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<?xml-stylesheet type="text/xsl" media="screen" href="/~d/styles/rss2enclosuresfull.xsl"?><?xml-stylesheet type="text/css" media="screen" href="http://feeds.feedburner.com/~d/styles/itemcontent.css"?><rss xmlns:media="http://search.yahoo.com/mrss/" xmlns:itunes="http://www.itunes.com/dtds/podcast-1.0.dtd" xmlns:feedburner="http://rssnamespace.org/feedburner/ext/1.0" version="2.0"><channel><title>Pedro Sette-Câmara</title><link>http://www.pedrosette.com/</link><atom10:link xmlns:atom10="http://www.w3.org/2005/Atom" rel="self" type="application/rss+xml" href="http://feeds.feedburner.com/pedrosette" /><description>The blessed will not care what angle they are regarded from — W. H. Auden</description><language>en</language><managingEditor>noreply@blogger.com (Pedro Sette-Câmara)</managingEditor><lastBuildDate>Tue, 07 Feb 2012 13:37:49 PST</lastBuildDate><generator>Blogger http://www.blogger.com</generator><openSearch:totalResults xmlns:openSearch="http://a9.com/-/spec/opensearch/1.1/">437</openSearch:totalResults><openSearch:startIndex xmlns:openSearch="http://a9.com/-/spec/opensearch/1.1/">1</openSearch:startIndex><openSearch:itemsPerPage xmlns:openSearch="http://a9.com/-/spec/opensearch/1.1/">25</openSearch:itemsPerPage><feedburner:info uri="pedrosette" /><atom10:link xmlns:atom10="http://www.w3.org/2005/Atom" rel="hub" href="http://pubsubhubbub.appspot.com/" /><itunes:owner><itunes:email>noreply@blogger.com</itunes:email></itunes:owner><itunes:explicit>no</itunes:explicit><itunes:subtitle>The blessed will not care what angle they are regarded from — W. H. Auden</itunes:subtitle><item><title>Sobre a privatização dos aeroportos, ou: O seu PowerPoint é uma navalha</title><link>http://feedproxy.google.com/~r/pedrosette/~3/U6K76Adeapk/sobre-privatizacao-dos-aeroportos-ou-o.html</link><category>Privatizações</category><category>Política</category><author>noreply@blogger.com (Pedro Sette-Câmara)</author><pubDate>Tue, 07 Feb 2012 13:37:49 PST</pubDate><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-1906536360005189417.post-442593417933471573</guid><description>Os aeroportos de Guarulhos, Viracopos e de Brasília são “privatizados” com recursos que vêm do BNDES. 80% dos recursos vêm do BNDES. E vão para fundos de pensão de estatais. Que compram os aeroportos do governo. Se eu entendi bem, é mais ou menos como um cidadão privado usar um cartão de crédito para pagar a fatura do outro cartão de crédito. Essa analogia me parece muito boa: no fim, é o cidadão privado que paga.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O presidente do BNDES e outras otoridades celebram a confiança na economia brasileira. Mas se os recursos vêm do BNDES, isso parece confiança no BNDES. Que tem aquela linha direta com o Tesouro Nacional. Parece mais confiança nas capacidades de o governo de arrecadar e de imprimir dinheiro. Por outro lado, eu não consigo lembrar de atividades econômicas no Brasil que não envolvam o BNDES. O Brasil é o país dos incentivos, não das recompensas: em vez de enriquecer um empresário comprando seu produto ou serviço, o povo brasileiro o enriquece incentivando seu trabalho. Como diria Clarice Lispector, se a burguesia fede, é porque seu PowerPoint é uma navalha.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas de repente eu me lembro de que a independência do Brasil aconteceu assim. Houve uma revolução “liberal” em Portugal, que ordenou a volta do rei e o aperto da colonização sobre o Brasil. Então o regente brasileiro libertou o Brasil do liberalismo português e logo depois implementou uma espécie de ditadura.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não é que depois de lembrar disso tudo comece a fazer sentido. Mas é que, quando liberalismo significa manutenção do exclusivo (pacto) colonial, por que privatização não pode significar uma compra com recursos do governo por consórcios de entes paraestatais?&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1906536360005189417-442593417933471573?l=www.pedrosette.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="feedflare"&gt;
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&lt;/div&gt;&lt;img src="http://feeds.feedburner.com/~r/pedrosette/~4/U6K76Adeapk" height="1" width="1"/&gt;</description><app:edited xmlns:app="http://www.w3.org/2007/app">2012-02-07T19:37:49.109-02:00</app:edited><feedburner:origLink>http://www.pedrosette.com/2012/02/sobre-privatizacao-dos-aeroportos-ou-o.html</feedburner:origLink></item><item><title>Sempre a polícia de preços</title><link>http://feedproxy.google.com/~r/pedrosette/~3/vyaaFkgphaI/sempre-policia-de-precos.html</link><category>Política</category><category>Economia</category><author>noreply@blogger.com (Pedro Sette-Câmara)</author><pubDate>Mon, 06 Feb 2012 04:07:51 PST</pubDate><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-1906536360005189417.post-3129456432890322657</guid><description>Talvez seja possível dizer que O Globo é um jornal mais pró-mercado, pró-liberdade econômica, do que o contrário. Estou dizendo isso dessa maneira porque provavelmente o jornal ecoa a opinião geral, de que “deve haver limites à liberdade econômica”. No entanto, volta e meia o jornal resolve encarnar o papel de polícia dos preços. Fiscais do Sarney, o quarto poder (se você é muito jovem, vá procurar o que são os, ou as, “fiscais do Sarney”).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Hoje acordo e lá está&lt;a href="http://oglobo.globo.com/rio/tarifa-cobrada-por-30-minutos-varia-600-enquanto-hora-adicional-sobe-ate-300-3887746"&gt; aquela matéria que sempre retorna sobre preços “abusivos” de estacionamentos&lt;/a&gt;. O pior é que estacionamento não é nem mesmo, digamos, um bem essencial sobre o qual alguém exerça alguma espécie de monopólio. Não é, digamos assim, como a renovação da carteira de motorista, que aqui no Rio custa uns 100 para o Detran, mais a taxa da clínica, e mais um monte de aporrinhação só para você poder continuar fazendo o que sempre fez. Estacionamento em certos lugares é um bem totalmente opcional.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;De todo modo, o que não dá é ficar reclamando que o Brasil está sempre mal nos índices de liberdade econômica e depois ficar chamando a polícia do preço nos estacionamentos. O pior é que não consigo dizer que estacionamento é um negócio e compra quem quer sem sentir aquela vergonha idiota por estar dizendo o óbvio. Se eu fosse marxista, diria que isso é apenas uma estratégia do grande capital (que não há de se incomodar com o alto preço de um estacionamento) para aliciar a classe média (que sofre com o alto preço de um estacionamento).&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1906536360005189417-3129456432890322657?l=www.pedrosette.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="feedflare"&gt;
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&lt;/div&gt;&lt;img src="http://feeds.feedburner.com/~r/pedrosette/~4/vyaaFkgphaI" height="1" width="1"/&gt;</description><app:edited xmlns:app="http://www.w3.org/2007/app">2012-02-06T10:07:51.778-02:00</app:edited><feedburner:origLink>http://www.pedrosette.com/2012/02/sempre-policia-de-precos.html</feedburner:origLink></item><item><title>Ó, Lordessa Ánax</title><link>http://feedproxy.google.com/~r/pedrosette/~3/9Mw3555GgD0/o-lordessa-anax.html</link><category>Política</category><author>noreply@blogger.com (Pedro Sette-Câmara)</author><pubDate>Thu, 02 Feb 2012 14:26:35 PST</pubDate><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-1906536360005189417.post-2984661833320182194</guid><description>Na antiga civilização micênica, anterior até àquela de que fala a Ilíada, havia uma figura chamada ánax. O ánax era mais do que um rei. Fundia autoridade espiritual e poder temporal e em seu palácio se fazia a contabilidade geral do “reino”. Era, em suma, uma mistura de ditador socialista com pajé. Vodu macroeconômico e planejamento espiritual. Provavelmente, aquilo que Julius Evola queria ser quando crescer.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O ánax foi substituído na Grécia pelo basileus, que normalmente traduzimos como “rei”, e por isso coloquei aspas em “reino” no parágrafo anterior. Cada rei da Ilíada era um basileus, como Agamêmnon e Ulisses. Ele estava mais próximo da nossa ideia de rei: basicamente um sujeito que se impõe pela força e que, em troca de uns tributos, promete segurança. Uma espécie de máfia em grande escala, com mais prestígio e rapapés.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas o sonho do ánax, é claro, permanece. E, como em muitas esferas, vigora uma dessas regras jamais mencionadas: se você ficar falando que quer ter os poderes do ánax, você é maluco. Se você agir como se fosse o ánax, mas sem falar nada, pode passar por alguém perfeitamente normal.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É no velho ánax micênico que penso quando leio que &lt;a href="http://economia.uol.com.br/ultimas-noticias/redacao/2012/02/02/brasil-vai-romper-acordo-automotivo-com-o-mexico-diz-jornal.jhtm"&gt;nossa presidente tem a intenção de romper um acordo comercial com o México&lt;/a&gt; porque, veja só, o Brasil está comprando mais do México do que vendendo para o México. Na verdade, perdoem: é preciso ainda desmistificar essa frase. Brasileiros, ou pessoas residentes no Brasil, estão comprando mais produtos que vêm do México do que os mexicanos e residentes do México estão comprando produtos que vêm do Brasil.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Talvez eu seja liberal porque, ao ler uma afirmação como essa, só consigo pensar: “E daí? Bom pra eles.” Eu nem sei se tenho algum produto mexicano. Chego até a pensar assim: “Então o gay pode casar mas o brasileiro tem de pagar mais imposto para comprar produto mexicano? Eu, hein.”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É claro que eu conheço aquelas histórias de “proteção à indústria nacional”. E só consigo imaginar essas palavras ditas por alguém parecido com o Fofão, todo vestido e maquiado, com a autoridade sacerdotal de um Jedi fariseu. Porque elas são inteiramente mistificadas. E podem ser derrubadas por outra mistificação, ou outra metáfora tratada como substância: o bolso nacional. Presidenta Ánax, proteja o nosso bolso, se quiser proteger alguma coisa. Não nos faça comprar algo ruim e caro só para enriquecer um empresário daqui. Eu sei que os mexicanos não contribuíram para a sua campanha, mas mesmo assim, ó, Lordessa Ánax, livrai-nos do nacional caro e ruim, amém.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fico imaginando um filme. Está lá o ánax em Micenas. Cheio de plumas e pintado de azul. Aparece um sujeito de paletó e gravata, com uma pastinha, e fala com aquele sotaque paulistano que já aboliu todos os sons nasais: “Lorde Ánax, Majestade Macroeconômica, espero não ofender vossa sapiência ao apresentar a teoria das expectativas racionais.” Teoria essa que, hoje, leva a algumas decisões: se não posso comprar o importado barato, prefiro não comprar nada a comprar o nacional caro e ruim. Pode ficar com seu imposto sobre o nada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Penso ainda no primeiro governador britânico da província de Hong Kong, uma terra em que plantando nada dá, do tamanho de… Bem, digamos que seriam necessárias 7700 Hong Kongs para preencher um Brasil. Esse governador renunciou ao papel do Ánax e decidiu não coletar dados macroeconômicos, para evitar a possibilidade do planejamento. E hoje essa faixa de terra 7700 vezes menor do que o Brasil tem um PIB apenas 9 vezes menor.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1906536360005189417-2984661833320182194?l=www.pedrosette.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="feedflare"&gt;
