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    <title>Pedro Lains</title>
    
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    <subtitle>Economia e História Económica</subtitle>
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        <title>Eu percebo...</title>
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<div xmlns="http://www.w3.org/1999/xhtml">que Vítor Gaspar seja Vítor Gaspar e que Passos Coelho não perceba bem as consequências últimas das decisões que toma. O que não percebo mesmo é que haja por aí tanta gente inteligente a defendê-los incluindo, naturalmente, os presidentes da República e da Comissão Europeia, e muitos outros economistas e pensadores, felizmente cada vez em menor número, que não hesitam em dizer que os juros são baixos, que não é preciso mais tempo ou que tudo se vai resolver com as "idas ao mercado". E ainda menos percebo quando, em outros locais, não necessariamente mais desenvolvidos, é tudo ao contrário. Como acontece com o Presidente do Chipre que, numa <a href="https://www.google.pt/search?q=Cyprus+president+calls+for+bailout+overhaul+to+save+economy+-+FT.com+www.ft.com&amp;ie=utf-8&amp;oe=utf-8&amp;aq=t&amp;rls=org.mozilla:pt-PT:official&amp;client=firefox-a&amp;channel=rcs" target="_blank">carta</a> enviada às instituições da <em>troika</em>, lembra o seguinte: “[The]
 economy is driven into a deep recession, leading to a further rise in 
unemployment and making fiscal consolidation all the more difficult. (...) I urge you to review the possibilities in 
order to determine a viable prospect for Cyprus and its people.”</div>
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        <title>Mexia,</title>
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<div xmlns="http://www.w3.org/1999/xhtml">no programa de Medina Carreira, convenceu-me. Ou tem mesmo razão ou o contraditório foi fraco. Agora, se tem razão, era bom que tivesse um comportamento político mais linear, começando por reduzir a administração política que lá tem e os seus custos, e continuando por não provocar o despedimento de  secretários de estado, nem influenciar privatizações a baixo valor.<br />PS: Pronto, já passou. Ainda esta manhã fui recordado que o rácio dívida/valor de mercado da EDP é cerca de 18/9 e que isso se deve ao peso dos bancos na respectiva estrutura accionista. Enfim...</div>
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        <title>O tempo do investimento</title>
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        <summary>Estavam à espera de quê, senhores do "modelo"?</summary>
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<div xmlns="http://www.w3.org/1999/xhtml"><a href="http://www.jornaldenegocios.pt/empresas/banca___financas/detalhe/bes_faz_proposta_para_comprar_banco_suico_bsi.html" target="_blank">Estavam à espera de quê</a>, senhores do "modelo"?</div>
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        <title>Despedimentos</title>
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        <summary>Como é possível defender um Governo que quer despedir 30 mil pessoas e que o quer fazer porque acha isso bem? Não percebo. Percebo que haja pessoas de uma nova geração que queiram mudar a herança dos últimos 30 anos....</summary>
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<div xmlns="http://www.w3.org/1999/xhtml">Como é possível defender um Governo que quer despedir 30 mil pessoas e que o quer fazer porque acha isso bem? Não percebo. Percebo que haja pessoas de uma nova geração que queiram mudar a herança dos últimos 30 anos. Bem, percebo mais ou menos, pois esperaria que essas pessoas fossem mais europeias, mais moderadas, que soubessem que as "revoluções" são sinais de menor maturidade social e política. Mas não percebo mesmo que haja quem queira exercer o poder à custa de um mal-estar generalizado das pessoas. Posso também estar a ver muito mal a coisa, mas é isso que vejo. Os professores não são mais do que uma frente de defesa de quem vai sofrer na pele tanto disparate. E ainda mais chocado fico quando sei - e aí a certeza é maior - que o plano dos despedimentos porá ainda mais de rastos a economia portuguesa. E, se não houvesse tanto deslumbramento, todos podiam ver que o actual Governo é porventura o mais caro da história do país, ao privatizar uma parte considerável das suas funções, nomeadamente em tudo o que tem a ver com questões financeiras, incluindo as privatizações, onde se gastam milhões. Sim, os mesmos milhões que estão a querer ir buscar aos despedimentos. No fundo, a pergunta até é, Como é possível defender um Governo que quer despedir 30 mil pessoas e passar directamente o dinheiro delas para gente que já tem muito dinheiro? A social-democracia foi inventada para combater façanhas dessas. Pena que não tenha havido tempo para o enraizamento dos seus princípios na cabeça das pessoas que capturaram o partido português com esse nome. <br /></div>
