distopia
out 28

Independência ou Morte – parte II

By rafaelreinehr | Contos , Literatura

Brazil, 7 de setembro de 2072

Marcelo chega em casa de mais uma rotina massacrante nos Campos de Concentração Alimentar. Seu portão da garagem há alguns dias estava demorando para abrir. O trânsito na rua estava restrito para automóveis que ainda se moviam com motores a combustão, como o seu. Desde que o governo criou o ProLixo, em 2065, favorecendo veículos impulsionados a lixo tratado quimicamente nos Grandes Depósitos Penitenciários, Marcelo sabia que não iria poder manter seu belo Chevro-Fiat-Volks 2050.

A legislação, naqueles dias, estava bem mais dura. Era preciso andar na linha.

Enquanto esperava a total abertura do portão, Marcelo colocou parte da sua roda dianteira direita sobre a calçada. Assim o fez afim de não atrapalhar o fluxo do trânsito.

De súbito, um alarme tonitroante que buzinava Triiii-óh-triiiii-óh-triiiii-óh começou a soar. Junto a ele uma placa holográfica e luzes vermelho-brancas piscantes anunciavam:

[Chegada do Magnânimo Fiscal de Muitas das Cousas]

Sabendo da importância do referido fiscal Marcelo mui respeitosamente concedeu-lhe uma reverência. Em seguida perguntou, mais do que educadamente:

– Vossa Eminência Exuberante, como posso ser-lhe útil e tornar mais agradável seu dia de hoje?

– Saia já do carro e coloque as mãos na parede! – vociferou o oficial.

– M… mas… mas o que foi que eu fiz?

– Vossa senhoria não está a par da nova legislação aprovada na madrugada de ontem para hoje? Chancelada pela nossa Nobre Congregação de Ilustres Deliberadores dos Assuntos Públicos?

– N… Não! Poderia me esclarecer?

– A partir de hoje, às 8:00 da manhã, é terminantemente proibido estacionar sobre a calçada. Sobre qualquer calçada.

– Mas eu não estou estacionado sobre a calçada! Estou aguardando o portão abrir, para colocar o carro na garagem!

– Vossa senhoria estava claramente estacionado. É nítido e claro que seu veículo encontrava-se parado, e não em movimento!

– Mas isso é absurdo! Eu apenas comecei a subir na calçada para que a traseira do meu carro não atrapalhasse o trânsito. Veja quantos outros automóveis estão na via pública a este horário!

– Vossa senhoria está querendo dizer que eu estou equivocado em minha avaliação? Vossa senhoria sabe a penalidade por acusar de forma caluniosa um Magnânimo Fiscal?  Um Oficial Representante do Governus Theosoficus Maximus da Nação Brazileira?

– Hummm… não… não… não quis dizer isso! Vamos resolver este mal entendido!

– Não há nenhum mal entendido. Você foi flagrado em pleno crime de Superposição Calçadística com Veículo de Transporte a Motor. E a pena, conforme a legislação recém-promulgada é a retenção do veículo e a condução coercitiva do meliante e confinamento temporário.

– Maaaaas… Como assim? Eu trabalho o dia inteiro naqueles malditos Campos de Concentração Alimentar! Retiro minerais e elementos químicos úteis de alimentos podres, animais mortos e toda sorte de material em decomposição. Transformo lixo e todo tipo de resíduos das Grandes Indústrias do Norte em rações e cápsulas comestíveis. Detritos gerados a partir do lixo dos produtos criados para o deleite dos Bem-Aventurados Meritocratas das Famílias Escolhidas.

Subprodutos que são utilizados para alimentar as multidões famintas da Periferia Maravilhosa Para Pessoas Especiais e Igualmente Maravilhosas.

Que nome inadequado e mal descritivo para aqueles cortiços imundos – pensou Marcelo. Trabalho da propaganda duplipensante do Governus. Bolsões infectos para os quais são enviadas as pessoas desempregadas, enfermas e desajustadas. Alimentadas com as sobras do lixo do lixo. Com aquelas cápsulas e rações horríveis que são obrigados a consumir para tentar viver 30 a 40 anos de uma vida insípida, malcheirosa e cinza…

– Shiiit… Ta ta ta ta… Sem chororô. Saia logo do automóvel e se posicione conforme ordenado, ou as coisas ficarão realmente feias por aqui. Estou vendo que sua filha Penélope está estudando em uma Escola do Grande Estado do Sulito. Estou enviando uma ordem temporária de suspensão de 30 dias válida a contar de agora. Você sabe o que significa não concluir seus estudos, em nossa Máxima Nação, não sabe? Já viu acontecer com seu filho Augusto, tenho aqui nos meus registros.