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&lt;/div&gt;&lt;img src="http://feeds.feedburner.com/~r/pedrosette/~4/9Mw3555GgD0" height="1" width="1"/&gt;</description><app:edited xmlns:app="http://www.w3.org/2007/app">2012-02-02T20:26:35.977-02:00</app:edited><feedburner:origLink>http://www.pedrosette.com/2012/02/o-lordessa-anax.html</feedburner:origLink></item><item><title>De Marcel Duchamp a Damien Hirst</title><link>http://feedproxy.google.com/~r/pedrosette/~3/Ob9jy9PU3u4/de-marcel-duchamp-damien-hirst.html</link><category>Arte</category><category>Cultura</category><author>noreply@blogger.com (Pedro Sette-Câmara)</author><pubDate>Wed, 01 Feb 2012 04:50:53 PST</pubDate><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-1906536360005189417.post-2076438098298172999</guid><description>A polêmica em torno das &lt;a href="http://www.thedailybeast.com/newsweek/2012/01/15/damien-hirst-s-spot-paintings-take-over-the-world.html"&gt;telas de bolinhas de Damien Hirst&lt;/a&gt; me faz pensar em Marcel Duchamp, aquele incompreendido. Nunca esqueço de chegar ao MoMA em Nova York e ver pessoas aglomeradas em torno de &lt;a href="http://www.moma.org/collection/object.php?object_id=81631"&gt;uma roda de bicicleta virada para cima&lt;/a&gt;. Claro que, ao ver o nome do autor, lembrei do episódio do mictório no museu, e das garrafinhas com “ar de Paris”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Falar do mictório no museu é explicar uma piada. É óbvio que a piada diz respeito a “o que é arte” x “o que é socialmente aceito como arte”. Mas também é óbvio que, se você quiser mesmo indagar o que é arte, o melhor meio para isso é um ensaio filosófico, ou um diálogo, ou uma questão disputada. Não vou entrar nessa discussão para não me alongar e para não perder de vista o que quero dizer. Se você quer falar do que é socialmente aceito como arte, é óbvio e tautológico: é aquilo que é socialmente aceito como arte, isso é, aquilo que as pessoas falam que é arte. Por “as pessoas” você deve entender o grupo ao qual você atribui prestígio.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E é pela questão do prestígio que chegamos à questão do socialmente. Toda a sociedade é organizada em torno do prestígio. Não estou dizendo que isso é bom ou ruim, devido ou indevido, estou dizendo que é assim. Ter diploma dá mais prestígio do que não ter diploma. Ter seu livro publicado por uma editora dá mais prestígio do que publicá-lo por conta própria. Os detentores do prestígio são sempre, e por definição, os outros. Assim, quem tem autoridade para dizer que você é artista, isso é, para conferir-lhe esse prestígio? Os outros. Assim como conhecedor de um assunto é quem é formado nele, poeta é quem tem seu livro publicado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Você acha que é imune a isso? Que nada. Você está mais disposto a olhar com bons olhos o que você nas livrarias do que aquilo que lhe chega por e-mail. Você não contrataria um engenheiro que não fosse formado para construir sua casa. E, por favor, é claro que, em última instância, isso é uma generalização. Não venha com essa de, ao ouvir que todo mundo gosta de chocolate, vir com aquela serelepice mentecapta de dizer: “Eu conheço uma pessoa que não gosta de chocolate!”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A piada de Duchamp, então, é a seguinte: vamos colocar qualquer negócio no museu, de preferência algo escatológico, para ver um bando de manés (desses que refutam generalizações) adorando o ídolo, falando que ele “levanta questões”, enchendo a boca para discursar e para filosofar etc.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A reação a isso, que hoje é amplamente conhecida como conservadorismo, tem alguma razão: é muito melhor quando aquilo que recebe prestígio parece merecê-lo. Por exemplo, quando os museus exibem obras, e não objetos cuja função é tripudiar do público. Ou quando os diplomas concedidos pelas universidades correspondem a algum conhecimento mínimo verificável. A defesa disso, quase sempre associada ao esquerdismo, é aquele elitismo inconfessado que quer dizer: “ah, deixa, vamos rir desses otários”. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(Aliás, e eis um tema a ser desenvolvido, tendo a crer que uma diferença entre esquerda e direita está nisso: a direita defende um elitismo aberto, e a esquerda um elitismo esotérico. O sentimento de superioridade da esquerda vem de ela esconder melhor o fato de praticar aquilo que condena.)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Voltando a Damien Hirst, o que sucede é bastante simples. Após um século de confusão duchampiana &amp; prosperidade capitalista, o público está disposto a pagar bastante pelo prestígio da arte. Existe a demanda. Por que deixar de aproveitá-la?&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1906536360005189417-2076438098298172999?l=www.pedrosette.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="feedflare"&gt;
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&lt;/div&gt;&lt;img src="http://feeds.feedburner.com/~r/pedrosette/~4/Ob9jy9PU3u4" height="1" width="1"/&gt;</description><app:edited xmlns:app="http://www.w3.org/2007/app">2012-02-01T10:50:53.302-02:00</app:edited><feedburner:origLink>http://www.pedrosette.com/2012/02/de-marcel-duchamp-damien-hirst.html</feedburner:origLink></item><item><title>Esperando o novo acordo ortográfico</title><link>http://feedproxy.google.com/~r/pedrosette/~3/jxP7WMBVE2M/esperando-o-novo-acordo-ortografico.html</link><category>Acordo ortográfico</category><category>Língua</category><category>Educação</category><author>noreply@blogger.com (Pedro Sette-Câmara)</author><pubDate>Thu, 12 Jan 2012 05:04:11 PST</pubDate><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-1906536360005189417.post-3745250076552737472</guid><description>Difícil é gostar do acordo ortográfico, e eu nunca vi uma única pessoa que o defendesse além dos gramáticos que o fizeram. É como se esses gramáticos tivessem inventado um imposto que beneficiasse o próprio ego, sabendo que, graças a uma imposição, milhões de pessoas no mundo inteiro agora poderão cometer novos erros ou policiar-se para não cometê-los. A súbita mão do fantasma oculto de Evanildo Bechara quer guiar-nos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu mesmo não gosto do acordo ortográfico porque acho que a estabilidade da língua escrita é um bem que facilita a comunicação entre as gerações. Gostaria de mostrar a meus netos edições facsimilares de &lt;em&gt;Os Lusíadas&lt;/em&gt; e deixá-los espantados com o fato de que séculos nos separam de Camões, mas não o idioma. Gostaria de não ter de "transliterar" Camões, ou de transliterar o mínimo. E se eu fosse escolher uma ortografia, seria aquela, a etimológica, que Fernando Pessoa usou para escrever &lt;em&gt;Mensagem&lt;/em&gt;. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Também me parece evidente que não serão algumas mudanças ortográficas que vão ajudar a “unificar” o idioma. Não há como não sentir o gosto do português europeu quando lemos que alguém está a fazer alguma coisa, e não fazendo, e isso é só o começo. Há as diferenças de vocabulário – um amigo meu foi morar em Portugal quando criança e nunca se esqueceu da primeira vez que um adulto se referiu a ele como “o putinho”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu trabalho com tradução e tenho de entregar meus textos com o acordo ortográfico. Comprei o corretor da Priberam e tudo bem. Mas só sei enunciar uma regra: não se acentua mais ditongo aberto em posição paroxítona. O resto é o corretor que faz. Ou então consulto o Vocabulário Ortográfico da Língua Portuguesa, vulgo VOLP, vôupi (circunflexo pode?). Não posso deixar de pensar naquele diálogo de Platão (&lt;em&gt;Fédon&lt;/em&gt;? &lt;em&gt;Fedro?&lt;/em&gt;) em que Sócrates recusa a escrita porque vai acabar com sua memória. Nesse caso específico, eu poderia alegar que, pelo menos no que diz respeito à colocação de hífens, eu nunca jamais soube colocá-los, e não é agora que vou saber.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://www1.folha.uol.com.br/fsp/ilustrada/19165-naufragar-e-preciso.shtml"&gt;João Pereira Coutinho vem dizer na Folha que não se muda a língua por decreto.&lt;/a&gt; Mas, porém, contudo, todavia, entretanto, digo eu que se muda sim, e eis a experiência a demonstrá-lo amplamente. As editoras adotam o acordo, a imprensa adota o acordo, os concursos públicos adotam o acordo (e o brasileiro que não escreve profissionalmente só escreve em prova de concurso), o ENEM adota o acordo e por isso a escola adota o acordo etc. etc. etc. É duro admitir, mas a maleabilidade da língua portuguesa no Brasil a decretos está intimamente ligada à fraqueza da sociedade civil.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Complemento ainda com o seguinte, que já devo ter dito por aqui. Você entra numa Faculdade de Letras e lá estão os linguistas. Há lá os linguistas que só estudam as estruturas e o uso e tal, e são gente boníssima. Nunca falam da prescrição gramatical e aprendi um bocado com essas pessoas, que me mostraram que o que Chomsky tem de palhaço falando de política, tem de gênio falando de linguagem. Mas há também um bom grupo de professores que passam o dia falando mal da Nomenclatura Gramatical Brasileira, vulga NGB, e do ensino nas escolas. Ora, a NGB foi instituída por uma portaria do então Ministério da Educação e Cultura em 1959. Logo, a questão é de fato jurídica. Claro que alguém pode se perguntar se é função do Estado decidir regras de acentuação ou definir o que é um substantivo, mas isso, enfim, é uma questão de como as coisas deveriam ser, e não de como elas são.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Então, como diriam os paulistas, esses professores que só fazem falar mal da NGB (e eles nem estão errados no que dizem) também fazem outra coisa, que é falar de como as coisas deviam ser. E esse processo já deve ter algumas décadas. O establishment linguístico, digamos assim, não tem defensores ideológicos, não tem seus intelectuais orgânicos. Quem dá aula em cursinho e ensina a língua tal como cobrada em provas também tem lá suas críticas e não fala disso porque, bem, ganha-se por hora, e se o aluno fosse fazer Letras não precisava de cursinho.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Esses professores ainda não estão satisfeitos com o acordo atual. Eu sei que antes de morrer verei novas modificações. Há quem queira acabar com todos os acentos, há de tudo. O mesmo fantasma que há alguns anos subitamente lançou sua mão voltará, apenas com outro nome. Não se trata, como falei, de um fantasma oculto, mas de um espírito de permanente reforma, animado por aquele progressismo ressentido que acha que a “ciência” é a maneira mais elegante de esconder uma sensibilidade pobre e a sensação de estar “excluído”, mesmo que o governo dê escola, professor, lanche e transporte. Só não dá – espero que alguém se eleja prometendo isso! – a vontade de estudar e de passar mais tempo na biblioteca do que na cantina.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1906536360005189417-3745250076552737472?l=www.pedrosette.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="feedflare"&gt;
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&lt;/div&gt;&lt;img src="http://feeds.feedburner.com/~r/pedrosette/~4/jxP7WMBVE2M" height="1" width="1"/&gt;</description><app:edited xmlns:app="http://www.w3.org/2007/app">2012-01-12T11:04:11.850-02:00</app:edited><feedburner:origLink>http://www.pedrosette.com/2012/01/esperando-o-novo-acordo-ortografico.html</feedburner:origLink></item><item><title>Imigrantes e indústrias</title><link>http://feedproxy.google.com/~r/pedrosette/~3/NhCBaWw9rac/imigrantes-e-industrias.html</link><category>Política</category><category>Imigração</category><category>Economia</category><author>noreply@blogger.com (Pedro Sette-Câmara)</author><pubDate>Thu, 12 Jan 2012 04:15:24 PST</pubDate><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-1906536360005189417.post-8423593377057976163</guid><description>Temos alguns milhares de imigrantes haitianos entrando pela fronteira no Amazonas. E o que seria isso para, rufem os tambores, soem as trombetas, &lt;em&gt;a sexta maior economia do mundo&lt;/em&gt;? Aparentemente é demais, porque o nosso querido governo quer fechar a fronteira e só deixar entrar quem já recebeu visto no Haiti. Hoje alguma autoridade dizia que “o Brasil não pode assumir o Haiti”. Diria eu: pode sim. Claro que sob algumas condições.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O que sucede não é diferente do que já sucede desde… sempre? Temos um péssimo ambiente de negócios, e é por isso que toda hora o governo em todas as suas esferas fala em dar incentivos. Os Sacerdotes do Templo de Syrinx se reúnem em Brasília e decidem: vejam, este é um setor “estratégico”, vamos desviar a grana do pessoal que paga impostos para cá, ou vamos dispensar os empresários desse ramo desse ou daquele imposto. É claro que esse processo jamais é influenciado por lobbies ou por doações financeiras, por isso nem vou discutir a idoneidade dos Sacerdotes do Templo de Syrinx.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nosso governo então olha os imigrantes e pensa: não estamos querendo incentivar a vinda daquilo que parece uma peãozada sem diploma que nem português fala. Preferimos dar incentivos para empresas milionárias.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Preciso agora concluir dizendo o óbvio? Não é preciso conter quatro mil imigrantes, nem ficar dando shakes de proteína para Setores Eleitos da Economia. Basta – caramba, sinto-me tão &lt;em&gt;democrático&lt;/em&gt; ao dizer isso – melhorar o ambiente de negócios &lt;em&gt;para todos&lt;/em&gt;. E aí, quem sabe, algum haitiano poderá virar milionário no Brasil.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1906536360005189417-8423593377057976163?l=www.pedrosette.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="feedflare"&gt;
