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	<title>Não Dois, Não Um: um blog sobre relacionamentos lúcidos</title>
	
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	<description>Ensaios sobre relacionamentos amorosos. Sexo e filosofia, paixão e espiritualidade. Para homens e mulheres.</description>
	<lastBuildDate>Mon, 08 Mar 2010 19:14:33 +0000</lastBuildDate>
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		<title>Entrevista sobre divórcio, separação, apatia, abandono e os arredores do fim</title>
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		<comments>http://nao2nao1.com.br/entrevista-sobre-divorcio-separacao-apatia-abandono-e-outros-arredores-do-fim/#comments</comments>
		<pubDate>Mon, 08 Mar 2010 15:15:30 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Gustavo Gitti</dc:creator>
				<category><![CDATA[Capa]]></category>
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		<description><![CDATA[<p>A princípio era uma entrevista curta para a revista Uma, depois saiu no UOL Comportamento e eu só descobri ontem, avisado por uma leitora. Parte de minhas falas estão nessa matéria: &#8220;Sinais, dicas e histórias de quem se separou e sobreviveu&#8221;.</p>
<p>Abaixo deixo tudo o que disse quando entrevistado e mais um pouco que adicionei agora.</p>
<p>Sugestão de trilha sonora:</p>
<p></p>
<p>&#8220;All the world&#8230;</p>


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			<content:encoded><![CDATA[<p>A princípio era uma entrevista curta para a revista <em>Uma</em>, depois saiu no <strong>UOL Comportamento</strong> e eu só descobri ontem, avisado por uma leitora. Parte de minhas falas estão nessa matéria: <a href="http://estilo.uol.com.br/comportamento/ultnot/2010/01/27/sinais-dicas-e-historias-de-quem-se-separou-e-sobreviveu.jhtm" target="_blank">&#8220;Sinais, dicas e histórias de quem se separou e sobreviveu&#8221;</a>.</p>
<p>Abaixo deixo tudo o que disse quando entrevistado e mais um pouco que adicionei agora.</p>
<p>Sugestão de trilha sonora:</p>
<p><object classid="clsid:d27cdb6e-ae6d-11cf-96b8-444553540000" width="425" height="344" codebase="http://download.macromedia.com/pub/shockwave/cabs/flash/swflash.cab#version=6,0,40,0"><param name="allowFullScreen" value="true" /><param name="allowscriptaccess" value="always" /><param name="src" value="http://www.youtube.com/v/So1wnXYDOrk&amp;hl=pt_BR&amp;fs=1&amp;rel=0" /><param name="allowfullscreen" value="true" /><embed type="application/x-shockwave-flash" width="425" height="344" src="http://www.youtube.com/v/So1wnXYDOrk&amp;hl=pt_BR&amp;fs=1&amp;rel=0" allowscriptaccess="always" allowfullscreen="true"></embed></object></p>
<blockquote><p>&#8220;All the world just stopped now<br />
So you say you don&#8217;t wanna stay together any more [...]<br />
All the world is danglin&#8217; danglin&#8217; danglin&#8217; for me darlin&#8217;<br />
You don&#8217;t know the power that you have with that tear in your hand&#8221;<br />
–<a href="http://www.youtube.com/watch?v=7Nuxp8Rgryk" target="_blank"><strong>Tori Amos</strong></a></p></blockquote>
<h1>Homens e mulheres encaram o divórcio de maneiras diferentes. Por quê?</h1>
<p>É dolorido para ambos, mas eu vejo uma certa desenvoltura nas mulheres pelo fato de que a energia delas rapidamente brota novamente em outra direção, geralmente ao lado de um novo homem. Talvez seja mais fácil para elas pois a postura feminina é a de ser envolvida, conquistada, conduzida. E isso pode acontecer na semana seguinte ao divórcio.</p>
<p>Ao mesmo tempo, vejo muitos homens incapazes de se relacionar com outras, passando um longo tempo <strong>apegados à ex-mulher</strong>, impotentes, sem conseguir criar novas relações duradouras. Mesmo com sexo casual, muitos permanecem infelizes até conseguirem avançar, amar e realmente penetrar outra mulher.</p>
<h1>É comum a pessoa sentir como um luto o fim de um relacionamento?</h1>
<p>Sem dúvidas. O fim de um relacionamento é uma morte assim como o começo deu nascimento a uma identidade (&#8221;o namorado&#8221; ou &#8220;a esposa&#8221;), com todo um modo de ser, uma linguagem, um olhar,<strong> um mundo inteiro</strong> que foi co-construído sob o olhar do outro. Com o fim, esse mundo desmorona. Não é por acaso que nos falta ar, emagrecemos e fica difícil encontrar energia para sair da cama. Essa energia estava vinculada a uma <a href="http://nao2nao1.com.br/sobre-mascaras-rotulos-e-essencias/" target="_blank">identidade</a> que não mais existe, daí a necessidade de um renascimento, que às vezes leva tempo.</p>
<p><img src="http://nao2nao1.com.br/wp-content/uploads/2010/03/homem-sem-sombra.jpg" alt="&quot;Então, to achando que ela levou coisas demais quando foi embora&quot;" width="300" height="250" align="left" /></p>
<p>Nosso parceiro funciona como uma fonte de luz. Quando a relação acaba, a sensação é de perder nossa substancialidade. Viramos <strong>uma pessoa sem sombra</strong>.</p>
<p>O importante é perceber que sofremos não porque o outro não mais nos ama, nos traiu ou abandonou, mas porque nos sentimos incapazes de amar e nos relacionar com outra pessoa. Assim que essa capacidade retorna, o sofrimento se esvai.</p>
<p>A explicação para isso é simples: <a href="http://papodehomem.com.br/o-que-tanto-buscamos-em-noitadas-bebidas-mulheres-trabalhos-e-viagens/" target="_blank">não somos apegados a pessoas ou relações</a>, mas a experiências positivas nas quais nossa energia flui. O cara pode passar anos sofrendo pela ex-mulher, mas tudo se dissolve quando uma outra mulher vem e faz a coisa toda andar de novo. Ele não estava querendo a mulher de volta, <strong>ele queria a sua ereção de volta</strong>: o brilho no olho, a rotina do casamento, a companhia, o tesão de viver, a experiência, o mundo, o pacote completo.</p>
<p>Quando nosso parceiro vai embora e saímos correndo, nós não estamos mirando o outro, não queremos resgatar seu amor. Não é bem isso que desejamos voltar a possuir. Nós saímos correndo atrás de nossa identidade decepada, dos sonhos interrompidos, do prazer obstruído, da nossa própria sombra que o outro projetava, da nossa pele, do que surgia em nós quando o outro estava por perto. Saímos correndo atrás de nós mesmos!</p>
<h1>Quais conselhos que você daria para uma pessoa que acaba de terminar um relacionamento longo?</h1>
<p>Um dos melhores caminhos é focar em estabelecer uma vida rica de experiências positivas. Quando meu último relacionamento terminou (5 anos, 3 como casados), procurei passar um tempo sozinho e alinhar meu direcionamento na vida. Aprendi dança de salão, meditei mais regularmente, me envolvi com projetos mais amplos, comecei um site para ajudar outros em seus relacionamentos&#8230;</p>
<p>Outro lance fundamental é ativar o corpo. Correr, malhar, tocar algum instrumento musical, aprender alguma arte marcial, tai chi, ioga, esportes de qualquer tipo. A abordagem cerebral pouco adianta. É no corpo que a vida acontece.</p>
<p>A chave para superar a sensação de abandono é descobrir quais são <strong>suas habilidades</strong> e oferecê-las ao mundo, beneficiando e movimentando o máximo possível de pessoas em direções positivas.</p>
<p>Se a pessoa se envolver com outros por carência, ela continuará se sentindo carente, mesmo depois de passar 30 noites com parceiros diferentes. Se ela começar a se mover com liberdade e autonomia, se começar a oferecer experiências aos outros, uma noite é suficiente para deixá-la feliz ao ver felicidade nos olhos do outro. É esse o tipo de felicidade que nos satisfaz: a que causamos nos outros, não a que recebemos.</p>
<h1>Como saber se o casamento ou namoro está indo para o fim?</h1>
<p>Antes das brigas e desentendimentos, ou antes mesmo de acabar a criatividade do casal em viver coisas novas e avançar na relação, ocorre uma <a href="http://nao2nao1.com.br/?s=apatia&amp;x=0&amp;y=0" target="_blank"><strong>apatia</strong></a>. É esse o primeiro sinal: ausência de energia, disposição e brilho nos olhos, tudo aquilo que mais estava presente no começo, <a href="http://nao2nao1.com.br/casar-por-amor-e-uma-pessima-ideia-parte-3/" target="_blank">no estouro da paixão</a>.</p>
<p>Em geral, é um processo que ocorre com ambos, <a href="http://nao2nao1.com.br/amar-e-conhecer-a-cor-do-olhar/" target="_blank">que se olham</a> de modo opaco. Assim eles ficam mais feios um ao outro e menos generosos. Ele se dão menos crédito, não mais se elogiam ou se estimulam a crescer, não mais se contemplam à distância com admiração.</p>
<p>Conflitos vários, falta de sexo, beijos e sonhos ausentes são só consequência. Sintomas que aparecem bem depois da apatia inicial.</p>
<p>Costumamos achar que o amor morre quando paramos de receber, mas ele já está morto bem antes, quando paramos de oferecer. Tanto é que, para decidir se voltamos ou não, naquelas infindáveis conversas cheias de exigências, achamos que a relação só pode continuar se o outro fizer certas coisas, se recebermos certas coisas, então o acordo se dá assim: &#8220;Eu quero receber isso, ok? O que você precisa receber de volta?&#8221;.</p>
<p>Quando começamos a culpar o outro pelo nosso próprio sofrimento, pronto, eis o <strong>alerta vermelho</strong>. Daí para o fim é um pulo.</p>
<p>O antídoto para a apatia não é &#8220;manter o fogo&#8221;, prolongar a paixão inicial, &#8220;apimentar a relação&#8221;. Focar no próprio relacionamento, <a href="http://nao2nao1.com.br/9-dicas-para-casais-que-moram-juntos/" target="_blank">usar a criatividade</a>, explorar fantasias, viajar junto; tudo isso funciona, claro, mas não dá para manter tal frescor por muito tempo. O antídoto para apatia em um casal encontra-se na vida dele e na vida dela, não tanto no próprio casal. Está mais no &#8220;Eu&#8221; e menos no &#8220;Nós&#8221;.</p>
