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	<title>Fernando Pessoa</title>
	
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	<pubDate>Thu, 13 Jun 2013 14:32:38 +0000</pubDate>
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		<title>125 anos!</title>
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		<pubDate>Thu, 13 Jun 2013 04:17:21 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Bill</dc:creator>
		
		<category><![CDATA[Fernando Pessoa]]></category>

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		<description><![CDATA[Fernando Pessoa
13 de junho de 1888 / 13 de junho de 2013
Aniversário
No tempo em que festejavam o dia dos meus anos,
Eu era feliz e ninguém estava morto.
Na casa antiga, até eu fazer anos era uma tradição de há séculos,
E a alegria de todos, e a minha, estava certa como uma religião qualquer.
No tempo em que [...]<p>www.pessoa.art.br</p>
<p><a href="http://www.pessoa.art.br/?p=1244">125 anos!</a></p>
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			<content:encoded><![CDATA[<div align="justify">
<div align="right"><span style="color:#006600;"><b><a target="_self" href="http://www.pessoa.art.br/pessoa/?p=17">Fernando Pessoa</a></b></span><br />
<b>13 de junho de 1888 / 13 de junho de 2013</b></div>
<p><span style="color:#006600;"><b>Aniversário</b></span></p>
<p>No tempo em que festejavam o dia dos meus anos,<br />
Eu era feliz e ninguém estava morto.<br />
Na casa antiga, até eu fazer anos era uma tradição de há séculos,<br />
E a alegria de todos, e a minha, estava certa como uma religião qualquer.<br />
No tempo em que festejavam o dia dos meus anos,<br />
Eu tinha a grande saúde de não perceber coisa nenhuma,<br />
De ser inteligente para entre a família,<br />
E de não ter as esperanças que os outros tinham por mim.<br />
Quando vim a ter esperanças, já não sabia ter esperanças.<br />
Quando vim a olhar pela vida, perdera o sentido da vida.</p>
<p>Sim, o que fui de suposto a mim mesmo,<br />
O que fui de coração e parentesco,<br />
O que fui de serões de meia-província,<br />
O que fui de amarem-me e eu ser menino,<br />
O que fui – ai, meu Deus!, o que só hoje sei que fui&#8230;<br />
A que distância!&#8230;<br />
(Nem o acho&#8230;)<br />
O tempo em que festejavam o dia dos meus anos!</p>
<p>O que eu sou hoje é como a humidade no corredor do fim da casa,<br />
Pondo grelado nas paredes&#8230;<br />
O que eu sou hoje (e a casa dos que me amaram treme através das minhas lágrimas),<br />
O que eu sou hoje é terem vendido a casa,<br />
É terem morrido todos,<br />
É estar eu sobrevivente a mim-mesmo como um fósforo frio&#8230;</p>
<p>No tempo em que festejavam o dia dos meus anos&#8230;<br />
Que meu amor, como uma pessoa, esse tempo!<br />
Desejo físico da alma se encontrar ali outra vez,<br />
Por uma viagem metafísica e carnal,<br />
Com uma dualidade de eu para mim&#8230;<br />
Comer o passado como pão de fome, sem tempo de manteiga nos dentes!</p>
<p>Vejo tudo outra vez com uma nitidez que me cega para o que há aqui&#8230;<br />
A mesa posta com mais lugares, com melhores desenhos na loiça, com mais copos,<br />
O aparador com muitas coisas – doces, frutas, o resto na sombra debaixo do alçado –,<br />
As tias velhas, os primos diferentes, e tudo era por minha causa,<br />
No tempo em que festejavam o dia dos meus anos&#8230;</p>
<p>Pára, meu coração!<br />
Não penses! Deixa o pensar na cabeça!<br />
Ó meu Deus, meu Deus, meu Deus!<br />
Hoje já não faço anos.<br />
Duro.<br />
Somam-se-me dias.<br />
Serei velho quando o for.<br />
Mais nada.<br />
Raiva de não ter trazido o passado roubado na algibeira!&#8230;</p>
<p>O tempo em que festejavam o dia dos meus anos!&#8230;</p>
<p><span style="color:#006600;"><b>{<a target="_self" href="http://www.pessoa.art.br/pessoa/?p=14">Álvaro de Campos</a>, Poemas}</b></span></p>
<p>125 anos, de letras e versos, de um vigor que prova-se mais forte, dia a dia, herança da última flor do Lácio.<br />
Ao eterno <a target="_self" href="http://www.pessoa.art.br/pessoa/?p=17">Fernando Pessoa</a> e suas almas&#8230; Parabéns.</div>
<p>www.pessoa.art.br</p>
<p><a href="http://www.pessoa.art.br/?p=1244">125 anos!</a></p>
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		<title>Aniversário: Álvaro de Campos</title>
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		<pubDate>Sat, 15 Oct 2011 14:00:29 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Bill</dc:creator>
		
