<?xml version='1.0' encoding='UTF-8'?><?xml-stylesheet href="http://www.blogger.com/styles/atom.css" type="text/css"?><feed xmlns='http://www.w3.org/2005/Atom' xmlns:openSearch='http://a9.com/-/spec/opensearchrss/1.0/' xmlns:blogger='http://schemas.google.com/blogger/2008' xmlns:georss='http://www.georss.org/georss' xmlns:gd="http://schemas.google.com/g/2005" xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'><id>tag:blogger.com,1999:blog-7366978</id><updated>2020-02-29T01:18:57.321-03:00</updated><category term="português"/><category term="lucubrações"/><category term="contos"/><category term="english"/><category term="poemas"/><category term="français"/><title type='text'>transcrição ou tradução</title><subtitle type='html'>transcrição ou tradução de pensamentos</subtitle><link rel='http://schemas.google.com/g/2005#feed' type='application/atom+xml' href='http://scribere.blogspot.com/feeds/posts/default'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7366978/posts/default?redirect=false'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://scribere.blogspot.com/'/><link rel='hub' href='http://pubsubhubbub.appspot.com/'/><link rel='next' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7366978/posts/default?start-index=26&amp;max-results=25&amp;redirect=false'/><author><name>Rafael de Sá Cavalcanti</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16080887268290239607</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_GIik80lw7as/TCwF3aeOhCI/AAAAAAAACgQ/ot3MfLKceMU/S220/3x4saopaulo2.jpg'/></author><generator version='7.00' uri='http://www.blogger.com'>Blogger</generator><openSearch:totalResults>203</openSearch:totalResults><openSearch:startIndex>1</openSearch:startIndex><openSearch:itemsPerPage>25</openSearch:itemsPerPage><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7366978.post-2533982946090724117</id><published>2011-10-26T16:45:00.002-02:00</published><updated>2011-10-26T16:49:32.513-02:00</updated><category scheme="http://www.blogger.com/atom/ns#" term="lucubrações"/><category scheme="http://www.blogger.com/atom/ns#" term="português"/><title type='text'>Afogamento</title><content type='html'>Minha geração só faz se afogar. A quantidade de músicas, contos e livros sobre afogamentos é arrebatadora, assustadora. Nós nos afogamos em álcool, em curtição, em trabalho, em hormônios, em prazer, em velocidade e potência. &lt;i&gt;Eu posso mais&lt;/i&gt;, parece ser esse o mote da noite, da galera. Pode mais álcool, pode mais drogas, pode mais alto, pode mais rápido.&amp;nbsp;E pode mais tarde, pode trabalhar mais, pode afogar mais mágoas, pode se afogar mais, pode respirar mais assim. E pode mais.&amp;nbsp;Pode mais, pode mais pode mais pede mais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Minha geração só não pede pra sentir mais. Porque não aguenta o tranco. Porque prefere se afogar a sentir um pouco mais. A sensação é bem-vinda porque é fugaz; já o sentimento, derradeiro e indelével, é evitado a todo custo. Minha geração o afoga de todas as formas, enchendo a pança e a cabeça com sensações pra que o sentimento fique ali enterrado(?), soterrado(?), naufragado(?), submerso(?), longe da atenção. Que atenção? Aquela que de tanto desviarmo-na do sentimento espalhamos por tantos lugares que não conseguimos mais recobrá-la. Afoga. Afoga mais. Afoga até não respirar mais, até que se transforme em uma carcaça vazia e torpe.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu só me considero uma pessoa de sorte por ter te conhecido no ápice da seca.</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://scribere.blogspot.com/feeds/2533982946090724117/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7366978&amp;postID=2533982946090724117&amp;isPopup=true' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7366978/posts/default/2533982946090724117'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7366978/posts/default/2533982946090724117'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://scribere.blogspot.com/2011/10/afogamento.html' title='Afogamento'/><author><name>Rafael de Sá Cavalcanti</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16080887268290239607</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_GIik80lw7as/TCwF3aeOhCI/AAAAAAAACgQ/ot3MfLKceMU/S220/3x4saopaulo2.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7366978.post-7571646743590912214</id><published>2011-02-14T19:10:00.000-02:00</published><updated>2011-02-14T19:10:42.794-02:00</updated><category scheme="http://www.blogger.com/atom/ns#" term="contos"/><category scheme="http://www.blogger.com/atom/ns#" term="english"/><category scheme="http://www.blogger.com/atom/ns#" term="français"/><category scheme="http://www.blogger.com/atom/ns#" term="lucubrações"/><category scheme="http://www.blogger.com/atom/ns#" term="poemas"/><category scheme="http://www.blogger.com/atom/ns#" term="português"/><title type='text'>Sem título mas com destino</title><content type='html'>...não, eu não sei. Não sei como começar esse texto porque não sei se tem começo. Eu acho que tô no meio dele já. E pode muito bem ser o fim. Esse negócio de começo, meio e fim não faz muito sentido agora. Ou ontem. Ou amanhã. É assim, é confuso mesmo. Quando a gente acha que tá entendendo, os referenciais mudam. L&#39;idiome change. Je ne sais plus si je pense en anglais or if I&#39;m speaking Portuguese. Não sei qual é a língua-mãe. Quando a gente tá junto, não sei de quem é a língua, não sei quem tá falando, se sou eu ou você. Eu sei que te amo. Eu sei que quero te dizer tudo. Eu sei que não quero dizer nada. É, é assim.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu nunca estive tão sem chão e nunca me senti tão alicerçado. Eu não durmo mais em casa. Ou melhor, durmo sim – toda noite durmo ao seu lado, acordo com você me abraçando, acordo te beijando. Isso pra mim é o que melhor define casa pra mim, e não o lugar onde estão as roupas que eu chamo de minhas e a cama que supostamente me pertence. Eu acho que devo te dizer que te amo neste texto. E também acho que não preciso, porque eu digo isso com cada célula do meu corpo, com cada lufada de ar que sai de meus pulmões, com cada olhar que eu direciono pra você e também pra longe de você, quando estou te procurando, no estilo &quot;esconde-esconde-achou!&quot;. Meu amor por você está expresso nas minhas atitudes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Você me faz chorar quando se afasta de mim e quando fica do meu lado, provando que você está disposta, que você paga pra ver. Você nem precisa pagar pra ver, eu estou nu. Pra você eu estou nu, sempre estive nu, não há subterfúgios que possam te ludibriar. Eu não preciso esconder nada de você porque eu sei que você dá conta. Você dá conta do tanto que eu amo, do tanto que eu te amo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A gente segue junto construindo. Eu já li algumas coisas sobre arquitetura, e estou disposto a ler mais, a te ler mais, a aprender tudo. Minha vontade, quando direcionada a você, não parece ter limites nem medida. Que bom. Eu quero, sempre que tentar medir, ver que nosso amor não tem fim, não tem limites nem medida.</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://scribere.blogspot.com/feeds/7571646743590912214/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7366978&amp;postID=7571646743590912214&amp;isPopup=true' title='2 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7366978/posts/default/7571646743590912214'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7366978/posts/default/7571646743590912214'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://scribere.blogspot.com/2011/02/sem-titulo-mas-com-destino.html' title='Sem título mas com destino'/><author><name>Rafael de Sá Cavalcanti</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16080887268290239607</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_GIik80lw7as/TCwF3aeOhCI/AAAAAAAACgQ/ot3MfLKceMU/S220/3x4saopaulo2.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7366978.post-5956306597923686806</id><published>2010-06-04T20:29:00.004-03:00</published><updated>2010-06-04T21:43:29.336-03:00</updated><category scheme="http://www.blogger.com/atom/ns#" term="lucubrações"/><category scheme="http://www.blogger.com/atom/ns#" term="português"/><title type='text'>Perguntas</title><content type='html'>Como eu me tornei o que sou?&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Eu tenho um pai, uma mãe, um irmão. As coisas nunca foram perfeitas, ou pelo menos eu sempre percebi o lado ruim de tudo. Sou pessimista? Não, sou sensível. Estou sempre sentindo demais o que acontece à minha volta. Não consigo desligar. Não consigo fingir pra mim mesmo.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Sou obstinado. Sempre tento fazer as coisas darem certo. Continuo tentando. Devo isso a mim e aos outros. Do contrário, teria desistido há muito tempo. Desistir nunca me pareceu ser a opção certa. Mas certa em que sentido? Não sei. Talvez &quot;certa&quot; no sentido do que sinto que os outros esperam de mim.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Tento ser bom no que faço. Me dedico pra tal. Tento ser bom pras pessoas ao meu redor, minha família, meus amigos, as namoradas que tive. Sinto satisfação quando sinto que as outras pessoas estão felizes com algo que fiz por elas, pra elas. Por vezes isso me exigiu sacrifícios, que os fiz conscientemente, sem exigir nada em troca. Se exigisse, não seria bom.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Achei que tinha encontrado a pessoa certa e me dediquei a ela.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Não sei bem o que eu sou agora. Eu sou o que faço? Eu sou o que aparento pras pessoas? Ou eu sou o que eu sinto que sou?&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Nenhuma resposta parece fazer diferença.