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		<title>34. Casar-se e ter um casamento são coisas distintas</title>
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		<pubDate>Mon, 26 Mar 2012 22:49:02 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Administrador</dc:creator>
				<category><![CDATA[Amor]]></category>
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		<description><![CDATA[O que me fez &#8220;viajar&#8221; e atribuir conceitos diferentes a expressões tidas, normalmente, como sinônimas? Começou comigo pensando em uma situação bem comum, pela qual quase todos passamos, uma, algumas ou várias vezes em nossas vidas: informar a alguns amigos &#8230; <a class="more-link" href="http://vidaautentica.com.br/2012/03/34-casar-se-e-ter-um-casamento-sao-coisas-bem-distintas/">Ler mais...</a>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;">O que me fez &#8220;viajar&#8221; e atribuir conceitos diferentes a expressões tidas, normalmente, como sinônimas? Começou comigo pensando em uma situação bem comum, pela qual quase todos passamos, uma, algumas ou várias vezes em nossas vidas: informar a alguns amigos que nos casamos ou que iremos nos casar. Não consigo enxergar essa união e o que ela representa para os cônjuges atuais ou futuros da mesma forma que a maioria. Vou tentar explicar o porquê.</p>
<p style="text-align: justify;">Infelizmente, há muito tempo, constata-se que o casamento tradicional está longe de atender a algumas questões estritamente individuais desconsideradas pelos costumes sociais, tais como prazer real, felicidade, alegria, etc, &#8211; insistente e comumente rotuladas de egóticas. Por que não funciona? Porque as pessoas aprendem que o casamento é um ato legitimado por uma cerimônia religiosa ou por uma decisão a dois de morarem juntos e que, com fé em Deus, tudo dará certo. A partir de então, ambos são casados e espera-se que sejam eternamente os mesmos indivíduos que foram conhecidos até o dia da mudança do estado civil. Isso jamais daria ou dará certo, pois essas expectativas equivocadas ignoram as dinâmica e ludicidade da vida.<span id="more-1108"></span></p>
<p style="text-align: justify;">Um parêntese. O filósofo não possui outra saída: ou ele cria neologismos ou inventa novos conceitos e significados para palavras já conhecidas.</p>
<p style="text-align: justify;">Ter um casamento e casar-se, para mim, possuem sentidos bem distintos. Casamento é um relacionamento estático, congelado e revestido de preconceitos. É um substantivo; quase uma “coisa”. Futuras e possíveis mudanças individuais que fujam do tradicional e esperado de um marido ou esposa assustarão, serão rechaçadas e mal-vindas. Por outro lado, casar-se é o mesmo que “se relacionar”. É um verbo, ação; trata-se de um ato contínuo, dinâmico e aberto. Pode &#8211; e deve &#8211; ser lúdico. O casamento mata os seres humanos exatamente porque eles se consideram casados &#8211; fim de linha, não conseguindo entender que deveriam estar diaria, semanal, mensal e anualmente se recriando e se casando. Com quem? Consigo mesmos e com as próximas novidades ou possibilidades que irão descobrir em seus parceiros – e que nem eles mesmos conheciam. Como? Sendo cada vez mais par do outro, acompanhando e curtindo suas mudanças. Um novo casamento, um novo estilo de vida a dois, novos desafios e caminhos desconhecidos que em ambos causam excitações.</p>
<p style="text-align: justify;">O que faz as pessoas preferirem o casamento a se casarem? O medo. O engessamento das relações nos casamentos causa-nos uma falsa segurança, enquanto que a admissão da liberdade de o outro se renovar como indivíduo nos provoca frios na barriga. O que pode atenuar ou evitar essa sensação, de fato, incômoda? A certeza da lealdade e da parceria; a transparência e convicção de que o que é dito corresponde aos valores pensados. Isso gera paz no relacionamento.</p>
<p style="text-align: justify;">O casamento tradicional é como um jogo de azar praticado por adultos egoístas e sem escrúpulos, onde o importante é ganhar, independentemente dos meios, das trapaças, dos blefes. O ato contínuo de se casar não tem maldade, assim como não existia no pique-bandeira, carniça, pique-lateiro, de nossas infâncias. O importante era correr, suar, divertir-se, interagir, contar e ouvir histórias depois das brincadeiras, e depois irmos dormir cansados e leves com as novidades que são infindas para qualquer criança, esperando o que de novo poderá surgir ao amanhecer. Casar-se é assumir nossas limitações e desconhecimentos, admitir o imenso lado criança e imaturo que reside em qualquer adulto, deliciar-se e compartilhar com o outro as novidades e novas descobertas. Estas irão criar uma nova relação e a cada etapa irão exigir um novo casamento.</p>
<p style="text-align: justify;">Casar-se demanda uma seqüência de casamentos, após cada nova descoberta individual ou a dois. O casamento tradicional é decorrente de uma decisão passada onde a reavaliação das razões que a ela ambos foram levados é socialmente julgada e, normalmente, condenada; a madura opção, a dois, de se casarem, é seguida de várias e sequentes reavaliações e decisões, ao longo da relação: a de se continuar junto ao &#8220;novo parceiro&#8221;. Certamente, pode haver uma ruptura, quando um dos dois decidir que não quer se casar mais uma vez. Mas isso deve ser transparente, sem mágoas, sem decepções ou surpresas negativas. Ocorre que um parceiro pode se virar para o outro e dizer: “Não fique triste, mas, não quero me casar novamente.” Triste é impossível não ficar; mas situações decepcionantes e mágoas podem ser facilmente evitadas por pessoas maduras, através do não abrir mão das verdades e de serem autenticamente conhecidas. Frustrações só existem onde houve mentiras.</p>
<p style="text-align: justify;">Quando duas pessoas razoavelmente prontas para amar e para estabelecerem uma relação madura começam a namorar, afirmo que elas estão começando a se casar. Casar-se decorre da assunção das curiosidades sobre si mesmo e sobre o outro, assim como das coragens para nelas mergulhar, sem receios de trazê-las à tona. Casar-se é constante observação e ação. À medida que as ausências de medo permitem a ambos se conhecerem e se desvendarem, estão cada vez mais casados, são cada vez mais par. Aproximam-se cada vez mais na direção do “centro” do outro. Um empurra e o outro puxa, e vice-versa. Em determinado momento, começam a perceber a divina realidade da unicidade: um é extensão do outro. Porém, esse processo só funciona com permissões mútuas. Casar-se gera medo, pois nos expõe, desnuda. O casamento não.</p>
<p style="text-align: justify;">Se essas duas pessoas continuarem nesse processo de autoconhecimento e conhecimentos mútuos, depois de 50 anos juntos ainda estarão se casando, pois não se cansarão de aprender e de enxergar a vida sob novos prismas; tornar-se-ão sempre novos cônjuges.</p>
<p style="text-align: justify;">Casar-se nada tem a ver com a decisão de morar e construir patrimônio juntos, de ter filhos expoentes, bem educados e “de sucesso”. Casar-se é uma atitude mental, afetiva, podendo, também, ser encarada como espiritual. É uma decisão de concentração de energia, foco, sem perda de identidade. Pode haver uma relação cheia de amor, maravilhosa e invejada pelos deuses entre duas pessoas que não morem juntas. Estou defendendo o casamento em casas separadas? De forma alguma. Estou defendendo o amor, que independe das geografias que dois corpos possam habitar ou da coabitação, se for esta a escolha. De que adianta uma mesma casa para duas pessoas, afetivamente, tão distantes? Isso tudo significa parar de nos prendermos, por inseguranças, ao mundo objetivo e ilusoriamente passível de ser manipulado para sentirmos e nos entregarmos às infindáveis possibilidades e surpresas do universo das subjetividades dos sentimentos.</p>
<p style="text-align: justify;">Não é fácil ficar usando palavras prontas e com conceitos amplamente cristalizados para pensamentos tão incomuns.</p>
<p style="text-align: justify;">Podemos ser namorados e ser muito mais casados do que muitos casais “sérios” e legalmente reconhecidos pela sociedade; mais casados porque já casamos várias vezes com a mesma pessoa, mesmo morando em casas separadas. Namorado pode, casado não pode. A ética ignora totalmente tais rótulos. Para o amor, a única coisa que pode é a verdade; o que é e não o que &#8220;deve ser&#8221;.</p>
<p style="text-align: justify;">Muitos casados, com filhos, patrimônios construídos e festas de Natal recheadas de netos só se casaram uma vez. Outros, nunca, nem com a vovó, nem com o vovô. Evoluir é fugir dos rótulos. Eles servem para nos escondermos de nós mesmos e das verdades que nos apavoram.</p>
<p style="text-align: justify;">Casar-se é confiar no amor e não na instituição. O casamento é um marco social cheio de expectativas copiadas. Casar-se é um infindo e único processo cheio de desafios e conquistas individuais e a dois. Ele possui identidade; é inigualável. Nenhum casal se casa igual a outro; cada processo tem sua impressão digital.</p>
<p style="text-align: justify;">Assim sendo, como comunicar a alguém que se vai fazer algo que já está sendo feito há muito tempo? Pelo menos, deveria. Quando vou me casar? Já me casei várias vezes com a mesma mulher, continuo me casando e, enquanto ambos quisermos continuar &#8220;brincando de crescer juntos&#8221;, não pararei de me casar com ela, no carinho ou na porrada, nos acertos e nos tropeços. Quando decidirei morar na mesma casa com a mulher com quem venho me casando? É isso que você quer saber? Sabe que temos andado tão ocupados com nos casarmos que nem tivemos tempo para pensar nessa interessante possibilidade?</p>
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		<title>33. Gente vazia</title>
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		<pubDate>Sun, 04 Dec 2011 17:06:57 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Administrador</dc:creator>
				<category><![CDATA[Amor]]></category>
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		<description><![CDATA[Acordei, hoje, com um assunto em mente para o novo artigo. Por acaso, peguei um livro do falecido psicólogo existencialista estadunidense Rollo May (1909 &#8211; 1994), chamado “O homem à procura de si mesmo”. Li esse livro há cerca de &#8230; <a class="more-link" href="http://vidaautentica.com.br/2011/12/33-gente-vazia/">Ler mais...</a>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;">Acordei, hoje, com um assunto em mente para o novo artigo. Por acaso, peguei um livro do falecido psicólogo existencialista estadunidense Rollo May (1909 &#8211; 1994), chamado “O homem à procura de si mesmo”. Li esse livro há cerca de dois anos e hoje o recomecei. Devido ao conteúdo, convenci-me a, ao invés de eu criar, passar-lhes algumas de suas ideias que considero importantes. Meu objetivo não é ser reconhecido como o autor ou escritor. Contento-me muito bem com ser um lançador de ideias. Vamos ao texto.</p>
<p style="text-align: justify;"><em>Pode surpreender que eu diga, baseado em minha prática profissional, assim como na de meus colegas psicólogos e psiquiatras, que o problema fundamental do homem é o vazio. Com isso, quero dizer não só que muita gente ignora o que quer, mas também que, frequentemente, não tem uma ideia nítida do que sente. Quando falam sobre falta de autonomia ou lamentam suas incapacidades para tomar decisões – dificuldades presentes em todas as épocas – torna-se evidente que seus verdadeiros problemas é não ter experiências definidas de seus próprios desejos e necessidades.<span id="more-1088"></span> Desse modo, oscilam para aqui e ali, sentindo-se dolorosamente impotentes por estarem ocas, vazias. O que as leva a buscar ajuda talvez seja, por exemplo, o fato de romperem sempre seus relacionamentos amorosos, ou não conseguirem concretizar seus planos de casamento, ou a insatisfação com o companheiro escolhido. Mas, não é preciso falar muito para revelarem que esperam que o cônjuge atual ou futuro preencha uma falta, um vácuo no seu íntimo, e ficam ansiosos e zangados quando ele ou ela não o conseguem.</em></p>
<p style="text-align: justify;"><em>Em geral, falam fluentemente sobre o que deveriam desejar – completar com êxito um curso superior, arranjar um emprego, apaixonar-se e casar, constituir família – porém, torna-se logo evidente, até para eles, estarem descrevendo o que os outros – pais, professores, patrões – deles esperam e não o que realmente desejam. [...] A própria pessoa compreende que não adianta lutar por esses objetivos externos. Isso apenas dificulta o problema, uma vez que tem tão pouca convicção e senso da realidade de suas metas. É como alguém me disse: “Sou apenas uma coleção de espelhos refletindo o que os outros esperam de mim”.</em></p>
<p style="text-align: justify;"><em>O sonho de uma jovem ilustra o dilema da pessoa “espelho”. Ela era bastante emancipada sexualmente, mas desejava casar-se e não conseguia escolher entre dois candidatos. Um deles era do tipo financeiramente estável, classe média, que seria aprovado por sua família; mas o outro partilhava de seus interesses artísticos e boêmios. No curso de sua dolorosa crise de indecisão, sem conseguir definir que espécie de pessoa realmente era e que vida desejava levar, sonhou que um grande grupo de pessoas decidiria por votar com qual dos homens deveria se casar. Durante o sonho, experimentou uma sensação de alívio. Não havia dúvidas de que se tratava de uma solução conveniente! O único problema foi que, ao despertar, não se lembrava qual dos dois havia ganho a votação.</em></p>
<p style="text-align: justify;">Observação do Cesar Machado: essa dúvida aplica-se, da mesma forma, a indecisões sobre terminar ou não um relacionamento que abrace, a reboque, expectativas familiares de variadas espécies, Todos querem se eximir do peso, do julgamento e da responsabilidade sobre a decisão, preferindo que e torcendo para que o parceiro cometa um deslize grave que justifique sua escolha. Sabem o que desejam, mas não querem ser os agentes de suas vidas, simplesmente com o intuito de não se ver no banco dos réus.</p>
<p style="text-align: justify;"><em>O ser humano não pode viver muito tempo no vácuo. SE não estiver evoluindo em direção a alguma coisa, acaba por se estagnar; as potencialidades transforma-se em morbidez e desespero e, eventualmente, em atividades destrutivas. Qual a origem psicológica dessa experiência de insegurança vazia? A sensação de vácuo que observamos no nível social e individual não deve ser tomada no sentido de que as pessoas são vazias e desprovidas de potencialidade emocional. O ser humano não é oco em um sentido estático. Ela provém, em geral, da ideia de incapacidade para fazer algo eficaz a respeito da própria vida e do mundo em que vivemos. O vácuo interior é o resultado acumulado, a longo prazo, da convicção pessoal de ser capaz de agir como uma entidade, dirigir a própria vida, modificar as atitudes das pessoas em relação a si mesmo, ou exercer influência sobre o mundo que o rodeia. Surge assim a sensação de desespero e futilidade que a tantos aflige hoje em dia. E, uma vez que o que a pessoa sente e deseja não tem verdadeira importância, ela em breve renuncia a sentir e a querer. A apatia e a falta de emoções são defesas contra a ansiedade. Quando alguém continuamente defronta-se com um perigo que é incapaz de vencer, sua linha final de proteção é evitar a sensação de perigo.</em></p>
<p style="text-align: justify;"><em>Observadores perspicazes de nossa época predisseram esses acontecimentos. Erich Fromm observou que hoje em dia muitas pessoas deixaram de viver sob a autoridade da Igreja ou das leis morais, mas submetem-se a “autoridades anônimas”, como a opinião pública. A autoridade é o próprio público, que é uma reunião de indivíduos, cada qual com seu radar ligado para descobrir o que os outros esperam dele. No final, o que tememos é o nosso vazio coletivo.</em></p>
<p style="text-align: justify;"><em>Outra característica do homem moderno é a solidão. Insiste que é importante ser convidado para esta festa ou aquele jantar, não porque deseje ir, de modo especial (embora, em geral, vá), nem porque se divirta, busque companheirismo, compartilhe da experiência do calor humano de uma reunião, etc. Muitas das vezes não encontra nada disso e entedia-se, apenas. Mas, ser convidado é importante como prova de não estar sozinho. A solidão é uma ameaça não violenta e penosa para muitos que não possuem a concepção dos valores positivos do isolamento e até se assustam com a possibilidade de ficar sós. Muitos sofrem com o medo da solidão e, ainda assim, não se encontram.</em></p>
<p style="text-align: justify;"><em>A sensação de vazio e a solidão andam juntas. As razões dos seus estreitos relacionamentos são fáceis de ser encontradas. Quando uma pessoa não sabe, com convicção, o que deseja e o que sente; quando, numa época de mudanças traumáticas, percebe que as ambições e as metas convencionais que lhe inculcaram não proporcionam segurança e orientação, quando sente o vácuo íntimo em meio à confusão externa, então sente-se em perigo e sua reação natural é procurar outras pessoas, delas esperando orientação ou, pelo menos, algum consolo para não se encontrar sozinha naquele pavor.</em></p>
<p style="text-align: justify;"><em>Outra razão importante emerge do fato de que nossa sociedade dá muito valor à aceitação social. Esta é a nossa melhor maneira de afastar a ansiedade e principal símbolo de prestígio. Precisamos estar sempre provando que somos um “êxito social” pelo fato de nos procurarem, de nunca andarmos sós. Se a pessoa é estimada, socialmente aceita, acredita-se que raramente esteja só.  Não ser estimada é um fracasso.</em></p>
<p style="text-align: justify;"><em>No reverso da solidão do homem moderno está seu grande temos de ficar só. Em nossa cultura, costuma-se dizer “você anda solitário”, um modo de admitir que não é bom estar só. É aceitável querer ficar só, temporariamente, para se desligar de tudo. Porém, se numa reunião alguém mencionar que gosta de estar sozinho, não para descansar mas por preferência pessoal, os outros pensarão que há qualquer coisa de errado, que uma aura de doença ou isolamento paira ao redor daquela pessoa. E se alguém se mantém isolado, existe a tendência de se achar que ele fracassou, pois para eles é inconcebível que uma pessoa fique sozinha por livre escolha.</em></p>
<p style="text-align: justify;"><em>[...] A aceitação social, o “ser estimado” tem tanta importância porque mantém à distância essa sensação de isolamento. Quando a pessoa está cercada de cordialidade, imersa no grupo, é reabsorvida, como se voltasse ao ventre materno, em simbologia analítica. Temporariamente, esquece a solidão, embora ao preço da renúncia à sua existência como personalidade independente. Perde assim a única coisa que a ajudaria, positivamente, a vencer a solidão, em longo prazo, fazendo-a trabalhar a seu favor; isto é, o desenvolvimento dos seus recursos interiores, da força e do senso de direção, para usá-los como base de um relacionamento significativo com os outros seres humanos. Então, os homens “empalhados” acabam por se tornar ainda mais solitários, por mais que se apoiem nos outros, pois gente vazia não possui a base necessária para aprender a amar.</em></p>
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		<title>32. Relação aberta</title>
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		<pubDate>Wed, 23 Nov 2011 11:41:56 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Administrador</dc:creator>
				<category><![CDATA[Amor]]></category>
		<category><![CDATA[Ciúme e traição]]></category>
		<category><![CDATA[Individualidade]]></category>
		<category><![CDATA[Sexualidade/Sexo]]></category>
		<category><![CDATA[menage]]></category>