		<category><![CDATA[Álvaro de Campos]]></category>

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		<description><![CDATA[Álvaro de Campos nasceu em Tavira no dia 15 de Outubro de 1890 à 13h30m da tarde.
Teve “uma educação vulgar de liceu; depois foi mandado para a Escócia estudar engenharia, primeiro mecânica e depois naval. Numas férias fez a viagem ao Oriente de onde resultou o Opiário. Ensinou-lhe Latim um tio beirão que era padre.”
De [...]<p>www.pessoa.art.br</p>
<p><a href="http://www.pessoa.art.br/?p=1252">Aniversário: Álvaro de Campos</a></p>
]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><a target="_self" href="http://www.pessoa.art.br/pessoa/?p=14">Álvaro de Campos</a> nasceu em Tavira no dia <strong>15 de Outubro</strong> de 1890 à 13h30m da tarde.</p>
<p>Teve “uma educação vulgar de liceu; depois foi mandado para a Escócia estudar engenharia, primeiro mecânica e depois naval. Numas férias fez a viagem ao Oriente de onde resultou o Opiário. Ensinou-lhe Latim um tio beirão que era padre.”<br />
De tipo vagamente judeu português, com a pele entre branca e morena, cabelo liso e normalmente apartado ao lado, usa monóculo.</p>
<p>Na Carta a Adolfo Casais Monteiro, de 13 de Janeiro de 1935, que <a target="_self" href="http://www.pessoa.art.br/pessoa/?p=17">Fernando Pessoa</a> compõe sobre a génese da heteronímia e que serve de fonte a este texto, diz que escreve em nome de Campos, “quando sinto um súbito impulso para escrever e não sei o quê”. Acrescenta o escritor que “de repente, e em derivação oposta à de <a target="_self" href="http://www.pessoa.art.br/pessoa/?p=15">Ricardo Reis</a>, surgiu-me impetuosamente um novo indivíduo. Num jacto, e à máquina de escrever, sem interrupção nem emenda, surgiu a «Ode Triunfal» de <a target="_self" href="http://www.pessoa.art.br/pessoa/?p=14">Álvaro de Campos</a> — a Ode com esse nome e o homem com o homem que tem”.</p>
<p>Mais adiante esclarece: “Quando foi da publicação do Orpheu, foi preciso, à última hora, arranjar qualquer coisa para completar o número de páginas. Sugeri então ao Sá-Carneiro que eu fizesse um poema «antigo» do <a target="_self" href="http://www.pessoa.art.br/pessoa/?p=14">Álvaro de Campos</a> — um poema de como o <a target="_self" href="http://www.pessoa.art.br/pessoa/?p=14">Álvaro de Campos</a> seria antes de ter conhecido <a target="_self" href="http://www.pessoa.art.br/pessoa/?p=16">Caeiro</a> e ter caído sob a sua influência. E assim fiz o «Opiário», em que tentei dar todas as tendências latentes do <a target="_self" href="http://www.pessoa.art.br/pessoa/?p=14">Álvaro de Campos</a>, conforme haviam de ser depois reveladas, mas sem haver ainda qualquer traço de contacto com o seu mestre <a target="_self" href="http://www.pessoa.art.br/pessoa/?p=16">Caeiro</a>. Foi dos poemas, que tenho escrito, o que me deu mais que fazer, pelo duplo poder de despersonalização que tive que desenvolver. Mas, enfim, creio que não saiu mau, e que dá o Álvaro em botão…”</p>
<p>www.pessoa.art.br</p>
<p><a href="http://www.pessoa.art.br/?p=1252">Aniversário: Álvaro de Campos</a></p>
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		<title>75 anos de saudades…</title>
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		<pubDate>Tue, 30 Nov 2010 03:03:32 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Bill</dc:creator>
		
		<category><![CDATA[Fernando Pessoa]]></category>

		<category><![CDATA[73 anos]]></category>

		<category><![CDATA[curva]]></category>

		<category><![CDATA[morte]]></category>

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		<description><![CDATA[Dia 30 de Novembro de 1935: Fernando Pessoa morre, aos 47 anos. Tempo suficiente para se tornar um dos maiores poetas de todos os tempo.
Tendo por língua materna «a última flor do Lácio», escreveu em inglês, que dominava igualmente bem, o seu último bilhete «I know not what tomorrow will bring.» 
75 anos sem nosso [...]<p>www.pessoa.art.br</p>
<p><a href="http://www.pessoa.art.br/?p=799">75 anos de saudades&#8230;</a></p>
]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><strong>Dia 30 de Novembro de 1935</strong>: <a target="_self" href="http://www.pessoa.art.br/pessoa/?p=17">Fernando Pessoa</a> morre, aos 47 anos. Tempo suficiente para se tornar um dos maiores poetas de todos os tempo.<br />
Tendo por língua materna <strong>«a última flor do Lácio»</strong>, escreveu em inglês, que dominava igualmente bem, o seu último bilhete «<strong>I know not what tomorrow will bring.»</strong> </p>
<p>75 anos sem nosso grande poeta&#8230;</p>
<p><center><img src="http://www.pessoa.art.br/pessoa/wp-content/b.gif" /></center></p>
<p>A morte é a curva da estrada,<br />
Morrer é só não ser visto.<br />
[...]</p>
<p><strong>{<a target="_self" href="http://www.pessoa.art.br/pessoa/?p=17">Fernando Pessoa</a>}</strong></p>
<p>www.pessoa.art.br</p>
<p><a href="http://www.pessoa.art.br/?p=799">75 anos de saudades&#8230;</a></p>
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		<title>Recentemente</title>
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		<comments>http://www.pessoa.art.br/?p=1246#comments</comments>
		<pubDate>Sun, 19 Sep 2010 17:52:25 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Bill</dc:creator>
		
