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	<title>LULI RADFAHRER</title>
	
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	<description>Considerações sobre design de interfaces e criatividade digital.</description>
	<lastBuildDate>Thu, 11 Mar 2010 21:33:15 +0000</lastBuildDate>
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		<title>Três novos artigos (oops, quatro)</title>
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		<comments>http://www.luli.com.br/2010/03/11/tres-novos-artigos/#comments</comments>
		<pubDate>Thu, 11 Mar 2010 17:15:58 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Radfahrer</dc:creator>
				<category><![CDATA[Carreira]]></category>
		<category><![CDATA[Criatividade]]></category>
		<category><![CDATA[Cultura Digital]]></category>
		<category><![CDATA[Design]]></category>
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		<description><![CDATA[
Caros leitores bissextos deste blog verborrágico,
Para que as atualizações não demorem muito, mando três artigos que escrevi para a Revista Webdesign há pouco mais de seis meses (quarentena auto-imposta, não reclame). Eles tratam de cultura colaborativa, de aplicativos sociais e de fontes de idéias. A própria revista publicou meu último artigo, que me diverti em [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: center;"><img class="aligncenter" title="Março" src="http://media.smashingmagazine.com/cdn_smash/wp-content/uploads/uploader/images/wallpaper-calendar-march-10/full/super-mario-bros-1985.jpg" alt="Março" width="450" height="281" /></p>
<p>Caros leitores bissextos deste blog verborrágico,</p>
<p>Para que as atualizações não demorem muito, mando três artigos que escrevi para a <a href="http://www.revistawebdesign.com.br/index.php/" target="_blank">Revista Webdesign</a> há pouco mais de seis meses (quarentena auto-imposta, não reclame). Eles tratam de <a href="http://www.luli.com.br/textos/artigos-revista-webdesign/onde-elesarranjam-tempopara-alimentara-internet/" target="_blank">cultura colaborativa</a>, de <a href="http://www.luli.com.br/a-montanha-temque-ir-ate-maome/" target="_blank">aplicativos sociais</a> e de <a href="http://www.luli.com.br/textos/artigos-revista-webdesign/a-ideia-que-voce-procura-nao-esta-nos-anuarios/" target="_blank">fontes de idéias</a>. A própria revista publicou <a href="http://www.revistawebdesign.com.br/index.php/artigo-luli-marco/" target="_blank">meu último artigo</a>, que me diverti em fazer na forma de um copy-paste fundamentado. Somando os quatro, dá umas doze a quinze páginas de muito texto, que deve mantê-los entretidos até que eu faça um novo post.</p>
<p>Outra boa notícia é que eu estou pensando (veja bem: pensando) em reformular este site, e o processo deve começar com uma reorganização de categorias, posts e páginas, para facilitar a navegação e a busca nesse palheiro de uns 250 posts longos e quase 300 páginas. É muita coisa, eu sempre falei demais. Tanto é que um dia tive a pachorra de exportar o texto, sem tags nem imagens ou vídeos para um editor e, depois de diagramado em <a href="http://www.identifont.com/find?font=franklin+gothic+condensed&#038;q=Go" target="_blank">Franklin Gothic Condensed 11/13</a>, em duas colunas, ainda deu mais de duas resmas. Daí pensei em meu compromisso com o meio ambiente e na preguiça que daria em ler aquilo tudo e o último argumento me fez deixar o material mofando em qualquer canto do meu HD.</p>
<p>Mas a conversa sobre a reformulação do site, enfim, fica para outro dia. Antes dela devo publicar um top 10 dos artigos que mais gosto, já que o <a href="http://www.luli.com.br/2009/04/07/top-10-deste-blog/" target="_blank">ranking anterior</a> já tem dois anos e só cuidou dos posts. Boa leitura.</p>
<img src="http://www.luli.com.br/admin/?ak_action=api_record_view&id=3315&type=feed" alt="" /><img src="http://feeds.feedburner.com/~r/radfahrer/~4/FxmyrKfTR_g" height="1" width="1"/>]]></content:encoded>
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		<title>O texto tridimensional</title>
		<link>http://feedproxy.google.com/~r/radfahrer/~3/2EhYXg0DNXs/</link>
		<comments>http://www.luli.com.br/2010/02/23/o-texto-tridimensional/#comments</comments>
		<pubDate>Tue, 23 Feb 2010 22:02:28 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Radfahrer</dc:creator>
				<category><![CDATA[Cultura Digital]]></category>
		<category><![CDATA[Inovação]]></category>
		<category><![CDATA[Tendências]]></category>

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		<description><![CDATA[TENDÊNCIA Nº 15: TRANSMEDIA STORYTELLING.
O &#8220;novo&#8221; texto digital é chamado de Transmedia Sorytelling, aquele tipo de narrativa que usa várias mídias e tenta se misturar com a sua vida. Chame-o de narrativa transmidiática, se você achar pedante usar o termo em inglês. Eu honestamente acho os dois nomes um pouco esnobes para tratar de um [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<h4 style="text-align: center;"><span style="color: #ff6600;">TENDÊNCIA Nº 15:</span> TRANSMEDIA STORYTELLING.<img class="aligncenter" title="Escriba" src="http://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/thumb/9/91/Egypte_louvre_285_scribe.jpg/438px-Egypte_louvre_285_scribe.jpg" alt="Escriba" width="438" height="599" /></h4>
<p>O &#8220;novo&#8221; texto digital é chamado de <a href="http://en.wikipedia.org/wiki/Transmedia_storytelling" target="_blank">Transmedia Sorytelling</a>, aquele tipo de narrativa que usa várias mídias e tenta se misturar com a sua vida. Chame-o de <a href="http://gpc.andrelemos.info/blog/?p=257" target="_blank">narrativa transmidiática</a>, se você achar pedante usar o termo em inglês. Eu honestamente acho os dois nomes um pouco esnobes para tratar de um hábito natural e ancestral do ser humano: o de contar histórias e forjar mitos, pouco importa seu suporte. O que, então, essa trans-coisa tem de tão especial?</p>
<p>Acho que a principal vantagem desse tipo de texto é que ele não conhece fronteiras: pode ser lido, ouvido, visto, vivido, sentido, alterado, remixado ou todas essas coisas ao mesmo tempo. Soa natural que, em tempos de mashup, fale-se tanto dele. Mas&#8230; será que ele é tão novo assim?</p>
<p>Idéias e histórias, afinal, nunca tiveram forma fixa. Algumas delas se adaptam melhor a este ou àquele meio, mas elas só serão envolventes se conseguirem estabelecer uma conexão com quem as recebe. Essa conexão só vai acontecer se elas conseguirem se libertar do seu suporte e ativarem a imaginação. Sob esse aspecto, todas as narrativas já eram transmídia muito antes da invenção das mídias. Uma peça de teatro ativa várias sensações de acordo com a performance de cada artista, tom de voz, iluminação, música, cenografia. Você pode decorar o <a href="http://en.wikipedia.org/wiki/To_be_or_not_to_be" target="_blank">tubí or notubí</a> e recitá-lo quantas vezes quiser. Ele só significará algo quando o texto for interpretado &#8211; ou seja, compreendido.</p>
<p>A invenção das mídias de massa, dos livros à TV, meio que &#8220;achatou&#8221; a mídia. Para atingir públicos maiores, atravessar grandes distâncias e resistir ao tempo, foi preciso remover das várias formas de comunicação tudo aquilo que não fosse absolutamente essencial, o que os deixou bem chatos. Alice &#8211; aquela que mais tarde iria ao país das maravilhas &#8211; se perguntava &#8220;<a href="http://www.bl.uk/news/2005/pressrelease20050913.html" target="_blank">qual o uso de um livro sem imagens ou conversas?</a>&#8220;. Aulas, teorias, conversas, mitos e histórias foram comprimidos em páginas e assim puderam sobreviver por muitos anos. Naquela época ninguém pensava que algo melhor poderia ser feito.</p>
<p>E podia, claro, mas não muito. Uma encadernação um pouco melhor, uma diagramação um pouco mais arrojada e algumas ilustrações poderiam dar um pouco mais de personalidade ao texto, mas não se poderia ir além daí. Fica fácil de entender porque as mídias elétricas, no século XX, se tornaram tão populares: as revistas enchiam os textos de fotografias e ilustrações, o rádio liberava o som das das palavras, a TV trazia o mundo para dentro das casas. A inovação eram tão grande que ninguém de bom senso poderia achar pouco.</p>
<p>Só que as pessoas se acostumam rapidamente às tecnologias, e aquilo que era mágico aos poucos se banaliza até o ponto em que precisa se reinventar para não morrer. Foi aí que as histórias começaram a ser experimentadas por várias formas diferentes de comunicação.</p>
<p style="text-align: center;"><img class="aligncenter" title="McGyver" src="http://www.blanka.co.uk/i/products/3366.jpg" alt="McGyver" width="450" height="675" /></p>
<p>O universo pop/nerd, talvez por ser razoavelmente recente e simpático às novas formas de comunicação, é rico em exemplos de histórias em mídias múltiplas. Seu formato torna fácil imaginar como seriam essas versões.</p>
<p><a href="http://itunes.apple.com/us/app/id322128089?mt=8"><img class="alignleft size-full wp-image-3235" title="Hitchikers" src="http://www.luli.com.br/admin/wp-content/uploads/2010/02/Screen-shot-2010-02-23-at-17.11.14-.png" alt="Hitchikers" width="120" height="143" /></a>O <a href="http://en.wikipedia.org/wiki/The_Hitchhiker%27s_Guide_to_the_Galaxy" target="_blank">Mochileiro das Galáxias</a>, por exemplo, se deu melhor em rádio do que em cinema. Acredito que o <a href="http://www.fox.com/house/index1.htm" target="_blank">Dr. House</a>, apesar de se basear em farta literatura médica, seria péssimo no formato livro. <a href="http://www.luli.com.br/2009/05/21/internet-experts-e-the-big-bang-theory/" target="_blank">The Big Bang Theory</a>, escrito para fãs de <a href="http://en.wikipedia.org/wiki/Graphic_novels" target="_blank">graphic novels</a>, seria difícil de adaptar para um formato sem as pausas, as <a href="http://www.youtube.com/watch?v=q_iEY9pSHT0" target="_blank">risadas</a> e a rica interpretação dos atores. <a href="http://www.sho.com/site/dexter/home.do" target="_blank">Dexter</a>, por sua vez, poderia ser muito bem adaptado para uma <a href="http://www.youtube.com/watch?v=7G4eg2yDryY" target="_blank">versão gráfica</a>, embora duvido que seus personagens tivessem a riqueza e a profundidade de criaturas tão geniais como o <a href="http://www.tintin.com/#/tintin/persos/persos.swf?id=1&amp;page=0">Capitão Haddock</a> e o <a href="http://www.asterix.com/encyclopedie/personnages/obelix.html" target="_blank">Obelix</a>, que seus criadores foram espertos em transformar em secundários.</p>
<p style="text-align: center;"><img class="aligncenter" title="Haddock" src="http://obviousmag.org/archives/uploads/2007/070612_blog.uncovering.org_luta_haddock.jpg" alt="Haddock" width="450" height="292" /><em> </em></p>
<p style="text-align: center;"><em>Com mil raios e tufões!<br />
Quem não acha o Pateta e o Peninha mais interessantes que o Donald<br />
e aquele mala arrogante e enrustido do Mickey?</em></p>
<p>À medida que se tornou comum brincar com formatos e recombiná-los, a criatividade corre solta. <a href="http://dsc.discovery.com/fansites/mythbusters/mythbusters.html" target="_blank">Mythbusters</a>, por exemplo, é muito mais do que um documentário ao transformar a feira de ciências em brincadeira de gente grande (que menino, pouco importa a idade, nunca sonhou em explodir um cofre com dinamite?). As variações são tantas que até um PowePoint, a mais chata dentre todas as formas de comunicação, ganha um Oscar com o Al Gore em <a href="http://www.climatecrisis.net/" target="_blank">Uma Verdade Inconveniente</a> &#8211; um filme de efeitos tão toscos, câmara e luz tão básicas e orçamento tão baixo que jamais seria levado a sério por Hollywood. E, no entanto, ganhou uma projeção para a causa e um número de salas de cinemas ocupadas, DVDs comprados e torrent baixados acima &#8211; muito, muitíssimo acima &#8211; do que seria esperado para qualquer documentário sobre o tema. Mesmo que fossem <a href="http://www.truefilms.com/archives/2007/07/planet_earth.php" target="_blank">bem melhores</a>.</p>
<p>Histórias dependeram, por muito tempo, do formato em que foram desenvolvidas. Até porque durante séculos ninguém imaginaria repropositá-las. A transcrição do Senhor dos Anéis para o cinema é, e sempre será, uma transcrição. Às vezes a adaptação fica tão melhor que o original que fica difícil compará-los, como <a href="http://www.imdb.com/title/tt0062622/" target="_blank">neste filme</a> que surgiu <a href="http://en.wikipedia.org/wiki/The_Sentinel_%28short_story%29" target="_blank">deste conto</a>. Às vezes não. Quando os dois são bem-sucedidos, o melhor que se pode fazer é não compará-los.</p>
<p style="text-align: center;"><img class="aligncenter" title="Gênesis Crumb" src="http://coto2.files.wordpress.com/2009/10/r-crumb-genesis-illustrated-387x500.jpg" alt="Gênesis Crumb" width="387" height="500" /></p>
<p>A flexibilidade das mídias digitais está começando a mudar esse cenário. As iniciativas ainda não são muitas, mas já começam a marcar seu espaço.</p>
<p style="text-align: center;"><a href="http://www.imdb.com/title/tt0185937/" target="_blank"><img class="aligncenter" title="Blair Witch" src="http://billsmovieemporium.files.wordpress.com/2009/02/blair-witch-project-photo2.jpg" alt="Blair Witch" width="400" height="296" /></a></p>
<p><a href="http://en.wikipedia.org/wiki/Alternate_reality_game" target="_blank">ARGs</a> são um bom exemplo. Desde o sensacional <a href="http://www.imdb.com/title/tt0185937/" target="_blank">Blair Witch Project</a>, que deve ter sido emocionante para quem estava por lá e acreditou na história, aos enigmas de <a href="http://pt.lostpedia.wikia.com/wiki/Pagina_Principal" target="_blank">LOST</a>, para quem tem paciência de desvendá-los, eles são uma boa amostra do que pode ser feito quando as histórias trançam mídias.</p>
<p>Mas infelizmente eles ainda não chegaram lá. A maioria dos ARGs ainda trata seus usuários como se fossem crianças limitadas, entupindo-as de problemas banais ou irrelevantes. A publicidade metida a &#8220;descolada&#8221; é o pior exemplo. Só um marqueteiro bitolado (ups, perdão pelo pleonasmo) pode acreditar sinceramente que um punhado de pessoas inteligentes, com poder de compra e de decisão, vai gastar um tempo enorme brincando de caça ao tesouro em busca de sua majestade, o produto. O Google já mostrou faz tempo o caráter pragmático da Internet: se eu quero algo, eu busco, vou lá e pego. Simples.</p>
<p>Mas então será que existe um futuro para os ARGs? Acredito que sim. Mas não no formato &#8220;um cientista independente descobriu uma coisa incrível e está sendo ameaçado de morte por governos ou grandes corporações. Para divulgar suas descobertas ele fez um blog / vídeo / conjunto de textos esparsos que cabe a você descobrir, emendar e divulgar&#8221;. Dãaaaaa&#8230; meio teoria de conspiração emendada com self-made-men e com a capacidade de qualquer Zé Mané dominar todas as habilidades do mundo, se tornar um líder e conquistar todas as riquezas, respeito e mulheres. Acho que o excesso do consumo de literatura de auto-ajuda anda fazendo mal para as pessoas.</p>
<p style="text-align: center;"><img class="aligncenter" title="Avatar" src="http://blig.ig.com.br/cinemananet/files/2010/01/avatar01.jpg" alt="Avatar" width="450" height="673" /><em> </em></p>
<p style="text-align: center;"><em>É por isso que eu não gosto de Avatar: um filme pornô tem um roteiro menos previsível. Se eles levaram 15 anos para fazer o filme, bem que poderiam ter gasto uns 10 minutos a mais na criação da história. Ela é tão ruim que faz <a href="http://www.imdb.com/title/tt0114148/" target="_blank">Pocahontas</a> parecer um épico.</em></p>
<p>As narrativas transmídia também estão presentes em muitos jogos, massivos e metaversos. Mas muitos deles têm uma limitação a mais para complicar o problema. Apesar dos roteiros serem bem mais desenvolvidos, eles ainda são um bocado herméticos, demandam muita dedicação e um bom treino. O resultado é cíclico: quem já os jogava demanda mais e mais complexidade, quem não os conhece acha que a trabalheira não vale a pena.</p>
<p>Confesso não conhecer o universo de jogos e narrativas hipermidiáticas bem o suficiente para saber e eles estão para romper as paredes dos guetos para que migraram voluntariamente ou se, pelo contrário, eles ainda se julgam inteligentes e importantes demais para dar ouvidos ao povaréu. Quem rompeu a barreira (Wii, com games simples; Facebook, com aplicativos e brinquedos fáceis de fazer) se deu muito bem, mas pode ser uma coincidência.</p>
<p style="text-align: center;"><img class="aligncenter" title="Heroes" src="http://heroeswiki.com/images/0/06/Issue13.jpg" alt="Heroes" width="450" height="692" /></p>
<p style="text-align: left;">Mas se os meios de comunicação mais arrojados ainda não entenderam direito como usar esse tipo de <em>narrativa-conceito-Matrix-Minority Report</em>, será que já estaríamos preparados para elas? Sua popularidade nos meios nerds não seria um claro sinal de que o conhecimento e a dedicação necessários para usá-las bem ainda estaria longe das pessoas comuns, interessadas em assistir na TV, ou no máximo em um download ou DVD pirata, episódios de LOST que façam sentido por si sós, sem busca ou informação complementar?</p>
<p>Sim e não. Se por um lado a TV ainda é o melhor ambiente para o consumo passivo de conteúdo &#8211; o sofá é um lugar bizarro e publico demais para se interagir &#8211; por outro as narrativas que transcendem suas mídias são, por esse mesmo motivo, ilimitadas. Elas são, na verdade, mais um bom exemplo de como as mídias digitais estão a cada dia mais parecidas com uma forma de retomada do que de evolução.</p>
<p style="text-align: center;"><img class="aligncenter" title="Up" src="http://www.boostmediaentertainment.com/blog/uploaded_images/pixar-up-logo-large-784690.jpg" alt="Up" width="576" height="385" /></p>
<p style="text-align: center;"><em>Up: assisti três vezes, ri e chorei três vezes. Um roteiro desses funciona com qualquer tecnologia, em qualquer mídia. Acho que funcionaria até com o <a href="http://www.imdb.com/title/tt0375679/" target="_blank">Brendan Fraser e a Sandra Buttock</a>.</em></p>
<p>Um bom exemplo está nos valores e mitos. Aprendemos a separar o certo do errado através de histórias que são contadas nas mais diversas formas: lendas, ética, religião, exemplos e todo tipo de experiência. Praticamente ninguém lembra de que forma aprendeu a distinguir as atitudes certas das erradas. Até porque esse conhecimento não faz a menor diferença.<br />
<object classid="clsid:d27cdb6e-ae6d-11cf-96b8-444553540000" width="424" height="318" codebase="http://download.macromedia.com/pub/shockwave/cabs/flash/swflash.cab#version=6,0,40,0"><param name="src" value="http://www.videolog.tv/ajax/codigoPlayer.php?id_video=430109&amp;relacionados=S&amp;default=S&amp;lang=PT_BR&amp;cor_fundo=000000&amp;swf=1&amp;width=424&amp;height=318" /><param name="allowfullscreen" value="true" /><embed type="application/x-shockwave-flash" width="424" height="318" src="http://www.videolog.tv/ajax/codigoPlayer.php?id_video=430109&amp;relacionados=S&amp;default=S&amp;lang=PT_BR&amp;cor_fundo=000000&amp;swf=1&amp;width=424&amp;height=318" allowfullscreen="true"></embed></object></p>
<p style="text-align: center;"><em><span style="color: #ff6600;">My Name is Earl: </span>aprender sobre o Karma pode ser um atropelamento. Exageros à parte, a maioria das experiências engrandecedoras acontece através da prática, para desespero de igrejas, escolas e teóricos do comportamento. A origem banal não as torna menos ricas ou importantes.</em></p>
<p>Por mais que seja pomposo o nome &#8220;transmídia&#8221;, ele não é muito diferente de uma história tribal contada por alguém que a dramatize. O mundo digital transporta essa experiência sensorial, complexa, dramática e referenciada, cheia de camadas, para veículos de comunicação que até há bem pouco tempo não eram capazes de muito mais do que mostrar um texto, uma foto, um som ou um vídeo. O simples fato de colocar links nessas narrativas deu a elas uma nova dimensão. O cubo se transforma em um <a href="http://simple.wikipedia.org/wiki/Hypercube" target="_blank">tesseracto</a>.</p>
<p>O cenário se torna mais denso e complexo com a evolução das mídias sociais e a fragmentação dos conteúdos em formatos múltiplos. Hoje, que qualquer um pode falar, citar e mostrar qualquer coisa sobre qualquer assunto, as referências cruzadas se multiplicam. Construir histórias ficou cada vez mais fácil; administrá-las, quase impossível. Por isso que é tão ridículo que um cliente sem-noção (ups, outro pleonasmo) peça a você que crie um &#8220;viral&#8221;. O máximo que você ou qualquer pessoa pode fazer é contar uma boa história. Como &#8211; ou se &#8211; ela será distribuída é praticamente imprevisível.</p>
<p style="text-align: center;"><img class="aligncenter" title="Obama" src="http://www.universmedias.com/wp-content/uploads/2008/11/obama_hope.png" alt="Obama" width="450" height="338" /></p>
<p>Encerro este post com uma coisa para você pensar: de todos os exemplos recentes de narrativa transmídia, o que envolveu mais gente e gerou o resultado mais importante foi, sem dúvida, a campanha à presidência dos EUA. Ela usou todos os tipos de mitos e formas narrativas para &#8220;vender&#8221; a imagem de Barack Obama como um líder transformador. As pessoas estavam tão esgotadas dos demandos do governo republicano que compraram a esperança e a mudança sem questionar. Agora, passado um ano da eleição, a ficha começa a cair. O homem é honesto e competente, sem dúvida. Mas ele é um executivo, não um líder. Ele tem um quê inofensivo de <a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Geraldo_Alckmin" target="_blank">Geraldo Alckmin</a>, que faz o que pode com o que tem à mão. É bom. Acima de tudo, é responsável.</p>
<p><object classid="clsid:d27cdb6e-ae6d-11cf-96b8-444553540000" width="425" height="344" codebase="http://download.macromedia.com/pub/shockwave/cabs/flash/swflash.cab#version=6,0,40,0"><param name="allowFullScreen" value="true" /><param name="allowscriptaccess" value="always" /><param name="src" value="http://www.youtube.com/v/7-5_8af3TiY&amp;hl=en_US&amp;fs=1&amp;" /><param name="allowfullscreen" value="true" /><embed type="application/x-shockwave-flash" width="425" height="344" src="http://www.youtube.com/v/7-5_8af3TiY&amp;hl=en_US&amp;fs=1&amp;" allowscriptaccess="always" allowfullscreen="true"></embed></object></p>
<p>Mas não é o que foi vendido. Ele é um cara de números, não de esperança. Falta a ele aquela doideira inspiradora de um <a href="http://en.wikipedia.org/wiki/Malcolm_X" target="_blank">Malcolm X</a>, de um <a href="http://en.wikipedia.org/wiki/Martin_luther_king" target="_blank">Martin Luther King</a>, de um <a href="http://www.imdb.com/title/tt0118147/" target="_blank">Muhammad Ali</a> ou até mesmo de um <a href="http://en.wikipedia.org/wiki/John_F._Kennedy" target="_blank">John F. Kennedy</a>, para esses propósitos. Ele não propôs prender banqueiros, colocar um homem na Lua, acabar com a pirataria na China ou remover tudo o que é tropa do Afeganistão e começar a construir escolas. Para efeitos históricos, ele não propôs nada. Só administrou. Você consegue imaginar <a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Napole%C3%A3o_Bonaparte" target="_blank">Napoleão Bonaparte</a>, <a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Constantino_I" target="_blank">Constantino</a>, <a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Carlos_Magno" target="_blank">Carlos Magno</a>, <a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Alexandre,_o_Grande" target="_blank">Alexandre da Macedônia</a> ou <a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/J%C3%BAlio_C%C3%A9sar" target="_blank">Júlio César</a> cuidando da contabilidade?</p>
<p>Por piores que sejam o imbecil do <a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Hugo_Ch%C3%A1vez" target="_blank">Tchávez</a> e o senil do <a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Fidel_Castro" target="_blank">Fidel</a>, não se pode negar que suas figuras são personagens dignas de um <a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Gabriel_Garc%C3%ADa_M%C3%A1rquez" target="_blank">Gabo</a>. Já o presidente americano é tão certinho que não inspira um cordel. É o homem mais poderoso do mundo, mas não dá murro na mesa. A oposição, barulhenta e sem propostas como é a do PT e do PDT daqui, já percebeu isso e está abusando de seu direito constitucional de emperrar a pauta. Eles vieram pra tumultuar, são moleques mimados sem disposição para discutir. E estão ganhando força.</p>
<p>Parte de seu sucesso deve-se a uma excelente história muito bem contada por todas as mídias disponíveis. Não dá pra negar que ele não era bem o que os eleitores esperavam quando abriram a embalagem.</p>
<p>E pra essa mercadoria não há devolução.</p>
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		<title>Você trabalha demais</title>
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		<pubDate>Tue, 09 Feb 2010 21:06:59 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Radfahrer</dc:creator>
				<category><![CDATA[Carreira]]></category>
		<category><![CDATA[Cultura Digital]]></category>

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		<description><![CDATA[TENDÊNCIA Nº ZERO: MUITO, MUITO TRABALHO.

