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	<title>Blog do Professor Botelho</title>
	
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		<title>Eu Pago a Minha Água</title>
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		<pubDate>Fri, 30 Apr 2010 01:35:24 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Administrador</dc:creator>
				<category><![CDATA[Meio Ambiente]]></category>
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		<description><![CDATA[Programas de educação ambiental têm demonstrado que é possível melhorar o ser humano e o seu habitat.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><img class="alignright size-full wp-image-431" title="educacao-ambiental2" src="http://ogerente.com.br/rede/paulobotelho/files/2010/04/educacao-ambiental2.jpg" alt="" width="323" height="204" />Andar apressado de meio-galope, bem gordinho, sempre de óculos escuros, aparenta uns 40 anos. Ele é meu vizinho há pouco tempo e mal me cumprimenta. Foi num domingo à tarde, desses de muito calor, abafado. E eis que se inicia a operação lavagem dos dois carros da família. Calção, camisa do time do coração, havaianas e os óculos escuros; após churrasco com bastante coraçãozinho de frango. E, claro, uma boa quantidade de Skol, aquela que desce redondinho! Falei-lhe sobre o desperdício de água que tem afetado o bairro. Resposta ao “intrometido”: “Eu pago a minha água!”</p>
<p>Lembrei-me de minha bisavó materna, a fazendeira dona América Bueno Alves. A fazenda ficava no eixo Muzambinho-Monte Belo, em Minas Gerais. E tinha aqueles bois que a dona América dava nomes de gente; de gente que ela não gostava: Getúlio (Vargas), Benedito (Valadares) e Felinto (Muller), entre outros; dezenas.</p>
<p>O meio-ambiente, especialmente o clima, lembra aqueles bois cheios de carrapatos que, quando muito incomodados, davam uma chacoalhada no couro para derrubar, pelo menos, a metade daqueles bichos. Acho que o planeta Terra já está fazendo a mesma coisa incomodado com o bicho dito ser humano.</p>
<p>As autoridades que cuidam  da fauna no Sri-Lanka anunciaram – logo após o Tsunami de 2004 – que apesar da perda de milhares de vidas humanas, não houve nenhum registro de mortes de animais. Sabe-se que os animais têm audição muito aguçada. É provável que “ouviram a inundação”. Deve ter havido vibração; e pode ter ocorrido mudanças na pressão do ar que alertaram os animais (elefantes, macacos, tigres, antílopes e crocodilos) fazendo com que eles se deslocassem para lugares mais seguros. É o sexto sentido que os animais têm.</p>
<p>Michael Keough, professor e cientista da Universidade de Melbourne, Austrália, avalia que um tsunami passa muito mais rápido que um ciclone; pode aumentar quando toca as profundezas do oceano onde vivem os corais. E Keough denuncia: “Para não comprometer a indústria do turismo, nenhum alerta, nenhuma informação, nenhuma previsão foi divulgada”.</p>
<p>Em ciência sabe-se que sempre é possível fazer previsões e divulgá-las. Programas de educação ambiental têm demonstrado que é possível melhorar o ser humano e o seu habitat. É possível comer um peixe Curimbatá ou um Dourado, limpinhos, saídos do rio Tietê. Onde? Em Barra Bonita, local próximo à cidade de Jaú, interior do Estado de São Paulo. É a educação ambiental que faz a diferença. “Em cada anoitecer dorme uma porção de luz” ensina Hegel em A Fenomenologia do Espírito. Mas há quem desligue os fios dessa compreensão. E aí não há entendimento. Como o meu vizinho de óculos escuros que “paga a sua água!”</p>
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		<title>De Mel e de Fel</title>
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		<pubDate>Mon, 19 Apr 2010 00:55:12 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Administrador</dc:creator>
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		<description><![CDATA[“Se o ser humano fosse governado pelo princípio cósmico, pela consciência apiária, pelo seu eu verdadeiro, não haveria necessidade de nenhuma organização enquadrada pelo ego, sempre tão precária”]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><a href="http://ogerente.com/paulobotelho/wp-content/uploads/2010/04/ego.jpg"><img class="size-full wp-image-355 alignright" title="ego" src="http://ogerente.com/paulobotelho/wp-content/uploads/2010/04/ego.jpg" alt="" width="260" height="305" /></a>“Não é digno de saborear o mel aquele que se afasta da colméia por medo das picadas das abelhas”. William Shakespeare, dramaturgo e poeta inglês (1564-1616).</p>
<p>Quem lida com abelhas – “Appis Mellifera” – pode observar uma forma de autocracia cósmica na vida delas. Sabe que a rainha não é a soberana, responsável pelo governo da colméia; ela é apenas uma poedeira, que não faz outra coisa a não ser engolir geléia real, para poder botar ovos. Nada mais que isso. Ela não dá ordens a nenhuma abelha. Sabe o que tem que fazer. É a consciência apiária que governa e, por isso, não há necessidade de uma organização externa.</p>
