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        <title>Ciência, Tecnologia e outros papos</title>
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        <pubDate>Fri, 03 Jul 2009 16:56:08 -0300</pubDate>
        
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            <title>O ‘caos dinâmico’ das órbitas do Sistema Solar</title>
            <pubDate>Fri, 03 Jul 2009 16:56:08 -0300</pubDate>
            <description>JC e-mail 3782, de 12 de Junho de 2009.
  	
Sistema Solar é instável, mas não há risco de colisão de planetas
	 
Órbitas seguem ‘caos dinâmico’, mas só em 1% de 2.501 cenários ocorre trombada celeste

Alexandre Gonçalves escreve para “O Estado de SP”:

Há 99% de chance de a Terra e seus três vizinhos - Mercúrio, Marte e Vênus - continuarem seu percurso tranquilamente ao redor do Sol pelos próximos 5 bilhões de anos, sem qualquer colisão ou acidente. Foi o que mostrou um estudo sobre a evolução do Sistema Solar publicado hoje pela revista científica britânica Nature.

Os astrônomos Jacques Laskar e Mickael Gastineau, do Observatório de Paris, simularam 2.501 cenários de evolução das trajetórias dos chamados planetas terrestres - Mercúrio, Vênus, Terra e Marte.

Os programas de computador levaram em conta conhecimentos obtidos no estudo da Lua, da teoria da relatividade geral de Albert Einstein e do estado atual dos planetas. Em 25 projeções (cerca de 1%), houve colisão entre planetas ou destes com o Sol. A pesquisa praticamente descarta qualquer acidente cósmico nos próximos 3 bilhões de anos.

"Em um dos cenários, Marte passa muito perto da Terra", diz Laskar, principal autor do estudo. No evento, que pode ocorrer dentro de 3,3 bilhões de anos, os dois planetas ficariam a apenas 794 km um do outro. "Uma passagem tão próxima é quase o mesmo que uma colisão", afirma o cientista, destacando que tal fenômeno seria devastador. Marte poderia se romper e grandes fragmentos cairiam sobre a Terra.

Partindo do cenário do acidente decorrente da aproximação dos dois planetas, a equipe realizou outras 201 simulações com pequenas alterações verossímeis no eixo de Marte. Em cinco situações, o planeta vermelho foi arremessado para fora do Sistema Solar. Em todas as demais, houve choque de planetas terrestres. Em 29 casos, a Terra batia em Marte. Em 18, colidia com Vênus. Em apenas um, havia acidente entre Mercúrio e Terra.

Caos dinâmico

Após o período estudado, colisões entre planetas deixarão de ser problema relevante. O Sol, que já tem 5 bilhões de anos, continuará brilhando com sua atual intensidade por mais 5 bilhões de anos. Depois, deve converter-se em uma estrela vermelha gigante e engolir Mercúrio e Vênus. A Terra e Marte também podem desaparecer.

Ao Estado, Laskar explica que o estudo tem "importância filosófica" - afinal, não faz sentido se programar para um evento que deve acontecer dentro de bilhões de anos. "Costumávamos imaginar o Sistema Solar como algo estável", diz. "Nosso estudo demonstra a existência de uma instabilidade."

No século 17, Isaac Newton ainda considerava o Sistema Solar um relógio perfeito e irritava-se com a impossibilidade de descobrir equações matemáticas que descrevessem com perfeição o movimento de Saturno e Júpiter no céu.

Os astrônomos já sabem que a rota dos corpos celestes obedece a regras que podem ser descritas como "caos dinâmico". "Há um delicado equilíbrio entre os planetas", explica a física Silvia Maria Giuliatti Winter, da Unesp de Guaratinguetá. Os acidentes descritos no artigo da Nature ocorreriam após Júpiter e Mercúrio entrarem em "ressonância secular", quando a órbita dos dois planetas evolui de forma sincronizada, produzindo grande instabilidade.

Silvia afirma que o estudo responde uma questão antiga sobre nossa percepção do cosmo. "Além disso, as técnicas desenvolvidas para realizar a simulação poderão ser usadas em outros campos do conhecimento", considera. Ela recorda que sua pesquisa de doutorado - que envolvia análise de imagens para identificar satélites - usava técnicas aplicáveis para a descoberta de células tumorais no câncer de mama.

Laskar já planeja empregar os conhecimentos adquiridos para descrever variações climáticas na Terra durante os últimos milhões de anos. (Com AFP)
(O Estado de SP, 11/6) 
http://www.jornaldaciencia.org.br/Detalhe.jsp?id=64047</description>
            <link>http://ciencia.tipos.com.br/posts/2009/07/03/o-caos-dinamico-das-orbitas-do-sistema-solar/</link>
        </item>

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            <title>Energia nuclear é inevitável para salvar clima</title>
            <pubDate>Wed, 01 Jul 2009 17:10:56 -0300</pubDate>
            <description>Meu comentário: 

Para quem teve experiência com o fortíssimo ativismo anti-nuclear das décadas de 70 e 80, assim como sua continuidade em tom mais fraco a partir de então, em geral desconectada da realidade da tecnologia nuclear a partir do anos 90, é muito irônico o rumo que a questão do meio-ambiente versus energia nuclear está tomando, como vemos na notícia abaixo, que não é a primeira nesta linha de argumentação, a qual está se fortalecendo cada vez mais. O vilão está virando herói ?!?!


JC e-mail 3795, de 01 de Julho de 2009.
  	
Energia nuclear é inevitável para salvar clima, diz Nobel
	 
Sete laureados reunidos na Alemanha pedem ação imediata contra gases-estufa. "Não deveríamos jogar roleta com o planeta", diz Mario Molina, que elucidou papel de gás industrial no buraco da camada de ozônio

Marcelo Leite escreve para a “Folha de SP”:

Há poucos lugares no mundo, além de Estocolmo, onde se podem juntar numa mesa sete prêmios Nobel de Química. Aconteceu ontem de manhã numa cidadezinha do sul da Alemanha, durante a 59ª Reunião de Prêmios Nobel em Lindau, diante de seis centenas de jovens pesquisadores. Talvez ainda mais raro, todos concordaram: a mudança do clima é criada pelo homem e por ele tem de ser resolvida. Com urgência. E a maioria acha que talvez não dê para abrir mão da energia nuclear.

Se Nobel é sinônimo de craque em ciência, esse grupo deveria bastar para convencer de que o aquecimento global não é invenção de ambientalistas: Gerhard Ertl, alemão (2007); Robert Grubbs, americano (2005); Walter Kohn, austríaco (1988); Harold Kroto, britânico (1996); Rudolph Marcus, canadense (1992); Mario Molina, mexicano (1995); e Sherwood Rowland, americano (1995).

Molina, talvez a maior estrela entre os 23 Nobel presentes em Lindau, relacionou o que o planeta está vivenciando: decréscimo de 7% ao ano na extensão das geleiras, duplicação das regiões áridas, aumento estatisticamente significativo de enchentes, incêndios florestais e secas, de 1950 para cá.

"Não deveríamos jogar roleta com o planeta", disse Molina, também conselheiro científico da Presidência dos EUA. "São as atividades humanas que estão mudando o clima, esse é o consenso científico."

O mexicano, da Universidade da Califórnia em San Diego, afirmou que o ritmo, a amplitude e o padrão do aquecimento da atmosfera já observados não se encaixam em nenhum precedente conhecido de alteração do clima em muitos milênios.

Ele deve saber do que está falando. Molina e Rowland dividiram o Nobel de Química de 1995 com o holandês Paul Crutzen por seu trabalho sobre a destruição da camada de ozônio. Foram pesquisas como essas que levaram ao bem sucedido Protocolo de Montreal (1987), banindo os gases CFCs.

Os efeitos de Montreal podem ser sentidos agora. O buraco no ozônio sobre a Antártida e a Patagônia, na primavera, vem diminuindo de tamanho.

Apesar de muito mais grave, a mudança climática global só contou até agora com o modesto e fracassado Protocolo de Kyoto (1997). A expectativa se volta agora para a conferência de Copenhague, em dezembro, que deveria finalizar um tratado sucessor para Kyoto, para vigorar depois de 2012.

A atmosfera demora a reagir. Gases produzidos hoje podem ficar dezenas ou centenas de anos em ação. É o que ocorre com o principal gás do efeito estufa, o dióxido de carbono (CO2). Para estabilizar sua concentração daqui a cem anos, é preciso cortar emissões pela metade nas próximas décadas.

Da plateia veio a pergunta que não queria calar, sobretudo por haver nela 45 pesquisadores indianos e 27 chineses: é inevitável diminuir o crescimento da população ou do nível de vida no planeta para conter a mudança climática?

Mais uma vez foi Molina quem falou pela maioria: "Inevitável, não". Para ele, a humanidade já dispõe das tecnologias para enfrentar o problema.
"Só é um desafio gigantesco."

Na primeira rodada da mesa, cada um havia listado contribuições que a química poderia dar para ajudar a atacar o desafio. Muitas: baterias mais eficientes, novos materiais para abaixar o custo e melhorar o desempenho de painéis fotovoltaicos e de turbinas de vento, processos para retirar CO2 da atmosfera e armazená-lo.

Resvalando da química para a física, a energia nuclear também foi lembrada. A fusão de átomos para obter energia, que três décadas atrás era encarada como a grande solução, permanece ainda como promessa - para daqui a 50 ou cem anos.

Já a fissão (quebrar núcleos atômicos), base das atuais usinas nucleares, tem um papel mais ou menos garantido, reconheceram quase todos, meio a contragosto. No mínimo é preciso intensificar a pesquisa para avançar a nova geração de reatores, mais seguros.

A voz discordante veio de Walter Kohn: "Sou velho o bastante para ter testemunhado as bombas atômicas no Japão e jovem o bastante para ler jornais e saber do que está acontecendo na Coreia do Norte e no Irã". Disse que, para satisfazer as necessidades crescentes de energia, centenas de reatores teriam de ser construídos, trazendo o risco de proliferação.

"Será uma pressão enorme", concordou Harold Kroto, mas com um eufemismo: "A probabilidade de comportamentos repreensíveis aumentará dramaticamente. Temos de pensar nisso com cuidado".
(Marcelo Leite viajou para a Alemanha a convite da 59ª Reunião de Prêmios Nobel em Lindau)
(Folha de SP, 1/7)

http://www.jornaldaciencia.org.br/Detalhe.jsp?id=64432</description>
            <link>http://ciencia.tipos.com.br/posts/2009/07/01/energia-nuclear-e-inevitavel-para-salvar-clim/</link>
        </item>

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            <category />
            <title>País fecha acordo com União Europeia para pesquisar fusão nuclear. </title>
            <pubDate>Mon, 29 Jun 2009 14:44:08 -0300</pubDate>
            <description>JC e-mail 3778, de 08 de Junho de 2009.  
 
Brasil passa a integrar rede mundial que pesquisa nova forma de energia  
   
País fecha acordo com União Europeia para pesquisar fusão nuclear. São Paulo terá laboratório para testes 

Eliane Oliveira escreve para “O Globo”:

O governo brasileiro fechou na sexta-feira, com a União Europeia (UE), os termos de um acordo na área de pesquisa em fusão nuclear que deverá ser assinado em outubro, em Estocolmo, Suécia, pelos presidentes do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva, e da Comissão Europeia, o português Durão Barroso. O procedimento é pré-requisito para o país participar do projeto do Reator Experimental Termonuclear Internacional (Iter, em inglês), em construção na França.

— Para se ter uma ideia do potencial da fusão nuclear, tida como a energia do futuro, uma família de quatro pessoas pode ser abastecida por 30 anos tendo como fonte o equivalente a uma banheira com água e uma pilha de lítio — explicou o diretor da Comunidade Europeia de Energia Atômica (Euratom), Octavio Quintana.

Quase todo o planeta já sofre déficit de energia 

Ele explicou que esse tipo de tecnologia poderá se consolidar definitivamente até a metade deste século, quando será comprovada a viabilidade comercial da fusão nuclear. A iniciativa, que vem sendo trabalhada por UE, Estados Unidos, China, Rússia, Casaquistão, Índia e Japão, é uma resposta à crise energética prevista para os próximos anos. O déficit de energia já ocorre em praticamente todo o mundo, com algumas exceções, como o Brasil.

O primeiro passo a ser adotado será a construção de um laboratório para testes, no valor de R$ 10 milhões, em Cachoeira Paulista (SP). Dados extraoficiais, porém, apontam para algo em torno de 1 bilhão de euros de investimentos em equipamentos, pesquisas e na implementação de uma base industrial, só do lado brasileiro.

Ao contrário da fissão nuclear, que depende do urânio e é liberada a partir da divisão do núcleo atômico, a fusão nuclear tem como insumos a água e o lítio. Nela, dois núcleos se juntam e formam o plasma atômico, cuja temperatura é equivalente a dez milhões de graus, como se tudo se passasse no centro do Sol.

— Precisamos agora saber se a fonte de energia é factível do ponto de vista comercial — disse Quintana.

Acordo prevê direitos e intercâmbio de informações 

Segundo o diretor do Departamento de Temas Científicos e Tecnológicos do Itamaraty, ministro Hadil da Rocha Vianna, o acordo firmado ontem trata de temas como propriedade intelectual, intercâmbio de informações científicas e tecnológicas e de investimentos. Vianna disse o governo estava analisando os termos do entendimento há sete meses.
(O Globo, 6/6)
 
http://www.jornaldaciencia.org.br/Detalhe.jsp?id=63954</description>
            <link>http://ciencia.tipos.com.br/posts/2009/06/29/pais-fecha-acordo-com-uniao-europeia-para-pes/</link>
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            <title>Flauta entalhada há 35 mil anos </title>
            <pubDate>Sat, 27 Jun 2009 18:40:18 -0300</pubDate>
            <description>  JC e-mail 3791, de 25 de Junho de 2009.  
  22. Arqueólogos acham na Europa instrumento musical mais antigo  
   
Flauta alemã de 35 mil anos revela que, à época, cultura já era avançada 

Alexandre Gonçalves escreve para “O Estado de SP”:

Uma flauta de osso de pássaro descoberta em uma caverna da Alemanha foi entalhada há cerca de 35 mil anos e é o mais antigo instrumento musical artesanal já descoberto, oferecendo a mais nova evidência de que as primeiras populações humanas da Europa tinham uma cultura complexa e criativa.

Uma equipe liderada pelo arqueólogo Nicholas Conard, da Universidade de Tübingen, na Alemanha, montou a flauta a partir de 12 fragmentos de osso de abutre, espalhados por uma pequena área da caverna de Hohle Fels, no sul da Alemanha.

Juntas, as peças formam um instrumento musical de 22 centímetros com cinco furos e uma extremidade em forma de "V". "É, sem dúvida, o mais antigo instrumento musical do mundo", disse o pesquisador.

A descoberta está descrita na edição desta semana da revista científica Nature.

Outros arqueólogos concordaram com a avaliação de Conard. A arqueóloga especializada no período Paleolítico April Nowell, da Universidade de Victoria, no Canadá, disse que a data da flauta é anterior à de outros instrumentos, "mas não tão mais antiga que chegue a ser surpreendente ou polêmico". Ela não tomou parte no trabalho de Conard.

O pesquisador brasileiro Walter Alves Neves, da Universidade de São Paulo (USP), também considera a descoberta um "grande achado". "Mas ela faz parte de um pacote de criações conhecido como revolução artística do Paleolítico Superior", explica Neves.

Há 40 mil anos, o homem usou signos pela primeira vez para representar conceitos. Surgiram as pinturas nas paredes das cavernas e as primeiras esculturas. O período também conheceu o nascimento da linguagem. "Esperávamos que a música estivesse no pacote", aponta Neves.