<p>Se ele se movimenta de modo positivo, se tem brilho nos olhos, se enriquece a vida dos outros, se anda no mundo com uma visão ampla. Se ela está sempre em desenvolvimento, cada vez mais inteligente, radiante e livre, se dança pelo mundo, se também tem <a href="http://nao2nao1.com.br/?s=brilho+nos+olhos&amp;x=0&amp;y=0" target="_blank">brilho nos olhos</a> e sentido na vida. <strong>É isso o que livra o casal da apatia:</strong> a energia que eles movimentam por si só, sem o apoio do outro. É essa a energia que eles trazem para a relação, que se multiplica quando vira &#8220;Nós&#8221;.</p>
<p><em><strong>P.S.: </strong>Se você busca um texto sobre o Dia Internacional da Mulher, aqui está: <a href="http://papodehomem.com.br/a-mulher-e-seus-desconhecedores/" target="_blank">&#8220;A mulher e seus desconhecedores&#8221;</a>. E se você busca algo sobre budismo e ciência, aqui está <a href="http://bodisatva.com.br/instituto-mind-life-o-melhor-da-ciencia-com-o-melhor-do-budismo/" target="_blank">meu post sobre o instituto Mind &amp; Life</a>.</em></p>


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		<title>“I’ll be there for you…” Alguém ainda acredita no Bon Jovi?</title>
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		<pubDate>Fri, 05 Mar 2010 09:51:09 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Gustavo Gitti</dc:creator>
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		<description><![CDATA[<p>
Para quem não quer ler ao som de Bon Jovi, deixo outras opções com &#8220;I&#8217;ll be there&#8221;, tem pra todos os gostos: Elvis Presley, Megadeth, Jackson 5, Mariah Carey ou Stunt.</p>
<p>A abundância de letras com essa expressão (&#8221;Eu estarei lá&#8221;) revela nossa necessidade de acreditar em uma mentira. Cantamos repetidamente em várias melodias para esquecer de que o outro não&#8230;</p>


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			<content:encoded><![CDATA[<p><!--noadsense--><object classid="clsid:d27cdb6e-ae6d-11cf-96b8-444553540000" width="480" height="385" codebase="http://download.macromedia.com/pub/shockwave/cabs/flash/swflash.cab#version=6,0,40,0"><param name="allowFullScreen" value="true" /><param name="allowscriptaccess" value="always" /><param name="src" value="http://www.youtube.com/v/mh8MIp2FOhc&amp;hl=pt_BR&amp;fs=1&amp;rel=0" /><param name="allowfullscreen" value="true" /><embed type="application/x-shockwave-flash" width="480" height="385" src="http://www.youtube.com/v/mh8MIp2FOhc&amp;hl=pt_BR&amp;fs=1&amp;rel=0" allowscriptaccess="always" allowfullscreen="true"></embed></object><br />
<em>Para quem não quer ler ao som de <a href="http://www.youtube.com/watch?v=mh8MIp2FOhc" target="_blank">Bon Jovi</a>, deixo outras opções com &#8220;I&#8217;ll be there&#8221;, tem pra todos os gostos: <a href="http://www.youtube.com/watch?v=LJW7O8aYt5g" target="_blank">Elvis Presley</a>, <a href="http://www.youtube.com/watch?v=-hGHAbb3kUc" target="_blank">Megadeth</a>, <a href="http://www.youtube.com/watch?v=Q6bARIaMhCM" target="_blank">Jackson 5</a>, <a href="http://www.youtube.com/watch?v=52d20PK_Kyk" target="_blank">Mariah Carey</a> ou <a href="http://www.youtube.com/watch?v=CuWx8rZojPQ" target="_blank">Stunt</a>.</em></p>
<p>A abundância de letras com essa expressão (&#8221;Eu estarei lá&#8221;) revela nossa necessidade de <strong>acreditar em uma mentira</strong>. Cantamos repetidamente em várias melodias para esquecer de que o outro não estará lá para nós.</p>
<h1>A lógica ilusória do &#8220;Você me deve uma&#8221;</h1>
<p>Temos várias dinâmicas internas que nos passam despercebidas, mas são a própria lógica pela qual operamos, base para muitos pensamentos e ações. Uma delas se encontra em amigos e parceiros de negócio. Sempre que alguém faz um favor, sua generosidade despretensiosa é trocada por um favor futuro. Deixamos de ser generosos para ser espertos. Podemos não cobrá-lo de imediato, mas a relação se estabelece dentro de uma estrutura viciada, a ponto do outro se adiantar: <strong>&#8220;Valeu mesmo, cara, fico te devendo essa&#8221;</strong>.</p>
<p>Ironicamente, tal cobrança muitas vezes é muito mais lúdica do que real. Por ser verbalizada, ela acaba sendo espontaneamente transgredida. A cerveja que pagamos é rapidamente esquecida, o favor entre empresas fica como cortesia, a amizade ou a parceria se aprofunda com base na própria generosidade, que a princípio parecia descartada.</p>
<p>Em um casal, muitas vezes esse filme tem outro desfecho. O altruísmo interesseiro que declaramos sem vergonha a outras pessoas é mascarado por uma suposta generosidade desinteressada. Ajudamos o outro, estamos lá durante as mortes na família, investimos tempo, ouvimos, abraçamos, vamos de um lugar a outro, oferecemos, oferecemos, oferecemos. Temos vergonha de admitir, mas ao fazer tudo isso esperamos, sim, algo em troca. Até mesmo o sacralizado amor materno sofre desse mal.</p>
<p>Seria melhor dizermos logo de cara – ludicamente – &#8220;Você me deve uma&#8221; do que nos fingirmos de sábios e acabarmos como bebês carentes cobrando o outro por tudo aquilo que <strong>nós oferecemos tão bem e ele não</strong>.</p>
<p>Sempre que construímos algo sem perceber, ou seja, sempre que <a href="http://nao2nao1.com.br/lost-fim-da-4a-temporada-ou-como-acabar-com-qualquer-briga-de-casal/" target="_blank">entramos num filme sem perceber que é um filme</a>, nos tornamos vítimas fáceis do sofrimento. Cobrar sem saber que está cobrando é como sair de casa e deixar dentro um macaco histérico: ele vai bagunçar tudo. É por isso que construir <strong>ludicamente</strong> é melhor, mesmo quando parece algo menos amoroso ou sábio. A gente cobra e vê que está cobrando. Levamos o macaco nos ombros e brincamos com ele.</p>
<p>Jogar limpo, sem vergonha de nosso espírito interesseiro, é o melhor caminho para explicitar a verdade e deixá-la brilhando na porta da geladeira, como um lembrete diário. Experimente afirmar em voz alta: &#8220;Ei, você me deve muita coisa!&#8221;. A frase já sai ridícula, patética, forçada, sem sentido algum. E é essa piada que nos comanda silenciosamente por dentro.</p>
<p>Evitamos falar para não ouvir, evitamos cobrar para não perceber o óbvio: por mais que você tenha feito de tudo para seu parceiro, <strong>ele nunca deve nada para você</strong>.</p>
<h1>O outro não vai estar lá para você</h1>
<blockquote><p>&#8220;Whenever you need me, I&#8217;ll be there<br />
I&#8217;ll be there to protect you, with an unselfish love that respects you<br />
Just call my name and I&#8217;ll be there&#8221;</p></blockquote>
<p>Piada ou não, o fato é que nós não resistimos e eventualmente abrimos a boca, esquecemos da pose generosa e, pronto, despejamos nossas expectativas, cobranças e interesses em cima do outro. É como se tivéssemos <strong>uma planilha de <a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Retorno_sobre_investimento" target="_blank">ROI</a></strong>. Secreta, pra piorar. O outro sequer sabe do que está sendo cobrado!</p>
<p>É bonito de se ver. A gente pode espernear, exigir, cobrar, mas nosso parceiro é livre, anda com os próprios pés, tem uma vida própria. Perceber essa autonomia e liberdade é justamente o que nos enche de tesão ao nos sentirmos desejados pelo outro (que <a href="http://nao2nao1.com.br/dinheiro-beleza-inteligencia-o-que-faz-um-homem-atraente-para-as-mulheres/" target="_blank">poderia estar com outra pessoa</a>, mas nos escolheu) e também o que nos deprime quando a coisa se inverte, quando seu desejo aponta em outra direção.</p>
<p>&#8220;Vamos viajar esse fim de semana?&#8221; ou &#8220;Pensei em deixar nossos filhos com meu irmão e ficarmos com a casa só para nós&#8221;, ela diz. E ele: &#8220;Não rola, preciso resolver umas coisas&#8221;. Ela pode pensar que ele não mais a deseja, mas o fato é que ele está em outro lugar. Nada demais, ou melhor, o suficiente para um grande incêndio.</p>
<p>Aquela semana que ela mais precisa dele é exatamente a semana em que ele não está focando nela.</p>
<p>Ele olha para sua planilha de grandes feitos e pensa:<strong> &#8220;Já passei dias no hospital com o tio dela</strong>, paguei as últimas quatro viagens inteiras, fui o último a dar presente, ajudei nisso, fiz aquilo, bom, tenho créditos para alguns meses ainda&#8221;. E então se dedica mais para seus projetos, esperando alguns meses de compreensão de sua mulher.</p>
<p>Ela olha para sua planilha de ROI e conclui: &#8220;Eu fiz muito mais do que ele, eu me dedico muito mais, só Deus sabe o quanto de amor e carinho já investi nessa relação&#8230; E agora ele fica distante assim? E ainda quer que eu entenda? Entenda como, me diz?&#8221;.</p>
<p>São diversas cenas possíveis. A mulher fica grávida, o sexo diminui e o marido acaba transando com outra. O cara passa por um período de confusão, <strong>perde energia e libido</strong>, então a mulher reclama para um amigo que termina jogando-a contra parede e fazendo tudo o que o marido está incapaz de fazer. A namorada se deprime, o cara não aguenta mais e fica agressivo no momento em que ela mais precisa de cuidado. Exemplos e mais exemplos diários de homens e mulheres que <em>não estão lá</em>.</p>
<p><object classid="clsid:d27cdb6e-ae6d-11cf-96b8-444553540000" width="480" height="385" codebase="http://download.macromedia.com/pub/shockwave/cabs/flash/swflash.cab#version=6,0,40,0"><param name="allowFullScreen" value="true" /><param name="allowscriptaccess" value="always" /><param name="src" value="http://www.youtube.com/v/Q6bARIaMhCM&amp;hl=pt_BR&amp;fs=1&amp;rel=0" /><param name="allowfullscreen" value="true" /><embed type="application/x-shockwave-flash" width="480" height="385" src="http://www.youtube.com/v/Q6bARIaMhCM&amp;hl=pt_BR&amp;fs=1&amp;rel=0" allowscriptaccess="always" allowfullscreen="true"></embed></object></p>
