<?xml version='1.0' encoding='UTF-8'?><rss xmlns:atom="http://www.w3.org/2005/Atom" xmlns:openSearch="http://a9.com/-/spec/opensearchrss/1.0/" xmlns:blogger="http://schemas.google.com/blogger/2008" xmlns:georss="http://www.georss.org/georss" xmlns:gd="http://schemas.google.com/g/2005" xmlns:thr="http://purl.org/syndication/thread/1.0" version="2.0"><channel><atom:id>tag:blogger.com,1999:blog-5068069868104028310</atom:id><lastBuildDate>Mon, 22 Jun 2026 19:31:35 +0000</lastBuildDate><title>Não sou tão ruim</title><description>quanto pareço... Ainda não matei ninguém.</description><link>http://naosoutaoruim.blogspot.com/</link><managingEditor>noreply@blogger.com (Rodolfo Xavier)</managingEditor><generator>Blogger</generator><openSearch:totalResults>91</openSearch:totalResults><openSearch:startIndex>1</openSearch:startIndex><openSearch:itemsPerPage>25</openSearch:itemsPerPage><item><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-5068069868104028310.post-7015741629489804753</guid><pubDate>Sun, 04 Jan 2015 16:23:00 +0000</pubDate><atom:updated>2015-01-04T08:23:03.020-08:00</atom:updated><title>Comunicado </title><description>Ola, leitores! O blog está repaginado em um novo endereço: www.naosoutaoruim.wordpress.com&lt;br /&gt;
Obrigado pela visita!</description><link>http://naosoutaoruim.blogspot.com/2015/01/comunicado.html</link><author>noreply@blogger.com (Rodolfo Xavier)</author><thr:total>0</thr:total></item><item><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-5068069868104028310.post-2017396047229092416</guid><pubDate>Mon, 17 Nov 2014 22:55:00 +0000</pubDate><atom:updated>2014-11-17T14:55:07.232-08:00</atom:updated><title>I n  f  i  n   i    t     o     u   -  se</title><description>Estava sentada em frente ao mar. Um stand-by de vida, por ora. (vento)&lt;br /&gt;
Sentia o peito em voou.&lt;br /&gt;
Com contrações musculares intensas e dedos dos pés arreganhados, entranhava-os na areia em movimentos compassados... Sentia o delicioso atrito dos grão nos pés... Excitante... De um delicioso estranhamento.&lt;br /&gt;
Deve ser esse o principio daquelas caixinhas de areia com pequenos ciscadores nas salas de espera, pensava ela.&lt;br /&gt;
E o tempo passava... passava e passava. Ela um ser vivo oco de vida.&lt;br /&gt;
Estava completamente desconhecida de si mesma, uma roleta russa mental.&lt;br /&gt;
Por que, então, o mar não cai pra cima já que está as vezes &lt;strike&gt;sempre&lt;/strike&gt; está de cabeça para baixo? Pensava ao fitar a linha infinita do oceano...&lt;br /&gt;
A maresia entrava nas suas narinas...&lt;br /&gt;
Tentava ver até onde não dava mais... Espremia a vista...&lt;br /&gt;
Imagina a força que o universo faz para segurar essa água toda? Pensava.&lt;br /&gt;
&amp;nbsp;E retinha assim, ainda mais? Deve ser essa força, então, o destino...&lt;br /&gt;
(Ia caindo um dominó por vez)&lt;br /&gt;
Esta força deve atuar sobre nós também... Talvez, &amp;nbsp;por isso somos assim, meio melancolicos e tão pressionados, todos comprimidos pela força do destino, pensava. &quot;&lt;i&gt;Águas retas pela compressão&lt;/i&gt;.&quot;&lt;br /&gt;
O vento fazia aquele barulhinho gostoso e irritante de vento nos ouvidos...&lt;br /&gt;
Essas ondinhas na superfície da água, por certo, são a tentativa insignificante do mar de fugir do destino, como as vezes tentamos...&lt;br /&gt;
Triste fatalidade, continuamos todos ondinhas, nada de nos fazer maremoto contra o destino...&lt;br /&gt;
Bem longe ouvia, transpassando o chiado do vento, barulho de buzina e trânsito caótico... Algo distante, meio abafado, parecia uma lembrança.&lt;br /&gt;
Deitou na areia... Esparramou o corpo e os cabelos cacheados por sobre aquela imensidão de minúsculos grãos. Dane-se! Depois limparia o vestido e os cabelos.&lt;br /&gt;
Era fim de tarde, céu claro, sol fino, cirros alaranjados traçando o céu... (vento).&lt;br /&gt;
E os pés continuavam a se enfiar com força na areia... Pulmões à todo vapor...&lt;br /&gt;
O brilho do universo acima dela a fez lacrimejar e fechar olhos meio vesga, meio desnorteada... Como se fosse pouca a vontade de chorar, o céu a invadiu e foi em sua nascente, trazer ao mudor seu líquor.&lt;br /&gt;
Abriu os braços e os sábios dedos das mãos logo passearam pela areia... Esticou ao máximo os braços, os dedos, então, traçaram linhas paralelas em direção ao seu corpo, na areia...&lt;br /&gt;
Com força esmagava aqueles pedacinhos de pedra entre os dedos, como vingança, talvez...&lt;br /&gt;
Deu-se ao luxo de rir das cócegas que aquilo fazia nas palmas das mãos. Esfoliava a vida.&lt;br /&gt;
A maré também tinha um som abafado... Mera lembrança de uma chegada equivocada, talvez.&lt;br /&gt;
Porque havia a deixado?&lt;br /&gt;
O que faria com os planos? &lt;br /&gt;
Lágrimas azuis pintadas de cirros eram sugadas pelos céus...&lt;br /&gt;
O que faria com as lembranças daqueles cachos, sorrindo, pra ela?&lt;br /&gt;
Refletia sobre si... Tirou um tempo dela mesma, para pensar sobre ela...&lt;br /&gt;
Sua alma cantava um jazz desesperado por socorro... Que valsa!&lt;br /&gt;
Teve uma vontade louca... Vontade de foder... Se doar a ela... entrar no melhor &#39;não pensar&#39; humano. Deleite. Riu. Queria uma tequila. Lambe-la, beija-la, consumi-la. A roleta russa mental continuava...&lt;br /&gt;
Teve uma pontada súbita de ódio. Quanto ódio. Destetou-a com veemencia. Desejou que ela se explodisse...&lt;br /&gt;
O que fazer com você dentro de mim? O que fazer comigo dentro de mim sem você?&lt;br /&gt;
Levou as mãos sujas aos cabelos e passou por entre os cachos, puxando-os levemente.&lt;br /&gt;
Estava vazia. Transbordou à ponto de secar o que já estava inóspito. Odiava-a por amá-la.&lt;br /&gt;
Era mais inteso do que achou que cabia no seu abismo particular...&lt;br /&gt;
Porque não a amava o suficiente? Claro que amava.&lt;br /&gt;
Senão amor, o que era aquele sorriso? E aquele gozo? E aqueles olhos falantes?&lt;br /&gt;
Grandes coisas a gente diz sem usar palavras.&lt;br /&gt;
Não fomos feitos para sermos medidos... ou medidos de nenhum sentimento.&lt;br /&gt;
(tempo)&lt;br /&gt;
O céu agora era de um lilás acinzentado... Uma estrela solitária brilhava no fundo do céu.&lt;br /&gt;
Agora era só... Como a estrela... E estava no fundo do céu, entre o assoalho e a madeira da caixa, quase no vácuo de fora.&lt;br /&gt;
Tuuli sempre fora uma furacão que pouco durava.&lt;br /&gt;
Como poderia alguém querer tanto algo por tão pouco tempo? Dessa vez, ela fez quase tudo certo.&lt;br /&gt;
Se Liiv gostava de abismos, Tuuli vivia em queda livre.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Fez-se então, maremoto.&lt;br /&gt;
Achou-se.&lt;br /&gt;
Tinha em si a maior de histeria do mundo.&lt;br /&gt;
O jazz desesperado virou blues. Gargalhou para as estrelas. Sorriu para o universo.&lt;br /&gt;
&amp;nbsp;Fez mentalmente o provável roteiro do Cometa Halley... Mediu com as mãos. Tirou o cometa para dançar.&lt;br /&gt;
Para se conviver com um masoquista tem que dar a ele a dor necessária para ser feliz.&lt;br /&gt;
Pulverizou-se.&lt;br /&gt;
Suas células, aos poucos, fizeram o retrocesso telofásico e, por união, formaram grãos... Soltos. (vento)&lt;br /&gt;
Ninguém que passava por ali ousou ver. Foi lento.&lt;br /&gt;
O vento batia e aos poucos, ela ia indo embora naquela corrente.&lt;br /&gt;
Se fez pó, areia... Areia de vida... Rinite existencial. Um espirro de vida.&lt;br /&gt;
De um processo que começou de dentro para fora, de fora para dentro se fez pó até o vento levar... Infinitou-se ao infinito.&lt;br /&gt;
Do mar, do alto dele, veio uma forte rajada de vento que espalhou o pouco que restava dela pela areia, água e céu... E levou-a...&lt;br /&gt;
Um cisco da vida dela foi longe, oscilou quase nas estrelas, beijou quase o mar, dançou com o vento e no olho de Tuuli, que estava sentada muito longe em frente ao mar, foi parar. Na hora, não chorava. Mas veio um gostinho de Liiv no ar e caiu esse cisco no olho... Não teve jeito, o ventou sugou suas lágrimas. No blues louco da vida, suas gotículas se embalavam com o pó da sua outra existência e em passos loucos e giratórios foram vida no ar. Poeira cósmica de um amor para a eternidade.&lt;br /&gt;
Por mais forte que seja o destino, vento ele não impede... E o mar, eterno rebelde, espera o mínimo dos ventos para se maremotizar.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;</description><link>http://naosoutaoruim.blogspot.com/2014/11/i-n-f-i-n-i-t-o-u-se.html</link><author>noreply@blogger.com (Rodolfo Xavier)</author><thr:total>0</thr:total></item><item><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-5068069868104028310.post-9078508190225817158</guid><pubDate>Mon, 06 Oct 2014 20:16:00 +0000</pubDate><atom:updated>2014-10-06T13:16:06.932-07:00</atom:updated><title>Estilhaços de confetes</title><description>De vez em quando, a felicidade me atropela como um trem. Estraçalha-me. Acerta-me com um impacto tão grande que me faço em um milhão de confetes.&lt;br /&gt;
Um maremoto de sentir tremer. E esses momentos de devastação feliz nunca são aqueles em que eu estou mais eufórico, cavando felicidade em pedra.&lt;br /&gt;
São aqueles em que eu estou mais quieto, parado, acelerando as turbinas para o voo, dando toda atenção ao barulho da minha mente e pá: sou feliz. Sou grato. Sou corajoso. Sou sonhador. Sou voador. Sou poeta.&lt;br /&gt;
É uma pitada vulcânica de uma parte de mim que, normalmente, desconheço, mas que me faz entrar em erupção. É fermento. É solvente. É um grito. É um abraço. É gratidão. É um voar sem asas. É sair de si mesmo, pôr óculos corretivos de visão, olhar-se sendo outro, calcular, arredondar os cálculos e perceber que o percentual de erro ainda aponta pra um estado de alguma coisa que você não sabe dizer o nome. Não sabe porque felicidade é uma &quot;coisa&quot;, um produto comercializado pelo mundo, com direito a genéricos e falsificações, mas ser feliz mesmo é não saber. É não ter dimensão do que se é, porque ser feliz, na prática, é atingir picos nunca antes atingidos pelos seus gráficos e, exatamente por isso, você não sabe o que é ser feliz. Lá um dia você rola ladeira abaixo, é atropelado por esse trem e saca que essa parada toda é mais simples do que dizem, nós que buscamos sempre algo que já tivemos (momento pós-não saber), mas uma felicidade nunca é igual a outra. E se felicidade for não saber, se buscamos uma coisa que sabemos, não buscamos felicidade. Estivemos tanto tempo errados...&lt;br /&gt;
À saber, te prepara: vem vindo um trem aí.</description><link>http://naosoutaoruim.blogspot.com/2014/10/estilhacos-de-confetes.html</link><author>noreply@blogger.com (Rodolfo Xavier)</author><thr:total>2</thr:total></item><item><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-5068069868104028310.post-3620305180508016484</guid><pubDate>Mon, 22 Sep 2014 22:25:00 +0000</pubDate><atom:updated>2014-09-22T15:28:10.256-07:00</atom:updated><title>Poderia navegar, mas preferiu voar</title><description>Sempre fiquei encabulado com essa estória dos sacos de areia nos balões: tira-se irreversivelmente peso para voar... mas e a volta?&lt;br /&gt;
Acordei com essa idéia na cabeça.&lt;br /&gt;
Desde os últimos perdões, andava mais leve, mas ainda asism, pesado.&lt;br /&gt;
Levaram a caixa, mas acabamos sempre esquecendo alguma coisa...&lt;br /&gt;
Decidi, então, analisar meu &quot;sacos de areia&quot;... Aqueles que estão a tanto tempo pesando no balão que já fazem parte fisicamente dele.&lt;br /&gt;
Foi aí, então, que decidi voar mais alto, atirar os sacos de areia para que o abismo pudesse torná-los vento, redemonho ou meteorito. A cada saco jogado, então, o balão voava mais alto...&lt;br /&gt;
Um saco a mais atirado ao vento: conseguia ver o sol que insistia em se esconder atrás da montanha. Mais um céu abaixo e a minha mão quase chegava às nuvens... Mais outro e o universo azul se mostrava belo e longíquo ao meu ser.&lt;br /&gt;
Descobri em mim um ser mais sereno, capitão de um voo tranquilo ao universo da paz...&lt;br /&gt;
Muito tempo depois, entendi que se atiravam os sacos de areia ao infinito para não se ter peso e ser mais difícil de voltar, mesmo. Quando se voa assim, a preocupação em voltar é o de menos...&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;</description><link>http://naosoutaoruim.blogspot.com/2014/09/poderia-navegar-mas-preferiu-voar.html</link><author>noreply@blogger.com (Rodolfo Xavier)</author><thr:total>0</thr:total></item><item><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-5068069868104028310.post-6367732262963990327</guid><pubDate>Mon, 28 Jul 2014 00:46:00 +0000</pubDate><atom:updated>2014-07-27T17:46:37.546-07:00</atom:updated><title>Concessão de mágoas</title><description>&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
Hoje amanheci com uma vontade de perdoar. Decidi fazer as pazes com as decepções e romper com o desamor, alforriar minhas raivas e prender mais a reciprocidade alheia. Decidi fazer uma dieta na minha consciencia e eliminar toda essa alimentação gorda que a fazia pesar cada vez mais. Minha obesidade eram mágoas.&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
Perdoar. Perdoar mesmo. Abstrair, esquecer, apagar, deixar que o vento se encarregue de transformar minhas tristezas direcionadas a pessoas específicas em mais vento, ventania ou brisa (brisa daquelas que nos acariciam o rosto e vem com um sorriso voando dentro).&amp;nbsp;&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
Decidi, por bem próprio, guardar sempre sorrisos das pessoas. Guardar mais os melhores momentos (aqueles que nos vídeos da nossa vida aparecem em câmera lenta) e deixar pra lá aqueles making offs que insistiam em nos lembrar que nem tudo é cem por cento sempre, embora, se já foi cem por cento em algum momento, já foi infinito e isso já é válido.&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
Decidi pôr em prática a regra geral do &quot;nada se cria, tudo se transforma&quot; de uma forma diferente. Por anos transformei essas mesmas mágoas em tristeza, frustração, retração, afastamento e maldade pra mim mesmo. Mas hoje o dia amanheceu diferente, com um sol claro tentando saír pelas frestas da vida negra das nuvens. Amanheceu transformando e cobrando de mim um alma leve e um sorriso sincero. Não tive como negar. Dei a ele o que pediu e percebi que quem recebeu fui eu mesmo. Brincalhão, esse dia. E tive raiva desse jogo estúpido dele comigo... E percebi que quem recebeu minha frieza fui eu. Percebi, então, que o dia era eu e que o sol era o que eu poderia ser se tirasse as negras nuvens que me/o encobriam. Recebo o que dou a mim mesmo.&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
Tomei, então, a dura decisão. Coloquei tudo em uma caixa, até as minhas decepções preferidas, abri a porta e coloquei na calçada para quem quisesse levar. Doeu, claro. Se não tomamos cuidado, nos viciamos em mágoas. Escrevi em letras garrafais um aviso na caixa: &quot;LEVE. FAÇA BOM USO&quot;. De fato, extraí o máximo que pude de todas: do mais fútil ao mais complexo aprendizado. Mas os inúteis residuos estavam pesando minha alma e minha consciencia, criando uma nuvem negra em frente ao sol, degenerando por telefone-sem-fio célula a célula da minha existência.&amp;nbsp;&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
Separadas por tipo, coloquei um aviso em cada molho delas: USE COM MODERAÇÃO. QUANDO ESTIVER FARTO, DOE-AS PRA ALGUÉM. Pouco tempo depois que deixei, não estava mais lá. Fiquei curioso sobre quem havia levado. Mas tentei não pensar muito nisso.&lt;br /&gt;
Meu dia então, foi um groove de paz: mais sorriso, mais simplicidade.&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
Passei, então, a evitar as calçadas e os lixos. Fiquei receioso em encontrar uma caixa dessas.&lt;/div&gt;
