<?xml version="1.0" encoding="UTF-8"?><rss version="2.0"
	xmlns:content="http://purl.org/rss/1.0/modules/content/"
	xmlns:wfw="http://wellformedweb.org/CommentAPI/"
	xmlns:dc="http://purl.org/dc/elements/1.1/"
	xmlns:atom="http://www.w3.org/2005/Atom"
	xmlns:sy="http://purl.org/rss/1.0/modules/syndication/"
	xmlns:slash="http://purl.org/rss/1.0/modules/slash/"
	xmlns:media="http://search.yahoo.com/mrss/"
xmlns:itunes="http://www.itunes.com/dtds/podcast-1.0.dtd"
xmlns:podcast="https://podcastindex.org/namespace/1.0"
xmlns:rawvoice="https://blubrry.com/developer/rawvoice-rss/"
xmlns:georss="http://www.georss.org/georss" >

<channel>
	<title>Search Results for &#8220;amazonia&#8221; &#8211; Global Voices em Português</title>
	<atom:link href="https://pt.globalvoices.org/?s=amazonia&#038;feed=rss2" rel="self" type="application/rss+xml" />
	<link>https://pt.globalvoices.org</link>
	<description>O mundo está falando. Você está ouvindo?</description>
	<lastBuildDate>Wed, 11 Feb 2026 14:22:10 +0000</lastBuildDate>
	<language>en-US</language>
	<sy:updatePeriod>
	hourly	</sy:updatePeriod>
	<sy:updateFrequency>
	1	</sy:updateFrequency>
	<generator>https://wordpress.org/?v=6.8.3</generator>
	<atom:link rel="hub" href="https://pubsubhubbub.appspot.com/" />
	<itunes:summary>O mundo está falando. Você está ouvindo?</itunes:summary>
	<itunes:author>Search Results for &#8220;amazonia&#8221; &#8211; Global Voices em Português</itunes:author>
	<itunes:explicit>false</itunes:explicit>
	<itunes:image href="https://globalvoices.org/wp-content/uploads/2023/02/gv-podcast-logo-2022-icon-square-2400-GREEN.png" />
	<itunes:owner>
		<itunes:name>Search Results for &#8220;amazonia&#8221; &#8211; Global Voices em Português</itunes:name>
	</itunes:owner>
	<podcast:medium>podcast</podcast:medium>
	<itunes:subtitle>O mundo está falando. Você está ouvindo?</itunes:subtitle>
	<image>
		<title>Search Results for &#8220;amazonia&#8221; &#8211; Global Voices em Português</title>
		<url>https://globalvoices.org/wp-content/uploads/2023/02/gv-podcast-logo-2022-icon-square-2400-GREEN.png</url>
		<link>https://pt.globalvoices.org</link>
	</image>
	<podcast:podping usesPodping="true" />
	<item>
		<title>“Limpa a cultura de vocês”: comentário de apresentador de TV faz indígenas brasileiros se manifestarem</title>
		<link>https://pt.globalvoices.org/2026/01/18/limpa-a-cultura-de-voces-comentario-de-apresentador-de-tv-faz-indigenas-brasileiros-se-manifestarem/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Fernando Baumgarten]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 18 Jan 2026 11:01:50 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[América Latina]]></category>
		<category><![CDATA[Arte e Cultura]]></category>
		<category><![CDATA[Brasil]]></category>
		<category><![CDATA[Destaque]]></category>
		<category><![CDATA[Etnia e Raça]]></category>
		<category><![CDATA[Indígenas]]></category>
		<category><![CDATA[Mídia Cidadã]]></category>
		<category><![CDATA[Mídia e Jornalismo]]></category>
		<category><![CDATA[Weblog]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://pt.globalvoices.org/?p=120856</guid>

					<description><![CDATA[“O acesso à tecnologia deve ser um direito garantido a todos os cidadãos brasileiros. Ter um celular não torna (ninguém) menos indígena.”]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p><big class='tagline'><em>O pedido para que indígenas escondessem seus celulares e roupas não tradicionais ressaltou visão preconceituosa</em></big></p><div id="attachment_847574" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img fetchpriority="high" decoding="async" aria-describedby="caption-attachment-847574" class="size-full wp-image-847574" src="https://globalvoices.org/wp-content/uploads/2025/12/Untitled-design-9.jpg" alt="" width="800" height="600" /><p id="caption-attachment-847574" class="wp-caption-text"><span dir="auto">O apresentador de TV Luciano Huck pede aos indígenas do Parque Indígena do Xingu que &#8220;Limpem sua cultura&#8221; para uma foto. Arte de Global Voices no </span><a href="https://www.canva.com/"><span dir="auto">Canva</span></a><span dir="auto"> com captura de tela do </span><a href="https://www.instagram.com/txaigibran/reel/DRxxotWDQRd/"><span dir="auto">Instagram de @txaigibran</span></a><span dir="auto"> e </span><a href="https://terrasindigenas.org.br/pt-br/terras-indigenas/3908"><span dir="auto">mapa do ISA</span></a><span dir="auto"> (Instituto Socioambiental). Usada sob permissão.</span></p></div>
<p><span dir="auto">Em agosto de 2025, Luciano Huck, </span><a href="https://pt.wikipedia.org/wiki/Luciano_Huck"><span dir="auto">apresentador de TV</span></a><span dir="auto"> que já </span><a href="https://www.estadao.com.br/politica/luciano-huck-cogitou-presidente-brasil-elevar-sarrafo-etico-npr/?srsltid=AfmBOop4hFB-I86BGU7MkhurKvJJ3eRCMjtUFvOGhU-fBL93_5i-dFiA"><span dir="auto">flertou com a ideia</span></a><span dir="auto"> de se candidatar à presidência do Brasil, foi gravar um episódio de seu programa dominical no </span><a href="https://pt.wikipedia.org/wiki/Parque_Ind%C3%ADgena_do_Xingu"><span dir="auto">Parque Indígena do Xingu</span></a><span dir="auto">, uma das principais reservas indígenas e a primeira terra indígena demarcada pelo governo federal no país.</span></p>
<p><span dir="auto">Quase </span><a href="https://f5.folha.uol.com.br/voceviu/2025/08/anitta-participa-do-quarup-com-luciano-huck-no-xingu.shtml" target="_blank" rel="noopener noreferrer"><span dir="auto">quatro meses depois</span></a><span dir="auto">, imagens de bastidores postadas no </span><a href="https://www.instagram.com/txaigibran/reel/DRxxotWDQRd/" target="_blank" rel="noopener noreferrer"><span dir="auto">Instagram, </span></a><span dir="auto">mostrando ele sentado ao lado da </span><a href="https://pt.wikipedia.org/wiki/Anitta" target="_blank" rel="noopener noreferrer"><span dir="auto">cantora Anitta,</span></a><span dir="auto"> viralizaram nas redes sociais, provocando</span><span dir="auto"> reações negativas e destacando problemas na percepção que pessoas não indígenas têm das comunidades nativas.</span></p>
<p><span dir="auto">No </span><a href="https://www.instagram.com/txaigibran/reel/DRxxotWDQRd/" target="_blank" rel="noopener noreferrer"><span dir="auto">vídeo</span></a><span dir="auto">, que dura cerca de um minuto e vinte segundos, enquanto as pessoas tiram fotos e se preparam</span><span dir="auto"> para gravar, é possível ver alguns indígenas segurando celulares para registrar o momento.</span><span dir="auto"> Um deles, posando em frente ao apresentador, segura seu próprio telefone na mão. Huck os repreende — “o celular!” — e pede que aqueles que vestem “roupas não tradicionais” se afastem. Ele então prossegue: “É, limpa a cultura de vocês aí”, explicando melhor:</span></p>
<blockquote><p>É o seguinte, a gente está cheio de câmera. Quanto mais celular de vocês aparece, eu acho que menos é a cultura de vocês. Quanto mais a gente conseguir preservar as nossas cenas, sem celular&#8230; Porque assim, quando aparece celular, mexe na cultura originária. Quando a gente estiver gravando, se puder segurar o celular, eu acho que quem tiver que ver valoriza mais vocês. Se você puder falar isso para o povo é bom.</p></blockquote>
<p><span dir="auto">O indígena continua a traduzir a mensagem para a comunidade.</span></p>
<p><span dir="auto">Os comentários levaram organizações indígenas no Brasil, como </span><a href="https://www.instagram.com/apiboficial/"><span dir="auto">a Apib</span></a><span dir="auto"> (Articulação dos Povos Indígenas do Brasil) e outras associações regionais ligadas a ela, a emitir uma declaração conjunta compartilhada em suas </span><a href="https://www.instagram.com/coiabamazonia/p/DR7KdAxjljQ/?img_index=1"><span dir="auto">páginas no Instagram</span></a><span dir="auto"> .</span></p>
<div id="attachment_848805" style="width: 482px" class="wp-caption aligncenter"><img decoding="async" aria-describedby="caption-attachment-848805" class="size-featured_image_large wp-image-848805" src="https://globalvoices.org/wp-content/uploads/2025/12/Screenshot-2026-01-12-at-1.55.03-AM-482x450.png" alt="" width="482" height="450" /><p id="caption-attachment-848805" class="wp-caption-text">Captura de tela de um <a href="https://www.instagram.com/coiabamazonia/p/DR7KdAxjljQ/?img_index=1">post</a> de @coiabamazonia no Instagram. Usada sob permissão.</p></div>
<p><span dir="auto">Na declaração, eles observam que os povos indígenas não existem apenas para “fotos bonitas”, como peças de museu que atendem a certas expectativas, e que </span><a href="https://www.instagram.com/coiabamazonia/p/DR7KdAxjljQ/?img_index=4"><span dir="auto">a frase</span></a><span dir="auto">  “limpar sua cultura” reforça uma visão equivocada e perigosa sobre seus povos. Na </span><a href="https://www.instagram.com/coiabamazonia/p/DR7KdAxjljQ/?img_index=1"><span dir="auto">legenda,</span></a><span dir="auto"> eles também escreveram:</span></p>
<blockquote><p>O acesso à tecnologia deve ser um direito garantido a todos os cidadãos brasileiros. Possuir um celular não torna um parente menos indígena.</p>
<p>A tecnologia e a internet têm sido fundamentais para os povos indígenas na luta por seus territórios, auxiliando no monitoramento e gestão ambiental, no acesso a oportunidades de educação e trabalho, na comunicação entre comunidades, organizações e o Estado, além de possibilitar denúncias de violações de direitos indígenas que foram historicamente invisibilizadas.</p></blockquote>
<p><span dir="auto">A Apib republicou </span><a href="https://www.instagram.com/apiboficial/p/DR7ipLdEVzM/"><span dir="auto">a declaração</span></a><span dir="auto"> poucos dias depois, expressando “indignação” com as palavras de Huck. A imagem postada em seu Instagram também diz:</span></p>
<blockquote><p>Podemos usar o que vocês usam, sem deixar de ser quem somos.<br />
Ser indígena nunca foi sobre negar o presente, mas sobre existir com dignidade em qualquer tempo até nas telas que insistem em nos enxergar errado.</p></blockquote>
<p><span dir="auto">Após a repercussão negativa, Huck publicou em seus stories do Instagram que havia sido mal interpretado e destacou seu relacionamento de longa data com os povos indígenas, conforme </span><a href="https://www.terra.com.br/diversao/gente/luciano-huck-se-pronuncia-sobre-polemica-com-tribo-indigena-sou-defensor,871eed0eedfb9dad7d62c02453f5569425t6clqd.html"><span dir="auto">relatado pelo portal de notícias Terra</span></a><span dir="auto"> :</span></p>
<blockquote><p>Sobre a imagem em questão, registrada nos bastidores de uma gravação, é importante esclarecer: não se tratou de impor qualquer tipo de limitação cultural ou de consumo. Foi apenas uma decisão de direção de arte, um ajuste pontual dentro do contexto de um set de filmagem, nada além disso.</p></blockquote>
<p><span dir="auto">Localizado no estado do Mato Grosso, na região Centro-Oeste do Brasil e dentro da </span><a href="https://www.ibge.gov.br/en/geosciences/maps/regional-maps/17927-legal-amazon.html?edicao=18047"><span dir="auto">Amazônia Legal</span></a>,<span dir="auto"> com um território de aproximadamente </span><a href="https://www.dw.com/pt-br/a-vida-no-parque-ind%C3%ADgena-do-xingu/g-48984657#:~:text=Conv%C3%ADvio%20com%20o%20rio%20Xingu,de%20liga%C3%A7%C3%A3o%20entre%20as%20aldeias."><span dir="auto">27.000 quilômetros quadrados</span></a><span dir="auto"> (10,4 milhas quadradas), o Parque Indígena do Xingu foi reconhecido por decreto do governo federal em 1961. Foi a </span><a href="https://www.brasildedireitos.org.br/atualidades/terras-indgenas-do-brasil-quantas-so-e-como-so-demarcadas/#:~:text=A%20primeira%20terra%20ind%C3%ADgena%20demarcada%2C%20ainda%20antes,chamada%20de%20Parque%20Ind%C3%ADgena%20do%20Xingu%20(PIX)."><span dir="auto">primeira terra indígena oficialmente demarcada</span></a><span dir="auto"> no país. O processo, no entanto, enfrentou resistência do governo estadual local e a área só foi estabelecida efetivamente em 1978, como relatado em uma <a href="https://www.brasildedireitos.org.br/atualidades/terras-indgenas-do-brasil-quantas-so-e-como-so-demarcadas/#:~:text=A%20primeira%20terra%20ind%C3%ADgena%20demarcada%2C%20ainda%20antes,chamada%20de%20Parque%20Ind%C3%ADgena%20do%20Xingu%20(PIX).">reportagem do </a></span><a href="https://www.brasildedireitos.org.br/atualidades/terras-indgenas-do-brasil-quantas-so-e-como-so-demarcadas/#:~:text=A%20primeira%20terra%20ind%C3%ADgena%20demarcada%2C%20ainda%20antes,chamada%20de%20Parque%20Ind%C3%ADgena%20do%20Xingu%20(PIX)."><span dir="auto">Brasil de Direitos</span></a><span dir="auto">.</span></p>
<p><span dir="auto">Hoje, o Parque do Xingu</span><span dir="auto"> </span><a href="https://terrasindigenas.org.br/pt-br/terras-indigenas/3908?_gl=1*daj0rp*_ga*MjA5NTMxNTAzOC4xNzY1MjEwMjE3*_ga_ZH1T73S95Y*czE3NjUyMTAyMTYkbzEkZzEkdDE3NjUyMTAyNDQkajMyJGwwJGgw#direitos" target="_blank" rel="noopener noreferrer"><span dir="auto">abriga </span></a><span dir="auto">uma população de 6.177 pessoas de 16 etnias indígenas, segundo a </span><a href="https://terrasindigenas.org.br/pt-br/terras-indigenas/3908?_gl=1*daj0rp*_ga*MjA5NTMxNTAzOC4xNzY1MjEwMjE3*_ga_ZH1T73S95Y*czE3NjUyMTAyMTYkbzEkZzEkdDE3NjUyMTAyNDQkajMyJGwwJGgw#direitos" target="_blank" rel="noopener noreferrer"><span dir="auto">página de informações Terras Indígenas do Brasil</span></a><span dir="auto">: Aweti, Ikpeng, Kalapalo, Kamaiurá, Kawaiwete, Kisêdjê, Kuikuro, Matipu, Mehinako, Nahukuá, Naruvotu, Tapayuna, Trumai, Waurá, Yawalapiti e Yudja.</span><span dir="auto"> Sua conservação está </span><a href="https://www.gov.br/icmbio/pt-br/assuntos/noticias/ultimas-noticias/expedicao-em-terra-indigena-xingu-coleta-dados-de-primatas-ameacados"><span dir="auto">sob gestão do governo federal</span></a><span dir="auto">.</span></p>
<p><span dir="auto">O </span><a href="https://agenciadenoticias.ibge.gov.br/agencia-noticias/2012-agencia-de-noticias/noticias/44848-censo-2022-brasil-tem-391-etnias-e-295-linguas-indigenas#:~:text=O%20Censo%20Demogr%C3%A1fico%202022%20registrou,2010%2C%20havia%20305%20diferentes%20etnias." target="_blank" rel="noopener noreferrer"><span dir="auto">último censo</span></a><span dir="auto">, </span><span dir="auto">realizado pelo IBGE (</span><a href="https://pt.wikipedia.org/wiki/Instituto_Brasileiro_de_Geografia_e_Estat%C3%ADstica" target="_blank" rel="noopener noreferrer"><span dir="auto">Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística</span></a><span dir="auto">) em 2022, constatou que o país possui atualmente</span><span dir="auto"> uma população indígena de 1.694.836 pessoas (menos de 1% da população total brasileira) e 391 etnias; três em cada quatro indígenas declararam sua etnia.</span></p>
<p><a style="font-size: 1.25rem;" href="https://agenciabrasil.ebc.com.br/justica/noticia/2023-09/por-9-votos-2-supremo-invalida-tese-do-marco-temporal"><span dir="auto">Dois anos após o Supremo Tribunal Federal (STF) ter considerado inconstitucional</span></a><span dir="auto" style="font-size: 1.25rem;"> a proposta de um marco temporal para a demarcação de terras indígenas, o Congresso Nacional tenta reverter o cenário. S</span><span style="font-size: 1.25rem;">e o </span><a style="font-size: 1.25rem;" href="https://www12.senado.leg.br/noticias/materias/2025/12/08/inclusao-do-marco-temporal-na-constituicao-esta-na-pauta-do-plenario">marco temporal for aprovado para inserção na Constituição</a><span style="font-size: 1.25rem;">, os povos indígenas terão direito apenas às terras que ocupavam ou que estavam em disputa na época da atual Constituição, em outubro de 1988.</span></p>
<div class='gv-rss-footer'><strong><div class='text-credits-container'><div class='text-credits-section'><span class='credit-label'>Written (English) by</span> <a href='https://globalvoices.org/author/gv-brasil/' class='user-link'>Global Voices Brazil</a></div><div class='text-credits-section'><span class='credit-label'>Translated (Português) by</span> <a href='https://pt.globalvoices.org/author/fernando-binda-baumgarten/' class='user-link'>Fernando Baumgarten</a></div></div><span class='source-link'><a href='https://globalvoices.org/2025/12/20/clean-up-your-culture-a-tv-hosts-comment-makes-indigenous-brazilians-speak-up/'>Veja o post original (English)</a></span></strong></div>]]></content:encoded>
					
		
		
		<media:content url="https://globalvoices.org/wp-content/uploads/2025/12/Untitled-design-9-400x300.jpg" medium="image" width='270' height='202'	/>	</item>
		<item>
		<title>Na COP30, sociedade civil teve lideranças reais, não apenas simbólicas</title>
		<link>https://pt.globalvoices.org/2025/12/10/na-cop30-sociedade-civil-teve-liderancas-reais-nao-apenas-simbolicas/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Isabela Carvalho]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 10 Dec 2025 10:27:47 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[América Latina]]></category>
		<category><![CDATA[Ativismo Digital]]></category>
		<category><![CDATA[Boas Notícias]]></category>
		<category><![CDATA[Brasil]]></category>
		<category><![CDATA[Destaque]]></category>
		<category><![CDATA[Direitos Humanos]]></category>
		<category><![CDATA[Etnia e Raça]]></category>
		<category><![CDATA[Indígenas]]></category>
		<category><![CDATA[Meio Ambiente]]></category>
		<category><![CDATA[Mídia Cidadã]]></category>
		<category><![CDATA[Política]]></category>
		<category><![CDATA[The Bridge]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://pt.globalvoices.org/?p=120420</guid>

