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	<title>Colônia Leta do Rio Novo</title>
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	<description>(1892-1953) Esta é parte da história</description>
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		<title>RECORDAÇÕES DA INFÂNCIA E DOS NOSSOS PRIMÓRDIOS</title>
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		<dc:creator><![CDATA[V. A. Purim]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 16 Apr 2021 19:52:03 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Gerais]]></category>
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					<description><![CDATA[por João Reinaldo e acrescentado e consertado pelos irmãos Viganth Arvido e Valfredo Eduardo Purim 2a. Edição acrescentada 24 de maio de 2019 Este trabalho é apenas um ensaio. Carece dos acréscimos, consertos e acertos, dos demais familiares daquela época que podem e devem participar deste trabalho para que fique como testemunho daquilo que Deus, [&#8230;]]]></description>
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<p>por <strong>João Reinaldo</strong> e acrescentado e consertado pelos irmãos <strong>Viganth Arvido</strong> e <strong>Valfredo Eduardo Purim</strong></p>



<p><em>2a. Edição acrescentada</em></p>



<p>24 de maio de 2019</p>



<p>Este trabalho é apenas um ensaio. Carece dos acréscimos, consertos e acertos, dos demais familiares daquela época que podem e devem participar deste trabalho para que fique como testemunho daquilo que Deus, conduziu por linhas incompreensíveis, às vezes, a família e ter chegado até o momento presente.</p>



<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; <strong>NOSSA CASA E PROPRIEDADE &#8211;</strong> Nossa casa localizava-se numa região bastante acidentada. Para se chegar em casa tinha que seguir uma estrada curva por ter que atravessar uma grota. Ficava a uns 200 metros da porteira por onde se entrava a partir da estrada que vinha de Orleans e subia mais acima onde se dividia que chamávamos de &#8220;encruzo&#8221;. À direita ia-se para o Rio Carlota, depois Invernada, Grão Pará e outras localidades. À esquerda, desta encruzilhada, ia-se para a Coxilha Seca, depois para Brusque do Sul. A estrada, em frente à nossa casa, era uma subida desde a propriedade da Igreja Batista Leta de Rio Novo até chegar ao encruzo. Nesta subida muitos caminhões e automóveis, em dias de chuva, se atolavam os quais precisavam de socorro dos nossos bois para ajudá-los até chegar no topo. A nossa propriedade era cheia morros e grotas. Por ser bem no alto do vale do Rio Novo tinha-se uma boa vista de todo o vale. Geralmente, pelas manhãs, via-se o vale coberto de névoa ou serração que depois se dissipava ao longo do dia.</p>



<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Pois bem, a nossa casa era feita por nossos avós, logo após a chegada da Letônia. Era construída de taboas grossas encaixadas em esteios de madeira. O telhado era confeccionado de tabuinhas de uns 40 x 25 centímetros. Estas tabuinhas eram rachadas e colocados uns palitos reforçados numa extremidade, as quais eram afixadas em ripas horizontais, para não correr abaixo. A cozinha e duas dependências eram construídas de pedras trabalhadas. Na cozinha havia o fogão &#8220;movido&#8221; a lenha que tinha que ser abastecido constantemente. Tinha duas mesas. A grande para as refeições e a menor para os preparativos das refeições. Uma destas dependências era a despensa onde se armazenavam os alimentos, tais como latas de banha, outras de mel e tantas coisas mais. A outra dependência era a estufa ou sauna, [ver descrição detalhada por Viganth Arvido no Almanaque Purim] onde, aos sábados, se tomava o &#8220;banho semanal&#8221;. Depois de se tomar um bom suador era a vez de se entrar para um gamela para o verdadeiro banho.</p>



<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; A casa era de formato de um L. Nesta conjunção havia uma boa varanda que dava para o terreiro, que era cercado de flores e algumas palmeiras.</p>



<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Nesta área contígua havia um paiol onde estava o forno onde se assava o pão de milho; também onde se guardava a lenha para não se molhar com a chuva. Nesse paiol também havia o banco de carpinteiro com inúmeras ferramentas para se trabalhar em madeira. Era o local que eu gostava muito de fazer alguns apetrechos enquanto chovia. Passada a chuva, mamãe chamava com voz autoritária: &#8220;parou a chuva, peguem uma foice ou a enxada e vão trabalhar!&#8221;</p>



<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Próximo à cozinha e o paiol havia outro paiol em que se guardavam o milho em espigas e outras coisas mais. Ao lado ficava o galinheiro em que as galinhas passavam as noites em seus poleiros. Também, ao lado deste paiol ficava o chiqueiro onde porcos eram engordados com batatas doces, inhame e abóboras que eram trazidos da roça. Foi nesse chiqueiro que ao cortar as abóboras para os porcos que cortei o meu dedo polegar esquerdo que conto mais adiante. Para se cozinhar o inhame, que era de um metro aproximado de comprimento. O mesmo era trazido, arrastado. com grande sacrifício das grotas e era cozido em um tacho. Tudo isto era às custas de muito esforço e trabalho penosos.</p>



<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Mais para trás vinha uma calha que trazia água de uma nascente a uns 80 metros. Esta água caía em um coxo onde lavei muita roupa, à mão e toda semana. O pior era quando, em época de estiagem, esta fonte secava. Então era necessário trazer a água de uma possa, em baldes, para então lavar a roupa nesses coxos. Era infância e adolescência de muito trabalho&#8230;</p>



<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Eis aí uma rápida descrição ou retrato dos primórdios de nossa vida.</p>



<p><strong>ENGENHO DE AÇÚCAR</strong> – Recordo-me dos tempos de minha mais tenra infância o nosso engenho de açúcar movido a bois. Era uma construção muito rústica de madeira localizada a uns 100 metros, pelo pasto, que depois da nossa porteira de entrada, saía-se da estrada e a uns 60 metros para baixo. Ficava na encosta de uma grota que fazia divisa da nossa casa com a entrada da propriedade. O engenho, propriamente dito, era de três moendas. Eram três toras de madeira redondas de uns 50 centímetros de altura em posição vertical. Eram movidas por engrenagens em cima de cada uma, também de madeira a partir da central que era acionada por dois bois que tinham os seus olhos tapados com os antolhos para não ficarem tontos ao fazerem as voltas. Eles eram atrelados às cangas, ligadas por cima, à moenda central. Os bois, dando voltas, tinham a função de movimentar a moenda central e também as duas outras laterais. Uma pessoa colocava as canas de açúcar em uma moenda que fazia a primeira espremida do caldo e no outro lado, outra pessoa colocava o bagaço na segunda moenda que tirava o máximo. Este caldo, ou garapa era recolhido em baixo e corria por baixo do chão e caía já na parte de baixo do engenho num grande cocho feito uma canoa, onde ficavam o forno e demais cochos. Em seguida a garapa era transferida para o forno que era uma enorme bacia de cobre em que, embaixo, o fogo fazia ferver a garapa até virar melado até o ponto certo, conhecido pelos entendidos do assunto. Então, era transferido para o cocho onde iria esfriar e ficar açucarado. Depois era colocado em formas, tipo cestos, de taquara com certa semelhança com o tipiti mas sem aquele remate reforçado na parte superior&nbsp; em que a parte líquida o melado já sem o açúcar era escorrido era escorrida, ficando o açúcar para ser, depois, colocado, em lençóis, ao sol para secar. Daí, então, tínhamos o açúcar grosso ou mascavo. Nas ocasiões em que era feito o açúcar o trabalho começava-se cedo de madrugada e ia a noite a dentro. A parte coberta e próximo as moendas ficavam pilhas de feixes de cana aguardando o momento de&nbsp;&nbsp; levar para as moendas. Voltando ao forno superaquecido que fervia a garapa até chegar ao ponto do melado de forno disputados era uma luta porque era preciso agitar com uma espumadeira de bom tamanho e com um cabo bem comprido. Deste ponto em diante estava chegando ao ponto do açúcar que durava poucos minutos e se fazia necessário apagar o fogo na fornalha que era determinada por ordem do comando para lançar latas e mais latas de água na fornalha que devolvia com nuvens de vapor super quente impregnado de cinzas.</p>



<p>Neste tempo com uma cuia com cabo longo era mais rapidamente possível esvaziado a panela ou tacho do melado destinado a ser açúcar passando para um cocho que era chamado de esfriadeira. Quando somente poucos resíduos estavam queimando ainda com o calor residual era aberto o controle do cocho da garapa enchendo novamente a panela para outra panelada. Este momento o pai com a cuia dele ou com a mão mesmo procurava pedaços de “puxa-puxa” que eram aqueles resíduos&nbsp; que agora eram disputados para chupar e deliciar-se.</p>



<p>Outras utilizações do engenho: Em épocas que o engenho não era utilizado o papai autorizava os serranos que vinham com caravanas de mulas para utilizar o ambiente para passar a noite. Lembro também que quando o Tio Natalino veio de Rio do Sul buscar a tia Albertina a super carroça ficou estacionada dentro e nós ficávamos brincando na boleia ativando o moderno freio à manivela. E queríamos saber por que além do par de cavalos, um ia por fora quem sabe prá ajudar numa subida forte</p>



<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Passados alguns anos este engenho foi abandonado e desmontado. Ficou apenas o local com as recordações de onde trabalhavam os bois, e onde ficavam o forno, os cochos e depois cobertos pela grama e o pasto para os animais.</p>



<p><strong>UMA TENTATIVA FRUSTRADA</strong></p>



<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; A nossa propriedade ficava bem nas cabeceiras do Rio Novo. As suas nascentes com os seus afluentes iam se juntando até desaguar, a uns 12 quilômetros, na Barra do Rio Novo, no Rio Hipólito, que naquele tempo se chamava de Rio Tubarão, já bem próximo a Orleans. Pois bem, meu pai, sempre sonhador que foi, teve a ideia de aproveitar um desse riachos para construir um engenho de açúcar movido por uma roda d&#8217;água. Recordo-me da construção do açude, ou barragem para acumular a água em lugar que julgou apropriado. Ia construindo a parte de alvenaria. Para ficar mais claro na parte de cima onde ficava em contacto com a água a parede foi feita de tijolos com cimento e na parte debaixo uns 3 metros abaixo uma parede de pedras e este meio foi enchido de terra e onde mais tarde foram plantados dois pés de bambus. Depois fez a aterragem e, finalmente, para assegurar a mesma fez de pedras. No meio e bem embaixo fez a tubulação para a saída d&#8217;água. Lembro-me das dificuldades para fazer tudo isto foi, praticamente sozinho e com grandes sacrifícios físicos. Finalmente o açude ficou pronto e cheio. Lembro-me de que um dia o papai chegou em casa com um balde com água e cheio de peixes que trouxe do Rio Laranjeiras que ficava uns 10 quilômetros e que foram soltos no açude. Pensava-se que iriam procriar e enche-lo de peixes. Entretanto, creio que foi por falta de alimentação, isto não aconteceu. Mesmo assim, foi o local onde nos divertíamos nos dias de sol e calor e onde aprendemos a nadar, ainda que de forma de “cachorrinho”. Ninguém usava roupas de banho, todos eram à lá Adão. A vegetação impedia o visual de qualquer assistência.</p>



<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Quanto à construção do engenho, lembro-me, do sacrifício da construção das instalações. Lembro-me de que eram improvisados guindastes também de madeira em tripé, para colocar as vigas de madeira em pé e depois as travessas em cima e finalmente a cobertura com telhas de barro. Foi, em seguida, feita a escavação para o local da roda d&#8217;água e das engrenagens para o engenho e demais dependências para o seu funcionamento. Já se comentava que a escavação estava chegando muito perto de um esteio de baixo. Passado algum tempo, o Arvido e eu estávamos, por acaso, num lugar elevado que se avistava a construção, quando de repente, um estrondo, vimos toda aquela construção abaixo. Eram as madeiras e as telhas todas quebradas. Nós, como crianças, não calculávamos o que tudo isso significava e achamos isto muito engraçado e rimos bastante. É possível que tenha sido resultado da grande escavação. Depois, quando papai soube desta nossa reação, ficou muito zangado conosco. Graças a Deus que esta tragédia aconteceu num momento em que ninguém estava embaixo cujas consequências teriam sido a morte certa. Assim, este sonho do nosso saudoso pai foi por “água abaixo”.</p>



<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Lembro-me depois que chegava de São Paulo o engenho propriamente dito, de ferro, monobloco, que papai tinha encomendado. Lembro-me de que, com alguma dificuldade, foi vendido para alguém que, por certo, fez bom proveito.</p>



<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Também me lembro, depois, a venda do tacho de cobre que tinha sido usado no primeiro engenho e estava sendo reservado para o segundo.</p>



<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; A memória da infância, que a tudo via, prestava atenção e ouvia, permanece viva em nossas mentes.</p>



<p><strong>NOSSAS ESCOLAS</strong> – A nossa escola primária foi muito precária, distante e sem qualquer recurso mais moderno para auxiliar as crianças no seu aprendizado. Lembro-me da Cartilha Analítica, o livrinho de tabuada e uma lousa que era um “tablet” de pedra de cor cinza escura que podia se escrever de ambos os lados, com armação de madeira para proteção e nela se escrevia também com um “lápis” do mesmo material que ao escrever ficava um risco que podia ser apagado sem qualquer problema. Nesta lousa eram passados os deveres de casa. Também tínhamos o &#8220;penal&#8221; que era o estojo para o lápis e a&nbsp; borracha. Todo este material era colocado numa sacola de pano com uma alça que se passava pelo pescoço e que ficava a tiracolo e assim a gente ia correndo à toda e a pé para a escola que se tinha que chegar lá, se possível, para a formatura às 8 horas da manhã para cantar o Hino Nacional e o hasteamento da bandeira. Merenda nunca se levava. Havia um recreio para espairecer um pouco e ao meio dia já devíamos estar de volta, em casa. Depois de jantar (era o que se chamava para o almoço) e logo, enxada nas costas e roça.</p>



<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; A primeira escola que me lembro começou numa sala na velha casa que ficava do outro lado da estrada, em frente da residência da tia Lúcia e tio Eduardo Karp no Rio Carlota, que em tempos passados tinha sido a residência dos Mach que em leto chamava-se Mach Maai, isto é casa dos Mach. Ali começaram seus estudos o Valfredo e o Arvido. Era uma longa caminhada da nossa casa até aquele local.</p>



<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Mais tarde a escola funcionou na casa onde também residiram outros letos, os Karklin, também no Rio Carlota. Este local ficava bem mais perto. A professora vinha de charrete, de Rio Novo. Foi nessa escola que comecei o meu primário. Depois, foi construída uma escola de tábuas um pouco mais distante. Para cada série tinha um banco comprido. O primeiro ano ficava no primeiro banco e assim até o 4º ano. A professora dava atenção a cada um conforme às necessidades. Lembro-me que no pátio, à frente, tinha um mastro que em certa ocasião de festa papai fez o hasteamento da bandeira devagarzinho e terminou justamente no final do cântico do Hino Nacional.</p>



<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Teve um dia em que íamos, nós três, como sempre correndo, quando de repente o Valfredo viu em cima da Serra que ficava a muitos quilômetros uma faixa branca de pedras, e ele concluiu, logo que era um jacaré, e a gente, correndo, parecia que o estava se mexendo mesmo. Aí é que se corria ainda mais. O pior foi quando o Arvido, teve necessidade de entrar no mato para fazer seu descarrego, mas ele não deixou, pois, o jacaré poderia nos atacar&#8230;. Eis um problemão.</p>



<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Depois de alguns anos deixamos a escola no Rio Carlota e eu e o meu irmão Alberto fomos, como sempre, a pé,para a Escola no Rio Novo que também era bem longe e a estrada cheia de curvas e sobes e desces que nos fazia se cansar bastante.</p>



<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Nem me lembro se cheguei a me formar no primário.</p>



<p><strong>BANANAS E BANANEIRAS</strong> – Lembro, também, isto bem na minha tenra idade. Meu pai tinha feito uma grande plantação de bananeiras bem no alto de nossa propriedade. Ele tinha, por costume, ir periodicamente cortar os cachos maduros ou os “de vez” para trazê-los para casa. Lembro-me dele com muitos cachos pendurados nas costas e na frente, assim voltava para casa. Atrás dele vinham o Valfredo, o Arvido. Finalmente, vinha eu recolhendo num cesto, as bananas maduras que iam caindo pelo caminho. Ao chegar em casa as mesmas eram colocadas em uma casinha de alvenaria, construída à metade enterrada com apenas uma porta e uma pequena janela atrás. Em leto nós a chamávamos de PAGRABIM, que quer dizer lugar de guardar. Era um local bem fresco e também úmido. Lá ficavam as bananas ainda em seus cachos que a gente comia à vontade e jogávamos para os patos e galinhas que esperavam fora com ansiedade.</p>



<p><strong>ABELHAS E O MEL</strong> – Nós tínhamos, pertos de umas trinta colmeias todas enfileiras numa construção comprida mais para cima de nossa casa. Eu gostava de chegar de vagar, bem perto e ver a entrada e saída das abelhas que vinham e iam em sua tarefa de fazer o mel e a cera. Gostava de ver os enxames de novas famílias saírem. Geralmente elas, em pouco tempo, se colocavam em um galho de árvore próximo. Então era hora de preparar uma nova moradia para esta nova colmeia, Geralmente era uma já antiga a qual era friccionada por dentro com folhas de laranjeira que elas gostavam. Colocávamos a máscara e pegávamos a escada e da melhor posição e com uma lata vazia embaixo do enxame e sacudia-se o enxame caía, em grande parte, dentro dela e era trazido, rapidamente, e derramado dentro da nova colmeia que era fechada com bastante cuidado para não as machuca-las. Fechada e constatada a presença da rainha dentro, dava-se por terminada a tarefa. Pois todas as demais iriam entrar para a nova residência. À noite pegava-se esta nova colmeia e era colocada no local definitivo.</p>



<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Periodicamente era feita a colheita do mel. Meu pai colocava a máscara e as luvas e roupas bem fechadas e começava a retiradas dos favos, colmeia por colmeia. Quando enchia uma grande bacia, trazia para a casinha das bananas onde o Arvido e eu desmanchávamos os favos em uma peneira por onde escorria o mel em um enorme taxo de cobre. Tínhamos que fazer fumaça com a queima de trapos de roupas para espantar as abelhas. O Arvido retirava as abelhas que permaneciam dentro dos favos e eu fazia o desmanche. Em uma dessas tiradas de mel eu fui picado por 23 abelhas fiquei com a cara irreconhecida. Tive uma tremenda dormideira. Creio que por isso é que tenho boa saúde, pois dizem que a ferroada de abelha é bom remédio para vários tratamentos. Teve ocasião em que tirávamos 6 ou 7 latas de querosene de mel, também os favos desmanchados eram derretidos em cera que era vendida em fôrmas que mais pareciam grandes queijos. O mel fazia parte do café da manhã com o pão de milho.</p>



<p><strong>O PÃO DE MILHO</strong> – Sem falar do plantio, da colheita e do armazenamento das espigas de milho no paiol, era um processo que dava também muito trabalho. Começava por descascar as espigas, depois vinha a debulha que era feita à mão ou através de uma debulhadora manual. Era uma máquina de ferro fixa em uma caixa para recolher os grãos. Essa máquina consistia de um círculo cheio de dentes que ao colocar a espiga na parte de cimae acionada a manivela, ela girava e fazia com os grãos caíssem em baixo. &nbsp;Depois que se beneficiava uns 15 quilos era colocado em um saco e o mesmo era colocado nas costas de ia-se para a atafona que ficava no Barracão do Sr. Brugnara (leia-se Brunhara). Depois, pela estrada estreita e esburacada e de se atravessar muitas porteiras, isto é, propriedades dos colonos, chegava-se ao destino. E, como sempre, tinha que ficar na fila, pois muitos já tinham chegado antes. A atafona era movida à água do Rio Pinheiro. Eram duas enormes pedras aplanadas e redondas que talvez pesassem uma tonelada cada uma, a debaixo era fixa e tinha um furo no meio por onde passava o ferro que acionava a pedra de cima que também tinha um furo de uns 15 centímetros de diâmetro por onde os grãos iam caindo, de um recipiente de madeira em forma de cone que tinha um dispositivo que fazia o trepidar o com isso o milho ia caindo gradativamente. Terminada a moagem, começava-se a volta para casa pelo mesmo caminho, que geralmente já era de noite completamente escura, pois não se tinha qualquer iluminação.</p>



<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; A confecção do nosso pão de milho se dava da seguinte maneira: tínhamos um recipiente de madeira retangular, de uns 80cms x 40cms e uns 40 de fundura. Começava-se com o ralar do cará. O ralo era uma chapa de lata toda furada com pregos e afixada e numa armação retangular de madeira. Depois, a farinha de milho, ou fubá, que era misturado com água e mexido com um punhado de fermento que sempre era guardado de uma semana para outra. Não me lembro dos ingredientes, a mais, que eram colocados. Tínhamos um monte de formas que eram forradas com folhas de caeté. E assim essas formas ficavam algum tempo para o seu crescimento para então entrar no forno. Esse ficava em um paiol/depósito anexo, onde se guardavam a lenha e também tinha o banco de carpinteiro com incontáveis ferramentas com as quais gostávamos de nos divertir. O forno era superaquecido com bastante lenha e por um bom tempo. O braseiro todo era arrastado para fora que caía na frente. Então as formas eram colocadas no forno. Era fechado e se esperava, creio que por mais de uma hora, quando as formas eram retiradas para o seu consumo matinal e diário. O forno quente era aproveitado para assar batata doce e depois torrar o amendoim com o qual se fazia o saboroso e saudoso doce. O pão de milho era o principal para cada nosso café da manhã que era chamado de almoço. Ao meio dia era a janta e à noite era a ceia.</p>



<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; No final da semana, depois que faltava o pão de milho, o nosso pai fazia uma polenta muito gostosa em numa panela de ferro, ficava mexendo com um pau redondo de uns 4cms de diâmetro e uns 1.50 de comprimento, em cima do fogão até ficar reluzente. Quando pronta era virada em uma enorme tábua redonda. Depois era cortada com um fio de barbante com as duas mãos em cada ponta, debaixo para cima e colocada no prato. Este era o prato principal do café da manhã.</p>



<p><strong>ANTES DO CAFÉ DA MANHÃ</strong> – Como sempre a nossa vida na roça começava bem sedo, logo ao clarear do dia. Tínhamos que tirar o leite, dar comida para as galinhas, e porcos nos seus devidos chiqueiros. Todas as manhãs, um de nós tinha de conduzir todo o nosso gado para o pasto da igreja pela estrada abaixo. (Á tardinha, o mesmo processo, trazê-las de volta para passar a noite em casa.) Quando estas partes preliminares eram feitas todos os filhos se reuniam, cada um no seu lugar, ao redor da mesa, papai abria a gaveta e dela tirava uma Bíblia e fazia a leitura e depois orava, tudo em leto. Seguia-se o avança&#8230; Depois, cada um com o “tanque cheio”, tomava a sua enxada ou foice, conforme as necessidades e com o seu chapéu de palha na cabeça e um facão na bainha e na cintura, pé no chão, e a caminho da roça&#8230; até o meio dia quando se voltava para a chamada “janta”.</p>



<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; <strong>O MEU DEDO CORTADO</strong>. Certa manhã, ao dar comida para os porcos nos chiqueiros, estava eu cortando uma abóbora das compridas e ao chegar à última cortada, fiz um esforço maior e com isso a ponta do facão atingiu o telhado que era baixo e resvalou desviando o seu trajeto atingindo boa parte da falange do meu dedo polegar esquerdo que segurava a abóbora, ficando, apenas, pendurado pela pele. Felizmente não foi total o corte, pois teria sido comido pelos porcos. Louvado seja Deus. Vim correndo para a cozinha e quando a mamãe soube foi logo tomando as providências, colocando o pedaço ainda preso, de volta, foi logo enfaixando com o miolo da babosa e molhando com água fria. Creio que foi o momento em que eu desmaiei por algum tempo, depois voltei ao normal. Não se fez nenhuma providência em dar pontos. Lá ninguém falava sobre isso. A parte decepada ficou, por muito tempo insensível. Mas a natureza foi fazendo com que a sensibilidade voltasse ao normal, inclusive a unha recomeçou a crescer, defeituosa, até hoje. Porém, o dedo ficou normal, inclusive ainda me ajuda muito na digitação com os 10 dedos, desde os tempos em que aprendi, sozinho, a datilografia com um manual, em uma máquina Remington, enquanto estudava na então Escola Batista de Treinamento, nos meus tempos de estudos em Curitiba. Esta habilidade me ajudou bastante nos meus trabalhos nos empregos e também na confecção das tarefas escolares.</p>



