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	<title>Não Dois, Não Um: um blog sobre relacionamentos lúcidos</title>
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	<description>Ensaios sobre relacionamentos amorosos. Sexo e filosofia, paixão e espiritualidade. Para homens e mulheres.</description>
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	<title>Gustavo Gitti</title>
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		<title>Francisco Varela sobre a fragilidade do eu</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Gustavo Gitti]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 21 May 2021 19:55:24 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[darma]]></category>
		<category><![CDATA[relacionamentos]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>A life of wisdom is to be constantly engaged in that letting go, and letting the virtuality or the fragility of the self manifest itself. Francisco Varela No fim de semana passado, aconteceu o Varela International Symposium, com organização do Upaya Zen Center e do Mind&#38;Life Europe, dessa vez sobre &#8220;Uncertainty and emergence in self [&#8230;]</p>
<p>O texto <a href="https://www.gustavogitti.com/francisco-varela-sobre-a-fragilidade-do-eu/">Francisco Varela sobre a fragilidade do eu</a> foi publicado em <a href="https://www.gustavogitti.com">Gustavo Gitti</a>.</p>
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<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow"><p>A life of wisdom is to be constantly engaged in that letting go, and letting the virtuality or the fragility of the self manifest itself.</p><cite>Francisco Varela</cite></blockquote>



<p>No fim de semana passado, aconteceu o <strong>Varela International Symposium</strong>, com organização do <a href="https://www.upaya.org/program/varela-symposium-exploration-uncertainty-self-socity-emergence/?id=2398">Upaya Zen Center</a> e do <a href="https://www.mindandlife-europe.org/varela20-30/varela-symposium/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Mind&amp;Life Europe</a>, dessa vez sobre &#8220;Uncertainty and emergence in self and society&#8221;. É um encontro de mentes brilhantes: Roshi Joan Halifax, Evan Thompson, John Dunne, Richard Davidson&#8230;  Em um dos encontros ouvi essa frase maravilhosa do Francisco Varela e logo fui atrás do trecho maior. Segue uma tradução não oficial:</p>



<span id="more-2463"></span>



<pre class="wp-block-code"><code><strong>Otto Scharmer:</strong> Então quando você diz "virtual", você quer dizer que não há um eu central, que o eu não tem substância, mas ainda assim é real.

<strong>Francisco Varela:</strong> Certo. É real no sentido de que pode enfrentar com eficácia o mundo com o qual está lidando. Mas essa relação está constantemente se atualizando e se renovando, submetida a todo tipo de mudança, tanto endógena quanto exógena. Portanto, a virtualidade não é apenas a ausência de uma identidade central; também tem aquele tipo de flutuação frágil de ir e vir, que é onde acontece o soltar. Soltar é um gesto interessante, porque na verdade é quase como invocar a virtualidade do eu, colocando-a espontaneamente em cima da mesa.

Normalmente é a vida que nos faz soltar. Você sabe, nos casos extremos de doença e perigo, ou em uma decepção amorosa, aquilo nos força ao gesto de deixar ser como é, de não segurar &#91;letting it be, letting it go]. É interessante como os seres humanos conseguem mobilizar essa capacidade o tempo todo. Para mim, isso aponta para uma vida mais completa ou boa. O que é ter uma boa vida?

<strong>Uma vida de sabedoria é estar constantemente engajado nesse soltar, e deixar a virtualidade ou a fragilidade do eu se manifestar.</strong>

Quando você está com alguém que realmente tem essa capacidade em um nível totalmente desenvolvido, isso afeta você. Quando encontramos esse tipo de pessoa, fica claro, porque todo o processo não é individual, não é privado, e você entra nesse tipo de ressonância. Você relaxa - há algo muito agradável nisso. Há uma alegria nesse tipo de vida; essa é a boa vida, eu diria.</code></pre>



<p>Aqui está a conversa completa entre Otto Scharmer e Francisco Varela: <a href="https://www.presencing.org/assets/images/aboutus/theory-u/leadership-interview/doc_varela-2000.pdf" target="_blank" rel="noreferrer noopener">&#8220;Three Gestures of Becoming Aware&#8221; (Paris, janeiro de 2000)</a>.</p>



<p>Se tiver interesse, <a href="https://www.upaya.org/program/varela-symposium-exploration-uncertainty-self-socity-emergence/?id=2398" target="_blank" rel="noreferrer noopener">ainda é possível se inscrever</a> e ver todas as gravações do Simpósio Varela (houve tradução apenas para o espanhol).</p>
<p>O texto <a href="https://www.gustavogitti.com/francisco-varela-sobre-a-fragilidade-do-eu/">Francisco Varela sobre a fragilidade do eu</a> foi publicado em <a href="https://www.gustavogitti.com">Gustavo Gitti</a>.</p>
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		<title>Entrevista sobre paciência no trabalho</title>
		<link>https://www.gustavogitti.com/entrevista-sobre-paciencia-no-trabalho/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Gustavo Gitti]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 07 Apr 2020 15:33:42 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[darma]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Antes da pandemia de Covid-19 chegar ao Brasil, fui entrevistado para o blog da Sputnik.Works (criada a partir da Perestroika). Como a prática da paciência não se restringe ao mundo corporativo, talvez algo do que indiquei possa ser útil para você em nosso momento atual. Fiquei super feliz pelo convite, respondi longamente e a querida [&#8230;]</p>
<p>O texto <a href="https://www.gustavogitti.com/entrevista-sobre-paciencia-no-trabalho/">Entrevista sobre paciência no trabalho</a> foi publicado em <a href="https://www.gustavogitti.com">Gustavo Gitti</a>.</p>
]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p class="has-accent-background-color has-background"><em>Antes da pandemia de Covid-19 chegar ao Brasil, fui entrevistado para o blog da Sputnik.Works (criada a partir da Perestroika). Como a prática da paciência não se restringe ao mundo corporativo, talvez algo do que indiquei possa ser útil para você em nosso momento atual.</em></p>



<p><em>Fiquei super feliz pelo convite, respondi longamente e a querida jornalista Juliana Lima foi muito profissional e generosa em sua edição. Porém, claro, como o texto depois passa por outros filtros e interesses, acabaram escolhendo não usar algumas respostas, além do trecho final, onde explicitei a maquiagem que visualizo como o cerne do sofrimento na relação entre bem-estar humano e ambiente corporativo. Portanto, resolvi publicar também aqui, na íntegra.</em></p>



<p><em>Ainda que as melhores empresas perguntem &#8220;Como posso cuidar melhor das pessoas?&#8221;, é como se não quisessem a resposta inteira. Pois a resposta inteira coloca na mesa não só a empresa como um todo, mas toda uma cultura — inseparável de leis, contratos, algoritmos e hábitos coletivos — que podemos chamar de capitalista ou materialista ou, se quiser algo mais preciso: a inteligência que prioriza a acumulação de dinheiro, e não a apreciação da vida, das relações e das qualidades da mente. Tal visão causa o que talvez sejam nossos dois maiores problemas: a destruição ambiental e a desigualdade social. Não é pouca coisa o que está em jogo.</em></p>



<span id="more-2318"></span>



<h4 class="wp-block-heading"><strong>O seu trabalho é um verdadeiro convite à transformação de si mesmo e do melhor relacionamento com o outro e com o mundo. O que significa essa transformação pra você quando a gente fala sobre o ambiente de trabalho?<br></strong></h4>



<p>O grande engano que vejo nas empresas é individualizar problemas coletivos, ou seja, <strong>exigir transformação pessoal enquanto sustenta estruturas aprisionantes</strong>. A empresa contrata, por exemplo, uma palestra minha sobre felicidade genuína e meditação, mas não dá a tarde livre para as pessoas. Estou lá falando sobre a micro apneia que acontece quando checamos emails, sobre a importância de relaxar e respirar livre das tarefas, mas a pessoa está preocupada com o que fará a seguir.&nbsp;</p>



<p>Você cria um ambiente de tensão e diz: &#8220;Relaxe, faça mindfulness!&#8221; Ou seja, a grande mensagem é &#8220;Se vira, mude você, nós não vamos mudar&#8221;. Gregory Bateson chama esse processo enlouquecedor e traumático de &#8220;duplo vínculo&#8221;. Se questionadas, as pessoas mais importantes na corporação frequentemente dizem: &#8220;Ah, mas todo o mercado funciona nesse ritmo.&#8221; Não é verdade: podemos fazer diferente, podemos escolher não reagir e implementar uma nova atmosfera. Há incontáveis exemplos de empresas que experimentaram reduzir o trabalho para <a href="https://www.theguardian.com/technology/2019/nov/04/microsoft-japan-four-day-work-week-productivity">4 dias por semana</a> ou para <a href="https://hbr.org/2018/12/the-case-for-the-6-hour-workday">6 horas por dia</a>. E a tal da &#8220;produtividade&#8221; <a href="https://www.independent.co.uk/news/business/the-six-hour-work-day-increases-productivity-so-will-britain-and-america-adopt-one-sweden-a7066961.html">até aumentou</a>.&nbsp;</p>



<p>Outro exemplo: a empresa contrata um workshop sobre empatia ou, melhor ainda, sobre compaixão nas relações, enquanto sustenta um ambiente de competição diária por meio de dispositivos de avaliação e recompensa. Nesse caldeirão de competição, cada pessoa agora precisa entender o mundo do outro, não competir, ajudar… Mas se a própria empresa fizesse isso, não precisava de palestra sobre felicidade e nem de workshop de compaixão. O dinheiro poderia ser investido em aumentar os salários, reduzir carga horária e visar um lucro menor, crescendo e produzindo menos, por que não? Por que é um absurdo focar mais na vida do que no capital?</p>



<p>Se a empresa quer mesmo o bem-estar dos funcionários e do mundo ao redor, ela realmente precisa mexer no seu principal negócio, não adornar o problema com eventos e palavras bonitas. Ou seja, se ela produz refrigerante, que sempre faz mal para seres humanos, a maior compaixão seria parar de produzir. Se ela cresce a ponto de destruir rios, idem. E <strong>se ela quer mesmo introduzir compaixão, sua diretoria deveria aumentar os salários, no mínimo</strong>. É o que se pede de Jeff Bezos, por exemplo, diante da violência que é a vida de quem trabalha em depósitos da Amazon.</p>



<p>Sobre a uberização do trabalho, recomendo o novo filme de Ken Loach (<em>Você não estava aqui</em>) e o livro <em>Uberização: a nova onda do trabalho precarizado</em>, de Tom Slee. E, para quem se interessa por empresas mais humanas, recomendo três livros: <em>Um coração sem medo</em>, de Thupten Jinpa, <em>A revolução do altruísmo</em>, de Matthieu Ricard, e <em>The mind of the leader</em>, de Rasmus Hougaard.</p>



<h4 class="wp-block-heading"><strong>O que para você representa ser realmente paciente em um mercado de trabalho onde a ansiedade impera e todos estão sempre desesperados para ser bem-sucedidos o mais rápido possível?<br></strong></h4>



<p>A essência da paciência é a <strong>não perturbação</strong>. Não é bem ficar sustentando uma paciência, pois como diz a expressão popular, &#8220;paciência tem limite&#8221;. Se você tem paciência, você rapidamente a perde.</p>



<p>Paciência em tibetano é <em>zopa</em> (existe até um grande professor chamado Lama Zopa Rinpoche). E a essência da paciência, a sua verdadeira natureza, é a não perturbação, a quietude imutável e ao mesmo tempo aberta aos movimentos incessantes da vida. Em tibetano, imperturbabilidade é <em>mingyur</em> — há também um grande mestre, um de meus professores, que se chama Mingyur Rinpoche. Dele recomendo todos os livros e <a href="https://beta.tergar.org/joy-of-living/">esse curso online</a>.</p>