Já deve ter dado para perceber que este ano, que começou em um ritmo acelerado, tende a ser bem puxado quando comparado a 2009 e impossivelmente lotado quando se considera que é ano de copa e eleição. Se você ainda não comprou sua vuvuzela, economize o dinheiro: não a deixarão [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<h4 style="text-align: center;"><span style="color: #ff6600;">TENDÊNCIA Nº ZERO:</span> MUITO, MUITO TRABALHO.</h4>
<p style="text-align: center;"><img class="aligncenter" title="Rat race" src="http://www.nobby.de/typo3temp/GB/aaaa0a4a35.jpg" alt="Rat race" width="450" height="337" /></p>
<p>Já deve ter dado para perceber que este ano, que começou em um ritmo acelerado, tende a ser bem puxado quando comparado a 2009 e impossivelmente lotado quando se considera que é ano de copa e eleição. Se você ainda não comprou sua <a href="http://www.noe-nordberg.com/florian/cms/public/index.php?cmd=smarty&amp;id=14_len" target="_blank">vuvuzela</a>, economize o dinheiro: não a deixarão usá-la em sua mesa de trabalho &#8211; e, siiiim, você certamente estará nela.</p>
<p>A corrida é tanta que ninguém de bom senso tem coragem de afirmar que o ano só comece depois do Carnaval. Este ano não. Ele já começou faz tempo, ou talvez seja 2009 que ainda não tenha terminado. Tanto faz. Há quem acredite que o ano passado acabe lá pela quarta-feira de cinzas, domingo de Páscoa, Corpus Christi&#8230; essas datas simbólicas que um dia chamamos de feriado.</p>
<p>Com essa perspectiva só resta depender das tecnologias de SMS, microblogging e transmissão de vídeos online para pelo menos conseguir acompanhar um gol ou outro, saber placares ou entender porque tanta gente está buzinando ou gritando na rua enquanto você se divide entre projetos, pauerpóints, relatórios, calls e reuniões. Essas tecnologias também o impedirão de fazer perguntas descabidas, como a situação de um país que foi desclassificado, principalmente se for o seu.</p>
<p style="text-align: center;"><object classid="clsid:d27cdb6e-ae6d-11cf-96b8-444553540000" width="450" height="367" codebase="http://download.macromedia.com/pub/shockwave/cabs/flash/swflash.cab#version=6,0,40,0"><param name="quality" value="high" /><param name="FlashVars" value="midiaId=1206637&amp;autoStart=false&amp;width=450&amp;height=367" /><param name="src" value="http://video.globo.com/Portal/videos/cda/player/player.swf" /><param name="flashvars" value="midiaId=1206637&amp;autoStart=false&amp;width=450&amp;height=367" /><embed type="application/x-shockwave-flash" width="450" height="367" src="http://video.globo.com/Portal/videos/cda/player/player.swf" flashvars="midiaId=1206637&amp;autoStart=false&amp;width=450&amp;height=367" quality="high"></embed></object><br />
&#8230;e o Robinho volta com tudo.<br />
Você viu este gol, não? Ou estava trabalhando?</p>
<p style="text-align: center;">
<p>Enquanto isso nos EUA o Google gasta uma bala pra colocar um comercial simplório no <a href="http://en.wikipedia.org/wiki/Superbowl_ads" target="_blank">intervalo do Superbowl</a>. Tudo bem, quem sabia um pouco mais de Google provavelmente também estava trabalhando e só pode comentá-lo mais tarde, via YouTube.</p>
<p><object classid="clsid:d27cdb6e-ae6d-11cf-96b8-444553540000" width="450" height="276" codebase="http://download.macromedia.com/pub/shockwave/cabs/flash/swflash.cab#version=6,0,40,0"><param name="allowFullScreen" value="true" /><param name="allowscriptaccess" value="always" /><param name="src" value="http://www.youtube.com/v/DxyVpSUw6Kg&amp;hl=en_US&amp;fs=1&amp;" /><param name="allowfullscreen" value="true" /><embed type="application/x-shockwave-flash" width="450" height="276" src="http://www.youtube.com/v/DxyVpSUw6Kg&amp;hl=en_US&amp;fs=1&amp;" allowscriptaccess="always" allowfullscreen="true"></embed></object></p>
<p>O excesso de trabalho e sua perspectiva de aumento são perspectivas globais, que devem abranger praticamente todas as profissões remotamente ligadas ao digital. Estão isentos da maldição os suspeitos de sempre: aqueles funcionários concursados que (não) trabalham em repartições públicas e que, a essa hora, já agendaram suas greves para a Copa (assim sobra mais tempo livre para tomar cerveja) e para as eleições.</p>
<p style="text-align: center;"><span style="color: #999999;"><span style="font-size: small;"><em>(Caso você não saiba, uma vez a cada 4 anos os camaradas se mobilizam e desempoeiram todos os clichê</em><em>s comunistas para manter seus privilégios de ganhar sem trabalhar, ter estabilidade em sua inépcia e outros malefícios dos concursos-mordomia que ignoram qualquer lei de mercado, principalmente a atualização e a competência. Bobagens, afinal, quando comparadas a grandezas realmente importantes, como o tempo que se está sem fazer nada em um cargo ou a chefias que não chefiam. Tudo isso com o <a href="http://aprendiz.uol.com.br/content/wutreuicli.mmp" target="_blank">nosso dinheiro</a>. Um dia eu espero que o mundo digital extermine esse bundalelê, mas até eu acho que é otimismo demais.)</em></span></span></p>
<p>(Ahem) Onde estávamos? Ah, sim! Você trabalha demais. Voltando ao assunto: por que, afinal, se trabalha tanto?</p>
<p style="text-align: center;"><img class="aligncenter" title="Transbordamento" src="http://img.estadao.com.br/fotos/09/DB/77/09DB774BEE074B2B930E4C6563152660.jpg" alt="Transbordamento" width="450" height="212" /></p>
<p style="text-align: center;">Transbordamento das demandas.</p>
<p>Minha suspeita é que, depois de décadas a prometer evoluções, a época digital tenha finalmente chegado, trazendo com ela um transbordamento de demandas reprimidas que sobrecarregam todo mundo. Não consigo ver outro motivo para tantos estarem tão sobrecarregados.</p>
<p>Confesso que, quando pensei no assunto pela primeira vez, esperava estar enganado. Deveria haver outro motivo &#8211; crise mundial, aplicativos para iPhone, ano eleitoral, Copa, placas tectônicas, Twitter, sei lá. Mas à medida que o tempo passa, mais percebo que não pode haver outra explicação: há muito trabalho a ser feito e, por mais que todos estejamos, o tempo todo, sobrecarregados, a coisa não vai melhorar tão cedo. Pelo contrário, é bem provável que piore.</p>
<p><span style="font-size: medium;"><span style="color: #ff6600;"><strong>PIORE?!? </strong></span></span>Como assim, se todo dia, lá pelas 5 da tarde, o mundo todo parece entrar em uma espécie de histeria coletiva, cada um com certeza absoluta que o chefe ou cliente pediu demais, que não vai dar, que não daria nem se o dia tivesse 480 horas? Mesmo sem almoçar direito &#8211; e não estou falando de <a href="http://www.soniahirsch.com/2009/10/comer-bem-arroz-integral-so-muito-bem.html" target="_blank">macrobiótica</a> ou de <a href="http://www.slowfoodbrasil.com/" target="_blank">slow food</a>, mas de uma mesinha num McDonald’s pra comer um Nº3 em paz &#8211; e trabalhar em condições de estresse e dietas de ficar com inveja de sweatshops, cuja única diferença entre os dias “úteis” e os outros está no trânsito, local e uniforme de trabalho? Como pode piorar? Não sei. Mas não duvido que a demanda ainda seja muito grande, que vá aumentar e que será preciso um bom tempo para saciá-la. A era digital chegou, como sempre sem avisar, para o desespero de tantos que esperaram tanto por ela.</p>
<p>Pois é. Por mais que todos nós tenhamos alertado, feito <a href="http://en.wikipedia.org/wiki/Cassandra" target="_blank">Cassandras</a>, que a “velha mídia” estava morta, que a Internet tinha vindo para ficar e que estávamos à beira de uma tsunami de inovação, ninguém parecia saber ao certo o tamanho da pancada e a intensidade da transformação.</p>
<p style="text-align: left;"><img class="aligncenter" title="Paris 1968" src="http://www.fromthevaultradio.org/home/wp-content/images/FTV105_Paris%20Student%20Uprising/1968%20paris%20student%20uprising%2001.jpg" alt="Paris 1968" width="450" height="270" /></p>
<p style="text-align: left;">Típico. Ou você por acaso acha que alguém em sã consciência que tenha estado em <a href="http://www1.folha.uol.com.br/folha/mundo/ult94u396741.shtml" target="_blank">Paris em 1968</a>, em <a href="http://www.jocumdf.com/artigos/a-historia-do-movimento-punk-no-mundo-e-no-brasil/" target="_blank">Londres em 1977</a> ou em <a href="http://www.estadao.com.br/especiais/20-anos-da-queda-do-muro-de-berlim,76684.htm" target="_blank">Berlim em 1989</a> fazia idéia que aquela mega-balada em que estava metido mudaria o mundo? Mesmo que um ou outro louco percebesse o impacto, você acha que alguém o levaria a sério? Você o levaria a sério? Eu não.</p>
<p style="text-align: center;"><a href="http://www.archive.org/web/web.php" target="_blank"><img class="aligncenter" title="Wayback" src="http://www.archive.org/images/wayback.gif" alt="Wayback" width="204" height="72" /></a></p>
<p style="text-align: left;"><a href="http://www.archive.org/web/web.php" target="_blank"></a><br />
Há 15 anos a Internet já era bem grandinha para os padrões globais, e seu crescimento já causava espanto. Naquela época já tinha gente dizendo que a rede separava e alienava as pessoas, que essa explosão era rápida demais, que era fogo de palha e que logo iria assentar. Não faltavam, desde muito antes daquela época, céticos para afirmar que já existiam computadores demais e que a <a href="http://74.125.47.132/search?q=cache:_aXM6a_hAjIJ:www.ra.informatik.uni-stuttgart.de/~rainer/Literatur/Online/G/2/1.ps+Moore+law+at+its+end&amp;cd=1&amp;hl=pt-BR&amp;ct=clnk&amp;gl=br&amp;client=firefox-a" target="_blank">Lei de Moore estava com os dias contados</a>.</p>
<p style="text-align: left;">Ha.</p>
<p style="text-align: left;">Ha.</p>
<p style="text-align: left;">Ha.</p>
<p style="text-align: left;">Mas&#8230; estamos rindo do quê? Sei lá.</p>
<p style="text-align: left;">Hoje não falta quem acredite que a evolução da computação <a href="http://www.kurzweilai.net/articles/art0134.html?printable=1" target="_blank">seja uma exponencial</a>, e que a idéia de equipamentos com o dobro de velocidade e metade do preço a cada 18 meses tenha sido uma aproximação mal-feita em uma linha reta. A Lei de Moore estaria errada sim: ela era, na verdade, modesta. Mesmo gente muito boa que defende que a <a href="http://www.kk.org/thetechnium/archives/2006/02/the_singularity.php" target="_blank">exponencial seja um exagero</a> sabe que ainda há muito a progredir.</p>
<p style="text-align: center;"><img title="Exponencial" src="http://www.kurzweilai.net/articles/images/chart03.jpg" alt="Exponencial" width="375" height="295" /></p>
<p style="text-align: center;">Manja a “<a href="http://www.thelongtail.com/" target="_blank">Cauda Longa</a>”? É a mesma curva, no sentido contrário.</p>
<p style="text-align: left;"><a href="http://www.howstuffworks.com/quantum-computer.htm" target="_blank">Computadores quânticos</a>, chips de <a href="http://en.wikipedia.org/wiki/Graphene" target="_blank">grafeno</a>, <a href="http://www.luli.com.br/2007/12/14/a-web-20-e-so-a-crista-da-tsunami-parte-ii/" target="_blank">interfaces</a> de diversos tipos, <a href="http://semanticweb.org/wiki/Main_Page" target="_blank">web semântica</a>, <a href="http://www.seattlerobotics.org/Encoder/mar98/fuz/flindex.html" target="_blank">lógica fuzzy</a>&#8230; tudo isso potencializado por uma colaboração intensa e cada vez mais global. A realidade é muito mais aterrorizante que qualquer ficção. O mundo em 1993 era muito mais parecido com a Idade Média e a China antiga do que aquele em que viveremos em 10 anos. Exponencial, dearest, é isso.</p>
<p style="text-align: left;">Naquela época sossegada da última década do século passado, acredite, não se ganhava praticamente dinheiro algum com a Internet. Eu sei porque <a href="http://web.archive.org/web/19961219015357/http://www.hipermidia.com.br/" target="_blank">estava lá</a> (e, como todo mundo na época, era tosco. Depois <a href="http://web.archive.org/web/19970401051941/www.kropki.com.br/splash/p2.html" target="_blank">melhorei</a>, mas não muito). Praticamente todos os sites eram montados e alimentados com linhas e mais linhas de código &#8211; e, mesmo assim, era bem difícil aprovar um desses serviços de alfaiataria com um orçamento de cinco dígitos.</p>
<p style="text-align: left;"><img class="aligncenter" title="IE2" src="http://www.favbrowser.com/images/ie-1.5.png" alt="IE2" width="450" height="219" /><br />
Os otimistas acreditavam que 96 seria o ano da Internet, impulsionada por aquele programa Explorer. Não foi. Nem 97 ou 98, mas a luta continuava. Surgiram modems mais rápidos, home banking, imposto de renda online, portais, e-commerce, salas de chat, massivos multiplayer e&#8230; nem assim levavam a pobre <a href="http://www.luli.com.br/textos/artigos-pp/pp21/" target="_blank">sub-mídia</a> a sério. Para piorar, o <a href="http://news.bbc.co.uk/hi/english/static/millennium_bug/countries/" target="_blank">primeiro de Abril que aconteceu em primeiro de Janeiro</a>, o <a href="http://en.wikipedia.org/wiki/Dot-com_bubble" target="_blank">estouro do cassinão legitimado</a> e o <a href="http://video.nytimes.com/video/2008/04/24/movies/1194817115609/movie-minutes-osama-bin-laden.html?scp=2&amp;sq=Bin+laden&amp;st=m" target="_blank">multi-homem-bomba</a> pioraram a situação. Em 2002 era preciso um enorme esforço para mostrar que a Internet não tinha sido uma onda passageira, com seus IPOs e outras extravagâncias (muito parecidas com <a href="http://www.luli.com.br/textos/artigos-pp/pp30/" target="_blank">outras categorias profissionais</a>, deva-se dizer).</p>
<p style="text-align: left;">Por mais que nenhum banco tivesse fechado seus serviços online para reabrir agências, há oito anos ainda era comum ver gente com cheques, extratos impressos em caixas eletrônicos, passagens aéreas de papel e máquinas de Fax. A Unilever, por exemplo, tinha um punhado de páginas no ar e o Google, sempre é bom lembrar, <a href="http://www.google-ipo.com/" target="_blank">ainda não tinha aberto seu capital</a>.</p>
<p style="text-align: center;"><img class="aligncenter" title="Lotado" src="http://www.vooz.com.br/imagem/noticias/onibus-lotado1_56ff670e2adc85a1e6faeb1cdbc99bd9.jpg" alt="Lotado" width="400" height="300" /></p>
<p style="text-align: left;">Acredito que os eventos negativos da virada do milênio tenham funcionado como uma ”<a href="http://www.luli.com.br/textos/artigos-pp/pp26/" target="_blank">freada de arrumação</a>”, aquelas que o motorista do ônibus, mui solicitamente, dá para acomodar melhor seus queridos passageiros e abrir espaço para mais gente entrar. De qualquer forma, mesmo em 2003 ainda havia quem fizesse ressalvas à Banda Larga, com um motivo bastante razoável: “pra que, afinal, ver um jornal mais rápido?”.</p>
<p style="text-align: center;"><img class="aligncenter" title="Taxímetro" src="http://taxidepot.files.wordpress.com/2009/07/ohmer-art.jpg" alt="Taxímetro" width="450" height="600" /></p>
<p style="text-align: left;">A resposta, como sempre, estava aonde ninguém via. A velocidade era muito menos importante do que o fim do taxímetro. Foi preciso um empurrãozinho das mídias sociais pra rede, afinal, ganhar força e o mundo perceber que conectividade não é mais uma opção. Ele ainda não é <a href="http://www.thomaslfriedman.com/" target="_blank">plano</a> e a economia ainda pode ser bem mais <a href="http://freakonomicsbook.com/" target="_blank">esquisita</a>, mas estamos certamente a caminho.</p>
<p style="text-align: left;">Esse interlúdio histórico foi só para lembrar que todas essas conquistas ainda são muito novas e que finalmente as firmas resolveram pagar para ver se a rede tem mesmo tanta coisa boa a oferecer. O resultado é a explosão da demanda de todo tipo de serviço, de arquitetura de informação a métricas, de mídias sociais a e-commerce. Até propaganda, quem diria, está em alta.</p>
<p style="text-align: left;">O problema é que, como tudo na Internet, essa explosão aconteceu de uma só vez. As empresas, que nunca fizeram nada, resolveram fazer de tudo ao mesmo tempo, sem planejamento, estabanadamente, só para não ficar para trás. O resultado é equivalente a uma ida a um <a href="http://www.tripadvisor.com/Travel-g294212-d325810/Beijing:China:New.Silk.Alley.Market.Xiu.Shui..html" target="_blank">shopping de quinquilharias</a> ou a visitar um supermercado com fome: compra-se demais, sem saber o que fazer, mesmo que seja para jogar metade fora. Enquanto (ainda) não é (tão) caro, por que não? Enquanto isso você trabalha demais. A boa notícia é que não falta trabalho. A má é que ele sobra.</p>
<p style="text-align: left;"><img class="aligncenter" title="Ano digital" src="http://bizrevolution.typepad.com/bizrevolution/images/2008/10/28/digitalage.gif" alt="Ano digital" width="450" height="306" /><br />
Depois de muita, muita, muita espera, 2010 é, finalmente, o ano digital. Para desespero geral, 2011 e 2012 também o serão. Chegará o dia em que ninguém mais falará dele, como não se fala em energia elétrica ou aviões ou saneamento básico. Daí teremos chegado à maturidade.</p>
<p style="text-align: left;">Só espero que seja ainda nessa década.</p>
<img src="http://www.luli.com.br/admin/?ak_action=api_record_view&id=3169&type=feed" alt="" /><img src="http://feeds.feedburner.com/~r/radfahrer/~4/JrtfS51YXnk" height="1" width="1"/>]]></content:encoded>
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		<title>Minha visão da Campus Party</title>
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		<comments>http://www.luli.com.br/2010/01/29/interludio-campus-party/#comments</comments>
		<pubDate>Fri, 29 Jan 2010 19:50:04 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Radfahrer</dc:creator>
				<category><![CDATA[Cultura Digital]]></category>
		<category><![CDATA[Inovação]]></category>

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		<description><![CDATA[TENDÊNCIA Nº 2: AUTISMO DIGITAL.

Tão longe, tão perto.
Interrompemos a nossa programação para falar um pouquinho da Campus Party, aquela que deveria ser a megafesta nerd, cada vez mais popular. É a terceira vez que vou no evento &#8211; que, se não me engano, está em sua terceira edição. Em 2008, ainda no pavilhão da Bienal, [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<h4 style="text-align: center;"><span style="color: #ff6600;">TENDÊNCIA Nº 2: </span>AUTISMO DIGITAL.</h4>
<p><a href="http://www.luli.com.br/admin/wp-content/uploads/2010/01/photo.jpg"><img class="aligncenter size-full wp-image-3125" title="photo" src="http://www.luli.com.br/admin/wp-content/uploads/2010/01/photo.jpg" alt="" width="450" height="350" /></a></p>
<p style="text-align: center;"><em>Tão longe, tão perto.</em></p>
<p>Interrompemos a nossa programação para falar um pouquinho da <a href="http://www.campus-party.com.br/" target="_blank">Campus Party</a>, aquela que deveria ser a megafesta nerd, cada vez mais popular. É a terceira vez que vou no evento &#8211; que, se não me engano, está em sua terceira edição. Em 2008, ainda no pavilhão da Bienal, a coisa era ainda meio underground, até obscura. Chegava a ser divertido pensar que ela acontecia no mesmo espaço que, uma ou duas semanas antes, tinha acontecido o <a href="http://estilo.uol.com.br/moda/spfw/" target="_blank">São Paulo Fashion Week</a> &#8211; a princípio, os dois eventos não poderiam ser mais distintos. No ano passado sobraram pautas engraçadinhas que acharam suuuuper criativo <a href="http://g1.globo.com/Noticias/Tecnologia/0,,MUL969946-6174,00-NERD+VAI+A+SPFW+E+DIZ+E+ISSO+NA+CAMPUS+PARTY+MODELO+VICIA+EM+GAME.html" target="_blank">levar um nerd ao SPFW e uma modelo à Campus</a>.</p>
<p>Os dois eventos, no entanto, têm muito em comum. O SPFW, como a <a href="http://www.mostra.org/" target="_blank">Mostra de Cinema de SP</a>, o <a href="http://www.comidadibuteco.com.br/" target="_blank">Festival Comida di Buteco</a> e muitos outros, também teve suas origens alternativas, em uma época que as galerias e os bares da Rua Augusta eram muito mais perigosos do que exóticos ou moderninhos. Com o tempo, sua popularidade entre um público entusiasta e especializado acabou por atrair a ganância das marcas, que, na falta de boas propostas de apoio a seus públicos, lançaram mão de um bom maço de notas para se encostar no prestígio conquistado a duras penas por seus fundadores. É o bom e velho efeito <a href="http://en.wikipedia.org/wiki/Remora" target="_blank">rêmora</a>: é mais fácil se encostar em quem tem o que dizer do que arriscar desagradar alguém com uma tomada de posição.</p>
<p style="text-align: center;"><a href="http://www.luli.com.br/admin/wp-content/uploads/2010/01/Screen-shot-2010-01-29-at-16.23.08-.png"><img class="size-full wp-image-3127  aligncenter" title="Screen shot 2010-01-29 at 16.23.08" src="http://www.luli.com.br/admin/wp-content/uploads/2010/01/Screen-shot-2010-01-29-at-16.23.08-.png" alt="" width="392" height="607" /></a></p>
<p style="text-align: center;"><em>Patrocinadores da Mostra de Cinema:<br />
quase não sobra espaço para o conteúdo.</em></p>
<p>O problema é que não existe nada que seja sinônimo de desapego ou apoio (ou até mesmo &#8220;boas intenções&#8221;) quando se trata de jovens profissionais engomadinhos dos departamentos de Marketâng das grandes firmas ou de seus amiguinhos publicitários. O dinheiro de &#8220;apoio&#8221; a um evento vai normalmente condicionado a alguma censura, propaganda velada ou clara interrupção do conteúdo para a divulgação de suas tão inseguras marcas. O resultado é que as áreas públicas de eventos como o SPFW se transformam em showrooms de fanfarronices e ostentações de fazer inveja a <a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Dubai" target="_blank">Dubai</a> (ou ao Shopping Cidade Jardim, que é sua amostra grátis na cidade).</p>
<p style="text-align: center;"><a href="http://www.flickr.com/photos/paulathiemi/2619093757/" target="_blank"><img class="aligncenter" title="Fiat SPFW" src="http://farm4.static.flickr.com/3032/2619093757_29ded70d44.jpg" alt="Fiat SPFW" width="450" height="338" /></a></p>
<p style="text-align: center;"><em>Mas será que isso é realmente necessário? E que vende mais carros?<br />
Um curso de direção defensiva ou táxis-conceito para baladeiros manguaços não seria mais bacana? Sei lá.</em></p>
<p style="text-align: center;"><em><img class="aligncenter" title="Cidade Jardim" src="http://www.cabecadecuia.com/imagem/materias/95fee0f3056d62697280f158b4e9d8c2.jpg" alt="Shopping Cidade Jardim" width="450" height="281" /></em></p>
<p style="text-align: center;"><em>O povo gosta de luxo, mesmo que artificial. Pão e circo neles, ué.<br />
</em></p>
<p style="text-align: left;">Nada disso, afinal, seria incômodo. Quem vive em grandes cidades já aprendeu a ignorar as marcas e seus apelos publicitários com a mesma desenvoltura com que se desapega do cheiro do rio, do trânsito enfurecido e dos ambulantes nos sinais. Quem discorda que liste 10 ações comerciais de que se lembra ter visto no ano passado. Só 10. E olha que, segundo alguns consultores, você é sujeito a um <a href="http://www.wired.com/wired/archive/12.11/brands.html" target="_blank">enorme bombardeio de mensagens</a> diárias.</p>
<p style="text-align: left;">O problema dessas intervenções e da crescente &#8220;popularização&#8221; do evento (entre aspas porque ser freqüentado por muitos não é garantia de ser acessível) é que ele perde o foco. Com a Campus Party isso aconteceu em impressionantes três edições. A Mostra de Cinema segue quase invicta há mais de três décadas, alguma coisa tinha de estar errada.</p>
<p style="text-align: center;"><a href="http://blogs.diariodepernambuco.com.br/tecnologia/?p=1046" target="_blank"><img class="aligncenter" title="Campus 2008" src="http://blogs.diariodepernambuco.com.br/tecnologia/wp-content/uploads/2008/09/campus_party00.jpg" alt="Campus 2008" width="512" height="385" /></a></p>
<p style="text-align: center;"><em>Bons tempos? Médio. Os banheiros eram sofríveis e o lugar não tinha infra.</em></p>
<p style="text-align: left;">Não me entenda mal: não sou daqueles saudosistas que sentem falta de máquina de escrever ou de Itamambuca com estrada de terra. Minha queixa à &#8220;mornice&#8221; da Campus Party não está relacionada aos &#8220;bons tempos&#8221; em que ela acontecia no Pavilhão da Bienal do Parque Ibirapuera, por mais que o lugar fosse bacana, mas a seu propósito. Na época, <a href="http://www.luli.com.br/2008/03/06/nerds-sao-um-perigo-parte-iii/" target="_blank">achei bem interessante e divertido o que vi por ali</a>: os blogs estavam recém-saídos da briga com o Estadão e tanto Casemods quanto Massivos Multiplayer eram palavras muito pouco conhecidas. A conexão era boa, mas estava longe de ser o centro das atenções. O tempo todo, nerds e geeks (ainda existe diferença?) de todas as tribos se encontravam, sentavam uns nas mesas dos outros, perguntavam, explicavam&#8230; intercambiavam informações, enfim. Se a função do evento era de trocar experiências e informações, ela estava pra lá de cumprida.</p>
<p>Faltavam algumas coisas, é claro. <a href="http://www.luli.com.br/2008/02/19/oferta-e-procura-em-inovacao/" target="_blank">Escrevi em um post na época</a> em que ressaltava faltar integração entre quem produzia informação e as firmas que a patrocinariam. O que mais tinha me chamado a atenção era a ausência de profissionais de empresas, que poderiam levar adiante algumas das idéias sensacionais que via por ali. Levei essa preocupação adiante e, com a ajuda dos feras do <a href="http://imasters.uol.com.br/" target="_blank">iMasters</a>, fizemos naquele mesmo ano o <a href="../../projetos/ff08/" target="_blank">#FF</a>, que vem, desde então, realizando sua função de levar inovadores para o centro das atenções.</p>
<p>Pois é, cuidado com o que você deseja. Muitas empresas viram na Campus Party não uma fonte de inovação e idéias, mas um nicho de mercado virgem, esperando para ser explorado. Foram para lá e, no melhor estilo <a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Veni,_vidi,_vici" target="_blank">Júlio César</a>, tomaram posse. Em pesquisas de mercado, fizeram aquilo que causa ojeriza a inovadores no mundo todo: foram perguntar aos campuseiros o que eles queriam. Essa é uma prática muito mais fácil do que analisar o público e seus hábitos e propor algo realmente novo a ele. Ela é segura e não tem contra-indicação. Vai que, ao inovar, se faz algo como um Rolly, bonitinho mas não aceito fora do Japão? É o contrário do que faz a Apple mas, como diria um gerente de produto do <a href="http://www.zune.net/en-US/" target="_blank">Zune</a>, a Apple também erra.</p>
<p style="text-align: center;"><a href="http://www.reghardware.co.uk/2008/09/01/sony_rolly_uk/" target="_blank"><img class="aligncenter" title="Rolly" src="http://regmedia.co.uk/2007/09/10/sony_rolly_2.jpg" alt="Rolly" width="450" height="327" /></a></p>
<p><em><span style="color: #ff6600;">A massa quer conexão? Pois sejamos magnânimos e ofereçamos conexão às massas! </span></em>Deve ter pensado algum gênio da estratégia. O problema é que, com uma conexão tão rápida, os processos (e os downloads de conteúdo) passavam a ser muito mais rápidos e drenavam toda a atenção de seus usuários &#8211; que, sem perceber, iam até aquele galpão da Imigrantes para continuar a fazer o que faziam em casa.</p>
<p style="text-align: center;"><a href="http://www.flickr.com/photos/fabiopazzini/4313991840/" target="_blank"><img class="aligncenter" title="Alô?" src="http://farm5.static.flickr.com/4046/4313991840_391bcd1476.jpg" alt="Alô?" width="450" height="300" /></a><em><span style="color: #999999;"><span style="font-size: xx-small;"><br />
f o t o : F á b i o   P a z z i n i<br />
</span></span></em></p>
<p style="text-align: center;"><em>Alô? Tem alguém me ouvindo ou vocês estão todos no Facebook?</em></p>
<p style="text-align: left;">Seria cômico, se não fosse trágico. Mal cheguei lá e percebi que havia algo de &#8220;errado&#8221; com o clima. As coisas estavam mornas demais. Todo mundo meio quieto, sentado, quase nenhuma conversa no ambiente. Estranho. Levei alguns amigos para passear e conversar por lá. Com eles, dei várias voltas pelo espaço, abordando pessoas de vários grupos e perguntando a eles se sentiam o mesmo. Pra minha surpresa, a maioria das queixas dizia respeito ao fato do evento estar grande demais, cheio demais, pop demais, comercial demais. Até pode ser incômodo, mas não era &#8211; não poderia ser &#8211; o cerne do problema.</p>
<p style="text-align: left;">O que me incomodou por lá foi o autismo forçado e auto-imposto pelos mesmos usuários de uma rede que tanto conecta quanto isola. Se você sai de Fortaleza para ir à Campus Party, como fez o Antino Silva, que conheci por lá, vai gastar cerca de R$ 2.500 entre passagem, inscrição e hospedagem (se não quiser dormir por lá). Não é pouco dinheiro, já que vários netbooks e &#8211; sim, o <a href="http://www.apple.com/br/ipad/" target="_blank">iPod Touch do Hagrid</a> &#8211; custam menos do que isso. Esse dinheiro é gasto para quê? Para acessar a rede? Bom, ele paga mais do que um ano de conexão de banda bem larga em qualquer lugar, será que não valia mais a pena?</p>
<p style="text-align: left;">Não desejo o fim da Campus Party nem sua volta aos &#8220;velhos tempos&#8221;, mas sua reformulação para que ela volte a ser um evento de encontros, trocas e networking. Talvez seja necessário fazer alguns blackouts de banda de uns bons 90 minutos, de vez em quando. Sem ter o que fazer, talvez as pessoas voltem a conversar. E voltaremos a ter a interação de 2008, agora com mais gente e idéias.</p>
<p style="text-align: left;">Daí só faltarão firmas com boas intenções, mas isso ainda é pedir demais.</p>
<img src="http://www.luli.com.br/admin/?ak_action=api_record_view&id=3124&type=feed" alt="" /><img src="http://feeds.feedburner.com/~r/radfahrer/~4/2AxTOS0VTWQ" height="1" width="1"/>]]></content:encoded>
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		<title>Mega saldão de tendências</title>
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		<pubDate>Thu, 14 Jan 2010 20:33:53 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Radfahrer</dc:creator>
				<category><![CDATA[Cultura Digital]]></category>
		<category><![CDATA[Inovação]]></category>
		<category><![CDATA[Tendências]]></category>