<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; <strong>O VEADO QUE NÃO ERA</strong> – A nossa infância foi bem marcada pela constante presença do tio Otávio que tinha uma alfaiataria na avenida principal de Orleans. Ele atendia a clientela, porém, a sua mente estava sempre ligada com as caçadas nos nossos matos. Ele chagava com os seus cachorros “veadeiros”, que iriam perseguir os veados que já eram poucos. Esses cachorros perseguiam o faro do animal por onde passava. De manhã procurava os rastros ou vestígios e mostrava para os cachorros que saíam, à toda, seguindo o faro do animal e ganiçando. Certo dia, eu ouvi que os cachorros, depois de muito correrem, estavam, parados bem próximos de mim, em nosso mato, e corri para ver o que era onde estavam os cachorros cercando a vítima. Era um &#8220;cachorro do mato&#8221; que estava exausto entre as raízes de uma grande árvore. Não pensei duas vezes; peguei um pau e dei fim no coitado. Depois o peguei pelo rabo e assim trouxe o para a casa. Quando o tio Otávio chegou e viu os meus feitos, arregalou os olhos e ficou extasiado. Depois, o Valfredo pegou a nossa máquina fotográfica e tirou uma foto em que aparecem o tio Otavinho, a vítima e eu. Esta foto ainda existe em alguma caixa de relíquias.</p>



<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; O tio Otavinho também gostava de caçar tatus. Ia para à frente das tocas e esperava, à saída do animal, depois de escurecer para atirar na vítima. Porém, não me lembro que tenha tido algum êxito em caçar algum tatu. Creio que a caça sempre foi mais experta que o caçador.</p>



<p><strong>NO ENGENHO DE FARINHA DE MANDIOCA</strong> &#8211; Houve numa temporada de inverno em que fui trabalhar no engenho de farinha de mandioca dos Veronezes. Este engenho ficava também às margens do Rio Pinheiros, no Barracão, um pouco abaixo da atafona do Sr. Brugnara. A entrada começava bem junto à estrada onde tinham uma venda de secos e molhados. Descia-se, por uma estrada muito íngreme até chegar ao engenho que era movido pela água captada, no alto da queda d&#8217;água. Esta água canalizada era conduzida por vala até chegar à calha que por sua vez iria cair sobre a roda d&#8217;água movimentando o engenho. A mandioca era trazida em caminhões e despejada na parte superior e que era arrastada com uma enxada para dentro de um, tipo, barril de ripas com frestas, na horizontal que girava e uma calha d&#8217;água caía sobre o mesmo que em pouco tempo ficava totalmente sem casca. Depois estas mandiocas eram arrastadas para o ralador onde, em pouco tempo, virava uma pasta. Esta era colocada em uma prensa e uma catraca também movimentada pela força hidráulica a transformava em blocos que tinham que ser desmanchados e peneirados antes de irem ao forno em que duas pás giravam dia e noite. E depois a farinha era ensacada. Fazíamos uns 50 ou 60 sacos por dia. O engenho não parava. Eram dois turnos de 12 horas cada. Eu pegava ao meio dia e ia até a meia noite. O frio era muito intenso. Podíamos ver bastões de água congelada de uns 50 cms. em baixo das calhas. Depois íamos para o dormitório para nos prepararmos para a nova jornada a partir do meio dia seguinte. Assim trabalhei um inverno inteiro.</p>



<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Todo sábado à tarde vinha para passar o domingo em casa, porém à noite já voltava para o engenho.</p>



<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Num certo sábado, ao chegar em casa, todos olhavam para mim e riam. Eu não sabia o que era. Depois me disseram que tinha me esquecido de lavar o rosto, pois estava todo branco do polvilho da fábrica de farinha de mandioca.</p>



<p><strong>A TRAGÉDIA DA SERRARIA</strong></p>



<p>Por Valfredo Eduardo</p>



<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; O papai, após constantes insucessos na agricultura, motivados por secas, terras acidentadas, que eram sujeitas à erosões e fracas ele aventurou-se no ramo madeireiro em pequena escala e para tanto, em sociedade com o tio Eduardo Karp compraram uma serraria movida a roda d´água Esta serraria estava localizada nas terras do italiano Antonio Alberton, o ex dono. Passado algum tempo o Papai comprou a parte do tio e ficamos sós com a serraria, sendo que a parte executiva ficou na minha &#8216;alta&#8217; responsabilidade, isto é, do serrador. Devia na época, ter uns 15 ou 16 anos de idade. Como a água disponível para movimentação era cíclica, tentamos movimenta-la com motor a óleo diesel, que também não prosperou, voltamos então ao sistema anterior, à água.</p>



<p>Eram serradas madeiras provenientes da nossa própria mata, perobas, canelas, garuvas, pau preto e tantas outras e também serrava-se “à meia,” metade para o dono da madeira e a outra ficava pela serragem, mesmo assim, dadas as condições de penúria da região o retorno financeiro não era nada satisfatório visto que o transporte das toras era feito em carretões puxados por juntas de bois e a madeira serrada era transportada em carros também puxados a boi, e os preços do mercado local nada estimulantes.</p>



<p>Nas proximidades de nossa residência, no meio de uma grota muito funda havia um enorme baguaçu, árvore de uns 35 a 40 metros de altura e de uns 8 a 10 m³, madeira branca de baixa qualidade. Esta arvore de idade provecta, tombou após uma ventania e Papai que não aceitava a ideia de deixar apodrecer, cortamos em toras, arrastamos para fora da grota com uma valente junta de bois, arrastamos as toras todas até a nossa serraria e durante semanas, acordando de madrugada, ia eu abrir as comportas dos dois açudes e por em movimento a serraria e cortar o baguaçu, ao terminar a serragem, as tábuas todas estavam empilhadas e gradeadas dentro da serraria secando e aguardando o transporte para casa e com as quais seria construída a nossa casa nova tão aguardada pela Mamãe.</p>



<p>Entretanto&#8230; dias passaram e num domingo, pelas três horas da madrugada, num impulso qualquer acordei e saí fora de casa, quando vi uma coluna de fumaça luminosa, clara, de uns 50 metros ou mais de altura, sem vento, achei estranho, provavelmente seria um incêndio na cozinha de madeira dos velhinhos Alberton que era separada da casa em alvenaria do filho Antônio. Acordei o Arvido, pois dormíamos no mesmo quarto e sem avisar os demais familiares fomos ver de que se tratava.</p>



<p>Ao aproximar do local, era a serraria em chamas, imediatamente abrimos as comportas dos açudes, apanhamos uns baldes, e chegamos, bem perto, pela calha que conduzia a água, jogamos água no incêndio ate o sol raiar, tínhamos apagado o incêndio, mas a serraria e as tabuas já serradas estavam totalmente consumidas.</p>



<p>O incêndio criminosamente provocado, com certeza, e o principal suspeito meses depois cometeu suicídio. Nossos pais e demais irmãos mais novos ao acordarem, estranharam nossa ausência, não tinham a menor ideia do que podia ter acontecido.</p>



<p>Lá pelas oito horas da manhã, de volta para casa, sujos de fuligem e carvão foi espantoso para todos. Papai esperava vender a serraria, pagar alguns compromissos, a Mamãe esperava morar em uma casa mais confortável, mais espaçosa, e, em poucas horas, as expectativas e esperanças&#8230;. desapareceram.</p>



<p>A família Purim não costuma registrar datas, mas são fatos que marcaram nossa existência, este é um deles que deve ter ocorrido no final do ano 1951. Mas, Graças a Deus, sobrevivemos e aqui estamos, quase todos, com saúde e muita paz.</p>



<p><strong>IGREJA BATISTA LETA EM RIO NOVO</strong></p>



<p><strong>ORLEANS &#8211; SC</strong></p>



<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; A Igreja Batista em Rio Novo deixou marcas muito profundas em minha vida. Desde a mais tenra infância a igreja tomou um lugar muito especial em minha vida e como na vida dos demais familiares. A nossa casa ficava perto de onde se avistava, lá embaixo, o templo e seus arredores, onde havia muitas laranjeiras que, a seu tempo, ficavam carregadas de frutos e o pasto onde, além de nossos animais iam pastar todos os dias. Como a nossa família era a mais próxima tínhamos a incumbência de zelar do templo, ou seja, fazer a limpeza semanal, bem como tirar o pó com um pano úmido todos os domingos antes da Escola Bíblica Dominical. Em dias de festas, faziam-se brincadeiras de roda e tantas outras no pasto, conforme várias fotos existentes. A Igreja tinha sido organizada pelos imigrantes da Letônia nos anos de 1892. Por conseguinte, seus membros, alguns, ainda eram os imigrantes e de seus descendentes como era o nosso caso. Pois bem, era nosso costume, que, dominicalmente, de manhã, íamos à igreja. Todos iam à pé, não só nós, mas todos descalços, carregando os sapatos na mão. Ao chegar no tempo iam direto para uma pequena fonte em forma de bica (que em leto chamava-se avoatim) onde lavavam-se os pés e calçava-se os sapatos e assim adentrávamos para o templo. A Escola Dominical era só para as crianças e os jovens. Os adultos ficavam numa sala anexa ou&nbsp; fora colocando as conversas em dia. Depois da EBD havia um intervalo para tomar água etc. e depois todos entravam para o culto. As mulheres ficavam no lado esquerdo e os homens no lado direito. O coro ficava de frente para o auditório com os degraus para cada voz e o púlpito ao lado esquerdo também numa parte mais elevada. Era uma mesa com uma toalha e no meio o suporte para a Bíblia. Em cada lado colocavam vasos de flores uma de cada lado. Na frente para todos ficava o relógio, bem no alto, que batia as horas. E &#8230; como custava chegar o meio dia, hora de terminar o culto. Geralmente era dirigido por um dos líderes que eram João Zeeberg, Roberto Klavin ou nosso pai, Otto Roberto Purim (que lá era chamado de seu Artur). Este às vezes trazia uma mensagem falada. Nos tempos mais antigos tudo era na língua leta. Como não tinha pastor local, tínhamos de nos virar na forma possível. Aos terceiros domingos cada um podia ou devia fazer a sua parte que poderia ser um número especial, uma poesia, uma leitura de algum texto que achava que fosse interessante. Houve tempo em que nos visitavam mensalmente, o Pr. Paulo Gailit que residia e pastoreava a Igreja Batista em Laguna que com o tempo foi extinta, o pastor Carlos Ukstin e também depois o Pr. Antônio Domingos Santolin que residiam a seu tempo em Orleans. Tivemos, mais tarde, as visitas do Pastor Paulo Hilquias Homem de Melo que residia e pastoreava a Igreja&nbsp; em Criciúma, depois a presença do Pr. Renato Salles que residia em Tubarão onde pastoreava a igreja local. .</p>



<p><strong><u>Os batismos</u></strong> &#8211; Para a realização dos batismos, conforme a Bíblia, em que é necessário &#8220;muita água&#8221;, o riacho do Rio Novo que passava pelo pasto, propriedade da igreja, este era represado que fazia uma linda represa. Os últimos batismos, talvez, por conveniência que não nos recordamos, foi o caso dos nossos irmãos, Valfredo Eduardo, Viganth Arvido e eu, fomos numa caravana com vários irmãos de Rio Novo e batizados no batistério da Igreja Batista de Orleans com outros irmãos daquela igreja. É possível que este seja o motivo se juntar os dois grupos de batizandos. Estes batismos foram realizados pelo Pr. Antonio Domingues Santolin.</p>



<p><strong><u>Os Natais</u></strong> &#8211; A festa do Natal sempre foi muito esperada e prestigiada. A preparação já vinha de semanas antes. Um pinheirinho de verdade e bem grande, era trazido a dois, do sítio dos tios Eduardo e Lúcia Purim Karp, isto é, depois de cortado, amarrava-se uma vara na parte superior um colocava nos ombros a parte inferior e o outro a vara amarrada. Assim vinha-se pela estrada afora, uns seis quilômetros. Por ser um tanto pesado, era revezado pelos companheiros. Ao chegar no templo era empinado e enfeitado com correntes de papel colorido, com enfeites, tais como, nozes coloridas e as velas que davam toda a beleza que eram colocadas em um suporte que com uma mola eram fixadas nos galhos do pinheiro. Houve anos, na nossa infância em que as crianças ficavam em uma sala anexa e quando tudo estava pronto, lâmpadas acesas e as do pinheirinho, a líder das crianças entravam com elas em fila para o tão esperado momento. Uau&#8230;! Lembro-me de que certa vez uma corrente de papel pegou fogo, porém foi debelado, no mesmo instante pelo jovem Roberto Cruz que estava mais próximo. A iluminação do auditório era de lampiões a querosene. O programa constava sempre dos nossos tradicionais hinos de Natal e também poesias. Geralmente, dava-se um jeito de ter um pastor ou pregador. Lembro-me do então estudante Vinicius Paegle que vinha com mais irmãos de Orleans. Depois do programa havia a distribuição de balas e bolachas em sacos de papel para cada criança que eram chamadas pelos nomes, em voz alta, pelo nosso pai. Aí era aquela festa. Lembro-me de que vinha gente de longe e enchia a &#8220;igreja dos russos&#8221;. Porém, no domingo seguinte ninguém mais aparecia.</p>



<p><strong><u>Os Aniversários da Igreja</u></strong>&#8211; Em todos os 20 de março comemoravam-se o aniversário de organização da igreja. O templo era enfeitado com palmitos trazidos das nossas matas. Também era trazido, a dois, um harmônio portátil da casa dos Zeeberg. O mesmo era portátil que ficava em uma caixa retangular e era envolvido em um cobertor e o mesmo era amarrado por cordas em uma vara em que um na frente e outro atrás, traziam para os eventos mais importantes, tais como, natais e os aniversários da igreja. Era tocado pelo filho, o jovem Gustavo. O mais antigo aniversário que me lembro foi quando se comemorou o seu Cinquentenário, em 1942. Consta das fotografias da efeméride a presença dos pastores: Dr. A. Ben Oliver, João Emílio Henck, Jacó Inkis, Paulo Gailit, Carlos Ukstin, Carlos Stroberg e o Missionário Patrick Sulyvann e Albert Eihmanis. A programação durou, creio, uma semana inteira. Houve grande envolvimento de todos, homens e mulheres preparando as refeições para todos e tomando todas as providências necessárias. Existem fotografias para quem estiver interessado em ver.</p>



<p>Anualmente o aniversário da igreja era comemorado quando vinham, especialmente os irmãos de Orleans e de outros lugares.</p>



<p><strong><u>Os piqueniques</u></strong> &#8211; Preservando as tradições e costumes da Letônia eram comemorados os Dias de 6 janeiro, Páscoa, 24 de junho, o Dia de São João. Nesses dias faziam-se piquenique na casa de alguma família da igreja. Cada família levava o seu farnel ou farofa para o lanche do dia. Lembro-me dos piqueniques no Rodolfo e Ana Maisin (leia-se Maissin) quando ainda residiam no Rio Molha onde tinham uma atafona, no Guilherme Balod, João Zeeberg no Barracão, no João Leepkaln no Rodeio das Antas, no Roberto Klavin na Invernada, no Carlinho Leepkaln na Coxilha Seca e outras localidades. Constava de um momento de conversas, e de brincadeiras de roda no gramado. Acontecia sempre um momento devocional em que eram mencionados os fatos bíblicos alusivo ao dia.</p>



<p><strong><u>Desastre inesquecível</u></strong>&#8211; Numa das comemorações do aniversário da igreja os irmãos de Orleans lotaram um caminhão com os bancos na carroceria e participaram trazendo muita alegria para nós. Entretanto, o dia estava muito chuvoso e depois do programa e despedidas, à tarde, o caminhão, ao descer uma ladeira muito escorregadia, o motorista ao invés de encostar mais pelo lado direito, isto é, do barranco, não se sabe ao certo, o fato é que o caminhão com todos os seus ocupantes foi capotando, pelo despenhadeiro abaixo, onde havia árvores que, não sei se seguraram o caminhão ou fizeram com que muitos ficassem profundamente feridos. Deste acidente tivemos o falecimento das irmãs Fany Paegle, Hilda Elbert Slegmann.</p>



<p>O sepultamento aconteceu no cemitério de Orleans, ao anoitecer, pois aguardava-se a presença de um dos filhos de d. Fany, o Edgar, que residia em Urubici. Lembro-me do momento em que ele chegou atravessando a multidão e foi direto para ver a mãe na urna funerária. Os funerais aconteceram quando já era bem de noite.</p>



<p>Esta notícia foi muito lamentada e bastante divulgada. Dizem que até saiu no Repórter Esso que era irradiado do Rio de Janeiro.</p>



<p><strong><u>O Cemitério</u></strong>&#8211; A área reservada para os sepultamentos dos falecidos fica bem no alto da propriedade da igreja, isto é, uns trezentos metros do templo. Recordo-me dos tempos em que o mesmo foi cercado por um muro de alvenaria. Depois, como final da obra, foi confeccionada uma cruz de cimento de uns 4 metros de altura que foi pintada de preto. Recordo-me da solenidade do término e da dedicação desta obra para Deus. Lembro-me da palavra do irmão Felipe Karkle muito oportuna para o memento. O seu filho irmão Zefredo me contou recentemente que ele trabalhou muito conduzindo água em latões colocados em carros de bois para estas construções. Para cada família era reservada uma área. Em princípio, cada uma tinha a incumbência de conservar limpa a sua área. A nossa era bem no canto à direita de quem entrava pelo portão. Lembro-me bem dos sepultamentos dos nossos avós Jahnis (João) (pronuncia-se Yanis) e Lisete Rose Purim. Nunca me esqueço do choro do nosso saudoso papai depois do sepultamento da vovó Lisete. Outro funeral que se tornou inesquecível foi o do irmão Carlos Zeeberg. Ele era muito procurado pelos vizinhos, pois praticava a hidroterapia, isto é, a cura pela água, baseada nos livros do Dr. Kneip. Tinha os dentro de sua mochila e quando saía de casa a chamado, às vezes demorava semanas, pois os vizinhos, ao saberem de presença dele, pediam para que os atendessem também e assim ia de casa em casa. O seu falecimento foi motivo de tristeza e reconhecimento de gratidão de muita gente. Faleceu com idade bem avançada. Para os seus funerais o templo da igreja ficou totalmente lotado. Um outro sepultamento foi o do jovem Júlio Burmeister. Jovem promissor, filho único de Adolfo e Ema. O seu falecimento, ao que parece, se deu motivado por uma pneumonia mal tratada. No domingo anterior estava na igreja e no outro estava numa urna funerária. Lembro-me daquela tarde, em que, em frente de nossa casa só se viam guarda-chuvas descendo para a igreja onde depois do culto em que falou o nosso pai, foi conduzido para cemitério. Os seus pais choraram muito a ausência do filho, bem como todos os que o tinham em alta consideração.</p>



<p><strong><u>Último templo</u></strong> &#8211; O segundo templo construído de alvenaria, porém, a estrutura era de madeira que com o tempo estava se deteriorando, causando perigo de desmoronamento. Então, quando eu já estava estudando em Curitiba, lá pelo ano 1957 (?) foi feito um contrato com uma firma em que o templo antigo foi demolido e construído um bem menor pela mesma, pois as expectativas para o futuro eram bem pequenas.</p>



<p><strong><u>Últimas famílias</u></strong> &#8211; Por ser uma região topograficamente bem acidentada e sem recursos, tais como luz elétrica, estradas, socorros emergenciais etc. as famílias foram se transferindo para outras regiões, tais como Orleans, Urubici, Pato Branco como foi a mudança da família Karkle (Felipe). A igreja tinha programado fazer um culto de despedida em sua residência, à noite, quando. em meio ao mesmo, chega o caminhão para fazer a mudança com tudo, inclusive os familiares. Assim é que quando tudo foi colocado no caminhão, o mesmo saiu e o povo ficou lá dando adeus àquela família. O último a encerrar as atividades da Igreja Batista foi o nosso saudoso irmão Alberto Edmundo Purim. Depois disto houve a transferência da propriedade para a Convenção Batista Catarinense. Hoje a Associação Batista Leta do Brasil está planejando construir um memorial no lugar onde, por décadas, funcionou a Igreja com muitos eventos históricos e de onde saíram muitos homens e mulheres de valor, para a glória de Deus.</p>



<p><strong>MINHA VOCAÇÃO PASTORAL</strong> &#8211; Lembro-me que eu sempre fui bem chegado à coisas espirituais: igreja, hinos e me imaginava pregando a Palavra de Deus. Quando houve a Assembleia da Convenção Batista Catarinense, no início do ano 1954, em Urubici que fica na Serra Catarinense. Alguém teve a iniciativa de arranjar o caminhão dos Karp e com seu filho, o nosso primo Alberto e o Durval Paegle de motoristas. A carroceria com bancos de tábuas e com um bom número de irmãos da Igreja de Rio Novo e de Orleans, saímos de Rio Novo, creio, na parte da manhã, anoitecemos e passamos a noite na estrada, chegando em Urubici no dia seguinte pela manhã. Fizemos o trajeto de Orleans, Braço do Norte, Armazém, Rancho Queimado, Bom Retiro, Quebra Dentes, Panelão e finalmente o Vale do Rio Canoas onde fica Urubici. Lá encontramos o Arvido que já trabalhava na oficina do Osol que começava os labores de mais um dia. Fomos logo nos acomodando, cada um onde era arranjado para ficar os dias da Assembleia. Foram dias maravilhosos. Chegavam irmãos e pastores de várias partes do Estado e também os irmãos e pastores Werner e Walter Kaschel. Este foi o orador das reuniões. No domingo, pela manhã, depois da mensagem fez o apelo para alguém que sentisse a vocação para o ministério da Palavra que levantasse a mão. Foi o momento da minha manifestação pública da disposição de servir ao Senhor em sua Seara. Terminada a reunião procurei falar com o Secretário Geral do Campo Batista Catarinense, Missionário Adriano Blanckenship do meu desejo de estudar para o ministério. Ele lembrou que em Curitiba já estudavam o Alfon Kruklis e Arvido Auras e que, por certo teria uma bolsa de estudos para mim. Depois que chegamos em casa, passados alguns dias recebemos dois telegramas de que poderia ir para os estudos em Curitiba. Agora era hora de comprar e de preparar a mala com um enxoval. Num certo dia, eu de bicicleta e a Mamãe na garupa fomos com este objetivo para Orleans. Compramos a mala, terno e as outras coisas, inclusive a passagem para Florianópolis. Num determinado dia, de manhã às 7 horas encostava o ônibus da Rápido Sulino que começava o seu trajeto em Lauro Müller. Lá estava eu me despedindo da mamãe, o Aberto e mais alguém. Cheguei em Florianópolis já ao anoitecer, pois as estradas eram sem qualquer conservação. Em Florianópolis aproveitei a oportunidade para tirar a minha Carteira de Reservista de 3ª Categoria, pois houve um decreto presidencial de que os jovens dos municípios carboníferos eram isentos. Lembro-me de que na repartição tive que fazer o juramento à Bandeira com mais alguns. Todas as janelas foram fechadas e todos os funcionários paralisaram o seu trabalho e assim foi. Logo saí com o Certificado em mãos. No dia seguinte, tomei o ônibus da Rápido Sul Brasileiro com destino à Terra dos Pinheirais. Lembro-me que, numa parada, encontrei no ônibus da Catarinense o casal Leons Kruklis e sua noiva Naime que depois se casaram e formaram uma linda e abençoada família. &#8211; Ao chegar em Curitiba, eu apenas tinha o endereço da Escola. Mas Deus foi maravilhoso que ao descer do ônibus, na agência na Praça Tiradentes, em que vi passando, o Pr. Walter Kaschel. Logo o abordei dizendo que estava chegando para estudar. Ele prontamente se dispôs a me levar, de lotação, à casa do Diretor, o Missionário Dr. Lester Bell que morava na esquina das Ruas Iguaçu com Buenos Aires. O pior é que ele nada sabia dos telefonemas que havia recebido com a garantia da vaga em Curitiba. Entretanto, não fez nenhuma objeção. Assim é que daquele local me dirigi à Escola, à Rua Silva Jardim, que naquela época era nº 1887, hoje é 1859. Lá me encontrei com o jovem também estudante naquela escola o Alfon Kruklis e a mãe dele, irmã d. Natália que era a cozinheira e lavadeira de roupas dos alunos. À noite fomos com o Dr. Lester Bell ao Colégio Novo Ateneu, à Rua Emiliano Perneta para a minha matrícula no ginásio. Lá me encontrei com o nosso grande amigo o Pastor Paulo Gailit, conhecido dos tempos da minha infância em que ele era pastor em Laguna e que nos visitava em Rio Novo. Ele fez questão de me apresentar ao Diretor dizendo que era de família e que muito prometia (palavras que ele sempre gostava de referir-se às pessoas). O tempo do exame de admissão já tinha passado, porém, fiz as provas em tempo especial e fui aprovado (ou empurrado) com as notas mínimas. Assim logo comecei os meus estudos. Da roça para o ginásio, estudando latim, português, matemática, geografia, história etc.</p>



