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	<title>@radicallivros</title>
	
	<link>http://www.radicallivros.com.br</link>
	<description>O sítio oficial da Radical Livros na web</description>
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		<title>Sobre livros eletrônicos</title>
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		<comments>http://www.radicallivros.com.br/editora/sobre-livros-eletronicos/#comments</comments>
		<pubDate>Tue, 08 Nov 2011 20:17:53 +0000</pubDate>
		<dc:creator>gk</dc:creator>
				<category><![CDATA[Editora]]></category>

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		<description><![CDATA[Até o momento, a Radical Livros não possui qualquer título sob a forma de e-book, ou livro eletrônico. Em primeiro lugar, porque mal conseguimos tocar a editora com todos os afazeres que uma empreitada dessas demanda, quanto mais uma nova. Mais importante do que esse motivo, porém, é uma certa concepção filosófica do que seja [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Até o momento, a Radical Livros não possui qualquer título sob a forma de <em>e-book</em>, ou livro eletrônico.</p>
<p>Em primeiro lugar, porque mal conseguimos tocar a editora com todos os afazeres que uma empreitada dessas demanda, quanto mais uma nova.</p>
<p>Mais importante do que esse motivo, porém, é uma certa concepção filosófica do que seja um livro.</p>
<p>Para nós, da Radical Livros, um livro é, antes de tudo, um objeto de intenso prazer e não conseguimos, nem em nossos maiores <em>wild dreams</em>, olhar para uma amontoado de bytes como algo prazeroso.</p>
<p>Seria, acreditamos, relativamente simples transformar os títulos publicados até agora em livros eletrônicos, mas, ao mesmo tempo, teríamos que rever todos os contratos com editoras estrangeiras e autores da casa, pois todos foram feitos sem clásulas referentes a <em>e-books</em>.</p>
<p>Isso seria, sem dúvida, um porre.</p>
<p>Outros motivos que nos levam a adiar esse projeto, por enquanto, indefinidamente, são: o elitismo da coisa, a necessidade de vendermos o que produzimos até agora sob a forma de livros físicos e a estrutura tecnológica que teríamos de montar.</p>
<p>O primeiro motivo pode causar espanto. <em>E-books</em> elitistas? De certa forma o <em>e-book</em> é elitista sim, pois é preciso ter um computador ou um <em>e-reader</em> para consumi-lo e nem todos tem um aparelho desses.</p>
<p>O fato do <em>e-book</em> ser vendido por um preço que não pode estar muito distante do preço do livro físico também nos parece mais uma daquelas contradições capitalistas insuperáveis. Acreditem: se for para pagar 20% ou 30% a menos do que se paga por um livro de papel — preços invariavelmente praticados pelo mercado editorial —, não vale à pena o leitor investir em <em>e-books</em>. Além disso, não só preferimos como precisamos que os livros físicos que já temos em estoque circulem e nos capitalizem para podermos lançar outros livros, em papel ou como <em>e-books</em>.</p>
<p>E, por último, mas não menos importante, não gostaríamos de utilizar as plataformas que estão se formando no país para a venda de livros eletrônicos. Gostaríamos de desenvovler uma plataforma inteiramente independente. E isso demanda investimento de tempo e dinheiro em infra-estrutura e tecnologia, algo que não temos como fazer no momento.</p>
<p>Assim, esperamos que, por enquanto, os possíveis leitores dos títulos da Radical Livros se contentem com um objeto — insuperável em sua qualidade sensorial — que está no próprio nome da editora.</p>
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		<item>
		<title>Devastated ≠ Devastado</title>
		<link>http://feedproxy.google.com/~r/radicallivros/~3/3qUX_Kkg9-E/</link>
		<comments>http://www.radicallivros.com.br/editora/devastated-%e2%89%a0-devastado/#comments</comments>
		<pubDate>Sun, 06 Nov 2011 04:11:54 +0000</pubDate>
		<dc:creator>gk</dc:creator>
				<category><![CDATA[Editora]]></category>

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		<description><![CDATA[Afinal de contas, que diabos quer dizer &#8220;devastado&#8221;? Vamos ao pai dos burros: verbo transitivo direto 1 destruir de forma arrasadora; talar, assolar Ex.: uma nuvem de gafanhotos devastou a plantação transitivo direto 2 despojar com violência; saquear, pilhar, esbulhar Ex.: a tropa invasora devastou a região transitivo direto 3 causar dano a; arruinar Ex.: [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Afinal de contas, que diabos quer dizer &#8220;devastado&#8221;?<br />
Vamos ao pai dos burros:</p>
<blockquote>
<p><cite>verbo<br />
transitivo direto<br />
1	destruir de forma arrasadora; talar, assolar<br />
Ex.: uma nuvem de gafanhotos devastou a plantação<br />
</cite>
</p>
<p><cite>transitivo direto<br />
2	despojar com violência; saquear, pilhar, esbulhar<br />
Ex.: a tropa invasora devastou a região<br />
</cite>
</p>
<p><cite>transitivo direto<br />
3	causar dano a; arruinar<br />
Ex.: a ferrugem começava a d. os trigais<br />
</cite>
</p>
<p><cite>transitivo direto<br />
4	tornar deserto; despovoar<br />
Ex.: a doença, ainda desconhecida, vinha devastando a cidade<br />
</cite>
</p>
<p><cite>transitivo direto<br />
5	Diacronismo: antigo.<br />
percorrer (lugar desconhecido); devassar, descobrir<br />
Ex.: d. terras desconhecidas<br />
</cite>
</p>
</blockquote>
<p>Como se pode ver pelas cinco acepções que o Houaiss nos dá, a péssima tradução que se faz na imprensa brasileira já há algum tempo de &#8220;devastated&#8221; como &#8220;devastado&#8221; é um caso clássico de falso cognato.<br />
