<?xml version="1.0" encoding="UTF-8"?>
<rss xmlns:dc="http://purl.org/dc/elements/1.1/" version="2.0"><channel><description></description><title>trecker</title><generator>Tumblr (3.0; @olivettiblues)</generator><link>http://trecker.com.br/</link><item><title>the meantime</title><description>&lt;p&gt;&lt;a class="tumblr_blog" href="http://www.dictionaryofobscuresorrows.com/post/96032651218/the-meantime"&gt;dictionaryofobscuresorrows&lt;/a&gt;:&lt;/p&gt;
&lt;blockquote&gt;
&lt;p&gt;&lt;em&gt;n.&lt;/em&gt; the moment of realization that your quintessential self isn’t going to show up, which forces the role to fall upon the understudy, the gawky kid for whom nothing is easy, who spent years mouthing their lines in the wings before being shoved into the glare of your life, which is already well into its second act.&lt;/p&gt;
&lt;/blockquote&gt;</description><link>http://trecker.com.br/post/96142471780</link><guid>http://trecker.com.br/post/96142471780</guid><pubDate>Sat, 30 Aug 2014 00:55:29 -0300</pubDate></item><item><title>"I understand. That’s the trouble. I understand. I’ll understand all the time. All day and all night...."</title><description>“I understand. That’s the trouble. I understand. I’ll understand all the time. All day and all night. Especially all night. I’ll understand. You don’t have to worry about that.”&lt;br/&gt;&lt;br/&gt; - &lt;em&gt;Ernest Hemingway, &lt;em&gt;Winner Take Nothing&lt;/em&gt;  (via &lt;a class="tumblr_blog" href="http://narcosis.tumblr.com/"&gt;narcosis&lt;/a&gt;)&lt;/em&gt;</description><link>http://trecker.com.br/post/95793353840</link><guid>http://trecker.com.br/post/95793353840</guid><pubDate>Tue, 26 Aug 2014 00:30:47 -0300</pubDate></item><item><title>Robert Mankoff shares some cartoons inspired by his lifelong...</title><description>&lt;img src="http://41.media.tumblr.com/ae4d0bc683cbf00e387dd4cc8ed50911/tumblr_n9lqzlnqge1qlbdk8o1_500.jpg"/&gt;&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;&lt;p&gt;&lt;a href="http://nyr.kr/1oSng0i" target="_blank"&gt;&lt;span&gt;Robert Mankoff shares some cartoons inspired by his lifelong hypochondria&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;/p&gt;</description><link>http://trecker.com.br/post/93450969955</link><guid>http://trecker.com.br/post/93450969955</guid><pubDate>Thu, 31 Jul 2014 21:35:45 -0300</pubDate></item><item><title>darksilenceinsuburbia:

Leonce Raphael Agbodjelou. Untitled...</title><description>&lt;img src="http://36.media.tumblr.com/77eb395f735a57c84d863f0781f284a1/tumblr_mtdkpdbymq1qarjnpo1_500.jpg"/&gt;&lt;br/&gt; &lt;br/&gt;&lt;img src="http://36.media.tumblr.com/cf113753a28cbc8274cedcfa680a492f/tumblr_mtdkpdbymq1qarjnpo2_500.jpg"/&gt;&lt;br/&gt; &lt;br/&gt;&lt;img src="http://41.media.tumblr.com/08e21c9afdad4943deb707685299efb5/tumblr_mtdkpdbymq1qarjnpo3_500.jpg"/&gt;&lt;br/&gt; &lt;br/&gt;&lt;img src="http://41.media.tumblr.com/1229b3b2fa20d7f8a878dc90bd9f6f96/tumblr_mtdkpdbymq1qarjnpo4_500.jpg"/&gt;&lt;br/&gt; &lt;br/&gt;&lt;p&gt;&lt;a class="tumblr_blog" href="http://darksilenceinsuburbia.tumblr.com/post/61720412321/leonce-raphael-agbodjelou-untitled-vodou"&gt;darksilenceinsuburbia&lt;/a&gt;:&lt;/p&gt;
&lt;blockquote&gt;
&lt;p&gt;&lt;strong&gt;&lt;a href="http://www.saatchigallery.com/artists/leonce_raphael_agbodjelou_articles.htm"&gt;Leonce Raphael Agbodjelou&lt;/a&gt;&lt;/strong&gt;. Untitled (Vodou Series), 2011.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;span&gt;Leonce Raphael Agbodjelou’s photographs of the people of Porto-Novo, Benin (formerly Republic of Dahomey) are drawn from street life, his friends, family and studio customers. Benin is all about colour – Porto Novo is like a visual assault.In Leonce’s impressive portraits, wild combinations of locally designed Dutch imported textiles create extreme gradations between background, foreground, person and clothing. Leonce is part of a generation experiencing rapid change and his photographs capture the energy and unfettered zest for life of a people caught between tradition and progress. &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;a href="http://camarademocratica.blogspot.pt/"&gt;&lt;span&gt;Via&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;/p&gt;
&lt;/blockquote&gt;</description><link>http://trecker.com.br/post/92882830255</link><guid>http://trecker.com.br/post/92882830255</guid><pubDate>Fri, 25 Jul 2014 23:40:44 -0300</pubDate></item><item><title>Photo</title><description>&lt;img src="http://41.media.tumblr.com/tumblr_maf4la12NR1qhs2y1o1_500.jpg"/&gt;&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;</description><link>http://trecker.com.br/post/35736623105</link><guid>http://trecker.com.br/post/35736623105</guid><pubDate>Wed, 14 Nov 2012 20:02:39 -0400</pubDate></item><item><title>now double that feeling</title><description>&lt;p&gt;&lt;a href="http://chitlinsconcarne.tumblr.com/post/33585487791/untitled-by-emir-ozsahin-on-flickr" target="_blank"&gt;&lt;img align="middle" height="354" src="http://41.media.tumblr.com/tumblr_mbwdz0jlj31rj03d7o1_500.jpg" width="500"/&gt;&lt;/a&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;troço panaca, acreditar em controle e agir como se isso existisse.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;~.~&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;dizer, escrever, usar linguagem. faz um tempo que vontade imensa de não precisar dizer mais nada nunca porque dizer nunca vai muito além de tentar dizer e tem o outro ali que ouve/lê e dali em diante é problema dele, exceto quando não é bem assim e já vão uns anos não sendo bem assim e portanto sensação de uns anos sem ter dito nem uma palavra, mas falando aos montes todavia, sem parar. horror, calar a boca urgente.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;tenho uma pasta no Google Reader chamada MMS onde guardo imagens que gostaria de poder usar como resposta em conversas. [MMS é aquela sigla para mensagens multimidia enviadas pelo celular.] seria massa viver o bastante para não precisar mais dizer coisa alguma, apenas usar as imagens essas.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;por enquanto, praticamente só as uso em resposta a gente que sequer está falando comigo, na esperança que sirvam a mais alguém. é meio frustrante e meio que o oposto do objetivo original da coleção, mas a gente vive do jeito que dá.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;~.~&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;a gente vive do jeito que dá é bonito porque não é um dar de ombros, mas um reconhecer que se faz merda e, olha, desculpa, mas é a merda que tem pra hoje e vou fazer assim porque, afinal. depois a gente vê. não vou me tornar [vou sim, garanto, mas agora], já sou, ó. tou sendo. um, dois, e, fui. ser como eu gostaria de ser e atender aos meus padrões é demais pra mim. eu dizendo pra mim mesmo &amp;lsquo;hahaha te fode e guenta aí&amp;rsquo; e pro outro 'olha, queria conseguir agir de outra forma, da forma que eu acho certa, mas não deu&amp;rsquo;.