“A flor é efêmera, mas traz em si a perenidade da semente.”
Olha só,
Li, na última semana, um livro de Nilton Bonder, chamado “O Sagrado”. Livro que recomendo, onde o autor faz um contraponto, para não dizer que vai totalmente contra o “O Segredo”, que está tão na moda.
Mas este não é o foco agora, o fato relevante para este texto é que neste livro, enquanto o autor faz uma série de advertências sobre a pressa que temos para alcançar nossos objetivos, nossos sonhos e, por que não dizer, nossa insaciável busca de sempre mais, ele faz um paralelo com uma semente jogada junto a um rio, imagem esta que ele busca de uma passagem bíblica.
Ao ler este trecho, me veio esta frase: “A flor é efêmera, mas traz em si a perenidade da semente.” Frase esta que não me sinto à vontade para dizer que é minha, mas um resumo da idéia de um dos seus parágrafos.
E é assim que somos, como flores, somos efêmeros, passageiros, quando se vê, já foi. Mas algo fica, independente da crença de cada um, algo fica, sempre. Sim, há flores estéreis, imagino eu, mas não é para essas que escrevo. Escrevo para as que dão semente, como você.
O mais importante para uma flor, embora seja a aparência o que mais chama a atenção, é o que ela traz dentro de si, a semente. É seu conteúdo, sua razão de ser. Ela não existe pra ser bonita, perfumada, embora o seja. Ela existe para proteger, como invólucro, a semente dentro de si.
Algumas caem ou são colhidas antes desta semente estar pronta, e só é lhe dado valor por sua aparência. Não é válido? É, claro que é. São belas, embelezam o ambiente, perfumam, mas, que pena, morrem e não deixam nada.
As que não são colhidas, as que permanecem na sua árvore, no seu pé, às vezes passam até desapercebidas, mas serão estas que trarão uma nova planta. Pois aquela semente que traz em si, tem, dentro de si, de certa forma, toda uma nova árvore.
E a escolha da flor é esta, se lhe fosse possível escolher: ser apreciada como flor, dada de presente, adorada, colocada em vasos, em destaque, linda, perfumada, ou um aparente final triste: amadurecer e morrer, mas daí ver brotar uma árvore com tantas outras flores, frutos... muito mais do que ela pudera sonhar ser.
Na primeira escolha, o mérito é reconhecido por todos, na hora, mas em breve tudo acaba. Na segunda, parece uma vida normal, provavelmente nem no futuro lhe darão muito mérito...
Qual você prefere? Se fosse uma flor e pudesse escolher, qual seria o seu destino?
Pense, reflita e não tenha medo, nem vergonha da sua resposta. Sinceramente, não sei se existe resposta certa. Acho que não. E só um questionamento.
Foi um privilégio!
Quinta-feira, 12 de Junho de 2008
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