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	<title>Não Dois, Não Um: um blog sobre relacionamentos lúcidos</title>
	
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	<description>Ensaios sobre relacionamentos amorosos. Sexo e filosofia, paixão e espiritualidade. Para homens e mulheres.</description>
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		<title>A trilha sonora inaudível dos relacionamentos</title>
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		<pubDate>Sat, 14 Aug 2010 12:36:19 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Gustavo Gitti</dc:creator>
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		<description><![CDATA[<p></p>
<p>Chico Buarque, John Mayer, Aimee Mann, Marisa Monte&#8230; É longa a playlist por trás de nossa vida amorosa. Já sugeri algumas, aliás (&#8220;11 canções para amar mais&#8221;), mas agora me interessa a trilha sonora que não ouvimos.</p>
<p>O caminho para esse silêncio se faz pelo próprio som: para esclarecer o que estou chamando de &#8220;trilha sonora inaudível&#8221;, vamos analisar&#8230;</p>


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</ol>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><a rel="attachment wp-att-1204" href="http://nao2nao1.com.br/a-trilha-sonora-inaudivel-dos-relacionamentos/trilha-sonora/"><img class="alignnone size-full wp-image-1204" title="trilha-sonora" src="http://nao2nao1.com.br/wp-content/uploads/2010/08/trilha-sonora.jpg" alt="" width="589" height="250" /></a></p>
<p>Chico Buarque, John Mayer, Aimee Mann, Marisa Monte&#8230; É longa a <em>playlist</em> por trás de nossa vida amorosa. Já sugeri algumas, aliás (<a href="http://blog.ianblack.com.br/2009/09/07/11-cancoes-para-amar-mais/" target="_blank">&#8220;11 canções para amar mais&#8221;</a>), mas agora me interessa a trilha sonora que <strong>não</strong> ouvimos.</p>
<p>O caminho para esse silêncio se faz pelo próprio som: para esclarecer o que estou chamando de &#8220;trilha sonora inaudível&#8221;, vamos analisar a influência da música em uma experiência. Já adianto que meu foco está nas outras estruturas que atuam sobre nós de modo bastante similar ao som.</p>
<h1>Trailer de <em>Dumb &amp; Dumber</em> com trilha de <em>Inception</em></h1>
<p>Hans Zimmer construiu uma obra-prima para a trilha sonora de <a href="http://www.imdb.com/title/tt1375666/" target="_blank"><em>Inception</em></a> (aqui &#8220;A origem&#8221;), responsável por boa parte da experiência proposta por Christopher Nolan. Um bando de gênios com tempo livre logo reconheceu a qualidade da trilha e criou <em>mashups</em> de todos os tipos. Para você ter uma ideia, o <a href="http://www.youtube.com/watch?v=WxzYNbYHT8s" target="_blank">fim de <em>Lost</em> reeditado</a> com a música do fim de <em>Inception</em> talvez tenha ficado melhor que o original. ;-)</p>
<p>Em uma dessas brincadeiras, pegaram o áudio do trailer de <em>Inception</em> e montaram um trailer para o filme <em>Dumb &amp; Dumber</em> (&#8220;Débi &amp; Lóide&#8221;). O resultado: <strong>todas as cenas são ressignificadas</strong>. Se não conhecêssemos o original, nunca desconfiaríamos que trata-de de uma comédia.</p>
<p><object classid="clsid:d27cdb6e-ae6d-11cf-96b8-444553540000" width="589" height="356" codebase="http://download.macromedia.com/pub/shockwave/cabs/flash/swflash.cab#version=6,0,40,0"><param name="allowFullScreen" value="true" /><param name="allowscriptaccess" value="always" /><param name="src" value="http://www.youtube.com/v/zLDx-BPgxxA?fs=1&amp;hl=pt_BR&amp;hd=1" /><param name="allowfullscreen" value="true" /><embed type="application/x-shockwave-flash" width="589" height="356" src="http://www.youtube.com/v/zLDx-BPgxxA?fs=1&amp;hl=pt_BR&amp;hd=1" allowscriptaccess="always" allowfullscreen="true"></embed></object><br />
<em><a href="http://www.youtube.com/watch?v=zLDx-BPgxxA" target="_blank">Link YouTube</a> | Mesmo conhecendo o filme e o truque, vemos as cenas mudando de textura, pra valer.<br />
</em></p>
<h1>Música, essa regente de mentes</h1>
<p>Antes de sair do âmbito do som, vamos detalhar um pouco mais o que acontece no cinema.</p>
<p>Depois dos créditos iniciais, ainda nos sentimos sentados na poltrona, sem grandes alterações. À medida que o filme avança, um mundo vai sendo criado. A missão do diretor é nos arremessar para dentro dessa realidade, até que nosso coração, nosso pulmão, nossas <strong>glândulas lacrimais</strong> estejam reagindo a cada <em>frame</em>. Sabemos de todo o truque, o que por muitas vezes não nos impede de cair no sonho proposto, de ter nossa mente conduzida.</p>
<p>Claro, apenas imagens não são suficientes para nos fisgar. É a música que direciona o olhar, que situa, que define a textura de cada imagem. Quando a trilha sonora funciona, ela não é percebida como um som específico, como música vinda de instrumentos. Nada disso. Na cena que nos envolve, a música age por trás do olho, como se carregasse no corpo. Se tal processo lhe parece óbvio, me antecipo: comece a pensar em como outras estruturas fazem a mesma coisa conosco fora do cinema, sem precisar de música alguma.</p>
<p>A mesma cena pode ser de terror, suspense, ação, comédia, drama&#8230; Para cada cena definida, temos incontáveis trilhas possíveis, ou seja, incontáveis experiências, universos de significação. Se a cena pré-existisse com algum sentido inerente e tivesse a música como complemento, isso não aconteceria. O caso é que a cena já surge com a trilha e assim construímos nossa experiência, já direcionados pela música, quase incapazes de sequer imaginar como seria a mesma cena de outro modo, sob o efeito de outra trilha sonora.</p>
<p>Para enfatizar essa percepção, basta <a href="http://nao2nao1.com.br/experimentos-para-se-sentir-vivo-1-ipod-e-energia-autonoma/" target="_blank">colocar duas músicas no iPod</a> e sair para andar na Avenida Paulista. Pode ser &#8220;Gold dust&#8221;, da Tori Amos, e depois &#8220;Love generation&#8221;, do Bob Sinclair. Ou alguma da trilha de <em>Into the wild</em> seguida de outra da trilha de <em>Where the wild things are</em>. Qual das duas cenas é a verdadeira? <strong>As pessoas estão andando rápido mesmo ou é apenas a sensação da música?</strong> Elas parecem estranhas e distantes? Próximas e amigas?</p>
<p>Ou você pega um conflito e tenta extrair visões a partir de músicas, não de letras, mas da ambiência criada por cada música, dos olhares que elas proporcionam. Ouve uma e sente compaixão, redenção, compreensão do mundo do outro. Chora. Ouve outra e sente ódio, raiva, indignação. Uma música desenha um monstro. Outra revela um herói ferido.</p>
<p><object classid="clsid:d27cdb6e-ae6d-11cf-96b8-444553540000" width="589" height="466" codebase="http://download.macromedia.com/pub/shockwave/cabs/flash/swflash.cab#version=6,0,40,0"><param name="allowFullScreen" value="true" /><param name="allowscriptaccess" value="always" /><param name="src" value="http://www.youtube.com/v/IdeG1rSzqLk?fs=1&amp;hl=pt_BR&amp;hd=1" /><param name="allowfullscreen" value="true" /><embed type="application/x-shockwave-flash" width="589" height="466" src="http://www.youtube.com/v/IdeG1rSzqLk?fs=1&amp;hl=pt_BR&amp;hd=1" allowscriptaccess="always" allowfullscreen="true"></embed></object><br />
<em><a href="http://www.youtube.com/watch?v=IdeG1rSzqLk" target="_blank">Link YouTube</a> | Bobby McFerrin fazendo milagre com a ária mais bonita de Bach.</em></p>
<p>E então você enfim chega à pergunta essencial desse percurso que descrevo: <strong>&#8220;Qual música já estava tocando bem antes de eu colocar os fones?&#8221;.</strong> Ou: &#8220;Se eu conseguisse aumentar o volume da minha mente, que tipo de música eu ouviria?&#8221;.</p>
<h1>Melodias internas que não ouvimos</h1>
<p>A trilha sonora sempre existe, com ou sem música de fundo. É como se estivéssemos colorindo as cenas da vida o tempo todo com nossos instrumentos musicais invisíveis e nossa tendência a diretor, compositor, cineasta. Estamos dirigindo, filmando, posicionando câmeras, editando, roteirizando, decupando, perfumando, prestando atenção na continuidade e, claro, ajustando a trilha sonora, quadro a quadro.</p>
<p>Isso tudo fora o personagem. Além de viver, envolvemos o vivido em um mundo de sentido, em uma história que inventamos o tempo todo sem saber.</p>
<p>Mais do que uma metáfora, é precisamente esse o nosso funcionamento! A cada momento, encaramos as coisas com algum pré-roteiro, alguma predisposição melódica, uma ou outra preferência estética. <strong>As músicas, essas de som, só aumentam o volume das trilhas inaudíveis</strong>, mas elas sempre  estão presentes, caso contrário as músicas nesse post não fariam  absolutamente nada com sua mente.</p>
<h1>Cena: uma namorada e um cara tomando banho</h1>
<p><strong>A namorada sobe. </strong>Ele está no banho, atrasado. Saiu apenas para abrir a porta e logo voltou. Se esse será um filme pornô ou um drama existencial, bem, não está na cena a definição, mas na trilha sonora.</p>
<p>Ela pode passar por esse momento já imaginando como seria entrar no banho. Ou esperar pelo namorado <strong>nua na cama</strong>. Da ideia à prática é um pulo. Ela também pode viver essa mesma experiência, sem objetivamente mudar nada, como uma aflição, irritada porque ele está demorando de novo, não se aprontou antes de novo, não a valoriza mais&#8230; Esse outro filme continua com ela sentada no sofá, impaciente, <strong>emburrada</strong> quando ele sai do banheiro.</p>