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;~.~&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;tenho gastado muitas horas navegando quase a esmo no flickr. fotografia tirada pelos outros é um troço bacana pra cacete, porque só existe você. ler do jeito que der pra ser lida, imagem não se importa, não faz pergunta, não entende errado e tu não tem que te explicar depois e baixar mais caos. tenho um ranço imenso com as artes plásticas e talvez seja justamente por isso. fruição estética hahaha te fode e 'guenta aí. por algum motivo fotografia dos outros funcionou, e tem funcionado melhor que análise por enquanto, porque análise falar, usar linguagem e eita como demora. navegando quase a esmo no flickr pra tentar pescar coisas e colocar num canto, daí fiz um tumblr: &lt;a href="http://chitlinsconcarne.tumblr.com" target="_blank"&gt;chitlinsconcarne&lt;/a&gt;.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;legal do albinho é que me deixa lidar apenas com o ideal/idealizado, não precisa transpor nem traduzir nem tentar explicar nada. é isso, ó, é essa foto e aquela outra e estão aí porque sim. ó, essa, por exemplo, está aí porque eu quis colocar uma foto de uma pessoa que acabou de cair na água. o que eu quis dizer com isso é que eu achei uma foto de uma pessoa que acabara de cair na água.&lt;/p&gt;</description><link>http://trecker.com.br/post/35192442017</link><guid>http://trecker.com.br/post/35192442017</guid><pubDate>Wed, 07 Nov 2012 03:51:00 -0400</pubDate></item><item><title>LACÃO e o tempo de SESSAN</title><description>&lt;p&gt;não estive em outra linha de psicoterapia, mas, putamerda, quando o lacaniano diz &amp;ldquo;vamos ficar por aqui&amp;rdquo; e tu diz SIM POR FAVOR e pega a mochila e sai meio correndo desajeitado do lugar pra não ter que continuar falando nada e acende um cigarro e fuma até o ponto de ônibus e o ônibus chega imediatamente e todos os semáfaros abertos até o seu ponto e tu desce e acende outro cigarro e fuma do ponto até o portão da empresa e o portão tá aberto.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;acho que nada poderia ser mais justo e apropriado.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;img height="282" src="http://timkastelle.org/blog/wp-content/uploads/2012/05/wile-e-coyote.gif" width="320"/&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;cair, bicho, não importa quanto tempo leve pra se perceber que não há mais chão sob os pés. também me parece essa uma boa metáfora pro INSIGHT do analisado, que não tem motivo nenhum pra continuar elaborando nada, depois que acontece. não carece fazer prova dos nove, não carece explicar raciocínio. o bagulho já serviu, já encaixou, já tou caindo, ó, deixa logo eu pegar a mochila e ir embora e até segunda, obrigado.&lt;/p&gt;</description><link>http://trecker.com.br/post/34356021773</link><guid>http://trecker.com.br/post/34356021773</guid><pubDate>Fri, 26 Oct 2012 09:03:00 -0300</pubDate></item><item><title>objetivo atual</title><description>&lt;p&gt;descobrir ou estimular surgimento de mercado ilegal de apostas &amp;ldquo;esportivas&amp;rdquo; em motoristas de ônibus baseado em quantas pessoas foram derrubadas ou prejudicadas de alguma forma por conta de aceleração e freada brusca. pontuação diária de cada motorista deveria levar em conta escala de danos e/ou constrangimento causados.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;objetivo alternativo: desenvolver modalidade de WINDSURF praticada exclusivamente no interior de ônibus.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;&lt;img height="300" src="http://threegirlworld.files.wordpress.com/2010/08/ms-crabtree.jpg" width="400"/&gt;&lt;/p&gt;</description><link>http://trecker.com.br/post/32356898074</link><guid>http://trecker.com.br/post/32356898074</guid><pubDate>Wed, 26 Sep 2012 20:04:24 -0300</pubDate></item><item><title>muita gente não gosta muito de algo que caiba</title><description>&lt;p&gt;&amp;ldquo;É verdade. Às vezes, se pode ver na hora que está mais largo. Na maioria delas, talvez baixar um número faria com que ficasse apertado, mas não é raro que peçam para provar, digamos, o 39 e o 40, e você nota na hora que o certo seria o 38. A pessoa nem percebe. Prova o 39, dá uma volta, vai até ali o espelho, volta, prova o 40, repete o mesmo processo e escolhe o 39. A pessoa nem fala no 38, escolhe o 39 e leva.&amp;rdquo;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&amp;ldquo;Não sei. Tem gente que compra aqui há muito tempo. Tem um senhor que atendo há quase trinta anos. Aparece por aqui uma vez por ano, às vezes mais. Sempre que tem algum evento desses de família ou amigos, acaba vindo mais vezes ao longo do ano. Já foram formaturas, casamentos, batizados. Hoje em dia, mais velórios. Ele diz que se incomoda se não marcar a data com um novo sapato, então acaba comprando. Mas mesmo quando não acontece nada, uma vez por ano ele vem comprar um novo. Geralmente, perto do seu aniversário. Há trinta anos, todos os sapatos que ele comprou foram um número maior do que deveriam ser.&amp;rdquo;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&amp;ldquo;Acho que sim. A relação que cada um tem com seus próprios pés diz muito sobre a pessoa. Eu, por exemplo, nunca soube dormir de meias. E pode estar o frio que for, me cubro o corpo todo, mas meus pés precisam estar descobertos. Às vezes, se está muito frio, durmo mal porque preciso ficar cobrindo e descobrindo os pés durante toda a noite. De meias, não durmo.&amp;rdquo;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&amp;ldquo;Olha, acho que muita gente não gosta muito de algo que caiba. Esse senhor que atendo há trinta anos nunca reclamou. Mesmo quando ele compra um e, dali um mês, por conta de algum evento precisa comprar outro, não reclama quando volta. Acaba comprando o mesmo número um pouco maior que comprou da outra vez. Acho que ele nem percebe. Acho que ninguém percebe. Trabalho aqui há mais de cinquenta anos e isso tem se tornado cada vez mais comum, isso de comprar um número maior e não perceber. Tem gente que compra dois, três pares de sapatos de uma só vez, todos um número maior.&amp;rdquo;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&amp;ldquo;Eu percebo porque dá para ver. A pessoa, logo que calça os sapatos, dá aquela mexida nos dedos. Sempre dá para perceber. Outro indicador é o jeito de andar. Não com os sapatos novos, mas quando a pessoa chega. Quem está há algum tempo andando com sapatos um pouco maiores tem essa mania de dar uma ajeitadinha, como se empurrasse os pés um pouco para a frente. Não é o tempo todo, mas a cada tantos passos, todo mundo dá essa ajeitadinha. A gente percebe.