</description><link>http://naosoutaoruim.blogspot.com/2014/07/concessao-de-magoas.html</link><author>noreply@blogger.com (Rodolfo Xavier)</author><thr:total>0</thr:total></item><item><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-5068069868104028310.post-1503796476407854574</guid><pubDate>Sun, 29 Jun 2014 01:58:00 +0000</pubDate><atom:updated>2014-06-28T18:59:21.442-07:00</atom:updated><title>Não se metade</title><description>&lt;div class=&quot;separator&quot; style=&quot;clear: both; text-align: center;&quot;&gt;
&lt;a href=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEiy1825u6jP8-KP7EblUBTE_jJla_AUXZYeVhrHsajNyMQVF1kl1AHdhbHG6k6WHv_q0eVY21ePDCks7Uyw5QGG97uPawfAwkXoK3XrrN45ftpPoEN0cDEWYBpBacKoSn9IliJtmYzTD-A/s1600/tumblr_m50gcxxbGY1r5uai2o1_1280.jpg&quot; imageanchor=&quot;1&quot; style=&quot;margin-left: 1em; margin-right: 1em;&quot;&gt;&lt;img border=&quot;0&quot; src=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEiy1825u6jP8-KP7EblUBTE_jJla_AUXZYeVhrHsajNyMQVF1kl1AHdhbHG6k6WHv_q0eVY21ePDCks7Uyw5QGG97uPawfAwkXoK3XrrN45ftpPoEN0cDEWYBpBacKoSn9IliJtmYzTD-A/s1600/tumblr_m50gcxxbGY1r5uai2o1_1280.jpg&quot; height=&quot;400&quot; width=&quot;400&quot; /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
Tem uma coisa que me irrita muito: gente sem sal e sem açucar. Aliás, gentes. Gente que parece puxar uma tonelada para levantar os cantos da boca e sorrir. Gente que parece ter medo de usar o único bem que é seu e de mais ninguém: a vida. Gente que tem medo, receio ou tristeza de experimentar.&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
Porque se convido-lhe para acompanhar-me em uma festa e dizes a mim que estás desanimado, por favor, nem que eu insista insuportavelmente pela sua presença ao meu lado, não vá. Tenho náuseas terríveis - capazes de me levarem à morte súbita - ao ver gente com meio sorriso ao meu lado. Terríveis mesmo. Faz-me passar mais mal do que tenho passado. Então, se não estás disposto à sorrir cem por cento, não me venha com noventa e nove. Apesar de não parecer, não troco nada inteiro - nem sorriso, nem felicidade- por meias metades.&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
Leva-me à fadiga gente que tem um céu inteiro pra voar e se contenta com a mediocridade da terra. Antes de tomar qualquer atitude racional, coloca na sua cabeça um coisa: vida só é uma, aproveita e brinca com sua irracionalidade.&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
Se ser inteiro custa-lhe a sanidade, experimente ser feliz, por favor, mas não se contente com os noventa e nove. Se ser inteiro custar-lhe alto, pague! Parcele, anote, arrume um fiador - se eu já não tiver gastado tudo, serei com todo prazer - gaste todas suas moedas e pague à vista, se tiver, mas não se contenha com metades. Empresto, também, e se for feito muito bom uso, pode me pagar com seu sorriso, à vista, apenas. Sairei ganhando facilmente.&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
Gente que é pela metade causa-me indigestão, dor igual aquela quando a gente bate o dedinho no canto do móvel, ressaca igual aquela de vodca barata e sofrimento igual pancada no saco. Ressaca mesmo, de vomitar até. Se ser completo custa-lhe um oneroso auto perdão, perdoe-se. Se não dos felizes, de quem é a capacidade de se perdoar?&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
Se ser completo exige-lhe que saia da sua gaiola, experimente explodi-la. Se ser completo exige ser legal, experimente! Reza a lenda que recebemos do mundo o que damos a ele. Se ser completo exige que destrave-se de si mesmo, assim o faça, o mundo espera pelo seu sorriso completo e por sua feliciade autêntica.&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
Mas, se depois de tantas receitas e sugestões ainda insiste em ser metade, faz-me um favor, não tente roubar uma metade de mim para ser completo. Faz mais: não cruze meu caminho. Guarda teu metadismo contagioso longe de mim.&lt;/div&gt;
&lt;br /&gt;</description><link>http://naosoutaoruim.blogspot.com/2014/06/nao-se-metade.html</link><author>noreply@blogger.com (Rodolfo Xavier)</author><media:thumbnail xmlns:media="http://search.yahoo.com/mrss/" url="https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEiy1825u6jP8-KP7EblUBTE_jJla_AUXZYeVhrHsajNyMQVF1kl1AHdhbHG6k6WHv_q0eVY21ePDCks7Uyw5QGG97uPawfAwkXoK3XrrN45ftpPoEN0cDEWYBpBacKoSn9IliJtmYzTD-A/s72-c/tumblr_m50gcxxbGY1r5uai2o1_1280.jpg" height="72" width="72"/><thr:total>0</thr:total></item><item><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-5068069868104028310.post-3876147834743523369</guid><pubDate>Thu, 16 Jan 2014 21:41:00 +0000</pubDate><atom:updated>2014-01-16T18:04:52.572-08:00</atom:updated><title>A subversividade do &quot;Lepo Lepo&quot;</title><description>&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: center;&quot;&gt;
(O conhecimento da música, antes da leitura, é de grande importância para o entendimento do texto. Caso não conheça, aperte play no vídeo abaixo).&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: center;&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: center;&quot;&gt;
&lt;iframe allowfullscreen=&quot;&quot; frameborder=&quot;0&quot; height=&quot;315&quot; src=&quot;//www.youtube.com/embed/FMzfIzX3o74?rel=0&quot; width=&quot;560&quot;&gt;&lt;/iframe&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: center;&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
A palavra que saiu do universo dos livros de história (daquele período dos reinados, principalmente) e passou a ser, sem dúvidas, um dos símbolos da atual geração é a &quot;ostentação&quot;. Etimologicamente, o termo deriva do Latim &quot;&lt;i&gt;ostentare&lt;/i&gt;&quot; e significa &quot;mostrar&quot;. Refere-se principalmente à exibição de luxo ou riqueza com vaidade e pompa. Toda essa recente popularidade do termo se deve, em parte, à um empresário com sua intelecção inversamente proporcional à conta bancária que fez um vídeo ostensivo, &amp;nbsp;para uma revista, sobre seu estilo de vida cheio de Ferrari&#39;s, bebidas caras e claro: camarotes. Uma cachoeira de futilidades banhadas à ouro. Eu duvido que nos últimos meses você não tenha ouvido a combinação de palavras &quot;Rei do camarote&quot; e não tenha &quot;agregado valor&quot;.&lt;/div&gt;
&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
Faça o teste: abra seu Instagram (você não tem &#39;insta&#39;? como assim você não tem esse mostruário da pavonada?) e pesquise no campo de busca a palavra &quot;Ostentação&quot;. Neste exato momento em que escrevo esse texto, o mecanismo de busca apontou que a Hastag #ostentação foi citada no aplicativo cerca de 61.682 vezes (sim, sessenta e uma mil seiscentas e oitenta e duas). Somando-se as variações da palavra (sem/com o acento, sem/com o cedilha, etc) chegamos ao número de 93.607 vezes em que o termo chegou a ser utilizado na rede social.&amp;nbsp;&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
Tantos números e a troca das &quot;&lt;i&gt;Selfies&lt;/i&gt;&quot; pelas &quot;&lt;i&gt;Braggies&lt;/i&gt;&quot; são a prova da presença constante da ostentação no nosso dia a dia, atualmente. Não entendeu nada? Calma, vamos atualizar seu dicionário da ostentação. &lt;i&gt;Selfies&lt;/i&gt; (que, por sinal, foi eleita a palavra do ano de 2013 pelo dicionário Oxford) são aquelas auto-fotografias que tiramos e postamos na rede. &lt;strike&gt;Tipo essa minha no perfil do blog&lt;/strike&gt;. Você também deve ter uma. Já as &lt;i&gt;Braggies&lt;/i&gt; são aquelas fotografias, literalmente ostensivas, tiradas com o objetivo de provocar o sentimento de inveja nos amigos ou nos seguidores. As principais &lt;i&gt;braggies&lt;/i&gt; são aquelas de drinques e de poses na praia, segundo minhas pesquisas na internet. No final de tudo, o que isso quer dizer é que: não importa o rosto ou a personalidade, quando se tem um caríssimo drinque ao nosso lado, numa foto tirada em uma praia belíssima, com duas mil curtidas no Instagram. Chegamos à tal ponto, que até um &quot;estilo musical&quot; foi inventado a partir desta temática: o Funk ostentação. Dispensa comentários.&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
Toda essa opulência denuncia a curiosa carência humana de ser alguma coisa e, mais do que isso, de mostrar a todos que somos alguma coisa. As&lt;i&gt; braggies &lt;/i&gt;são a ponta do Iceberg de uma necessidade humana, ancestralmente herdada, talvez, de se sobressair aos nossos semelhantes. Não temos culpa por pensar assim. Somos resultados de uma mentalidade construída centenariamente e de uma &quot;maldita&quot; seleção natural que trouxe até aqui os mais aptos (sendo aptidão à sobrevivência diretamente proporcional ao poder aquisitivo). Seus próprios pais mandaram você estudar a vida inteira para &quot;poder comprar as coisas que você quiser no futuro&quot; ao invés de &quot;estude para ser feliz!&quot;... Tudo capitalismo selvagem.&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
O curioso é que, por anos, já ostentamos ao mundo inteiro cantando &quot;&lt;i&gt;moro num país tropical, abençoado por Deus e bonito por natureza&lt;/i&gt;&quot; e agora, subversivamente, o provável novo &lt;i&gt;hit&lt;/i&gt; do carnaval é o Lepo Lepo, da banda Psirico: uma música simplista que, em tom de confessamento, põe em xeque o real interesse nas relações humanas e vai contra essa nova linhagem de pseudomúsicas que a cada dez palavras, 7 são nomes de bebidas caras. Pseudomúsicas que, por sinal, dão origem a pseudoestilos de vida.&lt;br /&gt;
A graça deste novo &lt;i&gt;hit&lt;/i&gt; está, ainda, em ser feita para atingir a grande massa e conseguir alcançar todas as classes sociais, sem distinção: do ostensivo endividado ao último na fila que classifica em relação ao poder aquisitivo... Impossível não se identificar (mesmo que em segredo) com a vontade de ostentar, inata da personalidade humana, mas com a dificuldade em fazer isso. Seria o Lepo Lepo a Queda da bastilha contra o modelo de vida ostensivo a que levamos? Ok. Exagerei um pouco, mas que vendo por este ângulo Marx adoraria dançar um Lepo Lepo, ah, ele adoraria!&lt;br /&gt;
No entanto, apesar da subversividade do Lepo Lepo, não há motivos para tanta comoção. Certamente, não é uma única música que vai extinguir a culpabilidade existencial que é saciada quando um ser se mostra superior a outro. Além disso, contraditoriamente, o próprio eu lírico da música, por si só, já ostenta e grita ao mundo que o &#39;Lepo Lepo&#39; dele é bom o suficiente para manter a mulher com ele (a subversividade do subversivo... irônico). Que se danem as propostas utópicas de amores felizes... Na pirâmide ostensiva, o sexo e as mentes vazias são a grande base e, infelizmente, certos ritmos musicais superficiais são apenas o rótulo de mentes infinitamente piores.&lt;br /&gt;
E não adianta se refugiar nos livros, nas músicas de Beethoven e em outras obras de arte. Até isso, hoje em dia, é ostentação. Mais do que nunca, consumir arte e ser pseudosubversivo rende curtidas e boas impressões com os futuros parceiros de &quot;Lepo Lepo&quot;. Pesquise a Hastag #claricelispector no Instagram e verás.&lt;br /&gt;
Audous Huxley disse, muito bem dito, por sinal:&lt;br /&gt;
&lt;blockquote class=&quot;tr_bq&quot;&gt;
&quot;&lt;i&gt;A ditadura perfeita, terá aparência de democracia, uma prisão sem muros, na qual os prisioneiros nem sonharão sequer com a fuga. Um sistema de escravatura onde, graças ao consumo e ao divertimento, os escravos terão amor a sua escravidão&quot;.&lt;/i&gt;&amp;nbsp;&lt;/blockquote&gt;
Assustadoramente, estamos cercados por todos os lados, sorrindo inocentemente da nossa ditadura geneticamente ensinada... aliás, chega a ser socialmente ariscado sonhar com outro conceito de felicidade, senão o da ostentação. Estamos tão alienados que nossa culpabilidade existencial cegou o conceito de felicidade e em seu lugar, pôs uma sádica e controversa invenção humana: o capital... Na verdade, somos todos cultos o suficiente para não assumir, mas vazio ou não, do Rei do camarote ao eu lírico da música, estamos todos atrás do Lepo lepo... E neste ato, talvez, esteja o juízo final de tudo isso: nessa hora, não tem &lt;i&gt;Rolex&lt;/i&gt;, camarote ou &lt;i&gt;braggie&lt;/i&gt; que importe (e até que se prove o contrário, a conta bancária em nada tem relação com a execução do ato). Que a semente da subversividade esteja plantada...&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Agora vou atualizar meu &#39;insta&#39; com minha nova &lt;i&gt;braggie&lt;/i&gt;: escrevendo esta postagem. Curtam, por favor.&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
</description><link>http://naosoutaoruim.blogspot.com/2014/01/a-subversividade-do-lepo-lepo.html</link><author>noreply@blogger.com (Rodolfo Xavier)</author><thr:total>0</thr:total></item><item><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-5068069868104028310.post-6969786496207743998</guid><pubDate>Tue, 07 Jan 2014 21:42:00 +0000</pubDate><atom:updated>2014-01-08T02:03:09.690-08:00</atom:updated><title>Somos tão velhos</title><description>&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;div class=&quot;separator&quot; style=&quot;clear: both; text-align: center;&quot;&gt;
&lt;a href=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEidMYbW1ADP4QwZJVMXpfqe5rpxazKzOdZXp3b4SCDede7A98tfbcYTsaIQdtWryQU_UdkSaG0SNHn1x-HgPyoeqRt3vF9EcbvEtJ0kqgl7ULGWNQD4BIyImxDUfClNMKBKRcc-fGs_wtE/s1600/tumblr_mjgzz46uqm1qaf209o1_1280.jpg&quot; imageanchor=&quot;1&quot; style=&quot;margin-left: 1em; margin-right: 1em;&quot;&gt;&lt;img border=&quot;0&quot; src=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEidMYbW1ADP4QwZJVMXpfqe5rpxazKzOdZXp3b4SCDede7A98tfbcYTsaIQdtWryQU_UdkSaG0SNHn1x-HgPyoeqRt3vF9EcbvEtJ0kqgl7ULGWNQD4BIyImxDUfClNMKBKRcc-fGs_wtE/s1600/tumblr_mjgzz46uqm1qaf209o1_1280.jpg&quot; height=&quot;400&quot; width=&quot;297&quot; /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;separator&quot; style=&quot;clear: both; text-align: center;&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;iframe frameborder=&quot;no&quot; height=&quot;166&quot; scrolling=&quot;no&quot; src=&quot;https://w.soundcloud.com/player/?url=https%3A//api.soundcloud.com/tracks/115656488&amp;amp;color=ff6600&amp;amp;auto_play=false&amp;amp;show_artwork=true&quot; width=&quot;100%&quot;&gt;&lt;/iframe&gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;div class=&quot;separator&quot; style=&quot;clear: both; text-align: center;&quot;&gt;
&lt;/div&gt;
A única coisa que temos certeza na vida é que envelhecemos... Sobre a morte, talvez, nem tenhamos tanta certeza assim, mas sobre nossa senescência, ah! Dessa temos convicção.&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
E aí, achamos que envelhecer é sinônimo de amadurecimento. Pode procurar aí no seu dicionário Aurélio edição especial, ou no Google, que seja, uma coisa não necessariamente é sinônimo da outra. Até hoje, mal sabemos o que é amadurecer, quem dirá termos a ousadia de inferirmos um sinônimo para algo que não entendemos.&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
De fato, a velhice é a principal responsável por nos estereotipar durante nossa existência, seja na fila do banco, seja no estado civil. Interessante é que sabemos exatamente diferenciar um idoso com 60 anos de um jovem de 16, de cara, mas não existe uma linha bem definida que separa o jovem do velho. Cometemos o terrível erro de acharmos que velhos são, unicamente, aqueles que escutam músicas de gerações passadas, têm hábitos antiquados, são tradicionalistas por natureza e confundem, vez por outra, nosso nome e a ordem de alguns acontecidos. Mero engano... A velhice, por mais irônico que seja, é algo atemporal em nossas vidas e mesmo o mais jovem, já guarda em si a mais fatídica senilidade.&amp;nbsp;&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
