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        <title>Nenia Noctâmbula</title>
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        <pubDate>Mon, 23 Mar 2009 18:01:37 -0300</pubDate>
        
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            <title>à procura de rossè</title>
            <pubDate>Mon, 23 Mar 2009 18:01:37 -0300</pubDate>
            <description>&lt;img src="http://static.tipos.com.br/media/9/20090323-jose_ensaio_1.jpg" width="425" height="330" alt="uma imagem de zlaba feita por ninfalibertina" title="uma imagem de zlaba feita por ninfalibertina" /&gt;
onde estás?
que horas serao em tua vida?
será que sabes o quanto penso em ti?
na marca que deixaste? 
do resto de teus passos em meu caminho, esse fim da picada?
é da falta que é feita essa foto distorcida do seu rosto que enfeita qualquer tela virtual que nao é tua.
&lt;h4&gt;mas um dia talvez tu ouças minha voz que silencia a te chamar:&lt;/h4&gt; j&lt;h4&gt;(r)osé&lt;/h4&gt;!</description>
            <link>http://isis.tipos.com.br/posts/2009/03/23/a-procura-de-rosse/</link>
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            <title>da ânsia de escrever </title>
            <pubDate>Mon, 27 Oct 2008 22:38:58 -0300</pubDate>
            <description>&lt;img src="http://static.tipos.com.br/media/9/20081027-20070226165853-clau_brossa.jpg" width="300" height="300" alt="de brossa, poema objeto" title="de brossa, poema objeto" /&gt;
às vezes ela bate na porta. letras caminham em fila indiana. sem dar as mãos elas avançam o sinal vermelho. um a esborrachou-se em meio a pista, um i perdeu seu acento agudo, pior o u separado de sua trema tragicamente, nunca mais será o mesmo em sua linguística. e eu, dispersa em segurar pelo rabo uma consoante que me foge e cola-la com uma vogal que me escapa, me perco na hora e mal percebo que amanhece o dia lá fora.</description>
            <link>http://isis.tipos.com.br/posts/2008/10/27/da-ansia-de-escrever_2/</link>
        </item>

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            <title>dos erros</title>
            <pubDate>Mon, 27 Oct 2008 22:47:54 -0300</pubDate>
            <description>de erros constroem-se lacunas à própria sorte. </description>
            <link>http://isis.tipos.com.br/posts/2008/10/27/dos-erros/</link>
        </item>

        <item>
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            <title>do esquecimento: alcóolicas (ou Homenagem à H.H.) </title>
            <pubDate>Sun, 31 Aug 2008 20:28:47 -0300</pubDate>
            <description>&lt;div style="text-align: center"&gt;&lt;img src="http://static.tipos.com.br/media/9/20080831-otaku_09.jpg" width="425" height="214" alt="caminho para perder-me como um Ukiyo-ê, eu-simulação" title="caminho para perder-me como um Ukiyo-ê, eu-simulação" /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: center"&gt;um gole, um trago e &lt;b&gt;absorvo-me&lt;/b&gt;. &lt;/div&gt;
e nele vão-se todos os meus medos, como um catalisador que provoca um buraco negro: de esquecimento.&lt;b&gt; e quanta beleza há no deslembrar! &lt;/b&gt;é o salto na decadência do corpo.

&lt;div style="text-align: center"&gt;&lt;img src="http://static.tipos.com.br/media/9/20080831-red-dreams_03.jpg" width="425" height="283" alt="imagem do vídeo red dreams" title="imagem do vídeo red dreams" /&gt;&lt;/div&gt;

submergir na dor de cabeça, como desmembrar os extremos de meu não-corpo. e assim renasço: 
&lt;div style="text-align: center"&gt;&lt;b&gt;um simulacro.&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;

para comentar: siga o &lt;a href="http://isis.tipos.com.br/?itemid=42876"&gt;coelho&lt;/a&gt;.</description>
            <link>http://isis.tipos.com.br/posts/2008/08/31/do-esquecimento-alcoolicas-ou-homenagem-a-hh/</link>
        </item>

        <item>
            <category />
            <title>“Humanity Lobotomy”</title>
            <pubDate>Fri, 25 Jul 2008 14:09:18 -0300</pubDate>
            <description>&lt;div style="text-align: center"&gt;&lt;a href="http://foureyedmonsters.com/neutrality/"&gt;&lt;img src="http://static.tipos.com.br/media/9/20080725-lobotomia.jpg" width="314" height="232" alt="" title="" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;

antes que esse e outros cérebros explodam, clique na foto e veja o vídeo sobre Net Neutrality.

quer opinar? seja como alice, siga o &lt;a href="http://isis.tipos.com.br/?itemid=42508"&gt;coelho&lt;/a&gt;.</description>
            <link>http://isis.tipos.com.br/posts/2008/07/25/humanity-lobotomy/</link>
        </item>

        <item>
            <category />
            <title>sentimento saturnino</title>
            <pubDate>Thu, 24 Jul 2008 15:47:45 -0300</pubDate>
            <description>&lt;div style="text-align: right"&gt;"De la Musique avant toute chose !
Et pour cela préfère l'Impair
Plus vague et plus soluble dans l'air
Sans rien en lui qui pèse et qui pose."
Paul Verlaine&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: center"&gt;
&lt;img src="http://static.tipos.com.br/media/9/20080724-basquiat5.gif" width="258" height="255" alt="a convalescença me reverte como um grito surdo, de algum basquiat" title="a convalescença me reverte como um grito surdo, de algum basquiat" /&gt;&lt;/div&gt;

a convalescença me agride. a gripe me ataca. rouquidão, sufoco. a noite mal dormida ainda revirando no estômago. 
a música da tarde que se foi, uma sinfonia inacabada, algo proveniente de algum vento de allegro con motto. um verso. uma folha marcando alguma lembranca empoeirando como letras de livros na estantes da biblioteca antiga, secreta, tumular, de algum antepassado abandonado, que há anos morrera. assim caminha fúnebre os dias. o amargo é do chá já frio ou da falta de desejo pela vida? 
a vida, ah. é um capricho. um desleixo da morte. um intervalo entre a não existência e o desaparecimento. quantos túmulos ainda persistem contra o tempo e ironicamente ainda se lêem as palavras "eterno", "inesquecível", "para sempre", enquanto o nome já apagado exprime a verdade irrefutável da efemeridade. nem o medo, nem a crença a deus, nem os filhos, nem a escrita nos eximirá. é o tempo lá fora passando nas entrelhinhas desse caderno sem pautas.
é o amargo do chá, já frio. a noite mal dormida revirando o dia. e esse menuetto de schubert. é esse sentimento, que nada tem a ver com alguma imensidão plantetária, é esse peso de chumbo colando ao céu da boca, ganhando espaço em alguma letra: é o repouso (onde pousam tais desconfortos d'alma).

tormentos? o &lt;a href="http://isis.tipos.com.br/?itemid=42499"&gt;coelho&lt;/a&gt; te leva à toca</description>
            <link>http://isis.tipos.com.br/posts/2008/07/24/sentimento-saturnino/</link>
        </item>

