>Apenas um blog</description>
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		<title>Amador</title>
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		<comments>http://marcuspessoa.net/2009/11/03/amador/#comments</comments>
		<pubDate>Tue, 03 Nov 2009 19:20:02 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Marcus Pessoa</dc:creator>
				<category><![CDATA[Cinema]]></category>
		<category><![CDATA[Esporte]]></category>
		<category><![CDATA[Reflexões]]></category>

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		<description><![CDATA[
Veste teus tênis e vai.
Queremos apenas lembrar a você, amador: com esses tênis não será melhor do que ninguém, nem mais do que ninguém. Com esses tênis não subirá em um pódio, nem ouvirá nenhum hino. Não receberá flores, muito menos troféus.
Se você espera ser alguém melhor gastando a sola dos seus tênis, esqueça. Você [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><object width="425" height="262"><param name="movie" value="http://www.youtube.com/v/rdfFeGj-o_0&#038;hl=pt-br&#038;fs=1&#038;"></param><param name="allowFullScreen" value="true"></param><param name="allowscriptaccess" value="always"></param><embed src="http://www.youtube.com/v/rdfFeGj-o_0&#038;hl=pt-br&#038;fs=1&#038;" type="application/x-shockwave-flash" allowscriptaccess="always" allowfullscreen="true" width="425" height="262"></embed></object></p>
<blockquote><p><a href="http://www.olympikusmov.com.br/site/internas/visualizarvideo.aspx?videoid=1062">Veste teus tênis e vai</a>.</p>
<p>Queremos apenas lembrar a você, amador: com esses tênis não será melhor do que ninguém, nem mais do que ninguém. Com esses tênis não subirá em um pódio, nem ouvirá nenhum hino. Não receberá flores, muito menos troféus.</p>
<p>Se você espera ser alguém melhor gastando a sola dos seus tênis, esqueça. Você só vai correr, correr e correr, até sentir que chegou no seu melhor. Chegou ao seu melhor, não ao dos outros.</p>
<p>Se um dia os teus tênis te trouxerem alguma glória, ela não fará com que você viva mais ou melhor. Não ganhará dinheiro com eles. Não terá descontos, nem brindes com eles. Não terá mais mulheres, nem homens, nem novos amigos. Muito menos fãs ou seguidores com eles.</p>
<p>Com esses tênis, não será melhor do que ninguém, nem mais. Só o que esses tênis podem te dizer é que você tem que fazer. Porque você sente. Porque você quer. Porque é isso que te faz acordar de manhã. E viver. E correr.</p>
<p>Queremos que lembre. Por isso, veste teus tênis e vai.</p></blockquote>
<p>O vídeo tem roteiro de Zé Matarazzo e direção dele e de meu amigo Ricardo Raposo. Foi feito para o concurso <strong>Olimpikus.mov</strong></p>
<p>Cliquem no primeiro link, avaliem, comentem lá. Eu, pelo menos, ficaria feliz se eles ganhassem o concurso. Esse seria um comercial da Olimpikus que eu teria prazer em assistir na TV.</p>
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		<title>Finados</title>
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		<pubDate>Mon, 02 Nov 2009 06:25:00 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Marcus Pessoa</dc:creator>
				<category><![CDATA[Reflexões]]></category>
		<category><![CDATA[Reminiscências]]></category>

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		<description><![CDATA[(republicado) Sem metafísica, por favor: às vezes quero idéias simples que definam perfeitamente as coisas. A singularidade da espécie humana, por exemplo. Para além de seu cérebro avantajado, polegar opositor, &#8220;alma imortal&#8221; e quetais, eu queria dizer: o homem é isso e pronto.
De &#8220;bípede implume&#8221; a &#8220;bípede inviável&#8221;, foram muitas as tentativas. Dizem que o [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><img src="http://marcuspessoa.net/wp-content/uploads/2008/11/jazigo.jpg" alt="" title="" width="200" height="318" class="left" /><em>(republicado)</em> Sem metafísica, por favor: às vezes quero idéias simples que definam perfeitamente as coisas. A singularidade da espécie humana, por exemplo. Para além de seu cérebro avantajado, polegar opositor, &#8220;alma imortal&#8221; e quetais, eu queria dizer: o homem <strong>é isso</strong> e pronto.</p>
<p>De &#8220;bípede implume&#8221; a &#8220;bípede inviável&#8221;, foram muitas as tentativas. Dizem que o homem é o único animal que <strong>ri</strong>. Mas uma idéia  me fascina: o homem é um animal que <strong>lembra</strong>. <a href="http://news.bbc.co.uk/hi/spanish/science/newsid_4378000/4378334.stm" title="El duelo de los elefantes">Não é o único</a>, mas eu queria que essa fosse nossa característica definidora.</p>
<p>Penso nisso porque é Dia dos Mortos. Não existe função mais nobre da memória do que lembrar daqueles que já foram. Que não podem mais chamar nossa atenção. Cuja &#8220;presença&#8221; em nada nos é &#8220;útil&#8221;.</p>
<p>Milan Kundera escreve em seu romance <strong>A Imortalidade</strong> que esta pode ser conseguida de duas formas. Os mortos vivem na lembrança dos que os conheceram, o que é a pequena imortalidade. Já uma parte deles transcende, vive na lembrança dos que <strong>não</strong> os conheceram: é a Grande Imortalidade, privilégio de artistas e homens de Estado. A memória permite uma pequena vitória sobre o inexorável.</p>
<p>Existe no centro de Belém um lindo cemitério, o <strong>Soledade</strong>. Quando passo em frente aos mausoléus, minha alma fica pequenina. São obras finamente entalhadas e que custaram muito caro. Fico pensando no medo que reside nos corações humanos. Eu tenho medo de não lembrar, então gasto meu suor para construir algo que me afaste do grande perigo, a impersistência da memória.</p>
<p>Se quiser ensinar a meu filho sobre nossa característica definidora, apenas o levarei para passear no Soledade. Vê? Entende como os homens amam tanto seus semelhantes, a ponto de construir grandes obras para nunca esquecê-los?</p>
<p>Meu pai morreu muito cedo, aos 38 anos, de cirrose hepática. Era alcoólatra. Fora isso, um grande homem, uma pessoa rara para quem todos só têm boas palavras.</p>
<p>Eu já sabia, claro, o que era a morte, mas nunca imaginei que ela pudesse chegar para alguém tão jovem. Minha tia chegou comigo e disse que &#8220;papai do céu levou seu pai&#8221;. Eu achei estúpido da parte dela dizer isso; eu não era nenhum retardado para que precisassem dourar a pílula. Mas fiquei calado; certas coisas dão muito trabalho de explicar.</p>
<p>Eu não chorei, nem mesmo fiquei triste. O que tive foi um transe, uma ânsia de olhar, ver todos ao meu redor, o modo como reagiam a isso, o que diziam dele. Ver minha mãe chegando, muito chorosa, amparada por todos. A vida parecia um filme.</p>
<p>A falta, a enorme falta, a imensamente amarga e triste falta, eu fui sentir uns três dias depois. E nunca deixei de sentir, até hoje.</p>
<p>Estávamos os três, eu e meus irmãos, no velório dele. Lembro dessa cena como se fosse hoje. Chegamos, levados pelos tios, e minha mãe nos recebeu na porta do salão; em seguida nos levou até o caixão, onde papai jazia com o rosto coberto. Mamãe retirou o lenço e disse: &#8220;este é seu pai, e ele se foi para sempre&#8221;.</p>
<p>Um dia desses, conversando com ela, relatei a história, e percebi o júbilo em seu olhar. Seu objetivo estava cumprido: ela queria que nos lembrássemos, que soubéssemos para o resto da vida o que era, na real, ver papai ir embora e nunca mais voltar.</p>
<p>Temos medo da morte porque a modernidade seqüestrou-a de nós. Hoje todos morrem em hospitais, cujo karma é pesado demais. Mas eu tive sorte. Eu pude, em outro episódio, me reconciliar com a idéia da morte como algo natural, como a passagem de um ciclo.</p>
<p>Eu devia ter uns quinze anos e mamãe nos avisa: minha avó (mãe do meu pai) estava muito doente, nas últimas. Fomos imediatamente para a casa dela, e lá estava a velhinha, sentada mas inconsciente, amparada por um médico. Mamãe sentou-se ao lado dela e pegou sua mão; minha avó teve um espasmo, não sei se involuntário ou porque sentiu a singeleza do toque.</p>
<p>Todos os parentes estavam na casa, chorando e rezando. Eu fiquei com eles, e aos poucos tudo fez sentido: a idade avançada da vovó, sua vida sofrida mas digna, seus filhos criados como pessoas de bem. Ela estava indo, mas tinha junto de si todos os que a amavam, na casa onde viveu décadas. Existe forma mais tranqüila de morrer?</p>
<p>Desde esse dia não tenho mais medo da morte.</p>
<p>Um bom dia de Finados a todos. E leiam <a href="http://marcuspessoa.blogspot.com/2004/10/o-suave-bater-de-suas-poderosas-asas.html" title="O suave bater de suas poderosas asas...">esse post antigo</a>, onde <strong>Sandman</strong> reflete sobre as mesmas coisas.</p>
<p><em>Publicado originalmente em 2 de novembro de 2005. Vários comentários foram resgatados do HaloScan, entre eles, ao que parece, o primeiro comentário que este blog recebeu da minha querida <a href="http://quitanda2008.wordpress.com">Cris</a>.</em></p>
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		<title>Raul Thadeu da Ponte Souza</title>
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		<comments>http://marcuspessoa.net/2009/10/15/raul-thadeu-da-ponte-souz/#comments</comments>
		<pubDate>Thu, 15 Oct 2009 10:53:19 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Marcus Pessoa</dc:creator>
				<category><![CDATA[Belém]]></category>
		<category><![CDATA[Literatura]]></category>
		<category><![CDATA[Reminiscências]]></category>

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		<description><![CDATA[
Esse tem sido um ano difícil. O destino levou quase em seguida o mui admirado Juca, pai da Lívia, a dona Amparo, e agora o Raul Thadeu, jornalista e poeta (e grande poeta), pai dos meus queridíssimos Andrea e Paulo, a quem amo como se fossem meus irmãos.
Uma característica comum a essas três pessoas brilhantes [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><img src="http://marcuspessoa.net/wp-content/uploads/2009/10/thadeu.jpg" alt="Raul Thadeu da Ponte Souza" title="Raul Thadeu da Ponte Souza" width="250" height="270" class="size-full wp-image-656" /></p>
<p>Esse tem sido um ano difícil. O destino levou quase em seguida o mui admirado <a href="http://quintaemenda.blogspot.com/2009/07/foram-sao-mais-de-duas-decadas.html">Juca</a>, pai da Lívia, a dona Amparo, e agora o Raul Thadeu, jornalista e poeta (e grande poeta), pai dos meus queridíssimos Andrea e Paulo, a quem amo como se fossem meus irmãos.</p>
<p>Uma característica comum a essas três pessoas brilhantes era o seu amor aos filhos e também a outros jovens que os tinham como uma espécie de pais/mãe postiços. Pois o amor deles sobrava para muito além da prole. Um dos filhos postiços do Thadeu (e isso é uma inferência minha, não sei se ele vai concordar) é o meu amigo, e também poeta e tradutor, Rui Rothe-Neves, que me mandou o texto e o poema abaixo, que eu me apresso a publicar, para lembrar a pessoa extraordinária que era o Thadeu.</p>
<p>O Thadeu se orgulhava de ser poeta inédito. Sempre dizia que queria ser publicado apenas postumamente. O Paulo me avisou ontem que vai começar a organizar as pilhas e pilhas de material para começar a publicar. O Brasil então conhecerá esse gigante a que só nós tínhamos acesso.</p>
<p><strong>Umas poucas palavras e um verso de pé quebrado</strong></p>
<p><em>Rui Rothe-Neves</em></p>
<p>Do ponto de vista das decisões humanas, a vida é uma sucessão de escolhas ladeada por dois eventos imprevisíveis, nascer e morrer. Uns mais, outros menos, todos sabemos disso. Sabê-lo, contudo, não nos consola, nunca o bastante, quando sabemos que um amigo partiu.</p>
<p>Foi assim quando soube que Raul Thadeu e eu não nos encontraríamos mais no mesmo quarto atulhado de livros ou numa mesa de boteco ou na praça ou sabe-se lá onde &#8211; o lugar nunca importara &#8211; pr&#8217;aquele papo que nunca acabou, que era feito de parênteses, um assunto emendando, atropelando ou contradizendo o próximo ou o anterior.</p>
<p>Como bom surrealista que era, nunca desdenhava do acaso; aproveitava o que podia de uma situação para, com a perspicácia que lhe era característica, estabelecer logo as conexões com um tópico pertinente (ou impertinente!) na literatura, nas artes ou nas biografias. Por isso, acho que não deixaria de apontar essa última ironia, pela qual a data se tornou inesquecível: desapareceu no dia de N. Sra. Aparecida&#8230;</p>
<p>* * * * * * * *</p>
<p>Partiste da vida de madrugada<br />
da mesma cidade calada<br />
que te via sonhar</p>
<p>Não levaste o trocado da barca<br />
pulaste a catraca<br />
e mandaste remar</p>
<p>Vai, amigo, carrega o teu canto<br />
pro lado de lá</p>
<p>* * * * * * * *</p>
<p>Outras notas sobre ele:</p>
<p><a href="http://www.orm.com.br/amazoniajornal/interna/default.asp?modulo=222&#038;codigo=438335">Morre o repórter Raul Thadeu</a><br />
<a href="http://blogdoespacoaberto.blogspot.com/2009/10/reportagens-corajosas-marcaram.html">Reportagens corajosas marcaram trajetória</a><br />
<a href="http://blogdoespacoaberto.blogspot.com/2009/10/como-fazer-uma-entrevista-duas-horas.html">Como fazer uma entrevista duas horas depois da entrevista</a><br />
<a href="http://blogdoespacoaberto.blogspot.com/2009/10/vamos-embora-que-e-chen-companheiro.html">&#8220;Vamos embora que é chen, companheiro&#8221;</a><br />
<a href="http://blogdoespacoaberto.blogspot.com/2009/10/o-desnacer-de-raul-thadeu.html">O desnacer de Raul Thadeu</a></p>
<img src="http://feeds.feedburner.com/~r/mirante/~4/DhURij_qp8M" height="1" width="1"/>]]></content:encoded>
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		<title>O lírio mimoso</title>
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		<comments>http://marcuspessoa.net/2009/10/09/o-lirio-mimoso/#comments</comments>
		<pubDate>Sat, 10 Oct 2009 01:00:00 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Marcus Pessoa</dc:creator>
				<category><![CDATA[Belém]]></category>
		<category><![CDATA[Reflexões]]></category>