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		<description><![CDATA[Após considerações sobre o ciúme e a traição, achei pertinente conversarmos sobre a polêmica relação aberta. Ao se digitar esta expressão nos mecanismos de busca da Internet, aparecem inúmeras matérias sobre o assunto, desde artigos avaliativos a relatos pessoais. Não &#8230; <a class="more-link" href="http://vidaautentica.com.br/2011/11/32-relacao-aberta/">Ler mais...</a>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;">Após considerações sobre o ciúme e a traição, achei pertinente conversarmos sobre a polêmica relação aberta. Ao se digitar esta expressão nos mecanismos de busca da Internet, aparecem inúmeras matérias sobre o assunto, desde artigos avaliativos a relatos pessoais. Não posso afirmar que não concordo com nenhuma das avaliações porque, logicamente, não li todas. No entanto, discordo de todos os tipos de abordagens aos quais tive acesso, por uma simples razão: todas colocam a liberdade sexual como a questão central desse tipo de relacionamento, como se fosse a natureza humana promíscua e o sexo uma necessidade tão instintiva quanto comer, beber e dormir. Venho defendendo que não o são. Exatamente por darmos ao ato sexual isolado uma ignorante e exagerada importância, quando se pensa ou conversa sobre relacionamento aberto, os respectivos parceiros fazendo sexo com outras pessoas, rotineira e indiscriminadamente, é a única interpretação e imagem que surge no imaginário coletivo.</p>
<p style="text-align: justify;">Normalmente, quando tal tipo de relacionamento é abordado, pensa-se logo em <em>swing</em>, <em>ménage</em>, sexo grupal, etc, e, equivocadamente, os casais que os praticam afirmam, realmente, viver relações abertas. Afirmo que a grande maioria não as vive. A análise dessas práticas não é o foco desse artigo, mas farei algumas considerações sobre elas. Começo fazendo a seguinte afirmação: todos os relacionamentos e casamentos deveriam ser abertos. Tentarei explicar, na minha visão, o que seria uma relação desse tipo.</p>
<p style="text-align: justify;">A psicanalista e escritora Regina Navarro Lins possui várias publicações sobre a liberdade nos relacionamentos; porém, após ler algumas delas e ao assistir a várias de suas entrevistas, percebi, da mesma forma que no senso comum, foco exagerado no tema sexo. Por isso, em suas entrevistas, não consegui observar nenhuma com um desfecho silenciosamente reflexivo, entre os participantes; faltaram argumentos plausíveis. Todas foram tensas, do início ao fim, pouco convincentes e ela foi bem criticada. A palavra amor poucas vezes foi mencionada. Enviei-lhe um e-mail fazendo esse comentário crítico. Ela, gentilmente, respondeu-me. Porém, não explicou o porquê de não usar o amor como argumento e alicerce para justificar a necessidade da liberdade que defende. De forma alguma tiro o mérito do seu trabalho e a acho, de fato, corajosa. Suas leituras me foram úteis e acredito que sirvam bem para iniciar quem queira analisar os pilares hipócritas que sustentam as relações. Mas, a transformação necessária e desejada por mim, por exemplo, transcende e muito o que a autora defende.</p>
<p style="text-align: justify;">O mestre <a title="DeRose" href="http://pt.wikipedia.org/wiki/DeRose" target="_blank">DeRose</a> escreveu um pequeno livro intitulado <a title="Alternativas de relacionamento afetivo" href="http://pt.scribd.com/doc/49997250/Alternativas-de-relacionamento-afetivo-DeRose" target="_blank">Alternativas de Relacionamento Afetivo</a>, que pode ser lido <em>on line </em>clicando no<em> link. </em>Achei-o bastante coerente e alinhado com a minha visão do assunto.</p>
<p style="text-align: justify;">Sustento que são raros os casais que possuem maturidades psicológicas para se relacionar de forma sadia e muito menos para casar. O <em>Greenpeace</em> deveria fazer um movimento para impedir novos casamentos, se os objetivos forem vivê-los da tradicional forma que conhecemos. Eles são um verdadeiro desastre ambiental, pois é o melhor caminho para a extinção de cada indivíduo. A grande maioria das vidas a dois é uma verdadeira calamidade natural para cada par, sob a ótica do impacto na vida de cada ser envolvido. Como já afirmei em artigos anteriores, encontrar um verdadeiro amor nos relacionamentos é algo muito difícil. Pode parecer um absurdo o que vou dizer, mas eu ainda não tive a oportunidade de conhecer um casal que se ame, dentro do conceito pleno de amor defendido por mim, outros pensadores, filósofos e estudiosos do tema. Muitos sentimentos e interesses próprios coexistem na maioria dos relacionamentos, menos o amor.</p>
<p style="text-align: justify;">Abro um parêntese para dizer que o entendimento do raciocínio a ser conduzido será facilitado pela leitura dos três artigos anteriores chamados Sexo e vaidade, Ciúme e Traição.</p>
<p style="text-align: justify;">Quando a façanha da construção de um relacionamento que gire em torno do legítimo amor – até onde se consegue entendê-lo &#8211; é conseguida, a relação já é, natural e inevitavelmente, aberta. Essa abertura nada mais é do que o respeito pelas liberdades de pensamento, expressão e ação de cada um, as quais transcendem as preocupações com o e o foco no sexo, como todos imaginam. Isso ocorre porque a vivência do amor altera totalmente a conotação sexual consumista e vaidosa que nos é ensinada. Esse estado consciente e espiritual em que a necessidade da constante e variada prática sexual sai de cena – espontaneamente e sem qualquer tipo de exigência moral &#8211; pode ser alcançado sozinho ou a dois, pois nada tem a ver com paixão ou com o amor romântico; trata-se, simplesmente, de evolução individual. Uma relação aberta só pode ser vivida por duas pessoas que estão buscando a fuga da prisão desse mundo egótico em que tudo é consumido e que, quando algo é oferecido, retornos caros são esperados. Gradualmente, passa a haver mais respeito pelo parceiro e a percepção da doença coletiva de se imaginar, desejar e insistir em termos o controle sobre as pessoas e situações por elas vividas. Costumo dizer que a relação a dois é a melhor forma e o melhor atalho para se entender o amor cósmico, o amor natureza e sua inexplicável energia apenas sentida &#8211; como ele o é, pois é na convivência entre um casal que nos deparamos com os maiores desafios contracultura sobre a enganosa necessidade de posse que foi artificialmente construída em nós. É impossível uma pessoa amar de verdade o seu parceiro e ser um mal e antiético ser humano com os demais &#8211; e vice-versa, pois quando uma relação está, de fato, sendo envolvida pela energia do amor, as visões dos parceiros sobre o ser humano, a natureza, como lidar com dinheiro, poder e sexo, etc, acompanham a evolução daquela.</p>
<p style="text-align: justify;">No meu conceito, a liberdade sexual seria apenas uma pequena possibilidade e somente uma parte da expressão de uma relação aberta &#8211; sinceramente, com pouca importância, diante das metas individuais e a dois. Se um casal apenas chega a um acordo sexualmente permissivo, visando a tornar seus desejos e curiosidades sexuais mais facilmente atendidos, no entanto, sem as consciências da importância da busca da essência, do &#8220;centro&#8221; do parceiro, em minha opinião, eles continuarão amarrados aos mesmos interesses, egoísmos, vaidades e outras questões culturais existentes em qualquer outro relacionamento tradicional. Essa liberdade sexual não irá, de forma alguma, construir uma relação saudável entre ambos e, normalmente, a busca pela variação sexual torna-se um vício que irá anestesiar, por momentos, a falta de afeto, através de orgias movidas pelas carências e vaidades de ambos. Essa é a razão pela qual afirmo que, respeitando as possíveis e raras exceções, as práticas do swing, ménage e demais variações, não são relações abertas, pois o ciúme e a necessidade de controle encontram-se nelas tanto quanto em qualquer outra relação conservadora. Não é permitido ao parceiro escolher com quem sair, ter seus motivos próprios para fazê-lo ou ter um encontro sozinho. São acordos totalmente egoístas e que visam interesses sexuais próprios, pois é dada uma concessão somente assistida e visando a uma satisfação pessoal. Apenas mais um detalhe que deve ser do conhecimento de poucos: os casais liberais traem tanto quanto os conservadores, pois a carência afetiva é a mesma de qualquer relacionamento e não há como ser atendida nos encontros sexuais. Neles, são proibidas demonstrações de carinho. É sexo e pronto.</p>
<p style="text-align: justify;">Tenho algo contra essas práticas? De forma alguma. Todos têm o direito, podem e devem viver as experiências que desejarem, pois fazem parte de nossas construções subjetivas. A racionalidade do ser humano é totalmente propícia para e faz parte dela a curiosidade. Porém, a expressão “casal liberal” é, quase sempre, equivocada, pois apenas existem permissões assistidas e controladas. Nelas, não existe preocupação alguma com o crescimento do outro, com o seu desenvolvimento através de suas escolhas livres e posteriores conclusões próprias. São práticas egoístas e engessadas disfarçadas de generosas e livres.</p>
<p style="text-align: justify;">Voltando ao meu ponto de vista, o relacionamento aberto é desfocado da importância sexual. O alvo é o amor a ser construído a dois; o trabalhado, gradual e contínuo desnudar das almas. Existe a possibilidade de se buscar o atendimento de uma curiosidade sexual externa ao casal, com ou sem participação do parceiro? Sim, claro que há, como, factualmente, existe em qualquer relação. Tudo é possível. Mas, jamais será algo relevante na vida de cada cônjuge. Gosto da explicação de um dos filósofos que li, que diz que, no caminho da evolução, por curiosidade ou vaidade e muitas das vezes, escolhemos e precisamos agir de uma forma que mal nos representa como indivíduos que buscam o crescimento, a fim de que melhor entendamos quem realmente somos, servindo essa escolha &#8211; por muitos rotulada de errada &#8211; de atalho para uma luz maior. Por isso, os conceitos de certo e errado deveriam ser substituídos por apenas um: o de ética. Quando se busca viver o amor, há esse tipo de entendimento.</p>
<p style="text-align: justify;">Costumo dizer que quem está buscando e se dedicando ao amor sente-se preguiçoso para o sexo extraconjugal, mesmo existindo as possibilidades e oportunidades e mesmo sabedor de que, se acontecer, não será um ato desleal. Apenas para lembrar, não existe traição sexual na relação aberta &#8211; mas, pode existir a deslealdade aos tratados estabelecidos. Apesar de haver a liberdade, ela não precisa, necessariamente, ser usada. Na prática, afirmo que a tendência é que poucas vezes ou, até mesmo, nunca, seja utilizada. Hipócrita e paradoxalmente, os casais conservadores usam e abusam da liberdade que não têm, quando incorrem em um grave erro: &#8220;o outro&#8221; não sabe que o parceiro sente que a possui. Em muitos casos, ambos fazem isso. Hipocrisia e egoísmo transbordantes por todos os poros, um para o outro e em rodas sociais rechaçam e ridicularizam qualquer início de conversa cujo assunto seja liberdade sexual. Basta observarmos as frequentes estatísticas de traições que, regularmente, a mídia nos apresenta – fora as constatações entre nossos próprios amigos e amigas quando, curiosamente, podemos observar proporções bem mais altas do que os números apresentados pelos institutos de pesquisa.</p>
<p style="text-align: justify;">Se a popular relação aberta é polêmica e desencoraja a grande maioria – apesar de despertar curiosidades em todos, a verdadeira relação aberta que defendo é muito mais complicada, pois nela está inserida a trilha do caminho do amor, que é uma dura arte. Nada é fechado e ajustes e reajustes são constantes, à medida que se caminha, pois a desconstrução cultural necessária ao processo de individuação é dolorosa. Sentimos nas vísceras coerência e ego se digladiando. Muita parceria e cumplicidade são exigidas. Neste tipo de relacionamento, são imprescindíveis evoluções – ou enormes vontades delas – e autoestimas bem elevadas em cada parceiro, por uma simples razão: não há espaço algum para mentiras. Somente um ser em evolução desconsidera os referenciais culturais que o cercam e assume tudo o que pensa para quem diz amar. Somente uma pessoa com autoestima em elevação não mente e consegue assumir suas fragilidades e curiosidades. A instituída afirmação de que os casais têm que ter seus segredinhos é, no mínimo, muito triste, e não passa de atitude covarde. O que apimenta e mantém a relação não são os segredos – que não passam de pavor da autenticidade, mas sim as descobertas mútuas e individuais compartilhadas, pois são elas que acabam com uma rotina que, normalmente, os casais tentam quebrar com viagens, restaurantes, rotineiras recepções para os amigos, bares, tecnologia, aquisições vaidosas, etc &#8211; incrivelmente, até com filhos. Mas sabemos que nunca funcionam. As viagens devem ser para o interior do outro – não existe aventura maior do que essa &#8211; e não com mudanças geográficas que, obviamente, também são culturalmente interessantes. Porém, chegando ao destino, os hábitos relacionais permanecem os mesmos e apenas os fatos exteriores mudam. Trata-se do conhecido e usual entretenimento para se fugir de uma realidade.</p>
<p style="text-align: justify;">Essa autoestima nada tem a ver com matéria. “Eu me amo. Tenho uma puta autoestima porque sou linda e muitos homens me desejam”. Pelo amor de Deus! A supervalorização dessa fútil constatação nada tem a ver com autoestima, mas sim com a ausência dela. Apesar de todos nós gostarmos de ser razoável e fisicamente atraentes, a beleza precisa ser colocada em seu devido lugar. Autoestima relaciona-se com espiritualidade, com a busca da real condição humana e pelo menos razoável entendimento do verdadeiro sentido da vida. Ela nada tem a ver com o mundo material e proporciona a consciência de que um não é necessário ao outro; mas se desejam, e muito. Quanto mais vaidoso, controlador e egoísta se é, mais baixa é a autoestima.</p>
<p style="text-align: justify;">Entendamos que ausência de mentiras não significa relatórios diários ou semanais para o parceiro, pois, se existem confiança e lealdade, eles são desnecessários. O que importa são as contemplações e admirações mútuas das ideias comentadas no artigo anterior, a energia trocada, conversas profundas, arrepios inexplicáveis, os olhos marejados durante a cristalização do silêncio em um momento a dois, o amar e se sentir, de fato, amado. A verdade está no conhecimento das ideias e possibilidades do outro e não no dos seus passos. A liberdade a dois implica assunção de qualquer coisa ser possível &#8211; apesar de muitas práticas serem possibilidades remotas, menos a falta de cuidado e carinho com a relação, menos a falta de ética, menos o medo ser verdadeiramente conhecido pelo outro.</p>
<p style="text-align: justify;">Há poucos dias, li um artigo de um pensador – infelizmente, não recordo seu nome – que diz que nascemos, crescemos e aprendemos a andar. Andamos por ruas, andamos por estradas, andamos por caminhos, andamos por picadas. Eventualmente, andamos até mesmo em florestas, mas por trilhas prontas. Temos a visão de que a vida é como uma estrada por onde passamos, por onde outros já passaram e por onde outros passarão. No entanto, por isso, somos incapazes de pensar convenientemente a vida. Martin Heidegger propôs que, para pensarmos e contemplarmos a nossa existência, devemos nos imaginar a despertar no meio de uma floresta sem qualquer estrada ou caminho. A existência de cada um é uma floresta onde jamais um caminho foi aberto. Cada um de nós tem de abrir o seu caminho, cada um de nós tem de construir a sua própria estrada. Com esta imagem, Heidegger procura mostrar que o fundamental para pensar a existência é não a pensar como uma estrada que já está preparada, bastando percorrê-la. Não. Os caminhos não estão preparados e, na verdade, não existem estradas e não existem caminhos. Existe o ser humano, que se desenvolve no tempo.</p>
<p style="text-align: justify;">Analogamente, penso que tal metáfora adequa-se e pode ser perfeitamente aplicada aos relacionamentos. Com medo do desconhecido, evitamos a todo o custo partir para a floresta. Porém, as estradas e os caminhos prontos só nos têm causado sofrimento e dado nada mais do que uma falsa impressão de segurança. Precisamos nos reinventar e, à medida que progredimos, naturalmente, somos levados a recriar a forma com que queremos nos relacionar. Não há receita. Cada casal precisa encontrar o seu próprio caminho e seguir em ritmo próprio, na direção acordada por ambos. Ao não abrir mão das verdades, através das experiências que enfrentamos e das constantes avaliações das mesmas, com ajustes e reajustes, conseguiremos criar, gradualmente, uma identidade ética pessoal e relacional, uma identidade autêntica. De um modo geral, penso ser profícuo o pensamento de que podemos alcançar um maior bem estar e descobrir um melhor sentido para a vida através das eliminações, ao deixarmos de escolher, dia após dia e sem imposições externas, o que não faz bem a nós e aos nossos relacionamentos.</p>
<p style="text-align: justify;">O que encerra a caminhada pela floresta &#8211; que nada mais é do que a etapa humana da vida &#8211; é a morte, e não o fim da mata fechada. A jornada não termina com o alcance do campo aberto, onde tudo fica claro; o tempo é que a interrompe, pois somos infinitos. O casamento que conhecemos nada mais é do que a abertura de uma clareira e a desistência de qualquer tipo de desbravamento. Por medo do desconhecido, arbitrariamente, estabelece-se o fim. Então, ali se morre, sem meios de se conhecer as intermináveis possibilidades de contemplação das belas diversidades da mata. Prefiro caminhar, abrir trilhas. Ao perceber estar em um caminho cheio de espinhos que estejam me causando dor, quero, livremente, mudar o rumo para onde a minha intuição me sugerir – não existe melhor bússola.  Porém, ressalto, aqui, que existem dois tipos de dores: a dor da alma e a dor da matéria. Esta última é causada pelo não atendimento das necessidades que o homem inventou e que não são reconhecidas e legitimadas pela alma: dinheiro, poder, controle, posse, domínio, bens materiais, etc. Todos visam ao atendimento do famigerado ego, através das vaidades. Poucas pessoas iluminadas possuem a compreensão desses dois tipos de dores &#8211; da alma e do ego. A maioria atribui todas as suas tristezas à alma, quando, na verdade e sem saber, só consegue prestar atenção nas dores do ego, quando tenta aliviá-las através dos vários tipos de vaidades oferecidas pela sociedade. Não que suas almas não doam, muito pelo contrário. Mas, a cultura e as inseguranças que em nós provoca só nos permitem ouvir os gemidos do ego, que abafam o sofrimento verdadeiramente humano. Esse discernimento é fundamental na caminhada pela floresta, pois, se é o ego que sente dor, provavelmente, estamos no caminho certo e ele, simplesmente, deve ser alijado, aos poucos, o máximo possível e com perseverança. No entanto, desfazermo-nos dele por completo é impossível. Mas, se a dor vem, realmente, da alma, uma parada para reflexão é exigida e uma nova trilha deve ser aberta. Quando o ego está satisfeito, a alma padece; quando a alma se regozija, o ego tende a calar-se. A alma é a autoridade legítima; a mente dominada pelo ego não passa de uma sabotadora e golpista.</p>
<p style="text-align: justify;">Exatamente por ignorarmos nossa alma, que é quem carrega a essência humana, muitos conseguem se prover de tudo que a sociedade diz ser necessário para sermos felizes – família, bom emprego, poder, moral ilibada e bens materiais, e mesmo assim uma dor não cessa. É o amor não vivido, a vida, a autenticidade, a liberdade, o ser humano, a coerência, a coragem; todos agonizando. Iluminados são os que conseguem ouvir as dores de suas almas e delas cuidar. Toda relação deveria ser aberta à alma, ao amor, à vida, à autenticidade, à liberdade, ao ser humano, à coerência e à coragem. O amor dessa relação aberta não agoniza com o passado e não faz projeções fantasiosas e controladoras sobre o futuro. Ele só vive o presente e dele tenta extrair o máximo possível.</p>
