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	<title>nuvem pimenta</title>
	
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	<description>o pior é que é (quase) tudo verdade</description>
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		<title>Os equívocos de sábado à noite</title>
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		<pubDate>Wed, 17 Apr 2013 01:06:39 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Gabriela</dc:creator>
				<category><![CDATA[LOL]]></category>
		<category><![CDATA[balada]]></category>
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		<description><![CDATA[Sábado passado fui à formatura de um amigo. Prevendo o porre homérico que tomaríamos por conta do formando, fomos responsáveis e contratamos um microônibus. Após infinitos doses de vodka, tequila, whiskey e um abençoadíssimo calzone de calabresa, decidimos que era hora de partir. A umas três quadras da minha casa (e cinco quadras da casa...<br /><a class="more-link" href="http://nuvempimenta.org/index.php/2013/04/16/os-equivocos-de-sabado-a-noite/">Continue lendo &#187;</a>]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p>Sábado passado fui à formatura de um amigo. Prevendo o porre homérico que tomaríamos por conta do formando, fomos responsáveis e contratamos um microônibus. Após infinitos doses de vodka, tequila, whiskey e um abençoadíssimo calzone de calabresa, decidimos que era hora de partir.</p>
<p>A umas três quadras da minha casa (e cinco quadras da casa de um amigo), o motorista abriu a porta e deu o sinal para que saíssemos do ônibus e tomássemos nosso rumo. Eu, mais louca que o Jiraya:</p>
<p>a) Rodei a baiana e obriguei-o a me deixar na frente de casa porque onde já se viu eu sair pela rua com um vestido de lantejoulas às 7 da manhã;<br />
b) achei SUPERDEBOA, dei tchau pras bee, pulei do ônibus e fui.</p>
<p>Frio do caramba na rua, eu toda trabalhada no paetê, segurando o meu salto, tremendo de frio. Desviamos de uns mendigos no caminho enquanto o sol nascia na gloriosa Florianópolis. Eis que chega o momento que eu temia: a rua em que meu amigo vira para a esquerda e eu para a direita para que possamos chegar em nossos domicílios.</p>
<p>a) eu pedi pelo-amor-de-deus me leva em casa porque eu me cago de medo dessa rua escura assustadora cheia de árvores e espíritos do mal;<br />
b) dei tchau pro amigo e dobrei a direita.</p>
<p>Ao adentrar a rua escura assustadora de aproximadamente 100 metros de extensão, eu…</p>
<p>a) me certifiquei de que não tinha ninguém por ali e continuei caminhando silenciosamente em direção à luz;<br />
b) pensei “É PRA MOMENTOS COMO ESSE QUE EU TREINO” e comecei a correr como se no final da rua tivesse uma liquidação da Farm.</p>
<p>Em se tratando da minha vida, é claro que:</p>
<p>a) eu fui surpreendida no meio do caminho pelo amor da minha vida;<br />
b) no final da rua tinha MESMO uma liquidação da Farm #aiqueloucura;<br />
c) eu tropecei numa raiz das árvores malditas e voei longe, aterrissando no meu braço direito.</p>
<div class="wp-caption aligncenter" style="width: 510px"><img alt="" src="http://24.media.tumblr.com/tumblr_mbnud2rayl1rzhv5ho1_500.gif" width="500" height="286" /><p class="wp-caption-text">EXATAMENTE ASSIM. Só que mais deprimente porque eu tava de vestido )))))))):</p></div>
<p>Morta de medo de ser estuprada e ter meus rins roubados, me levantei num estalo e fui caminhando para casa. Sim, caminhando, porque a dor era tão, mas tão absurda que não consegui nem correr.</p>
<p>Então eu cheguei em casa e:</p>
<p>a) avisei a minha mãe, que imediatamente me levou para um hospital;<br />
b) após constatar que seria impossível remover a maquiagem e mais impossível ainda tirar a minha roupa, amarrei uma bolsa térmica gelada no braço e dormi chorando.</p>
<p>O resultado dessa noite repleta de escolhas erradas:</p>
<div class="wp-caption aligncenter" style="width: 377px"><img class=" " alt="" src="https://fbcdn-sphotos-b-a.akamaihd.net/hphotos-ak-ash3/554700_10200621448394620_128712551_n.jpg" width="367" height="367" /><p class="wp-caption-text">anta.jpg</p></div>
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		<title>Macumba</title>
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		<pubDate>Fri, 05 Apr 2013 00:07:59 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Gabriela</dc:creator>
				<category><![CDATA[Medicina e eu]]></category>
		<category><![CDATA[acupuntura]]></category>
		<category><![CDATA[aloca]]></category>
		<category><![CDATA[medicina]]></category>

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		<description><![CDATA[Dona Filomena queixava-se de terríveis dores no braço direito. Já tinha experimentado todos os remédios oferecidos pelo SUS e feito uma penca de exames desnecessários. Nada de resultados e a dor continuava. Sugeri então que ela fizesse acupuntura, que oferecemos no posto. Dona Filomenta foi enfática: - Eu não acredito em acupuntura. Não quero. Durante...<br /><a class="more-link" href="http://nuvempimenta.org/index.php/2013/04/04/macumba/">Continue lendo &#187;</a>]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p>Dona Filomena queixava-se de terríveis dores no braço direito. Já tinha experimentado todos os remédios oferecidos pelo SUS e feito uma penca de exames desnecessários. Nada de resultados e a dor continuava. Sugeri então que ela fizesse acupuntura, que oferecemos no posto. Dona Filomenta foi enfática:</p>
<p>- Eu não acredito em acupuntura. Não quero.</p>
<p>Durante a consulta tentei enrolá-la, ganhar sua confiança para que aceitasse minha alternativa. Quando senti que estava mais aberta, resolvi reintroduzir o assunto.</p>
<p>- Me conta, dona Filomena,, por que a senhora não acredita em acupuntura?</p>
<p>Eu imaginava as respostas de sempre: já fez e não gostou ou algo do gênero. Dona Filomena respirou fundo, me olhou nos olhos e falou:</p>
<p>- Isso não é de Deus, dotôra.</p>