					<description><![CDATA[Depois de várias conferências com restrições e tensões entre governos e movimentos sociais, a edição brasileira teve organizações de base, povos indígenas, quilombolas e ribeirinhos com voz ativa nas discussões]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p><big class='tagline'><em>Observadora que esteve na COP30, em Belém, no Brasil, compartilha sua percepção da conferência</em></big></p><div id="attachment_120429" style="width: 800px" class="wp-caption aligncenter"><img decoding="async" aria-describedby="caption-attachment-120429" class="https://agenciabrasil.ebc.com.br/foto/2025-11/marcha-global-dos-povos-indigenas-cop30-1763393205-5 wp-image-120429 size-large" src="https://pt.globalvoices.org/wp-content/uploads/2025/12/mg_9114-800x600.webp" alt="Indígenas em marcha carregam cartazes que dizem &quot;O futuro é indígena&quot; e &quot;Climate emergency, we are the answer&quot;" width="800" height="600" srcset="https://pt.globalvoices.org/wp-content/uploads/2025/12/mg_9114-800x600.webp 800w, https://pt.globalvoices.org/wp-content/uploads/2025/12/mg_9114-400x300.webp 400w, https://pt.globalvoices.org/wp-content/uploads/2025/12/mg_9114.webp 1024w" sizes="(max-width: 800px) 100vw, 800px" /><p id="caption-attachment-120429" class="wp-caption-text">Marcha Global durante a COP30, em Belém, no Brasil. Foto: <a href="https://agenciabrasil.ebc.com.br/foto/2025-11/marcha-global-dos-povos-indigenas-cop30-1763393205-5">Bruno Peres/Agência Brasil/Uso autorizado</a></p></div>
<p><em>A autora é diretora de conhecimento da <a href="https://www.ashoka.org/">Ashoka</a>, uma rede global de empreendedores sociais, e parte do conselho de diretores do think tank <a href="https://www.braziloffice.org">Washington Brazil Office (WBO)</a>. Ela foi a COP como representante da sociedade civil.  </em></p>
<p>Para quem caminhou por ela, a <a href="https://cop30.br/pt-br">COP30</a>, <a href="https://pt.wikipedia.org/wiki/Confer%C3%AAncias_das_Na%C3%A7%C3%B5es_Unidas_sobre_as_Mudan%C3%A7as_Clim%C3%A1ticas">Conferência sobre Mudanças Climáticas da ONU</a> (Organização das Nações Unidas), realizada em 2025 em <a href="https://pt.wikipedia.org/wiki/Bel%C3%A9m_(Par%C3%A1)">Belém</a>, no estado do Pará, em meio a <a href="https://pt.wikipedia.org/wiki/Amaz%C3%B4nia_Legal">Amazônia brasileira</a>, foi marcada pela presença forte da sociedade civil organizada nos espaços oficiais, nos eventos paralelos e nas ruas.</p>
<p>Depois de várias conferências com restrições e tensões entre governos e movimentos sociais, a edição brasileira abriu espaço para que organizações de base, coletivos urbanos, povos indígenas, <a href="https://pt.wikipedia.org/wiki/Quilombolas">quilombolas</a> (descendentes de pessoas escravizadas organizados em comunidades tradicionais) e <a href="https://pt.wikipedia.org/wiki/Ribeirinhos">ribeirinhos</a> (comunidades tradicionais de beira de rio) ocupassem a cidade com suas agendas.</p>
<p data-start="101" data-end="222">A escolha do Brasil como sede pode ter favorecido esse ambiente, num momento de maior valorização institucional da participação de grupos sociais. Além disso, Belém impõe um ritmo singular, já que é impossível estar aqui sem perceber a presença de comunidades que historicamente carregam o impacto direto das políticas ambientais, e agora se sentem legitimadas para falar em primeira pessoa.</p>
<p>Belém é uma capital amazônica com <a href="https://www.ibge.gov.br/cidades-e-estados/pa/belem.html">1,3 milhão de habitantes</a>, localizada na foz do <a href="https://pt.wikipedia.org/wiki/Rio_Guam%C3%A1">rio Guamá, </a>próxima ao encontro com o <a href="https://pt.wikipedia.org/wiki/Rio_Amazonas">rio Amazonas</a>, um dos maiores do mundo. A navegação marca a vida cotidiana, conectando comunidades ribeirinhas, quilombolas e indígenas à cidade. Essa diversidade aparece na <a href="https://www.essemundoenosso.com.br/culinaria-paraense-pratos-tipicos-para/">culinária</a>, nos <a href="https://en.wikipedia.org/wiki/Ver-o-peso">mercados públicos</a>, nas línguas e nos<a href="https://g1.globo.com/pa/para/noticia/2025/08/26/carimbo-urbano-conheca-o-batuque-politico-que-ocupa-ruas-da-grande-belem.ghtml"> sons</a>, e ajuda a explicar a força dos territórios na COP deste ano.</p>
<p>A <a href="https://cupuladospovoscop30.org/">Cúpula dos Povos</a> teve um papel central nesse processo. Ela funcionou como um <a href="https://www1.folha.uol.com.br/ambiente/2025/05/cupula-dos-povos-cobra-ousadia-dos-tomadores-de-decisao-na-cop30.shtml">espaço político</a> para articular posicionamentos, <a href="https://agenciabrasil.ebc.com.br/radioagencia-nacional/meio-ambiente/audio/2025-11/encerramento-da-cupula-dos-povos-reforca-demandas-socioambientais">construir consensos e demandas</a> que muitas vezes não entram nas negociações formais, conduzido por movimentos sociais, coletivos urbanos, comunidades nativas e locais que trabalham com justiça climática e territorial.</p>
<p>No encerramento, representantes entregaram uma <a href="https://cupuladospovoscop30.org/declaracao-final/">carta com as principais reivindicações</a> dos movimentos, com a presença de representantes oficiais da COP e do governo brasileiro.</p>
<blockquote class="instagram-media" data-instgrm-captioned data-instgrm-permalink="https://www.instagram.com/reel/DRBJY6gETLk/?utm_source=ig_embed&amp;utm_campaign=loading" data-instgrm-version="14" style=" background:#FFF; border:0; border-radius:3px; box-shadow:0 0 1px 0 rgba(0,0,0,0.5),0 1px 10px 0 rgba(0,0,0,0.15); margin: 1px; max-width:650px; min-width:326px; padding:0; width:99.375%; width:-webkit-calc(100% - 2px); width:calc(100% - 2px);">
<div style="padding:16px;"> <a href="https://www.instagram.com/reel/DRBJY6gETLk/?utm_source=ig_embed&amp;utm_campaign=loading" style=" background:#FFFFFF; line-height:0; padding:0 0; text-align:center; text-decoration:none; width:100%;" target="_blank"> </p>
<div style=" display: flex; flex-direction: row; align-items: center;">
<div style="background-color: #F4F4F4; border-radius: 50%; flex-grow: 0; height: 40px; margin-right: 14px; width: 40px;"></div>
<div style="display: flex; flex-direction: column; flex-grow: 1; justify-content: center;">
<div style=" background-color: #F4F4F4; border-radius: 4px; flex-grow: 0; height: 14px; margin-bottom: 6px; width: 100px;"></div>
<div style=" background-color: #F4F4F4; border-radius: 4px; flex-grow: 0; height: 14px; width: 60px;"></div>
</div>
</div>
<div style="padding: 19% 0;"></div>
<div style="display:block; height:50px; margin:0 auto 12px; width:50px;"><svg width="50px" height="50px" viewBox="0 0 60 60" version="1.1" xmlns="https://www.w3.org/2000/svg" xmlns:xlink="https://www.w3.org/1999/xlink"><g stroke="none" stroke-width="1" fill="none" fill-rule="evenodd"><g transform="translate(-511.000000, -20.000000)" fill="#000000"><g><path d="M556.869,30.41 C554.814,30.41 553.148,32.076 553.148,34.131 C553.148,36.186 554.814,37.852 556.869,37.852 C558.924,37.852 560.59,36.186 560.59,34.131 C560.59,32.076 558.924,30.41 556.869,30.41 M541,60.657 C535.114,60.657 530.342,55.887 530.342,50 C530.342,44.114 535.114,39.342 541,39.342 C546.887,39.342 551.658,44.114 551.658,50 C551.658,55.887 546.887,60.657 541,60.657 M541,33.886 C532.1,33.886 524.886,41.1 524.886,50 C524.886,58.899 532.1,66.113 541,66.113 C549.9,66.113 557.115,58.899 557.115,50 C557.115,41.1 549.9,33.886 541,33.886 M565.378,62.101 C565.244,65.022 564.756,66.606 564.346,67.663 C563.803,69.06 563.154,70.057 562.106,71.106 C561.058,72.155 560.06,72.803 558.662,73.347 C557.607,73.757 556.021,74.244 553.102,74.378 C549.944,74.521 548.997,74.552 541,74.552 C533.003,74.552 532.056,74.521 528.898,74.378 C525.979,74.244 524.393,73.757 523.338,73.347 C521.94,72.803 520.942,72.155 519.894,71.106 C518.846,70.057 518.197,69.06 517.654,67.663 C517.244,66.606 516.755,65.022 516.623,62.101 C516.479,58.943 516.448,57.996 516.448,50 C516.448,42.003 516.479,41.056 516.623,37.899 C516.755,34.978 517.244,33.391 517.654,32.338 C518.197,30.938 518.846,29.942 519.894,28.894 C520.942,27.846 521.94,27.196 523.338,26.654 C524.393,26.244 525.979,25.756 528.898,25.623 C532.057,25.479 533.004,25.448 541,25.448 C548.997,25.448 549.943,25.479 553.102,25.623 C556.021,25.756 557.607,26.244 558.662,26.654 C560.06,27.196 561.058,27.846 562.106,28.894 C563.154,29.942 563.803,30.938 564.346,32.338 C564.756,33.391 565.244,34.978 565.378,37.899 C565.522,41.056 565.552,42.003 565.552,50 C565.552,57.996 565.522,58.943 565.378,62.101 M570.82,37.631 C570.674,34.438 570.167,32.258 569.425,30.349 C568.659,28.377 567.633,26.702 565.965,25.035 C564.297,23.368 562.623,22.342 560.652,21.575 C558.743,20.834 556.562,20.326 553.369,20.18 C550.169,20.033 549.148,20 541,20 C532.853,20 531.831,20.033 528.631,20.18 C525.438,20.326 523.257,20.834 521.349,21.575 C519.376,22.342 517.703,23.368 516.035,25.035 C514.368,26.702 513.342,28.377 512.574,30.349 C511.834,32.258 511.326,34.438 511.181,37.631 C511.035,40.831 511,41.851 511,50 C511,58.147 511.035,59.17 511.181,62.369 C511.326,65.562 511.834,67.743 512.574,69.651 C513.342,71.625 514.368,73.296 516.035,74.965 C517.703,76.634 519.376,77.658 521.349,78.425 C523.257,79.167 525.438,79.673 528.631,79.82 C531.831,79.965 532.853,80.001 541,80.001 C549.148,80.001 550.169,79.965 553.369,79.82 C556.562,79.673 558.743,79.167 560.652,78.425 C562.623,77.658 564.297,76.634 565.965,74.965 C567.633,73.296 568.659,71.625 569.425,69.651 C570.167,67.743 570.674,65.562 570.82,62.369 C570.966,59.17 571,58.147 571,50 C571,41.851 570.966,40.831 570.82,37.631"></path></g></g></g></svg></div>
<div style="padding-top: 8px;">
<div style=" color:#3897f0; font-family:Arial,sans-serif; font-size:14px; font-style:normal; font-weight:550; line-height:18px;">View this post on Instagram</div>
</div>
<div style="padding: 12.5% 0;"></div>
<div style="display: flex; flex-direction: row; margin-bottom: 14px; align-items: center;">
<div>
<div style="background-color: #F4F4F4; border-radius: 50%; height: 12.5px; width: 12.5px; transform: translateX(0px) translateY(7px);"></div>
<div style="background-color: #F4F4F4; height: 12.5px; transform: rotate(-45deg) translateX(3px) translateY(1px); width: 12.5px; flex-grow: 0; margin-right: 14px; margin-left: 2px;"></div>
<div style="background-color: #F4F4F4; border-radius: 50%; height: 12.5px; width: 12.5px; transform: translateX(9px) translateY(-18px);"></div>
</div>
<div style="margin-left: 8px;">
<div style=" background-color: #F4F4F4; border-radius: 50%; flex-grow: 0; height: 20px; width: 20px;"></div>
<div style=" width: 0; height: 0; border-top: 2px solid transparent; border-left: 6px solid #f4f4f4; border-bottom: 2px solid transparent; transform: translateX(16px) translateY(-4px) rotate(30deg)"></div>
</div>
<div style="margin-left: auto;">
<div style=" width: 0px; border-top: 8px solid #F4F4F4; border-right: 8px solid transparent; transform: translateY(16px);"></div>
<div style=" background-color: #F4F4F4; flex-grow: 0; height: 12px; width: 16px; transform: translateY(-4px);"></div>
<div style=" width: 0; height: 0; border-top: 8px solid #F4F4F4; border-left: 8px solid transparent; transform: translateY(-4px) translateX(8px);"></div>
</div>
</div>
<div style="display: flex; flex-direction: column; flex-grow: 1; justify-content: center; margin-bottom: 24px;">
<div style=" background-color: #F4F4F4; border-radius: 4px; flex-grow: 0; height: 14px; margin-bottom: 6px; width: 224px;"></div>
<div style=" background-color: #F4F4F4; border-radius: 4px; flex-grow: 0; height: 14px; width: 144px;"></div>
</div>
<p></a></div>
</blockquote>
<p><script async src="//platform.instagram.com/en_US/embeds.js"></script></p>
<p>O contraste com as últimas COPs é claro. Em <a href="https://yaleclimateconnections.org/2021/11/frustrations-over-voices-unrepresented-in-formal-cop26-talks/">Glasgow, Escócia</a>, em 2021, a participação da sociedade civil do Sul Global foi limitada por custos, quarentenas e atrasos nos vistos. No ano seguinte, em <a href="https://www.ohchr.org/en/press-releases/2022/10/egypt-un-experts-alarmed-restrictions-civil-society-ahead-climate-summit">Sharm el-Sheikh</a><a href="https://www.ohchr.org/en/press-releases/2022/10/egypt-un-experts-alarmed-restrictions-civil-society-ahead-climate-summit">, Egito</a>, as restrições impostas pelo governo praticamente impediram protestos. Em 2023, em <a href="https://www.theguardian.com/environment/2025/nov/07/fossil-fuel-lobbyists-cop-un-climate">Dubai</a><a href="https://www.theguardian.com/environment/2025/nov/07/fossil-fuel-lobbyists-cop-un-climate">, Emirados Árabes</a>, a presença dominante do setor fóssil reduziu o espaço político dos movimentos. E, no ano passado, em <a href="https://globalvoices.org/2024/11/27/the-cop29-is-over-and-so-is-the-spotlight-on-azerbaijan/">Baku, Azerbaijão</a>, apesar de avanços no debate sobre financiamento, a participação da sociedade civil teve pouca visibilidade.</p>
<p>Em Belém, a sensação foi de reaproximação com as ruas e com a própria ideia de que a conferência vai além das negociações entre governos.</p>
<p>“As demandas apareceram de forma articulada, mostrando que a sociedade está observando e criando soluções concretas”, comentou Rafael Murta Reis, diretor na<a href="https://www.ashoka.org/pt-br"> Ashoka Brasil</a>, organização social global da qual também faço parte.</p>
<h3><span style="color: #ff0000;"><span style="color: #000000;">Vozes indígenas</span></span></h3>
<div id="attachment_120435" style="width: 800px" class="wp-caption aligncenter"><img decoding="async" aria-describedby="caption-attachment-120435" class="wp-image-120435 size-large" src="https://pt.globalvoices.org/wp-content/uploads/2025/12/mg_8100-800x600.webp" alt="" width="800" height="600" srcset="https://pt.globalvoices.org/wp-content/uploads/2025/12/mg_8100-800x600.webp 800w, https://pt.globalvoices.org/wp-content/uploads/2025/12/mg_8100-400x300.webp 400w, https://pt.globalvoices.org/wp-content/uploads/2025/12/mg_8100.webp 1024w" sizes="(max-width: 800px) 100vw, 800px" /><p id="caption-attachment-120435" class="wp-caption-text">Indígenas na Marcha Global pelo Clima durante a COP30. Foto: <a href="https://agenciabrasil.ebc.com.br/foto/2025-11/marcha-global-pelo-clima-cop30-1763223066-1">Bruno Peres/Agência Brasil/Uso autorizado</a></p></div>
<p><strong><span style="font-weight: 400;">A participação indígena também foi destaque. Uma dessas vozes veio pelo rio: a </span><span style="color: #ff0000;"><a href="https://www.amazoniavox.com/noticias/view/384/flotilha_amazonica_inicia_travessia_do_equador_a_belem_para_participacao_de_indigenas_da_regiao_na_cop30?v=2"><span style="font-weight: 400;">Flotilha Yaku Mama</span></a></span><span style="font-weight: 400;">, composta por mais de 60 lideranças indígenas (brasileiras e internacionais) e ativistas, percorreu 3.000 quilômetros durante cerca de um mês, desde o Equador, Peru e Colômbia até Belém. Feita em barcos e canoas, a viagem adicionou uma camada simbólica ao debate climático em relação aos rios e territórios.</span></strong></p>
<p>Segundo a organização da COP, mais de 900 indígenas<span style="color: #ff0000;"> </span>foram credenciados para a zona oficial das negociações, um salto expressivo em relação ao recorde anterior, que era de pouco mais de 300. O texto final da conferência trouxe um marco político importante: reconheceu que os <a href="https://g1.globo.com/meio-ambiente/cop-30/noticia/2025/11/23/entenda-em-12-topicos-os-avancos-e-as-pendencias-da-cop30.ghtml"><span style="font-weight: 400;">direitos territoriais indígenas</span></a> fazem parte da estratégia climática, demanda antiga dos movimentos.</p>
<div id="attachment_120409" style="width: 340px" class="wp-caption alignleft"><img loading="lazy" decoding="async" aria-describedby="caption-attachment-120409" class="wp-image-120409" src="https://pt.globalvoices.org/wp-content/uploads/2025/12/WhatsApp-Image-2025-12-02-at-3.21.24-PM-400x300.jpeg" alt="" width="340" height="255" srcset="https://pt.globalvoices.org/wp-content/uploads/2025/12/WhatsApp-Image-2025-12-02-at-3.21.24-PM-400x300.jpeg 400w, https://pt.globalvoices.org/wp-content/uploads/2025/12/WhatsApp-Image-2025-12-02-at-3.21.24-PM-800x600.jpeg 800w, https://pt.globalvoices.org/wp-content/uploads/2025/12/WhatsApp-Image-2025-12-02-at-3.21.24-PM-1200x900.jpeg 1200w, https://pt.globalvoices.org/wp-content/uploads/2025/12/WhatsApp-Image-2025-12-02-at-3.21.24-PM.jpeg 1280w" sizes="auto, (max-width: 340px) 100vw, 340px" /><p id="caption-attachment-120409" class="wp-caption-text">Painel Programa Kuntari Katu, Zona Verde COP 30. Foto: Isabela Carvalho/Usada com permissão</p></div>
<p>“O Brasil vive uma nova diplomacia dos povos indígenas&#8221;, comentou Lucas Marubo, do povo Marubo, da região de fronteira entre Brasil, Peru e Colômbia, durante painel na <span style="color: #ff00ff;"><span style="color: #000000;"><a href="https://cop30.br/pt-br/sobre-a-cop30/green-zone">Zona Verde da COP30</a>. </span></span><span style="font-weight: 400;">“Saímos da COP30 com a mesma certeza com que entramos: qualquer mecanismo, fundo ou acordo só tem legitimidade se estiver ancorado na soberania territorial dos povos indígenas. Nossa vigilância continua, porque não lutamos por lucro, lutamos pela vida”, disse ele, que fez parte do <a href="https://www.gov.br/mre/pt-br/instituto-rio-branco/noticias/programa-201ckuntari-katu-lideres-indigenas-na-politica-global201d">Programa Kuntari Katu,</a> iniciativa do governo brasileiro que prepara lideranças indígenas para conferências internacionais.<br />
</span></p>
<p><span style="color: #000000;"><span style="font-weight: 400;">“A principais urgências são garantir nossos territórios como fundamento da adaptação, fortalecer a soberania alimentar e o cuidado co</span></span><span style="font-weight: 400;">m os nossos rios, apoiar as infraestruturas comunitárias pensadas para o enfrentamento desses tempos, fortalecer os planos de adaptação criado por nós, e reconhecer que saúde, conhecimento tradicional e bem-viver também são </span><span style="font-size: 1.25rem; color: #000000;">políticas de adaptação</span><span style="font-weight: 400;">. Tudo isso já está sendo feito pelos nossos povos, com muito pouco”, afirma Josimara Baré, do povo Baré, que vive no Rio Negro, na fronteira entre Brasil e Venezuela, também integrante do Kuntari Katu.</span></p>
<h3>O tom na Marcha e nas mesas</h3>
<div id="attachment_120436" style="width: 800px" class="wp-caption aligncenter"><img loading="lazy" decoding="async" aria-describedby="caption-attachment-120436" class="wp-image-120436 size-large" src="https://pt.globalvoices.org/wp-content/uploads/2025/12/mg_8361-800x600.webp" alt="" width="800" height="600" srcset="https://pt.globalvoices.org/wp-content/uploads/2025/12/mg_8361-800x600.webp 800w, https://pt.globalvoices.org/wp-content/uploads/2025/12/mg_8361-400x300.webp 400w, https://pt.globalvoices.org/wp-content/uploads/2025/12/mg_8361.webp 1024w" sizes="auto, (max-width: 800px) 100vw, 800px" /><p id="caption-attachment-120436" class="wp-caption-text">Jovens na Marcha Global pelo Clima levantam suas demandas. Foto: <a href="https://agenciabrasil.ebc.com.br/foto/2025-11/marcha-global-pelo-clima-cop30-1763223062-1">Bruno Peres/Agência Brasil/Uso autorizado</a></p></div>
<p>A <a href="https://g1.globo.com/jornal-nacional/noticia/2025/11/15/ativistas-ocupam-ruas-para-cobrar-protecao-da-amazonia-transicao-energetica-e-financiamento-climatico-para-povos-indigenas.ghtml">Marcha Global Pelo Clima</a>, logo nos primeiros dias de COP, foi o momento mais visível dessa retomada de presença cidadã. Cerca de <a href="https://g1.globo.com/jornal-nacional/noticia/2025/11/15/ativistas-ocupam-ruas-para-cobrar-protecao-da-amazonia-transicao-energetica-e-financiamento-climatico-para-povos-indigenas.ghtml">70 mil pessoas</a> caminharam pelas ruas de Belém, reunindo pautas diversas de justiça climática, territorial, racial e econômica.</p>
<p>Ao longo da caminhada, era possível ver faixas pela proteção do <a href="https://pt.wikipedia.org/wiki/Cerrado">Cerrado</a> e da <a href="https://pt.wikipedia.org/wiki/Amaz%C3%B4nia">Amazônia</a> (biomas brasileiros), pela demarcação de terras, contra o garimpo, em defesa dos direitos das mulheres e crianças negras e indígenas, pela responsabilização de grandes empresas, pela reforma agrária, pelo fim dos combustíveis fósseis (ligados a principal causa do aquecimento global e das mudanças climáticas) e contra investimento em guerras. A Cúpula dos Povos, cujo <a href="https://cupuladospovoscop30.org/manifesto/">manifesto</a> foi assinado por mais de 1.000 organizações de todo o mundo, ajudou a organizar essas vozes.<br />
<span style="font-weight: 400;"><br />
O lançamento do </span><a href="https://www.google.com/search?q=lancamento+Tropical+Forests+Forever+Facility+(TFFF)&amp;rlz=1C1ONGR_enUS984US984&amp;oq=lancamento+Tropical+Forests+Forever+Facility+(TFFF)&amp;gs_lcrp=EgZjaHJvbWUyBggAEEUYOTIHCAEQABiABDIHCAIQABiABDIHCAMQABiABDIHCAQQABiABDIHCAUQABiABDIHCAYQABiABDIHCAcQABiABDIHCAgQABiABDIHCAkQABiABNIBCDE3MjhqMGo3qAIIsAIB8QUTooHQ24VfBg&amp;sourceid=chrome&amp;ie=UTF-8"><span style="font-weight: 400;">Tropical Forests Forever Facility (TFFF)</span></a><span style="font-weight: 400;"> foi apresentado como um anúncio ambicioso da COP30 &#8212; um fundo que pretende criar um fluxo permanente de recursos para a conservação das florestas tropicais, com adesão de mais de 50 países. A ideia é que países com florestas tropicais que as mantiverem “em pé” receberão pagamentos por hectare protegido ou restaurado.</span></p>
<div id="attachment_120410" style="width: 314px" class="wp-caption alignright"><img loading="lazy" decoding="async" aria-describedby="caption-attachment-120410" class="wp-image-120410 " src="https://pt.globalvoices.org/wp-content/uploads/2025/12/WhatsApp-Image-2025-12-02-at-3.25.28-PM-400x312.jpeg" alt="Marcha - 15 de novembro" width="314" height="245" srcset="https://pt.globalvoices.org/wp-content/uploads/2025/12/WhatsApp-Image-2025-12-02-at-3.25.28-PM-400x312.jpeg 400w, https://pt.globalvoices.org/wp-content/uploads/2025/12/WhatsApp-Image-2025-12-02-at-3.25.28-PM-770x600.jpeg 770w, https://pt.globalvoices.org/wp-content/uploads/2025/12/WhatsApp-Image-2025-12-02-at-3.25.28-PM-1154x900.jpeg 1154w, https://pt.globalvoices.org/wp-content/uploads/2025/12/WhatsApp-Image-2025-12-02-at-3.25.28-PM.jpeg 1280w" sizes="auto, (max-width: 314px) 100vw, 314px" /><p id="caption-attachment-120410" class="wp-caption-text">Marcha Global- 15 de novembro reuniu movimentos sociais. Foto: Isabela Carvalho/Usada com permissão</p></div>
<p><span style="font-weight: 400;">As lideranças indígenas receberam o anúncio como um reconhecimento da importância das florestas, mas </span><a href="https://www.nexojornal.com.br/externo/2025/11/12/tfff-fundo-de-florestas-tropicais-para-sempre-limite-financiamento"><span style="font-weight: 400;">com cautela</span></a><span style="font-weight: 400;">. O entusiasmo se misturou a uma cobrança antiga: que esses recursos cheguem de forma direta, simples e compatível com a governança dos próprios povos. A crítica à intermediação de grandes fundos e à burocracia, que dificulta o acesso das comunidades, apareceu ao longo da conferência.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Outro ponto, o roteiro global para eliminação dos combustíveis fósseis, uma das discussões mais aguardadas da COP, não avançou como esperado por divergências entre governos. Em resposta, o Brasil anunciou que seguirá desenvolvendo um documento próprio, junto com o Mecanismo de Ação de Belém (<a href="https://climatenetwork.org/resource/discussion-paper-belem-action-mechanism-october-2025/">BAM, Belem Action Mechanism</a>), voltado a orientar uma transição justa para economias de baixo carbono sem deixar para trás trabalhadores e comunidades locais.</span></p>
<p data-start="738" data-end="1165">Entre vitórias e frustrações, a leitura foi de que a COP30 teve uma presença forte de atores de territórios, e não apenas de escritórios. O termo “mudança sistêmica” apareceu muitas vezes para defender um novo paradigma em que desenvolvimento e natureza não são tratados como campos separados. A mensagem que atravessou a conferência foi que não existe desenvolvimento real sem que a natureza seja parte chave das decisões.</p>
<p data-start="1167" data-end="1523">Os debates sobre combustíveis fósseis, mitigação, adaptação e financiamento ficaram longe do que muitas lideranças esperavam, e isso deixou <a href="https://veja.abril.com.br/economia/cop30-se-encerra-com-texto-final-esvaziado-e-adia-decisoes-importantes/">frustrações claras</a>. Mesmo assim, vale olhar o processo como um todo. Vozes que antes quase não apareciam ocuparam salas, influenciaram conversas e assumiram um lugar concreto no andamento da conferência. Isso não resolve os impasses, mas amplia o horizonte de quem participa e de quem observa.</p>
<div class='gv-rss-footer'><strong><div class='text-credits-container'><div class='text-credits-section'><span class='credit-label'>Escrito por</span> <a href='https://pt.globalvoices.org/author/isabela-carvalho/' class='user-link'>Isabela Carvalho</a></div></div></strong></div>]]></content:encoded>
					
