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	<title>Olhar Mutante</title>
	
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	<description>Uma nova percepção sempre é possível. Um ponto de vista renovado. Diferente, único, transitório.</description>
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		<title>Olhar Mutante</title>
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		<title>Êxtase e Luto do Gol – Lições de Vida a partir de uma Filosofia de Futebol</title>
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		<pubDate>Fri, 01 Apr 2011 00:00:26 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Brunno</dc:creator>
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		<category><![CDATA[Filosofia]]></category>
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		<category><![CDATA[Renato Pompeu]]></category>

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		<description><![CDATA[Quando “nosso” time marca um gol, nós, jogadores – mas principalmente nós, torcedores – ficamos num estado de êxtase, assinalado num transe bem definido, que consiste em saltar e agitar os braços e – menos – as pernas, ao mesmo tempo que se grita, em estado de alta tensão emocional, indefinidamente “gol, gol”. Nesse estado, [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=olharmutante.wordpress.com&amp;blog=5104667&amp;post=535&amp;subd=olharmutante&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<blockquote><p>Quando “nosso” time marca um gol, nós, jogadores – mas principalmente nós, torcedores – ficamos num estado de êxtase, assinalado num transe bem definido, que consiste em saltar e agitar os braços e – menos – as pernas, ao mesmo tempo que se grita, em estado de alta tensão emocional, indefinidamente “gol, gol”. Nesse estado, podemos abraçar desconhecidos, erguer do banco ou do chão do estádio ou da sala de televisão quem insistir em ficar sentado, movidos pela pura força de nossos braços, que não imaginaríamos, em circunstâncias normais, capazes de levantarem outra pessoa adulta. É um estado de êxtase, comparável ao transporte religioso ou ao transe espiritual da umbanda, comparável ainda ao estado de embriaguez provocado pelo álcool ou outra droga qualquer. Mas esse triunfo do irracionalismo no futebol, aliás universal, é momentâneo. Segundos após o gol nos recompomos, para estarmos em situação de apreciar objetivamente o prosseguimento da partida. Em todo modo, o gol representa o triunfo da Vida sobre a Morte, o triunfo do dinamismo sobre o imobilismo – já que os jogadores e a bola são móveis e o gol é imóvel. Na verdade, o gol apresenta muito mais coisas e não podemos resumir o seu significado aqui. Bastam essas indicações.</p>
<p>A esse momento do Êxtase do Gol corresponde um movimento igual e contrário, de Luto do Gol, caso “nós” torçamos ou joguemos para o time que levou o gol. Isso caso não haja modo nenhum de protestarmos contra o roubo do juiz, não exista hipótese nenhuma de alegarmos que o gol foi ilegítimo. Outra atitude possível é verberarmos o comportamento de “nossa” defesa, retirando no mesmo momento o possível mérito do adversário ao fazer o gol, devido tão somente a uma falha “nossa”. Mas a atitude típica é o Luto do Gol, o gol adversário nos faz passar pela experiência da Morte Próxima. Ficamos em silêncio respeitoso, como atitude exterior – e também em atitude de descanso, de repouso solene como num velório, em que é importante estar sentado e raramente nos levantarmos. Por dentro, meditamos sobre assuntos como a precaridade da existência, a instantaneidade da vida. Pouco a pouco, porém, vamos nos refazendo daquela impressão fortemente dolorosa que o enfunar das redes pela bola naquele momento adversária nos faz sentir. Notamos que nosso time imediatamente se prepara para dar a Saída Depois de um Gol. Começamos a conversar com nossos companheiros, sejam torcedores como “nós” ou jogadores como “nós”. Começamos imediatamente a arquitetar o “nosso” gol.</p>
<p>Portanto, pelo Êxtase e pelo Luto do Gol, o futebol nos prepara para as grandes experiências da vida. Na medida em que tenhamos desde a infância uma grande bagagem futebolística isso nos ajuda a enfrentar as agruras e as felicidades da vida. Aprendemos, pelo futebol, que nem infelicidade nem felicidade são eternas, tudo é uma questão de momento complexo.</p></blockquote>
