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	<title>Papel</title>
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	<description>a nova revista online</description>
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		<title>Tenta-me &#124; O último papel</title>
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		<pubDate>Sat, 19 Oct 2013 21:30:41 +0000</pubDate>
		<dc:creator><![CDATA[Phillipa Thirteen]]></dc:creator>
				<category><![CDATA[Novo]]></category>
		<category><![CDATA[Destaque]]></category>
		<category><![CDATA[Ficção & Poesia]]></category>
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		<description><![CDATA[Apesar de os nossos encontros serem sempre o que foram (e serem sempre como foram), fossem demorados ou fugazes, fizeste sempre por sair sem que eu me desse por isso. Esperaste sempre que eu adormecesse ou que saísse do quarto por uns minutos para voltar e tu já não estares. Sempre gostei disso. Como sempre gostei [&#8230;]]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p>Apesar de os nossos encontros serem sempre o que foram (e serem sempre <em>como</em> foram), fossem demorados ou fugazes, fizeste sempre por sair sem que eu me desse por isso. Esperaste sempre que eu adormecesse ou que saísse do quarto por uns minutos para voltar e tu já não estares. Sempre gostei disso. Como sempre gostei do papel que sempre me deixaste escrito, na cama ou junto dela, com ou sem chocolatinho de licor, com ou sem rosa vermelha, com ou sem bilhete para um concerto, com ou sem chave de hotel para o próximo encontro, com muita coisa escrita ou simplesmente com um &#8220;Uau!!!&#8221;, como chegaste a escrever.</p>
<p>No último papel que escrevinhaste e deixaste em cima da almofada li: «Foi fantástico mas foi a última vez… Sabes exactamente porquê… Há mil e uma razões para isto não acontecer mais e só UMA que o justifica! Foi a última vez. Está decidido. Por muito que queira… não posso… não quero! Foi fantástico mas foi a última vez…»</p>
<p>Sobre isso, só tenho a dizer uma coisa.</p>
<p>Quanto apostas que não foi a última vez…?</p>
<p><strong><img src="http://s.w.org/images/core/emoji/72x72/1f609.png" alt="&#x1f609;" class="wp-smiley" style="height: 1em; max-height: 1em;" /></strong></p>
<p>&nbsp;</p>
<p><a href="http://www.papelonline.pt/revista/wp-content/uploads/2013/10/IMG_4099.jpg" rel="lightbox[9253]" title="Tenta-me | O último papel"><img class="wp-image-9255 alignleft" alt="IMG_4099" src="http://www.papelonline.pt/revista/wp-content/uploads/2013/10/IMG_4099.jpg" width="640" srcset="http://www.papelonline.pt/revista/wp-content/uploads/2013/10/IMG_4099-300x200.jpg 300w, http://www.papelonline.pt/revista/wp-content/uploads/2013/10/IMG_4099.jpg 960w" sizes="(max-width: 960px) 100vw, 960px" /></a></p>
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		<title>Papel e Caneta &#124; O papel principal (Acto I)</title>
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		<pubDate>Fri, 18 Oct 2013 09:33:27 +0000</pubDate>
		<dc:creator><![CDATA[Carmen Fialho]]></dc:creator>
				<category><![CDATA[Destaque]]></category>
		<category><![CDATA[Ficção & Poesia]]></category>

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		<description><![CDATA[Um conto em 3 actos]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p><b><a href="http://www.papelonline.pt/revista/wp-content/uploads/2013/10/top_papel_pricipal_1.gif" rel="lightbox[9224]" title="Papel e Caneta | O papel principal (Acto I)"><img class="aligncenter size-full wp-image-9230" alt="top_papel_pricipal_1" src="http://www.papelonline.pt/revista/wp-content/uploads/2013/10/top_papel_pricipal_1.gif" width="640" height="164" /></a></b></p>
<p>Maria Ana Nobre, nome artístico. Nome falso. Nobre. Porque nobre queria ser, forma airosa de esconder o apelido mais popular e brejeiro. Ana Maria Silva, nome verdadeiro. Ainda se fosse: e Silva. Não é. É hoje só e apenas a assinatura do bilhete de identidade, onde não há como fugir e as origens são postas a nu. Os pais. O berço que não teve e que se esforça há tantos anos por fazer de conta que tem. A vida inteira num jogo de faz de conta. Na realidade e no palco. O nome foi escolhido primeiro do que a profissão. Ser outra era a condição fundamental.</p>
<p>Já foi de tudo. Mãe sem nunca ter tido filhos. Esposa sem nunca ter sido casada. Irmã sem nunca ter conseguido partilhar. Amiga sem que tenha alguma digna dessa classificação. Homem sem saber o que é ter pénis. É actriz. Conceituada, reconhecida. Os prémios trazem <i>glamour</i> a uma vida de mentira. Tão preenchida para as revistas que a perseguem como fútil. Os cabelos pintados, os retoques que o cirurgião plástico da moda já deu no rosto para disfarçar a chegada dos 40 e o nariz novo. Como moda são as roupas que veste. Tudo <i>fine couture</i>. Vale mais a marca do que perder tempo a pensar se é bonito ou se vale o dinheiro. Os sapatos de salto alto caríssimos não valem de certeza o preço que custam para as dores que fazem. Mas é preciso manter a postura. A personagem. Seja na realidade ou no palco.</p>