Marcelo ficou mudo. Levantou-se do carro, refém daquela situação estapafúrdia. Estapafúrdia, talvez, para quem a estivesse visualizando a partir de 2016 ou 2017, anos em que o Grande Golpe ainda não havia sido percebido por boa parte da população brazileira. Naqueles anos, uma poderosa aliança entre facções com interesses distintos mas que caminhavam juntos com um mesmo objetivo estava apenas começando a consolidar sua ponte para o futuro. O sonho de criar uma Aristocracia poderosa e permanente estava rebrotando. O então chamado Congresso Nacional era dominado por grupos chamados Bancadas. Estas se dividiam, principalmente, entre a Bancada Ruralista – defensora dos interesses dos grandes proprietários de terra, pecuaristas e produtores de monoculturas;  a Bancada Evangélica – defensora dos interesses da população cristã evangélica, bem a verdade dos pastores e comandantes de rebanhos pentecostais e neopentecostais; a Bancada das Empreiteiras e Construtoras – cujo nome é auto-explicativo;  a Bancada Empresarial – representante dos grandes empresários industriais e comerciais do país;  a Bancada dos Parentes – composta de políticos com familiares na política;  e a menor mas barulhenta Bancada da Bala – composta por políticos que lutam pelos direitos de autodefesa individual através do armamento pessoal.

Estes grupos começaram a gerar alianças e apoiarem mutuamente seus projetos. Gradualmente, passaram leis cada vez mais excludentes e intolerantes para com certos grupos. Negros, lésbicas, gays, bissexuais, travestis, transgêneros e transsexuais, classes economicamente desfavorecidas…  Quaisquer minorias e pessoas que buscassem mitigar a intolerância religiosa com discursos humanistas e igualitários eram alvos destas bancadas.

O governo da então chamada República Federativa do Brasil passou por intensos e sucessivos golpes à então existente pseudodemocracia. À época já elegia indivíduos e corporações economicamente favorecidas. Avançou cada vez mais com a supressão de direitos individuais com concomitante aumento dos deveres e surgimento de legislações progressivamente mais opressoras. Estas foram avançando nos centros urbanos e áreas rurais, retirando posses da classe trabalhadora e inflando um gigantesco sistema presidiário privado. A este foi dado o nome de Sistema Prisional Ultranacional. Contava com Grandes Depósitos Penitenciários que acolhiam as pessoas que eram extraídas de suas moradias e locais de trabalho após mínimas infrações.

A ideia do governo por volta de 2035 era simples: com a criação de penas severas para delitos simples, poderiam justificar a retirada de direitos outrora básicos das pessoas. Tais direitos incluíam acesso à saúde pública, à previdência social e à educação gratuita. Esta última suprimida desde o Plano de Incorporação Trabalhista Compulsório de 2029. Ele incluía todas as crianças a partir de 8 anos em um sistema de trabalho e aprendizado técnico de um ofício conforme a Tabela de Necessidades Industriais e Comerciais. Criado pelo Ministério da Educação e Trabalho (comandado pelos maiores acionistas empresariais da época), o Plano foi brindado como uma revolução educacional e trabalhista.

Com a retirada dos direitos, instituiu-se prisão por períodos determinados – 30 dias inicialmente, com penas subsequentemente maiores para novos delitos – como por exemplo tomar café em local público com mais de 2 amigos por mais de 30 minutos, leitura do livro O Capital, de Karl Marx, ou publicação de qualquer crítica ao Governus Theosoficus Maximus nas mídias sociais. Estas eram escrutinadas por algoritmos e robôs que denunciavam, penalizavam e notificavam automaticamente os Magnânimos Fiscais de Muitas das Cousas.

Os Grandes Depósitos Penitenciários logo se transformaram em uma grande solução na qual seres humanos eram depositados para trabalhar quase de graça (em troca de míseras rações alimentares produzidas a partir de sobras e produtos em degradação que eram limpos quimicamente e concentrados nas Máquinas de Reconversão Nutricional, nos Campos de Concentração Alimentar).

Marcelo é então levado, pela terceira vez nos últimos 15 meses, para o Grande Depósito Penitenciário da Baixada Melancólica. Da primeira vez, cumpriu 30 dias. Na segunda 60 dias e, agora, 90 dias estavam reservados para si. As penalizações eram linearmente progressivas para crimes leves e exponencialmente progressivas para crimes considerados moderados e graves.

Na primeira infração, foi penalizado por fumar um charuto originado na nuclearmente extinta ilha de Cuba em um local público. Na segunda, por fazer o download de uma música da banda Rage Against the Machine, banida 2 dias antes pela Nobre Congregação de Ilustres Deliberadores dos Assuntos Públicos. Esta era resultado horripilante de 55 anos de hibridizações políticas da mais abominável estirpe brazileira.

Como de costume, era permitido ao recém-chegado ao Depósito Penitenciário realizar uma ligação telepática monitorada ou enviar até 11 mensagens  de 140 caracteres via AIA. Os Algoritmos de Inteligência Artificial que substituiram os aplicativos de cinco décadas antes eram a forma mais usual de comunicação rápida então.

Marcelo estava em dúvida se avisava Ana Terra, sua companheira e mãe de Penélope ou se avisava sua filha. Ana estava foragida há 3 semanas por ter digitado as palavras “por uma vida mais livre e feliz” na ferramenta de busca “MNOQ”. MNOQ, ou Mil Novecentos e Oitenta e Quatro, era o único motor de busca permitido pelo Governus há alguns anos.

