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<?xml-stylesheet type="text/xsl" media="screen" href="/~d/styles/rss2full.xsl"?><?xml-stylesheet type="text/css" media="screen" href="http://feeds.feedburner.com/~d/styles/itemcontent.css"?><rss xmlns:atom="http://www.w3.org/2005/Atom" xmlns:openSearch="http://a9.com/-/spec/opensearch/1.1/" xmlns:georss="http://www.georss.org/georss" xmlns:media="http://search.yahoo.com/mrss/" xmlns:geo="http://www.w3.org/2003/01/geo/wgs84_pos#" xmlns:creativeCommons="http://backend.userland.com/creativeCommonsRssModule" version="2.0"><channel><atom:id>tag:blogger.com,1999:blog-19556454</atom:id><lastBuildDate>Wed, 03 Jun 2009 23:10:30 +0000</lastBuildDate><title>Sonhos Dum Demónio Malcriado Para A Rapariga Do Lado</title><description /><link>http://monstrodesalmado.blogspot.com/</link><managingEditor>noreply@blogger.com (O Rapaz Imaginario)</managingEditor><generator>Blogger</generator><openSearch:totalResults>89</openSearch:totalResults><openSearch:startIndex>1</openSearch:startIndex><openSearch:itemsPerPage>25</openSearch:itemsPerPage><geo:lat>38.7167</geo:lat><geo:long>-9.1333</geo:long><creativeCommons:license>http://creativecommons.org/licenses/by-nc-sa/2.0/</creativeCommons:license><atom10:link xmlns:atom10="http://www.w3.org/2005/Atom" rel="self" href="http://feeds.feedburner.com/monstrodesalmado" type="application/rss+xml" /><atom10:link xmlns:atom10="http://www.w3.org/2005/Atom" rel="hub" href="http://pubsubhubbub.appspot.com" /><item><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-19556454.post-1501545144396970464</guid><pubDate>Tue, 26 May 2009 16:59:00 +0000</pubDate><atom:updated>2009-05-26T18:20:02.275+01:00</atom:updated><category domain="http://www.blogger.com/atom/ns#">vadiagem</category><category domain="http://www.blogger.com/atom/ns#">memórias</category><category domain="http://www.blogger.com/atom/ns#">livros</category><title>Palavras Dum Passado Aldrabado</title><description>&lt;div align="justify"&gt;O que é que achas que é pior? Ser uma pessoa ignorante ou completamente apática?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Bem, eu não sei e não quero saber. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E acho que tu também não.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Afinal confessa lá, quanto tempo é que já passou desde o último grande clássico que leste....? E eu não estou a referir-me às leituras obrigatórias do secundário ou da faculdade... Eu pelo menos só lia os resumos tirados da net.... &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Hmmm....&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se calhar como hoje está um dia tão agradável, vou tentar mudar o tom de parvoíce inculta deste antro e cultivar aqui um momento literário profundamente profundo para tu mascares como chiclete... &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://3.bp.blogspot.com/_n0rUSXfEAU8/ShwgP1s18YI/AAAAAAAAASM/hOj-NgqCKqI/s1600-h/time+eye.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 400px; height: 300px;" src="http://3.bp.blogspot.com/_n0rUSXfEAU8/ShwgP1s18YI/AAAAAAAAASM/hOj-NgqCKqI/s400/time+eye.jpg" border="0" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5340178714639856002" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-size:180%;"&gt;&lt;span style="color:#ff6600;"&gt;Há 5 anos atrás....&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Num começo de noite, já lá vai quase meia década (como o tempo voa, porra), um rapaz vagueava pelas ruas da cidade sem fim. De mãos nos bolsos do casaco, arrastava-se lentamente contra aquele vento familiar de Inverno que soprava por entre a massa de pessoas, cortante como um Carnaval de carne lambido por facas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ay que frio! É melhor pôr a tocar no MP3 uma musiquinha dum Verão de Amor para ver se aqueço um bocado... Afinal deve ter sido ao som do Senhor Jimi que os nossos pais deram a primeira queca, no banco detrás dum Volkswagen carocha. Okay isso foi uma imagem completamente desnecessária.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;object width="425" height="344"&gt;&lt;embed src="http://www.youtube.com/v/14qTXRkAKr8&amp;amp;hl=pt-br&amp;amp;fs=1" type="application/x-shockwave-flash" allowscriptaccess="always" allowfullscreen="true" width="425" height="344"&gt;&lt;/embed&gt;&lt;/object&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ao caminhar pela Baixa deparou-se com o cenário comum de ciganas com crianças ao colo a pedir, e velhos sem-abrigo a gritarem furiosamente sozinhos no passeio público:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-- Vocês não passam duma cambada de personagens! Todos vocês! As vossas vidas vomitadas dum romance de merda!! Por isso vão se todos foder! Cabrões!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ele não comenta nada para si nem se junta à discussão solitária do velhote, Lisboa pertencia realmente aos loucos e este rapaz era só mais um aventureiro sem rumo na multidão, consumido por um gelo escaldante no âmago, deixando um manto de folhas mortas e caos relativo no seu rastro. E um ou outro coração quebrado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ele era um verdadeiro Monstro Desalmado. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E apesar de tudo um tipo deveras porreiro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O gajo passa então pela montra iluminada duma livraria, onde se encontravam expostos atraentemente muitas cópias e cartazes do “Código da Vinci”, do “Harry Potter e o Cálice de Fogo”, e do “Menino de Cabul”... nada que o interessasse particularmente. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://4.bp.blogspot.com/_n0rUSXfEAU8/ShwgbSCsbwI/AAAAAAAAASU/vCIrF_tO7Wg/s1600-h/livraria+baixa.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 400px; height: 288px;" src="http://4.bp.blogspot.com/_n0rUSXfEAU8/ShwgbSCsbwI/AAAAAAAAASU/vCIrF_tO7Wg/s400/livraria+baixa.jpg" border="0" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5340178911226261250" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Mas algo mais forte chamava-o lá para dentro, uma voz hipnótica profunda ao qual ele não conseguia resistir.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ela tinha conseguido o contagiar com o pior de todos os cancros. O do coração. E uma fome insaciável pela leitura. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Caralho para aquela mulher, puta cona foda-se!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E assim ele entrou, talvez encontrasse algum livro técnico de psicologia interessante ou então alguma poesia que o fizesse sentir qualquer coisa. Porque todos devemos possuir os nossos pequenos prazeres. Mesmo que sejam guilty pleasures que não confessamos a ninguém. Como gostar de auto-asfixiação erótica ou de mastigar delícias do mar e depois enfiar aquilo nalgum buraco de alguém, quer dizer da casa de alguém. Huh.... não que este rapaz apreciasse esse género de actividades duvidosas. Como já disse ele era uma pessoa de bem!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O rapaz vai então observando as lombadas nas prateleiras, na secção de prosa poética, pega num livro, “O Anjo Mudo” dum poeta chamado Al Berto, que por acaso não conhecia muito bem, e abre numa página aleatória, começando a ler em silêncio:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://2.bp.blogspot.com/_n0rUSXfEAU8/ShwglmZxCkI/AAAAAAAAASc/mK89_M77BIU/s1600-h/anjo+mudo.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 258px; height: 400px;" src="http://2.bp.blogspot.com/_n0rUSXfEAU8/ShwglmZxCkI/AAAAAAAAASc/mK89_M77BIU/s400/anjo+mudo.jpg" border="0" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5340179088490433090" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#3366ff;"&gt;&lt;em&gt;“A noite desce sobre a cidade. Faz calor. A lua mergulha no espelho negro dos asfaltos, acende-se no fundo do rio.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Procuro-te nos rostos que passam. Sei que todos eles abrigam a tua morte. Nenhum deles evoca o sorriso que te pertenceu.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Qual deles, ao ser tocado, se metamorfoseará em vidro? E se quebrará nas minhas mãos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Qual deles leva teu nome escondido nos lábios?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Qual deles oferecerá ou venderá o corpo?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Qual deles, como tu, acordará um dia esquecido de que está vivo?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A noite esvazia-se. Nenhuma música enche a tua morte.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Caminho desamparado, embora saiba que uma aragem te acordará em mim e, o álcool ajudando, a terra ser-te-á leve...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Qual deles venderá o corpo?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Qual deles ousará pousar a mão na minha lepra?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Caminho desamparado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A noite abre-se, imensa, e o tempo passa sobre o rosto como um fogo que tudo apaga.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os meus passos vão no sentido contrário ao teu sossego.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os dias avançam sem paixão. Os dias recuam e não encontro ninguém.”&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O rapaz fecha o livro, cuspindo de aborrecimento, e deita aquela treta para o lado. Sai da loja meio irritado por um motivo que não consegue explicar, desejando estar a milhas dali, mas acaba meia hora depois por voltar e comprar o livro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ele nunca o terminou e de facto nunca mais voltou a pegar naquilo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="color:#ff6600;"&gt;&lt;span style="font-size:180%;"&gt;De Volta ao Presente Imperfeito&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://2.bp.blogspot.com/_n0rUSXfEAU8/ShwguuNFJVI/AAAAAAAAASk/Dser7myN0A8/s1600-h/time.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 400px; height: 266px;" src="http://2.bp.blogspot.com/_n0rUSXfEAU8/ShwguuNFJVI/AAAAAAAAASk/Dser7myN0A8/s400/time.jpg" border="0" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5340179245203531090" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Até que há uns dias ficou com uma vontade tremenda de ir à casa de banho, e quando não há nenhuma FHM ou Maria ao pé da sanita, já sabia bem que nessas situações difíceis ia começar outra vez a ler compulsivamente as embalagens de produtos de higiene pessoal... Para evitar esse hábito estranho que muitas pessoas não conseguem fugir, ele decide ir depressa buscar à estante qualquer coisa para se entreter.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Voltando então ao fim de cinco anos por tocar no dito cujo, e começa a ver um capítulo:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#3366ff;"&gt;&lt;em&gt;“As noites são feitas de hulha, poalha negra para lá da qual não se vislumbra nenhum amanhecer. Nenhum crepúsculo. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Queimo o corpo neste desejo de te olhar, de te tocar; mas chove, está sempre a chover sobre aquilo que vivemos e é tarde, deves estar a dormir. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nenhuma palavra escrita fica intacta, arde, queima-me os dedos quando o teu nome alastra pela nocturna folha de papel. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;És o amigo morto aquém continuo a enviar cartas a mim mesmo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-- Não há vergonha em dizer ou escrever isto: amo-te ainda.”&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O rapaz fechou o livro definitivamente, e atirou aquilo para o chão. Oh man.... que deprimente... isto até tira a vontade a um homem de obrar...! Porque é que eu não fui em vez disto buscar um Tio Patinhas...?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/19556454-1501545144396970464?l=monstrodesalmado.blogspot.com'/&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="feedflare"&gt;
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&lt;/div&gt;</description><link>http://monstrodesalmado.blogspot.com/2009/05/o-que-e-que-achas-que-e-pior-ser-uma.html</link><author>noreply@blogger.com (O Rapaz Imaginario)</author><media:thumbnail url="http://3.bp.blogspot.com/_n0rUSXfEAU8/ShwgP1s18YI/AAAAAAAAASM/hOj-NgqCKqI/s72-c/time+eye.jpg" height="72" width="72" /><thr:total xmlns:thr="http://purl.org/syndication/thread/1.0">1</thr:total></item><item><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-19556454.post-4847370041788316584</guid><pubDate>Fri, 15 May 2009 16:31:00 +0000</pubDate><atom:updated>2009-05-17T13:18:45.148+01:00</atom:updated><category domain="http://www.blogger.com/atom/ns#">interlúdios</category><category domain="http://www.blogger.com/atom/ns#">amigos</category><title>O Complexo Super Homem Vs. Batman</title><description>&lt;div align="justify"&gt;Eu encontrava-me no refeitório da faculdade com um amigo e uma amiga, entre pratos duvidosos de soja e dum arroz de galinha que já parecia ter sido suspeitosamente remisturado do frango dontem. E ao deparar-me com esta situação vulgar da minha rotina, tive assim uma epifania do quão este momento glorioso de encher o estômago e o coração de alegria saltitante era o ponto alto do dia, visto que como muitas pessoas, o gastava completamente desde as 9 da manhã até à meia noite em aulas, trabalhinhos e no emprego. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É uma sensação um bocado estranha de descrever, esta aceitação da futilidade mediana do nosso quotidiano repetitivo, sabes o que estou a dizer? Hmm era como se fosses obrigada a digerir diariamente uma sandocha cheia de indiferença, tédio, complacência, sem ketchup, condimentos, nem sequer aquela rodela de pickle irritante no meio, e sentires-te feliz porque isto é o melhor que a sociedade moderna tem para oferecer, quer tenhas mais ou menos dígitos na conta bancária. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na parte de trás do nosso subconsciente ouço a vozinha duma criancinha ranhosa e desconsolada: &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#3366ff;"&gt;“Para onde é que foram as grandes aventuras, a magia e todos os nossos heróis?” &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://4.bp.blogspot.com/_n0rUSXfEAU8/Sg6mIf5SeWI/AAAAAAAAASE/6qXNeqMSiAk/s1600-h/my_falkor_and_me.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 397px; height: 298px;" src="http://4.bp.blogspot.com/_n0rUSXfEAU8/Sg6mIf5SeWI/AAAAAAAAASE/6qXNeqMSiAk/s400/my_falkor_and_me.jpg" border="0" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5336385273411565922" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Ohhhhhhhhhhhhh memento mori................... &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Realmente é por isso que eu não suporto crianças.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Seja como for, nos dias que vão se esmorecendo, em que sou abençoado com a sabedoria dos meus longos e caquéticos 22 anos, só queria mesmo tar deitado na praia sob um solinho meigo, a beber pinacoladas e a tentar assediar miúdas parvas....&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Enfim, de volta à cantina da escolinha, para passar o tempo estávamos a travar daquelas discussões mornas de almoço que toda gente tem de vez em quando e nunca chegam a grande conclusão. Os meus colegas tinham acabado de ir ver o filme Watchmen e o tema foi obviamente parar a super-heróis. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-- Então se pudesse escolher ser um herói, qual a máscara é que usarias? – perguntei eu.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-- Hah, tenho que pensar um segundo, isso é uma daquelas coisas que até diz mais sobre nós próprios do que o nosso signo aleatório do horóscopo. – disse a Rapariga Cândida. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-- Para mim a resposta é simples. Se eu fosse o Super Homem fazia o que me apetecia. Com aqueles poderes todos não teria mais preocupações.– sugeriu o Rapaz-Cromo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://4.bp.blogspot.com/_n0rUSXfEAU8/Sg2bHW3fECI/AAAAAAAAAR8/NkjTFLIxoTY/s1600-h/AllStarSuperman.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 400px; height: 300px;" src="http://4.bp.blogspot.com/_n0rUSXfEAU8/Sg2bHW3fECI/AAAAAAAAAR8/NkjTFLIxoTY/s400/AllStarSuperman.jpg" border="0" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5336091684203597858" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;-- Epá, não sejas estúpido. Tinhas de aturar ainda mais problemas que agora. A angústia de tentar salvar o mundo todos os dias, aturar a bronca da Louis Lane que é enganada só por um par de óculos, francamente que gaja tão burra! E afinal se és supostamente o homem de aço e tens uma força ilimitada, bastava-te vires para cima dela que a fazias perder um olho ou agarrares-lhe pelo cabelo com força para ela ficar sem escalpe. E depois tens de enfrentar o maldito careca do Lex Luthor sempre a tentar matar-te com a kryptonite, epá era uma carga enorme de problemas e sem ninguém com quem conversares, só terias vontade de largar a capinha e as cuecas foras das calças e tornares-te noutra pessoa. Tipo um gajo vulgar como tu. – comentou a Rapariga Cândida com a sua enorme perspectiva do costume. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://3.bp.blogspot.com/_n0rUSXfEAU8/Sg2ZWs49tDI/AAAAAAAAARk/8IiKdEGYc50/s1600-h/superman_mulheres_4.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 278px; height: 400px;" src="http://3.bp.blogspot.com/_n0rUSXfEAU8/Sg2ZWs49tDI/AAAAAAAAARk/8IiKdEGYc50/s400/superman_mulheres_4.jpg" border="0" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5336089748790162482" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;-- Fónix, mas ao menos podia espiar gajas na casa de banho com os raios X. E ver as mamas de toda gente, até da Manuela Ferreira Leite se me apetecesse. Okay. Não que eu fizesse isso. Muitas vezes. – desculpou-se o Rapaz Cromo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-- És sempre o mesmo cromo. – ela olha para mim – E tu rapaz? Qual é que seria a tua persona mascarada?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-- Hmm, o Rorschach é muito porreiro e hard core, mas acho que o Batman seria a minha primeira escolha. Afinal ele tem o poder mais fantástico de todos eles. É podre de rico. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-- Lá isso é verdade, mas o Batman é um herói um bocado deprimente, só sai à noite, só enfrenta vilões psicóticos que fugiram do manicómio. Por amor de Deus, um pinguim e um palhaço??? E além disso está todo traumatizado porque os pais foram assassinados à sua frente. E para lidar com esses problemas pessoais todos em vez de ir resolvê-los a um psiquiatra, limita-se simplesmente a comer gajas discartáveis frequentemente através da sua fachada de playboy bilionário Bruce Wayne, e a atirar-se à porrada contra todos os matulões mal encarados que encontra na cidade vestido num fato morcego apertado. O gajo é quase um arquétipo do homem macho atormentado que não faz ideia do que está a fazer da vida, e as histórias dele acabam sempre em tragédia precisamente por isso. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://3.bp.blogspot.com/_n0rUSXfEAU8/Sg2ZiFcnRoI/AAAAAAAAARs/RvJflhm6m0w/s1600-h/legends+dark+knight+batman+comics.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 258px; height: 400px;" src="http://3.bp.blogspot.com/_n0rUSXfEAU8/Sg2ZiFcnRoI/AAAAAAAAARs/RvJflhm6m0w/s400/legends+dark+knight+batman+comics.jpg" border="0" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5336089944360699522" /&gt;&lt;/a&gt; &lt;br /&gt;--Awh man.... Tens sempre de analisar tudo pra mandar abaixo. Fogo, então e qual é a tua sugestão definitiva? Que personagem fantástica é que TU escolherias? &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-- Eu seria obviamente a Lara Croft. Achas que com o corpo e classe da Angelina Jolie eu precisaria de mais alguma coisa?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://1.bp.blogspot.com/_n0rUSXfEAU8/Sg2Zqqtfv4I/AAAAAAAAAR0/7Q-sdWSHpPg/s1600-h/TombRaiderPoster.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 270px; height: 400px;" src="http://1.bp.blogspot.com/_n0rUSXfEAU8/Sg2Zqqtfv4I/AAAAAAAAAR0/7Q-sdWSHpPg/s400/TombRaiderPoster.jpg" border="0" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5336090091802574722" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Porra, não gosto nada de admitir, mas ela alguma razão lá isso tinha...&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Diz muito sobre um gajo ou uma gaja pelos heróis que aprecia.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;E quanto a ti.....? Quem é que é o teu herói ou heroína pessoal?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/19556454-4847370041788316584?l=monstrodesalmado.blogspot.com'/&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="feedflare"&gt;
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&lt;/div&gt;</description><link>http://monstrodesalmado.blogspot.com/2009/05/o-complexo-super-homem-vs-batman.html</link><author>noreply@blogger.com (O Rapaz Imaginario)</author><media:thumbnail url="http://4.bp.blogspot.com/_n0rUSXfEAU8/Sg6mIf5SeWI/AAAAAAAAASE/6qXNeqMSiAk/s72-c/my_falkor_and_me.jpg" height="72" width="72" /><thr:total xmlns:thr="http://purl.org/syndication/thread/1.0">0</thr:total></item><item><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-19556454.post-1832712557472922387</guid><pubDate>Wed, 11 Feb 2009 01:41:00 +0000</pubDate><atom:updated>2009-02-19T03:05:31.892Z</atom:updated><category domain="http://www.blogger.com/atom/ns#">sonhos</category><category domain="http://www.blogger.com/atom/ns#">música</category><category domain="http://www.blogger.com/atom/ns#">sono</category><category domain="http://www.blogger.com/atom/ns#">amor</category><title>Noites De Déjà Vu De Vidas Demasiado Acreditáveis: Parte III</title><description>&lt;em&gt;(E aqui termina a história destes últimos cinco capítulos,&lt;br /&gt;enrolada num final anti-climáctico parvo, yay...)&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;object width="320" height="265"&gt;&lt;embed src="http://www.youtube.com/v/X4JIQ2JSXZc&amp;amp;hl=pt-br&amp;amp;fs=1" type="application/x-shockwave-flash" allowscriptaccess="always" allowfullscreen="true" width="320" height="265"&gt;&lt;/embed&gt;&lt;/object&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#3366ff;"&gt;Na fronteira do paraíso...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não existe um horizonte entre céu e mar...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não há nuvens a ofuscarem o sol...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nem lágrimas a caírem na terra...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E ele encontrava-se lá... sentado no meio da praia...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;À espera dia após dia, ano atrás de ano &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;de qualquer coisa vinda do infinito...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Até que o vento sopra subitamente&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;e a última onda da sua vida começa a chegar. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A rainha de todas as ondas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O rapaz finalmente levanta-se, pega na sua prancha... &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E parecia-me que estava quase a sorrir.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://2.bp.blogspot.com/_n0rUSXfEAU8/SYnkzcUdrzI/AAAAAAAAAQo/POgklHirMCo/s1600-h/Lone_Surfer.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 400px; height: 266px;" src="http://2.bp.blogspot.com/_n0rUSXfEAU8/SYnkzcUdrzI/AAAAAAAAAQo/POgklHirMCo/s400/Lone_Surfer.jpg" border="0" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5299018009004584754" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;O ar da madrugada estava a ficar incrivelmente arrefecido, este Verão não aqueceu nada, não que o calor me traga qualquer conforto, porque não consegue derreter os sincelos cortantes nas arcadas do meu peito. Um frio tão dilacerante e extremo que extingue qualquer faísca de emoção... &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas até é reconfortante dum certo modo, deixar de sentir nada. Torna-nos mais fortes ao não termos nada a perder, ficando só a impressão que somos invencíveis, como um super-homem sem kryptonite, sem uma identidade secreta para proteger e uma Lois Lane a chatear. Sentado no trono da sua Fortaleza de Solidão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não sentir absolutamente dor nenhuma. Fogo e gelo, chamas e granizo, tudo se condensa num nevoeiro de vapor suado em que nos perdemos e deixamos de ver seja o que for até ao resto das nossas vidas.  &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E é preferível isso do que estar a arder de saudades por alguém, duma forma tão intensa que nos carboniza por dentro, e até nos faz esquecer a voz dela, não concordas? &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A Rapariga Perturbadora e eu saímos do Bairro Alto e caminhamos durante uns minutos através das ruas estreitas da Velha Lisboa, desertas de pessoas e carros, serpenteando até a uma ruela de casinhas de três andares que deviam já ter barbas mesmo no tempo do Grande Terramoto.  &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando chegámos a uma entrada com uma porta de madeira envelhecida, a Rapariga Perturbadora tira as chaves da mala e entramos silenciosamente no hall fresco e escuro do prédio permeado com um cheiro a mofo tumular. Ela abre então a porta do seu apartamento no r/c e liga as luzes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A primeira coisa que ela fez mal chegou a casa foi meter o telemóvel a carregar e verificar as mensagens, como se estivesse à espera de alguém em particular. Ela pareceu-me desapontada pela centésima vez. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-- Não consegues mesmo viver sem esse bicho, não é? – gozei eu um bocado.  &lt;br /&gt;&lt;span style="color:#ff6600;"&gt;&lt;br /&gt;-- Hmm...? – ela fica ligeiramente pensativa durante um momento – Acho que não. É mesmo essencial. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-- Essencial o caralho. Telemóveis são um perigo. &lt;br /&gt;&lt;span style="color:#ff6600;"&gt;&lt;br /&gt;-- Ya, ok, eu sei que a radiação pode fritar-nos miolos... Olha pra mim preocupada. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-- Não. O verdadeiro perigo está no cancro que isso dá a um coração. Essa merda põe-nos é doentes de ansiedade.&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#ff6600;"&gt;&lt;br /&gt;-- ......Deixa de ser parvo. – responde ela um bocado irritada.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ela posa o telemóvel no chão e levanta-se. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-- Então é neste estabelecimento duvidoso que tu vives? Tá cá mais alguém?&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#ff6600;"&gt;&lt;br /&gt;-- Não, tou sozinha. O meu sócio foi trabalhar durante o Verão em Itália, e só volta em Setembro.  &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-- Já deves ter saudades dele.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ela vira a cabeça e afasta-se.&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#ff6600;"&gt;&lt;br /&gt;-- .... Sim, sim... Claro. – murmura ela com a mesma convicção dum camionista a cantar “Like a Virgin” à frente dum bando de meninas de liceu.  – Bom seja como for, já que tás aqui, e que tal se eu te mostrasse a casa? &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ah, que emoção... nunca percebi muito esse hábito obrigatório de fazer uma tour às habitações doutras pessoas, até parece que nunca vi uma casa de banho ou uma tábua de engomar, mas encolhi os ombros e concordei...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-- Ok, leva-me lá então...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A Rapariga Perturbadora assume quase magicamente a postura duma guia turística como se estivesse a levar um bando de velhotes senis por um museu de arte moderna.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fomos pra a cozinha de aspecto oleoso, com azulejos e tecto cinzentos degradados pelo tempo. &lt;br /&gt;&lt;span style="color:#ff6600;"&gt;&lt;br /&gt;-- Então aqui ao lado é a cozinha. Acabei de comprar um fogão novo, com um forno pré-aquecido. É excelente pra tortas de maçãs e bolos de bolacha!&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-- Fascinante. – comentei eu sem quaisquer palavras eloquentes para expressar. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Saímos os dois da sala e continuamos pelo corredor abaixo, até que ela abre uma porta ao lado.&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#ff6600;"&gt;&lt;br /&gt;-- Neste quartozinho aqui é onde eu meti os meus armários de roupa.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-- Fascinante. – comentei outra vez tão assombrado que até molhei os boxers. &lt;br /&gt;&lt;span style="color:#ff6600;"&gt;&lt;br /&gt;-- Montei aqui uma estante catita pra os meus sapatos também.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-- Tens um quarto inteiro só pra isso? Eu só tenho 3 gavetas.&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#ff6600;"&gt;&lt;br /&gt;-- Pá sou gaja. Preciso de espaço pra guardar estas merdas...!&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-- Ah pois... não há nada mais importante na vida do que o calçado duma mulher.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ela fecha a porta, descemos até ao fundo do corredor e fomos ter à sala. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Era o típico sítio mal aconchegado dum apartamento de estudantes. Paredes nuas duma palidez suja de humidade. Móveis de Ikea que pareciam estar quase a desconjuntar-se aos bocados mal levassem um pontapé. Televisor coberto de pó e gordura. Caixas de pizza com restos peganhentos e latas de cerveja vazias espalhadas pela mesa de café. Enquadrada ao fundo, estava uma janela sempre semi fechada que dava para as traseiras doutro prédio sem vista para qualquer horizonte... A única coisa ali que parecia fora do sítio era uma bela prancha de surf vermelha decorada por uma rosa em chamas, encostada num canto solenemente. Era mantida num estado impecável com muito carinho, e achei engraçado visualizar a imagem duma miúda desconjuntada como ela a surfar. Como é que será que ela terá ganho o gosto a isso? &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-- Muito fascinante.... – comentei eu assustado. &lt;br /&gt;&lt;span style="color:#ff6600;"&gt;&lt;br /&gt;-- Bem, tá com um ambiente um bocado depressivo, mas eu ainda não meti umas cortinas giras e pendurei uns posters do Bob Marley. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-- Huh, nem que forrasses as paredes com notas de 500 euros conseguias fazer uma stripper perneta vir cá... Ainda apanha-se aqui um tétano que até me dá arrepios.  &lt;br /&gt;&lt;span style="color:#ff6600;"&gt;&lt;br /&gt;-- Também não tá assim tão mau! &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-- A tua mãezinha iria realmente chorar de aflição se visse o estado da tua casinha. “Eu não pari essa cabeçuda que teimava em não sair e eduquei-a durante anos pra viver nesta espelunca!”&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#ff6600;"&gt;&lt;br /&gt;-- Hey! Se não gostas podes desamparar a loja a qualquer altura! Ninguém te obrigou a ficar cá! – retorque a miúda meio impaciente comigo, mostrando-me a porta.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-- Pronto, não é preciso ficares exaltada. &lt;br /&gt;&lt;span style="color:#ff6600;"&gt;&lt;br /&gt;-- Já nem te mostro o meu quarto, desarrumado como está ainda te dava um ataque.  &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-- Obrigado. Agradeço-te do fundo do coração.&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#ff6600;"&gt;&lt;br /&gt;-- Bah, vou mas é mudar-me para qualquer coisa mais confortável. Vossa excelência pode abancar-se aí e ligar o televisor se quiser, se não for algo demasiado indigente para a sua sensibilidade... &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ela desaparece para o quarto dela, enquanto eu fico sentado no sofá cheio de nódoas não identificáveis que tresandava a fumo de tabaco e a um rato morto há semanas. No entanto, a olhar para o sítio durante uns longos momentos de silêncio, eu fiquei lentamente com o pressentimento alarmante que havia qualquer coisa de errada naquela casa. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sozinho na sala, comecei outra vez a ouvir um zunido intenso dentro dos meus ouvidos, podia ser só um feeling psicológico, uma faca ferrugenta a cravar-me na parte mais funda do meu cérebro que punha todos os instintos mais básicos em alerta... sabes como é? Uma aversão irracional por um sítio que te agita duma maneira cortante, como o lendário quarto escuro das nossas infâncias...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Havia um desespero quase líquido no ar a escorrer pelas paredes e os móveis. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não sei se as más vibrações provinham dos sentimentos negativos das pessoas que viviam lá, ou se alguém tinha esticado o pernil ali duma maneira pouco natural, ou simplesmente era por causa do Feng Shui distorcido do sofá não estar virado para a posição do Dragão do Norte... &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas sim, aquela velha sensação de déja vu voltou a crescer friamente dentro de mim, atordoando-me profundamente... já tinha estado num sítio parecido... mais do que uma vez... talvez com outra pessoa... noutro tempo... e eu reconhecia este mal estar familiar indescritível demasiado bem... como se estivesse mergulhado num sonho lívido e tivesse a memória penetrante dum sonho anterior...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;De repente ouvi passos pesados no andar de cima e uma voz abafada a exclamar:&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#009900;"&gt;&lt;br /&gt;“pAARa DEe Te rIr---- sEnAoo elE vAI accORDaAR pIOr quE eStrAAGaDo!”&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Enervado com este ambiente desconcertante, liguei a televisão e por algum motivo idiota fiquei concentrado numas televendas da Ideia Casa que promoviam um robot superchef que cozinhava sozinho mais de mil receitas... oh meu... as possibilidades... a olhar para aquela comida tenra toda começou a dar-me uma fome de cavalo.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;object width="320" height="265"&gt;&lt;embed src="http://www.youtube.com/v/oL7JUjk3N0g&amp;amp;hl=pt-br&amp;amp;fs=1" type="application/x-shockwave-flash" allowscriptaccess="always" allowfullscreen="true" width="320" height="265"&gt;&lt;/embed&gt;&lt;/object&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Assim decidi ir fazer o que vim cá fazer, que era assaltar o frigorífico duma maneira descarada. Fui para a cozinha sorrateiramente e abri a porta da geladeira...  &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A luz amarela doentia do interior revelava apenas uns packs de cerveja, e um bocado de qualquer entidade orgânica embrulhada em alumínio que outrora fora um queijo ou manteiga. Hmmmm........ Mas esta gaja vive do ar? Tá numa nova dieta nova-iorquina que consiste em não comer? Porque é que ela ainda não esticou o pernil?&lt;br /&gt;Abri o congelador também e só havia lá uma famosa lasanha gourmet do Lidl de aspecto pouco convidativo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#ff6600;"&gt;-- Então o que é que pensas que tás a fazer?— resmungou uma voz atrás de mim. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-- Huh? – eu virei-me para a porta da cozinha e vi a Rapariga Perturbadora vestida de pijama, com os braços cruzados e um ar meio indignado.&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#ff6600;"&gt; &lt;br /&gt;-- Chegas aqui a casa das pessoas, vasculhas o meu frigorífico, serves-te como se fosses o dono desta espelunca. Muito bem. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-- Pá eu nunca faço cerimónias... mas com o que tens aqui dentro até posso fazer uma excepção. Não há nada para um homem crescido comer nesta casa. Nem sequer uma latinha de atum. É escandaloso! Como é que serves convidados? Não tens vergonha?&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#ff6600;"&gt;&lt;br /&gt;-- Xiça, se tás assim com tanta fome, ainda sobrou uma carcaça dontem. E uns restos de nutella. – ela vai à caixa do pão e atira um pedregulho de partir o dente para a mesa. – Toma lá e não me agradeças. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando ela aproximou-se de mim, reparei como tinha um aspecto diferente, com o pijama da Hello Kitty, pantufas, cabelo apanhado e a carinha fresca sem maquilhagem. Foi só então que me apercebi o quão gira ela era realmente. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sentámo-nos então à mesa e ficámos ali a na galhofa para passar o tempo, continuando com as nossas conversas da treta, daquelas que toda gente tem de madrugada e depois raramente consegue evocar no dia seguinte.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ela falava. &lt;br /&gt;Falava.&lt;br /&gt;Tão excitante.... &lt;br /&gt;Mas duma forma anormal tipo auto-asfixia erótica.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#009900;"&gt;Sentia a minha garganta a apertar, a faltar-me o ar. &lt;br /&gt;Como se me tivesse esquecido de respirar durante o sono. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Até que subitamente veio o silêncio outra vez, naqueles instantes em que uma pessoa não sabe mais o que dizer... e ficamo-nos a olhar para as fronhas uns dos outros, com o coração mergulhado no infinito. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;object width="320" height="265"&gt;&lt;embed src="http://www.youtube.com/v/xEoxJLm6tWg&amp;amp;hl=pt-br&amp;amp;fs=1" type="application/x-shockwave-flash" allowscriptaccess="always" allowfullscreen="true" width="320" height="265"&gt;&lt;/embed&gt;&lt;/object&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Parecia quase a última cena dum filme em que as personagens ficam-se sem palavras depois de superarem todas as amarguras, mas ao mesmo tempo perderam irremediavelmente aquilo que lhes era mais precioso para a eternidade. E uma batida de disco sound começa a ecoar enquanto rodam os créditos no fim.  &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sabes do que estou a falar? Um momento doce amargo de fazer tremer as gengivas. &lt;br /&gt;Que não é provocado por tesão sexual. Nem pouco mais ou menos por delírios românticos. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É simplesmente uma empatia pura e indescritível pelo próximo e por tudo que nos rodeia, mesmo que a nossas vidas e o mundo estejam na merda, nada disso importa. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Talvez fosse devido ao álcool que ainda tinha no sistema... mas senti um bocadinho de paz de espírito naqueles efémeros minutos. E só pensei para mim, como gostava que isto durasse para sempre. Mas nós bem sabemos que essa ilusão não é possível. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A Rapariga acende outro cigarro, sempre com um sorriso vago de esfinge, deixa cair a cabeça para trás, viajando por paisagens de cortar a respiração que eu não conseguia sequer imaginar. Pergunto-me que sentimentos profundos é que dançavam naquela alma inescrutável...?&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#ff6600;"&gt;&lt;br /&gt;-- Epá, desculpa lá, já estou a atrofiar aqui há um bom bocado. – exclamou ela de repente. -- Tenho ainda os miolos feitos em papa, vou ficar a tarde a ressacar como uma doida... Enfim por isso aproveito agora para fazer as minhas limpezas...  &lt;/span&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;-- Ahhh.... ok... também estavas com um ar parvo de carneiro morto...&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#ff6600;"&gt;&lt;br /&gt;-- Oh, olha quem fala.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ela levanta-se, vai buscar o cesto de roupa, e programa o tempo da máquina de lavar. Depois pega na esfregona e começa a lavar o chão da cozinha. Eu só de observar a miúda estava a ficar cansado, por isso não me ofereci para ajudá-la, como o bom malandro que sou... &lt;br /&gt;&lt;span style="color:#ff6600;"&gt;&lt;br /&gt;-- Aiii a merda, eu preciso é de um homem que me faça estas tarefas domésticas! Isto não é vida pra mim. – queixou-se ela de costas.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-- Um homem? Deves tar a sonhar. Só arranjas um kit de limpezas ambulante se tornares-te numa lésbica ressabiada. &lt;br /&gt;&lt;span style="color:#ff6600;"&gt;&lt;br /&gt;-- Ah pois claro. No próximo fim de semana, vou ai engatar num bar qualquer uma menina prendada com piadas cretinas, e arrastá-la aqui para casa. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-- Oh yeah, e depois prendes a miúda todos os dias com palavras meigas e afectuosas, “Querida és a luz dos meus olhos... a jóia da minha existência, o queijo e fiambre da minha tosta mista.”, apesar de chegares sempre tarde do trabalho porque estiveste a comer a secretária!