<p>Com medo que ela fosse me evangelizar, não quis perguntar o porquê de acupuntura ser coisa do capiroto. Gastei toda a cota de boa vontade do dia para explicar pra ela sobre como acupuntura é mais de deus do que remédios. Porém, observando-a era possível notar que nenhuma das minhas belas palavras estavam penetrando em sua cabeça dura. Sem saber mais o que fazer, chamei minha preceptora.</p>
<p>Ela, depois de muito custo, convenceu dona Filomena a fazer um &#8220;teste terapeutico&#8221;. Ela iria agulhar um único ponto pra dona Filomena ver como se sentia. Como suas pernas eram um tanto adiposas, não teve jeito. Dona Filomena teve que tirar a calça jeans. Apesar de termos trancado a porta do consultório, ela ficou putíssima.</p>
<p>Com uma singela agulha na perna, ficou sentada na maca enquanto eu terminava de escrever no prontuário. Começou, incrédula, a fazer movimentos com o braço.</p>
<p>- Nossa, tá funcionando mesmo! Estou com uma sensação estranha no braço, mas está melhorando!</p>
<p>Enquanto aguardava completar os 10 minutos da agulhada, acreditei que dona Filomena estava convencida após a acupuntura fazer sua mágica. Terminei a prescrição, a requisição de exames e fiz o encaminhamento para acupuntura. &#8220;Desagulhei&#8221; a distinta senhora e ela se vestiu enquanto comentava que seu ombro estava melhor.</p>
<p>- Então, dona Filomena, aqui está a receita dos seus remédios, o pedido pro exame e o encaminhamento pra senhora marcar  primeira sessão da acupunt..<br />
- Minha filha, eu já falei. Não quero fazer acupuntura.<br />
- Como assim? A sua dor não melhorou?<br />
- Melhorou sim.<br />
- Mas dona Filomena&#8230;?<br />
- Olha, minha filha. Esse negócio de acupuntura não é de Deus, já falei. Primeiro eu tive que ficar pelada. Depois, tu me espetou como se eu fosse um boneco de vudu. Me espetou na perna e melhorou o braço. Isso não faz sentido. Isso é macumba e macumba não é de Deus.</p>
<p>Não consegui pensar em algo para respondê-la porque, realmente, acupuntura é um troço estranho mesmo. Enquanto eu, sem saber o que falar, fiquei concentrando cada fibra do meu ser para não cair na gargalhada, dona Filomena colocou o encaminhamento sobre a mesa, dobrou o restante dos papéis e saiu ultrajada do consultório.</p>
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		<item>
		<title>Honey BooBoo</title>
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		<comments>http://nuvempimenta.org/index.php/2013/03/31/honey-booboo/#comments</comments>
		<pubDate>Sun, 31 Mar 2013 19:19:13 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Gabriela</dc:creator>
				<category><![CDATA[Falando com as paredes]]></category>
		<category><![CDATA[amor]]></category>
		<category><![CDATA[boas vibes]]></category>
		<category><![CDATA[crianças]]></category>
		<category><![CDATA[honey booboo]]></category>
		<category><![CDATA[tv]]></category>

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		<description><![CDATA[Antes de iniciar este post, gostaria de deixar bem claro que sou totalmente contra concursos de beleza infantis. Acho uma atrocidade contra a infância e a imagem corporal das meninas que participam. Dito isso, iniciaremos. O post de hoje é sobre a linda, maravilhosa, inigualável e suculenta Honey Boo Boo. Caso você ainda não a...<br /><a class="more-link" href="http://nuvempimenta.org/index.php/2013/03/31/honey-booboo/">Continue lendo &#187;</a>]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p><em>Antes de iniciar este post, gostaria de deixar bem claro que sou totalmente contra concursos de beleza infantis. Acho uma atrocidade contra a infância e a imagem corporal das meninas que participam. Dito isso, iniciaremos.</em></p>
<p>O post de hoje é sobre a linda, maravilhosa, inigualável e suculenta Honey Boo Boo. Caso você ainda não a conheça, deixe-me apresentá-los:</p>
<div class="wp-caption aligncenter" style="width: 410px"><img alt="" src="http://25.media.tumblr.com/e5347edbebe20532e42418a1aa30b6e7/tumblr_mjey3rdP5f1s6gb4so1_500.gif" width="400" height="224" /><p class="wp-caption-text">Linda.</p></div>
<p>Essa semana eu fiquei miseravelmente doente, então me dei ao luxo de largar as minhas obrigações e curtir a minha febre assistindo TV. Estava vendo o fabuloso &#8220;Muquiranas&#8221;, da TLC quando me deparei com o<a href="http://www.youtube.com/watch?v=11T59SdqguQ" target="_blank"> trailer de &#8220;Honey Boo Boo&#8221;</a>. Já conhecia a figura por causa daquele show de horrores intitulado &#8220;Pequenas Misses&#8221;.</p>
<p>Honey Boo Boo é como se auto-intitula Alana Thompson, de seis anos. Ela é tão espetacular que roubou a cena diversas vezes em &#8220;Pequenas misses&#8221; e ganhou seu próprio reality show, que mostra a vida em sua família. A família de Alana &#8211; a mãe, três irmãs e o padrasto &#8211; é uma mistura interessante de estereótipos. Eles são o que eu imagino que seja a mais caricata forma de <em>rednecks </em>e <em>white trash.</em></p>
<p>Entre um surto de tosse e outro, não me aguentei e fui ver os episódios do reality dela no Youtube. Desci logo para os comentários para dar uma olhada no que o pessoal estava falando. Óbvio que a maioria despejava um milhão de insultos sobre como a mãe dela é gorda, eles são nojentos, americanos são idiotas, enfim. Todo aquele ódio descomedido típico das pessoas que perdem tempo discutindo no Youtube.</p>
<p>Em um dia, tomando chá quente e enroladinha no meu edredom, assisti a primeira temporada inteira. Foi como receber um abraço na alma porque olha, palavras não expressam o quanto eu me apaixonei por essa família. Eles ignoram qualquer noção básica de higiene e tem uma dieta repugnante. Porém, observando-os sem o viés de julgamento, desafio a quem enxergar algo além uma família feliz e amorosa.</p>
<p>Honey BooBoo é espirituosa e inteligente. Ouso dizer que as irmãs somadas não tem metade de seu QI. Ela se joga de barriga na lama, ama seu porquinho Glitzy, é super amorosa com a sobrinha e principalmente: tem uma autoconfiança absolutamente invejável.</p>
<div class="wp-caption aligncenter" style="width: 410px"><img alt="" src="http://media.tumblr.com/b89ea7e0919774d8eb8066ddaca9d494/tumblr_inline_mhuv8cPrmV1qz4rgp.gif" width="400" height="225" /><p class="wp-caption-text">Diva absoluta e magnânima.</p></div>