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		<description><![CDATA[
Nunca se falou tanto em tendências quanto hoje em dia. E nunca foram tantas. Já era de se esperar. Uma das explicações que é dada para o surgimento do pós-modernismo e a desaparição dos absolutos é que o aumento da comunicação entre países e a conseqüente expressão de seus povos fez com que múltiplas culturas [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><img class="aligncenter" title="Turning Japanese" src="http://www.hypebeast.com/image/2009/10/kirsten-dunst-takashi-murakami-mcg-akihabara-film-1.jpg" alt="Turning Japanese" width="450" height="300" /></p>
<p><em><span style="color: #ff6600;">Nunca se falou tanto em tendências quanto hoje em dia. E nunca foram tantas.</span></em> Já era de se esperar. Uma das explicações que é dada para o surgimento do <a href="http://en.wikipedia.org/wiki/Postmodernism" target="_blank">pós-modernismo</a> e a desaparição dos absolutos é que o aumento da comunicação entre países e a conseqüente expressão de seus povos fez com que múltiplas culturas &#8211; cada qual com sua própria estrutura de conceitos, verdades e valores &#8211; entrassem em contato, dando origem a um relativismo sem fim. A BBC tem um <a href="http://www.bbc.co.uk/programmes/p003hyc8" target="_blank">debate</a> muito bacana sobre as diversas questões que essa corrente levanta, que não serão discutidas aqui.</p>
<p>Aqueles que se deram por gente depois da <a href="http://www.nytimes.com/interactive/2009/11/09/world/europe/20091109-berlinwallthennow.html" target="_blank">queda do muro de Berlim</a> podem achar estranho e limitado o mundo dicotômico que se vivia até um bom pedaço da década de oitenta, época em que você era, obrigatoriamente uma coisa ou outra. Pouco importava que as descobertas do tio <a href="http://en.wikipedia.org/wiki/Feynman" target="_blank">Feynman</a> e do tio <a href="http://en.wikipedia.org/wiki/Heisenberg" target="_blank">Heisenberg</a> &#8211; e mesmo o gato do tio <a href="http://en.wikipedia.org/wiki/Schr%C3%B6dinger%27s_cat" target="_blank">Schrödinger</a> &#8211; já tivessem provado fazia mais de meio século que as coisas não eram tão preto ou branco.</p>
<p><object classid="clsid:d27cdb6e-ae6d-11cf-96b8-444553540000" width="425" height="344" codebase="http://download.macromedia.com/pub/shockwave/cabs/flash/swflash.cab#version=6,0,40,0"><param name="allowFullScreen" value="true" /><param name="allowscriptaccess" value="always" /><param name="src" value="http://www.youtube.com/v/pTwV1h0xISQ&amp;hl=en_US&amp;fs=1&amp;" /><param name="allowfullscreen" value="true" /><embed type="application/x-shockwave-flash" width="425" height="344" src="http://www.youtube.com/v/pTwV1h0xISQ&amp;hl=en_US&amp;fs=1&amp;" allowscriptaccess="always" allowfullscreen="true"></embed></object></p>
<p>Hoje em dia, quando parecia que tudo estava mais ou menos assentado na aceleração furiosa, eis que a diversidade ataca novamente. Quando se imaginava que o mundo tinha, finalmente, se estabilizado e, com ele, alinhado as marés de diferentes culturas, novas tsunamis de inovação e tendências culturais parecem surgir de todos os lados do maremoto social em que vivemos. Novamente, era natural que isso acontecesse.</p>
<p>O &#8220;choque de culturas&#8221; que a globalização e a Internet promoveram não foi, na verdade, muito mais do que uma marolinha. Nunca houve &#8211; e ainda está longe de acontecer &#8211; um verdadeiro contato mundial. Que eu saiba, você não tem acesso fácil a um dentista da Tanzânia, ou mesmo a um piloto sueco. Ou às idéias de um sapateiro de Omã ou um luthier chinês. O encontro foi de sociedades, a maioria delas ocidentais, que já tinham algum contato e habitavam sistemas de valores parecidos. Falar alemão ou japonês, afinal, é muito mais fácil do que falar <a href="http://archive.phonetics.ucla.edu/Language/NMN/nmn_story_1972_01.mp3" target="_blank">!Xóõ</a>.</p>
<p>À medida que a web 2.0 vai ganhando popularidade, os estrangeiros às ferramentas digitais começam a operá-las, manuseá-las, brincar com elas e experimentá-las. Aos poucos, vão perdendo o medo e a timidez, deixam de ser ariscos e começam a compartilhar sua opinião e valores. Um passo importante foi dado nessa direção em 16 de Novembro passado, quando a <a href="http://www.icann.org.br/" target="_blank">Icann</a> passou a aceitar solicitações de nomes de domínios não-latinos.</p>
<p style="text-align: center;"><a href="http://en.wikipedia.org/wiki/Internationalized_domain_name" target="_blank"><img class="aligncenter" title="Utopia" src="http://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/7/7c/IDN-utopia-greek.jpg" alt="Utopia" width="450" height="355" /></a></p>
<p>Eles já haviam dado um passo nessa direção ao <a href="http://www1.matrix.com.br/portalnovo/usuarios/duvidas/webmaster_dominios_acentuacao.htm" target="_blank">permitir caracteres acentuados</a> (o que, na minha opinião, só demorou o que demorou pela web ser dominada por conteúdos em língua inglesa, que não sabem a diferença fonética de um coração para a ilha de <a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Cura%C3%A7ao" target="_blank">Curaçao</a> &#8211; para não falar com cocos ou cágados). Com a liberação de domínios em outros sistemas de caracteres, o acesso à rede &#8211; e conseqüente publicação &#8211; tende a ser muito, muito maior. Um domínio pode parecer uma coisa pequena porque estamos todos acostumados a digitar em teclados <a href="http://en.wikipedia.org/wiki/QWERTY" target="_blank">QWERTY</a>, inventados nos Estados Unidos, naturalmente com caracteres latinos. Mesmo as versões internacionais, como <a href="http://ispyshanghai.com/wdpress/wp-content/uploads/2008/02/chinese-keyboard.JPG" target="_blank">este teclado em chinês</a> e <a href="http://store.aramedia.com/shopimages/products/normal/kbarabic.jpg" target="_blank">este em árabe</a> seguem a mesma estrutura &#8211; que até pode ser cômoda para nós, mas deve ser uma bela dor de cabeça para eles. Imagine-se digitando um domínio nesta belezura abaixo:</p>
<p style="text-align: center;"><a href="http://www.flickr.com/photos/pengin/340943701/" target="_blank"><img class="aligncenter" title="Teclado Japonês" src="http://farm1.static.flickr.com/140/340943701_c9369bc039_d.jpg" alt="Teclado Japonês" width="450" height="299" /></a></p>
<p>Sacou o drama? Pra quem foi alfabetizado em Kanji, no entanto, esse teclado pode ser um sossego, difíceis talvez sejam as forminhas daquelas letras quase iguais &#8211; b d p q &#8211; que parecem um c misturado com um l. Ou aquela letra alemã, ß, <a href="http://www.luli.com.br/2006/05/08/respostas-parte-i/" target="_blank">que não tem som de &#8220;b&#8221;</a>&#8230; OK, você entendeu. Agora imagine a quantidade de russos, coreanos, árabes de vários países, indianos, tailandeses e, naturalmente, chineses que passarão a acessar mais sites em suas próprias línguas, ter acesso a maior conteúdo e se sentirem estimulados a criar domínios e blogar etc.</p>
<p><span style="color: #ff6600;">Que sonhos poderíamos ter?</span> Já <a href="http://en.wikiquote.org/wiki/Hamlet#Act_III" target="_blank">se perguntava</a> aquele menino Hamlet há um tempinho. Não faço idéia, mas mal posso esperar. Nesse ambiente crescente e mutante, tendências são mato e se multiplicam furiosamente. A partir dos próximos posts vou detalhar algumas que tenho visto, mas já dá para passar um aperitivo de DEZOITO coisas para prestar atenção em 2010:</p>
<ol>
<li><strong>ACOMPANHAMENTO</strong> – também conhecido como tracking, vem tomando espaço da busca. Desde que a FedEx permitiu que se soubesse onde está a sua encomenda, reforçado pelo Twitter em celulares e pelo Google Latitude, o Big Brother hoje não está satisfeito em saber tudo sobre você. Ele também faz questão de saber aonde encontrá-lo.</li>
<li><strong>AUTISMO</strong> – o autismo coletivo, mediado por aparelhos que conectam você a todo mundo via celulares com realidade aumentada mas que ainda não parece ter dado importância para o fato de ainda alertá-lo para olhar para todos os lados da rua antes de atravessá-la.</li>
<li><strong>NOMADISMO</strong> – o trabalho está cada vez mais remoto, o mundo está cada vez mais achatado, os processos estão cada vez mais equivalentes, as cidades estão cada vez mais parecidas e genéricas, diferenças crescem em importância. Se &#8220;onde você está&#8221; é cada vez mais importante, &#8220;onde você mora&#8221;, se torna mais e mais irrelevante.</li>
<li><strong>INTEGRAÇÃO</strong> – os dados e interfaces estão cada vez mais modulares, APIs abertas são praticamente obrigatórias, o próximo passo é integrar e digitalizar negócios, experiências e até cidades inteiras, por que não?</li>
<li><strong>REALIDADE ALTERNATIVA</strong> – não a do Raul, nem a aumentada em PCs, que ainda tem muito de firula gráfico-interativa. Mas o conceito de real se dissolve dentro dos ambientes meritocráticos e justos dos metaversos, cada vez mais transportado para o mundo real (embora com <a href="http://edition.cnn.com/2010/SHOWBIZ/Movies/01/11/avatar.movie.blues/index.html" target="_blank">exageros</a>).</li>
<li><strong>GAMES</strong> – jogos estão na moda. Cursos universitários são criados para eles, uma nova categoria da propaganda é baseada neles, o que era brincadeira se torna cada vez mais sério. Do sucesso de coisinhas feito Farmville ao volume de dinheiro que ambientes feito o Warcraft inventaram a partir de nada, muita coisa bacana vem por aí. Mais ainda se a Microsoft (aquela que faz HALO e, se não me engano, algum outro aplicativo, acho que até um sistema operacional, mas não estou bem certo) mostrar que o <a href="http://www.youtube.com/xboxprojectnatal" target="_blank">Project Natal</a> é algo mais do que um protótipo fantasma.</li>
<li><strong>PIRATARIA</strong> – em especial, <a href="http://www.shanzai.com/index.php" target="_blank">Shanzhai</a>. Você acha que a China é mansa? Pois prepare-se para sentir saudades dos tempos em que os EUA eram a superpotência. A China se vinga.</li>
<li><strong>PORNOGRAFIA</strong> – em todas as suas formas, de fetiche e Otaku, ela está mais forte do que nunca. Desde Jeff Koons e Cicciolina, nunca foi tão cult. E, é claro, um pouco do softcore Julie&amp;Julia.</li>
<li><strong>ACHATAMENTO</strong> – achatamento cultural, à medida que as mesmas fórmulas de <span style="text-decoration: line-through;">alien</span> entretenimento popular são aplicadas ao redor do mundo. Uma sensacional resposta afegã, para mostrar que ainda há esperança, justo quando se achava que o mundo não tinha mais jeito. De qualquer forma as coisas se tornam mais amigáveis à medida que ficam menos interessantes.</li>
<li><strong>COLABORAÇÃO</strong> – cada vez mais comum e popular, em todas as suas formas. Doar tempo, espaço no sofá, dedicação. Em alguns casos, até dinheiro serve.</li>
<li><strong>ACESSIBILIDADE</strong> – não mais aceitar a diferença, mas cultuá-la em mercados de um só. Long Tail Extreme.</li>
<li><strong>HARDWARE</strong> – e tudo que se pode fazer com os novos kits. Ainda dependemos das grandes empresas, mas seus produtos parecem cada vez mais peças de LEGO.</li>
<li><strong>DINHEIRO</strong> – sempre foi a mais virtual das coisas com que convivemos. O próximo passo é se livrar de vez de seu lastro físico.</li>
<li><strong>DESIGN</strong> – conteúdos complexos em informação não podem mais ser completamente absorvidos através de tecnologias lineares como o texto. Bloomberg era o novo Gutemberg e não sabia.</li>
<li><strong>STORYTELLING</strong> – pense em Avatar. Agora inverta tudo.</li>
<li><strong>VALOR</strong> – uma das únicas saídas possíveis para a propaganda é ela deixar de ser &#8220;ishpierta&#8221; e começar a gerar valor. As marcas querem isso. Os consumidores querem isso. Só os publicitários ainda acreditam na velha publicidade pentelha, que interrompe a experiência com historinhas que ninguém quer ouvir. Deve ser por corporativismo.</li>
<li><strong>MÉDIA</strong> – Pare de falar em classe C. O mundo é classe C. A pirâmide sócio-econômica está se transformando em um losango.</li>
<li><strong>FÍSICO</strong> – Ações offline que replicam o online, como as versões impressas da Wikipedia e do Google Calendar, livros impressos on-demand, custom printing etc etc etc.</li>
</ol>
<p>Pois é, dezoito caminhos. E olha que eu nem fuçei muito. De qualquer maneira, daqui a pouco as tendências serão tantas, e tão diversificadas, que praticamente tudo será tendência, já que todos serão público. Falar delas, daí, será patético.</p>
<p><img class="aligncenter" title="Aeróbica" src="http://kauri.auck.irl.cri.nz/~johanns/index-pics/aerobics_web.jpg" alt="Aeróbica" width="450" height="338" /></p>
<p>Como na época do Punk, a velha mídia (que você pode chamar de “sistema”, se quiser) tenta cooptar e se apropriar das inovações. Chega a posar de descolada em algumas tentativas de se rejuvenecer, mas é <a href="http://bbb.globo.com/BBB10/Participantes/0,,PTP95-17403,00-TESSALIA.html" target="_blank">tão tadinha na escolha de seus exemplos</a> que dá pena. Feito aquele tio com faixa na testa e prendedor de óculos, se sentindo o Rambo em aula de exercício cardiovascular enquanto sua feito uma esponja espremida e erra todos os movimentos.</p>
<p>Como já se viu na época do Punk, não vai dar certo. Não pode dar certo. São muitas as tendências e estamos só no começo.</p>
<p>Feliz ano novo, então.</p>
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		<title>Vida besta</title>
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		<pubDate>Thu, 07 Jan 2010 22:40:12 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Radfahrer</dc:creator>
				<category><![CDATA[Cultura Digital]]></category>
		<category><![CDATA[Inovação]]></category>

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		<description><![CDATA[Imagine-se muito, mas muito rico. Com um volume de dinheiro além de qualquer capacidade de compreensão. Tanto, mas tanto dinheiro que você seria capaz de comprar o que quisesse, quando quisesse.

Não, não, não. Acho que não estou conseguindo me fazer entender. É de muito mais dinheiro que eu estou falando. Um patrimônio maior do que [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Imagine-se muito, mas muito rico. Com um volume de dinheiro além de qualquer capacidade de compreensão. Tanto, mas tanto dinheiro que você seria capaz de comprar o que quisesse, quando quisesse.</p>
<p><a href="http://www.luli.com.br/admin/wp-content/uploads/2010/01/miguel.jpg"><img class="aligncenter size-full wp-image-3001" title="miguel" src="http://www.luli.com.br/admin/wp-content/uploads/2010/01/miguel.jpg" alt="miguel jaquison" width="450" height="450" /></a></p>
<p>Não, não, não. Acho que não estou conseguindo me fazer entender. É de muito mais dinheiro que eu estou falando. Um patrimônio maior do que o PIB de alguns países. E um razoável &#8211; mas não total &#8211; tempo livre. Sem nenhuma restrição ou condição. O que você faria? Se um deles fosse você no futuro, o que perguntaria? O que demandaria?</p>
<p>Com essa idéia em mente quero propor novas formas de pensar para 2010.</p>
<p>Acredito que a verdadeira pergunta cuja resposta vale um milhão de dólares seja: <em><span style="color: #ff6600;">&#8220;o que você faria DEPOIS de ganhar um milhão de dólares?&#8221;</span></em>. Ou alguns bilhões, para nosso exercício teórico tanto faz. Pode ser que você já tenha nascido muito rico, pouco importa. Imagine-se agora transportado para uma ou duas décadas depois, sentado em uma mesa agradável, com uma bela vista, conversando com seus amigos. Ah! Esqueci de contar que não foi só você que ficou milionário.</p>
<p>Perdeu um pouco a graça? Natural. Depois de alimentado e protegido, nada mais humano que a <a href="http://en.wikipedia.org/wiki/Abraham_Maslow" target="_blank">busca por outros tipos de bens</a> que agreguem status e experiência. É essa procura constante que nos mantém em movimento, ágeis e compenetrados. O <a href="http://en.wikipedia.org/wiki/Tao" target="_blank">Taoísmo</a> defende que o caminho é mais importante do que o destino, e mesmo a fé das três grandes religiões monoteístas está muito mais concentrada na busca pelo paraíso do que nas coisas a fazer uma vez chegado lá. Vale lembrar que o <a href="http://en.wikipedia.org/wiki/Kama_sutra" target="_blank">Kama Sutra</a> diz o que se deve fazer por aqui e que o <a href="http://en.wikipedia.org/wiki/Qur%27an" target="_blank">Corão</a> é bastante discreto quanto às atividades no <a href="http://en.wikipedia.org/wiki/Criticism_of_the_Qur%27an#Houris" target="_blank">Houris</a>.</p>
<p>Por mais que muitas estratégias mercadológicas tentem dizer o contrário, o prazer na busca é considerado bem maior do que o da conquista, fato visível nas mais variadas atividades sociais: a torcida pelo esportista mais fraco, a admiração pelos que subiram na vida, a busca pela superação de obstáculos, a conquista amorosa&#8230; não faltam exemplos de paraísos cotidianos, muitas vezes só descobertos através de uma dolorida nostalgia.</p>
<p style="text-align: center;"><img class="aligncenter" title="Livro de aventuras Up" src="http://2.bp.blogspot.com/_GsJ0PZjfZPw/SfD4YRg6SaI/AAAAAAAAB58/0-K5ZpEdDVo/s400/My+Adventure+Book.jpg" alt="Livro de aventuras Up" width="400" height="300" /></p>
<p style="text-align: center;"><em><span style="color: #ff6600;">Maldita Pixar. Já vi esse filme três vezes e sempre choro.</span></em></p>
<p style="text-align: left;">De volta à mesa de reminiscências, a conversa pode até tocar em um ou outro bem material, mas apenas por valor informativo, já que todos são, feito corretores yuppies de Wall Street nos anos 90, belos, jovens e ricos.</p>
<p><object classid="clsid:d27cdb6e-ae6d-11cf-96b8-444553540000" width="400" height="345" codebase="http://download.macromedia.com/pub/shockwave/cabs/flash/swflash.cab#version=6,0,40,0"><param name="name" value="Metacafe_2557915" /><param name="src" value="http://www.metacafe.com/fplayer/2557915/american_psycho_business_cards.swf" /><param name="wmode" value="transparent" /><param name="allowfullscreen" value="true" /><embed type="application/x-shockwave-flash" width="400" height="345" src="http://www.metacafe.com/fplayer/2557915/american_psycho_business_cards.swf" allowfullscreen="true" wmode="transparent" name="Metacafe_2557915"></embed></object></p>
<p style="text-align: left;">A conversa à mesa, então, voltar-se-ia para aquilo que cada um tem de único: suas experiências. À medida que dinheiro não é mais um problema, as lembranças das viagens, restaurantes, livros, filmes, eventos e músicas deve ser inesquecível, não? Não. Para sua surpresa, ela é tediosa, monótona. Quando se tem acesso fácil a praticamente tudo, a conquista perde a graça e tudo o que sobra são reações mecânicas, primitivas, quase brutais para satisfazer o corpo e anestesiar o cérebro.</p>
<p style="text-align: left;">Como eu sei? Porque estou lá. Você, a propósito, me faz companhia.</p>
<p style="text-align: left;"><img style="margin: 10px; float: left;" title="Rei Abdullah" src="http://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/9/98/Abdullah_of_Saudi_Arabia.jpg" alt="Rei Abdullah" width="150" height="188" />Comecei a pensar no assunto quando fui à <a href="http://www.luli.com.br/2008/06/12/primeira-parada-riyadh-arabia-saudita/" target="_blank">Arábia Saudita</a>, no ano passado. Em conversas com colegas de trabalho, o assunto caiu naturalmente no modo de vida de um Sultão do <a href="http://en.wikipedia.org/wiki/Nejd" target="_blank">Najd</a> ou do <a href="http://en.wikipedia.org/wiki/Hejaz" target="_blank">Hejaz</a>, com seus palácios, carrões de luxo, barcos e aviões. Na minha imaginação, mesmo sem os tapetes voadores, eles ainda deveriam viver grandiosamente. Pois foi com espanto que soube de várias histórias de depressão, tédio, ignorância ou isolamento. Claro que sempre tinha um ou outro que dava um pulinho em Londres fazer a festa da <a href="http://www.harrods.com/harrodsstore/" target="_blank">Harrods</a> antes que os chineses tomem conta, mas em geral, eles eram bem menos felizes do que eu imaginava.</p>
<p style="text-align: left;">Na hora me lembrei de um trecho do poema &#8220;<a href="http://www.insite.com.br/art/pessoa/ficcoes/acampos/456.html" target="_blank">Tabacaria</a>&#8220;, escrito pelo Tio <a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Fernando_pessoa" target="_blank">Fernando Pessoa</a>, versão Álvaro de Campos:</p>
<p style="text-align: left; padding-left: 30px;">Vivi, estudei, amei e até cri,<br />
E hoje não há mendigo<br />
Que eu não inveje só por não ser eu.<br />
Olho a cada um os andrajos e as chagas e a mentira,<br />
E penso: talvez nunca vivesses<br />
Nem estudasses nem amasses nem cresses<br />
(Porque é possível fazer a realidade<br />
De tudo isso sem fazer nada disso);
</p>
<p style="text-align: left;">Faz sentido. Mas não vou entrar nos detalhes daqueles meninos pobres que se descobrem artistas, fazem o maior sucesso, se enchem de tudo que é tipo de psicotrópicos (para ver se o cérebro pega no tranco, talvez) e depois largam tudo e viram <a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Baby_do_Brasil" target="_blank">Baby Consuelo </a>porque isso tudo é muito, muito manjado.</p>
<p style="text-align: center;"><img class="aligncenter" title="Julie" src="http://thefilmstage.com/wp-content/uploads/2009/08/julie-julia-2.jpg" alt="Julie" width="450" height="242" /></p>
<p style="text-align: center;"><span style="color: #ff6600;"><em>Julie e sua tara por manteiga tem um quê de &#8220;<a href="http://www.imdb.com/title/tt0070849/" target="_blank">Último Tango em Paris</a>&#8220;, não?</em></span></p>
<p style="text-align: left;">Toco no assunto porque chafurdamos em uma era de abundância sem precedentes. Aquilo que era privilégio de reis e dos muito ricos hoje pode ser encontrado na prateleira de um supermercado, entregue em casa ou baixado em alguns segundos se a conexão for larga o bastante. Nunca se viveu tanto nem se teve acesso a tanto conhecimento. <a href="http://www.apple.com/education/guidedtours/itunesu.html" target="_blank">Aulas das universidades mais prestigiadas</a> fazem companhias a <a href="http://channel.tate.org.uk/podcasts" target="_blank">podcasts de museus</a> e <a href="http://www.nasa.gov/multimedia/podcasting/index.html" target="_blank">institutos de pesquisa</a> e quase ninguém os baixa. Tutoriais para qualquer coisa estão disponíveis nos Youtubes, mas são ofuscados por vídeos de <a href="http://www.youtube.com/watch?v=txqiwrbYGrs" target="_blank">crianças dopadas</a> ou <a href="http://playhimoffkeyboardcat.com/" target="_blank">gatos tocando piano</a>. Em busca de emoção, muitos deixam seu cotidiano ruir enquanto mergulham em sagas psicodélico-medievais enquanto outros fecham os olhos e fingem que são invisíveis, enquanto desenvolvem <a href="http://en.wikipedia.org/wiki/Sexual_fetishism" target="_blank">fetiches</a> obsessivos por <a href="http://en.wikipedia.org/wiki/Otaku" target="_blank">qualquer coisa que não seja real</a>.</p>
<p style="text-align: center;"><img class="aligncenter" title="Quarto Otaku" src="http://diegomaryo.files.wordpress.com/2008/12/otaku1.jpg" alt="Quarto Otaku" width="421" height="316" /></p>
<p style="text-align: center;"><span style="color: #ff6600;"><em>Isso me lembra da demagogia presidencial sobre o Fome Zero quando a obesidade já tinha se tornado um problema maior e mais sério. </em></span></p>
<p style="text-align: left;">Hoje, que todos somos ricas <a href="http://www.luli.com.br/2009/03/06/privacidade-e-mito-somos-todos-celebridades/" target="_blank">celebridades</a>, nunca foram tantos os casos de depressão, alcoolismo, desperdício, alienação, consumo desenfreado e dependência de todo tipo de substância alteradora da percepção em um cotidiano monótono e confuso. Participamos de um banquete suntuoso, do qual não parece haver muito do que se orgulhar. Vale ter isso em mente ao analisar as tendências que nos são oferecidas em belos pratos, por serviçais anônimos.</p>
<img src="http://www.luli.com.br/admin/?ak_action=api_record_view&id=2999&type=feed" alt="" /><img src="http://feeds.feedburner.com/~r/radfahrer/~4/jZkahvIaNJY" height="1" width="1"/>]]></content:encoded>
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		<title>Saudável insegurança</title>
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		<pubDate>Thu, 31 Dec 2009 12:57:45 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Radfahrer</dc:creator>
				<category><![CDATA[Cultura Digital]]></category>
		<category><![CDATA[Inovação]]></category>

