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        <title>Repórter das Coisas</title>
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        <pubDate>Fri, 03 Jul 2009 08:51:16 -0300</pubDate>
        
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            <category><a href="/posts/tag/cronica" rel="tag">cronica</a> <a href="/posts/tag/lula" rel="tag">lula</a> <a href="/posts/tag/jl" rel="tag">jl</a> <a href="/posts/tag/bento-xvi" rel="tag">bento-xvi</a> <a href="/posts/tag/gripe" rel="tag">gripe</a> <a href="/posts/tag/padre-fabio-de-mello" rel="tag">padre-fabio-de-mello</a> </category>
            <title>A gripe já pegou</title>
            <pubDate>Fri, 03 Jul 2009 08:51:16 -0300</pubDate>
            <description>O padre Fábio de Mello está fazendo sucesso. Era esperado para um show em Londrina neste domingo. Não vem mais. Bocas de Matildes dizem que ele não vem por causa da gripe suína. Mas é bom lembrar que, oficialmente, a assessoria do padre informa que ele adiou a apresentação por “motivos de força maior”. 

Já que estamos falando de um padre, acredito que é coisa de Deus. Sou católico, não consigo imaginar força maior. Um amigo ateu diz que a força maior pode ser “o Ratzinger” (é assim que os ateus chamam o papa Bento XVI, brilhante teólogo e um dos homens mais preparados entre os que ocuparam o Trono de São Pedro nos últimos cem anos).

Mas acho que não foi “o Ratzinger”, não. O papa tem mais o que fazer. Talvez nem sequer o padre esteja sabendo por que o show foi adiado. Afinal de contas, Fábio de Mello é um homem cheio de compromissos: além dos shows, há os programas de TV, as entrevistas, os livros, as palestras. Para não falar nas missas, no estudo e nos momentos de oração.

Não sei se o padre está com medo de pegar gripe da gente, mas o fato é que a gripe pegou na gente. Até o momento há apenas um caso confirmado, mas a imagem da cidade está indissoluvelmente associada à pandemia. E não apenas por haver 22 casos suspeitos, mas também pelo fechamento do campus universitário. Espirrar e em seguida gritar “Eu sou londrinense!” equivale a gritar “Palmeiras!” na sede da Gaviões da Fiel; ou “Gilmar Mendes!” numa reunião do PT; ou “Milton Friedman!” numa plenária do PCdoB; ou “Twitter!” na presença do aiatolá Khamenei. 

A Rosângela está lendo um livro escrito em parceria pelo padre Fábio de Mello e o professor Gabriel Chalita, ex-secretário estadual de Educação de São Paulo. “Sobre os medos contemporâneos” é um livro epistolar – um diálogo por meio de cartas entre amigos. Ainda não li, e será difícil fazê-lo agora. Tenho um montão de livros na fila. Quando digo montão, é montão mesmo: a Rô fica brava porque os livros encobrem o mostrador do rádio-relógio. (Coisas domésticas, que cabem na crônica.)

A gripe suína virou um dos medos contemporâneos. Eu tenho alguns medos piores – e o mais grave é que eles se realizaram. Um dos meus medos era Lula ser reeleito presidente. Ele não só foi reeleito como tem mais de 80% de popularidade, deixando-me sozinho na Kombi com mais meia dúzia de opositores. Nesta semana, apareceu abraçado a ditadores africanos – e falando de democracia. Meu medo é que Lula resolva importar um desses modelos de governança – Kadafi, Bashir, Ahmadinejad, Hugo Chávez – para as circunstâncias brasileiras. Afinal, Lula é igual a Sarney. Não é um ser humano comum. E essas coisas pegam.

Padre Fábio, reze por nós. Se der tempo.

&lt;b&gt;PS:&lt;/b&gt; &lt;i&gt; No texto original da crônica, publicada no JL, usei “exportar” em vez de “importar”. Mas, pensando bem, não ficou tão inadequado assim. Questão de perspectiva. Afinal, Lula é o nosso presidente que mais viaja – para encontrar ditadores. Nunca na história deste país...&lt;/i&gt;</description>
            <link>http://briguet.tipos.com.br/posts/2009/07/03/a-gripe-ja-pegou/</link>
        </item>

        <item>
            <category><a href="/posts/tag/falta-de-enxada" rel="tag">falta-de-enxada</a> <a href="/posts/tag/soneto" rel="tag">soneto</a> </category>
            <title>Quatro sonetos</title>
            <pubDate>Wed, 01 Jul 2009 21:26:45 -0300</pubDate>
            <description>&lt;b&gt;1. DO JUIZ&lt;/b&gt;
 
Em minha defesa alego
que mal não quis a ninguém,
embora o erro – não nego –
em geral nasça do bem.

Por atenuante digo
que muitas vezes pensei
em rezar para o inimigo,
mas não cumpri essa lei.

Diante do Tribunal,
nada tenho a dizer, não.
Talvez, apenas: – Foi mal.

A punição do pecado
é tudo, porque mais não
foi dito nem perguntado.

&lt;b&gt;2. DAS CALENDAS&lt;/b&gt;

Verão – não neste inverno –
o calor de uma estação
se olharem o eterno
ardor que nunca diz não.

Outono – digo à vera –
é folha quadripartida.
Em quatro partes impera:
morte, dor, amor e vida.

Inverno – sabe-se agora –
não existe neste chão,
ou será, a qualquer hora,

primavera – tempo irmão –:
a primeira a ir embora,
e nunca mais a verão.

&lt;b&gt;3. DOS EXTREMOS&lt;/b&gt;

Ao extremo, egoísmo.
Ao extremo, caridade.
Um e outro, mesmo abismo:
de cada um, a metade.

Se um quer subir na vida
e outro faz fila pra morte,
ambos estão de partida
sem saber o que é o norte.

Sem saber o que é o este,
no sul me abandonei
de um solo tão agreste.

Egoísmo, caridade:
de cada um nada sei,
nem mesmo a meia verdade.


&lt;b&gt;4. DA SEMANA&lt;/b&gt;

Para a segunda, a dor
de começar outra vez.
Dai-me forças, ó Senhor,
de ser, nesta terça, três.

Chega a quarta, bem-vinda:
já é meio da semana.
Mas eis que a quinta, linda,
a mim já não mais engana.

A sexta é da cerveja.
O sábado, o silêncio.
Por mais que o olho veja,
em outra coisa eu penso.

O domingo logo cai.
Só nele morre meu pai.

&lt;i&gt;PS: Agradeço ao &lt;a href="http://margo.tipos.com.br"&gt;James&lt;/a&gt;, que me ensinou a fazer itálico e negrito.&lt;/i&gt;</description>
            <link>http://briguet.tipos.com.br/posts/2009/07/01/quatro-sonetos/</link>
        </item>

        <item>
            <category><a href="/posts/tag/cronica" rel="tag">cronica</a> <a href="/posts/tag/jl" rel="tag">jl</a> </category>
            <title>Não tenho telescópio em casa</title>
            <pubDate>Wed, 01 Jul 2009 10:04:55 -0300</pubDate>
            <description>&lt;img src="http://static.tipos.com.br/media/292/20090701-telescop.gif" width="261" height="268" alt="" title="" /&gt;

Quando eu era menino, queria crescer logo. Meu sonho – ou melhor: meu objetivo – era virar adulto o mais rápido possível. Tinha dúvidas quanto a ser empresário, geólogo ou astrônomo. Mas a escolha era o menos importante. Essencial mesmo era fazer o relógio andar mais depressa e completar a maioridade. Grandes planos.

Ontem um não-leitor ou leitora (não sei: era anônimo) disse que estou em decadência. Boa notícia. Decadência é uma palavra mágica! Se decadente, já estive melhor. Quem é fóssil já viveu um dia. (O não-leitor ou não-leitora, é claro, nada tem a ver com meus sete queridos leitores.)

Quando eu era jovem, considerava-me velho. Ancião precoce, novidades não me empolgavam – e não me empolgam até hoje. Em minha opinião, juventude nunca foi mérito, nem qualidade. O tempo é muito escasso para perdê-lo sendo jovem.

Eis que cheguei, sem aviso ou preparo, à idade adulta. Deve ter acontecido há uns dez anos, pouco menos. Trinta anos para concluir o óbvio: maturidade não traz sabedoria. Maturidade é algo entre a obsolescência e a fadiga de material. Aliás, não tenho do que reclamar. Para meus modestos propósitos, venho funcionando bem. Visão, audição, paladar, equilíbrio, sono, apetite: tudo segue em paz, livre de desesperos e extravagâncias. Amo, sou amado, tenho amigos, trabalho, leio, conto piadas, faço imitações, ouço Bach, ando de ônibus, ando de táxi, entro no cheque especial. Engulo meu antidepressivo e meu remédio contra o colesterol. Sexta, cervejinha.

