<?xml version="1.0" encoding="UTF-8"?>
<?xml-stylesheet type="text/xsl" media="screen" href="/~d/styles/rss2full.xsl"?><?xml-stylesheet type="text/css" media="screen" href="http://feeds.feedburner.com/~d/styles/itemcontent.css"?><rss version="2.0">
    <channel>
        <title>TÊMPERA, o blog do João Bernardo</title>
        <link>http://joao.tipos.com.br/feeds</link>
        <description />
        <pubDate>Fri, 26 Jun 2009 10:45:16 -0300</pubDate>
        
        <atom10:link xmlns:atom10="http://www.w3.org/2005/Atom" rel="self" href="http://feeds.feedburner.com/tipos-joao" type="application/rss+xml" /><feedburner:emailServiceId xmlns:feedburner="http://rssnamespace.org/feedburner/ext/1.0">tipos-joao</feedburner:emailServiceId><feedburner:feedburnerHostname xmlns:feedburner="http://rssnamespace.org/feedburner/ext/1.0">http://feedburner.google.com</feedburner:feedburnerHostname><atom10:link xmlns:atom10="http://www.w3.org/2005/Atom" rel="hub" href="http://pubsubhubbub.appspot.com" /><item>
            <category />
            <title>Sobre o Michael Jackson</title>
            <pubDate>Fri, 26 Jun 2009 10:45:16 -0300</pubDate>
            <description>Dias atrás, depois de apostar na Mega Sena acumulada, falei com o André que se eu ganhasse, gostaria de assistir um dos 50 shows que Michael Jackson faria em Londres. Ontem, logo após terminar minha aula de roteiro, liguei o celular e lá estavam duas mensagens do André anunciando a morte do maior astro da música pop. Entristeci.

Assim como o &lt;a href="http://james.tipos.com.br/"&gt;James&lt;/a&gt;, Michael Jackson fez parte de toda a minha adolescência. E lembro muito bem o frisson que foi esperar aquele domingo de 1983 quando o &lt;strong&gt;Fantástico &lt;/strong&gt;exibiu o clipe que mudou a história da música mundial. &lt;strong&gt;Thriller &lt;/strong&gt;era tudo de excelente que nós podíamos imaginar. Todos os meus amigos da Escola Estadual Francisco Villanueva queriam imitar aqueles passos. Não tinha MTV, não tínhamos videocassete, portanto, era impossível aprender aquela coreografia.

No ano seguinte, cursava a oitava série e participamos de uma gincana. Uma das tarefas era imitar o clipe. Minha turma não conseguiu e, para meu desespero, o Wilson, que era de outra turma e disputava comigo as atenções de Giseli, estava no grupo que teve a melhor performance. 

Michael Jackson despertou em mim a vontade de querer dançar. Eu, o Keno e o Juliano viramos os gays da cidade ao entrar numa turma de jazz da Academia Bronx para tentar aprender aqueles magníficos passos. Sob a direção de Oriana Gotti, preparamos uma bela coreografia. Próximo da estréia, Michael lança &lt;strong&gt;BAD &lt;/strong&gt;e, para nosso deslumbramento, Oriana escolheu a principal faixa do disco para subirmos ao palco. O Centro Comunitário João de Deus, em Rolândia, quase veio abaixo. 

Logo depois entrei para a Universidade e lá, parecia ser brega gostar de Michael. Quieto, na minha, fui comprando os cd’s, acompanhando atentamente cada passo do meu ídolo. Confesso que aquele comportamento estranho me fez repensar a admiração que nutria por ele. E admito também que me neguei a acreditar que ele pudesse ser um pedófilo. Fiquei aliviado depois que o julgamento de 2005 absolveu-o das acusações.

Talvez Michael tenha virado um espectro de si mesmo. Talvez ele tivesse medo desse mundo absurdo que vivemos. Talvez se assustasse com o escuro. Que bom ele ser imperfeito. 

Talvez fosse reencontrar o sucesso na turnê que comemoraria 50 anos de vida. Não houve tempo. Eu sei que, domingo, voltando de Londrina, coloquei o CD 01 de &lt;strong&gt;History&lt;/strong&gt;. Ouvi os principais sucessos dele. E ontem, ao chegar em casa e saber que ele morreu, revirei as caixas de cds que ainda estavam guardadas para encontrar &lt;strong&gt;Michael Jackson &amp; The Jackson 5.&lt;/strong&gt;

Enquanto escrevo este post, ouço &lt;strong&gt;Ben, One day in your life (uma das minhas preferidas), Happy.&lt;/strong&gt; E cada um dos acordes me dão a certeza que Michael Jackson não morrerá nunca. 

&lt;strong&gt;One day in your life

One day in your life
Um dia na sua vida

You'll remember a place
Você vai lembrar de um lugar

Someone touching your face
De alguém tocando seu rosto

You'll come back and you'll look around, you'll ...
Você vai voltar, vai olhar em volta, você...

One day in your life
Um dia na sua vida

You'll remember the love you found here
Você vai lembrar do amor que encontrou aqui

You'll remember me somehow
Você vai lembrar de mim de alguma forma

Though you don't need me now
Embora você não precise de mim agora

I will stay in your heart
Eu vou ficar no seu coração

And when things fall apart
E quando as coisas desmoronarem

You'll remember one day ...
Você vai lembrar de um dia...

One day in your life
Um dia na sua vida

When you find that you're always waiting
Quando você descobrir que você sempre esteve esperando

For a love we used to share
Por um amor que costumávamos dividir

Just call my name, and I'll be there
Apenas chame o meu nome, e eu estarei lá

You'll remember me somehow
Você vai lembrar de mim de alguma forma

Though you don't need me now
Embora você não precise de mim agora

I will stay in your heart
Eu vou ficar no seu coração

And when things fall apart
E quando as coisas desmoronarem

You'll remember one day ...
Você vai lembrar de um dia...

One day in your life
Um dia na sua vida

When you find that you're always lonely
Quando você descobrir que sempre esteve sozinha

Just call my name, and I'll be there 
Apenas chame o meu nome, e eu estarei lá.&lt;/strong&gt;
</description>
            <link>http://joao.tipos.com.br/posts/2009/06/26/sobre-o-michael-jackson/</link>
        </item>

        <item>
            <category />
            <title>Sobre a delicadeza e o respeito</title>
            <pubDate>Fri, 19 Jun 2009 12:18:54 -0300</pubDate>
            <description>Durante muitos anos, sem nenhuma razão aparente, mantive uma certa implicância com os japoneses. Achava-os sem alma, para resumir. O tempo e, principalmente, uma observação mais atenta aliada a muitas reportagens envolvendo a colônia, mudaram a minha impressão.

Não guardo nenhuma esperança de que em duas, três, quatro gerações tenhamos um país melhor. Esta semana fiquei particularmente indignado com as declarações do presidente do Senado, José Sarney, e a benevolência política do presidente Lula. A história então, se encarrega de nos redimir de quaisquer falhas que possamos cometer, mesmo quando elas versem sobre o bem público?

Fiz esta observação porque sempre costumo ler que políticos e empresários japoneses quando flagrados em atos obscuros ou de corrupção, costumam se matar. De vergonha, quem sabe?

Talvez tenha sido a minha indignação com este “tudo pode” tupiniquim que me deixou completamente encantado pelo filme &lt;strong&gt;&lt;em&gt;A Partida&lt;/em&gt;, &lt;/strong&gt;dirigido por Yojiro Takita, vencedor do Oscar de Melhor Filme Estrangeiro deste ano.  A obra conta a história de um jovem músico que, ao se ver sem emprego numa orquestra sinfônica dissolvida, parte para uma cidade do interior, onde consegue trabalho como preparador de cadáveres. 

Partindo dessa simples premissa o filme fala da beleza que é viver. Curioso observar que todos nós, indistintamente, temos questões a serem resolvidas. E naquele último momento, na hora da despedida, tudo vem à tona com a respectiva urgência. A película tem 140 minutos e eu, mesmo com minha verve de editor, não cortaria um frame. 

Em certo momento, o personagem principal fala da importância do respeito e de se fazer cada movimento com a maior delicadeza. Nem era necessário explicar isso. A começar pelo curvar-se diante de qualquer interlocutor, todos ali conseguem enxergar as pessoas que se apresentam perante elas. Tudo é dito em um tom baixo, sem exageros, sem gestos descontrolados. 

No filme, há aqueles que consideram pouco digna a profissão de preparar cadáveres. Até o exato momento da morte chegar para um ente querido e observar-se a importância desse gesto. Se você gosta de uma boa história, não deixe de ver este filme. E não se acanhe quando percebe-se completamente envolvido pelas lágrimas. Elas brotarão sem nenhuma vergonha nem aviso.