<p>Nós confundimos imperturbabilidade com indiferença, mas isso é um engano. Na verdade, quanto mais irritáveis somos, mais precisamos nos proteger em casulos. Por outro lado, quanto mais imperturbáveis, mais deixamos o mundo nos tocar, como faz a terra, o céu ou o espaço ao nosso redor: seguem imperturbábeis e por isso sempre acolhendo, apoiando, se deixando tocar.</p>



<h4 class="wp-block-heading">O que você faz para trabalhar a sua paciência dentro e fora do seu ambiente de trabalho em sua rotina pessoal?<br></h4>



<p>A paciência pode começar a ser cultivada por três grandes abordagens: a do equilíbrio, a da sabedoria e da compaixão.</p>



<p>Pelo equilíbrio, você pode começar cultivando relaxamento e estabilidade pela prática de <em>shamatha</em> (&#8220;calmo repousar)&#8221;, que existe há milênios como um recurso mental em nossa família humana, antes mesmo do Buda surgir. A palavra &#8220;meditação&#8221; é um tanto problemática. Em tibetano, usa-se <em>gom</em>, que significa apenas uma intimidade ou familiaridade com a mente e com a realidade (com a impermanência, por exemplo). E em sânscrito, usa-se <em>bhavana</em>, que significa apenas cultivo, treino, florescimento de alguma qualidade natural da mente.</p>



<p>Há diversos métodos que levam uma capacidade de não reagir e se manter imperturbável, ainda que com a mente aberta e conectada com toda a amplitude de seres e experiências. O objetivo dos métodos de shamatha é aprofundar nossa capacidade de integrar quietude e movimento, <strong>sem ficar indiferente (fixado na quietude) e sem ficar desesperado (fixado nas condições externas)</strong>. Normalmente combinamos práticas de estabilidade com práticas de sabedoria, pelas quais ampliamos nossa visão, e de compaixão, pelas quais abrimos o coração e pacificamos as relações. Desse modo, a paciência nasce de modo progressivo e natural.</p>



<p>Além disso, nas abordagens mais ligadas à sabedoria e à compaixão, há uma paciência mais profunda, que é parar de lutar contra a natureza impermanente, não resolvível e insubstancial dos fenômenos. A verdadeira paciência nasce da compreensão de que você nunca vai de fato ser bem-sucedido na trajetória pessoal que você chama de &#8220;carreira&#8221;. Você nunca, de fato, vai virar alguém, pois sua natureza é livre. Isso é assustador! Nós queremos enfim ser alguém, sermos amados por alguém, termos algo para agarrar… Queremos uma narrativa, um propósito pessoal, um legado, uma riqueza acumulada, uma coleção de fotos, livros, memórias e experiências. No entanto, pelo poder da interdependência, nossa vida nunca consegue ter sentido sozinha, apenas na conexão com as outras vidas. <strong>Uma mente autocentrada está tentando algo impossível, então sempre sofre.&nbsp;</strong></p>



<p>A maior paciência vem de se abrir para essa realidade além das nossas estratégias de sucesso pessoal e além de nossas narrativas, conceitos, teorias, opiniões e pensamentos sobre a vida. É uma paciência de começar a relaxar na incerteza, sabendo que não há como nem onde se agarrar. Eis a diferença entre uma pessoa que se diz em um momento de transição, esperando para enfim relaxar num novo platô, e a pessoa que entendeu que sempre estamos em transição, que a vida é isso e não há platô seguro possível. A primeira pessoa sempre vai perder a paciência, pois sua visão não dá conta do dinamismo da vida. E a segunda pessoa começa a não se impacientar tanto, ao relaxar no próprio desconforto de não saber direito onde está, quem é, quem são os outros e o que está acontecendo. Ela é mais flexível. Ela erra, se frustra e não tenta logo escapar desse lugar de não saber. É essa abertura a fonte da verdadeira segurança: uma comunicação constante com o dinamismo e com a complexidade das situações.</p>



<p>Sobre isso, recomendo os livros <em>Quando tudo se desfaz: orientação para tempos difíceis</em>, de Pema Chodron, <em>O poder de uma pergunta aberta</em>, de Elizabeth Mattis-Namgyel. E 3 podcasts que gravei recentemente ao lado de queridos amigos praticantes (<a href="http://www.coemergencia.com.br/">não deixem de assinar o podcast Coemergência!</a>):</p>



<figure class="wp-block-audio"><audio controls src="http://media.blubrry.com/coemergencia/s/www.coemergencia.com.br/wp-content/uploads/2018/podcasts/Gustavo_Gitti.mp3"></audio><figcaption class="wp-element-caption"><a href="http://www.coemergencia.com.br/coemergencia-1-gustavo-gitti/">&#8220;Como viver uma vida com sentido&#8221;</a> (sobre autocentramento e compaixão)</figcaption></figure>



<figure class="wp-block-audio"><audio controls src="http://media.blubrry.com/coemergencia/s/www.coemergencia.com.br/wp-content/uploads/2019/podcasts/18-coemergencia-gustavo-gitti.mp3"></audio><figcaption class="wp-element-caption"><a href="http://www.coemergencia.com.br/18-coemergencia/">&#8220;Coemergência: existe algo lá fora?&#8221;</a></figcaption></figure>



<figure class="wp-block-audio"><audio controls src="http://media.blubrry.com/coemergencia/s/www.coemergencia.com.br/wp-content/uploads/2020/podcasts/33-vacuidade.mp3"></audio><figcaption class="wp-element-caption"><a href="http://www.coemergencia.com.br/33-vacuidade-a-natureza-aberta-da-realidade/">&#8220;Vacuidade: a natureza aberta da realidade&#8221;</a></figcaption></figure>



<p>Sobre o que eu pratico, é isso: métodos de consciência, bondade e sabedoria que aprendi com Mingyur Rinpoche e outros grandes professores com quem tive algum contato nos últimos 20 anos. Não me considero um ser paciente. Rapidamente me irrito, pergunte para a Isabella Ianelli, com quem sou casado. Ela não só vê minha impaciência, como sabe a origem da paciência, afinal é formada no programa Cultivating Emotional Balance e oferece online <a href="http://ocursodasemocoes.com.br/">o curso das emoções</a>. </p>



<p>É raro, mas de vez em quando surge alguma calma, algum amor e alguma sabedoria&#8230; Fica mais fácil dar todo o tempo do mundo para algum ser e não me perturbar tanto, mesmo diante de algo que está complicado. Alguns segundos de uma mente ampla é o suficiente para ganharmos confiança de que somos essa consciência livre e espaçosa. Não somos a irritação.</p>



<h4 class="wp-block-heading"><strong>Quais gatilhos desencadeiam a perda da calma que precisam mais da nossa atenção?</strong></h4>



<p>Essa ideia de &#8220;gatilho&#8221; é muito perigosa. Pode dar a entender que há algo realmente perturbador, sendo que é nossa mente que se perturba. Parece mais inteligente tentar se proteger descobrindo o que é realmente perturbador e então criando um casulo de proteção, um &#8220;safe space&#8221;, como se encontra muito na cultura dos EUA. Mas o verdadeiro espaço seguro é a natureza livre da nossa mente. Essa abordagem do &#8220;gatilho&#8221; é desempoderadora: ela dá o poder para que muitas coisas nos arrastem. Ela nos tira a curiosidade que leva à descoberta de nossa bondade fundamental, que é nossa maior força.</p>



<p>Claro, em situações de muita fragilidade, a melhor coisa é se afastar daquilo que parece ser a causa do sofrimento. Não vamos chegar em uma pessoa que foi vítima de violência e dizer que ela está causando o sofrimento. Não, pelo contrário, nesse momento é muito benéfico a pessoa não se culpar e entender que ela não fez nada que causou o sofrimento, que a violência foi do outro. Como vemos em grupos de apoio, precisamos lutar para que essa violência acabe!</p>



<p>Porém, assim que a pessoa melhora, se ela realmente quiser liberar as causas do sofrimento pela raiz, começando com pequenos sofrimentos, pequenas irritações, a melhor visão é entender que é a sua mente que se perturba desnecessariamente, que a causa da perturbação não é bem externa. Mesmo quando há algo imensamente errado na sociedade, não ajuda se tentarmos mudar o mundo com uma mente perturbada. Chegamos fracos e reativos diante dos problemas.</p>



<p>Descobrir que a causa do sofrimento é interna é empoderador! Isso não significa dizer que a causa é individual, mas que é sustentada também pela nossa mente por meio da cultura. Não é uma abordagem passiva, mas muito vigorosa, enérgica, firme. Paramos de apontar dedos e podemos transformar nossa mente, nossa visão, nossa atitude, nossas relações. Essa é a melhor posição para transformar os sofrimentos coletivos e construir um outro mundo. Qual mente é mais poderosa para acatar as bases da desigualdade social, por exemplo? Uma mente reativa ou uma mente estável?&nbsp;</p>



<p>Essa transformação envolve parar de lutar com o nosso sofrimento. Envolve usá-lo como combustível: entender que ele é coletivo, gerar compaixão a partir dele, sabedoria a partir dele, estabilidade, relaxamento, energia para ações transformadoras em todas as direções… Abre-se todo um caminho a partir dessa relação mais lúcida com nossa revolta diante de tantos problemas sociais.</p>



<p>Sobre isso, sugiro o texto <a href="https://blog.olugar.org/as-duas-causas-mais-profundas-de-nosso-sofrimento-9ff12cadc14c">&#8220;As duas causas mais profundas de nosso sofrimento&#8221;</a> e uma palestra que ofereci para pessoas que habitam o mundo corporativo: <a href="https://blog.olugar.org/quatro-pontos-cegos-de-nossa-cultura-759a9b2ab520">&#8220;Quatro pontos cegos de nossa cultura&#8221;</a>.</p>



<h4 class="wp-block-heading"><strong>Todo mundo quer ser feliz, mas como a gente começa essa jornada a partir da dor de não conseguir esperar por nada, de querer pular etapas para conquistar as coisas mais rápido?</strong></h4>



<p>A gente pode começar se cansando. Se você recebeu boas condições, você já deve ter tentado de tudo: livros, cursos isolados, estados alterados, sexo, viagens… Você pode ter melhorado, mas está realmente contente com uma versão atualizada de suas confusões e aflições? Veja como todas as felicidades que você teve foram condicionadas. O namoro que mais te fazia feliz foi o que mais te deixou sem conseguir dormir, respirar, comer por semanas ou meses. E assim por diante.</p>



<p>Enquanto não transformarmos nossa mente, vamos sempre ficar autocentrados, reativos, sérios dentro de bolhas e identidades posadas… Ficamos tão ocupados que mal nos sobra tempo para olhar para as pessoas que mal estão conseguindo sobreviver e agir energicamente para transformar a desigualdade social, por exemplo. Mesmo com tantos privilégios, nunca de fato encontramos a felicidade, pois estamos buscando no mundo impermanente das aparências. Uma mente feliz não é uma mente que se fixa em experiências específicas, mas uma mente livre, capaz de soltar o apego e a aversão a qualquer experiência. Além disso, estamos buscando de modo individual! Felicidade é uma mente aberta, com compaixão, sabedoria e estabilidade naturais. É por isso que ela implica na felicidade dos outros ao nosso redor. Não podemos descansar enquanto houver sofrimento do outro lado da rua.</p>