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		<description><![CDATA[
(republicado) Não esperem concisão ou coerência. Não estou falando de coisas à toa, classificáveis, mas de fragmentos do caos original. De sensações, acontecimentos, pessoas, imagens, lembranças, tudo misturado.
Domingo é o Círio de Nazaré. E acredite, se você não mora em Belém, ou não veio aqui pra sentir de verdade, ou ficou só na sacada do [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><img src="http://marcuspessoa.net/wp-content/uploads/2009/10/cirio1a.jpg" alt="" title="" width="425" height="290" class="alignnone size-full wp-image-643" /></p>
<p><em>(republicado)</em> Não esperem concisão ou coerência. Não estou falando de coisas à toa, classificáveis, mas de fragmentos do caos original. De sensações, acontecimentos, pessoas, imagens, lembranças, tudo misturado.</p>
<p>Domingo é o <strong>Círio de Nazaré</strong>. E acredite, se você não mora em Belém, ou não veio aqui pra sentir de verdade, ou ficou só na sacada do hotel vendo as pessoas passarem, você não sabe de nada.</p>
<p>Antes o Jornal Nacional falava da &#8220;maior festa religiosa do norte&#8221;. Agora não dizem mais o que é. Não sabem, ou não querem admitir. Que essa é a maior festa religiosa <strong>do mundo</strong>. Fora Ramadã em Meca e coisa e tal. Mas ela se passa nesse enclave em plena selva. Esse lugar que ninguém entende. Nem nós, que moramos aqui.</p>
<p>A gente não chama Nossa Senhora de Nazaré. A gente chama de Nazaré. Ou Naza. Ou Nazica, até. A gente trata como uma tia querida, ou como a mãe mesmo, se a de verdade morreu. Foi achada no rio, você acredita? Mais uma das historinhas de santas caídas no rio, achadas por pescadores. O enredo é o mesmo. Ela voltava sempre. Sei lá, aqui é calor, vai ver ela queria se refrescar.</p>
<p>Belém não é Belém, é Santa Maria de Belém do Grão Pará. E o <a href="http://www.culturapara.art.br/Literatura/vicentececim">Vicente Cecim</a> encurta, põe Santa Maria do Grão. Num lugar mítico que não chama Amazônia, chama Andara. Eles têm o Grande Sertão, nós temos Andara. Um lugar onde você se perde e nunca mais é encontrado. Onde você deixa sua alma passear, e ela foge de você, e você nem percebe.</p>
<p>Tem água do rio em nossas veias. A gente não acredita em tanta água. Não é o mar. É um mar correndo no meio da nossa vida. É a selva tragando coisas e pessoas. Vocês tiveram a prova <a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Voo_Gol_Transportes_A%C3%A9reos_1907">um dia desses</a>.</p>
<p>Rewind. O Valerius Ensemble toca duas peças difíceis de Schubert. Ninguém gosta muito, só eu e uns poucos. As palmas não são entusiasmadas. Mas todo mundo se acha europeu. <a href="http://theatrodapaz.com.br/web">Esse teatro</a> é europeu. O art noveau do hall é europeu. O neoclássico da fachada é europeu também. Mas a gente sai, e a praça tá cheia de gente acampada no Grito da Terra. Esse pessoal grita e tem razão. E o enclave grita junto com eles. Pois a gente é europeu sim, mas a gente também foi largado no meio do nada pelos canalhas. A Transa Amazônica é um cemitério compriiido.</p>
<p>E a Naza galvaniza essas pessoas tão diferentes, interrompe a luta de classes durante duas semanas. O catolicismo é pelego mesmo, mas quem se importa? Santos são uma coisa legal. O povinho não acredita direito que Deus olha pra cada um eles. Não se acha tão importante assim. Pede ajuda aos embaixadores. Jorge era um soldado, Benedito um cozinheiro, Naza uma menina pobre. O povinho acha que eles vão entender. E pede pra eles. E quando eles estão pedindo pra Naza, todos juntos, dá um nó na garganta. E esse nó nunca vai desatar.<br />
<span id="more-147"></span><br />
<img src="http://marcuspessoa.net/wp-content/uploads/2009/10/cirio3.jpg" alt="" title="" width="425" height="275" /></p>
<p>Vocês não sabem. Não é a pequena cidade tragada pelo turbilhão. Não é a grande cidade apenas tendo algo sobre o que falar naquele dia. É a grande cidade sumindo, não dando pra ver o chão, é gente gente gente gente gente. Não precisa ser católico, não precisa acreditar em Deus. Mesmo os crentes vão lá, escondidos do pastor. A Naza é boa e não pergunta.</p>
<p>Hoje e amanhã são os melhores dias. Todo mundo sai pra ver a noite, pobre, rico, brega, chique. Famílias andam a pé, tem um monte de coisa pra ver. Tem os <a href="http://www.flickr.com/photos/brenopeck/51216162/in/set-370616">brinquedos de miriti</a>, tem o arraial, tem os fogos, tem mil procissões que fazem a santa ir pra lá e pra cá. Ninguém tem medo da morte, de assalto, de acidente, a Naza cancela essas coisas durante alguns dias. Liberta o povo que vive preso em sua própria casa. As ruas voltam a ser de propriedade das pessoas e não das coisas.</p>
<p>Muito antes de Paradas Gay já tinha a <a href="http://marcuspessoa.blogspot.com/2006/11/as-filhas-da-chiquita.html">Festa da Chiquita Bacana</a>. O <a href="http://www.amazonia.com.br/canais/turismo_novo/para/belem/roteiro_5_bardoparque.asp">Bar do Parque</a> nunca fecha, a não ser pra saudar a Naza. E antes de fechar os viados dão a maior festa. A Naza liberta eles também. E na festa vai todo mundo, homem, mulher, viado, sapatão. Tem carimbó e tal, não é macumba pra turista, o pessoal gosta mesmo. E tem o Viado de Ouro, o oscar da bichice. Que é entregue pra um viado com relevantes serviços prestados. O Edmilson Rodrigues, quando era prefeito, entregou o prêmio pessoalmente. Filho de pastor protestante, fez na ocasião um discurso apaixonado em defesa dos viados.</p>
<p>A Chiquita é legal porque todo mundo vai. Tá encalacrado com trabalho, tá deprê, nunca mais saiu nem encontrou os amigos de verdade? Não esquenta, vai na Chiquita que encontra. É só ir lá do lado, na escadaria do teatro, tá todo mundo lá.</p>
<p>Hoje é sexta, tem <a href="http://autodocirio.ufpa.br">Auto do Círio</a>, tem samba junto com reza, e não são coisas diferentes. A gente faz o religare por nossa conta, somos gregos também, dóricas são as colunas da Praça da República, pagã e cristã sem neuras a nossa fé. O auto é daqui a pouco e eu não vou ficar mais escrevendo na internet. Vou ser feliz e já volto. Que a Naza abençoe a todos nós.</p>
<p>* * * * * * * *</p>
<p><em>Publicado originalmente em 6 de outubro de 2006. Recuperei agora alguns comentários publicados no antigo endereço do blog.</em></p>
<p><em>Esse é o texto meu que eu mais gosto, e foi provavelmente o mais elogiado da história do blog. Relendo-o hoje, percebo que já reutilizei frases dele em outras coisas que escrevi depois. Sou um &#8220;cronista de repertório&#8221;, hehehe.</em></p>
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		<title>Saudade dela</title>
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		<pubDate>Tue, 06 Oct 2009 16:48:50 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Marcus Pessoa</dc:creator>
				<category><![CDATA[Reminiscências]]></category>

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		<description><![CDATA[
Maria Bethânia, cantora soberana, a maior do Brasil, lançou dois discos esta semana. E eu, em processo diuturno de elaboração de luto, lembro que era a cantora favorita da dona Amparo, e seus olhos sempre vinham brilhando quando chegava de um show da diva.
Os discos se chamam Encanteria, com músicas de festa / exaltação, e [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><img src="http://marcuspessoa.net/wp-content/uploads/2009/10/betha.jpg" alt="Maria Bethânia" title="Maria Bethânia" width="389" height="450" /></p>
<p>Maria Bethânia, cantora soberana, a maior do Brasil, lançou dois discos esta semana. E eu, em processo diuturno de elaboração de luto, lembro que era a cantora favorita da dona Amparo, e seus olhos sempre vinham brilhando quando chegava de um show da diva.</p>
<p>Os discos se chamam Encanteria, com músicas de festa / exaltação, e Tua, com canções de amor. O primeiro me pareceu melhor, e tem esse samba de roda gostoso, onde Betha canta com Caetano e Gil pela primeira vez em sete anos, e cuja letra tem também a ver com os meus sentimentos atuais. Saudade é algo que dá pra celebrar, também. Clique para ouvir.</p>
<p><small>(tirei a letra de ouvido, e deixei umas lacunas que não consegui entender direito)</small></p>
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	    </p>
<p><strong>SAUDADE DELA</strong></p>
<p><em>Maria Bethânia, Gilberto Gil e Caetano Veloso</em><br />
<em>Autores: Roberto Mendes e Nizaldo Costa</em></p>
<p>Ai ai saudade, saudade dela<br />
Ela se foi, saudade, fiquei sem ela</p>
<p>Fonte de sabedoria, onde tudo podia achar<br />
Todo canto matriz da gente do meu lugar<br />
Quando eu era canarinho ela existia sabiá<br />
Hoje canto sozinho, e dela sempre vou lembrar</p>
<p>Do nosso convívio saiu, já se dizia cansada<br />
Deixou um largo sorriso e um doce canto de paz<br />
Foram tantas alegrias servidas naquele prato<br />
Mistura de amor e poesia em mesa de luxo</p>
<p>Dona da casa, me dá licença<br />
Meu samba na varanda<br />
Com chapéu na cabeça e facão de banda<br />
Dona da casa, me dê licença<br />
Me dê seu salão para vadiar</p>
<p>Eu vim aqui foi pra vadiar<br />
Ladeia, ladeia, ladeia<br />
Ladeia, pomba na areia</p>
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		<title>La Negra</title>
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		<pubDate>Sun, 04 Oct 2009 16:17:18 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Marcus Pessoa</dc:creator>
				<category><![CDATA[Música]]></category>
		<category><![CDATA[Reflexões]]></category>

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		<description><![CDATA[
E eu estava ouvindo música hoje, e fiquei sabendo que Mercedes Sosa morreu, e fui correndo para o Blip.fm ouvir &#8220;Gracias a La Vida&#8221;, e &#8220;Volver a Los 17&#8243;, mas quando fui colocar o meu próprio blip no Twitter para homenageá-la, pensei apenas em &#8220;Años&#8221;, não sei bem por quê. Talvez porque essa canção, no [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><img src="http://marcuspessoa.net/wp-content/uploads/2009/10/lanegra.jpg" alt="Mercedes Sosa, La Negra" title="Mercedes Sosa, La Negra" width="425" height="309" /></p>
<p>E eu estava ouvindo música hoje, e fiquei sabendo que Mercedes Sosa morreu, e fui correndo para o Blip.fm ouvir &#8220;Gracias a La Vida&#8221;, e &#8220;Volver a Los 17&#8243;, mas quando fui colocar o meu próprio blip no Twitter para homenageá-la, pensei apenas em &#8220;Años&#8221;, não sei bem por quê. Talvez porque essa canção, no dueto dela com Fagner, é uma lembrança fortíssima da minha infância. Ou talvez porque os versos &#8220;el tiempo pasa y vamos nos poniendo viejos&#8221; tenham tudo a ver com o que eu estou sentindo agora, e eu lembro da mamãe e choro duas vezes, uma por La Negra e outra pela dona Amparo. E lembro que essa sensação me persegue, a idéia de um paraíso que perdemos, e lembro do Vampiro Lestat quando perdeu Cláudia, morta à traição, e ele pensou no mundo como um imenso panteão de estátuas quebradas, imagem tão forte que é a segunda vez que eu a uso neste blog. E eu até entendo os reaças, os conservadores renitentes, porque pra eles o mundo começa a morrer assim que nasce.</p>
<p>Mas a música não é nada disso. É uma música pra ficar tranquilo com o passar do tempo. Clique abaixo para ouvir.</p>
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	    </p>
<p><strong>AÑOS</strong><br />
<em>Mercedes Sosa</em></p>
<p>El tiempo pasa<br />
Nos vamos poniendo viejos<br />
Y el amor no lo reflejo como ayer<br />
En cada conversación, cada beso, cada abrazo<br />
Se impone siempre un pedazo de razón</p>
<p>Vamos viviendo viendo las horas que van pasando<br />
Las viejas discusiones se van perdiendo entre las razones<br />
Porque años atras tomar tu mano, robarte un beso<br />
Sin forzar el momento<br />
Hacía parte de una verdad</p>
<p>A todo dices que si, a nada digo que no<br />
Para poder construir esta tremenda armonia<br />
Que pone viejos los corazones</p>
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		<title>Yes, We Créu</title>
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		<pubDate>Fri, 02 Oct 2009 21:45:28 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Marcus Pessoa</dc:creator>
				<category><![CDATA[Esporte]]></category>
		<category><![CDATA[Internacional]]></category>

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		<description><![CDATA[
Esse trocadilho idiota, mas divertido, espalhou-se hoje tão rápido no Twitter que chegou ao topo dos trending topics em menos de 20 minutos.
Claro que o vencedor iria aparecer lá. Mas não foi só o nome Brasil, e sim o país Brasil, a cultura Brasil, na forma desse humor infame.
Uma alegria misturada com raiva, com mágoa, [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><a href="http://twitpic.com/jz46x"><img src="http://marcuspessoa.net/wp-content/uploads/2009/10/rio2016_creu.jpg" alt="Ilustração de Rodrigo Hasimoto" title="Ilustração de Rodrigo Hasimoto" width="388" height="612" /></a></p>
<p>Esse trocadilho idiota, mas divertido, espalhou-se hoje tão rápido no Twitter que chegou ao topo dos trending topics em menos de 20 minutos.</p>
<p>Claro que o vencedor iria aparecer lá. Mas não foi só o nome Brasil, e sim o país Brasil, a cultura Brasil, na forma desse humor infame.</p>
<p>Uma alegria misturada com raiva, com mágoa, talvez? Se o São Paulo vence, o são-paulino não grita <em>&#8220;aêê&#8221;</em>, e sim <em>&#8220;se fudeu corintiano&#8221;</em>.</p>
<p>Os gringos nunca vão entender isso. E o Brasil segue revolucionando, com seu jeito meio cretino, os mecanismos frios da internet.</p>
<p>As tags do Twitter a gente não usa pra organizar informação, mas pra desorganizar, pelo sarcasmo. Por isso #yeswecreu e não #rio2016</p>
<p>O Twitter é legal pela resposta rápida, mas também porque é horizontal, sem centros de poder. Você não tem o que tomar posse lá.</p>
<p>Não vai virar um Orkut. Não tem como bagunçar. Cada um tem controle total sobre o que lê. Você não pode obrigar ninguém a ler os seus posts.</p>
<p>Você não precisa ler quem lhe lê. A relação é assíncrona e livre. E os controles de privacidade impedem que vire um lugar chato.</p>
<p>Eu ia escrever sobre a alegria brasileira e acabei falando sobre o Twitter em geral. Mudar o foco é algo que a gente faz lá todos os dias.</p>
<p>Só te digo uma coisa: é lá que está a diversão. E ter apenas 140 caracteres pra te convencer disso é ótimo.</p>
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		<item>
		<title>Maria do Amparo (1945-2009)</title>
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		<pubDate>Fri, 04 Sep 2009 06:38:19 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Marcus Pessoa</dc:creator>
				<category><![CDATA[Reflexões]]></category>
		<category><![CDATA[Relatos]]></category>

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		<description><![CDATA[
Há pouco mais de um mês, esses olhos estavam, apesar de cansados, com a mesmíssima vivacidade e alegria que mostram nessa foto. O sorriso era mais sereno, menos transbordante, mas estava lá. Ela partiu feliz, sem saber que tinha poucos dias de vida, e estava unicamente preocupada com os filhos, pois nunca foi de achar [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><img src="http://marcuspessoa.net/wp-content/uploads/2009/09/maria.jpg" alt="Eu e mamãe, na festa de seus 60 anos" title="Eu e mamãe, na festa de seus 60 anos" width="424" height="354" /></p>
<p>Há pouco mais de um mês, esses olhos estavam, apesar de cansados, com a mesmíssima vivacidade e alegria que mostram nessa foto. O sorriso era mais sereno, menos transbordante, mas estava lá. Ela partiu feliz, sem saber que tinha poucos dias de vida, e estava unicamente preocupada com os filhos, pois nunca foi de achar que precisasse de qualquer outra coisa que não sua própria força interior.</p>
<p>Não devo me derramar e escrever demais sobre meus sentimentos. Seria impossível fugir de uma hagiografia, que não seria compreendida por quase ninguém, e você nunca saberá realmente do que se trata, nunca mesmo, se não falou com ela pessoalmente, mesmo que durante alguns minutos. Porque nesses poucos minutos você já saberia da coisa real. De tudo o que de imenso havia dentro dela.</p>
<p>Uma semana depois de uma última conversa que tive com ela no hospital e que me fez de novo (e para sempre) um homem feliz, e depois de vários dias com ela fortemente sedada, Renato, meu irmão, me liga e avisa que ela se foi, coisa que, sabíamos, viria a qualquer momento. Como na ocasião da morte de meu pai (e sobre isso <a href="http://marcuspessoa.net/2009/11/02/finados">falei aqui</a>), a reação inicial foi de tentar administrar o caos, manter-me acordado para ter a exata dimensão do que estava acontecendo. Não chorei na hora.</p>
<p>Passo a tarde meio abobado, conversando com o amigo que me hospeda. À noite me visto e vou para o velório. Poucos parentes, porque ainda é cedo. O caixão está tão cheio de flores que só vejo seu rosto e suas mãos. Eu a toco, e como previa, nada sinto, porque não é ela que está lá. Não é a sua pele macia, e não há a expressão de vitalidade que era sua máscara perpétua.</p>
<p>Toco suas sobrancelhas e cabelos e sinto, neles, um eco daquele corpo quando era vivo. Os pêlos não fazem parte realmente do corpo de ninguém, e até por isso ficam idênticos, não morrem, mantém a mesma sensação ao tato. Me arrepio com esse paradoxo.</p>
<p>Abraço minhas tias, mas é quando vejo Marina, mulher do meu primo, que me ajudou a cuidar dela nos últimos meses, que eu lembro de tudo que aconteceu, e de como tive a oportunidade de quase um ano de convivência antes de ela partir. Nem sempre o câncer permite isso. Desabo a chorar.</p>
<p>Meu outro irmão, Aldo, aparece, estóico e quase alheio a tudo. Eu sei que Renato está muito perturbado; ligo pra ele, e percebo que não virá ao velório a não ser que eu vá buscá-lo em sua casa. Saio imediatamente.</p>
<p>Ele tem um gênio muito forte e nos últimos meses brigou com quase toda a família. Consigo convencê-lo a ir, mas vou embora sem ele, que me promete que me seguirá em coisa de uma hora, uma hora e meia.</p>
<p>Todos os abraços, todos os pêsames, todas as conversas com pessoas queridas me ajudam a passar o tempo. Velar um caixão durante uma noite inteira é uma tortura exigida pela cultura brasileira.</p>
<p>Vejo Renato chegando e vou recebê-lo. Ele me cumprimenta e passa pela parentada sem falar com ninguém, a ponto de muitos nem perceberem que ele chegou. Há um ruído enorme de gente conversando. Aqueles que estão há mais tempo velando já passaram a fase dos pêsames e relembram as dezenas de histórias deliciosas envolvendo a mamãe. Até risadas altas são ouvidas, e isso é algo que ela teria gostado. Então ninguém nota direito quando Renato chega perto do caixão.</p>
<p>Ele começa a chorar em silêncio, e eu vou para o seu lado e tomo o seu braço, também contemplando o corpo dela. Aldo se aproxima e vê Renato chorando, o que o faz chorar também, pela primeira vez no dia. Eu, é claro, os sigo e choro de novo.</p>
<p>É como se o tempo estivesse parado. Eu queria que esse momento durasse o resto da noite &#8212; e durou, de certa forma, pois todo o resto foi irrelevante. Enquanto estamos juntos, percebo às minhas costas que o alarido começa a diminuir, as pessoas começam a parar de falar, e depois de uns dois minutos está um silêncio completo. O som fraco de nosso choro soa como um estrondo na sala. Nós temos, é claro, o direito de não prestar a menor atenção em ninguém a não ser em nós mesmos e no corpo sem vida da mamãe.<br />
<span id="more-580"></span><br />
Por volta de meia noite estou exausto e volto pra casa. Durmo um sono pesado e quase perco a hora; acordo faltando vinte minutos para a saída do cortejo. Visto-me rápido e, por sorte, a saída atrasa quase meia hora.</p>
<p>Num velório comprido não temos a exata noção de quanta gente veio. Eu achei que tinham sido poucos, mas as pessoas vão e vêm, e quando fazemos a conta acaba sendo bem mais do que pensávamos. No enterro não; todos aparecem ao mesmo tempo. Chego à capela e tudo, a própria capela, o hall que dá acesso, e mesmo a calçada, está completamente lotado de amigos e parentes da mamãe.</p>
<p>Estão dezenas de professores da universidade, quase toda a enorme quantidade de irmãos, cunhados e sobrinhos dela, muitas senhoras da Seicho-No-Ie, pelo menos meia dúzia de ex-empregadas domésticas que a adoravam, e todos aguardando as várias homenagens. O pessoal da Seicho-No-Ie faz o seu culto, o diácono fala, o pastor chamado pela tia Noêmia também, e por isso o atraso. Quase dez coroas de flores enfeitam a capela e tornam o pequeno espaço ainda mais apertado.</p>
<p>Muitas pessoas só me vêem agora, e correm para mim, para me abraçar, me prestar pêsames, falar o quanto mamãe era uma pessoa boa, pedir que eu não os esquecesse, que mantivesse contato&#8230; fico enfastiado, já não consigo dar atenção a alguns, e chego a ser rude, dizendo que não tenho tempo para falar com todos.</p>
<p>Renato não chegou, e avisa por telefone que nos encontrará no cemitério. Eu, Aldo e mais alguns parentes homens carregamos o caixão até a van da funerária. Essa é uma tarefa que não posso delegar. Fazemos o mesmo depois, na porta do cemitério, carregando o peso até o carrinho de mão de lá. Nessa hora Renato já está presente e eu o chamo para carregar conosco.</p>
<p>O cortejo percorre o cemitério. São tantas coroas de flores que não cabem todas sobre o caixão, e temos que carregá-las; um peso enorme. Minhas tias, quase todas católicas, cantam vários hinos; eu tento acompanhá-las, mas não sei todos, e fico fazendo uns virunduns em vários deles.</p>
<p>Foram trinta anos sem nenhuma morte na família. Eu não tinha a idéia real do que era um enterro. Parece, em certo momento, que nós estamos lá mais como testemunhas, pra nos certificamos de que o corpo seria mesmo enterrado e para que não houvesse a menor dúvida de que mamãe tinha se ido pra sempre.</p>
<p>O diácono diz as palavras habituais. Eu estou do lado dele e leio em seu livro; são bonitas. Escuto tia Noêmia declamando baixinho um palavreado da sua própria igreja protestante, enquanto o diácono está perorando. Tia Zilá, católica fervorosa e um tanto intolerante em termos de religião, fuzila sua irmã com os olhos.</p>
<p>As coroas e buquês têm que ser desfeitos, para que não sejam aproveitadas por vendedores inescrupulosos. São tantas flores que o caixão, já na cova, fica completamente coberto. Quando são jogadas as pesadas porções de terra, o som delas batendo na madeira é forte e nossos sentidos têm a última evidência da existência dela.</p>
<p>Ao sair, percebo que o jazigo da família descansa exatamente sob a sombra de uma pequena árvore, a qual não consigo identificar. Não há muitas árvores no cemitério; tomo isso como um bom agouro.</p>
<p>Falto à missa de sétimo dia, que disseram ter sido linda, e fico dias e dias como um sonâmbulo, sem querer nada da vida. Não sabia quantos se passariam até eu sentir todo o peso da ausência.</p>
<p>Hoje eu estava arrumando os arquivos do computador pra passar para o notebook novo e achei uma gravação de áudio que ela fez, lendo a Sutra Sagrada da Seicho-No-Ie, pra mandar por e-mail para o Renato, que estava morando em Fortaleza, cheio de problemas e muito deprimido.</p>
<p>A Sutra foi escrita pelo venerável Masaharu Taniguchi, um verdadeiro poeta, e que ensinava que tudo o que existe de ruim (discórdias, doenças e tristeza) é apenas ilusão, e que na essência todas os seres humanos são perfeitos e harmoniosos.</p>
<p>Coloquei imediatamente a gravação num pequeno site, cujo endereço não vou revelar aqui, e mandei o link para parentes e amigos. Ao ouvi-la completa, aconteceu o que viria mais cedo ou mais tarde: a consciência profunda de não ter mais, para sempre, a pessoa mais maravilhosa do mundo ao meu lado.</p>
<p>Eu poderia renegar o meu Deus, perguntando-lhe por que aquele empresário corrupto e assassino viveu até os 91 anos, e a dona Amparo mal chegou aos 60, morrendo de um câncer do qual ela teoricamente estava curada há mais de 10. Mas eu preferi lembrar que só o fato de ela ter existido e feito eu me tornar o que sou já era uma graça enorme demais e pela qual nunca poderei agradecer direito. Mais ainda que nesse ano a consciência da morte próxima tornou ainda mais bonitos e profundos todos os nossos momentos juntos. Nem todos têm essa ventura. Uma grande amiga, um pouco antes, perdeu o seu pai uma semana depois de ter sido diagnosticado um câncer muito agressivo.</p>
<p>Minha mãe, decepcionada com algumas estrepulias que fizéramos na juventude, sempre falava aqueles versos do Vinicius, &#8220;filhos, pra que tê-los, e se não tê-los, como sabê-los&#8221;. Neste ano ela não os declamou uma vez sequer, e dizia apenas, &#8220;como é bom ter filhos&#8221;, e nos chamava de &#8220;seus três anjos&#8221;.</p>
<p>Diante disso, não posso fazer nada a não ser repetir a frase simples que sempre encerra qualquer culto da Seicho-No-Ie, e, claro, também fecha a Sutra que sua doce voz legou para a posteridade:</p>
<p>Muito obrigado.</p>
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		<title>O Iraque não precisa de liberdade</title>
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		<pubDate>Tue, 16 Jun 2009 14:13:51 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Marcus Pessoa</dc:creator>
				<category><![CDATA[Internacional]]></category>
		<category><![CDATA[Política]]></category>
		<category><![CDATA[Reflexões]]></category>