Decidiu avisar a filha, para não expor sua companheira.

Preferiu usar um dos AIAs disponíveis então, chamado SiriNow. Mandou as seguintes mensagens, todas elas monitoradas desde o Grande Ato Pacificador das Comunicações de 2032:

“Penélope querida, fui novamente convidado a passar alguns dias no Depósito da Baixada. Envio 3 mensagens Práticas, 3 Públicas e 4 Póstumas”

“Temos rações e algumas cápsulas não tão horríveis que consegui armazenar na parte de cima da despensa. Devem te alimentar por bom tempo”

“Não tenho notícia da sua mãe há alguns dias, encontre-a, diga-lhe que a amo e amarei sempre. Ela saberá o que fazer com o que te direi”

“Existem alguns mecanismos de defesa, anonimato e desaparecimento naquele local que falamos nos contos e canções. É hora de usá-los”

“Cidadãos do Brasil – lembremos do tempo em que ainda éramos livres. Hoje iniciamos uma nova jornada de resistência. Preparem suas AIAs”

“Uma série de instruções que levarão à destruição da Grande Máquina Que a Todos Governa será enviada a todos. O Hemisfério Norte desintegrará”

“Os próximos dias serão cruciais. O Plano de Recuperação da Vida Humana está em andamento. Autobots farão seu trabalho. Mirem e deliciem-se”

“Por muito tempo fomos governados por mecanismos de dominação central controlados por poucas pessoas no mundo. Chegou a hora da mudança”

“A partir de hoje, cada humano tomará nas mãos as rédeas de suas próprias vidas. Toda tecnologia de controle e registro de riquezas sumiram”

“A utopia está lá no horizonte, e serve para uma coisa: para que continuemos a caminhar. Ubuntu. Namastê. Amor, Apoio Mútuo e Despertar

“Façamos funcionar o mundo para a humanidade através da cooperação espontânea sem ofensa ecológica ou desvantagens para qualquer um. R.B.F.”

[Enviar]

 

Conto fantástico e distópico constante no livro Descontos – Editora Rio das Letras (Santa Maria – RS – 2017)

out 02

Proibida a Modulação Hormonal Com Fins de Prevenir o Processo de Envelhecimento

By Rafael Reinehr | Medicina e Saúde , Senescência

A Segunda Turma do Tribunal Regional Federal da 5ª Região – TRF5 negou, por unanimidade, a apelação contra a Resolução Nº1999/2012, do Conselho Federal de Medicina (CFM).
A publicação do CFM tem por objetivo combater a prática de reposição hormonal sem comprovação científica, objetivando retardar, modular ou prevenir o processo de envelhecimento.
Esta Resolução foi questionada judicialmente por uma Associação, que impetrou ação civil coletiva (no Juízo da 1ª Vara Federal da Seção Judiciária do Ceará – SJCE), com o intuito de que o CFM fosse determinado a se abster de aplicar a Resolução aos médicos filiados à associação, tanto no presente quanto no futuro.
A ação foi negada na primeira instância, motivando recurso à segunda instância, mas, no dia 28/08/18, também foi negada por unanimidade. Desta forma ficou reconhecido o direito de o CFM regular e impedir a prática, que vinha sendo intitulada por alguns de “modulação hormonal”, e que a SBEM sempre combateu e reprovou por falta de evidências científicas.
Posição do CFM e do Relator
De acordo com o relator da apelação, desembargador federal convocado Frederico Wildson, não tem sentido afirmar que as práticas estão em conformidade com a referida resolução do CFM, tendo em vista que a aplicação da norma não se faz em tese e, sim, diante de cada caso concreto.
De acordo com colocações publicadas no site do Conselho, “verifica-se que, segundo o Conselho Federal de Medicina a falta de evidências científicas de benefícios e os riscos e malefícios que trazem à saúde não permitem o uso de terapias hormonais, com o objetivo de retardar, modular ou prevenir o processo de envelhecimento”. Ainda no site, o magistrado explica que o CFM entendeu que a chamada “terapia antienvelhecimento” oferece risco à saúde da população, motivo pelo qual editou o ato normativo impugnado.
A Resolução
No site do CFM está detalhada a Resolução 1999/2012. Vejam alguns pontos de destaque, entre os pontos:

  • Médicos que prescreverem métodos para deter o envelhecimento podem ser punidos com até com a perda do registro profissional.
  • Médicos brasileiros que prescreverem terapias com objetivo específico de conter os envelhecimento, práticas conhecidas como antiaging, estarão sujeitos às penalidades precisas em processos éticos.