&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://scribere.blogspot.com/feeds/5956306597923686806/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7366978&amp;postID=5956306597923686806&amp;isPopup=true' title='1 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7366978/posts/default/5956306597923686806'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7366978/posts/default/5956306597923686806'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://scribere.blogspot.com/2010/06/perguntas.html' title='Perguntas'/><author><name>Rafael de Sá Cavalcanti</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16080887268290239607</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_GIik80lw7as/TCwF3aeOhCI/AAAAAAAACgQ/ot3MfLKceMU/S220/3x4saopaulo2.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7366978.post-5698634806958163461</id><published>2009-09-27T22:20:00.013-03:00</published><updated>2009-11-07T17:49:55.387-02:00</updated><category scheme="http://www.blogger.com/atom/ns#" term="contos"/><category scheme="http://www.blogger.com/atom/ns#" term="lucubrações"/><category scheme="http://www.blogger.com/atom/ns#" term="português"/><title type='text'>Montando o quebra-cabeças</title><content type='html'>&lt;div&gt;É curioso que eu continue nessa &lt;a href=&quot;http://scribere.blogspot.com/2008/08/as-coisas-que-descubro-sobre-meu-pai.html&quot;&gt;busca&lt;/a&gt;? Nem tanto. Eu tento entender. Entender porque uma pessoa é daquele jeito. Ainda que ela se apresente fechada aos meus esforços de entrar em seu mundo, de compreendê-la, isso me instiga a ser ainda mais sorrateiro e ladino, sempre buscando as peças que se encaixam na história que escrevo em minha imaginação.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Eu meio que desisti de tentar entrar na fortaleza emocional que meu pai se tornou. Mas fui atrás de todas as peças. Qualquer pessoa que esbarra na resistência do outro em ceder cansa. Principalmente se a resistência é um modus operandi, se mesmo com tanto tempo de convivência ela não se sente à vontade para abrir prerrogativas pros outros perguntarem dela, perguntarem o que ela sente. Meu pai é sertanejo, ele se criou em meio a um ambiente hostil e a agruras que só ele sabe e não conta pra ninguém — como se, ao partilhar isso, ele desse a tudo isso uma importância ainda maior e fraquejasse. Ele tem que se manter forte, e é desse modo que ele faz isso.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Antes de ingressar nessa história toda, acho válido esclarecer que sim, eu tenho mãe e que não a amo menos que a meu pai. A questão é que sempre tive abertura de conversar com minha mãe, ela nunca teve dificuldade de se expressar pra mim. Inclusive foi ela que me contou várias coisas sobre meu pai.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Meu pai perdeu a mãe dele aos 12 anos de idade. Eu começo revelando isso não porque seja o fato inicial, mas por ser o fato nessa história que me pareceu mais fácil de contar como início.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Meu avô não era fiel à minha avó. Ele a traía com uma empregada dentro da própria casa, e teve filhos com essa mulher. Minha avó presenciou tudo isso sem poder dizer uma palavra. Era a tradição da época. Aos poucos, meu avô foi afastando minha avó do convívio com a outra mulher, levando minha avó a morar na chácara de meu bisavô. Essa situação causava (supõe-se) profundo desgosto em minha avó. Ela era a mulher oficial do meu avô, mãe de seis filhos dele, e ainda assim não podia viver sob o teto da casa dele?&lt;div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;A mãe do meu pai era diabética. Em dado momento, como moravam numa cidade do interior, sua insulina acabou. Ela não avisou sobre a necessidade de se comprar mais insulina a tempo, que teria de ser encomendada para chegar a tempo na cidade. Supõe-se que foi algo premeditado, uma resistência passiva àquela existência frustrante e indigna. Mais uma desistência de existir naquela realidade do que um suicídio propriamente dito.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Quando minha avó faleceu, meu avô fora forçado pelo pai dele a assumir a outra mulher e casar com ela. Tradição da época, uma questão de honra, de fazer “a coisa certa”. A outra mulher, assumindo a frente da família de meu avô, cuidou que os filhos do primeiro casamento fossem relegados ao esquecimento. Meu pai foi mandado para estudar em um internato, e seus dois irmãos mais novos continuaram morando com meu avô sob o teto da casa dele, junto com sua outra família, agora promovida a oficial.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;A questão é que a segunda mulher do meu avô não queria favorecer ou beneficiar os filhos do primeiro casamento do meu avô. Logo, os dois filhos mais novos desse primeiro casamento passaram por maus bocados. O irmão mais novo do meu pai sofreu todo tipo de negligência. Um caso tácito dessa negligência fora quando a segunda mulher de meu avô teria jogado fora os restos da refeição para que o irmão mais novo do meu pai não tivesse o que comer, mesmo tendo sobrado após os filhos do segundo casamento já terem se alimentado. (Novamente, preciso frisar que não posso atestar a veracidade desse causo, são apenas relatos que ouvi de meus pais, que ouviram de outras pessoas.)&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;O resultado disso para meu tio foi que ele se tornou alcoólatra. Começou a beber muito cedo, talvez para enganar a fome, talvez para fugir da dura realidade. Em dado momento de sua vida, ele se apaixonou por uma mulher que era filha de dona de um bordel. Ele ia se casar com essa mulher. Meu avô, temendo pela honra da família, ofereceu dinheiro a essa mulher para que ela não se casasse com meu tio. Não sei se por ter se sentido ofendida ou acatando a oferta, ela sumiu da vida do meu tio. Ele nunca mais se relacionou com nenhuma outra pessoa. Isso faz mais de 30 anos, estimo.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Meu tio conseguiu largar o vício da bebida com ajuda de alguma igreja e arranjou um emprego. Hoje é uma pessoa que vive para trabalhar e não sabe viver, no sentido de não saber o que fazer para se divertir. Na minha concepção, ele não sabe o que fazer com seu dinheiro. Poderia comprar coisas que dessem algum conforto para ele, mas não o faz. Talvez não tenha referências do que seja se sentir bem estando... vivo.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;A outra irmã mais nova de meu pai teve problemas mentais desde cedo. Quando atingiu a idade de 15 anos, percebeu-se que ela tinha idade mental de uma criança de 9 anos. Não conseguiu desenvolver maturidade, estagnou na infância e hoje é tratada com pesados psicotrópicos que a deixam dopada o dia todo. Como recebe tratamento psiquiátrico do Estado, não goza de uma terapia que se dirija às raízes de seu estado, recebe apenas receitas e remédios que adormecem seus sintomas.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;E agora voltamos a meu pai.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Meu pai tinha 12 anos quando perdeu a mãe dele e fora mandado para um internato. Não bastasse perder a mãe, perdera também seu pai, o contato com os irmãos, perdera toda a noção do que pudesse estabelecer como família. Recorreu, assim como seu irmão mais novo, à bebida e ao cigarro. Ainda assim, conseguiu estudar e ingressar na faculdade. Estudou em outro estado. Se formou. Tinha um diploma universitário, era um vencedor por méritos próprios.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Nesse meio tempo de seus estudos universitários, começou a namorar minha mãe, e depois que se formou eles se casaram. Logo que casaram ele levou minha mãe para acompanhá-lo no seu novo local de trabalho, em outro estado. Creio que não fosse coincidência. Ficar em sua cidade natal não traria a ele boas memórias.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Ainda que não tivesse boas memórias, as tradições se mantiveram. Uma constante de meu pai sempre foi a infidelidade para com minha mãe, além da falta de carinho e respeito. O nascimento dos filhos não mudou o seu jeito de ser, ainda que ele não tivesse filhos fora do casamento.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;A pior crise do casamento de meus pais foi um ano que bloqueei da minha memória. Eu tinha uns 5, 6 anos. Nesse ano eu aprendi a ler por osmose, só observando as letras enquanto meus pais liam histórias em quadrinhos para mim. Talvez fosse uma necessidade de entender o que era aquilo que acontecia na minha frente. Nesse mesmo ano a diabetes congênita se manifestou em mim.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Por muito tempo eu fui covarde em dizer que a diabetes fora causada pelas brigas frequentes dos meus pais, que foi o estresse emocional que fez a doença se manifestar. Hoje eu me dou conta que atribuí causa a um fator que fora um mera peça no processo. A diabete é congênita, ela se manifestaria cedo ou tarde, isso era inevitável. Evitável era que eu culpasse meus pais e a relação que eles tinham pela minha condição.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Creio que a pessoa que mais sentiu o surgimento da doença em mim foi meu pai. Ele pode ter visto na minha situação o mesmo fator que tirara a mãe dele de sua vida. Mas não podia demonstrar fraqueza, isso nunca. Ele tinha que ser como sempre foi, uma fortaleza. Ele e minha mãe acabaram se separando, mas sem que ele se afastasse dos filhos. Ainda que não estivesse emocionalmente ao nosso alcance, ele estava sempre presente em nossas vidas.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;O que consigo perceber, e que gostaria que meu pai também percebesse, é que foram as tradições dele, passadas de geração a geração, que geraram o cenário para o acontecimento de todas as rupturas da família. Se ele tivesse sido um bom marido, diferente de meu avô, talvez as coisas fossem diferentes. Se ele tivesse abandonado a tradição de sempre se mostrar forte e impávido a tudo...