        <item>
            <category />
            <title>in rainbows, o concerto</title>
            <pubDate>Fri, 11 Jul 2008 14:15:54 -0300</pubDate>
            <description>era alguma hora do fim da tarde que não acabava. não findava porque era verão no lado norte do mundo, que por ser redondo não tem lados, ou teria? tardava. e havia gentes e mais gentes e mais gentes. mas nenhuma criança. criança não. mas, no entanto havia música. isso havia. e havia um palco. com tanta luz. uma chuva de telas riscadas atravessando, como espelhos começados, que irradiavam luzes de mil cores. e longe, quase perto, mas intocável, estavam eles: RADIOHEAD.
&lt;div style="text-align: center"&gt;&lt;img src="http://static.tipos.com.br/media/9/20080711-radioh4.jpg" width="425" height="250" alt="o palco de onde vinha música e tanta luz" title="o palco de onde vinha música e tanta luz" /&gt;&lt;/div&gt;
e súbito chuva. que esfriava os corpos turbulentos. e que refrescava e lavava o ritmo, dando a ele um calor inédito. um calor novíssimo. era dia de alguma coisa. e o dia dessa coisa (que não há palavras a explicá-la) tinha cheiro, cor de luz. e estávamos lá, eu, ele e meu irmão. meu irmão! como num sonho. um doce sonho abstrato e cheio de cor. e alguém cantava: &lt;i&gt;"Strobe lights and blown speakers/ Fireworks and hurricanes"&lt;/i&gt;
&lt;div style="text-align: center"&gt;&lt;img src="http://static.tipos.com.br/media/9/20080711-radioh2.jpg" width="425" height="319" alt="mil telas com mil luzes com alguns músicos: maravilhoso!" title="mil telas com mil luzes com alguns músicos: maravilhoso!" /&gt;&lt;/div&gt;
e alguém trazia qualquer ruído estelar, sintetizado, numa lentidão veloz. meus olhos super estroboscópios observando enquanto ao meu lado ele congelava as imagens num aparelho e meu irmão? sorria. no palco alguém esverdeado dissipava-se em cordas de guitarra e qualquer radiação electromagnética visível, quase sem rosto:
&lt;div style="text-align: center"&gt;&lt;img src="http://static.tipos.com.br/media/9/20080711-radioh6.jpg" width="425" height="319" alt="Jonny Greenwood verde fantasmagórico" title="Jonny Greenwood verde fantasmagórico" /&gt;&lt;/div&gt;
e num outro instante esse alguém era junto a outrem somente qualquer esboço de alguns quantums simples, um photós.
&lt;div style="text-align: center"&gt;&lt;img src="http://static.tipos.com.br/media/9/20080711-radioh5.jpg" width="425" height="298" alt="thom e colin em forma de luz: super fibrilantes!" title="thom e colin em forma de luz: super fibrilantes!" /&gt;&lt;/div&gt;
e foi uma explosão. cores, sentidos, canções. e só agora, três dias depois consigo esboçar essa coisa que conta desse dia. só agora consigo dividir essas imagens.
&lt;div style="text-align: center"&gt;&lt;img src="http://static.tipos.com.br/media/9/20080711-radioh3.jpg" width="425" height="404" alt="thom voa, dança, flutua no palco." title="thom voa, dança, flutua no palco." /&gt;&lt;/div&gt;
elas que parecem rabiscos de qualquer traço fibrilante, de qualquer tela irreal, desenho de gente que dança ou voa. só.

....

todas as fotos foram feitas por B. Wagenseil

...

quer falar? siga o &lt;a href="http://isis.tipos.com.br/?itemid=42394"&gt;coelho&lt;/a&gt;</description>
            <link>http://isis.tipos.com.br/posts/2008/07/11/in-rainbows-o-concerto/</link>
        </item>

        <item>
            <category />
            <title>uma poesia para calar as horas</title>
            <pubDate>Fri, 27 Jun 2008 11:49:01 -0300</pubDate>
            <description>&lt;img src="http://static.tipos.com.br/media/9/20080627-vishniac_janela002.jpg" width="450" height="351" alt="fotografia de roman vishniac: o homem na janela observa o tempo" title="fotografia de roman vishniac: o homem na janela observa o tempo" /&gt;

"Quando a hora dobra em triste e tardo toque
E em noite horrenda vejo escoar-se o dia,
Quando vejo esvair-se a violeta, ou que
A prata a preta tempora assedia;

Quando vejo sem folha o tronco antigo
Que ao rebanho estendia a sobra franca
E em feixe atado agora o vejo trigo
Seguir o carro, a barba hirsuta e branca;

Sobre tua beleza então questiono
Que há de sofrer do Tempo a dura prova,
Pois as graças do mundo em abandono

Morrem ao ver nascer a graça nova.
Contra a foice do tempo é vão combate
Salvo a prole, que o enfrenta se te abate."

William Shakespeare</description>
            <link>http://isis.tipos.com.br/posts/2008/06/27/uma-poesia-para-calar-as-horas/</link>
        </item>

        <item>
            <category />
            <title>josé=johannes</title>
            <pubDate>Sat, 07 Jun 2008 11:45:52 -0300</pubDate>
            <description>&lt;div style="text-align: center"&gt;&lt;img src="http://static.tipos.com.br/media/9/20080607-Leica-V-Lux.jpg" width="425" height="566" alt="a árvore em duas, duas em uma e eu a olhar distraída a sombra das coisas" title="a árvore em duas, duas em uma e eu a olhar distraída a sombra das coisas" /&gt;&lt;/div&gt;
ontem encontrei josé-johannes no weinsalon. eu que já o vira outras vezes, em outras ocasioes. ele: o duplo. mais jovem. o mesmo olhar. que me olhava como que me seguindo. o mesmo inclinar com a cabeça daquele josé carlos que conheci num remoto bar brasil. esse foi no salão do vinho. 
&lt;img src="http://static.tipos.com.br/media/9/20080607-Wein-Salon-Berlin-Okt-2007_gallery.jpg" width="478" height="359" alt="no weinsalon o duplo vagueia entre espaços qual fantasma entre as horas" title="no weinsalon o duplo vagueia entre espaços qual fantasma entre as horas" /&gt;
enquanto na outra sala eu derramava um punhado de vinho ao solo e entoava "evoé", ele provavelmente jogava sinuca e silenciava palavras desnecessárias. eu rodeada de gentes, na mesa, na poltrona-trono derramando o vinho como quem entorna a si própria: num deleite. 
ele o duplo caminhando por espaços próximos como um fantasma. o duplo de josé: johannes.o nome do outro parcialmente dentro do seu. e ele nem sabe. mal eu o sei. no bater das badaladas, nas tantas da noite, ele derramou seu olhar mais uma vez em mim-solo. (irrefutável atração!) e eu entoei: prost! ele aturdido buscou o copo e nada encontrou, ofereci o meu. rimos. ele tomou, dividimos, bebemos. e ele perguntou meu nome, a seguir de minha resposta revelou-me: "īgnis em latim significa fogo". estremeci. 
o melhor seria nem olhar o duplo, nem dar asas a saudade, nem colocar fogo na maria-fumaça das lembranças, nem aquecer velhas nostalgias. eu ri. bebemos. e nos despedimos. dois próximos estranhos, "nos vemos por aqui". ele o duplo desconhecido. ele o duplo johannes, de algum josé, de algum passado. 