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		<description><![CDATA[Em um mundo cuja maior parte das certezas vem das religiões fundamentalistas, dos regimes autoritários e dos livros e palestras de auto-ajuda, me esforço em estimular a insubmissão e a discordância, em busca de um maior questionamento e conseqüente compreensão desse panorama que tanto muda.
É a minha contribuição. Colabore comigo discordando de mim sempre que [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Em um mundo cuja maior parte das certezas vem das religiões fundamentalistas, dos regimes autoritários e dos livros e palestras de auto-ajuda, me esforço em estimular a insubmissão e a discordância, em busca de um maior questionamento e conseqüente compreensão desse panorama que tanto muda.</p>
<p>É a minha contribuição. Colabore comigo discordando de mim sempre que possível. Se os argumentos forem construtivos, tenho certeza que vou adorar. </p>
<p>Feliz ano novo.  </p>
<img src="http://www.luli.com.br/admin/?ak_action=api_record_view&id=2992&type=feed" alt="" /><img src="http://feeds.feedburner.com/~r/radfahrer/~4/n_19fd4l-2g" height="1" width="1"/>]]></content:encoded>
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		<title>Retrospectiva de fim de ano: Placas Tectônicas, Microsoft, Revista Veja e Corollas</title>
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		<pubDate>Fri, 18 Dec 2009 14:00:09 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Radfahrer</dc:creator>
				<category><![CDATA[Cultura Digital]]></category>
		<category><![CDATA[Inovação]]></category>
		<category><![CDATA[Tendências]]></category>