&amp;rdquo;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&amp;ldquo;Pode ser. Eu lembro muito da minha avó materna, que tinha joanetes e dormia de meia mas, segundo minha mãe, quando chegava em casa com alguma nova peça de roupa ou alguma comida diferente para servir no jantar e meu avô a questionava, ela respondia que era agrado de alguma amiga. Por conta disso e dos joanetes, meu palpite é que minha avó também não se desse muito com sapatos mais ajustados ao pé.&amp;rdquo;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&amp;ldquo;Não sei se tem relação, mas isso de caber em algo, ou algo caber em você pode ser meio incômodo. Talvez seja porque parece definitivo e, definitivo, nada é. Talvez seja lembrete disso. Tenho minhas teorias, mas não sei dizer.&amp;rdquo;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&amp;ldquo;Sim, os jovens também. Mesmo os meninos mais novos, estão sempre comprando aqueles tênis grandões e coloridos ali. Com esses fica mais difícil perceber quando o cliente mexe os dedos ao calçar, por conta do enchimento, mas eu sei porque a mãe deles sempre pede um número menor do que aquele que o menino acaba dizendo que ficou mais confortável.&amp;rdquo;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&amp;ldquo;Não, não acho que tenha nada a ver com conforto. É como eu disse, talvez confortável mesmo hoje em dia seja não caber. Quer dizer, hoje em dia não, porque falei da minha avó, mas ela tinha joanetes e, no fundo, eu não sei se ela usava sapatos mais largos ou não. Foi só um palpite, por conta dos joanetes e daquilo de não assumir as coisas. Também para ilustrar essa minha teoria aí.&amp;rdquo;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&amp;ldquo;Acho que varia. Tem cliente que chega aqui com o cadarço bem apertado. Pode ser o momento da pessoa, estar precisando que os sapatos caibam, aí ela aperta bastante o cadarço. Com sapatos novos não, porque o couro ainda não cedeu, mas conforme ele vai ficando mais velho, tem cliente que chega com os ilhoses quase um sobre o outro, de tão apertado que amarrou.&amp;rdquo;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&amp;ldquo;Você acha? Eu não conseguiria. Se for verdade mesmo que significa algo, é só isso que a pessoa não gosta de caber, ou então que gosta de ser lembrada que não cabe. Às vezes até cabe, mas acha que não cabe e prefere continuar achando. Tem muito moço que compra sapatos maiores mas usa aquelas calças ou camisas mais justas ao corpo. Geralmente os mais magros, mas tem. Então acho que a pessoa pode até caber, mas não admite, sabe? Mas eu não conseguiria dizer muito sobre a personalidade da pessoa a não ser isso aí. Não é como ler mãos, né.&amp;rdquo;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&amp;ldquo;Sim, tem gente que &amp;lsquo;se ajeita&amp;rsquo; sim. Um moço comprou aqui uma vez um sapato para usar no casamento. Casamento dele mesmo, não de amigo nem parente. Ele trabalha aqui perto há uns cinco, seis anos anos, de vez em quando compra sapatos aqui. Quando nasceu o filho ele trouxe o menino para comprar um sapatinho para o batizado e comprou um para ele também. Aqui na loja, pelo menos, foi o primeiro sapato que ele comprou no número certo.&amp;rdquo;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&amp;ldquo;Não, o do menino estava grande, mas aí é porque é neném, né? Neném perde rápido.&amp;rdquo;&lt;/p&gt;</description><link>http://trecker.com.br/post/31783081061</link><guid>http://trecker.com.br/post/31783081061</guid><pubDate>Tue, 18 Sep 2012 02:36:00 -0300</pubDate></item><item><title>Bauman is our Susan Miller</title><description>&lt;p&gt;não é nem um pouco raro esbarrar em críticas de quem faz ciência à maneira como Bauman aborda os problemas que aborda (sem contar eterna negação da existência do pós-moderno). não acho nada disso importante, de verdade. só gosto do retratinho. Bauman, enquanto horóscopo, parece funcionar muito bem e, se funciona, tendência enorme de não importar valor científico e método (com licença, não faço ciência, mas legal que quem tá fazendo tenha opinião sobre isso, força aí para vocês), exatamente como, erm, horóscopo.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;há um &amp;ldquo;existir sem vínculos&amp;rdquo; que permeia muito. o sujeito que não se deixa definir pelo trabalho que tem, pelos cursos que fez, pelo conhecimento formal que tem, um interminável correr atrás de alguma identidade pra chamar de sua e, por conta disso, um eterno não assumir compromisso com coisa alguma. e aí cada um acha a saída que consegue (&amp;ldquo;a gente vive do jeito que dá,&amp;rdquo; etc), ainda que saibamos que só quem se pergunta &amp;ldquo;quem/o que sou eu?&amp;rdquo; pode ter esse tipo de dúvida inócua.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;mas aí quando Bauman fala da relação de intimidade, chega num ponto que beira tanto o clichezão, se aproxima tanto do óbvio, que chego a questionar real necessidade de problematizar. no primeiro obstáculo maior, não saber se há disposição em superá-lo em prol de uma &amp;ldquo;outra coisa&amp;rdquo; que não necessariamente existe (&lt;a href="http://picturesforsadchildren.com/post/2082979492" target="_blank"&gt;oi.&lt;/a&gt;) empurrando a desistência (ou fracasso) mais para cima na lista de soluções possíveis, só pra dali três ou cinco anos se ver na mesma situação. que diferença faz? responder que diferença faz me parece muito mais urgente do que responder se está disposto a resolver ou não. talvez se obrigar a colocar disposição a resolver como segunda pergunta seja um pouco mais razoável, porque lembrete que disposição a se adaptar ao convívio com o outro estará presente sempre que houver um outro. outro dia o &lt;a href="http://www.guardian.co.uk/culture/2012/jun/10/slavoj-zizek-humanity-ok-people-boring" target="_blank"&gt;Zizek, falando merda sobre a humanidade mas sendo um cara legal&lt;/a&gt;, citou Marx ao dizer que ao se divorciar, se estabelece retroativamente que o amor que existia não era &amp;ldquo;amor verdadeiro&amp;rdquo; (foi isso que Marx disse &lt;a href="http://www.marxists.org/archive/marx/works/1842/12/18.htm" target="_blank"&gt;aqui&lt;/a&gt;?). Rob Fleming, personagem central da obra máxima do clichezão do amor babaca e eternamente adolescente (e uma das minhas prediletas), Alta Fidelidade, do Nick Hornby, se pergunta &amp;ldquo;So what am I gonna do now, just keep jumping from rock to rock for the rest of my life until there aren’t any rocks left?&amp;rdquo;&lt;/p&gt;
&lt;blockquote&gt;