Tenho minhas implicâncias com o governo. Mas o que é o governo? Qual é o sentido de tomar posição política sobre assuntos banais, isto é, que não passam pela morte ou por Deus? Fico revoltado com os impostos, as frases do Lula, o puxa-saquismo, a arrogância da Petrossauro, o gigantismo do Estado, os anti-semitas, o Sarney, a Ideli Salvatti, o Requião, o PT, o Barbosa, o Belinati – mas sinceramente não vejo sentido em perder tempo com isso tudo. O tempo é muito escasso. Meu dom natural é a alienação política.

E a história do diploma de jornalismo? Passo. Rogério Fischer, meu querido amigo e mestre, com a veia que lhe é característica, emplacou o melhor título sobre a questão do diploma: “Você não vale nada, mas eu gosto de você”. Eu responderia com o verso seguinte da canção: “Tudo que eu queria era saber por quê”. O diploma continua valendo o que sempre valeu: nada. O que conta é o trabalho do indivíduo. O resto é retórica ou corporativismo – outros nomes para o medo.

Sou empresário, geólogo e astrônomo. Empresário de ideias falidas, geólogo de um só chão e astrônomo de céu nublado. Não tenho telescópio em casa, mas levo estas duas retinas para onde vou. Grandes planos, grandes planos.</description>
            <link>http://briguet.tipos.com.br/posts/2009/07/01/nao-tenho-telescopio-em-casa/</link>
        </item>

        <item>
            <category><a href="/posts/tag/falta-de-enxada" rel="tag">falta-de-enxada</a> <a href="/posts/tag/soneto" rel="tag">soneto</a> </category>
            <title>Divino soneto</title>
            <pubDate>Tue, 30 Jun 2009 09:05:50 -0300</pubDate>
            <description>Com Deus não se faz contrato,
com Deus não se faz negócio.
Deus vai acima dos fatos
- dos meus, dos teus e dos nossos.
Com Deus não se faz acordo,
com Deus não se faz barganha.
Se pensas sujar-te gordo,
tu perdes e Ele ganha.
Deus não te deu uma vida
pra ser jogada no ralo.
Até mesmo o suicida
sabe onde aperta o calo.
Com Deus não se faz lambança:
não corras, que Ele te alcança.
</description>
            <link>http://briguet.tipos.com.br/posts/2009/06/29/divino-soneto/</link>
        </item>

        <item>
            <category><a href="/posts/tag/cronica" rel="tag">cronica</a> <a href="/posts/tag/londrina" rel="tag">londrina</a> <a href="/posts/tag/jl" rel="tag">jl</a> <a href="/posts/tag/heraclito" rel="tag">heraclito</a> <a href="/posts/tag/lago-igapo" rel="tag">lago-igapo</a> <a href="/posts/tag/parmenides" rel="tag">parmenides</a> </category>
            <title>Todos os caminhos levam ao lago</title>
            <pubDate>Mon, 29 Jun 2009 09:23:24 -0300</pubDate>
            <description>&lt;img src="http://static.tipos.com.br/media/292/20090629-loch-ness.jpg" width="500" height="354" alt="" title="" /&gt;

1. Olho o lago e sinto saudade. Um dia, estaremos todos sob as águas.

2. Acordo às três horas da manhã; abro a janela e fico observando o lago. Parece que escuto as primeiras águas passando pela barragem, meio século atrás.

3. O engenheiro que fez o lago define-se como “um técnico cartesiano que não gosta de poesia”. Sua obra, que agora completa 50 anos, dividiu a história da cidade em antes e depois. As palavras do professor José Augusto de Queiroz me fazem lembrar outro engenheiro, Euclides da Cunha, cuja obra maior, “Os Sertões”, foi um divisor de águas na literatura brasileira. O lago é um poema.

4. Quando vejo o lago, acho que ele sempre esteve ali. Como diz um antiquíssimo poema: “Nem nunca era nem será, pois é todo junto agora, / Uno, contínuo, pois que origem sua buscarias?” Parmênides de Eleia vive sob o lago.

5. Sei que o lago não é profundo. É um espelho d’água a refletir continuamente nossos pensamentos passados. Mas não te enganes: houve muitos que lá se afogaram.

6. O lago é nosso espelho. É o destino final de todas as caminhadas. Se procuras o centro; se buscas o poente; se te atrai o sol da manhã; se as luzes da noite são o teu guia; não importa o que faças – encontrarás o lago.

7. Heráclito de Éfeso também mora no lago. Se prestares atenção, ele está dizendo, em grego antigo: “Para as almas, morrer é transformar-se em água; para a água, morrer é transformar-se em terra. Da terra, contudo, forma-se a água, e da água a alma”.

8. Todos os caminhos levam ao lago. Nosso destino é andar sob as águas, lá onde moram todos os afogados.

9. De dia, ele tem um bilhão de cristais do sol ou a serenidade meditativa do céu frio. À noite, as inumeráveis fagulhas das luzes artificiais, como se ele lembrasse continuamente que também foi feito por mãos humanas.

10. Heráclito insiste: “O caminho para baixo e o caminho para cima é um e o mesmo”. Eu e meu pai gostávamos de caminhar até a barragem do lago. Um dia, ele não voltou. Hoje conversamos através de um espelho. “A harmonia invisível é mais forte que a visível.”

11. Nas águas do lago, está o mapa de nosso destino – impossível de ser consultado por olhos humanos.

12. O lago é a tez poluída de nossos pecados. No fundo, no fundo, ele é apenas um rio. Lava nossas almas. Ali, somos pescadores e pecadores.

13. Coração a céu aberto, ele trabalha silenciosamente, noite e dia. Londres tem o Big Ben; Londrina tem o lago.

14. Todas as ruas conduzem ao lago. Todas as praças e avenidas. Todos os traçados. Todas as vias acabam no lago. Todos os tempos. Todos os passados. E não podemos beber destas águas. Seus bebedores, nunca saciados, terão o lago por todos os lados.</description>
            <link>http://briguet.tipos.com.br/posts/2009/06/29/todos-os-caminhos-levam-ao-lago/</link>
        </item>

        <item>
            <category><a href="/posts/tag/bach" rel="tag">bach</a> </category>
            <title>Bom fim de semana</title>
            <pubDate>Fri, 26 Jun 2009 19:28:08 -0300</pubDate>
            <description>&lt;object width="425" height="344"&gt;&lt;param name="movie" value="http://www.youtube.com/v/L0MxeTD_rJU&amp;hl=pt-br&amp;fs=1&amp;"&gt;&lt;/param&gt;&lt;param name="allowFullScreen" value="true"&gt;&lt;/param&gt;&lt;param name="allowscriptaccess" value="always"&gt;&lt;/param&gt;&lt;embed src="http://www.youtube.com/v/L0MxeTD_rJU&amp;hl=pt-br&amp;fs=1&amp;" type="application/x-shockwave-flash" allowscriptaccess="always" allowfullscreen="true" width="425" height="344"&gt;&lt;/embed&gt;&lt;/object&gt;</description>
            <link>http://briguet.tipos.com.br/posts/2009/06/26/bom-fim-de-semana/</link>
        </item>

        <item>
            <category><a href="/posts/tag/diploma" rel="tag">diploma</a> <a href="/posts/tag/michael-jackson" rel="tag">michael-jackson</a> </category>
            <title>Instituto Universal Brasileiro</title>
            <pubDate>Fri, 26 Jun 2009 14:18:35 -0300</pubDate>
            <description>&lt;img src="http://static.tipos.com.br/media/292/20090626-universal2.gif" width="442" height="449" alt="" title="" /&gt;

A decisão do STF sobre o diploma serviu para acabar com a ideia de que jornalista é uma pessoa especial. Não é, não. Qualquer indivíduo com razoável domínio sobre a palavra escrita pode ser um bom jornalista. E para isso ninguém precisa ter diploma universitário.

Moral, decência, responsabilidade e vergonha na cara são coisas que a gente não aprende na faculdade. Pelo contrário: tem muita gente que perde essas coisas no curso universitário. Como bem observou meu amigo Silvio Grimaldo – um professor que bem poderia ser jornalista, se quisesse –, cada época tem sua falácia: a ditadura militar (mãe do diploma obrigatório de jornalismo) impunha aulas de Educação Moral e Cívica e Estudo dos Problemas Brasileiros; o governo Lula impõe aulas de cidadania. É por essas e outras que eu abro meu livro do Karl Kraus cada vez que ouço alguém mencionar cidadania e ética. São palavras esvaziadas até a medula pelos vampiros ideológicos.

Quando vejo a turma – inclusive muitos amigos – a defender com unhas e dentes o diploma de jornalismo, fico imaginando os magníficos cursos que essas pessoas fizeram. Espero – sentado, é claro – que alguns deles passem a descrever as inesquecíveis aulas, os veneráveis mestres, os maravilhosos projetos, as preciosas ementas, as fulgurantes bibliografias dos departamentos de comunicação. Aos meus amigos que ainda acreditam em diploma obrigatório, só tenho um apelo a fazer: PAREM DE MENTIR A SI MESMOS! 