<p>Muito se fala da criação que a mãe de Honey BooBoo dá as filhas. Eu, particularmente, só consigo condená-la por chamar o &#8220;<a href="http://www.youtube.com/watch?v=KswWfq2drCM" target="_blank">sketti</a>&#8221; de comida. Eu a acho uma mãe amorosa e que transmite ótimos valores às filhas. Tipo isso:</p>
<div class="wp-caption aligncenter" style="width: 410px"><a href="http://24.media.tumblr.com/c25aa806aa59de39e5c624de0516afb1/tumblr_mjnaajveTm1s4xdz1o1_400.gif"><img alt="" src="http://24.media.tumblr.com/c25aa806aa59de39e5c624de0516afb1/tumblr_mjnaajveTm1s4xdz1o1_400.gif" width="400" height="225" /></a><p class="wp-caption-text">Honey BooBoo samba na cara dos estereótipos</p></div>
<p>&nbsp;</p>
<div class="wp-caption aligncenter" style="width: 410px"><img class=" " alt="" src="http://25.media.tumblr.com/c1c208e4f12464b355b779d7e7004b9e/tumblr_mjjbqvwQ6F1rx3zino1_500.gif" width="400" height="204" /><p class="wp-caption-text">HELL YES</p></div>
<p>O golpe final de Alana para arrebatar meu coração foi no episódio em que Poodle, seu tio favorito e &#8220;meio gay&#8221;, de acordo com palavras da própria, veio visitar. Ela me sai com essa:</p>
<div class="wp-caption aligncenter" style="width: 430px"><img class="  " alt="" src="http://24.media.tumblr.com/21f29d0d6c89241cdea6f585e0bdda43/tumblr_mjo4hpyeTh1s4i4uqo2_500.gif" width="420" height="210" /><p class="wp-caption-text">Honey BooBoo espalhando o amor e a tolerância &lt;3</p></div>
<p>Todos os créditos dessa maravilhosa confiança, autoimagem e respeito ao próximo são de Mama June. Esta, tão criticada e taxada de estúpida, é tão épica que todo o dinheiro que está ganhando com o reality show &#8211; que não deve ser pouco, haja vista a enorme atenção da mídia americana que estão recebendo &#8211; está sendo guardado para que as filhas possam frequentar a universidade.</p>
<div class="wp-caption aligncenter" style="width: 446px"><img alt="" src="http://www.celebitchy.com/wp-content/uploads/2013/01/beautimous.png" width="436" height="244" /><p class="wp-caption-text">Mama June</p></div>
<p>O reality show de Honey BooBoo é ingênuo, leve e engraçado. Quase uma lição de vida, eu diria.</p>
<div class="wp-caption aligncenter" style="width: 360px"><a href="http://25.media.tumblr.com/323a992ce06f345c29cdbab315274de2/tumblr_mjm4geFCGd1s27suuo1_500.jpg"><img class=" " alt="" src="http://25.media.tumblr.com/323a992ce06f345c29cdbab315274de2/tumblr_mjm4geFCGd1s27suuo1_500.jpg" width="350" height="393" /></a><p class="wp-caption-text">&lt;3</p></div>
<p>Enquanto isso, descobri que a nova obsessão das pessoas cultas e letradas desse mundão de meu deus é conquistar a chamada <a href="https://www.google.com.br/search?q=barriga+negaiva&amp;aq=f&amp;oq=barriga+negaiva&amp;aqs=chrome.0.57.2243j0&amp;sourceid=chrome&amp;ie=UTF-8#hl=en&amp;sclient=psy-ab&amp;q=barriga+negativa&amp;oq=barriga+negativa&amp;gs_l=serp.3...7589.7589.0.7704.1.1.0.0.0.0.0.0..0.0...0.0...1c.1.7.psy-ab.6kOUVfJKtJE&amp;pbx=1&amp;bav=on.2,or.r_cp.r_qf.&amp;bvm=bv.44442042,d.dmQ&amp;fp=9c8ba8360ed463a1&amp;biw=1280&amp;bih=616" target="_blank">barriga negativa</a>. Realmente, pessoas do Youtube, vocês tem toda razão &#8211; os Thompson é que são abomináveis.</p>
<p>Honey BooBoo, uma última palavra para os <em>~haters~?</em></p>
<div class="wp-caption aligncenter" style="width: 510px"><img alt="" src="http://25.media.tumblr.com/21c4fbbfb77ca2ba0e4a65cc199d8265/tumblr_mjmayzXCYF1rw7sono1_500.gif" width="500" height="281" /><p class="wp-caption-text">7 anos de pura sabedoria.</p></div>
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		<title>Sobre a morte</title>
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		<pubDate>Mon, 11 Feb 2013 18:36:35 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Gabriela</dc:creator>
				<category><![CDATA[Falando com as paredes]]></category>

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		<description><![CDATA[Sempre encarei a morte com a naturalidade de quem carregou consigo seu estigma por quase toda uma vida. Estar num hospital cercada de velhinhos diabéticos, hipertensos, metastáticos e moribundos contribuiu para aceitar a morte como um desfecho natural para aquelas histórias. A morte é fácil. É finita, resolutiva, talvez até libertadora – pra quem vai...<br /><a class="more-link" href="http://nuvempimenta.org/index.php/2013/02/11/sobre-a-morte/">Continue lendo &#187;</a>]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p>Sempre encarei a morte com a naturalidade de quem carregou consigo seu estigma por quase toda uma vida. Estar num hospital cercada de velhinhos diabéticos, hipertensos, metastáticos e moribundos contribuiu para aceitar a morte como um desfecho natural para aquelas histórias.</p>
<p>A morte é fácil. É finita, resolutiva, talvez até libertadora – pra quem vai e pra quem fica. Não há esperança ou alternativa. É. Fim.</p>
<p>Por outro lado, a vida é uma fardo pesado.</p>
<p>Nunca tinha me deparado com essa ideia, até ser inadvertidamente arremessada para os braços de uma catástrofe.</p>
<p>Corri para apanhar a ficha de atendimento, reconheci seu nome. Ao vê-lo inconsciente, mole, convulsionando numa cadeira de rodas, o soco no estômago. Já havia sido meu paciente; uma apendicectomia sem intercorrências realizada algumas semanas antes. Um guri mais jovem que eu, saudável, normal.</p>
<p>A afobação dos amigos, o deslize do SAMU, o festival de irresponsabilidades que é o carnaval. A combinação que culminou na imagem que eu não conseguirei tirar tão cedo da minha mente.</p>
<p>Ele havia sido transportado da maneira mais errada e grotesca possível. Não havia nada que pudéssemos fazer. Insistíamos em tentar obter algum tipo de reflexo, mas ele permanecia irresponsivo. Nenhuma resposta à dor nos pés, nas mãos, no tórax. Somente saia de seu estupor se estimulássemos o pescoço.</p>
<p>Não tinha usado drogas, não estava bêbado.</p>
<p>Voltará para casa paraplégico.</p>
