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Esta semana a mídia foi bombardeada com pesquisas “reveladoras” sobre a suposta “origem biológica da homossexualidade”. Estas matérias ao invés de aliviarem meus pensamentos, causaram-me uma inquietação crescente.

O geneticista do comportamento Andrea Camperio Ciani, com “longa experiência em estudos com macacos”, em entrevista concedida à Folha de São Paulo no dia 21/06, afirma que: “o homossexualismo masculino tem um componente genético herdado por parte de mãe”.

Até aí OK, visto que o grande enigma do homossexualismo, do ponto de vista científico, é a contradição da evolução sexual darwiniana.

No entanto, algumas afirmações suscitaram minha atenção:

O modelo [genético] mostra características peculiares, que dão uma vantagem reprodutiva para um sexo, e dão desvantagem para outro. O normal é imaginar que um determinado gene dá vantagem para todas as pessoas que o carregam. Mas genes como esses ligados à homossexualidade humana dão vantagem quando estão em mulheres, porque as fazem produzir mais prole, mas ao mesmo tempo criam desvantagem reprodutiva em homens, com a possibilidade de se tornarem homossexuais.”

Nós estudamos apenas os componentes genéticos, mas não estou dizendo que o homossexualismo é determinado pelos genes. Ele é apenas influenciado. Há outros componentes, biológicos, psicossociais, experiência de vida…”

“… não importa saber exatamente onde ele está.” Ao ser indagado sobre o gene ou hormônio específico da homossexualidade no ser humano.

O que queremos saber é por que os genes que influenciam a homossexualidade existem.” Comentando sobre o real objetivo da pesquisa.

Intolerância
Cena do filme “Intolerância”, D.W. Griffith, 1916

A Revista Veja publicou no mesmo dia 21/06 resultados da pesquisa do Stockolm Brain Institute, na Suécia, que demonstrou:

1) “Nos homens homossexuais e nas mulheres heterossexuais, há mais atividade dos neurônios na amígdala esquerda”;

2) “Nos homens heterossexuais e nas mulheres homossexuais há menos atividade dos neurônios na amígdala esquerda”.

Trocando em miúdos: gays e mulheres heterossexuais possuem um maior fluxo sanguíneo na área do cérebro responsável por emoções como a ansiedade, entre outras.

A experiência - realizada através de exames de tomografia e ressonância magnéticas em noventa voluntários - foi considerada nas palavras do periódico como “a prova mais consistente até hoje do fator biológico na homossexualidade”.

O que a Revista Veja não diz:

1) O objetivo real do estudo conduzido pela coordenadora do projeto, Ivanka Savic consistia em detectar os efeitos das diferenças entre o cérebro masculino e feminino e a influência da diferença dos sexos em doenças tais como a depressão (com maior incidência no sexo feminino) e da Síndrome de Down (com maior incidência no sexo masculino).

2) Ainda serão realizados estudos complementares em fetos e recém-nascidos para confirmar se os traços são herdados (desenvolvidos ao longo da gestação) ou são adquiridos (evoluem ao longo do tempo dentro do ambiente familiar), ou uma soma dos dois, o que deu lugar a uma nova pesquisa, esta sim centrada no comportamento homossexual. Creiam-me: isso ainda vai demorar muiiiiiiiiiiitooooooooooo!!!!!

3) E por último a conclusão da cientista: “Há uma conhecida desigualdade do número de transtornos psiquiátricos na distribuição por sexos, e, tentando compreender as diferenças sexuais, e as diferenças de orientação, você pode dar uma dica do mecanismo subjacente a estas doenças.”

As descobertas foram noticiadas com estardalhaço e mobilizaram a opinião pública. Prova disso é que ao ler a Veja na segunda-feira - a mesma já havia rodado nas mãos de todos em minha casa, tipo quem assina lê por último - percebi que havia uma página extremamente manipulada, amassada e engordurada: a matéria sobre as experiências da doutora Ivanka Savic.

Isso denota a expectativa em justificar o comportamento homossexual de filhos e filhas “transviados”, e, portanto, fora do controle da moral, da religião, e, quiçá, da medicina.

Aliás, tenho a impressão da existência de um desejo inconsciente do coletivo gay e lésbico em justificar-se: “Nós nascemos assim”. Há algum tempo atrás li acerca de uma campanha do tipo “não é opção”. Pessoalmente considero patético e em nada me acrescenta. É como se tivesse 10 anos de idade, virasse para um adulto, mostrasse a língua e desse as costas.

Em uma cultura ocidental predominantemente homofóbica, ainda que descobrissem o gene da homossexualidade, a mudança de mentalidade viria, pensando de maneira otimista, no prazo de um século. As causas do preconceito são culturais. E devemos pensar seriamente que a perspectiva de ser provada a origem genética da homossexualidade - digo provas científicas irrefutáveis - colocará a comunidade LGBT frente a novos desafios. Desde a mudança cultural, uma batalha permanente, até a possibilidade da eugenia sexual (ver post “O Parágrafo 175″).

Resta saber se ainda vale a pena afirmar comodamente: “Eu nasci assim”. Afinal de contas, negros “nascem assim” e matam um leão por dia para combater o preconceito, judeus “nascem assim” e foram exterminados em campos de concentração, palestinos “nascem assim” e são sistematicamente bombardeados na Faixa de Gaza. Tais estudos permitem à ciência moderna corroborar o princípio de que a homossexualidade não contradiz a moral e a religião tanto quanto pode legitimar o preconceito arraigado em uma civilização que sempre refutou o diferente (lembram-se da Santa Inquisição?).

Ao contrário do que muitos imaginam, estas descobertas - e outras que virão - não oferecem soluções rápidas a uma sociedade secularmente enraizada na intolerância (assistam ao filme “Intolerância” do diretor D. W. Griffith de 1916), antes encherão de questionamentos e convidarão ao debate.

E falando em justificativas e explicações, o título do post é esclarecedor, uma vez que foi retirado do fantástico “Memórias Póstumas de Brás Cubas” de Machado de Assis. O personagem central (Brás Cubas) decide justificar sua mediocridade e hipocrisia em vida - uma vez que está morto - jogando a batata quente para a sua família ao afirmar: “Dessa terra e desse estrume é que nasceu esta flor”.

Que não fechemos nossas portas ao debate, caindo no pecado da justificativa fácil, antes escancaremos nossas mentes para o novo e para a sociedade pós-DNA que nos mapeia.

Beijo a todos.

Para ler e conferir:

Entrevista do cientista Andrea Camperio Ciani na Folha de São Paulo:
http://www1.folha.uol.com.br/fsp/ciencia/fe2106200801.htm

Matéria da Revista Veja:
http://veja.abril.com.br/250608/p_168.shtml 

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