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        <title>Ela na Janela</title>
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        <pubDate>Sun, 14 Jun 2009 17:09:43 -0300</pubDate>
        
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            <title>tudo novinho</title>
            <pubDate>Sun, 14 Jun 2009 17:09:43 -0300</pubDate>
            <description>
lembrei de eu conversando: "o que falta, no final, é um noivinho". ela riu. ela sempre ri de mim quando eu sonho alto. era verdade, alegriazinha de descobrir o desejo. um noivinho pra dividir o apartamento novo, que é grande, que é quase vazio, que fica repleto quando o itamar canta aquela que faz pensar em noivinho. "A tua boca me dá água na boca/ Ai que vontade de rasgar a nossa roupa/ Vamos pra qualquer lugar praquela gruta/Pra qualquer quarto de hotel praquela moita."
 um noivinho pra rasgar a roupa. um noivinho pra sair do banho e sentar na cama conversando enquanto seca o cabelo com a toalha. pra ver-não-ver o jornal nacional, pra abrir um chandelle às onze e quinze, depois de escovar o dente. pra dançar aquela do itamar. pra descer da janela, pendurar no pescoço. feito aquele filme em que o atorzinho passa o braço no pescoço dela. eu voltei a cena. eu voltei a cena. e, de lembrar, o noivinho já está. e eu posso segurar nele, como a moça ruiva faz quando o atorzinho passa o braço no pescoço dela. o noivinho já está e ele instalou a tv a cabo, ligou o telefone e vai me esperar pra o não-ver jornal, pra o não-existir à noite, pra o contar de estrelinhas do morro, praquela do itamar, pra  essa alegriazinha do amor que cabe no diminutivo de ser o noivinho.




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            <link>http://amaranta.tipos.com.br/posts/2009/06/14/tudo-novinho/</link>
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            <title>(bye bye)</title>
            <pubDate>Tue, 19 May 2009 12:43:24 -0300</pubDate>
            <description>


she is leaving home.



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            <link>http://amaranta.tipos.com.br/posts/2009/05/19/bye-bye/</link>
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            <title>inventário para mudança</title>
            <pubDate>Thu, 14 May 2009 12:48:01 -0300</pubDate>
            <description> 
2 sofás brancos de dois lugares cada um
1 geladeira biplex brastemp (sem caixa original)
1 TV 21 polegadas
1 aparelho de som em funcionamento
2 aparelhos de som queimados por erro de voltagem
12 pares de distrações (ou mais; a verificar na vistoria final)
135 CDs
150 livros de tamanhos diversos 
10 saudades concretas e contidas (grande capacidade de compactação)
5 saudades menos compactas, com risco de derramamento
1 binóculo do vô acyr
6 cadernos de capa dura para diários 
1 melhor pessoa do mundo (grave, irreversível)
1 máquina de lavar com capacidade para sete quilos (com isopor original da embalagem)
1 banana-pufe
3 quadros
4 amigos irreversíveis 
2 colegas de trabalho
1 aparelho de DVD
1 liquidificador
56 esperanças do tipo material frágil (sem embalagem; é necessário plástico-bolha)
6 esperanças (com caixa original, desde a aquisição)
1 jogo de louças presente da tia inês
1 faqueiro de 200 peças (muitas sem uso, ainda na embalagem)
1 revisteiro de vime
1 semana de gripe no sofá
5 meses de passos (incertos) de madrugada a caminho do quarto
5 almofadas (duas capas vermelhas com estampa de bolinha e três florais)
1 escrivaninha pequena
2 anos de observação da luz da tarde no piso claro de madeira
1 cadeira simples
1 poltrona do tipo espanholinha, sem braços (pode ficar; em todas as mudanças, ela sempre correu este risco, o de ficar)
1 sabiá da rua cantando todas as madrugadas de 2007
1 sticker de passarinhos no beiral da janela do quarto
1 janela do quarto
1 porteiro admirador de Caravaggio
2 hábitos dentro da cozinha
4 hábitos debaixo do chuveiro
1 ordem dos copos no armário
1 jogo de copos
1 balde de gelo
1 vaso com um lírio seco desde 2007
1 miniatura de casal apaixonado
5 delírios
4 devaneios 
2 torturas (já embaladas)
1 janela que ri - a de quatro metros de largura da sala 
1 armário alto para livros e discos
1 armário baixo, duas portas, para calçados
4 anos de memória
 