&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;...Talvez eu nunca precisasse escrever o que escrevi.&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://scribere.blogspot.com/feeds/5698634806958163461/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7366978&amp;postID=5698634806958163461&amp;isPopup=true' title='4 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7366978/posts/default/5698634806958163461'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7366978/posts/default/5698634806958163461'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://scribere.blogspot.com/2009/09/montando-o-quebra-cabecas.html' title='Montando o quebra-cabeças'/><author><name>Rafael de Sá Cavalcanti</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16080887268290239607</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_GIik80lw7as/TCwF3aeOhCI/AAAAAAAACgQ/ot3MfLKceMU/S220/3x4saopaulo2.jpg'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7366978.post-2645060737756543505</id><published>2009-08-18T01:38:00.007-03:00</published><updated>2009-08-23T16:50:29.572-03:00</updated><category scheme="http://www.blogger.com/atom/ns#" term="lucubrações"/><category scheme="http://www.blogger.com/atom/ns#" term="português"/><title type='text'>Narrativas</title><content type='html'>Eu passei alguns meses fazendo a tradução de uma tese de doutorado em arquitetura e foi uma coisa envolvente. Sei que estou gostando de um texto quando eu me pego pensando em preceitos dele e adaptando aos meus, amalgamando às minhas ideias as ideias alheias.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O texto da tese falava sobre a arquitetura de Brasília e suas narrativas arquitetônicas. Como assim, narrativas? Bem, na configuração da cidade existiram, basicamente, duas narrativas que definiram a cidade como ela é hoje. Existia o projeto original, registrado e solidificado em papel; depois dele, vieram as interferências das pessoas que se instalaram na cidade. Por mais que se saiba qual era a ideia do projeto original, não há como negar ou desfazer as interferências, que passam a fazer parte da cidade e de sua identidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;De forma semelhante, acho que é isso que ocorre com a imagem que apresentamos ao mundo. Todos temos um projeto original, que é a ideia que fazemos de nós mesmos. E as interferências são as relações que entravamos com os outros, que nos alteram e mudam o rumo do projeto original que tínhamos para nós mesmos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Esse projeto original é a forma em que você, como autor, definiu as características do seu personagem principal. A sua postura com relação às interferências é a coerência que você terá com esse personagem. Ele pode, sim, agir de forma incoerente e inesperada na história que se escreve, mas será que isso não fere a estrutura principal do personagem? Como você se verá como autor ferindo a coerência do que você elaborou, mesmo que em nome da integridade da criação?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu me vejo nesse tipo de dilema o tempo todo. Não sei se mantenho a coerência, se me atenho ao projeto original, que fora pensado com muito cuidado e atentando aos detalhes... Ou se deixo as interferências tomarem algum espaço em nome da integridade do personagem, para que a cidade não se torne uma cidade-fantasma.</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://scribere.blogspot.com/feeds/2645060737756543505/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7366978&amp;postID=2645060737756543505&amp;isPopup=true' title='2 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7366978/posts/default/2645060737756543505'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7366978/posts/default/2645060737756543505'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://scribere.blogspot.com/2009/08/narrativas.html' title='Narrativas'/><author><name>Rafael de Sá Cavalcanti</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16080887268290239607</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_GIik80lw7as/TCwF3aeOhCI/AAAAAAAACgQ/ot3MfLKceMU/S220/3x4saopaulo2.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7366978.post-2773199533293461164</id><published>2009-07-19T17:00:00.003-03:00</published><updated>2009-07-19T17:34:10.020-03:00</updated><category scheme="http://www.blogger.com/atom/ns#" term="lucubrações"/><category scheme="http://www.blogger.com/atom/ns#" term="português"/><title type='text'>Nada de novo</title><content type='html'>Daí que de repente me dá vontade de escrever. Escrever sem parar. Meio que numa explosão. Não de sinceridade, não uma explosão de verdades, só um escape. Queria dizer que estou enjoado. Das coisas que as pessoas fazem. Das coisas que as pessoas dizem. Que tudo que elas fazem e dizem me soam como extremamente previsíveis, ainda que eu não espere isso delas. E não de pessoas em quem eu confio, apenas... Pessoas. Qualquer um. Que elas são defeituosas em tudo que fazem. Que tudo que elas expressam é um monte de merda. Não porque a merda feda, mas porque a merda é algo que sai das pessoas sem que elas ponham muita intenção, muito esforço nisso. Parece que não há qualquer planejamento nas coisas humanas, que tudo que é feito tem sucesso ou falha por acaso. Que as coisas humanas são demasiadamente defeituosas. As máquinas também são defeituosas, porque são feitas por humanos, como o monitor que estou usando, que vive falhando. E os sentimentos humanos, defeituosos demais, vivem falhando, vivem desviando de seu caminho. Eu estou cansado das coisas humanas. Estou cansado dos escritores, que tanto admirava por acreditar que eles, sim, tinham um planejamento, que tinham um caminho diferenciado. Não, eles são humanos e o que eles fazem é, no fim das contas, um monte de merda previsível. Babacas. Tenho medo de conhecer a fundo qualquer um não por medo da decepção... Tenho medo de confirmar que as pessoas são humanas e, intrinsicamente, babacas. Vejo as pessoas expressarem seus sentimentos e opiniões e, nossa, quanta merda. Tudo que você faz é um monte de merda, ainda que contribua para outras pessoas fazerem algo em cima disso. Estou desgostoso com tudo que é humano. Eu... gostaria de ser um pouco mais humano do que isso.</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://scribere.blogspot.com/feeds/2773199533293461164/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7366978&amp;postID=2773199533293461164&amp;isPopup=true' title='1 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7366978/posts/default/2773199533293461164'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7366978/posts/default/2773199533293461164'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://scribere.blogspot.com/2009/07/nada-de-novo.html' title='Nada de novo'/><author><name>Rafael de Sá Cavalcanti</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16080887268290239607</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_GIik80lw7as/TCwF3aeOhCI/AAAAAAAACgQ/ot3MfLKceMU/S220/3x4saopaulo2.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7366978.post-7398671839808378696</id><published>2009-07-03T01:11:00.003-03:00</published><updated>2009-07-08T11:11:37.920-03:00</updated><category scheme="http://www.blogger.com/atom/ns#" term="contos"/><category scheme="http://www.blogger.com/atom/ns#" term="português"/><title type='text'>A vida por contrastes</title><content type='html'>As ruas cheias de carros, mas não há movimento.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os prédios cheios de luzes acesas, mas não há som vindo das janelas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Há vida ao redor. Sim, há vida. Mas ela não se pronuncia. É quase uma questão de fé acreditar que há vida neste prédio, nesta quadra, nesta cidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O dia a dia deveria ter mais desses momentos. É uma ausência que me dá a pausa que preciso para pensar na presença das pessoas. Que me faz valorizá-las. De que me vale toda a música se não há silêncio para contrastar?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Shh.</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://scribere.blogspot.com/feeds/7398671839808378696/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7366978&amp;postID=7398671839808378696&amp;isPopup=true' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7366978/posts/default/7398671839808378696'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7366978/posts/default/7398671839808378696'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://scribere.blogspot.com/2009/07/vida-por-contrastes.html' title='A vida por contrastes'/><author><name>Rafael de Sá Cavalcanti</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16080887268290239607</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_GIik80lw7as/TCwF3aeOhCI/AAAAAAAACgQ/ot3MfLKceMU/S220/3x4saopaulo2.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7366978.post-4898239943927566749</id><published>2009-05-21T20:36:00.003-03:00</published><updated>2009-05-21T21:40:49.062-03:00</updated><category scheme="http://www.blogger.com/atom/ns#" term="lucubrações"/><category scheme="http://www.blogger.com/atom/ns#" term="português"/><title type='text'>Paz de espírito</title><content type='html'>Engraçado como eu passei a me preocupar menos com detalhes e ainda menos com grandes objetivos. Alguns diriam que não tenho metas na vida, e dependendo do momento até concordo com essas pessoas. Mas isso não me agonia. Nada paga a paz de espírito de que gozo no momento.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se eu tivesse alguma meta a atingir, certamente ficaria contrariado e angustiado quando algo se interposse entre mim e tal meta. Isso seria motivo de ansiedade, isso me faria me debelar contra o que seja que estivesse me atrapalhando.