<p style="text-align: justify;">A saudável relação aberta confia no amor. Como disse Roberto Freire: <em>“Se você não confia no amor, ele já não existe”</em>.</p>
<p style="text-align: justify;"><em>“Certamente é muito difícil modificar padrões, refazer hábitos, rever conceitos e questionar convicções, principalmente se partimos da falsa premissa de que somos seres limitados, dependentes, frágeis e manipuláveis. É preciso uma decisão corajosa, se quisermos sair do buraco existencial em que nos metemos. Sair da condição de expectadores – ou de atores coadjuvantes, até assumirmos o papel de agentes transformadores de uma realidade falsa e ilusória.[...] Os infortúnios de nossas vidas são vistos por nós como ocorrências trágicas e destruidoras de felicidade, quando, na verdade, devem ser encaradas como eventos naturais necessários ao nosso processo de desenvolvimento espiritual e pessoal. As tragédias não são os eventos em si, mas aquilo em que os transformamos.”</em> Artimanhas do ego – José Diney Matos, páginas 230 e 244.</p>
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		<title>31. Traição</title>
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		<pubDate>Tue, 15 Nov 2011 15:34:47 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Administrador</dc:creator>
				<category><![CDATA[Amor]]></category>
		<category><![CDATA[Ciúme e traição]]></category>
		<category><![CDATA[Separação]]></category>
		<category><![CDATA[Sexualidade/Sexo]]></category>

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		<description><![CDATA[Abordado o tema ciúme, vamos falar sobre o fato, sua possibilidade ou a mera imaginação da ação que o provoca: a traição. Para tal, precisamos lançar mão dos já explicados conceitos de lealdade e de fidelidade e precisarei ser repetitivo, &#8230; <a class="more-link" href="http://vidaautentica.com.br/2011/11/31-traicao/">Ler mais...</a>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;"><a href="http://vidaautentica.com.br/2011/11/31-traicao/infidelidade-grande1/" rel="attachment wp-att-910"><img class="alignleft size-full wp-image-910" title="infidelidade-grande1" src="http://vidaautentica.com.br/wp-content/uploads/2011/11/infidelidade-grande1.jpg" alt="" width="214" height="182" /></a>Abordado o tema ciúme, vamos falar sobre o fato, sua possibilidade ou a mera imaginação da ação que o provoca: a traição. Para tal, precisamos lançar mão dos já explicados conceitos de lealdade e de fidelidade e precisarei ser repetitivo, ao copiar aqui uma breve explicação que dei na aba Curtas.</p>
<p style="text-align: justify;"><em>À medida que, minimamente, a filosofia nos torna mais maduros – ou menos idiotas, começamos a fazer distinções entre palavras que, durante a vida inteira, usamos como sinônimas. Então, passamos a atribuir-lhes significados diferentes do conhecimento comum, quando geramos um glossário próprio que, às vezes, exige sua apresentação, antes de textos e conversas. Fidelidade e lealdade são bons exemplos.</em></p>
<p style="text-align: justify;"><em>A fidelidade é a qualidade norteadora de todas as relações baseadas no amor romântico. A sua falta gera o mais repudiado e indesejado adjetivo do macho: corno; veado incomoda infinitamente menos. Seu foco é a exclusividade sexual sobre o corpo do parceiro. Ponto. Se há o cumprimento de sua promessa, palmas e reverências para o virtuoso. Quem não a quebra autoelege-se o melhor dos seres humanos. Afinal, o casamento estar uma merda é apenas um bobo detalhe. Fidelidade nada tem a ver com ideias, verdades, individualidade e filosofia de vida. Tem a ver com o não compartilhamento do parceiro objeto. Para que questioná-la, já que ela é óbvia, tácita e perene? Fidelidade não exige evolução da intimidade experienciada e dialogada. Resumir o bom casamento ao social e aparente conceito de fidelidade é postura de pessoas inseguras – sendo mais objetivo, de seres covardes.</em></p>
<p style="text-align: justify;"><em>A lealdade, diferentemente, é um pacto maduro, maleável e acompanha as evoluções e mudanças dos parceiros, já que se encontram sempre dispostos a dialogar sobre elas. Ela é formada por afinidades de ideias e busca, em ambos, respeitar suas possíveis mutações. Consequentemente, podem ocorrer reformulações em algumas “regras” do relacionamento, caso ambos estejam de acordo. Lealdade é para casais pensadores e corajosos.</em></p>
<p style="text-align: justify;"><em>A fidelidade é engessada e, como já estamos cansados de saber, tem suas regras quebradas, sempre que possível e pela maioria dos casais. Às vezes, unilateralmente; em muitas, de forma bilateral. Às vezes, sem o outro ter a mínima ideia do que possa estar acontecendo; em outras, usa-se a famosa e conveniente “vista grossa”.</em></p>
<p style="text-align: justify;"><em>A lealdade considera a ética e só existe entre casais muito maduros e com autoestimas elevadas. Devido às verdades, sabe-se o que o outro é capaz de fazer e nos cabe, apenas, continuar ou desistir – por limitações próprias ou por filosofias de vida distintas. As regras são claras e não há espaço para as mentiras. Nela, o outro sou eu, é minha continuidade que jamais será machucada por mim. O psicólogo Thiago de Almeida afirma que <a href="http://www.jornaldaimprensa.com.br/Editorias/6617/%E2%80%9CCi%C3%BAme-pode-incentivar-trai%C3%A7%C3%A3o%E2%80%9D" target="_blank">&#8220;a maior dor não é ser traído, mas sim saber que o parceiro acredita que você ignore a situação. A infidelidade não vem do sexo, mas do segredo&#8221;</a>. O pobre conceito de fidelidade pode, espontaneamente e sem qualquer tipo de ônus individual, existir na lealdade; mas jamais existirá a concepção de lealdade na fidelidade.</em></p>
<p style="text-align: justify;"><em>Na lealdade, ambos caminham de mãos dadas e felizes com as inúmeras descobertas a dois, mesmo e apesar dos exigidos momentos de reflexão para ajustes. Na fidelidade, uma mão é dada; na outra, uma faca – pronta a ser fincada nas costas do outro ou já enterrada no próprio peito. Ao sermos leais, respeitamos o ser humano &#8211; inclusive a nós mesmos; fiéis, apenas morremos de medo de encarar a realidade e o julgamento social.</em></p>
<p style="text-align: justify;">Vou citar o exemplo de Cristina – nome fictício, uma mulher que conheci e com quem muito conversei, há cerca de dois anos. Na época, ela tinha 39 anos de idade, casada há quase 20, moradora de bairro nobre do Rio de Janeiro, dois filhos, trabalhava em um escritório e ganhava muito pouco para o padrão de vida que possuía, o qual era sustentado pelo marido.</p>
<p style="text-align: justify;"><a href="http://vidaautentica.com.br/2011/11/31-traicao/casamento-ruim-causa-problemas/" rel="attachment wp-att-928"><img class="size-medium wp-image-928 alignright" title="casamento-ruim-causa-problemas" src="http://vidaautentica.com.br/wp-content/uploads/2011/11/casamento-ruim-causa-problemas-204x300.jpg" alt="" width="143" height="210" /></a>Era fácil perceber que Cristina era uma mulher extremamente triste e ela assumia essa condição. Não havia nem como se falar em sentimentos que nutria pelo marido, pois ela só demonstrava ressentimentos. Porque ele era um mau homem e a tratava mal? De forma alguma. Apenas porque ele era um marido e pai normais, cumpridor dos papéis que a sociedade lhe atribuiu. Mesmo assim, em vários momentos, ela demonstrava repúdio por ele, pelo simples fato de se ver envolta a obrigações de esposa e mãe e acorrentada a uma relação que havia se transformado em um plástico modelo ditado: o casamento. Ela não sentia o mínimo prazer de fazer sexo com ele e, há anos, vivia sonhando em ter um amante que lhe resgatasse o afeto, o prazer de estar ao lado de alguém. No entanto, não tinha coragem e nunca havia se relacionado sexualmente fora do casamento, pois sentia muito medo de ser descoberta e ter que arcar com as consequências. Uma delas era assumidamente expressa por ela: seu padrão de vida cairia demais com a separação.</p>
<p style="text-align: justify;"><a href="http://vidaautentica.com.br/2011/11/31-traicao/stack-of-coins-and-bride-and-groom-wedding-cake-decorations/" rel="attachment wp-att-929"><img class="alignleft size-medium wp-image-929" title="Stack of Coins and Bride and Groom Wedding Cake Decorations" src="http://vidaautentica.com.br/wp-content/uploads/2011/11/casandoporgrana-300x300.jpg" alt="" width="126" height="126" /></a>Cristina era fiel e, possivelmente, ainda o é, até hoje. Nunca havia traído o marido. No entanto, era desleal desde a hora que acordava até se deitar. E o era, também, nos sonhos. Sua deslealdade violentava a si mesma, ao marido e ao relacionamento que fingia suportar. Espero que não se ofendam aquelas que sustentam suas vidas vendendo sexo, mas Cristina é o típico exemplo do que chamo de puta legal, legitimada pela sociedade. Porém, o importante é não trair – ou não ser descoberto. Somos rodeados de Cristinas e de seus maridos.</p>
<p style="text-align: justify;">Enquanto insistirmos nesse modelo de casamento sem diálogos francos e carentes de cumplicidade, sem espaço para o amor verdadeiro buscado e construído em torno da liberdade leal, o medo e a traição, inevitavelmente, sempre farão parte dos relacionamentos. Ora um, ora o outro ou ambos juntos.</p>
<p style="text-align: justify;">Entendamos que o disse<a href="http://vidaautentica.com.br/2011/11/31-traicao/maria-gasolina-27-05-08-2/" rel="attachment wp-att-932"><img class="size-medium wp-image-932 alignright" title="maria-gasolina-27-05-08" src="http://vidaautentica.com.br/wp-content/uploads/2011/11/maria-gasolina-27-05-081-300x211.jpg" alt="" width="210" height="148" /></a>minado conceito de traição é fruto da materialidade gerada no ser humano, da importância do possuir e do poder; é resultado de ele ter se perdido no entendimento de um verdadeiro sentido para a sua vida. Então, agarra-se com unhas e dentes a sentimentos plásticos, sintéticos, devido à sua impotência para aprender a se deliciar com sensações naturais. Podemos dizer que a fidelidade e a sua quebra – a traição – são figuras que vivem totalmente no mundo da matéria, exatamente como um carro ou qualquer coisa adquirida ou acumulada. Como qualquer bem de consumo, que exige a destruição da natureza, a hipócrita e defendida fidelidade faz o mesmo, pois destrói a possibilidade das ideias existirem e serem recriadas. Consequentemente, assola a natureza racional e criativa do homem.</p>
<p style="text-align: justify;">A fidelidade e a traição estão para a matéria assim como a lealdade está para a subjetividade do mundo das ideias. Se Cristina conseguiu arrumar coragem e saiu com algum homem, ela traiu e foi desleal. Traiu na visão do marido e da sociedade e foi desleal no mundo das ideias, da ética, pois seu marido não faz a mínima ideia do que se passa em sua cabeça, do que ela é capaz de fazer, do que ela pensa verdadeiramente dele e do casamento. “Todos” sabem, menos ele que é chamado de parceiro e, possivelmente, ouve dela, de vez em quando, “eu te amo”. Infelizmente, essa triste realidade é fácil de ser percebida no submundo das conversas íntimas entre homens e mulheres. Então dizemos: “isso é normal, não há o que fazer; casamento é assim mesmo”.</p>
<p style="text-align: justify;">Apesar de o título do artigo chamar-se traição, considero uma grande besteira e perda de tempo nos atermos a ela, pois rodaremos em círculos. Precisamos apenas admitir que é covardia insistir nesse tipo de relacionamento que não deu certo e não funciona, quando tratamos de amor, felicidade e prazer real de viver. Realmente, ele funcionou muito bem para o enriquecimento de poucos e para o surgimento de uma sociedade tecnologicamente avançada. Mas, e daí? O meu foco é o ser humano. Pouquíssimas coisas que são boas para a coletividade o são também para o indivíduo.</p>
<p style="text-align: justify;">Minha sugestão é deixarmos de enxergar as pessoas como matérias que podem ser possuídas e as considerar ideias que possuem vidas próprias, energias que se recriam e que podem ser tocadas e, principalmente, sentidas através de abraços, carinhos, beijos, sexo, etc. A generalizada egolatria estimulada pela nossa sociedade nos tira do mundo das ideias e nos acorrenta aos bens de consumo materiais e humanos, a fim de termos, interminavelmente, nossos vazios espirituais preenchidos.</p>
<p style="text-align: justify;">Ao pararmos de nos preocupar com a fidelidade e partirmos para o entendimento e vivência da lealdade, estaremos mergulhando no mundo das ideias, das verdades, da ética, do humanismo. Por fraqueza e covardia, desperdiçamos nossas energias tentando controlar nossos parceiros, sendo que estas deveriam ser concentradas na construção do amor e da evolução a dois. Mas isso dá trabalho, pois, além de começarmos a pisar em terrenos subjetivos e desconhecidos, exige a desconstrução de tudo que aprendemos acerca de relacionamentos; temos preferido usar o que já está pronto, mesmo que nos faça sofrer &#8211; e muito.</p>
<p style="text-align: justify;">Como eu já disse em artigos anteriores, ninguém ama um corpo, um piru, uma boceta. O amor habita o mundo das boas ideias e estas jamais apodrecerão e serão comidas pelos vermes, pois, assim como o primeiro, elas são energia. A verdadeira admiração por alguém reside no mundo das ideias; tudo o que dá sentido humano à nossa existência está no mundo das ideias. As melhores sensações que um casal pode sentir, durante o sexo, advêm do mundo das ideias a dois, compartilhadas e mutuamente admiradas. O nosso modelo de casamento e a forma que nos ensinaram a nos relacionar não conseguem sobreviver no mundo das ideias, pois representam, exatamente, a anticriação.</p>
<p style="text-align: justify;">Concluindo, não perca seu tempo pensando e sofrendo diante de uma suposta possibilidade de traição, humilhando-se quando e se ela acontecer e, depois, tentando entender onde errou. Seu erro é não compreender que você nasceu para ser uma ideia em constante evolução; é, também, não perceber que deve procurar um parceiro corajoso que seja outra ideia. Junte as duas e deliciem-se com as descobertas. Se o monstro da traição ronda sua vida, sugiro repensar seus valores, pois, de uma forma ou de outra, quem está com você está te usando para benefícios materiais e psicológicos próprios. O amor a dois só surge com a conjugação dos experimentos e suas conclusões e com as discussões sobre as recriações das ideias de cada um. Por outro lado, ideia só existe com liberdade. Ser uma ideia nada mais é do que ser autêntico, aceitar ser humano e, principalmente, permitir que o outro seja. A autenticidade eleva a autoestima a um grau quase incompreensível para a maioria das pessoas. Por isso, um possível experimento sexual com uma terceira pessoa deixa de ser motivo de pânico. Busque a verdade e a lealdade às ideias compartilhadas; fidelidade é uma construção social que deve ser demolida.</p>
<p style="text-align: justify;">Pare de se deixar ser tomado pelo pânico de ser corno ou chifruda, imaginando os possíveis sentimentos de vergonha e humilhação que o ato do outro poderão lhe causar. O que deve nos envergonhar e merece atenção e mudança de mentalidade urgentes é a nossa incapacidade nos tornarmos uma ideia que, de fato, pode ser admirada com e amada pela alma do parceiro. A vida a dois é uma opção inevitavelmente incerta. Fugir dessa realidade significa escolher a antivida como destino. Seja autêntico, encontre alguém que queira sê-lo, descubram-se, recriem-se e estabeleçam seus padrões próprios de relacionamento. De forma alguma, existem regras gerais.</p>
<p style="text-align: justify;">O modelo de relacionamento de conhecemos não permite ajustes, é regido por cláusulas pétreas e pautado pelo confronto de exigências. Aprender a amar pede observação e avaliação constante dos movimentos subjetivos de cada um, a fim de se observar se está havendo simbiose entre as duas ideias. Bem-vindo ao mundo das ideias.</p>
<p style="text-align: justify;"><em>&#8220;Fazemos parte de uma geração que aposta e investe em uma maior qualidade do relacionamento amoroso. Mudar implica perdas e riscos, abrir mão de privilégios e questionar as imposições sociais, ter uma atitude criativa e crítica frente à própria vida, deixando de lado falsos mitos de felicidade. Temos a oportunidade &#8211; e o desafio &#8211; de inventar o casal, o casamento, a família, a vida que queremos para nós. Nesta invenção, em que os estereótipos sobre &#8220;ser homem&#8221; e &#8220;ser mulher&#8221; não deveriam ter lugar, acredito que ganham homens e mulheres que, sentindo-se responsáveis pela construção cotidiana da relação amorosa, não aceitam falsas promessas de uma existência mais fácil e segura, não adotam posturas de vítimas e não gastam suas energias em acusações mútuas, cobranças e fantasias.&#8221;</em> Mirian Goldenberg &#8211; Antropóloga.</p>
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		<title>30. Ciúme</title>
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		<pubDate>Thu, 27 Oct 2011 23:43:21 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Administrador</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Que sentimento maldito é esse que inferniza nossas vidas? Que provoca em muitos relacionamentos retaliações de várias sortes, ameaças e violências físicas e morais, quando expectativas afetivas não são atendidas? Citando apenas registros policiais, no Brasil, a cada dez casos &#8230; <a class="more-link" href="http://vidaautentica.com.br/2011/10/30-ciume/">Ler mais...</a>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;"><a href="http://vidaautentica.com.br/2011/10/30-ciume/ciume-2/" rel="attachment wp-att-689"><img class="alignleft size-medium wp-image-689" title="ciume" src="http://vidaautentica.com.br/wp-content/uploads/2011/10/ciume1-202x300.jpg" alt="" width="99" height="147" /></a>Que sentimento maldito é esse que inferniza nossas vidas? Que provoca em muitos relacionamentos retaliações de várias sortes, ameaças e violências físicas e morais, quando expectativas afetivas não são atendidas? Citando apenas registros policiais, no Brasil, a cada dez casos de mulheres que sofrem agressões físicas, sete têm como autores os próprios namorados e maridos. Que dor é essa que nos torna totalmente desumanos, contraditórios e irresponsáveis, se por ela atingidos? Quando nos toma, perdemos o rumo e exigimos explicações, ao mesmo tempo em que, curiosamente e muitas das vezes, sabemos que, à surdina, temos tido comportamentos que tiram a legitimidade de qualquer reivindicação ou exigência moral. Mesmo assim, cinicamente, elas são feitas. Que emoção é essa que nos faz reagir de forma tão injusta e narcisista?</p>
<p style="text-align: justify;">Trata-se de um tema enigmático, nebuloso; um assunto sobre o qual, sinceramente, não sei se estou preparado para discorrer com maturidade suficiente para ser convincente e coerente em apenas um artigo. Começo meio inseguro, tomado por um impulso de desistência, diante da enorme possibilidade de, daqui a pouco tempo, ter percebido que me equivoquei nas análises e que melhor seria ter aguardado mais alguns meses para me atrever; talvez anos. Mas, vamos lá.</p>
<p style="text-align: justify;">Começarei discord<a href="http://vidaautentica.com.br/2011/10/30-ciume/ciume2/" rel="attachment wp-att-822"><img class="size-medium wp-image-822 alignright" title="ciume2" src="http://vidaautentica.com.br/wp-content/uploads/2011/10/ciume2-300x198.jpg" alt="" width="216" height="143" /></a>ando do pensamento comum que diz que quem ama sente ciúme. A aceitação dessa ideia serve apenas para continuar legitimando sofrimentos desnecessários e comportamentos doentes. Temos o irresponsável e ignorante hábito de atribuir à natureza humana sentimentos totalmente engendrados pela cultura. Consequentemente, falsas verdades se perpetuam de geração a geração. A cada dia que passa, sinto a profundidade e uma grande verdade nas seguintes palavras que li, de Osho, que dizem exatamente o contrário do senso comum: “Quem sente ciúme não conhece o amor”. Em minha opinião, o que chamamos amor e ciúme são sentimentos que habitam planetas distintos e distantes, não havendo interseções entre eles. Então, o que podemos concluir, se praticamente todos sentem ciúmes e sentimentos de posse? Simples: quase ninguém consegue amar. E os bilhões de “eu te amo” que são, diariamente, declarados? Quase todos não são verdadeiros.</p>