		
		
		<media:content url="https://pt.globalvoices.org/wp-content/uploads/2025/12/mg_9114-400x300.webp" medium="image" width='270' height='202'	/>	</item>
		<item>
		<title>Na COP30, especialista defende que direitos indígenas são passo para solução climática</title>
		<link>https://pt.globalvoices.org/2025/11/18/na-cop30-especialista-defende-que-direitos-indigenas-sao-passo-para-solucao-climatica/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Amazônia Real]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 18 Nov 2025 01:10:13 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[América Latina]]></category>
		<category><![CDATA[Brasil]]></category>
		<category><![CDATA[Destaque]]></category>
		<category><![CDATA[Direitos Humanos]]></category>
		<category><![CDATA[Etnia e Raça]]></category>
		<category><![CDATA[Governança]]></category>
		<category><![CDATA[Indígenas]]></category>
		<category><![CDATA[Meio Ambiente]]></category>
		<category><![CDATA[Mídia Cidadã]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://pt.globalvoices.org/?p=120251</guid>

					<description><![CDATA[Os povos originários se baseiam em indicadores naturais para avaliar os impactos da crise climática. Os sinais estão na floresta, nas plantas e nas águas.]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p><big class='tagline'><em>Para Sineia Wapichana, a chave está na união da ciência indígena com a tradicional</em></big></p><div id="attachment_120256" style="width: 800px" class="wp-caption aligncenter"><img loading="lazy" decoding="async" aria-describedby="caption-attachment-120256" class="size-featured_image_large wp-image-120256" src="https://pt.globalvoices.org/wp-content/uploads/2025/11/Marcha-Mundial-dos-Povos-Indigenas-80-1500x1000-1-800x450.jpg" alt="Marcha Mundial dos Povos Indígenas pelas ruas de Belém, evento paralelo à COP30 (Foto: Alberto César Araújo/ Amazônia Real)." width="800" height="450" srcset="https://pt.globalvoices.org/wp-content/uploads/2025/11/Marcha-Mundial-dos-Povos-Indigenas-80-1500x1000-1-800x450.jpg 800w, https://pt.globalvoices.org/wp-content/uploads/2025/11/Marcha-Mundial-dos-Povos-Indigenas-80-1500x1000-1-1200x675.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 800px) 100vw, 800px" /><p id="caption-attachment-120256" class="wp-caption-text">Um dos cartazes levados por indígenas em marcha diz: &#8220;Emergência climática, a resposta somos nós&#8221; .Foto: Alberto César Araújo/ Amazônia Real/Usada com permissão</p></div>
<p><em>Este texto foi escrito por Nicoly Ambrosio e publicado originalmente no <a href="https://amazoniareal.com.br/direitos-indigenas-cop30/">site da Amazônia Real</a> em 12 de novembro de 2025. Ele é republicado aqui em um acordo de parceria com o Global Voices, com edições.</em></p>
<p>Durante um debate realizado na Zona Azul da <a href="https://cop30.br/pt-br">COP30</a>, a 30ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudança do Clima, a cientista e autoridade climática <a href="https://pt.wikipedia.org/wiki/Sin%C3%A9ia_do_Vale">Sineia do Vale</a>, também conhecida como Sineia Wapichana, afirmou que o primeiro passo para uma política climática efetiva é garantir os direitos dos povos indígenas sobre seus territórios. E a razão é simples: eles podem ser parte da solução porque são capazes de unir, na prática, os conhecimentos tradicionais e científicos.</p>
<p>Em 2025, a edição da COP é realizada em <a href="https://pt.wikipedia.org/wiki/Bel%C3%A9m_(Par%C3%A1)">Belém</a>, no estado do Pará, região norte do Brasil, entre os dias 10 e 21 de novembro. A capital, que tem mais de 400 anos de história, é considerada uma <a href="https://www.gov.br/planalto/pt-br/agenda-internacional/cop30/noticias/belem-do-para-a-capital-amazonica-que-recebera-a-cop30">porta de entrada</a> para a região da <a href="https://pt.wikipedia.org/wiki/Amaz%C3%B4nia">Amazônia</a>, a maior floresta tropical do mundo, presente nos territórios de nove países.</p>
<p>Sineia fala também como co-presidenta do <a href="https://cimi.org.br/2025/04/caucus-indigena-forum-regional-onu-empresas-direitos-humanos/">Caucus Indígena</a>, grupo que reúne representantes indígenas em fóruns intergovernamentais, representante oficial dos povos indígenas pela Presidência da COP30 e coordenadora do Departamento de Gestão Territorial, Ambiental e Mudanças Climáticas (DGTAMC) do Conselho Indígena do estado de Roraima (CIR). Ela atua há mais de 30 anos usando a ciência dos povos tradicionais para proteger a Amazônia de eventos climáticos extremos.</p>
<p>“A gente vem medindo toda essa questão das mudanças climáticas e estamos trabalhando com a adaptação dos povos indígenas”, afirmou em entrevista exclusiva à <a href="https://amazoniareal.com.br/">Amazônia Real</a>.</p>
<p>No dia 12 de novembro, Sineia conduziu o evento “Dos territórios para o mundo – e de volta: caminhos indígenas para a adaptação às mudanças climáticas”, com participação do <a href="https://www.nicfi.no/">NICFI/Ministério do Meio Ambiente da Noruega</a>, <a href="https://unfccc.int/">UNFCCC</a> (Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre a Mudança do Clima), <a href="https://pt.wikipedia.org/wiki/Fundo_Verde_para_o_Clima">Fundo Verde Para o Clima</a>, <a href="https://www.tebtebba.org/index.php/who-we-work-with/networks/elatia">Elatia</a> (Parceria Global de Povos Indígenas por Mudanças Climáticas, Florestas e Desenvolvimento Sustentável) e da organização <a href="https://thetenurefacility.org/">Tenure Facility</a>.</p>
<p>“Construímos os nossos planos de enfrentamento à mudança climática, para que realmente eles sejam implementados, principalmente pelo <a href="https://www.gov.br/mma/pt-br/composicao/smc/plano-clima">Plano Clima do Brasil</a>, para mostrá-los como soluções”, afirmou a cientista.</p>
<p>Segundo ela, as comunidades observam os impactos das altas temperaturas, secas, cheias e queimadas, e constroem planos próprios de enfrentamento, articulando ciência indígena em diálogo com as instituições não-indígenas, como o <a href="https://antigo.mctic.gov.br/mctic/opencms/ciencia/SEPED/clima/ciencia_do_clima/painel_intergovernamental_sobre_mudanca_do_clima.html">IPCC</a> (Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas). A tradição legou a eles soluções baseadas nos seus próprios sistemas de conhecimento.</p>
<h3>Indicadores naturais de adaptação</h3>
<div id="attachment_120257" style="width: 800px" class="wp-caption aligncenter"><img loading="lazy" decoding="async" aria-describedby="caption-attachment-120257" class="size-featured_image_large wp-image-120257" src="https://pt.globalvoices.org/wp-content/uploads/2025/11/Marcha-Mundial-dos-Povos-Indigenas-91-1500x1000-1-800x450.jpg" alt="Marcha Mundial dos Povos Indígenas pelas ruas de Belém, evento paralelo à COP30 (Foto: Alberto César Araújo/ Amazônia Real)." width="800" height="450" srcset="https://pt.globalvoices.org/wp-content/uploads/2025/11/Marcha-Mundial-dos-Povos-Indigenas-91-1500x1000-1-800x450.jpg 800w, https://pt.globalvoices.org/wp-content/uploads/2025/11/Marcha-Mundial-dos-Povos-Indigenas-91-1500x1000-1-1200x675.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 800px) 100vw, 800px" /><p id="caption-attachment-120257" class="wp-caption-text">Marcha Mundial dos Povos Indígenas pelas ruas de Belém, evento paralelo à COP30, em 17 de novembro de 2025. Foto: Alberto César Araújo/ Amazônia Real/Usada com permissão</p></div>
<p>Os povos originários se baseiam em indicadores naturais para avaliar os impactos da crise climática. Os sinais estão na floresta, nas plantas e nas águas. O canto dos pássaros, que fazem parte dos calendários etnológicos, e os ciclos de plantio e colheita também ajudam os indígenas a monitorarem as mudanças climáticas. Eles são capazes de observar e compreender o comportamento de uma planta chamada <a href="https://pt.wikipedia.org/wiki/Aninga-a%C3%A7u">aninga</a>, abundante e que cresce às margens de rios, igapós e igarapés amazônicos, que indica as cheias e secas dos rios, podendo prevenir desastres.</p>
<p>“São esses indicadores naturais que estamos buscando cada dia mais a orientação, a observação, para que o povo indígena possa continuar fazendo toda essa manutenção da biodiversidade, da floresta, da água”, explicou a cientista. Ao relatar exemplos de mudanças drásticas no clima, ela mencionou o caso do estado de de Roraima, onde o bioma lavrado sofreu queimadas severas em 2024, afetando 80% da área.</p>
<p>No início de 2024, os focos de queimadas em Roraima, norte do Brasil, <a href="https://amazoniareal.com.br/incendios-em-terras-indigenas/">bateram recordes históricos</a>. Entre 1º e 23 de fevereiro, o <a href="https://pt.wikipedia.org/wiki/Instituto_Nacional_de_Pesquisas_Espaciais">Inpe</a> (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais) detectou <a href="https://g1.globo.com/rr/roraima/noticia/2024/02/23/roraima-bate-recorde-historico-de-focos-de-calor-em-2024-em-meio-a-permissao-do-governo-para-queimadas-alerta-greenpeace.ghtml">1.692 focos</a>, um número superior aos 1.347 de fevereiro de 2007, o maior até então desde que o órgão federal começou a detectar focos de queimadas na Amazônia. No comparativo o aumento no período foi de 449%.</p>
<p>“Quando tem essa queimada drástica, ela acaba com a biodiversidade que nós temos ali. As plantas medicinais, vários tipos de pássaros que moram nesse ecossistema. Isso para nós é muito impactante dentro das comunidades indígenas”, observou Sineia Wapichana..</p>
<p>A perda de biodiversidade e de espécies vegetais, como <a href="https://pt.wikipedia.org/wiki/Buriti">o buriti</a>, representa para os povos indígenas um dano profundo e irreparável. “Quando um pé de buriti é queimado, para algumas pessoas pode não ter nenhum valor, mas para nós é uma planta significativa. Tem as palhas que fazem a casa, o fruto que alimenta, e uma conexão espiritual com a floresta, com a água e com os animais que os povos indígenas têm de longa convivência”, contou ela.</p>
<h3>Presença indígena contra o aquecimento</h3>
<div id="attachment_120259" style="width: 800px" class="wp-caption alignleft"><img loading="lazy" decoding="async" aria-describedby="caption-attachment-120259" class="size-featured_image_large wp-image-120259" src="https://pt.globalvoices.org/wp-content/uploads/2025/11/anapaula-800x450.jpg" alt="" width="800" height="450" srcset="https://pt.globalvoices.org/wp-content/uploads/2025/11/anapaula-800x450.jpg 800w, https://pt.globalvoices.org/wp-content/uploads/2025/11/anapaula-1200x675.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 800px) 100vw, 800px" /><p id="caption-attachment-120259" class="wp-caption-text">Brigadista Indígena Ana Paula Wapichana. Foto: Juliana Pesqueira/Amazônia Real/2025/Usada com permissão</p></div>
<p>Brigadista indígena do seu povo, Ana Paula Wapichana atua em uma brigada comunitária indígena em Roraima e tem dedicado seu trabalho às práticas de manejo do fogo e à prevenção de <a href="https://amazoniareal.com.br/por-que-a-amazonia-bate-recordes-de-queimadas/">queimadas em territórios indígenas</a>. Durante conversa com a reportagem, ela destacou que o tema da adaptação climática é um desafio urgente para os povos indígenas.</p>
<p>“A gente está aqui para buscar soluções, buscar um sim para conter as mudanças climáticas que estão acontecendo. Queremos que o mundo fique em alerta, que isso não aconteça mais, buscamos melhorar, para futuramente nossos filhos, nossas crianças possam viver melhor”, afirmou.</p>
<p>A brigadista explicou que seu trabalho se concentra na técnica de queima prescrita, usada como forma de controle e prevenção dos incêndios florestais, especialmente no lavrado de Roraima, um dos <a href="https://amazoniareal.com.br/por-que-a-amazonia-bate-recordes-de-queimadas/">biomas mais afetados pelas secas e queimadas dos últimos anos</a>.</p>
<p>Apesar de sentir falta de mais representantes indígenas da Amazônia nas mesas de decisão, a brigadista reforçou o sentido coletivo da <a href="https://agenciabrasil.ebc.com.br/meio-ambiente/noticia/2025-11/indigenas-do-mundo-cobram-na-cop30-centralidade-na-acao-climatica">presença indígena</a> na COP30. “Entendo que cada um de nós representa nossos povos. Sei que não havia credencial para todo mundo, mas estamos aqui mostrando a realidade de quem ficou fora também”, disse.</p>
<h3>Mitigação e adaptação</h3>
<div id="attachment_120260" style="width: 800px" class="wp-caption alignright"><img loading="lazy" decoding="async" aria-describedby="caption-attachment-120260" class="size-featured_image_large wp-image-120260" src="https://pt.globalvoices.org/wp-content/uploads/2025/11/sineia-800x450.jpg" alt="" width="800" height="450" srcset="https://pt.globalvoices.org/wp-content/uploads/2025/11/sineia-800x450.jpg 800w, https://pt.globalvoices.org/wp-content/uploads/2025/11/sineia-1200x675.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 800px) 100vw, 800px" /><p id="caption-attachment-120260" class="wp-caption-text">Sineia do Vale, cientista e autoridade climática. Foto: Juliana Pesqueira/Amazônia Real/2025/Usada com permissão</p></div>
<p>Durante sua fala ao público-geral, Sineia do Vale ressaltou a urgência de garantir a presença e a escuta dos povos indígenas nos espaços de decisão sobre o clima, além do financiamento para continuarem com seu trabalho de mitigação dos impactos da crise climática.</p>
<p>“Precisa de financiamento para continuar fazendo o que os povos indígenas sempre fizeram voluntariamente. Os fundos são mecanismos para os quais estamos nos preparando, principalmente, para ter os recursos direto para implementação dos temas que nós já estamos tratando, que é de adaptação, mas que as terras indígenas também são mitigação, porque fazemos esses dois trabalhos sem desconectar”, afirmou.</p>
<p>O painel realizado na COP30, acompanhado pela Amazônia Real, buscou criar um espaço de diálogo estratégico voltado à construção de políticas e mecanismos que assegurem financiamento direto para ações de adaptação climática conduzidas pelos próprios povos indígenas em seus territórios. Entre os encaminhamentos esperados estão a elaboração de recomendações políticas práticas direcionadas à <a href="https://unfccc.int/">UNFCCC</a>, à Meta Global de Adaptação (GAA) e aos planos nacionais de adaptação, além da formulação de caminhos éticos e equitativos para incluir os povos indígenas em mecanismos de financiamento climático.</p>
<div class='gv-rss-footer'><strong><div class='text-credits-container'><div class='text-credits-section'><span class='credit-label'>Escrito por</span> <a href='https://pt.globalvoices.org/author/amazonia-real/' class='user-link'>Amazônia Real</a></div></div></strong></div>]]></content:encoded>
					
		
		
		<media:content url="https://pt.globalvoices.org/wp-content/uploads/2025/11/Marcha-Mundial-dos-Povos-Indigenas-80-1500x1000-1-400x300.jpg" medium="image" width='270' height='202'	/>	</item>
		<item>
		<title>O que pensam jovens indígenas brasileiros sobre mudanças climáticas</title>
		<link>https://pt.globalvoices.org/2025/04/29/o-que-pensam-jovens-indigenas-brasileiros-sobre-mudancas-climaticas/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Pública - Agência de jornalismo investigativo]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 29 Apr 2025 19:43:04 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[América Latina]]></category>
		<category><![CDATA[Brasil]]></category>
		<category><![CDATA[Destaque]]></category>
		<category><![CDATA[Governança]]></category>
		<category><![CDATA[Indígenas]]></category>
		<category><![CDATA[Juventude]]></category>
		<category><![CDATA[Meio Ambiente]]></category>
		<category><![CDATA[Mídia Cidadã]]></category>
		<category><![CDATA[Política]]></category>
		<category><![CDATA[Weblog]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://pt.globalvoices.org/?p=117788</guid>