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		<description><![CDATA[Lembrei desse longo texto, que escrevi em 2004, porque (a) queria publicar alguma coisa no blog, e estou sem tempo de escrever; (b) a idéia central dele, de que &#8220;a liberdade não nos é dada de mão beijada, mas é algo que se conquista&#8221; está muito presente nessa época em que o povo iraniano luta [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><em>Lembrei desse longo texto, que escrevi em 2004, porque (a) queria publicar alguma coisa no blog, e estou sem tempo de escrever; (b) a idéia central dele, de que &#8220;a liberdade não nos é dada de mão beijada, mas é algo que se conquista&#8221; está muito presente nessa época em que o povo iraniano luta pela sua, combatendo a <a href="http://pedrodoria.com.br/2009/06/13/fraude-no-ira">fraude</a> <a href="http://pedrodoria.com.br/2009/06/14/liveblogging-o-domingo-no-ira">monumental</a> patrocinada pelos regime dos aiatolás.</p>
<p>A Maitê está aí porque foi a inspiração do texto, conforme explico abaixo. Algumas pessoas não gostam dela por causa do Saia Justa. Eu nunca vi esse programa e continuo tendo uma ótima lembrança das crônicas que ela escrevia na revista Época.</em></p>
<p><img src="http://marcuspessoa.net/wp-content/uploads/2009/06/maite.jpg" alt="Maitê Proença" title="Maitê Proença" width="425" height="500" /></p>
<p>Tem sido muito criticada uma passagem do Farenheit 9/11, de Michael Moore, onde ele mostra uma vida calma, “comum”, no Iraque pré-invasão americana, e depois o inferno que o país se tornou. Sofisma! Manipulação! “Até parece que o Iraque era um paraíso com Saddam”… isso tem sido dito sem muitas variações por todo lado.</p>
<p>Não há a menor dúvida de que Saddam Hussein era um ditador sanguinário, que exterminava oponentes e tinha ambições imperialistas regionais. Não há a menor dúvida de que ele já teve um arsenal de armas químicas e planos de montar uma bomba atômica.</p>
<p>Mas também se sabe que o arsenal não existe mais, e já não existia antes da investida norte-americana sobre o país. Esse fato poderia ter sido verificado antes da guerra, se o governo Bush tivesse dado tempo à equipe de inspetores da ONU. E também se tem certeza absoluta (sempre se teve, na verdade) que Saddam não tem qualquer relação com a Al-Qaeda.</p>
<p>Como Bush e os republicanos não têm mais como sustentar que Saddam era uma ameaça real para os Estados Unidos, partiram para outro discurso: que estavam levando a liberdade a um povo espezinhado por um ditador.</p>
<p>À parte o fato óbvio de que outros povos árabes, também espezinhados por ditadores, não têm recebido esse fervor libertário dos Estados Unidos (pois os tiranos em questão são seus aliados), fica uma pergunta que não quer calar: o que é pior, a santa <em>paz celestial</em> das ditaduras ou o caos de uma guerra civil fraticida, resultado direto de uma invasão militar justificada pela tal liberdade?<br />
<span id="more-568"></span><br />
“Relativismo moral”, pode dizer alguém. E para me socorrer é que cito a atriz Maitê Proença. Sim, ela tem se mostrado uma excelente colunista na revista Época, e nesta semana publicou um ótimo artigo, que já começa direto ao ponto:</p>
<blockquote><p><em>A humanidade ama a ordem</em>. Os americanos acham que o amor é pela democracia, mas não é. O homem prefere uma ditadura organizada à democracia baderneira.</p></blockquote>
<p>Eu lembro de receber, em 1983, um panfleto entregue por um militante estudantil na porta da minha escola, onde estava escrito que o Brasil era uma ditadura militar, que esmagava as aspirações populares e coisa e tal. Eu tinha 14 anos e olhei para o rapaz como se ele fosse maluco. Afinal, que raio de regime ditatorial era esse, que estava fazendo tanto mal, se a minha vida, e a de todo mundo que eu conhecia, era absolutamente normal, sem sobressaltos, sem nenhuma interferência maligna desse governo tão criticado?</p>
<p>Obviamente eu não tinha qualquer consciência política. Eu não percebia a manipulação da televisão em favor do governo, por exemplo.</p>
<p>Mas o fato é que as atrocidades da ditadura não chegaram até a porta da minha casa. E havia uma situação econômica razoável: minha mãe teve seu primeiro emprego de professora (aos 17 anos) ganhando seis salários mínimos, que era o salário normal de um professor iniciante. Dá pra ficar dizendo que o governo estava prejudicando alguém? O fato é que <em>a vida estava boa para a gente</em>.</p>
<p>Penso nos iraquianos lavando seus carros com gasolina, de tão barata que ela é num país tão rico em petróleo. Penso em milhões de iraquianos indo à escola, trabalhando, indo ao mercado, fazendo suas orações. O governo não era do Taliban; não obrigava as pessoas a seguirem regras fundamentalistas absurdas. Alguns desses milhões provavelmente desejavam que houvesse liberdade, mas, será que se dissessem a estes que o preço seria não-sei-quantos-anos de guerra civil, após uma invasão estrangeira, eles iriam achar isso (liberdade) tão importante? Pois, para os Marcus e Marias lá do Iraque, <em>a vida estava boa</em>.</p>
<p>Sim, ela ficou pior depois das sanções oriundas da primeira Guerra do Golfo, e isso se deu quando Saddam adicionou uma boa porção de caos à situação do Oriente Médio, com a invasão do Kuwait. O caos atrapalha a vida das pessoas, impede-as de trabalhar direito, impede-as de levar sua vidinha.</p>
<p>E tem sido isso que a doutrina Bush tem levado a um monte de lugares do planeta: caos. Uma confusão, gerada pelo embate de fundamentalismos, onde <em>estar do lado certo</em> parece mais importante do que <em>fazer a coisa certa</em>. Pois a coisa certa, nesse caso, não é impor seus valores, mas diminuir as tensões que provocam guerras, que provocam o caos que ninguém gosta. Mas o governo Bush tem adicionado mais pressão a uma panela que já está em ponto máximo, tanto na Palestina como na Venezuela, no Haiti, no mundo árabe inteiro, etc, etc.</p>
<p>Então eu explico o título provocativo: não, é óbvio que eu não acho a liberdade uma coisa de menor importância. Eu sou um libertário, mas a questão é: como chegar a essa liberdade? Muita gente bem melhor que eu já disse isso, mas o fato é que a liberdade não nos é dada de mão beijada, ela é algo que se conquista. Você, que talvez não estivesse satisfeito com a ditadura militar brasileira, gostaria de ter seu governo derrubado por uma potência estrangeira, com milhares de mortos no processo, para que se restabelecesse a democracia? Eu não gostaria.</p>
<p>O Iraque precisa de liberdade, sim, é óbvio. O homem precisa de liberdade, mas, sou eu que vou impor a ele? Sou eu quem vai libertá-lo? Não, é ele que vai se libertar, se assim o desejar. A construção da democracia é um processo complexo, algo que nós, brasileiros, já sabemos, ou deveríamos saber, pois estamos vivendo um processo de construção da democracia riquíssimo nos últimos vinte anos.</p>
<p>O irônico da situação é que, no principal país do Oriente Médio onde está se dando um processo semelhante, seu governo está sendo apontado por Bush e companhia como integrante de um “eixo do mal”. Sim, o Irã.</p>
<p>O Irã não tem ligações com a Al-Qaeda, não tem patrocinado investidas terroristas contra o ocidente, e tem vivido um processo fascinante de embate político entre conservadores e progressistas, dentro dos estritos parâmetros de uma sociedade profundamente islâmica. Depois de duas ditaduras (uma laica e outra religiosa), o Irã já é uma potência econômica regional e periga se tornar nos próximos anos uma grande democracia de massas. E o que Bush faz? Ameaças de levar para lá o caos que levou ao Iraque.</p>
<p>Para responder antecipadamente a qualquer acusação de relativismo moral, me socorro de novo em trechos do artigo de Maitê Proença, onde ela, ao mesmo tempo em que analisa serenamente a preferência da humanidade pela ordem, demonstra uma preocupação ética compartilhável por qualquer um:</p>
<blockquote><p>A Alemanha de Hitler é dos exemplos mais funestos desta preferência pela ordem. Hoje não gostam de falar nisso, mas na época, enquanto os métodos do ditador ordenavam e revigoravam uma economia despedaçada, trazendo tranqüilidade para a maior parte da população, os alemães acolheram seu nazi-líder de braços abertos.</p>
<p>Quando um grupo terrorista ataca uma escola matando crianças indefesas, o mundo se enche de repulsa, porque fica difícil imaginar o que está por vir nesse cenário de horrores.</p>
<p>Quando aconteceu, sem nenhum aviso, o ataque à base americana de Pearl Harbour, onde civis escutavam rádio e faziam churrascos com suas famílias, aquilo foi uma perfídia japonesa, nos moldes do terrorismo, que o mundo não perdoou.</p></blockquote>
<p>Acrescento eu: o mesmo pode ser dito do ataque de 11 de setembro. A França, hoje tão execrada, estampou em manchetes: “somos todos americanos”, oferecendo sua solidariedade à nação agredida covardemente; e não foi diferente entre as pessoas comuns de todo o mundo. Em menos de um ano e meio essa solidariedade já tinha se esvaído…</p>
<p>Nossa musa bi-semanal arremata, reclamando uma legitimidade ética com a qual o governo americano não parece preocupado hoje:</p>
<blockquote><p>Uma nação como os EUA, quando mente, mata, humilha e desrespeita a ética internacional em favor de interesses particulares, dá margem para o crime organizado, no mundo todo, autorizar-se a subir degraus na escala de crueldades. Se a meca da moralidade age de maneira espúria, ao terrorismo, que precisa escandalizar para chamar a atenção, sobram as portas do inferno.</p></blockquote>
<p>E por favor, ninguém fale em &#8220;anti-americanismo&#8221;.</p>
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		<title>A Petrobrás está estragando uma boa idéia</title>
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		<pubDate>Tue, 09 Jun 2009 05:45:35 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Marcus Pessoa</dc:creator>
				<category><![CDATA[Imprensa]]></category>
		<category><![CDATA[Política]]></category>

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		<description><![CDATA[A criação, pela Petrobrás, de um blog para informar diretamente ao público sobre as questões investigadas pela imprensa e pela CPI, é uma ótima idéia. Com a versão da empresa à disposição, em contraste com as matérias publicadas pelos jornais, o público tem condições de formar melhor sua opinião.
O que estraga é o procedimento bastante [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>A criação, pela Petrobrás, de <a href="http://petrobrasfatosedados.wordpress.com">um blog</a> para informar diretamente ao público sobre as questões investigadas pela imprensa e pela CPI, é uma ótima idéia. Com a versão da empresa à disposição, em contraste com as matérias publicadas pelos jornais, o público tem condições de formar melhor sua opinião.</p>
<p>O que estraga é o procedimento bastante condenável que a empresa está adotando, de divulgar as perguntas dos jornalistas (e respostas da empresa), antes mesmo da publicação das matérias às quais se referem as perguntas.</p>
<p>O Sergio Leo <a href="http://verbeat.org/blogs/sergioleo/2009/06/por-que-jornalistas-experientes-fingem-nao-ver-que-a-petrobras-age-errado.html">disse o óbvio</a>: quando o repórter está com uma informação exclusiva, ele pergunta os detalhes para a fonte para que esta possa dar esclarecimentos, não para que essa informação se espalhe antes da publicação da matéria. Sem informações exclusivas não existe jornalismo investigativo.</p>
<p>O que a Petrobrás está fazendo é sabotar o trabalho dos jornais. O Idelber <a href="http://www.idelberavelar.com/archives/2009/06/o_blog_da_petrobras_e_o_desespero_da_midia.php">apóia isso</a> porque deseja (e já disse isso <a href="http://www.idelberavelar.com/archives/2009/05/nem_me_falem_em_salvar_o_jornalismo.php">com todas</a> <a href="http://www.idelberavelar.com/archives/2009/05/acelerar_a_putrefacao_da_midia_e_a_desmoralizacao_de_gilmar_mendes_tarefas_para_uma_verdadeira_extre.php">as letras</a>) a destruição dos jornais. Tanto que <a href="http://www.idelberavelar.com/archives/2009/05/links_15.php">comemorou</a> o fechamento da Gazeta Mercantil.</p>
<p>Então você, leitor, que aplaude o procedimento da Petrobrás porque acha que &#8220;transparência nunca é demais&#8221;, perceba que o objetivo é esse, derrubar as pautas investigativas dos jornais e jogar uns contra os outros, tornando a apuração mais difícil.<br />
<span id="more-553"></span><br />
Agora, se você concorda que se deve destruir o Estadão, a Folha e o Globo, bem&#8230; bom proveito com suas quimeras. De achar que um país sem imprensa profissional pode ser chamado de democracia.</p>
<p>É claro que a grande imprensa tem problemas. É claro que há manipulação. A exposição disso é tarefa imprescindível para os blogs. Mas apontar os problemas da imprensa é bem diferente de querer destruir a imprensa.</p>
<p>Não sou contra a publicação das perguntas e respostas. Concordo com o <a href="http://trasel.com.br/blog/?p=166">Träsel</a> e o <a href="http://pedrodoria.com.br/2009/06/08/a-petrobras-e-a-imprensa-golpista">Pedro Doria</a> nesse aspecto. Mas o Pedro identificou claramente as entrelinhas do discurso de &#8220;transparência&#8221; da Petrobrás:</p>
<blockquote><p>Se o único objetivo da Petrobras fosse realmente transparência, era muito simples resolver: publica perguntas e respostas logo após os jornais levarem ao ar suas informações exclusivas.</p></blockquote>
<p>O que eu percebo é que os blogueiros que estão aplaudindo o procedimento da Petrobrás são <a href="http://www.viomundo.com.br/opiniao/por-que-os-jornais-investem-contra-o-blog-da-petrobras">inequívocos</a> <a href="http://colunistas.ig.com.br/luisnassif/2009/06/07/o-fim-da-era-das-perguntas-em-off/#more-30984">apoiadores</a> <a href="http://www.paulohenriqueamorim.com.br/?p=11922">do governo</a>. É, portanto, um movimento chapa branca. Desculpem, não achei um rótulo mais polido para usar.</p>
<p>O engraçado é que eu também sou simpático ao governo. Mas não considero nada bom para a democracia um clima de confrontação entre o PT e a imprensa. Que parte da idéia fajuta de que o PT não promove a mesma manipulação de informações que a imprensa. Como se estivéssemos num faroeste, com bandido e mocinho.</p>
<p>Por isso, blogs e twitters que usam o clichê do &#8220;PIG&#8221; (o tal &#8220;Partido da Imprensa Golpista&#8221; inventado pelo Paulo Henrique Amorim) eu retiro da minha lista. Porque aí eu estaria me tornando massa de manobra de um partido político, com seus interesses escusos como outro qualquer.</p>
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		<title>Obsessão 2 – Peter, Bjorn and John</title>
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		<pubDate>Sat, 30 May 2009 02:47:31 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Marcus Pessoa</dc:creator>
				<category><![CDATA[Música]]></category>