Devastated não é devastado, é arrasado.</p>
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		<item>
		<title>A propaganda é a alma do negócio</title>
		<link>http://feedproxy.google.com/~r/radicallivros/~3/LKTnr0bPmdk/</link>
		<comments>http://www.radicallivros.com.br/mercado/a-propaganda-e-a-alma-do-negocio/#comments</comments>
		<pubDate>Sun, 06 Nov 2011 04:11:30 +0000</pubDate>
		<dc:creator>gk</dc:creator>
				<category><![CDATA[Filosofia]]></category>
		<category><![CDATA[Mercado]]></category>

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		<description><![CDATA[&#8220;O espetáculo de escritores sendo usados para fazer publicidade de seus próprios livros, particularmente os escritores mais jovens, é deprimente e não funciona bem.&#8221; &#8211;J.M. Coetzee http://www1.folha.uol.com.br/colunas/sylviacolombo/977499-coetzee-em-buenos-aires.shtml]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>&#8220;O espetáculo de escritores sendo usados para fazer publicidade de seus próprios livros, particularmente os escritores mais jovens, é deprimente e não funciona bem.&#8221; &#8211;J.M. Coetzee</p>
<p>http://www1.folha.uol.com.br/colunas/sylviacolombo/977499-coetzee-em-buenos-aires.shtml</p>
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		<item>
		<title>Sociedades de controle</title>
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		<comments>http://www.radicallivros.com.br/filosofia/sociedades-de-controle/#comments</comments>
		<pubDate>Fri, 01 Jul 2011 21:24:42 +0000</pubDate>
		<dc:creator>gk</dc:creator>
				<category><![CDATA[Filosofia]]></category>

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		<description><![CDATA[É certo que entramos na era das sociedades de &#8220;controle&#8221;, que não são mais exatamente disciplinares. Foucault é, no mais das vezes, considerado como o pensador das sociedades da disciplina e de sua técnica principal, o confinamento (não somente o hospital e a prisão, mas a escola, a fábrica, o quartel). Mas, de fato, ele [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<blockquote><p>É certo que entramos na era das sociedades de &#8220;controle&#8221;, que não são mais exatamente disciplinares. Foucault é, no mais das vezes, considerado como o pensador das sociedades da disciplina e de sua técnica principal, o confinamento (não somente o hospital e a prisão, mas a escola, a fábrica, o quartel). Mas, de fato, ele é um dos primeiros a dizer que estamos deixando para trás as sociedades disciplinares, que já não somos mais isso. Entramos na sociedade de controle, que não mais funciona por confinamento, mas por controle contínuo e comunicação instantânea. É evidente que não deixamos de falar de prisão, de escola, de hospital: essas instituições estão em crise. Mas se elas estão em crise, é precisamente nos combates de retaguarda. Vão surgindo, aos poucos, novos tipos de sanções, de educação, de assistência. Os hospitais abertos, as equipes de assistência atendendo a domicílio etc. apareceram já há muito tempo. Podemos prever que a educação será cada vez menos algo fechado, distinta do meio profissional também fechado, e que ambos desaparecerão em favor de uma terrível formação permanente, de um controle contínuo exercido sobre o operário-estudante ou sobre o profissional universitário. Queremos acreditar que se trata de uma reforma da escola, quando na verdade se trata de uma liquidação. Em um regime de controle nunca se destrói completamente qualquer coisa. Você mesmo [Toni Negri], há muito tempo, analisou uma mutação do trabalho na Itália, ocorrida com as formas de trabalho temporário, domiciliar, que depois se afirmaram (o mesmo ocorrendo com novas formas de circulação e de distribuição de produtos). A cada tipo de sociedade, evidentemente, podemos encontrar um tipo de máquina correspondente: máquinas simples ou dinâmicas para as sociedades de soberania, máquinas energéticas para as sociedades disciplinares, as cibernéticas e os computadores para as sociedades de controle. Mas as máquinas nada explicam. É necessário analisar os agenciamentos coletivos entre os quais as máquinas são apenas uma parte. Frente às possíveis formas de controle incessante, em praça pública, pode ocorrer que os mais duros confinamentos nos pareçam pertencer a um passado agradável e benevolente. Há muito com que se preocupar nas pesquisas sobre os &#8220;universos da comunicação&#8221;. É verdade que, antes mesmo das sociedades de controle terem se organizado plenamente, as formas de delinquência ou de resistência — dois casos distintos — já aparecem. Por exemplo, os casos de pirataria ou os vírus de computador, que substituirão as greves e o que chamávamos no século XIX de &#8220;sabotage&#8221;(1). Você pergunta se as sociedades de controle ou de comunicação não suscitarão formas de resistência capazes de dar novas chances a um comunismo concebido como &#8220;organização transversal de indivíduos livres&#8221;. Não sei, talvez. Mas isso não ocorrerá em função de as minorias poderem retomar a palavra. Talvez a palavra, a comunicação, esteja podre. Elas estão completamente impregnadas de dinheiro: não por acidente, mas por natureza. É necessário subverter a palavra. Criar sempre foi coisa diferente de comunicar. Importará, talvez, criar vacúolos de não-comunicação, interruptores, para escapar ao controle.</p>
<p>(1) Sabotagem era originalmente o ato pelo qual os operários colocavam o &#8220;sabot&#8221; (tamanco) nas máquinas, com o intuito de travá-las. (NT).</p></blockquote>