....

se é que ainda um senhor josé carlos de araujo jr. ainda apareça por aqui: gratulações por teus anos, tua pessoa. e alerte-se seu duplo caminha entre ruas berlinenses na fuligem de vinho.

::comentários? siga o &lt;a href="http://isis.tipos.com.br/?itemid=42109"&gt;coelho&lt;/a&gt;</description>
            <link>http://isis.tipos.com.br/posts/2008/06/07/josejohannes/</link>
        </item>

        <item>
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            <title>a dança berlínica (da série cidaDELAs)</title>
            <pubDate>Thu, 24 Apr 2008 07:43:16 -0300</pubDate>
            <description>Berlim é dessas cidades assim: chega aproximando-se curvilínea, faz uma parábola amorosa no seu peito, abre um ângula e te toma de jeito. súbito já não há caminhos de saída, há linhas de u-bahns e s-bahns rumo lagos,  há mini-jardins encantados (e passarinhos, mil passarinhos). 
&lt;div style="text-align: center"&gt;&lt;img src="http://static.tipos.com.br/media/9/20080424-berlinedilica.jpg" width="340" height="256" alt="um mini-jardim secreto em um lago nessa cidade-minha, by me" title="um mini-jardim secreto em um lago nessa cidade-minha, by me" /&gt;&lt;/div&gt;
há um homem que me ama, há uns poucos novos-conhecidos que me fazem rir. há boêmia na segunda-feira. há shows de radiohead, nick cave. há bibliotecas cheias de filmes, livros e música. a ópera dança, o unter den linden sorri sua boca de museus, de festivais, de cultura. na reviravolta do arco debaixo do Brandenburger Tor quando menos se espera Berlim já te enlaçou como fita invisível, cordão umbilical pululante que não sufoca, que te enche d o líquido da vida e aí já é primavera.
&lt;div style="text-align: center"&gt;&lt;img src="http://static.tipos.com.br/media/9/20080424-baum_rot.jpg" width="460" height="308" alt="bild ausgeliehen des tollen blogs: grauefarben.de" title="bild ausgeliehen des tollen blogs: grauefarben.de" /&gt;&lt;/div&gt;
a cidade acorda cedo, se veste de passarinhos, canta um onírico zunido, acode trems e metrôs, solta uns loucos e loucas pelas ruas (que descalços sem ser hippies vagam felizes com o calor do dia ou se colocam em biquinis nos jardins dos prédios como se a cidade toda fosse uma única praia). tudo é mais nítido pela manhã: gentes, risos, árvores. 
&lt;div style="text-align: center"&gt;&lt;img src="http://static.tipos.com.br/media/9/20080424-nitidez.jpg" width="340" height="255" alt="ainda desnudas, elas esperam para se vestir de primavera.by me." title="ainda desnudas, elas esperam para se vestir de primavera.by me." /&gt;&lt;/div&gt;
aí lá pelo meio dia já cansada de tanta compania ela se afasta de ti e só deixa um banho de sol, amarelo, risonho, nunca exagerado. e no começo da tarde já refrescada de brisa, ela te chama para o bailado, joga cadeiras pelas calçadas, anima bares e cafés, enche de gente faladeira as esquinas, de conversas altas os botequins. ela te oferece o por do sol:
&lt;div style="text-align: center"&gt;&lt;img src="http://static.tipos.com.br/media/9/20080424-porsolberlin.jpg" width="340" height="255" alt="esquina de casa. by me" title="esquina de casa. by me" /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: center"&gt;porque é primavera. &lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: center"&gt;e à noitinha ela pinta o céu com a lua cheia.&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: center"&gt;&lt;img src="http://static.tipos.com.br/media/9/20080424-lua.jpg" width="340" height="255" alt="by me" title="by me" /&gt;&lt;/div&gt;
pendura brinquinhos-estrelas em sua orelha. lá pelas tantas onze da noite ela melancólica entoa de sua janela o nachtigall e como se espantada consigo mesmo diz atônita: „Nachtigall, ick hör' dir trapsen“. a noite rodopia, as luzes eletrizantes como um enxame dançam. &lt;div style="text-align: center"&gt;
&lt;img src="http://static.tipos.com.br/media/9/20080424-luzdanca2.jpg" width="340" height="255" alt="by me" title="by me" /&gt; &lt;img src="http://static.tipos.com.br/media/9/20080424-luzes.jpg" width="340" height="256" alt="by me" title="by me" /&gt;
e nessa leve sinfonia, nesse ballet citadino, germina qual ramo novíssimo o novo dia, bem cedinho, bem de manhãzinha. no raiar do dia tudo fica em evidência. os anjos-estátuas voam nos nossos sonhos pueris de primavera. 
&lt;div style="text-align: center"&gt;&lt;img src="http://static.tipos.com.br/media/9/20080424-meusolhos.jpg" width="425" height="188" alt="eu. by me." title="eu. by me." /&gt;&lt;/div&gt;
eu observo tudo. uma passante que aqui ficou. porque é primavera. 
e é logo depois, no mais tardar no verão, que berlim já me emaranhou, me enredou como a própria epiderme - sem que eu mesma percebesse.

comentários? siga o &lt;a href="http://isis.tipos.com.br/?itemid=41728"&gt;coelho&lt;/a&gt;</description>
            <link>http://isis.tipos.com.br/posts/2008/04/24/a-danca-berlinica-da-serie-cidadelas/</link>
        </item>

        <item>
            <category />
            <title>Eita Lisboa - Lisboeita (da série: cidadELAs)</title>
            <pubDate>Wed, 26 Mar 2008 10:53:26 -0300</pubDate>
            <description>&lt;div style="text-align: left"&gt;&lt;div style="text-align: right"&gt;&lt;i&gt;&lt;b&gt;“Desejo,
voltar,
voltar a ti,
desejo te encontrar“ &lt;/b&gt;&lt;/i&gt;
(Madredeus – 
Pedro Ayres Magalhães 
e Rodrigo Leão)&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: center"&gt;&lt;img src="http://static.tipos.com.br/media/9/20080326-lisboaa.jpg" width="413" height="310" alt="by í" title="by í" /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: center"&gt;Ai saudade de Lisboa. Suas ruas, sua lua, seus varais. &lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: center"&gt;&lt;img src="http://static.tipos.com.br/media/9/20080326-VARAaL.jpg" width="413" height="310" alt="by bo" title="by bo" /&gt;&lt;/div&gt;

&lt;div style="text-align: center"&gt;Ai saudade de Lisboa. &lt;/div&gt;
De sua gente, de seu fado, irreal. O castelo de São Jorge e o dragão estampado na lua, qual lençol pendurada no varal da noite. O vinho verde, o vinho tinto, a sede. O queijo lisboense. Lisboa. De mim de Boris, de roseirais.
&lt;div style="text-align: center"&gt;Aquele cantor de fado, que amei
Aquele mar de gaivotas, que amei.&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: center"&gt;&lt;img src="http://static.tipos.com.br/media/9/20080326-pessoaa.jpg" width="413" height="347" alt="by bo" title="by bo" /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: center"&gt;Aquele poeta de mil nomes, que saudei.
Ou o autor de tantos absurdos, que degustei.&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: center"&gt;&lt;img src="http://static.tipos.com.br/media/9/20080326-passarochapeu.jpg" width="413" height="551" alt="pássaro-chapéu - by bo" title="pássaro-chapéu - by bo" /&gt;&lt;/div&gt;

