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<?xml-stylesheet type="text/xsl" media="screen" href="/~d/styles/atom10full.xsl"?><?xml-stylesheet type="text/css" media="screen" href="http://feeds.feedburner.com/~d/styles/itemcontent.css"?><feed xmlns="http://www.w3.org/2005/Atom" xmlns:openSearch="http://a9.com/-/spec/opensearch/1.1/" xmlns:georss="http://www.georss.org/georss" xmlns:gd="http://schemas.google.com/g/2005" xmlns:feedburner="http://rssnamespace.org/feedburner/ext/1.0" gd:etag="W/&quot;AkUBQHw9eSp7ImA9WxJUGU4.&quot;"><id>tag:blogger.com,1999:blog-7959964</id><updated>2009-07-18T13:30:51.261-04:00</updated><title>Oleo do Diabo</title><subtitle type="html" /><link rel="http://schemas.google.com/g/2005#feed" type="application/atom+xml" href="http://oleododiabo.blogspot.com/feeds/posts/default" /><link rel="alternate" type="text/html" href="http://oleododiabo.blogspot.com/" /><link rel="next" type="application/atom+xml" href="http://www.blogger.com/feeds/7959964/posts/default?start-index=26&amp;max-results=25&amp;redirect=false&amp;v=2" /><author><name>Miguel do Rosário</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17626695423918657260</uri><email>migueldorosario@gmail.com</email></author><generator version="7.00" uri="http://www.blogger.com">Blogger</generator><openSearch:totalResults>1041</openSearch:totalResults><openSearch:startIndex>1</openSearch:startIndex><openSearch:itemsPerPage>25</openSearch:itemsPerPage><thespringbox:skin xmlns:thespringbox="http://www.thespringbox.com/dtds/thespringbox-1.0.dtd">http://feeds.feedburner.com/OleoDoDiabo?format=skin</thespringbox:skin><link rel="license" type="text/html" href="http://creativecommons.org/licenses/by-nc-nd/2.0/" /><logo>http://creativecommons.org/images/public/somerights20.gif</logo><link rel="self" href="http://feeds.feedburner.com/OleoDoDiabo" type="application/atom+xml" /><feedburner:emailServiceId>OleoDoDiabo</feedburner:emailServiceId><feedburner:feedburnerHostname>http://feedburner.google.com</feedburner:feedburnerHostname><atom10:link xmlns:atom10="http://www.w3.org/2005/Atom" rel="hub" href="http://pubsubhubbub.appspot.com" /><entry gd:etag="W/&quot;CUQERnc5cCp7ImA9WxJUGEs.&quot;"><id>tag:blogger.com,1999:blog-7959964.post-1727050105665576550</id><published>2009-07-16T13:58:00.044-04:00</published><updated>2009-07-17T16:41:47.928-04:00</updated><app:edited xmlns:app="http://www.w3.org/2007/app">2009-07-17T16:41:47.928-04:00</app:edited><category scheme="http://www.blogger.com/atom/ns#" term="Política" /><category scheme="http://www.blogger.com/atom/ns#" term="Mídia" /><title>Os ingênuos também vão para o inferno</title><content type="html">&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://1.bp.blogspot.com/_YRstxrVhW40/Sl-XYJDf1-I/AAAAAAAACdA/cEDJoinBoNU/s1600-h/shiro3.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 298px; height: 280px;" src="http://1.bp.blogspot.com/_YRstxrVhW40/Sl-XYJDf1-I/AAAAAAAACdA/cEDJoinBoNU/s400/shiro3.jpg" border="0" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5359168522597423074" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dando sequência a minha (nem tão) promissora missão pública de ombudsman do jornal O Globo, comento a &lt;a href="http://oglobo.globo.com/pais/noblat/posts/2009/07/16/de-embrulhar-estomago-205425.asp"&gt;matéria em destaque&lt;/a&gt; na edição de hoje (16/07/2009), na página 3, onde diversos ex-caras pintadas, ao estilo surrado do "petista arrependido", derramam lamúrias contra a foto que o jornal, na véspera, estampou na capa. Era &lt;a href="http://www.flickr.com/photos/24093518@N06/3730580862/"&gt;a foto&lt;/a&gt;, agora famosa, de Lula abraçando Collor.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É realmente engraçado. Bastou falar mal de Lula para ganhar uma foto tamanho família na página 3. A história mostra que a manipulação da ingenuidade tem sido uma estratégia constante daqueles que precisam enganar a opinião pública. Heródoto relata um caso assombroso ocorrido na Grécia Antiga, em Atenas, que o revoltou especialmente. Pisístrato, um tirano que os atenienses haviam, com muita dificuldade, logrado expulsar da cidade, restabelecendo assim o regime democrático, apela para uma artimanha incrível para voltar ao poder. Nas palavras de Heródoto:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;blockquote&gt;"(...) usaram, para o retorno de Pisístrato, o artifício mais grosseiro que, em minha opinião, se pode imaginar, principalmente considerando que os gregos eram tidos, desde há muito tempo, como mais astutos que os bárbaros e menos expostos a se deixarem deslumbrar por esse tipo de coisa, e que os atenienses, em particular, eram reputados como os mais sábios e perspicazes de todos os gregos. (...) Havia uma mulher muito formosa, chamada Phya, dotada de grande estatura. Armada completamente, e vestida com trajes que a fizeram parecer ainda mais bela e majestosa, puseram-na sobre um luxuoso carro e a conduziram à cidade, enviando na frente emissários para dizer ao povo desta forma: "Recebei, ó atenienses, de boa vontade, aquele que a própria deusa Atenas restitui ao poder, dando a ele uma demonstração nunca usada com outro mortal". Gritavam isto por todas as partes, de maneira que, muito breve, a fama se espalhou por toda a cidade e toda província. E os que se achavam na fortaleza central, acreditando que aquela mulher era realmente a deusa Atenas, abriram os portões para Pisístrato e seus comparsas."&lt;/blockquote&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Assim Pisístrato restabelece sua tirania. Heródoto se espanta com a facilidade com que os atenienses, tidos como astutos e perspicazes, se deixaram enganar por uma mentira tão grosseira.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Saltemos alguns milênios. A experiência tornou os espertos mais espertos e os bobos menos bobos, mas a ingenuidade é a condição natural do ser humano. A esquerda, particularmente, carrega o DNA da ingenuidade e talvez seja esse o seu maior defeito, assim como o egoísmo é a característica mais negativa da direita.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A luta contra a ingenuidade é uma frente de batalha importante para este blog, porque percebi há tempos que esse é um ponto extremamente vulnerável de muitas pessoas progressistas e bem intencionadas. "Soyons realistes, demandons le impossible!", gritavam os jovens de 68. Era um lema bonito, mas os europeus, com seu espírito pragmático, nunca o levaram muito à sério e os americanos, como é tão bem mostrado em Sonhadores, obra-prima de Bertolucci, consideravam-no falso e pedante; os que o levaram ao pé da letra, tornaram-se, além de derrotados politicos, pessoas amargas e desiludidas. Aliás, a consequência inevitável, necessária, da ingenuidade política, é tristeza e desilusão. Tentar enxergar na política uma pureza que não existe, nem em si mesmo nem no mundo real, é ingenuidade, ignorância e, às vezes, megalomania moral, doença crônica dos hipócritas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O PIG adora os ingênuos porque sabe que eles são inofensivos. Sempre interessou ao PIG uma esquerda ingênua, que se limitasse a empunhar bandeiras bonitinhas e graciosas, mas que nunca tivesse a ousadia de disputar, à vera, o poder político, e muito menos o discernimento de saber conservá-lo - não, isso é para os "adultos", ou seja, para os conservadores. Renan Calheiros foi ministro da Justiça de FHC e nunca vimos uma matéria negativa sobre a figura. Bastou mudar o governo e Renan aderir a Lula para que ele passasse a integrar o "eixo do mal" da política brasileira.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Desde que Collor elegeu-se senador da república por Alagoas, a mídia corre atrás de uma foto sua com o presidente. A desta semana não é a primeira. Os fotógrafos catam os ângulos mais enviezados para enquadrar, na mesma imagem, Lula e os "vilões". Até aí tudo bem. Todo mundo sabe que O Globo faz oposição à Lula e, portanto, seus empregados cumprem a determinação editorial de bater diariamente no ex-barbudinho. Cada um a seu jeito. Os chargistas fazem charges, os jornalistas escrevem matérias, os fotógrafos tiram fotos, os colunistas escrevem colunas. O trabalho é bem pago e obedece quem tem juízo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Daí que Lula participou de um ato importante em Alagoas e quem estava lá? Fernando Collor de Melo, senador da República. Ora, Collor e Renan Calheiros pertencem a partidos que compõem a base aliada no Senado, onde a situação do governo é extremamente delicada, vide as inúmeras CPIs criadas ininterruptamente pela oposição, sempre com o entusiástico apoio da mídia corporativa. Lula agradeceu o apoio que Collor e Renan davam aos projetos do governo. E depois, em determinado momento, cumprimentou pessoalmente Collor.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Lula é um estadista, um político no sentido lato do termo, e sabe pôr o interesse nacional acima de questões pessoais e, sobretudo, sabe deixar o passado para trás e olhar o futuro. O Brasil é um Estado democrático onde, se o sujeito é absolvido na Justiça e ganha as eleições, ele é um representante do povo e como tal deve ser respeitado, quer gostemos dele ou não. Seria demais, aí sim, entregar um Ministério a Fernando Collor, mas ir lá e cumprimentar o homem, qual o problema? Agradecer o seu apoio no Senado, qual o problema? É razão para histeria? Para chorar pelos cantos?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As organizações Globo tem uma saudade enorme dos "caras pintadas" porque sabem a influência que tiveram sobre o fenômeno. A Globo ataca sistematicamente o movimento estudantil enquanto força organizada, institucional, partidária. Para o Globo, o movimento estudantil ideal é essa festinha de caras pintadas, sem ideologia, sem partido, sem organização, reunidos esporadicamente para protestar contra "vilões" de manchete de jornal.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Pragmatismo tem limite", diz um dos ex-caras pintadas. Ok, filho, mas qual é o limite? Cumprimentar Collor? E daí? Collor tem lepra? Collor foi cassado, pagou sua dívida política, foi absolvido no Supremo Tribunal Federal, e foi eleito pelo povo de Alagoas. Se alguém tem culpa é o povo de Alagoas, e os meios de comunicação de lá (certamente ligados aos representantes locais dos platinados), que preferiam Collor a um cara de esquerda.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A gente sabe muito bem quem elegeu Collor - os mesmos globais que agora o transformam em vilão de história em quadrinhos. Quem editou debate na TV para prejudicar Lula? Quem ajudou Collor a se eleger em 1989? Agora ele é senador da república, num Senado onde o governo vive uma situação, como já disse, extremamente instável. Que raios de ingenuidade é essa, beirando a estupidez, que acha que Lula deveria fazer carinha feia para o Collor? É absurdo, para os neo-lacerdistas midiáticos, que a esquerda seja pragmática e astuta. Prefere-a, claro, sonhadora, ingênua - e derrotada. Churchill dizia que se aliaria ao diabo se fosse para derrotar Hitler. O Brasil tem um inimigo que matou, nos últimos séculos, muito mais que o nazismo, que é a pobreza, que não apenas destrói vidas, mas devasta sonhos, esperanças e a alegria das pessoas, e se Collor, Sarney, Renan, apóiam o governo (por interesse político lá deles, ou mesmo por estarem acuados eleitoralmente num nordeste onde Lula tem 90% de aprovação), Lula tem mais é que, humildemente, agradecê-los e tocar a vida pra frente. A oposição acaba de criar uma CPI bastante perigosa, num Senado sob fogo cerrado de uma mídia disposta a derrubar Lula, e o presidente precisará, logicamente, do apoio de cada senador da base aliada, seja o vilãozinho Collor seja o heroizinho Pedro Simon. Lula não pode contar 100% nem com os senadores de seu próprio partido, que volta e meia lhe puxam o tapete, como poderia deixar de ser educado com um senador que lhe empresta apoio?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O Globo e seus priminhos paulistanos, assim como aquele tirano grego, estão sempre a pintar alguém de deus, ou de diabo, na tentativa de convencer a legião de desencantados e ingênuos (ou que fingem sê-lo) a abrir os portões da república aos adversários do povo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;*&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A pintura no início do post é de Flavio Shiró, um dos maiores nomes, vivo ou morto, da história das artes plásticas do Brasil, talvez apenas superado pelo meu amigo &lt;a href="http://oleododiabo.blogspot.com/2009/05/o-orgulho-e-ira-de-juliano-guilherme.html"&gt;Juliano Guilherme&lt;/a&gt; (vale 1 cerva essa, héin?).&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;Acesse oleododiabo.blogspot.com&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7959964-1727050105665576550?l=oleododiabo.blogspot.com'/&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel="replies" type="application/atom+xml" href="http://oleododiabo.blogspot.com/feeds/1727050105665576550/comments/default" title="Postar comentários" /><link rel="replies" type="text/html" href="https://www.blogger.com/comment.g?blogID=7959964&amp;postID=1727050105665576550&amp;isPopup=true" title="23 Comentários" /><link rel="edit" type="application/atom+xml" href="http://www.blogger.com/feeds/7959964/posts/default/1727050105665576550?v=2" /><link rel="self" type="application/atom+xml" href="http://www.blogger.com/feeds/7959964/posts/default/1727050105665576550?v=2" /><link rel="alternate" type="text/html" href="http://feedproxy.google.com/~r/OleoDoDiabo/~3/8mk1NJQilNo/os-ingenuos-tambem-vao-pro-inferno.html" title="Os ingênuos também vão para o inferno" /><author><name>Miguel do Rosário</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17626695423918657260</uri><email>migueldorosario@gmail.com</email><gd:extendedProperty name="OpenSocialUserId" value="09625510564248945639" /></author><media:thumbnail xmlns:media="http://search.yahoo.com/mrss/" url="http://1.bp.blogspot.com/_YRstxrVhW40/Sl-XYJDf1-I/AAAAAAAACdA/cEDJoinBoNU/s72-c/shiro3.jpg" height="72" width="72" /><thr:total xmlns:thr="http://purl.org/syndication/thread/1.0">23</thr:total><feedburner:origLink>http://oleododiabo.blogspot.com/2009/07/os-ingenuos-tambem-vao-pro-inferno.html</feedburner:origLink></entry><entry gd:etag="W/&quot;CEMNQn4_eSp7ImA9WxJUFkU.&quot;"><id>tag:blogger.com,1999:blog-7959964.post-7601722200605267416</id><published>2009-07-14T10:01:00.021-04:00</published><updated>2009-07-15T14:28:13.041-04:00</updated><app:edited xmlns:app="http://www.w3.org/2007/app">2009-07-15T14:28:13.041-04:00</app:edited><category scheme="http://www.blogger.com/atom/ns#" term="Política" /><category scheme="http://www.blogger.com/atom/ns#" term="Mídia" /><title>A guerra que antecede o bocejo</title><content type="html">&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://2.bp.blogspot.com/_YRstxrVhW40/Sly-bxL0YzI/AAAAAAAACc4/kPodx_JnBzY/s1600-h/luisfelipe_noe1.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 400px; height: 313px;" src="http://2.bp.blogspot.com/_YRstxrVhW40/Sly-bxL0YzI/AAAAAAAACc4/kPodx_JnBzY/s400/luisfelipe_noe1.jpg" border="0" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5358367040932700978" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;(Luis Felipe Noe, pintor argentino)&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Quosque tandere abutere, Catilina, patienta nostra? Assim começa Cícero o seu primeiro discurso contra um golpista da Antiguidade. Catilina planejava matar todos os senadores e tribunos do povo e tomar, à força, o poder em Roma. Para isso, contratou milhares de mercenários, a quem prometeu riquezas e terra. A história vive se repetindo, e a figura de Catilina vive reaparecendo na história da humanidade. No Brasil, Catilina é a mídia. Leiam abaixo os dois primeiros parágrafos do discurso de Cícero, trocando o nome do golpista em questão por Mídia Corporativa, e vejam se não encaixa às mil maravilhas. Detalhe: a função de cônsul era semelhante a de presidente da república, então substituam um pelo outro para estabelecer uma comparação ainda mais viva.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;blockquote&gt;Até quando, ó Catilina, abusarás da nossa paciência? Por quanto tempo ainda há-de zombar de nós essa tua loucura? A que extremos se há-de precipitar a tua audácia sem freio? Nem a guarda do Palatino, nem a ronda nocturna da cidade, nem os temores do povo, nem a afluência de todos os homens de bem, nem este local tão bem protegido para a reunião do Senado, nem o olhar e o aspecto destes senadores, nada disto conseguiu perturbar-te? Não sentes que os teus planos estão à vista de todos? Não vês que a tua conspiração a têm já dominada todos estes que a conhecem? Quem, de entre nós, pensas tu que ignora o que fizeste na noite passada e na precedente, em que local estiveste, a quem convocaste, que deliberações foram as tuas?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Oh tempos, oh costumes! O Senado tem conhecimento destes factos, o cônsul tem-nos diante dos olhos; todavia, este homem continua vivo! Vivo?! Mais ainda, até no Senado ele aparece, toma parte no conselho de Estado, aponta-nos e marca-nos, com o olhar, um a um, para a chacina. E nós, homens valorosos, cuidamos cumprir o nosso dever para com o Estado, se evitamos os dardos da sua loucura. À morte, Catilina, é que tu deverias, há muito, ter sido arrastado por ordem do cônsul; contra ti é que se deveria lançar a ruína que tu, desde há muito tempo, tramas contra todos nós.&lt;br /&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;*&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em editorial, o Globo de hoje (14/07/2009) lança mais um de seus gritinhos de guerra. Misturando velhas e preconceituosas ladainhas antisindicais com acusações genéricas e levianas, os platinados mostram que vão cobrir a CPI da Petrobrás com o rosto pintado, berrando com a voz em falsete. Cumprimento-os pela audácia. O alvo, a maior empresa da América Latina, não podia ser mais simbólico. A Petrobrás não é apenas um símbolo de nossa soberania. Ela é a nossa soberania. É uma verdade dura, mas implacável: sem a Petrobrás, o Brasil não é nada. Por isso, sindicatos, estudantes e todos os matizes da esquerda deixaram divergências de lado para defendê-la.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Recentemente, Lula afirmou, brincando, que o presidente da Petrobrás deveria ser eleito pelo povo e indicar o chefe da República, e não o contrário. É uma brincadeira que flerta com uma verdade perturbadora. Cada país tem as suas jóias da coroa. Não se trata apenas do petróleo, mas do imenso e incalculável patrimônio intelectual, industrial, marítimo, científico, acumulado pela empresa. A Petrobrás não é apenas uma estatal. É a mãe de todas as estatais, a mais importante de todas, a que permitiu ao Estado brasileiro, depois do criminoso desmantelamento sofrido durante o governo FHC, manter um bom nível de investimento em infra-estrutura, projetos sociais e cultura.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Esta semana, o Globo publicou, no alto da página, em destaque, uma cartinha de leitor que dizia mais ou menos o seguinte: "já fui defensor da Petrobrás, etc, agora acho que ela deve ser privatizada, como foi a Vale, para não ficar nas mãos de sindicalistas". O leitor alinha-se ao pensamento do Globo e sua missiva, como vem ocorrendo sistematicamente na página de "cartas do leitor", integra a seção editorial. A vênus de prata, portanto, tem uma postura bastante clara em prol da privatização da Petrobrás. Para ela, a Vale é um grande exemplo. Não importa que a Vale privatizada esteja exportando ferro a 30 dólares a tonelada pra China e cometendo o crime histórico de não investir em siderurgias que permitam ao Brasil processar o minério aqui para vendê-lo com valor agregado. Não importa que a Vale, no momento mais crítico vivido pelo Brasil, por causa da crise financeira global e da histeria catastrofista da mídia brasileira, tenha anunciado demissões em massa. A Vale é um exemplo! A Petrobrás, que tem saltado posições no ranking mundial das empresas mais modernas, mais transparentes e mais respeitadas do mundo, que é a empresa petrolífera que mais achou petróleo nos últimos 30 anos, que está hoje na vanguarda mundial por conta de ser a única com tecnologia para exploração em águas ultra-profundas, a Petrobrás é tratada pelos platinados como uma "república de sindicalistas".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A matéria dos platinados que trata da tal "república de sindicalistas" foi um dos ataques mais ridiculamente preconceituosos e reacionários já vistos na imprensa brasileira. Não se trata, todavia, de uma matéria isolada, mas de uma campanha sistemática, repetida diariamente, com apoio editorial de cartinhas selecionadas. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;*&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Instalada a CPI da Petrobrás, li na internet que a oposição convocou o ex-senador Paes de Barros para chefiar o "comitê" de guerra montado para atacar a empresa e o governo. Barros, para quem não se lembra, é aquele amigo de bandidos do Centro-Oeste, como o Comendador Arcanjo, que se destacou durante a tentativa de derrubar Lula em 2006. Dotado daquela desenvoltura fabulosa que a ausência de escrúpulos confere, Barros é expert em jogadas de contra-informação e artimanhas políticas. Seu histórico sujo, naturalmente, será carinhosamente poupado pela mídia conservadora.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Entretanto, conforme observou brilhantemente &lt;a href="http://www.viomundo.com.br/voce-escreve/santayana-a-cpi-da-petrobras-golpeara-os-que-a-promovem/"&gt;Santayana,&lt;/a&gt; as intenções da oposição devem se voltar contra ela mesma. A presente configuração política mudou muito. A blogosfera de esquerda converteu-se num poderoso exército ideológico em prol dos interesses populares, bagunçando definitivamente a venda de teses pré-fabricadas à opinião pública.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Há agora uma grande expectativa em relação à postura dos senadores da base aliada, sobretudo a bancada petista. Mais que nunca, terão que mostrar verve, astúcia, inteligência, oratória, agressividade, e procurarem se afastar da capciosa rede construída pelo discurso midiático com objetivo de capturar psiques bem intencionadas mas ingênuas e, em alguns casos, decrépitas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Espera-se que Mercadante, senador mais votado da história do Senado, com mais de 10 milhões de votos em 2002, reverta a impressão de pusilanimidade e incompetência política que ele começa a ganhar na blogosfera.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Alguns não tem solução. Pedro Simon, por exemplo, é uma figura esclerosada politicamente. Não atualizou-se. É um indignado de manchete de jornal e, como tal, facilmente manipulável pela mídia. Confortável em seu trono de rei dos "éticos", obedece caninamente à cartilha ditada pelo editorial do dia. Quando foge ao roteiro, é repreendido e disciplinado imediatamente pelos capatazes éticos a serviço das "famiglias".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Muitos senadores trabalham em plenário com seus laptops conectados ao blog do Noblat. Não perceberam, por burrice, incompetência, preguiça ou interesse, que Noblat obedece aos ditames ideológicos e políticos de seus patrões? Naturalmente que ele, Noblat, tem seus pruridos de independência. É um ser humano(?), tem contas a pagar, e possui o direito de vender sua força de trabalho e sua inteligência para quem bem entender. Não devemos crucificar ninguém. O ridículo é ver senadores se curvando, ou pior, se acovardando, aos interesses obscuros de grupos de comunicação.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;*&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tem umas coisas que não dá para engolir. A omissão na cobertura do golpe de Honduras, por exemplo. Onde estão os editoriais, as entrevistas, as longas reportagens, os históricos, a análise detalhada dos envolvidos? Não. Isso vai ficar marcado. Através de fontes alternativas, ficamos sabendo que os golpistas de Honduras suprimiram os direitos civis, fecharam jornais, rádios e canais de TV críticos ao governo, reprimiram violentamente manifestações, assassinaram lideranças sindicais e estudantis, enfim, cumpriram integralmente a agenda de horrores de uma ditadura latino-americana do século passado. Onde está a dramaturgia jornalística? Onde estão os indignados? A partir do momento em que a Sociedade Interamericana de Imprensa (SIP) não condenou, até agora, o golpe em Honduras, e a mídia brasileira não se preocupou com o fato do órgão maior que a representa no continente estar omisso nesse assunto, nunca o epíteto "golpista" ajustou-se tão bem à realidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Haverá um dia em que não mencionarei a grande imprensa. Estão certos os que falam que a internet deve produzir uma agenda própria, não apenas reagir ao que sai na mass media. Mas tudo tem sua hora. A blogosfera é sensível à grande agenda política, não ao que sai nos jornais. Enquanto a agenda for ditada pela imprensa corporativa, estaremos lá, mordendo os pés da mídia, servindo-lhe de contraponto e freiando-lhe a ambição de manipular os parlamentares. Aguardo  ansiosamente, no entanto, o momento em que poderemos responder-lhes, aos abutres da nossa soberania, com um solene bocejo.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;Acesse oleododiabo.blogspot.com&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7959964-7601722200605267416?l=oleododiabo.blogspot.com'/&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel="replies" type="application/atom+xml" href="http://oleododiabo.blogspot.com/feeds/7601722200605267416/comments/default" title="Postar comentários" /><link rel="replies" type="text/html" href="https://www.blogger.com/comment.g?blogID=7959964&amp;postID=7601722200605267416&amp;isPopup=true" title="19 Comentários" /><link rel="edit" type="application/atom+xml" href="http://www.blogger.com/feeds/7959964/posts/default/7601722200605267416?v=2" /><link rel="self" type="application/atom+xml" href="http://www.blogger.com/feeds/7959964/posts/default/7601722200605267416?v=2" /><link rel="alternate" type="text/html" href="http://feedproxy.google.com/~r/OleoDoDiabo/~3/gEWeKHe4l8U/consideracoes-agressivas-antes-do.html" title="A guerra que antecede o bocejo" /><author><name>Miguel do Rosário</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17626695423918657260</uri><email>migueldorosario@gmail.com</email><gd:extendedProperty name="OpenSocialUserId" value="09625510564248945639" /></author><media:thumbnail xmlns:media="http://search.yahoo.com/mrss/" url="http://2.bp.blogspot.com/_YRstxrVhW40/Sly-bxL0YzI/AAAAAAAACc4/kPodx_JnBzY/s72-c/luisfelipe_noe1.jpg" height="72" width="72" /><thr:total xmlns:thr="http://purl.org/syndication/thread/1.0">19</thr:total><feedburner:origLink>http://oleododiabo.blogspot.com/2009/07/consideracoes-agressivas-antes-do.html</feedburner:origLink></entry><entry gd:etag="W/&quot;CEMAQ3w_fyp7ImA9WxJUGE0.&quot;"><id>tag:blogger.com,1999:blog-7959964.post-671426169034595788</id><published>2009-07-13T06:09:00.027-04:00</published><updated>2009-07-16T23:47:22.247-04:00</updated><app:edited xmlns:app="http://www.w3.org/2007/app">2009-07-16T23:47:22.247-04:00</app:edited><category scheme="http://www.blogger.com/atom/ns#" term="Política" /><category scheme="http://www.blogger.com/atom/ns#" term="Mídia" /><title>O mesmo de sempre</title><content type="html">&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://3.bp.blogspot.com/_YRstxrVhW40/SlsMS2fK3CI/AAAAAAAACcQ/kFptwO-t9vU/s1600-h/1907681_b4662ab221.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer; width: 293px; height: 400px;" src="http://3.bp.blogspot.com/_YRstxrVhW40/SlsMS2fK3CI/AAAAAAAACcQ/kFptwO-t9vU/s400/1907681_b4662ab221.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5357889699690765346" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Na sexta-feira, acompanhei minha mulher a um lugar em Botafogo, e fiquei esperando numa lanchonete enquanto ela resolvia seu problema. Sem ter o que fazer, atravessei a rua e comprei a Folha de São Paulo. Já falei pra vocês: eu gosto de jornal, talvez porque eu seja viciado em ler. Quando não tenho nada para ler num banheiro, por exemplo, abro minha carteira e examino minha identidade, ou o desenho numa cédula. Cansei de observar onças, tartarugas, tamanduás, toda a fauna brasileira estampada no glorioso dinheiro nacional. Enfim, comprei a Folha e voltei à lanchonete. Pedi um chope e, de pé mesmo (é tão bom beber chop de pé!), pus-me a folhear, com prazer semelhante ao de contemplar um mico-leão-dourado. Reparem que usei uma palavra que odeio: pus-me. Foi proposital, já que este jornal parece uma enorme ferida babando pus. Certamente, se eu não possuísse o privilégio de ter esse canal de desabafo, autodefesa ideológica e trincheira antimidiática, já teria desistido, há tempos, de dar atenção a esses boçais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Então esbarrei na coluna do venerando Clóvis Rossi, na qual (pasmem, ou melhor, pusmem), ele desanca Lula e o petismo! Que novidade! Começa mais ou menos assim: “era uma vez a teoria da mídia golpista cantada por intelectuais vendidos ao PT e pela mídia chapa branca”. Rossi leu que Berlusconi culpou a imprensa por seus problemas. Daí, por uma analogia fascinante e original, ele compara o primeiro ministro italiano a Lula. Omitiu alguns detalhes, claro, como o fato de Berlusconi ser o homem mais rico da Itália e proprietário dos principais canais de TV, jornais e rádios. Outros detalhes, como o fato do partido de Berlusconi patrocinar uma política de extrema direita, também são, convenientemente, postos de lado. Ou melhor, "&lt;span style="font-style:italic;"&gt;pus&lt;/span&gt;tos" de lado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O que me chamou a atenção, no entanto, não foi isso. Quer dizer, não foi esse texto previsível, leviano e rasteiro que despertou meu interesse. O que me tocou foi o fato de eu não ter ficado tão irritado. Senti desprezo, só, e um pouco de melancolia em constatar que milhares de árvores foram derrubadas para imprimir estultices. Afinal, que espécie de análise política se pode esperar de uma coluna com o número de caracteres tão restrito, e sem a mínima abertura ao contraditório? Essa é a grande força e a grande superioridade da blogosfera. Um textinho imbecil como aquele seria massacrado na internet. Milhares de cidadãos brasileiros publicariam comentários engraçados, ofensivos, raivosos, sentimentais, astutos, desmoralizando cabalmente o colunista da Folha. Somente a proteção quentinha do papel impresso possibilita esse tipo de mediocridade militante. O que me impressiona, sobretudo, é a baixa qualidade intelectual de colunistas como Clovis Rossi. Encontramos, na internet, na seção de comentários, milhares de pensamentos infinitamente mais originais do que as colunas de opinião da Folha de São Paulo – e que não consomem as árvores de nossas florestas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;*&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A Miriam Leitão voltou a ficar louca, se é que algum dia deixou de sê-lo. Diante da possibilidade do governo iniciar um programa inédito de redução da carga tributária sobre a folha salarial, o que é, a meu ver, um problema real no Brasil, ela agora é contra. Diz que o governo já reduziu imposto demais e não tem como ampliar os cortes. Depois de anos pregando contra a carga tributária, Leitão se torna, de súbito, defensora dos impostos altos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na realidade, ela está totalmente destrambelhada. Suas previsões catastróficas não se realizam e ela começa (assim espero) a desconfiar que vem se tornando motivo de chacota pública. A reação, todavia, ao invés de vir na forma de uma revisão de atitudes, manifesta-se por uma intensificação de histeria e demonstração de desequilíbrio emocional.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Entretanto, há um ponto que começo a gostar na Miriam. Na falta de um apoio mais firme para criticar o governo, ela vem ensaiando tornar-se uma ecoxiita, uma ambientalista radical. Acho ótimo. É uma tremenda evolução, e o governo precisa mesmo ser fortemente criticado nessa área. Não porque esteja (necessariamente) fazendo feio, mas porque sempre se pode fazer melhor. Além disso, prefiro mil vezes uma Miriam ecoxiita do que a profetiza de calamidades sociais e econômicas que ela vem sendo nos últimos anos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;*&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Neste domingo, o Globo publica uma reportagem adorável. Num acesso esquizóide de franqueza, o jornal informa que a fonte de uma matéria sobre o governo federal é um secretário do governo de São Paulo, do PSDB.  Então tá, façam matérias sobre o flamento consultando os torcedores do vasco... Será que deram emprego para o Tarso da novela? O texto critica o aumento de gastos do governo federal, dizendo que se trata de uma bomba a estourar no colo da próxima gestão. A matéria, ironicamente, parece uma belíssima peça de propaganda de Lula, pois mostra aumento de gastos como: merenda e transporte escolar, auxílios sociais, financiamento a pequena agricultura, e assim vai. Estou curioso para saber que doente vai criticar aumento de gastos em merenda escolar...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O que a matéria não diz – também aí é querer demais – é que, com a redução dos juros básicos, o governo está economizando dezenas, quiçá centenas, de bilhões de reais por ano, e este dinheiro, em vez de pagar banqueiros e rentistas, está sendo usado em programas sociais, aumento do salário mínimo e reajuste do funcionalismo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aliás, sobre o funcionalismo, acho impressionante a campanha midiática contra as demandas trabalhistas do serviço público. A direita deixa bem claro que pretende realizar um choque de gestão no serviço público brasileiro através de arrocho salarial e demissão em massa. Recentemente, a prefeitura de São Paulo tomou uma decisão estarrecedora. Muita gente da esquerda, inocentemente, aprovou a medida. Trata-se da publicação dos salários dos funcionários da prefeitura na internet.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Meu Deus! Que grosseria. Não sou, por princípio, contra uma medida como essa. Mas fazer isso unilateralmente, sem negociação com os sindicatos, é uma violência imperdoável, que só demonstra o incompreensível ódio ideológico que a direita alimenta contra o funcionalismo público. Os prejudicados, como sempre, são a parte mais fraca, aqueles trabalhadores que residem em áreas pobres, que possuem famíliares em situação financeira precária, e que passarão pelo constrangimento de saber que todos seus parentes e amigos pidões estão agora cientes de quanto eles ganham.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Passado um tempo, a situação se estabilizará, mas quem pagará pelo sofrimento moral desses trabalhadores? Salário, afinal, sempre foi uma informação privativa. O sujeito trabalha no setor público mas tem direito a privacidade. Não é um político eleito, com imagem pública. Qual a grande vantagem que a sociedade brasileira obterá em saber que aquele fulaninho da repartição ganha 1.105 reais ao mês? Além disso, numa cidade com problemas trágicos de assalto e sequestro, como São Paulo, será um prato feito para os ladrãozinhos de bairro saberem que sicrano, que todo mundo achava que não possuía um centavo, ganha 7.200. De qualquer forma, o mínimo que podiam fazer era estabelecer um cronograma de divulgação, para que os trabalhadores se preparassem para essa novidade. Divulgaram tudo no susto, sem o menor respeito para com a opinião dos funcionários. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Transparência é importante, claro, mas também não pode virar uma pantomina, uma palhaçada. O que a sociedade quer ver publicada na internet é a planilha das obras públicas, a jogatina de precatórios e títulos, essas coisas, e não o salário de todos os barnabés do município.