A comparação com medicina e engenharia é uma piada sem graça. Essas áreas envolvem procedimentos muito mais complexos e científicos do que as técnicas de jornalismo. Qualquer pessoa com um bom manejo do idioma conseguiria se tornar um bom repórter em poucos meses. Semanas, talvez. 

Tenho diploma, sim – e fiz um péssimo curso de jornalismo. Se tenho algum mínimo conhecimento, eu o obtive sozinho, indo a prateleiras da biblioteca jamais citadas por algum professor de comunicação. 

O currículo de jornalismo me ensinou menos do que um curso do Instituto Universal Brasileiro (aqueles que vinham na página central das revistas do Pato Donald). Não posso aceitar que alguém tenha de passar por quatro de anos de enrolação para trabalhar em jornal. 

Os picaretas existem e vão continuar existindo. Eles pertencem à humanidade. E os cursos de jornalismo não deixam de formá-los às pencas.

Depois da fragorosa derrota no Supremo, o pessoal do sindijornalismo está cortejando deputados e senadores. Exigem uma PEC para ressuscitar o diploma obrigatório. Lula e Sarney, na visão dos comissários do Soviete Nacional de Jornalismo, são problemas menores. Ao contrário: são aliados. Na verdade, os sindijornalistas e seus acólitos (muitas vezes, inocentes úteis) desejam ardentemente o controle do Estado sobre jornalistas “indesejáveis” e “inimigos do povo”. Querem fazer contra as poucas vozes da oposição a mesma campanha que fazem hoje contra Gilmar Mendes. O crime deste senhor, além de comparar jornalistas a cozinheiros (o que pode ser ofensivo... para os cozinheiros), é enfrentar a esquerda brasileira. Para a falange chapa-branca, Mendes é “de direita”. E não existe maior crime que esse no Brasil de Lula.  

Vergonha!

*****

Sobre o MJ, falamos depois. Já há muitos (e bons) textos circulando na rede. Agora só digo três coisas: 

1) As piadas típicas de morto famoso já estão rolando soltas;
 
2) Se o assassinato de John Lennon acontecesse hoje, uma câmera de segurança teria flagrado o crime; 

3) Nunca aprendi a dançar e, principalmente, andar daquele jeito. Bem que tentei (quem pode dizer o contrário?).</description>
            <link>http://briguet.tipos.com.br/posts/2009/06/26/instituto-universal-brasileiro/</link>
        </item>

        <item>
            <category><a href="/posts/tag/diploma" rel="tag">diploma</a> <a href="/posts/tag/brodsky" rel="tag">brodsky</a> </category>
            <title>O julgamento de Brodsky</title>
            <pubDate>Wed, 24 Jun 2009 19:10:45 -0300</pubDate>
            <description>

Em 1964, na União Soviética, o poeta russo Joseph Brodsky foi julgado por “parasitismo social”. 

Quando vejo o pessoal defendendo com unhas e dentes o diploma obrigatório de jornalismo, a figura do jovem Brodsky me vem à mente. 

Abaixo, segue a transcrição do julgamento de Brodsky, que foi transformada em cena da peça “Liberdade, liberdade”, de Millôr Fernandes e Flávio Rangel (1965). 

Notem os trechos destacados em letra maiúscula (infelizmente, não consigo usar o negrito nem o itálico neste blog...)

Troque-se poesia por jornalismo, e teremos o argumento básico da turma que defende o Soviete Nacional de Comunicação.

*****

Juíza Savelya: Qual é seu nome?

Brodsky: Joseph Brodsky.

Juíza: Qual é sua ocupação?

Brodsky: Escrevo poemas. Traduzo. Suponho que...

Juíza: Não interessa o que o senhor supõe. Fique em pé respeitosamente. Não se encoste na parede. Olhe para a Corte. Responda com respeito. O senhor tem um trabalho regular?

Brodsky: Pensei que fosse um trabalho regular.

Juíza: Dê uma resposta precisa.

Brodsky: Eu escrevia poemas: julguei que seriam publicados. Supus...

Juíza: Não interessa o que o senhor supõe. Responda porque não trabalhava.

Brodsky: Eu trabalhava: eu escrevia poemas.

Juíza: Isso não interessa. Queremos saber a que instituição o senhor estava ligado.

Brodsky: Tinha contratos com uma editora.

Juíza: Há quanto tempo o senhor trabalhava?

Brodsky: Tenho trabalhado arduamente.

Juíza: Ora, arduamente! Responda certo.

Brodsky: Cinco anos.

Juíza: Onde o senhor trabalhou?

Brodsky: Numa fábrica, em expedições geológicas...

Juíza: Quanto tempo trabalhou na fábrica?

Brodsky: Um ano.

Juíza: E qual é seu trabalho real?

Brodsky: Sou poeta. E tradutor de poesia.

Juíza: QUEM RECONHECEU O SENHOR COMO POETA E LHE DEU UM LUGAR ENTRE ELES?

Brodsky: NINGUÉM. E QUEM ME DEU UM LUGAR ENTRE A RAÇA HUMANA?

Juíza: O SENHOR APRENDEU ISSO?

Brodsky: O QUÊ?

Juíza: A SER POETA? NÃO TENTOU IR PARA UMA UNIVERSIDADE ONDE AS PESSOAS SÃO ENSINADAS, ONDE APRENDEM?

Brodsky: NÃO PENSEI QUE ISSO PUDESSE SER ENSINADO.

Juíza: ENTÃO COMO...?

Brodsky: EU PENSEI QUE... POR VONTADE DE DEUS...

Juíza: É possível ao senhor viver do dinheiro que ganha?

Brodsky: É possível. Desde que me prenderam sou obrigado a assinar um documento todos os dias, declarando que gastam comigo quarenta copeques. Eu ganhava mais do que isso por dia.

Juíza: O senhor não precisa de ternos, sapatos?

Brodsky: Eu tenho um terno. É velho, mas é um bom terno. Não preciso de outro.

Juíza: Os especialistas aprovaram seus poemas?

Brodsky: Sim, fui publicado na Antologia dos Poetas Inéditos e fiz leituras de traduções do polonês.

Juíza: Seria melhor, Brodsky, que explicasse à corte por que não trabalhava no intervalo de seus trabalhos.

Brodsky: Eu trabalhava. Eu escrevia poemas...

Juíza: Mas existem pessoas que trabalham numa fábrica e escrevem poemas ao mesmo tempo. O que o impediu de fazer isso?

Brodsky: As pessoas não são iguais. Mesmo a cor dos olhos, dos cabelos... a expressão do rosto.

Juíza: Isso não é novidade. Qualquer criança sabe disso. Seria melhor que explicasse qual a sua contribuição para o movimento comunista.

Brodsky: A construção do comunismo não significa somente o trabalho do carpinteiro ou o cultivo do solo. Significa também o trabalho intelectual, o...

Juíza: Não interessam as palavras pomposas. Responda como pretende organizar suas atividades de trabalho no futuro.

Brodsky: Eu queria escrever poesia e traduzir. Mas se isso contraria a regra geral, arranjarei um trabalho... e escreverei poesia.

Juíza: O senhor tem algum pedido a fazer à corte?

Brodsky: Eu gostaria de saber por que fui preso.

Juíza: Isso não é um pedido; é uma pergunta.

Brodsky: Então não tenho nenhum pedido.

Brodsky foi condenado a cinco anos de trabalhos forçados, numa fazenda estatal, na função de carregador de estrume. O poeta tinha vinte e quatro anos.
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            <link>http://briguet.tipos.com.br/posts/2009/06/24/o-julgamento-de-brodsky/</link>
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            <category><a href="/posts/tag/cronica" rel="tag">cronica</a> <a href="/posts/tag/lula" rel="tag">lula</a> <a href="/posts/tag/jl" rel="tag">jl</a> <a href="/posts/tag/kombi" rel="tag">kombi</a> </category>
            <title>Lula e a Kombi</title>
            <pubDate>Wed, 24 Jun 2009 11:35:45 -0300</pubDate>
            <description>&lt;img src="http://static.tipos.com.br/media/292/20090624-kombi-boa.jpg" width="450" height="337" alt="" title="" /&gt;

Às vezes acho que só eu não gosto do governo Lula. Estou quase sozinho na oposição. Somos eu e mais uns gatos-pingados, entre eles o professor Silvio Grimaldo e o taxista João. A oposição ao presidente, aqui em Londrina, não enche uma Kombi. E o pior é que não sei dirigir. Será que o João vai cobrar para assumir o volante? Afinal de contas, ele é um profissional; vive disso. Nem todos fazemos jus aos benefícios oficiais. Ainda não inventaram um Bolsa Oposição. Ainda.

