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<?xml-stylesheet type="text/xsl" media="screen" href="/~d/styles/rss2full.xsl"?><?xml-stylesheet type="text/css" media="screen" href="http://feeds.feedburner.com/~d/styles/itemcontent.css"?><rss xmlns:atom="http://www.w3.org/2005/Atom" xmlns:openSearch="http://a9.com/-/spec/opensearch/1.1/" xmlns:georss="http://www.georss.org/georss" xmlns:gd="http://schemas.google.com/g/2005" xmlns:thr="http://purl.org/syndication/thread/1.0" xmlns:feedburner="http://rssnamespace.org/feedburner/ext/1.0" version="2.0"><channel><atom:id>tag:blogger.com,1999:blog-4074335781108056511</atom:id><lastBuildDate>Thu, 21 Apr 2011 19:58:33 +0000</lastBuildDate><category>Nicolás</category><category>Música</category><category>Arrupe</category><category>Jesuítas</category><category>Crônica</category><category>Jenipapo</category><category>BrinquedOPA</category><category>Oração</category><category>Pequenos Exercicios</category><category>Vida Plena</category><category>Poesia</category><category>Coluna Peregrina</category><category>Vídeo</category><category>Entrevista</category><title>Um peregrino apenas</title><description /><link>http://umperegrinoapenas.blogspot.com/</link><managingEditor>noreply@blogger.com (Roberto)</managingEditor><generator>Blogger</generator><openSearch:totalResults>69</openSearch:totalResults><openSearch:startIndex>1</openSearch:startIndex><openSearch:itemsPerPage>25</openSearch:itemsPerPage><atom10:link xmlns:atom10="http://www.w3.org/2005/Atom" rel="self" type="application/rss+xml" href="http://feeds.feedburner.com/umperegrinoapenas" /><feedburner:info uri="umperegrinoapenas" /><atom10:link xmlns:atom10="http://www.w3.org/2005/Atom" rel="hub" href="http://pubsubhubbub.appspot.com/" /><item><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-4074335781108056511.post-5346676387724378265</guid><pubDate>Tue, 03 Mar 2009 12:35:00 +0000</pubDate><atom:updated>2009-03-03T04:36:35.806-08:00</atom:updated><category domain="http://www.blogger.com/atom/ns#">Crônica</category><category domain="http://www.blogger.com/atom/ns#">Coluna Peregrina</category><title>Coluna Peregrina</title><description>&lt;span style="font-weight: bold; font-style: italic; color: rgb(0, 153, 0);font-size:180%;" &gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;OS PRONOMES E A ARTE DE DESAPARECER&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;Não é fácil. Aprender a falar e aprender a agir são arte para a vida inteira. Muitas vezes percebo-me tropeçando em palavras e atitudes que há muito deveria ter aprendido. O uso dos pronomes é um constante problema.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;Não raras vezes, por exemplo, vejo-me colocando-me em espaços que não me pertencem, como ao dizer “meu país”, para um país que não me pertence mas que, ao contrário, inclui-me no número de seus cidadãos. Ou quando possessivos fazem-me não apenas dizer, mas também crer que possuo coisas que ninguém verdadeiramente possui. Há poucos dias comprei uns peixes de aquário. Por mais que o diga “meus peixes”, a vida na verdade não pertence a nenhum de nós. Não é questão de preço, é questão de princípio.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;Outro exemplo freqüente: não é raro ouvir uma lista de pessoas presentes a um evento começar com o pronome na primeira pessoa, o grande “eu”. Essa primeira pessoa ocupa, de fato, um lugar imenso em nossa expressão. Mais ainda, ocupa espaço incrível em nosso imaginário. Curioso eufemismo, descrever esse espaço apenas com duas letras.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;Um exercício que constantemente faço, sobretudo agora no aprendizado de línguas estrangeiras, é o de evitar possessivos e tentar sair do centro. Até onde venho percebendo, a vida tem sido melhor assim. Sinto-me mais leve, por exemplo, com menos objetos povoando meu imaginário ou com um senso mais comunitário de posse. O quarto onde moro é mais aberto, por exemplo, e pode acolher outros assim como acolhe a mim. A bicicleta que conduzo é mais acessível a outros. O computador no qual componho essa crônica é menos reservado a um dono. Procurando cultivar mais o cuidado que a posse, sinto-me não necessariamente mais pobre, mas certamente mais leve.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;Na enumeração de pessoas, quando lembro de colocar-me no fim da lista igualmente sinto a vida mais simples. É como se participasse de uma competição na qual o objetivo é chegar em último lugar. Posso até esquecer-me no conjunto, pois o ato de enumeração já me inclui como narrador – que pode estar implícito. Estar presente no ato de contar é que conta, discretamente presente no exercício da comunicação.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;Afinal de contas, quem ganha em viver sob a luz, o peso e a pressão do centro? Santo Inácio dizia que “tanto mais iremos de bem a melhor, quanto mais sairmos do nosso próprio amor, querer e interesse”. Quanto a mim, quero exercitar essa arte de desaparecer para tentar dar mais espaço e mais tempo para os outros.&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4074335781108056511-5346676387724378265?l=umperegrinoapenas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</description><link>http://feedproxy.google.com/~r/umperegrinoapenas/~3/JYVn_Ze2sEQ/colun.html</link><author>noreply@blogger.com (Roberto)</author><feedburner:origLink>http://umperegrinoapenas.blogspot.com/2009/03/colun.html</feedburner:origLink></item><item><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-4074335781108056511.post-3244039400810366139</guid><pubDate>Sat, 28 Feb 2009 02:51:00 +0000</pubDate><atom:updated>2009-03-01T06:04:02.796-08:00</atom:updated><category domain="http://www.blogger.com/atom/ns#">Pequenos Exercicios</category><title>Pequenos exercícios para atravessar desertos</title><description>&lt;span style="font-weight: bold; color: rgb(255, 102, 102);font-size:180%;" &gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Primeiro&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;Escolha uma cor. Ela lhe ajudará a ver beleza na simplicidade. Afinal, ver o belo é um dos maiores desafios para um coração deserto. A cor será sua lâmpada nessa primeira jornada. Qualquer cor, qualquer tom, qualquer nuance, em qualquer superfície e sob qualquer luz. Apenas lhe peço uma coisa, pequena mas importante: perceba-se escolhendo. Imagine-se escolhendo a cor que você está escolhendo nesse momento.&lt;/span&gt; &lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Talvez você não tenha notado, mas esse processo começou antes que você pensasse nele. Da mesma forma, o deserto em que nos encontramos certas vezes na vida chega a nós sem percebermos. Às vezes colaboramos para a desertificação de nosso quotidiano, às vezes não. O fato é que o tempo segue seu curso, e com ele o convite para atravessar os desertos. Nesse primeiro exercício, eu sugeri escolher uma companheira de jornada. Olhe ao seu redor e busque-a.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;E nisso consiste o primeiro passo: como uma criança que abre os olhos em seu primeiro dia sob a luz, você se deixará surpreender por sua companheira, a cor, em suas inumeráveis aparições. Brinque com ela. Vista-a. Admire-a numa obra de arte. Explore sua paleta, seus limites confusos e ricos.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;Esse será o primeiro dia do nosso percurso. Antes de dormir, anote em seu caderno de viagem o seu sentimento. Antes de tudo, antes de refletir sobre qualquer outro ponto, escreva o nome do seu sentimento: alegria, serenidade, tristeza... apele para os nomes simples dos sentimentos de criança. Em seguida, anote simplesmente as memórias importantes desse exercício. Se desejar, trace analogias entre as descobertas que sua cor lhe ofereceu, suas analogias com a vida. Somente então adormeça, e não vire a página até que sinta-se satisfeito com esse exercício. Pode repeti-lo tantas vezes quanto deseje, seu coração dita o ritmo.&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4074335781108056511-3244039400810366139?l=umperegrinoapenas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</description><link>http://feedproxy.google.com/~r/umperegrinoapenas/~3/xs0snnjIqBA/pequenos-exercicios-para-atravessar.html</link><author>noreply@blogger.com (Roberto)</author><feedburner:origLink>http://umperegrinoapenas.blogspot.com/2009/02/pequenos-exercicios-para-atravessar.html</feedburner:origLink></item><item><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-4074335781108056511.post-4270322802549246488</guid><pubDate>Tue, 13 Jan 2009 09:11:00 +0000</pubDate><atom:updated>2009-01-13T01:12:20.558-08:00</atom:updated><category domain="http://www.blogger.com/atom/ns#">Crônica</category><category domain="http://www.blogger.com/atom/ns#">Coluna Peregrina</category><title>Coluna Peregrina</title><description>&lt;span style="font-weight: bold; font-style: italic; color: rgb(0, 153, 0);font-size:180%;" &gt;&lt;span style="font-family: trebuchet ms;"&gt;DONA RUTH E O MISTÉRIO DO TEMPO&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: trebuchet ms;"&gt;Minha avó entra em 2009 com 96 anos.  Dona Ruth, como é conhecida, não tem consciência do passar do tempo, porém. Em paralelo minha sobrinha, Bia, acaba de chegar ao mundo e inaugura esse ano com seus quatro meses, criaturinha também inconsciente do dom do tempo que lhe é feito. Duas infâncias, uma pelo direito e outra pelo avesso. E é esse avesso que incomoda, que me leva a refletir sobre o mistério do tempo pairando sobre aqueles que amamos.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: trebuchet ms;"&gt;Tem sido muito difícil aceitar despedir-se de minha avô na inconsciência, ver o tempo esculpindo marcas em sua carne, seu corpo desvirando gente. Do outro lado, Bia vai ganhando volume sob o calor de seus pais. Muito deveria ser dito nessa hora de adeus, muito tem sido dito àquela que chega. De minha avó se espera o silêncio derradeiro, de minha sobrinha se esperam as palavras. Pergunto-me se é justo traçar esse paralelo entre a alegria da vida nova e a tristeza da despedida, mas é justamente aí que encontro uma resposta.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: trebuchet ms;"&gt;Creio que estamos acostumados a pensar o tempo de nossas vidas como instantes. Mas tanto na hora do fim quanto na hora do começo, é hora de olhar para o tempo como duração, não como momento. É hora de contar o tempo, de recolher do tempo a identidade que foi construída ou que é prometida. São ocasiões de considerar perspectivas, o que foi e o que será, não exatamente o que é. Tanto para minha avó quanto para minha sobrinha, o centro de sentido do que se vive não está no agora.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: trebuchet ms;"&gt;Há mais um passo a ser feito para aqueles que crêem no testemunho de Cristo. O tempo que nos é dado só tem sentido cristão se considerado a partir do que está além do tempo. Vida e Eternidade vão de par, sem isso tanto o fim quanto o começo de nossas histórias perdem senso. Sem crermos na vida que jamais termina, sem acreditar na permanência de nossa identidade mesmo o nascimento de um ser humano parece vão. E a despedida da existência no silêncio, como acontece com Dona Ruth, parece ainda mais absurdo se não se crê que sua identidade jamais se perderá e ao contrário será reencontrada no Dia.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: trebuchet ms;"&gt;Pois o que tanto custa à minha família nesse momento de adeus é justamente não poder falar, não poder contar, dividir o fluxo dos acontecimentos com minha avó. E o tempo parece passar devagar, grávido do sentimento incômodo de tê-la presente ausente. É hora de paciência. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: trebuchet ms;"&gt;Eu encontro apenas uma forma de encher esse tempo na vida de minha avô de modo alegre. Creio que é um convite a ler a densidade do tempo que foi e que lhe é concedido. Quando ela se cala, cabe a nós falar. E eu uso os verbos no presente, Dona Ruth ainda está.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: trebuchet ms;"&gt;Minha avó tem uma vida extraordinária, É uma mulher incrível, em muitos aspectos à frente do seu tempo. É portadora de uma das primeiras – senão a primeira – licenças femininas de condutor na Bahia. Teve a coragem de escolher seu parceiro de vida, tendo rompido dois noivados antes de comprometer-se com meu avô Renato, ao lado de quem viveu um testemunho de amor intenso e perene. Ela sabe que o amor se conquista, creio que todos os netos ouviram pelo menos uma vez seus conselhos na matéria.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: trebuchet ms;"&gt;Minha avó é engraçada. Mesmo agora, quando os momentos de lucidez se fazem cada vez mais raros, volta e meia faz sentir que gosta ou não de certa atitude. Nunca teve medo de dizer o que pensa – atitude que, aliás, causou não raros embaraços. E ria-se...&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: trebuchet ms;"&gt;Rafinée, adora essa palavra e adora francês, matriz cultural da alta sociedade brasileira em seu tempo. Muito ao seu modo, porém, como quando acrescentou açúcar ao seu vinho numa viagem à França, escandalizando assim o garçon que repetia: “Quelle horreur! Quelle horreur!” &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: trebuchet ms;"&gt;E em paralelo Dona Ruth trabalhou mais de trinta anos com as mulheres em situação de prostituição em Salvador, especificamente o baixo meretrício. Um dia contou-me que gostava de ensinar crochê, pois desse modo tinha que estar perto de sua aluna e isso lhe permitia conversar mais facilmente. Sensível.