<p>Se analisarmos apenas o banho desse cara, não há diferença entre as duas cenas. Não há nada no banho dele que ative uma ou outra resposta em sua namorada. É o modo com que ela olha para o banho que constrói o filme todo. A posição da câmera, o foco na edição, o ritmo da trilha que ela não ouve, mas que não cessa de movê-la. Até mesmo sua experiência de tempo (o banho vai durar minutos ou décadas?) é definida por essa trilha oculta.</p>
<p>Mais ainda, uma vez que ele fecha a porta e religa o chuveiro para terminar o banho, a experiência explode com tudo, deixando inacessíveis todas as outras possibilidades: trilhas, edições, ângulos que ela não escolheu. É por isso que, sob a perspectiva da namorada, parece que o banho é aquilo mesmo que lhe parece, do jeito que surge, com a textura ali manifesta. Se ela está irritada, tem toda razão: ele, de fato, deveria ter se arrumado antes. Se está excitada, perfeito: ele vai sair do banho louco para comê-la antes de se vestir.</p>
<p>Nossa tragédia começa no ocultamento dos filmes que deixamos de viver por causa das trilhas que continuamente tocamos, das edições instantâneas, ângulos de cada olhar, <strong>roteiros que seguramos debaixo do braço</strong>. O filme que surge parece o único possível, como se viesse pronto, lá de fora, como se não tivesse o nosso nome nos créditos.</p>
<p><object classid="clsid:d27cdb6e-ae6d-11cf-96b8-444553540000" width="589" height="466" codebase="http://download.macromedia.com/pub/shockwave/cabs/flash/swflash.cab#version=6,0,40,0"><param name="allowFullScreen" value="true" /><param name="allowscriptaccess" value="always" /><param name="src" value="http://www.youtube.com/v/nvs7ogxkOIA?fs=1&amp;hl=pt_BR&amp;hd=1" /><param name="allowfullscreen" value="true" /><embed type="application/x-shockwave-flash" width="589" height="466" src="http://www.youtube.com/v/nvs7ogxkOIA?fs=1&amp;hl=pt_BR&amp;hd=1" allowscriptaccess="always" allowfullscreen="true"></embed></object><br />
<em><a href="http://www.youtube.com/watch?v=nvs7ogxkOIA" target="_blank">Link YouTube</a> | Esse cara pegou a melhor música da trilha de &#8220;The straight story&#8221; (do mestre Angelo Badalamenti) e botou em cima de cenas de seu bairro. Olha o resultado, dá até vontade de ir lá conhecer. Aliás, é assim que a gente se apaixona: colocamos pra tocar a nossa melhor música em cima de alguém, que por acaso ficou algum tempo por perto. A paixão é essa aura. Como é nossa melhor música, vemos o melhor do outro e acabamos expondo o nosso melhor. Quer dizer, até outras trilhas começarem a tocar o terror&#8230;<br />
</em></p>
<h1>Brincando de cineasta</h1>
<p>Não há nada de errado nesse processo de construção cinematográfica da vida (e me refiro à própria percepção de cada fenômeno, não a alguma espécie de romantização posterior). O problema está na cegueira, no fato de não sabermos que estamos agindo assim, não exatamente no sofrimento que alguns filmes mais duros despejam sobre nós.</p>
<p>Ora, já que a trilha sonora está aí, já que todo momento já surge condicionado, já que nunca temos acesso às infinitas possibilidades, só nos resta olhar para o modo <strong>como estamos trazendo os eventos à tona</strong>, como estamos construindo a vida que parece nos acontecer, que parece vir de fora. A cada momento, somos obrigados a pisar numa direção ou em outra sem antes saber qual terra é melhor. Pisamos e só depois dizemos: &#8220;Ah, aqui é fofo&#8221;. A cada passo, uma desconfiança, mesmo em terras boas: &#8220;E se lá for melhor?&#8221;. Ou: &#8220;E se a terra boa acabar no próximo passo?&#8221;.</p>
<p>Nossa situação atual, seja qual for, agora mesmo, não é positiva ou negativa em si mesma. Há alguma trilha sonora interna atuando sem cessar para que ela nos apareça de um certo jeito, para que a vivamos como uma experiência específica. Em vez de se preocupar em dar o próximo passo, torcendo para que ele nos leve a uma situação melhor, podemos simplesmente mudar a trilha sonora e ver no que dá, ver como isso altera a experiência toda, mais até do que se mudássemos a situação diretamente.</p>
<p>Voltando à cena do homem no banho, agora vemos a namorada sorrindo para sua própria dinâmica, ouvindo a trilha sonora que colocou, sem saber, na cena. Ela pode ficar emburrada ou pode tirar a roupa. A situação não está definida; o que vale é a<em> experiência</em> dessa situação. Na verdade, o que chamamos de situação é tão somente nossa experiência. <strong>Não há situação em si</strong>, independente de nossa edição, roteiro, fotografia, iluminação&#8230;</p>
<p>O banho do cara demora o suficiente para ela avançar um pouco mais. Agora ela simula os dois filmes em <em>fast-forward</em> e observa como ficar emburrada não é necessariamente pior do que tirar a roupa, pois talvez ela tire a roupa, ele broche e os dois briguem. Talvez ela fique emburrada, ele fique nervoso e eles acabem com as frescuras se acabando no chão, o que por sua vez não é necessariamente melhor ou pior do que brigar&#8230; ;-) Basta um outro <em>fast-forward</em> para comprovar a infinita abertura e flexibilidade dos eventos.</p>
<p>Ela continua até se dar conta de que o que importa não é seguir em uma ou em outra direção, mas seguir com olhos abertos para a liberdade sempre presente, para a insubstancialidade de cada momento, <strong>como se tudo pudesse virar lixo ou ouro</strong>, a cada segundo, como se nada nunca se definisse e se fechasse completamente.</p>
<p>Sua escolha, então, não é entre o sofá e a cama, a cara emburrada e a perna esticada, entre uma situação e outra, mas entre viver o filme como cineasta e viver o filme como um ator com amnésia.</p>
<p><object classid="clsid:d27cdb6e-ae6d-11cf-96b8-444553540000" width="589" height="466" codebase="http://download.macromedia.com/pub/shockwave/cabs/flash/swflash.cab#version=6,0,40,0"><param name="allowFullScreen" value="true" /><param name="allowscriptaccess" value="always" /><param name="src" value="http://www.youtube.com/v/aBALudMfBBM?fs=1&amp;hl=pt_BR&amp;hd=1" /><param name="allowfullscreen" value="true" /><embed type="application/x-shockwave-flash" width="589" height="466" src="http://www.youtube.com/v/aBALudMfBBM?fs=1&amp;hl=pt_BR&amp;hd=1" allowscriptaccess="always" allowfullscreen="true"></embed></object><br />
<em><a href="http://www.youtube.com/watch?v=aBALudMfBBM" target="_blank">Link YouTube</a> | Ouça lembrando da vida inteira ou de uma história amorosa. O que sai?</em></p>
<h1>Silêncio</h1>
<p>Ouvir a trilha sonora pela qual atuamos e poder transformá-la. Trocar <em>olvido</em> por ouvido. <strong>Liberdade não é só isso.</strong></p>
<p>Se o cara ficasse um pouco mais no banho, a namorada certamente questionaria até mesmo sua necessidade de mexer na trilha sonora para ter outras experiências de uma mesma cena. Ela olharia com calma para essa capacidade de mudar a trilha, de trocar de roteiro, de ajustar ângulos&#8230; e desconfiaria de uma liberdade anterior: a de criar filmes e trilhas.</p>
<p>Brincar de cineasta é excelente, claro. Mas como é possível que uma cena que hoje nos aflige (a ponto de cortar nossa fome) amanhã seja motivo de risadas soltas e despreocupadas? O que faz com que os filmes e trilhas se alterem tanto e tão rápido?</p>
<p>Mais do que culminar em uma resposta, essa pergunta direciona nosso olho para uma dimensão além de qualquer trilha sonora, algo como o que imaginamos quando ouvimos a palavra &#8220;silêncio&#8221;.</p>
<p>Repousando nesse silêncio, e não em filmes específicos e suas possíveis edições e refilmagens, entendemos que não precisamos criar um filme a partir de outro, resolvendo algo, trocando algum personagem, mudando a trilha ou a fotografia. <strong>Dá para criar um filme a partir da própria liberdade de criar filmes</strong>, do zero – o que não significa alguma espécie de fascinação pela morte ou aversão à continuidade, pois uma das coisas mais divertidas é criar, do zero, a mesmíssima realidade que existia anteontem. Não é isso o que uma garota faz quando atende o telefone com um &#8220;Oi, amor&#8230;&#8221;?</p>
<p>Pois bem, é claro que o homem de nossa cena saiu do banheiro depois de todo esse tempo. Sua paciente namorada talvez esteja na cama, talvez no sofá ou até já tenha ido embora. O importante é que ele também tenha percebido algumas coisas enquanto a água corria&#8230;</p>
<p><object classid="clsid:d27cdb6e-ae6d-11cf-96b8-444553540000" width="589" height="466" codebase="http://download.macromedia.com/pub/shockwave/cabs/flash/swflash.cab#version=6,0,40,0"><param name="allowFullScreen" value="true" /><param name="allowscriptaccess" value="always" /><param name="src" value="http://www.youtube.com/v/DO2a2KSwLg4?fs=1&amp;hl=pt_BR&amp;hd=1" /><param name="allowfullscreen" value="true" /><embed type="application/x-shockwave-flash" width="589" height="466" src="http://www.youtube.com/v/DO2a2KSwLg4?fs=1&amp;hl=pt_BR&amp;hd=1" allowscriptaccess="always" allowfullscreen="true"></embed></object><br />
<em><a href="http://www.youtube.com/watch?v=DO2a2KSwLg4" target="_blank">Link YouTube</a> | Um dos melhores temas de &#8220;Lost&#8221;, de Michael Giacchino (italiano, pra variar).</em></p>