Será que realmente todos os brasileiros estão felizes em trabalhar até o dia 27 de maio para o governo? Somos um povo de funcionários públicos involuntários, mas contentes. Em outras palavras, somos um povo de bananas. O grande problema de um povo de bananas é que ele tende a escorregar – mais dia, menos dia – na própria casca.

Será que todos estão contentes em ouvir Lula elogiar o MST e, sem seguida, afagar os ruralistas? Será que todos estão contentes em ouvi-lo defender o Sarney? O gaúcho Fábio Silveira estranhou que não houvesse nenhum protesto, nenhunzinho, durante a visita da comitiva presidencial a Londrina. Segundo o Fábio, lá no Rio Grande sempre tem protesto em visita oficial. É praxe. Mas nem tudo está perdido, Fábio. Eu estou protestando. Alô? Tem alguém ouvindo? FORA, LULA! Deixe a nossa Kombi em paz.

Requião, em mais uma aula-show, comparou Lula a Franklin Delano Roosevelt. Não quero entrar em detalhes históricos sobre os problemas de Roosevelt, em especial no primeiro mandato, mas eu só me espanto de não ter ouvido nenhuma gargalhada quando Requião fez o comentário. Não sei se a escolinha mais engraçada é a do Requião ou a do Sidney Magal.

Por falar em Requião, achei ótima a ideia de construir o Teatro Municipal no Jardim Botânico. Ambos não existem e podem ser reinaugurados eternamente. O Jardim Botânico é o único jardim do mundo que tem mais inaugurações do que árvores.

Mas voltemos a Lula. O homem está no sétimo ano de mandato e ainda baseia todos os seus discursos em criticar o governo anterior. Isso quando o único mérito de sua administração está em manter a política monetária... do governo anterior! Pensando bem, uma coisa explica a outra. Lula critica tanto FHC porque não seria ninguém sem... FHC. Inverteu-se a fábula: o sapo é uma decorrência do príncipe.

Enquanto Lula recebia uma saraivada de elogios por todos os lados, os manifestantes em Teerã recebiam um tratamento algo diferente. Ontem, pelo YouTube, vi a cena da morte de uma jovem iraniana durante os protestos contra o governo dos aiatolás. Protestos esses que Lula comparou a uma revolta “da torcida do Vasco contra um título do Flamengo”. Mais uma metáfora futebolística de Lula – e mais uma bola fora.

Para quem estiver interessado, ainda tem lugar na Kombi.</description>
            <link>http://briguet.tipos.com.br/posts/2009/06/24/lula-e-a-kombi/</link>
        </item>

        <item>
            <category><a href="/posts/tag/cronica" rel="tag">cronica</a> <a href="/posts/tag/lula" rel="tag">lula</a> <a href="/posts/tag/jl" rel="tag">jl</a> <a href="/posts/tag/borges" rel="tag">borges</a> <a href="/posts/tag/khamenei" rel="tag">khamenei</a> <a href="/posts/tag/sarney" rel="tag">sarney</a> </category>
            <title>Aiatolula</title>
            <pubDate>Mon, 22 Jun 2009 09:37:10 -0300</pubDate>
            <description>&lt;img src="http://static.tipos.com.br/media/292/20090622-khamenei.jpg" width="374" height="478" alt="A barba é parecida..." title="A barba é parecida..." /&gt;

&lt;a href="http://portal.rpc.com.br/jl/online/conteudo.phtml?tl=1&amp;id=898333&amp;tit=Agenda-de-Lula-inclui-inauguracao-de-ligacao-do-Luz-para-Todos"&gt;Lula está entre nós.&lt;/a&gt; Logo hoje que eu queria falar dos três grandes cegos da literatura: Homero, Milton e Borges. Minha vontade é imitar Ulisses quando enganou o Ciclope, que tinha um olho só; se alguém perguntar meu nome, direi que é Ninguém.

“Cesse tudo que a antiga Musa canta,/ Que outro valor mais alto se alevanta”, escreveu Camões, pai de nossa língua, que ficou cego de um olho. Tão bom seria esquecer Lula e ficar só com os poetas. Entre Luís Vaz e Luiz Inácio, eu fico com o primeiro. Entre Lula e Ninguém, eu fico com Ninguém.

Obama disse que Lula é “O Cara”. Acho que o morador da Casa Branca se enganou. O apelido mais justo seria “Os Caras”. Vocês, meus sete leitores, por acaso se lembram do desenho “Os Impossíveis”, em que havia um super-herói chamado Multi-Homem? E viram o filme “Zelig”, de Woody Allen? Pois então. Lula é uma mistura de Multi-Homem e Zelig. Como o Multi-Homem, ele se desdobra em vários. Como Zelig, ele tem o dom de assumir a personalidade de quem está por perto.

Lula se reúne com os sem-terra, depois com os ruralistas. Sabe muito bem que a reforma agrária defendida pelo MST só seria factível sob um regime maoísta, mas continua dando corda – e muito dinheiro – para o movimento. Também sabe que não vai atender aos anseios dos ruralistas, mas procura agradar a estes também. 

Contudo, vamos esquecer Lula por um momento. Eu gostaria de falar sobre a frase do heresiarca de Uqbar citada por Borges em “Ficções”: “Os espelhos e a cópula são abomináveis, porque multiplicam o número dos homens”. Curioso é que a frase do heresiarca citada por Borges foi lembrada antes pelo escritor Bioy Casares, grande amigo do mestre argentino. A terrível frase é um espelho do heresiarca para Bioy Casares, de Bioy Casares para Borges, de Borges para o leitor. São Paulo diz: “Hoje vemos como através de um espelho, confusamente; mas então veremos face a face”. De certo modo, somos todos espelhos uns dos outros. Somos todos cegos como Homero, Milton e Borges. Às vezes arrancamos nossos próprios olhos, como fizeram Édipo e Demócrito.

Viram como Borges é um assunto melhor do que Lula? Se o assunto fosse Lula, eu acabaria falando daquele outro escritor, que não serviria para desatar as correias das sandálias de Borges (e imagino que Borges não usava sandálias). Vocês sabem, aquele escritor que também foi presidente e que não é uma “pessoa comum”, segundo Lula. De fato, uma pessoa comum não conseguiria recuperar o sentido literal da palavra mordomia.

Se eu falasse sobre Lula, teria de comentar também o entusiástico apoio dado ao regime dos aiatolás do Irã. De certa forma, a exemplo de Khamenei, Lula se considera um líder supremo. O nosso Aiatolula.

Pronto, falei.
</description>
            <link>http://briguet.tipos.com.br/posts/2009/06/22/aiatolula/</link>
        </item>

        <item>
            <category><a href="/posts/tag/cronica" rel="tag">cronica</a> <a href="/posts/tag/diploma" rel="tag">diploma</a> <a href="/posts/tag/jl" rel="tag">jl</a> <a href="/posts/tag/teatro-municipal-de-londrina" rel="tag">teatro-municipal-de-londrina</a> </category>
            <title>O sonho na geladeira</title>
            <pubDate>Fri, 19 Jun 2009 10:31:34 -0300</pubDate>
            <description>&lt;img src="http://static.tipos.com.br/media/292/20090619-geladeira.jpg" width="200" height="299" alt="Põe na Cônsul!" title="Põe na Cônsul!" /&gt;

O princípio da honestidade intelectual é não mentir a si mesmo. Há 11 anos, fiz uma das leituras mais libertadoras da minha vida: “Auto-engano”, do escritor e economista Eduardo Giannetti. O livro fala sobre as mentiras que contamos a nós mesmos. Àquela altura da vida, eu estava praticamente dominado por elas. Acreditava-me ateu, comunista e sabido. “Auto-engano” mostrou-me quão estúpido e ignorante eu era. As mentiras pseudo-intelectuais haviam solapado minha identidade. A terrível frase de Beckett – parodiando o apóstolo São Paulo – servia para me definir: “Vivo, não mais eu, mas outro vive em mim”. Eu era “ele” – um duplo que havia criado para me iludir e, assim, enganar os outros.

O mínimo que posso oferecer aos meus sete leitores é dizer o que penso. Vamos lá.

&lt;strong&gt;&lt;a href="http://portal.rpc.com.br/jl/blog/baixoclero/?id=872966"&gt;Não quero que o Teatro Municipal de Londrina seja construído com dinheiro público.&lt;/a&gt; 
&lt;/strong&gt;

Seria um tremendo desperdício. Já temos bons locais para apresentação de peças, filmes e concertos. Se a construção do teatro vem sendo adiada há 40 anos, existe algum motivo. E o motivo é simples: temos outras prioridades. A cultura deve aprender a caminhar com os próprios pés, sem o auxílio do Estado. Se a iniciativa privada quiser construir um teatro, parabéns. Mas o dinheiro dos nossos impostos não deve ser usado para essa finalidade.