<h1>O desafio de andar junto</h1>
<p>No começo, tudo o que desejamos é andar <strong>em direção ao outro</strong>. Em suas primeiras noitadas, o casal mal consegue andar na rua. Demoram vários minutos para percorrer o mesmo trecho que anos depois vão cruzar em segundos. Ficam se abraçando, com vontade mesmo de ir um contra o outro. No dia seguinte, não importa por onde o outro andou, mas o quanto ele quer vir em nossa direção e o quanto queremos ir até lá.</p>
<p>A paixão funciona como <strong>uma noite de sexo que dura meses</strong> (às vezes anos)&#8230; até que chega a manhã seguinte.</p>
<p>Ela sai mais cedo porque tem uma reunião decisiva. Ele sai um pouco depois para mais um dia de trabalho. Ela está indecisa em relação ao tema do mestrado. Ele se preparando para uma viagem que vai mudar sua vida. Passa o dia e tudo o que fizeram foi andar, não mais em direção ao outro, mas com seus próprios direcionamentos. No lugar de uma lua romântica em comum, dois horizontes distintos.</p>
<p>O casal, então, descobre esse prazer maior de seguir junto, de avançar como um casal. Eles aprendem a andar de mãos dadas mesmo à distância. Compartilham mapas, mundos, signos, brincadeiras, olhares, pedrinhas no chão. Tudo aquilo que servirá como <strong>bússola</strong> para não se perderem um do outro na manhã seguinte.</p>
<p>E até que isso dá certo, às vezes por um longo tempo. Quanto mais mapas e mundos, olhares e pedrinhas, melhor. Nada impede, contudo, as névoas e neblinas vindas sei lá de onde. E nem todas as manhãs são precedidas por uma noite de aparelhos GPS piscando no mesmo local, de entrelaçamento, de <strong>pé com pé</strong>. E tem também o nosso andar caótico pra complicar. Não temos um só horizonte, temos dezoito.</p>
<p>Outra cena bonita de se ver. Quando percebemos o outro se distanciando <strong>2 centímetros</strong>, às vezes agimos como pedintes, às vezes gritamos ou baixamos a energia, nos distanciando ainda mais. Só que o outro não achou que estava longe, mas agora vê nosso distanciamento (ou nossa cobrança ou nossos berros) e reage da mesma forma, se afastando. E então comprovamos: ele realmente não quer mais nada conosco!</p>
<p><strong>É assim que um namoro acaba mesmo quando os dois querem continuar.</strong> Eles estão no mesmo lugar, mas se veem à distância. Ou acham que estão no mesmo lugar e quase morrem quando pegam o GPS e passam dias dando <em>zoom out </em>até aparecerem os dois pontinhos&#8230; Tão logo conseguem se aproximar, se agarram e fazem juras de nunca mais se afastarem.</p>
<p>Mas a manhã seguinte sempre chega. E os dezoito horizontes, o andar cambiante, a bússola desregulada. E a névoa e a neblina. Cheguei a mencionar o ex-namorado?</p>
<h1>Como fazer o impossível</h1>
<p><img title="wall-e" src="http://nao2nao1.com.br/wp-content/uploads/2010/03/wall-e.jpg" alt="wall-e" width="588" height="245" /><br />
<em>Cena de <a href="http://www.imdb.com/title/tt0910970/" target="_blank">Wall-E</a>, que já recomendei aqui</em></p>
<p>Andar junto é como andar vendado no meio do deserto. Ou nadar de olhos fechados. Nunca sabemos se o outro está mesmo ao nosso lado.</p>
<p>Por medo de ver, neste exato momento, que o outro não está tão perto assim, fechamos bem os olhos e confiamos em nossos instrumentos de medição, como o sonar de um submarino. A incerteza da distância é mais confortável do que a visão da localização exata. É de olhos fechados que ouvimos e dizemos: &#8220;I&#8217;ll be there&#8221;. O outro nunca esteve aqui, nós nunca estivemos lá, por isso sempre conjugamos o verbo no futuro. <strong>Nossa presença é promessa.</strong></p>
<p>Um pouco de coragem e abrimos os olhos. Enxergamos, sem tanto desespero, que às vezes o outro se distancia muito. E que, na verdade, às vezes somos nós que nos afastamos. Ora, afinal quem define qual é o percurso do casal? Como pode apenas um se afastar?</p>
<p>De olhos abertos, o outro não parece capaz de nos salvar. Vemos seu andar meio torto. E suas fraquezas. Nós também não parecemos capazes de realmente estar lá pelo outro. Mal estamos lá por nós mesmos!</p>
<p>De olhos abertos, vemos que todos são como nós. <strong>Não há ninguém preparado para nos <a href="http://nao2nao1.com.br/a-arte-de-pisar-em-nuvens/" target="_blank">segurar</a>.</strong> Ninguém para nos proteger e cuidar verdadeiramente. O fim dessa ilusão nos abre para a <a href="http://nao2nao1.com.br/coisa-alguma/" target="_blank">experiência da solidão</a>, cuja tristeza tem a mesma medida da alegria em compartilhar a mesma solidão com os outros. O amor aumenta junto com a solidão. Cada um se sente <a href="http://nao2nao1.com.br/por-uma-vida-encarnada-breve-critica-aos-relacionamentos-sem-corpo/" target="_blank">mais presente</a>, menos lá, mais aqui, e portanto mais irremediavelmente separado um do outro. Nascemos e morremos assim. Não daria para amar diferente.</p>
<p>Reconhecer a liberdade do outro (e a nossa) de ir embora a qualquer momento, amplificar e se comunicar com sua solidão, saber que nunca conseguiremos realmente estar lá; <strong><em>isso</em> é estar lá.</strong></p>
<blockquote><p>&#8220;I don’t think anybody can fall in love unless they feel lonely. So I think in love it is the desolateness that inspires the warmth. The more you feel a sense of desolation, the more warmth you feel at the same time. You can’t feel the warmth of the house unless it’s cold outside. The colder it is outside, the cozier it is at home.</p>
<p>When you experience the true sense of aloneness, you discover that the entire cosmos, the universe, is absolutely empty. It doesn’t help you or keep you company. Such utter loneliness becomes companionship.&#8221; –<a href="http://www.chronicleproject.com/stories_68.html" target="_blank">Chogyam Trungpa</a></p></blockquote>


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		<title>Como trair sua mulher… com ela mesma</title>
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		<pubDate>Sat, 06 Feb 2010 17:50:55 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Gustavo Gitti</dc:creator>
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Será que a traição é o segredo para um casamento saudável?</p>
<p>Às vezes acontece sem querer, como na história real que relatei aqui em 2007: &#8220;Como ser o amante de sua própria esposa&#8221;. Mas meu interesse é experimentar tal inversão de modo consciente e lúdico.</p>
<p>Anteontem eu estava num chat rápido com minha namorada, convencendo-a a vir pra cá, em postura de&#8230;</p>


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			<content:encoded><![CDATA[<p><img title="trair" src="http://nao2nao1.com.br/wp-content/uploads/2010/02/trair.jpg" alt="trair" width="588" height="300" /><em><br />
Será que a traição é o segredo para um casamento saudável?</em></p>
<p>Às vezes acontece sem querer, como na história real que relatei aqui em 2007: <a href="http://nao2nao1.com.br/como-ser-o-amante-de-sua-propria-esposa/" target="_blank">&#8220;Como ser o amante de sua própria esposa&#8221;</a>. Mas meu interesse é experimentar tal inversão de modo consciente e lúdico.</p>
<p>Anteontem eu estava num chat rápido com minha namorada, convencendo-a a vir pra cá, em <strong>postura de solteiro xavecador profissional</strong>, quando me dei conta das inúmeras vezes que trato minha namorada como se ela não fosse minha namorada.</p>
<p>Logo compartilhei via Twitter:</p>
<p><a href="http://twitter.com/gustavogitti/status/8604077610" target="_blank"><img title="acredite-twitter" src="http://nao2nao1.com.br/wp-content/uploads/2010/02/acredite-twitter.gif" alt="acredite-twitter" width="400" height="186" /></a></p>
<p>Pra minha surpresa, algumas pessoas responderam sem entender. Rafael (<a href="http://twitter.com/herrwingnux/statuses/8604680029" target="_blank">@herrwingnux</a>) perguntou &#8220;Como???&#8221; e Beatriz (<a href="http://twitter.com/biatoso/statuses/8604190641" target="_blank">@biatoso</a>) disse: &#8220;Será? Explica como!&#8221;. Já a Claudia (<a href="http://twitter.com/clau_arantes/statuses/8604424678" target="_blank">@clau_arantes</a>) sacou e pediu que eu ensinasse o passo-a-passo para homens. Vamos ver&#8230; Abaixo minha tentativa.<!--adsensestart--></p>
<h1>Sedução: a diferença entre amantes e maridos</h1>
<p>Vamos começar comparando 2 conversas. A primeira entre duas pessoas que mal começaram a se explorar e a segunda entre um casal que namora há tempos. Em ambos, a intenção do cara é sexo irrestrito (novidade!).</p>
<blockquote><p><strong>Ele: </strong>Seguinte, vou passar aí e vamos aproveitar a única noite que presta no Rey Castro.<br />
<strong>Ela: </strong>Não, hoje não vim preparada pra sair, to cansada, suja, imprestável&#8230; Amanhã?<br />
<strong>Ele: </strong>Amanhã a banda é outra. Suja? Você acha que eu quero perfume? Eu quero você.<br />
<strong>Ela: </strong>Hum&#8230; Continua&#8230;<br />
<strong>Ele: </strong>Continuo, sim, mas dentro do carro assim que você entrar. Aliás, já cheguei, tempos modernos, to teclando do cel. Desce!<br />
<strong>Ela: </strong>hahaha&#8230; Ok, te espero.</p></blockquote>
<p>Seis linhas bem objetivas e temos mais um casal feliz no mundo. Eles são casados com terceiros, mas isso é o de menos em nossa análise. ;-) Vamos ao segundo casal:</p>
<blockquote><p><strong>Ele: </strong>Hoje é quarta, tem aquela banda de salsa no Rey Castro. Vamos?<br />
<strong>Ela: </strong>Não, hoje não vim preparada pra sair, to cansada, suja, imprestável&#8230; Amanhã?<br />
