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		<title>VOCÊ ESTÁ LEMBRADA, MENINA?</title>
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		<dc:creator><![CDATA[gezianemaini]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 11 Jan 2018 15:28:49 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[Você está lembrada, menina? Daquelas noites em que, simplesmente, deitava-se no  travesseiro e abraçava aquele cachorrinho encardido que o seu pai lhe deu? Lembra-se, também, das massagens nos seus pés, que ele insistia em fazer? Entretanto, ambos sabiam que, na verdade, eram cosquinhas disfarçadas, que era pretexto para darem boas gargalhadas. Sei que sente saudades do [&#8230;]]]></description>
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<div dir="auto" style="text-align:justify;">Você está lembrada, menina? Daquelas noites em que, simplesmente, deitava-se no  travesseiro e abraçava aquele cachorrinho encardido que o seu pai lhe deu? Lembra-se, também, das massagens nos seus pés, que ele insistia em fazer? Entretanto, ambos sabiam que, na verdade, eram cosquinhas disfarçadas, que era pretexto para darem boas gargalhadas. Sei que sente saudades do mingau de fubá e das cantigas de roda. Da sabedoria e do carinho quando ele precisava te ensinar e da frase que o acompanhava nesses momentos: &#8220;já te mostrei o caminho, se não passar por ele, a responsabilidade é sua&#8221;. Isso tilintava lá no fundo da alma&#8230; Acho que, se estivesse ainda contigo, diria que não o decepcionou, porém, completaria com : &#8220;apesar de todas  as burradas que você tem feito&#8230; &#8221; É claro!</div>
<div dir="auto" style="text-align:justify;">Soltar e construir as próprias pipas, desenhar nas primeiras páginas dos seus cadernos, fazer você rir, até doer a barriga, com as histórias de quando ele era criança&#8230; Essas eram apenas algumas das suas especiais habilidades em alegrar o seu coração. Ele acreditava em você, como ninguém mais nessa vida, minha flor! A maior prova disso é que ele concedeu que você  ganhasse asas, te deixou livre e insistiu para que voasse, empurrou-a para fora do ninho, quase da mesma maneira que te ensinou a nadar &#8211; te jogando na piscina&#8230; Porém, permaneceu ali, seguindo os seus movimentos&#8230; Sempre atento e pronto, caso você não conseguisse alcançar a borda. E você conseguiu. Hoje sei que sente falta da presença dele na beirada da piscina, olhando atentamente para cada braçada sua, cada tentativa de não submergir e até mesmo da prontidão em pular na água para te salvar, se fosse necessário. Sei que sente falta da toalha que ele carregava, acolhendo-a, ao sair da água, porém o mais importante era o abraço escondido atrás daquela toalha, o sorriso naquele rosto magro e o brilho insistente naqueles olhos, que teimavam em brilhar, quando fitavam os seus&#8230; E você sabia, exatamente, que para ele, não importava se você tinha ou não atingido o êxito, se você tinha ou não conseguido nadar, mas que, na verdade, o que valia, era os dois estarem ali.</div>
<div dir="auto">                                                                                 (Geziane Maini)</div>
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		<title>DISPA-ME A ALMA&#8230;</title>
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		<dc:creator><![CDATA[gezianemaini]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 08 Jan 2018 20:30:53 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[Queres, realmente, ter-me, rendida como uma criança, totalmente absorta por você? Convida-me para uma boa conversa. Mas, aviso-te já, de ante mão, para possuir-me assim, com tamanha intensidade, imponho, no sentido mais amplo da palavra, que venhas sem medos, sem jogos, sem defesas&#8230; Desarme-te, retire a couraça do preconceito, a armadura do achismo e o [&#8230;]]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p><img data-attachment-id="21" data-permalink="https://palavrasapenas.wordpress.com/img_20180107_17285221/" data-orig-file="https://palavrasapenas.wordpress.com/wp-content/uploads/2018/01/img_20180107_17285221.jpg" data-orig-size="582,414" data-comments-opened="1" data-image-meta="{&quot;aperture&quot;:&quot;0&quot;,&quot;credit&quot;:&quot;&quot;,&quot;camera&quot;:&quot;&quot;,&quot;caption&quot;:&quot;&quot;,&quot;created_timestamp&quot;:&quot;0&quot;,&quot;copyright&quot;:&quot;&quot;,&quot;focal_length&quot;:&quot;0&quot;,&quot;iso&quot;:&quot;0&quot;,&quot;shutter_speed&quot;:&quot;0&quot;,&quot;title&quot;:&quot;&quot;,&quot;orientation&quot;:&quot;0&quot;}" data-image-title="IMG_20180107_172852~2.jpg" data-image-description="" data-image-caption="" data-large-file="https://palavrasapenas.wordpress.com/wp-content/uploads/2018/01/img_20180107_17285221.jpg?w=582" class=" size-full