<p>“Se o ser humano fosse governado pelo princípio cósmico, pela consciência apiária, pelo seu eu verdadeiro, não haveria necessidade de nenhuma organização enquadrada pelo ego, sempre tão precária” constatava Huberto Rohden, físico e filósofo brasileiro. Rohden trabalhou com Albert Einstein na Princeton University – USA – nos anos 50.</p>
<p>O francês Gilles Fert, um dos mais renomados apicultores e criadores de abelhas do mundo diz: “Há 15 anos era comum perder 5 a 10% das colméias. Hoje, os apicultores sofrem perdas entre 35 a 50% das colônias”. E ele pergunta: “E se esses insetos estiverem tentando nos avisar de alguma coisa?” Não é difícil, portanto, chegarmos à conclusão de que o mundo sem abelhas seria um mundo sem flores, sem frutas, sem hortaliças.</p>
<p>Em seu livro “Novos Horizontes no Estudo da Linguagem e da Mente” o cientista americano Noam Chomsky constata que o cérebro das abelhas é do tamanho de uma semente de grama, com menos de 1 milhão de neurônios; mesmo assim elas comunicam-se com alta eficiência para produzir mel.</p>
<p>Ao contrário dessa constatação de Chomsky, o monstro da ignorância está dentro do ser humano, portador de bilhões de neurônios. Esse monstro está, na verdade, disfarçado de uma linguagem oblíqua e dissimulada, fazendo com que palavras e fatos não se encontrem porque não se reconhecem. Quando as palavras e fatos perdem o seu sentido é o mundo que fica sem significado. E, então, a imbecilidade ganha espaço nas relações humanas funcionando com “alta eficiência” para produzir fel. Exceto com aqueles seres humanos que têm a doçura da primavera em flor. A estação preferida das abelhas!</p>
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		<title>O Receituário de Bill</title>
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		<pubDate>Thu, 08 Apr 2010 12:58:00 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Administrador</dc:creator>
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		<description><![CDATA[A vida não é fácil. Acostume-se com isso.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><a href="http://ogerente.com/paulobotelho/wp-content/uploads/2010/04/bill-classroom.jpg"><img class="size-full wp-image-330 alignright" title="bill-classroom" src="http://ogerente.com/paulobotelho/wp-content/uploads/2010/04/bill-classroom.jpg" alt="" width="360" height="243" /></a>Foi em um sábado à tarde desses de calor escaldante. Eu acabara de estacionar o carro de minha mulher – um Fiat Palio 2004 – em um apertado espaço daquele concorrido supermercado. Não pude evitar que a porta do Fiat batesse levemente na lateral do carro do lado; esse sim, um Land Rover Range 4&#215;4, novinho em folha! Disseram-me, depois, que custa R$ 240.000,00 ou o preço de duas boas casas. – Mas, eis que naquele momento sai, furioso como um javali, de dentro do Land Rover, o motorista: muito jovem, alto, de porte atlético, cabelos presos com uma tiara, olhar imbecilizado. Antes de meu pedido de desculpas, percorreu com os dedos o local “agredido” e constatou que nada acontecera para seu prejuízo. Entretanto, ficou visivelmente constrangido quando lhe estendi a mão. E fiquei me perguntando: Será que ele trabalhou tanto para obter aquele veículo? Ou, ganhou do papai – por pressão da mamãe – como prêmio de entrada na faculdade de direito ou de medicina?</p>
<p>Sem, ao certo, me dar conta, fiquei pensando em Bill Gates: em sua trajetória, sua luta, seu exemplo. Nascido em Seattle, Washington, no ano de 1955, foi admitido aos 17 anos em Harvard, mas abandonou o Curso de Matemática no quarto ano de graduação para dedicar-se somente ao trabalho. Em conjunto com Paul Allen, seu colega e amigo, desenvolveu um software para leitura de fitas magnéticas, com informações de tráfego de veículos, em um chip Intel 8008. Com esse produto, Bill e Paul criaram uma empresa, a Traf-On-Data. – Mas, os investidores desistiram do negócio quando descobriram a idade dos donos. Não desistiram. Logo em seguida desenvolveram um interpretador de linguagem Basic para um dos primeiros computadores. Após um pequeno sucesso em sua comercialização, acabaram fundando a Microsoft. Estava criada a Linguagem DOS. Depois o Windows e suas “janelas”!</p>
<p>Em junho de 2008, Bill Gates retirou-se, definitivamente, da Microsoft para se dedicar, exclusivamente, aos seus projetos filantrópicos; todos de grande alcance social. Em agosto do ano passado, foi convidado para fazer uma palestra numa High School (escola básica) em Pittsburgh, Pensylvania. Chegando lá, tirou do bolso da camisa um papel rascunhado à mão. E leu o seguinte, em menos de cinco minutos:</p>