 
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            <link>http://amaranta.tipos.com.br/posts/2009/05/14/inventario-para-mudanca/</link>
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            <title>uma mulher no vento...</title>
            <pubDate>Sat, 09 May 2009 15:52:13 -0300</pubDate>
            <description>

... é uma menina?

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            <link>http://amaranta.tipos.com.br/posts/2009/05/09/uma-mulher-no-vento/</link>
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            <title>conforto</title>
            <pubDate>Tue, 28 Apr 2009 19:57:12 -0300</pubDate>
            <description>

como naquela noite em que eles estavam deitados na cama de um amigo. riam os três. o amigo saiu do quarto. colocou billie holiday antes de sair - o amigo tinha dessas. deitados na cama, os dois olhavam para o teto, rindo, inventando traduções improváveis, treinando gestos (também improváveis) para um palco imaginário. ela se pôs a cantar. aguda, sem mais. ele ria. it had to be you, it had to be youuuu. i wandered around and finally found somebody whoooooo... could make me be true, could make me be blue and even be glad, just to be sad thinking of youuuu. os dois gargalhavam, lágrimas de riso penduradas nos olhos, disseram juntos um "eu me sinto confortável com você".
era como estar a salvo de si mesmo. era como estar a salvo de si mesmo. era como estar a salvo de si mesmo. amém.

*

como um outro amigo, doutor de passarinhos, que fazia vestido respirar. era assim: sua mulher havia viajado para longe. oito meses. oito meses. ele ficou à espera. é o mesmo que dizer que ele a viu chegar todos os dias. sua prova era fazer vestido respirar. toda manhã, ia ao guarda-roupa dela e retirava um a um os vestidos, levando-os ao quintal. ele andava com ela pela casa quando levava os vestidos ao quintal. pendurava cada peça no varal - era como ajudá-la a escolher o vestido para o dia. deixava que tomassem o ar da manhã, vento bom - era como cuidar da saúde dela. quando já era tempo de volta, ele corria com os vestidos ao quintal - ansiedade de encontrá-la no portão. ela telefonou um dia, só para avisar. ela não voltou mais. ela não voltou mais. ela não voltou mais. amém.

*

como o tio (padrinho?) da melhor amiga que carregava anedotas nos bolsos. para a menor possibilidade de silêncio-desastre. bem dobradinhas as anedotas dele. vez ou outra, renovava as histórias - as reais, os desastrezinhos da rotina, são os melhores. quando o papel já estava cansado das dobras e a tinta já estava evaporando, o tio da melhor amiga reescrevia. acrescentava também. e ia às festas carregando conversas nos bolsos. eu e ela começamos então nossa lista. imaginária por enquanto. é preciso ser importante para ir às festas carregando conversas nos bolsos. 

*

como o pai que, na cozinha, no meio da festa de aniversário, disse que não sabia dizer aquilo. "o pai ficou muito contente com você hoje." só isso. o silêncio do pai cabia no olho. 

*

como naquele dia do "eu me sinto confortável com você". como agora no "eu me sinto confortável sem você". confortável, confortável. amém.


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            <link>http://amaranta.tipos.com.br/posts/2009/04/28/conforto/</link>
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            <title>in the mood for love</title>
            <pubDate>Mon, 20 Apr 2009 14:56:17 -0300</pubDate>
            <description>

segredo é quando o silêncio faz eco.