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;*&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A mídia brasileira está sonegando informações sobre o golpe em Honduras. Os acontecimentos mais graves, como a suspensão dos direitos civis, e a repressão aos órgãos de imprensa críticos ao golpe, têm sido omitidos. Reproduzo aqui um comentário que alguém deixou no post anterior, reproduzindo nota da Reuters:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Periodistas abandonan Honduras -&lt;br /&gt;Tegucigalpa. Miembros de la cadena venezolana VTV y de Telesur abandonan el hotel donde se hospedaban, luego de que policías hondureños detuvieron a integrantes de su equipo, según denunciaron los mismos periodistas. Reuters&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;*&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fizeram (e continuam fazendo) aquele escarcéu todo em cima do Irã, onde ocorreram ELEIÇÕES DEMOCRÁTICAS, e agora abafam o que acontece aqui do lado, em Honduras: um golpe de estado contra um presidente eleito em sufrágio universal, num continente traumatizado por esse tipo de acontecimento. E mais: porque nenhum desses colunistas da grande mídia não opina sobre a posição da Veja, que não só apoiou o golpe de estado em Honduras como deixou claro que o mesmo poderia ocorrer aqui? Reitero: são uns golpistas filhos da puta. A hora de cada um ainda vai chegar. Esse episódio em Honduras, apesar de trágico, teve o mérito de desvelar a carantonha golpista e racista da direita latino-americana. A Sociedade Interamericana de Imprensa está caladinha até agora, o que é outra coisa inacreditável. Zuenir Ventura, que eu admirava, publicou coluna em que dizia ter visto e revisto, várias vezes, o vídeo que mostrava a garota iraniana morrendo. Que espécie de tarado vê e revê uma coisa dessas? E aí vem com um texto em que descreve, em detalhes, a morte da moça.  Para quê? Qual a finalidade disso? Mostrar a crueldade desumana dos iranianos? Ou fazer o joguinho da direita bélica americana? Ora, valha-me Deus. Morrem milhares de pessoas por semana no Iraque e o mundo não está nem aí. Na África sub-saariana, morrem milhões por ano, das formas mais humilhantes, de doença e fome, em países que nem eleições tem, e esse lacerdinha não fala nada? Eu admirava o Zuenir pelos livros "1968: o ano que não terminou" e "Cidade Partida", mas, diante de sua pusilanimidade senil e desinformada, eu fico, ao mesmo tempo que tentado a repensar a qualidade de suas obras, desinteressado totalmente em ler qualquer coisa sua no futuro. O dinheirinho fácil da grande mídia está ajudando a desfazer muitos mitos do jornalismo tupiniquim.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;*&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tô falando. O Globo intoxica qualquer um. Até Chico Caruso, até ele, converteu-se num verdugozinho da direita. Em charge publicada no Globo desta segunda-feira, 13 de julho, vemos cinco presidentes da república, eleitos pelo sufrágio universal, do Irã, Paraguai, Bolívia, Chávez e Equador, sob o chapéu: "&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;Andar para trás? Agora só com os Ahmadinejackson Five&lt;/span&gt;"! Meu Deus! Ainda procurei o novo ditadorzinho de Honduras por ali, mas não, ele colocou só o "eixo do mal" do Bush. Com certeza vai ganhar presentinho do Ali Kamel.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;Acesse oleododiabo.blogspot.com&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7959964-671426169034595788?l=oleododiabo.blogspot.com'/&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel="replies" type="application/atom+xml" href="http://oleododiabo.blogspot.com/feeds/671426169034595788/comments/default" title="Postar comentários" /><link rel="replies" type="text/html" href="https://www.blogger.com/comment.g?blogID=7959964&amp;postID=671426169034595788&amp;isPopup=true" title="17 Comentários" /><link rel="edit" type="application/atom+xml" href="http://www.blogger.com/feeds/7959964/posts/default/671426169034595788?v=2" /><link rel="self" type="application/atom+xml" href="http://www.blogger.com/feeds/7959964/posts/default/671426169034595788?v=2" /><link rel="alternate" type="text/html" href="http://feedproxy.google.com/~r/OleoDoDiabo/~3/KPeP_x_Ta1U/o-mesmo-de-sempre.html" title="O mesmo de sempre" /><author><name>Miguel do Rosário</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17626695423918657260</uri><email>migueldorosario@gmail.com</email><gd:extendedProperty name="OpenSocialUserId" value="09625510564248945639" /></author><media:thumbnail xmlns:media="http://search.yahoo.com/mrss/" url="http://3.bp.blogspot.com/_YRstxrVhW40/SlsMS2fK3CI/AAAAAAAACcQ/kFptwO-t9vU/s72-c/1907681_b4662ab221.jpg" height="72" width="72" /><thr:total xmlns:thr="http://purl.org/syndication/thread/1.0">17</thr:total><feedburner:origLink>http://oleododiabo.blogspot.com/2009/07/o-mesmo-de-sempre.html</feedburner:origLink></entry><entry gd:etag="W/&quot;AkMHQ3Y9fyp7ImA9WxJUFUk.&quot;"><id>tag:blogger.com,1999:blog-7959964.post-8487929072919180546</id><published>2009-07-12T20:20:00.006-04:00</published><updated>2009-07-14T01:13:52.867-04:00</updated><app:edited xmlns:app="http://www.w3.org/2007/app">2009-07-14T01:13:52.867-04:00</app:edited><category scheme="http://www.blogger.com/atom/ns#" term="Comunicação" /><title>Comprem o livro de Altamiro Borges: "A ditadura da mídia"</title><content type="html">&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://2.bp.blogspot.com/_YRstxrVhW40/Slp-SRA4rNI/AAAAAAAACcA/9ffJxQJ9BUg/s1600-h/CapaInternet.jpg"&gt;&lt;img style="float:left; margin:0 10px 10px 0;cursor:pointer; cursor:hand;width: 130px; height: 189px;" src="http://2.bp.blogspot.com/_YRstxrVhW40/Slp-SRA4rNI/AAAAAAAACcA/9ffJxQJ9BUg/s400/CapaInternet.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5357733558980488402" /&gt;&lt;/a&gt;Leiam abaixo o texto de apresentação do livro "A ditadura da mídia", de Altamiro Borges, escrito (o texto abaixo e o livro) por ele mesmo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A mídia hegemônica vive um paradoxo. Ela nunca foi tão poderosa no mundo e no Brasil, em decorrência dos avanços tecnológicos nos ramos das comunicações e das telecomunicações, do intenso processo de concentração e monopolização do setor nas últimas décadas e da criminosa desregulamentação do mercado que a deixou livre de qualquer controle público. Atualmente, ela exerce a sua brutal ditadura midiática, manipulando informações e deturpando comportamentos. Na crise de hegemonia dos partidos burgueses, a mídia hegemônica confirma uma velha tese do revolucionário italiano Antonio Gramsci e transforma-se num verdadeiro “partido do capital”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por outro lado, ela nunca esteve tão vulnerável e sofreu tantos questionamentos da sociedade. No mundo todo, cresce a resistência ao poder manipulador da mídia, expresso nas mentiras ditadas pela CNN e Fox para justificar a invasão dos EUA no Iraque, na sua ação golpista na Venezuela ou na cobertura tendenciosa de inúmeros processos eleitorais. Alguns governantes, respaldados pelas urnas, decidem enfrentar, com formas e ritmos diferentes, esse poder que se coloca acima do Estado de Direito. Na América Latina rebelde, as mudanças no setor são as mais sensíveis.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No caso do Brasil, a mídia controlada por meia-dúzia de famílias também esbanja poder, mas dá vários sinais de fragilidade. Na acirrada disputa sucessória de 2006, o bombardeio midiático não conseguiu induzir o povo ao retrocesso político. Pesquisas recentes apontam queda de audiência da poderosa TV Globo e da tiragem de jornalões tradicionais. O governo Lula, com todas as suas vacilações, adota medidas para se contrapor à ditadura midiática, como a criação da TV Brasil e a convocação da primeira Conferência Nacional de Comunicação.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;Este quadro, com seus paradoxos, coloca em novo patamar a luta pela democratização da mídia e pelo fortalecimento de meios alternativos, contra-hegemônicos, de informação. Este desafio se tornou estratégico. Sem enfrentar a ditadura midiática não haverá avanços na democracia, nas lutas dos trabalhadores por uma vida mais digna, na batalha histórica pela superação da barbárie capitalista e nem mesmo na construção do socialismo. Aos poucos, os partidos de esquerda e os movimentos sociais percebem que esta luta estratégica exige o reforço dos veículos alternativos, a denúncia da mídia burguesa e uma plataforma pela efetiva democratização da comunicação.&lt;br /&gt;O livro A ditadura da mídia tem o modesto objetivo de contribuir com este debate. Não é uma obra acadêmica, mas uma peça de denúncia política. Ela não é neutra nem imparcial, mas visa desmascarar o nefasto poder da mídia hegemônica e formular propostas para a democratização dos meios de comunicação. O livro foi prefaciado pelo professor Venício A. de Lima, um dos maiores especialista no tema no país, e apresenta também um comentário do jornalista Laurindo Lalo Leal Filho, ouvidor da Empresa Brasil de Comunicação (EBC). Ele reúne cinco capítulos:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;1- Poder mundial a serviço do capital e das guerras;&lt;br /&gt;2- A mídia na berlinda na América Latina rebelde;&lt;br /&gt;3- Concentração sui generis e os donos da mídia no Brasil;&lt;br /&gt;4- De Getúlio a Lula, histórias da manipulação da imprensa;&lt;br /&gt;5- Outra mídia é urgente: as brechas da democratização.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O exemplar custa R$ 20,00. Na venda de cotas para entidades sindicais e populares (acima de 50 exemplares), o valor unitário é de R$ 10,00. Para adquirir sua cota, escreva para: aaborges1@uol.com.br.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Altamiro Borges.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Clique &lt;a href="http://altamiroborges.blogspot.com/"&gt;aqui&lt;/a&gt; para ir ao blog do Altamiro Borges.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;Acesse oleododiabo.blogspot.com&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7959964-8487929072919180546?l=oleododiabo.blogspot.com'/&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel="replies" type="application/atom+xml" href="http://oleododiabo.blogspot.com/feeds/8487929072919180546/comments/default" title="Postar comentários" /><link rel="replies" type="text/html" href="https://www.blogger.com/comment.g?blogID=7959964&amp;postID=8487929072919180546&amp;isPopup=true" title="2 Comentários" /><link rel="edit" type="application/atom+xml" href="http://www.blogger.com/feeds/7959964/posts/default/8487929072919180546?v=2" /><link rel="self" type="application/atom+xml" href="http://www.blogger.com/feeds/7959964/posts/default/8487929072919180546?v=2" /><link rel="alternate" type="text/html" href="http://feedproxy.google.com/~r/OleoDoDiabo/~3/6bfN4x-PwVQ/comprem-o-livro-de-altamiro-borges.html" title="Comprem o livro de Altamiro Borges: &quot;A ditadura da mídia&quot;" /><author><name>Miguel do Rosário</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17626695423918657260</uri><email>migueldorosario@gmail.com</email><gd:extendedProperty name="OpenSocialUserId" value="09625510564248945639" /></author><media:thumbnail xmlns:media="http://search.yahoo.com/mrss/" url="http://2.bp.blogspot.com/_YRstxrVhW40/Slp-SRA4rNI/AAAAAAAACcA/9ffJxQJ9BUg/s72-c/CapaInternet.jpg" height="72" width="72" /><thr:total xmlns:thr="http://purl.org/syndication/thread/1.0">2</thr:total><feedburner:origLink>http://oleododiabo.blogspot.com/2009/07/comprem-o-livro-de-altamiro-borges.html</feedburner:origLink></entry><entry gd:etag="W/&quot;DU8GSXsyeip7ImA9WxJUEUw.&quot;"><id>tag:blogger.com,1999:blog-7959964.post-2265309925237756778</id><published>2009-07-08T05:12:00.012-04:00</published><updated>2009-07-09T01:37:08.592-04:00</updated><app:edited xmlns:app="http://www.w3.org/2007/app">2009-07-09T01:37:08.592-04:00</app:edited><category scheme="http://www.blogger.com/atom/ns#" term="Política" /><title>A hora e a vez do negrinho</title><content type="html">&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://3.bp.blogspot.com/_YRstxrVhW40/SlR8njLadRI/AAAAAAAACX8/S9npKvs_mIs/s1600-h/obamahandtoface.jpg"&gt;&lt;img style="float:left; margin:0 10px 10px 0;cursor:pointer; cursor:hand;width: 200px; height: 133px;" src="http://3.bp.blogspot.com/_YRstxrVhW40/SlR8njLadRI/AAAAAAAACX8/S9npKvs_mIs/s200/obamahandtoface.jpg" border="0" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5356042875750216978" /&gt;&lt;/a&gt;Essa é boa, essa é muito boa. O ministro de relações exteriores de Honduras, Henrique Ortez, &lt;a href="http://www.revistaforum.com.br/sitefinal/blog/texto_blog.asp?id_artigo=7224"&gt;em entrevista&lt;/a&gt; para um canal de TV local, afirmou que o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, era "um negrinho que sequer conhecia Tegucigalpa". Depois pediu desculpas, não sei se antes ou depois da embaixada americana no país fazer um "protesto veemente". Mas isso não é uma coisa passível de "desculpas". No Brasil, se uma autoridade fizesse uma afirmação dessas, seria imediatamente linchada pela opinião pública, tanto a verdadeira (ruas e internet), quanto a "de mentirinha", ou seja, pelos seis ou sete colunistas da imprensa corporativa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não se pede desculpas por uma coisa dessas. Não estamos diante de um deslize diplomático, mas de uma manifestação explícita de racismo. Em primeiro lugar, ofende a maioria do povo hondurenho, formado por mestiços, negros e índios, ofendendo igualmente negros e mestiços do mundo inteiro. Em segundo, revela o imbricamento ideológico entre o racismo e a direita política, que existe em todo o continente americano. Hugo Chávez e Morales têm sido, sistematicamente, agredidos racialmente em seus países. Esse racismo é sinal de decadência política, degeneração moral, desequilíbrio psicológico e uma profunda ignorância. Aliás, sobre ignorância, esse comportamento mostra que há uma espécie de ignorância infinitamente mais perniciosa do que o tropeçar na sintaxe, num detalhe jurídico, numa etiqueta diplomática qualquer. Falamos aqui de preconceito racial, uma violência que constitui  agressão indescritível à dignidade humana.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Diversas fontes informam que teriam morrido mais de cinquenta pessoas nos últimos enfrentamentos. A mídia brasileira prossegue sonegando informações e a inteligentzia corporativa (ou seja, os escribas midiáticos), sempre tão pronta a vender sua indignação, parece não ter recebido nenhuma oferta generosa, visto que não encontramos, até agora, nenhuma demonstração um pouco mais emotiva sobre os acontecimentos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O tal chanceler hondurenho não parou nas ofensas racistas à Obama. Referindo-se à El Salvador, ele disse que: "Não vale a pena [falar de El Salvador]. Não quero falar sobre um país tão pequeno que nem se pode jogar futebol porque a bola sai."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É muito engraçado. Ou melhor, é tragicômico. Honduras, país menor que o Sergipe, esnobando do tamanho de El Salvador! Essa é a direita apoiada entusiasticamente pela revista Veja.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Lula falou grosso, em Paris, contra o governo golpista de Honduras. Os olhos da América Latina agora se voltam para "o negrinho". Qual será a reação de Obama quando ele ler nos jornais ou algum assessor lhe contar que foi vilipendiado torpemente por um governo sem nenhuma legitimidade democrática, um governo criminoso e golpista?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Obama é um negro orgulhoso, como todos os negros norte-americanos. Mas também, como a maioria dos americanos, é infinitamente pragmático. Creio que a resposta de Obama não será um latido, mas uma belíssima e definitiva mordida. Afinal, até as moscas paulistas sabem que os EUA tem poder político, militar e financeiro para esmagar o governo golpista de Honduras com a mesma facilidade com que &lt;a href="http://www.bbc.co.uk/portuguese/multimedia/2009/06/090617_video_obamamosca.shtml"&gt;Obama matou&lt;/a&gt; um &lt;a href="http://www.youtube.com/watch?v=B_YIJD-wBMQ"&gt;jornalista&lt;/a&gt; da Ditabranda.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;*&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Procurando no Google imagens de Honduras, esbarrei no blog sabe de quem? Do Gabeira. E não é que a nossa "instalação artística" também não se posiciona claramente neste caso? Nos dois posts que escreveu sobre o tema, Gabeira se mantém em cima do muro, ficando ainda mais à direita do que os jornalões. Confira os posts de Gabeira, reproduzidos abaixo. É estarrecedor perceber no que Gabeira se tornou, um político sem opinião, medíocre, guiado pela mídia como um cordeirinho. Gabeira diz que está se informando pelos "jornais" de Honduras, "como El Heraldo, conservador". Nossa, que parlamentar mais bem informado! No post mais recente, de 28 de junho de 2009, parece torcer contra o presidente deposto, ao afirmar que "Zelaya já está de pijamas". Não imaginaste, ó tolo Gabeira, a reação feroz que o golpe iria desencadear no mundo inteiro? Claro que não. Agora tu és um "ético" e tua única preocupação é tranquilizar as senhorinhas indignadas do Leblon com um discursinho lacerdista qualquer.  &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;blockquote&gt;28.06.2009&lt;br /&gt;Zelaya já está de pijamas&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A esta hora do domingo, o presidente de Honduras, Manuel Zelaya, já está de pijamas na Costa Rica. O golpe que o derrubou teve como objetivo evitar que fizesse um referendo para continuar no poder , depois de janeiro. Mesmo sem apoiar o referendo, vale perguntar se não havia outro caminho para punir o presidente eleito, uma vez que o referendo ainda não havia sido realizado. Estados Unidos, Brasil e OEA condenaram o golpe militar. Os norte-americanos foram claros ao dizerem que o presidente não era Micheletti (eleito pelo Congresso) mas sim o que foi deposto. Chávez afirmou que um embaixador da Venezuela foi sequestrado, assim como o representante de Cuba. Prometeu retaliação militar. Será grave a crise a partir de Honduras, embora talvez não tenha o desfecho dramático que Chávez está prevendo.&lt;br /&gt;Gabeira&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;28.06.2009&lt;br /&gt;Honduras em transe&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A chapa está fervendo em Honduras. O presidente Manuel Zelaya teria sido preso. Zelaya foi eleito pela direita e agora quer se aproximar da esquerda, com um projeto parecido com o de Chávez. Nesse momento, parece que apenas grupos rivais aparecem nas ruas de Tegucigalpa, sem incidentes sérios. Chávez pediu a intervenção de Obama para salvar seu aliado. O Brasil terá de entrar nessa dança. Estamos acompanhando o que se passa, através dos informes dos jornais hondurenhos. El Heraldo, conservador, considera que a partida está chegando ao final e que Zelaya não respeitou a Constituição, partindo para o modelo de consultas populares, como Chávez e Morales.&lt;br /&gt;Gabeira&lt;/blockquote&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;Acesse oleododiabo.blogspot.com&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7959964-2265309925237756778?l=oleododiabo.blogspot.com'/&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel="replies" type="application/atom+xml" href="http://oleododiabo.blogspot.com/feeds/2265309925237756778/comments/default" title="Postar comentários" /><link rel="replies" type="text/html" href="https://www.blogger.com/comment.g?blogID=7959964&amp;postID=2265309925237756778&amp;isPopup=true" title="10 Comentários" /><link rel="edit" type="application/atom+xml" href="http://www.blogger.com/feeds/7959964/posts/default/2265309925237756778?v=2" /><link rel="self" type="application/atom+xml" href="http://www.blogger.com/feeds/7959964/posts/default/2265309925237756778?v=2" /><link rel="alternate" type="text/html" href="http://feedproxy.google.com/~r/OleoDoDiabo/~3/tAMe-Z1Z0S0/hora-e-vez-do-negrinho.html" title="A hora e a vez do negrinho" /><author><name>Miguel do Rosário</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17626695423918657260</uri><email>migueldorosario@gmail.com</email><gd:extendedProperty name="OpenSocialUserId" value="09625510564248945639" /></author><media:thumbnail xmlns:media="http://search.yahoo.com/mrss/" url="http://3.bp.blogspot.com/_YRstxrVhW40/SlR8njLadRI/AAAAAAAACX8/S9npKvs_mIs/s72-c/obamahandtoface.jpg" height="72" width="72" /><thr:total xmlns:thr="http://purl.org/syndication/thread/1.0">10</thr:total><feedburner:origLink>http://oleododiabo.blogspot.com/2009/07/hora-e-vez-do-negrinho.html</feedburner:origLink></entry><entry gd:etag="W/&quot;CE4CRHcycSp7ImA9WxJUGE0.&quot;"><id>tag:blogger.com,1999:blog-7959964.post-3572740832322705925</id><published>2009-07-07T15:41:00.008-04:00</published><updated>2009-07-16T23:56:05.999-04:00</updated><app:edited xmlns:app="http://www.w3.org/2007/app">2009-07-16T23:56:05.999-04:00</app:edited><category scheme="http://www.blogger.com/atom/ns#" term="Política" /><title>Sarney e a República de Weimar</title><content type="html">&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://3.bp.blogspot.com/_YRstxrVhW40/SlPl35oGtEI/AAAAAAAACWo/bQ9h0JuyYmk/s1600-h/laurel_nakadate_lucky105.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 400px; height: 267px;" src="http://3.bp.blogspot.com/_YRstxrVhW40/SlPl35oGtEI/AAAAAAAACWo/bQ9h0JuyYmk/s400/laurel_nakadate_lucky105.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5355877130398250050" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(Pois é, não resisti. Deixei o trabalho de lado e corri pra cá).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eis que Sarney se torna o inimigo público número um! Ele é a vítima perfeita, pelas mesmas razões que Renan Calheiros também era uma excelente presa para os ódios midiáticos. Sarney não tem a simpatia da esquerda porque é um político conservador e tradicionalista. E desde que tornou-se um importante suporte do governo Lula, perdeu também a simpatia das direitas. Restou-lhe a tolerância morna, quase indiferença, do centro político da opinião pública. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A campanha midiática contra Sarney, portanto, conseguiu ganhar corpo com imensa facilidade. Por quê?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;1) Por que a mídia tem facilidade de fazer campanha contra qualquer um, sobretudo se apoiar Lula. Se o Papa elogiar Lula, no dia seguinte, encontraremos todos os podres dele estampados nos jornais. Obama, que chamou Lula de "o cara", perdeu a graça junto a mídia. A cobertura da política obamista esfriou repentinamente. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;2) Sarney pertence a uma das famílias mais enraizadas na política. Tem centenas, talvez milhares, de parentes e contraparentes e sei lá mais quem trabalhando com política. Achar um sobrinho, um apadrinhado, um amigo-do-filho de Sarney trabalhando em alguma das milhões de sinecuras de Brasília é a coisa mais fácil do mundo. Mas pelo menos a filha do Sarney, Roseana, foi pra rua e elegeu-se pelo voto popular, ao contrário da filha de FHC, que, ao ser flagrada trabalhando "em casa" para o senador Heráclito Fortes, reagiu dizendo que "o Senado é uma bagunça". Essa arrogância, de comer no prato onde se refestelou, é de lascar. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;*&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O que está em jogo, afinal, não é o destino de Sarney, mas a cadeira de presidente do Senado num momento em que a oposição, com apoio obstinado e histérico da mídia, se prepara para iniciar a CPI da Petrobrás. A mídia está louca para trocar Sarney por outro menos comprometido com a governabilidade. Fale-se o que quiser de Sarney, mas ele tem prestado um importante apoio ao presidente Lula. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O Senado é o calcanhar de aquiles do governo Lula. É onde a oposição é mais forte. Por isso, a mídia se ocupa tanto do Senado, porque sabe que é ali que pode surgir um ataque efetivo ao presidente Lula. O Senado pode votar um pedido de impeachment. Pode atrasar indefinidamente a liberação de um orçamento. Pode destruir, através de uma CPI bem orientada, a reputação de uma candidata...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ao infernizar a vida dos senadores da base aliada, a mídia manda o seu recado: tudo bem, podem apoiar Lula, mas pagarão caro por isso! &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A campanha para derrubar Sarney, no entanto, não desgasta somente o Senado. Serve também para mostrar à classe política que ela não pode mais fugir à batalha ideológica travada nos meios de comunicação. Deve partir para o enfrentamento usando as armas que os eleitores deram. As armas são as leis. Se existem legisladores, é porque as leis precisam estar sendo constantemente atualizadas para dar conta de uma realidade dinâmica que muda a cada instante. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A classe política precisa, portanto, votar leis que moralizem a comunicação pública no Brasil. E agora que teremos também um Parlamento do Mercosul, cumpre estabelecer parâmetros legais e democráticos comuns a todo continente americano. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;*&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A situação de Sarney lembrou-me a República de Weimar, o breve governo republicano e democrático que vigiu na Alemanha entre as duas grandes guerras, e que foi derrubado pelo nazismo. A república era atacada duramente pela esquerda e pela direita. O país enfrentava uma severa crise econômica, em consequência da derrota militar em 1918 e agravada pela crise das bolsas em 1929, e os políticos do weimar se tornaram, de repente, símbolo de todos os males que afligiam os alemães. A república de weimar era o sarney germânico. Os sindicatos alemães, muito fortes e organizados, uniram-se à campanha das elites para desmoralizar o governo. Os objetivos eram opostos, naturalmente, mas o adversário era um só. Enfim, conseguiram derrubar a república. E daí nasceu o nazismo. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A lição dessa história é que os sindicatos alemães e a &lt;span style="font-style:italic;"&gt;inteligentzia&lt;/span&gt; de esquerda incorreram num imperdoável erro estratégico. Ajudaram a desestabilizar um governo sem considerar as consequências para a classe trabalhadora, para o povo alemão em geral, e para o mundo. É sempre confortável unir-se à gritaria moralista e vociferar que os políticos são todos corruptos. Mas e aí? Quid prodest? A quem beneficia a campanha? Remover Sarney da presidência do Senado às vésperas da instalação da CPI da Petrobrás me parece extremamente oportuno para a direita golpista, para essa direita que, agora vemos claramente, ainda acredita em golpes militares.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://www.saatchi-gallery.co.uk/artists/artpages/laurel_nakadate_lucky105.htm"&gt;Link da ilustração&lt;/a&gt;.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;Acesse oleododiabo.blogspot.com&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7959964-3572740832322705925?l=oleododiabo.blogspot.com'/&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel="replies" type="application/atom+xml" href="http://oleododiabo.blogspot.com/feeds/3572740832322705925/comments/default" title="Postar comentários" /><link rel="replies" type="text/html" href="https://www.blogger.com/comment.g?blogID=7959964&amp;postID=3572740832322705925&amp;isPopup=true" title="9 Comentários" /><link rel="edit" type="application/atom+xml" href="http://www.blogger.com/feeds/7959964/posts/default/3572740832322705925?v=2" /><link rel="self" type="application/atom+xml" href="http://www.blogger.com/feeds/7959964/posts/default/3572740832322705925?v=2" /><link rel="alternate" type="text/html" href="http://feedproxy.google.com/~r/OleoDoDiabo/~3/NNLw57XL0sI/sarney-e-republica-de-weimar.html" title="Sarney e a República de Weimar" /><author><name>Miguel do Rosário</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17626695423918657260</uri><email>migueldorosario@gmail.com</email><gd:extendedProperty name="OpenSocialUserId" value="09625510564248945639" /></author><media:thumbnail xmlns:media="http://search.yahoo.com/mrss/" url="http://3.bp.blogspot.com/_YRstxrVhW40/SlPl35oGtEI/AAAAAAAACWo/bQ9h0JuyYmk/s72-c/laurel_nakadate_lucky105.jpg" height="72" width="72" /><thr:total xmlns:thr="http://purl.org/syndication/thread/1.0">9</thr:total><feedburner:origLink>http://oleododiabo.blogspot.com/2009/07/sarney-e-republica-de-weimar.html</feedburner:origLink></entry><entry gd:etag="W/&quot;CEcDSHw_fyp7ImA9WxJUGE0.&quot;"><id>tag:blogger.com,1999:blog-7959964.post-6151623233760544828</id><published>2009-07-07T13:35:00.010-04:00</published><updated>2009-07-16T23:41:19.247-04:00</updated><app:edited xmlns:app="http://www.w3.org/2007/app">2009-07-16T23:41:19.247-04:00</app:edited><category scheme="http://www.blogger.com/atom/ns#" term="Política" /><title>Honduras em chamas</title><content type="html">&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://1.bp.blogspot.com/_YRstxrVhW40/SlOanhS9OPI/AAAAAAAACVU/sQ4hJiuneKY/s1600-h/zhang_haiying_antivice001.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 400px; height: 286px;" src="http://1.bp.blogspot.com/_YRstxrVhW40/SlOanhS9OPI/AAAAAAAACVU/sQ4hJiuneKY/s400/zhang_haiying_antivice001.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5355794385617107186" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O que acontece em Honduras talvez seja, como já disse em outro post, a última grande batalha pela democracia na América Latina. Todos os elementos que caracterizam o clássico golpe de Estado latino-americano, incluindo aí o golpe no Brasil, estão presentes em Honduras. Mídia + elite + exército. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O papel do exército e das elites vêm sendo abordado por nossa imprensa, embora com as distorções de sempre. A grande ausência na cobertura midiática dos eventos em Honduras é a função da mídia local e regional na construção de um discurso ideológico que explique e justifique uma violência dessa magnitude. Um golpe desses não se constrói de um dia para outro. É resultado de um processo lento e eficaz de desgaste das instituições democráticas, a começar pela presidência da república. A instituição mais democrática de todas é a presidência da república e não é por outra razão que as mídias golpistas do continente atacam-na mais encarniçadamente. Os elementos reacionários da América Latina sempre se penduraram nos supremos tribunais, que abusam de seu poder para lançar as leis ao fogo - ao mesmo tempo em que bradam defendê-las!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Neste exato momento, em Honduras, há grande revolta contra alguns jornais e canais de TV, que não estão informando a população sobre as greves, manifestações e repressões que acontecem em todo país. Há, portanto, duas grandes violações da liberdade de opinião neste momento, em Honduras. A primeira é o fechamento de jornais contrários ao golpe. O segundo é a manipulação das notícias por parte das empresas pró-golpistas. A demora da Sociedade Interamericana de Imprensa (SIP) em se posicionar sobre estes acontecimentos, torna-a cúmplice. A mesma coisa vale para os meios de comunicação brasileiros. E a defesa, pela Veja, do golpe de Estado em Honduras, inclusive com a sugestão reiterada de que o mesmo poderia ser feito no Brasil, deixa qualquer democrata estarrecido. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;*&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não é compreensível, portanto, que um senador da república do partido dos trabalhadores, do partido do presidente da república, o senhor Tião Viana, permita-se dar uma entrevista à revista Veja! &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;*&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ainda sobre Honduras, esse &lt;a href="http://www.viomundo.com.br/voce-escreve/laerte-braga-pelo-menos-50-pessoas-morreram-em-honduras-ha-mais-de-900-presas-e-800-desaparecidas/"&gt;texto de Laerte Braga&lt;/a&gt;, via Azenha, pega na veia. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;*&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nessas horas que vemos a importância da Carta Maior. O site está fazendo uma excelente cobertura dos acontecimentos em Honduras. Destaco três artigos:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;1) &lt;a href="http://www.cartamaior.com.br/templates/materiaMostrar.cfm?materia_id=16064"&gt;Este&lt;/a&gt;, de Sandra Russo, analisando como o golpe em Honduras excitou as direitas em todo continente. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;2) &lt;a href="http://www.cartamaior.com.br/templates/colunaMostrar.cfm?coluna_id=4389"&gt;Esse&lt;/a&gt;, do sempre impagável Gilson Caroni, meu articulista político preferido nos últimos tempos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;3) &lt;a href="http://www.cartamaior.com.br/templates/materiaMostrar.cfm?materia_id=16074&amp;editoria_id=6"&gt;Este outro&lt;/a&gt;, também traduzido pela Katarina Peixoto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;*&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tem &lt;a href="http://www.cartamaior.com.br/templates/materiaMostrar.cfm?materia_id=16065"&gt;um outro&lt;/a&gt; da própria Katarina, publicado na Carta Maior.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://www.saatchi-gallery.co.uk/artists/artpages/zhang_haiying_antivice001.htm"&gt;Link da ilustração&lt;/a&gt;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;*&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Esse &lt;a href="http://www.viomundo.com.br/voce-escreve/exsecretaria-de-allende-golpe-e-advertencia-para-al/"&gt;outro artigo&lt;/a&gt;, via Azenha, também esclarece alguns pontos.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;Acesse oleododiabo.blogspot.com&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7959964-6151623233760544828?l=oleododiabo.blogspot.com'/&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel="replies" type="application/atom+xml" href="http://oleododiabo.blogspot.com/feeds/6151623233760544828/comments/default" title="Postar comentários" /><link rel="replies" type="text/html" href="https://www.blogger.com/comment.g?blogID=7959964&amp;postID=6151623233760544828&amp;isPopup=true" title="4 Comentários" /><link rel="edit" type="application/atom+xml" href="http://www.blogger.com/feeds/7959964/posts/default/6151623233760544828?v=2" /><link rel="self" type="application/atom+xml" href="http://www.blogger.com/feeds/7959964/posts/default/6151623233760544828?v=2" /><link rel="alternate" type="text/html" href="http://feedproxy.google.com/~r/OleoDoDiabo/~3/mU71-K7ZUHA/honduras-em-chamas.html" title="Honduras em chamas" /><author><name>Miguel do Rosário</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17626695423918657260</uri><email>migueldorosario@gmail.com</email><gd:extendedProperty name="OpenSocialUserId" value="09625510564248945639" /></author><media:thumbnail xmlns:media="http://search.yahoo.com/mrss/" url="http://1.bp.blogspot.com/_YRstxrVhW40/SlOanhS9OPI/AAAAAAAACVU/sQ4hJiuneKY/s72-c/zhang_haiying_antivice001.jpg" height="72" width="72" /><thr:total xmlns:thr="http://purl.org/syndication/thread/1.0">4</thr:total><feedburner:origLink>http://oleododiabo.blogspot.com/2009/07/honduras-em-chamas.html</feedburner:origLink></entry><entry gd:etag="W/&quot;C08HSHozfip7ImA9WxJUGE0.