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	<title>Revertério</title>
	
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	<description>Jornalismo ao avesso</description>
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		<title>Nas horas felizes</title>
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		<pubDate>Fri, 19 Mar 2010 13:07:49 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Lays Macêdo</dc:creator>
				<category><![CDATA[De casa]]></category>
		<category><![CDATA[amigas]]></category>
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		<description><![CDATA[Mulheres também gostam de happy hours. Gostam de mesa de bar com amigas, de jogar conversa fora enquanto bebem, seja um suco de laranja “com gelo e sem açúcar, por favor!”, ou para as mais despreocupadas, uma cervejinha gelada.
Assim, elas combinaram de se ver. Eram amigas, colegas, cúmplices, afinal eram mulheres. E mulher tem dessas [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Mulheres também gostam de <em>happy hours</em>. Gostam de mesa de bar com amigas, de jogar conversa fora enquanto bebem, seja um suco de laranja “com gelo e sem açúcar, por favor!”, ou para as mais despreocupadas, uma cervejinha gelada.</p>
<p>Assim, elas combinaram de se ver. Eram amigas, colegas, cúmplices, afinal eram mulheres. E mulher tem dessas coisas de fraternidade quando se gostam. Deixo a ênfase no “quando se gostam”, pois a classe feminina não é tão unida quanto se pinta nos comerciais de iogurte. Sempre cabe muita competição, e não é como as disputas masculinas, contabilizarem resultados, antes fosse só isso. As mulheres tendem a se odiarem pelos cabelos, pelas roupas, pelos corpos (principalmente), pela pele, pelas unhas e, muitas vezes até, por <em>affairs</em>.</p>
<p>Mas, retornemos às amigas. Entre copos, risadas, agendas, conselhos, livros e bolsas, sobre a mesa pairavam também a nostalgia dos tempos da infância, trechos e personagens de filmes, promoções em lojas de roupas e sapatos, novos tratamentos capilares, dietas&#8230; Além de suas aventuras, quase sempre, amorosas.</p>
<p><em>- Eu não volto mais! A menos que ele se rasteje em aos meus pés! – declarou a de cabelos mais curtos e rosto delicadíssimo. </em></p>
<p><em>- Essa é a centésima vez que escuto isso&#8230; – rebateu de imediato a morena de seios e sorrisos fartos. </em></p>
<p><em>- Ela volta. Sempre quando passam as festas, eles voltam. Ano Novo, Carnaval, São João&#8230; – desdenhou a de corpo delineado e maior resistência ao álcool. </em></p>
<p><em>- Ah! E falando em romance, hoje me aconteceu uma coisa. Encontrei com ele na porta do banco, ao meio-dia. E&#8230; A gente acabou ficando! – revelou a morena sorridente. </em></p>
<p><em>- No centro da cidade? Ao sol do meio-dia? Que coisa mais adolescentes-colegiais-na-saída-da-escola! – ironizou a mais miúda, mas não menos notada e bonita. </em></p>
<p><em>- Se ele não fosse tão “truta”, diria que isso é coisa de “emo”. – acrescentou a amiga das bebidas. </em></p>
<p><em>- Pois eu acho lindo! E eu estou apaixonada. – soltou quase sem respirar, a de cabelos mais longos e mais claros. </em></p>
<p><em>- E a novidade? – perguntou alguma – Esse é o quinquagésimo do mês? </em></p>
<p><em>- Ah&#8230; Mas esse é diferente. Ele me ligou no dia seguinte, e no outro e no outro&#8230; – tentou defender-se. </em></p>
<p><em>- Isso é mesmo de se estranhar! Eu também acho que estou me apaixonando de novo. </em></p>
<p><em>- Ah, deveras foi o sol do meio-dia refletido nas belas correntes de prata que ele tirou do portão e pendurou no pescoço! – soltou mais uma alfinetada, a de menor estatura.</em></p>
<p>Devo intervir. Mulheres não falam sempre sobre homens, numa conversa entre amigas, prioridades são suas aflições.  É que esse grupo, em sua essência, exalava a paixão. Vigorava entre elas o desejo de se entregarem a uma causa, fosse ao amor ou a própria vida. Era também por isso que chamavam atenção.</p>
<p>De repente foram interrompidas pela garçonete, que trazia uma cerveja, dizendo ter sido cortesia dos rapazes da mesa ao lado. Hesitaram, mas depois acharam engraçado e acabaram aceitando. Que mal teria? Seria só uma cerveja, além do que, elas se julgavam maduras o suficiente para perceberem que estavam sendo cortejadas e limitar até onde isso chegaria.</p>
<p>Bem, das cervejas aos petiscos, não demoraram muito. Dos petiscos aos pedidos de números de telefones e insinuações para união das mesas, menos ainda.</p>
<p><em>- A gente vai mandar a garçonete tirar as nossas cervejas da conta deles! – impôs alguma, com voz de leoa. </em></p>
<p><em>- Acho melhor a gente ir embora. Vai que eles são psicopatas. </em></p>
<p><em>- Tenha dó! Olhe para cara deles! Aquele com a blusa do Corinthians parece que escuta RBD ainda. E deixe as cervejas na conta deles. Quem mandou? Ficaram querendo ser os bonzões&#8230; </em></p>
<p><em>- Lógico! A gente não pediu nada e sequer olhamos para eles. Iludiram-se sozinhos. Mas, vamos parar de aceitar o que eles mandarem a partir de agora. </em></p>
<p>Elas decidiram, eles não gostaram. Quando a primeira cerveja foi recusada, os cavalheiros não souberam como reagir, então agrediram.  Do alvo de cobiça, rapidamente foram transformadas em um grupo de lésbicas. Parecia ser mais fácil para eles, culpar uma orientação sexual contrária, que assumir o fora, apesar de todas as suas ofertas.</p>
<p>Resultado, um grupo teve mais motivos e gargalhadas para uma nova reuniãozinha e o outro, o que queria constranger, acabou se sentindo acuado. É que mulheres que sabem o que querem, aceita gentilezas de estranhos. Homens que não sabem, propulsionam mulheres a se encontrarem em <em>happy hours</em>.</p>
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		<title>Vale tudo! Vale o que vier! Vale o que quiser!</title>
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		<pubDate>Wed, 17 Mar 2010 05:32:30 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Müller Leandro</dc:creator>
				<category><![CDATA[Controverso]]></category>
		<category><![CDATA[catarse midiática]]></category>
		<category><![CDATA[na mira]]></category>
		<category><![CDATA[o sistema é bruto]]></category>
		<category><![CDATA[se liga bocão]]></category>