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            <link>http://amaranta.tipos.com.br/posts/2009/04/20/in-the-mood-for-love/</link>
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            <title>ensaio 2</title>
            <pubDate>Thu, 16 Apr 2009 14:40:53 -0300</pubDate>
            <description>
ensaiou o silêncio de manhã. ensaiou música também. escondeu nina simone e john - o john a começa para triste. (ela não pode ir embora. está em estado de vigília da espera. se for embora, talvez desespere.) 
lembrou-se de trazer o guarda-chuva. os fins de tarde de abril têm atração por chuvas. lembrou-se de que já está há alguns meses com o guarda-chuva. ela nunca teve um. eles têm predileção por esconderijos. tratou de comprar um grande. azul de bolinhas. não sumiria do lado direito da escrivaninha, embora já tenha sido visto na cozinha, aberto, derramando as bolinhas no chão.
a mãe não ligou. nem o pai. deve ser saudade. a mãe perde a voz de saudade. fica magoada de estar só de filha menina. o pai, quando ligar, vai dizer: "ô, cão sem dono". ela gosta. o pai diz eu te amo com alô e quando faz doce de leite encaroçadinho.
ela agora deu de perceber que está sem compasso ainda. fala demais, ri demais, tem dúvidas demais sobre o cachecol, faz perguntas, fala. talvez seja só esperança. está com olhos para o encanto do mundo.
alguém aparece vez ou outra para dizer que há degraus demais. ela acha divertido. o alguém nem não tem nome, mas sabe que ela suspira antes de dormir. ela tem gosto para edredom de algodãozinho.
está com medo do sábado. começou vigília para não doer. alguns sábados dóem. o domingo, a menina-desenho disse, é o chaplin da semana. medio triste, medio feliz. ela gosta do desajeito do domingo. acha bonito. mais ainda domingo de manhã. o pai na sala tão café, a mãe de sono, o irmão que vai trazer o cachorro, o outro irmão que dorme até mais tarde. faz tempo ela já é um tanto domingo.


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            <link>http://amaranta.tipos.com.br/posts/2009/04/16/ensaio-2/</link>
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            <title>ensaio 1</title>
            <pubDate>Wed, 15 Apr 2009 14:35:44 -0300</pubDate>
            <description>
ensaiou prestar atenção. tinha um machucado grande e sem memória na perna. ia cuidar de não machucar. ou de lembrar o nome de o machucado.
a menina em queda livre avisou que precisava borboletear mais. ela passou a procurar pouso de borboleta. quando encontrasse, ia chamar o menino pra ver.  
outro dia, conheceu um moço que, quando tinha sete, deixava a sala de aula pra deitar no chão do banheiro. era pelo geladinho de azulejo. o chão pensou o menino.
uma vez, um chão me pensou também. era repetido de muito. bordado de flor. e tinha uma luz que entrava fininha. mas eu já tinha 25. 
(queria escrever que o menino era sete. eu já era 25. na minha gramática, a cada aniversário, a gente ganhava mais um eu. por isso um menino que é cinco ainda pode voar, e uma moça que é 25 requer poesia.)
ela pensou que ele poderia ligar e dizer que tinha olhado a dedicatória de novo. olhado novo para a dedicatória. ela sabe que um moço que é 25 ou 26 também requer poesia. 
ela pegou delírio no desejo e sonhou que podia segurar o rosto dele. para medir. era um rosto quadrado, pedia encaixe.  
de manhã, ela vai correr de novo. é de espantar aflição. 



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            <link>http://amaranta.tipos.com.br/posts/2009/04/15/ensaio-1_2/</link>
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            <pubDate>Wed, 15 Apr 2009 14:40:25 -0300</pubDate>
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            <link>http://amaranta.tipos.com.br/posts/2009/04/15/post_16/</link>
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            <pubDate>Wed, 18 Feb 2009 15:25:05 -0200</pubDate>
            <description>
uma dor de não poder voar.