Humanidade

A flauta de Hohle Fels é mais completa e um pouco mais velha que fragmentos de osso e marfim de outras sete flautas, também encontradas no sul da Alemanha e documentadas por Conard e colegas nos últimos anos. A equipe escavou o instrumento em setembro de 2008, mesmo mês em que descobriu seis fragmentos de marfim em Hohle Fels que compõem uma estatueta feminina que, acredita-se, é a mais antiga escultura de uma forma humana.

Juntas, flauta e estatueta - descobertas na mesma camada de sedimento - sugerem que seres humanos modernos estabeleceram uma cultura avançada na Europa há 35 mil anos, disse o arqueólogo Wil Roebroeks, da Universidade de Leiden, na Holanda.

"Os primeiros hominídeos surgiram há 7 milhões de anos", afirma Neves, sublinhando o que considera mais interessante na descoberta. "Mas a humanidade nasceu há apenas 40 mil anos, com o aparecimento da capacidade simbólica." (Com AP)
(O Estado de SP, 25/6)
 
http://www.jornaldaciencia.org.br/Detalhe.jsp?id=64318</description>
            <link>http://ciencia.tipos.com.br/posts/2009/06/27/flauta-entalhada-ha-35-mil-anos/</link>
        </item>

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            <title>Atitudes preconceituosas e o desempenho na Prova Brasil.</title>
            <pubDate>Sun, 21 Jun 2009 15:29:52 -0300</pubDate>
            <description>JC e-mail 3786, de 18 de Junho de 2009.
  	
Escola é dominada por preconceitos, revela pesquisa
	 
Onde há mais hostilidade, desempenho em avaliação é pior; deficientes e negros são principais vítimas

O preconceito e a discriminação estão fortemente presentes entre estudantes, pais, professores, diretores e funcionários das escolas brasileiras. As que mais sofrem com esse tipo de manifestação são as pessoas com deficiência, principalmente mental, seguidas de negros e pardos. Além disso, pela primeira vez, foi comprovada uma correlação entre atitudes preconceituosas e o desempenho na Prova Brasil, mostrando que as notas são mais baixas onde há maior hostilidade ao corpo docente da escola.

Esses dados fazem parte de um estudo inédito realizado em 501 escolas com 18.599 estudantes, pais e mães, professores e funcionários da rede pública de todos os Estados do País. A principal conclusão foi de que 99,3% dos entrevistados têm algum tipo de preconceito e que mais de 80% gostariam de manter algum nível de distanciamento social de portadores de necessidades especiais, homossexuais, pobres e negros. Do total, 96,5% têm preconceito em relação a pessoas com deficiência e 94,2% na questão racial.

"A pesquisa mostra que o preconceito não é isolado. A sociedade é preconceituosa, logo a escola também será. Esses preconceitos são tão amplos e profundos que quase caracterizam a nossa cultura", afirma o responsável pela pesquisa, o economista José Afonso Mazzon, professor da Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade da USP (FEA). Ele fez o levantamento a pedido do Inep e da Secretaria de Educação Continuada, Alfabetização e Diversidade, órgãos do Ministério da Educação (MEC).

Segundo Daniel Ximenez, diretor de estudos e acompanhamento da secretaria, os resultados vão embasar projetos que possam combater preconceitos levados para a escola - e que ela não consegue desconstruir, acabando por alimentá-los. "É possível pensarmos em cursos específicos para a equipe escolar. Mas são ações que demoram para ter resultados efetivos."

Bullying

A pesquisa mostrou também que pelo menos 10% dos alunos relataram ter conhecimento de situações em que alunos, professores ou funcionários foram humilhados, agredidos ou acusados injustamente apenas por fazer parte de algum grupo social discriminado, ações conhecidas como bullying. A maior parte (19%) foi motivada pelo fato de o aluno ser negro. Em segundo lugar (18,2%) aparecem os pobres e depois a homossexualidade (17,4%). No caso dos professores, o bullying é mais associado ao fato de ser idoso (8,9%). Entre funcionários, o maior fator para ser vítima de algum tipo de violência - verbal ou física - é a pobreza (7,9%).

Nas escolas onde as agressões são mais intensas, o desempenho na Prova Brasil é menor. "É lamentável e preocupante verificar que isso ocorre, mas os dados servem como alerta para que a escola possa refletir e agir para modificar esse cenário", diz Anna Helena Altenfelder, educadora do Cenpec. "As pessoas não são preconceituosas por natureza. O preconceito é construído nas relações sociais. Isso pode ser modificado." (Simone Iwasso e Fábio Mazzitelli)

Homens e religiosos discriminam mais

Além do preconceito generalizado que aparece entre todos os atores escolares, a pesquisa feita pela Faculdade de Economia e Administração da USP aponta algumas características que influenciam nas diferenças de preconceito dos alunos. O principal dado mostra que os homens são mais preconceituosos e discriminadores do que as mulheres. Por exemplo, homens têm 9% mais preconceitos contra negros, 8% mais preconceito contra portadores de deficiências e 7,7% mais preconceito contra pobres.

Outro fator relevante estatisticamente é a participação religiosa. Estudantes que afirmaram ter uma participação religiosa forte são mais preconceituosos em geral e têm 2,2% mais preconceitos contra mulheres, 2,1% contra gerações e 6,1% contra homossexuais. "É interessante analisar detalhadamente por que a religião torna os jovens mais preconceituosos", afirma o autor da pesquisa, José Afonso Mazzon.

Na outra ponta, o acesso à mídia (jornais, televisão, livros) contribui para que o preconceito diminua. Em geral, estudantes bem informados se mostraram menos preconceituosos. "A pesquisa é muito importante e mostra como só com o aumento da inclusão, com a presença desses atores discriminados na escola, vamos conseguir combater esse preconceito", analisa Cláudia Werneck, fundadora da Escola de Gente. (Simone Iwasso)
(O Estado de SP, 18/6)
http://www.jornaldaciencia.org.br/Detalhe.jsp?id=64156</description>
            <link>http://ciencia.tipos.com.br/posts/2009/06/21/atitudes-preconceituosas-e-o-desempenho-na-pr/</link>
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            <title>Projeto Brasiliana Digital </title>
            <pubDate>Sat, 20 Jun 2009 18:53:38 -0300</pubDate>
            <description>
JC e-mail 3786, de 18 de Junho de 2009.  

Tesouro brasileiro na internet  
   
Lançado oficialmente com acesso on-line a cerca de 3 mil documentos, o projeto Brasiliana Digital deverá disponibilizar integralmente o acervo de 40 mil volumes raros doados por José Mindlin à USP 

Fábio de Castro escreve para a “Agência Fapesp”:

Foi lançado oficialmente, na última terça-feira (16/6), o projeto Brasiliana Digital, que disponibilizará pela internet, com acesso livre, a coleção de cerca de 40 mil volumes da Biblioteca Guita e José Mindlin, doada à Universidade de São Paulo (USP) em 2006, além de outros acervos da USP.

A versão inicial, que já está funcionando, oferece acesso a 3 mil documentos da coleção reunida por Mindlin ao longo de mais de 80 anos. O lançamento do projeto, realizado em conjunto com uma homenagem ao bibliófilo, ocorreu durante a cerimônia de abertura do seminário Livros, Leituras e Novas Tecnologias, no Museu de Arte de São Paulo (Masp), na capital paulista.

“Desde que comecei a coleção, já sabia que a biblioteca não podia ser para sempre um patrimônio particular. Estava claro que éramos depositários e formadores desse conjunto, mas sem o viés da propriedade. Como toda minha família tem forte relação com a USP desde a década de 1930, quando entrei no curso de Direito da universidade recém-inaugurada, não tive dúvidas sobre a escolha da instituição para a qual deveria doar esse patrimônio”, disse Mindlin.

A fase piloto de implantação do projeto conta com apoio da Fapesp, por meio da modalidade Auxílio a Pesquisa – Regular. Os recursos fornecidos pela Fundação permitiram a compra de um sistema integrado de digitalização robotizada de livros encadernados.

“O robô foi adquirido em janeiro e neste primeiro semestre parte da nossa equipe foi para os Estados Unidos receber treinamento para operá-lo. Há sete semanas estamos trabalhando com ele. O robô permite digitalizar cerca de 2,4 mil páginas por hora, o que equivale a cerca de 40 livros por dia”, disse Pedro Puntoni, professor do Departamento de História da USP e coordenador da Brasiliana Digital.

A Biblioteca Guita e José Mindlin reúne diversos tipos de livros, folhetos e manuscritos sobre assuntos brasileiros. “O acervo cobre áreas como literatura, prosa e poesia, história, relatos de viagens, crítica literária, ensaios, filologia, dicionários, obras de cronistas, história natural, botânica e zoologia. Nem tudo está em português, mas tudo diz respeito ao Brasil”, explicou Puntoni.

Segundo ele, o projeto permitirá aliar a conservação das obras – muitas delas com vários séculos de existência – e a universalização do acesso a elas. “O governo brasileiro, em suas três esferas, tem investido muito em inclusão digital, que deverá aumentar imensamente a parcela da população brasileira com acesso à internet. A Brasiliana Digital dará acesso a esse acervo riquíssimo, preservando-o ao mesmo tempo”, afirmou.

O historiador explicou que ainda não há previsão do tempo necessário para a digitalização integral do acervo doado por Mindlin. Mas, com a tecnologia de digitalização avançada e um sistema de gestão de informação adequado, a equipe está pronta para ampliar o ritmo do projeto.

“Como o prédio no qual o acervo será instalado ainda não está pronto, não pudemos ainda definir a dinâmica do processo. O robô, apelidado pela equipe de Maria Bonita, é operado por conservadores. Quando lidamos com um livro do século 16, por exemplo, temos que diminuir o ritmo. Estamos ainda aprendendo a lidar com o equipamento”, disse.

O projeto recebeu da Fapesp até o momento cerca de US$ 980 mil, usados para a compra do robô e apoio a 15 bolsistas. Segundo Puntoni, a equipe envolvida com o projeto tem cerca de 30 integrantes, entre pesquisadores, bibliotecários, analistas e programadores.

A base do projeto Brasiliana Digital, segundo Puntoni, é o projeto Brasiliana USP, coordenado por István Jancsó, do Instituto de Estudos Brasileiros (IEB) da USP. “A Brasiliana USP é um projeto da reitoria da USP que permitirá o acesso para pesquisa e ensino da maior coleção de livros e documentos de e sobre o Brasil custodiada por uma universidade em escala mundial, tornando-a disponível na internet”, explicou Puntoni.

Para abrigar o acervo doado por Mindlin e a nova sede do IEB, a Brasiliana USP está construindo um edifício com cerca de 20 mil metros quadrados no centro da Cidade Universitária, em São Paulo. O projeto foi desenvolvido pelos arquitetos Eduardo de Almeida e Rodrigo Mindlin Loeb, com a assessoria da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo (FAU) da USP.

“O contrato com a construtora prevê o prédio pronto no fim de outubro, incluindo toda a parte estrutural, como ar-condicionado, cadeiras do auditório, elevadores, etc. A partir daí será preciso trabalhar na instalação de equipamentos, sistemas de segurança e no acabamento. Acreditamos que em 2010 o novo prédio estará operacional”, disse Puntoni.

A parte do prédio onde ficará o IEB, no entanto, deverá levar aproximadamente mais dois anos para ser finalizada. “A parte da construção voltada à coleção Mindlin foi privilegiada, para podermos trazer logo o acervo. Precisaremos ainda levantar recursos para a finalização da outra parte”, disse.

Integração digital

Segundo Jancsó, a concepção básica do projeto Brasiliana USP parte da ideia de criar uma estrutura de conservação de uma parcela do patrimônio cultural da nação, que é a Biblioteca Guita e José Mindlin.

“A partir daí, poderemos investir na conservação do extraordinário acervo documental guardado pela USP. A universidade tem, em suas bibliotecas, cerca de 6,5 milhões de livros. Tudo isso hoje está à disposição dos interessados quase que exclusivamente mediante acesso presencial”, disse.

A ideia do projeto, segundo Jancsó, é contribuir para a conservação de todo o acervo da USP por meio da constituição de um centro de formação de restauradores que levará o nome de Guita Mindlin – a esposa de José Mindlin, morta em 2006 aos 89 anos, pioneira nas ações de restauro de livros e documentos no Brasil.

“Por outro lado, é papel da universidade pública fazer com que a visão patrimonial seja superada e fazer com que esse acervo custodiado pela USP possa estar ao alcance, de modo universal e irrestrito, a todos os brasileiros interessados”, afirmou.

De acordo com Jancsó, os acervos do IEB e da Biblioteca Guita e José Mindlin são complementares e, juntos, deverão formar a principal coleção existente de livros e documentos voltados aos estudos brasileiros. “A construção desse prédio no centro da USP resgata a ideia de que essa universidade foi criada para pensar o Brasil”, disse.

Jancsó conta que a USP investiu R$ 15 milhões para a construção do novo prédio e o projeto captou mais R$ 18 milhões junto a fundações e recursos provenientes de mecanismos de renúncia fiscal. Já os recursos da Brasiliana Digital foram integralmente fornecidos pela Fapesp. “Agora, conseguimos autorização para captar mais R$ 11 milhoes pela lei Rouanet, para finalizar a obra. E vamos ter que buscar mais recursos. A obra é do tamanho do projeto”, destacou.

O site Brasiliana USP reúne informações sobre o projeto, sobre a Biblioteca Brasiliana Guita e José Mindlin e Brasiliana Digital, com destaques como o primeiro livro impresso no Brasil (A Relação da Entrada[...], por Antonio Isidoro da Fonseca), cenas da vida urbana de Jean-Baptiste Debret (1768-1848) e o relato do marinheiro Hans Staden (1525-1579), de 1557.

“A edição de 1557 de Marpurg é a verdadeira primeira edição da obra de Hans Staden. Comprei-a encadernada com mais três livros (Varthema, Federman e um romance de cavalaria alemão), numa encadernação de 1558. A biblioteca possui também uma edição pirata de Frankfurt, provavelmente do mesmo ano, que, não dispondo das matrizes da primeira edição, foi ilustrada com gravuras da viagem de Varthema ao Oriente, sem qualquer relação com o Brasil e com os índios”, disse Mindlin.

Brasiliana Digital: http://www.brasiliana.usp.br/bbd
(Agência Fapesp, 18/6)
 
 

http://www.jornaldaciencia.org.br/Detalhe.jsp?id=64157</description>
            <link>http://ciencia.tipos.com.br/posts/2009/06/20/projeto-brasiliana-digital/</link>
        </item>

        <item>
            <category />
            <title>Cai taxa de formação de doutores no país  </title>
            <pubDate>Wed, 17 Jun 2009 18:14:11 -0300</pubDate>
            <description>JC e-mail 3778, de 08 de Junho de 2009.  

Cai taxa de formação de doutores no país  
   
Crescimento no número de titulados era de 15% ao ano em média no início da década e baixou para 6% de 2004 em diante. Só 24% dos professores das instituições de ensino superior possuem título; no ano passado, foram formados 10.711 doutores 

Eduardo Geraque escreve para a “Folha de SP”:

A letra do zoólogo Paulo Vanzolini ilustra bem a situação do sistema de pós-graduação nacional: "De um lado tem maré alta, do outro praia de fora." 

O país rompeu a barreira simbólica da formação de 10 mil doutores em 2008. Segundo número ainda não divulgado pelo governo, 10.711 receberam o título. Porém, a taxa de aumento de titulados, que era de 15% em média ao ano no início da década, caiu para 6% de 2004 em diante - com uma tendência de alta no último ano.

Dados mostram que a carência do setor acadêmico no Brasil continua enorme. De todas as instituições de ensino superior do país, entre particulares e públicas, só 24% dos professores são doutores.