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		<description><![CDATA[
O trio sueco já tinha sido citado neste post do blog, quando seu terceiro disco me conquistou, e Young Folks era um super-hit indie que chegou até a tocar em novela das oito.
O disco novo, Living Thing, é mais eletrônico, mais rico em texturas e ritmos, mas não tem uma música tão assobiável quanto seu [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><img src="http://marcuspessoa.net/wp-content/uploads/2009/05/pbj.jpg" alt="Peter, Bjorn and John" title="Peter, Bjorn and John" width="425" height="425" /></p>
<p>O trio sueco já tinha sido citado <a href="http://marcuspessoa.net/2006/11/19/rocknroll">neste post do blog</a>, quando seu terceiro disco me conquistou, e <strong>Young Folks</strong> era um super-hit indie que chegou até a tocar em novela das oito.</p>
<p>O disco novo, <strong>Living Thing</strong>, é mais eletrônico, mais rico em texturas e ritmos, mas não tem uma música tão assobiável quanto seu hit anterior.</p>
<p>Tem rodado em repeat aqui. É um trabalho divertido, um pouco estranho, é claro, mas com momentos primorosos. Um deles é essa baladinha eletrônica. Clique para ouvir.</p>
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	   </span> 
	    </p>
<p><strong>BLUE PERIOD PICASSO</strong><br />
<em>(Peter, Bjorn and John)</em></p>
<p>I&#8217;m a blue period Picasso stuck on a wall<br />
In a middle of a hall in Barcelona<br />
Trying to figure out how to get down<br />
Because this solitude is bringing me down<br />
The painting&#8217;s surround me,<br />
They don&#8217;t understand me<br />
I&#8217;m too early<br />
I&#8217;ve seen this development<br />
Curing this duller sense</p>
<p>But I&#8217;m not just being blue<br />
Because I have form, and shape, and color too<br />
And I miss you and this Compton<br />
That is the focus<br />
That is what all the school is reading to us<br />
I&#8217;m just a part of what I am<br />
It&#8217;s just a part of my beating heart<br />
Beating for you</p>
<p>So I beg you please,<br />
Please wrap me up, please take me out<br />
Please hold me close on to your breast<br />
Run down the stairs, out in open air<br />
Away from the ladies, the Japanese tourists<br />
Thank God for motors because I&#8217;m so hopeless<br />
Take me wherever you really came from<br />
You will be famous, seen in the headlines</p>
<p>Though you<br />
Just kindly stole my heart<br />
(Seen in the headlines)<br />
Though you<br />
Just kindly stole my heart<br />
(A world famous art thieves)</p>
<p>I&#8217;m a blue period Picasso stuck on a wall<br />
In a middle of a hall in Barcelona<br />
Trying to figure out how to get down<br />
Because this solitude is bringing me down<br />
I&#8217;m just a part of what I am<br />
It&#8217;s just a part of my beating heart<br />
Beating for you</p>
<p>Please stay with me<br />
Stay with me </p>
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		<item>
		<title>Obsessão 1 – Yeah Yeah Yeahs</title>
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		<comments>http://marcuspessoa.net/2009/05/28/obsessao-1-yeah-yeah-yeahs/#comments</comments>
		<pubDate>Thu, 28 May 2009 05:56:34 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Marcus Pessoa</dc:creator>
				<category><![CDATA[Música]]></category>

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		<description><![CDATA[
Tenho andado com duas obsessões musicais: discos novos de bandas que eu adoro. Uma delas é os Yeah Yeah Yeahs. Seu It&#8217;s Blitz é um salto tão grande e corajoso em sua carreira que até assusta.
Do grito primal a um rock sofisticado, e deste a um pop energético e rascante. Lindo. Já falei deles duas [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><img src="http://marcuspessoa.net/wp-content/uploads/2009/05/blog_yyy.jpg" alt="Yeah Yeah Yeahs" title="Yeah Yeah Yeahs" width="425" height="534" /></p>
<p>Tenho andado com duas obsessões musicais: discos novos de bandas que eu adoro. Uma delas é os Yeah Yeah Yeahs. Seu <strong>It&#8217;s Blitz</strong> é um salto tão grande e corajoso em sua carreira que até assusta.</p>
<p>Do grito primal a um rock sofisticado, e deste a um pop energético e rascante. Lindo. Já falei deles duas vezes no Twitter e não canso de ouvir o disco inteiro.</p>
<p>Depois ponho a obsessão 2. Por enquanto, clique para ouvir.</p>
<p> 	 <!-- Wordpress XSPF_Player Plugin v. 3.3, by Boriel :-) -->
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	   </span> 
	    </p>
<p><strong>SOFT SHOCK</strong><br />
<em>(Yeah Yeah Yeahs)</em></p>
<p>Unknown, talk to unknown<br />
Ever, lasts forever<br />
Well, it&#8217;s a sharp shock to your soft side<br />
Summer moon, catch your shut eye<br />
In your room, in my room</p>
<p>Louder, lips speak louder<br />
Better back together<br />
Still it&#8217;s a sharp shock to your soft side<br />
Summer moon, catch your shut eye<br />
In my room, in your room</p>
<p>What&#8217;s the time, what&#8217;s the day, don&#8217;t leave me<br />
What&#8217;s the time, what&#8217;s the place, don&#8217;t leave me<br />
What&#8217;s the time, what&#8217;s the day, don&#8217;t leave me<br />
What&#8217;s the time, what&#8217;s the place, don&#8217;t leave me out<br />
Leave me out</p>
<img src="http://feeds.feedburner.com/~r/mirante/~4/vdv4yl45ks4" height="1" width="1"/>]]></content:encoded>
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		<title>São Paulo e o espaço público privatizado</title>
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		<comments>http://marcuspessoa.net/2009/05/14/sao-paulo-e-o-espaco-publico-privatizado/#comments</comments>
		<pubDate>Thu, 14 May 2009 07:40:45 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Marcus Pessoa</dc:creator>
				<category><![CDATA[Reflexões]]></category>
		<category><![CDATA[Relatos]]></category>
		<category><![CDATA[Sociedade]]></category>

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		<description><![CDATA[Aconteceu ontem comigo um evento tão bizarro numa praça de São Paulo, bairro da Saúde, que resolvi interromper minha resolução de não me preocupar com o blog durante minha viagem ao Sudeste (que se estenderia por duas semanas e já dura dois meses, hehehe). Achei que tinha que falar sobre isso aqui.
Eu tinha tirado o [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Aconteceu ontem comigo um evento tão bizarro numa praça de São Paulo, bairro da Saúde, que resolvi interromper minha resolução de não me preocupar com o blog durante minha viagem ao Sudeste (que se estenderia por duas semanas e já dura dois meses, hehehe). Achei que tinha que falar sobre isso aqui.</p>
<p>Eu tinha tirado o dia para fazer uns passeios com meu amigo paulista, Marcello. No meio da tarde voltamos à casa dele, e ele percebeu que tinha perdido a chave. A mãe dele tinha saído, e por isso fomos fazer um lanche numa padaria próxima, para esperar ela chegar.</p>
<p>A padaria estava muito cheia, então pegamos os sanduíches e refrigerantes, fomos a uma bonita pracinha numa área residencial do bairro e ficamos lá, comendo e batendo papo furado.</p>
<p>Estávamos nessa vadiagem por talvez uma hora, sentados na sombra das árvores, quando passa ao nosso lado uma viatura da Polícia Militar e pára. Nós éramos os únicos da pracinha, então imaginei que eles se dirigiriam a nós.</p>
<p>Ser parado pela polícia para averiguação é uma situação perfeitamente natural numa sociedade civilizada, mas eu me espantei quando um dos policiais saiu de revólver em punho, com a arma praticamente apontada para nós, e gritando para que ficássemos em pé.</p>
<p>Eu até perguntei, abismado mas de forma polida, &#8220;pra que essa arma, amigo?&#8221;, ao que ele me mandou simplesmente calar a boca, gritando de novo. Mandou-nos também ficar de costas, não olhar para ele e colocar as mãos na nuca.</p>
<p>Enquanto nos revistavam (e obviamente não encontraram nada suspeito), eu respondia normalmente a todas as perguntas, e umas duas vezes em que simplesmente virei o rosto para responder alguma coisa, ele gritou comigo para que eu ficasse de costas.</p>
<p>Os policiais disseram que aquela praça era &#8220;ponto de maconheiro&#8221; e um deles deixou escapar que eles foram lá porque um dos vizinhos denunciou a nossa presença!</p>
<p>Quer dizer, dois caras desconhecidos estão na rua fazendo um lanche e conversando às três horas da tarde de um tranquilo bairro residencial, e isso, para os moradores, é motivo para uma chamada à polícia. E a polícia chega apontado armas e humilhando os &#8220;suspeitos&#8221;, sem nenhum indício de que estejam fazendo algo errado.<br />
<span id="more-487"></span><br />
Marcello depois me disse que isso era &#8220;normal&#8221; na polícia paulista. E eu, que moro há mais de trinta anos num Estado que é considerado uma espécie de terra sem lei, nunca vivi uma experiência remotamente parecida, com a tão criticada polícia paraense.</p>
<p>Ando muito à noite, a pé, em lugares considerados decadentes do centro velho de Belém. Já fui parado diversas vezes pela polícia. Nunca vi um policial de arma fora do coldre. Sempre fui abordado de forma educada, respeitando meus direitos de cidadão, e por isso nunca fiquei irritado com a polícia estar apenas fazendo o seu trabalho. Certa vez um dos PMs quase pediu desculpas por estar nos revistando, como se o nosso grupo, bem vestido e saindo de uma festa, tivesse razões de não gostar da abordagem policial.</p>
<p>Bem, amigos já tinham me falado da truculência dos meganhas de São Paulo. Um Estado que permitiu a alguém como Saulo de Castro Abreu Filho chefiar a segurança pública por cinco anos demonstra o quão pouco é o seu apreço pelos direitos humanos ou mesmo por um mínimo de decência no trato com o tema. O que mais me espantou, na verdade, foi o fato de a abordagem ter acontecido não no meio de uma ronda de rotina, mas através de denúncia dos moradores.</p>
<p>É como se a praça fosse de propriedade exclusiva deles, que deve ser protegida de &#8220;intrusos&#8221; que estão apenas&#8230; usando-a! Após a saída da viatura, Marcello sugeriu que fôssemos embora imediatamente. Eu, teimosamente, queria ficar, não por fazer questão de permanecer no local, mas por pura raiva, para mostrar ao morador filho da puta que nos fez passar por isso, que eles não eram donos da praça, e não iam intimidar alguém que estava apenas usando um espaço público como outro qualquer. Sei que seria um gesto inútil, mas queria fazê-lo como uma forma de resistência simbólica &#8212; mesmo que o simbolismo servisse apenas para fortalecer dentro de mim o meu repúdio visceral a qualquer forma de autoritarismo.</p>
<p>Percebi, aliás, uma ojeriza da institucionalidade paulista ao próprio caráter público das ruas. Muitas praças de São Paulo não têm bancos, o que transforma um lugar que poderia ser aprazível num mero ponto de passagem. Nas que têm, os bancos sempre seguem aquele padrão arquitetônico de dificultar que os moradores de rua durmam neles. Não vi nenhuma que fosse como a Praça da República de Belém, um gigantesco lugar cheio de passagens arborizadas e bancos de madeira enormes, daquele estilo antigo, e onde se pode se chegar e ficar a qualquer hora do dia ou da noite, sem guardinhas mandando ir embora ou dizendo que &#8220;isso pode&#8221; e &#8220;isso não pode&#8221;.</p>
<p>Os paulistanos não querem que os moradores de rua durmam no único lugar que lhes resta para dormir, que é a via pública. Tiram dos despossuídos até o direito de ter algumas horas de descanso. O governador José Serra, quando prefeito, construiu as célebres &#8220;rampas anti-mendigo&#8221;, e é este que 40% de desinformados acham que se preocupa com os pobres e querem ver na Presidência do país.</p>
<p>Esse acontecimento azedou bastante a minha opinião sobre a cidade, que já estava meio ruim ao ver que um ou outro amigo paraense morando aqui já tinha mimetizando essa visão que é típica de uma cidade ultra-capitalista, de &#8220;ser bem-sucedido a qualquer custo, ter um carro bom, senão não sou ninguém&#8221;.</p>
<p>As pessoas bem-sucedidas que têm como pagar os preços exorbitantes dos imóveis nos bairros residenciais de São Paulo devem achar que têm direito a mandar na rua que moram. Que a praça tem que ser pra eles e pra mais ninguém.</p>
<p>Para alguém como eu, que desde muito jovem ando muito pelas ruas da minha cidade, que as vejo como lugar de passear, de curtir, e não apenas de ir de um lugar para outro, sentir na pele essa transformação do espaço público em feudo privado de alguns poucos foi bastante triste, e também instrutiva.</p>
<p>E eu lembrei de quando morei em Tucuruí, e passava pela vila da Eletronorte, semelhante a um subúrbio norte-americano, lugar super-seguro e com ruas limpas e arborizadas, mas totalmente morto, sem vida social ou gente nas ruas. E no quanto, para muitas pessoas, morar num lugar assim é um tipo de ideal de vida. Isso eu nunca vou entender.</p>
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		<title>Radiohead – 15 Step (ao vivo no Grammy 2009)</title>
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		<pubDate>Thu, 12 Mar 2009 09:15:17 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Marcus Pessoa</dc:creator>
				<category><![CDATA[Música]]></category>

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		<description><![CDATA[Este post tem duas finalidades: divulgar o vídeo da sensacional apresentação do Radiohead no Grammy, acompanhado da banda de fanfarra USC Marching Band (já que os vídeos sobre isso no YouTube foram todos apagados), e avisar aos amigos do Rio e São Paulo que estou chegando para os shows, e vou reservar alguns dias para [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Este post tem duas finalidades: divulgar o vídeo da sensacional apresentação do Radiohead no Grammy, acompanhado da banda de fanfarra USC Marching Band (já que os vídeos sobre isso no YouTube foram todos apagados), e avisar aos amigos do Rio e São Paulo que estou chegando para os shows, e vou reservar alguns dias para passear e conhecer pessoalmente pessoas a quem já me afeiçoei pela internet.</p>
<p>São poucos dias, por causa dos problemas de saúde na família que os leitores já conhecem: chego no dia <strong>17 de março</strong> no Rio, vou no dia <strong>21</strong> para São Paulo, e volto para Belém no dia <strong>25</strong>.</p>
<p>Vejam o vídeo:</p>
<p><object width="425" height="335"><param name="movie" value="http://www.dailymotion.com/swf/k4Jib9eTb5xnflYjZJ&#038;related=1"></param><param name="allowFullScreen" value="true"></param><param name="allowScriptAccess" value="always"></param><embed src="http://www.dailymotion.com/swf/k4Jib9eTb5xnflYjZJ&#038;related=1" type="application/x-shockwave-flash" width="425" height="335" allowFullScreen="true" allowScriptAccess="always"></embed></object></p>
<p>A <a href="http://www.uscband.com">Trojan Marching Band</a> da University of Southern California existe há décadas e faz parte da tradição norte-americana de grandes bandas de fanfarra universitárias. Quase todas colocam músicas pop em seu repertório, e a da USC até já se apresentou antes no mesmo Grammy, em 2004, acompanhando &#8220;Hey Ya&#8221; do Outkast. Mas o Radiohead fez mais: colocou os 32 jovens músicos como o centro do arranjo da música e da apresentação no show.</p>
<p>Fiquei impressionado com o entusiasmo e a garra da moçada. Um <a href="http://bloodypop.com/2009/03/09/os-bastidores-da-apresentacao-do-radiohead-no-grammy">vídeo com os bastidores</a> dos ensaios e da apresentação (considerada pela Entertainment Weekly como &#8220;a melhor da história do Grammy&#8221;) foi divulgado pela USC.</p>
<p>Boatos engraçadinhos dizem que o Radiohead vai chamar aos palcos do Brasil o Olodum&#8230;</p>
<p>De qualquer forma, estarei nos dois shows para vê-los, e também o Kraftwerk e a volta de Los Hermanos. Já falei com alguns blogueiros amigos, entre eles a <a href="http://quitanda2008.wordpress.com">Cristiane</a>, o <a href="http://www.verbeat.org/blogs/bunker">Renmero</a> e o <a href="http://avozdomorto.blogspot.com">Fábio</a>, para fazermos alguma programação durante a minha viagem. Os leitores e amigos que vão ao show, e os que não vão também, estão convidados a mandar e-mails ou comentários para combinarmos alguma coisa. Até lá!</p>
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		<title>O catolicismo é maior que a Igreja</title>
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		<comments>http://marcuspessoa.net/2009/03/07/o-catolicismo-e-maior-que-a-igreja/#comments</comments>
		<pubDate>Sat, 07 Mar 2009 06:17:49 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Marcus Pessoa</dc:creator>
				<category><![CDATA[Reflexões]]></category>
		<category><![CDATA[Sociedade]]></category>