<p>Gilles Deleuze, em entrevista a Toni Negri. In: O devir revolucionário e as criações políticas. <em>Novos Estudos CEBRAP</em>, nº 28, out. 1990. Tradução de João H. Costa Vargas. Publicada originalmente em <em>Futur antérieur</em>, nº 1, primavera de 1990.</p>
<p>O que espanta mais? O acerto do diagnóstico ou sua precocidade?</p>
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		<item>
		<title>This guy is a fucking genius</title>
		<link>http://feedproxy.google.com/~r/radicallivros/~3/mB-WgiGswyE/</link>
		<comments>http://www.radicallivros.com.br/filosofia/this-guy-is-a-fucking-genius/#comments</comments>
		<pubDate>Sat, 04 Dec 2010 15:58:08 +0000</pubDate>
		<dc:creator>gk</dc:creator>
				<category><![CDATA[Filosofia]]></category>

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		<description><![CDATA[Short people got no reason Short people got no reason Short people got no reason To live They got little hands Little eyes They walk around Tellin&#8217; great big lies They got little noses And tiny little teeth They wear platform shoes On their nasty little feet Well, I don&#8217;t want no short people Don&#8217;t [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><object classid="clsid:d27cdb6e-ae6d-11cf-96b8-444553540000" width="480" height="385" codebase="http://download.macromedia.com/pub/shockwave/cabs/flash/swflash.cab#version=6,0,40,0"><param name="allowFullScreen" value="true" /><param name="allowscriptaccess" value="always" /><param name="src" value="http://www.youtube.com/v/tazoid8UX5U?fs=1&amp;hl=en_US" /><param name="allowfullscreen" value="true" /><embed type="application/x-shockwave-flash" width="480" height="385" src="http://www.youtube.com/v/tazoid8UX5U?fs=1&amp;hl=en_US" allowscriptaccess="always" allowfullscreen="true"></embed></object></p>
<p>Short people got no reason<br />
Short people got no reason<br />
Short people got no reason<br />
To live</p>
<p>They got little hands<br />
Little eyes<br />
They walk around<br />
Tellin&#8217; great big lies<br />
They got little noses<br />
And tiny little teeth<br />
They wear platform shoes<br />
On their nasty little feet</p>
<p>Well, I don&#8217;t want no short people<br />
Don&#8217;t want no short people<br />
Don&#8217;t want no short people<br />
`Round here</p>
<p>Short people are just the same<br />
As you and I<br />
(A fool such as I)<br />
All men are brothers<br />
Until the day they die<br />
(It&#8217;s a wonderful world)</p>
<p>Short people got nobody<br />
Short people got nobody<br />
Short people got nobody<br />
To love</p>
<p>They got little baby legs<br />
That stand so low<br />
You got to pick em up<br />
Just to say hello<br />
They got little cars<br />
That go beep, beep, beep<br />
They got little voices<br />
Goin&#8217; peep, peep, peep<br />
They got grubby little fingers<br />
And dirty little minds<br />
They&#8217;re gonna get you every time</p>
<p>Well, I don&#8217;t want no short people<br />
Don&#8217;t want no short people<br />
Don&#8217;t want no short people<br />
&#8216;Round here</p>
<img src="http://feeds.feedburner.com/~r/radicallivros/~4/mB-WgiGswyE" height="1" width="1"/>]]></content:encoded>
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		<item>
		<title>Publicar ou perecer</title>
		<link>http://feedproxy.google.com/~r/radicallivros/~3/58t1FTpSRQw/</link>
		<comments>http://www.radicallivros.com.br/mercado/publicar-ou-perecer/#comments</comments>
		<pubDate>Mon, 29 Nov 2010 16:08:18 +0000</pubDate>
		<dc:creator>gk</dc:creator>
				<category><![CDATA[Mercado]]></category>

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		<description><![CDATA[Leio notícia veiculada pelo Publishnews com relato do 1º Ciclo de Palestras sobre os Futuros do Livro em que os expositores foram críticos ao modelo atual da indústria editorial de forte controle do que é ou não publicado, e defenderam o self-publishing – publicação independente pelo próprio autor – como uma alternativa importante para a [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div style="text-align: justify;">Leio <a href="http://www.publishnews.com.br/telas/noticias/detalhes.aspx?id=60170" target="_blank">notícia</a> veiculada pelo Publishnews com relato do <strong>1º Ciclo de Palestras sobre os Futuros do Livro</strong> em que os expositores</div>
<blockquote>
<div>foram críticos ao modelo atual da indústria editorial de forte controle do que é ou não publicado, e defenderam o self-publishing – publicação independente pelo próprio autor – como uma alternativa importante para a democratização do acesso à publicação.</div>
</blockquote>
<div style="text-align: justify;">Um editor americano convidado para o evento declarou:</div>
<blockquote>
<div>Acho que o modelo em que os editores decidem o que os leitores devem ler é errado.</div>
</blockquote>
<div style="text-align: justify;">Já para um autor, brasileiro, o problema é que:</div>
<blockquote>
<div style="text-align: justify;">Não existe a promoção do autor nacional. O editor brasileiro quer ir para Frankfurt e encontrar o bilhete premiado.</div>
</blockquote>
<div style="text-align: justify;">Mas a afirmação mais bizarra, sem dúvida, coube ao responsável por uma editora de livros digitais:</div>
<blockquote>
<div>Com um projeto paralelo de self-publishing, as editoras não precisam dizer não a nenhum autor.</div>
</blockquote>
<div style="text-align: justify;">Não é preciso trabalhar com livros para ficar um pouco perplexo com esses discursos.</div>
<div style="text-align: justify;">Como diria Jack, vamos por partes.</div>