E há três anos, pelo menos, a taxa relativa mostra que o Brasil ainda está longe de alcançar o número de formação dos americanos. O resultado da divisão do número de titulados nos EUA pela quantidade anual de doutores brasileiros - um dos indicadores mais usados pelos estudiosos - está estagnado em 21%.

"É bastante preocupante", afirma Carlos Henrique de Brito Cruz, diretor-científico da Fapesp (Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de SP). O fato de o intervalo entre os dois países não diminuir, para o pesquisador e dirigente científico, impede que o Brasil se aproxime das estatísticas de países mais desenvolvidos.

Apesar de considerar que as taxas de formação de doutores, mesmo em queda, estão altas, Eduardo Viotti, economista especialista em política científica, concorda que o número de professores universitários que possuem título de doutorado ainda é muito reduzido e precisa ser elevado. Ele é um dos autores de um estudo sobre ensino superior publicado pelo CGEE (Centro de Gestão e Estudos Estratégicos) em 2008.

O ministro da Ciência e Tecnologia, Sergio Rezende, vê o quadro com mais naturalidade e com menos preocupação. "Não é possível que um sistema de pós-graduação cresça tanto por um tempo muito longo", disse ele à Folha.

O Plano Nacional de Pós-Graduação do Brasil prevê para o fim do próximo ano a cifra de 16 mil doutores em um ano - número que dificilmente será atingido. Mas o titular do MCT sabe onde está um dos gargalos: a inovação brasileira, no setor privado, ainda não ocorre na velocidade desejada.

Federais

Mesmo com as particulares fora da conta, o número de doutores entre os professores do terceiro grau é baixo. Quando são analisadas apenas as universidades federais, por exemplo, a cifra é de 50%.

Das 55 universidades federais que o Brasil tem hoje, 9 (16,3%) não poderiam ter mais esse nome se a discussão da reforma universitária, estagnada no Congresso há anos, já tivesse sido encerrada. Pelo Projeto de Lei, cada instituição deve ter pelo menos 25% de doutores no quadro de docentes para ser denominada "universidade".

Em São Paulo, onde existem ilhas de excelência, a taxa média nas três universidades estaduais é de 93%. Nos EUA, que possui universidades mais voltadas para a pesquisa e outras focadas quase exclusivamente no ensino, as mesmas taxas ficam ao redor dos 73%.

Jarbas Bonetti, professor e pesquisador na UFSC (Universidade Federal de Santa Catarina), diz que a menor busca dos alunos por doutorado pode ter a ver com a maior dificuldade para a obtenção de bolsas e falta de perspectiva de emprego após conseguir o título.

Já Adalberto Vieyra, coordenador de área da Capes e professor da UFRJ, diz que os programas de pós-graduação cresceram em número e tamanho, especialmente a partir de 2003. "Mas o corpo de orientadores qualificados, de formação demorada e cuidadosa, cresceu de forma muito lenta, passando de 32 mil para 35 mil."

Segundo ele, o desafio não é só superar o fosso dos 0,6 doutores por 1.000 habitantes contra os 30 da Alemanha, por exemplo. "É preciso formar pessoas capazes de liderar a abordagem de complexos problemas nas fronteiras do conhecimento, no mesmo nível que nos países desenvolvidos."

Para o consultor e ex-reitor da USP, Roberto Leal Lobo e Silva Filho, é importante aumentar a incorporação de doutores tanto na iniciativa privada, para a inovação, quanto no setor acadêmico.
(Folha de SP, 8/6)
 
http://www.jornaldaciencia.org.br/Detalhe.jsp?id=63939</description>
            <link>http://ciencia.tipos.com.br/posts/2009/06/17/cai-taxa-de-formacao-de-doutores-no-pais/</link>
        </item>

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            <title>Astronomia indígena na 61ª Reunião Anual da SBPC</title>
            <pubDate>Tue, 16 Jun 2009 12:24:59 -0300</pubDate>
            <description>JC e-mail 3779, de 09 de Junho de 2009.  
 
Astronomia indígena prevê ocorrência da pororoca  
   
Índios brasileiros sabiam da influência da lua sobre as marés muito antes de Galileu e Newton. Assunto será abordado na 61ª Reunião Anual da SBPC, em Manaus, no próximo mês de julho 

Ao observarem atentamente o céu quando as águas dos mares e rios se agitavam, os indígenas brasileiros fizeram uma descoberta que Galileu Galilei ignorou e Isaac Newton chegou à mesma conclusão somente quase um século depois: que a lua é a principal causadora das marés.

E que a pororoca, o fenômeno provocado por elas, em que as águas bravias do mar se chocam violentamente contra as de rios, como do Amazonas, dando origem a grandes ondas, ocorre próxima às fases da lua nova e cheia, conforme hoje se sabe e eles já descreviam em seus antigos mitos.

Em 1632, Galileu Galilei publicou o livro “Diálogo sobre os dois máximos sistemas do mundo: ptolomaico e copernicano”, em que afirma que a principal causa das marés seriam os dois movimentos circulares da Terra: o de rotação em torno de seu eixo, que ocorre todos os dias, e o de translação em torno do sol, que acontece anualmente, desconsiderando a influência da Lua. Somente em 1687, Isaac Newton demonstrou que a causa das marés é a atração gravitacional do sol e, principalmente, da lua sobre a superfície da Terra.

Mas, antes da publicação da obra de Newton, em 1614, o missionário capuchinho francês Claude d’Abbeville publicou em Paris o livro ““Histoire de la mission de pères capucins en l’Isle de Maragnan et terres circonvoisines”. Na publicação, d’Abbeville narra suas observações do convívio por quatro meses com índios tupinambás, da família dos tupi-guarani, no Maranhão, localizados perto da Linha do Equador. 

Uma das anotações do missionário francês diz que “os tupinambás atribuem à lua o fluxo e o refluxo do mar e distinguem muito bem as duas marés cheias que se verificam na lua cheia e na lua nova ou poucos dias depois”. O que confirma o conhecimento por esses povos da relação entre as marés e as fases da lua muito antes das teorias de Galileu e de Newton.

“Todas as civilizações antigas, antes de terem escrituras e se tornarem de nômades a sedentários, liam os astros para construírem calendário e buscarem orientações para regular suas vidas”, aponta o autor da descoberta, o astrônomo Germano Bruno Afonso, professor visitante do CNPq na Universidade Estadual do Mato Grosso do Sul (UEMS). O especialista abordará esse assunto em uma conferência que fará na 61ª Reunião Anual da SBPC, que acontece de 12 a 17 de julho, em Manaus (AM). 

Descobertas – No final da década de 70, Afonso fez seu doutorado na França, onde teve acesso ao livro de d’Abbeville, em que o capuchinho francês menciona alguns nomes de constelações em tupi, tais como, “curuçá” (cruzeiro do sul), “seichu” (plêiades), “tuibaé” (velho) e “nhandutim” (ema). Ao analisá-los mais detidamente, constatou que as constelações tinham correspondentes em guarani, hoje, embora estejam separadas pela distância – em mais de três mil quilômetros - e pelo tempo, em cerca de quatrocentos anos. Baseado nessa descoberta, começou a estudá-las em todas as regiões do Brasil.

“Em outros países, essa disciplina, a etnoastronomia, é muito estudada. Já se sabe muito sobre os incas, maias e navajos, por exemplo. Mas sobre os índios brasileiros, não se conhece nada. Só é possível ampliar o conhecimento sobre eles em trabalhos de campo, porque não existe nada nas bibliotecas”, avalia o especialista, que fez outra grande descoberta ao justamente se embrenhar em um desses trabalhos de campo. 

Em 1991, arqueólogos acharam às margens do Rio Iguaçu, no Paraná, onde estava sendo construída uma hidrelétrica, um material arqueológico que não conseguiram entender seu significado. Ao estudar a rocha vertical, o pesquisador identificou que se tratava de um instrumento de observação solar, conhecido como “gnômon”. “Ele tinha quatro faces talhadas para os pontos cardeais. Fui falar com os guaranis daquela região, para ver se aquilo tinha sentido para eles, e percebi que havia. Depois, encontrei instrumentos semelhantes a ele em diversos outros locais do Brasil”, conta.

De acordo com o pesquisador, um dos principais objetivos práticos da astronomia indígena era sua utilização na agricultura. Por meio da observação da lua, eles sabiam, por exemplo, que há uma maior incidência de mosquitos na lua cheia do que na lua nova. O que poderia ser útil para os órgãos de saúde no Brasil combaterem hoje o mosquito Aedes aegypti, transmissor da dengue, determinando qual o melhor período para promover ações de dedetização.

A palestra do astrônomo Germano Bruno Afonso será realizada no dia 17 de julho, às 10h30, no campus da Universidade Federal do Amazonas (Ufam). A Reunião Anual, cujo tema é “Amazônia: Ciência e Cultura”, contará com 175 atividades, entre conferências, simpósios, mesas-redondas, grupos de trabalho, encontros e sessões especiais, além de apresentação de trabalhos científicos e minicursos.

Veja a programação em http://www.sbpcnet.org.br/manaus
(Assessoria de Imprensa da SBPC)
 
 http://www.jornaldaciencia.org.br/Detalhe.jsp?id=63966</description>
            <link>http://ciencia.tipos.com.br/posts/2009/06/16/astronomia-indigena-na-61-reuniao-anual-da-sb/</link>
        </item>

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            <title>13 pessoas na Estação Espacial Internacional</title>
            <pubDate>Sun, 14 Jun 2009 18:49:18 -0300</pubDate>
            <description>JC e-mail 3782, de 12 de Junho de 2009.  

Superlotação na Estação Espacial é desafio  
   
Pela primeira vez, 13 pessoas compartilharão o laboratório no espaço e trabalharão juntas

Astronautas se preparam para uma das mais ambiciosas experiências já realizadas na Estação Espacial Internacional (EEI): ter 13 pessoas a bordo, evitar conflitos e, ao mesmo tempo, manter a produtividade num ambiente completamente isolado e cheio de potenciais desafios. 

Com a chegada da tripulação do ônibus espacial Endeavour — cujo lançamento está marcado para sábado —, o número de pessoas na estação chegará ao recorde de 13. A previsão é de que eles cheguem à estação menos de três semanas depois do lançamento. 

— Eu não sei como vai ser isso — afirmou o comandante da Endeavour, Mark Polansky, um veterano de duas missões espaciais. — Mas sei que será um desafio ter 13 pessoas a bordo. 

Atualmente, a estação está bem maior do que na última visita de Polansky, há mais de dois anos. Quatro novos módulos foram acrescentados à estação, avaliada em US$ 100 bilhões, que orbita a Terra a cerca de 360 quilômetros de distância. 

São cerca de 700 metros cúbicos de área útil. São três laboratórios, cinco módulos com camas, dois banheiros e duas cozinhas. Os módulos japoneses e americanos oferecem ainda acomodações temporárias para mais dois tripulantes. 

A tripulação da Endeavour vai levar para a estação e instalar uma plataforma externa para experiências científicas que deve ser exposta ao ambiente espacial. 

Os sete astronautas do ônibus espacial se reunirão, na estação, ao europeu Frank De Winne, ao canadense Robert Thirsk e ao russo Roman Romanenko — que chegaram no último dia 29 a bordo de uma cápsula russa Soyouz para assumir a nova missão — e também ao japonês Koichi Wakata, ao americano Michael Barratt e ao russo Gennady Padalka, que estão de malas prontas para voltar. 

Medo de “bater cabeça” nas tarefas a bordo

Trata-se da primeira vez que astronautas provenientes de todos os países parceiros da estação se reunem no laboratório ao mesmo tempo. A estação é coordenada por EUA e Rússia, com as parcerias das agências espaciais de Europa, Japão e Canadá. 

— Todo mundo sabe o que é ter parentes e amigos em casa nos feriados — comparou Thirsk, em entrevista concedida antes de embarcar. — Tem que ter fila no banheiro, turnos na cozinha. Todos perdem um pouco de sua privacidade, mas todo mundo quer participar daquilo. 

Os astronautas da Endeavour disseram que se esforçarão para serem convidados discretos, mas já avisaram que terão de usar os banheiros da estação. 

É que, normalmente, toda a urina gerada no ônibus espacial é lançada no espaço — prática que terá de ser evitada para não poluir a área externa a ser instalada na estação. Para Polanksy, um dos maiores problemas será ter um monte de gente querendo ajudar nas tarefas. 

— Às vezes, fazemos menos com mais gente. Temos que nos manter concentrados. 
(O Globo, 12/6) 
 
 http://www.jornaldaciencia.org.br/Detalhe.jsp?id=64046</description>
            <link>http://ciencia.tipos.com.br/posts/2009/06/14/13-pessoas-na-estacao-espacial-internacional/</link>
        </item>

        <item>
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            <title>Cem anos da descoberta da doença de Chagas</title>
            <pubDate>Thu, 04 Jun 2009 12:45:02 -0300</pubDate>
            <description>JC e-mail 3775, de 03 de Junho de 2009.
  	
Centenário da descoberta da doença de Chagas, artigo de Charles Mady
	 
“O que faz esse eminente cientista brasileiro ter um lugar por poucos ocupado é o fato de, além de ter descrito a doença que leva o seu nome, com todas as implicações clínicas, ter identificado o agente transmissor e também o organismo causador desse mal”

Charles Mady, professor associado da Faculdade de Medicina da USP, é diretor da Unidade de Miocardiopatias do InCor. Artigo publicado em “O Estado de SP”:

Neste ano de 2009 comemoramos os cem anos da descoberta da doença de Chagas. Trata-se de fato extremamente importante do ponto de vista médico e científico, mas que, infelizmente, não recebeu nem recebe a importância devida e merecida.

Carlos Ribeiro Justiniano Chagas, ou simplesmente Carlos Chagas, ilustre brasileiro, nasceu em 1879. Formou-se pela então Faculdade de Medicina do Rio de Janeiro em 1903, dedicando-se posteriormente ao estudo de doenças infecciosas e parasitárias.

Oswaldo Cruz, outro ícone da medicina de nosso país e seu mentor no Instituto de Manguinhos, enviou seu discípulo a um ramal da Estrada de Ferro Central do Brasil, na cidade de Lassance, no norte de Minas Gerais, região do Rio das Velhas, para investigar um surto de malária que lá estava ocorrendo.

Instalou consultório, laboratório e dormitório num vagão ferroviário do ramal que estava sendo construído, de forma precária e com poucos recursos técnicos à disposição. Ao examinar uma menina de 2 anos de idade chamada Berenice, entre tantos outros pacientes, notou, com a acurácia dos grandes propedeutas, quadro clínico diverso da enfermidade que motivara sua viagem.

Colheu amostra de sangue da criança e detectou o parasito causador desse mal, dando-lhe o nome de Trypanosoma cruzi, em homenagem a seu mestre, e de cepa Berenice à amostra colhida dessa menina. A paciente foi reencontrada em 1961, sendo examinada e estudada e, como fato científico importante, ainda era portadora da mesma cepa do parasito.

Faleceu em 1981, mas não dessa doença. Carlos Chagas fez o relato de sua descoberta na literatura médica em 1909 e a moléstia recebeu seu nome por indicação de seus pares, em sinal de total reconhecimento. Na ocasião, foi enaltecido por Oswaldo Cruz como a maior das glórias de Manguinhos.

Continuou seus estudos em seres humanos e animais silvestres e de laboratório, divulgando suas observações em inúmeras revistas científicas. Foi indicado ao Prêmio Nobel, que injustamente não lhe foi atribuído, por motivos que permanecem obscuros até hoje.

Acredita-se que essa doença exista no continente americano desde os tempos em que o ser humano passou a habitá-lo. Múmias bem conservadas de 9 mil anos de idade, descobertas no Deserto de Atacama, tinham fragmentos do parasito em seus tecidos.