&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#ff6600;"&gt;&lt;br /&gt;-- Sim, uma mamalhuda chamada Jessica. – ela brinca com a língua – Lambia-a todas as noites até que ela chorasse de prazer e a fizesse compensar pelas horas extraordinárias! &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-- Okay.... Esta conversa já a ficar fora de controlo.... Eu não queria que te tornasses numa scissor sister. Seria uma pena.  &lt;br /&gt;&lt;span style="color:#ff6600;"&gt;&lt;br /&gt;-- Para quem? &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-- Sei lá. Talvez para o amor da tua vida hipotético que anda por aí e ainda não o encontraste. Que será de certeza um gajo idiota que gosta dos Radiohead e ri-se mais com a tua melhor amiga do que contigo.&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#ff6600;"&gt;&lt;br /&gt;-- Lá estás tu a inventar histórias fantásticas.... Descansa que eu não tenho esse género de fantasias adolescentes. Eu acho que me contento em arranjar no futuro um tipo podre de rico com um pé já no cova. Eh eh. -- ela acaba de esfregar o chão e encosta-se à parede ao pé de mim. – Então e vocemessê? Já encontrou a senhora da sua vida?&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Virei a cara para o lado e mordi os lábios.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-- Hmmm, eu não tenho nada a dizer sobre isso... – respondi eu abruptamente. &lt;br /&gt;&lt;span style="color:#ff6600;"&gt; &lt;br /&gt;-- Aah, esse “nada” significa mesmo que há aí qualquer coisa pá. Se tiveres algum problema podes me contar, talvez te possa ajudar.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-- ......... Deixa estar, tou óptimo.  &lt;br /&gt;&lt;span style="color:#ff6600;"&gt; &lt;br /&gt;-- Eu conheço essa pessoa? &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-- ...... – fiquei calado, porra, agora não me vinha nenhuma resposta sarcástica à cabeça.&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#ff6600;"&gt;&lt;br /&gt;-- Ao menos já foste sincero com ela?—continuava a insistir a parvalhona.  &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-- O que é que isso interessa...? – retorqui eu já bastante arreliado. &lt;br /&gt;&lt;span style="color:#ff6600;"&gt;&lt;br /&gt;-- Não? Oh meu Deus... Tu és mesmo um emplastro incurável. O que é que tás aqui a fazer? Acorda pra vida, e vai confessar agora como sentes uma tesão incrivelmente desconfortável nas calças por essa mulher! &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu fiquei um bocado desconcertado com o comentário dela. &lt;br /&gt; &lt;br /&gt;-- O quê....?? Mas que raio de sugestão parva é essa? Pareces um gajo a dar conselhos.&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#ff6600;"&gt;&lt;br /&gt;-- Sou tou a ser realista, senão vais atrás dela, é simplesmente outro que a vai segurar nos braços. E isso meu amigo, pode ser triste, mas é a mais pura verdade. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-- Olha tou farto desta conversa. Preciso de ir mijar, onde é que é a puta da casa de banho?&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#ff6600;"&gt;&lt;br /&gt;-- Hmpfh... vai  lá fazer... é ali ao lado, dentro do meu quarto. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fui me embora para o corredor, rangendo os dentes, estava tão contente há bocadinho, mas a chata da miúda já me conseguiu pôr-me mal humorado. Tssss..... sinceramente. O que é que eu vim aqui fazer? &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Entrei no quarto da Rapariga Perturbadora e fiquei pasmado com o caos de roupas e tralha espalhada pela cama, na cómoda e no chão. Até o meu quartinho parecia o Ritz Hotel comparado com este antro. A única coisa direita que havia lá era uma tela de cortiça pendurada na parede com várias fotos. Nada de invulgar, fotografias da Rapariga com os amigos e amigas, e até uns auto-retratos introspectivos a olhar para o horizonte com uma expressão séria, a preto e branco que dá sempre um ar de sofisticação incomparável....&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No entanto existia algo de insólito nestas fotos que parecia ser mais do que uma simples coincidência. Ondas de déjà vu a desfazerem-se e a inundarem os confins da minha memória mutilada mais uma vez, estava a ficar doente de cansaço destes malditos episódios de paramnésia. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O que me incomodava nesta galeria típica é que em nenhum dos retratos ela sorria duma forma óbvia. Como se não soubesse mostrar os dentes. Parecia uma arlequim triste que perdeu a vontade de cantar e dançar. No máximo esboçava um sorriso meio forçado e desconfortável. Huh, se calhar usava aparelho mesmo à Frankestein até recentemente... quem sabe? &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://3.bp.blogspot.com/_n0rUSXfEAU8/SZBW90Ld3TI/AAAAAAAAARA/Hnlcxq2oevQ/s1600-h/Harley+Quinn.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 270px; height: 400px;" src="http://3.bp.blogspot.com/_n0rUSXfEAU8/SZBW90Ld3TI/AAAAAAAAARA/Hnlcxq2oevQ/s400/Harley+Quinn.jpg" border="0" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5300832381393820978" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Dirigi-me então para a casa de banho, levantei a tampa da sanita, abri a braguilha e fiquei a olhar para um quadrozinho por cima do autoclismo. Era duma cena pé do mar, com um areal vazio onde se encontrava apenas uma prancha de surf sozinha. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#3366ff;"&gt;Fixando-me naquela paisagem levou-me para um fim de tarde de Verão há muitos anos atrás por entre as dunas da Caparica... bandos de gaivotas voavam à volta dos barcos de pesca, a brisa carregada de sal entrava-me pelos pulmões adentro, enquanto o céu azul era acariciado por nuvens de tons laranjas e acinzentados. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ouvi a voz dele a perguntar-me:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-- Sabes qual é o melhor sítio do mundo onde um tipo pode estar? &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-- Numa praia tropical?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-- Não não... tou a falar dum sítio especial em que deixas de sentir o tempo, em que te libertas por completo e podes verdadeiramente dizer que estás feliz... &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-- ..... sei lá... depois de receberes uma anestesia geral?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-- Ah ah, nah. Para mim é lá no mar. No interior da pipeline. Man, é difícil de explicar, mas é mais alucinante que conduzir um Ferrari, mais divertido que todas as brincadeiras idiotas que tivemos quando fomos putos, mais apaixonante que estar dentro do cú da gaja que adoras...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-- Se tu o dizes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-- Quando for a minha altura de ir, gostava de só passar através daquele túnel de água só uma última vez, sempre a abrir, como um cometa em rota de colisão com o sol, e deslizar por uma onda perfeita que nunca chegasse a desfazer-se na margem, desaparecendo por entre a espuma na zona de rebentação dos recifes...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu não fiz mais nenhum comentários às ideias maradas dele, se calhar devia ter dito alguma coisa interessante para a posterioridade, porque foi o último Verão que tive com &lt;a href="http://monstrodesalmado.blogspot.com/2006/04/esses-dias-sero-sempre-azuis-parte-i.html"&gt;o Rapaz-Surfista, o meu velho amigo de infância.&lt;/a&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://4.bp.blogspot.com/_n0rUSXfEAU8/SYnk-M7MjtI/AAAAAAAAAQw/LhEXa4S_bus/s1600-h/No+Surfer.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 400px; height: 266px;" src="http://4.bp.blogspot.com/_n0rUSXfEAU8/SYnk-M7MjtI/AAAAAAAAAQw/LhEXa4S_bus/s400/No+Surfer.jpg" border="0" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5299018193850633938" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Puxei o autoclismo, lavei as mãos e saí da casa de banho. Mas ao passar pelo quarto tropecei numa merda qualquer, olhei para o soalho e num cantinho debaixo da cama reparei num chicote, par de algemas e umas botas pretas de pvc deixadas ali depois de serem usadas. Hmm... se calhar ela foi a uma festa de máscaras recentemente e vestiu-se como a Lady Dominatrix. E eu também não posso dizer nada porque tenho um fato de pinguim no armário...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fui para o corredor e ouvi a Rapariga Perturbadora na sala. Estava agora a arrumar aquilo afincadamente, e a meter o lixo num saco de plástico.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-- Ah, ficaste com a consciência pesada depois de eu comentar o estado deste covil?&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#ff6600;"&gt;&lt;br /&gt;-- Nem por isso. Ia ter de limpar isto de qualquer das maneiras. – rezingou ela. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ela arregaça as mangas da camisa completamente, revelando outra vez a tatuagem brutal que tinha no braço perto do ombro. &lt;a href="http://monstrodesalmado.blogspot.com/2006/07/1000-year-secret-of-snoop-devil-dogg.html"&gt;Duma serpente a comer a sua própria cauda.&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Aquela imagem seduzia-me tanto duma forma inexplicável que não resisti então em perguntar-lhe:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-- Ena... Tens ai uma bela tatuagem. Deve ter doído para caralho fazê-la... – a serpente parecia que ondulava sobre areia na pele bronzeada dela -- O que é que significa para ti exactamente?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://4.bp.blogspot.com/_n0rUSXfEAU8/SYnlTSUj26I/AAAAAAAAAQ4/rcwCa_3HYBs/s1600-h/Ouroboro+Torment+symbol.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 400px; height: 300px;" src="http://4.bp.blogspot.com/_n0rUSXfEAU8/SYnlTSUj26I/AAAAAAAAAQ4/rcwCa_3HYBs/s400/Ouroboro+Torment+symbol.jpg" border="0" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5299018556076448674" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ela pára de limpar bruscamente e fica paralisada durante uns segundos.&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#ff6600;"&gt;&lt;br /&gt;-- Significa eternidade....  Tem um simbolismo místico qualquer sobre a alma do mundo e o ciclo de sofrimento interminável do universo.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-- Que profundo. &lt;br /&gt;&lt;span style="color:#ff6600;"&gt;&lt;br /&gt;-- Para dizer a verdade, acho que só a escolhi porque me pareceu gira na altura. Andava com um rapaz da Costa da Caparica, e estávamos tão apaixonados que tivemos essa ideia estúpida de fazermos os dois uma tatuagem gémea... &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-- Mas porquê?&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#ff6600;"&gt;&lt;br /&gt;-- Pá não sei te responder, tínhamos 18 anos, e por isso queríamos trocar algo mais verdadeiro do que qualquer aliança...  &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-- .... tou a ver... &lt;br /&gt;&lt;span style="color:#ff6600;"&gt;&lt;br /&gt;-- Claro que acreditávamos que ia durar para sempre, mas acabámos no ano passado duma forma péssima.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-- Humm... E nunca mais se falaram?&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#ff6600;"&gt;&lt;br /&gt;-- Nem por isso. Nunca mais pensei nele. A única coisa que guardei dele foi a prancha que ele me ofereceu. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Deixei a conversa por ali ao aperceber-me que ela estava quase em lágrimas, contendo os olhos a muito custo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ela procura o maço de tabaco e acende mais um cigarro compulsivamente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Lá fora começava a amanhecer, e ouvia-se o alarme solitário dum carro a gemer ao longe. O cinzeiro na sala fluía para fora demasiado cheio de beatas velhas, um mar de ansiedade que submergia as paredes que nos cercavam em algas de desolação de dias mal afogados, enquanto o fumo passivo envolvia-nos pouco a pouco e eu voltava a inalar cancerosamente a respiração dela. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#009900;"&gt;Inspirei fundo. &lt;br /&gt;Algumas cinzas quentes caíram do cigarro dela em câmara lenta para o chão. &lt;br /&gt;Expirei para fora... &lt;br /&gt;Quando esquecer e rodear-nos doutras pessoas é a única solução ao nosso alcance. &lt;br /&gt;Sentia outra vez a respiração a pesar-me. &lt;br /&gt;Quando o trabalho e os copos são o único porto onde nos pudemos refugiar. &lt;br /&gt;Cada vez mais dificuldade em respirar. &lt;br /&gt;Quando os nossos corações mentirosos se tornam irreversivelmente no reflexo das  máscaras que carregamos... &lt;br /&gt;Até que cessei por completo como se sofresse dum ataque de apneia do sono.  &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E depois no fim fica tudo bem outra vez... tudo bem no universo... &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Ou não. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quem sabe? O que é que isso interessa, porra? &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ali a um passo da Rapariga Perturbadora, eu apanhava na cara com o turbilhão de emoções que lhe fustigava as entranhas, e sabia bem o que ela precisava mesmo era de abraçar o ombro dum verdadeiro amigo... &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não para lhe curar milagrosamente o tumor que lhe comia por dentro, ninguém podia fazer isso a não ser ela, mas para ajudá-la a aliviar os sintomas e fazê-la sorrir de novo... &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O glaciar no meu peito invadiu finalmente cada centímetro do meu âmago.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por isso peguei no meu casaco e disse-lhe:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-- Bem, tá na minha altura de bazar. O metro abre agora.&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#ff6600;"&gt;&lt;br /&gt;-- Vais-te já embora? – perguntou ela ligeiramente surpreendida -- Tudo bem. Deixa-me acompanhar-te até lá fora...&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-- Xau. Foi um prazer conhecer-te.&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#ff6600;"&gt;&lt;br /&gt;-- Também. Desculpa lá isto. Chatear-te com as minhas histórias.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-- Não há problema. Fica bem. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Saímos os dois até à rua. &lt;br /&gt;&lt;span style="color:#ff6600;"&gt;&lt;br /&gt;-- Olha se algum dia passares por perto, diz qualquer coisa. – sugeriu ela bem educadamente. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-- Claro. – respondi eu, sabendo demasiado bem que esta seria a última vez na vida que falaríamos. Acenei-lhe um adeus e caminhei dali para fora com passadas largas, sem olhar para trás.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nem tive paciência para entrar na estação de metro, precisava de arejar a cabeça, por isso decidi andar a pé da Baixa até Telheiras. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se eu soubesse que ela era tão croma como eu, tinha andado à porrada com aquele cabrão do boné e óculos escuros que só disse asneiras sobre a badalhoca. Ao menos não tinha ido parar a casa dela... foda-se. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Atravessei as ruas vazias de Lisboa duma manhãzinha sonolenta que ainda não entrou em ressaca, perdendo-me no labirinto de cimento, alcatrão e betão, mas sem nunca conseguir esquecer as memórias boas e más que tenho de cada palmo desta cidade assombrada, cada esquina, cada praça, beco e arcada. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Andei, andei, andei, e estava a escorrer-me suor das costas de tanto palmilhar, por isso decidi descansar um bocado, apoiando-me por cima dum corrimão dum viaduto algo familiar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando tiro a mão do metal frio do corrimão, encontro um graffiti rabiscado com uma letra trémula e apagada pelo tempo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://monstrodesalmado.blogspot.com/2005/12/mos-frias-corao-invernal.html"&gt;"Tenho saudades tuas, A. Não posso mais..."&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Naquele segundo, tive um curto-circuito nas ligações mais antigas da minha memória, mas não sabia dizer exactamente o quê concretamente. Como se tivesse perdido a habilidade de associar certas palavras às suas imagens correspondentes... deixando elas de ter qualquer significado em especial para mim.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Suspirei, e ao olhar lá para baixo reconheci o prédio velho a poucas dezenas de metros. Não era onde vivia a Rapariga do Lado? Ou então era uma casa muito parecida.... Huh, porque é que eu sequer parei aqui? Vou mas é bazar deste sítio o mais depressa possível. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E estava a preparar-me para ir-me embora quando ouço umas sirenes a aproximarem-se.&lt;br /&gt;Fico à espera curiosamente dalgum perseguição da polícia, mas em vez disso, vejo uma ambulância do INEM a vir a toda a velocidade e a estacionar bruscamente ali à frente. Num ápice, dois paramédicos entram a correr para dentro do prédio.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sinto o coração a desfalecer, a boca a secar, o gelo sólido e espesso subitamente a estalar por todos os lados. E se....? Não... não pode ser...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Salto pelas escadas do viaduto a correr, quase caindo dali abaixo, atravesso a rua e atiro-me de rompante pelo edifício adentro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Bato à porta furiosamente, outra vez e outra vez.... enlouquecendo de impaciência por cada segundo que passa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E quando alguém abre finalmente a porta, deparo-me com um gajo desconhecido de olhos tristes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-- A A. está bem?! Onde é que ela está? – gritei eu.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-- Desculpa, mas não vive aqui ninguém assim.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-- Ahh.... – atrás dele ao fundo do corredor vejo uma silhueta a mexer-se, e eu empurro-o para o lado, indo em direcção a ela. Parecia ser o corredor mais longo e tortuoso que alguma vez tinha percorrido na vida...  Até que agarro o braço daquela sombra e quando me defronto com a cara dela... não a reconheço também... Era só uma rapariga vestida de arlequim, envolta num fato preto e maquilhagem branca como a morte.&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#ff6600;"&gt;&lt;br /&gt;-- Sabes, tosco... Tu nunca a vais encontrar... – comentou ela de língua de fora, encolhendo os ombros.  – Nem aqui, nem em nenhum lugar. Por isso desiste e desaparece.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sinto a sala às voltas e afasto-me a cambalear, os risos dela a partirem-me todo, e quando meto os pés fora do prédio caio subitamente para o fundo dum precipício, um abismo branco de vazio infinito... &lt;br /&gt;&lt;span style="color:#009900;"&gt; &lt;br /&gt;Abro os olhos, e a primeira coisa vejo é a sombra das folhas das árvores projectada na tela da tenda. Ouço o vento a soprar roucamente enquanto crianças gritam lá fora no parque de campismo. As imagens vagas e escorregadias da noite passada são lavadas pelo ralo abaixo com o acordar para a realidade, e por muito que tente já não me consigo recordar concretamente do que sonhei além duns escassos fragmentos. Só sei que não foi uma experiência muito rejuvenescedora, porque tenho o corpo todo destroçado, e estou a sangrar da boca. Provavelmente foi por causa destes malditos calhaus afiados que arranjam sempre maneira de se infiltrarem debaixo da tenda como penetras numa festa...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#009900;"&gt;Ao meu lado vejo o meu amigo o Rapaz-Mocado e as minhas colegas a dormirem como anjos, enrolados nos sacos de cama, de boca aberta e a babarem-se completamente. É engraçado como toda gente é tão querida quando não está a falar, ontem à noite fizerem uma barulheira desgraçada, murmuravam durante o sono e mexeram-se tanto que me perturbaram os sonhos duma forma quase metafísica....&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#009900;"&gt;No final tinha sempre ido com eles acampar para o Algarve, talvez para fugir de Lisboa ou de mim próprio... é inconsequente. O que interessa é que o meu desassossego habitual tinha se desvanecido quase todo com estes dias de lazer...   &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#009900;"&gt;Por isso só queria proferir uma última coisa antes de a minha consciência desaparecer entre a memória, os sonhos, e a realidade. A única frase que ainda tenho a dizer-te nesta altura exacta para o que vale...:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-- Olá..... &lt;/span&gt;&lt;span style="color:#009900;"&gt;então como é que vai esse surf, pá?&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/19556454-1832712557472922387?l=monstrodesalmado.blogspot.com'/&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="feedflare"&gt;
&lt;a href="http://feeds.feedburner.com/~ff/monstrodesalmado?a=5X2PxRT6_bM:MnBmpzxXgKI:yIl2AUoC8zA"&gt;&lt;img src="http://feeds.feedburner.com/~ff/monstrodesalmado?d=yIl2AUoC8zA" border="0"&gt;&lt;/img&gt;&lt;/a&gt; &lt;a href="http://feeds.feedburner.com/~ff/monstrodesalmado?a=5X2PxRT6_bM:MnBmpzxXgKI:dnMXMwOfBR0"&gt;&lt;img src="http://feeds.feedburner.com/~ff/monstrodesalmado?d=dnMXMwOfBR0" border="0"&gt;&lt;/img&gt;&lt;/a&gt;
&lt;/div&gt;</description><link>http://monstrodesalmado.blogspot.com/2009/02/noites-de-deja-vu-de-vidas-demasiado.html</link><author>noreply@blogger.com (O Rapaz Imaginario)</author><media:thumbnail url="http://2.bp.blogspot.com/_n0rUSXfEAU8/SYnkzcUdrzI/AAAAAAAAAQo/POgklHirMCo/s72-c/Lone_Surfer.jpg" height="72" width="72" /><thr:total xmlns:thr="http://purl.org/syndication/thread/1.0">0</thr:total></item><item><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-19556454.post-7698827854589317437</guid><pubDate>Wed, 24 Dec 2008 23:21:00 +0000</pubDate><atom:updated>2008-12-29T01:50:20.382Z</atom:updated><category domain="http://www.blogger.com/atom/ns#">vadiagem</category><category domain="http://www.blogger.com/atom/ns#">alucinados</category><category domain="http://www.blogger.com/atom/ns#">bêbados</category><title>Noites De Déjà Vu De Vidas Demasiado Acreditáveis: Parte II</title><description>&lt;div align="justify"&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_n0rUSXfEAU8/SVLJ9hkTqSI/AAAAAAAAAQY/NA4YZ7hmVkU/s1600-h/sea+night+moon.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 400px; height: 300px;" src="http://2.bp.blogspot.com/_n0rUSXfEAU8/SVLJ9hkTqSI/AAAAAAAAAQY/NA4YZ7hmVkU/s400/sea+night+moon.jpg" border="0" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5283507371678869794" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="color:#3366ff;"&gt;No coração de cada ser humano reside uma escuridão mais profunda que o lado negro da lua. Ela permanece sempre lá. Uma maré de destroços que afogamos todas as noites por mil motivos pessoais diferentes. E a única coisa que varia é a face que mostramos aos outros brilhar mais ou menos conforme o sabor das ondas de paixão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Então, como é que vai esse surf, pá?&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="width:220px;height:55px;"&gt;&lt;object width="220" height="55"&gt;&lt;param name="movie" value="http://www.deezer.com/embedded/small-widget-v2.swf?idSong=1543193&amp;amp;colorBackground=0x555552&amp;amp;textColor1=0xFFFFFF&amp;amp;colorVolume=0x00C7F2&amp;amp;autoplay=0"&gt;&lt;/param&gt;&lt;embed src="http://www.deezer.com/embedded/small-widget-v2.swf?idSong=1543193&amp;amp;colorBackground=0x555552&amp;amp;textColor1=0xFFFFFF&amp;amp;colorVolume=0x00C7F2&amp;amp;autoplay=0" type="application/x-shockwave-flash" width="220" height="55"&gt;&lt;/embed&gt;&lt;/object&gt;&lt;br /&gt;&lt;span  color ="'#000000'"  style="font-family:'Arial';font-size:'1';"&gt;Discover &lt;a href="'http://www.deezer.com/en/the-ventures.html'"&gt;The Ventures&lt;/a&gt;!&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sabes qual é a palavra que pode desde abrir as pernas à rapariga mais difícil a criar o teu pior inimigo pessoal para vida inteira? Que nos liga a todos e nos mete o sorriso mais genuíno na fronha, como ao mesmo tempo nos deixa mortos por dentro quando sabemos que o nosso coração tem os dias contados?    &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É uma expressão que agita mais o mundo que um “Vai-te foder!”, “Estou grávida.” ou “A tua casa ardeu.”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É simplesmente um “olá...”&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Começou tantas relações, revoluções e violações de tantas criancinhas órfãs.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Olá...!!! Cu cu...”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E de facto, não interessa muito o que dizes depois concretamente, apenas COMO o dizes. Pode tanto levar-te ao Paraíso como ao terceiro ciclo do Inferno. Para a cama ou para o caixão. Para a festa mais VIP ou para a solitária mais imunda na prisão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-- Olá. – aproximei-me curiosamente da Rapariga Perturbadora a meio da noite e cumprimentei-a.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E a conversa de ocasião escorreu naturalmente como água fresca por uma cascata abaixo...  Tem piada como trocar os mesmos clichés pode ser estimulante se forem ditos com o tom e ambiente certo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Então, o que é que tás a estudar?”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Qual foi o último grande filme que foste ver ao cinema?”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Olha sabes, estive a pensar, se a verdade não existe, então a afirmação “A verdade não existe.” é de certo modo uma verdade, então será que ela não está errada?”&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Ao fim ao cabo, pudemos dizer que empatia entre duas pessoas cresce se quando passadas duas horas a falar sobre coisas mais parvas que a vida familiar do Ronald MacDonald, a conversa ainda não morreu e podia continuar pela noite fora.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A Rapariga Perturbadora mexia comigo dum modo distinto que nem agora eu percebo porquê. Eu admito, não havia nada de espectacular ou anormal no aspecto dela, mas por detrás da máscara de maquilhagem Maybelline, do disfarce nocturno composto por um casaco de cabedal preto, mini-saia e saltos altos, do seu sorriso mais ofuscante que qualquer anúncio para dentífricos, tão genuíno e subtil ao mesmo tempo... sim, sob a pele da fachada dela, eu sentia o calor duma faísca tão familiar, que não me dava propriamente prazer mas não era assim o que se podia chamar de desagradável. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu partilhei então um desabafo meio sincero.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-- Epá, não imaginas o quão eu estou contente por falar contigo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#ff6600;"&gt;-- Ai é? E porquê?&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;-- Porque tava a ver que ia ficar a ouvir comentários corrosivos a noite toda...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#ff6600;"&gt;-- De quem? – pergunta ela, metendo um cigarro na boca.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;-- Do senhor M. – estava a referir-me ao Rapaz-Chillout -- Este Verão já tá a ser uma desgraça, e a conversa dele estava a mandar-me ainda mais abaixo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#ff6600;"&gt;-- Oh, não ligues. Esse tipo tá todo queimado, coitado.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;-- Que eu me lembre ele não era nada assim...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#ff6600;"&gt;-- Pá, ele anda com problemas.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;-- Quem não anda?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#ff6600;"&gt;-- Sim prontos, mas é sempre difícil quando não sabemos como lidar com isso.  – respondeu ela muito vagamente.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;-- Morreu-lhe alguém...? – sugeri eu um bocado aborrecido.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#ff6600;"&gt;-- Népia. Menos dramático. Está todo lixado pela razão mais velha do mundo. – ela brincava dum modo inconsciente com as pulseiras de prata que usava, enquanto o olhar dela perdia-se completamente na multidão. Eu fiquei meio pensativo durante um bocado  até que retorqui:&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;-- Hmm...? Herpes?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#ff6600;"&gt;-- És tão estúpido.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-- Não tenho culpa de ter nascido assim. Mas também não sou adivinho.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#ff6600;"&gt;-- Bah, se queres saber, ele está de rastos por causa duma gaja. – ela abre o telemóvel todo hiper de última geração e verifica as mensagens. -- Um dia amam-se, noutro dia já não. É sempre a mesma merda.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#009900;"&gt;Tive a impressão intensa de já a ter ouvido contar esta história, apesar de nunca ter falado com a gaja antes. Senti um esticão súbito no braço, como um espasmo nocturno, e esfreguei o ombro intrigado. Hmm... pergunto-te... se passas os dias e noites numa constante e interminável série de déja vus, será que andas só a sonhar ou a viver uma realidade mais real do que o normal?&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-- Estarei eu a ouvir a voz amarga da experiência a falar...? Huh?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ela ignora a minha observação parva completamente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#ff6600;"&gt;-- Tss, vou buscar é um vodka. Tou com uma sede.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;A miúda afastou-se do resto do pessoal e passou por um balcão dum barzinho na esquina dum prédio.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um dos tipos que estava no grupo, um verdadeiro personagem que usava óculos escuros e boné, mesmo sendo noite, chega-se ao pé de mim e começa a fazer conversa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-- Olha, sabes uma coisa? Essa chavala pode parecer muito atinada e sossegada, mas quando está bem lubrificada com tequila é a puta da loucura. – reparei na T-Shirt dos Sex Pistols dele a dizer “No Future!” e achei mesmo apropriado ao espírito destas noites anónimas urbanas. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-- Toda gente é assim quando fica bem encharcada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-- Sim, mas ela fica literalmente on fire, e com a cona feita em água. É uma enxurrada interminável. Aquilo é mesmo muita areia para o camião do namorado dela.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-- Estás a dizer isso baseado em quê?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-- Então, só para te dar um exemplo, no fim de semana passado, estava na disco, quando vi a gaja a dançar lá em cima na varanda. Foda-se, estava a roçar-se toda a um poste e a outra miúda podre de boa, parecia quase um strip, com uma mini saia tão levantada que era só fio dental por debaixo e pernas que nunca mais acabavam. Não imaginas a quantidade de rebarbados a babarem-se todos à volta dela.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-- E então? Qual é o problema? – questionei eu sem mostrar a mínima emoção e interesse.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-- Pá desculpa, sim? – retorquiu ele um bocado irritado - Se não gostas desse género de coisas e a tua orientação sexual for outra, isso é lá contigo. Estava só a constatar um facto sobre ela.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-- Pois, só que eu nunca tive paciência para ouvir o que os outros pensam de seja quem for. Ainda não fiquei tão queimado que me tornei incapaz de formar a minha própria opinião...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-- Tudo bem, mas não muda o facto de ela... ... ... ... ... -- comentou ele com a voz mais baixa. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Talvez aquilo até fosse uma pequena verdade sobre a Rapariga Perturbadora, mas por alguma razão misteriosa senti a minha mão outra vez a tremer, os meus dentes a rangerem, e o meu controlo a desfazer-se como um castelo de cartas num furacão. Cerrei os punhos, e apercebi-me o quão bem ia saber-me espancar o gajo, mesmo não tendo um bom pretexto para isso, além de ele simplesmente ser um completo parvalhão, e eu totalmente doido varrido.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sem nenhum aviso, saltei contra ele e atirei-lhe um soco contra o lado do queixo, atordoando-o, e desfiro-lhe pontapé atrás de cotovelada, numa torrente de golpes cegos de raiva como se ele não passasse dum saco de porrada humano, e eu já não pudesse mais controlar o velho monstro dentro de mim...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#009900;"&gt;Pressenti uma enchente de água a bater-me na cara, estava mergulhado sob as profundezas dum lago de cristal, num estado Zen e pacífico em que a palavra conflito deixou de ter qualquer significado, com gotas de chuva a caírem sob a superfície, levantando ondas circulares tão perfeitas que não podiam ser aleatórias, mas na verdade uma obra de arte desenhada pelas mãos dum mestre imortal...&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_n0rUSXfEAU8/SVLPcXDc-1I/AAAAAAAAAQg/DuqdUzs95ZY/s1600-h/rain_ripples.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 400px; height: 362px;" src="http://2.bp.blogspot.com/_n0rUSXfEAU8/SVLPcXDc-1I/AAAAAAAAAQg/DuqdUzs95ZY/s400/rain_ripples.jpg" border="0" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5283513398990797650" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#009900;"&gt;Enquanto sobre mim uma brisa suave soprava os ramos das árvores à beira do lago, soltando duas folhas pelo ar... levadas através dos céus, por cima de montes e planícies até serem deixadas no caudal dum rio sereno.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A Rapariga Perturbadora voltou de copo de plástico duro cheio de gelo na mão, muito mais alegre, e o cromo dos óculos escuros entretanto afasta-se de mim, indo falar com outra gaja, adiando-me a única fonte de divertimento que quebraria com certeza a secura gélida desta noite chata.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#ff6600;"&gt;-- Epá, malta estou com uma pica para dançar. Vamos emborcar algumas e depois bora para o Lux! – exclama a Rapariga Perturbadora de repente.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;As pessoas ao pé concordaram vibrantemente como é costume. Mas eu como só recebia o ordenado no fim do mês, acho que não haveria esta noite muita decadência para mim... Mas não faz mal, tenho todo o tempo do mundo para isso, porque ainda hei de ser o rei do teu lar dos idosos e abananar a terceira idade all night long, todas as noites.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Continuámos a passear pelas ruas fora, a conversar casualmente e eu fiz-lhe umas perguntas batidas sobre a infância e a família dela. Pá, eu não tinha assim uma obsessão mórbida em saber esses detalhes todos, mas às vezes admito que ouço umas histórias inspiradoras pra meter personagens catitas num argumento ou romance que se está a escrever. Tu sabes bem a importância da pesquisa num trabalho. E talvez um dia pesquise mais sobre ti, duma forma pessoal tête à tête só para satisfazer a minha curiosidade. Mas nunca escreverei o que seja que irei descobrir. Também não és assim tão interessante, porque nada se pode comparar ao delírio alucinante da ficção. E ainda bem que as coisas são assim...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-- E vives sozinha ou com a família?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#ff6600;"&gt;-- Vivo com o meu sócio. Graças a Deus. Bazei de casa mal entrei na faculdade, já não podia mais com aquele sítio deprimente.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;-- Ah, a rebeldia juvenil contra os teus progenitores?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#ff6600;"&gt;-- Pá nem tanto como tu julgas. Acho que é mais indiferença. Durante toda a infância, quem me educou e tomou conta de mim foi sempre a minha querida avó. Os meus cotas foram sempre umas figuras ausentes. No fundo tenho quase a certeza que estão juntos só por estarem durante todos estes anos...&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;-- Isso é que é amor puro e duro na realidade, tudo o resto são só ilusões e paixões em part time. – ela tira dum maço de tabaco da bolsa e acende um cigarro à minha frente, soprando para mim.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#ff6600;"&gt;-- Ou se calhar mais medo de voltarem a ficar sozinhos, sei lá. – comentou ela abruptamente.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;-- ...... – tentei perceber nos olhos azuis e vermelhos de sangue dela donde vinha tanto cinismo, porque tinha a sensação que não era só o álcool a falar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#ff6600;"&gt;-- E até lhes telefono às vezes aos fins de semana, mas a verdade é que eles são daquelas pessoas que só estão verdadeiramente apaixonadas pelo trabalho, dinheiro e sucesso mais do que outra coisa na vida.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;-- Paizinhos yuppies? Então a menina tem guito... Já gosto mais de ti.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#ff6600;"&gt;-- Népias. A ironia é que sempre que a minha família tem alguma massa gasta logo num carro novo, ou em mobília de arte para a casa de férias por isso acabamos sempre a um passo da bancarrota. Estamos é rodeados de coisas. Parecemos apenas ricos, e não há nada mais pobre e patético do que isso neste país.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-- Se não queres essa tralha, podes oferecer-me alguma. Um leitor blu-ray e um televisor de alta definição fazem-me uma falta.... Por isso dá-me qualquer coisa, vais ver que não dói.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ela não pode com a minha lata e como continua com a garganta seca, vai tomar uns shots com as amigas num daqueles bares banhados em cores fluorescentes aberrantes, repleto de bancos modernos pouco confortáveis e betas a discutirem a vida amorosa doutros betinhos. Eu limito-me a decilitrar uma imperial insossa com saudades de uma certa cerveja alemã que cai melhor no estômago do que leitinho achocolatado. Tinha a experimentado uma vez há muitos anos em Berlim, mas não me lembrava mais do nome dela.... Eu sei, eu sei, o sabor doce da nostalgia é sempre mais memorável do que quando provamos outra vez no presente. Porque certos momentos, com as pessoas certas, num estado de espírito em que nos sentimos verdadeiramente livres de sofrimento, nunca voltarão a repetir-se, mesmo que o resto seja igual. Como até a melhor cerveja do mundo destilada pelo rei dos reis quando é bebida sozinha sem amigos não sabe a nada. A existência humana é assim, uma longa série de pequenos paradoxos, para a qual não há soluções e que no fim só nos dão umas dores de cabeça do caralho.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Hmm, pronto, é melhor deixar-me de filosofias, visto que não tenho mesmo jeito para essas merdas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ela volta, com o casaco descaído num ombro, e noto na tatuagem intricada de surfista que ela tem no braço esquerdo, de aspecto meio tribal, meio padrão Rorschach. Parecia uma cobra-dragão a comer a sua própria cauda... Aquela brincadeira devia-lhe ter custado uma pequena fortuna, mas não me parecia nada original porque já a tinha tatuada num dos naufrágios do meu oceano infinito de memórias... só que não me recordava mesmo do nome dessse navio arruinado... Vagueamos então mais pelo bairro adentro, passando por enchentes de pessoas cada vez mais avassaladoras, como duas folhas solitárias num rio furioso a transbordar por todos os lados. Senti a Rapariga Perturbadora a agarrar-me o casaco enquanto avançávamo-nos esmagados contra a corrente de carne viva. Quando finalmente fomos desaguar numa clareira vazia no final do quarteirão, reparei que nos tínhamos perdido do resto do grupo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#ff6600;"&gt;-- Opá, onde é que eles se meteram? – ela tira outra vez do seu Motorolla e pragueja. – Era só o que nos faltava, a bateria acabou de ir com os porcos.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;-- Paciência, havemos de os encontrar de novo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#ff6600;"&gt;-- Porque é que tu não lhes telefonas?&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;-- Eu não uso telemóvel quando estou nos meus tempos livres. Descanso para mim é estar temporariamente incomunicável sem ninguém a chatear-me a paciência.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#ff6600;"&gt;-- Que personagem que me saíste. É que me apetecia tanto ir dançar.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-- Então vai sozinha, ou precisas de estar sempre colada a alguém?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#ff6600;"&gt;-- Tás maluco? Se fosse sozinha tinha de aturar tipos atiradiços o resto da noite.