<p>Tudo tem um preço. Ela sabe-o. E se agora pode esbanjar dinheiro à vontade num carro de luxo e na casa num condomínio privado no Estoril, houve tempos em que deixou de comer para pagar as contas. Era preciso criar uma imagem. Agora é preciso mantê-la. O namorado é disso exemplo. Sem melodramas baratos nem remorsos. Ele, advogado numa firma de sucesso, também não procura mais do que uma companhia para jantares e <i>cocktails</i>. Vendem-se os dois. Prostituem a sua imagem. Servem-se um do outro como se fossem acompanhantes de luxo.</p>
<p>Naquele domingo, Maria Ana seguia pela auto-estrada para mais um evento entediante e solidário, para onde as revistas e os jornais debandam em busca de fofocas e fotografias bonitas. Elegante como sempre gostava de se apresentar, Maria Ana Nobre levava um vestido <i>evasé</i> da Chanel e uns sapatos Louboutin, já a adivinhar a legenda das fotos nas revistas da semana seguinte e o assunto: o casal parecia muito cúmplice e apaixonado.</p>
<p>Apesar de o Outono ter chegado, o céu azul e sem nuvens e os mais de vinte graus convidavam àquele <i>look</i> de verão. Tudo dito e pensado com muitos estrangeirismos, porque falar assim também era moda. Maria Ana ia vagueando por estes pensamentos, quando os carros pararam de repente. Não é habitual haver muito trânsito àquela hora. Maria Ana vestiu a personagem da enfadada, praguejando sobre o imprevisto. Preparava-se para pegar no telefone para avisar o namorado de que ia chegar atrasada quando um homem saiu de uma carrinha cinzenta parada na berma, meteu-se à frente dos carros e avançou até à faixa do meio, gesticulando, num apelo surdo aos outros condutores para que telefonassem. Só podia ser à emergência. Ninguém sai do carro com a pressa de quem vai dar dois socos no fulano que eventualmente lhe bateu e pedir para chamar a polícia. Algo mais grave se passava.</p>
<p>Os carros, aos poucos, começaram a arranjar caminho para a fuga, como a água começa a procurar a saída quando se vê apertada na inundação. O carro de Maria Ana era uma comporta no meio da estrada e os outros veículos iam escoando por um lado e pelo outro. Ela não podia sair, não conseguia fazer marcha-atrás. Restava-lhe ficar ali parada, dentro do carro, até as autoridades chegarem. Chamou novamente a GNR e foi observando o filme à sua frente. O homem de fato que saíra da carrinha cinzenta pairava como um pássaro sobre o carro. Ora se debruçava sobre o lugar do condutor, ora falava para o banco de trás. Maria Ana resolveu ir lá reclamar também, saber por que estava parada no meio da auto-estrada por causa de um carro utilitário, velho, pintado de um branco sem brilho e esfolado. Antes de conseguir falar, ouviu chorar.</p>
<p>Olhou na direcção do som. Não falou para os homens. Perguntou:</p>
<p>Como te chamas?</p>
<p><a href="http://wp.me/p34w79-2oO"><img class="alignleft  wp-image-9236" alt="acto2" src="http://www.papelonline.pt/revista/wp-content/uploads/2013/10/acto2.gif" width="337" height="448" /></a></p>
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		<title>Papel e Caneta &#124; O papel principal (Acto II)</title>
		<link>http://www.papelonline.pt/revista/papel-e-caneta-o-papel-principal-acto-ii/</link>
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		<pubDate>Fri, 18 Oct 2013 09:32:02 +0000</pubDate>
		<dc:creator><![CDATA[Carmen Fialho]]></dc:creator>
				<category><![CDATA[Ficção & Poesia]]></category>

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		<description><![CDATA[Um conto em 3 actos]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p><b><a href="http://www.papelonline.pt/revista/wp-content/uploads/2013/10/top_papel_pricipal_2.gif" rel="lightbox[9226]" title="Papel e Caneta | O papel principal (Acto II)"><img class="aligncenter size-full wp-image-9231" alt="top_papel_pricipal_2" src="http://www.papelonline.pt/revista/wp-content/uploads/2013/10/top_papel_pricipal_2.gif" width="640" height="164" /></a></b></p>
<p>Lara.</p>
<p>Uma menina de sete ou oito anos, cabelos muito negros e compridos, chorava compulsivamente no banco de trás do carro. Maria Ana debruçou-se sobre ela, apertou-lhe a mão e disse:</p>
<p>Não te vou largar.</p>
<p>E a seguir pediu à criança o número de telefone da mãe. A menina acalmou-se e, um a um, de cor, disse os números que Maria Ana digitou no seu telefone.</p>
<p>Só quando ela já falava com a mãe, Maria Ana se apercebeu do cenário: um homem que presumia ser o pai estava inconsciente e o outro homem tentava trazê-lo de volta à vida. O homem do fato apercebeu-se de que o carro vinha em desalinho pelo espelho retrovisor e parou. Felizmente o carro foi-se abaixo. Por milagre não foi contra nada e ninguém lhe bateu. Aquele homem de fato e rosto fechado podia ter visto o que estava a acontecer pelo retrovisor e seguir em frente. Mas não. Parou e fez parar o trânsito, como se desse o corpo às balas, atravessando no meio dos carros que circulavam a mais de cem à hora. Aquele homem era um herói.</p>
<p>Com uma mão a pegar no telefone e a outra a apertar com força a de Maria Ana, Lara já não gritava embora as lágrimas continuassem a cair sobre o rosto moreno. Era muito bonita, apesar das roupas já demasiado curtas para o seu tamanho e deslavadas e as sandálias gastas.</p>