<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Na Escola Batista de Treinamento das 8 às 10 horas eram as aulas de Bíblia. Das 10 até às 12 horas era trabalhar na horta nos fundos ou serrar e rachar lenha, pois naquele tempo não havia fogões à gás.</p>



<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Já tinha me encontrado com o Valfredo que já frequentava a Igreja do Cajuru onde o Pr. Gailit era pastor. Fui logo apresentado para a igreja e com a sua forte voz, com as palavras: &#8220;quem aspira o ministério, excelente obra deseja&#8221;, dizeres do apóstolo Paulo. Assim aos domingos era o Cajuru, onde fiz boas amizades que até hoje ainda alguns se lembram. Havia a escala para os almoços para os outros estudantes, nas casas das famílias que preparavam com muito esmero e fartura. No Cajuru cantei no coro, fiz parte da então União de Mocidade e fiz muitas visitas de evangelismo. Por tudo, louvado seja o nosso maravilhoso Deus que esteve à frente de tudo abrindo as portas e dirigindo os meus passos.</p>



<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Logo que cheguei em Curitiba escrevi carta para o Tio Reynaldo comunicando este fato.</p>



<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Passados alguns meses chegava em Curitiba também o Arvido que com alguma dificuldade conseguiu emprego de ferreiro na grande oficina da Transparaná concessionária da Willys Overland que fabricava os JEEPs. Depois passou a mecânico e depois de passar por todas as seções passou a chefe da oficina.</p>



<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Numa das férias o Tio Reynaldo veio nos visitar e ficou encantado com a cidade. O Valfredo, em contato com o irmão Misael Cardona de Aguiar, descobriu uma propriedade à Rua Jacob Bertinato, 154, e o tio se interessou a comprou e mais tarde os demais lotes que foi o centro de nossa família com a chegada dos Purims, papai, mamãe, Carlos Ademar, Leni e Lili. Foi momento muito emocionante, quando o caminhão da mudança chegou. Isto aconteceu em 14 de setembro de l960, noite memorável. Nisto eu já tinha terminado o ginásio e estava concluindo o Clássico. Estava como responsável da loja/depósito de livros da Casa Publicadora Batista na galeria do Edifício Asa com a Carlos de Carvalho.</p>



<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Mas como estava terminando o Clássico, era tempo de ir no ano seguinte para o Seminário do Sul no Rio de Janeiro. Foram meses muito gostosos com os pais e as crianças, Carlinhos, Leni e Lili e os demais que ficamos com saudades mútuas ao partir para o Seminário.</p>



<p><strong>MINHAS FÉRIAS</strong> &#8211; Teria muito para escrever sobre as minhas férias em casa com os pais ainda em Rio Novo. O nascimento da Lili em 1956 quando tive que buscar, de madrugada, escura e chuvosa, a parteira d. Hilda Zeeberg. Tive muitas oportunidades de fazer trabalhos de férias nas igrejas de Criciúma, Mãe Luzia, Tubarão. Também passei umas férias no Norte do Paraná. Trabalhei com as crianças fazendo EBFs, mensagens e visitas. Comecei em Marialva me hospedando na casa do sítio dos Marques. Hoje ainda são lembrados aqueles dias pelo irmão Jarbas, na Igreja do Bacacheri. Depois trabalhei na Igreja de Mandaguari, a seguir passei por Arapongas onde o Arvido era o chefe da oficina da Transparaná, ele e Edith recém casados. Depois, indo a Londrina, o Pastor Elizeu Ximenes me encaminhou para a Congregação em Guaravera. Quando voltei para Curitiba encontrei o Tio Reynaldo hospedado na pensão da irmã Maria Túlio onde moraram meus irmãos, André Zacharov e outros jovens estudantes.</p>



<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Também ficam de fora as minhas férias do Seminário, aqui em Curitiba, na 1ª de Paranaguá, 1ª de Londrina, onde passei umas férias inteiras substituindo o Pastor Dr. Antunes de Oliveira. Outras férias passei no Estado do Espírito Santo onde fiz trabalhos em várias igrejas no interior.</p>



<p>Estes são apenas alguns &#8220;recuerdos&#8221; que precisam ser acrescentados e melhorados para deixar para a posteridade que está surgindo. .</p>



<p><strong>TIA LÚCIA</strong></p>



<p><em>Algumas recordações de João Reinaldo</em></p>



<p><em>e Viganth Arvido Purim</em></p>



<p>A tia Lúcia deixou marcas profundas na minha vida e também na de meus irmãos. Era casada com o Eduardo Karp que também passou a ser tio. Moravam em uma verdadeira fazenda, às margens do Rio Carlota e da estrada que ia para a localidade chamada Invernada e mais adiante o então distrito de Grão Pará. Ficava a uns quase 6 quilômetros da nossa casa.</p>



<p>Era no terreno dele que ficava em frente situava-se casa que tinha sido da família Match, transformada em escola onde meus irmãos Valfredo e Arvido que tiveram as primeiras aulas.</p>



<p>Para se chegar lá, às margens, tínhamos que passar por muitas propriedades agora habitadas por italianos, que tinham sido de famílias letas como Leepkaln, Stekert, Karklin, Sahlit e outras que tinham se mudado para outras localidades. No nosso tempo ainda morava a família Balod. Sr. Guilherme, d. Matilde e a filha Lídia. Fazia divisa com o nosso terreno no final do nosso morro, onde a estrada que vinha de Orleans se dividia. A parte da esquerda ia para Brusque do Sul e a direita para o Rio Carlota.</p>



<p>O tio Eduardo tinha de tudo, muitas vacas dando leite, carneiros que davam lã, galinhas e patos. Ainda falando de vacas e leite, entre outras modernidades a tia Lúcia tinha uma desnatadeira marca De Laval. Era alimentada com 20 ou 30 litros de leite cru e, acionada por uma manivela, e ai por uma torneira saía a nata ou creme de leite e por outra o soro sem gordura nenhuma. Depois de usada era necessário desmontar todo o maquinismo. Eram centenas de peças para ficarem limpas e prontas para uso no dia seguinte. Depois de estabilizar, a nata era colocada em outra máquina para fazer a manteiga também a manivela que fazia um ruído parecido de uma betoneira. Também do leite a tia Lúcia fazia queijos que eram vendidos e enriqueciam os cafés da manhã.</p>



<p>O pasto era realmente lindo, pois as terras eram planas. Chegava às margens do Rio Carlota onde gostávamos de pescar. Atrás da cozinha havia um poço de onde se tirava água e mais para trás uma enorme horta onde eram cultivadas hortaliças de toda espécie. Antes de chegar à casa deles tínhamos que atravessar uma ponte de madeira sobre o Rio Carlota que dava o nome à região. Neste rio, podia-se pescar carás, traíras e outros peixes. Infelizmente, com a abertura das minas de carvão em suas cabeceiras, as águas foram contaminadas, matando toda espécie de vegetação em suas margens e peixes. Pois bem, depois de se atravessar a ponte, deixava-se a estrada e subia-se para a propriedade da tia Lúcia.</p>



<p>Eles não eram ativos na Igreja, mas sempre que possível colaboravam, inclusive com o pinheirinho usado para enfeitar o programa de Natal que era trazido pelo pessoal da Igreja da propriedade deles.</p>



<p>Eles tinham muita coisa: um lindo automóvel, limousine, marca Oldsmobile ano 1936 que vivia mais na garagem por falta de motorista; andava-se muito de charrete. Outro item que indicava a situação econômica era uma máquina de escrever Remington. Também eles eram os únicos que tinham um rádio movido a bateria. Este rádio ainda está de posse do nosso irmão Arvido como relíquia histórica. Para lá íamos, quase todos os domingos à tarde para ouvir o rádio e especialmente o &#8220;Repórter Esso&#8221;. A ida à casa da tia Lúcia era um passeio. Íamos e voltávamos a pé.</p>



<p>A tia Lúcia era perita na cozinha e sendo do que eu mais apreciava era a Torta de Requeijão chamada “ Karasch” entre outras tantas coisas gostosas.</p>



<p>As crianças adoravam as bolachas e outras iguarias que ela gostava de fazer.</p>



<p>O tio Eduardo possuía uma venda (uma loja do interior) que tinha de tudo, especialmente tecidos para os trabalhadores da roça, secos e molhados, ferramentas. Era o tipo de venda do interior que só não vendia cachaça. Um detalhe é que ela permanecia fechada. O freguês tinha que bater palmas e o tio dizia: &#8220;espera um pouco&#8230;&#8221; e, se estava tomando café, acabava, às vezes, esquecendo do cliente&#8230;</p>



<p>Outra atividade do Tio Eduardo era ser o fotógrafo da comunidade. Possuía uma máquina de fole, cuja imagem aparecia de cabeça para baixo, era centralizada e focalizada pelo fotógrafo que cobria com um pano preto sua cabeça, costas e a própria máquina para poder ver a imagem. Assim a grande parte das fotos históricas que temos foram tiradas por ele.</p>



<p>Ele era de uma cultura acima da média, pois além do leto ele falava o inglês e (alemão?) a história dele também daria mais um capítulo.</p>



<p>A tia Lúcia também atendia os doentes com remédios homeopáticos. Ela mesma preparava as dosagens que eram vendidas em vidros de água, prontos para serem tomadas, às colheradas, conforme orientação dos livros. E com isso muitos &#8220;milagres&#8221; devem ter acontecido.</p>



<p>Passados alguns anos eles compraram um caminhão Chevrolet Gigante ano 42. Algo que ficou gravado em nossa memória foi quando ao descer o morro dos Purim, bem acima da entrada de nossa casa, quebrou o cubo de uma roda traseira. E por precaução o tio Eduardo pediu para que alguém de nós ficasse cuidando do mesmo, dia e noite, para que ninguém mexesse nele. Estes &#8220;poucos dias&#8221; chegaram a uns três meses! À noite levávamos cobertores para dormir na cabine. Quando terminava o turno de um o outro assumia.</p>



<p>Eles tiveram dois filhos O primeiro chamava-se Alberto que se casou com a jovem Elfrida, filha de Guilherme e Otília Leepkaln. Todos já falecidos. Quando o Alberto era adolescente nasceu a menina que se chamou Alina. Esta mora atualmente com seus familiares em Cocal do Sul, Santa Catarina.</p>



<p>A tia Lúcia, depois do falecimento do tio Eduardo, veio morar em Curitiba junto dos familiares, inclusive do tio Reynaldo. Assim os três irmãos viveram juntos por vários anos.</p>



<p>Ela gostava muito de ler e de contar suas histórias e experiências da vida.</p>



<p>Vale lembrar que no tempo que morou com a família em Curitiba fazia crochê. Era exímia nisto. Temos certeza de que muitas peças lindas de colchas, rendas em toalhas de mesa e panos de prato ainda estão com a família. Nesse tempo também passou alguns períodos no Rio de Janeiro. Lá, toda vez que acabava o fio, ela pedia, &#8220;preciso de linha, quero trabalhar&#8230; Não gosto de ficar parada.&#8221;</p>



<p>Lá no Rio, certa ocasião em que ela estava sozinha em nossa casa, um parente ligou para falar com alguém. Ela atendeu dizendo: &#8220;Não tem ninguém em casa&#8221; e bateu o telefone. Rs. Passado algum tempo voltou para Curitiba e finalmente foi morar com a filha Alina em Cocal do Sul em Sta. Catarina onde faleceu com idade bastante avançada.</p>
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		<title>História da Igreja Batista de Rio Novo &#8211; Por Jahnis Inkis e Juris Frischembruder</title>
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		<dc:creator><![CDATA[V. A. Purim]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 01 May 2019 11:33:57 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Cartas]]></category>
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					<description><![CDATA[Publicado originalmente em <a href="https://rionovo.wordpress.com/2014/05/01/historia-da-igreja-batista-de-rio-novo-por-jahnis-inkis-e-juris-frischembruder/">Colônia Leta do Rio Novo</a>: <br />06 História Da Igreja Batista Leta de Rio Novo Autor: Jahnis Inkis Senior/Juris Frischembruders Publicada na Revista &#8220;Kristigs Draugs&#8221;(O Amigo Cristão) Números 09,10 e 11 nos meses setembro, outubro e novembro de 1.940. Traduzido para o Português por V.A. Purim. Prefácio Li no Jornal Batista, publicação&#8230;]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<div class="wpcom-reblog-snapshot"> <div class="reblog-post"><p class="reblog-from"><img alt='V. A. Purim&#039;s avatar' src='https://2.gravatar.com/avatar/2b95a83ee67ce5837e9b2946610f0c0c9a317bf1d679517381748d101da634a4?s=32&#038;d=https%3A%2F%2F2.gravatar.com%2Favatar%2Fad516503a11cd5ca435acc9bb6523536%3Fs%3D32&#038;r=G' class='avatar avatar-32' height='32' width='32' loading='lazy' /><a href="https://rionovo.wordpress.com/2014/05/01/historia-da-igreja-batista-de-rio-novo-por-jahnis-inkis-e-juris-frischembruder/">Colônia Leta do Rio Novo</a></p><div class="reblogged-content">
<p>06</p>

<p>História</p>

<p>Da Igreja Batista Leta de Rio Novo</p>

<p>Autor: Jahnis Inkis Senior/Juris Frischembruders<br>
Publicada na Revista “Kristigs Draugs”(O Amigo Cristão) Números 09,10 e 11 nos meses setembro, outubro e novembro de 1.940.<br>
Traduzido para o Português por V.A. Purim.</p>

<p>Prefácio</p>

<p>Li no Jornal Batista, publicação periódica da Convenção, que a Igreja Batista de Rio Novo, a mais velha das irmãs entre as Igrejas Batistas Letas estava se aprontando para comemorar os seus 50 anos, isto é, o seu jubileu de Ouro, e naquele momento me veio a mente que durante muitos anos tenho em mãos material referente a história desta igreja. Este material, desde há sete anos atrás, foi coligido e cuidado com carinho pelo irmão Juris Frischenbruders.</p>

<p>O irmão Juris mandou este material esperando que publicasse nas páginas da Revista “Kristiga Draugs” para que todos tivessem pleno conhecimento destes fatos.</p>

<p>De boa vontade teria feito mas, lendo este…</p>
</div><p class="reblog-source"><a href="https://rionovo.wordpress.com/2014/05/01/historia-da-igreja-batista-de-rio-novo-por-jahnis-inkis-e-juris-frischembruder/">View original post</a> <span class="more-words">mais 5.219 palavras</span></p></div></div>]]></content:encoded>
					
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		<title>Uma nota sobre a grafia</title>
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		<dc:creator><![CDATA[V. A. Purim]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 23 Aug 2016 14:46:13 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Cartas]]></category>
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					<description><![CDATA[Publicado originalmente em <a href="https://rionovo.wordpress.com/2009/09/06/uma-nota-sobre-a-grafia">Colônia Leta do Rio Novo</a>: <br />Em sua forma não flexionada, no modo nominativo, os substantivos em leto terminam com a letra &#8220;s&#8221;. Assim, Robert Klavin irá normalmente assinar &#8220;Roberts&#8221;; Artur Purim poderá assinar &#8220;Arturs&#8221;, e assim por diante. Para complicar, aqueles eram tempos de transição, e não havia muita consistência em&#8230;]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<div class="wpcom-reblog-snapshot"> <div class="reblog-post"><p class="reblog-from"><img alt='V. A. Purim&#039;s avatar' src='https://2.gravatar.com/avatar/2b95a83ee67ce5837e9b2946610f0c0c9a317bf1d679517381748d101da634a4?s=32&#038;d=https%3A%2F%2F2.gravatar.com%2Favatar%2Fad516503a11cd5ca435acc9bb6523536%3Fs%3D32&#038;r=G' class='avatar avatar-32' height='32' width='32' loading='lazy' /><a href="https://rionovo.wordpress.com/2009/09/06/uma-nota-sobre-a-grafia">Colônia Leta do Rio Novo</a></p><div class="reblogged-content">
<p><a href="http://www.23hq.com/rionovo/photo/4900741"><br><img src="http://www.23hq.com/23666/4900741_ae3827a67cdd2a9585c36a922358a341_standard.jpg" height="306" width="460" title="Clique para ampliar"></a></p>

<p>Em sua forma não flexionada, no modo nominativo, os substantivos em leto terminam com a letra “s”. Assim, Robert Klavin irá normalmente assinar “Roberts”; Artur Purim poderá assinar “Arturs”, e assim por diante.</p>

<p>Para complicar, aqueles eram tempos de transição, e não havia muita consistência em como as pessoas escreviam nomes e sobrenomes. Reynaldo Purim, o destinatário das cartas arquivadas neste sáite, é chamado alternadamente de Reini, Reinis, Reinaldo, Reinold, Reinolds, Reynold, Reynolds, Reynaldo, Reynold, Reynoldo ou variações ainda mais improváveis dessas mesmas raízes. Artur às vezes se diz Arthur ou Arthurs, Ludvig pode aparecer como Ludwig ou Ludovico, Lisete como Lizete, Lisette ou Lisetta, e assim por diante.</p>

<p>A mesma falta de consistência afeta a grafia de sobrenomes. Leiman pode aparecer como Leimann, Leimanis, Leimans, Leimanns; Feldberg pode ser Felberg, Feldsberg, Feldbergs, Feldsbergs; Klavin pode vir como Klavim, Klawin ou Klavins; Purim como Purin, Purens ou Purins; Rose, como…</p>
</div><p class="reblog-source"><a href="https://rionovo.wordpress.com/2009/09/06/uma-nota-sobre-a-grafia">View original post</a> <span class="more-words">mais 135 palavras</span></p></div></div>]]></content:encoded>
					