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;“Então porque é que te vestes assim? Gostas pouco de provocar, gostas...” estive para lhe dizer mas não conseguia irritar-me com a badalhoca. Ela era também já mais mulher do que menina. E havia qualquer coisa nela... de tão familiar... que....&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#009900;"&gt;Outra vez o sabor doce amargo a déjà vu veio-me à boca, tão potente que me fazia estremecer todo e me provocava um zunido fervilhante nos ouvidos. Pareciam vozes ao longe. E uma delas sussurrava:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Não o pises, senão acordas o gajo...”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu olhei para os lados mas não estava absolutamente ninguém ao pé de mim. Massajei as têmporas e respirei fundo. Noutra dimensão imaginei duas folhas de ácer a flutuarem no rio até ao oceano aberto, deixando-se perder na imensidão do mar salgado...&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_n0rUSXfEAU8/SVLJqL9dQ8I/AAAAAAAAAQI/7oDSA8VxbzY/s1600-h/leaves+on+water.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 400px; height: 275px;" src="http://2.bp.blogspot.com/_n0rUSXfEAU8/SVLJqL9dQ8I/AAAAAAAAAQI/7oDSA8VxbzY/s400/leaves+on+water.jpg" border="0" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5283507039461262274" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Passamos por um bar entupido de gente à porta, iluminado por uma luz néon mangenta, enquanto uma música distorcida ribombava pelas colunas fora.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#ff6600;"&gt;-- AAAAhhh....! Adoro esta música.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="width:220px;height:55px;"&gt;&lt;object width="220" height="55"&gt;&lt;param name="movie" value="http://www.deezer.com/embedded/small-widget-v2.swf?idSong=3547&amp;amp;colorBackground=0x555552&amp;amp;textColor1=0xFFFFFF&amp;amp;colorVolume=0x00C7F2&amp;amp;autoplay=0"&gt;&lt;/param&gt;&lt;embed src="http://www.deezer.com/embedded/small-widget-v2.swf?idSong=3547&amp;amp;colorBackground=0x555552&amp;amp;textColor1=0xFFFFFF&amp;amp;colorVolume=0x00C7F2&amp;amp;autoplay=0" type="application/x-shockwave-flash" width="220" height="55"&gt;&lt;/embed&gt;&lt;/object&gt;&lt;br /&gt;&lt;span  color ="'#000000'"  style="font-family:'Arial';font-size:'1';"&gt;Discover &lt;a href="'http://www.deezer.com/en/peaches.html'"&gt;Peaches&lt;/a&gt;!&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-- Hmm, não sei. Prefiro a vocalista dos Berlin.... Take my breath awaaay.......&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#ff6600;"&gt;-- Não a ouvia mesmo há séculos. Tss, sabes o significado que ela tem pra mim?&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;-- Não faço ideia. Mas imagino que me vais explicar tudo agora quer queira quer não.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#ff6600;"&gt;-- Se não queres saber, então esquece.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-- Vá conta lá.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#ff6600;"&gt;-- Hmm. Como é que eu hei de explicar exactamente esta cena...? Eu nunca contei isto a ninguém... Mas... Huh... foi quando eu era ainda uma miúda, num Outono mesmo miserável. – ela encosta-se a uma parede velha coberta de graffitis, e deixa afundar os ombros pela primeira vez -- Lembro-me horrivelmente bem porque foi o ano em que a minha avó faleceu.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;-- Lamento muito. – respondi eu sem saber o que dizer.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#ff6600;"&gt;-- Deixa estar. Nem sequer a conhecias. Mas ias gostar dela de certeza. Era a pessoa mais interessante que alguma vez encontrei.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;-- Porquê?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#ff6600;"&gt;-- Por tudo. Ela era tão animada, tão cheia de paixão, e tão complicada. Quando era pequena eu chamava-lhe a avó hippie, porque ela era o oposto dos meus pais, sempre em manifs pelos direitos humanos, a fazer trabalho de voluntariado e a fumar ganza a toda hora, mas agora apercebo-me que ela foi sempre no fundo uma pessoa conservadora com o coração no devido lugar.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-- Tou a ver. – perguntei-me porque é que as pessoas começam logo a contar-me a história da vida delas mesmo não me conhecendo de lado nenhum. Não deve ser pelo meu aspecto matreiro inspirar alguma confiança. Se calhar é porque pareço estar me a lixar e não fazer juízos de valor.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#ff6600;"&gt;-- Quando ela desapareceu, caí numa depressão profunda. Nem ia às aulas, passava o dia todo no centro comercial ou no quarto. Depois uma noite deu na rádio esta música e não sei porquê, as palavras dela tocaram-me mesmo cá dentro. E senti-me melhor.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;Tive o pressentimento que ela daqui a nada ia borrar a maquilhagem toda, por isso tentei mudar de assunto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-- O que é que aconteceu a seguir? Deixa-me adivinhar. Um malandreco mais velho cheio de gel no cabelo e palavras adocicadas tirou-te os três no banco de trás do Clio dele?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#ff6600;"&gt;-- Nãaaao! Eu era só uma pita de 13 anos.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-- Com mais de quarenta quilos já tens peso para apanhar no rabinho. – brinquei eu.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#ff6600;"&gt;-- És mesmo cretino. Porque é que eu estou a falar contigo?&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;Eram quase quatro da manhã, e a miúda para animar a sua festa pessoal mais um bocadinho foi tomar um último vodka. Ela bebia aquilo como um peixe engole água. Perguntei-me se ela estava meio atormentada por alguma coisa? A maior parte das pessoas embebeda-se porque não há nada melhor para fazer, e é divertido duma certa forma distorcida, mas ela passava um bocado dessas marcas, e emborcava quase como se estivesse a tentar provar algo a si mesma. Ou talvez ela gostasse simplesmente do sabor, quem sou eu para julgar....&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Andámos mais uns minutos, os bares já estavam todos a fechar, e fomos dar às ruas mais decadentes da parte de cima do bairro, esvaziadas de multidões, em que apenas uns transeuntes tanto de idade adolescente como veteranos quarentões se deixavam cair num coma pelo passeio fora. A Rapariga-Pertubadora também estava a cambalear um bocado, a combinação de álcool e sapatos altos nada confortáveis numa mulher é sempre uma visão hilariante, e estava a imaginá-la muito bem a tropeçar numa pedra da calçada e a partir a cachola em dois nalgum poste. Ela já não podia mesmo com os pés e senta-se na berma do passeio cansada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_n0rUSXfEAU8/SVLJ1F1PbCI/AAAAAAAAAQQ/-r2Ik5OhGcY/s1600-h/bairro+alto+deserto.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 400px; height: 300px;" src="http://4.bp.blogspot.com/_n0rUSXfEAU8/SVLJ1F1PbCI/AAAAAAAAAQQ/-r2Ik5OhGcY/s400/bairro+alto+deserto.jpg" border="0" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5283507226794748962" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#009900;"&gt;Senti alguém a tocar-me de leve no ombro, como um fantasma quando passa por ti durante o sono, virei a cabeça mas não estava ninguém na rua atrás de mim à excepção dum bêbado ao longe a assediar um contentor do lixo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Batimentos metálicos rompiam pelo meu peito todo, congelando o meu suor sobre a pele como geada cortante, fazendo a minha cabeça latejar dum frio doloroso, e levantar os pêlos da nuca.  &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O que é que se estava a passar comigo? Passei a noite toda a ter episódios paranóicos. E nem sequer tomo drogas... que esquisito.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;-- Este sítio dá-me arrepios. Não queres ir descendo para o Cais do Sodré, e passar as after hours num discoteca mais acolhedora?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#ff6600;"&gt;-- Ah... não... já não tou com cabeça... ai.... não me estou a sentir nada bem...&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;-- Epá se vais vomitar, não o faças em cima das minhas calças lavadas!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#ff6600;"&gt;-- Mas eu tenho cara de caloira inconsciente? Não, não vou despejar o meu estômago para cima de ti. Mas vou é acordar amanhã com uma ressaca do caralho. Acho que já não vou surfar pra Costa, foda-se.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;-- Quem anda à chuva, molha-se... não te queixes, sua desgraçada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#ff6600;"&gt;-- Vai ser condescendente com outra cabra, deixa-me em paz. &lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;-- Pois, se eu te abandonasse agora nesta maravilhosa localização de boa reputação, serias assaltada e violada mais depressa que pudesses gritar Licor Beirão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#ff6600;"&gt;-- Não te preocupes com moi, que eu vou andando agora para casa.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;Ela empurra os longos cabelos castanhos para trás da orelha duma maneira tão própria dela, e levanta-se, caminhando muito vagarosamente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-- Onde é que vives exactamente?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#ff6600;"&gt;-- Aqui perto. Por isso despeço-me. Vai lá ter com o resto do grupo. Ainda não devem ter se desagregado completamente.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;-- Esquece, não me está a apetecer ir à procura daqueles fritos. Vou ficar à espera do metro até abrir.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#ff6600;"&gt;-- O metro? Faltam horas pra puderes entrar nisso.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;-- Bom, também podia andar até Telheiras, é um passeio curto e agradável....&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#ff6600;"&gt;-- Ah deixa-te de tretas, então vem lá comigo. Ficas um bocado em minha casa, ao menos estás mais confortável.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;Eu sinceramente não me apetecia aturá-la mais, até que me ocorreu o facto dela de certeza possuir um frigorífico bem fornecido na cozinha. Ou então uma dispensa recheada merecedora de ser invadida e assaltada dum modo selvagem e desenfreado. Yeah, comida grátis, o combustível que faz o meu motor bombar. Sou mesmo fácil de contentar. Pois, admito que não é o mesmo que cravar um jantar a uma certa pessoa amiga, mas visto que nem no Natal me oferece meia tosta mista, não tenho outro remédio. Sinceramente até o Tio Patinhas tem um coração menos duro e insensível.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Suspirei fundo e fomos assim os dois para casa. Ao menos ia tirar hoje a barriga da miséria.  &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/19556454-7698827854589317437?l=monstrodesalmado.blogspot.com'/&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="feedflare"&gt;
&lt;a href="http://feeds.feedburner.com/~ff/monstrodesalmado?a=oQ0bm6dQMmc:9AieU0hi1dA:yIl2AUoC8zA"&gt;&lt;img src="http://feeds.feedburner.com/~ff/monstrodesalmado?d=yIl2AUoC8zA" border="0"&gt;&lt;/img&gt;&lt;/a&gt; &lt;a href="http://feeds.feedburner.com/~ff/monstrodesalmado?a=oQ0bm6dQMmc:9AieU0hi1dA:dnMXMwOfBR0"&gt;&lt;img src="http://feeds.feedburner.com/~ff/monstrodesalmado?d=dnMXMwOfBR0" border="0"&gt;&lt;/img&gt;&lt;/a&gt;
&lt;/div&gt;</description><link>http://monstrodesalmado.blogspot.com/2008/12/noites-de-dj-vu-de-vidas-demasiado.html</link><author>noreply@blogger.com (O Rapaz Imaginario)</author><media:thumbnail url="http://2.bp.blogspot.com/_n0rUSXfEAU8/SVLJ9hkTqSI/AAAAAAAAAQY/NA4YZ7hmVkU/s72-c/sea+night+moon.jpg" height="72" width="72" /><thr:total xmlns:thr="http://purl.org/syndication/thread/1.0">0</thr:total><enclosure url="http://www.deezer.com/embedded/small-widget-v2.swf?idSong=1543193&amp;amp;colorBackground=0x555552&amp;amp;textColor1=0xFFFFFF&amp;amp;colorVolume=0x00C7F2&amp;amp;autoplay=0" length="92118" type="application/x-shockwave-flash" /><media:content url="http://www.deezer.com/embedded/small-widget-v2.swf?idSong=1543193&amp;amp;colorBackground=0x555552&amp;amp;textColor1=0xFFFFFF&amp;amp;colorVolume=0x00C7F2&amp;amp;autoplay=0" fileSize="92118" type="application/x-shockwave-flash" /></item><item><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-19556454.post-8309440459956581864</guid><pubDate>Wed, 22 Oct 2008 12:26:00 +0000</pubDate><atom:updated>2008-10-22T13:54:16.727+01:00</atom:updated><category domain="http://www.blogger.com/atom/ns#">vadiagem</category><category domain="http://www.blogger.com/atom/ns#">música</category><category domain="http://www.blogger.com/atom/ns#">amigos</category><category domain="http://www.blogger.com/atom/ns#">memórias</category><title>Noites De Déjà Vu De Vidas Demasiado Acreditáveis: Parte I</title><description>&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="color:#3366ff;"&gt;Há uma dor profunda que nunca iremos conhecer na vida, que é a dor sentida por alguém que sente a nossa falta duma forma inapagável e a esconde por detrás dum sorriso meigo todos os dias. E ainda bem que somos salvos dessa merda. Ou estávamos tão duplamente fodidos como um bebé metido no micro-ondas dum pedófilo canibal, right?&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#3366ff;"&gt;---------------------------------------------------------------------------&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Ele dançava...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ele dançava como se houvesse um enorme lança chamas nas mãos duma feminista nazi violada vingativa a queimar-lhe os tomates e a ameaçar a sua descendência futura toda. Como se através do simples acto de dançar pudesse espantar todos os males e mágoas da vida moderna e perder-se em si mesmo. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Filho da mãe sortudo.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="width:220px;height:55px;"&gt;&lt;object width="220" height="55"&gt;&lt;embed src="http://www.deezer.com/embedded/small-widget-v2.swf?idSong=11259&amp;amp;colorBackground=0x555552&amp;amp;textColor1=0xFFFFFF&amp;amp;colorVolume=0x00C7F2&amp;amp;autoplay=0" type="application/x-shockwave-flash" width="220" height="55"&gt;&lt;/embed&gt;&lt;/object&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:'Arial';font-size:'1';color:'#000000';"&gt;Discover &lt;a href="http://www.blogger.com/'http://www.deezer.com/en/stevie-wonder.html'"&gt;Stevie Wonder&lt;/a&gt;!&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;E não parava um instante, sempre aos saltos, possuído por uma euforia tribal que cuspia por todos os lados. Fiquei durante uns minutos a vê-lo ondular através da rua pejada de noctívagos e garrafas partidas dum Bairro Alto ainda não completamente desertado de gente que se foi entrincheirar numa praia algarvia ou brasileira qualquer.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O cabrão dançava...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dançava...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dançava...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Porque era o Rasta Blasta. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Gajo branco de barba comprida, óculos de sol e boina, com as dreadlocks a esvoaçarem por todos os lados, batendo com os pés no pavimento, flutuava à volta das pessoas mais acelerado que um beija flor depois de andar à marmelada com uma planta de coca.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://3.bp.blogspot.com/_n0rUSXfEAU8/SP8cJtuLQ6I/AAAAAAAAAP4/Puc2MHM2HxA/s1600-h/RastaHomer-vi.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;" src="http://3.bp.blogspot.com/_n0rUSXfEAU8/SP8cJtuLQ6I/AAAAAAAAAP4/Puc2MHM2HxA/s400/RastaHomer-vi.jpg" border="0" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5259953843009700770" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A crew dele estava no passeio, e pareciam ser todos suspeitos mais velhos que eu que fugiram duma vida confortável de classe média pra estas jornadas relaxadas de cidade em cidade, acompanhadas por cantorias muito espirituais e pacotes de vinho do Lidl. Os outros rastas arranhavam uma guitarra que já viu melhores dias, cheia de auto colantes e tags jocosos como “JAMAICA POWER!”,  enquanto curtiam também com uma flauta melódica. E eles cheiravam tão cronicamente a fumo de marijuana queimada que até metia vergonha à mãe de todos os clichés...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Estávamos no final do Verão, os dias de serenidade e paz a desaparecerem cada vez mais depressa do calendário um atrás do outro, e notava-se um certo desespero no ar, de espremer sofregamente cada gota de divertimento pela goela abaixo, como se isso nos fosse salvar, mas... &lt;br /&gt;No fundo éramos todos ratos condenados dentro dum navio a afundar-se. O SS SUMMER. Podia até ser um barco do amor terrivelmente deslumbrante cheio de prazeres, memórias escaldantes e pessoas interessantes, mas sofria dum rombo no casco irreparável causado por um certo senhor que não perdoa ninguém. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O Tempo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não que eu me importe, tempo era tudo o que me restava. Isso e pra aí 2 euros no Multibanco. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#ff6600;"&gt;-- Merda de Verão. Merda de cidade fantasma. Mas até às moscas consegue estar à noite entupida de gente insuportável. Quem são estas pessoas pá? E onde é que estes bêbados todos se escondem de dia?? – pergunta-se o Rapaz-Chillout entre tragos duma litrosa meio-cheia. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ele era um amigo meu mais afastado que estava permanentemente com boas vibrações, tranquilo na sua onda a ouvir uma playlist com musiquinhas tipo Ministry of Sound, Groove Armada, Café Del Mar, esse género de cenas místicas de afagar a alma, feitas em programas de computador... Quer dizer eu conhecia-o desta maneira das poucas vezes que falei com o gajo, mas a personalidade duma pessoa nunca é assim tão simples como gostamos de acreditar. Excepto se for mulher. Tipo uma tal pacóvia admirável que apesar de pensamentos complicados devido a década e meia de escolaridade, continua a ser a parva da vila.  Ok, prontos, tou a meio a brincar, não gramo insultar ninguém por escrito. Só tem graça gozar com alguém na cara ao vivo, de preferência em frente de montes de crianças terríveis com um sentido de humor à Calvin &amp;amp; Hobbes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E ouvi de repente um eco consumido vindo do fundo escuro do coração, como um moribundo a gemer sob os destroços de memórias de mil toneladas que não consigo enterrar nem varrer, incendiado de déjà vu e coberto dum nevoeiro velho e entorpecido. Era a voz gentil dela a sussurrar-me apenas duma forma condescendente:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#3366ff;"&gt;“És tão linear.”&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu ignorei esse flashback e continuei a conversar com o gajo. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-- Huh, por acaso acho que ainda existem por aí muitos malucos bem fixes. E sóbrios ainda por cima. --  respondi eu, lembrando-me do velho excêntrico que fazia robot dancing em Telheiras. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Reparei então que a malta da rua em redor dos rastafari andava com um sorriso amarelo nos lábios, miúdas a dançar, tipos a assobiarem, realmente, a música faz isso às pessoas, é a linguagem universal, mesmo que seja muito duvidosa. Hmm... O que me põe a pensar... eu devia era formar uma banda estilo Tokyo Hotel para arranjar groupies. E provavelmente ser preso depois por assédio repetido a pitas menores. Bons tempos que isso seria!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#ff6600;"&gt;-- Pá, tirando os malucos, acho que só há pessoal triste nesta cidade do caralho. É só betinhos, mitras, badalhocas, cabrões, morcões, benfiquistas, camones, testemunhas de Jeová, bichas malucas, góticos, skinheads, escuteiros-mirins, aaaaahhh.... e estes clones do Bob Marley, pedintes dum raio. Que vão arranjar um emprego, foda-se. – exclamou o Rapaz-Chillout duma forma tão agressiva que não parecia mesmo nada dele... &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-- Tás a ser negativo. Se calhar, por detrás da máscara social e deste ritual de estupor alcóolico semanal em que a maior parte das pessoas se refugiam, existem seres humanos belos, felizes e dignos de serem amados...!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#ff6600;"&gt;-- O quê?! Pessoas felizes? Em Lisboa? Mas do que é que estás a falar??&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-- É assim, viemos todos do mesmo sítio e vamos acabar no mesmo sítio. No Nada. Poeira interestelar. Não existe Céu, Nirvana, 70 virgens loucas esfomeadas, ou qualquer outra recompensa eterna à nossa espera. Isto é tudo o que temos pá. Por isso mais vale apreciar a viagem e partilhar a alegria com o próximo enquanto duramos. Porque haverá algo mais prometedor do que a possibilidade de encontrar uma história fantástica em cada pessoa que temos o prazer de nos cruzar?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#ff6600;"&gt;-- Não estás a fazer sentido nenhum, homem.... O que é que te aconteceu? Conheceste uma miúda mórmon ou uma hippie boazona? Ela converteu-te à religião do amor, foi?&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-- Nah, a fé não passa dum par de muletas psicológicas pra almas desgraçadas que não querem andar sozinhas. Porque sabes, para uma pessoa ser feliz basta simplesmente o ser... &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#ff6600;"&gt;-- WTF? Onde é que foste buscar isso? Ao Segredo? &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://3.bp.blogspot.com/_n0rUSXfEAU8/SP8cV62qhDI/AAAAAAAAAQA/a4izFyhoomY/s1600-h/the+secret.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;" src="http://3.bp.blogspot.com/_n0rUSXfEAU8/SP8cV62qhDI/AAAAAAAAAQA/a4izFyhoomY/s400/the+secret.jpg" border="0" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5259954052693394482" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O tipo encolheu os ombros. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#ff6600;"&gt;– Quem me dera que as coisas fossem assim tão fáceis. Foda-se.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu não estava com cabeça para discutir com ele, principalmente porque não andava com muitas convicções por detrás dos meus argumentos... e por isso deixei a conversa morrer.  Fiquei calado, também já tínhamos chegado àquela parte da noite em que já não há nada de jeito para se dizer sóbrio, e só falta mesmo começarmos a debitar uma série de merdas incoerentes sobre a ligação entre o rabo tão perfeito do George Clooney e o Triângulo das Bermudas. O rasta parou finalmente com a sua performance e começou a pedir bem educadamente por moedas, mas eu não me apetecia dar mais nada a ninguém, e entrei lentamente no meu modo introspectivo, a lembrar-me de coisas que não me recordava há anos...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#3366ff;"&gt;“.... és tão linear....” &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eh... que comentário engraçado. Pergunto-me se era mesmo um tipo limitado como ela achava... e se isso era assim tão péssimo?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pergunto-me também porque nunca mais voltei a falar-lhe...?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Provavelmente porque não queria mandá-la pró caralho e atirar-lhe com um móvel do Ikea à cabeça... &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Enfim, que se lixe o passado, vou mas é apreciar o resto da noite.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas fiquei com uma última questão na parte detrás da minha consciência, hmm... o que é que faria realmente se me dissesses a mesma coisa?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Acho que só haveria uma solução...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;object width="425" height="349"&gt;&lt;embed src="http://www.youtube.com/v/gsOaQGF7kiQ&amp;amp;hl=en&amp;amp;fs=1&amp;amp;border=1" type="application/x-shockwave-flash" allowfullscreen="true" width="425" height="349"&gt;&lt;/embed&gt;&lt;/object&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O Rapaz-Chillout pôs-se então a meter conversa com uma espanhola de Erasmus, e via-se na cara que estava com intenções de comê-la por debaixo das falinhas mansas do costume, por isso afastei-me dele e fui pra galhofa com o resto do pessoal.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tinha saído com um grupo grande de pessoas, a maior parte amigos de conhecidos do vizinho das primas do cão da colega da turma, ou seja não fazia a menor ideia de quem esta gente era, mas estava tudo numa boa. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E no meio deste bando notei em alguém que me apanhou a atenção duma forma inexplicável. Ela não era uma beldade fabulosa, nem tinha um riso agradável, nem sequer parecia uma tipa podre de rica capaz de comprar o coração a qualquer homem. Mas havia qualquer coisa nela, quase familiar, que me suscitou alguma vontade e interesse em conhecê-la. E não tou a referir-me ao sentido bíblico da palavra por muito incrível que pareça. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Assim, dirigi-me na direcção dela e fui falar com a Rapariga-Perturbadora.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/19556454-8309440459956581864?l=monstrodesalmado.blogspot.com'/&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="feedflare"&gt;
&lt;a href="http://feeds.feedburner.com/~ff/monstrodesalmado?a=XNH-e1x2HBM:6atRqX42jaU:yIl2AUoC8zA"&gt;&lt;img src="http://feeds.feedburner.com/~ff/monstrodesalmado?d=yIl2AUoC8zA" border="0"&gt;&lt;/img&gt;&lt;/a&gt; &lt;a href="http://feeds.feedburner.com/~ff/monstrodesalmado?a=XNH-e1x2HBM:6atRqX42jaU:dnMXMwOfBR0"&gt;&lt;img src="http://feeds.feedburner.com/~ff/monstrodesalmado?d=dnMXMwOfBR0" border="0"&gt;&lt;/img&gt;&lt;/a&gt;
&lt;/div&gt;</description><link>http://monstrodesalmado.blogspot.com/2008/10/noites-de-dj-vu-de-vidas-demasiado.html</link><author>noreply@blogger.com (O Rapaz Imaginario)</author><media:thumbnail url="http://3.bp.blogspot.com/_n0rUSXfEAU8/SP8cJtuLQ6I/AAAAAAAAAP4/Puc2MHM2HxA/s72-c/RastaHomer-vi.jpg" height="72" width="72" /><thr:total xmlns:thr="http://purl.org/syndication/thread/1.0">0</thr:total><enclosure url="http://www.deezer.com/embedded/small-widget-v2.swf?idSong=11259&amp;amp;colorBackground=0x555552&amp;amp;textColor1=0xFFFFFF&amp;amp;colorVolume=0x00C7F2&amp;amp;autoplay=0" length="92118" type="application/x-shockwave-flash" /><media:content url="http://www.deezer.com/embedded/small-widget-v2.swf?idSong=11259&amp;amp;colorBackground=0x555552&amp;amp;textColor1=0xFFFFFF&amp;amp;colorVolume=0x00C7F2&amp;amp;autoplay=0" fileSize="92118" type="application/x-shockwave-flash" /></item><item><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-19556454.post-448352029277222700</guid><pubDate>Sun, 05 Oct 2008 23:14:00 +0000</pubDate><atom:updated>2008-10-06T19:24:12.511+01:00</atom:updated><category domain="http://www.blogger.com/atom/ns#">alucinados</category><category domain="http://www.blogger.com/atom/ns#">amigos</category><category domain="http://www.blogger.com/atom/ns#">memórias</category><title>O Princípio do Fim Do Princípio Daquela Mágoa Familiar: Parte II</title><description>&lt;div align="justify"&gt;Nunca tiveste aqueles momentos de antever um automóvel a vir contra ti e a tua única reacção é simplesmente ficares paralisada como uma lebre parva no meio da estrada...? Aquela injecção alucinante de euforia e pavor a ferver nas veias pode abrandar a tua percepção do tempo até o mundo inteiro parecer estar a rastejar, mas nunca chegas a ver exactamente uma sequência de montagem catita da tua vida a passar pelos olhos... E não... também não proferes últimos desejos como “Oh, gostava de ter feito o não-sei-quantos mais feliz...” ou “Queria tanto despedir-me da mamã e dos meus amigos...” Esses remorsos pertencem mais a filmes lamechas de domingo à tarde do que na nossa realidade vulgar. Porque a maior parte das vezes, por muito que não queiramos, a única coisa com o qual ficamos verdadeiramente obcecados antes de morrer é num detalhe inconsequente do género:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Ah, esqueci-me de alimentar o Bitó, tadinho do bicho, o que é que vai ser dele?”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Merda, o cabrão do meu colega agora nunca me vai devolver o CD dos White Stripes que lhe emprestei....”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Ou vou perder hoje o episódio final do Lost... Nunca vou saber o que se passa com aquela maldita ilha!!! Nãaaaaaooo....”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quais serão os teus últimos pensamentos quando te metes numa situação muito desagradável em que estás a uma unha negra de esticar o pernil?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Hmm... bem não interessa, provavelmente nem sabes. Mas eu posso dizer os meus naquele segundo exacto. Só havia uma coisa importante em que estava fixado, e me atormentava o coração duma forma profunda.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E era o facto de a médica legista ir encontrar-me mais logo com um par de cuecas foleiras do Mickey vestidas no meu cadáver inacreditavelmente bem parecido.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://2.bp.blogspot.com/_n0rUSXfEAU8/SOlKz1efR6I/AAAAAAAAAPo/q8M7NVDoI2U/s1600-h/mickey+underwear.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;" src="http://2.bp.blogspot.com/_n0rUSXfEAU8/SOlKz1efR6I/AAAAAAAAAPo/q8M7NVDoI2U/s400/mickey+underwear.jpg" border="0" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5253812694693136290" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas porquê....?!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não posso bater a bota assim.....!!!!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tenho de viver! Tenho de viver! Tenho de viver!&lt;br /&gt;Tenho de viver! Tenho de viver! Tenho de viver!&lt;br /&gt;Tenho de viver! Tenho de viver! Tenho de viver!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ouvi a buzina a apitar, travões mal empregues, adrenalina a correr. Eu mal tive tempo de reagir e entrar em pânico, o meu cérebro reptiliano descambou para o modo instintivo, virei o guiador para o lado violentamente, e só senti a roda da minha bicicleta a bater contra uma elevação no passeio e a empinar-se toda feita égua endoidecida...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://1.bp.blogspot.com/_n0rUSXfEAU8/SOlKie7cPhI/AAAAAAAAAPg/yETUuLLb89Q/s1600-h/Bike+crash+sign.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;" src="http://1.bp.blogspot.com/_n0rUSXfEAU8/SOlKie7cPhI/AAAAAAAAAPg/yETUuLLb89Q/s400/Bike+crash+sign.jpg" border="0" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5253812396582780434" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Levei com o selim no meio das pernas dolorosamente, como um quebra nozes/chicote/strap-on nas mãos duma dominatrix mal disposta que não tomou a sua dose de lítio, caindo torto da bicicleta no pavimento, esfolando a pele das mãos e dos braços, e a última coisa que vi depois do choque foram clarões esbranquiçados tão belos que até dava vontade de chorar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Deitado no âmago daquela escuridão clara, podia ouvir ao longe uma mulher a cantar com uma voz velha de dez mil invernos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="width:220px;height:55px;"&gt;&lt;object width="220" height="55"&gt;&lt;param name="movie" value="http://www.deezer.com/embedded/small-widget-v2.swf?idSong=954141&amp;amp;colorBackground=0x555552&amp;amp;textColor1=0xFFFFFF&amp;amp;colorVolume=0x00C7F2&amp;amp;autoplay=0"&gt;&lt;embed src="http://www.deezer.com/embedded/small-widget-v2.swf?idSong=954141&amp;amp;colorBackground=0x555552&amp;amp;textColor1=0xFFFFFF&amp;amp;colorVolume=0x00C7F2&amp;amp;autoplay=0" type="application/x-shockwave-flash" width="220" height="55"&gt;&lt;/embed&gt;&lt;/object&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:Arial;font-size:78%;color:#000000;"&gt;Discover &lt;a href="http://www.deezer.com/en/nina-simone.html"&gt;Nina Simone&lt;/a&gt;!&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#3366ff;"&gt;Não existe dor.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A dor é uma ilusão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu não estou no meu corpo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Estou no meu sítio feliz.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Oh yeah, onde é happy hour todo o dia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Com praia, mar de águas cristalinas e palmeiras. Muitas palmeiras.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Debaixo dum sol enternecedor que me beija as feridas e aquece o espírito.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A bebericar uma Piña colada refrescante com aqueles chapéuzinhos de papel.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://4.bp.blogspot.com/_n0rUSXfEAU8/SOlK8HPclTI/AAAAAAAAAPw/-TXHMeX0NG0/s1600-h/Beach+happy.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;" src="http://4.bp.blogspot.com/_n0rUSXfEAU8/SOlK8HPclTI/AAAAAAAAAPw/-TXHMeX0NG0/s400/Beach+happy.jpg" border="0" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5253812836900836658" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#3366ff;"&gt;Enquanto um enorme russo chamado Vladimir com mãos admiráveis e pujantes faz-me uma massagem profunda às costas. Ooh, da, é mesmo nesse sítio. A fazer desaparecer todas as dores e tensão acumuladas ao longo dos anos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ele diz-me só no seu sotaque de Europa do Leste:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-- Camarada, saber qual ser a melhor piada que Deus dar-nos? Que ser mais doce que mel? É que nada dura para sempre.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu concordei silenciosamente, e deixei-me ir com o murmurar das ondas do oceano, embalado pelo risos azuis turquesa dum céu sereno que nunca acabava.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Abri os olhos outra vez, deitado de cara para o chão, ouvindo os carros a passar na estrada, o cheiro a gasolina queimada, as cigarras a cantarolar obsessivamente por sexo, a brisa dum Verão tímido a soprar apertadamente com a passagem dum minuto interminável atrás do outro, enquanto que a minha respiração leve como uma baleia a nadar na água cascava completamente fora de ritmo com o resto da máquina citadina. O granito do chão estava frio, um arrepio percorreu-me todo desde a base da espinha até às gengivas, fazendo-me sentir cada forma de vida num raio dum quilómetro, as vibrações dos passos minúsculos de um carreiro de formigas ao pé de mim, as folhas a amadurecerem nos ramos das árvores, os chutos contínuos duma bola de futebol velha contra a parede por um puto ranhoso qualquer.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Estás a ver aqueles momentos mágicos súbitos de lucidez absoluta...? Em que de repente tudo faz sentido, e consegues ter consciência de cada pormenor dentro de ti e à tua volta, desde os trilhos menos usados das tuas memórias ao caminho preciso a prosseguir no futuro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Parecia que tinha sido inebriado por uma onda de anestesia inconsciente invisível que se espalhava como um incêndio selvagem sobre as artérias das ruas e avenidas, pelos prédios e através das entranhas de cada pessoa, num constante ciclo de evasão à dor, escorrendo duma forma tão espessa pela terra que até se sentia no ar o cheiro a ferro a sangrar, deixando-me insensível dum modo absoluto que eu já nem me importava com o facto insignificante de estar caído no chão feito num oito...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Estava tudo bem. Como um caule de bambu solitário a cair no meio da floresta imensa que não existe. Como um sem-abrigo morto no passeio que ninguém vê. Sentia-me expurgado de todo o veneno que me deixava em baixo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E é esse o simples segredo para uma vida feliz.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Abre o coração ao consciente colectivo da cidade, e deixa toda a loucura e indiferença em massa curar-te...&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;strong&gt;Os cínicos chamam a isso crescer...&lt;br /&gt;Mas já não ouço mais a voz dela a gritar que eles estão errados...&lt;br /&gt;Só que gostava. Gostava mesmo.&lt;/strong&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nuvens encrespadas ofuscaram os raios do sol, tapando o céu azulado, cobrindo a rua dum tom pardo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Enfim, enfim, como ninguém ia parar para me ajudar nem que esperasse sentado durante cem anos, levantei-me sozinho e sacudi a poeira da roupa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Apalpei os ossos e fiquei contente por não estar partido em estilhaços ou ter algo deslocado numa direcção completamente errada. Só uns arranhões e nódoas negras.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Yay, tou fino!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Enfim, decidi então acabar o meu passeio, arrastando a minha bicicleta de lado, enquanto manquejava um bocado duma perna. Meti o raio da bike dentro da garagem privada lá do bairro e voltei depois para casa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Subi as escadas todas até o telhado do meu prédio para fazer ainda alguns flexões e abominais. Hoje devo andar com a mania que sou o Rocky Balboa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Bah.... Mas vou sempre abaixo quando chego a meia centena... Até uma modelo meio anoréctica faz mais repetições que eu...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sinceramente, eu odeio fazer exercício. É mais chato que aturar um parente realmente velho e senil que nunca gostou de nós e não nos vai deixar nada na herança.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Enfim vou terminar com as elevações do costume e depois tomar um banho quentinho. Agarrei-me ao parapeito alto da janela do telhado e fui levantando o corpo para cima, sentindo os músculos dos braços a queimar, o suor a escorrer lentamente pelo pescoço abaixo e a encharcar-me as costas...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sabes... com o passar do tempo, o peso que um homem carrega torna-se parte do seu próprio peso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É por isso que ser um rapaz inconsciente rula tanto! Nascido livre, vivendo sempre sem hesitações para um dia explodir num acidente rodoviário num milhão de pedaços pequeninos irreconhecíveis sem arrependimentos. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Respirei fundo, e decidi largar as mãos do parapeito, deixando-me cair no chão devagar, como uma tonelada de algodão doce.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aah, é realmente a única razão decente pra mexer-me, não é por ser saudável, não é pelo culto do corpo, nem sequer porque é divertido. É pelas endorfinas. Para afundar-me neste estado de bem estar em que estamos a flutuar num mar de emoções esvaziadas, e que deixamos de simplesmente pensar. Nada melhor que estimular nos nossos miolos os mesmos receptores de opiáceos sem gastar um cêntimo, nem ter de ir fazer uma visita a um dealer gorduroso que grama enfiar um taco de basebol portentoso pelo cú acima de clientes marotos que não lhe pagam.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Desço então para o meu andar, ligo o gás, vou para a casa de banho despir-me, e estava a meter-me no chuveiro, quando subitamente ouço o telemóvel a tocar. Saio outra vez e vou atendê-lo chateado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-- Tou.... O que é que se passa pá?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-- Sou eu.  – responde o meu amigo o Rapaz-Mocado. Com um camandro, não me apetecia mesmo aturar hoje o morcão. Aposto que vai me pedir um favor ou dinheiro emprestado....&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-- Fantástico. O que é que tu queres?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-- Hmm, estavas a fazer alguma coisa de jeito? -- O tipo desde que descobriu o maravilhoso mundo da ganza há uns tempos, anda a ficar muito encravado da cabeça. No entanto, não o consigo censurar muito, visto que se perdesse o amor da minha vida ou coisa que o valha como ele, já me tinha metido em coisas bem mais pesadas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-- Não, não... Nada. – resmunguei eu cada vez mais impaciente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-- Então olha, queres vir hoje à noite para uma road trip? Vamos acampar!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-- Hmm... à última da hora? Sem nada planeado? Ok, parece-me bem. -- Eu fiquei mais emocionado, uma aventura imprevisível maluca promete sempre momentos divertidos duma estupidez exacerbada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-- Vai ser mesmo porreiro. Vamos ter com umas colegas e passamos uns bons dias no parque de campismo e na praia... E se aquilo não prestar pudemos sempre ir à noite entreter-nos nos bares, assediar umas camones e comer muito mexilhão, huh que tal...?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-- Estou nessa, pá. E para que sítio é que vamos?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-- Lá em baixo. Para a Lagoa. – Mal ele disse isso, senti outra vez a velha sensação insuportável a déjà vu a electrocutar a minha mente toda.&lt;br /&gt;Recordei-me subitamente duma série de convites, e planos de Verão todos para o mesmo destino. Fragmentos de memória como Polaroids mal reveladas. E eu já tinha queimado essas fotos todas em cinzas para puder voltar a reencontrar o meu velho ego. O cabrão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-- Huh... eu...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-- Prepara a mochila, que passo ai daqui a uma hora.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-- Não espera. – disse eu atordoado -- Lembrei-me que já tenho uma cena marcada hoje, e não posso ir.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-- A sério? Não podes desmarcar para outro dia?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-- Não. É impossível.  Mas não interessa, também ir para esse cu de judas e aturar certas pessoas da escola outra vez... era o que faltava. Xau, tenho de ir.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-- Pronto, pronto. Tu é que sabes. Adeus. – ele ficou meio espantado, mas não retorquiu nenhum comentário e desligou.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Atirei o telemóvel para o lado, e nem considerei voltar atrás. Queria lá saber se noutra realidade houvesse uma cópia minha que tivesse ido numa road trip catita. Podia distrair-me em Lisboa de maneiras melhores. Há tantos espaços urbanos misteriosos ainda para explorar e pessoas interessantes para chatear e gozar de graça.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fui para o duche e fiquei debaixo da cascata de água morna durante uma eternidade, um rio inteiro a escorrer pelos cabelos e cara abaixo, deixando toneladas sobre toneladas de água passar pelo meu corpo, mas por muito que me lavasse não conseguia livrar-me desta infecção podre dentro de mim.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Bazei do chuveiro finalmente, e fui-me vestir para o quarto. Só que não sei porquê, não conseguia ficar sossegado. Precisava de sair de casa outra vez. Sim... era isso... já sei o que tinha a fazer esta noite...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Passei só primeiro pelo armário de ferramentas, peguei num martelo, meti-o dentro do bolso do casaco e fui para a rua.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E assim vagueei o bairro à procura daquele gang de mitras que já tinham atormentado demasiados miúdos para o meu gosto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/19556454-448352029277222700?l=monstrodesalmado.blogspot.com'/&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="feedflare"&gt;