<p>Não havia nada que eu pudesse fazer por aquela criança além de segurar sua cabeça, numa tentativa débil de proteger sua coluna cervical que já deveria estar em frangalhos e observar enfermeiras e residentes correndo de um lado para o outro.</p>
<p>Lidar com a morte é fácil. Lidar com vidas interrompidas é difícil.</p>
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		<item>
		<title>Cantinho do Síndico: Feliz 2013</title>
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		<comments>http://nuvempimenta.org/index.php/2013/02/11/cantinho-do-sindico-feliz-2013/#comments</comments>
		<pubDate>Mon, 11 Feb 2013 12:25:25 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Gabriela</dc:creator>
				<category><![CDATA[Cantinho do síndico]]></category>
		<category><![CDATA[boas vibes]]></category>

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		<description><![CDATA[Graças aos dedos leves de Jamal, o domenicano, o início do meu 2013 foi um tanto traumática. Após 24h de viagem, stress em Guarulhos e um trânsito infernal em Florianópolis, impossível ter recepção mais calorosa do que uma mensagem de esperança do Bóris aguardando por mim no elevador. Assim como todas as outras, é poética...<br /><a class="more-link" href="http://nuvempimenta.org/index.php/2013/02/11/cantinho-do-sindico-feliz-2013/">Continue lendo &#187;</a>]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p>Graças aos dedos leves de Jamal, o domenicano, o início do meu 2013 foi um tanto traumática. Após 24h de viagem, stress em Guarulhos e um trânsito infernal em Florianópolis, impossível ter recepção mais calorosa do que uma mensagem de esperança do Bóris aguardando por mim no elevador.</p>
<p>Assim como todas as outras, é poética e profunda demais para ser contida entre as quatro paredes do elevador de serviço. As palavras de Bóris precisam transcender a internet. Então, estimado leitor, assuma a posição de lótus, coloque uma música da Enya e vem contemplar comigo:</p>
<p><a href="http://nuvempimenta.org/blog/wp-content/uploads/2013/02/IMG_2419.jpg"><img class="aligncenter size-medium wp-image-1091" alt="IMG_2419" src="http://nuvempimenta.org/blog/wp-content/uploads/2013/02/IMG_2419-e1360585253768-225x300.jpg" width="225" height="300" /></a></p>
<p>Um abraço na alma.</p>
<p><em>Pra facilitar seu acesso a toda a sabedoria desta que é a sessão mais célebre deste blog, criei uma categoria especial para o <a href="http://nuvempimenta.org/index.php/category/cantinho-do-sindico/" target="_blank">Cantinho do Síndico</a>.</em></p>
<p><em>E pra quem não viu meu update no post passado: sabia que Jamal ia se compadecer da minha situação capilar; minha mala foi encontrada e devolvida, intocada. Até meu anelzinho voltou!</em></p>
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		<title>Carta para Jamal</title>
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		<pubDate>Thu, 10 Jan 2013 04:25:05 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Gabriela</dc:creator>
				<category><![CDATA[Peregrinando]]></category>
		<category><![CDATA[classe média sofre]]></category>

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		<description><![CDATA[Prezado Jamal, Tive dificuldade em começar a escrever esta carta. Acho mais fácil se eu iniciar falando de mim. Adoro falar de mim. Meu nome é Gabriela, moro em uma ilha perdida nos mares do Sul, onde tudo é caro e escasso. Pelo que pude ver do avião, é bem parecido com a sua República...<br /><a class="more-link" href="http://nuvempimenta.org/index.php/2013/01/10/carta-para-jamal/">Continue lendo &#187;</a>]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p>Prezado Jamal,</p>
<p>Tive dificuldade em começar a escrever esta carta. Acho mais fácil se eu iniciar falando de mim. Adoro falar de mim. Meu nome é Gabriela, moro em uma ilha perdida nos mares do Sul, onde tudo é caro e escasso. Pelo que pude ver do avião, é bem parecido com a sua República Dominicana. Praias bonitas e um bocado de favelas. É foda morar no terceiro mundo né? Super te entendo, Jamal. Tamo junto.</p>
<p>Enfim.</p>
<p>Escrevo para te sensibilizar e pedir clemência com a minha situação. Na quarta-feira passada fiz uma escala aí no seu aeroporto. Muito bonito, diga-se de passagem. Na ida, pude acompanhar enquanto seus colegas colocavam ~delicadamente~ as malas no avião, tranquilizei-me quando observei que minhas bagagens adentravam a aeronave. Porém, na volta, não tive um assento com vista tão privilegiada. Pra falar bem a verdade, eu estava tão cansada que nem estava me preocupando com isso.</p>
<p>Então, Jamal, imagine você a minha surpresa quando, em Guarulhos, minha mala não chegou. Tudo que eu queria era ir pra casa brincar com as minhas coisas novas. Esperei, esperei e esperei enquanto a esteira rolava. Carrinhos de bebê, malas grandes, mochilas, caixas. Nada da minha bela mala azul comprada numa liquidação e paga em 6x sem juros no Visa. Foi a primeira vez que isso me aconteceu, Jamal. Foi horrível. E olha que eu já viajei um bocado de vezes.</p>
<p>Fui no balcãozinho da GOL, fiz o RIB. Mas não sei por que, algo me diz que a mala não ficou em algum aeroporto, mas sim foi sequestrada e está na sua casa, Jamal.</p>
<p>Queria saber o que te atraiu pra minha singela bagagem. Talvez por seu tamanho. É uma mala bonita, realmente, os levou a crer que tinha algo de valor. Ou então vocês passaram no raio-x e viram um singelo anel de ouro que esta anta que vos escreve jogou na caixinha das bijuterias. Quem sabe foi o meu relógio. Não sei. Já me passaram mil cenas pela cabeça do “PORQUE A MINHA MALA, SENHOR?” e confesso que cada uma delas me dá um arrepio.</p>
<p>Vou te contar uma coisa, Jamal. Todas aquelas coisas douradas e brilhantes são bijuterias. Pois é. Sabe aquele anel grande que parece da Vivara? PARECE, amigo. Aquele outro anelzinho largo é de ouro mesmo, com alguns minimini brilhantes. O relógio dourado vistoso é da Guess, velho pra burro, e o ponteiro dos segundos cai às vezes. É um saco, já mandei consertar mas não adiantou.  Algumas bijus são de uma rua famosa de São Paulo, a Twenty-Fifth Street. Sei que são lindas, mas juro pra ti que é tudo falso.</p>