Lisboa que veste suas estátuas com chápeus de pássaros.Lisboa de suas ladeiras, de sua Alfama que cheira a vilarejo. Ah, Lisboa de meus beijos. Ah, Lisboa. Que no nome já é doce, adorável, é boa.</description>
            <link>http://isis.tipos.com.br/posts/2008/03/26/eita-lisboa-lisboeita-da-serie-cidadelas/</link>
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        <item>
            <category />
            <title>por um pouco de SOLIDARIEDADE: FREE TIBET</title>
            <pubDate>Mon, 17 Mar 2008 22:29:37 -0300</pubDate>
            <description>&lt;div style="text-align: center"&gt;&lt;b&gt;sem palavras. &lt;/b&gt;
&lt;img src="http://static.tipos.com.br/media/9/20080317-mortos.jpg" width="354" height="251" alt="nao esqueçamos esse silêncio" title="nao esqueçamos esse silêncio" /&gt;
muitas &lt;a href="http://www.freetibet.org/march2008.html"&gt;imagens&lt;/a&gt; falam por nós. as dores reais também.&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: center"&gt;&lt;img src="http://static.tipos.com.br/media/9/20080317-freetibetbanner.jpg" width="394" height="95" alt="SOLIDARIEDADE COM TIBET" title="SOLIDARIEDADE COM TIBET" /&gt;&lt;/div&gt;
começo aqui uma campanha: SOLIDARIEDADE TIBET. coloque o banner no seu blog, imprima e cole no seu carro. não para ser "cult" ou fazer a linha "zen tibetan moderninho". mas para tentar algo. talvez nem funcione, talvez não seja nada. mas talvez seja um começo. um passo. uma formiguinha levando a folha um tanto mais no longo caminho.  esqueça por um minuto a discussão sobre direita e esquerda com o sr briguet, ou as polêmicas divertidas do blog do vaca, larga um pouco da literatura ygoriana ou dos delírios verborrágicos de certas ísis... manifeste em um minuto solidariedade com o Tibet. 
por exemplo, boicote a futura olimpíadas desde já. 
&lt;div style="text-align: center"&gt;&lt;img src="http://static.tipos.com.br/media/9/20080317-200px-Beijing2008GamesOverlogo.jpg" width="199" height="221" alt="BOICOTE, CONTRA A REPRESSAO CHINESA" title="BOICOTE, CONTRA A REPRESSAO CHINESA" /&gt; &lt;img src="http://static.tipos.com.br/media/9/20080317-200px-Beijing2008GamesOverlogo.jpg" width="199" height="221" alt="BOICOTE, CONTRA A REPRESSAO CHINESA" title="BOICOTE, CONTRA A REPRESSAO CHINESA" /&gt;&lt;/div&gt;
insista na sua cidade para fazer matérias sobre o conflito, certamente há tibetanos no Brasil também. crie pautas, comente nos bares, clique nas páginas das ongs, leia sobre o conflito. não deixe esse problema do tibet ser mais uma notinha despercebida, como foi o conflito em &lt;a href="http://diplo.uol.com.br/2000-03,a1662"&gt;kosovo&lt;/a&gt;. 
&lt;div style="text-align: center"&gt;&lt;img src="http://static.tipos.com.br/media/9/20080317-gewalt1403.jpg" width="400" height="267" alt="violência no tibet" title="violência no tibet" /&gt;&lt;/div&gt;
(morreram 80 pessoas em protestos no tibet, entre montanhas, entre tanques chineses.)

para comentários, opiniões, etceteras: siga o &lt;a href="http://isis.tipos.com.br/?itemid=41357"&gt;coelho&lt;/a&gt;</description>
            <link>http://isis.tipos.com.br/posts/2008/03/17/por-um-pouco-de-solidariedade-free-tibet/</link>
        </item>

        <item>
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            <title>minha primeira casa (ou o ventre de mareu)</title>
            <pubDate>Mon, 03 Mar 2008 08:20:02 -0300</pubDate>
            <description>&lt;div style="text-align: center"&gt;&lt;img src="http://static.tipos.com.br/media/9/20080303-kahlo.jpg" width="320" height="385" alt="o ventre de mareu: ou o universo - pintura de kahlo: the love embrace of the universe" title="o ventre de mareu: ou o universo - pintura de kahlo: the love embrace of the universe" /&gt;&lt;/div&gt;
imagino que quando eu nasci eu devo ter olhado nos olhos da minha mãe e visto somente um vulto, nebuloso, de luz e sombra. uma figura desfocada, como numa imagem de sonho no cinema, uma pintura abstrata. imagino que sem saber eu soube que era minha mãe. e eu soube que para sempre ela estaria como uma barriga, pele, carne, líquidos uterinos, a me acolher. ela era a barriga, ela era o alimento e a voz que eu ouvia e devia imaginar que ela era uma voz minha no silêncio de minha existência pré-natal. eu crescia nela e ela era quem me formava, ela era o universo inteiro, que sem que eu soubesse me abraçava, acolhia e ninava. depois quando ainda menina, junto a meu pai, era ela minha referência primeira. educou-me, instruíu-me e até podou-me quando acreditou ser necessário. e quantas vezes me rebelei, me exaltei, bati o pé. e as outras tantas achei odiá-la (como se o pudera um dia...). 

mas nunca quis ter outra mãe. lembro até uma vez, quando adolescente, que uma garota (que eu cria ser minha melhor amiga e o acreditei por muito tempo - até que com o tempo nos distanciamos) disse que minha mãe havia sido chata e a tratado mal e que eu devia me desculpar com ela. lembro de meu choque, de meu susto e de minha sensação de que algo estava errado. minha mãe nunca maltrataria ninguém. ela sempre foi sincera. mas sempre delicada. por mais que não gostasse dessa minha amiga, nunca a destrataria. foi o primeiro momento que vi, que eu não poderia aceitar uma injustiça em relação à minha mãe. não por ser minha mãe. mas por ser uma mulher maravilhosa, de delicadeza desmedida. percebi que minha mãe era uma mulher. uma mulher completa, intensa e vivaz. uma mulher delicada, de mãos e pés pequenos. corajosa, honesta, amorosa. &lt;b&gt;a mãe da maíra, da ísis e do hermano. &lt;/b&gt;</description>
            <link>http://isis.tipos.com.br/posts/2008/03/03/minha-primeira-casa-ou-o-ventre-de-mareu_2/</link>
        </item>