<p><strong>1.</strong> A vida não é fácil. Acostume-se com isso.</p>
<p><strong>2.</strong> O mundo não está preocupado com a sua auto-estima. O mundo espera que você faça alguma coisa útil por ele antes de sentir-se bem com você mesmo.</p>
<p><strong>3.</strong> Se você acha seu professor um idiota, espere até ter um chefe. Ele não terá pena de você.</p>
<p><strong>4.</strong> Vender jornal velho ou trabalhar durante as férias não está abaixo de sua posição social. Os seus avós têm uma palavra diferente sobre isso: eles chamam de oportunidade.</p>
<p><strong>5.</strong> Se você fracassar, não é culpa de seus pais. Então, não lamente seus erros. Aprenda com eles.</p>
<p><strong>6.</strong> Antes de você nascer, seus pais não eram tão críticos como agora. Eles só ficaram assim por ter que pagar as suas contas, lavar suas roupas e ouvir você dizer que eles são ridículos! Então, antes de salvar o planeta para a próxima geração, conserte os erros da geração de seus pais. E tente, pelo menos, arrumar o quarto em que você dorme!</p>
<p><strong>7.</strong> Televisão não é vida real. Na vida real as pessoas têm que deixar o barzinho e ir trabalhar.</p>
<p><strong>8.</strong> Seja compreensivo com os CDF’s – aqueles que os demais julgam que são uns babacas. Existe uma forte probabilidade de você vir a ser subordinado de um deles.</p>
<p>Bill Gates foi aplaudido de pé, por mais de 5 minutos, sem parar! Agradeceu, entrou no seu Citroen 2001, e foi embora dirigindo-o. Sábias palavras! Elas precisam ser pensadas, gravadas e salvas no disco rígido da vida e da memória das pessoas jovens; especialmente das muito jovens!</p>
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		<title>Das Pás dos Moinhos</title>
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		<pubDate>Thu, 25 Mar 2010 10:30:51 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Administrador</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Quando me entristeço com a vida, seus percalços, dificuldades e  surpresas desagradáveis, tenho o hábito de procurar olhar a Terra de fora da Terra.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><img class="alignright size-full wp-image-305" title="paz-planeta-in" src="http://ogerente.com/paulobotelho/wp-content/uploads/2010/03/paz-planeta-in.jpg" alt="" width="338" height="281" />Morena, alta e magra, descendia de espanhóis. Erudita, falava e escrevia francês com desenvoltura. Não gostava de cozinhar, mas era capaz de fazer um frango com quiabo como ninguém. Leitora voraz dos clássicos, entre eles Miguel de Cervantes, autor de Dom Quixote, gostava de reproduzir o que lia para toda a família, sempre na hora do jantar. Assim era minha avó paterna, Maria de Luna Botelho. Através dela, ainda menino, fiquei com a idéia de que Dom Quixote era um fidalgo corajoso e sonhador, que saia pelo mundo afora a consertar tudo o que estivesse errado: proteger os órfãos, defender os perseguidos, impedir maus-tratos contra os humildes e indefesos, estabelecer a justiça e, sobretudo, preservar a vida na Terra. “Não são gigantes, mas apenas moinhos de vento com suas pás”, explicava ela parafraseando Sancho Pança, o fiel escudeiro de Dom Quixote. A partir dessas lembranças recorrentes, fico pensando numa Ecologia Integral, em seus aspectos pessoal, social e ambiental de que ensina o teólogo Leonardo Boff: “O aspecto pessoal, ou a paz consigo mesmo, tem como meta a saúde física, emocional, mental e espiritual do ser humano como estratégia para o desenvolvimento da paz. O aspecto social, ou a paz com os outros, busca a integração do ser humano com o exercício da cidadania e dos direitos humanos; a cultura da não-violência e a ética da diversidade. O aspecto ambiental, ou a paz com a natureza, vislumbra a integração do ser humano com a natureza, facilitando o processo de conscientização e sensibilização, no sentido de redução do consumo e do desperdício”. Nós, os ambientalistas, temos um pouco desse Dom Quixote. Somos aqueles que insistem em fazer brotar, do chão árido, uma flor!</p>
<p>Quando me entristeço com a vida, seus percalços, dificuldades e  surpresas desagradáveis, tenho o hábito de procurar olhar a Terra de fora da Terra. Assim como os astronautas. De lá, de suas naves espaciais ou da Lua, como testemunharam vários deles, a Terra aparece um resplandecente planeta azul e branco que cabe na palma da mão. Daquela perspectiva, a Terra e todos os seres emergem como uma única identidade. Ela emerge como terceiro planeta de um sol que é apenas um entre 100 bilhões de outros do universo. Universo que, possivelmente, é apenas um entre outros milhões paralelos e diversos do nosso. E tudo segue com tal organização que permite a nossa existência. Caso contrário, não estaríamos mais por aqui.</p>