Charles Darwin, em seus relatos, comenta ter sido picado por um inseto hematófago que, pela impressionante clareza de sua descrição, deve ter sido o agente transmissor da doença de Chagas. Morreu na Inglaterra de insuficiência cardíaca, provavelmente causada por esse mal.

Qual é a situação dessa doença nos dias atuais? Por incrível que possa parecer, não temos medicamentos seguros e eficientes para tratar a infecção humana. Em contraste, temos drogas e equipamentos altamente sofisticados e caros para tratar as consequências mais graves da doença, como a insuficiência cardíaca. Sabemos transplantar corações de pacientes infectados, mas não sabemos tratar a causa desse mal.

Programas de erradicação do inseto transmissor foram aplicados em algumas áreas endêmicas, com sucesso. Mesmo assim, a maioria das regiões acometidas não recebe das autoridades responsáveis o tratamento devido. Doenças menos prevalentes, mas importantes por visões políticas e de mídia, recebem atenção bem maior do que essa.

Carlos Chagas, em 1911, dizia que medidas sanitárias simples, modificando as condições de habitações, dariam grandes resultados. Em sua visão humanista e de cientista idealista, também dizia que certamente não nos faltariam energia e vontade política para resolver o problema. Infelizmente, como acontece com a maioria daqueles que produzem para a evolução do bem-estar social, as suas previsões não se concretizaram.

Em 1944, Portinari retratou em sua tela Lavadeiras uma criança apresentando os sinais típicos da doença. Hoje, na América Latina, 25% da população, ou seja, 90 milhões de pessoas, estão expostas ao contágio. Acreditamos que haja 16 milhões de pessoas infectadas, com 6 mil mortes por ano, 91% das quais com comprometimento cardíaco.

Isso tudo após Carlos Chagas ter dado o alerta em 1911. Por acometer preferencialmente populações de regiões pobres, socialmente excluídas, estas recebem menos atenção dos órgãos responsáveis, representando um mercado de pouca expressão e levando ao desinteresse político por essa doença. Nas últimas décadas, resultado de um grande esforço da comunidade científica latino-americana, houve redução da transmissão em extensas áreas trabalhadas, demonstrando objetivamente a possibilidade de erradicação da doença.

Deve-se salientar que essas iniciativas não foram fruto de políticas de Estado, pois as vontades sociais, políticas e mercadológicas para a implementação do controle da doença são mínimas. Para agravar a situação, com a febre da globalização, estamos "exportando" a doença para a América do Norte, a Europa, o Japão e a Austrália, com a emigração de membros de nossa população.

Essas regiões não faziam testes de rotina em seus hospitais e bancos de sangue para detecção da doença, vivendo hoje todas as consequências desse fato. Carlos Chagas dizia, do alto de sua sabedoria, que não há doenças exclusivas dos trópicos. Mais uma lição desse mestre que deveríamos já ter aprendido.

O que faz esse eminente cientista brasileiro ter um lugar por poucos ocupado é o fato de, além de ter descrito a doença que leva o seu nome, com todas as implicações clínicas, ter identificado o agente transmissor e também o organismo causador desse mal. Essa tríplice descoberta faz do autor uma presença quase única na história das ciências médicas no Brasil e no mundo. Carlos Chagas deve, portanto, ser reverenciado como um dos maiores cientistas que nosso país produziu em toda a sua História.
(O Estado de SP, 30/5)
http://www.jornaldaciencia.org.br/Detalhe.jsp?id=63863</description>
            <link>http://ciencia.tipos.com.br/posts/2009/06/04/cem-anos-da-descoberta-da-doenca-de-chagas/</link>
        </item>

        <item>
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            <title>País projeta o maior reator nuclear de pesquisa da América Latina. </title>
            <pubDate>Wed, 03 Jun 2009 11:56:05 -0300</pubDate>
            <description>JC e-mail 3773, de 01 de Junho de 2009.  

País projeta super-reator nuclear  
   
Obra de US$ 500 milhões poderá tornar o Brasil independente na produção de isótopos radioativos. Além do uso em medicina nuclear, equipamento que será montado em Aramar (SP) fará parte do programa nacional de energia atômica 

Claudio Angelo e Rafael Garcia escrevem para a “Folha de SP”:

Técnicos do governo federal estão detalhando o projeto daquele que será o maior reator nuclear de pesquisa da América Latina. Orçado inicialmente em US$ 500 milhões, o Reator Multipropósito Brasileiro tem o objetivo de tornar o país independente na produção de isótopos radioativos para medicina.

O reator, de 20 megawatts (quatro vezes a potência do principal instrumento do gênero em operação no Brasil), deverá começar a ser montado em 2010. Segundo seu coordenador, José Augusto Perrotta, do Ipen (Instituto de Pesquisas Energéticas e Nucleares), o sítio mais provável é Aramar (SP), onde a Marinha constrói seu submarino nuclear.

O ministro da Ciência e Tecnologia, Sergio Rezende, disse estar inclinado a bancar o projeto. "US$ 500 milhões distribuídos em 6 ou 7 anos não é um número despropositado para o MCT. Já foi um dia, hoje não é mais", disse Rezende à Folha. "Mas é importante ter outros parceiros, e o governo de São Paulo já manifestou interesse."

São Paulo abriga hoje, no campus da USP, dois dos quatro reatores de pesquisa do Brasil. O maior deles é usado para produzir radioisótopos (versões radioativas de elementos químicos).

Na medicina, são usados em radiofármacos, que têm diversas aplicações. A maioria é usada como marcador em exames diagnósticos. Mas também, podem atacar tumores.

Hoje, no Brasil, são feitas todo ano 3,5 milhões de aplicações de radiofármacos. Os dois isótopos mais utilizados são o iodo-131, para diagnóstico de distúrbios de tireoide, e o tecnécio-99. Este último é polivalente: pode ser usado em fármacos para diagnóstico de cânceres e outras doenças no coração, cérebro, fígado e nos ossos. O tecnécio é derivado do molibdênio-99, que é importado. E aqui mora o problema.

Primeiro, o de custo. Segundo Perrotta, o país importa R$ 32 milhões por ano em molibdênio (e R$ 40 milhões por ano em outros isótopos). Com o reator multipropósito em funcionamento, a estimativa do Ipen é passar a faturar até R$ 37 milhões por ano só com molibdênio, e até R$ 25 milhões por ano com iodo-131. Além de dobrar o número de atendimentos em medicina nuclear.

Mas há um fator que a Cnen (Comissão Nacional de Energia Nuclear) diz considerar mais premente para motivar a construção do novo reator: o fornecimento de molibdênio é incerto. Só o Canadá, a Holanda e a África do Sul produzem o elemento em quantidade significativa. E, no último dia 19, a empresa canadense MDS Nordion, que fornece a maioria do molibdênio ao Ipen, anunciou a parada do reator que responde por 40% do fornecimento mundial do isótopo.

Programa nuclear

O novo reator também teria uma aplicação um pouco menos bem vista: ele deverá ser parte integrante do programa brasileiro de energia nuclear. Após Angra 3, o governo planeja fazer mais quatro usinas. Hoje o Brasil fabrica o próprio combustível nuclear e importa uma série de materiais, mas a expansão do programa demandará investimentos em mais tecnologia nacional. "A tecnologia de combustível nuclear depende de um reator desses", afirma Perrotta.

O dirigente, também, afasta as preocupações com proliferação atômica. O combustível para o novo reator terá 20% de urânio enriquecido, limite além do qual qual é possível fabricar uma bomba.

"Todas as instalações nucleares do Brasil estão sob inspeção internacional da AIEA [Agência Internacional de Energia Atômica]. Não há dúvida quanto às intenções do país", diz.
(Folha de SP, 30/5)
 
http://www.jornaldaciencia.org.br/Detalhe.jsp?id=63804</description>
            <link>http://ciencia.tipos.com.br/posts/2009/06/03/pais-projeta-o-maior-reator-nuclear-de-pesqui/</link>
        </item>

        <item>
            <category />
            <title>Há 90 anos a Relatividade foi confirmada, no Brasil.</title>
            <pubDate>Tue, 02 Jun 2009 19:06:18 -0300</pubDate>
            <description>JC e-mail 3773, de 01 de Junho de 2009.
  	
Relatividade confirmada
	 
Eclipse histórico visto em Sobral há 90 anos colocou o Brasil na história da comprovação da teoria de Einstein

Eduardo Geraque escreve para a “Folha de SP”:

Há 90 anos, mais precisamente no dia 29 de maio de 1919, o céu escureceu sobre a pequena Sobral. A cidade do interior do Ceará tinha na época apenas 4.000 habitantes.

Em curso, um dos mais importantes eclipses do Sol que se tem notícia, pelo menos, para os físicos. A relevância do evento astronômico pode, até hoje, ser resumida em uma simples frase: seria ele suficiente para provar experimentalmente a teoria da relatividade do físico suíço-alemão Albert Einstein?

Um dos pilares da teoria da relatividade geral, pelo menos segundo seu autor, era o caráter curvo da trajetória da luz no espaço. Era essa verificação que se procurava obter com a observação do eclipse.

A ideia teórica do cientista, ainda bastante nova, era relativamente simples. Fazer duas fotografias do céu. Uma com um corpo maciço passando diante das estrelas, como ocorre em um eclipse total do Sol, e outra sem esse mesmo corpo. A diferença aqui, portanto, é a ação da força da gravidade.

Ao comparar as posições das estrelas mais próximas desse corpo, bingo!

Se houvesse realmente o caráter curvo da trajetória da luz no espaço, as posições das estrelas nas chapas fotográficas seriam um pouco diferentes, dentro de valores previamente previstos por Einstein.

Porém, no eclipse em si, o físico não teve nenhuma participação prática. Foi o astrônomo inglês Arthur Eddington, na época, que resolveu montar duas expedições científicas. Uma ao Brasil. Outra à Ilha de Príncipe, na costa ocidental da África Equatorial.

Mas a história das duas viagens seriam diferentes, como descreve o astrofísico Júlio César Penereiro, professor da PUC-Campinas, com base em relatórios da época.

"O dia 29 de maio amanheceu completamente nublado. Algumas horas depois, as nuvens se dissiparam e um clarão abriu entre elas. O Sol permaneceu nesse buraco durante praticamente todo o eclipse, possibilitando a realização de fotografias". Na costa da África, choveu torrencialmente.

Resultados práticos das duas missões: as chapas feitas no Brasil registraram 12 estrelas no campo de visão dos observadores. Na África, ocorreu o registro de metade. Mas a qualidade dos dois conjuntos de dados era bem diferente.

Em Sobral, além das visitas estrangeiras de Andrew Crommelin e Charles Davidson -Eddington preferiu a África- muito do sucesso da missão teve a ver com pesquisadores brasileiros, diz Antonio Augusto Videira, professor de física da UERJ (Universidade Estadual do Rio de Janeiro).

O principal brasileiro envolvido na missão foi o astrônomo Henrique Morize, do Observatório Nacional do Rio de Janeiro. Até os moradores de Sobral tiveram que ficar em silêncio durante o evento para não atrapalhar as pesquisas.

Prova cabal?

Tudo finalizado, inclusive o processamento das chapas feitas em julho, também em Sobral, para comparar com as feitas em maio, vem o veredicto.

"O eclipse de Sobral "deu suporte" à teoria de Einstein e não "provou". A rigor nunca existe uma prova de que uma teoria foi comprovada, somente que ela sobreviveu a todos os testes até hoje", afirma Augusto Damineli, astrônomo e professor da USP (Universidade de São Paulo). Mas engana-se quem acha que o pesquisador faz coro com aqueles que sempre rebaixam a importância do experimento feito no Brasil.

"Ele sempre é bastante valorizado por toda a comunidade científica", diz. Os críticos, na verdade, quando colocam em xeque o experimento, atacam diretamente a figura de Eddington, que teria deturpado as medidas obtidas a partir das chapas fotográficas para dizer que Einstein estava correto.

Videira, que tem alguns artigos escritos sobre o tema, discorda. Porém, para ele, o eclipse de Sobral não pode ser classificado como a prova definitiva da teoria de Einstein. "Em ciência tudo é um processo. É difícil existir um único movimento decisivo", afirma.

Guerra fria

O mundo acabara de sair de uma guerra. A fama de Einstein ainda estava sendo construída. Um era inglês. Outro alemão.

Apesar de Eddington adorar a relatividade, e parecer perceber que ela estava certa, seria ele capaz de distorcer dados a favor de um "inimigo"? E contra um conterrâneo histórico? Afinal, a tese de Einstein provada, significava a desaprovação da de Newton. "Ele era um pacifista. Tudo indica que realizou os experimentos com correção", diz Videira.

Se o título do jornal inglês "The Times", no dia 7 de novembro de 1919, pode parecer sensacionalista: "Revolução na Ciência - Nova Teoria do Universo - Ideias Newtonianas derrotadas", 90 anos depois, falar da fama de Einstein é trivial.

Mas o eclipse de Sobral, mesmo dentro do Brasil, continua precisando das suas efemérides para ser divulgado.
(Folha de SP, 31/5)
http://www.jornaldaciencia.org.br/Detalhe.jsp?id=63805</description>
            <link>http://ciencia.tipos.com.br/posts/2009/06/02/ha-90-anos-a-relatividade-foi-confirmada-no-b/</link>
        </item>

        <item>
            <category />
            <title>Com esse salário, quem quer ser um professor?</title>
            <pubDate>Fri, 29 May 2009 19:47:26 -0300</pubDate>
            <description>JC e-mail 3771, de 28 de Maio de 2009.
  	
Com esse salário, quem quer ser um professor?
	 
Na comparação de 30 ocupações que exigem nível superior, as cinco de menor rendimento médio são todas relacionadas ao magistério

Antônio Gois escreve para a “Folha de SP”:

Um dos problemas mais graves detectados no censo do MEC com professores é o alto percentual dos que dão aulas de física, matemática e química no ensino médio sem formação nessas áreas.

Em 2007, o Conselho Nacional de Educação já alertara que havia um déficit na formação de professores nessas disciplinas, evidenciado também pela dificuldade dos Estados de preencher vagas em seus concursos.

A principal explicação para isso depende de uma informação que o censo do MEC não traz, mas que pode ser obtida na Pnad (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios), do IBGE.

Na comparação de 30 ocupações que exigem nível superior, as cinco de menor rendimento médio são todas relacionadas ao magistério.

O salário médio de um professor de ensino médio com nível superior no Brasil era de R$ 1.335 em 2007. Isso representa dois terços dos rendimentos de um enfermeiro diplomado (R$ 2.022), metade do que ganham jornalistas (R$ 2.767) e 27% do obtido por médicos (R$ 4.865).

É verdade que há evidências empíricas de que salários maiores não significam melhores notas de alunos nas avaliações do MEC. Mas esse é um dado que capta apenas um efeito imediato.

Sabe-se, a partir de um estudo da consultoria McKinsey, que os países com melhor desempenho educacional são os que selecionam para suas escolas os profissionais mais bem capacitados. Para isso, não há dúvida de que a remuneração é um fator essencial.

No Brasil, dados do questionário socioeconômico do Enade (exame substituto do provão) mostram que vamos em direção oposta: os alunos em cursos de formação de professores são os mais pobres, de famílias menos escolarizadas e que mais estudaram na rede pública.

Em áreas em que o número de formados já não dá conta da demanda -caso de matemática, física e química- o problema fica ainda mais agudo. Os melhores que se formam nessas licenciaturas se deparam com escolhas como essas: receber R$ 1.335 como professor ou, por exemplo, fazer um concurso público para bancário, cuja remuneração média para nível superior é de R$ 2.216?