		<category><![CDATA[Fernando Pessoa]]></category>

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		<description><![CDATA[Recentemente, entre a poeira de algumas campanhas políticas, tomou de novo relevo aquele grosseiro hábito de polemista que consiste em levar a mal a uma criatura que ela mude de partido, uma ou mais vezes, ou que se contradiga, frequentemente. A gente inferior que usa opiniões continua a empregar esse argumento como se ele fosse [...]<p>www.pessoa.art.br</p>
<p><a href="http://www.pessoa.art.br/?p=1246">Recentemente</a></p>
]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Recentemente, entre a poeira de algumas campanhas políticas, tomou de novo relevo aquele grosseiro hábito de polemista que consiste em levar a mal a uma criatura que ela mude de partido, uma ou mais vezes, ou que se contradiga, frequentemente. A gente inferior que usa opiniões continua a empregar esse argumento como se ele fosse depreciativo. talvez não seja tarde para estabelecer, sobre tão delicado assunto do trato intelectual, a verdadeira atitude científica.</p>
<p>Se há facto estranho e inexplicável é que uma criatura de inteligência e sensibilidade se mantenha sempre sentada sobre a mesma opinião, sempre coerente consigo própria. A contínua transformação de tudo dá-se também no nosso corpo, e dá-se no nosso cérebro consequentemente. Como então, senão por doença, cair e reincidir na anormalidade de querer pensar hoje a mesma coisa que se pensou ontem, quando só o cérebro de hoje já não é o de ontem, mas nem sequer o dia de hoje é o de ontem? Ser coerente é uma doença, um atavismo, talvez; data de antepassados animais em cujo estádio de evolução tal desgraça seria natural.</p>
<p>A coerência , a convicção, a certeza são, além disso, demonstrações evidentes - quantas vezes escusadas - de falta de educação. è uma falta de cortesia com os outros ser sempre o mesmo à vista deles; é macá-los, apoquentá-los com a nossa falta de variedade.</p>
<p>Uma criatura de nervos modernos de inteligência sem cortinas, de sensibilidade acordada, tem a obrigação cerebral de mudar de opinião e de certeza várias vezes no mesmo dia. Deve ter, não crenças religiosas, opiniões políticas, predilecções literárias, mas sensações reigiosas, impressões políticas, impulsos de admiração literária.</p>
<p>Certos estados de alma da luz, certas atitudes da paisagem têm sobretudo, quando excessivos, o direito de exigir a quem está diante deles determinadas opiniões políticas, religiosas e artísticas, aqueles que eles insinuem, e que variãrão, como é de entender, consonte esse exterior varie. O homem disciplinado e culto faz da sua sensibilidade e da sua inteligência espelhos do ambiente transitório: é republicano de manhã, é monarquico ao crepúsculo; ateu sob um sol descoberto, e católico ultramontano a certas horas de sombra e de silêncio; e não podendo admitir senão Mallarmé àqueles momentos de anoitecer citadino em que desabrocham as luzes, ele deve sentir todo o simbolismo, uma invenção de louco quando, ante uma solidão do mar, ele não souber de mais do que da &#8220;Odisseia&#8221;.</p>
<p>Convições profundas, só as têm as criaturas superficiais. Os que não reparam para as coisas quase que as vêem apenas para não esbarrar com elas, esses são sempre da mesma opinião, são os íntegros e os coerentes. A política e a religião gastam dessa lenha, e é por isso que ardem tão mal ante a Verdade e a Vida.</p>
<p>Quando é que despertaremos para a justa noção de que a política, a religião e vida social são apenas graus inferiores e plebeus da estética - a estética dos que ainda não a podem ter? Só quando uma humanidade livre dos preconceitos de sinceridade e coerência tiver acostumada às suas sensações a viverem independentemente, se poderá conseguir qualquer coisa de beleza, elegância e serenidade na vida.</p>
<p>1915</p>
<p><strong><a target="_self" href="http://www.pessoa.art.br/pessoa/?p=17">Fernando Pessoa</a></strong> in Os Portugueses - A opinião pública</p>
<p>www.pessoa.art.br</p>
<p><a href="http://www.pessoa.art.br/?p=1246">Recentemente</a></p>
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		<title>321</title>
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		<comments>http://www.pessoa.art.br/?p=1242#comments</comments>
		<pubDate>Sun, 23 Aug 2009 03:00:42 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Bill</dc:creator>
		