&lt;p class="p1"&gt;As relações interpessoais, com tudo que as acompanha – amor, parcerias, compromissos, direitos e deveres mutuamente reconhecidos –, são simultaneamente objetos de atração e apreensão, desejo e medo; locais de ambiguidade e hesitação, inquietação, ansiedade. Como apontei em outro texto (&lt;em&gt;Amor Líquido&lt;/em&gt;), depois do &amp;ldquo;Homem sem qualidades&amp;rdquo; de Robert Musil veio o nosso &amp;ldquo;homem sem vínculos&amp;rdquo; líquido-moderno. A maioria de nós, na maior parte do tempo, tem uma opinião ambígua sobre essa novidade que é &amp;ldquo;viver livre de vínculos&amp;rdquo; – de relacionamentos &amp;ldquo;sem compromisso&amp;rdquo;. Nós os cobiçamos e os tememos ao mesmo tempo. Não voltaríamos atrás, mas nos sentimos pouco à vontade onde estamos agora. Estamos inseguros quanto a como construir os relacionamentos que desejamos. Pior ainda, não estamos seguros quanto ao tipo de relacionamento que desejamos…&lt;/p&gt;
&lt;p class="p1"&gt;Creio que Erich Fromm captou esse dilema em sua essência quando observou que &amp;ldquo;a satisfação no amor individual não pode ser obtida &amp;hellip; sem uma verdadeira humildade, coragem, fé e disciplina&amp;rdquo;, para acrescentar, com tristeza, que, &amp;ldquo;numa cultura em que essas qualidades são raras, atingir a capacidade de amar continua sendo uma rara realização&amp;rdquo;. Amar significa estar determinado a compartilhar e fundir duas biografias, cada qual portando uma carga diferente de experiências e recordação, e cada qual seguindo o seu próprio rumo. Justamente por isso, significa um acordo sobre o futuro e, portanto, sobre &lt;em&gt;um grande desconhecido&lt;/em&gt;. Em outras palavras, como Lucan observou dois milênios atrás e Francis Bacon repetiu muitos séculos depois, significa fornecer reféns ao destino. Também significa fazer-se dependente de outra pessoa dotada de igual liberdade de escolha e da vontade de seguir essa escolha – e portanto cheia de surpresas, imprevisível.&lt;/p&gt;
&lt;/blockquote&gt;
&lt;p class="p1"&gt;~.~&lt;/p&gt;
&lt;blockquote&gt;
&lt;p class="p1"&gt;Animais ou humanos, parceiros ou de estimação – será que importa? Todos eles estão aqui pelo mesmo motivo: satisfazer (pelo menos é para isso que os mantemos). Se não o fizerem, não têm finalidade alguma e portanto nenhuma razão para estarem aqui. Anthony Giddens declarou brilhantemente que a antiga idéia romântica de amor como uma parceria exclusiva &amp;ldquo;até que a morte nos separe&amp;rdquo; foi substituída, no decorrer da libertação individual, pelo &amp;ldquo;amor confluente&amp;rdquo; – uma relação só dura enquanto permanece a satisfação que traz a ambos os parceiros, e nem um minuto mais. No caso dos relacionamentos, você deseja que a &amp;ldquo;permissão para entrar&amp;rdquo; venha acompanhada da &amp;ldquo;permissão para sair&amp;rdquo; no momento em que não haja mais razão para ficar.&lt;/p&gt;
&lt;p class="p1"&gt;Giddens considera libertadora essa mudança na natureza dos relacionamentos: os parceiros agora estão livres para saírem em busca de satisfação em outro lugar se não conseguem obtê-la, ou não a obtêm mais, com a relação atual. O que ele não mencionou é que, como o início de um relacionamento exige consentimento mútuo, ao passo que a decisão de um dos parceiros é suficiente para encerrá-lo, toda parceria está fadada a ser permanentemente derrotada pela ansiedade: e se a outra pessoa se aborrecer antes de mim? Outra consequência não percebida por Giddens é que a disponibilidade de uma saida facil é em si um terrível obstáculo à satisfação no amor. Torna o tipo de esforço de longo prazo que essa satisfação exigiria muito menos provável, tendente a ser abandonado bem antes que uma conclusão gratificante possa ser alcançada, rejeitado como algo que não vale a pena ou desprezado em função de um preço que ninguém vê razão para pagar em virtude dos substitutos aparentemente mais baratos disponíveis no mercado.&lt;/p&gt;
&lt;/blockquote&gt;
&lt;p class="p1"&gt;trechos de &lt;a href="http://www.livrariacultura.com.br/scripts/resenha/resenha.asp?nitem=5038740&amp;amp;sid=1893365861072631644255353&amp;amp;k5=143A5C5E&amp;amp;uid=" target="_blank"&gt;Identidade: Entrevista a Benedetto Vecchi&lt;/a&gt;, livretinho delícia em que Bauman VOA muito, mas vez em quando também passa rente ao chão a ponto do leitor ter vontade de grifar e anotar interrogação imensa: mas não é óbvio, isso? não grifa porque é emprestado de um amigo, o que leva a pensar que também existe o sujeito que talvez não veria problema em se definir pelas amizades que possui, botar lista de contatos no RG, etc.&lt;/p&gt;</description><link>http://trecker.com.br/post/31607185888</link><guid>http://trecker.com.br/post/31607185888</guid><pubDate>Sat, 15 Sep 2012 17:13:00 -0300</pubDate></item><item><title>dos quase trinta</title><description>&lt;p&gt;pouco mais de um ano e faço trinta. falta pouco pra poder listar tudo que não aconteceu, carimbar com “neguinho que projetou tudo isso aí não trabalha pra mim tem mais de sete anos,” dar uma cusparada no chão pela primeira vez na vida (nunca me vi em posição que justificasse cusparada cinematográfica no chão, mas sempre almejei esse momento), tropeçar numa elevação irregular no meio da rua e continuar travessia fingindo que estava mesmo era gingando notorious + bone thugs ou qualquer outra coisa nos fones sem olhar para os motoristas que aguardarão impacientes os doze segundos de farol aberto para pedestres e seguir caminho. vontade era já adiantar um pedaço da lista pra quando chegar lá ter ao menos um motivo para não registrar, porém: &lt;strong&gt;não&lt;/strong&gt;.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;&lt;iframe frameborder="0" height="315" src="http://www.youtube.com/embed/p8zwE3qkhTA" width="420"&gt;&lt;/iframe&gt;&lt;/p&gt;</description><link>http://trecker.com.br/post/31355090889</link><guid>http://trecker.com.br/post/31355090889</guid><pubDate>Tue, 11 Sep 2012 18:22:51 -0300</pubDate></item><item><title>PETRECHO</title><description>&lt;p class="p1"&gt;&lt;strong&gt;petrecho&lt;/strong&gt; | &lt;em&gt;s. m. &lt;/em&gt;&lt;/p&gt;
&lt;ol&gt;&lt;li&gt;Munição, instrumento ou utensílio de guerra. (Mais usado no plural.)&lt;/li&gt;
&lt;li&gt;Instrumento ou objeto necessário para executar uma atividade. = FERRAMENTA, UTENSÍLIO&lt;/li&gt;
&lt;li&gt;Meio necessário para executar ou obter alguma coisa. = FERRAMENTA, INSTRUMENTO&lt;/li&gt;
&lt;/ol&gt;&lt;p class="p1"&gt;Sinônimo Geral: APETRECHO&lt;/p&gt;
&lt;p class="p1"&gt;&amp;mdash;-&lt;/p&gt;
&lt;p class="p1"&gt;depois de muito brigar tentando simular alguma fidelidade a autores, ou existência de lista de autores favoritos — li mais de um livro de muito poucos, não faço a mínima idéia do que gosto ou desgosto, etc —, resolvi pegar a esmo fotografias 600x800 p&amp;amp;b para usar como proteção de tela do Kindle.&lt;/p&gt;
