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<?xml-stylesheet type="text/xsl" media="screen" href="/~d/styles/rss2full.xsl"?><?xml-stylesheet type="text/css" media="screen" href="http://feeds.feedburner.com/~d/styles/itemcontent.css"?><rss xmlns:atom="http://www.w3.org/2005/Atom" xmlns:openSearch="http://a9.com/-/spec/opensearch/1.1/" xmlns:georss="http://www.georss.org/georss" xmlns:feedburner="http://rssnamespace.org/feedburner/ext/1.0" version="2.0"><channel><atom:id>tag:blogger.com,1999:blog-27762361</atom:id><lastBuildDate>Wed, 11 Nov 2009 20:30:33 +0000</lastBuildDate><title>Terra à Vista</title><description>Economia e Filosofia com os pés no chão</description><link>http://tavista.blogspot.com/</link><managingEditor>noreply@blogger.com (Joel Pinheiro)</managingEditor><generator>Blogger</generator><openSearch:totalResults>153</openSearch:totalResults><openSearch:startIndex>1</openSearch:startIndex><openSearch:itemsPerPage>25</openSearch:itemsPerPage><atom10:link xmlns:atom10="http://www.w3.org/2005/Atom" rel="self" href="http://feeds.feedburner.com/Tavista" type="application/rss+xml" /><atom10:link xmlns:atom10="http://www.w3.org/2005/Atom" rel="hub" href="http://pubsubhubbub.appspot.com" /><item><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-27762361.post-6598624996511333808</guid><pubDate>Wed, 04 Nov 2009 21:12:00 +0000</pubDate><atom:updated>2009-11-05T11:06:11.876-02:00</atom:updated><category domain="http://www.blogger.com/atom/ns#">Economia</category><title>Vamos reabilitar o capitalismo?</title><description>&lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;span lang="PT-BR" style="mso-ansi-language:PT-BR"&gt;Numa língua “perfeita” (digo idealizada, irrealizável, não necessariamente melhor), cada palavra teria um único significado. De cada palavra, sempre saberíamos exatamente ao que ela se refere. No mundo real, as palavras podem ter muitos significados, o que todo mundo sabe, mas acontece que há, também, palavras sem significado nenhum, e ainda palavras que já tiveram significados e não têm mais.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;span lang="PT-BR" style="mso-ansi-language:PT-BR"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;span lang="PT-BR" style="mso-ansi-language:PT-BR"&gt;É o caso de “capitalismo”. Produto da mente tortuosa de algum pensador alemão (Marx não inventou o termo, apesar de tê-lo popularizado) - ou seja, nenhum dos autores em geral associados ao capitalismo, como Adam Smith, jamais o escreveu - “capitalismo” se referia supostamente a um certo sistema econômico. O problema é que esse sentido original já era sem sentido. Diferentemente do socialismo, que é algo imposto à sociedade, uma série de regras, proibições e intervenções governamentais para moldar a sociedade segundo uma certa concepção, o capitalismo nada mais é do que as pessoas vivendo e interagindo livremente; é a ausência de um sistema. Produzo algo, troco com outra pessoa, ofereço meu trabalho por um preço combinado mutuamente para um contratante, etc. Cada um é dono do que é seu e pode usá-lo livremente. Isso é capitalismo. O termo ainda tinha o mérito de ressaltar a importância do capital, isto é, da poupança, para o crescimento. Uma nação só prospera se tiver capital; e como forma capital? Poupando. Em todo caso, mesmo esse bom sentido, contido no próprio nome, acabou se perdendo.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;span lang="PT-BR" style="mso-ansi-language:PT-BR"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;span lang="PT-BR" style="mso-ansi-language:PT-BR"&gt;Acontece que associou-se “capitalismo” a outra coisa: uma certa relação entre governos e grandes empresas, a concessão de monopólios, governos preocupado em aumentar o PIB, em controlar a taxa de juros e a inflação. Como o mesmo termo era usado tanto para um conjunto de valores e idéias acerca da sociedade quanto para designar o dono de uma empresa, as duas coisas acabaram se confundindo. Assim, se um grande empresário (um grande capitalista) entra em conluio com o governo, então o capitalismo, enquanto idéias e valores, deve ter algo a ver com isso; o que é obviamente falso. Hoje em dia, “capitalismo” não tem propriamente um significado, um objeto que seja designado pelo termo. É antes um produtor de reações no ouvinte: alguns detestam, outros adoram, mas ninguém sabe bem do que se está falando.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;span lang="PT-BR" style="mso-ansi-language:PT-BR"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;span lang="PT-BR" style="mso-ansi-language:PT-BR"&gt;Mesmo uma palavra sem significado pode ter seu valor. Apesar dos defeitos do suposto conceito, que dá aparência de sistema ao que é ausência de sistema, o nome tinha força. Queira-se ou não, a palavra “capitalismo” é forte. Quando digo a alguém, numa festa ou outro contexto apropriado, “ sou defensor o livre mercado”, ou ainda “sou liberal no sentido clássico, sabe?”, ouço bocejos e quem está à minha volta procura desculpas para sair de perto. Agora, se digo “sou capitalista!”, todos olham surpresos, a música para e tem início mais um belo e exaltado debate, uma produtiva troca de idéias e esclarecimento de termos. A palavra adquiriu uma força, um poder de entusiasmar ou indignar, que nenhum outro termo ou expressão sinônima tem.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;span lang="PT-BR" style="mso-ansi-language:PT-BR"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;span lang="PT-BR" style="mso-ansi-language:PT-BR"&gt;Hoje em dia, quando o significado mambembe que ela tinha já foi quase totalmente perdido, e ela é ainda uma boa provocadora de reações. E é por isso mesmo que o termo deve continuar a ser usado, e que devemos lutar para imbuí-lo de significado; dessa vez um significado verdadeiro, que reflita o pensamento capitalista real, e não as tramóias de um empresário e um governantes que são seu exato oposto. Um bom sinônimo é livre mercado, que carece dessa potência sonora. Infelizmente, a própria idéia de liberdade, por ser muito mais vaga e aludir, antes de tudo, a pessoas voando soltas por aí, não tem a pegada de capitalismo, que conta ainda com os sons fortes de c, p e t em sequência. Em suma, está na hora do termo ser reabilitado. Onde estão o PCap (Partido Capitalista), o Instituto Capitalista, o Jornal Capitalista? É hora de fazer frente ao marxismo aguado que permeia nossa cultura, e nada melhor para começar do que um nome forte e inquietante. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/27762361-6598624996511333808?l=tavista.blogspot.com'/&gt;&lt;/div&gt;</description><link>http://feedproxy.google.com/~r/Tavista/~3/CwfTdsUskE8/capitalista-sim.html</link><author>noreply@blogger.com (Joel Pinheiro)</author><thr:total xmlns:thr="http://purl.org/syndication/thread/1.0">0</thr:total><feedburner:origLink>http://tavista.blogspot.com/2009/11/capitalista-sim.html</feedburner:origLink></item><item><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-27762361.post-7784632532496016023</guid><pubDate>Fri, 23 Oct 2009 16:39:00 +0000</pubDate><atom:updated>2009-10-23T14:50:56.234-02:00</atom:updated><category domain="http://www.blogger.com/atom/ns#">Livros</category><category domain="http://www.blogger.com/atom/ns#">Economia</category><category domain="http://www.blogger.com/atom/ns#">Sociedade</category><title>Educação privada para os mais pobres dentre os pobres</title><description>&lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;span lang="PT-BR"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:'trebuchet ms';"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: small;"&gt;Volta e meia, ao pensar ou defender os méritos da educação privada, me punha a imaginar as possibilidades educacionais num mundo sem regulamentações, onde qualquer um pudesse dar aulas ou mesmo abrir uma escola. Assim, alguém que soubesse um pouco mais do que aqueles à sua volta (digamos, um senhor que leia e escreva razoavelmente bem e que mora numa favela de iletrados) poderia usar a sala de casa como sala de aula; os preços seriam baixíssimos, de forma que mesmo gente muito pobre poderia pagar. Esses devaneios cessaram depois que li &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span lang="PT-BR"&gt;&lt;i&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:'trebuchet ms';"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: small;"&gt;The Beautiful Tree&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;span lang="PT-BR"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:'trebuchet ms';"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: small;"&gt;, de James Tooley, pois agora sei que se trata de uma realidade. &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:'trebuchet ms';"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: small;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;span lang="PT-BR"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:'trebuchet ms';"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: small;"&gt; &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;span lang="PT-BR"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:'trebuchet ms';"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: small;"&gt;A história do livro começou por coincidência. Tooley, que trabalha com educação desde os anos 80 (tendo inclusive se voluntariado como professor de matemática no regime de Mugabe no Zimbábue, quando ainda acreditava no sonho do socialismo), foi mandado pela universidade de Newcastle para Hyderabad (Índia), onde ele deveria estudar os colégios privados da elite. Num dia de folga, decidiu conhecer a maior favela da cidade, pois sua preocupação sempre foi com os mais pobres. Lá, no meio da favela, descobriu algo fascinante: literalmente centenas de escolas privadas para os pobres. Muitas tinham, com efeito, começado com um professor dando aulas em sua própria casa; com o tempo, e o aumento da demanda, expandiram-se, contrataram mais professores e anexaram construções vizinhas. Verdadeiros empreendedores da educação, pessoas com real vocação ao ensino, dedicam suas vidas para ensinar crianças a um custo baixíssimo, unindo serviço social a lucratividade. Não é para menos que se tornaram figuras respeitadas da comunidade. Os pais não têm dúvidas: as escolas privadas são mais próximas de casa, os professores mais dedicados (não faltam nunca, bem diferente das escolas públicas), o número de alunos por sala é menor e as crianças aprendem mais. Impressionado com o que viu, Tooley viajou o mundo (Zimbábue, Gana, Quênia, Nigéria, China) para verificar se Hyderabad era exceção ou regra. Para sua surpresa, e para nossa, a descoberta repetiu-se sempre: escolas privadas existem em grande número nas favelas e vilas rurais mais miseráveis, e prestam um serviço importantíssimo à população por preços que a maioria pode pagar (e, de quebra, dão aula de graça para quem não tem condições: órfãos e exilados, por exemplo). &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:'trebuchet ms';"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: small;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;span lang="PT-BR"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:'trebuchet ms';"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: small;"&gt; &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;span lang="PT-BR"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:'trebuchet ms';"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: small;"&gt;Em cada novo país, os estudiosos de educação, os encarregados da educação pública, os representantes da ONU, Banco Mundial ou das grandes ONGs, enfim, os “experts de desenvolvimento”, recebiam-no com desdém e condescendência. Juravam de pés juntos que, naquele país, não havia escolas privadas para os pobres. “A população é muito pobre. Em nosso país, escolas privadas são para os ricos.” Errados sempre. O ensino privado já é uma realidade estabelecida, embora tenha que lidar com todo um sistema desenhado para eliminá-la. Em quase todos os casos, a escola precisa subornar fiscais para ser tolerada, já que é simplesmente impossível uma escola de pequeno porte, e que atende à população carente, se adequar às incontáveis regulamentações impostas pelo governo (tamanho do playground, número de banheiros, certificações dos professores, etc). &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:'trebuchet ms';"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: small;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;span lang="PT-BR"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:'trebuchet ms';"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: small;"&gt; &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;span lang="PT-BR"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:'trebuchet ms';"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: small;"&gt;Mesmo quando admitem a existência de escolas privadas em grande número, os experts insistem em que elas não são parte da solução para o problema da educação, pois “visam o lucro”. Ora, nos mostra o livro, é exatamente porque visam o lucro que as escolas privadas são mais confiáveis do que as públicas. Tooley mostra muito bem como o desejo de lucrar e o de servir à comunidade não são contraditórios; pelo contrário, reforçam-se mutuamente. Na escola privada, os professores dão aula bem e raramente faltam, mesmo ganhando salários muito inferiores aos da escola pública, cujos funcionários têm todo tipo de regalias e “direitos adquiridos”. A diferença está em que, na escola privada, a remuneração do empreendimento depende da qualidade do serviço prestado, que é avaliada pelos próprios pais; quem falta ou ensina mal pode ser demitido. Na escola pública, o dinheiro vem dos impostos (e de doações bilionárias de países ricos) e ninguém corre risco de demissão. Para quê se esforçar? Um pai, cidadão pobre do Quênia, explica assim a diferença: “Enquanto a maioria dos professores na escola do governo fica descansando, na escola privada nossos professores estão ocupados dando o melhor de si, porque eles sabem que somos nós que pagamos. (...) A gente consegue [dinheiro] com nosso suor, não podemos jogá-lo fora, porque dinheiro não nasce em árvores, você tem que trabalhar pesado para receber, e o professor precisa trabalhar ainda mais pesado com as nossas crianças para ganhar o sustento dele.” (p. 122) - e assim um homem simples, sem nenhuma educação formal, revela um entendimento mais refinado de ciência econômica do que experts da ONU e do Banco Mundial.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:'trebuchet ms';"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: small;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;span lang="PT-BR"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:'trebuchet ms';"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: small;"&gt; &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;span lang="PT-BR"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:'trebuchet ms';"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: small;"&gt;Não tendo como negar a realidade do ensino privado e o poder de atração que ele exerce, esses mesmos experts argumentam que ele seria de baixíssima qualidade; uma ferramenta de explorar a pobreza e a ignorância da população (claro, tal argumento parte do pressuposto de que os pais pobres são burros e/ou não ligam a mínima para a educação dos filhos - um mito preconceituoso mas estranhamente popular). Tooley pôs-se, então, a testar essa tese. Preciso dizer o resultado? As escolas privadas vão melhor do que as públicas; testes padronizados confirmam o que os pais solícitos já sabiam conversando com seus filhos, comparando-os e observando as salas de aula. E reparem bem: as escolas privadas têm resultados melhores com custo por aluno muito menor. Orçamentos vultuosos dos governos, doações bilionárias de países ricos e ONGs multinacionais têm resultado pior do que escolinhas que funcionam em casebres da favela, com professores da própria comunidade e que se financiam exclusivamente de 2 dólares por mês de cada aluno.