Saí do cinema completamente emocionado. Feliz por ter tido esta oportunidade. Satisfeito por continuar acreditando que entre nós ainda há pessoas sensíveis, que conseguem olhar, enxergar e retratar o outro com respeito e delicadeza. E por isso é tão bacana viver. 
</description>
            <link>http://joao.tipos.com.br/posts/2009/06/19/sobre-a-delicadeza-e-o-respeito/</link>
        </item>

        <item>
            <category />
            <title>Sobre as novas formas de se relacionar</title>
            <pubDate>Mon, 15 Jun 2009 11:42:08 -0300</pubDate>
            <description>A tecnologia mudou completamente a forma de relacionamento das pessoas. As cartas praticamente deixaram de ser escritas, os cartões de natal e aniversário são cada vez mais raros e o orkut se encarrega de lembrar as datas de nascimento dos amigos listados. Será que apenas um recadinho basta? Quando o amigo é mais querido, um depoimento esgota o assunto?

Eu ainda tenho um amigo que costuma mandar cartões de Natal. Há quase 20 anos, todo mês de dezembro, batata: chega um cartão do &lt;a href="http://ciencia.tipos.com.br/"&gt;Carlos&lt;/a&gt;. Eu também cultivei esse hábito durante muitos anos. Confesso que há uns três, talvez quatro anos, abandonei a prática. Hoje isso está me incomodando.

Agora há pouco, acabei de entrar naquele site verificador.net e descobri que várias pessoas me bloquearam no MSN. Com algumas delas não faço questão de manter contato. Com outras não. Ex-alunos, amigos que moram distantes não querem mais falar comigo de vez em quando. Ou será que a partir de agora, quando quiserem matar a saudade, vão simplesmente me telefonar? Se for assim, ótimo. Do contrário, acho triste.

Tudo bem, não é o fim do mundo. O &lt;a href="http://zero.tipos.com.br/"&gt;Beto &lt;/a&gt;certamente vai dizer que as pessoas têm o direito de, bla, bla, bla. O meu problema é parecido com o da Miranda, de Sex and the City. Será que eu fiz alguma coisa que chateou a pessoa? Se fiz, não seria mais interessante falar sobre o assunto e resolver o problema? Ou será que não foi absolutamente nada de sério e a pessoa apenas resolveu reduzir a lista de pessoas com quem ela não fala há mais de um mês? Ou será ainda que essas pessoas começaram a namorar e o amor é ciumento e não quer que o ser amado fique com uma lista imensa no MSN? Ou não é nada disso e a vida segue o próprio rumo e vamos que vamos?

Sinceramente? Preferia que fosse de outro modo. 
</description>
            <link>http://joao.tipos.com.br/posts/2009/06/15/sobre-as-novas-formas-de-se-relacionar/</link>
        </item>

        <item>
            <category />
            <title>Sobre a passagem do tempo</title>
            <pubDate>Mon, 08 Jun 2009 11:15:21 -0300</pubDate>
            <description>A sensação nos toma de assalto. Você olha no espelho e simplesmente descobre uma grande e imensa marca na testa. Puxa daqui, estica dali e nada dela ao menos se disfarçar. A ruga se apresenta para quem quer vê-la. 

Prestes a completar 39 anos, ontem me dei conta que o tempo a partir de agora, será mais concreto, perceptível. Confesso que a grande ruga em si não me incomodou tanto quanto ver que entre os seis pêlos que tenho no peito, dois estão brancos. Branquinhos. Mas tudo pode ser pior. Que tal olhar a púbis, descer um pouco mais e perceber ali, vários encaracoladinhos reluzindo de tão alvos?

A gente ouve uma piada aqui, outra acolá, fica divagando sobre o tempo ser implacável. É uma sensação esquisita vê-lo se manifestar assim, no próprio corpo, de maneira indubitável, sem qualquer possibilidade de retorno. 

Durante muito tempo asseverei que não recorreria às intervenções da cirurgia plástica para amenizar os sinais dos tempos. Hoje não penso mais assim. Talvez levante as pálpebras, talvez aplique botox, talvez faça alguma coisa.

Mas lá no fundo, sempre me lembrarei desses fios brancos e dessa insistente marca na testa que parece ter tomado conta do meu rosto desde ontem.

Se tudo na vida tem um lado bom, eu não gostaria de voltar no tempo de forma alguma. Este tempo que hoje me é oferecido, é o melhor de tudo que já vivi. E imaginar que ainda há muito por experimentar, eu torço para que os fios brancos venham sem vergonha alguma. Se eles caminharem a passos de tartaruga, não vou reclamar. 
</description>
            <link>http://joao.tipos.com.br/posts/2009/06/08/sobre-a-passagem-do-tempo/</link>
        </item>

        <item>
            <category><a href="/posts/tag/bondews" rel="tag">bondews</a> <a href="/posts/tag/folha+de+londrina" rel="tag">folha de londrina</a> <a href="/posts/tag/leticia+spiller" rel="tag">leticia spiller</a> </category>
            <title>Sobre o bom título e as dificuldades de ser editor</title>
            <pubDate>Thu, 28 May 2009 17:10:54 -0300</pubDate>
            <description>A lição é básica, ainda nas salas de aula da faculdade: bom título é aquele que cabe na diagramação do jornal. 

Diante de tal premissa, é bobagem qualquer outra argumentação. O exercício é simples: se a sua manchete pode ter entre 39 e 41 caracteres, ela só será publicada se tiver entre 39 e 41 caracteres. Fácil assim. Queime a mufa e trate de organizar as palavras para que elas transmitam a notícia em si, sempre dentro desses parâmetros. 

Nesta peleja, encontramos muitos e muitos exemplos péssimos de títulos que não fazem muito sentido. Hoje, por exemplo, o site bonde.com.br publicou a seguinte chamada: “Letícia Spiller voltará à tv como vilã malvada”. Imediatamente fiquei pensando com os meus botões se existem vilãs boazinhas. Mas daí já é outra história. Logo depois, alguém um pouco mais atento percebeu a bobagem e mudou o título.

A editoria de esporte é a mais complicada. Acompanhe durante três dias, edições do jornal de sua preferência. Aposto um sonho de valsa que você encontrará títulos mais ou menos assim: time x treina para a vitória, fulano vai com tudo pra vencer, só a vitória interessa a beltrano. 

Notícia boa mesmo será aquela em que determinado time ou atleta treinar para perder, né?
</description>
            <link>http://joao.tipos.com.br/posts/2009/05/28/sobre-o-bom-titulo-e-as-dificuldades-de-ser-e/</link>
        </item>

        <item>
            <category><a href="/posts/tag/maisa+chora+tv" rel="tag">maisa chora tv</a> <a href="/posts/tag/sbt" rel="tag">sbt</a> <a href="/posts/tag/silvio+santos" rel="tag">silvio santos</a> </category>
            <title>Sem noção e sem limite</title>
            <pubDate>Mon, 18 May 2009 17:28:16 -0300</pubDate>
            <description>É notória a crueldade de Silvio Santos, bem como o natural talento para humilhar as pessoas. Ninguém contesta o carisma do dono e apresentador do SBT.
No caso da Maisa, a garotinha que começou como promessa de engraçadinha e, provavelmente, será transformada num pequeno monstrinho da telinha, acho que ele foi longe demais. 

Espie o vídeo. 

&lt;a href="http://&lt;object width="425" height="344"&gt;&lt;param name="movie" value="http://www.youtube.com/v/wCK7aZmNMjQ&amp;hl=pt-br&amp;fs=1"&gt;&lt;/param&gt;&lt;param name="allowFullScreen" value="true"&gt;&lt;/param&gt;&lt;param name="allowscriptaccess" value="always"&gt;&lt;/param&gt;&lt;embed src="http://www.youtube.com/v/wCK7aZmNMjQ&amp;hl=pt-br&amp;fs=1" type="application/x-shockwave-flash" allowscriptaccess="always" allowfullscreen="true" width="425" height="344"&gt;&lt;/embed&gt;&lt;/object&gt;"&gt;Your text to link...&lt;/a&gt;

Fiquei pensando se a família da garota gostou, se o Ministério Público já está acompanhando o caso, se todas as entidades que são contra o trabalho infantil já se manifestaram.

</description>
            <link>http://joao.tipos.com.br/posts/2009/05/18/sem-nocao-e-sem-limite/</link>
        </item>

        <item>
            <category />
            <title>Sobre esse lance de sonhar um sonho</title>
            <pubDate>Fri, 24 Apr 2009 14:51:04 -0300</pubDate>
            <description>Eu e o Carlos estivemos em Nova Iorque em fevereiro de 1998. Foi uma das melhores viagens que fiz em todos esses quase 40 anos de existência. Naqueles quase 20 dias, fizemos muitos programas legais. Além de vasculhar as ruas da Big Apple, fomos a museus e teatros. Entre os espetáculos que vimos, "Os Miseráveis" se enquadra na categoria mais do que especial. 