Idealistas talentosos e bem-intencionados – entre eles meus amigos Apolo Theodoro e Domingos Pellegrini – participam da campanha pela construção do teatro municipal. São pessoas que amam Londrina e querem o melhor para a cidade. Mas, infelizmente, há também oportunistas na jogada. O olho rútilo de alguns políticos está brilhando; querem assumir a paternidade do bebê antes mesmo da concepção. Afinal, as eleições se aproximam.

O argumento de que já se gastou dinheiro com os projetos do Teatro Municipal me parece bem fraco. É a mesma desculpa do gordo que comeu um pedaço de sonho. Só por ter saído do regime, ele resolve ir à padaria da esquina e comer todo o estoque de sonhos. Ora, o que foi gasto com os tais projetos é uma parcela mínima em relação aos custos da obra.

E isso para não falar na manutenção do teatro. A prefeitura mal consegue manter a nossa querida biblioteca do centro – cheia de problemas estruturais. Como vai administrar um grande teatro?

Por favor, guardem esse sonho na geladeira.

*****

&lt;strong&gt;&lt;a href="http://portal.rpc.com.br/jl/online/conteudo.phtml?tl=1&amp;id=897224&amp;tit=Fenaj-lamenta-decisao-do-STF-que-poe-fim-a-exigencia-de-diploma-para-jornalista"&gt;Sou contra o diploma obrigatório para exercício do jornalismo.&lt;/a&gt;&lt;/strong&gt; 

A razão também é simples. Alguns dos melhores jornalistas que conheço não são formados na área. E alguns dos piores têm diploma. A defesa do diploma não passa de um corporativismo inútil; e não contribui em nada para melhorar a qualidade dos cursos de jornalismo que aparecem com a mesma rapidez do chuchu na serra. Diploma não garante formação intelectual, moral ou técnica. Tudo isso se aprende em outros lugares, muitas vezes bem longe da academia. </description>
            <link>http://briguet.tipos.com.br/posts/2009/06/19/o-sonho-na-geladeira/</link>
        </item>

        <item>
            <category><a href="/posts/tag/rubinho" rel="tag">rubinho</a> </category>
            <title>Sempre atrás</title>
            <pubDate>Thu, 18 Jun 2009 18:49:40 -0300</pubDate>
            <description>Esta eu acabei de ouvir na redação.
&lt;img src="http://static.tipos.com.br/media/292/20090618-rubinho.jpg" width="300" height="200" alt="" title="" /&gt;

Pense e responda:

Você sabe qual o piloto que chegou mais vezes em segundo lugar na história da Fórmula 1, de acordo com as estatísticas da FIA (Federação Internacional de Automobilismo)?

*****

Pensou no rapaz aí da foto? Pois errou.

O campeão nesse quesito foi o francês Ricardo Patrese.

Rubinho ficou em segundo.

E o pior: não é piada.</description>
            <link>http://briguet.tipos.com.br/posts/2009/06/18/sempre-atras/</link>
        </item>

        <item>
            <category><a href="/posts/tag/jornalismo" rel="tag">jornalismo</a> <a href="/posts/tag/diploma" rel="tag">diploma</a> </category>
            <title>Uma boa notícia</title>
            <pubDate>Wed, 17 Jun 2009 21:40:55 -0300</pubDate>
            <description>O Palmeiras caiu (bravamente), mas a liberdade e o bom senso ganharam (enfim).
Por 8 votos a 1, o STF acabou com o diploma obrigatório para o exercício do jornalismo.


</description>
            <link>http://briguet.tipos.com.br/posts/2009/06/17/uma-boa-noticia/</link>
        </item>

        <item>
            <category><a href="/posts/tag/liberalismo" rel="tag">liberalismo</a> <a href="/posts/tag/ordem-livre" rel="tag">ordem-livre</a> <a href="/posts/tag/petrossauro" rel="tag">petrossauro</a> </category>
            <title>Tropa de choque</title>
            <pubDate>Wed, 17 Jun 2009 18:01:37 -0300</pubDate>
            <description>Um ótimo artigo de Renato Lima sobre a relação entre a estatal do petróleo e os jornais: 

&lt;a href="http://ordemlivre.org/textos/625"&gt;A Petrobras e a avenida para o totalitarismo&lt;/a&gt;.

E mais não digo.

</description>
            <link>http://briguet.tipos.com.br/posts/2009/06/17/tropa-de-choque/</link>
        </item>

        <item>
            <category><a href="/posts/tag/cronica" rel="tag">cronica</a> <a href="/posts/tag/jl" rel="tag">jl</a> <a href="/posts/tag/antiquario" rel="tag">antiquario</a> </category>
            <title>Visita ao antiquário</title>
            <pubDate>Wed, 17 Jun 2009 11:50:00 -0300</pubDate>
            <description>&lt;img src="http://static.tipos.com.br/media/292/20090617-vitrola.jpg" width="400" height="273" alt="" title="" /&gt;

(Todas as coisas são velhas.)

1. Há quanto tempo alguém jantou nesta mesa? Faz muitos anos; era um viúvo, esquecido pelos filhos e netos. Tomou sopa de feijão no prato fundo, branco com flores pintadas em azul, último remanescente das bodas de prata. Ao fim do jantar, lavou a louça e foi para o quarto. Antes de adormecer, pensou com saudade na mulher. Uma voz o chamava dentro do sonho.

2. A escrivaninha pertenceu a uma professora primária aposentada. Nos últimos tempos, sentava-se diante de um caderno e fazia ditados para si mesma. As anotações? Ninguém mais viu. Talvez ela tenha queimado o caderno.

3. Quem usou o telefone de disco preto pela última vez? Foi a moça que já não era tão moça: ligou para o antigo namorado, pai de três filhos em idade escolar. Não disse nada. Do outro lado da linha, apenas ouviu um “alô” cheio de sono.

4. O que estava guardado no baú? A camiseta de Che Guevara e aquela outra, vermelha, com a imagem de Marx e o slogan implacável: “A economia é o motor da história”. Se procurarmos bem, também vão achar “A nossa moral e a deles”, de Trotsky.

5. Aqui está um diploma de jornalismo... Que desperdício! Os melhores jornalistas não têm ou não precisariam ter diploma.

6. Ninguém sabe que música foi tocada neste acordeom antes que ele se calasse para sempre. Ninguém – exceto a ex-dona do instrumento, que o vendeu junto com a casa.

7. Se alguém sentia sede à noite, era só abrir aquela porta de metal, e a escuridão se iluminava.

8. Quer conversar? Abra o oratório. E peça perdão.

9. Ali, uma bacia em que o bebê jamais tomou banho, porque não o deixaram nascer. Aqui, uma vitrola para a qual não existe mais agulha. No canto, um copo que não conhece um lábio há 22 anos.

10. É a cama que não tem mais colchão ou é o colchão que não tem mais cama? Nunca saberemos, pois a única testemunha viva é o criado-mudo.

11. A primeira pessoa que usou esta cadeira foi também a primeira pessoa a se afogar no lago.

12. Eis o abajur que iluminou minhas ideias de jerico.

13. Naquela enciclopédia cheia de pó, estão catalogadas as mentiras que contei a mim mesmo.

14. Um baleiro sem balas. Uma garrafa de Crush. Um guaraná de rolha. No futebol de tampinhas, a seleção de 1978; só está faltando o Jorge Mendonça.

15. Não abra este guarda-roupa! Um amante japonês está escondido ali desde 1989. Se você abrir a porta, ele vai gritar: TINTUREIRO!

16. À primeira vista, são relógios parados. Se olharmos bem, são espelhos. Para sempre vão guardar a hora e o minuto.

17. Na caixinha vermelha, estão as crônicas que mereciam ir para o lixo. Inexplicavelmente, esta escapou. </description>
            <link>http://briguet.tipos.com.br/posts/2009/06/17/visita-ao-antiquario/</link>
        </item>

        <item>
            <category><a href="/posts/tag/cronica" rel="tag">cronica</a> <a href="/posts/tag/paulo-lourenco" rel="tag">paulo-lourenco</a> <a href="/posts/tag/pai" rel="tag">pai</a> <a href="/posts/tag/jl" rel="tag">jl</a> </category>
            <title>A última vez em que vi meu pai</title>
            <pubDate>Mon, 15 Jun 2009 09:17:40 -0300</pubDate>
            <description>
A última vez em que vi meu pai foi na garagem do prédio. Ele havia passado pela segunda sessão de quimioterapia. Estava fragilizado, mas não entregue. Quinze dias antes de morrer, caminhou dois quilômetros comigo às margens do lago. No dia em que nos despedimos, estava tão bem que dirigiu sem problemas de Londrina a Bauru.

Paulo Lourenço era um excelente motorista: educado, responsável e habilidoso. Mas, no dia em que descobriu estar doente, ficou nervoso e fez uma manobra errada. O deslize foi mínimo; resultou numa pequena marca na parede da garagem.