<p>Esse cansaço diante das tentativas autocentradas de ser feliz vai nos levar a uma maturidade. Vamos começar a ver o limite de entender, ler, ouvir palestras, saber explicar, fazer terapia… E vamos começar a querer algo mais radical: trabalhar diretamente com nossa mente usando métodos em primeira pessoa. Pode ser então que nosso eurocentrismo se evidencie como uma ignorância e comecemos a nos interessar pelos grandes sábios de nossa família humana, em vez de ouvir empresários que tiveram apenas algum sucesso e hoje falam sobre felicidade e sentido da vida, como se tivessem alguma sabedoria. Há muita gente perdida ouvindo empresários como Jeff Bezos ou Elon Musk sobre algo que eles desconhecem: ser feliz não é acumular dinheiro, fama e poder, mas superar a mente do autointeresse e dedicar a vida para aliviar o sofrimento dos seres.</p>



<h4 class="wp-block-heading">Como controlar os nervos no ambiente de trabalho trabalhando a paciência para não explodir a cada situação estressante?<br></h4>



<p>Você precisa de um contexto.<strong> Técnicas isoladas são muito limitadas.</strong> O contexto inclui investigar as causas do sofrimento, ficar íntima da operação mais sutil de sua mente, descobrir os métodos de cultivo da mente que não se perturba tão facilmente, se aproximar de professores e da praticantes desses métodos&#8230; e praticá-los! Precisamos ir além de posts, livros, vídeos, cursos e podcasts.</p>



<p>Recomendo especialmente que você supere qualquer traço de arrogância e valorize as tradições de sabedoria de nossa família humana. Aproxime-se de grandes seres de lucidez e compaixão. No meu caso, por exemplo, comecei mirando em Sua Santidade o Dalai Lama e fui vendo quem está mais próximo nessa linhagem, como o professor Alan Wallace e Thupten Jinpa, que são alunos direto de Sua Santidade o Dalai Lama.</p>



<p>Com o tempo, as práticas formais nos ajudam a aproveitar todas as experiências para gerar a motivação, a aspiração, o desejo profundo de aliviar o sofrimento e apoiar o florescimento de todos os seres vivos. A partir dessa mente, nossas ações acontecem criativamente cada vez mais nessa direção. É por isso que não podemos separar a prática da meditação de um natural engajamento ético, ecológico, social e político, que são termos variados para a inteligência de cuidado com tudo o que é vivo.</p>



<h4 class="wp-block-heading">Como encontrar a felicidade no trabalho em meio ao caos, trabalhando o que você chama de mundo interno?</h4>



<p>Não há felicidade &#8220;no trabalho&#8221;. Há uma mente que se abre em qualquer lugar, com qualquer ser, a qualquer momento. A felicidade do trabalho naturalmente vem quando a pessoa percebe que ela não está no trabalho. Ela está no mundo o tempo todo, não é mesmo? </p>



<p>Nenhuma empresa tem existente inerente, com um núcleo sólido. Do mesmo modo, ninguém é realmente chefe, funcionário, cliente&#8230; As pessoas se perdem achando que estão mesmo em uma empresa, por isso se alegram ao serem admitidas e sofrem com a demissão, mas se fazemos da compaixão o nosso verdadeiro trabalho, nunca seremos demitidos. </p>



<p>Não existe algo localizável que possamos chamar de empresa. Participo de uma pequena empresa e sei bem disso. Aliás, foi perdendo a vida e a humanidade de vista que permitimos que a manutenção de uma corporação se tornasse mais importante do que o cuidado com a vida. Temos de acabar com essa &#8220;pejotização&#8221; da vida! <strong>É como se para algo existir tivéssemos de transformá-lo em uma empresa. </strong>Até pessoas estão migrando suas vidas para o status de empresa: a pessoa cria marca para si mesma, faz campanhas publicitárias, trata a si mesmo como um negócio… Tem até esse nome: &#8220;EUpreendedorismo&#8221;. E isso é admirado, pensa! Vivemos uma espécie de loucura nessa hiper valorização da corporação e da lógica financeira em vez de valorizarmos a vida.</p>



<p>Com o tempo, vai surgindo uma dignidade e ela inverte todo o processo de seleção: &#8220;Será que essa empresa me ajuda a beneficiar os seres? Será que sou mais útil dentro ou fora dessa empresa?&#8221; Para isso, é preciso que as pessoas fortaleçam o tecido social, que sentem em roda, ouçam seus obstáculos e sonhos, que se ajudem mais, a ponto da pessoa ser nutrida pela comunidade e não precisar trabalhar por um salário, mas para trazer benefícios. Isso não é simples, pois precisa ser feito coletivamente, caso contrário vamos fazer em um grupinho e as pessoas vão continuar sem moradia, topando qualquer trabalho precarizado para sobreviver. Precisamos ser mais visionários, andar com esse horizonte amplo, não aceitar migalhas de mudanças, não negociar diante de condições tão limitadas. Não é por acaso que muitas pessoas começaram a entender o valor de sindicatos, cooperativas, coletivos, redes e até mesmo de greves e do próprio Estado como apoio para chegarmos em uma dignidade básica: todo mundo com educação, moradia, alimentação e saúde, sem precisar ter &#8220;emprego&#8221; e ter &#8220;dinheiro&#8221; para ter sua existência validada.</p>



<h4 class="wp-block-heading"><strong>O que as pessoas podem fazer fora do ambiente corporativo para conseguir trabalhar a paciência que precisam no dia a dia de trabalho?</strong><br></h4>



<p>Há práticas bem simples para ampliar sua paciência a partir do amor e da compaixão. Algumas começam quando reconhecemos uma paciência natural surgindo em nossos momentos mais cotidianos.&nbsp;</p>



<p>Para reconhecer como você já tem compaixão, por exemplo, observe como você nunca desiste ou joga no lixo a louça suja. Você a limpa, mesmo que demore. Por quê? Ao mesmo tempo em que lida com a sujeira, você sabe que o vidro, a cerâmica, a pedra sabão, o aço inox não estão verdadeiramente sujos. Há algo que segue limpo mesmo enquanto está sujo. A sujeira não chegou a se misturar com a porcelana. <strong>É apenas por isso que podemos limpá-la — porque ela já está limpa!</strong> Do mesmo modo, a compaixão vê o sofrimento das aflições, enganos e ações negativas sem congelar os seres. Eis a origem da paciência: você trabalha, leve o tempo que levar, para que cada ser possa se liberar do que o aprisiona, sempre sabendo que todo sofrimento é atravessável, trabalhável, liberável, limpável: o outro não é aquilo, o outro é livre. Quem vê assim é a mente da compaixão.</p>



<p>Para reconhecer o amor, observe uma mãe com um bebê: na maioria das vezes, ela manifesta uma natural paciência pois sente que ele é um ser em processo — e todos nós somos seres em formação! Uma professora de música vê o aluno mal conseguindo tocar e, ainda assim, reserva um teatro inteiro para a apresentação de fim de ano. Por que ela faz isso? Porque ela vê o potencial de florescimento e imagina, sonha, adivinha o que o outro vai se tornar. Isso é amor: desejar que o outro seja feliz e manifeste as causas da felicidade, agindo como apoio para que isso se realize.</p>



<p>Quanto mais amor e compaixão você manifestar, mais natural será sua paciência.</p>



<p>Esses dias vi uma foto de um motorista de Uber que tentou se proteger do COVID-19 criando uma bolha de plástico ao redor de seu banco. É bonitinho e triste ao mesmo tempo. Fica impossível julgar ou tirar sarro. Contemple: todos os seres buscam por aquilo que consideram felicidade e evitam o que sentem como sofrimento. Claro, muitos estão enganados, sem saber as causas do sofrimento e da felicidade, criando ainda mais sofrimento ao tentar fugir do sofrimento. Contemple como eles fazem isso o tempo inteiro, mesmo enquanto piscam, mudam de posição em uma cadeira ou roubam alguém. É inevitável que o seu coração se abra: sim, eles são como você. Eles são como bebês&#8230; Como é que você vai se irritar com um bebê? Isso não significa validar ações negativas, mas não se perturbar tanto, principalmente quando precisar intervir de modo enérgico para impedir a ação negativa.</p>



<p>Quando você estiver com raiva ou encontrar alguém com raiva, uma prática tradicional e bem simples para se conectar com o verdadeiro movimento dos seres é pensar: assim como eu, os seres sentem raiva; assim como eu, os seres ficam desconfortáveis com a raiva e desejam transformá-la; assim como eu, a natureza mais profunda de cada ser é bondosa, então eles podem ser felizes. Desse modo, você vai ampliar seu desejo autocentrado de ser feliz para um desejo altruísta de que todos os seres sejam felizes. Se você abrir esse olhar, isso é amor, um dos caminhos mais naturais para a paciência. É a compaixão e o amor que fazem a professora de música não se irritar com cada erro dos alunos&#8230; Se você olhar com amor e com compaixão, você não precisa nem se preocupar em &#8220;ser paciente&#8221;.</p>



<h4 class="wp-block-heading"><strong>Pra terminar, é mesmo humanamente possível manter a calma em meio ao caos corporativo diário?</strong></h4>



<p>Sim. Por um lado, precisamos transformar o ambiente de trabalho. Ele não precisa ser tão violento, tenso e competitivo. Em paralelo, ao mesmo tempo, podemos relaxar na sabedoria de que sempre haverá algum nível de caos e conflito ao nosso redor. A vida não se resolve. Não importa o que aconteça, a qualquer momento, em qualquer situação, podemos soltar a rigidez no corpo, destravar a respiração, ampliar a visão e abrir o coração. Isso é sempre possível. Nenhuma situação realmente consegue nos tirar esse poder. <a href="https://www.youtube.com/watch?v=o46tCLx5nzM">Até mesmo uma mãe que perde o filho pode descobrir a força inacreditável da compaixão</a>.&nbsp;</p>



<p>Porém, não basta só você fazer isso. É preciso criar condições para que mais e mais pessoas possam florescer. E isso, incrivelmente, <strong>inclui aumentar os salários, reduzir carga horária, crescer menos e fazer de tudo para acabar com a concentração de renda e com a destruição ambiental.</strong> Não são coisas separadas. Mais do que oferecer sessões de mindfulness e comunicação não-violenta, as empresas precisamos mudar todo o seu funcionamento.</p>
<p>O texto <a href="https://www.gustavogitti.com/entrevista-sobre-paciencia-no-trabalho/">Entrevista sobre paciência no trabalho</a> foi publicado em <a href="https://www.gustavogitti.com">Gustavo Gitti</a>.</p>
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		<title>Refúgio: ensinamentos budistas para atravessar a pandemia de Covid-19</title>
		<link>https://www.gustavogitti.com/refugio-ensinamentos-budistas-para-atravessar-a-pandemia-de-covid-19/</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Gustavo Gitti]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 22 Mar 2020 18:21:21 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[darma]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Como todos os ensinamentos budistas não são uma &#8220;doutrina&#8221; ou uma filosofia sobre as coisas, mas um banho de realidade, é natural que agora eles façam ainda mais sentido e nos ajudem ainda mais. Talvez por isso os mestres estão aproveitando esse momento para nos lembrar dos pontos essenciais das práticas de estabilidade, sabedoria e [&#8230;]</p>
<p>O texto <a href="https://www.gustavogitti.com/refugio-ensinamentos-budistas-para-atravessar-a-pandemia-de-covid-19/">Refúgio: ensinamentos budistas para atravessar a pandemia de Covid-19</a> foi publicado em <a href="https://www.gustavogitti.com">Gustavo Gitti</a>.</p>
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<p>Como todos os ensinamentos budistas não são uma &#8220;doutrina&#8221; ou uma filosofia sobre as coisas, mas um banho de realidade, é natural que agora eles façam ainda mais sentido e nos ajudem ainda mais. Talvez por isso os mestres estão aproveitando esse momento para nos lembrar dos pontos essenciais das práticas de estabilidade, sabedoria e compaixão. </p>