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</ol></p>
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		<pubDate>Wed, 28 Jul 2010 22:52:29 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Gustavo Gitti</dc:creator>
				<category><![CDATA[Destaques]]></category>
		<category><![CDATA[Entrevistas]]></category>
		<category><![CDATA[Para homens]]></category>

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		<description><![CDATA[<p></p>
<p>A Aline Molica me entrevistou para o site Plano Feminino. Respondi com prazer, ainda que sem entender qual é o plano delas. ;-)</p>
<p>Como o site é em flash e o design não facilita a participação nos comentários (eu gosto das conversas que surgem), publico também aqui minhas respostas.</p>
<p>Aproveitei e complementei alguns trechos. Corrijam eventuais besteiras nos comentários.&#8230;</p>


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<li><a href='http://nao2nao1.com.br/entrevista-sobre-divorcio-separacao-apatia-abandono-e-outros-arredores-do-fim/' rel='bookmark' title='Permanent Link: Entrevista sobre divórcio, separação, apatia, abandono e os arredores do fim'>Entrevista sobre divórcio, separação, apatia, abandono e os arredores do fim</a></li>
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</ol>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><img class="alignnone size-large wp-image-1158" title="planofeminino" src="http://nao2nao1.com.br/wp-content/uploads/2010/07/planofeminino-589x193.jpg" alt="" width="589" height="193" /></p>
<p>A <a href="http://twitter.com/alinemolica" target="_blank">Aline Molica</a> me entrevistou para o site <a href="http://www.planofeminino.com.br/home/oqueelespensam.php?mat_cod=66755" target="_blank"><em>Plano Feminino</em></a>. Respondi com prazer, ainda que sem entender qual é o plano delas. ;-)</p>
<p>Como o site é em flash e o design não facilita a participação nos comentários (eu gosto das conversas que surgem), publico também aqui minhas respostas.</p>
<p>Aproveitei e complementei alguns trechos. Corrijam eventuais besteiras nos comentários. Eu agradeço.</p>
<h1>1. Como você define um relacionamento lúcido?</h1>
<p>Eu evito essa definição porque nossa reação imediata é tentar viver de acordo com modelos e ideais. Mesmo quando são boas referências, essa tendência de comparar o que surge com um modelo de sucesso só traz confusão e sofrimento. Por outro lado, não ter referenciais é igualmente frustrante, especialmente hoje, num momento em que os casais em evidência não oferecem grandes exemplos do que pode ser um relacionamento profundo.</p>
<p>Com isso em mente, podemos descrever algumas <strong>qualidades possíveis para qualquer casal</strong> incorporar em sua própria história, no encaixe que der, do jeito que der tesão para ambos.</p>
<p>Uma dessas qualidades é a generosidade, no espaço ocupado normalmente pela carência. Em vez de exigir, esperar, cobrar ou pedir (seja no começo, no meio, no fim ou após o fim da relação), oferecer. Em vez de olhar como o outro pode nos fazer feliz, descobrir como podemos fazê-lo feliz e sentir como isso nos deixa muito bem, como isso dá sentido para nossa vida, dá brilho no olho, energia, potência.</p>
<p>Outra qualidade de um relacionamento exemplar (que inspira outros casais) é a <strong>ludicidade</strong>, a capacidade de enxergar todas as coisas como construções, encenações, sonhos, filmes. Tirar a solidez daquela situação angustiante, se fazer de palhaço no meio de uma briga seríssima, beijar do nada, sorrir para os problemas, inventar mitologias, surrealidades próprias, e sempre lembrar que o casamento, por mais sólido que seja, é apenas uma aura projetada, um filme que criamos e decidimos seguir vivendo, não uma realidade imutável.</p>
<p>O outro é sempre livre e mantém uma vida pulsante e misteriosa para além das identidades construídas em sua relação conosco. <strong>A mulher é sempre maior que a esposa.</strong> O homem pode deixar de ser o marido a qualquer momento.</p>
<p>Perceber isso antes que a identidade se dissolva, antes da crise, antes do fim, perceber isso durante a encenação é o que confere essa qualidade lúdica e mágica para a relação se aprofundar e para ambos sempre se surpreenderem com essa loucura que se apresenta como o cotidiano natural, essa alucinação que parece muito real, como um jogo delicioso de criança.</p>
<p>Um terceiro aspecto é a abertura, no sentido de não criar regras e não se afastar do outro, mesmo quando estamos distantes. Ou seja, manter o espaço aberto, manter a comunicação mesmo quando dói, mesmo quando tudo nos leva à defesa, ao fechamento. Isso é crucial e raríssimo nos casais. Por exemplo, quando surge ciúme, essa aflição atua como um <strong>agente infiltrado que joga um contra o outro</strong>: um enxerga o outro como inimigo, como sendo o responsável pelo problema, pelas emoções, pensamentos e sensações negativas que surgem.</p>
<p>Alguns pensam que comunicação é &#8220;DR&#8221; (discutir a relação), mas na maioria dessas conversas só apontamos um para o outro, não para os verdadeiros obstáculos. Manter a comunicação quando tudo vai mal é saber ficar junto no meio da dor, da confusão, da incerteza, da insatisfação. Poucos são os casais que exploram esses terrenos mais escuros. A maioria espana nessa hora – ou, pior, aguenta encarando tudo como um peso, não como um desafio.</p>
<p>Quando há abertura, o ciúme não tem paredes para se esconder, então ambos olham o verdadeiro inimigo: a aflição, o ciúme. E eles se unem ainda mais para superá-lo. É como detectar um câncer na relação. O que é melhor: <strong>tratar o câncer brigando ou se cuidando?</strong> É assim que poderíamos nos relacionar com todos os obstáculos que surgem na relação, venha de onde vier, não importa: do banco, da família, da garagem, da UTI, da pia da cozinha, do homem, da mulher, de um terceiro, de um quarto&#8230; ;-)</p>
<h1>2. Seu blog “Não Um, Não Dois” está se tornando um livro? Ele será um compilado do blog? Se não, qual será a abordagem?</h1>
<p>Sim, já estou em negociação com uma grande editora.</p>
<p>Ele trará textos do site www.nao2nao1.com.br, artigos e práticas da Cabana PapodeHomem e material inédito. A abordagem é a mesma do site, ou seja, ensaios que abordam todos os momentos e todos os aspectos de um relacionamento amoroso, com a motivação de ajudar as pessoas a cultivarem mais liberdade, presença, ludicidade, potência, generosidade, destemor em suas relações.</p>
<p>A linguagem vai misturar ensaios mais longos e críticos com dicas simples, meios hábeis, ideias práticas, possibilidades.</p>
<h1>3. Você acredita em fórmulas para que uma relação dê certo? Comente um pouco sobre estas “regras” das quais muitos falam sobre o que fazer e o que não fazer&#8230;</h1>
<p>Não acredito em fórmulas e não faço desse ceticismo outra fórmula. É por isso que, mesmo sem acreditar em fórmulas, eu ofereço o que as pessoas chamam de &#8220;dicas&#8221; ou &#8220;conselhos&#8221;, mas que sempre vejo como possibilidades. É simples: se vemos um casal amigo fazer ou se vemos algo legal num filme, pronto, aquele universo se abre, aquilo se torna possível. <strong>Não são fórmulas, mas mundos possíveis.</strong></p>
<p>Quanto maior o nosso mundo, maiores as possibilidades de encaixe, mais pessoas podemos amar, mais pessoas se apaixonam por nós, mais presentes temos a oferecer, mais possibilidades temos na cama e na vida. Temos flexibilidade para ser vários e então não ficamos carentes, esperando que alguém apareça e se encaixe em nós.</p>
<p>Se é para falar em regra, deixo uma: <strong>não tente controlar e não lute com o que aparece pela frente.</strong> Nosso maior sofrimento nas relações vem de tentarmos controlar as situações e controlar o outro, seja durante a conquista (mexendo na cabeça do outro para que se apaixone por nós) ou no meio do relacionamento, evitando situações que gerem ciúme (em nós ou no outro), raiva, medo, culpa&#8230; Tentamos controlar, mas nunca dá certo. Quando surge o que não esperávamos ou não queríamos, lutamos contra a vida, nos debatemos em vez de lidar com o que se fez presente, assim como veio. O problema não é tanto o fracasso, mas a energia que gastamos nesse processo e a ansiedade que cultivamos, antes e depois de cada fenômeno.</p>
<p>Quanto mais tentamos controlar as situações ou diretamente o outro, <strong>mais nos fechamos à vida que surge.</strong> Ficamos mais mimados, precisamos que as coisas sejam de tal e tal modo para sermos felizes ou para sentirmos prazer no sexo ou para sorrirmos. Resultado: nossa capacidade de amar diminui, somos menos felizes, nos perturbamos mais facilmente.</p>
<p>Quando nosso amor diminui, a sensação de ser amado diminui. Na verdade, a sensação de ser amado não depende de quanto o outro nos ama ou demonstra esse amor, mas de quanto nós amamos. Essa sensação que tanto buscamos é efeito de nossa ação, da prática, do oferecimento, do nosso amor. Ela não tem nada a ver com o outro, tampouco com o que chamamos de <strong>&#8220;amor próprio&#8221;</strong> (peço desculpas aos gurus autoajuda que insistem em falar que a pessoa tem de, primeiro, &#8220;amar a si mesma&#8221;&#8230; tsc, tsc).</p>
<p>Tal independência parece ser ruim, mas ela é nossa salvação, fonte de autonomia e liberdade. Seremos felizes na relação se formos capazes de ser feliz sem depender dos movimentos do outro. Curiosamente, é por essa independência de energia que podemos nos conectar ainda mais uns aos outros.</p>
<p>Quando casais me perguntam como melhorar a relação ou como transformar o sexo, eu costumo sugerir que eles esqueçam a relação, o sexo, e procurem melhorar suas próprias vidas, seus <strong>caminhos que não passam pelo namoro ou casamento.</strong> Se eles forem felizes e tiverem energia na vida, pronto, é essa felicidade que eles vão oferecer um ao outro. Caso contrário, eles vão exigir essa felicidade um do outro, vão se culpar, vão se odiar, eventualmente. :-)</p>
<h1>4. Pode-se dizer que se tornou um consultor amoroso? Como é isso para você?</h1>
<p><strong>Não sou um consultor amoroso.</strong> Eu tenho apenas <a href="http://nao2nao1.com.br/resposta-padrao-para-qualquer-problema-de-relacionamento-amoroso/" target="_blank">um conselho para todo e qualquer problema amoroso</a>. É isso. Só isso. É um texto aberto: pedi aos leitores que enviem para amigos necessitados, só mudando os detalhes, e que me avisem se algo não fizer sentido para ajustarmos a resposta padrão.</p>
<p>Nunca encontrei um caso, nunca ouvi uma história para a qual essa resposta não serviu, a começar pelos meus próprios problemas.</p>
<h1>5. Na sua opinião, do que as mulheres gostam?</h1>
<p>Elas gostam de ter o que não conseguem alcançar sozinhas, assim como acontece com os homens. Não tem segredo. É uma questão que se mostra até mesmo na anatomia&#8230; ;-)</p>
<p>A mulher firme e independente gosta de ser mandada, conduzida, rendida, desafiada, desarmada. A mulher carente gosta de descobrir o tesão que é dar, fazer alguém feliz, cuidar. A mulher generosa gosta de se fazer de carente. A mulher orgulhosa gosta de ser entendida e desafiada por um homem orgulhoso do mesmo nível. Ou de aprender com um homem que desconhece o que é orgulho. Essas mulheres todas podem estar na mulher aí do lado&#8230; Mais ainda, elas gostam do homem que sabe penetrar para além dessas características todas.</p>
<p><strong>Penetrar é um verbo mal utilizado.</strong> O sexo é uma parte ínfima de seu verdadeiro significado. E essa penetração verdadeira em todos os níveis, essa capacidade de avançar (sobre uma mulher e sobre a vida), atravessar, adentrar, percorrer, conduzir, sem medo, sem hesitação, sem se perturbar, é isso que excita uma mulher, é pra isso que ela se entrega, é isso que abre uma mulher.</p>
<p>Pense, a característica mais evidente de um pau ereto durante um <strong>boquete</strong> é sua imobilidade e sua potência. Enquanto ela rodopia ao redor, ele fica, impassível, vigoroso, imperturbável. Esse é um bom pau, esse é um bom homem.</p>
<p>Normalmente, ou o homem fica, mas sem potência, ou ele não aguenta e cede. Na vida, nas relações, isso acontece direto. Os homens não aguentam as crises, não aguentam o impacto feminino: brocham (se deprimem) ou ficam meia-boca, sem potência, opacos, mornos, apáticos. Sem falar quando ejaculam logo de cara: surtam, piram, reagem, berram, choram, se movimentam ainda mais que suas parceiras.</p>
<p>Do que elas gostam? Sim. Elas gostam e aproveitam o sexo muito mais do que os homens, certamente, não apenas pelo corpo mais infinito que o nosso, mas pela mente, pelas fantasias e pelo envolvimento todo. Ser penetrada é muito diferente do que penetrar. Muito mais do que um homem imagina. Nós comemos duas mulheres mais ou menos do mesmo jeito, variando um pouco de acordo com a entrega feminina, mas isso nem se compara ao que é, para uma mulher, ir para cama com um homem e depois com outro. São mundos diferentes.</p>
<p>A mulher gosta disso, desse mundo, não exatamente do pênis, <strong>não exatamente nem mesmo do homem</strong>. É o mundo, o modo com que o cara a movimenta dentro e fora, é isso que faz a diferença. Por isso, homens com presença são os melhores. Homens com brilho no olho, energia constante, disponibilidade, direcionamento, estabilidade, sorriso malicioso e uma base misteriosa, algo insondável para a mulher. Isso a mantém fisgada pois o jogo feminino é ser desejada por essa liberdade.</p>
<p>O aspecto insondável de um homem irresistível se dá justamente em manter uma vida na qual ele poderia ter todas (ou seja, ser um homem que faz as pessoas felizes, que enriquece o mundo) e na qual ele escolhe uma mulher para fazer feliz – ou duas, ou três. Durante anos, a cada mínimo olhar desejante que recebe, a mulher se pergunta: &#8220;Por que raios ele está comigo?&#8221;. Ao fazer essa pergunta, ela descobre suas próprias qualidades, ela se torna ainda mais mulher, mais feliz, mais completa. O fato de ser mais feliz ao lado dele só prolonga e aprofunda a relação.</p>
<p>O homem se torna ainda mais magnético porque faz bem para ela, o que também funciona para deixá-lo mais atraído, já que ela não só se torna cada vez mais aberta, feliz, inteligente, bonita e livre, como deixa claro que ele é muito responsável por isso. Na verdade, não é bem ele o responsável, claro, mas o jogo amoroso assim se dá. E nós gostamos.</p>
<h1>6. Quais as dúvidas mais comuns que você encontra na Cabana do Papo de Homem? Fale um pouco deste espaço tão exclusivo para homens&#8230;</h1>
<p>O que posso dizer é que muitos homens estão se transformando e se ajudando mutuamente. Todos nós crescemos juntos e compartilhamos experiências, relatamos o que acontece em uma noite, o que rola em nossas relações, no trabalho, na vida toda. Cada um que entra lá vira mestre e aprendiz, a um só tempo.</p>
<p>Mais do que dúvidas, o que me impressiona lá é a sabedoria que todos já tinham, mas não havia um espaço elevado no qual ela poderia se manifestar, seja dando conselho para um cara mais velho ou mesmo relatando algo de sua própria vida em um contexto além das visões convencionais. Normalmente, em papo de bar com os amigos, isso não acontece.</p>
<p>Por incrível que pareça, <strong>os homens precisam cada vez mais de contato autêntico com outros homens que os desafiem.</strong> Muita gente já não tem isso do pai, nem do avô, muito menos dos amigos que são mais confusos ou, se estão bem, não ligam, de fato, para suas histórias, seus caminhos e obstáculos na vida.</p>
<p>Além do espaço online (com desafios, práticas, artigos, relatos, discussões e indicações), já fizemos um encontro nacional e vários regionais. Em um deles, além de beber e conversar muito, fizemos meditação e eu conduzi um workshop de polirritmia para eles (de TaKeTiNa, uma técnica que usa o ritmo no corpo para desenvolvimento da mente). Minha intenção é que esses encontros se tornem cada vez mais frequentes.</p>