<div style="text-align: justify;">O mundo editorial, hoje, precisa de MAIS editores, não de menos. O fato de que qualquer pessoa possa publicar um arquivo digital e chamá-lo de livro não transforma um amontoado de textos em um livro de verdade.</div>
<div style="text-align: justify;">O fato do livro digital permitir uma publicação a um custo muito menor também não autoriza que um editor publique todo autor que bata na sua porta.</div>
<div style="text-align: justify;">Infelizmente, a quantidade de textos ruins que uma editora recebe é muito grande.</div>
<div style="text-align: justify;">Obviamente, nenhum &#8220;autor&#8221; pensa assim. Toda pessoa que escreve um texto e o envia para uma editora imagina que seu texto é a última bolacha do pacote.</div>
<div style="text-align: justify;">Todos, sem exceção, ficam ofendidíssimos quando tem seus textos recusados, mas a verdade é simples: nem todo texto merece publicação.</div>
<div style="text-align: justify;">Outra ilusão diz respeito ao suposto caráter democrático do livro digital.</div>
<div style="text-align: justify;">Balela. E daí que o seu livro está disponível para download?</div>
<div style="text-align: justify;">Quantos leitores você imagina que vai ter?</div>
<div style="text-align: justify;">Basta olhar para os serviços de download de música em formato digital para logo percebermos que não é o fato do seu trabalho artístico estar disponível para venda/download sob a forma digital que o transforma em alguém que vive disso.</div>
<div style="text-align: justify;">Ainda vivemos no mundo do jabaculê e não é a imateralidade do suporte que vai fazer com que as massas conheçam todos os artistas independentes não ligados às grandes editoras ou gravadoras.</div>
<div style="text-align: justify;">E se o caso não é de sobreviver desses livros digitais, bem, de bons diletantes a terra está cheia.</div>
<div style="text-align: justify;">Há muito mais coisas entre o livro digital e a pilha de livros na entrada da livraria do que imagina a nossa vã filosofia editorial.</div>
<img src="http://feeds.feedburner.com/~r/radicallivros/~4/58t1FTpSRQw" height="1" width="1"/>]]></content:encoded>
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		<item>
		<title>“Como podemos ser antissionistas?”: uma conversa com Michel Warschawski</title>
		<link>http://feedproxy.google.com/~r/radicallivros/~3/rXMUR1d31lw/</link>
		<comments>http://www.radicallivros.com.br/palestina/como-podemos-ser-antisionistas-uma-conversa-com-michel-warschawski/#comments</comments>
		<pubDate>Thu, 14 Oct 2010 14:33:35 +0000</pubDate>
		<dc:creator>gk</dc:creator>
				<category><![CDATA[Palestina]]></category>

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		<description><![CDATA[“Como podemos ser antissionistas?”: uma conversa com Michel Warschawski Esta conversa com Michel Warschawski, incansável militante por uma paz justa, foi conduzida por Éric Hazan em novembro de 2008. Inicialmente, deveria constituir o último capítulo de uma obra a sair pela editora francesa La Fabrique sobre a questão do Estado único, no qual poderiam coabitar [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;"><strong>“Como podemos ser antissionistas?”: uma conversa com Michel Warschawski</strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Esta conversa com Michel Warschawski, incansável militante por uma paz justa, foi conduzida por Éric Hazan em novembro de 2008. Inicialmente, deveria constituir o último capítulo de uma obra a sair pela editora francesa La Fabrique sobre a questão do Estado único, no qual poderiam coabitar democraticamente os povos palestino e israelense.</strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Um mês depois desse encontro, Tsahal, como são conhecidas as forças militares israelenses, lançava a operação Chumbo Fundido — e acessoriamente “fósforo branco incandescente na sua pele” — sobre Gaza, aprofundando ainda mais o fosso sangrento entre palestinos e israelenses.</strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Mil e quatrocentos habitantes de Gaza enterrados mais tarde, as eleições israelenses de fevereiro de 2009 vieram a confirmar o endurecimento nacionalista do Estado sionista.</strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Com a colonização israelense cada vez mais voraz, apesar das promessas piedosas da comunidade internacional, a questão do Estado único parece, hoje em dia, completamente fora de discussão.</strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>O livro foi, portanto, recolocado na gaveta das utopias distantes.</strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Apesar de tudo, Éric Hazan propôs que a conversa fosse publicada on-line. Já que o presente parece sem saída e que o projeto dos dois Estados aparece igualmente irrealizável, por que se proibir de pesar e comparar essas duas utopias? Enquanto houver Warschawskis, haverá esperança.</strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Éric Hazan:</strong> Você nasceu em Estrasburgo, em 1949, e chegou a Israel em 1965. Você foi, me parece, membro fundador do movimento Matzpen…</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Michel Warschawski:</strong> Membro fundador não: o Matzpen [a bússola, em hebraico] foi criado em 1962 e eu entrei no movimento em 1968. Foi um movimento que é preciso situar no grande processo de ruptura com os partidos comunistas no começo dos anos 1960, ruptura que deu nascimento, em inúmeros países, a partidos maoístas, trotskistas etc. Entre nós, a ruptura de 1962 se deu em torno de três eixos. O primeiro era o conflito sino-soviético — não se tratava de tomar partido, mas queríamos saber o que se passava ali, algo que levava à questão da liberdade de expressão no partido. O segundo era a Revolução Cubana, que oferecia, ao mesmo tempo, uma perspectiva socialista diferente com relação à da URSS e à da China popular. E o terceiro eixo, e o mais importante, era uma releitura da guerra de 1948. Para o partido comunista israelense, a guerra de 1948 havia sido uma guerra de liberação nacional. A União Soviética e os seus satélites haviam apoiado Israel nessa guerra, haviam armado o país. O Matzpen se reposicionava sobre essa questão com a noção de colonização de Israel como Estado colonial.</p>