E de uma hora para outra, assim, num lapso - tic -, aqueles que nos acompanharam com maestria e erudição durante toda a vida, passam a se enquadrar lentamente no nosso errôneo conceito de velhice: passam a ter a cabeça dura, dar trabalho por não seguirem aquilo que recomendamos, a trocar nosso nome e a esclerosar os hábitos outrora perfeccionistas: tudo um engano nosso.&lt;br /&gt;
Desde o dia em que sua mãe reclamou a primeira vez sobre a forma que você guardou a louça diferente da dela, já era velhice e só agora você se deu conta.&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
Querendo ou não, estamos muito à frente dos nossos pais. Certo dia, um professor meu falou isso... Discordei, de cara, mas hoje faz completo sentido. Somos da era da instantaneidade, do online e da 3G. Temos, muitas vezes, a compreensão científica sobre aqueles acontecimentos que antes só eram sabidos empiricamente por eles. Daí, sabemos que cigarro, mais do que nunca, é um fator que aumenta em mil vezes a probabilidade de câncer de pulmão e de todo o aparelho estomatognático, sabemos que óleos para frituras, quando muito utilizados têm acroleína que causa prejuízo à saúde e que se automedicar é uma faca de dois gomes. Como você os ama e quer o bem deles, claro que vai tentar instruí-los para evitar todos esses possíveis malefícios a que você teve o privilégio de ser sabedor. Resultado? frustrante... Não tem jeito:&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
- Mãe! a senhora já está tomando esse remédio por conta própria de novo? &amp;nbsp;Não já disse que não fizesse isso!?&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
- Deixa de besteira, menino, só essa vezinha!&amp;nbsp;&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: center;&quot;&gt;
(Essa vezinha, todas as outras que tomou antes de eu falar e todas as que vai tomar quando eu não estiver por perto. Ok!)&lt;/div&gt;
&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
Repito, não há jeito. Seu pai ainda vai preferir você dando continuidade ao trabalho braçal dele a ver você investir em uma nova profissão que vai proporcionar uma qualidade de vida mais ampla a você e até a ele mesmo. Seu pai não vai usar protetor solar fator 50 toda vez que for sair ao sol, não vai obedecer a plaquinha do &quot;Não pise na grama&quot; porque ele sempre pisou e ela nunca morreu, &quot;não tem pra quê inventar essa frescura&quot;.&lt;br /&gt;
&amp;nbsp;Mais do que mudar um &quot;habitozinho&quot;, para eles, é mudar toda uma cultura construída ao longo de toda uma vida. Definitivamente, não é da cultura deles receber e acatar conselhos daqueles que eles trocaram as fraldas, viram crescer e agora são metidos a bestas. Desde quando você aceita conselhos de crianças de 5 anos? Então, meu amigo, você tem que aceitar a falta de aceitação deles (e com um enorme sorriso de gratidão no rosto por tê-los ao seu lado até o presente momento).&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
É nessa hora que entra em ação o verbo amadurecer. Não adianta você saber sobre Acroleína, Condrodisplasia Punctata Rizomélica e Adenocarcinoma Polimorfo de Baixo Grau, se você não tem o mínimo discernimento de entender seus pais nesses momentos e, mais do que isso, de conviver com eles após entrarem nesse estágio que consideramos pejorativamente de caduquice. Nada mais triste do que ver um ser humano, por desentendimento próprio e, consequente, desaceitação dos seus pais, se desfazer dos seus.&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
Não tem para onde correr, entendimento é a chave do negócio: é abraçar sua mãe depois que ela falou uns vinte minutos raivosamente sobre qualquer estresse bobo. É recolocar a plaquinha &quot;Não pise na grama&quot; quantas vezes seu pai tenha tirado. É insistir, ainda assim, de forma amável, para que ele use o protetor e os óculos escuros para o olho em que ele fez uma cirurgia. É entender que você pode não ser o filho que seu pai almejou, mas que, ainda assim, vocês vão continuar a se amar reciprocamente de forma indefinida. É entender e conviver, com todo o bom humor do mundo, mesmo não compactuando com aquelas atitudes, afinal, você ainda vai se pegar dando uns carões no seu(a) irmão(ã)/primo(a)/sobrinho(a) mais nova de uma forma exatamente igual àquela que seu pai brigou com você 15 anos atrás.&lt;br /&gt;
É, meu jovem, também envelhecemos... E, pasmem, albergamos em nós tanta velhice quanto nem imaginamos e sem linha, nem fronteira, nem alarido, em mais hora ou menos hora, seremos nós reclamando do tempo perdido, dos hábitos &quot;desnecessários&quot; dos nossos filhos e da &quot;besteira desse povo de hoje em dia&quot;.&lt;br /&gt;
Você pode ser um marmanjão de 30 e tantos anos, cheio de barba nessa cara mal lavada, com filhos até, mas você será o eterno bebezão da sua mãe e quando você for sair para viajar de carro, ela ainda vai te dar as mesmas instruções que dava à dez anos atrás. Como ter raiva de tanto amor? Definitivamente, não há fronteira que separe o jovem do velho.&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
Chegamos, então, à provável conclusão de que amadurecer, talvez, &amp;nbsp;não é saber muito sobre essas coisas estranhas a que chamamos de relações humanas, apenas por ter experienciado um número infinito delas e saber lidar com maestria em cada peculiar caso. Amadurecer, quem sabe, seja o entendimento de que não se pode mudar mais certas coisas nesta existência, mas que podemos aceitar e mudar a nós mesmos para que possamos conviver com estes pequenos desafios insuperáveis, que teimamos em não admitir que existem, que são os fatos diários.&lt;/div&gt;
</description><link>http://naosoutaoruim.blogspot.com/2014/01/somos-tao-velhos.html</link><author>noreply@blogger.com (Rodolfo Xavier)</author><media:thumbnail xmlns:media="http://search.yahoo.com/mrss/" url="https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEidMYbW1ADP4QwZJVMXpfqe5rpxazKzOdZXp3b4SCDede7A98tfbcYTsaIQdtWryQU_UdkSaG0SNHn1x-HgPyoeqRt3vF9EcbvEtJ0kqgl7ULGWNQD4BIyImxDUfClNMKBKRcc-fGs_wtE/s72-c/tumblr_mjgzz46uqm1qaf209o1_1280.jpg" height="72" width="72"/><thr:total>1</thr:total></item><item><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-5068069868104028310.post-7356760176976703522</guid><pubDate>Fri, 03 Jan 2014 23:51:00 +0000</pubDate><atom:updated>2014-01-03T15:51:00.621-08:00</atom:updated><title></title><description>Amor, então,&lt;br /&gt;
também, acaba?&lt;br /&gt;
Não, que eu saiba.&lt;br /&gt;
O que eu sei&lt;br /&gt;
é que se transforma&lt;br /&gt;
numa matéria-prima&lt;br /&gt;
que a vida se encarrega&lt;br /&gt;
de transformar em raiva.&lt;br /&gt;
Ou em rima.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
(Paulo Leminski)</description><link>http://naosoutaoruim.blogspot.com/2014/01/amor-entao-tambem-acaba-nao-que-eu-saiba.html</link><author>noreply@blogger.com (Rodolfo Xavier)</author><thr:total>0</thr:total></item><item><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-5068069868104028310.post-2020274916929390749</guid><pubDate>Sun, 20 Oct 2013 01:42:00 +0000</pubDate><atom:updated>2014-01-07T13:24:35.940-08:00</atom:updated><title>Manifesto por um mundo com amores mais barulhentos</title><description>&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: Georgia, Times New Roman, serif;&quot;&gt;Não sei amar em silêncio. Por mais que eu tenha que passar o resto da vida tendo que gastar com palavras o que era pra ser gasto com vivência, não consigo deixar para depois a vontade de dizer, confessamente, que amo alguém. A não ser que a pessoa esteja em um relacionamento sério e eu não esteja nenhum pouco afim de torná-lo engraçado, claro.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: Georgia, Times New Roman, serif;&quot;&gt;Passamos a vida tão no vermelho, para adiarmos isso, não acha?&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: Georgia, Times New Roman, serif;&quot;&gt;Alguém já disse por aí: &quot;Se nada nos salva da morte, pelo menos que o amor nos salve da vida&quot;. Concordo em gênero, número e grau.&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: Georgia, Times New Roman, serif;&quot;&gt;Quantas e quantas noites não foram salvas assim?&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: Georgia, Times New Roman, serif;&quot;&gt;Quantos sorrisos não foram ganhos e retribuídos desta forma?&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: Georgia, Times New Roman, serif;&quot;&gt;Quantos suicidas se transformaram em tristezicidas após um &quot;amor&quot; verdadeiro?&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: Georgia, Times New Roman, serif;&quot;&gt;Porque, se pararmos para pensar, tudo que buscamos na vida é amor e suas infinitas variantes.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: Georgia, Times New Roman, serif;&quot;&gt;Foi no dia em que saí de casa (atrasado), entrei no ônibus, e menos de 1 km depois deparei com um acidente, que percebi que amor é o que nos salva mesmo da existência. E que é exatamente isto, com diversas roupagens, &amp;nbsp;que buscamos.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: Georgia, Times New Roman, serif;&quot;&gt;Eis que em um polêmico cruzamento, dois carros colidiram. Os motoristas, então, que nada sofreram, e deveriam sentir-se amados o suficiente pela vida por conta disso, começaram a discutir sobre quem estava errado. Lembro bem de uma idosa pálida que havia em um dos carros, nervosíssima pelo ocorrido. Mas nisso, os motoristas não reparavam. Vociferavam palavras um ao outro, com uma centena de pessoas à assistir e gritar pedindo que tirassem os carros do meio para que pudessem seguir suas vidas nada amorosas. Uma balbúrdia.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: Georgia, Times New Roman, serif;&quot;&gt;Foi então, que ambas as esposas dos dois briguentos, trêmulas e chorando, rodearam os carros e se abraçaram. Foi um nocaute massivo. Uma centenas de caras acertadas de uma só vez. Na hora, só pude sorrir, embora minha vontade fosse descer e abraçar elas. O exército do ódio caiu por terra e os motoristas se entreolharam e riram. Tudo ficou bem, vexame resolvido, continuaram suas vidas. Tá vendo? Simples: amor. Só buscamos menos burocracia para nossa vida e mais amor, senhora Presidente!&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: Georgia, Times New Roman, serif;&quot;&gt;A partir daí, passei a observar verdadeiros &#39;pequenos heróis do amor&#39; no nosso dia a dia e a analisar o quanto isto é algo substancial.&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: Georgia, Times New Roman, serif;&quot;&gt;Foi amor quando vi a mãe de um jovem cadeirante, morrendo de rir de felicidade, ao colocar ele, desajeitadamente feliz, em uma cadeira de dentista e ver a realização dele naquele momento.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: Georgia, Times New Roman, serif;&quot;&gt;Foi amor quando vi um casal adolescente dando um puta amasso na parada de ônibus lotada sem ligar pra ninguém.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: Georgia, Times New Roman, serif;&quot;&gt;Foi amor quando vi um casal de idosos namorando na praia.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: Georgia, Times New Roman, serif;&quot;&gt;Foi amor quando vi um pai e uma mãe, com seu bebezinho de poucos meses de vida no ônibus, e o pai trocou de lugar com a mãe porque o sol estava incidindo no garotinho.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: Georgia, Times New Roman, serif;&quot;&gt;Foi amor quando vi uma mãe sorrir com carinho e escondida, vendo a filha, antes triste, sorrir.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: Georgia, Times New Roman, serif;&quot;&gt;Foi amor, muito amor, quando eu decidi me desarmar para viver um amor.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: Georgia, Times New Roman, serif;&quot;&gt;Podemos nos tornar, quem sabe, nossos próprios heróis do amor, não acha? Se o amor, este que pode ser asas e abismo na vida de qualquer pessoa, é tão urgente, não escondamos nossa urgência e sejamos salvo pela nossa própria emergência, afinal, amor é um exercício constante de emergir aquilo que teimamos em manter imerso no nosso mar particular.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: Georgia, Times New Roman, serif;&quot;&gt;Por isso, me peça para gritar e me chantageie dizendo que vai berrar ao mundo nosso amor, mesmo que ninguém possa saber, mas não me peça para amar em silêncio. Barulho sempre é alguma coisa, mas silêncio, nem sempre é algo. Vamos! Chantageie-me, compre-me com suas afrontas apaixonadas, seus devaneios poéticos, torne-me seu herói do amor, mas, por favor, não me torne apenas um expectador silencioso das suas desventuras apaixonadas.&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: Georgia, Times New Roman, serif;&quot;&gt;Também não gosto de monotonia e de mimimi adocicado, não ache isso. Amor deve vir em lugares cabidos, assim como o sal, a pimenta e o açúcar na nossa dieta, principalmente para os hipertensos. Não é porque acredito na sua valia, ainda que gasto com palavras, que o gastarei à toa.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: Georgia, Times New Roman, serif;&quot;&gt;No entanto, deixar de dizer algo tão raro e tão bonito, quando verdadeiro, pode ser uma tremenda sabotagem consigo mesmo e, se consegue calar diante da urgência que é, não se iluda, não é amor.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;
&lt;div class=&quot;separator&quot; style=&quot;clear: both; text-align: center;&quot;&gt;
&lt;/div&gt;
&lt;/div&gt;
</description><link>http://naosoutaoruim.blogspot.com/2013/10/manifesto-por-um-mundo-com-amores-mais.html</link><author>noreply@blogger.com (Rodolfo Xavier)</author><thr:total>2</thr:total></item><item><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-5068069868104028310.post-7608955356117721976</guid><pubDate>Sun, 13 Oct 2013 17:20:00 +0000</pubDate><atom:updated>2013-10-13T10:20:20.540-07:00</atom:updated><title>Letras à se fazerem voo</title><description>Amor em tabelas é quadrado.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp;Prefiro&lt;br /&gt;
&amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; um&lt;br /&gt;
&amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; amor&lt;br /&gt;
&amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; em&lt;br /&gt;
&amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp;espiral.</description><link>http://naosoutaoruim.blogspot.com/2013/10/letras-se-fazerem-voo.html</link><author>noreply@blogger.com (Rodolfo Xavier)</author><thr:total>0</thr:total></item><item><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-5068069868104028310.post-2235944850994155079</guid><pubDate>Tue, 01 Oct 2013 21:38:00 +0000</pubDate><atom:updated>2013-10-01T14:38:21.411-07:00</atom:updated><title>Metalinguagem </title><description>Cansei de fazer poesia escrita,&lt;br /&gt;
agora quero fazer poesia vivida:&lt;br /&gt;
gestos em versos,&lt;br /&gt;
sorrisos rimados,&lt;br /&gt;
amor com neologismos,&lt;br /&gt;
aprendizado como epígrafe,&lt;br /&gt;
vida com ritmo compassado&lt;br /&gt;
{mas sem rimas A/B A/B, porque são monótonas},&lt;br /&gt;
prazer como inspiração e&lt;br /&gt;
felicidade com licença poética.</description><link>http://naosoutaoruim.blogspot.com/2013/10/metalinguagem.html</link><author>noreply@blogger.com (Rodolfo Xavier)</author><thr:total>0</thr:total></item><item><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-5068069868104028310.post-5321152344166920989</guid><pubDate>Tue, 01 Oct 2013 21:25:00 +0000</pubDate><atom:updated>2013-10-01T14:27:45.264-07:00</atom:updated><title>Tac Tac </title><description>Todos os nossos dominós&lt;br /&gt;