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</ol></p>
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		<title>A logística do amor</title>
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		<pubDate>Wed, 07 Jul 2010 15:37:34 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Gustavo Gitti</dc:creator>
				<category><![CDATA[Destaques]]></category>
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		<category><![CDATA[Para homens]]></category>
		<category><![CDATA[Para mulheres]]></category>

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		<description><![CDATA[<p>
Os detalhes técnicos da relação são muito mais importantes do que pensamos&#8230;</p>
<p>Ele chegava cansado. Lavava louça enquanto preparava o jantar com ela. Comiam. Ele deitava no sofá para descansar um pouco ou ficava respondendo emails. Ela tomava banho e voltava para beijá-lo. Ele se sentia sujo e não queria nada antes de tomar banho. Ele sempre se demorava&#8230;</p>


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</ol>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><img class="alignnone size-full wp-image-1094" title="logistica" src="http://nao2nao1.com.br/wp-content/uploads/2010/07/logistica.jpg" alt="" width="588" height="250" /><em><br />
Os detalhes técnicos da relação são muito mais importantes do que pensamos&#8230;</em></p>
<p>Ele chegava cansado. Lavava louça enquanto preparava o jantar com ela. Comiam. Ele deitava no sofá para descansar um pouco ou ficava respondendo emails. Ela tomava banho e voltava para beijá-lo. Ele se sentia sujo e não queria nada antes de tomar banho. Ele sempre se demorava e ela dormia antes. Depois de um tempo, isso os destruiu. <strong>Tivesse ele tomado banho antes&#8230;</strong></p>
<p>Parece um detalhe insignificante? Não é.</p>
<h1>A cegueira do amor romântico</h1>
<p>Nossa mania de <a href="http://nao2nao1.com.br/casar-por-amor-e-uma-pessima-ideia/" target="_blank">basear a relação no amor romântico</a>, nos sentimentos, ofusca a importância de outros aspectos mais técnicos, frios, funcionais, como a logística, o workflow, o controle de estoque da coisa. Tendo amor e paixão, de que importam rotinas, hábitos, trabalhos, deslocamentos e os mil processos de nossas vidas? Assim pensamos, iludidos.</p>
<p>Por que você acha que os casamentos arranjados davam certo? Ora, quando a logística é bem estruturada, amor é o de menos. Com o tempo, aprendemos a cuidar, sentir tesão, transar, amar, admirar, se apaixonar. Ao ouvir isso, sentimos uma certa aversão à ideia de &#8220;aprender a sentir tesão&#8221;, não é mesmo? Somos fascinados pela paixão súbita, pela química inexplicável, pelo amor que parece vir de uma vida passada. É o <strong>espírito <em>fast food</em> nos relacionamentos</strong>: queremos tudo pronto, do nada, agora.</p>
<p>Admiro o arquétipo da relação Romeu e Julieta pelo aspecto libertário, mas sempre achei esse modelo adolescente demais, mimado demais. É uma das fundações do amor moderno e se atualiza sempre que uma relação começa com um &#8220;Eu gosto dele, ele me faz bem, eu sinto um frio no peito&#8221; e fica só nisso, sem olhar o mundo inteiro do outro. Se é para fazer amor, vamos dar, penetrar, meter no mundo inteiro um do outro. E muito desse amor se faz com coisas das quais não gostamos.</p>
<p>Nós, Romeus e Julietas, precisamos crescer e aprender a fazer o que precisa ser feito, para além de nossas teimosias, birras e manhas. Aprender a reconhecer e lidar com a logística do amor com a mesma frequência com que olhamos para nossos sentimentos.</p>
<h1>Um homem alérgico a cortinas</h1>
<p>Pensamos que sabemos a origem de nossos problemas, mas não sabemos. Com perturbações fisiológicas, o diagnóstico não é fácil, imagine com as emocionais e relacionais.</p>
<p>Somos como um homem alérgico e <strong>apaixonado por cortinas</strong>. Ele não desconfia de sua alergia, age movido por &#8220;gosto / não gosto&#8221; e sempre compra mais uma cortina, até para onde não tem janela. Como está sempre espirrando, troca todos os móveis, muda de casa, muda de cidade, rejeita amigos e namoradas, briga com a família, mas nunca abandona as cortinas. Ele vai a psicólogos, <strong>cria teorias sobre por que espirra na frente de tal e tal pessoa</strong>, lista os problemas dos outros pelos quais teria aversão, compra livros do tipo &#8220;Como interpretar seus espirros&#8221;&#8230;</p>
<p>Focamos tanto em nossa subjetividade, nas emoções, no amor romântico, na paixão, em nossos desejos e mimos, que esquecemos do mundo, dos processos, das coisas, da logística. Bastaria a esse homem jogar fora as cortinas para ser feliz em qualquer casa.</p>
<p>Se tal metáfora lhe parece muito distante e caricata, imagine uma pessoa que, por algum motivo, para de trabalhar, tem sua carência potencializada pelo tempo livre, e começa a encontrar problemas na relação, se sentir insatisfeita com a ausência do parceiro, reclamar, brigar, até terminar a relação com uma lista de coisas que o outro não faz, que o outro não é. Tivesse ela voltado a trabalhar&#8230;</p>
<h1>Nossa mente é relacional</h1>
<p><img class="alignnone size-full wp-image-1093" title="james-jean" src="http://nao2nao1.com.br/wp-content/uploads/2010/07/james-jean.jpg" alt="" width="300" height="354" align="left" />O que alimenta esse processo é nosso autocentramento e a ilusão de que existe uma mente fechada dentro de nossa cabeça, em vez de pensamentos e emoções que existem de modo impessoal flutuando como possibilidades por aí, que podem ser incorporadas ou apenas passear livres no espaço que somos. Nossa mente é relacional, ela se expande entre as pessoas, para dentro delas, entre locais e objetos.</p>
<p>Quando surge um problema, <strong>temos certeza de que ele é nosso ou do outro, que está dentro de alguma mente</strong>, não no chão, na cortina, no espaço entre pessoas e coisas. Como nos levamos a sério, vivemos emoções de modo pessoal e usamos nossos dramas para dar sentido à vida, é muito difícil admitir que a maioria dos nossos problemas mais sérios e gigantescos são frutos de detalhes (como uma cortina) e poderiam ser transformados com mudanças simples de logística.</p>
<p>Nossa mente não tem nada dentro. Ela é um olho que se posiciona aqui ou ali – aqui, vê uma perspectiva; ali enxerga outro universo. É por isso que uma cortina pode mudar nossa vida.</p>
<p><strong>Entre um mendigo jogado na rua e eu</strong>, a única diferença é de posição, não de conteúdo mental ou &#8220;personalidade&#8221;. Em menos de uma semana passando frio, sem comer, eu teria os mesmíssimos pensamentos, o mesmo mundo emocional, a mesma personalidade. Possivelmente roubaria ou mataria alguém.</p>
<p>A logística de minha vida, minha rotina, meu trabalho, minhas roupas, meu apartamento, meus deslocamentos,<strong> tudo aquilo que penso não ser eu</strong> é muito mais responsável por minhas experiências do que consigo imaginar. Assim como meu namoro, que não é o laço entre duas subjetividades, mas a interface entre céus, chãos, armários, paredes, computadores, trabalhos, camas, agendas, futuros, passados, famílias, restaurantes, sonhos, banheiros, supermercados, carros, trejeitos, vassouras, panelas, livros, manias, escovas de dente&#8230;</p>
<p><em>* Crédito da imagem acima: <a href="http://www.jamesjean.com/work/2009/Wave+II/1" target="_blank">James  Jean, &#8220;Wave II&#8221; (2009)</a>.</em></p>
<h1>Como namorar com pausas de 2 dias por semana</h1>
<p>O casal que já superou a necessidade excessiva por paixão e romantismo pode focar mais livremente nos recursos e nos fluxos que, de fato, possibilitam que a relação avance. Se ambos ainda estão preocupados com &#8220;Você gosta de mim? Você me ama? Você me deseja?&#8221;, uma conversa sobre morar em casas separadas é inviável. A ironia é que justamente essas mudanças logísticas, que podem provocar insegurança, salvam muitas relações – e, a longo prazo, só aumentam a confiança.</p>
<p>No filme <strong><em>Sex and the city 2</em></strong> (que assisti para comprovar uma ideia que publicarei no PapodeHomem), consegui encontrar uma questão interessante: o marido da personagem principal propõe uma pausa semanal no casamento, 2 dias em que eles ficam em apartamentos diferentes, sem se ligar, fazendo o que quiserem – pelo que entendi, eles tem de se manter fieis, mas não vejo problema em adaptar essa regra. ;-)</p>
<p><a rel="attachment wp-att-1092" href="http://nao2nao1.com.br/logistica-do-amor/sex-and-the-city/"><img title="sex-and-the-city" src="http://nao2nao1.com.br/wp-content/uploads/2010/07/sex-and-the-city.jpg" alt="" width="588" height="270" /></a><br />
<em>&#8220;E aí, querida, saiu com alguém ontem? Comprovou que eu sou melhor ou  vai continuar procurando?&#8221;</em></p>
<p>Basta questionar um pouco as convenções naturalizadas, basta quebrar processos automatizados, reconhecer e mexer na logística, para se surpreender com novos fluxos do amor, novos olhares de desejo, interfaces e toques que nunca foram explorados porque não havia suporte, horário, transporte, cama pra isso.</p>
<p><strong>Casar e morar em casas separadas</strong>: &#8220;Você vem jantar e dormir aqui hoje?&#8221;. Ou dormir em quartos diferentes com duas camas de casal, sendo que às vezes uma delas fica vazia à noite toda. Não criar uma conta conjunta. Não casar, apenas morar junto. Casar e ficar solteiro, sem bloquear novas relações. Fazer regras por brincadeira e não fazer disso mais uma regra (nem dessa frase e nem desse parênteses). Ou fazer e esquecer, como dois caretas convencionais, por que não?</p>
<p>Mais do que isso, em cada detalhe, podemos olhar para as questões logísticas da relação, detectar obstruções e brincar de mover o sofá na nossa sala para ver em que parte do chão ainda não transamos. Aliás, isso de mover juntos o sofá é tão importante quanto transar no chão.</p>
<p>Enfim, possibilidades e mais possibilidades para quem não confia no amor e sabe que <strong>o horário do banho pode acabar com um relacionamento.</strong></p>
<h1>Qual sua experiência com essa logística do amor?</h1>
<p>A galera do <a href="http://www.homembemfeito.com.br/" target="_blank">BIC Comfort 3</a> continua questionando o comportamento do <a href="http://www.homembemfeito.com.br/" target="_blank">homem bem-feito</a> em relação a essas questões que levantei acima.</p>
<p>Eu tenho muita <strong>curiosidade</strong> em saber se vocês já viveram isso. Qual foi o seu &#8220;horário do banho&#8221;? Já viveu  um relacionamento que deu muito certo ou muito errado por causa de um simples detalhe logístico? Já fez alguma mudança simples que alterou todo o curso da relação? <strong>Quais &#8220;sofás&#8221; mudou de lugar?</strong></p>
<p>Deixe sua visão, conte sua história e seguimos a conversa nos comentários aqui.</p>
<p><em>* Post patrocinado. Se quiser acompanhar a ação, assine o Twitter <a href="http://twitter.com/homembemfeito" target="_blank">@homembemfeito</a> e inscreva-se no <a href="http://www.homembemfeito.com.br/" target="_blank">site www.homembemfeito.com.br</a></em></p>