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Abandonar as pequenas neuroses se tornou mais fácil depois disso. Se não tenho ambições de um caminho a ser trilhado, que me importam as pequenas pedras que surgem no caminho? O único hábito que não consigo abandonar é o de observar as pessoas, prestar atenção no que elas falam, seus trejeitos, suas preferências, seus sonhos. Fico entusiasmado quando encontro interesses e implicâncias em comum. Aprofundando no máximo que permite aquele contato social ali. Acho que se fosse além disso, me envolveria demais para conseguir manter o desprendimento.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu não conseguia pensar em um fechamento pra esse texto e acho que era pra ser assim mesmo.</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://scribere.blogspot.com/feeds/4898239943927566749/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7366978&amp;postID=4898239943927566749&amp;isPopup=true' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7366978/posts/default/4898239943927566749'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7366978/posts/default/4898239943927566749'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://scribere.blogspot.com/2009/05/paz-de-espirito.html' title='Paz de espírito'/><author><name>Rafael de Sá Cavalcanti</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16080887268290239607</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_GIik80lw7as/TCwF3aeOhCI/AAAAAAAACgQ/ot3MfLKceMU/S220/3x4saopaulo2.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7366978.post-8084219707147193880</id><published>2008-08-10T17:15:00.005-03:00</published><updated>2009-11-07T17:39:24.266-02:00</updated><category scheme="http://www.blogger.com/atom/ns#" term="lucubrações"/><category scheme="http://www.blogger.com/atom/ns#" term="português"/><title type='text'>As coisas que descubro sobre meu pai</title><content type='html'>Ontem dei a meu pai um presente simbólico, algo a que desconfiava que ele não daria a mínima importância. E ele gostou. Identificou-se. E serviu, sobretudo, para que eu descobrisse algo sobre ele. Algo que tentara descobrir muito tempo atrás e que já havia desistido de entender.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Creio que preciso elaborar. O presente que dei a meu pai foi a trilogia &lt;span style=&quot;font-style: italic;&quot;&gt;Amici Miei&lt;/span&gt; &amp;#151 Atos &lt;a href=&quot;http://www.imdb.com/title/tt0072637/&quot;&gt;I&lt;/a&gt;, &lt;a href=&quot;http://www.imdb.com/title/tt0083549/&quot;&gt;II&lt;/a&gt; e &lt;a href=&quot;http://www.imdb.com/title/tt0088710/&quot;&gt;III&lt;/a&gt; (em português, &lt;span style=&quot;font-style: italic;&quot;&gt;Meus Caros Amigos&lt;/span&gt;). Assistimos o primeiro, por sugestão minha. São excelentes comédias tipicamente italianas, com deboche irreverente e transgressor aos preceitos mais sagrados do convívio em sociedade &amp;#151 sejam eles a fidelidade conjugal, a religião e até mesmo a morte.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em uma das cenas, uma das personagens debocha do próprio filho, desafiando sua seriedade e sisudez. Nessa cena, meu pai se viu na própria pele da personagem, por associar seus próprios filhos ao filho ali em cena, incrédulo e desapontado com o comportamento do pai.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Meu pai já teve sua cota de provações na vida e, no entanto, não a encara de forma amarga ou séria demais. Pelo contrário, quer aproveitá-la da maneira que lhe apraz sem restrições. Ele &amp;#151 assim como alguns de seus grandes amigos &amp;#151 debocha de quem encara a vida sem perceber o humor intríseco às situações. Ele pode até se preocupar, mas não externa isso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vejo-me agora em um papel diferente do de Paul Auster, que &amp;#151 em seu livro &lt;span style=&quot;font-style: italic;&quot;&gt;The Invention of Solitude&lt;/span&gt; &amp;#151 transformou a morte de seu pai na sua busca pela pessoa por trás da figura impávida e emocionalmente inacessível, como descrito no trecho a seguir:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;blockquote&gt;Devoid of passion, either for a thing, a person, or an idea, incapable or unwilling to reveal himself under any circumstances, he had managed to keep himself at a distance from life, to avoid immersion in the quick of things. He ate, he went to work, he had friends, he played tennis, and yet for all that he was not there. In the deepest, most unalterable sense, he was an invisible man. Invisible to others, and most likely invisible to himself as well. If, while he was alive, I kept looking for him, kept trying to find the father who was not there, now that he is dead I still feel as though I must go on looking for him.&lt;br /&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;br /&gt;Eu não tenho mais essa busca. Não porque tenha descoberto a pessoa por trás da persona apresentada a seus filhos, seus familiares e à sociedade como um todo. Não tenho para mim mais essa busca porque entendo que toda tentativa de encontrá-lo será encarada com deboche. Ao invés de tirá-lo de trás de sua redoma, do palco de onde ele encena seu ato lúdico, o melhor que faço é juntar-me a ele na gozação daqueles que levam a vida a sério demais. Sei que ele está ali, inacessível, pois ele assim o quis. Isso é o mais próximo a que posso chegar &amp;#151 ser seu amigo de cena.</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://scribere.blogspot.com/feeds/8084219707147193880/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7366978&amp;postID=8084219707147193880&amp;isPopup=true' title='5 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7366978/posts/default/8084219707147193880'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7366978/posts/default/8084219707147193880'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://scribere.blogspot.com/2008/08/as-coisas-que-descubro-sobre-meu-pai.html' title='As coisas que descubro sobre meu pai'/><author><name>Rafael de Sá Cavalcanti</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16080887268290239607</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_GIik80lw7as/TCwF3aeOhCI/AAAAAAAACgQ/ot3MfLKceMU/S220/3x4saopaulo2.jpg'/></author><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7366978.post-3243800653593119836</id><published>2008-07-11T00:30:00.003-03:00</published><updated>2008-07-11T00:41:30.389-03:00</updated><category scheme="http://www.blogger.com/atom/ns#" term="lucubrações"/><category scheme="http://www.blogger.com/atom/ns#" term="português"/><title type='text'>Analisando minha auto-análise</title><content type='html'>A melhor coisa que fiz com relação à minha auto-análise foi nivelar a &lt;span class=&quot;blsp-spelling-error&quot; id=&quot;SPELLING_ERROR_0&quot;&gt;persona&lt;/span&gt; do meu observador interno com a &lt;span class=&quot;blsp-spelling-error&quot; id=&quot;SPELLING_ERROR_1&quot;&gt;persona&lt;/span&gt; que apresento aos outros, nos meios sociais e nos relacionamentos. Assim, sou tolerante com os defeitos próprios o mesmo tanto que sou com os defeitos alheios, bem como aprecio (antes de mais nada, reconheço) os dons próprios à mesma extensão que aprecio os dons dos outros.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A única cobrança que faço de mim mesmo que não faço dos outros é em relação à paciência. Sempre exerci minha paciência com todos e sempre espero ter mais paciência, apesar de não cobrar uma paciência muito grande de outras pessoas -- pelo contrário, tendo a agir como se ninguém tivesse paciência alguma, como se eu roubasse (e acumulasse) a paciência de todos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;De modo geral, sei que tenho minhas falhas e parei de me massacrar por isso. Sei que são elas que me afastam das e magoam as pessoas com quem convivo, mas reconheço minha própria natureza e sua intrínseca imutabilidade. Também aprendi a exercer minha paciência comigo mesmo.</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://scribere.blogspot.com/feeds/3243800653593119836/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7366978&amp;postID=3243800653593119836&amp;isPopup=true' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7366978/posts/default/3243800653593119836'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7366978/posts/default/3243800653593119836'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://scribere.blogspot.com/2008/07/analisando-minha-auto-anlise.html' title='Analisando minha auto-análise'/><author><name>Rafael de Sá Cavalcanti</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16080887268290239607</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_GIik80lw7as/TCwF3aeOhCI/AAAAAAAACgQ/ot3MfLKceMU/S220/3x4saopaulo2.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7366978.post-2714251160886502029</id><published>2008-07-02T11:56:00.002-03:00</published><updated>2008-07-02T13:38:56.636-03:00</updated><category scheme="http://www.blogger.com/atom/ns#" term="lucubrações"/><category scheme="http://www.blogger.com/atom/ns#" term="português"/><title type='text'>O colecionador</title><content type='html'>O hábito de associar nossas vidas a uma obra é algo recorrente e saudável. Creio que estabelece uma perspectiva sobre nossas ações e sobre como elas afetam as pessoas a nosso redor. É um artifício a que recorro com freqüência para entender as pessoas e as relações ente elas -- e, principalmente, a mim mesmo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nos últimos tempos, me dei conta de um hábito que cultivo desde minhas primeiras memórias. Tal como Jonathan Safran Foer, personagem de Elijah Wood no filme &lt;a href=&quot;http://www.imdb.com/title/tt0404030/&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-style: italic;&quot;&gt;Everything Is Illuminated&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;, sou um ávido colecionador. Venho há anos colecionando coisas, todo tipo de coisa, catalogando-as e organizando-as. Afastei-me tanto do objetivo da coleção, por tanto que me concentrei em apenas colecionar, que não sei com certeza qual era ele.