<p style="text-align: justify;">Somos con<a href="http://vidaautentica.com.br/2011/10/30-ciume/auto-estima-culpa/" rel="attachment wp-att-752"><img class="size-thumbnail wp-image-752 alignleft" title="auto-estima-culpa" src="http://vidaautentica.com.br/wp-content/uploads/2011/10/auto-estima-culpa-200x200.jpg" alt="" width="126" height="126" /></a>siderados animais racionais. Ponto. No entanto, ignorar e depreciar a nossa realidade animal e primitiva têm sido a raiz das nossas maiores aflições. A forma divina com que a natureza, com todas as suas espécies e fenômenos, cicla, evolui e se recria é a mais pura representação do amor. O homem também precisa ciclar, evoluir e se recriar. Sentirmo-nos controladores, fora desse e superior a esse sistema tem sido o inferno humano. O amor é uma energia inexplicável que representa nada mais do que a vida, a liberdade, o respeito pelas livres escolhas humanas. São elas que possibilitam a sua recriação, a evolução. Porém, o processo civilizatório fez com que deixássemos de respeitar toda a natureza, inclusive a nós mesmos; abandonamos a paz do ser e enveredamos no labirinto sem saída da tensão do ter. Foi-nos imposta uma dor profunda que começa com o simples ato de nascer, pois a inserção nessa sociedade representa a negação da natureza humana, a antinatureza. Se não somos o que deveríamos ser, como não sofrer?</p>
<p style="text-align: justify;">Tornamo-nos péssimos animais. Negamos nossa essência e, ao mesmo tempo e muito ao contrário, não conseguimos ser como os espelhados deuses. Criamos, imaginamos e, em agonia e sem êxito, tentamos viver um ser que não aceita ser a liberdade algo natural, que pensa que a sua e a de todos precisam ser to<a href="http://vidaautentica.com.br/2011/10/30-ciume/igreja3/" rel="attachment wp-att-735"><img class="alignright size-medium wp-image-735" title="igreja3" src="http://vidaautentica.com.br/wp-content/uploads/2011/10/igreja3-300x212.jpg" alt="" width="180" height="127" /></a>lhidas para que consigamos nos relacionar civilizadamente. Concordo que assim tenha que ser para que bem nos insiramos moralmente nos modelos comportamentais, mas não para que nos tornemos – ou nos mantenhamos como – bons animais que usam a presenteada razão para se relacionar com respeito aos livres arbítrios dos semelhantes. As lideranças humanas mentem e inventam falácias e sofismas, nas equivocadas tentativas de explicar o inexplicável e com o intuito de controlar os que não participam da geração do conhecimento. Para tal, inventaram instituições – principalmente as religiosas – para que os ajudassem em suas dominações com a criação de coerções morais.</p>
<p style="text-align: justify;"><a href="http://vidaautentica.com.br/2011/10/30-ciume/machismo-grande-2/" rel="attachment wp-att-707"><img class="alignleft size-medium wp-image-707" title="machismo-grande" src="http://vidaautentica.com.br/wp-content/uploads/2011/10/machismo-grande1-300x222.jpg" alt="" width="180" height="133" /></a>O péssimo animal desaprendeu o amor, qual o sentido da vida; criou os bens materiais e humanos e necessita dominá-los com toda a sua força. Trocou o verbo integrar pelo subjugar. Assim vivemos. Filhos e cônjuges são, por exemplo, em sua grande maioria, inanimados bens humanos. Se resolvem agraciar a si mesmos com a liberdade, se um sopro de vida, em termos de escolhas próprias, convida-os para uma viagem sem volta ou mesmo para um breve passeio, entra em cena o ciúme e a sensação de humilhação. O poder e o domínio, únicos sentidos de sua vida antinatural, são ameaçados e o péssimo animal se torna muito perigoso. Este vive totalmente inseguro e a referência que possui de si mesmo é o que os outros pensam dele, como o veem – mesmo ele não sendo nada daquilo. As temidas traição ou decisão de partida de um cônjuge, por exemplo, podem ser traduzidas pela seguinte indignação: “quem é você para me fazer sentir um nada?”.</p>
<p style="text-align: justify;"><a href="http://vidaautentica.com.br/2011/10/30-ciume/mulher-ideal-do-aiatola-jose-serra1/" rel="attachment wp-att-829"><img class="size-medium wp-image-829 alignright" title="mulher-ideal-do-aiatola-jose-serra[1]" src="http://vidaautentica.com.br/wp-content/uploads/2011/10/mulher-ideal-do-aiatola-jose-serra1-300x173.jpg" alt="" width="216" height="124" /></a>O péssimo animal sente muito ciúme; o bom animal procura aprender a amar. O primeiro enlouquece quando se vê obrigado a encarar a sua realidade: ele é nada. O sentimento ciúme nada mais é do que a sua resistência à inexorável realidade de sua impotência sobre o livre arbítrio do outro. O ciúme expresso é o forte impulso de controlar as atitudes do parceiro a fim de que mantenhamos os afrontamentos às nossas inseguranças em níveis minimamente aceitáveis. Alguns só se satisfazem com a sensação de total segurança; é quando o ciúme toma dimensões patológicas.</p>
<p style="text-align: justify;">A demonstração do ciúme só apimenta relacionamentos nos quais os envolvidos são inseguros. Quem reclama com o parceiro que ele não fica enciumado precisa de algum tipo de tratamento psicológico. Como? No fundo, todos sentimos falta de demonstrações de ciúme! Claro que sim. Somos todos doentes. A generalização da loucura fez com que interpretemos comportamentos doentes como normais. Em adultos psicologicamente maduros, nos bons animais que desejam se tornar cada vez mais evoluídos, o ciúme incomoda e é algo totalmente desnecessário, qualquer que seja a sua intensidade.</p>
<p style="text-align: justify;">Apesar de nos<a href="http://vidaautentica.com.br/2011/10/30-ciume/ciume-e-desconfianca/" rel="attachment wp-att-710"><img class="size-medium wp-image-710 alignright" title="Ciume-e-desconfiança" src="http://vidaautentica.com.br/wp-content/uploads/2011/10/Ciume-e-desconfian%C3%A7a-300x206.jpg" alt="" width="180" height="124" /></a> perdermos no ciúme, durante esporádicos surtos de bom senso, percebemos que ele nunca leva a lugar algum, nunca evita nada. No máximo, adia. O pior: com o tempo, devido ao desgaste que causa, muitas das vezes funciona como uma mola que impulsiona o parceiro para aquilo que mais se tentava evitar. Quer dizer, então, que devemos aceitar com a maior naturalidade que o nosso parceiro tenha aventuras sexuais com outros? Claro que não é tão simples assim. A religião parte do estúpido pressuposto de que a natureza do homem é má, de que mentira e lascívia fazem parte de sua essência e de que ela sempre tenderá para a atitude antiética. Assim, foi-nos imposta a necessidade de sacrifícios e abnegações que nos livrem dessa índole diabólica, além da crença incondicional nos representantes de Deus na Terra. Infelizmente, acreditamos e funcionou – para o Estado e para a Igreja. Poucos conseguem perceber que foram as religiões que ensinaram ao homem a mentir – inclusive aos clérigos. Obviamente, isso nunca foi explícito. Esse pensamento faz com que os casais encarem um ao outro como um oponente que, na primeira oportunidade, fará algo que os magoem, que os humilhem. Com isso, fantasmas passeiam pelos relacionamentos; vão e voltam, às vezes com razões e muitas das vezes sem motivo algum. Entendamos que, quando o ciúme é instaurado, não se raciocina através do amor, do afeto que pode estar sendo construído dentro da relação; todas as conclusões são tiradas através do egocentrismo e apenas enxergamos o parceiro como um adversário pronto para nos humilhar.</p>
<p style="text-align: justify;"><a href="http://vidaautentica.com.br/2011/10/30-ciume/poder-dos-diamantes/" rel="attachment wp-att-738"><img class="alignleft size-medium wp-image-738" title="poder-dos-diamantes" src="http://vidaautentica.com.br/wp-content/uploads/2011/10/poder-dos-diamantes-300x211.png" alt="" width="216" height="152" /></a>Precisamos desenvolver maturidade para admitir que os perseguidos modelinhos de namoros e casamentos, com seus focos nas reduções das inseguranças psíquicas acerca do futuro e nas superficialidades materiais e estéticas, jamais serão capazes de inibir totalmente as curiosidades sexuais despertadas pela própria Igreja, através dos seus criados tabus. Com o tempo, a maioria se rende a elas e uma minoria, com muita persistência, exorciza-as. Infelizmente, o sexo, que poderia e deveria ser isento de maiores atenções, passou a ser questão central, vital e objetivo de vida, nos pensamentos da maioria dos seres humanos. Ainda, se não fossem as proibições sagradas e a consequente castração da sexualidade humana, a pornografia, também, deixaria de fazer sentido.</p>
<p style="text-align: justify;">Vamos ao que eu<a href="http://vidaautentica.com.br/2011/10/30-ciume/traicao-e-morte/" rel="attachment wp-att-725"><img class="size-medium wp-image-725 alignright" title="traicao-e-morte" src="http://vidaautentica.com.br/wp-content/uploads/2011/10/traicao-e-morte-296x300.jpg" alt="" width="142" height="144" /></a> considero ponto chave na questão do ciúme, do pavor do fantasma da conhecida traição. Apesar da realidade da existência de generalizadas curiosidades sexuais, não creio serem elas o fator predominante que faz com que pessoas comprometidas em relacionamentos desejem variações de parceiros sexuais – acredito que as mulheres se encaixam mais ainda nessa afirmação. Para mim, a generalizada vaidade e a falta de amizade entre os casais, suas incapacidades para estabelecerem relações confiáveis e cúmplices, as tão comuns solidões a dois, etc, contribuem muito mais para o despertar de interesses sexuais extraconjugais. Apesar de saber existirem alguns poucos, particularmente, eu não conheço nenhum casal em que o cônjuge é, verdadeiramente, o melhor amigo; amigos em tudo, para qualquer tipo de conversa. Normal e obviamente, os casais são íntimos na nudez, mas, totalmente isolados e desconhecidos na intimidade psíquica. Resumindo, o normal é não existir amor e, pasmem, nem sequer amizade. “Todos temos e precisamos dos nossos mistérios, nossos pensamentos ocultos”. Trata-se de pensamento covarde, desleal. Tanto o é que ele só provoca sofrimentos; nada além deles.</p>
<p style="text-align: justify;"><a href="http://vidaautentica.com.br/2011/10/30-ciume/ideia/" rel="attachment wp-att-713"><img class="alignleft size-medium wp-image-713" title="ideia" src="http://vidaautentica.com.br/wp-content/uploads/2011/10/ideia-300x300.jpg" alt="" width="173" height="173" /></a>Vivemos no mundo da vaidade, do produto, dos bens, aparências, superficialidades, do ter. Pouquíssimos privilegiados vivem no mundo das ideias, da filosofia, do questionamento, da análise. Este último nos dá o discernimento para entender que um corpo não é nada sem uma ideia. O que seria ele com uma? O ser, a evolução, a criação e recriação de uma identidade, lembrar quem somos na essência, quem éramos. Ninguém ama um corpo, um piru, uma boceta, um beijo. Porém, sem dúvida, a vaidade, a falta de amor e a curiosidade os desejam – e muito. Algo de errado? Não. São escolhas. Seres livres escolhem e somente eles se tornam ideias; e estas é que são realmente amadas. No entanto, muitas das vezes, faz parte do processo evolutivo, eventualmente, viver algumas experiências do péssimo animal para se encontrar o caminho do bom humano. Ou seja, experimentar o que não se é para melhor definir o que é. Isso ocorre, de fato, e chama-se um tal de livre arbítrio. Em geral, o bom animal ignora a forte necessidade de um mero contato físico como pura gratificação vaidosa e erótica, como disse no artigo anterior.</p>
<p style="text-align: justify;">Não há saída: <a href="http://vidaautentica.com.br/2011/10/30-ciume/penhasco/" rel="attachment wp-att-730"><img class="size-medium wp-image-730 alignright" title="penhasco" src="http://vidaautentica.com.br/wp-content/uploads/2011/10/penhasco-300x226.jpg" alt="" width="162" height="122" /></a>temos que aprender a viver com a incerteza. Bem estar também significa ter consciência do que podemos controlar e, serenamente e em atitude de reverência à vida, aceitar a impotência sobre tudo em que não podemos interferir. A liberdade não precisa e não tem que ser solucionada. Isso é como interferir no curso de um rio, desmatar uma floresta, extinguir uma espécie; é interferir na natureza. A forma com que nos relacionamos é que precisa ser analisada e transformada. Isso exige coragem, ausência de medo do que não pode ser controlado. Aprendemos a querer ser o centro, puro ego. Mais brilhantes seremos à medida que reconhecermos nossa insignificância dentro de um Universo infinito e desconhecido. Queremos confiar na instituição casamento como se ela por si só bastasse, a despeito da inexistência do amor e da liberdade. Isso representa ignorar sermos humanos, sermos amor. No entanto, apesar do aspecto natureza da liberdade, aqui entra a razão humana, a ética. Só existe liberdade que magoa, que decepciona, quando não existe conversa franca, lealdade, a busca de um relacionamento cúmplice entre dois amigos.</p>
<p style="text-align: justify;"><a href="http://vidaautentica.com.br/2011/10/30-ciume/confianca-2/" rel="attachment wp-att-760"><img class="alignleft size-medium wp-image-760" title="confianca" src="http://vidaautentica.com.br/wp-content/uploads/2011/10/confianca1-300x277.jpg" alt="" width="180" height="166" /></a>O único compromisso coerente e humanamente factível de ser mutuamente assumido por um casal é com a verdade, com a lealdade que pode e deve ser pactuada, desde os primeiros contatos. Leais ao tipo de relacionamento conversado e estabelecido, jamais a liberdade será usada para magoar; ambas filosofias de vida serão conhecidas e cada um saberá o que o outro é capaz de fazer, como andam seus sentimentos, etc. Para isso, precisam, aos poucos, desnudarem-se cada vez mais, sem medos. Precisamos aprender a fazer do limão uma limonada. O limão é a faculdade de pensar e suas decorrentes incertezas; a limonada é a lealdade e a confiança no amor e não no pressuposto de que todo ser humano é safado e pervertido, pois isso é mentira imensa. Precisamos entender que a nossa maior busca é pelo amor verdadeiro, pleno, com confiança e parceria. A supervalorização do sexo não passa de uma droga, de uma vaidosa armadilha em que nos meteram. A sua busca desenfreada não é humana.</p>
<p style="text-align: justify;">O processo de autoconhecimento nos proporciona a capacidade de distinguir se o ciúme que estamos sentindo está sendo causado por uma postura desleal ou provocativa  do outro – às vezes, até não intencional ou por desleixo, que poderá nos causar humilhação no futuro, ou se é puro fruto da imaginação, da insegurança, do medo de se ver rejeitado e sozinho. Se for o primeiro caso e se ele é recorrente, fica claro que a relação foi estabelecida nas normais, medrosas e mentirosas bases culturais e que não existe intimidade e cumplicidade entre o casal.</p>
<p style="text-align: justify;"><a href="http://vidaautentica.com.br/2011/10/30-ciume/curiosidade-2/" rel="attachment wp-att-743"><img class="size-medium wp-image-743 alignright" title="curiosidade" src="http://vidaautentica.com.br/wp-content/uploads/2011/10/curiosidade1-300x283.jpg" alt="" width="157" height="147" /></a>Existe como evitar curiosidades e experimentos sexuais com outra pessoa, por parte do parceiro? Estamos cansados de saber que não. Mas, existe como se fazer um ser mais possível de ser amado, mais desejável, mais admirável. Consequentemente, outros despertarão menos ou nenhuma curiosidade no parceiro. Como? Seja uma identidade, uma ideia que quer amar, descubra-se, estude-se e nunca abra mão das verdades &#8211; suas e do outro. Elas unem os parceiros de uma forma maravilhosa. Busque o bom animal que existe em você. Como já dito, ele respeita a natureza e, inquestionavelmente, a liberdade faz parte dela. Quanto mais você se amar, tornar-se independente e com menos medo de ficar só, mais seguro se sentirá e mais admirado será. O amor provoca o amor; não precisamos esperar a iniciativa do outro. Comecemos nós.</p>
<p style="text-align: justify;">É narcisista e desumano demais querermos acorrentar o outro, tendo a nossa insegurança como foco, como o centro dos cuidados alheios. A liberdade deve ser o centro, sempre – contanto que seja leal! Se perceber que não possui estrutura para aceitar a assumida e honesta liberdade do outro, ao invés de privá-lo dela, tente ser um bom animal e desista; assuma suas limitações como ser humano, mas não aceite ser o normal canalha e péssimo animal. Jogue limpo. A verdade causa, no máximo, tristeza, em função de o plano não ter saído como gostaríamos; a deslealdade causa profunda mágoa. Tristeza e mágoa são sentimentos bem distintos. Dependendo das estruturas psíquicas dos que se decepcionam, eles requerem tempos de recuperações muito diferentes. O bom animal assume sua liberdade e pode deixar o parceiro triste; o péssimo machuca, decepciona e causa enorme cicatriz na alma.</p>
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		<title>29. Sexo e vaidade</title>
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		<pubDate>Mon, 17 Oct 2011 17:42:41 +0000</pubDate>
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		<description><![CDATA[Vaidade: “Mecanismo pelo qual exercemos sobre nós mesmos o desejo imoderado de atrair admiração. É a capacidade de supervalorizar a Persona, visando a alimentar as exigências do Ego. É sinônimo de frivolidade, superficialidade, tolice, futilidade e ilusão. A vaidade faz &#8230; <a class="more-link" href="http://vidaautentica.com.br/2011/10/29-sexo-e-vaidade/">Ler mais...</a>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;"><em><a href="http://vidaautentica.com.br/?attachment_id=577" rel="attachment wp-att-577"><img class="alignleft size-medium wp-image-577" title="41-riqueza0100409" src="http://vidaautentica.com.br/wp-content/uploads/2011/10/41-riqueza0100409-300x214.jpg" alt="" width="180" height="96" /></a>Vaidade: “Mecanismo pelo qual exercemos sobre nós mesmos o desejo imoderado de atrair admiração. É a capacidade de supervalorizar a Persona, visando a alimentar as exigências do Ego. É sinônimo de frivolidade, superficialidade, tolice, futilidade e ilusão. A vaidade faz com que cada um de nós crie para si um mundo próprio desgarrado da realidade&#8230;”</em> Artimanhas do Ego, José Diney Matos.</p>
<p style="text-align: justify;"><em>“A mim parece como inevitável, ao menos como posso pensar hoje em dia, que o relacionamento entre os sexos envolva disputa, jogo de poder. Se uma moça é muito atraente e são vários os rapazes que estão interessados nela, estará composta uma situação de disputa; aliás, trata-se de uma condição muito similar àquela que observamos em outros animais. Os rapazes tratarão de exibir suas prendas para a moça e aquele que for aceito por ela será o vencedor; é tudo mais sutil e delicado, mais camuflado, do que se passa com nossos parentes mamíferos, mas o fenômeno é o mesmo. O vencedor ganhará dois “troféus”: o acesso à moça desejada e também o direito de incensar sua vaidade se exibindo para os colegas como vencedor. [...] Nessas condições, a mulher é apenas uma presa, algo que pouco conta. Ela é o pretexto para a disputa entre os homens, condição na qual o alimento à vaidade passa a ser o objetivo a ser perseguido com maior veemência. A intimidade sexual propriamente dita passa a contar menos do que o sucesso diante do grupo social masculino, onde fica clara a supremacia dos prazeres eróticos da vaidade sobre os que derivam da troca de carícias. [...] Não creio que as coisas sejam muito distintas na subjetividade f</em><em><a href="http://vidaautentica.com.br/?attachment_id=584" rel="attachment wp-att-584"><img class="alignright size-full wp-image-584" title="espelho" src="http://vidaautentica.com.br/wp-content/uploads/2011/10/espelho.jpg" alt="" width="144" height="122" /></a></em><em>eminina durante os primeiros anos de vida adulta, apesar de que os componentes sentimentais costumam ser mais presentes, ao menos como “disfarce” para o jogo</em><em> erótico simples e direto. [...] A moça que for a escolhida pelo rapaz mais valorizado se sente vencedora e se envaidece; as outras ficam humilhadas, invejosas. O fato de ser a eleita e de poder desfilar socialmente como tal corresponde a um prazer erótico maior do que as coisas que vão ocorrer na intimidade. E isto é vaidade; outra vez  a vaidade, coisa prazerosa ligada às aparências, à superfície, predomina sobre o que deveria ser essencial.”</em> Vícios dos Vícios – Um estudo sobre a vaidade humana, Flavio Gikovate.</p>