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		<description><![CDATA[
Eu nem ia comentar o caso do Arcebispo de Recife. Afinal, é um factóide. A intervenção bizarra do arcebispo não teve importância nenhuma. Nem convenceu o Ministério Público a impedir o aborto, nem a excomunhão tem algum efeito real na vida das pessoas.
Todo o &#8220;fato&#8221; se passou unicamente nas páginas dos jornais. Mas, OK, eu [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><img src="http://marcuspessoa.net/wp-content/uploads/2009/03/palafrenieri.jpg" alt="Caravaggio, Madonna dei Palafrenieri" title="Caravaggio, Madonna dei Palafrenieri" width="400" height="480" /></p>
<p>Eu nem ia comentar o caso do Arcebispo de Recife. Afinal, é um factóide. A intervenção bizarra do arcebispo não teve importância nenhuma. Nem convenceu o Ministério Público a impedir o aborto, nem a excomunhão tem algum efeito real na vida das pessoas.</p>
<p>Todo o &#8220;fato&#8221; se passou unicamente nas páginas dos jornais. Mas, OK, eu entendo a indignação das pessoas. Também achei de última. Entendo a crítica à nomenklatura caquética de uma Igreja que não sabe mais dialogar com a vida real.</p>
<p>Sinto que este texto vai ficar imenso, mas eu não podia ignorar o que alguns colegas blogueiros estão falando sobre o catolicismo, a partir de episódios mediáticos como esse. Parecem dizer que o catolicismo se resume a gente idiota tentando impedir jovens de usar camisinha e mulheres estupradas de abortar.</p>
<p>Isso é uma pauta requentada de uma imprensa preguiçosa. O catolicismo não é isso. Antes desse imbecil, por exemplo, a Arquidiocese de Recife era ocupada por D. Hélder Câmara, uma dos grandes homens do século XX. Quando o ministro Gilmar Mente fez seu ataque raivoso e ideológico ao MST, a única voz que se levantou para contestá-lo foi a Comissão Pastoral da Terra.</p>
<p>A Camila fez <a href="http://www.amalgama.blog.br/02/2009/o-misterio-do-catolicismo-nao-praticante">um artigo</a> sobre os católicos não-praticantes (que D. Cláudio Hummes definiu, de forma muito feliz, como católicos &#8220;a seu modo&#8221;), no qual demonstra uma estranheza tão forte em relação a eles que parece uma antropóloga visitando uma tribo de botocudos. Como se fossem de outro planeta.</p>
<p>Moro na cidade da <a href="http://marcuspessoa.blogspot.com/2006/10/o-lrio-mimoso.html">maior festa católica do mundo</a>, e aqui a gente fica conhecendo na real o que é um povo que apenas tem fé, e são os nossos amigos, parentes, colegas, pessoas normais como nós. Não são ETs. Não são fanáticos.</p>
<p>Os católicos são 73% da população brasileira, e mesmo assim me sinto olhado com lentes exóticas quando falo em caixas de comentários alheias sobre minha fé. A <a href="http://beauvoriana2.zip.net">Mary</a> certa vez insinuou que eu sou um fanático, porque defendi as qualidades literárias da Bíblia e disse que acredito numa utopia onde as religiões possam conviver em paz.</p>
<p>A Aline <a href="http://ateaquitudobem.blogspot.com/2009/03/da-excomunhao.html">concorda</a> com a Camila e acha que, quando os católicos &#8220;a seu modo&#8221; não concordam e ignoram as regras idiotas da Igreja, estão sendo apenas comodistas, e coniventes com as atrocidades cometidas por ela.</p>
<p>Quer dizer, o que começou com uma crítica à Igreja chega próximo a um assédio moral aos católicos, mesmo que eles não concordem com ela e não tenham nenhuma responsabilidade pelos atos cometidos.<br />
<span id="more-463"></span><br />
Não é muito diferente da época da Guerra Fria, quando, após cada atrocidade cometida por Stálin, a direita encostava a esquerda democrática ocidental na parede, acusando-os por atos que eles <em>também condenavam</em>. Não é muito diferente de hoje, quando, como <a href="http://altovolta.apostos.com/archives/2009/02/rumo_a_estacao.html">bem disse o David</a>, cada judeu no mundo inteiro tem que gritar bem alto que odeia os crimes de Israel, para ser admitido como pessoa de bem.</p>
<p>A Aline disse que a minha fé é fruto dos &#8220;atos que estruturaram a Igreja&#8221;. Bem, a Igreja foi estruturada 400 anos depois dos eventos contados nos Evangelhos, quando a chama original da rebeldia e contestação originais dos cristãos já estava extinta. Então eu, que já exaltei o espírito cristão original <a href="http://marcuspessoa.blogspot.com/2007/04/vestido-e-armado-com-as-tuas-armas.html">neste post</a>, e baseio minha fé em evangelhos que foram escritos 300 anos antes do Concílio de Nicéia, afirmo que ela não tem nada a ver com os crimes da Igreja.</p>
<p>Insisto no argumento de que o catolicismo é algo muito mais abrangente, rico e multifacetado que a Igreja Católica em si. Não conheço ninguém que tenha estudado a religiosidade popular que discorde disso. Meus amigos de Belém também sabem o que é, porque vivenciam todos os anos, em outubro.</p>
<p>Mas aí os colegas blogueiros ficam argumentando com base no catecismo. Ninguém sequer leu o catecismo, muito menos se importa com ele. Nenhum católico &#8220;a seu modo&#8221; se considera membro de um clube &#8212; na expressão algo infeliz que a Camila usou. As paróquias têm as portas permanentemente abertas pra quem quiser entrar. Ninguém precisa mostrar carteirinha ou atestado de virtude ou ortodoxia. Cada um pode exercer a sua fé como bem entender.</p>
<p>E as pessoas exercem de vários modos mesmo, e vários são os motivos que as levam à Igreja. Há aqueles que gostam da idéia de santos, sentem-se confortáveis com pessoas do povo alçadas a embaixadores dos homens perante Deus. Há aqueles que apenas gostam do clima das missas. Há os que simpatizam com a mensagem do padre.</p>
<p>Os ritos católicos são agradáveis. As pessoas se sentem acolhidas. Quem nunca foi numa missa não tem idéia. Já fui em muitas, de várias paróquias diferentes. Nunca vi um padre falando raivosamente, vituperando culpas alheias, mandando que não se use camisinhas, criticando os homossexuais. Sei que há alguns que fazem isso, mas são minoria.</p>
<p>O salmo mais cantado é o 23, porque fala exclusivamente de amor e acolhimento. O Velho Testamento tem muitas passagens agressivas, mas estas não são valorizadas nos cultos.</p>
<p>Querer que esse bando de gente diferente, que frequenta a Igreja porque é um lugar &#8220;legal&#8221;, responda por todo um corpus doutrinário conservador (com o qual não concordam), ou por uma história de atrocidades (para a qual não concorreram), é irrazoável.</p>
<p>Existem duas forças políticas que querem que os católicos usem cabresto: a própria Igreja, e, ironicamente, os seus maiores críticos. Estes, que confundem catolicismo com a Igreja, querem que os católicos baixem a crista mesmo, que aceitem a ortodoxia, ou então saiam.</p>
<p>A Mary <a href="http://beauvoriana2.zip.net/arch2009-03-01_2009-03-31.html#2009_03-06_22_17_27-127299368-0">deplorou</a> a existência do grupo Católicas pelo Direito de Decidir. Seria, é claro, muito mais fácil atacar um catolicismo em que ninguém é a favor do aborto. O fato de a maioria das mulheres católicas apoiar esse direito (e apóiam) é um nuance incontornável e que demanda uma análise muito menos apaixonada do que a gente lê por aí.</p>
<p>No mundo real, as pessoas seguem a sua vidinha, sem se importar com os factóides. E eu paro por aqui, senão nenhum leitor vai chegar ao final. Que venham as pedradas.</p>
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		<item>
		<title>Brasileira inventou agressão na Suíça e Noblat foi na dela</title>
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		<pubDate>Wed, 18 Feb 2009 15:00:36 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Marcus Pessoa</dc:creator>
				<category><![CDATA[Imprensa]]></category>
		<category><![CDATA[Internacional]]></category>

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		<description><![CDATA[A reportagem da revista Época não deixa dúvidas: a advogada Paula Oliveira é uma mitômana, com sérios problemas psicológicos, e inventou toda a história que vem sendo contada pela imprensa brasileira há dias. Não houve gravidez, e muito menos ataque racista.
(tá, isso ainda não foi provado. Mas pra mim o que já foi apurado é [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>A <a href="http://revistaepoca.globo.com/Revista/Epoca/0,,EMI26956-15227,00.html">reportagem</a> da revista Época não deixa dúvidas: a advogada Paula Oliveira é uma mitômana, com sérios problemas psicológicos, e inventou toda a história que vem sendo contada pela imprensa brasileira há dias. Não houve gravidez, e muito menos ataque racista.</p>
<p>(tá, isso ainda não foi provado. Mas pra mim o que já foi apurado é suficiente para formar opinião. Se a própria gravidez é uma invenção, muito lógico que o ataque também seja)</p>
<p>Sem dúvida, a maior &#8220;barriga&#8221; (sic) da imprensa brasileira nos últimos anos. Ao menos não causou prejuízos diretos a ninguém, ao contrário do triste caso da Escola Base e outros parecidos. E, ao contrário destes, tem um responsável muito bem identificado: o jornalista e blogueiro Ricardo Noblat.</p>
<p>Tudo começou com <a href="http://oglobo.globo.com/pais/noblat/post.asp?cod_Post=160714">um post</a> dele no dia 11 passado, que publicou como fato o que era apenas alegação do pai da moça, assessor parlamentar e <a href="http://oglobo.globo.com/pais/noblat/post.asp?cod_Post=161445">amigo de juventude</a> do jornalista. Não houve checagem, e tudo o que ele publicou se baseou nas informações da família, que parece também ter sido enganada pela moça.</p>
<p>Um único jornalista induziu a erro a empresa onde trabalha (foi a chamada bombástica do Jornal Nacional que chamou a atenção para o caso) e gerou um grande constrangimento para o governo brasileiro, que se viu pressionado a, sem motivo, engrossar a voz contra a Suíça &#8212; episódio que Sergio Leo conta numa <a href="http://verbeat.org/blogs/sergioleo/2009/02/o-caso-da-brasileira-na-suica---sobrou-pro-amorim.html">crônica deliciosa</a>.<br />
<span id="more-451"></span><br />
Até o momento Noblat não admitiu que errou. Hoje linkou o <a href="http://observatorio.ultimosegundo.ig.com.br/blogs.asp?id={1CCA7F28-153F-45F7-B1F3-953427D3672D}&#038;id_blog=3">artigo</a> de Luiz Weis (mas depois apagou o link), onde este desculpa o erro e diz que &#8220;11 em cada 10 críticos&#8221; fariam a mesma coisa. O interessante é que Weis não identifica Noblat como o autor da barriga, mas sim o Jornal Nacional. E, para provar a tese de que a história era plausível, cita <a href="http://oglobo.globo.com/pais/noblat/post.asp?cod_Post=161826">um post</a> <em>do próprio Noblat</em> falando da violência da polícia suíça:</p>
<blockquote><p>Há 20 anos, um brasileiro ilegal na Suíça foi preso por falsificar cartões de crédito. Saiu da prisão tetraplégico – segundo ele, de tanto apanhar, segundo a polícia, de tanto bater com a cabeça na parede.</p>
<p>No final dos anos 90, o mordomo de Celso Lafer, embaixador do Brasil na Suíça, foi preso por engano. Apanhou. Depois, recebeu uma condecoração e visto permanente para trabalhar na Suíça.</p>
<p>Na semana passada, os dois episódios foram relembrados nos corredores do Itamaraty devido à má vontade inicial da polícia suíça com a advogada Paula Oliveira.</p></blockquote>
<p>A se notar o caráter vago da nota, sem identificação de fontes ou maiores dados que permitam saber de que fatos (não noticiados pela imprensa da época) se tratam.</p>
<p>Weis reclama que ninguém questionou inicialmente a veracidade da notícia, como se isso desculpasse o erro. Ora, nós, consumidores ávidos de notícias, não temos tempo para <em>fazer o trabalho dos jornalistas</em> e checar a veracidade de tudo o que lemos. Eles, que são pagos para isso, é que devem fazê-lo. Nós tendemos a <em>confiar</em> na imprensa, intuir que o dever de casa foi feito, isto é, que a notícia publicada foi devidamente checada. Note-se que só dois dias depois Noblat detalhou os (insuficientes) procedimentos que adotou antes de levar a história ao ar. Até aquele momento, o tom assertivo do noticiário dava a entender que não havia dúvida sobre o ocorrido.</p>
<p>O que me deixou mais irritado no artigo de Weis é o argumento de que o &#8220;perfil&#8221; de Paula Oliveira era &#8220;insuspeito&#8221;, por se tratar de uma advogada, funcionária de uma multinacional. Quer dizer que se ela fosse uma faxineira (como tantos imigrantes brasileiros o são), a história seria menos crível? Pessoas de classe alta têm mais credibilidade?</p>
<p>Não me espanta que a história só tenha alcançado a dimensão que alcançou porque o pai da moça era uma pessoa importante, assessor de um deputado federal&#8230;</p>
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		<item>
		<title>White Lies</title>
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		<comments>http://marcuspessoa.net/2009/02/17/white-lies/#comments</comments>
		<pubDate>Tue, 17 Feb 2009 14:02:44 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Marcus Pessoa</dc:creator>
				<category><![CDATA[Música]]></category>

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		<description><![CDATA[
Neste começo de 2009, os White Lies estão, na Inglaterra, na posição que estavam os Klaxons há um ano atrás, e os Arctic Monkeys, há dois: o de banda nova a tomar de assalto as paradas de sucesso, a ser comentada de um lado a outra da ilha, a despertar amor e ódio. Enfim, um [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><img src="http://marcuspessoa.net/wp-content/uploads/2009/02/whitelies.jpg" alt="White Lies" title="White Lies" width="400" height="300" /></p>
<p>Neste começo de 2009, os White Lies estão, na Inglaterra, na posição que estavam os Klaxons há um ano atrás, e os Arctic Monkeys, há dois: o de banda nova a tomar de assalto as paradas de sucesso, a ser comentada de um lado a outra da ilha, a despertar amor e ódio. Enfim, um verdadeiro e autêntico hype.</p>
<p>Seu álbum de estréia, <strong>To Lose My Life</strong>, lançado em 19 de janeiro, foi direto para o topo das vendagens, impulsionado por uma sucessão de ótimos singles, que deixaram o público esperando impaciente o longa-duração, e pela própria qualidade do álbum, que não se limita a encher linguiça para os hits anteriores. É um grande disco, um dos melhores dos últimos tempos, sem a menor dúvida.</p>
<p>No entanto, os ouvintes, inclusive este que lhes escreve, são tomados por sentimentos ambivalentes. Se é indubitável o carisma do vocalista, e a qualidade das canções e dos poderosos arranjos de guitarras, há quase um consenso de que nada daquilo é original, e todo o som é decalcado de épocas anteriores.</p>
<p>Imagine que <strong>Ian Curtis</strong> era jovem na virada do século e ouvia The Cult o dia todo, a ponto de <em>querer ser</em> Ian Astbury. E que, em vez de decorar sua poesia desesperançada com um instrumental esparso, resolveu meter guitarras até o talo, e refrões ganchudos para deleite do público.</p>
<p>Assim nascia mais um herói do rock. Depois da profunda decepção que foi o terceiro disco do <strong>Interpol</strong>, os White Lies salvam a pátria pós-punk. Ou melhor, não salvam porra nenhuma, mas pelo menos divertem, e me permitem, nesse invernico tropical que estamos tendo aqui, tirar o casaco preto do armário sem parecer um maluco.</p>
<p>Abaixo, a faixa que abre o disco e foi o primeiro single. Clique para ouvir.</p>
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	   </span> 
	    </p>
<p><strong>Death</strong><br />
<em>(White Lies)</em></p>
<p>I love the feeling when we lift up<br />
Watching the world so small below<br />
I love the dreaming when I think of<br />
The safety in the clouds out my window<br />
I wonder what keeps us so high up<br />
Could there be a love beneath these wings<br />
If we suddenly fall should i scream out<br />
Or keep very quite and cling<br />
To my mouth as I&#8217;m crying<br />
So frightened of dying<br />
Relax yes I&#8217;m trying<br />
This fears got a hold on me</p>
<p>Yes, this fears got a hold on me</p>
<p>I love the quite of the night time<br />
When the sun in the deathly sea<br />
I can feel my heart beating as I speed from<br />
Then sense of time catching up with me<br />
The sky set out like a pathway<br />
But who decides which path we take<br />
As people drift into a dream world<br />
I close my eyes as my hands shake<br />
And when I see a new day<br />
Who&#8217;s driving this anyway<br />
I picture my own grave<br />
Cause fears got a hold on me</p>
<p>Yes, this fears got a hold on me</p>
<p>Floating neither up or down<br />
I wonder when I&#8217;ll hit the ground<br />
Well the earth beneath my body shake<br />
And cast your sleeping hearts awake<br />
Could it tremble stars from moon light skies<br />
Could it drag a tear from your cold eyes<br />
I live on the right side I sleep in the left<br />
That&#8217;s why everything&#8217;s got to be love or death</p>
<p>Yes, this fears got a hold on me</p>
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		<title>Nobel para o Calypso – como se constrói um hoax</title>
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		<comments>http://marcuspessoa.net/2009/02/03/nobel-para-o-calypso-como-se-constroi-um-hoax/#comments</comments>
		<pubDate>Tue, 03 Feb 2009 20:23:41 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Marcus Pessoa</dc:creator>
				<category><![CDATA[Belém]]></category>
		<category><![CDATA[Imprensa]]></category>
		<category><![CDATA[Música]]></category>