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:'trebuchet ms';"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: small;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;span lang="PT-BR"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:'trebuchet ms';"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: small;"&gt; &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;span lang="PT-BR"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:'trebuchet ms';"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: small;"&gt;Conforme avança a leitura, outra revelação: o ensino privado não é novidade. Havia - e isso é bem documentado - na Índia, antes da colonização britânica, educação privada bem extensa. O governo britânico, sob o pretexto de dar aos indianos uma educação nos padrões ingleses, acabou com o sistema nativo e implantou a rede pública. É por isso que, em 1931, Gandhi podia afirmar: “Digo sem medo de que contestem meus dados que a Índia hoje é mais iletrada do que era cinqüenta ou cem anos atrás” (p. 212). A educação pública, por ser gratuita ao consumidor (ou, em outros casos, ter um preço bem inferior ao seu custo), atrai grande parte da população, ávida por pagar menos, destruindo assim as alternativas privadas, que eram sustentáveis. E, no fim das contas, o resultado educacional é negativo, devido ao problema de incentivos de todo serviço gerido pelo governo. O mesmo se aplica ao próprio Ocidente; quem se interessa em olhar os dados descobre que a educação inglesa já era universal antes da provisão estatal. Alternativas privadas de educação, melhores e muito mais eficientes, foram também tiradas do mercado por meio de regulamentações infinitas, cujo único resultado foi eliminar o ensino privado de baixo custo e conformar as poucas opções restantes ao modelo estatal. &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:'trebuchet ms';"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: small;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;span lang="PT-BR"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:'trebuchet ms';"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: small;"&gt; &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;span lang="PT-BR"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:'trebuchet ms';"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: small;"&gt;Tooley não deixa de observar que há ainda muito a se fazer, por exemplo, nos métodos de ensino (embora, como ele bem mostra, é no mercado que os novos métodos nascem e se desenvolvem) e nos currículos (ainda muito presos às provas oficiais do governo e distantes das necessidades reais da população). Não quer dar respostas prontas, elaborar um “Grande Plano de Educação”, pois é exatamente esse o erro que os governos têm cometido; ele apenas propõe idéias, esboços, de como go&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span lang="PT-BR"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:'trebuchet ms';"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: small;"&gt;verno e mercado podem cooperar para dar educação de qualidade a todos. Concorde-se ou não com essas propostas, elas manifestam, sem dúvida, uma mente honesta em busca de soluções práticas para problemas reais. &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:'trebuchet ms';"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: small;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;span lang="PT-BR"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:'trebuchet ms';"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: small;"&gt;Que o governo deva prover educação gratuita e compulsória para todos é um dogma das ciências econômica e política contemporâneas. Mas e se a própria educação se beneficiar de um papel maior da iniciativa privada? &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;i&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:'trebuchet ms';"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: small;"&gt;The Beautiful Tree&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:'trebuchet ms';"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: small;"&gt; nos alerta que talvez seja hora de rever alguns dogmas... James Tooley não é um defensor ardoroso do liberalismo econômico; tampouco é particularmente afeito ao intervencionismo estatal (a experiência pessoal direta com o socialismo do Zimbábue ensinou-lhe boas lições). Sua única agenda é a melhora da educação. Para ele, mais importante do que uma escola ser particular ou pública, é melhorar a educação da forma mais eficaz e eficiente possível. Seu livro nos dá os resultados de anos de pesquisa por vários países, mas vai além disso. Ele abre uma janela para mundos completamente desconhecidos da maioria de nós (as favelas de Lagos, vilarejos rurais em Ganzu, China) e alguns dos personagens cativantes (professores, alunos, pais) que os habitam. A imagem tradicional dos pobres como &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;i&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:'trebuchet ms';"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: small;"&gt;pobres coitados&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:'trebuchet ms';"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: small;"&gt;, miseráveis passivos e ignorantes, totalmente dependentes da caridade externa, dá lugar à realidade de um povo dinâmico, de empreendedores, com muitas carências sim, mas dispostos a lutar, trabalhar e estudar para melhorar de vida; e é exatamente isso que fazem quando têm a liberdade necessária. É uma verdadeira aula de sociologia e geografia contemporâneas e uma bela amostra da nobreza do espírito humano mesmo sob as condições mais precárias.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:'trebuchet ms';"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: small;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;a href="http://www.imil.org.br/divulgacao/livros-indicados/the-beautiful-tree/"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:'trebuchet ms';"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: small;"&gt;Resenha originalmente publicada no Instituto Millenium.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/27762361-7784632532496016023?l=tavista.blogspot.com'/&gt;&lt;/div&gt;</description><link>http://feedproxy.google.com/~r/Tavista/~3/fFpWQew8i8Y/educacao-privada-para-os-mais-pobres.html</link><author>noreply@blogger.com (Joel Pinheiro)</author><thr:total xmlns:thr="http://purl.org/syndication/thread/1.0">0</thr:total><feedburner:origLink>http://tavista.blogspot.com/2009/10/educacao-privada-para-os-mais-pobres.html</feedburner:origLink></item><item><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-27762361.post-6307876032548688446</guid><pubDate>Mon, 19 Oct 2009 17:34:00 +0000</pubDate><atom:updated>2009-10-19T18:53:24.961-02:00</atom:updated><category domain="http://www.blogger.com/atom/ns#">Terra à Vista</category><title>Uma breve olhada para trás</title><description>&lt;div align="justify"&gt;Cem textos meus atrás, nascia este blog. Fazem mais de três anos – pouco, quando comparo o número real à minha percepção do tempo – e muita coisa mudou desde então.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Começou como um projeto de amigos da faculdade: queríamos publicar um jornalzinho com opiniões nossas. O que leva alguns a querer publicar e discutir suas idéias? Sem afetações: no meu caso, posso dizer que o desejo de melhorar o mundo é &lt;em&gt;uma parte&lt;/em&gt; da resposta, mas seria falso dizer que é só isso. O desejo de ser reconhecido também tem um papel, mas quero acreditar que não é o determinante. Há um certo tipo de pessoa, e me considero uma delas, para quem, simplesmente, as idéias importam; ou seja, para quem a verdade ou falsidade de teses abstratas é percebido como algo muito relevante mesmo para a vida prática. Éramos desse tipo. Mas logo percebemos as muitas dificuldades de se ter um jornal e desanimamos, até que, um tempo depois, alguém teve a idéia do blog.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Começamos bem, publicávamos intercaladamente, discutindo principalmente economia,  mas também qualquer tema que nos interessasse. Tínhamos como meta principal ler e discutir os textos um do outro; leitores externos seriam um bônus. Contudo, essa preocupação logo se impôs com mais força, ainda que nossa indisciplina na publicação tenha botado tudo a perder. No fim das contas, a pressão que eu fazia para que mantivéssemos uma boa rotina de posts acabou tornando o blog mais um fardo do que um prazer para o resto do grupo. Um a um foram saindo até que fiquei só eu. Hoje, dos mais ou menos 150 textos publicados, dois terços são meus.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se leio algum dos meus antigos, sinto um tremendo mal-estar e ranjo os dentes desconfortável; “Escrevi isso?”. Há alguma coisa no tom, na forma de se relacionar com o texto e com o leitor, que mudou profundamente. Não consigo ler, por exemplo, o texto original do blog sem achá-lo insuportavelmente presunçoso e arrogante, e isso vale para muitos outros. Arrogância que prejudicava a argumentação, tornando algumas questões  artificialmente mais fáceis do que realmente são. (Espero que, daqui a três anos, os textos de hoje em dia também me pareçam fracos.) E olha que, considerando apenas as posições defendidas, não mudei muito não; ainda acho que a igualdade de oportunidades é uma besteira, que o feminismo radical é nocivo, que a verdade existe, que se A é verdadeiro então não-A é falso e que a salvação da alma é mais importante que o hexacampeonato da seleção – mas tenho certeza que, ano que vem, não escreverei nenhuma tirada deprimente contra o futebol, ao menos não nos termos amargos e prepotentes em que o fiz na copa passada (baixar a bola do futebol, em si, isso talvez eu não resista).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ninguém é bom juiz em causa própria. Sei que, no momento em que escrevo, minha opinião sobre o texto é sempre superior ao seu mérito; e que, se o leio depois de um tempo, costumo achá-lo pior do que realmente é. Por isso deixo-os publicados aqui (fora dois, cujo tom ou posição estavam tão distantes de mim que não resisti e deletei), para algum leitor ocasional tirar algum proveito, se possível. E olha que volta e meia alguém pergunta ao Google se existe verdade absoluta; quem sabe meu texto tenha auxiliado a algum desses. E vai que alguém, que chegue aqui via Google por um texto antigo, acabe se interessando pelos novos. O formato blog virtualmente lima o passado, o que no meu caso é bom; são poucos os que acessam o conteúdo antigo; mas ele está lá para quem quiser.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Hoje, contento-me com o número modesto de acessos à minha página e aguardo ansioso comentários aos textos. Gostaria de ter mais leitores, o que é sempre bem-vindo, mas não tenho nenhuma pretensão, e nem dedico esforço algum, a torná-lo um blog popular.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A Internet é uma ferramenta formidável: acesso irrestrito à informação. É verdade que isso traz o risco de diminuir nosso comprometimento. Quero dizer: ao comprar um livro, crio imediatamente um compromisso de lê-lo. Além disso, o objeto físico, bonito e bem acabado, convida ao investimento de tempo que ele demanda. Já um livro gratuito em PDF, longe disso: não foram poucos os que li por cima apenas na ocasião em que os baixei e depois nunca mais. Mesmo assim, o fato é que a internet torna disponível um universo de informação, e depende apenas de cada um utilizá-lo e melhorá-lo. Creio que cada blog, por menor que seja, contribui para a produção de conhecimento, ou ao menos para criar interesse e debate, e assim ajuda na mudança e no progresso da cultura.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na internet todos podem falar. Não há censura, não há vitória pelo silêncio e não estamos restritos às opiniões (ou melhor, à opinião) mainstream de sempre. O monopólio dos governos e dos grandes grupos de mídia acabou. As bases muito frágeis nas quais se assentava o poder dos formadores de opinião estabelecidos estão sendo roídas aos poucos e não há mais volta. Sua última defesa, o preconceito de que algo escrito na internet é menos sério do que o impresso no papel barato de um jornal, torna-se menos crível diariamente. Folha ou Estado, PT ou PSDB; “Mario ou Luigi”. A falsa opção está ficando aparente. Quem tinha ouvido falar em economia austríaca, ou em liberdade radical de mercado, dez anos atrás? Hoje, os únicos a ainda ignorá-las são aqueles com medo de perder as posições de destaque que conseguiram com anos de compromissos, favores e submissões à opinião aceitável. Com questões mais culturais, morais e espirituais, com o Cristianismo, com o conservadorismo – entendido no bom sentido: a retomada de valores tradicionais e de uma ética das virtudes calcada na natureza humana, e não a corrente filosófica da qual fazem parte Collor, Sarney e Antônio Carlos Magalhães – o mesmo tem acontecido. O melhor é que está cada vez mais óbvio que essas causas (liberdade de mercado, virtudes, Cristianismo), que já andaram muito separadas umas das outras, fortalecem-se mutuamente. Tudo isso em grande parte graças à Internet.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sou uma gota nesse mar de idéias e discussões. Mas uma gota que não vai se mesclar e perder a identidade com a água à sua volta. Em defesa da verdade onde ela estiver, como dizia a tag line antiga, mas mais preocupado em discutir, ensinando e aprendendo, do que de pontificar de uma cátedra inexistente. Grato aos leitores que me agüentaram até aqui, abuso de sua paciência para pedir que me agüentem por anos mais.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/27762361-6307876032548688446?l=tavista.blogspot.com'/&gt;&lt;/div&gt;</description><link>http://feedproxy.google.com/~r/Tavista/~3/uoAU4cm4gf4/uma-breve-olhada-para-tras.html</link><author>noreply@blogger.com (Joel Pinheiro)</author><thr:total xmlns:thr="http://purl.org/syndication/thread/1.0">6</thr:total><feedburner:origLink>http://tavista.blogspot.com/2009/10/uma-breve-olhada-para-tras.html</feedburner:origLink></item><item><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-27762361.post-7195305975607141794</guid><pubDate>Thu, 15 Oct 2009 16:43:00 +0000</pubDate><atom:updated>2009-10-17T21:37:40.375-03:00</atom:updated><category domain="http://www.blogger.com/atom/ns#">Ficção</category><category domain="http://www.blogger.com/atom/ns#">Ética</category><title>Carlos, o consequencialista</title><description>&lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;span lang="PT-BR" style="mso-ansi-language:PT-BR"&gt;Carlos era um jovem estudante de economia numa faculdade privada paulistana, e estava insatisfeito. Ele queria fazer algo para ajudar os necessitados, mas os professores só falavam em maximizar o lucro, em perseguir o auto-interesse. E isso não era o exato oposto da ética? Os princípios morais de Carlos eram outros: “o bem da coletividade deve vir antes do bem individual”; “fazer o bem é trazer o máximo benefício para o maior número de pessoas”; “uma ação é má quando é egoísta, e boa quando é altruísta”. E alguém discordava? De forma nenhuma: os colegas, os amigos, os parentes, todos estavam de pleno acordo, mas mesmo assim nada mudava. Era como se, para todo mundo menos ele, essas máximas devessem ser só faladas, e não vividas.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;Seu tio, por exemplo, era rico e comprara um carro importado; por acaso era justo uns terem carro importado enquanto outros pegavam ônibus lotado? “Ah, Carlinhos, o mundo é assim, seria ótimo se todos fossem iguais, mas não são. Fazer o quê? Cada um corre atrás do seu”. Alguns colegas ajudavam uma entidade estudantil que dava aulas de reforço para crianças carentes. As intenções até que eram boas, mas qual o resultado prático? Quase nenhum. E fazer o bem era, por acaso, ter intenções boas, ficar de consciência tranquila? Isso também era egoísmo. Até seu melhor amigo da faculdade, o Dado, o decepcionou. No começo do curso, um verdadeiro revolucionário; só falava da revolução e o mundo igualitário que ela traria; até viajou para Cuba nas férias. Já no quinto semestre, amoleceu. “Olha, não dá para viver como se estivéssemos numa utopia; se quisermos ter algum impacto social, precisamos entrar no jogo do sistema capitalista.” Nessa época, Dado já estagiava.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;Não. Não dava para continuar sendo hipócrita. Ainda que ninguém no mundo fosse moral, Carlos seria. A decisão não podia esperar. Todo egoísmo, toda preferência por si mesmo e pelos próprios desejos devia ser eliminada. O bem da maioria deveria sempre vir antes do bem individual. Por que o mero acidente, o acaso, de uns nascerem ricos e outros pobres significava que os primeiros teriam direito a uma vida boa e os segundos não?&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;O primeiro passo foi vender o carro e doar o dinheiro para uma ONG que ajudava vítimas da violência no Paquistão. Ele até considerou doar para alguma causa mais próxima, mas ver o resultado de sua caridade daria um certo prazer, e seria portanto um tipo de egoísmo; fora que seria injusto preferir alguém só porque esse alguém estava mais próximo. A responsabilidade moral não se pauta por algo tão arbitrário quanto a distância. Afinal, ele queria fazer o bem ou apenas reconfortar sua consciência individualista?&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;O passo seguinte foi largar a faculdade (privilégio de poucos) e passar os dias nas ruas, distribuindo alimentos e roupas para os mais miseráveis que pudesse encontrar. Com o dinheiro da faculdade (que os pais, que moravam no Rio, continuavam depositando na conta dele, sem suspeitar de nada) ele comprava para si apenas o mínimo necessário: a comida mais barata que permitisse a sobrevivência de seu corpo e algumas outras necessidades vitais; o resto era doado. O espaço do apartamento charmoso que ele alugava não ficou improdutivo. Expulsou o Marcos e o Alex, dois colegas que moravam com ele (tinham meios para se sustentar; não ia ser ele a auxiliar o egoísmo alheio) e trouxe doze mendigos para viver lá. O bem de doze é superior ao de dois. Da Leni, a empregada que costumava cozinhar e limpar a casa, nem preciso falar - demitida. Daí para frente nada poderia impedir sua progressão rumo ao altruísmo total.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;Sua única muda de roupa estava preta de tão imunda, não tomava banho, o corpo era uma vara suja e fedorenta; comia do lixo, ia ao banheiro na rua e dormia no chão. Mas ainda estava insatisfeito; queria fazer algo a mais. Um dia, o Robério, um dos mendigos do apartamento, teve um piripaque, babou sangue e foi para o hospital; precisava de um pulmão novo. Aí veio a revelação: o corpo esbelto e saudável de Carlos tinha órgãos que poderiam salvar a vida de muitos doentes. Qual o critério ético objetivo para priorizar a própria vida sobre as vidas de outras pessoas? Nenhum. Manter-se vivo enquanto outros padeciam era um ato egoísta; era &lt;i style="mso-bidi-font-style: normal"&gt;o&lt;/i&gt; ato egoísta supremo. A decisão era clara.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;Foi uma espera de dois meses até que Robério morresse. É que Carlos não queria correr o risco de ajudar alguém próximo. Era para evitar esse egoísmo da preferência pessoal que ele procurava afastar de si os amigos ou quem quer que lhe agradasse (o que já não era difícil, dado seu aspecto). Morto o mendigo, foi até o saguão de um hospital bem equipado e se degolou na frente das enfermeiras. Os médicos tentaram salvar o rapaz mas não teve jeito, e os órgãos foram, então, doados. Receberam-nos cinco jovens em condições críticas. Desses, dois tiveram problemas sérios de rejeição e não resistiram. Dos outros três, dois tiveram vidas normais e pouco notáveis. Já o terceiro, um menino de 13 anos, que recebera um dos rins, foi um caso a parte.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;span lang="PT-BR" style="mso-ansi-language:PT-BR"&gt;&lt;o:p&gt;O menino se chamava Pedro de Oliveira Albinone. Ele teve uma vida longa e feliz (bem, era o que ele dizia para si mesmo), trabalhando como funcionário público em Brasília; a promoção pela qual ele tanto lutou não veio, mas a aposentadoria era boa. Seu único filho foi Frederico Lima Albinone, que entrou para a história como o “Bin Laden brasileiro”. Durante um mochilão pela Ásia, o jovem Fred converteu-se ao Islã e entrou num grupo revolucionário radical paquistanês. Passados alguns anos, assumiu a chefia de uma célula terrorista, apossou-se de uma bomba nuclear no mercado negro e a explodiu no centro de Nova Delhi, eliminando, naquele momento, 300.000 pessoas, sem contar as estimadas 1 milhão de mortes causadas pela radiação.