		<category><![CDATA[Bernardo Soares]]></category>

		<category><![CDATA[Livro do Desassossego]]></category>

		<category><![CDATA[Fernando Pessoa]]></category>

		<category><![CDATA[Prosa]]></category>

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		<description><![CDATA[&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;A oportunidade é como o dinheiro, que, aliás, não é mais que uma oportunidade. Para quem age, a oportunidade é um episódio da vontade, e a vontade não me interessa. Para quem, como eu, não age, a oportunidade é o canto da falta de sereias. Tem que ser desprezado com volúpia, arrumado alto para nenhum [...]<p>www.pessoa.art.br</p>
<p><a href="http://www.pessoa.art.br/?p=1242">321</a></p>
]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div align="justify">
<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;A oportunidade é como o dinheiro, que, aliás, não é mais que uma oportunidade. Para quem age, a oportunidade é um episódio da vontade, e a vontade não me interessa. Para quem, como eu, não age, a oportunidade é o canto da falta de sereias. Tem que ser desprezado com volúpia, arrumado alto para nenhum uso.<br />
&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;Ter ocasião de&#8230; Nesse campo se disporá a estátua da renúncia.<br />
&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;Ó largos campos ao sol, o espectador, por quem só sois vivos, contempla-vos da sombra.<br />
&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;O álcool das grandes palavras e das largas frases que como ondas erguem a respiração do seu ritmo e se desfazem sorrindo, na ironia das cobras da espuma, na magnificência triste das penumbras.  </p>
</div>
<p><span style="color:#009900"><strong><a target="_self" href="http://www.pessoa.art.br/pessoa/?p=25">Bernardo Soares</a> - Livro do Desassossego</strong></span></p>
<p>www.pessoa.art.br</p>
<p><a href="http://www.pessoa.art.br/?p=1242">321</a></p>
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		<item>
		<title>320</title>
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		<comments>http://www.pessoa.art.br/?p=1240#comments</comments>
		<pubDate>Sat, 22 Aug 2009 03:00:40 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Bill</dc:creator>
		
		<category><![CDATA[Bernardo Soares]]></category>

		<category><![CDATA[Livro do Desassossego]]></category>

		<category><![CDATA[Fernando Pessoa]]></category>

		<category><![CDATA[Prosa]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://www.pessoa.art.br/?p=1240</guid>
		<description><![CDATA[&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;Depois que os últimos calores do estio deixavam de ser duros no sol baço, começava o outono antes que viesse, numa leve tristeza, prolixamente indefinida, que parecia uma vontade de não sorrir do céu. Era um azul umas vezes mais claro, outras mais verde, da própria ausência de substância da cor alta; era uma espécie [...]<p>www.pessoa.art.br</p>
<p><a href="http://www.pessoa.art.br/?p=1240">320</a></p>
]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div align="justify">
<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;Depois que os últimos calores do estio deixavam de ser duros no sol baço, começava o outono antes que viesse, numa leve tristeza, prolixamente indefinida, que parecia uma vontade de não sorrir do céu. Era um azul umas vezes mais claro, outras mais verde, da própria ausência de substância da cor alta; era uma espécie de esquecimento nas nuvens, púrpuras diferentes e esbatidas; era, não já um torpor, mas um tédio, em toda a solidão quieta por onde nuvens atravessam.<br />
&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;A entrada do verdadeiro outono era depois anunciada por um frio dentro do não-frio do ar, por um esbater-se das cores que ainda se não haviam esbatido, por qualquer coisa de penumbra e de afastamento no que havia sido o tom das paisagens e o aspecto disperso das coisas. Nada ia ainda morrer, mas tudo, como que num sorriso que ainda faltava, se virava em saudade para a vida.<br />
&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;Vinha, por fim, o outono certo: o ar tornava-se frio de vento; soavam folhas num tom seco, ainda que não fossem folhas secas; toda a terra tomava a cor e a forma impalpável de um paul incerto. Descobria-se o que fora sorriso último, num cansaço de pálpebras, numa indiferença de gestos. E assim tudo quanto sente, ou supomos que sente, apertava, íntima, ao peito a sua própria despedida. Um som de redemoinho num átrio flutuava através da nossa consciência de outra coisa qualquer. Aprazia convalescer para sentir verdadeiramente a vida.<br />
&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;Mas as primeiras chuvas de inverno, vindas ainda no outono já duro, lavavam estas meias tintas como sem respeito. Ventos altos chiando em coisas paradas, barulhando coisas presas, arrastando coisas móveis, erguiam, entre os brados irregulares da chuva, palavras ausentes de protesto anónimo, sons tristes e quase raivosos de desespero sem alma.<br />
&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;E por fim o outono cessava, a frio e cinzento. Era um outono de inverno o que vinha agora, um pó tornado lama de tudo, mas, ao mesmo tempo, qualquer coisa do que o frio do inverno traz de bom - verão duro findo, primavera por chegar, outono definindo-se em inverno enfim. E no ar alto, por onde os tons baços já não lembravam nem calor nem tristeza, tudo era propício à noite e à meditação indefinida.<br />
&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;Assim era tudo para mim antes que o pensasse. Hoje, se o escrevo, e porque o lembro. O outono que tenho é o que perdi. </p>
</div>
<p><span style="color:#009900"><strong><a target="_self" href="http://www.pessoa.art.br/pessoa/?p=25">Bernardo Soares</a> - Livro do Desassossego</strong></span></p>
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		<pubDate>Fri, 21 Aug 2009 03:00:31 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Bill</dc:creator>
		