– A íntegra pode ser acessada neste link

Ficam vedados o uso e divulgação dos seguintes procedimentos e respectivas indicações da chamada medicina antienvelhecimento:
I. Utilização do ácido etilenodiaminatetraacetico (EDTA), procaína, vitaminas e antioxidantes referidos como terapia antienvelhecimento, anticâncer, antiarteriosclerose ou voltadas para o tratamento de doenças crônico- degenerativas;
II. Quaisquer terapias antienvelhecimento, anticâncer, antiarteriosclerose ou voltadas para doenças crônico-degenerativas, exceto nas situações de deficiências diagnosticadas cuja reposição mostra evidências de benefícios cientificamente comprovados;
III. Utilização de hormônios, em qualquer formulação, inclusive o hormônio de crescimento, exceto nas situações de deficiências diagnosticadas cuja reposição mostra vidências de benefícios cientificamente comprovados;
De acordo com a Resolução CFM 1999/2012, a reposição de deficiências de hormônios e de outros elementos essenciais se fará somente em caso de deficiência específica comprovada e que tenham benefícios cientificamente comprovados:
IV. Tratamentos baseados na reposição, suplementação ou modulação hormonal com os objetivos de prevenir, retardar, modular e/ou reverter o processo de envelhecimento, prevenir a perda funcional da velhice, prevenir doenças crônicas e promover o envelhecimento saudável;
V. A prescrição de hormônios conhecidos como “bioidênticos” para o tratamento antienvelhecimento, com vistas a prevenir, retardar e/ou modular processo de envelhecimento, prevenir a perda funcional da velhice, prevenir doenças crônicas e promover o envelhecimento saudável;
VI. Os testes de saliva para dehidroepiandrosterona (DHEA), estrogênio, melatonina, progesterona, testosterona ou cortisol utilizados com a finalidade de triagem, diagnóstico ou acompanhamento da menopausa ou a doenças relacionadas ao envelhecimento, por não apresentar evidências científicas para a utilização na prática clínica diária.
Fonte: https://www.endocrino.org.br/terapias-hormonais-trf5-reconhece-resolucao-do-cfm/

set 22

Vem aí a Academia Medictando e a Comunidade Online #CadaVezMelhor

By Rafael Reinehr | Medictando

No ano passado, o Equinócio de Primavera trouxe uma decisão importante para minha vida: estava na hora de mergulhar por entre meus demônios e enfrentar as angústias que minha profissão proporcionava.
 
E assim, surgia o Rafael Reinehr – Endocrinologia Zen. A partir daquele momento, resolvi assumir com força uma postura que utiliza sim a ciência ocidental como base – afinal, foi nela que foi pautado meu conhecimento atual – mas que ultrapassa a noção de disfunção de órgãos, tecidos e sistemas – e alcança uma percepção integral do ser humano, incluindo seus medos, conquistas, alegrias e tristezas, bem como toda interdependência deste ser humano com a Natureza e o mundo animado e inanimado ao seu redor.
Endocrinologia Zen
 
Passei de uma atitude passiva, de absorver conhecimento científico desenhado por grupos de interesse (econômicos, industriais) e passei muito instintiva e ativamente a construir conceitos de saúde personalizados e singulares, com cada pessoa que passasse a minha frente.
 
Se para uma, o ajuste do nível do hormônio da tireóide é busca suficiente para seu conceito de saúde – tudo bem. Vamos ajustá-lo. Mas sempre tento deixar uma semente plantada fazendo cada pessoa perceber que seu bem viver, sem bem-estar e felicidade dependem muito mais do que de um mero ajuste do nível de TSH.
 
Muitos colegas, extremamente inteligentes e tecnicamente “irrepreensíveis”, buscam apoiar-se acima de tudo, nas evidências científicas atuais, ou tão “modernas” e recentes quanto possível. Da mesma forma, busco estar atualizado com o conhecimento científico contemporâneo mas, talvez por sentir e ter aprendido com a vida e com a observação de meus pacientes que existe algo muito mais importante do que o mero “sobreviver sem sofrimento”, tento propor esta investigação apreciativa junto com cada paciente, para que este possa buscar – sozinho ou com minha ajuda – este “algo a mais”. Algo que nos move além de qualquer barreira, que é o de buscar algum propósito, algum significado na vida. Algo que nos faça sentir em harmonia e em equilíbrio com aquilo que somos, em nossa essência.
 
Por mais “hippie” que isso possa soar, qualquer pessoa que já tenha dedicado tempo suficiente para conhecer a si mesma, através de qualquer processo de reflexão e busca interna, sabe que conseguir evacuar adequadamente, estar sem dor, respirar sem dificuldade, ter capacidade de se locomover são importantes. São básicos e fundamentais. Nos trazem integridade. Mas são insuficientes para uma vida plena.
 
A Medicina Alopática Ocidental, como está estruturada em sua base formativa no Brasil e na imensa maioria dos países que conheço, é uma entidade e uma indústria que está a serviço do controle e estabilização de doenças e, sim, na melhora da qualidade de vida dos seres humanos, quando diz respeito ao corpo e à mente (esta, no seu sentido mais superficial). Entretanto, ela falha em conectar os pontos que unem este corpo-mente a um espírito e este conjunto de volta à Origem, ou à Natureza de todas as coisas.
 
E é neste processo investigativo no qual estou profundamente mergulhado, desde a Primavera de 2017 mais intensamente, e no qual avançarei a partir desta Nova Primavera, ao longo deste ano e além. Yoga, Meditação, Mindfulness, Ayurveda e sim, muita Ciência, vão embalar minhas pesquisas e nosso diálogo nos próximos anos.
 
