05 Jun

União suprapartidária é confissão de impotência (O Estado - versão para internet)

Políticos da base de apoio ao governo federal falam em promover um esforço suprapartidário para conseguir instalar no Ceará uma refinaria da Petrobras. Tal idéia nasce a partir de um entendimento bem peculiar sobre a natureza das políticas públicas. Na cabeça desse pessoal, vivemos uma espécie de gincana entre entes da Federação, uma competição para ver quem consegue convencer primeiro o presidente Lula a tomar um decisão favorável ao seu Estado. Dessa forma, o time que estiver mais unido e empenhado conseguirá o prêmio desejado. Tudo isso, claro, em nome dos cidadão cearenses.

É lamentável ver um tema dessa magnitude submetido aos interesses dos mandatários de plantão ou às conveniências eleitorais. Quais os elementos técnicos que o governo considera fundamentais para o negócio? Ninguém sabe. Quais foram as condições que fizeram do Maranhão o destino de uma outra refinaria? Ninguém sabe. Ou melhor, todos sabem. E elas atendem pelos sobrenomes Sarney e Lobão.

O apelo em busca de uma união suprapartidária nada mais é do que uma confissão de impotência dessa base que, na hora de pedir votos, fez da proximidade com o presidente um trunfo eleitoral, mas que diante da não efetivação dessa parceria, procura dividir o ônus das promessas não cumpridas com seus adversários.

Não é razoável querer transformar a falta de investimentos no Ceará numa circunstância impessoal. Essa situação tem responsáveis de carne e osso, com RG e CPF. Atribuir culpa pela falta de obras a todos os políticos do Ceará, generalizando aquilo o que é particular, é esperteza que serve para proteger maus gestores. Ademais, que podem fazer os poucos opositores que existem por aqui? Eles é que devem convencer o presidente? A maioria precisa da minoria para cumprir o seu papel? Tenham paciência! A oposição, pelo menos, deve cobrar as promessas feitas por quem foi eleito. Pelo menos deveria. Estes, por sua vez, deveriam pagá-las. Se não o fazem, a única união possível é a da denúncia. É o caso daqueles que se apresentaram como parceiros de Lula dizerem que foram traídos.

Po último, resta lembrar (a que ponto chegamos!) que o compromisso primordial do presidente não é com a base aliada, nem com seus correligionários. É com o povo que deu a ele uma das maiores votações da história. Trata-se de uma dívida moral.

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