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: trebuchet ms;"&gt;Artista, poeta esporádica, deixou vestígios de seu dom em tapetes, pratos, lenços, um belo livreto que é verdadeiro tesouro de família e nas estolas que ainda teve tempo de bordar até o fim e me deu de presente, talvez seu último trabalho. E compareceu à celebração de minha ordenação, a última missa pública na qual esteve. E ainda reza, sempre, murmurando Pais-nossos e Ave-Marias sem fim.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: trebuchet ms;"&gt;Dona Ruth sempre foi uma pessoa complexa, sua despedida não poderia ser simples. Sua presença faz falta. Sinto-me amado por minha avó e sei que não apenas eu. De modos diversos, toda a família e muitos outros podem dizer o mesmo. Talvez seja esse o melhor testemunho que se pode dar de alguém. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: trebuchet ms;"&gt;Nesse tempo de silêncio e de mistério, minha avó vive o mais longo retiro de sua vida. Ermitãs, ela e Bia. Sozinhas, essas duas mulheres, uma sumindo e outra surgindo, conversam em línguas estranhas com o Espírito, a fonte da existência que carregam. Nesse diálogo segue desenvolvendo-se o maior dom que nos é dado no tempo: nossa a identidade, sermos quem somos relacionados a outras pessoas. Esse dom jamais se perde, mesmo quando as palavras se fazem ausentes.&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4074335781108056511-4270322802549246488?l=umperegrinoapenas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</description><link>http://feedproxy.google.com/~r/umperegrinoapenas/~3/O9yQXbtVZTw/coluna-peregrina.html</link><author>noreply@blogger.com (Roberto)</author><feedburner:origLink>http://umperegrinoapenas.blogspot.com/2009/01/coluna-peregrina.html</feedburner:origLink></item><item><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-4074335781108056511.post-1865871117571618236</guid><pubDate>Fri, 09 Jan 2009 12:59:00 +0000</pubDate><atom:updated>2009-01-09T05:00:42.657-08:00</atom:updated><category domain="http://www.blogger.com/atom/ns#">Crônica</category><category domain="http://www.blogger.com/atom/ns#">Coluna Peregrina</category><title>Coluna Peregrina - Caminhos</title><description>&lt;span style="font-weight: bold; font-style: italic; color: rgb(0, 153, 0);font-size:180%;" &gt;&lt;span style="font-family: trebuchet ms;"&gt;Caminhos&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: trebuchet ms;"&gt;Só existe o meio, caminhos nem começam nem terminam. Insistimos em querer marcar o primeiro quilômetro, o primeiro passo, o ponto de chegada. Mas, na verdade, cada caminho existe apenas no trânsito, no espaço dentro do qual o movimento acontece. Caminho é mudança.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: trebuchet ms;"&gt;Essas idéias me vêm à cabeça quando o encontro nacional do Grupo OPA – Oração pela Arte está acontecendo em Belo Horizonte. O tema desse ano: “Caminhos”. Mas também reflito num momento de minha vida em que as estradas e as distâncias são importantes, um momento em que não sei bem ao certo onde vou chegar, embora saiba em que direção caminhe. E considerando o que vejo em minha vida e na vida dos outros, noto que o mais interessante, o mais importante está no intermédio, no meado, não nas conclusões. Os contadores de história bem o sabem, e tratam de retardar o final do conto para oferecer ao seu público um pouco mais de história, isto é, de caminho. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: trebuchet ms;"&gt;Gosto de pensar, ainda, que o primeiro nome usado para designar os cristãos era “aqueles do caminho”. Afinal, ninguém é obra acabada. Habitantes do tempo, somos seres em processo, aos quais é confiado o mistério dos instantes, da seqüência de oportunidades de ir adiante rumo ao mais, mesmo que às vezes tropeçando no menos. Somos fluxo, movimento, passagem, vindo de uma origem difusa e para um destino sempre insuspeitado. Somente o rumo nos pertence.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: trebuchet ms;"&gt;Aqui somos gente, aqui somos mais humanos e chamados à aliança sempre renovada com o Pai eterno. O rumo. Cabe a cada um de nós a escolha do Norte ou da direção que mais nos aproxima simultaneamente de nós mesmos e dos outros. Todo caminho é metáfora deste outro, o interior, a estrada onde a verdade de cada ser acontece e se revela. Deus é aquele que vem. &lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4074335781108056511-1865871117571618236?l=umperegrinoapenas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</description><link>http://feedproxy.google.com/~r/umperegrinoapenas/~3/-OQGFkjisLE/coluna-peregrina-caminhos.html</link><author>noreply@blogger.com (Roberto)</author><feedburner:origLink>http://umperegrinoapenas.blogspot.com/2009/01/coluna-peregrina-caminhos.html</feedburner:origLink></item><item><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-4074335781108056511.post-586578567138346662</guid><pubDate>Wed, 05 Nov 2008 16:16:00 +0000</pubDate><atom:updated>2008-11-05T08:19:08.252-08:00</atom:updated><category domain="http://www.blogger.com/atom/ns#">Crônica</category><category domain="http://www.blogger.com/atom/ns#">Coluna Peregrina</category><title>Coluna Peregrina</title><description>&lt;span style="font-weight: bold; font-style: italic; color: rgb(0, 153, 0);font-size:180%;" &gt;&lt;span style="font-family: trebuchet ms;"&gt;A PERSISTÊNCIA DOS DESEJOS IMPROVÁVEIS&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: trebuchet ms;"&gt;Muita coisa deslocou-se em minha vida nos últimos meses, a começar pelo endereço. No meio do alvoroço de tantas mudanças, algumas coisas foram criando peso, acumulando poeira, até pararem por completo. Deixei de cuidar dessa coluna, negligenciei também as reflexões de Domingo. Peso. Cobrança. Tristeza. Todas as vezes quando quero realizar algo e não me disponho a fazê-lo por um limite interno, sinto-me assim. Mas nessas alturas da vida já aprendi que a persistência é a arte de superar obstáculos, amarrar fios partidos, consertar motores desajustados. Longe de ser a linha reta dos desejos claros, a persistência é o desenho curvilíneo dos desejos improváveis em nossas vidas. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: trebuchet ms;"&gt;Mas são justamente esses desejos que trazem sabor, temperamento e estilo à nossa história. Meu pai sempre sonhou com uma fazenda e, apesar de jamais ter possuído uma, a permanência desse desejo ofereceu a minha família e a seus amigos uma casa cercada de varandas, bichos e plantas, além de tantas histórias trazidas do ventre da terra. Meu bisavô sonhou com um filho padre e, nas improbabilidades dos fios re-trançados, acabou com um bisneto sacerdote. Eu sempre admirei a magia da escritura. Não acreditava que ousaria. Mas a persistência do desejo traz-me de volta ao forno onde esquento essas palavras todas as semanas, como quem expõe o pão quente nas manhãs das padarias.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: trebuchet ms;"&gt;Deveria aprender a não temer essa dança com as correntes que ora me movem e ora me param. No final das contas, ninguém comanda a persistência dos desejos verdadeiros. Mas é preciso dar-se conta que a verdade de um desejo tem mais a ver com a sua persistência do que com sua realização. Mais precisamente, a realização dos desejos verdadeiros é mais um fruto espontâneo de sua persistência do que o resultado de uma vontade aguerrida. Olhando bem, a recorrência é um dos instrumentos mais eficazes da verdade e da revelação. Mesmo na ciência, não há conhecimento completo de eventos irrepetíveis. E como os desejos são bichos com vida própria, suas crias tomam formas que quase sempre nos escapam. Prepare-se para viver nas suspresas.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: trebuchet ms;"&gt;E aproveito a ocasião para transformar minha falta em sugestão. Note e tome nota dos desejos que lhe visitam de modo freqüente. Depois olhe para o horizonte de suas atividades e procure encontrar os vestígios desses desejos em seu dia-a-dia. Não tema as intermitências, os espaços, os suspiros. Antes, procure conciliar as forças e reconciliar-se consigo mesmo. Alimente as ocupações que lhe fazem sonhar, as atividades que lhe fazem perder a noção do tempo. Mesmo que o tempo corra curto um dia e que seja necessário, talvez, olhar para trás e reatar o fio.&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4074335781108056511-586578567138346662?l=umperegrinoapenas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</description><link>http://feedproxy.google.com/~r/umperegrinoapenas/~3/jwfo-zX03uc/coluna-peregrina-persitncia-dos-desejos.html</link><author>noreply@blogger.com (Roberto)</author><feedburner:origLink>http://umperegrinoapenas.blogspot.com/2008/11/coluna-peregrina-persitncia-dos-desejos.html</feedburner:origLink></item><item><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-4074335781108056511.post-2041255955413760103</guid><pubDate>Sun, 12 Oct 2008 02:19:00 +0000</pubDate><atom:updated>2008-11-05T08:19:47.353-08:00</atom:updated><category domain="http://www.blogger.com/atom/ns#">Crônica</category><category domain="http://www.blogger.com/atom/ns#">Coluna Peregrina</category><title>Coluna Peregrina</title><description>&lt;span style="font-weight: bold; font-style: italic; color: rgb(0, 153, 0);font-family:trebuchet ms;font-size:180%;"  &gt;SHAOLIN&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://4.bp.blogspot.com/_IUHPtootxno/SPFfChE-rkI/AAAAAAAAAQU/ERY0YDfXssc/s1600-h/rmr20080904_0029.jpg"&gt;&lt;img style="cursor: pointer;" src="http://4.bp.blogspot.com/_IUHPtootxno/SPFfChE-rkI/AAAAAAAAAQU/ERY0YDfXssc/s400/rmr20080904_0029.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5256086736961711682" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;Pórtico no templo de Shaolin, Luoyang, China (Foto: Li Beda/Tale Image)&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;A vida espiritual é um combate. Ainda mais quando se visita o tempo de Shaolin – que significa pequena floresta – nos arredores de Luoyang. O lugar é grandioso. Acolhidos no abraço das montanhas que cercam o templo, começamos uma longa caminhada até o coração desse mosteiro. Como sempre, porém, a beleza está nos detalhes.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;Eis o primeiro: as portas brilhantes. Posto que sempre abertas, quase ninguém repara nelas. São impressionantes, porém, essas portas sólidas, como os portais das catedrais mais antigas. O vermelho brilhante que pousa nelas é como carne e sangue, essas portas são seres vivos movimentando-se no constante exercício de dar lugar, de indicar a entrada e desaparecer para dar passagem. Lição de vida.&lt;/span&gt;  &lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Outro detalhe: os troncos dos ciprestes antigos repletos de furos. São marcas de dedos. Vestígios ancestrais de exercícios desses monges guerreiros, praticando como atingir o máximo de impacto com a mínima superfície de uma falangeta. Aprendo dos monges e das árvores: a persistência de um e a paciência da outra repetem-me como é vital a constância na vida espiritual. A reiteração dos desejos cria a marca das grandes realizações em nossa vida.&lt;/span&gt;  &lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mais um sinal: os imensos caldeirões de bronze nos quais se cozinhava arroz. Os caldeirões em si não são o mais importante, porém. Os monges que os utilizavam tinham os pés atados no teto e preparavam o arroz de ponta a cabeça. Isso faz-me perceber como todos os eventos de nossa vida são ocasião de aprendizado, de prática, mesmo os atos mais corriqueiros. Como beber água, por exemplo, percebendo a simplicidade dessa matéria da qual nos vem a vida. Tudo é ocasião de graça.&lt;/span&gt;  &lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em Shaolin todos os detalhes falam. E o verdadeiro combate acontece dentro. A grande diferença que eu percebo entre essa tradição e a minha, porém, é que eu percebo uma força muito maior que eu mesmo lutando ao meu lado. E a vitória já foi conquistada na árvore da vida, na árvore da Cruz plantada por nosso Irmão. A única luta que travo, o grande combate de minha existência, é chegar a ser o que eu devo ser, ouvindo a voz que, desde o céu, guia-me para fora de mim mesmo&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4074335781108056511-2041255955413760103?l=umperegrinoapenas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</description><link>http://feedproxy.google.com/~r/umperegrinoapenas/~3/Ngm-n0ruWCk/coluna-peregrina-shaolin.html</link><author>noreply@blogger.com (Roberto)</author><media:thumbnail xmlns:media="http://search.yahoo.com/mrss/" url="http://4.bp.blogspot.com/_IUHPtootxno/SPFfChE-rkI/AAAAAAAAAQU/ERY0YDfXssc/s72-c/rmr20080904_0029.jpg" height="72" width="72" /><feedburner:origLink>http://umperegrinoapenas.blogspot.com/2008/10/coluna-peregrina-shaolin.html</feedburner:origLink></item><item><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-4074335781108056511.post-3062605181640802734</guid><pubDate>Fri, 26 Sep 2008 14:04:00 +0000</pubDate><atom:updated>2008-09-26T18:25:08.202-07:00</atom:updated><category domain="http://www.blogger.com/atom/ns#">Crônica</category><category domain="http://www.blogger.com/atom/ns#">Coluna Peregrina</category><title>Coluna Peregrina</title><description>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://2.bp.blogspot.com/_IUHPtootxno/SNzyWp9hKQI/AAAAAAAAAPs/2tFBQD4Fxyg/s1600-h/rmr20080901_0196.jpg"&gt;&lt;span style="font-weight: bold; font-style: italic; color: rgb(0, 153, 0);font-family:trebuchet ms;font-size:180%;"  &gt;OS POVOS DA TERRA&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://2.bp.blogspot.com/_IUHPtootxno/SNzyWp9hKQI/AAAAAAAAAPs/2tFBQD4Fxyg/s1600-h/rmr20080901_0196.jpg"&gt;&lt;img style="cursor: pointer;" src="http://2.bp.blogspot.com/_IUHPtootxno/SNzyWp9hKQI/AAAAAAAAAPs/2tFBQD4Fxyg/s400/rmr20080901_0196.