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		<description><![CDATA[Nesta semana completaram-se doze anos da morte de um dos mais populares cantores brasileiros, Tim Maia. Entretanto, não é por isso que o refrão de uma de suas músicas mais conhecidas figura como título do meu texto. As frases marcantes do refrão da música &#8220;Vale Tudo&#8221; retratam bem o fenômeno que tomou conta da Tv [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><span style="background-color: #ffffff"><span style="background-color: #ffffff">Nesta semana completaram-se doze anos da morte de um dos mais populares cantores brasileiros, Tim Maia. Entretanto, não é por isso que o refrão de uma de suas músicas mais conhecidas figura como título do meu texto. As frases marcantes do refrão da música &#8220;Vale Tudo&#8221; retratam bem o fenômeno que tomou conta da Tv aberta baiana. Noticiários policiais que exploram fatos escolhidos como bombásticos tratam as vítimas e acusados como personagens de horror, transformando tudo em uma narrativa novelística que gera não apenas audiência, mas interfere diretamente no fato e nos envolvidos. Até que ponto isto é aceitável?</span></span></p>
<p>O último dia 11, quinta-feira, foi o estopim. Uma senhora idosa que até então recebera a notícia de suspeita de morte de seu filho é conduzida pelo repórter do programa <em>Na mira</em> até o local de um corpo não identificado, ainda ao chão baleado e ensangüentado, enquanto o cinegrafista filma tudo em tempo real. Ao reconhecer o filho mais velho, a mãe entra em estado de choque e desmaia. A imagem é repetida várias vezes.</p>
<p>Não é de hoje que este formato de “jornalismo” – se é que se pode denominar tal baixaria de jornalismo – faz parte das grades de programação das emissoras brasileiras, sobretudo as do Nordeste.</p>
<p>O que esses programas praticam me parece descambar bem mais para entretenimento do que jornalismo. Entretenimento leviano que torna a Tv uma arena de disputa pela audiência. Exploram a tragédia humana diariamente, bombardeando a tela com mortes, estupros, assassinatos, tudo isso detalhadamente mostrado. Um requinte de crueldade compartilhado entre os criminosos e a maneira pseudo-jornalistíca de se tratar os fatos. Isto leva a questionar o que é mais repugnante: o crime ou a maneira como o fato é tratado?</p>
<div id="attachment_3798" class="wp-caption alignright" style="width: 310px"><a href="http://reverterio.com/wp-content/uploads/2010/03/guerra_tv1.jpg"><img class="size-medium wp-image-3798" src="http://reverterio.com/wp-content/uploads/2010/03/guerra_tv1-300x174.jpg" alt=" " width="300" height="174" /></a><p class="wp-caption-text">À esquerda Uziel Bueno apresentador do programa &quot;Na mira&quot; da Tv Aratu/SBT, à direita Zé Eduardo, apresentador do programa Se liga Bocão da Tv Itapoã/Rede Record </p></div>
<p>Espetacularizar as catástrofes sociais e as tragédias individuais não são fatos novos, nem originais. De onde então vem a fonte criativa dos nossos queridos apresentadores “justiceiros”?  Lembro-me bem do extinto <em>Aqui Agora </em>e seu emblemático repórter Gil Gomes narrando com sua voz marcante hitórias de horror elaboradas a partir das tragédias cotidianas de personagens os quais ninguém se lembra mais, e também lembro do <em>Programa do Ratinho</em> na época da Record, ali sim tinha “café no bule’.</p>
<p>Aliás, todos estes apresentadores da nova geração do “sangue na Tv” são uma espécie de sucessores de Ratinho. O apresentador Carlos Massa inovou ao trazer em suas mãos um cacetete policial em que batia na mesa conforme a suposta indignação que queria provocar nos telespectadores. Os <em>novos ratinhos </em>são mais simplórios, nem por isso menos folclóricos. Há aquele que bate na mesa em sinal de protesto, um outro espanca as próprias câmeras. Já assisti a um que tinha até um martelinho de juiz pra dar sentença, e outro que como árbitro de futebol classificava os fatos noticiosos com cartões amarelos, vermelhos e tudo mais.</p>
<p><span style="background-color: #ffffff">As ferramentas que compõem o ‘espetáculo’, como pensou Guy Debord em <em>A sociedade do espetáculo </em>,são essenciais para a catarse midiática, isto é  a paralisação da inteligência do espectador diante do choque emocional. Essas fermentas são símbolos que se proliferam na boca e no cotidiano dos seus espectadores, como os bordões ou até mesmo como a caracterização de um apresentador.</span></p>
<p>Legitimados pelo discurso de “realidade”, <em>Se liga Bocão </em>(Rede Record), <em>Na mira </em>( Tv Aratu) e outros programas semelhantes tomam a tragédia como um produto com público consumidor. Segundo o professor Luis Carlos Lopes, em artigo para o site <em>Observatório de Imprensa</em>, esse tipo de apelo midiático tende a funcionar em locais de baixa renda e baixa educação formal e real, onde os telespectadores &#8216;compram&#8217; como sendo verdade a mercadoria simbólica dos meios comunicacionais: “O espetáculo substitui a vida tal como ela é de fato. Para funcionar bem, tem que ser verossímil, isto é, tocar as pessoas no que elas vivem diariamente”.</p>
<p><span style="background-color: #ffffff">Um instrumento de insurgência contra a baixaria televisiva é a campanha “Quem financia a baixaria é contra a Cidadania”. O projeto tem um ranking dos piores programas da Tv brasileira, no qual considera as denúncias feitas pelos telespectadores no Disque Câmara (0800 619 619) e no site <a href="http://www.eticanatv.org.br/">www.eticanatv.org.br</a>.</span></p>
<p><span style="background-color: #ffffff"><a href="http://reverterio.com/wp-content/uploads/2010/03/2009_16_ranking_site1.jpg"><img class="aligncenter size-full wp-image-3801" src="http://reverterio.com/wp-content/uploads/2010/03/2009_16_ranking_site1.jpg" alt="" width="412" height="541" /></a><br />
</span></p>
<p><span style="background-color: #ffffff">Contudo, a campanha que surgiu no ano de 2002 não tem muita visibilidade, e se antes incomodava por assombrar os anunciantes, hoje nem é lembrada. Pensar na relação número de denúncias x número de telespectadores é altamente desanimador.</span></p>
<p>A lei de imprensa  menciona apenas em seu artigo 17 sobre abuso da liberdade da manifestação de pensamento: “Ofender a moral pública e os bons costumes”. O que seria explorar a dor e o sofrimento de uma mãe na hora em que se depara com o filho morto senão, no mínimo, amoral?</p>