<strong>Ele: </strong>Amanhã a banda é outra. Mas tudo bem, a gente vai semana que vem. Amanhã a gente vê um filme, então.</p></blockquote>
<p>O problema é que ele não queria sair com ela amanhã. Seu corpo estava bombando hoje, seu desejo, sua potência, o brilho no olho. Muito a oferecer. A salsa, não o cinema. Hoje! Não amanhã, porra! <strong>Tem dias que surge uma potência que precisa ser oferecida</strong>, como se fosse um presente que vem junto com uma bomba relógio. Um vigor que que não pode acabar em masturbação, que vem junto com uma vontade de atravessar nossa mulher, tirá-la do chão, fazê-la sorrir com cada uma das células até relaxar completamente com os cílios roçando em nosso peito. E ainda dizem que homem não vincula sexo a amor&#8230; Aham.</p>
<p>Dizem também que homens pensam com a cabeça de baixo. Mentira. <strong>Se homens ouvissem mais o próprio pau</strong>, eles não aceitariam &#8220;Não&#8221;, eles não cederiam ao cansaço – que era o verdadeiro interlocutor no lugar da mulher. O pau é preciso, insistente (como um sedutor profissional), imóvel, impetuoso, paciente: quando quer algo, faz de tudo pra conseguir, continua, continua, continua, até chegar em seu objetivo. Seus donos poderiam ser assim, não?</p>
<p>A mulher queria a salsa (ela reclamava silenciosamente por eles sempre terem adiado essa noite), mas o cansaço estava maior. Era preciso um homem para ajudar a quebrá-lo e injetar ânimo em suas veias. Um homem para abri-la às possibilidades da noite que ela mesma sempre quis.</p>
<p>Seu namorado muitas vezes não é esse homem. Ele a respeita, ele sabe como ela fica quando está cansada, ele aceita, tem a certeza de que a relação vai continuar, semana que vem eles vão, tem o cinema amanhã, <strong>é só chegar e beijar</strong>, ela é sua namorada quase noiva, a data do casamento só depende daquele padre, ele já comprou o anel, sexo garantido, vão assinar papéis, é sua mulher, sempre disponível, só ligar. Não sabe mais o significado de urgência. Ele não é seu amante.</p>
<p>Por isso às vezes penso que toda namorada eventualmente deveria se fazer de difícil, caso contrário o cara vai acabar exercitando suas habilidades de sedutor com outras. Ou pior: vai perdê-las.</p>
<p>O tesão masculino não é exatamente o sexo, mas a sensação de romper, ultrapassar, superar barreiras, limites, obstáculos, desafios. Hímen, manha feminina, mistérios do universo, oscilação das ações, confusões da mente, segredos do empreendedorismo, recordes dos esportes&#8230; É isso o que nos move. <strong>Quer conquistar um homem? Deixe um problema na mão dele.</strong> É assim que empresas conseguem ter homens ao redor por mais de 8 horas diárias, é assim que mulheres conseguem um pai para seus filhos.</p>
<h1>Envolvimento: sobre como congelamos nossos parceiros</h1>
<p>Na <a href="http://papodehomem.com.br/cabana-pdh-grupo-virtuoso-de-homens/" target="_blank">Cabana PdH</a>, às vezes me assusto com o modo de que alguns caras falam de suas parceiras. Se o tema é relações paralelas, traição, ciúme, ele afirma com toda a certeza do mundo: <strong>&#8220;Ela nunca aceitaria isso, sofreria, acabaria com tudo&#8221;</strong>. Se o tema é sexo, mais certezas: &#8220;Ah, não, isso já tentei mil vezes, ela não gosta. Fazer o quê?&#8221;.</p>
<p>Minhas respostas são sempre variações da seguinte pergunta um tanto cruel: &#8220;Imagine outro cara com ela. Você tem certeza absoluta de que ela agiria do mesmo modo?&#8221;. Sempre desconfio de caras que dizem conhecer suas mulheres.</p>
<p>O envolvimento usual entre duas pessoas parece causar uma crescente solidificação de identidades. Quanto mais eles se conhecem, mais excluem outras possibilidades. Fecham espaço para surpresas e ainda tem a coragem de reclamar disso ao fim: &#8220;Não dava mais, acabei. Era tudo muito previsível, ele parou de me surpreender&#8230;&#8221;. A amiga deveria responder: &#8220;Mas é claro! Você mesmo impedia o cara de te surpreender&#8221;.</p>
<p>Num certo sentido, <strong>somos todos um pouco mães de nossos parceiros:</strong></p>
<blockquote><p>–Filho, por que você tá comendo esse mousse da sua tia? Você não odeia qualquer coisa com maracujá?<br />
–Odiava, mãe, odiava. Mudei desde que sai daqui.<br />
–Tá bom, mas come esse pavê que eu fiz pra você.<br />
–Não gosto de pavê.<br />
–Mas você adora pavê, filho! Lembro de como raspava a tigela&#8230; Toma, já coloquei pra você.</p></blockquote>
<p>Desenvolvemos um padrão de relacionamento com o outro, começamos a surgir de um jeito, começamos a vê-lo de um jeito e, quando menos percebemos, nunca mais desconfiamos de que talvez o outro seja muito mais do que aparece para nós, de que outros o ativem de outro modo, de que ele encarne outros personagens com outras risadas, outras piadas, outros olhares, outros gestos. Às vezes vamos com a namorada visitar um primo das antigas e então nos surpreendemos com ela falando e olhando diferente diante dele. É como se fosse <strong>uma mulher que nunca havíamos encontrado!</strong></p>
<p>O amante naturalmente possui essa sabedoria que muitas vezes falta ao galã principal. Ele sabe que a mulher tem uma outra relação, de que tem uma vida própria na qual provavelmente incorpora várias identidades. Ele mantém um desconhecimento saudável, uma espécie de ceticismo generoso. Ao ser perguntado sobre a amante, diz: &#8220;Não sei como ela agiria&#8221;.</p>
<p>Pensando bem, até mesmo os amantes sofrem da síndrome de crença mórbida do marido. Eles também congelam&#8230; Contudo, pela consistência de minha argumentação, vamos supor que estamos falando do arquétipo do amante, que tal? ;-)</p>
<p>O ponto é: <strong>sua namorada não é sua namorada</strong>, sua esposa não é sua esposa. Muito antes de ser sua namorada, ela foi namorada de outros, com os quais agia diferente, pensava diferente, sorria diferente, trepava diferente. Muito antes de ser namorada, ela é filha. Antes de ser filha, é mulher. É aluna, professora, jogadora de basquete, mestre em psicologia. Ou dentista, praticante de ioga, vocalista.</p>
<p>Ela é a liberdade de ser várias, cada uma com configurações corporais, expressões, movimentos, pensamentos específicos. Ela se conjuga sempre no plural. É um hardware sempre expansível com um software atualizado minuto a minuto (que as leitoras me perdoem, mas tem muito cara de TI que lê esse blog). É cambiante, é o vir-a-ser que já está em outro lugar no instante posterior ao nosso dedo apontado.</p>
<p>Ainda que aja com certos padrões, sua verdadeira natureza escapa de qualquer previsão. Impossível abraçá-la ou percorrê-la completamente. Ela é chuva, fogo, raio. Igual a você.</p>
<h1>Consumação: como comer 20 mulheres de uma vez</h1>
<p>Para cada mulher em nossa mulher, para cada identidade que não é a namorada ou a esposa, podemos gerar <strong>um amante específico</strong>. Podemos envolvê-la sem que ela abandone uma identidade para virar &#8220;a nossa namorada <em>as we know it</em>&#8220;.</p>
<p>Podemos ir até seu trabalho e seduzir a identidade que brota dentro do escritório. <strong>Conquistar a menininha que surge quando a família está ao redor.</strong> A mulher poderosa quando desce do palco depois de um show ou de uma palestra. A garota putinha que sai pra dançar quando está irritada com você. A velha desanimada e reclamona quando encontra a casa suja. A serelepe de cabelo preso do grupo de amigas da faculdade. A doutoranda aplicada lendo Foucault no sofá. A mãe, a massagista, a designer, a blogueira, a garota da academia, faxineira, a meditante, a turista&#8230; Podemos comer todas elas.</p>
<p>Ao fazer isso, ao despertar o constante Don Juan amante <em>lover boy</em> em nós, seguimos treinando nossa habilidade na arte da sedução. Ou melhor, nossa potência de atravessar, penetrar, abraçar, amar, dissolver, redirecionar, romper e transcender caras fechadas, mundos consolidados, ambientes sérios.</p>
<p>Olhamos para nossa mulher e vemos várias. E vemos também que muitas nos são invisíveis. Então abrimos mais os olhos. Quando chega uma delas, a funcionária cansada, lembramos que ela não é aquilo e logo miramos outra com nossos olhos, <strong>falamos com a outra como se ela estivesse atrás ou dentro da  mulher</strong> que está à sua frente. Abrimos espaço para que outras surjam. E do nada sai a salseira, a dançarina, a party girl. E ela não está cansada, afinal não saiu de casa o dia todo!</p>
<p>Em vez de respeitar o cansaço, você diz sem dizer: &#8220;Foda-se o que você viveu hoje, eu quero te fazer esquecer, eu quero você comigo hoje&#8221;. Às vezes o cansaço dela se desfaz no primeiro segundo do beijo. Basta explicitar nosso desejo, ativar outras mulheres, trair nossa mulher cansada com a mulher pronta pra sair, fazer com ela tudo o que fantasiamos diariamente e facilmente faríamos com outras.</p>
<p>Ao usar sua mulher, ao olhá-la como sua amante, algo incrível acontece: você passa a ser o amante também. Ela ganha espaço para fazer aquilo que não vislumbrava ser possível com você, aquilo que nem mesmo ela conseguia imaginar sozinha. Ela vai usá-lo, vai trair sua identidade careta com o bad boy, vai pedir coisas que você mesmo nunca imaginaria ser viável, que nunca teria coragem de propor. Pode acreditar: as mulheres são muito mais loucas do que pensamos.</p>
<p>A mulher olha para o namorado e pensa:<strong> &#8220;É, eu trairia meu namorado facilmente com esse cara aí</strong>. Faria isso, depois pediria isso e acabaríamos assim&#8230;&#8221;.</p>
<p>O cara pega sua mulher com fúria e, sem culpa alguma, consuma o adultério fazendo tudo o que sempre quis fazer com uma amante.</p>