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&lt;/div&gt;</description><link>http://monstrodesalmado.blogspot.com/2008/10/nunca-tiveste-aqueles-momentos-de.html</link><author>noreply@blogger.com (O Rapaz Imaginario)</author><media:thumbnail url="http://2.bp.blogspot.com/_n0rUSXfEAU8/SOlKz1efR6I/AAAAAAAAAPo/q8M7NVDoI2U/s72-c/mickey+underwear.jpg" height="72" width="72" /><thr:total xmlns:thr="http://purl.org/syndication/thread/1.0">0</thr:total><enclosure url="http://www.deezer.com/embedded/small-widget-v2.swf?idSong=954141&amp;amp;colorBackground=0x555552&amp;amp;textColor1=0xFFFFFF&amp;amp;colorVolume=0x00C7F2&amp;amp;autoplay=0" length="92118" type="application/x-shockwave-flash" /><media:content url="http://www.deezer.com/embedded/small-widget-v2.swf?idSong=954141&amp;amp;colorBackground=0x555552&amp;amp;textColor1=0xFFFFFF&amp;amp;colorVolume=0x00C7F2&amp;amp;autoplay=0" fileSize="92118" type="application/x-shockwave-flash" /></item><item><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-19556454.post-5307679199087628710</guid><pubDate>Thu, 18 Sep 2008 13:07:00 +0000</pubDate><atom:updated>2008-09-19T22:03:50.426+01:00</atom:updated><category domain="http://www.blogger.com/atom/ns#">black dog</category><category domain="http://www.blogger.com/atom/ns#">telheiras</category><category domain="http://www.blogger.com/atom/ns#">alucinados</category><title>O Princípio do Fim Do Princípio Daquela Mágoa Familiar: Parte I</title><description>&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#3366ff;"&gt;&lt;em&gt;O meu pai uma vez contou-me das suas viagens pelo interior rural asiático quando era jovem. E por nenhuma razão especial começou a falar sobre um sítio que ele nunca conseguiu esquecer. Era no meio das montanhas esquecidas da Província de Shandong, onde existia um antigo templo budista com um jardim solitário. E nesse preciso jardim com as flores de lótus mais tenras alguma vez tocadas por mãos humanas jazia uma pedra milenar meia coberta de musgo com o seguinte provérbio Zen:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"A dor é inevitável. O sofrimento é opcional.”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas mesmo assim a pedra não deixou de ficar lentamente enegrecida com o passar dos tempos pelas lágrimas de demasiadas almas amarguradas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Cabrão do calhau...&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://2.bp.blogspot.com/_n0rUSXfEAU8/SNJSuPCZwHI/AAAAAAAAALE/a6grGmdRUfs/s1600-h/Zen+temple+garden.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;" src="http://2.bp.blogspot.com/_n0rUSXfEAU8/SNJSuPCZwHI/AAAAAAAAALE/a6grGmdRUfs/s400/Zen+temple+garden.jpg" border="0" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5247347470104117362" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="color:#ff6600;"&gt;Há Um Mês Antes...&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Tarde de quinta feira, fui dar umas voltas vigorosas pelo bairro fora na minha bicicleta alemã ultra old-school. Telheiras City estava vazia de carros, com muitos cafés e lojas fechadas para férias, ocupada só com uns quantos pássaros e cigarras bêbadas a cantarem nas árvores pelas ruas, enquanto sobre a minha cabeça flutuava um céu azul incrível, onde brilhava um sol torrado ameno que não queimava muito, sob o qual é tão agradável ficar de olhos fechados deitado num relvado qualquer e apreciar a alegria de estarmos genuinamente vivos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Às vezes é tão fácil escorregarmos na fossa sem saída de procurarmos desesperadamente algo que nos liberte, como se fosse preciso realmente um factor externo para justificarmos a nossa própria felicidade. Uma espécie de Messias Pessoal tm para meter as nossas vidas em ordem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Só que no fundo as coisas não têm de ser sempre perfeitas, justas ou divertidas, mas simplesmente são o que são...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Já dizia o manhoso filósofo Jagger:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="color:#33cc00;"&gt;You can't always get what you want&lt;br /&gt;But if you try sometimes you might find&lt;br /&gt;You get what you need…&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ah, pois, se abre um bocado a nossa perspectiva pitosga, lá isso abre.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Afinal, quem é que quer mesmo saber do amor das nossas vidas, se tivermos numa limusina portentosa com cocaína e groupies em excesso, e formos jovens para fazer o que nos der na gana?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nem tu, nem ninguém, a não ser.......&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Huh....&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Lembrei-me de alguém, e suspirei disperso num mar de memórias turvas. Não queria pensar nisso. Quando dei por mim, vi que tinha fechado as mãos com tanta força no guiador, que fiquei com os nós dos punhos brancos e já nem sentia sequer os dedos... Travei então as rodas da bicicleta e parei ao pé do jardim do metro, para descansar também os músculos das pernas que já começavam a latejar ardentemente. Sentei-me num banco, saboreando o vento vivo que soprava por entre as folhas das árvores e acariciava duma forma apaziguadora as lâminas de relva como um amante malandro antes de metê-lo no cano de trás duma miúda reticente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;À minha frente passa então um velho de sessenta anos, de cabelo desgrenhado e camisa desabotoada, meio a coxear pelo pavimento, e vai se encostar sozinho a um candeeiro de rua. Tira do bolso um walkman e um par de headphones, mete-os na cabeça e carrega no play. E de repente assim do nada, começa a movimentar os braços mecanicamente como se estivesse a fazer robot dancing. Vira os antebraços paralelamente, depois o tronco para o lado, revirando as articulações todas do corpo dum modo independente. E continua a dançar durante uns minutos, até que subitamente cessa os seus movimentos, fazendo robot shut down, e fica parado durante uns segundos provavelmente com o ritmo da música que ouvia...  um silêncio estático de fazer o cabelo e os pêlos púbicos levantarem percorreu o pátio do jardim... e no momento seguinte ele a reinicia o motor gloriosamente com o power todo, enquanto eu fico parvo a olhar para ele sem saber o que dizer. Ele não estava a mendigar, nem a exibir-se-- estava a dançar simplesmente porque sim...&lt;br /&gt;Pergunto-me que música fenomenal de disco fever de derreter o coração e incendiar as entranhas é que ele estaria a ouvir para dançar daquela maneira....?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Hm.... Provavelmente “Hot Stuff” da senhora Donna Summer.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;object width="425" height="344" align="justify"&gt;&lt;embed src="http://www.youtube.com/v/mRwjYZzvGkY&amp;amp;hl=en&amp;amp;fs=1" type="application/x-shockwave-flash" allowfullscreen="true" width="425" height="344"&gt;&lt;/embed&gt;&lt;/object&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ou talvez não.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O homem depois parou finalmente com a sua manifestação física dos seus sentimentos profundos ao mundo, (seja eles quais forem, mas sempre expressos cheios de doce amor robô pra dar e vender), continuando o caminho em direcção à estação do metro como se nada tivesse acontecido.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu encolhi os ombros, e meti-me outra vez na minha bicicleta, pedalando rua abaixo. Já nada me espantava em Telheiras City.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Contornei o teu antigo prédio, não havia ninguém à vista a não ser um brasileiro ao telemóvel a falar lascivamente com alguém em voz alta, como se toda gente da rua quisesses ouvir a conversa dele, e ao passar pelos arredores do colégio alemão, vi uns putos mitras a libertarem as suas frustrações, empurrando um rapazinho franzino dum lado para o outro como uma boneca de trapos, e a gozar com ele à força toda. Estes gangs de miúdos ficavam na cidade a maior parte do Verão, e sem professores para espancar, contentavam-se com o peixe miudinho que caía à rede. Fechei os olhos, não me apetecia mais interferir nos assuntos dos outros e prossegui caminho. Se uma certa pessoa acha que sou um monstro egoísta, então é porque sou se calhar mesmo. Além disso um só aprende a tornar-se mais forte através da dor. E só assim é que se sobrevive neste mundo darwinista de cão come cão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sentia o olhar desaprovador de alguém nas minhas costas, e por uns instantes estive quase pra voltar atrás, só que ignorei completamente esse anseio.&lt;br /&gt;Mordi os lábios, e pedalei, pedalei, pedalei o mais depressa que podia, tomando outra vez o caminho para casa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E estava eu calmamente a virar uma esquina quando de repente avisto alguém no canto do olho. Uma silhueta tão familiar... Como se fosse uma cena duma cassete vídeo rebobinada centenas de vezes até a imagem ficar cheia de ruído e desmagnetizada nos confins esquecidos do Rio de Electrões. Ah... era ela... acho eu... há tantos anos... uma mulher de óculos escuros a passear o seu labrador.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu não sou um cão. Eu não sou um cão. Eu não sou um cão.&lt;br /&gt;Eu não sou um cão. Eu não sou um cão. Eu não sou um cão.&lt;br /&gt;Eu não sou um cão. Eu não sou um cão. Eu não sou um cão.&lt;br /&gt;Eu não sou um cão. Eu não sou um cão. Eu não sou um cão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Só um cão não consegue deixar de salivar quando vê a sua dona na cozinha a abrir as compras.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Só um cão para estar feliz em ver a sua dona depois de ela o ter deixado num canil sobrelotado o Verão inteiro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://2.bp.blogspot.com/_n0rUSXfEAU8/SNJS72V-unI/AAAAAAAAALM/a0mTvndyesE/s1600-h/Pavlov+Dog.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;" src="http://2.bp.blogspot.com/_n0rUSXfEAU8/SNJS72V-unI/AAAAAAAAALM/a0mTvndyesE/s400/Pavlov+Dog.jpg" border="0" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5247347703993514610" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu tenho uma escolha.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu posso desviar o olhar para o lado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu consigo ignorar este impulso condicionado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sou melhor do que isto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não é o que dizemos sempre a nós próprios sozinhos antes de fazermos o maior erro das nossas vidas? Tipo a mãe boazona do nosso melhor amigo... hmmm....&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas eu fitei-a à mesma...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sou mesmo um cromo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E pressenti o tempo a parar, o coração a bater mais depressa, a boca a ficar seca como serradura, um frio antárctico a percorrer-me o corpo, e uma dor de cabeça do catano por causa do sangue todo a escorrer lá para baixo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não me consegui conter...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Porque quando revejo aqueles contornos imperfeitos, aqueles lábios de sorriso difícil, aquele andar tão seguro e ao mesmo tempo disfarçadamente desajeitado como uma miúda que usa saltos altos pela primeira vez, nem sei o que pensar...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sinto-me um ex-heroínado hardcore finalmente sóbrio há anos... mas que um dia encontra a sua antiga dealer num McDonald’s e ela oferece-lhe uma mala cheia de todas as amostras grátis do mundo para reviver os bons velhos tempos...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ouvi outra vez ecos longínquos a soarem pelos corredores da minha memória.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ela não me tinha visto, avançando pela rua acima, com o cão dela. Um golden retriever tão lindo que parecia irreal.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Hmm...?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um golden retriever...?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pisquei os olhos e reparei então que o cão tinha mudado...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A sensação intensa de déjà vu estava a matar-me.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não pode ser... era aquele cão preto... não....&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Só flashes a explodirem no meu subconsciente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O cão da rapariga era mesmo um Pitbull Terrier...!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;object width="425" height="349" align="justify"&gt;&lt;embed src="http://www.youtube.com/v/JdRPRvhXSCo&amp;amp;hl=en&amp;amp;fs=1&amp;amp;border=1" type="application/x-shockwave-flash" allowfullscreen="true" width="425" height="349"&gt;&lt;/embed&gt;&lt;/object&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ela desaparece então como por magia ao contornar por detrás do tronco duma árvore... sem deixar rasto de que alguma vez existiu.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nesse instante voltei a minha atenção para o que se encontrava à minha frente, observando um carro preto a acelerar a toda a velocidade como se estivesse a fugir da polícia, com uma mala cheia de dinheiro roubado ao fundo de caridade para órfãos abusados e ainda por cima uma mulher raptada a entrar em trabalho de parto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E para mal dos meus pecados estava a dirigir-se violentamente na minha direcção...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Oh raios...&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/19556454-5307679199087628710?l=monstrodesalmado.blogspot.com'/&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="feedflare"&gt;
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&lt;/div&gt;</description><link>http://monstrodesalmado.blogspot.com/2008/09/o-princpio-do-fim-do-princpio-daquela.html</link><author>noreply@blogger.com (O Rapaz Imaginario)</author><media:thumbnail url="http://2.bp.blogspot.com/_n0rUSXfEAU8/SNJSuPCZwHI/AAAAAAAAALE/a6grGmdRUfs/s72-c/Zen+temple+garden.jpg" height="72" width="72" /><thr:total xmlns:thr="http://purl.org/syndication/thread/1.0">1</thr:total></item><item><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-19556454.post-8499813153326193041</guid><pubDate>Wed, 17 Sep 2008 22:45:00 +0000</pubDate><atom:updated>2008-09-19T21:08:53.177+01:00</atom:updated><category domain="http://www.blogger.com/atom/ns#">interlúdios</category><title>Um Doppelgänger Fora De Contexto?</title><description>&lt;div align="justify"&gt;Saí hoje do meu “loft” espaçoso em Arroios, que era o hang out do costume da malta, depois de mais um dia de trabalho. Estava uma tarde agradável, e decidi dar uma volta antes de regressar a Telheiras City.  &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ando meio ocupado com um projecto cinematográfico parvo este mês, nada de especial, e estou a cruzar os dedos para algo de bom sair disto, porque às vezes nem toda a determinação, talento e sabedoria nos acudam (não que eu possua em fartura alguma dessas qualidades), se não tivermos um bocadinho de sorte...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Realmente nada melhor que estarmos imersos num trabalho pelo qual achamos profundamente apaixonante. É uma distracção tão apaziguante que nos faz esquecer todas as outras preocupações, e o coração deixa simplesmente de se queixar. Como o meu velho diz sempre, se encontrares algo que gostas mesmo de fazer, nunca mais vais sentir que estás a trabalhar na vida. Mas tal como o amor, essa teoria desfaz-se logo quando há falta crónica de dinheiro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Enfim, eram já seis da tarde, e estava a caminhar depressa para o metro na Avenida Almirante Reis quando sinto o cheiro intenso &lt;strong&gt;&lt;em&gt;a qualquer coisa a arder no ar&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;... como se alguém tivesse assado demasiado um naco de carne... reparo ao longe numa miúda morena de olhar demasiado sério a andar toda desconjuntada, de queixo meio descaído e braços tortos, que me causava uma vontade instintiva incrível de ir-lhe pregar-lhe uma rasteira só para vê-la cair e partir-se toda. Lá porque estamos mais velhos não significa que certas atitudes sádicas dos tempos queridos da primária se desvaneçam por completo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas apesar do seu aspecto inofensivo, tinha o feeling terrível que ela era no fundo um fogo selvagem que podia deixar em chamas seja quem for que se aproximasse dela. Capaz de queimar o juízo até à alma mais razoável.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://1.bp.blogspot.com/_n0rUSXfEAU8/SNJK1EgMq3I/AAAAAAAAAK8/PS-I1_FUR_g/s1600-h/Hellblazer+Fire.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;" src="http://1.bp.blogspot.com/_n0rUSXfEAU8/SNJK1EgMq3I/AAAAAAAAAK8/PS-I1_FUR_g/s400/Hellblazer+Fire.jpg" border="0" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5247338791442361202" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No entanto isso não me tirava a vontade de atirar-lhe um balão de água à cara e encharcá-la até aos ossos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E então apercebi-me da razão desse desejo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Era porque fazia lembrar-me uma certa badalhoca.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Hmm, andava tão entretido que não pensava nela há um mês. Encolhi os ombros... Também não tinha um motivo particular para isso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Só se ganhasses subitamente o euromilhões, então sim, nunca mais te largava. Por favor, financia-me isto, é para o bem da arte, da Humanidade e tudo o resto...!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pergunto-me o que é que estarias a tramar? Será que estavas bem...?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ah, não que eu esteja muito preocupado. Não é como se tivesses perdido uma perna ou a sofrer de Creutzfeldt-Jakobs como uma vaca louca, o máximo que te acontece de vez em quando é sentires-te meio frita da cabeça como toda gente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Talvez volte a escrevinhar-te alguma história mais ou menos divertida. Porque fazer algo mais... bem, amanhã será um novo dia... depois logo se vê.  &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vi a Rapariga Doppelgänger desaparecer pela avenida abaixo e decidi que estava mesmo a precisar agora duma distracção mais potente... onde é que será a festa de faculdade com música de anos 80 mais próxima...?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Há tanto tempo que não danço “Where is my man”... Rrrrr.....&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;object width="425" height="344"&gt;&lt;param name="movie" value="http://www.youtube.com/v/R5m88CoGLno&amp;amp;hl=en&amp;amp;fs=1"&gt;&lt;param name="allowFullScreen" value="true"&gt;&lt;embed src="http://www.youtube.com/v/R5m88CoGLno&amp;amp;hl=en&amp;amp;fs=1" type="application/x-shockwave-flash" allowfullscreen="true" width="425" height="344"&gt;&lt;/embed&gt;&lt;/object&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/19556454-8499813153326193041?l=monstrodesalmado.blogspot.com'/&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="feedflare"&gt;
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&lt;/div&gt;</description><link>http://monstrodesalmado.blogspot.com/2008/09/um-doppelgnger-fora-de-contexto.html</link><author>noreply@blogger.com (O Rapaz Imaginario)</author><media:thumbnail url="http://1.bp.blogspot.com/_n0rUSXfEAU8/SNJK1EgMq3I/AAAAAAAAAK8/PS-I1_FUR_g/s72-c/Hellblazer+Fire.jpg" height="72" width="72" /><thr:total xmlns:thr="http://purl.org/syndication/thread/1.0">0</thr:total></item><item><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-19556454.post-1695008197835366639</guid><pubDate>Fri, 29 Aug 2008 01:55:00 +0000</pubDate><atom:updated>2008-08-29T14:20:03.223+01:00</atom:updated><category domain="http://www.blogger.com/atom/ns#">alucinados</category><category domain="http://www.blogger.com/atom/ns#">memórias</category><title>A Alma Gémea Do Outro Lado Do Espelho</title><description>&lt;div align="justify"&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://3.bp.blogspot.com/_n0rUSXfEAU8/SLdXPF1B1XI/AAAAAAAAAKs/16xP-02ZgDI/s1600-h/v-for-vendetta+room.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;" src="http://3.bp.blogspot.com/_n0rUSXfEAU8/SLdXPF1B1XI/AAAAAAAAAKs/16xP-02ZgDI/s400/v-for-vendetta+room.jpg" border="0" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5239752608243111282" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Estava a fazer arrumações ao quarto quando encontro no fundo do armário uma data de tralha empacotada que não é minha, e um caderninho preto amarrotado do meu mano mais velho. Há uma eternidade que não pensava no tipo...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Como se tivesse sofrido duma amnésia selectiva estilo aquele filme marado do Eternal Sunshine, e uma pessoa deixasse de efectivamente existir na realidade quando a lembrança dela na nossa mente se apaga.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Não, nunca o conheceste... Não te esquecias dele se o tivesses encontrado. Porque ia de certeza gozar a torto e a direito contigo, principalmente com uma pita marreca que pensa que percebe o coração de toda gente, quando mal governa as suas tripas a maior parte das vezes. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas quando se orienta...  faz-me sentir que está tudo bem com o mundo. E as coisas vão correr lindamente a sério.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ou quase.  &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Hmm, quem era ele realmente perguntas tu? &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O meu Big Brother...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não faço ideia... Provavelmente nunca o soube...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se é que é interessa a alguém, a única coisa que sei dizer é que o livro preferido dele era o V-Vendetta.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ele relia-o todos os meses.  Dizia que se identificava com o anti-herói da história. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;E a música favorita dele: &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Everybody's got to learn sometime” dos Korgis.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Tão lamechas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;object width="425" height="349"&gt;&lt;embed src="http://www.youtube.com/v/UOqXy64-hTw&amp;amp;hl=en&amp;amp;fs=1&amp;amp;border=1" type="application/x-shockwave-flash" allowfullscreen="true" width="425" height="349"&gt;&lt;/embed&gt;&lt;/object&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;É engraçado as pequenas recordações que ficam das pessoas que nos são supostamente queridas quando passa demasiado tempo. Acabam por parecer tão insignificantes. As cenas realmente importantes que devíamos reter desvanecem-se gradualmente, por muito que tentemos agarrar-nos a elas, tornando-se em memórias das memórias, depois numa vaga imagem aproximada disso, até que no fim desaparecerem por completo e não resta nada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Que puta de vida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Suspiro e folheio meio tristemente o caderno dele quando paro numa página amarelada: &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;"Eu leio poesia quando estou doente da alma, tomo psicotrópicos quando estou mal da cabeça, e vou às afters quando o meu corpo está tenso, e.... sobrevivo... mas será que existe alguma cura para um coração partido?"&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Ya, existe." &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:180%;"&gt;"Vingança."&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;p align="justify"&gt;Ele era tão feliz mas... ah... usava só máscaras... só máscaras... &lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;todos os dias.  &lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;...E não me apetece mais falar agora desse cabrão.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://3.bp.blogspot.com/_n0rUSXfEAU8/SLdXYanEh6I/AAAAAAAAAK0/Mn7Bhac3Rfc/s1600-h/v-for-vendetta-movie.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;" src="http://3.bp.blogspot.com/_n0rUSXfEAU8/SLdXYanEh6I/AAAAAAAAAK0/Mn7Bhac3Rfc/s400/v-for-vendetta-movie.jpg" border="0" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5239752768440534946" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/19556454-1695008197835366639?l=monstrodesalmado.blogspot.com'/&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="feedflare"&gt;
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&lt;/div&gt;</description><link>http://monstrodesalmado.blogspot.com/2008/08/alma-gmea-do-outro-lado-do-espelho.html</link><author>noreply@blogger.com (O Rapaz Imaginario)</author><media:thumbnail url="http://3.bp.blogspot.com/_n0rUSXfEAU8/SLdXPF1B1XI/AAAAAAAAAKs/16xP-02ZgDI/s72-c/v-for-vendetta+room.jpg" height="72" width="72" /><thr:total xmlns:thr="http://purl.org/syndication/thread/1.0">1</thr:total></item><item><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-19556454.post-5598621418464063385</guid><pubDate>Fri, 08 Aug 2008 17:36:00 +0000</pubDate><atom:updated>2008-08-08T23:08:42.694+01:00</atom:updated><category domain="http://www.blogger.com/atom/ns#">interlúdios</category><category domain="http://www.blogger.com/atom/ns#">livros</category><title>Words From A Wise Ass, Liar and Fool</title><description>&lt;p&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://4.bp.blogspot.com/_n0rUSXfEAU8/SJyETL_V6uI/AAAAAAAAAKk/yHJBZaf7wrA/s1600-h/hellblazer+john+constantine.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;" src="http://4.bp.blogspot.com/_n0rUSXfEAU8/SJyETL_V6uI/AAAAAAAAAKk/yHJBZaf7wrA/s400/hellblazer+john+constantine.jpg" border="0" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5232202332268522210" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/p&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;You surround yourself with other people&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;so the night doesn't quite seem so dark.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Shout down the sound of the wind&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;with arguments about whose turn it is to wash the dishes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Best not to kid yourself.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Best not to give any hostages to fortune.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;You're on your own in the end.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Always.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Where the hell else would you want to be?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;John Constantine&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Viro a página final da novela Hellblazer, em que o protagonista&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;depois de ter exorcizado os seus demónios interiores&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;e derrotado todos os seus antagonistas infernais,&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;acaba sozinho num café da cidade a fumar um cigarro,&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;incapaz de saborear a sua vitória devido a tudo que já perdeu.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fecho o livro, afundo-me no sofá da sala e fico&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;a reflectir nas últimas palavras cínicas do protagonista.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Caralho, mas que fim mais anti-climáctico,&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;ainda bem que a vida não é assim...,&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;ou tens uma outra opinião?&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/19556454-5598621418464063385?l=monstrodesalmado.blogspot.com'/&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="feedflare"&gt;
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&lt;/div&gt;</description><link>http://monstrodesalmado.blogspot.com/2008/08/words-from-wise-ass-liar-and-fool.html</link><author>noreply@blogger.com (O Rapaz Imaginario)</author><media:thumbnail url="http://4.bp.blogspot.com/_n0rUSXfEAU8/SJyETL_V6uI/AAAAAAAAAKk/yHJBZaf7wrA/s72-c/hellblazer+john+constantine.jpg" height="72" width="72" /><thr:total xmlns:thr="http://purl.org/syndication/thread/1.0">0</thr:total></item><item><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-19556454.post-4856581333482919877</guid><pubDate>Sat, 12 Jul 2008 17:36:00 +0000</pubDate><atom:updated>2008-07-12T18:49:11.150+01:00</atom:updated><category domain="http://www.blogger.com/atom/ns#">black dog</category><category domain="http://www.blogger.com/atom/ns#">velhice</category><title>Aquela Velha Cara Familiar No Espelho</title><description>&lt;div align="justify"&gt;Levantei-me e olhei-me no espelho do lavatório durante um bocado. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Julguei ver durante uns instantes...&lt;span style="font-size:130%;"&gt; &lt;strong&gt;&lt;span style="color:#000000;"&gt;um cão negro&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt; no meu reflexo. Mas foi só impressão minha. Esfreguei os olhos e lavei o rosto. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://bp1.blogger.com/_n0rUSXfEAU8/SHjrq8vUGLI/AAAAAAAAAKc/QOQdo0Cpz3o/s1600-h/Dog+Mirror.JPG"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;" src="http://bp1.blogger.com/_n0rUSXfEAU8/SHjrq8vUGLI/AAAAAAAAAKc/QOQdo0Cpz3o/s400/Dog+Mirror.JPG" border="0" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5222182891027699890" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Como é que era aquele grande provérbio chinês ancestral? &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Cabelos grisalhos não significam mais Juízo, apenas que estás mais podre.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Concordo plenamente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fiquei um ano mais velho.  &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Hmm, não me sinto particularmente diferente. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Bom, pelo menos ao contrário de ti, como felizmente sou gajo, nunca terei de me preocupar com a gravidade, e de me esforçar para ficar melhor nas fotos do álbum pessoal ou do Myspaces e Hi5s, essas obras do diabo.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Mas sei que me apetecia desta vez algo mais que um jantar parvo com os suspeitos do costume.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Algo que me curasse a minha melancolia tão cool encharcada de excitação.&lt;br /&gt;Como entrincheirar-me num quarto de motel com a puta brasileira mais experiente da cidade, uma garrafa de vodka soviético, enquanto ouço a voz rouca da Sade, a cantar Smooth Operator!! Tão suave é ele a operar!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;object width="425" height="349"&gt;&lt;param name="movie" value="http://www.youtube.com/v/efdfGeUKXuU&amp;amp;hl=en&amp;amp;fs=1&amp;amp;border=1"&gt;&lt;param name="allowFullScreen" value="true"&gt;&lt;embed src="http://www.youtube.com/v/efdfGeUKXuU&amp;amp;hl=en&amp;amp;fs=1&amp;amp;border=1" type="application/x-shockwave-flash" allowfullscreen="true" width="425" height="349"&gt;&lt;/embed&gt;&lt;/object&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ou se calhar não. Tenho outros planos divertidos. Mesmo que não envolvam alguma pita tarada com problemas de coração profundamente duvidosos... ah, isso vai ficar para outro ano, num tempo mais gentil e meigo em que precise de agitar as coisas e andar à porrada com o mundo para não morrer de tédio. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Enfim, espero que estejas a passar um verão indecentemente delicioso de refrescar a alma e de queimar o corpo. Se por acaso não, faz como o MacGuyver e desenrasca-te sozinha. Às vezes é só preciso uma palhinha dum pacote de bongo e um tampão usado para ser-se livre duma morte lenta e dolorosa. Agora como, não faço ideia. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Comi qualquer coisa, saí de casa e fui dar uma volta matinal pelo bairro para esticar as pernas. Sinto que é hoje que eu vou encontrar uma personagem feliz do meu passado, ou um tipo do futuro e tenhamos a conversa mais fascinante da minha vida. Algum dia isso há de acontecer inevitavelmente. E estou a cruzar os dedos para que possa chulá-lo um portentoso almoço num rodízio...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/19556454-4856581333482919877?l=monstrodesalmado.blogspot.com'/&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="feedflare"&gt;
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&lt;/div&gt;</description><link>http://monstrodesalmado.blogspot.com/2008/07/aquela-velha-cara-familiar-no-espelho.html</link><author>noreply@blogger.com (O Rapaz Imaginario)</author><media:thumbnail url="http://bp1.blogger.com/_n0rUSXfEAU8/SHjrq8vUGLI/AAAAAAAAAKc/QOQdo0Cpz3o/s72-c/Dog+Mirror.JPG" height="72" width="72" /><thr:total xmlns:thr="http://purl.org/syndication/thread/1.0">1</thr:total></item><item><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-19556454.post-2012520784505013976</guid><pubDate>Fri, 20 Jun 2008 11:52:00 +0000</pubDate><atom:updated>2008-06-20T13:24:29.702+01:00</atom:updated><category domain="http://www.blogger.com/atom/ns#">sonhos</category><category domain="http://www.blogger.com/atom/ns#">alucinados</category><category domain="http://www.blogger.com/atom/ns#">penguin</category><title>A ULTIMA MARCHA DOS PINGUINS: PARTE II</title><description>&lt;div align="justify"&gt;Depois do pequeno almoço, sentei-me na cama do meu quarto, mas sentia-me tão cansado que até me passou o sono, e assim liguei a televisão. Estava a dar desenhos animados, e fez-me lembrar aqueles nostálgicos sábados de manhã quando era puto em que acordava hiperactivamente logo às sete para fazer uma maratona de bonecos até à hora de almoço. Mas em vez do Dartacão, dos Transformers ou do Dragonball não parava de ver agora uma esponja amarela falante e aquele Noddy do caralho. Eu juro que isto torna até a criança mais sossegada numa louca furiosa psicótica. Depois admiram-se de haver muita violência escolar, sinceramente...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Corri os canais pela manhã fora quando parei num documentário da natureza... eh lá pinguins!&lt;br /&gt;Eu gosto de pinguins! Gosto muito. E até tinha aquele narrador de voz grave que retrata sempre a vida dos animais selvagens duma forma muito dramática...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="color:#3366ff;"&gt;“O pinguim imperador no início do Inverno antárctico tem de percorrer até 120 quilómetros de deserto de gelo para chegar às suas colónias em que fazem os ninhos, passando por um dos habitats mais extremos à face da terra onde nenhuma outra espécie consegue sobreviver, e temperaturas de 40 negativos são a norma.”&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;São tão hardcore o raio destes animais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://bp2.blogger.com/_n0rUSXfEAU8/SFuaGHgF1II/AAAAAAAAAKE/B9lybSK41Uc/s1600-h/March+of+the+penguins.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;" src="http://bp2.blogger.com/_n0rUSXfEAU8/SFuaGHgF1II/AAAAAAAAAKE/B9lybSK41Uc/s400/March+of+the+penguins.jpg" border="0" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5213930423495021698" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#3366ff;"&gt;&lt;em&gt;“Depois dos casais porem os ovos, o macho faz outra vez o longo caminho de volta para o oceano para se alimentar e armazenar reservas de energia. Pode demorar até 100 dias a regressar, até que troque finalmente com a fêmea no processo de incubação. Basta nesse momento o ovo tocar mais que dois segundos no gelo para a cria morrer congelada. As probabilidades de sobrevivência são tão baixas que também é só preciso um dos muitos predadores atacar um dos membros do casal durante a viagem ao oceano, para o ovo estar perdido naquele ano...”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;object width="425" height="349"&gt;&lt;embed src="http://www.youtube.com/v/s6wvOMFSY4M&amp;amp;hl=en&amp;amp;border=1" type="application/x-shockwave-flash" width="425" height="349"&gt;&lt;/embed&gt;&lt;/object&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Estes bichos têm uma vida mesmo lixada. Tadinhos. Continuei a ver o documentário mas estava a sentir os meus olhos a ficarem cada vez mais pesados, e bocejei  intensamente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="color:#3366ff;"&gt;“E um dos piores predadores do pinguim Imperador é o terrível urso polar. Apesar de conseguir facilmente escapar na água, sob o gelo, o pinguim com o seu andar desajeitado não tem a menor hipótese contra o maior carnívoro terrestre, acabando todas as suas tentativas de fuga duma forma patética entre os dentes ensanguentados do urso polar.”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;Imaginei-me no meio da planície antárctica, e de repente ouço os passos pesados a esmagarem o gelo atrás de mim, viro-me e deparo-me com o  urso polar mais feroz de sempre. Era uma fêmea enorme com patas capazes de desfazer um homem como um boneca de trapos, uma mandíbula possante de esmagar metal, e um focinho vermelho de sangue fresco...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas tinha os olhos escuros dela.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E naquele momento senti qualquer coisa a desfalecer dentro do meu coração ao perceber quem era realmente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tudo na vida tem a ver com atitude, e a minha atitude foi fugir em pânico como um pinguim perseguido por um urso polar esfomeado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://bp0.blogger.com/_n0rUSXfEAU8/SFuaQYhawsI/AAAAAAAAAKM/lSZCnAbO0F4/s1600-h/Courage+Penguin+Bear.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;" src="http://bp0.blogger.com/_n0rUSXfEAU8/SFuaQYhawsI/AAAAAAAAAKM/lSZCnAbO0F4/s400/Courage+Penguin+Bear.jpg" border="0" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5213930599862682306" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sim desatei a correr, mesmo sabendo que não tinha onde esconder-me, que mesmo que viajasse milhares de milhas de distância não conseguiria escapar, e iria acabar por tropeçar e ser trucidado vivo pelo meu próprio passado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ouvia a ursa polar cada vez mais próximo no meu encalço, o bafo nauseabundo quente a tocar-me nas costas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Suponho que não seja assim um cliché demasiado triste procurar conforto nos braços doutra pessoa, não é o que toda gente faz? Mas pressinto que é só uma desculpa pessoal para continuar a fugir...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E não apetecia mais fazer isso, já fiquei farto dessa atitude há muitos anos atrás. Por isso parei de correr e virei-me para trás, enfrentando a ursa polar decidido.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Porém ela não fez quaisquer cerimónias, olhou para mim sem qualquer sentido de misericórdia e começou a desfazer-me com as garras num monte de carne viva, arrancando pedaços dos meus braços com os dentes e estilhaçando-me os ossos em poeira, mas eu já nem me importava com nada e parei de me defender.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Até que no meio deste turbilhão de violência, lembrei-me subitamente dum pequeno facto irritante... Não existem ursos polares na Antárctica… eles estão separados dos pinguins a um hemisfério inteiro de distância...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A minha boca ficou seca, o coração parou e a imagem da ursa derreteu-se nos meus olhos como gelo ao sol...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Acordei outra vez no meu quarto, à frente do televisor ligado... Demorei algum tempo a voltar a conceber-me como um ser humano, visto que ainda sentia que tinha sido um pinguim uma vida inteira... era uma impressão latente que nunca me larga depois de ter passado pelas brasas e sonhado meio-acordado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Levantei-me, e fui lavar a cara à casa de banho. Quando voltei ao quarto, pensei como seria bom desertar para o outro lado do planeta, o mais longe possível e nunca mais regressar. Sim, para esquecer quem eu sou ao menos, e talvez passar os meus últimos dias numa felicidade ignorante tão desejada. Até que reparei no teclado do computador, ele estava a sorrir sarcasticamente para mim com todos os dentes, conhecendo no fundo o que eu iria fazer...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E começa a teclar no ecrã como se tivesse sido possuído por um demónio do Naked Lunch...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://bp1.blogger.com/_n0rUSXfEAU8/SFuaYLpQUUI/AAAAAAAAAKU/02yUn8abfTk/s1600-h/Naked+Lunch+Poster.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;" src="http://bp1.blogger.com/_n0rUSXfEAU8/SFuaYLpQUUI/AAAAAAAAAKU/02yUn8abfTk/s400/Naked+Lunch+Poster.jpg" border="0" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5213930733844844866" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#ff6600;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="color:#ff6600;"&gt;“Just remember this.&lt;br /&gt;All agents defect, and all resisters sell out.&lt;br /&gt;That's the sad truth, Bill.&lt;br /&gt;And a writer?&lt;br /&gt;A writer lives the sad truth like anyone else.&lt;br /&gt;The only difference is, he files a report on it.”&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ri-me do comentário sem piada dele, mas por algum motivo misterioso que desconheço e que me ultrapassa, acabei por sentar-me de qualquer das maneiras à frente do teclado... E comecei a escrever outra vez estes sonhos parvos para uma certa rapariga subnutrida da cabeça que de vegetariana não tem nada. &lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/19556454-2012520784505013976?l=monstrodesalmado.blogspot.com'/&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="feedflare"&gt;
