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	<title>Vinícius Piedade</title>
	
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	<description>Não se conformar, é o primeiro passo pra transformar</description>
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		<title>QUATRO JANTARES</title>
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		<pubDate>Tue, 31 Jan 2012 12:46:21 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Vinícius Piedade</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Um jantar derradeiro. Ou melhor, quatro jantares. As quatro últimas namoradas retratadas nesses últimos jantares. Esse é o mote do curta QUATRO JANTARES. Faço o personagem Márcio, o cara e suas ex. Veja:]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Um jantar derradeiro. Ou melhor, quatro jantares. As quatro últimas namoradas retratadas nesses últimos jantares. Esse é o mote do curta QUATRO JANTARES. Faço o personagem Márcio, o cara e suas ex. Veja:</p>
<p>    <iframe src="http://player.vimeo.com/video/25981645" width="500" height="369" frameborder="0" webkitAllowFullScreen mozallowfullscreen allowFullScreen></iframe></p>
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		<title>Trecho da peça IDENTIDADE (…) em processo.</title>
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		<pubDate>Tue, 24 Jan 2012 13:14:47 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Vinícius Piedade</dc:creator>
				<category><![CDATA[Crônicas]]></category>

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		<description><![CDATA[Aí tudo foi voltando. Fui lembrando das coisas aos poucos e transformando minha amnésia repentina em memória. Primeiro lembrei as senhas, vieram todas na minha cabeça, são tantas senhas, ag. 0311 conta corrente 12.333-2 senha 011512 dias dos aniversários da minha mãe, do meu pai e do meu irmão nessa ordem, já a senha do [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Aí tudo foi voltando. Fui lembrando das coisas aos poucos e transformando minha amnésia repentina em memória. Primeiro lembrei as senhas, vieram todas na minha cabeça, são tantas senhas, ag. 0311 conta corrente 12.333-2 senha 011512 dias dos aniversários da minha mãe, do meu pai e do meu irmão nessa ordem, já a senha do meu email 121501 inverte a ordem, aniversário do irmão, pai e mãe, tal como a senha das redes sociais x, y e z e a senha do cartão de crédito, do outro cartão e do outro, e fui lembrando senha por senha, a senha da senha, a senha pra recuperar a senha esquecida, a senha esquecida que foi trocada, a senha trocada que foi esquecida, a senha do sistema da empresa, do sistema da diretoria da empresa, do alarme da casa da praia, senha pra viver, pra acordar e pra dormir, pra chorar e pra sorrir, senha pra nascer, crescer e até senha pra morrer, e as minhas, no caso, todas e cada uma derivadas das datas de nascimento do pai, mãe e irmão.<br />
(trecho da peça IDENTIDADE (&#8230;) em processo.)</p>
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		<title>Turnê Europa 012</title>
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		<pubDate>Fri, 06 Jan 2012 21:55:47 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Vinícius Piedade</dc:creator>
				<category><![CDATA[Crônicas]]></category>

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		<description><![CDATA[O ano 012 começou com tudo&#8230; Não começou? Agora (nesse momento), começo a produção da turnê européia de CÁRCERE que vai acontecer só no fim do ano, mas tudo começa bem antes, sabe como é! Pra brindar isso, essa nova luta pra essa viabilização, coloco aqui DIÁRIO DE BORDO que fiz na primeira turnê que [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>O ano 012 começou com tudo&#8230; Não começou?<br />
Agora (nesse momento), começo a produção da turnê européia de CÁRCERE que vai acontecer só no fim do ano, mas tudo começa bem antes, sabe como é!<br />
Pra brindar isso, essa nova luta pra essa viabilização, coloco aqui DIÁRIO DE BORDO que fiz na primeira turnê que aconteceu no fim de 2010 e começou na Suíça.</p>