Naquele musical, havia uma canção “I dreamed a dream”, simplesmente tocante, sensacional. Saímos maravilhados do teatro. 

Mas eis que 11 anos depois, nunca uma canção foi tão apropriada para uma determinada ocasião. Na versão britânica de "Ídolos", uma senhora beirando os 50, gordinha, totalmente fora dos padrões de beleza atuais, que afirmara antes nunca ter sido beijada, entra no palco para tentar o sonho de se tornar uma cantora profissional. 

Ela que nunca tivera outra oportunidade, viu ali uma chance que dependia apenas e tão somente de si própria. Pelo menos em tese. Foi recebida com visível hostilidade e nefasta desconfiança. Como foi abusada a Susan Boyle. 

Sem se importar com quase nada, simplesmente fez o que melhor sabia: cantou. E cantou uma música que, pra ela, naquele momento, naquela circunstância, parecia perfeita para a ocasião. Logo nos primeiros versos, mostrou a que veio. E conquistou os jurados, a plateia, o mundo.  

Confesso que relutei para ver o tal vídeo. Tolice minha, admito. Desde que vi a apresentação pela primeira vez, tenho visto-a e revisto-a várias outras vezes. Talvez por esses versos falarem diretamente comigo neste momento. Talvez porque a “camponesa” conseguiu contrariar positivamente todas as expectativas e provar a si e ao mundo que sim, há algo de especial nela. Ela comprovou que há sonhos que, sim, podem ser sonhados, vividos, realizados. Mesmo com as tempestades que não conseguimos prever.

Veja o vídeo na íntegra. Emocione-se e dê-se conta que viver sempre vale a pena. 

&lt;a href="http://www.youtube.com/watch?v=xRbYtxHayXo"&gt;Your text to link...&lt;/a&gt;</description>
            <link>http://joao.tipos.com.br/posts/2009/04/24/sobre-esse-lance-de-sonhar-um-sonho/</link>
        </item>

        <item>
            <category />
            <title>Sobre acreditar em duendes e na imprensa do Paraná</title>
            <pubDate>Thu, 02 Apr 2009 16:09:04 -0300</pubDate>
            <description>Ontem, aos 49 minutos do segundo tempo do que manda a legislação, a Assembléia Legislativa do Paraná publicou a lista dos nomes dos funcionários da Casa. Na média, são 45 colaboradores para cada deputado, uma das maiores proporções do Brasil.

O detalhe curioso é que a lista não especifica cargo, salário, nem lugar onde os tais funcionários trabalham. Como eu e o Márcio Leijoto acreditamos no empenho da imprensa paranaense em investigar, fiscalizar e fazer o papel que lhe cabe, certamente neste exato momento em que você lê este post, todas as redações do Estado tem um jornalista checando nome por nome, telefonando para os gabinetes, escarafunchando a tão esperada lista. 

O primeiro veículo que descobrir, por exemplo, em qual setor Luiz Carlos Alborghetti – não deve ter dois no Paraná, certo? – labuta todos os dias, ganha uma fungada no pescoço do presidente da Casa.

Unidos pela transparência gente. Muito unidos!
</description>
            <link>http://joao.tipos.com.br/posts/2009/04/02/sobre-acreditar-em-duendes-e-na-imprensa-do-p/</link>
        </item>

        <item>
            <category><a href="/posts/tag/alegrias" rel="tag">alegrias</a> <a href="/posts/tag/ana+carolina" rel="tag">ana carolina</a> <a href="/posts/tag/claridade" rel="tag">claridade</a> <a href="/posts/tag/dois+quartos" rel="tag">dois quartos</a> <a href="/posts/tag/quartinho" rel="tag">quartinho</a> </category>
            <title>Sobre as pequenas alegrias</title>
            <pubDate>Mon, 23 Mar 2009 14:46:24 -0300</pubDate>
            <description>Faz poucos minutos que eu disse “olha” e sorri. O Beto perguntou do que se tratava.
Respondi que acabara de ganhar na Timemania. Acertei três números, o que me garante um prêmio de R$ 2,00. Ele achou graça da minha pequena alegria. Até porque ele, mais que ninguém, sabe que ainda vou ganhar um prêmio milionário.

O Beto não sabia que eu estava ouvindo o último cd da Ana Carolina, Dois Quartos. Talvez ele nem queira mesmo saber, já que de uns tempos pra cá, ele deixou de apreciá-la. Mas eu, que também achei muito besta aquela capa da Veja em que ela se assumia bissexual, resolvi relevar essa bobagem. E confesso que continuo me emocionando.

Este cd, por exemplo, eu comprei já faz bastante tempo. Mas como sempre acontece, ouço as mesmas faixas repetidas vezes até me cansar. E só depois vou ouvindo, uma, duas, três. Se gosto de alguma até então desconhecida, coloco para repetir muitas e muitas vezes. É o que está rolando desde hoje de manhã. Às 06h16 – eu adoro olhar o relógio e saber a hora exata em que as coisas se dão – eu entrei no carro e coloquei o aparelho do carro em random. Ele parou na faixa 10 de Quartinho. E eis que me emociono, meus olhos enchem de lágrimas. 

Claridade, a música, é uma dessas canções que nos pegam de jeito, parecem ter sido escritas para nós. Quando isso acontece, num primeiro momento me arrependo de não ter ouvido o cd inteirinho antes. Mas logo depois penso que hoje era o dia. Talvez em outro momento, em outra circunstância, esses mesmos versos não fizessem sentido algum. 

Daqui um mês, meu namoro completará dois anos. E como em todas as relações, vivemos momentos de absoluta ternura e outros de divergências. Sinceramente isso não me preocupa. O tempo, sempre ele, vai acomodando as diferenças, traz paciência e tolerância para superá-las. E de repente tudo fica claro, sereno, sempre pronto e disposto a recomeçar. 

Eu gosto de imaginar que é na imperfeição que as relações se constróem. Que é depois da lua de mel que os casais de fato se encontram. Todo o resto é idealização. E deste mal, espero que o tempo sempre me alivie. 

Numa relação, não há que se convencer o outro do que é certo, não se vai mudá-lo. O tempo se encarrega de tudo, as histórias comprovam isso. Num romance, cada um precisa cuidar do próprio jardim e dali cultivar flores para oferecê-las como um pedaço de si. Entre um problema e outro, uma divergência aqui outra acolá, vem a chuva, a gente chora, essas flores são molhadas e assim, chega a hora da tristeza ir embora, acabar a tempestade para então chegar a claridade. A claridade do amor.

Hoje, mais do que ontem, achei que a Ana Carolina esteve coberta de razão. E isso encheu meu coração de alegria. </description>
            <link>http://joao.tipos.com.br/posts/2009/03/23/sobre-as-pequenas-alegrias/</link>
        </item>

        <item>
            <category />
            <title>Sobre situações constrangedoras</title>
            <pubDate>Wed, 11 Mar 2009 00:31:40 -0300</pubDate>
            <description>Por razões óbvias, não sei como é consultar-se com um ginecologista. Mas posso afirmar que estar diante de um urologista, não é dos momentos mais agradáveis da vida. E olha que ainda nem comecei a fazer o tradicional exame na próstata.

Semana passada estive frente a frente com um. Lacônico, severo e enérgico, ele “constatou” que talvez eu esteja com alguma infecção urinária. E praticamente “mandou” que eu fizesse os exames ali na clínica mesmo, já que um laboratório também atende no local. “Está com a bexiga cheia?”, interpelou. Respondi que sim, ato contínuo ele interfonou para a secretária e disse: urina, espermograma e hiv. Eu, mudo.

Na recepção a senhora secretária chama a funcionária do laboratório, que aparece linda e grávida já passada dos seis meses com certeza. Na frente dos demais pacientes, ela repetiu as três orientações do médico: urina, espermograma e hiv.

A sala de coleta era incolor, insípida e que tais. Virei o rosto, ela deu a agulhada, colheu o sangue e em seguida deu-me dois frascos. “Este para o urina, este para o esperma”, foram as palavras dela. Caminhamos até o final de um corredor imenso e chegamos em frente ao banheiro. Ela apontou-o e disse: “urina aqui, esperma ali”.

Na sala “esperma ali” havia uma maca, uma televisão com vídeo cassete ligados e uma pilha de revistas Playboy. A mais nova trazia a Ângela Vieira na capa. A mais ou menos era a Déborah Secco, em 1999, ainda sem silicone, como se isso fizesse alguma diferença para mim. Analisei o cenário e pensei: meu pau não vai ficar duro nunca. 

