Devem usar em conjunto as 15 maneiras de impedir que seus alunos colem nas provas.
Não há coisa mais chata em dia de prova, além de ter que tomar conta de uma que não a sua, é ficar observando os alunos para ver se eles tentam colar. É um jogo de gato e rato que não tem mais a mesma graça de alguns anos, os iniciais de minha vida como professor. E isso já faz um tempão. Eu me divertia pra caramba fazendo isso.
Preliminares:
É necessário deixar bem claro, antes de entregar as provas que, sobre as mesas (carteiras) só poderão ficar os seguintes objetos: As duas mãos, um lápis, uma caneta e uma borracha.
Hora de prova é igual a jogo de pôquer em filme de Bang-Bang. Se colocar a(s) mão(s) sob a carteira (mesa) leva teco de giz na testa. No caso deste que vos escreve, o teco é certeiro, pois fui campeão de handball e cansei de ganhar campeonatos deste esporte. Portanto, a pontaria é boa apesar dos óculos.
Não serão permitidas coisas do tipo Liquid Paper e quetais.
Documento não se escreve a lápis. Portanto, é obrigatório o uso de caneta.
A não ser que o professor da outra matéria, quando você tiver que passar por esta tortura de tomar conta de prova alheia, tenha previamente lhe informado sobre a mecânica da prova, não são permitidos celulares, iPod, mp3 e calculadoras. Bonés nem pensar!
Folhas de rascunho só poderão ser usadas com a assinatura do aluno e um tanto de baba que escorre e pinga na folha quando tentam resolver as questões. Isto será usado num possível teste de DNA para que sejam incriminados em caso de cola se a folha de rascunho passar para outros alunos.
Ler enunciado de questão é para ser feito em leitura silenciosa.
Siga a lógica de um antigo técnico de futebol, ao explicar ao seu botinudo jogador que a bola deve rolar pelo gramado. “Meu filho, do que é feita a bola?”, perguntou o treinador. “De couro de vaca, seu fulano”, respondeu o becão da roça. “Meu filho, o que a vaca come?”, novamente perguntou o técnico. “Come capim, seu fulano”. “Então, meu filho, a bola tem que rolar na grama e não ficar sendo chutado para o alto”.
Sendo assim, quando um aluno levantar a prova da mesa e antes que o colega atrás fique caolho por seu olho comprido quase sair da órbita, pergunte ao levitador de folhas de prova do que é feito o papel. Se ele não souber, diga-lhe que é feito de celulose, que vem da madeira e a mesa onde a prova deve estar também é feita de madeira, portanto, madeira com madeira combinam e a prova deve ficar SOBRE a mesa.
Vamos às táticas:
1 – Ao entregar as provas, faça-o com cara de quem observa minuciosamente as carteiras para ver se tem cola escrita sobre a fórmica que cobre o tampo. Aluno pensa que professor não enxerga essas coisas.
2 – Não entregue as provas com o texto para cima. Vire a folha e mostre para os olhos dos alunos a parte em branco, ou seja, o verso da (s) folhas (s).
3 – Diga em alto, claro e bom som que só poderão virar as folhas para o anverso quando você mandar. Tem que botar moral desde o início.
4 – Informe que caso alguém vire a folha antes da hora, a prova será tomada sem mais nem menos.
5 – Após a entrega, diga que este será o último aviso: quem for pego colando terá a prova anulada e não adianta espernear.
6 – Fique estático em um ponto à frente dos alunos num primeiro momento com cara de carranca do Rio São Francisco. Sei que isto é difícil para algumas professoras bonitinhas e também para uns professores metidos a galãs, mas a coisa funciona que é uma beleza.
7 – Depois fique zanzando pela sala e pare aleatoriamente entre uma carteira e outra. Isso intimida os possíveis coladores ao redor.
8 – Golpe de misericórdia: vá para o fundo da sala e fique lá sem emitir um som sequer. Eles ficam desesperados, pois você não está mais em seus campos de visão e, assim, a cola será inibida quase por completo.
9 – Se tudo estiver muito silencioso, faça um barulhão! Dê um bico numa cadeira vazia ou derrube uma mesa. Eu gostava de dar um tapão na porta. Os caras ficam espertos rapidinho e esquecem de colar.
10 – Do nada diga a seguinte frase para todos ouvirem: “Que coisa feia, hein?”. Que pode ser acompanhado pela onomatopéia PLÓC! Para ilustrar com som o olho caindo da órbita de tanto que são esticados para a prova do colega ao lado. Isto serve para inibir e desestimular qualquer idéia jeriquenta de cola, pois os deixa inseguros querendo saber se foram pegos colando.
11 – Menininha bonitinha também cola! E pior: passa cola! Fique de olho. Claro que não é para o decote da menina, né?
12 – CDF também cola! E pior: passa cola certa! Fique de olho bem aberto. Ameace tomar-lhe os óculos fundo de garrafa.
13 – Troque de lugar aqueles alunos metidos a engraçadinhos. Faça-os sentarem-se perto de sua mesa. Os caras tremem e quase fazem biquinho de “MANHÊÊÊÊÊÊ, olha o que ele fez!”
14 – Quando entregarem as provas olhe nos olhos, ou no olho, pois um deles deve estar sobre a mesa do colega que fazia prova ao lado, e diga bem sério: “Colou pra caramba, hein?” Isto deve ser feito com cara de cínico.
15 – Pra finalizar, diga aos que cismam em achar que o papel será preenchido apenas com o olhar, visto não saberem como responder as questões, que você quer ver aquele XV de Piracicaba X Olaria pela série Z do Campeonato Nacional e está quase na hora de começar a transmissão ao vivo. Assim eles entregam logo a prova e você pode ir embora tranqüilo.