<p><iframe width="500" height="375" src="http://www.youtube.com/embed/7qnrcuPA66A?fs=1&#038;feature=oembed" frameborder="0" allowfullscreen></iframe></p>
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		<title>CONTAGEM REGRESSIVA</title>
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		<comments>http://www.viniciuspiedade.com.br/2011/12/contagem-regressiva-2/#comments</comments>
		<pubDate>Wed, 28 Dec 2011 15:31:48 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Vinícius Piedade</dc:creator>
				<category><![CDATA[Crônicas]]></category>

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		<description><![CDATA[“Queria saber se você gosta de reveillon”, disse o carcereiro. “Adoro reveillon. Mudança. Adoro. Novas expectativas, um bom símbolo de re-começo. Mesmo que o ano tenha sido ótimo, você quer o ânimo de um novo horizonte infindável, mesmo que ilusório. Gosto.” Filosofei. Aí ele mandou “e daquele momento da contagem regressiva, tu gosta?”. Adoro, respondi. [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>“Queria saber se você gosta de reveillon”, disse o carcereiro. “Adoro reveillon. Mudança. Adoro. Novas expectativas, um bom símbolo de re-começo. Mesmo que o ano tenha sido ótimo, você quer o ânimo de um novo horizonte infindável, mesmo que ilusório. Gosto.” Filosofei. Aí ele mandou “e daquele momento da contagem regressiva, tu gosta?”. Adoro, respondi. “Adoro. É o momento ápice. Aquele cheiro de champagne. As mulheres tão belas de branco, todos os olhos brilhando, êxtase. Só fico meio agoniado quando vem o zero. Zero é o fim de um ano ou começo do outro? É onde acaba ou onde começa? Zera é fim ou é começo?”.<br />
trecho da peça CÁRCERE escrita em parceria com Saulo Ribeiro.</p>
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		<title>rumo à Campinas</title>
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		<pubDate>Thu, 15 Dec 2011 11:38:07 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Vinícius Piedade</dc:creator>
				<category><![CDATA[Crônicas]]></category>

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		<description><![CDATA[Rumo à Campinas, que é, na minha opinião de viajado pirata, uma das cidades mais bonitas da América Latina (do ponto de vista da urbanidade). Lá farei CÁRCERE, que se pretende reflexão sobre a LIBERDADE nossa de cada dia, ou o contrário: metáfora pra casamentos aprisionantes, relações encarceradas, trabalhos acorrentadores, mentes enjauladas, vidas de cárcere [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Rumo à Campinas, que é, na minha opinião de viajado pirata, uma das cidades mais bonitas da América Latina (do ponto de vista da urbanidade). Lá farei CÁRCERE, que se pretende reflexão sobre a LIBERDADE nossa de cada dia, ou o contrário: metáfora pra casamentos aprisionantes, relações encarceradas, trabalhos acorrentadores, mentes enjauladas, vidas de cárcere mesmo que em LIBERDADE.</p>
<p><a href="http://www.viniciuspiedade.com.br/wp-content/uploads/2011/12/C%C3%81RCERE-em-Campinas.jpg"><img class="alignnone size-medium wp-image-444" title="CÁRCERE em Campinas" src="http://www.viniciuspiedade.com.br/wp-content/uploads/2011/12/C%C3%81RCERE-em-Campinas-296x300.jpg" alt="" width="296" height="300" /></a></p>
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		<title>PIRATA de volta essa semana!</title>
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		<pubDate>Mon, 28 Nov 2011 12:12:28 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Vinícius Piedade</dc:creator>
				<category><![CDATA[Crônicas]]></category>

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		<description><![CDATA[Quando eu tinha 23 anos eu comecei a apresentar CARTA DE UM PIRATA, que era a teatralização de uma carta de um pirata na faixa dos trinta anos. Hoje tenho a idade do tal pirata e expresso um jovem ator contando essa história. Ou seja, as idades se inverteram. Talvez por isso tenho me emocionado [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<h6 data-ft="{&quot;type&quot;:1}">Quando eu tinha 23 anos eu comecei a apresentar CARTA DE UM PIRATA, que era a teatralização de uma carta de um pirata na faixa dos trinta anos. Hoje tenho a idade do tal pirata e expresso um jovem ator contando essa história. Ou seja, as idades se inverteram. Talvez por isso tenho me emocionado e empolgado muito nos ensaios. Essa semana volto a apresentar a peça depois de mais de um ano (a última foi dia 11/09/11 em Munique). A peça acontece sábado no Teatro da Garagem em sampa.</h6>