<p><span style="background-color: #ffffff"> Uziel Bueno, Zé Eduardo e companhia, através de um oportunismo midiático torpe e desumano, continuam colocando o que querem no ar, e enquanto eles têm boas audiências e não são questionados pelo poder público,  o sistema continua bruto na Tv baiana. Vale tudo!</span></p>
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		<title>Cinema</title>
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		<pubDate>Tue, 16 Mar 2010 00:26:25 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Cauê Marques</dc:creator>
				<category><![CDATA[De casa]]></category>
		<category><![CDATA[celular]]></category>
		<category><![CDATA[cinema]]></category>
		<category><![CDATA[morte]]></category>
		<category><![CDATA[notícia.]]></category>

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		<description><![CDATA[A pipoca derrama pelo chão. O filme, em seu principal momento de tensão, provoca catarse completa em seus espectadores, afundados nas poltronas do cinema. A cada ranger da nave espacial, a cada atrito da pistola automática, gritinhos de terror se espalham pela sala de projeção, aumentando ainda mais o clima de terror e suspense. O [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>A pipoca derrama pelo chão. O filme, em seu principal momento de tensão, provoca catarse completa em seus espectadores, afundados nas poltronas do cinema. A cada ranger da nave espacial, a cada atrito da pistola automática, gritinhos de terror se espalham pela sala de projeção, aumentando ainda mais o clima de terror e suspense. O alienígena se aproxima do mocinho. Pelo lado esquerdo, talvez? O bem-preparado ator hollywoodiano vira-se bruscamente e dispara. Impacto: o ET estava acima, ao teto, esperando uma distração. E então, ataca. Gritos assustadores. Dos espectadores, não do mocinho. Este conseguiu driblar o rival espacial e já se encontra preparado para disparar. Vai disparar. Tensão na sala de cinema. É um, é dois, é três e&#8230;</p>
<p>- Uma vez Flamengo, sempre Flamengo. Flamengo sempre eu hei de ser.É  o meu maior prazer&#8230;</p>
<p>A plateia estranha. Nunca ouvira uma pistola automática tocar o hino do Flamengo enquanto dispara. Os disparos atingem em cheio o ser espacial que, mesmo assim, não se mostra muito abalado. O cinema, no entanto, já está. Catarse dissipada, todos procuram encontrar o maldito dono do celular que atrapalhou justo o clímax do filme. Esquecidos, piloto espacial e alienígena se engalfinham em golpes espetaculares, sedentos por atenção. Não adianta: já não são mais observados pela multidão de antes. Estão, finalmente, abandonados no espaço. E então, alguém dispara a primeira pedra:</p>
<p>- Por que esse imbecil não desliga a porra do celular?</p>
<p>Seguindo a trajetória da primeira, outras pedras verbais são atiradas. A catarse dos espectadores se acumula novamente, em um estupor de raiva e prazer digno das grandes multidões:</p>
<p>- Só podia ser flamenguista! – grita um vascaíno.</p>
<p>- Deviam proibir celulares no cinema! – berra o anti-tecnológico.</p>
<p>- Queimem todos os celulares! – brada o revolucionário.</p>
<p>- Foi aquele ali! – aponta um adolescente alcagüete.</p>
<p>No escuro, são poucos os que visualizam a face do estraga-prazeres. Mas percebem quando ele, em uma silenciosa desculpa, se levanta da cadeira e desce as escadas tateando a saída. Satisfeitos em perceber que o culpado assume o erro e se condena ao exílio cinematográfico, a horda sente-se mais confortável ainda em atingi-lo com o verbo:</p>
<p>- Vai mesmo, imbecil.        &#8211; Estragou a porra do meu filme.</p>
<p>- Se a pessoa não sabe ir ao cinema, não venha.</p>
<p>- E não volte mais, palhaço.</p>
<p>- CALA A BOCA, CACETE!</p>
<p>O grito ecoa como um estampido na sala, projetada exatamente para facilitar o caminho do som. Ninguém percebe que, ao mesmo tempo, o alienígena balbucia as suas últimas palavras, após ter o corpo cortado em dois por um raio laser espacial. Talvez consiga ressuscitar, talvez não. Nunca conseguiremos saber: depois do forte grito, o projetista interrompe o filme e acende as luzes da sala de exibição, tentando entender o que acontece. Em instantes, dois fortes seguranças adentram o recinto.</p>
<p>Sentado ao chão está o autor do grito ensurdecedor, as duas mãos tremendo enquanto tentam manter o celular no ouvido. É alto e possui uma musculatura visivelmente maior do que a da própria dupla de seguranças. Ao seu redor, as pessoas que antes o agrediam com tamanho impacto verbal observam mudas e ressentidas: ele chora. É um choro fino e agudo, que não condiz em nada com o seu tamanho, mas que passa fielmente toda a dor que sente. Do outro lado da linha, uma voz muito mais assustadora do que qualquer ser espacial dá a notícia da morte inesperada.</p>
<p>O homem urra em desespero. Tenta levantar, mas não consegue. Derrotado, cai ao chão, esconde o rosto e aumenta o pranto. Os seguranças se aproximam para retirá-lo da sessão, mas é inútil. Os quase cento e vinte quilos de massa corpórea estão inertes, abandonados ao desespero. Acima, na sala de projeção, o projetista admira os movimentos perplexos de todos aqueles espectadores. Observam a tudo em um atônito e sombrio silêncio, como se estivessem assistindo a um filme de terror. Percebem, finalmente, que um dia todos serão interrompidos por um chamado: o chamado da morte. E esperam estar entre amigos quando isso acontecer.</p>
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		<title>O céu e o inferno juntos no Baianão</title>
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		<pubDate>Mon, 15 Mar 2010 22:27:35 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Enrique Escudero</dc:creator>
				<category><![CDATA[Insinuando]]></category>
		<category><![CDATA[campeonato baiano]]></category>
		<category><![CDATA[futebol]]></category>
		<category><![CDATA[Vitória da Conquista]]></category>

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		<description><![CDATA[O Campeonato Baiano 2010 tem um quê inovador. Ou não. De qualquer forma é muito interessante &#8220;fazer&#8221; duas competições paralelas. Três quadrangulares coexistem. Não entendeu? Eu explico, então.