Dentro do cubículo, não houve alternativa exceto ficar de costas para a televisão, já que o filme exibido era erótico e não pornográfico, não havia som, e o casal em atividade não provocava tesão nem neles mesmo. 

Com o pau meio “jonjo” acho que bati a punheta mais rápida da minha vida. Em menos de 02 minutos o “material” já estava no recipiente. Pensei: não vou entregar esse vidro assim pra grávida, né? Peguei o papel higiênico, embrulhei o frasco de esperma e o de urina e entreguei-os no laboratório. 

De volta à recepção, um rapaz bem jovem, tipo uns 20 anos, também vê a intimidade devassada ali na frente de outros cinco homens à espera de atendimento: urina, esperma e hiv. A grávida olha uns papeis e tasca: “abstinência por três dias.”

Deixei o lugar com aquela terrível sensação de ter sido desnecessariamente exposto. E pensei que em clínicas assim, não deveria ter nenhuma atendente mulher. Para este tipo de assunto, acho que com homens, fica tudo menos constrangedor. 

Dez dias depois, as palavras ainda ressoam: urina, esperma, hiv. Urina, esperma, hiv. Urina, esperma, hiv..  
</description>
            <link>http://joao.tipos.com.br/posts/2009/03/10/sobre-situacoes-constrangedoras/</link>
        </item>

        <item>
            <category><a href="/posts/tag/atriz+infantil" rel="tag">atriz infantil</a> <a href="/posts/tag/bruna+marquezina" rel="tag">bruna marquezina</a> <a href="/posts/tag/mulheres+apaixonadas" rel="tag">mulheres apaixonadas</a> <a href="/posts/tag/negocio+da+china" rel="tag">negocio da china</a> </category>
            <title>Sobre esse lance de talento infantil e o tempo</title>
            <pubDate>Wed, 25 Feb 2009 19:41:26 -0300</pubDate>
            <description>A televisão brasileira do Brasil – não diferente da televisão mundial do mundo – é pródiga em descobrir talentos infantis. A Globo, principal referência,  profissionalizou a tarefa, com instrutores para orientar a criançada a não aparecer nas novelas como se estivessem em récitas de jograis da segunda, terceira série do ensino fundamental. Mas nem sempre isso dá certo.

Um belo exemplo é a Bruna Marquezine. A hoje adolescente pode ser vista em &lt;em&gt;Mulheres Apaixonadas&lt;/em&gt;, quando a doce e sofrida Salete fez o país inteiro chorar com o drama da menina que perde a mãe para uma bala perdida, e também em &lt;em&gt;Négocio da China&lt;/em&gt;, a praticamente imperceptível novela das seis de Miguel Falabella. 

&lt;img src="http://static.tipos.com.br/media/293/20090225-bruna.jpg" width="535" height="335" alt="É ou não é uma gracinha de viver e de chorar?" title="É ou não é uma gracinha de viver e de chorar?" /&gt;

É fácil para uma criança encantar os adultos. Basta um rostinho bonito e um biquinho aqui, outro acolá. Se conseguir chorar de verdade – como quando Salete recebia as visitas do Anjo para avisá-la que a mãe iria morrer – nossa, não precisa mais nada. O problema é saber diferenciar as histórias.

A Bruna Marquezine da novela das seis acredita que ainda é a Salete. A atriz é um completo equívoco de (falta) direção. A adolescente, que luta kung fu e será fundamental para elucidar a trama que envolve o pen drive com a senha para sacar um bilhão de euros, é puro sofrimento. E um sofrimento dos piores canastrões que já se viu numa telenovela. 

Tudo é exagerado: as caras e bocas, o gestual, o olhar, a entonação da voz. A sensação que me passa é que a atriz tem algo lhe incomodando. Ou o sapato apertado, ou a calcinha enfiada naquele lugar, ou a unha encravada, ou sei lá o que. O fato é que é simplesmente insuportável acompanhar qualquer cena com a garota. 

Será por isso que ninguém se interessa pela novela?
</description>
            <link>http://joao.tipos.com.br/posts/2009/02/25/sobre-esse-lance-de-talento-infantil-e-o-temp/</link>
        </item>

        <item>
            <category><a href="/posts/tag/comediantes" rel="tag">comediantes</a> <a href="/posts/tag/diogo+portugal" rel="tag">diogo portugal</a> <a href="/posts/tag/folha+de+s+paulo" rel="tag">folha de s paulo</a> <a href="/posts/tag/mediocres" rel="tag">mediocres</a> <a href="/posts/tag/stand-up+comedy" rel="tag">stand-up comedy</a> </category>
            <title>Ufa, ainda bem que não estou sozinho!</title>
            <pubDate>Tue, 27 Jan 2009 21:25:26 -0200</pubDate>
            <description>A caminho do restaurante, perguntei à Simone, minha afilhada, se éramos chatos. Ou melhor, muito chatos. É que a gente costuma ter opinião sobre quase tudo, percebemos e comentamos as falhas, os erros, o mau gosto. Claro que isso pode nos impingir a pecha de ranzinzas e que tais. 

Sem saber se de fato há uma conclusão, admitimos que ao menos somos parecidos. Talvez também por isso, amigos. O fato concreto é que quando não gostamos de algo ou alguém, manifestamos isso, na medida do que a presença de espírito e a política de boa vizinhança permitem. 

Sempre me perguntei quem, além dos familiares, eventual namorada e amigos, acha alguma graça em Diogo Portugal. O comediante curitibano, dizem, tem bom domínio de palco quando se apresenta nas Stand-up Comedy, mas, na minha modesta e chata opinião, é absolutamente INSUPORTÁVEL E SEM GRAÇA, assim, em caixa alta, na coluna que tem no RPC Revista. Para mim, faz aquele tipo de humor lamentável, rasteiro, chinfrim, algo muito próximo ao indescritível Zorra Total.

Mas alguém da RPC achou que ele é bom, que agrada e colocou-o para encerrar os domingos daqueles que perdem tempo com a revista eletrônica paranaense. Ainda bem que é só por essas bandas.

Hoje, ao ler a Folha de S. Paulo, meu coração ficou mais leve e acho que amanhã direi à Simone que a gente não é assim, tão chato. O crítico Luiz Fernando Ramos fez uma análise dos comediantes que se apresentaram na 1ª Mostra Paulista de Stand-Up Comedy.

Sobre Diogo Portugal, ele colocou a caretinha com a boca para baixo, o que classifica o espetáculo do paranaense como ruim. Mas ele foi além. Em um parágrafo, veja o que ele pensa sobre o humor destas paragens:
““Hã?!” trouxe o curitibano Diogo Portugal, criador do Clube da Comédia e um dos mais renomados entre os humoristas que surfam na atual onda. De uma geração intermediária entre Mansfield (comediante paulistano) e os mais jovens, seu sítio na internet (diogoportugal.com.br) é um campeão de visitas. Mesmo respeitando o princípio da autoironia, ele opta pela mediocridade na busca do riso farto. Sustenta-se com velhos truques de provocação do público e piadas sujas de homossexuais que soam anacrônicas. O máximo de transgressão que consegue é trair o gênero e tocar no violão, ao final, uma canção jocosa sobre o amor gay”. 

Acho que não precisa mais nada, né? Desopilou o fígado, ufa!
</description>
            <link>http://joao.tipos.com.br/posts/2009/01/27/ufa-ainda-bem-que-nao-estou-sozinho/</link>
        </item>

        <item>
            <category><a href="/posts/tag/alunos" rel="tag">alunos</a> <a href="/posts/tag/colegio+estadual+souza+naves" rel="tag">colegio estadual souza naves</a> <a href="/posts/tag/formatura" rel="tag">formatura</a> <a href="/posts/tag/rolandia+pr" rel="tag">rolandia pr</a> <a href="/posts/tag/tecnico+em+contabilidade" rel="tag">tecnico em contabilidade</a> </category>
            <title>Porque a gente vive “de um tudo”</title>
            <pubDate>Sun, 25 Jan 2009 22:10:14 -0200</pubDate>
            <description>Houve um dezembro de 1987 em que concluímos o segundo grau, formando-nos Técnicos em Contabilidade. Até hoje, quando passeio por Rolândia e encontro algum conhecido, ouço dizer que aquela turma do Colégio Estadual Souza Naves ficará para sempre na memória.

Éramos um grupo aplicado, comprometido com a escola, com as atividades programadas. Eu era da turma A. Para que nos formássemos com pompa e alguma circunstância, promovemos um show com Chitãozinho e Xororó e outro com João Mineiro e Marciano. Lotamos o Ginásio de Esportes Emílio Gomes e juntamos dinheiro não só para o baile. Também viajamos para o Rio de Janeiro, onde ficamos por deliciosos 10 dias, fizemos a festa e ainda sobrou grana para o carnaval em Camboriú e um churrasco de despedida. 