					<description><![CDATA[Presentes na maior mobilização indígena do Brasil, o Acampamento Terra Livre (ATL), jovens contam sobre a crise climática enfrentada pelo planeta os afeta diretamente em diversas regiões do país]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p><big class='tagline'><em>Sol queima, rios secam e a colheita some: a crise climática reescreve a vida no cotidiano de povos originários</em></big></p><div id="attachment_117792" style="width: 800px" class="wp-caption aligncenter"><img loading="lazy" decoding="async" aria-describedby="caption-attachment-117792" class="size-featured_image_large wp-image-117792" src="https://pt.globalvoices.org/wp-content/uploads/2025/04/17_0-800x450.webp" alt="" width="800" height="450" /><p id="caption-attachment-117792" class="wp-caption-text">Indígenas participam do Acampamento Terra Livre em 2024. Foto: <a href="https://agenciabrasil.ebc.com.br/it/foto/2024-12/100-fotos-melhores-de-2024-retrospectiva-1735188010-6">Marcelo Camargo/Agência Brasil. Fair use</a></p></div>
<p><em>Este artigo, escrito por Guilherme Cavalcanti e editado por Thiago Domenici, foi <a href="https://apublica.org/2025/04/mudancas-climaticas-o-que-pensam-os-jovens-indigenas-presentes-no-atl/">originalmente publicado no site da Agência Pública</a> em 10 de abril de 2025. Ele foi editado aqui por questões de espaço e contexto, seguindo acordo de parceria com o Global Voices.</em></p>
<p>Os efeitos da crise climática estão presentes nas rotinas de pesca, na agricultura de subsistência e no próprio corpo, alterando hábitos e modos de vida em diversas regiões do Brasil. Essa é a percepção de jovens indígenas de diferentes etnias ouvidos pela Agência Pública, durante a maior mobilização indígena do país, o <a href="https://globalvoices.org/2024/05/04/the-indigenous-peoples-camp-that-calls-for-rights-every-april-in-brazil/">Acampamento Terra Livre (ATL)</a>, que acontece sempre em abril.</p>
<p>“A gente já não pesca como a gente pescava, oito, seis anos atrás. Na <a href="https://pt.wikipedia.org/wiki/Ilha_do_Bananal">Ilha do Bananal</a> (a maior ilha fluvial do mundo), teve muita queimada ano passado. É um acúmulo de várias coisas que vai influenciando. No caso do meu <a href="https://en.wikipedia.org/wiki/Karaj%C3%A1">povo Karajá</a>, nunca se pensava ‘Ah, vai faltar peixe. A gente tem que ir a um lago específico agora para pescar’, sabe?”, conta Maluá Silva Kuady Karajá, de 25 anos.</p>
<p>Ela destaca que o avanço do aquecimento global não se expressa apenas em dados científicos. “Vai mudando o cotidiano completamente. Mudou o bioma, a fauna, as nossas vivências, a nossa vida. E trazendo outras dificuldades que transpassam a questão climática”, afirma a jovem indígena.</p>
<p>A edição de 2025 do movimento tem como um dos focos principais a articulação para garantir o protagonismo indígena na <a href="https://apublica.org/tag/cop30/">COP30</a>, conferência climática da ONU (Organização das Nações Unidas) que acontecerá em Belém, no estado do Pará, região norte do país, em novembro. A campanha “A Resposta Somos Nós”, organizada pela <a href="https://www.gov.br/cgu/pt-br/governo-aberto/iniciativas-de-governo-aberto/organizacoes-da-sociedade-civil/de-a-a-z/articulacao-dos-povos-indigenas-do-brasil-apib">Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (Apib)</a>, propõe que a demarcação de terras indígenas seja incluída como estratégia nas metas ambientais dos países amazônicos.</p>
<p>“Discutir meio ambiente sem que o indígena seja parte do protagonismo, já começa a ser problemático, no mínimo, principalmente aqui no nosso país, onde as principais reservas [de recursos naturais] estão dentro dos nossos territórios”, explica Maluá. Ela ressalta a luta por terras não é pela exploração para um fim econômico, mas para discutir a questão do meio ambiente. “[Essa discussão] perpassa muitas coisas que estão na essência da nossa vivência”.</p>
<p>De acordo com o <a href="https://brasil.mapbiomas.org/">MapBiomas</a>, plataforma que ajuda a mapear o desmatamento e uso de terras no Brasil, as terras indígenas no Brasil representam 13% do território nacional, mas respondem por apenas 1% da perda de vegetação nativa entre 1985 e 2023.</p>
<h4>&#8216;Não podemos plantar&#8217;</h4>
<div id="attachment_117793" style="width: 800px" class="wp-caption aligncenter"><img loading="lazy" decoding="async" aria-describedby="caption-attachment-117793" class="size-featured_image_large wp-image-117793" src="https://pt.globalvoices.org/wp-content/uploads/2025/04/FOTO1_Mudanças-climáticas-o-que-pensam-os-jovens-indígenas-presentes-no-ATL-800x450.jpg" alt="" width="800" height="450" /><p id="caption-attachment-117793" class="wp-caption-text">Jovens indígenas no ATL carregam faixa: &#8221;Juventude indígena &#8211; Plantando o futuro com a força da ancestralidade”. Foto: Guilherme Cavalcanti/Agência Pública</p></div>
<p>Yan Mongoyó, 21 anos, vive em um território de transição entre os biomas da <a href="https://pt.wikipedia.org/wiki/Mata_Atl%C3%A2ntica">Mata Atlântica</a> e da <a href="https://pt.wikipedia.org/wiki/Caatinga">Caatinga</a>, no sudeste da Bahia, região nordeste do país, e explica que a seca prolongada têm impedido de diferentes maneiras a agricultura familiar. “Está muito seco, não conseguimos plantar. Deu uma chuvinha e a gente plantou, mas não sobreviveu. Então, a gente está muito preocupado porque a nossa comunidade não é abastecida por água encanada, é abastecida por carro-pipa, um carro-pipa para três famílias. Então não tem como fazer plantação”, relata. “O pessoal que está lá na base é o que mais sofre, principalmente os produtores que estão na agricultura familiar”.</p>
<p>Yan também critica o <a href="https://www.socioambiental.org/noticias-socioambientais/garimpo-e-agropecuaria-seguem-desmatando-terras-indigenas-com-presenca-de">avanço do agronegócio</a> sobre os territórios indígenas, especialmente nas regiões historicamente esquecidas pela mídia e pelo poder público.</p>
<p>“Não importa qual região é, [os ruralistas] estão invadindo, destruindo o que podem destruir, e a gente está sofrendo. É uma pauta que abarca todos os povos”, diz. “Eu estive analisando alguns jornais, e acho que, primeiro, eles estereotipam a gente demaisNormalmente, eles falam muito da Amazônia e tudo, e esquecem dos outros biomas que também são muito importantes. A Caatinga e o Cerrado estão sofrendo bastante com essas questões climáticas, questão agrária”, afirma Yan.</p>
<p>A ausência de debate sobre o <a href="https://pt.wikipedia.org/wiki/Cerrado">Cerrado</a> é uma das questões que Letícia Awju Torino Krikati, 20 anos, tenta mudar na sua região. Única indígena no legislativo no estado do Maranhão, a vereadora de Montes Altos deseja mostrar a importância do bioma para o país “pois é onde há as nascentes de alguns dos maiores rios, sendo uma base hidrográfica extremamente importante para nós”.</p>
<p>Letícia conta que enfrenta dificuldades para levar a pauta ambiental para dentro da política municipal, já que em Montes Altos ainda não há uma secretaria de Meio Ambiente. “Isso afeta nas discussões também das mudanças climáticas dentro dos territórios indígenas. A gente tem a Secretaria de Assuntos Indígenas, mas ela também tem que trabalhar em parceria com outras secretarias”, afirma a vereadora.</p>
<p>Ela lembra que os territórios <a href="https://pib.socioambiental.org/en/Povo:Krikat%C3%AD#:~:text=Name%20and%20Population&amp;text=The%20group's%20self%2Ddenomination%20is,people%20who%20control%20the%20uplands.%E2%80%9D">Krikati</a>, do povo de sua etnia, ainda aguarda a decisão da Justiça para que sejam, de fato, entregues aos indígenas Mais de 250 processos de demarcação de terras indígenas seguem sem conclusão no Brasil, segundo o <a href="https://www.socioambiental.org/noticias-socioambientais/por-que-demarcacao-de-terras-indigenas-nao-avanca-entenda#:~:text=Mas%2C%20ainda%20faltam%20255%20Terras%20Ind%C3%ADgenas%20com%20seu%20processo%20de%20demarca%C3%A7%C3%A3o%20j%C3%A1%20iniciado%20e%20n%C3%A3o%20finalizado.">Isa (Instituto Socioambiental)</a>. A tese do <a href="https://www.camara.leg.br/noticias/966618-o-que-e-marco-temporal-e-quais-os-argumentos-favoraveis-e-contrarios/">marco temporal</a>, que defende que povos indígenas só teriam direitos a terras que ocupavam até a Constituição de 1988, apesar de ter sido considerada inconstitucional pelo <a href="https://portal.stf.jus.br/noticias/verNoticiaDetalhe.asp?idConteudo=514552&amp;ori=1">STF (Supremo Tribunal Federal)</a>, virou <a href="https://www.conjur.com.br/2024-jun-30/lei-do-marco-temporal-de-demarcacao-de-terras-indigenas-tradicionalmente-ocupadas/">lei pelo Congresso Nacional</a>.</p>
<h4>Garimpo e alimentação</h4>
<p>“Hoje os não-indígenas usam o termo de agroecologia, mas a gente sabe que agroecologia é uma apropriação dos saberes indígenas, dos saberes tradicionais”, diz Evelin Cristina Araújo Tupinambá, 27 anos, professora de geografia em <a href="https://en.wikipedia.org/wiki/Goi%C3%A2nia">Goiânia</a>. Em sala de aula, ela conecta ciência e ancestralidade para explicar aos alunos as mudanças climáticas e a relação entre territórios indígenas e preservação.</p>
<p>Evelin destaca ainda que as pautas indígenas variam conforme o território e a vivência de cada povo. No seu caso, vivendo há anos na capital do estado de Goiás, na região Centro-oeste, uma de suas principais lutas está relacionada à preservação do Cerrado. Ela compara essa realidade com a de seu povo, que vive na Amazônia, onde os desafios são outros — como a presença de madeireiras, a extração ilegal e a poluição dos rios.</p>
<p>“São contextos diferentes, mas que se agregam, sabe? Acho que por isso as lutas não se desassociam, por mais que a gente esteja falando de territórios e biomas diferentes, mas a nossa luta é a mesma”, explica Evelin. “Aqui é uma oportunidade de oficializar as denúncias É uma porta de entrada para ir diretamente para o plenário, para a Câmara [dos Deputados]. Diretamente com os agentes que, institucionalmente falando, fazem acontecer”.</p>
<p>Maria Lilane, 24 anos, do<a href="https://pib.socioambiental.org/en/Povo:Baniwa"> povo Baniwa</a>, de <a href="https://apublica.org/2015/05/sao-gabriel-e-seus-demonios/">São Gabriel da Cachoeira</a>, no estado do Amazonas, região norte do Brasil, vê o meio ambiente como uma “segunda casa” e diz que destruí-lo é destruir a própria vida. Ela critica a desigualdade alimentar no Brasil, que, mesmo sendo um dos maiores produtores do mundo, não assegura comida saudável para todos.</p>
<p>“[O alimento] chega com o preço exorbitante e agrotóxico também. Por mais que eles tentam fazer um alimento saudável, nós sabemos que nos dias de hoje todo alimento industrializado vem com muito agrotóxico. Isso tem um grande impacto não só na vida dos indígenas, como para os brasileiros em geral”.</p>
<div class='gv-rss-footer'><strong><div class='text-credits-container'><div class='text-credits-section'><span class='credit-label'>Escrito por</span> <a href='https://pt.globalvoices.org/author/publica/' class='user-link'>Pública &#8211; Agência de jornalismo investigativo</a></div></div></strong></div>]]></content:encoded>
					
		
		
		<media:content url="https://pt.globalvoices.org/wp-content/uploads/2025/04/17_0-400x300.webp" medium="image" width='270' height='202'	/>	</item>
		<item>
		<title>Brasil: a luta para reconhecer o assassinato de Julieta Hernández como feminicídio</title>
		<link>https://pt.globalvoices.org/2024/10/25/brasil-a-luta-para-reconhecer-o-assassinato-de-julieta-hernandez-como-feminicidio/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[MigraMundo]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 25 Oct 2024 16:21:34 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[América Latina]]></category>
		<category><![CDATA[Brasil]]></category>
		<category><![CDATA[Destaque]]></category>
		<category><![CDATA[Direitos Humanos]]></category>
		<category><![CDATA[Lei]]></category>
		<category><![CDATA[Migração e Imigração]]></category>
		<category><![CDATA[Mulheres e Gênero]]></category>
		<category><![CDATA[Venezuela]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://pt.globalvoices.org/?p=114881</guid>

					<description><![CDATA[''Houve violência sexual, houve tortura, houve crueldade, que são manifestações bem explícitas de ódio, de misoginia e xenofobia”, diz representante do Ministério das Mulheres]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p><big class='tagline'><em>Artista venezuelana foi assassinada, enquanto viajava sozinha, no início de 2024. A família busca o reconhecimento de questões de gênero no crime </em></big></p><div id="attachment_114896" style="width: 800px" class="wp-caption aligncenter"><img loading="lazy" decoding="async" aria-describedby="caption-attachment-114896" class="wp-image-114896 size-full" src="https://pt.globalvoices.org/wp-content/uploads/2024/10/Untitled-design-20.jpg" alt="" width="800" height="600" srcset="https://pt.globalvoices.org/wp-content/uploads/2024/10/Untitled-design-20.jpg 800w, https://pt.globalvoices.org/wp-content/uploads/2024/10/Untitled-design-20-400x300.jpg 400w" sizes="auto, (max-width: 800px) 100vw, 800px" /><p id="caption-attachment-114896" class="wp-caption-text">Julieta Inés Hernández Martínez. Imagem: Arte sobre foto em redes sociais e<a href="https://www.freepik.com/free-photo/top-view-old-french-newspaper-pieces_23994233.htm#query=newspaper%20texture&amp;position=0&amp;from_view=keyword&amp;track=ais_hybrid&amp;uuid=2c0a4814-2e0b-4f0b-a63e-82c7185d7955"> imagem Freepik</a>.</p></div>
<p><em>Este texto foi escrito por Dominique Maia e publicado originalmente no <a href="https://migramundo.com/julieta-hernandez-e-a-luta-pelo-reconhecimento-do-caso-como-feminicidio/">site do MigraMundo</a> em 15 de outubro de 2024. Ele é republicado aqui em acordo de parceria com o Global Voices, com edições. </em></p>
<p>Em janeiro de 2024, o <a href="https://globalvoices.org/2024/01/17/the-femicide-of-julieta-hernandez-a-venezuelan-migrant-in-brazil-sparks-outrage-across-south-america/">corpo da artista venezuelana</a> Julieta Inés Hernández Martínez foi encontrado no município de Presidente Figueiredo, a 124 km de Manaus, no estado do Amazonas, região norte do Brasil.</p>
<p>Desaparecida desde o dia 23 de dezembro de 2023, Julieta havia sido vista pela última vez quando comunicou à família que passaria a noite na cidade antes de seguir viagem para Rorainópolis, em Roraima.</p>
<p>O desaparecimento mobilizou buscas e investigações que, mais tarde, levaram à prisão de um casal de suspeitos, <a href="https://noticias.uol.com.br/cotidiano/ultimas-noticias/2024/01/08/suspeitos-de-estuprar-e-matar-venezuelana-no-am-sao-indiciados-por-3-crimes.htmhttps://noticias.uol.com.br/cotidiano/ultimas-noticias/2024/01/08/suspeitos-de-estuprar-e-matar-venezuelana-no-am-sao-indiciados-por-3-crimes.htm">indiciados</a> mais tarde pela Polícia Civil do Amazonas. O caso chocou o Brasil e a Venezuela, e teve grande repercussão nas redes sociais e entre organizações artísticas &#8212; Julieta era figura ativa em movimentos sociais e culturais.</p>
<p>Passados nove meses, porém, a morte dela, ainda levanta questões sobre a violência de gênero na região amazônica, além da luta pelo reconhecimento do caso como feminicídio.</p>
<h4>Quem era Julieta?</h4>
<p>Artista circense e feminista, Julieta chegou ao Brasil em 2015 e, ao longo de oito anos, transformou sua vida em uma verdadeira jornada de movimento e criatividade. Nas <a href="https://www.instagram.com/utopiamaceradaenchocolate/">redes sociais</a>, ela se apresentava como “migrante nômade, bonequeira, palhaça e viajante de bicicleta”.</p>
<p>Ela também interpretava a palhaça Miss Jujuba, viajando a vários lugares do Brasil com a peça “<a href="https://palcobelem.com.br/evento/viagem-de-bicicleta-de-uma-palha%C3%A7a-s%C3%B3-sozinha">Viagem de Bicicleta de uma Palhaça Só… Sozinha?</a>”. Além de suas performances, Julieta também produzia artesanato e confeccionava bonecos por encomenda, e oferecia oficinas de arte para crianças, estimulando a criatividade e a imaginação em novas gerações.</p>
<p>Parte do grupo circense <a href="https://www.instagram.com/pevermei/?hl=en">Pé Vermêi</a> (pé vermelho<em>, </em>em português coloquial), que reunia artistas e ciclo-viajantes, Julieta usava a bicicleta como meio de transporte para percorrer o Brasil e se conectar com diferentes comunidades.</p>
<h4>Como foi o crime</h4>
<p>A Polícia Civil do Amazonas iniciou as investigações logo após o registro do desaparecimento de Julieta, no <a href="https://g1.globo.com/am/amazonas/noticia/2024/01/09/entenda-o-caso-da-artista-venezuelana-assassinada-enquanto-viajava-de-bicicleta-pelo-brasil.ghtml">início de janeiro</a>. A partir das informações sobre seu último paradeiro, foram realizadas buscas em pousadas da região do município de Presidente Figueiredo, um lugar com <a href="https://cidades.ibge.gov.br/brasil/am/presidente-figueiredo/pesquisa/10102/122229">30.668 habitantes</a>.</p>
<p>Na manhã de 5 de janeiro, Thiago Agles da Silva foi localizado em um refúgio e afirmou que a venezuelana havia pernoitado no local antes de seguir viagem. No entanto, no mesmo dia, um morador encontrou partes da bicicleta da vítima, levando a polícia a confrontar Silva, que tentou fugir.</p>
<p>Durante os interrogatórios, ele e sua companheira, Deliomara dos Anjos Santos, apresentaram versões contraditórias até <a href="https://g1.globo.com/am/amazonas/noticia/2024/01/08/casal-suspeito-de-matar-artista-venezuelana-tem-prisao-preventiva-decretada-no-am-requintes-de-crueldade-diz-juiz.ghtml">admitirem</a> a autoria do crime. De acordo com o <a href="https://www.cnnbrasil.com.br/nacional/artista-venezuelana-foi-violentada-antes-de-morrer-no-amazonas-diz-policia/">delegado Valdinei Silva</a>, Silva disse ter atacado Julieta enquanto ela dormia, para roubar seu celular. Segundo o <a href="https://g1.globo.com/am/amazonas/noticia/2024/01/08/casal-suspeito-de-matar-artista-venezuelana-tem-prisao-preventiva-decretada-no-am-requintes-de-crueldade-diz-juiz.ghtml">portal G1</a>, após uma luta corporal, ele teria abusado sexualmente dela.</p>
<p>Durante o depoimento, a mulher dele confessou que, ao presenciar a cena, foi <a href="https://g1.globo.com/am/amazonas/noticia/2024/01/08/casal-suspeito-de-matar-artista-venezuelana-tem-prisao-preventiva-decretada-no-am-requintes-de-crueldade-diz-juiz.ghtml">tomada por ciúmes</a> do companheiro, jogou álcool e <a href="https://g1.globo.com/am/amazonas/noticia/2024/01/06/corpo-encontrado-no-am-e-de-artista-venezuelana-que-viajava-de-bicicleta-pelo-brasil-diz-policia.ghtml">pôs fogo</a> em ambos. Julieta teria sido <a href="https://g1.globo.com/am/amazonas/noticia/2024/01/06/corpo-encontrado-no-am-e-de-artista-venezuelana-que-viajava-de-bicicleta-pelo-brasil-diz-policia.ghtml">enforcada</a> e enterrada em uma cova rasa. Na época, a polícia disse suspeitar ainda que ela teria sido <a href="https://radios.ebc.com.br/viva-maria/2024/01/julieta-hernandez-pode-ter-sido-enterrada-viva">enterrada com vida</a>.</p>
<p>O casal foi detido no dia 5 de janeiro. Com o auxílio do Corpo de Bombeiros Militar do Amazonas e seus cães farejadores, o corpo de Julieta foi <a href="https://g1.globo.com/am/amazonas/noticia/2024/01/06/corpo-encontrado-no-am-e-de-artista-venezuelana-que-viajava-de-bicicleta-pelo-brasil-diz-policia.ghtml">localizado</a> em uma cova no quintal do refúgio, junto com outros pertences.</p>
<h4>Por que feminicídio</h4>
<p>A família de Julieta lidera uma mobilização para que o crime seja <a href="https://www.nexojornal.com.br/externo/2024/06/14/a-mobilizacao-para-que-o-caso-julieta-seja-visto-como-feminicidio">tipificado como feminicídio</a> pela Justiça brasileira, argumentando que a violência sofrida por Julieta carrega traços de misoginia e xenofobia, considerando que era uma mulher e migrante venezuelana.</p>
<p>O movimento é realizado em colaboração com a União Brasileira de Mulheres (UBM) e destaca problemas na condução do caso, que foi enquadrado pelo Ministério Público do Amazonas como <a href="https://www.brasildefato.com.br/2024/08/07/novo-promotor-recusa-tese-de-feminicidio-no-caso-da-cicloativista-venezuelana-julieta-hernandez">latrocínio, estupro e ocultação de cadáver</a>.</p>
<p>Durante <a href="https://www.aleam.gov.br/deputados-debatem-caso-julieta-hernandez-em-cessao-de-tempo-no-plenario-ruy-araujo/">sessão plenária</a> na Assembleia Legislativa do Amazonas, em junho, Sophia Hernández, irmã de Julieta, afirmou que o caso foi rapidamente encerrado sem uma apuração aprofundada e questionou a classificação como latrocínio ou roubo seguido de morte.</p>
<p>Ela ressaltou que, embora os pertences de Julieta não tenham sido roubados ou vendidos, foram ocultados para encobrir o crime, reforçando o pedido para que a Justiça reconheça a motivação misógina e xenófoba do crime.</p>
<p>“Primeiro, porque quando é latrocínio são menos anos de condenação, segundo, e mais importante, é porque foi um feminicídio e não podemos chamar por outro nome um crime de gênero. Julieta morreu por ser mulher, migrante e por viver uma vida em liberdade, como nós mulheres devemos viver”, declarou Sophia ao <a href="https://amazoniareal.com.br/familia-de-julieta-luta-para-o-crime-ser-reconhecido-como-feminicidio/" target="_blank" rel="noopener">portal Amazônia Real</a> na época.</p>
<p>Denise Motta Dau, secretária Nacional de Enfrentamento à Violência contra a Mulher, do <a href="https://agenciagov.ebc.com.br/noticias/202406/em-agenda-em-manaus-mmulheres-defende-que-crime-contra-julieta-hernandez-seja-reconhecido-como-feminicidio">Ministério das Mulheres</a>, que também participou da sessão, disse: “O crime não tem nada de roubo. Mas houve violência sexual, houve tortura, houve crueldade, que são manifestações bem explícitas de ódio, de misoginia e xenofobia”.</p>
<p>Em uma <a href="https://www.gov.br/mulheres/pt-br/central-de-conteudos/noticias/2024/junho/nota-em-reconhecimento-ao-crime-cometido-contra-julieta-hernandez-como-feminicidio">nota</a> divulgada no dia 6 de junho, o Ministério das Mulheres já havia expressado apoio à ação da família. Nela, a pasta declara que “reconhece a preocupação dos familiares e advogados de Julieta pela ausência do devido tratamento jurídico ao caso como uma grave violação de direitos humanos das mulheres e dos migrantes”.</p>
<p>O ministério diz ainda que “reforça a crença nas instituições brasileiras para que este caso e o de todas as mulheres que recorrem à Justiça não fiquem impunes, por suas vidas e pelo direito à memória”.</p>
<h4>A lei brasileira</h4>
<p>O advogado Carlos Nicodemos, que representa a família, também defende que há elementos no crime que sustentam a tese de feminicídio. “Existiu ali uma evidência em relação a intencionalidade de agredir, violar, praticar misoginia e xenofobia. Isso só se evidencia na legislação penal como crime de feminicídio, o que não foi efetivamente apresentado pelo Ministério Público, nem recepcionado pelo Poder Judiciário”, <a href="https://amazoniareal.com.br/familia-de-julieta-luta-para-o-crime-ser-reconhecido-como-feminicidio/#:~:text=Fundadora%20da%20Rede%20Venezuelana%20de,passaria%20o%20final%20do%20ano">declarou à imprensa</a>.</p>
<p>Nicodemos lembrou ainda que o caso Julieta infringe tratados internacionais de direitos humanos, como a Convenção Interamericana para Prevenir, Punir e Erradicar a Violência Contra a Mulher, conhecida como “<a href="https://www.onumulheres.org.br/wp-content/uploads/2013/03/convencaobelem1994.pdf">Convenção de Belém do Pará</a>” (1994), da qual o Brasil é signatário.</p>
<p>A classificação de um crime como feminicídio não é apenas uma questão semântica ou jurídica, trata-se de reconhecer a especificidade da violência de gênero e o contexto social em que ocorre.</p>
<p>No Brasil, desde 2015, <a href="https://www.camara.leg.br/noticias/643729-lei-do-feminicidio-faz-cinco-anos/">uma lei alterou o Código Penal</a> o reconhecendo como qualificadora de crimes de homicídio. Em outubro de 2024, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva <a href="https://www.gov.br/planalto/pt-br/acompanhe-o-planalto/noticias/2024/10/presidente-sanciona-lei-que-amplia-para-ate-40-anos-a-pena-para-casos-de-feminicidio">sancionou uma nova lei</a> que aumenta para até 40 anos a pena para casos do tipo.</p>
<p>Em muitos casos, como o de Julieta, a violência de gênero é motivada por discriminação e desigualdade que afetam as mulheres, com um risco diferenciado às migrantes, que também sofrem com a xenofobia.</p>
<p>Para mulheres migrantes, a luta pelo reconhecimento do feminicídio pode ser ainda mais complexa. Isso porque estão frequentemente à margem do sistema de proteção, muitas vezes sem acesso a redes de apoio, e enfrentam mais dificuldades em acessar a justiça devido à sua condição migratória, barreiras linguísticas e falta de informações sobre seus direitos.</p>
<p>Reconhecer o assassinato de Julieta como feminicídio pode criar um precedente importante para o tratamento de outros casos semelhantes.</p>
<div class='gv-rss-footer'><strong><div class='text-credits-container'><div class='text-credits-section'><span class='credit-label'>Escrito por</span> <a href='https://pt.globalvoices.org/author/migramundo/' class='user-link'>MigraMundo</a></div></div></strong></div>]]></content:encoded>
					
		
		
		<media:content url="https://pt.globalvoices.org/wp-content/uploads/2024/10/Untitled-design-20-400x300.jpg" medium="image" width='270' height='202'	/>	</item>
		<item>
		<title>Brasil: Starlink resiste a mudar identificação de compradores de antenas na Amazônia</title>
		<link>https://pt.globalvoices.org/2024/10/18/brasil-starlink-resiste-a-mudar-identificacao-de-compradores-de-antenas-na-amazonia/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Pública - Agência de jornalismo investigativo]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 18 Oct 2024 18:08:08 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[América Latina]]></category>
		<category><![CDATA[Brasil]]></category>
		<category><![CDATA[Indígenas]]></category>
		<category><![CDATA[Lei]]></category>
		<category><![CDATA[Meio Ambiente]]></category>
		<category><![CDATA[Mídia Cidadã]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://pt.globalvoices.org/?p=114847</guid>