Doze equipes participam do Campeonato Baiano. Dessas doze, oito se classificaram para a segunda fase. Essa segunda fase se transformou em dois quadrangulares, dois grupos com quatro times [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>O Campeonato Baiano 2010 tem um quê inovador. Ou não. De qualquer forma é muito interessante &#8220;fazer&#8221; duas competições paralelas. Três quadrangulares coexistem. Não entendeu? Eu explico, então.</p>
<p>Doze equipes participam do Campeonato Baiano. Dessas doze, oito se classificaram para a segunda fase. Essa segunda fase se transformou em dois quadrangulares, dois grupos com quatro times cada. O interessante é que o título não sai agora não. Duas equipes de cada grupo se classificarão e, aí sim, disputarão a taça em semi-finais e, depois, final.</p>
<p>Mas as equipes que não se classificaram lá no começo? Pois é, as quatro que não conseguiram se classificar para a segunda fase disputam um quadrangular da morte. Os dois times com menos pontos serão rebaixados.</p>
<p>Resumo da ópera: dois campeonatos distintos estão sendo disputados na Bahia.</p>
<p>No primeiro campeonato, os quadrangulares que valem o título têm três times da cidade de Feira de Santana. E nessa primeira rodada todos jogaram em casa, então os jogos foram todos repartidos nessa semana. Tudo começou com Fluminense de Feira e Camaçari jogando na quinta-feira, e o resultado foi 4&#215;2 para o Flu. Daí teve mais um jogo sábado, Feirense 1&#215;5 Bahia, com direito a gol de Edilson. No domingo mais jogos foram realizados: Bahia de Feira 2&#215;0 Vitória e Atlético 1&#215;1 Vitória da Conquista.</p>
<p>Depois da rodada de três dias, os grupos 3 e 4 (os que brigam pelo título) do campeonato baiano ficaram assim:</p>
<p><strong>Grupo 3</strong></p>
<p><strong>1° &#8211; </strong>Bahia de Feira &#8211; <strong>3 pts (saldo: +2)<br />
</strong></p>
<p><strong>2° &#8211; </strong>Atlético -<strong> 1 pt (saldo: 0)<br />
</strong></p>
<p><strong>2° &#8211; </strong>Vitória da Conquista &#8211; <strong>1 pt (saldo: 0)</strong></p>
<p><strong>4° &#8211; </strong>Vitória &#8211; <strong>0 pt (saldo: -2)<br />
</strong></p>
<p><strong>Grupo 4</strong></p>
<p><strong>1° &#8211; </strong>Bahia &#8211; <strong>3 pts (saldo: +4)<br />
</strong></p>
<p><strong>2° -</strong> Fluminense -<strong> 3 pts (saldo: +2)</strong></p>
<p><strong>3° &#8211; </strong>Camaçari &#8211; <strong>0 pt (saldo: -2)<br />
</strong></p>
<p><strong>4° &#8211; </strong>Feirense &#8211; <strong>0 pt (saldo -4)</strong></p>
<p>Já no segundo campeonato, todos os jogos foram no domingo, com o Colo Colo fazendo 2 a 0 no Ipitanga em Ilhéus, e o Itabuna empatando em casa por 0 a 0 com o Madre de Deus. Pois então, segue a classificação de mais um quadrangular, esse define os rebaixados do Baianão 2010.</p>
<p><strong>Rebaixamento</strong></p>
<p><strong>1 ° &#8211; </strong>Colo Colo <strong>- 3 pts (saldo: +2)<br />
</strong></p>
<p><strong>2° -</strong> Itabuna <strong>- 1 pt (saldo: 0)<br />
</strong></p>
<p><strong>2° &#8211; </strong>Madre de Deus <strong>- 1 pt (saldo: 0)</strong></p>
<p><strong>4° &#8211; </strong>Ipitanga <strong>- 0 pt (saldo: -2)</strong></p>
<p>Um pouco complicado, mas que dá para entender. Nesse momento, todos os times brigam por alguma razão. E isso é, sem dúvida, legal.</p>
]]></content:encoded>
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		</item>
		<item>
		<title>É hora de dizer “sim”</title>
		<link>http://reverterio.com/2010/03/13/e-hora-de-dizer-sim</link>
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		<pubDate>Sat, 13 Mar 2010 11:08:30 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Sâmia Louise</dc:creator>
				<category><![CDATA[Controverso]]></category>
		<category><![CDATA[casamento gay]]></category>
		<category><![CDATA[direitos]]></category>
		<category><![CDATA[homossexualismo]]></category>
		<category><![CDATA[igualdade]]></category>
		<category><![CDATA[sexualidade]]></category>

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		<description><![CDATA[&#8220;Sim&#8221;. Este é o momento mais esperado por noivas, noivos e convidados em tradicionais cerimônias de casamento, antes de o juiz ou chefe religioso concluir: “Então eu vos declaro marido e mulher”. Nesta última quinta-feira (11/09), porém, não foi bem esta a declaração de um juiz matrimonial na Cidade do México. “Sim, esta é a [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>&#8220;Sim&#8221;. Este é o momento mais esperado por noivas, noivos e convidados em tradicionais cerimônias de casamento, antes de o juiz ou chefe religioso concluir: “Então eu vos declaro marido e mulher”. Nesta última quinta-feira (11/09), porém, não foi bem esta a declaração de um juiz matrimonial na Cidade do México. “Sim, esta é a minha vontade”, foi a típica resposta de Lol Kin Castañeda, quando o juiz perguntou-lhe se desejava se casar com Judith Vázquez. A diferença é que dessa vez não se tratavam de marido e mulher, mas sim do primeiro casamento lésbico realizado na América Latina.  </p>