<p>Ela. Ali. No meio daquilo tudo. Parecia um transe. Acordou desse sonho estranho quando Lara a puxou e lhe entregou o telefone, fazendo com a cabeça o sinal de que quem estava do outro lado da linha queria falar com ela. Identificou-se e fez um ponto da situação, explicando a localização como se vestisse a pele de um polícia ou de um bombeiro. Acabou o telefonema com a promessa de que não largaria a menina até as autoridades chegarem. Que a mãe ficasse descansada.</p>
<p>Desligou e ficou a olhar para o ecrã do telefone. Não queria acreditar nas palavras que haviam saído da sua boca. Lara voltou a chamá-la a uma realidade até aí desconhecida. Já não chorava. O homem, no banco da frente, estava entretanto a ser assistido pelo médico do INEM e dava sinais de recuperar os sentidos. A menina olhou pela primeira vez Maria Ana nos olhos e esboçou um sorriso tímido. Disse:</p>
<p>Não se deve andar a pé na auto-estrada.</p>
<p>Maria Ana não respondeu e apertou um pouco mais aquela mão pequena que não largava há mais de vinte minutos. O suor das duas confundia-se e misturava-se. Até que o elo foi cortado pela Guarda que chegou e ficou responsável pela criança. Não se reconhecendo, Maria Ana ainda foi à porta da ambulância que transportava pai e filha para se despedir.</p>
<p><a href="http://wp.me/p34w79-2oQ"><img class="alignright  wp-image-9237" alt="acto3" src="http://www.papelonline.pt/revista/wp-content/uploads/2013/10/acto3.gif" width="337" height="448" /></a></p>
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		<title>Papel e Caneta &#124; O papel principal (Acto III)</title>
		<link>http://www.papelonline.pt/revista/papel-e-caneta-o-papel-principal-acto-iii/</link>
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		<pubDate>Fri, 18 Oct 2013 09:31:13 +0000</pubDate>
		<dc:creator><![CDATA[Carmen Fialho]]></dc:creator>
				<category><![CDATA[Ficção & Poesia]]></category>

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		<description><![CDATA[Um conto em 3 actos]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p><b><a href="http://www.papelonline.pt/revista/wp-content/uploads/2013/10/top_papel_pricipal_3.gif" rel="lightbox[9228]" title="Papel e Caneta | O papel principal (Acto III)"><img class="aligncenter size-full wp-image-9232" alt="top_papel_pricipal_3" src="http://www.papelonline.pt/revista/wp-content/uploads/2013/10/top_papel_pricipal_3.gif" width="640" height="164" /></a></b></p>
<p>Chegou atrasada ao almoço de caridade, mas não contou o episódio. Nem ao namorado. Podia tê-lo revelado às revistas que fariam parangonas do seu acto de solidariedade. Esteve lá em corpo e com a cabeça noutro lado. Por isso, à primeira oportunidade e depois de cumpridos os requisitos, voltou para casa. Sozinha.</p>
<p>Sentou-se no quarto e abriu as cortinas da janela e perdeu-se no infinito do mar. Navegando em pensamentos que se diluíam como ondas desmaiadas na areia da praia. Esteve assim à deriva por muito tempo. O telefone tocou e como um farol guiou-a de regresso à realidade. Não conhecia o número, mas mesmo assim resolveu atender.</p>
<p>Boa tarde. Sou a mãe da Lara. Quero agradecer-lhe por ter tomado conta dela. Foi muito importante. Obrigada.</p>
<p>Não tem de quê. Também sou mãe. (As palavras saíram-lhe. Teria mentido ou interpretado um papel?).</p>
<p>Obrigada uma vez mais. Adeus, dona Ana… Nobre. É assim?</p>
<p>Ana Silva. Ana Maria Silva.</p>
<p>Desculpe. Pensei que me tinha dito Nobre. Tem sido um dia complicado.</p>
<p>Não faz mal. Um beijinho para a Lara.</p>
<p>Desligou o telefone e observou o mar, que estava agora mais agitado. Olhou para o seu quarto. Tudo calmo. Tudo impecável. Tudo pouco vivido, como se se tratasse de um cenário. Num movimento veloz como um ciclone, abriu as gavetas da cómoda e desdobrou a roupa toda que lá estava irrepreensivelmente arrumada pela sua empregada. A seguir, desmanchou a cama. Arrancou a colcha de seda e atirou ao chão as sucessivas almofadas dispostas como num leito de rainha. A revolta exterior manifestou-se, por fim, por dentro. Gritou. Chorou. Como não fazia há anos. Muitos.</p>
<p>Já a noite caia lá fora quando voltou a mexer-se. O rosto desfigurado das lágrimas, com a maquilhagem esborratada e os cabelos em desalinho. Tirou uma agenda antiga e gasta da mesa-de-cabeceira e pegou no telefone abandonado no chão. Marcou um número e quando atenderam, fechou os olhos para arranjar coragem e disse com uma voz afectada:</p>
<p>Estou?&#8230;</p>
<p>(silêncio)</p>
<p>Estou? (num tom acima, num desespero crescente.)</p>
<p>Anita filha, és tu?&#8230;</p>
<p>&nbsp;</p>
<p><a href="http://www.papelonline.pt/revista/wp-content/uploads/2013/10/fim.gif" rel="lightbox[9228]" title="Papel e Caneta | O papel principal (Acto III)"><img class="aligncenter size-full wp-image-9246" alt="fim" src="http://www.papelonline.pt/revista/wp-content/uploads/2013/10/fim.gif" width="640" height="482" /></a></p>
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		<title>Webcedário &#124; Crónica de um &#8220;Pim&#8221; anunciado</title>
		<link>http://www.papelonline.pt/revista/webcedario-cronica-de-um-pim-anunciado/</link>
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		<pubDate>Thu, 17 Oct 2013 15:23:50 +0000</pubDate>
		<dc:creator><![CDATA[Webcedário]]></dc:creator>
				<category><![CDATA[Novo]]></category>