					<description><![CDATA[A empresa reconheceu que exige apenas informações básicas, como dados pessoais, endereço e contato telefônico, mas argumenta que inexiste lei brasileira que a obrigue a agir de forma diferente]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<div id="attachment_114853" style="width: 800px" class="wp-caption aligncenter"><img loading="lazy" decoding="async" aria-describedby="caption-attachment-114853" class="wp-image-114853 size-featured_image_large" src="https://pt.globalvoices.org/wp-content/uploads/2024/10/foto-1-Crédito_-Bruno-Mancinelle_Casa-de-Governo-1-800x450.jpg" alt="" width="800" height="450" srcset="https://pt.globalvoices.org/wp-content/uploads/2024/10/foto-1-Crédito_-Bruno-Mancinelle_Casa-de-Governo-1-800x450.jpg 800w, https://pt.globalvoices.org/wp-content/uploads/2024/10/foto-1-Crédito_-Bruno-Mancinelle_Casa-de-Governo-1-1200x675.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 800px) 100vw, 800px" /><p id="caption-attachment-114853" class="wp-caption-text">Apreensão de antena Starlink em garimpo ilegal na Amazônia; presidente do Ibama afirma que empresa não colabora com o órgão. Foto: Bruno Mancinelle/Casa de Governo</p></div>
<p><em>Esta reportagem, escrita por Rubens Valente e editada por Thiago Domenici, foi publicada originalmente no <a href="https://apublica.org/2024/07/elon-musk-starlink-resiste-a-mudar-identificacao-de-compradores-de-antenas-na-amazonia/">site da Agência Pública</a> em 29 de julho de 2024. Ela é reproduzida aqui em um acordo de parceria com o Global Voices, com edições.</em></p>
<p>A <a href="https://pt.wikipedia.org/wiki/Starlink">Starlink</a>, empresa que comercializa antenas de comunicação via satélite do bilionário <a href="https://pt.wikipedia.org/wiki/Elon_Musk">Elon Musk</a>, resiste a mudar seu método de identificação dos compradores do produto no Brasil, como, por exemplo, adicionar cuidados adicionais como uso de videochamadas e biometrias faciais.</p>
<p>A empresa tem condição técnica de identificar e localizar compradores e usuários de suas antenas de comunicação via satélite, inclusive as utilizadas em <a href="https://valor.globo.com/brasil/noticia/2024/09/17/saiba-como-empresa-de-elon-musk-e-alvo-de-disputa-e-aliada-do-stf.ghtml">garimpos ilegais em terras indígenas</a>, mas adota apenas critérios básicos durante o processo de contratação.</p>
<p>O procurador da República em Manaus, capital do estado do Amazonas, André Luiz Porreca Ferreira Cunha disse à Agência Pública que “cerca de 90%” das antenas Starlink apreendidas desde 2022 em garimpos ilegais na Amazônia estavam registradas em nome de <a href="https://pt.wikipedia.org/wiki/Laranja_(indiv%C3%ADduo)#:~:text=Os%20termos%20%22laranja%22%20(termo,identidade%20de%20quem%20a%20contrata.">laranjas</a> (pessoas que servem de fachada para intermediar fraudes).”</p>
<p>A empresa reconheceu que, no ato da venda, exige apenas informações básicas, como dados pessoais, endereço e contato telefônico, mas argumenta que inexiste lei brasileira que a obrigue a agir de forma diferente.</p>
<p>“Sem dúvida está comprovado [o uso de laranjas]. Quando se apreende a antena e vai se ver o comprador, são pessoas que não residem na Amazônia. Residem no Sul, no Sudeste, no Centro-Oeste. O que causa uma estranheza gigante. São pessoas que não residem no local em que a antena é apreendida”, disse o procurador da República, que, em maio, abriu um inquérito civil para investigar o avanço do uso das antenas Starlink pelo crime em áreas de garimpo e mineração ilegais.</p>
<p>A chegada das antenas Starlink à Amazônia a partir de 2022, ainda no <a href="https://pt.wikipedia.org/wiki/Laranja_(indiv%C3%ADduo)#:~:text=Os%20termos%20%22laranja%22%20(termo,identidade%20de%20quem%20a%20contrata.">governo de Jair Bolsonaro</a> (<a href="https://pt.wikipedia.org/wiki/Laranja_(indiv%C3%ADduo)#:~:text=Os%20termos%20%22laranja%22%20(termo,identidade%20de%20quem%20a%20contrata.">PL, Partido Liberal</a>), revolucionou a comunicação em regiões com pouco ou nenhum sinal de telefone celular, mas passaram a ser usadas também, em larga escala, para atividades criminosas, principalmente por <a href="https://pt.wikipedia.org/wiki/Garimpo">garimpeiros</a> que invadem terras indígenas a fim de roubar minérios.</p>
<p>A Pública <a href="https://apublica.org/2024/07/elon-musk-governo-apreende-50-antenas-starlink-em-garimpos-ilegais-na-terra-yanomami/#:~:text=Antenas%20produzidas%20pela%20Starlink%2C%20a,de%20repress%C3%A3o%20aos%20crimes%20ambientais.">revelou</a> que desde março de 2024 ao menos 50 antenas Starlink foram apreendidas em garimpos ilegais dentro da <a href="https://pt.wikipedia.org/wiki/Terra_Ind%C3%ADgena_Yanomami">Terra Indígena Yanomami</a>, a maior terra indígena do Brasil.</p>
<p>Em maio, o Ministério Público Federal (MPF) abriu um inquérito civil a fim de “apurar o avanço da internet via satélite em áreas de garimpo e mineração ilegais no Estado do Amazonas, especialmente sob o viés da irrestrita disponibilização do serviço por parte da empresa Starlink’’.</p>
<p>Eles apontam ainda que [a empresa] não tem adotado critérios básicos de verificação da identidade dos usuários e da veracidade da documentação apresentada e dos endereços declinados no momento da contratação, fomentando, hipoteticamente, a prática de crimes ambientais”.</p>
<h4>Falta de colaboração com autoridades brasileiras</h4>
<p>A investigação revelou também que a empresa não tem colaborado com o <a href="https://pt.wikipedia.org/wiki/Terra_Ind%C3%ADgena_Yanomami">Ibama</a> (Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis), órgão responsável pela repressão aos crimes ambientais.</p>
<p>Ao MPF, o presidente do Ibama, Rodrigo Agostinho, afirmou que as antenas se tornaram “instrumentos utilizados para a prática das infrações ambientais”, destinadas “a viabilizar e facilitar a comunicação das pessoas que se encontram nas frentes de lavra ilegal com pessoas localizadas nas cidades’’, o que ajudaria na “logística, no envio de suprimentos e mantimentos, bem como em toda a articulação necessária para viabilizar a continuidade do crime ambiental”.</p>
<p>A Polícia Federal (PF) informou ao MPF, segundo o diretor da Amazônia e Meio Ambiente, delegado Humberto Freire de Barros, que a disposição da Starlink em colaborar com as suas investigações mudou apenas “recentemente”, quando a empresa começou a repassar informações de dados cadastrais às autoridades.</p>
<p>O procurador da República André Cunha, que acompanha o caso, avaliou à Pública que há ilegalidade na atuação da empresa: “Essas antenas não podem permanecer nas mãos de usuários laranjas, de pessoas que residem em outros estados e estão fornecendo os dados para usuários daqui na Amazônia. E não podem ser usadas como instrumentos do crime e nenhuma medida ser adotada e essas pessoas não serem identificadas. Porque a empresa tem o dever de, pelo menos, fornecer os dados para que os órgãos públicos possam saber quem são.”</p>
<p>Por ofício, Cunha indagou à Starlink quais mecanismos a empresa tem adotado para verificação da identidade dos compradores, citando como exemplos “biometria facial, videochamada, conferência manual de documentos de identificação”. De acordo com a própria empresa, ela exige apenas “informações básicas” para o cadastro do comprador.</p>
<p>Em resposta assinada pelo diretor da Starlink Brazil Serviços de Internet e da Starlink Brazil Holding Ltda., Vitor James Urner, a empresa argumentou que “não existe no Brasil lei ou regulamentação que obrigue prestadores de serviços de telecomunicações, ou prestadores de serviços de outros setores regulados, à utilização de identificação biométrica dos usuários”.</p>
<p>Urner afirmou que a Starlink “adota medidas proativas para identificar o uso dos serviços que disponibiliza para fins lícitos [sic] no Brasil e no mundo todo” e que tem colaborado com a Polícia Federal brasileira.</p>
<p>Em julho, os advogados que representam a Starlink no inquérito solicitaram uma reunião com o procurador André Cunha. Conforme a ata, durante a reunião o procurador voltou a questionar a empresa sobre as medidas tomadas para melhorar a identificação dos compradores das antenas. A advogada representante da empresa ressaltou &#8220;a existência de limitações impostas pela <a href="https://pt.wikipedia.org/wiki/Lei_Geral_de_Prote%C3%A7%C3%A3o_de_Dados_Pessoais">Lei Geral de Proteção de Dados</a> (LGPD)” para que a empresa não reforce o nível de exigências de identificação dos usuários.</p>
<p>Em sua resposta por escrito, a empresa argumentou que “como qualquer outro bem eletrônico de mercado de massa, a Starlink não pode ser obrigada a policiar de forma independente a forma na [sic] qual cada terminal é usado após a compra”.</p>
<h4>68 antenas desativadas na Terra Indígena Yanomami</h4>
<p>Entre os documentos enviados pela Starlink ao MPF, a própria empresa afirma que desativou 68 terminais de usuários localizados na Terra Indígena Yanomami “por suspeita de violação aos Termos de Serviço”.</p>
<p>“A Starlink usou os dados disponíveis para identificar terminais de usuários em áreas associadas ao garimpo ilegal nas terras indígenas Yanomami. [&#8230;] Os usuários da Starlink afetados pelas desativações foram instruídos a fornecer determinadas informações de verificação, incluindo prova de identificação e uma descrição detalhada de como planejam usar os serviços da Starlink, para garantir que a Starlink seja usada apenas para fins legítimos”, afirmou a empresa.</p>
<p>Dessa forma, o documento confirma que a empresa tem condições técnicas de saber onde estão e quem comprou todas as antenas de comunicação via satélite utilizadas por garimpeiros ilegais que operam, por exemplo, dentro de terras indígenas. Porém, a empresa alegou ao MPF que “as prestadoras de serviços de telecomunicações estão sujeitas à proibição legal expressa quanto à inviolabilidade do sigilo do fluxo das comunicações dos usuários pela internet, salvo por ordem judicial”.</p>
<p>Em resposta ao MPF, a Starlink disse ainda que “nenhum usuário pode ter múltiplas antenas e, se for detectado pela Starlink, os usuários que estiverem praticando revenda ilegal têm imediatamente os respectivos contratos suspensos”.</p>
<p>A empresa afirmou que tem colaborado com a PF – inclusive “permitiu” que uma delegacia do órgão “utilize um Kit Starlink para auxílio no combate ao crime” – e que, no ano passado, respondeu a ofício da PF de Roraima e “forneceu informações importantes à [Superintendência Regional] da Polícia Federal, que viabilizaram a captura de diversos garimpeiros nas comunidades indígenas Yanomami, além da apreensão de 11 equipamentos da Starlink”.</p>
<p>“As medidas adotadas no dia a dia pela Starlink, na identificação de usuários que se valem os serviços para o exercício de atividades ilícitas, e o apoio oferecido às autoridades locais competentes são uma amostra clara do compromisso da Starlink de colaborar com a Justiça e autoridades no Brasil, no máximo nível possível, para fins do combate ao garimpo ilegal”, disse a empresa ao MPF.</p>
<p>Procurado pela Pública, o escritório que representa a Starlink no inquérito civil, o Tozzini Freire Advogados, respondeu: “Obrigada pelo seu contato, mas infelizmente não comentamos casos em andamento”.</p>
<p>A Starlink informou à <a href="https://www.theguardian.com/technology/article/2024/aug/30/elon-musk-x-could-face-ban-in-brazil-after-failure-to-appoint-legal-representative">Agência Nacional de Telecomunicações</a> (Anatel) possuir, até 2023, 23.191 usuários no Amazonas, 21.406 no Pará, 2.792 no Amapá, 5.831 em Roraima, 2.998 em Rondônia, 3.707 no Acre e 5.285 no Tocantins, em um total de 65.215 clientes nesses estados da Amazônia. A empresa tem autorização da Anatel para operar 4.408 satélites até 2027. Ela solicitou autorização para operar mais 7 mil unidades.</p>
<p>A empresa chegou a ser envolvida no enfrentamento mais recente entre Elon Musk com o Supremo Tribunal Federal (STF), devido à <a href="https://pt.wikipedia.org/wiki/Lei_Geral_de_Prote%C3%A7%C3%A3o_de_Dados_Pessoais">suspensão do X</a> (antigo Twitter) e <a href="https://pt.wikipedia.org/wiki/Lei_Geral_de_Prote%C3%A7%C3%A3o_de_Dados_Pessoais">descumprimento de ordens</a> pela rede social.</p>
<p>A Starlink chegou a ter <a href="https://pt.wikipedia.org/wiki/Lei_Geral_de_Prote%C3%A7%C3%A3o_de_Dados_Pessoais">bens bloqueados</a>, na época, seguindo uma decisão do Supremo por multas devidas pelo X. As contas foram liberadas depois do pagamento de <a href="https://www.cnnbrasil.com.br/politica/retorno-do-x-plataforma-paga-multa-de-r-183-milhoes-e-pede-fim-da-suspensao-no-brasil/">R$ 18,3 milhões</a> (cerca de US$ 3,3 milhões) em multas</p>
<div class='gv-rss-footer'><strong><div class='text-credits-container'><div class='text-credits-section'><span class='credit-label'>Escrito por</span> <a href='https://pt.globalvoices.org/author/publica/' class='user-link'>Pública &#8211; Agência de jornalismo investigativo</a></div></div></strong></div>]]></content:encoded>
					
		
		
		<media:content url="https://pt.globalvoices.org/wp-content/uploads/2024/10/foto-1-Cre%CC%81dito_-Bruno-Mancinelle_Casa-de-Governo-1-400x300.jpg" medium="image" width='270' height='202'	/>	</item>
		<item>
		<title>Entre chamas e fumaça, Brasil tenta combater um número recorde de incêndios florestais</title>
		<link>https://pt.globalvoices.org/2024/10/13/entre-chamas-e-fumaca-brasil-tenta-combater-um-numero-recorde-de-incendios-florestais/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Selene Machado]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 13 Oct 2024 15:22:50 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[América Latina]]></category>
		<category><![CDATA[Brasil]]></category>
		<category><![CDATA[Ciência]]></category>
		<category><![CDATA[Desastre]]></category>
		<category><![CDATA[Esforços Humanitários]]></category>
		<category><![CDATA[Meio Ambiente]]></category>
		<category><![CDATA[Mídia Cidadã]]></category>
		<category><![CDATA[Política]]></category>
		<category><![CDATA[Saúde]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://pt.globalvoices.org/?p=114707</guid>