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5250337736642078978" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;A terra é redonda. Não resistimos a deslizar sobre sua superfície, sobretudo quando as costas de um cavalo se oferecem a nós, seres sedentos de desafios. Velocidade, precisão, equilíbrio, leveza... tudo se concentra na cena de um campeão em exercício nas estepes da Mongólia. Sou transportado aos pampas, ao nordeste, ao Arizona, às &lt;span style="font-style: italic;"&gt;llanuras&lt;/span&gt; aos campos do mundo inteiro.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;Tudo não passa de um jogo. A única regra é não cair, ou cair na hora e do jeito certo. Cada músculo é solicitado, cada segundo calculado, todos os instintos à flor da pele. Primeiro o silêncio. O objetivo agora é capturar a mínima recompensa (apenas alguns &lt;span style="font-style: italic;"&gt;yuans&lt;/span&gt; recolhidos da platéia), sem parar o animal. O cavalo avança. Rápido, cada vez mais rápido. Os corações suspensos, um susto quando o peão se inclina e... Vapt! Ei-lo consagrado pela admiração de quem vê e sonha. Retorna ao ponto e, junto com os companheiros, parte para a corrida, cada um disputando as milhas, as migalhas de espaço para chegar primeiro. Corrida, rodeio, vaquejada, o mundo inteiro corre nas patas de um cavalo.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;Algo que não me deixa a mente é a pequenez da terra. Das primeiras esculturas às extravagâncias de Dali, cavalos. Na corte do imperador Qing, foram os cavalos pintados por Castiglione, irmão jesuíta e exímio artista, que ajudaram a manter abertas as portas da Igreja em momentos decisivos. É que esse animal mora dentro de nós, em sua beleza, sinceridade e estranha combinação de docilidade e selvageria. Somos centauros, em sua duplicidade humano-equestre.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;O problema é que vivemos nesse tempo, quando a velocidade dos carros expulsaram os animais das ruas. Perdemos os instintos, sentimo-nos estranhos quando pisamos a terra de pés nus. Pois a terra foi moldada pelo concreto, ficou quadrada e jamais voltará a ser como era – apesar do gênio de Gaudí. Mas ao sentir o coração bater como no primeiro dia diante da visão desse arquétipo ágil, tenho esperança. Assim como o cavalo, a primavera da humanidade reside dentro da alma. E a redondeza do mundo não se mede pelas coisas, e sim pela caridade.&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4074335781108056511-3062605181640802734?l=umperegrinoapenas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</description><link>http://feedproxy.google.com/~r/umperegrinoapenas/~3/XBjcbhEZdIQ/col.html</link><author>noreply@blogger.com (Roberto)</author><media:thumbnail xmlns:media="http://search.yahoo.com/mrss/" url="http://2.bp.blogspot.com/_IUHPtootxno/SNzyWp9hKQI/AAAAAAAAAPs/2tFBQD4Fxyg/s72-c/rmr20080901_0196.jpg" height="72" width="72" /><feedburner:origLink>http://umperegrinoapenas.blogspot.com/2008/09/col.html</feedburner:origLink></item><item><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-4074335781108056511.post-2111917819643225458</guid><pubDate>Thu, 18 Sep 2008 13:49:00 +0000</pubDate><atom:updated>2008-09-18T07:08:12.690-07:00</atom:updated><category domain="http://www.blogger.com/atom/ns#">Crônica</category><category domain="http://www.blogger.com/atom/ns#">Coluna Peregrina</category><title>Coluna Peregrina</title><description>&lt;span style="font-weight: bold; font-style: italic; color: rgb(0, 153, 0);font-size:180%;" &gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;O NASCER DO SOL&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: left;"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;Prepare-se para uma pequena viagem. Depois de uma noite de trem, partindo de Pequim em direção a Honhot, você está na Mongólia Interior, a terra do Gengis (que significa “Grande”, em mongol) Khan. O amanhecer no trem já lhe preparara para essa terra, com sua paisagem mestiça de montanhas e planos. Mas é somente ao longo das duas horas de ônibus de Honhot para as “grasslands” que a Mongólia Interior se revela.&lt;/span&gt; &lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;Tudo ao redor parece intocado. É verdade que o turismo alterou intensamente essa terra onde, apesar das distâncias, os celulares funcionam, os televisores são alimentados por satélites e os gers (ou yurts, as tendas onde vivem habitualmente os nômades das planícies) escondem quartos em estilo ocid&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;ental. Mas a sensação de espaço é virgem, original: tudo ao seu redor é livre, limpo, me&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;smo as cercas permitem passagens. No alto da colina, um altar xamã.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://3.bp.blogspot.com/_IUHPtootxno/SNJd5GpSB6I/AAAAAAAAAL8/obmeIm5Q0qE/s1600-h/rmr20080901_0062.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer;" src="http://3.bp.blogspot.com/_IUHPtootxno/SNJd5GpSB6I/AAAAAAAAAL8/obmeIm5Q0qE/s400/rmr20080901_0062.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5247359751457736610" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;Altar xamã na Mongólia Interior - Li Beda (Tale Image)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;É esse altar que concentrará sua atenção, agora. É por detrás da montanha em que ele está construído que virá o sol, quando você se levantar às cinco da manhã para o espetáculo quotidiano. Faz frio. As estrelas ainda reinam no céu. Um grupo de pessoas já povoa a colina ao lado de sua tenda. Seu olhar passeia pelo céu e sua imaginação evoca todas as orações e mistérios escondidos nessa terra.&lt;/span&gt;  &lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;O xamã é aquele que percebe-se detentor de um poder sagrado, uma capacidade de tocar as coisas da alma. Não se trata de uma religião estruturada, mas de um sistema de perc&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;epções naturais e crenças &lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;arraigadas na cultura. Com aquilo que pode parecer ou ser exagero, imprecisão, simplificação e mesmo engodo, a definição desse papel é bela.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://2.bp.blogspot.com/_IUHPtootxno/SNJfVYvw_9I/AAAAAAAAAME/2MhLzWsNhX4/s1600-h/rmr20080902_0001.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: left; cursor: pointer;" src="http://2.bp.blogspot.com/_IUHPtootxno/SNJfVYvw_9I/AAAAAAAAAME/2MhLzWsNhX4/s400/rmr20080902_0001.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5247361336864735186" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;Nascer do sol nas Grasslands, Mongólia Interior - Li Beda (Tale Image)&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;E a simplicidade desses altares fascina. Pedras sobre a terra. Basta. Na contra-luz do sol nascente, você pensa em toda a terra como um altar.&lt;/span&gt;  &lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;Nesse mesmo lugar, décadas atrás, foi celebrada a “Missa sobre o mundo” pelo padre e paleontólogo Teillard de Chardin. Sem pão e sem patena, ele oferecera todo o trabalho humano no altar de pedra e de fogo que é nosso planeta. Olhando essa paisagem com seus próprios olhos, a mesma oferta se renova. A terra é pequena, o dom é imenso e lindo.&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4074335781108056511-2111917819643225458?l=umperegrinoapenas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</description><link>http://feedproxy.google.com/~r/umperegrinoapenas/~3/1zaKdjRTu-c/coluna-peregrina.html</link><author>noreply@blogger.com (Roberto)</author><media:thumbnail xmlns:media="http://search.yahoo.com/mrss/" url="http://3.bp.blogspot.com/_IUHPtootxno/SNJd5GpSB6I/AAAAAAAAAL8/obmeIm5Q0qE/s72-c/rmr20080901_0062.jpg" height="72" width="72" /><feedburner:origLink>http://umperegrinoapenas.blogspot.com/2008/09/coluna-peregrina.html</feedburner:origLink></item><item><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-4074335781108056511.post-8629768744411742117</guid><pubDate>Fri, 29 Aug 2008 07:38:00 +0000</pubDate><atom:updated>2008-08-29T00:39:45.299-07:00</atom:updated><category domain="http://www.blogger.com/atom/ns#">Crônica</category><category domain="http://www.blogger.com/atom/ns#">Coluna Peregrina</category><title>Coluna Peregrina</title><description>&lt;span style="font-family: trebuchet ms;"&gt;&lt;span style="font-weight: bold; font-style: italic; color: rgb(0, 153, 0);font-size:180%;" &gt;Os limites do corpo&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A China ainda respira ares olímpicos. Um respiro de alegria, provavelmente com sua dose de alívio. Todo mundo ainda se lembra das imagens da celebração de abertura, espetáculo grandioso. O que mais me chama a atenção quando penso nos Jogos Olímpicos, porém, são os limites do corpo humano. Inúmeros recordes foram quebrados. Depois de Pequim, o homem corre mais rápido, salta mais alto, nada mais ligeiro e voa mais ágil. Olhando para a vida normal desde essas alturas, nossos minutos quotidianos parecem desprezíveis.Quando tudo se decide com base nos milímetros, nos décimos, nos centésimos de segundo, nossas urgências parecem mesquinhas. Que teríamos em comum com os super-atletas?&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: trebuchet ms;"&gt;Em meu entender, eles revelam pelo exagero algo que está em nossa mais comum realidade: sempre tentamos superar os limites de nosso corpo. Desde o primeiro homem. Desde que o primeiro ser humano inventou a primeira e mais rudimentar ferramenta, manifestou sua inconformidade com nossos limites mais elementares: o tempo e o espaço. E desde esse momento, apesar de conflitos e reveses, é como se a humanidade inteira colaborasse no processo de constante superação dos limites que envolvem nosso corpo. Um dia, talvez dezenas de gerações adiante, os centésimos ganhos traduzir-se-ão em segundos, em minutos, em quilômetros, em uma forma de viver e de se relacionar com o corpo que não será mais a nossa. Somos mais altos e mais rápidos que nossos ancestrais, mas seremos superados por nossos descendentes.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: trebuchet ms;"&gt;Há um lado perverso nesse movimento. Enquanto a expansão dos nossos limites nos inebria através da lente de aumento dos Jogos Olímpicos, o ideal de fraternidade, de paz e de dignidade que esse evento porta é obscurecido pelo silêncio dos que jamais serão medalhistas. Sequer concorrentes. Sequer atletas. Assistindo os jogos, cada premiação deixava em mim um sentimento contraditório. Talvez seja parte de meu desconforto com comparações, mas não consigo deixar de perceber o silêncio que encobria as medalhas, comparável ao silêncio das guerras: o silêncio dos vencidos e o silêncio das vítimas. Exagero meu, certamente. Mas não é exagero pensar quanto foi investido não somente no treinamento dos atletas, mas no evento inteiro. E, feitas as contas, a conquista desses milésimos, centésimos, mesmo décimos de segundo pode ter custado a vida de muitas mulheres e homens.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: trebuchet ms;"&gt;A questão é sempre aritmética: quantos precisam sofrer para que outros sejam mais felizes. Ou, de modo mais disfarçado: quanto custa o progresso?  Eu a rejeito, porém, essa forma de comparar o incomparável. Em cada ser humano, lento ou rápido, ágil ou não, está a humanidade inteira. E se há conquista a ser feita, não se trata apenas de lutar por igualdade de oportunidades, mas a execução da tarefa constante e exigente de buscar e ajudar a encontrar o lugar que corresponde a cada um. Sem jamais esquecer que o “todo mundo” é feito de um “cada um”. Nesse exercício, sim, há uma medalha de outro esperando por cada um de nós.&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4074335781108056511-8629768744411742117?l=umperegrinoapenas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</description><link>http://feedproxy.google.com/~r/umperegrinoapenas/~3/7iAakx-RpVo/coluna-peregrina_29.html</link><author>noreply@blogger.com (Roberto)</author><feedburner:origLink>http://umperegrinoapenas.blogspot.com/2008/08/coluna-peregrina_29.html</feedburner:origLink></item><item><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-4074335781108056511.post-8826747863519108079</guid><pubDate>Fri, 08 Aug 2008 06:53:00 +0000</pubDate><atom:updated>2008-08-08T00:45:11.512-07:00</atom:updated><category domain="http://www.blogger.com/atom/ns#">Crônica</category><category domain="http://www.blogger.com/atom/ns#">Coluna Peregrina</category><title>Coluna Peregrina</title><description>&lt;span style="font-weight: bold; font-style: italic; color: rgb(0, 153, 0);font-size:180%;" &gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;O FIM DA GUERRA&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://3.bp.blogspot.com/_IUHPtootxno/SJv5TEsxuLI/AAAAAAAAAK0/oJ06rni0rME/s1600-h/S6301116.JPG"&gt;&lt;img style="cursor: pointer;" src="http://3.bp.blogspot.com/_IUHPtootxno/SJv5TEsxuLI/AAAAAAAAAK0/oJ06rni0rME/s400/S6301116.JPG" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5232049498195343538" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;Ruinas do Palácio de Verão, projetado pelo Ir Giuseppe Castiglione SJ (Foto: Howard Du)&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;Há pouco tempo tive acesso a uma análise segundo a qual o investimento astronômico do governo chinês com os jogos olímpicos justifica-se porque, na verdade, esse momento representa para a China o final das Guerras do Ópio. Faz sentido. Os eventos acontecidos em 1839-1842 (1ª Guerra do Ópio) e 1856-1860 (2ª Guerra do Ópio) são descritos pelos historiadores chineses como o “período da grande humilhação”. Os exércitos da enfraquecida dinastia Qing foram derrotados pelas tropas inglesas e francesas e, em conseqüência, o território da China foi repartido em zonas de influência sob diferentes países (entre as quais Hong Kong sob o Reino Unido, Macao sob Portugal e Taiwan entregue ao Japão). O grande Império do Meio perdera seu esplendor. Até hoje em dia, as ruínas do inacreditável Palácio de Verão - destruído por Lorde Elgin em demonstração do poderio do ocidente – até hoje alimentam a resistência dos chineses aos estrangeiros. Mas hoje a China acolhe os jogos olímpicos...