		<category><![CDATA[Destaque]]></category>
		<category><![CDATA[Cartoon]]></category>
		<category><![CDATA[ÚLTIMA PAPEL]]></category>

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		<description><![CDATA[A última letrinha do Webcedário na Papel... ]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p><a href="http://www.papelonline.pt/revista/wp-content/uploads/2013/10/webcedario_papel_pim.gif" rel="lightbox[9221]" title="Webcedário | Crónica de um "Pim" anunciado"><img class="alignleft size-full wp-image-9220" alt="webcedario_papel_pim" src="http://www.papelonline.pt/revista/wp-content/uploads/2013/10/webcedario_papel_pim.gif" width="960" height="500" /></a></p>
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		<item>
		<title>&#8220;Obrigada, PAPEL!&#8221; &#124; por Susana Luzir</title>
		<link>http://www.papelonline.pt/revista/obrigada-papel-por-suzana-luzir/</link>
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		<pubDate>Thu, 17 Oct 2013 09:54:04 +0000</pubDate>
		<dc:creator><![CDATA[Revista Papel]]></dc:creator>
				<category><![CDATA[Novo]]></category>
		<category><![CDATA[Destaque]]></category>
		<category><![CDATA[ÚLTIMA PAPEL]]></category>

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		<description><![CDATA[da Susana Luzir]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p>«Hoje em dia, finalmente, consigo definir a minha missão ou o meu &#8220;Papel&#8221; na fotografia: &#8220;<strong><a href="http://www.papelonline.pt/revista/susana-luzir-a-fotografa-de-espirito-livre/" target="_blank">Susana Luzir, a fotógrafa de espírito livre</a></strong>&#8220;, título escolhido pela Andreia Miranda para ilustrar a entrevista proposta pelo Marco António.</p>
<p>Acredito que as nossas vidas se cruzaram com um objetivo e na altura certa! Agora caminhamos juntos, amigos!</p>
<p>Obrigada, PAPEL!»</p>
<p>Susana Luzir</p>
<p><a href="http://www.papelonline.pt/revista/wp-content/uploads/2013/10/SusanaLuzir.jpg" rel="lightbox[9144]" title=""Obrigada, PAPEL!" | por Susana Luzir"><img class="aligncenter size-full wp-image-9145" alt="SusanaLuzir" src="http://www.papelonline.pt/revista/wp-content/uploads/2013/10/SusanaLuzir.jpg" width="960" height="640" srcset="http://www.papelonline.pt/revista/wp-content/uploads/2013/10/SusanaLuzir-300x200.jpg 300w, http://www.papelonline.pt/revista/wp-content/uploads/2013/10/SusanaLuzir.jpg 960w" sizes="(max-width: 960px) 100vw, 960px" /></a></p>
<p><em>Foto: Susana Luzir</em></p>
<p><strong>A Susana Luzir é, de facto, uma fotógrafa de espírito totalmente livre e de horizontes bem largos, que admiramos e que nos honramos de ter recebido na PAPEL. Foi também ela que nos abriu as portas a um dos eventos mais espectaculares sobre os quais aqui escrevemos: a <a href="http://www.papelonline.pt/revista/eurobattle/" target="_blank">EuroBattle</a> (com fotografias &#8211; inacreditáveis! &#8211; de sua autoria).</strong></p>
<p><strong>Ao enviar-nos a foto para esta edição da PAPEL, explicou a escolha: «A foto, simboliza a liberdade, no céu azul com nuvens brancas. Sempre em busca da esperança.»</strong></p>
<p><strong>Obrigado, nós, Susana!</strong></p>
]]></content:encoded>
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		</item>
		<item>
		<title>Um Estado de (Des)Graça &#124; O Noddy morreu</title>
		<link>http://www.papelonline.pt/revista/um-estado-de-desgraca-o-noddy-morreu/</link>
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		<pubDate>Thu, 17 Oct 2013 09:52:19 +0000</pubDate>
		<dc:creator><![CDATA[Rute Gil]]></dc:creator>
				<category><![CDATA[Novo]]></category>
		<category><![CDATA[Destaque]]></category>
		<category><![CDATA[ÚLTIMA PAPEL]]></category>

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		<description><![CDATA[por Rute Gil]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p><a href="http://www.papelonline.pt/revista/wp-content/uploads/2013/10/noddy-dead1.jpg" rel="lightbox[9125]" title="Um Estado de (Des)Graça | O Noddy morreu"><img class="alignright size-full wp-image-9204" alt="noddy dead" src="http://www.papelonline.pt/revista/wp-content/uploads/2013/10/noddy-dead1.jpg" width="354" height="241" srcset="http://www.papelonline.pt/revista/wp-content/uploads/2013/10/noddy-dead1-300x204.jpg 300w, http://www.papelonline.pt/revista/wp-content/uploads/2013/10/noddy-dead1.jpg 354w" sizes="(max-width: 354px) 100vw, 354px" /></a>Foi assim, com ponto final e tudo, que eu respondi ao meu filho aos três anos de idade, depois de horas de questionário repetitivo sobre onde se tinha enfiado o raio do boneco. “Morreu?”. Sim, foi para o céu dos bonecos dos meninos que se portam mal.</p>
<p>Em 36 anos de vida, critiquei sempre os pais que metiam medo aos filhos, que lhes abanavam os alicerces da segurança. E hoje, no que me tornei? Uma mãe-terrorista. Tenham lá paciência os pedagogos. Eu sei tudo de uma ponta à outra, mas é pedir demasiado ao ser humano que tenha uma paciência estoica 24 horas por dia, sete dias por semana, muitos anos disto.</p>
<p>A primeira ideia para a minha crónica na Papel era falar sobre a maternidade, mostrar o lado glamoroso de quem aguentou quase 30 meses com caracóis colados à barriga, com pernas enfiadas costela a dentro, e a azia, as hemorroidas e o sexo imaginativo. Por isso, isto é um fim que volta ao início.</p>