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</ol></p>
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		<title>PodSexo e guia “Dicas para o prazer a dois” para download (com promoção!)</title>
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		<pubDate>Sat, 12 Jun 2010 06:01:20 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Gustavo Gitti</dc:creator>
				<category><![CDATA[Entrevistas]]></category>
		<category><![CDATA[Pessoal]]></category>
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		<category><![CDATA[conquista]]></category>
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		<description><![CDATA[<p></p>
<p>Isabella Ianelli e eu fomos convidados para um debate que virou um podcast, o PodSexo. Estavam na roda o pessoal do Nerdcast, B. e Celso (A Vida Secreta), Cafa (Manual do Cafajeste), Guilherme (PapodeHomem), Mafalda, Eubalena e Falcão Azul (Monalisa de Pijamas).</p>
<p>Vou aproveitar esse post especial de Dia dos Namorados para comentar alguns pontos do PodSexo, além de&#8230;</p>


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<li><a href='http://nao2nao1.com.br/9-dicas-para-casais-que-moram-juntos/' rel='bookmark' title='Permanent Link: 9 dicas para casais que moram juntos'>9 dicas para casais que moram juntos</a></li>
<li><a href='http://nao2nao1.com.br/tensao-conta-afrodisiaca-meditacao-e-outros-caminhos-para-o-sexo/' rel='bookmark' title='Permanent Link: Tensão, conta afrodisíaca, meditação e outros caminhos para o sexo'>Tensão, conta afrodisíaca, meditação e outros caminhos para o sexo</a></li>
</ol>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><a href="http://www.isabellices.com/" target="_blank"><img class="alignnone size-full wp-image-1052" title="podsexo" src="http://nao2nao1.com.br/wp-content/uploads/2010/06/podsexo.jpg" alt="" width="588" height="250" /></a></p>
<p><a href="http://www.isabellices.com/" target="_blank">Isabella Ianelli</a> e eu fomos convidados para um debate que virou um podcast, o PodSexo. Estavam na roda o pessoal do <a href="http://jovemnerd.ig.com.br/categoria/nerdcast/" target="_blank">Nerdcast</a>, B. e Celso (<a href="http://www.avidasecreta.com/" target="_blank">A Vida Secreta</a>), Cafa (<a href="http://www.manualdocafajeste.com/" target="_blank">Manual do Cafajeste</a>), Guilherme (<a href="http://papodehomem.com.br" target="_blank">PapodeHomem</a>), Mafalda, Eubalena e Falcão Azul (<a href="http://www.monalisadepijamas.com.br/" target="_blank">Monalisa de Pijamas</a>).</p>
<p>Vou aproveitar esse post especial de Dia dos Namorados para comentar alguns pontos do PodSexo, além de divulgar o guia &#8220;Dicas para o prazer a dois&#8221; (download gratuito). Ao fim do post, explico como você pode concorrer a um kit K-Y.</p>
<h1>Download gratuito do PodSexo e do guia em PDF</h1>
<p>Ouça o PodSexo: <strong><a href="http://vivaoprazeradois.siteprofissional.com/podsexo_64kbps.mp3" target="_blank">MP3 para download</a></strong>.</p>
<p>O guia é dividido em 3 partes: &#8220;Antes&#8221;, &#8220;Durante&#8221; e &#8220;Depois&#8221;. Meus últimos quatro textos aqui no Não2Não1 entram de modo resumido na primeira parte. Ainda que algo se perca, eu gostei do resultado. Baixe aqui: <strong><a href="http://bit.ly/vivaoprazera2" target="_blank">PDF para download</a></strong>.</p>
<h1>Comentários sobre o PodSexo</h1>
<p><strong>&#8220;Dar prazer&#8221;, existe isso?</strong> Recebo emails de homens querendo dar prazer às mulheres e também de mulheres curiosas para oferecer mais e mais prazer aos seus parceiros. Um mito, uma ilusão, prepotência e falta de reverência ao mistério que traz bebês ao mundo. Ninguém causa prazer em ninguém. Se há espaço, o prazer flui, igual rio, igual o ritmo em uma banda, que não é criado por nenhum músico específico. Quando uma mulher goza enroscada em mim, sei bem que não sou o causador de tudo aquilo. ;-)</p>
<p>Ou seja, se quer dar prazer, abra espaço e faça a energia, o rio, o ritmo fluir por ele mesmo. É ele quem manda na cama, não o homem ou a mulher. E qual o melhor modo de fazer tudo fluir? Como dar prazer? Sentindo, você mesmo, prazer. Irônico, não?</p>
<p>Respirar, se deliciar, pirar. Você mesmo, sem altruísmos. Ou melhor, o seu altruísmo é justamente essa abertura impessoal, essa desistência da preocupação autocentrada em se dar bem. Apenas respirar, apenas relaxar.  O resto vem. Quando você menos esperar, estará possuído pelo espírito de algum Deus sem nome ou de algum animal extinto.</p>
<p><object id="VideoPlayback" style="width: 588px; height: 479px;" classid="clsid:d27cdb6e-ae6d-11cf-96b8-444553540000" width="100" height="100" codebase="http://download.macromedia.com/pub/shockwave/cabs/flash/swflash.cab#version=6,0,40,0"><param name="src" value="http://video.google.com/googleplayer.swf?docid=-3571352441328458989&amp;hl=pt-BR&amp;fs=true" /><param name="allowfullscreen" value="true" /><embed id="VideoPlayback" style="width: 588px; height: 479px;" type="application/x-shockwave-flash" width="100" height="100" src="http://video.google.com/googleplayer.swf?docid=-3571352441328458989&amp;hl=pt-BR&amp;fs=true" allowfullscreen="true"></embed></object><br />
<em>Não, não são os dedos dela que estão causando essas expressões assim como não será você quando estiver presenciando uma mulher gozando assim.</em></p>
<p>&#8230;</p>
<p><strong>Acho muito estranho quando vejo as fantasias sexuais</strong> (ou acessórios ou &#8220;sexo tântrico&#8221;) sendo tratadas como aditivos ao sexo, como algo a ser feito para complementar a experiência de prazer, para &#8220;quebrar a rotina&#8221;, variar, fazer algo diferente. Ora, as fantasias sexuais não são complementos, elas são a própria essência do sexo! O fato de tratarmos tudo o que constitui o sexo como algo diferente e especial só revela nosso empobrecimento da experiência erótica na vida como um todo.</p>
<p>&#8230;</p>
<p><strong>Sexo não é penetração.</strong> Vamos repetir como um mantra, pois parece ser necessário. No PodSexo, em um momento surge a questão sobre transar a noite inteira. Aí uma mulher diz: &#8220;É impossível, só se fizermos um pouquinho e pararmos um pouquinho&#8230;&#8221;. Parar o quê? O sexo para quando o pau sai da buceta, é isso?</p>
<p>&#8230;</p>
<p><strong>Super orgasmos, hiper orgasmos, sexo tântrico&#8230;</strong> Somos mesmo um bando de seres insatisfeitos. O orgasmo tradicional já não é mais suficiente, né? Temos de buscar por mais, mais, mais. É como se estivéssemos bebendo um belo vinho com 32% de atenção, de abertura, de presença. Nossa insatisfação, causada pela falta de presença, é projetada ao vinho. E então desejamos trocá-lo por um vinho muito mais raro, um super vinho, um hiper vinho, em vez de simplesmente beber com 100% de presença.</p>
<p>O primeiro livro sobre o tal do hiper orgasmo foi escrito por alguém que gozou. Só isso. Gozou tanto que acabou achando que aquilo não era um orgasmo. Mas o prazer é sempre o mesmo, o que varia é nossa abertura, o quanto estamos presentes, respirando, nos deliciando. A pegadinha é que isso não é medido pelo sexo, mas pela vida. Se vivemos com medo, não há como transarmos com potência.</p>
<p>&#8230;</p>
<p><strong>As melhores fantasias sexuais</strong> são aquelas que não precisam de roupa. Basta olhar a mulher livre por trás da esposa, o homem misterioso por trás do marido, além das identidades construídas na relação. O que sai daí não tem nome. E então a cama vira um caldeirão de emoções que não surgem em outros momentos. Transar por prazer é bom, mas transar para explorar o que sai desse caldeirão é melhor ainda.</p>
<h1>Um kit K-Y de presente pra você</h1>
<p><a href="http://bit.ly/ky-n2n1-post3"><img class="alignnone size-full wp-image-1054" title="ky" src="http://nao2nao1.com.br/wp-content/uploads/2010/06/ky.jpg" alt="" width="588" height="185" /></a></p>
<p>Você pode concorrer a uma nécessaire com todos os produtos K-Y de dois modos:</p>
<p>• <strong>Deixe um comentário</strong> abaixo sobre algum tema presente nesse post, no PodSexo ou no guia.</p>
<p>e/ou</p>
<p>• <strong>Dê RT na seguinte mensagem:</strong></p>
<blockquote><p>&#8220;PodSexo + guia &#8220;Dicas para o prazer a dois&#8221; + sorteio de kit K-Y no Não2Não1: http://migre.me/NNDd | Dê RT p/ concorrer&#8221;</p></blockquote>
<p>Entre todos que derem RT ou comentarem, vou sortear (enumerando comentários + RTs) via random.org o ganhador do kit K-Y.</p>
<p>É isso. PodSexo, guia e kit. Três presentes para vocês. Sejam felizes. ;-)</p>