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		<title>Um guerreiro leto na longínqua antiguidade</title>
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		<pubDate>Wed, 06 Jul 2016 12:12:20 +0000</pubDate>
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</a></p>
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		<title>Evento de Letos do Rio Novo com amigos em Orleans, há muito tempo atrás .</title>
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		<pubDate>Mon, 28 Mar 2016 17:07:51 +0000</pubDate>
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		<title>A Família Purim há muito mais tempo atrás ! Foto de 1924.</title>
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		<dc:creator><![CDATA[V. A. Purim]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 20 Mar 2016 20:26:29 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[de Artur (Otto) Purim]]></category>
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</a></p>
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	</item>
		<item>
		<title>Foto da Família Purim há muito tempo atrás&#8230;. &#124; Já em Curitiba.</title>
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		<pubDate>Sun, 31 Jan 2016 22:59:56 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Fotos]]></category>
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		<category><![CDATA[Família]]></category>
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</a></p>
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	</item>
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		<title>Foto do Pessoal da Igreja Batista de Urubici na década de 1950.</title>
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		<dc:creator><![CDATA[V. A. Purim]]></dc:creator>
		<pubDate>Sat, 16 Jan 2016 00:46:27 +0000</pubDate>
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		<title>História da Igreja Batista de Rio Novo e da Família de Juris Frischembruder</title>
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		<dc:creator><![CDATA[V. A. Purim]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 17 Dec 2015 18:22:18 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Crônicas históricas]]></category>
		<category><![CDATA[de outros]]></category>
		<category><![CDATA[História]]></category>
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					<description><![CDATA[R001-1936 HISTÓRIA DA IGREJA BATISTA DE RIO NOVO E DA FAMÍLIA DE JURIS FRISCHEMBRUDER   PEQUENA INTRODUÇÃO PARA História de minha Vida Por Juris Frischembruder Texto original gentilmente cedido por Marta Karp Paegle Traduzido para o Português por Valfredo E. Purim Digitado por Laurisa Maria Corrêa Revisado e notas por V.A.Purim Preâmbulo: Assim eu, como [&#8230;]]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>R001-1936</p>
<p>HISTÓRIA DA IGREJA BATISTA DE RIO NOVO<br />
 E<br />
DA FAMÍLIA DE JURIS FRISCHEMBRUDER<br />
 </p>
<p>PEQUENA INTRODUÇÃO PARA</p>
<p>História de minha Vida</p>
<p>Por Juris Frischembruder</p>
<p>Texto original gentilmente cedido por Marta Karp Paegle<br />
Traduzido para o Português por Valfredo E. Purim<br />
Digitado por Laurisa Maria Corrêa<br />
Revisado e notas por V.A.Purim</p>
<p>Preâmbulo:<br />
Assim eu, como também minha esposa, sempre nós nos desviamos de glórias ou ufanismos. Alguns dias antes de falecer ela me dizia: Que o Klavin  junto à minha sepultura não faça elogios póstumos (Cristo disse: este já tem a sua recompensa). Eu e Lídia dissemos isto ao Klavin; ele respondeu: a verdade permanece verdade, e portanto podemos falar a beira da sepultura. Seus feitos a acompanham. Disse também: uma parte eu relacionei, parte por ela e por você, pelos dias felizes e festivos como também pelos dias de dificuldades e tristezas. Ao ler parece algo como exagerado, porem, de exageros tenho me cuidado. Poderia escrever ainda mais, sobre os dias felizes como também sobre dias amargos e tristes. Em tudo isto o principal é o temor a Deus, na alegria, na felicidade, na tristeza e na enfermidade, não esmorecer nem desanimar, mas constantemente fazer a obra do Senhor. – Um copo com água fria que alguém oferece com sã consciência Deus observa e recompensa!<br />
II Coríntios 1:30  Hebr. 11,10,13,16<br />
Tudo o que te vier à mão para fazer, faze-o conforme as tuas forças&#8230; Eclesiastes 9.10<br />
Não sejais vagarosos no cuidado; sede fervorosos no Espírito, servindo ao Senhor. Romanos 12.11<br />
Os dias de nossa vida chegam a setenta anos, e se alguns, pela sua robustez, chegam a oitenta anos, o orgulho deles é canseira e enfado, pois cedo se corta e vamos voando. Salmos 90.10<br />
É bastante que cada dia tem suas tristezas.. Mateus 6.34<br />
Ensina-nos a contar os nossos dias, de tal maneira que alcancemos corações sábios. Salmos 90.12<br />
Regozijai-vos sempre no Senhor, outra vez digo, regozijai-vos. Filipenses 4:4<br />
Senhor, dá-lhe mais forças para aumentar minha fé, na tristeza, nas lágrimas da aflição e poder voltar a sorrir.</p>
<p>Juris Frischenbruder, 29 de maio de 1933</p>
<p>Histórico da nossa infância, juventude e vida em comum, desde o ano de 1884 até 1931, nos dias de minha velhice.</p>
<p>Esta noite completa 5 semanas da ultima noite que minha querida e bondosa esposa permaneceu nesta casa. E em sua memória dou inicio ao histórico de nossa vida.<br />
 30 de abril de 1931.<br />
Júris Frischenbruder</p>
<p>Este histórico dedico a minha filha caçula Amilda; que para mim e sua mãe é muito querida; por ela nós nos dedicamos e preocupamos, pelo tempo enquanto podíamos e depois a deixamos nas mãos de Deus.<br />
Nossa querida filha Amilda! Você no nosso difícil histórico de vida, você absorveu bons ensinamentos, como perolas preciosas; que na tua difícil caminhada te servirá. Acharas Deus que te abençoa! Com um amável abraço e beijo! Teu pai.<br />
Rio Novo em 29 de maio de 1933</p>
<p>Dia do falecimento da mamãe, 24 de março de 1931.<br />
O histórico da minha querida e bondosa esposa não é longa. Anna Frischenbruder, nascida Anna Bankowitch, em 16 de janeiro segundo o novo calendário, no ano de 1869, na aldeia chamada Rembata (Vidzemē). Seu pai Júris e mãe Made Bankowitch mudaram-se para Riga (capital da Letônia). Ele trabalhava na serraria Dambravski; aos domingos freqüentava a Igreja Batista na Rua (??????) também a menina Anna os acompanhava e matriculou-se na Escola Dominical, onde do irmão Rolman recebeu sólido ensino da Palavra de Deus, que durante sua vida muitas vezes relembrava.<br />
Os primeiros passos no canto coral foram incentivados pelo velho irmão Janson. Mais tarde do irmãos Pilinsh! Reconheceu nela vocação para o canto, convidou-a para participar do coro da Igreja onde foi aceita de boa vontade. Como conseqüência dos ensinamentos Bíblicos ministrados na Escola Dominical pelo irmão Rolman imprimiu em sua alma. Então em sua juventude dedicou-se a Deus e ingressou no rol de membros da Igreja aos 14 anos de idade. Foi batizada pelo pastor E. Walman em abril. No mesmo ano de 1884 foi fundado um ponto de pregação da palavra de Deus na residência do irmão E. Didrikson, na presidência do irmão E. Walman. Foi fundado também um conjunto coral na regência do irmão J. Frischenbruder (eu mesmo). Ali a irmã Anna Bankowitch era uma das melhores cantoras.<br />
Mais tarde no coral da Igreja ela ocupava o lugar ao lado das principais cantoras. Naquele tempo eu regia o coral, ela também cantava sob a regência do Meoguel. Porem ele adoeceu e o coral voltou para a minha regência ate novembro do ano de 1889, na Capela do Seminário.<br />
Pelo fato de residir distante e trabalho secular não pude atender de forma satisfatória as lides na regência do coral, já estava casado então o coro escolheu e elegeu o W. Krumeir (?) para regente, ele ainda não era membro. – Naquela ocasião eu também não estava bem de saúde grassava forte influenza.<br />
Desde sua mocidade, a irmã Anna com seu brilhante comportamento e vida temente a Deus; seu amor unia meu coração a ela; como minha eleita companheira manifestei a ela minhas intenções, apesar dos apenas 17 anos de idade. Então, quando estava livre das obrigações militares que foram pretextos dela, ela disse: &#8211; Eu ainda sou jovem! Mas após um dialogo deu seu amável consentimento e ao despedir selou com um carinhoso beijo. – Em seu 18° ano de vida iniciou seu trabalho em costura junto a uma boa profissional. – Esse tempo foi maravilhoso, &#8211; Mas seguiu um ano de tristeza e dor.<br />
Do 18° a 19° ano de vida.<br />
De forma infeliz rompeu nosso amor e amizade. Esse período foi para mim, como para ela um período de dor. No entanto sem aviso divino, sim, sem aviso divino (?) nenhum fio de cabelo não cairá da cabeça. Assim este acontecimento não era sem consentimento de Deus e sem bom resultado. No começo do ano de 1888 no seu 19° ano de vida fui visitá-la, falar sobre nossa separação, terminar nosso relacionamento, mas de forma cristã; foi na primeira noite do Dia de Pentecostes.<br />
Quando expus meus pontos de vista, quando apertava meu coração, pedi a ela que exponha sua opinião e daí de forma cristã o assunto estaria definitivamente terminado. Embora, para mim muito difícil aceitar. – Então recebi uma inesperada resposta! – que até agora bem me lembro. Ela disse: &#8211; Porque não podemos voltar como dantes?<br />
Disse eu: &#8211; da minha parte pode voltar como era antes, ambos estendemos as mãos, nosso corações pulsavam pela renovação de uma amizade e amor permanentes.<br />
Comunicamos imediatamente aos seus pais e irmãos.<br />
Eles, todos nos desejaram as bênçãos de Deus e felicidades – (anotar que neste intervalo outras me achegaram).<br />
Até uma senhora me recomendou sua filha, mas isto só poderia acontecer o que Deus tinha determinado. Após vários anos de casamento ela me contou que se não pudesse ser minha esposa então poderia ser como uma servente. Tinha lido isto em uma historia.<br />
Como bondosa e querida esposa e como companheira. Desde 1888 ate 22 de abril de 1889, foi um período maravilhoso!<br />
Eu regia o coral da Igreja e ela ocupava o primeiro lugar do coral. Embora outros olhares me eram dirigidos também nossos olhares se confundiam, amor de coração.<br />
Quando nosso noivado foi anunciado na Assembléia da Igreja. Então, então sim, alguns bons corações pulsavam em silencio. Por um amor não correspondido.<br />
Nós pertencíamos um ao outro! No dia 22 de abril de 1889, pelo novo calendário na Páscoa, foi o dia do nosso enlace. Fomos o primeiro casal a usar a capela do Seminário. Fomos declarados casados pelo Pastor I. Erunga (?)<br />
A espaçosa capela do Seminário estava repleta, com pessoas fora, quando chegamos com a carruagem. O texto do sermão foi: I Pedro 3:1-7. O Pastor I. Menguels estava surpreso por novo hino do coral que nos saudou no término da cerimônia.<br />
Nossos convidados não foram muitos, aproximadamente 40. Mas a cerimônia transcorreu bela e alegre, cantando e confraternizando. Naquele tempo não havia o costume das brincadeiras para passar o tempo. Recebemos bastantes presentes valiosos, que quando viemos para o Brasil tivemos que vender, a necessidade obrigou-nos, e outras vendemos no Brasil.<br />
Ate agora temos conservado duas, um está com Lídia e outra com Emilia. Minha nova e querida esposa, diariamente se dirigia ao trabalho de costura, ate dezembro. Eu trabalhava com o fornecimento de Pães aos Senhores de Riga e do mercado.<br />
Às 4 horas e 40 minutos de janeiro do ano de 1890 Deus abençoou nosso casamento com uma filhinha a qual demos o nome de Marta Maria, Através de que minha querida recebeu (?) da mãe.<br />
Após dois meses incompletos ela (esposa) voltou a cantar no coral. Da nossa morada ate a capela do seminário a distancia era uma hora de caminhada.<br />
Decorrência disto não tive condições de continuar a reger o coral conforme as necessidades que o cargo exige e considerando a distancia entre a nossa residência e a capela; então em meu lugar veio o irmão W. Krums, e eu fui para a fila do baixo. Krums, durante anos trabalhou como regente, e ainda agora para mim, ele continua para mim um querido amigo e irmão:<br />
Em janeiro do ano de 1891, Deus abençoou nosso matrimonio com outra menina, a Emilia, agradável, bonita como nascida diante dos céus. &#8230;&#8230;.. um amargo incidente me aconteceu o qual descreverei adiante. Então, em Riga ficaram situações difíceis e amargas. Então se deu o inicio a emigração para o Brasil; com enormes sentimentos e lagrimas nos separamos da Igreja, do Seminário, velha Riga; onde durante 11 anos moramos e dedicamos nossa vigorosa mocidade. Então decidimos deixar a pequena Emilia com a avó. Eles viajarão em outra leva e nos encontraremos no Brasil.<br />
Adeus velha e querida Riga!<br />
Adeus pátria! Nossos olhos nunca mais te verão! Experiências valiosas havia muitas, com bastantes dificuldades. Após uma longa viagem de mais de dois meses, então em 13 de julho felizes desembarcamos em Orleans.<br />
Passaram algumas semanas e já estávamos na mata bruta, 5 famílias no seu barraco onde 4 famílias podiam se manter. O velho Malvess construiu logo seu barraco. Cada um derrubava a mata para plantar a sua roça, quando a área estava derrubada começamos a construir nossas casas. Mas para mim, infelizmente, sofri um acidente, um corte no pé. Fiquei de cama durante 6 semanas, e depois várias semanas trabalhei com muletas.<br />
Isto foi triste para a mamãe, separação da nossa querida filhinha e de outros parentes! Nós planejamos e administramos a igreja e fui nomeado regente. Em novembro chegaram o Neuland e Simpsons; dois bons coristas a mais. Em 20 de dezembro chegaram 25 famílias de Riga, da Igreja de Agenskaln e Dinaminde e também meus sogros, mas a nossa querida filhinha não chegou até aqui, no Rio de Janeiro, no dia 11 de dezembro ela faleceu de sarampo. Alegrias com tristezas, lágrimas e sorrisos. Nossas tristezas em comum, Isaias 49.15, eterna recordação. Esta criança que descanse em paz, na paz de Deus. Do peito da mãe, do colo do pai separada. Quando chegar o novo e claro dia, quando nós daqui seremos chamados, então nós nos encontraremos, então estaremos junto ao Senhor todos os dias! As tristezas tivemos que esquecer!<br />
A mamãe embora com lágrimas, cantava no coral.<br />
Foi fundado mais um coral com o pessoal oriundo de Dünaminde na regência de K. Match. Trabalhamos com fervor e sinceridade, embora lutando com dificuldades e assim continuamos indo em frente.<br />
Outra vez, inesperados problemas! No ano de 1893 ao derrubar a mata uma arvore atingiu minha perna esquerda que fui carregado para casa. Seis semanas de cama e daí de muletas pude trabalhar na roça. A perna mais tarde ficou boa.<br />
Apesar de tudo sempre Deus foi generoso. Pessoas amáveis nos ajudaram a terminar a derrubada. Em 18 de setembro de 1894 nos visitou outra menina: Lídia Selma  . No mesmo ano nós levantamos nossa casa. W. Slengman e minha cunhada Julia (?) contraíram matrimonio em nossa nova casa. Trabalhávamos com denodo. Os ensaios eram feitos aqui em nossa casa. A Lídia pouco nos perturbava, no entanto, nos ajudava. Depressa passava o tempo! Na igreja havia boa convivência e paz. Trabalho em casa e trabalho na igreja. Em 15 de abril do ano de 1896, fomos agraciados com mais uma menina Emilia ; a primeira Emilia havia falecido, II foi sua substituta. A família foi crescendo, no entanto não havia como impedir o interesse da mamãe pelo coral.<br />
Nossa esperança era ter um filho homem! Em junho do ano de 1897 desembarcou João Inkis de Riga. Veio visitar os letos – prendado em música!<br />
Sem a mamãe no coral não era possível, então tivemos que no final do ano de 1897 nos afastar da querida função de regente do coral; e quanto possível colaborei com os baixistas. Durante algum tempo ensaiei e regi o coral masculino. Como reconhecimento pelo meu trabalho a igreja me ofertou em luxuosa encadernação do livro “A terra por onde Jesus andara”.<br />
Gustavo Grikis foi colocado na regência do coral. E, eu trabalhava como supervisor da Igreja e secretario da colônia. No ano de 1900 desembarcou aqui W. Butler ; então deixei a função de secretario.<br />
Em 28 de junho de 1898 com o irmão Inkis a caminho de Mãe Luzia; a serviço da Igreja. Infelizmente caí do cavalo e quebrei a perna direita. Estava morto, ao recuperar os sentidos pensei que não verei mais os meus. Pelas tristezas não descreverei. O irmão Arajum e sua amável esposa pelo seu grande cuidado, a perna recuperou. Sofri muito as dificuldades, dores. A mamãe dificuldades e tristezas. Fazia os trabalhos da Igreja, os compromissos foram saldados. Após 8 semanas voltei para casa  conduzido pelos irmãos Arajum e J. Klava.<br />
Deus que os recompense! A irmã Arajum me tratou como seu próprio filho! Paz e repouso a ela!<br />
Quatro meses de muletas, trabalhava na roça e mais tarde apoiado em um bastão.<br />
No mesmo ano, na Vassar Svetki – Festa do Pentecostes! Festa do verão a mamãe ficou muito doente; pensei que não resistiria à enfermidade. Deus ajudou e ela se recuperou! Na madrugada de 15 de junho fomos a uma serenata ao Professor Butler em homenagem ao seu aniversario. Após os cumprimentos voltamos para casa; para nos preparar para a recepção de mais uma menina Amilda. Na mesma época em Riga falecia meu cunhado André. Ele durante muitos anos exerceu a função de secretário no Gabinete do Governador. Foi chocante. Exigiram da mamãe muitas lágrimas.<br />
O engenho de farinha de mandioca já estava pronto e nos exigiu muitas dificuldades e tristezas. A mamãe ao manejar um bezerro dando-lhe uma espiga na boca, ao mastigar feriu um dos dedos que não recuperava. Sem saber aplicou um medicamento inadequado que veio piorar a situação e que exigiu a amputação. Passou longo tempo até a recuperação. Dores, dificuldades, tristezas e lágrimas!<br />
Juntou-se mais uma tristeza! A pequena Julia, menina, no engenho de farinha houve um acidente com a mão e veio a falecer no Hospital de Laguna.<br />
A tristeza não tem fim, ela vem e vai, e novamente raia o sol!<br />
Em 25 de agosto do ano de 1901 nossa família outra vez aumentou com um menino robusto e lindo Guilherme Conrado  . Mamãe com sincero amor o cuidava e criava. Cresceu grande, andou cedo e foi tratar da sua vida, a esperada alegria não gozamos como recompensa na velhice. A mamãe permaneceu fiel ao coral, cantando, eu trabalhava em outras atividades na Igreja. Assim os anos passavam apressados e em 13 de fevereiro do ano de 1906 Deus abençoou nosso lar com o terceiro filho – Carlos Rodolfo caçula. Este foi o mais querido de todos! Criança amável e benquista. Tudo o que via e ouvia guardava na memória. Gostava muito da Escola Dominical, cantava e como podia ou entendia orava a Deus. Nos períodos chuvosos ficava em casa. Ele, caçula era o dodói da mamãe. Mas um dia mamãe foi para a roça. Emilia tirou do fogão uma frigideira com gordura fervente e Carlinhos correu ao encontro e a gordura caiu em seu rosto e pescoço, todos os recursos e esforços disponíveis foram usados, e após 3 dias veio a falecer – foi grande tristeza e dores, principalmente para a mamãe. Ele faleceu em 27 de janeiro e o sepultamento dia 28 de 1909. No dia do aniversario da mamãe. Sua trajetória de vida terminou rápido. Ele era alegre, vivaz, obediente, convivendo bem com outras crianças. Sua alegria era freqüentar a Escola Dominical. Sua alma pura, amparo da mamãe, Deus o levou para junto dEle. Paz e doce repouso até o dia da ressurreição. Feliz reencontro na eternidade! Mas o coração da mamãe suportou grandes dores, faltou pouco para ela também não falecer; pois seu coração estava saudoso do seu querido menino, seu desejo era seguir o destino do seu filho.<br />
Assim também aconteceu comigo após o falecimento da mamãe. Para cima, para cima! Na glória do céu, lá a mamãe o encontrou. No entanto, para nós temos que nos submeter na direção de Deus e temos que nos contentar, Deus faz bem o que faz!<br />
Nossa filha mais velha, Marta Maria, estava noiva com Matias Felberg. Seu enlace estava programado para o outono; com o coração repleto de tristezas, tivemos que nos preocupar e as lágrimas aumentavam e ampliavam as tristezas.<br />
A cerimônia do casamento realizou-se em data de 29 de abril de 1909. Belo e agradável dia!<br />
No coração da mamãe despertou uma nova alegria e saúde. Mas o dia do falecimento do Carlinhos ela relembrou por muito tempo. No dia do sepultamento foi também o dia do seu aniversário. Matias e Marta se relacionavam muito bem, mas a madrasta do Matias não se relacionava bem com a Marta e Matias. Então aconteceu; tiveram que vir morar conosco durante alguém tempo; fato que o coração dolorido da mamãe foi novamente fustigado. Que as tristezas e os corações feridos foram atingidos uma coisa era certa, a sincera participação no coral e louvar a Deus. Embora que algumas vezes com lagrimas&#8230;<br />
No ano de 1910 nosso pastor  K. Andermann começou devagar no movimento pentecostal e abandonou os trabalhos da Igreja. Naquela época fui eleito Diretor da Escola Dominical. A mamãe se preocupava com os hinos e ajudava nos cânticos das crianças e as coisas eram feitas com alegria.<br />
Estes dias de Escola Dominical foram de um trabalho difícil, havia muitas crianças, muitas preocupações e responsabilidades.<br />
No ano de 1911 o Pastor João Inkis visitou novamente Rio Novo, solenes, belas e abençoadas reuniões; as maiores solenidades de batismo em Rio Novo. Entre os quais estava nosso grande filho João  . Viajou para casa de Mãe Luzia com 28 companheiros, também lá houve festas e agora em Rio Novo. Verdadeiras festas de louvor no Monte Tabor.<br />
No ano de 1912 chegou da Letônia uma certa família, a senhora cantava bastante bem, mas exigente em reconhecimento e criava dificuldades tanto no coral como na Escola Dominical. No ano de 1913  K. Leiman era o pastor. Na minha responsabilidade repousava todo trabalho da igreja, naquela época tive que suportar estas pessoas com grandes dificuldades e tristezas, me parecia que minha vida estava à beira da morte, mas Deus me deu forças para suportar e vencer. Esta (Bekerene???) (pág. 19) também a Igreja não perturbou, pois havia os que a defendiam. Após alguns anos foi embora para Mãe Luzia e lá ela continuou com suas más influências.<br />
Por causa dos meus sogros também havia tristezas. Meu sogro durante bastante tempo ficou de cama, doente e em 10 de setembro de 1913 veio a falecer, dia 11 foi o sepultamento. Ele foi para nós um bom pai, paz e bom repouso aos seus restos mortais.<br />
Bom período de tempo às coisas andou mais ou menos bem. As crianças estavam crescidas e trabalhavam bem! A mamãe também permaneceu com razoável saúde. Então em julho e agosto de 1917 ela teve difícil enfermidade que acho ser da idade.<br />
Também ao cuidar dela foi difícil nas minhas noites de insônia.<br />
Naquele período Emilia era noiva de Osvaldo Auras. Este noivado trouxe a mamãe bastantes preocupações. Em 13 de setembro do ano de 1917 houve a cerimônia do enlace matrimonial. O pastor Dr. Butler foi o oficiante. A festa do casamento foi boa.<br />
Também Lídia estava noiva de Oscar Karp, em novembro, após o casamento da Emilia também o grande filho João noivou com Laura Zeeberg. Após o casamento da Emilia e o noivado do João, mamãe adoeceu novamente, muito difícil, diversas vezes, a vida dela estava à beira da morte.<br />
Mas graças a Deus, que com as minhas permanentes atenções, dias e noites, atenção dos filhos e a solidariedade dos vizinhos, Deus permitiu a recuperação e a saúde, e me deixou com minha preciosa companheira e ajudadora.<br />
Quando as filhas casam, vão com seus esposos, sobram para a mãe preocupações e tristezas. Ao pai também produzem dores de cabeça.<br />
Em 21 de fevereiro do ano de 1918 foi dia do casamento da Lídia. O pastor Dr. Butler foi o oficiante, as bodas foram as mais belas possíveis. Grande e feliz dia da sua vida!<br />