<p style="text-align: justify;">Quando me juntei ao Matzpen, ele era, antes de tudo, identificado com a luta contra a ocupação. Esse grupúsculo esteve na primeira página de todos os jornais durante dois anos. Só se falava do Matzpen, pois era a única voz dissonante no discurso completamente consensual da época: Israel foi atacado, o mundo árabe quer nos jogar ao mar etc. Éramos os únicos a falar da questão palestina. Dávamos prova de um ativismo desbragado, a ponto de, em 1970, o embaixador de Israel na Alemanha Oriental, diante dos estudantes que se recusavam a deixá-lo falar se a discussão não contasse com alguém do Matzpen para lhe dar maior equilíbrio, dizer: “Mas o que é o Matzpen, dez mil pessoas no máximo!”. Éramos quarenta…</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>EH:</strong> Em 1984, você fundou o Centro de Informação Alternativa, o AIC.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>MW:</strong> Isso foi resultado direto da guerra do Líbano, por um lado, e daquilo que chamaríamos, pouco tempo depois, a Intifada, por outro. Nos demos conta de que era preciso informar a opinião pública palestina da existência de uma fissura no consenso israelense, da emergência de um movimento dissidente. E, também, mostrar à parte mais esclarecida da opinião pública israelense que nos territórios ocupados emergia algo de fundamentalmente novo. Graças aos contatos que tínhamos como membros do Matzpen com redes palestinas, com militantes, víamos produzir-se um fenômeno novo e era preciso passar adiante essa informação. Mas, no fundo, a informação não foi nunca o objetivo principal do AIC. Tratava-se sobretudo de criar um espaço possível para uma cooperação e somos, ainda hoje, a única organização verdadeiramente israelo-palestina — não uma organização israelense com empregados palestinos. O conselho de administração é misto, com a participação de israelenses envolvidos no movimento social do país, líderes reconhecidos da esquerda palestina dos territórios ocupados e, também, palestinos de Israel.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>EH:</strong> Em 2000, você publicou um livro intitulado Le Défi binational [O desafio binacional].</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>MW:</strong> Nesse livro, não se tratava de escolher entre soluções com um Estado ou com dois Estados, mas, antes, de defender a ideia de um Estado binacional em uma perspectiva regional. Naquela época, ainda podíamos falar da revolução árabe, da unidade árabe, e a questão judaico-israelense se inseria em um contexto bastante diferente. O dos debates que tínhamos com os palestinos dizia respeito à existência de uma nação israelense. Nós lhes dizíamos: compartilhamos do seu projeto, mas toda solução progressista na Palestina deve levar em conta a existência do grupo que nós formamos. Não era o caso de criar dois Estados, mas de formar uma Palestina onde duas comunidades coabitariam, dois grupos nacionais iguais. Era, evidentemente e antes de tudo, uma recolocação em questão do princípio de um Estado judeu.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>EH:</strong> Depois disso, tivemos os encontros de Oslo, e todo mundo reconhecia a necessidade de um Estado palestino, até mesmo Bush, até mesmo Sarkozy. Um Estado como esse lhe parece ainda possível ou as bases materiais foram irreversivelmente destruídas pela política israelense?</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>MW:</strong> Essa noção de irreversibilidade me parece insustentável. Grandes impérios foram derrubados, a União Soviética foi desmembrada, o &#8216;Reich de mil anos&#8217; durou treze anos, as colonizações inglesa e francesa foram revertidas. Não vejo por que a colonização por Israel da Cisjordânia e de Gaza seria irreversível. Se falamos de questões materiais — o número de colônias, o número de colonos, a fragmentação territorial — tudo isso é reversível. Uma situação só se torna irreversível quando aqueles que são as vítimas deixam de acreditar que ela pode ser revertida. Nesse sentido, é instrutivo comparar a situação dos palestinos de Israel e os da Cisjordânia: os palestinos da Galileia anexada a Israel reivindicaram a separação durante cinco, seis anos. Mas, desde 1955, deixaram de acreditar nela, mudaram sua reivindicação para exigir igualdade de direitos. Quando isso aconteceu, a anexação se tornou irreversível. Ao contrário disso, os palestinos dos territórios ocupados, depois de 41 anos, continuam a se projetar na perspectiva de um Estado palestino independente. Mesmo que hoje em dia haja muito cinismo, e até mesmo certa resignação com relação à situação atual, os palestinos se apoiam sobre o discurso internacional e não renunciaram ao objetivo de um Estado palestino. A irreversibilidade não é uma questão objetiva, mas subjetiva.