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        <title>O porta-voz</title>
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        <summary>Um dia ou dois depois de o Presidente da República ter falado do FMI, o que aconteceu? Selassie deu uma conferência de imprensa para lembrar os cortes, acrescentando até que são afinal para 2014 e não 2015. Coincidência? Não parece....</summary>
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<div xmlns="http://www.w3.org/1999/xhtml">Um dia ou dois depois de o Presidente da República ter falado do FMI, o que aconteceu? Selassie deu uma conferência de imprensa para <a href="http://www.publico.pt/economia/noticia/relatorio-do-fmi-fala-de-cortes-de-4700-milhoes-ate-2014-1597277" target="_blank">lembrar os cortes</a>, acrescentando até que são afinal<img alt="Chefe da missão do FMI em Portugal, Abebe Selassie, numa conferência na Ordem dos Economistas (foto Lusa)" height="103" src="http://www.tvi24.iol.pt/multimedia/oratvi/multimedia/imagem/id/13761372/550" style="float: right;" width="138" /> para 2014 e não 2015. Coincidência? Não parece. Foi a resposta de Gaspar? A história recente indica que sim. Cavaco não vai conseguir nada, pois quem manda é o Ministro e Passos não tem coragem para voltar atrás, nem quer. Isto só se resolve com eleições.</div>
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        <title>Dois anos de desonestidade intelectual e depois</title>
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        <published>2013-06-13T10:36:44+01:00</published>
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<div xmlns="http://www.w3.org/1999/xhtml">No início, tudo tinha de ser feito por causa da <em>troika</em> que, ela própria, tinha escrito o "Memorando de Entendimento". A exploração de várias pistas, directas ou indirectas, levada a cabo neste blogue e seguramente em outros locais, mostrou desde cedo que isso não era verdade. Ou seja, que o Governo tinha uma grande margem de manobra na escolha de políticas. Agora, o PM e o Presidente, numa sintonia que retira atribuições ao segundo e que só diminui a democracia portuguesa, viraram-se contra a <em>troika </em>e, em particular, contra o FMI. A táctica de esconder a realidade continua a mesma, assim como os objectivos, embora algumas das pessoas envolvidas no plano possam ter mudado. Em concreto, este aparente volte-face terá como objectivo último a continuação da <a href="http://expresso.sapo.pt/governo-apresenta-corte-de-47-mil-milhoes-na-despesa-ate-2014=f813768" target="_blank">austeridade</a>. Desta vez, todavia, vai ser feita com uma retórica anti-austeridade, ao contrário do que aconteceu nos primeiros dois anos do governo. Mas ainda é cedo para o confirmar. Para o fazer, teremos de olhar para o governo alemão, de onde algumas mudanças virão antes das eleições de Setembro e não necessariamente apenas depois. Mas há mais. Um recente <a href="https://random-thoughts-on-investments.googlegroups.com/attach/243626285e18f68b/JPM-the-euro-area-adjustment--about-halfway-there.pdf?part=7" target="_blank">relatório da J. P. Morgan</a> diz-nos que a austeridade ainda só vai a meio (ainda não li tudo). Sim, um relatório da mesma empresa que fez os famigerados <em>swaps</em>, que o Governo não levou a tribunal, e a quem continua a comprar serviços de assessoria em valores de milhões de euros. Isto agora é que vale e, parce, o FMI tornou-se um empecilho. Por este andar, ainda teremos um relatório da J. P. Morgan sobre a "reforma" do Estado português. Não há diplomacia presidencial que mude o rumo. São precisas rapidamente eleições. E, já agora, é preciso que o PS não se encontre com essa gente, nem com os amigos dos amigos dos amigos dessa gente. Sobretudo não em encontros informais, como aconselharia <a href="http://pedrolains.typepad.com/pedrolains/2013/02/governos.html" target="_blank">Lars Jonung</a><em>.<br class="mceContentBody " dir="ltr" id="tinymce" /></em></div>