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&lt;/div&gt;&lt;img src="http://feeds.feedburner.com/~r/pedrosette/~4/NhCBaWw9rac" height="1" width="1"/&gt;</description><app:edited xmlns:app="http://www.w3.org/2007/app">2012-01-12T10:15:24.145-02:00</app:edited><feedburner:origLink>http://www.pedrosette.com/2012/01/imigrantes-e-industrias.html</feedburner:origLink></item><item><title>Epidemia de censurite</title><link>http://feedproxy.google.com/~r/pedrosette/~3/zgDwuSdgJMw/epidemia-de-censurite.html</link><category>Política</category><category>Censura</category><author>noreply@blogger.com (Pedro Sette-Câmara)</author><pubDate>Thu, 01 Dec 2011 15:33:48 PST</pubDate><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-1906536360005189417.post-2107125773611191982</guid><description>Uma coisa que definitivamente une esquerda e direita é o gosto por denunciar a censura. Estão todos sendo censurados. &lt;a href="http://moglobo.globo.com/integra.asp?txtUrl=/cultura/nan-goldin-critica-polemica-gerada-em-torno-de-suas-imagens-3356807"&gt;Agora é a fotógrafa Nan Goldin, que vem ao Diário do Balneário dizer que foi censurada&lt;/a&gt; porque o Oi Futuro, cá no Balneário, cancelou sua exposição. Mas, dona senhora, madame fotógrafa, o Oi Futuro é uma instituição privada. Instituições privadas não censuram. Só quem censura é o governo. Já repeti isso mil vezes, mas fazer o quê? A lenga-lenga em torno da censura parece imortal.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se um artigo não é publicado na imprensa, isso não é censura. É exercício do direito de propriedade, o mesmo que garante que eu não tenha de ouvir na minha casa nada que eu não queira. Se uma exposição é rejeitada ou cancelada, isso pode até ser deselegante, mas não é censura. Mesmo que uma exposição ou um artigo sejam rejeitados por órgãos estatais, isso não é censura. Para que fosse censura, o Estado teria de vetar a exibição daquele material em qualquer lugar, ou proibir a circulação do texto. É tão difícil? Será que estarei me revelando um insensato ao dizer estas palavras? Ou será que devo bater na porta do sr. Otávio Frias Filho e dizer, socando a mesa, que eu tenho o &lt;em&gt;direito&lt;/em&gt; de publicar meus textos na Folha de São Paulo?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Claro que o discurso dos que sofrem de censurite &lt;em&gt;tremens&lt;/em&gt; é puro sensacionalismo. Mas não está aí o pessoal a dizer também que “ideias têm consequências”? Do jeito que a coisa vai, da próxima vez que eu pedir para tirarem a azeitona da minha pizza, já vou me preparar para ler no jornal um artigo do pizzaiolo: “Nossas receitas estão sendo censuradas. É nossa arte que está sendo sufocada!”&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1906536360005189417-2107125773611191982?l=www.pedrosette.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="feedflare"&gt;
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&lt;/div&gt;&lt;img src="http://feeds.feedburner.com/~r/pedrosette/~4/zgDwuSdgJMw" height="1" width="1"/&gt;</description><app:edited xmlns:app="http://www.w3.org/2007/app">2011-12-01T21:33:48.369-02:00</app:edited><feedburner:origLink>http://www.pedrosette.com/2011/12/epidemia-de-censurite.html</feedburner:origLink></item><item><title>O capitalismo tem conserto?</title><link>http://feedproxy.google.com/~r/pedrosette/~3/JtssHpoAyLw/o-capitalismo-tem-conserto.html</link><category>Política</category><category>Economia</category><author>noreply@blogger.com (Pedro Sette-Câmara)</author><pubDate>Wed, 09 Nov 2011 05:00:03 PST</pubDate><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-1906536360005189417.post-6769984382185102630</guid><description>&lt;em&gt;Recife, 3 de novembro de 2011&lt;/em&gt;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Antes mesmo de começar a discutir a questão, creio que é preciso fazer uma espécie de limpeza retórica, porque a primeira coisa que me chama a atenção é que uma crise financeira dos países capitalistas parece ser suficiente para condenar a ideia mesma de capitalismo, ao passo que os genocídios da China, da URSS, do Camboja, do Vietnã e até do Partido Nacional-Socialista dos Trabalhadores Alemães não parecem suficientes para questionar a viabilidade, para nem falar da moralidade, do que seria o sistema rival, o socialismo. Hoje em dia você pode dizer que o socialismo deu errado na URSS por causa de Stálin, mas, francamente, isso me parece um tanto similar a dizer que foi Hitler que estragou o nazismo, que o nazismo merece credibilidade apesar de Hitler. E o mais engraçado é que defender Lênin, que também não era nenhum anjinho, é de certo modo defender a liberalização econômica, porque era isso que ele estava fazendo quando teve de abandonar o poder por causa da saúde.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A segunda observação importante é que o termo “capitalismo” foi criado por Karl Marx. É um termo pejorativo, que indica a dominação do capital. Isso não é muito diferente do que acontece com a palavra “neoliberal”. Eu nunca vi, e já trabalhei em duas organizações explicitamente dedicadas à defesa do liberalismo econômico, alguém que dissesse: “eu sou neoliberal”. Também não é muito diferente do que eu vejo as mulheres fazerem com o termo “periguete”. Nenhuma mulher se diz vulgar, nenhuma mulher se diz periguete. Vulgares e periguetes são as outras. Ninguém se autodenomina neoliberal nem periguete. Mas é verdade que existem pessoas que se dizem “capitalistas”. A diferença é que quando uma pessoa se diz “capitalista”, ela não está se dizendo a favor da dominação do capital, mas a favor de um sistema de trocas livres. Quer dizer, o termo “capitalista” muda de sentido dependendo de quem está falando. Eu mesmo não defenderia a dominação do capital, que sob muitos aspectos efetivamente existe, ainda que não na forma parcial imaginada pelos manifestantes lá de Wall Street, mas um capitalismo mais livre, que seria melhor denominado simplesmente de liberalismo. Esse liberalismo, sobretudo como posição ética, é que provavelmente ajudaria a consertar o capitalismo e a conter suas crises.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O “capitalismo” no sentido positivo ou liberalismo seria basicamente um sistema de trocas baseado na especialização de cada participante. Eu traduzo, você faz pontes, nós vendemos nossos serviços uns aos outros. Esse sistema é tão natural que nem mesmo o socialismo conseguiu destruí-lo. O sistema coletivista da URSS apenas criou um mercado negro paralelo cujos preços eram artificialmente elevados. Por isso também eu mesmo defendo menos interferência dos governos, e acho que eles devem proteger mais os consumidores do que as empresas. Proteger os consumidores e não as empresas seria, por exemplo, não aumentar o IPI de carros importados não sei de onde para que você possa pagar mais caro por um carro só porque ele foi gloriosamente produzido no Brasil. O nacionalismo está sempre ligado à ideia de que enriquecer os empresários locais é de algum modo moralmente superior a enriquecer um empresário estrangeiro, mesmo que o estrangeiro tenha um produto melhor e mais barato.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os manifestas de Wall Street até me despertam alguma simpatia. Mas existe um grave equívoco, que é a parcialidade do movimento. Não faz sentido ocupar Wall Street sem ocupar também Washington e sobretudo o Fed, o Banco Central americano. A crise americana não foi produto exclusivo de gananciosos especuladores, mas a obra conjunta de especuladores e de burocratas. De um lado, o Fed combateu crises aumentando a liquidez da economia; ainda desse mesmo lado, o governo federal americano estimulou o crédito imobiliário para pessoas que não poderiam pagar. Do outro lado, os financistas aproveitaram os incentivos que tinham. É o efeito do multiplicador bancário: o banco empresta o seu dinheiro a partir da crença de que você não vai sacá-lo. Ter um banco é gerenciar esses riscos e de fato os bancos americanos chegaram a emprestar, em alguns casos, 200 vezes aquilo que efetivamente possuíam. Aqui no Brasil isso não aconteceria, é verdade, por causa da regulamentação, que não permite uma alavancagem tão elevada. Além disso, ao contrário do que ocorre nos EUA, aqui os sócios dos bancos têm de responder pelas perdas com seus patrimônios pessoais. Mas, voltando ao caso americano e à participação do governo, metade das dívidas podres estava nas mãos de dois bancos imobiliários do governo, e já havia a ideia de que qualquer perda seria compensada com as famosas injeções de liquidez: o governo ia botar mais dinheiro na economia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nesse ponto eu devo observar que ao menos um manifestante de Wall Street foi direto ao ponto, até de maneira um pouco filosófica, exibindo um cartaz que pedia o fim da moeda fiduciária. É verdade que essa crise só poderia acontecer num sistema de moeda fiduciária sem lastro. E por quê? É só olhar o nome da moeda: ela é fiduciária, baseada em fé, em credibilidade, em crédito. Mas devo me interromper a mim mesmo para dizer que não vou defender aqui o padrão-ouro. Primeiro, até onde eu sei, o sistema do padrão-ouro também tem seus problemas. Tudo tem suas vantagens e desvantagens próprias. Segundo, porque eu não acredito que o ouro tenha um valor intrínseco. Nada tem valor por si; todo valor é atribuído. Mas esse valor também não é aleatoriamente atribuído; daí é que vem a credibilidade. Você dá credibilidade ao emissor da moeda e à sua capacidade de honrar suas dívidas. Isso não é tão distinto da experiência comum de um profissional do setor privado. Eu mesmo sou tradutor. O valor que cobro dos meus clientes depende da minha credibilidade, isso é, de eles estarem convencidos de que eu vou entregar um bom trabalho num prazo razoável e sem apresentar dificuldades. Não vou enviar um texto cortado, dizendo que não consegui traduzir uma parte – isso é, não vou ficar dando desculpas. Do mesmo modo, qual moeda tem mais valor? A moeda emitida pelo governo que tem mais credibilidade. Essa credibilidade, no caso de um governo, não vem só das agências de rating, que aliás reduziram a credibilidade do governo americano enquanto pagador de dívidas de super ultra deluxe premium plus para apenas super ultra deluxe premium. A credibilidade vem de diversos fatores. Da segurança jurídica americana. Da facilidade de fazer negócios. Não vou dizer que os EUA sejam perfeitos, até por causa das crises. Mas o fato de que, há quinze dias, uma Europa em crise por causa da Grécia fazia o dólar subir de preço mostra quanta credibilidade os EUA têm. A politização da moeda começa aí mesmo, ela é emitida por um governo e as pessoas vão ver como esse governo se comporta. Aliás, não apenas os EUA recebem os maiores fluxos de dinheiro, como também recebem os maiores fluxos de imigrantes. Quando a coisa aperta, você confia em ir para os EUA. Os EUA em crise, com duas guerras, com Wall Street ocupada, parecem melhores do que todos os demais países do mundo, na opinião da maioria dos imigrantes, porque lá é fácil trabalhar, empreender, ter um negócio, ser muçulmano, ser ateu, e até comprar um busto barato de Stálin para colocar na sala de jantar se você quiser. É muito engraçado que o país que representa o capitalismo no mau sentido de Marx, inclusive num mau sentido justo, devido às estripulias financeiras, seja o país para o qual as massas oprimidas do mundo fogem assim que têm chance. Credibilidade é isso. Você não vai me contratar porque eu prometo uma tradução boa, vinda do mundo melhor. Você vai me contratar porque veja, aqui está a tradução, ela pode ter erros (todas têm), mas ela é bem melhor do que as alternativas realmente existentes. Com toda a sua perversidade financeira, o capitalismo realmente existente é melhor do que todas as outras alternativas que existem no mundo concreto, isso na opinião de investidores e de imigrantes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Num certo sentido, perguntar se o sistema financeiro internacional realmente existente tem conserto é pedir por duas respostas. A primeira, filosófica demais, é: claro que não, porque nada que é humano tem conserto, estamos fadados à nobre arte de empurrar com a barriga e minimizar as perdas. Nesse ponto, aliás, o sistema econômico descentralizado se mostrou tão mais eficaz em poupar vítimas que compará-lo com o sistema de economia planejada, ou socialismo, me parece até patológico num sentido dostoievskiano. Há cem anos um marido alcoólatra espanca a mulher e você quer lhe dar mais uma chance só porque ele toca “Imagine” do John Lennon no piano e você se derrete. A segunda resposta de certo modo decorre da primeira: algum ajuste será feito, mas não necessariamente será positivo. Claro que poderia ser feito algum ajuste positivo. Mas acho que se eu soubesse elaborar um ajuste convincente, específico, que fosse além do feijão com arroz que os liberais sempre repetem, meu nome estaria na lista de indicados ao Nobel. De todo modo, imagino que diminuir a alavancagem dos bancos seja importante, ainda que isso talvez viesse a custar em termos de prosperidade e nenhum político quer enfrentar a dureza de um ajuste deflacionário. Nenhum presidente ou candidato a presidente vai querer bater no peito e dizer que no governo dele vamos tomar o remédio amargo e cortar despesas. Além disso, considero fundamental que bancos e banqueiros respondam com seu capital privado. Assumir um risco não é em si um mérito que pede recompensa; é preciso arcar com os prejuízos. Até porque sempre somos mais prudentes com o nosso próprio dinheiro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por isso é que o capitalismo, tomado como a associação perversa de bancos centrais e financistas para manipular riscos e moedas, pode ser amplamente melhorado pelo liberalismo, por um governo mais estável, que tenha regras mais claras, que dê segurança jurídica, que não impeça a iniciativa individual (eu mesmo preciso de um alvará da prefeitura para traduzir em casa, isso é, eu preciso de um documento do governo para escrever no meu computador), que não queira planejar nem dirigir a economia, que não favoreça os grandes empresários. É claro que existe algo de utópico nisso no sentido de que nunca haverá um país perfeitamente liberal, mas esse é um ideal mais realizável, ou ao menos é um ideal ao qual se pode tender. Tanto é que os países que mais tendem a ele são os mais prósperos, em que, novamente, os imigrantes do mundo escolhem morar. Aqui mesmo no Brasil poderíamos ajustar nossa estrutura tributária, melhorar a facilidade de fazer negócios, de empreender, cortar subsídios diretos e indiretos a grandes empresas, derrubar as alianças entre o setor privado que vive de dinheiro fácil do Estado e o Estado que vicia o setor privado por meio de grandes projetos, e criar um capitalismo mais liberal, que seria melhor para todos, e não só para meia dúzia de políticos, de banqueiros e de empresários.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1906536360005189417-6769984382185102630?l=www.pedrosette.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="feedflare"&gt;