&lt;p class="p1"&gt;tenho respeito pelos direitos das pessoas, mas não lembro muito quem tem aí. Sei que tem muitas do &lt;a href="http://www.flickr.com/photos/ruipalha/" target="_blank"&gt;Rui Palha&lt;/a&gt;, gente que se inspirou no Cartier-Bresson, uma do Alfred Stieglitz, e uns dois japoneses.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;&lt;iframe class="imgur-album" frameborder="0" height="550" src="http://imgur.com/a/blooc/embed" width="100%"&gt;&lt;/iframe&gt;&lt;/p&gt;</description><link>http://trecker.com.br/post/30589687060</link><guid>http://trecker.com.br/post/30589687060</guid><pubDate>Fri, 31 Aug 2012 12:42:33 -0300</pubDate></item><item><title>Cypress Hill - Insane in the Chromatophores</title><description>&lt;p&gt;&lt;iframe frameborder="0" height="315" src="http://www.youtube.com/embed/G-OVrI9x8Zs" width="500"&gt;&lt;/iframe&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;obrigado, ciência.&lt;/p&gt;
&lt;blockquote&gt;
&lt;p&gt;During experiments on the axons of the Woods Hole squid (loligo pealei), we tested our cockroach leg stimulus protocol on the squid&amp;rsquo;s chromatophores. The results were both interesting and beautiful. The video is a view through an 8x microscope zoomed in on the dorsal side of the caudal fin of the squid. We used a suction electrode to stimulate the fin nerve. Chromatophores are pigmeted cells that come in 3 colors: Brown, Red, and Yellow. Each chromatophore is lined with up to 16 muscles that contract to reveal their color.&lt;/p&gt;
&lt;/blockquote&gt;</description><link>http://trecker.com.br/post/30109916624</link><guid>http://trecker.com.br/post/30109916624</guid><pubDate>Fri, 24 Aug 2012 14:08:00 -0300</pubDate></item><item><title>felizes no trabalho</title><description>&lt;p&gt;manauara mandou o aviso lá na rede social.&lt;/p&gt;
&lt;blockquote class="twitter-tweet"&gt;
&lt;p&gt;Artistas são mais felizes no trabalho do que o resto de nós &lt;a href="http://wp.me/p2FXJs-1e"&gt;http://wp.me/p2FXJs-1e&lt;/a&gt;&lt;/p&gt;
— T. Silva (@sonnengotter) &lt;a href="https://twitter.com/sonnengotter/status/238365042955935745" data-datetime="2012-08-22T17:00:00+00:00"&gt;22 de Agosto, 2012&lt;/a&gt;&lt;/blockquote&gt;
&lt;script charset="utf-8" src="//platform.twitter.com/widgets.js" type="text/javascript"&gt;&lt;/script&gt;&lt;p&gt;parem, PAREM.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;daí que vem identificação ubíqua com imbecilidade de &lt;em&gt;Into the Wild&lt;/em&gt; e &amp;ldquo;ninguém quer trabalhar, todo mundo quer ser artista.&amp;rdquo; é isso. eterna dúvida entre desejar o trabalho manual, de peão, que acaba quando termina, e desejar o trabalho do artista, que termina quando começa (já que produzir arte é botar pra fora, e não trazer pra dentro e fazer ocupar um espaço que se preferia não ceder). não, não. trabalho é outra coisa.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;filminho ideal de vida de um monte, esse &lt;em&gt;Into the Wild&lt;/em&gt;. talvez o molecão que fugiu do mundo pra ficar lendo merda e morrer sozinho tenha chegado um pouco cedo. veio do jeito que vem aviso: ó, ali na frente, galera vai querer fazer essa parada aqui, ó, vai achar maior bonito isso aqui que eu tou fazendo, porque é bem mais fácil não se entender isolado no mato e morrendo de imbecilidade crônica. vão até chorar com musiquinha bonita do Eddie Vedder. agora é que era a hora, agora é que neguinho tá perdido, adolescendo até os quarenta, quando não tem mais jeito de terminar processo de forma natural. não se deixando definir pelo que faz, pelo trabalho que tem &amp;ldquo;não, eu trabalho com isso, mas eu não sou isso. é só trabalho. não admito que isso sirva de moldura para o que eu sou. quero ser artista, &lt;a href="http://thelastpsychiatrist.com/2012/04/why_we_love_sociopaths.html" target="_blank"&gt;QUERO SER O DON DRAPER&lt;/a&gt;.&amp;rdquo;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;não, obrigado. podem ficar com a felicidade, os artistas.&lt;/p&gt;</description><link>http://trecker.com.br/post/29990897908</link><guid>http://trecker.com.br/post/29990897908</guid><pubDate>Wed, 22 Aug 2012 19:17:06 -0300</pubDate></item><item><title>that's love</title><description>&lt;blockquote&gt;“ [&amp;hellip;] if you could save the person from ever having another splinter in her finger, you’d run around the world laminating all the wood with a fine, transparent surface, just to save her from that splinter. That’s love.”&lt;/blockquote&gt;
&lt;p&gt;(A Fraction of the Whole - Steve Toltz)&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;porque é bem assim. e por mais que auto-crítica me faça ter a certeza de que isso é, no fundo, mais um exemplo de quão egoísta e/ou egocêntrico eu posso ser (a ponto de EXIGIR que eu seja capaz de resolver absolutamente todos os seus problemas), me agrada porque é mais uma maneira de te colocar incrustada no meu córtex. nada que me ponha a pensar em ti pode ser de todo ruim. eu gostaria de conseguir (e me esforço) deitar do teu lado e simplesmente compartilhar silêncio em momentos difíceis. meu único jeito de fazer isso é exercitar mentalmente todas as maneiras que eu puder imaginar para e eliminar toda dificuldade. é isso, é a necessidade de lixar cuidadosamente todas as superfícies e arredondar todos os cantos, de tornar tudo mais leve.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;guria, você me faz querer voltar para casa. o tempo todo. não faz sentido estar em nenhum outro lugar.&lt;/p&gt;</description><link>http://trecker.com.br/post/24956268294</link><guid>http://trecker.com.br/post/24956268294</guid><pubDate>Tue, 12 Jun 2012 12:31:42 -0300</pubDate></item><item><title>Abaixo do paralelo 30</title><description>&lt;p&gt;&lt;span&gt;&lt;span&gt;O mais chegado sabe  que, ao menos agora, não sou mais dado a grandes ambições. Em  especial quando me penso abaixo do paralelo trinta: urbano ou rural, qualquer destino me parece imenso.&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;Isso para dizer que  cada despedida, cada corrida de taxi em que a guria me acompanha da  Cidade Baixa até o Salgado Filho me ocorre como momento decisivo. É  quando o carro passa sob a placa que diz &amp;ldquo;&lt;span class="il"&gt;Guaíba&lt;/span&gt; / Argentina / Uruguai&amp;rdquo; com uma seta indicativa. Toda vez.&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;Toda vez me parece estar prestes a sair, se eu não me segurar, um &amp;ldquo;Vira aqui&amp;rdquo; definitivo.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;</description><link>http://trecker.com.br/post/12423910096</link><guid>http://trecker.com.br/post/12423910096</guid><pubDate>Sun, 06 Nov 2011 13:08:12 -0400</pubDate></item><item><title>não vi Pearl Jam novamente e estou (de verdade) impressionado com a passividade com que lidei com a...</title><description>&lt;p&gt;não vi Pearl Jam novamente e estou (de verdade) impressionado com a passividade com que lidei com a possibilidade de ver, desde que surgiu a notícia. [ou: &lt;em&gt;La Possibilité d'une île&lt;/em&gt; — que também não li e estou (de verdade) impressionado com a passividade com que lidei com a possibilidade de ler, desde que soube da existência ao ler sobre disco do Iggy Pop inspirado por*.]&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;strong&gt;*&lt;/strong&gt; não ouvi o disco do Iggy Pop inspirado por.