					<description><![CDATA[A Confederação Nacional de Municípios (CNM) estima que 11 milhões de pessoas foram diretamente afetadas pelos incêndios florestais. As perdas econômicas chegam a, pelo menos, 1,1 bilhão de reais, de acordo com a organização.]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p><big class='tagline'><em>Com 85 inquéritos policiais instalados até agora, investigações apontam para crimes ambientais em algumas regiões.</em></big></p><div id="attachment_821226" style="width: 800px" class="wp-caption aligncenter"><img loading="lazy" decoding="async" aria-describedby="caption-attachment-821226" class="size-large wp-image-821226" src="https://globalvoices.org/wp-content/uploads/2024/09/pzzb7231-800x600.webp" alt="" width="800" height="600" /><p id="caption-attachment-821226" class="wp-caption-text">Incêndio no Parque Nacional, em Brasília, no dia 15 de setembro de 2024. Foto: <a href="https://agenciabrasil.ebc.com.br/foto/2024-09/incendio-parque-nacional-1726431295-3">Fabio Rodrigues-Pozzebom/Agência Brasil,</a> usada com permissão.</p></div>
<p><a href="https://gwis.jrc.ec.europa.eu/apps/gwis.statistics/estimates/BRA/2024">Estatísticas</a> retiradas do Sistema de Informação Global sobre Incêndios (<span style="box-sizing: border-box;">Global Wildfire Information System) mostram que, por volta do meio do mês de setembro de <a href="https://pt.wikipedia.org/wiki/Inc%C3%AAndios_florestais_no_Brasil_em_2024">2024</a>, três biomas brasileiros: a floresta amazônica, o pantanal e o cerrado, tiveram 46.101.798 hectares (113.920.020 acres) queimados. O que equivale a cerca de 46,1 milhões de campos de futebol.</span></p>
<p>Os oito primeiros meses de 2024 marcaram <a href="https://rainforestfoundation.org/engage/brazil-amazon-fires/">o pior ano de queimadas na Amazônia desde 2005</a>, enquanto São Paulo (a maior cidade da América Latina) registrou a pior qualidade do ar entre grandes cidades no mundo <a href="https://www1.folha.uol.com.br/cotidiano/2024/09/pelo-5o-dia-consecutivo-sp-tem-a-pior-qualidade-de-ar-entre-grandes-cidades-do-mundo.shtml#:~:text=A%20qualidade%20do%20ar%20em,segue%20par%C3%A2metros%20de%20qualidade%20americanos.&amp;text=Com%20registro%20de%20165%20no,%2C%20na%20Indon%C3%A9sia%20(128).">por cinco dias direto</a> em setembro. Também em setembro a região do Distrito Federal enfrentou 3.000 focos de incêndio e chegou, em três de outubro, a <a href="https://g1.globo.com/df/distrito-federal/noticia/2024/10/03/df-iguala-pior-seca-da-historia-e-registra-3-mil-queimadas-em-setembro-veja-video-360o-de-areas-destruidas-pelo-fogo.ghtml">163</a> dias sem chuva, batendo um recorde de 61 anos.</p>
<p>Enquanto algumas regiões lutavam para enfrentar o alastramento do fogo, com um número insuficiente de<a href="https://www.bbc.com/portuguese/articles/c756609zl95o"> bombeiros</a> e falta de <a href="https://noticias.stf.jus.br/postsnoticias/stf-determina-medidas-imediatas-de-combate-a-incendios-na-amazonia-e-no-pantanal/">recursos</a>, outras <a href="https://g1.globo.com/meio-ambiente/noticia/2024/09/03/fumaca-queimadas-da-amazonia-sul-do-brasil.ghtml">estavam cobertas de fumaça</a> que viajou pelo ar sobre o território nacional.</p>
<p>Organizações como a <a href="https://www.wwf.org.br/?89620/Entenda-as-verdadeiras-causas-das-queimadas-no-Pantanal">WWF</a> e o <a href="https://www.greenpeace.org/brasil/informe-se/amazonia/queimadas/">Greenpeace</a> afirmam que a seca pode ajudar a espalhar o fogo, mas não necessariamente explica suas origens, provavelmente causadas por humanos. Com 85 inquéritos policiais iniciados até agora, investigações apontam para <a href="https://agenciabrasil.ebc.com.br/geral/noticia/2024-09/entenda-linhas-de-investigacao-dos-incendios-florestais-no-pais">crimes ambientais</a> em algumas regiões, de acordo com o governo federal.</p>
<p>Em 2019, teve início um sistema de monitoramento pela <a href="https://plataforma.brasil.mapbiomas.org/">MapBiomas,</a> com cooperação técnica estabelecida com o uso do Google Earth. Dados do <a href="https://plataforma.brasil.mapbiomas.org/monitor-do-fogo">monitoramento do fogo</a> da plataforma apontam que <a href="https://www.brasildefato.com.br/2024/09/14/70-das-queimadas-no-brasil-em-2024-destruiram-vegetacao-nativa">70% da área queimada no Brasil</a>, esse ano, foi de vegetação nativa.</p>
<div class="css-1fpsixv">
<div class="css-m5vuyl">
<div class="css-dmb823">
<div class="css-1et230o">
<h4>11 milhões de pessoas afetadas</h4>
<p>Apenas em agosto <a href="https://brasil.mapbiomas.org/en/2024/09/13/agosto-responde-por-quase-metade-da-area-queimada-no-brasil-em-2024/">foi registrado</a> um recorde que chegava a quase metade do total de queimadas em 2024. O fogo atingiu prados e pastagens usados para propósitos de agricultura.</p>
<p>A organização Rainforest Foundation (Fundação Floresta Tropical) <a href="https://rainforestfoundation.org/engage/brazil-amazon-fires/">declarou</a>:</p>
<blockquote class="translation"><p>The Brazilian Amazon registered a 104% increase in fire hotspots during the same eight-month period (January to August) compared to 2023, worsening an already critical situation. According to Brazil’s National Institute for Space Research (INPE), there were over <a href="https://terrabrasilis.dpi.inpe.br/queimadas/situacao-atual/situacao_atual/" target="_blank" rel="noopener">65,000 fire hotspots</a> by the end of August 2024—the highest number for this period since 2005. Of these fire hotspots, over 38,000 were recorded in August alone, an increase of 120% compared to the same month last year, which recorded 17,373 fire hotspots.</p>
<p>Data from <a href="https://plataforma.brasil.mapbiomas.org/monitor-do-fogo" target="_blank" rel="noopener">MapBiomas</a> reveal that over five million acres were burned in the Brazilian Amazon in August alone. This year, the total burned area amounts to 13.4 million acres — an area larger than entire countries like Costa Rica or Denmark.</p></blockquote>
<blockquote class="translation"><p>A Amazônia brasileira registrou um aumento de 104% dos focos de incêndio se comparado ao mesmo período do ano passado (de janeiro a agosto), piorando uma situação que já era crítica. De acordo com o Instituto Nacional de Pesquisas Especiais (INPE) aconteceram mais de 65.000 focos de incêndio até o fim de agosto de 2024, o maior número para o período desde 2005. Desses focos mais de 38.ooo foram registrados no mês de agosto, um aumento de 120% quando comparado a agosto de 2023, que registrou 17.373 focos.</p>
<p>Dados da <a href="https://plataforma.brasil.mapbiomas.org/monitor-do-fogo" target="_blank" rel="noopener">MapBiomas</a> revelam que mais de cinco milhões de acres foram queimados na Amazônia brasileira em outubro. Esse ano, o total de áreas queimadas chega a 13,4 milhões de acres, uma área maior que países inteiros, como a Costa Rica ou a Dinamarca.</p></blockquote>
<p>Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Pará, Tocantins, Amazonas e São Paulo, <a href="https://storage.googleapis.com/mapbiomas-fogo-maps/Mapbiomas-Fogo-Destaques.pdf">foram os estados com o maior número de incêndios registrados. </a></p>
<p>A Confederação Nacional de Municípios (CNM) estima que <a href="https://cnm.org.br/comunicacao/noticias/estudo-atualizado-pela-cnm-mostra-que-mais-de-11-milhoes-de-pessoas-foram-diretamente-afetadas-por-incendios">11 milhões de pessoas foram diretamente afetadas</a> pelos incêndios florestais. As perdas econômicas chegam a, pelo menos, <a href="https://cnm.org.br/comunicacao/noticias/estudo-atualizado-pela-cnm-mostra-que-mais-de-11-milhoes-de-pessoas-foram-diretamente-afetadas-por-incendios">1,1 bilhão de reais</a>, de acordo com o relatório da CNM.</p>
<h4>Pior qualidade do ar no mundo</h4>
<p>Por volta de 10 da manhã de 9 de setembro de 2024, São Paulo estava no topo do ranking de outras <a href="https://revistapesquisa.fapesp.br/sao-paulo-teve-o-pior-ar-do-mundo-por-cinco-dias/#:~:text=Entre%20120%20metr%C3%B3poles%20do%20globo%2C%20S%C3%A3o%20Paulo,secos%2C%20com%20o%20c%C3%A9u%20tomado%20por%20fuma%C3%A7a">120 cidades grandes</a> com <a href="https://www.metropoles.com/sao-paulo/sp-pior-qualidade-de-ar">a pior qualidade do ar no mundo</a>. A cidade registrou uma qualidade do ar &#8216;ruim&#8217; e &#8216;muito ruim&#8217; em várias de suas regiões</p>
<p>O website suíço <a href="https://www.iqair.com/">IQAir</a>, que calcula esse índice, deu para a cidade de São Paulo a nota de 160. De acordo com o website, uma escala de 0-50 é considerada boa; já a escala de 151-200 é considerada insalubre. As principais razões para São Paulo alcançar esses números foram as altas temperaturas, baixa umidade relativa do ar e fumaça advinda de incêndios.</p>
<p>Além disso, o próprio estado de São Paulo também registrou incêndios, como reportado pela <a href="https://agenciabrasil.ebc.com.br/">Agência Brasil</a>:</p>
<blockquote><p>The Civil Defense of São Paulo has extended its high-risk alert for wildfires across the state through Tuesday, 10th Sept. According to the Emergency Management Center, temperatures are expected to continue rising, with relative humidity falling to critical levels below 35 percent over the coming days. (&#8230;)</p>
<p>The area with the worst air quality in São Paulo is Ponte dos Remédios, along the Tietê River. This location recorded high levels of fine inhalable particles (PM2.5), which are small enough to penetrate deep into the respiratory system.</p>
<p>These particles are associated with increased risks of heart and lung diseases.</p></blockquote>
<blockquote class="translation"><p>A Defesa Civil de São Paulo estendeu o alerta de alto risco de incêndios sobre o estado durante a terça-feira, 10 de setembro. De acordo com o Centro de Gerenciamento de Emergências Climáticas, as temperaturas devem continuar subindo, com a umidade relativa caindo para níveis críticos, abaixo de 35%, nos próximos dias.(&#8230;)</p>
<p>A área com a pior qualidade do ar em São Paulo é a Ponte dos Remédios, ao longo do rio Tietê. O local registrou altos níveis de partículas inaláveis finas (PM 2,5), que são pequenas o suficiente para penetrar profundamente no sistema respiratório.</p>
<p>Essas partículas são associadas com o aumento de risco para doenças cardíacas e respiratórias.</p></blockquote>
</div>
</div>
</div>
</div>
<div class="css-1fpsixv">
<div class="css-m5vuyl">
<div class="css-dmb823">
<div class="css-1et230o">
<h4>Agravamento da situação</h4>
<p>Cerca de <a href="https://abcnews.go.com/International/brazil-experiencing-record-breaking-wildfires-persistent-drought-affects/story?id=113688151">60% de todos os incêndios</a> que ocorrem na América Latina no momento estão acontecendo no Brasil, de acordo com a ABC News. O jornal <a href="https://www.theguardian.com/global-development/2024/oct/02/south-america-wildfire-smoke-deforestation-drought">The Guardian</a> também divulgou informações sobre os incêndios na região:</p>
<blockquote><p>Huge tracts of South America have been blanketed in smoke from largely man-made wildfires that are raging from Ecuador’s drought-stricken capital to Paraguay’s Chaco forest to the backlands of the greatest tropical jungle on Earth.</p>
<p>The smoke has been so dramatic that passenger planes have been unable to land in Rondônia’s riverside capital, Porto Velho, and schools have been forced to close.</p></blockquote>
<blockquote class="translation"><p>Grandes trechos da América do Sul foram cobertos pela fumaça dos incêndios, em grande parte causados pelo homem. Os incêndios vão da capital do Equador, que tem sido atingida pela seca, até o Chaco paraguaio e a Amazônia (a maior floresta tropical da terra).</p>
<p>A fumaça tem sido tanta que aviões comerciais não conseguiram pousar na capital de Rondônia, Porto Velho. Além disso, escolas tiveram de ser fechadas.</p></blockquote>
<p>É esperado que a seca agrave a situação das queimadas no Brasil, <a href="https://www1.folha.uol.com.br/internacional/en/scienceandhealth/2024/09/brazil-endures-worst-drought-on-record-affecting-58-of-the-country.shtml#:~:text=Brazil%20is%20facing%20the%20worst,of%201998%20and%202015%2F2016.">que tem enfrentado a pior seca de que se tem registro, afetando 58% do país</a>. A intensificação da crise climática vem colocando serviços básicos, como o suprimento de água e energia, em tensão. Isso reforça os alertas sobre os potenciais impactos de longo-termo de eventos climáticos extremos, <a href="https://www1.folha.uol.com.br/internacional/en/business/2024/09/burns-cost-at-least-364-million-in-sao-paulo-and-drought-is-expected-to-increase-losses-in-brazil.shtml">relata</a> o jornal Folha de S. Paulo.</p>
</div>
</div>
<div>
<p>Os acontecimentos apontam para uma combinação entre as mudanças climáticas e <a href="https://www.instagram.com/p/DAI4AfHO7uh/?hl=en">atos criminosos, </a>de acordo com a ministra do Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima, Marina Silva. Marina defende penas mais duras para incêndios criminosos e adverte que o país vem enfrentando de &#8220;<a href="https://agenciabrasil.ebc.com.br/">terrorismo climático</a>&#8220;.</p>
<p>Lula vê resistência de alguns grupos para que o governo atual retome a agenda de políticas públicas ambientalistas, e declara, conforme a <a href="https://agenciabrasil.ebc.com.br/geral/noticia/2024-09/entenda-linhas-de-investigacao-dos-incendios-florestais-no-pais">Agência Brasil</a>:</p>
<blockquote><p>Estamos agora diante de uma situação que é uma combinação de um evento climático extremo que está assolando não só o Brasil, mas o planeta, e criminosos ateando fogo no país.</p></blockquote>
</div>
<p>O presidente Luiz Inácio Lula da Silva<a href="https://www1.folha.uol.com.br/internacional/en/scienceandhealth/2024/09/lula-says-the-country-was-not-prepared-for-fires-and-discusses-proposals.shtml"> reconheceu</a> que &#8220;o país não estava preparado para enfrentar a onda de incêndios florestais&#8221;. Na sua conta do Instagram, no dia 18 de setembro, ele anunciou a abertura de <a href="https://www.instagram.com/p/DAD0KU2Oapc/?utm_source=ig_embed&amp;utm_campaign=loading">uma linha de crédito de 514 milhões de reais</a> para lidar com a situação.</p>
<blockquote class="instagram-media" style="background: #FFF; border: 0; border-radius: 3px; box-shadow: 0 0 1px 0 rgba(0,0,0,0.5),0 1px 10px 0 rgba(0,0,0,0.15); margin: 1px; max-width: 540px; min-width: 326px; padding: 0; width: calc(100% - 2px);" data-instgrm-captioned="" data-instgrm-permalink="https://www.instagram.com/p/DAD0KU2Oapc/?utm_source=ig_embed&amp;utm_campaign=loading" data-instgrm-version="14">
<div style="padding: 16px;">
<p>&nbsp;</p>
<div style="display: flex; flex-direction: row; align-items: center;">
<div style="background-color: #f4f4f4; border-radius: 50%; flex-grow: 0; height: 40px; margin-right: 14px; width: 40px;"></div>
<div style="display: flex; flex-direction: column; flex-grow: 1; justify-content: center;">
<div style="background-color: #f4f4f4; border-radius: 4px; flex-grow: 0; height: 14px; margin-bottom: 6px; width: 100px;"></div>
<div style="background-color: #f4f4f4; border-radius: 4px; flex-grow: 0; height: 14px; width: 60px;"></div>
</div>
</div>
<div style="padding: 19% 0;"></div>
<div style="display: block; height: 50px; margin: 0 auto 12px; width: 50px;"></div>
<div style="padding-top: 8px;">
<div style="color: #3897f0; font-family: Arial,sans-serif; font-size: 14px; font-style: normal; font-weight: 550; line-height: 18px;">View this post on Instagram</div>
</div>
<div style="padding: 12.5% 0;"></div>
<div style="display: flex; flex-direction: row; margin-bottom: 14px; align-items: center;">
<div>
<div style="background-color: #f4f4f4; border-radius: 50%; height: 12.5px; width: 12.5px; transform: translateX(0px) translateY(7px);"></div>
<div style="background-color: #f4f4f4; height: 12.5px; transform: rotate(-45deg) translateX(3px) translateY(1px); width: 12.5px; flex-grow: 0; margin-right: 14px; margin-left: 2px;"></div>
<div style="background-color: #f4f4f4; border-radius: 50%; height: 12.5px; width: 12.5px; transform: translateX(9px) translateY(-18px);"></div>
</div>
<div style="margin-left: 8px;">
<div style="background-color: #f4f4f4; border-radius: 50%; flex-grow: 0; height: 20px; width: 20px;"></div>
<div style="width: 0; height: 0; border-top: 2px solid transparent; border-left: 6px solid #f4f4f4; border-bottom: 2px solid transparent; transform: translateX(16px) translateY(-4px) rotate(30deg);"></div>
</div>
<div style="margin-left: auto;">
<div style="width: 0px; border-top: 8px solid #F4F4F4; border-right: 8px solid transparent; transform: translateY(16px);"></div>
<div style="background-color: #f4f4f4; flex-grow: 0; height: 12px; width: 16px; transform: translateY(-4px);"></div>
<div style="width: 0; height: 0; border-top: 8px solid #F4F4F4; border-left: 8px solid transparent; transform: translateY(-4px) translateX(8px);"></div>
</div>
</div>
<div style="display: flex; flex-direction: column; flex-grow: 1; justify-content: center; margin-bottom: 24px;">
<div style="background-color: #f4f4f4; border-radius: 4px; flex-grow: 0; height: 14px; margin-bottom: 6px; width: 224px;"></div>
<div style="background-color: #f4f4f4; border-radius: 4px; flex-grow: 0; height: 14px; width: 144px;"></div>
</div>
<p>&nbsp;</p>
<p style="color: #c9c8cd; font-family: Arial,sans-serif; font-size: 14px; line-height: 17px; margin-bottom: 0; margin-top: 8px; overflow: hidden; padding: 8px 0 7px; text-align: center; text-overflow: ellipsis; white-space: nowrap;"><a style="color: #c9c8cd; font-family: Arial,sans-serif; font-size: 14px; font-style: normal; font-weight: normal; line-height: 17px; text-decoration: none;" href="https://www.instagram.com/p/DAD0KU2Oapc/?utm_source=ig_embed&amp;utm_campaign=loading" target="_blank" rel="noopener">A post shared by Luiz Inácio Lula da Silva (@lulaoficial)</a></p>
</div>
</blockquote>
<p><script async src="//www.instagram.com/embed.js"></script></p>
<p><a href="https://www.gov.br/funai/pt-br/assuntos/noticias/2024/governo-federal-aumenta-sancoes-para-quem-causar-incendios-florestais">No começo de outubro</a>, o governo federal também publicou um <a href="https://www.gov.br/casacivil/pt-br/assuntos/noticias/2024/setembro/governo-federal-aumenta-e-institui-novas-multas-para-quem-provocar-incendios-florestais/2024_09_20_ASSINADO_do1_extra_A2.pdf">decreto</a> aumentando as sanções para aqueles que atearem fogos que levem a incêndios florestais. O decreto prevê multas em dobro se os incêndios foram causados em terras indígenas.</p>
<p>&nbsp;</p>
</div>
</div>
<div class='gv-rss-footer'><strong><div class='text-credits-container'><div class='text-credits-section'><span class='credit-label'>Written (English) by</span> <a href='https://globalvoices.org/author/rami-alhames/' class='user-link'>Rami Alhames</a></div><div class='text-credits-section'><span class='credit-label'>Translated (Português) by</span> <a href='https://pt.globalvoices.org/author/selene-gomes-de-oliveira-machado/' class='user-link'>Selene Machado</a></div></div><span class='source-link'><a href='https://globalvoices.org/2024/10/08/between-flames-and-smoke-brazil-tries-to-fight-record-breaking-wildfires/'>Veja o post original (English)</a></span></strong></div>]]></content:encoded>
					
		
		
		<media:content url="https://globalvoices.org/wp-content/uploads/2024/09/pzzb7231-400x300.webp" medium="image" width='270' height='202'	/>	</item>
		<item>
		<title>Brasil: O pior agosto em 14 anos de queimadas e incêndios no estado do Amazonas</title>
		<link>https://pt.globalvoices.org/2024/09/18/brasil-o-pior-agosto-em-14-anos-de-queimadas-e-incendios-no-estado-do-amazonas/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Amazônia Real]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 18 Sep 2024 11:39:14 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[América Latina]]></category>
		<category><![CDATA[Brasil]]></category>
		<category><![CDATA[Desastre]]></category>
		<category><![CDATA[Destaque]]></category>
		<category><![CDATA[Governança]]></category>
		<category><![CDATA[Meio Ambiente]]></category>
		<category><![CDATA[Política]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://pt.globalvoices.org/?p=114206</guid>