enfileirados. Somos.&lt;br /&gt;
E a vida sopra, e venta&lt;br /&gt;
e derruba.&lt;br /&gt;
&amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp;Caímos.&lt;br /&gt;
Mas até o dominó das&lt;br /&gt;
angústias cai.&lt;br /&gt;
E passa, e segue e vive.&lt;br /&gt;
E vive.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;</description><link>http://naosoutaoruim.blogspot.com/2013/10/tac-tac.html</link><author>noreply@blogger.com (Rodolfo Xavier)</author><thr:total>0</thr:total></item><item><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-5068069868104028310.post-5842705218398296006</guid><pubDate>Sat, 21 Sep 2013 23:55:00 +0000</pubDate><atom:updated>2013-09-21T16:55:58.041-07:00</atom:updated><title></title><description>&lt;div class=&quot;pquote&quot; style=&quot;position: relative;&quot;&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;color: #050505; font-family: candara; font-style: italic; line-height: 13px;&quot;&gt;“&lt;/span&gt;Achou que foi em 2004 que a vovó parou de andar. Simplesmente não conseguia mais, ela nunca foi muito ativa, dessas avós corre-mundo de novela, fazia mais o tipo avó de palavras-cruzadas, rezas católicas, Roberto Carlos e jogos do Internacional no radinho de pilhas. Meu avô era o oposto, estava sempre zanzando, sempre trazendo algo novo da rua, ou o usual hálito etílico da birita dominical com seus cupinchas de bar (quantas vezes ouvi a ordem “o almoço está quase pronto, vá buscar o seu avô!”). Eles não admitiriam – nem poderiam, entre tantos outros – mas sempre me senti o neto predileto, eu estava sempre por perto, era amoroso, gostava de brincar com os lóbulos molengas dela e assistir filmes de bang-bang e jogos de vôlei feminino com ele. Um dia meu avô me chamou no quarto. Supostamente minha avó não queria se levantar para tomar o último café do dia, e a lenga-lenga estava o deixando irritadiço. Então eu tive de dizer “ei, vô, a vó não caminha mais” e ele ficou meio confuso, as mãos na cintura, ofegando. Não deu outra, após alguns exames detalhados, o diagnóstico foi o tal do Mal de Alzheimer, coisa que só se dava com o avô dos vizinhos. Com mais alguns anos, minha avó deixou de se alimentar como um adulto, passou a se comunicar apenas com gemidos e sinais. E meu avô foi esquecendo quem eu era, quem era todo mundo. Só não esquecia da sua “Deusa”, como ele dizia, que estava sempre ali, na poltrona próxima à janela. Era um tanto irônico. Ela, com a memória de ferro intacta, vegetando. Ele, pra lá e pra cá nos corredores, perguntando às enfermeiras que horas o carro chegaria para levá-lo de volta para sua casa – onde ele já estava, de onde dificilmente saia. Na cabeça dele, estava, vai saber, na agência de Correios onde sempre trabalhou até uns 30 anos atrás. O tempo foi passando, ele deixou de assistir filmes de bang-bang, foi ficando cada dia mais esquecido, mas agressivo e impaciente, às vezes protagonizando umas cenas engraçadas, que a gente ria antes de chorar. Mas sempre zanzando. Corredor, cozinha, porta da frente sempre trancada, corredor, sala, banheiro, quarto de dormir. Como se estivesse num lugar nada residencial, trancado fora do mundo que levou décadas para construir. Então a vovó pegou uma pneumonia. Aí melhorou. Ficou ruim outra vez, os antibióticos não funcionavam. Até que me ligaram no meio da noite. “Ela piorou muito”, eu sabia, era apenas um eufemismo de quem não sabe como dar a notícia. Ao chegar no quarto, o rosto frio de quem não havia sofrido muito, os socorristas preenchendo formulários, legalizando o sono eterno. Ele deitado do lado, olhos fechados e o neuro-tique de mastigar as gengivas, sem nada desconfiar. Igual ele não discerniria, seria árduo explicar a diferença de vida e morte a um velhinho agredido por uma doença degenerativa avançada. Foi consenso não contar, às vezes a realidade apenas traz dores desnecessárias, felizes são os que vivem no mundo da lua. Pela manhã, enquanto ele contava piadas na sala, a funerária passou com o corpo. Isso foi há umas duas semanas, mais ou menos, e até hoje ele não perguntou por ela. Parece feliz, daquele jeito dele, dias bons, dias ruins, nenhum é igual. Não sei se foi o certo a fazer, mas foi o melhor. Há casos em que a correção não alivia o sofrimento de ninguém. Mas uma coisa me veio à cabeça, enquanto o padre fazia a extremunção divertindo o pessoal melhor do que faria Jerry Seinfeld, um verdadeiro showman. Será que ela não segurou a barra de viver entrevada esse tempo todo só para morrer quando justamente não o faria sofrer? Impossível saber, mas eu acho que sim, seria uma prova de amor contundente no meio dessa matilha de relações egoístas. E, apesar de não crer muito nessas coisas, também gosto de pensar que ela foi para um lugar melhor. Um lugar onde as pessoas lembram do seu nome.”&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
Gabito Nunes.&lt;/div&gt;
&lt;/div&gt;
</description><link>http://naosoutaoruim.blogspot.com/2013/09/achou-que-foi-em-2004-que-vovo-parou-de.html</link><author>noreply@blogger.com (Rodolfo Xavier)</author><thr:total>0</thr:total></item><item><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-5068069868104028310.post-6491609634618974662</guid><pubDate>Sun, 01 Sep 2013 01:40:00 +0000</pubDate><atom:updated>2013-08-31T18:52:16.151-07:00</atom:updated><title>O Sábado do Cícero</title><description>&lt;div class=&quot;separator&quot; style=&quot;clear: both; text-align: center;&quot;&gt;
&lt;a href=&quot;https://fbcdn-sphotos-c-a.akamaihd.net/hphotos-ak-frc1/1174598_709904215702661_1929997228_n.jpg&quot; imageanchor=&quot;1&quot; style=&quot;margin-left: 1em; margin-right: 1em;&quot;&gt;&lt;img border=&quot;0&quot; height=&quot;400&quot; src=&quot;https://fbcdn-sphotos-c-a.akamaihd.net/hphotos-ak-frc1/1174598_709904215702661_1929997228_n.jpg&quot; width=&quot;400&quot; /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
Este sábado, dia 31 de agosto, foi um dia que finalizou a longa espera de um público que aprecia composições minimalistas e com palavras excessivamente carregadas de significados: foi lançado oficialmente o segundo CD do cantor Cícero.&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
Para fãs que, assim como eu, o acompanham desde o seu primeiro registro, intitulado &lt;i&gt;Canções de Apartamento&lt;/i&gt; (e que já foi citado em algum post desse blog) este sábado foi de espera. No entanto, ao apreciar o produto motivo da nossa expectativa, percebemos que qualquer tempo que esperássemos por isso, ainda estaria dentro dos limites, pois a obra é de um primor esplêndido e é digna de fazer qualquer um aguardar.&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
O próprio Cícero citou por aí que a sonoridade do disco remete àquele horário no fim da tarde em que tudo fica em paz, nem escuro, nem claro, nem quente, nem frio (eu, particularmente sou apreciador nato desse momento). Como ele mesmo afirmou, este momento dúbio é uma metáfora sobre sua personalidade e as músicas desse disco são um pouco disso.&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
De fato, ao se ouvir as canções, não tem como não lembrar de uma tardinha qualquer por aí, na beira da praia ou não, quando o sol de maduro já caiu e a lua com preguiça ainda não apareceu e quase tudo que tinha para acontecer naquele dia já aconteceu. Uma estranha onda de calmaria preenche o céu juntamente com um degradê lindo que parece aflorar nosso sentimentalismo e trazer à tona as angústias, medos e expectativas que somos nós. Geralmente essa é a hora que temos tempo de ser nós mesmos, quando não necessitamos de incorporar nosso personagem do trabalho ou das nossas outras obrigações diárias. E, sem dúvida, a cada verso dessa obra, nos achamos e vemos surgir dentro de nós, a partir dos nossos ouvidos, toda a sensibilidade capaz de sentir tudo aquilo que não percebemos que sentimos, mas que em meio a palavras, dedilhados de violão e uma percussão primorosa podem ser encontrados.&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
Parece, aparentemente ser um disco mais &#39;limpo&#39;, com uma sonoridade mais centrada em dedilhados, sem grandes emoções, no entanto, isto é algo completamente subjetivo e vai da capacidade de cada atento - ou não- ouvinte de sentir.&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
O que acontece, na verdade, é que este é um disco repleto de pequenas chaves e fechaduras que só com o escutar, ao longo do tempo, vamos descobrindo, abrindo novas portas e conhecendo novos territórios aonde nem imaginávamos que existiam. Nisto, este disco completamente se assemelha com seu antecessor - &lt;i&gt;Canções de Apartamento&lt;/i&gt;- , onde a cada nova escutada, dependendo da frequência sentimental do ouvinte, um novo som é equalizado, um novo antigo verso faz sentido e um vocal surge trazendo uma alforria para nossas brigas internas. Esta é uma das partes mais incríveis de se escutar Cícero: o disco é sintonizado de acordo com nossa frequência sentimental.&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
Abstrações extremamente casuais e momentâneas parecem ter sido captadas em câmera lenta e traduzidas em música e este é, talvez, o motivo de causar o sentimento de &quot;preferia o CD anterior&quot; que observei nas palavras dos fãs, nas redes sociais. Diferentemente das músicas do primeiro registro, em que ele canta versos mais digestíveis a primeira escutada, este traz versos menores, compassos mais curtos, trocadilhos mais subjetivos e uma obra, consequente, com um nível mais elevado para ser degustada.&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
A incrível faixa &lt;i&gt;Ela e a Lata&lt;/i&gt;, por exemplo, parece ter sido exacerbadamente pensada e do título ao ritmo - semelhante ao do veterano da MPB Gilberto Gil - transcreve uma poesia medonha que só é mostrada ao ouvinte capaz de ouvi-la. São tantos elementos que compõem a mensagem que o Cícero quer passar, que até a sonoridade com um tropismo para o lado do Gilberto Gil, traduz a cara social desta canção.&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
Não se enganem, tudo foi pensado.&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&amp;nbsp;Ao utilizar de versos como &lt;i&gt;&quot;à burulhar, ela / as perna magr&#39;Ela, / vida amar&#39;Ela / ô vida má.../ Vou sair pra passear...&lt;/i&gt;&quot;, transgredimos em poucos minutos através da cena de um observador - o eu lírico - vendo uma provável catadora de latas.&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&amp;nbsp;Durante a canção, ele analisa todo seu aspecto mórbido ( como visto no verso &lt;i&gt;&quot;as pernA magr&#39;Ela&quot;&lt;/i&gt; - até o cuidado de tirar o S da primeira palavra foi tomado para traduzir o vocabulário daquele ser esfarrapado a ser observado, refletindo a classe social extremamente renegada a que ela se encontra), conclui que a vida &quot;a ama&quot; para não leva-la dessa efêmera existência de vez ( como pode ser observado no verso &lt;i&gt;&quot;a vida amar&#39;Ela&quot;&lt;/i&gt;), na sequência temos o trecho &lt;i&gt;&quot;ô vida má...&quot;&lt;/i&gt; que remete ao quanto a vida pode ser má com algumas pessoas (nesse momento, podemos presumir que o eu lírico se sente mal por presenciar aquele estado desumano), no entanto, após mais alguns segundos de melodia o verso &lt;i&gt;&quot;Vou sair para passear&quot; &lt;/i&gt;com tom despreocupado é disparado pelo eu lírico e a grande jogada dessa música talvez está nesse minúsculo verso que traduz o egoísmo humano (o expectador foi capaz de observar a condição subumana a que o outro - a catadora - se encontrava, se sentiu mal, mas preferiu sair para passear e esquecer daquilo à fazer algo para mudar a realidade dela).&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
São chaves e fechaduras assim, que quando encaixadas, mostram a nós o nível elevadíssimo de composição a que Cícero chegou e que enche o nosso Sábado.&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
A abstrata faixa &lt;i&gt;Asa Delta&lt;/i&gt; nos mostra uma espécie de poesia musicada - poesia esta que no encarte adquire forma de asa delta, realmente- e é formada por uma abstração tão íntima e tão metafórica para a existência, que só os ouvidos mais atentos serão capazes de captar o silêncio inicial da faixa sendo irrompido por um barulho mais urbano como um pouso de um voou de Asa Delta. É uma faixa repleta de minúcias que literalmente sai do mundo da música para o céu nas ultimas palavras cantadas: &lt;i&gt;&quot;Eu voo...&quot;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
A canção &lt;i&gt;Fuga Nº4&lt;/i&gt; nos mostra uma divagação sobre o mundo e as verdades ou ausência delas. A poesia se torna palpável no verso &lt;i&gt;&quot;O destino, o tempo inteiro envergando a verdade&quot;&lt;/i&gt; em que no encarte está realmente como se fosse um sólido envergado, sendo o verso&lt;i&gt; &quot;A verdade dorme cedo&quot;&lt;/i&gt; a base que sustenta todo esse envergamento. Você tire suas próprias conclusões, a partir disto.&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
Não só as poesias abstratas merecem destaque nesta obra. A sonoridade também, uma das marcas do Cícero, é bem ímpar. Na faixa&lt;i&gt; Frevo Por Acaso&lt;/i&gt;, por exemplo, palmas foram sabiamente encaixadas e se tornam uma percussão incrível. Na faixa &lt;i&gt;Para Animar o Bar&lt;/i&gt;, um ritmo mais alegre - remetente aos Los hermanos - se faz som e acaricia o ouvido do expectador.&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
Além disso, sábias utilizações das palavras podem ser encontradas por toda a obra - característica essa que, na minha opinião deixa a obra mais rica e rompe os limites entre quem escuta e quem compôs. A doce canção &lt;i&gt;Por Botafogo&lt;/i&gt;, por exemplo, tem um verso bem notório:&lt;i&gt; &quot;Mas se o tempo der, posso avarandar seu tédio...&quot;&lt;/i&gt; que remete às características agradáveis e livres das varandas &#39;avarandando&#39; o tédio e tornando este mais feliz e suportável.&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
Definitivamente, a áurea mágica e misteriosa do fim da tarde de um sábado - imagem sinestésica que compõe a própria capa do CD- foi transcrita em música e isso torna-se mais perceptível ainda ao se degustar essa mantra neste horário, com um espirito livre e ameno. Recomendo... Terapia melhor, não há.&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
São por estes e muitos outros incríveis detalhes que concluímos de vez que esta é uma obra, no mínimo primorosa e meticulosamente montada para o ouvinte.&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
Sabiamente, Cícero soube combinar diversos elementos com versos curtos - extremamente carregado de sentidos - resultando em algo mais maduro e &quot;pé no chão&quot; que seu disco anterior, no entanto, que exigem uma maior capacidade e sensibilidade por partes dos ouvintes.&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
Quase que com certeza, Cícero vai continuar a estrelar a lista das principais promessas da Música Brasileira e, se souber usar ainda mais do seu incrível talento, vai continuar a nos presentar com outros discos tão mágicos e minimalistas quanto esses dois primeiros. Admito que torço muito por isso.&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
Outra coisa bastante legal e bem característica dele, é a disponibilização GRATUITA do seu trabalho para download. Se você não conhece ou não tem um desses dois CD&#39;s dele, basta entrar no site www.cicero.net.br e se deliciar com essa música que acalma a alma.&lt;/div&gt;