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>EH:</strong> A criação de um Estado palestino é compatível com a renúncia ao direito de retorno dos refugiados palestinos? E esse direito não é para Israel algo de inteiramente inaceitável? Vejo nisso uma fonte de irreversibilidade.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>MW:</strong> Isso é, com efeito, o ponto central do problema, muito mais do que uma questão territorial, a questão palestina é a questão do retorno dos refugiados. Ora, no que diz respeito a essa questão estamos muito longe de um compromisso aceitável entre os palestinos e a maioria da sociedade israelense. Houve um breve período em que pudemos acreditar nessa possibilidade: no começo daquilo que chamamos “o processo de paz”, no momento das negociações de Taba, a autoridade de Iasser Arafat pareceu poder fazer aceitar uma solução muito dolorosa no que diz respeito aos refugiados, um sacrifício muito custoso. Não vejo, hoje em dia, qual líder palestino poderia fazer com que se aceitasse um compromisso tão doloroso assim, fazer o direito dos refugiados a voltar a viver em seu país ser abandonado. Essa é a chave do problema e acho que estamos muito longe de uma solução.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>EH:</strong> Em favor de uma Estado palestino ou em geral?</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>MW:</strong> Em geral. Abou Mazen pode gesticular e encontrar-se com Olmert a cada quinze dias, não há nenhum processo de paz em andamento. Acho que estamos bem no meio da terceira fase do sionismo, que ainda se encontra em um estágio ofensivo. Podemos chamá-lo de “o plano Sharon” se o quisermos, pois Sharon foi aquele que o pensou, o arquitetou e o conduziu — e ele ainda o é, mesmo em seu coma profundo. Ele definiu muito bem sua concepção de Israel e do mundo em uma entrevista ao Haarezt, em 2002. Dizia, então: a paz não está na ordem do dia pelos próximos cinquenta anos, a guerra de independência não terminou [em hebraico, a expressão quer dizer guerra de constituição de Israel], Israel ainda não é um Estado constituído. A prioridade das prioridades não é a paz, no máximo os “acordos temporários de longo prazo” — temporários porque os palestinos não podem aceitá-los como definitivos, e a longo prazo porque não é possível renegociá-los a cada dois anos. E em cinquenta anos, quando tivermos completado a colonização da Palestina, poderemos fazer a paz, negociar as fronteiras desses enclaves palestinos. Sharon falava, desde 1978, desse plano de cantonização. Tudo isso era algo extremamente coerente. No fundo, existiram dois grandes políticos em Israel, aliás em perfeita continuidade de pensamento e de estratégia, Ben Gourion e Sharon. Não era por acaso que Ben Gourion considerava Sharon seu filho querido.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>EH:</strong> O que você acha da posição daqueles que dizem: hoje em dia, o Estado único existe, do rio Jordão até o mar, com um só poder, que é o de Israel. Reconheçamos a existência desse Estado e o transformemos em um Estado para todos os seus cidadãos?</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>MW:</strong> A resposta a essa pergunta não me pertence, ela pertence aos palestinos. Posso pensar que isso é irrealista, que é um sonho, que é algo hiper-radical ou, ao contrário, de um oportunismo perigoso, mas cabe a eles decidir pelo que eles lutam. E, no estado atual das coisas, o sentimento mais forte, mais profundo dos palestinos é: já os vimos bastante, peguem suas colônias, peguem seu exército e sumam daqui. Deixamos três quartos do país para vocês, mas não queremos mais ver suas malditas caras. É isso que é determinante e não as minhas utopias ou as suas. Os palestinos querem a separação, o que é, ao mesmo tempo, paradoxal porque ela está no centro da concepção sionista. Ela também se tornou um valor entre os palestinos.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>EH:</strong> Durante as minhas últimas viagens pela região, ouvi opiniões muito diferentes. Frequentemente, ouvi palestinos de todas as classes me dizerem: vivemos em paz com os judeus nesse país durante séculos e não vemos por que não poderíamos novamente viver com eles.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>MW:</strong> Também ouvi essas mesmas coisas, mas isso é, em geral, acompanhado por outro discurso, que se situa ora acima ora abaixo daquele: quando vocês partirão? Se houvesse coexistência, as coisas seriam simples, mas não há coexistência, há dominação. O israelense não é o vizinho com o qual podemos viver, com ou sem barreira, mas é o policial, ou o soldado, ou o patrão nas nossas costas. Claro, podemos, em um diálogo sereno, fazer emergir essa aspiração à coexistência que permitiria aos palestinos estar entre eles no conjunto de sua pátria histórica… Volto um pouco atrás no tempo: a colonização sionista foi a última a ganhar terreno. No momento em que o mundo começava a se descolonizar, depois da Segunda Guerra Mundial, vimos criar-se em Israel, depois do genocídio dos judeus, o último Estado colonial. Os palestinos foram o último povo colonizado a negociar sua independência, a Palestina foi o último vagão da descolonização. Nesse movimento, que vai do fim dos anos 1980 a Oslo, os palestinos, o movimento internacional de solidariedade, a opinião internacional, todo o mundo acreditava que a descolonização era possível. E, em um momento de transição, no qual os palestinos estavam prestes a obter um pedaço, o mundo caminhou em direção da