<p>Graças a uma lei aprovada na capital mexicana em dezembro do ano passado, Lol Kin e Judith puderam se unir na mesma cerimônia que também celebrou o casamento de Jesusa e Liliana, Ema e Janice, Daniel e Temístocles, e Jaime e David: todos casais homossexuais. As reformas no Código Civil da cidade permitem não apenas o casamento de pessoas do mesmo sexo, mas igualmente lhes garantem a adoção de crianças nos mesmos termos que casais hetero. A alteração mais significativa do Código Civil está no artigo 146, que substitui a denominação de casamento como uma “união livre entre um homem e uma mulher” por “união livre entre duas pessoas”.</p>
<p><a href="http://reverterio.com/wp-content/uploads/2010/03/reverteriomateria2.jpg"><img src="http://reverterio.com/wp-content/uploads/2010/03/reverteriomateria2-150x150.jpg" alt="" title="reverteriomateria" width="150" height="150" class="alignleft size-thumbnail wp-image-3776" /></a>A Cidade do México não foi o primeiro lugar a dar esse grande salto para a superação de velhos preconceitos. Em Washington, capital dos Estados Unidos, Sinjoyla Townsend e Angelisa Young formalizaram seu relacionamento no último dia 09, depois de mais de 10 anos juntas.  No estado da Califórnia, onde a união civil de gays já era legalizada, o senador Ray Ashburn – que sempre votou contra propostas gays no parlamento – depois de um escândalo, assumiu enfim sua homossexualidade, afirmando o quão foi difícil fazê-lo. Eu não culpo Ashburn. Admitir o homossexualismo, ainda hoje, é dar a cara à tapa a uma sociedade retrógrada e discriminatória. Mas não admitir é ser complacente com ela. </p>
<p>Eu admiro quem dá a cara à tapa. Nesta edição do programa <em>Big Brother Brasil</em>, três corajosos levantaram as mãos para assumir sua sexualidade. Em alguns casos, nem seria preciso fazê-lo. Serginho, Dicésar e Angélica levaram muitas pessoas a afirmar que esta é “a edição mais gay do programa”. Concordo. E, sempre que assisto, fico me perguntando por que pessoas que aparentemente levam vidas tão normais ainda não são vistas e tratadas como tal. E, pior, têm que lidar com um conjunto de leis que não as reconhece e não as institui dessa forma. </p>
<p>No Brasil, o Supremo Tribunal Federal recebeu em 2008 uma ação proposta pelo governador do Rio de Janeiro, Sérgio Cabral, de analisar o regime jurídico das uniões estáveis previstas pelo Código Civil. O governador propôs que uniões homossexuais, assim como as hetero, dessem aos companheiros o direito de, por exemplo, pensão em caso de morte do cônjuge, pensão alimentícia e herança. Atualmente, o Superior Tribunal de Justiça está julgando se a união gay deve ser considerada ou não uma união estável e, portanto, igualmente merecedora desses direitos. Mesmo tendo que enfrentar tantas controvérsias, os primeiros registros em cartório de uniões homossexuais datam de 2003. A mais divulgada pela imprensa foi entre o jornalista da <em>RedeTv!</em> Felipeh Campos e produtor de moda Rafael Scapucim, que além do registro civil tiveram também a celebração religiosa do candomblé, em abril de 2008.</p>
<p>Mas tantos avanços já significativos emperram a todo o momento com manifestações contrárias.   Depois de presenciarem cerimônias como a de Sinjoyla Townsend e Angelisa Young, moradores de Washington pretendem anular a lei de união homossexual através de um plebiscito. Reação não diferente foi a dos portugueses, que fizeram uma manifestação mês passado se posicionando contra o casamento gay, aprovado em Portugal no mês de janeiro. E o primeiro matrimônio gay de Buenos Aires, segundo da Argentina, foi anulado uma semana depois, sob a alegação do juiz de violação do Código Civil.</p>
<p>E assim ocorre sempre, com tudo que a sociedade insiste em rotular de diferente o que é normal. As raízes tradicionais são fortes, mas há que construir o nosso tempo e, principalmente, o tempo dos que virão. Assim aconteceu e acontece com tantas ditas “minorias”, que apesar de ainda ter que lidar com o preconceito sobrevivente, se estruturaram e conseguem a cada dia mais avanços. </p>
<p>Casais gays são capazes de estruturar um núcleo familiar, muitas vezes mais estável que os comuns. Quantos filhos crescem com pais divorciados ou são criados por outro membro da família? Quantos não convivem com irmãos ou têm problemas com madrastas/padrastos? Quantos presenciam ou são vítimas de cenas de agressão? O que é a sexualidade perante isso? Reitero: casais gays devem ter o direito não apenas de se casar, mas de adotar filhos e viver em família. Não devem ser olhados torto ao saírem pra jantar ou andar nas ruas de mãos dadas. Tudo é questão de aceitação e, principalmente, de respeito.</p>
<p>Ver os avanços? Lutar pela quebra de tabus? Ser convidada para cerimônias matrimoniais gays que lhes dêem os direitos que todos merecem? Perdoe-me o plágio, Lol Kin Castañeda, mas “<em>sim, esta é a minha vontade</em>”.</p>
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		<title>Um socorro à medicina</title>
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		<pubDate>Sat, 13 Mar 2010 03:14:00 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Lays Macêdo</dc:creator>
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		<category><![CDATA[greve]]></category>
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		<category><![CDATA[manifestação]]></category>
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		<description><![CDATA[Há problemas que, desde antes mesmo de se tornarem um, serão tragicamente inevitáveis.
Um exemplo? O curso de medicina da Uesb, no campus de Jequié, implantado no ano passado.