<p>Pois é, num mundo com <strong>casamentos infectados com traições</strong>, às vezes a cura para a doença vem do próprio veneno.</p>
<p><em>P.S.: Apesar de falar sobre a traição com um toque negativo na última frase, minha visão sobre relações paralelas é outra. Estou preparando um texto especificamente sobre isso: &#8220;O espectro do amor: para além de fidelidade e traição&#8221;.</em></p>
<p><em>P.S. realmente importante: Há exatamente 365 dias, 6 de fevereiro de 2009, eu conheci uma morena de cabelos cacheados e comecei o namoro sem que ela soubesse. Hoje meu presente de aniversário para ela é simples. Além de continuar sendo seu namorado, espero ser cada vez mais seu amante também. Talvez mais até. Uma legião de caras insaciáveis, será que ela dá conta?</em></p>


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<p><a href="http://feedads.g.doubleclick.net/~a/djHL-3fhReMD8NmOlmkRrynWuUE/0/da"><img src="http://feedads.g.doubleclick.net/~a/djHL-3fhReMD8NmOlmkRrynWuUE/0/di" border="0" ismap="true"></img></a><br/>
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		<title>Experimento para se sentir vivo (2): vestindo o corpo dos outros</title>
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		<comments>http://nao2nao1.com.br/experimento-para-se-sentir-vivo-2-vestindo-o-corpo-dos-outros/#comments</comments>
		<pubDate>Sun, 10 Jan 2010 03:02:19 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Gustavo Gitti</dc:creator>
				<category><![CDATA[Destaques]]></category>
		<category><![CDATA[Experimentos para se sentir vivo]]></category>
		<category><![CDATA[espiritualidade]]></category>
		<category><![CDATA[presença]]></category>

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		<description><![CDATA[<p>
M.C. Escher, &#8220;Bond of Union&#8221; (1956)</p>
<p>Ao ver os primeiros posts do Alex Castro (&#8220;Dar-se conta&#8221; e &#8220;Ver&#8221;) em sua série de exercícios práticos de empatia, lembrei de um texto que escrevi em setembro para a campanha &#8220;Estenda a mão&#8221;, da ABTO, divulgando o Dia Nacional da Doação de Órgãos e Tecidos (27/9). Como ele também é um dos meus &#8220;Experimentos&#8230;</p>


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			<content:encoded><![CDATA[<p><!--noadsense--><img title="bond-of-union-escher" src="http://nao2nao1.com.br/wp-content/uploads/2010/01/bond-of-union-escher.jpg" alt="bond-of-union-escher" width="588" height="300" /><br />
<em>M.C. Escher, <a href="http://www.worldofescher.com/gallery/BondOfUnionLg.html" target="_blank">&#8220;Bond of Union&#8221;</a> (1956)</em></p>
<p>Ao ver os primeiros posts do Alex Castro (<a href="http://www.interney.net/blogs/lll/2009/12/03/empatia/" target="_blank">&#8220;Dar-se conta&#8221;</a> e <a href="http://www.interney.net/blogs/lll/2010/01/04/ver_aula_de_empatia_em_sete_licoes_2/" target="_blank">&#8220;Ver&#8221;</a>) em sua série de <strong>exercícios práticos de empatia</strong>, lembrei de um texto que escrevi em setembro para a campanha <a href="http://www.abto.org.br/estendaamao" target="_blank">&#8220;Estenda a mão&#8221;</a>, da ABTO, divulgando o Dia Nacional da Doação de Órgãos e Tecidos (27/9). Como ele também é um dos meus &#8220;Experimentos para se sentir vivo&#8221; (<a href="http://nao2nao1.com.br/experimentos-para-se-sentir-vivo-1-ipod-e-energia-autonoma/" target="_blank">leia o primeiro sobre energia autônoma usando um iPod</a>), resolvi publicá-lo aqui também, pois foi &#8220;doado&#8221; originalmente para o blog da querida <a href="http://colunas.multishow.globo.com/renatasimoes/2009/09/27/doar/" target="_blank">Renata Simões</a> (Multishow).</p>
<p>Ver alguém falando de <a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Empatia" target="_blank">empatia</a> é algo raro, especialmente se for para mostrar como <strong>a capacidade empática pode ser treinada</strong>, assim como um músculo. Para quem não sabe, o instituto <a href="http://www.mindandlife.org/" target="_blank">Mind &amp; Life</a>, criado por Francisco Varela e Sua Santidade o Dalai Lama, sempre aborda esse tema de modo interdisciplinar. A empatia é explorada por biólogos, psicólogos, meditantes&#8230; Eis a descrição do <a href="http://www.mindandlife.org/ceb.program.html" target="_blank">programa de um de seus cursos</a>:</p>
<blockquote><p>&#8220;Empathy Skills Training &#8211; Empathy training will be designed to teach subjects three different aspects of empathic awareness: 1) sensitivity to another&#8217;s affect; 2) sensitivity to one&#8217;s own affect; and 3) development of compassion for oneself and others.&#8221;</p></blockquote>
<p>Recomendo também dois longos textos do <a href="http://individual.utoronto.ca/evant/" target="_blank">Evan Thompson</a> (um gênio que fala de ciências cognitivas, budismo e filosofia com os pés nas costas): <a href="http://individual.utoronto.ca/evant/Empathy.pdf" target="_blank">&#8220;Empathy and consciousness&#8221;</a> e <a href="http://individual.utoronto.ca/evant/DeWaalThompson.pdf" target="_blank">&#8220;Primates, monks and the mind: The case of empathy&#8221;</a>.</p>
<p>Enfim, deixo abaixo o texto original que fiz para estimular a doação de órgãos. O experimento em si está no meio. Complementei o texto com um trecho da palestra <a href="http://www.youtube.com/view_play_list?p=ED94A84B4C000E6C" target="_blank">&#8220;A visão de Buda em meio ao mundo&#8221;</a>, do Lama Padma Samten, que filmei semana passada. ;-) Enjoy.</p>
<h1>Doação de órgãos e experimento de percepção empática</h1>
<blockquote><p>“O outro é você mesmo em um mundo diferente.”<br />
–Lama Padma Samten</p></blockquote>
<p>Os ensinamentos budistas e mais recentemente as <a href="http://en.wikipedia.org/wiki/Cognitive_science" target="_blank">ciências cognitivas</a> questionam a existência de uma identidade sólida, um <em>self</em> central único, a alma essencial que acreditamos ser.</p>
<p>Francisco Varela (biólogo, no genial <em>A Mente Incorporada</em>), Marvin Minsky (especialista em inteligência artificial), Daniel Dennett (filósofo), Eleanor Rosch (psicóloga), Sua Santidade o Dalai Lama (meditante profissional)… Todos aplicam a frase do sociólogo Zygmunt Bauman ao corpo humano: “A cabine do piloto está vazia”.</p>
<p><strong>Nós temos a sensação de estar localizados dentro da cabeça</strong>, logo atrás de nossos olhos. É dessa perspectiva que andamos no mundo. É isso o que queremos dizer com a palavra “eu”. No entanto, quem estuda a mente e o cérebro (biólogos, neurocientistas, matemáticos, psicólogos, meditantes) rapidamente percebe que o “eu” é difícil de ser encontrado.</p>
<p>Não estou nas sinapses disparadas em meu cérebro, não estou no meu coração (que aliás pode ser trocado sem que eu perca minha identidade), não estou nos meus membros, não sou meus pensamentos, emoções ou memórias (que mudam e até podem ser apagadas sem que eu me perca)… Não estou em lugar algum!</p>
<p>Percepção assombrosa: ainda que eu não esteja em lugar algum, eu nitidamente estou aqui! Embora eu não saiba o que sou, eu tenho certeza que sou.</p>
<p>Os mestres zen aproveitam tal paradoxo para se divertir com seus alunos. Diante de uma carreta, perguntam: “As rodas são a carreta?”. Todos respondem que não. “Os assentos são a carreta?”. Claro que não. E eles seguem apontando para todas as outras partes. No entanto, se tiramos as rodas e os assentos, a carreta ainda existe? Não, óbvio. <strong>A carreta não é nenhuma de suas partes e, ao mesmo tempo, não é nada sem elas.</strong></p>
<p><object classid="clsid:d27cdb6e-ae6d-11cf-96b8-444553540000" width="560" height="340" codebase="http://download.macromedia.com/pub/shockwave/cabs/flash/swflash.cab#version=6,0,40,0"><param name="allowFullScreen" value="true" /><param name="allowscriptaccess" value="always" /><param name="src" value="http://www.youtube.com/v/GAqN5-3TsI0&amp;hl=pt_BR&amp;fs=1&amp;" /><param name="allowfullscreen" value="true" /><embed type="application/x-shockwave-flash" width="560" height="340" src="http://www.youtube.com/v/GAqN5-3TsI0&amp;hl=pt_BR&amp;fs=1&amp;" allowscriptaccess="always" allowfullscreen="true"></embed></object><br />
<em><a href="http://www.youtube.com/watch?v=GAqN5-3TsI0&amp;feature=PlayList&amp;p=ED94A84B4C000E6C&amp;index=1" target="_blank">Lama Padma Samten</a> fala sobre esse exemplo da carreta (a partir de 3:35)</em></p>
<p>Assim parece funcionar o corpo humano. A lembrança da noite de ontem não se reduz a uma sequência de sinapses, assim como o amor não é apenas uma combinação de explosões químicas. Ainda assim, não é possível pensar sem neurônios ou sentir sem ser percorrido por hormônios e outras substâncias. Não nos relacionamentos com cérebros e pulmões, mas com outras vidas, mentes, histórias, sonhos, desejos. No entanto, retire cérebros e pulmões, o que sobra? Nada.</p>
<p>Quando isso acontecer comigo, quando meus órgãos não mais estiverem sustentando essa vida por trás dos olhos, sonho ou amor algum, quero que meu coração seja usado para fazer fluir outro sangue, outra vida. Quero que sonhos outros sejam continuados. Outro olho por trás de minha córnea, outro toque em minha pele, outro jeito de puxar oxigênio pra dentro dos meus pulmões.</p>
<p>Mas muitas pessoas talvez impeçam isso, no meu caso e em outros. Para meus familiares e todos aqueles que se opõem à doação de órgãos, <strong>sugiro um experimento de percepção:</strong></p>
<p><strong>1. </strong>Você pode fazer na rua, mas o ideal é que seja em um local com bastante gente parada: livraria, vagão de metrô e restaurante são ótimas opções.</p>