        <item>
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            <title>de mim na escuridão</title>
            <pubDate>Sun, 10 Feb 2008 15:33:52 -0200</pubDate>
            <description>&lt;div style="text-align: center"&gt;&lt;img src="http://static.tipos.com.br/media/9/20080210-isis1.jpg" width="227" height="265" alt="de mim na escuridão" title="de mim na escuridão" /&gt; &lt;img src="http://static.tipos.com.br/media/9/20080210-isis1.jpg" width="227" height="265" alt="de mim na escuridão" title="de mim na escuridão" /&gt;&lt;/div&gt;
ando meio no escuro. numa dança com o incerto. em minhas elucubrações sobre o futuro percebo que mesmo tecendo o agora o amanhã se enevoa. a vida é urgente e preciso de passos seguros. contudo mesmo o chão é ar, é vento, é nuvem. adiante é tão distante. 
nos entremeios há pequenos esboços de um futuro provavelmente certo, a chegada do irmão, meu segundo show do radiohead, o filme da berlinale, uma possível viagem para rever uma boa amiga, talvez ir à opera, assistir os dois dvds do radiohead que meu bem me presenteou, replantar as plantas do apartamento, esperar a resposta de mini-job da biblioteca, a inscrição para o curso de cinema, a viagem para lisboa ou turquia, pensar se quero ou nao o doutorado que me foi proposto, pensar em possibilidades.
mas o mundo do futuro se reescreve constantemente, como numa progressão geométrica, como o caos, como o universo em constante expansão. o futuro é a criança que cresce e o rosto que muda e o sorriso que fica mais amarelo com o ganhar de anos. ao meu lado a carta escrita para minha sobrinha - é um futuro pra ela meu presente. 
mas teço o agora.
como uma tecelã inca em sua cadeira de tear. tecendo estou deslustrando o que virá, se será uma hispânica conquista sanguinária, se será uma globalização de mim. 
&lt;b&gt;&lt;div style="text-align: center"&gt;estou já.&lt;/div&gt;&lt;/b&gt;
espantanda com &lt;a href="http://ainda.tipos.com.br/arquivo/2008/02/10/baseado-em-furtos-reais/#comentarios"&gt;o roubo do pé de pimenta&lt;/a&gt;. pensando na &lt;a href="http://bufonada.tipos.com.br/arquivo/2008/02/10/identidade#comments"&gt;carteira de identidade&lt;/a&gt;. lembrando dos meus gatos spleen e dejà-vu. de minha gata margareth, do meu gato gato. onde estarão? 
&lt;div style="text-align: center"&gt;&lt;img src="http://static.tipos.com.br/media/9/20080210-Bild 8.png" width="331" height="294" alt="assim eram spleen e dejà vu" title="assim eram spleen e dejà vu" /&gt;&lt;/div&gt;
eu teço o momento, como a velha senhora, os olhos em qualquer outro lugar e as mãos em movimento. quero me embrenhar no mundo. quero me engajar com a vida, quero filmar as horas, fotografar sombras e luzes. olhos-diafragmas abertos pra névoa do amanhã. desvendando vultos, que depois serão surprendentemente diferentes coisas. 
ando no meio do escuro e não estendo a mão. sim, quero trombar, quero esbarrar nas coisas, quero aprender a ver com a pupila menos dilatada. com íris de gato, brilhando acesa, lâmpada arguta de mirar.

...
comentários? devaneios? siga o &lt;a href="http://isis.tipos.com.br/?itemid=40952"&gt;coelho&lt;/a&gt;</description>
            <link>http://isis.tipos.com.br/posts/2008/02/10/de-mim-na-escuridao/</link>
        </item>

        <item>
            <category />
            <title>amar em dias de &lt;i&gt;in rainbows&lt;/i&gt;</title>
            <pubDate>Mon, 14 Jan 2008 13:03:08 -0200</pubDate>
            <description>&lt;img src="http://static.tipos.com.br/media/9/20080114-Radiohead-In-Rainbows-421972.jpg" width="500" height="500" alt="IN RAINBOWS: Radiohead" title="IN RAINBOWS: Radiohead" /&gt;é bom demais namorados que te acordam com surpresas, depois de você ter tido insônia e só conseguido dormir às 9 da manhã. namorados que te levam in rainbows. namorados que te trazem tulipas raras. e fazem dias de frio invernal germânico parecerem primaveris, com tortas quentes de maçã e creme de baunilha. namorados como esse são sol, são todas as direções e mais mil sentidos. namorados como esse só há um. o meu. é ele que me pega pela mão todos os dias e me garante o pote de ouro no final do arco-íris. &lt;i&gt;"I am a moth who just wants to share your light/ I'm just an insect trying to get out of the night/ I only stick with you because there are no others/ You are all I need"&lt;/i&gt; (Radiohead)
...
sim, essa é uma declaração de amor!

comentários &lt;a href="http://isis.tipos.com.br/?itemid=40557"&gt;aqui&lt;/a&gt;</description>
            <link>http://isis.tipos.com.br/posts/2008/01/14/amar-em-dias-de-in-rainbows/</link>
        </item>

        <item>
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            <title>Vilma: réquiem à liberdade </title>
            <pubDate>Thu, 10 Jan 2008 14:08:45 -0200</pubDate>
            <description>&lt;img src="http://static.tipos.com.br/media/9/20080110-00veruschka6.jpg" width="309" height="397" alt="Vilma quer dissolver-se na liberdade, a nova medéia. (foto de vera von lehndorf ou veruschka)" title="Vilma quer dissolver-se na liberdade, a nova medéia. (foto de vera von lehndorf ou veruschka)" /&gt;
Vilma estava grávida. E estava presa. Vivia como podia naquela cela, sua comida ganhava de seus algozes. Vilma não sabia mais o que era liberdade, sentia em seu corpo grande  que nunca mais sairia de lá. Viva não. Vilma respirava seu cárcere e foi em cativeiro que emprenhou. Como pudera! Em tal situação render-se aos instintos primitivos, sem brio. Nós que não conhecemos a totalidade da biografia de Vilma (se não somente esse pequeno trecho de sua gravidez até pouco depois do parto), não estamos certos, mas pode ser que também na prisão nascera essa agora mãe. Vilma sentia em seu ventre aquelas futuras vidas: eram gêmeos. Vilma sabia que ela iria parir e sabia que mesmo assim continuaria presa. Ela aspirava o ar com força e era como se fora uma caça, presa em uma caixa escura, em uma jaula. Vilma literalmente rosnava sua dor, era um bicho naquela prisão pequena, que habitava. Que vida podem ter os de quem tomaram a liberdade? Que vida de cela? Que vida de horizontes limitados? E os mil cheiros que Vilma estava obrigada a inalar? Os cheiros daqueles estranhos que a examinavam, que podiam ver tudo que fazia, que a cercavam, que questionavam sobre seus atos, que a julgaram a tal cativeiro, à escravidão de viver enjaulada.
Vilma deu a luz a duas crianças, tão alvas como a neve. Em sua cara branca e cansada ainda se viu um quase sorriso, seria mesmo um riso? E em sua boca o que havia, dentes ou presas? Dois pequenos seres, brancos como o inverno. Doces procuravam seu peito. Os carrascos acharam belos, tais filhos de Vilma. Vilma ainda confusa levou-os para a privacidade de sua cela. Naquela noite quem passasse próximo de sua cela ouviria um murmúrio, um rosnado. Não era uma canção de ninar balbuciada pela recente mãe e sim uma nênia.</description>
            <link>http://isis.tipos.com.br/posts/2008/01/10/vilma-requiem-a-liberdade/</link>
        </item>