Sem salários atrativos, não há vocação que resista. Resta às escolas darem um jeitinho para que os alunos não fiquem sem aulas dessas áreas.
(Folha de SP, 28/5)
http://www.jornaldaciencia.org.br/Detalhe.jsp?id=63729</description>
            <link>http://ciencia.tipos.com.br/posts/2009/05/29/com-esse-salario-quem-quer-ser-um-professor/</link>
        </item>

        <item>
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            <title>Wladimir Lobato, 94, em atividade, toda uma vida dedicada à pesquisa</title>
            <pubDate>Thu, 28 May 2009 15:16:43 -0300</pubDate>
            <description>JC e-mail 3769, de 26 de Maio de 2009.
  	
A vida para a pesquisa
	 
Um dos principais pesquisadores do Brasil, Wladimir Lobato, 94, ainda dá expediente todos os dias na Fiocruz, inclusive nos fins de semana

Antônio Gois escreve para a “Folha de SP”:

A partir das histórias de Wladimir Lobato Paraense aprende-se muito sobre a medicina e a ciência no Brasil. Seus 94 anos fazem dele um dos mais velhos cientistas ainda em atividade no mundo.

Diariamente -inclusive aos sábados, domingos e feriados- Lobato vai a pé ou mesmo dirigindo o próprio carro, de sua casa, na vila residencial do campus da Fiocruz (Fundação Oswaldo Cruz), no Rio, para o laboratório onde ainda hoje realiza estudos com caramujos.

Malacologista (profissional especialista em moluscos) de reputação internacional, suas pesquisas foram fundamentais no combate à esquistossomose, doença que, ainda hoje, estima-se que atinja mais de cinco milhões de brasileiros.

"Os estudos do doutor Lobato foram um divisor de águas. Antes, os pesquisadores não sabiam distinguir as espécies de moluscos que transmitiam das que não transmitiam a doença. Foi ele, praticamente sozinho, que identificou quais eram essas espécies", conta Otávio Pieri, pesquisador e especialista em esquistossomose.

Lobato nunca reclamou do trabalho e não pensa em parar: "Vou fazer o que em casa?".

Obstinação

Sua obstinação pela pesquisa científica começou quando ainda era criança, e seu caminho natural foi ingressar aos 16 anos, em 1931, na Faculdade de Medicina do Pará, já que não existiam ainda cursos de biologia no Estado.

Naquela época, o currículo era cópia fiel do que se ensinava nas universidades francesas. Aprendia-se basicamente por livros e, antes mesmo de começar o curso, a faculdade chegou à sua porta, por meio de uma encomenda dos correios com a coleção completa de todos os periódicos de que precisaria.

Foi uma surpresa de seu padrinho, rico fazendeiro paraense, que passara por Paris meses antes e resolveu fazer um agrado a seu afilhado.

O curso, no entanto, só foi concluído anos mais tarde no Recife (PE). Para isso, foi preciso que ele vendesse o único bem de que dispunha: um anel que ganhara após concluir o curso de contabilidade, feito paralelamente ao de medicina.

Seu objetivo era chegar ao Rio de Janeiro, mas o dinheiro era suficiente apenas para uma passagem até o Recife, na terceira classe do Ita, barco que ligava o Rio ao Norte do país.

O sonho de se instalar no Rio só viria a se concretizar anos depois, e por influência de Assis Chateaubriand, que procurava talentos no Nordeste e financiava -com o dinheiro de outros empresários- seus estudos no Sudeste.

Ao receber Lobato e outros cientistas em seu escritório, o maior empresário de telecomunicações do Brasil logo se encantou com a história dos rapazes, pegou o telefone e ligou para vários empresários determinando que concedessem a eles uma bolsa de estudos.

A de Lobato foi paga pelas indústrias de papel Klabin. "O valor era de um conto de réis. Um bocado de dinheiro na época."

Inicialmente, Lobato foi para São Paulo, onde estudou na USP. Depois, morou no Rio, em Belo Horizonte e em Brasília, até voltar ao Rio e se instalar definitivamente no campus da Fiocruz, em 1977, onde mora e trabalha até hoje.

"Ele poderia perfeitamente parar de trabalhar e morar em uma casa em frente à praia. Mas prefere viver dentro do campus, pois isso permite que vá ao laboratório até aos sábados e domingos", diz o cientista José Rodrigues Coura, amigo de Lobato há 40 anos.

Coura diz que seu colega é conhecido pelo rigor acadêmico. Quando foi vice-presidente de pesquisa da Fiocruz (de 1976 a 1978), queria reformular o instituto contratando jovens talentosos. Fez questão de elaborar as questões da prova.

"É verdade que o nível havia caído muito ao longo dos anos devido à massa de estudantes que se formava nas áreas médicas, mas ele foi tão rigoroso que, de 200 vagas oferecidas, apenas dois candidatos passaram", lembra Coura.

Além de se dedicar ao trabalho, um dos poucos hobbies do cientista é dirigir. Mas sua mulher, Lygia dos Reis Corrêa, conta que só o deixa pilotar dentro do campus.

"Ele tem, aos 94 anos, o mesmo fascínio por carros que um menino que ganha um automóvel de brinquedo. Mas não deixo que ele dirija fora do campus de jeito nenhum. Aqui, todos dão passagem", diz ela.

Cientista foi acusado de contaminar lago

Desde que se tornou uma autoridade em moluscos transmissores da esquistossomose, Wladimir Lobato Paraense foi chamado várias vezes para investigar focos da doença no Brasil.

Numa delas, narrada por Virgínia Schall no livro "Contos de Fatos - Histórias de Manguinhos" (ed. Fiocruz, R$ 24), o pesquisador foi designado para investigar em Belo Horizonte uma contaminação por esquistossomose, na década de 1950.

Ele identificou, entre outros focos, que o lago do parque Municipal, onde várias pessoas se banhavam aos fins de semana, era uma fonte de contaminação.

A descoberta não agradou às autoridades municipais, que negaram o fato afirmando que as águas do lago eram limpas e vinham somente de poços artesianos. À época, o cientista chegou a ser acusado de estar colocando caramujos nas águas do parque para assustar a população.

Determinado, Lobato decidiu estudar o mapa da cidade até descobrir um córrego que poderia estar contaminando o lago. Com ajuda de um assistente, colocou um corante azul no local e, em pouco tempo, as águas do lago ficaram coloridas.

Fez o mesmo com os banheiros do parque e revelou que o esgoto era jogado diretamente no lago, tornando o local um verdadeiro paraíso para caramujos transmissores da doença.

Depois de fotografar todas as etapas desse experimento, apresentou as evidências em um congresso médico realizado na capital mineira.

Um mês depois, a prefeitura de Belo Horizonte iniciava obras no parque público para evitar que o lago continuasse a ser contaminado.
(Folha de SP, 24/5)
http://www.jornaldaciencia.org.br/Detalhe.jsp?id=63678</description>
            <link>http://ciencia.tipos.com.br/posts/2009/05/28/wladimir-lobato-94-em-atividade-toda-uma-vida/</link>
        </item>

        <item>
            <category />
            <title>Genes da gripe A (H1N1) circulam há uma década</title>
            <pubDate>Tue, 26 May 2009 10:43:07 -0300</pubDate>
            <description> 	 JC e-mail 3768, de 25 de Maio de 2009.
  	
Genes da gripe suína circulam há uma década
	 
Estudo da ‘Science’ é o primeiro a detalhar características do H1N1

Genes que fazem parte do vírus da gripa suína, ou influenza A (H1N1), podem ter circulado, sem que fossem detectados, por pelo menos uma década em populações de porcos, de acordo com pesquisadores que sequenciaram o genoma de mais de 50 amostras do vírus.

A descoberta reforça o entendimento de que, no futuro, será preciso monitorar mais de perto os rebanhos suínos para genes de gripe emergentes, diz a equipe liderada por Rebecca Garten, do Centro para Controle e Prevenção de Doenças (CDC, na sigla em inglês), órgão do governo dos Estados Unidos. O trabalho foi divulgado ontem no site da revista Science.

Detectado pela primeira vez no mês passado, o novo vírus já foi confirmado em 42 países e 11.168 pessoas, segundo o mais recente boletim oficial da Organização Mundial da Saúde (OMS, braço de saúde pública das Nações Unidas). Esses números referem-se apenas aos casos submetidos a exames laboratoriais. Autoridades dizem que muitas outras pessoas podem ter sido infectadas.

O estudo, que lança um olhar mais detalhado sobre o material genético do vírus, determinou que os ancestrais imediatos de todos os oito genes são de origem suína. Isso indica que o vírus pode ter circulado nas criações de porcos - em alguma parte do mundo, durante anos - e infectado animais que não manifestaram sintomas.

Vírus de gripe de qualquer origem trocam material genético com facilidade entre si. Cada vez que dois ou mais vírus entram em contato com uma espécie, eles têm a oportunidade de se misturar e criar novas variedades que podem ser mais perigosas, ou se transmitir com maior facilidade.

Geografia misteriosa

O novo trabalho não ajuda a esclarecer onde o novo vírus fez a transição do porco para o homem.

Alguns dos ancestrais genéticos vieram de um vírus suíno que atingiu fazendas dos Estados Unidos em 1998. Outros foram rastreados até vírus que infectavam porcos na Europa e na Ásia.
(O Estado de SP, 23/5)
http://www.jornaldaciencia.org.br/Detalhe.jsp?id=63657</description>
            <link>http://ciencia.tipos.com.br/posts/2009/05/26/genes-da-gripe-a-h1n1-circulam-ha-uma-decada/</link>
        </item>

        <item>
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            <title>Marte foi esculpido pela água</title>
            <pubDate>Fri, 22 May 2009 18:06:11 -0300</pubDate>
            <description>JC e-mail 3767, de 22 de Maio de 2009.
  	
Marte: esculpido pela água
	 
Dados do robô Opportunity em cratera marciana revelam passado oceânico do planeta

Roberta Jansen escreve para “O Globo”:

Ao longo de milhares de anos a água foi a principal responsável pelas alterações no relevo de uma vasta região de Marte, como revela um estudo publicado pela “Science” com a participação do cientista brasileiro Paulo de Souza, integrante da missão da Nasa Mars Explorer Rover, que há cinco anos mantém dois robôs explorando a superfície do planeta vermelho.

O estudo é baseado em dados enviados à Terra pelo veículo explorador Opportunity, que, ao longo de dois anos, percorreu a cratera Victória, de 750 metros de diâmetro e 75 metros de profundidade.

Formada pelo impacto de um meteoro no solo, a cratera deixou expostas várias partes do subsolo marciano, revelando rochas e os efeitos da água e também do vento em sua formação.

— O que nos levou à cratera Victória foi a camada exposta de rochas — afirmou Steve Squyres, principal autor do estudo e responsável pelas operações dos robôs gêmeos.

Hematitas azuis no planeta vermelho

A existência de água no passado de Marte já havia sido confirmada pelos robôs Opportunity e Spirit. Mas esta é a primeira vez que são revelados dados concretos sobre sua influência na formação do relevo.

Com os instrumentos de seu braço robótico, o Opportunity analisou a composição e a textura de rochas da cratera.

As informações geradas revelaram a presença maciça de esferas de hematita que só se formam na presença de água. Na Terra, elas são comumente encontradas no fundo de oceanos e no leito de rios que secaram.

— Teve bastante água em Marte, muita, muita água. E tudo indica que não foi apenas em pontos localizados — afirmou Paulo de Souza. — Achamos nessa cratera o mesmo tipo de esferas de rochas que encontramos anteriormente em outros pontos. São hematitas, esferas azuis que se formam na presença de água. Constatamos ainda que elas são maiores no fundo da cratera do que nas bordas, o que é consistente com a idéia de que houve um grande oceano naquela região que foi evaporando e ficando seco até sumir completamente, fazendo as hematitas irem diminuindo de tamanho.

A análise dos dados e a observação das imagens enviadas também ajudou a determinar que o vento provocou o acúmulo de areia em forma de dunas que, na presença da água se transformaram em grandes pedras de arenito.

— Todas as camadas são formadas por depósitos de areia — contou Souza. — Em praias, estuários, na própria Baía de Guanabara, dá para ver essa mesma estrutura, formada pelos processos eólicos.

O Opportunity abandonou a área de exploração há oito meses e, desde então, se desloca para uma outra cratera, a Endeavour, vinte vezes maior do que a Victória.

Inicialmente projetada para durar três meses, a missão dos robôs foi estendida até 2011, quando está prevista a chegada ao planeta da Mars Science Laboratory.

Novos satélites para a Lua

O retorno da Nasa à Lua ganha um forte impulso em junho, com o lançamento de dois satélites que enviarão dados atualizados à Terra. Ontem, a agência revelou detalhes das missões Lunar Reconnaissance Orbiter (LRO) e Lunar Crater Observation (LCO). Os dois veículos serão lançados juntos, no próximo dia 17, a bordo de um foguete Atlas.

Com sete instrumentos a bordo, o LRO ajudará na identificação de um lugar seguro para o pouso de uma futura missão com astronautas. O satélite também caracterizará a radiação do ambiente e testará novas tecnologias. As informações ajudarão a gerar novos mapas tridimensionais da superfície, bem mais acurados que os atuais.

Já o LCR buscará uma resposta definitiva sobre a presença de gelo nos pólos lunares. O satélite usará de forma inédita o segundo estágio do foguete Atlas para provocar dois impactos na superfície lunar. Os cientistas esperam detectar cristais de gelo ao observar a nuvem levantada pelas explosões à luz do Sol.
(O Globo, 22/5)
http://www.jornaldaciencia.org.br/Detalhe.jsp?id=63622</description>
            <link>http://ciencia.tipos.com.br/posts/2009/05/22/marte-foi-esculpido-pela-agua/</link>
        </item>

        <item>
            <category />
            <title>Explosão de raios gama ocorrida há 13 bilhões de anos</title>
            <pubDate>Thu, 21 May 2009 18:56:16 -0300</pubDate>
            <description>JC e-mail 3751, de 29 de Abril de 2009.
  	
Descoberto objeto mais distante do universo
	 
Satélite detectou uma explosão de raios gama que teria ocorrido há 13 bilhões de anos

Herton Escobar escreve para “O Estado de SP”:

Astrônomos de diversos países conseguiram observar o objeto mais distante (e antigo) do universo conhecido: uma explosão de raios gama ocorrida há aproximadamente 13 bilhões de anos - "apenas" 600 milhões de anos após o Big Bang. O evento foi comunicado ontem pela Nasa e pela Organização Europeia para Pesquisa Astronômica no Hemisfério Sul (ESO).

"Trata-se da explosão de raios gama mais remota já detectada, além de ser também o objeto mais distante já descoberto", disse o astrônomo Nial Tanvir, que liderou a equipe de cientistas que fez as observações com o Very Large Telescope (VLT), da ESO, no Observatório de Cerro Paranal, no norte do Chile.

As explosões de raios gama são os eventos mais luminosos e energéticos do universo. A maioria delas ocorre quando uma grande estrela fica "sem combustível" e entra em colapso, transformando-se em um buraco negro ou uma estrela de nêutrons.

A detecção inicial foi feita pelo satélite Swift, da Nasa, que observou uma explosão de raios gama de dez segundos na Constelação de Leão. Dado o alerta do espaço, telescópios em terra foram rapidamente acionados para observar a explosão - que, durante um período, pode ser vista em outras frequências do espectro luminoso.

As observações permitiram estabelecer a maior distância já observada até hoje em um objeto cósmico. O recorde anterior era de uma outra explosão de raios gama, 190 milhões de anos-luz mais próxima (e jovem).

Como a luz se movimenta a uma velocidade finita, olhar mais longe significa retroceder no tempo. Os cientistas calculam que a explosão tenha ocorrido a 13 bilhões de anos-luz da Terra, o que significa, por tabela, que ela ocorreu 13 bilhões de anos atrás - mas sua luz só chegou à Terra agora. Naquele momento, o universo tinha menos de 5% da sua idade atual.