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</ol></p>
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		<title>A verdadeira impotência sexual masculina</title>
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		<comments>http://nao2nao1.com.br/a-verdadeira-impotencia-sexual-masculina/#comments</comments>
		<pubDate>Mon, 24 May 2010 22:12:55 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Gustavo Gitti</dc:creator>
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		<description><![CDATA[<p>O que precisa ficar em pé bem antes do sexo?</p>
<p>Já conversamos sobre contas afrodisíacas, &#8220;dicas infalíveis&#8221; de sedução e posições sexuais internas. Agora o tema é impotência, considerando homens que não sofrem de nenhuma disfunção fisiológica e nenhum distúrbio psiquiátrico, ou seja, eu e outros marmanjos que se encontram facilmente por aí.</p>
<p>Também não me interessam fatores apontados como&#8230;</p>


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</ol>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><em><img title="impotencia" src="http://nao2nao1.com.br/wp-content/uploads/2010/05/impotencia.jpg" alt="impotencia" width="300" height="250" align="left" />O que precisa ficar em pé bem antes do sexo?</em></p>
<p>Já conversamos sobre <a href="http://nao2nao1.com.br/tensao-conta-afrodisiaca-meditacao-e-outros-caminhos-para-o-sexo/" target="_blank">contas afrodisíacas</a>, <a href="http://nao2nao1.com.br/dicas-infaliveis-de-seducao-e-mais-4-respostas-aos-leitores/" target="_blank">&#8220;dicas infalíveis&#8221; de sedução</a> e <a href="http://nao2nao1.com.br/uma-mulher-e-suas-areas-intocadas/" target="_blank">posições sexuais internas</a>. Agora o tema é impotência, considerando <strong>homens que não sofrem de nenhuma disfunção fisiológica</strong> e nenhum distúrbio psiquiátrico, ou seja, eu e outros marmanjos que se encontram facilmente por aí.</p>
<p>Também não me interessam fatores apontados como causas de impotência, como o tal do estresse, pois eles se incluem como efeitos (não causas!) da impotência que vou descrever aqui. Muito menos aquela listinha de coisas brochantes dentro do manual para mulheres. Meu foco é aquilo que depende apenas da <strong>autonomia masculina</strong>, sem remédios, sem mudanças externas.</p>
<h1>Que impotência é essa?</h1>
<p>Imagine um homem em perfeitas condições que sofre de ejaculação precoce, gozando nos primeiros minutos de penetração ou boquete bem feito (não aquele que a mulher faz tomando cuidado para não pirar demais), e desenvolve o padrão de sempre partir para o sexo oral enquanto se prepara para uma &#8220;segunda&#8221;, na qual aí sim vai conseguir segurar por mais tempo – com menos potência.</p>
<p>Visualize outro que frequentemente não tem libido alguma. E outro que tem tesão, mas muitas vezes não consegue uma boa ereção. E outro que até consegue, mas não é capaz de sustentá-la de modo adequado ao ritmo espontânea da transa, gerando <strong>interrupções desconfortáveis</strong>.</p>
<p>Inclua mais um homem nessa imagem. Seu problema não é brochar, não é ejaculação precoce, não é ausência de libido ou potência. Ele faz tudo certo, mas talvez sofra desse <strong>outro tipo de impotência</strong>. De fato, a impotência sexual é  raríssima se comparada com a impotência masculina  dentro de uma relação e na vida, muito mais abundante.</p>
<h1>O que já não estava em pé antes?</h1>
<p>Cada vez mais <strong>as mulheres usam o sexo para se sentir amadas</strong>, já que às vezes é o único momento em que o homem para e olha com desejo, admira, toca sua mulher com vontade. O raro momento em que o homem fica minimamente presente e disponível, em que rola uma massagem (não é à toa que fizeram um <a href="http://bit.ly/ky-n2n1-post3" target="_blank">K-Y que serve para massagear e penetrar</a>), palavras sacanas, respiração profunda, conversas mais relaxadas.</p>
<p>Por outro lado, não é nada incomum o marido desenvolver aversão pela mulher em seus momentos de chatice e confusão, preferindo <strong>gozar sem preocupação</strong> diante da tela do computador a superar uma série de conflitos para chegar ao sexo. Em vez de abrir o quarto e enfrentar o monstro até que ele entregue aquela mulher sorridente e sensual de volta, ele fica horas enrolando na Internet, liga para uma garota de programa ou sai para beber e descarregar a tensão.</p>
<p>Quase ninguém fala dessa incapacidade de estar presente sem a necessidade do sexo ou dessa impotência diante dos caminhos tortuosos que culminam em uma relação profunda e intensa. Sem referências, o homem prefere a facilidade do <strong>orgasmo <em>fast food</em></strong> ao cultivo mais demorado, agrícola, orgânico da coisa.</p>
<p>Sem essa potência, o homem nunca levanta, sobe, estabiliza, endurece antes do sexo.</p>
<h1>As brochadas sutis de um homem</h1>
<p><img class="alignnone size-full wp-image-974" title="indiana-jones" src="http://nao2nao1.com.br/wp-content/uploads/2010/05/indiana-jones.jpg" alt="indiana-jones" width="588" height="244" /><br />
<em>Lembra dessa cena?</em></p>
<p>Você consegue <strong>ver a </strong><strong>vida de pernas abertas </strong>quando sua mulher lista 71 reclamações e pede a separação? Segue andando a la Indiana Jones sobre pontes que ninguém mais vê? Tem a manha de avançar sobre sua parceira com dois pés e duas mãos sem nada atrás hesitando (&#8220;Será que eu não consigo uma melhor? Será que vai dar certo?&#8221;)? Todo dia, junto com o primeiro gole de água, toma a pílula vermelha ou a pílula azul para não brochar em todas essas situações?</p>
<p>Em um sentido amplo, a impotência masculina surge de uma falta de habilidade em lidar com o feminino, com o caos, com tudo o que se move livremente. O homem brocha quando a energia que lhe impacta externamente supera sua autonomia, como uma avalanche ou um atropelamento. Ou melhor, quando ele tem a <strong>experiência de ser atropelado</strong>, a sensação de afundar, assim como seu tesão é experimentado como uma liberdade de atravessar paredes.</p>
<p>Tal impacto pode ser dolorido ou prazeroso. Podemos ser arrastados pelas falas emocionais de uma mulher, por uma confusão na empresa, excesso de bebida ou pela ansiedade em ejacular no meio de um boquete. Não importa, somos arrastados, atropelados, engolfados. Os movimentos externos e impulsos internos decidem qual será nossa experiência, qual será nossa reação. Perdemos autonomia. Caímos. Ficamos impotentes.</p>
<h1>Cura e tratamento da impotência masculina</h1>
<p>A primeira coisa para conseguir levantar o pau antes do sexo é observar como nosso sofrimento é sinônimo de passividade e como nos alegramos quando agimos, afinal nossa potência vem da capacidade de <strong>foder, penetrar, avançar sobre as coisas. </strong></p>
<p>Precisamos observar o que acontece quando sentimos tesão de existir, propósito, senso de humor, peito cheio, visão nítida. Qual a textura dessa eletricidade que nos move? De onde ela vem? Como pode ser sustentada mesmo quando as configurações externas se alternam?</p>
<p>Quando um homem chega nesse ponto, é provável que encontre um professor de meditação e que comece a aprender a <strong>estabilizar essa eletricidade de modo autônomo</strong>, algo que naturalmente melhora suas relações, sua ação na vida e, claro, na cama. Eis o caminho mais direto para utilizar essa impotência como trampolim para transformações muito maiores do que apenas superar a impotência.</p>
<p>Para quem deseja soluções paliativas, há alguns meios hábeis, que se resumem a tentar emular uma ação potente e ativar diretamente a energia em alguns momentos. O resultado é instável, claro. Ninguém disse que seria fácil. ;-)</p>
<p><img title="dahmer" src="http://nao2nao1.com.br/wp-content/uploads/2010/05/dahmer.jpg" alt="dahmer" width="588" height="187" /><br />
<em>André Dahmer | <a href="http://malvados.com.br/" target="_blank">Malvados</a></em></p>
<h1>Sexo e vida com potência: 11 possibilidades para os homens</h1>
<p>Falar do que dá errado e não contemplar os movimentos positivos é um péssimo habito. Vamos, portanto, listar as qualidades de um homem presente. Ou melhor, em vez de imaginarmos um homem ideal, podemos lembrar que essas são  <strong>qualidades que já se manifestam esporadicamente em todos os homens, </strong>possibilidades  disponíveis a qualquer um.</p>
<p>Há, claro, muito o que uma mulher  pode fazer para não dinamitar a potência masculina e para sustentar sua  própria energia. Mas isso é assunto para outros textos.</p>
<p>Para os homens que desejam avançar, o melhor é <strong>não esperar que a  mulher ou a vida facilite</strong>. Na verdade, sua relação consigo mesmo é  inseparável de sua relação com as mulheres e com os movimentos da vida.  Aquele que mima a si mesmo, por exemplo, vai mimar sua mulher e vai  esperar mimos da vida.</p>
<p><strong>1. </strong>Ele não tenta agradar – a parceira, a sociedade ou a si mesmo. Não cede ou abaixa a cabeça para restrições e obstáculos. Ele se move para além dos mimos, tanto na cama quando na relação em geral.</p>
<blockquote><p>&#8220;True sexual and spiritual surrender is not about adapting yourself to what will appease your partner. Nor is it about surrendering to your own momentary emotional needs. True surrender is about relaxing through these secondary needs, both yours and your partner&#8217;s, and magnifying your primary desire to give and receive unbounded love.&#8221; <a href="http://www.bluetruth.org/index.php/David_Deida" target="_blank">–David Deida</a></p></blockquote>
<p><strong>2. Ele não tenta &#8220;convencer&#8221; a mulher</strong> a fazer algo diferente no sexo, seja um ménage ou apenas sexo anal. Ele apenas abre espaço e flui pela liberdade, sem pensar em termos de eu e outro. Sua condução não controla, apenas sugere, propõe, provoca. E o convite não define, não tem conteúdo. Ele apenas aumenta a energia, infla, preenche, brinca, alimenta e então vê o que acontece.</p>
<p><strong>3. </strong>Ele se delicia com o corpo feminino, desde uma observação dos gestos à distância até se aproximar de cada poro, respirando a mulher pra dentro, enchendo o corpo de ar, comendo, engolindo, sentido a energia da parceira por dentro.</p>
<p><strong>4. </strong>Ele repousa no feminino sem medo de se identificar com ele. Recebe uma massagem, se solta, relaxa o abdômen, se entrega e, principalmente, solta o ar completamente, como se caísse desistindo de se manter vivo. <strong>Essa pequena morte é vivenciada como um repouso</strong> que estabiliza sua energia e abre espaço para que o prazer sexual e o tesão de viver aumente sem criar perturbação, contração, tensão, sem precisar ser descarregado constantemente. Então ele parte pra cima dela com essa mesma energia.</p>
<p><strong>5. </strong>Ele avança sobre o feminino sem pedir licença assim como mantém um direcionamento na vida para além de seus relacionamentos. Porque nem sempre pede autorização ou concordância, ele consegue tocar sua parceira em áreas em que ela dificilmente atingiria sozinha.</p>
<p><strong>6.</strong> Ele não respeita seus próprios obstáculos. E é exatamente essa atitude, quando direcionada para fora, que penetra a rigidez feminina. Se ela sente dor na penetração, ele não fica anos respeitando e arranjando jeitos de evitar a penetração. Ele aceita, acolhe, se diverte ao mesmo tempo em que a ajuda a superar, investiga, <strong>perfura o hábito acomodado de ambos</strong>, desafia, convida a transformação mesmo que haja dor e desconforto no meio do caminho.</p>
<p><strong>7. </strong>Ele sente prazer em conduzir e mover sua mulher. Observou que essa postura abre espaço para que ela seja e aja como mulher de um modo que nem sempre consegue em sua vida cotidiana.</p>
<p><strong>8. Ele libera o feminino.</strong> Não oferece nenhuma restrição para as expressões faciais, emoções, ideias, relações, roupas, palavras, ações, faculdades, trabalhos que as mulheres ao seu redor tanto exploram.</p>
<p><strong>9. </strong>Ele não se desespera quando os movimentos externos não lhe favorecem. Ou seja, quando é pressionado, contrariado, rebaixado, ignorado, criticado, traído ou abandonado.</p>
<p><strong>10.</strong> Ele sabe que <strong>sua vida não é definida pelas situações</strong> mas por sua ação sobre o que lhe acontece. Como <a href="http://papodehomem.com.br/o-que-tanto-buscamos-em-noitadas-bebidas-mulheres-trabalhos-e-viagens/" target="_blank">essa experiência acontece por um corpo e por uma mente</a>, sua única prática é sustentar um corpo vivo e uma mente lúcida, em qualquer situação, em todas as relações. Ao abrir os olhos para como sua experiência de mundo é construída, ele deixa de ser vítima e se descobre autor, o que faz sua energia circular pois começa a agir sobre aquilo que antes agia sobre ele. Foder o que lhe fodia,<strong> brincar com o que temia</strong>.</p>
<p><strong>11. </strong>Ao mesmo tempo, ele se esforça menos em controlar as coisas, pois agora seu foco está na postura de mente e corpo, na qualidade da experiência, na estabilidade de sua energia, não importa o que surja pela frente.</p>
<h1>Oferecimento: K-Y</h1>
<p><a href="http://bit.ly/ky-n2n1-post3" target="_blank"><img class="alignnone size-full wp-image-975" title="ky" src="http://nao2nao1.com.br/wp-content/uploads/2010/05/ky1.jpg" alt="ky" width="588" height="250" /></a></p>
<p>É isso. Recebi quase 100 mensagens pelo widget que ficou por um mês aqui no <em>Não2Não1</em>. Espero ter tocado em algumas dessas histórias e questões sobre o &#8220;Antes&#8221;.</p>
<p>Deixo o convite a todos para conhecer a <a href="http://bit.ly/ky-n2n1-post3" target="_blank">linha de produtos da K-Y</a>, marca que <strong>apoiou o <em>Não2Não1</em></strong> e o conteúdo que venho produzindo aqui há 4 anos. Confesso que sou fã do <strong><a href="http://bit.ly/ky-n2n1-post3" target="_blank">K-Y 2 em 1 &#8220;Sensual massage&#8221;</a></strong> (não uso o gel) e que não teria topado essa ação se não houvesse essa identificação com o produto.</p>
<p>Aguardo seus comentários, como sempre.</p>
<p>Abraços!</p>