&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/27762361-7195305975607141794?l=tavista.blogspot.com'/&gt;&lt;/div&gt;</description><link>http://feedproxy.google.com/~r/Tavista/~3/nI8gT3VFvlI/carlos-o-consequencialista.html</link><author>noreply@blogger.com (Joel Pinheiro)</author><thr:total xmlns:thr="http://purl.org/syndication/thread/1.0">5</thr:total><feedburner:origLink>http://tavista.blogspot.com/2009/10/carlos-o-consequencialista.html</feedburner:origLink></item><item><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-27762361.post-6755651887973886953</guid><pubDate>Wed, 30 Sep 2009 15:50:00 +0000</pubDate><atom:updated>2009-09-30T15:09:51.500-03:00</atom:updated><category domain="http://www.blogger.com/atom/ns#">Ética</category><category domain="http://www.blogger.com/atom/ns#">Sociedade</category><title>Seria, a propaganda, do mal?</title><description>&lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;span lang="PT-BR" style="mso-ansi-language:PT-BR"&gt;Qual é o grande problema com as propagandas? Por que é que todo mundo tem alguma propaganda que gostaria de proibir? O que está por trás dessa mentalidade, que vai aos poucos corroendo nossa liberdade de expressão?&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;span lang="PT-BR" style="mso-ansi-language:PT-BR"&gt;Vimos recentemente a tirada do ar da infeliz campanha publicitária da Vovó Safalda, que fez sucesso entre a molecada conscientizada com seu sábio conselho à netinha: “Mas quem falou em casamento? Eu tô falando em sexo!”. Claro que é bem triste &lt;span style="mso-spacerun:yes"&gt; &lt;/span&gt;ver uma senhora, que devia ser respeitada por sua experiência e sabedoria, por sua capacidade de ir além dos desejos de curto prazo, capitular para a mentalidade de um adolescente tarado e hedonista. Se bem que, perto do que se vê na televisão, essa propaganda era até bem casta. É no mínimo curioso que sensibilidades que agüentaram incólumes décadas de Malhação e Xuxa tenham sido mortalmente feridas ao ouvir uma vovó dizer a palavra “sexo”.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;span lang="PT-BR" style="mso-ansi-language:PT-BR"&gt;Bom, não quero perder o foco. O fato é que alguém achou a propaganda ofensiva e ela foi tirada do ar. Isso já traz à mente vários outros casos parecidos: a Zeca-feira, a tartaruguinha cervejeira, as propagandas de cigarro. Nem sempre é a lei que proíbe; as próprias empresas já se auto-policiam e, temendo represálias do governo ou de grupos da sociedade civil (leia-se ONGs), controlam o que vai ao ar, buscando um equilíbrio meio dúbio. Coloca-se, em fast forward, o aviso “aprecie com moderação” depois de uma propaganda inteira, ou melhor, de uma cultura inteira, que grita com toda a força “beba SEM moderação”, “persiga o seu prazer SEM moderação”. “Ah sim!” deve exclamar o espectador; “eu iria ao bar para encher a cara, mas depois deste aviso sensato, acho que um copo é o bastante”. Chegou-se ao extremo ridículo em que as companhias de cerveja não mostram pessoas bebendo em seus comerciais. O ator olha a garrafa, segura a garrafa, sorri para a garrafa, e brinda; beber, nunca. Agora sim, a moral e os bons costumes estão a salvo!&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;span lang="PT-BR" style="mso-ansi-language:PT-BR"&gt;As companhias entraram no jogo semântico de seus adversários. Sinto muito, mas a propaganda não visa apenas “garantir o direito à informação”. A empresa quer sim influenciar o público e aumentar suas vendas. Se se aceita a premissa de que a propaganda manipula o espectador, transformando-o num zumbi sem alma que quer apenas consumir, então não tem jeito, a empresa já perdeu. A defesa mais honesta da propaganda é a seguinte: sim, queremos influenciar o consumidor, mas ele vai comprar nosso produto apenas se quiser; a responsabilidade é dele. O mesmo com a propaganda de brinquedos. Há uma campanha crescente para que ela seja proibida e limitada de todas as formas, pois as crianças não têm discernimento para escolher. Ainda bem que não é a criança que tem poder de decisão sobre a renda da família, né?&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;span lang="PT-BR" style="mso-ansi-language:PT-BR"&gt;Há algo de mau na cultura de indulgência e excessos em que vivemos? Sem dúvida. Ela é causada pela propaganda? É claro que não. A propaganda apela para desejos e pulsões já existentes nas pessoas. Se ela criasse esses desejos, manipulando as massas de pobres ignorantes, como afirmam tantos sociólogos conscientizados, então não existiria campanha publicitária fracassada. As propagandas que apelam ao hedonismo e à irresponsabilidade são efeito do hedonismo e da irresponsabilidade já existentes nos consumidores brasileiros. Os jovens querem beber até cair e guiar loucamente na volta para casa; então vamos proibi-los cada vez mais de beber, e proibir as propagandas de cerveja. Os pais já não cuidam mais dos filhos, deixam-nos na frente da TV o dia inteiro e compram tudo o que eles pedem; então vamos proibir as propagandas de brinquedo. O povo fuma sem pensar nos seus preciosos pulmões; então vamos proibir o fumo e a propaganda de cigarro. Isso só alimenta a irresponsabilidade. Quanto mais regras, quanto mais proibições, menor a autonomia individual, e menor a responsabilidade de cada um por suas ações. As pessoas se preocupam apenas em obedecer (para poderem, quando algo der errado, dizer “não foi minha culpa, eu segui as regras”) ao invés de agir da melhor forma possível.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;span lang="PT-BR" style="mso-ansi-language:PT-BR"&gt;Não adianta proibir a propaganda. Não adianta botar avisos no fim do comercial. Não adianta proibir toda nova atividade que apresente riscos de saúde. Isso é um controle tolo de sintomas que só ajuda o alastramento da doença. O problema real, a causa verdadeira, é moral e espiritual, ou seja, está nos valores pelos quais as pessoas vivem. Fazer escândalo quando esses valores são retratados no comercial é, no mínimo, ingenuidade. E todo o resto da cultura? Não deveria ser proibido também?&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;span lang="PT-BR" style="mso-ansi-language:PT-BR"&gt;A saída moralista fácil (não alterar a realidade, apenas impedi-la de ser mostrada) encontra o anti-capitalismo normal do povo brasileiro (“lucro é mau”). E as empresas entram na dança, aceitando as premissas e o raciocínio, mas negando, sabe-se lá com que malabarismos retóricos, a conclusão: o homem não é responsável por suas escolhas, e portanto não deve ter a liberdade de escolher.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/27762361-6755651887973886953?l=tavista.blogspot.com'/&gt;&lt;/div&gt;</description><link>http://feedproxy.google.com/~r/Tavista/~3/_mlWlPddkQA/seria-propaganda-do-mal.html</link><author>noreply@blogger.com (Joel Pinheiro)</author><thr:total xmlns:thr="http://purl.org/syndication/thread/1.0">12</thr:total><feedburner:origLink>http://tavista.blogspot.com/2009/09/seria-propaganda-do-mal.html</feedburner:origLink></item><item><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-27762361.post-4104377721454396164</guid><pubDate>Mon, 14 Sep 2009 21:22:00 +0000</pubDate><atom:updated>2009-09-14T18:24:00.789-03:00</atom:updated><category domain="http://www.blogger.com/atom/ns#">Sociedade</category><title>15 anos de cursinho</title><description>&lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span lang="PT-BR" style="mso-ansi-language:PT-BR"&gt;É um fato bem conhecido que a educação no Brasil não está bem, embora nem sempre seja fácil apontar o que, especificamente, está errado. Uma recente pesquisa &lt;span style="mso-spacerun:yes"&gt; &lt;/span&gt;trouxe um pouco de luz ao problema, cujas origens podem estar no ensino fundamental: em países como Chile e Cuba (até em Cuba!), o professor passa a maior parte da aula voltado para os alunos, elucidando conceitos, respondendo perguntas e discutindo eventuais polêmicas; a lousa é usada como um apoio ao ensino. No Brasil, ela é a peça central da aula. O professor passa a maior parte do tempo de costas para a classe, copiando o que está escrito no livro didático, enquanto os alunos, por sua vez, copiam da lousa para os cadernos. Isso se ainda não perderam o interesse pela aula e, desistindo de anotar, conversam entre si.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span lang="PT-BR" style="mso-ansi-language:PT-BR"&gt;&lt;o:p&gt;A educação brasileira consiste essencialmente na cópia e na repetição dos conteúdos já extremamente simplificados e esquematizados dos livros didáticos. Esse padrão não é, infelizmente, restrito ao ensino fundamental (o que já seria preocupante), mas verifica-se ao longo de todo o sistema. Richard Feynman, prêmio Nobel de física, quando veio ao Brasil, ficou chocado em ver como jovens universitários tão inteligentes preocupavam-se apenas em memorizar, e não em compreender. Concluiu ele: “P&lt;span style="color:black;"&gt;or fim, eu disse que não conseguia entender como alguém podia ser educado neste sistema de autopropagação, no qual as pessoas passam nas provas e ensinam os outros a passar nas provas, mas ninguém sabe nada.” (Tirado do livro “O Senhor está brincando, Sr. Feynman?”.) Isso foi nos anos 50. Desde então, nada mudou.&lt;/span&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span lang="PT-BR"  style="mso-ansi-language:PT-BR;color:black;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span lang="PT-BR"  style="mso-ansi-language:PT-BR;color:black;"&gt;Como recém-formado de duas faculdades paulistanas, observei a mesma coisa. Pouco entendimento, muito decoreba. Os conteúdos são ministrados visando apenas à prova ao fim do semestre, como se estivéssemos num cursinho pré-vestibular (que já é, por sinal, o modelo padrão do ensino médio). Do livro-texto para a lousa (ou para o slide de PowerPoint), da lousa para o caderno, do caderno para a prova. Vocês podem imaginar o quanto se perde a cada uma dessas passagens. O resultado são alunos bons em recitar informações, mas com enorme dificuldade em integrá-las num corpo de conhecimento utilizável fora da sala de aula. Enfim, do ensino básico ao superior, nunca saímos do cursinho.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span lang="PT-BR"  style="mso-ansi-language:PT-BR;color:black;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span lang="PT-BR"  style="mso-ansi-language:PT-BR;color:black;"&gt;Um cursinho que, ironicamente, não produz resultados. Os alunos do ensino básico brasileiro vão consistentemente mal em avaliações internacionais, ficando atrás de países como Jordânia, Tailândia e Bulgária (PISA 2006). E não é para menos: o cursinho funciona quando se tem um objetivo pontual e concreto em mente, como uma prova específica que se queira passar; quando se trata de educação num sentido mais amplo, de longo prazo, o modelo da memorização e repetição torna-se desestimulante, o que talvez explique, em parte, por que os estudantes demonstram tão pouco interesse pelas aulas na maioria dos colégios e faculdades.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/27762361-4104377721454396164?l=tavista.blogspot.com'/&gt;&lt;/div&gt;</description><link>http://feedproxy.google.com/~r/Tavista/~3/8fxwrq6FHiU/15-anos-de-cursinho.html</link><author>noreply@blogger.com (Joel Pinheiro)</author><thr:total xmlns:thr="http://purl.org/syndication/thread/1.0">6</thr:total><feedburner:origLink>http://tavista.blogspot.com/2009/09/15-anos-de-cursinho.html</feedburner:origLink></item><item><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-27762361.post-1445258145266494568</guid><pubDate>Fri, 04 Sep 2009 14:18:00 +0000</pubDate><atom:updated>2009-10-17T21:42:15.885-03:00</atom:updated><category domain="http://www.blogger.com/atom/ns#">Economia</category><title>Mercado e governo: posturas opostas</title><description>&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;Querido consumidor,&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nós, da Coca-Cola Company, estamos muito felizes que você goste de nossos produtos. Queremos sempre prover-lhe com refrigerantes da melhor qualidade. Contudo, como você deve saber, a quantidade de Coca-Cola não é infinita. Quando você compra suas três latas diárias, isso significa que outras pessoas ficam com menos Coca-Cola para elas, ou até sem nenhuma. Assim, vimos por meio desta pedir que você reduza seu consumo de nosso refrigerante para que não falte Coca-Cola a ninguém. Estamos considerando cobrar mais caro de pessoas que, como você, consomem demais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Att,&lt;br /&gt;John Pemberton&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nenhum de nós jamais recebeu uma carta dessas. Mas pode apostar que receberíamos se a Coca-Cola fosse estatizada. É assim com todos os bens e serviços cuja produção e distribuição o governo se apoderou (ou, o que é quase equivalente, deu direito de monopólio a uma empresa que é privada só no nome).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Transporte público, ruas, água, energia, saúde, educação, tudo isso falta e costuma ser mal-feito e ineficiente. Não pensem que o governo provê esses serviços porque são essenciais, e coisas essenciais não podem ser deixadas nas mãos do mercado. Ora, e comida não é essencial? Comida é produzida e distribuída privadamente. Já imaginaram como seriam as filas, e como seria a fome, se o Brasil estatizasse a alimentação?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A empresa privada visa a satisfazer seu consumidor, e alegra-se de que ele consuma seus bens; afinal, é esse consumo que garante sua renda, e que estimula a produção subseqüente de mais unidades. Quem consome em maior quantidade freqüentemente ganha descontos e prêmios. Já a “empresa” estatal está em guerra contra seus consumidores; quem consome mais é culpado e punido. Enquanto empresas oferecem “leve 2 pague 1”, as estatais promovem o racionamento.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não estou dizendo que consumir mais seja sempre bom, longe disso. Mas consumir, ou seja, atender a desejos e necessidades humanos, é, em si, algo bom; aliás, as estatais existem com a finalidade expressa de permitir o consumo de seus bens e serviços; elas falham é em cumprir essa finalidade. E o motivo é bem conhecido: elas não precisam lucrar, porque sua renda vem dos impostos, e não precisam melhorar seus serviços, porque são monopolistas (e não porque conquistaram o mercado oferecendo o melhor serviço, mas porque o governo, além de financiá-las, limita a competição).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se água, energia, transporte, saúde e educação são essenciais, então esse é mais um motivo para que elas não sejam deixadas nas mãos do governo.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/27762361-1445258145266494568?l=tavista.blogspot.com'/&gt;&lt;/div&gt;</description><link>http://feedproxy.google.com/~r/Tavista/~3/EUgIOOOUSzE/posturas-opostas.html</link><author>noreply@blogger.com (Joel Pinheiro)</author><thr:total xmlns:thr="http://purl.org/syndication/thread/1.0">0</thr:total><feedburner:origLink>http://tavista.blogspot.com/2009/09/posturas-opostas.html</feedburner:origLink></item><item><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-27762361.post-1420206622629881704</guid><pubDate>Tue, 18 Aug 2009 20:05:00 +0000</pubDate><atom:updated>2009-08-18T18:18:44.296-03:00</atom:updated><category domain="http://www.blogger.com/atom/ns#">Filosofia</category><category domain="http://www.blogger.com/atom/ns#">Ética</category><title>Punir, com Amor</title><description>&lt;div align="justify"&gt;Compare essas duas posições: “Lugar de bandido é na cadeia! Roubou? Matou? Então tem mais é que pagar pelo que fez!”; “Eu acho que a função da prisão tem que ser sempre recuperar o presidiário. Punir por punir não faz sentido; é até cruel. O importante é a reinserção social do preso.”. Agora responda: qual dessas duas posições procede de um espírito mais humanitário, mais preocupado com o bem do ser humano? Talvez você pense que é a segunda, mas engana-se. A primeira posição é de longe a mais humana, e vou mostrar o porquê.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Consigo pensar em quatro finalidades possíveis para a punição: punir, recuperar, dissuadir, proteger. Talvez haja outras, mas acho que essas são as principais. A finalidade “punir” é o clássico restabelecimento da justiça, que foi violentada pelo ato criminoso. O homem culpado se apropriou do que não era seu por direito; por isso, ele deve, em contrapartida, perder algo que era. Dessa forma, ele percebe e sente na própria pele o mal que cometeu. Procura-se também recuperar o criminoso, para que, depois de solto, não volte a cometer crimes. Ao sair da cadeia, espera-se que tenha uma disposição moral mais benevolente e encontre um ambiente social menos hostil. O “dissuadir” refere-se ao efeito que a punição deveria ter em coibir criminosos potenciais: gente que só não comete um crime pelo medo de ser punida. E a quarta e última é a proteção do restante da sociedade, que fica mais seguro quando o criminoso é tirado das ruas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Claro que essas finalidades não são excludentes. Devem ser, na medida do possível, harmonizadas. Mas qual delas é a principal, que não pode faltar de jeito nenhum? Defendo que a primeira finalidade, punir como um fim em si mesmo, seja a mais importante das quatro. Se ela não é considerada, toda e qualquer punição torna-se potencialmente injusta. Isso porque ela é a única que leva em conta, necessariamente, a culpa ou inocência de quem é punido. Vamos imaginar o que acontece quando alguma das outras três finalidades é elevada à condição de mais importante.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Imagine que um homem anti-social e violento vá para a prisão por 10 anos para que seja recuperado. Anti-social e violento, mas inocente - não cometeu nenhum crime. Nem é preciso dizer que, independentemente da “recuperação” e da “reinserção social” terem funcionado ou não, o que se passou aí foi uma tremenda injustiça. Agora imagine um outro caso, no qual uma pessoa inocente (mas que na opinião popular é culpada) seja punida para que sirva de exemplo e dissuada o povo de cometer crimes similares. Ainda que esse tipo de punição exemplar possa funcionar (e, de fato, em alguma medida funciona), trata-se de um ato revoltante, não é mesmo?