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&lt;/div&gt;&lt;img src="http://feeds.feedburner.com/~r/pedrosette/~4/5tbvbbFATGk" height="1" width="1"/&gt;</description><app:edited xmlns:app="http://www.w3.org/2007/app">2011-11-01T17:09:26.075-02:00</app:edited><feedburner:origLink>http://www.pedrosette.com/2011/11/rumo-recife.html</feedburner:origLink></item><item><title>Enquanto uns vão de Anna Netrebko...</title><link>http://feedproxy.google.com/~r/pedrosette/~3/QNh3nrImFa8/enquanto-uns-vao-de-anna-netrebko.html</link><category>Música</category><author>noreply@blogger.com (Pedro Sette-Câmara)</author><pubDate>Thu, 20 Oct 2011 15:16:05 PDT</pubDate><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-1906536360005189417.post-2777257157300282775</guid><description>... eu passo meus dias ouvindo Sol Gabetta.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;iframe width="515" height="292" src="http://www.youtube.com/embed/POdapgptHs8" frameborder="0" allowfullscreen&gt;&lt;/iframe&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1906536360005189417-2777257157300282775?l=www.pedrosette.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="feedflare"&gt;
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&lt;/div&gt;&lt;img src="http://feeds.feedburner.com/~r/pedrosette/~4/QNh3nrImFa8" height="1" width="1"/&gt;</description><app:edited xmlns:app="http://www.w3.org/2007/app">2011-10-20T20:16:05.144-02:00</app:edited><media:thumbnail url="http://img.youtube.com/vi/POdapgptHs8/default.jpg" height="72" width="72" /><feedburner:origLink>http://www.pedrosette.com/2011/10/enquanto-uns-vao-de-anna-netrebko.html</feedburner:origLink></item><item><title>Políticos viciam a juventude em crack</title><link>http://feedproxy.google.com/~r/pedrosette/~3/UlCb1_UmloY/politicos-viciam-juventude-em-crack.html</link><category>Política</category><category>Meia entrada</category><author>noreply@blogger.com (Pedro Sette-Câmara)</author><pubDate>Fri, 07 Oct 2011 07:48:39 PDT</pubDate><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-1906536360005189417.post-3741921243708934284</guid><description>Tenho lido no Diário do Balneário que agora querem dar meia passagem para todos os estudantes de 14 a 29 anos em transportes intermunicipais e interestaduais. O governo subsidiaria isso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Acho que a melhor maneira de olhar o problema é pensar na meia entrada para espetáculos. Em que medida ela é defensável? Ora, na medida em que boa parte da produção cultural brasileira não dá prejuízo. Graças à Lei Rouanet, só tem prejuízo quem quer. O empresário pode estrear seu espetáculo com tudo pago. Dali em diante, é lucro. Eu acho, nesse sentido, que meia entrada talvez seja até pouco... Mas o mais interessante é que, do ponto de vista do estímulo que a meia entrada representaria para que o público saísse de casa, ao menos no teatro (a área que mais me interessa especificamente) ela nem funciona. Diversas peças vendem ingressos abaixo da meia em sites de compras coletivas e nem assim a casa fica meio cheia. Ou seja: o problema do teatro brasileiro certamente não é o preço do ingresso. (Até porque uma pessoa de classe média não paga 10 reais para ir ao teatro no Rio mas paga 100 dólares e passagem para os EUA para ver um espetáculo na Broadway.)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E agora a meia-entrada para transportes. É a contrapartida do lobby das empresas de transportes? É o preço da proteção concedida pelo Estado aos feudos de consumidores sem alternativas? Se for, então...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas, no meu caso, só posso dizer uma coisa. Eu trabalho com tradução. No dia em que o governo inventar que o estudante pode pagar apenas meia lauda, eu, que não tenho dinheiro no banco nem amigos importantes, vou dobrar meu preço, ou mudar de ramo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fico pensando na velha lenga-lenga de “o Brasil não vai para frente”. Se não vai, é porque o estudante quer pagar meia, o empresário quer subsídio, e o governo, para gerenciar tudo isso e dar ares de respeitabilidade à coisa, cobra também a sua taxa, naturalmente de quem não paga meia em nada nem recebe subsídio nenhum.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os jovens políticos de hoje prometem meia, contribuem para esse esquemão, e vão lembrando de dois em dois anos àqueles seus eleitores que desde os 16 anos já votam quem foi que sempre garantiu seu vício em benesses estatais. Tudo sempre circundado daquele discursinho piegas que vai dizer que meia passagem, meia entrada etc. é a proteção da civilização ocidental, da nossa identidade, nossas raízes etc. Igualzinho a um empresário pedindo proteção estatal a seu feudo contra aqueles malditos empreendedores que vendem coisas mais baratas que os consumidores preferem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Isso tem fim? Ora, como disse Alan Greenspan, &lt;em&gt;we can always print money&lt;/em&gt;.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1906536360005189417-3741921243708934284?l=www.pedrosette.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="feedflare"&gt;
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&lt;/div&gt;&lt;img src="http://feeds.feedburner.com/~r/pedrosette/~4/UlCb1_UmloY" height="1" width="1"/&gt;</description><app:edited xmlns:app="http://www.w3.org/2007/app">2011-10-07T11:48:39.371-03:00</app:edited><feedburner:origLink>http://www.pedrosette.com/2011/10/politicos-viciam-juventude-em-crack.html</feedburner:origLink></item><item><title>Food for Thought / Thought for Food</title><link>http://feedproxy.google.com/~r/pedrosette/~3/1cHtJd9SjT0/food-for-thought-thought-for-food.html</link><category>Culinária</category><category>René Girard</category><author>noreply@blogger.com (Pedro Sette-Câmara)</author><pubDate>Wed, 28 Sep 2011 08:30:40 PDT</pubDate><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-1906536360005189417.post-2346113173973359017</guid><description>Um amigo me manda uma foto de um estabelecimento na Tijuca:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://www.livrariacultura.com.br/scripts/cultura/externo/index.asp?id_link=4270&amp;tipo=2&amp;isbn=8580330378"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 320px; height: 240px;" src="https://lh4.googleusercontent.com/-Bfmi9i24slk/ToM8lfXbw1I/AAAAAAAACII/GA6b1mlTFac/s800/girards.JPG" border="0" alt="" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um bom lugar para pedir um café e começar a ler seu exemplar de &lt;a href="http://www.livrariacultura.com.br/scripts/cultura/externo/index.asp?id_link=4270&amp;tipo=2&amp;isbn=8580330378"&gt;&lt;em&gt;Rematar Clausewitz&lt;/em&gt;&lt;/a&gt;.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1906536360005189417-2346113173973359017?l=www.pedrosette.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="feedflare"&gt;
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&lt;/div&gt;&lt;img src="http://feeds.feedburner.com/~r/pedrosette/~4/1cHtJd9SjT0" height="1" width="1"/&gt;</description><app:edited xmlns:app="http://www.w3.org/2007/app">2011-09-28T12:30:40.316-03:00</app:edited><media:thumbnail url="https://lh4.googleusercontent.com/-Bfmi9i24slk/ToM8lfXbw1I/AAAAAAAACII/GA6b1mlTFac/s72-c/girards.JPG" height="72" width="72" /><feedburner:origLink>http://www.pedrosette.com/2011/09/food-for-thought-thought-for-food.html</feedburner:origLink></item><item><title>Xoxó x Pedro, a cólera de Érico</title><link>http://feedproxy.google.com/~r/pedrosette/~3/9w8awH4JayQ/xoxo-x-pedro-colera-de-erico.html</link><category>Literatura</category><category>Avisos</category><author>noreply@blogger.com (Pedro Sette-Câmara)</author><pubDate>Mon, 26 Sep 2011 13:05:31 PDT</pubDate><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-1906536360005189417.post-6390609910376873597</guid><description>1. O lendário Caribó Xoxó fez-me umas perguntas e, vejam só, &lt;a href="http://cariboxoxo.blogspot.com/2011/09/xoxo-entrevista-pedro-sette-camara.html"&gt;eu as respondi&lt;/a&gt;. Como diz Brás Cubas, "cousa é que admira e consterna".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;2. Érico Nogueira, aliás &lt;a href="http://www.cbl.org.br/jabuti/telas/resultado/resultado.aspx?c=54&amp;f=1"&gt;jabutizável&lt;/a&gt;, &lt;a href="http://ericonogueira.blogspot.com/2011/09/encher-e-chutar-o-balde.html"&gt;denunciou&lt;/a&gt; a trapalhada e Denise Bottmann &lt;a href="http://naogostodeplagio.blogspot.com/2011/09/nao-pode-e-ponto-saraiva-e-nova.html"&gt;anunciou&lt;/a&gt; que a denúncia teve efeito.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Trocar "Odisseu" por "Ulisses" e "atrida" por "átrida" num texto de poesia e achar que nada vai mudar. Isso é que dá as faculdades de Letras terem 20 matérias de &lt;s&gt;masturbação mental&lt;/s&gt; teoria literária e 2 de literatura.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1906536360005189417-6390609910376873597?l=www.pedrosette.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="feedflare"&gt;
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&lt;/div&gt;&lt;img src="http://feeds.feedburner.com/~r/pedrosette/~4/9w8awH4JayQ" height="1" width="1"/&gt;</description><app:edited xmlns:app="http://www.w3.org/2007/app">2011-09-26T17:05:31.721-03:00</app:edited><feedburner:origLink>http://www.pedrosette.com/2011/09/xoxo-x-pedro-colera-de-erico.html</feedburner:origLink></item><item><title>Fósseis sonâmbulos</title><link>http://feedproxy.google.com/~r/pedrosette/~3/zKcRNZxixIM/fosseis-sonambulos.html</link><category>Cultura</category><category>Cinema</category><author>noreply@blogger.com (Pedro Sette-Câmara)</author><pubDate>Fri, 16 Sep 2011 17:11:34 PDT</pubDate><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-1906536360005189417.post-3213615027900805975</guid><description>Num país que ainda tem uma cultura “de elite” tão uniforme quanto o nosso, pergunto-me quanto tempo vai levar para que a cultura da transgressão finalmente vá embora. Não estou falando da transgressão como estrutura, isso é, como transgressão real, porque nada pode se manter nessas bases. Falo da transgressão como tema, como conteúdo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fiquei pensando nisso depois que, na fila do estacionamento de um shopping, ouvi um diretor de teatro e uma atriz de TV conversando sobre &lt;em&gt;A árvore da vida&lt;/em&gt;, de Terrence Mallick. E eles só sabiam falar sobre como o garoto do filme tinha um pai “repressor, católico”. Lá vamos nós de novo: a imaginação de quem nasceu a partir de 1950 e trabalha com artes às vezes não consegue sequer conceber, supor, imaginar, devanear que alguma ordem estabelecida e realmente existente possa ter alguma razão de ser.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu entendi o filme (para além de gostar ou não gostar, porque acho que no caso de Terrence Mallick já nascemos predispostos a gostar ou a não gostar) como uma narrativa proustiana de recuperação do tempo perdido, a rememoração pessoal que um homem faz dos aspectos da sua vida, de certos acontecimentos, e como isso não só faz dele aquilo que ele é, mas também o liga ao resto da humanidade. Há uma progressão no filme: eu vejo o mal de um lado só, depois reconheço o mal em mim, depois vejo que há o impremeditado e que o mal faz parte dele, e depois relaciono isso com a estrutura mesma da espécie, da ordem do mundo. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pretensioso, sem dúvida. Mas a imaginação do espectador &lt;em&gt;autístico&lt;/em&gt; brasileiro nunca sai da mesma clave: a identificação do mal de um lado só. Mal esse que é vagamente identificado com os aspectos mais duros da ordem estabelecida, ordem essa que portanto merece ser transgredida. E a transgressão nada mais é do que uma reafirmação autoconsciente daquilo que o sujeito transgressor sempre teria desejado. Algo como uma criança que quer comer biscoito, um desejo deveras inofensivo, até que alguém lhe diz que é feio comer biscoito durante a missa. Começa então a &lt;em&gt;slutwalk&lt;/em&gt;: “Se eu comer biscoito te ofende, problema seu.” “Tenho direito de comer biscoito sem ser incomodado.” “Como biscoito para mim e não para você.” “No fundo você quer é comer o meu biscoito.” “A culpa não é de quem come biscoito.”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Lá em cima eu falei que era transgressão como tema e não como estrutura. Claro que há nisso um aspecto estrutural, porque pode ser aplicado a qualquer tema, digamos. Mas a estrutura vira tema na medida em que se fecha, em que não há progressão de níveis. Há o transgressor e o transgredido, e nunca há mudança de papéis, nem multiplicidade de aspectos, porque não há consciência trágica. (Naturalmente, não há consciência trágica no espectador brasileiro por causa do Ministério da Educação. Isso poderia ser ensinado em aulas de literatura.)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se houvesse consciência trágica, as coisas teriam de ser levadas às últimas consequências. O garoto come biscoito durante a missa e é reprimido. Ele reage. Há outra reação. O garoto é expulso da missa e se vinga junto com outros garotos. Eles vencem e toda autoridade é abolida. O que vem depois disso? É só lembrar da Revolução Francesa: eles começam a brigar entre si, e vão matando uns aos outros, até que a história acabe por falta de personagens ou que surja uma força ainda maior que os domine.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Como &lt;em&gt;A árvore da vida&lt;/em&gt; é uma narrativa de memória seletiva, a ordenação estética de uma tomada de consciência esparsa e demorada, a consciência trágica aparece como percepção da possibilidade do mal e da violência. É o garoto “oprimido” pelo pai que percebe que ele mesmo não é nenhum anjinho. Mas os meus colegas da fila do estacionamento, aqueles dois artistas famosos, não pareciam enxergar nada além de um menino oprimido pelo sistema representado pelo pai que começa a se revoltar. Não enxergam nada além disso porque provavelmente até hoje creem num sonho geracional sessentista, e, como Arnaldo Jabor, têm a amplitude imaginativa de um fóssil sonâmbulo.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1906536360005189417-3213615027900805975?l=www.pedrosette.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="feedflare"&gt;
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&lt;/div&gt;&lt;img src="http://feeds.feedburner.com/~r/pedrosette/~4/zKcRNZxixIM" height="1" width="1"/&gt;</description><app:edited xmlns:app="http://www.w3.org/2007/app">2011-09-16T21:11:34.687-03:00</app:edited><feedburner:origLink>http://www.pedrosette.com/2011/09/fosseis-sonambulos.html</feedburner:origLink></item><item><title>Colóquio de Filosofia Antiga (Rio de Janeiro)</title><link>http://feedproxy.google.com/~r/pedrosette/~3/uoK-7ywBWeQ/coloquio-de-filosofia-antiga-rio-de.html</link><category>Filosofia</category><category>Avisos</category><author>noreply@blogger.com (Pedro Sette-Câmara)</author><pubDate>Tue, 13 Sep 2011 13:15:42 PDT</pubDate><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-1906536360005189417.post-637835124282064855</guid><description>&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="https://lh5.googleusercontent.com/-0nTatmaH7lY/Tm-3u5FmR9I/AAAAAAAACH8/D-FNsvXDzlI/s800/coloquio.png" imageanchor="1" style="margin-left:1em; margin-right:1em"&gt;&lt;img border="0" src="https://lh5.googleusercontent.com/-0nTatmaH7lY/Tm-3u5FmR9I/AAAAAAAACH8/D-FNsvXDzlI/s640/coloquio.png" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1906536360005189417-637835124282064855?l=www.pedrosette.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="feedflare"&gt;
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&lt;/div&gt;&lt;img src="http://feeds.feedburner.com/~r/pedrosette/~4/uoK-7ywBWeQ" height="1" width="1"/&gt;</description><app:edited xmlns:app="http://www.w3.org/2007/app">2011-09-13T17:15:42.272-03:00</app:edited><media:thumbnail url="https://lh5.googleusercontent.com/-0nTatmaH7lY/Tm-3u5FmR9I/AAAAAAAACH8/D-FNsvXDzlI/s72-c/coloquio.png" height="72" width="72" /><feedburner:origLink>http://www.pedrosette.com/2011/09/coloquio-de-filosofia-antiga-rio-de.html</feedburner:origLink></item><item><title>Funarte diz que libera o brioche</title><link>http://feedproxy.google.com/~r/pedrosette/~3/nAa40W5N_Ts/funarte-diz-que-libera-o-brioche.html</link><category>Política</category><category>Teatro</category><category>Funarte</category><author>noreply@blogger.com (Pedro Sette-Câmara)</author><pubDate>Mon, 05 Sep 2011 03:00:06 PDT</pubDate><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-1906536360005189417.post-4226790239123530098</guid><description>Chega-me por e-mail uma "nota de esclarecimento" em Caps Lock da Funarte. Mentira ou incoerência, cabe a algum bom jornalista descobrir. O que eu posso atestar por experiência é que a Funarte é totalmente coerente com seu passado de fornecedora de pulseirinhas vip para &lt;i&gt;Nomenklatura&lt;/i&gt; &amp;amp; amigos, e que portanto não é incoerente que ela se manifeste com incoerências, porque, enfim, certas coisas só funcionam se não forem desnudadas. Não sou da Funarte; pago imposto para a Funarte; não posso pedir meu dinheiro de volta.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;blockquote&gt;
NOTA DE ESCLARECIMENTO&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A pedido do presidente da Funarte, Antonio Grassi, o Centro de Artes Cênicas se desculpa pelas falhas ocorridas durante a emissão de ingressos para o espetáculo 'Uma flauta mágica'. Conseguimos viabilizar uma sessão extra no dia 8, com todos os lugares à venda. Além disso, disponibilizamos cerca de cem ingressos extras para as demais sessões, à venda a partir de&lt;br /&gt;
segunda-feira.&lt;/blockquote&gt;
&lt;br /&gt;
Primeiro, guardemos o número de "cem ingressos extras". O Teatro Dulcina tem 429 lugares; na última terça, foram vendidos 100 para cada dia; logo, não foram vendidos 329 lugares. Essa informação de que eram apenas 100 para cada dia veio da própria bilheteria, dos funcionários do teatro. Eu ouvi e vos reporto.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Agora, considerando que a Funarte começou vendendo o balcão e depois as galerias, onde nem há lugar marcado, só podemos concluir que os "cem ingressos extras" significam que Maria Antonieta resolveu liberar um pouco do brioche.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;blockquote&gt;
No entanto, alguns esclarecimentos se fazem necessários. Diferente das outras atrações da reabertura do Teatro Dulcina, o espetáculo de Peter Brook não foi viabilizado apenas pela Funarte, mas por uma parceria entre a Instituição, a Secretaria Municipal de Cultura e o Consulado Geral da França no Rio. Os 360 convidados, no total das sessões, não receberam ingressos, mas sim vouchers que dão acesso ao espetáculo somente com o comparecimento antes do início da sessão. Os lugares que não forem preenchidos estarão disponíveis para o público, meia hora antes do espetáculo, como ocorreu durante toda a temporada de reabertura.&lt;/blockquote&gt;
&lt;br /&gt;
O uso do adjetivo "diferente" com valor adverbial pode sugerir que o concurso que aprovou o burocrata que redigiu a nota não tenha sido lá muito rigoroso; isso é confirmado por suas palavras posteriores: "360 convidados, no total das sessões". Inclino-me para entender que isso significa que houve 120 convidados para cada uma das três sessões originais. Mas 100 ingressos vendidos por dia mais 120 convidados num teatro de 429 lugares sugerem 209 lugares vazios. Por isso me pergunto se são 360 convidados por dia, algo mais próximo dos 329 lugares não vendidos. De 329 convidados, também seria mais fácil tirar 100 ingressos do que tirá-los de 120; afinal, é mais fácil limar menos de um terço dos convidados do que quatro quintos. O funcionário que escreveu isso é concursado mesmo? Porque, bem, Antonio Grassi foi apenas nomeado pela ministra. De repente ele também nomeou a pessoa que ignora a aritmética e algo do português para escrever essa nota. De repente ele deu para ela um ingresso. Na fila de trás. E ela ficou até satisfeita, olha só.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;blockquote&gt;
Recebemos uma reclamação de que no primeiro dia de vendas a bilheteria foi aberta com atraso, mas a equipe responsável afirma que iniciou às 14h10, ou seja, apenas dez minutos após o horário divulgado. Tampouco é verdade que os melhores lugares foram separados para convidados: a exemplo do Theatro Municipal, o balcão nobre do Dulcina é uma área de ótima visibilidade e muito disputada pelo público.&lt;/blockquote&gt;
&lt;br /&gt;
Ou seja: "é verdade, não vendemos a platéia, porque, Deus do céu, que horror, misturar-se com público". Plateia só para convidados do governo é algo tão emblemático de tudo que existe de errado no teatro brasileiro que realmente é melhor eu evitar a tentação de começar a falar disso, porque preciso me dedicar às minhas atividades remuneradas.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;blockquote&gt;
Esperamos que os esforços empreendidos para disponibilizar ingressos para as quatro sessões do espetáculo, a preços populares, atendam a um número maior de espectadores. Comemoramos o sucesso e o interesse do público por 'Uma flauta mágica'.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
CENTRO DE ARTES CÊNICAS DA FUNARTE&lt;/blockquote&gt;
&lt;br /&gt;
Que esforços? Quem se esforçou foi quem pagou imposto para isso. Vocês, burocratas, só alocaram o dinheiro dos impostos para pagar a produção e depois alocaram três quartos dos ingressos para vocês mesmos, depois liberando um pouquinho o brioche por causa desse sentimento que Marx não estudou, a vergonha nomenklaturesca. O burocrata privatizou para si próprio e depois ficou com vergonha porque hoje as pessoas se organizam na internet. Vergonha; não sentimento de culpa.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Eu poderia jogar um tomate em vocês. Mas infelizmente as minhas cinco horas de espera só me garantiram um ingresso na última fila do balcão, e eu sou péssimo atirador: não quero correr o risco de acertar alguém que está na primeira fila do balcão porque esperou durante oito horas num calor de 35 graus.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1906536360005189417-4226790239123530098?l=www.pedrosette.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="feedflare"&gt;
&lt;a href="http://feeds.feedburner.com/~ff/pedrosette?a=nAa40W5N_Ts:-Ek97-XupbQ:yIl2AUoC8zA"&gt;&lt;img src="http://feeds.feedburner.com/~ff/pedrosette?d=yIl2AUoC8zA" border="0"&gt;&lt;/img&gt;&lt;/a&gt; &lt;a href="http://feeds.feedburner.com/~ff/pedrosette?a=nAa40W5N_Ts:-Ek97-XupbQ:63t7Ie-LG7Y"&gt;&lt;img src="http://feeds.feedburner.com/~ff/pedrosette?d=63t7Ie-LG7Y" border="0"&gt;&lt;/img&gt;&lt;/a&gt;