&quot;"><id>tag:blogger.com,1999:blog-7959964.post-2319840597407893325</id><published>2009-07-07T11:20:00.013-04:00</published><updated>2009-07-16T23:37:19.486-04:00</updated><app:edited xmlns:app="http://www.w3.org/2007/app">2009-07-16T23:37:19.486-04:00</app:edited><category scheme="http://www.blogger.com/atom/ns#" term="Política" /><category scheme="http://www.blogger.com/atom/ns#" term="Mídia" /><title>Dilemas antimidiáticos</title><content type="html">&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://2.bp.blogspot.com/_YRstxrVhW40/SlN9P11NI7I/AAAAAAAACVM/WDAVGPzk4h0/s1600-h/ronald_binnie_2009_saatchi_gallery"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 400px; height: 400px;" src="http://2.bp.blogspot.com/_YRstxrVhW40/SlN9P11NI7I/AAAAAAAACVM/WDAVGPzk4h0/s400/ronald_binnie_2009_saatchi_gallery" border="0" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5355762092975399858" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;(Ronald Binnie)&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Nós blogueiros vivemos um dilema. A situação, afinal, é um tanto ridícula. Desde que me entendo por gente eu leio O Globo. Minha família não apenas lia O Globo, como vivia dele. Meu pai trabalhou lá, como Repórter Especial, por quinze anos, na área de Economia. Ele só largou esse "empregão" por um outro ainda melhor, onde trabalharia como chefe. Sempre foi bem tratado pela família Marinho. Detalhe: meu pai era comunista. Sempre foi comunista. Estudou na Tchecoslováquia com bolsa de um governo comunista. Mas "renunciou" a qualquer ideologia já nos anos 70, aparentemente frustrado com a invasão soviética à... Tchecoslováquia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Enfim, meu pai foi comunista quando todo intelectual era comunista e deixou de sê-lo quando todos deixaram de sê-lo. Passou inclusive a votar no PSDB, o que gerava discussões políticas homéricas em casa, porque eu, muito cedo, já percebera que o engodo neoliberal era um capitalismo pra otários do terceiro mundo. Infelizmente, meu pai morreu no início de 1999, antes do debacle cambial do país, que revelou a gigantesca fraude eleitoral perpetrada por FHC, que, para garantir a vitória nas urnas, esvaziou nossas reservas internacionais. Se ele não tivesse morrido, eu teria vencido, magistralmente, aqueles encarniçados debates domésticos...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Meu pai trabalhou no JB, no Correio da Manhã, até que caiu na rede macia dos platinados. Foi muito bem tratado, foi muito bem pago. Plano de saúde, viagens ao exterior, presentes ao final do ano, Tivoli Park gratuito para os filhos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Meu pai largou o Globo nos anos 80, para ser editor da Revista do Café, depois saiu da Revista e abriu seu próprio jornal, o Coffee Business, a primeira newsletter especializada em café do Brasil. Aí eu entrei na jogada, trabalhando com ele, fazendo de tudo. Isso é outra história que conto depois.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Minha tese é a seguinte. Não tenho razão pessoal nenhuma para não gostar do jornal O Globo. Muito pelo contrário. Eu queria gostar do Globo, não só porque meu pai foi bem tratado por lá, mas porque eu gosto de ler jornal. Parafraseando Hegel, o jornal é o meu "café-da-manhã de realidade".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A coisa é ainda mais séria. Como carioca com veleidades literárias, minha posição antiglobal é profundamente prejudicial aos meus objetivos. Tenho contato com assessores de imprensa, e estou ciente como é importante, para um artista, para um empresário, para qualquer cidadão carioca com necessidade profissional de projeção pública, estabelecer uma boa relação com o jornal dos Marinho.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando existiam outros jornais, essa dependência era muito menor, porque um "desafeto" global sempre podia ganhar espaço junto aos concorrentes. Antes da ditadura militar, aliás, O Globo ocupava o terceiro ou quarto lugar no ranking de circulação no Rio, atrás do Correio da Manhã e do JB. Enquanto a ditadura asfixia seus concorrentes, o Globo ganha vultosos financiamentos públicos e consegue, inclusive, mudar a Constituição (vejam só, mudar a Constituição! Em Honduras fazem golpes de Estado diante desta  possiblidade!) para que as Organizações Globo possam receber recursos financeiros dos Estados Unidos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Concorrentes falidos, o jornal O Globo emerge no pós-ditadura exercendo o monopólio do jornalismo político e cultural do Rio de Janeiro. E a TV Globo, por sua vez, conquista um monopólio nacional. O poder imenso de Roberto Marinho torna-se lendário. Recordo que, desde garoto, ouvia as pessoas afirmarem que era ele, Roberto Marinho, quem mandava de fato no Brasil.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Voltando à minha tese, reitero que não tenho nenhum motivo pessoal para ter passado para este lado das trincheiras e me tornado um "combatente antimidiático". Estou consciente de quão quixotesco e ridículo isso deve soar aos ouvidos de muita gente. Eu mesmo procuro não me levar assim tão à sério. Há coisas na vida, no entanto, que nos arrastam, inexoravelmente. Minhas razões para atacar o Globo são políticas e ideológicas; e quanto mais se acentua o caráter reacionário e direitista do Globo, mais as paixões políticas me arrastam para as trincheiras antimidiáticas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Confesso que tento fugir o tempo todo. Invento mil subterfúgios. Trabalho, leituras, lazer, há tanta coisa a fazer. A troco de que eu preciso me lançar nesta batalha quixotesca, perdendo meu tempo respondendo a figurinhas tão absolutamente medíocres como Cora Ronai? Não sei. Patriotismo? Justiça? Esses conceitos parecem tão ridículos, tão falsos... A onda de cinismo que se espraiou sobre o cenário cultural brasileiro é tão poderosa, tão elegante, tão inteligente, que humilha e esmaga esse tipo de coisa... Evito, portanto, por defesa pessoal, sequer pensar nesses termos. Guio-me pelo sentimento, ou seja, pela minha loucura, e já li Don Quixote.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O grande dilema a que eu me referia no início do post, portanto, é o seguinte: se desprezamos tão solenemente a mídia corporativa, que identificamos com os interesses políticos mais mesquinhos e mais reacionários, não seria melhor simplesmente não falar dela? Não seria melhor esquecê-la completamente? Talvez. Talvez num momento futuro, e não muito no futuro, essa seja a melhor estratégia. Mas não podemos, agora, subestimar o adversário. Ele agoniza, mas ainda berra alto. Lembra-me os porcos que meu pai mandava matar lá no sítio. Sabe porque é difícil matar porco? Porque o coração dele fica escondido no meio do peito, protegido por ossos, músculos e muita gordura. E o pobrezito sente dor, naturalmente, e seus gritos parecem gritos humanos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Esses pensamentos todos me ocorreram enquanto lia o Globo hoje. De certa forma, sinto-me até agradecido ao jornal por me proporcionar tanto assunto. Imagino que os jacobinos deviam experimentar uma sensação semelhante diante dos aristocratas presos: ah, obrigado pelo prazer de cortarmos suas cabeças!&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;a href="http://www.saatchi-gallery.co.uk/showdown/index/220723"&gt;Link da imagem&lt;/a&gt;.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;Acesse oleododiabo.blogspot.com&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7959964-2319840597407893325?l=oleododiabo.blogspot.com'/&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel="replies" type="application/atom+xml" href="http://oleododiabo.blogspot.com/feeds/2319840597407893325/comments/default" title="Postar comentários" /><link rel="replies" type="text/html" href="https://www.blogger.com/comment.g?blogID=7959964&amp;postID=2319840597407893325&amp;isPopup=true" title="5 Comentários" /><link rel="edit" type="application/atom+xml" href="http://www.blogger.com/feeds/7959964/posts/default/2319840597407893325?v=2" /><link rel="self" type="application/atom+xml" href="http://www.blogger.com/feeds/7959964/posts/default/2319840597407893325?v=2" /><link rel="alternate" type="text/html" href="http://feedproxy.google.com/~r/OleoDoDiabo/~3/2sAEfwXOWAU/dilemas-antimidiaticos.html" title="Dilemas antimidiáticos" /><author><name>Miguel do Rosário</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17626695423918657260</uri><email>migueldorosario@gmail.com</email><gd:extendedProperty name="OpenSocialUserId" value="09625510564248945639" /></author><media:thumbnail xmlns:media="http://search.yahoo.com/mrss/" url="http://2.bp.blogspot.com/_YRstxrVhW40/SlN9P11NI7I/AAAAAAAACVM/WDAVGPzk4h0/s72-c/ronald_binnie_2009_saatchi_gallery" height="72" width="72" /><thr:total xmlns:thr="http://purl.org/syndication/thread/1.0">5</thr:total><feedburner:origLink>http://oleododiabo.blogspot.com/2009/07/dilemas-antimidiaticos.html</feedburner:origLink></entry><entry gd:etag="W/&quot;CUcDQH09fip7ImA9WxJUGE0.&quot;"><id>tag:blogger.com,1999:blog-7959964.post-7300327515870206178</id><published>2009-07-05T14:01:00.019-04:00</published><updated>2009-07-16T23:57:51.366-04:00</updated><app:edited xmlns:app="http://www.w3.org/2007/app">2009-07-16T23:57:51.366-04:00</app:edited><category scheme="http://www.blogger.com/atom/ns#" term="Política" /><category scheme="http://www.blogger.com/atom/ns#" term="Literatura" /><title>+ firulas literárias</title><content type="html">&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://1.bp.blogspot.com/_YRstxrVhW40/SlEEMF2liCI/AAAAAAAACRQ/DrEAOhKON5o/s1600-h/DSC01802.JPG"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 300px; height: 400px;" src="http://1.bp.blogspot.com/_YRstxrVhW40/SlEEMF2liCI/AAAAAAAACRQ/DrEAOhKON5o/s400/DSC01802.JPG" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5355066037696301090" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;(Gomes Freire. O prédio vermelho é o bar recém inaugurado Será o Benedito)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não posso parar de escrever. A cada vez que o faço, torna-se mais difícil voltar. Não é como andar de bicicleta ou nadar, que são técnicas que não se esquecem jamais. Escrever tem uma complexidade singular, porque movimenta toda uma engrenagem mental e emocional, cujos roldões e esteiras, quando interrompemos o trabalho, começam imediatamente a sair de seus lugares, e a enferrujar. O retorno sempre é penoso, um pouco demorado. A prova disso é esse post mesmo, que não passa de um exercício de aquecimento. Não dêem muita bola pra ele.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Até porque, em verdade, não se pára de escrever. Quer dizer, a energia continua lá, os pensamentos continuam lá, as emoções continuam lá, o que se interrompe é o fluxo final, a sua consubstanciação num texto vivo. Parar de escrever é sentar no meio do córrego, tentando interrompê-lo. As águas se acumulam e vazam pelos lados, caoticamente. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por isso, não podemos parar de escrever, nunca. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;De certa forma, não mais escolhemos sobre o quê escrever. O advento da internet é apenas a demolição final do castelo em que o escritor foi obrigado a se esconder desde seus primórdios, e do qual começou a escapar durante a modernidade. Os gêneros se misturaram. Ensaio, romance, poesia, conto, crônica, muitos autores modernos decidiram abandonar os rótulos que amarravam a sua criatividade. Para se afirmar como artista verdadeiramente livre, o escritor tem de escrever em linha com a sua consciência e em conformidade às exigências de seu tempo. É conduzido, e se deixa conduzir, pela violência de suas paixões, embora sempre evitando sair da estrada pelo esforço concentrado de sua razão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Daí que a história da literatura e da arte em geral abunda de parasitas oportunistas voando ao redor da lâmpada; que se acham muito inteligentes e espertos por estarem próximos à luz - inconscientes de que apenas abreviam a sua vida e apequenam o significado de sua existência. A liberdade das mariposas é a grande noite escura, e não a pequena lâmpada amarela pendurada no quintal.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;*&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Existe uma espécie de desespero que revigora. Como um sarcasmo de Deus, os desesperados, os tristes, os angustiados, encontram em sua própria dor a inspiração para produzir um lamento criativo. Digo sarcasmo porque esse lamento apenas aprofunda o sentimento de ridículo que envolve seu autor. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;*&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Então voltamos ao pavoroso início de tudo. O momento em que nos encontramos com aquilo do qual mais fugimos, ou seja, nós mesmos e nossa drástica vaidade. Não se pode encarar a própria imagem por muito tempo, a menos que se seja muito burro. A solução é, mais uma vez, esquecer e seguir em frente, sem reparar nas desoladas paisagens passando no cine da memória.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;*&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um dia frio e ensolarado é uma ótima oportunidade para se ler um livro bebendo cerveja.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;*&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Antes de fazer essas anotações bestas, pensei em escrever um artigo cheio de filosofadas e citações históricas para comentar as últimas peripécias da imprensa corporativa brasuca, mas acho melhor resumir tudo num parágrafo:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se eu encontrar um jornalista do Globo na minha frente, desejo sorte, a ele e a mim, para que eu resista a dar-lhe um murro na cara. Golpistas filhos da puta. Ninguém se salva ali. Até os mais "legais", com o tempo, vão se acovardando, se intoxicando com esse lacerdismo babaca, hipócrita, cínico, safado. A reação ao golpe em Honduras desnudou-lhes a todos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;*&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tenho que reler o Escrivão Isaías Caminha, do grande Lima Barreto, em que ele critica os jornalistas de seu tempo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;*&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Estou lendo dois livros muito bons: A história das instituições políticas romanas, de León Homo; e Lincoln, de Gore Vidal. O primeiro nos revela que as lutas sociais têm origem nas civilizações mais antigas, e que o povo, uma hora ou outra, acaba sempre triunfando, porque é mais numeroso, mais forte e está sempre crescendo. Como dizia Jim Morrison em Five to One: &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;object width="425" height="344"&gt;&lt;param name="movie" value="http://www.youtube.com/v/9DfG1SNydnc&amp;hl=pt-br&amp;fs=1&amp;"&gt;&lt;/param&gt;&lt;param name="allowFullScreen" value="true"&gt;&lt;/param&gt;&lt;param name="allowscriptaccess" value="always"&gt;&lt;/param&gt;&lt;embed src="http://www.youtube.com/v/9DfG1SNydnc&amp;hl=pt-br&amp;fs=1&amp;" type="application/x-shockwave-flash" allowscriptaccess="always" allowfullscreen="true" width="425" height="344"&gt;&lt;/embed&gt;&lt;/object&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;The older get older, the young get stronger. May take a week, may take longer. Gonna win and take over.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pois é, os intelectuais vendidos que a mídia contrata vão perdendo espaço. Five to one, a cada blogueiro que se vende para a elite golpista, outros cinco abraçam a causa dos trabalhadores. As forças retrógradas da imprensa escrita envelhecem, a jovem blogosfera ganha musculatura.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não se trata de otimismo, que arrenego. Mas espírito de luta. Uma luta feita com bom humor, talento e sensibilidade, mas que sabe muito bem a hora de virar a mesa e quebrar o boteco.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;*&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O amor é lindo. Tião Viana, senador do PT, deu longa entrevista à Veja, atacando o governo Lula. Que maravilha. Será que nenhum de seus trezentos assessores não lhe avisou que a Veja defende golpe de estado no Brasil e que ofende e calunia diariamente, várias vezes por dia, o PT e seu governo? E a pergunta que não quer calar: por que esses senadores do PT são tão bundões? São burros, são inocentes úteis, são covardes, ou o quê? Ou todas as opções reunidas? Não tem ninguém ali com culhão pra peitar a mídia?&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;Acesse oleododiabo.blogspot.com&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7959964-7300327515870206178?l=oleododiabo.blogspot.com'/&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel="replies" type="application/atom+xml" href="http://oleododiabo.blogspot.com/feeds/7300327515870206178/comments/default" title="Postar comentários" /><link rel="replies" type="text/html" href="https://www.blogger.com/comment.g?blogID=7959964&amp;postID=7300327515870206178&amp;isPopup=true" title="3 Comentários" /><link rel="edit" type="application/atom+xml" href="http://www.blogger.com/feeds/7959964/posts/default/7300327515870206178?v=2" /><link rel="self" type="application/atom+xml" href="http://www.blogger.com/feeds/7959964/posts/default/7300327515870206178?v=2" /><link rel="alternate" type="text/html" href="http://feedproxy.google.com/~r/OleoDoDiabo/~3/dnMO7iaGkWg/firulas-literarias.html" title="+ firulas literárias" /><author><name>Miguel do Rosário</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17626695423918657260</uri><email>migueldorosario@gmail.com</email><gd:extendedProperty name="OpenSocialUserId" value="09625510564248945639" /></author><media:thumbnail xmlns:media="http://search.yahoo.com/mrss/" url="http://1.bp.blogspot.com/_YRstxrVhW40/SlEEMF2liCI/AAAAAAAACRQ/DrEAOhKON5o/s72-c/DSC01802.JPG" height="72" width="72" /><thr:total xmlns:thr="http://purl.org/syndication/thread/1.0">3</thr:total><feedburner:origLink>http://oleododiabo.blogspot.com/2009/07/firulas-literarias.html</feedburner:origLink></entry><entry gd:etag="W/&quot;CUIGQ3w6fSp7ImA9WxJVF0o.&quot;"><id>tag:blogger.com,1999:blog-7959964.post-7180510243887317775</id><published>2009-06-30T00:25:00.025-04:00</published><updated>2009-07-05T01:58:42.215-04:00</updated><app:edited xmlns:app="http://www.w3.org/2007/app">2009-07-05T01:58:42.215-04:00</app:edited><category scheme="http://www.blogger.com/atom/ns#" term="Política" /><title>Boa sorte, Honduras</title><content type="html">&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://2.bp.blogspot.com/_YRstxrVhW40/SkmbPMi2J7I/AAAAAAAACQs/9jlmf7yNYgM/s1600-h/scarlet_johanson_008.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 318px; height: 400px;" src="http://2.bp.blogspot.com/_YRstxrVhW40/SkmbPMi2J7I/AAAAAAAACQs/9jlmf7yNYgM/s400/scarlet_johanson_008.jpg" border="0" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5352980317474269106" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;(A foto acima tem a função de usar a beleza para expurgar o blog das influências tóxicas do post anterior)&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Esse tipo de golpe bananeiro desnorteia qualquer um, não apenas pelo fato em si, terrível, mas sobretudo pelo rastilho de reacionarismo histérico que se acende em todo o continente. São minorias, mas obtêm enorme visibilidade, porque sua ideologia está enraizada no espírito da elite encastelada nos &lt;span style="font-style:italic;"&gt;medios&lt;/span&gt;. Todos os grandes jornais brasileiros relativizaram o golpe; criticam-no como que a contra-gosto, por causa da reação internacional; e todos, invariavelmente, põem parte de culpa na vítima, no presidente preso em sua casa às cinco horas da manhã e deportado para fora de seu país. A máscara democrata da mídia brasileira agora caiu de vez, mostrando sua carantonha golpista.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Desejo coragem aos hondurenhos, para enfrentar o que talvez seja uma das últimas batalhas pela consolidação de um espírito democrático autêntico na América Latina. Esses golpistas massacram a Constituição com o dedo apontado em parágrafos e cláusulas constitucionais. Ignorantes, que não conhecem a filosofia do direito. A justiça não está na Constituição, mas nos homens, porque são os homens que escrevem as Constituições. Não se aprende a ser bom e justo decorando a Constituição e sim entendendo a si mesmo e ao mundo. Numa democracia, o princípio basilar da justiça está no homem e em suas opções soberanas. Se o povo quer mudar a Constituição para poder reeleger um presidente mil vezes, e daí? As cidades-estado gregas mudavam de constituição frequentemente, às vezes adotando as leis mais estranhas, como aquela de Sólon, patriarca da democracia ateniense, que condenava todo cidadão que não tomasse partido.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O que permanece são os Princípios Fundamentais, que repito aqui:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;blockquote&gt;TÍTULO I&lt;br /&gt;Dos Princípios Fundamentais&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Art. 1º A República Federativa do Brasil, formada pela união indissolúvel dos Estados e Municípios e do Distrito Federal, constitui-se em Estado Democrático de Direito e tem como fundamentos:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;I - a soberania;&lt;br /&gt;II - a cidadania;&lt;br /&gt;III - a dignidade da pessoa humana;&lt;br /&gt;IV - os valores sociais do trabalho e da livre iniciativa;&lt;br /&gt;V - o pluralismo político.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Parágrafo único. Todo o poder emana do povo, que o exerce por meio de representantes eleitos ou diretamente, nos termos desta Constituição.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Art. 2º São Poderes da União, independentes e harmônicos entre si, o Legislativo, o Executivo e o Judiciário.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Art. 3º Constituem objetivos fundamentais da República Federativa do Brasil:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;I - construir uma sociedade livre, justa e solidária;&lt;br /&gt;II - garantir o desenvolvimento nacional;&lt;br /&gt;III - erradicar a pobreza e a marginalização e reduzir as desigualdades sociais e regionais;&lt;br /&gt;IV - promover o bem de todos, sem preconceitos de origem, raça, sexo, cor, idade e quaisquer outras formas de discriminação.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Art. 4º A República Federativa do Brasil rege-se nas suas relações internacionais pelos seguintes princípios:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;I - independência nacional;&lt;br /&gt;II - prevalência dos direitos humanos;&lt;br /&gt;III - autodeterminação dos povos;&lt;br /&gt;IV - não-intervenção;&lt;br /&gt;V - igualdade entre os Estados;&lt;br /&gt;VI - defesa da paz;&lt;br /&gt;VII - solução pacífica dos conflitos;&lt;br /&gt;VIII - repúdio ao terrorismo e ao racismo;&lt;br /&gt;IX - cooperação entre os povos para o progresso da humanidade;&lt;br /&gt;X - concessão de asilo político.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Parágrafo único. A República Federativa do Brasil buscará a integração econômica, política, social e cultural dos povos da América Latina, visando à formação de uma comunidade latino-americana de nações.&lt;/blockquote&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;*&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A justiça não está no papel, na Bíblia, num Alcorão qualquer misterioso, passível de interpretações duvidosas. Com alguma imaginação e técnica sofística, pode-se encontrar justificativas para assassinatos e estupro na Constituição. A justiça está em como entendemos e interpretamos a Constituição. Se alguém usa a Carta para, sem o devido direito à defesa, sem nenhum julgamento honesto e transparente, mandar prender um presidente da República eleito pela vontade soberana do povo, e deportá-lo para fora do país, é porque perdeu o juízo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Afinal não somos governados pela Constituição, mas pelo juízo. As Constituições são um esforço das sociedades em produzirem leis que sejam as mais justas possíveis, mas é evidente que a imperfeição do homem o impede de criar leis perfeitas. No decorrer dos séculos a experiência fornece dados que nos permitem formular leis melhores. Não é por outra razão que elegemos, a cada quatro anos, 513 deputados federais e 81 senadores, para estarmos sempre atualizando as leis. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Desde que se tornou independente, o Brasil já teve oito constituições. Todas eram consideradas "sagradas" e todas contêm graves problemas. O poder não está, portanto, na Constituição. O poder emana do povo. Por isso, dos três poderes que constituem a república, a presidência é o mais importante, porque é o único constantemente julgado pelo escrutínio popular, pelo sufrágio universal. Deputados e senadores são votados apenas por seus conterrâneos de província. O presidente da república é votado por todos os brasileiros, ou por todos os hondurenhos. O presidente não está acima da lei, naturalmente, mas o Judiciário, que passa ao largo do sufrágio popular, também não. Não esqueçamos que nas democracias antigas, ateniense e romana, os juízes também eram escolhidos pelo povo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu falo tudo isso apenas para derrubar o principio de qualquer argumentação constitucional. Mas não é o caso. O golpe de estado em Honduras foi um crime constitucional em todos os sentidos. Não se pode julgar um tema político com base em apenas um parágrafo ou outro da Constituição, e sim no todo, na íntegra do texto constitucional. Não fazer isso é realizar uma argumentação juridicamente debilóide. É evidente que esse golpe de estado violou centenas de leis hondurenhas. É absolutamente inconstitucional, em qualquer país democrático do mundo, permitir que o Exército derrube um presidente desta maneira, sem direito à defesa, na calada da noite.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A democracia tem uma longa e dolorosa história de lutas, onde não guerrearam apenas homens, mas também idéias. A vitória dos gregos sobre os persas, no século V antes de nossa era, significou o triunfo de uma idéia, da idéia democrática, que supunha a participação cidadã nas lutas de sua cidade e no debate político interno. Uma vitória do bom senso simples e democrático do pensamento grego, sobre o misticismo sofisticado, sedutor e pavorosamente oligárquico dos soberanos autocráticos da Ásia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Esse espírito democrático é desafiado a cada vez que ocorrem golpes como esse, em Honduras. Ele - o espírito da democracia - ainda não conseguiu se restabelecer dos ferimentos sofridos nas últimas décadas. Nos anos 60, uma onda hedionda, sinistra, coesa e poderosa, de reacionarismo e totalitarismo político, esmagou a América Latina de ponta a ponta. Esses golpes aqui e ali (Venezuela e agora Honduras) são espasmos deste Leviatã nojento que dominou o continente por tantos anos, e que ainda não está morto totalmente. Como guerreiros liliputianos prosseguimos enterrando nossas lanças sobre o gigante odioso. Um dia ele morre. Tem de morrer. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não queria tirar licença deixando como último post aquele aí de baixo, que exala um perfume tão desagradável. Agora vou-me.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;Acesse oleododiabo.blogspot.com&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7959964-7180510243887317775?l=oleododiabo.blogspot.com'/&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel="replies" type="application/atom+xml" href="http://oleododiabo.blogspot.com/feeds/7180510243887317775/comments/default" title="Postar comentários" /><link rel="replies" type="text/html" href="https://www.blogger.com/comment.g?blogID=7959964&amp;postID=7180510243887317775&amp;isPopup=true" title="12 Comentários" /><link rel="edit" type="application/atom+xml" href="http://www.blogger.com/feeds/7959964/posts/default/7180510243887317775?v=2" /><link rel="self" type="application/atom+xml" href="http://www.blogger.com/feeds/7959964/posts/default/7180510243887317775?v=2" /><link rel="alternate" type="text/html" href="http://feedproxy.google.com/~r/OleoDoDiabo/~3/RevpE8cmCUo/truques-sofismaticos.html" title="Boa sorte, Honduras" /><author><name>Miguel do Rosário</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17626695423918657260</uri><email>migueldorosario@gmail.com</email><gd:extendedProperty name="OpenSocialUserId" value="09625510564248945639" /></author><media:thumbnail xmlns:media="http://search.yahoo.com/mrss/" url="http://2.bp.blogspot.com/_YRstxrVhW40/SkmbPMi2J7I/AAAAAAAACQs/9jlmf7yNYgM/s72-c/scarlet_johanson_008.jpg" height="72" width="72" /><thr:total xmlns:thr="http://purl.org/syndication/thread/1.0">12</thr:total><feedburner:origLink>http://oleododiabo.blogspot.com/2009/06/truques-sofismaticos.html</feedburner:origLink></entry><entry gd:etag="W/&quot;Ak4BQnszfip7ImA9WxJUEk0.&quot;"><id>tag:blogger.com,1999:blog-7959964.post-8018744251070680387</id><published>2009-06-29T19:08:00.018-04:00</published><updated>2009-07-10T02:55:53.586-04:00</updated><app:edited xmlns:app="http://www.w3.org/2007/app">2009-07-10T02:55:53.586-04:00</app:edited><category scheme="http://www.blogger.com/atom/ns#" term="Política" /><title>Denúncia: Veja incita de golpe de Estado</title><content type="html">Eu gostaria de saber se é constitucional pregar um golpe de Estado no Brasil, como fez Reinaldo Azevedo, blogueiro da Veja. Registro aqui - antes que alguém queira esconder esse fato - para a história saber quem foi quem. Depois desta, por favor, queiram dar aos esgotos o destino que merecem. Parem de dar qualquer ibope para imbecis e golpistas desta laia. Reparem no primeiro comentário publicado no blog dele. Em muitas democracias ocidentais, esse tipo de brincadeira é considerado crime grave. Cliquem para ampliar. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O link está aqui:&lt;br /&gt;&lt;a href="http://veja.abril.com.br/blog/reinaldo/geral/o-brasil-e-os-militares-ou-honduras-como-metafora/"&gt;http://veja.abril.com.br/blog/reinaldo/geral/o-brasil-e-os-militares-ou-honduras-como-metafora/&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://4.bp.blogspot.com/_YRstxrVhW40/SklJvLDI-RI/AAAAAAAACQM/VnlDWtxGXDo/s1600-h/reinaldo_azevedo1+golpe.JPG"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 400px; height: 300px;" src="http://4.bp.blogspot.com/_YRstxrVhW40/SklJvLDI-RI/AAAAAAAACQM/VnlDWtxGXDo/s400/reinaldo_azevedo1+golpe.JPG" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5352890706875185426" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://4.bp.blogspot.com/_YRstxrVhW40/SklJ3UnvaxI/AAAAAAAACQU/ccAcoQ9WxpQ/s1600-h/reinaldo_azevedo2+golpe.JPG"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 400px; height: 300px;" src="http://4.bp.blogspot.com/_YRstxrVhW40/SklJ3UnvaxI/AAAAAAAACQU/ccAcoQ9WxpQ/s400/reinaldo_azevedo2+golpe.JPG" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5352890846883572498" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://4.bp.blogspot.com/_YRstxrVhW40/SklKIWKDfZI/AAAAAAAACQk/9-W6hoaHpeY/s1600-h/reinaldo_azevedo3+golpe.JPG"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 400px; height: 300px;" src="http://4.bp.blogspot.com/_YRstxrVhW40/SklKIWKDfZI/AAAAAAAACQk/9-W6hoaHpeY/s400/reinaldo_azevedo3+golpe.JPG" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5352891139353705874" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E, no último quadro, a posição do presidente da república do Brasil publicada no mesmo site que abriga o Esgoto. Também para registro histórico.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://4.bp.blogspot.com/_YRstxrVhW40/SklKDwndi7I/AAAAAAAACQc/6GMAXQcDZig/s1600-h/reinaldo_azevedo4+golpe.JPG"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 400px; height: 300px;" src="http://4.bp.blogspot.com/_YRstxrVhW40/SklKDwndi7I/AAAAAAAACQc/6GMAXQcDZig/s400/reinaldo_azevedo4+golpe.JPG" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5352891060557024178" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;*&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Há tempos que percebi a debilidade mental de Reinaldo Azevedo. Por trás de toda aquela empáfia pseudo-erudita, esconde-se um fascistazinho chorão e safado. Não vale a pena nem que prestemos atenção. Abri uma exceção hoje porque se trata de uma denúncia muito grave. &lt;span style="font-style:italic;"&gt;No ragionam di lor, ma guarda e passa&lt;/span&gt;, dizia o velho Dante, referindo-se aos condenados tão medíocres, que nem o inferno se dignava recebê-los. &lt;span style="font-style:italic;"&gt;Não pense neles, apenas olha e passa&lt;/span&gt;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O que me deixa pasmo é a falta de paixão por parte de jornalistas e editores. Onde está a indignação? Onde está a ênfase? Onde estão as histórias em detalhes sobre as prisões, os fechamentos de rádios, canais de TV? Onde está a dramaturgia jornalística? Não haviam ficado horrorizados com o Irã? Ué? Grande democratas. De um lado apóiam manifestantes que protestam contra sua própria derrota nas urnas, de outro escondem os protestos, muito mais sérios, contra um GOLPE DE ESTADO num país vizinho, num continente terrivelmente traumatizado por esse tipo de acontecimentos. Depois vem pregar democracia em Cuba... É... Fidel deveria ter se lançado a presidente no tempo de Fulgêncio Batista... Uma democracia em Cuba seria sólida, não? Ninguém tentaria golpe de Estado em Cuba, né? Cuba seria uma linda e próspera democracia nos anos 60 e 70, né? Que nem o Brasil, né?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;*&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E neste exato momento, o Globo, em vez de dedicar reportagens mais aprofundadas para explicar aos brasileiros os fatos históricos que acontecem num país vizinho, fatos que motivaram reuniões de todos os presidentes, da OEA, da ONU, o Globo noticia a multidão na porta da casa de Michael Jackson. E fala da morte do primeiro brasileiro com gripe suína, sem enfatizar a notícia mais importante, de que a letalidade da doença caiu para 0,4% no mundo, e está em 0,17% no Brasil. Ou seja, o porquinho perdeu a agressividade e se tornou uma gripe quase convencional.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;*&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Finalmente deram um quadro, de 2 minutos, sobre Honduras. Dedicaram muito mais tempo aos fãs do Michael Jackson, que morreu semana passada. Não falaram da greve geral. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;*&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;São mesmos uns golpistas filhos-da-puta.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;Acesse oleododiabo.blogspot.com&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7959964-8018744251070680387?l=oleododiabo.blogspot.com'/&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel="replies" type="application/atom+xml" href="http://oleododiabo.blogspot.com/feeds/8018744251070680387/comments/default" title="Postar comentários" /><link rel="replies" type="text/html" href="https://www.blogger.com/comment.g?blogID=7959964&amp;postID=8018744251070680387&amp;isPopup=true" title="17 Comentários" /><link rel="edit" type="application/atom+xml" href="http://www.blogger.com/feeds/7959964/posts/default/8018744251070680387?v=2" /><link rel="self" type="application/atom+xml" href="http://www.blogger.com/feeds/7959964/posts/default/8018744251070680387?v=2" /><link rel="alternate" type="text/html" href="http://feedproxy.google.com/~r/OleoDoDiabo/~3/u-Pyc-UShr4/denuncia-blogueiro-da-veja-incita-de.html" title="Denúncia: Veja incita de golpe de Estado" /><author><name>Miguel do Rosário</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17626695423918657260</uri><email>migueldorosario@gmail.com</email><gd:extendedProperty name="OpenSocialUserId" value="09625510564248945639" /></author><media:thumbnail xmlns:media="http://search.yahoo.com/mrss/" url="http://4.bp.blogspot.com/_YRstxrVhW40/SklJvLDI-RI/AAAAAAAACQM/VnlDWtxGXDo/s72-c/reinaldo_azevedo1+golpe.JPG" height="72" width="72" /><thr:total xmlns:thr="http://purl.org/syndication/thread/1.0">17</thr:total><feedburner:origLink>http://oleododiabo.blogspot.com/2009/06/denuncia-blogueiro-da-veja-incita-de.html</feedburner:origLink></entry><entry gd:etag="W/&quot;AkcCQHk8cCp7ImA9WxJVFEQ.