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por fim, dizer que a principal finalidade da punição é a segurança do resto da sociedade também leva a injustiças gritantes. Se fosse assim, então seria mais aceitável prender quem nunca cometeu um crime mas provavelmente cometeria no futuro do que quem cometeu um crime mas que provavelmente não cometeria mais no futuro, pois os primeiros apresentam maior risco  para o resto da sociedade do que os segundos. Em outras palavras, faria mais sentido prender por 20 anos um jovem favelado totalmente inocente que, por suas circunstâncias, provavelmente entraria para a vida do crime do que um empresário que espancou a mulher ao pegá-la no flagra com um amante, mas que provavelmente nunca mais cometeria crime algum.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Só faz sentido ético punir quem é culpado. A punição do inocente só agrava ainda mais a injustiça; nunca é aceitável, não importa quão boas sejam as conseqüências (para a sociedade ou mesmo para ele próprio). A partir do momento que a punição em si (ou seja, pagar com um mal quem foi culpado de um mal) deixa de figurar entre as considerações acerca da punição, então torna-se irrelevante, ou na melhor das hipóteses secundário, se o punido é culpado ou inocente. Isso não é nada humanitário, e sim desumano. Não é bom que um inocente pereça para o bem da maioria. No final das contas, a opinião “retrógrada” revela-se a mais razoável e humana.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/27762361-1420206622629881704?l=tavista.blogspot.com'/&gt;&lt;/div&gt;</description><link>http://feedproxy.google.com/~r/Tavista/~3/puAul2F-rlE/punir-com-amor.html</link><author>noreply@blogger.com (Joel Pinheiro)</author><thr:total xmlns:thr="http://purl.org/syndication/thread/1.0">10</thr:total><feedburner:origLink>http://tavista.blogspot.com/2009/08/punir-com-amor.html</feedburner:origLink></item><item><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-27762361.post-7872602074771550563</guid><pubDate>Tue, 04 Aug 2009 18:14:00 +0000</pubDate><atom:updated>2009-08-04T15:58:22.554-03:00</atom:updated><category domain="http://www.blogger.com/atom/ns#">Religião</category><category domain="http://www.blogger.com/atom/ns#">Filosofia</category><title>O Inferno é uma Raspadinha de Limão</title><description>&lt;div align="justify"&gt;O inferno é um assunto muito delicado hoje em dia. Inclusive, acho que é dos temas que mais geram resistência contra o Catolicismo. Esse é um ponto da sensibilidade humana que mudou muito. Séculos atrás, o inferno era a coisa mais natural do mundo; é, os maus são punidos eternamente mesmo e é isso, nada para se fazer drama, então trate de ser bom para não terminar lá. Hoje, mesmo quem acredita no inferno só o faz às custas de muito choro e ranger de dentes. “Mas como, todas aquelas pessoas, não é possível, são apenas seres humanos falíveis, não posso aceitar, é horrível demais!”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Embora tenha sua dose de sentimentalismo (o mundo moderno é muito sentimental!), acho que a sensibilidade contemporânea tem o seu ponto. Ser torturado eternidade adentro parece algo abusivo. Hesitaríamos em condenar mesmo os piores homens da história - Stalin, Mussolini, HITLER!!! - a uma pena desse tipo; o que dizer de homens comuns que, se bem que não foram nenhum modelo de virtude, também não cometeram grandes pecados? Quem seria capaz de condenar o sujeito “gente boa” da aula de inglês a torturas piores do que as piores que somos capazes de imaginar, não por um dia ou um bilhão de milênios, mas para todo o sempre?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A justificativa tradicional de que o pecado é uma ofensa a Deus, que tem dignidade infinita, e que portanto merece punição infinita não cola hoje em dia. Acho que o que falta, muitas vezes, é ressaltar o caráter voluntário e auto-infligido do inferno. O melhor jeito de se entender um conceito novo é com uma imagem ilustrativa. No meu caso, foi um sonho. Não; um pesadelo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Consistia de dois elementos. O primeiro era eu. Na vida desperta tenho, a todo instante, inúmeros desejos e sensações. No sonho, tinha apenas um: sede. Uma sede muito forte, próxima da obsessão. Havia um calor no meu peito (na parte superior, logo abaixo da garganta), uma chama insuportável, um fogo dominador que &lt;em&gt;precisava&lt;/em&gt; ser apagado, custe o que custar, por algo líquido e gelado. Meu ser se resumia a esse desejo. Esse é o primeiro elemento.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O segundo era um fluxo horizontal infinito de raspadinha de limão voadora. Imaginem um cano largo (diâmetro de uma cabeça humana, mais ou menos), suspenso na altura dos nossos ombros, com água passando. Agora tirem o cano e imaginem que a água continua a passar no mesmo formato cilíndrico. Era isso, só que ao invés de água era raspadinha de limão estupidamente gelada. Mas não dessas de praia, cujos cristais de gelo são grandes e bem distintos um do outro; pense numa raspadinha mais fragmentada, na qual os minúsculos cristais estão tão juntos que quase formam uma pasta; quem já tomou &lt;em&gt;frozen margarita&lt;/em&gt; sabe do que estou falando. Agora só falta trocar o sabor da &lt;em&gt;margarita&lt;/em&gt; pelo de limonada industrial, bem doce, dessas que são vendidas no McDonald’s ou no Burger King.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O resultado era matemático: entrei de cabeça, sedento, a boca aberta recebendo a raspadinha incessante que me invadia goela abaixo, sendo desnecessário engolir. Tão voraz estava que a velocidade do fluxo parecia pouca, de forma que eu me precipitava para frente para sorver ainda mais daquele gelinho salvador.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Era uma torrente implacável. O jato impiedoso cobria minha cara e descia pela minha traquéia impedindo a respiração. Contudo, a sede não passava. A pequena chama ainda queimava no meu peito. Talvez um pouco mais de velocidade, um pouco mais de voracidade... não adiantava. Fiquei sem ar e com ânsias de vômito. Seria uma boa idéia parar um pouquinho, fechar a boca, engolir e virar a cara de lado para respirar, mas na minha obsessão a única coisa que importava era saciar aquele desejo. A dor da falta de ar e a ânsia nauseante aumentavam sem que a sede diminuísse. O mergulho crescentemente insuportável nessa avalanche de limão me custava o ar vital sem retornar benefício algum. Eu sabia que a sede era insaciável e que estava em meu poder sair daquilo, mas não o fazia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Logo acordei. A sede incontrolável, felizmente, fora criação do sonho, e dela restou apenas a imagem. Esse pesadelo maluco é para mim o melhor exemplo dos sofrimentos auto-infligidos, dos cursos de ação fracassados dos quais, embora reconheçamos o fracasso, não nos desviamos, obstinados num desejo mais forte que nosso melhor julgamento. O inferno, que é um estado da alma e não um lugar geográfico, deve, segundo penso, ser mais ou menos assim (só que com desejos e frustração existencial &lt;em&gt;um pouquinho&lt;/em&gt; maiores).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ilustração final, um trecho de Sto. Agostinho que li há alguns anos (no tratado “Sobre o Livre-Arbítrio”) e que pela primeira vez marcou essa idéia em minha mente:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Certamente, o próprio fato de um desejo desordenado governar a mente já é, em si, uma punição nada desprezível. Arrancada da riqueza da virtude por forças opostas, a mente é arrastada pelo desejo desordenado à ruína e à pobreza; ora tomando coisas falsas por verdadeiras, e até defendendo essas falsidades repetidamente; ora repudiando o que antes acreditara e mergulhando de cabeça em novas falsidades; ora negando o assentimento a, e afastando da mente, argumentos claros; ora desistindo de encontrar a verdade e se delongando nas sombras da estupidez; ora tentando entrar na luz do entendimento mas logo desistindo, exausta.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Nesse meio-tempo, a cupidez instaura um reinado de terror, assolando a vida e a mente humana com tempestades vindas de todas as direções. O medo ataca de um lado e o desejo do outro; de um lado, ansiedade; de outro, uma felicidade enganosa e vazia; de um lado, a agonia de perder o que se amava; de outro, a paixão por se adquirir o que não se tinha; de um lado, a dor da injúria recebida; de outro, o desejo ardente de vingança. Para onde quer que se vire, a avareza pode pinicar, a extravagância arruinar, a apatia esmagar, a obstinação incitar, a opressão enervar, e incontáveis outros males povoar e correr soltos pelo reino do desejo desordenado. Podemos, em suma, considerar essa punição algo trivial - uma punição que, como você vê, todos aqueles que não aderem à sabedoria sofrerão?”&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/27762361-7872602074771550563?l=tavista.blogspot.com'/&gt;&lt;/div&gt;</description><link>http://feedproxy.google.com/~r/Tavista/~3/ZQLqUm3h6Po/o-inferno-e-uma-raspadinha-de-limao.html</link><author>noreply@blogger.com (Joel Pinheiro)</author><thr:total xmlns:thr="http://purl.org/syndication/thread/1.0">17</thr:total><feedburner:origLink>http://tavista.blogspot.com/2009/08/o-inferno-e-uma-raspadinha-de-limao.html</feedburner:origLink></item><item><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-27762361.post-6471472089292317124</guid><pubDate>Wed, 29 Jul 2009 18:30:00 +0000</pubDate><atom:updated>2009-10-17T21:46:56.796-03:00</atom:updated><category domain="http://www.blogger.com/atom/ns#">Cinema</category><category domain="http://www.blogger.com/atom/ns#">Ética</category><title>4 meses, 3 semanas, 2 dias</title><description>&lt;div align="justify"&gt;É uma marca da superficialidade brasileira interpretar qualquer obra de arte apenas nas suas implicações políticas ou econômicas mais simplórias. Se fosse depender da mídia nacional e dos comentários que ouvi, nunca me interessaria por “4 meses, 3 semanas, 2 dias”, um filme romeno, ambientado no regime comunista de Ceaucescu, sobre uma jovem grávida que, auxiliada pela amiga, pratica um aborto clandestino. A vida é curta demais para gastá-la com propagandas pela legalização do que considero, francamente, uma prática hedionda. Foram duas resenhas americanas (&lt;a href="http://www.decentfilms.com/sections/reviews/4months.html"&gt;esta&lt;/a&gt; e &lt;a href="http://www.jamesbowman.net/reviewDetail.asp?pubID=1889"&gt;esta&lt;/a&gt;) que me fizeram mudar de idéia e aproveitar a oportunidade quando o filme passou na TV. E o que vi ia, de fato, muito além da cansada ladainha nacional sobre o drama feminino face ao conservadorismo malvado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Gabita é uma jovem tonta que engravidou e agora quer abortar. Incapaz de tomar conta de si mesma, depende de sua amiga Otilia para organizar tudo: da reserva do quarto de hotel e contratação do abortista a desaparecer com o feto. Como o aborto é tardio (mais um indício da falta de capacidade de Gabita em tomar conta de si mesma), e por isso altamente arriscado, Otilia tem que recorrer ao Sr. Bebe, um homem frio e duro, que explorará as duas de forma monstruosa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um grande mérito do filme é não ser propagandístico - nada fácil quando se trata de um tema polêmico como o aborto - procurando, ao invés, ser real. O diretor não poupa a audiência de mostrar todos os lados do problema: o abortista inescrupuloso, os riscos do aborto clandestino, a mãe desesperada, a amiga solícita e, mais chocante de todos, o “produto final” do procedimento. Todos esses elementos concorrem para produzir uma experiência não só verdadeiramente perturbadora, como também formativa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tomemos Gabita, a jovem grávida. Indefesa e vulnerável, ela usa suas óbvias fraquezas para manipular a amiga, que acaba arcando com os altos custos (não apenas financeiros) do procedimento. Mentira, auto-piedade e culpa são os meios normais pelos quais ela lida com a realidade, o que não quer dizer que seja fria ou calculista; sua condição de vítima impotente é real, assim como seu sofrimento e angústia; a manipulação é inconsciente e natural, não planejada, mas nem por isso menos detestável.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Otilia é a personagem principal e aquela com quem se cria mais empatia, pois é ela que carrega o maior fardo psicológico desse dia, que configura-se num verdadeiro pesadelo existencial. Mesmo sem nunca se perguntar sobre a moralidade do ato, transparece nela uma genuína preocupação com sua amiga e o desejo de ajudá-la. É só quando tudo já está terminado que ela sente o peso do que transcorreu. Tendo que lidar com pressões de diversos lados - o detestável abortista, as demandas crescentes de Gabita, o compromisso de ir ao aniversário da mãe de seu namorado, a mediocridade opressiva imposta pelo regime comunista - seu grande sonho é ser alguém na vida e transcender suas origens rurais. Essa busca por realização é o que a torna uma mulher ativa, capaz de aguentar uma barra à qual outros sucumbiriam. Contudo, é essa força de caráter que a deixará, no fim das contas, emocionalmente exausta e moralmente destroçada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Como eu disse, o filme não omite nenhum lado da realidade. A culminação disso é uma tomada estática, que deve durar uns 5 segundos na tela mas que ficará ainda um bom tempo na minha memória, do feto abortado no chão do banheiro do hotel. O foco excessivo sobre a mulher e os riscos do procedimento muitas vezes ofusca a outra parte envolvida, que o filme mostra cruamente. Ao literalmente dar um rosto ao feto, é como se dissesse ao espectador: “Você pode até ser a favor do aborto; só não se engane sobre ele. É isto aqui.”. Se fosse legalizado, o processo ficaria de fato mais limpo e seguro para a mãe. Mas o resultado final, escondido sob o branco da assepsia hospitalar e rumo a uma lata de lixo distante da nossa visão, seria o mesmo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Depois de se livrar do corpo (sua incumbência final), Otilia volta ao hotel e encontra Gabita no restaurante, comendo as sobras de um jantar de casamento que não ocorreu, o que imediatamente nos remete às sobras humanas de algumas cenas atrás. Concordam em nunca mais mencionar os eventos daquele dia; um silêncio culpado, mais eloqüente do que qualquer manifesto sobre o horror ali vivenciado. Quantos abortos limpos, seguros e legais não são escondidos sob o mesmo voto de silêncio? O que esse silêncio diz sobre os resultados psicológicos do ato? Dá o que pensar para qualquer ideólogo.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/27762361-6471472089292317124?l=tavista.blogspot.com'/&gt;&lt;/div&gt;</description><link>http://feedproxy.google.com/~r/Tavista/~3/s8nncxgJ34Y/4-meses-3-semanas-2-dias.html</link><author>noreply@blogger.com (Joel Pinheiro)</author><thr:total xmlns:thr="http://purl.org/syndication/thread/1.0">3</thr:total><feedburner:origLink>http://tavista.blogspot.com/2009/07/4-meses-3-semanas-2-dias.html</feedburner:origLink></item><item><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-27762361.post-377173957602135275</guid><pubDate>Fri, 03 Jul 2009 17:33:00 +0000</pubDate><atom:updated>2009-07-03T14:34:55.312-03:00</atom:updated><category domain="http://www.blogger.com/atom/ns#">Filosofia</category><category domain="http://www.blogger.com/atom/ns#">Ética</category><title>Discutindo mentiras</title><description>&lt;div align="justify"&gt;Sua esposa está dormindo e alguém do trabalho dela liga para sua casa. O que você responde? “Ela não está.”, talvez? Bem, trata-se de uma mentira. Não sei se justificada ou não, mas não há dúvida de que suas palavras não correspondem à sua crença. Num caso como esse muitas outras saídas são possíveis: “Ela não pode atender”, “Será que eu posso anotar o recado e ela te liga depois?”, etc., então o dilema não é tão forte.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Vamos dificultar um pouco as coisas. Seu amigo escreveu um poema destestável. A cada verso lido você franze a testa perante tamanho mau gosto. As rimas são todas de verbos no infinitivo ou oxítonas terminadas em “ão”. Contudo, ele se dedicou muito à obra-prima. Eis que ele aparece, todo ansioso, e pergunta: “E aí? Gostou?”. O que se deve dizer? Aqui muito depende do jeito que se fala, e acho que a maioria das pessoas concordaria que, se ele pressionasse mesmo, o certo seria falar sinceramente a verdade (ainda que, na prática, predomine a mentira branca preservadora de egos).&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Mas e aqueles casos em que a verdade traz uma conseqüência grave? O melhor exemplo é o do oficial nazista que pergunta se você está escondendo judeus em casa. Você está. Qualquer resposta que não seja um “Não!” direto e reto, qualquer tentativa de equivocação ou mudança de assunto, ele interpreterá como uma evasiva e invadirá sua casa atrás dos judeus. Nesse caso extremo, a grande maioria julgaria que o correto é mentir.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Contudo, na história da filosofia, muitas figuras de peso disseram que a mentira é errada sempre. E não estou pensando só no Kant, não! Sto. Agostinho e Sto. Tomás de Aquino, por exemplo, chegaram à mesma conclusão: a verdade deve ser dita sempre não importando as conseqüências. Se possível, em alguns casos, é lícito fazer algum tipo de equivocação (”Achei esse o seu melhor quadro!”, sem dizer que você detestou todos, e que mesmo o melhor é uma porcaria) ou evasiva, mas mentir nunca. Punha-se uma ênfase excessiva na verdade literal das palavras, sem levar tanto em conta a intenção de enganar. Afinal, na mentira e na equivocação a intenção é a mesma: enganar; a diferença é apenas que, no segundo caso, as palavras são literalmente verdadeiras.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Tomás de Aquino diferenciava entre três tipos de mentira: a viciosa, que visa enganar por um fim vil mesmo; a oficiosa, que visa algum bem (por exemplo, a vida da pessoa); e a jocosa, que visa divertir ou entreter. Essas duas últimas são, na opinião dele, pecado venial, ou seja, não muito graves, mas ainda assim moralmente erradas.