Ontem tive um sonho com minha mãe. Percorríamos casas e apartamentos em que meus pais haviam morado ao longo da vida. Paulo já estava morto. Aracy recordava: “Neste prédio, seu pai foi síndico e mandou construir uma piscina oval”. Achei engraçado – e me lembrei do dia em que ele me ensinou a nadar, na piscina do clube. Paulo contava que só conheceu uma piscina de verdade aos 18 anos. Aprendera a nadar em lago. 

Pouco depois de conhecer piscina, Paulo estudou sozinho para fazer o vestibular na Faculdade do Largo de São Francisco. Foi aprovado – e um dia contarei melhor essa história. 

Certa vez, já universitário, quando servia o Exército, Paulo foi flagrado estudando para uma prova durante uma guarda. Ficou preso no quartel durante uma semana. 

Na semana passada, uma amiga contou ter sonhado com meu pai. Ele estava mais novo – da mesma forma que aparece nos meus sonhos. Segundo minha amiga, Paulo não disse nada; apenas sorriu e apontou o próprio coração.

A marca que meu pai deixou na parede da garagem tem a forma de um coração. Não a desses corações publicitários, mas a de um coração de verdade, esse músculo operário e sangrento que trabalha sem parar ao longo da vida, batendo milhões de vezes. O inacreditável órgão que um dia, sem maiores explicações, resolve parar – causando espanto e saudade.

Meu pai mandou um recado para eu cuidar melhor do coração. Marquei horário no cardiologista.
</description>
            <link>http://briguet.tipos.com.br/posts/2009/06/15/a-ultima-vez-em-que-vi-meu-pai/</link>
        </item>

        <item>
            <category><a href="/posts/tag/falta-de-enxada" rel="tag">falta-de-enxada</a> <a href="/posts/tag/cronica" rel="tag">cronica</a> <a href="/posts/tag/jl" rel="tag">jl</a> <a href="/posts/tag/big-brother" rel="tag">big-brother</a> <a href="/posts/tag/george-orwell" rel="tag">george-orwell</a> </category>
            <title>A lista do Big Brother (sem enxada)</title>
            <pubDate>Fri, 12 Jun 2009 10:40:45 -0300</pubDate>
            <description>&lt;img src="http://static.tipos.com.br/media/292/20090612-animal-farm.jpg" width="416" height="680" alt="Esse também é ótimo." title="Esse também é ótimo." /&gt;

O governo estadual publicou a lista dos 40 mil paranaenses que estão com a carteira de motorista suspensa. Já que anda preocupado com a segurança no trânsito, o governo poderia também divulgar a lista das pessoas que tomam remédios psiquiátricos fortes (sabemos que os medicamentos de faixa preta podem afetar os reflexos do motorista). Outra sugestão é adotar a lei seca universal; se o cidadão tomar três copos de cerveja, mesmo sem dirigir depois, será imediatamente preso, garantindo assim o bem-estar da comunidade. (Aviso aos incautos: isso foi uma ironia.)

Confesso: minha carteira de habilitação está suspensa há 39 anos – pelo simples fato de que não sei dirigir. Não estou na lista do governo estadual, mas amanhã posso ser incluído em outras. Muito provavelmente vou figurar na relação dos devedores de algum imposto ou taxa oficial. Acho que a lista seria imensa, equivalente à da população inteira. Até o dia 27 de maio de cada ano, somos funcionários públicos compulsórios: trabalhamos para financiar o governo. Com o gigantismo e a voracidade da máquina, é impossível ser brasileiro e não dever alguma coisa ao Estado. 

A lista dos motoristas suspensos pode incluir até mortos, admite o governo. Ainda é pouco! As próximas listas governamentais deveriam considerar os ainda não nascidos. Afinal, as grávidas carregam dentro de si os futuros devedores do Estado brasileiro. 

“Quem não deve, não teme”, diz o ditado. No Brasil, todo mundo teme. O olho do governo é um eterno Big Brother voltado para nós. Ontem me esqueci de pagar a prestação do IPTU. Opa, já estou na lista! Quem nunca atrasou uma conta, atire o primeiro cartão magnético.

Dizem que a lista dos motoristas suspensos é uma informação “de interesse público”. Numa ditadura – fascista ou comunista –, QUALQUER informação é de interesse público, até mesmo a lista dos livros que o sujeito tem em casa. Será que amanhã serei indexado só porque li “O manual do perfeito idiota latino-americano”, “O livro negro do comunismo” e as obras de Milton Friedman? Seguindo a mesma lógica, antevejo listas de conservadores, liberais e outros “inimigos do povo”. 

O Senado já colocou o CQC no índex. A Petrossauro lançou a moda de “denunciar” perguntas jornalísticas incômodas. Amanhã, o governo estadual poderá divulgar a lista dos repórteres impertinentes. E o governo Lula ficará à vontade para ressuscitar o projeto do Soviete Nacional de Jornalismo, acabando assim com a “mídia golpista”.

Pensando bem, acho que eu mereço ser incluído na lista do governo. Afinal, meus sete leitores sabem que eu gosto de tomar uma cervejinha na sexta-feira. Vai que um dia desses eu resolvo tirar carteira de motorista...

Impossível perder a deixa:

– Vai uma enxada aí, Big Brother?

</description>
            <link>http://briguet.tipos.com.br/posts/2009/06/12/a-lista-do-big-brother-sem-enxada/</link>
        </item>

        <item>
            <category><a href="/posts/tag/falta-de-enxada" rel="tag">falta-de-enxada</a> <a href="/posts/tag/cronica" rel="tag">cronica</a> <a href="/posts/tag/cem-anos" rel="tag">cem-anos</a> <a href="/posts/tag/porta" rel="tag">porta</a> </category>
            <title>Daqui a cem anos</title>
            <pubDate>Thu, 11 Jun 2009 15:22:04 -0300</pubDate>
            <description>&lt;img src="http://static.tipos.com.br/media/292/20090611-door.jpg" width="301" height="413" alt="" title="" /&gt;

Daqui a cem anos estarei morto. Você já conheceu alguma pessoa de 139 anos? Isso é idade de tartaruga.

Pensei no assunto quando vi as ruas quase desertas na manhã do último feriado. Quantas pessoas existiam em 1909 e estão vivas ainda hoje? Poucas, pouquíssimas. De 1870 para trás, não resta mais ninguém. Se o mundo fosse habitado apenas pelos centenários, as ruas estariam tão vazias quanto na manhã do feriado.

Daqui a cem anos estarei morto e ninguém mais lembrará meu nome, minhas manias, minhas imitações, minhas crônicas. Ninguém saberá que, no dia 11 de junho de 2009, eu cochilei no ônibus a caminho do jornal.

Talvez, em 2109, algum estudante vasculhe os recônditos da primitiva Internet e leia estas palavras em ortografia antiga. Raramente crônicas resistem ao tempo. As crônicas de Machado de Assis só continuaram sendo editadas porque ele publicou romances e contos. Do contrário, seriam lembradas? Um Rubem Braga ou Nelson Rodrigues não aparece todo dia. E mesmo assim Nelson é mais lembrado pelas peças teatrais. 

Essa é a esfera dos grandes talentos. Braga e Nelson são exceções; nós não somos. Estamos, quase todos, condenados ao esquecimento. Nossas pequenas verdades, feitas em alfabeto e vírgula, terão um ponto final. 

A Miss Califórnia, que não adora os gays e perdeu o título, também estará morta e enterrada. Sua beleza loura terá sido apenas um lapso. (Nem todo mundo sabe, mas lapso é uma medida de tempo.)

“A longo prazo estaremos todos mortos”, disse Lord Keynes. E muitos ainda acreditam que Lord Keynes está vivo. Na vida humana, só existe curto prazo. O resto é silêncio – o idioma da eternidade.

“Eu sou a porta”, são as palavras do Evangelho de São João. Quem de nós terá a chave? Ou melhor: quem de nós será digno da chave? Não sei. Só sei que não é fácil.

Uma vez, há 15 anos, entrevistei um velhinho centenário. Sei que os militantes antitabagistas vão me crucificar por isto, mas não posso esconder a verdade: o velhinho fumava. Eu vi com estes olhos que não existirão mais daqui a cem anos. Pois o centenário fumava – e chorava. Parecia cansado de viver. 

É, a vida também cansa. Mesmo assim, eu gostaria de viver até mais tempo do que uma tartaruga.