<p>Tudo isso, caro Jamal, pra dizer que a única coisa que tu provavelmente irás vender nesta mala é o meu anelzinho de ouro, que ganhei de presente de quinze anos dos meus padrinhos. Sabe, pode ficar com ele. Tenho certeza que tu precisas mais do que eu. Pode ficar com o relógio também. Com todas as bijuterias, na verdade.</p>
<p>Agora, Jamal, é a parte em que eu vou realmente tentar tocar seu coração dominicano.</p>
<p>Aquela bolsinha listrada é a minha nécessaire. Exagerada né? Eu sei. Nela estavam as minhas melhores maquiagens, Jamal. Bugigangas adquiridas a muito custo, ao longo de anos de viagens e mesadas guardadas. Minhas coisas da MAC, meu icônico batom vermelho da KiKo, meu delineador. Os pincéis da MAC foram comprados com o dinheiro suadíssimo da <a href="http://nuvempimenta.org/index.php/category/work-trouble/">minha estada no Pojoaque</a>. Meus perfumes favoritos. Minhas lentes de contato novinhas, Jamal. Da única marca que (ainda) não me dá alergia.</p>
<p>Tu não vais conseguir te livrar desse monte de porcaria usada. Aposto que a tua namorada – que eu imagino que tenha um nome tipo Sunshyne ou Desthyny – vá curtir um batom usado ou um lápis nanico.</p>
<p>Ai, acabei de me lembrar que meu rímel da KiKo também estava lá. Que dor.</p>
<p>Tem os sutiãs novinhos da Victoria’s Secret também. Vou te contar o drama que é ser alta num país de pessoas anãs, Jamal. Roupas grandes aqui não são feitas por gente grande, mas sim pra gente gorda. Nada contra gordos, longe de mim. Voltando aos sutiãs, imagine meu drama: sou grande E meio gorda. OU SEJA, é foda. Os sutiãs que ficam bons pro tamanho do meu peito apertam minhas costas e eu fico com gorduras ridículas na camiseta. Ninguém merece né? Quando eu descobri a VS pela primeira vez, quase chorei e beijei a vendedora.</p>
<p>Os sutiãs eram lindos, perfeitos e com ótimos preços. Comprei uma porção e fui feliz até eles começarem a ficar feios e desbotados. Quando arrumei a mala pra ir pra Miami, joguei os meus sutiãs velhos todos fora. Todos, Jamal. TODOS. Vim com um no corpo e só. Comprei tudo novo na VS e o melhor de tudo, na liquidação. E agora esses sutiãs maravilhosos estão no chão da sua casa. O meia-taça com o melhor suporte do mundo. O de oncinha. Os básicos. Os que combinavam com as calcinhas que comprei.</p>
<p>Duvido que a Destyny seja um 36D como eu. Ela deve ser no mínimo um 40DD.</p>
<p>Pra finalizar, a coisa mais valiosa que estava nessa mala: meu lindo oxímetro de pulso amarelo-ovo. Jamal, você não sabe como é triste ser estudante de medicina nessa terra maldita. Um estetoscópio que nos EUA custa 90 dólares aqui não sai por menos de 500 reais (o que deve dar uns 300 dólares). Como vou iniciar agora na Clínica Médica, comprei um oxímetro, que é um brinquedinho muito útil na emergência de um hospital. Sabe quanto custa aqui, Jamal? No mínimo uns 300 reais (acho que deve ser uns 150 dolares). Sabe quanto eu paguei? 50 dólares. Ele era tão lindo. Eu sei, sou burra e deveria ter trazido ele comigo, mas quando eu ia imaginar que isso iria acontecer?</p>
<p>Estou triste.</p>
<p>Ah, e os meus cremes. A linha anti-cravos dr Brandt. Toda a linha da Joico para cabelos quimicamente tratados. Meus hidratantes.</p>
<p>Tenha pena desta pobre menina com pele mista e cabelo ruim, Jamal.</p>
<p>Pode ficar com o relógio, as bijuterias, o anel de ouro. Pode até pegar o 212 e o Miss Dior pra dar pra Desthyny. Mas por favor, por favor, por favor, devolve minhas maquiagens, os sutiãs e o meu oxímetro. Por favor. Podemos negociar. Posso te enviar Havaianas. Cachaça. O que for. Prometo que retiro a queixa na GOL e fico quietinha.</p>
<p>Devolve a minha muamba, Jamal.</p>
<p>Abraço,<br />
Gabi</p>
<blockquote><p>Update: Eu sabia que ia funcionar! Jamal se compadeceu e devolveu a mala intocada pra mim. Aleluia!</p></blockquote>
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		<title>Dignidade já</title>
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		<pubDate>Sun, 16 Dec 2012 23:27:16 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Gabriela</dc:creator>
				<category><![CDATA[Falando com as paredes]]></category>
		<category><![CDATA[aloca]]></category>
		<category><![CDATA[dorgas manolo]]></category>

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		<description><![CDATA[- Vou te falar a mesma coisa que uma pessoa muito sábia me disse há dois dias. - Ai, por favor. Tudo que eu preciso é um conselho sábio. - Tu já tens asas. Só falta aprender a voar. - Gente, se tu achas que eu já tenho asas, tu deves estar um cadinho equivocado,...<br /><a class="more-link" href="http://nuvempimenta.org/index.php/2012/12/16/dignidade-ja/">Continue lendo &#187;</a>]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p>- Vou te falar a mesma coisa que uma pessoa muito sábia me disse há dois dias.<br />
- Ai, por favor. Tudo que eu preciso é um conselho sábio.<br />
- Tu já tens asas. Só falta aprender a voar.<br />
- Gente, se tu achas que eu já tenho asas, tu deves estar um cadinho equivocado, porque puta que pariu.<br />
- Sua burra, tu tens asas. Tu só precisas é te identificar com a águia, que tem asas e voa. Não com uma galinha.</p>
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		<title>Clichês do dia</title>
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		<pubDate>Fri, 12 Oct 2012 13:13:11 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Gabriela</dc:creator>
				<category><![CDATA[Vida cu]]></category>

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		<description><![CDATA[(O Nuvem Pimenta foi atacado por ráqueres na madrugada de ontem, então os comentários deste post sumiram.) É sempre assim: fui me vangloriar de como estava tudo muito bem, tudo muito bom que lá veio o destino – esse puto – cagar na minha cabeça pra mostrar quem é que manda. Então, queridos amigos, o primeiro...<br /><a class="more-link" href="http://nuvempimenta.org/index.php/2012/10/12/cliches-do-dia/">Continue lendo &#187;</a>]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p>(O Nuvem Pimenta foi atacado por ráqueres na madrugada de ontem, então os comentários deste post sumiram.)</p>