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Hoje em dia, a maioria de nós (inclusive eu) pensa diferente. Mentir é errado, mas há casos que o justificam, como salvar a vida de um inocente, por exemplo. E para outros bens, menores do que a vida? Contar uma pequena mentira para tirar um inocente da prisão? Ou para ajudar alguém a conseguir um emprego? Ou para não ferir sentimentos? É um pouco arbitrário dizer que só se pode mentir para salvar uma vida e excluir outros valores importantíssimos (liberdade, honra, dignidade, sustento, bem-estar material). Uma vez feita a exceção, fica difícil impedir que novas desculpas entrem em cena. Ou a verdade deve ser sempre obedecida e dita, ou então é sempre uma questão de ponderar a verdade com outras considerações.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;E se o beneficiado com a mentira formos nós mesmos, e não outra pessoa, a licitude da mentira muda? Se a vida ou o emprego na berlinda forem meus, posso mentir para mantê-los? &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;A posição radical me parece a mais adequada para a formação do caráter. A outra, mais liberal, parece que aos poucos cria o hábito de mentir, ou pelo menos torna-nos insensíveis à mentira, de forma que mentir se torna quase um reflexo para sair de situações embaraçosas, para não ferir os sentimentos de um conhecido, etc. Mas, ao mesmo tempo, não acho nada errado mentir nos casos extremos em que algo sério está em jogo. Como sair dessa inconsistência?&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/27762361-377173957602135275?l=tavista.blogspot.com'/&gt;&lt;/div&gt;</description><link>http://feedproxy.google.com/~r/Tavista/~3/7PSbwL1nMXg/discutindo-mentiras.html</link><author>noreply@blogger.com (Joel Pinheiro)</author><thr:total xmlns:thr="http://purl.org/syndication/thread/1.0">3</thr:total><feedburner:origLink>http://tavista.blogspot.com/2009/07/discutindo-mentiras.html</feedburner:origLink></item><item><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-27762361.post-1991663108284622458</guid><pubDate>Mon, 08 Jun 2009 23:20:00 +0000</pubDate><atom:updated>2009-06-09T12:20:09.367-03:00</atom:updated><category domain="http://www.blogger.com/atom/ns#">Filosofia</category><title>Apenas letal</title><description>&lt;div align="justify"&gt;“O homem é apenas um punhado de moléculas” - diz, com sorriso maroto, o materialista iconoclasta. Tudo o que você conhece e gosta - seus ideais, seus sonhos, sua namorada, o carinho da mamãe, tudo - é ilusório. Os cientistas comprovaram: a realidade é composta de moléculas. Não há Deus. No entanto, o que torna a afirmação tão perigosa não é a ciência, e sim o uso espertinho da gramática.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;É verdade, o homem é (no sentido de “é composto de”) um punhado de moléculas. Até aí, não conheço ninguém que discordaria. O veneno está invisível, escondido na singela expressão “apenas”. “Eu queria &lt;em&gt;apenas&lt;/em&gt; me divertir!”; “Foi &lt;em&gt;apenas&lt;/em&gt; uma vez!”; “o homem é &lt;em&gt;apenas&lt;/em&gt; um punhado de moléculas”. Com apenas uma palavra, todas as esferas da realidade menos uma são eliminadas. Contudo, não nos deixemos levar: o "apenas" é &lt;em&gt;apenas&lt;/em&gt; uma manobra retórica, e não um motivo racional para restringir nosso pensamento à esfera querida por nosso interlocutor.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Uma casa é uma pilha de tijolos, mas não é &lt;em&gt;apenas&lt;/em&gt; uma pilha de tijolos. Não acredita em mim? Vá aos fundos de uma olaria; lá haverá muitas pilhas de tijolos, mas nenhuma casa. A definição dada responde à causa material, à pergunta “do que é feito?”, mas é apenas uma parte da resposta à pergunta mais ampla “o que é?”. Faltou o mais essencial: uma casa é definida, antes de tudo, não pelos materiais que a compõem (embora também por eles), mas por seu projeto: ela é dividida em cômodos, cada um com sua função no todo cujo fim último é abrigar e permitir a vida de uma pessoa ou grupo delas. E o que é esse projeto? Ele está desenhado num papel, na planta, mas ele não &lt;em&gt;é&lt;/em&gt; o desenho. Tanto é assim que é possível desenhar o mesmo projeto em outro papel com outro lápis, e nem por isso a casa terá dois projetos. O projeto é aquilo que o desenho expressa: a estrutura lógica, racional, da construção: os tamanhos e localizações dos cômodos, onde cada material será usado, a função de cada cômodo, etc.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É o projeto da casa, a estrutura lógica que ordena o todo, que a metafísica tradicional chamava de “forma”. A forma não é uma entidade paralela ao ser real; o projeto asbtrato e a casa física não existem separadamente. Tijolos sem projeto, e projeto sem tijolos, não seriam uma casa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A filosofia incorreu num grande erro quando aceitou a distinção radical que Descartes fez entre corpo (“coisa extensa”) e mente (“coisa pensante”). É simplesmente impossível bolar uma teoria que explique satisfatoriamente como duas coisas radical e categoricamente diferentes podem influenciar uma a outra (a resposta de Descartes, a glândula pineal, era claramente o ponto mais fraco de seu pensamento). Assim, de duas uma: ou o corpo engoliu a mente (materialistas), ou a mente engoliu o corpo (idealistas).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A única saída disso é negar de saída o dualismo cartesiano, segundo o qual corpo e mente seriam duas substâncias distintas (isto é, entidades que existem por si mesmas). Antes, a relação entre os dois é aquela que existe entre matéria (do que algo é feito) e forma (o que algo é). É impossível entender um ser vivo sem falar de funções (alimentação, crescimento, reprodução, etc), algo que evidentemente não está dado nos componentes materiais (moléculas) de que ele é feito. A alma é o princípio ordenador pelo qual o ser desempenha todas aquelas operações próprias do ser vivo; é como o projeto da casa, mas que determina não apenas uma extensão espacial estática, mas todo um jeito de se comportar e todas as capacidades que o ser vivo pode desenvolver. O que chamamos de mente é uma das funções da alma, que depende, para funcionar, do corpo (dos sentidos, da memória, etc), mas não é o corpo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Isso significa abrir mão da imagem sedimentada na nossa imaginação coletiva, e inegavelmente útil: a do corpo como morada da alma, que o guia assim como um motorista guia um carro. Por serem entidades de categorias diferentes (física e não-física), é impossível traçar qualquer relação inteligível entre corpo e alma no modelo dualista. Como pode a alma, entidade não-física, ter efeitos físicos? E como pode o corpo, pura matéria, mexer com o espírito? Reduzir o homem, ou qualquer ser vivo, ou qualquer ser, a &lt;em&gt;apenas&lt;/em&gt; matéria ou forma é fechar-se a uma parte limitada e em si mesma ininteligível da realidade; é &lt;em&gt;apenas&lt;/em&gt; mutilar a própria inteligência. &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/27762361-1991663108284622458?l=tavista.blogspot.com'/&gt;&lt;/div&gt;</description><link>http://feedproxy.google.com/~r/Tavista/~3/H4m6gW--Xsc/apenas-letal.html</link><author>noreply@blogger.com (Joel Pinheiro)</author><thr:total xmlns:thr="http://purl.org/syndication/thread/1.0">0</thr:total><feedburner:origLink>http://tavista.blogspot.com/2009/06/apenas-letal.html</feedburner:origLink></item><item><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-27762361.post-7350669178224615952</guid><pubDate>Tue, 02 Jun 2009 15:30:00 +0000</pubDate><atom:updated>2009-06-02T13:36:28.373-03:00</atom:updated><category domain="http://www.blogger.com/atom/ns#">Política</category><category domain="http://www.blogger.com/atom/ns#">Economia</category><category domain="http://www.blogger.com/atom/ns#">Ética</category><title>Cada um é dono do seu nariz</title><description>&lt;div align="justify"&gt;Entro feliz num bar, para uma reunião de amigos, quando me dou conta de estar em meio a fumantes, o que logo me deixa preocupado. O primeiro dos nada agradáveis sintomas é a irritação da garganta e dos olhos, que de tanto coçar transformam-se em chagas inflamadas de lágrimas e catarro, o que não é grave se comparado ao que se passa dentro de mim: à fumaça que entra em meu peito a cada respiração, e que me levará, em alguns anos, do bar à UTI, esquelético e careca depois de várias quimioterapias fracassadas, aguardando sozinho a morte de câncer pulmonar. Por pior que seja, contudo, câncer letal é pouco perto do pior efeito do tabaco: ao sair do bar, minhas roupas e corpo exalam um odor tão repulsivo que eu me sinto como o fundo de um cinzeiro lotado de bitucas amanhecidas. A única coisa a fazer é incinerar as roupas imediatamente e me esfregar com a bucha por duas horas no banho. Assim, não sou exatamente fã do cigarro. Mas há algo que eu odeio ainda mais: a lei anti-fumo de José Serra, nosso Stalin da saúde.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Onde foram parar o direito de propriedade e o direito de escolha? Um dono de bar tem o direito de escolher se permitirá ou não que se fume em seu estabelecimento. Não há maneira mais justa ou eficiente de se solucionar o problema.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Justa, porque respeita o direito de propriedade e autonomia de cada um. O dono de um estabelecimento pode decidir as regras que valem lá dentro, e quem não quiser segui-las, que não vá lá. Ninguém é obrigado a ir a bar ou balada nenhuma. Eu detesto música tecno e ambientes barulhentos e escuros; adivinha qual é minha conduta acerca da maioria das baladas que existem por aí? Peço ao Serra que imponha por lei um nível mínimo de luz e um nível máximo de ruído, bem como uma política de cotas para músicas de vários estilos em cada balada? Não; simplesmente não vou. E já que não conheço nenhuma balada próxima de mim que não seja assim, não vou a baladas e ponto final. Se quiser baladas diferentes, devo estar disposto a pagar por elas; não estou.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Essa solução é também a mais eficiente. Se eu terminantemente não quero contato com cigarro, não irei à casa de um fumante ou a um bar que permita o fumo. Se a ojeriza dos não-fumantes ao cigarro for tal que eles se recusem a ir a bares de fumantes, ou estejam dispostos a pagar a mais para ter seu “smoke-free environment”, então valerá a pena abrir bares onde é proibido fumar. Se tais bares não existem, então ou o os não-fumantes não se incomodam tanto assim com o cigarro, ou há oportunidades de lucro esperando os primeiros empreendedores a auferi-las. Provavelmente, o desgosto com o cigarro não é tal que justifique bancar estabelecimentos onde não se fume. Quem defende a lei quer, portanto, que os outros paguem por seu conforto e saúde.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu adoraria um mundo sem cigarros. Outras coisas que eu eliminaria de bom grado são o mau hábito de mascar chiclete e de homens adultos andarem por aí de bermuda. A externalidade negativa é real. Mas fazer o quê? Eles não violam meus direitos. Se a fumaça dos bares e baladas invadisse nossas casas e atacasse nossas crianças, daí sim haveria motivo para alguma medida legal entrar em vigor (punindo o estabelecimento responsável, e apenas ele). Como não é esse o caso, o governo deveria se manter bem longe da discussão. Se nós, não-fumantes, não estamos dispostos a arcar com o custo de estabelecimentos exclusivos para nós, com que direito os exigimos? Cada um é dono do seu nariz apenas; é uma pena que o Serra meta o dele onde não foi chamado.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/27762361-7350669178224615952?l=tavista.blogspot.com'/&gt;&lt;/div&gt;</description><link>http://feedproxy.google.com/~r/Tavista/~3/ZsFFDb5SYb0/cada-um-e-dono-do-seu-nariz.html</link><author>noreply@blogger.com (Joel Pinheiro)</author><thr:total xmlns:thr="http://purl.org/syndication/thread/1.0">13</thr:total><feedburner:origLink>http://tavista.blogspot.com/2009/06/cada-um-e-dono-do-seu-nariz.html</feedburner:origLink></item><item><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-27762361.post-5232688584379208416</guid><pubDate>Wed, 27 May 2009 13:43:00 +0000</pubDate><atom:updated>2009-06-02T12:30:31.371-03:00</atom:updated><title>Eduardo Giannetti no Lançamento da Dicta&amp;Contradicta n.03</title><description>&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5340499200416452002" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 287px; CURSOR: hand; HEIGHT: 400px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_hTqZLE4kp7Y/Sh1DukQUjaI/AAAAAAAAAA0/QhuaKfpOk6s/s400/DICTA_3_capa_site.jpg" border="0" /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Fiquem atentos para o lançamento do terceiro número da Dicta&amp;amp;Contradicta, revista da qual tenho orgulho de participar.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#ffffff;"&gt;.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;O principal destaque desta edição é uma entrevista com Fernando Henrique Cardoso. Passamos longe da conjuntura política atual; não há uma só menção ao Lula. O que quisemos é ir mais fundo e lhe fazer perguntas sobre a função da política na sociedade e sobre sua rica vivência pessoal. Pela primeira vez desde o falecimento de sua esposa, indagamos o ex-presidente sobre seus valores e sua relação com a morte. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#ffffff;"&gt;.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Não sou poeta. Não tenho grande conhecimento de poesia. Mas digo que fiquei impressionado com a antologia de poema húngaros que sairão nesta edição. Traduzidos por Nelson Ascher (a quem certamente cabe parte do mérito pela beleza dos poemas), são uma janela para uma literatura riquíssima que permanece, via de regra, fora de nosso radar.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#ffffff;"&gt;.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Tenho o orgulho de anunciar também que há dois textos meus! O principal deles é o da seção "Lançamento que não houve", na qual resenhamos e analisamos mais detalhadamente um livro não-traduzido e não-lançado no Brasil, ou lançado obscuramente e esgostado há muito tempo. O livro que escolhi é do meu economista favorito, Ludwig Von Mises, e se chama "The Ultimate Foundation of Economic Science". É um livro sobre epistemologia, ou seja, filosófico, ainda que seu interesse seja a ciência econômica. Mises tinha, nesta que foi sua última obra publicada, um grande inimigo a enfrentar no campo da ciência: o positivismo, segundo o qual todo o conhecimento humano deveria se pautar pelo método empírico das ciências naturais. Mas isso destruiria a ciência econômica; e então lá vai o Mises, com sua clareza impecável e rigor lógico de sempre, enfrentar mais esse adversário. Ele era antes de tudo um economista, mas acredito que o livro interesse a todos os que percebem os perigos do positivismo em todas as áreas do saber (as outras ciências humanas, a ética, a filosofia, a teologia, a espiritualidade em geral).&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#ffffff;"&gt;.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Meu outro texto é uma pequena resenha de um livro recente de dois economistas de Cambridge, chamado "Against Intellectual Monopoly". Munidos de muitos dados empíricos e argumentos econômicos, os autores argumentam que copyrights e patentes não incentivam mais inovação, e ainda assim têm custos altíssimos à sociedade (afinal, conferem direito de monopólio). Assim, e essa é sua conclusão polêmica, não deveriam existir. Sei que a tese chocará a maioria dos leitores, mas já advirto: o livro é elogiado por nada menos que três prêmios Nobel de economia em sua contra-capa. Concorde-se ou não com os argumentos nele utilizados, merece uma leitura séria por todos os que interessam pelo tema.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#ffffff;"&gt;.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;span style="color:#ff0000;"&gt;&lt;strong&gt;Haverá uma cerimônia de lançamento da revista, dia 04/06 (uma quinta-feira), na livraria Cultural do shopping Villa-Lobos, a partir das 19:30. O evento contará com uma palestra do economista, filósofo e professor do INSPER, Eduardo Giannetti da Fonseca, sobre algo que Fernando Henrique levantou em sua entrevista: existe pensamento político sério no país?&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt; &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#ffffff;"&gt;.&lt;/span&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_hTqZLE4kp7Y/Sh2vgi-Az-I/AAAAAAAAAA8/nqBv9cV-xd0/s1600-h/convite_3.jpg"&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_hTqZLE4kp7Y/Sh2vgi-Az-I/AAAAAAAAAA8/nqBv9cV-xd0/s1600-h/convite_3.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5340617706808856546" style="WIDTH: 400px; CURSOR: hand; HEIGHT: 320px" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_hTqZLE4kp7Y/Sh2vgi-Az-I/AAAAAAAAAA8/nqBv9cV-xd0/s400/convite_3.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/27762361-5232688584379208416?l=tavista.blogspot.com'/&gt;&lt;/div&gt;</description><link>http://feedproxy.google.com/~r/Tavista/~3/g5i04RhF7dI/fiquem-atentos-para-o-lancamento-do.html</link><author>noreply@blogger.com (Joel Pinheiro)</author><media:thumbnail xmlns:media="http://search.yahoo.com/mrss/" url="http://2.bp.blogspot.com/_hTqZLE4kp7Y/Sh1DukQUjaI/AAAAAAAAAA0/QhuaKfpOk6s/s72-c/DICTA_3_capa_site.jpg" height="72" width="72" /><thr:total xmlns:thr="http://purl.org/syndication/thread/1.0">0</thr:total><feedburner:origLink>http://tavista.blogspot.com/2009/05/fiquem-atentos-para-o-lancamento-do.html</feedburner:origLink></item><item><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-27762361.post-5108331728436834896</guid><pubDate>Wed, 29 Apr 2009 16:39:00 +0000</pubDate><atom:updated>2009-04-29T13:48:21.176-03:00</atom:updated><category domain="http://www.blogger.com/atom/ns#">Filosofia</category><category domain="http://www.blogger.com/atom/ns#">Economia</category><category domain="http://www.blogger.com/atom/ns#">Ética</category><title>A Racionalidade na Economia e a Irracionalidade dos Economistas</title><description>&lt;div align="justify"&gt;A teoria econômica convencional fala de “agentes racionais”, o que leva leigos a se perguntar “mas será que são racionais mesmo?”