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            <link>http://amaranta.tipos.com.br/posts/2009/02/18/post_15/</link>
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            <title>*</title>
            <pubDate>Wed, 03 Dec 2008 19:18:44 -0200</pubDate>
            <description>

e tudo isso em silêncio. 




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            <link>http://amaranta.tipos.com.br/posts/2008/12/03/post_14/</link>
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            <title>intervalinho de eu</title>
            <pubDate>Mon, 24 Nov 2008 15:40:04 -0200</pubDate>
            <description>eu tenho medo de trovão. e tem muito trovão aqui hoje.

*

às 4h50, eu acordei assustada. tinha sonhado com eu e você, cuidando de insetos. eu tinha muito medo. um inseto, então, se transformou num grande boi branco, com chifres. e daí era você quem tinha medo.

*

antes de dormir, eu li até chegar à segunda parte do livro do paul auster. 75 páginas eu li. a segunda parte, "o livro da memória", apareceu mais bonita. com mais frases, mais eu-ele. na primeira parte, era a história do pai e, conseqüentemente, da família. agora, creio eu, ele falará mais das aflições de ser filho de solidão.

*

eu tenho mesmo muito medo de trovão. quando estou em pé e um trovão explode, eu aperto os dedos dos pés contra o chão, feito tentasse entrar na terra. só não tenho mais medo de trovão que de inseto. de inseto, eu tenho mesmo muito mais medo.

*

tive uma tristeza agora com todo o trovão aqui. se fosse em casa, a mãe estaria rindo de eu ficar andando atrás dela. que era pra ficar protegida do trovão. a mãe me acha engraçada quando eu fico fraca, quando eu fico filha.

*

no almoço, vou sentar em algum lugar sozinha para ler mais um tanto.
só queria que não tivesse trovão. era mais fácil ler sem trovão. entende?

*

talvez hoje eu esteja naquele dia de hemorragia de verbo, como você chamou esse desespero um dia. eu gostei do nome que você deu para a aflição de ser sozinha e precisar muito conversar em silêncio com você: hemorragia do verbo. desespero de letra?

*

você me ama muito? muito de me entender com trovão?

*

acabei de me achar sozinha.


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            <link>http://amaranta.tipos.com.br/posts/2008/11/24/intervalinho-de-eu/</link>
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            <title>andar</title>
            <pubDate>Wed, 08 Oct 2008 15:12:08 -0300</pubDate>
            <description>&lt;img src="http://static.tipos.com.br/media/16403/20081008-cristiano mascaro 1986.jpg" width="396" height="402" alt="cristiano mascaro (1986)" title="cristiano mascaro (1986)" /&gt;

O homenzinho de cabelos brancos disse: "Andar é bom para o coração". Uma flor amarela pingou da árvore. "Com cuidado, se vai longe." Todos os anjos para os que amam, eu pensava. Todos os anjos e os que amam. Os que acreditam e repetem. "Repetir até ficar diferente." Os sinos das seis da tarde assim tocam desde 1953. Desde antes dos que amam e repetem porque acreditam. Andar faz bem para o coração. Voar também.
Deve ser longe o lá dos que amam. Precisam caminhar à tarde. Andar de dentro das veias, andar de muito, de acordar a manhã com os olhos de procura, de nada, de onde. Deve ser longe o lá dos que amam e andam para o coração sentir tudo às seis da tarde. Os que amam e repetem os sinos para todos os anjos e flores que pigam das árvores. Pingam de sozinhas. Deve ser por isso o "Deixe-me ir, preciso andar". Para que não doa ou para que doa de cansaço, de dormir, de nem mais acordar manhãs com os olhos de onde. Deve ser por isso os braços que pingam no chão, os olhos deitados de horizonte. Deve ser longe o lá dos que amam e devem andar. Porque andar, disse o homenzinho de cabelos brancos, andar é bom para o coração.</description>
            <link>http://amaranta.tipos.com.br/posts/2008/10/08/andar/</link>
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            <title />
            <pubDate>Fri, 03 Oct 2008 17:55:56 -0300</pubDate>
            <description>&lt;img src="http://static.tipos.com.br/media/16403/20081003-nina20simone.gif" width="540" height="440" alt="nina" title="nina" /&gt;