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&lt;/div&gt;</description><link>http://monstrodesalmado.blogspot.com/2008/06/ultima-marcha-dos-pinguins-parte-ii.html</link><author>noreply@blogger.com (O Rapaz Imaginario)</author><media:thumbnail url="http://bp2.blogger.com/_n0rUSXfEAU8/SFuaGHgF1II/AAAAAAAAAKE/B9lybSK41Uc/s72-c/March+of+the+penguins.jpg" height="72" width="72" /><thr:total xmlns:thr="http://purl.org/syndication/thread/1.0">0</thr:total></item><item><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-19556454.post-2288743930455824767</guid><pubDate>Fri, 20 Jun 2008 02:14:00 +0000</pubDate><atom:updated>2008-06-20T04:09:39.682+01:00</atom:updated><category domain="http://www.blogger.com/atom/ns#">telheiras</category><category domain="http://www.blogger.com/atom/ns#">interlúdios</category><title>A ULTIMA MARCHA DOS PINGUINS: PARTE I</title><description>&lt;div align="justify"&gt;Voltei...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não acredito que voltei...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Que alívio...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Entrei em casa aos trambolhões, descalcei os meus ténis enlameados pela noite anterior, e atirei o casaco para o sofá da sala. Ufa, estava a ver que nunca mais chegava ao meu lar doce lar. Sentia mesmo a pele e o cabelo meio peganhentos de suor e cerveja barata entornada, enquanto que as minhas roupas estavam obviamente com um cheiro entranhado a fumo de tabaco como se tivesse escorregado por uma chaminé duma fábrica abaixo. Mas tinha demasiada preguiça para tomar um duche agora.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://bp1.blogger.com/_n0rUSXfEAU8/SFscd1lJAdI/AAAAAAAAAJ8/MFMfQ4nOkAM/s1600-h/Morning+Window.JPG"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;" src="http://bp1.blogger.com/_n0rUSXfEAU8/SFscd1lJAdI/AAAAAAAAAJ8/MFMfQ4nOkAM/s400/Morning+Window.JPG" border="0" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5213792292536123858" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fui abrir a janela para arejar a sala um bocado e podia ouvir lá fora todos os pássaros da rua a cantar desvairadamente com o quebrar da aurora, recomeçando logo o seu frenesim de acasalamento depois duma breve pausa de algumas horas. Estas aves exibicionistas são piores que uma vizinha multi-orgásmica. É sempre a mesma barulheira aqui em Telheiras todas as manhãs.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Enfim, fiquei depois caído e refastelado no sofá a pensar nas últimas horas passadas de lazer nada extraordinário. Foi uma daquelas noites de sexta feira em que não me diverti muito por aí além nem apanhei assim uma seca profunda. Noites de Baunilha. Sem limão, chocolate ou sequer aqueles confettis coloridos em cima. Em que o copo não tá meio cheio nem meio vazio, e até podíamos beber uma garrafa inteira de vodka com a puta mais experiente da região que não nos sabe a nada. Conheces a sensação? Nem tem a ver muito com o facto hipotético de possuirmos preocupações pessoais inomináveis ou com a falta de acontecimentos excitantes no nosso quotidiano... Sentimos um certo tédio perro difícil de descrever, simplesmente porque sim. Não há nada mais vulgar e humano que isso. É um daqueles estados de espírito de lusco-fusco em que não temos razão para lágrimas, mas dá demasiado trabalho rirmo-nos. O mais irónico é que provavelmente deve haver pessoas que passam as suas vidas inteiras assim. E é complicado de decidir-mos se devemos sentir pena delas ou no fundo invejar a sua grande sorte. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ok, ok, já chega de reflexões parvas, vou mas é passar pela cozinha para tomar o meu pequeno almoço dos campeões; waffles quentinhas com mel, nesquick e batatas fritas. Ando até lá e encontro o meu pai sentado silenciosamente à mesa a olhar ao longe, para um nascer do sol vigoroso que incendiava a atmosfera toda de tons de laranja. Ele costumava acordar cedo ultimamente, as dores no peito não o deixavam dormir em paz. Estou sempre a convencê-lo a ir ver um médico, mas ele não me ouve, e também pelo que passei nos centros de saúde aquilo é mesmo para esquecer. Realmente este país é uma espelunca do piorio para se ficar doente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-- Acordado tão cedo?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-- Sim acho que vou à feira da ladra dar uma volta.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-- Fazes bem, encontras sempre pechinchas que nem ao diabo lembram.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-- Pois é, não há nada mais barato que arranjar um laptop novo dum puto cigano nervoso. Ah ah.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-- Sem dúvida alguma. Então e... como é que vai isso pá? – perguntei eu preocupado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-- Já estive melhor. Sempre a mesma merda. – respondeu o meu velho, encolhendo os ombros.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-- Bem se os medicamentos da farmácia dão-te problemas, podias perguntar àquela velha do Martim Moniz por remédios chineses. Cenas naturais costumam ter menos efeitos secundários.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;--  Também experimentei essas ervas esquisitas, mas estou na mesma.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-- Se calhar ir visitar um médico na China não seria má ideia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-- Depois logo se vê. O mundo continua a girar, e Cristo mijou numa garrafa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ele levanta-se e foi-se vestir para sair de casa. Hmm... eu nunca percebi muito bem essas frases profundas de sabedoria ancestral oriental, e o meu velho também nunca as explica. Talvez um dia venha a entender, e deixe finalmente de ser um rapaz burro e imaturo... ou não.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Despedi-me dele e fui tomar o meu pequeno almoço.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/19556454-2288743930455824767?l=monstrodesalmado.blogspot.com'/&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="feedflare"&gt;
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&lt;/div&gt;</description><link>http://monstrodesalmado.blogspot.com/2008/06/ultima-marcha-dos-pinguins-parte-i.html</link><author>noreply@blogger.com (O Rapaz Imaginario)</author><media:thumbnail url="http://bp1.blogger.com/_n0rUSXfEAU8/SFscd1lJAdI/AAAAAAAAAJ8/MFMfQ4nOkAM/s72-c/Morning+Window.JPG" height="72" width="72" /><thr:total xmlns:thr="http://purl.org/syndication/thread/1.0">0</thr:total></item><item><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-19556454.post-4803820552169460023</guid><pubDate>Mon, 24 Mar 2008 11:13:00 +0000</pubDate><atom:updated>2008-03-23T23:28:12.496Z</atom:updated><category domain="http://www.blogger.com/atom/ns#">vadiagem</category><category domain="http://www.blogger.com/atom/ns#">memórias</category><title>Vamos a la playa en el mar de memorias: Parte II</title><description>&lt;div align="justify"&gt;Avancei pela praia fora com as mãos nos bolsos, enquanto gaivotas esvoaçavam sobre a minha cabeça, gritando umas para as outras insultos e piropos jocosos,  e traineiras ferrugentas mugiam ruidosamente ao pé da costa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Epá, calem-se mas é todos! Onde é que está o sossego sagrado do mar? Vou mas é meter os auscultadores e passar uma musiquinha de sintetizador cheio de amor potente em cada nota electrónica!&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;object width="425" height="355"&gt;&lt;param name="movie" value="http://www.youtube.com/v/ts9r0QHuFHw&amp;amp;rel=0&amp;amp;hl=en"&gt;&lt;/param&gt;&lt;param name="wmode" value="transparent"&gt;&lt;/param&gt;&lt;embed src="http://www.youtube.com/v/ts9r0QHuFHw&amp;amp;rel=0&amp;amp;hl=en" type="application/x-shockwave-flash" wmode="transparent" width="425" height="355"&gt;&lt;/embed&gt;&lt;/object&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Cheguei lá mesmo ao fundo da praia, e ao pé dos rochedos, vi um miúdo a lançar um papagaio dragão de duas cordas. Uau, senti um ataque de nostalgia com sabor a férias de Verão intermináveis, de quando era um puto muito mal comportado e fazia trinta por uma linha desde atirar balões de água a meninas, a meter bombas de mau cheiro nos restaurantes e bares da praia. Aproximei-me e fiquei a ver o rapazinho moreno a controlar o voo do papagaio com um estilo e mestria de meter inveja a todas as gaivotas ali. Não me consegui conter mais e perguntei ao miúdo:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-- Eh, desculpa..., tou com umas saudades de lançar papagaios, não te importas que eu brinque por um bocado?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-- Na boa man. Toma lá.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-- Fixe brigado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E senti nas minhas mãos todo o poder do vento a meu favor, wohoo!!! Fazendo o dragão voador flutuar e a elevar-se cada vez mais nos céus orgulhosamente, senti uma euforia a correr nas veias que me deixava nas nuvens como uma velhota caquéctica a quem trocaram os medicamentos por morfina. Foi então que ouvi uma gargalhada genuína a sair da minha voz, porra, há já muito tempo que não me sentia tão radiante com um prazer tão simples. Mas não durou muito até que uma brisa lateral mais traiçoeira começou a soprar e o dragão ficou a esvoaçar embriagadamente, e apesar das minhas tentativas para salvá-lo, acabou por cair na areia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-- Tu és mesmo mau nisto. Tens que agarrar com pujança, mas ao mesmo tempo com muita meiguice para não se despenhar, como uma mulher!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-- O quê? – fiquei eu bué espantado com o comentário profundo do puto – Quem é que julgas que és? O Dr Phil dos Papagaios? Onde é que ouviste isso?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-- Foi o meu pai que me ensinou.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-- Tipo esperto o teu velho.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-- Pois é. Agora deixa-me mostrar-te como é que um verdadeiro pro faz.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://bp2.blogger.com/_n0rUSXfEAU8/R-bkcyhPaFI/AAAAAAAAAJ0/133dylQlRWM/s1600-h/kite+kid+beach.jpg"&gt;&lt;img src="http://bp2.blogger.com/_n0rUSXfEAU8/R-bkcyhPaFI/AAAAAAAAAJ0/133dylQlRWM/s400/kite+kid+beach.jpg" border="0" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5181079604584998994" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Ficámos ali durante mais meia hora, até que começou a fazer-se tarde e o puto disse que tinha de ir para casa lanchar. Despedimo-nos e segui depois com as minhas vadiagens à beira do oceano.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando voltei para o meio da praia, passou de repente a poucos metros de mim um rapaz louro queimado, de fato negro e prancha de surf debaixo do braço. O tipo vira-se para mim durante um instante, olhando-me de relance com um rosto sem expressão de partir o ânimo. Ele não me diz nada, e continua com o seu caminho indiferente, arrastando os pés na areia em direcção às ondas. Fogo, nunca vi nenhum surfista assim tão amargurado por entrar na água...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E lembrei-me dele... do meu amigo perdido, mas não me apetecia pensar nisso...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vi o tipo a nadar até ao fundo e ao voltar, tentar cortar uma onda média suavemente, mas acabou por escorregar para o meio da água dum modo desajeitado, e a prancha a saltar descontrolada entre a espuma do mar como um gato atirado para uma panela a ferver.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#3366ff;"&gt;Fechei os olhos e no meio da escuridão, senti chamas frias a percorrerem-me o corpo todo espalhando-se do meu peito dolorosamente até aos dedos. Levantei as minhas mãos, e reparei numa aura ardente a queimar duma forma branca e tão intensa que me assolava para além da possibilidade de qualquer descrição...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aaaahh...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um fogo sem fim que me incinera até ao óleo da medula.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um corpo que não é um corpo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Uma alma que não é uma alma.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um mar de memórias que não contêm memórias.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Átomos, células, sinapses, ossos, músculos, pele...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;desfazem-se completamente até deixarem de fazer parte de mim&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;num milhão de cinzas que o vento levanta cada vez mais alto pelo ar&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;erguendo-se nos céus como plumas na tempestade&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;até perderem-se na distância do universo por entre a poeira das estrelas...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;e tornar-me parte de tudo, desde o princípio ao fim, o Alpha e Ómega.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Num deus de mim próprio e de mais nada.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu ouvi de repente uns latidos ao longe e abri lentamente os olhos outra vez. Virei-me para e esquerda e reparei  num cão a correr doido pela praia enquanto que uma mulher sozinha vestida de branco caminhava calmamente atrás dele, com os cabelos castanhos a soprar ao vento.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um arrepio percorreu-me a espinha... Seria... ela...?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fiquei a perscrutar a rapariga, só que ainda não conseguia ver o rosto dela, andava sem qualquer pressa, demorando-se a contemplar a paisagem, a brincar com o seu labrador, mas percebia que estava pouco a pouco a vir inevitavelmente na minha direcção.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No entanto, antes de ela chegar ao pé de mim e descobrir quem era, encolhi os ombros, e voltei as costas, caminhando para fora da praia. Era tempo de regressar a casa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pois é, tenho tantas obras para acabar, festas parvas para fazer, e pessoas que estão a precisar de rir. Eu sei que nunca é suficiente, mas já é um começo. Realmente, já chega de vadiagens por hoje. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E por algum motivo estranho, nunca mais sonhei com ela. &lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/19556454-4803820552169460023?l=monstrodesalmado.blogspot.com'/&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="feedflare"&gt;
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&lt;/div&gt;</description><link>http://monstrodesalmado.blogspot.com/2008/03/vamos-la-playa-en-el-mar-de-memorias_24.html</link><author>noreply@blogger.com (O Rapaz Imaginario)</author><media:thumbnail url="http://bp2.blogger.com/_n0rUSXfEAU8/R-bkcyhPaFI/AAAAAAAAAJ0/133dylQlRWM/s72-c/kite+kid+beach.jpg" height="72" width="72" /><thr:total xmlns:thr="http://purl.org/syndication/thread/1.0">1</thr:total></item><item><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-19556454.post-5358883366744943448</guid><pubDate>Sun, 23 Mar 2008 22:48:00 +0000</pubDate><atom:updated>2008-03-23T23:12:17.489Z</atom:updated><category domain="http://www.blogger.com/atom/ns#">vadiagem</category><category domain="http://www.blogger.com/atom/ns#">memórias</category><category domain="http://www.blogger.com/atom/ns#">amor</category><title>Vamos a la playa en el mar de memorias: Parte I</title><description>&lt;div align="justify"&gt;Aproximei-me do areal áspero sob um sol invernal de lágrimas escorridas, vendo a praia de Carcavelos a estender-se à minha frente até beijar as ondas do mar. As nuvens em forma de corpos despidos estagnavam no céu como se tivessem dançado e fodido a noite toda até cair, enquanto as costas fustigadas do oceano se espalhavam sobre um horizonte dorido intocável.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Passeei entre as dunas meio enterradas de beatas, latas e preservativos usados, até que toquei com os pés na linha de água, e descalcei os ténis... Estava bastante fria mas boa. Hmm, prontos, admito que não era certamente a praia mais linda ou mais limpa que tinha visto, muito longe disso, afinal esta era a praia do famoso Pseudo Arrastão de Carcavelos planeado por uma legião de mitras super-ninjas. Mas estava agora completamente vazia. E isso era o que interessava.&lt;br /&gt;Aqui ao pé do mar, longe do barulho da cidade, longe de preocupações humanas, conseguia finalmente ouvir até os murmúrios do meu coração, e sentir-me em paz comigo próprio, mesmo que seja só por um momento efémero...&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#3366ff;"&gt;Como um piscar de olhos dum bebé...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ah, e lembrei-me subitamente&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Como ela gostava tanto disto...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;De estar sozinha ao pé do mar...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;De longos passeios na praia durante o Inverno...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Enquanto o seu labrador chapinhava através da água loucamente.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://bp1.blogger.com/_n0rUSXfEAU8/R-befihPaEI/AAAAAAAAAJs/oHuIPzyzVvA/s1600-h/girl_walking_on_the_beach.jpg"&gt;&lt;img src="http://bp1.blogger.com/_n0rUSXfEAU8/R-befihPaEI/AAAAAAAAAJs/oHuIPzyzVvA/s400/girl_walking_on_the_beach.jpg" border="0" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5181073054759872578" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Sentei-me na areia semi-húmida onde a maré não chegava e inspirei fundo a brisa que cheirava ao sal duma eternidade de choros desconsolados...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Parece que acabamos todos aqui, desde casais inseparáveis a almas enviuvadas, desde predadores sexuais inveterados a monstros loucos e teimosos que não querem voltar a ser humanos... a olhar para este mar de memórias saudosas, que se tornou já num grande cliché colectivo.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#3366ff;"&gt;Recordei-me mais da máscara dela...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Do seu riso fácil...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;De adorar ir dançar toda bêbada com as amigas...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;De estar constantemente a falar sobre pintura, poesia e sexo maroto...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Apesar de estar sempre a brincar que ela não tinha&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;mesmo jeito para nada disso, e mais valia dedicar-se à pesca.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas no fundo, bem lá no fundo, eu sabia que&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;ela às vezes adormecia à noite entre soluços.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por todas as razões sentimentais do mundo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A marada da Rapariga De Lado Nenhum.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Será que era o único que reparava nisso?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nah. Seria um bocado triste se não houvesse mais ninguém.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E veio-me assim à cabeça aquela canção dos B-Movie.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Com um catano, já não consigo mesmo escapar dos anos 80. Mas não importo muito.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;object width="425" height="355"&gt;&lt;param name="movie" value="http://www.youtube.com/v/y7If95gaCqk&amp;amp;rel=0&amp;amp;hl=en"&gt;&lt;/param&gt;&lt;param name="wmode" value="transparent"&gt;&lt;/param&gt;&lt;embed src="http://www.youtube.com/v/y7If95gaCqk&amp;amp;rel=0&amp;amp;hl=en" type="application/x-shockwave-flash" wmode="transparent" width="425" height="355"&gt;&lt;/embed&gt;&lt;/object&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Enfim, nem sei porque me lembrei dela assim do nada...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Hmm, pergunto-me o que é que faria exactamente&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;se ela aparecesse aqui agora...?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Qual seria a tua atitude inteligente se encontrasses alguém que te queimou?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ir lá dar uma palmada valente nas costas e chatear-lhe o juízo até que te pague o jantar, ou ignorar essa pessoa e começar a beber seriamente até acordar no dia seguinte com alguém do mesmo sexo...?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ah ah, ya, quem é que estou a tentar enganar?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se a visse aqui à minha frente, ia sem sombra de dúvida gozar com a coitada à força toda. E comentar como estava mais gorda, que talvez fosse sensível ir ao ginásio ao pé de minha casa, e como os sapatos dela eram um atentado à moda e a tudo que é bonito e sagrado no mundo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Há coisas que nunca mudam.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sorri silenciosamente, perdendo-me na distância do oceano durante um bocado,&lt;br /&gt;até que voltei a minha atenção para a praia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E notei que tinha escrito inconscientemente o nome dalguém na areia...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Huh...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As quatro letras mais lindas deste lado do oceano.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas não era o dela... nem sequer o da...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Raios pá. Não há mesmo paciência para este coração.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Subconsciente vai para o caraças! A tua opinião não conta!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Levantei-me num salto e decidi prosseguir com o meu passeio tardio,&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;deixando as ondas atrás apagarem o nome na areia.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/19556454-5358883366744943448?l=monstrodesalmado.blogspot.com'/&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="feedflare"&gt;
&lt;a href="http://feeds.feedburner.com/~ff/monstrodesalmado?a=DmHEBgubxKA:r82Zh9vbbow:yIl2AUoC8zA"&gt;&lt;img src="http://feeds.feedburner.com/~ff/monstrodesalmado?d=yIl2AUoC8zA" border="0"&gt;&lt;/img&gt;&lt;/a&gt; &lt;a href="http://feeds.feedburner.com/~ff/monstrodesalmado?a=DmHEBgubxKA:r82Zh9vbbow:dnMXMwOfBR0"&gt;&lt;img src="http://feeds.feedburner.com/~ff/monstrodesalmado?d=dnMXMwOfBR0" border="0"&gt;&lt;/img&gt;&lt;/a&gt;
&lt;/div&gt;</description><link>http://monstrodesalmado.blogspot.com/2008/03/vamos-la-playa-en-el-mar-de-memorias.html</link><author>noreply@blogger.com (O Rapaz Imaginario)</author><media:thumbnail url="http://bp1.blogger.com/_n0rUSXfEAU8/R-befihPaEI/AAAAAAAAAJs/oHuIPzyzVvA/s72-c/girl_walking_on_the_beach.jpg" height="72" width="72" /><thr:total xmlns:thr="http://purl.org/syndication/thread/1.0">0</thr:total></item><item><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-19556454.post-2552740279559553523</guid><pubDate>Wed, 27 Feb 2008 00:51:00 +0000</pubDate><atom:updated>2008-02-27T01:52:03.202Z</atom:updated><category domain="http://www.blogger.com/atom/ns#">sonhos</category><category domain="http://www.blogger.com/atom/ns#">alucinados</category><category domain="http://www.blogger.com/atom/ns#">livros</category><title>Os Que Seguem No Comboio De Destroços: Parte II</title><description>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://bp0.blogger.com/_n0rUSXfEAU8/R8S0UnkUv9I/AAAAAAAAAJM/gTH_rQ8DW1c/s1600-h/Girl+walking+beach.jpg"&gt;&lt;img src="http://bp0.blogger.com/_n0rUSXfEAU8/R8S0UnkUv9I/AAAAAAAAAJM/gTH_rQ8DW1c/s400/Girl+walking+beach.jpg" border="0" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5171456538439892946" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;i&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="color:#3366ff;"&gt;“Não me sigas, merda, não me sigas, pensas que eu sei para onde vou...?”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A Rapariga De Lado Nenhum&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;--há uma eternidade atrás&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Estava na linha de Cascais, o comboio continuava a percorrer vagarosamente as linhas em mau estado demorando séculos só para andar uns quilómetros... Que marasmo, sentia as carruagens a ranger, a doer, todo o comboio a arrastar-se como uma lesma ferida numa estrada de agulhas enferrujadas...&lt;br /&gt;Huh, se pensarmos nisso, é algo hilariante essa ideia de quererem meter TGV’s nesta rebaldaria... Seria tipo conduzir um Ferrari num carreiro de cabras montanhesas, ou meter um raver speedado com síndroma de Tourette como o animador do bailarico das avozinhas lá da terrinha. Man, simplesmente não funciona!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Enfim, não interessa nada o rumo para onde este país vai, se não queremos mais seguir neste comboio para o raio que o parta, pudemos sempre mudarmo-nos para o estrangeiro. Tipo o Allgarve, ou o arquipélago da Madeira... Os nativos de lá são meio esquisitos mas bastante inofensivos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Suspirei, e vasculhei o casaco à procura de algo pra me entreter. Tirei um livro do bolso que andava a folhear ultimamente. Era &lt;a href="http://www.amazon.com/Brief-History-Time-Stephen-Hawking/dp/0553380168"&gt;“Uma breve História do Tempo”&lt;/a&gt;, do Stephen Hawking, e tratava a origem do Universo, viagens do Tempo, entre outras coisas. Achava giro, mas não estava com muita paciência pra leituras complicadas naquele dia.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://bp0.blogger.com/_n0rUSXfEAU8/R8S1mnkUwAI/AAAAAAAAAJk/TTOFWabivTs/s1600-h/Illustrated_Brief_History_of_Time.jpg"&gt;&lt;img src="http://bp0.blogger.com/_n0rUSXfEAU8/R8S1mnkUwAI/AAAAAAAAAJk/TTOFWabivTs/s400/Illustrated_Brief_History_of_Time.jpg" border="0" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5171457947189166082" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Por isso guardei-o outra vez e virei-me para a janela da carruagem, observando lá fora a paisagem de cimento e vidro ao longo do Tejo. Era desoladora e familiar até à exaustão. Esta arquitectura saturada de caixinhas e caixotes, onde moramos e trabalhamos a maior parte das nossas vidas adultas voluntariamente...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Só dá vontade às vezes de incendiar isto tudo e ver a cidade inteira a arder em chamas do topo da Torre Vasco da Gama, enquanto arranhas numa guitarra eléctrica o “Smoke On The Water”, estilo Imperador Nero num dia mau em que se esqueceu de tomar lítio.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas toda gente que tem pelo menos meio-cérebro sabe que nem com a bomba atómica em cima apagaria este inferno e resolveria algum problema... parecia só boa ideia na altura quando foi inventada...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Hmm, se hipoteticamente tivesses o poder para isso, qual seria a tua solução para terminar com toda a corrupção, violência e sofrimento da Humanidade de vez?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Com beijinhos, abraços de grupo e franchises da Hello Kitty...?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pois... provavelmente a alma libertadora que descobrirá a resposta a essa pergunta difícil vai ser uma dona de casa de Alfama chamada Pulquéria Josefina que vai ter  assim um rasgo de inspiração quando passa a roupa a ferro. E ao sair de casa a correr para avisar toda gente, é subitamente atropelada por um Volkswagen do Tuning.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Deus terá sempre um sentido de humor lixado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E mesmo assim continuo a ter esperança nas pessoas, apesar de os cínicos acharem que é um sentimento vão raramente retribuído.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Lembro-me de ter lido na Visão um artigo que me deixou a reflectir sobre isso e a incomodar-me insistentemente na parte mais funda da consciência... Falava da descoberta e pesquisa das mais velhas civilizações humanas do Neolítico por todo o mundo nas últimas décadas. Basicamente estes arqueólogos andaram a escavar no Peru, na Turquia, no Paquistão e começaram a ficar intrigados com um pequeno pormenor estranho de que qualquer coisa não batia certo com os vestígios destas sociedades primitivas...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E sabes qual era?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Era o simples facto de não encontrarem quaisquer indícios de fortificações, armas e garrafas de coca cola... Nem sequer sinais de violência nos corpos enterrados nos cemitérios, ou sacrifícios rituais humanos, nada...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E até agora ninguém sabe muito bem porquê...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se isto é mesmo verdade, consegues imaginar as implicações antropológicas desta descoberta...?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Que muitas das primeiras sociedades não eram compostas por selvagens sanguinários ao contrário da malta do mundo moderno, e viviam calmamente em paz e prosperidade... Que o ser humano não é inerentemente um animal violento, mas até bastante porreiro, e que foi na realidade lentamente brutalizado e endurecido por circunstâncias sociais externas?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Só de imaginar pessoas a viverem felizes juntas num tempo em que estavam livres de ideias de guerra, criminalidade e medo de violência, parece uma piada de mau gosto improvável tirada dum episódio da Twilight Zone ou dos Teletubbies...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Bah, nem quero pensar nisso, é demasiado bom, e se as pessoas podem ser realmente assim, quer dizer que deve haver maneira de voltar a curar-nos... agora como?&lt;br /&gt;Nem todas as religiões organizadas da História, doutores de psicologias e a Madame Oprah sabem dizer-nos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Estiquei-me todo no meu lugar, e descansei a cabeça, sem conseguir deixar de ouvir o constante estremecer e o esganiçar mecânico do metal que me estava a causar uma sonolência do caraças. E depois da minha noite de insónias não ia tardar muito pra passar pelas brasas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#3366ff;"&gt;O comboio continuava a andar pela margens do Tejo enquanto do outro lado passava pela zona mais decadente de Lisboa, cheia de espaços urbanos mortos para demolir. Mas entre os armazéns abandonados, barracões cobertos de graffiti e prédios a envelhecerem com o passar dos anos sob o bafo do rio envenenado, começo subitamente a ver aparecer do nada um nevoeiro violeta espesso que cobre ameaçadoramente a paisagem citadina, engolindo tudo como um manto asfixiante sobre uma vítima adormecida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E através do nevoeiro obscuro testemunho com os meus próprios olhos a paisagem a transformar-se como se estivesse viva, vendo répteis enormes a rastejarem num pântano com uma vegetação exótica há muito que a Terra não suportava, enquanto que uma libelinha gigante pairava como um helicóptero do outro lado do vidro da janela, caiem relâmpagos por entre a bruma, o nevoeiro violeta intensifica-se, e vejo agora um mamute lanudo a ser encurralado com lanças por um grupo de homens vestidos de peles, o bicho selvagem a ser arpoado nos flancos por todos os lados, deixando escorrer na neve alva rios de sangue vermelho, e na sua fúria derradeira enlouquecida, espezinha até à morte vários caçadores que não conseguem escapar a tempo, a névoa muda outra vez o cenário e depois fico pasmado ao avistar numa planície verdejante à beira do rio um bando de mouros a cavalo, de cimitarras nas mãos a atacarem um grupo de cavaleiros cristãos, matando-se uns aos outros sem misericórdia, até serem devorados pela neblina outra vez e darem lugar a uma cadeia de arranha-céus envoltos num inferno de chamas e fumo negro, na entrada está um homem sozinho de costas que entra a correr num deles para salvar os sobreviventes lá dentro quando  tudo se desmorona apocalipticamente no meio da bruma violeta, e nascer entre as cinzas doutra civilização esquecida, uma espécie de criaturas estranhas de seis membros que não se parecem nem com répteis, peixes ou seres humanos, atravessando o deserto solitariamente em busca da terra prometida no limiar da memória...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Memória...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Memória...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Memória...&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://bp1.blogger.com/_n0rUSXfEAU8/R8S023kUv-I/AAAAAAAAAJU/OGASvTQKGJQ/s1600-h/The+Disintegration+of+the+Persistence+of+Memory+Salvidor+Dali.jpg"&gt;&lt;img src="http://bp1.blogger.com/_n0rUSXfEAU8/R8S023kUv-I/AAAAAAAAAJU/OGASvTQKGJQ/s400/The+Disintegration+of+the+Persistence+of+Memory+Salvidor+Dali.jpg" border="0" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5171457126850412514" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#3366ff;"&gt;Ela desfaz-se, desintegra-se e desaparece...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Escorrendo por entre os meus dedos...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para além do horizonte da minha consciência...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E foi no fim do mundo que vi então o próprio tecido da realidade a derreter-se à minha frente como lençóis de chocolate negro num dia de Verão, até que o Sol se apaga dum momento para o outro, deixando o que resta do planeta a esmorecer-se eternamente numa escuridão tumular mais gélida para além do que podes imaginar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Onde todas as estrelas se extinguem uma a uma, consumindo cada galáxia após a outra, e numa espiral de gravidade irregular começar a atrair toda a poeira, energia e anti-matéria libertada no espaço num único ponto, para ir comprimindo-se apenas numa dimensão inconcebível, cada vez mais, mais e mais, até começar a transbordar por todos os lados, colapsando por completo e implodir na criação de um novo Universo...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando finalmente o nevoeiro nasce do vazio outra vez, ele move-se como um predador à procura do coração que o pode destruir, aproximando-se do comboio progressivamente, até eu não conseguir ver nada através da janela e o próprio manto violeta irromper pelo interior da carruagem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Entrei em pânico no meio desta névoa cerrada, e levantei-me num salto, correndo pelo comboio abaixo completamente desvairado. Corria o que parecia ser há horas, mas a carruagem era interminável e mesmo assim não encontrava ninguém, nem um único vestígio dalgum passageiro vivo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E na minha fuga descuidada tropecei mal no chão, e cai pelo corredor violentamente, raspando as palmas das mãos. Tentei compor-me outra vez e ao levantar a cabeça, encontro alguém sentado no meu lugar preferido da direita ao pé da janela.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;De sandálias, calças rasgadas e uma T-shirt casual do estilo, “Eu tou me a lixar...”, estava uma mulher de óculos de sol a olhar para o nevoeiro lá fora. Tinha as madeixas do cabelo caído, e uma postura relaxada não sei se por cansaço ou indiferença. Mas eu reconhecia em qualquer lugar aqueles lábios tenros que só delineavam sorrisos melancólicos por muitos anos que passassem...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Merda, comecei a ouvir o bater acelerado do meu coração nos ouvidos, a faltar-me ar e saliva na boca, e uma tempestade cruel a levantar-se nas entranhas....&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Era ela. A Rapariga De Lado Nenhum...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-- O que é que estás aqui a fazer?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-- Sabes... Adoro andar de comboio... é tão bom. Apesar de estar cheio de pessoas deprimidas. Será que as coisas mais doces da vida têm de ser sempre amargas também? – interroga-se ela sempre com a cabeça encostada ao vidro da janela sem olhar para mim.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-- Hum? O quê? Nem acredito que tás... há tanto tempo que não te vejo... eu...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-- O tempo não é uma linha linear, que se move de A para B. É mais um poço circular sem fundo onde mergulhas e na água estão todos os momentos do Universo, inseparáveis, indistintos, simultâneos. – profere ela mecanicamente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-- Não estou a perceber...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-- Eu estive, estou, estarei aqui. Como tu também. Saudades não passam duma limitação que as pessoas sofrem em não conseguir assimilar e percepcionar o tempo como um todo. – continua a mulher na sua onda enigmática.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-- O que é que estás para aí a dizer? Tu não podes ser ela... Quem és tu pá?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ela tira os óculos escuros, revelando aqueles olhos castanhos profundos e quase tão familiares como se estivesse diante dum espelho. Ela fita algo na distância atrás de mim e fala outra vez.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-- Não faz diferença quem eu sou... O que interessa apenas é se vais escolher ficar no comboio até ao fim ou se vais fugir...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-- Eu não vou sair...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-- E porquê? Queres salvar-me é? Dar a tua vida por mim? Deixa-te de ser infantil. Isso passa-te. – retorquiu ela meio-zangada como se fosse um eco duma voz que ouvi há uma eternidade atrás.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-- Raios, é sempre a mesma merda contigo. Vê lá, se vais ser condescendente comigo, levas mas é um enxerto de porrada. Badalhoca. Eu tou aqui porque me apetece. – repeti eu as mesmas palavras duma existência passada há muito esquecida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-- Muito bem faz o que quiseres. Mas eu vou para a praia no fim do mundo sozinha... por isso não me sigas. – pede ela tristemente sem olhar para mim.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-- Não pára... não podes--&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu dirigi-me a ela e toquei-lhe no rosto mas nesse preciso momento ela desfez-se em nevoeiro, fazendo-me agarrar apenas farrapos de ar... e é então que a névoa começa a reunir-se num turbilhão consciente, envolvendo-me profundamente até entranhar-se na pele e pelos pulmões adentro e fazer parte de mim... explodindo no meu âmago como um milhão de bombas nucleares.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;Abri os olhos, todo confuso dos cornos, ao encontrar-me outra vez sentado na mesma carruagem cheia de pessoas. Massajo a cara. Olho para as horas, e reparo para a minha irritação que os ponteiros tinham parado. Estranho, este relógio automático só devia deixar de andar se eu não me mexer durante um dia...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não conseguia ou nem queria reflectir sobre outro dos meus sonhos alucinados, mas por algum motivo misterioso, fiquei com a sensação paranormal que ela andou realmente neste comboio há anos atrás.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Excepto que desta vez eu não estava a segui-la, e em vez disso a fazer o meu próprio caminho. Se calhar um dia destes, também tu venhas a andar no mesmo comboio, ah...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não sei dizer se isso vai acontecer  quando encontrares-te a ti própria finalmente, ou quando conheceres e desafiares o teu Destino sozinha.  Mas vai saber bem, disso podes ter a certeza.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O comboio parou  por fim numa estação solitária e eu sai de lá calmo e lúcido. Desci a longa alameda com fileiras de árvores frondosas de ambos os lados até ao mar, e dirigi-me para a praia sozinho de mãos nos bolsos a trautear uma  musiquinha jazz, Follow me...&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;object width="425" height="355"&gt;&lt;param name="movie" value="http://www.youtube.com/v/caFs1csiUDw&amp;amp;rel=1"&gt;&lt;/param&gt;&lt;param name="wmode" value="transparent"&gt;&lt;/param&gt;&lt;embed src="http://www.youtube.com/v/caFs1csiUDw&amp;amp;rel=1" type="application/x-shockwave-flash" wmode="transparent" width="425" height="355"&gt;&lt;/embed&gt;&lt;/object&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/19556454-2552740279559553523?l=monstrodesalmado.blogspot.com'/&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="feedflare"&gt;