. A confusão ocorre porque o termo “racional” significa coisas diferentes para uns e outros. Um exemplo singelo me ajudará a explicar a diferença.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Alex ama Sofia. Ela é a mulher de sua vida e ele não concebe ser feliz sem ela. Contudo, uma bela noite numa reunião de amigos, sua amada fez um comentário jocoso sobre ele que muito o embaraçou. Cheio de ódio naquele momento, Alex quis matá-la. Não teve dúvidas: subiu logo para seu quarto e lá, sozinho, começou a torturar um boneco vodu.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Essa ação é irracional em pelo menos dois níveis: em primeiro lugar, o objetivo dela (tirar uma vida inocente) é, em si, irracional. Ademais, o próprio Alex a ama tanto que, se for bem sucedido, condenará sua própria vida à miséria e ao remorso; a ação vai contra os seus próprios desejos de longo prazo. Em segundo lugar, o meio escolhido para alcançar o fim é ineficaz; a alfinetada no boneco vodu não tirará a vida de Sofia. Como pode o economista afirmar que os agentes são racionais com tantos Alexes pelo mundo?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para o economista, no entanto, a conduta de Alex é perfeitamente racional: ele fez aquilo que considerava melhor no momento. Prova disso? Ora, se ele achasse que o melhor a fazer era outra coisa, ele teria feito essa outra coisa. "Usou meios ineficazes? E daí? Baseado em suas informações, eram os meios mais adequados". Neoclássicos e austríacos concordariam: Alex fez o que queria baseado nas informações disponíveis; foi racional.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Outro sentido de racionalidade, digamos, o dos cientistas em geral, é a adequação de meios a fins. Esse também é, de vez em quando, utilizado por economistas. Quando um economista vai contra as leis trabalhistas, por exemplo, é porque ele sabe que tais leis não atingirão o fim almejado. Ele não é contra o bem-estar dos trabalhadores, e nem é pau mandado do grande capital: ele apenas aponta que os objetivos que os próprios defensores do trabalhismo visam não serão alcançados por tais leis.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A economia se restringe a esses dois sentidos de racionalidade. Ela não faz, via de regra, juízos de valor, o que é bom enquanto opção metodológica. O problema é se o economista, enquanto pessoa, também fica apenas nesses níveis; se ele aceita que juízos de valor estão fora do domínio da razão. Ao fazer isso, torna-se incapaz de defender o que quer que seja, a não ser por motivos puramente instrumentais, a serviço de sabe-se lá quem. Isso abre a economia, por sua vez, às mais desastrosas e descabidas filosofias morais sem qualquer ferramenta para questioná-las. De duas uma: ou a economia vira um mero exercício amoral de maximização de utilidade ou uma busca cega da igualdade (quem decidiu que igualdade é um objetivo social desejável?), quando não um equilíbrio instável dos dois. Direitos naturais e justiça são esquecidos para perseguir uma dessas duas quimeras.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fato: enquanto a defesa do capitalismo se aliar à primeira delas, estará fadada ao fracasso. Pois dar a Alex a variedade máxima na escolha de bonecos vodus não é exatamente um sonho inspirador.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/27762361-5108331728436834896?l=tavista.blogspot.com'/&gt;&lt;/div&gt;</description><link>http://feedproxy.google.com/~r/Tavista/~3/xaF-95EeTBE/racionalidade-na-economia-e.html</link><author>noreply@blogger.com (Joel Pinheiro)</author><thr:total xmlns:thr="http://purl.org/syndication/thread/1.0">1</thr:total><feedburner:origLink>http://tavista.blogspot.com/2009/04/racionalidade-na-economia-e.html</feedburner:origLink></item><item><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-27762361.post-2716515882427000179</guid><pubDate>Mon, 20 Apr 2009 19:49:00 +0000</pubDate><atom:updated>2009-04-20T16:49:44.516-03:00</atom:updated><category domain="http://www.blogger.com/atom/ns#">Filosofia</category><category domain="http://www.blogger.com/atom/ns#">Economia</category><category domain="http://www.blogger.com/atom/ns#">Ética</category><title>Direitos ontem e hoje</title><description>&lt;div align="justify"&gt;A mesma palavra pode nomear coisas muito diferentes. Isto é fonte de muitas confusões, nem sempre involuntárias. Há palavras cujo sentido, com o tempo, tornou-se o oposto do que era antes, com sérias conseqüências no uso prático delas. Vejam o caso do termo “direito”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Direito” significava uma restrição à ação dos demais sobre si. “Direito à vida” significava que ninguém poderia tirar sua vida; direito de propriedade significava que ninguém poderia pegar ou usar o que é seu sem sua permissão. Eles não garantiam ao indivíduo nem que ele teria propriedade e nem que sua vida estaria automaticamente ganha; apenas davam-lhe a liberdade de conquistar e manter esses bens sem que ninguém pudesse privá-lo deles à força.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O significado atual de direito é o exatamente oposto: não a liberdade de conquistar um bem, mas a permissão de arrancar-lhe à força dos demais. Pois os bens que precisamos para viver não brotam espontaneamente do ar; custam muito trabalho humano. “Eu tenho direito à vida!” Isso significa, hoje em dia: “Você sustentará minha vida”. Quem garante a própria sobrevivência com o esforço próprio, com o uso de sua razão e a cooperação pacífica no mercado, tem que garantir também a sobrevivência de todos aqueles que não o fazem. Direito a lazer não é poder se entreter da forma que melhor lhe agradar dentro de suas possibilidades, mas sim exigir dos demais que paguem pelo seu bilhete para ver o novo Batman em IMAX.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O mais espetacular de todos é o “direito ao trabalho”. Em outras palavras, o direito de ganhar para fornecer algum serviço qualquer independentemente de alguém precisar dele ou não. De si, já é absurdo; mas para piorar as coisas, o mesmo governo que fala em direito ao trabalho o viola descaradamente com leis trabalhistas. O que é a lei trabalhista, senão proibir que uma pessoa trabalhe voluntariamente por um determinado salário ou em determinadas condições, ou seja, exerça seu direito (no sentido antigo) ao trabalho?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Note que não sou, nem de longe, contra que uma pessoa ajude outra, na medida em que possa e queira. Mas erigir em estrutura social um sistema que supostamente garanta todos os bens da vida é uma tolice sem tamanho. Os direitos, como são entendidos hoje em dia, são naturalmente excludentes: não podem ser aplicados à toda a população, pois se todo mundo exigir e ninguém produzir, ninguém fica com nada. O direito de uma parcela da população é, necessariamente, a escravidão de outra. O meu direito à alimentação vem da sua geladeira. Isso é justo? &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/27762361-2716515882427000179?l=tavista.blogspot.com'/&gt;&lt;/div&gt;</description><link>http://feedproxy.google.com/~r/Tavista/~3/aQ_JZHA36ug/direitos-ontem-e-hoje.html</link><author>noreply@blogger.com (Joel Pinheiro)</author><thr:total xmlns:thr="http://purl.org/syndication/thread/1.0">3</thr:total><feedburner:origLink>http://tavista.blogspot.com/2009/04/direitos-ontem-e-hoje.html</feedburner:origLink></item><item><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-27762361.post-3955980070895939141</guid><pubDate>Fri, 03 Apr 2009 01:09:00 +0000</pubDate><atom:updated>2009-04-02T22:11:53.963-03:00</atom:updated><category domain="http://www.blogger.com/atom/ns#">Política</category><category domain="http://www.blogger.com/atom/ns#">Economia</category><category domain="http://www.blogger.com/atom/ns#">Ética</category><title>94 anos</title><description>&lt;div align="justify"&gt;94 anos de prisão não é pouco. É mais do que muitos assassinos levam. Claro, no Brasil, o tempo máximo de cadeia é 30. A pena de Eliana Tranchesi, portanto, não é pior do que a de assassinos e ladrões, mas igual. E qual é o nefasto crime que demanda um século de cadeia como punição? Não pagar alguns impostos, isto é, não dar ao governo dinheiro sobre transações com as quais ele nada tem a ver.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não sou a favor da evasão fiscal. Dado que é lei, acho que deva, a princípio, ser cumprida. Mas também não posso dizer que condeno um vendedor que não pague os impostos nocivos e imorais de nosso país, ainda mais quando pagá-los significa abrir mão dos negócios.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A juíza acusou Eliana e os outros empresários de “ganância”, e ainda ressaltou que sua personalidade é “inteiramente voltada para o crime”. Um empresário que conduza um negócio é culpado de ganância. Já o funcionário público que vive de impostos, isto é, de dinheiro roubado legalmente, é um altruísta, um “servidor” do povo. Quem não paga é ganancioso; quem cobra à força, é exemplo de generosidade. Os governantes e funcionários públicos, não contentes em parasitar materialmente as classes produtivas da sociedade, também as parasitam espiritualmente, roubando para si o manto da moralidade. É como se um conselho de carrapatos decretasse a pena de morte ao touro, sem perceber que, morrendo o hospedeiro, morre o parasita. Claro, ainda há muitos touros por aí, dispostos a serem sugados; morre um, pula-se para o próximo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Outra coisa que chocou foi a reação popular à prisão de Eliana Tranchesi. Se a minha amostra (admitidamente restrita) de comentários na UOL for representativa, a população como um todo ficou satisfeita e até feliz. “Até que enfim esses ricos vão pagar!” Será que eles desconfiam que as facilidades da vida com a qual contam (roupas, aparelhos eletrônicos, comida, etc) existem apenas por causa da iniciativa dos mesmos “ricos gananciosos” que eles adorariam ver presos?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Esse sentimento popular, ainda que tenha sua parte de inveja, tem sim alguma justificativa. No Brasil, riqueza está, em geral, ligada à exploração, vide o número de políticos ricos e empresários que enriqueceram graças ao governo. Mas a distinção é essencial: quem enriquece por meio da extorsão, ganha na medida em que rouba dos demais. Quem enriquece no mercado, ganha na medida em que serve aos demais. A prisão de Eliana Tranchesi é apenas superficialmente similar à prisão de um político corrupto: ambos são ricos, é verdade. Mas o político enriqueceu às custas da sociedade, enquanto ela enriqueceu por prover à sociedade serviços úteis e eficientes; seu único crime foi não sacrificar seu negócio e sua vida para o bem-estar dos políticos sanguessugas e tantos outros louváveis servidores do bem comum.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não se trata de defender a pessoa de Eliana Tranchesi, que não conheço, e nem a Daslu, à qual fui apenas uma vez em 2005 em visita de caráter antropológico (juro! Saí de mãos vazias!). Pra falar a verdade, acho a loja um tanto vulgar, a começar pela arquitetura neoclássica e pela ostentação vazia que é o propósito de tantos bens de luxo. Mas nada disso vem ao caso; minha má avaliação da loja traduz-se em não comprar seus produtos. Não a quero fechada e sua dona atrás das grades, tudo porque não  sustentam os mentecaptos do funcionariado público. Todo mundo que já comprou de camelô ou sem nota fiscal, se é minimamente coerente, concorda comigo. 94 anos sem impostos, isso sim seria justo!&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/27762361-3955980070895939141?l=tavista.blogspot.com'/&gt;&lt;/div&gt;</description><link>http://feedproxy.google.com/~r/Tavista/~3/MWOclZhaEB4/94-anos.html</link><author>noreply@blogger.com (Joel Pinheiro)</author><thr:total xmlns:thr="http://purl.org/syndication/thread/1.0">8</thr:total><feedburner:origLink>http://tavista.blogspot.com/2009/04/94-anos.html</feedburner:origLink></item><item><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-27762361.post-7734352050431463424</guid><pubDate>Fri, 27 Mar 2009 00:04:00 +0000</pubDate><atom:updated>2009-03-26T21:10:11.635-03:00</atom:updated><category domain="http://www.blogger.com/atom/ns#">Cinema</category><category domain="http://www.blogger.com/atom/ns#">Ética</category><title>Operação Valquíria</title><description>&lt;div align="justify"&gt;Sobram nos cinemas belos exemplos de anti-heróis; mas e o herói, onde foi parar? Não falo de pessoas comuns fazendo o bem por acaso e nem de facínoras num ato de redenção, mas de um homem corajoso e determinado lutando com bravura e inteligência em defesa de uma causa nobre. Operação Valquíria oferece-nos isso: verdadeiro heroísmo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A Alemanha sofria os altos custos (materiais e humanos) da guerra sob a megalomania totalitária de Hitler. Apesar da imensa adesão popular, nem todos apoiavam seus delírios. Um grupo de oposicionistas, formado por aristocratas, militares e políticos, conservadores e liberais, que viam na vulgaridade e barbárie do nazismo um mal intolerável, planejava um atentado contra o fuhrer. O coronel Claus Philipp Maria Schenk Graf von Stauffenberg, que sempre fora contrário ao nazismo, é introduzido a esse grupo em 1943, e logo toma as rédeas da operação clandestina.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um grande mérito do filme é instanciar concretamente o princípio ético da revolta legítima contra a autoridade. O regime de terror nazista violava os direitos humanos mais básicos, além de condenar a Alemanha à pobreza e, previa-se, à humilhação; era justo revoltar-se. Contudo, a revolta não pode ser um ato isolado e sem propósito, um mero arroubo de violência findo em si mesmo. Os conspiradores queriam matar Hitler e ponto final. Stauffenberg aponta que só isso não bastaria: Himmler, o sucessor, tomaria o poder e tudo continuaria como antes. O atentado precisa integrar um plano completo de tomada do poder com boas chances de sucesso. Sem essa prudência, as boas intenções seriam vãs. O coronel não se faz de mártir romântico (o que, não nego, pode ser uma atitude cabível em circunstâncias desesperadoras). Pelo contrário: usa sua inteligência para trazer à realidade a justiça sonhada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É difícil para nós imaginar a vida sob o totalitarismo. Falamos da tirania do PT e de como o Estado viola nossos direitos naturais, mas é óbvio que ainda temos uma boa liberdade. O filme mostra a vida sem ela. A suspeita paira sobre cada conversa. Um olhar mais demorado já causa insegurança. Um oficial descontente (potencial aliado) pode, ao invés de aderir aos conspiradores, delatá-los para subir na hierarquia oficial. Mesmo sem grandes explosões e tiroteios, cria-se uma atmosfera de tensão muito aguda, que culmina no momento do atentado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nesse ambiente de insegurança, intriga e suspeita, abundam os oportunistas e os covardes. Uma série de pequenos revezes e omissões (a mais fatal delas fruto da falta de coragem de um oficial chave da conspiração) faz com que tanto o atentado quanto a operação militar de tomada do poder falhem. Os membros são presos e executados, mas o destino de seus inimigos não é muito diferente. Um cúmplice oportunista, que virara a casaca na hora H para não cair em desfavor com Hitler, é executado pouco tempo depois, e o próprio fuhrer teria seu fim em breve, num suicídio secreto e humilhante. A morte igualou a todos; mas o que cada alma levava consigo era desigual.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Só ficou faltando retratar o lado espiritual do coronel. Profundamente católico, sua recusa do nazismo fundava-se nos valores do Cristianismo. Isso é mostrado de passagem, mas sem a devida importância. Quanto às faltas do próprio Stauffenberg, há um ponto a se levantar: por que demorou tanto? Desde sempre rejeitara o nazismo, mas a decisão de se insurgir veio apenas com a guerra praticamente perdida. A profunda reverência pelos valores militares e dedicação à glória da Alemanha (para a qual aspirava grandeza imperial) explicam, mas não justificam, a demora. Mesmo assim, à longa indecisão seguiu-se uma conduta irrepreensível.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Saí do cinema com o espírito elevado pela nobreza de caráter do coronel Von Stauffenberg. O atentado falhou, mas legou-nos um exemplo duradouro de virtude, tão necessário hoje em dia, quando até os super-heróis são “demasiado humanos” (demasiado &lt;em&gt;pouco&lt;/em&gt; humanos, eu diria, mas isso é outra discussão). A morte heróica de Stauffenberg apenas reforçou a nobreza de seus ideais. O bem, mesmo quando fracassa, triunfa.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/27762361-7734352050431463424?l=tavista.blogspot.com'/&gt;&lt;/div&gt;</description><link>http://feedproxy.google.com/~r/Tavista/~3/rSB7NElWyp4/operacao-valquiria.html</link><author>noreply@blogger.com (Joel Pinheiro)</author><thr:total xmlns:thr="http://purl.org/syndication/thread/1.0">2</thr:total><feedburner:origLink>http://tavista.blogspot.com/2009/03/operacao-valquiria.html</feedburner:origLink></item><item><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-27762361.post-6272361039052440033</guid><pubDate>Tue, 17 Mar 2009 14:54:00 +0000</pubDate><atom:updated>2009-03-17T11:56:30.683-03:00</atom:updated><category domain="http://www.blogger.com/atom/ns#">Religião</category><title>O Sacrifício da Quaresma</title><description>&lt;div align="justify"&gt;Estamos na Quaresma, que é tempo de jejum, esmola e oração. É um tempo de fazer sacrifícios, isto é, se abster de algum prazer lícito, de alguma coisa boa, por amor a Deus. Acho que esse é um dos pontos mais difíceis de se aceitar da doutrina católica. Sacrifício?? Qual é a finalidade disso?