A colação de grau foi na Igreja Matriz e a festa em si no Centro Comunitário. Podíamos levar poucos convidados, mais exatamente pai, mãe e madrinha, no meu caso. Esmeramo-nos para que tudo ficasse bonito. Contratamos um tecladista, convidamos a professora Maria Lúcia Salvador como mestre de cerimônia. Num vestido de cetim azul claro, ela deu o tom daquela comemoração. 

Em determinado momento começou a tocar um sino. Alguém pode ter pensado que era a igreja ao lado, mas na verdade, tratava-se de uma deixa para subirmos ao palco. Lá, de mãos dadas, coração apertado, homenageamos os nossos professores cantando “Amigo”, de Roberto e Erasmo Carlos. 

Confesso que fico emocionado até hoje, quando revi a foto abaixo e lembrei do quanto nos divertimos no ano em que, além de tudo, passara no concurso interno do Banco do Brasil e, como diziam os professores de então, estava com o futuro garantido. 

&lt;img src="http://static.tipos.com.br/media/293/20090125-formatura.jpg" width="448" height="306" alt="Formatura do Colégio Souza Naves 1987" title="Formatura do Colégio Souza Naves 1987" /&gt;

Bacana observar o que era moda, como a gente pensou estar muito elegante para a ocasião. No fundo, vínhamos de famílias humildes, sem referências. Mesmo para a época, erramos feio no visual. Mas isso não teve importância alguma. 

</description>
            <link>http://joao.tipos.com.br/posts/2009/01/25/porque-a-gente-vive-de-um-tudo/</link>
        </item>

        <item>
            <category><a href="/posts/tag/gloria+perez" rel="tag">gloria perez</a> <a href="/posts/tag/barriga+de+aluguel" rel="tag">barriga de aluguel</a> <a href="/posts/tag/caminho+das+indias" rel="tag">caminho das indias</a> <a href="/posts/tag/desejo" rel="tag">desejo</a> </category>
            <title>E por falar em novela...</title>
            <pubDate>Mon, 19 Jan 2009 18:05:33 -0200</pubDate>
            <description>Eu não sou fã de Glória Perez. A novelista, que muitos apontam como sucessora de Janete Clair, ganhou carreira solo em 1983/1984, quando, após a morte da rainha do folhetim, assumiu os capítulos finais de &lt;b&gt;Eu Prometo&lt;/b&gt;, a trama protagonizada por Francisco Cuoco e Renée de Vielmond. 

Só consegui assistir duas obras inteiras de Glória: &lt;b&gt;Barriga de Aluguel&lt;/b&gt; e a minissérie &lt;b&gt;Desejo&lt;/b&gt;. A novelista usa e abusa das licenças poéticas, a ponto de um vôo entre Brasil e Marrocos parecer algo como fazer a ponte aérea entre São Paulo e Rio de Janeiro. Particularmente, não gosto do exagero deste tipo de concessão. Acho que tira um pouco da verossimilhança, não convence. 

Aproveitando que hoje começa &lt;b&gt;Caminho das Índias&lt;/b&gt;, há três coisas importantes para serem destacadas na obra de Glória Perez: 
01)	Tirar o foco da ação do Rio de Janeiro;
02)	Realizar pesquisa efetiva para criar as tramas;
03)	Usar a novela para ações de responsabilidade social.

Agora... o pior de Glória, além do que já escrevi:
01)	Escalar o Eri Jonhson, Victor Fasano e Neusa Borges para as novelas;
02)	Criar bordões lamentáveis que se reproduzem como eco nas ruas (É ruim, heim?!, Cada mergulho é um flash, entre outras bobagens
</description>
            <link>http://joao.tipos.com.br/posts/2009/01/19/e-por-falar-em-novela/</link>
        </item>

        <item>
            <category />
            <title>Sobre o tema novela...</title>
            <pubDate>Mon, 19 Jan 2009 17:51:35 -0200</pubDate>
            <description>O Ferreira Gullar escreveu um belo artigo sobre novela na Folha de S. Paulo de ontem. Espie...

&lt;b&gt;FERREIRA GULLAR 

A novela é mesmo uma novela 

E isso não é tido como subliteratura, mas como um gênero que leva o nome de melodrama 

A NOVELA DE televisão -com raras exceções- pode ser definida como uma história implausível que se desdobra em episódios cada vez mais implausíveis.
De uns tempos para cá, toda novela tem, pelo menos, uma vilã (prefere-se a vilã ao vilão, já que mulher deve ser boazinha), tão ou mais implausível que a história contada. A vilã parece ter sangue nos olhos vidrados de ódio, e odeia a tudo e a todos, gratuitamente, não porque lhe tenham feito algo, não porque a tenham ofendido ou prejudicado: odeia porque odiar é a sua função na novela, razão por que odeia gato e sapato, cachorro, papagaio, sem contar o filho, a filha, o pai, a mãe, o irmão e o mamão, isso se algum mamão surgir em seu caminho.
Esse é um novo tipo de ser humano que, até que a televisão o revelasse, nunca se suspeitara existir. Mas, pelo que se vê, tem proliferado de maneira incontrolável, uma vez que não há novela global que não nos mostre algum exemplar dessa nova espécie de gente. Deve ser criada em alguma reserva ecológica para a preservação de animais ferozes.
Outra característica da vilã é a capacidade que tem de consumar suas maldades sem que nada o dificulte ou impeça. Pelo contrário, se a vilã decide liquidar com alguém, logo, como por milagre, a futura vítima começa a agir do modo exatamente previsto por ela, até cair na arapuca. 
E o mais impressionante é que, se a vítima escapa com vida, e tenta denunciá-la, ninguém dá crédito à denúncia, apesar de todas as evidências. Sim, porque senão a história acaba. O telespectador fica indignado com a lerdeza ou burrice dos personagens bonzinhos, que tomam sempre a defesa da malvada. Por isso, já se diz que a novela é uma história idiota, vivida por idiotas e vista por idiotas. Dizem, mas não conseguem deixar de vê-la até o último capítulo.
A novela tornou-se uma mania nacional, programa de milhões de famílias para depois do jantar. E o curioso é que, embora seus temas sejam atuais e os personagens se comportem como gente de hoje -vestem roupas da moda, usam celulares e computadores- parecem pertencer ao século passado, ou melhor, ao retrasado. É que são antigos os valores contra os quais se voltam, ou seja, combatem bravamente costumes e sentimentos que só existem na subliteratura do velho folhetim. 
Na vida real, ninguém vive tais problemas nem adota tais atitudes.
Um chavão do gênero são os olhos sempre lacrimejantes dos personagens, particularmente os femininos. Se é um personagem sofredor, tem os olhos sempre molhados de lágrimas, peito arfante, expressão comovida, prestes a explodir em soluços. São, de fato, seres especiais, uma vez que, com tantos anos de vida que tenho, muito raramente vi alguém chorando, a não ser criança manhosa, mas era choro para chantagear a mãe, coisa saudável, sem nenhum sentimentalismo. Na novela, se o espectador se distrai, tem a impressão de que aqueles olhos molhados e o nariz vermelho são sinais de resfriado. Ideia absurda, pois se há uma coisa impossível é algum personagem de novela se gripar. Não me lembro de nenhum caso.
Esse clima sentimentaloide, que nada justifica, parece ser essencial à novela, cujo objetivo principal é comover o telespectador e, para consegui-lo, força a mão e passa do sentimento verdadeiro ao sentimentalismo exagerado que, na verdade, falsifica a emoção. E isso não é tido como subliteratura, mas como um gênero que leva o nome de melodrama.
Outro traço típico da novela é a anti-dramaturgia. Como se sabe, o que caracteriza a boa dramaturgia é a economia de cenas e diálogos: toda fala e toda cena deve fazer avançar a ação dramática. Não há por que botar os personagens para agir à toa ou falar coisas que não interessam ao telespectador, já que não fazem andar a história. No teatro, no cinema, isso não ocorre e, se ocorre na novela, é porque ela tem que durar meses e meses, enquanto uma peça ou um filme duram entre uma hora e meia e duas horas. Não existe dramaturgia para 180 ou 200 capítulos. Daí por que os teledramaturgos são obrigados e criar núcleos e enredos paralelos à história central, a única que de fato interessa ao telespectador. É por essa razão que, quando entra em cena um desses núcleos secundários, o pessoal aproveita para ir ao banheiro ou à cozinha tomar um cafezinho.
Diga-se, a bem da verdade, que se a novela é como é, a culpa não cabe ao autor ou diretor nem muito menos aos atores, cujos talentos a fizeram ganhar tanta popularidade. A culpa é do gênero mesmo, que se tornou mais e mais um produto comercial, apoiado em estereótipos.&lt;/b&gt;