<p>&nbsp;</p>
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		<title>Temporada SÃO PAULO DEZEMBRO 2011</title>
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		<pubDate>Fri, 18 Nov 2011 22:07:33 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Vinícius Piedade</dc:creator>
				<category><![CDATA[Crônicas]]></category>

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		<description><![CDATA[CONFIRMADA curta temporada do meu repertório em sampa no mês de dezembro. Será especial, em um espaço super intimista e incrível chamado TEATRO DA GARAGEM para a abertura da Mostra de Solos do Teatro da Garagem 2011. Aos sábados, a partir do dia 03 reestréia o solo &#8216;CARTA DE UM PIRATA&#8217; às 21h e aos [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<h6 data-ft="{&quot;type&quot;:1}">CONFIRMADA curta temporada do meu repertório em sampa no mês de dezembro. Será especial, em um espaço super intimista e incrível chamado TEATRO DA GARAGEM para a abertura da Mostra de Solos do Teatro da Garagem 2011.<br />
Aos sábados, a partir do dia 03 reestréia o solo &#8216;CARTA DE UM PIRATA&#8217; às 21h e aos domingos, a partir do dia 04 &#8216;CÁRCERE&#8217;, às 20 horas. Até 18 de dezembro.<br />
Teatro da Garagem- Rua Silveira Rodrigues, 331- Lapa<br />
35 lugares<br />
Ingressos: R$40,00 (meia entrada R$ 20,00 e ingresso antecipado R$ 15,00)<br />
Vendas antecipadas: vinipiedade@uol.com.br<br />
Maiores informações: 011 81 17 78 61</h6>
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		<item>
		<title>Trufas de chocolate</title>
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		<pubDate>Fri, 11 Nov 2011 12:59:20 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Vinícius Piedade</dc:creator>
				<category><![CDATA[Crônicas]]></category>

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		<description><![CDATA[Eu era operador de telemarketing. Cartões de crédito. Seis horas por dia. Intervalo de quinze minutos. Gravata. Barba feita. Sapato preto. Frases repetidas. Repetidas frases feitas. Sempre com gerúndio. Tristeza não tem fim felicidade sim, era meu refrão. Teatro era uma luz no  fim do túnel. Que parecia infindável. O tempo parecia não passar. E [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Eu era operador de telemarketing. Cartões de crédito. Seis horas por dia. Intervalo de quinze minutos. Gravata. Barba feita. Sapato preto. Frases repetidas. Repetidas frases feitas. Sempre com gerúndio. Tristeza não tem fim felicidade sim, era meu refrão. Teatro era uma luz no  fim do túnel. Que parecia infindável. O tempo parecia não passar. E quando passava, meus olhos não brilhavam quando eu lembrava que em breve eu estaria de volta. E quando voltada, não via o tempo passar. E quando passava, meus olhos não brilhavam quando eu lembrava que logo eu estaria devolta. E quando voltava&#8230; Até que conheci a operadora de telemarketing que vendia trufas de chocolate. Prazer. Eu comprava todo santo dia. Pedia meus quinze minutos de intervalo. Me isolava. E comia a trufa sem pressa. Quinze minutos comendo uma trufa. Aí eu voltava pra minha mesa, colocava o fone cantarolando TRISTEZAnãoTEMfimFELICIDADEsim. Todo dia. Mais de um ano. Seis horas por dia. Gravata. Gel. Sapato preto. Olhos opacos. Olhar opaco. Cara pálida, cara pálida. Frases repetitititititivas. Vamos virar robô? Até o dia em que a moça das trufas foi demitida. Por vender trufas. Pedaços de quinze minutos de felicidade de chocolate. Fiquei agoniado. O tempo me oprimia. Redundância. Repetição. Robotização. E me solidarizei com a moça das trufas. Pedi demissão. O teatro teria que me sustentar. Isso foi no ano 2000. Psso dizer que sou ator graças as trufas de chocolate?</p>