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fazemos sacrifícios em outras áreas da vida. Valores importantes são difíceis de se alcançar, e requerem que deixemos de lado (sacrifiquemos) valores menores. Uma mulher enfrenta, para emagrecer, jejuns muito piores do que os da quarta-feira de cinzas e da sexta-feira santa. Contudo, há uma diferença importante aí: o sacrifício da mulher que quer emagrecer é conseqüência de como a realidade se estrutura. Deixar de comer um doce gostoso é, pela própria natureza do funcionamento do metabolismo humano, o meio pelo qual ela deixará de acumular gordura. Há uma relação causal objetiva em jogo. Já um sacrifício para Deus visa atingir que fim? Parece ser algo arbitrário, e por isso diferente dos sacrifícios da vida comum, que são o meio necessário para o fim desejado. Por que Deus pede sacrifícios e não prazeres?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Há boas razões para que seja assim. A primeira delas é totalmente humana. Um soldado, por exemplo, toma banho frio e dorme em cama dura. Em si mesmo, isso em nada contribui para a força ou habilidade do soldado. Seu objetivo é a disciplina do caráter. O soldado abre mão, agora, de pequenas coisas das quais poderia usufruir, para fortalecer o controle sobre suas próprias ações de modo que, na hora em que surgir uma tentação à qual ele não possa ceder (fugir da batalha, por exemplo), ele siga firme em seu dever. O mesmo vale para os pequenos sacrifícios da Quaresma: abstendo-se do lícito, fortalece-se a vontade para se abster do ilícito.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Já outro motivo é mais diretamente ligado a Deus. Todas as coisas criadas são boas; refletem, em alguma medida e cada uma de um jeito, a bondade infinita de Deus. É bom, portanto, que o homem goste delas. Contudo, o amor por uma coisa criada nunca deve superar o amor pelo Criador, que é a fonte de todo o bem. Esse é o risco que o homem sempre corre: amar mais o bem menor do que o bem maior; pecado é isso, e nossa natureza tem uma certa tendência a pecar. Conforme vivemos a vida, aproveitando os diversos bens do universo, invariavelmente supervalorizamos alguns deles e tiramos o valor de outros. Em especial, nos prendemos demais às criaturas e esquecemos do Criador. O sacrifício de alguns bens e prazeres nos faz lembrar que, por melhores que sejam os bens criados, são todos relativos e incompletos, se comparados ao Bem Incriado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por fim, o sacrifício da Quaresma nos lembra e nos leva a imitar a vida e a paixão de Cristo, que esteve disposto a passar por todo o tipo de privação por amor aos homens. Dada nossa condição caída, com tendência ao pecado, viver bem implica passar por sofrimentos, “carregar nossa cruz”. Ao fazer isso, participamos da obra redentora de Cristo. Ao mesmo tempo, o exemplo de sua ressurreição nos dá a garantia de que esse sofrimento é compensado, com uma vida mais verdadeiramente feliz agora e uma eternidade junto de Deus, que aprendemos a amar cada vez melhor.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/27762361-6272361039052440033?l=tavista.blogspot.com'/&gt;&lt;/div&gt;</description><link>http://feedproxy.google.com/~r/Tavista/~3/bHY7EDU88lA/o-sacrificio-da-quaresma.html</link><author>noreply@blogger.com (Joel Pinheiro)</author><thr:total xmlns:thr="http://purl.org/syndication/thread/1.0">0</thr:total><feedburner:origLink>http://tavista.blogspot.com/2009/03/o-sacrificio-da-quaresma.html</feedburner:origLink></item><item><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-27762361.post-6535829898910328360</guid><pubDate>Sun, 22 Feb 2009 17:20:00 +0000</pubDate><atom:updated>2009-02-22T14:26:12.005-03:00</atom:updated><category domain="http://www.blogger.com/atom/ns#">Política</category><category domain="http://www.blogger.com/atom/ns#">Filosofia</category><category domain="http://www.blogger.com/atom/ns#">Ética</category><title>E a Liberdade de Expressão de Dom Williamson?</title><description>&lt;div align="justify"&gt;A celeuma acerca de um bispo que nega o Holocausto tem ganho espaço na mídia. A história, para quem não tem acompanhado, é simples: ele é um de quatro bispos tradicionalistas (da Fraternidade de S. Pio X) que foram excomungados porque foram sagrados bispos sem a permissão do Papa. Bento XVI, que tem aproximado os tradicionalistas de Roma, levantou as excomunhões, para que essa aproximação possa continuar. Ou seja, nada relativo a anti-semitismo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Acontece que um desses quatro bispos, o inglês Dom Richard Williamson, havia dado uma entrevista para uma TV sueca um tempo antes, na qual negava que o Holocausto tivesse ocorrido. Aproveitando que o levantamento das excomunhões estava para acontecer, grupos que se opõem ao Papa fizeram ela vir à tona. O Papa e toda a Igreja têm pressionado Dom Williamson para que ele se retrate, e a Argentina, país onde ele mora e dá aulas, já anunciou que ele será expulso do país em alguns dias.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em primeiro lugar, deixo claro que não tenho dúvidas de que o Holocausto ocorreu. Além disso, sei também que, em geral, quem o nega é movido por profundo anti-semitismo. Não tenho nenhum tipo de simpatia por esse pensamento. Mas há que se perguntar: será que silenciar opiniões falsas à força é o jeito correto de combatê-las? Por que tanta celeuma e reações públicas de indignação? Até a presidente da Alemanha já deu seu showzinho.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se alguém nega o igualmente real extermínio em massa pela URSS, ou a matança de milhares de padres e religiosos pela facção “liberal” da Guerra Civil Espanhola, ninguém se levanta para protestar ou para calar sua boca à força. Acho bom que essas pessoas possam dizer o que pensam, ainda que sua motivação seja má; não é pela força que se mudam as crenças de alguém, mesmo que a força sirva à verdade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Lamento que Dom Williamson negue o genocídio nazista, seja por anti-semitismo ou por uma crença ingênua em historiadores pouco confiáveis. Ele mesmo, contudo, tem dado exemplo de conduta: diz que vai ler livros contrários às suas crenças e se informar melhor para ver se errou ou não. As vozes de condenação querem uma mudança automática de opinião pela força da ameaça, o que é ridículo. Uma opinião falsa deva ser combatida por argumentos e provas. Pode ainda ser ignorada, se o seu ridículo for tal que levá-la a sério seja dar-lhe um respeito imerecido. Mas ninguém deve ser coagido a se retratar. Nem Dom Williamson, e nem um socialista que negue as atrocidades monstruosas de Lênin ou Che Guevara.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Qualquer afirmação hoje em dia é motivo de acusação. Pessoas cada vez mais sensíveis e indignáveis procuram motivos para se sentirem insultadas e requererem algum tipo de punição ou compensação de quem feriu seus delicados sentimentos. Tudo é causa de processo, ou seja, do uso da força, e não da razão. Mesmo quando o perseguido tem uma opinião detestável, quem perde com isso somos todos nós.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/27762361-6535829898910328360?l=tavista.blogspot.com'/&gt;&lt;/div&gt;</description><link>http://feedproxy.google.com/~r/Tavista/~3/D47DQQvTufc/e-liberdade-de-expressao-de-dom.html</link><author>noreply@blogger.com (Joel Pinheiro)</author><thr:total xmlns:thr="http://purl.org/syndication/thread/1.0">3</thr:total><feedburner:origLink>http://tavista.blogspot.com/2009/02/e-liberdade-de-expressao-de-dom.html</feedburner:origLink></item><item><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-27762361.post-4450338486978108790</guid><pubDate>Mon, 16 Feb 2009 22:19:00 +0000</pubDate><atom:updated>2009-02-16T19:27:28.160-03:00</atom:updated><category domain="http://www.blogger.com/atom/ns#">Política</category><category domain="http://www.blogger.com/atom/ns#">Filosofia</category><category domain="http://www.blogger.com/atom/ns#">Ética</category><title>Violência Boa, Violência Má</title><description>&lt;p align="justify"&gt;Seria ótimo viver num mundo sem violência; sem guerra e sem crime. No qual, portanto, não haveria exércitos e nem polícia. E nem muro, cão de guarda ou cerca elétrica. Muitos de nós, inclusive, estariam dispostos a abrir mão desses e outros meios de defesa se soubessem que todo mundo se desarmaria.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Entretanto, o fato é que, por melhores que sejam as intenções pacifistas, a violência sempre existirá neste mundo. Se os EUA e a Europa desmantelarem suas armas nucleares, num esforço mundial pela paz, isso apenas cooperará para o fortalecimento de outras nações, e de outros grupos políticos, que não se importam nem um pouco com a paz, e que receberão a supremacia nuclear de bandeja.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Todo liberal duvida, por princípio, da violência. A agressão, a coerção, é o oposto da liberdade. Mas o liberal não é um ingênuo, que crê na chegada de uma utopia sem armas, na qual todas as desavenças sejam resolvidas pela força do argumento racional e do amor fraterno. Haverá sempre aqueles que usarão da violência, os quais devem ser repelidos violentamente. É raro que o homem comum se defenda diretamente, pois não está envolvido na luta contra o crime; esse trabalho é da polícia. Esteja a defesa nas mãos da polícia ou de cada cidadão, é um trabalho que tem que ser feito. No mesmo instante em que as forças que promovem a ordem e a paz social abdicarem do uso da violência, a bandidagem tomará o poder e instaurará um regime de terror tal que fará os pacifistas desejarem com nostalgia o bom e velho Estado de direito.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A defesa da liberdade, ou seja, da ausência de violência nas relações sociais, passa necessariamente pela disposição em utilizar a violência contra os inimigos da ordem livre. Não há nada de errado em se defender; pelo contrário, é meritório. Um exército que invada um país para conquistar suas riquezas faz um mal muito grande. Mas o exército que se defende da invasão, cujos homens dão a vida para garantir a liberdade de seu povo, é um exemplo a ser imitado. Não fosse por pessoas assim, a causa da liberdade estaria morta e enterrada no mundo inteiro. Só com a força impede-se a vigência da lei do mais forte.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O desejo de um mundo melhor deve sempre incluir o conhecimento do mundo como ele é. Sonhos de uma sociedade de anjos são úteis apenas para os desígnios demoníacos de pessoas, infelizmente, muito reais. Assim, é muito apropriada e certa a frase do Mises: &lt;a href="http://www.ordemlivre.org/blog/?p=308"&gt;"Quem quiser permanecer livre deve combater até a morte aqueles que pretendem privá-lo de sua liberdade".&lt;/a&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/27762361-4450338486978108790?l=tavista.blogspot.com'/&gt;&lt;/div&gt;</description><link>http://feedproxy.google.com/~r/Tavista/~3/RoDvoDAJnYw/violencia-boa-violencia-ma.html</link><author>noreply@blogger.com (Joel Pinheiro)</author><thr:total xmlns:thr="http://purl.org/syndication/thread/1.0">4</thr:total><feedburner:origLink>http://tavista.blogspot.com/2009/02/violencia-boa-violencia-ma.html</feedburner:origLink></item><item><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-27762361.post-1606493792125908629</guid><pubDate>Mon, 09 Feb 2009 16:43:00 +0000</pubDate><atom:updated>2009-02-09T14:48:34.889-02:00</atom:updated><category domain="http://www.blogger.com/atom/ns#">Economia</category><category domain="http://www.blogger.com/atom/ns#">Ética</category><title>Lucro ou Ação Social?</title><description>&lt;p align="justify"&gt;Um negócio prospera se satisfaz os desejos dos consumidores de forma eficiente. A empresa que cobra caro por um mau serviço ou muda ou desaparece, pois o consumidor preferirá comprar de outra. É assim que funciona o mercado, e é assim que as empresas ajudam a sociedade; esse é seu papel social. Uma empresa lucrativa é uma empresa que criou muito valor. O lucro é a indicação de que ela tem cumprido bem seu papel social, e é a própria sociedade que a premia. Já uma empresa que dê prejuízo destrói valor. Essa empresa tem falhado em cumprir seu papel social. É bom que, se ela não sair do vermelho, ela vá à falência. Uma empresa cumpre seu papel social ao prestar seus serviços aos consumidores, perseguindo o lucro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E não ao dar dinheiro a caridades ou praticar “ações sociais”. Nada contra tais iniciativas; o que acontece hoje em dia, no entanto, é que as empresas procuram se justificar por meio de suas ações sociais: pelo número de ONGs que ajudam, pela quantidade de lixo que reciclam, etc.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As próprias empresas encaram esses gastos como marketing, algo que fazem para aparecer bem. No longo prazo isso as faz aparecer mal. Pouco a pouco se reforça a idéia de que a empresa de sucesso chegou lá porque explora a sociedade. O empresário que enriqueceu o fez às custas de seus consumidores e trabalhadores; contraiu uma dívida que deve ser paga com ações sociais. O lucro alto provoca reações similares a um grande crime. “Como pode uma empresa lucrar tanto? Com tanta gente passando fome...”; mal sabem que são exatamente as empresas e pessoas lucrativas que contribuem para o fim da fome. Deveriam se perguntar: “Como pode uma empresa criar tanto valor?”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O lucro do empresário não é uma exploração. É o resultado de sua capacidade acima da maioria de oferecer às pessoas o que elas querem. Imagina-se a riqueza da sociedade como um bolo, que existe por si só; se um empresário pega uma fatia grande, é porque outros ficaram com fatias pequenas. Mas as benesses comumente consideradas dados da realidade, ou “direitos” os quais seria criminoso não atender, são, na verdade, fruto do trabalho de empreendedores que viram necessidades não atendidas e a oportunidade de atendê-las. Sem eles, o mundo pararia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se usar papel reciclado for de fato econômico para a empresa, é ótimo que ela o faça. Por outro lado, se isso aumentar seu custo sem nenhuma vantagem, então é uma ação que destrói valor. Mas e se esse gasto com marketing se reverter em mais vendas, dado que os consumidores são “conscientizados” e valorizam esse tipo de coisa? É verdade, nesse caso a empresa está maximizando seu lucro e criando valor para os consumidores (assim como um charlatão que vende poções mágicas para crédulos ignorantes também cria valor para eles).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas esse benefício no curto prazo tem seu custo no longo. Quanto mais as empresas pedirem perdão por existir, mais forte fica a convicção de que elas são essencialmente más. Uma ou outra empresa beneficia-se com um dúbio marketing; toda uma cultura tem suas bases corroídas. As ações sociais têm sim trazido alguns benefícios sociais; mas as pilhas acumuladas de vítimas desconhecidas também não são pequenas.&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/27762361-1606493792125908629?l=tavista.blogspot.com'/&gt;&lt;/div&gt;</description><link>http://feedproxy.google.com/~r/Tavista/~3/TjDEck0xHI4/um-negocio-prospera-se-satisfaz-os.html</link><author>noreply@blogger.com (Joel Pinheiro)</author><thr:total xmlns:thr="http://purl.org/syndication/thread/1.0">3</thr:total><feedburner:origLink>http://tavista.blogspot.com/2009/02/um-negocio-prospera-se-satisfaz-os.html</feedburner:origLink></item><item><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-27762361.post-4819108985446082807</guid><pubDate>Tue, 03 Feb 2009 22:15:00 +0000</pubDate><atom:updated>2009-02-03T20:19:45.863-02:00</atom:updated><category domain="http://www.blogger.com/atom/ns#">Música</category><title>Buddy Holly</title><description>&lt;div align="justify"&gt;Num fim-de-tarde de domingo de 2005, enquanto eu guiava até o shopping Villa-Lobos, um programa já falecido da Kiss FM tocou a música “It’s So Easy”: um rock n’ roll bem simples, com uma alegria fácil e ingênua transmitida por um vocal em geral contido mas que, nos momentos certos, arranhava a voz em rajadas intensas. Foi a primeira vez que ouvi Buddy Holly.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pouco tempo depois encontrei um CD dele na FNAC. Eu descobrira o rock dos anos 50; demorei um tempo para realmente gostar do Buddy, pois ele não se encaixava facilmente nos moldes do rock n’roll e do rockabilly que eu perseguia avidamente; e a todos os outros. Mas se isso fez com que seja mais difícil apreciar sua música, também fez com que o valor dela seja muito mais duradouro. E é por isso que até hoje recebe homenagens, novas versões de seus clássicos continuam a ser gravadas por bandas de todos os estilos, e influências audíveis suas estão presentes em muitos artistas contemporâneos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Buddy Holly foi um músico inovador. Escrevia grande parte de suas músicas; foi dos primeiros a sobrepor sua voz a ela mesma, criando uma harmonia consigo; seus arranjos musicais contavam com instrumentos inusitados (“Raining in my Heart” tem uma flauta; “Everyday” tem uma celesta, instrumento ouvido na suíte do Quebra-Nozes de Tchaikovsky - quem viu Fantasia conhece); suas melodias fugiam do óbvio e do esperado, da estrutura básica que identificamos ao rock dos anos 50. O que mais me toca, no entanto, é a amplitude emocional que ele trouxe ao rock, principalmente pela voz.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um bom intérprete de rock é capaz de fazer letras relativamente pobres dizerem muito mais do que está escrito. As letras de Buddy Holly são superiores ao padrão da época, mas o que realmente o destaca acima dos demais é a qualidade de seu canto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Talento vocal ele tinha. Sua voz era lisa e fluía como um tranqüilo riacho, não de água, mas de nuvens, nos momentos mais pensativos e íntimos. Um bom exemplo é “Moondreams”, na qual o eu-lírico, sozinho, fala consigo e com a amada, vista em sonhos; o ouvinte é também ele levado para um mundo de sonhos. “Raining in my Heart” tem a mesma atmosfera tranqüila, embora essa tranqüilidade seja fruto da tristeza resignada. “Dearest”, que figura na trilha sonora do filme Juno, é uma extremamente singela e terna declaração para a amada, que está distante.