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		<description><![CDATA[
A notícia virou o principal tema de deboche na internet hoje: a banda Calypso teria sido indicada ao Prêmio Nobel da Paz, em solenidade realizada ontem em um hotel de Belém.
Segundo o Diário do Pará, maior jornal do Estado, a indicação foi feita pelo bispo João Pedro do Nascimento, presidente do Comitê da Paz, entidade [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><img src="http://marcuspessoa.net/wp-content/uploads/2009/02/bcalyp.jpg" alt="Banda Calypso" title="Banda Calypso" width="400" height="300" /></p>
<p>A notícia virou o principal tema de deboche na internet hoje: a banda Calypso teria sido <a href="http://www.diariodopara.com.br/noticiafull.php?idnot=28139">indicada ao Prêmio Nobel da Paz</a>, em solenidade realizada ontem em um hotel de Belém.</p>
<p>Segundo o Diário do Pará, maior jornal do Estado, a indicação foi feita pelo bispo <strong>João Pedro do Nascimento</strong>, presidente do Comitê da Paz, entidade &#8220;oriunda dos Boinas Azuis&#8221;, que ganharam eles próprios o Nobel da Paz de 1988. A justificativa foi o &#8220;relevante trabalho humanitário em prol dos carentes da região Norte&#8221;, promovido pela banda. No dia 15 (daqui a dois domingos) haveria um jogo de futebol e show beneficente do Calypso no Mangueirão.</p>
<p>Já trabalhei em um jornal diário de Belém. Há um ditado que diz que, se as pessoas soubessem como são feitas as leis e as salsichas, não consumiriam nem umas, nem outras. O mesmo pode ser dito das notícias apuradas pela imprensa paraense.</p>
<p>Não se sabe de que igreja é o &#8220;bispo&#8221; João Pedro do Nascimento. O que se sabe é que ele é um doido varrido com <a href="http://comitedapazbrasil.blogspot.com">a cara do Muamar Kadafi</a>, que usa até hoje uma boina azul, que é a lembrança de sua participação na campanha de paz da ONU em 1959 na Faixa de Gaza. Pelo menos é o que ele diz.</p>
<p>O fato de ter sido um dos soldados do contingente brasileiro que lá atuou, dá a esse megalômano o argumento de que o tal Comitê da Paz (ONG-de-um-homem-só) é &#8220;oriundo dos Boinas Verdes&#8221;, como se fosse herdeiro do Nobel de 1988. Note-se que ele não está entre os <a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Boinas_azuis#Brasileiros_portadores_da_Medalha_Pr.C3.AAmio_Nobel">brasileiros agraciados com a medalha</a>.</p>
<p>É possível que o coquetel no hotel Hilton, citado na matéria do Diário do Pará, tenha realmente acontecido. O problema é que o repórter do Diário apenas transcreveu os termos do release, sem fazer qualquer apuração. Não encontrou a própria banda Calypso, e não ligou para a Secretaria de Esportes ou para a Federação Paraense de Futebol para pedir informações sobre um jogo que se realizaria numa data tão próxima.</p>
<p>É evidente que a notícia é falsa. Mas, pelo inusitado da coisa, e usando os caminhos aos quais temos nos acostumado ultimamente, ela já correu a internet e assumiu ar de verdade.</p>
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		<title>Milk – A Voz da Igualdade</title>
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		<comments>http://marcuspessoa.net/2009/01/31/milk-a-voz-da-igualdade/#comments</comments>
		<pubDate>Sat, 31 Jan 2009 15:15:29 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Marcus Pessoa</dc:creator>
				<category><![CDATA[Cinema]]></category>
		<category><![CDATA[Política]]></category>
		<category><![CDATA[Sociedade]]></category>

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		<description><![CDATA[
Olá, meu nome é Marcus Pessoa e eu quero convidá-los. Convidar a ver, a partir de 20 de fevereiro, nos cinemas brasileiros, o novo filme de Gus Van Sant, que conta a história de Harvey Milk, o primeiro homossexual assumido a ser eleito para um cargo público nos Estados Unidos.
A frase que abre o post [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><img src="http://marcuspessoa.net/wp-content/uploads/2009/01/milkstill.jpg" alt="Milk" title="Milk" width="400" height="265"  /></p>
<p><em>Olá, meu nome é Marcus Pessoa e eu quero convidá-los.</em> Convidar a ver, a partir de 20 de fevereiro, nos cinemas brasileiros, o <a href="http://www.imdb.com/title/tt1013753">novo filme de Gus Van Sant</a>, que conta a história de <strong>Harvey Milk</strong>, o primeiro homossexual assumido a ser eleito para um cargo público nos Estados Unidos.</p>
<p>A frase que abre o post é uma paráfrase da convocação que ele usava em seus comícios, e o título escolhido em Portugal é bem expressivo: &#8220;Meu Nome é Harvey Milk&#8221;. Indicado a 8 Oscars, o filme capta com brilhantismo a trajetória extraordinária de um ex-funcionário de uma grande corporação que, após mudar-se para São Francisco, começa a aglutinar em torno de si os gays insatisfeitos com a discriminação existente nos anos 70.</p>
<p>Gus Van Sant oscila entre filmes radicalmente experimentais e histórias contadas para o grande público. Milk é do segundo grupo, e como a maioria dos grandes filmes políticos, abraça a causa que retrata. O diretor, também homossexual assumido, mostra as várias faces de Harvey Milk: um transgressor, que questiona a contemporização dos gays ricos e importantes com o stablishment político, mas também um marqueteiro esperto, que promove causas populares apenas para conseguir visibilidade para os problemas dos gays.</p>
<p>Hoje virou moda entre trogloditas de direita questionar o movimento gay. Esquecem-se que o que está em pauta não é apenas o bem-estar dos homossexuais, mas a sua própria vida. Milk, interpretado de forma sobrenatural por <strong>Sean Penn</strong>, deixa isso bem claro quando fala da epidemia de suicídios entre homossexuais. Até hoje os índices de depressão e suicídio entre jovens homossexuais são bem maiores do que entre os heterossexuais. Criar um ambiente social onde eles se sintam acolhidos não é &#8220;perfumaria&#8221;, mas um assunto de vida ou morte.</p>
<p>A &#8220;questão homossexual&#8221; tem uma particularidade única, que também é explorada no filme. Ao contrário dos negros e das mulheres, os gays podem esconder sua condição; isso, que pode ser visto como uma proteção contra a discriminação, também fortalece os estereótipos em relação a uma certa visão dos gays assumidos, que seriam &#8220;depravados&#8221; e sexualmente promíscuos. Milk, lutando contra um odioso projeto de lei que pretendia demitir os professores homossexuais das escolas, pede aos gays que saiam do armário; que seus parentes, amigos, colegas, que os respeitam e que neles confiam, saibam que existem homossexuais em todo lugar, e que eles são pessoas &#8220;normais&#8221;.</p>
<p>Já ouvi relatos de pessoas que eram homofóbicas, até que descobriram que alguém de seu círculo de amizades era homossexual. Nessa hora caem as mentiras que alimentam o preconceito &#8212; que se sustenta no desconhecimento deliberado do &#8220;outro&#8221;.<br />
<span id="more-409"></span><br />
O filme corre por fora na disputa do Oscar, mas seria muito bom vê-lo ganhar. Sean Penn ganhou o prêmio de melhor ator do sindicato dos atores e parece estar assumindo a dianteira sobre Mickey Rourke no caminho para sua segunda estatueta dourada. Uma vitória de Milk sobre Slumdog Millionaire e Benjamin Button (dois filmes bastante problemáticos, embora bem realizados) seria uma espécie de vingança contra a absurda campanha homofóbica que tirou o Oscar de melhor filme de <strong>Brokeback Mountain</strong>, há quatro anos.</p>
<p>O filme de Ang Lee não podia nem ser considerado o favorito. Era o ganhador certo da estatueta, porque arrasou em todas a pré-temporada de prêmios, conseguindo aprovação unânime. Mas um movimento de última hora inflou Crash, um filme bastante inferior e bem esquemático, que, no entanto, também falava de preconceito, no caso o racial.</p>
<p>Como se sabe, existem os preconceitos que têm e os que não têm aceitação social. Ninguém tolera racismo, e mesmo aqueles que são racistas não o admitem, como já demonstrou várias vezes o <a href="http://www.interney.net/blogs/lll">Alex</a>. Mas a homofobia é livremente praticada.</p>
<p>Nunca tinha acontecido de um filme ganhar todos os prêmios da pré-temporada e perder o Oscar. Isso aconteceu com Brokeback Mountain. Acho que não precisa ser gênio pra saber o motivo.</p>
<p>Não darei links para o Milk, porque a melhor coisa a fazer é vê-lo numa sala de cinema. Mas quem quiser, fique à vontade para procurar os arquivos disponíveis na internet.</p>
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		<title>Fórum Social Mundial 2009</title>
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		<comments>http://marcuspessoa.net/2009/01/26/forum-social-mundial-2009/#comments</comments>
		<pubDate>Mon, 26 Jan 2009 22:10:50 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Marcus Pessoa</dc:creator>
				<category><![CDATA[Belém]]></category>
		<category><![CDATA[Política]]></category>
		<category><![CDATA[Sociedade]]></category>

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		<description><![CDATA[
Este blog fará faria a partir de amanhã uma cobertura especial do Fórum Social Mundial 2009, que se realizará aqui na aprazível Santa Maria de Belém do Grão Pará.
Essa cobertura é era um projeto meio óbvio e que eu tinha planejado há algum tempo, mas não o tinha divulgado ainda por problemas caseiros. Minha mãe [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><img src="http://marcuspessoa.net/wp-content/uploads/2009/01/fsm01.jpg" alt="Índios no Fórum Social Mundial 2009" title="Índios no Fórum Social Mundial 2009" width="400" height="320" /></p>
<p>Este blog <del>fará</del> faria a partir de amanhã uma cobertura especial do <a href="http://www.forumsocialmundial.org.br">Fórum Social Mundial 2009</a>, que se realizará aqui na aprazível Santa Maria de Belém do Grão Pará.</p>
<p>Essa cobertura <del>é</del> era um projeto meio óbvio e que eu tinha planejado há algum tempo, mas não o tinha divulgado ainda por problemas caseiros. Minha mãe está passando por um tratamento delicado de saúde e eu não sabia se teria tempo para deixar os cuidados com ela e circular durante o fórum. <del>Por sorte, meu irmão me liberou do encargo, e os leitores terão a partir de amanhã posts diários.</del></p>
<p>Acabei de chegar da inscrição, no campus da Universidade Federal Rural da Amazônia. Lá funcionará o Acampamento Internacional da Juventude (AIJ), e numa escola do lado está o acampamento dos índios. Estava cheio de índios por lá.</p>
<p>A via que dá acesso aos locais do fórum estava um tanto engarrafada, o que me deixa apreensivo sobre como vai ficar quando o Fórum começar mesmo. Muitos policiais do Estado e da Força Nacional de Segurança. Os campi da UFRA e da Universidade Federal do Pará ficam bem em frente a bairros populares, e os hômi estavam fazendo blitze direto com o povão, parando, revistando e tal. Por outro lado, os moradores estão aproveitando o movimento, usando seus terrenos como estacionamento para as centenas de automóveis impedidos de entrar nos locais do fórum.</p>
<p>A abertura será amanhã à tarde, com uma caminhada começando a partir da escadinha do cais do porto, um local lindo que já foi cenário de <a href="http://marcuspessoa.net/2007/10/13/romaria-fluvial">um post deste blog</a> sobre o Círio de Nazaré 2007. A expectativa é de uma aglomeração-monstro, até pela presença do Arraial do Pavulagem, um grupo de boi-bumbá que em tempos normais já arrasta multidões.</p>
<p><del>Fiquem ligados.</del></p>
<p><strong>Atualização:</strong> infelizmente o esquema de revezamento da &#8220;enfermaria&#8221; aqui de casa não funcionou e tive que ficar aqui em todo o meu tempo livre. A cobertura planejada provavelmente não acontecerá, mas o blog continuará sendo atualizado com outros assuntos.</p>
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		<title>Skins, terceira temporada</title>
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		<comments>http://marcuspessoa.net/2009/01/25/skins-terceira-temporada/#comments</comments>
		<pubDate>Sun, 25 Jan 2009 23:44:20 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Marcus Pessoa</dc:creator>
				<category><![CDATA[TV]]></category>

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		<description><![CDATA[
Começou no dia 22 passado o terceiro ano da série de TV de maior sucesso na Inglaterra. Skins tem uma fórmula simples mas eficiente: acompanha um grupo de amigos em torno dos 16 anos de idade, em suas aventuras regadas a sexo, drogas e rock&#8217;n'roll. Muito sexo, muitas drogas e muito rock&#8217;n'roll, misturado a outros [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><img src="http://marcuspessoa.net/wp-content/uploads/2009/01/skins3temp.jpg" alt="" title="" width="400" height="154" /></p>
<p>Começou no dia 22 passado o terceiro ano da série de TV de maior sucesso na Inglaterra. <a href="http://e4.com/skins">Skins</a> tem uma fórmula simples mas eficiente: acompanha um grupo de amigos em torno dos 16 anos de idade, em suas aventuras regadas a sexo, drogas e rock&#8217;n'roll. Muito sexo, muitas drogas e muito rock&#8217;n'roll, misturado a outros estilos musicais numa trilha sonora de primeira linha.</p>
<p>Os temas &#8220;adultos&#8221; são tão onipresentes que os episódios só passam após as 22 horas, e já houve peças publicitárias vetadas pela censura por excesso de sensualidade. Há referência a distúrbios alimentadores, homossexualidade, relacionamento afetivo entre alunos e professores, enfim, tudo o que em geral é tratado nas séries norte-americanas apenas de forma moralistóide. Os adolescentes de Skins, ao contrário, são amorais, cínicos e fazem todo o possível para sabotar o mundo dos adultos.</p>
<p>Isso tudo é tratado num texto ágil e divertido, que às vezes exagera no humorismo, principalmente na primeira temporada. Apesar do indiscutível charme do elenco, pensei em deixar a série de lado, porque ela parecia muito infanto-juvenil no início. Mas um acontecimento trágico com um dos protagonistas no final da temporada de estréia mudou completamente o eixo das coisas, e a segunda temporada teve muito mais densidade dramática, com episódios realmente antológicos.</p>
<p>Apesar do enorme sucesso, os produtores tomaram uma decisão polêmica para esta terceira temporada: trocar todo o elenco, com exceção da personagem <strong>Effy</strong>, que agora lidera o grupo dos desordeiros teens. A justificativa é que eles querem manter o foco nessa idade (16/17 anos), e não acompanhar os personagens até a idade adulta. No elenco original estava o ator Dev Patel, que agora brilha como protagonista de <strong>Slumdog Millionaire</strong> (Quem Quer Ser um Milionário?), filme de Danny Boyle indicado para 10 Oscars.</p>
<p>O episódio do dia 22 é divertido, e o novo elenco mostrou ser carismático. A segunda temporada está passando no Brasil no canal HBO Plus, com o nome de &#8220;Juventude à Flor da Pele&#8221;, mas todo mundo já sabe que a melhor forma de acompanhar uma série é baixando os episódios pela internet mesmo. Skins vai ao ar na Inglaterra nas quintas feiras, e geralmente no mesmo dia já está disponível no <a href="http://isohunt.com">isoHunt</a>. As legendas em português aparecem no <a href="http://legendas.tv">Legendas.tv</a> aos sábados. Quem quiser experimentar, já sabe.</p>
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		<item>
		<title>Cesare Battisti e a questão do crime político</title>
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		<comments>http://marcuspessoa.net/2009/01/24/cesare-battisti-e-a-questao-do-crime-politico/#comments</comments>
		<pubDate>Sat, 24 Jan 2009 22:27:14 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Marcus Pessoa</dc:creator>
				<category><![CDATA[Política]]></category>