&quot;"><id>tag:blogger.com,1999:blog-7959964.post-6502599742625214364</id><published>2009-06-28T23:46:00.017-04:00</published><updated>2009-07-01T21:27:41.778-04:00</updated><app:edited xmlns:app="http://www.w3.org/2007/app">2009-07-01T21:27:41.778-04:00</app:edited><category scheme="http://www.blogger.com/atom/ns#" term="Comunicação" /><title>Licença para trabalhar</title><content type="html">&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://3.bp.blogspot.com/_YRstxrVhW40/SkhFlcb3CyI/AAAAAAAACN4/h5aOGSogEuU/s1600-h/DSC01877.JPG"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 300px; height: 400px;" src="http://3.bp.blogspot.com/_YRstxrVhW40/SkhFlcb3CyI/AAAAAAAACN4/h5aOGSogEuU/s400/DSC01877.JPG" border="0" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5352604666720357154" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;(Belo edifício da Lapa)&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;Pois é, meus amigos. Eu ainda chego lá, mas por enquanto esse blog não bota comida na mesa. Mesmo recebendo algumas contribuições de vez em quando, preciso arregaçar as mangas em outras searas para pagar as contas. Semana passada estive em Varre Sai, município do interior fluminense, para fazer uma matéria sobre os cafeicultores de lá [para quem não sabe, eu sempre fui jornalista especializado em café], e agora peguei um trabalho de tradução bastante pesado que vai me consumir 30 a 40 dias. Serei obrigado a interromper minha boa vida de tardes na biblioteca nacional, lendo Faulkner e pesquisando o histórico golpista da imprensa brasileira. Mas tá ótimo. É um trabalho para o qual serei muito bem pago, e que me permitirá, após esse período, voltar aqui com mais auto-confiança. Tenho a impressão que, apesar de numerosas exceções (incluindo eu mesmo), a falta de dinheiro mina o humor, a serenidade e a fé em si mesmo, prejudicando gravemente a visão de mundo do sujeito. Malcolm X estava certo. O negro precisa, sobretudo, conquistar a independência econômica. O negro somos todos nós, que não nascemos em berço esplêndido e lutamos pelos raios do sol.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um amigo sugeriu que eu fizesse pequenos posts diariamente. Não é meu estilo. Posso até tentar, mas acho difícil (para isso existe o Twitter). Eu preciso de MUITO tempo para escrever um post, e gosto de me aprofundar, em detalhes, em cada assunto, oferecendo uma interpretação mais universal ao que, à primeira vista, é visto como banalidade. Preciso de sentimento, tranquilidade, inspiração. Não é nem tanto a questão de tempo, mas de estado de espírito, que por sua vez demanda tempo. Não é viadagem. É o que é. Quando eu tento fazer de outro jeito, quase nunca não dá certo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu gostaria de comentar uns trezentos assuntos, a maioria relacionada aos barbantes ideológicos com os quais os brasileiros, candidamente, amarram seus próprios pés e mãos! Fica pra depois. O que me consola é perceber que a blogosfera tupi chegou à idade adulta. Não há mais, como há poucos anos, apenas pós-adolescentes alienados praticando perseguições ideológicas e ostentando erudição de cartão de crédito - esses blogs ainda existem, mas foram engolidos pelo amadurecimento recente de centenas de outros.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A blogosfera se tornou uma força irreversivel e avassaladoramente revolucionária. Ganhou em quantidade, qualidade, profundidade. Leiam Nassif. Leiam Eduardo Guimarães. Leiam o Idelber. Leiam o Azenha. E tantos outros, listados ao lado, com RSS ou sem RSS. Ah, e posso aconselhar uma excelente receita de paz espiritual? Não leiam jornais. Vejam filmes, leiam livros, naveguem pelos blogs, andem de bicicleta, bebam cerveja, façam filhos, estudem filosofia, assistam novela, mas, se quiserem ser mais felizes e mais fortes, parem de se intoxicar com essa porcaria inaudita que é a imprensa brasileira.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A blogosfera proporcionou um espaço de respiração, onde milhões de brasileiros podem encontrar o bom senso e a honestidade que falta na grande mídia. Acredito que já nas próximas eleições, a blogosfera representará uma tribuna fundamental para defesa da soberania e dos ideais humanistas. Existe ainda, no Brasil, um setor político que tenta associar avanços sociais e aperfeiçoamentos do Estado a regimes totalitários, fechados, passadistas, fingindo não ver o que foi realizado em toda a Europa, Japão e inclusive nos Estados Unidos pré-Ronald Reagan, onde se reuniram vastos programas de proteção social com amplos e democráticos investimentos do Estado na economia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Peço, portanto, um pouco de paciência com este blogueiro incapaz de fazer muitas coisas ao mesmo tempo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;*&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para serem notificados sobre a atualização do blog, preencham seu email no formulário abaixo e clique no botão indicado:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;form style="border:1px solid #ccc;padding:1px;text-align:center;" action="http://www.feedburner.com/fb/a/emailverify" method="post" target="popupwindow" onsubmit="window.open('http://www.feedburner.com/fb/a/emailverifySubmit?feedId=1262016', 'popupwindow', 'scrollbars=yes,width=550,height=520');return true"&gt;&lt;p&gt;Digite seu email no espaço abaixo:&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;input type="text" style="width:250px" name="email"&gt;&lt;/p&gt;&lt;input type="hidden" value="http://feeds.feedburner.com/~e?ffid=1262016" name="url"&gt;&lt;input type="hidden" value="Oleo do Diabo" name="title"&gt;&lt;input type="hidden" name="loc" value="en_US"&gt;&lt;input type="submit" value="Clique aqui"&gt;&lt;/form&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vocês receberão um email de confirmação, que terão que responder clicando no link indicado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;*&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Também tenho um Twitter, que nesses momentos de pouco tempo para escrever é ótimo como válvula de emergência. Aliás, já comecei a postar mais por lá.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://twitter.com/migueldorosario"&gt;http://twitter.com/migueldorosario&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;*&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por fim me despeço &lt;a href="http://migueldorosario.webs.com/130__Bad%20to%20the%20bone%20George%20Thorogood.mp3"&gt;com uma música&lt;/a&gt; para deixar a todos bem animados.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;Acesse oleododiabo.blogspot.com&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7959964-6502599742625214364?l=oleododiabo.blogspot.com'/&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel="replies" type="application/atom+xml" href="http://oleododiabo.blogspot.com/feeds/6502599742625214364/comments/default" title="Postar comentários" /><link rel="replies" type="text/html" href="https://www.blogger.com/comment.g?blogID=7959964&amp;postID=6502599742625214364&amp;isPopup=true" title="2 Comentários" /><link rel="edit" type="application/atom+xml" href="http://www.blogger.com/feeds/7959964/posts/default/6502599742625214364?v=2" /><link rel="self" type="application/atom+xml" href="http://www.blogger.com/feeds/7959964/posts/default/6502599742625214364?v=2" /><link rel="alternate" type="text/html" href="http://feedproxy.google.com/~r/OleoDoDiabo/~3/hXo7CjpPbw0/licenca-para-trabalhar.html" title="Licença para trabalhar" /><author><name>Miguel do Rosário</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17626695423918657260</uri><email>migueldorosario@gmail.com</email><gd:extendedProperty name="OpenSocialUserId" value="09625510564248945639" /></author><media:thumbnail xmlns:media="http://search.yahoo.com/mrss/" url="http://3.bp.blogspot.com/_YRstxrVhW40/SkhFlcb3CyI/AAAAAAAACN4/h5aOGSogEuU/s72-c/DSC01877.JPG" height="72" width="72" /><thr:total xmlns:thr="http://purl.org/syndication/thread/1.0">2</thr:total><feedburner:origLink>http://oleododiabo.blogspot.com/2009/06/licenca-para-trabalhar.html</feedburner:origLink></entry><entry gd:etag="W/&quot;CUYESXs9fCp7ImA9WxJWE0o.&quot;"><id>tag:blogger.com,1999:blog-7959964.post-5125437042522713270</id><published>2009-06-18T14:23:00.025-04:00</published><updated>2009-06-18T20:58:28.564-04:00</updated><app:edited xmlns:app="http://www.w3.org/2007/app">2009-06-18T20:58:28.564-04:00</app:edited><category scheme="http://www.blogger.com/atom/ns#" term="Política" /><title>Os platinados e as contradições anti-iranianas</title><content type="html">&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://3.bp.blogspot.com/_YRstxrVhW40/SjqS76brC-I/AAAAAAAACB8/wrAGaDaLtI0/s1600-h/DSC01801.JPG"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 300px; height: 400px;" src="http://3.bp.blogspot.com/_YRstxrVhW40/SjqS76brC-I/AAAAAAAACB8/wrAGaDaLtI0/s400/DSC01801.JPG" border="0" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5348749065451146210" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;(esquina da Rezende com Gomes Freire, Lapa.&lt;br /&gt;No prédio azul fica a sede da União da Juventude Socialista)&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Daí que o Globo (e creio que seus primos paulistas enveredam pelo mesmo caminho) mergulhou de cabeça na campanha patrocinada pelo lobby armamentista para demonizar o Irã. Obama terá trabalho pra segurar o chifre desse touro brabo. Até aí eu entendo. Desde sua fundação, o Globo é cupincha servil dos interesses americanos, que os Marinho sempre colocaram muito acima dos interesses nacionais. O engraçado, e infantil, dessa história, é a tentativa de meter o Lula no imbróglio. Na terça ou quarta-feira (dia 16 ou 17 de junho), a primeira página da seção Mundo trazia um manchetão dizendo que o presidente brasileiro apóia Ahmadinejad, o mandatário iraniano reeleito com uma vitória esmagadora nas eleições realizadas semana passada. Manchete mentirosa, como sempre. Lula apenas dissera que as manifestações de rua no país eram choro de derrotados, e que não havia provas de fraude. Ora, é a pura verdade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não tenho nenhuma predileção por Ahmadinejad, embora eu confesse que estou quase chegando ao ponto em que tudo que o Globo diz que é bom, eu acho o contrário. Se o Globo é contra o Ahmadinejad, eu sou a favor. Do jeito que a coisa vai, em breve será muito fácil ter uma opinião política: ler o jornal de cabeça pra baixo. Bem, isso é ironia, desculpem-me.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os platinados voltam à carga hoje. Só por ter feito observações lógicas sobre a necessidade de se respeitar um processo eleitoral, Lula virou o maior apoiador mundial de Ahmadinejad. É sempre assim. Todos os demônios (na opinião do Globo) do mundo são aliados de Lula. Em tudo de mal que acontece no planeta, lá está o dedinho do (ex)barbudo. Daqui a pouco vão dizer que Lula é culpado pela morte daquele jornalista da Folha, &lt;a href="http://esquerdopata.blogspot.com/2009/06/obama-mata-jornalista-da-folha.html"&gt;assassinado esta semana por Obama&lt;/a&gt; durante uma entrevista para a televisão. Vocês viram que espetáculo? Obama matou &lt;a href="http://www.youtube.com/watch?v=B_YIJD-wBMQ"&gt;a mosca&lt;/a&gt;! Mas o PIG nacional irá dizer que foi o sapo (ex)barbudo que esticou sua língua, lá do outro lado do mundo, para apanhar o inseto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ahmadinejad foi eleito democraticamente em sufrágio universal. Alguém contestou a primeira eleição? Não, né? Ora, um presidente eleito uma vez com enorme vantagem sobre o adversário pode ser eleito uma segunda sobre outro concorrente. Se houve fraude, as instituições iranianas irão dizer. Não é grupinho de Twitter com alguns milhares de seguidores que decide eleição num país com 70 milhões de pessoas. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um colunista americano, em artigo traduzido e publicado no Globo, disse que o Facebook do adversário do Ahmadinejad já tem 50 mil participantes, e que isso encheria qualquer "mesquita". Oh, que sociologia profunda! Alguém deveria avisar a este senhor que a comunidade brasileira Leu na Veja, Azar Seu! tem 60 mil participantes, a comunidade Eu Odeio Acordar Cedo tem 3,8 milhões de participantes, e ninguém cogita dar algum valor eleitoral a isso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se o adversário de Ahmadinejad não confia nas instituições democráticas iranianas não deveria ter participado do pleito. A sua atitude radical de, desde o início, negar o resultado, me soou extremamente golpista e antidemocrática. As pesquisas de intenção de voto sempre apontaram o atual presidente como favorito. Por que o espanto em torno do resultado?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A mídia brasileira, em vez de atacar gratuitamente o governo iraniano, deveria procurar informações sobre a metodologia usada nas eleições do Irã, para que pudéssemos ter alguma idéia sobre a veracidade das acusações de fraude. A diferença em favor de Ahmadinejad foi brutal, então a fraude teria que ser brutal. Quando o atual presidente do México ganhou as eleições sobre o candidato de esquerda por uma margem de apenas 1%, e milhares de mexicanos foram às ruas protestar, não vi mídia dar nenhum destaque ao fato. Eu mesmo não vi o protesto mexicano com bons olhos. Protesto de perdedor não vale. Se a sociedade não confia nas instituições democráticas de um país, que vá às ruas antes do pleito, pedindo auditorias independentes e observadores internacionais. Aliás, queria saber isso. Houve observadores internacionais no Irã? A mídia não informa nada. Aqui no Rio, milhares de gabeiristas foram à Cinelândia protestar contra a derrota de seu candidato nas últimas eleições municipais- palhaçada de elite arrogante que não admite perder. Diante do que li sobre a divisão classista iraniana, suspeito de um fenômeno similar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Entretanto, o fato do Irã ter aceito fazer a recontagem é um excelente sinal. Caso a vitória seja confirmada, quem irá pedir desculpas ao mal causado à imagem das instituições iranianas e suas autoridades, acusadas de desonestidade?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ah, morreram seis pessoas durante os protestos. É uma lástima. Mas a polícia de São Paulo mata algumas dezenas de pessoas por semana e a mídia não fala nada. Jovens protestam pacificamente contra a presença da polícia na USP e a mídia os chama de baderneiros. Já os jovens iranianos que protestam, esses são verdadeiros democratas. As imagens da TV e as reportagens informaram que os jovens que protestavam contra os resultados estariam quebrando lojas, bancos e patrimônio público. É uma hipocrisia inacreditável que a mídia agora defenda um tratamento carinhoso a esse tipo de atitude.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sobre a repressão ao uso de internet no Irã, trata-se de uma agressão terrível à liberdade de expressão, mas essa é uma realidade em dezenas de outros países africanos e asiáticos, cujos governos se consideram desestabilizados por campanhas políticas patrocinadas por interesses externos. O Irã, pelo menos, tem eleições e sufrágio universal, à diferença da Arábia Saudita, do Paquistão e da China. É muito  engraçado que a mesma mídia que tanto barulho fez contra a criação do blog da Petrobrás, que calunia sistematicamente a blogosfera brasileira, e que tenta inclusive aprovar leis anti-blogs, converta-se agora em defensora dos blogueiros iranianos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Lula está certíssimo em apoiar o processo eleitoral iraniano. É prova de respeito aos Princípios Fundamentais da &lt;a href="http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/constituicao/constituiçao.htm"&gt;Constituição Federal&lt;/a&gt; brasileira, Artigo 4, Capítulos III e IV, que falam da autodeterminação dos povos e da não-intervenção. É obrigação de qualquer autoridade que se pretenda seguidora dos princípios mais elementares da diplomacia e do direito internacional dar a presunção de inocência e idoneidade ao processo eleitoral iraniano. Se houver fraude comprovada, os mandatários devem protestar, naturalmente, mas cabe às instituições iranianas resolver o caso. Não havendo fraude comprovada, deve-se o respeito à decisão soberana do povo iraniano em reeleger Ahmadinejad.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Enquanto isso, Cora Ronai, &lt;a href="http://cora.blogspot.com/2009/06/ratos-vivos-e-gatos-mortos.html"&gt;em sua coluna de hoje&lt;/a&gt;, afirma que, "assim como todos os brasileiros", sentiu vontade de se enfiar embaixo do sofá de tanta vergonha, ao assistir Lula defender as eleições iranianas. Ora, em primeiro lugar, desconheço o fato da população brasileira estar tão interessada no que acontece no Irã; em segundo lugar, Lula tem popularidade de 84% no Brasil, então não tem ninguém com "vergonha dele"; em terceiro lugar, Lula é, junto com Obama, o presidente mais prestigiado do planeta, tendo sido, semana passada, aplaudido de pé por seis vezes seguidas, durante uma convenção de direitos humanos da ONU. Do que eu tenho vergonha, senhora Cora Ronai, é de encontrar textos tão mal escritos como os vossos num jornal tão (infelizmente) lido pela classe média fluminense. Se a senhora tivesse realmente vergonha de alguma coisa, deveria guardá-la para sentir quando entendesse melhor o papel que teve o jornal para o qual a senhora trabalha na preparação do golpe militar que massacrou a democracia brasileira.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;Acesse oleododiabo.blogspot.com&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7959964-5125437042522713270?l=oleododiabo.blogspot.com'/&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel="replies" type="application/atom+xml" href="http://oleododiabo.blogspot.com/feeds/5125437042522713270/comments/default" title="Postar comentários" /><link rel="replies" type="text/html" href="https://www.blogger.com/comment.g?blogID=7959964&amp;postID=5125437042522713270&amp;isPopup=true" title="35 Comentários" /><link rel="edit" type="application/atom+xml" href="http://www.blogger.com/feeds/7959964/posts/default/5125437042522713270?v=2" /><link rel="self" type="application/atom+xml" href="http://www.blogger.com/feeds/7959964/posts/default/5125437042522713270?v=2" /><link rel="alternate" type="text/html" href="http://feedproxy.google.com/~r/OleoDoDiabo/~3/qExXIAKOLds/histeria-iraniana.html" title="Os platinados e as contradições anti-iranianas" /><author><name>Miguel do Rosário</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17626695423918657260</uri><email>migueldorosario@gmail.com</email><gd:extendedProperty name="OpenSocialUserId" value="09625510564248945639" /></author><media:thumbnail xmlns:media="http://search.yahoo.com/mrss/" url="http://3.bp.blogspot.com/_YRstxrVhW40/SjqS76brC-I/AAAAAAAACB8/wrAGaDaLtI0/s72-c/DSC01801.JPG" height="72" width="72" /><thr:total xmlns:thr="http://purl.org/syndication/thread/1.0">35</thr:total><feedburner:origLink>http://oleododiabo.blogspot.com/2009/06/histeria-iraniana.html</feedburner:origLink></entry><entry gd:etag="W/&quot;D0QNRng-fSp7ImA9WxJVFUs.&quot;"><id>tag:blogger.com,1999:blog-7959964.post-3102904451302484986</id><published>2009-06-16T16:03:00.048-04:00</published><updated>2009-07-02T16:09:57.655-04:00</updated><app:edited xmlns:app="http://www.w3.org/2007/app">2009-07-02T16:09:57.655-04:00</app:edited><category scheme="http://www.blogger.com/atom/ns#" term="Política" /><category scheme="http://www.blogger.com/atom/ns#" term="Mídia" /><category scheme="http://www.blogger.com/atom/ns#" term="História" /><title>Notas sobre a Ditabranda</title><content type="html">&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://2.bp.blogspot.com/_YRstxrVhW40/Sjmtg_lTiqI/AAAAAAAACB0/nrN1Yl94wXs/s1600-h/DSC01819.JPG"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 400px; height: 300px;" src="http://2.bp.blogspot.com/_YRstxrVhW40/Sjmtg_lTiqI/AAAAAAAACB0/nrN1Yl94wXs/s400/DSC01819.JPG" border="0" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5348496814814497442" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;(Gomes Freire, Lapa)&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style:italic;"&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-style: normal;"&gt;&lt;i&gt;Dedico esse post àquele jornalista da Folha, com sobrenome de bicho fofinho, que admitiu sofrer falhas de memória.&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-style: normal;"&gt;Conforme já mencionei aqui, há muitos anos frequento a Biblioteca Nacional, que além de abrigar a maior variedade de livros do país, possui uma coleção microfilmada de todos os jornais brasileiros, de todos os tempos. As épocas que mais me interessam pesquisar, naturalmente, são aquelas de grande comoção nacional e por isso tenho fuçado sobretudo os meses de agosto de 1954, e março e abril de 1964.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Esta semana, passei uma tarde pesquisando as edições de março e abril de 1964 do jornal Folha de São Paulo, e topei com editoriais e notícias que, senão me causaram nenhuma surpresa, forneceram-me algumas peças para o quebra-cabeças que venho montando há tempos, tentando compreender um pouco mais a história contemporânea brasileira.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por que houve um golpe militar no Brasil? Esta é uma questão que não pode, definitivamente, ser respondida com um dar de ombros. Quando se fala na importância da educação, costuma se omitir que educação não é ensinar aos brasileiros quem foi Pedro Álvares Cabral. Por trás, e acima, de qualquer boa vontade em melhorar o quadro educacional deve haver uma incessante produção de conhecimento. Em outros termos, se queremos ensinar história aos brasileiros, devemos discutir qual a história iremos lhes contar. Não se trata aqui de "editar" os fatos, conforme a ridícula pretensão do jornalismo neocon tupi, nas palavras do sacerdote ético da mídia, Roberto Romano, que agora resolveu estender seus pitacos ulta-previsíveis para a esfera linguístico-midiática. Em vez de entrevistarem Nilson Lage, a maior sumidade em jornalismo do Brasil, os lacaios das &lt;span style="font-style:italic;"&gt;famiglias&lt;/span&gt; perguntam ao Roberto Romano, "especialista em ética", sua opinião sobre o blog da Petrobrás. Bah! Não é questão de "editar" os fatos históricos, e sim analisá-los em profundidade, à luz de tudo que sabemos e entendemos hoje. Um fato novo impõe a revisão de todo sistema, o que torna a ciência histórica tão difícil e tão emocionante.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No Brasil, existe a mania, um tanto tola e arrogante, de se distribuir títulos de ignorância e "semi-analfabetismo" a torto e direito, mas parece que poucos se dão conta do fato de que, se a ignorância é um defeito, este é um defeito que não se restringe aos conhecimentos sobre a língua portuguesa, mas também à história do país.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Devemos urgentemente, portanto, incluir nos acontecimentos de 1964 um ator político fundamental. Não se trata de &lt;span style="font-style:italic;"&gt;culpar a mídia por tudo&lt;/span&gt;. Ao contrário, trata-se de lhe dar o status e o prestígio - para o bem e para o mal - que ela merece. Ela foi, afinal, um dos atores mais importantes da cena política que se descortinava e não se pode representar Othelo sem o personagem Iago. Os jornais eram tão cruciais nos anos 60 porque não havia uma tv relevante, as rádios eram fragmentadas, e não existia internet. A imprensa escrita constituía a grande, e única, tribuna política do país. Quer dizer, a imprensa não era apenas uma tribuna; era um Tribuno; os jornais brasileiros, como aliás seus congêneres em todo o mundo democrático ocidental, tinham opinião própria, muita opinião, sobre os fatos políticos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Até aí tudo bem. Ocorre que em março de 1964, os jornais brasileiros deixaram de ser meros agentes de opinião (conservadora, católica, colonial, golpista) para se tornarem protagonistas naquele que certamente foi o mais terrível, o mais faccioso, o mais perverso crime jamais perpetrado contra o espírito de união nacional, contra a justiça, contra a democracia, contra a paz, contra a moral, contra nossa inocência e cordialidade, enfim contra todos os valores importantes por trás de uma nação como o Brasil.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para começar, não éramos uma ditadura como a que existia em Cuba, com Fulgêncio Batista; nem uma autocracia medieval, como havia na Rússia cezarista. O Brasil possuía, em 1964, uma das democracias mais avançadas do mundo; aos trancos e barrancos, vinha se desenvolvendo a um ritmo invejável, a nível cultural, acadêmico, industrial, artístico, educacional, econômico, político. O Brasil havia produzido Guimarães Rosa, Glauber Rocha e Chico Buarque, apenas para citar três símbolos de uma cultura da qual parecia jorrar tanto entusiasmo e genialidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A academia brasileira vinha experimentando, por sua vez, um grande momento. O estereótipo do estudante sessentista, visto como baderneiro revolucionário e maconheiro, é injusto e preconceituoso. Tínhamos jovens estudiosos e politizados. O "engajamento" político dos anos 60 era autêntico, generoso, verdadeiro, criativo. O jovem que hoje participa de "micaretas", lá atrás, estudava Marcuse, Nietszche e escutava Ismael Silva.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando abordamos o golpe militar, portanto, esse ato de barbárie que violentou um momento histórico tão importante, tão delicadamente belo e poderoso, é preciso analisar, atentamente, esse contexto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;*&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Então lá estava eu, numa tarde fria de junho de 2009, espiando o microfilme de edições antigas da Folha. Em março de 1964, o jornal dos Frias divulga uma notinha cultural interessante: jovens roqueiros ingleses são a nova sensação na Inglaterra; os Rolling Stones, com idades de 19 a 22 anos, parecem substituir os Beatles nas paradas de sucesso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;*&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Desde o final da II Guerra, quando a guerra fria ganha força no mundo, as notícias internacionais que chegam às redações brasileiras são publicadas com todos os filtros ideológicos impostos por Washington. O golpe de Estado contra Árbenz, na Guatemala, em 1954, por exemplo, assume ares de legalidade. A mesma coisa vale para a derrubada do regime democrático em Cuba, por Fulgêncio Batista.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;*&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A leitura da Folha de 1964 esclareceu um ponto para mim. As três personagens políticas mais importantes para a preparação e realização do golpe de Estado foram os governadores de São Paulo, Rio de Janeiro e Minas Gerais: respectivamente, Ademar de Barros, Carlos Lacerda e Magalhães Pinto. Ademar entrava com dinheiro, Lacerda com um discurso incendiário e terrorista, Magalhães com os tanques de guerra.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A Folha reproduzia o terrorismo lacerdiano com uma placidez cúmplice apenas comparável à tolerância e pusilanimidade com que a Europa deixou Hitler crescer e rearmar a Alemanha. Infelizmente, os microfilmes da Biblioteca Nacional não estão digitalizados, o que permitiria uma reprodução fácil na internet. Mas eu fiz algumas anotações. O mais impressionante, de longe, é o discurso de Carlos Lacerda, muito parecido ao terrorismo esquizóide e delirante de um Olavo de Carvalho.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Lendo a Folha, pode-se constatar que o plano dos golpistas consistia nos seguintes pontos:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;1) Associar o governo ao comunismo e à ilegalidade.&lt;br /&gt;2) Causar a impressão de perigo imediato para as instituições.&lt;br /&gt;3) Criar a impressão de que eles, a oposição conservadora, tinham imenso apoio popular.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As eleições presidenciais aconteceriam em 1965. Goulart e todos os seus aliados não faziam a menor menção de mudar isso. Nem lhes interessariam mudar. Lacerda, no entanto, lançava diariamente a suspeita de que as eleições não ocorreriam e que Goulart tentaria se "perpetuar no poder". Lacerda pinta uma imagem cada vez mais diabólica do presidente Goulart, como se ele fosse um perigossíssimo comunista russo infiltrado no governo para derrubar a democracia brasileira. Aliás, quando o golpe ocorre, os jornais divulgam a seguinte afirmação de Lacerda: "A ditadura russa foi derrubada!" Podem rir.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vejam o que Lacerda afirmava que Goulart faria nos próximos meses. A citação é textual (inclusive com itens numerados):&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"1) Substituirá a Constituição por outra.&lt;br /&gt;2) Dissolverá o Congresso Nacional.&lt;br /&gt;3) Fará plesbicitos autoritários [essa é boa, héin?! Plebiscitos autoritários! Podiam ter ensinado essa ao Stálin, héin?]&lt;br /&gt;4) Associação crescente entre comunismo e negocismo [!!!!!!!!!!! Não me perguntem o que é isso!]&lt;br /&gt;5) Desmoralização das forças armadas.&lt;br /&gt;6) Transformação do presidente em caudilho. Não haverá mais eleições.&lt;br /&gt;7) Destruição da livre-iniciativa e sua substituição por um dirigismo incompetente e desvairado, logo substituído pelo controle totalitário de todas as atividades nacionais, inclusive o controle das consciências."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Esse era o Lacerda, "o bom administrador". A imprensa publicou esses tópicos sem permitir nenhuma resposta "do outro lado", e, o pior, sem criticá-los; ao contrário, chancelava-os em seus editoriais, conforme se verá logo a seguir. Detalhe: o governo vinha negando veementemente esse tipo de acusação. Mas como negar "boatos" sem base nenhuma na realidade? Lacerda nem ninguém apresentava qualquer prova de suas acusações insanas. Mas pra que provas, quando se tem apoio midiático?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;*&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pois bem, faltava apagar a impressão de que a oposição ao governo Goulart se restringia a uma elite retrógrada e diminuta. Começam os preparativos para a MARCHA DA FAMÍLIA COM DEUS PELA LIBERDADE. Essa marcha será fundamental para a deflagração do golpe militar, porque sinaliza, junto à cúpula militar e política que o organizava, que havia uma quantidade considerável de gente, ao menos no Rio e São Paulo, chancelando o discurso midiático-conservador.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os jornais passam a publicar, diariamente, em letras garrafais, manchetes como: AUMENTAM O NÚMERO DE ADESÕES À MARCHA EM DEFESA DA CONSTITUIÇÃO; ou MAIS DE 300 MUNICÍPIOS DE SÃO PAULO ENVIARÃO ÔNIBUS; e tantas outras. Os governos de SP, Minas e Rio participavam ativamente da organização do evento, cedendo empregados e recursos financeiros.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A Folha divulga ainda um comunicado da FIESP, orientando seus filiados a que liberassem seus empregados durante a tarde do dia da manifestação, e mesmo que fechassem os estabelecimentos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Depois disso tudo, ocorre a manifestação, com a presença de meio milhão de pessoas (segundo os jornais, o que me faz pensar na metade disso), e daí edições inteiras dos jornais são dedicadas ao evento. Os editorais repetem sempre a mesma ladainha: de que havia sido um evento "espontâneo". Sim, espontâneo... Os patrões "orientando" a presença de seus empregados na passeata, os jornais convocando a população... Tão espontâneo...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Aquele mar humano formou-se espontaneamente, pelo natural".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"E formou-se de súbito, quase por milagre, ao simples apelo de um grupo de mulheres e organizações femininas".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Nada de especial, nenhuma preparação psicológica."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Enquanto isso, Lacerda afirma, na mesma edição, que: "O sr.João Goulart é um fascista a serviço do comunismo", e "teremos guerra civil no Brasil a continuar a conspiração dos porões do palácio do presidente".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;*&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por curiosidade, confiram um dos gritos lançados pela multidão, na tal Marcha da Liberdade, segundo reportagem da Folha:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Basta! Basta! Basta!"&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;*&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E o jornal, não contente com uma manifestação tão deliciosamente "espontânea", também incita as Forças Armadas para que restabelecessem a ordem. Publicam isso com todas as letras.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;*&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Trecho do editorial da Folha do dia 20 de março de 1964:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Nossa opinião&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O povo &lt;/span&gt;&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-style: normal;"&gt;mesmo&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-style: normal;"&gt;, não um ajuntamento suspeito e longamente preparado, reuniu-se espontaneamente, nas ruas desta cidade para exprimir seu sentimento e sua vontade. Foi uma dura lição para aqueles que necessitam de demorada propaganda, manipulação de cúpulas e tremendos dispositivos de força para concentrar massas humanas."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A quem o editorial se referia? Claro! Aos trabalhadores e estudantes, cujas manifestações, segundo a Folha, eram "longamente preparadas" e necessitavam obrigar as pessoas a participarem delas através de "tremendos dispositivos de força".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;*&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A Folha noticia que Lacerda se reúne, a portas fechadas, com Ademar de Barros e Magalhães Pinto. Eles realizam "conversas sigilosas", diz o jornal no dia 26 de março. Uma semana depois, ocorrerá o golpe.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;*&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por fim, uma pérola editorial lida uma semana antes do golpe militar:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"A última moda, entre os que refletem o pensamento do governo federal, é apregoar a necessidade de 'democratização da imprensa'".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;*&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vale lembrar que os estudantes organizados, ou seja, a UNE, que era muito forte na época, assim como os sindicatos, apoiavam o governo Goulart. Realizavam manifestações constantes de apoio ao presidente. A mesma coisa vale para diversas categorias militares de baixa patente, que se sentiam exploradas e humilhadas pela alta oficialidade. Ou seja, quando Miriam Leitão escreveu, em meados de 2006 ou 2007, que a UNE era "rebelde a favor", tentando desmoralizar a entidade por apoiar o governo Lula, ela distorceu a história. A UNE foi contra a ditadura, claro, e pagou caro por isso; o mais importante a ser lembrado, porém, é que a UNE alinhava-se ao governo Goulart, porque tinha visão estratégica de que, diante da alternativa udenista reacionária, ele representava um tremendo progresso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;*&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Acontece o golpe. No dia seguinte, a Folha de São Paulo reproduz mensagem do governador Ademar de Barros: "o governador Ademar de Barros qualificou de ex-presidente da República ao sr. João Goulart".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Muitas outras "mensagens" de Ademar de Barros são obedientemente reproduzidas pela Folha. O tal criticismo político da Folha, pelo jeito, nunca ocorreu junto a seus governadores. A "mosquinha" não costuma pousar em nenhuma sopa servida no Palácio dos Bandeirantes...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;*&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Editorial do dia 2 de abril de 1964, dia seguinte ao golpe:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Não houve rebelião contra as leis, mas uma tomada de posição em favor da lei. Assim se deve enxergar o movimento que empolgou o país (...)"&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;*&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No dia seguinte, 3 de abril, novo editorial justificando o golpe:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"O Brasil continua&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Voltou a nação, felizmente, ao regime de plena legalidade que se achava praticamente suprimida nos últimos tempos do governo do ex-presidente João Goulart".