<p style="text-align: justify;">Considero a tentativa de explicação da vaidade como forte componente dos nossos desejos e realizações eróticas um dos assuntos mais delicados dos quais já tratei, já que o discernimento entre vontade ou necessidade reais e o impulso vaidoso exige uma prévia dedicação ao autoconhecimento visando ao descolamento entre o que o comportamento comum nos induz e nossas próprias vontades. O embaraço que atribuo à abordagem de tal tema deve-se, também, ao fato de que não quero parecer vaidoso ou arrogante, levando-os a supor que me considero um mestre da humildade ao criticar a vaidade. Absolutamente e longe disso. O caminho que vejo à minha frente se perde no horizonte. Mas, se fôssemos esperar a mestria para compartilhar filosofias e pensamentos, será que haveria algum livro escrito no planeta, tratando desses assuntos?</p>
<p style="text-align: justify;">Como vem acontecendo, trata-se de mais uma reflexão cujo conteúdo diverge de algumas verdades nas quais eu acreditava e que já havia defendido aqui no <em>blog</em>.</p>
<p style="text-align: justify;"><a href="http://vidaautentica.com.br/?attachment_id=627" rel="attachment wp-att-627"><img class="alignleft size-medium wp-image-627" title="funny-kangaroo-sex" src="http://vidaautentica.com.br/wp-content/uploads/2011/10/funny-kangaroo-sex-300x200.jpg" alt="" width="162" height="108" /></a>O sexo pelo simples prazer do ato, do gozo, é uma necessidade fisiológica, como se costuma defender? Apesar das mudanças comportamentais em curso e entre os gêneros, essa tese é, ainda, amplamente mais defendida pelos e difundida entre os homens, quando, interessantemente, estes atribuem a apenas a si mesmos o privilégio ou peculiaridade biológica de portadores dessa fatalidade inevitável. Assim sendo, os homens tornaram-se especialistas nas técnicas da sedução e conquista; porém, continuam perdidos quanto às questões de intimidade e cumplicidade. Sem dúvida e infelizmente, as fêmeas das novas gerações estão começando a se apoderar dessa ideia.</p>
<p style="text-align: justify;">Atualmente, eu discordo dessa afirmação – apesar de tê-la feita inúmeras vezes, ao longo de minha vida <a href="http://vidaautentica.com.br/?attachment_id=643" rel="attachment wp-att-643"><img class="alignright size-full wp-image-643" title="homeemulher" src="http://vidaautentica.com.br/wp-content/uploads/2011/10/homeemulher2.jpg" alt="" width="79" height="83" /></a>adulta e há até pouco tempo. Como mudei de opinião? Através de uma maior integração com e observação do meu Eu, do meu interior, de minha alma, intuição, essência, <em>self</em>, etc &#8211; ou seja lá o nome que quisermos dar, e de um esforço para separar essa entidade abstrata que me habita da cultura em que estou inserido. O importante, para mim, é que, ao tentar sentir minhas necessidades legítimas, eu não tenho percebido ser o sexo um incontestável impulso fisiológico existente em nós, mamíferos racionais.</p>
<p style="text-align: justify;">Cursos, dicas e segredos de sedução. Digite no Google &#8220;curso de sedução&#8221; e veja quantas ofertas mágicas de <a title="7. O ser sedutor x o ser romântico" href="http://vidaautentica.com.br/?p=90">como se tornar sedutor ou sedutora</a>, um ser desejado. As pessoas pagam mesmo por isso. Eu parei na décima quinta página do mecanismo de busca e os engodos <em>on line</em> não terminaram. Concluído o curso e decoradas as dicas, vem a frustração, pois não funcionam. Depois, vem a baixa autoestima, pois, quando ocorre algum êxito, além de não ocorrer mais do que um sexo descartável, muitos percebem que não foram realmente desejados; apenas foi aplicada a &#8220;lei do Alberto&#8221;: transa-se com quem está mais perto.</p>
<p style="text-align: justify;"><a href="http://vidaautentica.com.br/?attachment_id=601" rel="attachment wp-att-601"><img class="alignleft size-medium wp-image-601" title="liberdade-passaro" src="http://vidaautentica.com.br/wp-content/uploads/2011/10/liberdade-passaro-224x300.jpg" alt="" width="108" height="144" /></a>Antes de prosseguir, gostaria de deixar claro, mais uma vez, que não intento julgar comportamentos ou qualquer escolha erótica como certa ou errada, independentemente da forma ou da frequência. As escolhas podem nos levar a algum plano espiritual ou comportamental melhor do que o atual ou não, mas isso é questão estritamente pessoal. Contanto que não nos esqueçamos de que os nossos direitos terminam quando começam os dos outros – e isso não é nada simples de praticar, livre arbítrio é como salário de solteiro: o que fazer com ele é da conta de cada um, sem necessidade de prestação de contas a quem quer que seja. Ainda, baseado no que tenho aprendido e aplicado em minha vida, atualmente, penso que eu tenho o dever ético de esclarecer e o parceiro tem todo o direito de saber como penso, o que é possível que eu faça e o que estou disposto a fazer; ou seja, qual é a minha verdadeira filosofia de relacionamento e de liberdade. Então, ele tem o livre arbítrio de escolher se concorda ou se desiste. Caso não exista essa transparência, está configurada a covardia. Infelizmente, esta impera, praticamente em sua totalidade, nas relações a dois.</p>
<p style="text-align: justify;">Minha intenção é colocar em pauta a necessidade de se avaliar se realmente aquilo que estamos escolhendo fazer é uma vontade real nossa ou se “outros” optaram por nós e por eles nos deixamos ser induzidos. Apesar disso, equivocada e ingenuamente, tomamos aquele desejo como nosso. Por que é tão importante esse discernimento? Para evitarmos a frustração – em muitos casos, a profunda tristeza ou a depressão psíquica – e a sensação de vazio, de tempo perdido. A cultura nos diz que toca a felicidade quem compra um novo carro, tem uma bela casa própria, mora em um belo bairro, consegue juntar dinheiro e bens para garantir uma confortável aposentadoria, realiza sonhos de aquisições materiais, faz sexo com frequência, tem muitos “amigos”, etc. No entanto, sempre que conseguimos algo nesse sentido, queremos mais e mais. Por quê? Simplesmente porque tudo isso é mentira e vaidade. Consequentemente, a felicidade nunca é experienciada. No máximo, conhece-se uma satisfação fugaz que logo depois é esquecida; o novo fica velho e já não nos causa encanto algum. Isso vale para homem, mulher, carro, celular, roupa, viagem, etc. Precisamos saber decifrar o que realmente nossa existência nos pede e, sem dúvida alguma, essa conclusão permeia questões e respostas metafísicas e espirituais que, surpreendentemente, encontram-se dentro de nós mesmos. Enquanto deixarmos que outros escolham por nós, seremos eternamente visitados pelos sentimentos de insegurança, frustração e de insaciabilidade. No caso do nosso tema, muitas das vezes, o sexo de ontem já é velho e entediante.</p>
<p style="text-align: justify;">Essa avaliação pode ser aplicada a diversos assuntos que vão muito além do campo sexual. Defendo totalmente a liberdade, mas creio ser tão importante quanto ela a consciência, o difícil entendimento do porquê estou optando por aquilo, de quem está, de fato, ansiando aquele objeto. Eu ou os meus amigos, a mídia, a sociedade, etc? Não tenho dúvida de que, quando o assunto é sexo, na maioria das vezes, o desejo de praticá-lo não é nosso. O que nos dá a condição de libertos não é o simples fato de podermos escolher o que fazer com nosso corpo ou dinheiro. Nossa alforria passa a ser uma realidade quando passamos a agir de acordo com nossas necessidades interiores, como ser humano pensante e crítico, e não visando ao atendimento de expectativas sociais.</p>
<p style="text-align: justify;">Por várias ra<a href="http://vidaautentica.com.br/?attachment_id=598" rel="attachment wp-att-598"><img class="size-full wp-image-598 alignleft" title="2403_suruba_cortada" src="../wp-content/uploads/2011/10/2403_suruba_cortada.jpg" alt="" width="149" height="126" /></a>zões que incluem experiências alheias por mim observadas, além das minhas próprias, sou levado a acreditar que a vaidade é o principal componente decisório da prática do sexo casual e sem envolvimento. Ela é um dos subprodutos do medo, que é o oposto do amor. Um parêntese: Diferentemente do que costuma ser dito, o ódio é apenas mais um subproduto do medo humano, e não o sentimento oposto ao amor. Se a vaidade é decorrente de um medo maior, que é o oposto do amor, então, quanto menos se conhece o amor, mais vaidosos precisamos ser, mais inveja precisamos despertar para acobertar as inseguranças e dores que não aceitamos admitir, encarar e deixar que sejam percebidas. No entanto, o veredito final é, inevitavelmente, dado pela realidade e não pelas ideias que defendemos. De nada adianta insistirmos em pensar e afirmar que somos livres se, de fato, não o somos. A prova disso são os sentimentos de tristeza e vazio repetidos que se sente após os sexos casuais. No dia seguinte, como uma droga e apesar da ressaca afetiva – pois, no fundo, afeto era o que nossa alma desejava &#8211; estamos prontos para outra tentativa de nos sentirmos importantes e desejados. Forma-se, dessa forma, um círculo de comportamentos conformistas e viciosos.</p>
<p style="text-align: justify;">“Quem disse que quero amar? Eu quero sexo!” Mentira. Queremos nos relacionar com autenticidade, ser mais do que ter, ser livres e amados pelo que aprendemos com as práticas das nossas liberdades, evoluir com um parceiro, confiar, sentir paz interior, etc. Qualquer prática que vá de encontro a essa realidade nos trará dor, pois contraria nossa essência. Como não temos coragem de ser o que somos e por encontrarmos poucos &#8211; ou ninguém &#8211; querendo saber, de fato, quem somos, aceitamos fingir querer o que não queremos, tornamo-nos um produto e passamos a enxergar nossas presas da mesma forma: uma mercadoria de consumo com a qual trepamos por ser e até ser uma novidade. Puro gozo e satisfação material por, naquele momento, sermos únicos e, de alguma forma, importantes. Isso é vaidade. Quase nunca há algum tipo de troca que valha a pena. Quanto mais dominarmos e vermos o outro subjugado, melhor. Se rastejar, melhor ainda. Na maiorias das vezes, entra em cena o comum, mas, às vezes sutil, ingrediente chamado violência, como defende Gikovate &#8211; mesmo que esta não passe do plano mental.</p>
<p style="text-align: justify;">Dizem qu<a href="http://vidaautentica.com.br/?attachment_id=607" rel="attachment wp-att-607"><img class="size-thumbnail wp-image-607 alignleft" title="casal-triste-na-cama-300x151" src="http://vidaautentica.com.br/wp-content/uploads/2011/10/casal-triste-na-cama-300x1511-200x151.jpg" alt="" width="160" height="120" /></a>e nossas faculdades mentais nos diferenciam deles e é o que nos torna superiores aos demais mamíferos ditos irracionais. Naturalmente, eles não possuem pudor algum em relação ao sexo. Fazem-no à frente de todos e em qualquer lugar. Para tal, basta que seus instintos naturais lhes digam que é o momento. No entanto, não vemos os cachorros pelas ruas da cidade fazendo sexo o tempo todo. Na verdade, poucas vezes presenciamos isso, apesar de sempre os observarmos juntos, brincando e dormindo pelas calçadas. No nosso caso, muitos humanos passam quase vinte e quatro horas por dia pensando em sexo. Executam atividades que, nos bastidores, são movidas por objetivos vaidosos e eróticos, que são o de chamar a atenção e de se sentirem diferenciados alvos sexuais. Transamos com quem não apreciamos – muitas das vezes até com algum tipo de repulsa – e, triste constatação, até mesmo dentro dos casamentos, com o pai dos nossos filhos ou a mãe deles. Os mais sensíveis ficam tristes e assumem seus vazios. Os mais idiotas, como já fui e estou deixando, nesse sentido, de ser, orgulhosamente, colecionam troféus e preenchem seus vazios com a satisfação das conquistas. Quem é irracional?</p>
<p style="text-align: justify;">Somos compelidos a buscar o sexo variado e tornou-se, há muito, careta, ter apenas um parceiro sexual por muito tempo. Os comentários ouvidos são do tipo “você está perdendo tempo, deixando de viver”. Estou, felizmente e ainda a tempo de fazê-lo com alguma energia, descobrindo que retrógrado é não ter coragem de aprender a amar, a sentir prazer de e me contemplar preenchido ao oferecer à minha existência algumas práticas que rotulamos como monótonas, a me perceber saciado com coisas que parecem simples. O combate à vaidade começa com a percepção da simplicidade da vida, dos relacionamentos, da natureza, que é bela simplesmente porque existe e pelo que é e não porque necessita de elogios; inicia-se com o entendimento essencialmente humano de que ninguém quer, de fato, o que nós temos e o que ostentamos &#8211; mesmo que pensem que isso é importante e fundamental. Nossos cernes querem amor e respeito. Fazendo isso, de repente começamos a ver como somos literalmente consumidos e consumimos produtos desnecessários e impulsionados pela cultura. Dentre eles, o sexo pela simples gratificação da vaidade.</p>
<p style="text-align: justify;"><a href="http://vidaautentica.com.br/?attachment_id=620" rel="attachment wp-att-620"><img class="alignleft size-medium wp-image-620" title="diabo_capeta_mandando_cotoco" src="http://vidaautentica.com.br/wp-content/uploads/2011/10/diabo_capeta_mandando_cotoco-231x300.jpg" alt="" width="89" height="115" /></a>Entendo e respeito as curiosidades sexuais ou qualquer espécie de escolha que envolva qualquer tema erótico. O pecado foi inventado para que mais fácil sejamos manipulados, para que tenhamos medo da liberdade e atinge em cheio uma massa ignorante, fraca e dominada pelo medo. Somos livres. No entanto, como já dito, defendo a necessidade da análise consciente do impulso que nos leva a agir, a fim de que fique claro qual o objetivo e quem tem a situação sob controle. Dessa forma, poderemos tirar conclusões realistas e sem ilusões. Do contrário, cairemos em armadilhas psíquicas que só nos trarão confusões e tristezas que precisarão ser anestesiadas com novas falsas alegrias ou, como muito ocorre, principalmente com as mulheres, com forçosos períodos celibatários &#8211; muito mais por indignação e revolta com os resultados do que pela simples constatação da necessidade da reflexão produtiva e eficaz.</p>
<p style="text-align: justify;">A mulher se arruma para sair e olha-se no espelho: cabelos lindos, pele sedosa, corpo na moda, roupas caras; sabe que vai causar admiração e pensa: &#8220;Eu me amo; minha autoestima é elevadíssima&#8221;. Puro engano. Enorme é a sua vaidade, necessidade de chamar a atenção. Sua autoestima e noção de quem é, como ser humano, são sofríveis. Quer novidades, aventuras e sentir orgulho de si mesmo, sem necessitar compulsivamente se perceber sexual e<a href="http://vidaautentica.com.br/?attachment_id=654" rel="attachment wp-att-654"><img class="alignright size-medium wp-image-654" title="Lealdade" src="http://vidaautentica.com.br/wp-content/uploads/2011/10/Lealdade-300x235.jpg" alt="" width="170" height="134" /></a> multiplamente desejado? Tenha coragem de verdadeiramente conhecer o seu parceiro – ou o seu próximo parceiro &#8211; e de se deixar ser conhecido, sem pudores e medos. A dois fica bem mais fácil o autoconhecimento, pois lidamos com sentimentos inexistentes nas outras relações humanas. A autodescoberta e os conhecimentos mútuos causam transformações cúmplices maravilhosas e, de repente, vemo-nos transando com e amando &#8220;pessoas diferentes&#8221; e cada vez mais excitantes e belas, além de percebermos tipos de afeto e confiança sendo formados de um jeito mágico e surpreendente jamais sentido por ambos. A assunção a dois de que nada sabem e que muito têm a aprender provoca, em vários momentos, olhares cruzados ternos, curiosos e agradecidos pelo que um tem proporcionado de evolução ao outro. Essa experiência, de monótona nada tem.</p>
<p style="text-align: justify;"><a href="http://vidaautentica.com.br/?attachment_id=613" rel="attachment wp-att-613"><img class="alignleft size-medium wp-image-613" title="mascara" src="http://vidaautentica.com.br/wp-content/uploads/2011/10/mascara1-300x198.jpg" alt="" width="170" height="110" /></a>Mais uma vez, a verdade. Acho que essa palavra mágica, merecidamente, existe em todos os meus artigos. Ela tem me proporcionado discernimento para sentir que o superfaturado produto sexo precisa ser colocado em seu devido lugar. Obviamente, não que ele não tenha valor; mas da forma que o tratamos, a única coisa pela qual se demonstra apreço é a nossa vaidade. A partir do momento em que percebemos que ele jamais pode ser considerado mais importante do que o ser humano com quem dividimos muitos dos nossos momentos ou até mesmo apenas alguns deles, começamos a notar que ele é um divino brinde em forma de sensações transcendentais, um maravilhoso presente que nos é dado em reconhecimento à simples atitude de respeitar e querer conhecer com quem estamos, de nos sentirmos curiosos pela existência humana, simples e linda como ela é. Então, concluímos que uma importante etapa precisa ser cumprida para que o sexo seja o que ele realmente pode ser. Daí, naturalmente, ele deixa de ser um objetivo em si e de se resumir em falsas carícias e desejos visando a mais uma cópula conquistada e a um gozo sem graça.</p>
<p style="text-align: justify;"><em>“&#8230; o desejo sexual será tanto menor quanto mais o indivíduo estiver bem consigo mesmo e, principalmente, feliz no amor. A recíproca também é verdadeira: estará tanto mais obcecado pelo sexo o indivíduo que estiver mais frustrado e insatisfeito consigo mesmo e com sua vida sentimental. [...] Não deixa de ser muito engraçado que um grande número de pessoas veja na liberação sexual atual um indício revolucionário e positivo, quando ela só é a medida do desespero psicológico e existencial ao qual já chegaram aqueles que resolveram as questões básicas da sobrevivência material”</em>. O Homem, a Mulher e o Casamento, Flávio Gikovate.</p>
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		<title>28. Uma releitura do poliamor</title>
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		<pubDate>Mon, 03 Oct 2011 21:55:33 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Administrador</dc:creator>
				<category><![CDATA[Amor]]></category>
		<category><![CDATA[Individualidade]]></category>
		<category><![CDATA[Sexualidade/Sexo]]></category>
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		<description><![CDATA[É possível amar duas ou mais pessoas ao mesmo tempo? Muitos se fazem essa pergunta ou a discutem com amigos íntimos. Por questões culturais óbvias, esse assunto encontra-se fora da pauta da maioria dos casais. Escrevi sobre esse tema há &#8230; <a class="more-link" href="http://vidaautentica.com.br/2011/10/28-uma-releitura-do-poliamor/">Ler mais...</a>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;"><a href="http://vidaautentica.com.br/?attachment_id=488" rel="attachment wp-att-488"><img class="alignleft size-medium wp-image-488" title="poliamor-1" src="http://vidaautentica.com.br/wp-content/uploads/2011/10/poliamor-1-300x300.jpg" alt="" width="150" height="150" /></a>É possível amar duas ou mais pessoas ao mesmo tempo? Muitos se fazem essa pergunta ou a discutem com amigos íntimos. Por questões culturais óbvias, esse assunto encontra-se fora da pauta da maioria dos casais.</p>