<p>Extraído de: POMPEU, Renato. <strong>A saída do primeiro tempo</strong>. São Paulo: Editora Alfa-Ômega, 1978, págs. 144 e 145.</p>
<br />Filed under: <a href='http://olharmutante.wordpress.com/category/diversidades/'>Diversidades</a>, <a href='http://olharmutante.wordpress.com/category/leituras/'>Leituras</a>  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/olharmutante.wordpress.com/535/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/olharmutante.wordpress.com/535/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/olharmutante.wordpress.com/535/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/olharmutante.wordpress.com/535/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/olharmutante.wordpress.com/535/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/olharmutante.wordpress.com/535/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/olharmutante.wordpress.com/535/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/olharmutante.wordpress.com/535/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/olharmutante.wordpress.com/535/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/olharmutante.wordpress.com/535/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/olharmutante.wordpress.com/535/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/olharmutante.wordpress.com/535/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/olharmutante.wordpress.com/535/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/olharmutante.wordpress.com/535/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=olharmutante.wordpress.com&amp;blog=5104667&amp;post=535&amp;subd=olharmutante&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" /><div class="sharedaddy sd-rating-enabled sd-like-enabled"></div><img src="http://feeds.feedburner.com/~r/OlharMutante/~4/7PftC5nSzXk" height="1" width="1"/>]]></content:encoded>
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		<title>Alegria e tristeza</title>
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		<comments>http://olharmutante.wordpress.com/2011/03/17/alegria-e-tristeza/#comments</comments>
		<pubDate>Fri, 18 Mar 2011 01:43:11 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Brunno</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Nessa época do ano – refiro-me ao período que compreende Carnaval e Quaresma -, geralmente reflito sobre a ambiguidade, sobre uma certa forma de opostos complementares. Embriaguez é Carnaval, sobriedade é Quaresma. Abundância é Carnaval, austeridade é Quaresma. Voluptuosidade é Carnaval, castidade é Quaresma. Apoteose é Carnaval, humildade é Quaresma. Arrebatamento é Carnaval, circunspecção é [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=olharmutante.wordpress.com&amp;blog=5104667&amp;post=529&amp;subd=olharmutante&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Nessa época do ano – refiro-me ao período que compreende Carnaval e Quaresma -, geralmente reflito sobre a ambiguidade, sobre uma certa forma de opostos complementares. Embriaguez é Carnaval, sobriedade é Quaresma. Abundância é Carnaval, austeridade é Quaresma. Voluptuosidade é Carnaval, castidade é Quaresma. Apoteose é Carnaval, humildade é Quaresma. Arrebatamento é Carnaval, circunspecção é Quaresma. Alegria é Carnaval, tristeza é Quaresma. <a title="Quaresma não é tempo de tristeza, mas um dom de Deus, afirma Papa" href="http://noticias.cancaonova.com/noticia.php?id=280765" target="_blank">O Papa pensa o contrário</a>. Mas <a title="A Quaresma e a tristeza divina - Rubem Alves" href="http://aprendiz.uol.com.br/content/chisijewop.mmp" target="_blank">Rubem Alves concorda comigo</a>. Ainda bem que assim é, amém! Até porque a tristeza também tem sua beleza&#8230;</p>
<p>***</p>
<p>Certa vez, disseram uns sábios (Vinícius de Moraes e Baden Powell, em Samba da Bênção) que é “melhor ser alegre que ser triste, alegria é a melhor coisa que existe”. Eu acho que está certo, até porque os sábios costumam ser sensatos. Mas, esses mesmos sábios nos advertiram que a vida não é só alegria, que os percalços hão de surgir e isso faz parte de todo caminho, já que “para fazer um samba com beleza é preciso um bocado de tristeza, é preciso um bocado de tristeza, senão não se faz um samba não”. A vida, como o samba, são tristezas e alegrias colocadas na balança e é justamente por isso que é possível ter esperança.</p>