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		<item>
		<title>Chet Baker (conto inédito)</title>
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		<pubDate>Fri, 04 Nov 2011 17:25:31 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Vinícius Piedade</dc:creator>
				<category><![CDATA[Crônicas]]></category>

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		<description><![CDATA[Segue conto inédito do novo livro que será lançado em abril de 2012 CHET BAKER Ela parou o carro no farol vermelho e disse “merda” olhando para o rádio que só tocava slogans de empresas de merda. Repetiu “merda”, pegou no já antiquado porta CD´s um do Chet Baker e o colocou alto, bem alto, [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><strong>Segue conto inédito do novo livro que será lançado em abril de 2012</strong></p>
<p><strong>CHET BAKER<br />
</strong></p>
<p><strong> </strong></p>
<p>Ela parou o carro no farol vermelho e disse “merda” olhando para o rádio que só tocava slogans de empresas de merda. Repetiu “merda”, pegou no já antiquado porta CD´s um do Chet Baker e o colocou alto, bem alto, tão alto que nem ouviu as buzinadas avisando-a que o semáforo já estava verde. Quando foi ver, já estava amarelo, mas ATENÇÃO, mesmo assim pisou fundo cantando o pneu e cantando FOR HEAVEN’S SAKE tentando imitar a voz tão suave do cantor e não conseguindo, já que sua voz meio rouca lhe fazia desafinar ao tentar alcançar algumas notas.</p>
<p>Imprudente e entusiasmada, pisou mais fundo ainda não por pressa, mas aquele som lhe invadindo os poros fazia-a flutuar. Chegou mais rápido do que esperava no seu destino. “Merda”, disse, não queria chegar tão já, agora que a música tocava sua alma, agora que os instrumentos dialogavam com seus movimentos internos.</p>
<p>Mas antes chegar antes do que depois, odiava-detestava-repudiava atrasar em qualquer compromisso. “Engraçado, ultimamente todo mundo que marca encontro comigo atrasa. Atrasa muuuuuito!”, pensou com cara de quem filosofa olhando-se no retrovisor. Mudou o foco de visão no retrovisor e viu a porta por onde entraria em instantes. Respirou fundo como que pra não desistir, saiu do carro, pegou a mala no porta-malas e caminhou arrastando os pés para a tal porta, entrada do seu camarim.</p>
<p>Dois metros e cinco media o segurança de terno brilhante que lhe disse “oi”. Ela de um metro e sessenta e nove sorriu e respondeu ainda tentando ganhar ânimo “o show não pode parar”. Escutou isso de algum artista que admira em uma entrevista numa rádio dia desses. O show não pode parar. O show não pode parar. Não pode. Parar. O show.</p>
<p>No camarim olhou para o figurino do dia e achou-o indecente como deveria ser. Em algumas partes a roupa definia suas formas e em outras as exibiam. Grosseiramente. Bufou se despindo. Estava de saco cheio daquilo. Nunca imaginou que chegaria a esse ponto. Pensou por algum tempo que aquilo era só uma fase. Mas essa merda dessa fase estava se estendendo ao ponto de achar que envelheceria usando esses figurinos ridículos. Talvez o inferno astral estivesse dominando suas energias, concluiu já se vestindo sem sensualidade nenhuma, já que o esforço pra entrar na roupa apertada limava qualquer movimento mais sensual. Faria mais um aniversário naquela profissão de merda. “Merda!”, disse.  Seria seu segundo aniversário trabalhando lá. Essa profissão “temporária” estava indo longe demais. Quanto tempo dura uma profissão temporária?</p>
<p>Homens olhando-a com água na boca. Homens olhando-a com a boca seca. Homens necessitados desejando-a como leões desejam hienas. “Não!”, pensou. “Leão não come hiena. Leão como veado. Mas fica estranho substituir hiena por veado, sobretudo porque nesse exemplo eu sou o veado.”. Riu sozinha do seu humor ácido. Auto-ironia típica de dias difíceis. Aqueles dias.</p>
<p>Conversar sozinha até pronunciando palavras vez em quando como uma louca, era das coisas que mais gostava. Dizia coisas pra si que não diria pra mais ninguém. Não reprimia nada, dizia tudo, vontades, desejos, ódios, pecados, tudo-tudo-tudo: ela mesma era sua melhor amiga.</p>