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;*&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No mesmo dia (03 de abril), o DOPS, uma espécie de BOPE de SP, invade a faculdade de filosofia da USP e dissolve uma reunião de estudantes na base da porrada. Um fotógrafo da Folha presente (segundo nota da própria Folha) levou uma cacetada na nuca e foi preso com os estudantes. Foi liberado horas depois, sem os filmes, e com alguns ferimentos na cabeça.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mesmo com seu próprio repórter espancado pela polícia, a Folha não faz nenhum comentário crítico.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;*&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dessa vocês vão gostar. Capa da Folha de São Paulo do dia 3 de abril de 1964:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Petrobrás sem nenhum comunista: 'limpeza'".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O militar indicado para comandar a Petrobrás informa aos jornais que irá realizar uma "limpeza" ideológica na estatal, demitindo sumariamente qualquer pessoa com suspeita de ligações com os "comunistas".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;*&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os EUA felicitam o novo governo. Um secretário de Estado dos EUA anuncia que "será aumentada a ajuda financeira ao Brasil".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;*&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A Fiesp comunica, pelo jornal, suas congratulações aos vitoriosos do golpe. A Folha noticia que o Brasil terá novas eleições em uma semana; que essas eleições serão "indiretas"; e que haverá um "candidato único", o Sr.Castello Branco, festejado pelo jornal como excelente nome para chefiar o Brasil. Quanta democracia! Quanta legalidade!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;*&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Chefes militares declaravam aos jornais (que haviam se tornados verdadeiros boletins de guerra pró-ditadura, com gráficos e tudo) que estavam preparados para enfrentar qualquer reação ao golpe. Isso me fez pensar que o Brasil escapou (se é que tem sentido falar em escapar, neste caso) de uma guerra civil que poderia destruir o país, matando centenas de milhares, talvez milhões de pessoas. Por alguma razão, felizmente (e aqui novamente, temos uma palavra um tanto dúbia), isso foi evitado. Mas não se pode diminuir a gravidade do fato. O castigo deve ser aplicado tanto ao homem que &lt;span style="font-style:italic;"&gt;tenta&lt;/span&gt; estuprar uma mulher como àquele que efetivamente o consegue. E quando falo em castigo, não penso em pôr fim à Anistia, e sim realizar um julgamento moral da história da ditadura brasileira, e discutir isso na televisão, nas revistas e nas escolas. Anistia serviu para perdoar juridicamente os funcionários públicos que participaram de arbitrariedades, mas não significa que devemos esquecer ou abafar o debate público necessário sobre o significado moral da ditadura, apontando, corajosamente, culpados e inocentes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;*&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mudando de assunto, &lt;span style="font-style:italic;"&gt;pero no mucho&lt;/span&gt;. A culpada pelos problemas de Simonal não foi a esquerda, e sim a ditadura militar, que fazia todos desconfiarem de todos, e criou um clima sufocante e totalitário no país, não dando espaço para nenhum tipo de "concessão" ou "tolerância" política por parte da intelectualidade e da classe artística. A culpa, repito, recai sobre a ditadura, e sobre os órgãos de imprensa que tanto a ajudaram a preparar o golpe militar que derrubou um presidente eleito democraticamente, substituindo-o por generais corruptos, reacionários e incompetentes.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;Acesse oleododiabo.blogspot.com&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7959964-3102904451302484986?l=oleododiabo.blogspot.com'/&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel="replies" type="application/atom+xml" href="http://oleododiabo.blogspot.com/feeds/3102904451302484986/comments/default" title="Postar comentários" /><link rel="replies" type="text/html" href="https://www.blogger.com/comment.g?blogID=7959964&amp;postID=3102904451302484986&amp;isPopup=true" title="16 Comentários" /><link rel="edit" type="application/atom+xml" href="http://www.blogger.com/feeds/7959964/posts/default/3102904451302484986?v=2" /><link rel="self" type="application/atom+xml" href="http://www.blogger.com/feeds/7959964/posts/default/3102904451302484986?v=2" /><link rel="alternate" type="text/html" href="http://feedproxy.google.com/~r/OleoDoDiabo/~3/ubFqE5OIMXQ/revisitando-ditabranda.html" title="Notas sobre a Ditabranda" /><author><name>Miguel do Rosário</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17626695423918657260</uri><email>migueldorosario@gmail.com</email><gd:extendedProperty name="OpenSocialUserId" value="09625510564248945639" /></author><media:thumbnail xmlns:media="http://search.yahoo.com/mrss/" url="http://2.bp.blogspot.com/_YRstxrVhW40/Sjmtg_lTiqI/AAAAAAAACB0/nrN1Yl94wXs/s72-c/DSC01819.JPG" height="72" width="72" /><thr:total xmlns:thr="http://purl.org/syndication/thread/1.0">16</thr:total><feedburner:origLink>http://oleododiabo.blogspot.com/2009/06/revisitando-ditabranda.html</feedburner:origLink></entry><entry gd:etag="W/&quot;C04CRX06fCp7ImA9WxJXGUw.&quot;"><id>tag:blogger.com,1999:blog-7959964.post-3387329239784820166</id><published>2009-06-12T16:45:00.019-04:00</published><updated>2009-06-13T12:52:44.314-04:00</updated><app:edited xmlns:app="http://www.w3.org/2007/app">2009-06-13T12:52:44.314-04:00</app:edited><category scheme="http://www.blogger.com/atom/ns#" term="Política" /><title>Pancadaria "legal" e troco político</title><content type="html">&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://1.bp.blogspot.com/_YRstxrVhW40/SjLNRBLYJVI/AAAAAAAACBc/4WqiXfVfS8g/s1600-h/DSC01728.JPG"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 400px; height: 300px;" src="http://1.bp.blogspot.com/_YRstxrVhW40/SjLNRBLYJVI/AAAAAAAACBc/4WqiXfVfS8g/s400/DSC01728.JPG" border="0" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5346561399899825490" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;(trecho da rua do Rezende, próximo à esquina com a Mem de Sá)&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;A pancadaria na USP gerou uma controvérsia muito interessante. Uma minoria barulhenta e sabichona se levantou em favor da atuação da polícia militar de São Paulo. Sempre com argumentos "técnicos" ou "jurídicos", pretendem impor sua opinião acima de todo o bom senso. Não importam as dezenas de relatos de professores, estudantes e funcionários agredidos brutalmente. Os "defensores" da pancadaria têm dois objetivos bem claros:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;1) Conferir um ar de legitimidade "democrática" ou "legal" à agressão policial contra estudantes, trabalhadores e professores que realizavam manifestação pacífica, num ambiente pacífico que, nunca, antes da ditadura militar, fora invadido pela PM.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;2) Eximir de responsabilidade o Executivo paulista, responsável direto pelas ações da Polícia Militar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vale tudo para cumprir esses objetivos. Quando lhes faltam argumentos, lembram fatos totalmente externos ao caso em questão, na tentativa de embaralhar a polêmica. Usam sofismas de baixíssima qualidade, embora eficazes, que comparo a defensivos agrícolas altamente tóxicos, que efetivamente matam as pragas que atrapalham o desenvolvimento das plantas, mas que também as impregnam com substâncias que irão contaminar o solo, os lençóis d'água e os consumidores.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Esses que justificam a pancadaria se acham muito espertos, mas, com sua tática, apenas colaboram para a destruição das forças políticas que defendem; as quais, sentindo-se "defendidas", não corrigem seus erros e continuam tropeçando politicamente, e cavando as suas próprias covas eleitorais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Observo, nestes momentos, a tentativa de apequenar o próprio fato de existir uma luta política e partidária, quando ela é a própria razão de ser da democracia. O que não se admite, todavia, é o uso arbitrário da violência! Os europeus fazem greves monumentais, param trens, aeroportos, fábricas, escolas, mas os governantes nem cogitam em usar força policial contra os manifestantes. Sarkosy, presidente linha-dura da direita francesa, vem enfrentando greves terríveis na França, mas consegue contornar dialogando, ou não-dialogando, mas não é louco de permitir que suas forças de segurança brutalizem trabalhadores.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aqueles que tentam eximir o governador José Serra das responsabilidades usam todo tipo de subterfúgio. Dizem: se o Lula não tem culpa da corrupção nos Correios, então Serra não tem culpa da pancadaria na USP. Palavras são realmente promíscuas, aceitam ser manuseadas por qualquer um. Esse é o preço de uma democracia. Temos liberdade, mas a liberdade pode ser tão ou mais manipulada numa democracia quanto numa ditadura.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não falamos aqui, enfim, de corrupção, seja nos Correios ou no Metrô de São Paulo. Exemplos de corrupção, nós sabemos, abundam em todas as esferas do poder. Estamos falando de uma política de segurança deliberadamente brutal, arbitrária e antidemocrática.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por acaso, é a primeira vez que a polícia de São Paulo comete arbitrariedades? Nos últimos anos, temos assistido, estarrecidos, as forças paulistas de segurança adotarem procedimentos verdadeiramente hediondos no tratamento de situações de conflito social e trabalhista. E sempre contra o povo. Sempre contra o lado mais fraco.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Parece-me que o governador de São Paulo optou seguir as tendências ideológicas mais odiosamente reacionárias, e a única explicação que encontro para atitude tão suicida do ponto-de-vista eleitoral é o fato d'ele acreditar no acerto de suas decisões por conta do apoio que recebe de setores da elite econômica e da mídia corporativa. Quando, além disso, blogueiros simpáticos colaboram nesta operação de "blindagem" política, eles ajudam a produzir um monstro político, descolado da opinião pública verdadeira. O que será preciso acontecer mais? Será necessário morrer um estudante? Morrer um professor? A morte de trabalhadores simples, por outro lado, parece não comover o grande público paulista...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não consigo acreditar que trabalhadores e estudantes da universidade mais concorrida do Brasil sejam figuras tão perigosas cujas manifestações precisem ser reprimidas pelas forças de segurança com bombas de gás pimenta e balas de borracha.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O sacerdote ético-midiático, o Dr.Roberto Romano, não tem nada a dizer sobre o caso?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Impressiona-me, no entanto, como a mídia pode aceitar, submissamente, que o governador não manifeste, de forma bastante clara, a sua opinião sobre o tema. Nem ele, nem o secretário de Segurança, nem o secretário de Educação. Os colunistas da grande imprensa também parecem querer deixar o tema passar em branco...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Como assim? Aceitaremos agora que governantes mandem a polícia entrar nos campus universitários e espancar estudantes e professores? Até onde vai o sabujismo?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não estou entendendo. Leio as colocações de quem defende a atuação da polícia e não consigo ver outra coisa se não um cinismo desvairado. Como alguém pode defender que professores idosos sejam mal tratados por quem lhes deveria tratar com infinito respeito? Como se pode tratar um caso desses como quem discute "firulas" jurídicas? &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;Sobre as responsabilidades de Serra no caso, o que importa aqui é notar que nem o governador nem nenhum secretário seu CONDENOU a atitude da polícia, tampouco indicou que haverá qualquer punição aos responsáveis pelo incidente; com isso, Serra chama a si a autoridade pela invasão, prisão de grevistas e espancamento das pessoas.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Voltando à questão partidária, admito que não sou simpático ao governador Serra. Mas tenho mil outras preocupações, e não perderia algumas horas do meu dia dos namorados escrevendo sobre o caso se não o achasse realmente preocupante para o futuro da democracia brasileira. Esses blogueiros que procuram minimizar a gravidade ou as responsabilidades nessa pancadaria realmente acreditam que é assim que devemos tratar greves e conflitos sociais? Com brutalidade policial? Acham que isso resolve?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Daí que ficamos sabendo que os professores de São Paulo recebem 4 reais de vale-refeição, por eles chamado de vale-coxinha; e a mídia ainda divulga a versão oficial que a decadência do ensino público em São Paulo advém apenas da falta de preparo e cultura dos professores?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O desprezo contra o funcionalismo público é uma característica ideológica predominante no tucanato. Tudo bem, podem desprezar à vontade. O que não podemos, definitivamente, aceitar, é que esse desprezo se converta em agressão covarde. Afinal, não são os tucanos que vão lá dar cacetada. Eles apenas dão ordens para que policiais mau pagos e sofredores façam o seu trabalho sujo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Arrisco-me, no entanto, a prever profeticamente: para toda ação, uma reação; cada pancada, cada gás inalado, cada bala de borracha, terá o seu troco. Em dobro.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;*&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O mau-caratismo não tem limites. A mídia paulista e seus satélites na blogosfera descobriram que o jurista Dalmo Dallari apóia a repressão na USP. Imediatamente, todos se agarraram às palavras de Dallari como salvação final. Alegam: "viram, se um simpatizante do PT concorda com a gente, então a discussão está acabada". Ora, é impressionante a cara-de-pau. Em vez de entrevistarem professores, funcionários e estudantes que testemunharam o incidente, pegam a opinião de um senhor distante de tudo, que não lê blogs, que acompanha tudo, provavelmente, pela mídia. E daí que ele é simpatizante do PT? Que hipocrisia! O que isso prova? Não quero saber a opinião do Dallari. Eu tenho a minha opinião. Eu queria saber a opinião do governador José Serra e não do Dallari! Queria saber a opinião do jornal a Folha de São Paulo e de seus colunistas e não do Dallari!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O pior, no entanto, vem aí. O blogueiro, no afã de embaralhar a polêmica, lembrou do Haiti, citando casos de haitianos mortos pelo exército brasileiro. Se culparem o Serra, chantageiam eles, então culpem Lula pelas mortes no Haiti. Ora, que mau-caratismo. Que comparação! O exército brasileiro foi convocado a ajudar a evitar uma guerra civil no Haiti pela Organização das Nações Unidas. A atuação brasileira foi elogiada em todo o mundo. Houve incidentes porque era um país vivendo uma guerra civil, mas, felizmente, conseguiram superar a terrível crise política que viviam, e realizaram eleições democráticas em clima de paz, com ajuda do exército brasileiro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Como comparar um país em guerra civil, com 80% de desemprego, e uma manifestaçãozinha de estudantes universitários na cidade mais rica da América Latina? E mesmo que eles, do alto de seu filisteísmo e cinismo, considerem Lula responsável por mortes no Haiti, como isso isentaria o governador José Serra das violências ocorridas na USP? Eles estendem essa "isenção" também às atrocidades, documentadas inclusive pela grande imprensa paulista, em Paraisópolis, cometidas pela mesma PM? &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E que história é essa de que Serra não tem NADA A HAVER com o incidente na USP? Se não tem, porque ele não vem a público e condena, veementemente, a violência perpetrada, e afirma que haverá investigações e pune os culpados?&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;Acesse oleododiabo.blogspot.com&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7959964-3387329239784820166?l=oleododiabo.blogspot.com'/&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel="replies" type="application/atom+xml" href="http://oleododiabo.blogspot.com/feeds/3387329239784820166/comments/default" title="Postar comentários" /><link rel="replies" type="text/html" href="https://www.blogger.com/comment.g?blogID=7959964&amp;postID=3387329239784820166&amp;isPopup=true" title="10 Comentários" /><link rel="edit" type="application/atom+xml" href="http://www.blogger.com/feeds/7959964/posts/default/3387329239784820166?v=2" /><link rel="self" type="application/atom+xml" href="http://www.blogger.com/feeds/7959964/posts/default/3387329239784820166?v=2" /><link rel="alternate" type="text/html" href="http://feedproxy.google.com/~r/OleoDoDiabo/~3/rjJ_KFkJw1M/pancadaria-legal-e-troco-politico.html" title="Pancadaria &quot;legal&quot; e troco político" /><author><name>Miguel do Rosário</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17626695423918657260</uri><email>migueldorosario@gmail.com</email><gd:extendedProperty name="OpenSocialUserId" value="09625510564248945639" /></author><media:thumbnail xmlns:media="http://search.yahoo.com/mrss/" url="http://1.bp.blogspot.com/_YRstxrVhW40/SjLNRBLYJVI/AAAAAAAACBc/4WqiXfVfS8g/s72-c/DSC01728.JPG" height="72" width="72" /><thr:total xmlns:thr="http://purl.org/syndication/thread/1.0">10</thr:total><feedburner:origLink>http://oleododiabo.blogspot.com/2009/06/pancadaria-legal-e-troco-politico.html</feedburner:origLink></entry><entry gd:etag="W/&quot;DUADRXw8fCp7ImA9WxJXF08.&quot;"><id>tag:blogger.com,1999:blog-7959964.post-3187649280366754715</id><published>2009-06-11T09:23:00.007-04:00</published><updated>2009-06-11T09:42:54.274-04:00</updated><app:edited xmlns:app="http://www.w3.org/2007/app">2009-06-11T09:42:54.274-04:00</app:edited><category scheme="http://www.blogger.com/atom/ns#" term="Comunicação" /><title>Aniversário do blogueiro no sábado</title><content type="html">&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://3.bp.blogspot.com/_YRstxrVhW40/SjEGA5iEWII/AAAAAAAACBU/GFE80gFTg_E/s1600-h/Imagem+005.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 400px; height: 300px;" src="http://3.bp.blogspot.com/_YRstxrVhW40/SjEGA5iEWII/AAAAAAAACBU/GFE80gFTg_E/s400/Imagem+005.jpg" border="0" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5346060845178968194" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;(Este é o local indicado, o prédio azul, à direita. Um bar tradicional e pé-sujo da Lapa, com muitas mesas e cadeiras, espalhadas pelo calçadão. A cerveja é barata e gelada. Não é bom pra comer, mas quem quiser fazê-lo basta andar uns passos e ir no bar em frente, ou na outra esquina).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Olá, neste sábado, dia 13 de junho, bebemoro meu aniversário no bar do Gerson (ou bar do Paulinho, como era mais conhecido), a partir das 21 horas. O local fica na esquina das ruas Riachuelo e Lavradio. Todos estão convidados. Grande abraço.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;Acesse oleododiabo.blogspot.com&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7959964-3187649280366754715?l=oleododiabo.blogspot.com'/&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel="replies" type="application/atom+xml" href="http://oleododiabo.blogspot.com/feeds/3187649280366754715/comments/default" title="Postar comentários" /><link rel="replies" type="text/html" href="https://www.blogger.com/comment.g?blogID=7959964&amp;postID=3187649280366754715&amp;isPopup=true" title="10 Comentários" /><link rel="edit" type="application/atom+xml" href="http://www.blogger.com/feeds/7959964/posts/default/3187649280366754715?v=2" /><link rel="self" type="application/atom+xml" href="http://www.blogger.com/feeds/7959964/posts/default/3187649280366754715?v=2" /><link rel="alternate" type="text/html" href="http://feedproxy.google.com/~r/OleoDoDiabo/~3/6Eb16pMh8qo/aniversario-do-blogueiro-no-sabado.html" title="Aniversário do blogueiro no sábado" /><author><name>Miguel do Rosário</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17626695423918657260</uri><email>migueldorosario@gmail.com</email><gd:extendedProperty name="OpenSocialUserId" value="09625510564248945639" /></author><media:thumbnail xmlns:media="http://search.yahoo.com/mrss/" url="http://3.bp.blogspot.com/_YRstxrVhW40/SjEGA5iEWII/AAAAAAAACBU/GFE80gFTg_E/s72-c/Imagem+005.jpg" height="72" width="72" /><thr:total xmlns:thr="http://purl.org/syndication/thread/1.0">10</thr:total><feedburner:origLink>http://oleododiabo.blogspot.com/2009/06/aniversario-do-blogueiro-no-sabado.html</feedburner:origLink></entry><entry gd:etag="W/&quot;D0UBRnk5fyp7ImA9WxJXGU0.&quot;"><id>tag:blogger.com,1999:blog-7959964.post-5823996987462802181</id><published>2009-06-11T08:44:00.008-04:00</published><updated>2009-06-13T11:00:57.727-04:00</updated><app:edited xmlns:app="http://www.w3.org/2007/app">2009-06-13T11:00:57.727-04:00</app:edited><category scheme="http://www.blogger.com/atom/ns#" term="História" /><title>Considerações amorosas e econômicas sobre a Lapa</title><content type="html">&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://2.bp.blogspot.com/_YRstxrVhW40/SjD9NCZDDGI/AAAAAAAACBM/VQ249N3y6bM/s1600-h/DSC01805.JPG"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 400px; height: 300px;" src="http://2.bp.blogspot.com/_YRstxrVhW40/SjD9NCZDDGI/AAAAAAAACBM/VQ249N3y6bM/s400/DSC01805.JPG" border="0" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5346051158110833762" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;(trecho da Gomes Freire, Lapa)&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(Eis aí outro longo artigo que será publicado na Carioquice, revista pertencente ao grupo Insight, o mesmo que edita a Inteligência. É um texto sobre a história da Lapa e do Rio Antigo. Custou-me alguns meses de pesquisa.)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se o Rio é uma cidade partida, a rachadura fica na Lapa. Os Arcos, limitando os caóticos subúrbios cariocas e a esnobe zona sul, consolidaram-se, ao longo dos séculos, como o verdadeiro símbolo da cidade, com o qual todos os cariocas se identificam. Os Arcos da Lapa formam o único consenso ideológico do município. Instintivamente, os cariocas procuram, na Lapa, costurar o esquartejado corpo social do Rio de Janeiro. O Cristo Redentor pode ser o símbolo internacional mais famoso, mas o difícil acesso pelo Cosme Velho, o ingresso salgado, o peso turístico, esvaziam-lhe o valor doméstico; é um monumento antes para o mundo do que para os nativos, cuja maioria nasce e morre sem ao menos conhecer-lhe – e sem importar-se grandemente por isso. A estátua do Cristo com os braços abertos tem 78 anos de idade; os Arcos foram inaugurados em 1750.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tanto o Cristo como o Pão de Açúcar (para citar apenas os principais), mesmo para quem pode pagar, continuam monumentos turísticos; os Arcos, por sua vez, integram a rotina do carioca. Não é preciso ser boêmio para passar por baixo dos Arcos várias vezes por ano – já que as ruas Riachuelo e a Mem de Sá formam o entroncamento mais importante entre zona sul, centro e zona norte.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O urbanista italiano Aldo Rossi, em seu livro A Arquitetura da Cidade, observa que a cidade é sintese de uma série de valores; o espaço político por excelência; uma idéia; a cidade é, por si mesma, depositária da história, a memória coletiva dos povos, e os bairros, segundo a morfologia social, seriam unidades morfológicas, com tendência a se especializarem em determinado tipo de serviço, a cumprir funções específicas para este organismo vivo e inquieto, a metrópole.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A literatura especializada cita as “áreas de transição”, que aureolam os centros históricos das cidades, como portadoras de valores e características similares em toda a parte. Em geral, compõem anéis urbanos decadentes, infestados de lúmpens, vagabundos e oportunistas. Há bairros parecidos em Nova York, Chicago, Tókio, Londres. No Rio, rodeando o centro, temos a Lapa, de um lado, e o Santo Cristo, de outro. Apesar dos sobrados caindo aos pedaços e do calçamento em petição de miséria, seria injustiça, todavia, aplicar integralmente a teoria das zonas de transição para a Lapa; pois, à diferença de outras grandes cidades, onde as elites logo migraram para áreas suburbanas, abandonando o centro às classes mais baixas, o Rio viveu uma situação inversa. Até a década de 40, as elites continuavam se concentrando em áreas próximas ao centro, e mesmo depois, elas custaram a se afastar, protagonizando um distanciamento vagaroso, a contragosto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Este amor das elites pelo centro do Rio teve consequências importantes para o país. As reformas de Pereira Passos, realizadas a partir de 1903 a 1906, que incluíram a demolição de 641 prédios coloniais e a abertura da Avenida Central (hoje Rio Branco), além da reforma do porto e abertura da Avenida Beira Mar, custaram quase metade do orçamento da União de um ano fiscal inteiro, de acordo com Maurício de Abreu, autor da obra “A Evolução Urbana do Rio de Janeiro” (Jorge Zahar, 1987). O dinheiro veio do governo federal, na época comandado por Rodrigues Alves, que obteve autorização do Congresso para pedir emprestado 8,5 milhões de libras esterlinas aos banqueiros Rothschild and Sons, de Londres.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas talvez a palavra amor não seja adequada, ou então se tratava de um amor bastante autodestrutivo, visto que, poucas décadas depois, quando os edifícios de lindas fachadas artísticas (selecionadas em disputado concurso público), construídos ao longo da recém inaugurada Avenida Central, ainda eram novos, iniciou-se nova fase de demolição, destes mesmos edifícios, para a construção dos arranha-céus que hoje lá vemos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A Lapa viveu seus anos dourados em meados do século XIX, quando a instalação da Corte portuguesa nas adjacências da Praça XV galvanizou o centro com o charme da monarquia e o dinheiro dos senhores de escravos. Em 1821, relata Abreu, 13 anos após a chegada da família real ao Brasil, o Rio ainda é uma cidade modesta, pequena, abrangendo, grosso modo, somente o espaço entre as praças XV e Mauá. As demais freguesias eram predominantemente rurais. A partir desta data, entretanto, continua Abreu, as classes dirigentes começam a dar preferência, para instalarem suas residências, de um lado, às áreas próximas à atual Igreja da Candelária (junto ao porto, na Praça Mauá), e, de outro, nas ruas recém-abertas da atual Lapa – a Inválidos, a Lavradio, a Resende e a Mata-Cavalos (hoje Riachuelo). Alguns, com maior mobilidade (ou seja, mais dinheiro e tempo), preferiam as terras situadas ao sul, os atuais bairros do Catete e Glória, seguindo os passos da rainha Carlota, que morava em Botafogo. Este movimento culminou com o estabelecimento do Catete, bairro imediatamente vizinho à Lapa, como o centro político e administrativo da nação brasileira, quando o governo instalou a sede da Presidência da República no Palácio do Catete.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As demais classes (continuo citando Abreu), com reduzido ou nenhum poder de mobilidade, e não podendo ocupar os terrenos situados a oeste da cidade, devido à existência do Saco de São Diogo, na atual Cidade Nova e Praça XI, onde hoje fica a sede da prefeitura, adensavam-se cada vez mais em freguesias vizinhas, especialmente nas de Santa Rita e Santana, dando origem aos bairros da Saúde, Santo Cristo e Gamboa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A Lapa continuaria colada às artérias principais da economia da capital federal por muitos anos. Na segunda metade do século XIX, o Rio passou por diversos surtos de industrialização, com o surgimento de pequenos e numerosos estabelecimentos, sediados quase sempre no centro da cidade, dedicados à fabricação de calçados, chapéus, roupas, bebidas e mobiliário. Eram indústrias com baíxíssimo grau de mecanização, verdadeiros artesanatos, absorvendo, consequentemente, grande quantidade de força de trabalho. A Lapa, que integra o centro, interagia intensamente com este processo, especializando-se nos setores mais avançados: gráficas, tipografias, metarlugias leves.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Essa vitalidade econômica patrocinava uma intensidade cultural e boêmia intensa. Os famosos “malandros da Lapa” eram os trabalhadores que viviam à sombra dessa efêmera fartura, realizando pequenos “bicos” ou esposando algumas das milhares de mulheres empregadas nessas indústrias. Os sindicatos de hoje não cansam de citar o poder aquisitivo dos trabalhadores cariocas no início do século, quando o salário mínimo correspondia, em valores corrigidos, a cerca de R$ 1.500,00. O Rio era servido por excelentes e abundantes escolas públicas, onde estudaram filhos de lavadeiras, como Machado de Assis, que adquiriam noções sólidas de cultura universal.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em geral, o próprio centro histórico das cidades se notabiliza como área boêmia. É assim em Buenos Aires, em Londres, em Paris. No Rio, com os tolos decretos-lei, ainda vigentes, que praticamente criminalizaram-no enquanto espaço residencial, o centro histórico se tornou quase uma cidade fantasma à noite e nos finais de semana. E a Lapa, onde existe alta concentração populacional, é seu oposto: tem uma vida noturna intensa, 24 horas, todos os dias da semana.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Até meados do século XIX, a riqueza do Rio superava, de longe, a de estados gigantescos como Minas Gerais e Rio Grande do Sul, e emparelhava com o estado de São Paulo. O “ouro negro” que mais tarde refundaria o estado de São Paulo em novas bases econômicas e industriais, ocupava quase todos os vales do rio Paraíba do Sul, que corta longitudinalmente o estado do Rio, empregando milhões de escravos e trabalhadores. Essas fazendas irão entrar em processo falimentar após a lei Áurea, liberando uma grande masssa de mão-de-obra negra, necessária para suprir a demanda criada com os intensos surtos industriais que o Rio experimenta antes e depois da virada do século. Até hoje, a população da Lapa é predominantemente negra – tornando-se, por isso, o bairro preferido pelos imigrantes de Angola.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Com a industrialização e a invasão de gente preta, a Lapa deixou de ser um bairro desejável pelas elites, que o abandonaram para sempre. Em meados do século XX, é estabelecido tacitamente que as famílias decentes deveriam morar distantes da Lapa. Naquele momento, a Lapa experimentou o seu verdadeiro nascimento enquanto bairro boêmio, onde trabalhadores e empresários iriam gastar seu dinheiro, juntos, nos cabarés.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A migração das elites para a zona sul, ou para alguns bairros da zona norte (como Tijuca e Vila Isabel), fez os preços dos aluguéis despencarem na Lapa, abrindo espaço para a chegada de estudantes, jornalistas e modestos funcionários públicos. Até hoje, os aluguéis na Lapa estão entre os mais baixos do Rio de Janeiro, inclusive comparado a lugares afastados do subúrbio. Muita gente tinha preconceito de morar na Lapa, cujo nome era associado a imagens profanas e à degradação moral.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A vida noturna se intensificou com a instalação de gráficas modernas e jornais nas redondezas (Correio da Manhã, Tribuna da Imprensa, O Globo), que empregavam enormes contingentes de trabalhadores, os quais, após o serão junto às impressoras, espaireciam nos bares das redondezas, além dos jornalistas e repórteres, que ali trocavam idéias sobre as eternas crises políticas. Hoje as gráficas (que ainda existem) não tem tanta importância econômica para o Lapa, mas o bairro ainda recebe, com destaque para a noite de sexta-feira, as milhões de pessoas que trabalham no centro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A boemia lapiana, nas primeiras décadas do século XX, era chic. Num prédio junto ao beco do Rato, Manuel Bandeira manteve, por muitos anos, sua garçoniére, para onde conduzia suas amantes. Era o tempo de Madame Satã e suas brigas cinematográficas, nas quais destruía bares inteiros e espancava, sozinho, dezenas de adversários. Foi na Lapa que Augusto Frederico Schmidt, mescla de empresário, boêmio, poeta e editor, perdeu os originais de “Caetés”, primeiro romance de Graciliano Ramos, após uma noitada, só os encontrando meses depois, quando o editor, desesperado, imaginava-os perdidos para sempre.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os principais responsáveis pela destruição criminosa do patrimônio arquitetônico do Rio Antigo, notadamente de seu centro histórico, foram governos autoritários. O primeiro grande vilão chama-se Henrique Dodsworth, nomeado prefeito por Vargas em 1937, após o golpe do Estado Novo. Dodsworth já se tornara conhecido do público carioca por ocasião da demolição do morro do Castelo, da qual foi defensor entusiasta. Até hoje arquitetos, entre eles Sérgio Poggi de Aragão, do BNDES, perguntam-se que razões culturais e ideológicas levaram autoridadades, com beneplácito da imprensa, a destruirem tão apaixonadamente o nucleo histórico do Rio de Janeiro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Esse clima de demolições e autoritarismo refletia-se no bairro boêmio, que ingressou num longo período de decadência e obscuridade. Na década de 60, o governador do Distrito Federal, Carlos Lacerda, decidiu realizar uma série de intervenções urbanísticas na área junto aos Arcos da Lapa, e dezenas de sobrados históricos foram implacavelmente destruídos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O progressivo afastamento da praia foi outro fator que prejudicou o bairro. Antes da reforma de Pereira Passos, que realizou um primeiro aterro, a Rua Joaquim Silva terminava numa murada que dava numa belíssima vista da baía de Guanabara. Mesmo com a construção da Praça Paris, a praia continuava próxima, bastando contornar a praça e se debruçar sobre a recém-inaugurada e charmosa Avenida Beira Mar, ornada com árvores frondosas e postes elétricos trabalhados artisticamente. O aterro do Flamengo, levado a cabo por Lacerda, afastou definitivamente a Lapa do litoral. Mas não sejamos tão ranhetas, já que o bairro tornou-se vizinho de um dos mais belos e extensos parques urbanos do mundo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Carlos Lessa, autor de um dos mais completos e apaixonados livros sobre o Rio de Janeiro, o “Rio de Todos os Brasis”, explica-nos a reviravolta urbanística mais significativa ocorrida na cidade: o centro do Rio, por séculos debruçado sobre o mar, voltou-lhe as costas. Os aterros sucessivos produziram um primeiro afastamento: a construção de avenidas de alta velocidade, um segundo: a ruptura total aconteceu com a construção de viadutos elevados, sobretudo a Perimetral. Esta última, do ponto de vista viário, foi muito útil para a cidade; para avaliar seu efeito estético sobre o centro, porém, devemos imaginar o que aconteceria se o mesmo viaduto fosse construído diante da praia de Copacabana.