é preciso ouvir nina simone. é preciso voltar aos gritos de lou reed no banho. é preciso que os sustos sejam os ardidos de jóia, de transa. é preciso um passo de dança a caminho da cozinha, porque o marvin gaye gritou naquele trecho da música de que eu tanto gosto. é preciso erguer o pescoço numa gargalhada quando os desenhos animados dançarem do you love me (now that i can dance). 
na segunda-feira, a gente volta aos ontens. na segunda-feira, você me ajuda a ouvir my funny valentine, um veludinho do chet baker. e então a gente deixa a lágrima lamber o pescoço todo e deitar no chão de madeira da sala, de frente para o rádio que sempre ouviu mesmo todas as afliçõezinhas.</description>
            <link>http://amaranta.tipos.com.br/posts/2008/10/03/post_13/</link>
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            <title>as minhas nas suas</title>
            <pubDate>Tue, 30 Sep 2008 15:37:51 -0300</pubDate>
            <description>&lt;img src="http://static.tipos.com.br/media/16403/20080930-mãos.jpg" width="500" height="194" alt="minhas nas suas" title="minhas nas suas" /&gt;

juliana me dá ânsia de escrever. a mãe também. a mãe fazendo bolo e a juliana aflita. confeitam as dorezinhas no domingo. "você unta a forma, filha?" e lá se foi a farinha de trigo bem branquinha pela janela. era desde criança untar a assadeira e cobrir tudo com floquinho branco que é de o bolo escapar fácil. "eu untei direitinho, mãe?" ela segurava a tijela do sonho de bolo: "isso". o elogio da mãe era a cobertura de leite docinho.  
a juliana entendeu a alegria de a assadeira bonita, de a mãe precisa - duas medidas de açúcar, uma só de leite. duas meninas de açúcar, uma mãe de leite. "você telefona bem muito e bem sempre?", a juliana pediu. e lá se foram as dorezinhas bem branquinhas pela janela. para elas, era desde antes porque era de escapar difícil. são aflitos os sonhos das meninas. confeitam as dorezinhas no domingo.</description>
            <link>http://amaranta.tipos.com.br/posts/2008/09/30/as-minhas-nas-suas/</link>
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            <title />
            <pubDate>Sat, 20 Sep 2008 14:23:04 -0300</pubDate>
            <description>&lt;img src="http://static.tipos.com.br/media/16403/20080920-moscas do adão2.jpg" width="369" height="293" alt="adão" title="adão" /&gt;</description>
            <link>http://amaranta.tipos.com.br/posts/2008/09/20/post_12/</link>
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            <pubDate>Thu, 11 Sep 2008 15:37:34 -0300</pubDate>
            <description>doutorzinho pediu um raio-x do pescoço. viu um volume estranho. era um nó na garganta, eu expliquei. 
"desde quando?" esqueci.
viver é muito machucado.</description>
            <link>http://amaranta.tipos.com.br/posts/2008/09/11/post_11/</link>
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            <pubDate>Fri, 29 Aug 2008 14:18:19 -0300</pubDate>
            <description>&lt;img src="http://static.tipos.com.br/media/16403/20080829-51181437.jpg" width="400" height="281" alt="leila reinert - fotografia sem título" title="leila reinert - fotografia sem título" /&gt;
arranco os cabelos do silêncio. 
ele emudece em mim.
estamos pasmos. (bocas num envelope.)
à noite, perderei as orelhas. 
ele repete: 
só o sonho salva. 
só o sonho se salva. 
saliva o sonho só.

estou grávida de ouvidos.</description>
            <link>http://amaranta.tipos.com.br/posts/2008/08/29/post_10/</link>
        </item>

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            <title>contorno bipolar</title>
            <pubDate>Thu, 14 Aug 2008 01:20:30 -0300</pubDate>
            <description>tem dia dói.
tem dia passa.

tem dia dói.
tem dia passa.

tem dia dói.
tem dia passa.