</description>
            <link>http://joao.tipos.com.br/posts/2009/01/19/sobre-o-tema-novela/</link>
        </item>

        <item>
            <category />
            <title>Eu sou fã do juiz Esdras Neves</title>
            <pubDate>Wed, 14 Jan 2009 11:49:15 -0200</pubDate>
            <description>Saiu na Folha de S. Paulo de hoje:

&lt;b&gt;Aluna é condenada a indenizar professor em R$ 5.000 por xingamento 

LARISSA GUIMARÃES
DA SUCURSAL DE BRASÍLIA 

Um professor universitário de Brasília conseguiu na Justiça que sua ex-aluna lhe pagasse uma indenização por tê-lo xingado e ameaçado fisicamente após ela ter sido flagrada colando em uma prova.
A 1ª Turma Recursal do Tribunal de Justiça do DF condenou, por unanimidade, a ex-aluna do curso de direito Sandra de Sousa a pagar R$ 5.000 por danos morais ao professor Alexssander de Oliveira, 25. Não cabe recurso.
Na decisão de primeira instância, a universitária havia sido condenada a pagar R$ 3.000, mas tanto ela quanto o professor recorreram. A 1ª Turma Recursal do TJ-DF aumentou o valor.
"Ninguém pode ser destratado, tampouco tornar-se motivo de chacota, por quem quer que seja, sobretudo diante de grande público que, por medida de costume, lhe deve obediência e respeito hierárquico", diz o relator do processo, o juiz Esdras Neves, no acórdão.
O professor disse que ajuizou a ação em 2007 por ter ficado "estarrecido" com a atitude da aluna. "Ela me chamou de babaca, moleque e usou até palavrão. Disse que iria me bater na saída da aula", contou. A advogada do professor, Raquel Queiroz, afirmou que há poucos casos como o de seu cliente.
Procurada pela Folha, Sandra informou que não iria comentar o caso. No recurso, ela afirmou que foi abordada de forma desrespeitosa e constrangedora pelo professor e que só o chamou de "babaca" por entender que o termo não era ofensivo.&lt;/b&gt; 
</description>
            <link>http://joao.tipos.com.br/posts/2009/01/14/eu-sou-fa-do-juiz-esdras-neves/</link>
        </item>

        <item>
            <category />
            <title />
            <pubDate>Wed, 14 Jan 2009 11:02:22 -0200</pubDate>
            <description />
            <link>http://joao.tipos.com.br/posts/2009/01/14/post_3/</link>
        </item>

        <item>
            <category><a href="/posts/tag/a+favorita" rel="tag">a favorita</a> <a href="/posts/tag/aguinaldo+silva" rel="tag">aguinaldo silva</a> <a href="/posts/tag/cininha+de+paula" rel="tag">cininha de paula</a> <a href="/posts/tag/elisangela" rel="tag">elisangela</a> <a href="/posts/tag/gloria+perez" rel="tag">gloria perez</a> <a href="/posts/tag/partido+alto" rel="tag">partido alto</a> <a href="/posts/tag/vila+sesamo" rel="tag">vila sesamo</a> </category>
            <title>Pertinho de você</title>
            <pubDate>Wed, 14 Jan 2009 10:50:48 -0200</pubDate>
            <description>Uma das boas atrizes da Globo, sempre mal aproveitada nas novelas, é a Elisângela. A moça começou lá no final dos anos 60 com a Vila Sésamo e já provocou bons momentos nas novelas. Mas sempre esteve ligada a personagens do gênero gostosona, perua, papa anjo ou cafetina, como agora em &lt;b&gt;A Favorita. &lt;/b&gt;

Para mim, Elisângela simplesmente roubou a cena em &lt;b&gt;Partido Alto&lt;/b&gt;, novela de Glória Perez e Aguinaldo Silva, exibida em 1984. Na trama, ela era Cidinha, a irmã bonita de Cininha de Paula, Salete. Cidinha participava e ganhava todos os concursos de beleza, mas o sonho principal era ser destaque da escola de samba, um dos núcleos da trama. Toda vez que via a irmã fazer algum sucesso, baixava um tal de Exu em Salete, que, invariavelmente, destruía as roupas e atacava Cidinha, na tentativa de impedi-la de mais uma vitória. Já em si, Salete pedia perdão, colocava toda a culpa no Exu e ficava tudo certo.  Impagável.

Em 1978, Elisângela resolveu lançar-se como cantora. Que eu me lembre, foi apenas uma música e de muito sucesso. Fuçando do baú do Santo Youtube, encontrei o clipe que ela gravou para divulgar a música no &lt;b&gt;Fantástico&lt;/b&gt;. Aprecie sem moderação....

&lt;object width="425" height="344"&gt;&lt;param name="movie" value="http://www.youtube.com/v/zTT_Vf7RUEs&amp;hl=pt-br&amp;fs=1"&gt;&lt;/param&gt;&lt;param name="allowFullScreen" value="true"&gt;&lt;/param&gt;&lt;param name="allowscriptaccess" value="always"&gt;&lt;/param&gt;&lt;embed src="http://www.youtube.com/v/zTT_Vf7RUEs&amp;hl=pt-br&amp;fs=1" type="application/x-shockwave-flash" allowscriptaccess="always" allowfullscreen="true" width="425" height="344"&gt;&lt;/embed&gt;&lt;/object&gt;
&lt;strong&gt;- 0 –&lt;/strong&gt;

Sim, apesar de não gostar, estou vendo os últimos capítulos &lt;b&gt;d’A Favorita&lt;/b&gt;. E ontem, mais um furo de roteiro lamentável. Elias, o prefeito da fictícia Triunfo, nomeou Didu secretário de ação social. E disse-lhe, com todas as letras: quando eu me ausentar, você fica no meu lugar. Sim, é isso mesmo, caros leitores deste blogue. Em Triunfo não existe vice-prefeito, nem presidente da Câmara de Vereadores. 

Tudo bem, tudo bem, como me explicou o &lt;a href="http://zero.tipos.com.br/"&gt;Beto&lt;/a&gt;, que entende quase tudo de política. Caso não tenha vice-prefeito ou presidente da câmara em condições de assumir o cargo, aí sim, o prefeito pode nomear alguém da vontade dele. Mas nada disso foi explicado na novela. Simples assim. 
</description>
            <link>http://joao.tipos.com.br/posts/2009/01/14/pertinho-de-voce/</link>
        </item>

        <item>
            <category><a href="/posts/tag/a+favorita" rel="tag">a favorita</a> <a href="/posts/tag/donatela" rel="tag">donatela</a> <a href="/posts/tag/flora" rel="tag">flora</a> <a href="/posts/tag/joao+emanuel+carneiro" rel="tag">joao emanuel carneiro</a> <a href="/posts/tag/lilia+cabral" rel="tag">lilia cabral</a> <a href="/posts/tag/patricia+pillar" rel="tag">patricia pillar</a> </category>
            <title>Gosto de fantasia, repudio o falso absurdo</title>
            <pubDate>Tue, 13 Jan 2009 15:23:42 -0200</pubDate>
            <description>&lt;strong&gt;A Favorita&lt;/strong&gt; chega à reta final com bons números de audiência. Mais do que isso, conseguiu sucesso, pois nas ruas não se fala em outra coisa que não seja Flora e respectivas maldades. 

Gostei da novela logo no início, mas perdi o entusiasmo mesmo antes da revelação da verdadeira vilã. Para mim, inclusive, foi uma boa sacada, invertendo um pouco a tradicional forma de se contar o folhetim. Volta e meia via um capítulo, por gostar de novela e também para ter um pouco de assunto. Neste último mês, tenho acompanhado com mais freqüência e me irritado bastante.

Não, não vou falar dos absurdos erros de roteiro, como a Flora negociar as ações da empresa uma semana após a morte de Gonçalo, sem que para isso fosse feito um inventário – algo que, na melhor das hipóteses (registre-se aí família com poucos bens, o que não foi o caso) demora cerca de 90 dias, os erros de localização e deslocamento dos personagens, alguns erros de concordância nominal na boca da Irene, nem daquela cena patética da Flora mandando o Silveirinha arrumar as malas para fugir do muquifo, ele se esquivar e, ato contínuo, as malas e roupas estarem todas arrumadas. 