Quantas lágrimas derramamos em silencio? Só Deus sabe!<br />
Desde novembro de 1917 até 24 de outubro do ano de 1919. Foi um período repleto de dificuldades e preocupações.<br />
Enquanto construímos, ao grande filho João por vontade nossa e do Zeeberg, uma boa e linda casa, sofremos muitas dificuldades e investimento em dinheiro.<br />
Em 24 de outubro de 1919 foi o enlace matrimonial, o oficiante foi o pastor Dr. Butler. Casamento de grande repercussão.<br />
Durante o período de dois anos, através do inicio de vida matrimonial; três filhos saíram de casa, não é assunto fácil!<br />
Antes do casamento do João a mamãe teve como uma previsão de futuras tristezas que virão do lado da família da esposa muito se chorou de dor no coração. Eu não estava em casa, trabalhava com o Zeeberg.<br />
Depois do casamento, não muito depois surgiram amargas desavenças; que ate hoje, nem o tempo nem o poder de Deus apagou. Assim que: a família da esposa se firmou com a família Betcher e a vida de paz e parentesco não mantiveram em boa harmonia (a senhora Betcher foi a promotora das desavenças). Também o filho que perambulava e nos proporcionava tristezas e lagrimas. Também na fundação da sociedade dos músicos no ano de 1917 e sua primorosa regência do João. Promoveu a nós muitas preocupações, despesas em dinheiro, tristezas e também lágrimas, por isso outros músicos se indignaram e também ele se indignou. Então o João foi morar em Mãe Luzia; também a música terminou em agosto do ano de 1924. Em 11 de outubro de 1921 quando os filhos já adultos tinham ido embora, após quase 2 meses de enfermidade e cuidados minha sogra faleceu. Quando a velhice se aproxima temos que partir; muito embora a separação produz dores e lágrimas. Na glória nós nos encontraremos!<br />
Isto é um após outro, também ao filho mais novo Conrado despertou o desejo de encontrar uma companheira. Noivou com Lídia Akeldam de São Paulo. Viajou para lá, foi operado de apendicite. Casou, sendo o oficiante o pastor Dr. Butler. Voltaram para casa, não permaneceram aqui. Não estavam satisfeitos. Voltaram a São Paulo, tristezas, lágrimas, chorei muito. Voltaram em 31 de janeiro de 1923. Em data de 17 de setembro de 1922 foi a data da cerimônia do casamento.<br />
Todos os fortes adultos se foram.</p>
<p>COMEÇO DE NOVAS DIFICULDADES E TRISTEZAS.</p>
<p>Ficamos só nós três, todos os trabalhos pesados ficaram para nós.<br />
No outono Milda adoeceu gravemente, por bastante tempo. Mas ficou recuperada. Em 26 de abril do ano de 1923 ao transportar mantimentos da roça, a roda bateu em uma ponta de madeira, a carreta tombou e feriu meu joelho e as costas e durante 2 meses estive na cama e sofri muitas dores.<br />
A mamãe com Milda, ambas tiveram que desempenhar as mais difíceis tarefas, na roça e em casa. Os trabalhos mais difíceis tiveram a colaboração do filho e genros. Quando fiquei curado, então todos os três voltamos a trabalhar. Milda enquanto não se sentia bem, em dezembro, foi a cidade de Tubarão onde foi internada no hospital e em 21 de dezembro foi submetida a difícil cirurgia.<br />
Exigiu recursos e despesas e somou tristezas e lagrimas , recuperou a saúde mas não plenamente. Em outubro do ano de 1924, voltou ao hospital, onde por mais tempo ficou internada ate recuperar a saúde.</p>
<p>UM PAVOR INESPERADO</p>
<p>Uma noite com Milda ainda acordada percebe que alguém entra na varanda. Naquela ocasião constava que um marginal andava pela região. Ela deduz que de fato é um marginal e nos desperta. No momento estávamos tomados de pavor, pedimos a proteção de Deus e acordamos o João, embora o João lá não estivesse. Convenci as mulheres e saí fora com uma lanterna na mão. Verifiquei por todos os lados e não encontrei nada e voltei; agradeci a Deus e voltamos a dormir. Embora não sentíamos nada seguros. Assim com dificuldades, tristezas e medo achamos por bem convidamos o Osvaldo e a Emilia morar conosco.<br />
A colônia [terreno] transferimos para eles  como sua propriedade com a condição de que eles nos acolham na velhice. Estava prevista uma parte para Milda, mas ela não quis assumir 2 contos de réis.<br />
O Osvaldo terá que devolver a parte dela. Os Auras estavam de acordo. Em 7 de julho do ano de 1924 eles vieram morar conosco.<br />
Estava eu aguardando o melhor, diligentemente trabalhávamos juntos naquela época eu ainda tinha dinheiro.<br />
O primeiro ano transcorreu regular. Porém no ano seguinte quando tivemos que transferir a terra ao Osvaldo, a mamãe teve sérias preocupações e choros. Por isso houve diálogos amargos. Mas com boas esperanças, dia seguinte realizamos a transferência.<br />
No terceiro dia, quando levantei e saí; expus a minha filha o que não tinha previsto; ela disse: nada posso fazer. Então pelo feito chorei amargamente.<br />
Em 24 de junho do ano de 1924, desembarcou o pastor Stroberg como pastor que foi recebido com festa noturna.<br />
A vida ia para frente, de diversas maneiras. Assim que: A Milda não podia mais fazer trabalhos rudes, Marta a convidou para ir a São Paulo. Então com tristezas, dificuldades, de coração partido e lágrimas no dia 10 de fevereiro de 1926 ela embarcou para Nova Odessa junto a sua irmã mais velha Marta, mais tarde na cidade esta bem estruturada.<br />
Nós nos separamos chorosos com os nossos votos de que a mão de Deus a conduza e guarde. Logo mais ela mudou-se para morar em São Paulo, onde está até agora e vai bem.<br />
No primeiro emprego não ganhava bem, junto à outra família está ganhando mais, até 250 mil réis mensais.<br />
De 1926 até o ano de 1928, nós sobrevivemos a diversas agruras, amarguras e tristezas, mamãe diversas vezes esteve muito doente e próxima da morte, mas pela misericórdia de Deus permaneceu entre nós.<br />
Por motivo da irmã de Stroberg levantou-se tumulto na Igreja; atingindo nossa família. A paz de nossa casa foi perturbada. Em abril e maio fui a Mãe Luzia trabalhar com meu sobrinho.<br />
Nosso genro Matias soube das nossas dificuldades e tristezas, veio nos buscar para junto da família dele. Gostaríamos de acompanhá-lo. Queiramos também ficar com o Oscar e Lídia. Finalmente Lídia não deixou ir com Matias.<br />
Já trabalhei com o Oscar e fiquei na balança.<br />
Mas em um sábado chuvoso tomamos uma decisão definitiva ficar com o Oscar. Bati com um machado em tronco de madeira, meu coração tremeu! O tronco poderá ser útil para nossa futura casinha.<br />
Esta atitude me colocou em diversas conjecturas e avaliações.<br />
Três coisas difíceis de decidir:<br />
No entanto, com boas esperanças em julho do ano de 1928 saímos de nossa casa para viver com o Oscar. Gravei na minha memória – Adeus casa!<br />
Dói o coração e lágrimas afloram nos olhos&#8230;.<br />
Com o Oscar e Lídia convivemos muito bem; trabalhamos quanto podíamos! Mas os outros não estavam satisfeitos conosco. Mamãe constantemente chorava em silencio. Também Satanás não se envergonhava, me tentar, recomendando ser melhor morrer antecipado.<br />
Isto ele também fazia quando morávamos em nossa casa. Mas graças a Deus, que me deu forças para vencer. Pela misericórdia de Deus conduzidos e guardados em 9 de julho de 1929 voltamos a nossa casa. A vida de casa havia melhorado. O passado certamente precisava ser esquecido. Também de lá nós nos separamos com lágrimas.<br />
Matias e Marta nos convidavam para visitá-los no inverno. De 11 de agosto até o fim de novembro trabalhamos com denodo na roça, para adiantar os trabalhos da lavoura. Para os quais Deus concedeu as necessárias forças. Deus conduziu da melhor forma e em 4 de dezembro do ano de 1929 quando pela manhã nós sinceramente oramos a Deus e dirigimo-nos a Orleans, para com outros ir a São Paulo.<br />
Em Orleans, Osvaldo abraçou a mim e a mamãe e pediu perdão pelos seus erros. Nós também de coração o perdoamos e chorando nós nos separamos. No trem ainda nos despedimos com lágrimas da Lídia e outras com tristeza e choro.<br />
Até a vista, se não aqui então na glória!<br />
A viagem foi agradável, mas no final achamos longa, assim que a mamãe dizia: não suportarei ate o fim da viagem. Embora muito cansada mas satisfeita desembarcou no Porto de Santos. Naquela mesma noite chegamos em São Paulo. Outro dia, após o almoço já estávamos com o Matias, onde por todos fomos alegremente recebidos. Na primeira noite dormimos na casa do Conrado! Por causa da enfermidade do filho dele, nós também sentimos. Depois de alguns dias voltamos para o Matias e a Marta, assim ficou melhor.<br />
O primeiro domingo foi pleno de bênçãos e alegrias. Aniversário da Igreja onde eu, como mensageiro da Igreja Batista Leta do Rio Novo; fui incumbido de saudá-los. Havia pleno reconhecimento, honra e bênçãos. Após algumas semanas fui atingido por um automóvel. Tive que ficar acamado. Fomos atendidos pelos irmãos e irmãs com uma atenção fraternal, visitamos muitas famílias. A gentileza de Matias e Marta não foi possível aceitar no sentido de lá permanecer definitivamente. Estávamos aguardando a chegada do Osvaldo e Emilia, ele havia manifestado por carta. Com o Matias estava tudo bem. Apenas a mamãe queixava-se do excesso de roupas para lavar, para ela impossível. Em abril, no primeiro domingo, disse: Queridos Odessenses, sincero adeus! Passamos mais de uma semana em São Paulo, com os Neander (???), visitamos velhos amigos e nossa filha mais nova. Sentimo-nos repletos de amor e felicidade. Separamo-nos em lágrimas até a vista; se não aqui, então na glória. Matias nos acompanhou até Santos e nos conduziu até o navio. O primeiro dia não foi bom, no entanto sábado pela manhã, satisfeitos ancoramos em Laguna. E a noite estávamos em casa, onde os filhos, netos e parentes nos aguardavam com muita alegria.<br />
O mesmo também aconteceu na Igreja de Rio Novo quando se comemorou a Páscoa. Mamãe voltou ao seu lugar a cantar no coral.<br />
Na primeira Assembléia da igreja fui eleito novamente como moderador presidente, contra minha vontade, visto que a casa de cultos exigia muitos reparos. Mas assim mesmo aceitei a incumbência.<br />
Na roça, trabalho havia bastante. Enquanto não precisava de materiais, cal, tintas e outras coisas. Íamos, mamãe e eu capinar o mandiocal e preparar a terra para o plantio. No final de junho começamos trabalhar no prédio da Igreja. Para mim um trabalho difícil e de muita responsabilidade. Naqueles dias a mamãe ia só para o trabalho da roça. Certo dia trabalhou além do previsto, neste dia fui a Orleans. Querendo terminar o trabalho, mas ao anoitecer foi tomada por um vento frio,  resfriou-se e com isso começou uma enfermidade. O frio e o excesso de trabalho, dores nos rins, no peito e no coração. </p>
<p>Em agosto do ano de 1930 na festa de Ação de Graças, ela foi pela última vez à igreja e também pela última vez cantou no coral.<br />
Em setembro ficou seriamente enferma e acamada, mal com tosse, vômitos e dor no peito. Eram os sintomas. Para mim estava difícil! Tinha que atender os serviços da Igreja. Atender a mamãe, embora a Emilia ajudasse como podia, ela mesma não estava bem. Mal dormia a noite e durante o dia também não. Assim passava com dificuldades, lutando e orando a Deus. À noite quando eu voltava do trabalho, ela com visível interesse perguntava quanto o trabalho havia avançado? Esperava pelo dia do seu retorno, estar no culto e cantar no coral. Dar graças e louvar a Deus.<br />
Em outubro começou a recuperar-se devagar. Em setembro duas vezes estava tão mal que aparentava ser os últimos momentos.<br />
Em novembro, no começo, infelizmente numa noite houve um começo de incêndio no telhado da cozinha. Foi um choque para ela, e a doença retornou.<br />
Em dezembro, estava razoavelmente bem, começou a recuperar as roupas, e fazer serviços leves. Mas assim mesmo qualquer esforço é prejudicial!<br />
Após 6 de janeiro foi piorando sempre, os pés inchando, o inchaço aumentando! Os medicamentos nem a hidroterapia e nem os cuidados permanentes, nem as preces a Deus. Pelo sofrimento Deus queria chamá-la para perto de Si. Ela mesma dizia que pela luta e sofrimento junto a coroa da glória!<br />
Em fevereiro ela ainda podia andar um pouco. Em março, acamada o tempo todo. Período difícil, muito difícil. Ela sofrendo, lutando com a enfermidade e dores, insônia, não podia dormir. Nas noites e manhãs lia a Palavra de Deus e juntos oramos e chorávamos. Em um sábado à noite, quando a tinha ajudado de trocar as roupas, sentamos juntos na beira da cama. Comecei a cantar um hino para ela. Ela disse: não cante! Ela começou de memória a enumerar hinos! “Meu filho tua força é fraca” –“ Rocha eterna” – “A morte me traz frutos” e outros. Depois orou a Deus tanto como possível e terminando com Amém, por tudo ela me agradecia. Disse eu: não me agradeça. Estou cumprindo a minha promessa e meu dever. Mas agora sinto que deveria fazer mais, ainda mais. Mesmo fazendo tudo eu mesmo estava me sentindo esgotado. Suas mãos esquálidas ela levantou e silenciosamente orou a Deus. As últimas duas semanas desde 24 de março as dores aumentaram não podia deitar, somente sentada entre colchões, dia e noite. Alguém tinha que estar junto. Lídia veio me ajudar! Última semana não se alimentava. A irmã Purim (Lisete)  também ficou duas noites e mais outras. Certa noite quando a irmã Purim viu que devia ser o último momento, Ela colocou suas mãos e orou a Deus. Por si mesma, por mim, filhos, amigos, coristas e outros que não da igreja. Recitou o hino “Rocha Eterna” e duas estrofes do hino “Felizes são as pessoas.”<br />
Filho tu sentes saudades,<br />
Estar na casa do Senhor?<br />
Em terra estranha andar é difícil<br />
Os pés cansam e as forças desaparecem?<br />
Como a pesada carga da vida<br />
Gostarias deixar em paz<br />
Passar para a outra margem<br />
Para as mãos do Salvador?<br />
Nas mãos de Jesus descansar?</p>
<p>E no hino, quando a luta da vida esta por terminar e o portal de perolas para mim estiver aberto, olharei para Jesus Santo e resplandecente; isto será para mim celeste beleza e honra.<br />
E dizia: Através da luta e sofrimento junto à coroa de glória assim em paz repousou: a irmã Purim chorava&#8230;.<br />
Pela manhã havia grande canseira! As crianças vieram despedir-se da vovó.<br />
No entanto, Deus permitiu a Emilia chegar com a pequena Martinha (?), pegar nas mãos e dar sua benção.<br />
Ver esta criança ela desejava e por várias vezes disse: Eu tenho que ir embora e ela que fique em meu lugar. Embora ela desejasse viver ainda mas sentindo sua fraqueza repetia. Não ficarei, não ficarei, tenho que ir embora! Tudo ela previu e me deu instruções. Como vesti-la e como acompanhá-la.<br />
De lisonjas e falsos elogios ela sempre se desviou. Por mim também se preocupava, onde ficarei. Ela dizia: No Matias (em Nova Odessa) pode ser mais fácil; respondi: quem vai zelar pela tua sepultura. Ela respondeu com a frase de um hino, “Então se abrirá toda a sepultura esquecida!” Tinha visto a vó, outra vez na casa do Rudzit; como que tivessem chegado para buscá-la. No sábado ainda trouxe os últimos medicamentos, mas sem resultados. Domingo, foi difícil; segunda feira também, neste dia vieram muitas visitas; cantaram alguns hinos para alegrá-la. Então como a enfermidade se prolongava e não esperávamos que o último momento estivesse próximo. À noite cobri com cobertores da melhor maneira possível; pois estava exausto.<br />
À noite eu e a Lídia, cada um durante períodos sentamos a sua cabeceira e atendíamos todos os seus desejos conforme foi possível. Última manhã, triste e nebulosa! Lídia tinha ido a cozinha e de repente ela ouviu forte respiração; eu ouvi a estrofe “Ó Jesus tuas caras mãos”  seu hino preferido “A cidade celeste é linda” orou a Deus e disse amém, foi seu último amém. Lídia deu uma colher com bebida, eu disse: mamãe você está indo para casa? E comecei a chorar! Ela disse: não chore! Não chore! Estou indo para casa foram as suas últimas palavras. Lídia ofereceu bebida. Eu segurei sua mão direita. A respiração foi diminuindo e sua mão deslizou da minha. A respiração terminou, a cabeça pendeu, ainda o coração bateu duas vezes, o último, muito devagar. Então, ela, nas minhas mãos. Em 24 de março, às 7 horas da manhã, o bom e amável coração parou de bater, após o sono da morte, a alma acompanhada pelos anjos transpôs o portal de pérolas, junto ao trono da glória. Louvar Àquele que durante a vida toda cantou louvores, e quem a ela deu forças, para permanecer fiel até a morte.<br />
Eu, Lídia e Osvaldo choramos junto a ela.<br />
A separação sempre é ligada a dores. Em seguida conforme sua vontade foi preparada e vestida.<br />
Lídia se apressou para sua casa.<br />
Logo chegou o irmão Purim (Jahnis)  e mais um ajudante, para confeccionar o ataúde para ela. Lídia e o Oscar deram o tecido preto para cobrir o ataúde. Oscar foi a cavalo para Orleans avisar o falecimento e o horário do sepultamento.<br />
Às 4 horas tudo estava pronto, o ataúde coberto de tecido preto com rendas brancas ao redor. Eu, Otto e Lídia colocamos devagar em sua última cama e segundo a sua vontade a colocamos na varanda. Após a merenda cada um foi para sua morada. Mas no meu coração ficou um sentimento pesado; estava fraco e exausto de corpo e alma.<br />
A noite silenciosa e dolorida, seus gemidos fracos estavam silenciados. Em sua nova cama repousava em paz. Mas meu coração doía e dói até agora. Tenho muito sentimento, muito sentimento (em 8 de julho às 9.00 horas da noite terminei de escrever estas linhas; 12 de julho, quanto é difícil e doloroso voltar a escrever!)<br />
Ela na varanda, eu deitei na nossa cama; no lugar onde ela faleceu. Medo eu não tive e não tenho agora. Mas no quarto havia cheiro de medicamentos; dormi durante algumas horas quando acordei, se aproximava uma tempestade e as portas estavam abertas; adormeci e acordei novamente. Então fui para o quarto dos meninos e dormi outra vez.<br />
Manhã com névoa, manhã de tristeza e sepultamento. Levantei, orei a Deus, cheguei ao esquife, levantei a toalha; olhei e arrumei o que foi necessário. Suas mãos esquálidas, imóveis, não se levantaram para pedir apoio para levantar-se.<br />
Tudo silêncio! Silêncio, até o dia da ressurreição. Tomei café e pessoas iam chegando de todos os lados. O irmão W. Karklin pronunciou o sermão de despedida, cantamos um hino.<br />
Será que nesta vida vai pulsar<br />
Nunca mais serás um coração de mãe fiel?<br />
Será que na eternidade perguntarás<br />
E fui tão inesperadamente separado<br />
(Tradução livre.nt)<br />
Lídia comentava a palavra de Deus e chorava copiosamente e cantamos o hino 775 – “Adeus casa terrestre &#8230; Adeus queridos&#8230;”<br />
Recebi amáveis abraços, apertos de mãos, palavras com sentimentos de irmãos e irmãs. O esquife foi conduzido pelo quarto da Emilia para que ela contemplasse pela ultima vez sua mãe.<br />
Em frente à porta da varanda, em um lado estava eu com o Oswaldo e as crianças do outro o Oscar, Lídia e seus filhos. A foto foi tirada por A. Klavin.<br />
O esquife foi fechado e colocado no carro. Adeus morada onde vivemos quase quarenta anos. Grande acompanhamento. O caminho lamacento, os bois são lentos, fui montado num cavalo do Oscar. Estamos no cemitério. A sepultura aberta aguarda minha querida. O irmão J. Klavin dirigiu o culto fúnebre. Primeiro hino: Ceribas Ausekli número 5 “Aurora da esperança”. Felizes pelas pessoas que esperam pela morada. Lê II Timóteo 4:6-8 fala pelas afirmações: Combati o bom combate, completei a carreira, guardei a fé. Já agora a coroa da justiça me está guardada, a qual o Senhor, reto juiz me dará naquele dia, e não somente a mim, mas também a todos quantos amam a sua vinda&#8230;.<br />
No sermão destaca a fiel cooperadora e freqüentadora; sincera participação no Coral, amável hospitalidade com os pastores e aos demais, respeito à igreja. Usa da palavra o irmão W. Karklin, o coral canta seus hinos prediletos. Ao abrir o ataúde durante o transporte suas mãos caíram para os lados, arrumamos. Lídia cobriu com o lenço quando todos tinham contemplado, eu acariciei seu rosto e recitei a seguinte estrofe:<br />
Vai agora em paz repousar<br />
Em teu quarto escuro<br />
Deus permitiu o repouso<br />
Todas as dores e sofrimentos<br />
Nas mãos do Salvador deixaste<br />
Goze a felicidade do paraíso!<br />
(Tradução livre NT)<br />
Adeus minha querida! Adeus doce repouso! Até o dia da Ressurreição!<br />
Coro:”Adeus, adeus à Aurora desperta – 166”<br />
Eu chorava copiosamente, também a Lídia e outros queridos irmãos e irmãs, O ataúde foi fechado e devagar é baixado ao fundo. Solenemente a terra cai sobre o esquife. A cova se enche e a sepultura se forma e é coberta com coroas e flores em grande quantidade. O som dos hinos se irradia para o alto, junto ao trono do céu, onde os sinos anunciam a sua feliz chegada a gloria. Mais uma oração de gratidão a Deus pela sua misericórdia e direção ate a nossa vez junto à sepultura. Ainda usa da palavra à irmã Olga Klavin: relembra sua infância na Escola Dominical como a mamãe a acolheu quando pequena a aceitou em amor como amiga, fiel amiga, cuja amizade perdurou ate a sepultura.<br />
O irmão A Klavin usou da palavra em público. Toda a cerimônia do sepultamento durou quase duas horas. Uns conversando com os outros, deixavam devagar o cemitério, as minhas pernas dormentes me conduziam para casa. Quem sabe, quanto tempo terei de vida? Onde será que serei sepultado? Será junto à mamãe, no cemitério de Nova Odessa, ou em outro lugar, só Deus sabe!<br />
Cheguei em casa, tudo, tudo mesmo, vazio e em silencio!<br />
Oh coração levante-se e confie em Deus!<br />
Dia seguinte chegou Lídia, Selma Hilbert, Erna Paegle – fizeram uma limpeza geral, lavaram as roupas e arrumaram e deixaram toda a casa em ordem. Mas o meu coração, meu coração! Quanto suportou as dores. Com enormes dificuldades suportei, mais de dois meses de insônia, lia a palavra de Deus e pedia que Deus me tranqüilizasse, que consegui com o passar do tempo.<br />
Todavia, nas terças e quartas-feiras pela manhã eram dias doloridos. Na terça feira ela faleceu e na quarta feira foi o sepultamento.<br />
Nesta noite, estas linhas, essas queridas e doloridas linhas, ao escrevê-las tenho chorado copiosamente. Debaixo do meu olhar ela cresceu, desde a infância eu a amei e ela a mim. Pensava eu que ela me cuidaria na velhice e me conduziria até a sepultura, mas eu que tive que colocá-la na última morada. Pelos 42 anos de matrimonio, há muitas outras experiências. O canto no coral foi sua maior alegria e preciosidade; verdadeiro dom. Em Riga cantamos muito. Festivais de corais, festividades da mocidade e em outros eventos. Assim também no Brasil. Havia grande alegria e contentamento – o tempo da juventude, e dias passados!<br />
Como ligaste minha memória contigo? Tanto a mim quanto a ela havia o lado das sombras e fraquezas! Como o poeta diz:<br />
Às vezes costumamos tropeçar, cair<br />
Costuma acontecer às pessoas;<br />
A consciência insensível<br />
Contra todos os próximos<br />
(Tradução livre NT)<br />
No dia 26 de julho de 1931: no dia de Santa Marta (Varpu Diena). Agora com o coração partido, interrompo a descrição da nossa vida em comum, e passo a descrever, em resumo, a descrever as memórias da minha infância e juventude; bem como algumas descrições sobre períodos vividos com dificuldades, na minha vida e na velhice.</p>
<p>Meu pai, Krists (Kristóvão) Frischenbruder, mãe Ana. Nasci quando já eram idosos; como diz o documento; no ano de 1864, 30 de março (pelo novo calendário 11 de abril). Na casa do Disc Brenzeniek, na vida de Rahpat, região de Pilene, nos arredores de Ventspils, na baixa Curlandia.<br />
Quando criança fui batizado pelo pastor luterano Beker com o nome Júris (Jorge???). Consta que fui uma criança raquítica, após vários meses ainda não mantinha a cabeça ereta.<br />
Minha vida me foi predeterminada, quando muito a dez anos de vida. Minha mãe me amava, e se preocupava comigo.<br />