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            <title>Canção ao Jardim, onde brotam os novos anos</title>
            <pubDate>Mon, 31 Dec 2007 12:48:34 -0200</pubDate>
            <description>&lt;img src="http://static.tipos.com.br/media/9/20071231-janela1.jpg" width="340" height="343" alt="que nós-janelas nos abramos para o jardim do novo ano vindouro" title="que nós-janelas nos abramos para o jardim do novo ano vindouro" /&gt;
hoje pela manhã abri os olhos hesitante, como quem abre a janela no inverno polar. pensei, preciso acordar para o último dia. o último dia de 2007. hoje quero sair e ganhar a rua e ver o dia, o inverno com seu sol frio invernal. quero dissolver-me nas coisas, ser absorvida pelo último dia, esse doce moribundo. quero sentir o cheiro do mato, seguir o rastro da alegria. esperke, esse vilarejo próximo ao leine guarda para mim, como numa dessas caixinhas de tesouro, o último dia do ano. quero que o dia seja pandora-ao-avesso e a caixa que me abra seja repleta de beleza. sonolenta ainda em estado de vígila sonho com a vida. imagino-me velha senhora, com os olhos mirando o velho ano, como quem fia o tempo, e o peito aspirando o novo. 
&lt;img src="http://static.tipos.com.br/media/9/20071231-senhoraidosa.jpg" width="445" height="264" alt="eu: velha senhora na janela das horas" title="eu: velha senhora na janela das horas" /&gt;
meu coração temeroso treme. o futuro sumptuoso está logo adiante, ele é amanhã, o dia primeiro. ele é uma onda que, ao chegar, molha a areia de nossa vida e em 365 dias (às vezes 366) vai voltando novamente, mar adentro, agarrando grãos, reboando, cantando nênias, retumbando, arrastando conchas, marejando. meus olhos, já velhos de alguns anos, sabem que esse mar imenso espera silente minhas últimas horas e meus instantes. mas é novo o ano. é um novo ramo. e o velho, logo, já estará distante. mais amor, mais saúde, mais alegria, mais conquistas, grita o mundo em festejo. todos contam os dias, que teremos à frente, todos esboçam os planos e abraçam os parentes. é hora, é tempo, adiante. se esquecem os tormentos, se enterram os medos - por poucas horas, até o dia segundo. e são mil pés que pulam as ondas e são mil bocas, que trituram as uvas e são mil línguas que degustam o champagne. contudo tantos outros que sozinhos no frio da pobreza esperam, aguardam o novo ano, para que tudo seja diferente. ou esses pobre, já amargos, temem que piores tragédias os acometam. mas para todos: o que passou é seguro, o que vem incerto. e eu em sonho ainda imagino o barco, a nave do ano novo, navegando nas águas de flores, num jardim secreto, onde brotam palavras lindas, sonhos, projetos.
.....

comentários? siga &lt;a href="http://isis.tipos.com.br/arquivo/2007/12/31/cancao-ao-jardim-onde-brotam-os-novos-anos_2#more"&gt;o coelho de alice&lt;/a&gt; ...</description>
            <link>http://isis.tipos.com.br/posts/2007/12/31/cancao-ao-jardim-onde-brotam-os-novos-anos_2/</link>
        </item>

        <item>
            <category />
            <title>e ao fechar os olhos: SILÊNCIO</title>
            <pubDate>Wed, 26 Dec 2007 14:31:21 -0200</pubDate>
            <description>&lt;img src="http://static.tipos.com.br/media/9/20071226-sonho5.png" width="207" height="464" alt="conte-me um segredo do sonho" title="conte-me um segredo do sonho" /&gt;   &lt;img src="http://static.tipos.com.br/media/9/20071226-sonho6.png" width="193" height="470" alt="conte-me um segredo do medo" title="conte-me um segredo do medo" /&gt;
tive esses dias um sonho estranho e revelador. eu estava em um aviao, havia chegado por último e por isso sentei-me no primeiro lugar livre. após a decolagem levantei-me e fui procurar meu verdadeiro lugar. era no fundo da máquina e já havia sido ocupado por um homem. ao lado dele um outro passageiro que me parecia conhecido sorriu com força, olhando-me com intimidade. quase como se dissesse, sente-se. 
pensei que nao havia problema que o outro ocupava meu lugar e por isso chamei a aeromoça e lhe perguntei se por meu lugar estar ocupado eu poderia sentar-me na outra poltrona. ela pediu que eu lhe mostrasse a poltrona em que eu deveria sentar-me segundo meu bilhete de embarque. caminhamos em direção ao fundo do avião, lentamente, até que algo nos empurrou bruscamente, nos viramos e vimos que o avião estava baixando rapidamente. olhamos para a frente e podíamos ver pela janela que já estávamos quase aterrissando. alguém gritou "estamos pousando?" e imediatamente a aeromoça segurou meu braço e me abaixou, puxando-me para trás de umas poltronas livres ao nosso lado. eu olhei pela janela, vi (de alguma forma, porque na verdade isso nunca seria possível na vida real) que a frente do avião já estava indo de encontro ao chão. o choque era iminente. e de pronto veio. vi como toda a frente do avião se desfazia lentamente, em mil destroços. pensei, "meu deus! caímos! vamos morrer todos". me segurei na poltrona e antes de fechar os olhos ainda pousou um pensamento sobre mim " espero viver! espero sair ilesa". fechei os olhos. com força, o coração veloz, o sangue célere.
e depois só silêncio. nada mais. nem um pensamento. nem um ruído. nada. silêncio. essa era a passagem secreta para o mundo do não ser. o silêncio do tudo, essa ruela que reparte o que está vivo do que não é.
&lt;img src="http://static.tipos.com.br/media/9/20071226-Silencio-thumb.jpg" width="460" height="338" alt="a ruela do silêncio" title="a ruela do silêncio" /&gt;
no sono meu corpo agitado e com medo, contraiu-se e num espasmo, quase como se voltasse a vida, depois dessa morte onírica, acordei inquieta. ainda sem saber onde estava observei o quarto vazio, o edredom remexido pelo sonho inquietante e aos pés da cama nora, a golden retriever da família, que em um pulo chegou-se rapidamente ao lado de minha cama. carinhosa lambeu minha mão que estava caída ao lado, como que pendurada fora do colchão. esse ato de ternura quase que dizendo, acalme-se tudo foi somente um sonho, me confortou. mas a sensação crua de que estive sim morta encheu o espaço do quarto, inundou o meu peito e por fim deu um nó em minha garganta. ainda engasgada do sonho mirei o relógio, devia levantar para viver mais um dia.
e agora já três dias que o dia de minha morte não me abandona. três dias pensando nas imagens e nos sentimentos de tal elucubração onírica. três dias esse sonho toma conta de meus pensamentos, nina meu sono, confundindo meus sentidos.