recolonização. A ofensiva planejada pelos neoconservadores israelenses e norte-americanos desenvolveu-se por todo o mundo, e os palestinos se encontraram na linha de frente desse movimento de recolonização, quando estavam perto do seu objetivo, no momento em que Arafat recebia seu prêmio Nobel. Tenho uma lembrança precisa a respeito disso. Nunca fui visitar Arafat, les serre-mains ne sont pas trop mon affaire. Mas quando ele ficou preso em Moukata, um ano antes de sua morte, fui visitá-lo — para exprimir minha solidariedade com um prisioneiro. Enquanto as pessoas presentes trocavam banalidades, eu observava Arafat. Ele era de uma palidez extrema e repetia sem parar, como uma criança: “Mas eu não fiz nada, por que me trancam, a paz dos bravos, Itzhak Rabin, meu irmão… Ontem, eu era o prêmio Nobel da Paz e hoje sou um prisioneiro, quando eu não alterei a minha posição um milímetro sequer…”. Tive vontade de lhe dizer — mas não era o momento: “Não foi você que mudou, foi o mundo que deu uma virada e tornou a fazer de você um terrorista porque estamos nos tempos da reconquista, na recolonização”.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>EH:</strong> Qual estratégia adotar, dentro de Israel, para que a pequena minoria da qual você faz parte consiga crescer, consiga constituir algo diverso de um movimento que é quase um grupelho?</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>MW:</strong> Eu quase diria que é preciso agir com a mesma lógica que o Matzpen agiu há quarenta ou cinquenta anos. E, em primeiro lugar, lutar contra a filosofia da separação. Não contra a técnica da separação — um ou dois Estados — mas muito mais profundamente do que isso. Donde a importância da luta contra o muro. O muro, que representa, ao mesmo tempo, a ideia de separação e a de segurança, é popular, na esquerda também. É preciso lutar contra a separação como um valor. Para mim, a separação é como o divórcio. Às vezes, para ter uma existência mais suportável, é preciso se separar. Mas o divórcio não é um valor em si, é uma técnica para resolver um problema. Aqui, pode ser que em determinado estágio do conflito, o melhor seja separar-se. Foi a escolha feita pelo Conselho Nacional Palestino, em 1988. Mas no pensamento sionista — e trata-se de muito mais do que uma técnica ou uma estratégia política — a separação é um valor. Para os sionistas, muito antes do muro, a normalidade é a homogeneidade. O sionismo é o puro produto do pensamento étnico do fim do século XIX, da solução étnica do fim dos impérios — pan-eslavista, austro-húngaro, otomano… A ideia de separação está no centro dessa concepção. Não é preciso buscar essa ideia na Bíblia, mas no pensamento moderno, pensamento no qual o mundo deveria ser remodelado com entidades homogêneas. Meu antissionismo funda-se sobre uma rejeição visceral, política e ética, da separação como valor. A filosofia da separação é uma filosofia da morte, da putrefação.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>EH:</strong> Quando você diz que não há contradição entre a luta contra a ideia de separação, por um lado, e a aceitação de um pequeno Estado de Israel, por outro, eu fico um pouco perplexo.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>MW:</strong> Não vejo contradição nisso. Hoje em dia, está fora de questão para os israelenses, da extrema-direita à extrema-esquerda, aceitar algo que não seja um Estado judeu, mais ou menos democrático na esquerda, indo até a expulsão dos palestinos na direita. Não podemos impor a vida em comunidade se as pessoas não a querem. Voltamos ao fator tempo: será preciso muito mais tempo para que as mentalidades mudem. Um Estado israelo-palestino só pode ser obtido por dois meios: pela força ou convencendo as pessoas. Podemos excluir a força, pois uma relação dessas não faria sentido. Em termos de adesão, acredito que isso não é possível nem para a geração presente, nem para a geração vindoura. Tenho esperança para aquela que virá depois. Mas é verdade que as coisas podem andar muito mais rápido do que a gente acredita que elas possam. No momento em que ocorriam os encontros de Oslo, observei muito os jovens, os da geração da minha filha Talila. Eles não se perguntavam: de onde ele é? Quem é ele? Havia entre eles uma alegria pura, inteiramente diferente da dos políticos que se regozijavam da seguinte maneira: impusemos-lhes o reconhecimento de Israel, os pegamos. Os jovens estavam felizes de poder ir a Ramalah, apenas para tomar uma cerveja, para acabar com o confinamento. A porta de repente estava aberta. E isso pode voltar muito rapidamente: uma nova conjuntura internacional que permitisse uma nova atitude com relação aos palestinos, muito mais do que um acordo diplomático ou outro. Com menos exigências até, nesse intervalo houve os atentados suicidas, e ainda mais com a grande mentira de Barak [sobre as “ofertas generosas”, a “ausência de interlocutores” em Camp David, no verão de 2000]. Barak destruiu a crença em uma paz possível, ele arrebentou o horizonte da paz, é o maior criminoso que já tivemos nesse país.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>EH:</strong> Os que trabalham como você, com você, o que devem fazer?</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>MW:</strong> Sob o risco de passar por um marxista primário, diria que não somos nós, mesmo que multiplicados por dez, que poderemos fazer a situação evoluir. Antes da primeira Intifada, no começo dos anos 1980, havia uma grande quantidade de grupos, de organizações, de iniciativas israelo-palestinas. Eu tinha um escritório no complexo do Faysal Hussein [membro do Comitê executivo da OLP], estávamos em uma espécie de simbiose. E depois, no momento em que se entrou em um combate real, nos separamos. Eles ficaram lá, confrontando-se com o exército, formando comitês populares. Nós, do nosso lado, trabalhávamos para criar um movimento israelense de apoio. Vimos a mesma coisa durante a primeira guerra do Líbano: quando o que está em jogo é maior, em que emerge a possibilidade de um movimento maciço, a centralidade do trabalho em comum é relativizada. É quando a onda é descendente que temos a disponibilidade para a reflexão em comum, para as iniciativas simbólicas comuns.</p>