Em primeira mão, desejo noticiar-lhe o nascimento de dois empreendimentos que devem ajudar a aumentar o seu bem-estar individual, das pessoas que você ama e, por contágio, das pessoas ao seu redor.
 
A primeira delas é o surgimento, daqui a algumas semanas, da Academia Medictando – um espaço no qual teremos oficinas, workshops, palestras, aulas ao vivo e gravadas e cursos online dentro das seguintes áreas (mas não restrito a elas):
 

– Prevenção e Promoção da Saúde
– Aumento do Bem-estar e da Qualidade de Vida
– Busca e Amplicação do Propósito, da Leveza e do Significado da Vida
– Ciência da Felicidade
– Produtividade, Escrita Terapêutica, Lifehacks para Grupos Específicos…
– … e muito mais!

 
A segunda delas, vai de encontro com a minha busca atual: a de levar saúde, bem viver, bem-estar e felicidade para além do espaço do indivíduo, espalhando saberes e sentires através da convivialidade e das trocas em busca de um bem comum, humanitário e global.
 
Assim, também nas próximas semanas, estaremos lançando a #CadaVezMelhor, uma Comunidade/Tribo Online na qual você poderá aprender comigo e com seus pares sobre todos os assuntos elencados aí em cima e muito mais.
 
A #CadaVezMelhor será uma Comunidade de Aprendizagem mas também de Práticas, onde poderemos compartilhar nossas experiências, sentimentos, opiniões mas também, acima de tudo, onde poderemos viver juntos a caminhada em um ambiente pautado pela confiança, pelo apoio mútuo e pela busca da verdade e do bem.
 
Semanalmente, teremos novos conteúdos publicados com a minha curadoria. Mensalmente, teremos uma Live com convidados especiais para falar sobre vários assuntos de interesse da comunidade, escolhidos antecipadamente por enquetes dentro do grupo. Todos os dias, poderemos interagir com pessoas que pensam como nós, que também estão em busca de evolução pessoal, de maior bem-estar e, em última instância, de sentir-se bem. A todo instante, oferecerei minha mentoria – serei ao mesmo tempo Mentor e Aluno – Mestre e Discípulo – e trarei minha experiência adquirida ao longo dos anos nas mais variadas áreas do saber para este grupo e nele, quero poder acompanhar meu crescimento pessoal bem como o de cada membro de nossa Tribo.
 
Pois nela, um mantra nos unirá, e ele é o mantra do #CadaVezMelhor. Independente de qual momento da vida em qual nos encontrarmos, quer seja se estivermos no fundo do poço ou no cume da montanha, a partir de agora, será #CadaVezMelhor.
 
Se esse convite te faz bem, e queres ser avisado(a) quando lançarmos esta Comunidade e a Academia Medictando, mande um e-mail para info@medictando.com ou um WhatsApp para (48) 9 9177-0776 (ou simplesmente deixe seu contato nos comentários) e iremos te avisar!
Eu vejo flores em você. E você? Vê flores em mim?
Namaskar
Rafael Reinehr
fundador do Medictando & ZenNature

ago 02

Tenho uma proposta para você! Você deseja fazer uma parceria?

By rafaelreinehr | Medicina e Saúde , Medictando

PROPOSTA 1: PARA PROFISSIONAIS DAS ÁREA DE PROMOÇÃO DA SAÚDE, BEM-ESTAR, QUALIDADE DE VIDA E FELICIDADE

A parceria que estou propondo é a seguinte: idealizei um portal de educação em saúde, qualidade de vida, bem-estar e felicidade chamado Medictando (medictando.com). Ali contamos com vários colunistas que escrevem, espalham conhecimento e ajudam as pessoas do Brasil com textos inspiradores.
Este seria o primeiro convite: contribuir com esta área de conteúdo gratuita.

O segundo convite é mais elaborado, mais dispendioso em relação ao tempo e requer mais comprometimento mas também traz resultados ainda melhores: em Setembro, na Primavera, estamos lançando nosso Portal de Cursos e Área de Membros chamada Academia Medictando, onde teremos cursos, oficinas, workshops presenciais e online nas mais variadas áreas da Saúde, Bem-estar e Felicidade.

E é aí que a parceria fica ainda mais interessante e inteligente: enquanto você fica responsável pelo conteúdo do teu curso, a equipe do Medictando fica responsável pela confecção e manutenção do site, da área de membros, do design gráfico, do marketing, das vendas e das mídias sociais. Uma forma bem poderosa de levar o que você sabe para milhares ou mesmo milhões de pessoas espalhadas por aí, dependendo do público que você quer alcançar dentro da tua área de especialização.

Meu objetivo é tornar o portal sustentável ao mesmo tempo em que crescemos e oferecemos conteúdo e experiências incríveis e de muita qualidade a um número cada vez maior de pessoas, ajudando assim a mudar positivamente a qualidade de vida e o bem-estar delas. E aí? Vamos juntos?

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Precisamos de ajuda para divulgar nosso conteúdo gratuito e também os vários Cursos e Programas Online que estão sendo criados. Fornecemos as imagens e textos a serem divulgados e você só precisará postar na sua Timeline ou Stories e nos marcar!