</description><link>http://naosoutaoruim.blogspot.com/2013/08/o-sabado-do-cicero.html</link><author>noreply@blogger.com (Rodolfo Xavier)</author><thr:total>1</thr:total></item><item><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-5068069868104028310.post-8190389269778667699</guid><pubDate>Sun, 21 Jul 2013 16:02:00 +0000</pubDate><atom:updated>2013-07-21T09:02:45.556-07:00</atom:updated><title>O doce após o salgado</title><description>&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;div class=&quot;separator&quot; style=&quot;clear: both; text-align: center;&quot;&gt;
&lt;a href=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEhjfHDbqwHmDbPLPU1zbywOs7U8QllFxxo_bEEEmDUDLhhCqI_RcBNWI5BiHKSSLlEpGT3ovVFNzh1YPreFOxa5UGNeVDM4fV4PXTNk9YKWqsbEaqPEI-ZMUBeDIFSEwaHnkEvj6QYN2SQ/s1600/poesia_by_sivel12001.jpg&quot; imageanchor=&quot;1&quot; style=&quot;margin-left: 1em; margin-right: 1em;&quot;&gt;&lt;img border=&quot;0&quot; height=&quot;315&quot; src=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEhjfHDbqwHmDbPLPU1zbywOs7U8QllFxxo_bEEEmDUDLhhCqI_RcBNWI5BiHKSSLlEpGT3ovVFNzh1YPreFOxa5UGNeVDM4fV4PXTNk9YKWqsbEaqPEI-ZMUBeDIFSEwaHnkEvj6QYN2SQ/s320/poesia_by_sivel12001.jpg&quot; width=&quot;320&quot; /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;
&lt;br /&gt;
Não quero que meu casamento seja um mero acidente capitalista ou, quem sabe, consequência de atitudes &amp;nbsp;de jovens outrora apaixonados. Não quero ter que sobreviver 20 anos com alguém por consideração a 3 &amp;nbsp;anos iniciais que foram realmente vividos. Não quero que ninguém me deva ações por eu cumprir minhas obrigações.&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
Porque amor é pêndulo, tic-tac do relógio, balança de bandejas que desregula. Muitos (sobre)vivemos achando que amor é digno de extremos. Amamos catastroficamente, odiamos subitamente. &amp;nbsp;Amamos catastroficamente, odiamos subitamente.&amp;nbsp;E vamos nesse pêndulo; uma alternância cordial que põe em xeque aquilo que o ser humano mais teme: a solidão.&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
Porque se tem uma coisa que nós amamos é a contra-sensação. Amamos um salgado após o doce massivo, salivamos diante de um sabor açucarado após um paladar amargo, amamos um amor torrencial após um ódio tempestadiano.&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
Pare e pense se você não conhece um caso semelhante a este: o carinha está largado em relação ao relacionamento. Ela, chateada, decide &quot;dar um gelo&quot; nele. Não liga, não fala, não dá atenção. Resultado? O cara fica só, sente um puta ódio e depois, percebe que a ausência dela grita. Quase como uma vingança contra si mesmo, dá a ela uma dose sobrecarregada de amor, após o ódio. Vice-versa. Ela largada, ele &quot;dá um gelo&quot;, ela o ama intensamente. É bem aí que se faz prática a teoria do doce após o salgado.&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
Retroceda e lembre o dia em que o almoço tinha tanto sal, que você aguardava ansiosamente pela sobremesa doce. Por fim, quando esta veio e você saboreou-a, entrou em um êxtase. Admita, essa quebra de sensações é um deleite! O amor estraçalhando o sabor do ódio é um orgasmo indescritível também, devo dizer.&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
O problema disso tudo está em o amor (metaforicamente, nosso doce) passar a ser mais a sobremesa da relação do que o prato principal, e aí passamos longos períodos ressecando nossos lábios com sal ao invés de nos lambuzarmos com açúcar. Seguimos por longos períodos nos enganando e engando o outro, tendo que aturar momentos de ódio para termos uma pontinha de amor vulcânico. Inteligente mesmo é quem engana a si mesmo para ter o que quer.&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
O outro problema disso tudo está na exaustão. Sim, esse é um dos poucos casos em que a repetição leva à exaustão, mas não à perfeição. Com o passar do tempo, principalmente nas relações mais duradouras, como os intervalos de salgado tornam-se mais amplos e constantes, o prazer adocicado torna-se cada vez menor e com menos emoção. Além disso, muitas vezes um amargo desesperador substitui o salgado, como isca pelo doce. Seguimos nesse pêndulo até que a exaustão tira o sentido da existência do pêndulo. Nossas relações passam a ser um mero acidente de quando nossa enganação particular funcionava ou de quando nem existia pêndulo e já vivíamos no melhor dos extremos da história. E aí, passamos longos anos tendo que sentir um gosto amargo como fél, dividido em muitas suaves prestações, como consequência da nossa enganação sobre o amor. Você decide.&lt;/div&gt;
</description><link>http://naosoutaoruim.blogspot.com/2013/07/o-doce-apos-o-salgado.html</link><author>noreply@blogger.com (Rodolfo Xavier)</author><media:thumbnail xmlns:media="http://search.yahoo.com/mrss/" url="https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEhjfHDbqwHmDbPLPU1zbywOs7U8QllFxxo_bEEEmDUDLhhCqI_RcBNWI5BiHKSSLlEpGT3ovVFNzh1YPreFOxa5UGNeVDM4fV4PXTNk9YKWqsbEaqPEI-ZMUBeDIFSEwaHnkEvj6QYN2SQ/s72-c/poesia_by_sivel12001.jpg" height="72" width="72"/><thr:total>0</thr:total></item><item><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-5068069868104028310.post-299766849003180242</guid><pubDate>Thu, 27 Jun 2013 19:20:00 +0000</pubDate><atom:updated>2013-06-27T12:20:38.589-07:00</atom:updated><title>L&#39;appel du vide</title><description>&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
Tudo que&amp;nbsp;exige&amp;nbsp;ineditismo de mim, me cansa. Não me venha com roteiros, manuais de instruções, passo a passo. Não gosto de felicidade ensaiada, aliás, esta, pra mim, nem é felicidade, é teatro. Não gosto de nada que é pedido, não gosto de nada exigido. Nada que seja meticulosamente programado. Odeio tudo que me generalize, que me faça ser a mesma coisa por muito tempo. Odeio rotina, odeio tabelas retas e formas que fazem tudo sempre do mesmo jeito. A graça da vida é esse errado deliciosamente acertado, é esse belo bater de asas torto das borboletas. É o decadente atraente. É o gauche de Drummond. Porque tudo que é bonito, é feio ao ponto de causar uma estranheza bela e tornar-se bonito.&amp;nbsp;&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
A graça da vida é esse rabisco feito sem régua que entortou a ponto de você ter que inventar um novo desenho em cima dele para encobrir e, no final das contas, ficar melhor do que o traço inicial ensaiadamente reto. A graça da vida é a transitoriedade, os picos, as curvas&amp;nbsp;sigmoides&amp;nbsp;do gráfico seguidas de&amp;nbsp;estonteantes&amp;nbsp;depressões e de picos estratosféricos.&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
Odeio tudo que faz ser o eu que sempre fui. Odeio ter que justificar sempre o que eu odeio. Detesto padrões. Detesto atitudes &quot;protótipo&quot;. Eu gosto daquilo que é, para mim, um campo em que o m&#39;EU pássaro possa dar voos cortantes e rasantes profundos, com as asas abertas ao máximo, sem medo de esbarrar em grandes de gaiolas. Talvez seja por isso que a estranheza bela de abismos me atraem, &quot;um vazio antitético cheio de coisas&quot;.&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
Talvez, no final de tudo, eu só leve a vida a sério demais. Só viva tanto tudo que esqueço de viver. Talvez só &amp;nbsp;passe pela estrada sem ter a ousadia de diminuir a velocidade e admirar a paisagem. Talvez todos os meus ideais de liberdade, de vida, de voos e felicidade sejam só utopias particulares que me afagam e deixam a vida insalubre mais utopicamente sobrevivível. Talvez só cedo amigavelmente porque a minha maior vontade é contrariar grotescamente. Talvez só tenham o meu silêncio aqueles que são dignos a receber meus maiores gritos. É porque sou assim mesmo, randomizado, estatisticamente improvável. Ou tão provável que contrario toda a probabilidade improvável dos outros. Sou uma abulia crônica.&lt;/div&gt;
</description><link>http://naosoutaoruim.blogspot.com/2013/06/lappel-du-vide.html</link><author>noreply@blogger.com (Rodolfo Xavier)</author><thr:total>1</thr:total></item><item><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-5068069868104028310.post-3838889010961122072</guid><pubDate>Wed, 05 Jun 2013 21:23:00 +0000</pubDate><atom:updated>2013-06-05T15:42:38.556-07:00</atom:updated><title>Tecnologia de ponta</title><description>&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;div class=&quot;separator&quot; style=&quot;clear: both; text-align: center;&quot;&gt;
&lt;a href=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEjB4-3cpjZJKHX9CIBxCUrIee-Y71Ui3j9Uz3GmNBtNT3Q4U1GC-Pojs9tYMRxPh3KuMoW19e5MMf9aLy3mSYPysGRIAe3KaPUJYEVnpJKMbQLdgBa2fLGDoGsjk26bpbifVIfsff9_Dic/s1600/tumblr_lu87e7tWG41r32s4eo1_500.jpg&quot; imageanchor=&quot;1&quot; style=&quot;margin-left: 1em; margin-right: 1em;&quot;&gt;&lt;img border=&quot;0&quot; height=&quot;400&quot; src=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEjB4-3cpjZJKHX9CIBxCUrIee-Y71Ui3j9Uz3GmNBtNT3Q4U1GC-Pojs9tYMRxPh3KuMoW19e5MMf9aLy3mSYPysGRIAe3KaPUJYEVnpJKMbQLdgBa2fLGDoGsjk26bpbifVIfsff9_Dic/s400/tumblr_lu87e7tWG41r32s4eo1_500.jpg&quot; width=&quot;257&quot; /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;
&lt;br /&gt;
Sou fanático por tecnologia, admito. Sou desses que adoram micromáquinas que te apresentam uma gama de utilidades que nem eram imagináveis pouco tempo atrás, qualquer nova engenhoca que nos faça experimentar novas impressões ou, quem sabe, aquelas que consigam tirar de mim um &quot;era só o que faltava &amp;nbsp;mesmo!&quot;. Sou fã.&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
Aí agora (já não tão agora assim) chegam essas telas que ou nos arrastam para dentro delas ou expulsam o que contém para cima da gente, coisa de doido mesmo.&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
Imagino, de vez em quando, o que meu avô acharia disso tudo.&amp;nbsp;&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
Devaneio à parte, que baita tecnologia! Bastam duas lentes, uma tela com um colorido bizarro e &lt;i&gt;ta-ram! &lt;/i&gt;(leia-se com aquele tom clichê de passes de mágica de desenhos animados)&amp;nbsp;Alice e &lt;i&gt;Wonderland &lt;/i&gt;inteira se fazem ao nosso lado, fagulhas passam raspando e tiros (poxa vida, esses são de matar) vêm em nossa direção.&amp;nbsp;&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
Vez por outra aparecem aqueles &#39;especialistas&#39; na TV ou em revistas com aquelas frases sensacionalistas do tipo: &quot;Adeus cinema antigo&quot; ou &quot;3D, a nova era da imagem&quot;. E há quem diga, em letras garrafais, que esse obsoleto 2D (sim, esse tipo de imagem que eu e a maioria dos brasileiros ainda têm em casa) esteja com os dias contados.&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
Pois bem, após minhas primeiras experiências com esse contato mais aprofundado com as telas, um dia desses, passei a observar que a gente vê, naturalmente, as coisas meio 2D mesmo.&amp;nbsp;&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
Foi quando eu olhei através da janela do meu quarto e tentei enxergar o prédio mais longe que a minha visão astigmática me permitia que eu percebi que a gente vê as coisas meio planas, meio como se estivessem unidas formando aquela imagem final, quase como se fossem parte de uma tela de pintura onde, apesar de respeitar a dimensão e distância entre aquilo mais próximo e mais distante, não passa de uma mera ilusão em um plano. Era como se prédio e céu fossem uma coisa só, apesar de não serem.&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
Às nuvens se aplica a mesma teoria. Vemos elas sempre meio planas, apesar de possuírem diferentes tons que tentam evidenciar seus contornos. Sempre ficava meio encabulado, ainda na minha infância, quando eu ficava de cabeça para baixo e observava o céu. Sempre que assim fazia, era como se novas nuvens surgissem e eu pudesse ver com detalhes do menor ao maior volume que elas apresentavam. Aquele céu comum e plano se apresentava enorme, com nuvens algodoadas&amp;nbsp;corpulentas, me mostrando o quanto é imenso e infinito.&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
Lembrei que, certa vez, no alto de uma montanha, deitei sobre uma pedra e deixei minha cabeça meio que para fora dela, conseguindo ver o chão do abismo como céu e o céu como chão. Foram os óculos 3D mais baratos e mais incríveis que já pude colocar um dia! E teve, também, aquele dia de longa viagem em que olhando pela janela do carro e depois de muito tentar, a nuvem se fez tridimensional para mim, pomposa e encantadora.&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
Saindo das paisagens e nos voltando para esses seres que sorriem, choram e têm um coração que pulsa; Por que conseguimos enxergar as pessoas tão bidimensionalmente quando, na verdade, elas são multifaces tridimensionais?&amp;nbsp;&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
Se pararmos para pensar, o que falta mesmo, na grade maioria das pessoas, é saber ter sessões de vivências em 3D. Hoje em dia somos muito 2D, muito acostumados a ver aquilo que vemos sempre, aquele plano onde na verdade existem vários relevos, naquele tempo curto que temos sempre, com aqueles sorrisos econômicos de sempre e aquela empatia insolente de sempre. Falta contato, aproximação, falta sairmos de dentro das nossas telas e jorrarmos em direção a quem amamos. Faltam óculos 3D para vermos o jorro de quem já se faz tridimensional para nós. Falta vontade o suficiente para superar a dor de cabeça após a sessão porque valeu a pena êh êh.&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
Porque tecnologia de ponta mesmo é armar a visão contra o assalto da normalidade. Experimentem. É incrível, melhor e mais barato que óculos 3D!&lt;/div&gt;
</description><link>http://naosoutaoruim.blogspot.com/2013/06/tecnologia-de-ponta.html</link><author>noreply@blogger.com (Rodolfo Xavier)</author><media:thumbnail xmlns:media="http://search.yahoo.com/mrss/" url="https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEjB4-3cpjZJKHX9CIBxCUrIee-Y71Ui3j9Uz3GmNBtNT3Q4U1GC-Pojs9tYMRxPh3KuMoW19e5MMf9aLy3mSYPysGRIAe3KaPUJYEVnpJKMbQLdgBa2fLGDoGsjk26bpbifVIfsff9_Dic/s72-c/tumblr_lu87e7tWG41r32s4eo1_500.jpg" height="72" width="72"/><thr:total>1</thr:total></item><item><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-5068069868104028310.post-1726598014722016488</guid><pubDate>Wed, 08 May 2013 00:07:00 +0000</pubDate><atom:updated>2013-05-07T17:07:18.652-07:00</atom:updated><title>Bares e Casamentos</title><description>&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
Em Londres um pub está fazendo sucesso porque instalou para seus clientes uma cabine telefônica com uma sonorização peculiar: enquanto a pessoa fala no telefone, pode acessar o som de uma tranqueira no trânsito, com muito buzinaço. Ou pode acessar o som de um ambiente de escritório. Toda essa parafernália é para que quem esteja do outro lado da linha não identifique o som do bar. Assim o bebum pode dar uma desculpa esfarrapada e chegar em casa sem levar uma descompostura, afinal, estava trabalhando até tarde, o coitado, e ainda por cima ficou preso num engarrafamento depois.&amp;nbsp;&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
Essa cabine telefônica com efeitos especiais só vem demonstrar que os bares andam muito moderninhos, mas os casamentos continuam parados no tempo, mesmo na vanguardista Inglaterra. &quot;Só vou se você for&quot; segue na moda. Enquanto isso a hipocrisia deita e rola.&amp;nbsp;&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