<p>É mais ou menos o que já haviam dito outros sábios: “Não importa quão longa seja a noite, o dia virá certamente” (provérbio africano).</p>
<p>Muita alegria. E também um bocado de tristeza!</p>
<p>***</p>
<p>Para matar a saudade, uma “palhinha” de Samba da Bênção, com o violão mágico de Baden Powell:</p>
<span style="text-align:center; display: block;"><a href="http://olharmutante.wordpress.com/2011/03/17/alegria-e-tristeza/"><img src="http://img.youtube.com/vi/Dv7iWl7T4mI/2.jpg" alt="" /></a></span>
<br />Filed under: <a href='http://olharmutante.wordpress.com/category/cronicas/'>Crônicas</a>, <a href='http://olharmutante.wordpress.com/category/diversidades/'>Diversidades</a>  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/olharmutante.wordpress.com/529/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/olharmutante.wordpress.com/529/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/olharmutante.wordpress.com/529/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/olharmutante.wordpress.com/529/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/olharmutante.wordpress.com/529/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/olharmutante.wordpress.com/529/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/olharmutante.wordpress.com/529/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/olharmutante.wordpress.com/529/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/olharmutante.wordpress.com/529/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/olharmutante.wordpress.com/529/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/olharmutante.wordpress.com/529/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/olharmutante.wordpress.com/529/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/olharmutante.wordpress.com/529/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/olharmutante.wordpress.com/529/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=olharmutante.wordpress.com&amp;blog=5104667&amp;post=529&amp;subd=olharmutante&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" /><div class="sharedaddy sd-rating-enabled sd-like-enabled"></div><img src="http://feeds.feedburner.com/~r/OlharMutante/~4/gSS_f15XDAs" height="1" width="1"/>]]></content:encoded>
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		<item>
		<title>Sobre a incerteza e o processo de criação</title>
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		<comments>http://olharmutante.wordpress.com/2011/03/15/sobre-a-incerteza-e-o-processo-de-criacao/#comments</comments>
		<pubDate>Wed, 16 Mar 2011 01:05:30 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Brunno</dc:creator>
				<category><![CDATA[Leituras]]></category>
		<category><![CDATA[(In)certezas]]></category>
		<category><![CDATA[Criação]]></category>
		<category><![CDATA[Riscos]]></category>

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		<description><![CDATA[Recentemente, terminei de reler o livro Como contar um conto, com transcrições das Oficinas de Roteiro ministradas por Gabriel García Márquez na Escola Internacional de Cinema e Televisão de San Antonio de los Baños, em Cuba. Após terem dito que “Ninguém nunca está completamente seguro do que quer fazer, até fazer&#8230; E nunca está seguro [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=olharmutante.wordpress.com&amp;blog=5104667&amp;post=524&amp;subd=olharmutante&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Recentemente, terminei de reler o livro <strong>Como contar um conto</strong>, com transcrições das Oficinas de Roteiro ministradas por Gabriel García Márquez na Escola Internacional de Cinema e Televisão de San Antonio de los Baños, em Cuba.</p>
<p>Após terem dito que “Ninguém nunca está completamente seguro do que quer fazer, até fazer&#8230; E nunca está seguro do que faz, até ver montado&#8230;”, o livro se encerra com essas palavras de Gabriel García Márquez:</p>