<p>Quando já estava pronta olhando-se no espelho sem saber se ria ou chorava, viu pelo mesmo espelho a entrada de Paulinha, menina-mulher novata na dança, pelo menos nesse tipo de  dança. Paulinha foi logo falando que tinham uns cem caras hoje lá fora e que a nata estava em peso e que já começavam a gritar por ela e que a energia estava pesada e que estava com uma unha encravada. Falou também que estava calor e que o ar condicionado tinha pifado. Disse que estava com cãibras e que ela estava linda. Como falava Paulinha! Sem parar pra respirar, disse ainda que seu novo namorado estava aí e que  o show de hoje seria pra ele, só pra ele, mesmo que os outros cem caras também pudessem ver e até tocar, na real seria só pra ele.</p>
<p>Ela sorriu observando com superioridade a  ingenuidade de Paulinha. Há dois anos ela era mais ou menos assim, tinha esse mesmo ritmo e essa mesma forma de se enganar. Na época em que realmente acreditava quando dizia que aquilo era temporário.</p>
<p>Dúvidas cruéis corroíam seus pensamentos. O que faria  da vida se largasse essa vida? Buraco negro. Era a imagem que lhe vinha na mente. Uma foto de um buraco negro daquelas de livro didático. Na cabeça ela só tinha dúvidas. Dúvidas, dúvidas e dúvidas (e algumas dívidas também).</p>
<p>Paulinha falava algo sobre os drinks que bebeu ou que iria beber, quando ela percebeu que estava chegando a hora de subir no palco e fazer seu show, queria se livrar disso o mais rápido possível, afinal o show não pode parar. Escutou a música brega baixa ouvindo também os gritos dos caras boçais. Antigamente esses gritos, ah, antigamente esses gritos, ah, esses gritos a deixavam louca: no palco se movia com muito mais vigor, quase com tesão. Vez em quando com muito tesão e pouco vigor de tanta languidez que o tesão trazia ao seus movimentos. Hoje tinha até um pouco de nojo desses gritos. Não, definitivamente não, não, não e não, não queria continuar nessa, foi o que foi, deu o que deu e deu no que deu: algum dinheiro no banco e muitas experiências vividas. Chega!</p>
<p>Esse era o pensamento e sensação e certeza e vontade que tomavam conta dela antes de subir no palco nos últimos três meses. Decidia sempre que aquele era seu último dia e ponto, não queria mais, chega!, mas dia seguinte estava de volta por conta do buraco negro que se tornava seu futuro. Nas últimas doze noites ela quase não dormia pensando o que faria da vida. Não vinha nada, nenhum ideia, nenhuma razão, motivo ou impulso, buraco negro, era como se não servisse pra mais nada a não ser isso, dançar, mas não apenas dançar: deixar aqueles marmanjos excitados e babando (ou com a boca seca), não, não queria mais isso, chega, foi o que foi, mas e agora? O que faço? Não via saída. Não via a luz no fim dessa merda desse túnel sem fim.</p>
<p>Vontade de tirar essa roupa ridícula com todo sofrimento que esse ato lhe traria, jogar a roupa longe e nua se dirigir para seu carro pra dirigir noite a dentro vida a fora, pisar fundo pelas ruas dessa cidade sombria, lá sim se sentiria plena, leve, no ápice da liberdade. Como era bom em alta velocidade escutar (e realmente ouvir) Chet Baker, aquele som suave e tão profundo, aquelas músicas tão excitantes I DON’T STAND A GHOST OF A CHANCE WITH YOU ou então EVERY TIME YOU SAY GOODBYE ou mesmo a conhecida MY FINE VALENTINE e o carro flutuando, estrada livre em direção ao buraco negro. Pisando fundo em direção ao nada. Em direção ao nada. Em direção ao nada. “Essa estrada não vai pra lugar nenhum. Mas eu continuo indo, vou indo, vou indo e pior, cada vez acelero mais, como que pra apressar essa minha viagem para o nada!” disse isso interrompendo o monólogo de Paulinha que contemplava a própria gostosura no espelho. Paulinha não entendeu nada do que disse então mais uma vez ela repetiu, como que pra aumentar a confusão da menina “Em direção ao nada, em direção ao nada!”.</p>