"Agora podemos ter certeza de que explosões ainda mais remotas serão descobertas no futuro, o que abrirá uma janela no estudo das primeiras estrelas", afirmou Tanvir, em comunicado de imprensa distribuído pela ESO.
(O Estado de SP, 29/4)
http://www.jornaldaciencia.org.br/Detalhe.jsp?id=63145</description>
            <link>http://ciencia.tipos.com.br/posts/2009/05/21/explosao-de-raios-gama-ocorrida-ha-13-bilhoes/</link>
        </item>

        <item>
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            <title>Grutas no PR serão as primeiras a sumir</title>
            <pubDate>Tue, 19 May 2009 17:51:59 -0300</pubDate>
            <description>JC e-mail 3763, de 18 de Maio de 2009.
  	
Grutas no PR serão as primeiras a sumir
	 
Lobby do setor de mineração fez legislação que protegia todas as cavernas brasileiras ser alterada por decreto presidencial. Proteção das grutas tornava inviável a realização de empreendimentos, alegam empresas do setor; STF ainda aprecia a questão

Afra Balazina escreve para a “Folha de SP”:

A gruta do Rocha é uma candidata improvável a polo turístico. Para chegar até sua entrada estreita, o visitante precisa fazer uma caminhada de uma hora e meia na mata atlântica, numa porção isolada do vale do Ribeira, na divisa entre São Paulo e Paraná. Em boa parte dela é preciso ficar agachado e tomar cuidado para não bater a cabeça. Enquanto os visitantes se preocupam em não se molhar demais na água que cobre o solo, morcegos dão rasantes nos intrusos.

Essa caverna meio sem graça em Cerro Azul (PR) se tornou um cavalo de batalha de um dos mais recentes conflitos ambientais do Brasil. Juntamente com sua vizinha, a gruta da Mina da Rocha, ela era o maior obstáculo para a CBA (Companhia Brasileira de Alumínio), do grupo Votorantim, construir a hidrelétrica Tijuco Alto.

Ambas ficam na área que deve ser alagada para criar o reservatório da usina, e motivaram boa parte do lobby que levou o governo federal a mudar a legislação que protegia as cavernas brasileiras.

Até o ano passado, todas elas eram consideradas patrimônio cultural brasileiro. Porém, o decreto 6.640, de novembro de 2008, acabou com esse status. Agora, só cavernas consideradas de máxima relevância precisam ser preservadas.

As demais (de alta, média e baixa relevância) podem ser destruídas, após estudos e obtenção de licença, para a realização de empreendimentos.

Segundo Rinaldo Mancin, diretor de assuntos ambientais do Ibram (Instituto Brasileiro de Mineração), na época em que Marina Silva chefiava o Ministério do Meio Ambiente, as "negociações eram horríveis e o tema pouco evoluiu".

Com sua saída do governo, o processo "avançou". Em seu informativo de abril, o Ibram comemorou o novo decreto e ressaltou que a articulação política foi fundamental.

Entre as cerca de 170 associadas ao Ibram estão empresas de grande influência em Brasília, como CBA, a Vale, a CSN e a Camargo Corrêa.

Com o novo decreto, somente as cavernas dentro de unidades de conservação, como parques, estão fora de risco, diz Marcelo Rasteiro, secretário-executivo da SBE (Sociedade Brasileira de Espeleologia).

O relatório de impacto ambiental da CBA diz que as duas cavernas na área de Tijuco Alto são pequenas e pouco expressivas. Entretanto, na gruta do Rocha foram encontradas 40 espécies de animais que só vivem em cavernas.

Segundo a SBE, como a empresa comprou as terras na região, há cerca de 20 anos espeleólogos isentos não têm acesso às grutas para avaliar se elas são ou não insignificantes.

Última tentativa

Com a eliminação do problema das cavernas, a empresa está otimista: "A CBA não considera as duas cavidades localizadas na área do futuro reservatório um empecilho para a implantação do projeto. A empresa (...) já possui um parecer técnico favorável do Ibama e aguarda a obtenção da licença prévia", disse.

Só quem pode frear a construção da usina agora é o Supremo Tribunal Federal, caso considere o decreto das cavernas inconstitucional - a Procuradoria-Geral da República argumenta que os critérios de uso de cavernas só podem ser fixados por lei, e não por decreto.

O Ibram, no entanto, acredita que a decisão demorará mais de dois anos para ser tomada. Até lá, a obra de Tijuco Alto pode estar em andamento (a construção deve durar 40 meses) e os morcegos não mais assustarão os raros visitantes na gruta do Rocha.

Outra preocupação é que os estudos para definir a relevância de uma caverna qualquer serão pagos e contratados pelo empreendedor. Fabio Geribello, presidente da UPE (União Paulista de Espeleologia), afirma que o ideal para evitar influência na avaliação seria a empresa somente pagar o custo, e um órgão do governo contratar o estudo.

Para Raul do Valle, do ISA (Instituto Socioambiental), é um absurdo mudar a lei "por causa de dois ou três empreendimentos". O Ibram alega que a legislação anterior inviabilizava, além de Tijuco Alto, projetos como o de mineração Serra Leste (PA), da Vale, e a exploração de calcário siderúrgico de Arcos-Pains (MG).

Lei anterior era prejudicial, dizem empresas

As entidades que representam o setor da mineração e as empresas que produzem energia para consumo próprio destacam os prejuízos econômicos provocados pela legislação anterior, que impedia a degradação de cavernas para a realização de projetos.

Adriana Coli, coordenadora socioambiental da Abiape (Associação Brasileira dos Investidores em Autoprodução de Energia Elétrica), considera o caso de Tijuco Alto, que em 2008 completou 20 anos de concessão, emblemático.

"Cerca de R$ 100 milhões já foram gastos em projetos, audiências públicas e compras de propriedade; 60% da área da usina já foi adquirida", diz.

Rinaldo Mancin, do Ibram, conta que "só em Carajás [PA], numa frente de lavra, existem cerca de 1.200 cavernas". Se a lei não mudasse, afirma, só se poderia minerar 15% da área.

Segundo ele, o conflito entre mineração e proteção de cavernas é inevitável. "Os mesmos processos que levam à formação das cavernas levam à formação do minério."

Foi o que aconteceu em Rondônia, onde a maior caverna conhecida do Estado acabou degradada pela atividade de mineração de calcário na cidade de Pimenta Bueno.

Dados

Ainda é preciso ampliar o conhecimento espeleológico no Brasil. Não há consenso sequer sobre o número de cavernas existentes: a SBE tem registradas 4.684 grutas, enquanto o Cecav (Centro Nacional de Estudo, Proteção e Manejo de Cavernas) possui 7.300.

Ambientalistas estimam que 70% das cavernas podem ser destruídas com a nova lei. Porcentagem que Mancin descarta. "Esse dado não tem fundamento científico nenhum."

Ele garante que as empresas obedecem às leis e que caberá ao órgão licenciador o papel de definir que cavernas poderão ser destruídas. "Ninguém pode mexer em caverna sem autorização. Além disso, nem toda caverna do país é de interesse para a mineração."

Ronaldo Crusco, responsável pelo estudo de impacto ambiental de Tijuco Alto, diz que não há problema no fato de a avaliação da relevância da caverna ser contratada pelo empreendedor. Isso porque os técnicos que assinam o documento podem ser criminalizados no caso de problemas nos laudos.

O governo deve apresentar, em breve, os critérios que precisarão ser levados em conta na avaliação das grutas.
(A repórter Afra Balazina viajou a convite da Votorantim)
(Folha de SP, 18/5)
http://www.jornaldaciencia.org.br/Detalhe.jsp?id=63491</description>
            <link>http://ciencia.tipos.com.br/posts/2009/05/19/grutas-no-pr-serao-as-primeiras-a-sumir/</link>
        </item>

        <item>
            <category />
            <title>Brasil  chega a 13º do mundo no ranking mundial de produção científica.</title>
            <pubDate>Sun, 17 May 2009 09:33:47 -0300</pubDate>
            <description>JC e-mail 3755, de 06 de Maio de 2009.
  	
Brasil sobe duas posições em ranking de produção científica e chega a 13º do mundo
	 
Entre 2007 e 2008, a publicação de artigos em periódicos indexados subiu mais de 50% e permitiu que o país superasse Rússia e Holanda. Anúncio foi feito nesta terça-feira, 5 de maio, pelo ministro Fernando Haddad, na Reunião Magna da Academia Brasileira de Ciências (ABC)

Daniela Oliveira escreve para o “JC e-mail”:

O ministro da Educação, Fernando Haddad, divulgou nesta terça-feira, durante sessão conjunta da ABC e da SBPC, os números da base de dados National Science Indicators (NSI), que registram o bom desempenho do Brasil no ranking mundial da produção de conhecimento.

O país apresentou, entre 2007 e 2008, o maior crescimento entre as demais nações: passou de pouco mais de 19 mil para cerca de 30 mil artigos publicados em periódicos científicos indexados. Ultrapassou a Rússia e a Holanda e chegou a 13º melhor produtor de conhecimento do mundo, contribuindo com 2,12% dos artigos de 183 países. “É o maior crescimento da história do país, um feito notável da academia brasileira, que abre um novo horizonte”, disse o ministro.

Haddad atribuiu o resultado principalmente à atuação dos ministérios da C&amp;T e Educação pela melhoria de todos os níveis de ensino, com medidas como a expansão das universidades, a recuperação do valor e aumento do número de bolsas concedidas pelo CNPq e pela Capes e a valorização dos profissionais do magistério.

O presidente da Capes, Jorge Guimarães, disse que esperava que o Brasil ultrapassasse a Rússia este ano, mas não a Holanda. Para ele, se o ritmo de crescimento de publicações for mantido, é possível que em 2010 o país ganhe mais uma posição no ranking. Para entrar no grupo dos 10 maiores produtores de conhecimento, o Brasil precisar superar Coréia do Sul, com cerca de 35 mil artigos, Austrália (36,7 mil) e Índia (38,7 mil).

Os EUA lideram a lista, com 340 mil artigos publicados, seguidos da China (112,8 mil), Alemanha (87 mil) e Japão (79 mil). Completam, junto com a Índia, o ranking dos 10 melhores Inglaterra (78 mil), França (64 mil), Canadá (53 mil), Itália (50 mil) e Espanha (41,9 mil).

Apesar de comemorar o resultado, Guimarães alerta que o país ainda não cresce da mesma forma em termos qualitativos – ou seja, conforme o número de citações do artigo em outras publicações. “Com relação à qualidade estamos entre os 30 maiores, mas precisamos avançar nesse componente”, avalia.

Ele ressalta ainda que é preciso enfrentar os problemas no ensino básico. “Na verdade, o avanço que fizemos na pós-graduação resulta da perversidade na educação básica, porque você pega os melhores. Temos 4.200 bolsistas no exterior e nenhum fracasso. Se a educação básica melhorar, nosso desempenho será muito maior”, reflete Guimarães.

O ministro Fernando Haddad disse que os feitos da pós-graduação precisam não apenas contribuir para a melhoria do ensino básico, mas também devem ser aplicados na produção com alto valor agregado. Segundo ele, a Lei de Incentivo à Pesquisa, regulamentada no ano passado, pode ser um mecanismo importante nesse sentido.

“Essa lei, que começa a sair do papel, tem o objetivo primordial de traduzir esse conhecimento em aumento da produtividade e do valor agregado de nossa produção, tanto para consumo próprio como para exportação”, observou Haddad.

O ministro informou que o investimento no primeiro ano de vigência plena da lei foi de R$ 20 milhões. “Nossa expectativa é chegar à cifra de R$ 150 milhões em renúncia fiscal para este fim específico”, disse Haddad, que participou da sessão ao lado dos presidentes da ABC, Jacob Palis, e da SBPC, Marco Antônio Raupp.
http://www.jornaldaciencia.org.br/Detalhe.jsp?id=63246

COMENTÁRIO CRÍTICO:

 	 JC e-mail 3759, de 12 de Maio de 2009.
  	
3. Inusitado aumento da produção científica, artigo de Rogerio Meneghini
	 
“A explicação do ministro e de algumas autoridades presentes ao evento da divulgação, de que o aumento se devia à política em nível federal de fomento à pesquisa, não fazia eco em mentes perscrutadoras por dever de ofício”

Rogerio Meneghini é coordenador científico do programa SciELO de revistas científicas brasileiras, professor titular aposentado do Instituto de Química da USP e membro da Academia Brasileira de Ciências. Foi presidente da primeira Comissão de Avaliação da USP (1993-1997). Artigo publicado na “Folha de SP”:

Foi um choque para milhares de pesquisadores científicos brasileiros ler a reportagem da editoria Ciência desta Folha no dia 6 de maio. Ela relatava a divulgação do ministro da Educação, Fernando Haddad, de que a produção científica brasileira tinha crescido 56% de 2007 a 2008, segundo a mundialmente reconhecida base internacional de dados Thomson Reuters-ISI.

Um choque que não era propriamente de contentamento, mas de estupefação. Acostumados com a lida de números em suas pesquisas e familiarizados com o curso modesto dos investimentos em pesquisa e desenvolvimento (P&amp;D) no Brasil, era difícil encontrar uma explicação para o aumento inusitado em nível mundial em um ano, levando o país para a 13ª posição entre as nações na publicação de artigos científicos.

O portal de periódicos da Capes (Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior, órgão do Ministério da Educação) que permite o acesso ao ISI provavelmente teve um de seus maiores níveis de visitas, no anseio dos pesquisadores de constatar se o aumento era de fato o anunciado. E era.

Porém, a explicação do ministro e de algumas autoridades presentes ao evento da divulgação, de que o aumento se devia à política em nível federal de fomento à pesquisa, não fazia eco em mentes perscrutadoras por dever de ofício.

Muitas hipóteses foram levantadas, havendo até colegas que ironizavam ser um evento raro de desova de artigos científicos engavetados, como a desova de tartarugas marinhas. Por estar numa função que permite maior descortínio da produção científica, a explicação para o fato não me demorou. A base de dados Web of Science-ISI, utilizada nessa pesquisa, mostrou, sim, um aumento que o Brasil liderou: o de revistas científicas nacionais indexadas nessa base.

Em 2006, eram 26. Essa quantidade passou para 63 em 2007 e para 103 em 2008. Um aumento insólito, em contexto mundial: o número quadruplicou em dois anos! Qual seria a explicação para isso?

A Thomson Reuters-ISI é uma empresa comercial, visando lucro, mas buscando manter a imagem de indexar o núcleo das melhores revistas científicas do mundo (10 mil entre 100 mil). Segundo a própria empresa, a sua política de seleção continua sendo a de medir o impacto por meio das citações dos artigos das revistas, mas iniciou um procedimento de espraiar o universo das revistas do ponto de vista regional e temático.

O Brasil certamente marcou ponto nos três itens. Com isso, o número de artigos em suas revistas aumentou de 4.056, em 2007, para 12.502, em 2008. Ou seja, um aumento de 8.446 artigos, devido ao aumento de revistas e também ao maior número de artigos por revista, uma vez que a indexação no ISI exerceu maior atração sobre os autores.

Isso significa que cerca de 80% do aumento de artigos anunciado pelo ministro Haddad advieram de um setor em que o governo federal investe de forma absolutamente inexpressiva: R$ 10 milhões em 2008, divididos entre o CNPq (Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico) e a Capes, para cerca de 240 revistas nacionais. Isso representa cerca de 0,4% dos orçamentos das duas instituições. Para comparação, os Estados Unidos gastam 200 vezes mais em revistas científicas.

A única iniciativa brasileira para melhorar as suas revistas, além da dedicação dos editores, é o programa SciELO (http://www.scielo.br), criado em 1997 por meio de uma parceria entre a Fapesp (Fundação de amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo) e a Bireme (Biblioteca Virtual em Saúde).