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        <title>Cavaco Silva...</title>
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        <published>2013-06-13T00:08:52+01:00</published>
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        <summary>...está bem assessorado? Tem tempo para olhar para o que anda a fazer? É que acabou de defender um terceiro pacote de austeridade em Portugal, e depois vem dizer que é contra a austeridade. Ou este pacote é o último?...</summary>
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<div xmlns="http://www.w3.org/1999/xhtml">...está bem assessorado? Tem tempo para olhar para o que anda a fazer? É que acabou de defender um terceiro pacote de austeridade em Portugal, e depois vem dizer que é contra a austeridade. Ou este pacote é o último? É uma promessa? Há qualquer coisa que não está bem.</div>
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        <title>Os inteligentes</title>
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        <published>2013-06-12T09:33:04+01:00</published>
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        <summary>Há uma coisa em que este governo de "inteligentes" devia, talvez, pensar. Se Portugal tivesse sido governado nos últimos 20 anos como eles governam agora, não tinham o país que têm, com uma enorme paciência e a sabedoria de que...</summary>
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<div xmlns="http://www.w3.org/1999/xhtml">Há uma coisa em que este governo de "inteligentes" devia, talvez, pensar. Se Portugal tivesse sido governado nos últimos 20 anos como eles governam agora, não tinham o país que têm, com uma enorme paciência e a sabedoria de que um dia se vai ver livre deles. Não tinham um país minimamente coeso e adulto. Tinham, isso sim, um país de cada um por si, a lixarem-se uns para os outros, que é disso que eles (acham) que gostam. No fundo, é um governo de "inteligentes" que não gosta do seu próprio país. As lutas da greve aos exames, do <a href="http://www.publico.pt/economia/noticia/governo-da-instrucoes-aos-servicos-para-que-mantenham-corte-no-subsidio-de-ferias-1597111" target="_blank">subsídio de férias</a> pago fora de horas, das <a href="http://www.jornaldenegocios.pt/economia/funcao_publica/detalhe/ces_aumento_do_horario_de_trabalho_no_estado_e_enorme_retrocesso_social.html" target="_blank">40 horas</a>, e tantas outras coisas puramente, absolutamente, comprovadamente desnecessárias, são prova cabal disso. É caso para dizer, <a href="http://www.youtube.com/watch?v=jvoqfddpuu8" target="_blank">relaxem</a>. E deixam-nos de uma vez por todas em paz. Claro que, pelo meio, na sombra da confusão, lá vão alguns fazendo os seus negócios - e é por isso que tudo isto é muito grave.<br /></div>
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        <title>O labirinto das ideias sobre o euro</title>
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        <published>2013-06-11T12:49:18+01:00</published>
        <updated>2013-06-11T12:54:34+01:00</updated>
        <summary>No i. Nota: Comunicação apresentada na Conferência Comemorativa do 90º Aniversário de Eduardo Lourenço “Portugal e o seu Destino”, Guarda, Centro de Estudos Ibéricos, 6 e 7 de Junho 2013. Citações de: Documento de Estratégia Orçamental, 2013-2017. Lisboa, Ministério das...</summary>
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<div xmlns="http://www.w3.org/1999/xhtml"><p><a href="http://www.ionline.pt/iOpiniao/labirinto-das-ideias-sobre-euro" target="_blank">No <em>i</em></a>.</p>
<p><span style="font-size: 8pt;">Nota: Comunicação apresentada na <em>Conferência Comemorativa do 90º Aniversário
de Eduardo Lourenço “Portugal e o seu Destino”</em>, Guarda, Centro de Estudos
Ibéricos, 6 e 7 de Junho 2013. Citações de: <em>Documento
de Estratégia Orçamental, 2013-2017</em>. Lisboa, Ministério das Finanças, 2013,
p. i; e Vítor Bento. <em>Euro Forte. Euro
Fraco. Duas Culturas, Uma Moeda. Um Convívio Impossível? </em>Lisboa, 2013, pp.