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&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;As coisas nítidas confortam, e as coisas ao sol confortam. Ver passar [...]<p>www.pessoa.art.br</p>
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<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;Reconheço hoje que falhei; só pasmo, às vezes, de não ter previsto que falharia. Que havia em mim que prognosticasse um triunfo? Eu não tinha a força cega dos vencedores ou a visão certa dos loucos&#8230; Era lúcido e triste como um dia frio.<br />
&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;As coisas nítidas confortam, e as coisas ao sol confortam. Ver passar a vida sob um dia azul compensa-me de muito. Esqueço indefinidamente, esqueço mais do que podia lembrar. O meu coração translúcido e aéreo penetra-se da suficiência das coisas, e olhar basta-me carinhosamente. Nunca eu fui outra coisa que uma visão incorpórea, despida de toda a alma salvo um vago ar que passou e que via.<br />
&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;Tenho elementos espirituais de boémio, desses que deixam a vida ir como uma coisa que se escapa das mãos e a tal hora em que o gesto de a obter dorme na mera ideia de fazê-lo. Mas não tive a compensação exterior do espírito boémio - o descuidado fácil das emoções imediatas e abandonadas. Nunca fui mais que um boémio isolado, o que é um absurdo; ou um boémio místico, o que é uma coisa impossível.<br />
&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;Certas horas-intervalos que tenho vivido, horas perante a Natureza, esculpidas na ternura do isolamento, ficar-me-ão para sempre como medalhas. Nesses momentos esqueci todos os meus propósitos de vida, todas as minhas direcções desejadas. Gozei não ser nada com uma plenitude de bonança espiritual, caindo no regaço azul das minhas aspirações. Não gozei nunca, talvez, uma hora indelével, isenta de um fundo espiritual de falência e de desânimo. Em todas as minhas horas libertas uma dor dormia, floria vagamente, por detrás dos muros da minha consciência, em outros quintais; mas o aroma e a própria cor dessas flores tristes atravessavam intuitivamente os muros, e o lado de lá deles, onde floriam as rosas, nunca deixava de ser, no mistério confuso do meu ser, um lado de cá esbatido na minha sonolência de viver.<br />
&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;Foi num mar interior que o rio da minha vida findou. À roda do meu solar sonhado todas as árvores estavam no outono. Esta paisagem circular é a coroa-de-espinhos da minha alma. Os momentos mais felizes da minha vida foram sonhos, e sonhos de tristeza, e eu via-me nos lagos deles como um Narciso cego, que gozasse a frescura próximo da água, sentindo-se debruçado nela, por uma visão anterior e nocturna, segredada às emoções abstractas, vivida nos recantos da imaginação com um cuidado materno em preferir-se.<br />
&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;Os teus colares de pérolas fingidas amaram comigo as minhas horas melhores. Eram cravos as flores preferidas, talvez porque não significavam requintes. Os teus lábios festejavam sobriamente a ironia do seu próprio sorriso. Compreendias bem o teu destino? Era por o conheceres sem que o compreendesses que o mistério escrito na tristeza dos teus olhos sombreara tanto os teus lábios desistidos. A nossa Pátria estava demasiado longe para rosas. Nas cascatas dos nossos jardins a água era pelúcida de silêncios. Nas pequenas cavidades rugosas das pedras, por onde a água escolhia, havia segredos que tivéramos quando crianças, sonhos do tamanho parado dos nossos soldados de chumbo, que podiam ser postos nas pedras da cascata, na execução estática duma grande acção militar, sem que faltasse nada aos nossos sonhos, nem nada tardasse às nossas suposições.<br />
&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;Sei que falhei. Gozo a volúpia indeterminada da falência como quem dá um apreço exausto a uma febre que o enclausura.<br />
&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;Tive um certo talento para a amizade, mas nunca tive amigos, quer porque eles me faltassem, quer porque a amizade que eu concebera fora um erro dos meus sonhos. Vivi sempre isolado, e cada vez mais isolado, quanto mais dei por mim. </p>
</div>
<p><span style="color:#009900"><strong><a target="_self" href="http://www.pessoa.art.br/pessoa/?p=25">Bernardo Soares</a> - Livro do Desassossego</strong></span></p>
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		<pubDate>Thu, 20 Aug 2009 03:00:35 +0000</pubDate>
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		<description><![CDATA[&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;barcos que passam na noite e se nem saúdam nem conhecem. 

