Operação Satiagraha: ministro diz que houve erro na exposição de presos
16 07 2008Da Agência Brasil:
O ministro da Justiça, Tarso Genro (foto), criticou ontem, 15, a exposição dos presos na Operação Satiagraha pela Polícia Federal. O ministro, que defendeu na última semana o uso das algemas nas prisões dos envolvidos, afirmou que vai ser apurado quem expôs os detidos.
Além disso, Tarso afirmou que a preocupação do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, durante encontro ontem, foi a violação do manual da PF e a adoção das algemas.
“O que a polícia tem que ter cuidado é em não expor as pessoas. Isso, nós já tínhamos regrado com o diretor-geral [da Polícia Federal, Luiz Fernando Corrêa] e houve um erro. Quem cometeu esse erro, ainda vai ser apurado.”
A respeito da reunião com o presidente Lula, o ministro afirmou que “o presidente disse que a conveniência de usá-las [algemas] ou não, de acordo com a lei, é do próprio agente. E que o policial tem que ser criterioso para não expor as pessoas publicamente. Essa foi a maior preocupação do presidente e isso só ocorreu porque houve a violação do manual.”
Segundo Tarso, a legislação brasileira dá “uma margem de liberdade” ao agente no que se refere ao uso das algemas. O ministro explica que as pessoas são algemadas para a segurança do próprio agente ou delas mesmas. Tarso fez as declarações ao deixar o fórum preparatório à 1ª Conferência Nacional de Segurança Pública, durante a manhã.


















Jeso,
O ministro Tarso Genro, com a devida vênia, parece charuto do Tapajós que entra na garrafa e não consegue mais sair, mesmo com a “porta dos fundos aberta”… Explico: esse negócio de não expor os presos, especialmente quando são dos primeiros “andares” da pirâmide social é uma tremenda hipocrisia. O ministro parece cair no “conto do vigário” midiático. Aliás é esquizofrênico: parte importante da própria mídia acusa a mesma mídia de espetaculaização. Seria risível, não fosse a manobra implícita.
Quem faz o espetáculo: a PF ou a mídia? A questão é: por que os entes públicos envolvidos na investigação (PF e Ministério Público) não tratam de forma democrática e eqüânime, pelo menos, as grandes redes de TV, emissoras de rádios e jornais com alcance nacional? Por que a preferência descarada (e antidemocrática) pela TV Globo? Que esquema ($) garante a “exclusividade” à rede de televisão da família Marinho? Lembrem que na prisão do sr. Paulo Maluf e filho, somente um repórter cobriu disfarçado de agenda da PF: César Tralli (TV Globo). Até hoje não apareceu o nome do delegado ou autoridade de primeiro escalão que autorizou o “furo” de Tralli. Ele não entrou naquele ambiente sem autorização da PF.
Quem apareceu falando essa sandice, que no fundo pode descambar para a restrição do papel da imprensa e o tipo de censura togada mais abjeta, foi o douto e impoluto ministro Gilmar Mendes (presidente do STF), que antes mesmo de receber o pedido de habeas corpus dos advogados do banqueiro, Nahas e Pitta, mas já se prestou a fonte da mesma Globo condenando a “espetacularização” da prisão, como se ele (Mendes) não fosse “ator” do mesmo espetáculo midiático.
O ministro Tarso Genro e o presidente Lula perderam ótima oportunidade de ficarem calados sobre a prisão destes operadores do crime organizado. Repito a pergunta: se os presos fossem pretos, pobres e p… haveria algum ministro de Estado ou Presidente da República preocupado com isso?
De repente, se discute mais esse aspectos superficiais e a magnitude do crime que envolve formação de quadrilha, lavagem de dinheiro, crime contra o sistema financeiro, corrupção ativa e tudo mais acaba ficando em segundo plano.
Saudações mocorongas,
Samuca