* Antes que algum educador metido a entendedor das coisas educacionais entre numa que isto aí era levado a sério, eu vos digo, ó educadores, que isto nada mais é que uma grande brincadeira.
3 Julho, 2008 at 11:22 pm
Jorge:
Comecei a rir já nas instruções iniciais: “madeira com madeira combinam e a prova deve ficar SOBRE a mesa”. É de uma lógica esmagadora..rs. O restante é uma espécie de ritual sádico.. mas confesso: adorei cada passo silencioso que foi dado no fundo da sala. Hilário, sensacional! Gostei muito!
Um beijo
4 Julho, 2008 at 5:46 am
Oi, Jorge!
Também adorei!!
Vou aplicar algumas nas minhas salas.
Essa de tomar o óculos fundo de garrafa vai ser desesperador! eita!
abração
4 Julho, 2008 at 9:41 am
Oi, Marcia!
Vejo que os problemas são parecidos tanto aqui quanto aí.
Maldade tomar os óculos, né?
Abração.
4 Julho, 2008 at 10:42 am
Olá!
Parece até instruções para uma escola do século XVI, quando os jesuítas propuseram a fila de carteira e até hoje, em plena era da informação, as utilizamos!
5 Julho, 2008 at 12:30 am
Jorge:
Você é o historiador, de forma que é quem pode me tirar uma dúvida. Já existia senso de humor na época dos jesuitas? Ou é uma “invenção” posterior? Se é uma “invenção” posterior, sabe me dizer se o fato de algumas pessoas conseguirem desenvolvê-lo, e outras não, está ligado a algum processo de seleção natural, ou é apenas um fator aleatório que faz com que algumas pessoas consigam ter uma visão mais ampla e menos cáustica da vida em geral?
Confesso que fiquei intrigada com a questão.
Você não?
Um beijo
5 Julho, 2008 at 7:16 pm
O senso de humor é uma questão sócio-cultural mesmo.
8 Julho, 2008 at 2:59 am
Nossa!!!!!
eu ja fiz e faço quase tudo isto da lista!!!
Eh show de bola.
=D
abraçoooooo
8 Julho, 2008 at 9:58 am
Vou dar minha contribuição: ao distribuir os alunos na sala, se houver espaço, coloque-os da maneira mais distante possível uns dos outros. Assim, ao circular na sala, faça-o na DIAGONAL, ou seja, não circule nas fileiras, mas sim entre as carteiras, mudando constantemente de fileiras. Você vai ver os alunos ficando vesgos, tentando te achar!!!
8 Julho, 2008 at 1:31 pm
Oi Jorge!
Vou dar mais uma contribuição!
Use óculos escuros na hora da fiscalização da prova,mesmo que vc não tenha costume.Assim os alunos não vão saber para onde vc está olhando. Eles vão ficar desesperados!A tática de circular na sala pode ser chamada como “mestre dos magos”, do desenho “A caverna do dragão”, pois aparece e some e ninguém sabe como!
8 Julho, 2008 at 2:05 pm
Muito bom!
Eu faço história licenciatura, ainda não me formei… Mas tenho uma noção de como é em dia de prova porque já “pseudo-observei” exames da minha mãe(que também é professora de história).
O ambiente é bem tenso.
E sobre as meninas bonitinhas e os CDF’s..admito, também já passei cola. Tem gente que se ratear até na faculdade cola…(não sei como, porque as provas são respondidas como redação…)
8 Julho, 2008 at 2:50 pm
Um grande e belo “tapão” na mesa também atrapalha a cola dos alunos queridos!!!
Um terrorismo que pratico é ficar estático no fundo da sala em silencio absoluto após alguns minutos solto a a fraze: “AAHHHAANNN PEGUEI!!”. Os alunos colam, mas o mais divertido é ver eles tentando fazercara de sério.
8 Julho, 2008 at 3:55 pm
hahaha fantástico, muito bom mesmo. e olhe que eu sou crítico até o último na blogosfera.
9 Julho, 2008 at 1:12 am
Vocês nunca sabem o que nós alunos temos nas mangas muauaua
beijos e abraços
bd
9 Julho, 2008 at 6:58 pm
adoooooro aplicar estas coisas!!!!
Acho muito engraçado!!!!
E, Para os que SEMPRE ME PERGUNTAM:
-PROFESORA….A PROVA É COM CONSULTA?
- sim. ao cérebro.
- E EM DUPLA, PODE SER?????
- pode. você faz dupla com a sua mão.
rsrsrsr….
Beijo!
9 Julho, 2008 at 9:04 pm
PessoALL,
Esta é uma das mais antigas lutas da humanidade. As respostas demonstraram que todos nós, professores, temos algumas técnicas para inibir a cola. Ao mesmo tempo, os alunos sempre criarão novos métodos para colar.
10 Agosto, 2008 at 3:08 pm
A cada 15 dicas que vocês criam para inibir cola, nós, alunos criamos mais 30 para enganar vocês!!!!
huahuahauhauhauha
E já temos 1001 maneiras de colar, desde o simples papelzinho até colas sofisticadas!!
Dica: parem de criar métodos. Sempre iremos burlá-los
HÁHÁHÁ
10 Agosto, 2008 at 4:01 pm
Nagabari,
Nunca se esqueça que também fomos alunos. Portanto, por mais que pensem em inventar, nós vamos descobrir.
10 Agosto, 2008 at 6:41 pm
Jorge Alberto,
Vocês JÁ foram alunos, há tempos atrás, e hoje em dia as técnicas para colar estão bem mais avançadas!
E pode ter certeza que quando vocês descobrirem, nossas técnicas, nós já vamos ter inventado outras bem mais eficientes!
Isso será eterno, enquanto vocês tentam descobrir nós criamos novas, e qunado vocês descobrem, já estamos com outras bem melhores!