<blockquote><p>“Isso é parte inseparável do processo de criação. Não há verdadeira criação sem riscos, e portanto, sem uma cota de incertezas. Eu nunca torno a ler meus livros depois de editados, com medo de encontrar defeitos que tenham passado despercebidos. Quando vejo a quantidade de exemplares vendidos e as maravilhas que os críticos dizem, dá medo descobrir que estão todos enganados, críticos e leitores, e que o livro, na verdade, é uma merda. E tem mais: sem falsa modéstia, quando fiquei sabendo que tinham me dado o Nobel, minha primeira reação foi pensar: ‘Eles acreditaram, porra! Caíram na minha lorota!’. Essa dose de insegurança é terrível, mas ao mesmo tempo necessária, para fazer algo que valha a pena. Os arrogantes, que sabem tudo, que nunca têm dúvidas, acabam dando tanta cabeçada que morrem disso&#8230;”</p></blockquote>
<br />Filed under: <a href='http://olharmutante.wordpress.com/category/leituras/'>Leituras</a>  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/olharmutante.wordpress.com/524/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/olharmutante.wordpress.com/524/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/olharmutante.wordpress.com/524/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/olharmutante.wordpress.com/524/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/olharmutante.wordpress.com/524/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/olharmutante.wordpress.com/524/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/olharmutante.wordpress.com/524/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/olharmutante.wordpress.com/524/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/olharmutante.wordpress.com/524/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/olharmutante.wordpress.com/524/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/olharmutante.wordpress.com/524/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/olharmutante.wordpress.com/524/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/olharmutante.wordpress.com/524/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/olharmutante.wordpress.com/524/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=olharmutante.wordpress.com&amp;blog=5104667&amp;post=524&amp;subd=olharmutante&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" /><div class="sharedaddy sd-rating-enabled sd-like-enabled"></div><img src="http://feeds.feedburner.com/~r/OlharMutante/~4/T1GiZxEbidw" height="1" width="1"/>]]></content:encoded>
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		<title>Religião: obrigado a acreditar? – parte 3</title>
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		<comments>http://olharmutante.wordpress.com/2011/02/27/religiao-obrigado-a-acreditar-parte-3/#comments</comments>
		<pubDate>Sun, 27 Feb 2011 09:00:09 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Brunno</dc:creator>
				<category><![CDATA[Tradução]]></category>
		<category><![CDATA[Ateísmo]]></category>
		<category><![CDATA[Cognição]]></category>
		<category><![CDATA[Crença]]></category>
		<category><![CDATA[Espiritualidade]]></category>
		<category><![CDATA[Religião]]></category>

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		<description><![CDATA[Caso ainda não tenha lido, leia as partes 1 e 2 antes. *** Esconderijo cognitivo Portanto, seria a religião uma adaptação ou um subproduto da nossa evolução? Talvez um dia vamos encontrar evidências convincentes de que a capacidade para pensamentos religiosos, ao invés da &#8220;religião&#8221; sob a forma moderna de instituições sóciopolíticas, contribuiu para a [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=olharmutante.wordpress.com&amp;blog=5104667&amp;post=513&amp;subd=olharmutante&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><em>Caso ainda não tenha lido, leia as partes <a title="Religião: obrigado a acreditar? - parte 1" href="http://olharmutante.wordpress.com/2011/02/22/religiao-obrigado-a-acreditar-parte-1/" target="_blank">1</a> e <a title="Religião: obrigado a acreditar? - parte 2" href="http://olharmutante.wordpress.com/2011/02/24/religiao-obrigado-a-acreditar-parte-2/" target="_blank">2</a> antes.</em></p>
<p>***</p>
<p><strong>Esconderijo cognitivo</strong></p>
<p>Portanto, seria a religião uma adaptação ou um subproduto da nossa evolução? Talvez um dia vamos encontrar evidências convincentes de que a capacidade para pensamentos religiosos, ao invés da &#8220;religião&#8221; sob a forma moderna de instituições sóciopolíticas, contribuiu para a adequação em tempos ancestrais. Por enquanto, os dados apontam para uma conclusão mais modesta: pensamentos religiosos parecem ser uma propriedade emergente de nossa capacidade cognitiva padrão.</p>