<p style="text-align: justify;">Escrevi sobre esse tema há quase dois anos, no artigo <a title="13. Poliamor" href="http://vidaautentica.com.br/?p=114">13. Poliamor</a>. Hoje possuo considerações razoavelmente diferentes das que explanei, naquela época. Se minha forma de compreender o amor está se transformando, torna-se compreensível a mudança, também, do modo como o enxergo, diante da possibilidade de ter mais de um objeto.</p>
<p style="text-align: justify;">No campo subjetivo e dos sentimentos, em função dos valores culturais nos quais nos fizeram acreditar, penso ser a capacidade de amar um parceiro a meta mais árdua a ser alcançada por um ser humano. Tal fato se explica pela tendência narcisista, reforçada pela cultura, que nos faz tropeçar em um pacote formado pelo medo do futuro, posse, egoísmo, vaidade, etc. Então, encontrá-lo e se manter no caminho do conhecimento do amor depende da ousadia e coragem de não se permitir perceber, pensar, sentir e agir em consonância com as ideias disseminadas pela sociedade. Para os mais esclarecidos, existem interpretações um pouco distintas a respeito do amor, assim como há divergências nas defesas e ataques a algumas práticas que o representem ou não. Comumente, nossas restrições psico-emocionais balizam nossas retóricas. Até existe um consenso a respeito do amor romântico, quando assistimos ou lemos e tentamos trazer para o mundo real as ideias e os sonhos de novelas, filmes e livros ficcionais. No entanto, como estou cansado de saber que eles só funcionam nas telas e páginas, a massificação desse comportamento e suas frustradas tentativas não serão objetos de abordagem neste artigo, pois já o foram antes.</p>
<p style="text-align: justify;">Quando conseguimos fugir dos comportamentos comuns e nos tomamos de coragem  para transpor os <a href="http://vidaautentica.com.br/?attachment_id=495" rel="attachment wp-att-495"><img class="alignright size-thumbnail wp-image-495" title="poliamor-2" src="http://vidaautentica.com.br/wp-content/uploads/2011/10/poliamor-2-200x186.jpg" alt="" width="144" height="135" /></a> engessados modelos, as críticas são certas e amplamente esperadas. O ser humano adora julgar. Em função da vaidade, vivemos em uma cultura em que o não estar certo ou não ter uma opinião formada é vergonhoso e, consequentemente, temos dificuldade de aceitar em nós mesmos o que deveria ser uma normal ignorância acerca de um assunto que nunca foi vivenciado. Acabamos tendo respostas prontas para coisas estranhas às nossas realidades e soltamos as bombas. Baseados em que? Em nada. As pessoas precisam entender que a humildade ao se dizer &#8220;não sei&#8221; ou &#8220;não tenho opinião formada&#8221; é charmosa e admirável.</p>
<p style="text-align: justify;">De uma forma bem simplista, baseamos nossas escolhas nas nossas capacidades de processar e concluir as informações colhidas em nossas experiências passadas. Estas, por sua vez, também dependeram de decisões pregressas – compreensivelmente e, na maioria dos casos, exceto na infância e no início da adolescência, quando somos quase totalmente cerceados de decisões. Logo após essa fase, passamos a decidir e temos o livre arbítrio para mudar quadros provocados por orientações e educações equivocadas. Mais uma vez, somos resultados de nossas escolhas.</p>
<p style="text-align: justify;">Se o modo de vida que uma pessoa tem hoje é <a title="26. A razão e suas escolhas" href="http://vidaautentica.com.br/?p=1">fruto de suas escolhas</a> e experiências passadas, como pode alguém ser considerado um homem ou uma mulher maduros? Quem viveu todas as experiências possíveis? Nem Jesus, Buda, Maomé, Krishna, etc. Creio que não apenas não vivemos todas &#8211; tanto pelo pouco tempo que vivemos como por limitações impostas por nós mesmos, como vivemos quase nenhuma, diante da gama de possibilidades. Dá-me uma triste vontade de rir quando ouço alguém dizer que já fez de tudo nessa vida. É arrogância demais. Nesse sentido, acredito que todos temos inúmeras crianças dentro de nós e alguns poucos adultos com maturidades distintas; cada uma delas e cada um deles desenvolvem-se em determinadas áreas de conhecimento, de acordo com o que cada pessoa se predispõe a viver, refletir e concluir. Ou seja, o mais sensato é sermos humildes e aceitarmos a realidade da predominância da imaturidade em todos nós, além de respeitar as escolhas de cada um. Em minha análise, na passagem bíblica abaixo, atribuída a Jesus, ela faz referência à arrogância e a humildade sobre o conhecimento.</p>
<p style="text-align: justify;"><em>“Deixai vir a mim as criancinhas e não as impeçais, porque o Reino de Deus é daqueles que se parecem com elas. Em verdade vos declaro: quem não receber o Reino de Deus como uma criancinha, nele não entrará.&#8221; (Lucas 18,15-17)</em></p>
<p style="text-align: justify;">Voltando ao tema, é possível amar duas ou mais pessoas ao mesmo tempo? Em minha opinião, afirmo ser, no mínimo, muito difícil. Por outro lado, não apenas é possível, como é uma realidade para muitas pessoas o relacionamento aberto, a troca de casais, ménage, alguma forma de burlar a lei e viver a poligamia, etc. Porém, dentro de minhas limitações e considerando a semântica da palavra, acho improvável a vivência de um real poliamor. Sexo com algum tipo de desejo e afeição é algo muito distante de amor. Porém, improvável não é impossível. Faço questão de querer evitar a arrogância de rotular o difícil e trabalhoso como impossível, baseado em falta de experiência, conhecimento e/ou limitações próprias.</p>
<p style="text-align: justify;">Se insistem em chamar de amor <a title="21. É pouco mas é seguro – o casamento e o emprego público" href="http://vidaautentica.com.br/?p=148">o sentimento existente entre a maioria dos casais</a> &#8211; o que defendo que não é, então aceito a possibilidade do poliamor. Mas, dentro do meu conceito de amor &#8211; e de alguns outros pensadores, é bem difícil estabelecer duas simultâneas relações de amor. Esse assunto, provavelmente, vai gerar um outro artigo em que conversaremos sobre sexo e vaidade.</p>
<p style="text-align: justify;">A construção de uma relação autêntica e terna é baseada no cuidado, na cumplicidade, no desejo real de conhecimentos mútuos visando ao acompanhamento e à participação no crescimento do outro. Jamais o objetivo é prender um ao outro, apesar de existir o desejo real da continuidade do relacionamento. Existe algo que parece mágico no amor verdadeiro, que é a sensação de fusão, de simbiose entre o par, sem, no entanto, que nenhum dos dois perca sua individualidade. Nesse tipo de relação, quando ocorrem divergências a respeito de algum comportamento do parceiro, o ofendido busca, através da reflexão, o discernimento de tentar entender se a sua exigência é realmente justa ou não; ele esforça-se para desviar a solução do problema de sua angústia narcisista e tenta concentrá-la no coerente respeito à individualidade. Ao mesmo tempo que o amor envolve os parceiros em uma espécie de bolha simbiótica, cria neles a consciência do individualismo ético &#8211; que nada tem a ver com egoísmo.</p>
<p style="text-align: justify;">Soa-lhe como romântica e normal essa relação? Mas não é. Ela realmente é possível mas nada tem a ver com romantismo. Carinho, afeto, ternura, companheirismo e confiança são ingredientes possíveis em uma relação a dois, no entanto, difíceis de serem conseguidos. Para os que refletem e estudam o assunto relacionamentos, o romantismo é um truque, uma fantasia. Por quê? Em uma sociedade que prega a força e a praticidade, impera o medo nos relacionamentos: medo de parecer frágil, de se decepcionar, de sentir dor, de ousar, de confiar, de falar e ouvir verdades, do amanhã, enfim, medo de ser muito feliz, pois, diante de uma ruptura, o tombo será muito maior. Sem dúvida alguma, o macho de nossa espécie é o maior medroso, exatamente pela obrigação social de ser o forte e prático predador que não sofre. Então, para nos enganarmos e encontrarmos algum conforto, banalizamos e usamos sem critérios as palavras amor, carinho, afeto, ternura, confiança, etc, quando, na verdade, elas só são aplicadas e demonstradas nas relações devido aos interesses próprios e de uma forma bem superficial e pontual, quando qualquer detector de mentiras analógico poderia fazer o trabalho de desmascarar o agrado.</p>
<p style="text-align: justify;">A linguagem falada e a capacidade de pensar &#8211; dois maravilhosos privilégios dos seres humanos &#8211; são, ao mesmo tempo, duas perigosíssimas armadilhas. Se não falássemos, não tenho dúvida de que haveria muito mais comunicação e sinceridade entre os casais, pois a capacidade de sentir e a intuição seriam mais aguçadas &#8211; e esta  última raramente se engana. A fala jamais conseguirá expressar um sentimento e suas possibilidades &#8211; seja ele bom ou ruim. Pelo contrário, só faz limitá-lo no batente em que conseguimos compreendê-lo.</p>
<p style="text-align: justify;">Abrindo um parêntese e aproveitando nossa capacidade de nos comunicarmos através da fala, incito-os a, logo no início de um relacionamento, sentarem juntos e fazerem um glossário próprio e customizado do casal, quando discutirão e definirão os significados de palavras como: amor, amizade, egoísmo, individualidade, cumplicidade, liberdade, carinho, cuidado, fidelidade, infidelidade, lealdade, etc. A negação dessa conversa franca e o desacordo sobre esses significados tem levado as relações para a lama e semeado mágoa e ódio entre os casais, mesmo durante o casamento. Na maioria dos casos, juntam-se e procriam sem terem uma visão clara do que esperar do outro, pois não tornaram transparentes suas formas de enxergar os assuntos mais complexos e polêmicos da vida a dois. Os que se saem melhor, no máximo, toleram-se bem.</p>
<p style="text-align: justify;">Como disse o psicanalista Erich Fromm, amar é uma arte. Como no estudo de um instrumento musical, desenvolver esse sentimento exige determinação, tempo e autocrítica para que possamos começar a arrancar dele, pelo menos, algumas notas e acordes harmônicos e agradáveis aos ouvidos. Quando jovens, as pessoas dizem que vão amar e que viver o amor é questão de tempo. Imenso e frustrante equívoco. Com o passar dos anos, a maioria desiste e, tristemente, arquiva esse assunto. Da mesma forma, vemos muitos violões encostados, pendurados e empoeirados em muitas casas. Seus donos os compraram e acharam que em três meses estariam tocando bossa nova. Desistiram. Muitos casais gostariam de ver esposas e maridos pendurados ao lado dos violões, inertes e mudos do mesmo jeito. Acho que, por questões morais, até tirariam a poeira de vez em quando.</p>
<p style="text-align: justify;">Assim como um músico consciente, mesmo muito experiente, jamais diz que conhece todas as possibilidades de sons que consegue tirar do seu instrumento, um aprendiz do amor, como todos nós somos, deve pensar muito antes de afirmar que sabe o que é amar. Amar é uma arte. O aprendizado de uma arte não termina nunca; quem é apaixonado por uma, morre estudando-a. Estou me apaixonando pelo estudo do amor e pelo que ele tem me proporcionado.</p>
<p style="text-align: justify;">Apesar da similaridade, existe uma característica que difere essas duas artes. Dependendo da habilidade de cada um, existe a possibilidade de se estudar um instrumento com pouca ajuda ou mesmo sozinho. Sobre o relacionamento amoroso, o mesmo não se aplica. Com raríssimas exceções, só se aprende a amar tendo um parceiro como objeto, pois precisamos dele para aprender a desenvolver o respeito à individualidade, extirpar o sentimento de posse, egoísmo, e para muitos outros exercícios que só são aprendidos dentro de uma relação. Digo isso porque um cresce através do outro; um se desenvolve e evolui através do carinho, paciência e estímulo do outro.</p>
<p style="text-align: justify;">Por isso, creio ser bem difícil viver o poliamor – dois amores de verdade. Acho que com apenas um, se bem conduzido, já podemos ter dever de casa – conquistas, surpresas e alegrias &#8211; por muito tempo, por anos e, quem sabe, para sempre? Isso é o menos importante. O essencial é tocar e evoluir, hoje, agora. Acredito que o amor e a busca do centro do outro pode nos apresentar uma infinita possibilidade de novos sons no parceiro.</p>
<p style="text-align: justify;">Apesar de esse processo de aprender a amar ser difícil – e até doloroso, celebra-se deliciosamente cada conquista de um novo acorde bem executado. Porém, de fato, ele dá trabalho. Durante a caminhada, temos que destruir quase tudo que nos ensinaram e tivemos como exemplo e reconstruir nossas próprias convicções; temos que ser determinados para prosseguir sem referências por perto, além de não podermos nos importar quando nos acharem um casal “estranho”.</p>
<p style="text-align: justify;">Aos verdadeiramente interessados em aprender essa arte, digo que a dedicação a ela necessária e os prazeres advindos das novas descobertas nos embriagam e consomem a ponto de nos distrair das possibilidades e vontades de outros envolvimentos. Acaba não sobrando espaço para mais uma pessoa. Pode-se dizer, também, que, no mínimo, dá preguiça, diante de uma antecipada conclusão de que, devido ao que se está vivendo, não valerá a pena. Sou um grande artista dessa arte? De forma alguma. Sou imaturo e vou morrer a estudando e aprendendo.</p>
<p style="text-align: justify;">Posso estar enganado e me limitando, mas, até o momento, foram a essas conclusões que minhas experiências conseguiram me levar.</p>
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		<title>27. O vício do entretenimento</title>
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		<pubDate>Tue, 20 Sep 2011 22:21:00 +0000</pubDate>
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		<description><![CDATA[Antes de ler o artigo, assista a esse pequeno trecho de filme que fala sobre a televisão, extraído do polêmico &#8211; afinal, toda verdade é polêmica &#8211; e muito interessante documentário Zeitgeist. Somos viciados em entretenimentos. Vou tentar explicar o &#8230; <a class="more-link" href="http://vidaautentica.com.br/2011/09/27-o-vicio-do-entretenimento-2/">Ler mais...</a>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: left; padding-left: 90px;"><iframe src="http://www.youtube.com/embed/TYaKANNhbn8" frameborder="0" width="546" height="410"></iframe></p>
<p style="text-align: left;">Antes de ler o artigo, assista a esse pequeno trecho de filme que fala sobre a televisão, extraído do polêmico &#8211; afinal, toda verdade é polêmica &#8211; e muito interessante documentário Zeitgeist.</p>
<p style="text-align: justify;">Somos viciados em entretenimentos. Vou tentar explicar o porquê desse prejudicial hábito considerado inofensivo e até mesmo salutar, assim como o meu conceito de entretenimento.</p>
<p style="text-align: justify;">Quais as maiores aflições do ser humano? Ao longo da história, a começar pelos registros dos grandes filósofos gregos, vários pensadores trataram e tratam dessas questões metafísicas. Ao longo dos artigos, tenho feito referências, principalmente, aos mais contemporâneos. Em minha opinião, as angústias existenciais do homem têm principal foco no futuro; em seguida, no presente.</p>
<p style="text-align: justify;"><a href="http://vidaautentica.com.br/?attachment_id=420" rel="attachment wp-att-420"><img class="alignleft size-full wp-image-420" title="bêbado" src="http://vidaautentica.com.br/wp-content/uploads/2011/09/b%C3%AAbado.jpeg" alt="" width="92" height="92" /></a>Acerca do futuro, a grande dificuldade é aprendermos a lidar com a inexorável impotência para exercer algum controle sobre ele. Não sabemos o quanto iremos viver, nem temos poder para antever o que nos acontecerá enquanto aqui estivermos. Consequentemente, é gerada uma imensa insegurança que se tenta combater através de falsas garantias. Pautamos nossos comportamentos e escolhas em frágeis verdades – quase sempre geradas pelo senso comum e poucas vezes pelo indivíduo crítico e pensante &#8211; que nunca se comprovam. Ignoramos totalmente a realidade dos fatos. Assim mesmo, a maioria não consegue mudar a postura diante da vida.</p>
<p style="text-align: justify;">O presente angustia a maioria das pessoas devido à constatação de não estarem vivendo da forma que realmente gostariam de passar por esse mundo. Sonham com sentimentos belos, dentro de relacionamentos leves e agradáveis, que imaginam possíveis de serem experienciados, mas se sentem derrotados nas suas buscas. Ao observarem suas realidades, frustrados e conformistas, sobra, como consolo, suspirar e concluir que “a vida é assim mesmo”.</p>
<p style="text-align: justify;">A cultura nos tornou escravos da vaidade física. Por isso, apesar do desenvolvimento da medicina vir trabalhando,<a href="http://vidaautentica.com.br/?attachment_id=392" rel="attachment wp-att-392"><img class="alignright size-full wp-image-392" title="TORCIDA_040508_GAUCHAO2008_9" src="http://vidaautentica.com.br/wp-content/uploads/2011/09/TORCIDA_040508_GAUCHAO2008_9-e1317001822949.jpg" alt="" width="230" height="153" /></a> com muito êxito, à favor da longevidade, a percepção da expectativa de vida das pessoas é tão curta quanto a que era, de fato, há dois séculos. Isso se explica pelo fato de que ser velho e sem atrativos físicos é, para a maioria – principalmente para as mulheres, aterrorizante, quase significando a morte. Ou seja: sofremos por achar que temos pouquíssimo tempo para tentar ser felizes e somos levados a pensar que isso é um privilégio da juventude, quando, de fato, é bem mais fácil conhecer a paz e o equilíbrio em idades mais avançadas. Cruel equívoco dessa cultura que estimula a competição e os prazeres fúteis.</p>
<p style="text-align: justify;">Resumindo, a maioria dos seres humanos não vive em companhia de pessoas que lhe despertam um real sentimento que chamamos amor e não faz exatamente o que lhe dá prazer. Muuitos, quando avaliam seus passados, constatam que não conseguiram encontrar um sentido sereno para suas vidas; querendo prever o futuro, apavora-os a incerteza de se um dia terão força e coragem para ser quem realmente desejam  Daí o imenso temor pela morte, pois, cheios de incertezas, acham que têm pouco tempo para começar a ser felizes.</p>
<p style="text-align: justify;"><a href="http://vidaautentica.com.br/?attachment_id=405" rel="attachment wp-att-405"><img class="alignleft size-full wp-image-405" title="livro-como-conquistar-uma-mulher" src="http://vidaautentica.com.br/wp-content/uploads/2011/09/livro-como-conquistar-uma-mulher-e1317004294312.jpg" alt="" width="124" height="200" /></a>Concluindo não restar outra opção, para fugir da dura realidade dessas privações e angústias decorrentes, em que nos abraçamos? Vamos nos divertir que a vida é curta! Entra em cena a indústria do entretenimento com o futebol, turismo, as mais variadas mídias de comunicação impressas, eletrônicas e digitais, a boemia com todas as drogas lícitas e ilícitas, etc.  Sem maiores detalhes, considero pertinente citar as três maiores distrações nas vidas da maioria das pessoas: as eternas buscas pelo ser amado que as complete, pelo dinheiro/poder e pelo sexo. Este, obviamente e,  pelo menos na maioria das vezes, é muito mais pensado, cobiçado e planejado do que praticado. Possuímos cada vez mais possibilidades de diversão em oferta, para todos os bolsos: desde o dominó com cerveja barata, na praça, até&#8230; a conta bancária e a vaidade são os limites..</p>
<p style="text-align: justify;">Estar entretido significa desviar os pensamentos para e prestar atenção em algo, enquanto outros fatos acontecem; dentro do nosso tema, é tudo que toma nosso tempo e distrai nossos pensamentos, com o objetivo de não encararmos de frente os problemas que, de fato, afligem-nos. Isso ocorre devido a uma mistura de covardia com faltas de esclarecimento e de discernimento.</p>