&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;É preciso isolar alguns desses dados para poder entender melhor o argumento. Primeiro, é verdade que a China sempre teve mais tendência a fechar-se que a abrir-se. Não há em sua história nenhum período no qual se tenha estabelecido um movimento de colonização, por exemplo. Uma vez estabelecida a base do seu território, com algumas variações, pelo imperador Qin (221a.C.), a política externa chinesa explorou mais a idéia de estados vassalos que o modelo da colonização direta usado pelos Estados europeus do século XVI. No pensamento chinês, o Império do Meio é o centro do mundo e para esse centro deveriam convergir todos os povos. Não o contrário. Por isso, raramente estrangeiros eram admitidos à corte e, quando o eram, normalmente não podiam retornar às suas pátrias. O estrangeiro era (e ainda é) visto como uma ameaça.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;Segundo, a cultura chinesa é uma das mais elaboradas e fascinantes da humanidade. Muitas das grandes invenções que inundam nosso cotidiano aconteceram nessa banda do planeta (papel, pólvora, bússola, macarrão, seda, imprensa...). No entanto, enquanto a Europa entrava na era da revolução matemática que levou à ciência moderna, a China permaneceu apegada a um modo de conhecimento, de educação e de administração inadequados às transformações do mundo contemporâneo. E quando reagiu ao comércio de ópio imposto pelos ingleses, não conseguiu resistir às tropas invasoras. O estado chinês envelhecera e não soubera renovar-se a tempo.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;Terceiro, a humilhação é real. Quando Lorde Elgin comentou orgulhosamente com Victor Hugo sobre a destruição do Palácio de Verão, uma das maravilhas do mundo, recebeu do escritor uma resposta tão violenta quanto fora seu gesto. Muitos dos tesouros chineses hoje em exposição na National Gallery e no Louvre são frutos desse saque. O maior deles, porém, o próprio Palácio de Verão, já não existe. O lugar que então povoara o sonho de tantos artistas do mundo habitado hoje é uma coleção de ruínas, um parque de memórias amargas. Um pesadelo do qual a China quer urgentemente despertar.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;Finalmente, as Guerras do Ópio, como todas as guerras, movimentou-se por conta das engrenagens econômicas. Não é de estranhar que, há poucos dias, um dos candidatos à presidência dos Estados Unidos tenha usado a terminologia da guerra para falar de economia. Mas, nesse campo, a China de hoje volta a estar no centro. Com um crescimento constante de dois dígitos há mais de dez anos, é capaz de mobilizar o país e o mundo em torno dos maiores jogos olímpicos da história. Tudo é superlativo. É o fim do período da grande humilhação nacional.&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4074335781108056511-8826747863519108079?l=umperegrinoapenas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</description><link>http://feedproxy.google.com/~r/umperegrinoapenas/~3/PRqjJGXPCCo/coluna-peregrina.html</link><author>noreply@blogger.com (Roberto)</author><media:thumbnail xmlns:media="http://search.yahoo.com/mrss/" url="http://3.bp.blogspot.com/_IUHPtootxno/SJv5TEsxuLI/AAAAAAAAAK0/oJ06rni0rME/s72-c/S6301116.JPG" height="72" width="72" /><feedburner:origLink>http://umperegrinoapenas.blogspot.com/2008/08/coluna-peregrina.html</feedburner:origLink></item><item><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-4074335781108056511.post-5530416732655319586</guid><pubDate>Thu, 24 Jul 2008 12:02:00 +0000</pubDate><atom:updated>2008-12-09T21:46:01.114-08:00</atom:updated><category domain="http://www.blogger.com/atom/ns#">Crônica</category><category domain="http://www.blogger.com/atom/ns#">Coluna Peregrina</category><title>Coluna Peregrina</title><description>&lt;span style="font-weight: bold; font-style: italic; color: rgb(0, 153, 0);font-size:180%;" &gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;CRIANÇAS&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://2.bp.blogspot.com/_IUHPtootxno/SIhwsU0m4sI/AAAAAAAAAKM/LvzVAam8WU4/s1600-h/rmr080709_0013.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer;" src="http://2.bp.blogspot.com/_IUHPtootxno/SIhwsU0m4sI/AAAAAAAAAKM/LvzVAam8WU4/s400/rmr080709_0013.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5226551274369376962" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;Muita coisa aconteceu nesse último mês. Não por acaso, essas colunas mudaram de tom, de estilo, de tempo. Ainda estou ruminando muito do que vi e ouvi nessa viagem à China, ao interior da China. Muitas das coisas que descobri não podem ser comunicadas na forma desse texto, mas uma delas é particularmente importante. Crianças. Sete crianças, para ser exato. O menorzinho de todos tem dois anos e meio. Não fala, mal caminha. A maiorzinha tem oito anos, dança lindo. Sete crianças órfãs ou rejeitadas. Sete soropositivos. Sete histórias tristes lutando contra o sorriso que frequentemente se forma em seus sete rostos. Afinal, são crianças... Estive uma semana com elas, brincando, abraçando, sendo abraçado, empurrado, ensinando, aprendendo, dividindo a alegria de estar vivo e de poder ser gente. Apesar do preconceito e da dor. Além do preconceito e da dor.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;Todos os dias pela manhã, depois da oração matutina, gostava de caminhar pelo corredor onde estão seus quartos. Pouco a pouco ia ouvindo um espreguiçar, um bocejar, um “tio, me abrace”. Êta pedido que dói... Quanta ausência escondida nesse sussurro... Mas depois as brincadeiras começavam, começavam os empurra-empurra, pega-pega e briga-briga. Café da manhã e mais brincadeira. Uma semana. Nunca esqueço.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;Sete doentes terminais. Crianças. Há esperança, mas tão pequena que somente os loucos e santos enxergam. Nunca esqueço...&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;Nesse mesmo tempo, outro evento inesquecível aconteceu do outro lado do mundo. Crianças. No município de Vazantes, a segunda missão BrinquedOPA, organizada em parceria entre o Grupo OPA e Fé e Alegria, levou adiante esse desejo de ajudar meninas e meninos a sonhar, a ver o mundo de modo diferente, a serem criativos. Desde junho de 2004, foram realizadas quatro missões a Jenipapo, na Ilha do Marajó, duas missões em Natal/RN, uma visita e duas missões a Vazantes. Nosso objetivo não é fazer, porém, mas estar. Nesse projeto, apesar das dificuldades, contradições e defeitos que inevitavelmente tem, procuramos estar atentos a um princípio e sempre a ele retornar: são as pessoas que importam. E a escolha de estar perto das crianças tem isso de importante: elas nada têm para oferecer senão a própria presença, partilhar a própria alma. Um convite.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;Na China ou no Brasil, somos todos crianças. Se os traços fundamentais de nossa personalidade são formados em nossos primeiros anos, permanecemos crianças de algum modo. E isso nos reúne na simplicidade, nos ajuda a enxergar além das dificuldades, além das fronteiras, além dos preconceitos e mesmo além da morte. Somos todos meninas e meninos de um Deus que podemos chamar de Pai. E isso faz toda a diferença.&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4074335781108056511-5530416732655319586?l=umperegrinoapenas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</description><link>http://feedproxy.google.com/~r/umperegrinoapenas/~3/FOxVMSFBr6I/coluna-peregrina_24.html</link><author>noreply@blogger.com (Roberto)</author><media:thumbnail xmlns:media="http://search.yahoo.com/mrss/" url="http://2.bp.blogspot.com/_IUHPtootxno/SIhwsU0m4sI/AAAAAAAAAKM/LvzVAam8WU4/s72-c/rmr080709_0013.jpg" height="72" width="72" /><feedburner:origLink>http://umperegrinoapenas.blogspot.com/2008/07/coluna-peregrina_24.html</feedburner:origLink></item><item><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-4074335781108056511.post-5330183750238037374</guid><pubDate>Thu, 03 Jul 2008 08:20:00 +0000</pubDate><atom:updated>2008-07-03T01:21:01.462-07:00</atom:updated><category domain="http://www.blogger.com/atom/ns#">Crônica</category><category domain="http://www.blogger.com/atom/ns#">Coluna Peregrina</category><title>Coluna Peregrina</title><description>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-weight: bold; font-style: italic; color: rgb(0, 153, 0);font-size:180%;" &gt;&lt;span style="font-family: trebuchet ms;"&gt;DAMEN &lt;span style="font-size:100%;"&gt;(AS CIDADES E A VIDA IV)&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: trebuchet ms;"&gt;Quem viajar para Damen chegará pela noite e esperará à porta. Quando cessarem os rumores solenes dos tambores, as portas se abrirão sobre outras portas e as portas sobre paredes, as paredes levando a passagens, passagens a labirintos  multicolores, tão fascinantes quanto intrincados. Normalmente as bocas dos viajantes repetem admirativas o abrir dos portões. Os olhos dos viajantes, cuja curiosidade fora alimentada pela noite, passeia de cor em cor, de detalhe em detalhe, abrindo-se e fechando-se conformem-se abrem-se umas e fecham-se outras portas nessa cidade sem janelas. Apenas portas. Apenas portas, paredes, passagens e labirintos. É como se nenhuma paisagem existisse para ser vista, mas sim para ser atravessada. Damen é um convite.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: trebuchet ms;"&gt;As etiquetas são rigorosas nessa cidade, porém. E o viajante distraído pode ser repelido com um bater de portas cujas cores variam conforme são abertas ou fechadas – pois portas existem não apenas para permitir a passagem, como ensinara a lição da noite. E as portas de Damen misteriosamente variam de cor: de um sol vibrante quando abertas a um noturno sem lua quando fechadas – uma noite tão escura que as batidas dos viajantes sobre a madeira perdem-se na escuridão sem eco.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: trebuchet ms;"&gt;A cidade é normalmente brilhante, porém, e os habitantes de Damen todos carregam consigo o escudo da cidade que consiste na combinação curiosa de um sol poente, uma árvore florida e uma casa sem portas. Diz uma lenda, de fato, que virá um dia quando, na hora do sol gentil, as portas milagrosamente voltarão a ser árvores e florescerão. Segundo a lenda, nesse mesmo dia, um viajante aparecerá discretamente e estranho, um viajante cujo rosto contém vestígios de todos os povos conhecidos e desconhecidos. Diz-se que ele sorrirá de olhos e coração abertos para cada habitante de Damen, um a um, porta a porta, depois tocará a porta que está no centro da cidade e ela será a primeira a se transformar em árvore. A árvore da paz verdadeira. E dizem que aqueles que houverem retribuído o sorriso do viajante com o mesmo espírito serão os únicos a ver e a colher os frutos permanentes da árvore milagrosa. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: trebuchet ms;"&gt;Por isso as portas fecham-se quando a etiqueta é quebrada, quer dizer, quando alguém nega-se a retribuir ao exercício quotidiano do sorriso e da palavra matinal. A etiqueta consiste nisso: quando as portas abrem-se após o último eco do último tambor, esse som que abre espaço ao primeiro raio de sol, cada pessoa deve abrir suas portas e preparar a oferenda: um sorriso e uma palavra. Todas as pessoas devem receber e retribuir os dons, e aqueles que recusam a oferta merecem ser remetidos à escuridão segundo o grande Código de Damen. E parece que, quando algum cidadão da cidade se esquece ou foge ao exercício matinal, a escuridão do exterior das portas começa lentamente a permear o interior das paredes, labirintos e passagens. Ao contrário, dizem que as portas mais brilhantes pertencem às pessoas que melhor sorriem e mais plenamente oferecem palavras. Talvez esteja aí o mistério dos portões de Damen. Mas quem poderá dizer que cores, sorrisos, portas e palavras andam juntos?&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4074335781108056511-5330183750238037374?l=umperegrinoapenas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</description><link>http://feedproxy.google.com/~r/umperegrinoapenas/~3/WGrK0yyd_5A/coluna-peregrina.html</link><author>noreply@blogger.com (Roberto)</author><feedburner:origLink>http://umperegrinoapenas.blogspot.com/2008/07/coluna-peregrina.html</feedburner:origLink></item><item><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-4074335781108056511.post-7557482544576365838</guid><pubDate>Thu, 26 Jun 2008 04:25:00 +0000</pubDate><atom:updated>2008-06-25T21:26:10.356-07:00</atom:updated><category domain="http://www.blogger.com/atom/ns#">Crônica</category><category domain="http://www.blogger.com/atom/ns#">Coluna Peregrina</category><title>Coluna Peregrina</title><description>&lt;span style="font-weight: bold; font-style: italic; color: rgb(0, 153, 0);font-size:180%;" &gt;&lt;span style="font-family: trebuchet ms;"&gt;A FOME&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: trebuchet ms;"&gt;Muitas pessoas atravessam a rua. Olho o rosto de cada uma delas, vejo o rastro de algo que parece inexistir. Tudo vai bem, tudo vai em frente, tudo parece certo. A não ser a fome. A fome que sequer existe porque não tem um nome. Uma vontade de algo que quase não é vontade pois não se exprime de fato, mas na verdade incomoda. Um vazio. Dentro.