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		<description><![CDATA[
2009 foi o ano do &#8220;ao vivo&#8221;. Depois de séculos de ditadura dos discursos, a sociedade do espetáculo chega ao extremo de mandar Foucault e sua sociedade do controle pro brejo ao proclamar que todos tinham o direito a muito mais do que os ridículos 15 minutos de fama: chegou a hora de qualquer um [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: center;"><img class="aligncenter" title="Twitter" src="http://a1.twimg.com/profile_background_images/5194142/mao.png" alt="Twitter" width="450" height="226" /></p>
<p><span style="color: #ff6600;"><strong>2009 foi o ano do &#8220;ao vivo&#8221;</strong></span>. Depois de séculos de ditadura dos discursos, a <a href="http://netart.incubadora.fapesp.br/portal/midias/debord" target="_blank">sociedade do espetáculo</a> chega ao extremo de mandar <a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Michel_Foucault" target="_blank">Foucault</a> e sua <a href="http://www.scielo.br/scielo.php?pid=S0102-88392004000100019&amp;script=sci_arttext&amp;tlng=en" target="_blank">sociedade do controle</a> pro brejo ao proclamar que todos tinham o direito a muito mais do que os ridículos <a href="http://en.wikipedia.org/wiki/Andy_Warhol" target="_blank">15 minutos de fama</a>: chegou a hora de qualquer um se tornar veículo. A compulsão emissora foi tamanha que parecia que as coisas só aconteciam se fossem tuitadas. Incluindo as <a href="http://www.bluebus.com.br/show/1/92075/blogueira_marisa_toma_33_o_enterro_foi_ontem_em_santo_andre" target="_blank">mais tristes</a>.</p>
<p>Mesmo que tecnologias como YouTube, <a href="http://www.ustream.tv/" target="_blank">UStream</a>, updates do Facebook e, é claro, o <a href="http://www.luli.com.br/2009/02/20/agenda-setting-20/" target="_blank">Twitter</a> já existissem há algum tempo, foi neste ano que eles ganharam popularidade e foram adotadas por praticamente todo mundo. Dentre todas elas, nenhuma foi tão popular &#8211; por sua facilidade e praticidade &#8211; como o Twitter, adotado por praticamente todo mundo. Da <a href="http://twitter.com/SandyLeah" target="_blank">Sandy</a> ao Governador <a href="http://twitter.com/joseserra_" target="_blank">José Serra</a>, da <a href="http://twitter.com/capricho" target="_blank">Capricho</a> à <a href="http://twitter.com/fiat_brasil" target="_blank">FIAT</a>, todos tuitavam. Mas relações são construídas aos poucos, e com treino. Figuras públicas de porte, como <a href="http://colunistas.ig.com.br/mauriciostycer/2009/08/26/a-desastrada-aventura-de-xuxa-pelo-twitter/" target="_blank">Xuxa</a> e o senador <a href="http://www.estadao.com.br/noticias/nacional,pelo-twitter-mercadante-reafirma-pedido-de-licenca-de-sarney,413482,0.htm" target="_blank">Aloízio Mercadante</a> aprenderam na marra que certas coisas não se tuíta e mesmo <a href="http://twitter.com/twittess" target="_blank">neocelebridades</a> tiveram que aprender a se comportar. Pois é, dura a vida sem a mediação dos assessores de imprensa.</p>
<p style="text-align: center;"><img class="aligncenter" title="Ricúpero" src="http://img.estadao.com.br/fotos/42/B4/2B/42B42B19D36B4F4A9C43A8F61F79CDC4.jpg" alt="Ricúpero" width="450" height="300" /></p>
<p style="text-align: center;">Tudo isso me lembra da história do <a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Esc%C3%A2ndalo_da_parab%C3%B3lica" target="_blank">Rubens Ricúpero</a>, o pioneiro em perder emprego <span style="text-decoration: line-through;">pelo Twitter</span> por falar o que não deve na hora mais imprópria.</p>
<p>O assunto rende, como se poderia esperar, muito pano para manga. Mas  a correria para entregar tudo antes de fechar a porteira do Brasil teve que empurrar, mais uma vez, meu especial de fim de ano para o começo do ano que vem. Para não me despedir de vocês de mãos vazias, deixo aqui uma retrospectiva capenga, à revista Veja, de 200 das frases mais relevantes que tuitei nesses meus quase 30 meses de experiência com a ferramenta. Ao olhar meus mais de 3500 tweets, percebi que meu &#8220;estilo&#8221; (se é que isso existe aqui) foi se aprimorando com o tempo. É natural, o mesmo aconteceu com este blog.</p>
<p>Minha intenção era manter essa lista em ordem cronológica, mas percebi que era preciosismo. Então deixei em alfabética. Divirtam-se.</p>
<p>Bom Natal, Chanucá, Reis e Iemanjá. Volto antes das calorias da ceia se irem.</p>
<ol>
<li><span style="color: #ff6600;"><span style="font-family: georgia,palatino;"><em>2010 promete. Mas antes preciso fazer 2009 cumprir.</em></span></span></li>
<li><span style="color: #ff6600;"><span style="font-family: georgia,palatino;"><em>A China cresce desse jeito porque com um filho por casal, lá ninguém tem sobrinho.</em></span></span></li>
<li><span style="color: #ff6600;"><span style="font-family: georgia,palatino;"><em>A definição porteña de &#8220;pajero&#8221; é tão adequada para os motoristas deste tipo de veículo que me pergunto se a escolha foi acidental.</em></span></span></li>
<li><span style="color: #ff6600;"><span style="font-family: georgia,palatino;"><em>A diferença entre um sindicato e a Microsoft é que o primeiro esperneia e você finge não ouvir e com o segundo acontece o contrário.</em></span></span></li>
<li><span style="color: #ff6600;"><span style="font-family: georgia,palatino;"><em>A estréia de Harry Potter marca o sepultamento definitivo do moonwalk e sua substituição pelo quidditch.</em></span></span></li>
<li><span style="color: #ff6600;"><span style="font-family: georgia,palatino;"><em>A experiência de um indivíduo é medida pelas vezes em que se cala, mesmo &#8211; e principalmente &#8211; se tiver pensado em algo importante a dizer.</em></span></span></li>
<li><span style="color: #ff6600;"><span style="font-family: georgia,palatino;"><em>A forma seguia a função. Hoje ela segue o conteúdo e o contexto.</em></span></span></li>
<li><span style="color: #ff6600;"><span style="font-family: georgia,palatino;"><em>A Internet parece a troposfera: muita coisa lançada por lá depois do seu uso permanece abandonada, à deriva.</em></span></span></li>
<li><span style="color: #ff6600;"><span style="font-family: georgia,palatino;"><em>A Juliette Binoche é dois anos mais velha que eu. Gostaria de acreditar que as mulheres francesas não envelhecem, mas prefiro crer em .psd.</em></span></span></li>
<li><span style="color: #ff6600;"><span style="font-family: georgia,palatino;"><em>A montadora que colocar air bags do lado de fora de seus veículos fará uma fortuna entre certas categorias de motoristas.</em></span></span></li>
<li><span style="color: #ff6600;"><span style="font-family: georgia,palatino;"><em>A personalidade e criatividade tem que estar nas suas idéias, não no seu escritório ou nas suas roupas.</em></span></span></li>
<li><span style="color: #ff6600;"><span style="font-family: georgia,palatino;"><em>A principal diferença entre uma consultoria e uma agência é que a primeira não entrega e a segunda não presta contas.</em></span></span></li>
<li><span style="color: #ff6600;"><span style="font-family: georgia,palatino;"><em>A questão não é mais &#8220;onde&#8221; a empresa está na Internet, mas &#8220;quando&#8221;. A maioria das grandes não chegou a 2002.</em></span></span></li>
<li><span style="color: #ff6600;"><span style="font-family: georgia,palatino;"><em>A Vinte e Cinco de Março parece um quadro do Hyeronimus Bosch. Em close-up.</em></span></span></li>
<li><span style="color: #ff6600;"><span style="font-family: georgia,palatino;"><em>Admiro as pessoas com superávit de atenção.</em></span></span></li>
<li><span style="color: #ff6600;"><span style="font-family: georgia,palatino;"><em>Adoro piadas infames. Piadas boas perdem seu valor rapidamente. Já rickrolling&#8230;</em></span></span></li>
<li><span style="color: #ff6600;"><span style="font-family: georgia,palatino;"><em>Aeroportos são Rodoviárias sem cheiro de diesel. Mas com mais filas.</em></span></span></li>
<li><span style="color: #ff6600;"><span style="font-family: georgia,palatino;"><em>Agora entendi porque deadlines têm esse nome.</em></span></span></li>
<li><span style="color: #ff6600;"><span style="font-family: georgia,palatino;"><em>Ahhhh&#8230; A vida é melhor com Dorflex &#8482;</em></span></span></li>
<li><span style="color: #ff6600;"><span style="font-family: georgia,palatino;"><em>Alguns motoboys bem que poderiam trabalhar como acrobatas do Cirque du Soleil.</em></span></span></li>
<li><span style="color: #ff6600;"><span style="font-family: georgia,palatino;"><em>Alguns sistemas de correção ortográfica fazem seus usuários parecerem ainda mais analfabetos.</em></span></span></li>
<li><span style="color: #ff6600;"><span style="font-family: georgia,palatino;"><em>Alô firmas obtusas: os celulares são as novas máquinas de acessar redes sociais &#8211; não adianta mais tentar bloqueá-las nos computadores.</em></span></span></li>
<li><span style="color: #ff6600;"><span style="font-family: georgia,palatino;"><em>Amigos followers: se eu tuitar algo estranho do tipo &#8220;comi bem&#8221; ou &#8220;estou bem agasalhado&#8221;, não reparem. Minha mãe passou a me seguir.</em></span></span></li>
<li><span style="color: #ff6600;"><span style="font-family: georgia,palatino;"><em>Antigamente rugas eram sinais de experiência. Hoje são riscos em um ipod. Não espanta a demanda por Botox.</em></span></span></li>
<li><span style="color: #ff6600;"><span style="font-family: georgia,palatino;"><em>Aquele que plagia porque todos plagiam é como quem rouba porque todos roubam ou trai porque todos traem: imbecil e bovino.</em></span></span></li>
<li><span style="color: #ff6600;"><span style="font-family: georgia,palatino;"><em>Às vezes a verdade dói muito mais em quem a diz do que em quem a escuta.</em></span></span></li>
<li><span style="color: #ff6600;"><span style="font-family: georgia,palatino;"><em>Até logo, tenha um bom dia. Foi um prazer monologar com o senhor.</em></span></span></li>
<li><span style="color: #ff6600;"><span style="font-family: georgia,palatino;"><em>Blogs são veículos de influência. Por isso precisam dos valores do Jornalismo: ética, isenção, neutralidade. Jornalistas são dispensáveis.</em></span></span></li>
<li><span style="color: #ff6600;"><span style="font-family: georgia,palatino;"><em>Branca de Neve educa meninas para o fato de só haver dois tipos de homem, anões e príncipes encantados, em proporção de 7:1.</em></span></span></li>
<li><span style="color: #ff6600;"><span style="font-family: georgia,palatino;"><em>Cada vez que eu almoço em um lugar recheado de gente com crachá no pescoço eu me questiono sobre a eficácia da lei Áurea.</em></span></span></li>
<li><span style="color: #ff6600;"><span style="font-family: georgia,palatino;"><em>Cada vez que passo perto por uma ponte fico dividido entre o medo de deixar cair o celular e a vontade de arremessá-lo.</em></span></span></li>
<li><span style="color: #ff6600;"><span style="font-family: georgia,palatino;"><em>Cara que te foleia só pra te criticar não é seguidor nem amigo: é polícia.</em></span></span></li>
<li><span style="color: #ff6600;"><span style="font-family: georgia,palatino;"><em>Carro pequeno é que nem cachorro pequeno: lindinho pros seus donos e pras mocinhas, irritante pra todo o resto.</em></span></span></li>
<li><span style="color: #ff6600;"><span style="font-family: georgia,palatino;"><em>Certas listas de e-mails parecem servir para me lembrar do porque não sigo listas de e-mails.</em></span></span></li>
<li><span style="color: #ff6600;"><span style="font-family: georgia,palatino;"><em>Certas pessoas deveriam ler Reich antes que o fracasso subisse-lhes à cabeça.</em></span></span></li>
<li><span style="color: #ff6600;"><span style="font-family: georgia,palatino;"><em>Certos cadastros de fornecedores de empresas devem ter se inspirado em formulários de imigração.</em></span></span></li>
<li><span style="color: #ff6600;"><span style="font-family: georgia,palatino;"><em>Chegou a hora do seu cliente fechar da semana e planejar a semana que vem. Se eu fosse você, tirava o telefone do gancho.</em></span></span></li>
<li><span style="color: #ff6600;"><span style="font-family: georgia,palatino;"><em>Chico Buarque revisitado: &#8220;Todo mundo tem/ um PC meio estourado/ só a bailarina que não tem&#8230;&#8221;</em></span></span></li>
<li><span style="color: #ff6600;"><span style="font-family: georgia,palatino;"><em>Cinco dias e uns quebrados pra acabar o ano. Acho que estou entre os quebrados.</em></span></span></li>
<li><span style="color: #ff6600;"><span style="font-family: georgia,palatino;"><em>Cliente nunca entende tudo. Quando acha que pegou é porque não entendeu nada.</em></span></span></li>
<li><span style="color: #ff6600;"><span style="font-family: georgia,palatino;"><em>Começo a desconfiar que alta baixo-estima é um sinal dos tempos.</em></span></span></li>
<li><span style="color: #ff6600;"><span style="font-family: georgia,palatino;"><em>Como eu explico prum gringo que neste 2º semestre teve 4 feriados em 2ª, um em 6ª e que dia 18 o país fecha pra reabrir em Março?</em></span></span></li>
<li><span style="color: #ff6600;"><span style="font-family: georgia,palatino;"><em>Como posso respeitá-lo/a, se você rumina feito uma vaca e cheira a tutti-frutti?</em></span></span></li>
<li><span style="color: #ff6600;"><span style="font-family: georgia,palatino;"><em>Como sua cliente, que sabe diferenciar off-white de branco, pérola, creme, gelo e cinza, não aprova um layout decente?</em></span></span></li>
<li><span style="color: #ff6600;"><span style="font-family: georgia,palatino;"><em>Comprar presentes de dia das mães em shopping desperta seu espírito maternal: você fica ansioso, agoniado e consumista.</em></span></span></li>
<li><span style="color: #ff6600;"><span style="font-family: georgia,palatino;"><em>Conheço poucas frases que resumam melhor nossa brasilidade do que &#8220;Essa lei é legal, tomara que pegue&#8221;.</em></span></span></li>
<li><span style="color: #ff6600;"><span style="font-family: georgia,palatino;"><em>Convergência é feito bolsa de mulher: uma para cada ocasião, sempre cheia de coisas. E sempre se esquece algo fundamental</em></span></span></li>
<li><span style="color: #ff6600;"><span style="font-family: georgia,palatino;"><em>Cuidado ao dizer que é agnóstico: vão fazer você trabalhar no fim de semana. Melhor ser panteísta e tirar sex, sab e dom.</em></span></span></li>
<li><span style="color: #ff6600;"><span style="font-family: georgia,palatino;"><em>Curioso: quem não suporta ter chefe sonha com o dia de montar seu negócio e lá reproduzir a mesma estrutura de vassalagem.</em></span></span></li>
<li><span style="color: #ff6600;"><span style="font-family: georgia,palatino;"><em>Cyrano de Bergerac usou um avatar há dois séculos.</em></span></span></li>
<li><span style="color: #ff6600;"><span style="font-family: georgia,palatino;"><em>De acordo com a ênfase das notícias e comentários, o trânsito em SP é mais importante que a política, saúde e educação.</em></span></span></li>
<li><span style="color: #ff6600;"><span style="font-family: georgia,palatino;"><em>De casa à padaria à pé: 5 quadras, 10 minutos, 12 Corollas, 3 Civics. Todos nas criativas cores cinza, verde, preto e creme.</em></span></span></li>
<li><span style="color: #ff6600;"><span style="font-family: georgia,palatino;"><em>Dentro de um carro, nessa chuva, parece que estou em um lava-rápido. Só faltam as escovas.</em></span></span></li>
<li><span style="color: #ff6600;"><span style="font-family: georgia,palatino;"><em>&#8220;Desculpe a bagunça no meu carro&#8221; / &#8220;Tudo bem, sei como criança é difícil&#8221; / &#8220;Mas eu não tenho filhos&#8221; / &#8220;Ah, perdão&#8221;.</em></span></span></li>
<li><span style="color: #ff6600;"><span style="font-family: georgia,palatino;"><em>Detesto essas comparações entre o crescimento de net e mobile quando comparadas a outras tecs: mídias são cumulativas, o número é vazio.</em></span></span></li>
<li><span style="color: #ff6600;"><span style="font-family: georgia,palatino;"><em>Deve haver alguma relação entre baixo QI e a fala mole e anasalada de algumas mocinhas.</em></span></span></li>
<li><span style="color: #ff6600;"><span style="font-family: georgia,palatino;"><em>Difícil decisão: me intoxicar com a comida cara e ruim do aeroporto ou passar fome para me intoxicar com a comida cara e ruim do avião.</em></span></span></li>
<li><span style="color: #ff6600;"><span style="font-family: georgia,palatino;"><em>Divertidos aqueles sujeitos que mandam um e-mail perguntando se você recebeu o outro e-mail que eles mandaram. Quais seriam as chances?</em></span></span></li>
<li><span style="color: #ff6600;"><span style="font-family: georgia,palatino;"><em>Do jeito que os funcionários da Caixa e do BB tratam seus correntistas, NÓS é que deveríamos fazer greve contra eles.</em></span></span></li>
<li><span style="color: #ff6600;"><span style="font-family: georgia,palatino;"><em>É apavorante pensar que muitos professores ainda consideram &#8220;corrigir&#8221; sinônimo de &#8220;avaliar&#8221;.</em></span></span></li>
<li><span style="color: #ff6600;"><span style="font-family: georgia,palatino;"><em>É implicância minha ou você também está cansado de ouvir falar do case Barack Obama?</em></span></span></li>
<li><span style="color: #ff6600;"><span style="font-family: georgia,palatino;"><em>É interessante ver como as velhinhas encaram atividades de ginástica sorrindo, enquanto as mais jovens as fazem bufando.</em></span></span></li>
<li><span style="color: #ff6600;"><span style="font-family: georgia,palatino;"><em>Em 2020: &#8220;Microsoft? Sei, sei&#8230;além de HALO, ouvi dizer que tentaram fazer um ou outro software, mas não deu muito certo.&#8221;</em></span></span></li>
<li><span style="color: #ff6600;"><span style="font-family: georgia,palatino;"><em>Enquanto você tuíta a Inbox continua a crescer.</em></span></span></li>
<li><span style="color: #ff6600;"><span style="font-family: georgia,palatino;"><em>Entediado no trânsito? Conte Corollas. Eles são o novo Monza, fácil encontrar mais de 15 em um trajeto curto.</em></span></span></li>
<li><span style="color: #ff6600;"><span style="font-family: georgia,palatino;"><em>Esse Mainardi é sobrinho de quem, mesmo?</em></span></span></li>
<li><span style="color: #ff6600;"><span style="font-family: georgia,palatino;"><em>Estou mais cansado que natalício. E acredito não estar só.</em></span></span></li>
<li><span style="color: #ff6600;"><span style="font-family: georgia,palatino;"><em>Etimologia: &#8220;Magnífico&#8221; é algo maior que você. &#8220;Formidável&#8221; é algo tão intenso que dá medo. &#8220;Belo&#8221; é sua versão de bolso.</em></span></span></li>
<li><span style="color: #ff6600;"><span style="font-family: georgia,palatino;"><em>Eu não quero um chip subcutâneo. Vai que ele vem rodando Vista? Ou pior, Silverlight?</em></span></span></li>
<li><span style="color: #ff6600;"><span style="font-family: georgia,palatino;"><em>Eu não sabia que o assunto mais importante do meu país era a dieta.</em></span></span></li>
<li><span style="color: #ff6600;"><span style="font-family: georgia,palatino;"><em>Eu presto. Não posso dizer o mesmo de meus pensamentos.</em></span></span></li>
<li><span style="color: #ff6600;"><span style="font-family: georgia,palatino;"><em>Eu tinha uma coisa boa pra falar da Microsoft mas esqueci o que era&#8230; Ah, lembrei! Deixa, não era da Microsoft, me confundi.</em></span></span></li>
<li><span style="color: #ff6600;"><span style="font-family: georgia,palatino;"><em>Existem serviços 3G que deveriam ser chamados de G/3.</em></span></span></li>
<li><span style="color: #ff6600;"><span style="font-family: georgia,palatino;"><em>Falam que a nova geração é desfocada e perdida. No entanto ela produz mais que a geração anterior. Qual é a desculpa dos velhos?</em></span></span></li>
<li><span style="color: #ff6600;"><span style="font-family: georgia,palatino;"><em>Faltam 4 horas e 28 dias pra acabar o expediente.</em></span></span></li>
<li><span style="color: #ff6600;"><span style="font-family: georgia,palatino;"><em>Freud já explicava: o corpo e o outro sempre causaram desespero.</em></span></span></li>
<li><span style="color: #ff6600;"><span style="font-family: georgia,palatino;"><em>Fui picado por uma abelha em um restaurante natural. Confesso que esperava uma demonstração de brandlove e brand equity mais amigável.</em></span></span></li>
<li><span style="color: #ff6600;"><span style="font-family: georgia,palatino;"><em>Gente que só tem dinheiro costuma se chocar com gente que absolutamente não liga para ele.</em></span></span></li>
<li><span style="color: #ff6600;"><span style="font-family: georgia,palatino;"><em>Geração Z é geração ctrl-Z.</em></span></span></li>
<li><span style="color: #ff6600;"><span style="font-family: georgia,palatino;"><em>Gosto é sinal de critério. Critério é sinal de cultura. Ela precisa ser desenvolvida e desafiada em quem não a tem. Isso é tarefa sua.</em></span></span></li>
<li><span style="color: #ff6600;"><span style="font-family: georgia,palatino;"><em>Homem não tem TPM. Quando se comporta mal é porque é escroto mesmo.</em></span></span></li>
<li><span style="color: #ff6600;"><span style="font-family: georgia,palatino;"><em>Identidades digitais e pornografia são experiências pragmáticas. Usadas quando desejadas,  descartadas sem compromisso com o outro.</em></span></span></li>
<li><span style="color: #ff6600;"><span style="font-family: georgia,palatino;"><em>Ignorância é uma bênção. Pelo menos para futebol, religião, política e 10.000 feeds não lidos.</em></span></span></li>
<li><span style="color: #ff6600;"><span style="font-family: georgia,palatino;"><em>Inacreditável que ainda haja tanta gente que leva ópera mais a sério que videogames.</em></span></span></li>
<li><span style="color: #ff6600;"><span style="font-family: georgia,palatino;"><em>Inovação no Japão é como Tsunami ou Godzilla: cedo ou tarde chega até você.</em></span></span></li>
<li><span style="color: #ff6600;"><span style="font-family: georgia,palatino;"><em>Inteligência é compreensão. Tão simples quanto difícil de praticar.</em></span></span></li>
<li><span style="color: #ff6600;"><span style="font-family: georgia,palatino;"><em>Ironia dos self-made (wo)men: se você é o único responsável por seu sucesso, deve ser o único culpado por estar mal?</em></span></span></li>
<li><span style="color: #ff6600;"><span style="font-family: georgia,palatino;"><em>Isaac Newton uscambau. Hoje consegui estar em dois lugares e meio ao mesmo tempo.</em></span></span></li>
<li><span style="color: #ff6600;"><span style="font-family: georgia,palatino;"><em>Já passei da idade de ter inferno astral.</em></span></span></li>
<li><span style="color: #ff6600;"><span style="font-family: georgia,palatino;"><em>Lei de Moore aplicada ao Marketing: a cada 18 meses os diretores são trocados por outros, menores em competência e alcance.</em></span></span></li>
<li><span style="color: #ff6600;"><span style="font-family: georgia,palatino;"><em>Mailbox é como barriga: ignorada quando pequena, desesperadora quando escapa do controle.</em></span></span></li>
<li><span style="color: #ff6600;"><span style="font-family: georgia,palatino;"><em>Manhãs de domingo são tão deliciosamente tranqüilas que deveriam começar mais tarde, assim mais gente aproveitaria.</em></span></span></li>
<li><span style="color: #ff6600;"><span style="font-family: georgia,palatino;"><em>Mas&#8230; Se eu fizer esse job na brodagem quem vai pagar o Jack Daniel&#8217;s das crianças?</em></span></span></li>
<li><span style="color: #ff6600;"><span style="font-family: georgia,palatino;"><em>Me surpreende a incapacidade que as pessoas têm em abrir mão do controle, deixar fluir e compreender o hoje.</em></span></span></li>
<li><span style="color: #ff6600;"><span style="font-family: georgia,palatino;"><em>Metrossexual é aquele cara que tem uma necessaire maior que a sua.</em></span></span></li>
<li><span style="color: #ff6600;"><span style="font-family: georgia,palatino;"><em>Meu corpo parece estar programado para funcionar no fuso horário da Ilha de Páscoa: deitar às 2 da manhã e acordar às 10.</em></span></span></li>
<li><span style="color: #ff6600;"><span style="font-family: georgia,palatino;"><em>&#8220;Meu bem, será que eu sou um daqueles artistas neuróticos?&#8221; / &#8220;Não, amor, você não é artista.&#8221;</em></span></span></li>
<li><span style="color: #ff6600;"><span style="font-family: georgia,palatino;"><em>Meu humor tem estado ótimo. Deve ser porque minha paciência tem estado curtíssima.</em></span></span></li>
<li><span style="color: #ff6600;"><span style="font-family: georgia,palatino;"><em>Minha lista para 2010 é uma de compras.</em></span></span></li>
<li><span style="color: #ff6600;"><span style="font-family: georgia,palatino;"><em>Morra, Inbox, morra!</em></span></span></li>
<li><span style="color: #ff6600;"><span style="font-family: georgia,palatino;"><em>Muito empresário com plano de dominação global mais me lembra o Cebolinha que o Steve Jobs.</em></span></span></li>
<li><span style="color: #ff6600;"><span style="font-family: georgia,palatino;"><em>Muitos livros de “negócios” americanos caem na categoria “300&#215;5”: têm 300 páginas que caberiam em 5.</em></span></span></li>
<li><span style="color: #ff6600;"><span style="font-family: georgia,palatino;"><em>Na tarde de sexta, parece que todos os demônios estão em happy-hour.</em></span></span></li>
<li><span style="color: #ff6600;"><span style="font-family: georgia,palatino;"><em>Nada mais século XX do que se dizer do século XXI.</em></span></span></li>
<li><span style="color: #ff6600;"><span style="font-family: georgia,palatino;"><em>Não acredito em guarda-chuvas.</em></span></span></li>
<li><span style="color: #ff6600;"><span style="font-family: georgia,palatino;"><em>Não culpe sua segunda-feira ruim só porque seu fim de semana foi ótimo.</em></span></span></li>
<li><span style="color: #ff6600;"><span style="font-family: georgia,palatino;"><em>Não entendo por que tanta gente acha que não responder é sinônimo de responder &#8220;não&#8221;.</em></span></span></li>
<li><span style="color: #ff6600;"><span style="font-family: georgia,palatino;"><em>Não existe trabalho gratuito: você GANHA ou PAGA para trabalhar. Se for a segunda opção, precisa valer muito a pena.</em></span></span></li>
<li><span style="color: #ff6600;"><span style="font-family: georgia,palatino;"><em>&#8220;Não me leve a mal, mas o que é FAX?!?&#8221;</em></span></span></li>
<li><span style="color: #ff6600;"><span style="font-family: georgia,palatino;"><em>Não passa dia sem que um mané venha dar uma de migué e me convidar pra falar degrátis num evento fechado, cobrado e desconhecido.</em></span></span></li>
<li><span style="color: #ff6600;"><span style="font-family: georgia,palatino;"><em>Não sei como eu consigo dar conta. O pior é que eu sempre dou conta. Deve ser por isso que não aprendo.</em></span></span></li>
<li><span style="color: #ff6600;"><span style="font-family: georgia,palatino;"><em>Não sou desapegado; sou Franciscano. Dos meus bens, o que mais valorizo é o conhecimento. E a melhor forma de acumulá-lo é compartilhá-lo.</em></span></span></li>
<li><span style="color: #ff6600;"><span style="font-family: georgia,palatino;"><em>Ninguém leva a sério as novas tecnologias até o momento em que não seja mais possível ignorá-las.</em></span></span></li>
<li><span style="color: #ff6600;"><span style="font-family: georgia,palatino;"><em>No ambiente digital, a Lei de Murphy vale mais e funciona melhor que a Lei de Moore.</em></span></span></li>
<li><span style="color: #ff6600;"><span style="font-family: georgia,palatino;"><em>No futuro, nos lembraremos do Office com o mesmo carinho daqueles que se lembram de cartões perfurados.</em></span></span></li>
<li><span style="color: #ff6600;"><span style="font-family: georgia,palatino;"><em>No mundo mágico dos eventos e crachás a linha do decote fica um palmo abaixo (e todos dão uma olhadela).</em></span></span></li>
<li><span style="color: #ff6600;"><span style="font-family: georgia,palatino;"><em>No que diz respeito às novas tecnologias, chamar alguém de nostálgico, entusiasta, burocrata ou preguiçoso pode ser sinônimo.</em></span></span></li>
<li><span style="color: #ff6600;"><span style="font-family: georgia,palatino;"><em>No que você está pensando exatamente AGORA? Faço a pergunta porque me peguei estranhamente pensando em placas tectônicas.</em></span></span></li>
<li><span style="color: #ff6600;"><span style="font-family: georgia,palatino;"><em>No ritmo em que a demanda cresce, daqui a pouco alguém sugere a mudança do dia do trabalho para 24/7.</em></span></span></li>
<li><span style="color: #ff6600;"><span style="font-family: georgia,palatino;"><em>Nós Brasileiros temos cultura verbal. Os britânicos têm histórico literal e os holandeses, visual. Faz uma enorme diferença, cada um na sua.</em></span></span></li>
<li><span style="color: #ff6600;"><span style="font-family: georgia,palatino;"><em>O bom de quarta ser sexta é que o trabalho de domingo é feito na quinta e o de sábado na sexta, entendeu? Como não?</em></span></span></li>
<li><span style="color: #ff6600;"><span style="font-family: georgia,palatino;"><em>O dia em a mulherada tomar anticoncepcional homeopático eu passo a acreditar.</em></span></span></li>
<li><span style="color: #ff6600;"><span style="font-family: georgia,palatino;"><em>O futuro é igual ao presente, tirado dele as coisas que não fazem sentido.</em></span></span></li>
<li><span style="color: #ff6600;"><span style="font-family: georgia,palatino;"><em>O gênio que inventou música ao vivo em pizzaria não tem família. Ou merece a família que tem.</em></span></span></li>
<li><span style="color: #ff6600;"><span style="font-family: georgia,palatino;"><em>O grupo de alunos &#8220;geniais&#8221; do Centro Acadêmico apresentou uma nova categoria de manifesto: o abaixo não-assinado.</em></span></span></li>
<li><span style="color: #ff6600;"><span style="font-family: georgia,palatino;"><em>O melhor exemplo de movimento caótico-browniano que conheço está nas crianças que escapam das mãos de suas mães.</em></span></span></li>
<li><span style="color: #ff6600;"><span style="font-family: georgia,palatino;"><em>O mercado digital está empanturrado de jargão. Você sinceramente acha que vai impressionar seu cliente com MAIS UM termo?</em></span></span></li>
<li><span style="color: #ff6600;"><span style="font-family: georgia,palatino;"><em>O objetivo de qualquer tecnologia é tornar-se invisível, feito energia, telefonia ou saneamento.</em></span></span></li>
<li><span style="color: #ff6600;"><span style="font-family: georgia,palatino;"><em>O playba engomadinho é mais autêntico que o neo-hippie que acha cult ir pra perifa.</em></span></span></li>
<li><span style="color: #ff6600;"><span style="font-family: georgia,palatino;"><em>O que as pessoas fazem com 3&#215;4?</em></span></span></li>
<li><span style="color: #ff6600;"><span style="font-family: georgia,palatino;"><em>O que se vangloria de sua origem humilde é tão arrogante quanto quem se vangloria de sua origem rica ou estrangeira.</em></span></span></li>
<li><span style="color: #ff6600;"><span style="font-family: georgia,palatino;"><em>O TRABALHO é um eterno retweeting. A vida é um eterno follow, com hashtags no caminho e de vez em quando unfollows e blocks.</em></span></span></li>
<li><span style="color: #ff6600;"><span style="font-family: georgia,palatino;"><em>O twitter evidencia o lado sarcástico, incisivo, fulminante e sintético da mensagem entredentes.</em></span></span></li>
<li><span style="color: #ff6600;"><span style="font-family: georgia,palatino;"><em>O Twitter faz um desserviço à causa das baleias.</em></span></span></li>
<li><span style="color: #ff6600;"><span style="font-family: georgia,palatino;"><em>Ontem tive uma reunião em que duas pessoas não paravam de falar. Imagino como seria uma conversa entre bons ouvintes.</em></span></span></li>
<li><span style="color: #ff6600;"><span style="font-family: georgia,palatino;"><em>Os comerciais de automóveis passaram a copiar a misoginia dos de perfume.</em></span></span></li>
<li><span style="color: #ff6600;"><span style="font-family: georgia,palatino;"><em>Os dados que vêm da China se dividem em duas categorias: os impressionantes e os inacreditáveis.</em></span></span></li>
<li><span style="color: #ff6600;"><span style="font-family: georgia,palatino;"><em>Os produtos da Microsoft, se fossem crianças, estariam de castigo, pois bagunçam o ambiente e esquecem o que foi dito há 5 minutos.</em></span></span></li>
<li><span style="color: #ff6600;"><span style="font-family: georgia,palatino;"><em>Os que se definem pelo que foram são tão indecisos e inseguros quanto os que se definem pelo que não são.</em></span></span></li>
<li><span style="color: #ff6600;"><span style="font-family: georgia,palatino;"><em>Países estrangeiros, como praias, são bons para visitar. Até dá vontade, mas são péssimos para se morar. Exceções reforçam a regra.</em></span></span></li>
<li><span style="color: #ff6600;"><span style="font-family: georgia,palatino;"><em>Para a Pfizer, “saúde do homem” e virilidade são sinônimos. E eles fabricam remédio pra câncer.</em></span></span></li>
<li><span style="color: #ff6600;"><span style="font-family: georgia,palatino;"><em>Perfume &#8220;de verão&#8221;, cerveja &#8220;americana&#8221; e café &#8220;carioca&#8221;: três sinônimos de &#8220;aguado&#8221;</em></span></span></li>
<li><span style="color: #ff6600;"><span style="font-family: georgia,palatino;"><em>&#8220;Perdão pelo atraso, chefe. Peguei o maior trânsito entre meu cobertor e a porta da rua&#8221;.</em></span></span></li>
<li><span style="color: #ff6600;"><span style="font-family: georgia,palatino;"><em>Perguntar aos leitores o que esperam para a pauta não é colaboração, mas insegurança.</em></span></span></li>
<li><span style="color: #ff6600;"><span style="font-family: georgia,palatino;"><em>Placas tectônicas!</em></span></span></li>
<li><span style="color: #ff6600;"><span style="font-family: georgia,palatino;"><em>Pestes bubônicas. Peças sinfônicas. Plantas Maçônicas. Praças harmônicas. Pragas das Mônicas. Ai, placas tectônicas.</em></span></span></li>
<li><span style="color: #ff6600;"><span style="font-family: georgia,palatino;"><em>Plantas são felizes porque são surdas.</em></span></span></li>
<li><span style="color: #ff6600;"><span style="font-family: georgia,palatino;"><em>Pobres dos que confundem ironia fina com arrogância esnobe.</em></span></span></li>
<li><span style="color: #ff6600;"><span style="font-family: georgia,palatino;"><em>Por que aqules que trabalham em empresas querem ser consultores e vice-versa?</em></span></span></li>
<li><span style="color: #ff6600;"><span style="font-family: georgia,palatino;"><em>Por que as pessoas que A-DO-RAM inovação são as mesmas que ODEIAM que alguém lhes diga que estão erradas?</em></span></span></li>
<li><span style="color: #ff6600;"><span style="font-family: georgia,palatino;"><em>Por que bancos acreditam que a espera telefônica, momento que o cliente nutre o mais profundo ódio, é lugar de mídia?!?</em></span></span></li>
<li><span style="color: #ff6600;"><span style="font-family: georgia,palatino;"><em>Por que clientes marcam reuniões à 9 da manhã justo naqueles dias que seu carro está no rodízio?</em></span></span></li>
<li><span style="color: #ff6600;"><span style="font-family: georgia,palatino;"><em>&#8220;Por que nerds se vestem de preto?&#8221; Pelos mesmos motivos das mulheres: 10% de informação, 25% de preguiça e 65% pra esconder a barriga.</em></span></span></li>
<li><span style="color: #ff6600;"><span style="font-family: georgia,palatino;"><em>Por que o brasileiro é tão diferente do português e tão parecido com o italiano?</em></span></span></li>
<li><span style="color: #ff6600;"><span style="font-family: georgia,palatino;"><em>Por que todo estudante de comunicação precisa gostar de músicas com mais que o dobro de sua idade?</em></span></span></li>
<li><span style="color: #ff6600;"><span style="font-family: georgia,palatino;"><em>Praga: sempre que você for trabalhar em uma cafeteria vai aparecer um mané falando alto pra burro na mesa do lado.</em></span></span></li>
<li><span style="color: #ff6600;"><span style="font-family: georgia,palatino;"><em>Quando dizem &#8220;alinhamento internacional&#8221; querem dizer &#8220;uma porcaria de propaganda, não importa a língua”.</em></span></span></li>
<li><span style="color: #ff6600;"><span style="font-family: georgia,palatino;"><em>Quando você acha que nada mais pode te acontecer, alguém perto emite um &#8220;#@&lt;«\f£¥€RRRRÉLLOUMMMOTTOO!&#8221;.</em></span></span></li>
<li><span style="color: #ff6600;"><span style="font-family: georgia,palatino;"><em>Quando você parou de dar importância à política? À religião? Foi quando a informação se pulverizou?</em></span></span></li>
<li><span style="color: #ff6600;"><span style="font-family: georgia,palatino;"><em>Quanto mais chique a recepção, pior o porteiro.</em></span></span></li>
<li><span style="color: #ff6600;"><span style="font-family: georgia,palatino;"><em>Que mal fiz eu aos deuses todos para estar acordado a essa hora? (válido para as próximas 3 horas) 5:23 AM</em></span></span></li>
<li><span style="color: #ff6600;"><span style="font-family: georgia,palatino;"><em>Quem compra carro cinza para ter valor de revenda me parece quem casa pensando no divórcio.</em></span></span></li>
<li><span style="color: #ff6600;"><span style="font-family: georgia,palatino;"><em>Quem tem de ser demitido não é o imbecil que trabalha pra você, mas o idiota que o contratou.</em></span></span></li>
<li><span style="color: #ff6600;"><span style="font-family: georgia,palatino;"><em>Quem upa, gugleia, tuíta, xareia e fotoxópa ruleia?</em></span></span></li>
<li><span style="color: #ff6600;"><span style="font-family: georgia,palatino;"><em>Quem zipa, atácha, foruárda, emeia depois deleta é quase tão velho quanto quem zapeia porque não sabe daunloudar =D</em></span></span></li>
<li><span style="color: #ff6600;"><span style="font-family: georgia,palatino;"><em>Querido cliente: você já tomou o seu remedinho hoje? Não, por nada&#8230; Só queria ter certeza&#8230;</em></span></span></li>
<li><span style="color: #ff6600;"><span style="font-family: georgia,palatino;"><em>Recebi mais um e-mail com aquele rodapé que me fala para pensar no meio ambiente. Alguém ainda imprime e-mail?</em></span></span></li>
<li><span style="color: #ff6600;"><span style="font-family: georgia,palatino;"><em>Reunião com o cliente (ou o chefe) é sempre uma troca de idéias: você propõe as suas e sai com as dele.</em></span></span></li>
<li><span style="color: #ff6600;"><span style="font-family: georgia,palatino;"><em>Reuniões ficam melhores quando se percebe que as pessoas não as freqüentam pra resolver problemas, mas pra estabelecer relações de poder.</em></span></span></li>
<li><span style="color: #ff6600;"><span style="font-family: georgia,palatino;"><em>Revista Veja: uma pá de cal na reputação a cada edição.</em></span></span></li>
<li><span style="color: #ff6600;"><span style="font-family: georgia,palatino;"><em>Revolução? Apocalipse? Placas tectônicas? Honduras? Ahh&#8230; Não, esquece. Foi o Curintcha que ganhou algo.</em></span></span></li>
<li><span style="color: #ff6600;"><span style="font-family: georgia,palatino;"><em>Rubens Ricúpero é, para mim, o melhor exemplo de alguém que foi demitido pelo Twitter, 10 anos antes.</em></span></span></li>
<li><span style="color: #ff6600;"><span style="font-family: georgia,palatino;"><em>Salvando o mundo antes do café da manhã. Raios, isso acaba com o meu estômago.</em></span></span></li>
<li><span style="color: #ff6600;"><span style="font-family: georgia,palatino;"><em>São Paulo é um lugar excelente para se trabalhar. Em casa.</em></span></span></li>
<li><span style="color: #ff6600;"><span style="font-family: georgia,palatino;"><em>São Pedro poderia se dar melhor com São Paulo.</em></span></span></li>
<li><span style="color: #ff6600;"><span style="font-family: georgia,palatino;"><em>Se daqui a 15 anos seus filhos perguntarem se você fazia Banners, seeding ou e-mail marketing, responda, indignado, que você não era desses.</em></span></span></li>
<li><span style="color: #ff6600;"><span style="font-family: georgia,palatino;"><em>Se existissem 10 níveis de Undo no mundo real, acredito que hoje eu já teria feito 11 erros.</em></span></span></li>
<li><span style="color: #ff6600;"><span style="font-family: georgia,palatino;"><em>Se Mahatma Gandhi estivesse vivo, ele: (a) falaria no TED; (b) faria palestras; ou (c) teria um bolg que todos citam e ninguém lê?</em></span></span></li>
<li><span style="color: #ff6600;"><span style="font-family: georgia,palatino;"><em>Se o Twitter fosse inventado por executivos de multinacionais ou funcionarios públicos ainda não estaria pronto.</em></span></span></li>
<li><span style="color: #ff6600;"><span style="font-family: georgia,palatino;"><em>Sempre que estou para me esquecer do cheiro de cigarros surge alguém, muito solícito, pra me lembrar =[</em></span></span></li>
<li><span style="color: #ff6600;"><span style="font-family: georgia,palatino;"><em>Sempre que pedirem idéias &#8220;web 3.0&#8243;, entregue uma 2.0 e cobre 50% a mais. Ou uma 1.0 e cobre o triplo. Quem pediu merece.</em></span></span></li>
<li><span style="color: #ff6600;"><span style="font-family: georgia,palatino;"><em>Seu pc virou do avesso: Intel Inside virou Google Outside.</em></span></span></li>
<li><span style="color: #ff6600;"><span style="font-family: georgia,palatino;"><em>Sexta-feira estressada? Teu chefe te ferra? Mil reuniões e relatórios? Pensamento do dia: Matrix, em &#8220;there is no spoon&#8221;.</em></span></span></li>
<li><span style="color: #ff6600;"><span style="font-family: georgia,palatino;"><em>Slides devem ser usados como apoio ao palestrante, não o contrário.</em></span></span></li>
<li><span style="color: #ff6600;"><span style="font-family: georgia,palatino;"><em>Sua relevância no Twitter não é medida pelo número de seguidores ou índice de rts, mas pelo quanto você se preocupa com isso.</em></span></span></li>
<li><span style="color: #ff6600;"><span style="font-family: georgia,palatino;"><em>Tem dias que não dá vontade de voltar pra barriga da mãe, mas pro espermatozóide do pai. E chegar em terceiro. Ou sexto.</em></span></span></li>
<li><span style="color: #ff6600;"><span style="font-family: georgia,palatino;"><em>Tem repórter que parece sogra.</em></span></span></li>
<li><span style="color: #ff6600;"><span style="font-family: georgia,palatino;"><em>Temo que os carros da Marginal Pinheiros pulem 7 ondinhas antes do réveillon.</em></span></span></li>
<li><span style="color: #ff6600;"><span style="font-family: georgia,palatino;"><em>Toda uninimidade é burra, embora algumas dissonâncias sejam ainda mais burras.</em></span></span></li>
<li><span style="color: #ff6600;"><span style="font-family: georgia,palatino;"><em>Todos que querem ser geniais e ranzinzas feito o Dr. House normalmente só conseguem se tornar a segunda metade do perfil.</em></span></span></li>
<li><span style="color: #ff6600;"><span style="font-family: georgia,palatino;"><em>Twitter: coleção de comentários entredentes. Espirituosos, resmungões ou inconvenientes, devem ser pronunciados baixinho.</em></span></span></li>
<li><span style="color: #ff6600;"><span style="font-family: georgia,palatino;"><em>Um Fusca é um clássico. Um Porsche também. Um que tente ser o outro é só ridículo.</em></span></span></li>
<li><span style="color: #ff6600;"><span style="font-family: georgia,palatino;"><em>Um homem normal tem a concentração de uma lata de cerveja.</em></span></span></li>
<li><span style="color: #ff6600;"><span style="font-family: georgia,palatino;"><em>Um mundo de abundância é um mundo de escolhas. Quando praticamente tudo é possível, o que faz a diferença não é o volume, mas o critério.</em></span></span></li>
<li><span style="color: #ff6600;"><span style="font-family: georgia,palatino;"><em>Unileverização (adj.) Ato ou efeito de portar-se como se trabalhasse uniformizado em pensamentos, roupas, termos e atos. Ver Microsoftização.</em></span></span></li>
<li><span style="color: #ff6600;"><span style="font-family: georgia,palatino;"><em>Usam uma lâmpada para falar de inspiração, mas não mostram de onde vem a eletricidade.</em></span></span></li>
<li><span style="color: #ff6600;"><span style="font-family: georgia,palatino;"><em>Vejo alguns figurinos na ECA e me espanto como certas peças de vestuário continuam as mesmas 40 anos depois&#8230;</em></span></span></li>
<li><span style="color: #ff6600;"><span style="font-family: georgia,palatino;"><em>Você já recitou o mantra pós-moderno &#8211; o que diz: &#8220;aitôferradotôferradotôferrado&#8221; &#8211; hoje? Ainda não? O dia é longo&#8230;</em></span></span></li>
<li><span style="color: #ff6600;"><span style="font-family: georgia,palatino;"><em>Você percebe que está cansado quando sua cama soa mais atrativa que Paris ou Ubatuba.</em></span></span></li>
<li><span style="color: #ff6600;"><span style="font-family: georgia,palatino;"><em>Windows Mobile é a Junk Food dos sistemas operacionais: quebra-galho, tóxica e de difícil assimilação.</em></span></span></li>
</ol>
<img src="http://www.luli.com.br/admin/?ak_action=api_record_view&id=2935&type=feed" alt="" /><img src="http://feeds.feedburner.com/~r/radfahrer/~4/zRoZ6apPAWA" height="1" width="1"/>]]></content:encoded>
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		<title>Sedução, interpretação e tecnologias</title>
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		<pubDate>Fri, 18 Dec 2009 10:15:27 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Radfahrer</dc:creator>
				<category><![CDATA[Cultura Digital]]></category>
		<category><![CDATA[Design]]></category>
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		<description><![CDATA[
Com a correria de final de ano acabei me esquecendo de postar aqui alguns artigos escritos para a Revista Webdesign que, com mais de seis meses de idade cada, já venceram a quarentena. Inundo vocês, então, com três textos &#8211; que, na falta de um especial adequado analisando a mudança do cenário neste ano (incluindo [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><img title="Maratona" src="http://prometheus.med.utah.edu/~bwjones/C1276349108/E347011287/Media/Salt%20Lake%20Marathon%20start.jpg" alt="Maratona" width="450" height="284" /></p>
<p>Com a correria de final de ano acabei me esquecendo de postar aqui alguns artigos escritos para a <a href="http://www.revistawebdesign.com.br/index.php/" target="_blank">Revista Webdesign</a> que, com mais de seis meses de idade cada, já venceram a quarentena. Inundo vocês, então, com três textos &#8211; que, na falta de um especial adequado analisando a mudança do cenário neste ano (incluindo o novo hábito de transmitir tudo &#8220;ao vivo&#8221;) pelo menos compensam a morosidade deste blog com muita coisa para ler &#8211; e, com sorte, talvez até uma ou outra coisa para se pensar.</p>
<p>São eles:</p>
<p><object classid="clsid:d27cdb6e-ae6d-11cf-96b8-444553540000" width="425" height="344" codebase="http://download.macromedia.com/pub/shockwave/cabs/flash/swflash.cab#version=6,0,40,0"><param name="allowFullScreen" value="true" /><param name="allowscriptaccess" value="always" /><param name="src" value="http://www.youtube.com/v/FUJXms4vWa0&amp;hl=en_US&amp;fs=1&amp;" /><param name="allowfullscreen" value="true" /><embed type="application/x-shockwave-flash" width="425" height="344" src="http://www.youtube.com/v/FUJXms4vWa0&amp;hl=en_US&amp;fs=1&amp;" allowscriptaccess="always" allowfullscreen="true"></embed></object></p>
<p><span style="color: #ff6600;"><em><strong><a href="http://www.luli.com.br/textos/artigos-revista-webdesign/foi-bom-pra-voce-tambem-meu-bem/" target="_blank">Foi bom pra você também, meu bem?</a></strong></em></span> <em><span style="color: #ff6600;">(Abril) </span></em>- por mais que todo mundo procure satisfação, a sensação que se tem quando ela é atingida não parece compensar o esforço. Já com sedução a história é completamente diferente, e parece nunca ter fim. Sedução e satisfação se complementam e são interdependentes.</p>
<p style="text-align: center;"><img class="aligncenter" title="Rosetta" src="http://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/b/bf/Rosetta_Stone.jpg" alt="Rosetta" width="365" height="530" /></p>
<p><span style="color: #ff6600;"><em><strong><a href="http://www.luli.com.br/textos/artigos-revista-webdesign/ver-e-interpretar/" target="_blank">Ver é Interpretar</a> </strong></em></span><span style="color: #ff6600;"><em>(Maio) -</em></span> Os objetos e situações demandam uma interpretação subjetiva que, por mais trabalhosa que seja, costuma levar a uma maior compreensão e preparação para o ambiente que nos cerca. O processo de se ver e prestar atenção estabelece o lugar do leitor com relação ao mundo que o cerca. O conhecimento nunca se encaixa perfeitamente na visão.</p>
<p style="text-align: center;"><img class="aligncenter" title="Disco" src="http://blog.makezine.com/_wikipedia_commons_thumb_b_b1_Vinyl_record_LP_10inch.JPG_800px-Vinyl_record_LP_10inch.jpg" alt="Disco" width="450" height="338" /></p>
<p><em><a href="http://www.luli.com.br/textos/artigos-revista-webdesign/sobre-papel-discos-de-vinil-e-outras-tecnologias-avancadas/" target="_blank">Sobre papel, discos de vinil e outras tecnologias avançadas</a></em><span style="color: #ff6600;"><em><strong> </strong></em></span><span style="color: #ff6600;"><em>(Junho) -</em></span> Este é o meu predileto. Mostra como não se deve abraçar uma nova tecnologia antes de se examinar cuidadosamente se as que a antecederam foram completamente superadas.</p>
<p>Boa leitura.</p>
<img src="http://www.luli.com.br/admin/?ak_action=api_record_view&id=2956&type=feed" alt="" /><img src="http://feeds.feedburner.com/~r/radfahrer/~4/hy37UoOUYSM" height="1" width="1"/>]]></content:encoded>
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		<item>
		<title>Intranets e ferramentas colaborativas</title>
		<link>http://feedproxy.google.com/~r/radfahrer/~3/7yWD2IZiHG8/</link>
		<comments>http://www.luli.com.br/2009/12/08/intranets-e-ferramentas-colaborativas/#comments</comments>
		<pubDate>Tue, 08 Dec 2009 14:39:52 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Radfahrer</dc:creator>
				<category><![CDATA[Carreira]]></category>
		<category><![CDATA[Design]]></category>
		<category><![CDATA[Inovação]]></category>