21, 25 e 115. Todos os sublinhados são meus. Ver ainda <em>Report on Economic
and Monetary Unioin in the European Community </em>(Relatório Delors). Bruxelas,
1989</span> </p></div>
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        <title>Que raça de economia é esta?</title>
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        <published>2013-06-10T09:24:56+01:00</published>
        <updated>2013-06-10T12:53:27+01:00</updated>
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            <name>pedro lains</name>
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<div xmlns="http://www.w3.org/1999/xhtml">Ora, vejamos. Tudo aquilo que tem sido feito, comprovadamente, foi para reduzir o défice externo, isto é, o saldo negativo da balança comercial mais rendimentos correntes, a <a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Balan%C3%A7a_corrente" target="_blank">balança corrente</a>. Até porque tudo o resto, incluindo a redução do défice público e da dívida externa, tem falhado. Pelas palavras que por aí correram sem desassombro, tudo tem sido feito para corrigir a "vida acima das possibilidades". Muito bem, e agora chegou a "hora do investimento". Essa hora foi declaradamente decidida <a href="https://www.google.pt/search?q=Germany+seals+%E2%82%AC1bn+SME+loan+deal+for+Spain&amp;ie=utf-8&amp;oe=utf-8&amp;aq=t&amp;rls=org.mozilla:pt-PT:official&amp;client=firefox-a&amp;channel=rcs" target="_blank">na Alemanha</a>, que agora está aflita, sem sítio para onde mandar os capitais acumulados nestes últimos anos. Ou, melhor, com a necessidade de mandar os capitais acumulados nos últimos anos para sítios que paguem melhores juros e tragam rendimentos para as suas exportações. Que sítios? A periferia europeia menos desenvolvida, com menos capitais e, como qualquer manual de economia de liceu diria, com maiores rendabilidades (é aquela coisa de que, quanto menos há, mais vale, lembram-se?). Ora, mas, se assim é, se vão vir capitais de fora e em quantidades importantes, isso tem de ter contrapartida, ou não? Sim, e onde? Só num sítio: na balança corrente que se estava a "ajustar" e que volta desse modo a negativar. Interessante, não é, esta coisa da economia? E o "regresso aos mercados", que tem permitdo a continuação do endividamento externo das empresas, sobretudo das grandes, tão amigas desse "modelo de ajustamento", joga no mesmo sentido da negatividade balancista. Haverá algum dia em que os grandes cérebros financeiros que por aí andam a fazer estes programas de ajustamento se recordarão que, sem controlo de capitais, uma economia como a portuguesa, menos desenvolvida e com menos capital por habitante e por unidade de produto, continuará a importar dinheiro? Não, claro, porque o que eles andam é a tratar da vidinha, a cobrar as dívidas actuais, deixando dívidas futuras para papalvos futuros que depois se terão de amanhar para voltar a cobrar as novas dívidas e por aí adiante. Reconheço que haverá formas mais clássicas - e modeladas - para dizer isto, mas estão fora do meu alcance. Certamente que não escaparão à arte de um futuro Prémio Nobel, já que a economia séria, cosmopolita, ganha sempre.</div>
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