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</ol></p>
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		<title>Uma mulher e suas áreas intocadas</title>
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		<pubDate>Thu, 13 May 2010 20:06:06 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Gustavo Gitti</dc:creator>
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		<description><![CDATA[<p>Ela é uma mulher e suas áreas intocadas. Você se esquece disso e cumprimenta apenas a mulher. Ela é uma mulher e suas áreas intocadas. Você conversa apenas com a mulher e a convida para jantar. Ela é uma mulher e suas áreas intocadas, mas você leva apenas a mulher para a cama.</p>
<p>Depois de falar do &#8220;antes do antes&#8221;&#8230;</p>


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</ol>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><em>Ela é uma mulher e suas áreas intocadas. <strong>Você se esquece disso e cumprimenta apenas a mulher.</strong> Ela é uma mulher e suas áreas intocadas. Você conversa apenas com a mulher e a convida para jantar. Ela é uma mulher e suas áreas intocadas, mas você leva apenas a mulher para a cama.</em></p>
<p>Depois de falar do <a href="http://nao2nao1.com.br/tensao-conta-afrodisiaca-meditacao-e-outros-caminhos-para-o-sexo/" target="_blank">&#8220;antes do antes&#8221;</a> e da <a href="http://nao2nao1.com.br/dicas-infaliveis-de-seducao-e-mais-4-respostas-aos-leitores/" target="_blank">sedução impessoal sem estratégias</a>, vamos agora explorar <strong>como nossa imaginação pode moldar nossos corpos</strong> e como nosso prazer é limitado ao nosso mundo de significações. Ainda que o discurso sobre as cavernas do feminino seja mais direcionado aos homens, penso que o mesmo vale para as mulheres em relação aos subterrâneos masculinos.</p>
<p>De play antes de seguir lendo:</p>
<p><object classid="clsid:d27cdb6e-ae6d-11cf-96b8-444553540000" width="480" height="385" codebase="http://download.macromedia.com/pub/shockwave/cabs/flash/swflash.cab#version=6,0,40,0"><param name="allowFullScreen" value="true" /><param name="allowscriptaccess" value="always" /><param name="src" value="http://www.youtube.com/v/__sNWPCeSPQ&amp;hl=pt_BR&amp;fs=1&amp;rel=0" /><param name="allowfullscreen" value="true" /><embed type="application/x-shockwave-flash" width="480" height="385" src="http://www.youtube.com/v/__sNWPCeSPQ&amp;hl=pt_BR&amp;fs=1&amp;rel=0" allowscriptaccess="always" allowfullscreen="true"></embed></object><br />
<em><a href="http://www.youtube.com/watch?v=tbSnCh8Ny1k" target="_blank">&#8220;Secret Garden&#8221;</a> (Bruce Springsteen)</em></p>
<blockquote><p>&#8220;She&#8217;ll let you in her house<br />
If you come knockin&#8217; late at night<br />
She&#8217;ll let you in her mouth<br />
If the words you say are right<br />
If you pay the price<br />
She&#8217;ll let you deep inside<br />
But there&#8217;s a secret garden she hides&#8221;</p></blockquote>
<h1>A inevitabilidade do problema</h1>
<p>Após o casamento, você percebe que <strong>algo nela nunca sequer namorou com você</strong>&#8230; Ou outro homem percebe antes e começa a olhar e se relacionar justamente com essas áreas intocadas, de onde nasce uma outra mulher: aquela que vai pedir divórcio.</p>
<p>Tal movimento é inevitável. Não há como controlar o outro e se assegurar de que você o está contemplando inteiramente. Sempre sobra algo. No entanto, seria melhor se não fôssemos tão vítimas, se pudéssemos chegar até pelo menos algumas áreas intocadas, não por medo de que outro chegue primeiro, mas para melhorar a qualidade da relação.</p>
<p>Na verdade, a profundidade de uma relação aumenta apenas pelo processo de não congelar e de sempre avançar mais um pouco para dentro um do outro, não exatamente pelo sucesso desse movimento ou pela &#8220;cobertura&#8221; atingida.</p>
<h1>O primeiro ponto cego dos relacionamentos</h1>
<p>Nossa cegueira é como uma prisão com horizontes tão amplos que sequer desconfiamos de seus limites. Não vemos algo justamente porque <strong>temos a experiência de ver tudo</strong>. Como diria Francisco Varela, nossa realidade sensorial nos parece 100% completa, sem nada faltando. Se outro ser (nosso amigo, um africano ou uma abelha) vê outra coisa, então é sinal claro de que ele está errado, alucinando.</p>
<p>O que vemos quando olhamos para nossa esposa ou para nosso namorado? Simples: o outro nos parece 100% como a identidade que foi construída pela relação. Um pai vê um filho no menino que estuda na sala com o amigo que vê o amigo que minutos antes era visto como aluno pela professora. Eis a primeira cegueira de uma relação: <strong>não olhamos para a mulher, mas para o que construímos na relação com ela.</strong> Se uma relação surge como um namoro, ela passa a ser nossa namorada, não apenas como uma imagem mental, mas como um corpo diante de nós vivendo em um mundo específico que vai sendo pintado pelo casal.</p>
<p>A cegueira é também uma proteção, afinal lembrar que nossa namorada é uma mulher implica em admitir a possibilidade de que ela seja desejada e sinta desejo por outros, de que ela se transforme em namorada de outro. Ou em admitir que ela não lembra muito de nós enquanto está agindo como filha. Lembrar que nossa relação com ela não abraça 100% do seu ser (e nem deveria).</p>
<h1>O segundo ponto cego dos relacionamentos</h1>
<blockquote><p>&#8220;Murilo achava que me conhecia bem demais, ficou confiante: nunca olhou dentro da carapaça. Viu a carapaça e achou que aquilo é que era, que já estava tão fundo dentro de mim quanto alguém poderia estar. Mas o fundo é sempre mais embaixo, nem eu sei onde, e lá o Murilo nunca se aventurou. Casou com a rocha, se satisfez com a rocha e uma rocha era o que esperava que eu fosse.&#8221; –Alex Castro, em <a href="http://alexcastro.com.br/blog/category/livros/mulher/" target="_blank"><em>Mulher de um homem só</em></a></p></blockquote>
<p>Além de confundirmos nossa mulher com a identidade que foi construída em sua relação conosco, há um outro ponto cego no interior mesmo dessa relação. No primeiro caso, não vemos as outras mulheres por trás de nossa namorada; no segundo, não vemos nem mesmo nossa mulher por completo. Ela chora debaixo do chuveiro, volta para a cama e não desconfiamos de nada. Ela coloca uma calcinha especial e estamos cansados demais para notar e tirá-la com gosto. Ela é sutilmente inferiorizada por sua família e você interpreta tudo como brincadeira&#8230;</p>
<p>Não é por acaso que talvez <strong>a maior reclamação feminina</strong> seja relacionada à solidão e à ausência do olhar desejante masculino. Ouçam o pedido da Vanessa da Mata representando todas as mulheres: <a href="http://www.youtube.com/watch?v=RaOVR5RkJkM" target="_blank">&#8220;Não me deixe só&#8221;</a>.</p>
<p><object classid="clsid:d27cdb6e-ae6d-11cf-96b8-444553540000" width="480" height="385" codebase="http://download.macromedia.com/pub/shockwave/cabs/flash/swflash.cab#version=6,0,40,0"><param name="allowFullScreen" value="true" /><param name="allowscriptaccess" value="always" /><param name="src" value="http://www.youtube.com/v/fICEI4B3Q8A&amp;hl=pt_BR&amp;fs=1&amp;rel=0" /><param name="allowfullscreen" value="true" /><embed type="application/x-shockwave-flash" width="480" height="385" src="http://www.youtube.com/v/fICEI4B3Q8A&amp;hl=pt_BR&amp;fs=1&amp;rel=0" allowscriptaccess="always" allowfullscreen="true"></embed></object></p>
<p>Ora, é por isso que algumas relações são tão transformadoras. Quando uma mulher realmente se sente viva, olhada, cuidada, preenchida dentro de uma relação, todas as outras identidades conseguem sentir esse calor. Se reduzimos os dois pontos cegos, atingimos uma base anterior à própria identidade de namorada que surge à nossa frente. Não só a namorada, mas a mulher inteira fica feliz.</p>
<p>Ao mesmo tempo, nós descobrimos como agir com esse ser mais amplo que a identidade do marido, mesmo quando estamos dentro de uma relação. Se fizermos isso com certa frequência, será mais fácil lidar com o fim dessa relação, com a morte do marido. Enquanto o marido estava em cena, outra coisa estava agindo. <strong>E essa outra coisa segue.</strong></p>
<p>Os dois pontos cegos são inseparáveis. Sua superação, claro, não se dá de modo definitivo: ao tentarmos nos aproximar da totalidade do outro, percebemos que ela é inatingível, sempre expansível, como um horizonte. Não há fundo, não há essência. Nada além de um vasto espaço livre do qual o outro nasce diariamente.</p>