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Somando o descaso com a poluíção progressiva da baía de Guanabara, que se acentuou muito a partir da década de 60, nota-se que o centro da cidade, aí incluindo a Lapa, o constructo que simbolizava a principal referência ideológica do município, deixou de ser interessante às classes dominantes. As principais ruas da Lapa - Inválidos, Resende, Lavradio - foram abandonadas pelo poder público e privado, deixadas inclusive sem serviços constantes de lixo e com suas redes de esgoto comprometidas pela falta de conservação; disso resultou brutal processo de desvalorização dos imóveis (muito dos quais, abandonados pela falta de condições em pagar o imposto predial, foram invadidos por “posseiros”), apenas revertido nos últimos anos, com a retomada dos investimentos comerciais e imobiliários na Lapa, uma história sobre a qual iremos discorrer agora.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A última onda de revitalização da Lapa coincide com o tempo em que o autor destas linhas mudou-se para lá. Em algum dia do ano de 1999, entrei, pela primeira vez, num conjugado minúsculo da Rua da Lapa. Cito as razões que me levaram a morar na Lapa porque elas foram, provavelmente, as mesmas que produziram sua revitalização. Era uma das áreas com aluguel mais baixo no município (mais barato, inclusive, que muitos bairros do esnobado subúrbio carioca); era próxima ao centro, onde eu trabalhava; e estava ao lado dos bares que eu frequentava, na Joaquim Silva.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nesse ano ainda não haviam sido inaugurados nenhum dos barzinhos da moda de hoje. Todos eles têm menos de dez anos; a maioria, menos de cinco; muitos foram abertos no ano passado. Em abril deste ano, Kadu Tomé, dono do Bracarense, legendário ponto-de-encontro da boemia do Leblon, abriu o Será o Benedito?, um bar com desenho arrojado e proposta ambiciosa, naRua Gomes Freire 599.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A quantidade de gente que passa pela Lapa em todas as noites, com destaque para as sextas-feiras, merece o respeito e atenção dos estudiosos de fenômenos urbanos e sociais, além, é claro, dos escritores, sempre atentos aos movimentos da boemia, mormente quando adquirem o vulto e a qualidade que atingiram na Lapa. Veteranos do bairro dizem que a Lapa vive o seu melhor momento da história, melhor mesmo que os famosos anos 20 e 30, tempos de Madame Satã e Manuel Bandeira. Naqueles tempos, havia cabarés frequentados por gente rica e elegantes casas de prostituição, mas não tinha a vitalidade popular de hoje. A Lapa é atualmente um dos maiores concentradores - regulares - de gente do mundo ocidental. Uma noite comum de sexta-feira, na Lapa, reúne centenas de milhares de pessoas, esparramadas pelas ruas Joaquim Silva, Mem de Sá, Riachuelo, Lavradio e Gomes Freire.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas volto ao ano de 1999, quando a Lapa não reunia multidões. Ainda era um bairro maldito e ainda existiam bordéis, já muito decadentes, na Rua Mem de Sá. O Circo Voador e o Asa Branca eram as únicas casas de show, sendo que o Circo permaneceu fechado de 1996 a 2004, consequência de um imbroglio entre o prefeito Luiz Paulo Conde e banda Ratos de Porão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nos anos seguintes, a revitalização da Lapa se daria de maneira inteiramente espontânea, sem nenhum investimento público ou privado. A Rua Joaquim Silva foi literalmente tomada por pessoas de todas as partes da cidade, e por dezenas de vendedores ambulantes. Logo surgiram iniciativas populares para trazer música aos frequentadores. No auge da Joaquim Silva, por volta de 2002 ou 2003, havia cerca de oito pontos de música na rua: 1) os roqueiros, que improvisavam um palquinho no bar junto aos Arcos; 2) uma rodinha de samba no botequim ao lado; 3) a turma do hip-hop organizava disputas musicais na esquina com a Travessa Mosqueira, as caixas de som no meio da rua; 4) um estabelecimento, no quarteirão seguinte, especializou-se em forró, cobrando ingresso a preços módicos; 5) mais adiante, um espaço dedicado exclusivamente ao reagge, com entrada grauita; 6) no bar conhecido por Bar do Seu Cláudio, ocorriam rodas de samba altamente profissionais, na calçada; 7) Mais adiante, mais rock ao vivo, no meio da rua, num palco cercado por cordinhas; 8) finalmente, ao longo da escadaria dos azulejos, paravam diversos grupos – entre eles muitas comunidades hippies - em volta de violeiros que tocavam Raul Seixas. A droga preferida era a maconha, usada e abusada em toda a parte, particularmente nas rodas dos violeiros.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Essas verdadeiras festas públicas, comparáveis talvez ao que pode ter ocorrido no Central Park, nos anos 60, ou indo mais longe, às festas sagradas das cidades gregas, não duraram, todavia, muito tempo. Autoridades e imprensa não viam com bons olhos aquela agitação. Não havia grandes investimentos privados, o Estado prosseguia ausente e a área, chamada por alguns de “República da Lapa”, exercia um fascínio subversivo que incomodava os “homens de bem”. Enfim, um belo dia, o jornal O Globo publicou um reportagem bombástica. A matéria, em linguagem de denúncia, informava que as pessoas cheiravam cocaína sobre as mesas, e o uso de maconha era liberado. Foi a senha para se acabar com a diversão. No dia seguinte, a Joaquim Silva encheu-se de policiais. Proibiu-se o comércio ambulante – que depois voltou, como sempre. As noites voltaram ao normal – a Joaquim Silva voltou a ser o ambiente sórdido, escuro, frequentado por marginais, conforme vinha sendo há décadas. Essa luta contra a Joaquim Silva durou anos. Os artistas populares tentavam voltar, mas a repressão constante acabou com todas as manifestações culturais instaladas na rua. A maioria dos bares recém-abertos foram fechados pela prefeitura. E a Joaquim Silva morreu de novo. Nos anos seguintes, a rua renasceria, embora sem o glamour e a febre de antes, perdendo terreno para a Rua Mem de Sá, que passou a atrair o público mais “interessante”, ou seja, com maior poder aquisitivo. Hoje a Joaquim Silva compõe uma das zonas “populares” da Lapa, onde ainda predomina o comércio ambulante, com o surgimento de depósitos que vendem bebida a preços mais baixos. Os ambulantes, por sua vez, criaram uma associação, muito atuante, vinculada a diversos vereadores, que negocia patrocínios e parcerias diretamente com fábricas de bebida e distribuidoras.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A “vanguarda boêmia” migrou para a Mem de Sá, para os quarteirões situados entre os Arcos e a Gomes Freire, onde surgiram dezenas de barzinhos. A atmosfera subversiva da Lapa esvaneceu-se. Os “barzinhos cariocas”, que se proliferaram em São Paulo nos anos 90, chegaram ao Rio, num troca-troca curioso. A tendência atual é essa: bares que mesclam a inventidade e a espontaneidade cariocas com serviços e preços de São Paulo. Todas as franquias de bar instaladas na zona sul abriram suas filiais no bairro. O capitalismo contemporâneo, enfim, engoliu a Lapa, e parece ter gostado do sabor. Os intelectuais da Escola de Frankfurt adorariam analisar esse fenômeno. Os remanescentes daquela Lapa subversiva se apertam nos últimos barzinhos do bairro onde o preço da cerveja ainda não incorporou o ágio dos novos investimentos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A inauguração de um enorme edifício da Justiça do Trabalho, na Lavradio, somou-se ao aumento do número de funcionários da Petrobrás e do BNDES, cujas sedes situam-se ali perto, na Avenida Chile, criando um importante público de alto poder aquisitivo para os comerciantes da região. As construtoras notaram o filão e a Klabin Segall abriu caminho, lançando um enorme condomínio tipo classe média na Rua do Riachuelo, a dois quarteirões dos Arcos. Reza a lenda que os 688 apartamentos ofertados foram vendidos em duas horas, com o projeto ainda na planta. Na esquina da Inválidos com a Relação, há outro grande condomínio sendo construído, com recursos do fundo de funcionários da Petrobrás. Esse tipo de empreendimento, normal em outros bairros do Rio, não aconteciam há uns 30 anos na Lapa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A entrada de capital, todavia, não aniquilou totalmente a espontaneidade lapiana. O bairro é grande. Surgem novas periferias. Fora dos corredores da moda, encontram-se botequins tradicionais, frequentados por seus clientes de sempre. Há muita energia adormecida sob as ruas centenárias.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O bairro, entretanto, ainda carece de muitas reformas. Os serviços da prefeitura permanecem precários. Há montes de lixo por toda a parte. Na rua do Resende, todos os bueiros estouram regularmente, gritando por uma reforma sanitária que deveria ter sido feita há décadas. O Instituto Médico Legal continua na Mem de Sá, apesar da promessa do governador Sérgio Cabral de transferi-lo para São Cristóvão (onde já se construiu um prédio para abrigá-lo, na Francisco Bicalho). A esperança dos moradores e dos que amam a Lapa é que, com a chegada de gente com mais mais influência junto à Secretaria de Receita Tributária, a prefeitura e o estado tratem o bairro com o carinho que ele merece.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Afinal, o que é a Lapa? Qual o seu significado para o Rio de Janeiro, para o Brasil? Reunindo dezenas de milhares de pessoas todas as semanas, oriundas de todas as regiões da cidade e de todas as classes sociais, é óbvio que o lugar concentra uma intensa vitalidade democrática. Arrisco-me a afirmar que, na Lapa, germina a ideologia, ainda em formação, ainda obscura, que os brasileiros desejam forjar para si mesmos. Os candidatos já perceberam isso e, em épocas de eleições, realizam campanhas noturnas no bairro, distribuindo santinhos e conversando com seus frequentadores. A vanguarda musical do país continua passando por suas casas de show. Artistas plásticos continuam abrindo ateliês e galerias no bairro. Enquanto as noites de Paris e Londres terminam às duas da manhã, esta é a hora em que as coisas começam a acontecer no bairro boêmio. Renascesse na Lapa, o grego Anacreonte, um dos fundadores da lírica (leia-se boemia) ocidental, ver-se-ia bem à vontade para recitar seus versos: “sempre que bebo o alegre vinho, bem a meu gosto, em taça grande, minha alma simples se expande, ao som dos coros jovens, com prazer!”&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;Acesse oleododiabo.blogspot.com&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7959964-5823996987462802181?l=oleododiabo.blogspot.com'/&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel="replies" type="application/atom+xml" href="http://oleododiabo.blogspot.com/feeds/5823996987462802181/comments/default" title="Postar comentários" /><link rel="replies" type="text/html" href="https://www.blogger.com/comment.g?blogID=7959964&amp;postID=5823996987462802181&amp;isPopup=true" title="1 Comentários" /><link rel="edit" type="application/atom+xml" href="http://www.blogger.com/feeds/7959964/posts/default/5823996987462802181?v=2" /><link rel="self" type="application/atom+xml" href="http://www.blogger.com/feeds/7959964/posts/default/5823996987462802181?v=2" /><link rel="alternate" type="text/html" href="http://feedproxy.google.com/~r/OleoDoDiabo/~3/27W72g63oqo/consideracoes-amorosas-e-economicas.html" title="Considerações amorosas e econômicas sobre a Lapa" /><author><name>Miguel do Rosário</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17626695423918657260</uri><email>migueldorosario@gmail.com</email><gd:extendedProperty name="OpenSocialUserId" value="09625510564248945639" /></author><media:thumbnail xmlns:media="http://search.yahoo.com/mrss/" url="http://2.bp.blogspot.com/_YRstxrVhW40/SjD9NCZDDGI/AAAAAAAACBM/VQ249N3y6bM/s72-c/DSC01805.JPG" height="72" width="72" /><thr:total xmlns:thr="http://purl.org/syndication/thread/1.0">1</thr:total><feedburner:origLink>http://oleododiabo.blogspot.com/2009/06/consideracoes-amorosas-e-economicas.html</feedburner:origLink></entry><entry gd:etag="W/&quot;CUIARXg5eyp7ImA9WxJXF08.&quot;"><id>tag:blogger.com,1999:blog-7959964.post-8301048135142541513</id><published>2009-06-11T08:27:00.004-04:00</published><updated>2009-06-11T08:32:24.623-04:00</updated><app:edited xmlns:app="http://www.w3.org/2007/app">2009-06-11T08:32:24.623-04:00</app:edited><category scheme="http://www.blogger.com/atom/ns#" term="Política" /><category scheme="http://www.blogger.com/atom/ns#" term="Economia" /><title>Longos bicos sobre o petróleo brasieliro</title><content type="html">Recebi, por email, o seguinte artigo, e achei-o muito importante para o momento atual, porque contém informações relevantes para se compreender a conjuntura política em torno do petróleo brasileiro. A fonte é o &lt;a href="http://boletimhsliberal.blogspot.com/2009/06/perdas-e-danos.html"&gt;HSLiberal&lt;/a&gt;, onde a matéria foi originalmente publicada. A entrevista citada no artigo encontra-se &lt;a href="http://www.aepet.org.br/index.php?4EjN1MzMzADN20zbkVXZ052bj9FZpZiN98GZ1VGdu92Yf9GcpRnJ39Gaz91bkVXZ052bj1jbvlGdjFmJvRWdlRnbvN2Xk5WZ052byZWPlN3chx2Y5IDNzQTN"&gt;no site&lt;/a&gt; da Associação de Engenheiros da Petrobrás.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;Estragos na Petrobrás&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Estragos produzidos na Petrobrás, pelo governo FHC, visando desnacionalizá-la” (1)  Foi como o presidente da Associação dos Engenheiros da Petrobras (AEPET), Fernando Siqueira, descreveu as ações contra o Sistema Petrobrás nos anos do príncipe das privatizações. O artigo foi publicado no site da AEPET em abril/2009 quando os tucanos, por falta de discurso político, criaram uma CPI contra a Petrobrás. Em resumo:&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;As ações deletérias começaram quando FHC, ainda ministro, fez um corte de 52% no orçamento da Petrobrás previsto para o ano de 1994, sem nenhuma justificativa técnica. Prosseguiram com manipulações para menor da estrutura de preços: desvio de 3 bilhões de dólares anuais para o cartel internacional. Em 1995, a proibição de informações de estatais ante o Congresso Nacional facilitou as manipulações da imprensa privatista. (...)&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;Também em 1995, FHC deflagrou o contrato e a construção do Gasoduto Bolívia-Brasil, o pior contrato que a Petrobrás assinou em sua história. Atendeu aos interesses das estrangeiras Enron e Repsol, donas do gás da Bolívia. Para isso, suspendeu a construção de 15 hidrelétricas e provocou o “apagão” do setor no Brasil. Um contrato totalmente prejudicial aos interesses dos governos do Brasil e da Bolívia. (...)&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;Em 1995, o governo tentou desmoralizar o movimento sindical após 30 dias de greve, reprimida com tropas do Exército. Tentativa de calar a oposição às privatizações. No mesmo ano, cinco alterações profundas na Constituição incluíam o fim do monopólio da Estatal. Custo para o Congresso Nacional: barganha política, liberação de emendas, chantagens e compra de votos. Em 1996, outras manobras ampliam as ações privatistas. (...)&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;Em 1997, FHC criou a Agência Nacional do Petróleo e nomeou o genro, David Zylberstajn, que havia se notabilizado no governo de São Paulo pela desnacionalização de empresas de energia por preços irrisórios. Na sua posse, bradou no auditório repleto de estrangeiros: “O petróleo agora é vosso”. E passou a ser, como provam os generosos leilões de blocos de exploração cedidos à exploração do cartel internacional. (...)&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;1998, a Petrobrás é impedida pelo governo FHC de obter empréstimos baratos (6% ao ano) no exterior para tocar seus projetos, e de emitir debêntures que visavam à obtenção de recursos para os seus investimentos. No mesmo ano, FHC cria o REPETRO que libera as empresas estrangeiras do pagamento de impostos pelos seus produtos importados. Mas sem, contudo, dar a contrapartida às empresas nacionais. (...)&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;Isto, somado à abertura do mercado nacional iniciada por Fernando Collor, liquidou as 5.000 empresas fornecedoras de equipamentos para a Petrobrás, gerando desemprego e perda de tecnologias brutais para o País. A abertura do capital da Petrobrás à bolsa de Nova York resultou na desnacionalização de 30% das ações da empresa, vendidas por preços irrisórios (cerca de 10% do valor, como na venda/doação da Vale do Rio Doce).  &lt;br /&gt; &lt;br /&gt;Um blog revolucionário&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;O movimento da mídia e de políticos da oposição em favor da CPI da Petrobrás não é somente uma manobra política oportunista, eleitoreira (por falta de um programa eleitoral para enfrentar o crescimento da aprovação ao governo). Também não é tão só uma jogada política de grupos de interesses que usa um senado por demais desmoralizado para tentar reaver antigos privilégios da grande empresa nacional.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;É tudo isso, também, e muito mais. A CPI da Petrobrás é uma manobra urdida nos mesmos porões escusos da era FHC. O objetivo é tentar fragilizar a Estatal para desviar o foco das atuais discussões em torno de um novo marco legal que favorece o retorno do monopólio estatal sobre os combustíveis. Por que? A Petrobrás é, hoje, a quarta maior empresa do setor no mundo. É a primeira de maior credibilidade internacional.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;Mais ainda: a Petrobrás é a única empresa do setor, em plena crise mundial, a manter seu cronograma de investimentos. Uma CPI, no entanto, pode ser prejudicial aos interesses da empresa e do país, principalmente porque o sistema Petrobrás envolve amplos e diversos interesses corporativos. E, pelas manifestações prévias, teremos um festival de pirotecnia, bem ao gosto da mídia e de políticos da oposição. &lt;br /&gt; &lt;br /&gt;Para tentar barrar o comportamento habitualmente irresponsável da manipulação midiática e oposicionista no processo da CPI, a Petrobrás resolveu inovar: passará a dispor ao público todas as informações passadas à imprensa. Dessa forma, o leitor poderá conhecer as respostas da Petrobrás que a mídia e os políticos desprezam ou distorcem porque não atendem aos interesses de suas argumentações e pirotecnias.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;Diante do revolucionário blog da Petrobrás, FATOS E DADOS (2) (inaugurado neste sábado, 6/06, e já obtendo quase 100 mil acessos), iram-se os principais jornais do país. Por que? Porque passam a perder o monopólio da informação e, consequentemente, o poder sobre os leitores. Porque permite aos leitores identificar o processo de manipulação com que usualmente se abusa das suas confianças e consciências críticas.  &lt;br /&gt; &lt;br /&gt;“A empresa tem o direito de se acautelar, através das informações que difunde no blog, contra as distorções em que os meios de comunicação têm incorrido, como a própria ABI registrou em matéria publicada da edição de 31 de maio de um dos jornais que agora se insurgem contra o blog da empresa”. É o que diz em carta a Associação Brasileira de Imprensa, que vê na reação dos jornais “inegável cunho político”.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;(1) Em  Boletim H S Liberal   você tem acesso às fontes desta postagem e pode comentá-la.&lt;br /&gt;(2) http://petrobrasfatosedados.wordpress.com/&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;Acesse oleododiabo.blogspot.com&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7959964-8301048135142541513?l=oleododiabo.blogspot.com'/&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel="replies" type="application/atom+xml" href="http://oleododiabo.blogspot.com/feeds/8301048135142541513/comments/default" title="Postar comentários" /><link rel="replies" type="text/html" href="https://www.blogger.com/comment.g?blogID=7959964&amp;postID=8301048135142541513&amp;isPopup=true" title="2 Comentários" /><link rel="edit" type="application/atom+xml" href="http://www.blogger.com/feeds/7959964/posts/default/8301048135142541513?v=2" /><link rel="self" type="application/atom+xml" href="http://www.blogger.com/feeds/7959964/posts/default/8301048135142541513?v=2" /><link rel="alternate" type="text/html" href="http://feedproxy.google.com/~r/OleoDoDiabo/~3/rt92aIsZ5Ls/recebi-por-email-o-seguinte-artigo-e.html" title="Longos bicos sobre o petróleo brasieliro" /><author><name>Miguel do Rosário</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17626695423918657260</uri><email>migueldorosario@gmail.com</email><gd:extendedProperty name="OpenSocialUserId" value="09625510564248945639" /></author><thr:total xmlns:thr="http://purl.org/syndication/thread/1.0">2</thr:total><feedburner:origLink>http://oleododiabo.blogspot.com/2009/06/recebi-por-email-o-seguinte-artigo-e.html</feedburner:origLink></entry><entry gd:etag="W/&quot;CU8BRn4zfSp7ImA9WxJXF08.&quot;"><id>tag:blogger.com,1999:blog-7959964.post-8588445271984076404</id><published>2009-06-10T12:57:00.014-04:00</published><updated>2009-06-11T08:37:37.085-04:00</updated><app:edited xmlns:app="http://www.w3.org/2007/app">2009-06-11T08:37:37.085-04:00</app:edited><category scheme="http://www.blogger.com/atom/ns#" term="Política" /><title>A truculência de Serra</title><content type="html">&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://2.bp.blogspot.com/_YRstxrVhW40/Si_0Y27liiI/AAAAAAAACBE/KPjljKFnrTE/s1600-h/00+centro"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 300px; height: 400px;" src="http://2.bp.blogspot.com/_YRstxrVhW40/Si_0Y27liiI/AAAAAAAACBE/KPjljKFnrTE/s400/00+centro" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5345759990611544610" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(Sobradão decadente, mas conservando ainda beleza e elegância, dos arredores da Lapa)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://3.bp.blogspot.com/_YRstxrVhW40/Si_0I5PGkOI/AAAAAAAACA0/BNElJF4t7MA/s1600-h/gomes_freire5"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 400px; height: 300px;" src="http://3.bp.blogspot.com/_YRstxrVhW40/Si_0I5PGkOI/AAAAAAAACA0/BNElJF4t7MA/s400/gomes_freire5" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5345759716352364770" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(esquina da Lavradio com Mem de Sá, Lapa)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As notícias sobre a violência policial na USP mostram o grave risco que a estabilidade democrática brasileira e o frágil equilíbrio social atingido nos últimos anos sejam enviados para as cucúias caso o governador José Serra vença as eleições presidenciais em 2010.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Leiam &lt;a href="http://www.idelberavelar.com/archives/2009/06/relato_do_prof_pablo_ortellado_da_usp.php"&gt;o relato de um professor da USP&lt;/a&gt; sobre o caso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não, não se trata de "estudantes" vagabundos que não deixam outros estudarem. Ocorreu uma greve de funcionários, o governador mandou a polícia militar para o local, e professores e alunos aderiram à greve em protesto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Serra continua sem falar nada. Mudo. E não há questionamentos na mídia. Não há editoriais ou colunistas abordando o tema. A mídia também se emudece. Quer dizer, a mídia procura minimizar o caso, não humanizando as reportagens com relatos dos personsagens envolvidos. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O que me impressiona é que não é o primeiro conflito semelhante causado pela truculência do governo paulista. O governo de José Serra alimenta uma agressividade latente, uma brutalidade desumana, uma hostilidade constante, contra o funcionalismo público paulista. Há um fundo ideológico nesses sentimentos. Em todos os comentários pró-Serra que lemos em blogs observamos sempre esse desprezo contra o funcionalismo público. E há um preconceito partidário repugnante. As demandas trabalhistas dos funcionários sempre são atribuídas ao jogo partidário. O grevista, na tosca visão ideológica alimentada pela grande mídia e pelo próprio governador de SP, não é um cidadão  que almeja condições melhores de trabalho; não, ele é um petralha desprezível querendo desgastar a gestão Serra. Na questão da polícia, Serra atribuiu os conflitos entre a PM e a Polícia Civil ao PT e à CUT, embora os sindicatos e os trabalhadores que vivenciaram o imbróglio tenham garantido que essas entidades não tinham nada a ver com isso. Eu fico pensando: e quando grevistas ou manifestantes pertencerem ao PT? É ilegal? Isso os torna menos dignos? Menos honestos e sinceros em suas demandas por melhores condições de trabalho? O fato é que, por uma razão óbvia, os trabalhadores organizados, em sua grande maioria, pertencem à agremiações de esquerda; são opositores, portanto, das forças conservadoras que detêm o poder em São Paulo; isso não legitima, porém, nenhuma truculência; os trabalhadores possuem o direito democrático de se filiarem ao partido que desejarem, e isso não pode desmerecer a sinceridade de suas demandas trabalhistas. Quando empresários ou grandes agricultores fazem lobby junto ao governo para exigirem tal ou qual auxílio, com vistas a manterem o nível de emprego de suas atividades, ninguém lhes indaga o partido de sua preferência; são representantes de setores econômicos importantes e a sociedade entende a necessidade de ajudá-los de vez em quando.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O mais grave é que a brutalidade contra professores, médicos, trabalhadores, sem-terra, sem-teto, é encarada pelos correligionários de Serra como virtude política e apanágio ideológico. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um blogueiro Judas tenta minimizar o fato alegando que a PM apenas "cumpria ordens judiciais" e que, não o fizesse, aí sim é que Serra estaria agindo ditatorialmente. Ora, o juiz ordenou a reocupação por pedido da reitora, aliada de Serra e indicada por ele; e mesmo assim, a decisão final sempre fica por conta do governador, que pode solicitar o cancelamento da ida da PM e, em última instância, orientar as forças de segurança para que evitem, a todo custo, agressões contra estudantes e trabalhadores. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aí a mídia trata uma situação em que policiais com armas de fogo, escudos, bombas de gás lacrimogênio e gás pimenta, cacetetes, além de todo treinamento (e os inevitáveis vícios daí decorrentes) para combater bandidos perigosos, atacam jovens estudantes e trabalhadores desarmados e sem nenhum preparo (ou mesmo intenção) militar, como "enfrentamento", ou como se os policiais estivessem apenas reagindo às "pedras" lançadas pelos estudantes. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ora, o vestibular da USP é um dos mais difíceis do Brasil. Então, por mais revoltados que sejam os estudantes (e todo estudante universitário é revoltado; é uma condição biológica e, portanto, passível de tolerância e compreensão), eles representam uma das elites intelectuais mais importantes do Estado de São Paulo. É incrível, é trágico, é risível, que sejam tratados com tamanha truculência. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se o governador de São Paulo fosse alguém de outro partido, a imprensa certamente estaria voltando todas as suas baterias contra ele, e com razão. Por que é um absurdo e como tal deve ser tratado. O fato da imprensa abafar, minimizar e distorcer os acontecimentos, apenas reforça um sentimento que se torna cada vez maior: o de que os grandes jornais perderam o pouco escrúpulo que tinham em aparentar um mínimo de isenção e honestidade e ética. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Há outro fator, porém, que explica o desprezo das elites paulistanas e seus jornais para com os estudantes da USP. É que, há algum tempo, esta elite desistiu, de uma vez por todas, em matricular seus filhos em universidades públicas, e com a ascenção social de milhões de brasileiros, houve uma democratização natural da USP. A presença de jovens pertencentes às famílias mais ricas diminuiu bastante na USP e em outras universidades públicas. Então, pau neles! &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Que seja! Serra e seus asseclas na mídia, na internet e na sociedade continuam a subestimar a inteligência, a força e a cultura do povo brasileiro! E quando falo povo, não esqueçam, incluo aí as suas vanguardas intelectuais. Pra continuar a tendência dos últimos posts, termino com uma citação, desta vez de Glauber: "mais fortes são os poderes do povo!"&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;*&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O professor Hariovaldo e seus comentaristas, como sempre, realizaram uma &lt;a href="http://hariprado.wordpress.com/2009/06/09/debelado-foco-guerrilheiro-na-usp/#comments"&gt;cobertura impagável&lt;/a&gt; dos acontecimentos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;*&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Depois da Associação Brasileira de Imprensa e da Ordem dos Advogados do Brasil defenderem o blog da Petrobrás, o Globo finalmente &lt;a href="http://oglobo.globo.com/pais/mat/2009/06/09/para-especialista-em-etica-petrobras-tenta-intimidar-congresso-imprensa-com-blog-756277620.asp"&gt;descobriu alguém&lt;/a&gt; disposto a atacar a iniciativa: o filósofo Roberto Romano! Que novidade! O "especialista em ética"! O sacerdote supremo da grande imprensa! Quem falta entrevistar agora? Marco Antonio Vila?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;*&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Legal &lt;a href="http://www.viomundo.com.br/voce-escreve/mauro-carrara-sobre-a-usp-o-corinthians-a-petrobras/"&gt;a crônica do Carrara&lt;/a&gt;, sobre as mazelas políticas recentes.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;Acesse oleododiabo.blogspot.com&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7959964-8588445271984076404?l=oleododiabo.blogspot.com'/&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel="replies" type="application/atom+xml" href="http://oleododiabo.blogspot.com/feeds/8588445271984076404/comments/default" title="Postar comentários" /><link rel="replies" type="text/html" href="https://www.blogger.com/comment.g?blogID=7959964&amp;postID=8588445271984076404&amp;isPopup=true" title="5 Comentários" /><link rel="edit" type="application/atom+xml" href="http://www.blogger.com/feeds/7959964/posts/default/8588445271984076404?v=2" /><link rel="self" type="application/atom+xml" href="http://www.blogger.com/feeds/7959964/posts/default/8588445271984076404?v=2" /><link rel="alternate" type="text/html" href="http://feedproxy.google.com/~r/OleoDoDiabo/~3/BFdkCM_AAkk/truculencia-de-serra.html" title="A truculência de Serra" /><author><name>Miguel do Rosário</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17626695423918657260</uri><email>migueldorosario@gmail.com</email><gd:extendedProperty name="OpenSocialUserId" value="09625510564248945639" /></author><media:thumbnail xmlns:media="http://search.yahoo.com/mrss/" url="http://2.bp.blogspot.com/_YRstxrVhW40/Si_0Y27liiI/AAAAAAAACBE/KPjljKFnrTE/s72-c/00+centro" height="72" width="72" /><thr:total xmlns:thr="http://purl.org/syndication/thread/1.0">5</thr:total><feedburner:origLink>http://oleododiabo.blogspot.com/2009/06/truculencia-de-serra.html</feedburner:origLink></entry><entry gd:etag="W/&quot;C08GSH47eSp7ImA9WxJXFko.&quot;"><id>tag:blogger.com,1999:blog-7959964.post-7905428407516848489</id><published>2009-06-10T12:14:00.008-04:00</published><updated>2009-06-10T18:10:29.001-04:00</updated><app:edited xmlns:app="http://www.w3.org/2007/app">2009-06-10T18:10:29.001-04:00</app:edited><category scheme="http://www.blogger.com/atom/ns#" term="Política" /><title>Os ricos também amam</title><content type="html">&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://4.bp.blogspot.com/_YRstxrVhW40/Si_gTi_Mm_I/AAAAAAAACAs/hCPV1BB8Jbg/s1600-h/pesquisa+lula+data+folha.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 400px; height: 320px;" src="http://4.bp.blogspot.com/_YRstxrVhW40/Si_gTi_Mm_I/AAAAAAAACAs/hCPV1BB8Jbg/s400/pesquisa+lula+data+folha.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5345737909126077426" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por incrível que pareça, ainda tem gente que atribui a popularidade de Lula exclusivamente ao Bolsa Família. Outro dia, encontrei um amigo, advogado, que repetiu a ladainha. Pois bem, preparei uma ilustração com os &lt;a href="http://datafolha.folha.uol.com.br/folha/datafolha/tabs/aval_pres_01062009_tb1.pdf"&gt;últimos dados do Datafolha&lt;/a&gt; para, mais uma vez, mostrar aos incautos que o charme lulista já seduziu também os extratos mais altos da sociedade. Tantos os indivíduos com curso superior completo, como aqueles cuja renda familiar mensal ultrapassa 5.000 reais, consideram o governo Lula ótimo ou bom. Confiram o gráfico acima.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não incluo aqui os dados referentes às outras classes e com mais baixa escolaridade, porque, junto a estes, não há novidade: o lulismo impera absoluto e soberano. Também não incluo a categoria Regular e Não Sabe, que são respostas neutras. Eu queria apenas mostrar, pela milésima vez, que a popularidade de Lula não é explicável somente pelo bolsa família, quer dizer, não são apenas pessoas que recebem assistência social do governo que aprovam Lula. A classe média brasileira "lulou" há algum tempo. Os donos de jornais, cujas famílias não ganham 5.000 reais por mês, mas 5 milhões pra cima, podem não gostar do governo, mas "como já dizia Jorge Maravilha, prenhe de razão: você não gosta de mim, mas sua filha gosta".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;object width="425" height="344"&gt;&lt;param name="movie" value="http://www.youtube.com/v/U-hkCicE37Q&amp;hl=pt-br&amp;fs=1&amp;"&gt;&lt;/param&gt;&lt;param name="allowFullScreen" value="true"&gt;&lt;/param&gt;&lt;param name="allowscriptaccess" value="always"&gt;&lt;/param&gt;&lt;embed src="http://www.youtube.com/v/U-hkCicE37Q&amp;hl=pt-br&amp;fs=1&amp;" type="application/x-shockwave-flash" allowscriptaccess="always" allowfullscreen="true" width="425" height="344"&gt;&lt;/embed&gt;&lt;/object&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;Acesse oleododiabo.blogspot.com&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7959964-7905428407516848489?l=oleododiabo.blogspot.com'/&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel="replies" type="application/atom+xml" href="http://oleododiabo.blogspot.com/feeds/7905428407516848489/comments/default" title="Postar comentários" /><link rel="replies" type="text/html" href="https://www.blogger.com/comment.g?blogID=7959964&amp;postID=7905428407516848489&amp;isPopup=true" title="4 Comentários" /><link rel="edit" type="application/atom+xml" href="http://www.blogger.com/feeds/7959964/posts/default/7905428407516848489?v=2" /><link rel="self" type="application/atom+xml" href="http://www.blogger.com/feeds/7959964/posts/default/7905428407516848489?v=2" /><link rel="alternate" type="text/html" href="http://feedproxy.google.com/~r/OleoDoDiabo/~3/vvxn_gHtT1I/os-ricos-tambem-amam.html" title="Os ricos também amam" /><author><name>Miguel do Rosário</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17626695423918657260</uri><email>migueldorosario@gmail.com</email><gd:extendedProperty name="OpenSocialUserId" value="09625510564248945639" /></author><media:thumbnail xmlns:media="http://search.yahoo.com/mrss/" url="http://4.bp.blogspot.com/_YRstxrVhW40/Si_gTi_Mm_I/AAAAAAAACAs/hCPV1BB8Jbg/s72-c/pesquisa+lula+data+folha.jpg" height="72" width="72" /><thr:total xmlns:thr="http://purl.org/syndication/thread/1.0">4</thr:total><feedburner:origLink>http://oleododiabo.blogspot.com/2009/06/os-ricos-tambem-amam.html</feedburner:origLink></entry><entry gd:etag="W/&quot;A04HQn4-eCp7ImA9WxJXFUU.&quot;"><id>tag:blogger.com,1999:blog-7959964.post-4546405371187910092</id><published>2009-06-08T21:54:00.005-04:00</published><updated>2009-06-09T19:25:33.050-04:00</updated><app:edited xmlns:app="http://www.w3.org/2007/app">2009-06-09T19:25:33.050-04:00</app:edited><category scheme="http://www.blogger.com/atom/ns#" term="Estatisticas" /><category scheme="http://www.blogger.com/atom/ns#" term="Economia" /><title>Veias e$perta$ da América Latina</title><content type="html">&lt;div align="center"&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_YRstxrVhW40/Si3Du_U1CaI/AAAAAAAACAc/LP8I31hRaSE/s1600-h/lavradio1"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5345143544798841250" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 400px; CURSOR: hand; HEIGHT: 300px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/_YRstxrVhW40/Si3Du_U1CaI/AAAAAAAACAc/LP8I31hRaSE/s400/lavradio1" border="0" /&gt;&lt;/a&gt; (Rua do Lavradio, Lapa, Rio)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(Eis um artigo que escrevi para ser publicado numa revista, por isso tem uma linguagem talvez um pouco diferente das que vocês estão acostumados. A publicação não rolou, então entrego a leitura a vocês. O artigo prova, com estatísticas, que a América Latina é o maior e o melhor, de longe, mercado dos produtos brasileiros).