&lt;div style="text-align: center"&gt;*&lt;/div&gt; 

ou sístole-diástole, como apelidou juliana.</description>
            <link>http://amaranta.tipos.com.br/posts/2008/08/14/contorno-bipolar/</link>
        </item>

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            <title>da reportagem loca(l)</title>
            <pubDate>Thu, 07 Aug 2008 19:58:33 -0300</pubDate>
            <description>&lt;img src="http://static.tipos.com.br/media/16403/20080807-ju.jpg" width="500" height="332" alt="as duas moças" title="as duas moças" /&gt;

as duas moças que atualizam as sinopses de cinema estão à procura de uma horta. plantarão o nada, o sem palavra, o cinema mudo. as duas moças que terminam de checar o horóscopo querem sementes de já, de não prever, de não amanhã. deixarão na terra mãos de borracha e ovos de poesia, sementes de quebrar palavra. silêncio amanhecido. tramam vôos, as duas moças que consertam as palavras cruzadas. (mas lembre-se: a asa está do lado de dentro) em setembro, poderão entregar buquês de silêncio aos noivos - o que busca o telhado perfeito e o que sonha um filme.
as duas moças ainda têm a agenda da edição de sexta por fazer e sonham que não haja nada na cidade, que todos durmam e acordem forrados de mãos mudas de borracha. que durmam, como elas, as duas moças da reportagem local. elas querem chá de cebola para ruborizar o cabelo e a vera inventando um novo cachecol que será para evento nenhum da agenda da edição de sexta. elas esperam que a marinês ligue de madrugada, reclamando o son(h)o da filha caçula. as duas moças que fecham quatro páginas dormiriam cedo porque, nelas, so há o evento de uma horta de silêncios de manhã. bem de manhã.</description>
            <link>http://amaranta.tipos.com.br/posts/2008/08/07/da-reportagem-local/</link>
        </item>

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            <title>les amants</title>
            <pubDate>Wed, 23 Jul 2008 01:03:05 -0300</pubDate>
            <description>&lt;img src="http://static.tipos.com.br/media/16403/20080723-miguel angel rios2.jpg" width="380" height="242" alt="miguel angel rios" title="miguel angel rios" /&gt;
antes de dormir, escolher músicas para um baile. 
:que baile? 
:ainda não inventei o onde, mas é um baile.
você usará os sapatos guardados para as festas de formatura. eu terei um lenço que fará do ombro sua pista. as músicas do baile de não-sei serão as de dois pra lá, dois pra cá. as de a sua mão na cintura e os seus dentes acenando que, como os quadris, não foram feitos para bailes. (eu gosto de você não saber nada no baile.)
:baile é de ser encontrado por sapatos.
:seus dentes terão sapatos novos no baile. você vai sorrir uma dança inteira.
:meus brincos e meu lenço terão sapatos também. 
:não terá tempo e cansaremos juntos do baile. deixaremos os pés na porta para subir na nuvem.
:o onde do baile é no eu.
:somos só nós dois pra lá, dois pra cá.
:girar.</description>
            <link>http://amaranta.tipos.com.br/posts/2008/07/23/les-amants/</link>
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            <title>solzinho</title>
            <pubDate>Tue, 15 Jul 2008 21:39:53 -0300</pubDate>
            <description>&lt;img src="http://static.tipos.com.br/media/16403/20080715-cheio, vazio (1993), leonilson.jpg" width="322" height="365" alt=""cheio, vazio" (1993), leonilson" title=""cheio, vazio" (1993), leonilson" /&gt;