SciELO exerce no Brasil um papel semelhante ao do ISI, o de indexar as melhores revistas brasileiras, selecionadas por critérios de qualidade, mas vai além, pois disponibiliza os artigos com textos completos em acesso aberto. Hoje são 205 revistas.

É importante frisar que, das 103 revistas brasileiras indexadas no ISI mencionadas acima, 81 estão na base SciELO. O orçamento executado do programa para 2009 é de R$ 2,5 milhões, 80% provenientes da Fapesp (recursos do Estado de São Paulo) e 10% do CNPq (recursos federais). Tem-se assim a história real do aumento expressivo da produção científica brasileira em 2008 na base ISI.
(Folha de SP, 12/5)
http://www.jornaldaciencia.org.br/Detalhe.jsp?id=63368</description>
            <link>http://ciencia.tipos.com.br/posts/2009/05/13/brasil-chega-a-13-do-mundo-no-ranking-mundial/</link>
        </item>

        <item>
            <category />
            <title>Telescópios espaciais que serão lançados esta semana prometem ajudar a responder a algumas das maiores questões sobre o Universo.</title>
            <pubDate>Mon, 11 May 2009 14:42:01 -0300</pubDate>
            <description>JC e-mail 3754, de 05 de Maio de 2009.
  	
Telescópios que veem o futuro
	 
Europeus lançam este mês supermáquinas espaciais

Um par de telescópios espaciais que será lançado semana que vem promete ajudar a responder a algumas das maiores questões sobre o Universo, coisas como o surgimento e o destino do próprio Cosmo.

Desenvolvidos pela Agência Espacial Europeia (ESA), eles estão equipados para analisar os lugares mais profundos do Universo para tentar iluminar a criação da matéria, desde o começo do Cosmo, há cerca de 13,7 bilhões de anos, ao surgimento de estrelas, galáxias e planetas. Com isso, esperam enxergar o futuro.

Um dos telescópios, chamado Planck, irá estudar num nível de detalhes sem precedentes uma espécie de radiação “fossilizada”, uma relíquia do Big Bang. A análise poderá explicar se o Universo realmente se formou por meio de um processo de rápida expansão, chamado inflação, nas primeiras frações de segundo depois do Big Bang. O nome do Planck é uma homenagem ao físico alemão Max Planck, cujo trabalho sobre radiação ganhou o Prêmio Nobel de Física de 1918.

O segundo telescópio se chama Herschel. Ele irá concentrar sua atenção na radiação infravermelha, invisível, emitida por regiões de formação de estrelas das galáxias, na esperança de explicar como objetos celestes, de estrelas como o Sol a planetas como a Terra, podem se originar a partir de nuvens de gases, poeira e detritos cósmicos.

O nome do telescópio é uma homenagem aos irmãos Caroline e William Herschel, pioneiros na classificação sistemática dos objetos celestes, no século XVIIII. Enquanto William é o descobridor do planeta Urano, Caroline ajudou a desenvolver a matemática usada em astronomia.

Teorias sobre o Big Bang serão testadas

Cientistas envolvidos no projeto esperam que as informações coletadas pelos dois telescópios ajudem a saber como o Universo evolui.

— Estamos em busca de uma física elementar. A física do começo dos tempos — disse David Southwood, diretor de Ciência da ESA.

Os telescópios serão lançados da base de Kourou, na Guiana Francesa, em 14 de maio.

— Os dados obtidos irão nos ajudar a testar as teorias sobre o Big Bang e podem mudar completamente a nossa compreensão sobre a origem e o desenvolvimento do Universo. Poderemos até prever o nosso futuro — afirmou George Efstathiou, professor da Universidade de Cambridge — Ao entender o processo da inflação, entramos em contato com os fundamentos da física.

O telescópio Herschel vai analisar a radiação emitida de vastas nuvens de poeira no espaço. Com um espelho de 3,5 metros de largura, ele será o maior telescópio em atividade no espaço.

— Os resultados podem revelar como estrelas ligadas ao Sol estão se formando em nossa própria galáxia, como as galáxias crescem e evoluem dentro do tempo cósmico e como sistemas planetários podem se desenvolver a partir de poeira e gás em torno de estrelas jovens — afirmou Matt Griffin, professor da Universidade de Cardiff.

Serão necessários seis meses até que os primeiros dados sejam recebidos, em uma estação construída próximo a Perth, na Austrália. (Steve Connor, do Independent)
(O Globo, 5/5)
http://www.jornaldaciencia.org.br/Detalhe.jsp?id=63230</description>
            <link>http://ciencia.tipos.com.br/posts/2009/05/11/telescopios-espaciais-que-serao-lancados-esta/</link>
        </item>

        <item>
            <category />
            <title>Missão Stereo, da Nasa, permite visão tridimensional das rajadas de vento solar</title>
            <pubDate>Sun, 10 May 2009 16:52:32 -0300</pubDate>
            <description>JC e-mail 3754, de 05 de Maio de 2009.
  	
Sondas gêmeas conseguem prever tempestades solares
	 
Dupla de espaçonaves-robôs tem visão tridimensional de rajadas de vento solar. Missão Stereo, da Nasa, detecta com 24 horas de antecedência a emissão das partículas de alta velocidade que prejudicam os satélites

Quem acha os serviços de meteorologia ruins por não conseguirem precisão ao prever chuvas com uma semana de antecedência talvez se conforme ao saber que a situação é ainda pior nas tentativas de prever o "clima" na superfície Sol.

As tempestades solares, que disparam violentas lufadas do chamado vento solar em direção, só são descobertas quando já estão acontecendo. Uma dupla de sondas espaciais consegue agora, porém, detectar esses eventos 24 horas antes de eles atingirem a Terra.

O segredo das espaçonaves da missão Stereo, da Nasa, que conseguiu prever erupções, é a visão em 3-D. Como estão afastadas uma da outra, as sondas fornecem imagens do Sol de ângulos diferentes e conseguem observar em profundidade. Lançadas em 2006, a sondas levaram mais de dois anos até serem calibradas a ponto de conseguirem cumprir sua missão.

Aquilo que as Stereo conseguem ver em detalhes sem precedentes são as chamadas ejeções coronais de massa, violentas explosões na superfície do Sol que emitem partículas eletricamente carregadas em altíssima velocidade. O fenômeno é chamado de vento solar.

Essas partículas são extremamente nocivas. O vento solar só não prejudica o que está na superfície terrestre porque o campo magnético do planeta o desvia de sua trajetória normal. Quando se acumulam nos céus do Ártico e da Antártida, essas partículas produzem as auroras polares, fenômenos apreciados por sua beleza.

Quem não aprecia muito o vento solar são as empresas operadoras dos satélites que estão na órbita da Terra. Fora da proteção do campo magnético terrestre, os satélites são afetados por tempestades solares, podem ter sua comunicação interrompida e até sofrer danos permanentes. Pilotos de avião sobrevoando regiões polares também podem ter problemas de comunicação. Isso sem mencionar os riscos para a tripulação da estação espacial.

Não há muito o que fazer na Terra contra as erupções solares, mas o primeiro passo certamente é prever com precisão quando elas afetarão o planeta. "Com as observações das Stereo, podemos extrair as propriedades de uma ejeção coronal de massa e determinar quando ela vai atingir o planeta e com qual velocidade, além de quanta energia vai impactar a magnetosfera da Terra", disse em comunicado à imprensa Angelos Vourlidas, do Laboratório de Pesquisa Naval dos EUA, participante do projeto.

O sucesso das Stereo na análise das erupções solares começou a ser divulgado pela Nasa em comunicados informais. Um estudo científico sobre o trabalho foi submetido à revista "Geophysical Research Letters", dizem os pesquisadores.
(Folha de SP, 5/5)
http://www.jornaldaciencia.org.br/Detalhe.jsp?id=63231</description>
            <link>http://ciencia.tipos.com.br/posts/2009/05/10/missao-stereo-da-nasa-permite-visao-tridimens/</link>
        </item>

        <item>
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            <title>Descoberto planeta extrassolar com apenas 1,9 vez a massa da Terra</title>
            <pubDate>Fri, 24 Apr 2009 17:26:28 -0300</pubDate>
            <description>JC e-mail 3746, de 22 de Abril de 2009.
  	
Europeu acha menor planeta extrassolar
	 
Objeto tem apenas 1,9 vez a massa da Terra; observações também sugerem que astro vizinho poderia abrigar oceano. Descoberta foi feita por telescópio no Chile.

Claudio Angelo escreve para a “Folha de SP”:

Um grupo de astrônomos europeus anunciou ontem ter detectado o menor planeta fora do Sistema Solar até agora. De quebra, afirmou que um vizinho dele é forte candidato a ter um oceano - e, talvez, vida.

O novo planeta, batizado Gliese 581e, tem apenas 1,9 vez a massa da Terra. Ele orbita a estrela onde há dois anos a mesma equipe de pesquisadores descobriu um mundo com diâmetro semelhante ao da Terra e supostamente dentro da chamada zona habitável, região onde é teoricamente possível encontrar água líquida.

O pequeno astro é o quarto planeta descoberto em torno da estrela Gliese 581, que vem sendo observada assiduamente há cinco anos pelo suíço Michel Mayor e colegas, com o auxílio de um telescópio do ESO (Observatório Europeu do Sul) em La Silla, norte do Chile.

"Nossas observações indicavam que ainda havia espaço para encontrar mais planetas lá. A surpresa foi achar um tão pequeno e tão perto da estrela", disse à Folha Xavier Bonfils, do Observatório de Grenoble, França, coautor da descoberta.

Apesar de ser rochoso, como a Terra, o planeta "e" está perto demais de sua estrela para ser um bom candidato à vida. Sua distância em relação a Gliese 581 equivale a menos de 10% da distância da Terra ao Sol. Nessa região, qualquer oceano que viesse a se formar no mundinho seria vaporizado. E água líquida, até onde os cientistas sabem, é essencial à vida.

A descoberta, no entanto, é importante por outra razão: ela mostra aos astrônomos que o céu é literalmente o limite para a detecção de planetas tipo Terra fora do Sistema Solar.

Por Júpiter

A caça aos planetas fora da Terra foi iniciada em 1995 por Mayor, do Observatório de Genebra, e seu colega Didier Queloz. Esses astros, porém, são praticamente impossíveis de observar diretamente, pois estão muito longe e acabam ofuscados pela luz de suas estrelas.

Sua detecção precisa ser indireta, por meio do puxão gravitacional que eles exercem. Até pouco tempo atrás, achava-se que só fosse possível detectar planetas gigantes gasosos, como Júpiter, que exercem um puxão mais distinguível - mas que são todos inabitáveis. O aperfeiçoamento dos instrumentos e os vários anos de dados acumulados permitiram detectar mundos como a Terra.

"Quando descobrimos o primeiro planeta extrassolar, não podíamos imaginar que isso poderia estar no domínio da astronomia hoje", disse Mayor.

Também ajudou o fato de o grupo ter escolhido o alvo certo: Gliese 581 é uma anã-vermelha, uma classe de estrela menor e menos brilhante que o Sol. No começo da década, anãs-vermelhas eram desprezadas pelos caçadores de planetas - que consideravam-nas frias demais para abrigar planetas habitáveis. Mas justamente o fato de elas serem mais "apagadas" ajuda na detecção de planetas rochosos.

Novos alvos

As observações do grupo europeu também permitiram refinar dados sobre a órbita e a massa dos outros planetas do sistema Gliese 581. Um deles, o "c" - o tal "gêmeo" da Terra -, talvez esteja na zona habitável. E seu vizinho, o "d", certamente está. Apesar de não ser inteiramente rochoso, "ele poderia até mesmo ser coberto por um oceano", disse em comunicado do ESO o suíço Stéphane Udry, outro membro da equipe.

Bonfils afirma que ainda é possível descobrir mais planetas com até duas vezes a massa terrestre na zona habitável de Gliese 581. "Daqui a dois anos talvez possamos anunciar outro." E o trabalho não para por aí: há 310 anãs-vermelhas candidatas a abrigar novas Terras na mira dos pesquisadores.
(Folha de SP, 22/4)

http://www.jornaldaciencia.org.br/Detalhe.jsp?id=62997</description>
            <link>http://ciencia.tipos.com.br/posts/2009/04/24/descoberto-planeta-extrassolar-com-apenas-19/</link>
        </item>

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            <title>Ecossistema "alienígena" em geleira na Antártica</title>
            <pubDate>Fri, 17 Apr 2009 16:39:42 -0300</pubDate>
            <description>JC e-mail 3744, de 17 de Abril de 2009.
  	
Geleira antártica abriga ecossistema "alienígena"
	 
Micróbios que "respiram" ferro vivem sem luz e em água supersalgada sob 400 m de gelo. Descoberta, feita em uma das regiões mais áridas do mundo, pode ajudar a entender a vida em outros planetas e na Terra antiga

Cientistas dos Estados Unidos e do Reino Unido descobriram na Antártida um ecossistema isolado num lugar onde até então achava-se que nada pudesse viver: um lago de água supersalgada encerrado sob 400 metros de gelo num dos piores desertos do mundo.

Ali, debaixo da geleira Taylor, uma estranha comunidade de bactérias evolui em total isolamento e sem nenhum oxigênio há pelo menos 1,5 milhão de anos. A dieta desses microrganismos consiste unicamente de compostos de ferro e enxofre.

Saber como eles têm prosperado num ambiente tão extremo pode ajudar a entender a vida em outros planetas e no passado da própria Terra, quando - acredita-se- um manto de gelo cobria boa parte do globo.

O grupo de pesquisadores liderado por Jill Mikucki, da Universidade Harvard (hoje no Dartmouth College), chegou até os micróbios estudando o não menos estranho fluxo de salmoura que de tempos em tempos escorre da frente do glaciar, nos Vales Secos de McMurdo, uma das regiões mais áridas da Antártida.

Essa água salgada é tão rica em ferro que, em contato com o ar, enferruja imediatamente, manchando o gelo. Os primeiros exploradores da região batizaram o fenômeno de Blood Falls (Cachoeiras de Sangue, em inglês), e atribuíram a coloração do gelo a algas.

Mikucki já desconfiava que pudesse haver vida ali, e desde 2004 ela coleta amostras de gelo nas Blood Falls. Foi preciso tempo e paciência, no entanto, para que ela e seus colegas conseguissem pôr as mãos na salmoura: seu fluxo a partir da piscina de água salgada na base da geleira é irregular e regido por fatores desconhecidos.

"Quando eu comecei a fazer a análise química, não havia oxigênio", afirmou a pesquisadora em um comunicado à imprensa. "Foi aí que as coisas começaram a ficar interessantes."

Análises genéticas do material, cujos resultados são publicados hoje no periódico "Science", mostraram que uma comunidade com poucas espécies de bactérias habita a salmoura. Elas são parentes de bactérias marinhas comuns, mas, ao mesmo tempo, são extremamente diferentes. Usam compostos de enxofre (sulfatos) para ajudá-las a "respirar" ferro, um truque metabólico inédito.

Os pesquisadores acreditam que essa peculiaridade evolutiva seja consequência de centenas de milhares de anos de isolamento. Os ancestrais dessas bactérias provavelmente viviam no mar há milhões de anos, antes de os Vales Secos se erguerem, aprisionando uma porção de mar na forma de uma laguna. Há cerca de 1,5 milhão de anos, a geleira Taylor avançou, cobrindo essa laguna, que não congela por ser quatro vezes mais salgada que o oceano.
(Folha de SP, 17/4)
http://www.jornaldaciencia.org.br/Detalhe.jsp?id=62936

&gt;&gt;&gt;&gt;&gt;&gt;&gt;&gt;&gt;&gt;

JC e-mail 3744, de 17 de Abril de 2009.
  	