&lt;/div&gt;&lt;img src="http://feeds.feedburner.com/~r/pedrosette/~4/nAa40W5N_Ts" height="1" width="1"/&gt;</description><app:edited xmlns:app="http://www.w3.org/2007/app">2011-09-05T07:00:06.299-03:00</app:edited><feedburner:origLink>http://www.pedrosette.com/2011/09/funarte-diz-que-libera-o-brioche.html</feedburner:origLink></item><item><title>Fundação Nacional da Pulseirinha VIP</title><link>http://feedproxy.google.com/~r/pedrosette/~3/2oA_595cOK0/fundacao-nacional-da-pulseirinha-vip.html</link><category>Política</category><category>Teatro</category><category>Funarte</category><author>noreply@blogger.com (Pedro Sette-Câmara)</author><pubDate>Sun, 04 Sep 2011 19:50:17 PDT</pubDate><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-1906536360005189417.post-5685995636561589071</guid><description>No dia mais quente do inverno carioca, cerca de duzentas pessoas foram à bilheteria do Teatro Dulcina comprar ingressos para as três apresentações de &lt;a href="http://www.newspeterbrook.com/?p=303"&gt;&lt;i&gt;Uma flauta mágica&lt;/i&gt;, de Peter Brook&lt;/a&gt;. A bilheteria abria às duas da tarde, e eu mesmo cheguei ao meio-dia.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Após uma confusão relacionada a ingressos que não teriam chegado da gráfica, e que levaram a uma ameaça de suspensão de venda, veio outra notícia: dos 429 lugares de que dispõe o Teatro Dulcina, apenas 100 estariam à venda para cada apresentação, todos no balcão e na galeria. Em todas as noites, a plateia estava integralmente reservada para convidados.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Foi nesse momento que me lembrei de que o Teatro Dulcina era da Funarte, e que seu presidente era Antonio Grassi. &lt;a href="http://www.pedrosette.com/2010/12/vou-ter-de-ser-amigo-de-quem-para-poder.html"&gt;Como esquecer do Festival de Teatro Russo em 2006, em que apenas metade das entradas eram disponibilizadas para o famoso público em geral, esta gente sem amigos importantes? &lt;/a&gt;Lembro das horas de pé para conseguir ingressos, sempre coroadas por um encontro com Antonio Grassi, então presidente da Funarte, já feliz e pimpão no teatro, confortavelmente sentado em meio a seus convidados, nos melhores lugares. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Enquanto eu contemplava a mesma situação se repetindo, apareceu um senhor e me perguntou há quanto tempo eu estava ali. Eu já estava na fila havia quatro horas. E ele me falou que também tinha ficado na fila quatro horas para comprar um ingresso no mesmo Teatro Dulcina, alguns dias antes, para o espetáculo de Bibi Ferreira.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Impossível não enxergar na situação um retrato da cultura de "só a diretoria" que impera no Brasil. De um lado, o Ministério se põe a subvencionar com dinheiro dos impostos obras que ninguém quer ver. De outro, privatiza para a própria &lt;i&gt;Nomenklatura&lt;/i&gt; aquilo que todo mundo quer ver. Se o espetáculo de Peter Brook passasse num teatro privado, ou ao menos distante da alçada da Funarte, haveria a oportunidade de comprar ingressos. Estes poderiam talvez ser inacessíveis para alguns, mas ao menos estariam acessíveis num mercado legal, quiçá até recolhendo impostos, em vez de ser exclusivamente financiados por eles.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Dessa vez, porém, Antonio Grassi e a Funarte cometeram um grave erro tático, reservando à plateia que os sustenta as partes superiores do teatro. As promessas de reação com as mais clássicas armas do público – ovos e tomates – não eram nada incomuns.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
E se o ator Antonio Grassi merece ovos e tomates, confesso que não sei. Mas o presidente da Funarte merece vários. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Ou quem sabe uma CPI dos ingressos.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1906536360005189417-5685995636561589071?l=www.pedrosette.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="feedflare"&gt;
&lt;a href="http://feeds.feedburner.com/~ff/pedrosette?a=2oA_595cOK0:MGRSoYCVLJI:yIl2AUoC8zA"&gt;&lt;img src="http://feeds.feedburner.com/~ff/pedrosette?d=yIl2AUoC8zA" border="0"&gt;&lt;/img&gt;&lt;/a&gt; &lt;a href="http://feeds.feedburner.com/~ff/pedrosette?a=2oA_595cOK0:MGRSoYCVLJI:63t7Ie-LG7Y"&gt;&lt;img src="http://feeds.feedburner.com/~ff/pedrosette?d=63t7Ie-LG7Y" border="0"&gt;&lt;/img&gt;&lt;/a&gt;
&lt;/div&gt;&lt;img src="http://feeds.feedburner.com/~r/pedrosette/~4/2oA_595cOK0" height="1" width="1"/&gt;</description><app:edited xmlns:app="http://www.w3.org/2007/app">2011-09-04T23:50:17.807-03:00</app:edited><feedburner:origLink>http://www.pedrosette.com/2011/09/fundacao-nacional-da-pulseirinha-vip.html</feedburner:origLink></item><item><title>Bolsa-Empresário Editorial</title><link>http://feedproxy.google.com/~r/pedrosette/~3/OF_GwspIYVs/bolsa-empresario-editorial.html</link><category>Política</category><category>Livros</category><author>noreply@blogger.com (Pedro Sette-Câmara)</author><pubDate>Thu, 01 Sep 2011 07:20:15 PDT</pubDate><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-1906536360005189417.post-8495326072471871884</guid><description>Hoje leio no Globo sobre o programa Livro Popular (o texto só aparece na edição impressa). O governo vai encomendar edições populares às editoras, que vão vender os livros "para livrarias e afins", e estas repassarão os livros às bibliotecas. O objetivo é estimular a leitura.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Mais uma intenção nobre com resultados provavelmente adversos? Vejamos.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
1. O governo jamais vai "estimular a leitura" desse jeito. O governo não tem prestígio para estimular diretamente esse tipo de coisa.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Uma medida do desinteresse por livros é o seguinte. Assim como nos tumultos recentes de Londres as livrarias foram poupadas, o mesmo já aconteceu no Brasil. Tenho muitos amigos no mercado, que sempre recordam o arrastão que passou pela na Rua Francisco Sá, aqui em Copacabana, poupando integralmente os livros que o sebo Mar de Histórias colocara na rua. Creio que a maioria das pessoas no Brasil preferiria beber um copo de detergente a ler 100 páginas. Agora contrate a melhor agência de publicidade do mundo para ver se alguém sabe como mudar essa situação.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
E aqui vai, de graça, que eu tenho espírito cívico, uma pequena ideia. Se o objetivo fosse mesmo fazer uma campanha que funciona, o ideal seria fazer uma operação totalmente por baixo dos panos. Personagens de novela, atores, jogadores etc. falariam de romances e de poemas. Afinal, um jogador com um corte de cabelo ridículo tem mais chance de estimular as pessoas a mudar esse tipo de comportamento do que o 
governo. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Agora, eu não sei quanto ao público, mas eu mesmo tenho uma aversão instintiva a tudo que é ou que parece campanha para qualquer coisa. Sempre que dizem: "vou te convencer", já me armo para não ser convencido.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
2. Quero só ver que livros serão escolhidos pelo governo. Nosso grande agente de demanda vai enriquecer muita gente. Mas assim é o Brasil: rentista até nos livros. Não competimos pela atenção do público, competimos pela atenção e pelo dinheiro do governo. Hoje, aliás, eu tendo a crer que essa bomba só pode ser desarmada desde dentro. Mesmo que os títulos escolhidos sejam de domínio público, os editores vão ganhar rios de dinheiro. Você pode achar isso ruim, mas lembre-se de que se o governo fosse ele mesmo cuidar da impressão dos livros eles sairiam 100 vezes mais caros.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
3. Por que os intermediários? Ah, sim, isso me faz voltar ao que acabo de dizer. Pagamos impostos e o governo redistribui. Para os intermediários. Amigos do rei, agora escolhidos por licitação e edital; eis a suposta diferença que dá ares de democracia a uma "aristocracia" burocrático-burguesa.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Não sei se é ilegal no Brasil as editoras tratarem diretamente com as bibliotecas (não ficaria surpreso). Mas essa escolha de intermediários para um negócio que realmente não precisa deles tem todo o cheiro do tipo favorito de redistribuição de renda praticado pelo nosso governo. Creio que esse é o sentido profundo do que disse o presidente Lula no início de seu primeiro mandato: "Neste país, a direita está no poder há 500 anos." E ele, é claro, não foi bobo de mexer em algo tão tradicional.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
É importante eu fazer um aparte aqui para aqueles que acham que estou assumindo uma postura de "neutralidade" ou sei lá o quê. Estou questionando uma estrutura, não um grupo de favorecidos. Uma estrutura perversa movida numa certa direção não deixa de ser perversa. Favorecimento de empresários do ramo editorial não é diferente de privilégios para grupos minoritários ou majoritários.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
4. Se é inevitável que o governo faça alguma coisa, prefiro que dê iPads para todo mundo. Pelo menos assim as pessoas poderão vender os iPads e comprar algo que efetivamente querem.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1906536360005189417-8495326072471871884?l=www.pedrosette.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="feedflare"&gt;
&lt;a href="http://feeds.feedburner.com/~ff/pedrosette?a=OF_GwspIYVs:yD_j61JTVM4:yIl2AUoC8zA"&gt;&lt;img src="http://feeds.feedburner.com/~ff/pedrosette?d=yIl2AUoC8zA" border="0"&gt;&lt;/img&gt;&lt;/a&gt; &lt;a href="http://feeds.feedburner.com/~ff/pedrosette?a=OF_GwspIYVs:yD_j61JTVM4:63t7Ie-LG7Y"&gt;&lt;img src="http://feeds.feedburner.com/~ff/pedrosette?d=63t7Ie-LG7Y" border="0"&gt;&lt;/img&gt;&lt;/a&gt;
&lt;/div&gt;&lt;img src="http://feeds.feedburner.com/~r/pedrosette/~4/OF_GwspIYVs" height="1" width="1"/&gt;</description><app:edited xmlns:app="http://www.w3.org/2007/app">2011-09-01T11:20:15.688-03:00</app:edited><feedburner:origLink>http://www.pedrosette.com/2011/09/bolsa-empresario-editorial.html</feedburner:origLink></item><item><title>Seminário Internacional René Girard</title><link>http://feedproxy.google.com/~r/pedrosette/~3/-7wNURDP7iA/seminario-internacional-rene-girard.html</link><category>Teoria mimética</category><category>René Girard</category><category>Avisos</category><author>noreply@blogger.com (Pedro Sette-Câmara)</author><pubDate>Wed, 31 Aug 2011 14:02:44 PDT</pubDate><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-1906536360005189417.post-8144422379378962300</guid><description>Sexta e sábado agora, 2 e 3 de setembro, &lt;a href="http://www.erealizacoes.com.br/renegirard/seminario-programacao.shtml"&gt;acontece em São Paulo um seminário&lt;/a&gt; que comemora os 50 anos do lançamento de &lt;a href="http://www.livrariacultura.com.br/scripts/cultura/externo/index.asp?id_link=4270&amp;tipo=2&amp;isbn=8588062763"&gt;Mentira romântica e verdade romanesca&lt;/a&gt;, de René Girard.
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;No evento serão lançados diversos livros, inclusive duas traduções minhas: &lt;em&gt;Rematar Clausewitz&lt;/em&gt;, de René Girard, e &lt;em&gt;Violência e modernismo&lt;/em&gt;, de William Johnsen.
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;&lt;a href="http://www.erealizacoes.com.br/renegirard/form_cadastro.php"&gt;As inscrições são gratuitas e você pode participar do evento pela internet.&lt;/a&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;Eu mesmo estarei lá como mediador da primeira mesa.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1906536360005189417-8144422379378962300?l=www.pedrosette.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="feedflare"&gt;
&lt;a href="http://feeds.feedburner.com/~ff/pedrosette?a=-7wNURDP7iA:MKxjG79h5Js:yIl2AUoC8zA"&gt;&lt;img src="http://feeds.feedburner.com/~ff/pedrosette?d=yIl2AUoC8zA" border="0"&gt;&lt;/img&gt;&lt;/a&gt; &lt;a href="http://feeds.feedburner.com/~ff/pedrosette?a=-7wNURDP7iA:MKxjG79h5Js:63t7Ie-LG7Y"&gt;&lt;img src="http://feeds.feedburner.com/~ff/pedrosette?d=63t7Ie-LG7Y" border="0"&gt;&lt;/img&gt;&lt;/a&gt;
&lt;/div&gt;&lt;img src="http://feeds.feedburner.com/~r/pedrosette/~4/-7wNURDP7iA" height="1" width="1"/&gt;</description><app:edited xmlns:app="http://www.w3.org/2007/app">2011-08-31T18:02:44.622-03:00</app:edited><feedburner:origLink>http://www.pedrosette.com/2011/08/seminario-internacional-rene-girard.html</feedburner:origLink></item><item><title>A jornalista, a subsecretária e o diplomata</title><link>http://feedproxy.google.com/~r/pedrosette/~3/YQd4Lwol2e0/jornalista-subsecretaria-e-o-diplomata.html</link><category>Política</category><category>Cultura</category><author>noreply@blogger.com (Pedro Sette-Câmara)</author><pubDate>Mon, 29 Aug 2011 07:37:15 PDT</pubDate><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-1906536360005189417.post-1823351418819113382</guid><description>Boa parte do trabalho jornalístico consiste em procurar pessoas que estejam a fim de proporcionar, de livre e espontânea vontade, seus momentos menos memoráveis, e assim atender ao sublimes propósitos da venda de jornais e do aumento do número de visitantes. O povo tem o direito de saber! – que fulano falou bobagem. Uma espécie de paparazzi verbal da política etc. Não que eu não ache que os funcionários públicos (eleitos, escolhidos ou concursados) não devam ser tratados de maneira mais dura no exercício de suas funções. Mas bem.
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;Hoje &lt;a href="http://moglobo.globo.com/integra.asp?txtUrl=/cultura/mat/2011/08/26/romance-lancado-nos-eua-narra-trata-rio-como-capital-mundial-do-sexo-causa-indignacao-em-brasilia-925225859.asp"&gt;o Diário do Balneário encontrou Aparecida Gonçalves, a Subsecretária de Enfrentamento à Violência contra a Mulher, que esperneia contra um romance americano que conta a história de um turista sexual no Rio de Janeiro&lt;/a&gt;:
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;&lt;blockquote&gt;Ao saber do conteúdo de &lt;a href="http://www.amazon.com/Seven-Days-Rio-Francis-Levy/dp/0982684878/ref=sr_1_1?s=digital-text&amp;ie=UTF8&amp;qid=1314453502&amp;sr=1-1"&gt;&lt;em&gt;Seven days in Rio&lt;/em&gt;&lt;/a&gt;, que custa US$ 16 no site da Amazon, a Subsecretaria de Enfrentamento à Violência contra a Mulher, órgão diretamente subordinado à Presidência da República, anunciou que pedirá retratação oficial - mesmo sendo uma obra de ficção.
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;Aparecida Gonçalves, que chefia a subsecretaria, promete acionar o Ministério das Relações Exteriores através de um ofício para que ele entre em contato com a embaixada dos EUA.