<p>Fiz uma compilação despretensiosa de tudo que chegou até mim nos últimos dias, com o desejo de que apenas alguns segundos desses ensinamentos e práticas possam destravar sua respiração, fortalecer sua mente e ampliar seu coração.</p>



<p>Quando tudo desaba, esse é o momento perfeito para reconhecermos o verdadeiro refúgio: nossa consciência livre, capaz de atravessar qualquer sofrimento, estável em meio ao caos, fonte de toda a bondade e de todas as ações criativas que podemos manifestar para apoiarmos uns aos outros.</p>



<span id="more-2255"></span>



<h2 class="wp-block-heading">Lama Alan Wallace</h2>



<p>Prece espontânea que lama Alan Wallace fez em dois minutos a pedido de Dom Laurence Freeman:</p>



<figure class="wp-block-embed is-type-video is-provider-youtube wp-block-embed-youtube wp-embed-aspect-16-9 wp-has-aspect-ratio"><div class="wp-block-embed__wrapper">
<iframe title="Prece Lama Alan Wallace" width="500" height="281" src="https://www.youtube.com/embed/TcRcMjTPnZw?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe>
</div><figcaption class="wp-element-caption">Tradução da querida Jeanne Pilli</figcaption></figure>



<p>Carta enviada pela newsletter do <a href="https://www.sbinstitute.com/">SBI</a>, com tradução de Jeanne Pilli: <a href="http://www.cebb.org.br/darma-nos-tempos-do-coronavirus-mensagem-do-lama-alan-wallace/">&#8220;Darma nos Tempos do Coronavírus&#8221;</a>. Além disso, Lama Alan Wallace está oferecendo uma série de transmissões ao vivo em parceria com Laurence Freeman: <a href="https://www.wccm.org/content/contemplative-path-through-crisis-inter-contemplative-dialogues">&#8220;A contemplative path though the crisis&#8221;</a>.</p>



<p>Durante o retiro no Brasil no ano passado, lama Alan Wallace comentou o que fazer quando tudo desaba ao redor (assista a partir de 17:50, inclui uma prática guiada para repousarmos no olho do furacão):</p>



<figure class="wp-block-embed is-type-video is-provider-youtube wp-block-embed-youtube wp-embed-aspect-16-9 wp-has-aspect-ratio"><div class="wp-block-embed__wrapper">
<iframe title="Tantra do Vajra Cortante #3 | Retiro com Alan Wallace | 2019" width="500" height="281" src="https://www.youtube.com/embed/kuEEQ49dc9I?start=1070&#038;feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe>
</div></figure>



<p>Lembro também dessa fala curtinha sobre qual é a maior proteção que podemos ter:</p>



<figure class="wp-block-embed is-type-video is-provider-youtube wp-block-embed-youtube wp-embed-aspect-16-9 wp-has-aspect-ratio"><div class="wp-block-embed__wrapper">
<iframe title="The greatest protection for the mind is loving-kindness | Alan Wallace" width="500" height="281" src="https://www.youtube.com/embed/Yq58LhcVPsw?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe>
</div></figure>



<h2 class="wp-block-heading">Lama Tsering</h2>



<p>Lama Tsering também está oferecendo mensagens diárias no <a href="https://www.instagram.com/odsal.ling/">Instagram do Odsal Ling</a> e ensinamentos ao vivo (<a href="https://www.youtube.com/channel/UCDaHVZE-HwDBX74BPCGdSXA">assine o canal no YouTube</a>).</p>



<figure class="wp-block-embed is-type-rich is-provider-instagram wp-block-embed-instagram"><div class="wp-block-embed__wrapper">
https://www.instagram.com/p/B99SXjkIAbO
</div></figure>



<h2 class="wp-block-heading">Chagdud Khadro</h2>



<p>Chagdud Khadro escreveu uma <a href="https://chagdud.com.br/wp-content/uploads/Carta-a%CC%80-sangha-marc%CC%A7o-2020-1.pdf">carta aos praticantes</a>.</p>



<h2 class="wp-block-heading">Jetsunma Tenzin Palmo</h2>



<p><a href="https://www.facebook.com/jetsunmatenzinpalmo/posts/1862031770588069">Em sua página no Facebook</a>, com tradução de Jeanne Pilli:</p>



<p><em>&#8220;Neste momento de pandemia, é importante manter um senso de perspectiva e agir de forma sensata. Em particular, certifique-se de estocar mercadorias essenciais &#8211; equanimidade, empatia e um bom senso de humor! Este é um momento de coragem e de bom senso. Enquanto a mídia trabalha duro para provocar mais paranóia, podemos ser gratos pelo Dharma e cultivar os antídotos contra o medo e o autocentramento que geralmente surgem em momentos como este &#8211; compaixão, prática de tonglen e consciência amorosa.<br> Podemos ser gentis &#8211; conosco mesmos e com os outros. Desacelere e aproveite esse tempo para ser. Esta oportunidade é única para refletirmos sobre o quanto o Dharma está genuinamente em nossos corações e em nossas ações! Que vocês, seus entes queridos e todos os seres permaneçam bem e felizes.&#8221;</em></p>



<h2 class="wp-block-heading">Sua Santidade o Dalai Lama</h2>



<figure class="wp-block-embed is-type-video is-provider-youtube wp-block-embed-youtube wp-embed-aspect-16-9 wp-has-aspect-ratio"><div class="wp-block-embed__wrapper">
<iframe loading="lazy" title="Sua Santità il Dalai Lama consigli per contenere il CoronavIrus" width="500" height="281" src="https://www.youtube.com/embed/ArkYJlkN1ZE?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe>
</div></figure>



<h2 class="wp-block-heading">Mingyur Rinpoche</h2>



<p>Mingyur Rinpoche estará ao vivo conosco domingo, dia 29 de março:</p>



<figure class="wp-block-embed is-type-video is-provider-youtube wp-block-embed-youtube wp-embed-aspect-16-9 wp-has-aspect-ratio"><div class="wp-block-embed__wrapper">
<iframe loading="lazy" title="Mingyur Rinpoche Live Teaching - Living With Distress" width="500" height="281" src="https://www.youtube.com/embed/ihSI179D8BQ?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe>
</div></figure>



<figure class="wp-block-embed is-type-video is-provider-youtube wp-block-embed-youtube wp-embed-aspect-16-9 wp-has-aspect-ratio"><div class="wp-block-embed__wrapper">
<iframe loading="lazy" title="Yongey Mingyur Rinpoche message on COVID-19 outbreak" width="500" height="281" src="https://www.youtube.com/embed/DgZETpd9h5s?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe>
</div><figcaption class="wp-element-caption">Ative a legenda em pt-br</figcaption></figure>



<h2 class="wp-block-heading">Chökyi Nyima Rinpoche</h2>



<p><a href="https://shedrub.org/news/revulsion-devotion/">Ensinamento profundo desse mestre extraordinário</a>, com tradução consecutiva para o inglês (há conselhos para praticantes ao fim). Rinpoche fala sobre renúncia intensa, compaixão avassaladora e devoção ardente como portas para a completa liberação de todos os seres.</p>



<h2 class="wp-block-heading">Dzongsar Khyentse Rinpoche</h2>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow">
<p>&#8220;Entregue-se ao Buda, ao Darma e à Sanga. Gere bodhicitta, deseje que todos os seres sencientes, é claro, ao final atinjam a iluminação, mas, enquanto isso, que eles sejam felizes, saudáveis, prósperos e, sobretudo, que estejam protegidos do recente vírus. Nós devemos estar preparados para todos os tipos de calamidades, para os altos e baixos do mundo. Somos praticantes do Darma, somos seguidores do Buda, não temos nada com o que nos preocupar. Temos de ser corajosos. Agora precisamos, realmente, liberar os outros seres sencientes.&#8221;</p>
<cite>—Dzongsar Khyentse Rinpoche (<a href="https://www.instagram.com/p/B9Oas_0lp5t/">no Instagram</a>)</cite></blockquote>



<p>Além da complicação causada pelo coronavírus, há uma complicação ainda maior que nós mesmos causamos ao não tomar as devidas medidas (desde o isolamento social até a redistribuição de renda para que todos possam ser igualmente cuidados). E a causa desse sofrimento é a ignorância, as visões extremas. Por isso, é tão essencial ouvir esse conselho de Dzongsar Khyentse Rinpoche:</p>



<figure class="wp-block-embed is-type-video is-provider-youtube wp-block-embed-youtube wp-embed-aspect-16-9 wp-has-aspect-ratio"><div class="wp-block-embed__wrapper">
https://www.youtube.com/watch?v=QCyiQPaMDlQ
</div></figure>



<p>Recomendo também seus <a href="http://brasil.siddharthasintent.org/ensinamentos/">ensinamentos com tradução para o português</a> e os recentes sobre <em>O caminho do bodisatva</em> e &#8220;Visão, meditação e ação&#8221;, todos disponíveis no <a href="https://www.youtube.com/channel/UCkoPR8S0zIQmbsM9kVuMx7g/videos">canal maravilhoso do Siddharta&#8217;s Intent</a>. </p>



<h2 class="wp-block-heading">Tenzin Wangyal Rinpoche</h2>



<p>A partir de seu retiro, Tenzin Wangyal Rinpoche incansavelmente oferece <a href="https://www.facebook.com/tenzinwangyalrinpoche/">ensinamentos</a> com <a href="https://www.facebook.com/ligminchabrasil">tradução simultânea</a> para o português — <a href="https://www.facebook.com/tenzinwangyalrinpoche/videos/230507594804697/">aqui um deles</a>.</p>



<h2 class="wp-block-heading">Lama Zopa Rinpoche</h2>



<figure class="wp-block-embed is-type-video is-provider-youtube wp-block-embed-youtube wp-embed-aspect-16-9 wp-has-aspect-ratio"><div class="wp-block-embed__wrapper">
<iframe loading="lazy" title="Lama Zopa Rinpoche&#039;s Advice for Coronavirus Disease (COVID-19)" width="500" height="281" src="https://www.youtube.com/embed/O7oTHLEQn6Y?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe>
</div><figcaption class="wp-element-caption">Leia a descrição desse vídeo</figcaption></figure>



<p>Nessa página especial, há ensinamentos e práticas detalhadas recomendadas por Lama Zopa Rinpoche, mestre que manifesta completamente a bodhicitta: <a href="https://fpmt.org/fpmt/announcements/resources-for-coronavirus-pandemic/advice-from-lama-zopa-rinpoche-for-coronavirus/">&#8220;Advice from Lama Zopa Rinpoche for Coronavirus&#8221;</a>.</p>



<h2 class="wp-block-heading">Dzigar Kongtrul Rinpoche</h2>



<p>Ensinamento maravilhoso: <a href="https://www.mangalashribhuti.org/dharma-blog/advice-transforming-fear-and-cultivating-kindness-face-pandemic">&#8220;Advice for Transforming Fear and Cultivating Kindness in the Face of the Pandemic&#8221;</a>.</p>



<h2 class="wp-block-heading">Elizabeth Mattis-Namgyel</h2>



<p><a href="https://www.facebook.com/ElizabethMattisNamgyel">Lama Elizabeth Mattis-Namgyel</a> vai oferecer alguns vídeos curtos, eis o primeiro: </p>