Três coisas me irritam sobremaneira nessa trama de João Emanuel Carneiro, ao que consta elevado à categoria de novelista de talento precoce e, a partir dessa novela, talvez permaneça no olimpo dos autores da Globo:

1)	todas as deduções do núcleo principal são absolutamente como as coisas se deram. Aconteceu um problema? Donatela supõe o passo a passo da ação, sem nenhuma margem de erro.
2)	O novelista que tem no Carmo Dalla Vechi, o ator fetiche, como relatou a Veja desta semana, ou amigo íntimo, como destacou Daniel Castro, na Folha de S. Paulo, fará de Orlandinho, um ex-gay. Bom... certamente você não conhece um ex-gay. Até porque, como também escreveu o Marcelo Rubens Paiva na mesma Folha de S. Paulo na década de 90 (provocando reações intempestivas nos leitores) “dar o rabo” é uma experiência muito forte e, depois do ato consumado, não há caminho de volta. Gay não pode ser feliz com a própria sexualidade, é isso?
3)	O falso moralismo em torno do tesão. Dedina era casada com o prefeito e sentiu vontade de ficar com o Damião. Foi lá, transou, refestelou-se, lambeu os beiços. Tudo era muito carnal até os amantes serem descobertos. Num primeiro momento, o marido perdoou-a. Como ela sentiu tesão de novo, apanhou, foi arrastada pelos cabelos, perambulou pela cidade como mendiga, deu sinais de ser louca para acabar morta numa cama, fazendo o amante e o marido se reconciliarem, praticamente se auto denominando uma cadela sarnenta da pior espécie. Damião, o que comeu a mulher do amigo, é um anjo de candura e bondade e, não podendo fugir à obrigação de macho, cumpriu com o papel que se esperava dele. Faça-me o favor. 

As duas únicas coisas que eu gosto d’A Favorita:
- a soberba interpretação da Patrícia Pillar, a despeito do texto pobre e chinfrim da personagem e de eu detestar vilões que são apenas pérfidos o tempo todo;
- a magnífica presença de Lília Cabral, que transformou Catarina na personagem mais interessante da novela. 

Por último, nem parece que a novela é escrita pela mesma pessoa. Ontem, por exemplo, enquanto Catarina e Estela tiveram uma cena linda, delicada, sem excessos, Donatela fazia caras e bocas, vomitava palavras que não convenciam nem a avó dela. Vamos combinar... a Flora apaixonada pela Donatela é de doer. 
</description>
            <link>http://joao.tipos.com.br/posts/2009/01/13/gosto-de-fantasia-repudio-o-falso-absurdo/</link>
        </item>

        <item>
            <category />
            <title>O presente mais bonito é viver, é querer bem...</title>
            <pubDate>Wed, 14 Jan 2009 11:03:13 -0200</pubDate>
            <description>Bom... a história da Clara talvez tenha mais um capítulo, tão logo a minha criatividade permita e a preguiça também.

Hoje estou em Palotina, sudoeste do Paraná, certamente uma das cidades mais quentes do universo. E estou me sentindo triste, como sempre nesta época do ano.

Fuçando na internet, encontrei uma das mensagens de natal mais bacanas dos últimos tempos. Tanto que anos atrás, coloquei a letra num post de papai noel e que até hoje, volta e meia, alguém o descobre.

Portanto, meu presente de Natal para quem me visita virtualmente, é o vídeo abaixo:

&lt;a href="&lt;object width="425" height="344"&gt;&lt;param name="movie" value="http://www.youtube.com/v/AfDfpKSWuHk&amp;hl=pt-br&amp;fs=1"&gt;&lt;/param&gt;&lt;param name="allowFullScreen" value="true"&gt;&lt;/param&gt;&lt;param name="allowscriptaccess" value="always"&gt;&lt;/param&gt;&lt;embed src="http://www.youtube.com/v/AfDfpKSWuHk&amp;hl=pt-br&amp;fs=1" type="application/x-shockwave-flash" allowscriptaccess="always" allowfullscreen="true" width="425" height="344"&gt;&lt;/embed&gt;&lt;/object&gt;</description>
            <link>http://joao.tipos.com.br/posts/2008/12/23/o-presente-mais-bonito-e-viver-e-querer-bem/</link>
        </item>

        <item>
            <category />
            <title>Clara</title>
            <pubDate>Tue, 02 Dec 2008 10:39:09 -0200</pubDate>
            <description>Final de tarde, Clara está debaixo de uma ducha. Ela desliza o sabonete pelo corpo carinhosamente, como um ritual de prazer. Passa o sabonete debaixo dos seios, faz uma ligeira massagem. Sorri ao fazer um coração no vidro do box encoberto pelo vapor do banheiro. Enxágua os cabelos e o corpo pela última vez, fecha a torneira, retira o excesso de água do corpo. Sai do box, pega a toalha cor-de-rosa felpuda e se enxuga sem muita pressa. Coloca a toalha no cabide e sai do banheiro completamente nua.

No closet, vê-se refletida num espelho grande, do teto ao piso, faz pose e fica satisfeita com o que observa. Pega um hidratante Lancôme, passa-o pelo colo, barriga, braços e pernas. Dá alguns saltitos de alegria. Abre uma gaveta, pega uma calcinha de algodão branca e detalhes floridos em vermelho. Coloca a calcinha com delicadeza, ajeita as dobrinhas, observa pelo espelho se ficou bem no bumbum redondo, observa os detalhes pelo espelho e sorri de satisfação. Pega o sutiã que combina com a calcinha, coloca-o e faz outra pose para aprovar a combinação que vê no espelho. Descalça, sai do closet.

Na cozinha, Clara abre a geladeira e pega um copo com a logomarca Coca-Cola, cheio e toma-o num só gole. Fecha a geladeira, suspira com certo alívio. Sai da cozinha e logo na sala de TV, liga o aparelho de som para tocar um CD da Sade. Seleciona a música três, Jezebel, aciona o player, aumenta o volume e sai da sala.

De volta ao closet, dá uma reboladinha infantil em frente ao espelho. Pega o secador e passa-o pelos cabelos encaracolados e na altura dos ombros, ajeitando-os com as mãos. Abaixa a cabeça para os cabelos ficarem para baixo, retorna à posição ereta, balança a cabeça para um lado e o outro e sorri aprovando o visual. Ouve-se o som da campainha, mas Clara finge não ouvir. Ela abre outra porta do armário, pega um vestido preto de alças, coloca-o e olha-se no espelho. Desaprova o que vê, tira o vestido e joga-o no chão. Mexe nos cabides e pega um mini vestido azul claro, com pequenas estampas geométricas. Coloca-o, observa os detalhes do vestido do corpo pelo espelho e balança a cabeça aprovando o visual. Ouve-se o som do telefone ao longe. Empolgada em se arrumar, Clara não faz menção de atendê-lo. Ela abre outra porta do armário e pega uma sandália prata, de saltos bem altos. Ouve-se a campainha com mais insistência. Clara não ouve e ajeita as tiras da sandália na perna. Pronta, desfila em frente ao espelho. Para. Ouve-se o som do telefone novamente. Clara vira-se de costas para o espelho e acena com a cabeça, aprovando o visual. Ouve-se o som da campainha outra vez. Clara pega uma bolsa tiracolo prata, coloca-a no ombro. Põe a mão na cintura. O telefone continua insistindo. Clara sorri e cai. O celular em cima do aparador começa a vibrar. Os olhos de Clara estão abertos e uma pequena espuma branca começa a sair pelo canto da boca. O celular cai do aparador.   
</description>
            <link>http://joao.tipos.com.br/posts/2008/12/02/clara/</link>
        </item>

        <item>
            <category />
            <title>Não se muda assim VI -</title>
            <pubDate>Fri, 28 Nov 2008 11:42:36 -0200</pubDate>
            <description>Véu na cabeça e prostrada diante de Deus, Dalva clamava forças para enfrentar a gravidade da situação que a vida lhe apresentara. Dez anos após escolher César como o pai dos dois filhos – Guilherme e Rodrigo – ela se via diante de uma escolha tão complicada quanto dolorida. 

A dica veio sem querer, quase ingênua, do filho mais velho, Guilherme, ao encontrar no computador da família, endereços pouco recomendáveis a uma criança. Uma vez instalada, a dúvida passou a corroer-lhe sistematicamente. Determinada, chamou César para mais uma franca conversa. Negação veemente e reafirmação do futuro que prometia ser eterno. 

O mesmo buço, os mesmos pêlos escuros nos braços, a mesma fé inabalável que Deus tudo provê. Naquela sala grande e bem decorada, Dalva simplesmente chorava resignada. Perdoou genuinamente e jamais lançou uma pergunta sobre o passado. Mulher de fibra, conseguia como poucas viver o presente, com uma ou outra projeção de futuro. Cada dia, um dia.