					<description><![CDATA[Setembro costuma ser o mês com mais queimadas na região. Este ano, o início precoce da temporada seca preocupa: “Será que a temporada de queimadas também vai ser mais longa?”]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p><big class='tagline'><em>O número representa um aumento de 120% em relação a 2023, que havia sido marcado por fogo e fumaça intensa na região</em></big></p><div id="attachment_114226" style="width: 800px" class="wp-caption aligncenter"><img loading="lazy" decoding="async" aria-describedby="caption-attachment-114226" class="size-featured_image_large wp-image-114226" src="https://pt.globalvoices.org/wp-content/uploads/2024/09/PHOTO-2024-09-12-12-18-30-800x450.jpg" alt="" width="800" height="450" srcset="https://pt.globalvoices.org/wp-content/uploads/2024/09/PHOTO-2024-09-12-12-18-30-800x450.jpg 800w, https://pt.globalvoices.org/wp-content/uploads/2024/09/PHOTO-2024-09-12-12-18-30-1200x675.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 800px) 100vw, 800px" /><p id="caption-attachment-114226" class="wp-caption-text"><span style="vertical-align: inherit;"><span style="vertical-align: inherit;">Bombeiros trabalham para apagar queimadas na Operação Aceiro, no município de Humaitá, estado do Amazonas. Foto: </span></span><a href="https://www.flickr.com/photos/governodoamazonas/53933591023/in/album-72177720319632072"><span style="vertical-align: inherit;"><span style="vertical-align: inherit;">Mauro Neto/Governo do estado do Amazonas</span></span></a><span style="vertical-align: inherit;"><span style="vertical-align: inherit;"> /Utilizada sob licença</span></span></p></div>
<p><em><span style="vertical-align: inherit;"><span style="vertical-align: inherit;">Este texto, escrito por Wérica Lima, foi publicado originalmente no site da </span></span><a href="https://amazoniareal.com.br/queimadas-amazonia-2024/"><span style="vertical-align: inherit;"><span style="vertical-align: inherit;">Amazônia Real</span></span></a><span style="vertical-align: inherit;"><span style="vertical-align: inherit;"> em 6 de setembro de 2024. Ele é republicado aqui em acordo de parceria com o Global Voices, com edições.</span></span></em></p>
<p><span style="vertical-align: inherit;"><span style="vertical-align: inherit;">Há 14 anos o Amazonas não tinha tantos focos de calor quanto os 38 mil </span></span><span style="font-size: 1.25rem;"><span style="vertical-align: inherit;"><span style="vertical-align: inherit;">registrados neste agosto de 2024. O número representa um aumento de 120% em relação ao total de 2023, que havia sido marcado por fogo e fumaça intensa pelo estado.</span></span></span></p>
<p><span style="vertical-align: inherit;"><span style="vertical-align: inherit;">O município de Apuí, no sul do Amazonas, liderou as queimadas na </span></span><a href="https://pt.wikipedia.org/wiki/Amaz%C3%B4nia_Legal"><span style="vertical-align: inherit;"><span style="vertical-align: inherit;">Amazônia Legal</span></span></a><span style="vertical-align: inherit;"><span style="vertical-align: inherit;"> no período, concentrando 9,2% desses registros no bioma – 3.769 focos. No cenário nacional, a Amazônia detém 50% dos focos de calor, seguido do Cerrado (31%) e da Mata Atlântica (9%), que atrai para a mancha de fumaça presente em todo o território nacional. Os dados foram retirados da plataforma </span></span><a href="https://terrabrasilis.dpi.inpe.br/queimadas/bdqueimadas/"><span style="vertical-align: inherit;"><span style="vertical-align: inherit;">BDQueimadas</span></span></a><span style="vertical-align: inherit;"><span style="vertical-align: inherit;"> .</span></span></p>
<p><span style="vertical-align: inherit;"><span style="vertical-align: inherit;">No dia 9 de setembro, </span></span><a href="https://g1.globo.com/jornal-nacional/noticia/2024/09/09/umidade-baixa-poe-mais-da-metade-das-cidades-brasileiras-em-alerta.ghtml"><span style="vertical-align: inherit;"><span style="vertical-align: inherit;">mais da metade</span></span></a><span style="vertical-align: inherit;"><span style="vertical-align: inherit;"> das cidades brasileiras tiveram alerta pela qualidade do ar &#8212; à baixa umidade dessa época, se somou a fumaça das queimadas, que chega até o </span></span><a href="https://metsul.com/alerta-de-qualidade-do-ar-ruim-a-muito-ruim-no-rio-grande-do-sul/"><span style="vertical-align: inherit;"><span style="vertical-align: inherit;">estado brasileiro mais ao sul</span></span></a><span style="vertical-align: inherit;"><span style="vertical-align: inherit;">, o Rio Grande do Sul, a mais de 4 mil quilômetros do Amazonas.</span></span></p>
<p><span style="vertical-align: inherit;"><span style="vertical-align: inherit;">Dados do </span></span><a href="https://terrabrasilis.dpi.inpe.br/queimadas/bdqueimadas/#graficos"><span style="vertical-align: inherit;"><span style="vertical-align: inherit;">BD Queimadas</span></span></a><span style="vertical-align: inherit;"><span style="vertical-align: inherit;"> , do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (</span></span><a href="https://pt.wikipedia.org/wiki/Instituto_Nacional_de_Pesquisas_Espaciais"><span style="vertical-align: inherit;"><span style="vertical-align: inherit;">Inpe</span></span></a><span style="vertical-align: inherit;"><span style="vertical-align: inherit;"> ), apontam que, só o município de </span></span><a href="https://pt.wikipedia.org/wiki/Apu%C3%AD"><span style="vertical-align: inherit;"><span style="vertical-align: inherit;">Apuí</span></span></a><span style="vertical-align: inherit;"><span style="vertical-align: inherit;"> , registrou 2.267 focos em agosto, o que corresponde a 58% do acumulado no ano. Apuí só perde no ranking nacional para o município de </span></span><a href="https://pt.wikipedia.org/wiki/Corumb%C3%A1"><span style="vertical-align: inherit;"><span style="vertical-align: inherit;">Corumbá</span></span></a><span style="vertical-align: inherit;"><span style="vertical-align: inherit;"> , no Mato Grosso do Sul, que registrou 626 focos a mais.</span></span></p>
<p><span style="vertical-align: inherit;"><span style="vertical-align: inherit;">As perspectivas para os próximos meses são preocupantes, segundo Heitor Pinheiro, analista de geoprocessamento que atua no </span></span><a href="https://observatoriobr319.org.br/"><span style="vertical-align: inherit;"><span style="vertical-align: inherit;">Observatório da BR-319</span></span></a><span style="vertical-align: inherit;"><span style="vertical-align: inherit;"> , rede de organizações da sociedade civil que atuam em uma das regiões mais atingidas.</span></span></p>
<p><span style="vertical-align: inherit;"><span style="vertical-align: inherit;">“A tendência é de aumento dos focos em setembro, principalmente na região metropolitana de Manaus. Outras regiões também podem ser afetadas, já que muitas famílias utilizam o fogo para preparação de roçados [queima da terra para plantar]”, diz ele.</span></span></p>
<p><span style="vertical-align: inherit;"><span style="vertical-align: inherit;">Até o início de setembro, a Amazônia Legal registrou um aumento de 109% nos focos de calor em relação ao mesmo período de 2023. As cinco cidades que lideraram o ranking de queimadas de 2024, </span></span><a href="https://terrabrasilis.dpi.inpe.br/queimadas/situacao-atual/situacao_atual/"><span style="vertical-align: inherit;"><span style="vertical-align: inherit;">segundo o Inpe</span></span></a><span style="vertical-align: inherit;"><span style="vertical-align: inherit;"> , estão localizadas no Amazonas e Pará: São Félix do Xingu (9,9%), Apuí (8,8%), Novo Progresso (8,2%), Altamira (8%) e Lábrea (7,3%).</span></span></p>
<p><span style="vertical-align: inherit;"><span style="vertical-align: inherit;">Setembro costuma ser, historicamente, o mês com maior número de queimadas na maior parte da Amazônia brasileira. Mas o início precoce da temporada seca traz preocupações. “Se a estação seca começou tão cedo esse ano, será que a temporada de queimadas também vai ser mais longa?”, questiona Erika Berenguer, especialista em impactos de fogo na Amazônia e pesquisadora das universidades de Oxford e Lancaster, no Reino Unido.</span></span></p>
<p><span style="vertical-align: inherit;"><span style="vertical-align: inherit;">Para Heitor Pinheiro, o cenário pode se prolongar já que as queimadas atingem ainda países vizinhos, principalmente Bolívia e Paraguai.</span></span></p>
<h4><span style="vertical-align: inherit;"><span style="vertical-align: inherit;">Paisagem inflamável</span></span></h4>
<p><span style="vertical-align: inherit;"><span style="vertical-align: inherit;">Desde o início de 2024, o número de focos de calor tem batido recordes em meses atípicos. “Quanto mais tempo dentro da estação seca, mais a floresta fica ressecada e com isso muito mais chance do fogo conseguir [alastrar]”, explica a pesquisadora  Berenguer.</span></span></p>
<p><span style="vertical-align: inherit;"><span style="vertical-align: inherit;">A área mais preocupante é a chamada </span></span><a href="https://g1.globo.com/fantastico/noticia/2023/06/05/amacro-regiao-entre-tres-estados-do-norte-e-conhecida-como-fronteira-do-desmatamento.ghtml"><span style="vertical-align: inherit;"><span style="vertical-align: inherit;">fronteira do desmatamento</span></span></a><span style="vertical-align: inherit;"><span style="vertical-align: inherit;"> , entre os estados do Amazonas, Acre e de Rondônia (</span></span><a href="https://www.embrapa.br/busca-de-noticias/-/noticia/47081203/reuniao-define-proposta-para-criacao-da-amacro"><span style="vertical-align: inherit;"><span style="vertical-align: inherit;">Amacro</span></span></a><span style="vertical-align: inherit;"><span style="vertical-align: inherit;">), onde a floresta é extremamente inflamável.</span></span></p>
<p><span style="vertical-align: inherit;"><span style="vertical-align: inherit;">Berenguer explica que é essencial diferenciar os focos de calor, já que eles nem sempre indicam incêndios florestais. A maior parte ocorre em áreas de pastagem, onde há atividade agropecuária. O desmatamento, anterior às pastagens, ocorre em áreas virgens. As imagens de satélite mostram que essa atividade segue o “arco do desmatamento”, conforme observado pela Amazônia Real.</span></span></p>
<p><span style="vertical-align: inherit;"><span style="vertical-align: inherit;">“O fogo é uma ferramenta de desmatamento, assim como o trator. Depois de derrubar a floresta, use-se fogo para limpar a área e plantar capim para o gado”, complementa a pesquisadora.</span></span></p>
<p><span style="vertical-align: inherit;"><span style="vertical-align: inherit;">Pela plataforma </span></span><a href="https://www.nasa.gov/servir/servir-amazonia/"><em><span style="vertical-align: inherit;"><span style="vertical-align: inherit;">SERVIR Amazonia</span></span></em></a><span style="vertical-align: inherit;"><span style="vertical-align: inherit;"> , da Nasa, é possível observar que a quantidade de focos de calor, na maior parte, vem de queimadas em pastagem, representadas em azul. Roçados aparecem em amarelo, e desmatamentos, em vermelho.</span></span></p>
<div id="attachment_114229" style="width: 800px" class="wp-caption aligncenter"><img loading="lazy" decoding="async" aria-describedby="caption-attachment-114229" class="size-featured_image_large wp-image-114229" src="https://pt.globalvoices.org/wp-content/uploads/2024/09/servir-800x450.jpg" alt="" width="800" height="450" srcset="https://pt.globalvoices.org/wp-content/uploads/2024/09/servir-800x450.jpg 800w, https://pt.globalvoices.org/wp-content/uploads/2024/09/servir-1200x675.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 800px) 100vw, 800px" /><p id="caption-attachment-114229" class="wp-caption-text"><span style="vertical-align: inherit;"><span style="vertical-align: inherit;">Imagens de satélite mostram solução entre janeiro e setembro de 2024. Imagem: SERVIR Amazonia/ NASA/Captura de tela</span></span></p></div>
<h4><span style="vertical-align: inherit;"><span style="vertical-align: inherit;">El Niño com mais impacto</span></span></h4>
<p><span style="vertical-align: inherit;"><span style="vertical-align: inherit;">O </span></span><a href="https://pt.wikipedia.org/wiki/El_Ni%C3%B1o"><span style="vertical-align: inherit;"><span style="vertical-align: inherit;">El Niño</span></span></a><span style="vertical-align: inherit;"><span style="vertical-align: inherit;"> foi apontado como o principal causador da seca na Amazônia em 2023 e das queimadas em 2024, mas de forma simultânea com aquecimento acima do normal do Oceano Atlântico. No entanto, Berenguer destaca que, em 2015, durante o </span></span><a href="https://amazoniareal.com.br/12872el-nino-godzilla-afeta-norte-da-amazonia-com-seca-prolongada/"><span style="vertical-align: inherit;"><span style="vertical-align: inherit;">El Niño Godzilla</span></span></a><span style="vertical-align: inherit;"><span style="vertical-align: inherit;"> , ainda que num evento mais intenso, o impacto foi menor. Segundo ela, as mudanças climáticas são as principais responsáveis ​​pelos extremos registrados nos últimos dois anos.</span></span></p>
<p><span style="vertical-align: inherit;"><span style="vertical-align: inherit;">“Já houve um aumento de temperatura de cerca de um grau e meio, então qualquer El Niño em cima disso será exacerbado”, afirma Berenguer.</span></span></p>
<p><span style="vertical-align: inherit;"><span style="vertical-align: inherit;">Atualmente, a região amazônica vive um período neutro, sem influência de manifestações, mas ainda assim a floresta sente os efeitos da seca do ano passado.</span></span></p>
<p><span style="vertical-align: inherit;"><span style="vertical-align: inherit;">Para quem vive na região afetada, por todo lado há fumaça e fogo. O padre Éder Carvalho Assunção, coordenador de Pastoral na cidade de Lábrea, constata a destruição por onde anda. E isso não é de agora.</span></span></p>
<p><span style="vertical-align: inherit;"><span style="vertical-align: inherit;">A situação se intensificou desde o início do governo de Jair Bolsonaro, em 2019. A navegação foi prejudicada, pelo baixo nível das águas, e não há ações suficientes de combate aos incêndios ou ao desmatamento, segundo o religioso, porque falta uma valorização dos servidores ambientais.</span></span></p>
<p><span style="vertical-align: inherit;"><span style="vertical-align: inherit;">“A política do fogo é a política do agro”, afirma o padre, lembrando que os governos estaduais da região Amacro são de tendência à direita e alinhados ao pensamento ruralista.</span></span></p>
<p><span style="vertical-align: inherit;"><span style="vertical-align: inherit;">Segundo município com mais queimadas no Amazonas em 2024, Lábrea tem fumaça densa que impede até mesmo ver quem transita nos rios do Amazonas. Ainda assim, a cidade realizou no fim de agosto a “<a href="https://www.jusbrasil.com.br/noticias/festa-do-sol-de-labrea-pode-virar-patrimonio-cultural-imaterial/590107283">Festa do Sol</a>”, com uma multidão aglomerada sob a “neblina” branca da fumaça das queimadas.</span></span></p>
<p><span style="vertical-align: inherit;"><span style="vertical-align: inherit;">O prefeito Gean Campos de Barros (MDB), candidato à reeleição, chamou a população para a festa em </span></span><a href="https://www.instagram.com/reel/C_VRCtruKyv/?igsh=cmFpZDdjaTkyZHpy"><span style="vertical-align: inherit;"><span style="vertical-align: inherit;">vídeo publicado no Instagram</span></span></a><span style="vertical-align: inherit;"><span style="vertical-align: inherit;"> , sem mencionar a fumaça ou medidas de prevenção.</span></span></p>
<p><span style="vertical-align: inherit;"><span style="vertical-align: inherit;">A Amazônia Real enviou perguntas ao prefeito, entre elas, questionando as medidas de proteção à saúde da população contra a poluição das queimadas, as ações de combate aos incêndios florestais e se houve planos de cancelamento do show. Não houve resposta até a publicação.</span></span></p>
<p><span style="vertical-align: inherit;"><span style="vertical-align: inherit;">Heitor Pinheiro, que além de especialista em geoprocessamento é brigadista florestal, conta que mesmo com o desmonte dos órgãos ambientais, houve um avanço na formação de novas brigadas, principalmente com o apoio de instituições privadas e do terceiro setor. Ele citou o trabalho que se desenvolve no Amazonas, onde foram criadas e estruturadas brigadas voluntárias e comunitárias. Porém, o problema é ainda maior que a solução.</span></span></p>
<p><span style="vertical-align: inherit;"><span style="vertical-align: inherit;">“Tem mais focos de incêndio do que homens em campo”, diz.</span></span></p>
<h4><span style="vertical-align: inherit;"><span style="vertical-align: inherit;">O que dizem as autoridades</span></span></h4>
<p><span style="vertical-align: inherit;"><span style="vertical-align: inherit;">O governo do Amazonas informou que desde 5 de julho está em vigor o </span></span><a href="https://www.sect.am.gov.br/wp-content/uploads/2022/06/CT-No-002-2023-DOE.pdf"><span style="vertical-align: inherit;"><span style="vertical-align: inherit;">decreto de Emergência Ambiental</span></span></a><span style="vertical-align: inherit;"><span style="vertical-align: inherit;"> em 22 cidades do sul do Estado e da região metropolitana de Manaus. Por essa legislação, qualquer prática de fogo é proibida.</span></span></p>
<p><span style="vertical-align: inherit;"><span style="vertical-align: inherit;">O governador </span></span><a href="https://pt.wikipedia.org/wiki/Wilson_Miranda_Lima"><span style="vertical-align: inherit;"><span style="vertical-align: inherit;">Wilson Lima</span></span></a><span style="vertical-align: inherit;"><span style="vertical-align: inherit;"> solicitou ao </span></span><a href="https://pt.wikipedia.org/wiki/Minist%C3%A9rio_do_Meio_Ambiente_e_Mudan%C3%A7a_do_Clima"><span style="vertical-align: inherit;"><span style="vertical-align: inherit;">Ministério de Meio Ambiente e Mudanças Climáticas </span></span></a><span style="vertical-align: inherit;"><span style="vertical-align: inherit;">recursos para locação de aeronaves, compra de veículos com equipamentos de combate a incêndio, bombas d&#39;água, locação de caminhões-pipas e envio de brigadistas do programa </span></span><a href="https://www.gov.br/ibama/pt-br/assuntos/fiscalizacao-e-protecao-ambiental/incendios-florestais/prevfogo"><span style="vertical-align: inherit;"><span style="vertical-align: inherit;">Prevfogo</span></span></a><span style="vertical-align: inherit;"><span style="vertical-align: inherit;"> (Centro Nacional de Prevenção e Combate aos Incêndios Florestais).</span></span></p>
<p><span style="vertical-align: inherit;"><span style="vertical-align: inherit;">“Atualmente, quase 75% dos focos de calor registrados no Amazonas e destruídos pelas equipes estaduais estão em áreas de responsabilidade federal. Outros 17% são em vazios cartográficos”, diz o texto da Secretaria de Comunicação do governo do Amazonas.</span></span></p>
<p><span style="vertical-align: inherit;"><span style="vertical-align: inherit;">O texto encaminhado para a </span></span><a href="https://amazoniareal.com.br/queimadas-amazonia-2024/"><span style="vertical-align: inherit;"><span style="vertical-align: inherit;">Amazônia Real</span></span></a><span style="vertical-align: inherit;"><span style="vertical-align: inherit;"> diz que a Operação Aceiro 2024, lançada em junho, combateu mais de 11,5 mil focos de incêndio. </span></span></p>
<p><span style="vertical-align: inherit;"><span style="vertical-align: inherit;">O governo do Amazonas não respondeu a outras perguntas específicas enviadas pela reportagem até a publicação.</span></span></p>
<div class='gv-rss-footer'><strong><div class='text-credits-container'><div class='text-credits-section'><span class='credit-label'>Escrito por</span> <a href='https://pt.globalvoices.org/author/amazonia-real/' class='user-link'>Amazônia Real</a></div></div></strong></div>]]></content:encoded>
					
		
		
		<media:content url="https://pt.globalvoices.org/wp-content/uploads/2024/09/PHOTO-2024-09-12-12-18-30-400x300.jpg" medium="image" width='270' height='202'	/>	</item>
		<item>
		<title>‘Não vou ampliar a lusofonia. Vou promover uma sinfonia’, diz escritor indígena na Academia Brasileira de Letras</title>
		<link>https://pt.globalvoices.org/2024/05/01/nao-vou-ampliar-a-lusofonia-vou-promover-uma-sinfonia-diz-escritor-indigena-na-academia-brasileira-de-letras/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Amazônia Real]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 01 May 2024 19:32:59 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[América Latina]]></category>
		<category><![CDATA[Arte e Cultura]]></category>
		<category><![CDATA[Brasil]]></category>
		<category><![CDATA[Destaque]]></category>
		<category><![CDATA[Indígenas]]></category>
		<category><![CDATA[Literatura]]></category>
		<category><![CDATA[Mídia Cidadã]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://pt.globalvoices.org/?p=111777</guid>

					<description><![CDATA[Figura histórica do ativismo ambiental e por direitos indígenas, desde os anos 1980, aos 70 anos, ele diz que quer promover as línguas originárias junto a ABL e, sobretudo, a jovens escritores indígenas]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p><big class='tagline'><em>Posse é considerada histórica em 127 anos da instituição</em></big></p><div id="attachment_111782" style="width: 800px" class="wp-caption aligncenter"><img loading="lazy" decoding="async" aria-describedby="caption-attachment-111782" class="size-large wp-image-111782" src="https://pt.globalvoices.org/wp-content/uploads/2024/04/trbr8738-800x600.webp" alt="" width="800" height="600" srcset="https://pt.globalvoices.org/wp-content/uploads/2024/04/trbr8738-800x600.webp 800w, https://pt.globalvoices.org/wp-content/uploads/2024/04/trbr8738-400x300.webp 400w, https://pt.globalvoices.org/wp-content/uploads/2024/04/trbr8738.webp 1024w" sizes="auto, (max-width: 800px) 100vw, 800px" /><p id="caption-attachment-111782" class="wp-caption-text">O filósofo e ativista, Ailton Krenak. Foto: Tânia Rêgo/Agência Brasil/Usada sob licença</p></div>
<p><em>Este texto, escrito por Elaíze Farias, foi publicado originalmente no <a href="https://amazoniareal.com.br/ailton-krenak-na-abl/">site da Amazônia Real</a> em 4 de abril de 2024. Ele é republicado aqui em acordo de parceria com o Global Voices, com edições, em versão condensada.</em></p>
<p>A <a href="https://www.academia.org.br/academia/quem-somos">Academia Brasileira de Letras</a> (ABL) tem como objetivo o cultivo da língua portuguesa e da literatura nacional, por isso não deixa de ser histórico que <a href="https://en.wikipedia.org/wiki/Ailton_Krenak">Ailton Krenak</a> tenha entrado na instituição para promover o que chama de língua brasileira.</p>
<p>Ailton tomou posse da cadeira 5 no dia 5 de abril de 2024, após ser eleito pelos membros. É o <a href="https://agenciagov.ebc.com.br/noticias/202404/ministra-participa-da-posse-de-ailton-krenak-primeiro-indigena-eleito-para-a-abl#:~:text=Primeiro%20ind%C3%ADgena%20eleito%20para%20a,Krenak%2C%20toma%20posse%20%E2%80%94%20Ag%C3%AAncia%20Gov">primeiro indígena a entrar na ABL</a>, em mais de 120 anos da instituição.</p>
<p>“Já comecei dando esse sinal de que não vou para ampliar a lusofonia, vou promover uma sinfonia. Essa sinfonia é estimada em <a href="https://agenciabrasil.ebc.com.br/geral/noticia/2023-10/admitir-indigena-na-abl-e-admitir-200-linguas-diferentes-diz-krenak">180 línguas indígenas</a>”, avisa ele.</p>
<p>Figura histórica do <a href="https://www.politize.com.br/ailton-krenak/#:~:text=Ailton%20Krenak%20nasceu%20em%201953,das%20Na%C3%A7%C3%B5es%20Ind%C3%ADgenas%20(UNI).">ativismo ambiental e por direitos indígenas</a>, desde os anos 1980, quando o país começava a reabertura política pós-ditadura militar, e os <a href="https://cultura.uol.com.br/noticias/18972_no-roda-viva-ailton-krenak-relembra-protesto-historico-durante-assembleia-constituinte.html">debates da nova Constituição federal</a>, aos 70 anos, ele diz que quer promover as línguas originárias junto a ABL e, sobretudo, a jovens escritores indígenas.</p>
<p>Seus livros estão traduzidos em 19 países. Curiosamente, um deles, “Ideias para Adiar o Fim do Mundo”, foi traduzido para o português de Portugal, onde se chama ‘‘Ideias para salvar a humanidade”.</p>
<p>“Eles disseram ‘queremos traduzir o livro para o português’. Isso significa que os falantes naturais de português consideram que nossa língua é brasileira, não é português”, brinca.</p>
<p>Antes da posse, <a href="https://amazoniareal.com.br/nao-e-a-primeira-vez-que-profetizam-nosso-fim-enterramos-todos-os-profetas-diz-ailton-krenak/">Ailton Krenak</a> concedeu uma entrevista online ao site <strong>Amazônia Real</strong> de sua casa, no <a href="https://pib.socioambiental.org/pt/Povo:Krenak">território do povo Krenak</a>, no estado de Minas Gerais.</p>
<p><strong>Amazônia Real: Como você soube da sua nomeação?</strong></p>
<blockquote><p><strong>Ailton:</strong> Eu fui surpreendido com uma nota de jornal, dizendo: ‘Ailton é apontado como favorito para ocupar a cadeira número 5, deixada por <a href="https://pt.wikipedia.org/wiki/Jos%C3%A9_Murilo_de_Carvalho">José Murilo de Carvalho</a> [historiador, também de Minas Gerais]’. Eu falei: ‘não sou candidato a nada’. Então, eu fui convidado a entrar na academia. Essa que é a questão. Não empurrei a porta da academia. Fui acolhido de uma maneira muito gentil e cordial por todos aqueles senhores e aquelas senhoras. E uma senhora da estatura de <a href="https://www.academia.org.br/academicos/fernanda-montenegro">Fernanda Montenegro</a> [atriz] dizer: ‘eu quero que você venha para a academia, Ailton Krenak’. Isso para mim é uma convocatória.</p></blockquote>
<p><strong>AR: Você vai atuar em um ambiente que valoriza a língua portuguesa. É possível reverter o predomínio da língua europeia, que tem raiz colonial?</strong></p>
<blockquote><p><strong>AK:</strong> Teve uma eleição. Eu disse que levaria comigo mais de <a href="https://www.gov.br/funai/pt-br/assuntos/noticias/2022-02/brasil-registra-274-linguas-indigenas-diferentes-faladas-por-305-etnias#:~:text=Brasil%20registra%20274%20l%C3%ADnguas%20ind%C3%ADgenas,Funda%C3%A7%C3%A3o%20Nacional%20dos%20Povos%20Ind%C3%ADgenas">200 línguas nativas do Brasil</a> e que o português não é uma língua brasileira, é uma língua europeia. Já comecei dando esse sinal de que não vou para lá ampliar a lusofonia. Vou promover uma sinfonia. Essa sinfonia é estimada pelos linguistas em 180 línguas, mas o movimento indígena e as campanhas dizem que são 305 – existem 305 etnias reconhecidas, nem todas têm a sua língua ativa. Os estudos do Museu Nacional sobre línguas indígenas cresceram muito. Então, os linguistas indígenas vão ser meus colegas na ABL para trabalhar a temática da língua materna.</p></blockquote>
<p><strong>AR: Quais serão suas ações iniciais na ABL?</strong></p>
<blockquote><p><strong>AK:</strong> Vou promover um evento que tem o significativo título de ‘Língua-Mãe’, e convocar filólogos indígenas, pessoas que já produziram vocabulário, dicionário. Joaquim Maná Kaxinawá [professor indígena do Acre] é doutor em linguística e fez importante trabalho que é produzir uma enciclopédia da língua Huni Kuin. Vou criar uma plataforma para que todas as informações relevantes sobre as línguas originárias possam estar em constante atualização de informações, fatos. Surgindo inclusive para que os especialistas em línguas indígenas possam despertar as línguas que, por acaso, estejam dormentes. Sei que existe uma ideia clássica de línguas mortas, mas não acredito em línguas extintas. Você pode extinguir fisicamente um povo, a língua não.</p>
<p>Estou fazendo isso junto com colegas do Museu Nacional, do Museu da Pessoa (SP), iniciativa de jovens indígenas que estão nas universidades. Alguns entre eles são linguistas e vão ser importantes colaboradores da plataforma. O que vou fazer lá é criar uma fricção entre as línguas presentes na diversidade cultural do Brasil e o português, que é a língua da Academia.</p></blockquote>
<p><strong>AR: Por que entrar na Academia Brasileira de Letras, uma instituição literária que sempre teve a marca do elitismo?</strong></p>
<blockquote><p><strong>AK:</strong> Você podia me perguntar ‘Ailton, por que você <a href="https://mooc.campusvirtual.fiocruz.br/rea/introducao-sus/assets/docs/vd6_transcription.pdf">pintou seu rosto de preto</a> na Constituinte 87 e 88’? Modéstia à parte, vou te dizer que não tinha outro para fazer aquilo. Há outro que poderia ir para ABL nesse momento? Historicamente a ABL é realmente elitista. Até 1977 além de elitista, era patriarcal, só tinha homem. Alguns estavam lá porque tinham muito poder político.</p></blockquote>
<p><strong>AR: A distinção desses termos e léxicos é o que marca a língua portuguesa falada no Brasil?</strong></p>
<blockquote><p><strong>AK:</strong> A língua brasileira, o português do Brasil, é muito criativa. Ela tem uma capacidade multicelular de produzir sentidos. É muito interessante. A ABL vem se modernizando e se atualizando em relação à sociedade brasileira. <a href="https://www.academia.org.br/academicos/gilberto-gil">Gilberto Gil</a> está lá dentro. A <a href="https://www.academia.org.br/academicos/heloisa-teixeira-0">Heloísa Teixeira</a>, que as pessoas conheciam como Heloísa Buarque. A <a href="https://jornal.usp.br/cultura/lilia-schwarcz-e-eleita-como-imortal-da-academia-brasileira-de-letras/">Lília Schwarcz</a> foi eleita agora, ajudando a trazer temas que estão relacionados com a vida brasileira e que não frequentam aquele ambiente. Da mesma maneira os indígenas nunca frequentaram aquele ambiente. Somente em 1977 a ABL admitiu a primeira mulher, a <a href="https://www.academia.org.br/noticias/rachel-de-queiroz-e-tema-de-palestra">Rachel de Queiroz</a>.</p></blockquote>
<p><strong>AR: É possível falarmos em língua brasileira?</strong></p>
<blockquote><p><strong>AK:</strong> Meu livro <a href="https://www.companhiadasletras.com.br/livro/9788535933581/ideias-para-adiar-o-fim-do-mundo-nova-edicao">‘Ideias para adiar o fim do mundo’</a> foi publicado na suposta língua do Brasil, que é o português. [Em Portugal] disseram ‘queremos traduzir o livro para o português’. Isso significa que os falantes naturais de português consideram que nossa língua é brasileira, não é português. Além de tudo, mudaram o título: <a href="https://www.almedina.net/a-vida-n-o-til-ideias-para-salvar-a-humanidade-1603907259.html">‘Ideias para salvar a humanidade’</a>.</p></blockquote>
<p><strong>AR: A ABL está preparada para ter um diálogo com outras cosmovisões e outras línguas distantes do legado eurocêntrico?</strong></p>
<blockquote><p><strong>AK:</strong> A ABL é um espaço de erudição, cordialidade, gentileza, e não tem nada a ver com a ideia castrista. Não é um quartel. É um colégio de pessoas que amam a literatura, as letras, e que têm um compromisso de promover a lusofonia, que tem no Brasil uma expressão de ser o maior país de fala lusófona. Tem mais gente falando português no Brasil do que em Portugal.</p>
<p>Uma parte da intelectualidade culta brasileira prefere cuidar da língua portuguesa, mas tem outros milhares de autores, escritores, poetas, geniais, da <a href="https://pt.wikipedia.org/wiki/Tropic%C3%A1lia">Tropicália</a>, do <a href="https://pt.wikipedia.org/wiki/Modernismo">Modernismo</a>, de <a href="https://pt.wikipedia.org/wiki/M%C3%A1rio_de_Andrade">Mário de Andrade</a> (1893-1945), de <a href="https://pt.wikipedia.org/wiki/Oswald_de_Andrade">Oswald de Andrade</a> (1890-1954), de tantos outros, que riscavam a gramática. Eles estavam lanhando a gramática em seu interesse de fricção entre as línguas nativas daqui do continente e as línguas dos povos que vieram na diáspora africana. A literatura modernista é cheia de faíscas de línguas de origem africana e indígena.</p>
<p><a href="https://pt.wikipedia.org/wiki/Guimar%C3%A3es_Rosa">Guimarães Rosa</a> (1908-1967) tem um conto com o título “<a href="http://www.biolinguagem.com/inuma/ROSA%201961%20meu%20tio%20iauarete.pdf">Meu tio, o Iauaretê</a>”, que põe partículas de frases ou orações em línguas Xavante, Krenak, Maxakali, Tupi clássico. O conto é uma fantástica composição onde as línguas indígenas são distribuídas no corpo do texto como se fossem rastros deixados para o futuro. Ele deixava sinais para um devir linguístico do Brasil onde o português é uma das centenas de línguas.</p></blockquote>
<div class='gv-rss-footer'><strong><div class='text-credits-container'><div class='text-credits-section'><span class='credit-label'>Escrito por</span> <a href='https://pt.globalvoices.org/author/amazonia-real/' class='user-link'>Amazônia Real</a></div></div></strong></div>]]></content:encoded>
					