<p>É sempre assim: fui me vangloriar de como estava tudo muito bem, tudo muito bom que lá veio o destino – esse puto – cagar na minha cabeça pra mostrar quem é que manda.</p>
<p>Então, queridos amigos, o primeiro clichê do dia é uma dessas frases de orkut, do tipo “não arrote sua felicidade que o pessoal fica mei puto”. Acho que não era isso, vamos tentar de novo. “Se você está feliz, não ronque e durma em decúbito lateral esquerdo pra não acordar a inveja”. (Achei no google: o certo é: “não grite a sua felicidade que a inveja tem sono leve”).</p>
<p>Dai tudo bem né, levei uns tapas na cara deferidos pela sociedade porque né, nego não pode tá feliz porque é crime. Poliana que sou, mantive a classe e fiquei de boa.</p>
<p>Aí entra o segundo clichê do dia, que também pode ser “do mês” ou “da vida”: as pessoas esperam dos outros o que elas mesmas fariam. Sabe? Um filha da puta vai e acha que <em>você</em> avacalharia porque, afinal de contas, é o que ele faria. Da mesma forma que eu – otária – achei que 99% das pessoas tem um mínimo de dignidade e etc. Mas nãããão. 99% das pessoas <em>não tem</em> dignidade e CAGARAM pra você e seu bem estar biopsicossocial.</p>
<p>Fiquei que nem uma trouxa refletindo sobre a atual situação, meio puta porque é tudo culpa minha mesmo. Deixo vocês com o último clichê do dia: quem está na chuva é pra se molhar (ficar ensopado e pegar pneumonia).</p>
<p style="text-align: center;"><img class="aligncenter" src="http://i30.photobucket.com/albums/c335/amclouthier/YouMakeDawsonSad.jpg" alt="" width="420" height="315" /></p>
<p style="text-align: left;">(Pelo menos eu tô cercada de amor e compreensão. PELO MENOS. &lt;3)</p>
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		<title>O fator E. R.</title>
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		<comments>http://nuvempimenta.org/index.php/2012/09/02/o-fator-e-r/#comments</comments>
		<pubDate>Sun, 02 Sep 2012 13:42:19 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Gabriela</dc:creator>
				<category><![CDATA[Medicina e eu]]></category>
		<category><![CDATA[medicina]]></category>
		<category><![CDATA[risos]]></category>
		<category><![CDATA[surpresa!]]></category>

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		<description><![CDATA[Este post vai ser um magnífico tiro no pé porque vários amigos meus leem o blog, mas acho que eventualmente a verdade viria a tona. Ser médico já foi uma profissão de mais prestígio. Atualmente, em grande parte por culpa do google, a classe médica está um tanto desacreditada. Mesmo assim, ainda gozamos de alguns...<br /><a class="more-link" href="http://nuvempimenta.org/index.php/2012/09/02/o-fator-e-r/">Continue lendo &#187;</a>]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p><em>Este post vai ser um magnífico tiro no pé porque vários amigos meus leem o blog, mas acho que eventualmente a verdade viria a tona.</em></p>
<p>Ser médico já foi uma profissão de mais prestígio. Atualmente, em grande parte por culpa do google, a classe médica está um tanto desacreditada. Mesmo assim, ainda gozamos de alguns benefícios. O meu favorito &#8211; e que uso demais &#8211; é o que eu gosto de chamar de &#8220;Fator E. R.&#8221;.</p>
<p>Pra quem não lembra, E. R. é aquela série antigona de tv, onde pessoas invadiam o hospital atirando, crianças chegavam sem cabeça, etc. Enfim, o tempo todo pessoas estavam ocupadíssimas, correndo de um lado pra outro, salvando vidas, sendo épicos, gritando com as enfermeiras. <a href="http://www.youtube.com/embed/2DoIFfgDAds">Relembre a abertura</a>.</p>
<p>Emocionante, né? Por algum motivo, quando falo em &#8220;plantão&#8221;, &#8220;emergência&#8221; ou &#8220;estou no hospital&#8221;, essa é a imagem que as pessoas tem. Há uma glamourização do médico, uma ideia de que estamos sempre correndo lindos e loucos por aí, com um desfibrilador a tira colo pronto pra salvar vidas. Essa cena tão profundamente enraizada no imaginário do ~povo~ é o &#8220;fator E. R.&#8221;.</p>
<p>Aposto que você visitava o blog todo dia, dando F5 pra ver se eu tinha atualizado. Ao perceber que eu continuava elaborando o luto do Rufus, deveria pensar &#8220;poxa, mas ela deve estar super ocupada no hospital, fazendo coisas de doutoranda&#8221;. Né? Então se segura na cadeira, amigo, porque eu vou te falar a verdade. Eu estou com um bilhão de coisas pra fazer sim, confesso. Porém o hospital é justamente o que <em>menos</em> me ocupa. Pra você ter ideia, na semana que eu estava passando na emergência pediátrica, eu acompanhei o Super Chef no Mais Você e me contorci de desgosto com cada piadinha infame no Bem Estar. Odeio o Bem Estar e tenho medo daquela pediatra que eles chamam pra ficar lá. Ela é bizarra e eu jamais levaria meus filhos pra se consultar com ela. Não tinha ninguém melhor pra eles contratarem não?</p>
<p>&#8220;Mas Gabi, depois você reclama do Bem Estar.&#8221;, você me interrompe. &#8220;Como o fator E. R. interfere na sua vida?&#8221;</p>
<p>Elementar, meu caro amigo. Para ser mais didática, vou ilustrar com algumas situações:</p>
<p><strong>&#8220;A cirurgiã ocupada&#8221;<br />
</strong><em>Pessoa: oi, pode falar?</em></p>
<p>Eu poderia falar algo como &#8220;estou dirigindo&#8221;, &#8220;estou no banheiro&#8221; ou &#8220;não, não posso, morra&#8221;. Porém, bem sabemos que qualquer uma dessas alternativas não seria muito aceita pelo interlocutor.</p>
<p><em>Eu: poxa, adoraria, mas vou entrar em cirurgia a-go-ri-nha. Te ligo depois, beijas!<br />
</em>O fator E. R. leva a pessoa a imaginar que tem alguém com um machado na cabeça, sangrando e que depende de minhas mãos mágicas para voltar pra casa. Alou, eu sou uma DOUTORANDA, o que significa que, se eu tiver sorte (?), alguém vai me deixar segurar um afastador &#8211; o que é um saco e dá dor nas costas.<br />
Entretanto só quem sabe disso sou eu ou meus colegas de curso, então essa é a minha desculpa favorita porque eu me sinto muito importante.</p>
<p><strong>&#8220;A plantonista&#8221;</strong><br />
<em>Pessoa: e ai, vamos fazer alguma coisa hoje a noite?</em><br />