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BCG e diabete tipo 1
jun 23

Redução da glicemia a longo prazo em diabéticos do tipo 1 após aplicação de BCG

By Rafael Reinehr | Diabetes , Medicina e Saúde

O diabete melito tipo 1 é uma doença até hoje incurável, causada por um ataque auto-imune às células beta produtoras de insulina pancreáticas, levando ao aumento da glicemia sanguínea e, se não adequadamente tratada a complicações severas como cegueira, amputações, perda da função renal e conseqüente hemodiálise, gastroparesia e disfunção autonômica, neuropatia e aumento de mortalidade cardiovascular, entre outros.
 
A vacina BCG, criada a partir da cepa atenuada do Bacillus Calmette Guérin do Mycobacterium bovis, é administrada globalmente há mais de 100 anos contra a tuberculose. Além disso, é efetiva e também uma promessa como tratamento de várias doenças inflamatórias e autoimunes.
 
No estudo que vou comentar, foram aplicadas 2 doses de BCG com intervalo de 4 semanas, que apresentaram uma redução dos níveis glicêmicos a partir do terceiro ano e mantiveram esta redução dos níveis da Hemoglobina glicada mantendo-a próximo dos níveis normais pelos 5 anos subsequentes.
 
O estudo demonstrou uma redução de 10% da HbA1c em 3 anos e de 18% em 4 anos, redução que se sustentou por 5 anos após a redução inicial.
 

Aumento da produção de insulina X Redução da resistência insulínica

 
Esta redução não se deve pelo aumento da produção de insulina por células betas neoformadas, como nos estudos prévios de BCG em ratos, tampouco por uma redução da Resistência à Insulina causada pelo BCG.
 

Um novo mecanismo

 
BCG – melhora do metabolismo da glicose e aumento da biossintese das purinas – um novo mecanismo para explicar a redução da HbA1c: uma mudança celular de uma fosforilação oxidativa primária, um estado de baixa utilização de glicose, para uma glicólise aeróbica aumentada precoce, um estado caracterizado por uma alta utilização de glicose associado com um alto metabolismo de purinas.
 
É sabido que a glicólise aeróbica fica ativa no local de muitas infecções com baixos níveis de oxigênio, incluindo a tuberculose a nível pulmonar, mas não em um nível sistêmico.
 
A glicólise aeróbica alimenta uma retirada dramática de glicose através da regulação do transporte de glicose através da superfície celular e uma utilização secundária do shunt pentose fosfato para uma síntese aumentada de purinas.
 
Explicando de outro modo, mais simples, ocorre uma mudança (um aumento) na utilização de glicose controlada pelos receptores, levando a um aumento na produção rápida de ATP (energia).
 
Mesmo a glicose sendo metabolizada mais rapidamente por este método, nenhum caso de hipoglicemia severa foi relatada nos pacientes submetidos ao uso da BCG nos 5 anos após a Hemoglobina glicada ter atingido os níveis próximos ao normal.
 
Estudos clínicos conseguiram resultados similares, apesar de menos uniformes, com a introdução de tratamentos intensivos com insulina combinados com monitoramento intensivo, bombas de insulina, equipamentos sensíveis à glicose, dieta, exercícios e supervisão de saúde frequentes. Esses tratamentos intensivos vem acompanhados de um risco aumentado de hipoglicemias com morbidade e mortalidade não desprezíveis.
 
Geralmente, se estabelece um nível de hemoglobina glicada de 7% a fim de prevenir os efeitos letais da hiperglicemia. Para cada redução de 1% na HbA1c estima-se que se consegue reduzir 21% nos desfechos associados ao diabete, 21% nas mortes associadas ao diabete e 37% das complicações microvasculares.
 
Estes dados sugerem uma nova abordagem de controle dos níveis da glicose de forma independente da insulina. Aparentemente, os mecanismos propostos para a redução da glicose são independentes da causa de hiperglicemia, e não são exclusivos de um diabete auto-imune do tipo 1, podendo beneficiar igualmente pacientes com diabetes tipo 2 ou outras formas de hiperglicemia.
 
Interessante notar que, em ratos, o BCG aplicado previamente foi capaz de reduzir a glicemia em ratos tratados com Streptozitocina, uma substância que seletivamente destrói as células beta produtoras de insulina (causando um diabete não auto-imune, mas por toxicidade). Ao mesmo tempo, o BCG não causou hipoglicemia quando dado a ratos saudáveis.
 
Antes deste estudo com duração de 8 anos, não haviam evidências de que uma infecção com uma forma avirulenta de Mycobacterium pudesse ter um efeito tão profundo e permanente de forma sistêmica, em diabéticos.
 

Materiais e métodos

 
Foram estudados 52 pacientes incluídos no estudo clínico da vacinação e 230 para estudos mecanísticos in vitro. Destes, 211 eram pacientes diabéticos do tipo 1 e 71 eram controles não diabéticos.
 