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&lt;/div&gt;</description><link>http://monstrodesalmado.blogspot.com/2008/02/os-que-seguem-no-comboio-de-destroos.html</link><author>noreply@blogger.com (O Rapaz Imaginario)</author><media:thumbnail url="http://bp0.blogger.com/_n0rUSXfEAU8/R8S0UnkUv9I/AAAAAAAAAJM/gTH_rQ8DW1c/s72-c/Girl+walking+beach.jpg" height="72" width="72" /><thr:total xmlns:thr="http://purl.org/syndication/thread/1.0">0</thr:total></item><item><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-19556454.post-5101079546696407088</guid><pubDate>Mon, 18 Feb 2008 22:18:00 +0000</pubDate><atom:updated>2008-02-22T16:57:33.120Z</atom:updated><category domain="http://www.blogger.com/atom/ns#">inferno</category><category domain="http://www.blogger.com/atom/ns#">velhice</category><category domain="http://www.blogger.com/atom/ns#">filmes</category><title>Os Cegos Do Comboio De Destroços: Parte I</title><description>&lt;i&gt;&lt;span style="color:#ff6600;"&gt;&lt;strong&gt;What if this is as good as it gets?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Melvin Udall&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;span style="color:#ff6600;"&gt;&lt;strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Tomei o metro até ao Cais de Sodré, e depois na estação apanhei o comboio até Carcavelos. Apetecia-me mesmo passar a tarde na praia a apanhar um solinho de Inverno, espreguiçar-me e fazer uma sesta repousante entre as dunas sem preocupações, obrigações e satisfações para dar a alguém.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ah pois é, de vez em quando não há nada que sabe melhor na vida do que o gosto puro e inalterado a liberdade... Isso é provavelmente o primeiro passo para essa ideia despistada que é a felicidade, sabes? Assim um prazer sem culpa enrolado num charro grosso de auto-indulgência cheio de esquecimento apagado de quaisquer responsabilidades. Yeah, sinto-me tão bem! &lt;br /&gt;É como cavalgar só de kilt ao vento, sem os constrangimentos maléficos da roupa interior, pelos montes da Escócia estilo Braveheart, e gritar até saírem os teus pulmões:&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="color:#ff6600;"&gt;FREEEEEDOM!!!&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://bp2.blogger.com/_n0rUSXfEAU8/R772XnkUv7I/AAAAAAAAAH8/xJVRi3jO93c/s1600-h/Braveheart+Mel+Gibson+Kilt.jpg"&gt;&lt;img src="http://bp2.blogger.com/_n0rUSXfEAU8/R772XnkUv7I/AAAAAAAAAH8/xJVRi3jO93c/s400/Braveheart+Mel+Gibson+Kilt.jpg" border="0" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5169840307886669746" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;(Só que sem aquela cena pesada no fim de ser esquartejado e decapitado à pala duma pátria claro...)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sentei-me para trás no meu lugar relaxadamente e olhei para os passageiros do comboio. Não surpreendentemente pareciam estar quase todas com um ar cabisbaixo e sombrio, pessoas anónimas tão sozinhas ali sentadas em silêncio intenso com uma legião de bichos carpinteiros a roerem-lhes as consciências, a esgazearem o vazio ao fundo do túnel pela milésima viagem, sem puderem acender um cigarro para acalmarem os nervos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas que malta tão tristonha pá, não admira que o nosso país esteja neste estado tão lastimável que até mete vergonha mostrar aos estrangeiros.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Parece que pessoal só ganha algum ânimo e entra num estado quase orgâsmico durante o Euro e o Mundial e durante o resto do tempo está a carpir por todos os lados como se isto fosse uma ditadura totalitária dum país do Terceiro Mundo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Caraças, eu sei que toda gente tem contas para pagar, corações estilhaçados para curar e escolhas difíceis a tomar entre salvar ou foder a vida desta ou doutra pessoa. Mas o que é que isso interessa no fundo? Temos este sol estupendo a aquecer as nossas costas, um valente caminho à frente que é só nosso para traçar, e muitas gargalhadas para partilhar com amigos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É como dizia aquela poetisa parvalhona:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;i&gt;&lt;span style="color:#3366ff;"&gt;“Laugh, and the world laughs with you – cry, and you cry alone...”&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;… apesar de vez quando... huh...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Talvez... nos custe um bocado que o peso dos nossos risos soem quase... fingidos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas desde que ninguém note...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;...está tudo bem. Mesmo tudo bem, não achas...? Ah ah...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ouço então do fundo da carruagem alguém a chamar, e é uma mulher desmazelada de cinquenta e tal anos a manquejar na carruagem por entre os passageiros que a ignoravam completamente. Tinha um rosto cansado delineado por rugas de amargura de uma vida inteira, os cabelos desgrenhados dum tom grisalho prematuro, e uma feição abatida como uma árvore ressequida por chuvas ácidas... Ela segura nas mãos trémulas uma folha do Centro de Saúde que mostra timidamente a toda gente e suplica:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-- Por favor, alguém ajude-me. Sou doente de coração... – as palavras custam-lhe a sair-lhe, devia ser das primeiras vezes que mendigava -- Preciso de dinheiro para medicamentos...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-- Não tenho família...  peço-vos ajuda...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas ninguém queria realmente saber, e nem se dignavam a olhar para ela duas vezes. Mordi os lábios. E de repente umas pessoas na parte traseira da carruagem afastam-se do corredor, deixando passar alguém.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A mulher volta-se para trás e vê um velho cego com uma mão amputada a arrastar-se através da carruagem com um pau duma esfregona a pedir também.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-- Tenham a bondade de me auxiliar... – implora o velho quase como uma ladainha que já perdeu todo o significado ao final de proferi-la milhares vezes. Um puto adolescente cheio de tatuagens coloca-lhe qualquer coisa no estojo de moedas semi-vazio. Quando ele passa por mim, reparo na aliança que ele traz no dedo e apercebo-me que ele deve ter mais família que a outra desgraçada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-- Oh, o ceguinho... – ela fica terrivelmente embaraçada e calada, encostando-se a um canto sem saber o que fazer perante alguém que está num estado ainda pior que ela.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Hmm, se já é suficientemente difícil levantarmo-nos às vezes da cama com esta escuridão a assolar-nos por dentro, pergunto como é que encontrarias coragem para te levantar se o mundo inteiro fosse feito de trevas...?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Meti a mão nos bolsos, e tirei uns poucos trocos, hmm, não tinha mesmo onde cair morto. Levantei-me e dirige-me em direcção a eles meio irritado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dei o dinheiro que tinha à mulher, ela olha para mim espantada e suspira aliviada um “obrigada”. Não lhe disse nada e fui me sentar para outra carruagem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Huh... talvez seja só impressão minha... mas notei que a maior parte das mulheres ganham estranhamente uma habilidade especial quando atingem a meia-idade... sabes qual é?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ficam simplesmente... &lt;strong&gt;&lt;span style="color:#3366ff;"&gt;invisíveis&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt; para o resto das pessoas. Parece quase magia. E é um fenómeno paranormal tão profundo que afecta mulheres de todas as classes sociais, tenham família e muitos conhecidos na agenda ou não. Ao ponto de um cego ser mais visível que uma mulher envelhecida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Gostava que isso nunca te acontecesse a ti, e acredito se conseguires rir-te genuinamente na maior parte dos dias, não tenho razões para me preocupar. Enfim, e apesar de não me lembrar muito da tua fronha, hei de continuar a gozar contigo até não me apetecer mais, seja isso para o mês que vem ou quem sabe, talvez até daqui a quarenta anos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fui-me embora e sentei-me no meu sítio favorito à direita, ao lado da janela onde estava um homem de fato e gravata cinzentos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quase como um reflexo não consegui deixar de observá-lo. A curiosidade por estranhos é uma mania que eu não consigo curar, a sério...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O tipo tinha um aspecto desnaturadamente exemplar, corte de cabelo rente, roupas impecáveis, barba feita, e uma postura certinha e direita como um soldado de vigia no quartel que acabou de levar um raspanete do sargento. O rosto dele era uma máscara completa, fria, eternamente sem expressão como um manequim duma loja.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas o mais marcante nele eram sem dúvida os olhos dele, tão húmidos, distantes e vidrados ao mesmo tempo... O género de olhar que dava a sensação de pertencer a alguém com o espírito consumido em cinzas. Tu reconhecerias facilmente isso, não é preciso ser-se uma pessoa muito perceptiva para ver quem sofre realmente no fundo ou não.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Reparei então numa caixa amarela de cartão que o homem tinha ao colo e segurava entre as mãos como se fosse um bebé doente. Possuía o logótipo duma túlipa na tampa. Havia qualquer coisa escrita de lado, eu examinei melhor e li simplesmente:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;i&gt;Prótese de Mastectomia&lt;/i&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Hmm, provavelmente era para a mulher ou a mãe... Pergunto-me qual seria a história dele...? Merda, chateava-me o facto de que não haver nada que eu pudesse fazer. Eu não conheço quaisquer palavras de conforto, nem nunca me meti em conversas sérias, só tenho jeito para contar histórias e fazer piadas machistas de mau gosto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E naquele momento, senti de certa forma alguma ligeira inveja de ti, porque mesmo que te tornes no futuro numa psicóloga parva e meio incompetente que não topa mesmo nada, ao menos sempre vais ajudar alguém na vida. Eh, tenho a certeza que noutra dimensão paralela, devido a uma pequena escolha diferente numa das bifurcações do destino, estou a fazer exactamente isso como queria quando era adolescente, e tu pelo contrário entreténs pessoas como uma pintora vadia, realizadora despassarada ou uma artista de circo alcoólica que gosta de atirar facas a gajos indefesos amarrados à roda da morte.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mesmo assim, estaria a mentir se dissesse que desgosto desta nossa realidade. Olho à volta, e interrogo-me como aquele filme com o Jack Nicholson:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E se melhor que isto é impossível?&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://bp2.blogger.com/_n0rUSXfEAU8/R772jnkUv8I/AAAAAAAAAIE/hYPKPOFk7ec/s1600-h/As+good+as+it+gets.jpg"&gt;&lt;img src="http://bp2.blogger.com/_n0rUSXfEAU8/R772jnkUv8I/AAAAAAAAAIE/hYPKPOFk7ec/s400/As+good+as+it+gets.jpg" border="0" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5169840514045099970" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Talvez dentro de milhares de possibilidades, vivamos verdadeiramente no melhor dos mundos possíveis, é uma ideia batida e um bocado optimista demais eu sei, mas basta acreditar... que a nossa perspectiva muda absolutamente. E não nos custa nada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sorri por dentro e vi o homem a levantar-se quando o comboio parou na estação. Ouvi as portas a abrirem-se e fechei os olhos para arrochar um bocado enquanto não chegava à praia...&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/19556454-5101079546696407088?l=monstrodesalmado.blogspot.com'/&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="feedflare"&gt;
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&lt;/div&gt;</description><link>http://monstrodesalmado.blogspot.com/2008/02/os-cegos-do-comboio-de-destroos-parte-i.html</link><author>noreply@blogger.com (O Rapaz Imaginario)</author><media:thumbnail url="http://bp2.blogger.com/_n0rUSXfEAU8/R772XnkUv7I/AAAAAAAAAH8/xJVRi3jO93c/s72-c/Braveheart+Mel+Gibson+Kilt.jpg" height="72" width="72" /><thr:total xmlns:thr="http://purl.org/syndication/thread/1.0">0</thr:total></item><item><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-19556454.post-500983636776194154</guid><pubDate>Tue, 05 Feb 2008 01:38:00 +0000</pubDate><atom:updated>2008-02-05T12:17:56.362Z</atom:updated><category domain="http://www.blogger.com/atom/ns#">sonhos</category><category domain="http://www.blogger.com/atom/ns#">insónias</category><category domain="http://www.blogger.com/atom/ns#">sono</category><title>SONHOS DE LEITE SEM ELA</title><description>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://bp3.blogger.com/_n0rUSXfEAU8/R6fAw_nPByI/AAAAAAAAAH0/pxFJ-IIdF3M/s1600-h/insomnia+cartoon.jpg"&gt;&lt;img src="http://bp3.blogger.com/_n0rUSXfEAU8/R6fAw_nPByI/AAAAAAAAAH0/pxFJ-IIdF3M/s400/insomnia+cartoon.jpg" border="0" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5163307445745813282" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;i&gt;&lt;span style="color:#3366ff;"&gt;"Think what a better world it would be if we all, the whole world, had cookies and milk about three o'clock every afternoon and then lay down on our blankets for a nap."&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Estava a revirar-me na cama que nem um carapau fora de água, mas não conseguia adormecer. Se calhar é do calor, vou tirar a roupa toda... até que fiquei só de boxers... e continuei à espera... huh, tou na mesma. Experimentei dormir de lado esquerdo, mas não gosto de estar deitado sobre o coração, do lado direito estava a incomodar-me a orelha, de costas aquecia-me a cabeça demasiado, de barriga para baixo nunca conseguia respirar.... Hmm AAAAHHHHHH! Não acredito que estou outra vez a sofrer de insónias. Com catano. Senti uma inveja tremenda agora das pessoas sortudas que têm sempre Valium na mesa de cabeceira, isso ajuda mais que ter a nossa cara-metade ao lado na cama, porque ela pode muito bem ressonar, andar a noite toda aos pontapés e roubar os lençóis todos. Tss ok, até calhavam bem dois comprimidos pela garganta abaixo, preciso mesmo de perder a consciência por algumas horas. É realmente uma alegria e uma bênção não sentir nada. Mas só temporariamente, estar morto não tem piada nenhuma, e é uma seca do caraças não puder chatear os cornos a alguém. Olhei para o relógio vermelho na escuridão:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#cc0000;"&gt;4:34&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Raios, amanhã tenho de levantar-me cedo para um compromisso, não posso faltar senão já sei que vão cair-me em cima. E não me apetecia muito chumbar por causa deste projecto parvo. Pronto, já chega, vou assaltar o frigorífico, a única solução santa pra matar a falta de sono. Fui à cozinha, enchi um copo de leite e aqueci-o.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Saboreei-o até ao fim, hmm, era mesmo disto que estava a precisar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas se calhar um não chega, é melhor mais outro e outro só pra certificar uma viagem descansada à Terra do Nunca. Realmente o ser humano é mesmo um bicho estranho, deve ser o único mamífero no mundo que bebe leite durante a vida adulta, e ainda por cima desses quadrúpedes com o nome de vacas. Porra, agora que penso bem nisso é um bocado pró perturbador.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Voltei depois para a cama onde finalmente consegui para minha surpresa dormir o sono dos justos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E sonhei....&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Estava num sítio escuro, quente e suado, com uma música familiar da Madonna a ribombar por ali dentro, luzes coloridas esfumadas a reflectirem-se como um carrossel nas sombras que se moviam à minha volta, e quando se aproximam de mim reparo que são pessoas a dançar drogadamente. Mas ao olhar melhor apercebo-me que estou completamente rodeado de homens com máscaras, de todos os géneros e feitios desde de cara coberta a corpo inteiro como se fosse uma festa grotesca onde ninguém precisava de mostrar o que era no fundo do coração e podiam fingir o que gostavam de ser mais.&lt;br /&gt;Sinto alguém a esfregar-se nas minhas costas, dou um salto e olho para trás alarmado. Não... não podia ser... era o Sócrates... José Sócrates... todo nu e vestido só com uma tanga de pele de leopardo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-- Olá, mim ser Tarzan... Queres ser o meu tigre?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-- Huh... euh... mas o que é aconteceu à Jane? – perguntei eu pasmado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-- Jane falava demasiado, por isso assei-a pró jantar. Tarzan gosta é de montar grande tigre!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-- Ahhhhh..... não obrigado.  – e afastei-me nervosamente do tipo. Eu bem sabia que havia qualquer coisa de suspeito naquele gajo, e não era o raio do diploma inventado da Independente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Cambaleei para trás e choquei contra alguém para minha desgraça. Virei-me com receio e vejo à minha frente um preto enorme vestido de uniforme azul. Oh.... era o polícia gay dos Sete Palmos de Terra...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-- Alto lá, o que é que temos aqui... um meliante a faltar ao respeito à autoridade, huh? – e começa a brincar com um par de algemas e um bastão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-- Não não... – desculpei-me eu...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-- Bem parece que vou ter que prendê-lo e revistá-lo a fundo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-- Não é preciso, a sério....&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-- Não tenhas medo. – ele estala os dedos e aponta para si próprio – Once you go black, you never go back!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-- AAAaaaahhhhhhhh!!! – e desatei a fugir desvairado do gajo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Corro por entre a multidão apertada aos saltos, mas não consigo a ir a lado nenhum, e só me perco cada vez mais, sentindo mãos a agarrarem-me na roupa enquanto a música fica cada vez mais ensurdecedora e sufocante. Até que surge o refrão e ouço toda gente a cantar:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#ff6600;"&gt;&lt;i&gt;Gimme gimme gimme&lt;br /&gt;a man after midnight&lt;br /&gt;Won't somebody help me&lt;br /&gt;chase the shadows away&lt;br /&gt;Gimme gimme gimme&lt;br /&gt;a man after midnight&lt;br /&gt;Take me through the darkness&lt;br /&gt;to the break of the day&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E começa a descer uma bola de espelhos enorme do tecto girando a uma velocidade impossível, soltando uma cascata de confettis que se espalha pela pista de dança como flocos de neve num dia de Verão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas onde é que eu fui parar?? A um inferno disco gay dos anos 70?? Tenho de fugir daqui... fugir fugir fugir...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Continuo a tentar penetrar através da massa masculina de corpos dançantes até que encontro uma abertura e vou ter a uma clareira no meio do salão. E dum momento para outro, fica tudo silencioso por uns instantes intermináveis. Até que vejo os mosaicos com luzes brancas por debaixo do pavimento a acenderem-se todos e a piscarem alternadamente, quando entra na pista sem mais nem menos um vulto vestido de negro, com uma respiração profunda asmática...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Era o Darth Vader da Guerra das Estrelas. Ele saca dum longo sabre de luz vermelho, e começa a rodopiá-lo na escuridão, abanando-o todo à minha frente num gesto de provocação.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-- Join The Gay Side, Luke. – declara ele numa voz grossa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-- Não nunca.... não quero. – recuso-me eu dramaticamente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-- É o teu destino. Não podes lutar contra ele. – ele fecha o punho.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-- Quem és tu para me dizeres isso?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ele tira o capacete e a máscara, e revela ser o meu amigalhaço, o Rapaz-Galã.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://bp1.blogger.com/_n0rUSXfEAU8/R6e-QfnPBxI/AAAAAAAAAHs/IVRXDAHpJxk/s1600-h/Saturday+night+fever+darth+vader.jpg"&gt;&lt;img src="http://bp1.blogger.com/_n0rUSXfEAU8/R6e-QfnPBxI/AAAAAAAAAHs/IVRXDAHpJxk/s400/Saturday+night+fever+darth+vader.jpg" border="0" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5163304688376809234" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;-- Eu sou o teu melhor amigo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-- Tu???? Não pode ser. Nãaaaaooo.…&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-- Esta é a verdade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-- Não acredito, e então aqueles anos todos a seduzir raparigas? Foram pra quê pá?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-- Todos usamos máscaras, mas quando ela se torna demasiado pesada para carregá-la, ou nos libertamos dela através da verdade ou não vale a pena mais continuar vivo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-- Huh?? Mas que parvoíces filosóficas são essas? O que é que te aconteceu homem?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-- Vem junta-te a mim... juntos conquistaremos a galáxia!  – e estende a mão enluvada na minha direcção.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-- Nunca! – e atiro-me para o lado saindo da clareira para o meio das pessoas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E de repente ao longe, aparece em cima das colunas um bombeiro de chapéu e calças amarelas com suspensórios, em tronco nu que grita para toda gente:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#ff6600;"&gt;-- COME ON BABY LIGHT MY FIRE!!!!&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pega numa mangueira grossa, abre-a e solta um jacto de leite por toda a pista de dança, molhando o pessoal até aos ossos, e sinto-me cada vez mais encharcado até afogar-me por completo naquela sala.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Abri os olhos subitamente, e vi que estava de novo no meu quarto. Sentei-me na cama, contemplando a luz do sol a aquecer as paredes lentamente. Esfreguei as pálpebras e bocejei. Hmm... ok, nem vou comentar sobre o significado deste sonho. Foi só uma brincadeira do meu subconsciente. Nada mais que isso. E podia ter sido pior. Tipo um sonho maroto com o Alberto João Jardim. Livra, nem com anos de terapia de grupo apagariam essa imagem da cabeça duma pessoa. Não não, só quero esquecer!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas prontos, aprendi a minha lição, já não volto mais a beber meio litro de leite gordo antes de ir dormir.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Espreguicei-me todo e fiquei na caminha a acordar durante um bocado. E naquele instante apetecia-me mesmo perguntar-te com o que é que sonhas todas as noites... se calhar com parvoíces homo-eróticas suspeitas como toda gente. Ou talvez não. É uma pena que não estivesses ao pé para me contar, enfim.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não sei porquê, sentia-me meio sujo e peganhento ao acordar naquela manhã, por isso levantei-me aos poucos e fui para a casa de banho. Meti-me no duche e liguei a torneira.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ah, ao fechar os olhos, entrei numa espécie de transe semi-hipnótico e durante esses breves minutos afundei-me num estado fora do meu corpo, longe do mundo, para além da via láctea. Num sítio onde não existem conceitos humanos de dor nem prazer, apenas Zen.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A maior parte das pessoas limita-se a lavar a poeira e o suor dos dias no banho... enquanto algumas agarram-se a outras nos chuveiros talvez para provarem desesperadamente que estão vivas,  como também existem umas quantas almas alegres que só soluçam sob a corrente de água quente porque não querem que ninguém as ouça.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não sei o que pensas durante o banho, mas quanto a mim eu só desejava acordar para a vida, e abri a torneira de água fria completamente. No entanto quando dei por mim, notei que nem sequer sob o jacto de água gélida  o meu corpo tremia. Não conseguia sentir nada, porque possuía só um glaciar no lugar do coração.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sorri para mim, tinha finalmente voltado ao normal.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Voltei para o quarto, vesti-me, e quando olhei para o relógio já passava do meio dia. Caraças, não apareci para o trabalho com os outros. Que irresponsável. Paciência, encolhi os ombros, não vale a pena chorar sobre leite derramado, está um dia tão radiante e azul lá fora. Dá mesmo vontade de espairecer e deliciarmo-nos nessa cena toda do carpe diem. Por isso saí de casa, liguei o MP3, e decidi ir à praia.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;object width="425" height="355"&gt;&lt;param name="movie" value="http://www.youtube.com/v/Y9_7e1rQU_U&amp;amp;rel=1"&gt;&lt;/param&gt;&lt;param name="wmode" value="transparent"&gt;&lt;/param&gt;&lt;embed src="http://www.youtube.com/v/Y9_7e1rQU_U&amp;amp;rel=1" type="application/x-shockwave-flash" wmode="transparent" width="425" height="355"&gt;&lt;/embed&gt;&lt;/object&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/19556454-500983636776194154?l=monstrodesalmado.blogspot.com'/&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="feedflare"&gt;
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&lt;/div&gt;</description><link>http://monstrodesalmado.blogspot.com/2008/02/sonhos-de-leite-sem-ela.html</link><author>noreply@blogger.com (O Rapaz Imaginario)</author><media:thumbnail url="http://bp3.blogger.com/_n0rUSXfEAU8/R6fAw_nPByI/AAAAAAAAAH0/pxFJ-IIdF3M/s72-c/insomnia+cartoon.jpg" height="72" width="72" /><thr:total xmlns:thr="http://purl.org/syndication/thread/1.0">1</thr:total></item><item><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-19556454.post-5073119894946194916</guid><pubDate>Wed, 23 Jan 2008 20:21:00 +0000</pubDate><atom:updated>2008-01-23T21:40:50.733Z</atom:updated><category domain="http://www.blogger.com/atom/ns#">paraíso</category><category domain="http://www.blogger.com/atom/ns#">bêbados</category><category domain="http://www.blogger.com/atom/ns#">amor</category><title>EL MAÑANA AL FINAL DE MUNDO</title><description>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://bp2.blogger.com/_n0rUSXfEAU8/R5ez3vnPBwI/AAAAAAAAAHk/nZrkh7y2ULc/s1600-h/Edward+Hopper+Nighthawks.jpg"&gt;&lt;img src="http://bp2.blogger.com/_n0rUSXfEAU8/R5ez3vnPBwI/AAAAAAAAAHk/nZrkh7y2ULc/s400/Edward+Hopper+Nighthawks.jpg" border="0" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5158789668431398658" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Fui cambaleando ao longo do rio Arade até dar de caras com um cenário familiar à minha frente...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E lá estava a bomba de gasolina solitária com o Burguer Ranch aberto 24 horas onde tinha jantado mais cedo. Em noite de tempestade qualquer porto serve de abrigo, e como estava cheio de frio e farto de queimar a borracha das solas entrei lá dentro aliviado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Era mesmo um sítio desencantado, sem clientes a comer, com apenas o som sóbrio do televisor a ressoar pelo restaurante. Aquilo estava mesmo mais deserto que um bairro étnico depois de um ataque químico. Aproximei-me do balcão a tremer das mãos que tinham congelado e dirigi-me ao empregado africano encostado à parede de braços cruzados.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-- Boa noite... por acaso não tem aí chá?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O rapaz levantou o sobrolho cepticamente como se fosse a primeira vez que tivesse ouvido alguém a pedir chá naquele sítio.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-- Huh... acho que sim...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ele foi perguntar ao supervisionador, um tipo com um penteado todo perfeito e uma camisa branca arregaçada, sobre se havia chá e ele respondeu meio inseguro que sim. O empregado africano pôs-se a revirar umas gavetas debaixo da máquina do café, à procura das coisas até que reuniu um bule de lata e uns pacotes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-- Quer chá de quê?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-- Verde é claro. Preciso de acordar mesmo pra a vida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-- Ah ok.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Levei o tabuleiro com água quente pra mesa e fiz a minha infusão preferida sem açúcar. Acho que foi um poeta inglês qualquer que disse que chá é a única bebida que nos acalma quando estamos exaltados e nos excita quando estamos calmos. Enfim, não era feito de folhas das montanhas do Dragão, mas servia pra aquecer o corpo e o meu espírito cansado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;4:52&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Estava a dar na TV uma série americana genérica qualquer de polícias e criminosos e ainda faltavam muitas horas até ao amanhecer para chegada da camioneta. Assim achei melhor sacar do meu caderninho novo e tentar escrevinhar algo giro para te entreter.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;i&gt;&lt;span style="color:#ff6600;"&gt;Comecei com um poema.....&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Batata, batatinha,&lt;br /&gt;Néons na escuridão,&lt;br /&gt;Reflexos no rio,&lt;br /&gt;Batata batatinha,&lt;br /&gt;Semáforos abertos,&lt;br /&gt;Estradas desertas,&lt;br /&gt;Batata batatinha,&lt;br /&gt;Insónias latejantes&lt;br /&gt;Uma overdose ofegante&lt;br /&gt;De ansiedade e loucura&lt;br /&gt;São o nosso fardo de cada noite&lt;br /&gt;Batata, batatinha,&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;ALELUIA!&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;Ok.... não era bem isto... os miolos não prestam mesmo pra nada às 5 da matina... o que eu queria dizer... aquilo que guardo no coração era...  huh... hmm... desisto. Não te interessa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;De repente começaram a aparecer carros, trazendo com eles um fluxo constante de pessoas e o restaurante encheu-se de pitas do secundário, quarentões bêbados, e montes de estrangeiros com um aspecto fashion pós-moderno de gosto duvidoso. Realmente esta pseudo década que está a nascer tem ainda menos identidade que os anos 90...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os sacanas vinham em massa e os empregados não tinham mãos a medir assim a meio da madrugada. Calculei que deviam ter saído dos bares, hmm, pois, pra próxima encontro essa merda e desgraço-me completamente. A sério.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Estava ali sentado a tentar escrevinhar qualquer coisa, mas vieram logo os embriagados do costume sentar-se ao pé de mim, para contarem-me piadas cujo punch-line não se lembravam.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Enfim... é a minha sina de atrair sempre esta malta por alguma razão cósmica desconhecida. O mesmo borrão embaciado de caras de sempre. No entanto lembro-me bem dum africano completamente musculado que falava francês como língua materna e usava uma camisa vermelha do Pantera Negra do Benfica. Ele disse-me umas banalidades que ficaram na minha consciência sei lá porquê.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-- Sabes, vês este sítio tua volta? Esta cidade sempre com obras e mal governada?  Para ti pode ser lixo, não presta pra nada, e só queres sair daqui para muito longe.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-- Um bocado. Mas eu sou de Lisboa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-- Igual igual, não interessa. Eu vim de Marrocos, arrisquei a vida para vir trabalhar na Europa e mandar dinheiro a família. Vocês em Portugal não imaginam a sorte que ter! Até os mais pobres aqui passam menos fome do que em Africa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-- Pois…&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-- Tu tens ar que parece mesmo triste como as pessoas de cá.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-- Não não, simplesmente não dormi nada esta noite. Tou morto. – desculpei-me meio embaraçado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-- A felicidade depende de cada homem, devias rir mais pá, porque esta é a terra de esperança e bom futebol!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-- BENFICA!!!! – grita um puto já mais vermelho que o seu próprio cachecol – granda jogo que foi pá esta noite! Viva o glorioso!!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O optimismo  do marroquino era contagiante e até tinha uma certa razão. Mas era por isso mesmo que eu ia fugir um dia. Não são os problemas deste sítio que me incomodam, são só as memórias dele e o facto de não conseguir apagá-las. Talvez aquele vaso atirado à cabeça não fosse assim tão má ideia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Levantei-me para ir buscar outro chá e fiquei na fila durante um bom bocado. Quando voltei já tinham me ocupado o lugar, e fiquei parado até que uma mulher me chama para o pé dos amigos dela. Sentei-me com eles, e reparei que era malta de trinta e muitos anos, completamente bêbados e de olhos cheios de sangue. A gaja estava acompanhada do marido mais velho de bigode e duma amiga com o olhar fixo no vazio. E como sempre não parava de falar comigo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-- Hei tu não pareces daqui, pois não...? Onde é que nasceste, rapaz?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-- Hmm, na maternidade Alfredo da Costa. Em Lisboa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-- Ah, porreiro. Falas muito bem português.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-- É o que 12 anos de escola fazem a uma pessoa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-- E tás aqui em Portimão a fazer o quê? Férias? – continuou a interrogar-me curiosa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-- Não.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-- Ah, já sei, vieste ver uma menina, huh? Como é que ela se chama...?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu suspirei um bocado impaciente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-- Não. Só estou aqui a matar tempo e a beber chá.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-- Ah ah nós também, tava com uma fomeca, e precisava de encher o bucho antes de ir pra casa...  Tivemos ali uma aventura com a bófia, que nos queria apanhar por causa da cena do capacete, mas conseguimos fugir de mota a alta velocidade, foi alucinante.  Temos de repetir não é querido?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-- Se tu o dizes. – retorquiu o marido motard placidamente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A outra continuava calada sem comer nada a esgazear a parede. Eu bebi mais um bocado da minha chávena de chá. A gaja ri-se para mim.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-- Ah ah tens mesmo um ar distinto. Nem pareces pertencer aqui.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-- Pois não, pertenço a Telheiras, o melhor bairro dormitório do mundo!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-- Alguém já te disse que és mesmo jeitoso? O rapaz é bonito, não é querido?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-- Se tu o dizes. – retorquiu o marido motard placidamente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu encolhi os ombros. Realmente mulheres bêbadas são uma alegria, eu devia é ter te conhecido numa manhã destas, as coisas teriam sido mesmo diferentes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eles finalmente acabam de comer e preparam-se para ir-se embora. Eu respiro de alívio até que de repente a amiga silenciosa pega na minha mala.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-- Então menino, bora lá, já sei que te tenho de levar pra casa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-- Huh?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-- Vem comigo, não vais ficar ai sozinho.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu olho para ela e sinceramente era inconsequente se fosse a gaja mais linda ou mais feia da terra, porque por muito confuso que estivesse, pelo menos tinha a certeza que não tinha vindo para Portimão pra afogar as mágoas nos braços doutra pessoa. E assim sorri genuinamente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-- Ah ah, nah, fica pra próxima.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-- Ok, ok, tu é que sabes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E vão se embora do restaurante nas motas fazendo-se à estrada. O empregado africano que estava a varrer o chão ali ao pé vira-se pra mim:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-- Poça, que paciência que tens. Não paravam de te chatear.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-- É na boa. Se ninguém se metesse com os copos, o mundo seria um marasmo e quase ninguém engravidava.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-- Ah ah tens razão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Com o restaurante esvaziado passei depois o resto da madrugada a meter conversa com o cabo-verdiano e a ensinar palavras no meu dialecto ao pessoal do restaurante.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://bp3.blogger.com/_n0rUSXfEAU8/R5eiC_nPBvI/AAAAAAAAAHc/wvKhWp-CYEM/s1600-h/sunrise+sea.jpg"&gt;&lt;img src="http://bp3.blogger.com/_n0rUSXfEAU8/R5eiC_nPBvI/AAAAAAAAAHc/wvKhWp-CYEM/s400/sunrise+sea.jpg" border="0" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5158770070495626994" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Até que vi os primeiros raios da aurora ao longe através do vidro da porta. O rio parecia-me bem  mais calmo que a noite anterior, com um belo veleiro ancorado magnificamente na marina. Eu despedi-me da malta e fui sentar-me num banco à beira da ria, na primeira fila deste espectáculo diário de graça.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Hmm, o nascer do sol são como as oportunidades, espera muito por ele e acabas por perdê-lo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas este foi dos mais radiantes e quentes que eu já apreciei em toda a minha vida e fiquei de olhos fechados a aquecer-me debaixo do calor da alvorada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Levantei-me uma hora depois, meti os auscultadores e fui apanhar a camioneta para Lisboa.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;object width="425" height="355"&gt;&lt;param name="movie" value="http://www.youtube.com/v/9-bwcMxlySk&amp;rel=1"&gt;&lt;param name="wmode" value="transparent"&gt;&lt;embed src="http://www.youtube.com/v/9-bwcMxlySk&amp;rel=1" type="application/x-shockwave-flash" wmode="transparent" width="425" height="355"&gt;&lt;/embed&gt;&lt;/object&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Durante a viagem de regresso, acordei a transpirar de medo dum sonho contigo...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Hmm... Mas estava tudo bem. Estava tudo bem...&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/19556454-5073119894946194916?l=monstrodesalmado.blogspot.com'/&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="feedflare"&gt;