<p>Fartei-me. Se não puder dizer que o Noddy morreu, ou avisar que o Ruca perdeu o cabelo por não comer a sopa, eu encho-os de porrada e a seguir enfio a cabeça no forno.</p>
<p>Mas não sou só eu que ando aqui à beira de um ataque de nervos quando vejo as fotos das noitadas dos amigos, das férias românticas e paradisíacas nalguma ilha a 30 horas daqui. O meu marido, homem de bem que escolhi a preceito para pai dos meus filhos, está a passar-se também. E isso sim, isso é algo realmente novo. Para mim e para ele. O meu marido passou a falar mais alto, aliás, noutro dia ameaçou que enfiava o “boneco da luz” no caixote do lixo caso não adormecessem de uma vez, os pândegos meia-leca.<br />
O facto é que nos mantemos assim, amor infinito, dedicação exclusiva, sem apoio, sem casas de amigos onde os enfiar, a fazer escalas de idas aos avós de ano a ano. Isso enlouquece qualquer um.</p>
<p>E mesmo nesses dias, damos por nós a falar nas gracinhas dos estafermos, no que um disse, no que o outro respondeu, triste vida a nossa. No que nos tornámos.</p>
<p>Depois há o grande, o grande talibã de 17 anos bem medidos. Com esse, já não há pedagogia possível sem ser a chantagem monetária e o amor desmedido. Queres furar a cabeça toda com piercings? Fura, amorzinho. A mãe gosta de ti pelo que és, mas pagas com o teu dinheiro. Vais sair pela terceira noite consecutiva? Fazes bem, diverte-te, mas estuda. Ah, e manda-me uma mensagem quando estiveres a chegar. Mensagem que nunca chega.</p>
<p>Os filhos são isto. Uma carga de trabalhos que nos fazem os cabelos brancos, que nos sacam a racionalidade, que nos fazem fazer figura de parvos – ó mãeee, imita lá a galinha!!! – que nos obrigam a fazer coisas de que detestamos, como comer queijo e agradecer, apenas para lhes dar o exemplo.</p>
<p>É de loucos, sim senhor, e não me venham com a conversa ah, isso passa, eles são muito pequeninos. Passa?! Quando? Aos 33 anos? Aguardo com esperança, ao mesmo tempo que questiono o meu marido sobre qual a razão que o impele a esmurrar o Gomby.<br />
Uma noite romântica que se transforma num pesadelo de copos de água, de lençóis com cocó e vómito, um beijinho dado às escondidas – espera que tenho de desinfectar as mãos com álcool. Ó pai, o que estás a fazer à mãe?</p>
<p>Tenham filhos, para verem os tormentos que fizeram os vossos pais passar. Isso, claro, se os vossos pais ainda tiverem fígado, porque o nosso, os filhos estão a acabar lentamente com ele.</p>
<p>Eu vivi numa família que não conhecia outra pedagogia que não a do hábito, fosse ele bom ou mau. A minha mãe tinha o “homem da luz”, que batia à porta à hora da sesta e passava nas escadas para garantir que os meninos dormiam. O meu filho, se continuar a pôr o dedo na boca, já sabe que um deles lhe vai cair irremediavelmente e depois vai ter de ir ao hospital para ser cosido com uma agulha.</p>
<p>Havia o meu sobrinho, que se pelava de medo por um ser a que chamaram Meireles. Um dia em que se portava muito mal, até chegou a receber um telefonema dele. João, é para ti, é o Meireles. Sempre que me lembro desta história dá-me vontade de rir, porque quem a pregou também já tinha passado pelo mesmo. Hoje, também ele se ri.</p>
<p>Em Barrancos, na terra do pai dos meus filhos, há a Pantaralha, um ser que anda à noite pelas ruas da vila, vestida com um lençol, fantasmagórica, a pregar sustos a quem não dorme. Em casa da minha avó paterna, havia a hora da cobra. Por um dia ter descoberto a pele de uma cobra no quintal, passaram a usar o feito para me manter longe do sol, nas horas mais quentes. E havia a bruxa do lado, que espreitava por entre o postigo, de vela na mão, para ver quem comia ou não a canja.</p>
<p>Fomos todos criados num ambiente de medo, com histórias terríveis, seres hediondos que só se interessavam por raptar criancinhas – num tempo em que não existia pedofilia e redes sociais. Não o advogo, mas acredito que isso não nos toldou o entendimento.<br />
Deixo-vos com uma das músicas de embalar que a minha mãe nos cantava aos três, na cama dela, nas noites em que o meu pai ia matar coelhos e encher pardalitos de chumbo. Costumamos cantá-la na noite de Natal. Eu, com 36 anos, a minha irmã com 43 e o mano velho, com 46. Todos com filhos felizes.</p>
<p>Reza assim:</p>
<p>“Santa Mãe que estais no céu, ó mãe<br />
Pede a deus por teus filhinhos, sim?<br />
(…)<br />
Que a minha madrasta dá cabo de mim!<br />
Ó minha mãezinha adorada,<br />
O pai outra mulher tem,<br />
E dá-nos tanta pancada,<br />
Por não lhe chamarmos mãe,<br />
(…)<br />
Mas acredita, doce bem:<br />
Nunca mais outra mulher nos ouvirá chamá-la Mãe”</p>
<p>Sejam felizes.</p>
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		<title>Sem Palavras</title>
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		<pubDate>Thu, 17 Oct 2013 09:49:29 +0000</pubDate>
		<dc:creator><![CDATA[Sofia Gonçalves]]></dc:creator>
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		<description><![CDATA[por Sofia Gonçalves]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p><a title="IMG_0043 by lucy pepper [unkempt woman], on Flickr" href="http://www.flickr.com/photos/unkemptwomen/10311197144/"><img alt="IMG_0043" src="http://farm3.staticflickr.com/2856/10311197144_8cd4648b63_z.jpg" width="640" height="480" /></a><br />