<h1>Fantasias sexuais femininas</h1>
<blockquote><p>&#8220;Eu tenho 22 anos e sou muito tímida, mas <strong>minha imaginação não tem nada de tímida</strong>.&#8221;</p></blockquote>
<p>A fala acima é de Heather, uma das entrevistadas por Nancy Friday no clássico <em>My Secret Garden</em>. Ao ver em detalhe uma série quase infinita de fantasias sexuais femininas, desconfio que talvez o melhor caminho não seja ir diretamente às fantasias, mas ao que as torna possíveis, ou seja, à estranha dinâmica do prazer.</p>
<p><strong><a href="http://www.jamesjean.com/work/2008/Maze/1" target="_blank"><img class="alignnone size-full wp-image-947" title="maze-james-jean" src="http://nao2nao1.com.br/wp-content/uploads/2010/05/maze-james-jean.jpg" alt="maze-james-jean" width="300" height="427" align="left" /></a>Pensamos que o prazer vem do sexo, não é mesmo? Mas não vem.</strong> Você pode perceber isso quando brocha e nenhum estímulo funciona ou quando a relação está ruim e nenhuma massagem com K-Y nos anima. Ora, nunca fomos animados pelo toque, mas por algo que se evidencia pelo toque, como se o toque fosse a expressão de algo e não valesse nada sozinho.</p>
<p>Fantasiar (encenando ou apenas imaginando) com estupro, animais, orgias, cenas específicas&#8230; O excitante não é exatamente o conteúdo das fantasias, mas a posição interna que nosso corpo assume. Aliás, pode anotar: <strong>se quiser aprender novas posições sexuais, prefira as internas.</strong></p>
<p>Em algumas fantasias, as mulheres são dominadas. Em outras, são conduzidas como meninas aprendizes. Ou fazem algo proibido, errado, sujo, degradante. São agressivas, comandam, batem. Invadidas de surpresa. Ou percorridas com curiosidade, como se fossem um labirinto. Isso para ficar nas fantasias mais simples.</p>
<p>Você pensa que ela está submissa enquanto chupa, mas para ela a sensação talvez seja de poder e dominação. Você pensa que a melhor noite para ela foi aquela em que você ficou como um animal por horas, mas ela se masturba até hoje lembrando de quando você a comeu por trás na escada do shopping, com o cinto da calça batendo sem querer na bunda dela, rápido, sem preliminares, gozando sem avisar.</p>
<p>Ela morre de ciúmes das outras, certo? Mas talvez uma das coisas que mais a excitem seja a imagem de você comendo outra mulher. <strong>Ainda que isso nunca seja realizado, é a fantasia que a faz gozar.</strong> Pois é, muitas mulheres gozam apenas em imaginar a possibilidade de algo, enquanto a maioria dos homens precisa da concretização. ;-)</p>
<p>O sexo, a fantasia (vivida ou imaginada) e o toque apenas nos excitam porque eles nos permitem vivenciar e expressar uma postura que dificilmente assumimos com intensidade na vida cotidiana ou mesmo nos outros momentos de uma relação. Para os homens, em geral, essa postura é a de mandar, conduzir, olhar, penetrar, atravessar, cortar, avançar, invadir. E para as mulheres tende a ser a de se entregar, se render, se deixar levar, se soltar, se movimentar, receber, dar, abrir – ser olhada, desejada, carregada, tomada, abusada, preenchida.</p>
<p>Mais do que com homens, o feminino se excita com presença, olhar, segurança, imobilidade. Mais do que mulheres, o masculino adora formas, curvas, movimentos. Ele quer mais olhar do que ser olhado. Ela quer (ser) pegada, não tanto pegar.</p>
<p>Para que essa dinâmica seja explorada, não basta transarmos sempre no mesmo contexto de casal. Ou melhor, é interessante que esse contexto não seja restrito, caso contrário vamos reprimir nossas fantasias e nossas possibilidades de prazer. Se a mulher não goza sempre com o namoradinho, por que você se contentaria em ser apenas o namorado durante o sexo?</p>
<h1>Em defesa dos contos de fadas</h1>
<p><object classid="clsid:d27cdb6e-ae6d-11cf-96b8-444553540000" width="425" height="344" codebase="http://download.macromedia.com/pub/shockwave/cabs/flash/swflash.cab#version=6,0,40,0"><param name="allowFullScreen" value="true" /><param name="allowscriptaccess" value="always" /><param name="src" value="http://www.youtube.com/v/7f4TItnxVOw&amp;hl=pt_BR&amp;fs=1&amp;rel=0" /><param name="allowfullscreen" value="true" /><embed type="application/x-shockwave-flash" width="425" height="344" src="http://www.youtube.com/v/7f4TItnxVOw&amp;hl=pt_BR&amp;fs=1&amp;rel=0" allowscriptaccess="always" allowfullscreen="true"></embed></object><br />
<em><a href="http://www.youtube.com/watch?v=gBOm1-tR5F4&amp;feature=related" target="_blank">&#8220;You and me&#8221;</a> (Dave Matthews Band)</em></p>
<p>Quero fazer sua mala, algo pequeno. Pegar o que precisa e desaparecer com você, sem rastros. Lua e estrelas vão seguir o carro. Ao chegar no oceano, <strong>vamos pegar um barco para o fim do mundo</strong>. E quando nossos filhos crescerem o suficiente, vamos ensiná-los a voar.</p>
<p>Assim começa a música &#8220;You and Me&#8221; (Dave Matthews Band). E assim deveria começar uma relação. Não exatamente como humanos que andam em ruas de concreto e ficam 8 horas diárias olhando para pixels oscilantes numa tela, mas como <a href="http://nao2nao1.com.br/o-amor-e-filme/" target="_blank">personagens dos filmes que escolhermos para nós.</a></p>
<p>Sem imaginação, sem vivermos um pouco como <strong>extraterrestres</strong>, tirando a solidez de fatos e certezas, terminamos presos a um mundo opaco, cinza, sem brilho. De vez em quando, vemos uma figura de Escher, filmes como <em>Wall-E</em>, <em>Up</em> ou <em>Where the wild things are</em>, ou um mestre budista maluco. De vez em quando, sorrimos: &#8220;É, talvez o mundo seja mesmo mágico&#8230;&#8221;. Mas não dura. Não passa da rotina do dia seguinte.</p>
<p>Assim como vimos em <em>Pleasantville</em> ou em <em>Dream for an Insomniac</em>, num mundo cinza não há paixão nem sexo. Tal opacidade restringe nossas conexões de corpo e mente (algo que Espinosa relacionava com felicidade), além de diminuir nosso espaço interno, onde sustentamos vivacidade e também o prazer sexual.</p>
<p>Quanto maior sua <strong>matriz de significações</strong>, mais mundos você poderá construir e dissolver no minuto seguinte. Se há um segredo para tocar sua mulher de todas as formas, é construir histórias nas quais outras mulheres possíveis encarnem e sejam levadas pela mão para o fim do mundo.</p>
<p>Se viver o amor como um conto de fada é clichê, é piegas, é romantismo excessivo, mais clichê é eliminar os contos de fadas. Quem realmente se livrou da crença no Papai Noel não vê problema em se vestir de um (convenhamos, há coisas que só um Papai Noel faz). Do mesmo modo, podemos abandonar nossa esperança em um único conto de fada – sim, ela ainda existe, pode admitir – e viver vários.</p>
<p><strong>Presenteie sua mulher com bons livros infantis</strong>, crie mundos nas quais as fantasias femininas possam aflorar, viva <a href="http://nao2nao1.com.br/macrorelacionamento-o-mito/" target="_blank">mitos</a> e histórias inventadas a la <em>Big Fish</em>, <a href="http://nao2nao1.com.br/para-entender-as-mulheres/" target="_blank">leia Manoel de Barros</a> e amplie sua matriz de significações até que um email não seja mais um email, uma cama não seja mais uma cama, uma calcinha não seja mais uma calcinha, <a href="http://bit.ly/ky-n2n1-post3" target="_blank">um K-Y não seja mais um K-Y&#8230;</a></p>
<p>Sua mulher pode ser menininha ou velha, um papo durante uma massagem pode ser uma incursão no escuro do futuro, uma caminhada à noite pela Av. Paulista pode virar 20 anos de relacionamento (<a href="http://nao2nao1.com.br/me-you-and-everyone-we-know/" target="_blank">né, Miranda July?</a>) e ensinar os filhos a voar não é algo tão improvável assim.</p>
<h1>Deixe sua pergunta para o próximo texto</h1>
<p>No último texto dessa série sobre o “Antes” no sexo, vou falar sobre <strong>a verdadeira impotência sexual masculina</strong>. Enviem questões ou perguntas pelo widget abaixo, lembrando que eu não sou o Jairo Bouer e não vou falar exatamente de sexo.</p>
<p><iframe src="http://ky.midiadigital.com.br/nao2nao1.php" name="mural" width="300" height="270" marginwidth="0" marginheight="0" Frameborder="0" align="center"></iframe></p>
<p>Além disso, estou curioso para saber <strong>seus comentários</strong> em relação às fantasias sexuais e aos outros pontos que abordei acima.</p>
<p><em>*Dedicado a todos os desconhecidos cujas parceiras já me escreveram reclamando e listando suas áreas intocadas.<br />
</em></p>


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