Quando ia crescendo, as pessoas se alegravam com a minha bela aparência, cabelos amarelados, a senhora do pastor dizia: belo menino! (cresce para o trabalho e uma vida cheia de dificuldades)<br />
Agora com 67-69 anos. Muitas dificuldades sofridas, falta de tudo, e ainda estou vivo.<br />
Minha mãe foi minha professora! Foi difícil aprender pelo sistema daquele tempo. Ao aprender alguns hinos, aprendi a ler decorando. Aprendi ao ponto que meu pai me levou a ler diante do pastor. Li duas linhas sem erro. O pastor pôs a mão no meu ombro e disse: muito bom meu filho! Pelo que meu velho pai ficou alegre. Na escola fui colocado lá no ultimo banco. Na escola havia muitas crianças, 75-80, um só professor, bom homem! Ele gostava de mim e me ensinava. No primeiro inverno fui promovido ao segundo ano à frente dos demais alunos, isto aconteceu também no segundo e terceiro inverno. No terceiro conclui o curso e diploma pelos anos de 1878-1879. Comportamento: muito bom. Recomendado: seis vezes. Religião: ótima e assim por diante. Uma vez me lembro que o professor, por alguma brincadeira me deu um tapa nas costas e disse: até você não sossega. Na Páscoa do ano de 1879 fui crismado pelo pastor Aug. Von Ianow. Naquele ano em fevereiro, meu pai faleceu, ele durante a vida sofreu muitas tristezas e dificuldades. Não esqueço que no meu período escolar, foi bastante difícil, muitas vezes com sal e pão de centeio: na água quente quebrava-se o pão e com o sal era até saboroso. Gostava de estudar! Assim fiquei mais um inverno na escola, com dificuldades e carências a serem vencidas.<br />
Ao terminar o período escolar, meu bom professor propôs para eu ficar com ele como funcionário, sem remuneração; apenas a comida. Ele mais tarde me promoveria a professor auxiliar. Muito bem! Conversei com minha boa e idosa mãe, pouco ela poderia me ajudar. Esta oportunidade não aceitei e reconheço que errei. Queria me apresentar no serviço militar, na infantaria. Quando os irmãos Frey e Fideman se preparavam para ingressar no Spurgeon Seminary em Londres; também despertou em mim interesse embora sempre esbarrou em falta de recursos.<br />
Após o período escolar, junto com o meu primo K. Kulkeewitz, me preparei a ir a Riga em busca de sorte. O passe meu tio me deu por empréstimo, 150 kopeks. O principal fiquei devendo, 150 kopeks. O dinheiro da viagem minha mãe emprestou de uma amiga, um rublo, de Tukum até Riga. Roupa do corpo, outra na sacola. Assim deixei a casa paterna, a querida mamãe e a vila natal. Adeus terra natal! Junto com o primo viajamos para Riga. Esperava conseguir um bom emprego, mas não consegui. Trabalhei em uma serraria, trabalho comum, por uma diária de 75 kopeks. Dessa diária tinha que deduzir, para a mamãe, ajudar o irmão que servia o exercito e economizar para comprar melhores roupas. Pelo meu primo fui convidado a freqüentar os cultos na Igreja Batista onde cantam muito bem, Runberg com Eichman pregavam muito bem! Isso me agradou. Em um domingo invernal no culto da tarde Eichman pregava com grande sinceridade: convertei-vos, convertei-vos vós da casa de Israel, porque querem morrer?<br />
Sua pregação era sincera, e me conquistou, diante de Deus e da Igreja Batista, isto foi no ano de 1881, no mesmo ano, em setembro fui batizado por I.A.Bumbieris na Igreja da rua Puworouri (???). logo em seguida passei a participar da União da Mocidade e comecei a participar de todas as atividades. Assim como a mamãe, Pilinch me convidou a participar do grande coral (mesmo antes) e tornei-me seu amigo! Ele me ajudou a comprar um violino, ajudou no aprendizado, técnicas de regência e outros conhecimentos. Freqüentemente visitava seu pai e família, outras vezes ele me visitava e me chamava de amigo! Ele era generoso e boa pessoa. Verdadeiro regente. Anos mais tarde, quando eu regia o grande coral, ia eu junto com a famosa regente E. Wigner adquirir mais conhecimentos sobre regência.<br />
No ano de 1883 junto com o irmão I. Friedenberg, planejamos fundar um pequeno coral e em 1884 fundamos na data de 21 de setembro foi à primeira apresentação. Nós ainda fazíamos parte do grande coral e continuamos a cooperar. Na maioria éramos jovens, cantávamos com sinceridade e alegria, após um ano realizamos a festa de aniversário. Antes do inicio da festividade, Anna Bankowitch me colocou na lapela com o sinal de amor um botão de rosa.<br />
À noite da festa foi bela e abençoada, louvamos a Deus e nos alegramos nEle. Anna leu uma longa consideração previa em forma de poesia, que segue:</p>
<p>A alegria hoje aqui reina!<br />
Hoje aqui é momento de festa<br />
Por isso a satisfação é doce,<br />
Cada coração sente junto.</p>
<p>A sociedade de coristas<br />
Aqui comemoram seu aniversario<br />
Por isso estão felizes<br />
E decoram sua festa.</p>
<p>Hinos belos, hinos queridos<br />
Preciosos presentes de Deus,<br />
Entoados com sentimentos profundos<br />
Hinos ecoam em beleza.</p>
<p>Hinos tornam mais leves<br />
As cargas pesadas da vida<br />
O som dos hinos tem este poder<br />
Mas perto da divindade</p>
<p>Nossos ancestrais cantavam,<br />
Hinos na pesada escravidão,<br />
Os hinos os acalmavam<br />
Nas difíceis lidas da servidão.</p>
<p>Nos, filhos dos ancestrais<br />
Filhos da liberdade!<br />
Os ancestrais cedo desejaram<br />
Cantamos hinos com dignidade</p>
<p>Fazemos de boa vontade<br />
E nesta festa demonstramos<br />
Ao alto espírito do canto<br />
Aqui festejamos.</p>
<p>Que o coral em harmonia<br />
Desenvolva e floresça!<br />
Sempre em amor<br />
E cante para a glória de Deus!<br />
21 de setembro do ano de 1885 – Anna Bankowitch<br />
(tradução livre – NT)</p>
<p>Querendo ou não, chegaram dias de tristeza; eu com o coração dolorido este querido trabalho e amável convivência ter que declinar com o coração pesaroso. Tenho que ir a Ventspils e provavelmente fazer o serviço militar.<br />
Foi doloroso, muito doloroso, os dois regentes: I. Pilinch, I. Fridenberg e meu irmão carnal me acompanharam ate a estação ferroviária, me comportei alegre e dignamente. Quando a composição ferroviária foi se afastando, e eu fiquei só, as lágrimas corriam dos meus olhos. Em Tukum me aguardava o irmão mais velho. O caminho estava esburacado. Em uma parada, deixamos os cavalos em repouso, enquanto isso, sentei a mesa e adormeci de cansaço. Minha Anna, em sonho me dizia: acaricie meu rosto! Despertei com dor no coração.<br />
Viajando devagar com meu irmão, falávamos só as dificuldades da vida.<br />
Tarde da noite, chegamos à terra natal,  na casa do pai, próximo a um fraco ponto de luz minha querida e idosa mãe sentada e tricotando, eu interrompi o seu trabalho! Não sabia o que fazer de tanta alegria, beijei suas queridas mãos sim&#8230; aquelas mãos que me cuidaram na minha infância, cuidaram, criaram e me acariciaram duas vezes em grande enfermidade lembro-me bem, ela clamou: os pés estão frios! No entanto não morri, ela foi para mim, boa e querida mãe! Seu amor sente até agora, e lágrimas enchem meus olhos. Paz e doce repouso aos seus restos mortais, até a ressurreição.<br />
Na estada da aldeia visitei parentes meus velhos amigos, e outros conhecidos. Mãe e parentes, todos se preocupavam comigo. Faziam votos pela dispensa do serviço militar. Não contava com a dispensa, estava pronto a ir, contando que não voltaria para casa como soldado raso! Estive doente com problemas pulmonares. Nas inquirições dos médicos militares relatei dos pregressos, males do pulmão, falei que ainda sinto seqüelas, os dois médicos me examinaram meticulosamente e me dispensaram do serviço militar.<br />
Pessoas, mais tarde comentaram maliciosamente que eu subornei os médicos, mas não era verdade! Meu aspecto exterior indicava ser completamente sadio, não era anêmico, mas entendo tudo como providencia de Deus. Em Wentspils visitei meu irmão, permaneci com ele e desfrutei sua amável hospitalidade. Em Piltene, visitei meu bom professor com o qual conversamos longamente. Na casa de minha sobrinha ela chorava de alegria quando disse que fui dispensado, depois sorria e chorava.<br />
De Wentspils mandei um telegrama ao irmão I. Friedenberg relatando minha dispensa. Tínhamos combinado em pregar uma peça, se dispensado, falar ao contrário. Todos estavam tristes, mas minha Anna não suportou, chorou e cantou!<br />
Em Riga cantaram:<br />
Separação, separação quanto é difícil!<br />
A separação dos parentes e da bondosa e querida mãe, também foi difícil. Ela chorava amargamente e dizia: meu filho, eu não te verei mais, e foi o que aconteceu&#8230;<br />
Quando retornei a Riga, então fui recebido festivamente e me saudaram, também a minha querida Anna! Na mesma época houve lindas festividades.<br />
Resultados a favor do irmão Piling – em 16 de janeiro do ano de 1886 foram às festividades da mocidade mais lindas e elaboradas. O coral masculino era composto por 40 elementos. O pastor Herman da Igreja Batista Alemã me dizia: nunca vi nem ouvi na Alemanha um coral masculino com este vigor e qualidade. Anna conseguiu boa colocação.<br />
Em agosto de 1886 assumi a regência de um pequeno coral em Jaunvartu. Então o irmão Júris Friedenberg mudou-se para sua terra natal em Talsos. Na minha mocidade ele foi para mim o melhor e destacado amigo e irmão. Ele há muito tempo repousa dos seus trabalhos, paz para seus restos mortais!<br />
Na data de 18 de agosto de 1931, trabalhando na lavoura, muitas recordações e pensamentos sobre os dias da minha mocidade&#8230; hoje estou enfermo com minha perna que foi quebrada! Assim mesmo descrevo as minhas memórias. A minha Anna: em alguma carta com linguagem poética:<br />
A lembrança guardamos<br />
De você no coração<br />
Para o espírito sempre voejar<br />
Junto ao meu espírito<br />
(tradução livre – NT)<br />
Mas, agora é o inverso, ela repousa no tumulo, o espírito na glória, meu espírito lembra a sua presença&#8230;<br />
No ano de 188? na igreja S.E.Vasmanis não estava em harmonia com a igreja, pelo motivo do seu infeliz matrimonio e funesta vida matrimonial. Os coristas e eu deixamos de participar nos cultos Jaunvartu. Fui atingido por uma falsa denuncia sobre a igreja, havia sido encaminhada uma denuncia falsa sobre a igreja junto a autoridades. O irmão André, escrivão, ele tirou uma cópia da denuncia, o pai encaminhou a comissão da igreja, o pastor soube, pressionou o irmão André assumir o coral, senão perderia o seu cargo no governo, fato impossível de acontecer mas ele não teve outra alternativa. Esse fato foi lamentável para todos nós. Principalmente a minha Anna. A ela, para tranqüilidade escrevi esta poesia:<br />
Riga, março de 1887. </p>
<p>Em Riga, março do ano de 1887</p>
<p>TRANQUILIDADE</p>
<p>Porque lamentações e choros<br />
Porque tantas tristezas?<br />
A que tristes lamentos<br />
E tristes lamurias?</p>
<p>Que oprimem teu coração<br />
Que em teu peito tem morada<br />
No qual raios de amor<br />
Irradiam a todo instante</p>
<p>Deus esta no céu<br />
Ele tudo vê<br />
Como aqui todos se conduzem<br />
Ele sempre nos ajudou</p>
<p>Ele nos vê com amor<br />
A todos com compaixão<br />
E alegra<br />
Aqueles entristecidos</p>
<p>Ele aos chorosos enxuga<br />
Bondoso, suas lágrimas.<br />
Quando explodem tristezas<br />
Então ele ajuda, como Deus!<br />
(Tradução livre – NT)</p>
<p>Onde não há verdadeiro temor a Deus, ali também não há continuidade. Os novos coristas, devagar se dispersaram. O pequeno coral se desfez! André estava livre! Despertou-nos alegria. Não demorou muito, terminaram também os cultos. O regente do coral também se desviou do bom caminho. Fiquei deveras triste! Seu auxiliar era J. Mengels – por motivo de saúde, com tuberculose, não pode continuar o trabalho.<br />
Na primeira tarde do dia de pentecostes; no ano de 1887 fui convidado a assumir a regência do coro. Foi o idoso regente Adams junto com o Mengels, pediram e também pressionavam assumir o trabalho relutei porque como me faltava conhecimento e desembaraço. Trabalhei com as forças que possuo, os idosos mestres então me aconselharam, Mengels disse: faça tudo seguro e firme, se houver alguma pequena falha os coristas nem perceberão. Nova e difícil labuta novamente com o dirigente! Ele sempre escolhia as mais difíceis partituras, hinos de execução primorosa. A. Grünfelt se colocava junto a mim nós empregávamos os melhores esforços para uma impecável apresentação.<br />
Algumas vezes os hinos não foram apresentados sem falhas. Então eu enxugava da testa o suor da vergonha! L.E. Wasmanis também foi meu amigo; mas quando me coloquei ao lado da Igreja, terminou nossa amizade. Em uma assembléia da Iigreja ele empurrou o Presidente da assembléia R. Dimberg da mesa e assumiu intempestivamente a direção dos trabalhos. Ele estava à deriva, deslizando. A maioria dos membros se afastou e não participavam da SantaCeia.  Reuniam-se na represa Catarina na residência dos Birgan onde o pastor I. Evangs havia sido nomeado pastor; também ali fui reger várias  vezes distante da minha residência.<br />
Difícil situação da Igreja, difícil também para mim&#8230; o pastor relacionou-se com um certo judeu, Silbergman, em uma situação desfavorável, o professor luterano Buiwru; um pastor excluído da Alemanha; ele promoveu alguns trabalhos religiosos de forma incorreta e inconveniente.<br />
A diretoria da Igreja lacrou as portas do templo. Esse pastor recorreu à justiça e foi atendido. Até um policial foi designado para garantir a reabertura do templo. Os decanos da igreja Ir. K. Dimberg, K. Rolman vieram até a mim, me pressionar e implorar, para que reassuma meu lugar no coro. Senão a Igreja perderá seus direitos. Embora contrariado, aceitei. Certo domingo, muitas pessoas presentes compareceu o oficial de justiça e abriu as portas. O pastor e também eu, entramos, me seguiram os coristas. Houve aglomeração, no entanto tomamos nossos lugares no coral. Cantamos o hino 57 do Ceribas Ausekli (Aurora da esperança) Estás seguros vós os salvos e no término: Apenas folhas, apenas folhas, número 129. O ultimo hino sem ensaio, não correspondeu às expectativas, estávamos estressados. O que o tal pastor pregou não me lembro mais.<br />
Quanto tempo esses serviços religiosos perduraram, também não lembro mais. A Igreja se reunia na represa Catarina, até o término da construção da Capela do Seminário.<br />
O pastor nos denunciou junto ao juiz de paz como perturbadores da ordem. A mim, A Grinfelt, P. Klavin e Ulandu, quatro irmãos, com as mãos levantadas juraram falar só a verdade, o velho Redins, L.Kupstcha, Bosenis e Jordan faltaram com a verdade. I – perturbadores da paz, II – cantavam canções profanas, III – faltaram com a educação com a esposa do pastor.<br />
Após vários anos Kupstcha e Redins voltaram à igreja, confessaram suas faltas e falsos juramentos. Não conseguimos contestar por não ter testemunhas. Fomos condenados com 7 dias de prisão. Constituímos um advogado defensor senhor Weinberg denunciamos ao juiz de paz no tribunal.<br />
Nós tínhamos 20 testemunhas; os decanos da igreja, coristas, todos participaram ativamente. Vários assuntos foram apresentados. O auxiliar do advogado e juramentado, o Vinberg, foi almoçar&#8230;.<br />
Os assuntos são rápidos, chega a nossa vez, o advogado está ausente. A primeira sentença foi confirmada; chega o advogado, mas a sentença estava confirmada!<br />
Voltando para casa, eu estava inconformado; P. Klavin diz: observe o que vou dizer: &#8211; se você sente-se tão infeliz; então procure as águas mais profundas de Daugava!<br />
Recorremos ao tribunal de Jelgava; com o mesmo resultado; os barões confirmaram a mesma sentença.<br />
Grinfeld e Ulands, foram condenados, e no inverno, período sem trabalho, sofreram e cumpriram sua injusta condenação.<br />
P. Klavin como bancário e também como pessoa de destaque; não aceitava ser preso (embora lá não era tão ruim assim).<br />
Recorremos a S. Petersburgo.<br />
Durante a lide judicial, a igreja manteve seus serviços religiosos na Capela do Seminário.<br />
Eu já estava casado, e trabalhava como regente do coral; mamãe cantava, mais tarde eu também cantava; o irmão Krums assumiu a regência.<br />
A Igreja prosperava. Quanto aos empregos foi um período difícil. Despertou a emigração para o Brasil!<br />
Tudo estava pronto. O passe em ordem; as caixas prontas. Meu irmão sempre me ajudando. Ele como funcionário público entendia de tudo.<br />
Sábado estaremos a bordo! Chega um Oficial de Justiça, policial, e estou preso! Ele é meu conhecido; bom homem; permite conversar. André como funcionário público, confere e verifica; que após 7 dias, posso alcançar meus companheiros; em Brehmen, na Alemanha por via férrea. Nossos pertences, 2 caixas, os companheiros levaram, eu fiquei 7 dias preso. Mamãe, Marta e Emilia esperavam por mim, tristezas e lágrimas.<br />
A prisão não era tão desconfortável, mas era prisão! Na prisão a mamãe me visitou e também Al. Klavin, poderia dizer como Paulo dizia na prisão em Roma.<br />
Após 7 dias, fui solto! Junto com o Ir. Frishman meus amigos me cercaram! Tomei banho, troquei as roupas, me alimentei, troquei algumas palavras; o tempo era curto.<br />
Frishman nos conduziu a estação; nos deu um farnel. O coral tinha organizado uma despedida, e juntaram um pouco de dinheiro para a viagem!<br />
Despedimo-nos dos parentes, irmãos e irmãs.<br />
Eu da minha mãe e de meu irmão, para sempre; com lágrimas mamãe separou-se da pequena Milinha, eu não consegui mais beijá-la, e também não a vimos mais. Adeus velha e querida Riga!<br />
Dois dias e meio e duas noites, viajamos ate Brehmen, na Alemanha; onde estavam nossos companheiros. Para nós, foram difíceis e dolorosas tristezas!<br />
Nossos companheiros, com saudades nos aguardavam.<br />
Após 6 meses, o ir. Klavin recebeu a intimação para cumprir a sentença.<br />
Porque isto aconteceu? Fiz tudo de coração; porque a mim e meus companheiros; tantas dificuldades e desgostos tivemos que experimentar? Só Deus sabe.<br />
A Igreja também caiu em decadência, havia contraído dividas a serem resgatadas. Il. E. Wasmanis: embora mais tarde, renegociou com a diretoria, reconhecer seu comportamento inadequado. Porem as perdas e sofrimentos não puderam ser resgatadas!<br />
Em minha existência aproveitei bastante, por isto em meus cabelos escuros, com a idade de 25 anos, já havia fios prateados. Também na vida diária não tive facilidades. Em Riga na primeira industria madeireira trabalhei apenas uma semana, na outra, um ano todo; na terceira, cinco anos. Como transportador de pranchões, trabalho, trabalho duro. Durante quatro anos trabalhei em uma panificadora, vendia pães no mercado, na cidade e a domicilio aos senhores abastados.<br />
Com o Neuland, trabalho rude, mal conseguimos dormir. No Brasil não conheço trabalho fácil, não conheço, nem amável, nem em trabalho religioso. Então com a idade de 50 anos, já estava com todos os cabelos brancos.<br />
No ano de 1913, no que se refere à vida espiritual, no período do pastor K. Leiman; atravessei uma temporada difícil. Naquela época a principal atividade da igreja era sob minha responsabilidade. Era o Diretor da Escola Dominical, tesoureiro da Igreja, supervisor das atividades religiosas e outras atividades afins.<br />
O novo pastor, não podia e não queria se entender comigo, por causa do seu temperamento apressado e de mando; minha esposa e eu suportamos; suportamos dificuldades materiais e espirituais. Sofria eu de nervosismo e insônia, mas minha saúde retornou. Pelas atitudes do Pastor parte dos membros abandonaram a freqüência! Após 5 anos, ele retornou. Após alguns anos, reconheceu seu grande erro! A Igreja perdoou! No ano de 1916 uma irmã, antes de falecer: com três testemunhas presentes, me entregou duzentos mil réis, para Missões e uma parte para seus parentes; o inspetor de quarteirão com ameaças me tomou. – Mamãe, viu em sonho este dinheiro em um prato, coberto com um lenço e com muitas agulhas espetadas! Enquanto tentava recuperar o dinheiro: experimentei muitas agulhadas; e não consegui recuperar o dinheiro. De policiais e advogados temos que nos cuidar! – Após o falecimento da mamãe, nas eleições na região, fui nomeado feitor na manutenção das rodovias (estradas).<br />
Não tinha a obrigação de trabalhar, mas para que o trabalho fosse bem executado, eu também trabalhava; só assim dissipava meus pensamentos doloridos e tristezas.<br />
Adoeci com forte reumatismo; que me obrigou a procurar o leito! Duas vezes estive a beira da morte!<br />
Em 20 de agosto de 1931, meu estado de saúde havia melhorado um pouco; pretendo ainda que por instantes voltar à terra natal! Meu pai foi bondoso, mas suportou grandes dificuldades! Quebrou as duas pernas e uma das mãos!<br />
Fora isso ainda outras dificuldades. Ele me ensinou tudo de bom, apenas uma vez levei dois tapas, bem que merecia tinha saído com o menino do vizinho sem autorização paterna. Fomos passear e, na neve em processo de degelo e estava molhado e sujo.<br />
Seu hino predileto ele cantava a noite era o hino n° 491 “Cristo nos santifica”. Seu falecimento foi repentino, ficou acamado durante uma semana. Enquanto podia orava a Deus em silencio. Na glória o encontrarei.<br />
Estava eu na escola quando ele faleceu, estive presente no seu sepultamento.<br />
Oh pátria, minha infância!<br />
Pátria amada e bela<br />
Em tudo memorável<br />
Estranha era ??? feroz<br />
Felizes dias vivi<br />
Na casa paterna jardim e sebe<br />
Quando cada lugarzinho<br />
Para sempre me será santa,<br />
Minha adorada meninice.</p>
<p>Mamãe era de natureza calma e delicada, me amava e me incentivava para o bem e me ensinava, orava a Deus e chorava. Esta influência ela transmitiu a mim e a minha filha Amilda! Recebida a noticia do seu falecimento em Riga em julho de 1887 não foi possível comparecer no sepultamento.<br />
Em um domingo à tarde; andava eu pela sala, não sabia onde ficar, pois eu mesmo estava com muitas tristezas que mais tarde passaram, felicidade e alegria.<br />
Tempos da mocidade tempos de alegria<br />
Que tempos inesquecíveis!<br />
Companheiros felizes no divertimento<br />
Como era viçoso seu rosto!<br />
Minha testa altiva<br />
Os cabelos adornavam;<br />
Outono com seu manto branco<br />
Minha cabeça coloriu<br />
(totalmente branca como a neve) (tradução livre)</p>
<p>A infância, mocidade e os anos de vigor já se foram; pai, mãe, esposa e dois filhos repousam nos túmulos, dias felizes e alegres não existem mais, ao lembrar os olhos ficam marejados de lágrimas!<br />
Pai e mãe vossa imagem<br />
Nos meus sonhos revejo<br />
Amaram vosso filho,<br />
Cem vezes me comove<br />
Embora o tempo repouse no tumulo<br />
No regaço da mãe terra estais<br />
Também aqui não é meu lar<br />
Logo também irei ao repouso<br />
O reencontro feliz será na glória!<br />
Ao alto nosso caminho conduz<br />
Junto ao céu nosso caminho vai<br />
A pátria nós nos apressamos<br />
Onde aguarda feliz destino<br />
Alegria imarcescível alcançará<br />
Que no regaço de Jesus teremos<br />
(tradução livre)</p>
<p>Como a qualquer um, assim também em minha existência; vários obstáculos houve. No entanto o poderoso Deus me segurou pela mão, e assim consegui servi-lo e trabalhar na sua causa e fitando a Jesus Cristo que sofreu e morreu por mim!<br />
Teu sangue, tua justiça<br />
E, Senhor minha glória e meu adorno<br />
Quando adentrar no paraíso<br />
(tradução livre)<br />
Ainda algumas queridas lembranças da mamãe: de uns três dias antes do seu falecimento ela me disse: você paizinho não procures outra.<br />
Uma única amei<br />
Com ela convivi<br />
Antes do desenlace ela dizia:<br />
Paizinho, outra não procure!</p>
<p>E o paizinho a ela respondeu:<br />
Veja mamãe, porque pensas assim<br />
Para que preciso de outra!<br />
Minha velhice já não exige!</p>
<p>Quando minha vida terminar,<br />
Então na glória nós nos encontraremos<br />
Onde nunca haverá separação<br />