<p>Conceitos e atividades religiosas sequestram nossos recursos cognitivos, assim como a música, as artes visuais, a culinária, a política, as instituições econômicas e a moda. Este sequestro ocorre simplesmente porque a religião oferece alguma forma do que os psicólogos chamariam de superestímulos. Assim como a arte visual é mais simétrica e suas cores mais saturadas do que é geralmente encontrado na natureza, agentes religiosos são versões bastante simplificadas de agentes humanos ausentes, e os rituais religiosos são versões bastante estilizadas dos procedimentos de precaução. O tal sequestro também ocorre porque as religiões facilitam a expressão de certos comportamentos. Esse é o caso do compromisso com um grupo, que é mais digno de confiança quando formulado como a aceitação de crenças bizarras ou não óbvias.</p>
<p>Não devemos tentar identificar a origem única da crença religiosa, porque não há nenhum domínio exclusivo da religião na mente humana. Diferentes sistemas cognitivos lidam com representações de agentes sobrenaturais, de comportamentos ritualizados, de comprometimentos grupais e assim por diante, da mesma maneira que cor e forma são manipuladas por diferentes partes do sistema visual. Em outras palavras, o que torna convincente um conceito de deus não é o mesmo que faz um ritual intuitivamente atraente, ou o que faz uma norma moral autoevidente. A maioria das religiões modernas organizadas se apresenta como um pacote que integra todos esses elementos díspares (a moralidade ritual, a metafísica, a identidade social) em uma doutrina consistente e prática. Mas isso é pura publicidade. Esses domínios permanecem separados na cognição humana. A evidência mostra que a mente não tem uma rede de crença, mas uma miríade de redes distintas que contribuem para tornar as reivindicações religiosas bastante naturais para muitas pessoas.</p>
<p>As emergentes descobertas dessa abordagem evolutiva cognitiva desafiam dois princípios centrais da maioria das religiões estabelecidas. Primeiro, a noção de que o seu credo particular difere de todas as demais (supostamente equivocadas) crenças; em segundo lugar, que é só por causa de acontecimentos extraordinários ou a real presença de agentes sobrenaturais que as idéias religiosas têm tomado forma. Pelo contrário, agora sabemos que todas as versões de religião são baseadas em suposições tácitas muito semelhantes, e que tudo leva a imaginar que agentes sobrenaturais são mentes humanas normais processando informação em sua forma mais natural.</p>
<p>Sabe-se que, mesmo aceitando-se essas conclusões, é improvável que se enfraqueça o compromisso religioso. Algumas formas de pensamento religioso parecem ser o caminho de menor resistência para os nossos sistemas cognitivos. Em contrapartida, a descrença é geralmente o resultado de um deliberado e esforçado trabalho contra nossas disposições cognitivas naturais &#8211; dificilmente é a ideologia mais fácil para se propagar.</p>
<p>***</p>
<p><em>Pascal Boyer pertence aos Departamentos de Psicologia e de Antropologia da Universidade Washington em Saint Louis, Missouri, EUA, e é o autor do livro Religion Explained. Seu e-mail é</em>: pboyer@wustl.edu</p>
<p>***</p>
<p>Tradução livre de Brunno Frigo da Purificação</p>
<p>***</p>
<p>Há uma <a title="Programado para a fé - Revista Super Interessante" href="http://super.abril.com.br/ciencia/programado-fe-443264.shtml" target="_blank">matéria da Revista Super Interessante</a> está bastante relacionada com esse texto (e inclusive faz referências a Pascal Boyer).</p>
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		<title>Religião: obrigado a acreditar? – parte 2</title>
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		<pubDate>Thu, 24 Feb 2011 21:00:33 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Brunno</dc:creator>
				<category><![CDATA[Tradução]]></category>
		<category><![CDATA[Ateísmo]]></category>
		<category><![CDATA[Cognição]]></category>
		<category><![CDATA[Crença]]></category>
		<category><![CDATA[Espiritualidade]]></category>
		<category><![CDATA[Religião]]></category>