Seria a última vez que proferiria uma palavra. Um som abafado, enrolado na língua e de cujo significado já não lhe ficara memória. Um adeus. A coragem de renegar o discurso, a inflamada e enganadora palavra que  tão habilmente força a compreensão. A retorce. A pinta de cor impura, imprecisa, revestida de intenção.</p>
<p>Engolira-a, redonda, na garganta ressequida e rouca. Sem dó nem remédio.</p>
<p>Toda a vida fora construída num redemoinho de sonhos alimentados de promessas rasgadas no peito. Sonoras. Inócuas e esquecidas pelo tempo. A felicidade afogara-se na onda de palavras coladas a preguiçosas intenções.</p>
<p>A inabilidade de vociferar sentimentos, réstias de sentimentos, pensamentos finos que se perdem a cada sílaba construída. Pensar, sentir, agir. Sem intentar minuciar em discurso. Por inútil. Por perverso.</p>
<p>O desperdício e desgaste das palavras continua com uma persistência assustadora. Incauta!</p>
<p>A casa que descreveu ao longo da sua vida, a sua, não era a casa que os outros que julgavam ouvir. O espaço onde habitava era outra coisa. De uma outra dimensão. Tem um alpendre onde se perde nos pensamentos, nas viagens que sonha, na vida que construiu em alicerces que inventara. Frágeis como a sua existência. Inseguros. Permeáveis.</p>
<p>Não é cor-de-rosa, nem amarela, nem branca debruada a azul. Não tem jardim nem vasos nas janelas. Não é um loft de artista, com decoração blasé, nem tem janelas rasgadas nas paredes onde o bulício da cidade entra e nos faz sentir imensamente sós. Não é nada disto. E nem pela exclusão de todas as casas que se vêm por aí, conseguira alguma vez mostrar a sua. De paredes finas como a pele que mantém a ossadura presa, os órgãos protegidos.</p>
<p>Por vezes, um pensamento ténue quase que a faria sentir capaz de o dizer. Atenta, escolhendo as palavras que seriam capazes de o colar a uma verdade dita. Mas à medida que o ia fazendo, o pensamento era afogado em sílabas e preposições e verbos e perdia-se, fino, esfumado em apenas uma sensação incapaz de transmitir.</p>
<p>Lera incessantemente, procurando nos sábios a habilidade de encaixar as palavras e com elas formar uma sequência de intenções, sentimentos, vivências, verdadeiras. Reais. Mas fora nos silêncios, nas entrelinhas, no que não era dito que encontrara essa verdade. Nesse espaço onde as palavras não poluem, não enganam, não colam intensões supérfluas.</p>
<p>Não vivera os grandes feitos. Aqueles que têm palavras propositadamente inventadas e lhes conferem a credibilidade de serem precisamente o que deles se diz. Vive os outras, os que não se falam, ninguém se atreve, são tabu, ou vergonhosamente escondidos, como preciosidades encafuadas numa gruta húmida da qual se perdeu o mapa. Não se revisitam, são um brilho rápido que fugiu. E nesse instante é tudo! Permanece apenas o suficiente para se lhe sentir o gosto, a imensidão. Para florescer um sorriso íntimo e seguro. O que se lhe sente é a verdade do momento rápido desse fino fio.</p>
<p>Procurara no seu interior que algo acontecesse, que lhe saísse uma ruidosa palavra que apenas por medo, não ousara sequer. Um medo violento de afogar a verdade num gemido vociferado. Na infame necessidade de partilhar ao mundo o que só a ela lhe era reservado. Qual troféu. Ficara apenas a sentir a felicidade imensa da verdade que alcançou. Ah, então é isto! Geme timidamente, como quem não quer atropelar o momento. O pretende perpetuar, mas, ao mesmo tempo, lhe reconhece a existência.</p>
<p>Recosta-se, deixa o sol iluminar-lhe a tez, assim como o pensamento lhe iluminou a alma. Fecha os olhos e esboça um sorriso húmido, encerrando em si o turbilhão de emoções que a fazem sentir plena, renascida, viva. E desde esse momento, com uma clareza furiosa e quase cegante, decide deixar de falar. Não precisa. Não quer.</p>
<p>&nbsp;</p>
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		<title>Amor em conserva</title>
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		<pubDate>Thu, 17 Oct 2013 09:49:29 +0000</pubDate>
		<dc:creator><![CDATA[Raquel Serejo Martins]]></dc:creator>
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		<category><![CDATA[ÚLTIMA PAPEL]]></category>

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		<description><![CDATA[por Raquel Serejo Martins]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p><a href="http://www.papelonline.pt/revista/wp-content/uploads/2013/10/atum.jpg" rel="lightbox[9106]" title="Amor em conserva"><img class="alignright size-full wp-image-9191" alt="atum" src="http://www.papelonline.pt/revista/wp-content/uploads/2013/10/atum.jpg" width="463" height="344" /></a></p>
<p>Juntos éramos como uma lata de atum, uma lata de atum sem anilha pela qual puxar, e um abre-latas defeituoso.</p>
<p>O abre-latas barato, comprado numa loja do chinês como se negócio da China, metade de plástico, metade de metal, obviamente vil, fraco e, em consequência, enviesável.</p>
<p>Havia verde, laranja e azul.</p>