Mas minha felicidade, alegria e satisfação<br />
(tradução livre)</p>
<p>MINHA SAÚDE E DIAS DA VELHICE</p>
<p>Após o falecimento e sepultamento da mamãe, logo viajei para Mãe Luzia, em visita aos parentes em doze de abril. Vi em sonho nosso salão de cultos o qual eu havia restaurado e recuperado, estava escuro, muito escuro e depredado; chorei e não sabia o que fazer; o irmão Osch, que construiu este templo estava de pé atrás de mim. Pensei, certamente ele saberá o que fazer. Saí, lá fora havia tábuas empilhadas, quis fazer alguma coisa com elas, vi a mamãe, aquelas tábuas empilhadas estavam caindo sobre nós; disse: Corra! Fuja! Ela disse: não chore.<br />
Acordei assustado e orei a Deus.<br />
Aquela queda que já havia acontecido na igreja aumentou e ameaçava aumentar mais ainda. Somente pela graça de Deus e auxilio de um pastor idoso voltou à normalidade, embora com ferimentos_____ fui destituído da função de moderador da igreja. Depois de um ano fui reconduzido.<br />
Meu período de enfermidade, 18 de agosto de 1931 fiquei muito doente ate 25 de agosto. A fadiga me impõe: não escreva, fique sossegado. Em 21 de agosto estou muito doente! Não consigo escrever, muita fadiga! Graças a Deus estou melhor, 1 de setembro a moléstia retornou e fiquei a semana inteira acamado. Em 5 de setembro Deus me foi misericordioso! Todo o mês de setembro fiquei de cama sofrendo dores constantes. Minha filha Lídia me visitava com regularidade e me ajudava. Graças a Deus, diz 16 houve festa da mocidade. Festa maravilhosa! Fui com muletas, só assim de 1 a 16 de janeiro fui a Mãe Luzia, fiz tratamento com sauna e massagens. Um médico em Tubarão (o melhor) me proibiu comer carne, receitou remédios pouco ajudou. Estive durante 4 dias em Laguna, visitei o novo campo missionário. Os irmãos e irmãs me receberam com alegria.<br />
No hospital, o melhor médico sentenciou! Devolver a saúde não posso, posso ajudá-lo. Então houve melhoras. Pedi a Deus, que Ele me livre dos meus incômodos. Tentei uma auto medicação, no entanto, sem resultado satisfatório, minha mão doía. Deduzi que estes males estão me preparando e me avisando que estou mais próximo de Deus, e mamãe em suas aparições em sonhos esta me preparando para este evento. Confio na mão poderosa de Deus e nas palavras do poeta sacro.<br />
Deus, faça de mim o que tu queres,<br />
Nunca estarei contra a tua vontade;<br />
Em ti meu coração pode confiar<br />
Ele nunca me abandona<br />
(tradução livre)</p>
<p>24 de fevereiro de 1932</p>
<p>Em 26 de fevereiro a Igreja me incumbiu de escrever a historia de seus últimos 40 anos de existência: foi um difícil e grande trabalho! Assim mesmo escrevi 3 exemplares.<br />
Tratar ferimentos adquiridos<br />
Tu não deves relatar e cessar<br />
Embora sejas como um navio à deriva,<br />
Que esta prestes a submergir&#8230;<br />
Tens ainda trabalhos a terminar<br />
Ainda que com o coração fatigado.<br />
E ao redor ventos impetuosos<br />
E o prenuncio da morte a rondar&#8230;<br />
(tradução livre)</p>
<p>Pelos meus pontos de vista, muitas vezes estive a morte, trabalhava e me preparava. No dia 15 de maio de 1932 comecei o trabalho, escrever a historia dos últimos 40 anos da Igreja, espero conseguir terminar, ou a mamãe me levará para junto dela? Só sabe o próprio Deus!<br />
Graças a Deus! Que a historia já escrevi III volumes e 3 da minha autobiografia (??????) onde estão????? VER.<br />
A recuperação e a saúde voltaram lentamente conforme a visão do Dr. Braronano (???) e Kneip (Sebastian) todas as manhãs fazia fricções com água fria e em seguida me enxugava com uma toalha seca. Tomava muitos chás, losna, pelashru (??) e sálvia.<br />
Experimentei um chuveiro improvisado! Percebi que foi ótimo construí uma calha em um córrego, e quando o tempo de calor, banhava-me 3 vezes ao dia; durante 1 a 2 minutos inclusive a cabeça depois a toalha seca e fricções em seguida algum trabalho leve, por uns instantes conseguia uma boa circulação sangüínea, temperatura uniforme, sono profundo e bom apetite.<br />
Ainda por alguns dias, em partes doloridas fricções com azeite de oliva duas partes de terebentina e um pouco de cânfora.<br />
Com estes procedimentos recuperei a saúde e disposição e continuei a trabalhar e a andar sem o amparo do bastão. Louvado seja Deus que colocou na água tal poder de cura.<br />
Em abril do ano de 1933: aceitei novamente a feitoria da recuperação das estradas, trabalhava menos, e pelo meu trabalho consegui reconhecimento.<br />
Pequeno resumo da historia da igreja com 86 páginas Júris Frischenbruder: nada fácil escrever sobre si mesmo, mas a verdade permanece verdade. Raro foi o ano de repouso. O inicio parte já descrita. Servi como membro da administração, mais tarde com administrador, durante 6 anos como regente do coral continuamente como tesoureiro, em em face de denuncias maldosas tive que renunciar o cargo, no entanto, fui reconduzido. Presidente quase vitalício da Escola Bíblica Dominical e o ecônomo da Igreja, de ambos os cargos tive de me afastar. Presidia as cerimônias da distribuição da Santa Ceia e celebrava casamentos.<br />
No ano de 1926 não aceitei o cargo de administrador mas no ano de 1929 fui reconduzido ao mesmo cargo tendo como companheiro o irmão J. Purim. Os trabalhos mais urgentes conseguimos vencer!<br />
No final do ano viajei para S.Paulo&#8230;. no ano de 1930 fui eleito novamente como administrador da igreja para restaurar o prédio da igreja. Mais uma vez não quis aceitar o cargo, pois o trabalho e grande e difícil!<br />
A pedido da igreja aceitei. Deu-me auxiliares: R. Klavin e O. Auras. O primeiro ano com grandes dificuldades a maior parte do trabalho foi vencida: no ano seguinte foi razoavelmente concluído. Durante bom tempo estive doente a idade e as fraquezas. Ao companheiro R. Klavin como meu substituto no serviço de administração faço votos de êxito. Despeço-me lentamente das já habituais responsabilidades e trabalhos na igreja. O último com dificuldades ao descrever a historia dos acontecimentos durante 40 anos de existência.</p>
<p>ALGUNS DOS MEUS VERSOS!</p>
<p>O hino de boas vindas ao irmão J. Inkis no ano de 1897 quando da sua primeira visita ao Brasil e entoada pelo coro da igreja de Rio Novo.<br />
Querido irmão, hoje nós,<br />
Alegremente te recebemos<br />
De coração e alma<br />
Amavelmente te saudamos<br />
Após muito tempo Deus<br />
Designou o nosso encontro;<br />
Por isso damos gloria a Deus,<br />
Por nós todos agora manifesto</p>
<p>Separar-se da pátria,<br />
Querida e cara terra natal<br />
Terás tristezas sofrido,<br />
Dores no coração sofrido<br />
No longo caminho também,<br />
Sofrimentos podem ocorrer!<br />
Mas agora deixamos tudo<br />
E alegria nos invade</p>
<p>Por isso o bondoso Deus<br />
Nos mandou o verdadeiro<br />
Na longínqua e estranha terra<br />
Vir a nos ajudar<br />
Sua palavra anunciar<br />
A verdade testemunhar,<br />
Despertar os povos na escuridão<br />
Trazê-los juntos ao pai do céu<br />
(tradução livre)</p>
<p>Este hino de saudação, a mamãe cantou com toda a sinceridade e alegria. Assim como o poeta afirma:<br />
Quem canta livre desprendido<br />
Está no mundo de Deus<br />
E sempre sentem-se felizes<br />
Estes tem paz na alma.</p>
<p>A estes o ocaso da vida não perturba<br />
Quando a morte se aproximar<br />
Então no reino dos hinos,<br />
Deus os convida<br />
(tradução livre)</p>
<p>Alguns dias antes de falecer mamãe se preocupava comigo e dizia: com o Matis, você estará melhor respondi perguntando: e quem vai zelar pela tua sepultura e ela respondeu a mim com um verso do hino:<br />
Então se abrirá todo o túmulo esquecido!<br />
Em 21 de maio de 1931. Até agora o túmulo não foi esquecido, mas bem cuidado. Quando visitei o túmulo sobre ele derramei novas lágrimas ali repousam meu sogro, sogra, o pequeno Karlos e a mamãe. Mas onde será o meu lugar de repouso? Meus filhos estão: o mais velho, em Mãe Luzia e mais três sobrinhos a 70 Km daqui de Rio Novo. O genro e o filho mais novo em Nova Odessa – São Paulo longe daqui, a filha mais nova em São Paulo capital, os dos genros Osvaldo Auras com quem convivi e o Oscar Karp, que pretende mudar seu estabelecimento comercial para outra cidade distante 100 km de Rio Novo. Hoje Lídia me visitou quer que eu me mude para sua casa que na velhice terei melhores dias; meu neto Carlos me convida para Nova Odessa e também afirma que na velhice terei melhores dias.<br />
O momento decisivo é sempre difícil, sabemos lá ate quando viverei? Junto ao Osvaldo não está mal!<br />
Mas onde há abundancia certamente será melhor. Será que terei que abandonar os cuidados das sepulturas ou deitar ao lado das sepulturas.</p>
<p>APÓS TRES MESES TOMAREI A DECISÃO</p>
<p>Senhor a ti me entrego,<br />
Como a um castelo forte<br />
Não permita que fique na vergonha<br />
Mantem-me dê também distancia do mal.</p>
<p>23 de maio do ano de 1933. Hoje entreguei ao sr. Capitão Fernando Guedes Galdino o relatório sobre os serviços prestados na recuperação das estradas e pontes recebi o dinheiro para o pagamento dos trabalhadores. Recebi também reconhecimento pelo trabalho feito; prometeu novos trabalhos. Ele é meu conhecido durante 41 anos. Somos bons amigos&#8230;<br />
Enquanto escrevo estas linhas, inesperadamente esta passando um avião sobre a nossa casa, vem do Rio de Janeiro a Porto Alegre. Sobre nossa casa é a sua rota e regularmente alguns cruzam por aqui.<br />
Entre os anos de 1914 ate 1919; esteve conosco meu sobrinho professor Jahnis Frischenbruder. Ele como pessoa culta proporcionou a todos nós muita alegria; ele era um cantor de boa voz cantava baixo com a mamãe e as primas muitas vezes faziam apresentações primorosas em canto sacros, realmente maravilhosos! Ele também fazia parte do coral durante vários anos também era um excelente fotografo. Seu pai meu irmão Krists no ano de 1914 me escreveu: cuide do meu filho; foi sua ultima comunicação, pois a primeira grande guerra mundial não permitiu outras comunicações e em 1 de setembro do ano de 1918 meu irmão veio a falecer, paz aos seus restos mortais&#8230;<br />
Meu irmão mais velho Henrique faleceu em 12 de maio do ano de 1931, foi sepultado em 17 de maio. Paz e repouso doce a ti meu irmão ate a aurora do dia da ressurreição; sua idade 81 anos. Na minha família, os outros irmãos já faleceram e repousam em seus túmulos, eu sou o único sobrevivente! Nós nos encontraremos!<br />
Uma pequena nota que tardiamente veio as minhas mãos, irmão Joris saudações, pode ser um adeus! Desejo a todos vocês a benção de Deus, Deus que os proteja!<br />
Urubici, 27 de julho de 1939.</p>
<p>Minhas memórias e minhas experiências! Em agosto de 1927 em Mãe Luzia vim conhecer seus parentes que recentemente chegaram da Letônia: Joris Frischenbruder e sua família. Mais tarde muitas vezes os visitei. Recebi simpática acolhida e sincera amizade. Conheci junto a eles famílias e parentes da Letônia! Entre eles minhas sobrinhas Ana Wask, seus garbosos filhos e a filha Marta! Em especial Willes Wask muito me impressionou&#8230; Ele foi aluno da escola de missões de W. Fetler em Riga. Escrevi uma carta a sua mãe, lembrando o seu nome. Ele me respondeu mandei a carta para Riga, minha carta foi para Chicago nos Estados Unidos na Escola de Missões. Entre nós começou uma amável comunicação escrita e também um fraterno relacionamento que se mantem até agora em 1934. Eu o amo como filho e sinto a mesma reciprocidade! Ele é um legitimo filho de Deus, estuda para pastor com ótimos resultados&#8230;.<br />
Obteve no ano de 1933 alto reconhecimento da diretoria do estabelecimento do ensino; pelo qual conseguiu maior atenção e apoio&#8230;<br />
Neste ano, com 30 anos de idade termina seus estudos. Pretende voltar para a Letônia no trabalho religioso. Deus abençoe seu trabalho durante sua vida. </p>
<p>O irmão mais moço Arvido Waskis: em setembro de 1929 matriculou-se no Seminário Batista de Riga. Precisei pedir ao irmão dr. J. A.  Frey por carta para que ele admita o jovem, o dr. Frey por carta me comunicou que foi admitido no ano de 1933. Terminou os estudos com bons resultados como pregador da palavra de Deus.<br />
A mão de Deus que o conduza e abençoe o seu trabalho. O irmão do meio, irmão Augusto também deseja ingressar no Seminário. A benção de Deus que repouse sobre ele.<br />
O irmão mais velho, irmão João foi sincero filho de Deus, esforçado e trabalhador cedo foi para a eternidade. Há única irmã Marta com bons resultados na escola de Piltene escrevia para mim amáveis e delicadas cartas manuscritas. Continuará seus estudos na escola Komers (???) em Wentspil.<br />
Tendo conhecimento da minha mudança para Urubici – em julho do ano de 1933, visitei ainda meu filho, demais parentes em Mãe Luzia. Por todos fui amavelmente recebido. Permaneci com meu filho, com meu sobrinho João e muitos dias com o sobrinho Júri e também com o genro Jekabson e mais com o sobrinho Krisch.<br />
Com o filho recebi verdadeiro amor, separamo-nos com sinceridade. No último dia o Júris me conduziu, separamo-nos com um beijo (?). Quem sabe, ainda nos encontraremos?<br />
Satisfeito e feliz cheguei em casa! Graças a Deus! A noite houve pela ultima vez, um culto de apresentações.<br />
Apresentei da historia da Igreja sobre as sociedades femininas e sociedades missionárias, suas atividades e o seu termino&#8230; Falei sobre os nossos deveres perante Deus, embora com imperfeições, temos mantido também o último dever dizendo: Nós somos servos inúteis e nossa felicidade vem unicamente pelos méritos no sangue de Nosso Senhor Jesus Cristo.<br />
Teu sangue, tua justiça<br />
É, Senhor minha honra e adorno,<br />
Com a qual estarei perante Deus<br />
Quando no céu entrarei.<br />
(tradução livre)<br />
O culto foi rico de apresentações e abençoado. Volta ao modorrento cotidiano.</p>
<p>20 De Agosto Domingo Esplendoroso</p>
<p>Festa triforme! Culto de missões, culto de gratidão e culto de despedida.<br />
Despede-se da igreja, meu genro O. Karp foi Presidente da Igreja, tesoureiro, presidente da União de Mocidade. A professora Emilia Zichmann, também professora da Escola Dominical, Júris Frischenbruder (eu) fui administrador e segundo secretario. O evento contém rico programa, pronunciamentos, hinos, café com saborosas guloseimas. No meu pronunciamento citei que vivi 16 anos em Piltene; 11 anos em Riga período da mocidade, minha terra natal, trabalhando e sofrendo.<br />
Mais 42 anos em Rio Novo onde todo o tempo dediquei as lides materiais e espirituais e na velhice ainda tenho que me separar. O. Karp também usa da palavra e diz que no trabalho existem imperfeições muitas vezes; pede desculpas pelas falhas a todos nós e a Igreja; a qual agradece a confiança e reconhecimento.<br />
Separamo-nos com os melhores propósitos e a reunião decorreu em 4 horas e meia.<br />
O sol estava descambando, senti fragilidade, mas assim mesmo fui ate ao campo santo visitar a sepultura dos meus entes queridos, especialmente a sepultura da minha esposa.  Ali repousam também meus companheiros de trabalho.<br />
Reina silencio por tudo – fiquei sentado por uns momentos em silenciosa meditação, cantei um hino, derramei lágrimas, silenciosamente proferi uma prece neste panorama de liberdade. Repousem em paz, encontraremos na aurora da ressurreição!<br />
O sol remete seus últimos raios às montanhas e vales de Rio Novo! Com pensamentos pesarosos voltei para casa&#8230;<br />
A ultima semana fiquei doente com influenza, pensei que será impossível viajar! Tomei medicamentos e a saúde retornou. A ultima noite, um sentimento tão estranho e pesado.<br />
1° de setembro, envolto em neblina!<br />
Aguardo com ansiedade o sol nascer, seus raios, penetram através da neblina e douram as montanhas e os vales do Rio Novo&#8230; Chega o pesado caminhão&#8230; com volumosa carga e meus companheiros de viagem.<br />
Sincera separação dos meus parentes, filha Emilia, genro Osvaldo e seus filhos; os olhos escurecem e cai uma chuva de lágrimas; abraços, beijos&#8230;.<br />
Adeus parentes, crianças e a casa. Se não aqui, mas na glória nós nos veremos! Osvaldo afirmava que não ficarei lá, pode voltar! Em Orleans despedi-lhe dos meus amigos das redondezas e do capitão Galdino Fernando Guedes de quem recebi uma recomendação pelos 42 anos de convivência exemplar e competência na condução da recuperação das estradas.<br />
Amável, abraçou-me e desejou feliz viagem.<br />
Às duas horas da tarde a condução deixa Orleans. De muitos lugares mãos acenando. Tempo agradável. A condução avança com pressa! O caminho está bom, porém montanhoso e repleto de voltas que exige do condutor a maior atenção e responsabilidade. Noite viajamos ao luar. A condução prossegue ate chegar a um vilarejo agradável. Hotel de brasileiros, muita ordem, pessoal distinto. Dormimos bem, tomamos café e às 7 da manhã com muita disposição continuamos a viagem. Em silencio louvei a Deus e pedi sua orientação, a manhã que envolta em neblina e silencio. A condução prossegue em boa velocidade para frente. I Na margem da estrada uma bela igrejinha. II A localidade é agradável! Após uma hora de viagem a condução para. Alguma coisa aconteceu! Quebrou? De forma a mais infeliz entramos num desfiladeiro! O trecho que nos aguarda se apresenta tenebroso! Três dias e duas noites passamos em más condições. Sofremos algumas dificuldades&#8230;<br />
A condução foi recuperada em 4 de setembro tarde da noite!<br />
Na nossa frente, ainda o desfiladeiro, esperamos um difícil trecho pela frente. A lua cheia ilumina as montanhas e os profundos vales. A nossa condução percorre para frente em boa velocidade junto ao sopé das montanhas e após uma hora de viagem, chegamos ao fim do desfiladeiro e a uma pousada de alemães, boa gente, repousamos bem e em 5 de setembro com a ajuda de Deus prosseguimos a viagem. As estradas ora boas, ora ruins, os panoramas são variados.<br />
Começa o crepúsculo, estrada em más condições, escurece, a esquerda altas montanhas; a direita profunda e horrível ribanceira. Curvas curtas e perigosas. Todos estão em silencio apenas o condutor e seu auxiliar conversam em surdina! Eu em silencio pedi a Deus: conduza-nos ao destino sem problemas!<br />
Um pequeno cochilo ou pequeno erro, uma morte horrível! O cuidado e proteção de Deus é a mão que guia!<br />
Graças a Deus, estamos na margem do Rio Canoas! O balseiro nos transpôs o rio e mais adiante ficamos em um atoleiro, saímos do veiculo e com o esforço de todos transpusemos o trecho com lama, felizmente! Após as 8 horas da noite chegamos ao nosso destino, ou seja a encruzilhada de Urubici.<br />
O irmão Zalit amavelmente nos recebeu acompanhado com um bom italiano! Na família Zalit degustamos uma boa ceia. Descarregamos nossas coisas na nova morada!<br />
Noite alta! A paz e repouso aos viajeiros! Primeira manhã, um pouco de geada, lugar agradável! Abrimos as caixas e a arrumação das coisas, visitas e novos amigos.<br />
Urubici tão lembrada, louvada terra de maçãs, pêras, ameixas, marmelos, uvas, trigo e pinhões.<br />
5 de setembro do ano de 1933. Será aqui o lugar de feliz morada?</p>
<p>A VIDA EM URUBICI</p>
<p>Os letos aqui existentes a mim demonstram a maior simpatia, alegram-se pelo aumento da colônia de letos e que chega um leto comerciante. Vieram nos visitar e alguns trouxeram pão salgado. No primeiro domingo, meu companheiro de trabalho e lutas irmão G. Grikis dirigia o culto, me convidou para usar a palavra, declinei do convite, estava exausto da viagem e com rouquidão. No domingo seguinte falei poucas palavras e meus sentimentos expressei com o hino 522. meu coração me conduz ao Sião, ali encontro o Senhor. Lá é como o portal do céu. Eu penetro na paz eterna.<br />
Na vida espiritual, havia grandes dificuldades. Aqui havia um irmão e algumas irmãs, que demandavam por visões, profecias, curas e quejandos. No entanto Deus não confiou a eles tão elevados dons. Após algumas lutas e dificuldades; em 25 de agosto o irmão pastor K. Stroberg, E. Klava e O. Auras ajudaram a fundar uma igreja batista. Graças a Deus e aos citados irmãos!<br />
Na vida material, no inicio havia muito trabalho antes de inaugurar a casa comercial. Os principais trabalhos foram feitos pelo Arvido Karp irmão do Oscar um apartamento (?) ficou para mim que consumiu meio ano.<br />
Embora eu soubesse me foi dito pelos médicos é melhor não se dedicar ao trabalho, pode perder a sua fraca saúde.<br />
Desde a nascença tenho por norma: dedicar-me firmemente ao trabalho. Muito trabalho e necessidade me puxaram em suas fortes ondas, trabalhei com denodo, um trabalho não estava terminado e o outro esperava por mim e algumas vezes me fatigava.<br />
Perdi o sono regular, inchavam as pernas e quando respirava profundamente sentia falta de ar, o vento frio que aqui é comum me proporcionou problemas nos pés e no coração.<br />
Ambas as pernas, uma após outra ficaram doloridas, alguém me recriminava, que eu mesmo sou o culpado, que tenho trabalhado além da minha capacidade.<br />
As pernas estavam enfaixadas como duas crianças! Chorava amargamente pois eu mesmo sou o culpado. Os médicos me afirmaram, ser doença do coração, porém curável, poderá viver até 100 anos. É muito. Que fazer? Voltei para a água dada pelo querido Deus, e aos costumeiros chás.<br />
Improvisei um chuveiro para a glória de Deus e para os incrédulos uma incrível maravilha! Após 3 meses os inchaços desapareceram e ambas as pernas estavam boas! E o meu velho coração que com boa alimentação e ar puro estava também restaurado embora trabalhasse mais devagar porém seguro.<br />
Pequei pelo excesso de trabalho, contra Deus e a saúde! Desapareceram também os sintomas do reumatismo. Quando sopra o frio vento do sul ainda sinto seqüelas do reumatismo.<br />
A velhice exige uma vida mais fácil. Em todo trabalho pesado, sinto grande atividade do coração, em repouso a atividade é lenta, e lentamente vai diminuindo.<br />
Oh! Meu velho coração você participou e sobreviveu a vida espiritual e material! Tenho que cuidá-lo para que não pares de bater em hora imprópria, tenho ainda muito trabalho a terminar.<br />
Nosso primeiro ano em Urubici! Toda a redondeza foi maravilhosamente abençoada por Deus com uma safra riquíssima.<br />
Fartura de frutas, maçãs e trigo em abundancia. Também na vida espiritual a pequena igreja há melhores e abençoados tempos. Sinto-me mais disposto e o meu velho coração trabalha ainda bem! Tenho que me resguardar de exageros, louvor e honra a Deus!</p>
<p>EM URUBICI, 23 DE DEZEMBRO DO ANO DE 1934<br />
MINHAS MEMÓRIAS E EXPERIÊNCIAS.</p>
<p>Fui incumbido de dirigir um culto noturno de despedidas, estava a mesa sentado e pensando como organizar o programa e a ordem do culto, entra nossa boa e piedosa empregada e diz a mim, dedo em riste “agora quero ver como o senhor amanhã a noite vai se comportar, e daí verei o quanto o senhor vale.” Ali mesmo, na sala de jantar e com outros familiares ouvira, ela diz boa noite e vai embora. Tal atitude sei que não mereço e amanhã ela virá desculpar-se.<br />
Isto não perturbou meu espírito, pois sou consciente do trabalho que faço bem e corretamente, mas o sono naquela noite demorou mais.<br />
Pela manhã, logo que levantei a senhora humildemente veio pedir desculpas. Ela imaginou que eu iria “elogiar a pessoa que se despedia.”<br />
No entanto, eu conhecia a pessoa! A noite estava agradável e demorou até quase meia noite, a mensagem foi dirigida aos que se despediam e aos demais.<br />
Entre outras cosias disse este verso:<br />
Onde a justiça está<br />
Se a vida cheia de pecados<br />
Sobre as flores puras caem<br />
(tradução livre)<br />
Sim, assim estas boas pessoas, tão depressa decidem e se comportam rudemente. Ainda bem que com longanimidade e paciência podemos alcançá-los e perdoá-los!<br />
Em outra ocasião, em um domingo à noite ela veio a mim e começou um diálogo. Eu afirmei: você pode pensar como quiser, crer e viver como quiser. Eu permaneço na convicção, onde há 53 anos tenho me mantido.<br />