&lt;/p&gt;</description><link>http://trecker.com.br/post/12356396085</link><guid>http://trecker.com.br/post/12356396085</guid><pubDate>Sat, 05 Nov 2011 01:01:00 -0300</pubDate></item><item><title>Melancholia</title><description>&lt;p&gt;Foi lendo &lt;em&gt;Angústia&lt;/em&gt;, de Graciliano Ramos, que entendi meu não saber o que dizer de &lt;em&gt;Melancholia&lt;/em&gt;. O filme mostra e mostra  mais, me bota observador. Não &lt;em&gt;voyeur&lt;/em&gt;, não me bota ali vendo  escondido. Empacota a coisa de um jeito doído e é uma dor que a  curiosidade do escondido abafaria. Não é isso. Como observador, mas  também não faz questão de esclarecer se observador bem-vindo, com alguma intimidade  ou não. Porque pouco importa. &lt;em&gt;Melancholia&lt;/em&gt; causa a mesma reação, o mesmo  não saber o que fazer de uma versão ao vivo, o mesmo não saber se deve  abraçar de um jeito meio agressivo a pessoa deprimida até que se consiga reduzir sua circulação nos braços ou  meter logo uns tabefes inesperados na pessoa ansiosa, não saber esse que  ainda me parece independer da intimidade ou do convite. Talvez isso que me emudeceu sobre o filme, esse esforço em decidir o que  fazer depois de visto (o filme, o episódio de crise), essa inércia forçada. Impotência, não  saber por onde começar a agir ao mesmo tempo em que agir parece urgente.&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;&lt;em&gt;Angústia&lt;/em&gt; não. É pessoal, é de dentro, e chega a  ajudar a entender. Ler Luís da Silva se projetando ao passado faminto  de quinze anos antes, sofrendo com a diluição das paredes, toda uma  série de delírios que amplificam tudo ao insuportável. O desespero  palpável do personagem tentando se tranquilizar e esse mesmo esforço  sendo talvez ainda mais exasperador que tudo o que lhe tira a  tranquilidade. Primeira pessoa. As recorrências e os retornos, que te fazem sem perceber  estar caçando ali desde as primeiras páginas do livro o momento  anterior. Lê-se meio livro e ainda  não se venceu as primeiras palavras. &amp;ldquo;Levantei-me há cerca de trinta  dias, mas julgo que ainda não me restabeleci completamente.&amp;rdquo; &lt;br/&gt;&lt;br/&gt;Arrisco dizer que esse é um ponto em que claramente o  livro vence o filme, se é que é válido o embate. Assim como sujeito se  levantara havia cerca de trinta dias, o planeta também atinge  a Terra no início do filme. Enquanto a abertura dramática do filme ao som de Wagner cumpre a função de apresentar os personagens, seu estado emocional no fim do mundo, no livro  — e digo isso do meio da leitura, de modo que posso estar falando alguma bobagem —, fica clara a continuidade a partir da informação inicial, dando conta de que o sujeito  levantou-se. Luís da Silva  foi atingido por um planeta e tem que cuidar de seguir adiante,  cambaleando e tropeçando nos móveis. Para Justine, o fim inevitável vem  como alívio libertador e curativo. Isso e a capacidade que talvez tenha  adquirido de lidar com o trágico, com o fim. Mas é fim. Chocam-se os  planetas e Justine não terá que lidar com mais nada, solução mágica, &lt;em&gt; Deus ex machina&lt;/em&gt;, ganhar na loto, &lt;em&gt;suicide by cop&lt;/em&gt;.&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;A heroína do filme é Justine, que, por ter passado pela depressão,  como disse Vladimir Safatle em seu artigo na FSP, &amp;ldquo;é a única que sabe  como terminar, como se portar diante do fim do mundo.&amp;rdquo; Luís da Silva  segue, a caminho da repartição, lesando, pensando em defuntos. Se há  alguma conclusão a que posso chegar sobre Melancholia, acredito que  essa, por ora.&lt;/p&gt;</description><link>http://trecker.com.br/post/8515212886</link><guid>http://trecker.com.br/post/8515212886</guid><pubDate>Fri, 05 Aug 2011 12:03:00 -0300</pubDate><category>filmes</category><category>livros</category></item><item><title>Contemplativo e grato</title><description>&lt;p&gt;&lt;em&gt;&amp;ldquo;Todos os dias engrosso a lista de coisas sobre as quais não falo&amp;rdquo;&lt;/em&gt;&lt;br/&gt;&lt;em&gt;Chamfort&lt;/em&gt;&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;A guria diz que não, que não tem isso de entender melhor ou mais completamente. Às vezes (é raro) ela diz coisas mais elaboradas sobre significação etc. É claro que não tem. Pouco importa. Putamerda como eu queria, nem que apenas uma vez por semana, entender como ela.&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;Dessa vez foi o &lt;em&gt;Melancholia&lt;/em&gt;, filme novo do Lars Von Trier. Passado pouco mais de um dia, não sei dizer o que entendi. Tem um monte de coisas que sinto que percebi, sobre as quais não me sinto capaz de falar. Todos os dias engrosso a lista de coisas sobre as quais não falo.&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;Fiz com ela um acordo. Ou achei que fiz, não me lembro. Não direi o que acho das coisas a menos que bang-bang-superprodução-blockbuster e equivalentes. Ou talvez até comente, mas será deslize e não deve ser levado a sério. Não me vejo exatamente capaz de comentar muito além de quão mais bem feita é uma explosão, comparando um filme com outro, sem me meter a relações outras que não com qualquer outra bobagem imbecilizada que eu tenha consumido. Não me sinto capaz de dizer algo não-óbvio — ou pior, não me sinto capaz de dizer absolutamente qualquer coisa, ainda que óbvia, sobre algo não-óbvio.&lt;/p&gt;</description><link>http://trecker.com.br/post/8456556138</link><guid>http://trecker.com.br/post/8456556138</guid><pubDate>Thu, 04 Aug 2011 00:16:00 -0300</pubDate><category>cotidiano</category><category>malestar</category></item><item><title>Minúcias</title><description>&lt;p&gt;Acordei tarde e tomei um café da manhã com a tia, que almoçava.  Durante a refeição heterodoxa, fui perguntado sobre a tal social media e  me senti importante, tendo inclusive aplicado leve forçação de barra  num tímido esforço de venda pra ver se tirava uns caraminguás a mais na  agência. Quando o assunto ficou no jeito de recitar o lero-lero que  circunda os diferenciais do social enquanto mídia, apliquei um glorioso  Luiz Antonio Galebe e mandei ver no argumento, interrompido apenas para  um mepassosal e dois nãoquersalada.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Rumei para a Cultura do Conjunto Nacional, buscar livro que  encomendara e depois vim a descobrir que não existia mais no mercado  livreiro. Sem saber, peguei um dos últimos disponíveis. Tinha marcado  com um comparsa de ver o pouco que sobrou do Buena Vista Social Club e o  SMS já apitava impaciente desde horas antes, quando recebido, alertando  a iminência do acontecimento com cinco horas de antecedência e  resumindo planos sobre como e quando. Precisava obter o livro antes,  sabia que seria oprimido pelas estantes e gastaria a uma hora mínima  browseando ali, então evitei responder muito além de &amp;ldquo;estarei lá.