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		<description><![CDATA[
Yammer: Twitter para empresas.
No começo deste ano me vi envolvido em uma consultoria de imersão para uma empresa do Oriente médio, que me pediu uma análise de Intranets e ferramentas colaborativas. Não foi um trabalho fácil, pois tive que buscar o que as empresas diziam de si mesmas em seus sites, blogs e para a [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: center;"><a href="http://www.luli.com.br/admin/wp-content/uploads/2009/12/yammer.jpg"><img class="size-full wp-image-2933 aligncenter" title="yammer" src="http://www.luli.com.br/admin/wp-content/uploads/2009/12/yammer.jpg" alt="yammer" width="450" height="217" /></a></p>
<p style="text-align: center;"><a href="https://www.yammer.com/" target="_blank">Yammer</a>: Twitter para empresas.</p>
<p style="text-align: left;">No começo deste ano me vi envolvido em uma consultoria de imersão para uma empresa do Oriente médio, que me pediu uma análise de Intranets e ferramentas colaborativas. Não foi um trabalho fácil, pois tive que buscar o que as empresas diziam de si mesmas em seus sites, blogs e para a imprensa. Contei também com o trabalho de algumas consultorias grandes e com a convicção, cada vez mais difundida, que informação deve ser trocada. O resultado do estudo, naturalmente, ficou com o cliente. Mas algumas conclusões podem ser compartilhadas, porque são de senso comum. Escrevi algumas <a href="http://www.luli.com.br/textos/artigos-revista-webdesign/a-rede-invisivel/" target="_blank">neste artigo</a> da <a href="http://www.revistawebdesign.com.br/index.php/" target="_blank">Revista Webdesign</a>. Se você é um designer à procura de uma oportunidade ou se você trabalha em uma empresa cuja rede interna é precária (ou seja, todas), acredito que sua leitura possa ajudar.</p>
<img src="http://www.luli.com.br/admin/?ak_action=api_record_view&id=2931&type=feed" alt="" /><img src="http://feeds.feedburner.com/~r/radfahrer/~4/7yWD2IZiHG8" height="1" width="1"/>]]></content:encoded>
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		<item>
		<title>Gigatendências, parte III: zoom out</title>
		<link>http://feedproxy.google.com/~r/radfahrer/~3/2BrtCDT_F7k/</link>
		<comments>http://www.luli.com.br/2009/12/08/gigatendencias-parte-iii-zoom-out/#comments</comments>
		<pubDate>Tue, 08 Dec 2009 12:49:00 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Radfahrer</dc:creator>
				<category><![CDATA[Cultura Digital]]></category>
		<category><![CDATA[Inovação]]></category>
		<category><![CDATA[Tendências]]></category>

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		<description><![CDATA[Internet não é evolução, mas retomada. Pelo menos a &#8220;nova&#8221; Internet, que muitos ainda teimam em chamar de webdois. A maioria do que se fala em inovação, gadgets, widgets e outras traquitanas e mandracarias diz respeito a uma relação mais direta com a informação e as pessoas, cada vez com menos intermediários visíveis.
Antigamente era preciso [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><strong><a href="http://www.luli.com.br/admin/wp-content/uploads/2009/12/feira.jpg"><img class="aligncenter size-full wp-image-2896" title="feira" src="http://www.luli.com.br/admin/wp-content/uploads/2009/12/feira.jpg" alt="feira" width="450" height="289" /></a><span style="color: #ff6600;">Internet não é evolução, mas retomada.</span> </strong>Pelo menos a &#8220;nova&#8221; Internet, que muitos ainda teimam em chamar de webdois. A maioria do que se fala em inovação, gadgets, widgets e outras traquitanas e mandracarias diz respeito a uma relação mais direta com a informação e as pessoas, cada vez com menos intermediários visíveis.</p>
<p><a href="http://www.luli.com.br/admin/wp-content/uploads/2009/12/tempo.jpg"><img class="alignleft size-full wp-image-2897" title="tempo" src="http://www.luli.com.br/admin/wp-content/uploads/2009/12/tempo.jpg" alt="tempo" width="160" height="210" /></a>Antigamente era preciso olhar o céu, cheirar o ar ou sentir uma pontada em algum osso para perceber que o tempo estava para mudar. Hoje a tela do celular traz a mesma informação. Brevemente não será preciso olhar para lugar algum, pois as <a href="http://info.abril.com.br/noticias/ciencia/nanotecnologia-made-in-brazil-24082009-26.shl?2" target="_blank">roupas</a> e o ambiente se moldarão às mudanças. Ganha-se em precisão, perde-se no aumento da dependência. No meio-termo entre estes dois estados surgiram várias próteses &#8211; rádio, <a href="http://www.tetongravity.com/forums/attachment.php?attachmentid=9881&amp;stc=1&amp;d=1138375472" target="_blank">TV</a>, jornais &#8211; que invadiam as casas, determinando um hábito e um discurso, que hoje está em seus últimos capítulos.</p>
<p>Livros, mídia, publicidade, computadores, relógios&#8230; todos tiveram um papel muito importante na divulgação de idéias e no acesso ao conhecimento de outras épocas e países. Hoje seus esqueletos são estruturas desengonçadas, roupas curtas demais, fósseis que resistem a uma mudança tão poderosa quanto rápida e indiscutível. A digitalização, como a chegada do inverno, acontece aos poucos, quase imperceptível, até que não seja possível negá-la.</p>
<p style="text-align: center;"><img class="aligncenter" title="resistência" src="http://oglobo.globo.com/fotos/2007/12/26/26_MHG_justus.jpg" alt="resistência" width="450" height="288" /></p>
<p style="text-align: left;">Quem resiste a ela parece usuário de Botox, que prefere ter um rosto plastificado e inexpressivo a admitir que está, inevitavelmente, mais velho. Seus argumentos, cada vez mais rasos, se apóiam em uma ou outra particularidade tecnológica que será rapidamente eliminada &#8211; e que, no fundo, está longe de ser o motivo real. Na época da Internet movida a Modem, muitos dos que se queixavam de sua lentidão não sabiam para que a queriam mais rápida. Quando a banda larga se tornou habitual, os mesmos que reclamavam da lerdeza passaram a questionar o excesso de informação, a falta de foco, o ruído e outras evidências de uma tal &#8220;<a href="http://literaturas.blogs.sapo.pt/75346.html" target="_blank">falência dos costumes</a>&#8220;.</p>
<p style="text-align: left;">Sim, ainda é mais confortável ler um jornal de papel, brincar com o controle remoto da TV da sala, usar um relógio no pulso ou como despertador, escrever um texto com teclado e mouse. Da mesma forma que já foi prático e eficiente mandar telegramas, viajar a cavalo, ouvir radionovelas, colecionar discos de vinil, ver DVDs, surfar em pranchas de madeira e fazer a barba com navalhas. O apego por tecnologias verdadeiramente ultrapassadas &#8211; como o fotolito para off-set &#8211; não é “purismo”, é só fetiche.</p>
<p style="text-align: center;"><img class="aligncenter" title="Ax" src="http://peacerebelgirl.files.wordpress.com/2009/02/american-express-450x331.jpg" alt="Ax" width="450" height="331" /></p>
<p style="text-align: center;"><span style="color: #ff6600;"><strong>American Express: </strong></span>até quando eles dependerão da assinatura? Aliás, será que verificam a assinatura? Um amigo meu brinca de assinar como personagens históricos e, até hoje, nunca teve seu crédito negado. Mesmo quando assinou Buffalo Bill.</p>
<p>Sempre existe um nostálgico, entusiasta, burocrata ou preguiçoso que gosta de proteger o mundo como ele era até chegar o momento em que essa atitude não é nada mais do que ridícula. Com o tempo as tecnologias são comparadas, relativizadas e, por fim, vence a que mais agradar ao tio Darwin. Você já viu essa história. Algumas vezes.</p>
<p><img style="margin: 10px; float: left;" title="McLuhan" src="http://digitalwaveriding.files.wordpress.com/2007/12/marshall-mcluhan.gif" alt="McLuhan" width="180" height="195" />O canibalismo tecnológico sempre me lembra de <a href="http://en.wikipedia.org/wiki/Marshall_McLuhan" target="_blank">Marshall McLuhan</a>, sempre tão citado quando o assunto é Internet e desdobramentos do mundo digital &#8211; embora, morto em 1980, não tenha chegado a ver “rede mundial” alguma. Várias de suas previsões impressionantemente certas do mundo digital foram, na verdade, imaginadas para o meio errado, a TV. Em um de seus livros mais pop, ele defendia que os meios eletrônicos seriam “extensões do homem” (em outras palavras, próteses) e que, como todas as extensões mecânicas &#8211; roda, roupas, ferramentas &#8211; serviria para amplificar o alcance do indivíduo e aumentar sua força.</p>
<p style="text-align: center;"><a href="http://www.amazon.com/Medium-Massage-Marshall-McLuhan/dp/1584230703" target="_blank"><img class="aligncenter" title="mm1" src="http://www.luli.com.br/admin/wp-content/uploads/2009/12/mm1.jpg" alt="medium=massage" width="450" height="391" /></a><br />
<a href="http://www.amazon.com/Medium-Massage-Marshall-McLuhan/dp/1584230703" target="_blank"><img title="mm1" src="http://www.luli.com.br/admin/wp-content/uploads/2009/12/mm2.jpg" alt="medium=massage" width="450" height="391" /></a><br />
<a href="http://www.amazon.com/Medium-Massage-Marshall-McLuhan/dp/1584230703" target="_blank"><img title="mm1" src="http://www.luli.com.br/admin/wp-content/uploads/2009/12/mm3.jpg" alt="medium=massage" width="450" height="391" /></a><br />
<a href="http://www.amazon.com/Medium-Massage-Marshall-McLuhan/dp/1584230703" target="_blank"><img title="mm1" src="http://www.luli.com.br/admin/wp-content/uploads/2009/12/mm4.jpg" alt="medium=massage" width="450" height="391" /></a><br />
<a href="http://www.amazon.com/Medium-Massage-Marshall-McLuhan/dp/1584230703" target="_blank"><img title="mm1" src="http://www.luli.com.br/admin/wp-content/uploads/2009/12/mm5.jpg" alt="medium=massage" width="450" height="391" /></a><br />
<a href="http://www.amazon.com/Medium-Massage-Marshall-McLuhan/dp/1584230703" target="_blank"><img title="mm1" src="http://www.luli.com.br/admin/wp-content/uploads/2009/12/mm6.jpg" alt="medium=massage" width="450" height="391" /></a></p>
<p>Não há como negar que o começo da Internet era a cara dele, pois não consistia de muito mais do que uma mídia de massa como as outras, só que um pouco mais abrangente e maleável. Hoje as coisas são bem diferentes. A rede não é mais uma extensão das coisas, mas das relações que estabelecemos com elas.</p>
<p><img style="margin: 10px; float: left;" title="Wired McLuhan" src="http://www.wired.com/wired/covers/cover4_01.gif" alt="Wired McLuhan" width="136" height="160" />Talvez por isso que acredite que seu tempo como “guru” do cibermundinho tenha acabado. A partir do momento que as próteses se tornam tão evoluídas a ponto de se tornarem transparentes, elas deixam de ser próteses para serem incorporadas ao cotidiano e fazerem parte do ambiente, como a energia elétrica, saneamento básico e coleta de lixo.</p>
<p>Desde a popularização da banda larga &#8211; e, com ela, de todos os serviços de comunicação, expressão e intercâmbio social, as trocas voltam a ter a intensidade que tinham nos primeiros agrupamentos humanos. Mudam a forma de contato e o tamanho do grupo, mas as relações &#8211; e seus papéis &#8211; permanecem os mesmos. O Google não tem a sabedoria atribuída à mística de um <a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Or%C3%A1culo_de_Delfos" target="_blank">Oráculo de Delfos</a> nem a experiência acumulada de um <a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Imame" target="_blank">imã</a>, pastor, rabino, pajé ou padre. Mas, da mesma forma que seus predecessores, redireciona as perguntas para uma gigantesca base de dados de experiências pregressas. Ainda é genérico demais, imparcial demais, estúpido demais, mas vem evoluindo a um ritmo tão assustador que não surpreende que seus sucessores, como o <a href="http://www.wolframalpha.com/" target="_blank">Wolfram Alpha</a>, em breve passem a tomar várias das decisões cotidianas e corriqueiras. Não é à toa que o Google investe pesado na <a href="http://code.google.com/speed/public-dns/docs/using.html" target="_blank">geração</a> e <a href="http://books.google.com/books" target="_blank">aquisição</a> de conteúdo: a busca, por si só, não é mais suficiente.</p>
<p><object classid="clsid:d27cdb6e-ae6d-11cf-96b8-444553540000" width="425" height="344" codebase="http://download.macromedia.com/pub/shockwave/cabs/flash/swflash.cab#version=6,0,40,0"><param name="allowFullScreen" value="true" /><param name="allowscriptaccess" value="always" /><param name="src" value="http://www.youtube.com/v/5TIOH80Qg7Q&amp;hl=en_US&amp;fs=1&amp;" /><param name="allowfullscreen" value="true" /><embed type="application/x-shockwave-flash" width="425" height="344" src="http://www.youtube.com/v/5TIOH80Qg7Q&amp;hl=en_US&amp;fs=1&amp;" allowscriptaccess="always" allowfullscreen="true"></embed></object></p>
<p>O futuro da comunicação está na relação. O ato de “tuitar” é maior do que o Twitter e, mesmo que este feche as portas, provavelmente perdurará. Sistemas de trocas de mensagens instantâneas surgiram com o IRC, se popularizaram com o ICQ, se expandiram para o SMS e hoje são usados até no Skype.</p>
<p>Hoje a interação que os aparelhos e serviços proporcionam é muito maior do que os tamagotchis que as transportam. As relações que se constroem através das mídias sociais são muito mais potentes e abrangentes do que o hardware em que são utilizadas. Talvez você não tenha percebido (como muitas firmas obtusas ainda não o fizeram), mas os celulares são as novas máquinas de acessar redes sociais &#8211; não adianta bloqueá-las.</p>
<p>O diálogo, enfim, se tornou hoje maior do que o telefone, tio McLuhan. Queria que o sr. estivesse por aqui para ver, é tudo tão bonito. Tenho certeza que uma olhadela no cotidiano inspiraria várias teorias novas.</p>
<p>Um bom exemplo está no contato freqüente que se tem com os familiares. No tempo da minha avó, ele precisava ser físico para ser válido. No mínimo, uma carta ou cartão postal (!). Naquela época, falar com a mãe pelo telefone era algo estranho, distante, artificial. Hoje são tantas as formas de contato entre os membros de um grupo social que “falar” com alguém pode significar uma conversa via telefone, por e-mail, via scraps, updates, tweets, celular&#8230;</p>
<p>Tudo muda muito rápido, e é uma tendência natural de quem pensa em máquinas imaginar que o futuro se consiste em melhorá-las, tornando-as mais fortes, resistentes, velozes, pequenas e baratas. Nem sempre. Muitas vezes essa compulsão pela aceleração e a especialização pode a um estreitamento da visão &#8211; e daí caímos no problema que detalhei no post anterior.</p>
<p>Para evitar esse bitolamento, minha proposta é simples: antes de avançar, retroceda. Antes de fazer qualquer estratégia com mídias sociais, tente entender o contexto em que essas interações se dão. Por que alguém bloga? Como tuíta? Em que contexto se deve agir? Ao se dar um passo para trás, a visão se amplifica, feito zoom out de câmara. Com uma panorâmica do cenário fica mais fácil decidir, entre tantos, qual o melhor caminho a seguir.</p>
<p><object classid="clsid:d27cdb6e-ae6d-11cf-96b8-444553540000" width="425" height="344" codebase="http://download.macromedia.com/pub/shockwave/cabs/flash/swflash.cab#version=6,0,40,0"><param name="allowFullScreen" value="true" /><param name="allowscriptaccess" value="always" /><param name="src" value="http://www.youtube.com/v/UxhKb-zZoWE&amp;hl=en_US&amp;fs=1&amp;" /><param name="allowfullscreen" value="true" /><embed type="application/x-shockwave-flash" width="425" height="344" src="http://www.youtube.com/v/UxhKb-zZoWE&amp;hl=en_US&amp;fs=1&amp;" allowscriptaccess="always" allowfullscreen="true"></embed></object></p>
<p>No fundo, é como uma luta de Sumô: aqueles dois gigantes têm alguns segundos para analisar as fraquezas do outro enquanto escondem seus próprios pontos fracos. Quando partem para o ataque, é porque sabem exatamente o que pretendem fazer. Não há tempo para tatear ou apalpar. Para se planejar novos cenários é preciso, acima de tudo, ver a realidade como ela é, não como gostaríamos que fosse. Em time que está ganhando, enfim, é preciso mexer para que continue na frente. A melhor forma de fazê-lo talvez seja retroceder um pouco para poder, depois, avançar com segurança.</p>
<img src="http://www.luli.com.br/admin/?ak_action=api_record_view&id=2884&type=feed" alt="" /><img src="http://feeds.feedburner.com/~r/radfahrer/~4/2BrtCDT_F7k" height="1" width="1"/>]]></content:encoded>
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		<title>Gigatendências, parte II – Zeitgeist e Weltanschauung</title>
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		<pubDate>Sat, 14 Nov 2009 15:08:03 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Radfahrer</dc:creator>
				<category><![CDATA[Criatividade]]></category>
		<category><![CDATA[Cultura Digital]]></category>
		<category><![CDATA[Inovação]]></category>
		<category><![CDATA[Tendências]]></category>