Eu sei em quem tenho crido, quem tem me conduzido, guardado e em difíceis momentos tem me ajudado e sob corretos ensinamentos bíblicos tenho me conduzido. Este me mostrará o caminho do lar, você pode ir pelo caminho que julgar melhor, enquanto conversávamos, ela deixou uma anotação com seu nome e a frase “Deus é amor!” Pela manhã do outro dia acrescentei uns versos com esclarecimentos:<br />
Deus é amor, mais sinceridade.<br />
Deus é amor, Ele nos fortalece.<br />
Digo mais também<br />
Deus é amor, Ele nos abençoa.<br />
(tradução livre)<br />
O homem sem amor divino não pode ser solidário. Mas revestido com o poder divino, ele pode divinamente sentir o sofrimento alheio.<br />
Mas revestido com o poder divino ele pode sentir a dor alheia e com empatia, repousa a benção de Deus, ambas as partes Deus ampara.<br />
Esta anotação ela levou consigo como lembrança.</p>
<p>MEUS PARENTES ESTUDANTES</p>
<p>Recebi do irmão W. Wask uma carta relatando que ele felizmente com a ajuda de Deus concluiu seus estudos da palavra de Deus. Conseguiu notável honraria e reconhecimento e foi ordenado pastor. A escola deu apoio para uma viagem para visitar lugares mais importantes. Na solenidade da ordenação o diretor afirmou que na historia da instituição foi o primeiro ano com alunos tão notáveis como W. Wask.<br />
Ele foi reconhecido e apoiado pela igreja, foi dito que se ele trabalhar em outra igreja vão continuar intercedendo a Deus por ele. O periódico Kristigais Draugs (O Amigo Cristão) fez ampla cobertura jornalística sobre o evento.<br />
A força das intercessões deram a eles, na igreja e no ensino os caminhos mais convenientes, felizes retornam ao lar, na Letônia.<br />
Participaram no Congresso da Aliança Batista Mundial, em Berlim.<br />
Anuncia seu noivado com Selma Klansielin (???) e assume o pastorado em Piltene! Desejo a ele felicidades com as bênçãos de Deus!</p>
<p>Arvido Wask me escreve que trabalha na igreja da foz do rio Daugava como pastor. Descreve as qualidades excepcionais da sua noiva; após 6 meses terminará seus estudos de medicina; na época Se São João (24 de junho) estarão casando. Mandam uma fotografia de ambos, ela simpática e séria, simples e distinto vestuário e em seu peito bom coração e alma!<br />
Para ambos meus votos de felicidades:<br />
I ~Coríntios 13 e outros<br />
Em 28 de fevereiro recebi uma fotografia do Wilis (Wask) com Selma! Wilis com um olhar para o futuro, como será a grande tarefa no campo de trabalho espiritual na igreja de Piltene e redondezas e também na sua futura vida matrimonial?<br />
Em contrapartida, Selma com sorriso sincero olha para o futuro confiando nas bênçãos de Deus que serão ricas, a estas considerações acrescento meus sinceros votos de felicidades. Em 15 de maio recebo um simpático e amável convite ao seu enlace a ser realizar em data de 01 de junho de 1935 às 18 horas na Igreja Batista de Wentspils.<br />
Com os melhores votos embora minha velhice não permite. Desejo uma avalanche de bênçãos e felicidades em sua vida matrimonial é a minha súplica a Deus. Seu retrato está permanente na escrivaninha, na noite da solenidade toquei (violino?) em sua homenagem.<br />
Eles, na alegria e satisfação do momento não deram, certamente atenção a minha música!<br />
A distancia e a velhice nos separam, na glória nós nos veremos.<br />
Fui convidado pelo irmão C. R. Andermann a ser mensageiro e viajar à Letônia como enviado pelos batistas letos do Brasil para representar junto às comemorações do Jubileu, dos 75 anos dos batistas da Letônia, levar a mensagem de saudação de todos os batistas letos do Brasil. A mim como o mais idoso dos batistas, regente de coro bem que seria interessante, porém para a missão foi destinado o Pastor J. Inkis e mandei, por escrito as minhas saudações. Deus guarde a Letônia!</p>
<p>Em 26 de maio do ano de 1935, a Igreja Batista de Urubici me incumbiu para saudar a Igreja Batista de Varpa em 24 de junho, com o que eles também comemoravam os 75 anos de existência dos Batistas letos.</p>
<p>PREZADOS IRMÃOS E IRMÃS, IGREJA BATISTA DE VARPA!</p>
<p>É maravilhoso e louvável, como a maior Igreja Batista Leta no Brasil decidiram comemorar os 75 anos de existência da comunidade batista leta, lembrando as difíceis lutas, objetivos claros, fé inabalável e firmeza! Suportar o desprezo, as humilhações, ridicularizações, pressões, cadeias e prisões, até um crime (?) e assim mesmo permaneceu junto à clara e santa convicção: “Eu amei a Cristo”  e nós só podemos exclamar: o espírito de desapontamento dos velhos tempos. Quando as primeiras testemunhas estavam com armaduras; vocês convidaram a nós a participar dessa solenidade.<br />
É difícil, devido à longa jornada a participar desta festividade. A Igreja me incumbiu em saudá-los e desejar uma caminhada cheia de bênçãos, elevar-se em santidade, as alturas do Monte Tabor!<br />
Minha saudação está em Hebreus 11, onde o apóstolo levanta alto   os heróis da fé. Assinalei no Verso 27 as últimas palavras onde Moises se firmou naquele que era invisível, como se fosse visível.<br />
Nossos antepassados testemunharam e se firmaram naquele que é invisível como se fosse visível e do qual recebiam forças e vigor para suportar as suas lutas  chegamos a Ele e na glória nós os encontraremos.<br />
Nos nossos registros<br />
O espírito dos antepassados<br />
Ao trabalho e lutas<br />
Teríamos novo entusiasmo<br />
No cumprimento do dever da igreja<br />
J.Frischenbruder.</p>
<p>MINHAS VIAGENS E EXPERIÊNCIAS</p>
<p>Desejava conhecer as redondezas de Bom Retiro, meu bom vizinho cedeu seu cavalo e carroça. Meu amigo Leopoldo assumiu a condução. No mês de março o tempo estava bonito, mas meu coração danificado. Às 11 horas saímos. Os familiares temiam que não suportaria a viagem. São 43 kms. Estrada montanhosa, a estrada serpenteando entre as montanhas. Durante duas horas de subida e outras duas na descida, a última etapa, morro e planícies. Em Santa Clara e Bom Retiro, fizemos uma parada. As 7 da noite, felizmente chegamos à casa do meu amigo, onde fui recebido amavelmente como se fosse um pai. Durante a noite dormi bem, sábado pela manhã encontrei um panorama agradável. Na noite passada  fomos visitar um vizinho onde reside à noiva do meu companheiro de viagem. Pessoal amável e simpático. Todos adventistas. Assisti a um de seus cultos. Escola sabatina e o culto demorou quase 3 horas, rígida organização. Contribuições em dinheiro e conhecimento bíblico são os principais assuntos. Na hora do almoço, trocamos idéias sobre o assunto do sermão, uma senhora comentou sobre o comportamento inadequado dos jovens. Não devemos constranger os jovens. Após o jantar ainda na casa do vizinho  ainda amáveis conversas e música. Durante a noite tive um sono reparador. Domingo pela manhã, em toda a redondeza todos estão em seu trabalho, às 10 horas deixamos a bela paisagem e voltamos para casa. Pelo caminho encontramos  bom numero de automóveis, mas nossa condução, o cavalinho, não se assustou. Conversei o tempo todo com o meu companheiro sobre seus predicados e a vida cristã. As 7 da noite felizmente chegamos em casa. Graças a Deus. </p>
<p>OS RESULTADOS DA VIAGEM</p>
<p>Na mesma casa onde nós nos hospedamos, o casamento da Alice para o qual também fui convidado. No dia 19 de março pela manhã às 8 horas catorze pessoas  no caminhão deixamos Urubici. Tempo bom todos cantam alegremente, estou sentado junto ao motorista, atrás, manifestação alegre e divertida.<br />
Em um vilarejo a  condução para, os jovens desembarcam, uma senhora me pergunta se estou bem, respondi que estou bem. Perguntei o porque de toda a alegria, ela respondeu que todos estavam com ameaça de enjôo. Após uma hora de viagem o veículo adentra o local do evento. Fomos amavelmente recebidos,  pequeno repouso e almoço, a mesa estava posta, rica com diversas comidas. Tive a oportunidade de ocupar o assento junto a um dos pastores com quem conversamos sobre os tempos remotos, sobre pessoas que já repousam na eternidade.<br />
Após pequeno repouso, teve inicio a cerimônia do casamento. Foram cantados vários hinos. O acima citado pastor em longo sermão levanta a questão: porque Deus ao criar a mulher tirou uma costela e não a cabeça ou os pés. Explicação: a costela esta perto do coração para amar seu marido e ele a sua mulher, se tivesse tirado dos pés, ela seria submissa, se da cabeça estaria acima do homem e poderia governá-lo. Mas da costela, junto ao coração, para que ambos amem um ao outro.<br />
Cantam vários hinos, ouvimos as promessas, juntam às mãos, ajoelham-se, o pastor põe as mãos sobre as cabeças dos nubentes e com uma longa oração roga pela felicidade na vida matrimonial.<br />
Após um hino muitos usam da palavra para apresentar poesias e votos de felicidades.<br />
Fiquei deveras satisfeito com a ordem do cerimonial, em seguida a mesa do café repleta de guloseimas depois seguiam brincadeiras e muita música, onde meu violino entrou em cena.<br />
Outro dia às 11 horas do dia chegamos felizes de volta em casa, graças a Deus.</p>
<p>VIAGEM AO RIO NOVO</p>
<p>No dia 17 de abril Deus maravilhosamente me proporcionou um dia ensolarado quando eu e meus companheiros de viagem deixamos Urubici e prosseguimos a caminho de Rio Novo. A viagem foi boa; ao anoitecer descemos as montanhas eretas e pedregosas onde é impossível andar a cavalo, o percurso de uma hora e 20 minutos me fatigou, mas felizmente chegamos ao sopé das montanhas. A noite soprou um forte vento e a cama dura. Ao despertar estava com tonteiras, mas na manhã seguinte estava bem. Por diversos caminhos, bons e maus à noite chegamos em casa. Lua cheia com sua luz prateada iluminava toda a natureza, montes e vales, fui recebido amavelmente pelos meus familiares, pois ainda estavam despertos apenas a Martinha e o Samuel dormiam docemente. Após o jantar e algumas trocas de palavras dirigimo-nos as camas macias recuperar nossas forças. Também pudera!<br />
Não está quem meu coração amava&#8230;<br />
Manhã de sexta feira santa, bela e dourada manhã. Percebo ainda a fadiga da viagem.<br />
Após o culto doméstico e o café da manhã, vesti-me e mergulhado em velhas recordações fui à igreja.<br />
Sol escaldante, dirigi-me primeiro ao campo santo, o suor escorre pelas faces, ao entrar pelo portão e ao chegar aos túmulos dos meus familiares, as lágrimas misturaram-se com o suor. Lá repousa aquela  a quem meu coração amava. Os pensamentos vagavam pelo passado, pelo presente e pelo futuro. A manhã da ressurreição, qual prateada e dourada manhã. Lenta, silenciosa e ondulante sons do hino:<br />
Cidade Celestial que bela<br />
Ruas de ouro que reluzem<br />
Junto a Jesus me reporto<br />
Por Jesus anseia meu coração<br />
(tradução livre)<br />
Detenho-me em silenciosa prece e em seguida deixo o campo santo.<br />
Neste momento tem inicio o  culto, com algum ainda me cumprimento. Sou possuído de divinos sentimentos ao lembrar os tempos e os dias quando o Salvador da humanidade morre na cruz pelos pecados de todos. O pequeno coro canta com vigor que é regido pelo meu genro. O sermão: Cristo envergonhado, manhã de Páscoa, o tempo uma beleza. O  culto com muita sinceridade é conduzido pelo meu genro, e em seu pronunciamento fala do alto significado da alegria e felicidade que temos porque na ressurreição de Cristo isto é possível.<br />
Transmiti as mais sinceras saudações à igreja e fiz votos e desejei a mais profunda paz e alegria da Páscoa e expressei minha alegria pelo cuidado de Deus. Pois confio na sua palavra quando &#8230;.. esta viagem, não temas nem te espantes Crônicas 23.13 ?????<br />
Desejei encontrar-me com irmãos e irmãs, embora esteja residindo a certa distancia, mas assim mesmo, esta é minha Igreja, sou um dos seus fundadores, minhas forças tenho usado para seu progresso, e como seu membro quero morrer.<br />
Mais duas vezes usei da palavra, recebi amáveis cumprimentos e apertos de mão.<br />
A  alegria da Páscoa, a amável acolhida de irmãos e irmãs,  me  alegraram bastante.<br />
No segundo dia da Páscoa (segunda páscoa, costume dos letos NT), houve o culto de missões. À tarde, acompanhado de meu neto, fui a Orleans.<br />
Em Orleans algumas rápidas visitas. À noite fiquei na casa do meu amigo Willis Feldman e família onde fui amavelmente recebido como um pai. Durante a noite conversamos longamente sobre assuntos religiosos, lembramos os nossos primórdios no Brasil.<br />
No terceiro dia da Páscoa, viajei para Mãe Luzia, cheguei tarde da noite. Minha sobrinha estava me esperando, me tomou pela mão e me conduziu para sua casa. Janes está beneficiando arroz. Após uma breve conversa fui dormir. Dia seguinte surpreendi o Oscar e Lisinha???? Com a nora Laura, as crianças reuniram-se ao meu redor querendo doces, o filho não estava em casa. Janes me conduziu até meu sobrinho Júris. Surpreendi a todos como caído do céu.<br />
Após um repouso de duas horas, a noite um banho de sauna, em seguida o jantar. Uma conversa agradável e pernoite agradável. Pela manhã cantamos e oramos a Deus implorando a sua proteção, pois não sabemos se ou quando nós nos veremos outra vez. Júris me acompanha até o irmão Klava, conversamos sobre as dificuldades, as lutas da Igreja e desejos por um tempo melhor. Com o Oscar e Lisinha ???? um saboroso jantar com o irmão Zigismundo (NT – Andermann) tivemos longas conversações sobre a vida religiosa, suas necessidades e falta de santidade!<br />
Depois de tantos problemas é difícil conciliar o sono.<br />
Tomamos o café da manhã na casa da nora (Laura?) e chega o Juris, o filho ainda não chegou de viagem, despeço-me de Janes, Anna, Oscar e Lisinha e do irmão Zigismundo.<br />
Aguardo a condução e continuamos conversando, chega o automóvel, lotado, chega o segundo e arranjei um lugar e ai chega o meu grande filho. O tempo é curto, então falamos apenas o necessário e despedimo-nos com um abraço carinhoso.<br />
O automóvel corre a grande velocidade. À noite na composição ferroviária chegamos a Orleans. Visitei a idosa titia “Grüntal” que já passou dos 80 anos. Em Riga, ela quando jovem cantava no coral sob minha regência, era uma boa corista, lembrava bem aqueles tempos. A velhice, fraqueza, o ocaso da vida se aproxima. Separamo-nos para o reencontro na glória eterna.<br />
Pernoitei outra vez na casa dos Feldman. Amáveis  conversações noite adentro até a exaustão. Dia seguinte visitei o sr. Galdino Guedes com quem conversamos sobre as dificuldades da vida como melhorá-las. O almoço foi na casa dos Balod. Despedi-me dos Feldman, com bons propósitos na vida secular e religiosa. Fiquei mais alguns dias na casa do meu neto em Rio Novo.<br />
No domingo fui convidado dirigir o culto em Rio Novo, li o Salmo 103 e a oração sacerdotal de Nosso Senhor. Deus me deu forças para falar bem e o culto foi bom.<br />
Mais algumas visitas com exaustivas conversas, na ultima noite dormi apenas duas horas. Sai a cavalo de madrugada, com o semblante triste, mas com o coração em paz até a vista.<br />
À esquerda esta o campo santo, onde repousam os meus queridos, à direita a igreja onde tanto trabalhei, caem algumas lágrimas, mas sigo a viagem adiante.<br />
No lugar combinado, um número de 14  mais meia dúzia de acompanhantes. Uma família inteira esta de mudança com todas as suas coisas também seus animais. Também um casal de noivos ele com 38 anos, ela 18, pelo que originou muitas brincadeiras. A viagem, dois dias, bastante difíceis e significativos, pelo que renderia uma longa descrição. No entanto, sexta feira às 8  horas bastante fatigados, mas felizes chegamos. Graças a Deus pela misericórdia e direção!<br />
Após algumas palavras fomos ao repouso. Em novembro do ano de 1897 junto com um jovem percorri este mesmo caminho. Em duas horas de descida das montanhas e uma noite negra nos cobriu em plena mata bruta, onde havia animais  silvestres, bugres, homens da mata, o caminho uma estreita picada.<br />
Temos que ficar onde estamos, enquanto um cochilava o outro montava guarda as duas vaquinhas que levamos para tirar leite. Eu pedi a Deus a guarda, nós trocamos a vigilância e pedíamos a Deus. Deus nos guardou maravilhosamente dos espantos noturnos, animais selvagens e mãos de malfeitores. Graças a Deus! No mesmo dia tarde da noite chegamos em casa, onde nossos queridos nos aguardavam.<br />
No dia da Ascensão fomos ao piquenique em data de 30 de maio. Por motivo de dolorosa amargura, consegui dormir por poucas horas. No entanto, na volta do piquenique conversei com irmãos sobre a boa estabilidade da Igreja e vida consagrada. Graças  a Deus!</p>
<p>UMA TRISTEZA NÃO TERMINOU OUTRA JÁ COMEÇOU</p>
<p>Escrevo com tristeza. Em 20 de junho do ano de 1935. Indesejáveis e dolorosas acusações tomaram meu sono, repouso, me causou um estado de insônia. Na noite de sábado tive um sono perturbado. No domingo estava com dor de cabeça, estava preocupado com algum problema cerebral. No santuário dificuldade em falar em público. Após o almoço, escrevi uma carta. Chega a minha adversária, a  nossa boa empregada que me agrediu com extrema violência verbal ao ponto que chorei como uma criança. Ela para dialogar comigo, mas no que expôs não recuou nem concordou eu disse a ela: você tem duas naturezas, uma boa e agradável e outra má, a boa deve melhorar e a má crucificar. Ela retirou-se sem qualquer solução&#8230; minha mente sentia-se mal, sono nem pensar. Consegui dormir uma hora e pouco, despertei como do sono da morte.<br />
Sinto-me mal, coração lento e grande desalento, a mão esquerda fria e com dormência, também a perna, respiração fraca. Meu quarto, separado, pensei a morte quer me levar e tenho tanto trabalho por terminar. Deitei e falei com Deus: Tu vês os meus trabalhos inacabados. Estou nas tuas mãos. Se tu desejas que eu os termine, então me dê o restabelecimento. Estou a tua disposição, ao teu chamado. Em silencio recitei o verso do hino:<br />
Eu sei em quem tenho crido,<br />
Que meu redentor vive<br />
E do sono da morte<br />
Me despertará.<br />
Após curta prece entreguei-me nas mãos de Deus. Eu te verei – Jesus meu salvador, na glória celeste junto com os meus que lá estão. Eu não chorava mais grossas lágrimas desciam pelas minhas faces.<br />
Próximo da alvorada dormi mais ou menos 1 hora. Durante o dia não tive sono, um pouco de chá, ao meio dia um pouco de alimento, dormi por 3 horas em sono profundo. Deus ouviu minha prece e me devolveu a saúde, em sua misericórdia me concedeu o restabelecimento e todas as noites dormi bem.<br />
“Tu tens muito  o que fazer ainda não podes repousar. Glória a Deus pela sua misericórdia que a mim mostrou: Ó Deus me ajude também daqui para frente&#8230;”<br />
Na noite de 28 de julho tive um sonho! No sonho ouvi um grande som, como de trovão. Uma voz desconhecida dizia: o sinal da besta aparece no céu!<br />
Outra voz desconhecida disse: o Senhor vem!<br />
Tudo isto aconteceu atrás de mim. Voltei meu olhar para trás. Vi o céu muito vermelho, e duas aberturas, como duas janelas. Pensei, o Senhor vem! Uma  grande multidão onde percebi minha velha casa, no limite vi minha esposa ela empurrada pela multidão, cai, eu a levantei pela mão. Vejo que estou na nossa casa. Minha vontade era receber o Senhor junto a minha casa. Aí ouvi a voz do meu sogro: ainda não, mas em breve virá o Senhor (Jesus). Olhei para o céu, estava com nuvens cinzentas, onde estavam as duas aberturas estavam avermelhados, acordei, não estava assustado e nem surpreso. Meu coração e mente estavam em plena paz. Falei com Deus, refleti e adormeci.<br />
Este sonho para mim foi um incentivo e me alegrou em confiar e esperar a vinda do Senhor.</p>
<p>Após duas semanas<br />
Subi por uma escada em um amplo, branco e iluminado salão. Em um dos lados dormia uma mulher coberta de branco, perguntei se a mulher é a Alvine? Atrás de mim, minha neta respondeu: sim, é ela, e acorde.<br />
Vi, alguém me deu um pedaço de moeda. Perguntei onde conseguiste, ele mostrou uma pequena elevação coberta levantei a coberta e vi um brilhante pedaço de moeda. Cobri a moeda e disse, venha e veja! Quando levantei a coberta outra vez, vi a frente da igreja dourada e brilhante. Jesus Cristo com veste dourada e coroa na cabeça e um longo bastão na mão. Despertei. Pensei, o primeiro pedaço de moeda é minha alma, ainda bastante impura, mas quando Cristo me levar até a presença do Pai, mas brilhante do que ouro, sem culpas e arestas esta é a minha clara esperança.<br />
Por volta do meio dia, voltava da lavoura, entrei no depósito, subi na balança, queria saber o meu peso, a balança se moveu ameaçando tombar, me segurei como podia, sentei, chamei o Alfredo, trouxe água, após a queda fui lentamente ate meu quarto onde fiquei deitado por algumas horas.<br />
Na manhã seguinte na hora do café, sentado a mesa percebo que estou caindo para o lado, aconteceu por três vezes. Estranha sensação, a cabeça sem problemas, tudo claro, mas quando ereto a tendência é cair. Sinto-me fatigado e tenho que repousar. </p>
<p>SETE DE JANEIRO DO ANO DE 1937</p>
<p>No ano passado tive muitas experiências amargas, remeto as ondas do mar do esquecimento&#8230; no dia do ano novo, à noite e só pedi a Deus, chorei, quem sabe se este não será meu ultimo ano neste mundo de tristezas. Confio na poderosa mão de Deus.<br />
Hoje 16 de janeiro bela leitura, eu te ajudo diz o Senhor em Isaias 41.14. Anoto que: 16  de janeiro do ano de 1929 convivi com um triste acontecimento. No ano de 1934 fui atingido por um doloroso acidente. Mas neste ano, graças a Deus não tive nenhum mal.<br />
No ano de 1936, só Deus sabe! Se o  ano de 1937 ainda estarei neste mundo ou estarei em casa junto a  Deus e aos meus. Ensina-me a andar segundo a tua vontade, pois tu és o meu Deus &#8211; Salmos 143.10. Seja para mim bondoso e me ajude nas dificuldades guarde minhas forças, console nas tristezas. </p>
<p>16 DE JANEIRO DE 1936 – URUBICI</p>
<p>Comecei o ano de 1935 segundo a descrição da eleição do cônsul da Letônia, a imigração da Letônia e chegada  ao Brasil e Rio Novo como primeira colônia leta fundada e sua permanência por 42 anos, seu desenvolvimento e depois seu lento aniquilamento e outros fatos históricos, este trabalho exigiu bastante esforços&#8230;<br />
Também os  trabalhos na edificação exigiu minhas forças e ao terminar o trabalho mais uma vez meu velho coração e as vertigens se manifestam com maior intensidade do que antes.<br />
Mais uma vez, eu mesmo sou culpado, não poupo os meus velhos esforços. Utilizei novamente úteis recursos e durante meses trabalhei sem muita atividade e não podia ser pior. As vertigens diminuíram, atividade do coração esta melhor, se melhorar ainda mais ou vai declinar? Estou nas mãos de Deus! Deus dará para mim o que Ele desejar.<br />
Em 23 de junho, será ainda longa a minha vida?<br />
Junto a Deus quero me manter!<br />
14 de fevereiro de 19????<br />
Papus</p>
<p>Nota do Revisor:<br />
Existem informações e datas que estão ilegíveis.<br />
Favor ajudar na confirmação das faltantes.</p>
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			<media:title type="html">V. A. Purim</media:title>
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		<title>Foto de parte dos participantes do Culto de Despedida da Família Purim &#8211; 1961</title>
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		<pubDate>Sun, 22 Nov 2015 23:33:21 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[de outros]]></category>
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										<content:encoded><![CDATA[<p>Clicar na foto para ampliar e obter mais informações:</p>
<p><a href="http://www.23hq.com/rionovo/photo/21874202"><br />
   <img src="https://i0.wp.com/www.23hq.com/23666/21874202_ffb49f99ad118c4752117b9db07cc64d_standard.jpg" height="280" width="460" /><br />
</a></p>
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