Depois de passar o dia evoluindo pacientes na enfermaria ou atendendo 3,7 crianças por minuto, tudo o que eu queria era ir pra casa, tomar um banho e assistir &#8220;2 Broke Girls&#8221; ou &#8220;America&#8217;s Next Top Model&#8221;. Novamente, isto não é visto com bons olhos pela sociedade.</p>
<p>Enfermeira, traga o fator E.R., rápido!</p>
<p><em>Eu: poxa, adoraria, mas vou estar de</em> <em>plantão!</em><br />
Ninguém enche o saco, ninguém reclama, ninguém aparece aqui na porta pra me obrigar a sair de casa. E ainda ficam com pena de mim porque estou trabalhando demais.</p>
<p>Então agora você que me conhece pessoalmente ou conhece alguém que faz medicina/é médico deve estar se perguntando se já foi vítima do &#8220;fator E. R.&#8221;. Não precisa ligar pro seu namorado tendo um piti ou deletar seu amigo do facebook porque eu já adianto: sim, com certeza você já foi atingido em cheio e nem percebeu.</p>
<p>Mas veja bem (agora é a parte em que eu tento remendar com os meus amigos porque tenho certeza que eles vão me xingar MUITO por essa), eu realmente dou cerca de dois plantões por semana. Às vezes eu <em>realmente</em> estou trabalhando. Eu só quero ficar em casa numa nice ou dormir como um Snorlax e apenas uso o fator E. R. para não ferir seus sentimentos porque eu me importo com você &lt;3</p>
<p>O problema não é você &#8211; eu juro -, sou eu e a minha preguiça. Agora, se vocês me dão licença, eu estou sendo aguardada para iniciar uma laparotomia.</p>
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		<item>
		<title>Rufus</title>
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		<pubDate>Sat, 18 Aug 2012 20:04:30 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Gabriela</dc:creator>
				<category><![CDATA[Falando com as paredes]]></category>
		<category><![CDATA[amor]]></category>
		<category><![CDATA[rip]]></category>
		<category><![CDATA[rufus]]></category>

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		<description><![CDATA[Quando a casa ficou finalmente pronta, minha vó quis comprar um cachorro. Como boa descendente germânica, queria que fosse um pastor alemão. Coincidiu que havia uma feira de animais perto da nossa casa bem naquela época. Minha irmã, então com sete anos, adorava ir nessas exposições e nós sempre enchíamos o saco da minha mãe...<br /><a class="more-link" href="http://nuvempimenta.org/index.php/2012/08/18/rufus/">Continue lendo &#187;</a>]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p>Quando a casa ficou finalmente pronta, minha vó quis comprar um cachorro. Como boa descendente germânica, queria que fosse um pastor alemão. Coincidiu que havia uma feira de animais perto da nossa casa bem naquela época. Minha irmã, então com sete anos, adorava ir nessas exposições e nós sempre enchíamos o saco da minha mãe pra comprarmos outro cachorrinho. Dessa vez, estávamos especialmente felizes porque finalmente poderíamos levar um pra casa, sem precisar fazer juras de cuidado e amor eternos.</p>
<p>Achamos o <em>stand</em> de um canil especializado em pastores. Porém, não era <em>qualquer </em>tipo, eram os pastores alemães capa preta. Tinham a pelagem um pouco mais escura e eram muito bonitos. Decidimos que seria um deles. Após pegarmos alguns no colo, escolhemos um macho que recém tinha completado 1 mês.</p>
<p>Minha irmã o batizou de Rufus.</p>
<div id="attachment_1027" class="wp-caption aligncenter" style="width: 310px"><a href="http://nuvempimenta.org/blog/wp-content/uploads/2012/08/rufinhos.jpg"><img class="size-medium wp-image-1027" title="Rufinhos" src="http://nuvempimenta.org/blog/wp-content/uploads/2012/08/rufinhos-300x300.jpg" alt="Rufus bebê" width="300" height="300" /></a><p class="wp-caption-text">Bebê (2002)</p></div>
<p>Ele e Tobi, o poodle de 5 anos, se deram imediatamente bem. Tobi o recebeu de forma muito amigácel, mas sempre fez questão de assegurar que ele era seria o líder da recém-formada dupla. Rufus nunca teve problemas em aceitar a liderança do poodle folgado. Ele comia na tigela menor e dormia na cama pequena como se fosse o natural. À medida que Rufus crescia, a cena se tornava mais engraçada.</p>
<p>Tobi era agitado, enquanto Rufus preferia ficar numa boa. Quando Tobi resolvia que era hora de brincar, latia incessantemente até Rufus ceder. O jogo favorito de Tobi era pega-pega, correndo como um retardado ao redor da casa. Enquanto Tobi era leve e ágil, Rufus frequentemente não conseguia frear e acabava dando de cara num vaso ou na mobília. No início Rufus, de fato, corria de forma desengonçada atrás dele. Até que um dia ele percebeu que seria fácil enganar Tobi. Ele corria atrás do poodle até a ponta da varanda. Após, caminhava calmamente para o início da varanda, enquanto Tobi fazia a volta de maneira ensandecida. Quando Tobi surgia novamente, Rufus corria um pouco, dava umas latidas e retornava a esperar &#8220;na esquina&#8221;. Repetia isso algumas vezes e voltava para o seu ócio.</p>
<p>Tobi era o adulto-filhote e Rufus era o filhote-adulto.</p>
<div id="attachment_1028" class="wp-caption aligncenter" style="width: 310px"><a href="http://nuvempimenta.org/blog/wp-content/uploads/2012/08/rufus-e-tobi.jpg"><img class="size-medium wp-image-1028" title="rufus e tobi" src="http://nuvempimenta.org/blog/wp-content/uploads/2012/08/rufus-e-tobi-300x225.jpg" alt="Tobi com uma tosa horrível e Rufus com um Snuggie canino" width="300" height="225" /></a><p class="wp-caption-text">Tobi com uma tosa horrível e Rufus com um Snuggie canino (2010)</p></div>
<p>Rufus era um cachorro tranquilo e inteligente. Nunca atacou os animais que minha vó cria, nem mesmo as preciosas galinhas d&#8217;Angola &#8211; prato favorito de Tobi. Apesar de ter sido comprado com o intuito de ser um cão de guarda, achávamos que Rufus era incapaz de ser um cachorro agressivo.</p>