<p><strong>2. </strong>Comece com uma pessoa mais distante, para não levantar suspeitas. Contemple cada gesto dela com atenção, observe, se demore, realmente olhe o outro sem julgamento algum, como se estivesse admirando um leão ou um pássaro.</p>
<p><strong>3. </strong>Olhe ao redor dela e imagine o que ela está vendo de sua perspectiva. Se ela está olhando para um livro cujas páginas estão ocultas a você, imagine o conteúdo dessas páginas. Se ela está olhando por uma janela, imagine o que ela vê a partir de sua perspectiva. Se ela olha para o chão, esqueça a sua própria visão de uma pessoa lá longe olhando o chão – em vez disso, construa em sua mente o que ela está vendo.</p>
<p><strong>4. </strong>Depois de brincar com a visão, prossiga com a audição (imagine que ela está ouvindo), gustação (se ela estiver comendo, imagine o gosto daquilo) e olfato (imagine o que ela está cheirando).</p>
<p><strong>5. </strong>Agora a parte mais interessante: o tato e a sensação de ser outro corpo. Se ela estiver com fones de ouvido, lembre como é ter um fone no ouvido e deixe a sensação crescer, ficar nítida. Se ela estiver com uma blusa pesada, imagine esse peso. Se a pessoa estiver com muito gel no cabelo, lembre como é ter gel no cabelo e sinta o molhado. Se ela estiver com menos roupa no frio, imagine-se vestindo o mesmo que ela. Se ela for bem mais velha, tiver cabelo mais longo e estiver de óculos e brincos, imagine-se mais velho, com cabelos longos, óculos tocando o nariz, brincos pesando na orelha.</p>
<p><strong>6. </strong>Torne-se a outra pessoa, veja o mundo que ela vê, encarne seus gestos, suas memórias, sua respiração… Vista o corpo dela e simule seu universo. Tudo isso usando a imaginação, claro, sem se mover, apenas brincando com sua mente.</p>
<p><strong>7.</strong> Escolha outra pessoa e repita o experimento.</p>
<p>Eu já fiz isso diversas vezes no metrô e às vezes faço rapidamente com mendigos deitados na calçada. Depois de um tempo, você percebe que todo o processo que ocorre com você (se sentir alguém por trás dos olhos, ter pensamentos, ver um mundo aparentemente sólido ao redor, possuir manias e trejeitos, piscar, salivar, sorrir) também acontece igualzinho com todas as outras pessoas.</p>
<p>Você se assusta com o fato de que passou a vida inteira olhando o mundo a partir de sua perspectiva! Parece óbvio, mas não é uma percepção que sustentamos no cotidiano enquanto nos relacionamos com os outros.</p>
<p>E então você olha para seu passado e observa que a sua própria perspectiva também mudou. De fato, nada se manteve – certezas e células, sonhos e cortes de cabelo, tudo se transformou desde que você era bebê. Com o tempo a gente acaba virando outro para si mesmo, como se o passado fosse um filme cujo personagem principal é outra pessoa.</p>
<p>A única coisa permanente que continuou é esse brilho nos olhos, essa sensação de estar <strong>desperto com um mundo colorido em alta resolução</strong> ao redor, essa capacidade de desejar, sonhar, ter prazer e dor.</p>
<p>A única coisa que continua na sua vida é exatamente aquilo que todos os outros seres compartilham.</p>
<p>Trejeitos, identidades e memórias mudam, seja comparando você criança e você idoso, seja comparando você e um nigeriano. Mas o brilho nos olhos é apenas um, que se estende de pessoa em pessoa.</p>
<p>A sensação de estar vivo, amar e fazer alguém feliz, ela é única em todos os corpos do mundo. Ou seja, aquilo que temos de melhor (não nossos hábitos, crenças, opiniões, mas nossa lucidez) é justamente o que não se perde com nossa morte.</p>
<p>Quando sua vida parecer acabar, <a href="http://www.abto.org.br/estendaamao/" target="_blank">apenas estenda a mão e siga.</a></p>
<h1>Você já fez algo assim?</h1>
<p>Se você costuma praticar algo parecido, deixe um comentário contando seu &#8220;procedimento&#8221;, o que já sentiu, quais insights surgiram, como sua capacidade empática se desenvolveu&#8230;</p>
<p>Se nunca fez nada assim e experimentar, relate aqui depois.</p>
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		<title>Dinheiro, beleza, inteligência… O que atrai as mulheres em um homem?</title>
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		<pubDate>Tue, 24 Nov 2009 18:47:58 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Gustavo Gitti</dc:creator>
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<p>Nada disso. Mulher quer se sentir escolhida e vai desejar o homem que mais puder conquistar outras. Mas o que exatamente isso significa?
</p>
Não é uma questão de grana, corpo ou cérebro
<p>&#8220;Mulher gosta é de dinheiro&#8221; é uma frase muito comum no discurso masculino, principalmente entre homens frustrados que se consideram bonitos, já fizeram alguns cursos de sedução com&#8230;</p>


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			<content:encoded><![CDATA[<p><!--noadsense--><img title="pinky-brain" src="http://nao2nao1.com.br/wp-content/uploads/2009/11/pinky-brain.jpg" alt="pinky-brain" width="588" height="250" /></p>
<p><em>Nada disso. Mulher quer se sentir escolhida e vai desejar o homem que mais puder conquistar outras. Mas o que exatamente isso significa?<br />
</em></p>
<h1>Não é uma questão de grana, corpo ou cérebro</h1>
<p><strong>&#8220;Mulher gosta é de dinheiro&#8221; </strong>é uma frase muito comum no discurso masculino, principalmente entre homens frustrados que se consideram bonitos, já fizeram alguns cursos de sedução com mestres <a href="http://en.wikipedia.org/wiki/Pickup_artist" target="_blank">PUA</a> e agora, num bar, enquanto fazem piadas com o jargão, silenciosamente desistem de entender a dinâmica do desejo feminino.</p>
<p>Em outro canto, um nerd investidor chega sozinho em casa, depois de levar uma garota para uma restaurante caríssimo, e inveja o <strong>rosto bonito</strong> do amigo Don Juan que parece provocá-lo com sua foto do Twitter que sorri sem parar.</p>
<p>O ricaço bonitão, por sua vez, em algum outro restaurante, patina em total desconforto diante dos papos iniciados pela morena deliciosa à sua frente. &#8220;Hum, acho que sei do que ela está falando&#8230; Qual era mesmo a filosofia de <a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/David_Hume" target="_blank">Hume</a>? Era algum lance sobre não sabermos se o Sol vai nascer amanhã, é isso?&#8221;. Ele está certo e poderia até brincar com sua dúvida (ainda mais com Hume), mas permanece quieto e logo desvia o assunto ao mesmo tempo em que ela desvia seus olhos para a rua, não exatamente em busca de um historiador da filosofia, mas de um homem qualquer, menos covarde, que pudesse ouvi-la e seguir a conversa.</p>
<p>E enfim, numa sala de reunião ali perto, os homens com a combinação perfeita: dinheiro, beleza e inteligência. Ah, sim, muito deles são traídos por não terem tempo. E se tiverem tempo, senso de humor e treparem como animais&#8230; bem, algo me diz que não será suficiente.</p>
<h1>O que dinheiro, beleza e inteligência tem em comum?</h1>
<p>Todos os caras que tem dificuldades em seduzir uma mulher estão parcialmente certos ao culpar a ausência de grana, boa aparência ou plasticidade mental. No entanto, a razão para isso não é o fato de que as mulheres são atraídas por dinheiro, beleza e inteligência, como se cada um dos quesitos constituísse 33% da nota final.</p>
<p>Na verdade, as mulheres procuram (sem saber) um homem com <strong>uma qualidade específica</strong> curiosamente presente em homens extremamente bonitos, ricos, poderosos e inteligentes. Entretanto, ela pode muito bem existir na ausência de tais atributos – em teoria, pelo menos.</p>
<p>Quem é esse homem tão desejado pelas mulheres? É o homem que <strong>pode escolher</strong>.</p>
<h1>&#8220;Você é especial&#8221;</h1>
<blockquote><p>&#8220;Os amores da vida são fundados num quiproquó tanto quanto os amores terapêuticos. Quando nos apaixonamos por alguém, a coisa funciona assim: nós lhe atribuímos qualidades, dons e aptidões que ele ou ela, eventualmente, não têm; em suma, idealizamos nosso objeto de amor. E não é por generosidade; é porque queremos e esperamos ser amados por alguém cujo amor por nós valeria como lisonja. Ou seja, idealizamos nosso objeto de amor para verificar que somos amáveis aos olhos de nossos próprios ideais.&#8221;<br />
–<strong>Contardo Calligaris</strong>, em <em>Cartas a um Jovem Terapeuta</em></p></blockquote>
<p>Depois dessa citação do Calligaris, você já pode brincar com sua namorada quando ela soltar elogios:</p>
<blockquote><p>&#8220;Você só me acha esperto, gostoso e charmoso porque quer ser amada e desejada por um cara esperto, gostoso e charmoso.&#8221;</p></blockquote>
<p>Não só ela. Todos nós, homens e mulheres, somos mendigos absurdamente carentes de <a href="http://nao2nao1.com.br/amar-e-conhecer-a-cor-do-olhar/" target="_blank">olhares</a>. Queremos nos sentir vivos – e nada melhor para isso do que uma pessoa com olhos brilhantes ao nosso lado. Queremos ter uma existência com sentido, ser alguém especial. Um parceiro que acredite em vidas passadas, almas gêmeas e amor eterno, piscando em nossa direção, talvez dê conta do recado.</p>
<p>Já que nossos pais não são imortais para sustentar pra sempre nossa identidade de filho, empresas e projetos oscilam demais para manter nossas identidades profissionais, amizades se alternam, cidades se movem, os times caem para a segunda divisão, sobram <strong>duas opções pra quem está tentando ser alguém:</strong> casar e ter filhos. Marido e esposa, pai e mãe. Eis talvez as únicas identidades que podemos (com sorte) sustentar até a morte.</p>
<p>Está explicado porque <a href="http://nao2nao1.com.br/casar-por-amor-e-uma-pessima-ideia-parte-2/" target="_blank">o casamento é a nossa maior esperança de felicidade</a>. Jogamos nosso ar dentro dos pulmões do outro (no começo, ele a deixa &#8220;sem ar&#8221;) e depois torcemos para que ninguém vá embora (no fim, ele não consegue mais respirar).</p>