Bernardo Soares - Livro do Desassossego
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<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;barcos que passam na noite e se nem saúdam nem conhecem. </p>
</div>
<p><span style="color:#009900"><strong><a target="_self" href="http://www.pessoa.art.br/pessoa/?p=25">Bernardo Soares</a> - Livro do Desassossego</strong></span></p>
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		<pubDate>Wed, 19 Aug 2009 03:00:25 +0000</pubDate>
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<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;Uma das minhas preocupações constantes é o compreender como é que outra gente existe, como é que há almas que não sejam a minha, consciências estranhas à minha consciência que, por ser consciência, me parece ser a unica. Compreendo bem que o homem que está diante de mim, e me fala com palavras iguais às minhas, e me faz gestos que são como eu faço ou poderia fazer, seja de algum modo meu semelhante. O mesmo, porém, me sucede com as gravuras que sonho das ilustrações, com as personagens que vejo dos romances, com as pessoas dramáticas que no palco passam’ através dos actores que as figuram.<br />
&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;Ninguém, suponho, admite verdadeiramente a existência real de outra pessoa. Pode conceder que essa pessoa seja viva, que sinta e pense como ele; mas haverá sempre um elemento anónimo de diferença, uma desvantagem materializada. Há figuras de tempos idos, imagens espíritos em livros, que são para nós realidades maiores que aquelas indiferenças encarnadas que falam connosco por cima dos balcões, ou nos olham por acaso nos eléctricos, ou nos roçam, transeuntes, no acaso morto das ruas. Os outros não são para nós mais que paisagem, e, quase sempre, paisagem invisível de rua conhecida.<br />
&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;Tenho por mais minhas, com maior parentesco e intimidade, certas figuras que estão escritas em livros, certas imagens que conheci de estampas, do que muitas pessoas, a que chamam reais, que são dessa inutilidade metafísica chamada carne e osso. E «carne e OSSO», de facto, as descreve bem: parecem coisas cortadas postas no exterior marmóreo de um talho, mortes sangrando como vidas, pernas e costeletas do Destino.<br />
&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;Não me envergonho de sentir assim porque já vi que todos sentem assim. O que parece haver de desprezo entre homem e homem, de indiferente que permite que se mate gente sem que se sinta que se mata, como entre os assassinos, ou sem que se pense que se está matando, como entre os soldados, é que ninguém presta a devida atenção ao facto, parece que abstruso, de que os outros são almas também.<br />
&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;Em certos dias, em certas horas, trazidas até mim por não sei que brisa, abertas a mim por o abrir de não sei que porta, sinto de repente que o merceeiro da esquina é um ente espiritual, que o marçano, que neste momento se debruça à porta sobre o saco de batatas, é, verdadeiramente, uma alma capaz de sofrer.<br />
&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;Quando ontem me disseram que o empregado da tabacaria se tinha suicidado, tive uma impressão de mentira. Coitado, também existia! Tínhamos esquecido isso, nós todos, nós todos que o conhecíamos do mesmo modo que todos que o não conheceram. Amanhã esquecê-lo-emos melhor. Mas que havia alma, havia, para que se matasse. Paixões? Angústias? Sem dúvida&#8230; Mas a mim, como à humanidade inteira, há só a memória de um sorriso parvo por cima de um casaco de mescla, sujo, e desigual nos ombros. É quanto me resta, a mim, de quem tanto sentiu que se matou de sentir, porque, enfim, de outra coisa se não deve matar alguém&#8230; Pensei uma vez, ao comprar-lhe cigarros, que encalveceria cedo. Afinal não teve tempo para encalvecer. E uma das memórias que me restam dele. Que outra me haveria de restar se esta, afinal, não é dele mas de um pensamento meu?<br />
&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;Tenho subitamente a visão do cadáver, do caixão em que o meteram, da cova, inteiramente alheia, a que o haviam de ter levado. E vejo, de repente, que o caixeiro da tabacaria era, em certo modo, casaco torto e tudo, a humanidade inteira.<br />
&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;Foi só um momento. Hoje, agora, claramente, como homem que sou, ele morreu. Mais nada.<br />
&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;Sim, os outros não existem&#8230; É para mim que este poente estagna, pesadamente alado, as suas cores nevoentas e duras. Para mim, sob o poente, treme, sem que eu veja que corre, o grande rio. Foi feito para mim este largo aberto sobre o rio cuja maré chega. Foi enterrado hoje na vala comum o caixeiro da tabacaria? Não é para ele o poente de hoje. Mas, de o pensar, e sem que eu queira, também deixou de ser para mim&#8230; </p>
</div>
<p><span style="color:#009900"><strong><a target="_self" href="http://www.pessoa.art.br/pessoa/?p=25">Bernardo Soares</a> - Livro do Desassossego</strong></span></p>
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		<pubDate>Tue, 18 Aug 2009 03:00:14 +0000</pubDate>
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		<description><![CDATA[&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;Um quietismo estético da vida, pelo qual consigamos que os insultos e as humilhações, que a vida e os viventes nos infligem, não cheguem a mais que a uma periferia desprezível da sensibilidade, ao recinto externo da alma consciente.
&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;Todos temos por onde sermos desprezíveis. Cada um de nós traz consigo um crime feito ou o [...]<p>www.pessoa.art.br</p>
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<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;Um quietismo estético da vida, pelo qual consigamos que os insultos e as humilhações, que a vida e os viventes nos infligem, não cheguem a mais que a uma periferia desprezível da sensibilidade, ao recinto externo da alma consciente.<br />
&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;Todos temos por onde sermos desprezíveis. Cada um de nós traz consigo um crime feito ou o crime que a alma lhe pede para fazer.  </p>
</div>
<p><span style="color:#009900"><strong><a target="_self" href="http://www.pessoa.art.br/pessoa/?p=25">Bernardo Soares</a> - Livro do Desassossego</strong></span></p>
<p>www.pessoa.art.br</p>
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		<pubDate>Mon, 17 Aug 2009 03:00:43 +0000</pubDate>
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&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;A estratégia com que se luta com a noção das conveniências sociais, com os impulsos dos instintos, com as solicitações do sentimento exige um estudo que qualquer mero esteta não suporta fazer. [...]<p>www.pessoa.art.br</p>
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			<content:encoded><![CDATA[<div align="justify">
<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;Perder tempo comporta uma estética. Há, para os subtis nas sensações, um formulário da inércia que inclui receitas para todas as formas de lucidez.<br />
&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;A estratégia com que se luta com a noção das conveniências sociais, com os impulsos dos instintos, com as solicitações do sentimento exige um estudo que qualquer mero esteta não suporta fazer. A uma acurada etiologia dos escrúpulos deve seguir-se uma diagnose irónica das  subserviências à normalidade. Há a cultivar, também, a agilidade contra as intrusões da vida; um cuidado deve couraçar-nos contra sentir as opiniões alheias, e uma mole indiferença encamar-nos a alma contra os golpes surdos da coexistência com os outros. </p>
</div>
<p><span style="color:#009900"><strong><a target="_self" href="http://www.pessoa.art.br/pessoa/?p=25">Bernardo Soares</a> - Livro do Desassossego</strong></span></p>
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		<title>121 anos!</title>
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		<pubDate>Sat, 13 Jun 2009 23:54:36 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Bill</dc:creator>
		