Assim, nunca soube que as fotos que recebeu no dia do noivado foram reveladas naquela famosa empresa que recebia e retornava filmes pelo Correio. Nem mesmo supôs que Marcelo fora um pedido que César fizera a Deus – como no filme &lt;em&gt;A Cor Púrpura &lt;/em&gt;– ao sair de uma frustrada noite de pegação numa boate gay paulistana. Também sequer imaginou que sites visitados na internet eram uma mera tentativa de distrair a atenção. E jamais desconfiou das muitas visitas de César à chácara da família. Nem mesmo no pior pesadelo, imaginou que o primo dela, caseiro da chácara, pudesse fornicar com o marido, pai zeloso e servo temente a Deus. 

- Pense bem nos seus filhos. Foi tudo que a mãe conseguiu dizer, quando Dalva ameaçou desabafar sobre o fato de César não procurá-la na cama havia mais de seis meses. 

Ao rever o álbum de fotografias do casamento, recuperou forças para continuar acreditando que ela, somente ela, era a única escolha na vida de César. 

&lt;em&gt;PS: Marcelo simplesmente sumiu da vida de César. Depois do noivado, nunca mais se teve alguma notícia dele.&lt;/em&gt;</description>
            <link>http://joao.tipos.com.br/posts/2008/11/28/nao-se-muda-assim-vi/</link>
        </item>

        <item>
            <category />
            <title>Não se muda assim V</title>
            <pubDate>Thu, 27 Nov 2008 17:39:25 -0200</pubDate>
            <description>Foram as mais amargas das horas, o que se sucedeu após a lépida saída de Marcelo daquele noivado cristão. César sentia o calor do sangue escorrendo têmpora abaixo, chorava compulsivamente sem conseguir encarar os familiares de frente. 

Um dos futuros padrinhos de casamento estendeu-lhe a mão para que ele se levantasse. Outra alma boa trouxe um pano velho para estancar aquele vermelho viscoso, que já ensopara o terno novinho e destruíra a camisa branca. – Vocês me perdoem, balbuciou César com o rosto entre as mãos, olhando para baixo.

- Desde quando isso vem ocorrendo, perguntou o pai dele sem nenhuma afetividade. César disse que desde que conheceu Deus como o legítimo e único Salvador da existência humana, colocara um ponto final naquela história. E que desde que lhe fora apresentado o amor de Dalva, tudo fazia parte do passado. Ainda refez o pedido de perdão, numa tentativa deprimente de considerar a história passada um erro, de que aquilo era uma mácula, mas que no fundo, ele era uma boa pessoa, de bom caráter, cumpridor dos deveres e compromissos. Negou-se a si mesmo para justificar o romance de oito anos vividos ao lado de Marcelo, com quem, inclusive, construíra um patrimônio com um apartamento e dois automóveis. 

A mãe dele foi a primeira a dizer que o perdoava,  seguida pela futura sogra. – O passado não importa. O que vale é o que você será daqui pra frente. A Dalva é minha única filha, querida, e eu te recebo também como um filho. As duas verteram lágrimas copiosas. 

O pai e o futuro sogro mantiveram silêncio sepulcral, apenas deram um abraço distante.

Dalva, visivelmente consternada, segurou-lhe as mãos e levantou-lhe o rosto para que ficassem olho no olho. Disse-lhe, de maneira clara e indubitável: o passado está morto. Eu preciso saber se a partir de agora, sou eu a sua escolha.

Com a voz embargada, César respondeu que sim. Dalva segurou o rosto dele com as duas mãos, beijou-o ternamente e afirmou diante de toda a família: Eis aqui o futuro pai dos meus filhos. 
</description>
            <link>http://joao.tipos.com.br/posts/2008/11/27/nao-se-muda-assim-v/</link>
        </item>

        <item>
            <category />
            <title>Não se muda assim IV</title>
            <pubDate>Wed, 26 Nov 2008 11:15:41 -0200</pubDate>
            <description>Olhos saltados e a garganta seca, César fixou o olhar na sacola que estava nas mãos do ex-amante. Algum tempo se passara desde a última briga e Marcelo não poderia estar pior. A musculação interrompida favoreceu a ampliação da barriga, a barba por fazer, a bermuda caindo - mostrando o início das nádegas - e aquela camiseta - dois números maior que o usual -  colaboravam para o visual asqueroso e sujo. 

Marcelo não disse mais nenhuma palavra. Caminhou até Dalva e entregou-lhe uma fotografia, retrato claro dele beijando César na boca. A “quase” noiva espanta-se e parece não entender o que está acontecendo. À mãe de Dalva, uma foto de César e Marcelo nus, abraçados. Recuperada do susto inicial a senhora coloca a mão na boca. Ao pai, Marcelo entrega o registro do exato momento em que ele comia César, de quatro, encostado no carro do então casal. O velho pergunta se aquilo era alguma brincadeira de mau gosto. Para a mãe de César, barbas e línguas se roçando e caras de volúpia. A serva de Deus sente um aperto no coração, falta-lhe o ar. O futuro sogro de Dalva descobre a intimidade do filho “fazendo besteira” numa banheira. O senhor fica completamente paralisado. A César, Marcelo entrega três fotografias, todas revelando as posições sexuais preferidas dos dois, e joga as outras tantas pela sala. Ninguém se atreve a pegar alguma, mas de soslaio, percebem tratar-se de álbum completo da vida íntima daquele casal. 

Antes de engolir seco, César sente o peso da mão de Marcelo em outro certeiro soco no rosto. Ouve apenas um “você não sabia com quem estava lidando” e cai da poltrona. Marcelo sai sem pressa alguma, sorrindo com o caos que instalara naquela cerimônia de noivado. Amarrotado e completamente descomposto, César passa a mão no rosto, percebe um pouco de sangue escorrendo, levanta a cabeça e se depara com os familiares olhando-o fixamente. Começa a chorar desesperadamente. 
</description>
            <link>http://joao.tipos.com.br/posts/2008/11/26/nao-se-muda-assim-iv/</link>
        </item>

        <item>
            <category />
            <title>Não se muda assim III</title>
            <pubDate>Tue, 25 Nov 2008 10:38:08 -0200</pubDate>
            <description>No quarto do apartamento, decorado tão discretamente como cabe a um bancário, César começa a tirar roupas de dentro do armário. É um ritual lento, de rememorar presentes, datas, situações. Só depois de cada uma das peças serem retiradas do lado esquerdo do guarda-roupa, ele começa a dobrar peça por peça. Chora, ao ver o pijama e as cuecas que ganhou no último dia dos namorados. Coloca as roupas em uma, duas, três, quatro malas. Tenta se apressar para evitar um encontro com Marcelo. Do criado mudo, retira a fotografia do porta-retrato. Era o registro da única viagem internacional que fizeram, Paris, um sonho realizado. Malas prontas, bem afiveladas, leva-as até a sala. Na estante, mais fotos com Marcelo no Rio de Janeiro, Fortaleza, Salvador. É impossível conter as lágrimas. Ao lado do telefone, o bloco de papel verde acolheu o último e lacônico recado: adeus.

Algum tempo depois, fim de tarde, Dalva espera César na saída do Banco. Ele usa uma camisa azul claro com gravata listrada, beijam-se suavemente e saem caminhando. Muito próximo, entram numa joalheria. São atendidos por uma bela moça de coque no cabelo e roupa sóbria. Sentam-se em frente a uma mesa de madeira escura. A vendedora traz um mostruário de alianças. Dalva pega uma, coloca no dedo, estica o braço, olha para as mãos, olha para César, os dois sorriem.

Foi o primeiro encontro entre as duas famílias, ambas tementes a Deus e servas na mesma igreja. A casa de Dalva, discretamente bem montada, ficava num sobrado e da rua podia-se ver o movimento na sala. Umas dez pessoas reunidas para celebrar o compromisso do casal. As mães dos noivos trocavam falsas intimidades, como convém num momento como este. Relembravam peraltices de Dalva e César, uma revelava manias dos dois, certas de que o casamento e a benção divina abrandariam quaisquer diferenças. 

Dalva evitou o penteado rabo de cavalo e ousou ostentar um coque trançado bem pomposo. Não descoloriu, nem se desfez do buço. César era o verdadeiro filho de Deus no terno preto, camisa branca e uma gravata listrada de azul. De mãos dadas e sentados no sofá de dois lugares, trocam carinhos e sorriem de felicidade. Antes que a mãe de César começasse a contar mais uma traquinagem do filho, o convescote é interrompido por uma voz forte e solene: boa noite. 

César reconheceu a voz, virou-se em câmera lenta, engoliu seco e parou: era Marcelo com um pérfido sorriso no rosto e uma pequena sacola nas mãos. 
</description>
            <link>http://joao.tipos.com.br/posts/2008/11/25/nao-se-muda-assim-iii/</link>
        </item>
    </channel>
</rss>