<p><img class="alignleft size-full wp-image-634" title="o-amor-e-cego" src="http://nao2nao1.com.br/wp-content/uploads/2009/11/o-amor-e-cego.jpg" alt="o-amor-e-cego" width="300" height="236" align="left" />Mas não vamos deixar nossa vida na mão de qualquer um. <strong>De que vale um elogio &#8220;Você é um gênio!&#8221; vindo de alguém com baixo QI?</strong> Pode admitir: é muito mais gostoso ouvir &#8220;Você é um gato&#8221; de uma mulher estonteante do que de uma feiosa.</p>
<p>Para que a gente se sinta especial, é preciso antes que nosso parceiro seja especial! Caso contrário, a gente não acredita, o encanto não pega, a mágica não funciona.</p>
<p>&#8220;Ela é especial&#8221; é uma das primeiras frases na fala de um homem apaixonado. O que ele esquece de dizer é o seguinte: &#8220;Preciso encontrar razões para que ela seja especial, caso contrário eu não acreditarei quando ouvir dela que sou especial&#8221;. E então ele diz que ela também adora AC/DC, se ela for um pouco gorda. Ressalta que ela faz tudo na cama, se não for tão esperta&#8230;</p>
<p>Mas nenhum desses elogios se compara ao grande &#8220;Você é especial&#8221;. Inteligentes muitos são, bonitos, ricos, gostosos também. Agora, o que mais desejamos é ser únicos, singulares, ímpares, fodões, insubstituíveis. Ou melhor, sem plural: premium, VIP, <strong>edição limitada</strong>, <em>one of a kind</em>.</p>
<p><strong>Mais do que elogiados, queremos ser escolhidos</strong>. Não entre dois, três ou dez. Mas entre todos, de todo o o Brasil, de todos os países, continentes – planetas, se possível. Se encontro alguém que poderia conquistar 4% das pessoas e ouço um &#8220;Você é especial, você é tudo pra mim, case-se comigo&#8221;, bem, sou 4% especial, ou melhor, especial num universo muito pequeno. Eu poderia confessar a um amigo: &#8220;Eu não gosto tanto dela!&#8221;. A  verdade? &#8220;Ela não é especial o suficiente para me fazer acreditar que sou especial&#8221;.</p>
<p>O verdadeiro tesão em comer uma mulher perfeita não está na perfeição do corpo (afinal esses detalhes não fazem muita diferença no prazer sexual), mas na <strong>sensação narcísica</strong> de ser escolhido por uma mulher que poderia escolher qualquer outro homem.</p>
<p>É isso que Calligaris quer dizer com &#8220;aos olhos de nossos próprios ideais&#8221;: não basta que o outro me admire; eu preciso ser admirado por aquilo que eu mais considero digno de admiração e, mais ainda, por alguém que admiro. Como não consigo fazer tudo isso sozinho, chamo mais um par de olhos.</p>
<h1>A redenção dos homens e o fracasso da esperança feminina</h1>
<p>Do outro lado, qual é o homem que mais poderia fazer uma mulher se sentir especial? <strong></strong></p>
<p><strong>O homem que pudesse ter todas.</strong> O homem que pudesse, sem mentir, afirmar o seguinte: &#8220;Eu poderia estar agora com qualquer outra, mas estou com você&#8221;.</p>
<p><object classid="clsid:d27cdb6e-ae6d-11cf-96b8-444553540000" width="480" height="385" codebase="http://download.macromedia.com/pub/shockwave/cabs/flash/swflash.cab#version=6,0,40,0"><param name="allowFullScreen" value="true" /><param name="allowscriptaccess" value="always" /><param name="src" value="http://www.youtube.com/v/2P_mKAgdeUs&amp;hl=pt_BR&amp;fs=1&amp;" /><param name="allowfullscreen" value="true" /><embed type="application/x-shockwave-flash" width="480" height="385" src="http://www.youtube.com/v/2P_mKAgdeUs&amp;hl=pt_BR&amp;fs=1&amp;" allowscriptaccess="always" allowfullscreen="true"></embed></object><br />
<em><a href="http://www.youtube.com/watch?v=2P_mKAgdeUs" target="_blank">Don Juan de Marco</a> talvez perca apenas para Johnny Deep&#8230; ;-)<br />
</em></p>
<p>É por isso que dinheiro, inteligência e beleza parecem ser fatores de atração: eles ampliam o leque das possíveis mulheres que um homem pode conquistar. Qualquer outro atributo que faça o mesmo (ter um blog lilás, por exemplo) fará o papel do dinheiro. Ou seja, as mulheres não querem dinheiro, <strong>elas querem o que as outras mulheres parecem querer</strong>. Jessicar Parker e Melissa Burkley, duas pesquisadoras da Universidade de Oklahoma, concordam: <a href="http://papodehomem.com.br/a-evolucao-do-cafajeste-2-por-que-os-homens-e-que-chegam-nas-mulheres-e-nao-o-inverso/" target="_blank">mulheres preferem homens casados</a>.</p>
<p>O que deixa tudo ainda mais engraçado: o nosso desejo não tem base alguma, não tem um objeto rastreável que poderia ser encontrado e entregue para nosso completo gozo. O nosso desejo – e principalmente o das mulheres (pergunte o porquê para Freud e Lacan) – é montado em cima de outro desejo, que por sua vez se monta em cima do nosso, como em uma caminhada de dois cegos: &#8220;Vou te seguir, você tá olhando tudo, né?&#8221;.</p>
<p>Embora muitas mulheres se satisfaçam por um tempo com esse atestado imperfeito (&#8221;Ele poderia ter 90% das mulheres, mas me escolheu&#8221;), poucas desconfiam que essa impossibilidade de encontrar tal homem 100% garanhão é a prova final do fracasso desse processo de dependência. Não vai dar certo: <strong>homem algum conseguirá fazer sua mulher acreditar que é especial</strong> porque, no fundo, ela sempre vai pensar &#8220;Se ele pudesse pegar outras melhores, ele não estaria comigo&#8221;.</p>
<p>Aos homens, coitados, não sobra tempo sequer para relaxar um pouco depois dessa redenção. É nosso o mesmíssimo fracasso. Nenhuma mulher conseguirá atender ao que pedimos, sem saber, no começo da relação: &#8220;Seja uma mulher desejada por todos, uma mulher que possa ter qualquer um, quando quiser, e me escolha como seu homem; assim me sentirei um grande homem&#8221;. Sofremos do mesmo tipo de alucinação de <em>Pinky e Cérebro</em>. Não, não vamos conquistar o mundo.</p>
<p>Fica complicada até mesmo a vida do cafajeste que se propõe a usufruir dessa dinâmica para seduzir várias mulheres. Nenhuma delas vai conseguir estabilizar a identidade de Don Juan. Enquanto o homem comum se preocupa em seduzir mulheres, os cafajestes gozam mesmo ao conquistar desejos e assim afirmam sua identidade e seguem com sua energia. Assim que um desejo feminino for fisgado, ele será obrigado a partir para outra. Sua liberdade e possibilidade de escolha vai ter o mesmo tamanho de sua prisão.</p>
<h1>Mas isso tem saída?</h1>
<p>Abra qualquer livro de psicanálise – ciência maldita que começou a levantar tais questões – e vá direto ao fim. Muitas vezes a saída proposta é apenas isso: aceite esse processo e tente conviver da melhor forma com essa falta, essa impossibilidade, essa lacuna, esse vazio, esse abismo&#8230;</p>
<p>Eu concordo. Dentro desse jogo, não há resolução. Não há saída. Todos os condicionamentos estão bem costurados debaixo de nossa pele e não será tão fácil nos liberarmos desses padrões de comportamento narcísico, autocentrado. Adoro a visão psicanalítica justamente por ser tão  impiedosa ao <strong>corroer nossas mais queridas ilusões e esperanças</strong>.</p>
<p>Talvez, no entanto, haja algum jeito de agirmos com liberdade em meio a esses jogos, até porque é a própria liberdade que está sendo valorizada quando desejamos o homem ou a mulher que poderia conquistar qualquer outro. Em vez de tentar sequestrar esse desejo livre para satisfazer nossa carência, haveria outro modo de relação entre dois seres nada especiais e completamente substituíveis?</p>
<p>Cabe a nós experimentar outras possibilidades e dar o exemplo. Há 3 anos eu me propus a fazer isso e a relatar meus percursos por aqui.</p>
<p>Ainda estou longe. E você?</p>
<h1>Homens que podem escolher&#8230;</h1>
<p>A discussão acima nasceu de um convite da BIC para responder a pergunta <a href="http://www.homembemfeito.com.br/" target="_blank">&#8220;O que é um homem bem-feito?&#8221;</a>, mote da campanha de lançamento do barbeador BIC Comfort 3, que já tinha rendido <a href="http://nao2nao1.com.br/homem-com-pegada-forca-ou-precisao/" target="_blank">um texto aqui no <em>Não2Não1</em></a> e outro longo no <em>Papo de Homem</em>: <a href="http://papodehomem.com.br/por-que-muitos-homens-sao-refens-das-mulheres/" target="_blank"><strong>&#8220;Por que muitos homens são reféns das mulheres?&#8221;</strong></a>.</p>
<p>Para participar e concorrer a vários prêmios (Wii, Nokia N97, iPods e camarotes para jogos do Brasileirão), assine o Twitter <a href="http://twitter.com/homembemfeito" target="_blank">@homembemfeito</a> e inscreva-se no <strong><a href="http://www.homembemfeito.com.br/" target="_blank">site oficial da campanha</a></strong>.</p>
<p><em>* Post patrocinado.</em></p>


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<p><a href="http://feedads.g.doubleclick.net/~a/qIKSvBF_L8Ot3ay7nxEm9T-xs1Y/0/da"><img src="http://feedads.g.doubleclick.net/~a/qIKSvBF_L8Ot3ay7nxEm9T-xs1Y/0/di" border="0" ismap="true"></img></a><br/>
<a href="http://feedads.g.doubleclick.net/~a/qIKSvBF_L8Ot3ay7nxEm9T-xs1Y/1/da"><img src="http://feedads.g.doubleclick.net/~a/qIKSvBF_L8Ot3ay7nxEm9T-xs1Y/1/di" border="0" ismap="true"></img></a></p><div class="feedflare">
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		<title>Homem com pegada: força ou precisão?</title>
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		<pubDate>Fri, 02 Oct 2009 06:26:47 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Gustavo Gitti</dc:creator>
				<category><![CDATA[Ensaios]]></category>
		<category><![CDATA[Para homens]]></category>
		<category><![CDATA[condução]]></category>
		<category><![CDATA[corpo]]></category>
		<category><![CDATA[presença]]></category>