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em outros momentos, emoções mais fortes tomam conta. O rock clássico gira em torno de relações românticas entre jovens: o cortejo, a desilusão, a dança, o namoro, o término do namoro, o casamento, etc. Por mais que o jovem goste de aparentar auto-confiança, seu peito é um poço de insegurança e nervosismo. Buddy refletia isso em sua música; o soluço, a gagueira, a hesitação, a mudança repentina no tom, a voz trêmula - o amplo uso desses recursos nos transporta para o estado de espírito do jovem apaixonado, no qual convivem êxtases e calafrios, coragem e timidez.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A alegria e a agonia de se estar apaixonado fundem-se, por exemplo, em “Rave On”, uma declaração de amor exagerada (como todas) e explosiva, da qual transborda a expectativa aflita de que a amada sinta o mesmo. Em “Changing All Those Changes”, rockabilly de batidas bem marcadas, o eu-lírico se arrepende de ter terminado o namoro e promete mudar; sílabas são gaguejadas e a voz é entrecortada pelo arrependimento desesperado. Nos momentos de maior intimidade a dois, trechos são cantados na voz “de bebê” usada entre namorados (“Peggy Sue”, um de seus clássicos mais famosos, é um bom exemplo). Os sentimentos nunca são unívocos; na melancólica “It’s Too Late”, a lamentação da perda tem uma ponta de esperança, uma súplica por uma segunda chance. Em “Last Night”, a tristeza de ter sido deixado é superada pelo desejo de que a amada esteja bem. Já na mais animada “Reminiscing”, o eu-lírico, revoltado com a infidelidade da ex-namorada, promete superá-la ao mesmo tempo em que chega à fronteira do choro, não se sabe se de ódio ou de saudade; a arranhada na voz é usada para marcar a raiva, e a mudança repentina de tom e os soluços a angústia que o leva às lágrimas. A desilusão amorosa chega a um pico em “Mailman Bring Me No More Blues”, que não é propriamente cantada, mas chorada, e em “Lonesome Tears”, um apelo violento e inconsolável à namorada que se foi, que cresce até culminar num arroubo de paixão arranhada e desafinada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É sempre bom lembrar que todas as músicas, por mais tristes que fossem, guardavam algo de divertido e jovial; trata-se, afinal, dos altos e baixos de um jovem com um futuro pela frente, e não da amargura negra de uma velhice frustrada ou das reclamações mimadas de uma juventude entediada, como no EMO.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em outras canções, os sentimentos são outros; Buddy era um mestre do rockabilly. Suas interpretações são verdadeiras explosões de vitalidade e excitação, da emoção da conquista (que em geral se dá na dança - o que explica porque tantas músicas de rock sejam sobre... o próprio rock), como na dançante “Rock Around with Ollie Vee”; ou da provocação e vingança contra a mulher que o rejeitou (ex. “Midnight Shift”, “Don’t Come Back Knocking”). Outras são mera celebração do fato de se ser jovem (“Ain’t Got No Home”, “Ting-a-Ling” - na minha opinião, os dois melhores rockabillies dele), ou ainda exultações de alegria por se estar apaixonado (“It’s So Easy”) e por se casar com a mulher amada (“Now We’re One”).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Diferentemente de tantos músicos da época, Buddy Holly não se restringia a um único estilo. Ele experimentou diversas possibilidades, tanto em direções mais agitadas quanto mais calmas. Suas baladas e canções de maior carga sentimental, embora tivessem algum sucesso nos EUA, estouraram mesmo é na Inglaterra, onde influenciaram muito os Rolling Stones e os Beatles, que ascenderiam ao estrelato logo em seguida (gravando inclusive músicas dele). Muito de seu mateiral é difícil de classificar. “Peggy Sue” não tem nem sequer uma batida sincopada - uma linha contínua de tambores e de violão acústico constituem a base sobre a qual a voz declara repetidamente, com pequenas variações, seu amor pela namorada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A importância de Buddy Holly na música é reconhecida por todos os grandes artistas do rock. É uma pena que ele tenha morrido ainda jovem, aos 22 anos, num acidente aéreo (eternizado por Don McLean na música “The Day the Music Died”, também conhecida como “American Pie”). Sua carreira de sucesso não tinha sequer três anos. É uma pena pensar em tudo o que ele poderia ter realizado; ao mesmo tempo, a importância do que ele deixou é o bastante para consagrar um artista de qualquer idade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Buddy Holly morreu no dia 03 de fevereiro de 1959, há exatos 50 anos. Acho uma boa data para fazer esta homenagem a um dos meus músicos favoritos, e quem sabe levar alguém mais a conhecer e apreciar sua obra.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;embed src="http://www.youtube.com/v/CwdYOUczZAQ&amp;amp;hl=" fs="1" width="425" height="344" type="application/x-shockwave-flash" allowscriptaccess="always" allowfullscreen="true"&gt;&lt;/embed&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/27762361-4819108985446082807?l=tavista.blogspot.com'/&gt;&lt;/div&gt;</description><link>http://feedproxy.google.com/~r/Tavista/~3/pEjhwyTUxNM/buddy-holly.html</link><author>noreply@blogger.com (Joel Pinheiro)</author><thr:total xmlns:thr="http://purl.org/syndication/thread/1.0">4</thr:total><feedburner:origLink>http://tavista.blogspot.com/2009/02/buddy-holly.html</feedburner:origLink></item><item><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-27762361.post-583764115808302350</guid><pubDate>Mon, 02 Feb 2009 14:50:00 +0000</pubDate><atom:updated>2009-02-02T12:54:30.966-02:00</atom:updated><category domain="http://www.blogger.com/atom/ns#">Religião</category><category domain="http://www.blogger.com/atom/ns#">Filosofia</category><title>Ciência VS. Qual Religião?</title><description>Detesto debates de “Ciência e Religião”. As religiões são muito diferentes umas das outras. Algumas são nocivas à ciência (o Islã que vemos hoje em dia, certos tipos de protestantismo fundamentalista, etc); mas acontece que a própria ciência deve sua existência a uma religião em particular: o Cristianismo. Não digo isso meramente porque a Igreja Católica foi, por séculos, a maior patrocinadora da ciência no mundo, e nem porque muitos dos maiores cientistas da história foram cristãos. Falo de algo mais profundo: dos princípios metafísicos do Cristianismo, que foram de onde a ciência nasceu. Há um motivo pelo qual isso não se deu na Grécia Antiga e nem no Islã (que teve uma respeitável idade de ouro), mas na Europa medieval.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por que a ciência não nasceu entre os filósofos gregos e romanos? Porque suas próprias idéias impediam tal concepção. Duas correntes podem ser discernidas. Numa delas (pitagóricos, platônicos e derivados), reinava a idéia de que o mundo observável pelos sentidos é pouco real, se comparado ao mundo das idéias e das relações lógicas. O conhecimento é possível apenas acerca de idéias eternas e imutáveis; o mundo à nossa volta, com suas incessantes mudanças, permite apenas opiniões incertas, e nem vale a pena se dedicar muito ao estudo dele. Alternativamente, outra visão (aristotélicos e estóicos) era a de que o mundo é fixo, eterno, e não poderia ser de outro jeito. A experiência dos sentidos é pouco importante, pois é a metafísica que nos diz como as coisas são.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aristóteles deu um grande avanço, é verdade; frisava a importância da observação. Mas ainda vigorava em seu pensamento, e no de seus seguidores, uma idéia muito fixa de como o mundo tem que ser para se encaixar em certos pressupostos metafísicos. Assim, a observação extensa e detalhada caminhava junto de afirmações patentemente falsas (ex: um corpo mais pesado cai mais rápido que um mais leve). Já conhecemos a estrutura básica do universo; a observação preenche essa estrutura, sem nunca questioná-la. O Motor Imóvel de Aristóteles não é um criador livre, mas o princípio motriz de um mundo eterno e necessário. Que tudo é composto de quatro elementos, que o universo extra-lunar é uma grande engrenagem incorruptível, composta de esferas de éter; essas e outras premissas básicas só seriam questionadas, pouco a pouco, séculos mais tarde, depois que a cultura clássica (difundida pelo Império Romano) fosse penetrada pelo Cristianismo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E o Islã? Diferentemente da filosofia grega, o Islã acredita na criação do mundo; ou seja, o universo não é algo eterno e necessário; é uma criação de Alá, e poderia, portanto, ser diferente do que é. O problema é que, para o muçulmano, todo evento é ação direta de Alá. Não existem leis da natureza: é Alá que faz com que, neste momento, a pedra caia; no momento seguinte, sua vontade pode mudar. A vontade de Alá não se pauta por nada, nem por ela mesma. Ordena o que antes proibira. Não há segurança; a razão humana é falha e duvidosa. Houve no Islã ótimos filósofos e pensadores; não eram, entretanto, bons muçulmanos. Fé e razão são inconciliáveis. Com o fortalecimento da ortodoxia religiosa, sua cultura caiu no fideísmo obscurantista do qual jamais saiu.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No Cristianismo, o mundo também é fruto da vontade livre de um Criador. Contudo, esse Criador não é um tirano caprichoso que manda e desmanda, mas um pai bondoso e racional. O universo é um sistema ordenado, no qual o funcionamento de cada parte, ainda que possa ser atribuído em última análise a Deus, é o resultado de causas segundas contidas no próprio universo. O mundo é sujeito a leis inteligíveis, mas não é necessário ou eterno; precisamos descobri-lo, e para isso temos que usar os cinco sentidos, com base nos quais a razão infere leis gerais. Diferentemente do Islã, não há antagonismo entre o cultivo da inteligência e da fé. Pelo contrário: houve grandes filósofos que foram santos e homens de virtude reconhecida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O universo não precisava existir, mas existe, e segue uma ordem racional, reflexo da Razão que o criou. Seu funcionamento é observável e mensurável, e portanto cognoscível, mas tem que ser descoberto pelos sentidos. É essa posição metafísica que conduziu ao nascimento da ciência. De fato, a ciência experimental, ou seja, que não se contenta em observar e anotar fenômenos, mas faz testes, elabora perguntas para a natureza, surgiu na Europa medieval (o próprio termo “ciência experimental” foi cunhado por Roger Bacon, um frade franciscano inglês do século XIII).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É óbvio que esta não é uma explicação fechada da origem da ciência. As contribuições científicas da cultura clássica grega e da cultura islâmica são inegáveis (a esfericidade da Terra e o heliocentrismo são descobertas gregas; e foram pensadores islâmicos que lançaram as bases da ciência ótica). Mas nada que se compare à produção científica ocidental da Idade Média em diante. Premissas de fundo têm o poder de direcionar nosso pensamento sem que o percebamos, e é no plano histórico que as diferentes direções tomadas pelas várias culturas aparecem claramente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ao se debater “Ciência e Religião”, opondo os avanços da ciência moderna ao Cristianismo, combate-se a própria metafísica da qual a ciência nasceu, e sem a qual sua existência futura é incerta.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/27762361-583764115808302350?l=tavista.blogspot.com'/&gt;&lt;/div&gt;</description><link>http://feedproxy.google.com/~r/Tavista/~3/mfGH1UhRNwc/ciencia-vs-qual-religiao.html</link><author>noreply@blogger.com (Joel Pinheiro)</author><thr:total xmlns:thr="http://purl.org/syndication/thread/1.0">7</thr:total><feedburner:origLink>http://tavista.blogspot.com/2009/02/ciencia-vs-qual-religiao.html</feedburner:origLink></item><item><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-27762361.post-3633552527295777792</guid><pubDate>Mon, 22 Dec 2008 15:50:00 +0000</pubDate><atom:updated>2008-12-22T13:51:44.407-02:00</atom:updated><category domain="http://www.blogger.com/atom/ns#">Filosofia</category><title>Filosofia e Falência Espiritual</title><description>&lt;div align="justify"&gt;Aula de Filosofia. Matéria: teoria crítica (“Lá vem...” - calma, algo bom sairá daí!). Discute-se o conceito de “democracia deliberativa”. Tudo muito vago e abstrato; repetição dos textos ao invés de entendimento. Mas a intervenção de um aluno, membro da chapa recém-eleita do C.A., trouxe o mundo real à aula. Acontece que a chapa vencedora teve 80 votos. Mais de mil alunos na faculdade; 80 votos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A realidade da faculdade é essa. Grande parte das pessoas simplesmente não se interessa. Outra parte, também considerável, se interessa, mas sabe que isso de nada adianta. As chapas, as assembléias, enfim, as “estruturas de poder” dos estudantes estão tomadas por pequenos grupos. Um deles, em particular, cujos membros se dizem parte da Quarta Internacional Trotskista, faz questão de ir a todas as reuniões e não deixar ninguém mais falar. As assembléias são intermináveis; vota-se inclusive se determinado ponto deve ou não ir a votação, e os resultados são sabidos de antemão. Assim, mesmo os bons se desinteressam e se distanciam cada vez mais da política universitária e da esfera pública em geral, minimizando o desgaste que teriam em lutas infrutíferas. Cada um vai para seu canto, estudar para sua prova. A suposta democracia se resume ao ato de votar; ação pontual que, isolada de um debate mais amplo, perde todo o sentido. Assim é a faculdade, é assim é, infelizmente, o mundo fora dela também.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Poderia ser diferente. O professor Ricardo Terra propôs a idéia: imaginemos que, dos mil alunos, a metade deles, quinhentos, adotasse uma postura ativa e participativa com relação à faculdade. Quinhentas pessoas dedicadas a pensar e discutir idéias, ler coisas de seu interesse, escrever textos, organizar grupos de estudo, produzir obras de arte, propor e elaborar projetos que envolvam os outros estudantes, etc. Nesse caso, seria possível, por exemplo, criar e consolidar um jornal dos alunos, no qual fossem discutidas, com total liberdade, todas as idéias e pontos de vista (o próprio Terra sugeriu, para o jornal hipotético, uma questão provocadora: “por que nenhuma boa universidade do mundo tem eleições diretas para reitor?”). A vida universitária seria outra. Haveria razão para se interessar e participar dos grupos estudantis. As votações seriam a culminação das discussões e debates que ocorreriam o tempo todo por toda a faculdade, para aquelas questões de ordem prática que exigem uma solução única; e não o princípio e o fim de toda a política. Isso é democracia deliberativa. E é um ideal verdadeiramente apaixonante.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E por que não se concretiza? Por um lado, como já foi mencionado, há o forte obstáculo à participação criado pela organização atual das entidades e assembléias. Por outro, todo mundo precisa estudar para passar de semestre, e muitos precisam trabalhar; não têm tempo para mais nada. Isso é o que foi alegado em sala, e no qual custo a acreditar. Sim, de fato a estrutura oficial desanima qualquer um; mas novas iniciativas não têm que, necessariamente, passar por ela. Também é verdade que é preciso estudar, e muitos estudam e trabalham; mas o mesmo valia no passado, quando existia uma vida universitária mais rica. Será crível que um aluno da Filosofia, que cursa de duas a três matérias por semestre (o que significa ir à faculdade dois ou três dias da semana), não tenha tempo?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O tempo sempre foi curto; não vivemos em uma época especial nesse sentido. O que falta é vontade e a disposição de agir. Em outra matéria deste semestre estudamos o Contrato Social de Rousseau (“Agora já passou dos limites!” - sem revoltas; aqui também há uma boa lição). Ele observava, em seu tempo, essa mesma passividade que se vê agora. Homens adultos, para não arcar com a responsabilidade de suas ações, o que envolve correr riscos, passar desconfortos e ocasionalmente falhar, abrem mão da própria condição de agentes. Preferem delegar suas responsabilidades para outros, e pagar-lhes para que ajam em seu lugar. Para Rousseau, a causa disso era o desejo de bem-estar material. Hoje em dia, mesmo a busca do bem-estar material é delegada; espera-se do governo que ele forneça a cada homem todas as necessidades da vida; até mesmo a educação e o cuidado dos próprios filhos são vistos como incumbência do Estado, e não dos pais. Não é preciso dizer que essa estratégia é frustrada; mesmo o bem-estar material piora em conseqüência dela.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tal piora, no entanto, é pequena se comparada à degeneração moral e espiritual que decorre de uma existência passiva. Todos os sonhos e aspirações nobres são deixados de lado para se garantir o pouco (e é cada vez menos) que se tem. Deixa-se de perseguir a felicidade para evitar o sofrimento. O homem deixa de ser um agente e passa a ser uma vítima; vítima da sociedade, do capitalismo, dos políticos; vítima de seus pais, de seus genes, de seu corpo; vítima de um universo mau que não se dobra para satisfazer cada capricho seu. A conseqüência é que todos passam a exigir seus direitos (“direito” hoje em dia nada mais é do que obrigar outras pessoas a prover aquilo do qual se carece), e cada vez mais fogem de sua contrapartida necessária: as responsabilidades. As conseqüências são sentidas em todos os âmbitos da vida individual e social.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Enquanto essa atitude espiritual de fundo não mudar, as instituições políticas não mudarão; ela é sintoma, e não causa, do problema (embora, como em quase tudo na ação humana, o sintoma reforce a causa). Como mudá-la? Não sei ao certo, mas acho que a universidade, e especialmente a faculdade de Filosofia, deveria ter um papel aí. &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/27762361-3633552527295777792?l=tavista.blogspot.com'/&gt;&lt;/div&gt;</description><link>http://feedproxy.google.com/~r/Tavista/~3/oEtk_wCvIHE/filosofia-e-falncia-espiritual.html</link><author>noreply@blogger.com (Joel Pinheiro)</author><thr:total xmlns:thr="http://purl.org/syndication/thread/1.0">1</thr:total><feedburner:origLink>http://tavista.blogspot.com/2008/12/filosofia-e-falncia-espiritual.html</feedburner:origLink></item></channel></rss>