Muitas pessoas ainda têm uma idéia convencional do casamento: encaminham-se para o altar como quem encaminha-se para o supermercado em busca de um produto pronto, industrializado, com um rótulo dando as instruções de como utilizá-lo, e parece que a primeira instrução é: nenhum dos dois têm o direito de se divertir sozinho ou com os amigos, a menos que o cônjuge esteja junto. Não é de estranhar que os prazos de validade do amor andem cada vez mais curtos.&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
Não há paixão que resista ao grude. Não há paciência que resista à patrulha. Não há grande amor que prescinda de outras amizades. Sair sozinho para beber com os amigos deveria ser um dos 10 mandamentos para uma união estável, valendo para ambos os sexos. Quem não gosta de bar pode substituir por futebol, cinema, shows, sinuca, saraus ou o que o Caderno de Cultura sugerir. E não perca tempo lamentando por aquele que vai ficar em casa. Provavelmente ele vai se divertir tanto quanto. Ouvir música, ver televisão, ler livros, abrir um vinho, tomar um banho de duas horas, navegar na internet, dormir cedinho, tudo isso também é um programaço. Quem não sabe ficar sozinho não pode casar, sob pena de transformar o matrimônio num presídio para dois.&amp;nbsp;&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
Tem muita coisa em Londres que eu gostaria de ter aqui: parques mais bem cuidados, mais livrarias, mais respeito à individualidade, melhor transporte público, prédios mais charmosos. Só dispensaria o clima e esse pub pra lá de vitoriano, onde pessoas adultas são incentivadas a inventar um álibi para justificar um atraso. Atraso é ter que mentir para que o outro não perceba que você está feliz.&amp;nbsp;&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;b&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;b&gt;Martha Medeiros&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;
&lt;/b&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
25 de fevereiro de 2002&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
</description><link>http://naosoutaoruim.blogspot.com/2013/05/bares-e-casamentos.html</link><author>noreply@blogger.com (Rodolfo Xavier)</author><thr:total>1</thr:total></item><item><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-5068069868104028310.post-6570542340803771332</guid><pubDate>Wed, 01 May 2013 01:58:00 +0000</pubDate><atom:updated>2013-05-02T14:02:14.073-07:00</atom:updated><title>Fragmento de algo maior que nunca existiu</title><description>&lt;div class=&quot;separator&quot; style=&quot;clear: both; text-align: center;&quot;&gt;
&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;separator&quot; style=&quot;clear: both; text-align: center;&quot;&gt;
&lt;a href=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEijzMpw1qdGWAmtUoCpMSSIU-F3LWhuNHVOehX1rZo1YXcFdMUUH9_JUQmx3gBrG87otLFlCjVF3-rVUcqPAwfX9bs23Rs1GZrtug0U73rx7vTJeEWSFwTOB3jcwllevj89eZOoKsSenXI/s1600/tumblr_m8d8ipn9WZ1qaay1oo1_500.png&quot; imageanchor=&quot;1&quot; style=&quot;margin-left: 1em; margin-right: 1em;&quot;&gt;&lt;img border=&quot;0&quot; height=&quot;400&quot; src=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEijzMpw1qdGWAmtUoCpMSSIU-F3LWhuNHVOehX1rZo1YXcFdMUUH9_JUQmx3gBrG87otLFlCjVF3-rVUcqPAwfX9bs23Rs1GZrtug0U73rx7vTJeEWSFwTOB3jcwllevj89eZOoKsSenXI/s400/tumblr_m8d8ipn9WZ1qaay1oo1_500.png&quot; width=&quot;278&quot; /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
... Um vento frio emanava e balançava as vestes daquelas pessoas. Estavam há milhas de altura, em cima de uma das mais altas montanhas daquele vale, em uma parte em que apenas uma pedra branca e nua se exibia para o belo fim de tarde. O verde monocromático e hiperbólico das montanhas e abismo vizinhos era pastoso e rodeava eles por todos os lados. Era um daqueles momentos em que o sol está ali, mas que por algum motivo geográfico não incidia diretamente neles, apenas iluminava-os de uma forma que criava uma aura mágica e sombria.&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
Cath se sentia estranhamente vazia ao transbordar de emoções.&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
Math mantinha-se ali, com o corpo curvado, o joelho quase encostando no queixo, acocorado, fitando o vazio, calado como se nunca tivesse pronunciado uma única palavra na vida. Estava quase que de costas para Cath, fitando aquele vácuo&amp;nbsp;quilométrico&amp;nbsp;com o abismo o preenchendo.&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
Mantinham-se...&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
Conversavam no silêncio, por minutos e minutos.&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
O sol havia baixado mais alguns milímetros no horizonte e a ausência de luz parecia dar lugar a uma frio que adentrava na entranha daqueles seres. O mundo estava envolto em um laranja esverdeado alucinógeno.&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
Era curiosa a sensação de diálogo mesmo sem palavras verbais ou corporais.&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
Era uma conversa abstrata de almas.&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
Os&amp;nbsp;pelos&amp;nbsp;de Cath se eriçavam a cado tufo de vento que penetrava nos seus vestes. Não sentia pressa. Não sentia pressa nenhuma. Era como se tivesse morrido continuando a viver. Não havia mais aquele sentimento de urgência iminente típico dos humanos. Tudo transcorria como se ela tivesse mais mil anos de uma confortável vida pela frente.&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
Math mantinha-se mais enigmático ainda, estático, efervescente. Consentia e acompanhava a silenciosa conversa enquanto seus cabelos esvoaçavam na beirada daquele monocromático abismo.&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
Sentou-se, por fim, sobre a gélida pedra nua. Deitou-se e sobre suas oculares via-se apenas a luz violeta azulada do céu com alguns cirros cinza enegrecidos, mais nada. Um cobertor de céu o aninhava. A baixa temperatura da pedra o fez sentir um calafrio na espinha.&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
Cath quebrou, por fim, o silêncio:&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
- Somos isso...&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
Passaram-se alguns minutos e Math, sentado novamente, imerso em pensamentos, indagou:&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
- O que, Cath?&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
- Esse vazio cheio de coisas...&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
-Somos...&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
Mas Math falou como quem fala pensando em algo completamente diferente...&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
Mais alguns minutos de vento gélido e verde alaranjado transcorreram...&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
Cath sibilou de uma forma séria e profunda:&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
- Ficamos nisso, então?&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
Math manteve-se calado. Respondeu através de uma profunda inspirada e do voltar da direção do olhar do abismo para os pés. Respondeu sem dizer uma palavra sequer.&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
Cath tinha os olhos cheios de lágrimas frias que estavam ali como um liquor que saia de sua alma sem muito alarde.&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
Ela odiava essa mania de amar nele o que ela mais odeia. O mesmo motivo do início é o mesmo motivo do fim. Havia uma conflito entre entradas e saídas, início e fim, progressivo e retrógrado. Havia um conflito.&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
Math fitando aquele abismo&amp;nbsp;com olhos vazios falou:&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
- Que bobeira, Cath. A vida nem é isso, a gente é quem inventa...&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
E inventa mesmo. Ele era inventado para ela. Até seus erros ela amava, até seus erros ela odiava.&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
Cath irrompendo o silêncio, mais uma vez, falou:&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
- Fim, Math?&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
- Podemos dizer apenas que vamos voar? que somos livres para&amp;nbsp;voos?&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
Math perguntava a ela com um ar reflexivo e esperançoso.&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
- Não vejo asas, Math. Aliás, vejo uma ausência delas, agora.&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
- Não, Cath. Nem sempre é necessário ter asas para voar. Os maiores voos são feitos sem tirar o pé do chão...&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
Math deu um meio sorriso como a gente dá quando se lembra de algo bom, mas não pode transparecer completamente.&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
Longos escuros minutos de vento se debateram neles. Cath e suas lágrimas frias pegaram a trilha para descer a montanha.&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
Math estava em um estágio em que ele não sabia se havia visto ou não ela sair, mantinha-se imóvel, preferia acreditar na verdade inventada dele. Continuou ali até não enxergar nada além de estrelas que faiscavam e riscavam o céu como fogos de artifício.&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
Voaram, por fim. Silenciosamente alçaram o arrebatador voou que fora discutido na silenciosa conversa de suas almas durante muito tempo. Voaram...&lt;/div&gt;
</description><link>http://naosoutaoruim.blogspot.com/2013/04/fragmento-de-algo-maior-que-nunca.html</link><author>noreply@blogger.com (Rodolfo Xavier)</author><media:thumbnail xmlns:media="http://search.yahoo.com/mrss/" url="https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEijzMpw1qdGWAmtUoCpMSSIU-F3LWhuNHVOehX1rZo1YXcFdMUUH9_JUQmx3gBrG87otLFlCjVF3-rVUcqPAwfX9bs23Rs1GZrtug0U73rx7vTJeEWSFwTOB3jcwllevj89eZOoKsSenXI/s72-c/tumblr_m8d8ipn9WZ1qaay1oo1_500.png" height="72" width="72"/><thr:total>0</thr:total></item><item><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-5068069868104028310.post-7880915668589367217</guid><pubDate>Fri, 26 Apr 2013 18:20:00 +0000</pubDate><atom:updated>2013-04-26T11:30:32.458-07:00</atom:updated><title>Homem que é homem não compra guarda chuva</title><description>&lt;div class=&quot;separator&quot; style=&quot;clear: both; text-align: center;&quot;&gt;
&lt;a href=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEgQoL1hEkDFIrbWb3AZLxmAFBD1Nh5pZraFigTh4XHNnh6qtqYcYRxMkBp9eKfJy4Gs4qlXdzWDSNu3YauVpYBQpnxXqRnDdJZTXMUuOFzRgCqGvagVP2ya4EbFCtpASITSETZHGySLpR0/s1600/guarda.jpg&quot; imageanchor=&quot;1&quot; style=&quot;margin-left: 1em; margin-right: 1em;&quot;&gt;&lt;img border=&quot;0&quot; height=&quot;208&quot; src=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEgQoL1hEkDFIrbWb3AZLxmAFBD1Nh5pZraFigTh4XHNnh6qtqYcYRxMkBp9eKfJy4Gs4qlXdzWDSNu3YauVpYBQpnxXqRnDdJZTXMUuOFzRgCqGvagVP2ya4EbFCtpASITSETZHGySLpR0/s400/guarda.jpg&quot; width=&quot;400&quot; /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
Homem que é homem mesmo não compra guarda chuva. Sai na cara braba naquela chuva de 100 milímetros por metro cúbico, corre daqui, corre dali, entra numa loja, num bar (aproveita e toma uma cervejinha) ou passa em um cobertinho qualquer que encontra por aí, mas guarda chuva, não compra não!&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
Aí chega o inverno com aquelas chuvas torrenciais que decidem cair do nada. Essa época, em especial, é muito complicada para essa parte da população que tem um membro viril cilíndrico e erétil no meio das pernas. É um corre-corre desgraçado, cabelo molhado e camisas/calças ensopadas. O quadro perdura por semanas... Até que um dia em que &lt;strike&gt;não&lt;/strike&gt; está para peixe (quase um oceano se formando de tanta chuva), toda a masculinidade e opinião de anos (um ano, mais precisamente, contando desde a data do inverno anterior) são abaladas e um pedido emergencial do um guarda chuva aparece.&amp;nbsp;&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
Aí você já viu... É uma coisa linda! Um bando de marmanjos andando na rua com guarda chuvas róseos, com flores, com estampas afeminadas (quando não com um arco-íris) e com modelos de gueixa feitos de cetim, desfilando num espécie de R&lt;i&gt;ain Fashion Week. &lt;/i&gt;Porque homem que é homem, não compra guarda chuva. Mas a esposa compra, a irmã compra, a mãe compra, a avó compra, a namorada compra, a noiva compra e nunca (jamais!!!) elas pensam que um dia aquela pessoa próxima com o cronograma Y ao invés do X irá fazer uso destas geringonças metálicas que insistem em se abir ao contrário por menor que seja o vento que ouse passar.&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
Entramos na questão da dependência masculina. Li algo de Martha Medeiros esses dias em que ela falava que os homens tem duas mães, quando não três: a mãe propriamente dita, a esposa (namorada, noiva ou qualquer coisa desse tipo) e às vezes ainda tem a avó, a tia ou a irmã para dar uma cuidadinha no moço. E o pior é que é verdade mesmo. Homens são feitos para depender das mulheres nessas coisas específicas, só pode:&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
- &quot;amor, você comprou shampoo?&quot;&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
- &quot;você comprou fruta para a minha dieta?&quot;&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
- &quot;esqueci de tomar o remédio, não brigue comigo, pegue aí!&quot;&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
- &quot;aonde estão as meias, por Deus?&quot;&amp;nbsp;&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
- &quot;aonde você colocou aquelas camisas?&quot;&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&amp;nbsp;Pois bem, no alto da minha masculinidade e da dependência materna, também não comprei um guarda chuva. Fui destes que sempre que precisei, minha mãe tinha uma gurda chuva rosa pink prontinho para mim. Neblina + estalei o dedo = guarda chuva. Simples. Prático.&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
Sempre dava certo, até quando não queria utilizá-lo. Esperava cinco minutinhos, corria daqui, corria dali, pegava um ônibus ao invés de ir o trajeto a pé, ia de carona, chovia nos horários em que eu não saía, arrumava alguém para dividir um guarda-chuva comigo, entre outras estratégias que só quem não tem guarda chuva (ou tem um guarda chuva rosa pink e não quer usar) entende, mas nunca me molhava por completo.&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
Até que em uma belo dia de uma neblina rala e um atraso não tão ralo assim, saí de casa para a faculdade. Como naqueles clichês cinematográficos, a cada passo que eu dava mais pingos me fuzilavam. Parecia que tinha uma nuvenzinha diabólica em cima da minha cabeça. Um passo = 1 milímetro mais forte. Dez passos = 10 milímetros mais forte.&amp;nbsp;&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
Atenção para a parte de que: o destino foi cuidadoso ao pregar a peça: deixou que apenas na marca dos 100 passos e um quarteirão longe de casa (mesmo a forte chuva me molhando, minha testosterona me fazia resistir bruscamente), a chuva chegasse aos 100 e tantos milímetros. Mas não parou por aí, o único abrigo possível que exista estava a uns cem metros de distância do outro lado da avenida que se encontrava a todo movimento com o sinal verde. Sinceramente, parecia que um balde do tamanho daqueles que existem em parques aquáticos que derramam de meia em maia hora uns 10.000 litros de água por sobre os banhistas tinha decidido se derramar por sobre a minha cabeça.&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
Resultado? Um alto investimento de doze reais em um guarda chuva PRETO, cromado e reforçado. Guarda chuva de homem mesmo.&amp;nbsp;&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