<p>Porém, isso mudou quando o Akita do vizinho apareceu no terreno. Tobi (sempre ele) resolveu dar &#8220;olá&#8221; para o novo amigo, enquanto observávamos de longe. O cachorro parecia tranquilo enquanto Tobi o cumprimentava. De maneira silenciosa e repentina, o Akita atacou. Antes que pudéssemos ter qualquer tipo de reação, Rufus disparou em direção aos dois, e Tobi já estava banhado em sangue. Entramos em desespero. Saímos correndo para acudir e evitar que a desgraça fosse maior. Para nossa mais grata surpresa, Rufus voou em cima do outro cachorro e o imobilizou. O cachorro estava de barriga pra cima, Rufus tinha suas patas sobre as patas do outro e um olhar de cólera que jamais tínhamos visto antes. Achamos que o pacífico Rufus estava prestes a estraçalhar o cão. Mas, como bem sabíamos, Rufus tinha boa índole. Apenas manteve o Akita imóvel para que pudéssemos tomar alguma atitude. E foi assim que ele salvou a vida do Tobi &#8211; naquele dia.</p>
<p>Ele gostava de roer as roseiras da minha avó e do tapete da entrada. Gostava de carinho na barriga e atrás da orelha. Sentia cócegas nas costas. Gostava da roupinha xadrez. Dentre as grandes paixões de Rufus, duas se destacavam: a chuva e o sofá da varanda.</p>
<div id="attachment_1030" class="wp-caption aligncenter" style="width: 310px"><a href="http://nuvempimenta.org/blog/wp-content/uploads/2012/08/soneca.jpg"><img class="size-medium wp-image-1030" title="Soneca no sofá de roupa xadrez = paraíso" src="http://nuvempimenta.org/blog/wp-content/uploads/2012/08/soneca-300x300.jpg" alt="Soneca no sofá de roupa xadrez = paraíso" width="300" height="300" /></a><p class="wp-caption-text">Soneca no sofá de roupa xadrez = paraíso (2012)</p></div>
<div id="attachment_1026" class="wp-caption aligncenter" style="width: 310px"><a href="http://nuvempimenta.org/blog/wp-content/uploads/2012/08/jardim.jpg"><img class="size-medium wp-image-1026" title="Rolé no jardim" src="http://nuvempimenta.org/blog/wp-content/uploads/2012/08/jardim-300x225.jpg" alt="Rolé no jardim" width="300" height="225" /></a><p class="wp-caption-text">Rolé no jardim (2007)</p></div>
<p>Independente da temperatura ou da hora do dia, assim que começava a chover, ele se deitava na areia e ficava lá. Por mais que tentássemos impedir, não tinha jeito. Ele gostava de chuva.</p>
<div id="attachment_1024" class="wp-caption aligncenter" style="width: 248px"><a href="http://nuvempimenta.org/blog/wp-content/uploads/2012/08/feliz-1.jpg"><img class="size-full wp-image-1024" title="Feliz" src="http://nuvempimenta.org/blog/wp-content/uploads/2012/08/feliz-1.jpg" alt="Feliz" width="238" height="223" /></a><p class="wp-caption-text">Feliz (2006)</p></div>
<p>Rufus ocupava perfeitamente o sofá de três lugares da varanda. Minha vó ficava irritada, pois ele o enchia de pelos. Brigávamos para que ele não subisse. Quando ele percebia que não tinha ninguém por perto, subia de fininho e ficava lá. Ao ser surpreendido, não movia um pelo; apenas baixava a orelhinha. Também não tinha jeito, ele amava aquele sofá mais do que qualquer outra cama que já oferecemos. Quando minha vó percebeu isso, resolveu ceder. No inverno, ela cobria o móvel com um edredon, para que Rufus dormisse confortavelmente no sofá que era seu.</p>
<div id="attachment_1029" class="wp-caption aligncenter" style="width: 310px"><a href="http://nuvempimenta.org/blog/wp-content/uploads/2012/08/sofá.jpg"><img class="size-medium wp-image-1029" title="sofá" src="http://nuvempimenta.org/blog/wp-content/uploads/2012/08/sofá-300x225.jpg" alt="Rufus em seu trono" width="300" height="225" /></a><p class="wp-caption-text">Rufus em cima de seu trono (2006)</p></div>
<div id="attachment_1022" class="wp-caption aligncenter" style="width: 310px"><a href="http://nuvempimenta.org/blog/wp-content/uploads/2012/08/embaixo-do-sofá.jpg"><img class="size-medium wp-image-1022" title="Rufus em baixo de seu trono" src="http://nuvempimenta.org/blog/wp-content/uploads/2012/08/embaixo-do-sofá-300x300.jpg" alt="Rufus em baixo de seu trono" width="300" height="300" /></a><p class="wp-caption-text">Rufus embaixo de seu trono (2012)</p></div>
<p>Eu gostava de dormir no sofá da sala, já que o da varanda era dele. Acho que ele ficava na espreita, me esperando pegar no sono. Quando ele tinha certeza que eu estava dormindo, lambia meu rosto ou encostava o nariz gelado em mim, me acordando num susto. Eu achava essa mania dele um saco. Mal sabia eu o quanto sentiria falta de levar uma lambida na orelha.</p>
<div id="attachment_1023" class="wp-caption aligncenter" style="width: 310px"><a href="http://nuvempimenta.org/blog/wp-content/uploads/2012/08/eu-e-rufus.jpg"><img class="size-medium wp-image-1023" title="Brincando no jardim" src="http://nuvempimenta.org/blog/wp-content/uploads/2012/08/eu-e-rufus-300x200.jpg" alt="Brincando no jardim" width="300" height="200" /></a><p class="wp-caption-text">Brincando no jardim (2011)</p></div>
<p>Quando ele parou de comer, se tornando a sombra do cachorro que um dia foi, sugeri que passássemos a dar carne crua pra ele. Minha irmã cortou um pedaço e, ao oferecer para o Rufus, ele quase comeu a mão dela junto. Ficamos felizes e ele passou o final de semana comendo alcatra. Quando minha vó foi ao supermercado, sugeri que ela poderia comprar uma carne mais barata. Ela revidou na hora, ultrajada, que alimentá-lo com carne de primeira era <em>o mínimo</em> que podíamos fazer por um cachorro tão amado quanto o Rufus.</p>
<div id="attachment_1021" class="wp-caption aligncenter" style="width: 310px"><a href="http://nuvempimenta.org/blog/wp-content/uploads/2012/08/bigode.jpg"><img class="size-medium wp-image-1021" title="Bigodes brancos" src="http://nuvempimenta.org/blog/wp-content/uploads/2012/08/bigode-300x300.jpg" alt="Bigodes brancos" width="300" height="300" /></a><p class="wp-caption-text">Bigodes brancos (2012)</p></div>
<p>&nbsp;</p>
<p><a href="http://nuvempimenta.org/blog/wp-content/uploads/2012/08/feliz.jpg"><img class="aligncenter size-large wp-image-1025" title="Feliz" src="http://nuvempimenta.org/blog/wp-content/uploads/2012/08/feliz-e1345320051671-1024x768.jpg" alt="" width="560" height="420" /></a></p>
<p>Sentiremos saudades.</p>
<p><em>Tobi tem passado seus solitários dias sentado na frente do portão, esperando Rufinhos voltar.</em></p>
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