&amp;rdquo;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Livro pego e pago, tomei um café mais breve do que deveria com um  casal de amigos que estava nas redondezas, durante o qual foram  discutidos assuntos diversos, o mais peculiar deles tendo sido o futuro  do bem-casado. Descobri que a receita só permite que sejam feitos cerca  de vinte docinhos por batedeira, sendo esse o gargalo da  produção e Fernanda seria capaz de produzir muitos mais caso tivesse uma  boa meia-dúzia do maquinário. Parece também que o preparo envolve um  bom passeio enquanto a massa toma jeito na geladeira, então Fernanda  praticaria rolês com o amigo Gustalves mais tranqüila de ter menos  saborosos  a fazer na volta, num cenário em que a escassez de batedeiras  fosse um problema menor. Descobri também haver maneira de fazê-los que  não envolve cortar a massa, fazendo assim com que os benditos fiquem  mais cheios de graça. Não me lembro a técnica por ter sido abordada muito  por alto e nem estou bem certo se entendi direito a parte de não  envolver o corte, portanto me ignore o comentário. Apitou um SMS  avisando a localização inexata do comparsa e sua guria &amp;ndash; um bar na  General Osório &amp;ndash;, a atividade sendo executada nas imediações &amp;ndash; uma roda de  samba &amp;ndash; e a cor das paredes externas &amp;ndash; amarelas. Informações essas  acompanhadas de um bom imperativo &amp;ndash; VEM!.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Tomei um táxi com cheiro de madeira e motorista que ostentava quepe com os dizeres &lt;em&gt;Chauffeur&lt;/em&gt; de alguma coisa que não consegui ler pelo retrovisor. Quando atingimos a Rio Branco, o &lt;em&gt;chauffeur&lt;/em&gt; disse &amp;ldquo;Aqui é O Fim&amp;rdquo;, causando pequena comoção rapidamente eliminada  com uma consulta ao mapa no celular, onde verifiquei estar apenas alguns  passos distante de onde deveria estar, sendo o fim apenas conta das  ruas estarem todas fechadas e só se poder passar a pé.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;No breve caminho, um hobo &amp;ndash; nicho da mendicagem paulistana cheio de  estilo que usa poncho &amp;ndash; me pediu um cigarro. Dei logo dois, ao que fui  reverenciado como grande truta. Aconteceu também de outro SMS apitar,  informando estarem eles agora embaixo do relógio, na frente da câmera.  Por conta disso parei um marronzinho &amp;ndash; denominação paulistana para os  funcionários da Companhia de Engenharia de Tráfego &amp;ndash; e perguntei do que  se tratava &amp;ldquo;o relógio&amp;rdquo; e se existia mesmo uma câmera. Tendo ele confirmado  tudo, pedi instruções do caminho até lá e as segui minuciosamente (&amp;ldquo;Só  ir reto que você vai ver&amp;rdquo;).&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Ao chegar fui confrontado com um problema imenso: tinha muito mais  gente ali. Previsava dar jeito de localizar o casal, de modo que subi  num gelo bahiano (ou seria baiano?) e mandei SMS para o comparsa  solicitando o levantamento e sacudir dos braços de forma frenética. Na  ausência de resposta, tentei atravessar a multidão a fim de chegar mais  perto da câmera. No caminho ouvi toda sorte de impropérios, como é  natural a quem tenta atravessar qualquer aglomeração, seja para se  aproximar, para se afastar ou para se deslocar lateralmente a qualquer  que seja a coisa à frente dela. Cheguei na câmera e não havia comparsa  algum. Deixei a esperança ir embora sozinha enquanto me  preparava para arriscar um caminho de volta para onde havia ar.  Sociofobia, sacomé.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Andei até o que achava ser a metade do caminho de volta e fiquei  preso, não dava mais. Se eu tentasse qualquer movimento, provavelmente  alguém na borda da multidão cairia e seria pisoteada. Quiçá a borda  toda, caindo fileira a fileira até que não sobrasse mais ninguém.  Querendo evitar a tragédia, fiquei parado ali mesmo e guardei o  sofrimento só pra mim. Me sentia o próprio Atlas. Em dado momento um  gordo apareceu querendo muito sair dali, seu semblante de frustração me  fez pensar que ele tinha constatado o mesmo que eu, que ele estava certo  de que sua caminhada acabaria matando gente demais pra valer a pena.  Mesmo assim ele andou. Talvez fosse mais egoísta que eu, talvez meu  olhar esperançoso lhe tenha conferido alguma dose de confiança. Jamais  saberei.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;O gordo começou a andar e quando passou por mim, entrei no vácuo &amp;ndash; aquele mesmo que os motociclistas aproveitam em estradas, quando atrás  de um caminhão que segue na mó vula. Há de se amar os gordos querendo  muito sair de multidões. Eles abrem bom espaço e dá até para você acender um  cigarro ou espreguiçar-se enquanto os segue. Acabou que em algum ponto  do caminho o gordo fez uma curva brusca para a esquerda e, como mágica,  ao sair da minha frente expôs o comparsa e sua guria, ainda inédita para  mim, por isso me apresentei primeiro e depois saudei o amigo como se  ele fosse o penúltimo homem do mundo. Findado o abraço, ainda estavam  lá os outros homens e mulheres todos, então era melhor que eu arrumasse um  lugar em que coubesse.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Barbarito mandou benzasso e gostamos do show, o que não nos impediu  de sentir falta de La Bayamesa. Fomos buscar uma cerveja no bar na  General Osório, o amarelo com roda de samba, e quase ficamos, mas havia  ainda outra combinação e tomamos o rumo da casa do índio.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;No caminho discutimos coisas muitas, dentre as quais destaco a  história do Silva. O Silva, apesar de ter sido apenas mais um entre  muitos cuja estrela não brilhava, tinha a canção de funk feita em sua  homenagem sendo tocada, no vagão em que estávamos, por um sanfoneiro. Foi preciso um bom esforço pra remover o earworm ao sair do  transporte.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Índio queria comer japonesa, mas o comparsa temia as iguarias, então  decidimos nos empapuçar com o excelentíssimo Oswaldo Aranha do Pirajá.  Não sem antes longa e detalhada argumentação minha em prol da bisteca  saurina servida no Sujinho, prato esse que era assunto na troca de  mensagens desde a noite anterior. Conheci também Najláhijas &amp;ndash; não sei  escrever nem pronunciar seu nome ainda, mas garanto que é belo nome e em  nada parecido com a injustiça que cometi ali &amp;ndash;, sobre quem contarei mais  adiante.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Durante a caminhada até o recinto, contei de como aquele trecho  sempre fora para mim uma grande dungeon e que seria bom vencê-lo sob a  luz da sobriedade para memorizar o caminho. Falou-se também de séries e  da difícil tarefa de batizar o carro novo do comparsa. Arriscou-se um  nome, mas não colou muito por conta da linha criativa adotada, uma  mistura das letras contidas na placa do veículo com o grande seriado do  momento, Treme, que conta muito do que importa saber enquanto mostra uma  New Orleans três meses depois do desastre todo. Grande série.  