<figure class="wp-block-embed is-type-video is-provider-vimeo wp-block-embed-vimeo wp-embed-aspect-16-9 wp-has-aspect-ratio"><div class="wp-block-embed__wrapper">
<iframe loading="lazy" title="Its ok you can breathe now" src="https://player.vimeo.com/video/399179126?dnt=1&amp;app_id=122963" width="500" height="281" frameborder="0" allow="autoplay; fullscreen; picture-in-picture; clipboard-write"></iframe>
</div></figure>



<h2 class="wp-block-heading">Instrutores da Tergar</h2>



<p>Alunos mais experientes de Mingyur Rinpoche estão conduzindo conversas online sobre como praticar em nosso momento atual. Seguem as lives com Cortland Dahl, Tim Olmsted e Myoshin Kelley:</p>



<figure class="wp-block-embed is-type-video is-provider-youtube wp-block-embed-youtube wp-embed-aspect-16-9 wp-has-aspect-ratio"><div class="wp-block-embed__wrapper">
<iframe loading="lazy" title="Finding Balance in Times of Crisis - Meditation for Stress and Anxiety" width="500" height="281" src="https://www.youtube.com/embed/YA6JfhFprvc?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe>
</div></figure>



<figure class="wp-block-embed is-type-video is-provider-youtube wp-block-embed-youtube wp-embed-aspect-16-9 wp-has-aspect-ratio"><div class="wp-block-embed__wrapper">
<iframe loading="lazy" title="Tergar Community Webinar - A Steady Heart in Turbulent Times" width="500" height="281" src="https://www.youtube.com/embed/XiSP2b-KTy8?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe>
</div></figure>



<h2 class="wp-block-heading">Ven. Robina Courtin</h2>



<p>Seguindo o conselho de Sua Santidade o Dalai Lama, Venerável Robina Courtin conduz uma breve meditação de Tara Verde. Deixo, antes, também um ensinamento recente sobre a relação entre medo e apego.</p>



<figure class="wp-block-embed is-type-video is-provider-youtube wp-block-embed-youtube wp-embed-aspect-16-9 wp-has-aspect-ratio"><div class="wp-block-embed__wrapper">
<iframe loading="lazy" title="Facing our Fears: Covid-19 | Ven.Robina Courtin at Jamyang Buddhist Centre London" width="500" height="281" src="https://www.youtube.com/embed/Xk3XEtrUPbU?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe>
</div></figure>



<figure class="wp-block-embed is-type-video is-provider-youtube wp-block-embed-youtube wp-embed-aspect-16-9 wp-has-aspect-ratio"><div class="wp-block-embed__wrapper">
<iframe loading="lazy" title="A Short Tara Meditation: Covid-19 | Ven. Robina Courtin" width="500" height="281" src="https://www.youtube.com/embed/2M6uvTf-WJU?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe>
</div></figure>



<p>Termino essa página ressoando a dedicação clássica que a Ven. Robina Courtin faz ao fim da prática acima:</p>



<p><em>Djang tchub sem tchog rin po tche<br>Ma tche pa nam tche djur tchig<br>Tche par niam pa me pa iang<br>Gong ne gong du pel uar shog</em></p>



<p>Que a bodhichitta sublime e preciosa<br>surja onde quer que não tenha surgido.<br>E, sem enfraquecer onde já surgiu, <br>que ela se expanda cada vez mais.</p>



<p><em>Ge wa di yi nyur du dag<br>La ma sang gyä drub gyur nä<br>Dro wa chig kyang ma lü pa<br>De yi sa la gö par shog</em></p>



<p>Pelos méritos destas ações virtuosas,<br>Que eu rapidamente alcance o estado de um Buda<br>E guie todos os seres vivos, sem exceção,<br>À perfeita iluminação.</p>
<p>O texto <a href="https://www.gustavogitti.com/refugio-ensinamentos-budistas-para-atravessar-a-pandemia-de-covid-19/">Refúgio: ensinamentos budistas para atravessar a pandemia de Covid-19</a> foi publicado em <a href="https://www.gustavogitti.com">Gustavo Gitti</a>.</p>
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			</item>
		<item>
		<title>Apenas olhe para as pessoas</title>
		<link>https://www.gustavogitti.com/apenas-olhe-para-as-pessoas/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Gustavo Gitti]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 25 Jul 2019 14:55:21 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[darma]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Num curso sobre as quatro qualidades incomensuráveis, Tim Olmsted disse que se olharmos uma pessoa por bastante tempo, ela vai surgir como um ser amável e vamos amá-la. Basta olhar com calma, conviver um pouco, sem reagir tanto, sem julgar logo de cara, sem ficar tão ocupado e distraído consigo mesmo. Geshe Phende entrou nisso [&#8230;]</p>
<p>O texto <a href="https://www.gustavogitti.com/apenas-olhe-para-as-pessoas/">Apenas olhe para as pessoas</a> foi publicado em <a href="https://www.gustavogitti.com">Gustavo Gitti</a>.</p>
]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p>Num curso sobre as quatro qualidades incomensuráveis, Tim Olmsted disse que se olharmos uma pessoa por bastante tempo, ela vai surgir como um ser amável e vamos amá-la.</p>



<p>Basta olhar com calma, conviver um pouco, sem reagir tanto, sem julgar logo de cara, sem ficar tão ocupado e distraído consigo mesmo. Geshe Phende entrou nisso ao falar de afeição, proximidade, calor amoroso, desejo de cuidar — um dos pontos para gerar bodhicitta.</p>



<p>Por exemplo, a Isabella adora sol. Ela vai para o ambiente que mais tem sol e quase pula pela janela. Fica ali tomando sol como dá. Todo dia é assim.</p>



<p>Esse é o movimento de todos os seres: fogem de qualquer experiência que sentem como sofrimento e tentam se aconchegar em qualquer experiência que sentem como felicidade.</p>



<p>Podemos nos comover com qualquer ser. Basta olhar. Um adolescente cheio de espinhas estudando para alguma prova – aquilo não faz muito sentido, mas, enfim, é o que falaram para ele fazer. Uma senhora ajudando o marido a se levantar de um banco, e depois apoiando seu braço o caminho inteiro, enquanto no outro braço leva a sacola do mercado. O garçom se preparando para a 651º vez em que vai falar &#8220;crédito ou débito&#8221; só naquele mês. E assim por diante.</p>



<p>&#8220;Just look to people&#8221;, ouço Tim Olmsted até agora. Essa é uma prática que não tem fim. Pode ser aprofundada e refinada sem limites&#8230; É sempre nova. Sempre nos surpreende. Nunca é exatamente como parecia ser. Assim como o autocentramento é infinitamente multifacetado e camuflado, a compaixão tem infinitas portas e jeitos de abrir.</p>



<p>Das notas que fiz ao ouvir Tim Olmsted:</p>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow">
<p>&#8220;Basic goodness is leaking out of them. Stop the reaction, look again, willing, with interest. Connect with their goodness. The world touches you. It&#8217;s overwhelming. The world explodes in front of you.&#8221;</p>
<cite>Tim Olmsted</cite></blockquote>



<p>Uma outra vez em que esta prática estava brilhando mais, escrevi esse texto para a revista <em>Vida Simples</em>: <a href="https://blog.olugar.org/todo-mundo-est%C3%A1-disposto-7ec52b7c35d5">&#8220;Todo mundo está disposto&#8221;</a>.</p>



<p class="has-light-gray-background-color has-background">Ah, Tim Olmsted estará no Brasil de 29 de novembro a 1º de dezembro de 2019. Para ser avisado, assine a newsletter da <a href="https://portugues.tergar.org/">Tergar Brasil</a>.</p>
<p>O texto <a href="https://www.gustavogitti.com/apenas-olhe-para-as-pessoas/">Apenas olhe para as pessoas</a> foi publicado em <a href="https://www.gustavogitti.com">Gustavo Gitti</a>.</p>
]]></content:encoded>
					
		
		
			</item>
		<item>
		<title>Cafezinho não se paga</title>
		<link>https://www.gustavogitti.com/cafezinho-nao-se-paga/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Gustavo Gitti]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 19 Jul 2019 17:29:42 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[darma]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Quando a gente pensa em dinheiro, normalmente operamos com duas mentes similares: a capitalista básica (&#8220;Aqui está 4 reais pelo café&#8221;) e a do escambo, que parece mais humana (&#8220;Eu ofereço meu trabalho em troca do seu, pode ser?&#8221;). Nenhuma dessas atitudes opera com generosidade. A generosidade tem outra lógica: nada tem preço, nada pode [&#8230;]</p>
<p>O texto <a href="https://www.gustavogitti.com/cafezinho-nao-se-paga/">Cafezinho não se paga</a> foi publicado em <a href="https://www.gustavogitti.com">Gustavo Gitti</a>.</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p>Quando a gente pensa em dinheiro, normalmente operamos com duas mentes similares: a capitalista básica (&#8220;Aqui está 4 reais pelo café&#8221;) e a do escambo, que parece mais humana (&#8220;Eu ofereço meu trabalho em troca do seu, pode ser?&#8221;).</p>



<span id="more-2168"></span>



<p>Nenhuma dessas atitudes opera com generosidade. A generosidade tem outra lógica: nada tem preço, nada pode ser comprado ou trocado. Tudo é sempre dado. Não há negociação possível. Isso não é algo que forçamos ou teorizamos: as coisas já são assim, basta observar sua experiência mais imediata de receber algo. Mesmo quando pagamos ou trocamos, aquilo está sendo dado — a diferença é se reconhecemos ou não a generosidade básica em qualquer relação.</p>



<p>Quando você paga 4 reais por um café, o café não custa 4 reais! Ele é <strong>bondade infinita</strong>. A pessoa fez 10 anos de curso para virar barista, se juntou a mais 10 pessoas, alugou um espaço, colocou móveis, limpou a mesa, acordou e veio te servir. Foram anos de esforço para você sentar agora e tomar um café. Não tem preço. Realmente não tem como comprar, pagar, retribuir, negociar, trocar por outra coisa. É uma bondade oferecida! É generosidade de uma ponta a outra, não tem como escapar da generosidade, assim como não conseguimos escapar do espaço.</p>



<p>Tente parar uma pessoa na rua e pedir para que ela te sirva um café. Só uma pessoa extremamente bondosa pararia a sua vida, faria 10 anos de curso, montaria um café e enfim te serviria graciosamente. É isso o que está acontecendo quando alguém te serve um café: não é obrigação, não é um negócio… Isso é só a camada mais grosseira. Aquilo é pura bondade. É uma riqueza que nunca consegue ser paga.</p>



<p>Por que então damos cinco reais? Para manter viva tamanha bondade. Não é troca. Não é negociação. Não é um pagamento por aquilo. Aquilo nos foi oferecido. Não tem como retribuir. Então só nos resta desfrutar e oferecer do zero, não &#8220;em troca&#8221;.</p>



<p>É mais ou menos essa a atitude que surge quando reconhecemos o que de fato está acontecendo ali:</p>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow">
<p>&#8220;Que maravilha vocês dando café, meu deus! Toma, aceitem essa mínima contribuição para que vocês possam continuar oferecendo esse café todo dia para muitas e muitas pessoas.&#8221;</p>
</blockquote>



<p>Um praticante experiente pode se pegar tendo a ideia de dar 100 reais por um café. A pessoa do caixa talvez fique perplexa. Ou talvez ele pode se pegar pedindo por um café, sem pagar nada. Isso vem de reconhecer, convidar, trabalhar diretamente com a generosidade sempre disponível em si mesmo e nos outros.</p>