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		<description><![CDATA[
Quando o bom senso mostra o contrário, penso em Galileu resmungando:
&#8220;e, no entanto, ela se move&#8230;&#8221;
Inovação é observação. Quando olhada sob a fita métrica da história, a maioria das descobertas e invenções científicas, tecnológicas e em modelos de negócios surgiu da prestação de um serviço que fazia todo sentido ao eliminar, acelerar, reduzir, limpar&#8230; otimizar, [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: center;"><img class="aligncenter" title="Galileu Galilei" src="http://www.cbk.waw.pl/zgp/images/dg/GalileoGalilei.jpg" alt="Galileu Galilei" width="425" height="462" /><br />
Quando o bom senso mostra o contrário, penso em <a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Galileu_Galilei" target="_blank">Galileu</a> resmungando:<br />
&#8220;e, no entanto, ela se move&#8230;&#8221;</p>
<p><strong>Inovação é observação</strong>. Quando olhada sob a fita métrica da história, a maioria das descobertas e invenções científicas, tecnológicas e em modelos de negócios surgiu da prestação de um serviço que fazia todo sentido ao eliminar, acelerar, reduzir, limpar&#8230; otimizar, enfim, algum processo cotidiano ou simplesmente remover próteses que, apesar de corriqueiras, não faziam o menor sentido. O sucesso de RSS, podcasts, YouTube e o download de músicas, filmes e séries de TV vem muito mais de uma questão prática que de uma econômica.</p>
<p>Já houve tempo em que era considerado normal ser dono de uma cópia particular de uma música ou um filme. Já foi comum enfrentar o pedágio de ter sua diversão interrompida por mensagens comerciais porque alguém teria que pagar a conta &#8211; e nada mais natural que fosse você. Impérios financeiros com grande poder e influência nasceram do fato corriqueiro que informação tinha preço, e era vendida em bancas ou livrarias. Outros impérios se apoiaram em cobrar por cada minuto de interação &#8211; pessoal ou profissional, tanto fazia. E ainda tem gente que se espanta ao vê-los ruir. Não é crise: esses modelos quebram simplesmente por não fazerem sentido. O surpreendente é que tenham durado tanto.</p>
<p><img style="margin: 10px; float: left;" title="Beth" src="http://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/thumb/5/5f/Elizabeth_II_greets_NASA_GSFC_employees%2C_May_8%2C_2007_edit.jpg/433px-Elizabeth_II_greets_NASA_GSFC_employees%2C_May_8%2C_2007_edit.jpg" alt="Beth" width="150" height="208" />O futuro é igual ao presente, tirado dele as coisas que não fazem sentido. Não é fácil perceber que o Rei está nu (ou que, para esses efeitos, a função da Rainha em um país democrático como o Reino Unido é simplesmente e pragmaticamente turística). Muitos dos que se incomodam com a situação logo se acomodam ao perceber sua impotência e logo desistem ou partem para a ficção, como Leonardo, Hergé e Júlio Verne.
</p>
<p style="text-align: center;"><a href="http://www.instructables.com/index" target="_blank"><img class="aligncenter" title="Instructables" src="http://www.wiserearth.org/uploads/resource/3ecbfc69704fce7a54d2a236561e1678/home_text.gif" alt="Instructables" width="400" height="310" /></a></p>
<p>Os tempos mudaram e revoluções individuais nunca foram tão fáceis. No entanto, muitos profissionais criativos, de designers a empreendedores, se comportam como crianças mimadas ao cultivarem suas idéias e percepções do mundo sem procurar validá-las na realidade. Agem como o adolescente que visualiza seu romance com a mulher dos seus sonhos sem perguntar se ela se interessa por ele, ou como o comerciante que se vê milionário antes mesmo de mandar sua proposta.</p>
<p>Em futebol, é comum perguntar por ironia ao jogador ou técnico que tanto canta suas glórias se ele tem o resultado combinado com o adversário. Em futebol também se diz que os que se acomodam com vitórias fáceis perdem de virada. Sábias lições.</p>
<p>Costumo dizer que criatividade não é exceção, mas regra. Novas idéias surgem o tempo todo, não há nada de especial em tê-las. Muitas pessoas, no entanto, são reprimidas – por sua educação, ambiente de trabalho, superego, medo do ridículo ou simplesmente acomodação – e se desacostumam da prática regular de buscar por novas idéias. Esse sedentarismo mental costuma levar a uma lerdeza criativa, traduzida pela resistência ao novo e adoção da primeira idéia que surgir ou, depois de lutar para conquistar o novo, se apoiar, ofegante, pelos louros conquistados – e ser engolido pela concorrência.</p>
<p><img style="margin: 10px; float: left;" title="Motorola design" src="http://www.geeky-gadgets.com/wp-content/uploads/2008/10/motorola_aura2.jpg" alt="Motorola design" width="200" height="308" />A indolência mental não é exclusividade dos pequenos. Na indústria de telefones celulares existem vários exemplos.</p>
<p>A Motorola investe em design e toma a dianteira, mas esquece de se preocupar com usabilidade e arquitetura de informação, e perde mercado para a Nokia. Esta se acomoda ao perceber que está bem à frente das empresas em seu segmento e perde a soberania para duas empresas sem tradição alguma em telefonia: RIM e Apple. Estas, se bobearem, poderão ser superadas por alguém que observa os problemas que hoje temos mas não nos animamos a melhorar. O que realmente ameaça não parece ameaçar.</p>
<p>É por isso que não acredito em Windows Mobile ou SilverLight: forçar uma solução pronta para dentro de outro aparelho sem pesquisar suas particularidades não é inovar, mas forçar a barra nos piores pontos de uma relação que já não está em seus melhores dias.</p>
<p style="text-align: center;"><img class="aligncenter" title="Flash" src="http://www.mobilemarketingwatch.com/wp-content/uploads/2009/10/adobe-flash-logo.jpg" alt="Flash" width="120" height="120" /></p>
<p style="text-align: center;">Por que ninguém reclama de PDF?</p>
<p>O pior problema do Flash é ser um plug-in instalável, de código complexo e fechado, operação difícil e SEO praticamente impossível. Isso sem falar que ele é uma nulidade em termos de acessibilidade por dispositivos fora de padrão, como celulares ou videogames e invisível para pessoas com necessidades especiais. Ele tem a seu favor o fato de ter sido pioneiro, se popularizado e ter uma legião de profissionais habilitados para tirar dele recursos muito além do que a maioria dos browsers oferecia. O Silverlight resolve algum desses problemas? Não. É só mais um plug-in, mais uma tralha a instalar, mais uma linguagem de programação a aprender, mais um empecilho para os profissionais de métricas, usabilidade e arquitetura de informação. Já tinha perdido a batalha antes mesmo de entrar nela.</p>
<p><img style="margin: 10px; float: left;" title="IE6" src="http://caseysoftware.com/files/pictures/2008/internet-explorer-logo-with-pins.jpg" alt="IE6" width="120" height="104" />O problema não está na Microsoft, mas em sua atitude. Ela tinha condições de atualizar compulsoriamente o Internet Explorer 6 e abrir seu código, mas grande e teimosa feito burocrata comunista, se recusa a fazer a gentileza.</p>
<p style="text-align: left;"><a href="http://www.luli.com.br/admin/wp-content/uploads/2009/11/reebok.jpg"><img class="aligncenter size-full wp-image-2869" title="reebok" src="http://www.luli.com.br/admin/wp-content/uploads/2009/11/reebok.jpg" alt="reebok" width="450" height="270" /></a><br />
Mesmo fora do segmento eletroeletrônico a regra se mantém. Adidas já foi a rainha do mercado de tênis esportivos. Perdeu espaço para a Nike, que foi alcançada pela Reebok e New Balance. A Mizuno estava entrando na festa quando a Nike resolveu investir em tecnologia (+iPod etc) e a Adidas, em estilo. Mizuno voltou ao nicho e Reebok&#8230; quem fala em Reebok hoje?
</p>
<p style="text-align: center;"><img class="aligncenter" title="Ich schaue Dich an" src="http://upload.wikimedia.org/wikipedia/en/thumb/6/66/PeopleBirding.JPG/614px-PeopleBirding.JPG" alt="Ich schaue Dich an" width="450" height="440" /></p>
<p>Os dois palavrões que entitulam este post mostram a importância da observação no processo de inovação. Retirados do psicologês, eles estão mais para jargão que para barbarismo. <a href="http://en.wikipedia.org/wiki/Zeitgeist" target="_blank"><span style="color: #ff6600;"><strong>Zeitgeist</strong></span></a>, em alemão, quer dizer “espírito dos tempos”, mas não tem nada de místico. Ele se refere ao conjunto de estímulos que, derivado das mais variadas fontes, resulta na “personalidade” de uma época. Os loucos anos 20, a revolução sexual, o otimismo generalizado com o fim da II Guerra Mundial e com a queda dos regimes autoritários do leste europeu, os excessos da época da bolha pontocom são alguns exemplos, como também o são a depressão depois da quebra da Bolsa de Nova York em 1929, a tensão da Guerra Fria, a depressão dos anos Reagan, o pessimismo depois dos ataques terroristas de 11 de setembro de 2001.</p>
<p style="text-align: center;"><a href="http://www.luli.com.br/admin/wp-content/uploads/2009/11/Picture-3.png"><img class="aligncenter size-full wp-image-2866" title="Picture 3" src="http://www.luli.com.br/admin/wp-content/uploads/2009/11/Picture-3.png" alt="Picture 3" width="450" height="128" /></a></p>
<p style="text-align: center;">Sim, Twitter também é um bom medidor do Zeitgeist.</p>
<p>Identificar o Zeitgeist não é nada fácil. Demanda entrevistas, leituras, comparações, análises e muita, muita observação. Institutos de pesquisa de mercado e consultorias de tendências se desdobram na busca por definir com alguma precisão o que permanece e o que muda a cada novo movimento econômico / político / social / tecnológico. Você consegue imaginar o efeito que a eleição de Barack Obama teve sobre a indústria de cosméticos? Ou o impacto das falsificações chinesas na redução de preços para o consumidor ocidental – e conseqüente redução no prazo de renovação do guarda-roupa? Pois é, muita gente vive de investigar possíveis respostas para estas e várias outras perguntas, e cobra somas bastante consideráveis pelos seus insights.</p>
<p>Hoje a busca pelo espírito dos tempos não é mais privilégio de empresas especializadas. Pelo contrário, deveria ser tarefa de todos. Mesmo que instrumentos caseiros não sejam tão precisos ou que não se imagine nenhuma aplicação imediata de suas descobertas, a compreensão do zeitgeist é fundamental para que as mudanças sejam absorvidas, assimiladas e utilizadas de forma sensata.</p>
<p><img style="margin: 10px; float: left;" title="Emo" src="http://portaldasnoticias.com/blogs/eumepreocupar/files/pai-emo-02.jpg" alt="Emo" width="180" height="229" />Todos deveriam, independente da área de atuação, fazer para si mesmos a pergunta <span style="color: #ff6600;"><em><span style="font-family: georgia,palatino;">“por que as coisas são do jeito que são hoje em dia?”</span></em><span style="color: #000000;"><span style="font-family: georgia,palatino;"><span style="font-family: helvetica;">, seguido de</span></span></span><em><span style="font-family: georgia,palatino;"> “o que está errado e pode ser melhorado?”</span></em></span>. Muitas perguntas ficarão, obviamente, sem resposta. Não importa. Como em uma jornada zen de autodescoberta, o caminho é mais importante e significativo que o destino final. As respostas mudam com o cenário, que nunca é fixo.</p>
<p>Nos anos 1930, pais sonhavam com um futuro em que cada filho tivesse um automóvel, hoje sonhamos com a geração que não precisará deles. Nos anos 50, astronautas de episódios de Twilight Zone fumavam na lua e em foguetes. Nos anos 70, James Bond pegava uma estrela-do-mar e a jogava no barco com o mesmo desapego com que jogava um saco plástico na água.</p>
<p style="text-align: center;"><img class="aligncenter" title="Taliban" src="http://moodle.edumed.com.br/file.php/1/logo_uniban.jpg" alt="Taliban" width="300" height="89" /></p>
<p>A visão de mundo, quanto mais ampla e bem informada, mais criativa, inovadora e livre de preconceitos costuma ser. O Tao Te Ch’Ing diz que os seres vivos, ao nascer, são flexíveis e maleáveis e, ao morrer, se tornam duros e resistentes. A elasticidade dos pensamentos e crenças é, segundo eles, discípula da vida. A rigidez, seguidora da morte.</p>
<p style="text-align: center;"><img class="aligncenter" title="Hong Kong" src="http://yournegrotravelguide.files.wordpress.com/2008/08/hong-kong-skyline-night.jpg" alt="Hong Kong" width="504" height="297" /></p>
<p>As redes sociais podem ser, ao mesmo tempo, potencial e perigo para o cultivo dessa observação. Ao estimularem o contato com formas diferentes de se pensar funcionarão, como grandes viagens, para ampliar a perspectiva e melhorar a compreensão dos tempos. Se funcionarem como câmaras de eco para velhas idéias, vícios e preconceitos terão o efeito contrário.</p>
<p>Aí que entra o outro palavrão do psicologês usado neste título: <a href="http://en.wikipedia.org/wiki/Weltanschauung" target="_blank"><span style="color: #ff6600;"><strong>Weltanschauung</strong></span></a> – isso mesmo, com dois “uu”, Alemão é quase um código secreto. O termo vem de olhar (anschauen) o mundo (die Welt, ou “a” mundo) e é exatamente isso que o processo contínuo e freqüente de mensuração do Zeitgeist promete: uma visão/observação do mundo com familiaridade.</p>
<p><object classid="clsid:d27cdb6e-ae6d-11cf-96b8-444553540000" width="480" height="295" codebase="http://download.macromedia.com/pub/shockwave/cabs/flash/swflash.cab#version=6,0,40,0"><param name="allowFullScreen" value="true" /><param name="allowscriptaccess" value="always" /><param name="src" value="http://www.youtube.com/v/a0jZzBEKIMc&amp;hl=en_US&amp;fs=1&amp;" /><param name="allowfullscreen" value="true" /><embed type="application/x-shockwave-flash" width="480" height="295" src="http://www.youtube.com/v/a0jZzBEKIMc&amp;hl=en_US&amp;fs=1&amp;" allowscriptaccess="always" allowfullscreen="true"></embed></object></p>
<p>Perceber o mundo como um membro da família, reconhecê-lo em suas qualidades e defeitos, aceitar sua personalidade sem afetações, surpresas ou restrições é, hoje em dia, uma habilidade admirável. Espero que, em um futuro próximo, ela seja corriqueira.</p>
<p>É bom estar de volta. Obrigado pelo carinho e paciência.</p>
<img src="http://www.luli.com.br/admin/?ak_action=api_record_view&id=2850&type=feed" alt="" /><img src="http://feeds.feedburner.com/~r/radfahrer/~4/CKjR9wE4F9o" height="1" width="1"/>]]></content:encoded>
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		<title>Interlúdio: virais, contágio e DM9(/11)</title>
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		<pubDate>Sun, 13 Sep 2009 01:35:53 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Radfahrer</dc:creator>
				<category><![CDATA[Carreira]]></category>
		<category><![CDATA[Criatividade]]></category>
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		<description><![CDATA[Interrompemos excepcionalmente nossa série sobre gigatendências para comentar dois erros de percepção um bocado desagradáveis cometidos por aquela que deveria ser uma das mais importantes agências de propaganda do país. Über-premiada em Cannes, não é a primeira vez que ela leva o título um bocado discutível de &#8220;agência do ano&#8221;, coisa que fez questão de [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Interrompemos excepcionalmente nossa série sobre gigatendências para comentar dois erros de percepção um bocado desagradáveis cometidos por aquela que deveria ser uma das mais importantes agências de propaganda do país. Über-premiada em Cannes, não é a primeira vez que ela leva o título um bocado discutível de &#8220;agência do ano&#8221;, coisa que fez questão de comentar em uma tentativa capenga de vídeo &#8220;viral&#8221;:</p>
<p><object classid="clsid:d27cdb6e-ae6d-11cf-96b8-444553540000" width="425" height="344" codebase="http://download.macromedia.com/pub/shockwave/cabs/flash/swflash.cab#version=6,0,40,0"><param name="allowFullScreen" value="true" /><param name="allowscriptaccess" value="always" /><param name="src" value="http://www.youtube.com/v/a7KX8oC7pZs&amp;hl=en&amp;fs=1&amp;" /><param name="allowfullscreen" value="true" /><embed type="application/x-shockwave-flash" width="425" height="344" src="http://www.youtube.com/v/a7KX8oC7pZs&amp;hl=en&amp;fs=1&amp;" allowscriptaccess="always" allowfullscreen="true"></embed></object></p>
<p style="text-align: center;">(aiaiai, quando esses caras vão entender que viral é efeito, não causa &#8211; e que não é sinônimo de mal-feito?)</p>
<p>No melhor estilo de profecia auto-realizável, o tal vídeo se tornou popular e distribuído pelas redes. Mas infelizmente para eles &#8211; e para a alegria geral do resto &#8211; a versão distribuída não era a oficial, mas uma divertida apropriação:</p>
<p><object classid="clsid:d27cdb6e-ae6d-11cf-96b8-444553540000" width="425" height="344" codebase="http://download.macromedia.com/pub/shockwave/cabs/flash/swflash.cab#version=6,0,40,0"><param name="allowFullScreen" value="true" /><param name="allowscriptaccess" value="always" /><param name="src" value="http://www.youtube.com/v/JQ1u4NHUyQ0&amp;hl=en&amp;fs=1&amp;" /><param name="allowfullscreen" value="true" /><embed type="application/x-shockwave-flash" width="425" height="344" src="http://www.youtube.com/v/JQ1u4NHUyQ0&amp;hl=en&amp;fs=1&amp;" allowscriptaccess="always" allowfullscreen="true"></embed></object></p>
<p>Seria cômico, se não fosse triste. Quem trabalha no mercado de criação e produção digital sabe que Cannes <a href="http://www.imdb.com/title/tt0048728/" target="_blank">já viveu dias de maiores glórias</a>. Desatualizado e sem compreender direito a mudança nos novos meios, seu comitê organizador cria novas categorias a cada ano &#8211; hoje são<a title="Film" href="http://www.canneslions.com/awards/categories.cfm?section_id=28" target="_blank"> Film</a>, <a title="Press Lions" href="http://www.canneslions.com/awards/categories.cfm?section_id=29">Press</a>, <a title="Outdoor Lions" href="http://www.canneslions.com/awards/categories.cfm?section_id=30">Outdoor</a>, <a title="Direct Lions" href="http://www.canneslions.com/awards/categories.cfm?section_id=31">Direct</a>, <a title="Media Lions" href="http://www.canneslions.com/awards/categories.cfm?section_id=32">Media</a>, <a title="Cyber Lions" href="http://www.canneslions.com/awards/categories.cfm?section_id=33">Cyber</a>, <a title="Radio Lions" href="http://www.canneslions.com/awards/categories.cfm?section_id=34">Radio</a>, <a title="Promo Lions" href="http://www.canneslions.com/awards/categories.cfm?section_id=35">Lions</a>, <a title="Titanium and Integrated Lions" href="http://www.canneslions.com/awards/categories.cfm?section_id=36">Titanium and Integrated</a>, <a title="Design Lions" href="http://www.canneslions.com/awards/categories.cfm?section_id=37">Design</a> e <a title="PR Lions" href="http://www.canneslions.com/awards/categories.cfm?section_id=38">PR</a>, em uma confusão tamanha que ninguém consegue dizer com clareza e confiança a diferença de um Promo para um Direct para um Cyber para um Titanium. Na dúvida, inscrevem-se as peças em várias categorias (à bagatela de US$ 1000 por peça) e, como uma velha maçonaria em que todos se revezam em dar tapinhas uns nas costas dos outros, todos voltam bronzeados da Riviera falando maravilhas do festival. Em uma adaptação do ditado americano sobre Las Vegas, &#8220;o que acontece no <a href="http://www.palaisdesfestivals.com/sommaire.php3?lang=en" target="_blank">Palais</a> fica no Palais&#8221;. Falo mais de Cannes <a href="http://www.luli.com.br/2008/06/30/porque-nao-fui-a-cannes/" target="_blank">neste post</a> em que comento o fato de estar perto e fazer questão de passar longe.</p>
<p>Voltando ao vídeo do filtro solar, que dá o tom para esta série, não é de se estranhar que a agência vedete do festival, tão prolífica em inscrições em tudo o que é categoria, tenha &#8220;deixado escapar&#8221; um vídeo de apelo popular tão forte? Minha experiência na área me diz que se os prêmios de uma peça não foram comentados, deve ser porque ela não levou nenhum. Mas quem conhece bem o mercado sabe que isso é praticamente impossível, considerada a quantidade de prêmios e a variedade mínima de suas mesas julgadoras.</p>
<p style="text-align: center;"><img class="aligncenter" title="Júri" src="http://www.legaljuice.com/jury%20duty%20serve%20service.jpg" alt="Júri" width="450" height="465" /></p>
<p>Se o vídeo nunca levou um prêmio deve ser porque não foi inscrito. Se não foi inscrito, só pode ser por um motivo: ele não deve ser da DM9. Pelo menos não integralmente. Isso me chamou a atenção, mas ainda era pouco. Havia algo de fundamentalmente errado naquele vídeo. Como não pretendo submetê-lo à tortura de revê-lo, se você quiser pode dar uma olhada no texto <a href="http://letras.terra.com.br/pedro-bial/138161/" target="_blank">aqui</a> (repare que o Terra dá o crédito do texto para o Pedro Bial, o que é ainda mais grotesco). A versão legendada que publiquei tem a narrativa de um homem com uma voz que transparece uma boa idade, e acredita-se que a experiência que dispensa seja derivada dela.</p>
<p>Imagine-se conversando com seu avô. Não seria estranho ouvi-lo dizer <span style="color: #ff0000;">&#8220;<em>Você não é tão gordo(a) quanto pensa&#8221;; </em><span style="color: #000000;">ou</span><em> &#8220;Não tenha medo de seu corpo ou do que as outras pessoas possam achar dele&#8221;; </em><span style="color: #000000;">ou ainda</span><em> &#8220;Não leia revistas de beleza. Elas só vão fazer você se achar feio&#8221;? </em><span style="color: #000000;">Hummm&#8230;pensando bem, até </span><em>&#8220;Você, também, vai envelhecer&#8221; </em><span style="color: #000000;">e</span><em> &#8220;Não mexa demais nos cabelos senão quando você chegar aos quarenta vai aparentar oitenta e cinco&#8221;</em></span> começam a soar estranhos, não? Cadê o &#8220;<em>não gaste muito dinheiro com carros. Eles só servem para transportar você de um lado para o outro</em>&#8221; ou qualquer referência a musculatura, futebol, sedentarismo ou potência sexual &#8211; triste reconhecer, claras obsessões masculinas?</p>
<p><a href="http://www.luli.com.br/admin/wp-content/uploads/2009/09/pri1.jpg"><img class="aligncenter size-full wp-image-2777" style="margin: 10px; float: left;" title="pri" src="http://www.luli.com.br/admin/wp-content/uploads/2009/09/pri1.jpg" alt="pri" width="200" height="229" /></a>Será que precisamos arranjar um armário maior pro vovô? Pro Bial? Ou será que ele, como o Nissan Guaranás, não se ligou que o texto foi, obviamente, escrito por uma mulher? Como foi que esse &#8220;mero detalhe&#8221; não passou pelas cabeças de pessoas tão perspicazes enquanto eles se apressavam em tomar posse, assinar e narrar a lengalenga de auto-ajuda que caiu em seus colos via Internet?</p>
<p>Não é fácil perceber o óbvio. Mesmo (e principalmente) entre aqueles que se julgam  portadores de uma visão mais criativa da sociedade. O resultado é, como não poderia deixar de ser, <a href="http://www.youtube.com/watch?v=wZGSCX4Ns3Q&amp;eurl=http%3A%2F%2Fwww.luli.com.br%2F2009%2F08%2F04%2Fmarcas-e-conversas-parte-ii%2F&amp;feature=player_embedded" target="_blank">Ivete Sangalo vendendo Sense e Simplicity</a>, intercalada por um rapper que diz que <em>&#8220;a tecnologia é uma espécie de magia que o cérebro humano não cria&#8221;</em>.</p>
<p>Genial, não? Claro que não.</p>
<p>A história do <a title="Everybody's Free (To Wear Sunscreen)" href="http://en.wikipedia.org/w/index.php?title=Everybody%27s_Free_%28To_Wear_Sunscreen%29&amp;redirect=no" target="_blank">Everybody&#8217;s Free (To Wear Sunscreen)</a> é bem conhecida, embora muitos ainda creiam que seja da DM9 ou do Bial &#8211; coisa que ambos, espertos que são, não afirmam nem negam. Na época em que vi o vídeo pela primeira vez, as coisas eram bem mais difíceis de se achar. O texto era um velho conhecido: tinha chegado por e-mail vindo de várias fontes, ainda no ano 2000. Algumas fontes citavam um discurso de formatura do publicitário, outras falavam de palestrantes americanos bem mais ilustres. Em um mundo pré-YouTube, achar uma coisa dessas não era nada fácil.</p>
<p>Quando o número de pessoas A-DORAN-DO o tal vídeo começou a se tornar irritante, acabei sendo levado a vê-lo umas 4 ou 5 vezes, em diferentes eventos. A sensação de algo estranho permanecia&#8230; fui atrás e acabei por descobrir um artigo da BBC que me levou a um antigo blog e algumas páginas no Geocities, contando a mesma história que hoje é tão fácil de ler na Wikipedia: ele surgiu como um artigo escrito por <a title="Mary Schmich" href="http://www.chicagotribune.com/news/columnists/chi-schmich-sunscreen-column,0,4054576.column" target="_blank">Mary Schmich</a> (veja bem, uma mulher) para o jornal <em>Chicago Tribune</em> em 97. Só isso, um artigo de jornal, nada de discurso de formatura alguma.</p>
<p>Por isso você não o vê lido em lugar algum, a não ser em homenagens retroativas de escolas que poderiam se contentar com algo melhor.</p>
<p style="text-align: center;"><img class="aligncenter" title="Chicago Tribune" src="http://upload.wikimedia.org/wikipedia/en/3/39/Chicago_Tribune_logo.png" alt="Chicago Tribune" width="450" height="118" /></p>
<p>O artigo se chamava originalmente &#8220;<em>Advice, like youth, probably just wasted on the young</em>&#8221; (conselhos, como juventude, provavelmente desperdiçados com jovens). Sua autora quis dar a ele o tom de um discurso de formatura, provavelmente para realçar a importância do conselho desperdiçado com ouvintes de pouca idade, e também porque a época de sua publicação (começo de Junho) coincidia com muitas formaturas e &#8220;inaugurações&#8221;, aqueles discursos de abertura dos anos letivos que chamamos de &#8220;Aulas Magnas&#8221; (a propósito, a<a href="http://www.luli.com.br/2009/04/16/aula-magna-ecausp/" target="_blank"> que dei na ECA</a> não é um bom exemplo desse tipo de cerimônia).</p>
<p>Não é preciso prestar muita atenção no roteiro do vídeo para perceber que as imagens são redundantes a ponto de parecerem mímicas. O discurso é ainda pior, com estruturas, subordinações e construções típicas do texto escrito, que se tornam bem chatinhas quando narradas.</p>
<p>Mesmo assim, não demorou para alguém copiar o artigo do jornal e transmiti-lo por e-mail. Se tem gente que faz isso até com os artigos que escrevo em revistas e não publico aqui, o que dizer de um texto tão emocional, apelativo e &#8220;fácil&#8221; em tempos de auto-ajuda?</p>
<p>Na pressa em copiar, rapidamente sumiu a fonte e a autora, e o texto se torna uma lenda urbana. Quem nunca recebeu por e-mail <a href="http://ribeirobr.blogspot.com/2009/04/textos-falsos-atribuidos-luis-fernando.html" target="_blank">algum texto atribuído ao Luis Fernando Verissimo</a> (mas que ele jamais reconheceria a paternidade, de tão primário que é?). Seguindo a mesma receita, rapidamente o anexaram o texto da tia Mary a alguém célebre, para dar maior respeito ao pastel de vento.</p>
<p>Por seu formato, não tardou para alguém ter a idéia &#8220;criativa&#8221; de transformá-lo na palestra de abertura do <a href="http://web.mit.edu/" target="_blank">MIT</a>, dada por <a title="Kurt Vonnegut" href="http://en.wikipedia.org/wiki/Kurt_Vonnegut" target="_blank">Kurt Vonnegut</a> no mesmo ano. Só se esqueceram de verificar se ele teria falado lá naquela época. Na verdade, quem fez a palestra de abertura naquele ano foi o <a title="Kofi Annan" href="http://en.wikipedia.org/wiki/Kofi_Annan" target="_blank">Kofi Annan</a>, e não passou pela cabeça dele falar em FPS outras formas de proteção UVA/B.</p>
<p>Enquanto isso a palavra corria solta pela Internet, em suas mais variadas traduções. Se poucos mudaram o tom ou o teor do discurso, sua autoria ganhou todo tipo de tradução. Curiosamente, todas masculinas. Como se uma mulher nao fosse capaz de escrever esse discurso (o que até considero um elogio, já que a baixa qualidade do mesmo rivaliza em profundidade com letras de axé e sertanejo).</p>
<p>Do outro lado do mundo, o diretor de cinema australiano <a title="Baz Luhrmann" href="http://en.wikipedia.org/wiki/Baz_Luhrmann">Baz Luhrmann</a> resolve transformar o texto ruim em um vídeo ainda pior. Se você acha impossível, veja a pérola abaixo:</p>
<p><object classid="clsid:d27cdb6e-ae6d-11cf-96b8-444553540000" width="425" height="344" codebase="http://download.macromedia.com/pub/shockwave/cabs/flash/swflash.cab#version=6,0,40,0"><param name="allowFullScreen" value="true" /><param name="allowscriptaccess" value="always" /><param name="src" value="http://www.youtube.com/v/sTJ7AzBIJoI&amp;hl=en&amp;fs=1&amp;" /><param name="allowfullscreen" value="true" /><embed type="application/x-shockwave-flash" width="425" height="344" src="http://www.youtube.com/v/sTJ7AzBIJoI&amp;hl=en&amp;fs=1&amp;" allowscriptaccess="always" allowfullscreen="true"></embed></object></p>
<p>Mesmo assim o vídeo ganha fama ainda maior do que a alcançada pelo texto, graças a um remix pop-pegajoso do único hit que a cantora zambiana Rozalla emplacou fora de <a href="http://www.zambiatourism.com/travel/cities/lusaka.htm" target="_blank">Lusaka</a> &#8211; embora a versão dela seja beeeeem melhor:</p>
<p><object classid="clsid:d27cdb6e-ae6d-11cf-96b8-444553540000" width="425" height="344" codebase="http://download.macromedia.com/pub/shockwave/cabs/flash/swflash.cab#version=6,0,40,0"><param name="allowFullScreen" value="true" /><param name="allowscriptaccess" value="always" /><param name="src" value="http://www.youtube.com/v/pn__E-I62VY&amp;hl=en&amp;fs=1&amp;" /><param name="allowfullscreen" value="true" /><embed type="application/x-shockwave-flash" width="425" height="344" src="http://www.youtube.com/v/pn__E-I62VY&amp;hl=en&amp;fs=1&amp;" allowscriptaccess="always" allowfullscreen="true"></embed></object></p>
<p style="text-align: center;">(e pensar que eu dancei bastante essa música&#8230;. o tempo nos torna mais críticos e sábios, ou talvez simplesmente chatos)</p>
<p>De qualquer forma, toda essa história é velha demais, e só vale ser ressucitada como um (longo) exemplo da importância de se prestar atenção em cada detalhe do ambiente em que se está para se poder falar verdadeiramente em inovação. Em tempos de informação abundante, a ignorância não é mais uma desculpa aceitável.</p>
<p>Curiosamente são as agências de propaganda e os <a href="http://www.comunique-se.com.br/index.asp?p=Conteudo/NewsShow.asp&amp;p2=idnot%3d53480%26Editoria%3d8%26Op2%3d1%26Op3%3d0%26pid%3d275536%26fnt%3dfntnl&amp;rss=on" target="_blank">veículos de mídia de massa</a> que ficam cada dia mais distantes de qualquer tentativa de inovação (sempre vale relembrar o fenomenal erro de português do 2º publicitário mais conhecido do Brasil <a href="http://www.luli.com.br/2008/10/31/porque-a-midia-deve-se-preocupar-parte-i/" target="_blank">ao defender o antigo regime</a> e propor que não se &#8220;invistam DO novo&#8221;). Preocupado que está em perpetuar estereótipos e forçar associações, este segmento morto da área de comunicação se distancia cada mais de qualquer atitude inovadora ou criativa a cada dia.</p>
<p>Para que você não pense que eu tenho qualquer preconceito contra as agências (guardo meus preconceitos para a MicroSoft), termino este post com mais um belo exemplo de como a DM9 parece ter esquecido as regras mínimas de convivência em seu próprio mercado:</p>
<p style="text-align: center;"><img class="aligncenter" src="http://www.brainstorm9.com.br/wp-content/uploads/2009/09/tsunami.jpg" alt="WWF 9/11 DDB Brazil" /></p>
<p>Esse anúncio pavoroso, mal-feito, de lógica torta e valores imperdoáveis até mesmo em executivos de marketing metidos a &#8220;criativos&#8221; e estágiários filhos de clientes já foi extensamente comentado por <a href="http://www.brainstorm9.com.br/2009/09/02/a-polemica-wwf-e-o-11-de-setembro-espero-que-voce-morra-de-fome-nas-ruas/" target="_blank">blogs mais qualificados que o meu</a> para o assunto. Acreditem se quiser, a campanha fantasma foi premiada pelo respeitado(?) <a href="http://www.oneclub.org/" target="_blank">The One Show</a> mesmo nunca tendo sido aprovada (ou mesmo mostrada) para o cliente.</p>
<p>Se você não acredita em fantasmas, precisa visitar um festival de propaganda.</p>
<p>Por uma torta ironia do destino, a DM9 parece ter finalmente conseguido emplacar o viral que tanto desejava. As reações não poderiam ser mais emocionais e certamente há um ou outro RP estúpido que ainda acredita que a regra &#8220;falem mal, mas falem de mim&#8221; ainda tem valor. Veja uma das reações típicas a partir dos 2&#8242;30&#8243; do vídeo a seguir:</p>
<p><object classid="clsid:d27cdb6e-ae6d-11cf-96b8-444553540000" width="450" height="273" codebase="http://download.macromedia.com/pub/shockwave/cabs/flash/swflash.cab#version=6,0,40,0"><param name="allowFullScreen" value="true" /><param name="allowscriptaccess" value="always" /><param name="src" value="http://www.youtube.com/v/CNKC1FCIrNg&amp;hl=pt-br&amp;fs=1&amp;" /><param name="allowfullscreen" value="true" /><embed type="application/x-shockwave-flash" width="450" height="273" src="http://www.youtube.com/v/CNKC1FCIrNg&amp;hl=pt-br&amp;fs=1&amp;" allowscriptaccess="always" allowfullscreen="true"></embed></object></p>
<p>Muito bem dito pelo comentarista: <em>&#8220;what is the point, by the way?&#8221; </em>Respeitar o planeta por&#8230; MEDO de Tsunamis? Duvido que uma modelo fizesse melhor.</p>
<p>Como todos sabemos, a polêmica vai acabar em pizza, demitirão um estagiário, todos os 347 diretores de criação negarão ter visto o trabalho, assessores de imprensa dirão que a ficha técnica foi falsificada, o prêmio será devolvido com declarações indignadas de todos os lados, o dinheiro da inscrição desaparecerá de todos os livros contábeis e daqui a 15 minutos ninguém mais lembrará do conjunto de imbecis que criou, aprovou, produziu, finalizou e inscreveu uma peça que compara a Tsunami ao 11 de Setembro &#8211; e os dois a ações do homem contra a natureza. Será o mesmo exemplo do Sunscreen, com sua mecânica invertida. Tsk.</p>
<p>É contra esse tipo de atitude que se luta quando se defende a inovação.</p>
<p><object classid="clsid:d27cdb6e-ae6d-11cf-96b8-444553540000" width="450" height="273" codebase="http://download.macromedia.com/pub/shockwave/cabs/flash/swflash.cab#version=6,0,40,0"><param name="flashvars" value="image=http://adland.tv/adland_video/148188/2224/thumb.jpg&amp;skin=http://adland.tv/sites/default/modules/adland_video/modieus.swf&amp;file=http://adland.tv/adland_video/148188/2224/embed.mp4&amp;plugins=viral-2&amp;viral.allowmenu=true&amp;viral.link=http://adland.tv/node/148188&amp;viral.onpause=true&amp;viral.oncomplete=true&amp;viral.functions=embed,link" /><param name="src" value="http://adland.tv/sites/default/modules/swftools/shared/flash_media_player/player.swf" /><param name="allowfullscreen" value="true" /><embed type="application/x-shockwave-flash" width="450" height="273" src="http://adland.tv/sites/default/modules/swftools/shared/flash_media_player/player.swf" allowfullscreen="true" flashvars="image=http://adland.tv/adland_video/148188/2224/thumb.jpg&amp;skin=http://adland.tv/sites/default/modules/adland_video/modieus.swf&amp;file=http://adland.tv/adland_video/148188/2224/embed.mp4&amp;plugins=viral-2&amp;viral.allowmenu=true&amp;viral.link=http://adland.tv/node/148188&amp;viral.onpause=true&amp;viral.oncomplete=true&amp;viral.functions=embed,link"></embed></object></p>
<p>Desculpe pela demora para escrever o post. A semana foi puxada.</p>
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		<title>Gigatendências, parte I – inovação e observação</title>
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		<pubDate>Wed, 26 Aug 2009 16:48:13 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Radfahrer</dc:creator>
				<category><![CDATA[Criatividade]]></category>
		<category><![CDATA[Cultura Digital]]></category>
		<category><![CDATA[Inovação]]></category>