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;– O turismo sexual ainda não é uma página virada no Brasil - reconhece Aparecida. - Mas nós temos acordos bilaterais que versam sobre políticas públicas para mulheres firmados com Estados Unidos, Portugal, Inglaterra e Itália, e eles precisam ser respeitados. Nenhuma brasileira pode ser tratada assim, nem mesmo na ficção. E o governo de um país tem que responder pela atitude de seus cidadãos. Vamos cobrar isso deles.&lt;/blockquote&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;A subsecretária promete contactar o Itamaraty. Eu gostaria de estar no Itamaraty para dizer-lhe:
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;&lt;blockquote&gt;Prezada Sra. Subsecretária:
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;Venho por meio desta responder à solicitação de Vossa Sapientíssima Excelência para que o governo brasileiro gaste o dinheiro dos contribuintes se manifestando contra um obscuro romance americano:
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;1. As pessoas que leem romances provavelmente conseguem distinguir entre a ficção e a realidade. Aqui em Brasília há uma Livraria Cultura. V. Sap. pode dirigir-se àquele local e verificar a variedade de narrativas que não correspondem à realidade. Se o decoro me permite uma observação pessoal, quando era adolescente a escola me obrigou a ler &lt;em&gt;Dom Casmurro&lt;/em&gt;, de Machado de Assis. Não creio que o meu caso seja especial, mas não passei a enxergar todas as mães como beatas, todos os melhores amigos como traíras, e todas as esposas como safadas.
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;2. Vamos tentar reformular o pedido. V. Sap. quer que o governo brasileiro proteste contra uma obra de ficção escrita num país estrangeiro por um autor estrangeiro em que brasileiros fictícios seriam retratados de maneira degradante numa narrativa satírica? Só posso prometer solenemente, com a mão no peito, um pouco acima do meio da gravata, onde ela já começa a afinar, cá diante do Microsoft Word, que quando os personagens vierem dar queixa vamos &lt;strong&gt;&lt;em&gt;direto&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt; ao Conselho de Segurança.
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;Subscrevo-me,
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;Diplomata do Mundo Real, Concreto, &lt;em&gt;Lebenswelt&lt;/em&gt; da Silva&lt;/blockquote&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1906536360005189417-1823351418819113382?l=www.pedrosette.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="feedflare"&gt;
&lt;a href="http://feeds.feedburner.com/~ff/pedrosette?a=YQd4Lwol2e0:Wg_8sI-35UA:yIl2AUoC8zA"&gt;&lt;img src="http://feeds.feedburner.com/~ff/pedrosette?d=yIl2AUoC8zA" border="0"&gt;&lt;/img&gt;&lt;/a&gt; &lt;a href="http://feeds.feedburner.com/~ff/pedrosette?a=YQd4Lwol2e0:Wg_8sI-35UA:63t7Ie-LG7Y"&gt;&lt;img src="http://feeds.feedburner.com/~ff/pedrosette?d=63t7Ie-LG7Y" border="0"&gt;&lt;/img&gt;&lt;/a&gt;
&lt;/div&gt;&lt;img src="http://feeds.feedburner.com/~r/pedrosette/~4/YQd4Lwol2e0" height="1" width="1"/&gt;</description><app:edited xmlns:app="http://www.w3.org/2007/app">2011-08-29T11:37:15.952-03:00</app:edited><feedburner:origLink>http://www.pedrosette.com/2011/08/jornalista-subsecretaria-e-o-diplomata.html</feedburner:origLink></item><item><title>O livreiro e o crítico</title><link>http://feedproxy.google.com/~r/pedrosette/~3/wLCfsLJxtxc/o-livreiro-e-o-critico.html</link><category>Literatura</category><category>Educação</category><author>noreply@blogger.com (Pedro Sette-Câmara)</author><pubDate>Sat, 27 Aug 2011 07:49:15 PDT</pubDate><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-1906536360005189417.post-2312574847165453154</guid><description>Quem faz faculdade de Letras descobre que um dos principais problemas do ensino é a perpetuação da confusão entre um princípio metodológico – a abstração do juízo de valor – e uma afirmação de fato – tudo tem o mesmo valor. Isso é, se a a Linguística considera que o português escrito por Machado de Assis e aquele usado nas letras de funk tem o mesmo valor para que se entenda o "sistema" da língua, então a faculdade de Letras conclui que todos os registros têm o mesmo valor, e eu não queria parar a argumentação agora para sugerir que se escreva um livro de Linguística com o português das letras de funk. Analogamente, as obras literárias também são analisadas segundo as suas características estruturais e temáticas, sem que ninguém se pergunte se X é melhor do que Y, e por quê. Isso, em parte, explica a leitura de tanta porcaria contemporânea na gradução. Uma faculdade de Letras deveria formar linguistas ou críticos literários, ou pelo menos desenvolver nos leitores algum potencial crítico; a postura científica de "neutralidade" está formando livreiros teóricos, pessoas que seriam capazes de descrever as obras mas que não se atreveriam a responder a temível pergunta: &lt;em&gt;dado que vamos morrer e que o tempo é curto, em que devo investir meu tempo e minha atenção?&lt;/em&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;Aqui chegamos no outro extremo. O crítico, quer ele queira, quer não, é uma espécie de corretor do prestígio das obras. O crítico ocupa lugares de prestígio na sociedade e suas palavras serão ouvidas. Adotar a postura "científica" é evitar a pergunta fundamental. Claro que você pode ser até contra essa pergunta fundamental. Você pode achar que cada um deve decidir o que ler, e fazer suas próprias escolhas, sem perceber que isso é uma mentira existencial, porque você pegou essa ideia de uma bibliografia selecionada por alguém de prestígio num lugar de prestígio (um professor na universidade). Sem contar que abdicar desse papel é propor que cada um refaça o percurso coletivo de toda a humanidade. E mesmo que você pegue as pessoas que aparentemente refizeram esse percurso, como Harold Bloom e Umberto Eco, elas não chegaram a conclusões muito diferentes das do cânon "oficial".
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;No Brasil, de fato, ficamos divididos entre dois extremos. O jornalismo literário não é exatamente grande coisa. Não me recordo de ter lido muitas resenhas negativas, para começar. Mesmo as resenhas positivas se limitam a mimetizar o estilo acadêmico, falando das características das obras e não de seu possível proveito. A crítica acadêmica é essencialmente ilegível e fala de literatura como um físico falaria a seus pares, sem preocupação com a inteligibilidade extramuros. Sugerir que a literatura se refere a algo no mundo e que vale a pena discutir essa relação é uma espécie de heresia. Mas o leitor está no mundo. Até os outros textos estão no mundo. A faculdade pode achar que um texto se refere a outro texto se refere a outro texto se refere a outro texto, mas estamos todos no mundo, leitores e textos.
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;Lamento muito tudo isso. Acho que os principais livros da minha vida foram livros de crítica literária, e, destes, os únicos em português foram pequeninas obras de Manuel Bandeira. Hoje em dia diriam tratar-se de impressionismo. Esses livros me levaram a outros, de crítica e de poesia. A crítica poderia servir para isso, para educar o gosto e por meio do gosto a própria pessoa. É preciso possuir certas qualidades para ser tocado por certos livros; o crítico poderia dar dicas de como se tornar capaz de apreciá-los, e isso não seria tão diferente de um crítico de vinhos que sugerisse prestar atenção em certas características. Atenção, aliás, é uma palavra fundamental. Significa tanto olhar numa certa direção quanto olhar por um certo tempo. E ficar parado, concentrado, não é uma coisa má. Depois, pensar na experiência. Fazer com que as ideias fiquem enraizadas na experiência, levando os leitores a entender por que gostam disso ou daquilo. E não simplesmente agir como um livreiro que fosse capaz de organizar todas as estantes sem estabelecer uma relação pessoal com obra nenhuma.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1906536360005189417-2312574847165453154?l=www.pedrosette.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="feedflare"&gt;
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&lt;/div&gt;&lt;img src="http://feeds.feedburner.com/~r/pedrosette/~4/wLCfsLJxtxc" height="1" width="1"/&gt;</description><app:edited xmlns:app="http://www.w3.org/2007/app">2011-08-27T11:49:15.760-03:00</app:edited><feedburner:origLink>http://www.pedrosette.com/2011/08/o-livreiro-e-o-critico.html</feedburner:origLink></item><item><title>Uma razão por que nunca cogitei o suicídio</title><link>http://feedproxy.google.com/~r/pedrosette/~3/ekE-JHXC5_o/uma-razao-por-que-nunca-cogitei-o.html</link><category>Religião</category><category>Suicídio</category><author>noreply@blogger.com (Pedro Sette-Câmara)</author><pubDate>Mon, 29 Aug 2011 07:33:32 PDT</pubDate><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-1906536360005189417.post-4318931964529836134</guid><description>Com o tema do suicídio obviamente na alma, eu tentava explicar a uma amiga ateia as razões de eu nunca ter considerado, nem por um segundo, dar fim à minha estadia terrestre. Na verdade, antes mesmo de continuar, acho que aí está uma das melhores razões para ser grato aos amigos: muitas vezes, eles fazem com que você esclareça para si próprio aquilo que pensa, aquilo que serve de motivação.
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;Ela, ateia, me apresentava o suicídio como uma possibilidade reconfortante. Se tudo ficasse ruim demais, era sempre possível desaparecer, retirar-se. Ela supunha que, por ser católico, a principal razão para eu jamais ter cogitado o suicídio era o medo do inferno. Não mesmo: muitas coisas há que a Igreja diz serem pecado mortal, e que no entanto… Se o medo do inferno fosse assim tão persuasivo, talvez eu fosse uma pessoa melhor. Porque não tenho nada contra o medo do inferno em si, e acho que ele pode ser um bom começo. Acho igualmente que quem brada não fazer nada por causa do medo está apenas com medo de parecer medroso. Aristóteles explica na &lt;em&gt;Retórica&lt;/em&gt; que o medo é o contrário da confiança e, se isso é verdade, então a minha motivação para nunca ter procurado o suicídio está mais próxima dela.
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;Explico eu então, sempre grato à amiga. É verdade que ser católico influencia a minha motivação, no sentido de que a cosmovisão de qualquer pessoa influencia suas motivações. No meu caso, a influência que detectei foi a seguinte: acredito que, por piores que as coisas fiquem, se você agir com sinceridade e tiver boa vontade, se for capaz de resistir aos desejos de vingança, Deus, de algum modo, nesta vida ou na outra, vai dar bom termo às situações, não como uma espécie de Grande Titereiro, mas como um ser onisciente e misericordioso que retribuirá a sua boa vontade, um pouco como você gostaria de confortar os personagens das obras dramáticas a que assiste. Também sempre me impressionou muito a noção de que a nossa vida não é nossa: não demos a nós mesmos nossa existência, e ela não nos pertence. Ganhamos uma vida e devemos uma morte. Não fui eu que inventei essa ideia. É claro que ela pode ser manipulada de várias maneiras, inventando uma "causa de Deus" que se confunda com a do Império Austro-Húngaro ou com a ditadura do proletariado e que, em última instância, seja usada para convencer alguém a entregar a própria vida. Mas o fato de uma ideia poder ser usada para o mal não a falsifica. Aliás, perceber que a verdade pode ser usada para o mal, que é possível oprimir com a verdade, foi-me indispensável. Infelizmente, essa não foi das coisas que percebi lendo livros.
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;Mas bem. O ressentimento imediato que alguém pode ter dessa minha visão estaria na ausência de autonomia. E de fato eu creio muito pouco em autonomia. É preciso perguntar: autonomia em relação a quê, ou a quem? A ideia mesma de autonomia em si me parece uma piada, porque ninguém deu existência a si próprio e já começa sua carreira neste mundo com uma tremenda dívida de gratidão para com um bocado de gente. Aqui eu começo a ver que os meus pressupostos já se denunciam. Só enxergo as pessoas dentro de alguma relação, que pode ser com os outros, com Deus, com quem for. Você pode trocar suas referências, admirando umas pessoas numa época da vida, depois admirando outros, e achar que isso é autonomia, mas estruturalmente nada mudou.
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;É por pensar assim e por ter confiança (isso não é a famosa virtude sobrenatural da fé) que nunca cogitei o suicídio, nem quando me aconteceram as piores coisas que já me aconteceram. Pode ser que eu deva o pensar e o sentir assim a meus pais, que me transmitiram desde cedo a ideia de que o cosmos é um lugar fundamentalmente bom, um tanto como na parábola do filho pródigo. Não que, com isso, eu queira culpar os pais das pessoas que pensam e sentem de modo diverso; essas pessoas podem perfeitamente ter herdado de terceiros suas ideias, exatamente quando, ao julgar que derrubavam todos os ídolos, apenas adquiriam novos, mais insidiosos, mais despercebidos.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1906536360005189417-4318931964529836134?l=www.pedrosette.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="feedflare"&gt;
&lt;a href="http://feeds.feedburner.com/~ff/pedrosette?a=ekE-JHXC5_o:DrqoZKMCx9o:yIl2AUoC8zA"&gt;&lt;img src="http://feeds.feedburner.com/~ff/pedrosette?d=yIl2AUoC8zA" border="0"&gt;&lt;/img&gt;&lt;/a&gt; &lt;a href="http://feeds.feedburner.com/~ff/pedrosette?a=ekE-JHXC5_o:DrqoZKMCx9o:63t7Ie-LG7Y"&gt;&lt;img src="http://feeds.feedburner.com/~ff/pedrosette?d=63t7Ie-LG7Y" border="0"&gt;&lt;/img&gt;&lt;/a&gt;
&lt;/div&gt;&lt;img src="http://feeds.feedburner.com/~r/pedrosette/~4/ekE-JHXC5_o" height="1" width="1"/&gt;</description><app:edited xmlns:app="http://www.w3.org/2007/app">2011-08-29T11:33:32.154-03:00</app:edited><feedburner:origLink>http://www.pedrosette.com/2011/08/uma-razao-por-que-nunca-cogitei-o.html</feedburner:origLink></item><item><title>Tercinas sobre a fugacidade de tudo</title><link>http://feedproxy.google.com/~r/pedrosette/~3/st-k-kU-nqA/tercinas-sobre-fugacidade-de-tudo.html</link><category>Poesia</category><author>noreply@blogger.com (Pedro Sette-Câmara)</author><pubDate>Fri, 19 Aug 2011 06:45:05 PDT</pubDate><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-1906536360005189417.post-5366536114277749519</guid><description>&lt;em&gt;De Hugo von Hofmannsthal, com tradução de Vasco Graça Moura.&lt;/em&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;I
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;Inda lhes sinto o hálito na face:
&lt;br /&gt;pode lá ser que este correr de dias
&lt;br /&gt;para sempre e de todo assim passasse?