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		<description><![CDATA[Caso ainda não tenha lido, leia antes a parte 1 desse texto. *** Baseado em pressupostos Uma descoberta importante é que as pessoas são conscientes somente de algumas de suas ideias religiosas. É fato que elas podem descrever suas crenças, como a de que existe um Deus onipotente que criou o mundo, ou de que [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=olharmutante.wordpress.com&amp;blog=5104667&amp;post=511&amp;subd=olharmutante&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><em>Caso ainda não tenha lido, leia antes a <a title="Religião: obrigado a acreditar? - parte 1" href="http://olharmutante.wordpress.com/2011/02/22/religiao-obrigado-a-acreditar-parte-1/" target="_blank">parte 1 desse texto</a>.</em></p>
<p>***</p>
<p><strong>Baseado em pressupostos</strong></p>
<p>Uma descoberta importante é que as pessoas são conscientes somente de algumas de suas ideias religiosas. É fato que elas podem descrever suas crenças, como a de que existe um Deus onipotente que criou o mundo, ou de que há espíritos escondidos na floresta. Mas a psicologia cognitiva mostra que as crenças explicitamente acessíveis desse tipo são sempre acompanhadas por um conjunto de pressupostos tácitos que geralmente não estão disponíveis à inspeção consciente.</p>
<p>Por exemplo, experiências mostram que a maioria das pessoas apresentam expectativas altamente antropomórficas sobre os deuses, independente de suas crenças explícitas. Quando se conta uma história em que um deus atende a vários problemas de uma só vez, essas pessoas consideram a situação bastante plausível, pois os deuses são geralmente descritos como tendo poderes cognitivos ilimitados. Relembrando a história posteriormente, a maioria dessas pessoas diz que o deus atendeu a uma situação antes de voltar suas atenções para a próxima. As pessoas também implicitamente esperam que a mente de seu deus trabalhe de forma muito semelhante à mente humana, apresentando o mesmo processo de percepção, memória, raciocínio e motivação. Tais expectativas não são conscientes, e frequentemente estão em desacordo com suas crenças explícitas.</p>
<p>A pesquisa mostrou que, diferentemente de crenças conscientes, que diferem muito de uma tradição para outra, os pressupostos tácitos são extremamente semelhantes nas diferentes culturas e religiões. Essas semelhanças podem resultar das peculiaridades da memória humana. Os experimentos sugerem que as pessoas se lembram melhor de histórias que incluem uma combinação de proezas físicas fantásticas (nas quais os personagens atravessam paredes ou desaparecem instantaneamente) e características psicológicas humanas plausíveis (percepção, pensamentos, intenções). Talvez o sucesso cultural dos deuses e espíritos decorre deste viés de memória.</p>
<p>Os seres humanos, mesmo em tenra idade, também tendem a acolher relações sociais com estes e outros agentes não físicos. Ao contrário de outros animais sociais, os seres humanos são muito bons em estabelecer e manter relações com agentes além de sua presença física, hierarquias sociais e coligações, como por exemplo, membros temporariamente ausentes. Isto vai ainda mais longe. Desde a infância, os seres humanos constituem relações sociais duradouras, estáveis e importantes com personagens fictícios, amigos imaginários, parentes falecidos, heróis invisíveis e companheiros de fantasias. De fato, a extraordinária capacidade social dos seres humanos, em comparação a outros primatas, pode ser aperfeiçoada pela prática constante com os parceiros imaginários ou inexistentes.</p>
<p>É um pequeno passo ter esta capacidade de se relacionar com agentes não-físicos para conceituar os espíritos, os antepassados mortos e os deuses, que não são nem visíveis nem tangíveis, mas são socialmente envolvidos. Isto pode explicar porque, na maioria das culturas, pelo menos alguns dos agentes sobre-humanos em que as pessoas acreditam apresentam preocupações morais. Esses agentes são freqüentemente descritos como tendo acesso completo somente às ações moralmente relevantes. Experiências mostram que é muito mais natural pensar que &#8220;os deuses sabem que eu roubei esse dinheiro&#8221; do que &#8220;os deuses sabem que eu comi mingau no café da manhã&#8221;.</p>