<p>E veja que coisa mais interessante: se a pessoa um dia der 100 reais depois de tomar um café, que dona de cafeteria negaria outros cafés quando ela pedir? O &#8220;crédito&#8221; que ela ganha não é financeiro. É sutil. Não precisa nem anotar. Fica guardado na mente e na realidade. Ela passa a ser vista para além de consumidora. É isso que acontece quando furamos e desrespeitamos a aparente solidez do capitalismo usual. Na verdade, o verdadeiro crédito é esse, não o que aparece na fatura — esse é super volátil, muda de acordo com o dólar. O crédito verdadeiramente estável e confiável está na mente da generosidade.</p>



<p>O problema da mente da &#8220;compra&#8221; (e também da mente da &#8220;troca&#8221;) não é que ela introduz outra lógica, mas que ela oculta a verdadeira operação. A gente não vê mais a generosidade. Daí a gente se confunde e surgem mil complicações do tipo &#8220;Vocês dão desconto?&#8221; ou &#8220;Posso oferecer meu trabalho em troca?&#8221;. Não, aquilo está sendo dado! Então você pode falar: &#8220;Eu quero muito! Mas só tenho X a oferecer. É possível?&#8221; Se aquilo for possível, será possível, pois tem generosidade suficiente dos outros que estão contribuindo para que você possa contribuir com menos. Se aquilo não for possível, não teve generosidade suficiente, ou seja, aquilo sequer aconteceria se todos não oferecessem o suficiente. É como você tentar oferecer só 50 centavos por um café. Até é possível uma vez, mas se todos fizerem isso, a cafeteria fecha. Então não é que o café custe 5 reais; tal valor é só uma contribuição sugerida para quem deseja ver aquilo seguindo.</p>



<p>Desse modo, todo valor é só um convite para a nossa generosidade. Não é o preço daquilo!</p>



<p>Quando encontrarmos um &#8220;R$ 5&#8221;, podemos olhar assim: alguém olhou a sustentação disso com calma e está me ajudando a oferecer algo que realmente ajude nessa sustentação. Se alguém cobra R$ 200 por um prato ou R$ 4000 por um curso online, podemos também pensar se vale apoiar que isso siga acontecendo, se aquilo gera concentração de renda ou não etc. Mas em ambos os casos (quando há foco hipercapitalista e quando não há), R$ 5 não é o preço, mas um convite para a nossa generosidade, que pode se manifestar até mesmo ao não pagar, não bancar aquele movimento, oferecendo um choque de realidade: &#8220;Isso não é benéfico, não vou apoiar&#8221;. Nesse caso, oferecemos — uma espécie de feedback da realidade — até mesmo quando não pagamos ou boicotamos. É incrível.</p>



<p>Também quando pedimos, o que parece carência na verdade é generosidade: estamos oferecendo a chance do outro dar.</p>



<p>A generosidade prevalece. Não há carência enfim na base da mente.</p>



<p>Então, se você quiser oferecer o seu trabalho, ofereça, de graça. Não tem como você cobrar pelo seu trabalho. E não precisa trocar seu trabalho por nada. Você pode oferecer trabalho e dinheiro também, são coisas diferentes. Não existe isso de &#8220;Se eu ajudar nesse retiro, eu consigo um desconto?&#8221;.</p>



<p>Se você oferecer, pode ser até que o outro queira oferecer dinheiro ou trabalho para você. E talvez você ofereça tanto que até pareça &#8220;cobrar&#8221;, ou seja, oferecer não só o seu trabalho, mas a possibilidade do outro apoiar o seu trabalho. É uma dupla alegria que o outro terá: não só a que vem pelo seu trabalho, mas a de se alegrar em apoiá-lo. Quanto mais benefícios você gera, mais os outros querem apoiar seu trabalho. Quanto maior a sua generosidade, maior o convite para a generosidade do outro surgir. </p>



<p>É generosidade em todo canto. A lógica financeira vem só no verniz, na hora de calcular 2 + 2. Não tem lógica financeira na base da realidade. Não tem soma, subtração, divisão, multiplicação, porcentagem, lucro, dívida, débito, crédito na base da mente e da realidade. Tem só generosidade incessante. A realidade é uma mão aberta, incapaz de tomar algo para si, assim como o espaço. É uma questão de reconhecermos e agirmos com esse reconhecimento, mesmo quando parece que estamos trocando, negociando, cobrando ou pagando por um café.</p>



<p><em>*Dedico esse texto às queridas Isabela Raposeiras (Coffee Lab), Flavia Pogliani (The Little Coffee Shop) e Veronica Bilyk (Polska Café &amp; Pierogi), que tantas vezes me receberam, me serviram e me ensinaram apenas por serem exemplos vivos de bondade. Escrevi com elas em mente.</em></p>



<h2 class="wp-block-heading">Três adendos</h2>



<p><strong>1) </strong>Olhar tudo como generosidade não é &#8220;abundância&#8221;, palavrinha comum na cultura da autoajuda, do sucesso pessoal e da espiritualidade nova era. Dois livros para ir além dessa visão simplista: <em>Escassez: uma nova forma de pensar a falta de recursos</em>, de Eldar Shafir e Sendhil Mullainathan (que Eduardo Amuri estudou na comunidade online olugar.org) e <em>A Dádiva: como o espírito criador transforma o mundo</em>, de Lewis Hyde. </p>



<p><strong>2) </strong>Quando você se dispõe a olhar tudo como generosidade, talvez surja uma objeção válida: &#8220;Ah, mas não é verdade que o café está sendo oferecido pra valer. A maioria dos lugares está fechada para quem não tem dinheiro. Não é público. Não está sendo oferecido. Estamos vivendo uma desigualdade social absurda!&#8221; Sim, exatamente. Tal realidade é facilmente naturalizada e normalizada quando obscurecemos a generosidade pela lógica meritocrática e individualista dos negócios: &#8220;Sim, a pessoa precisa pagar, o dono do restaurante tem todo o direito de cobrar quanto quiser, está tudo certo&#8221;. </p>



<p>Agora, quando começamos a olhar a bondade, fica ainda mais evidente a desigualdade social: por que esse café não está sendo oferecido a todos? Por que só alguns poucos frequentam esse espaço? Por que a generosidade está tão limitada? Não é mais uma questão de dar oportunidades para que as pessoas possam ganhar dinheiro e acesso. É uma questão de criar outro sistema nascido diretamente do reconhecimento da generosidade: mais lugares públicos, mais cultura e educação para todos, mais impostos para quem deseja fazer um lugar &#8220;exclusivo&#8221; para poucos, redução da cultura VIP etc. </p>



<p>Olhar tudo como generosidade não é aceitar a desigualdade, mas reconhecer que ela é muito maior do que parece. É um olhar que imediatamente deseja a transformação da realidade, não é um olhar que vê a &#8220;abundância&#8221; e pronto — atitude muito comum no grupo social que podemos chamar de &#8220;elite&#8221;.</p>



<p><strong>3) </strong>Quando publiquei esse texto curtinho nas redes sociais, algumas pessoas falaram que ajudou a esclarecer um dilema comum, especialmente para autônomos: &#8220;Não quero trabalhar por dinheiro, mas como seguir trabalhando sem cobrar?&#8221;. A generosidade é a saída: se você realmente não trabalha por dinheiro, se não tem a ver com dinheiro, se está só oferecendo, qual o problema em receber dinheiro? Você oferece o trabalho. E a pessoa oferece dinheiro. São coisas diferentes. Não é um pagamento pelo seu trabalho. Na verdade, você está oferecendo também a possibilidade de ela se alegrar em apoiar o seu trabalho. E isso não é apenas um jogo de linguagem. </p>



<p>Agindo assim, você naturalmente vai convidar os mais ricos ao seu redor a serem generosos, e isso vai possibilitar não excluir de seu trabalho pessoas que não tem tantas condições. Você vai virando um motor de redução da desigualdade. Manter a atitude constante de oferecer naturalmente distribui a riqueza, não precisamos nem nos preocupar com isso. Não é uma atitude adicional, está inclusa no pacote: generosidade é equanimidade.</p>



<p>No caso de pessoas que recebem salário, também é melhor não trabalhar em troca de dinheiro. Você oferece e pronto. Mas isso não significa aceitar salários baixos. Pelo contrário: se a empresa não banca sua dignidade, ela está atrapalhando seu trabalho. Vale se juntar com outros e fazer uma greve, por exemplo. E se você começar a ganhar um salário gigantesco, é melhor seguir oferecendo livre do salário, o que vai impedir que a empresa se sinta no direito de sugar todo o seu tempo e sua vida. Não trabalhar por dinheiro, sempre oferecer, faz com que ninguém consiga nos comprar e nos manipular com dinheiro.</p>
<p>O texto <a href="https://www.gustavogitti.com/cafezinho-nao-se-paga/">Cafezinho não se paga</a> foi publicado em <a href="https://www.gustavogitti.com">Gustavo Gitti</a>.</p>
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			</item>
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		<title>Quase</title>
		<link>https://www.gustavogitti.com/quase/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Gustavo Gitti]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 23 Jun 2019 17:55:07 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[ritmo]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Trocamos a experiência do desconforto por uma sensação de &#8220;quase lá&#8221;: quase feliz, quase no ritmo&#8230; Recentemente rodou pela internet um vídeo do comediante Louis C. K.* sobre o uso de smartphones em nossa cultura da distração, sobre como estamos perdendo a capacidade de ficar parados, sozinhos, sem fugir do que quer que esteja surgindo [&#8230;]</p>
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<h3 style="line-height:1.4;font-family:Heebo;font-weight:400;letter-spacing:-0.1px;font-size:24px;color:#8c8c8c" class="has-custom-size has-custom-font has-custom-weight has-custom-lineheight has-custom-letterspacing mt-0 pt-0 wp-block-heading">Trocamos a experiência do desconforto por uma sensação de &#8220;quase lá&#8221;: quase feliz, quase no ritmo&#8230;</h3>



<p class="has-drop-cap">Recentemente rodou pela internet um vídeo do comediante Louis C. K.* sobre o uso de smartphones em nossa cultura da distração, sobre como estamos perdendo a capacidade de ficar parados, sozinhos, sem fugir do que quer que esteja surgindo em nosso mundo interno. Seu desfecho:</p>



<span id="more-1472"></span>



<blockquote class="wp-block-quote is-style-large is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow"><p>&#8220;Porque não queremos aquela primeira pontinha de tristeza, nós a afastamos com o celular, a masturbação ou comida. Você nunca se sente completamente feliz, só se sente mais ou menos satisfeito com seu brinquedo.&#8221;</p></blockquote>



<p>Nossa abertura ao sofrimento é proporcional à abertura para a felicidade. Então por que é tão difícil encarar a solidão, a inadequação, a dor, o tédio, a morte, a realidade? Por que escolhemos, de novo e de novo, um dia cheio de entretenimentos e saídas de si? </p>



<p>Uma pista vem da relação com o ritmo: durante um intensivo de TaKeTiNa, muitas pessoas preferem passar dias inteiros quase no ritmo, tentando acertar, sem alegria, sofrendo, como se estivessem obrigando a si mesmas — tudo porque não suportam nem por alguns segundos a sensação de errar, de não pertencer, de não entender, de não conseguir controlar. E não suportam pois não conseguem imaginar (e quase nunca pagam para ver) o que aconteceria se saíssem de vez do ritmo e ficassem um pouco mais com a frustração, curiosos, sem muitos ajustes, estratégias manjadas, lutas, tentativas, “quases”.</p>



<p>Ironia cósmica: o único jeito de entrar no ritmo é sair por completo, relaxar e não ter tanta urgência de sincronizar, se aproximando cada vez mais do ponto de errar, que é o mesmo ponto de entrega onde caímos 100% no ritmo, onde a vida acontece. Sair por completo dissolve exatamente a mesma rigidez que nos impede de entrar por completo.</p>