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		<description><![CDATA[A concessão, pelo Ministro da Justiça, Tarso Genro, de asilo político ao italiano Cesare Battisti, tem rendido uma quantidade enorme de críticas ao governo na imprensa. O mínimo que se diz é que ele sofreu pressões para tomar a decisão. No limite, se diz que ele, intelectual marxista respeitado, tomou a decisão por questões ideológicas [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>A concessão, pelo Ministro da Justiça, Tarso Genro, de asilo político ao italiano Cesare Battisti, tem rendido uma quantidade enorme de críticas ao governo na imprensa. O mínimo que se diz é que ele sofreu pressões para tomar a decisão. No limite, se diz que ele, intelectual marxista respeitado, tomou a decisão por questões ideológicas e não jurídicas.</p>
<p>Este blog não considera confiável a decisão da justiça italiana, que condenou Battisti à prisão perpétua por quatro homicídios, à revelia, tendo por base apenas o testemunho de um ex-colega de militância clandestina de esquerda, colega este que recebeu perdão de muitos anos de prisão para dar este depoimento.</p>
<p>Uma só testemunha, sobre as quais pairam essas dúvidas, não parece ser suficiente para uma condenação, ainda mais que na época a Itália tinha aprovado leis de exceção, diminuindo garantias individuais, e que houve envolvimento comprovado de autoridades policiais e judiciárias para condenar o máximo possível de militantes de esquerda, mesmo quando eram inocentes.</p>
<p>De qualquer forma, a questão da justeza da condenação de Battisti é controversa. O que é incontroverso é que o ministro Tarso Genro apenas cumpriu as leis do Brasil. Falta a esse bando de palpiteiros que o estão criticando simplesmente conhecê-las.</p>
<p>Como se sabe, a Constituição do Brasil proíbe a extradição de praticantes de crime político:</p>
<blockquote><p>Art. 5º (&#8230;) LII &#8211; não será concedida extradição de estrangeiro por crime político ou de opinião;</p></blockquote>
<p>Os palpiteiros dizem que Battisti é um &#8220;criminoso comum&#8221; e não político, porque teria cometido homicídios. O problema é que, <em>mesmo que ele tenha mesmo matado pessoas</em> (o que é controverso), <em>ainda assim a motivação política por trás dos crimes seria suficiente para considerá-los crimes políticos</em>, conforme o entendimento firmado pelo Supremo Tribunal Federal há quase 20 anos, na decisão de <a href="http://www.stf.jus.br/portal/jurisprudencia/listarJurisprudencia.asp?s1=%28Ext$.SCLA.%20E%20493.NUME.%29%20OU%20%28Ext.ACMS.%20ADJ2%20493.ACMS.%29&#038;base=baseAcordaos">extradição nº 493</a>:</p>
<blockquote><p>Fatos enquadráveis na lei penal comum e atribuídos aos rebeldes &#8212; roubo de veículo (&#8230;) privações de liberdade, lesões corporais, <strong>homicídios</strong> e danos materiais (&#8230;) &#8212; são absorvidos, no direito brasileiro, pelo atentado violento ao regime. (&#8230;) Ditos fatos, ainda quando considerados crimes diversos, estariam contaminados pela natureza política do fato principal conexo, a rebelião armada, a qual se vincularam indissoluvelmente, de modo a constituírem <strong>delitos políticos</strong> relativos.</p></blockquote>
<p>Nossa corte suprema não poderia ser mais clara: crimes comuns, quando cometidos no contexto da luta política, são considerados crimes políticos. Logo, Cesare Battisti, que teria cometido os crimes como resultado de sua ação política clandestina de esquerda, é considerado pela nossa justiça um criminoso político, e não pode ser extraditado.</p>
<p>O resto é esperneio de quem não conhece a lei. Aliás, o esperneio das autoridades italianas tem tido amplo destaque em nossa imprensa, que parece esquecer que esse governo (chefiado por Silvio Berlusconi) é especialista em declarações infames, como a que qualificou de &#8220;bronzeado&#8221; o novo presidente norte-americano. Na hora de falar de Barack Obama, a imprensa mostra o quanto Berlusconi é ridículo. Quando o assunto é criticar o governo brasileiro, esquecem-se disso.</p>
<p>(este post foi escrito com informações prestadas pelo meu amigo Henrique Júdice, repórter do jornal A Nova Democracia)</p>
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		<item>
		<title>“Arquivo Morto” e o poder da música</title>
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		<comments>http://marcuspessoa.net/2009/01/23/arquivo-morto-e-o-poder-da-musica/#comments</comments>
		<pubDate>Fri, 23 Jan 2009 04:05:19 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Marcus Pessoa</dc:creator>
				<category><![CDATA[Música]]></category>
		<category><![CDATA[TV]]></category>

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		<description><![CDATA[
Aconteceu de novo, hoje. Ainda agora. A TV estava ligada em algum programa aleatório do SBT, e eu no computador, sem prestar atenção. Aí começa uma linda música pop, e cenas evocativas em sequência, que me fazem ver o que era: o final de mais um episódio da série Arquivo Morto (Cold Case).
Não sou realmente [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><img src="http://marcuspessoa.net/wp-content/uploads/2009/01/ccstill.jpg" alt="Arquivo Morto (Cold Case)" title="Arquivo Morto (Cold Case)" width="400" height="268" /></p>
<p>Aconteceu de novo, hoje. Ainda agora. A TV estava ligada em algum programa aleatório do SBT, e eu no computador, sem prestar atenção. Aí começa uma linda música pop, e cenas evocativas em sequência, que me fazem ver o que era: o final de mais um episódio da série Arquivo Morto (Cold Case).</p>
<p>Não sou realmente fã dessas séries policiais americanas: acho-as bem feitas e só. Mas esse trecho específico de Arquivo Morto (que aparece em todos os episódios, mostrando finais felizes, a condenação dos criminosos e cenas importantes na vida dos protagonistas), embalado pela música, é algo que emociona com facilidade.</p>
<p>Filmes policiais tratam de episódios cruciais na vida das pessoas, mas em geral é tudo embalado num clichê de eficiência burocrática que enjoa. Arquivo Morto não foge muito ao padrão, mas, bem, tudo sob o manto de uma música bonita fica melhor. A música melhora tudo na vida.</p>
<p>Em tempos de iPod fica até piegas dizer, mas a primeira vez que eu usei um velho walkman foi uma experiência inesquecível. Eu passeava por uma praia perto de Belém, que sempre me pareceu desinteressante, e coloquei The Joshua Tree, do U2, para tocar. Tudo mudou. Tudo parecia mais bonito e com mais significado. Passear por aquela praia me dava a impressão de que eu estava dentro de um videoclipe.</p>
<p>Não sei por que escrevi esse post tão acaciano. Todo mundo ama a música e sabe disso.</p>
<p>Talvez seja só o respeito pelas minhas próprias emoções, que vieram à tona timidamente no clipe musical do episódio da série que acabei de assistir. E eu lembrei de quando escutei <a href="http://marcuspessoa.blogspot.com/2006/09/quem-sabe-canes-de-amor.html">esta música</a> do Upper Room, que achei tão incrivelmente linda que agradeci (sei lá a quem) por ainda ter um coração e apreciar a música como um apaixonado e não meramente um conhecedor.</p>
<img src="http://feeds.feedburner.com/~r/mirante/~4/Rl2AC8mDF3I" height="1" width="1"/>]]></content:encoded>
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		<title>Kraftwerk abrirá shows do Radiohead no Brasil</title>
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		<pubDate>Fri, 19 Dec 2008 23:26:15 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Marcus Pessoa</dc:creator>
				<category><![CDATA[Música]]></category>

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		<description><![CDATA[
O Radiohead anunciou em sua página oficial que contará em sua turnê latino-americana com o &#8220;apoio de convidados muito especiais&#8221;: a banda eletrônica alemã Kraftwerk.
Pra mim, já com ingresso comprado para os dois shows no Brasil (dia 20 de março, no Rio, e 22, em São Paulo), foi uma valorização inesperada da quantia (bem alta) [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><img src="http://marcuspessoa.net/wp-content/uploads/2008/12/kwlive.jpg" alt="Kraftwerk" title="Kraftwerk" width="400" height="300" /></p>
<p>O Radiohead anunciou em sua <a href="http://radiohead.com/tourdates">página oficial</a> que contará em sua turnê latino-americana com o &#8220;apoio de convidados muito especiais&#8221;: a banda eletrônica alemã <strong>Kraftwerk</strong>.</p>
<p>Pra mim, já com ingresso comprado para os dois shows no Brasil (dia 20 de março, no Rio, e 22, em São Paulo), foi uma valorização inesperada da quantia (bem alta) que paguei pelos tickets. O Kraftwerk não é apenas uma das minhas bandas preferidas: é um dos artistas que abriu a minha mente para sons diferentes, ainda nos longínquos anos 80.</p>
<p>Lembro-me como se fosse hoje da primeira vez em que coloquei o vinil de <strong>Radioactiviy</strong> pra tocar. Foi uma experiência indescritível; um mergulho num outro universo que eu nem sabia que existia; uma viagem semelhante à de uma droga. Fiquei estupefato com a utilização de sons de aparelhos de rádio, contadores geigers, interferências de ondas curtas, etc, a serviço de melodias perfeitas, econômicas, que têm uma aparência fria, mas emocionam.</p>
<p>Hoje o som do Kraftwerk pode parecer até manjado, de tanto que se incorporou ao synthpop e a vários estilos de música eletrônica. A própria fase atual do Radiohead seria impossível sem os alemães.</p>
<p>A vinda deles (terceira ao Brasil) pode reforçar a venda de ingressos para os shows, que anda bem fraca, apesar das sucessivas <a href="http://www1.folha.uol.com.br/folha/ilustrada/ult90u475759.shtml">notícias</a> <a href="http://www1.folha.uol.com.br/folha/ilustrada/ult90u476676.shtml">falsas</a> divulgadas na imprensa sobre uma suposta corrida aos tickets. Fãs do Radiohead chegaram a temer ficar sem ingresso, mas os preços estão muito altos, e os locais escolhidos são grandes demais para uma banda que é famosa na Europa e nos EUA, mas aqui só tocou no rádio com &#8220;Creep&#8221;, há quinze anos atrás. Aliás, &#8220;Creep&#8221; não foi tocada uma vez sequer na turnê In Rainbows, mas eu não duvido que eles façam uma supresa ao público brasileiro e a toquem aqui.</p>
<p>Em 1998 eu paguei apenas 25 reais para ver Cure, Smashing Pumpkins, Supergrass e White Zombie na mesmíssima Praça da Apoteose que vai receber o Radiohead. Agora tive que pagar 200. Resultado óbvio: fracasso nas vendas. Existe até um rumor de que a organização do show estaria negociando a volta dos <strong>Los Hermanos</strong> para tocar também. Parece ser a única banda nacional capaz de causar uma comoção que justificasse uma corrida às bilheterias, sem contar que têm grande simpatia entre os fãs do Radiohead.</p>
<p>Enquanto a organização não define as outras duas atrações dos shows, escutemos a faixa &#8220;dance&#8221; do Radioactivy, <strong>Airwaves</strong>. Amo essa música, cuja sonoridade já foi copiada ad infinitum por bandas de todos os quadrantes. Clique para ouvir.</p>
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		<title>Suécia retira sadomasoquismo da lista de doenças mentais</title>
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		<comments>http://marcuspessoa.net/2008/11/24/suecia-retira-sadomasoquismo-da-lista-de-doencas-mentais/#comments</comments>
		<pubDate>Mon, 24 Nov 2008 15:57:14 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Marcus Pessoa</dc:creator>
				<category><![CDATA[Cinema]]></category>
		<category><![CDATA[Comportamento]]></category>
		<category><![CDATA[Sociedade]]></category>

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		<description><![CDATA[
O governo sueco desclassificou há alguns dias como transtornos mentais alguns comportamentos sexuais antes considerados &#8220;desviantes&#8221;. As autoridades consideraram que o sadomasoquismo, o fetichismo e o travestismo são preferências sexuais como outras quaisquer, e que mantê-los na lista de doenças era uma forma de discriminar e estigmatizar seus praticantes.
O país é o primeiro a atender [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><img src="http://marcuspessoa.net/wp-content/uploads/2008/11/sm_art.jpg" alt="" title="" width="400" height="300" /></p>
<p>O governo sueco <a href="http://g1.globo.com/Noticias/Mundo/0,,MUL864947-5602,00-SUECIA+RETIRA+TRANSFORMISMO+E+SADOMASOQUISMO+DE+LISTA+DE+DOENCAS.html">desclassificou há alguns dias</a> como transtornos mentais alguns comportamentos sexuais antes considerados &#8220;desviantes&#8221;. As autoridades consideraram que o <em>sadomasoquismo</em>, o <em>fetichismo</em> e o <em>travestismo</em> são preferências sexuais como outras quaisquer, e que mantê-los na lista de doenças era uma forma de discriminar e estigmatizar seus praticantes.</p>
<p>O país é o primeiro a atender às reivindicações do <a href="http://www.revisef65.org">Revise F65</a>, um movimento internacional que pede a retirada dessas três práticas do Catálogo Internacional de Doenças &#8211; CID. O CID é mantido pela Organização Mundial de Saúde e revisado periodicamente, e o Revise F65 luta especificamente contra os itens <a href="http://www.datasus.gov.br/cid10/v2008/webhelp/f60_f69.htm#F65">F65.0, F65.1, F65.5 e F65.6</a> do catálogo.</p>
<p>Com a adesão da Suécia, é provável que aconteça com o sadomasoquismo e demais fetiches o que aconteceu com a homossexualidade há algumas décadas atrás: o entendimento de que são apenas estilos de vida diferentes do habitual, que podem ser praticados de forma saudável, por pessoas perfeitamente integradas à sociedade.</p>
<p>O tema veio à baila na época em que a ONU estava fazendo inspeções no Iraque para verificar a existência de armas de destruição em massa. Um dos inspetores era integrante de um conhecido clube sadomasoquista de Washington, e foi <a href="http://www.correiomanha.pt/noticia.aspx?channelid=00000091-0000-0000-0000-000000000091&#038;contentid=00015920-3333-3333-3333-000000015920">muito criticado</a> por setores da opinião pública por isso. Ele chegou a pedir demissão do cargo, mas o chefe da equipe, Hans Blix (coincidentemente, sueco), negou-lhe a dispensa, alegando que era um técnico competente e que seus gostos pessoais não tinham relevância no caso.</p>
<p>Os <a href="http://www.desejosecreto.com.br">praticantes do sadomasoquismo</a> garantem que a prática é saudável e segura. Afinal, é apenas um teatro, onde não há violência real ou coerção, e onde toda &#8220;submissão&#8221; é voluntária. Diz-se até que, na verdade, é o escravo que tem o controle da situação, porque toda vez em que achar que o mestre está indo longe demais, basta pronunciar a &#8220;senha de segurança&#8221; (safe word) que seu dominador é obrigado a interromper imediatamente o que estiver fazendo.</p>
<p><img src="http://marcuspessoa.net/wp-content/uploads/2008/11/verfolgt.jpg" alt="Cena de &quot;Verfolgt&quot;" title="Cena de &quot;Verfolgt&quot;" width="400" height="270" /></p>
<p>Para os interessados no assunto, eu indico o excelente filme alemão <strong>Verfolgt</strong> <em>(Castigue-me)</em>, de 2006, que mostra uma relação sadomasoquista entre um jovem delinqüente e sua monitora de liberdade condicional, uma mulher de meia idade que tinha uma vida tranqüila, até que o jovem lhe pede que exerça sua autoridade de forma muito pouco convencional.</p>
<p>A carga emocional da relação entre os dois (onde não há sexo propriamente dito) é enorme, e transforma profundamente as suas vidas. É um filme brilhante, com uma fotografia espetacular em preto e branco, e que deve ser visto de mente aberta.</p>
<p>É claro que não será lançado no Brasil.</p>
<p>Download: <a href="ed2k://|file|Punish.Me.(Verfolgt).2006.DvdRip.avi|733157376|4D14DEC0A5D41E0AC6A6BB2FF4F602E9|/">eMule</a><br />
Legendas: em <a href="http://www.opensubtitles.org/pb/subtitles/3183010/verfolgt-en">inglês</a> e <a href="http://www.opensubtitles.org/pb/subtitles/3374590/verfolgt-pb">português</a></p>
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		<item>
		<title>Nova versão do Flash trava envio de fotos ao Orkut</title>
		<link>http://feedproxy.google.com/~r/mirante/~3/fo88_aigkJI/</link>
		<comments>http://marcuspessoa.net/2008/11/18/nova-versao-do-flash-trava-envio-de-fotos-ao-orkut/#comments</comments>
		<pubDate>Wed, 19 Nov 2008 00:16:06 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Marcus Pessoa</dc:creator>
				<category><![CDATA[Internet]]></category>
		<category><![CDATA[Software]]></category>

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		<description><![CDATA[Atualização: o bug do Orkut foi corrigido, mas permanece em instalações do WordPress e Joomla.
O problema não é só no Orkut, mas também no Flickr e em sites que usam um código específico para envio de fotos, o SWFUpload &#8212; o que inclui todos os criados nas plataformas gratuitas WordPress e Joomla, inclusive este blog.
Esses [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><em><strong>Atualização:</strong> o bug do Orkut foi corrigido, mas permanece em instalações do WordPress e Joomla.</em></p>
<p>O problema não é só no Orkut, mas também no Flickr e em sites que usam um código específico para envio de fotos, o <a href="http://www.swfupload.org">SWFUpload</a> &#8212; o que inclui todos os criados nas plataformas gratuitas WordPress e Joomla, inclusive este blog.</p>
<p>Esses sites usam uma combinação de JavaScript e Flash que permite enviar várias fotos ao mesmo tempo, selecionando-as de uma única vez no computador do usuário. O problema é que a versão 10 do Flash considera este código (usado por milhões de pessoas no mundo todo) um &#8220;problema de segurança&#8221; e o impede de funcionar.</p>
<p>Essa informação eu li no blog <a href="http://www.geoweb.blog.br/index.php/2008/11/10/wordpress-joomla-flickr-e-o-bug-com-flash-player-10">GeoWeb</a>, e imediatamente percebi que se aplicava também ao Orkut. Nas comunidades de suporte técnico começou há pouco tempo uma choradeira imensa, uma sangria desatada pelo não funcionamento do envio de fotos, sem que ninguém soubesse exatamente por que ela funcionava com alguns usuários e não funcionava com outros.</p>
<p>Foi só eu fazer o que aconselhava o GeoWeb (desinstalar a versão 10 do Adobe Flash Player e voltar para a versão 9) que o problema acabou. Isto é, acabou pra mim; pra um monte de gente que não sabe disso, continua.</p>
<p>O que nos leva a uma discussão sobre &#8220;monopólio na internet&#8221;. Todo mundo reclama da Microsoft, do Google, mas o monopólio de fato é da Adobe, que detém poder sobre virtualmente 100% do que é produzido em Flash, o principal conteúdo multimídia da rede.</p>
<p>É absurdo que uma única empresa possa, de uma hora para a outra, fazer parar de funcionar milhares de sites ao mesmo tempo. Que não ofereça compatibilidade com o conteúdo já publicado. E que não avise aos desenvolvedores de mudanças importantes que virão.</p>
<p>Até o momento, a solução é puramente individual (voltar para a versão 9 do Flash). Não se sabe quando a Adobe ou os sites que estão tendo problemas farão algo por seus usuários.</p>
<img src="http://feeds.feedburner.com/~r/mirante/~4/fo88_aigkJI" height="1" width="1"/>]]></content:encoded>
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		<title>Flash mob contra o projeto Azeredo</title>
		<link>http://feedproxy.google.com/~r/mirante/~3/28UMDKWTU_o/</link>
		<comments>http://marcuspessoa.net/2008/11/13/flash-mob-contra-o-projeto-azeredo/#comments</comments>
		<pubDate>Thu, 13 Nov 2008 14:18:37 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Marcus Pessoa</dc:creator>
				<category><![CDATA[Internet]]></category>
		<category><![CDATA[Política]]></category>