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Da mesma forma, Jonathan coleciona todas as coisas que passam por seu caminho. Talvez por medo de perder uma lembrança. Medo de não dar importância a algo que poderia vir a ser, no futuro, uma peça importante nas memórias de sua vida. Por isso ele guarda tudo que lhe aparece -- para lembrar, para preservar. Mas no fim das contas, não foi ele que construiu suas memórias, e sim a pessoa que decidiu escrever sobre sua jornada e, conseqüentemente, sobre ele.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Contudo, diferente de Jonathan, eu não tenho uma jornada. Eu não estou construindo uma memória. Eu não tenho lições a passar (pelo menos nenhuma que eu considere relevante passar a alguém de uma forma que vá mudar-lhe a vida). Quando penso nisso, vejo o quão fútil é minha coleção. Eu deveria fazer algo dessa coleção, mas não tenho qualquer ligação afetiva profunda e significativa com nenhum objeto de minhas coleções.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tenho medo de, ao interromper o que sempre fiz, ficar sem objetivos. Ainda que menores, creio que seja saudável se manter alguns objetivos. Sigo colecionando, catalogando, organizando. Uma hora isso vai fazer sentido para algo maior. Assim espero. Como convergirei a necessidade de fazer algo com minha relutância em não ser notado ainda permanece uma incógnita.</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://scribere.blogspot.com/feeds/2714251160886502029/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7366978&amp;postID=2714251160886502029&amp;isPopup=true' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7366978/posts/default/2714251160886502029'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7366978/posts/default/2714251160886502029'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://scribere.blogspot.com/2008/07/o-colecionador.html' title='O colecionador'/><author><name>Rafael de Sá Cavalcanti</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16080887268290239607</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_GIik80lw7as/TCwF3aeOhCI/AAAAAAAACgQ/ot3MfLKceMU/S220/3x4saopaulo2.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7366978.post-2480347676726553601</id><published>2008-05-26T10:51:00.000-03:00</published><updated>2008-05-26T10:52:29.338-03:00</updated><category scheme="http://www.blogger.com/atom/ns#" term="lucubrações"/><category scheme="http://www.blogger.com/atom/ns#" term="português"/><title type='text'>A vida só acontece entre um pensamento e outro</title><content type='html'>Se você não der grande importância aos detalhes, você segue sua vida numa boa. Você se relaciona com todos numa boa, você estabelece laços e os mantém, você entra em um relacionamento e permanece nele até onde der. Você casa, se convir aos dois.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O problema é quando você se dedica a examinar os detalhes das coisas. Você percebe que aquele celular que foi barato à época da compra tem algum defeito de design que você não consegue deixar de perceber toda vez que olha pra ele. Você começa a pesar as coisas que faz por um certo amigo e o que esse amigo faz por você, e se dá conta de que talvez ele não se dedique tanto à amizade quanto você. Ainda que sejam coisas factuais, elas não o impediriam de continuar vivendo sua vida, fazendo suas coisas como sempre fez. O problema só passou a existir porque você se dedicou a analisar as coisas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Da mesma forma, se você não analisar cada aspecto da sua relação, as pequenas coisas não viram grandes problemas. Você não se importa com alguma indelicadeza, você não se importa com o fato de o outro não gostar de algum filme ou música que você gosta. Você nem nota que o outro disse algo com que você não concorda. E como as pessoas não tendem a defender ferrenhamente suas opiniões sobre coisas simples, muitas incompatibilidades passam despercebidas. Você se lembra do outro com bons sentimentos, com vontade de tê-lo por perto. Você se arrisca a tomar o próximo passo no relacionamento.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tudo isso só parece ser possível se você não perder tempo minuciando tudo na vida. Para viver, não se pode pensar muito.</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://scribere.blogspot.com/feeds/2480347676726553601/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7366978&amp;postID=2480347676726553601&amp;isPopup=true' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7366978/posts/default/2480347676726553601'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7366978/posts/default/2480347676726553601'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://scribere.blogspot.com/2008/05/vida-s-acontece-entre-um-pensamento-e.html' title='A vida só acontece entre um pensamento e outro'/><author><name>Rafael de Sá Cavalcanti</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16080887268290239607</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_GIik80lw7as/TCwF3aeOhCI/AAAAAAAACgQ/ot3MfLKceMU/S220/3x4saopaulo2.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7366978.post-5997959108852933501</id><published>2008-04-18T14:47:00.001-03:00</published><updated>2008-04-18T14:50:09.326-03:00</updated><category scheme="http://www.blogger.com/atom/ns#" term="lucubrações"/><category scheme="http://www.blogger.com/atom/ns#" term="português"/><title type='text'>Não muito bem</title><content type='html'>Eu não estou muito bem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E do alto do meu egoísmo, sei que não deveria estar dizendo isso. Objetivamente, não há nada de errado com minha vida. Tenho um bom emprego, trabalho com algo de que gosto, sou competente no que faço, vivo confortavelmente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Inclusive, se você me perguntar -- em pessoa ou em conversa por qualquer meio que seja --, eu vou dizer que está tudo bem comigo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O problema é quando eu paro para analisar minha vida (e eu faço muito isso). Não tenho certeza o que é, se é uma eterna vontade de automelhoramento, uma falta de acomodação, um senso de perfeccionismo, uma falta de serotonina. Quando estou sozinho em casa (todas as noites da semana, praticamente), começo a pensar em aspectos da minha vida que não me satisfazem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Começo a ver que talvez eu tenha me tornado uma pessoa... vazia. Não consigo identificar um grande objetivo que eu esteja tentando atingir. É como se o único sentido em estar vivo fosse continuar vivendo, sem grandes realizações. Eu já tive uma banda, na qual eu tocava bateria. Por desavenças musicais e, em certo ponto, pessoais, eu tive que me afastar da banda. Aproveitei esse afastamento para me desligar da única forma de extravasamento artístico que eu tinha. “Por quê?”, poder-se-ia questionar. Eu... não sei. Talvez eu não quisesse mais me expressar dessa forma, talvez eu não queira me expressar de forma alguma. Outras ambições que eu tenho (ou tinha?) me parecem um tanto irrealistas e inconcretizáveis e, por isso, não saem do plano dos sonhos e fantasias.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Além disso, não sinto uma grande alegria ou empolgação em estar com alguém. É como se as decepções tivessem me anestesiado para que eu não sinta mais dor, e como conseqüência eu não sinto mais nada (e nem tomo antidepressivos ou qualquer outro tipo de psicotrópico, o que justificaria essa apatia). Terei me tornado... um robô? Até chatterbots têm consciência de que são um programa, ou seja, têm ciência de sua própria condição, o que me coloca em posição de equivalência a tal. Ser auto-analítico não faz de mim um ser humano. Seres humanos se emocionam, choram, têm objetivos (que não foram inseridos por outrem), &lt;span style=&quot;font-weight: bold;&quot;&gt;sentem&lt;/span&gt;. Eu... não. Eu me sinto relativamente confortável em minha solidão/isolamento. Eu me compadeço do sofrimento alheio, mas há momentos que essa reação me parece... programada, aprendida, e não realmente sentida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Talvez, ser humano não seja uma condição espontânea e absoluta. Isso tem me parecido ser fruto de certo trabalho, trabalho que pode ser mais fácil para uns que para outros.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Talvez eu não (ou nunca) me esforce o bastante.</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://scribere.blogspot.com/feeds/5997959108852933501/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7366978&amp;postID=5997959108852933501&amp;isPopup=true' title='4 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7366978/posts/default/5997959108852933501'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7366978/posts/default/5997959108852933501'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://scribere.blogspot.com/2008/04/no-muito-bem.html' title='Não muito bem'/><author><name>Rafael de Sá Cavalcanti</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16080887268290239607</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_GIik80lw7as/TCwF3aeOhCI/AAAAAAAACgQ/ot3MfLKceMU/S220/3x4saopaulo2.jpg'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7366978.post-8108674689536460100</id><published>2008-04-16T15:49:00.001-03:00</published><updated>2008-04-16T15:50:45.476-03:00</updated><category scheme="http://www.blogger.com/atom/ns#" term="english"/><category scheme="http://www.blogger.com/atom/ns#" term="lucubrações"/><title type='text'>Soulless, loveless?