A rapidez e a sensível falta de estrutura com que o curso foi concebido foram refletidas na manhã da ultima sexta-feira (12), em manifestações feitas pelos próprios alunos, [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Há problemas que, desde antes mesmo de se tornarem um, serão tragicamente inevitáveis.</p>
<p>Um exemplo? O curso de medicina da Uesb, no campus de Jequié, implantado no ano passado.</p>
<p>A rapidez e a sensível falta de estrutura com que o curso foi concebido foram refletidas na manhã da ultima sexta-feira (12), em manifestações feitas pelos próprios alunos, no Campus de Vitória da Conquista.</p>
<p>Aproveitando a realização da reunião do Conselho Superior da Universidade (CONSU), com o objetivo de redefinir o calendário eleitoral para escolha do novo reitor, os estudantes do curso de medicina da Uesb (campus de Jequié) reivindicaram a falta de professores, salas e materiais nos laboratórios.</p>
<p>Caso não haja uma tentativa de reversão do quadro, os alunos pretendem aderir a greve, a partir dessa segunda-feira (15).</p>
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		<title>O petismo emburrece.</title>
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		<pubDate>Fri, 12 Mar 2010 00:25:36 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Ígor Luz</dc:creator>
				<category><![CDATA[Controverso]]></category>
		<category><![CDATA[concursos públicos]]></category>
		<category><![CDATA[política]]></category>
		<category><![CDATA[pt]]></category>
		<category><![CDATA[Wagner]]></category>

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		<description><![CDATA[Eu estou afastado do petismo. Estou afastado da política de um modo geral. Ao longo de um tempo, li mais discursos de Lula do que li Flaubert. O petismo me emburrece. A prova cabal disso é que eu perdi o bolão do Oscar promovido pela Canal 3. Estou tentando voltar aos poucos para o mundo [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Eu estou afastado do petismo. Estou afastado da política de um modo geral. Ao longo de um tempo, li mais discursos de Lula do que li Flaubert. O petismo me emburrece. A prova cabal disso é que eu perdi o bolão do Oscar promovido pela <em>Canal 3</em>. Estou tentando voltar aos poucos para o mundo cultural. Mas perdi o jeito. Kathryn Bigelow ganhou o Oscar de melhor diretora? <em>Guerra ao Terror</em> ganhou o Oscar de melhor filme? Eu estava apostando em James Cameron e<em> Avatar</em>. Ou, em outra hipótese, Quentin Tarantino e <em>Bastardos Inglórios</em>. Houve outra publicação com uma longa entrevista do Eric Hobsbown? Desculpe, mas eu ainda não li. Há quanto tempo estou afastado do Hobsbown? Preciso correr do petismo. Ele emburrece. Ou como foi comprovado em um <em>e-mail</em> que eu recebi, ele dá azar.</p>
<p>A decisão de me afastar de Lula, do PT e da política foi revista na semana passada. Wilson Júnior, colega de <em>Revertério</em>, comentou um texto que eu publiquei há um tempo. Alguns colegas não gostaram porque, em seu textinho, o autor diz que eu coloquei <em>“dados que beiram o absurdo de mentirosos”</em>. O ombudsman achou <em>“depreciativo”</em>. Eu penso diferente. Penso como Wilson Júnior. Como o <em>Revertério</em> não tem uma identidade política, acho satisfatória esse tipo de discussão. Também não ligo para os xingamentos. Acho um instrumento retórico totalmente válido. Apesar disso, eu ia ficar quieto dessa vez. Já estava até pensando no meu novo texto cultural. O problema foi a publicação do último ombudsman. Cauê Marques, em sua despedida e na despedida do cargo, comentou: <em>“Agora, cabe a Ígor Luz deixar de escrever sobre cultura (ufa!) e responder à altura. Calado, Luz apenas provará que os dados fornecidos eram mentirosos – e dará razão a Wilson. O leitor do site tem o direito de saber quem está falando a verdade.”</em> Fui desafiado publicamente. Fui jogado na arena. Se eu estava pensando em falar sobre Kathryn Bigelow, esqueci do seu novo filme abordando a fronteira do Brasil imediatamente. Se eu estava pensando na entrevista de Hobsbown, deixei pra lá. Fui obrigado a voltar para política. Forçadamente, como um calouro da Universidade de Mogi das Cruzes.</p>
<p>O problema é que Wilson Júnior prestou atenção em apenas um período do meu texto. Ele tenta combater quando eu digo que <em>“a falta de empregos na Bahia é refletida na falta de concurso”</em>. Ele não percebe que depois do período não há ponto. Há uma continuação. Eu disse que o petismo emburrece. Na verdade, qualquer leitor atento notaria que a frase que Wilson salientou é apenas a introdução para a frase completa: <em>“A falta de empregos é refletida na falta de concurso, de estímulo e nas vaias que o Presidente e Governador petistas receberam de representantes de entidades sindicais de professores e de trabalhadores da Segurança Pública, no último dia 25, em Cachoeira.”</em> Ou seja, o período longo pode ser simplificado para melhor compreensão do autor, eliminando as outras enumerações: <em>“A falta de empregos é refletida na falta de concurso [...] de professores e de trabalhadores da Segurança Pública [...] [de] Cachoeira.”</em> Eu disse à época, 05 de junho, que havia a falta de concurso público em Cachoeira. Peneirei ainda mais: professores e de trabalhadores da Segurança Pública. E, por isso, o governador e presidente petistas foram justamente vaiados. Poderia postar <em>links</em> para o autor e para os leitores. Mas farei como Wilson Júnior e sugerirei uma googlada. Podem colocar lá <em>“Wagner”</em>, <em>“Lula”</em>, <em>“vaia”</em>, <em>“Cachoeira”</em> e <em>“concurso público”</em>. Aparecerão vários <em>sites</em> e <em>blogs</em> relatando o episódio. Apesar da minha costumeira preguiça, eu fiz o trabalho de rever tudo. Achei, inclusive, uma frase esclarecedora sobre o episódio: <em>“Estudante autodidata não dá. Precisamos de professores já”</em>.</p>
<p>Repito: meu texto foi publicado em 05 de junho de 2009. Ainda não havia estourado a chatice da paralisação da Uesb, que todos nós presenciamos. Para quem não é chegado aos jornais políticos, aquela paralisação não ocorreu somente por aqui, e, sim, nas mais importantes universidades estaduais da Bahia. Graças a Wilson Júnior, que sugere <em>“pesquisa no Google”</em>, encontrei o depoimento de uma professora da Uneb, Maria do Socorro Ferreira. Ela diz que nesse governo há <em>“um problema crônico de falta de professores”</em>. Que <em>“nem mesmo no governo carlista”</em> houve tanto impedimento na forma dos docentes trabalharem. E, completa: <em>“Desde 1997, não há aumento no número de vagas”</em>. Maria Socorro Ferreira: professora da Uneb e diretora da Associação dos Docentes da Universidade Estadual da Bahia (Aduneb).</p>
<p>Ainda rodando pelo Google (sugestão de Wilson Júnior) encontrei uma ata em que o Deputado Estadual Misael Neto (DEM) comenta sobre uma suspeita fraude em concurso público. O Ministério Público recomendou e a Justiça determinou a suspensão do concurso realizado pelo Governo petista na Sesab. Encontrei também desabafos de professores desempregados indignados. Eles passaram em concursos públicos e nunca foram chamados. Quando pensam que é hora de começar a trabalhar, dá-lhe outro concurso. Na minha empreitada de caça às travessuras do petismo com relação a seleções públicas, encontrei o caso do prefeito de Ibicaraí, Lenildo Santana. Ele exonerou 155 funcionários concursados, escolhidos a dedo, e manteve na folha de pagamento os contratados por portaria (cargos de confiança). Essa denúncia foi recente. Ainda mais recente que o texto de Wilson Júnior. É isso que dá realizar tantos concursos públicos.</p>
<p>Eu ainda encontrei várias coisas. Cada clicada, uma surpresa. Tudo relacionado a Jacques Wagner: violência, epidemias, falta de professores, fraudes, contas irregulares. Li várias cartinhas de protesto de pessoas que votaram nele. Tudo valia um novo texto. Tudo valia um texto-bomba. Mas, como eu disse, estou cansado de política. Preciso voltar para meus filmes, para Flaubert, para Hobsbown. Apenas dei minha piscadela no <em>Controverso</em> porque fui chamado. Forçosamente. Agora posso sair da arena. Violência, epidemias, falta de professores, fraudes, contas irregulares. Como disse Maria do Socorro Ferreira, <em>“nem mesmo no governo carlista”</em> era assim.</p>
<p>&#8230;</p>
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		<title>Torneio de Futsal na UESB</title>
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		<pubDate>Thu, 11 Mar 2010 01:55:38 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Müller Leandro</dc:creator>
				<category><![CDATA[Informando]]></category>
		<category><![CDATA[SEMANA DO CALOURO]]></category>
		<category><![CDATA[torneio futsal UESB]]></category>
		<category><![CDATA[uesb]]></category>

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		<description><![CDATA[Desde o dia 5 deste mês a Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia (UESB) promove a Semana de Integração. Com o objetivo de proporcionar interação entre os estudantes, o evento na sua segunda edição  conta com ?shows, workshops e torneios esportivos.