<p>O músico Reinhard Flatischler aprendeu com mestres da percussão: “quase” é a posição mais distante de tudo. Porque nunca chegamos, fazemos pequenas negociações com a vida e com as pessoas em troca de êxtases provisórios, simulacros de felicidade (novo trabalho, namoro, apartamento): “Agora sim!”</p>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow"><p>&#8220;Almost there&#8221; is the worst place to be.</p><cite>Reinhard Flatischler</cite></blockquote>



<p>Se eu te disser que quase comi ou quase me apaixonei ou quase vi o filme, isso é o mesmo de dizer que não comi, não me apaixonei, não vi o filme!</p>



<p>Orientados para o acerto e para o sucesso, estamos sempre quase lá, perambulando em um grande limbo de torpor, muito longe dos lugares de alegria e presença.</p>



<div class="wp-block-media-text alignfull is-stacked-on-mobile"><figure class="wp-block-media-text__media"><img loading="lazy" decoding="async" width="600" height="437" src="http://www.gustavogitti.com/wp-content/uploads/2012/08/reinhard2-600x437.jpg" alt="" class="wp-image-706" srcset="https://www.gustavogitti.com/wp-content/uploads/2012/08/reinhard2-600x437.jpg 600w, https://www.gustavogitti.com/wp-content/uploads/2012/08/reinhard2-300x218.jpg 300w, https://www.gustavogitti.com/wp-content/uploads/2012/08/reinhard2.jpg 1500w" sizes="auto, (max-width: 600px) 100vw, 600px" /></figure><div class="wp-block-media-text__content">
<h1 class="wp-block-heading">TaKeTiNa: transformação pelo ritmo</h1>



<p>Se quiser experimentar como se dá o processo descrito acima, vou oferecer um workshop de TaKeTiNa em São Paulo. <a rel="noreferrer noopener" href="http://taketina.com.br/workshop-taketina-gustavo-gitti-sp-2019/" target="_blank">Ainda há 7 vagas →</a></p>
</div></div>



<p><em>Texto originalmente publicado na revista Vida Simples em novembro de 2013.</em></p>



<p>*<em>Quatro anos depois da publicação desse texto, a sociedade descobriu que <a href="https://www.nytimes.com/2017/11/09/arts/television/louis-ck-sexual-misconduct.html">Louis CK abusou de cinco mulheres</a>, o que torna sua afirmação não uma sabedoria para admirar, mas uma expressão ainda maior do problema que tenta descrever.</em></p>
<p>O texto <a href="https://www.gustavogitti.com/quase/">Quase</a> foi publicado em <a href="https://www.gustavogitti.com">Gustavo Gitti</a>.</p>
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		<item>
		<title>Rio não se faz</title>
		<link>https://www.gustavogitti.com/rio-nao-se-faz/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Gustavo Gitti]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 23 Jun 2019 17:53:32 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[ritmo]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Os processos mais poderosos da vida não são produzidos pelo esforço de uma&#160;pessoa Pode observar: as experiências mais deliciosas surgem de processos inescrutáveis. Prazer sexual, sentido no trabalho, gravidez, paixão, alegria, quietude contemplativa… Somos arrebatados por uma corrente que vem sei lá de onde, não conseguimos criar nada disso sozinhos. No entanto, passamos a maioria [&#8230;]</p>
<p>O texto <a href="https://www.gustavogitti.com/rio-nao-se-faz/">Rio não se faz</a> foi publicado em <a href="https://www.gustavogitti.com">Gustavo Gitti</a>.</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p style="color:#8c8c8c;line-height:1.4;font-family:Heebo;font-weight:400;letter-spacing:-0.1px" class="has-text-color has-large-font-size has-custom-font has-custom-weight has-custom-lineheight has-custom-letterspacing mt-0 pt-0">Os processos mais poderosos da vida não são produzidos pelo esforço de uma&nbsp;pessoa</p>



<p class="has-drop-cap">Pode observar: as experiências mais deliciosas surgem de processos inescrutáveis. Prazer sexual, sentido no trabalho, gravidez, paixão, alegria, quietude contemplativa… Somos arrebatados por uma corrente que vem sei lá de onde, não conseguimos criar nada disso sozinhos.</p>



<span id="more-2014"></span>



<p>No entanto, passamos a maioria do tempo nos esforçando para correr ao lado do rio da vida, segurando complexas análises de suas águas. Ora, qual o melhor modo de igualar nossa velocidade à de um rio? Pular.</p>



<p>Para desembaraçar um fio, você pode puxá-lo e remover nó a nó. Ou pode afrouxar, balançar, deixá-lo cair e se surpreender quando ele não estiver emaranhado de fato. Nossos ancestrais taoístas já ensinavam a não-ação (wu wei): faça menos para que as coisas possam se fazer.</p>



<p>Se isso parece abstrato, observemos quem estuda e tenta aplicar técnicas de sedução. Mal sabe ele que tudo isso apenas obstrui os verdadeiros processos impessoais e milenares de magnetismo. Quanto mais tentamos criar momentos e emoções, mais fechamos os espaços que a vida adora inundar.</p>



<p>Quando começamos a meditar, simulamos que estamos meditando em vez de se entregar às instruções inicialmente misteriosas. Assim como no sexo é muito comum fingir que estamos transando em vez de transar pra valer. Queremos dar prazer um ao outro ou ser carregados por algo que nos transcende? É como se agíssemos conforme o que pensamos ser aquela experiência em vez de descobrir ali na hora. Há uma espécie de autismo: eu converso fingindo que estou falando e ouvindo porque pode ser aterrorizante simplesmente me entregar ao encontro, ao silêncio, ao não saber como agir. Esse medo gera uma encenação que impede o movimento real. Eu começo a beijar mais tentando fazer o beijo e menos deixando o beijo se fazer.</p>



<p>É como se a gente nunca conseguisse construir o que a gente quer ver acontecendo. Forçar ou esperar que a magia opere, que algo mais poderoso do que nós faça seu trabalho? Tal confiança não é fácil porque às vezes nada flui. E então desenvolvemos estratégicas de simulação: me excito antes do tesão surgir, me declaro antes da paixão se instalar, danço antes de ouvir a música. Ansiedade é isso: tentar pisar antes do chão chegar ao pé.</p>



<p>Melhor do que fazer nossa própria ondinha numa piscina de plástico, nossa revoluçãozinha pessoal, talvez seja esperar por grandes ondas. Dar um passo e deixar o céu se mover. Manter diálogo constante com o que nos rodeia.</p>



<p>Não precisamos sequer fabricar o relaxamento no prazer, no ritmo, na felicidade; ele é simplesmente o que sobra quando soltamos o controle.</p>



<p><em>Texto originalmente publicado na coluna “Quarta pessoa” da revista Vida Simples, em maio de 2012 (edição 118). </em></p>



<h2 class="wp-block-heading">Quer colocar isso em prática?</h2>



<figure class="wp-block-image alignwide"><img loading="lazy" decoding="async" width="1500" height="1093" src="http://www.gustavogitti.com/wp-content/uploads/2012/08/reinhard2.jpg" alt="" class="wp-image-706" srcset="https://www.gustavogitti.com/wp-content/uploads/2012/08/reinhard2.jpg 1500w, https://www.gustavogitti.com/wp-content/uploads/2012/08/reinhard2-300x218.jpg 300w, https://www.gustavogitti.com/wp-content/uploads/2012/08/reinhard2-600x437.jpg 600w" sizes="auto, (max-width: 1500px) 100vw, 1500px" /></figure>



<p>Se quiser experimentar esse processo por meio do ritmo, vou oferecer um <a href="http://taketina.com.br/workshop-taketina-gustavo-gitti-sp-2019/">workshop intensivo de TaKeTiNa (ainda há 7 vagas) →</a></p>
<p>O texto <a href="https://www.gustavogitti.com/rio-nao-se-faz/">Rio não se faz</a> foi publicado em <a href="https://www.gustavogitti.com">Gustavo Gitti</a>.</p>
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		<title>Por que nosso mundo tem céu?</title>
		<link>https://www.gustavogitti.com/ceu/</link>
					<comments>https://www.gustavogitti.com/ceu/#comments</comments>
		
		<dc:creator><![CDATA[Gustavo Gitti]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 23 Jun 2019 17:50:58 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[darma]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Colocamos no fundo da tela do computador, tiramos fotos pela janela do avião, subimos a montanha para encontrá-lo, estudamos suas diferentes aparências e elementos&#8230; Somos atraídos, fascinados por essa aparência misteriosa que chamamos de céu. Nosso mundo tem céu porque nossa mente tem céu. Se nossa mente não fosse assim, veríamos apenas lugares fechados, sem [&#8230;]</p>
<p>O texto <a href="https://www.gustavogitti.com/ceu/">Por que nosso mundo tem céu?</a> foi publicado em <a href="https://www.gustavogitti.com">Gustavo Gitti</a>.</p>
]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p>Colocamos no fundo da tela do computador, tiramos fotos pela janela do avião, subimos a montanha para encontrá-lo, estudamos suas diferentes aparências e elementos&#8230; Somos atraídos, fascinados por essa aparência misteriosa que chamamos de céu.</p>



<span id="more-947"></span>



<p>Nosso mundo tem céu porque nossa mente tem céu. Se nossa mente não fosse assim, veríamos apenas lugares fechados, sem nada acima, sem saída, sem amplidão alguma. O fato de surgir um céu em nossa experiência de realidade não é apenas um fenômeno físico.</p>



<p>O céu é um constante lembrete de algumas qualidades da vida, da realidade e de nossa mente:</p>



<ul class="wp-block-list"><li>generosidade e equanimidade (o céu se oferece a todos sem distinção),</li><li>abertura e espacialidade,</li><li>acolhimento (o céu recebe qualquer coisa),</li><li>amplidão e vastidão sem fim,</li><li>indestrutibilidade (nada que é colocado mata o espaço onde se coloca),</li><li>luminosidade,</li><li>paciência, paz, imperturbabilidade (o céu não se desespera nas tragédias, não gargalha nas vitórias)</li><li>liberdade,</li><li>eternidade (no sentido espinosano de além do tempo, não de tempo infinito ou imortalidade),</li><li>continuidade (o céu é permanente, constante, sempre segue),</li><li>transcendência (o céu sempre está acima de tudo),</li><li>não-dualidade e coemergência (o que chamamos de céu não é um coisa lá fora, auto-existente, mas surge inseparável de nossa mente),</li><li>mágica e ilusão (o céu não está em lugar algum e por isso consegue estar em todos os lugares),</li><li>beleza,</li><li>nitidez (o céu é em alta resolução),</li><li>profundidade (como a de um oceano, outra aparência que nos atrai)&#8230;</li></ul>



<p>Para mim, a coisa é ainda mais assustadora: não seríamos capazes de reconhecer e nos fascinar com as qualidades do céu, se nós mesmos não tivéssemos isso, se nós mesmos não fôssemos isso. A aparência do céu não é lembrete algum. O céu é exatamente o que somos.</p>



<p>Como que num sonho — em que cada uma de nossas realidades se manifesta em elementos, objetos, seres e situações — vivemos com a constante presença do céu. Nosso corpo já mudou, nossa casa, nossas relações, trabalhos, objetos, tudo já mudou sob o mesmo céu. Ora, se é pra se identificar com algo, ignore a imagem que aparece no espelho e comece a se identificar um pouco mais com o céu.</p>