Os estudos in vivo das vacinações observaram adultos com diabete tipo 1 recebendo BCG, recebendo placebo e simultaneamente estudou pacientes diabéticos tipo 1 referência seguidos com os mesmos cuidados que os vacinados
 
Foi utilizada a cepa Connaught da BCG duas vezes, no braço superior direito e esquerdo, intradérmico, com intervalo de 4 semanas.
 

E porquê a redução da HbA1c em humanos leva 3 a 4 anos?

 
O estudo não consegue responder a esta pergunta. A hipótese formulada é a de que, assim como o processo autoimune leva anos para se desenvolver, a reversão do traço autoimune e toda sua cascata de consequências também levaria anos para ser revertida.
 
O tempo de 3 anos encontrado neste estudo foi o mesmo que demonstrou os benefícios da BCG na Esclerose Múltipla. Ainda, levando-se em conta que os estudos prévios em ratos demonstraram um tempo médio de 6 semanas para demonstrar benefício nos animais, e levando em conta que a vida média dos ratos é de 2.5 anos, isso equivaleria a cerva de 3.5 anos de vida humanos.
 
Mais estudos são necessários para averiguar e entender:
 

  1. Os mecanismos cinéticos dos efeitos da BCG
  2. Se doses mais frequentes de BCG podem encurtar o tempo de melhora
  3. Se a demora sistêmica contudo com durabilidade do efeito está relacionada à infecção de células tronco que então criam um reservatório imune inteiro para a regulação da glicose sanguínea

 

Conclusão

 
O estudo em questão apresenta imensas possibilidades, não somente para pacientes com diabete melito tipo 1 mas também para aqueles com tipo 2. Talvez as cepas atenuadas de Mycobacterium sejam organismos primários para reestabelecer interações ambiente-hospedeiro para uma melhora geral da saúde. Mais estudos são necessários para comprovar esta hipótese.
 
Para esclarecer melhor este e outros avanços científicos, procure sempre um especialista, neste caso, um endocrinologista na sua região. Fique atento e não caia em falsas e milagrosas promessas e entenda que a ciência avança a passos largos, mas lentos, pois todas hipóteses precisam ser devidamente confirmadas para evitar riscos a longo prazo.
 
Uma semana feliz e cheia de esperança a você. Se ainda não o faz, siga-me nas redes sociais:
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Referência do artigo original: https://www.nature.com/articles/s41541-018-0062-8

BCG e diabete tipo 1
jun 23

Redução da glicemia a longo prazo em diabéticos do tipo 1 após aplicação de BCG

By rafaelreinehr | Diabetes , Medicina e Saúde

O diabete melito tipo 1 é uma doença até hoje incurável, causada por um ataque auto-imune às células beta produtoras de insulina pancreáticas, levando ao aumento da glicemia sanguínea e, se não adequadamente tratada a complicações severas como cegueira, amputações, perda da função renal e conseqüente hemodiálise, gastroparesia e disfunção autonômica, neuropatia e aumento de mortalidade cardiovascular, entre outros.

 

A vacina BCG, criada a partir da cepa atenuada do Bacillus Calmette Guérin do Mycobacterium bovis, é administrada globalmente há mais de 100 anos contra a tuberculose. Além disso, é efetiva e também uma promessa como tratamento de várias doenças inflamatórias e autoimunes.

 

No estudo que vou comentar, foram aplicadas 2 doses de BCG com intervalo de 4 semanas, que apresentaram uma redução dos níveis glicêmicos a partir do terceiro ano e mantiveram esta redução dos níveis da Hemoglobina glicada mantendo-a próximo dos níveis normais pelos 5 anos subsequentes.

 

O estudo demonstrou uma redução de 10% da HbA1c em 3 anos e de 18% em 4 anos, redução que se sustentou por 5 anos após a redução inicial.

 

Aumento da produção de insulina X Redução da resistência insulínica

 

Esta redução não se deve pelo aumento da produção de insulina por células betas neoformadas, como nos estudos prévios de BCG em ratos, tampouco por uma redução da Resistência à Insulina causada pelo BCG.

 

Um novo mecanismo

 

BCG – melhora do metabolismo da glicose e aumento da biossintese das purinas – um novo mecanismo para explicar a redução da HbA1c: uma mudança celular de uma fosforilação oxidativa primária, um estado de baixa utilização de glicose, para uma glicólise aeróbica aumentada precoce, um estado caracterizado por uma alta utilização de glicose associado com um alto metabolismo de purinas.

 

É sabido que a glicólise aeróbica fica ativa no local de muitas infecções com baixos níveis de oxigênio, incluindo a tuberculose a nível pulmonar, mas não em um nível sistêmico.

 

A glicólise aeróbica alimenta uma retirada dramática de glicose através da regulação do transporte de glicose através da superfície celular e uma utilização secundária do shunt pentose fosfato para uma síntese aumentada de purinas.

 

Explicando de outro modo, mais simples, ocorre uma mudança (um aumento) na utilização de glicose controlada pelos receptores, levando a um aumento na produção rápida de ATP (energia).

 

Mesmo a glicose sendo metabolizada mais rapidamente por este método, nenhum caso de hipoglicemia severa foi relatada nos pacientes submetidos ao uso da BCG nos 5 anos após a Hemoglobina glicada ter atingido os níveis próximos ao normal.