Na noite desta quarta feira teve início o torneio de Futsal Masculino.
Os 10 times foram [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Desde o dia 5 deste mês a Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia (UESB) promove a Semana de Integração. Com o objetivo de proporcionar interação entre os estudantes, o evento na sua segunda edição  conta com ?shows, <em>workshops</em> e torneios esportivos.</p>
<p>Na noite desta quarta feira teve início o torneio de Futsal Masculino.</p>
<p>Os 10 times foram dispostos em duas chaves em jogos eliminatórios, no jargão futebolístico: mata-mata. Cada equipe representa um curso de graduação e tem que inserir no elenco pelo menos um calouro.</p>
<p>Os resultados desta noite foram os seguintes:</p>
<p><span style="background-color: #ffffff">Comunicativos (Comunicação Social) 1 x 6 <strong>Calourísica </strong>(Física)</span></p>
<p><span style="background-color: #ffffff">Liga da Justiça (Direito) 2 x 2 <strong>Laduma</strong> (Agronomia). Laduma classificado nos penaltis</span></p>
<p><span style="background-color: #ffffff"><strong>Las cascavelas do Amo</strong><strong>r</strong> (Ciência da Computação) 3 x 1 Interjurídicos  (Direito)</span></p>
<p><span style="background-color: #ffffff"><br />
</span></p>
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		<title>Toc, toc, toc… lá  vem elas!</title>
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		<pubDate>Tue, 09 Mar 2010 00:36:17 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Sâmia Louise</dc:creator>
				<category><![CDATA[De casa]]></category>
		<category><![CDATA[Destaque]]></category>
		<category><![CDATA[8 de março]]></category>
		<category><![CDATA[dia internacional da mulher]]></category>
		<category><![CDATA[homenagem]]></category>

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Toc, toc, toc&#8230; A denúncia sempre fora um dos maiores pecados do salto alto. Não havia escapatória: os pescoços já haviam se curvado. Dos educados, um elogio. Dos mais ousados, cantadas horrendas. Dos concentrados, um resmungo. Dos mais discretos, nada mais. Mulher é isso: beleza singular. Não importa a estatura, o peso, o sorriso. Não [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: center;"><a href="http://reverterio.com/wp-content/uploads/2010/03/8demarco.jpg"><img class="wp-image-3731  aligncenter noborder" title="8demarco" src="http://reverterio.com/wp-content/uploads/2010/03/8demarco.jpg" alt="" /></a></p>
<p>Toc, toc, toc&#8230; A denúncia sempre fora um dos maiores pecados do salto alto. Não havia escapatória: os pescoços já haviam se curvado. Dos educados, um elogio. Dos mais ousados, cantadas horrendas. Dos concentrados, um resmungo. Dos mais discretos, nada mais. Mulher é isso: beleza singular. Não importa a estatura, o peso, o sorriso. Não importa se é jeans ou seda. Se é louro, ruivo, ou cacheado. Não importa se esqueceu de colocar o batom na bolsa. Ou se não teve tempo de terminar de ler aquele livro.</p>
<p>Mulher, mulher, mulher. Quanta diversidade! Ser mulher é poder tudo. Dona dos gracejos e cortesias, tem sempre um truque faceiro guardado para o inesperado. Dona de curvas escondidas por debaixo da roupa, tem sempre o inesperado guardado para mais um truque. Sensível ou arrogante, há sempre um novo humor para se tirar do cabide toda manhã</p>
<p>Toc, toc, toc&#8230; Caminha Emilãine Iemai, com o seu típico aroma de criatividade que exala por onde ela passa. A pele clara que dá forma ao rosto de menina contrasta com o arco-íris em seus olhos. Dona das cores e da criação, há quem diga que nasceu para fazer arte.</p>
<p>E se umas nascem para fazer arte, outras nascem para pôr ordem. O que seria desta patota que faz caminhar o Revertério se não fossem as largas passadas de Juliana Pinto? Com sua tez calma, ela vem pronta para o que for preciso. Inova, pede, grita, quer silêncio, toma a frente&#8230; E assim, com esse jeitinho materno de quem no fim das contas só quer proteger a cria, ela sempre está lá, nos recebendo calorosamente em nossa caixa de e-mail.</p>
<p>Mesmo quando ainda está distante, sabemos quem vem: Lays Macêdo. Esta não é denunciada pelo salto alto, mas pelo seu timbre ecoando em meio a berros ou risadas orgásticas. Viva, ruiva, inconfundível. A pimenta que tempera tudo com o seu típico sabor: alegria contagiosa. E se a língua arder por exagero da dosagem, perdoem-na, ela está de TPM.</p>
<p>Gravador na mão, ela está pronta para o trabalho. Thanize Borges, que brinca de fazer entrevistas e brilha brincando. Amável e amada, quem vê o porte de mulher não diz que esconde um coração de menina. Dê-me licença a própria: Ô gente! Mas é linda!</p>
<p>Entre versos e rimas se esconde Mariana Lacerda. Sensível, sente as pequenas pulsações do mundo para transformá-las em linhas e emoções. A poesia é sua mãe, amiga e confidente. Dela tudo sabe e pouco diz. Manhãs, medos, abraços: inteligente, nada ela desperdiça. Tudo ganha vida.</p>
<p>Sâmia Louise tem ar de cabeça: seu jeito maduro traduz calma e esconde uma verdadeira contadora de histórias. O ar de mulher grande se perde dentro dos personagens que imagina, inventa, vê, sente, vive&#8230; A liberdade para ser o que quer é a sua maior fortaleza. Entre metáforas e verdades, ela se revela sem ninguém ver. E, livre, ri sozinha disso.</p>