<p>Escolhemos o laranja porque igual na cor ao avental, aos panos de cozinha, às tampas dos <i>tuperware</i>, ao cesto do pão, ao caixote do lixo, ao relógio na parede como se porteiro da porta do forno.</p>
<p>Os dois gostamos de espaços monocromáticos.</p>
<p>Uma sincronia com aparência de sintonia.</p>
<p>Os dois, uma lata de atum e um abre-latas.</p>
<p>A lata de atum de uma qualquer marca das conserveiras nacionais, da fábrica <i>Santa Catarina</i> da ilha de São Jorge, onde pescam o atum a salto e vara, que o mesmo é dizer de forma sustentável a linha e anzol, da <i>Conserveira do Sul</i> em Olhão, da <i>Nero</i> do senhor Amadeu Henrique Nero um precursor que em 1912, em Sesimbra, fundou a primeira fábrica de conservas do pais, da <i>Minerva</i> na Póvoa de Varzim, da <i>Pinhais</i> de Matosinhos ou de outras que tais desde que nacionais, que em tempos de crise, ao caso de sentimentos, os dois preferimos comprar o que é nosso.</p>
<p>O que é nosso?</p>
<p>O que foi nosso?</p>
<p>Nós: o abre-latas às voltas sobre lata ou a lata às voltas sob abre-latas, tanto faz.</p>
<p>Em não sei quê de valsa, <i>um dois três, um dois três</i>, o abre-latas a desafinar, a desmanchar, a desarmar a lata, <i>um dois três, um dois três</i>, a lata cada vez mais torta, mais curva, mais tosca, <i>um dois três, um dois três</i>, o abre-latas cada vez mais enviesado, mais torto, mais entalado, <i>um dois três, dois três</i>, que à terceira é de vez, <i>um dois três</i>, primeiro um furo, <i>um dois três, </i>depois um pequena abertura, <i>um dois três</i>, a lata a verter azeite ou óleo, <i>um dois três</i>, conforme o rótulo, de milho, soja ou girassol.</p>
<p>Quase meia lata aberta, que o mesmo é dizer meia lata por abrir.</p>
<p>Desistimos da inutilidade do abre-latas e, na tentativa de dobrar a tampa, vamos lá com as mãos.</p>
<p>Dobramos a tampa, a nossa vitória do dia, uma heroicidade doméstica, quase uma ternura, não sem baixas ou danos colaterais, o dedo indicador, <i>um dois três</i>, a patinar em azeite, em óleo, conforme o rótulo, de milho, soja ou girassol, <i>um dois três</i>, a deslizar sem controlo até ao limite da tampa, <i>um dois três</i>, até à aresta irregular e pontiaguda.</p>
<p>A fronteira da guerra como se uma trincheira protegida a arame farpado, pensas, e não excluis a possibilidade de minas espalhadas pelo chão da cozinha, de um ataque aéreo.</p>
<p>O perigo concretizado em cor, em dor, um corte profundo e feio no dedo, o corpo amputado no orgulho.</p>
<p>O dedo em dor na boca. Como se fosse possível comer a dor.</p>
<p>As lágrimas a espreitarem nos olhos, que os homens não choram, mesmo quando abandonados.</p>
<p>Os olhos na banca da cozinha sobre os despojos da guerra, do teu dia ou apenas de uma lata de atum, meia aberta, meia por abrir, os teus olhos sobre tudo o que, besuntado de óleo, é preciso limpar.</p>
<p>Assim, eu e tu, nós.</p>
<p>Ou eu e todas as latas de atum, de sardinha, cavala, polvo, anchova, biqueirão, mexilhão ou outras conservas.</p>
<p>Desde que foste embora eu assim todas as noites.</p>
<p>Eu e uma lata de atum.</p>
<p>Eu sentado, abandonado, no sofá da sala.</p>
<p>No sofá que tu escolheste, um tecido polvilhado a flores iguais às flores das cortinas, estilo inglês, informaste a minha ignorância, eu a sentir-me o único habitante da ilha, os meus pés no chão, sem chão, sem pé, eu a boiar à tona da dor.</p>
<p>Eu no sofá da sala onde os nossos corpos cabiam deitados, lado a lado ou cada um para seu lado, posição em que a minha boca inevitavelmente se entretinha, para deleite das papilas, a morder os dedos dos teus pés. Uma vez num <i>Hitchcock</i> mordi, de morder a sério, o mindinho do teu pé direito. À luz do candeeiro da sala fiz o curativo com algodão e álcool. Tu soprar para o dedo do teu pé a arder, a dizer a sério que podias morrer de raiva. Lembras-te?</p>
<p>Foi a primeira vez que pensei na possibilidade de te perder e o meu coração quase parou de bater.</p>
<p>Eu na sala em frente à televisão, um tabuleiro sobre os joelhos, uma sandes de atum e mostarda, uma mini sobre o tabuleiro, e a televisão desligada porque me faltam os teus pés para poder beijar.</p>
<p>Volta, não suporto ver televisão sem ti.</p>
<p>Mudei o telefone de lugar, agora está ao lado do sofá para me sentir menos só.</p>
<p>Acho que me sinto menos só com o telefone ao meu lado, à mão, perto da boca.</p>
<p>Talvez a simples possibilidade de poder marcar o teu número e dizer-te volta e deixa-me morder-te os dedos dos pés.</p>
<p>Talvez a simples possibilidade de marcar o teu número e fazer-te parar o que estiveres a fazer.</p>
<p>Obrigar-te a sair do chuveiro, calçar só um sapato, deixar dois botões por abotoar, pousar um livro, parar de lavar os dentes, perder o beijo do filme, desmoronar-te as claras em castelo, arruinar-te um orgasmo, acordar-te antes do despertador.</p>
<p>A simples possibilidade de marcar o teu número para dizer que continuo aqui, no sofá de quatro lugares onde os nossos corpos cabiam em todas as posições, a acreditar que vais voltar, apagar a televisão, claro que vejo televisão!</p>
<p>O silêncio da casa está cheio da tua voz.</p>
<p>Isso e os dias de futebol, os jogos do Benfica, singular consolo dos meus dias.</p>