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: trebuchet ms;"&gt;Muitas vezes repete-se – e eu mesmo me incluo - que a salvação é nossa alegria. Somos salvos, não duvidamos. E essa é nossa alegria, de verdade. Mas de quê somos salvos por Cristo? E o que dizer aos que parecem não sentir falta do que chamamos de salvação?&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: trebuchet ms;"&gt;Olho as pessoas na rua, o rosto de cada uma delas. Incluo meu rosto, que olho no espelho. Vejo o rastro de algo que parece não querer ser dito, mas que está no brilho dos nossos olhos cada vez que olhamos o céu. O céu de dentro. Cada vez que olhamos um infinito dentro de cada cultura, de cada língua, de cada pessoa, os rastros Daquele que parece não poder ser dito, cujo nome de fato não se pode dizer na ausência de vogais da língua hebraica. E quando não posso dizer algo o Nome sinto-me sozinho.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: trebuchet ms;"&gt;Ser salvo é poder chamar Deus de Pai e saber ser irmão.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: trebuchet ms;"&gt;As pessoas olham-me na rua, o estranho. Muitos sequer perguntam-me de onde venho, com medo de uns olhos grandes demais para sua curiosidade, de palavras demasiado estrangeiras aos seus ouvidos. Quando uma voz arrisca-se a cruzar o abismo, pergunta-me: de onde vens? Gostaria de dizer a verdade. Venho da parte do Altíssimo. E eu sei o nome dessa fome. Sorrio. No meu silêncio, algo se comunica.&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4074335781108056511-7557482544576365838?l=umperegrinoapenas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</description><link>http://feedproxy.google.com/~r/umperegrinoapenas/~3/y47NMzPBirs/coluna-peregrina_25.html</link><author>noreply@blogger.com (Roberto)</author><feedburner:origLink>http://umperegrinoapenas.blogspot.com/2008/06/coluna-peregrina_25.html</feedburner:origLink></item><item><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-4074335781108056511.post-6440060745366673441</guid><pubDate>Thu, 19 Jun 2008 04:38:00 +0000</pubDate><atom:updated>2008-12-09T21:46:01.250-08:00</atom:updated><category domain="http://www.blogger.com/atom/ns#">Crônica</category><category domain="http://www.blogger.com/atom/ns#">Coluna Peregrina</category><title>Coluna Peregrina</title><description>&lt;span style="font-weight: bold; font-style: italic; color: rgb(0, 153, 0);font-size:180%;" &gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;IGREJA ABERTA&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://2.bp.blogspot.com/_IUHPtootxno/SFxaDw4U7HI/AAAAAAAAAJ8/-T3PjjCatag/s1600-h/rmr080619_005.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0pt 10px 10px 0pt; float: left; cursor: pointer;" src="http://2.bp.blogspot.com/_IUHPtootxno/SFxaDw4U7HI/AAAAAAAAAJ8/-T3PjjCatag/s400/rmr080619_005.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5214141489295453298" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na cidade de Macao, no oriente, uma das portas da China, resiste a fachada de uma igreja em ruína. Ou aparentemente em ruína. Foi erguida pelos jesuítas no século XVII, foi destruída pelo menos três vezes até que dela só restou a fachada que ainda impera no meio do Largo da Companhia de Jesus. Do outro lado de suas portas e janelas definitivamente abertas vê-se o céu, porém, e não os seus altares.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;Pergunto-me se é correto considerar ruína, entretanto, uma igreja na qual se vê o céu. Afinal de contas, que imagem mais perfeita do Altíssimo poderíamos escolher, senão isso que nós chamamos de céu e que, na verdade, também não existe porque hoje sabemos que o azul que contemplamos apenas esconde a visão do infinitamente grande espaço sideral. O teto desse tempo nos é invisível, o espaço nos é invisível, Deus faz-se invisível em nosso meio.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;Na cidade de Macao, no oriente, uma das portas da China, há uma comunidade aparentemente dispersa. Muitas igrejas servem mais de ponto turístico do que de lugar de culto. Na medida diretamente proporcional, enchem-se os cassinos. Troca-se uma esperança invisível por outra palpável, sem atentar-se ao paradoxo de que a esperança invisível é sólida, enquanto a outra, apesar de sensível, é vazia. Uma permanece, a outra passa – e rápido, às vezes numa simples troca de cartas. Mas comunidade existe, porém, e onde a marca da fé repousa sobre pelo menos dois reunidos por causa do Nome, aí está o Verbo, e Deus não tem fronteiras.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;Minha esperança, enfim, ou minha profecia, é que essa fachada em aparente ruína, essa comunidade aparentemente pequena, são o sinal discreto de uma presença que quer ser discreta em nosso meio. Um Amor silencioso, um Amor gratuito, um Amor sem limites. Do outro lado das portas e janelas dessa igreja aparentemente desaparecida, prepara-se um insuspeitado e surpreendente futuro.&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4074335781108056511-6440060745366673441?l=umperegrinoapenas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</description><link>http://feedproxy.google.com/~r/umperegrinoapenas/~3/BKcxzmQdXdI/coluna-peregrina_18.html</link><author>noreply@blogger.com (Roberto)</author><media:thumbnail xmlns:media="http://search.yahoo.com/mrss/" url="http://2.bp.blogspot.com/_IUHPtootxno/SFxaDw4U7HI/AAAAAAAAAJ8/-T3PjjCatag/s72-c/rmr080619_005.jpg" height="72" width="72" /><feedburner:origLink>http://umperegrinoapenas.blogspot.com/2008/06/coluna-peregrina_18.html</feedburner:origLink></item><item><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-4074335781108056511.post-2202282703726048555</guid><pubDate>Thu, 12 Jun 2008 10:17:00 +0000</pubDate><atom:updated>2008-06-14T00:30:28.817-07:00</atom:updated><category domain="http://www.blogger.com/atom/ns#">Crônica</category><category domain="http://www.blogger.com/atom/ns#">Coluna Peregrina</category><title>Coluna Peregrina</title><description>&lt;span style="font-weight: bold; font-style: italic; color: rgb(0, 153, 0);font-size:180%;" &gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;PALAVRAS&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;Mais importante que as cartas, são as palavras que vão nelas. Ultimamente, mais que de costume, tenho-me dado conta de como as palavras são como pedras, como peças que precisam ser pesadas e encaixadas; ou como plantas que precisam ser regadas, cultivadas e umas vezes deixadas tomar suas formas próprias, outras vezes ser podadas; ou como pessoas que decidem seu próprio rumo, sempre inesgotáveis, insubstituíveis, surpreendentes. Jamais temos domínio sobre as palavras que lançamos. Mas podemos acreditar no ato de comunicação, ou viver desconfiando dele.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;Uma certa dose de ambas atitudes é inevitável, creio. Esse tema sempre me vem à tona quando desconfio que aquilo que eu quis dizer não corresponde bem àquilo que eu disse ou àquilo que foi entendido. E ultimamente  tenho encontrado inúmeras situações nas quais esse pequeno drama se atualiza. Ainda assim, sigo lançando palavras como quem lança o cordame de um navio, tentando atracar-me ao porto da atenção dos outros. Somos, muitas vezes, marinheiros de palavras esperando pelos encontros que elas prometem. Diante dos desencontros ou tempestades que inevitavelmente interrompem o curso do discurso, há sempre a tentação de lançar âncora, de parar. Eu não. Lanço mais palavras.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;Porque li o capítulo quarto do evangelho segundo Marcos, e recomendo que leiam-no. Ali, o Cristo começa a falar em parábolas e tudo o que falará a partir de então – diz o evangelista – será dito em parábolas. E as parábolas são palavras lançadas em cima de outras, como quem cobre de tinta uma tela. Os discípulos não entendem, e Jesus Cristo diz: o semeador semeia a palavra. Quem definirá melhor o ato da comunicação? Palavras como sementes, cujos frutos não pertencem ao agricultor que apenas é chamado a acreditar no ato da semeadura. O verbo funciona, porque o Verbo é Deus.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;No entanto, até esta altura do texto descrevo palavras do lado de quem as lança. O que sucede quando transformo-me em terreno que acolhe palavras? Ou quando sou o porto ansiado dos cordames de outros marinheiros? Desconfio das palavras que não me surpreendem. A língua foi feita para levar-me onde não quero ir, onde não pretendia ir, como Pedro. A neutralidade das informações do dia-a-dia é como uma pedra bruta, como uma argila mole à disposição de nossas bocas. Quase nunca é fácil, Adélia Prado escrevera “Ave ávido, cheio de dor” em sua Anunciação ao Poeta. Mas quem não aceita essa dor, não encontra a forma de acolher as palavras que nos interpelam e não aprende a sair de si. E ficar em si é morrer no silêncio.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;Por minha parte, eu quero outro silêncio. Aquele que permite e que vem junto com as palavras. O silêncio da cumplicidade, da fraternidade, da confluência onde nada precisa ser dito. O silêncio de um poema no qual a experiência da plenitude se comunica. Um silêncio que se instala nos cantos das palavras.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;Plantei minha cabana no limite do povoado&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;Na avenida real, à beira do burburinho&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;Perguntam-me como posso diante do ruído&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;Inclinar meu coração para um lugar tranqüilo&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;Na cerca do oeste, colho um crisântemo&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;E a montanha do sul lentamente observo&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;A bruma no monte, o elegante crepúsculo&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;Vejo como a essência está em tudo isso&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;Logo quero falar, mas desaparece o verbo&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;span style="font-style: italic;font-family:trebuchet ms;" &gt;Tao Yuen-Ming (365-427 d.C. – Tradução Li Beda)&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4074335781108056511-2202282703726048555?l=umperegrinoapenas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</description><link>http://feedproxy.google.com/~r/umperegrinoapenas/~3/vXL_EqAu7PM/coluna-peregrina_12.html</link><author>noreply@blogger.com (Roberto)</author><feedburner:origLink>http://umperegrinoapenas.blogspot.com/2008/06/coluna-peregrina_12.html</feedburner:origLink></item><item><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-4074335781108056511.post-8428457872441633052</guid><pubDate>Fri, 06 Jun 2008 16:02:00 +0000</pubDate><atom:updated>2008-06-06T09:03:57.184-07:00</atom:updated><category domain="http://www.blogger.com/atom/ns#">Crônica</category><category domain="http://www.blogger.com/atom/ns#">Coluna Peregrina</category><title>Coluna Peregrina</title><description>&lt;span style="font-weight: bold; color: rgb(0, 153, 0);font-size:180%;" &gt;&lt;span style="font-family: trebuchet ms; font-style: italic;"&gt;CARTAS&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: trebuchet ms;"&gt;No dia em que eu conseguir despachar todas as cartas que escrevo em meu afeto, poderei dormir em paz sabendo que meus amigos sabem que não os esqueço. Enquanto isso, vou convivendo com esse peso sobre a pluma, essa dificuldade imensa de escrever que vive ao lado do desejo de comunicação que finalmente traduz-se (timidamente) nessas partilhas semanais. Não é fácil conviver com as distâncias. Não é fácil comunicar o afeto. Não é fácil romper o silêncio. Mas escrever é uma urgência da alma.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: trebuchet ms;"&gt;Dentre as muitas coisas que diria a meus amigos, é que a vida não teria sabor sem as relações que trançam os fios de nossas vidas. Sem meus amigos não haveria história, simplesmente. Gostaria, aliás, de contar aos meus amigos várias histórias de memórias que me visitam em lugares absolutamente improváveis. Como no dia em que, celebrando com um pequeno grupo de jovens, lembrei-me das missas nas comunidades da Paróquia do Sagrado Coração, em João Pessoa.  Ou como o azul intenso e indescritível do Pacífico transportando-me para a escuna na qual, com a turma do OPA, passeamos sobre a Bahia de Todos os Santos. Ou, ainda, como a visão de duas crianças brincando levaram-me para o lado de meus companheiros em missão com as crianças em Natal. A beleza de um almoço com uma família que transportou-me imediatamente para a minha, distante. Um dia ainda lhes escrevo dizendo como pontes invisíveis nascem todos os dias ligando o oriente ao ocidente.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: trebuchet ms;"&gt;Certamente daria algumas notícias minhas. Poucas. De mim mesmo, diria apenas que estou com saúde e feliz. Mas daria testemunho de tantas Graças que recebo como são, de graça. Falaria das novas amizades que vão surgindo junto com as palavras novas que vou aprendendo a dizer. O dom de dizer-me nessa língua absolutamente estrangeira, então, é um presente que recebo cada dia com emoção. Diria da emoção que sinto quando ando pela rua e percebo, nos nomes das coisas, palavras reconhecíveis, sinais que deixam-me sentir aos poucos em casa. Outro dia comprei peixe na feira. Foi bom, bom demais poder fazê-lo com palavras em lugar de gestos. Diria uma vez mais que Deus é generoso.