<p>Toc, toc, toc&#8230; Lá vêm elas! Com toda a sua unicidade, donas de si, com sede de descobertas, com vontade de ser, de romper tabus. Parabéns a todas as mulheres que gostam de maquiagem, sofrem de TPM, são mães, filhas, amigas, estudantes, funcionárias e donas-de-casa. Parabéns a todas as mulheres que gostam de dizer ‘sim’, mas sabem a hora de dizer ‘não’. Parabéns às mulheres que usam chapinha, brigam com o namorado, comem chocolate escondido, gostam de dormir com calcinha de algodão.  Parabéns a todas as mulheres que um dia acordam se sentindo feias, explodem por pouca coisa e choram por menos ainda. Parabéns às mulheres que têm vontade de quebrar regras, desmistificar velhos preconceitos, que têm coragem de SER.</p>
<p>Parabéns em especial às mulheres do Revertério, que além de fazerem tudo isso bem feito, se completam para dar gás não apenas a um site, mas sobretudo a um sonho.</p>
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		<title>O trote do Blog do Anderson</title>
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		<pubDate>Mon, 08 Mar 2010 17:12:40 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Ígor Luz</dc:creator>
				<category><![CDATA[Controverso]]></category>
		<category><![CDATA[blog do anderson]]></category>
		<category><![CDATA[calouros]]></category>
		<category><![CDATA[comunicação social]]></category>
		<category><![CDATA[trote]]></category>
		<category><![CDATA[uesb]]></category>

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		<description><![CDATA[Nós somos os estudantes veteranos de medicina da Universidade de Mogi das Cruzes. Claro: muito mais pobres. Claro: muito menos abrangentes. Se nós, colunistas do Revertério e demais veteranos do curso de Comunicação Social, somos os veteranos de medicina da Universidade de Mogi das Cruzes, o Blog do Anderson só pode ser o Fantástico. Claro: [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Nós somos os estudantes veteranos de medicina da Universidade de Mogi das Cruzes. Claro: muito mais pobres. Claro: muito menos abrangentes. Se nós, colunistas do <em>Revertério</em> e demais veteranos do curso de Comunicação Social, somos os veteranos de medicina da Universidade de Mogi das Cruzes, o <em>Blog do Anderson</em> só pode ser o <em>Fantástico</em>. Claro: muito mais pobre. Claro: muito menos abrangente.</p>
<p>No último dia 05, Anderson Oliveira publicou uma notinha comentando o trote da turma de Comunicação Social. Acho que ele deve estar sem assunto. Na verdade, acho que sempre falta assunto. Tanto que, vira e mexe, ele reproduz um texto do <em>Revertério</em> em seu <em>Blog</em>. Eu entendo Anderson Oliveira. Reproduzir textos do nosso <em>site</em> é a melhor atitude jornalística que ele pode ter.</p>
<p>O blogueiro não veio a campo sem provas. Ele analisou algumas imagens no <em>YouTube</em> e tratou logo de dar o parecer. O <em>Fantástico</em> convocou o professor de medicina comportamental, José Roberto Leite, da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), para analisar as imagens. Espero urgentemente que o <em>Blog do Anderson</em> faça a mesma coisa. Estou seriamente preocupado. Quero ver se o nosso comportamento é considerado patológico, doentio e agressivo.</p>
<p>Vou ter que fazer algo inédito no <em>Revertério</em>. Vou reproduzir uma pequena parte do <em>Blog do Anderson</em>. Eu sei: é aborrecido. Mas se tem gente disposta a comentar seus textos, deve ter gente disposta a aturá-lo por 216 toques. <em>“Um vídeo no Youtube mostra os calouros da Faculdade de Comunicação Social sendo forçados a dançar, ganharam pinturas nos em seus rostos além ainda de serem colocados de joelhos para um suposto juramento pintados”.</em> Essas acusações fariam ainda mais sentido se Anderson Oliveira soubesse fazer uso correto da vírgula.</p>
<p>Claro que isso tudo é uma babaquice sem fim. Qualquer pessoa que olhar as imagens vai perceber que tudo é uma grande brincadeira. Todos riem e se divertem. Ninguém é “forçado” a nada. Na verdade, a intenção é a interação. Todos brincam. Todos dançam. Como até o próprio <em>Blog do Anderson</em> publicou, “calouros e veteranos caindo na dança no dia do trote”. Eu não cheguei a participar das brincadeiras na Universidade. Mas, logo depois, todos foram para um bar e ficaram conversando sobre o curso, estreitando as relações. Nenhum calouro parecia humilhado, frustrado ou com intenção de desistir do curso por causa do trote (como aconteceu na Universidade de Mogi das Cruzes). Quanto ao juramento, precisamos realmente explicar que tudo que os calouros leram ali era pura piada?</p>
<p>O que os alunos de Comunicação Social fizeram foi uma recepção, com tintas, farinha, risadas e cervejas. Não houve cuspe na cara, comida estragada, tapas na cabeça, beijos nos pés. Não houve vômito, fezes, fígado de boi. Não houve nada patológico, doentio ou agressivo. Foi diversão.</p>
<p>Se o <em>Blog do Anderson</em> continuar sem assunto e ele precisar recorrer ao <em>Revertério</em> para preencher suas lacunas, sugiro que ele reproduza, na íntegra, esse texto. Mas não estou forçando nada. É apenas se ele assim desejar.</p>
<p>&#8230;</p>
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