 

Estudos clínicos conseguiram resultados similares, apesar de menos uniformes, com a introdução de tratamentos intensivos com insulina combinados com monitoramento intensivo, bombas de insulina, equipamentos sensíveis à glicose, dieta, exercícios e supervisão de saúde frequentes. Esses tratamentos intensivos vem acompanhados de um risco aumentado de hipoglicemias com morbidade e mortalidade não desprezíveis.

 

Geralmente, se estabelece um nível de hemoglobina glicada de 7% a fim de prevenir os efeitos letais da hiperglicemia. Para cada redução de 1% na HbA1c estima-se que se consegue reduzir 21% nos desfechos associados ao diabete, 21% nas mortes associadas ao diabete e 37% das complicações microvasculares.

 

Estes dados sugerem uma nova abordagem de controle dos níveis da glicose de forma independente da insulina. Aparentemente, os mecanismos propostos para a redução da glicose são independentes da causa de hiperglicemia, e não são exclusivos de um diabete auto-imune do tipo 1, podendo beneficiar igualmente pacientes com diabetes tipo 2 ou outras formas de hiperglicemia.

 

Interessante notar que, em ratos, o BCG aplicado previamente foi capaz de reduzir a glicemia em ratos tratados com Streptozitocina, uma substância que seletivamente destrói as células beta produtoras de insulina (causando um diabete não auto-imune, mas por toxicidade). Ao mesmo tempo, o BCG não causou hipoglicemia quando dado a ratos saudáveis.

 

Antes deste estudo com duração de 8 anos, não haviam evidências de que uma infecção com uma forma avirulenta de Mycobacterium pudesse ter um efeito tão profundo e permanente de forma sistêmica, em diabéticos.

 

Materiais e métodos

 

Foram estudados 52 pacientes incluídos no estudo clínico da vacinação e 230 para estudos mecanísticos in vitro. Destes, 211 eram pacientes diabéticos do tipo 1 e 71 eram controles não diabéticos.

 

Os estudos in vivo das vacinações observaram adultos com diabete tipo 1 recebendo BCG, recebendo placebo e simultaneamente estudou pacientes diabéticos tipo 1 referência seguidos com os mesmos cuidados que os vacinados

 

Foi utilizada a cepa Connaught da BCG duas vezes, no braço superior direito e esquerdo, intradérmico, com intervalo de 4 semanas.

 

E porquê a redução da HbA1c em humanos leva 3 a 4 anos?

 

O estudo não consegue responder a esta pergunta. A hipótese formulada é a de que, assim como o processo autoimune leva anos para se desenvolver, a reversão do traço autoimune e toda sua cascata de consequências também levaria anos para ser revertida.

 

O tempo de 3 anos encontrado neste estudo foi o mesmo que demonstrou os benefícios da BCG na Esclerose Múltipla. Ainda, levando-se em conta que os estudos prévios em ratos demonstraram um tempo médio de 6 semanas para demonstrar benefício nos animais, e levando em conta que a vida média dos ratos é de 2.5 anos, isso equivaleria a cerva de 3.5 anos de vida humanos.

 

Mais estudos são necessários para averiguar e entender:

 

  1. Os mecanismos cinéticos dos efeitos da BCG
  2. Se doses mais frequentes de BCG podem encurtar o tempo de melhora
  3. Se a demora sistêmica contudo com durabilidade do efeito está relacionada à infecção de células tronco que então criam um reservatório imune inteiro para a regulação da glicose sanguínea

 

Conclusão

 

O estudo em questão apresenta imensas possibilidades, não somente para pacientes com diabete melito tipo 1 mas também para aqueles com tipo 2. Talvez as cepas atenuadas de Mycobacterium sejam organismos primários para reestabelecer interações ambiente-hospedeiro para uma melhora geral da saúde. Mais estudos são necessários para comprovar esta hipótese.

 

Para esclarecer melhor este e outros avanços científicos, procure sempre um especialista, neste caso, um endocrinologista na sua região. Fique atento e não caia em falsas e milagrosas promessas e entenda que a ciência avança a passos largos, mas lentos, pois todas hipóteses precisam ser devidamente confirmadas para evitar riscos a longo prazo.

 

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Referência do artigo original: https://www.nature.com/articles/s41541-018-0062-8

Efeitos da meditação na saúde humana
abr 24

Live "Os Efeitos da Meditação na Saúde Humana" – Dr. Rafael Reinehr e Dr. Rafael Ostermann – 23/04/2018

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Os Efeitos da Meditação na Saúde Humana

Abaixo o registro da Live acontecida em 23 de abril de 2018, em um bate-papo informal entre o Dr. Rafael Reinehr – Médico Endocrinologista e Instrutor de Mindfulness – e o Dr. Rafael Ostermann – Cirurgião Especialista em Cirurgia do Aparelho Digestivo sobre “Os Efeitos da Meditação na Saúde Humana”, com foco na ansiedade, estresse, depressão, obesidade e sintomas digestivos.
 

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