<p>Astrônomos americanos anunciaram – em 2003 – a descoberta de um planeta, semelhante a Júpiter, na órbita de uma estrela muito semelhante ao Sol e a apenas 90 anos-luz da Terra. Um vizinho, do ponto de vista cósmico. É mais um indício de que sistemas planetários, como o nosso, são uma constante no Universo. E não há razão para não ser. Conclui-se, portanto, que pode ser que se encontre, também, um planeta parecido com a Terra. E se existem “outras Terras”, provavelmente deve haver outras vidas. – Das pás dos moinhos à paz na Terra!</p>
<div id="_mcePaste" style="width: 1px;height: 1px;overflow: hidden">Quando me entristeço com a vida, seus percalços, dificuldades e  surpresas desagradáveis, tenho o hábito de procurar olhar a Terra de fora da Terra.</div>
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		<title>A Sintaxe da Qualidade Total</title>
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		<pubDate>Wed, 10 Mar 2010 13:37:35 +0000</pubDate>
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		<description><![CDATA[Ninguém pode ser bom se não superar sua maldade; a sua escuridão! Ninguém pode evoluir, se não houver algo a superar. E sempre há.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><a href="http://ogerente.com/paulobotelho/wp-content/uploads/2010/03/qualidade.gif"><img class="size-full wp-image-274 alignright" title="qualidade" src="http://ogerente.com/paulobotelho/wp-content/uploads/2010/03/qualidade.gif" alt="" width="222" height="251" /></a>Realizar mudança para a Qualidade Total constitui uma determinação que encontra resistência. Todos querem. Principalmente nas empresas; mas de &#8220;boca-para-fora&#8221;. Por quê isso? &#8211; Porque as pessoas têm medo da mudança. Porque o ser humano é inseguro. Porque não quer ver modificado o seu &#8220;status quo&#8221;. Sua memória é curta, pois possui um conhecimento circunscrito ao tempo histórico em que vive e não ao espaço em que habita.</p>
<p>Passado é algo sem importância &#8211; que se busca esquecer &#8211; desconsiderando-se o fato de que não existe presente sem passado; e muito menos futuro.</p>
<p>Num mundo onde viver consiste em mera sobrevivência, o ser humano passou a utilizar-se da força bruta, da violência, da sedução, da inteligência e da esperteza para atingir suas metas ou para fazer os outros trabalharem para ele e por ele.</p>
<p>Engajado numa trajetória inercial evolutiva de descoberta da inteligência, ingressou ingenuamente numa armadilha. E, teimosamente, continua correndo em círculo sem parar para refletir e reorientar sua caminhada. É preciso iluminar esse caminho! Entretanto, é impossível definir a luz sem compreender que existe a escuridão. Se a velocidade da luz, definida por Einstein, é de 300.000 quilômetros por segundo, pode-se intuir que a velocidade da escuridão é, no mínimo, duas vezes maior!</p>
<p>Ninguém pode ser bom se não superar sua maldade; a sua escuridão! Ninguém pode evoluir, se não houver algo a superar. E sempre há. Quando paramos para pensar, realizamos um exercício de avaliação associativa de causa e de efeito, antes de gerar qualquer ação.</p>
<p>Jacques Lacan, psicanalista francês, dizia que o ser humano é responsável pelos seus acontecimentos; e que não há como não se responsabilizar pelo acaso e pela surpresa. &#8220;A pessoa não é só o que escolhe, mas também pelo que lhe ocorre&#8221;, explicava.</p>
<p>Toda mudança de qualidade implica numa revisão de concepção mental e na assimilação de novos paradigmas. Implica em desenvolver uma sintaxe mental que nos remeta a uma visão empática de nossos semelhantes, isto é: colocar-se no lugar dos outros; tratá-los como gostaríamos de ser tratados.</p>
<p>O mais importante paradigma para a mudança é procurar fazer tudo com qualidade. Fazer as coisas com qualidade é muito simples. Não custa dinheiro. Os  custos estão nas despesas das &#8220;achologias&#8221;, das &#8220;gambiarras&#8221;, das coisas provisórias ou feitas de qualquer jeito!</p>
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		<title>Um Certo João Sebastião</title>
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		<pubDate>Fri, 05 Mar 2010 19:43:50 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Administrador</dc:creator>
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		<description><![CDATA[A música de Bach não é um objeto de museu e sim um organismo vivo que, mais de 250 anos depois de sua morte, continua a emocionar.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: center"><em><strong>&#8220;A poesia desprende-se de suas harmonias como suave perfume. – Poesia musical, eis o resumo da música de Bach.&#8221;</strong></em> (Albert Schweitzer, Ecologista, Prêmio Nobel da Paz de 1952)</p>