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		<description><![CDATA[Quem mora no Rio e em São Paulo deve estar atento. Amanhã de tarde acontecerá o primeiro flash mob pela liberdade na internet, promovido pelo Interney. O objetivo é chamar a atenção e pedir a rejeição do projeto, que segundo o blogueiro,
Implanta uma situação de vigilantismo, não impede a ação dos crackers, e abre espaço [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Quem mora no Rio e em São Paulo deve estar atento. <strong>Amanhã de tarde</strong> acontecerá o primeiro <a href="http://www.interney.net/?p=9764485">flash mob pela liberdade na internet</a>, promovido pelo Interney. O objetivo é chamar a atenção e pedir a rejeição do projeto, que segundo o blogueiro,</p>
<blockquote><p>Implanta uma situação de vigilantismo, não impede a ação dos crackers, e abre espaço para violar direitos civis básicos, reduzir as possibilidades da inclusão digital, elevar o Custo Brasil de comunicação e transferir para toda a sociedade os custos de segurança que deveriam ser apenas dos bancos.</p></blockquote>
<p>As mobilizações serão amanhã, sexta, dia <strong>14 de novembro, às 18 horas</strong>. Em São Paulo, na Avenida Paulista, 900, em frente ao Objetivo, e no Rio, na Cinelândia, em frente à Câmara Municipal. Pede-se que as pessoas tragam uma folha de sulfite escrito NÃO AO PL AZEREDO.</p>
<p>O blog também pede a assinatura da <a href="http://www.petitiononline.com/veto2008/petition.html">petição online</a> &#8220;Manifesto em defesa da liberdade e do progresso do conhecimento na Internet Brasileira&#8221;, que já conta com 119 mil assinaturas.</p>
<img src="http://feeds.feedburner.com/~r/mirante/~4/28UMDKWTU_o" height="1" width="1"/>]]></content:encoded>
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		<item>
		<title>Radiohead no Brasil</title>
		<link>http://feedproxy.google.com/~r/mirante/~3/uDJWHOVz0XM/</link>
		<comments>http://marcuspessoa.net/2008/11/12/radiohead-no-brasil/#comments</comments>
		<pubDate>Wed, 12 Nov 2008 04:25:08 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Marcus Pessoa</dc:creator>
				<category><![CDATA[Música]]></category>

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		<description><![CDATA[
Agora é oficial. A banda preferida deste blog anunciou em sua página a inclusão do Brasil em sua turnê 2009 &#8212; promessa feita no início deste ano, mas que ainda não tinha sido confirmada. Eles nunca tocaram em terras brasileiras.
Além de nós, Chile, Argentina e México farão parte da turnê latino-americana. Apenas o Chile já [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p class="center"><img src="http://marcuspessoa.net/wp-content/uploads/2008/11/rhbra.jpg" alt="Radiohead" title="Radiohead" width="400" height="500" class="noborder" /></p>
<p>Agora é oficial. A banda preferida deste blog anunciou em <a href="http://radiohead.com/tourdates">sua página</a> a inclusão do Brasil em sua turnê 2009 &#8212; promessa feita no início deste ano, mas que ainda não tinha sido confirmada. Eles nunca tocaram em terras brasileiras.</p>
<p>Além de nós, Chile, Argentina e México farão parte da turnê latino-americana. Apenas o Chile já está com show marcado (27 de março, em Santiago) e com ingressos à venda, mas as demais datas serão anunciadas em breve. Especula-se que eles tragam a tiracolo, para abrir os shows, ninguém menos que o <strong>Sigur Rós</strong>, também uma das bandas que amo.</p>
<p>Não preciso nem falar do quanto gosto do Radiohead; basta consultar o <a href="http://marcuspessoa.net/?s=radiohead">arquivo do blog</a>. Estarei, com certeza absoluta, em um, ou em todos os shows daqui. Será uma oportunidade também para rever amigos do Rio e de São Paulo, e para conhecer pessoalmente alguns grandes amigos virtuais. Aguardem, confirmarei tudo assim que as datas forem anunciadas.</p>
<p>Eu queria escolher uma música alegrinha pra esse post, o que exclui obrigatoriamente as dos últimos discos, hehehe. Acabei pensando nesta, <strong>Lift</strong>, que é daquele tipo candente e solar que Thom Yorke deixou de fazer há mais de dez anos. Esta música linda <em>nunca foi lançada</em> pela banda em nenhum de seus discos, nem como lado B de singles. Permanece &#8220;inédita&#8221;, a não ser por gravações ao vivo como essa, de 1996. Clique para ouvir.</p>
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	   </span> 
	    </p>
<p><strong>Lift</strong><br />
<em>(Radiohead)</em></p>
<p>This is the place<br />
Sit down, you&#8217;re safe now<br />
You&#8217;ve been stuck in a lift<br />
We&#8217;ve been trying to reach you, Thom<br />
This is the place<br />
It won&#8217;t hurt, it will not end</p>
<p>The smell of recognition<br />
A face you barely loved<br />
Empty all your pockets<br />
Cause it&#8217;s time to come home</p>
<p>This is the place<br />
Remember me?<br />
I&#8217;m that face you always see<br />
You&#8217;ve been stuck in a lift<br />
In the belly of a whale<br />
At the bottom of the ocean</p>
<p>Let it go<br />
Let it go</p>
<p>Today is the first day<br />
Of the rest of your days<br />
So lighten up, squirt</p>
<img src="http://feeds.feedburner.com/~r/mirante/~4/uDJWHOVz0XM" height="1" width="1"/>]]></content:encoded>
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		<item>
		<title>Quando tudo começou</title>
		<link>http://feedproxy.google.com/~r/mirante/~3/xbPORSnw_Js/</link>
		<comments>http://marcuspessoa.net/2008/07/16/quando-tudo-comecou-2/#comments</comments>
		<pubDate>Wed, 16 Jul 2008 07:18:18 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Marcus Pessoa</dc:creator>
				<category><![CDATA[Citações]]></category>
		<category><![CDATA[História]]></category>
		<category><![CDATA[Teatro]]></category>

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		<description><![CDATA[Esse post foi publicado originalmente como parte de uma polêmica com o Alex, que disse certa vez que, por definição, nenhum monoglota é inteligente. A discussão é antiga e já não faz muito sentido, mas serviu pra que eu desencavasse um dos melhores textos de um monoglota genial.
Estou indo para a praia e ficarei longe [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Esse post foi publicado originalmente como parte de uma polêmica com o <a href="http://www.interney.net/blogs/lll">Alex</a>, que disse certa vez que, <em>por definição, nenhum monoglota é inteligente</em>. A discussão é antiga e já não faz muito sentido, mas serviu pra que eu desencavasse um dos melhores textos de um monoglota genial.</p>
<p>Estou indo para a praia e ficarei longe da internet por vários dias. O blog entra em recesso mas os comentários dos leitores continuam muito bem vindos.</p>
<blockquote><p><img src='http://marcuspessoa.net/wp-content/uploads/2008/02/nelson.jpg' alt='Nelson Rodrigues' title='Nelson Rodrigues' width="146" height="172" class="right" /><strong>QUANDO TUDO COMEÇOU</strong></p>
<p>Estréia &#8220;Vestido de Noiva&#8221; (23/12/1943)<br />
por Nelson Rodrigues</p>
<p>No terceiro sinal alguém veio me soprar: &#8220;A melhor platéia do Brasil&#8221;. E começou a peça. Nove e meia, se bem me lembro. Numa pusilanimidade total, fiquei no fundo de um camarote, arriado. Platéia, balcões nobres, frisas e camarotes lotados. Eu não via, nem queria ver nada. Muitas vezes, tapava os ouvidos, doente de medo. E o pior foi o silêncio do público todo o primeiro ato. Ninguém ria, ninguém tossia. E havia qualquer coisa de apavorante naquela presença numerosa e muda.</p>
<p>Termina o primeiro ato. Três palmas, se tanto, ou quatro ou cinco no máximo. Gelado, imaginei que seriam palmas das minhas irmãs, dos meus irmãos. Continuei no fundo do camarote, cravado na cadeira. Repetia para mim mesmo: &#8220;Fracasso, fracasso!&#8221;</p>
<p>Termina o segundo ato. Menos palmas. Imagino: &#8220;Até minhas irmãs têm vergonha de me aplaudir&#8221;. Pongetti tinha razão. &#8220;Vestido de Noiva&#8221; era o caos. A platéia estava furiosa com o caos. Até que baixa o pano sobre o final do terceiro ato. Silêncio. Espero. Silêncio. Ninguém bate palmas, nem minhas irmãs.<br />
<span id="more-293"></span><br />
Ainda silêncio. Atônito, pensei em Roberto Marinho que estava no camarote, ao lado. Devia estar me achando uma besta. E, de repente, começaram palmas escassas e esparsas. Um aplaudia aqui, outro ali, um terceiro mais adiante. Atracado à cadeira, sentia-me perdido, perdido. Mas via a progressão. Focos de palmas, em vários pontos da platéia. E, súbito, todos acordaram do seu espanto. Ergueu-se o uivo unânime.</p>
<p>Os aplausos subiam até a cúpula e multiplicavam as cintilações do lustre. Era como se o grande Caruso tivesse acabado de soltar um dó de peito. Os artistas iam e voltavam. Porteiros levavam corbeilles. Veio Ziembinski, arrastado, de mangas arregaçadas, com o suor de gênio da fronte alta. E, súbito, uma voz (possivelmente a de José César Borba) se esganiça: &#8220;O autor, o autor!&#8221; E não foi só o César Borba. Muitos outros, inclusive mulheres, pediam, exigiam: &#8220;O autor, o autor!&#8221;</p>
<p>Minha irmã Helena veio me buscar no fundo do camarote. Eu, que me esvaía em suor, gemi: &#8220;Não, não!&#8221; E ela: &#8220;Vem, vem!&#8221; Não podia explicar, ali, que eu entrara no Municipal um pobre-diabo; e ainda não me sentia o autor glorioso. Helena, porém, crispada de vontade, arrancou-me da cadeira. Lívido, apareci na varanda do camarote.</p>
<p>Pensei: &#8220;Roberto Marinho deve estar impressionado&#8221;. Esperava eu, e esperavam minhas irmãs, que a platéia se voltasse para mim e todos gritassem: &#8220;Ele, ele!&#8221; Mas o que em seguida aconteceu foi muito parecido com um pesadelo humorístico. Estava o autor, em pé, no camarote, pronto para receber a apoteose. E ninguém me olhava, ninguém. Era como se eu não existisse, simplesmente não existisse.</p>
<p>A platéia exigia o autor, mas virada para o palco, de costas para mim. Senti como se fosse um puro espírito, que vaga, invisível, inaudível, por entre os vivos. Deu-me a vontade furiosa de gritar: &#8220;Sou eu! Sou eu!&#8221; E nada. Por que os artistas do palco não apontavam: &#8220;Ali! Ali!&#8221; Por um minuto, sem fim, fui excluído da apoteose e me senti um marginal da própria glória. Recuei para o fundo do camarote, dilacerado de vergonha e frustração.</p>
<p>Quando saí do camarote, o primeiro a me abraçar, radiante, foi Roberto Marinho. Em seguida, Sílvio Piergile, o maestro. E ambos disseram: &#8220;Formidável!&#8221; Mas fora o Roberto Marinho e o Sílvio Piergile, ninguém via em mim o autor. Uma senhora ia na minha frente, com uma graça lânguida e nostálgica: &#8220;As mulheres só deviam amar meninos de 17 anos&#8221;. Vou descendo; no meio da escadaria, um velho me abraça; diz trêmulo: &#8220;Não perdi um enterro de sua família&#8221;. E me beija. Embaixo, sou envolvido, abraçado, quase raptado. Álvaro Lins me puxa pelo braço: &#8220;Vem cá que eu quero te apresentar o Paulo Bittencourt&#8221;. Lembro-me exatamente das palavras de Paulo: &#8220;Sua peça é extremamente interessante&#8221;. Alguém ciciou no meu ouvido: &#8220;Genial!&#8221; Isso, dito baixinho, como se fosse uma obscenidade, deu-me vontade de chorar.</p>
<p>Mas tinha que abraçar Ziembinski, o elenco. Fui para a caixa. Quando entrei, vi uma multidão. Ziembinski berrou: &#8220;O autor!&#8221; Recebi uma ovação espantosa. Ah, eu estava emocionalmente exausto, as pernas bambas, a vista embaçada. Abraço, longa e desesperadamente Ziembinski. Ah, o polaco (ninguém o chamava de polonês, mas de polaco), o polaco dera ao que parecia o caos uma ordem translúcida e perfeita. Depois de Ziembinski, saí abraçando os intérpretes um por um: Evangelina, Carlos Perry, Graça Mello, Expedito Pôrto, Carlos Mello, Isaac Paschoal. Do alto do camarote, eu era fisicamente desconhecido. Agora, não. Ziembinski me apresentara. Da caixa do teatro até a porta dos fundos, não dei um passo sem esbarrar, sem tropeçar numa admiração patética.</p>
<p>Finalmente, desvencilhei-me dos admiradores e cheguei à rua. Estou andando na calçada da Avenida, e atravesso a Almirante Barroso, vou na direção da Galeria Cruzeiro. Sentia-me boiar entre as coisas. A glória era recente demais. Uma hora antes, eu não passava de um pobre rapaz, que ganhava setecentos mil réis mensais (quinhentos na folha e duzentos por fora). E as coisas me pareciam de uma irrealidade atroz. Até a Avenida era irreal, e os edifícios, e as esquinas. Longe, na Praça Mauá, os mastros sonhavam.</p>
<p>No próprio edifício do Liceu de Artes e Ofícios, quase ao lado de &#8220;O Globo&#8221;, havia uma casa que era, a um só tempo, leiteria e restaurante. Lá serviam um prato chamado &#8220;Almoço Nevado&#8221;, típico da classe média. Era um bife, que podia ser acompanhado ou de batatas fritas ou de dois ovos estrelados, com arroz. E mais: manteiga, pão e um pudim de sobremesa. Tudo, ao preço compassivo, generoso, de doze mil réis. Entrei na leiteria deserta, sentei-me num canto. Disse, sem olhar o menu: &#8220;Traz um Almoço Nevada, com batatas fritas&#8221;.</p>
<p>Primeiro, o garçon trouxe pão e manteiga. Comecei a comer com sombrio elán. Tinha, na imaginação, o lustre do Municipal, ardendo em cintilações delirantes. O garçon voltou. Pôs o prato na mesa. Digo-lhe: &#8220;Traz mais pão, que eu pago por fora. Manteiga também, sim?&#8221; Eu continuava febril de sonho. Mas o prato estava diante de mim. O bife era a vida real.</p></blockquote>
<p><em>Publicado originalmente em 14 de outubro de 2004.</em></p>
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		<title>No cemitério</title>
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		<pubDate>Mon, 14 Jul 2008 13:27:58 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Marcus Pessoa</dc:creator>
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		<category><![CDATA[Relatos]]></category>
		<category><![CDATA[Sociedade]]></category>

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Um dos parentes dos bebês retira da sacola um martelo e começa a abrir uma das caixas, com a perícia de quem já fez isso muitas vezes. Surge um embrulho. Sim, um pacote branco, que vai sendo aberto lentamente pelo homem do martelo. Um rostinho aparece, como uma flor, emoldurado pelo papel branco com o [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p class="center"><img src="http://marcuspessoa.net/wp-content/uploads/2008/07/anjinhos.jpg" alt="Enterro dos nenéns" title="Enterro dos nenéns" width="320" height="214" class="alignnone size-full wp-image-292" /></p>
<blockquote><p>Um dos parentes dos bebês retira da sacola um martelo e começa a abrir uma das caixas, com a perícia de quem já fez isso muitas vezes. Surge um embrulho. Sim, um pacote branco, que vai sendo aberto lentamente pelo homem do martelo. Um rostinho aparece, como uma flor, emoldurado pelo papel branco com o qual fora embalado.</p>
<p>O homem olha, respira fundo&#8230; Logo outras pessoas lhe pedem o martelo emprestado e, aos poucos, as caixinhas começam a ser abertas, uma a uma. Um jardim de pequeninos rostos inertes povoa o grande salão dos mortos. Todos, como em uma orquestra, começam a enfeitar seus filhos com flores azuis, algumas brancas, tudo igual.</p>
<p>Todas as caixas são reunidas em um carro de mão. Um funcionário grita: &#8220;Vamos, gente, vamos. Todo mundo já achou o seu? Então, vamos logo, temos que enterrar&#8221;. E toma a frente, empurrando o carro com as caixas de bebês empilhadas.</p>
<p>O cortejo segue pela alameda principal do cemitério. Depois de uns 15 minutos andando sob o sol escaldante, chega-se ao local onde as covas rasas já estão abertas. Uma grande fileira de buracos. Apressados, os coveiros vão retirando as caixas do carro de mão e colocando-as nos buracos, em seqüência: número 1, 2, 3&#8230; Epa! Alguém alerta: &#8220;Calma, calma, esse não é o 4, é o 5, é o meu filho!&#8221;</p></blockquote>
<p>O blog Má Educação publica um <a href="http://maeducacao.blogspot.com/2008/07/morte-nossa-de-todos-os-dias.html">relato corta-pulso</a> escrito pela fotógrafa Paula Sampaio sobre um dos enterros coletivos dos bebês que <a href="http://www1.folha.uol.com.br/folha/cotidiano/ult95u419686.shtml">morreram na Santa Casa</a>, em Belém.</p>
<p><a href="http://maeducacao.blogspot.com/2008/07/morte-nossa-de-todos-os-dias.html">Cliquem</a> e leiam o texto completo. </p>
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