SIM, homem que é homem prevenido compra guarda chuva.&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&quot;Mãe, foram muito bons os anos em que utilizei seu guarda chuva florido rosa pink, obrigado, de verdade. Consegui minha independência, comprei meu próprio guarda chuva.&quot;&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
Att: Rodolfo.&lt;/div&gt;
</description><link>http://naosoutaoruim.blogspot.com/2013/04/homem-que-e-homem-nao-compra-guarda.html</link><author>noreply@blogger.com (Rodolfo Xavier)</author><media:thumbnail xmlns:media="http://search.yahoo.com/mrss/" url="https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEgQoL1hEkDFIrbWb3AZLxmAFBD1Nh5pZraFigTh4XHNnh6qtqYcYRxMkBp9eKfJy4Gs4qlXdzWDSNu3YauVpYBQpnxXqRnDdJZTXMUuOFzRgCqGvagVP2ya4EbFCtpASITSETZHGySLpR0/s72-c/guarda.jpg" height="72" width="72"/><thr:total>3</thr:total></item><item><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-5068069868104028310.post-2542597683463234420</guid><pubDate>Wed, 20 Mar 2013 22:18:00 +0000</pubDate><atom:updated>2013-03-22T10:01:41.279-07:00</atom:updated><title>Stop. A vida parou ou faltou energia?</title><description>&lt;div class=&quot;separator&quot; style=&quot;clear: both; text-align: center;&quot;&gt;
&lt;a href=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEhEMNo-I8EQPj0D_QpuQanDGCuPlPCVB2zywBlwqm6duz0IJPA6Qxz7rjwMgSNoZio4dptm1_9cSBJAXOmF1WHy5TlPSY-HaBfvDB5u58wA7igdJFcwYxsI6sO2h49LCorTMEp2v9wC2JY/s1600/tumblr_l4olpwiSxN1qag73jo1_500_large.jpg&quot; imageanchor=&quot;1&quot; style=&quot;margin-left: 1em; margin-right: 1em;&quot;&gt;&lt;img border=&quot;0&quot; height=&quot;266&quot; src=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEhEMNo-I8EQPj0D_QpuQanDGCuPlPCVB2zywBlwqm6duz0IJPA6Qxz7rjwMgSNoZio4dptm1_9cSBJAXOmF1WHy5TlPSY-HaBfvDB5u58wA7igdJFcwYxsI6sO2h49LCorTMEp2v9wC2JY/s400/tumblr_l4olpwiSxN1qag73jo1_500_large.jpg&quot; width=&quot;400&quot; /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
16 horas :23 minutos : 39 segundos - Quarta feira.&amp;nbsp;&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
A sala de aula com a excêntrica professora falando escurece e assusta os sonolentos alunos.&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
Stop. Faltou energia.&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
Parou o trabalhador que manuseava uma incisiva furadeira. Parou a dona da lanchonete fazendo o suco de maracujá. Parou o procedimento cirúrgico na clínica que, por negligência, não tinha gerador. Parou a novela para a senhora que assistia a TV depois da exaustiva rotina doméstica. Parou o carinha que fazia um milk-shake. Parou a trabalhadora desgastada que engomava uma pilha enorme de roupas. Parou o Facebook para o menino que acessava a internet através da Wi-fi. Parou transições bancárias pela internet. Parou a batedeira da mulher que batia massa para o bolo. Parou o ar-condicionado que refrescava o escritório. Parou a máquina que mexia o concreto na obra. Parou o atendimento odontológico por falta de luz. Parou a geladeira que conservava a comida difícil da família humilde. Parou a máquina que pirateava cds. Parou a balança na hora que o obeso se pesava (nessa hora, ele sorriu). Parou a maquina de emitir nota fiscal da farmácia. Parou a bomba de combustível. Parou a mulher que costurava a roupa de grife que você só vai poder usar daqui a um ano. Parou o elevador de ir e vir. Parou o fogão que ascendia o fogo à energia. Parou a esteira da acadêmia. Parou o rádio que animava os pedreiros (eles tiveram a oportunidade de olhar mais para a beldades que passavam). Parou a fisioterapia com a máquina. Parou a cancela do estacionamento. Parou a impressora. Parou o sistema. Parou o refrigerador do supermercado. Parou o bebedouro de gelar a água. Parou o microscópio em que o pesquisador descobria algo singular. Parou a estufa. Parou o motor de puxar água. Parou o portão de abrir. Parou a maquineta de registar os livros da biblioteca. Parou a máquina de café instantâneo. Parou o alarme ultra sensível. Parou o cerca elétrica. Parou a projeção na dificílima defesa do TCC. Parou a máquina de lavar roupa. Parou o experimento sensacional no laboratório. Parou de escrever o artigo o pós-graduando. Parou a porta automática do Shopping. Parou de girar o manequim na loja. Parou a escada rolante. Parou o termômetro enorme da rua. Parou o semáforo.&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
Uma onda de silêncio assustadora &amp;nbsp;de silêncio se amanou por sobre a cidade. Mas não durou muito.&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
Os motoristas, no entanto, não pararam. Os que estavam no sentido em que o semáforo estava verde prosseguiram. Os que estava no sentido em que estava fechado perceberam e começaram a proclamar palavrões e a se infiltrar no meio da manada, por assim dizer, que vinha no outro sentido. Acidente. Carros com latarias amassadas. Gritos. No semáforo da esquina o motoqueiro arriscava barulhosamente sua vida ao passar em alta velocidade entre os carros, para ficar enganchado no próximo semáforo que estava a 200 metros dele, claro. Parou o ônibus enorme. Arrancou a placa da esquina o ônibus que tentou dobrar em meio aos carros ziguezagueados e dobrou mais por dentro. Buzina um, dois, três. O vírus se espalhava. Buzinavam 40. Buzinavam 100. Motos se infiltravam como água entre brechas dos carros. Outro acidente à 500 metros do primeiro. Gritos. Km de engarrafamento em um trânsito entramelado como a trança da garota bonita que foi atropelada na calçada pelo motoqueiro insano que tentava burlar o engarrafamento. Cinco pessoas corriam para socorrê-la. Outro foi quase atropelado no outro lado da rua. Foi esmagado o pedestre que passava entre dois carros e que um deles despercebidamente avançou. Ficou gritando a ambulância com a grávida em trabalho de parto... Francisco nasceu em meio ao caos. Ficou preso o carro forte empanturrado de dinheiro. Ficou gritando a ambulância do SAMU que não conseguia socorrer os chamados. Bateu o carro a menina que tinha tirado a habilitação na semana anterior e nervosa trocou o acelerador pelo freio. Reclamou o trabalhador que passara o dia se desgastando em uma construção e agora estava enjaulado dentro de um ônibus numa reprise do trânsito indiano. Reclamou o estudante que só dormiu duas horas na noite passada e, justo no dia que tinha tempo para dormir, ficou inapto no mar de buzinas, digo, engarrafamento.&amp;nbsp;&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
Chorava o menininho apavorado na calçada. O idoso caquético admirava abismado a êxtase anti-altruísta viral que endoidecia a cabeça das pessoas. Pedestres atordoados. Dois estudantes polidos riam da cena. Barulho. Monóxido de carbono. Fumaça. Buzina. O vírus do caos se espalhava.&amp;nbsp;&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
Tenho certeza que qualquer um desses diretores que criaram séries apocalípticas vivenciou uma situação dessas e se inspirou para criar essas situações caóticas fictícias com fundo de verdade. Paradas de ônibus super lotadas. Centenas de km de engarrafamento entrançado. O carro burlando o congestionamento passando por cima da calçada e caindo e um, na outra rua, ainda maior (bis, bis, bis).&amp;nbsp;&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
Chegou então a tropa de choque. Fortemente amarda. Um policial de uns dois metros de altura com uma arma enorme na mão gritava com um motorista para aprumar seu carro. Os outros, assustados tentavam aprumar os seus. Cinco outros policiais desemaranhavam o trajeto do outro lado. Dez outros nos outro semáforo.&amp;nbsp;&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
- &quot;e desobedeça, neguinho, para ver tiro no mei dos peito!&quot;&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
Falava o trabalhador admirando a braveza do &amp;nbsp;policial.&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
Simularam um semáforo durante uns dez minutos.&amp;nbsp;&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
Play. Voltou a energia.&amp;nbsp;&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
O vírus ensandecedor era aniquilado da cabeça das pessoas. A máquina começou a emitir a nota fiscal. A menina bonita atropelada foi socorrida. O ar condicionado voltou a funcionar. A projeção voltou e o tenso defensor do TCC pôde mostrar seu trabalho. A porta do shopping voltou a funcionar e a escada rolante também. Voltou a wi-fi, mil likes no facebook, mil comentários sobre o caos. Reiniciou-se o atendimento odontológico. O procedimento cirúrgico pôde ser concluído. Play nas transações bancárias. O suor foi se evaporando conforme o ar condicionado resfriava os disparantes neurônios no escritório. Para alegria da família, a geladeira voltou a funcionar. O obeso viu o peso e lamentou de tristeza. Voltou a TV da senhora que conversava com a vizinha que não conversavam daquela maneira a anos. A água voltou a gelar. A bomba voltou a encher de gasolina o tanque do carro. Voltou a tocar o rádio com uma romântica música para os pedreiros. Voltou a trabalhar a costureira, o estagiário, o médico, o&amp;nbsp;fisioterapeuta&amp;nbsp; o pirateador de cds...&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
Aos poucos a vida voltada. Aos poucos o fluxo nas artérias da cidade abandonava os trombos e prosseguia. Aos poucos o menino parou de chorar. Aos poucos a vida voltava à desregrada e ensandecida homeostase.&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
Play. A vida iniciou ou a energia voltou?&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
- É isso que dá! a danada da Dilma baixar o preço da energia... o pessoal vai usar mais e agora vai ficar &amp;nbsp;faltando direto!&amp;nbsp;&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
Comentava o indignado trabalhador, atravessando a rua, com outra pessoa que nunca havia visto na vida.&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
</description><link>http://naosoutaoruim.blogspot.com/2013/03/stop-vida-parou-ou-faltou-energia.html</link><author>noreply@blogger.com (Rodolfo Xavier)</author><media:thumbnail xmlns:media="http://search.yahoo.com/mrss/" url="https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEhEMNo-I8EQPj0D_QpuQanDGCuPlPCVB2zywBlwqm6duz0IJPA6Qxz7rjwMgSNoZio4dptm1_9cSBJAXOmF1WHy5TlPSY-HaBfvDB5u58wA7igdJFcwYxsI6sO2h49LCorTMEp2v9wC2JY/s72-c/tumblr_l4olpwiSxN1qag73jo1_500_large.jpg" height="72" width="72"/><thr:total>1</thr:total></item><item><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-5068069868104028310.post-110265199212968804</guid><pubDate>Fri, 15 Mar 2013 22:05:00 +0000</pubDate><atom:updated>2013-03-15T15:05:50.788-07:00</atom:updated><title>Clamor</title><description>&lt;div class=&quot;separator&quot; style=&quot;clear: both; text-align: center;&quot;&gt;
&lt;a href=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEiuQWc-K3TE0IL1pGQjMUFyYgHNOcps21GquQlxFFlxx_8DC_n-QeHoe7zCaCNGN5-4SZAJ6WxabtbOj_P_rzT165GPL7LCW8RLOJEw8I-dqKH0TXkaFPSYRQd0vfG42B5burA3nIHc2Y0/s1600/tumblr_m50x4qx8we1r6nvcvo1_500.jpg&quot; imageanchor=&quot;1&quot; style=&quot;margin-left: 1em; margin-right: 1em; text-align: center;&quot;&gt;&lt;img border=&quot;0&quot; height=&quot;400&quot; src=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEiuQWc-K3TE0IL1pGQjMUFyYgHNOcps21GquQlxFFlxx_8DC_n-QeHoe7zCaCNGN5-4SZAJ6WxabtbOj_P_rzT165GPL7LCW8RLOJEw8I-dqKH0TXkaFPSYRQd0vfG42B5burA3nIHc2Y0/s400/tumblr_m50x4qx8we1r6nvcvo1_500.jpg&quot; width=&quot;297&quot; /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;separator&quot; style=&quot;clear: both; text-align: center;&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;br /&gt;
Um vizinho já havia batido na porta e outros dois chegavam, no meio da noite, assustados.&lt;br /&gt;
...&lt;br /&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
Ele só queria um tempo para arrumar sua vida. Sua medíocre vida. Queria um tempo para arrumar seus cabelos no corte em que desejava. Queria um tempo para arrumar seu relacionamento que saia pela tangente que ele jamais imaginou sair. Queria um tempo para lavar as roupas sujas de meses, aquelas que deixou para depois, depois e depois. Queria um tempo para ler todos os livros que comprou e terminar aqueles que começou. Queria um tempo para matar o rato que a alguns meses petiscava suas caras comidas. Queria um tempo para organizar seu quarto, sua cama bagunçada sempre, seu roupeiro minúsculo e ridículo, sempre com roupas caindo. Queria um tempo para limpar o apartamento. Queria um tempo para tirar da geladeira todas aquelas coisas que não mais servem, mas que a enfeitam há semanas. Queria um tempo para conversar com as pessoas que gosta sobre o que gosta. Queria um tempo para organizar sua agenda pessoal, que mais parecia uma parede de presídio cheia de rabiscos e datas passadas. Queria um tempo para lavar aquele sapato que descolou e que ainda tem jeito. Queria um tempo para falar às pessoas o que realmente acha da belíssima hipocrisia de cada uma delas. Queria uma tempo para retirar as cortinas velhas da sala. Queria um tempo para colocar fotos novas nos porta retratos. Queria um tempo para ouvir todo os CDs que baixou e analisar detalhadamente e poeticamente todas as letras e divagações. Queria um tempo para aprender a gostar mais de poesia. Queria um tempo para organizar sua mesa de trabalho, que mais parece uma velharia. Queria um tempo para organizar todas as pastas, unidades e drivers do seu computador. Queria ter um tempo para ativar o antivírus e mover para quarentena todas aquelas ameaças. Queria um tempo para cozinhar o legume preferido. Queria um tempo para terminar o projeto que nunca terminou. Queria um tempo para assistir aquele filme perfeito que o amigo passou no ano passado, mas que até hoje não viu nem os primeiros cinco minutos. Queria um tempo para discutir com o porteiro do prédio tudo o que observa de errado há anos. Queria um tempo para dormir demoradamente e deliciosamente um dia inteiro de chuva. Queria um tempo para encher a cara da melhor bebida que o mísero salário pudesse comprar. Queria um tempo para beber, ao menos, o resto de vodca barata que estava na geladeira, há dois meses. Queria um tempo para retirar todos os cravos que sujavam o seu rosto. Queria um tempo para comprar roupas novas. Queria um tempo para comprar uma maquina nova de lavar. Queria um tempo para comprar chocolate. Queria um tempo para fazer a receita de&amp;nbsp;cappuccino&amp;nbsp;alucinógeno particular. Queria um tempo para bater na porta do vizinho e dizer que a TV dele incomodava e muito. Queria um tempo para assistir sua série favorita, que lembrava sua adolescência. Queria um tempo para baixar todas as séries que estão em uma lista invisível, mas nunca foram, ao menos, pesquisadas. Queria um tempo para ir no&amp;nbsp;Fast&amp;nbsp;food comer a maior gordice que conseguisse. Queria um tempo para lamentar sua percas particulares. Queria um tempo para terminar de escrever o livro que não passou da décima lauda. Queria um tempo para trocar todos os livros velhos e inúteis em livros velhos e inúteis no sebo. Queria um tempo para ir ao show do seu cantor favorito e virar bicho. Queria um tempo para adotar um animal de estimação. Queria um tempo para matar o ninho de baratas que estava no forro do banheiro desde que chegou. Queria um tempo para limpar a área de serviço como merece. Queria um tempo para resolver mentalmente seu relacionamento. Queria um tempo para fotografar a mensagem social estampada em&amp;nbsp;grafiti&amp;nbsp;no muro que vê no caminho de casa. Queria um tempo para chorar,&amp;nbsp;desobstruir tudo o que foi obstruído com mágoas ressecadas. Queria um tempo para ir na balada e pegar todas, voltar bêbado e acordar morrendo de ressaca moral. Queria um tempo para fumar um cigarro. Queria um tempo para terminar de desbotar a camisa que recebeu um pingo acidental de água sanitária, mas que ficou legal. Queria um tempo para ajeitar a porta amassada do carro. Queria um tempo para procurar o posto de gasolina mais barato. Queria um tempo para viajar e rever os familiares. Queria um tempo para conhecer as praias que sempre sonhou. Queria um tempo para aprender a tocar novos instrumentos. Queria um tempo para esvair. Queria um tempo para fugir. Queria um tempo para...&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