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: trebuchet ms;"&gt;Aos meus amigos, sobretudo aos meus companheiros e aos meus amigos mais íntimos, eu faria um convite, um apelo a cultivar um coração missionário. Atravessar o mundo é menos difícil que atravessar a rua, ou atravessar outras distâncias em nossos afetos. Se um dia escrevesse as cartas que precisaria escrever aos meus amigos, proporia transformarmo-nos em cartas vivas. Sugeriria que, em todos os lugares onde nós nos encontrarmos, pudéssemos comunicar através de nossas palavras e de nossas ações a fé em um Deus que fez o mundo e fez-se gente para ensinar-nos o segredo de um amor que dá sentido à vida – e isso só comunicaremos quando começarmos a ousar amar de verdade, com o amor de Deus. E quando compactuarmos dessa forma, um dia, com meus amigos, não precisaremos mais de cartas, pois nossas vidas seriam como o texto, saindo constantemente do envelope à medida que saíssemos de nós mesmos.&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4074335781108056511-8428457872441633052?l=umperegrinoapenas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</description><link>http://feedproxy.google.com/~r/umperegrinoapenas/~3/6smay5LaZqY/coluna-peregrina.html</link><author>noreply@blogger.com (Roberto)</author><feedburner:origLink>http://umperegrinoapenas.blogspot.com/2008/06/coluna-peregrina.html</feedburner:origLink></item><item><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-4074335781108056511.post-6879160245179371346</guid><pubDate>Wed, 28 May 2008 08:50:00 +0000</pubDate><atom:updated>2008-12-09T21:46:01.439-08:00</atom:updated><category domain="http://www.blogger.com/atom/ns#">Crônica</category><category domain="http://www.blogger.com/atom/ns#">Coluna Peregrina</category><title>Coluna Peregrina</title><description>&lt;span style="color: rgb(0, 153, 0);font-size:180%;" &gt;&lt;span style="font-weight: bold; font-style: italic;font-family:trebuchet ms;" &gt;REZAR COM SIMPLICIDADE&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;  &lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O título da coluna de hoje não é plágio, é uma recomendação. Leiam ou releiam o livrinho de Carmita Overbeck, “Rezar com simplicidade” (Ed. Paulinas). De fato, Deus esconde-se nas coisas simples onde, como disse o poeta Carlos Pena Filho, “a vida morava e o amor nascia”. A intimidade com essas coisas pequenas sobre&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt; as quais repousam vestígios de nosso afeto ajuda-nos a rezar, a encontrar Deus no mais concreto de nossa vida. Rezar com a matéria, com a realidade mais cotidiana de nossa vida é talvez o primeiro passo para descobrirmos o rosto de um Deus extremamente íntimo a nós e à criação.&lt;/span&gt;  &lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Há pouco terminei meu retiro anual, oito dias de Exercícios Espirituais para guardar o rumo e avivar o sentido da vida. Durante esse tempo, uma das características do lugar no qual me encontrava era a de abrigar um cemitério onde se encontram os restos de inúmeros jesuítas missionários nessa região. Na minha caminhada diária, todos os dias visitava essas pessoas cujos nomes, rostos e histórias me eram desconh&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;ecidos. Todos os dias. Foi a primeira vez que senti-me levado a rezar com simplicidade diante da morte, diante desses ossos guardados com afeto, objetos “onde a vida morava e o amor nascia” – repetindo o verso já citado.&lt;/span&gt;  &lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O mais curioso aconteceu-me num dia quando, ali chegando, deparei-me com algumas tumbas abertas, os ossos arrumados numa caixa diante de cada túmulo, uma etiqueta identificando os vestígios que quem ali estava. Era o momento em que exumavam-se os ossos após dez anos de espera na terra, transferindo-os para o ossuário que se situa no mesmo local. Não sabia que o estavam fazendo e, devo admitir, provavelmente não iria caso soubesse. Entretanto, &lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;nunca havia experimentado – mais que saber, mais que pensar – como nossa grandeza esconde-se em tão pequena coisa... Naquele instante, minha oração encheu-se de agradecimento ao Pai, Aquele que nos chamou à dignidade de filhos seus, nós, a inveja dos anjos e cuja imensidão está mergulhada em tamanha fragilidade. Somos grandes, somos pequenos, somos amados como cada um, como cada pessoa, como únicos e insubstituíveis.&lt;/span&gt;  &lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;Ajudou-me a rezar com a simplicidade uma pedra que repousa no chão desse mesmo lugar e na qual está escrito o seguinte texto:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;  &lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;“Esses homens que viveram de modo discret&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;o e anônimo,&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;homens que foram intelectuais, pregadores e professores renomados,&lt;/span&gt; &lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;&lt;br /&gt;homens que deram suas vidas pelo Evangelho,&lt;/span&gt; &lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;&lt;br /&gt;pela Igreja e pelos empobrecidos,&lt;/span&gt; &lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;&lt;br /&gt;homens que viveram com fé e simplicidade&lt;/span&gt; &lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;&lt;br /&gt;em um mundo que nunca entendeu sua pobreza, castidade e obediência,&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;homens que trouxeram a Companhia de Jesus até esse momento.&lt;/span&gt; &lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;&lt;br /&gt;Por eles nós damos graças a Deus.”&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;span style="font-style: italic;font-family:trebuchet ms;" &gt;&lt;br /&gt;(34a Congregação Geral dos Jesuítas – veja abaixo o texto em mandarim)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://1.bp.blogspot.com/_IUHPtootxno/SD0dVe_kKvI/AAAAAAAAAIQ/pxRzodvXA7A/s1600-h/Acao+de+gracas-ch.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer;" src="http://1.bp.blogspot.com/_IUHPtootxno/SD0dVe_kKvI/AAAAAAAAAIQ/pxRzodvXA7A/s400/Acao+de+gracas-ch.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5205348999244294898" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4074335781108056511-6879160245179371346?l=umperegrinoapenas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</description><link>http://feedproxy.google.com/~r/umperegrinoapenas/~3/Ya45iU4yXqI/coluna-peregrina_28.html</link><author>noreply@blogger.com (Roberto)</author><media:thumbnail xmlns:media="http://search.yahoo.com/mrss/" url="http://1.bp.blogspot.com/_IUHPtootxno/SD0dVe_kKvI/AAAAAAAAAIQ/pxRzodvXA7A/s72-c/Acao+de+gracas-ch.jpg" height="72" width="72" /><feedburner:origLink>http://umperegrinoapenas.blogspot.com/2008/05/coluna-peregrina_28.html</feedburner:origLink></item><item><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-4074335781108056511.post-247260124295199941</guid><pubDate>Thu, 08 May 2008 03:56:00 +0000</pubDate><atom:updated>2008-05-07T21:26:09.695-07:00</atom:updated><category domain="http://www.blogger.com/atom/ns#">Crônica</category><category domain="http://www.blogger.com/atom/ns#">Coluna Peregrina</category><title>Coluna Peregrina</title><description>&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-weight: bold; font-style: italic; color: rgb(0, 153, 0);font-size:180%;" &gt;&lt;span style="color: rgb(0, 102, 0);font-family:trebuchet ms;" &gt;Brasileiro&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;Devo desculpas a quem acompanha essa Coluna e a mim mesmo. Não foi por falta de tinta, mas por um desvio de energia que deixei de escrever. Ou melhor, deixei de escrever a coluna enquanto preparava uma pequena reflexão sobre a identidade brasileira para a revista na qual trabalho. Aproveitando a ocasião, partilho agora algumas de minhas impressões sobre o tema. Curioso como esse tipo de assunto nos toca tão profundamente quanto estamos na distância. As lonjuras revelam, de fato. É verdadeiro o paradoxo: quanto mais universal queremos ser, mais sentimos necessidade de regar nossas raízes.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;A linha central de minha reflexão é que toda identidade tem sua parte de invenção. Somos certamente determinados por uma série de elementos que nos precedem ou nos superam. Mas aquilo que fazemos com o que nos vem de fora é o que faz a diferença. As pessoas mais originais, mais surpreendentes e interessantes que conhecemos são provavelmente aquelas que, apesar de limites muito demarcados, souberam encontrar caminhos de superação.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;Quanto se trata de um país ou de uma coletividade, sobretudo, a dose de construção, de interferência no processo de elaboração de uma identidade é ainda maior. Tempo é o ingrediente indispensável, mas sem a interferência deliberada e criativa de certas personalidades, não seríamos quem somos ou, sendo mais exato, não teríamos as diversas brasilidades através das quais nos reconhecemos brasileiros.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;Talvez essa seja a característica na qual mais me reconheço: o plural. Sem ilusões, o Brasil não é um país justo. No entanto, há um espaço imenso para a tolerância, atitude cultivada por uma certa irreverência com a qual enfrentamos as aventuras do caminhar sobre a Terra. A cor do Brasil não pode ser dita em um nome, as comidas não se resumem em um prato, os climas e mesmo o tempo variam com imensa amplitude. E isso é bom, muito bom.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;No meu entender, esse é talvez o princípio em torno do qual a maior parte de nossa literatura se desenvolve, num reflexo do que acontece em nossa vida social. Mas a compreensão da brasilidade faz-se a partir de três tendências, com a qual &lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;sempre&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt; lidamos e às vezes simultaneamente. Em primeiro lugar, temos necessidade de insistir naquilo que nos é próprio, exclusivo, único. Mas ao mesmo tempo precisamos dizer que somos iguais aos outros, sobretudo afirmar que não somos inferiores – é a segunda tendência. Finalmente, quando alcançamos uma certa maturidade ou em momentos de maior equilíbrio, podemos voltar ao que nos é próprio, mas com ênfase na relação com os outros e não no fechamento sobre si mesmo.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;Conhecemos nossos clichês. Muitos deles possuem sua parte de verdade. O perigo que eles possuem é o da acomodação. Quando pensamos na nossa identidade como uma construção, o que mais me interessa é a parte de responsabilidade que nos cabe agora, olhos voltados para o horizonte diante de nós. Quando assim pensamos, a verdade sobre nossa identidade transforma-se em pergunta: que Brasil queremos fazer existir?&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;font-family:trebuchet ms;" &gt;*A Coluna Peregrina e as reflexões bíblicas (i.Li e Tradição Bíblica) estarão suspensas até o dia 19 de maio.&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4074335781108056511-247260124295199941?l=umperegrinoapenas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</description><link>http://feedproxy.google.com/~r/umperegrinoapenas/~3/NQqU5xEiUnE/coluna-peregrina.html</link><author>noreply@blogger.com (Roberto)</author><feedburner:origLink>http://umperegrinoapenas.blogspot.com/2008/05/coluna-peregrina.html</feedburner:origLink></item><item><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-4074335781108056511.post-419967835590094054</guid><pubDate>Thu, 24 Apr 2008 02:12:00 +0000</pubDate><atom:updated>2008-04-23T19:15:01.324-07:00</atom:updated><category domain="http://www.blogger.com/atom/ns#">Crônica</category><category domain="http://www.blogger.com/atom/ns#">Coluna Peregrina</category><title>Coluna Peregrina</title><description>&lt;span style="font-family: trebuchet ms;font-size:100%;" &gt;&lt;span style="font-weight: bold; font-style: italic; color: rgb(0, 153, 0);font-size:180%;" &gt;O SANTO NECESSÁRIO&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Todo ser humano tem sede de santidade. Quem quiser que o negue, mas toda pessoa é sedenta de transcendência. É uma questão de antropologia, de sabedoria humana, de conhecimento da alma. A maior parte dos equívocos, no entanto, aparecem no modo de compreender o santo, ao meu ver.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O primeiro aspecto da santidade que nos aparece é talvez o moral. Os santos seriam aquelas pessoas perfeitas, sem “mancha” – compondo com essa imagem uma existência absolutamente irreal. Afinal, todos os seres que vivem no tempo e no espaço carregam no corpo as cicatrizes do movimento. Mesmo as pedras. Por isso, a santidade sobre a qual escrevo é aquela composta na luta do dia-a-dia e feita mais de tentativas do que de acertos, menos de posse e mais de desejo de um agir melhor.