....

como sempre: tormentos? revelações? comentários? bata na porta: clique no título para entrar.</description>
            <link>http://isis.tipos.com.br/posts/2007/12/26/e-ao-fechar-os-olhos-silencio/</link>
        </item>

        <item>
            <category />
            <title>eu sem vocês</title>
            <pubDate>Mon, 17 Dec 2007 13:59:11 -0200</pubDate>
            <description>&lt;object width="425" height="355"&gt;&lt;param name="movie" value="http://www.youtube.com/v/Tc49HRfHL6U&amp;rel=1"&gt;&lt;/param&gt;&lt;param name="wmode" value="transparent"&gt;&lt;/param&gt;&lt;embed src="http://www.youtube.com/v/Tc49HRfHL6U&amp;rel=1" type="application/x-shockwave-flash" wmode="transparent" width="425" height="355"&gt;&lt;/embed&gt;&lt;/object&gt;
quando vai chegando o fim do ano a saudade é mais presente. faltam os reveillons da juréia, o arroz com lentilha da mareu, a torta de queijo da maíra e o riso das pessoas amadas. amor binacional é complicado. sempre fica faltando um pedaço do outro. no estrangeiro a virada do ano é mais fria. menos banhada de fogos e de alegria. assim fico eu sem vocês. como uma argonauta errando num espaço distante. uma astrônoma buscando uma estrela brilhante. nada é verso, só reverso. nada é tão importante. quando chega o fim do ano e as ondas estão demasiado longe demasiado frias para que lhes pule. assim vou navegando. esperando a hora da volta. mas o lá também não é mais o meu lugar e meu lugar é provavelmente o das indefinições, o das saudades, o das faltas. porém não, esse não é um post triste. esse é um de mim sem vocês. como se fosse possível que uma cantora imaginária entoasse isso com leveza e graça. e por esse não ser um post triste vou contar uma história. 
&lt;img src="http://static.tipos.com.br/media/9/20071217-partimpim.jpeg" width="300" height="300" alt="adriana partimpim" title="adriana partimpim" /&gt; 
uma vez cecília me mostrou essa canção e a entoou com sua voz doce e fina, quase como em uma premonição. o gosto desse "estar sem você" ainda mastigo, ainda habita meus lábios. agora espero nesses dias frios a neve, que leve ameniza minha saudade, alegra em branco o fim do ano e as distâncias absurdas. certamente tentarei viver essa virada de ano com alegria, escorregarei no novo ano brilhante. mas a vocês revelo um segredo: há cinco anos falta, em meu reveillon, mar, arroz com lentilha, céu de estrelas, meus queridos e uma pitada a mais de calor. então dedico essa canção (que não é minha - mas dela me aproprio) para vocês que estão distantes e mesmo para aqueles que não estiveram sempre nos meus reveillons mas constantemente em meus anos novos. e principalmente dedico-a à cecília, que sempre coloca um pouquinho mais de beleza nessa música quando entoa suas estrofes.

...
&lt;i&gt;comentários e afins: clique o título&lt;/i&gt;</description>
            <link>http://isis.tipos.com.br/posts/2007/12/17/eu-sem-voces/</link>
        </item>

        <item>
            <category />
            <title>o natal está chegando</title>
            <pubDate>Mon, 10 Dec 2007 17:01:45 -0200</pubDate>
            <description>como o lobo ele está na frente da sua porta agora.

&lt;img src="http://static.tipos.com.br/media/9/20071210-Bild1GastonVinas.png" width="478" height="359" alt="imagem de gaston vinas - a wolf at the door" title="imagem de gaston vinas - a wolf at the door" /&gt;

espreita pela janela. 
o natal está chegando. te observa e te espera.
o natal pode assoprar sua casa de palha.
quem tem natal, se não você.
&lt;a href="http://www.fotogarrafa.com.br/fotoarquivos/200510/pD20051003_151145.jpg"&gt;ele&lt;/a&gt; não.
nem &lt;a href="http://www.proec.ufg.br/revista_ufg/infancia/images/desafio002.jpg"&gt;ela&lt;/a&gt;. 
nem os homens de bens.
mas todos nao somos esses?
o natal espreita a sua casa. molha sua janela com o hálito ansioso.
te vela.
deixa ele te cantar uma canção
o natal vigia teu sono. teu presente.
que te aguarda?

&lt;i&gt;(PS: vale lembrar: quer fofocar? ironizar? sacanear? se expressar? clique no título!)&lt;/i&gt;</description>
            <link>http://isis.tipos.com.br/posts/2007/12/10/o-natal-esta-chegando/</link>
        </item>

        <item>
            <category />
            <title>minha campanha íntima (I)</title>
            <pubDate>Sun, 09 Dec 2007 14:23:33 -0200</pubDate>
            <description>&lt;div style="text-align: center"&gt;&lt;img src="http://static.tipos.com.br/media/9/20071209-vegetarian_save.jpg" width="280" height="210" alt="o planeta agradece!" title="o planeta agradece!" /&gt;&lt;/div&gt;

nao eu nao sou militante. mas já fui. agora sou mais tranquila, que outrora. mas dizer nao custa nada. quem sabe alguém escuta né. 

&lt;i&gt;PS: como sempre: comentários? clique o título.&lt;/i&gt;</description>
            <link>http://isis.tipos.com.br/posts/2007/12/09/minha-campanha-intima-i/</link>
        </item>

        <item>
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            <title>Mundo digital, vida analógica</title>
            <pubDate>Wed, 05 Dec 2007 19:56:15 -0200</pubDate>
            <description>&lt;img src="http://static.tipos.com.br/media/9/20071205-LygiaClark.jpg" width="529" height="345" alt="obra de lygia clark, a nao artista, para um mundo virtual de nao idas" title="obra de lygia clark, a nao artista, para um mundo virtual de nao idas" /&gt;
Um mundo de internet discada é um estranho mundo. Nenhuma página é mais descomplicada... tudo é lento. Uma experiência em ser tartaruga. Assim me movimento virtualmente nesses dias, nessas últimas duas semanas e até semana que vem. Nada de ler al vacaeda (poxa perdi as maiores polêmicas). Nem mais nenhum passeio em pesquisas Google Academico. Nao leio Ygor, com seus textos imensos e suas mil imagens, nao aguento esperar os comentários aparecerem. O tipos adm demora um século para abrir-se. Como a espera à porta da esperança. É um tempo em que o laptop vira máquina de escrever. 
&lt;img src="http://static.tipos.com.br/media/9/20071205-laptop_01.jpg" width="324" height="354" alt="premissa: o tempo de espera muda a funcao de objetos." title="premissa: o tempo de espera muda a funcao de objetos." /&gt;
O vento é lento na face, quando se usa internet discada. Entao passou o aniversário do meu bem e nao escrevi nenhuma linha em sua homenagem. É um mundo mudo. É um mundo lésmico. As imagens aparecem em partes e com sorte depois de um bom tempo se descobre a foto, a pintura, o gráfico. Ainda há mistério, nesse mundo de internet discada. Agora com um vinho no cálice, as pessoas na sala a jogar, percebo. O mistério. E mesmo assim a espera. É um mundo de paciência o da internet discada. Sem e-mails, porque sao minutos e minutos até que eles cheguem à minha caixa postal, até que eu os mande. Até que a vida ande. Uma lenta espera, como esperar Ulisses, tecendo a colcha. Eu-Penélope. Os olhos perdidos nos horizontes sem paisagem, da internet discada. "Somos o molde, a você cabe o sopro".