<p>O cara com aquela cara de mágico de circo paraguaio que organiza as apresentações surgiu com sorriso na cara com cara de mágico de circo paraguaio e disse sem tirar o sorriso da cara que em dois minutos ela tinha que subir no palco e dar aquele show. Hoje seria usada a música do George Michael que ela havia pedido. Ela, que não lembrava de ter pedido música nenhuma perguntou, “que música?” e o cara com cara de mágico de circo paraguaio fez cara de quem não entendeu a pergunta, mas antes que ela repetisse disse voltando a  sorrir JESUS TO  A CHILD. Música lenta, sensual, merda, hoje queria algo mais agitado algo meio Michael Jackson que é outra coisa, outra ginga, outra rima, outra dança. Quase suplicante, perguntou para o cara com cara de mágico de circo paraguaio se ele não podia colocar algo mais agitado e ele, canastrão, fez cara de choro dizendo que ela não imaginava o que ele tinha pastado pra conseguir a música. Sem paciência pra essa conversa ela disse brusca “então tá, solta a merda da música”. O  cara com cara de mágico de circo paraguaio lentamente se aproximou dela e inesperadamente, mesmo que absolutamente esperadamente, deu um tapinha na bunda de boa sorte ao que ela reagiu com um olhar fulminante que poderia ser um pisão na cara do cara com cara de mágico de circo paraguaio. Animado e vaidoso, o cara foi dar seu show apresentando com todo suspense cafajeste a entrada da estrela da noite no palco e ela, sem acreditar-se estrela, ou lamentando ser estrela nesse buraco, olhou o teto, para o chão, fechou os olhos e respirou fundo. Abriu os olhos e olhou Paulinha olhando-se no espelho. Olhou para a porta que leva a rua e para a porta que leva para o palco. Dúvida. Qual porta usar? Não sabia se corria para nunca mais ou se entrava na porta do seu inferno. Decidiu não fazer uma coisa nem outra: jogou-se no chão desistindo da vida pelas próximas horas. Mas as próximas horas duraram apenas dez segundos, logo começou a se alongar para a série de ginasta que faria no palco</p>
<p>“Hoje é o último dia”, disse em voz alta já passando creme nas coxas para brilhar, “amanhã não mais, desisto, chega-chega, foi o que foi, foi como foi&#8230;”.</p>
<p>Paulinha que já ouvira esse discurso umas quinze vezes sorriu como sempre espontânea e disse “vá lá mulher!”. Mas ela não sorriu de volta. O barulho dos homens babantes aumentava a cada passo. “Mas o que vou fazer? Mas o que vou fazer da vida? Mas o que vou fazer da minha vida? Talvez vender jóias, talvez, sei lá, talvez ensinar para outros dançar, é isso, quase todas as mulheres são travadas, as pessoas são travadas com o corpo, não sabem que o quadril é separado do peito que é separado dos pés, acham que o corpo é um bloco só, colado, tal como bonequinho de criança, posso mostrar que não, é isso, ensinar minha arte, não exatamente essa que danço aqui, sei lá, eu sei dançar outras coisas também, vou ensinar minha arte, amanhã não volto aqui, é isso meu deus do céu!”.</p>
<p>Fim do buraco negro?</p>
<p>Paulinha vendo-a brilhar assim repentinamente, sorriu orgulhosa da quase amiga. Como ela conseguia se transformar tanto ao pisar no palco? Era das melhores. Mas Paulinha sabia que estava no caminho certo, um dia conseguiria esse brilho. A outra já tinha dois anos de show. Ela ainda estava no começo. Não que desejasse ir longe  com isso. Era só uma coisa temporária. Mas se era pra fazer, que fizesse bem feito. Escutando os homens urrando na entrada da outra, Paulinha diz sussurrando pra si no espelho, “daqui há meia hora é minha vez, será hora do meu show, minha dança, momento em que o tempo de todos os cem lá fora estarão concentrados em meus movimentos, mínimos movimentos, gestos, olhares, tomarei conta do palco, inteirinha, daqui há meia hora”. Paulinha suava, quase excitada. E de fundo o George Michael cantava.</p>
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		<title>31 anos (verão)</title>
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		<pubDate>Sat, 15 Oct 2011 20:01:26 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Vinícius Piedade</dc:creator>
				<category><![CDATA[Crônicas]]></category>