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		<description><![CDATA[<p></p>
<p>&#8220;Ser como uma espada. Preciso como um laser. Ter uma mente com um foco pinpointed, olhar reto e agudo. Andar que não hesita, fala honesta e autêntica, sem artificialidades, sem manipulação. Ser straightforward, cru, direto. Pau na mesa.&#8220;</p>
<p>Esse é um trecho de &#8220;Os 11 pilares do treinamento do homem guerreiro (1): Precisão&#8221;, um longo texto que escrevi na Cabana PdH,&#8230;</p>


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			<content:encoded><![CDATA[<p><img class="alignnone size-full wp-image-593" title="homem-com-pegada" src="http://nao2nao1.com.br/wp-content/uploads/2009/10/homem-com-pegada.jpg" alt="homem-com-pegada" width="588" height="250" /></p>
<blockquote><p>&#8220;Ser como uma espada. <strong>Preciso como um laser.</strong> Ter uma mente com um foco pinpointed, olhar reto e agudo. Andar que não hesita, fala honesta e autêntica, sem artificialidades, sem manipulação. Ser straightforward, cru, direto. <strong>Pau na mesa.</strong>&#8220;</p></blockquote>
<p>Esse é um trecho de &#8220;Os 11 pilares do treinamento do homem guerreiro (1): Precisão&#8221;, um longo texto que escrevi na Cabana PdH, onde estamos colocando em prática o que eu já apontei aqui no Não2Não1 (<a href="http://nao2nao1.com.br/homem-de-respeito-nem-principe-sensivel-nem-ogro-machao/">&#8220;Homem de respeito: nem príncipe sensível nem ogro machão&#8221;</a>):</p>
<blockquote><p>&#8220;Se há um novo homem, ele não vem de um resgate das qualidades femininas (não, esse é o metrossexual sensível, um exagero de uma integração necessária), mas de um resgate do masculino, agora sem a repressão e a cegueira que o acompanhava no passado. Ou seja, <strong>temos muito mais a aprender com o machão do que com o sensível</strong>.&#8221;</p></blockquote>
<p>Mas aprender o quê?</p>
<h1>Maguila e as mulheres mal comidas</h1>
<p>O que os homens ogros tem a dizer para os frouxos? Foi essa a pergunta que fiz para o Maguila no evento de lançamento do barbeador BIC Comfort 3. No vão livre do MASP, os Barbixas, Marcelo Adnet e Cauã Raymond brincaram com o tema <a href="http://homembemfeito.com.br/" target="_blank"><strong>&#8220;O que é um homem bem-feito?&#8221;</strong></a>.</p>
<p>Estávamos na área VIP, frutas e bebidas à disposição, clima tranquilo, gente da TV, ou seja, ambiente onde não se espera nenhuma violência, não é mesmo?</p>
<p>Pois é. Soltei a pergunta e veio a resposta:</p>
<p><object classid="clsid:d27cdb6e-ae6d-11cf-96b8-444553540000" width="560" height="340" codebase="http://download.macromedia.com/pub/shockwave/cabs/flash/swflash.cab#version=6,0,40,0"><param name="allowFullScreen" value="true" /><param name="allowscriptaccess" value="always" /><param name="src" value="http://www.youtube.com/v/dA_8EMvNPuQ&amp;hl=pt-br&amp;fs=1&amp;" /><param name="allowfullscreen" value="true" /><embed type="application/x-shockwave-flash" width="560" height="340" src="http://www.youtube.com/v/dA_8EMvNPuQ&amp;hl=pt-br&amp;fs=1&amp;" allowscriptaccess="always" allowfullscreen="true"></embed></object></p>
<p><strong>Uma mãozada no peito.</strong> Um ato tão sem noção e tão genial que fiz questão de publicar o vídeo e ainda legendar os melhores momentos. Um soco no peito é o recado do Maguila para os homens  frouxos, <a href="http://papodehomem.com.br/a-nova-geracao-de-homens-mimados/" target="_blank">mimados</a>, frescos, sensíveis, <a href="http://nao2nao1.com.br/sobre-homens-indecisos-parte-1/" target="_blank">indecisos</a>, confusos ou, como ele mesmo diz, homens <a href="http://www.youtube.com/watch?v=DgJpKnvqJdY" target="_blank">&#8220;metro-não-sei-que-porra-é-isso&#8221;</a>.</p>
<p>Desconfio, porém, que isso não seja o suficiente.<!--adsensestart--></p>
<p>Para os rebentos que estão crescendo tendo como referência Fresno (ganhador do VMB 2009) e coisas do tipo, para evitar uma <strong>futura epidemia de mulheres mal comidas</strong> e a consequente extinção da espécie humana, deixo uma explicação da porrada.</p>
<h1>O peso de uma mão firme</h1>
<p>Por ter voz fina e mão pequena, eu tive de descobrir outros jeitos de incorporar o vigor masculino. Uma questão de sobrevivência.</p>
<p>Eu não podia mudar o tamanho, a musculação não alterou tanto sua força, mas havia algo que eu poderia variar a qualquer momento: o peso da minha mão. Ao contrário do tamanho, o peso é um atributo relacional, ou seja, se mede em função do corpo tocado. Uma mão pesa quando preenche, diz alguma coisa, e não pesa quando flutua e não diz a que veio. Eis a diferenciação a que se propõe o termo &#8220;pegada&#8221; –  verbete que Barthes ficou devendo no clássico <em>Fragmentos de um discurso amoroso</em>.</p>
<p>Nossa mão tem mil toques, sendo que usamos apenas alguns. Nosso corpo, mil encaixes, e raramente brincamos com tais possibilidades. Ter &#8220;pegada&#8221; é começar a dizer frases nítidas com os dedos, andar para dentro de um restaurante como se fosse o dono do local – não por orgulho (queixo pra cima), mas porque se sente confortável em qualquer lugar (pés ancorados no chão). <strong>Falar como se estivesse tocando, pegar como se estivesse falando.</strong></p>
<p>Ao explorar tais possibilidades, ao variar o peso da mão, descobri que há esperanças para a geração emo – desde que os caras acertem o cabelo, claro. Mais ainda, há esperança para todos os homens certinhos, bonzinhos, bobinhos, sem graça, previsíveis, que existem por aí.</p>
<p>E não pensem que tais homens sejam apenas os fraquinhos. Há inúmeros caras que saem da academia trincando e não sabem como fazer sua namorada pirar durante uma noite ou como avançar profissionalmente na vida. Eles são igualmente frouxos.</p>
<h1>&#8220;A pegada&#8221;: força ou precisão?</h1>
<p><strong><img title="espada" src="http://nao2nao1.com.br/wp-content/uploads/2009/10/espada.jpg" alt="espada" width="70" height="365" align="right" />O contrário de frouxidão, portanto, não é força, mas precisão</strong> – ou, como se diz usualmente, firmeza. É por isso que todo mundo que apanhou carinhosamente do Maguila, durante o evento da BIC (foram vários, acredite), não falou em força: &#8220;O cara tem a mão pesada&#8221;.</p>
<p>Um moleque de 17 anos pode ser um fracote, mas conquista qualquer mulher se tiver condução, precisão, direcionamento, ludicidade e profundidade. Traduzo: uma mão que vai até o outro lado das costas (quase no peito dela, enlaçando totalmente com o braço), um toque sem hesitação, uma malícia cheia de paciência para chegar onde quer, uma atitude que transforma tudo em brincadeira e uma mente que a desafia.</p>
<p>De força, precisamos apenas o suficiente para carregá-las no colo. Aquela imagem do cara entrando no quarto da lua-de-mel com a noiva nos braços deve ter ficado gravada no inconsciente feminino como sinônimo de felicidade eterna, pois algo acontece quando repetimos a cena, mesmo sem fraque e vestido branco.</p>
<p>Troque insegurança por precisão, meias palavras (&#8221;Muito legal te conhecer&#8221;) por malícia crua (&#8221;Você é uma delícia. Sabe que tá fodida hoje na minha mão, né?&#8221;), tapa na bunda por tapa na cara, e verá que não é necessário muita força para que uma mulher se sinta <strong>conduzida, preenchida, elevada.</strong></p>
<p>O peso de nossa mão não é resultado só de força, mas do vigor generoso, do desejo direcionado sem pés atrás (&#8221;Será que ela quer também?&#8221;), da energia que guardamos pra explodir, de nossa capacidade de invadir sem perguntar, de entrar sem ser chamado, de pesar sobre ela. <a href="http://nao2nao1.com.br/beijo-e-sexo-sao-coisas-que-nao-existem/" target="_blank">Não metemos com um pau</a>, metemos com todo o peso do corpo, avançando, cortando, batendo, abrindo, liberando uma mulher.</p>
<p>Não é por acaso que ela entra no quarto com medo de nós e sai desconcertada, com um sorriso que ela nunca viu no espelho ou em fotos.</p>
<h1>Mais sobre homens com pegada</h1>
<p>Assine <a href="http://twitter.com/homembemfeito" target="_blank">@homembemfeito</a> no Twitter para concorrer a iPods, camarotes para jogos e outros prêmios. No site da ação, também está rolando um concurso, basta responder <a href="http://www.homembemfeito.com.br" target="_blank">&#8220;O que define um homem bem-feito?”</a> para concorrer a computador, Wii e ao desejado Nokia N97.</p>
<p><strong>No próximo post sobre o tema,</strong> vou ser ainda mais específico e listar dicas e orientações (a exemplo do que fiz no texto <a href="http://nao2nao1.com.br/conselhos-para-mim-mesmo-para-homens/" target="_blank">&#8220;10 conselhos para mim mesmo&#8221;</a>).</p>
<p>Por enquanto, abro o espaço de comentários.</p>
<p><strong>Você, mulher:</strong> conte uma situação em que faltou firmeza do seu parceiro (ou o contrário, claro).</p>
<p><strong>Você, homem:</strong> relate uma cena em que você agiu com precisão e mãos firmes, como um autêntico representante do nosso time (ou o contrário, se quiser tomar pedrada).</p>
<p><em>* Este texto é um publieditorial, mas só agora percebi (ao buscar pela imagem de uma espada) que falei de precisão para divulgar <a href="http://www.homembemfeito.com.br/" target="_blank">um barbeador e suas lâminas!</a> Eu tenho de começar a cobrar mais caro por estes textos&#8230;<br />
</em></p>
<p><em>** Precisão vale até mesmo para o aspecto mais microscópico da relação: clitóris e ponto G.</em></p>
<p><em>*** Tem ainda outra brincadeira envolvendo precisão, lâminas, garfos, facas e mulheres: <strong>se quiser comer, aprenda antes a cortar.</strong><br />
</em></p>


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