Um grito gutural, animalesco e agoniado saiu de suas entranhas e durante alguns longos segundos&amp;nbsp;preencheu o cortante silêncio, enchendo o prédio inteiro de pavor, medo, agonia e falta de tempo.&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&amp;nbsp;Achou o seu tempo.&lt;/div&gt;
</description><link>http://naosoutaoruim.blogspot.com/2013/03/clamor.html</link><author>noreply@blogger.com (Rodolfo Xavier)</author><media:thumbnail xmlns:media="http://search.yahoo.com/mrss/" url="https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEiuQWc-K3TE0IL1pGQjMUFyYgHNOcps21GquQlxFFlxx_8DC_n-QeHoe7zCaCNGN5-4SZAJ6WxabtbOj_P_rzT165GPL7LCW8RLOJEw8I-dqKH0TXkaFPSYRQd0vfG42B5burA3nIHc2Y0/s72-c/tumblr_m50x4qx8we1r6nvcvo1_500.jpg" height="72" width="72"/><thr:total>0</thr:total></item><item><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-5068069868104028310.post-2133487293002919788</guid><pubDate>Thu, 07 Mar 2013 21:44:00 +0000</pubDate><atom:updated>2013-03-07T15:14:32.492-08:00</atom:updated><title>Só enxergamos o que conseguimos</title><description>&lt;div class=&quot;separator&quot; style=&quot;clear: both; text-align: center;&quot;&gt;
&lt;a href=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEj0lNYjBtWTvMyDrkTphRq0BqFo2BzlGNDDsSo_1HJhq4URhCTRb80HvXnWzZ_dkAXZJnCN8_4w-dV6Ar-ttIl8cZUsc616M3rQ_BzKPGgBTMCv55m4t6yDunZGn6ckw0YLg3208jH7gZ4/s1600/tumblr_m6ampux8rM1qb5t88o1_r1_500.png&quot; imageanchor=&quot;1&quot; style=&quot;margin-left: 1em; margin-right: 1em;&quot;&gt;&lt;img border=&quot;0&quot; height=&quot;400&quot; src=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEj0lNYjBtWTvMyDrkTphRq0BqFo2BzlGNDDsSo_1HJhq4URhCTRb80HvXnWzZ_dkAXZJnCN8_4w-dV6Ar-ttIl8cZUsc616M3rQ_BzKPGgBTMCv55m4t6yDunZGn6ckw0YLg3208jH7gZ4/s400/tumblr_m6ampux8rM1qb5t88o1_r1_500.png&quot; width=&quot;265&quot; /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
Rodeados de felicidade, daltônicos por tristeza. Vivemos numa busca incansável pelo feliz que já vivemos, mas que falta colírios ou óculos escuros o suficiente para enxergarmos.&amp;nbsp;&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
Estes dias, no supermercado, mais precisamente na fila para pegar míseros gramas de presunto e queijo em fatias, avistei meio que de longe uma professora do primeiro período da faculdade. Vestida sem o quadrado jaleco branco, tinha um aspecto mais jovial. Ela estava em um daqueles enormes refrigeradores abertos do super mercado e analisava, ponderava e escolhia alguns entre diversos tipos de queijo empacotados à pressão em embalagens excêntricas. Mas ela não analisava apenas, ela A-N-A-L-I-S-A-V-A detalhadamente e contentemente gramas, calorias, nutrientes e qualquer coisa supérflua que possa ser levada em conta como quesito de escolha entre diversas embalagens com queijos idênticos. Achei tão estranha aquela alegria toda em escolher queijos. Por favor! Eu estava naquela fila com um olho aberto e outro fechado de tanto sono e cansaço, e, ainda por cima, entediado com a idosa que estava à minha frente resmungando pela demora... como alguém poderia ser feliz escolhendo, demoradamente, queijos?&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
Neste exato instante, chegou um cara ao lado dela. Só o bíceps dele dava duas vezes o meu peso, à saber. Colocou levemente a mão por sobre a silhueta afilada dela e encostou de leve os seus lábios no pescoço dela. Não teve como conter. Um riso puro e uma espécie de espasmo em onda percorreu o seu corpo. Sem tirar o time de campo e sem dar espaços para maiores reações por parte dela, logo ele opinou sobre qual dos dois idênticos queijos ele preferia. Rindo, ainda, ela o olhou desconfiada e indignada pela perspicácia dele em saber qual o melhor queijo mesmo estando longe durante todo o demoroso tempo em que ela passara escolhendo.&amp;nbsp;&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
Tudo estava minunciosamente explicado. Quatro letras, uma massagem moral, uma anestesia geral e um pedaço do melhor queijo: amor. Mais que amor. Nove letras, uma massagem moral, um&amp;nbsp;opioide&amp;nbsp;de longa duração, um parentese para fazer par com o seu e dois pedaços do melhor queijo: casamento. Faziam as primeiras compras juntos, por certo. E vejam só... felicidade... quanta felicidade.&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
Ao meu lado, a menina adolescente sorria enquanto ouvia nos seus estéricos fones de ouvido: &quot; [...]&lt;span style=&quot;font-family: inherit;&quot;&gt;&amp;nbsp;&lt;span style=&quot;background-color: white; color: #333333; line-height: 20.296875px;&quot;&gt;Vamos viver, vadiar...&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style=&quot;background-color: white; color: #333333; font-family: inherit; line-height: 20.296875px;&quot;&gt;O que importa é nossa alegria&lt;/span&gt;&lt;span style=&quot;background-color: white; color: #333333; font-family: inherit; line-height: 20.296875px;&quot;&gt;...&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;span style=&quot;background-color: white; color: #333333; font-family: inherit; line-height: 20.296875px;&quot;&gt;Vamos viver e cantar,&lt;/span&gt;&lt;span style=&quot;background-color: white; color: #333333; font-family: inherit; line-height: 20.296875px;&quot;&gt;&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;span style=&quot;background-color: white; color: #333333; font-family: inherit; line-height: 20.296875px;&quot;&gt;Não importa qual seja o dia...&quot; Grande Chorão, seria capaz de reconhecer esses versos até em libras. Vejam só... mais e mais felicidade.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;background-color: white; color: #333333; font-family: inherit; line-height: 20.296875px;&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;background-color: white; color: #333333; font-family: inherit; line-height: 20.296875px;&quot;&gt;Na sessão de doces e biscoitos, o menino, já obeso, aperreava a sua mãe, também obesa, por mais e mais biscoitos.&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;background-color: white; color: #333333; font-family: inherit; line-height: 20.296875px;&quot;&gt;- Só mais esse mãããe!&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;background-color: white; color: #333333; font-family: inherit; line-height: 20.296875px;&quot;&gt;E a mãe com uma cestinha cheia de gordices se mantinha na firme e contrária posição.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;background-color: white; color: #333333; font-family: inherit; line-height: 20.296875px;&quot;&gt;-Não, João!&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;background-color: white; color: #333333; font-family: inherit; line-height: 20.296875px;&quot;&gt;Ele insistiu mais uma vez:&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;background-color: white; color: #333333; font-family: inherit; line-height: 20.296875px;&quot;&gt;-Sóóó eeesse, o último! vai, vai, vai, vai!&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;color: #333333;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;line-height: 20.296875px;&quot;&gt;Fez aquela carinha irresistível, semelhante ao Gato do filme Shrek. O instinto maternal não aguentou e se esfacelou como um castelo de cartas em meio à um vendaval.&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;color: #333333;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;line-height: 20.296875px;&quot;&gt;- Certo, certo, João! Esteja ouvindo: O ÚLTIMO!&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;color: #333333;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;line-height: 20.296875px;&quot;&gt;O menino abraçou o biscoito como se estivesse abraçando o pai que passara anos em uma guerra e voltava agora sã e salvo. A mãe virou-se e deu um escondido sorriso de felicidade, sem que o menino visse, para &quot;não perder a moral&quot;. &amp;nbsp;Sorrisos e... mais felicidade.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;color: #333333;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;line-height: 20.296875px;&quot;&gt;Já na fila para pagar as compras, vi uma mulher passar com uma caixa bem grande, até. Tinha a cara de quem carregava a felicidade no bolso. Ou nas mãos, que seja. Chegou ao caixa, com um caloroso sorriso, abriu o recipiente de papelão e começou a tirar, quase que magicamente, uns 20 ovos de páscoa, do mesmo tamanho, porém de diferentes cores e personagens (Iam desde a Barbie, Jolie, até o Ben10 e Toy Story). Sorria ao tirar os ovos de chocolate e sorria, ainda mais, diante da surpresa reação da moça que estava no caixa. A possuidora dos ovos tinha, no máximo, 25 anos, parecia ser de classe média e estar involucra em um espírito de gratidão encantador. Dava até para imaginar quantos futuros sorrisinhos passavam na cabeça dela enquanto revia seus mágicos objetos de sorrisos. Vejam só... felicidade. Felicidade presencial, felicidade encaixada, felicidade recíproca. Felicidade minha em vê-la feliz por fazer alguém feliz.&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;color: #333333;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;line-height: 20.296875px;&quot;&gt;Ponham seus óculos alucinógenos ou seus c&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style=&quot;color: #333333; line-height: 20.296875px;&quot;&gt;aleidoscópicos colírios&lt;/span&gt;&lt;span style=&quot;color: #333333; line-height: 20.296875px;&quot;&gt;&amp;nbsp;de olhar para o interior. Deem-se ao gosto de vivenciar a felicidade presenciada, saibam estar rodeados por ela e reconhece-la, eduquem seu daltonismo com tropismo para a tristeza.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;color: #333333;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;line-height: 20.296875px;&quot;&gt;Quando já pagava minhas compras, ouvi no caixa ao lado:&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;color: #333333;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;line-height: 20.296875px;&quot;&gt;- Mããããe, só mais esse chocolate, por favorzinho!&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;color: #333333;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;line-height: 20.296875px;&quot;&gt;-Não, João!&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;color: #333333;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;line-height: 20.296875px;&quot;&gt;-Mããããe! só mais esse! só mais esse!&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
</description><link>http://naosoutaoruim.blogspot.com/2013/03/so-enxergarmos-o-que-conseguimos.html</link><author>noreply@blogger.com (Rodolfo Xavier)</author><media:thumbnail xmlns:media="http://search.yahoo.com/mrss/" url="https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEj0lNYjBtWTvMyDrkTphRq0BqFo2BzlGNDDsSo_1HJhq4URhCTRb80HvXnWzZ_dkAXZJnCN8_4w-dV6Ar-ttIl8cZUsc616M3rQ_BzKPGgBTMCv55m4t6yDunZGn6ckw0YLg3208jH7gZ4/s72-c/tumblr_m6ampux8rM1qb5t88o1_r1_500.png" height="72" width="72"/><thr:total>1</thr:total></item><item><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-5068069868104028310.post-8610761429343168126</guid><pubDate>Sun, 24 Feb 2013 01:36:00 +0000</pubDate><atom:updated>2013-02-23T17:36:21.706-08:00</atom:updated><title>Saudosismo, I miss you&#39;sismo.</title><description>&lt;br /&gt;
&lt;div class=&quot;separator&quot; style=&quot;clear: both; text-align: center;&quot;&gt;
&lt;a href=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEgouCSDT14M_J6GQpUUxJIyMV5UPLjlzumNUgLNKuYtCUK0mBMAvC_pDLIt8dawrkmXiinOsMr0c6n7PvPAHDfZtbxR9ACESPkDnR39A07OG6PtRhrXv2xfSx102_O_RBrScDRjJkCAZew/s1600/tumblr_lzr05yuwbJ1qfwmsho1_500.jpg&quot; imageanchor=&quot;1&quot; style=&quot;margin-left: 1em; margin-right: 1em;&quot;&gt;&lt;img border=&quot;0&quot; height=&quot;266&quot; src=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEgouCSDT14M_J6GQpUUxJIyMV5UPLjlzumNUgLNKuYtCUK0mBMAvC_pDLIt8dawrkmXiinOsMr0c6n7PvPAHDfZtbxR9ACESPkDnR39A07OG6PtRhrXv2xfSx102_O_RBrScDRjJkCAZew/s400/tumblr_lzr05yuwbJ1qfwmsho1_500.jpg&quot; width=&quot;400&quot; /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;background-color: white; border: 0px; color: #333333; font-family: Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif; font-size: 13px; line-height: 23px; margin-bottom: 23px; outline: 0px; padding: 0px; text-align: justify; vertical-align: baseline;&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;background-color: white; border: 0px; color: #333333; font-family: Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif; font-size: 13px; line-height: 23px; margin-bottom: 23px; outline: 0px; padding: 0px; text-align: justify; vertical-align: baseline;&quot;&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;div style=&quot;border: 0px; margin-bottom: 23px; outline: 0px; padding: 0px; text-align: justify; vertical-align: baseline;&quot;&gt;
&quot;Vejo o mundo girando e penso que poderia estar sentindo saudades em japonês, em russo, em italiano, em inglês… mas que minha saudade, por eu ter nascido no Brasil, só fala português, embora, lá no fundo, possa ser poliglota. Aliás, dizem que costuma-se usar sempre a língua pátria, espontaneamente quando estamos desesperados… para contar dinheiro… fazer amor… declarar sentimentos fortes… seja lá em que lugar do mundo estejamos. Eu acredito que um simples “I miss you” ou seja lá como possamos traduzir saudade em outra língua, nunca terá a mesma força e significado da nossa palavrinha. Talvez não exprima corretamente a imensa falta que sentimos de coisas ou pessoas queridas. E é por isso que eu tenho mais saudades…&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;border: 0px; margin-bottom: 23px; outline: 0px; padding: 0px; text-align: justify; vertical-align: baseline;&quot;&gt;
Porque encontrei uma palavra para usar todas as vezes em que sinto este aperto no peito, meio nostálgico, meio gostoso, mas que funciona melhor do que um sinal vital quando se quer falar de vida e de sentimentos. Ela é a prova inequívoca de que somos sensíveis! De que amamos muito o que tivemos e lamentamos as coisas boas que perdemos ao longo da nossa existência…&quot;&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;border: 0px; margin-bottom: 23px; outline: 0px; padding: 0px; text-align: justify; vertical-align: baseline;&quot;&gt;
Clarice Lispector&lt;/div&gt;
&lt;/div&gt;
&lt;iframe frameborder=&quot;no&quot; height=&quot;166&quot; scrolling=&quot;no&quot; src=&quot;https://w.soundcloud.com/player/?url=http%3A%2F%2Fapi.soundcloud.com%2Ftracks%2F58572707&quot; width=&quot;100%&quot;&gt;&lt;/iframe&gt;</description><link>http://naosoutaoruim.blogspot.com/2013/02/saudosismo-i-miss-yousismo.html</link><author>noreply@blogger.com (Rodolfo Xavier)</author><media:thumbnail xmlns:media="http://search.yahoo.com/mrss/" url="https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEgouCSDT14M_J6GQpUUxJIyMV5UPLjlzumNUgLNKuYtCUK0mBMAvC_pDLIt8dawrkmXiinOsMr0c6n7PvPAHDfZtbxR9ACESPkDnR39A07OG6PtRhrXv2xfSx102_O_RBrScDRjJkCAZew/s72-c/tumblr_lzr05yuwbJ1qfwmsho1_500.jpg" height="72" width="72"/><thr:total>1</thr:total></item></channel></rss>