<p><img class="aligncenter size-full wp-image-266" title="joao-sebastiao-in" src="http://ogerente.com/paulobotelho/wp-content/uploads/2010/03/joao-sebastiao-in.jpg" alt="" width="595" height="292" />Joannes Sebastian (João Sebastião) Bach. Dele Mozart dizia: “Bach nunca envelhece. A estrutura de sua obra é igual ao desenho perfeito de uma figura geométrica, onde tudo tem seu lugar e não há uma única linha a mais”.</p>
<p>Bach é reconhecido como o maior mestre da harmonia. E com razão. Ele é também um poeta dos mais sublimes e está entre aqueles que, como Shakespeare, se elevam para muito além do domínio da forma. Suas cantatas nunca são comportadamente cristãs e nem devotamente sacras. – Elas são apaixonadas, repletas de sentimentos poderosos, arrebatadores, refinados! Com o tempo as fontes ficam cada vez mais próximas. Beethoven, por exemplo, não precisou estudar tudo o que Mozart precisou estudar. Como Bach eles conseguiam elaborar, mentalmente, suas estruturas e só as colocavam na partitura uma vez satisfeitos com o que compunham. – É só ouvir a Nona Sinfonia de Beethoven ou a Flauta Mágica de Mozart.</p>
<p>O Stabat Mater, por exemplo; do Latim “Estava a Mãe”: são as duas primeiras palavras de uma das mais belas cantatas de Bach. Texto e harmonia descrevem toda a dimensão da dor de Maria, durante a crucifixão de seu filho Jesus. Bach compôs o Stabat Mater para uma orquestração muito simples, com dois oboés, um violoncelo e uma viola da gamba, apenas. – Talvez querendo destacar toda a pureza e ausência de ostentação da cena da mãe aos pés do filho querido, morto – nascido numa estrebaria! – Sabe-se que Mozart, quando ouviu pela primeira vez o Stabat Mater chorou compulsivamente! E fico me perguntando: onde estavam as mães de Bach, Beethoven e Mozart? Por quê elas não ficaram conhecidas como eles? – A resposta é simples: elas estavam muito ocupadas em educá-los!</p>
<p>Ao captar todos os ângulos da figura de Maria, pode-se concluir que a mulher, na dimensão do Stabat Mater, não é outra coisa senão o que faz de si mesma para os outros. O filho de Maria, ao morrer pela redenção da humanidade, inundou-a infinitamente com a graça transformadora e regeneradora. – E com ela, todas as mulheres deste Planeta!</p>
<p>A música de Bach não é um objeto de museu e sim um organismo vivo que, mais de 250 anos depois de sua morte, continua a emocionar. – Ela nos fala de humanidade, de dor, de prazer, de recolhimento, de erotismo, de suingue, de espiritualidade e da simples alegria de viver! – E nela todo ser humano se reconhece e fica melhor!</p>
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		<title>O Pão da Fome</title>
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		<pubDate>Wed, 10 Feb 2010 00:56:42 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Administrador</dc:creator>
				<category><![CDATA[Responsabilidade Social]]></category>
		<category><![CDATA[fome]]></category>
		<category><![CDATA[miséria]]></category>

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		<description><![CDATA[O amor ao próximo está longe de representar um devaneio piedoso, carola, de alívio de consciência. Trata-se de uma essencial exigência pessoal e política, sem cujo atendimento não nos coloca a serviço de nós mesmos e nem de ninguém.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div id="attachment_245" class="wp-caption alignright" style="width: 262px"><img class="size-full wp-image-245" title="fome-miseria-in" src="http://ogerente.com/paulobotelho/wp-content/uploads/2010/02/fome-miseria-in1.jpg" alt="" width="252" height="336" /><p class="wp-caption-text">&quot;Menina Sem Terra&quot; - Sebastião Salgado</p></div>
<p>Eu já tinha visto aquela menina em vários lugares do bairro da Saúde. Mas, não tão de perto como a vi na entrada da padaria Ronex, bem na esquina da rua Paracatu com a avenida Jabaquara. Muito magra,  descalça, vestido largo e roto, sorriu-me mostrando os seus dentes alvos e olhos tristes. Pediu-me para &#8220;passar no caixa&#8221; os oito pães que pedira ao balconista de cara amarrada. Como um troféu, saiu apressada &#8211; quase correndo &#8211; apertando o saco de pães contra o peito, assim como uma mãe que sai em busca de seus filhos. Fiquei pensando na menina Cosette, personagem de &#8220;Os Miseráveis&#8221;, obra prima do escritor Victor Hugo. Ninguém melhor que ele expressou tanta compaixão pelos oprimidos, tanta generosidade pelos abandonados, especialmente pelas crianças. A criança é personagem recorrente em toda a obra literária de Victor Hugo. Em &#8220;Os Miseráveis&#8221;, após ser condenado à prisão por roubar um pão, Jean Valjean, o pai de Cosette, foge e passa a ser perseguido pelo cruel policial Javert que tudo fará para prendê-lo novamente.</p>