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;Ninguém entende coisa tão estranha,
&lt;br /&gt;cruel demais pra queixas e agonias:
&lt;br /&gt;que deslizando, nada se detenha.
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;E que o meu próprio eu, imperturbado,
&lt;br /&gt;de um menino pequeno até mim venha,
&lt;br /&gt;cão de estranheza inquieto e tão calado.
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;Mais: que eu fosse há cem anos, e sabê-lo,
&lt;br /&gt;que cada avô dos meus, amortalhado,
&lt;br /&gt;esteja tanto em mim como o cabelo,
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;sendo um comigo como o meu cabelo.
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;II
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;As horas! Onde nós o azul claro
&lt;br /&gt;do mar vemos e a morte se nos fez
&lt;br /&gt;leve e sem medo, em festa e sem reparo,
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;como meninas só de palidez
&lt;br /&gt;e grandes olhos sempre se resfriam,
&lt;br /&gt;e à tarde olham perdidas, na mudez
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;de ver que a vida, enquanto adormeciam
&lt;br /&gt;seus membros, lhes fluiu silente e langue
&lt;br /&gt;em árvore e erva, e tímidas sorriam,
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;como uma santa enquanto verte o sangue.
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;III
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;Nossa matéria aos sonhos é igual
&lt;br /&gt;e os sonhos abrem olhos à maneira
&lt;br /&gt;de umas crianças sob o cerejal.
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;Das copas, ouro pálido se esgueira
&lt;br /&gt;da lua-cheia e a vasta noite alcança...
&lt;br /&gt;senão, sonhos não há à nossa beira.
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;Vivem aí qual riso de criança,
&lt;br /&gt;e como a lua-cheia sobem, descem,
&lt;br /&gt;quando desperta sobre a fronde avança.
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;O mais íntimo se abre a quanto tecem;
&lt;br /&gt;quais mãos-fantasma sempre num tristonho
&lt;br /&gt;espaço estão em nós e vida oferecem.
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;E os três são um: homem e coisa e sonho.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1906536360005189417-5366536114277749519?l=www.pedrosette.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="feedflare"&gt;
&lt;a href="http://feeds.feedburner.com/~ff/pedrosette?a=st-k-kU-nqA:AL3DIHSlAXc:yIl2AUoC8zA"&gt;&lt;img src="http://feeds.feedburner.com/~ff/pedrosette?d=yIl2AUoC8zA" border="0"&gt;&lt;/img&gt;&lt;/a&gt; &lt;a href="http://feeds.feedburner.com/~ff/pedrosette?a=st-k-kU-nqA:AL3DIHSlAXc:63t7Ie-LG7Y"&gt;&lt;img src="http://feeds.feedburner.com/~ff/pedrosette?d=63t7Ie-LG7Y" border="0"&gt;&lt;/img&gt;&lt;/a&gt;
&lt;/div&gt;&lt;img src="http://feeds.feedburner.com/~r/pedrosette/~4/st-k-kU-nqA" height="1" width="1"/&gt;</description><app:edited xmlns:app="http://www.w3.org/2007/app">2011-08-19T10:45:05.508-03:00</app:edited><feedburner:origLink>http://www.pedrosette.com/2011/08/tercinas-sobre-fugacidade-de-tudo.html</feedburner:origLink></item><item><title>So daring and sweet his thought</title><link>http://feedproxy.google.com/~r/pedrosette/~3/LUXVs47fa3Q/so-daring-and-sweet-his-thought.html</link><category>Avisos</category><author>noreply@blogger.com (Pedro Sette-Câmara)</author><pubDate>Wed, 17 Aug 2011 13:02:37 PDT</pubDate><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-1906536360005189417.post-7554892934399573944</guid><description>Alguns já sabem, outros não, mas a notícia aparentemente se tornou pública ontem, e é melhor que haja aqui algo “oficial” do que um disse-me-disse qualquer. Por isso, senhores, preparem-se, respirem fundo, porque não será fácil ler as palavras a seguir: no dia 11 de agosto, em seu apartamento em New Jersey, &lt;a href="http://www.oindividuo.org"&gt;Sergio de Biasi&lt;/a&gt; optou por averiguar diretamente a existência do outro mundo, deixando para nós apenas o seu corpo, e nada mais daquela inteligência que guiou conversas intermináveis nos últimos 15 anos, e que agora aparentemente continuarão interminadas.
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;Conheci Sergio na PUC do Rio de Janeiro em 1996, cursando a matéria “O homem e o fenômeno religioso” (a PUC obriga todos os alunos, de todos os cursos, a fazer quatro matérias religiosas). Eu naturalmente me sentava no fundo, e ele naturalmente se sentava na frente. E travava aquelas discussões com a professora que faziam dele um colega indesejado, exatamente por denunciar que, apesar de as pessoas irem à faculdade para pegar um diploma, ele tinha ido lá para tentar aprender alguma coisa.
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;Frequentemente íamos almoçar no Shopping da Gávea, ali ao lado. Eu falava (mal, muito mal) de Descartes. Claro que discutíamos religião, porque eu nasci católico, eu nasci religioso, eu nunca não acreditei, e ele era o oposto, aparentemente um ateu nascido e criado. Mas eu gostaria de crer que estávamos unidos pela curiosidade, ainda que ele fosse um verdadeiro pesquisador das ciências exatas, estudioso de Física e de Computação, e eu nunca tenha passado de um ladrão de tumbas, um sujeito cheio de amigos eruditos que pede uma ajudinha para pilhar os tesouros da civilização com algum propósito prático mais ou menos imediato. Não por acaso, na última vez em que nos encontramos pessoalmente, em uma de suas visitas ao Brasil, eu pedi que ele me explicasse o teorema de Gödel e aquele negócio da incompletude.
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;Sempre que essas coisas indizíveis acontecem, é inevitável pensar no poema “Easter, 1916”, de Yeats, em que o poeta, vendo as pessoas que chegam do massacre, não tem nada para lhes oferecer além de “polite, meaningless words” (“palavras educadas e vazias”). Nesse poema Yeats também fala o seguinte de um desafeto, o que não seria o caso aqui: “he too has resigned his part in the casual comedy” (“ele também abandonou seu papel nessa comédia tão banal”), palavras que poderiam encher mais meu coração se eu não achasse que ver o mundo como uma comédia tão banal pressupõe uma identificação obviamente falsa com Deus. Em vez disso, lembro do Sérgio com outras palavras do poema, palavras que também me fazem pensar no pai de um grande amigo, assassinado em 2007: “so sensitive his nature seemed, so daring and sweet his thought”(“sua natureza parecia tão sensível; sua inteligência, tão audaz, tão gentil”).
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;Também penso que eu mesmo posso estar escrevendo isto aqui para cobrir o vazio inevitável. E vou pensando, à medida que envelheço, que alguns de nós podem ser como meteoros que se chocam contra a atmosfera: nem todos chegamos inteiros aonde chegamos, esperamos, não em vão, se é que vocês se lembram do poema “Travessias”, de Bruno Tolentino.
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;Naquele mesmo ano de 2007, uma ex-namorada minha de 2002 achou por bem jogar-se de um décimo andar. Nos cinco anos em que praticamente não nos falamos eu praticamente não pensei nela; desde o dia de seu enterro, eu penso nela todos os dias. Quanto à pergunta inevitável, “por quê?”, só posso dizer que acho que existem milhões de motivações diferentes, e que cabe a nós que ficamos nesta terra evitar a tentação de julgar aquelas pessoas reais, ainda que seja difícil evitar um certo ressentimento, como se elas tivessem nos dado a esnobada definitiva, mostrando que preferiam a incerteza do país ignoto de que nenhum viajante retorna à companhia da nossa imperfeita mortalidade. Mas aqueles entre nós que, como eu, creem, podem ter a esperança de um dia poder retomar as conversas interminadas, agora em outro plano, em que elas, também de outro modo, serão intermináveis.
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;***
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;No sábado, 20 de agosto, haverá às 11h da manhã uma missa pelo Sergio na igreja do colégio Santo Inácio, em Botafogo, aqui no Rio de Janeiro.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1906536360005189417-7554892934399573944?l=www.pedrosette.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="feedflare"&gt;
&lt;a href="http://feeds.feedburner.com/~ff/pedrosette?a=LUXVs47fa3Q:74UqAWypS6g:yIl2AUoC8zA"&gt;&lt;img src="http://feeds.feedburner.com/~ff/pedrosette?d=yIl2AUoC8zA" border="0"&gt;&lt;/img&gt;&lt;/a&gt; &lt;a href="http://feeds.feedburner.com/~ff/pedrosette?a=LUXVs47fa3Q:74UqAWypS6g:63t7Ie-LG7Y"&gt;&lt;img src="http://feeds.feedburner.com/~ff/pedrosette?d=63t7Ie-LG7Y" border="0"&gt;&lt;/img&gt;&lt;/a&gt;
&lt;/div&gt;&lt;img src="http://feeds.feedburner.com/~r/pedrosette/~4/LUXVs47fa3Q" height="1" width="1"/&gt;</description><app:edited xmlns:app="http://www.w3.org/2007/app">2011-08-17T17:02:37.112-03:00</app:edited><feedburner:origLink>http://www.pedrosette.com/2011/08/so-daring-and-sweet-his-thought.html</feedburner:origLink></item><item><title>Uma resposta liberal bem fácil (sobre surdos)</title><link>http://feedproxy.google.com/~r/pedrosette/~3/e-a5gUxfAT8/uma-resposta-liberal-bem-facil-sobre.html</link><category>Política</category><author>noreply@blogger.com (Pedro Sette-Câmara)</author><pubDate>Wed, 27 Jul 2011 08:14:56 PDT</pubDate><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-1906536360005189417.post-295387164325990438</guid><description>No site Observador Político, levantam a pergunta: &lt;a href="http://www.observadorpolitico.org.br/grupos/deficientes/forum/topic/os-surdos-devem-estudar-em-escolas-regulares-ou-especiais/"&gt;"os surdos devem estudar em escolas regulares ou especiais?"&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dando uma resposta ideal, lá vai:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se os surdos quiserem estudar numa escola especial, e se houver uma escola especial para recebê-los, então que estudem numa escola especial.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se os surdos quiserem estudar numa escola regular, e se houver uma escola regular para recebê-los, então que estudem numa escola regular.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Passando ao plano do governo realmente existente, por que essa pergunta tem de ser entendida como se fosse dirigida a uma única autoridade nacional central? Por que os surdos e aqueles que querem prestar serviços a surdos não podem conversar entre si, sem pedir e sem ter de ouvir a opinião dessa autoridade?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pessoalmente, eu não tenho a menor ideia quanto à melhor escola, regular ou especial. E provavelmente nunca terei. A arte é longa, a vida é breve, as questões são muitas, eu já escolhi algumas, já sinto que não dou conta delas, e vejo cada vez mais que ter acesso ao Google não é ser um homem da Renascença em potencial.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em suma. Não sei, só posso imaginar que as duas alternativas tenham vantagens e desvantagens peculiares. Respeito imensamente quem se dedicou à questão. Mesmo assim, não creio que a decisão a respeito de como melhor servir aos surdos seja uma decisão política.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aqui está boa parte do que se chama de discussão política. Uns acham que cabe ao burocrata definir e garantir certos direitos. Outros, como eu, acham que a garantia (e até a realização) de certos direitos dependem da ausência desse mesmo burocrata.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1906536360005189417-295387164325990438?l=www.pedrosette.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="feedflare"&gt;
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&lt;/div&gt;&lt;img src="http://feeds.feedburner.com/~r/pedrosette/~4/e-a5gUxfAT8" height="1" width="1"/&gt;</description><app:edited xmlns:app="http://www.w3.org/2007/app">2011-07-27T12:14:56.108-03:00</app:edited><feedburner:origLink>http://www.pedrosette.com/2011/07/uma-resposta-liberal-bem-facil-sobre.html</feedburner:origLink></item><media:rating>nonadult</media:rating></channel></rss>