<p>Além disso, a neurofisiologia do comportamento compulsivo em humanos e outros animais está começando a lançar luz sobre os rituais religiosos. Estes comportamentos incluem ações estereotipadas e bastante repetitivas que os participantes sentem que devem fazer, mesmo que a maioria dessas ações não apresente resultados observáveis claros, como golpear o peito três vezes repetindo uma fórmula pronta. O comportamento ritualizado também é observado em pacientes com transtorno obsessivo-compulsivo e nas rotinas das crianças. Nestes contextos, os rituais são geralmente associados com pensamentos sobre a poluição e purificação, perigo e proteção, o uso necessário de determinadas cores ou números ou a necessidade de se construir um ambiente seguro e ordenado.</p>
<p>Sabemos agora que o cérebro humano tem um conjunto de redes de segurança e precaução, dedicadas à prevenção de riscos potenciais, tais como a predação ou contaminação. Estas redes disparam comportamentos específicos, tais como limpeza e controle do ambiente de cada um. Quando os sistemas se esgotam, eles produzem a patologia obsessivo-compulsiva. Afirmações religiosas sobre a pureza, a poluição, o perigo oculto dos demônios à espreita, também podem ativar essas redes e tornar intuitivamente atraentes as precauções rituais (limpeza, controle e delimitação de um espaço sagrado).</p>
<p>Finalmente, os estudos em psicologia social e evolucionária demonstram uma capacidade especificamente humana de coalizão, que tem um impacto sobre a religião. Os seres humanos são os únicos entre os animais em manter grandes coalizões estáveis de indivíduos não aparentados, unidos por forte confiança mútua. Os seres humanos evoluíram as ferramentas cognitivas para alcançar tal objetivo. Eles sabem como avaliar a confiabilidade dos outros. Eles podem recordar os episódios de interação e inferir como é o caráter das pessoas. Eles podem emitir e detectar sinais de compromisso difíceis de serem falsificados.</p>
<p>Essa psicologia da coalizão está envolvida na dinâmica do compromisso religioso público. Quando as pessoas proclamam a sua adesão a uma fé particular, elas aderem a afirmações das quais não se tem provas, e que poderiam ser consideradas erradas ou ridículas por outros grupos religiosos. Isso sinaliza uma vontade de abraçar às normas particulares do grupo por nenhuma outra razão, a não ser precisamente pelas próprias normas do grupo.</p>
<p>***</p>
<p>Leia também a <a title="Religião: obrigado a acreditar? - parte 3" href="http://olharmutante.wordpress.com/2011/02/27/religiao-obrigado-a-acreditar-parte-3/">parte 3</a> (publicada em 27/02)</p>
<br />Filed under: <a href='http://olharmutante.wordpress.com/category/traducao/'>Tradução</a>  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/olharmutante.wordpress.com/511/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/olharmutante.wordpress.com/511/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/olharmutante.wordpress.com/511/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/olharmutante.wordpress.com/511/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/olharmutante.wordpress.com/511/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/olharmutante.wordpress.com/511/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/olharmutante.wordpress.com/511/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/olharmutante.wordpress.com/511/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/olharmutante.wordpress.com/511/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/olharmutante.wordpress.com/511/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/olharmutante.wordpress.com/511/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/olharmutante.wordpress.com/511/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/olharmutante.wordpress.com/511/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/olharmutante.wordpress.com/511/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=olharmutante.wordpress.com&amp;blog=5104667&amp;post=511&amp;subd=olharmutante&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" /><div class="sharedaddy sd-rating-enabled sd-like-enabled"></div><img src="http://feeds.feedburner.com/~r/OlharMutante/~4/77MUt9lcF5o" height="1" width="1"/>]]></content:encoded>
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