wp-image-21 aligncenter" src="https://palavrasapenas.wordpress.com/wp-content/uploads/2018/01/img_20180107_17285221.jpg?w=768" alt="IMG_20180107_172852~2.jpg"   srcset="https://palavrasapenas.wordpress.com/wp-content/uploads/2018/01/img_20180107_17285221.jpg 582w, https://palavrasapenas.wordpress.com/wp-content/uploads/2018/01/img_20180107_17285221.jpg?w=150&amp;h=107 150w, https://palavrasapenas.wordpress.com/wp-content/uploads/2018/01/img_20180107_17285221.jpg?w=300&amp;h=213 300w" sizes="(max-width: 582px) 100vw, 582px" /></p>
<p style="text-align:justify;">Queres, realmente, ter-me, rendida como uma criança, totalmente absorta por você? Convida-me para uma boa conversa. Mas, aviso-te já, de ante mão, para possuir-me assim, com tamanha intensidade, imponho, no sentido mais amplo da palavra, que venhas sem medos, sem jogos, sem defesas&#8230; Desarme-te, retire a couraça do preconceito, a armadura do achismo e o escudo do julgamento. Venhas nu e lhe garantirei um prazer tão raro, especialmente, nos dias atuais, tão visceral, que a lua irá brilhar, meu caro, mesmo se a noite estiver chuvosa. Porém, segues somente alguns simples conselhos meus, conselhos de quem quer lhe proporcionar aquilo que gostaria de sentir.</p>
<p style="text-align:justify;">Então, permito-lhe utilizar algumas ferramentas fundamentais para a execução do nosso plano. Uma delas é o olhar. Entretanto, não é qualquer olhar, pois precisa transbordar, ultrapassar a barreira física e atingir-me, como uma flecha que encontra o seu alvo, exatamente no ponto em que se fundem os meus sonhos e as minhas realidades, as minhas mazelas e as minhas belezas, o meu corpo e a minha alma. Se aceitares tal proposta, retribuirei-lhe com a mesma ousadia, com a mesma vontade e com a mesma verdade. Tornaremo-nos cúmplices, ávidos de desejo pelo prenúncio trazido por esse olhar. Desejo de ouvir, de sentir as palavras, que saem da boca como desenhos, tomando formas, ganhando cores de diferentes tons&#8230;</p>
<p style="text-align:justify;">Aliás, esta é a segunda ferramenta, o poder inebriante e insubstituível das palavras&#8230; Conte-me os teus devaneios, as tuas sandices, os teus sonhos, deixe-me penetrar o teu mundo, com delicadeza e vigor&#8230; Ouça-me, dance ao som da minha voz, inebrie-te com a vivacidade das minhas gargalhadas e compadece-te das minhas misérias&#8230; Sejas tu, sem máscaras e eu prometo-lhe que estarei disposta a entregar-me, com calma e, ao mesmo tempo, com prontidão&#8230; Então, eu peço-lhe, dispa-me a alma, com o toque das suas palavras&#8230;</p>
<p>&nbsp;</p>
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		<title>Panela de Pressão</title>
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		<dc:creator><![CDATA[gezianemaini]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 13 Jan 2016 03:13:56 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Sem categoria]]></category>
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					<description><![CDATA[Há alguns meses, em uma pequena loja de quinquilharias domésticas, deparei-me com uma panela de pressão com um visor transparente na tampa, achei o máximo, especialmente porque revelava todo o conteúdo, assim, óbvio, podíamos enxergar o que estava lá dentro, como também o seu ponto de cozimento, além de podermos acompanhar, em tempo real, a [&#8230;]]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p><span style="font-weight:400;">Há alguns meses, em uma pequena loja de quinquilharias domésticas, deparei-me com uma panela de pressão com um visor transparente na tampa, achei o máximo, especialmente porque revelava todo o conteúdo, assim, óbvio, podíamos enxergar o que estava lá dentro, como também o seu ponto de cozimento, além de podermos acompanhar, em tempo real, a transformação do alimento contido ali. Saber se uma panela de pressão está prestes a explodir sempre foi um mistério para mim e um medo também. A princípio foi isso que me chamou a atenção…</span></p>