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A segunda forma de santidade que nos vem à mente com freqüência é a da quietude. Os santos seriam como os anjos (provavelmente outra categoria carregada de equívocos em nosso imaginário), pacificamente contemplando Deus em sua eternidade. (A publicidade não cessa de explorar negativamente esse estereótipo, retratando o inferno como um lugar animado). Ledo engano, embora não tão ledo quanto pareça. Afinal, esse modo de pensar afasta-nos de uma compreensão adulta da religião. Os Bolandistas, grupo de historiadores jesuítas fundado na Bélgica há mais de quatrocentos anos, dedica-se até hoje a um estudo critico da hagiografia. Esse esforço ajudou-nos a contemplar o fogo, a impaciência, a inquietude que moram dentro das mulheres e homens mais próximos da divindade. Aqueles e aquelas nas quais reconhecemos os sinais da santidade são seres de urgência. E que o inferno fique com os inertes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Finalmente, uma última falsa imagem: santo não tem afeto, não se casa e não tem filho. É verdade que esse engano é alimentado pelo fato de que a maior parte dos santos reconhecidos pela Igreja Católica sejam celibatários. Mesmo a esses seria inadequado atribuir o rótulo das relações distantes – basta olhar a ternura de Teresa com o povo das ruas de Calcutá, por exemplo. Indo além, no entanto, é bom darmo-nos conta que o reconhecimento da santidade pela Igreja é uma situação especial, uma indicação extraordinária sobre a presença do Absoluto na vida de alguém. A maior parte dos santos está ao nosso lado. A maior parte dos exemplos de santidade de que necessitamos está bem perto de nós, e essa santidade transparece sobretudo na forma como o afeto é dispensado. Quem se põe à escuta das Escrituras sabe que Deus é amor. Por que haveriam os santos de ser diferentes, menos encarnados que Deus?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Todos conhecemos o verso de Mar Português, de Fernando Pessoa: “Tudo vale a pena se a alma não é pequena”. Sobretudo quando nossa alma quer traduzir-se em gestos de plenitude que iluminam o mundo. Essa verdade não se restringe à visão religiosa da vida, e todo ser humano é melhor e mais feliz quanto mais voltado para o Outro, para os outros. Afinal, como dizia outro poeta, Vinicius de Moraes, “quem de dentro de si não sai vai morrer sem amar ninguém”. Eis o santo necessário.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4074335781108056511-419967835590094054?l=umperegrinoapenas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</description><link>http://feedproxy.google.com/~r/umperegrinoapenas/~3/ubmaRyVfraY/coluna-peregrina_23.html</link><author>noreply@blogger.com (Roberto)</author><feedburner:origLink>http://umperegrinoapenas.blogspot.com/2008/04/coluna-peregrina_23.html</feedburner:origLink></item><item><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-4074335781108056511.post-7960821906780735806</guid><pubDate>Wed, 16 Apr 2008 04:16:00 +0000</pubDate><atom:updated>2008-04-23T21:32:45.665-07:00</atom:updated><category domain="http://www.blogger.com/atom/ns#">Crônica</category><category domain="http://www.blogger.com/atom/ns#">Coluna Peregrina</category><title>Coluna Peregrina</title><description>&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;span style="font-weight: bold; font-style: italic; color: rgb(0, 153, 0);font-size:180%;" &gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;DO SONO E OUTROS LIMITES&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style=";font-family:trebuchet ms;font-size:100%;"  &gt;Às vezes tenho dificuldade de conciliar o sono. Especialmente quando as tarefas e os desejos se acumulam, quero estender as horas do dia, como se pudesse alterar o curso do tempo. Mais que um fenômeno pessoal, entretanto, nossas cidades, carregadas de luz, testemunham de uma ânsia que é própria nossa cultura: não é fácil aceitar que jamais teremos tempo de fazer tudo o que gostaríamos de fazer. Mas o que acontece quando aceitamos essa verdade?&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style=";font-family:trebuchet ms;font-size:100%;"  &gt;A arte da sabedoria, em suas muitas formas, sempre começa com uma pergunta casada com um desejo. Quando começo a ocupar-me além da prudência, mesmo quando não é possível renunciar a certos compromissos assumidos, costumo perguntar-me: o que realmente me move? Essa pergunta quase sempre me ajuda a eleger prioridades e, sobretudo, a estabelecer renúncias. Penso na sabedoria como a arte de coordenar as distrações e guardar a coerência da vida. Desse ponto de vista, o limite do sono ajuda-me a cultivar a integridade do desejo mais profundo. &lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style=";font-family:trebuchet ms;font-size:100%;"  &gt;Mas voltemos ao sono. Creio que há mais riqueza do que podemos suspeitar nesse tema. Uma das coisas que descobri por experiência, por exemplo, é que gastar o tempo do sono para resolver ou antecipar tarefas quase nunca significa ganhar tempo na vigília do dia seguinte. Viver é uma questão de ritmo: quem aprende a seguir o compasso da música dança melhor, e quem aprende a usar o tempo vive mais serenamente. &lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style=";font-family:trebuchet ms;font-size:100%;"  &gt;Mas a questão vai além dos afazeres quotidianos. A decisão mais difícil vem sempre antes do sono: como preencher nossa vida? E mesmo quando não temos muito poder de escolha, como podemos organizar criativamente nosso tempo de modo a poder fazer o que se quer fazer? Quem sabe empregar seu tempo naquilo que tem sentido, consegue aceitar mais facilmente o cerrar dos olhos no exercício quotidiano da obscuridade do sono.&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style=";font-family:trebuchet ms;font-size:100%;"  &gt;E sono é realmente uma foram de exercício para a alma. O sono e os sonhos, aliás. De alguma forma que não podemos compreender completamente, mas cujas ocorrências são mais que simples indícios, o que nos passa no sono e nos sonhos são um fator essencial para nossa saúde, para nossa permanência na vida. E isso inclui aprender a aceitar nossa finitude, os limites, as fronteiras que nossa identidade e nosso tempo impõem. O que não cabe no dia provavelmente não precisa caber na noite. O que não cabe na vida, não precisa caber em nossas preocupações. &lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style=";font-family:trebuchet ms;font-size:100%;"  &gt;Realmente acredito que é uma questão de sabedoria: aceitar o sono é uma forma de pobreza que nos prepara a viver na gratuidade.&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4074335781108056511-7960821906780735806?l=umperegrinoapenas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</description><link>http://feedproxy.google.com/~r/umperegrinoapenas/~3/jNoP68IYAps/coluna-peregrina_15.html</link><author>noreply@blogger.com (Roberto)</author><feedburner:origLink>http://umperegrinoapenas.blogspot.com/2008/04/coluna-peregrina_15.html</feedburner:origLink></item><item><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-4074335781108056511.post-5491553269267481777</guid><pubDate>Thu, 10 Apr 2008 01:48:00 +0000</pubDate><atom:updated>2008-04-09T18:49:30.090-07:00</atom:updated><category domain="http://www.blogger.com/atom/ns#">Crônica</category><category domain="http://www.blogger.com/atom/ns#">Coluna Peregrina</category><title>Coluna Peregrina</title><description>&lt;span style="font-weight: bold; font-style: italic; color: rgb(0, 153, 0);font-size:180%;" &gt;&lt;span style="font-family: trebuchet ms;"&gt;O DOM E A DÍVIDA&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: trebuchet ms;"&gt;A “Coluna” de hoje chega atrasada porque no meio do caminho tinha um carro. Quebrado. E era o meu. Somente depois de hora e meia de espera e aventura, finalmente consegui encaminhar o problema e retomar a rotina prevista. O imprevisto, no entanto, tinha a me ensinar.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: trebuchet ms;"&gt;Sempre que um problema, uma complicação ou um imprevisto nos acontecem, há duas formas de recebê-lo: como dom ou como dívida. O modo “dívida” é caracterizado por pensamentos do tipo “isso devia ser assim” ou “isso não devia acontecer”. O modo “dom”, por sua vez, parte do pressuposto de que o que aconteceu não pode deixar de ter acontecido, e logo procura transformá-lo positivamente. Não há nada de conformismo nessa atitude, não se trata de afirmar que tudo o que nos acontece tem seu lado bom – afirmação que contém um certo conformismo que me incomoda. A maneira de reagir baseando-se no dom, na gratuidade, insiste mais na nossa capacidade criativa, no nosso poder de reinventar a rotina, os acontecimentos – sobretudo os imprevistos. Vejamos como essas duas atitudes funcionam com meu carro quebrado.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: trebuchet ms;"&gt;Modo “dívida”: São duas e meia da tarde. Subo uma rua estreita, íngreme, buscando um endereço esquematicamente descrito no mapa, acompanhado de dois caracteres e cinco números. Meu compromisso está marcado para as três horas, espero não chegar atrasado. São quinze para as três, encontro o endereço. Procuro um retorno, devia haver um nesse tipo de rua. Pouco adiante, consigo manobrar em frente a uma garagem. Engato a ré e, com o carro exatamente no meio da rua, o câmbio emperra, o carro empaca. Isso não devia acontecer... Continuo tentando. Já estou atrasado.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: trebuchet ms;"&gt;Agora o modo “dom”: As circunstâncias são exatamente as mesmas, com a diferença de que o primeiro pensamento é: “Dá para ir a pé, ainda bem...” Continuo tentando e, vendo que o carro não se move, começo a pensar em como chamar por socorro. Fico esperando alguém cair do céu, o que não demora a acontecer. Aproveito o primeiro curioso que aparece e que, diante da minha situação, revela-se um bom parceiro de infortúnio. Tenho uma hora de espera pela frente. Chegarei atrasado, não tem jeito. Ao menos há tempo para preparar essa coluna.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: trebuchet ms;"&gt;Podemos enxergar nossa vida inteira sob esses dois ângulos, a partir da dívida ou a partir do dom. E não somente é mais fácil, como também muito mais agradável viver ajustados ao modo da gratuidade. Na prática, porém, nossas reações são mais complexas e oscilam entre uma e outra atitude. Pender mais para o lado do dom é uma questão de sabedoria, coisa que a gente cultiva na alma, é questão de treino. E haja exercício espiritual.&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4074335781108056511-5491553269267481777?l=umperegrinoapenas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</description><link>http://feedproxy.google.com/~r/umperegrinoapenas/~3/vYiB_-yREz8/coluna-peregrina_09.html</link><author>noreply@blogger.com (Roberto)</author><feedburner:origLink>http://umperegrinoapenas.blogspot.com/2008/04/coluna-peregrina_09.html</feedburner:origLink></item><item><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-4074335781108056511.post-4028324641293351493</guid><pubDate>Wed, 02 Apr 2008 15:38:00 +0000</pubDate><atom:updated>2008-04-02T08:38:42.720-07:00</atom:updated><category domain="http://www.blogger.com/atom/ns#">Crônica</category><category domain="http://www.blogger.com/atom/ns#">Coluna Peregrina</category><title>Coluna Peregrina</title><description>&lt;span style="font-weight: bold; font-style: italic; color: rgb(0, 153, 0);font-size:180%;" &gt;&lt;span style="font-family: trebuchet ms;"&gt;A ARTE DO VAZIO&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: trebuchet ms;"&gt;Há duas semanas comecei a aprender pintura chinesa, aumentando assim a lista das coisas que jamais pensei poder realizar. Mas a tradição da pintura chinesa é fascinante, difícil de resistir à sua atração. Baseada numa técnica aparentemente simples, o resultado é surpreendente, de uma riqueza incrível de detalhes. Uma das coisas que mais me intriga, porém, é o despojamento. Pinta-se mais com os vazios do que com os cheios, mais com o que é deixado do que com o que é posto. No fundo, é uma arte das escolhas, como na vida.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: trebuchet ms;"&gt;Os instrumentos da pintura clássica chinesa são o pincel feito a partir de pelos de animais diversos, a tinta nanquim e água. Os contornos são definidos com traços ágeis, com mais ou menos humidade, mais ou menos tinta. O papel contribui com sua espessura e com o tipo de fibra do qual é feito. A destreza do artista revela-se não tanto pela qualidade do desenho, mas pelo “sabor” que ele confere às suas imagens através dos tons de cinza e preto que a água e o nanquim produzem. Aos poucos aparecem nuvens, pedras, riachos, animais, flores... e o papel vai virando paisagem. E um dos critérios da boa pintura é o equilíbrio de espaços cheios e vazios, que permitem simultaneamente um percurso para o olhar e o destaque das formas.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: trebuchet ms;"&gt;Na arte da vida, os instrumentos das escolhas que vão definindo os contornos de nossa história geralmente são os afetos e valores, as relações e as circunstâncias sobre as quais o jogo de nossas encruzilhadas acontece. E a qualidade de uma vida boa, assim como a pintura chinesa, é apreciada não tanto pela aparência, mas pela sabedoria, criatividade e maturidade que brotam como frutos das decisões que cada um de nós vai realizando ao longo do tempo. Uma vida “saborosa” é uma vida na qual uma paisagem equilibrada (simples ou complexa) pode ser apreciada – um equilíbrio que frequentemente exige mais ousadia que meio-termo, note-se. E, outra vez como na pintura, os vazios que aceitamos não preencher são tão ou mais importantes quanto as cores que lançamos sobre nosso horizonte.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: trebuchet ms;"&gt;E tudo é uma questão de escuta, na verdade. Pintar ou decidir, olhar ou caminhar, toda arte é uma forma de corte, de ruptura que exige uma escuta profunda da própria vida, da alma humana, do horizonte das pessoas que partilham conosco o tempo e o espaço, além de uma escuta atenta das Alturas. Quem cultiva essa atitude reverente diante da criação acaba descobrindo uma outra forma de ver. Para escutar, porém, é preciso não temer o silêncio, outra forma eloqüente de vazio.