“Ciência Hoje On-line”: Os limites da vida
	 
Bactérias encontradas debaixo de geleira vivem sem oxigênio e luz há mais de um milhão de anos

A existência de vida em épocas e locais hostis, como as eras glaciais, pode estar mais perto de ser compreendida. Uma equipe anglo-americana encontrou bactérias em uma reserva de água salgada debaixo de uma enorme geleira na Antártica. Os micróbios sobrevivem ali há cerca de 1,5 milhão de anos, sob temperaturas extremamente baixas e em um ambiente sem luz e oxigênio.

O lago salgado fica sob a geleira de Taylor, uma montanha de 400 metros de gelo localizada nos Vales Secos da Antártica, um dos lugares mais inóspitos do planeta. Devido a uma média de precipitação extremamente baixa, não há animais ou plantas na região.

Leia a matéria completa na “CH On-line”, que tem conteúdo exclusivo atualizado diariamente: http://cienciahoje.uol.com.br/142929
	
http://www.jornaldaciencia.org.br/Detalhe.jsp?id=62937

</description>
            <link>http://ciencia.tipos.com.br/posts/2009/04/17/ecossistema-alienigena-em-geleira-na-antartic/</link>
        </item>

        <item>
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            <title> A lenta evolução dos pesquisadores nas empresas</title>
            <pubDate>Tue, 14 Apr 2009 16:41:56 -0300</pubDate>
            <description>JC e-mail 3741, de 14 de Abril de 2009.
  	
Pesquisadores nas empresas: lenta transformação
	 
Número absoluto de doutores na indústria é resultado da baixa intensidade tecnológica; mas quadro está mudando, diz pesquisador

Instrumentos de política pública para fomentar as atividades de pesquisa e desenvolvimento (P&amp;D) podem estimular a demanda por cientistas na indústria, disse André Tosi Furtado, professor do Departamento de Política Científica e Tecnológica do Instituto de Geociências (DPCT-IG) da Unicamp, em entrevista concedida a Inovação no dia 1º de abril, em Campinas (SP).

André, com outros pesquisadores do DPCT, como Ruy Quadros, por exemplo, participa da elaboração do Índice Brasil de Inovação (IBI) — que visa identificar, a partir de dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), os indicadores que possam servir de base à classificação das empresas brasileiras em mais ou menos inovadoras.

André fez graduação, mestrado e doutorado em Ciências Econômicas na Université de Paris I (Pantheon-Sorbonne), e é pós-doutor pelo Centre de Recherche sur l'Environnement et le Développement. Na entrevista, André falou sobre um dos resultados de sua pesquisa: houve aumento "expressivo" nas contratações de pós-graduados pela indústria de transformação, de acordo com os dados disponíveis.

Os dados disponíveis são os da Pesquisa Industrial de Inovação Tecnológica (Pintec), da qual o IBGE organizou duas edições, em 2003 e 2005. Os estudos do pesquisador e do IBI seriam enriquecidos se o instituto não tivesse deixado de realizar a Pintec em 2007. "Mas será feita em 2009", contou André à Inovação Unicamp. Leia a entrevista:

- Em relação ao artigo "A ampliação de recursos humanos em P&amp;D na indústria brasileira", podemos dizer que há um crescimento ou uma estabilidade, já que o percentual não indica alteração tão expressiva?

A estabilidade se dá em relação ao número total de pessoas ocupadas em atividades de pesquisa e desenvolvimento — pesquisadores, técnicos e auxiliares. Em relação ao número de doutores houve, sim, um aumento expressivo. Vale lembrar o contexto favorável da economia: o emprego industrial, como um todo, também cresceu no período 2003-2005.

- O eventual impacto da subvenção econômica na contratação de mestres e doutores escapa às edições da Pintec, pois o IBGE só realizou duas, em 2003 e 2005. O senhor acredita que o mecanismo pode ampliar o ritmo da contratação?

Precisamos aguardar um levantamento que mostre os resultados na prática, daí a necessidade de uma nova Pintec para aferir se há mudança. Aparentemente, as políticas são muito boas, há mecanismos mais apropriados, mas para sabermos até que ponto isso resulta em mais emprego, precisamos aguardar a Pintec. Ela deveria ter ocorrido ano passado, mas só será feita em 2009 pelo IBGE.

- E no contexto de crise, esse quadro positivo registrado entre 2003 e 2005 poderá se reverter?

Sim. Foi o que vimos de 2000 para 2003. Não haverá tanto impacto no número de pessoas empregadas, porque as empresas relutam em desempregar esse tipo de pessoal. Mas haverá redução de recursos financeiros alocados. É possível termos uma diminuição até maior do que entre 2000 e 2003, porque a crise na indústria hoje é muito profunda. Contudo, o Brasil cresceu muito entre 2005 e 2008, o que também não foi captado pela Pintec. Entre 2005 e 2008, provavelmente não veremos grande redução, pelo contrário. Agora, se a comparação for entre 2008 e 2009, por exemplo, é provável que tenhamos um decréscimo razoável. Infelizmente, não temos um acompanhamento anual do gasto e do pessoal empregado em P&amp;D na indústria. Isso é feito nos países desenvolvidos. A OCDE [Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico] tem dados anuais. Seria desejável, pelo menos para P&amp;D, o Brasil ter dados anuais, para haver acompanhamento regular.

- O perfil dos formados na pós-graduação e as áreas em que se formam são o que a indústria demanda? Há certa ideia de que nosso sistema de pós-graduação não forma pessoas nas áreas de que a indústria precisa, e de que temos uma concentração nas ciências humanas...

As áreas de engenharias e exatas no Brasil têm menor peso do que em outros países. Nosso mercado de trabalho não é receptivo às pessoas com essa formação. Tenho um irmão desempregado, doutor em física. As pessoas orientam sua formação também em função da demanda. Os cursos de pós-graduação no Brasil não foram feitos em função do mercado de trabalho da indústria. O mercado para mestres e doutores é o ensino superior, o trabalho em organismos mais ligados a ciências sociais e pesquisa. É muito provável que parte dos doutores que vemos se formando hoje sejam pessoas das próprias indústrias. Não creio nessa ideia de que existe um desajuste [entre a demanda da indústria e a formação na pós-graduação]. Isso precisa ser olhado do ponto de vista histórico. As áreas de engenharia no Brasil, por exemplo, sofreram grande declínio a partir da década de 1980. Quando a indústria volta a crescer, nota-se um aumento pela procura de engenheiros. Por exemplo, a área de geologia entrou em decréscimo durante muito tempo, não havia emprego, e o número de formados diminui ao longo do tempo. Hoje, a área de geologia voltou a ser importante. A engenharia naval praticamente sumiu no Brasil. As pessoas se formavam e não tinham para onde ir. Agora, graças à política do governo federal de querer comprar novamente no Brasil os equipamentos navais, a indústria de construção naval voltou a crescer. Mas não há recursos humanos para atuar no setor, porque a educação responde muito mais no longo prazo. O investimento não pode oscilar tanto. No fundo, tudo depende do investimento. A política de recursos humanos, nas condições que o Brasil tem, pode atender plenamente qualquer demanda. Não sinto que o sistema de educação seja um gargalo nesse nível.

- Onde estariam os gargalos para a ampliação do quadro de mestres e doutores nas empresas? Tem a ver com a intensidade tecnológica da nossa indústria?

A indústria aqui gasta pelo menos cinco vezes menos com P&amp;D quando comparada à indústria dos países desenvolvidos. Nesse contexto, a demanda por recursos humanos de alto nível é bem menor. Os países desenvolvidos concentram muitos recursos em setores de alta tecnologia — justamente aqueles em que somos bastante fracos. O Brasil tenta corrigir isso com iniciativas como a política de informática e a lei "do Bem" [que criou os incentivos fiscais para inovação], mas não consegue ir contra um modelo que apresenta uma fraqueza tecnológica muito grande. São poucos os setores de alta tecnologia, e são esses que empregam mestres e doutores.

- Teríamos de mudar o perfil da pós-graduação no Brasil para passarmos desse modelo de formação de pessoas para o sistema acadêmico para um que forme pessoas para atuar no setor industrial privado?

Não diria que seja necessário mudar. Existem várias universidades com vocação para atuar em parceria com o setor empresarial. Faculdades de engenharia que já fazem esse papel de interface com o setor produtivo, onde o vínculo com empresas é tradicionalmente forte. O que talvez seja preciso é ampliar o número de universidades ou faculdades desse tipo. Uma das carências que a indústria aeronáutica sentiu, por exemplo, foi de engenheiros aeronáuticos. Temos o ITA, um excelente centro de formação e pesquisa, mas ele, sozinho, forma um número reduzido de pessoas. Temos a própria Unicamp, a UFSCar, a Coppe da UFRJ, a PUC do Rio e outras que fazem pesquisa em parceria com o setor privado.

- Por que mesmo setores considerados de alta intensidade tecnológica no Brasil, como o aeronáutico e o de produção de software, empregam poucos doutores?

A explicação é bastante óbvia. Na realidade, no Brasil se faz mais desenvolvimento do que pesquisa. Então as indústrias não precisam tanto de doutores. Talvez não só aqui seja assim. Faltam dados internacionais para comparar com o dado do Brasil sobre doutores. É de se supor que, se você faz mais pesquisa básica na indústria, uma pesquisa em que a troca de informações com outros pesquisadores e a publicação sejam aspectos centrais, a presença de doutores será mais importante. Há empresas que publicam muitos artigos científicos em periódicos importantes. A gente imagina que elas devam ter muitos doutores também. São pessoas da indústria, que fazem pesquisa muito próxima da pesquisa feita na universidade e falam um pouco a mesma linguagem, conseguem se comunicar com o sistema acadêmico. No Brasil, pesquisadores na empresa dificilmente publicam. A Embraer, por exemplo, desenvolve a aeronave. Ela precisa de engenheiros em grande quantidade, trabalhando em desenho de aeronaves, em conceitos. Agora, pesquisa propriamente dita, sobre novos materiais e outros temas, ela vai procurar na universidade. No setor de máquinas para escritório e equipamentos de informática, um dos mais expressivos em termos de contratação de doutores em 2003, quando estava em terceiro lugar, houve uma queda pela metade, de acordo com os números de 2005. Não sabemos o porquê: pode ter havido uma terceirização dessas pessoas, que passaram a trabalhar fora da empresa, em laboratórios que são contratados. Houve setores que cresceram bem, e outros prejudicados. A contratação de gente para P&amp;D no setor químico cresceu, e para ele não houve política específica; outro caso é o de instrumentação, material óptico e de precisão, que vem crescendo expressivamente no Brasil. Para entender essas oscilações, se prosseguiram ou foram um fenômeno conjuntural, precisaríamos fazer um estudo setorial, mais detalhado. Do que se vê no atacado, percebe-se uma grande melhora.
(Janaina Simões, Inovação Unicamp, 13/4)

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            <link>http://ciencia.tipos.com.br/posts/2009/04/14/a-lenta-evolucao-dos-pesquisadores-nas-empres/</link>
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            <title>Quem governa este país?</title>
            <pubDate>Sun, 12 Apr 2009 12:13:40 -0300</pubDate>
            <description>Repercuto a seguir o ótimo e oportuno texto de FERREIRA GULLAR

QUEM GOVERNA?

UM RECURSO manjado, de que lançam mão os regimes autoritários e os caudilhos, é inventar um inimigo do povo, que eles estão sempre prontos a combater. Esse inimigo hipotético serve para justificar muita coisa e, sobretudo, para manter a popularidade do regime ou do líder. Lembram-se da guerra das Malvinas, a que a ditadura militar arrastou a Argentina, tentando com isso salvar-se da morte iminente? Um desastre político e militar, mas que, no primeiro momento, contou com o apoio de boa parte do povo argentino, induzida pela convicção de que os ingleses lhe roubaram aquelas ilhas.
E quando não são ilhas são alhos ou bugalhos, já que a mania de perseguição parece latente na alma de quase todos nós. Mas, se as ditaduras precisam disso para se garantir, o fantasma do inimigo comum tem sido usado por muitos políticos, particularmente pelos chamados populistas. Chávez, por exemplo, elegeu o Bush inimigo número um do povo venezuelano e chegou até a comprar armas de guerra para se defender de uma suposta iminente invasão do país pelos norte-americanos. A eleição de Barack Obama tornou-se uma ameaça às avessas para Chávez, que, por isso mesmo, já começou a demonizá-lo.
Lula não é tão óbvio mas, aqui e ali, nas declarações que dá, deixa sempre implícito que os brasileiros ricos são inimigos dos brasileiros pobres e que ele, Lula, está a postos para impedir que essa perseguição se mantenha. Não o estou equiparando a Chávez com sua revolução bolivariana que, no Brasil, seria motivo de galhofa, e Lula, que sabe muito bem disso, tampouco pensa em revoluções de qualquer tipo.
Gostaria, é claro, de se reeleger indefinidamente, mas, como não dá, contenta-se em eleger a Dilma, para retornar em 2014.
Logo, não vejo nas insinuações de Lula outro propósito senão o de explorar, em seu benefício, as desigualdades que, sem dúvida, existem, mas que têm causas bem mais complexas do que a suposta maldade de ricos contra pobres ou de brancos contra negros. Ao fazê-las, na condição de presidente da República e líder político, lança na sociedade o germe do ódio racial e de classes, que poderá acabar em lamentáveis consequências.
Admito não ser essa a sua intenção e que fale assim para tirar partido das contradições latentes na sociedade. E se o admito é, entre outras razões, pela obviedade como o faz. Logo após a vitória eleitoral de Obama -que se elegeu afirmando que, antes de ser um candidato negro, era norte-americano-, Lula fez questão de frisar que, assim como o Brasil elegera um operário para a presidência da República, os Estados Unidos acabavam de eleger um negro. Noutras ocasiões, repetiu ter pena de Obama, insinuando que, por ser negro, iria atrair o ódio dos brancos e não poder governar. É evidente que não o dizia para Obama, mas para o brasileiro negro. Nesse terreno, a última gafe que cometeu foi, diante do primeiro-ministro inglês, Gordon Brown, ao afirmar que a responsabilidade pela crise mundial cabe "aos brancos de olhos azuis". Não se dá conta da indigência intelectual de semelhante afirmação, que nos constrange a todos...
Não estou dizendo nenhuma novidade. Que o Lula é um político populista todo mundo sabe, já que essa é a marca de seu governo. Se ainda restasse alguma dúvida, bastaria o recente anúncio do PAC da habitação, que promete construir 1 milhão de casas para os pobres, sem ter projeto claro, sem saber onde serão erguidas essas casas e sem data estabelecida para que o plano se realize. E ele mesmo declarou: "Não me cobrem datas". Sim, porque o que lhe importa não é realizar o projeto, mas apenas anunciá-lo. Contado, ninguém acredita.
Aliás, ele não faz outra coisa, senão anunciar novos programas, lançar pedras fundamentais, assinar investimentos futuros, proclamar realizações que não saem do papel. Por falar nisso, cabe perguntar: quem será mesmo que governa o país? Dei-me ao trabalho de anotar as "realizações" do nosso presidente durante o mês de março: dia 12, estava no canteiro de obras da hidrelétrica do Jirau, em Rondônia; dia 13, seguia para os Estados Unidos, onde ficou 14 e 15, quando deu conselhos a Obama; dia 16 embarca de volta, chega na madrugada de 17 a Brasília; dia 18, já está no Rio e dia 20 em São Paulo, com Cristina Kirchner; segunda-feira, 22, vai a Recife, depois a Salvador e, 25, em Brasília, lança o pacote da habitação, dia 26,de novo em São Paulo e 28 no Chile...
Se o presidente não para no Palácio e não despacha com os ministros, não pode saber o que se passa nos 37 ministérios. Então, quem governa?

FERREIRA GULLAR
São Paulo, domingo, 05 de abril de 2009 
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