<p>Quantas Cosettes estão por aí! Elas sobrevivem não só aqui em São Paulo, em Recife, em Belo Horizonte, em Muzambinho, em Porto Alegre. Segundo dados do IPEA &#8211; Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada, há 30 milhões de pessoas vivendo com extrema dificuldade, com uma renda per capita inferior a R$ 80,00/mês. Não ganham o suficiente para as suas necessidades mínimas de alimentação, isto é: 2.000 calorias/dia. Desses, 23 milhões vivem em estado de miséria absoluta.</p>
<p>O fotógrafo brasileiro, de renome internacional, Sebastião Salgado fotografou a menina mostrada neste artigo. Na época da foto, ela tinha apenas 12 anos de idade e trabalhava como bóia-fria numa fazenda do Paraná. Bertold Brecht, dramaturgo e poeta alemão já dizia: &#8220;Só um vidro separa o pão da fome!&#8221;</p>
<p>A persistência de propósitos, a seta do tempo, o Weltgeist – a Dinâmica da História de que fala Hegel &#8211; farão com que o momento chegue para que os oprimidos e abandonados possam realizar a viragem rumo à dignidade. Recuso-me a aceitar que o sofrimento de milhares de desempregados, aposentados, discriminados, torturados e ofendidos de nossa história mais recente tenha sido em vão!</p>
<p>O amor ao próximo está longe de representar um devaneio piedoso, carola, de alívio de consciência. Trata-se de uma essencial exigência pessoal e política, sem cujo atendimento não nos coloca a serviço de nós mesmos e nem de ninguém. Amar ao próximo como a si mesmo é, por excelência, o conceito básico pelo qual podemos chegar a um pleno amor por nós mesmos. Santo Agostinho, em sua “De Magistro” ensina: &#8220;Somos os primeiros e mais íntimos próximos de nós mesmos&#8221;. E essa relação passa, necessariamente, pela existência e sobrevivência dos outros, principalmente pela garantia do estado de bem-estar social. Do berço ao túmulo! Ao defender o direito que tem o outro de ser, afirmamos &#8211; e confirmamos &#8211; o nosso direito de existir.</p>
<p>Filha da justiça, a sobrevivência digna haverá de triunfar. E esses tempos em que vivemos serão lembrados como um passado tenebroso em que nenhum animal era visto em público passando fome, exceto o bicho-homem que tanto horror causou ao poeta Manuel Bandeira: &#8220;Vi ontem um bicho/ Na imundície do pátio/ Catando comida entre os detritos/ Quando achava alguma coisa/ Não examinava nem cheirava? Engolia com voracidade/ O bicho não era um cão/ Não era um gato/ Não era um rato/ O bicho, meu Deus, era um homem!&#8221;</p>
<p>Sonho com um país organizado, com o meio ambiente resolvido, sem fome, sem crimes, sem injustiças e sem preconceitos. Tenho um sonho recorrente: um país magnificamente chato, com a rotina estrutural do que vai ser o dia seguinte, o mês seguinte, o ano seguinte, a década seguinte e o século dos séculos!</p>
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		<title>De Sapos, de Águias e de Mudanças</title>
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		<pubDate>Sat, 30 Jan 2010 15:39:03 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Administrador</dc:creator>
				<category><![CDATA[Conhecimento]]></category>
		<category><![CDATA[Recursos Humanos]]></category>
		<category><![CDATA[processo]]></category>
		<category><![CDATA[renovação]]></category>
		<category><![CDATA[tempo]]></category>

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		<description><![CDATA[Em nossa vida, muitas vezes temos de nos resguardar por algum tempo e começar um processo de renovação; e que para um vôo de renovação, precisamos nos desprender de certas lembranças.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><img class="alignright size-full wp-image-221" title="aguia" src="http://ogerente.com/paulobotelho/wp-content/uploads/2010/01/aguia.jpg" alt="" width="252" height="336" /></p>
<p>Uma conhecida e cruel experiência no campo da biologia prova que um sapo, colocado numa panela com água da sua lagoa, levada ao fogo, fica imóvel durante todo o tempo em que o líquido se aquece até ferver. Ele não reage ao gradual aumento da temperatura e morre cozido. Já um sapo jogado numa panela com água fervente salta imediatamente para fora, meio chamuscado, porém vivo! Alguns empresários e dirigentes agem como sapos fervidos. Não percebem as mudanças no ambiente dos negócios e acham que está tudo bem, que tudo vai passar e que é só uma questão de tempo. E quebram ou fazem um grande estrago em suas empresas morrendo como o sapo da lagoa da água fervida! Esta metáfora, de autoria do consultor e escritor americano Peter Drucker, pressupõe a necessidade de linguagem adequada para o entendimento nos relacionamentos interpessoais nas empresas. &#8220;Falar a mesma língua&#8221; na empresa não significa exatamente que há entendimento. Há em cada ser humano um universo de crenças, idéias e percepções diversas, do qual depende o sentido que as palavras adquirem. Quanto mais sintonia melhor a comunicação.</p>