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;Na primeira semana de maio, a imprensa manchetou que a China havia superado os EUA e se tornado o maior comprador individual de produtos brasileiros nos primeiros quatro meses do ano. A notícia ganhou destaque em todos os jornais e em todos os sites do país. Digitando a frase “China se torna maior compradora de produtos brasileiros”, apareciam milhares de links para textos abordando o tema.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tratava-se, de fato, de uma notícia fundamental, que aponta mudanças não apenas no comércio exterior brasileiro, mas sobretudo na geopolítica global. Incomodou-me, no entanto, não ter encontrado nenhuma publicação que tenha se dado ao trabalho de usar dados anualizados, ou seja, de checar o quadro dos compradores de produtos brasileiros no acumulado de doze meses até abril deste ano. Análises de comércio exterior devem usar sempre – esta é uma lição que aprendi com meu pai, que trabalhou durante trinta anos com jornalismo especializado nesta área – dados anualizados, para evitar distorções sazonais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Hoje qualquer cidadão, brasileiro ou não, pode acessar o Sistema Alice pela internet, um banco de dados alimentado mensalmente pelo Ministério do Desenvolvimento, com estatísticas completas sobre o comércio exterior nacional. Fi-lo e descobri o que eu já suspeitava. Na estatística anualizada, a situação permanece estável, com o bloco América Latina e Caribe ocupando o primeiro lugar dentre os maiores compradores de produtos brasileiros, acima da União Européia, Ásia e Estados Unidos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Meu incômodo não parou aí. Procurei na internet, no Google, a seguinte frase: “América Latina torna-se maior compradora de produtos brasileiros”, e não achei... nada! Mudei a frase para “América Latina é maior compradora de produtos brasileiros” e, novamente... nada! Haverá alguma birra nacional contra a América Latina? Enfim, seja qual for a razão para o silêncio sepulcral sobre um dado econômico tão essencial para a geopolítica brasileira, ele deve ser rompido o mais rápido possível. Este artigo, portanto, é uma tentativa de suprir essa lacuna que, para mim, permanece inexplicável. Ou pelos menos não explicável nesse texto. Deixo a tarefa para outro momento. Ou para outra pessoa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Antes de prosseguir, gostaria de - como bom brasileiro - reclamar mais um pouco. A “opinião pública” ou “opinião publicada”, o que preferirem, entorpecida com eternas denúncias e crises e imbróglios parlamentares, parece não estar preocupada em conhecer nossas estatísticas de comércio exterior. Em meados de abril deste ano (2009), aconteceu o Fórum Econômico da América Latina. Pesquisei matérias sobre o evento e não encontrei nenhuma referência ao fato do continente ter se tornado o principal mercado dos produtos brasileiros, nem qualquer estatística pertinente. Não é de hoje que a América Latina vem consolidando essa posição; mas, de uns anos pra cá, estes números alcançaram uma magnitude tal que a informação precisa forçosamente chegar a todos os brasileiros.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando afirmo que a América Latina é o maior mercado de produtos brasileiros, não digo tudo. Há um fator tão ou mais importante que isso: a América Latina é, sobretudo, o melhor comprador. Para efeito de comparação, voltemos à China. A festejada China importou do Brasil, em 2008, um total de 18,21 bilhões de dólares, o que representou um crescimento de 50% sobre o ano anterior, além de corresponder a 9,2% da receita total das exportações brasileiras. É um número fantástico, ainda mais se considerarmos que, na década de 90, as compras chinesas não passavam de 1,5 bilhão de dólares. Mas a China, mesmo aumentando de forma tão espetacular as compras de produtos brasileiros, não é nosso melhor comprador. É um comprador excelente, um mercado no qual devemos continuar investindo e acreditando, mas, por enquanto não é, definitivamente, o destino mais interessante das exportações nacionais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nos quatro primeiros meses do ano corrente, período em que ela se tornou “a primeira compradora individual de produtos brasileiros”, a China importou do Brasil, basicamente, minérios e soja, que responderam juntos por 73% de suas compras. O item “minérios” respondeu por 46% das importações chinesas de produtos brasileiros. Esses minérios – com predomínio de ferro bruto – foram vendidos pela bagatela de 57 dólares a tonelada. Ou seja, a China comprou uma tonelada de minério brasileiro pela metade (ou um terço) do preço de um tênis Nike. Esse preço, aliás, até que melhorou muito. Há dez anos, o Brasil exportava ferro a menos de 20 dólares a tonelada. Na média, as exportações brasileiras para a China em 2008 registraram preço de 106 dólares a tonelada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Há uma outra tabela que mostra bem como, em se tratando do gigante asiático, devemos evitar excessivo entusiasmo. Em 2008, a balança comercial brasileira com a China ficou negativa em 2,62 bilhões de dólares. E o Brasil, ao contrário da China, importa produtos de alto valor agregado de seu parceiro: metade das exportações chinesas para o Brasil é de produtos eletrônicos (com preço médio de 15.378 dólares a tonelada) e componentes para reator nuclear (preço médio de 8.053 dólares). No total, o preço médio das exportações chinesas para o Brasil, em 2008, ficou em 2.900 dólares a tonelada; e saltaram de 1,8 bilhão de dólares em 2002 para 20,83 bilhões em 2008.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Agora concentremo-nos sobre as exportações brasileiras para a América Latina e Caribe, que atingiram 51,19 bilhões de dólares em 2008, respondendo por 26% da receita cambial no período, com aumento de 22,5% sobre o ano anterior. Em virtude desse desempenho, a região isola-se no primeiro lugar no ranking dos principais importadores de produtos brasileiros, bem à frente da União Européia, Ásia e Estados Unidos. É interessante analisar a qualidade destas exportações: a América Latina se notabiliza como principal escoadouro dos manufaturados nacionais. Em 2008, o preço médio das exportações brasileiras para a América Latina alcançou 1.177 dólares a tonelada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Comparem: em 2008, o preço médio das exportações brasileiras para a Europa ficou em 361 dólares, revelando que o Velho Mundo só importa mercadorias nacionais de baixo valor agregado, como minérios... e soja; o que me lembra uma frase de Adam Smith: “a variedade de mercadorias cuja importação está proibida na Grã Bretanha, de maneira absoluta ou em certas circunstâncias, supera em muito o que supõem os que não estão bem familiarizados com as leis alfandegárias”. A Europa ainda é fortemente protecionista.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os principais produtos brasileiros vendidos para a América Latina são: veículos, petróleo, reatores nucleares, máquinas eletrônicas e aço, que possuem um alto valor agregado. Vejamos, por exemplo, o item “Máquinas, Aparelhos e Material Elétricos”, ou simplesmente eletrônicos, que inclui os produtos com o maior valor agregado da pauta comercial brasileira; em 2008, a exportação desses produtos gerou 6,89 bilhões de dólares, respondendo por 3,5% na balança comercial brasielira e situando-se acima das vendas dos tradicionalíssimos açúcar e café. Pois bem: a América Latina absorveu 58% das exportações brasileiras desse item (eletrônicos); os EUA vieram em segundo lugar, mas pagando preço médio bastante inferior: 9.694 dólares a tonelada, contra os 18.450 dólares obtidos nas vendas para a América Latina; a União Européia ficou num distante terceiro lugar; o destaque vai para a África, cujas importações de eletrônicos brasileiros cresceu 49% em 2008, atingindo 305,92 milhões de dólares, ultrapassando a demanda asiática.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Há um fator extremamente importante. Na balança comercial brasileira com a América Latina e Caribe, o saldo em favor do Brasil atingiu o recorde de 22,61 bilhões de dólares em 2008. Este saldo registrou seu primeiro pulo de 2002 para 2003, quando passa de 3,13 bilhões para 6,47 bilhões; no ano seguinte, outro pulo, para 12,45 bilhões; daí em diante, vem batendo recordes sucessivos. Comparando: em 2008, registramos saldo positivo de 1,84 bilhão de dólares com os EUA, de 10,20 bilhões com a Europa, e saldo negativo de 2,6 bilhões com a China. No cômputo geral, o saldo cambial brasileiro no ano passado totalizou 24,83 bilhões de dólares.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Está claro, portanto, que a América Latina tem sido, nos últimos anos, a principal responsável pelos saldos positivos de nossa balança comercial. Guarde esses dados na memória, e pense neles quando ouvir alguém acusando o Brasil de estar sendo tolerante em excesso com seus vizinhos, ou desmerecendo encontros oficiais entre líderes latino-americanos. Eles – los hermanos - podem ser criticados por nacionalizar nossas refinarias na Bolívia, alongar suas dívidas em Itaipu, ou barganhar com a Odebretch no Equador; mas é injusto omitir que são nossos mais nobres e importantes parceiros comerciais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na América Latina e Caribe, os parceiros do Brasil mais importantes são Argentina, Venezuela, Chile, México, além da pequena ilha anglófona de Santa Lucia – que importa grande quantidade de petróleo brasileiro. Peru, Colômbia, Uruguai, Bolívia e Equador também merecem destaque. Comecemos analisando nossa relação com a Argentina.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A balança brasileira com a Argentina era negativa até 2003. A partir de 2004, o Brasil começa a registrar saldos positivos expressivos, com recorde em 2008, quando atingiu 4,34 bilhões de dólares. A corrente de comércio - exportação + importação – entre Brasil e Argentina cresceu formidavelmente nos últimos anos, alcançando 30,86 bilhões de dólares, valor similar ao que os EUA registravam até 2003. Também é próxima à atual corrente de comércio registrada entre Brasil e China, que em 2007 ficou em 25 bilhões de dólares (e em 2008 foi de 39 bilhões). Considerando que a Argentina tem uma população de 40 milhões, contra 303 milhões nos EUA e 1,32 bilhão na China, vê-se que é um volume estupendo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os principais produtos brasileiros exportados para a Argentina são: veículos, reatores nucleares, eletrônicos; os mais nobres de nossa pauta comercial. Nossos eletrônicos - indicados no item Máquinas, Aparelhos e Material Elétricos - foram exportados para a Argentina por 19.216 dólares a tonelada, patamar muito superior ao registrado nas vendas de artigos similares para Europa e EUA. No total, o Brasil exportou 1,71 bilhão de dólares em eletrônicos para a Argentina. A exportação do mesmo produto (eletrônicos) para os 27 países-membros da União Européia totalizou 758,20 milhões de dólares, com preço médio de 9.449 dólares a tonelada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Outro mercado latino interessantíssimo é a Venezuela. Quem ler nossos jornais pensará que se trata de um país altamente nocivo para a economia brasileira. A verdade, porém, é que, independente do que se pensa sobre Hugo Chávez, a Venezuela consolidou-se como um de nossos compradores mais qualificados, importando do Brasil manufaturados de altíssimo valor. Os principais artigos brasileiros vendidos para a Venezuela são eletrônicos, autopeças e reatores nucleares, além de carne, leite e animais vivos. As exportações brasileiras de carne para a Venezuela passaram de zero há dez anos para 960,02 milhões de dólares em 2008; em relação ao ano anterior, o crescimento foi de 193%. A venda deste item – assim como de leite, animais vivos e cereais - provavelmente conecta-se a problemas temporários de abastecimento no país, mas isso mostra que o Brasil estabeleceu-se como fornecedor confiável de gêneros alimentícios de primeira necessidade. O Brasil vendeu ainda um total de 624,15 milhões de dólares em eletrônicos para a Venezuela, a um preço médio notável, de 30.170 dólares a tonelada. A balança comercial brasileira com a Venezuela, que era negativa nos anos 90, começou a se tornar positiva na virada do século e encerrou o ano 2008 em 4,61 bilhões de dólares.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em terceiro lugar no ranking dos principais importadores latino-americanos de produtos brasileiros, vem o Chile, grande comprador de petróleo, veículos, reatores nucleares, aço e eletrônicos. O preço médio das exportações para o Chile em 2008 atingiu 1.227 dólares a tonelada. O Brasil obteve saldo comercial positivo com o Chile de apenas 713,07 milhões de dólares, porque o país, além de comprar muitas mercadorias brasileiras, também exporta grande quantidade de artigos para o Brasil. As exportações brasileiras para o Chile totalizaram 4.79 bilhões de dólares, ao passo que o Brasil importou o equivalente a 4,07 bilhões em produtos chilenos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Adam Smith defendia uma tese que, como tantas outras de sua lavra, continua válida hoje. Afirmava que a riqueza das nações não está na quantidade de ouro ou prata acumulada em cofres particulares ou públicos; o principal tesouro das nações reside na produção de mercadorias, incluindo aí os recursos naturais disponibilizados para consumo interno e exportação. “Se houver falta de matérias-primas para a indústria, esta tem que parar. Se houver falta de gêneros alimentícios, a população passa fome. Mas se faltar dinheiro, o escambo supre a sua falta, embora com muitos inconvenientes. Para remediar esses inconvenientes, poder-se-á comprar e vender a crédito, ou então, os diversos comerciantes poderão compensar seus créditos entre si, uma vez por mês ou uma vez por ano. Por outro lado, um sistema de papel-moeda bem organizado pode suprir a falta de dinheiro em moeda, não somente sem inconveniente algum, mas até, em certos casos, com alguma vantagem. (...) As mercadorias podem servir a muitos outros objetivos, além de comprar dinheiro, ao passo que o dinheiro não serve para nenhum outro objetivo, senão comprar mercadorias. Por conseguinte, o dinheiro necessariamente corre atrás das mercadorias, ao passo que estas nem sempre ou necessariamente correm atrás do dinheiro.” Analisando as terríveis e prolongadas guerras empreendidas pela Inglaterra, Smith conclui que só foi possível financiá-las através da produção e exportação de mercadorias. “A enorme despesa da última guerra deve ter sido paga, principalmente, não pela exportação de ouro e prata, mas pela exportação de mercadorias britânicas de várias espécies. (...) As mercadorias mais adequadas para serem transportadas a países distantes, a fim de lá comprar o pagamento e as provisões de um exército, parecem ser os manufaturados mais finos e mais aperfeiçoados”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Falamos, enfim, de um país que, pela primeira vez na história, vislumbra uma luz no longuíssimo túnel de pobreza e subdesenvolvimento em que se meteu desde o seu descobrimento. Um país que exportou, em 2008, quase 200 bilhões de dólares, um valor quatro vezes superior ao praticado uma década atrás; e importou 173,10 bilhões, o que representou igualmente um crescimento surpreendente. Há dez anos, o Brasil registrava exportação de 48,01 bilhões e importação de 49,30 bilhões de dólares. Ao constatar o fluxo circular da vida econômica, Joseph Schumpeter afirma que todo indivíduo, mesmo sem disso ter consciência, é um sujeito econômico completo, comprador não apenas de pão, leite e carne, mas também, direta ou indiretamente, de minérios, ouro e bens de capital; e também, direta ou indiretamente, participa de todo processo de produção. “O processo social, na realidade”, diz o economista, “é um todo indivisível”. Para saber em que país vivemos e quem somos nós, portanto, importa conhecermos, minuciosamente, o que vendemos, pra quem vendemos, e qual o preço que nos pagam.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para ler esta matéria em PDF, com estatísticas e gráficos, clique &lt;a href="http://www.4shared.com/file/110694969/7b48865b/materias_amlatina_versao2.html"&gt;aqui&lt;/a&gt;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E &lt;a href="http://www.4shared.com/file/110695293/a8ecfb0e/tabelas.html"&gt;aqui&lt;/a&gt; você faz um download de 52 tabelas sobre o comércio exterior brasileiro com a América Latina (incluindo alguma coisa com a China, Europa e EUA).&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;Acesse oleododiabo.blogspot.com&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7959964-4546405371187910092?l=oleododiabo.blogspot.com'/&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel="replies" type="application/atom+xml" href="http://oleododiabo.blogspot.com/feeds/4546405371187910092/comments/default" title="Postar comentários" /><link rel="replies" type="text/html" href="https://www.blogger.com/comment.g?blogID=7959964&amp;postID=4546405371187910092&amp;isPopup=true" title="0 Comentários" /><link rel="edit" type="application/atom+xml" href="http://www.blogger.com/feeds/7959964/posts/default/4546405371187910092?v=2" /><link rel="self" type="application/atom+xml" href="http://www.blogger.com/feeds/7959964/posts/default/4546405371187910092?v=2" /><link rel="alternate" type="text/html" href="http://feedproxy.google.com/~r/OleoDoDiabo/~3/JkcQsyjRk9o/veias-eperta-da-america-latina.html" title="Veias e$perta$ da América Latina" /><author><name>Miguel do Rosário</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17626695423918657260</uri><email>migueldorosario@gmail.com</email><gd:extendedProperty name="OpenSocialUserId" value="09625510564248945639" /></author><media:thumbnail xmlns:media="http://search.yahoo.com/mrss/" url="http://4.bp.blogspot.com/_YRstxrVhW40/Si3Du_U1CaI/AAAAAAAACAc/LP8I31hRaSE/s72-c/lavradio1" height="72" width="72" /><thr:total xmlns:thr="http://purl.org/syndication/thread/1.0">0</thr:total><feedburner:origLink>http://oleododiabo.blogspot.com/2009/06/veias-eperta-da-america-latina.html</feedburner:origLink></entry><entry gd:etag="W/&quot;C0UGSXg-eip7ImA9WxJVFU0.&quot;"><id>tag:blogger.com,1999:blog-7959964.post-177998432562403367</id><published>2009-06-08T21:34:00.007-04:00</published><updated>2009-07-01T22:20:28.652-04:00</updated><app:edited xmlns:app="http://www.w3.org/2007/app">2009-07-01T22:20:28.652-04:00</app:edited><category scheme="http://www.blogger.com/atom/ns#" term="Literatura" /><title>Firulas literárias</title><content type="html">&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://1.bp.blogspot.com/_YRstxrVhW40/Si2-idmkWWI/AAAAAAAACAU/6NbS4lmbZ2o/s1600-h/gomes_freire4"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 400px; height: 300px;" src="http://1.bp.blogspot.com/_YRstxrVhW40/Si2-idmkWWI/AAAAAAAACAU/6NbS4lmbZ2o/s400/gomes_freire4" border="0" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5345137832029870434" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;(Mais sobradões da Gomes Freire, Lapa)&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;i&gt;(Eu tinha apagado esse texto, que fazia parte de um post anterior, mas resolvi publicar de novo. É meio que covardia publicar e apagar depois. Qualquer confusão, eu explico nos comentários.)&lt;br /&gt;&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quero expressar uma insatisfação comigo mesmo e com as palavras. Depois que eu termino de escrever, é comum sair para dar uma volta na rua, com ou sem objetivo. Meus textos saem comigo, girando-me na cabeça. Penso numa palavra, numa frase. Quase sempre, repassando o texto mentalmente, descubro erros que provocam-me coceiras internas. Quero voltar logo, corrigir. Há erros fáceis de corrigir, outros que implicam em reformulações inteiras de um raciocínio. O problema reside na rebeldia natural de certas palavras, certos conceitos. Mal os formulo e publico-os, eles tomam vida própria e, ingratos, fogem por veredas opostas àquelas por mim esperadas. É irritante isso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por exemplo, num post passado, eu falei de intelectuais, elogiando-os, afirmando que eles são os maiores protagonistas da "liberdade de expressão". Depois lembrei-me, no entanto, quanta mediocridade, reacionarismo, pedantismo vulgar e idiotice existe nos meios intelectuais. Para vocês terem uma idéia, eu escrevi uma monografia na qual joguei meus pensamentos mais profundos sobre comunicação, estética, filosofia. Posso ter fracassado, mas a tentativa foi bastante nobre. Acreditam que a observação mais importante que um dos examinadores da minha banca conseguiu fazer foi que eu não havia feito justificação do texto à direita? Um professor universitário titular! É triste, mas já vi muitos casos similares.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando eu falo de intelectuais, portanto, falo apenas de mim mesmo. Não confio em mais ninguém. Não porque me considere mais inteligente ou coisa parecida. É que eu não conheço ninguém a não ser a mim mesmo, e olhe lá.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Muita gente tem implicância, e mesmo ódio, de intelectuais. Dou-lhes total razão. Não existe nada mais odioso do que um intelectual. E desconfio que intelectuais brasileiros são ainda mais irritantes. Porque o intelectual acha que sabe mais que os outros; e, no Brasil, esse sentimento de superioridade é agravado por razões históricas. Por exemplo: o sujeito que, atualmente, eu considero o mais imbecil dos seres humanos chama-se Roberto DaMatta. Ele me faz odiar intelectuais, além de causar-me um terror inaudito de um dia vir a tornar-me parecido com ele. Seu último artigo versa sobre um indivíduo que ele flagrou mijando na rua. Naturalmente, ele infere daí a desgraça profunda da personalidade brasileira. Eu também me aborreço muito com a mania dos cariocas de urinar na rua, mas usar isso para enfiar o dedo na ferida do brasileiro? Tenha dó!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Outro dia, ele gastou sua saliva melada para explicar como o hábito de assoviar para chamar o garçom correspondia a outra terrível inferioridade cultural do brasileiro, derivada de uma sociedade primitivamente escravocrata. O auge de seu brilhantismo, porém, deu-se quando ele narrou sua resposta a pergunta de sua filha sobre o porque de "hoje ser domingo": ele respondeu que a razão estava em amanhã ser segunda-feira - não sem antes auto-elogiar, sem ironia, a "profunda sabedoria" contida naquela frase.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu queria tanto encontrar uma expressão que ridicularizasse cabalmente esse tipo de puerilidade travestida em profundeza. É claro que um intelectual, um antropólogo, deve prestar atenção a cada detalhe do comportamento humano. Mas o intelectual, quando desprovido de bom senso, torna-se uma caricatura de si mesmo. Afinal, deve-se não apenas procurar as causas; é igualmente fundamental refletir sobre as consequências. Tudo se reúne, enfim, num sentido único, universal, cuja apreensão racional é o escopo de todo livre pensador. Não posso desculpar alguém que se leva tão à sério e se dá tanto valor como intelectual, usar um espaço nobre num jornal de grande circulação para reproduzir esse tipo de banalidade. De que mais irá falar DaMatta? Sobre o significado do peido na sociedade brasileira? Nem isso! Se falasse sobre o peido, pelo menos seria engraçado, e poderia até gerar algum pensamento original. DaMatta, contudo, se pretende extremamente sisudo e profundo. Sua descoberta sobre as diferenças culturais entre a esfera da casa e da rua valeram-lhe notoriedade acadêmica; seu inofensivismo beato e chulo de agora lhe valerá décadas de salário garantido. Se existir um inferno para intelectuais, no entanto, DaMatta seguramente terá um lugar reservado nos círculos mais tenebrosos. Qualquer dia eu releio a Divina Comédia para perguntar, ao mestre Dante, em qual círculo exatamente ardem os intelectuais pusilânimes e sonsos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;*&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Continuando o papo, peço desculpas a quem prefere posts concisos, mas tenho muito o que falar. Quando se fala de si mesmo também se aperta o botãozinho universal que liga e desliga o mundo. Também tenho muitas implicâncias, confesso. A pior de todas, quase uma doença, é a alergia a estereótipos. Irrita-me ser rotulado, embora saiba o quanto isso é inevitável e, portanto, o quanto minha irritação é inútil e infantil. Por exemplo, outro dia uma moça mandou-me email perguntando-me se eu queria participar de um movimento lá dela. Até aí tudo bem. O que me irritou foi que ela disse que havia conseguido meu contato através de um blogueiro que, provavelmente querendo se livrar da moça, disse a ela que eu "com certeza" toparia ajudá-la. Irritou-me profundamente alguém ter pretensão de me conhecer a ponto de falar que eu "com certeza" participaria de alguma coisa. Fiquei imaginando a figura que essa pessoa faria de mim: um sujeito que participa de qualquer coisa. São puerilidades, eu sei, mas isso é um blog com espaço sobrando, e não uma coluna no Globo com máximo de dez mil caracteres; e é importante pra mim contar isso, até porque se conecta ao que direi a seguir.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;*&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ser escritor, por exemplo. Esse é outro conceito que me entedia. A literatura contemporânea, a meu ver, tornou-se alienada, reacionária e, o que é o pior de tudo, extremamente enfadonha; e quando afirmo isso, imediatamente me incomodo com a possibilidade de alguém reagir com bocejos, pensando: "hum, que saco, o escritor engajado continua tagarelando..." Esse rótulo de escritor engajado me aborrece. Não gosto de me considerar um escritor engajado. Não quero ser "engajado". Quero ser um cidadão, um intelectual, um blogueiro, só isso; além disso, a literatura, na minha opinião, existe numa esfera destituída daquela moral que absorve os aposentados de Copacabana, e, portanto, sua mistura à política é sempre pertubardora aos politiqueiros de plantão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas eu realmente entristeço-me ao observar artistas vestindo o figurino que lhes é oferecido. Calados, inofensivos, sonsos, astutos. Compreendo perfeitamente a necessidade de ser astuto. Invejo esse tipo de inteligência. Outra virtude que invejo é a ambição. Há momentos em que sinto-me aterrorizado com a ausência, em mim, de qualquer tipo de ambição. Como se eu fosse um mutilado, cujo destino miserável e obscuro já estaria traçado. Quer dizer, eu tenho ambições. Mas todas são exclusivamente subversivas, tipo ler os clássicos, antigos e modernos, em suas línguas originais. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não sei. Venho formando algumas convicções literárias e esse blog é meu bloco de rascunho. &lt;span style="font-style:italic;"&gt;Ne jamais parler de littérature&lt;/span&gt;, era o lema de Stendhal e seus amigos. Eles discutiam política e economia, falavam de amor e guerra, não perdiam tempo com literatices. Literatura era seu ganha-pão, a paixão secreta de cada um. Mas a literatura fala de coisas reais, concretas, fome, angústia, revolução. Lima Barreto seguia essa linha; construiu sua trajetória literária em jornais alternativos, onde praticava a esgrima ideológica contra o PIG da época. Mas é errado procuramos exemplos nos compêndios amarelados da história. O passado oferece modelos para todos os gostos, e pegamos, naturalmente, os que nos convém. Devemos ser originais, ora bolas! E que outros sigam nosso exemplo!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;*&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando falo de literatura toco em pontos que interessam a todos, porque suas consequências extravasam o campo estético. Há uma discussão que se repete nos fóruns literários, e hoje, sexta-feira 05 de junho, o Globo publicou entrevista com o escritor português Lobo Antunes em que ele se alinha aos que consideram a linguagem a única esfera válida para a literatura. O conteúdo, para os escritores dessa escola, não importa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu discordo profundamente. Acho que essa é uma visão retrógrada, ingênua e confortável, de quem pretende justificar esteticamente sua própria incompetência narrativa. Claro que o conteúdo é importante! Faulkner revolucionou a forma, mas seus livros nunca seriam obras-primas não fossem possuídos de um profundo cuidado em torno do conteúdo. A mesma coisa vale para Guimarães Rosa, James Joyce, e para todos os escritores que se notabilizaram como mestres da forma. Forma e conteúdo operam juntos, inseparáveis, e querer dar prioridade a um desses fatores em detrimento do outro é sinal apenas de complexo de inferioridade em escritores que se acham fracos num deles.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;Acesse oleododiabo.blogspot.com&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7959964-177998432562403367?l=oleododiabo.blogspot.com'/&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel="replies" type="application/atom+xml" href="http://oleododiabo.blogspot.com/feeds/177998432562403367/comments/default" title="Postar comentários" /><link rel="replies" type="text/html" href="https://www.blogger.com/comment.g?blogID=7959964&amp;postID=177998432562403367&amp;isPopup=true" title="2 Comentários" /><link rel="edit" type="application/atom+xml" href="http://www.blogger.com/feeds/7959964/posts/default/177998432562403367?v=2" /><link rel="self" type="application/atom+xml" href="http://www.blogger.com/feeds/7959964/posts/default/177998432562403367?v=2" /><link rel="alternate" type="text/html" href="http://feedproxy.google.com/~r/OleoDoDiabo/~3/mWjbaf9g3PU/firulas-literarias.html" title="Firulas literárias" /><author><name>Miguel do Rosário</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17626695423918657260</uri><email>migueldorosario@gmail.com</email><gd:extendedProperty name="OpenSocialUserId" value="09625510564248945639" /></author><media:thumbnail xmlns:media="http://search.yahoo.com/mrss/" url="http://1.bp.blogspot.com/_YRstxrVhW40/Si2-idmkWWI/AAAAAAAACAU/6NbS4lmbZ2o/s72-c/gomes_freire4" height="72" width="72" /><thr:total xmlns:thr="http://purl.org/syndication/thread/1.0">2</thr:total><feedburner:origLink>http://oleododiabo.blogspot.com/2009/06/firulas-literarias.html</feedburner:origLink></entry><entry gd:etag="W/&quot;C04NRns5fCp7ImA9WxJXFUg.&quot;"><id>tag:blogger.com,1999:blog-7959964.post-2070733750185515068</id><published>2009-06-08T18:57:00.018-04:00</published><updated>2009-06-09T08:53:17.524-04:00</updated><app:edited xmlns:app="http://www.w3.org/2007/app">2009-06-09T08:53:17.524-04:00</app:edited><category scheme="http://www.blogger.com/atom/ns#" term="Política" /><category scheme="http://www.blogger.com/atom/ns#" term="Mídia" /><title>Filosofadas petroleiras</title><content type="html">&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://1.bp.blogspot.com/_YRstxrVhW40/Si2wTKWtN3I/AAAAAAAACAM/aEwmJbplEVw/s1600-h/gomes_freire3"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 300px; height: 400px;" src="http://1.bp.blogspot.com/_YRstxrVhW40/Si2wTKWtN3I/AAAAAAAACAM/aEwmJbplEVw/s400/gomes_freire3" border="0" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5345122176002242418" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;(mais uma do Rio antigo; Gomes Freire, Lapa)&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nota importante: Manifestação pela Petrobrás no dia 19/06. Mais informações no &lt;a href="http://edu.guim.blog.uol.com.br/"&gt;blog Cidadania&lt;/a&gt;. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Muito mais impressionante do que a decisão da Petrobrás de criar um blog é a comoção produzida. Milhares de internautas estão entrando no blog da empresa diariamente, fazendo comentários emocionados, elogiando a iniciativa e sentando o cacete na grande imprensa. Há muita revolta, há muita indignação, contra o que as pessoas entendem como manipulação sistemática dos grandes jornais, sobretudo a trinca maldita: Globo, Folha e Estadão. Esses três jornais, que ironicamente vêem autoritarismo em tudo, não passam de filhotes da ditabranda, pois foram as publicações que mais apoiaram o golpe e mais receberam recursos financeiros do regime militar, além do benefício trazido pelo fechamento de seus principais concorrentes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O comentário que mais se repete, lá no blog da Petrobrás, é o que pede a empresa para não desistir do blog. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nós, blogueiros, conhecemos bem esse tipo de comoção. É uma sensação poderosa, talvez parecida com a primeira vez em que um líder sindical anunciou o primeiro resultado vitorioso de uma greve longa, penosa e arriscada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O fato é que a Petrobrás não é, definitivamente, uma empresa qualquer. Ela é controlada pelo Estado, é a maior empresa da América Latina e tornou-se a mais importante investidora em obras sociais e culturais do Brasil.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nos últimos dez anos, quase 100% da vanguarda da produção cinematográfica brasileira tem sido patrocinada pela Petrobrás. Tá certo que com lei Rouanet. Mas não deixa de ser pela Petrobrás, já que os impostos da empresa também abastecem o Tesouro Nacional.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Enfim, a Petrobrás é símbolo de nossa soberania e a decisão tresloucada do PSDB, aliado à grande mídia, de criar uma CPI com objetivo de atacá-la, não constituiu somente um tiro no pé. É um tiro na cabeça!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Agora ficam histéricos por causa de um blog? E vocês viram os &lt;a href="http://www.anj.org.br/sala-de-imprensa/noticias/anj-se-manifesta-contra-atitudes-da-petrobras"&gt;argumentos&lt;/a&gt; da Associação Nacional de Jornais, uma entidade mafiosa dominada pelas famiglias, contra o blog da empresa? Esses alcapones midiáticos pensam que detêm o direito divino à informação, &lt;span style="font-style:italic;"&gt;ad eternum&lt;/span&gt;. La loi c'est moi, dizia um rei francês, na época do absolutismo da Europa pós-medieval. Agora, Julio Mesquita, que assina o manifesto da imprensa contra o blog da Petrobrás, afirma, com outras palavras, que a imprensa são eles.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ora, tenho acompanhado o debate no blog do Idelber, e o comentário que mais me emocionou foi um que lembrou a canção do Dylan, The time they are a'changing.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;object width="425" height="344"&gt;&lt;param name="movie" value="http://www.youtube.com/v/wgECKj9LSH4&amp;amp;hl=pt-br&amp;amp;fs=1&amp;amp;"&gt;&lt;param name="allowFullScreen" value="true"&gt;&lt;param name="allowscriptaccess" value="always"&gt;&lt;embed src="http://www.youtube.com/v/wgECKj9LSH4&amp;amp;hl=pt-br&amp;amp;fs=1&amp;amp;" type="application/x-shockwave-flash" allowscriptaccess="always" allowfullscreen="true" width="425" height="344"&gt;&lt;/embed&gt;&lt;/object&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;*&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Há um outro ponto. Todo esse ataque à Petrobrás, e agora a polêmica em torno do blog, está servindo como tremenda propaganda institucional para a empresa. Milhões de brasileiros que sempre admiraram a Petrobrás estão se tornando, em razão do espírito de justiça que rege as emoções humanas, verdadeiros fanáticos. Particularmente, acho que, embora o fanatismo não seja saudável em lugar nenhum, é muito melhor ser fanático pela Petrobrás do que sê-lo pela Xuxa ou Ivete Sangalo. Através do blog, os brasileiros estão se informando, com detalhes, sobre realizações da empresa que vinham sendo escamoteadas pela grande imprensa. Interessante isso, não? É o típico efeito bolo. A maneira profissional e transparente com a qual a Petrobrás vem respondendo aos ataques midiáticos produz o efeito oposto ao desejado pela oposição e mídia: faz crescer o prestígio da Petrobrás.