<p style="text-align: justify;">Gostaria de deixar bem claro que não sou contra o entretenimento. Sou deste planeta e gosto de sair para ouvir<a href="http://vidaautentica.com.br/?attachment_id=355" rel="attachment wp-att-355"><img class="alignright size-full wp-image-355" title="1274789471.g" src="http://vidaautentica.com.br/wp-content/uploads/2011/09/1274789471.g-e1316987492428.jpg" alt="" width="150" height="100" /></a> uma boa música, de assistir a um bom filme, de tomar um vinho &#8211; ou seja lá o que for &#8211; em um lugar agradável, de viajar para uma serra, de uma boa conversa em um bar, etc. No entanto, estou aprendendo a me fazer importantes perguntas, tais como: que importância isso tem para mim? Minha satisfação de viver depende da frequência com que me distraio? Tenho dificuldade para ficar sozinho, em casa, sem, por exemplo, usar a Internet ou ver televisão ?</p>
<p style="text-align: justify;">Nesse ponto, podemos mencionar a meditação, atividade que nunca pratiquei da forma ensinada pelos orientais. Ela é o oposto do passatempo ou diversão e nos conduz ao antientretenimento. Não tenho dúvida alguma acerca de sua grande importância para o autoconhecimento e conseqüente busca de caminhos para as nossas escolhas fundamentais.</p>
<p style="text-align: justify;"><a href="http://vidaautentica.com.br/?attachment_id=367" rel="attachment wp-att-367"><img class="alignleft size-full wp-image-367" title="whisky" src="http://vidaautentica.com.br/wp-content/uploads/2011/09/whisky-e1316988353549.jpg" alt="" width="160" height="160" /></a>Penso que sempre que não estamos ouvindo ou tentando escutar nossas vozes interiores, a fim de entendermos o que nossas almas pedem, estamos entretidos. Como considero que nunca meditei, limito-me a chamar de profunda reflexão visando às importantes tomadas de decisão ou, simplesmente, à manutenção de um estado de equilíbrio psíquico e espiritual. Sem a prática dessas conversas íntimas e cúmplices com a nossa essência, criamos hábitos e comportamentos dos quais afirmamos gostar e que dizemos serem nossos; mas não os são. Eles pertencem à cultura, à mídia, aos empresários, à religião, ao Estado que nos quer manipulados, a todos, exceto a nós mesmos. Só conhece o livre arbítrio aquele que consegue se ouvir sem interferências. Sem dúvida alguma, uma espiritualidade inexplicável conduz esse momento e nos traz resultados maravilhosos.</p>
<p style="text-align: justify;">O processo de escolher ter, regular e disciplinadamente, momentos como esse é doloroso, pois acabamos concluindo que tomamos várias decisões equivocadas no passado. É possível que percebamos, dentro dos nossos estilos de vida, o quanto estamos acomodados em situações que estão longe de serem o que, de fato, desejamos para nós – apesar de as termos escolhido. Se essa constatação vier acompanhada da sensação de impotência para mudar esse quadro, devido ao inevitável envolvimento de pessoas próximas, a angústia é bem pior, pois nos sentimos responsáveis pelas suas felicidades. Somos tomados pela sensação de omissão diante da responsabilidade de tomar as rédeas e conduzir nossas próprias vidas.</p>
<p style="text-align: justify;">O melhor caminho é o do meio, o do equilíbrio. Que cada um escolha os entretenimentos que desejar e lide com<a href="http://vidaautentica.com.br/?attachment_id=366" rel="attachment wp-att-366"><img class="alignright size-full wp-image-366" title="joint--splifr.com__1" src="http://vidaautentica.com.br/wp-content/uploads/2011/09/joint-splifr.com__1-e1316988028567.jpg" alt="" width="200" height="101" /></a> eles da forma que lhe convier. Porém, devemos procurar colocá-los em seus devidos lugares, pois nenhum tipo de diversão nos faz feliz. Ela apenas nos dá uma simples sensação de satisfação por estarmos fazendo algo que apreciamos – o que também é válido. Atualmente, enxergo o estado de felicidade como um repouso sereno em que alma e corpo se sentem um só, e não como momentos tensos de satisfação. O que podemos chamar de felicidade é produto do autoconhecimento, um processo que até pode ser auxiliado por outra pessoa especial, mas que só se solidifica nos momentos em que conseguimos escutar o silêncio do microuniverso que nos habita e que se confunde com nossa própria existência.</p>
<p style="text-align: justify;">Vale lembrar que, mesmo que não estejamos fazendo nada, mas se estivermos pensando e planejando a rotina do dia de amanhã ou como iremos fazer para fisgar sexualmente aquela pessoa, já estamos entretidos e distantes do nosso Eu.</p>
<p style="text-align: justify;">Em seu livro A Arte de Viver, da MG Editores AssociadosLTDA, o psicanalista Flávio Gikovate faz uma abordagem interessante sobre a paz interior:</p>
<p style="text-align: justify;"><em>“Esse estado de equilíbrio corresponde à sensação de paz de espírito. Há pessoas que buscam este ponto como sendo o estado ideal; outras têm verdadeiro pavor de se sentirem assim, em paz: entram em pânico e acham que não estão vivendo, apenas vegetando. Elas preferem emoções mais violentas, preferem se sentir ousando, correndo o risco de dores mas buscando prazeres ativos. Não suportam a sensação de equilíbrio porque a sentem como tédio. [...] A paz nos traz a sensação de tédio, vazio, desespero metafísico e interfere negativamente na nossa autoestima. Nosso valor como pessoa vai para perto do zero, que é de fato e, na verdade, o nosso valor cósmico.”</em></p>
<p style="text-align: justify;">Necessitamos ser coerentes e judiciosos. Precisamos tomar cuidado com frases culturalmente consagradas, repetidas e tidas como verdades absolutas. Rir, apesar de nos proporcionar uma agradável sensação, não é o melhor remédio.Temos caído em várias armadilhas parecidas com essa. A cura vem com o autoconhecimento proporcionado pela reflexão solitária e profunda. A partir daí, veremos que nossas reais necessidades são muito menos complexas do que o que temos buscado para nos proporcionar seguranças e saciar nossas vaidades.</p>
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		<title>26. A razão e suas escolhas</title>
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		<pubDate>Fri, 09 Sep 2011 15:14:00 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Administrador</dc:creator>
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		<description><![CDATA[A importância do uso da razão, em seu conceito mais pleno, nas tomadas de decisões, ao longo das nossas vidas. <a class="more-link" href="http://vidaautentica.com.br/2011/09/escolhas/">Ler mais...</a>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;"><code></code><img class="alignleft size-medium wp-image-39" title="escolha-vida" src="http://vidaautentica.com.br/wp-content/uploads/2011/09/escolha-vida-300x196.jpg" alt="" width="300" height="196" />Por algumas razões, fiquei vários meses sem escrever um artigo. No entanto, o fator tempo não esteve entre elas.  Devido a muitas novas experiências e consequentes sensações e reflexões, vi-me sem solo firme para continuar expondo minhas ideias em curso. Na verdade, tive que encarar a realidade de ver algumas de minhas fortes convicções abaladas e concluí que a introspecção e o silêncio seriam a melhor escolha, assim como necessários para que pensamentos fossem reorganizados. Percebi que o que senti durante esse tempo precisava ser interpretado da forma mais coerente possível, dadas as minhas inquestionáveis limitações que, sem dúvida, até eu morrer, até irão diminuir, mas sempre existirão.</p>
<p style="text-align: justify;">Meus grandes aliados nesse processo de reestruturação têm sido a reflexão solitária, íntimas conversas com minha parceira, a fim de caçarmos bruxas e fantasmas em nossos inconscientes, e a leitura de pensadores que me ajudam bastante na organização dos pensamentos, assim como os reforçam e impulsionam rumo à razão. Esta, por sua vez, tem me permitido dar pouca ou nenhuma importância aos sonhos baseados nos ideais aprendidos com a cultura e me levado a observar alguns e, aos poucos, cada vez mais, incontestáveis fatos reais ocultos por discursos seculares e manipuladores feitos por mentes pertencentes a uma minoria que sacia suas desenfreadas e doentes vaidades e invejas através da ignorância passiva da massa.</p>
<p style="text-align: justify;">Os temas centrais do blog mantêm-se os mesmos: <a title="Amor, liberdade, sexo e promiscuidade" href="http://vidaautentica.com.br/?p=129" target="_blank">sexualidade</a>, <a title="Amor infinito?" href="http://vidaautentica.com.br/?p=61" target="_blank">amor</a>, <a title="Liberdade consciente" href="http://vidaautentica.com.br/?p=105" target="_blank">liberdade</a>, livre arbítrio, felicidade, etc. Porém, da mesma forma que o conjunto de minhas experiências recentes me tem feito compreender um pouco melhor os comportamentos humanos – claro que inclusive os meus – relacionados a esses assuntos de uma forma mais lúcida da que eu possuía antes, senti a necessidade de abordar e me aprofundar em novos temas.</p>
<p style="text-align: justify;">Para a grande maioria das pessoas do planeta, os rumos que suas vidas tomam são frutos de suas escolhas. Porém, acredito que poucos irão se opor a que uma exceção recaia, por exemplo, sobre pessoas que tenham nascido em uma tribo dominada e faminta, na Somália. Sob o olhar ignorante de alguém que vive uma realidade totalmente diferente, como nós, não consigo enxergar possibilidades de escolhas nesses pobres seres, assim como de terem energia para se preocuparem com evolução interior e espiritual. Por isso, infelizmente, não considero o livre arbítrio como um privilégio global.</p>
<p style="text-align: justify;">Vamos supor um ser humano já possuidor dos meios para suprir suas necessidades básicas para viver, sem as necessidades fúteis comuns à nossa espécie pós-capitalista, capaz de sentir e contemplar a paz em sua alma e de se sentir feliz apenas com sinceras relações interpessoais com seu parceiro sexual e legítimas amizades. Para atingir esse estágio de evolução, sem dúvida, ele fez várias escolhas subjetivas, ao longo de sua vida. Da mesma forma, observemos outra pessoa que nunca está satisfeita com nada e que busca incansavelmente o tão propalado sucesso profissional e financeiro; um ser que atropela a ética, explora pessoas, trapaceia, desconhece o amor, o puro e simples prazer de viver, e que se tiver apenas suas necessidades básicas bem saciadas, considerar-se-á pobre e sem importância. Levar essa vida miserável também foi escolha dele. No planeta, com algumas exceções já citadas e independentemente do quão mal influenciados fomos, durante nossas formações, se tivemos ou não <a title="O amor dos pais em debate" href="http://vidaautentica.com.br/?p=144" target="_blank">pais repressores</a> e/ou com valores fúteis, dos círculos sociais em que crescemos, defendo que somos o que escolhemos. Podemos culpar a quem quisermos por não estarmos satisfeitos com as nossas vidas, por nos vermos acorrentados aos nossos pais, ao dinheiro, a valores morais repressores, etc. Mas poucos admitem a realidade: somos os únicos responsáveis pelas trajetórias de nossas vidas.</p>
<p style="text-align: justify;">Entendam que não me refiro, absolutamente, às escolhas que visem ao alcance ou não de um sucesso financeiro, de ser ou não um vencedor capitalista. Falo de escolhas que levem à uma evolução subjetiva, de viver ou não em paz, de possuir ou não razoável tolerância às dúvidas, limitações, dores e perdas inevitáveis a alguém que as enfrenta pelo simples fato de viver. Logicamente, devemos ser sensatos ao entender que dificilmente um ser humano viverá em paz se não tiver suas básicas necessidades atendidas. Da mesma forma e na outra extremidade, creio que quem vive para trabalhar, preocupado com a infindável atualização dos consumismos em moda e com o acúmulo de bens e riquezas – de forma honesta ou não – também não encontrará serenidade interior, pois são tantas contas, incertezas financeiras, impostos, planejamentos, competição e outros compromissos que, no mínimo, faltar-lhe-á tempo e lucidez para esse tipo de foco metafísico.</p>
<p style="text-align: justify;">Os produtos práticos da razão são as nossas conclusões e escolhas de atitudes feitas infinitas vezes ao longo de nossas vidas. Elas vão desde escolhas de menores importâncias como que roupa seria mais apropriada para determinado evento social, qual canal de televisão assistir, se devemos ou não revidar uma ofensa, se faremos ou não esse ou aquele <a title="Amor, liberdade, sexo e promiscuidade" href="http://vidaautentica.com.br/?p=129" target="_blank">sexo casual</a>, se seria justo ou não aquela mentirinha para conseguirmos uma vantagem momentânea, até que atividade profissional escolher para os ganhos dos nossos sustentos, <a title="É pouco mas é seguro – o casamento e o emprego público" href="http://vidaautentica.com.br/?p=148" target="_blank">se iremos, quando e com quem nos casar</a>, <a title="Conversa de botequim: dois processos de separação" href="http://vidaautentica.com.br/?p=151" target="_blank">se devemos ou não nos separar</a>, ter ou não filhos, se teremos uma vida simples ou buscaremos incansavelmente o sucesso financeiro, etc. Agora vem a cruel verdade: quase nunca somos nós mesmos quem fazemos essas escolhas. Ainda assim, temos a fantasiosa e ignorante cara de pau de dizer que &#8220;somos donos dos nossos narizes&#8221;.</p>
<p style="text-align: justify;">Sendo bem simplista, durante a tomada de decisão por parte de um indivíduo, entendo a razão como um processador que usa como informações de entrada, por um lado, sua coluna psíquica que se funde e confunde com os valores de caráter adquiridos durante todas as etapas anteriores de sua vida e, por outro, o ambiente externo em que está ocorrendo a situação que dele exige uma decisão – mesmo que seja a de, momentaneamente, não reagir, o que ocorre com muitos. Aquelas podem lhe dar – ou não – força e discernimento para, diante da constatação dos fatos, ser coerente em suas análises e, se necessário, dar uma resposta contrária às expectativas culturais das pessoas que o estão observando, visando à preservação de sua essência, a um bem estar real e a um estado de paz ansiados pela sua alma. Esta comunica-se conosco – com a nossa razão – através do que chamamos de intuição, um divino canal de comunicação que, para a grande maioria, funciona muito mal e encontra-se cheio de ruídos – para muitos, ele é totalmente ininteligível.</p>
<p style="text-align: justify;">Gostaria de ressaltar que a intuição é um sentimento primitivo e que nos acompanha desde o início da humanidade, uma voz interior que desconhece e ignora qualquer prática cultural. Ela nos fornece “conselhos” para a nossa autopreservação, autoconhecimento e consequente crescimento interior. Jamais nos orienta para um caminho de sofrimento romântico ou para a abnegação altruísta, que são atitudes forjadas e valorizadas por castas existentes em todas as sociedades e gerações que delas têm total interesse em tirar proveitos.</p>
<p style="text-align: justify;">Uma mulher namora há dez anos um rapaz e está com o casamento marcado. Nesse caso, em seu íntimo, ela sente que não é mais aquilo que deseja, que a admiração pelo noivo não é mais a mesma, mas não se vê com força para enfrentar todos os problemas que encontrá se assumir a sua real vontade, frustrando o seu namorado de anos e, principalmente, decepcionando todos os familiares que aguardam aquele feliz desfecho – para eles. Nesse caso, ao não dar ouvidos à sua intuição, a resposta de sua razão a fez decidir por renunciar à sua felicidade e embarcar em uma história que já começará prometendo um triste final, com posteriores e bem maiores desgastes psicológicos devido ao adiamento do que ela já sabia que deveria fazer. Sua razão a enganou por não ter ouvido sua alma e, provavelmente, também, por ter sido ensinada a ser subserviente ou a se preocupar com as expectativas alheias mais do que com as suas vontades íntimas. Ela escolheu fugir da dor de ver pessoas decepcionadas e a julgando. Conseguiu apenas adiá-la para sentir, mais tarde, outras bem maiores e de bem mais difíceis soluções.</p>
<p style="text-align: justify;">Minhas experiências, leituras e reflexões mais recentes têm me levado a considerar e a avaliar, dentre outros, um sentimento extremamente destruidor, mas tão comum e atuante quando da decisão por algo pós processamento das informações pela razão: a vaidade. Esta, um subproduto do medo gerado pela falta de autoconhecimento e, impulsionada desastrosamente pela mídia, tem nos convencido de que a vida, em todos os seus campos, é feita de eternas competições e comparações. Precisamos ter sucesso. Amamos estereótipos; ao não fazermos parte de um deles, sentimo-nos vazios e sem identidades. Com isso, cria-se enorme dificuldade para valorar com bom senso e humildade o que somos e temos; apenas damos importância ao que os outros são e ao que não temos. Isso nos faz ficar doentes e sempre insatisfeitos, pois são infinitas as possibilidades de outros terem aspectos físicos, capacidades intelectuais e manuais específicas que não possuímos e de terem – pelos menos para a grande maioria – o que não temos.</p>
<p style="text-align: justify;">Uma pessoa só consegue passar a usar coerentemente a sua razão se ela tiver, após inúmeros diálogos íntimos com sua alma, uma razoável resposta para a pergunta “quem eu sou, hoje, e quem quero me tornar?”. Regra geral, mas com exceções admitidas, essa resposta não será encontrada em conversas com os pais, com amigos e muito menos em meios de comunicação de massa. Trata-se de uma busca totalmente solitária. A sua alma é que lhe dirá se o que querem – pais, parentes, amigos, propagandas, etc – que você deseje ser, ter ou faça o levará ou não a um caminho de liberdade, paz e serenidade – provavelmente a resposta será não. Essa força interior é que lhe dará condições de dizer “não” e seguir seu próprio caminho, doa a quem doer.</p>
<p style="text-align: justify;">A razão é como um computador conectado à Internet. Em ambos os casos, precisamos filtrar criteriosamente quais informações devem ser processadas, baseados no que pretendemos fazer com o nosso tempo e o que queremos ganhar com o uso da ferramenta. Se você repete comportamentos e usa o computador para passar o tempo batendo papo, distraindo-se com joguinhos e redes sociais, sites pornográficos, etc, você está renovando, diariamente, o seu contrato de boi na manada e mero espectador da vida. No entanto, se você o usa com critério para pesquisas e aumento de conhecimentos técnicos, sociais, psicológicos e espirituais, certamente está em um bom caminho de crescimento. Discernimento é a palavra que resume essa atitude positiva diante do que nos oferecem e de nós exigem no nosso dia-a-dia e durante toda a nossa vida. Nada contra a opção eventual pelo entretenimento ou passatempo, mas, que peso ela tem em sua vida? Qual o seu grau de dependência do “se manter distraído”?</p>
<p style="text-align: justify;">As melhores informações que a nossa razão deve processar, antes de fazermos nossas escolhas, vêm da nossa alma, da nossa consciência; em seguida, podemos lançar mão de livros escritos por pensadores consagrados que buscaram e buscam evolução interior – quase nunca são <em>best sellers</em> e jamais serão oferecidos, através do seu e-mail, por sites de vendas coletivas. Por fim, boas companhias escolhidas, de fato, a dedo, também podem ajudar.</p>
<p style="text-align: justify;">Insisto em afirmar que, graças à nossa intuição, todos nós temos a grande maioria das respostas para os nossos dilemas. Se uma grande tristeza o acompanha há muito tempo e você não tem conseguido se livrar dela, não tenho dúvida de que, provavelmente, sabe o que fazer para resolver a questão. Usar a razão e escolher fazer o que sua alma lhe pede é opção e responsabilidade sua. Porém, essa vida coletiva competitiva e divertida que idolatra o poder e o dinheiro estimulantes da vaidade, com suas indústrias de entretenimentos de que tanto gostamos, deixa-nos surdos, cegos e mudos; verdadeiros macacos treinados em cativeiro, que apenas repetem movimentos. Porém, os verdadeiros símios capturados são mais conscientes do que nós, pois, pelo menos, conseguem enxergar que não são livres. Junto com a cultura, somos co-partícipes do sufocamento das nossas vozes interiores e, consequentemente, das nossas razões, que poderiam nos dar respostas a tantas questões cruciais que nos afligem e perseguem durante a vida.</p>