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&lt;/div&gt;</description><link>http://monstrodesalmado.blogspot.com/2008/01/el-maana-al-final-de-mundo.html</link><author>noreply@blogger.com (O Rapaz Imaginario)</author><media:thumbnail url="http://bp2.blogger.com/_n0rUSXfEAU8/R5ez3vnPBwI/AAAAAAAAAHk/nZrkh7y2ULc/s72-c/Edward+Hopper+Nighthawks.jpg" height="72" width="72" /><thr:total xmlns:thr="http://purl.org/syndication/thread/1.0">0</thr:total></item><item><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-19556454.post-8507594231359239841</guid><pubDate>Sat, 19 Jan 2008 13:42:00 +0000</pubDate><atom:updated>2008-01-19T14:06:07.734Z</atom:updated><category domain="http://www.blogger.com/atom/ns#">black dog</category><category domain="http://www.blogger.com/atom/ns#">vadiagem</category><category domain="http://www.blogger.com/atom/ns#">bêbados</category><category domain="http://www.blogger.com/atom/ns#">filmes</category><title>After Hours No País Das Maravilhas: Parte II</title><description>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://bp3.blogger.com/_n0rUSXfEAU8/R5ICsdHyc8I/AAAAAAAAAHU/Z0knib8NPfY/s1600-h/Van+Gogh+Starry+Night+Rhone.jpg"&gt;&lt;img src="http://bp3.blogger.com/_n0rUSXfEAU8/R5ICsdHyc8I/AAAAAAAAAHU/Z0knib8NPfY/s400/Van+Gogh+Starry+Night+Rhone.jpg" border="0" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5157187486047433666" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#3366ff;"&gt;&lt;i&gt;&lt;br /&gt;We'll I'm standing by a river but the water doesn't flow&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;It boils with every poison you can think of.&lt;br /&gt;Then I'm underneath the streetlights&lt;br /&gt;But the light of joy I know&lt;br /&gt;Scared beyond belief way down in the shadows.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;And the perverted fear of violence chokes a smile on every face&lt;br /&gt;And common sense is ringing out the bells.&lt;br /&gt;This ain't no technological breakdown&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Oh no&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;this is the road to hell.&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;É curioso o facto dum sítio puder transformar-se tanto do dia para a noite, e estas casinhas pacatas e sem personalidade tornarem-se quase loucamente ameaçadoras ao cair do sol, como trabalhadores dum escritório de contabilidade virados psychos depois de terem sido despedidos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E sozinho num lugar desprovido de qualquer calor humano, no coração das trevas, uma sensação aguilhoada de paranóia começava lentamente a crescer na parte detrás do meu crânio até inundar a minha consciência toda e eu passar a ver movimentos fantasmagóricos no canto da minha visão periférica, mas que desapareciam sempre que olhava directamente para eles...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pá, ao fim ao cabo, eu sabia no fundo que não havia nada escondido nas sombras à minha espera, isto de ser assaltado só acontece a pessoas com karmas desgraçados, e nunca a pessoas tão fixes como eu! (e se por acaso fosse emboscado, também sei correr pra caraças)&lt;br /&gt;Mas no entanto não conseguia arrancar a sensação que estava a ser observado, perseguido e precedido por um doppelgänger de mau agoiro, por muito que tentasse racionalizar a minha cabeça. Havia qualquer instinto animal mais básico sob a pele que me controlava o pensamento completamente. O medo é mesmo um sistema de protecção lixado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ouvi o ruído de latas a rolar pelo pavimento, vasculhei a rua procurando algum ser vivo, mas estava completamente só. E nem sequer havia vento a soprar...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Merda, é bastante raro eu ter algum receio de passear no escuro, já tinha perdido a conta das vezes que vagueei sozinho à noite em sítios mal frequentados, e no entanto havia qualquer coisa indescritível nesta cidade pacífica que me incomodava. Mas o que é que raios seria...?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As minhas pernas desvairadas levaram-me por ruas atrás de ruas e desemboquei finalmente numa praça dum jardim onde estava a carcaça enferrujada dum avião da força área. Era um daqueles monumentos erguidos provavelmente para celebrar o sacrifício voluntário de soldados desconhecidos, porque o resto é tudo uma farsa inconsequente. Sentei-me ao pé dele, e limpei o suor que me escorria pelo queixo abaixo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;3:07 da noite.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fogo, tava a caminhar há uma hora, se eu soubesse que este bar era tão difícil de encontrar tinha mas é ido bater uma sorna numa espelunca qualquer.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Depois de ter descansado um bocado, levantei-me e retomei caminho. Até que ouvi ali perto a voz grossa dum homem a ecoar pela praça. Olhei para a esquerda e reparei em alguém sentado à mesa do jardim, a falar imenso sozinho, e quem sabe? Talvez estivesse a conduzir a conversa mais filosoficamente importante para a existência da Humanidade ou então a cuspir uns arrotos incoerentes quaisquer sobre putas e anacondas devoradoras de homens. Tava tão podre de bêbado que eu não conseguia distinguir nem uma palavra do tipo, que bem podia estar a falar em swahili arcaico.&lt;br /&gt;O homem viu-me também e interpelou-me, gritando comigo qualquer coisa, eu encolhi os ombros e achei melhor bazar, não tava hoje com grande pachorra pra aturar o discurso meio cómico meio triste de bêbados. Eu só queria era ficar assim.&lt;br /&gt;Virei as costas ao gajo e continuei pelo jardim, só que notei que o homem tinha se levantado também e estava a dirigir-se para mim.&lt;br /&gt;Um bocado enervado com o comportamento dele, atravessei a estrada pra meter-me noutra rua, mas ele fez exactamente o mesmo, no seu andar vacilante arrastado, com a cabeça inclinada pra frente.&lt;br /&gt;Cabrão, o que é que este tipo queria?? Caminhei apressadamente para o outro lado da rua na esperança de o despistar, mas o filho da puta teimoso não cessava de me perseguir, cada vez mais próximo sob o meu encalço, como um zombie esfomeado por carne humana.&lt;br /&gt;Tinha já o coração a bater mais depressa, as mãos a tremer, e a respiração mais pesada, o que é que eu ia fazer agora...?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Foi então que naquele preciso momento senti finalmente alguma coisa a partir-se dentro de mim, lá nas profundezas do meu âmago. E ouvi o Monstro a acordar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sim, só havia um final para isto. Levei-o outra vez para o meio do jardim, para longe de olhares alheios, ia acabar com esta brincadeira agora.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fiquei à espera dele, com os punhos cerrados, a sorrir de euforia... há tanto tempo que não me sentia assim... esta noite era mesmo para a desgraça duma forma ou outra.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O tipo estava cada vez mais perto de mim, um homem pesado todo comido dos olhos, sujo de vómito velho e que não devia estar sóbrio há anos no meio deste fim do mundo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando ele chegou finalmente a alguns passos de mim, preparei-me para partir-lhe a cara toda, e gritei-lhe:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-- O que é que foi pá??&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-- Huh... eurgh. Eshh tu, tu! – grunhiu ele.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-- O que é que tu queres?? – era agora que ia desfazê-lo, já não me conseguia conter mais...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-- Ah, olha tens lume...? – e mostra-me um cigarro meio dobrado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E de repente, toda a sensação de perigo desapareceu num gesto tão simples desapontante como este. E o Monstro voltou a adormecer.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-- Euh. Não, não fumo. – limitei-me a responder fracamente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-- Porra, ninguém tem um isqueiro. – e afasta-se de mim desinteressado, seguindo pela rua acima com um andar coxo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Esfreguei os olhos, sem saber se devia estar irritado ou aliviado, e simplesmente tomei um gole do meu licor em caso de dúvida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Prossegui a minha caminhada pela noite, de mãos nos bolsos e chumbo nos pés.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Cada vez mais perdido.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Cada vez mais e mais perdido.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um pássaro negro voou sobre a minha cabeça através da escuridão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É uma merda estar perdido, porque sempre que não conhecemos o nosso caminho, não estamos em controlo do nosso destino. E coisas más geralmente tem a tendência de nos encontrar nessas alturas, como cães de caça que sentem o nosso desespero a milhas de distância.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ouvi de repente um latido violento mesmo por detrás de mim que até senti o coração na boca. Dei um salto para a frente e virei-me, confrontando um enorme cão negro a rosnar enraivecidamente e a mostrar os dentes na minha direcção. O pêlo dele e os olhos dele eram tão pretos que pareciam estar a arder ameaçadoramente no escuro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Grrr, o cabrão assustou-me.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-- Wof wof pra ti também, filho duma cadela! -- Ladrei também dum modo irritado, até que peguei numa pedra do chão e atirei ao raio do bicho com toda a força. Não lhe acertei mas o desgraçado do cão desatou a correr dali para fora.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Prossegui o caminho até encontrar uma estrada onde passavam alguns carros ligada a um túnel estreito pelo qual eu me limitei a passar por cima, mas tinha a impressão que estava a afastar-me cada vez mais da praia, e do meu bar sagrado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fui dar a uma zona sem prédios e subi por uma encosta que só continha casinhas e vivendas. Precisava de indicações, mas as placas só me deixavam mais desorientado. Se eu encontrasse alguém agora seria tão porreiro....&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;3:40.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Estava ali no meio de nenhures quando vejo um Renault Clio vermelho com gente a estacionar no outro lado do passeio. E saem de lá uns putos de secundário que deviam tar a voltar pra casa duma festa qualquer. As duas miúdas despedem-se dum rapaz mais velho de óculos e vão para uma casinha enquanto que este ainda fica a limpar qualquer coisa no banco detrás do carro. Eu não tinha outra opção e fui abordá-lo:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-- Desculpa, mas pra onde é que ficam os bares da Praia da Rocha??&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-- Huh? Bares?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-- Ya, ando aqui meio perdido à procura.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-- Meu, tu tás bué da longe! Mesmo. A praia fica aí a uns 5 quilómetros daqui! Tens que entrar em Portimão e atravessar tudo até lá abaixo!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-- O quê??? – eu já devia estranhar o pequeno insignificante facto de estar num sítio vazio sem prédios ser sinal de ter saído da cidade.... huh....&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-- Pois, segues esta estrada, vais ter ao centro e continuas sempre pra sul ao longo do rio. Devias é apanhar um táxi ali ao pé do Continente, chegavas lá em 5 minutos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-- Hmm ok, brigado. – francamente até um cego com os copos&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E assim voltei a fazer o raio do percurso de volta.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fast-forward para 4:20.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Parei de andar, tentado relaxar os músculos das pernas e observei as minhas redondezas. Estava num local sem candeeiros de rua, cheio de armazéns e casarões abandonados. Ao pé dum muro coberto de graffiti estava um homem a mijar. E mais ao longe conseguia ver o estádio de futebol vazio com as luzes todas acessas pra cobrir uma partida entre equipas imaginárias.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu estava no meio da estrada a decidir em que direcção prosseguir quando um automóvel preto enorme abranda ao pé de mim. O vidro da janela baixa e lá dentro um homem de cabelo grisalho com cinquenta e tal anos, mas de aspecto apresentável dirige-me a palavra:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-- Então estás perdido?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-- Quem eu?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-- Sim, passei a noite a ver-te aqui às voltas. Esta zona é perigosa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-- Ah, imagino que sim, mas não há crise.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-- Andas à procura de alguma coisa?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-- Huh, sim procurava um bar para ficar até ao amanhecer.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-- Se quiseres eu dou-te boleia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu ia entrar quando me lembrei da minha mãezinha a dizer-me pra não aceitar boleia de estranhos. Não que eu tivesse medo de malta pervertida, não me conseguiriam superar nesse aspecto, mas com a sorte que eu tenho ainda me calhava um traficante de orgãos. E eu gosto muito dos meus rins onde estão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-- Euh.... não é preciso, eu chego lá sozinho.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-- Tens a certeza? Ainda és assaltado, acho melhor entrares no carro e vires comigo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-- Obrigado, mas eu desenrasco-me. Xau. – e afastei-me do homem, o tipo abanou a cabeça e arrancou com o automóvel, desaparecendo estrada abaixo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Huh, talvez fosse só um homem com boas intenções, mas como já sabia que nesta terra só nascem pessoas malucas (deve ser da água ou do Sol que afecta as cabeças da malta aqui) achei melhor estar sossegado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fogo, estas vadiagens nocturnas fizeram-me lembrar um filme que vi quando era puto, After Hours, sobre um gajo que conhece uma mulher num café, e que vai visitá-la depois à noite para um bairro nova-iorquino muita decadente. E a história consiste nele a deambular pela madrugada fora, sempre a encontrar personagens e a acontecerem-lhe azares progressivamente maiores. Se calhar já viste, e até achaste piada e tal, mas quanto a mim, não sei porquê, acho que foi uma das comédias que me deixou mais deprimido...&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;object width="425" height="355"&gt;&lt;param name="movie" value="http://www.youtube.com/v/lLHM-wPecz0&amp;amp;rel=1"&gt;&lt;/param&gt;&lt;param name="wmode" value="transparent"&gt;&lt;/param&gt;&lt;embed src="http://www.youtube.com/v/lLHM-wPecz0&amp;amp;rel=1" type="application/x-shockwave-flash" wmode="transparent" width="425" height="355"&gt;&lt;/embed&gt;&lt;/object&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Por fim acabei por dar à zona ribeirinha, vendo a Ponte Velha fechada ao trânsito a estender-se solitariamente para a outra margem onde algumas luzes néon brilhavam fracamente na distância.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Caminhei até à beira do Rio Arade, olhando para as águas negras pouco convidativas, e respirando o vento frio que vinha do mar não muito longe dali. Dei um último gole na garrafa, fechei os olhos, e atirei-a para o meio da água. Não prestava mesmo aquilo. Fez-me perder completamente a vontade de meter-me em festas, e deixou-me tão entorpecido que sou  incapaz de apreciar a beleza à minha volta, seja ela qual for. Sempre a fugir, e já nem sei o que é que me assustava tanto... E o meu único arrependimento naquele momento era não poder agora estar aqui a rir-me com o meu amigalhaço de Portimão. Se eu soubesse... Talvez as coisas tivessem sido diferentes, e estaríamos agora a beber juntos e a fazer figuras tristes à frente de miúdas em vez de tentar beber à memória dele...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sentei-me na borda do pavimento, com as pernas a abanar no ar, e pensei realmente no que é que estava ali a fazer?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E não era uma pergunta filosófica sem resposta.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/19556454-8507594231359239841?l=monstrodesalmado.blogspot.com'/&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="feedflare"&gt;
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&lt;/div&gt;</description><link>http://monstrodesalmado.blogspot.com/2008/01/after-hours-no-pas-das-maravilhas-parte_19.html</link><author>noreply@blogger.com (O Rapaz Imaginario)</author><media:thumbnail url="http://bp3.blogger.com/_n0rUSXfEAU8/R5ICsdHyc8I/AAAAAAAAAHU/Z0knib8NPfY/s72-c/Van+Gogh+Starry+Night+Rhone.jpg" height="72" width="72" /><thr:total xmlns:thr="http://purl.org/syndication/thread/1.0">0</thr:total></item><item><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-19556454.post-5247546187142538696</guid><pubDate>Sun, 06 Jan 2008 21:12:00 +0000</pubDate><atom:updated>2008-01-06T21:17:25.833Z</atom:updated><category domain="http://www.blogger.com/atom/ns#">vadiagem</category><category domain="http://www.blogger.com/atom/ns#">bêbados</category><title>After Hours No País Das Maravilhas: Parte I</title><description>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://bp0.blogger.com/_n0rUSXfEAU8/R4FES9Hyc6I/AAAAAAAAAHE/zz5V6fOzaQs/s1600-h/alice+cheshire+cat.jpg"&gt;&lt;img src="http://bp0.blogger.com/_n0rUSXfEAU8/R4FES9Hyc6I/AAAAAAAAAHE/zz5V6fOzaQs/s400/alice+cheshire+cat.jpg" border="0" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5152474541124121506" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#ff6600;"&gt;&lt;i&gt;'But I don’t want to go among mad people,' Alice remarked.&lt;br /&gt;'Oh, you can’t help that,' said the Cat. 'We’re all mad here. I’m mad. You’re mad.'&lt;br /&gt;'How do you know I’m mad?' said Alice.&lt;br /&gt;'You must be,” said the Cat. 'or you wouldn’t have come here.'&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Epá, não me orientava mesmo por Portimão, e acabava uma vez atrás da outra por dar de caras com ruas sem saída e traseiras de prédios degradados. Bem… isso também já me aconteceu num passeio pelo meu bairro. Foi numa noite depois de enveredar por uma rua misteriosa que nunca tinha visto antes, daquelas que te puxam como um imã e simplesmente tens de enfiar-te lá dentro, sabes? E quando dei por mim, reparei que estranhamente não conseguia encontrar o caminho de regresso a casa. Tive que apanhar depois um táxi pra casa… huh… okay, não tenho culpa de ter o sentido orientação duma gaivota cegueta bêbada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por isso decidi perguntar a alguém o caminho para o bar hospitaleiro mais próximo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Só que não encontrava absolutamente nenhum indivíduo que se dignasse a espairecer ali na cidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nas ruas reinava apenas uma solidão profunda tão desumana que começava a sentir o cheiro a queimado dos rastos que Monstros sem nome deixaram ao passar por estas estradas de alcatrão ardente. A sério. Não andava ali a alucinar uma fantasia qualquer, nem sequer estava mocado, eh eh. Como é que eu hei de explicar esta cena…?&lt;br /&gt;Hmm, às vezes no preciso momento antes de alguém enlouquecer, e de a vida sofrer uma viragem terrível sem precedentes, nunca tiveste um ligeiro pressentimento de que ia acontecer alguma coisa? Eu sei que é uma ideia meio esquisita, mas desde puto que sinto de vez em quando um cheiro esquisito a ácido a ameaçar a atmosfera minutos antes dum desastre colidir com a realidade. Aliás um facto engraçado é que quando eu era criança tinha a mania de dar nomes a todas as emoções estranhas que ninguém mais parecia ter, ou pelo menos admitia que tinha, e não sei porquê… cheguei mesmo a criar um nome para essa impressão: Eu chamava-lhe o Hálito do Monstro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Só que mesmo quando era miúdo eu sabia muito bem que este Hálito não provinha da terra, ou do inferno ou do céu, mas da gente à nossa volta. Mais precisamente do interior dos nossos corações. Porque em cada peito existe uma jaula de vidro. E em cada jaula dorme um Monstro. Se ficarmos suficientemente silenciosos durante algum tempo conseguimos ouvi-lo a respirar. E quando a situação em que nos encontramos se tornar negra, pudemos ouvi-lo a revirar-se desconfortavelmente no seu sono encarcerado. Até que nas raras vezes em que enfrentamos um dia de raiva a sério, o Monstrengo acorda, estilhaça a jaula num abrir de olhos e é libertado no mundo para mal dos nossos pecados.&lt;br /&gt;Deixando atrás apenas um rasto de destruição coberto de corações mutilados, almas consumidas pela loucura, e este maldito fedor indescritível.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É um bocado como os instantes finais dum pesadelo em que ganhamos noção que estamos apenas dentro dum mau sonho, e através duma espécie de sexto sentido desconstruímos subitamente todas as peças do cenário através do qual andamos inconscientemente, e o mundo todo que conhecemos desaba para outra dimensão à qual gostamos de apelidar de realidade. E é uma mudançazinha que se sucede só por causa dum pressentimento inconfundível de que algo está errado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Enfim, suponho que se pensarmos racionalmente deve ser só uma partida que a cabeça nos prega. Pois, huh, claro, é tudo psicológico. E eu não acredito em fenómenos sobrenaturais nem em tretas do género. Mas no entanto….&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu olhei para o céu que se escondia por entre os prédios, e avistei um punhado de estrelas que beijava o tecto celestial avermelhado dum modo indiferente, enquanto que aqui em baixo o meu corpo era embaciado de ambos os lados por uma fileira de luzes néon outrora esperançosas de lojas de roupa, e candeeiros de rua que piscavam epilepticamente para ninguém, afogando uma rua inteira na sua própria escuridão mal disfarçada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Até que no meio desta penumbra toda reparei numa sombra a mover-se solitariamente ao fundo da alameda. Oh meu finalmente, uma pessoa! Apressei o meu passo em direcção ao homem. Ao chegar-me ao pé dele, perguntei-lhe:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-- Eh perdão, mas podia fazer o favor de dizer onde é que fica o bar mais próximo?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O tipo era um gajo entroncado com um rosto de pedra e queixo endurecido, vira-se pra mim com cara de poucos amigos e diz numa pronúncia do Leste:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-- Não falar Português. -- encolhendo os ombros.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-- Ah... desculpe lá. – e afastei-me do homem a resmungar comentários menos apropriados para menores de 16 anos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu continuei as minhas andanças procurando então um algarvio indígena que me pudesse mostrar o caminho.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Passei por praças tétricas, por ruelas estreitas, pelo cemitério, vendo os telhados das criptas iluminados pelo luar doentio e já estava a começar a afectar-me este ambiente fúnebre todo, vim para tão longe de casa só para descobrir que este sítio é exactamente a mesma merda que Telheiras. Acho que quando passeamos por outras cidades do mundo e mais além, provavelmente até pensamos a mesma coisa, afinal de contas, pessoas serão pessoas, prédios serão prédios, e franchises do MacDonalds serão MacDonalds seja em que lado for. Mas como gastámos tanto dinheiro na viagem, temos necessidade de provar o contrário, trazendo imensas fotografias e vídeos para chatearmos os amigos. Ah ah bons tempos. Tá-me mesmo apetecer viajar daqui pra fora e nunca mais voltar, foda-se.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Paro um bocadinho à debaixo dum patamar dum prédio para recuperar o Zen, respiro fundo algumas vezes, e tento alinhar os meus cristais internos de espiritualidade. Sim.&lt;br /&gt;Eu estou uno com o Universo. A minha carne é a poeira das estrelas. A minha alma o éter do paraíso. Concentra-te, concentra-te, concentra-te e liberta-te... e tudo à volta torna-se espaço, matéria e electricidade. E tudo à volta deixa de existir.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Uff... Okay. Agora que estou lúcido como um bebé recém-nascido acabado de sair da vulva duma gaja gorda que não parava de gritar, devo ser capaz de encontrar uma resposta ao meu dilema.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E não é que... do outro lado da rua um homenzinho de boné e mãos nos bolsos do casaco sai de casa apressado e passa por mim. Eu levanto-me num ápice e não o deixo escapar, colando-me logo a ele.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-- Ehh, okay, se faz favor, podia dizer-me onde é que ficam os bares mais catitas daqui?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-- Huh? O quê falar? – diz ele numa pronúncia do Leste.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Hei, não pode ser. Outro ucraniano? Mas o que é que se passa aqui?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-- Epá, tipo um sítio onde se bebe, sabe? BAR... – fiz um gesto desesperado de eu a beber uma imperial meiguinha e doce como leite – Como é que eu hei de descrever, é um bocado uma fossa onde geralmente ficamos bêbados e fazemos figuras tristes?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-- Huh?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu já nem sabia o que havia de dizer a este.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-- Hmm, às vezes saímos de lá com uma desgraça qualquer agarrada a nós, outras vezes somos expulsos por distúrbios públicos, e a maior parte das vezes são os amigos que nos arrastam para casa. Suplico-lhe... Diga-me lá onde fica um bar decente.... por favor....&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://bp1.blogger.com/_n0rUSXfEAU8/R4FEdNHyc7I/AAAAAAAAAHM/IAiG0YabzLg/s1600-h/Bar+Urinol.jpg"&gt;&lt;img src="http://bp1.blogger.com/_n0rUSXfEAU8/R4FEdNHyc7I/AAAAAAAAAHM/IAiG0YabzLg/s400/Bar+Urinol.jpg" border="0" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5152474717217780658" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;-- AAAhhh! Bar! Haver muito bar bom na praia. – declara ele todo contente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-- Aleluia, louvado seja Deus. E qual é o caminho para lá?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-- Fácil fácil. Andar sempre para ali, depois para ali, depois esquerda, não passar rio, andar para baixo passar ao lado de estádio futebol, depois andar sempre em frente e encontrar praia, depois direita mas não ir para aí porque tem muito africano! Melhor ir sempre até acabar rua e encontrar bar OK! Mulher muito barata lá! – e levanta o polegar pra cima sorrindo imenso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-- Euhhh... está bem, muito obrigado. – odeio quando peço indicações e fico na mesma.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ufa... os russos estavam aqui pra ficar. A União Soviética não perdeu por completo porque invadiu Portimão em força aparentemente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Seja como for, pus-me então a caminho, mais esperançado, vendo o bar mítico no horizonte ali à minha espera iluminada por uma aura brilhante e dourada, com uma loura boazona a estender-me uma cerveja fresquinha e umas batatas fritas ligeiramente mas não muito salgadas, e me dissesse numa voz rouca de bagaço mas terrivelmente sedutora:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-- Hoje é George Michael’s Night. Se cantares “I Want Your Sex” e assediares alguém na casa de banho duma maneira marota bebes de graça!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Isso é que seria.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Num cruzamento mais à frente encontrei um sinal a indicar para o Centro da Cidade e outro para a Praia da Rocha. Pois, pois, calculei que lá é que devia tar aquela merda toda por causa dos turistas e da malta original que invade esta terra no Verão. Então bora para lá que já se faz tarde.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#ffcc00;"&gt;Follow the Yellow Brick Road, homie...&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;2:30 da noite.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fui seguindo as placas de indicação, mas estava a ficar cada vez mais desconfiado nelas quando me apontavam em direcções contrárias às anteriores. Andei para cima, andei para baixo, andei de lado estilo caranguejo, ao pé coxinho, mas tinha a impressão que estava ali às voltas feito parvo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É como aquela pergunta que o Bob Dylan canta: quantos estradas tem que um homem percorrer até que se possa chamar um homem?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Imensas pra caralho é o que tou a descobrir.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Subitamente numa das ruas vazias ouço uma música fantasmagórica duma mulher a cantar em russo a ecoar etereamente pelo ar. Fui-me aproximando da fonte e vi por cima duma agência funerária, uma janela aberta, com o interior completamente às escuras e as cortinas a esvoaçar ao vento. Vi um flash sinistro das entranhas do apartamento que desapareceu tão depressa entre um batimento cardíaco. Senti um arrepio na espinha, e os pêlos da nuca a ficarem todos de pé. E desatei a correr dali para fora meio assustado sem saber porquê.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/19556454-5247546187142538696?l=monstrodesalmado.blogspot.com'/&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="feedflare"&gt;
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&lt;/div&gt;</description><link>http://monstrodesalmado.blogspot.com/2008/01/after-hours-no-pas-das-maravilhas-parte.html</link><author>noreply@blogger.com (O Rapaz Imaginario)</author><media:thumbnail url="http://bp0.blogger.com/_n0rUSXfEAU8/R4FES9Hyc6I/AAAAAAAAAHE/zz5V6fOzaQs/s72-c/alice+cheshire+cat.jpg" height="72" width="72" /><thr:total xmlns:thr="http://purl.org/syndication/thread/1.0">0</thr:total></item><item><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-19556454.post-7737021975956229965</guid><pubDate>Thu, 27 Dec 2007 19:41:00 +0000</pubDate><atom:updated>2007-12-27T20:28:35.953Z</atom:updated><category domain="http://www.blogger.com/atom/ns#">vadiagem</category><category domain="http://www.blogger.com/atom/ns#">alucinados</category><category domain="http://www.blogger.com/atom/ns#">bêbados</category><title>Down The Rabbit Hole All Night Long</title><description>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://bp0.blogger.com/_n0rUSXfEAU8/R3QAONHyc4I/AAAAAAAAAG0/Gc5qvt2Rgqc/s1600-h/Alice+Wonderland+and+Cat.jpg"&gt;&lt;img src="http://bp0.blogger.com/_n0rUSXfEAU8/R3QAONHyc4I/AAAAAAAAAG0/Gc5qvt2Rgqc/s400/Alice+Wonderland+and+Cat.jpg" border="0" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5148740518031815554" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#ff6600;"&gt;&lt;i&gt;One day Alice came to a fork in the road and saw a Cheshire cat in a tree.&lt;br /&gt;‘Which road do I take?’ she asked.&lt;br /&gt;‘Where do you want to go?’ was his response.&lt;br /&gt;‘I don't know’, Alice answered.&lt;br /&gt;‘Then’, said the cat, ‘it doesn't matter.’&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Acordei na sala de cinema com as luzes a ligarem-se, e o barulho das poucas pessoas que  estavam lá a levantarem-se dos seus lugares. Notei que eram todos ucranianos... estranho. Na tela do projector rolavam os créditos e admito que mal me lembrava do filme que tinha visto. Odeio quando saio do cinema e fico apenas com a impressão de que os efeitos especiais eram fantásticos, e tudo o resto é apagado da minha memória selectivamente por uma entidade endiabrada qualquer que adora gozar connosco. Sinto-me um bocado roubado, porque já sei que vou acabar nalgum dia por ver aquilo outra vez e outra e outra...&lt;br /&gt;Enfim, esfreguei os olhos sonolentamente, vesti o meu casaco e saí do cinema meio badalhoco da cabeça. Mal passei para a rua, o ar gélido cortante tratou-me da saúde e acordou-me de vez.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;1:25 da noite.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Acho que agora só me restava a opção de ir tomar uns copos talvez num bar quentinho e acolhedor aqui perto, com música catita estilo Tears For Fears, e uma barmaid boa como o milho que tenha rompido com o namorado e só queira saber de truca-truca sem compromissos. E depois quando chegar finalmente a manhã crua, vou apanhar a camioneta e bater uma sorna na viagem de volta a Lisboa. Ahuh, parecia-me bem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E assim continuei pela rua abaixo, dando passadas largas numa direcção desconhecida sem me importar muito para onde ia, visto que eventualmente encontraria alguma coisa no meu caminho. Nem que fosse ter ao Oceano Atlântico, com os peixinhos e o pólen de haxixe atirado ao mar.&lt;br /&gt;Mas porra, já estava a caminhar há uns bons dez minutos e ainda não tinha visto ninguém a passear nas ruas de Portimão, para além duns carros com os mesmos rostos anónimos sentados na escuridão das suas carcaças de metal e plástico, sempre com pressa para chegar a casa ou algures onde as mulheres não os possam chatear.&lt;br /&gt;Ah era realmente uma daquelas noites em que o meu corpo não projectava nenhuma sombra sob o olhar desapaixonado da Lua minguante, e os meus passos não faziam qualquer ruído ao tocarem no chão. Sabes aquele dilema filosófico parvo, sobre a árvore que caí sozinha na floresta...? Era um bocado como isso, se ninguém te vê, ouve ou toca-te, então não passas dum fantasma, e pergunto-me se existes mesmo verdadeiramente? Como é que será viver eternamente nessa sensação? Hmm... acho que só vamos satisfazer essa curiosidade parva quando esticarmos o pernil. Enfim, mas   deixemos essas  ideias absurdas para outro dia num futuro longínquo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As minhas mãos estavam geladas, começando a arder completamente de tanto frio que sentia, por isso meti as minhas luvas pretas, apertei o casaco, e abri a garrafa de licor que tinha comprado para molhar a garganta. Urrgh, não era mesmo grande coisa... O que eu não fazia por um vodka melancia fresquinho acabado de ser mexido.&lt;br /&gt;Mas onde é que raios pára esse bar?? Fónix, até uma espelunca de strip servia, deve haver de certeza aqui alguma sempre aberta prós os turistas mais rebarbados.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Até que ao passar por uma rua mais transversal, ouço os graves abafados duma musiquinha irritante a soarem na zona. Olhei para o lado e vejo uma porta negra fechada sobriamente, um enorme cartaz a dizer “Proibida a entrada a menores de 18 anos”.  Tinha como nome o bar do Pato, ou do Lagarto, já não me lembro, mas era dum bicho qualquer. Fiquei um bocado hesitante em entrar naquilo que parecia ser um sítio ligeiramente duvidoso, só que o ar de arrepiar ali fora não me deixava outra escolha à minha carcaça que estava a ficar azul e bati à porta.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um homem corpulento de bigode abriu-me a porta, e eu dei-me com um bar realmente indescritível...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ena pá... sabes aquelas cenas clichés dos westerns em que o cowboy forasteiro entra no saloon decadente, empurrando as portas movediças, e toda gente olha para ele, desde o velho bêbado zarolho à dançarina de cabaret atiradiça? Depois o vilão mal-humorado cospe pra o balde do cuspo e tu já sabes que vai acontecer zaragata a qualquer momento, porque o forasteiro chega ao barman e pede um copo de leite...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pois eu não sei porquê, tive exactamente essa sensação de entrar na Twilight Zone de todos os Westerns de série B quando meti os pés lá dentro. Havia uma atmosfera tão cerrada a fumo de tabaco que podia agarrá-lo e pesá-lo ao quilo, misturada com um cheiro a suor velho e música portuguesa dos anos 80 a soar dumas colunas pequenas todas rebentadas. Era uma daquelas bandas de rock, os UHF, GNR ou Xutos... (euh, os fans que me perdoem pois nunca consegui distingui-los...)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O pessoal  estava todo a inspeccionar-me da cabeça aos pés, e eu engoli em seco. Aquilo era um bar castiço povoado pelos mesmos rostos enrugados e sombrios sentados nos mesmos lugares, noite após noite, há sei lá quantos anos... e via-se nos olhos baços pelo nevoeiro dos cigarros que cada um tinha uma história triste por contar.&lt;br /&gt;Ali dentro só se encontravam homens de barba rija, todos com mais de cinquenta anos, e nenhum deles sorria, mas muito menos choravam alguma vez na vida, com umas expressões indecifráveis de estátuas da Ilha da Páscoa, acentuadas pela amargura doce das luzes esverdeadas e vermelhas dum candeeiro mágico mal decorado, e lâmpadas incandescentes a morrerem amareladamente por detrás das prateleiras das bebidas. Não sei como explicar concretamente, mas havia ali uma certa harmonia tensa sustentada por copos de uísque meios vazios e pratos de amendoins salgados que nem o despoletar duma guerra iria mudar. Aproximei-me timidamente do balcão, o barman observando-me como se eu tivesse vindo doutro planeta pergunta-me:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-- Então o que é que vai ser?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu coço a cabeça e peço uma imperial. O tipo sem qualquer reacção enche-me aquilo, eu pago-lhe, ficando calado sem saber o que dizer.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E pus-me a beber devolvendo o olhar à malta que não parava de me perscrutar da semi-escuridão à volta do bar minúsculo. Alguns conversavam sobre futebol, o jogo do Benfica VS Porto daquela noite, outros sobre a vaga de emigrantes na cidade enquanto uns limitavam-se a esgazear em silêncio o reflexo no fundo dos seus copos.&lt;br /&gt;Normalmente acenar com a cabeça compreensivamente mostrando o meu sorriso estúpido livra-me de muitos sarilhos, e dá para entender-me com a maior parte racional da Humanidade, desde ex-combatentes da guerra colonial a junkies intelectuais amantes de trance e até à crew residente de No Name Boys da Amadora. Mas hoje... Nunca tiveste uma daquelas noites que nem o menino Jesus terias paciência para ouvir? Pois, eu não conseguia realmente comunicar com a malta à minha volta. Talvez a única pessoa que aturaria naquele momento seria uma certa badalhoca meio passada dos carretos, mas ya, não se pode ter tudo. E assim o mundo continua a girar sob suspiros e risos mal contidos, as estações do ano a irem e virem, e o ciclo da vida a dirigir-se para o raio que o parta.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Bom, ao menos não tinha calhado num bar gay ou de extrema direita... por isso o meu rabiosque tava à salvo por esta noite. Mas não era por isso que andava mais confortável... sentia-me demasiado  observado e foi sem dúvida a imperial mais interminável que eu alguma vez bebi, quase como tar enrolado com alguém enquanto bebes uns shots mesmo à frente dos pais, dum padre e um coro inteiro de miúdos da primária. Mal tinha acabado com aquilo, estava a pensar em pedir outra quando o barman vira-se para mim e diz:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;--  Desculpe lá, mas vou fechar o estabelecimento. – e começa a limpar os copos e arrumar as coisas.  Eu olho para o relógio.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;2:00  da noite.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-- Huh? Ainda é um bocado cedo. Pensava que só noutros países da Europa os bares fechavam a esta hora. Aqui geralmente a festa dura até as tantas, não é? – perguntei meio espantado com a sobriedade destes algarvios.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-- Não no meu bar. – respondeu-me simplesmente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ok, eu também não ia insistir em quebrar com a longa tradição de negócio dele. Encolhi os ombros, levantei-me e bazei outra vez.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Regressei às sombras das ruas de Portimão, e continuei o meu passeio nocturno em busca do próximo local onde pudesse relaxar até de madrugada. O upgrade tão esperado. O Santo Graal. Era mesmo o El Dorado das noites urbanas tão carregadas de ansiedade suave e cobertas por um lençol complacente de inquietação que nos deixa tão loucos à medida que envelhecemos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Prontos, prontos, pra ser sincero, apesar de querer desgraçar-me, não andava mesmo seriamente à procura de companhia ou daquela magia voodoo sintetizada em pequenos comprimidos para me abrir as portas a outros mundos. Dispenso a pílula vermelha, não me ia ajudar muito a divertir naquela noite, e quanto à azul, felizmente ainda não preciso de Viagra.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://bp2.blogger.com/_n0rUSXfEAU8/R3QActHyc5I/AAAAAAAAAG8/XYsplA4Jgj8/s1600-h/alice+wonderland+matrix.jpg"&gt;&lt;img src="http://bp2.blogger.com/_n0rUSXfEAU8/R3QActHyc5I/AAAAAAAAAG8/XYsplA4Jgj8/s400/alice+wonderland+matrix.jpg" border="0" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5148740767139918738" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Não sei o que dizer ao viajar sempre pela vida através desta área cinzenta de interferência que não é confortavelmente segura como  nadar aos círculos num aquário sem predadores, nem é propriamente o inferno duma experiência verdadeira e dura de escalar o Monte Evereste sem oxigénio de rebentar com os nossos próprios limites.&lt;br /&gt;Será que isto é apenas mera teimosia ou simplesmente muitas noites mal dormidas por causa de indecisões pessoais? E nós conhecemos bem aonde isso leva, não é toa que o sacana do Hamlet com o seu “ser ou não ser” existencial provoca a morte acidental ou não da Ofélia e de toda gente que o rodeia. E depois de fazer tanta merda, vai também com os porcos. É por isso que eu gosto é daquele personagem menor, o Príncipe da Noruega que anda por ali a passear sabe-se lá a fazer o quê na peça, sempre distante e na boa, e depois rouba a última cena em toda a sua glória. Que estilo, pá.&lt;br /&gt;Hmmm... Agora quanto a ti.... também não tenho a certeza onde te encontras exactamente... Mas tenho uma vaga noção que vais mudando e atravessando os dias às vezes como te dá na gana e outras vezes deixas-te levar apenas ao sabor das ondas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fazer uma escolha, tomar uma atitude, desde escolher o sabor dum gelado a decidir o que fazer da vida num mundo em que não há certos nem errados é certamente a coisa mais difícil que um ser humano tem que inevitavelmente enfrentar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Felizmente hoje eu só precisava de escolher qual era o bar seguinte em que eu ia fritar.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/19556454-7737021975956229965?l=monstrodesalmado.blogspot.com'/&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="feedflare"&gt;