viver é só.
é um não sei de gastura no olho.
 &lt;div style="text-align: center"&gt;
*&lt;/div&gt;
o pai começou a carta assim: "estou velho". juntou no envelope duas fotos de ele na colheita de milho. chapéu e camisa linda-linda de suor escorrido. 
o pai desenha o sol nas camisas. 
outro dia, de sentado, o sol nasceu nas costas do xadrezinho de algodão. era um sol se pondo no pai.
o chapéu é de justinho na cabeça porque, não, na cabeça não pode desenho de sol. é que dói e o pai acorda cedo de dar bom dia ao milharal: o pai não pode doer. nemnunca. o pai de "estou velho" acorda o sol.

&lt;div style="text-align: center"&gt;*&lt;/div&gt; 

eu escondi o pensamentinho de a mãe à noite. escondi na fronha. o pensamentinho ganha uma lágrima por dia.
eu teci um riozinho no pensamento de a mãe. ela nada no meu olho. 
 &lt;div style="text-align: center"&gt;
*&lt;/div&gt;
tem outro pensamentinho escondido que é o de ela, a moça vestida de saudade bem floridinha. 
nem não pode pensar muito que é de silêncio no susto. nem não pode dar lágrima ao pensamentinho de ela.
é penso de riacho.
 
&lt;div style="text-align: center"&gt;*&lt;/div&gt;
 
viver é só.
é um não sei de gastura no olho.</description>
            <link>http://amaranta.tipos.com.br/posts/2008/07/15/solzinho/</link>
        </item>

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            <title>para catarina</title>
            <pubDate>Mon, 30 Jun 2008 22:26:55 -0300</pubDate>
            <description>&lt;img src="http://static.tipos.com.br/media/16403/20080630-enamorados laura belém.jpg" width="399" height="227" alt="enamorados - laura belém" title="enamorados - laura belém" /&gt;

oh, sweet nuthin', por que é que inventamos tudo?</description>
            <link>http://amaranta.tipos.com.br/posts/2008/06/30/para-catarina/</link>
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            <title>de antes (2007)</title>
            <pubDate>Thu, 12 Jun 2008 15:07:09 -0300</pubDate>
            <description>&lt;img src="http://static.tipos.com.br/media/16403/20080612-20070612-chagall.jpeg" width="428" height="328" alt="chagall" title="chagall" /&gt;

pensei assim: eu era floco de algodão, mas não de voar. eu era floco de algodão arrumadinho. você vinha, bagunçava tudo. daí eu era floco de voar. uma manhãzinha.

&lt;div style="text-align: center"&gt;*
&lt;/div&gt;
tinha um você no meu olho antes de dormir. demorou de ir embora. quando acordei, era porque fez rir o olho. foram três copos de água, banho quente, café na padaria e óculos de sol. mas você nem foi embora.

&lt;div style="text-align: center"&gt;*&lt;/div&gt;

a amiga de unha vermelha disse que tinha brilho no meu olho. ela viu você deitado lá. eu gosto de saber que ela sabe. e que vai me dar a mão quando você levantar do meu olho e doer. ela sabe que meu olho vai fazer saudade.

&lt;div style="text-align: center"&gt;*&lt;/div&gt;

tem dia dói. tem dia passa.

&lt;div style="text-align: center"&gt;*&lt;/div&gt;

o que eu achei bem lindo foi você desenhando no ar. a mão separava um ventinho aqui, jogava um espaço vazio ali, rabiscava nada com o dedo e era um desenho. eu vi.

&lt;div style="text-align: center"&gt;*&lt;/div&gt;

tem dia dá medo de nem começar. mas eu mostrei "coração - isto é, estes pormenores todos". emprestei um pormenor meu pra você. será que quando a gente empresta a outra pessoa pode nem não levar pra casa? eu queria que você me levasse um tantinho. a minha miudeza.

&lt;div style="text-align: center"&gt;*&lt;/div&gt;

e se eu deitar no olho com você?