<p style="text-align: justify;">Eu seria arrogante demais se estivesse tentando demonstrar ser simples o que é complexo. Na nossa cultura, colocar a razão a serviço do processo de individuação, da busca do bem estar real do indivíduo, não é tarefa fácil, pois as interferências culturais são desmedidas e muitas, além de existirem poucas referências ao nosso redor – ou nenhuma – para serem observadas, auxiliando-nos a balizar essa atitude. Medos, incertezas, carências, ciúmes, vaidades e invejas insistem em intrometer-se todo o tempo nas nossas decisões.</p>
<p style="text-align: justify;">É muito fácil querer ter razão; vivemos repetindo que a temos várias vezes por dia. O duro desafio é ter coragem para colocar a coerência em prática para vivermos com serenidade e em paz. Esta razão aqui comentada é analítica, permeia a espiritualidade e nada tem a ver com com a frieza egoísta ou com estar certo ou errado, quando se discute pontos de vista. Ela é a mãe do discernimento, alicerce da coragem e norteadora das mais íntimas, sensatas e subjetivas decisões pessoais que, certamente, poucos compreenderão e aprovarão ao optarmos pelo caminho da nossa individuação. Quem não estiver disposto a pagar esse ônus, que continue tendo razão.</p>
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		<title>25. A traição feminina</title>
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		<pubDate>Wed, 01 Dec 2010 21:53:41 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Administrador</dc:creator>
				<category><![CDATA[Ciúme e traição]]></category>
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		<description><![CDATA[Apesar de no artigo anterior eu ter comentado que iria falar sobre as infidelidades masculina e feminina, em função das particularidades desta última, da complexidade e existência de distintas facetas entre os dois gêneros, decidi me ater apenas às abordagens &#8230; <a class="more-link" href="http://vidaautentica.com.br/2010/12/25-a-traicao-feminina/">Ler mais...</a>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;">Apesar de no artigo anterior eu ter comentado que iria falar sobre as infidelidades masculina e feminina, em função das particularidades desta última, da complexidade e existência de distintas facetas entre os dois gêneros, decidi me ater apenas às abordagens dessa matéria concernentes à mulher. Mais à frente, trataremos das questões masculinas.</p>
<p style="text-align: justify;">Talvez alguns considerem uma ousadia a proposta de invadir a intimidade e o imaginário femininos, a fim de analisar as verdadeiras causas desse desejo tão “pecaminoso”, que tanto agride e fere o amor romântico e que tem sido punido das mais diversas formas, ao longo dos tempos. É importante lembrar que, para melhor entendimento das abordagens que aqui serão feitas, faz-se interessante a leitura do artigo anterior “Amor e traição”. Como sempre, vou me basear em minhas experiências, que sempre são complementadas e reforçadas por leituras direcionadas. Se alguém achar que me equivoquei em alguma consideração, por favor, vamos tratar essas questões através dos comentários. Também estou aqui para aprender.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Quais razões levam uma mulher casada ou namorando a desejar furtivas aventuras sexuais ou uma relação com outro(s) homem(ns), mesmo que muitas não consigam se desvencilhar dos medos – e isso é fato muito comum – que as impedem de praticar o que gostariam e fantasiam?</strong></p>
<p style="text-align: justify;">Existem vários fatores que se confundem, misturam-se e, em diversos graus, variando de mulher para mulher, impulsionam-na para as experiências sexuais com outros homens. No entanto, esses reais motivos não são claros para muitas, fazendo-as com que busquem sexo e relacionamentos extraconjugais por razões distintas da realidade. Fugindo desta, agarram-se às suas “verdades”.</p>
<p style="text-align: justify;">Começarei afirmando que, principalmente em nossa sociedade ocidental, o ato sexual em si – a penetração e o orgasmo – tomou importância e dimensão muito maiores do que realmente deveria ter em um relacionamento a dois. Apesar de eu já haver pensado dessa forma, fico muito triste quando ouço alguém afirmando que a qualidade e, mais ainda, a quantidade de relações sexuais contribui 50, 70, 90% para a avaliação de um relacionamento. Os casais criam expectativas qualitativas e quantitativas acerca do sexo baseados na mídia, na pornografia, no idealismo de casamento e no prometido amor do início da relação – um misto de tudo. Ou seja, esperam algo mágico e sublime baseados em nada. Por que afirmo isso? Porque o sexo espontaneamente desejado, com carinho, afeto e com as sonhadas trocas de olhares e energias durante o ato jamais existirá por si só e pelo fato de ambos terem sido “unidos por Deus”, possuidores de uma linda casa e com filhos maravilhosos. Podemos dizer que ele é uma resposta, uma consequência, um constructo psicológico baseado na forma matricial com que os sentimentos, formas de pensar, características e atitudes entre dois seres humanos interagem.</p>
<p style="text-align: justify;">Costumamos dizer que quando nos encontramos sexualmente excitados – a fim de sexo, estamos com tesão. Mas, conceitual e atualmente, não enxergo o tesão dessa forma. Sentir tesão por alguém é querer, de fato, esse alguém, do jeito que ele é; pacote fechado, compra casada: os seus sentimentos, forma de pensar, suas ousadias e buscas pelo autoconhecimento, suas características e atitudes diante da vida. Nesse sentido, concordo totalmente com a visão do Roberto Freire, acerca do tesão, em seu livro “Sem tesão não há solução”, e aproveito para colocar a minha: tesão e amor tem tudo a ver, são a mesma coisa, sem tesão não há amor, e vice-versa. Esse tesão não é sexual; é pelo pacote fechado.</p>
<p style="text-align: justify;">Quando se fala de sentimento real – seja lá qual for o nome que queiram dar (amor, afeto, carinho, gostar muito, etc), o sexo não é um fim, mas sim uma deliciosa consequência de preliminares que foram trocadas em uma longa, profunda e franca conversa em uma mesa de bar, nas conversas do dia e do dia-a-dia, etc. Em suma, ao longo do desbravamento da essência do parceiro, seja lá quanto tempo possa ter durado. O sexo só apresenta alguma qualidade quando existe uma comunicação verdadeira entre os dois. Ele só é sublime – como as mulheres tanto sonham – quando desejamos o outro tal como ele é, quando queremos tocar sua alma, seus pensamentos, seu interior que, depois de conhecê-lo, passamos a enxergar como lindo e com o qual percebemos afinidades, levando-nos a desejar a descoberta de outras. Como isso é impossível, materializamos todas essas entidades totalmente abstratas e espirituais em seu corpo e nele queremos penetrar, assim como desejamos que penetre no nosso. Se o sexo é o objetivo, o que está, de fato, por trás do desejo, é ego, tesão animal, vaidade e, muitas das vezes, insegurança ou autoestima duvidosa. Assim sendo, não passará de uma trepada, seja ela surpreendentemente deliciosa, apenas interessante, medíocre ou péssima.</p>
<p style="text-align: justify;"><em><strong>“O cuidado e a responsabilidade são elementos constitutivos do amor, mas sem respeito por e conhecimento da pessoa amada, o amor degenera em dominação e possessividade. Respeito não é medo nem reverência; indica, segundo a origem da palavra (respicere = olhar), a capacidade de ver uma pessoa tal como é, de ter consciência de sua individualidade e originalidade. Não é possível respeitar alguém sem o conhecer; o cuidado e a responsabilidade seriam cegos se não fossem orientados pelo conhecimento da individualidade da pessoa. [...] As pessoas preocupam-se com a questão de saber se são ou não atraentes, esquecendo-se de que a essência do seu poder de sedução é sua própria capacidade de amar. [...] Ao contrário de todo esse modo de pensar confuso, o amor é um sentimento muito específico e não ocorre ao acaso; apesar de todo ser humano ter certa capacidade de amar, sua realização é uma das mais árduas conquistas, pois ele caminha lado a lado com a razão. [...] As pessoas acham que estão amando se estiverem “caídas” por alguém; dão o nome de amor à dependência e também ao domínio que exercem sobre outras.”</strong></em> (Erich Fromm em “Análise do Homem”).</p>
<p style="text-align: justify;">Sem esses conhecimentos mútuos e respeitos mencionados por Fromm, não existe sexo bom, divino, em seu sentido mais pleno, que só ocorre através da comunicação entre corpos e almas. Estamos em uma festa, elegemos alguém bonito, meia hora de conversas superficiais, saímos do evento e fazemos sexo no carro ou em um motel. No dia seguinte dizemos que fizemos um sexo delicioso. Afirmamos isso porque, de fato, é só isso que conhecemos. Atualmente, eu, conceitualmente, faço distinção entre sexo delicioso e trepada deliciosa. No primeiro, existe o prazer da conversa franca, trocas de energias e vibrações; depois dos gozos, existe a vontade de os corpos permanecerem juntos. No segundo, atende-se às vontades, instintos e ao ego. Em minha opinião, este predomina sobre os primeiros. Tenho algo contra a trepada deliciosa? De forma alguma. No entanto, se me desvencilho das fantasias e expectativas baseadas em sonhos, consigo manter o pé no chão e ter a lucidez de entender o que ocorreu e com quem eu exatamente estava…. e por qual razão estava.</p>
<p style="text-align: justify;">Absorvidos pelo engodo romântico-cultural, achamos que viver o amor é uma questão de tempo e de sorte, que surgirá do nada e será bem mantido debaixo de promessas, “mentirinhas”, omissões, tabus, conversas limitadas pela vergonha e falta de amizade, “segredinhos de mulher”, etc. <em>“<strong>Sou uma ótima esposa e mãe! Logo, mereço amar e ser amada!! Autoconhecimento? Para que serve isso? Aliás, EU queria mesmo ser esposa e mãe?”</strong></em> Então, qual o resultado? A frustração. Em pouco tempo se vêem fazendo sexo protocolar… e os dias passam, e passam. A culpa recai sobre os filhos, nos problemas, no excesso de trabalho, nas finanças ou simplesmente no outro que “anda frio”. Gente, sexo nada mais é do que, através de um enlace espírito-carnal, uma tentativa de materializar o carinho, amor e desejo por um outro ser. Se entre quatro paredes alguém é tido como frio e “ruim de cama” – acho uma idiotice essa adjetivação, é porque energias não estão sendo compreendidas e/ou trocadas, a necessidade de carinho (intrínseca ao ser humano) não está sendo atendida. Sexo é comunicação e, se esta não ocorre, procurar culpado é perda de tempo. O sexo é feito a dois, mas o amor sexual, apesar de ser um sentimento dual, é indivisível; se ele nunca existiu ou deixou de existir, o que menos importa é encontrar quem começou a deixar de alimentá-lo ou a matá-lo.</p>
<p style="text-align: justify;">O sexo com qualidade, que não visa estritamente ao gozo, a um prazer momentâneo e à manutenção da “obrigação sexual” de marido e mulher é energizado através de um processo de retroalimentação das vibrações. Não sei se vocês me entenderão, mas, em minha opinião, uma das formas de identificarmos o sexo com amor é a imensa vontade de ambos se olharem nos olhos, em todas as situações possíveis do ato. O olhar representa perfeitamente como a alma está se sentindo e suas intenções. O sexo com afeto não abre mão das trocas de olhares com o parceiro ; olhar nos olhos é a melhor forma de buscarmos sua alma. Quando não a encontramos ou não a desejamos mais encontrar, pelas mais diversas razões, sentimo-nos vazios, pois amar é a maior responsabilidade do ser humano para que sua existência faça sentido. Porém, gostaria de ressaltar que não se ama verdadeiramente alguém sem amarmos, antes, a vida, a natureza, a liberdade e os seres humanos em geral; mas acredito que o amor sexual por uma pessoa, realmente, é um sentimento muito especial e com um prazer todo particular.</p>
<p style="text-align: justify;">Vivemos em uma sociedade e debaixo de uma cultura que nos impulsiona para a vaidade e para as generalizadas práticas de consumo: de todos e de tudo, do sexo ao celular de última geração. Somos o corpo que temos, o que usamos, compramos, os bens que possuímos, os lugares que frequentamos, com quem e com quantos trepamos. E todos absorvem essa prática, achando-a normal e para parecerem normais. Tudo isso em busca de demonstrar poder sobre os outros – paralelamente, fugimos de nós mesmos. Achamos que com dinheiro e com tudo o que ele proporciona é bem mais fácil criar um personagem para ser admirado, dentro dos padrões impostos pela cultura, do que decidirmos nos conhecer de verdade e sermos admirados pelo que somos. Na verdade, “ser” é culturalmente proibido e está “fora de moda” há séculos; a moda é ter. “Ser” causa medo, pois nos apavora não sermos aceitos; e depois da morte, o isolamento ou não se integrar ao “clã” é o maior medo do ser humano. Em nossa sociedade, desenvolver a potencialidade de ter impressiona infinitamente mais do que o desenvolvimento da de ser. Por isso essa busca desenfreada da capacidade de “impressionar”.</p>
<p style="text-align: justify;">Disse tudo isso para chegar à seguinte afirmação: o sexo tem sido usado como afirmação de poder e para anestesiar neuroses. Quanto mais “como” ou “dou”, mais cobiçado é o meu corpo, mais me sinto poderoso(a). Pura ilusão. Consciente ou inconscientemente, tratamos a nós mesmos como objetos. Assim sendo, como poderíamos esperar um tratamento diferente das pessoas que nos cercam?</p>
<p style="text-align: justify;"><em><strong>“Uma pessoa pode achar que um determinado desejo se deva a exigências do seu corpo, quando, na verdade, é imposto por necessidades psíquicas irracionais. O desejo sexual intenso, igualmente, pode não ser provocado por necessidades fisiológicas, e sim psíquicas para mitigar ansiedade ou depressão. Uma pessoa insegura que sente necessidade veemente de provar seu valor a si mesma, de mostrar aos outros como é irresistível ou de dominar outros “executando-os” sexualmente, com facilidade sentirá desejos sexuais violentos e uma tensão dolorosa caso não sejam satisfeitos”</strong></em>.</p>
<p style="text-align: justify;">Baseado em minhas experiências, tomei como reforço essa colocação de Fromm que cai como uma luva no que tenho observado nas pessoas e, inclusive, em mim mesmo, principalmente, em práticas um pouco mais antigas – mas confesso que nem tão antigas. Tenho ouvido de várias mulheres casadas e solteiras: “Preciso de sexo!”. Encontro com duas amigas solteiras que conheço muito bem e com quem tenho intimidade e uma delas brinca dizendo que a outra está “feliz” porque fez sexo na noite anterior. Em outra ocasião, converso com uma amiga casada que diz estar feliz porque comprou dois vestidos lindos e caros que a farão ficar sensual – por acaso essa mesma amiga também vive dizendo que precisa de sexo. Temos confundido os nobres e raros sentimentos de alegria e felicidade com fugazes prazeres que camuflam vazios e tristezas cujas fontes nos sentimos impotentes para extingui-las. Distantes de nossas próprias essências e individualidades, só nos resta querer seduzir das mais diversas formas e com os mais variados tipos de consumo, a fim de que ouçamos do “clã” que “somos alguém”. Se perguntarmos a eles quem somos, dirão que somos alguém que tem poder para consumir e que possui bom gosto para o consumo. Não disseram nada do que realmente somos. E, infelizmente, damo-nos por muito satisfeitos com o elogio; afinal também não sabemos quem somos. Assim, seguimos firmes com um referencial de “ser” que na verdade não passa de um miserável “ter”.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Por que as mulheres casadas desejam sexo com outros homens, independentemente da existência ou não da coragem de sua colocação em prática?</strong> (Algumas/várias/muitas morrem sem colocá-la, apesar de inúmeros pensamentos e sonhos eróticos e conversas sacanas com amigas). No amor romântico, o que menos importa é o que o outro pensa e como se sente, mas sim o que ele faz e não faz, o cumprimento do seu papel, as expectativas atendidas. Precisamos entender que um indivíduo é composto de suas atitudes e de seus pensamentos. Somente aquelas interessam à coletividade, ao marido, à família, etc. No entanto, de fato, a realidade de nossa sociedade é que um “ser” é muito mais o que ele pensa – suas motivações e desmotivações – do que como age; e é isso que mais interessa a ele, pois as suas alegrias e o seu desenvolvimento como ser único dependem exatamente da consonância entre a sua voz interior (pensar com a consciência individual, e não coletiva) e o seu agir. Por isso, não me interessa se a mulher executa ou não os seus desejos sexuais extraconjugais; para falar a verdade, particularmente, não vejo virtude em suas práticas, nem em suas negações.</p>
<p style="text-align: justify;">Dentro da filosofia do amor romântico, a mulher propala que só faz sexo com amor. Porém, não consegue se dar conta de que o que as pessoas mais fazem é trepar, sejam casadas ou não, dentro e fora dos casamentos. Entendam que a trepada não deixa de ser uma trepada simplesmente pelo reconhecimento social e pela aprovação moral, pela expectativa de um relacionamento duradouro, de um casamento, etc. O que nos diz se o sexo é uma trepada ou não é a existência ou não de sentimentos reais. Se o marido perdeu o tesão na relação e faz sexo pela “obrigação”, aquilo é uma trepada… e vice-versa. Trepa-se muito mais do que nossa hipócrita consciência coletiva aceita. Não tenho dúvida alguma de que muitos homens e mulheres nunca conheceram um sexo diferente da trepada. (Entendam que o meu conceito de trepada é bem diferente do sexo furtivo e ocasional).</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Vamos à resposta</strong>: por falta de amor verdadeiro em seus relacionamentos. Erros apenas dos homens? Claro que não! De ambos, desde a primeira conversa e início da relação até a situação ficar “insuportável”… dois omissos de longa data, independentemente da maior ou menor cobrança e influência cultural sobre cada um. Por ter bons marido e filhos e confortável vida de casada, a mulher pode até afirmar que só quer sexo… e realmente ela quer acreditar nisso. Mente para si mesma e para as amigas íntimas. Afinal, declarar-se infeliz e provocar uma séria e franca conversa a dois é algo que exige coragem, mexe com interesses mútuos e frustra diversas expectativas, atingindo a mais antiga geração da família ainda viva. Então, torna-se bem mais cômodo não encarar o cerne do problema e se declarar satisfeita, porém com uma instintiva e aceitável curiosidade sexual que tem “outros” como objeto. Besteira, pois, em seu íntimo, sabe que o problema vai bem além dessas naturais fantasias.</p>
<p style="text-align: justify;">Por mais que elas tentem absorver disseminados “valores” masculinos, as mulheres não querem e não conseguem sustentar essas práticas dissonantes de suas essências por muito tempo e jamais serão iguais aos homens. Ainda bem. Afinal, os homens terão que aprender a amar com alguém. Está e continuará sendo com elas. Por questões culturais milenares, a mulher tornou-se – ou permaneceu? – um ser que se encontra bem mais próximo de um sentimento que chamamos amor – em seu não banalizado e mais elevado significado – do que o homem.</p>
<p style="text-align: justify;">A essa altura, nesse contexto do desejo sexual extraconjugal, após eu tanto ter falado de sentimentos e de amor, as mulheres devem estar me questionando onde entram e com que parcelas contribuem as reais curiosidades e fantasias sexuais, o instinto sexual, a necessidade da sensação de liberdade e de se sentirem, de fato, desejadas, voltando a sentir arrepios ao lado de um homem, etc. Ou seja, sentimentos que, “em princípio”, não teriam relações com o amor, mas apenas com tesão. Esses assuntos ficarão para o próximo artigo, que chamarei de A traição feminina II.</p>
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