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&lt;/div&gt;</description><link>http://monstrodesalmado.blogspot.com/2007/12/down-rabbit-hole-all-night-long.html</link><author>noreply@blogger.com (O Rapaz Imaginario)</author><media:thumbnail url="http://bp0.blogger.com/_n0rUSXfEAU8/R3QAONHyc4I/AAAAAAAAAG0/Gc5qvt2Rgqc/s72-c/Alice+Wonderland+and+Cat.jpg" height="72" width="72" /><thr:total xmlns:thr="http://purl.org/syndication/thread/1.0">0</thr:total></item><item><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-19556454.post-814655359600267225</guid><pubDate>Fri, 21 Dec 2007 22:59:00 +0000</pubDate><atom:updated>2007-12-21T23:28:42.186Z</atom:updated><category domain="http://www.blogger.com/atom/ns#">paraíso</category><category domain="http://www.blogger.com/atom/ns#">vadiagem</category><category domain="http://www.blogger.com/atom/ns#">amor</category><category domain="http://www.blogger.com/atom/ns#">filmes</category><title>Sessão da Meia Noite No Cinema Paraíso</title><description>&lt;div align="justify"&gt;O som fantasmagórico dos meus passos ecoava pela calada das ruas vazias. Passei pelas lojas fechadas com manequins de olhares tristonhos enjaulados nas montras, passei pelas luzes dos candeeiros de rua que só atraíam traças solitárias, queimando-lhes as asas em pleno voo, passei por gatos pretos a lamberem-se nas sombras sob o calor dos motores de carros estacionados, mas como não tinha destino certo, nunca chegava a lado nenhum.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Que sossego desconcertante... E ainda nem eram nove da noite em Portimão. O que é que se passa com esta cidade? Parece Telheiras na Noite das bruxas, ou do Caloiro, ou de Santo António... suspiro...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Bem já chega destas andanças desvairadas, vou é procurar um sítio pra comer, que um homem de estômago vazio não se consegue divertir, a não ser que esteja forrado com álcool e ecstasy.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Andei, vasculhei pelo centro  da cidade inteiro e mais além mas encontrava-se tudo de portas fechadas. Caraças, até os restaurantes estão trancados aos sábados? Quase parece que estes algarvios malucos vivem no Verão da massa dos turistas e passam o Inverno mesmo na fossa. A única coisa aberta eram restaurantes chineses, mas esses tanto no Natal, no Ano Novo e provavelmente no Dia do Juízo Final recebem clientes. E eu sinceramente já não podia ver um prato de chop suey com gambas e arroz chau chau à frente, depois duma infância inteira a enfardar porco agri-doce ao pequeno-almoço... eh eh.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O que me apetecia mesmo era um banquete sumptuoso, algo com classe, à luz das velas, música de piano por detrás, e a companhia certa... ahhh.... era mesmo isso...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Corta para um gordo de boné, de aspecto mal-humorado e barba mal por fazer a devorar um maxi hambúrguer. Estava agora numa bomba de gasolina ali ao pé, a consumir um menu do Burguer Ranch enquanto olhava silenciosamente do outro lado da minha mesa o gordo. O homem mal cabia no casaco de ganga que tinha vestido, e despachou o hambúrguer gigante em três tempos enquanto encharcava-se em coca cola e molhava as batatas em litros de ketchup espalhados sob o tabuleiro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ah, nada melhor para aniquilar a fome do que com uma pesada refeição cheia de colesterol e gordura! Bem... podes achar pouco saudável, mas sempre vivo mais do que se me deliciasse nas tuas obras magistrais de culinária.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Continuei o meu jantar entope-artérias todo contente enquanto observava as redondezas. A bomba estava mesmo às moscas à excepção dum quarentão a fumar tabaco e a ver futebol na TV. Parecia que era noite de jogo. Uma partida entre o Benfica e o Porto acho eu. Enfim, o meu consolo é que vou hoje parar em sítios mais divertidos que esta pasmaceira. Espero eu. Espero eu...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Enquanto tava sentado à mesa a mastigar as minhas batatas fritas, um agarrado magrinho vestido de casaco de cabedal esfolado entra pelo restaurante adentro e põe-se a falar com o gordo ao meu lado. Pareciam mesmo o Bucha e o Estica dos tempos modernos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#ff6600;"&gt;-- Epá homem, tenho ali o material guardado. Queres ir lá ver?&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#009900;"&gt;-- Tou a comer.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#ff6600;"&gt;-- Vá lá, são móveis muito catitas.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#009900;"&gt;-- Tou a comer. – retorque ele sem expressão, enquanto empanturra mais outro hambúrguer abaixo.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#ff6600;"&gt;-- Epá aquilo é coisa de primeira categoria. 3G com máquinas fotográficas e tudo pá! -- explica o agarrado todo nervoso, mexendo imenso.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#009900;"&gt;-- Tou a comer. – responde ele outra vez muita calmamente sem olhar para o tipo.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#ff6600;"&gt;-- Estas coisas vendem-se como putas num quartel! A sério! Faço-te 50 mocas por cada um.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#009900;"&gt;-- FODA-SE!! Não vês que tou a comer?! – gritou o Bucha finalmente cuspindo um bocado da alface para o tabuleiro.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#ff6600;"&gt;-- Ok ok. Então despacha-te lá que eu preciso de vender aquilo depressa. Senão arranjo outra pessoa. – choramingou o Estica.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Estive pra dizer que comprava dois por 60 euros para vender na feira da ladra, mas depois ficava sem trocos para o resto da noite. Paciência, menos um contributo para o FCA, Fundo de Caridade ao Agarrado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#009900;"&gt;-- Ah tá bem porra… mostra-me lá essa merda. – o gordo termina o hambúrguer meio chateado, limpa a boca num guardanapo e parte com o agarrado dali para fora.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Uns minutos depois terminei também o meu jantar e desapareci na noite outra vez. Ao pé das docas do rio, vi um preto a correr que nem um louco com um saco às costas. Naturalmente deduzi que estava atrasado para o emprego. Emigrantes são os únicos que ainda fazem alguma coisa neste país!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Caminhei através dumas ruas em reparações no centro de Portimão seladas ao trânsito. Eram crateras, vedações e montes de terra por todos os lados, é mesmo estranho, porque é que apesar de fazerem tantas obras nesta terra as coisas continuam a desfazer-se sempre da pior maneira? É um bocado como aquelas almas de corações destroçados que sorriem, sorriem e sorriem todos os dias só que nunca mais recuperam de si próprias... e passam os anos a viver suavemente numa mágoa desfeita em cinzas que nunca deixa de queimar, não importa quantas vezes mudem de visual, ideias, relações ou façam redecorações à casa. Hmm, porque é que eu fiz uma analogia tão esquisita assim do nada? Enfim, ainda bem que não fazemos parte desse grupo, por isso é na boa. Ou não. Não interessa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Meti-me pelas traseiras duma rua sem candeeiros e uma escuridão quase opressiva e confortável encostava-se sobre estes prédios e condomínios iguais uns aos outros, e reparei no único ser vivo por aquelas bandas, um velhote sinistro a fumar cachimbo à janela enquanto me seguia com o olhar. Eu apressei o passo e ao atravessar a estrada mais à frente quase que fui atropelado por uma carrinha Volkswagen escura que ia com o pé na tábua, faróis apagados e três indivíduos sérios vestidos de preto lá dentro. Também deviam ir começar a sua noite de trabalho.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Respirei o ar frio da noite, que ardia tão refrescantemente nos meus pulmões, enquanto procurava um sítio para me entreter. No meio das lojas apagadas dos edifícios vi uma luz acesa ao fundo e fui lá ver o que era. Cheguei e deparei-me só com uma montra de vidro que dava para uma sala branca com luzes fluorescentes pálidas, e uma mulher sentada atrás duma secretária. Hmm. Li o letreiro: Espaço Holístico, Problemas Amorosos, Pessoais, de Saúde e Financeiros.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ah, sim, era uma daquelas pessoas tipo... huh... psicóloga. Só que mais honesta porque não te pedem dinheiro durante anos de terapia. Bem hoje não queria resolver nenhuns problemas pá, só me apetecia desgraçar-me completamente que é muito mais giro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fui me afastando da zona ribeireinha para oeste até que fui dar ao centro comercial do Modelo/Continente. Yup, nunca gramei muito grandes espaços capitalistas, não têm o mesmo charme da feira da ladra, a tradição de regatear com ciganos aldrabões, nem os preços atraentes “livra-me desta merda que a bófia tá a chegar”...  Mas prontos ainda eram só nove e meia, e na falta de melhor, dava bem para matar tempo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Passei pelas portas automáticas e obviamente encontrei grupos de adolescentes rebeldes todos de Levis compradas com dinheiro dos pais, e casais infelizes com miúdos hiperactivos por todos os lados, e eu ali no meio. Vi uma livraria e escapei lá para dentro, não sei porquê, talvez estivesse à espera de encontrar naquela noite o tal livro mítico e assombroso que nos deixa marcados para o resto da vida. E que nos transforma indistintamente duma forma especial, talvez não numa pessoa melhor, mas certamente diferente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Peguei num exemplar do Kama Sutra com fotografias. Hmm. Posição da Lótus Invertida.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://bp0.blogger.com/_n0rUSXfEAU8/R2xFmNHyc2I/AAAAAAAAAGk/rodk7qjHpVA/s1600-h/Linux+Sex+Positions+Kama+Sutra.jpg"&gt;&lt;img src="http://bp0.blogger.com/_n0rUSXfEAU8/R2xFmNHyc2I/AAAAAAAAAGk/rodk7qjHpVA/s400/Linux+Sex+Positions+Kama+Sutra.jpg" border="0" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5146564996837307234" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Isto era de quebrar as costas a uma pessoa normal. Ai ai, vê-se logo que o Kama Sutra só podia ser escrito por uma mente virgem, todas aquelas noites a pensar em sexo, afectam a cachola e é caminho certo para pensamentos pervertidos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fui ter às prateleiras dos clássicos, vendo as capas dos livros até que me deparei com “O Grande Gatsby”. Mordi os lábios, e abanei a cabeça, como quem reconhece subitamente um amigo parvo doutros tempos com quem não apetece nada falar. Abri na última página do romance e li o último parágrafo sobriamente:&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://bp0.blogger.com/_n0rUSXfEAU8/R2xFyNHyc3I/AAAAAAAAAGs/i0W08nUTQvM/s1600-h/The+Great+Gatsby+Book.jpg"&gt;&lt;img src="http://bp0.blogger.com/_n0rUSXfEAU8/R2xFyNHyc3I/AAAAAAAAAGs/i0W08nUTQvM/s400/The+Great+Gatsby+Book.jpg" border="0" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5146565202995737458" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;i&gt;“Gatsby acreditava na luz verde, no futuro orgiástico que, ano após ano, recua diante dos nossos olhos, nessa altura iludiu-nos, mas não importa – amanhã correremos mais depressa, esticaremos mais os braços... E uma bela manhã....&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Assim vamos persistindo, como barcos contra a corrente, incessantemente levados de volta ao passado.”&lt;br /&gt;&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;Ah, grande Gatsby, velho amigo, fiel camarada... seu cabrão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;i&gt;&lt;span style="color:#3366ff;"&gt;Fez-me lembrar daquele dia de Verão há poucos anos atrás... estava um sol amargo de bronzear o corpo, tinha acabado de ler aquilo e não sei o que me deu mas perdi de repente a vontade de vê-la. Passeei atordoado pelo bairro fora, aos tropeções e pontapés todo queimado do peito, e à frente da tua antiga casa vi-a sentada no café. Amava-a tanto e ela estava a minha espera mas eu já sabia bem o que me ia dizer. Era óbvio que ou esquecia o que havia para esquecer ou acabava como o desgraçado do Jay Gatsby. E eu...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Foda-se pá.&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;span style="color:#3366ff;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;Saí dali a correr que nem um piromaníaco furioso dum incêndio que eu próprio ateei.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Precisava de qualquer coisa para escrever. Vasculhei os bolsos mas nada. Raios, precisava da minha dose diária, estava a ressacar pá, sem a minha seringa na veia e a minha heroína amiga. Atravessei o centro comercial e entrei no hipermercado, dirigi-me à zona do material escolar e peguei no primeiro bloco e caneta que me apareceram à frente. Ahhh. Melhor. Muito melhor. Dirige-me então aos balcões para pagar quando me recordei o quão frio estava lá fora, e ainda por cima ia andar sozinho a noite toda, por isso achei melhor buscar alguma companhia para a minha jornada. Levei comigo uma garrafa de licor rasca de 5 euros, não era o amigalhaço do Jack Daniels, mas servia para aquecer um bocado as entranhas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Bazei do hipermercado e a caminhar por entre a praça do centro comercial vi cartazes de cinema no andar de cima. Decidi ir dar uma olhadela por mera curiosidade o que ia passar na sessão das 22h.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Hmm... estavam em cena o Beowulf, Uma História de Encantar, o Shoot em Up, Hitman etc...&lt;br /&gt;Não eram maus filmes para ver com a malta, mas não tava hoje com grande vontade em me entreter com um desses sem ninguém com quem pudesse rir. E agora, o que é que eu ia fazer?  Aproximei-me então da menina giraça que trabalhava nas bilheteiras.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;--  Desculpa, mas tu por acaso não sabes se há outro cinema por estas bandas? Apetecia-me ver um filme sossegado que não me desse dores de cabeça.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-- Ah, pois, há outro cinema mais pequenino aqui perto, é só desceres a rua e virar à esquerda. – respondeu-me ela simplesmente num sotaque algarvio mesmo sexy.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-- Ok óptimo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-- Mas tens a certeza que não queres ver aqui? Recebes desconto se fores estudante.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-- Pá não sei.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-- E as pipocas estão quentes e acabadas de fazer.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-- Ah, eu só me metia aí dentro se hoje tivesse companhia... – olhei para a carinha laroca dela e perguntei meio a brincar– hei, e tu quando é que acabas o teu turno?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-- Oh, só às 2 e tal. Porquê?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sorrimos um para outro, e pensei no que estava a fazer. Não consegui. Sentia-me tão desorientado dos cornos, quase alienado do presente e do sítio onde me encontrava que parecia que estava a escorregar e a perder o juízo de quem eu era a sério.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-- Nada, nada, só curiosidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-- Ah ok. – encolhe ela os ombros – Então queres um bilhete ou não?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-- Nah, eu vou então lá para a outra sala ver se há qualquer coisa mais relaxada. Xau, xau, até à próxima.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-- Adeus.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Deambulei dali para fora durante uns bons minutos, até encontrar o cinema da cidade ali no meio de Portimão. Era um edifício amarelado só com um andar. Ah, eles devem passar aqui uns clássicos como aquela merda da Cinemateca de Lisboa, ou uns filmes catitas em que ao menos uma pessoa sente alguma coisa.&lt;br /&gt;Entrei lá no hall vazio e deparei-me em cartaz com o Beowulf, Uma História de Encantar e o Não Sei Que Mais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Entãaao....&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ok prontos. Já percebi. Lá terá de ser o Beowulf, parece que ia ter de ver a fronha da Angelina Jolie esta noite ou ficava lá fora ao frio...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aproximei-me da vendedora dos bilhetes que tinha um aspecto tão amaciado e cansado de estar ali que parecia 15 anos mais velha que realmente era.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Comprei um bilhete depressa e não flirtei com ela.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando entrei na sala estava à espera dum sítio muita decadente, com um casal adolescente na fila de trás na marmelada e um velho rebarbado voyeur a bater uma, mas tive sorte e só se encontravam umas quatro pessoas sentadas sozinhas que pareciam caladas demais para o meu gosto. Enfim.  Tavam como eu... Abanquei-me no meio da sala, o projector ligou-se, as luzes apagaram-se e senti-me a apagar-me também, perdendo a noção do tempo e morrendo para o mundo durante a mais longa eternidade. A sessão da Meia-Noite. E eu vislumbrei um bocado o Céu durante esse breve momento de inconsciência infinita.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;object width="425" height="355"&gt;&lt;param name="movie" value="http://www.youtube.com/v/od1GDiVLv08&amp;amp;rel=1"&gt;&lt;/param&gt;&lt;param name="wmode" value="transparent"&gt;&lt;/param&gt;&lt;embed src="http://www.youtube.com/v/od1GDiVLv08&amp;amp;rel=1" type="application/x-shockwave-flash" wmode="transparent" width="425" height="355"&gt;&lt;/embed&gt;&lt;/object&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/19556454-814655359600267225?l=monstrodesalmado.blogspot.com'/&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="feedflare"&gt;
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&lt;/div&gt;</description><link>http://monstrodesalmado.blogspot.com/2007/12/sesso-da-meia-noite-no-cinema-paraso.html</link><author>noreply@blogger.com (O Rapaz Imaginario)</author><media:thumbnail url="http://bp0.blogger.com/_n0rUSXfEAU8/R2xFmNHyc2I/AAAAAAAAAGk/rodk7qjHpVA/s72-c/Linux+Sex+Positions+Kama+Sutra.jpg" height="72" width="72" /><thr:total xmlns:thr="http://purl.org/syndication/thread/1.0">0</thr:total></item><item><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-19556454.post-1784509772642692230</guid><pubDate>Thu, 06 Dec 2007 01:31:00 +0000</pubDate><atom:updated>2007-12-06T01:52:52.862Z</atom:updated><category domain="http://www.blogger.com/atom/ns#">vadiagem</category><title>Um Pinguim Perdido Em Portimão</title><description>&lt;div align="justify"&gt;Desliguei o telemóvel, com a tua voz de pita que parecia ter sempre nhanha na boca a ecoar-me nos meus ouvidos e respirei fundo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Assim encontrava-me sozinho na pacata cidade de Portimão, vendo a noite longa a estender-se à minha frente como um monstro de sete cabeças e cauda bifurcada. O vento soprava pelas ruas entranhando-se por entre as minhas roupas como uma faca a cortar farrapos, desfazendo-me de qualquer réstia de calor, separando os membros do meu corpo, mas no entanto eu começava lentamente a gostar dessa sensação aprazível de dormência.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Viajei 300 km para te chatear e nem estavas aqui. Realmente, hmm, realmente… eu… Hah.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E por alguma razão que não percebo, comecei-me a rir ruidosamente no meio da rua e bati com a mão na testa. Enfim, acho que a minha irmãzinha estava certa quando comentou esta manhã que eu era um rapaz demasiado tonto pra viajar sozinho, e que se eu saísse de Lisboa, me ia perder tanto que até descobria um novo continente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pois, pois, encolhi os ombros, e continuei a vaguear por aí.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fui caminhando pelas ruas vazias, iluminado por um luar minguante e decorações de natal azuis, sem saber para onde ir ou que iria fazer até ao amanhecer.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Hmm… como te encontravas a milhas daqui, e não tinha ninguém com quem falar, parecia-me que a única solução que restava era regressar a casa. Voltei então à paragem para tomar a última camioneta com destino a Lisboa daquela noite.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aproximei-me do motorista de meia-idade que estava sentado ao volante, e perguntei-lhe:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-- Hei, este autocarro vai para onde?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#cc6600;"&gt;-- Lisboa. – responde ele roucamente.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-- Ah fixe. Eu podia ir com o senhor? Tenho bilhete só para amanhã, Domingo à tarde, mas precisava de voltar agora…&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#cc6600;"&gt;-- Só se for para a mesma empresa que comprou. Isto é um autocarro da Rennex.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu tirei a minha carteira atordoado, rezando para que fosse mesmo, abri o bilhete e li…&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Merda. Era doutra empresa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-- Epá, é da EVA, mas não pode dar um jeitinho?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#cc6600;"&gt;-- Não, lamento muito. Vai ter de comprar outro bilhete se quiser ir neste.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-- O quê? Outro? – eu olhei para os lados, procurando a bilheteira ali ao pé, mas vendo apenas a paragem de autocarro vazia – E onde é que eu posso fazer isso?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#cc6600;"&gt;-- Na rua atrás de nós.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-- Ah ok. Então se calhar vou lá falar com eles para me ajudarem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#cc6600;"&gt;-- Mas agora aquilo já fechou. – declara ele singelamente sem grande interesse.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-- …… -- cruzei os braços impaciente -- E então agora?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#cc6600;"&gt;-- Bem,  pode ir de manhã.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu começava a passar-me da cabeça com este tipo&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;–- Ok ok. Já percebi. Então obrigado por nada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#cc6600;"&gt;-- Não tem de quê. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Afastei-me meio chateado daquele sacana, e continuei a caminhar até perder-me no meio da noite.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Cheguei à Praça 1º de Maio, e sentei-me ali num banco a ver a fonte a esguichar jactos de água por todos os lados. Pensei que se calhar não seria má ideia ir para a pousada de juventude ou arrochar numa residencial baratucha esta noite.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://bp1.blogger.com/_n0rUSXfEAU8/R1dTPgSmN1I/AAAAAAAAAGc/kECI5K5x1OY/s1600-h/800px-Portimão+noite.JPG"&gt;&lt;img src="http://bp1.blogger.com/_n0rUSXfEAU8/R1dTPgSmN1I/AAAAAAAAAGc/kECI5K5x1OY/s400/800px-Portimão+noite.JPG" border="0" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5140669025497790290" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Espera aí, eu não quero fazer isso. Já que andei tão longe até ao fim do mundo, queimei tempo e dinheiro e depois quando finalmente chego aqui, a única coisa que faço é dormir? Que raio de maneira é essa para passar um Sábado à noite?! Vou mas é vadiar, conhecer a cidade e divertir-me um bocado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-- Porque esta noite é pra desgraça!!! – exclamei eu, pondo-me de pé e estendendo o braço para um público imaginário. – E vai ser all night long!!! Relax don’t do it, when you want to come! Wohoo!&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;object width="425" height="355"&gt;&lt;param name="movie" value="http://www.youtube.com/v/lyl5DlrsU90&amp;amp;rel=1"&gt;&lt;/param&gt;&lt;param name="wmode" value="transparent"&gt;&lt;/param&gt;&lt;embed src="http://www.youtube.com/v/lyl5DlrsU90&amp;amp;rel=1" type="application/x-shockwave-flash" wmode="transparent" width="425" height="355"&gt;&lt;/embed&gt;&lt;/object&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os jactos da fonte param de repente, até que perdem a potência toda, e deixam de lançar jorros de água, ficando silenciosos para o resto da noite…&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/19556454-1784509772642692230?l=monstrodesalmado.blogspot.com'/&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="feedflare"&gt;
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&lt;/div&gt;</description><link>http://monstrodesalmado.blogspot.com/2007/12/um-pinguim-perdido-em-portimo.html</link><author>noreply@blogger.com (O Rapaz Imaginario)</author><media:thumbnail url="http://bp1.blogger.com/_n0rUSXfEAU8/R1dTPgSmN1I/AAAAAAAAAGc/kECI5K5x1OY/s72-c/800px-Portimão+noite.JPG" height="72" width="72" /><thr:total xmlns:thr="http://purl.org/syndication/thread/1.0">0</thr:total><enclosure url="http://www.youtube.com/v/lyl5DlrsU90&amp;amp;rel=1" length="763" type="application/x-shockwave-flash" /><media:content url="http://www.youtube.com/v/lyl5DlrsU90&amp;amp;rel=1" fileSize="763" type="application/x-shockwave-flash" /></item><item><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-19556454.post-5242485727195561637</guid><pubDate>Thu, 29 Nov 2007 00:32:00 +0000</pubDate><atom:updated>2007-11-29T00:47:09.901Z</atom:updated><category domain="http://www.blogger.com/atom/ns#">vadiagem</category><category domain="http://www.blogger.com/atom/ns#">alucinados</category><category domain="http://www.blogger.com/atom/ns#">amigos</category><title>Voando Sobre Um Ninho de Cucos Mecânicos</title><description>&lt;div align="justify"&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;div align="justify"&gt;Eu caminhei de casaco apertado ao corpo pelo meu bairro em direcção à estação de metro. Estava mesmo um dia frio, o Inverno começava finalmente a aguilhoar-me a carne, deixando-me insensível e entorpecido por fora tal como a temperatura dentro do meu coração. Demasiado familiar, mesmo demasiado…&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Passo após passo pelo passeio fora, sem nunca pisar nas linhas entre as pedras, como se tivesse receio de estar a infringir uma fronteira invisível proibida, ia-me perdendo naquela distância desconfortável indefinida que nos separa dos outros.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;…O que é que isso significa pá…?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ah, nem sei ao certo, mas sinto-me que estou a afogar-me cada vez mais neste mar de palavras agradáveis e tantas vezes insinceras, rodeado pelas vozes da multidão que não param de entrar nos meus ouvidos como ondas a esmagarem-se nas rochas, e no meio desta cacofonia tempestuosa toda, até as coisas que digo deixam de chegar e tocar o próximo, e soam a ecos atirados ao abismo. Como um professor alcoólico e desiludido a tentar inspirar um bando de jovens pouco impressionáveis, só digo asneiras e piadas sarcásticas sem graça.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;…Quando é que foi a última vez que tivemos uma conversa que realmente achámos enternecedora digna de guardarmos no coração?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Foi ontem? No mês passado? Talvez no Inverno anterior?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Isso existe sequer na realidade? Ou é algo que só faz sentido nos filmes de Hollywood?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Huhhh… Não me lembro, mas devo ter tido alguns momentos mágicos desses na minha vida inteira, acho eu… só que… não… ah, estou mesmo a esquecer-me de tudo que é importante.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Será que esta rotina das 9 às 6, dia atrás do outro começa a desgastar-me em pó como os meus maxilares todas as noites?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não, não deve ser…&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu… queria contar-te… &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Apetece-me gritar…&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(…..)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://bp3.blogger.com/_n0rUSXfEAU8/R04JKIbf9QI/AAAAAAAAAGU/PiF1bLsIp8o/s1600-h/bunnies_do_scream.jpg"&gt;&lt;img src="http://bp3.blogger.com/_n0rUSXfEAU8/R04JKIbf9QI/AAAAAAAAAGU/PiF1bLsIp8o/s400/bunnies_do_scream.jpg" border="0" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5138054294542480642" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(…..)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O tempo passa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E é tudo. O mundo estava bem. Mesmo que não, tinha de acreditar nisso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não tenho outra escolha.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Alguém tem?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Olhei para o céu, o Sol continuava a brilhar e miúdos encharcados em risos a correr num vaivém por mim na rua.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Estava atrasado para ir fazer um trabalho com o meu colega de faculdade, e por isso decidi cortar caminho até ao metro. Atravessei na diagonal um pátio duns prédios ali perto até que reparei lá no meio da arquitectura de muros, escadinhas e corrimões nuns rapazes de fato de treino ou de tronco nu a saltarem um lado para o outro como se não acreditassem na Lei da Gravidade nem quisessem saber de joelhos esfolados e pulsos deslocados. Esta cena do Parkour invadiu o bairro todo em força. Bom, ao menos é uma moda saudável.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Reconheci um dos gajos, era o Rapaz-Inquieto, um conhecido lá do bairro. Acenei-lhe com a cabeça. Ele parou de pular, quase escorregando com os ténis Allstars enormes e dando um grande tralho, e vira-se pra mim sorridente:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#ffcc99;"&gt;-- Hei man, então tá tudo porreiro? – perguntou-me ele enquanto estalava os dedos.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu encolhi os ombros.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-- Different day, same shit… sempre atolado em aulas e trabalhos até ao pescoço… mas de resto tou óptimo! E tu? O que é que tens feito?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#ffcc99;"&gt;-- Epá, muita coisa muita coisa. Agora tou só a relaxar aqui com a malta, e a praticar um bocado de desporto urbano!&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Hmm, o Rapaz-Inquieto era um daqueles tipos eternamente jovens que apesar de já ser mais velho que eu, nunca ia ter idade para ter juízo. Um bocadinho como tu mas não chegas aos calcanhares da desorientação dele. Isso seria comparar em proporções um cheeseburguer singelo a um Double Big Mac Deluxe. Sim, o rapaz andava sempre meio à deriva como um surfista solitário à procura da Grande Onda sua vida. Não que haja mal nisso. Há tantos caminhos à nossa frente, desde auto-estradas a atalhos por mato cerrado que tu tomas improvisadamente porque te apetece, e vão todos dar ao fim do Universo. E no fundo, no fundo, o destino terminal é inconsequente, a única coisa que interessa é dares boleia às jovens turistas francesas e que ao menos te divirtas um bocado no raio da viagem, não achas?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-- Fazes bem. Mas e de resto? Já resolveste a tua situação?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#ffcc99;"&gt;-- Epá sabes como é que é isso tá complicado. Isto de não tar a estudar e andar meio no desemprego é um atraso de vida. Grande marasmo.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-- Não desanimes, Roma não se construiu numa noite... Mas mexe-te, porque também não se constrói por si própria! Ya?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#ffcc99;"&gt;-- Claro, claro. Mas olha deixa-me contar-te do meu novo projecto de música… é uma coisa mesmo potente. Fiz um vídeo fantástico, uma festa de efeitos especiais e o som é tipo uma mistura entre Thievery Corporation, Portishead, Anathema e samples do filme Deepthroat! Aquilo é de explodir com a cabeça, e abrir fracturas na terra de tão suavemente brutal que ficou, então ainda meti uns riffs de guitarra eléctrica para dar mais estilo, eh lá e digo-te modéstia à parte, porque sou um gajo humilde, é mesmo uma trip do caralhão, até derrete o ecrã e as colunas do quarto, pá só me apetece saltar da janela e voar, bom não a sério, isso doía um bocado, mas tens de ouvir por ti próprio, o quão totalmente atmosférico e totalmente awesome é aquilo, como um bebé a ouvir o bater do coração da mãe do interior da barriga, sabes, música é mesmo a linguagem da alma, é aquela ponte que consegue aproximar duas pessoas estranhas que se odeiam, a escadaria para o paraíso, a solução para todos os males da cabeça, né??&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-- Huh, sim sim. --  ele falava sempre dum modo tão acelerado e gesticulava tanto os braços que eu não sabia dizer se ele tinha andado a fumar qualquer coisa catita, ou se era simplesmente um tipo entusiasmado e doido pela vida. Mas enfim, ele era bom rapaz.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#ffcc99;"&gt;-- Depois eu mando-te isso, tasse?&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-- Ya ok. – eu olhei para o relógio – epá desculpa lá tenho de bazar. Foi um prazer. Xau e fica bem!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#ffcc99;"&gt;-- Até à próxima meu.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Corri e saí do pátio para ir ter ao metro. Ouvi o móvel e li a seguinte mensagem do Rapaz-Chato-Que-Se-Farta:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Onde é que tás? Pára de anhar e vem mas é trabalhar!”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Isto ia ser um longo dia…&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(…..)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O tempo passa mais um bocado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando voltei para casa ao final da tarde sentei-me na estação do Intendente à espera do metro. Era daquelas estações que ainda não tinha sido remodelada, as paredes do túnel estavam todas cobertas por uns mosaicos de aspecto azulado sujo incrivelmente decadente, havia um cheiro intenso a mijo e imenso lixo no pavimento, enquanto o rugir neurótico das ventoinhas nunca parava de gemer. Tava um velho mal-vestido despenteado de barba cinzenta sentado do outro lado do cais, sozinho no seu banco a remexer nuns sacos de plástico. Fiquei a observá-lo quando de repente ele começa a gritar para ninguém:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-- Hei, hei, eu quero ir matar uns passarinhos dum raio! Esses cabrões. Já vos ensino! – levanta-se e dá um soco imaginário no ar.  Pouco depois começa a trautear uma música e a bater palmas, enquanto os outros transeuntes o ignoravam completamente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-- Sha-la-la… E viva o Sporting.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-- Viva. – apoiei eu do outro lado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ele não me respondeu e desapareceu para sempre quando o metro chegou.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Foi então que percebi…&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;…que provavelmente o elemento que nos liga mais perto dos outros era a loucura. Hmm, às vezes só assim é que respeitamos a sério uma pessoa com uns fusíveis a menos, porque simplesmente sabes que anda tão lixada pela vida como tu.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E no fim, os únicos que se safam sempre da raiva do Universo são mesmo os cucos, a sorte favorece  um bocado demais os audazes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;object width="425" height="353"&gt;&lt;param name="movie" value="http://www.youtube.com/v/p4cP2oy4ebE&amp;amp;rel=1"&gt;&lt;/param&gt;&lt;param name="wmode" value="transparent"&gt;&lt;/param&gt;&lt;embed src="http://www.youtube.com/v/p4cP2oy4ebE&amp;amp;rel=1" type="application/x-shockwave-flash" wmode="transparent" width="425" height="353"&gt;&lt;/embed&gt;&lt;/object&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/19556454-5242485727195561637?l=monstrodesalmado.blogspot.com'/&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="feedflare"&gt;
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&lt;/div&gt;</description><link>http://monstrodesalmado.blogspot.com/2007/11/voando-sobre-um-ninho-de-cucos-mecnicos.html</link><author>noreply@blogger.com (O Rapaz Imaginario)</author><media:thumbnail url="http://bp3.blogger.com/_n0rUSXfEAU8/R04JKIbf9QI/AAAAAAAAAGU/PiF1bLsIp8o/s72-c/bunnies_do_scream.jpg" height="72" width="72" /><thr:total xmlns:thr="http://purl.org/syndication/thread/1.0">0</thr:total></item><language>en-us</language><media:rating>nonadult</media:rating></channel></rss>