</title><content type='html'>I think I lost my soul at work. I don&#39;t dream anymore. Maybe I never had a soul all along. How could I miss something I never had? It&#39;s an appalling emptiness. I always dread I&#39;m too serious for other people to hang around with, so I cut it off with some punchline, like it was a joke all along.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;But not today.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;The reason I have the impression of not having a soul, is that I can&#39;t feel love from within. For me, love comes rather from chemical reactions in my body. If I leave it alone for a while, it goes away. Like a headache. But then again, maybe I&#39;ve never really felt/had/experienced love, so that&#39;s why I underrate it so much. This used to freak me out, leave me desperate for an answer.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;But not anymore.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nowadays, I just lay quiet for a while. It goes away. Like a headache.</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://scribere.blogspot.com/feeds/8108674689536460100/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7366978&amp;postID=8108674689536460100&amp;isPopup=true' title='1 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7366978/posts/default/8108674689536460100'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7366978/posts/default/8108674689536460100'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://scribere.blogspot.com/2008/04/soulless-loveless.html' title='Soulless, loveless?'/><author><name>Rafael de Sá Cavalcanti</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16080887268290239607</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_GIik80lw7as/TCwF3aeOhCI/AAAAAAAACgQ/ot3MfLKceMU/S220/3x4saopaulo2.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7366978.post-3294444182606193912</id><published>2008-03-14T21:27:00.003-03:00</published><updated>2008-03-24T21:07:46.035-03:00</updated><category scheme="http://www.blogger.com/atom/ns#" term="lucubrações"/><category scheme="http://www.blogger.com/atom/ns#" term="português"/><title type='text'>The Lost Art of Letting Go</title><content type='html'>É tão estranho considerar desapego um dom. Do ponto de vista de quem tem, é a sensação de nunca sentir nada. Desapego de coisas materiais. Desapego de pessoas. Desapego da vida. Tudo isso soa como alguém que está morto por dentro, alguém que não se emociona de verdade com nada, alguém que está sempre atuando porque acha que aquela é a reação esperada de uma pessoa normal naquela condição. Porque uma pessoa assim não tem medo de perder nada. Nem ninguém. Não tem laços.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ainda não consigo definir se é mais inumano outras pessoas perceberem alguém nessa condição ou se é uma pessoa viver essa realidade.</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://scribere.blogspot.com/feeds/3294444182606193912/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7366978&amp;postID=3294444182606193912&amp;isPopup=true' title='1 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7366978/posts/default/3294444182606193912'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7366978/posts/default/3294444182606193912'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://scribere.blogspot.com/2008/03/lost-art-of-letting-go.html' title='The Lost Art of Letting Go'/><author><name>Rafael de Sá Cavalcanti</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16080887268290239607</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_GIik80lw7as/TCwF3aeOhCI/AAAAAAAACgQ/ot3MfLKceMU/S220/3x4saopaulo2.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7366978.post-2082974478838834052</id><published>2007-12-24T03:00:00.000-02:00</published><updated>2007-12-24T03:02:38.403-02:00</updated><category scheme="http://www.blogger.com/atom/ns#" term="english"/><category scheme="http://www.blogger.com/atom/ns#" term="lucubrações"/><title type='text'>Wandering away</title><content type='html'>It’s annoying how much I change over time. Change takes place inevitably when I’m alone. Loneliness is uncomfortable, but solitude is intrinsic to my being. It’s not a matter of “if you leave me alone, I’ll change.” It is due no matter what. I need solitude and I’ll have it whenever I need it. I can easily shut myself from the outside world wherever I am, in order to wander in the world of my thoughts.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;I have come to realize that people do not come and go into my life. It is I that part from them, because of my taking different paths. ‘Tis the way it has been with everyone who’s become somehow dear and close to me. I had a selfish, misled opinion that other people did not care enough about me to stay close, but now I see how hard it is to stay close to a nonstop nomad. How can one stay close to a person one can’t even find (not in geographical terms, but in terms of state of spirit and mind)?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;So there it is, this is why I can’t hold on to people; they’re like sand in my hands--or maybe I’m like sand in their hands, always escaping between their fingers, grain by grain. I get to see them leave, while they get to see me live. Every single friend for whom my heart once ached didn’t actually break it; ‘twas merely the ripping of bonds that took place when I changed and wandered away. Maybe sometime I’ll see one accompany me in the course of my path. Maybe this time. I can only hope, for the loneliness I can cope.</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://scribere.blogspot.com/feeds/2082974478838834052/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7366978&amp;postID=2082974478838834052&amp;isPopup=true' title='3 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7366978/posts/default/2082974478838834052'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7366978/posts/default/2082974478838834052'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://scribere.blogspot.com/2007/12/wandering-away.html' title='Wandering away'/><author><name>Rafael de Sá Cavalcanti</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16080887268290239607</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_GIik80lw7as/TCwF3aeOhCI/AAAAAAAACgQ/ot3MfLKceMU/S220/3x4saopaulo2.jpg'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7366978.post-1840670991513640735</id><published>2007-09-24T17:54:00.000-03:00</published><updated>2007-09-28T08:25:26.623-03:00</updated><category scheme="http://www.blogger.com/atom/ns#" term="contos"/><category scheme="http://www.blogger.com/atom/ns#" term="português"/><title type='text'>A vida não se repete</title><content type='html'>Uma noite agradável é palco para as maiores agruras que se pode vivenciar, sem que ela ao menos soubesse. Ela fala de coisas que me despertam os maiores arrepios, uma inevitável sensação de &lt;span style=&quot;font-style: italic;&quot;&gt;déjàvu&lt;/span&gt;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Revivencio em momentos os fatos que me despertaram o desconforto originalmente, comparando-os com o que me ocorre neste exato momento. Deixo-a falar como se não me incomodasse. Incomoda?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Analiso bem. Em tudo que ela diz, há semelhanças com fatos passados que foram a origem de agruras. Tenho vontade de fugir, de correr, de calar sua boca. No entanto, em vez de detê-la, eu me detenho, me abstenho de comentar o que passa em minha cabeça.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Neste momento, volto o olhar para mim mesmo. Por trás do terror causado, há uma marca que não existe mais, que não faz mais sentido no contexto atual. O paradoxo a faz desaparecer. A calma se instala. Acendo um cigarro, tomo mais um gole. E continuo ouvindo.</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://scribere.blogspot.com/feeds/1840670991513640735/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7366978&amp;postID=1840670991513640735&amp;isPopup=true' title='7 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7366978/posts/default/1840670991513640735'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7366978/posts/default/1840670991513640735'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://scribere.blogspot.com/2007/09/vida-no-se-repete.html' title='A vida não se repete'/><author><name>Rafael de Sá Cavalcanti</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16080887268290239607</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_GIik80lw7as/TCwF3aeOhCI/AAAAAAAACgQ/ot3MfLKceMU/S220/3x4saopaulo2.jpg'/></author><thr:total>7</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7366978.post-1407573124645477477</id><published>2007-08-22T14:30:00.000-03:00</published><updated>2007-08-22T15:18:17.754-03:00</updated><category scheme="http://www.blogger.com/atom/ns#" term="lucubrações"/><category scheme="http://www.blogger.com/atom/ns#" term="português"/><title type='text'>Olheiras</title><content type='html'>Faz dois dias que estou com olheiras. Eu nunca tive olheiras antes, mesmo quando dormia três, quatro horas por noite. Nas duas últimas noites, dormi seis horas de sono. Tive dificuldade de pegar no sono, fiquei na cama deitado por uma hora, uma hora e meia, duas horas sem conseguir adormecer. Fazia frio e o lençol não me protegia. Não queria fechar a janela para não fazer barulho. O frio incomodava e, talvez, me impedia de dormir. Eu me revirava bastante procurando uma posição confortável que me permitisse dormir. Tenho espaço para isso agora, não tem ninguém com quem dividir uma cama de casal. Sempre sonhara com isso, e agora já não tem tanta graça. O frio é mais intenso quando só se tem o próprio corpo como fonte de calor, e eu ando sem energia para gerar calor. Ando gastando energia demais com coisas inúteis. Em um desses dias, me apaixonei, só para desapaixonar ao fim do dia. Perguntei-me por que o equivalente em inglês para &#39;apaixonar&#39; é &#39;fall in love&#39; e &#39;desapaixonar&#39; é &#39;fall out of love&#39;. Por que tem que implicar queda? Curioso. Sendo assim, o oposto deveria ser &#39;climb out of love&#39;. Amor é acidente? Sim. Não controlamos nem podemos prever. De qualquer forma, desapaixonei porque percebi que minha presença não era importante para você. Sua felicidade não depende disso. Nem a sua. Ou a sua. Minha existência não é condicional para a felicidade de ninguém além da minha família, meu porto seguro. Minha base. Mesmo longe deles, tanto emocionalmente quanto fisicamente, sei que posso contar com eles. No entanto, continuo tentando contar com outras pessoas, mas descubro que não posso contar. Com você. Ou com você. Ou você. Pelo menos não da forma que gostaria. Ou mesmo para uma conversa sincera e profunda, não as trivialidades que eu trago para o papo, para maquiar o silêncio. Mesmo querendo o silêncio no lugar dessas palavras vazias. Lembrei disso e me calei, para ver se isso a incomodaria. Não incomodou. Deve ter sido um alívio para você. E você. E você. Vou pegar um copo d&#39;água, me dirigi à varanda. Fazia frio, mas mesmo assim me sentei ali, com as luzes apagadas. Todas as luzes do prédio em frente estavam apagadas, todos dormindo. Só eu fico acordado a essa hora? E para que, no fim das contas? Eu devia dormir cedo, acordar cedo, aproveitar o dia. No mesmo momento, me pergunto: &quot;Pra quê?