&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4074335781108056511-4028324641293351493?l=umperegrinoapenas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</description><link>http://feedproxy.google.com/~r/umperegrinoapenas/~3/jc_g_ub-jDo/coluna-peregrina.html</link><author>noreply@blogger.com (Roberto)</author><feedburner:origLink>http://umperegrinoapenas.blogspot.com/2008/04/coluna-peregrina.html</feedburner:origLink></item><item><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-4074335781108056511.post-8015492055080589954</guid><pubDate>Wed, 26 Mar 2008 05:38:00 +0000</pubDate><atom:updated>2008-03-29T23:25:37.701-07:00</atom:updated><category domain="http://www.blogger.com/atom/ns#">Crônica</category><category domain="http://www.blogger.com/atom/ns#">Coluna Peregrina</category><title>Coluna Peregrina</title><description>&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;&lt;span style="font-weight: bold; font-style: italic; color: rgb(0, 153, 0);font-size:180%;" &gt;MATEUS E A VIDA NOVA&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Às vezes é coincidência, às vezes não. O fato é que justamente nesse da Páscoa de Jesus Cristo, tive a felicidade de não somente encontrar meus conterrâneos nessa terra distante, mas também de iluminar essa festa com o sorriso de Mateus, a quem batizei em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo. E há quem não saiba que Deus é generoso... Basta olhar com atenção para esses momentos em que a vida da gente ganha um acréscimo de sentido, para perceber que um amor discreto nos acompanha no caminho.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;Mateus tem agora sete meses. É filho de Marta e Carlos, que vivem aqui há cerca de cinco anos em função do trabalho dele. Aliás, esse trabalho é o mesmo motivo que traz aqui boa parte das pessoas que formava a assembléia que celebrou a Vida Nova em Cristo nesse Domingo. Carlos é piloto, o que se soma à trama das coincidências uma vez que essa também foi um dia minha profissão. Celebrar um batizado é por si só motivo de alegria para mim. Coincidindo com Páscoa, mais alegre ainda. Mas provavelmente foi essa última coincidência que despertou em mim a reflexão sobre a Vida Nova.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;Afinal, contemplando esse grupo de novos amigos, pude ter uma imagem de uma vida paralela que seria a minha, talvez, caso não tivesse sido chamado à minha vocação particular. E cada um de nós possui suas vidas paralelas, como galhos de árvore que se ramificam a cada decisão, a cada encruzilhada. O que me impressiona é que essas vidas alternativas que não chegamos a viver de alguma forma continuam a existir. Elas ficam guardadas, latentes em nossa identidade, e marcam muitas vezes os assuntos que discutimos, as histórias que contamos, as pessoas que encontramos. Apesar de estarem marcadas no passado, não são, contudo, vidas a serem olhadas com nostalgia, e sim com gratidão. Porque – e talvez tenha voltado a descobrir isso no sorriso de Mateus – o que importa, no fundo, não são as coisas que fazemos, mas o espírito que nos leva a fazer o que fazemos. São Paulo dizia: “Tudo me é permitido, nem tudo convém”. Dentre as muitas vidas que nos são permitidas e boas, escolhemos aquela que mais nos convém. Como?&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;Chega a vez da sabedoria dos pais de Mateus que, perguntados sobre o que desejam para seu filho, dizem mais ou menos o seguinte: “luz para seu caminho, para que suas decisões sejam acertadas”. A Vida Nova que é oferecida a Mateus (e a nós) no batismo não é algo que aparece apenas depois da passagem sombria pela morte. Já agora, a luz da ressurreição acompanha-nos na medida de nossa abertura ao Espírito. Nossa alma tem janelas que devemos abrir para que nossa identidade se molde segundo os convites de um Deus que nos  ajuda a cruzar os vales onde melhor se revela nossa identidade mais profunda.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;No final das contas, nossa missão nesse mundo consiste em desenvolver o melhor de nós mesmos e oferecer-nos generosamente aos outros. Como o sorriso que o pequeno Mateus, agora, nos entrega.&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4074335781108056511-8015492055080589954?l=umperegrinoapenas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</description><link>http://feedproxy.google.com/~r/umperegrinoapenas/~3/IW0ZGft8_xU/coluna-peregrina_25.html</link><author>noreply@blogger.com (Roberto)</author><feedburner:origLink>http://umperegrinoapenas.blogspot.com/2008/03/coluna-peregrina_25.html</feedburner:origLink></item><item><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-4074335781108056511.post-4741664365398730455</guid><pubDate>Wed, 19 Mar 2008 08:51:00 +0000</pubDate><atom:updated>2008-03-29T23:27:00.211-07:00</atom:updated><category domain="http://www.blogger.com/atom/ns#">Crônica</category><category domain="http://www.blogger.com/atom/ns#">Coluna Peregrina</category><title>Coluna Peregrina</title><description>&lt;span style="font-weight: bold; font-style: italic; color: rgb(0, 153, 0);font-size:180%;" &gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;UMA MORTE ANTES DA VIDA&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;Ontem à noite, vivi uma experiência chocante. No caminho através do campus universitário atrás do qual fica a minha casa, vi primeiro as luzes de um carro de polícia, depois uma ambulância, depois um corpo estendido no chão e coberto por um lençol branco. O guarda a quem perguntei o que se passara disse-me que nada podia falar sobre o assunto. Passei a noite inteira entre o sono e a vigília por esse irmão ou irmã sem nome e que me precedera perto de Deus.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;Justo agora. À medida que as leituras propostas pelo ano litúrgico nos levam cada vez mais perto da Páscoa, deparo-me com a morte. É exatamente em sua direção que caminha o Cristo, para assombro dos seus discípulos e para nosso espanto. São Paulo dará o nome certo: a cruz é um escândalo.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;Nós professamos uma fé exigente que nos convida a um amor generoso e incondicional. Nossa história carrega consigo o exemplo de inúmeras mulheres e homens que enfrentaram a violência com a arma da paz, pagando o preço dessa ousadia com a própria vida. Nossos ideais convidam-no a uma solidariedade com os que sofrem e com os empobrecidos que cada dia desafia nossa rotina, nossos costumes. Nada disso, porém, é tão exigente e desafiador, tão escandaloso quanto a pergunta diante da dor: Por quê, meu Deus? Por quê?&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;Essa pergunta nos habita, nos habitará sempre até podermos dirigi-la ao Pai. No entanto, até onde me leva minha peregrinação interior, vejo que há um erro de foco em insistir na busca das razões diante do sofrimento. Podemos entender causas sociais, elementos psicológicos ou patológicos que causam feridas imensas. Mas o mal, em última instância,  é um mistério, não um enigma. E, em minha experiência, ver o mal como mistério não significa elidir o problema, mas abordá-lo numa perspectiva mais abrangente, mais sapiencial, situando Deus não como réu, mas como parceiro. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;Deus morreu. O escândalo da Cruz consiste em que Deus se submete a uma morte extrema e conhece os dois lados do sofrimento: eu creio no Filho que padeceu sob o peso das autoridades; creio no Pai que sente rasgarem-se as entranhas como se abriu o céu ao ver o rebento morto; creio na Força, Espírito, que ergueu o Cristo e nos comunica a força da esperança para seguir adiante e encontrar o caminho da paz interior.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;A Cruz tem dois braços. Um aponta para a vida que se abre depois do sofrimento, a Vida verdadeira que receberemos no Divino Dia da ressurreição com Cristo. O outro braço, porém, indica a vida que é possível ainda aqui, apesar da morte e sobretudo diante dela. Hoje pela manhã, eu soube que a pessoa que eu vi morta era um jovem estudante de vinte e um anos que perdeu o sentido da vida. E no lençol estendido sobre ele, eu leio uma vez mais o chamado a oferecer uma janela para o sentido da vida, aqui e em todo o lugar. Sinto-me ainda mais convocado a partilhar o dom imenso que é uma vida fundada no amor transformador de Cristo. Quem acredita no amor conhece o valor da vida. Mesmo diante do escândalo da morte.&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4074335781108056511-4741664365398730455?l=umperegrinoapenas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</description><link>http://feedproxy.google.com/~r/umperegrinoapenas/~3/T6pFHr_UnYc/coluna-peregrina_19.html</link><author>noreply@blogger.com (Roberto)</author><feedburner:origLink>http://umperegrinoapenas.blogspot.com/2008/03/coluna-peregrina_19.html</feedburner:origLink></item><item><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-4074335781108056511.post-752567518849194926</guid><pubDate>Wed, 12 Mar 2008 16:08:00 +0000</pubDate><atom:updated>2008-03-12T09:09:07.057-07:00</atom:updated><category domain="http://www.blogger.com/atom/ns#">Crônica</category><category domain="http://www.blogger.com/atom/ns#">Coluna Peregrina</category><title>Coluna Peregrina</title><description>&lt;span style="font-weight: bold; font-style: italic; color: rgb(0, 153, 0);font-size:180%;" &gt;&lt;span style="font-family: trebuchet ms;"&gt;TEM DIAS QUE A GENTE SE SENTE...&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: trebuchet ms;"&gt;Nem todos os dias são iguais, ainda bem. No entanto, nem todos os dias são bons. Num desses dias de inverno, felizmente já passado, fui visitado por aquele verso de Roda Viva: “tem dias que a gente se sente como quem partiu ou morreu”. Embora no contexto da canção de Chico Buarque esse verso refira-se mais propriamente do sentimento de impotência diante da realidade, ele fez-me outra vez pensar em como é sentir saudade - uma em quem parte, outra em quem espera. Até onde eu saiba, eu ainda estou bem vivo, mas a experiência da partida é uma velha companheira.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: trebuchet ms;"&gt;Quase sempre associamos a saudade a quem fica. Creio que, por essa razão, a imagem mais espontânea que me vem associada essa palavra, mais portuguesa por assim dizer, é a de alguém no porto contemplando a partida da nau. Marinheiros, no entanto, assim como os desafinados e outros dissidentes, também têm um coração. Saudade dói de qualquer jeito. Para ser justo, porém, acho mesmo que saudade dói menos aqui do que aí – e creio que isso acontece por duas razões.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: trebuchet ms;"&gt;Primeiro, quem parte deixa um vazio atrás de si. Ao mesmo tempo, diante de quem parte está muitas vezes a abertura de um novo horizonte. A perspectiva de mudança, de movimento, de alguma forma distrai a saudade. São novas amizades, novos lugares, novos hábitos talvez, ao passo que os que ficam continuam, depois vão acostumando-se. Ou não. Afinal, basta cutucar um pouco (como esse malfadado texto) e lá vem ela novamente.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: trebuchet ms;"&gt;Há que se dizer, no entanto, que aquele que parte, apesar de talvez esquivar-se melhor a saudade, conhece também um vazio, uma espécie de vazio que carrega do lado de dentro. Aliás, só em saber que os que ficam sofrem, aquele que parte sofre o contra-golpe. Além disso, parafraseando um salmo, “como cantar em terra estranha” – afinal, como cantar sem que ninguém entenda, sem que ninguém comungue plenamente com o que é cantado? Saudade é uma forma de solidão – a própria etimologia o confirma (“saudade”, do latim solitatem).&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: trebuchet ms;"&gt;Em segundo lugar, penso que a saudade dói menos do lado de cá do que do lado de lá quando quem parte escolheu partir. Tudo muda quando falamos de alguma forma de distância imposta, mas a verdade é que toda e qualquer partida tem algo de violento. É como um golpe que parte de um lado, mas que atinge ambos. Não há como evitá-lo. Não há começo sem ruptura, não há criação sem separação: Deus separou as luzes das trevas e estabeleceu assim um fim e um começo, houve o primeiro dia. Toda decisão importante na vida tem um quê de parto, um vestígio de saudade.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: trebuchet ms;"&gt;Aonde nos levam esses pensamentos melancólicos, porém? Nesse momento do ano, quando a lua começa a encher-se para celebrar a Páscoa de Cristo, minha sugestão é que vale a pena reler esse texto com os olhos de Cristo. É bom pensar que Cristo, verdadeiro Deus e verdadeiro Ser Humano, também sente saudades. É lindo contemplar o Ressuscitado, após o tormento da cruz, visitando sua mãe para apaziguar as saudades – tanto nela quanto Nele! E gosto de pensar que o Cristo, meu amigo, nosso amigo, também sente saudades de nós e abre uma janela no tempo para saborear o reencontro.&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4074335781108056511-752567518849194926?l=umperegrinoapenas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</description><link>http://feedproxy.google.com/~r/umperegrinoapenas/~3/5QpSRJTgHBs/coluna-peregrina_12.html</link><author>noreply@blogger.com (Roberto)</author><feedburner:origLink>http://umperegrinoapenas.blogspot.com/2008/03/coluna-peregrina_12.html</feedburner:origLink></item></channel></rss>