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		<description><![CDATA[Fernando Pessoa
13 de junho de 1888 / 13 de junho de 2009
Aniversário
No tempo em que festejavam o dia dos meus anos,
Eu era feliz e ninguém estava morto.
Na casa antiga, até eu fazer anos era uma tradição de há séculos,
E a alegria de todos, e a minha, estava certa como uma religião qualquer.
No tempo em que [...]<p>www.pessoa.art.br</p>
<p><a href="http://www.pessoa.art.br/?p=1223">121 anos!</a></p>
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			<content:encoded><![CDATA[<div align="justify">
<div align="right"><span style="color:#006600;"><b><a target="_self" href="http://www.pessoa.art.br/pessoa/?p=17">Fernando Pessoa</a></b></span><br />
<b>13 de junho de 1888 / 13 de junho de 2009</b></div>
<p><span style="color:#006600;"><b>Aniversário</b></span></p>
<p>No tempo em que festejavam o dia dos meus anos,<br />
Eu era feliz e ninguém estava morto.<br />
Na casa antiga, até eu fazer anos era uma tradição de há séculos,<br />
E a alegria de todos, e a minha, estava certa como uma religião qualquer.<br />
No tempo em que festejavam o dia dos meus anos,<br />
Eu tinha a grande saúde de não perceber coisa nenhuma,<br />
De ser inteligente para entre a família,<br />
E de não ter as esperanças que os outros tinham por mim.<br />
Quando vim a ter esperanças, já não sabia ter esperanças.<br />
Quando vim a olhar pela vida, perdera o sentido da vida.</p>
<p>Sim, o que fui de suposto a mim mesmo,<br />
O que fui de coração e parentesco,<br />
O que fui de serões de meia-província,<br />
O que fui de amarem-me e eu ser menino,<br />
O que fui – ai, meu Deus!, o que só hoje sei que fui&#8230;<br />
A que distância!&#8230;<br />
(Nem o acho&#8230;)<br />
O tempo em que festejavam o dia dos meus anos!</p>
<p>O que eu sou hoje é como a humidade no corredor do fim da casa,<br />
Pondo grelado nas paredes&#8230;<br />
O que eu sou hoje (e a casa dos que me amaram treme através das minhas lágrimas),<br />
O que eu sou hoje é terem vendido a casa,<br />
É terem morrido todos,<br />
É estar eu sobrevivente a mim-mesmo como um fósforo frio&#8230;</p>
<p>No tempo em que festejavam o dia dos meus anos&#8230;<br />
Que meu amor, como uma pessoa, esse tempo!<br />
Desejo físico da alma se encontrar ali outra vez,<br />
Por uma viagem metafísica e carnal,<br />
Com uma dualidade de eu para mim&#8230;<br />
Comer o passado como pão de fome, sem tempo de manteiga nos dentes!</p>
<p>Vejo tudo outra vez com uma nitidez que me cega para o que há aqui&#8230;<br />
A mesa posta com mais lugares, com melhores desenhos na loiça, com mais copos,<br />
O aparador com muitas coisas – doces, frutas, o resto na sombra debaixo do alçado –,<br />
As tias velhas, os primos diferentes, e tudo era por minha causa,<br />
No tempo em que festejavam o dia dos meus anos&#8230;</p>
<p>Pára, meu coração!<br />
Não penses! Deixa o pensar na cabeça!<br />
Ó meu Deus, meu Deus, meu Deus!<br />
Hoje já não faço anos.<br />
Duro.<br />
Somam-se-me dias.<br />
Serei velho quando o for.<br />
Mais nada.<br />
Raiva de não ter trazido o passado roubado na algibeira!&#8230;</p>
<p>O tempo em que festejavam o dia dos meus anos!&#8230;</p>
<p><span style="color:#006600;"><b>{<a target="_self" href="http://www.pessoa.art.br/pessoa/?p=14">Álvaro de Campos</a>, Poemas}</b></span></p>
<p>121 anos, de letras, versos e sonhos.<br />
Ao eterno <a target="_self" href="http://www.pessoa.art.br/pessoa/?p=17">Fernando Pessoa</a> e suas almas&#8230; Parabéns.</div>
<p>www.pessoa.art.br</p>
<p><a href="http://www.pessoa.art.br/?p=1223">121 anos!</a></p>
]]></content:encoded>
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		<item>
		<title>314</title>
		<link>http://feedproxy.google.com/~r/pessoa/~3/2cS6T_iFrac/</link>
		<comments>http://www.pessoa.art.br/?p=1220#comments</comments>
		<pubDate>Sun, 24 May 2009 03:00:26 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Bill</dc:creator>
		