Deus não deu asas à cobra; não deu velocidade à tartaruga; e não deu sabedoria aos cronistas. Por isso, escrevo. E espero. Um dia, verei a porta.</description>
            <link>http://briguet.tipos.com.br/posts/2009/06/11/daqui-a-cem-anos/</link>
        </item>

        <item>
            <category><a href="/posts/tag/falta-de-enxada" rel="tag">falta-de-enxada</a> <a href="/posts/tag/cronica" rel="tag">cronica</a> <a href="/posts/tag/londrina" rel="tag">londrina</a> <a href="/posts/tag/enxada" rel="tag">enxada</a> <a href="/posts/tag/jl" rel="tag">jl</a> <a href="/posts/tag/vereadores" rel="tag">vereadores</a> </category>
            <title>Tributo à enxada</title>
            <pubDate>Wed, 10 Jun 2009 09:40:10 -0300</pubDate>
            <description>&lt;img src="http://static.tipos.com.br/media/292/20090610-enxada1.jpg" width="331" height="350" alt="Com todo respeito." title="Com todo respeito." /&gt;

Eu poderia estar roubando, eu poderia estar matando, mas estou aqui fazendo crônicas. Meus queridos sete leitores sabem que eu ficaria mais contente falando sobre assuntos agradáveis: o pôr-do-sol, um conto de Borges, um poema de Frost, um paradoxo de Chesterton, o sonho da noite passada, conversas imaginárias com meu pai, histórias de cachorro ou, acima de tudo, Deus (o único assunto importante e verdadeiro). Por sinal, Ele sabe que eu não tenho especial predileção por criticar vereadores. Só o faço quando o tema é tão absurdo quanto inevitável.

Meus sete leitores estão carecas de saber que sou católico. Pertenço, pois, a uma religião centrada nos ensinamentos de um marceneiro cujos principais discípulos eram pescadores. Desqualificar o trabalho manual em favor do trabalho intelectual seria, para mim, não apenas uma ofensa religiosa, como também uma heresia pessoal. Sou o orgulhoso neto de um pintor de automóveis – Seu Briguet, o Matisse das latarias.

Quando menciono a falta de enxada, termo consagrado pelo amigo e mestre &lt;a href="http://tanga.tipos.com.br"&gt;Júlio César Tanga&lt;/a&gt;, estou recorrendo a uma figura de linguagem, a metáfora, bastante utilizada na Bíblia, especialmente por aquele marceneiro de Nazaré que superava, de longe, os sábios do Templo. A enxada – mas também poderia ser o tanque de roupa suja, a laje da construção, a guia da calçada, a abóbora do Ceasa – simboliza trabalho útil e benéfico. A falta dela...

Ao falar para um político carpir uma data, estou ressaltando a dignidade do trabalho manual e sublinhando a inutilidade de alguma ideia que o político defendeu. Não é preciso ter muita experiência com leitura – da Bíblia ou de outros livros – para saber a diferença entre uma coisa e outra. Vender limões é um trabalho digno; criar um jornal chapa-branca financiado com dinheiro público é uma ideia de jerico.

O vereador Joel Garcia defendeu a criação do Jornal da Câmara. Na sessão de quinta-feira, a nenhum vereador ocorreu dizer com todas as letras que a proposta era ruim e inoportuna, principalmente em um contexto de redução de gastos e acusações de propaganda pessoal. Joel diz que o jornal serviria para divulgar os “bons projetos” dos vereadores. Se alguém vê diferença entre isso e propaganda política paga com dinheiro dos impostos, Lula é Aristóteles.

Com o tal Dia da Consciência Negra, aconteceu um fenômeno parecido. Nenhum dos vereadores teve coragem de criticar a ideia absurda de criar um feriado em homenagem a um conceito falso e inexistente. Repito: não existe consciência negra, nem branca, nem amarela, nem vermelha, nem azul. Há apenas a consciência humana. Cor da pele não é destino cultural, nem moral, nem psicológico, nem filosófico, nem político.

Ideias sem enxada são pagas com tributos. Em paga, faço o meu tributo à enxada.

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            <link>http://briguet.tipos.com.br/posts/2009/06/10/tributo-a-enxada/</link>
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            <category><a href="/posts/tag/cronica" rel="tag">cronica</a> <a href="/posts/tag/jl" rel="tag">jl</a> </category>
            <title>O cão que me seguiu</title>
            <pubDate>Mon, 08 Jun 2009 10:01:32 -0300</pubDate>
            <description>&lt;img src="http://static.tipos.com.br/media/292/20090608-cachorro.jpg" width="300" height="224" alt="" title="" /&gt;

Quando eu era pequeno, o pai dizia que um anjo passava às dez horas da noite para ver se as crianças estavam dormindo. 

Há alguns anos, já bem maior, eu estava voltando para casa, tarde da noite, e um cachorro de rua começou a me seguir. Lembro-me como se fosse hoje dos olhos tristes do animal, da expressão de súplica. É claro que ele estava com fome e sede. Mas eu não fui humano o suficiente para lhe dar um pedaço de pão e um pouco de água. Depois de uma noite de farra, eu pensava apenas em cair na cama, em sono profundo.

O cão seguiu-me por mais de dez quarteirões. De vez em quando eu me virava, na esperança de que ele já tivesse desistido. Mas o cão era persistente; ainda estava lá. Na mente do cachorro, um notívago só poderia existir por uma razão: eu estava ali para ser seguido.

Fico imaginando se, por algum motivo inexplicável, eu decidisse acolher aquele cachorro em minha casa. Depois de lhe oferecer um pote de água da torneira, dividiria com ele o macarrão Miojo (base de minha alimentação por muitos anos). Arranjaria alguns cobertores para que ele pudesse dormir. Seria um cão sem nome e sem dono, mas com um amigo.

Na manhã seguinte eu acordaria de ressaca, embora contente por ter nascido um dia tão bonito. Daria um banho no cachorro, depois do qual ele se chacoalharia daquele jeito que só os cachorros sabem fazer. E eu me recordaria de alguns famosos cães da literatura: Argos, Baleia, Quincas Borba. E aquele outro de Jack London.

A partir daquele momento todos notariam alguma diferença em mim. Eu passaria a ser mais compreensivo, nunca impaciente, sempre amoroso. O ódio e o sarcasmo deixariam de fazer parte da minha personalidade. E no quintal da minha casa lentamente cresceriam dois ipês amarelos, em meio aos ossos que o cão enterraria por motivos ancestrais.

A vida seria algo diferente se eu tivesse acolhido o cachorro naquela noite. É bastante provável que eu me tornasse outra pessoa: teólogo, marceneiro, pintor de paredes, mendigo ou auxiliar de serviços gerais. A tristeza e a dor continuariam a existir, acompanhadas de uma inexplicável saudade das coisas desconhecidas, mas haveria também uma enigmática alegria essencial, como se tudo estivesse contido em tudo.

Na verdade, o cachorro me segue até hoje. Às vezes estou andando na rua e olho para trás; não consigo vê-lo, mais sei que ele está lá. Os anos passaram e o cão foi ficando mais discreto. Quando eu era pequeno, na hora de dormir, ele era o anjo das dez. Com o tempo, virou meu amigo silencioso de todas as horas.</description>
            <link>http://briguet.tipos.com.br/posts/2009/06/08/o-cao-que-me-seguiu/</link>
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            <category><a href="/posts/tag/falta-de-enxada" rel="tag">falta-de-enxada</a> <a href="/posts/tag/cronica" rel="tag">cronica</a> <a href="/posts/tag/jl" rel="tag">jl</a> <a href="/posts/tag/camara-de-londrina" rel="tag">camara-de-londrina</a> <a href="/posts/tag/vereadores" rel="tag">vereadores</a> </category>
            <title>Enxada News</title>
            <pubDate>Fri, 05 Jun 2009 09:24:52 -0300</pubDate>
            <description>Não sei se os vereadores de Londrina já sabem, mas a cidade está cheia de datas para carpir, tanques de roupa suja para lavar, guias de calçada para pintar, buracos para tapar e lajes para encher de concreto.

Antes de criar um Jornal da Câmara, eu sugiro aos políticos locais que busquem um instrumento de comunicação mais rudimentar e eficiente: a enxada.

A enxada é batata. Se usada com a devida competência, pode render frutos interessantíssimos ao Poder Legislativo.

Nem todos os vereadores sabem usar a enxada. Mas isso não é problema! Os tanques de roupa suja ficam repletos dia após dia; há quilômetros e quilômetros de guias para pintar no perímetro urbano (numa distância que, somada, daria para ir a Curitiba e voltar); existem mais buracos no asfalto da cidade do que na superfície da Lua; e as construtoras locais necessitam de muitas mãos para preencher as lajes em canteiros de obras. Há serviço para todos; há vagas.

Se nenhuma das opções indicadas no parágrafo anterior surtir efeito, ainda temos o Ceasa. Ali os vereadores londrinenses encontrarão muitas abóboras para carregar. Veja só que maravilha: em vez de falar abobrinhas, poderão carregar abobronas.

Os mesmos vereadores que acusam o ex-presidente da Sercomtel de fazer propaganda pessoal querem criar um órgão para divulgar seus próprios feitos. Feitos: porque um jornal chapa-branca não divulga defeitos.