Reclamou-se também de como sempre que se quer atravessar uma avenida de  forma transgressora (fora da faixa) há algum carro vindo devagar,  gerando tensão capaz estragar tudo ou minar a elegância do ato exigindo  uma corridinha. Notei que o carro em questão era conduzido por uma  mulher balzaca que arriscava besuntar os lábios de batom enquanto em  trânsito. Lembrei que quando eu dirigia, nem música podia haver.  Congratulei a dona em pensamento, ninguém mais pareceu notar.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Os garçons paulistas do Pirajá, uma ode cara em demasia ao boteco  carioca, representaram muito bem o característico desprezo pela  praticidade dos garçons homenageados ao tentar espremer a nós cinco em  uma mesícula quadrada mais ou menos do tamanho de um azulejo. Sorri  pensando na cidade maravilhosa e apontei uma seqüência enorme de boas e  espaçosas mesas que estavam livres bem ao lado dessa. O garçom  demonstrou uma leve surpresa e nos acomodou em duas das mesas maiores,  depois de juntá-las. Enquanto nos sentávamos, fez um breve discurso  sobre como ali estaríamos mais tranqüilos e espaçosos e à vontade,  fazendo parecer dele a idéia de mudarmos para lá. Eu como não tinha  muito apego a ela, deixei que ele levasse a glória da decisão. Nem eu  nem ele fomos parabenizados pela genialidade.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Descobri que tanto índio quanto o comparsa possuem o hábito de trocar  correspondências com ídolos, prática que comparei às cartinhas enviadas  para a Xuxa e por conta disso tomei grande lição ao saber que índio já  havia sido respondido por sujeitos como Rollins e Ellis. Com isso,  prometi que mandaria a Cormac McCarthy, mas recebi reprimenda alertando  que estava almejando demais. Fiquei pensando qual seria a boa métrica  para saber se eu já estava no ponto de tentar troca de correspondências  com determinado ícone. Deve haver algum multiplicador que você deva usar  em formula envolvendo sua idade e a do ídolo, o número de boas  perguntas que você tem a fazer e quantos elementos diretamente  relacionados ao destinatário influenciaram significativamente a sua  vida. Nunca nem mandei cartinhas à Xuxa e esses caras estavam ousando  níveis elevadíssimos como Jon Stuart! Estou bem atrasado nesse jogo de  contabilizar correspondências trocadas, mas me alegrou ter gaguejado em  conversa brevíssima, porém cara-a-cara, com Jimmy Cobb.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Na volta o comparsa e índio constataram a natureza humana toda quando as gurias iam mais adiante e falaram um pouco sobre isso.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Chegados de volta, o assunto me fez pensar que deveria tirar da mochila o livro e  falamos um pouco sobre ele. Depois disso quem regeu como um paul mauriat  o fluxo da conversa toda foi Nahuájlidas, em especial quando me  perguntou se eu já havia lido Jimmy algo. Respondi que não e ela saiu da  sala. Logo quando eu pensava ter ofendido a moça, ou no mínimo ter me  provado indigno de sua atenção ela voltou com o tal Jimmy (que era  Corrigan). Tratava-se de uma obra de quadrinhos que folheei rapidamente,  mas gravei apenas um comentário de alguém sobre ser Ulysses em HQ,  comentário esse que não me lembro se piada ou não. Vou ter que ir atrás  da peça, só pra entender qual foi a associação que motivou Nahijavilas a  me recomendar o petardo.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Exaltamos também a genialidade da medicina como um todo quando o  assunto esbarrou na bulimia. Parece que há um sinal na anamnese &amp;ndash; nunca tive  oportunidade de usar o termo e espero ter feito certo &amp;ndash; em que  se pode dizer se alguém sofre da doença ao notar marca de dente nas  costas da mão da pessoa. O assunto começou pela inveja que tenho de  gente que consegue ler em ônibus, mas Mari passava mal só de estar  dentro do metrô quando mais nova e precisava parar de estação em estação  para levar o passar mal às vias de fato e Nadjáya só conseguia curar  suas dores de cabeça ao vomitar, coisa que para ela era muito dificil,  então o assunto chegou em técnicas de vomitório, o que trouxe à pauta o &amp;ldquo;rolê da bulimia&amp;rdquo;, gíria engenhosamente empregada por Nadyahida e  que nos fez rir um tempo. Mas então soubemos que ela havia uma vez  bebido um litro de detergente no intuito de fazer a maior bolha de sabão  do mundo, todavia ao invés de apenas molhar o canudo no composto  resolvera sugar e aparentemente esquecera-se de estar sugando ao ver as  nuvens no céu e continuara sugando então passou mal. Na verdade não sei  se passou mal, pois quando contei de um amigo que bebera fluido de  isqueiro ao tentar cuspir labareda de fogo ela se lembrou da The Clock e  nos contou do neonazi com quem saíra uma vez e depois  lembrou-se de um amigo que era punk e foi preso mas solto por um  delegado que o confundira com skinheads com cuja causa simpatizava, o  que nos levou a saber sobre o preconceito sofrido pela gente do sudeste  em alguns lugares do nordeste e também da corrupção e coronelismo ainda  existentes em determinados cantos de lá. Queria ter lembrado de tudo,  haja visto que foi uma das conversas mais pitorescas que já tive em toda  a vida, mas fica a amostra e a constatação de que Nadya é grande  interlocutora, especialmente quando somada a Mari e comparsa. Índio há  muito dormia e não contribuiu em nada para o falatório.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Quando infelizmente o sono começava a nos vencer, saímos e descemos a  rua para esperar passar um táxi. Eu insisti que seria fácil  conseguir um quando o comparsa sugeriu solicitar um por telefone, então  me senti cheio de culpa quando ao chegarmos na rua de baixo notei apenas  desolação e que haviam desligado até mesmo a lei, pois os semáforos só  faziam piscar em amarelo. Portanto, tratei de ligar logo para o ponto e fui atendido por um taxista meio carente e melodramático que não  nos queria vir buscar temendo o abandono. Jurei fidelidade e ele acabou  convencido.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;O trajeto para casa não merece destaque algum exceto pelo breve  engarrafamento enfrentado em frente a um pub, onde alguns veículos  encontravam-se imóveis e completamente isentos de quaisquer motoristas  no espaço por onde os carros deveriam passar. Com pesar, me despedi de  Mari e do comparsa, esperando pela combinação da bisteca.&lt;/p&gt;</description><link>http://trecker.com.br/post/6745278353</link><guid>http://trecker.com.br/post/6745278353</guid><pubDate>Tue, 21 Jun 2011 00:38:00 -0300</pubDate><category>cotidiano</category></item></channel></rss>