		<category><![CDATA[Bernardo Soares]]></category>

		<category><![CDATA[Livro do Desassossego]]></category>

		<category><![CDATA[Fernando Pessoa]]></category>

		<category><![CDATA[Prosa]]></category>

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		<description><![CDATA[&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;Desejaria construir um código de inércia para os superiores nas sociedades modernas. A sociedade governar-se-ia espontaneamente e a si própria, se não contivesse gente de sensibilidade e de inteligência. Acreditem que é a única coisa que a prejudica. As sociedades primitivas tinham uma feliz existência mais ou menos assim. Pena é que a expulsão dos [...]<p>www.pessoa.art.br</p>
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<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;Desejaria construir um código de inércia para os superiores nas sociedades modernas. A sociedade governar-se-ia espontaneamente e a si própria, se não contivesse gente de sensibilidade e de inteligência. Acreditem que é a única coisa que a prejudica. As sociedades primitivas tinham uma feliz existência mais ou menos assim. Pena é que a expulsão dos superiores da sociedade resultaria em eles morrerem, porque não sabem trabalhar. E talvez morressem de tédio, por não haver espaços de estupidez entre eles. Mas eu falo do ponto de vista da felicidade humana. Cada superior que se manifestasse na sociedade seria expulso para a Ilha’ dos superiores. Os superiores seriam alimentados, como animais em jaula, pela sociedade normal. Acreditem: se não houvesse gente inteligente que apontasse os vários mal- estares humanos, a humanidade não dava por eles. E as criaturas de sensibilidade fazem sofrer os outros por simpatia. Por enquanto, visto que vivemos em sociedade, o único dever dos superiores é reduzirem ao mínimo a sua participação na vida da tribo. Não ler jornais, ou lê-los só para saber o que de pouco importante e curioso se passa. Ninguém imagina a volúpia que arranco ao noticiário sucinto das províncias. Os meros nomes abrem-me portas sobre o vago. O supremo estado honroso para um homem superior é não saber quem é o chefe de Estado do seu país, ou se vive sob monarquia ou sob república. Toda a sua atitude deve ser colocar-se a alma de modo que a passagem das coisas, dos acontecimentos não o incomode. Se o não fizer terá que se interessar pelos outros, para cuidar de si próprio. </p>
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<p><span style="color:#009900"><strong><a target="_self" href="http://www.pessoa.art.br/pessoa/?p=25">Bernardo Soares</a> - Livro do Desassossego</strong></span></p>
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		<pubDate>Sat, 23 May 2009 03:00:10 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Bill</dc:creator>
		
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<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;Irrita-me a felicidade de todos estes homens que não sabem que são infelizes. A sua vida humana é cheia de tudo quanto constituiria uma série de angústias para uma sensibilidade verdadeira. Mas, como a sua verdadeira vida é vegetativa, o que sofrem passa por eles sem lhes tocar na alma, e vivem uma vida que se pode comparar somente à de um homem com dor de dentes que ouvesse recebido uma fortuna - a fortuna autêntica de estar vivendo sem dar por isso, o maior dom que os deuses concedem, porque é  o dom de lhes ser emelhante, superior como eles (ainda que de outro modo) à alegria e à dor.<br />
&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;Por isto, contudo, os amo a todos. Meus queridos vegetais! </p>
</div>
<p><span style="color:#009900"><strong><a target="_self" href="http://www.pessoa.art.br/pessoa/?p=25">Bernardo Soares</a> - Livro do Desassossego</strong></span></p>
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		<pubDate>Fri, 22 May 2009 03:00:10 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Bill</dc:creator>
		
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		<category><![CDATA[Livro do Desassossego]]></category>

		<category><![CDATA[Fernando Pessoa]]></category>

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		<description><![CDATA[&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;Há dias em que cada pessoa que encontro, e, ainda mais, as pessoas habituais do meu convívio forçado e quotidiano, assumem aspectos de símbolos, e, ou isolados ou ligando-se, formam uma escrita poética ou oculta, descritiva em sombras da minha vida. O escritório torna-se-me uma página com palavras de gente; a rua é um livro; [...]<p>www.pessoa.art.br</p>
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<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;Há dias em que cada pessoa que encontro, e, ainda mais, as pessoas habituais do meu convívio forçado e quotidiano, assumem aspectos de símbolos, e, ou isolados ou ligando-se, formam uma escrita poética ou oculta, descritiva em sombras da minha vida. O escritório torna-se-me uma página com palavras de gente; a rua é um livro; as palavras trocadas com os usuais, os desabituais que encontro, são dizeres para que me falta o dicionário mas não de todo o entendimento. Falam, exprimem, porém não é de si que falam, nem a si que exprimem; são palavras, disse, e não mostram, deixam transparecer. Mas, na minha visão crepuscular, só vagamente distingo o que essas vidraças súbitas, reveladas na superfície das coisas, admitem do interior que velam e revelam. Entendo sem conhecimento, como um cego a quem falem de cores.<br />
&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;Passando às vezes na rua, oiço trechos de conversas íntimas, e quase todas são da outra mulher, do outro homem, do rapaz da terceira ou da amante daquele. Levo comigo, só de ouvir estas sombras de discurso humano que é afinal o tudo em que se ocupam a maioria das vidas conscientes, um tédio de nojo, uma angústia de exílio entre aranhas e a consciência súbita do meu amarfanhamento entre gente real; a condenação de ser vizinho igual, perante o senhorio e o sítio, dos outros inquilinos do aglomerado, espreitando com nojo, por entre as grades traseiras do armazém da loja, o lixo alheio que se entulha à chuva no saguão que é a minha vida. </p>
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<p><span style="color:#009900"><strong><a target="_self" href="http://www.pessoa.art.br/pessoa/?p=25">Bernardo Soares</a> - Livro do Desassossego</strong></span></p>
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