&quot; Pensei em quanto tempo de um sumiço meu seria necessário para você se perguntar onde eu estaria. Cheguei à conclusão que eu poderia morrer e você não saberia, tampouco iria sentir falta. Você também não. E você. Eu sempre fui discreto e calado, uma combinação perfeita para a existência de um fantasma, alguém que não está lá. Alguém que passa despercebido, como o bom tradutor que deixa o autor falar por ele na outra língua. Penso em como não gosto de chamar a atenção e em como isso conflita com o fato de eu, por vezes, querer um pouco de atenção. Faz frio. Melhor voltar pra dentro, tentar dormir. Talvez se eu me enrolar no lençol o frio passe. Lembro de tomar o anti-inflamatório para a garganta. A garganta já está boa, por que continuo tomando o remédio? Só para acabar a caixa? Acho que o anti-inflamatório tem algo a ver com minhas olheiras. Nunca tive olheiras. E talvez com a insônia também. Afinal, não estou mais apaixonado por você. Nem por você. Ou por você. Ao fim do dia, me desapaixonei. Melhor parar com o remédio. Melhor parar.</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://scribere.blogspot.com/feeds/1407573124645477477/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7366978&amp;postID=1407573124645477477&amp;isPopup=true' title='3 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7366978/posts/default/1407573124645477477'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7366978/posts/default/1407573124645477477'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://scribere.blogspot.com/2007/08/olheiras.html' title='Olheiras'/><author><name>Rafael de Sá Cavalcanti</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16080887268290239607</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_GIik80lw7as/TCwF3aeOhCI/AAAAAAAACgQ/ot3MfLKceMU/S220/3x4saopaulo2.jpg'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7366978.post-545939658840683015</id><published>2007-08-19T22:41:00.001-03:00</published><updated>2007-08-19T22:41:39.783-03:00</updated><category scheme="http://www.blogger.com/atom/ns#" term="english"/><category scheme="http://www.blogger.com/atom/ns#" term="lucubrações"/><title type='text'>What am I?</title><content type='html'>I am a reader who looks up to being a writer. That&#39;s why I do what I do; by translating, by mimicking the words of others, I place myself in the position of something I aim to be, a writer. But I&#39;m aware that as long as I am not willing to speak up my mind, to say what I mean to say, this will never happen; as long as this rings true, I will remain a reader.</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://scribere.blogspot.com/feeds/545939658840683015/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7366978&amp;postID=545939658840683015&amp;isPopup=true' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7366978/posts/default/545939658840683015'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7366978/posts/default/545939658840683015'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://scribere.blogspot.com/2007/08/what-am-i.html' title='What am I?'/><author><name>Rafael de Sá Cavalcanti</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16080887268290239607</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_GIik80lw7as/TCwF3aeOhCI/AAAAAAAACgQ/ot3MfLKceMU/S220/3x4saopaulo2.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7366978.post-6928326093076339965</id><published>2007-08-08T15:39:00.000-03:00</published><updated>2007-08-11T02:36:52.177-03:00</updated><category scheme="http://www.blogger.com/atom/ns#" term="english"/><category scheme="http://www.blogger.com/atom/ns#" term="lucubrações"/><title type='text'>To A. M.</title><content type='html'>It is really saddening the way we got carried away in those first moments. What saddens me the most in all of it is that you realized it before I did and kept your silence about it; instead of speaking up, you slowly started treating me like everyone else, another of the anyones who are the extras in the background of your life. You dissimulate very well, but as you said once, I can see through you. I read people without effort, and I made an extra effort into reading you, trying to catch every meaning of everything you said and did.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;I guess you knew it&#39;d hit me anytime. Well, it did. The worst way, leaving me the impression that you were not up to the challenge of coming clean. In that sense, I was way more mature than you, despite you having so many more years of experience than I do.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;It came to a point where I started pondering how I deserve better. Not a better person--I don&#39;t believe I am better than you; just a better treatment, at least one more humane. So I kept pushing for you to give it to me straight. You had rather have kept distant and indifferent to my efforts of reaching out.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Now I guess you&#39;re back &#39;adrift in an ocean full of sharks,&#39; the people you have superficial talks with, the people who secretly despise your snobbish attitude, those who don&#39;t care about you and about whom you don&#39;t care much--or so you say. It saddens me to report, dear, that you have indeed become one of the monsters you fight so much. If you took the time and looked into yourself, you&#39;d see it--I know I did.</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://scribere.blogspot.com/feeds/6928326093076339965/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7366978&amp;postID=6928326093076339965&amp;isPopup=true' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7366978/posts/default/6928326093076339965'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7366978/posts/default/6928326093076339965'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://scribere.blogspot.com/2007/08/to-m.html' title='To A. M.'/><author><name>Rafael de Sá Cavalcanti</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16080887268290239607</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_GIik80lw7as/TCwF3aeOhCI/AAAAAAAACgQ/ot3MfLKceMU/S220/3x4saopaulo2.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7366978.post-8064357677825267832</id><published>2007-07-27T15:31:00.000-03:00</published><updated>2007-07-28T09:22:52.415-03:00</updated><category scheme="http://www.blogger.com/atom/ns#" term="lucubrações"/><category scheme="http://www.blogger.com/atom/ns#" term="português"/><title type='text'>Superficial</title><content type='html'>Às vezes me pergunto se sou superficial, ou se essa é a idéia que têm de mim. Não é difícil manter uma conversa à tona do profundo, nunca tocando em assuntos delicados (para mim ou para o interlocutor); tangenciando, no máximo. Dá para passar horas falando de música, cinema, atualidades; geralmente, é o que faço para evitar falar sobre o que se passa em minha cabeça.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Entretanto, há momentos em que tudo que quero é falar sobre o não deve ser mencionado, por mais que eu saiba como me é a sensação pós-relato, uma sensação de frustração por não encontrar algum tipo de identificação. Ou o interlocutor minimiza o que ouve, ou ele entende de uma forma que não corresponde de forma alguma ao que se passa. Logo, desenvolvi uma tendência a escamotear o profundo, disfarçando-o com um relato que é apenas uma versão da verdade, das várias que consigo elaborar quando me é preciso. Este é o lado perverso da criatividade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas agora, temo ter levado isso longe demais. Como não consigo contar a absolutamente ninguém sobre o que se passa comigo, estou trancado e perdido dentro de mim mesmo, numa solidão que ultrapassa os limites da companhia, qualquer que ela seja. Quanto tempo consigo resistir nisto? Muito tempo, dado o nível de &quot;entretenimento&quot; que tenho com meus próprios pensamentos. Porém, estou ficando cada vez mais distante do que me torna humano. Estou cada vez mais perdido dentro de mim mesmo, por temer mais o que existe lá fora do que o que posso encontrar aqui. Por vezes, encontro pérolas que gostaria de compartilhar, mas agora Inês é morta. Não consigo mais encontrar o caminho de volta.