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;*&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Toda essa história realmente dá o que falar. É lugar comum afirmar que a história é narrada pelos vencedores. Creio que esta é uma forma branda de tratar o tema. O certo seria dizer que a história é descaradamente manipulada pelos vencedores. Entretanto, os vencedores de ontem muitas vezes são os perdedores de hoje e amanhã. Entre os assuntos que tem sido mais descaradamente manipulados está a função da imprensa para a democracia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Naturalmente, a imprensa cumpriu uma missão importante para difundir conhecimentos, antes restritos ao clero e à corte. O produto principal das tipografias, afinal, não foram jornais, e sim livros. E nisso reside sua importância primordial. A imprensa propriamente dita, naturalmente, tem seu lugar ao sol na construção das democracias modernas; por outro lado, vale recordar o pensamento de Spengler sobre isso; segundo ele, a imprensa constituiria o grande trunfo dos espíritos antidemocráticos, porque os poderosos poderiam, a partir de agora, subjugar o povo através do domínio de sua consciência, não precisando mais apelar à força. Dá como exemplo o alistamento militar; houve tempos em que os servos eram convocados à força para lutar em favor do rei; com a imprensa, a população dirigia-se à sua própria carnificina com um sorriso nos olhos, após terem seu patriotismo insuflado por dois ou três artigos de jornal.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Qual o papel da imprensa no atiçamento da discórdia que levou a Europa a engalfinhar-se em duas grandes guerras?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A imprensa em si, naturalmente, não tem culpa de nada. A culpa reside naqueles que a dominam, na forma como a gerem, nos interesses que seguem, e no sentido social que dão a seu trabalho.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;*&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os que defendem os jornalistas tradicionais, em particular neste debate levantado pelo blog da Petrobrás, esquecem muitas coisas. Estou lendo um livrinho fantástico, que já andei comentando por aqui. Trata-se de Introdução à História da Filosofia, do Hegel. Um dos pontos que o filósofo repete ao longo da obra é que a filosofia de hoje é sempre herdeira da filosofia passada. O Ser de hoje é sempre herdeiro do Ser passado. Os jornais de hoje (e aí sou eu que digo, inspirado pelo pensador germânico) são o que são por causa de seu passado. A história deixa mais marcas do que imaginamos. A imprensa brasileira, reitero, precisa realizar a autocrítica sobre o seu papel no golpe militar de 1964.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os que nos chamam de "turba bolchevique em fúria contra a imprensa burguesa" apenas procuram fugir ao debate usando clichês ideológicos. Eu não odeio a imprensa, não odeio os jornais. Ao contrário, eu adoro jornais. Sempre adorei jornais. Entendo, inclusive, que existe uma dialética de qualidade dentro da imprensa. Claro que há coisas boas. Claro que há algumas boas apurações. Lembro, porém, de outro autor, do italiano Benedetto Croce, afirmando que a mentira nunca é pura. A verdadeira mentira é a meia-verdade. Se a mentira fosse pura, bastaria invertê-la e teríamos a verdade. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(Se bem que nossos jornais estão mentindo de forma tão grosseira que, daqui a pouco, bastará invertemos suas notícias para sabermos o que se passa).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O problema, afinal, não está na imprensa em si. Não está nas grandes rotativas que imprimem os jornais, nem nos operários que as manipulam. Não está nos computadores das redações, nem nos estagiários hiperexplorados. Não está, enfim, nem na maioria dos jornalistas. O problema está nas cabeças que dirigem as redações dos jornais latino-americanos. O problema está no histórico de golpismo. O problema está na ausência de autocrítica e na mania de colocarem-se, no jogo político, como entidade fantasma, invisível, intocável, incriticável.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando Deus quer destruir um império, ele enlouquece seus líderes, diz uma frase do Alcorão. Deus, em minha concepção atéia do mundo, é a inteligência universal que rege a existência. Assisti um filme belíssimo outro dia, do Tarkóvski, intitulado Stalker. São três personagens: o Stalker, o guia; um escritor de sucesso; um cientista. Ambos entram numa área proibida, A Zona, onde pessoas desaparecem misteriosamente, outras conseguem realizar desejos, muitas enlouquecem. Numa cena, o escritor, que se mostra um tanto sarcástico e leviano perante a Zona, faz um gesto de arrancar um capim. O Stalker dá um grito e ordena que ele não faça aquilo. Tudo na Zona tem uma função, tudo está em seu lugar, afirma o Stalker. Mais tarde, o Stalker, que vai se revelando uma personalidade bem mais sofisticada do que sua aparência rústica, simplória, modesta, revela, intromete-se numa discussão entre o cientista e o escritor, onde o escritor observa que a arte é um fenômeno desprovido de sentido, um mistério. O Stalker diz que não pode aceitar isso, que tudo possui um sentido, uma função; o fato de não sabermos que função é esta, que sentido é este, não importa. Isso vale para a imprensa, para o fim da imprensa, e para a internet. O homem, infelizmente, não consegue entender a complexidade de sua própria civilização. Não consegue entender o verdadeiro valor da imprensa, nem o sentido de sua decadência; tampouco compreende o sentido profundo por trás do advento da internet. Se um capim tem tanta importância, a rede mundial de informação, certamente terá uma função extraordinária.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;*&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aliás, sobre a culpa da imprensa, trago ainda outro texto, desta vez um belíssimo Sermão do Padre Vieira. Trata-se do Sermão I do Quarto Sábado da Quaresma. É um texto longo, onde nosso caríssimo reverendo explica as diferentes artimanhas pelas quais o diabo convence os cristãos a continuarem pecando. Citando histórias do Velho Testamento, ele lembra de cidades históricas destruídas por Deus porque já excederam "a medida" de seus pecados. Ou seja, Deus, em sua infinita misericórdia, deixa homens e cidades viverem em pecado; mas quando os pecados se acumulam e atingem um determinado limite, Deus intervém com sua justiça, e ai daqueles que se deixaram levar pelas tentações do Diabo! Deus perdoa os pecados, desde que o perdão seja pedido com sinceridade. Ou seja, os jornais, que pecaram ao apoiar a ditadura militar, podem ser perdoados por Deus; e numa democracia, onde o poder emana do povo, podemos dizer que a voz de Deus é a voz do povo. Ou seja, o povo, de boa vontade, perdoa os jornais por sua participação numa ditadura que produziu estragos morais e políticos ainda um tanto subestimados. Vieira lembra, no entanto, que mesmo os pecados perdoados pesam na conta: "Respondo que sim; porque ainda que estejam perdoados quanto à culpa e satisfeitos quanto à pena, para encherem o número e perfazerem a conta basta haverem sido".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em outras palavras: embora o povo brasileiro tenha perdoado os jornais pelo vergonhoso apoio que deram ao fim das liberdades democráticas no Brasil, esses pecados continuam pesando em sua medida; que eles tenham bastante cuidado, portanto, em não continuarem pecando, ou seja, mentindo e desrespeitando a sociedade, tratando a opinião pública como criança ingênua que pode ser manipulada a seu bel prazer. Para tudo tem um limite; a imprensa brasileira chegou a um ponto que não convence nem mais o Homer Simpson.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por isso, donos de jornais e defensores de jornais, não perguntem por quem os sinos dobram.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;Acesse oleododiabo.blogspot.com&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7959964-2070733750185515068?l=oleododiabo.blogspot.com'/&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel="replies" type="application/atom+xml" href="http://oleododiabo.blogspot.com/feeds/2070733750185515068/comments/default" title="Postar comentários" /><link rel="replies" type="text/html" href="https://www.blogger.com/comment.g?blogID=7959964&amp;postID=2070733750185515068&amp;isPopup=true" title="4 Comentários" /><link rel="edit" type="application/atom+xml" href="http://www.blogger.com/feeds/7959964/posts/default/2070733750185515068?v=2" /><link rel="self" type="application/atom+xml" href="http://www.blogger.com/feeds/7959964/posts/default/2070733750185515068?v=2" /><link rel="alternate" type="text/html" href="http://feedproxy.google.com/~r/OleoDoDiabo/~3/mMwpYIYuzac/filosofadas-petroleiras.html" title="Filosofadas petroleiras" /><author><name>Miguel do Rosário</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17626695423918657260</uri><email>migueldorosario@gmail.com</email><gd:extendedProperty name="OpenSocialUserId" value="09625510564248945639" /></author><media:thumbnail xmlns:media="http://search.yahoo.com/mrss/" url="http://1.bp.blogspot.com/_YRstxrVhW40/Si2wTKWtN3I/AAAAAAAACAM/aEwmJbplEVw/s72-c/gomes_freire3" height="72" width="72" /><thr:total xmlns:thr="http://purl.org/syndication/thread/1.0">4</thr:total><feedburner:origLink>http://oleododiabo.blogspot.com/2009/06/filosofadas-petroleiras.html</feedburner:origLink></entry><entry gd:etag="W/&quot;CkQHSH46fyp7ImA9WxJXFE4.&quot;"><id>tag:blogger.com,1999:blog-7959964.post-2016622249623976268</id><published>2009-06-06T01:52:00.016-04:00</published><updated>2009-06-07T23:05:39.017-04:00</updated><app:edited xmlns:app="http://www.w3.org/2007/app">2009-06-07T23:05:39.017-04:00</app:edited><category scheme="http://www.blogger.com/atom/ns#" term="Política" /><category scheme="http://www.blogger.com/atom/ns#" term="Literatura" /><category scheme="http://www.blogger.com/atom/ns#" term="Economia" /><title>Briga de cachorro grande</title><content type="html">&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://1.bp.blogspot.com/_YRstxrVhW40/Siomo-np6oI/AAAAAAAACAE/MHq8onH5Drk/s1600-h/rua+do+senado"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 300px; height: 400px;" src="http://1.bp.blogspot.com/_YRstxrVhW40/Siomo-np6oI/AAAAAAAACAE/MHq8onH5Drk/s400/rua+do+senado" border="0" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5344126393274460802" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;(esquina da rua do senado com gomes freire, onde funciona um bar com cem anos de idade)&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eis que agora temos uma nova diversão. A Petrobrás criou um blog e está respondendo aos grandes jornais! É briga de cachorro grande. Que digo? É luta de titãs! Eu deveria imaginar. Uma coisa é humilhar Renan Calheiros, um indivíduo singular cheio de pecados. Outra coisa é atacar a Petrobrás, a quarta maior empresa do mundo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Já inseri o blog da Petrobrás na lista ao lado, mas repito o link &lt;a href="http://petrobrasfatosedados.wordpress.com/"&gt;aqui&lt;/a&gt;. A idéia da Petrobrás é genial porque é a mais simples possível. Eles divulgarão as perguntas e respostas enviadas pelos jornalistas, dando transparência ao processo e publicarão ali as suas próprias versões dos fatos. Melhor do que publicar informes publicitários na grande imprensa com dinheiro do contribuinte.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nos três ou quatro últimos domingos, o jornal O Globo tem dedicado manchetes à Petrobrás. Sempre negativas, é claro. No primeiro, deu o mote para a oposição criar a CPI. Nos seguintes, dá munição para o PSDB botar fogo na empresa que mais simboliza a soberania nacional.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Outro dia, o Globo comparava a Petrobrás à Vale. Dizia que a Petrobrás tinha centenas de pessoas trabalhando na área de comunicação, e que a Vale tinha só 80. Ou seja, a Petrobrás é gastadora, é cabide de empregos, a Vale não. A reportagem não informa, porém, que a Vale seguramente terceiriza o trabalho de comunicação. De qualquer forma, são empresas totalmente distintas. O que o Globo não diz é que, enquanto a Petrobrás não apenas descobriu novas jazidas de petróleo como está construindo refinarias para possamos processar o material aqui no país, a Vale paralisa os poucos investimentos que vinha fazendo em siderurgia. Ou seja, a Vale está, literalmente, entregando nosso ouro para o estrangeiro, para a China, ao preço de 60 dólares a tonelada. Ou seja, um tênis importado da China custa mais que uma tonelada de nosso ferro! Essa é a Vale que o Globo considera como exemplar!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A Vale está dando manchete para os jornalões, porque fez demissões em massa e anunciou recuo de 40 bilhões de dólares em investimentos. Enquanto os investimentos estrangeiros diretos no Brasil batem recorde - em plena crise mundial -, incluindo investimentos em produção, a Vale, na contramão do resto do mundo, que acredita no Brasil, resolve paralisar investimentos, por causa de uma crise que já dá sinais de amortecimento.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por que a Vale faz isso? Seria porque seu presidente, Roger Agnelli, interessa-se apenas pelo lucro rápido, ou então procura esconder, desesperadamente, o fato de ter apostado em derivativos e perdido alguns bilhões?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;*&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A Petrobrás precisa captar mais de 100 bilhões de dólares no exterior, para explorar o petróleo no pré-sal. Essa CPI, aliada aos ataques diários da imprensa, certamente não irá ajudar a empresa a cumprir seu objetivo. Sempre é bom lembrar que o petróleo ainda é, de longe, o item que mais pesa em nossa balança comercial. A auto-sustentabilidade alcançada nos últimos meses acontece porque, apesar de importarmos bilhões de dólares em petróleo, também exportamos outros bilhões. A conta empata. Boa parte de nosso petróleo é de má qualidade, grosso, e não serve para uma série de coisas. Exportamos esse petróleo e importamos petróleo mais leve, além de gasolina, que é petróleo ultra-refinado. Quando mais rápido a produção do pré-sal, que possui petróleo de primeira qualidade, levíssimo, entrar em atividade, mais bilhões de dólares o país economizará. Mais rápido, portanto, chegaremos em estágios de maior desenvolvimento.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não havia momento, portanto, mais inconveniente para uma CPI do que agora. Mas tudo bem. A Petrobrás saberá se defender, e agora, como dizia Raul, fica mais fácil saber "de que lado estão certos cabeludos, se é da direita ou da traseira, não se sabe mais lá de que lado".&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;Acesse oleododiabo.blogspot.com&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7959964-2016622249623976268?l=oleododiabo.blogspot.com'/&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel="replies" type="application/atom+xml" href="http://oleododiabo.blogspot.com/feeds/2016622249623976268/comments/default" title="Postar comentários" /><link rel="replies" type="text/html" href="https://www.blogger.com/comment.g?blogID=7959964&amp;postID=2016622249623976268&amp;isPopup=true" title="16 Comentários" /><link rel="edit" type="application/atom+xml" href="http://www.blogger.com/feeds/7959964/posts/default/2016622249623976268?v=2" /><link rel="self" type="application/atom+xml" href="http://www.blogger.com/feeds/7959964/posts/default/2016622249623976268?v=2" /><link rel="alternate" type="text/html" href="http://feedproxy.google.com/~r/OleoDoDiabo/~3/Z2WjV17SxyI/briga-de-cachorro-grande-firulas.html" title="Briga de cachorro grande" /><author><name>Miguel do Rosário</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17626695423918657260</uri><email>migueldorosario@gmail.com</email><gd:extendedProperty name="OpenSocialUserId" value="09625510564248945639" /></author><media:thumbnail xmlns:media="http://search.yahoo.com/mrss/" url="http://1.bp.blogspot.com/_YRstxrVhW40/Siomo-np6oI/AAAAAAAACAE/MHq8onH5Drk/s72-c/rua+do+senado" height="72" width="72" /><thr:total xmlns:thr="http://purl.org/syndication/thread/1.0">16</thr:total><feedburner:origLink>http://oleododiabo.blogspot.com/2009/06/briga-de-cachorro-grande-firulas.html</feedburner:origLink></entry><entry gd:etag="W/&quot;DkMMSXYyfSp7ImA9WxJXF04.&quot;"><id>tag:blogger.com,1999:blog-7959964.post-2589089986759875927</id><published>2009-06-03T21:44:00.040-04:00</published><updated>2009-06-11T11:34:48.895-04:00</updated><app:edited xmlns:app="http://www.w3.org/2007/app">2009-06-11T11:34:48.895-04:00</app:edited><category scheme="http://www.blogger.com/atom/ns#" term="Política" /><title>De sabujos que sujam a rua</title><content type="html">&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://3.bp.blogspot.com/_YRstxrVhW40/Sic3HSlgV3I/AAAAAAAAB_8/L-anZq1COlc/s1600-h/3237318112_caca1b9977.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 316px; height: 400px;" src="http://3.bp.blogspot.com/_YRstxrVhW40/Sic3HSlgV3I/AAAAAAAAB_8/L-anZq1COlc/s400/3237318112_caca1b9977.jpg" border="0" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5343300081286141810" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;(RICHTER, Daniel - Halli Galli Polly - 2004)&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Estou como sempre atrasado, e dessa vez com o mais nobre e o mais vil dos motivos (a depender do ponto-de-vista): trabalho. De vez em quando surge um free-lance que não deixa o blogueiro morrer de fome. Aliás é sobre isso mesmo que eu queria falar. Outro dia li no blog do Eduardo Guimarães que um sabujo sarnento tascou a seguinte bosta no ventilador da Ditabranda:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;blockquote&gt;FERNANDO DE BARROS E SILVA&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O Bolsa-Mídia de Lula&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;SÃO PAULO - O jornalista Fernando Rodrigues deu uma grande contribuição ao conhecimento da máquina de propaganda do lulismo. A reportagem que publicou ontem na Folha mostra como, na atual gestão, o Planalto adotou uma política radical e sistemática de pulverização da verba publicitária destinada a promover o governo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em 2003, a Presidência anunciava em 499 veículos; em 2009, foram 2.597 os contemplados -um aumento de 961%. Discriminada por tipo de mídia, essa explosão capilarizada da propaganda oficial irrigou primeiro as rádios (270 em 2003, 2.597 em 2008), depois os jornais (de 179 para 1.273) e a seguir o que é catalogado como "outras mídias", entre elas a internet, com 1.046 beneficiadas em 2008.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O que isso quer dizer? A língua oficial chama de regionalização da publicidade estatal e a vende como sinal de "democratização". Na prática, significa que o governo promove um arrastão e vai comprando a mídia de segundo e terceiro escalões como nunca antes neste país.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Exagero? Eis o que diz Ricardo Barros (PP-PR), vice-líder do governo e membro da Frente Parlamentar de Mídia Regional: "Cerca de 50% das rádios e dos jornais do interior pertencem ao comunicador. O dono faz o jornal ou o programa de rádio. Se recebe dinheiro, passa a ter mais simpatia e faz uma comunicação mais adequada ao governo. Há uma reciprocidade".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Enquanto, na superfície, Lula trata de fazer a sua guerra retórica contra a "imprensa burguesa", que lhe dá azia, no subsolo do poder a engrenagem montada pelo ministro Franklin Martins se encarrega de alimentar a rede chapa-branca na base de verbas publicitárias. É o Bolsa-Mídia do governo Lula.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Essa mídia de cabresto que se consolidou no segundo mandato ajuda a entender e a difundir a popularidade do presidente. E talvez explique, no novo mundo virtual, o governismo subalterno de certos blogs que o lulismo pariu por aí.&lt;/blockquote&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;De qualquer lado que você olhe o texto, de cima, de baixo, por dentro, pela esquerda, pela direita, é puro lixo. O cara tem talento, é inegável, pois só mesmo uma pessoa genial para concentrar, em tão poucas palavras, tanta imbecilidade. Mas é uma ótima oportunidade para analisarmos esse cadáver chamado Folha de São Paulo. Temos que aproveitar enquanto ele está aí, insepulto, dando sopa para nós, necrófilos da imprensa golpista.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tem umas coisas que nem dá para acreditar. O cara defende o quê? Que o governo continuasse a destinar a verba oficial para meia dúzia de nababos? Ho ho ho, aquela frase de um leitor do Nassif permanece ecoando na minha cabeça: "esses caras pensam que a gente não tem cérebro!"&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O sujeito usa artimanhas bem mensaleiras. Começa dizendo que o número de publicações onde o governo anuncia cresceu 961%. Ho ho ho. Pra que esse percentual maluco, mêu? Usar a variação percentual faria sentido se se referisse ao montante de recursos usado em propaganda, tipo assim: governo aumenta gastos de propaganda em 961%. Aí tudo bem. Mas dizer que o número de órgãos que recebem verba oficial passou de 499 para 3.000 e logo cresceu 961%, é coisa de louco. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na realidade, esse débil mental quis dar uma mordidinha com uma boca sem dentes: queria passar a idéia de que o governo Lula ampliou extraordinariamente os gastos com publicidade oficial. Aumento de 961%! O problema desses caras é que o brasileiro, por mais que seja bombardeado dia e noite com porcarias midiáticas, ainda tem alguns neurônios funcionando. Para entender o mecanismo dos campeonatos de futebol ou pra não deixar o ricardão tomar seu lugar ou pra não perder o emprego, o brasileiro é obrigado a manter um ou dois neurônios ativos e operantes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aí ele acusa o proprietário de um radialeco em Mambucaba de dar apoio ao Lula porque recebe verba oficial. De fato, a vida tornou-se dura para as aves tropicais. O povo, que antes votava inspirado em carinhas bonitas, agora fica de olho no salário mínimo, na taxa de desemprego, não aceita trabalho escravo, nem precisa roubar - se a desgraça bater à porta, terá uma pequena, mas digna, assistência do Estado. O dono de um radinho independente, que sempre viveu à beira da falência, disputando o quase insignificante mercado de publicidade com uma estação patrocinada pelo coronézinho local, ficará, naturalmente, muito contente com a notícia de que o Estado ampliou a distribuição da publicidade oficial e agora não somente a Transamérica de Belo Horizonte receberá a graninha limpa e certa do governo - ele, o dono de uma pequena rádio de Tiradentes, também terá sua parte! E o Fernando queria que, mesmo com essa novidade boa em sua vida, o sujeito entrasse pra turminha dos 6% que desaprovam Lula?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fernando esqueceu outra coisa. Rádios e jornais de interior quase sempre são dominados por oligarcazinhos de província ou líderes evangélicos. Botar uma verbinha federal ali pode significar uma tremenda abertura de pensamento. Não necessariamente em prol do Lula. Agora, se o Lula fez isso, e ninguém fez antes, então, meu caro, é ponto pra ele, e você que enfie a tua viola onde lhe aprouver. O que almejas, dom Fernando? What's the point?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em primeiro lugar, esse texto é um puta desrespeito a todos os pequenos jornais e rádios que recebem verba do Estado. Os jornalões recebem verdadeiras capitanias hereditárias de governos (federal, estadual e municipal) há séculos, e ninguém nunca contestou esse direito. Pela primeira vez, os barnabézinhos do interior começam a receber as sobras da publicidade oficial - sim, porque tenho certeza de que eles recebem bem pouquinho; os jornalões ainda devem abocanhar o grosso da bufunfa - e um colunista da Folha de São Paulo, do alto de sua torre de merda cristalizada, faz uma acusação genérica e universal a milhares de pequenos empresários da comunicação? Ué, onde está a defesa pela imprensa livre? Por que a Folha pode receber publicidade oficial e ser isenta e uma pequena rádio não pode? Por que o dono da rádio é o locutor? Fala sério! Você acha que o governo federal tem condições de monitorar o que milhares de locutores falam do Lula país afora? O governo mal dá conta do que sai na grande imprensa! Apanha diariamente e não consegue responder. Como teria condições de monitorar se cada radiozinho e jornalzinho do interior que recebeu um caraminguá oficial está falando bem ou mal do Lula?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Além disso, o colunista omitiu um fato. Rádios e jornais não falam apenas de política. A decadência da Folha é tão grande que seu próprio colunista esqueceu que um jornal tem funções outras que não falar mal ou bem de governos. Jornais e rádios, mesmo os pequenos, servem para divulgar informações sobre a economia internacional, descrever os gols e as faltas das últimas partidas, informar sobre a morte de Dona Emengarda, relatar a cura de uma doença, alertar sobre o aparecimento de outra doença, acompanhar o preço do feijão; enfim, se o governo está ajudando esses órgãos, está contribuindo para a imprensa livre, não é? &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não, meu caro Fernando de Barros e Silva. Você não vai entender a popularidade do Lula desse jeito. Entender a popularidade do presidente é muito mais fácil do que você imagina. Basta uma olhada rápida nos gráficos abaixo. Não tem mistério. São dados que foram divulgados por um notório petralha chamado Octávio Barros, o diretor de pesquisa do Bradesco.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://4.bp.blogspot.com/_YRstxrVhW40/Sicu1niQwsI/AAAAAAAAB_0/Cu2dOI_YZjk/s1600-h/barros7.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 400px; height: 271px;" src="http://4.bp.blogspot.com/_YRstxrVhW40/Sicu1niQwsI/AAAAAAAAB_0/Cu2dOI_YZjk/s400/barros7.jpg" border="0" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5343290981579014850" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://2.bp.blogspot.com/_YRstxrVhW40/Sicut2Dp_SI/AAAAAAAAB_s/cthfLjttTAc/s1600-h/barros6.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 400px; height: 277px;" src="http://2.bp.blogspot.com/_YRstxrVhW40/Sicut2Dp_SI/AAAAAAAAB_s/cthfLjttTAc/s400/barros6.jpg" border="0" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5343290848038223138" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sobre a acusação de que a blogosfera estaria recebendo dinheiro pra falar bem do presidente, trata-se de uma idéia bem interessante. Aí volto ao tema da fome, sobre o qual falava no início do post. Esse blog já nasceu, como todos os blogs desse tipo, em estado de falência. Quem me acompanha há um tempo, deve se lembrar que, por um tempo, eu sonhei em ganhar dinheiro com a publicidade eletrônica. Mas o adsense, que é o sistema que paga melhor e com mais transparência, me dá cerca de 1 a 3 centavos por dia. Creio que um africano que cata osso de peixe na beira do Lago Victoria ganha mais que isso... Então já me desencantei de ganhar dinheiro com este blog. Esses anúncios aí do lado, nunca me deram nada. Por isso estou tirando todos. Não dão nada, só tornam o blog mais pesado e constituem propaganda grátis para as empresas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O irônico é que o sr.Fernando de Barros e Silva trabalha num jornal que recebe muito mais dinheiro do governo federal do que qualquer blog "lulista" jamais sonharia, e falo proporcionalmente ao número de empregados. Esse filho-de-uma-firanga-estrangeira, além de cuspir no prato onde se esbalda, quer cuspir no pirezinho humilde dos radialecos de província, e, pior, cuspir no meu prato vazio!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Entretanto, notei uma consequência bem negativa, pra nós blogueiros, ou pelo menos pra mim, à este peido em forma de coluna de opinião, que é nos deixar na defensiva e  despertar nossa pudicícia socialista, que nos faz brandir extratos bancários negativos como prova de honra e castidade! E aí juramos, todos, eterna pobreza e continuamos mordiscando os pés do Leviatã por mais mil anos! A blogosfera de esquerda, e a esquerda de forma geral, deveria refletir profundamente sobre a questão da auto-sustentabilidade. De vez em quando, alguém levanta uma bandeira sobre a necessidade de lançar um jornal de massa "de esquerda", e aí o jornal é lançado e ele inicia uma "campanha contra produtos americanos"; ou seja, logo de cara se queima com 99% das agências de publicidade. A esquerda precisa perder a vergonha de ganhar dinheiro, precisa amadurecer, e precisa lidar com o capitalismo de maneira mais adulta, mais ofensiva! Dinheiro não é pra ser desprezado, e sim pra ser dominado com astúcia e inventividade, porque é com ele, seja em Havana, seja em Miami, que compramos charutos. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A nova esquerda latino-americana virá de gente culta, esforçada, com calos nas mãos, mas sem nenhum apoio familiar; se os partidos não encontrarem mecanismos para sustentar essa nova força intelectual, irão perdê-la, uma hora ou outra, para seus adversários. O Leviatã não descansa, e ele tem o bolso cheio de ouro. Não se trata de comprar a mente dos intelectuais, e sim de se colocar a seu lado, para defendê-los! A liberdade de pensamento não está na imprensa, está nos livres pensadores! Está no intelectual! E a forma mais cruel, e eficaz, de exterminar a intelectualidade é a asfixia econômica. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As respostas estão aí, na nossa cara. Façam editais! Editais públicos, transparentes e republicanos, para que o Estado possa bancar a blogosfera! Editais para blogs de saúde pública, blogs de ciências sociais, blogs de educação,  blogs de literatura, blogs políticos! A imprensa conservadora, é claro, vai chiar. Mas dane-se essa imprensa antidemocrática! O Estado, o futuro, o destino, pertencem ao povo, e não às famiglias Marinho, Mesquita e Farias. Danem-se! Tomemos nosso destino em nossas próprias mãos!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nem falo do tal "governismo subalterno". Creio que um jornal que defendeu a reeleição mensaleira de Fernando Henrique Cardoso e hoje oferece, diariamente, sua bundinha mole para o governador José Serra, não tem nenhuma moral para falar de governismo. Esses caras não entendem que, se eu apóio Lula, é porque eu votei nele e me orgulho do presidente, carajo! Eu não recebo dinheiro pra falar bem do Lula. Ao contrário, eu pago pra isso. Eu tenho liberdade para defender ou atacar quem eu quiser, e não é um chantagistazinho midiático que irá me reprimir. Por que o Obama pode elogiar o Lula e nós não podemos? Teria sobrado mensalão pro Obama também? Aliás, qualquer dia desses, voltamos a falar desse mensalão estranhíssimo, onde deputados do PT recebiam dinheiro para votar com o... PT.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O dia em que o Lula congelar o salário mínimo, baixar salário dos professores, privatizar a Petrobrás, o lulismo desaparecerá num segundo. O brasileiro não é doido. Não somos fanáticos. Apenas exercemos o direito democrático de discordar da interpretação que a Folha de São Paulo faz da conjuntura política! Ou seja, nós (87% da população brasileira... além do Obama) achamos que Lula faz um excelente governo. A mídia vive criticando os tais partidos "sem ideologia", mas sempre que usa o termo ideologia é como sinônimo de atraso. Decidam-se, oras! Eu apóio Lula por ideologia, e por uma ideologia, modéstia à parte, muito sensata, moderada, inteligente, estratégica. Eu me orgulho muito de ter defendido o Lula desde o primeiro momento, desde 2003, quando ninguém o defendia, quando a esquerda em peso lhe havia voltado as costas, chamando-o de traidor para baixo! A esquerda só acordou para seu erro muito depois, quando as estatísticas começaram a mostrar os resultados do trabalho duro e ousado que o governo vinha realizando, sem alarde, mas com muita determinação, na área social. Isso porque a esquerda, até pouco tempo, ainda lia a Folha de São Paulo. Mesmo sabendo do risco de manipulação, muitos intelectuais críticos se informavam exclusivamente pelos jornalões.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ora, o New York Times não conseguiu convencer a sofisticada, rica e heterogênea intelectualidade americana, em peso, sobre a necessidade de invadir o Iraque? Lembro muito bem porque eu acompanhei de perto. Eu lia o NY Times diariamente, obsessivamente, estarrecido com tamanho descaramento linguístico e ideológico. Eles eram tão astutos, tão cínicos, tão humanos! E, como logo a seguir se verificou, tão filhos-da-puta! Uns anos depois da guerra, o NY Times, como sempre, veio a público pedir desculpas. Nesse intervalo, mais ou menos 1 milhão de iraquianos haviam sido diabolicamente trucidados, outros milhões morreram de inanição, outros milhões imigraram, e o resto ficou traumatizado pra sempre; os museus de Badgá foram saqueados, e tesouros arquitetônicos de dez mil anos foram roubados por mercenários que se aproveitaram do caos criado pela invasão. Ah, ia esquecendo um detalhe bobo... e a indústria bélica faturou uns trilhõezinhos de dólares...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E tudo começou com a diabolização sistemática de Saddam Hussein, assim como fazem hoje com Chávez. Enfim, não há necessidade de muita criatividade. Basta repetir sistematicamente, a la Goebbels, algumas mentiras, que elas se tornarão verdades sagradas no consciente e no inconsciente das pessoas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Está claro que matérias como essa do Fernando de Barros e Silva são pura merda. Nem falo de busca da verdade. O que há é um desprezo até pela verossimilhança. Acusa-se levianamente todos os jornais pequenos, rádios e blogs do Brasil de trocarem o que possuem de mais sagrado, ou seja, sua liberdade, sua opinião, sua ideologia, por caraminguás do governo federal. É merda pura, já disse, mas a Folha de São Paulo, da próxima vez que levar seus sabujos para dar um passeio, faça-nos o favor de ter em mãos um saco plástico para recolher a sujeira. A rua é pública, mas temos que nos esforçar para deixá-la sempre limpa!&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;Acesse oleododiabo.blogspot.com&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7959964-2589089986759875927?l=oleododiabo.blogspot.com'/&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel="replies" type="application/atom+xml" href="http://oleododiabo.blogspot.com/feeds/2589089986759875927/comments/default" title="Postar comentários" /><link rel="replies" type="text/html" href="https://www.blogger.com/comment.g?blogID=7959964&amp;postID=2589089986759875927&amp;isPopup=true" title="18 Comentários" /><link rel="edit" type="application/atom+xml" href="http://www.blogger.com/feeds/7959964/posts/default/2589089986759875927?v=2" /><link rel="self" type="application/atom+xml" href="http://www.blogger.com/feeds/7959964/posts/default/2589089986759875927?v=2" /><link rel="alternate" type="text/html" href="http://feedproxy.google.com/~r/OleoDoDiabo/~3/QZBCHL6fU8A/de-sabujos-que-sujam-rua.html" title="De sabujos que sujam a rua" /><author><name>Miguel do Rosário</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17626695423918657260</uri><email>migueldorosario@gmail.com</email><gd:extendedProperty name="OpenSocialUserId" value="09625510564248945639" /></author><media:thumbnail xmlns:media="http://search.yahoo.com/mrss/" url="http://3.bp.blogspot.com/_YRstxrVhW40/Sic3HSlgV3I/AAAAAAAAB_8/L-anZq1COlc/s72-c/3237318112_caca1b9977.jpg" height="72" width="72" /><thr:total xmlns:thr="http://purl.org/syndication/thread/1.0">18</thr:total><feedburner:origLink>http://oleododiabo.blogspot.com/2009/06/de-sabujos-que-sujam-rua.html</feedburner:origLink></entry></feed>