<p>Uma empresa pode ser vista como um pacto entre todos que dela fazem parte. Ou, apenas um lugar onde as pessoas aplicam o seu tempo em troca de um salário. O primeiro caso pressupõe o conhecimento e a aceitação por todos de princípios e compromissos que geram a participação. No segundo, valem apenas as regras momentâneas do jogo, sob intensa supervisão.</p>
<p>Da espécie das aves, ela é quem possui a maior longevidade, pois chega a viver setenta anos. Mas, para chegar a essa idade, a águia, aos quarenta já está com as unhas compridas e flexíveis &#8211; e não consegue mais apanhar suas presas para poder se alimentar. O bico alongado e ponteagudo fica curvado. Apontadas contra o peito estão as asas envelhecidas e pesadas em função da grossura das penas. Voar, portanto, fica dificílimo. E, nessas circunstâncias, a águia tem duas alternativas: morrer ou enfrentar um doloroso processo de renovação que chega a durar quase seis meses. Esse processo consiste em voar para o alto de uma montanha e se recolher num ninho próximo a um paredão onde não necessita voar. Após encontrar esse lugar, ela começa a bater com o bico numa das faces do paredão até conseguir arrancá-lo. Depois de arrancar o bico, espera nascer um novo bico, com o qual vai arrancar as unhas. Quando as novas unhas começam a nascer, ela passa a arrancar as velhas penas. E, só após cinco meses, a águia sai para o vôo da renovação que possibilitará a ela viver mais trinta anos.</p>
<p>Jacques Cousteau, o grande oceanógrafo francês, autor de observações sobre o comportamento e da vida de inúmeras espécies, como esta das águias, dizia que em nossa vida, muitas vezes temos de nos resguardar por algum tempo e começar um processo de renovação; e que para um vôo de renovação, precisamos nos desprender de certas lembranças, de certas mágoas, de certos costumes, hábitos e outras tantas coisas que nos causam  dor e sofrimento.</p>
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		<title>Quando o Trabalho Mata</title>
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		<pubDate>Mon, 25 Jan 2010 16:55:27 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Administrador</dc:creator>
				<category><![CDATA[Segurança no Trabalho]]></category>
		<category><![CDATA[destaque-sup]]></category>
		<category><![CDATA[saúde]]></category>
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		<description><![CDATA[Foi a silicose, sem solução de Poá e de Nova Lima, trabalhando em silêncio. O silencioso destino dos trabalhadores ou operários inconvenientes, doentes, mortos, cremados ou não.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><img class="alignright size-full wp-image-210" title="silicose" src="http://ogerente.com/paulobotelho/wp-content/uploads/2010/01/silicose.jpg" alt="" width="295" height="274" /></p>
<p>Aos 25 anos de idade, mal mantendo-se de pé, Roberto me recebera em seu casebre, de telha de amianto, naquela abafada tarde de dezembro. Em menos de dez minutos, nossa conversa é interrompida por uma tosse cavernosa, seguida de falta de ar.  Operador de Máquinas, afastado por invalidez de uma fábrica de artigos refratários, em Poá, na Grande São Paulo, Roberto era portador de silicose, contaminado por ingestão de Sílica Livre, com quadro de fibrose pulmonar irreversível. Duas semanas depois desse nosso contato, Roberto morreu, deixando mulher e duas filhas pequenas.</p>
<p>Fato igualmente pungente já ocorrera na cidade mineira de Nova Lima, por volta dos anos 70. Está lá, até hoje, uma mina de ouro desativada, que vivera o seu “período de ouro” e pertencera a uma empresa inglesa. Seus operários, nas entranhas da terra, perfuravam a rocha com suas brocas e picaretas respirando, anos seguidos, a poeira de pedra que aquela operação medieval produzia. Sem nenhuma proteção, os mineiros contraiam a silicose causada pelo depósito do pó de pedra em seus vulneráveis pulmões. E a silicose, além de encurtar a vida e a capacidade de trabalho daqueles trabalhadores, provocava uma tosse crônica e asfixiante como aquela do Roberto, de Poá. E pensar que ontem – como hoje – muito pouco ou quase nada mudou nos procedimentos de segurança e higiene do trabalho deste país inseguro e injusto!</p>
<p>O que torna o trabalho tantas e continuadas vezes nocivo, perigoso e mortal? O que o torna assim é a forma como ele é organizado pelas empresas, provocando fadiga, exaustão e as mais variadas doenças ocupacionais em seus trabalhadores. Expostos a atmosferas contaminadas e a acidentes, os trabalhadores é que sabem como as empresas poderiam agir de forma preventiva para evitar os processos poluidores; as saídas ocultas de poluentes não tratados; a disposição clandestina de lixos tóxicos!</p>
