Para o deputado do PS José Junqueiro, uma casa museu a Salazar seria «um santuário de saudação e louvor a 50 anos de ditadura, um altar encomiástico da repressão e atraso que se abateu sobre os portugueses».
O deputado socialista criticou igualmente a alegada intenção da câmara de «dar uma tença vitalícia de dois mil euros» a um dos herdeiros de António Oliveira Salazar, e propôs, em alternativa, a criação de «um centro de estudos sobre o Estado Novo» que divulgasse «o seu regime de repressão».
«Uma espécie de Santuário»
Do lado do BE, o deputado Fernando Rosas deu razão aos promotores da petição, a União dos Resistentes Antifascistas Portugueses (URAP), considerando que um museu Salazar «presta-se à exploração política» pelos seus seguidores, «fazendo do museu um complexo obsoleto de peregrinação a uma espécie de santuário».
O deputado do PCP António Filipe, autor do relatório final da petição, argumentou que a iniciativa da câmara municipal colide com a Constituição e com a lei, de 1978, que proíbe organizações que mostrem «pretender difundir valores, princípio» ou que «exaltem as personalidades mais representativas» de regimes fascistas.
«É o caso da casa museu Salazar» que a autarquia de Santa Comba Dão pretende construir, afirmou o deputado, defendendo que a Assembleia da República deve «condenar politicamente» a iniciativa.
«Um projecto válido e sério»
Em defesa da iniciativa da autarquia, o deputado do PSD José Cesário considerou que se trata de «um projecto válido e sério» que pretende «sem saudosismos de qualquer espécie» construir um projecto que seria «um pólo de desenvolvimento regional».
Do lado do CDS-PP, o deputado Nuno Melo defendeu igualmente a iniciativa, sustentando que a memória da ditadura tem lugar na História do país, tal como outros regimes, como a Monarquia e a República.
Nuno Melo deu o exemplo da própria Assembleia da República, palácio cujas paredes «ostentam muita da simbologia» alusiva ao Estado Novo, como pinturas e uma arca ornamentada com a frase «a Salazar, a pátria agradecida, abençoa teu martírio e tua glória».
Após as intervenções do PSD e do CDS-PP, o deputado do PCP António Filipe fez notar que o relatório da petição, a condenar politicamente a criação da casa museu, foi aprovado por unanimidade na comissão de Assuntos Constitucionais.
Questionados pela Lusa, PSD e
CDS-PP demarcaram-se «dos considerandos do relatório», argumentando que votou-se apenas o parecer que diz que a petição «reúne
as condições legais para ser obrigatoriamente debatida» no plenário da Assembleia.
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