<p style="text-align: justify;">Publicado originalmente em 14 de outubro de 2009 no sítio <a href="http://www.eutopic.lautre.net/coordination/spip.php?article4641" target="_blank">Eutopic</a>.</p>
<p style="text-align: justify;"><em>Tradução: Georges Kormikiaris</em></p>
<p style="text-align: justify;"><em>Revisão: Daniela Alvares</em></p>
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		<title>Por que escrevo livros tão bons?</title>
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		<pubDate>Sat, 02 Oct 2010 19:26:29 +0000</pubDate>
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		<description><![CDATA[Nunca use a palavra &#8220;Eu&#8221;, exceto em cartas. Walter Benjamin]]></description>
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<p>Walter Benjamin</p>
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		<title>Guerras por água</title>
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		<pubDate>Thu, 30 Sep 2010 20:19:16 +0000</pubDate>
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			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;">Com o subtítulo de &#8220;Privatização, poluição e lucro&#8221;, Vandana Shiva não deixa dúvidas do que vai tratar no terceiro livro publicado pela Radical Livros: a apropriação de um bem comum fundamental para a humanidade por parte de grupos políticos e econômicos interessados em transformar um direito do homem em fonte de lucro.</p>
<p style="text-align: justify;">
<p><a href="http://www.radicallivros.com.br/wp-content/uploads/2010/09/GPA.jpg"><img class="size-full wp-image-28 alignleft" style="margin: 20px;" title="Guerras por água" src="http://www.radicallivros.com.br/wp-content/uploads/2010/09/GPA.jpg" alt="Guerras por água" width="189" height="283" /></a></p>
<p style="text-align: justify;">Descobri a ativista indiana quando ela teve publicado seu primeiro livro em português, <em>Biopirataria</em>, na finada coleção <a href="http://www.livrariacultura.com.br/scripts/cultura/busca/busca.asp?parceiro=OEPPPX&amp;tipo_pesq=colecao&amp;palavracolecao=ZERO%20A%20ESQUERDA&amp;refino=2&amp;sid=11125310612930493172344932&amp;k5=2CCD97F&amp;uid=" target="_blank">Zero à esquerda</a>, de saudosa memória.</p>
<p style="text-align: justify;">Não foi muito difícil chegar à conclusão que devia publicar um livro em que uma autora da qualidade dela mostrava como algo tão precioso quanto a água, essencial para a sobrevivência da espécie, era um dos principais componentes dos conflitos do Oriente Médio, conflitos muitas vezes mascarados como sendo apenas de ordem religiosa.</p>
<p style="text-align: justify;">Esse bem, sem o qual a vida humana não é possível, vem sendo privatizado e transformado em fonte de lucro para grandes empresas multinacionais e transnacionais, enquanto os governos pouco fazem para reverter esse quadro no contexto da assim chamada globalização.</p>
<p style="text-align: justify;">Por trás desse movimento estão relacionados todos os mecanismos de apropriação da natureza com o único objetivo de reproduzir continuamente o capital, numa acumulação sem fim e sem sentido. Ao privatizar a natureza e seus recursos naturais, o homem torna-se responsável não apenas pela dizimação de sua própria espécie, mas pela destruição do planeta Terra.</p>
<p style="text-align: justify;">Grandes enchentes, furacões, ciclones, desertificação de terras antes agricultáveis, todos fenômenos “naturais” inter-relacionados e causados pela exploração da natureza baseada somente no lucro e no desprezo à vida humana.</p>
<p style="text-align: justify;">Guerras por água descreve e analisa o atual estágio de privatização da água e a ligação desta com uma agricultura comercial, que desconsidera os métodos tradicionais e auto-sustentáveis praticados por milênios, que são eliminados na ânsia por lucro e nada mais.</p>
<p style="text-align: justify;">Este livro mostra, ainda, que “se as guerras do século XX foram disputas por petróleo, as guerras do século XXI serão travadas por água”.</p>
<p style="text-align: justify;">Para saber mais: <a href="http://www.radicallivros.com.br/wp-content/uploads/2010/09/release_GPA.pdf" target="_blank">release</a>, <a href="http://www.radicallivros.com.br/wp-content/uploads/2010/09/biografia_shiva.pdf" target="_blank">biografia da autora</a>, um <a href="http://www.radicallivros.com.br/wp-content/uploads/2010/09/capítulo_1_excerto_gpa.pdf" target="_blank">excerto</a> do livro e a <a href="http://www.radicallivros.com.br/wp-content/uploads/2010/09/capa_altares_GPA.jpg" target="_blank">capa</a> em alta resolução.</p>
<p style="text-align: justify;">Não deixe de ler também a excelente entrevista que publicamos aqui no sítio: <a href="http://www.radicallivros.com.br/?p=80" target="_blank">Monoculturas da mente: uma entrevista com Vandana Shiva</a>.</p>
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