Por piedade, meus queridos sete leitores, não me obriguem a imaginar como seria o Jornal Oficial da Câmara. Tremo só de pensar na divisão entre as editorias de educação, saúde, cultura, finanças, esporte, coluna social, entretenimento e polícia. 

Das duas, uma: ou seria o jornal mais engraçado da cidade – e nesse caso, os vereadores acabariam com ele rapidamente –, ou seria um boletim burocrático, mais chato que dançar com a irmã, e útil para embrulhar peixes e forrar gaiolas. Em ambas hipóteses, tudo pago com o dinheiro dos nossos impostos.

No momento em que se fala de responsabilidade fiscal e contenção de gastos públicos, a ideia de criar um jornal chapa-branca – ao estilo da Voz do Brasil e da TV Lula – não passa do que está sendo nesta crônica: motivo de piada. Mas, caso os vereadores venham a criar o tal periódico, já tenho um nome perfeito: Enxada News. 

Como se o Enxada News não bastasse, os vereadores agora querem criar um novo feriado: o Dia da Consciência Negra. O problema é que ela não existe: nem branca, nem negra, nem amarela, nem vermelha, nem azul. Só há consciência humana – e mesmo assim não é muito usada. 

Em vez de criar datas novas, os vereadores deveriam pôr a mão na consciência e carpir as antigas.
</description>
            <link>http://briguet.tipos.com.br/posts/2009/06/05/enxada-news/</link>
        </item>

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            <category><a href="/posts/tag/o-dolar-furado" rel="tag">o-dolar-furado</a> </category>
            <title>Música de bang-bang</title>
            <pubDate>Thu, 04 Jun 2009 14:18:33 -0300</pubDate>
            <description>&lt;object width="425" height="344"&gt;&lt;param name="movie" value="http://www.youtube.com/v/_d2fZxIbZPU&amp;hl=pt-br&amp;fs=1&amp;"&gt;&lt;/param&gt;&lt;param name="allowFullScreen" value="true"&gt;&lt;/param&gt;&lt;param name="allowscriptaccess" value="always"&gt;&lt;/param&gt;&lt;embed src="http://www.youtube.com/v/_d2fZxIbZPU&amp;hl=pt-br&amp;fs=1&amp;" type="application/x-shockwave-flash" allowscriptaccess="always" allowfullscreen="true" width="425" height="344"&gt;&lt;/embed&gt;&lt;/object&gt;

É o fino.
E mais não digo.</description>
            <link>http://briguet.tipos.com.br/posts/2009/06/04/musica-de-bang-bang/</link>
        </item>

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            <category><a href="/posts/tag/liberalismo" rel="tag">liberalismo</a> <a href="/posts/tag/capitalismo" rel="tag">capitalismo</a> <a href="/posts/tag/ordem-livre" rel="tag">ordem-livre</a> <a href="/posts/tag/concordata" rel="tag">concordata</a> <a href="/posts/tag/gm" rel="tag">gm</a> </category>
            <title>Rara lucidez</title>
            <pubDate>Wed, 03 Jun 2009 17:33:45 -0300</pubDate>
            <description>&lt;a href="http://ordemlivre.org/textos/611"&gt;Aqui&lt;/a&gt; há um ótimo artigo de Renato Lima sobre a concordata da GM. Não deixem de ler.</description>
            <link>http://briguet.tipos.com.br/posts/2009/06/03/rara-lucidez/</link>
        </item>

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            <category><a href="/posts/tag/cronica" rel="tag">cronica</a> <a href="/posts/tag/jl" rel="tag">jl</a> </category>
            <title>A voz do mar e o fantasma de Abatiá</title>
            <pubDate>Wed, 03 Jun 2009 11:06:53 -0300</pubDate>
            <description>&lt;img src="http://static.tipos.com.br/media/292/20090603-edward-hopper.jpg" width="329" height="262" alt="Edward Hopper - Room by the sea" title="Edward Hopper - Room by the sea" /&gt;

Às vezes escuto o som do mar aqui em Londrina. Sei que moro no sertão, a quinhentos quilômetros do oceano. Alguns vão dizer que sou louco; não me importo.
Acontece na noite mais escura: ouço a voz do mar, como se aproximasse o ouvido de uma concha; como se a praia fosse vizinha, mais próxima que o Lago Igapó.
E não venham dizer, senhores racionalistas, que estou sonhando. No momento em que ouço o mar, meus olhos estão sempre abertos; a mente, lúcida (com a lucidez possível a um cronista). Qualquer um pode ouvir a voz do mar; é só prestar atenção. 
Quando o avião francês mergulhou no lençol de sal do Atlântico – roubo a expressão de Dylan Thomas –, não ouvi nada. Mas, sempre que vejo um avião passando, procuro fechar os olhos e murmurar uma prece mental. Não quero que este avião caia; não desejo a queda de nenhum avião do mundo. Quero que eles decolem, que eles atinjam a velocidade de cruzeiro, que eles iniciem os procedimentos de descida, que eles aterrissem em segurança. 
Voltar para casa! Poucas vezes pensamos nessa graça que nos é concedida todos os dias. Levando em conta a espantosa fragilidade da espécie humana, penso que devemos agradecer aos nossos respectivos anjos da guarda simplesmente por voltarmos com segurança ao lar.
Criar peixe não é fácil. Outro dia uma amiga lembrou da época em que os aquários eram seu hobby. Desdobrando-se em cuidados, ela conseguia manter a integridade dos cardumes. Mas o equilíbrio era delicadíssimo, pois peixe morre muito fácil. Se a água está quente, o peixe morre. Se a água está fria, o peixe morre. Se come pouco, o peixe morre. Se come muito, o peixe morre. Se a pressão sobe, morre. Se a pressão baixa, morre. É isso. Peixe morre.
E nós também. Nós também morremos. Se a Terra fosse um pouco mais próxima ou um pouco mais distante do Sol – adeus. Se a inclinação do planeta fosse um pouco diferente – adeus. Se a gente se distrai no cruzamento – adeus. Se a gente pisca o olho na hora errada – adeus. É um milagre que essas coisas não aconteçam com tanta frequência. E por esse milagre eu agradeço todos os dias.
Por falar em coisas inacreditáveis, a pequena Abatiá esteve em evidência nos últimos dias, graças à foto de um suposto fantasma no cemitério local. Pois é. Ontem descobriram que tudo não passava de montagem. O fantasma da foto foi copiado de um filme de terror classe C cedilha.
O caso de Abatiá me lembrou de uma história do amigo e jornalista Apolo Theodoro. Anos atrás, correu um boato de que estava aparecendo lobisomem na periferia de Londrina. Apolo fez uma enquete para ver se o povo a acreditava na história. Um velhinho disse, com autoridade:
– Lobisomem? Ah, mas que besteira. Imagine se isso é época de aparecer lobisomem!
Depois vocês não acreditam que eu escuto a voz do mar... 

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            <link>http://briguet.tipos.com.br/posts/2009/06/03/a-voz-do-mar-e-o-fantasma-de-abatia/</link>
        </item>

        <item>
            <category><a href="/posts/tag/dylan-thomas" rel="tag">dylan-thomas</a> </category>
            <title>A propósito do que aconteceu no mar</title>
            <pubDate>Tue, 02 Jun 2009 10:38:17 -0300</pubDate>
            <description>Um poema de Dylan Thomas (1914-1953)

E A MORTE NÃO TERÁ NENHUM DOMÍNIO

E a morte não terá nenhum domínio.
Nus, os mortos irão se confundir
Com o homem no vento e a lua do poente;
Quando seus alvos ossos descarnados se tornarem pó,
Haverão de brilhar as estrelas em seus pés e cotovelos;
Ainda que enlouqueçam, permanecerão lúcidos,
Ainda que submersos pelo mar, haverão de ressurgir;
Ainda que os amantes se percam, o amor persistirá;
E a morte não terá nenhum domínio.

E a morte não terá nenhum domínio.
Aqueles que há muito repousam sob as dobras do mar
Não morrerão com a chegada do vento;
Contorcendo-se em martírios quando romperem os tendões,
Acorrentados à roda da tortura, jamais se partirão;
Em suas mãos, a fé irá fender-se em duas,
E as maldades do unicórnio os atravessarão;
Despedaçados por completo, eles não se quebrarão.
E a morte não terá nenhum domínio.

E a morte não terá nenhum domínio.
Não mais irão gritar as gaivotas aos seus ouvidos
Nem se quebrar com fragor as ondas nas areias;
Onde uma flor desabrochou não poderá nenhuma outra
Erguer sua corola para as rajadas da chuva;
Ainda que estejam mortas e loucas, suas cabeças
Haverão de enterrar-se como pregos através das margaridas,
Irrompendo no sol até que o sol se ponha.
E a morte não terá nenhum domínio.

(Tradução: Ivan Junqueira)
</description>
            <link>http://briguet.tipos.com.br/posts/2009/06/02/a-proposito-do-que-aconteceu-no-mar/</link>
        </item>
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