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Agora me resta a dualidade de ser visto como uma pessoa superficial, uma reles carcaça de ser humano, por não poder revelar o que está aqui dentro, mostrar o quão profundas são estas águas. Minha impressão é de que elevei isto à categoria de uma caixa de Pandora, quando pode muito bem não ser -- não é, eu sei -- tudo isso.</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://scribere.blogspot.com/feeds/8064357677825267832/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7366978&amp;postID=8064357677825267832&amp;isPopup=true' title='4 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7366978/posts/default/8064357677825267832'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7366978/posts/default/8064357677825267832'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://scribere.blogspot.com/2007/07/superficial.html' title='Superficial'/><author><name>Rafael de Sá Cavalcanti</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16080887268290239607</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_GIik80lw7as/TCwF3aeOhCI/AAAAAAAACgQ/ot3MfLKceMU/S220/3x4saopaulo2.jpg'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7366978.post-5195853213852586741</id><published>2007-07-22T03:45:00.000-03:00</published><updated>2007-07-22T04:15:54.520-03:00</updated><category scheme="http://www.blogger.com/atom/ns#" term="english"/><category scheme="http://www.blogger.com/atom/ns#" term="lucubrações"/><title type='text'>Heartstricken</title><content type='html'>No one seems to understand what I write, what I say. I feel like stopping. This always made more sense, stopping. It feels comfortable, lonely but comfortable. It has always struck me, how can I be a good translator and convey messages from one language to another if I can&#39;t even make myself understood? Am I &lt;span style=&quot;font-weight: bold;&quot;&gt;that&lt;/span&gt; complicated, or are people that reluctant to understand me? How can this be?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Will someone ever answer?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;I wish I knew how to stick to someone&#39;s life, how to be important. Right now, I actually think I either pass by unnoticed or wreck people&#39;s life to the point of deserving never to have existed.</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://scribere.blogspot.com/feeds/5195853213852586741/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7366978&amp;postID=5195853213852586741&amp;isPopup=true' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7366978/posts/default/5195853213852586741'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7366978/posts/default/5195853213852586741'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://scribere.blogspot.com/2007/07/heartstricken.html' title='Heartstricken'/><author><name>Rafael de Sá Cavalcanti</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16080887268290239607</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_GIik80lw7as/TCwF3aeOhCI/AAAAAAAACgQ/ot3MfLKceMU/S220/3x4saopaulo2.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7366978.post-1045128802022282501</id><published>2007-07-19T23:31:00.000-03:00</published><updated>2007-07-19T23:44:48.121-03:00</updated><category scheme="http://www.blogger.com/atom/ns#" term="lucubrações"/><category scheme="http://www.blogger.com/atom/ns#" term="português"/><title type='text'>Animais</title><content type='html'>Durante minha infância, tentei ter animais de estimação. Sempre gostei de cachorros, gatos, pássaros. A sensação de acariciar um cachorrinho em meu colo, ou um gato arredio e desconfiado que, no entanto, se esfregava em minha perna quando eu não dava atenção a ele. A companhia dos animais sempre me foi mais sincera do que a dos humanos, porque eles não disfarçam a necessidade que têm de você. Eu retribuía sempre de forma natural, porque nunca tive medo deles.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;De forma que sempre me pesou que a morte deles estivesse relacionada aos meus atos, de um jeito ou de outro. Ou eu os sufocava, ou agia impensadamente em brincadeiras que nunca tiveram como intenção machucá-los. Eu os perdi um a um, e só me sobraram os humanos, de quem eu sempre tive receio.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Hoje continuo a querer a companhia de um animal de estimação, ainda os vejo como a fonte de afeto mais sincero que se pode ter ao seu lado. Mesmo quando eles destroem suas coisas, só o fazem porque sentem falta de você. E no fim, são apenas coisas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Infelizmente, não sei se eles gostariam de me ter como dono, sabendo que eu poderia em dado momento sufocá-los, mesmo que não intencionalmente. Egoisticamente, sinto falta da companhia.</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://scribere.blogspot.com/feeds/1045128802022282501/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7366978&amp;postID=1045128802022282501&amp;isPopup=true' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7366978/posts/default/1045128802022282501'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7366978/posts/default/1045128802022282501'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://scribere.blogspot.com/2007/07/animais.html' title='Animais'/><author><name>Rafael de Sá Cavalcanti</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16080887268290239607</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_GIik80lw7as/TCwF3aeOhCI/AAAAAAAACgQ/ot3MfLKceMU/S220/3x4saopaulo2.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7366978.post-2554386420963122560</id><published>2007-06-20T17:05:00.000-03:00</published><updated>2008-12-10T12:34:01.002-02:00</updated><category scheme="http://www.blogger.com/atom/ns#" term="français"/><category scheme="http://www.blogger.com/atom/ns#" term="lucubrações"/><title type='text'>L&#39;homme du cœur de verre</title><content type='html'>&lt;a onblur=&quot;try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}&quot; href=&quot;http://3.bp.blogspot.com/_GIik80lw7as/RnmI9maNSjI/AAAAAAAAABE/n1OoRSfSJA0/s1600-h/raymond_fond.jpg&quot;&gt;&lt;img style=&quot;margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer;&quot; src=&quot;http://3.bp.blogspot.com/_GIik80lw7as/RnmI9maNSjI/AAAAAAAAABE/n1OoRSfSJA0/s320/raymond_fond.jpg&quot; alt=&quot;&quot; id=&quot;BLOGGER_PHOTO_ID_5078240646700812850&quot; border=&quot;0&quot; /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Je suis l’Homme du Cœur de Verre. Je ne vis qu’à travers des films, des images, des livres et textes. Qu’à travers de l’écran de l’ordinateur. Dès lors que je ne peux pas supporter les fracas de la vie, je m’enclos dans mon château impénétrable, où je me trouve toujours tout seul.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Et je m’enquiers pourquoi personne n&#39;y peut rentrer...</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://scribere.blogspot.com/feeds/2554386420963122560/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7366978&amp;postID=2554386420963122560&amp;isPopup=true' title='1 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7366978/posts/default/2554386420963122560'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7366978/posts/default/2554386420963122560'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://scribere.blogspot.com/2007/06/lhomme-du-coeur-de-verre.html' title='L&#39;homme du cœur de verre'/><author><name>Rafael de Sá Cavalcanti</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16080887268290239607</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_GIik80lw7as/TCwF3aeOhCI/AAAAAAAACgQ/ot3MfLKceMU/S220/3x4saopaulo2.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media="http://search.yahoo.com/mrss/" url="http://3.bp.blogspot.com/_GIik80lw7as/RnmI9maNSjI/AAAAAAAAABE/n1OoRSfSJA0/s72-c/raymond_fond.jpg" height="72" width="72"/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7366978.post-7388752008329881095</id><published>2007-05-23T22:59:00.000-03:00</published><updated>2007-05-23T23:45:23.788-03:00</updated><category scheme="http://www.blogger.com/atom/ns#" term="lucubrações"/><category scheme="http://www.blogger.com/atom/ns#" term="português"/><title type='text'>É um adeus</title><content type='html'>É uma longa caminhada até onde quero chegar. E no meio do caminho, meu foco muda tantas vezes quanto há opções no meu caminho. Até que chegou um ponto em que não sei se quero mais a mesma coisa. Eu não fui feito para trilhar esse rumo convencional que vejo os outros percorrerem. Eu me destaco, e isso &lt;span style=&quot;font-weight: bold;&quot;&gt;não&lt;/span&gt; quer dizer necessariamente algo bom. Esse &#39;destacar&#39;, que na minha cabeça eu traduzo perfeitamente por &lt;span style=&quot;font-style: italic;&quot;&gt;stand out&lt;/span&gt;, me afasta. &lt;span style=&quot;font-style: italic;&quot;&gt;I stand out&lt;/span&gt;. É nessa condição que me sinto estranhamente confortável, ainda que solitário. Tenho medo das conseqüências de estar assim -- ou melhor, de ser assim. Já não posso trilhar por essa via pensando no caminho de volta. Não há volta.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tento, tento, e não consigo explicar.</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://scribere.blogspot.com/feeds/7388752008329881095/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7366978&amp;postID=7388752008329881095&amp;isPopup=true' title='4 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7366978/posts/default/7388752008329881095'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7366978/posts/default/7388752008329881095'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://scribere.blogspot.com/2007/05/um-adeus.html' title='É um adeus'/><author><name>Rafael de Sá Cavalcanti</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16080887268290239607</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_GIik80lw7as/TCwF3aeOhCI/AAAAAAAACgQ/ot3MfLKceMU/S220/3x4saopaulo2.jpg'/></author><thr:total>4</thr:total></entry></feed>