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		<description><![CDATA[Tem coisa que a gente não pode deixar passar. &#8220;Mad Avenue Blues&#8220;, paródia brilhante do folk-fanho-chiclete &#8220;American Pie&#8220;, de 1971, é uma delas. Cheia de jargões típicos do mercadinho de propaganda americano &#8211; alguns difíceis de traduzir, alguns intraduzíveis &#8211; resume muito bem o cenário aterrorizante para uma indústria que, feito zumbi mal-resolvido, se recusa [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Tem coisa que a gente não pode deixar passar. &#8220;<strong>Mad Avenue Blues</strong>&#8220;, paródia brilhante do folk-fanho-chiclete &#8220;<a href="http://en.wikipedia.org/wiki/American_Pie" target="_blank">American Pie</a>&#8220;, de 1971, é uma delas. Cheia de jargões típicos do mercadinho de propaganda americano &#8211; alguns difíceis de traduzir, alguns intraduzíveis &#8211; resume muito bem o cenário aterrorizante para uma indústria que, feito zumbi mal-resolvido, se recusa a aceitar que morreu.</p>
<p style="text-align: center;"><object classid="clsid:d27cdb6e-ae6d-11cf-96b8-444553540000" width="425" height="344" codebase="http://download.macromedia.com/pub/shockwave/cabs/flash/swflash.cab#version=6,0,40,0"><param name="allowFullScreen" value="true" /><param name="allowscriptaccess" value="always" /><param name="src" value="http://www.youtube.com/v/6CqRcCHk_Pc&amp;hl=en&amp;fs=1&amp;" /><param name="allowfullscreen" value="true" /><embed type="application/x-shockwave-flash" width="425" height="344" src="http://www.youtube.com/v/6CqRcCHk_Pc&amp;hl=en&amp;fs=1&amp;" allowscriptaccess="always" allowfullscreen="true"></embed></object></p>
<p>Para quem está habituado com a revolução proporcionada pelas mídias sociais, a paródia não tem nada de novo. Ela, aliás, é quase tão óbvia quanto a importância da reciclagem e dos carros elétricos. Mas chega a ser chocante ao mostrar que nós, nascidos e criados no século passado, achávamos normal o enorme desperdício de tempo e recursos.</p>
<p>Naquela época existiam &#8220;publicitários&#8221;, profissionais cuja única função era tornar a mensagem de uma marca pública. Categoria em vias de extinção, ela era caracterizada por um ego imenso, só superado pela influência que tinha junto aos &#8220;formadores de opinião&#8221; &#8211; figurinhas carentes que usurpavam o palco e o jornalismo ao usar suas imagens públicas, não necessariamente verdadeiras, para referendar algum produto ou serviço. Acredito que o neto que um dia terei me perguntará porque não blogávamos ou tuitávamos ou facebucávamos ou orcutávamos ou&#8230; OK, você entendeu.</p>
<p><img style="margin: 10px; float: left;" title="Bill Bryson" src="http://www.hikawa.com.br/uploaded_images/brevehist-706898.jpg" alt="Bryson" width="125" height="200" />Este post não foi escrito para chicotear cavalo morto, mas para mostrar como é difícil ver a inovação se você está do lado de dentro de uma indústria estabelecida. &#8220;Não se mexe em time que está ganhando&#8221;, diz a sabedoria(?) popular, embora a <a href="http://www.hikawa.com.br/2005/09/breve-histria-de-quase-tudo_27.html" target="_blank">história da ciência</a> mostre exatamente o contrário: as descobertas costumam ser revolucionárias a ponto de questionar o mundo como o conhecíamos e perceber que as coisas não são tão simples assim. Foi o que aconteceu quando se descobriu a América, as placas tectônicas, as bactérias, a radioatividade e as leis do espaço-tempo propostas por aquele <a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Albert_Einstein" target="_blank">burocrata</a> que, apesar de brilhante, nunca entendeu direito a Mecânica Quântica <a href="http://www.quotedb.com/quotes/878" target="_blank">nem aceitou</a> que ela pudesse ser verdadeira, a ponto de desperdiçar o fim de sua carreira para tentar provar que ela estava errada.</p>
<p>Não há dúvidas que uma mente capaz de propor, sem citar praticamente ninguém nem conduzir experimentos, que o que conhecíamos por universo estava errado e que espaço e tempo estavam intimamente relacionados (entre outras coisinhas) é brilhante. E, no entanto, mesmo um Einstein chega a um momento da vida em que se apega às conquistas estabelecidas, recusa o novo, se cristaliza e afunda. É da natureza humana.</p>
<p>Na velocidade com que as coisas mudam, não podemos nos dar mais a tais luxos. É preciso estar sempre alerta e preparado para mudar o tempo todo. A única forma para isso é evitar qualquer forma de apego a idéias estabelecidas e estar sempre preparado para examinar o novo. Veja bem, eu disse <strong>EXAMINAR</strong>, não aceitar. Nem sempre a inovação é boa, o mundo seria melhor se <a href="http://en.wikipedia.org/wiki/Thomas_Midgley,_Jr." target="_blank">alguns inventores</a> nunca tivessem exercido a profissão. Na dúvida, lembre-se do <a href="http://en.wikipedia.org/wiki/Year_2000_problem">Bug do Milênio</a> ou do SecondLife.
</p>
<p style="text-align: center;">Por falar neste último, vamos dar uma olhadinha em mais um vídeo:</p>
<p style="text-align: center;"><object classid="clsid:d27cdb6e-ae6d-11cf-96b8-444553540000" width="425" height="344" codebase="http://download.macromedia.com/pub/shockwave/cabs/flash/swflash.cab#version=6,0,40,0"><param name="allowFullScreen" value="true" /><param name="allowscriptaccess" value="always" /><param name="src" value="http://www.youtube.com/v/5SJup6CGiO4&amp;hl=en&amp;fs=1&amp;" /><param name="allowfullscreen" value="true" /><embed type="application/x-shockwave-flash" width="425" height="344" src="http://www.youtube.com/v/5SJup6CGiO4&amp;hl=en&amp;fs=1&amp;" allowscriptaccess="always" allowfullscreen="true"></embed></object>
</p>
<p style="text-align: center;">Esses italianos fizeram uns logotipos lindos, não?</p>
<p>Hummm&#8230; algo não cheira bem. Todos sabem que o <a href="http://secondlife.com/" target="_blank">Vida de Segunda</a> não deu exatamente certo e que essas projeções são um bocado estranhas. O resultado é que o vídeo ficou um pouco velho para quem tinha aspirações futurólogas. A ponto deste aqui, ainda mais antigo, parecer mais real:</p>
<p style="text-align: center;"><object classid="clsid:d27cdb6e-ae6d-11cf-96b8-444553540000" width="425" height="344" codebase="http://download.macromedia.com/pub/shockwave/cabs/flash/swflash.cab#version=6,0,40,0"><param name="allowFullScreen" value="true" /><param name="allowscriptaccess" value="always" /><param name="src" value="http://www.youtube.com/v/4OZ-ANCEchM&amp;hl=en&amp;fs=1&amp;" /><param name="allowfullscreen" value="true" /><embed type="application/x-shockwave-flash" width="425" height="344" src="http://www.youtube.com/v/4OZ-ANCEchM&amp;hl=en&amp;fs=1&amp;" allowscriptaccess="always" allowfullscreen="true"></embed></object></p>
<p>Mesmo assim ele ainda dá umas mancadas bem básicas, como realçar a importância do Friendster e ignorar boa parte das redes sociais. Em um dos vídeos, Google e Amazon são concorrentes. No outro, juntam forças. Talvez falte um para dizer que se aniquilarão mutuamente. Ninguém fala da Apple. Mas não por isso, deixemos a Microsoft falar:
</p>
<p style="text-align: center;"><object classid="clsid:d27cdb6e-ae6d-11cf-96b8-444553540000" width="450" height="273" codebase="http://download.macromedia.com/pub/shockwave/cabs/flash/swflash.cab#version=6,0,40,0"><param name="allowFullScreen" value="true" /><param name="allowscriptaccess" value="always" /><param name="src" value="http://www.youtube.com/v/HvA9lA7_5FE&amp;hl=en&amp;fs=1&amp;" /><param name="allowfullscreen" value="true" /><embed type="application/x-shockwave-flash" width="450" height="273" src="http://www.youtube.com/v/HvA9lA7_5FE&amp;hl=en&amp;fs=1&amp;" allowscriptaccess="always" allowfullscreen="true"></embed></object>
</p>
<p style="text-align: center;">O vídeo mostra iPhones em paredes, vidros, mesas, cartões.<br />
Será que o futuro terá tanto texto? Eu duvido.</p>
<p>Não é fácil prever o futuro. Afinal de contas, as mudanças recentes desta virada de milênio acumularam um conjunto tão grande de novas tecnologias a ponto que hoje dá para olhar para alguém de 28 anos com a mesma admiração com que antigamente se olhava para pessoas centenárias e pensar &#8220;nossa, você deve ter visto tanta coisa na vida&#8230;&#8221; &#8211; mas isso não é desculpa para a preguiça intelectual que nos leva a acreditar que &#8220;chegamos lá&#8221; ou que os próximos anos trarão uma consolidação das tecnologias, &#8220;mais e melhor do mesmo&#8221;.</p>
<p>Muito pelo contrário. Uma forma fácil de se considerar o futuro é usar uma frase que pensei há alguns anos e que repito sempre:
</p>
<p style="text-align: center;"><span style="font-size: large;"><span style="color: #ff6600;"><strong>&#8220;o futuro é igual ao presente,<br />
tirado dele as coisas que não fazem sentido&#8221;</strong></span></span></p>
<p>Cartórios, trânsito, mídia de massa, publicidade irritante que interrompe a experiência, guardar de cabeça números de telefone, milhões de senhas e endereços de e-mail serão coisas que devem desaparecer nos próximos anos. E o devem fazer discretamente, como aconteceu com orelhões, máquinas de escrever, cartões perfurados, máquinas de fax e aparelhos VHS.</p>
<p>Mas para isso é preciso aprender a examinar as informações que nos chegam. O vídeo a seguir, muito comentado, traz um erro crucial de raciocínio:
</p>
<p style="text-align: center;"><object classid="clsid:d27cdb6e-ae6d-11cf-96b8-444553540000" width="450" height="273" codebase="http://download.macromedia.com/pub/shockwave/cabs/flash/swflash.cab#version=6,0,40,0"><param name="allowFullScreen" value="true" /><param name="allowscriptaccess" value="always" /><param name="src" value="http://www.youtube.com/v/sIFYPQjYhv8&amp;hl=en&amp;fs=1&amp;" /><param name="allowfullscreen" value="true" /><embed type="application/x-shockwave-flash" width="450" height="273" src="http://www.youtube.com/v/sIFYPQjYhv8&amp;hl=en&amp;fs=1&amp;" allowscriptaccess="always" allowfullscreen="true"></embed></object>
</p>
<p style="text-align: center;">
<p style="text-align: left;">Mas eu só o contarei no próximo post. Enquanto isso, proponho um segundo desafio: diga-me o que há de &#8220;estranho&#8221; nesse vídeo xarope de auto-ajuda (fora, é claro, o fato de ele ser um vídeo xarope de auto-ajuda):</p>
<p style="text-align: center;"><object classid="clsid:d27cdb6e-ae6d-11cf-96b8-444553540000" width="425" height="344" codebase="http://download.macromedia.com/pub/shockwave/cabs/flash/swflash.cab#version=6,0,40,0"><param name="allowFullScreen" value="true" /><param name="allowscriptaccess" value="always" /><param name="src" value="http://www.youtube.com/v/ol2fN0bZCso&amp;hl=en&amp;fs=1&amp;" /><param name="allowfullscreen" value="true" /><embed type="application/x-shockwave-flash" width="425" height="344" src="http://www.youtube.com/v/ol2fN0bZCso&amp;hl=en&amp;fs=1&amp;" allowscriptaccess="always" allowfullscreen="true"></embed></object></p>
<p>Algumas coisas para ajudar você a desvendar o que está estranho:</p>
<ol>
<li>O texto deste vídeo não foi feito pela DM9DDB nem tinha a intenção de ser um roteiro de vídeo;</li>
<li>O texto correu a Internet, ainda por e-mail, em uma época ingênua que acreditávamos em &#8220;<a href="http://www.blairwitch.com/" target="_blank">Blair Witch Project</a>&#8220;;</li>
<li>A autoria do texto rapidamente foi perdida, outros nomes apareceram como possíveis autores, de <a href="http://en.wikipedia.org/wiki/Kurt_Vonnegut">Kurt Vonnegut</a> até o bem menos glorioso Nisão Guanáis &#8211; todos o teriam dito em um discurso de formatura, mas não há registro de quem se lembre de ter ouvido um discurso tão memorável, ao contrário <a href="http://www.youtube.com/watch?v=D1R-jKKp3NA" target="_blank">daquele feito pelo Steve Jobs</a>;</li>
<li>O roteiro foi feito primeiro, a música veio depois &#8211; ela faz parte da trilha sonora de &#8220;<a href="http://www.imdb.com/media/rm4255554816/tt0117509" target="_blank">Romeu+Julieta</a>&#8220;;</li>
<li>A história lembra bem a <a href="http://www.youtube.com/watch?v=nR3Ny0tgHfc" target="_blank">deste vídeo</a>, que eu conto <a href="http://www.luli.com.br/textos/artigos-revista-webdesign/wd21/" target="_blank">neste artigo</a>. Curiosamente, o tema também é inovação.</li>
</ol>
<p>Uma frase, no entanto, chama a atenção: <span style="color: #ff6600;"><em>&#8220;os verdadeiros problemas da sua vida tenderão a ser coisas que nunca passaram pela sua cabeça. O tipo que cruza a sua frente às 4 da tarde de uma terça-feira ociosa&#8221;</em></span>. Me arrisco a dizer que as verdadeiras inovações seguem o mesmo rumo.</p>
<p>Mas isso é assunto para um próximo post.</p>
<img src="http://www.luli.com.br/admin/?ak_action=api_record_view&id=2687&type=feed" alt="" /><img src="http://feeds.feedburner.com/~r/radfahrer/~4/2_w8ON6JI_c" height="1" width="1"/>]]></content:encoded>
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		<title>Mais dois artigos</title>
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		<pubDate>Tue, 18 Aug 2009 18:59:38 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Radfahrer</dc:creator>
				<category><![CDATA[Carreira]]></category>
		<category><![CDATA[Inovação]]></category>

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		<description><![CDATA[
Ao receber minha edição da Webdesign de Agosto, percebi que a quarentena de seis meses já tinha vencido para os artigos de Janeiro e Fevereiro. O primeiro comenta que, no ritmo que as mídias e tecnologias andam, você deixa de ser &#8220;um jovem talento&#8221; bem rápido, ou:
Já foi chique acessar a Internet, ter e-mail, conta [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: center;"><img class="aligncenter" title="Robin" src="http://www.factualopinion.com/.a/6a00d83455e40a69e200e553e446458833-800wi" alt="Robin" width="400" height="320" /></p>
<p style="text-align: left;">Ao receber minha edição da Webdesign de Agosto, percebi que a quarentena de seis meses já tinha vencido para os artigos de <a href="http://www.luli.com.br/textos/artigos-revista-webdesign/vem-ai-geracao-hsm/" target="_blank">Janeiro</a> e <a href="http://www.luli.com.br/textos/artigos-revista-webdesign/workaholics-e-apaixonados-sutis-diferencas/" target="_blank">Fevereiro</a>. O primeiro comenta que, no ritmo que as mídias e tecnologias andam, você deixa de ser &#8220;um jovem talento&#8221; bem rápido, ou:</p>
<p style="text-align: center;"><span style="color: #ff6600;"><em>Já foi chique acessar a Internet, ter e-mail, conta em fórum, número de ICQ, jogar em MOODs, mentir a identidade em salas de chat, registrar um domínio, ser webdesigner, usar Flash, detonar no Photoshop, ter um Mac, usar banda larga, baixar torrents, defender sofware livre, consultar a Wikipedia, instalar o Napster, o Opera, o Firefox, ter conta no Orkut, no Flickr, no Facebook, ser blogueiro, usar Skype, assistir YouTube, descobrir os enigmas de LOST, repassar virais, mandar SMS, MMS, acessar a rede via GPRS, EDGE, WiFi, ter bluetooth no carro, teclar em um Blackberry, portar um iPhone, blogar no Twitter, ouvir podcasts, fazer mashups e adaptações caseiras de blockbusters, criar sua própria rede social e ser amigo íntimo de gente que você nunca viu na vida. Hoje todas essas coisas são banais.<br />
Algumas até já deixaram de ser usadas.</em></span></p>
<p>No de fevereiro, comento a diferença entre workaholic e apaixonado por seu trabalho, em uma época que todos trabalham cada vez mais, todos os dias. Minha maior preocupação é que:
</p>
<p style="text-align: center;"><em><span style="color: #ff6600;">Unanimidades me assustam. Não por serem burras, como dizia Nelson Rodrigues, mas por serem perigosamente emburrecedoras. A partir do instante que criam verdades absolutas, ninguém mais está autorizado a pensar no assunto. Questionar, argumentar ou se opor é praticamente uma heresia. E, como todo sacrilégio em religião fundamentalista, punido com o exílio.</span></em></p>
<p style="text-align: left;">Boa leitura: <a href="../../textos/artigos-revista-webdesign/vem-ai-geracao-hsm/" target="_blank">Janeiro</a> ||  <a href="../../textos/artigos-revista-webdesign/workaholics-e-apaixonados-sutis-diferencas/" target="_blank">Fevereiro</a>. Até semana que vem.</p>
<img src="http://www.luli.com.br/admin/?ak_action=api_record_view&id=2678&type=feed" alt="" /><img src="http://feeds.feedburner.com/~r/radfahrer/~4/hvO2KRMI-8s" height="1" width="1"/>]]></content:encoded>
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