&lt;div style="text-align: center"&gt;
***&lt;/div&gt;

foi há um ano. agora, é de já nem não doer. 
tem dia eu vou, tem dia eu te beijo.</description>
            <link>http://amaranta.tipos.com.br/posts/2008/06/12/de-antes-2007/</link>
        </item>

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            <title>dizer</title>
            <pubDate>Thu, 29 May 2008 14:56:35 -0300</pubDate>
            <description>&lt;img src="http://static.tipos.com.br/media/16403/20080529-scenerimage.asp.jpg" width="278" height="186" alt=""cenas de um casamento", de bergman" title=""cenas de um casamento", de bergman" /&gt;

Foi uma tarde em que todos diziam: o amor, o amor, amor. Foi uma tarde de eu-abrigo. A moça branca de olhos azuis ligou e sentou-se no café para dizer; eu corri pela rua com a gérbera amarela para dizer; a de cabelos crespos estava apavorada e, há dias, fazia só dizer; o homem de passarinhos sentou ao meu lado esticando os braços sobre meu ombro para, aos meus olhos, dizer.

&lt;div style="text-align: center"&gt;*&lt;/div&gt;
Ela esperava as flores de antes na estréia. Ele não apareceu. Na noite de estréia. Um segundo antes da cena, ela esperava. Os olhos azuis e a pele branca, chorou quando estava terminado o espetáculo. Ela nunca ficou sem as flores em noites de estréia. "Nunca, nunca", ela, chorando.
Comprou um apartamento, tentou desmanchar o cachecol, pensou não ser mais nada e o carro, ah, o carro. Ela não olhou o farol. Ele a esperava do outro lado, pálido. "E se...", ele. E ela: "Eu disse não". E, então, não ganhou mais as flores em noites de estréia e precisa, agora, sentar-se nos cafés para, sozinha, dizer.

&lt;div style="text-align: center"&gt;*&lt;/div&gt;
Eu entreguei a gérbera amarela. Não havia razão para embrulho. Beleza era de não repetir, de só a gérbera. Corri a rua e, no café, ficou a flor. Era doído de saber que o amor, o amor, o amor. Ela chorava. Eu, só quando contei das malas. Até a porta, as malas. "Era ter que dizer adeus ao contrário, entende?" Ela chorava. "Sim, era de ir embora para dentro." Ela chorava mais e dizia para eu não deixar o amor. "Você não", ela. Eu expliquei que não deixava, que, no "e se..." dele, eu respondia que sim. Mesmo sem esperar as flores em noites de estréia.
Antes de levantar, era o caso de lembrar "o amor não se encomenda". Ela sorriu, desceu a rua. E eu lhe comprei lenços de papel. "Para os amores que nunca secam." Minha reverência à moça branca que dói.

&lt;div style="text-align: center"&gt;*&lt;/div&gt;
A de cabelos crespos deu de ansiedade desde a primeira carta virtual. Teme não ser o sonho. E não será, eu explico - e ela sempre pergunta. Deu de ânsias. 
Não, não será o sonho porque o amor, o amor, o amor. 
É de repetir os olhos.

&lt;div style="text-align: center"&gt;*&lt;/div&gt;
O homem de passarinhos arejou as roupas dela todos os dias. Os vestidos e os cabides em passeios pelo quintal de manhã. Ele a esperava. (O ar era sua reverência) 
Talvez ela não quisesse mais aqueles vestidos. Não voltou. 
No ano passado, ele vendeu a geladeira que ela deixou. Não ficou mais nada para os cabides. 
"Sem vestígios do amor", ele disse.
É um homem de vento.

&lt;div style="text-align: center"&gt;*&lt;/div&gt;
Desenhei mais duas flores, porque eu não podia mais dizer. Em breve, serão dez desenhos. Eu dei o nome de silêncios.</description>
            <link>http://amaranta.tipos.com.br/posts/2008/05/29/dizer/</link>
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