<p>Assim eu, todas as noites, sentado no sofá da sala, a acreditar que vais voltar e levar-me de regresso ao quarto, ao nosso quarto em tons de azul, porque os dois gostamos de espaços monocromáticos.</p>
<p>____________________________</p>
<p>Assim fica o meu amor pela PAPEL.</p>
<p>Em conserva para bem conservar.</p>
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		<title>Homem do Cárcere &#124; Fim</title>
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		<pubDate>Thu, 17 Oct 2013 09:45:37 +0000</pubDate>
		<dc:creator><![CDATA[Vítor Elias]]></dc:creator>
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		<category><![CDATA[ÚLTIMA PAPEL]]></category>
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		<description><![CDATA[por Vítor Elias]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p><a href="http://www.papelonline.pt/revista/wp-content/uploads/2013/10/skyline.jpg" rel="lightbox[9128]" title="Homem do Cárcere | Fim"><img class="size-full wp-image-9212 alignnone" alt="skyline" src="http://www.papelonline.pt/revista/wp-content/uploads/2013/10/skyline.jpg" width="640" height="480" srcset="http://www.papelonline.pt/revista/wp-content/uploads/2013/10/skyline-300x225.jpg 300w, http://www.papelonline.pt/revista/wp-content/uploads/2013/10/skyline.jpg 640w" sizes="(max-width: 640px) 100vw, 640px" /></a></p>
<p><strong>Fim</strong></p>
<p>Mas um velho, de aspecto venerando,<br />
Que escrevia O Abrupto, lentamente,<br />
Postos em nós os olhos, meneando<br />
Três vezes a cabeça, descontente,<br />
A voz histérica inda mais alevantando,<br />
Que nós na Papel ouvimos claramente,<br />
C&#8217;um saber de vida experimentada,<br />
Arrotou tais postas de pescada:</p>
<p>&#8211; &#8220;Ó glória de postar! Ó vã cobiça<br />
Desta vaidade, a que chamamos Net!<br />
Ó moderno gosto, que se atiça<br />
C&#8217;uma aura digital, que site se chama!<br />
Que castigo tamanho e que injustiça<br />
Fazes no peito vão que muito te ama!<br />
Que poucas pageviews, que tormentas,<br />
Que crueldades neles experimentas!</p>
<p>&#8211; &#8220;Dura inquietação d&#8217;alma e da vida,<br />
Fonte de perfis falsos e adultérios,<br />
Sagaz fomentadora conhecida<br />
De comentadores anónimos e vitupérios:<br />
Chamam-te ilustre, chamam-te subida,<br />
Quando és dina de infames despautérios;<br />
Chamam-te Rede e Futuro universal,<br />
Em ti os néscios tem dinamite cerebral!</p>
<p>&#8211; &#8220;A que novos desastres determinas<br />
De levar estes sites e esta gente?<br />
Que perigos, que fracassos tais<br />
Debaixo dalgum blogue preminente?<br />
Que promessas de crónicas em jornais<br />
D&#8217;ouro, que lhe farás tão facilmente?<br />
Que famas lhe prometerás? que histórias?<br />
Que coiros e demais tangas objurgatórias?</p>
<p>— &#8220;Mas ó tu, geração dessa internet,<br />
Cujo pecado e desobediência,<br />
Não somente neste reino que pena mete<br />
Te pôs nesse desterro e virtual ausência,<br />
Mas inda em pior estado, cacete!,<br />
Da quieta e da simples inocência,<br />
Idade d&#8217;ouro, tanto te privou,<br />
Que em Mac’s e smartphones te deitou:<br />
— &#8220;Já que nessa gostosa leveza</p>
<p>Tanto enlevas a fantasia superna,<br />
Já que à bruta solidão e tristeza<br />
Puseste nome online e moderna,<br />
Já que prezas em tanta quantidades<br />
O desprezo da real vida, que devia<br />
De ser sempre estimada, pois olha lá<br />
Que uma vida a sério a Net não dá:</p>
<p>— &#8220;Não tens contigo o Oliveira esquerdista,<br />
Com quem sempre terás guerras sobejas?<br />
Não segue ele do Marx a lei maldita,<br />
Se tu pela de Churchill só pelejas?<br />
Não tem o Arrastão posta infinita,<br />
Se textos e ilustrações mais desejas?<br />
Não encontras nele posts esforçados,<br />
Se desejas ler comunas tresloucados?</p>
<p>— &#8220;Deixas criar à imprensa o inimigo,<br />
Por ires buscar blogue inda mais horrendo,<br />
Por quem se despovoe o Jornal antigo,<br />
Que perde leitores e vai desaparecendo?<br />
Buscas o incerto e virtual perigo<br />
Por que te exalte quem te vá lendo,<br />
Que no telemóvel tem do que escreves cópia,<br />
Na Índia, Pérsia, Arábia ou Etiópia?</p>
<p>— &#8220;Ó maldito o primeiro que no mundo<br />
Colocou computador ou smartphone,<br />
Dino da pior pena do profundo:<br />
Nudista na Caparica seguido por mirone!<br />
Nunca juízo algum alto e fundo,<br />
Na Net apareceu, digno de cânone,<br />
Se não é comuna, é liberal demente,<br />
No 5 Dias começa, acaba n’O Insurgente.</p>
<p>— &#8220;Trouxe o senhor D. Duarte do Céu<br />
O fogo que ajuntou ao peito humano,<br />
Fogo que o mundo em armas acendeu<br />
Em vidas, em honras (grande soberano).<br />
Viva D. Duarte Pio, El Rey que é meu,<br />
E etc e tal, que vejam este grande dano:<br />
Em vez de escrever em revistas,<br />
Já estou a escrever no Corta-Fitas.</p>
<p>— &#8220;Não escreve texto miserando<br />
O blogue alto do pai, o post vazio,<br />
O Pedro Arroja co&#8217;o filho, postando<br />
Um sobre o mar, e o outro sobre o rio?<br />
Porque queres mais um site nefando?<br />
Já chega o Maradona ou puta que o pariu,<br />
Já chega o Moita de Deus a postar léria.<br />
Mísera Internet, porca miséria!&#8221; —</p>
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