<p>Isso aí em cima sou eu. Isso é você.</p>



<p>(E, por favor, por favor não encare isso como um texto metafórico.)</p>



<figure class="wp-block-image alignfull"><img loading="lazy" decoding="async" width="600" height="323" src="http://www.gustavogitti.com/wp-content/uploads/2017/12/waking-life-600x323.png" alt="" class="wp-image-949" srcset="https://www.gustavogitti.com/wp-content/uploads/2017/12/waking-life-600x323.png 600w, https://www.gustavogitti.com/wp-content/uploads/2017/12/waking-life-300x162.png 300w, https://www.gustavogitti.com/wp-content/uploads/2017/12/waking-life-768x414.png 768w, https://www.gustavogitti.com/wp-content/uploads/2017/12/waking-life-434x234.png 434w, https://www.gustavogitti.com/wp-content/uploads/2017/12/waking-life-868x468.png 868w, https://www.gustavogitti.com/wp-content/uploads/2017/12/waking-life.png 1366w" sizes="auto, (max-width: 600px) 100vw, 600px" /><figcaption>Cena de &#8220;Waking Life&#8221; (Richard Linklater, 2001)</figcaption></figure>
<p>O texto <a href="https://www.gustavogitti.com/ceu/">Por que nosso mundo tem céu?</a> foi publicado em <a href="https://www.gustavogitti.com">Gustavo Gitti</a>.</p>
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		<title>Quites para sempre</title>
		<link>https://www.gustavogitti.com/quites-para-sempre/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Gustavo Gitti]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 23 Jun 2019 17:50:04 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[relacionamentos]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Em vez de ceder, podemos fazer por alegria; em vez de exigir, podemos liberar o outro de qualquer&#160;dívida Recentemente ofereci o curso “Resposta padrão para qualquer problema de relacionamento” em São Paulo, durante cinco encontros semanais. Longe de comportamentos ideais e psicologização das histórias, trabalhamos internamente com práticas de equilíbrio, sabedoria e compaixão. No entanto, [&#8230;]</p>
<p>O texto <a href="https://www.gustavogitti.com/quites-para-sempre/">Quites para sempre</a> foi publicado em <a href="https://www.gustavogitti.com">Gustavo Gitti</a>.</p>
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<p style="color:#8c8c8c;font-size:24px;line-height:1.4;font-family:Heebo;letter-spacing:-0.1px" class="has-text-color has-custom-size has-custom-font has-custom-lineheight has-custom-letterspacing mt-0 pt-0">Em vez de ceder, podemos fazer por alegria; em vez de exigir, podemos liberar o outro de qualquer&nbsp;dívida</p>



<p class="has-drop-cap">Recentemente ofereci o curso “Resposta padrão para qualquer problema de relacionamento” em São Paulo, durante cinco encontros semanais. Longe de comportamentos ideais e psicologização das histórias, trabalhamos internamente com práticas de equilíbrio, sabedoria e compaixão. No entanto, somos apressados, queremos saber logo o que fazer. Aproveito então para descrever duas atitudes desnecessárias com o desejo de que possamos abandoná-las o quanto antes.</p>



<span id="more-1807"></span>



<p>É muito comum ouvir que em uma relação precisamos abdicar de certas coisas, ceder. Sim, flexibilidade é essencial, mas ela não precisa vir com passividade, como se fizéssemos aquilo “pelo outro”, como se não estivéssemos nós mesmos escolhendo aquele caminho. Sempre que faço algo por obrigação, sofro e me torno um cobrador. Porém, assim que me aproprio e danço, brota alegria, junto com a clareza de como aproveitar aquele momento. Observe como você visita seus sogros, como participa da reunião na empresa — você se sente arrastado para alguma situação como se não tivesse escolha?</p>



<p>Ceder (no sentido de ignorar nossa liberdade) é quase sinônimo de exigir (ignorar a liberdade do outro): a pessoa que mais faz por obrigação é exatamente a pessoa que mais obriga o outro. Exigir é talvez a ação que mais destrói uma relação. Exigir é um tipo de violência. Exigimos com o olhar, exigimos com atitudes indiretas, exigimos incessantemente até ao pensar nos outros.</p>



<blockquote class="wp-block-coblocks-click-to-tweet"><p class="wp-block-coblocks-click-to-tweet__text">Exigir é um tipo de violência.</p><a class="wp-block-coblocks-click-to-tweet__twitter-btn" href="http://twitter.com/share?&amp;text=Exigir%20%C3%A9%20um%20tipo%20de%20viol%C3%AAncia.&amp;url=http://www.gustavogitti.com/quites-para-sempre/&amp;via=gustavogitti" target="_blank" rel="noopener noreferrer">Tweet</a></blockquote>



<p>Quem somos nós para interromper uma pessoa no meio da rua e forçá-la em alguma direção? E o que muda quando essa pessoa vive conosco há 10 anos? Claro, esperar algo dos outros é OK, não há problema algum em manter expectativas… desde que você saiba que vai sofrer. É matemático.</p>



<p>Guardem isso no coração: o outro é livre, o outro é criativo. Antes de ligar para a esposa (marido, filha, funcionário, amiga…), lembre-se que naquele exato momento a pessoa está seguindo com sua vida; antes do “oi”, depois do “tchau” e até durante a conversa, ela não é sua esposa. Melhor liberar o outro, dispensá-lo do trabalho de nos fazer feliz. E assim nos desobrigar de fazê-lo feliz, intensificando a alegria em ajudá-lo em seu florescimento, sem a sensação de cobrar ou pagar dívidas.</p>



<figure class="wp-block-embed-youtube alignright wp-block-embed is-type-video is-provider-youtube wp-embed-aspect-4-3 wp-has-aspect-ratio"><div class="wp-block-embed__wrapper">
<iframe loading="lazy" title="Seinfeld - Even Steven" width="500" height="375" src="https://www.youtube.com/embed/prvm5ZFPIrE?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe>
</div><figcaption>Não é bem assim, mas lembrei desse episódio ao escrever o texto</figcaption></figure>



<p>Oferecer é o ato mais revolucionário, capaz de por fim ao pacto de carência sob o qual construímos a maioria das relações. Quando o outro nos beneficia, sua mente livre está feliz apenas em oferecer (ainda que sua mente aflita espere alguma retribuição). E quando beneficiamos o outro, melhor oferecer por nós mesmos, unilateralmente, sem checagens, como expressão natural de nossa presença no mundo, não como algo que estamos fazendo pelo outro.</p>



<p>Estamos quites. Desde sempre e para sempre. Alegria!</p>



<p><em>Publicado originalmente na coluna “Quarta pessoa” da revista Vida Simples (ed. 154, fevereiro 2015).</em></p>
<p>O texto <a href="https://www.gustavogitti.com/quites-para-sempre/">Quites para sempre</a> foi publicado em <a href="https://www.gustavogitti.com">Gustavo Gitti</a>.</p>
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		<title>O dia seguinte</title>
		<link>https://www.gustavogitti.com/o-dia-seguinte/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Gustavo Gitti]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 23 Jun 2019 17:45:48 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[darma]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Acho que um dos principais pontos da conversa com a Jout Jout (pelo que vi nos comentários) foi o trecho sobre a &#8220;pesquisa do dia seguinte&#8221; e também sobre o fato de que a vida gira, então é melhor não se matar pode surgir um email mudando tudo no dia seguinte. É só dar play [&#8230;]</p>
<p>O texto <a href="https://www.gustavogitti.com/o-dia-seguinte/">O dia seguinte</a> foi publicado em <a href="https://www.gustavogitti.com">Gustavo Gitti</a>.</p>
]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p>Acho que um dos principais pontos da conversa com a Jout Jout (pelo que vi nos comentários) foi o trecho sobre a &#8220;pesquisa do dia seguinte&#8221; e também sobre o fato de que a vida gira, então é melhor não se matar pode surgir um email mudando tudo no dia seguinte. É só dar play que começa bem nesse trecho, sobre a importância de vermos uma saída:</p>



<figure class="wp-block-embed is-type-video is-provider-youtube wp-block-embed-youtube wp-embed-aspect-16-9 wp-has-aspect-ratio"><div class="wp-block-embed__wrapper">
<iframe loading="lazy" title="ESTE VÍDEO TEM 45 MINUTOS" width="500" height="281" src="https://www.youtube.com/embed/-CLzObhmsNo?start=744&#038;feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe>
</div></figure>



<p>Na verdade, isso de &#8220;pesquisa do dia seguinte&#8221; é uma ideia que ouvi do Lama Padma Samten, ao comentar tragédias como a do tsunami de 2004 na Indonésia (estou tentando achar a fala no YouTube). É um exemplo para evidenciar a presença da natureza de buda, algo incessante e indestrutível que sempre segue.</p>



<p>Por causa desse trecho, me mandaram vários casos de &#8220;email do dia seguinte&#8221;. Um deles contado pela Barbara Coelho <a href="https://www.youtube.com/watch?v=-CLzObhmsNo" target="_blank" rel="noopener noreferrer">lá nos comentários do vídeo</a>:</p>



<blockquote class="wp-block-quote is-style-default is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow">
<p class="has-cormorant-garamond-font-family has-x-large-font-size">&#8220;Me lembrou um caso de um menino que o sonho era passar em medicina. Ele estava fazendo cursinho e, se caso não passasse, teria que voltar pra cidade dele ficar com a família, pois eles não tinham condições financeiras. Sisu saiu e ele não entrou. Acabou se suicidando. No dia seguinte saiu a chamada da lista de espera. Ele tinha conseguido.&#8221;</p>
</blockquote>



<p>Nem sempre é assim. Me indicaram também <a href="https://www.facebook.com/BuzzFeedBrasil/videos/2051148558433371/" target="_blank" rel="noopener noreferrer">essa fala do Kevin</a>, que tentou se matar pulando da Golder Bridge, e sobreviveu. Aproveito também para indicar <a href="https://papodehomem.com.br/suicidio-sem-justificativa/" target="_blank" rel="noopener noreferrer">esse texto do Eduardo Pinheiro</a>, que menciono quase sempre que surge uma conversa sobre suicídio.</p>



<h2 class="wp-block-heading">Mas e quando não vem email no dia seguinte?</h2>



<p>Surgiram também falas do tipo &#8220;Mas e quando não vem email algum no dia seguinte? Estou vivendo estagnada há anos&#8230;&#8221; Por isso essa coisa de &#8220;pesquisa do dia seguinte&#8221; é tão importante: mesmo sem email positivo, mesmo sem mudança, como é que conseguimos seguir respirando e vivendo mesmo em um vida estagnada? Tem algo milagroso presente que não estamos percebendo.</p>



<p>Claro, isso não exclui a melhora das condições: que todo mundo possa ter alguma boa notícia chegando! Que a desigualdade social se reduza e que possamos trabalhar nessa direção desde já, em cada micro ação. Ainda assim, o ponto principal é perceber que há algo em nós capaz de seguir mesmo sem boas notícias. Quando isso é reconhecido, é o começo do reconhecimento da natureza de buda.</p>



<p>Para reduzir a ideação suicida, no âmbito relativo, vale espalhar essa mente em nossa cultura: a vida gira, emails chegam no dia seguinte, há saídas possíveis. Mas, num âmbito mais profundo, a mente a ser espalhada é a do reconhecimento de nossa natureza de buda, aquilo que faz as saídas serem possíveis — algo livre, incessante, &#8220;não submergível&#8221; (como diz Lama Padma Samten), lúcido, compassivo, amoroso, alegre, imparcial, capaz de trabalhar com as piores situações e capaz de seguir até o dia seguinte.</p>
<p>O texto <a href="https://www.gustavogitti.com/o-dia-seguinte/">O dia seguinte</a> foi publicado em <a href="https://www.gustavogitti.com">Gustavo Gitti</a>.</p>
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