PS: Somente para que conste: comentários? clique no título do post.</description>
            <link>http://isis.tipos.com.br/posts/2007/12/05/mundo-digital-vida-analogica/</link>
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            <title>nênia noctâmbula (Man Ray Speed Paint de Ian Padgham)</title>
            <pubDate>Tue, 30 Oct 2007 15:33:27 -0300</pubDate>
            <description>&lt;object width="425" height="355"&gt;&lt;param name="movie" value="http://www.youtube.com/v/xT2sRNbKt5c&amp;rel=1"&gt;&lt;/param&gt;&lt;param name="wmode" value="transparent"&gt;&lt;/param&gt;&lt;embed src="http://www.youtube.com/v/xT2sRNbKt5c&amp;rel=1" type="application/x-shockwave-flash" wmode="transparent" width="425" height="355"&gt;&lt;/embed&gt;&lt;/object&gt;

PS:

Como sempre, pra quem nao conhece ou conhece e esqueceu: para comentários, broncas e afins, basta clicar no título do post...</description>
            <link>http://isis.tipos.com.br/posts/2007/10/30/nenia-noctambula-man-ray-speed-paint-de-ian-p/</link>
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            <title>manifesto à estranheza</title>
            <pubDate>Sun, 28 Oct 2007 12:35:36 -0300</pubDate>
            <description>um dia the boy, um amigo inexistente, me mostrou arbus. 
&lt;img src="http://static.tipos.com.br/media/9/20071028-arbus gemeas.jpg" width="189" height="200" alt="the twins - diane arbus" title="the twins - diane arbus" /&gt; &lt;img src="http://static.tipos.com.br/media/9/20071028-arbus gemeas.jpg" width="189" height="200" alt="the twins - diane arbus" title="the twins - diane arbus" /&gt;
que nome de árvore pensei. um dia descobrindo arbus descobri outros abusos à beleza apolínica. descobri um traço a mais da agonia de fugir da regra. da satisfação de fugir a ela. descobri shermann, morimura, clark, goldin, smithson. descobri um mundo em outro. um mundo muito mais eu. reversa em mim. &lt;img src="http://static.tipos.com.br/media/9/20071028-2006022804_The_Dangerous_Liaison_magritte18q.jpg" width="291" height="400" alt="magritte" title="magritte" /&gt;
no mundo a normalidade é a festa óbvia. é o que nao somos e achamos que devemos. é a bebida que nos engloba ao mundo do que nos é vendido. a droga que nos afasta da verdadeira beleza. 
&lt;img src="http://static.tipos.com.br/media/9/20071028-arbus reis.jpg" width="368" height="384" alt="de diane arbus" title="de diane arbus" /&gt;
do outro que somos nós. 
&lt;img src="http://static.tipos.com.br/media/9/20071028-Mother.jpg" width="298" height="354" alt="the mother - smithson" title="the mother - smithson" /&gt;
do absurdo que somos nós. 
&lt;img src="http://static.tipos.com.br/media/9/20071028-19blackpainting_300dpi.jpg" width="300" height="450" alt="de morimura" title="de morimura" /&gt;
da velhice que alcançaremos. 
&lt;img src="http://static.tipos.com.br/media/9/20071028-arbus asilo.jpg" width="400" height="420" alt="arbus" title="arbus" /&gt;
do nosso real tamanho. mínimo. ou máximo.
&lt;img src="http://static.tipos.com.br/media/9/20071028-blog-arbus_dwarf.JPG" width="303" height="304" alt="arbus" title="arbus" /&gt;
o real imaginário é quase sempre o que gostaríamos de ser. a forma perfeita. a musa inspiradora. 
&lt;img src="http://static.tipos.com.br/media/9/20071028-w-mo-10-09.jpg" width="350" height="432" alt="morimura" title="morimura" /&gt;
nenhum erro. nenhum deslize. nenhuma deformidade. nem gagos, nem anões, nem gordos, nem vesgos, nem horrendos. se a normalidade nos pede anorexia: que sejamos! e valha-nos deus. e amém. mas quem somos? pra que estamos? por que nos afastamos de nós: da estranheza deliciosa? da malícia de sermos absurdos. da perversão? do abuso? da in-convenção? sejamos mais shermanns mais arbus mais morimuras mais goldins mais clarks. sejamos mais retratos de nossa diversidade. abstratos de nossa real realidade imaginária. 
&lt;img src="http://static.tipos.com.br/media/9/20071028-mgb_07_sherman2_LISTEQUER.jpg" width="227" height="343" alt="de shermann" title="de shermann" /&gt;
cada um absurdamente repleto em si-mesmo, em si-esse-outro. que nos acalenta, abraça e nina. abraços dessa freak orgulhosa, que vos lhes fala! í.</description>
            <link>http://isis.tipos.com.br/posts/2007/10/28/manifesto-a-estranheza/</link>
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            <title>voltar, volver, zurückkehren</title>
            <pubDate>Sun, 07 Oct 2007 19:02:22 -0300</pubDate>
            <description>&lt;div style="text-align: center"&gt;&lt;img src="http://static.tipos.com.br/media/9/20071007-obramodificadadececilia.jpg" width="283" height="208" alt="pintura da minha linda artista preferida: cecília pinto ferreira" title="pintura da minha linda artista preferida: cecília pinto ferreira" /&gt;&lt;/div&gt;

a volta é mais difícil que a ida. atrás ficam pessoas amadas, ficam risos ridos, ficam amigos antigos, papos nao batidos. voltar é mais complicado. é um apartamento baguncado e malas a disfazer. voltar significa novos horários. e perder hora quase uma semana, além de várias novas pinturas de cecília.

voltar é se perder no fuso horário. 

é caminhar nas horas, errante entre os ponteiros do relógio da vida. voltar é sentir saudade automática. reacostumar o paladar. é retomar a vida que parou antes e quer continuar já. 

voltar é deixar, é fechar uma porta no espaco. 

uma porta que me separa das gentes que sao minhas. voltar é näo ter mais cecília, nem mareu, nem maíra, nem hermano, nem o sergio, nem terezinha ou nando. é näo ouvir o latido da chauí. nem ter encontros deliciosos com dudu, gabriela ou josé. é nao ter as tias (ana e clau) queridas ou os afetuosos tios (li e cris). 

é frio de alemanha e, de certo modo, um silêncio tumular. é abracar o vazio.

nem camelôs, nem ambulantes que fogem correndo do rapa, virando a esquina da sta efigênia às pressas. é nao ter o barulho das ruas, o calor do inverno brasileiro.

é perder o veräo, na certa. 

é mais um dezembro próximo, é mais um reveillon de neve. a volta é um apartamento apertadinho no qual sentamos estudiosos eu e boris. é uma escrivaninha cheia de a-fazeres, que decorei com os dezenhos de minha artista preferida (a cecília). 

é partir. é chegar. "é o fim da picada". 

voltar é sentir no peito uma saudade que, antes amputada de mim, agora pulsa e cresce e de certa forma me envelhece. essa saudade que esperou, maledicente, nos parapeitos do tempo, nas esquinas das distâncias, alerta e a espreitar. ciente que logo e breve a ísis havia de voltar.</description>
            <link>http://isis.tipos.com.br/posts/2007/10/07/voltar-volver-zurueckkehren/</link>
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