<p>Nas noites de Nova Lima, quando buscava repouso, a cidade era sacudida por um trovão surdo e cavernoso que, vindo dos casebres dos trabalhadores, rolava em ondas recorrentes até ao redor da Serra do Curral, em Belo Horizonte! Era a tosse da morte, sintoma e denúncia da silicose que os roia!</p>
<p>Os ingleses, então, perturbados em seu sono angelical, ao invés de adotarem medidas eficazes contra a silicose, resolveram enfrentar o problema pelo ataque direto ao sintoma.</p>
<p>Montaram lá uma fábrica de xarope que, ao mesmo tempo, produzia, para consumo geral, matéria prima para um saboroso guaraná! Assim, foi transformada, também, em fonte de renda – e de sossego – permitindo que todos dormissem em paz para honra e glória de sua Majestade Britânica!</p>
<p>Foi a silicose, sem solução de Poá e de Nova Lima, trabalhando em silêncio. O silencioso destino dos trabalhadores ou operários inconvenientes, doentes, mortos, cremados ou não. Não é ser branco ou preto, mas cinza. O cinza da dor e da morte!</p>
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		<title>Depuração Inovadora por Idade</title>
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		<pubDate>Wed, 20 Jan 2010 12:15:08 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Administrador</dc:creator>
				<category><![CDATA[Recursos Humanos]]></category>
		<category><![CDATA[idade]]></category>
		<category><![CDATA[trabalho]]></category>

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		<description><![CDATA[Ele me mostrou - com tristeza nos olhos - um e-mail de rescisão de contrato de trabalho, contendo quatro parágrafos com cinco erros de sintaxe gramatical.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><img class="alignright size-full wp-image-194" title="depuracao-idade" src="http://ogerente.com/paulobotelho/wp-content/uploads/2010/01/depuracao-idade.jpg" alt="" width="217" height="280" /></p>
<p>Ele me mostrou &#8211; com tristeza nos olhos &#8211; um e-mail de rescisão de contrato de trabalho, contendo quatro parágrafos com cinco erros de sintaxe gramatical. Aos 63 anos, o colega de magistério está sentindo na própria pele – e no bolso – a dimensão desse preconceito que tem afetado a vida das pessoas com mais idade. Doutor em Administração pelo MIT – Massachusetts Institute of Technology – USA – com efetiva e bem-sucedida passagem por empresas de grande porte, foi avisado, através do tal e-mail, que não poderá voltar a lecionar na Universidade neste ano. Registre-se que nenhuma universidade brasileira está presente no ranking das 100 melhores do planeta. O MIT é a segunda do ranking. O comentário “à boca pequena” na Sala dos Professores é que a coordenação pretendeu fazer uma “depuração inovadora por faixa de idade”. – E pensar que Oscar Niemeyer continua com bastante serviço aos 102 anos de idade. Ele caminha bem devagarinho como que perdoando o tempo que se perde com imbecilidades como essa, entre outras tantas que grassam nesse país atrofiado.</p>
<p>Um professor com a formação desse meu colega não pode ser tratado como um material obsoleto. E uma instituição de ensino assim não tem futuro. Não vai sobreviver. Tomara que não!</p>
<p>Oscar Niemeyer, desde o início de sua extensa carreira, quando se desvinculou da tutela de seu mestre Le Corbusier, elegeu a curva como ponto central de seu trabalho, incluindo-a em todos os seus projetos. Comunista por devoção, assim como Portinari, nunca se tornou um ativista político, situando sua crença no terreno da mais pura retórica. Na Catedral de Brasília Niemeyer evitou as soluções usuais das catedrais escuras que lembram a dor, a culpa, o pecado.</p>
<p>Mas, ao contrário, ele fez escura a galeria de acesso à nave, toda colorida, iluminada, voltada com seus belos vitrais transparentes para os espaços infinitos. São dezesseis colunas curvas, idênticas e organizadas em círculo. Elas se elevam para se encontrar como que num gesto de súplica. Eis aí o saber, a criatividade, o conhecimento aplicado em sua essência! Quando ele projetou a catedral, em 1972, já tinha 65 anos, isto é, em rota perigosa de “depuração inovadora por faixa de idade”, principalmente se levarmos em conta que o presidente da República não era o Juscelino Kubitschek, mas um ditador, ocupante da presidencia da República, que atendia pelo nome de general Emílio Garrastazu Médici.</p>
<p>Niemeyer nos ensina a sonhar, mesmo com os pesadelos dessa desumana arquitetura: a desnutrição, a fome, a ignorância, o desemprego, os preconceitos, a violência e a desesperança!</p>
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