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		<description><![CDATA[31 anos (verão) Eis que chega o verão. O meu verão. Ou já chegou e só percebi agora. O fato é que constato nesse momento que estou no verão da vida. Passei da primavera inquietante da juventude para o verão caudaloso da idade adulta. Escrevo olhando vez em quando pra janela. E vejo a branquidão [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><strong>31 anos (verão)</strong></p>
<p>Eis que chega o verão. O meu verão. Ou já chegou e só percebi agora. O fato é que constato nesse momento que estou no verão da vida. Passei da primavera inquietante da juventude para o verão caudaloso da idade adulta.</p>
<p>Escrevo olhando vez em quando pra janela. E vejo a branquidão desse dia lindamente chuvoso, um sábado silencioso. Nem parece que estou no coração da metrópole. Já passa das 16hs. Deixei-me ficar na cama até não poder mais. Aí tomei de café da manhã o almoço. Depois lavei a louça acumulada. E me joguei no sofá pra ler o livro Verão de J.M. Coetzee (incrível!). Depois fechei o livro e olhei o computador desligado. E resolvi escrever algo sobre os 31 anos que completo essa semana. Liguei o computador e enquanto ele acordava mais lentamente do que eu fiquei olhando os poucos carros fluindo pelas ruas da cidade branca pensando o que dizer sobre esse verão da vida. O que dizer? Nada. Viver. É que criei esse hábito chato desde os 17 anos de escrever algo no aniversário. Só que semana que vem no dia do aniversário estarei com peça numa correria deliciosa: farei CÁRCERE dia 20 em Ji-Paraná, Rondônia, apresentação fechada para a universidade ULBRA e viajo em seguida pra Bauru-  SP onde no dia seguinte, ou seja, dia 21 (dia do aniversário) acontece também CÁRCERE no SESC. Presente. Nada mais extasiante do que fazer peça nesse dia especial.</p>
<p>O que que há com nós dois amor? Me responda depois.</p>
<p>Trinta e um anos. 31. Idade em que vem na cabeça, no corpo, na alma, algumas questões decisivas. Do tipo, o que fiz da minha vida até agora? E quais os rumos que estou seguindo? Essa estrada que eu peguei me leva pra algum lugar, ou estou caminhando rumo ao nada. O que é esse nada que estou perseguindo? Minhas escolhas são de fato minhas escolhas ou eu simplesmente me deixei levar por um rio em meu bote salva-vidas? Quem já passou por essa fase, sabe do que estou falando. Quem ainda não, há de saber um dia.</p>
<p>O que que há com nós dois amor? Me responda depois.</p>
<p>Tão difícil responder essas questões estando no olho do furacão. Daqui há trinta anos talvez poderei fazer esse balanço. Mas daqui de dentro do meu <strong>agora</strong>, simplesmente fico confuso. E isso apesar de não ter nenhuma dúvida sobre minhas escolhas de vida, que são minhas escolhas profissionais, que são minhas escolhas. Porque eu tive essa sorte de poder escolher. E poder escolher, por mais que com licença poética eu possa dizer que “fui escolhido”, é uma coisa única. Viver do que acredito. Pagar meu caro aluguel (e condô), a carne (cara), a luz-cartão-cel-sal-livros-leite-farmáciaARROZtransporteAZEITEvinhoBISCOITOsabãoEMpóINTERNETsalameJUROSALTOSjurosaltosTARIFASimpostosJUROSSOBREJUROSsobreJUROSsobreJUROSeuJUROqueTEphodeEtemTAMBÉMoTÃObomAÇAÍeTEMqueJANTAReOpedágioEtudoMAIS-e-mais-e-mais com meu REAL ofício, não tem preço. Aliás, tem preço. Viver é caro. Claro que tenho que bancar essa escolha, ou seja, lutar pra fazer com que isso não seja um equívoco. Equivoco que sei que não cometi. Mas sabe como é. As dificuldades vez em quando são tantas que você se olha nos olhos dentro de um espelho qualquer e diz “o que está fazendo, cara?”.</p>
<p>Te respondo depois o que que há com nós dois amor.</p>
<p>Não sei o que será. Sei um pouco do que está. E tenho noções do que É. De onde estou. Mesmo que não sabia até quando vou. Ou até onde. Simplesmente vou. Não gosto de ir a vidente por acreditar que o futuro se constrói no agora. Nas escolhas do agora. Que é a única coisa que realmente temos. Não há o que se fazer. A não ser viver o DEVIR nosso de cada dia. É por aí. Eu acho. E o que tenho agora, é simplesmente <strong>TODO VERÃO</strong> pela frente.</p>
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