<p><span style="font-weight:400;">Mas,  enquanto a minha cabeça funcionava e Deus sabe o quanto estava funcionando, comecei a perceber que o que me interessava tanto era a acessibilidade à verdade, ao processo de construção dos meus sentimentos e dos alheios também, não a química culinária em si. Imaginei que se tivéssemos a possibilidade de enxergar como reagimos a cada situação, passo a passo, poderíamos ter mais controle das nossas emoções, isso não significa deixar de sentir, mas controlar-se melhor, saber o ponto de certo de abaixar o fogo ou desligar a panela, ou melhor, a cabeça. Dessa maneira, evitaríamos muitas explosões ou, em alguns casos, deixaríamos explodir, de propósito, por necessidade, lógico que em último caso, pois os danos decorrentes de um estouro podem ser irreversíveis. Então reafirmo a importância do visor, que podemos chamar de autocontrole ou de autoconhecimento, raros como essa panela de pressão que me chamou a atenção em uma pequena loja de quinquilharias domésticas.</span></p>
<p>&nbsp;</p>
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		<title>A morte da menina</title>
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		<dc:creator><![CDATA[gezianemaini]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 13 Jan 2016 02:13:18 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Sem categoria]]></category>
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					<description><![CDATA[A notícia chegou, de forma estranha, quase silenciosa, foi ouvida mais pela percepção do que pela própria audição, talvez tenha assustado muito as pessoas que conheciam-na, mas ela sabia que não tinha caminho de volta: “A menina morreu”. Ela não era menina na idade, sabem como é isso? Era no coração, no olhar puro, na [&#8230;]]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align:left;">A notícia chegou, de forma estranha, quase silenciosa, foi ouvida mais pela percepção do que pela própria audição, talvez tenha assustado muito as pessoas que conheciam-na, mas ela sabia que não tinha caminho de volta: “A menina morreu”.</p>
<p>Ela não era menina na idade, sabem como é isso? Era no coração, no olhar puro, na credibilidade e na esperança que depositava nas pessoas, possuía uma certa inocência em relação aos outros, quase infantil.</p>
<p>Seus últimos meses foram agonizantes, seus dias foram entrelaçados por uma espécie de lucidez indesejável, quase torturante e também por uma embriaguez idiota, ilusória. A primeira representava a dor, toda a dor que teria que suportar para romper com a segunda, que na verdade, não passava de uma miragem, mas era o que segurava o seu coração, a sua vida.</p>
<p>Essa lucidez chegou disfarçada, bem argumentada, quase diplomática, dir-se-ia que era necessária naquele momento tão importante. Não tinha como arrancá-la dali, a menina não pediu que ela viesse, ela simplesmente instalou-se, através da voz de quem representava confiança e amor. E novamente ela aceitou e acreditou, mas nem imaginou qual seria o seu desfecho.</p>
<p>Essa lucidez não era suave, não se espalhava simplesmente, ela arrancava a inocência à força, fazia suar, fazia sangrar, deixava-a tonta e completamente sem forças, ela era a causadora da pior tormenta que essa menina já viveu, nenhuma outra foi tão devastadora, tão fatal.</p>
<p>Os primeiros membros a serem atingidos por essa doença foram as asas, mas espera aí, meninas não têm asas! Esse tipo de menina tem sim, são elas que sustentam-na, que fazem-na voar, que fazem-na sonhar. A ferida foi aberta e não teve remédio, não teve sutura, não teve bálsamo que aliviasse. Ela foi ficando cada vez mais profunda e dolorida, causava febre e alucinações. A única chance era tentar remédios terapêuticos, gratuitos até, como a compaixão e o amor de quem conhecia o sofrimento daquela menina, mas infelizmente, as pessoas já tinham esgotado as suas porções e ela aprendeu que não poderia se sustentar, se dependesse de outro ser.</p>
<p>Sem mais o que fazer, ela deixou o curso da vida desempenhar o seu papel, as asas, enfim, caíram, o seu coração não bombeava mais pureza, os seus olhos  fecharam-se para a inocência…</p>
<p>Mas quem é aquela que surge ali, de pé, naquela porta? É você menina? E ela, estranhamente calma, responde:</p>
<p>_ Olá! Muito prazer, eu sou a mulher!<span id="more-2"></span></p>
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