		
		
		<media:content url="https://pt.globalvoices.org/wp-content/uploads/2024/04/trbr8738-400x300.webp" medium="image" width='270' height='202'	/>	</item>
		<item>
		<title>O papel de Hong Kong no desmatamento ilegal da floresta Amazônica no Brasil</title>
		<link>https://pt.globalvoices.org/2024/04/15/o-papel-de-hong-kong-no-desmatamento-ilegal-da-floresta-amazonica-no-brasil/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Juliana Ferreira de Brito]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 15 Apr 2024 13:04:58 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[América Latina]]></category>
		<category><![CDATA[Brasil]]></category>
		<category><![CDATA[China]]></category>
		<category><![CDATA[Coréia do Sul]]></category>
		<category><![CDATA[Hong Kong (China)]]></category>
		<category><![CDATA[Inglês]]></category>
		<category><![CDATA[Leste da Ásia]]></category>
		<category><![CDATA[Meio Ambiente]]></category>
		<category><![CDATA[Mídia Cidadã]]></category>
		<category><![CDATA[MUNDO]]></category>
		<category><![CDATA[Taiwan (RC)]]></category>
		<category><![CDATA[Vietnã (Vietname)]]></category>
		<category><![CDATA[Weblog]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://pt.globalvoices.org/?p=111547</guid>

					<description><![CDATA[Foram reexportados US$ 342 milhões em produtos de carne bovina brasileira de Hong Kong, dos quais 50,3% foram para o Vietnã, 29,9% para Taiwan e 15,4% para a Coreia do Sul.]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p><big class='tagline'><em>Hong Kong é o principal comprador global de carne brasileira.</em></big></p><div id="attachment_809953" style="width: 1700px" class="wp-caption aligncenter"><a href="https://hongkongfp.com/2024/03/31/investigation-hong-kongs-role-in-illegal-deforestation-of-the-amazon-rainforest-in-brazil/"><img loading="lazy" decoding="async" aria-describedby="caption-attachment-809953" class="size-full wp-image-809953" src="https://globalvoices.org/wp-content/uploads/2024/04/53595589219_56a3108045_k-Copy.jpg" alt="" width="1700" height="1133" /></a><p id="caption-attachment-809953" class="wp-caption-text">Hong Kong tem um dos maiores consumos per capita de carne do mundo, com 664 g por dia, equivalente a dois bifes de mais de 280 gramas. Foto: Kyle Lam/HKFP. Usada com permissão.</p></div>
<p><em>A seguinte investigação foi conduzida pelos jornalistas da HKFP e Repórter Brasil, Mercedes Hutton e Piero Locatelli. Foi publicada na HKFP em <a href="https://hongkongfp.com/2024/03/31/investigation-hong-kongs-role-in-illegal-deforestation-of-the-amazon-rainforest-in-brazil/">31 de março de 2024</a> e republicada na Global Voices sob um acordo de parceria de conteúdo com a HKFP.</em></p>
<p>À primeira vista, não há muita ligação entre um punhado de escritórios sem características distintas de Hong Kong à maior floresta tropical do mundo. Mas dados da cadeia de abastecimento — obtidos pela organização sem fins lucrativos Repórter Brasil e compartilhados com a HKFP — revelam que pelo menos quatro empresas na cidade importaram produtos de carne bovina provenientes de fazendas de um homem que a polícia brasileira chamou de &#8220;o maior devastador da Amazônia&#8221;.</p>
<p>A pecuária é &#8220;a principal culpada pelo desmatamento em praticamente todos os países da Amazônia&#8221;, de <a href="https://wwf.panda.org/discover/knowledge_hub/where_we_work/amazon/amazon_threats/unsustainable_cattle_ranching/">acordo</a> com a ONG ambientalista World Wide Fund for Nature. <a href="https://www.wwf.org.uk/learn/fascinating-facts/amazon#:~:text=The%20Amazon%20rainforest%20covers%20an,the%20side%20of%20the%20UK!">Cerca</a> de 17% da floresta amazônica já foi perdida para a conversão de habitats, com árvores derrubadas para dar lugar a pastagens de gado e às estradas empoeiradas que transportam carne bovina brasileira da floresta para o mercado global.</p>
<p>Entre os que lucram com a degradação da Amazônia está o fazendeiro Bruno Heller, cuja família é proprietária de fazendas que foram multadas em US$ 5 milhões por desmatamento ilegal. Ele foi <a href="https://www.gov.br/secom/pt-br/assuntos/noticias/2023/08/pf-deflagra-operacao-contra-suspeito-de-ser-o-maior-devastador-do-bioma-amazonico-ja-investigado">acusado</a> de desmatar 6.500 hectares de floresta pela polícia federal brasileira.</p>
<p>Por meio de um processo conhecido como “lavagem de gado”, onde as vacas criadas em locais ilícitos são transportadas para aqueles com registro limpo, a Repórter Brasil rastreou o gado das fazendas da família de Heller até um matadouro, 163 Beef Indústria &amp; Comércio de Carnes Ltda, e rastreou os produtos de carne daquele matadouro até Hong Kong.</p>
<h3 class="wp-block-heading">Rastreabilidade sem sustentabilidade</h3>
<p>Com terras agrícolas escassas, Hong Kong importa mais de 90% de seus alimentos, todos regulados pelo Centro de Segurança Alimentar (Centre for Food Safety, CFS). As importações de carnes e aves do Brasil chegam à cidade por meio de unidades de processamento que são recomendadas pelo Ministério da Agricultura do Brasil para aprovação pelo CFS, entre elas a 163 Beef.</p>
<p>As unidades devem atender &#8220;aos requisitos específicos de importação referentes a princípios de segurança alimentar, tais como os produtos devem ser adequados para consumo humano e em conformidade com a legislação da economia exportadora e de Hong Kong&#8221;, disse um porta-voz do CFS à HKFP no final de janeiro.</p>
<p>Perguntado se a sustentabilidade foi considerada, o CFS disse no mês seguinte: “Abate/manuseio/processamento/produção/armazenamento e transporte higiênico e humano também devem ser observados”, mas não detalhou como estes aspectos foram avaliados.</p>
<p>“Atualmente, não temos muitos requisitos socioambientais no comércio internacional [do Brasil]”, disse Marina Guyot, gerente de políticas públicas da organização sem fins lucrativos Imaflora, ao HKFP por telefone do Brasil no mês passado.</p>
<p>No ano passado, a União Europeia introduziu <a href="https://eur-lex.europa.eu/legal-content/EN/TXT/?uri=CELEX%3A32023R1115&amp;qid=1687867231461">regulamentos</a> para impedir a importação de produtos ligados ao desmatamento com o objetivo de &#8220;reduzir o impacto da UE no desmatamento global e na degradação florestal&#8221;. Destina-se à importação e comércio de commodities como gado, soja e óleo de palma dentro do bloco europeu a partir de áreas desmatadas após 31 de dezembro de 2020, e entrará em vigor no final deste ano.</p>
<p>Embora a política tenha sido bem-vinda, não se esperava que tivesse um grande impacto na demanda por exportações brasileiras, muitas das quais vieram da Ásia. &#8220;[Os países europeus] representam uma quantidade baixa de nossa produção em termos do que consomem&#8221;, disse Guyot. &#8220;Isso é cerca de 5% — 5% das nossas exportações, não 5% do que produzimos&#8221;.</p>
<p>Hong Kong, por outro lado, tem um apetite descomunal por produtos brasileiros de carne bovina. Apesar de sua pegada e população diminutas — apenas 7,5 milhões de pessoas em comparação com os 448 <a href="https://european-union.europa.eu/principles-countries-history/key-facts-and-figures/life-eu_en">milhões</a> da UE — a cidade é a maior compradora mundial de miúdos bovinos brasileiros.</p>
<p>Se os principais mercados de importação, como China e Hong Kong, restringissem o comércio a frigoríficos com cadeias de suprimentos mais transparentes, Guyot acredita que isso poderia ter um grande impacto na sustentabilidade do setor de carne brasileiro.</p>
<p>Em 2022, Hong Kong importou US$ 253,65 milhões em miúdos de carne congelados, comestíveis, tripas, bexigas e estômagos de animais do Brasil, ou 48% das exportações do país desses produtos de acordo com os dados comerciais do país.</p>
<h3 class="wp-block-heading">Operações e origens indeterminadas</h3>
<p>De acordo com a investigação da Repórter Brasil, pelo menos quatro empresas registradas na cidade compraram vísceras bovinas, como aorta, omaso e reticulo, da 163 Beef várias vezes entre 2022 e 2023. Entre elas: Galaila International Company Limited, Harvest Charm Limited, Loyalty Union Asia Limited e Uni Shining International Trading Co., Limited.</p>
<p>Quando a HKFP visitou os escritórios das empresas no final de novembro passado, pouco se sabia sobre suas operações. Apenas a Galaila International, localizada em um desgastado prédio de escritórios dos anos 1980 em Central, e a Loyalty Union Asia, que tinha vista para o principal porto de contêineres da cidade a partir de uma unidade industrial, mantiveram uma presença visível e tinham seus nomes de empresa em exibição.</p>
<p>Nos endereços da Harvest Charm e da Uni Shining International Trading, o primeiro em um escritório simples em uma torre de escritórios em Sheung Wan e o último em um espaço industrial subdividido em Tsuen Wan, não havia nada que indicasse que as empresas realmente existiam. A pequena unidade da Uni Shining parecia ser ocupada por um florista de casamentos.</p>
<p>Os registros mantidos pelo Registro de Sociedades de Hong Kong não forneceram mais informações sobre as atividades das empresas. Entre os quatro, apenas a Galaila International possui um <a href="https://www.galaila.com/">site</a>, que a apresenta como fornecedora de couro. Os três restantes não têm presença na internet, redes sociais ou marcas.</p>
<p>Pedidos de comentários enviados por correio registrado e, sempre que possível, e-mails para todas as quatro empresas ficaram sem resposta. Uma funcionária da Galaila International disse por telefone que encaminharia os detalhes de contato do repórter do HKFP para seu chefe, mas nada mais foi ouvido. A carta à Uni Shining International Trading foi &#8220;não foi recebida&#8221; e retornou à HKFP.</p>
<p>Em 2019, o Greenpeace <a href="https://www.greenpeace.org/eastasia/blog/6140/how-hong-kong-links-to-amazon-deforestation-and-what-we-can-help/">descobriu</a> que quase um terço da carne bovina de Hong Kong vinha de fazendas localizadas em áreas desmatadas da floresta amazônica e pressionou os principais supermercados a parar de vender o que chamou de &#8220;carne de desmatamento&#8221;.</p>
<p>Vários grandes supermercados — Aeon, Yata e City &#8216;Super — responderam ao Greenpeace dizendo que não vendiam ou raramente vendiam carne brasileira. A ParknShop respondeu mais tarde dizendo que mudaria para outros fornecedores assim que o estoque existente acabasse.</p>
<p>&#8220;Depois de anos desta campanha&#8230; ainda podemos encontrar esse tipo de carne em Hong Kong é muito triste&#8221;, disse Tom Ng, um ativista do Greenpeace Hong Kong, ao HKFP no final de janeiro.</p>
<p>“Hong Kong é um dos maiores importadores desse tipo de carne. Temos pedido às lojas que parem de importar isso, pelo menos de fontes que são conhecidas por serem preocupantes &#8220;, disse Ng.</p>
<div id="attachment_809954" style="width: 1700px" class="wp-caption aligncenter"><a href="https://hongkongfp.com/2024/03/31/investigation-hong-kongs-role-in-illegal-deforestation-of-the-amazon-rainforest-in-brazil/"><img loading="lazy" decoding="async" aria-describedby="caption-attachment-809954" class="size-full wp-image-809954" src="https://globalvoices.org/wp-content/uploads/2024/04/53588009517_ea8d34f577_k-Copy.jpg" alt="" width="1700" height="1133" /></a><p id="caption-attachment-809954" class="wp-caption-text">Carne bovina à venda em um supermercado em Hong Kong, em 13 de março de 2024. Foto: Kyle Lam/HKFP. Usada com permissão.</p></div>
<p>Dos supermercados verificados pessoalmente pela HKFP em fevereiro, apenas a Wellcome vendia carne bovina do Brasil. Em uma resposta por e-mail às perguntas recebidas no início de março, o DFI Retail Group, proprietário da rede, disse: &#8220;O fornecimento da Wellcome está em conformidade com os regulamentos locais e está comprometido com o desenvolvimento sustentável&#8221;.</p>
<p>O grupo acrescentou que estava &#8220;ciente da crescente discussão sobre as questões ambientais&#8221; e estava &#8220;revisando diligentemente nossa rede de fornecedores&#8221;.</p>
<p>Uma verificação on-line posterior revelou que a ParknShop também vendia produtos brasileiros de carne bovina. A HKFP entrou em contato com a rede de supermercados para comentar.</p>
<p>Em 2023, Hong Kong importou 316,7 milhões de quilos de produtos cárneos brasileiros, entre os quais 34,9 milhões de quilos eram “carne de bovinos” e oito milhões de quilos eram “carne e miudezas comestíveis”, segundo dados do Departamento de Censo e Estatística.</p>
<p>Perguntado por que a demanda por miúdos bovinos brasileiros era tão alta em Hong Kong, Louis Chan, vice-diretor de pesquisa do Conselho de Desenvolvimento Comercial de Hong Kong, disse à Repórter Brasil em fevereiro que a cidade era &#8220;mundialmente famosa por seu regime de comércio aberto e livre&#8230; tornando Hong Kong um excelente centro comercial para produtos internacionais&#8221;.</p>
<p>&#8220;Não é preciso dizer que miúdos bovinos brasileiros&#8230; têm um bom mercado na Ásia, tanto para consumo direto quanto para processamento adicional pela indústria alimentícia humana, setor de alimentos para animais de estimação e fabricação de ração para a agricultura local e pecuária&#8221;, disse Chan por e-mail.</p>
<p>Ele também apontou para a taxa de consumo de carne per capita de Hong Kong, que um estudo de 2018 do Departamento de Ciências da Terra da Universidade de Hong Kong determinou 664 gramas por dia, &#8220;equivalente a dois pedaços de bife de mais de 280 gramas&#8221;, disse Chan.</p>
<p>“Isso, juntamente com a reputação muito divulgada da cidade como um paraíso alimentar, fez de Hong Kong um destino privilegiado para os exportadores de carnes e miudezas da América do Sul que buscam expansão e diversificação do mercado.”</p>
<p>No entanto, nem todos os produtos brasileiros de carne bovina importados por Hong Kong estão destinados a permanecer na cidade. Citando dados do governo, Chan disse que US $ 342 milhões em miúdos bovinos brasileiros foram reexportados de Hong Kong — 50,3% dos quais foram para o Vietnã, 29,9% para Taiwan e 15,4% para a Coreia do Sul.</p>
<h3 class="wp-block-heading">Última parada, China?</h3>
<p>Guyot, da ONG brasileira Imaflora, acredita que parte das miudezas bovinas brasileiras que entram em Hong Kong tem outro destino final — a China continental.</p>
<p>&#8220;Hong Kong não é apenas mais um país consumidor, mas também um ponto de entrada para a China&#8230; que não está devidamente rastreado&#8221;, disse ela.</p>
<p>Falando à Repórter Brasil em dezembro, Alcides Torres, da Scot Consultoria, uma das maiores empresas de consultoria do setor de carnes do Brasil, ecoou Guyot, dizendo: &#8220;uma parte do que é exportado para Hong Kong pode ser redirecionado para a China&#8221;.</p>
<p>Em 2023, o Uruguai, os EUA e a Nova Zelândia eram os principais mercados de origem de miúdos bovinos da China, de acordo com o <a href="https://wits.worldbank.org/trade/comtrade/en/country/CHN/year/2022/tradeflow/Imports/partner/ALL/product/020629">site</a> World Integrated Trade Solution do Banco Mundial. O Brasil está longe de ser visto, porque a Administração Geral das Alfândegas da China não aprovou as exportações de tais produtos do país.</p>
<p>Para que os produtos à base de carne sejam reexportados de Hong Kong para a China continental ou Macau, a CFS <a href="https://www.fehd.gov.hk/english/forms/fehb164.pdf">exige</a> um &#8220;certificado sanitário oficial emitido pelo local de origem declarando claramente que o Continente/Macau é o destino final da remessa&#8221;. Embora Macau seja o terceiro maior mercado de reexportação de carne bovina e miudezas comestíveis brasileiras de Hong Kong, a China continental não aparece na lista.</p>
<p>Durante a pandemia, quando a fronteira de Hong Kong estava firmemente selada, inclusive de seu vizinho ao norte, aumentaram os casos de suspeita de contrabando de carne entre a cidade e a China continental. Em setembro de 2021, as operações de combate ao contrabando da polícia marítima ganharam as manchetes quando um oficial se afogou durante uma operação de combate ao contrabando.</p>
<p>A suspeita de atividade de contrabando atingiu o pico em 2022, quando a polícia apreendeu 403 toneladas de carne congelada de contrabandistas no valor estimado de 61 milhões de HKD (7,79 milhões de USD), prendendo 46 pessoas no processo. De acordo com reportagens da mídia local na época, miúdos brasileiros estavam entre os tipos de carne interceptados.</p>
<p>Os números da polícia fornecidos ao HKFP mostraram que tais apreensões caíram no ano passado, com 52 toneladas de carne contrabandeada suspeita congelada com um valor estimado de HKD 11 milhões (USD 1,4 milhão) interceptadas em apenas quatro casos<span style="font-size: 1.25rem;">.</span></p>
<h3 class="wp-block-heading">Demanda por sustentabilidade</h3>
<p>Sem o aumento da pressão por medidas de rastreabilidade social e ambiental, é improvável que os produtos brasileiros de carne bovina de áreas desmatadas ilegalmente da floresta amazônica desapareçam das placas em Hong Kong ou em outros lugares da região.</p>
<p>Lei Yu-ting, pesquisador freelancer do Greenpeace do Leste Asiático, disse à Repórter Brasil por e-mail em fevereiro que a conscientização sobre a sustentabilidade da carne entre os consumidores de Hong Kong estava &#8220;aumentando lentamente&#8221;. Mas, acrescentou, &#8220;não é substancial [o suficiente] para trazer mudanças no comportamento de consumo e na cadeia de suprimentos industrial&#8221;.</p>
<p>Além disso, &#8220;quando os consumidores em Hong Kong pensam na sustentabilidade e rastreabilidade da carne, é mais no que diz respeito à qualidade da carne e à segurança alimentar&#8221;, disse Lei. “É difícil para os consumidores dizer se a carne consumida está associada à destruição de terras e ao desmatamento no Brasil e em outros países&#8217;.&#8217;</p>
<p>Ng, do Greenpeace de Hong Kong, acrescentou que, embora a pressão pública fosse uma coisa, a mudança de política era preferida. “Transparência e rastreabilidade é uma coisa muito importante que exige que todas as partes trabalhem nisso”, disse ele, citando o governo, as escolas, as ONGs e a mídia como tendo um papel a desempenhar na educação das pessoas sobre como seu consumo de carne pode estar ligado ao desmatamento também.</p>
<p>“Não sei se é possível qualquer política governamental ou política corporativa que possa proibir esse tipo de produto”, continuou Ng. Não é isso que pretendemos.</p>
<p>Na ONG brasileira Imaflora, isso é algo que Guyot e seus colegas estão trabalhando. Em colaboração com o Ministério Público do Brasil, a organização estabeleceu um <a href="https://www.beefontrack.org/">sistema</a> de monitoramento chamado Beef on Track, com o objetivo de estabelecer uma cadeia de suprimentos livre de “irregularidades socioambientais”, como o desmatamento de terras indígenas e o trabalho escravo.</p>
<p>Dos 158 frigoríficos da Amazônia brasileira, 110 são signatários do protocolo Beef on Track, que exige que eles garantam que os fornecedores diretos cumpram os critérios de direitos humanos e sustentabilidade. Devido à forma como a pecuária está estruturada, não é um sistema perfeito, pois se aplica apenas a fornecedores da fase final que vendem diretamente para o abatedouro, mas é um começo.</p>
<p>A 163 Beef, o frigorífico no centro da investigação da Repórter Brasil e da HKFP, comprou gado de fazendas relacionadas a Heller e sua família mais de 20 vezes entre 2018 e 2023, de acordo com documentos oficiais, e vendeu miúdos bovinos para as quatro empresas de Hong Kong. Não aderiu ao sistema de monitoramento e não respondeu aos pedidos de comentário.</p>
<p>Heller enviou uma declaração por meio de um advogado contratado para defendê-lo e a sua filha Tatiana, que disse: “Eles são um grupo familiar que mantém a posse pacífica e imperturbável da propriedade rural familiar localizada no estado do Pará desde a década de 1970”.</p>
<p>A declaração acrescentou que &#8220;os fatos discutidos na investigação em andamento são confidenciais&#8221;, embora não esteja claro a qual investigação está sendo referida.</p>
<p>Para processadoras como a 163 Beef e talvez agricultores como Heller acreditarem que há benefícios em garantir uma cadeia de suprimentos social e ambientalmente amigável, Guyot acredita que isso exigiria pressão do lado da demanda de pessoas como Hong Kong.</p>
<p>&#8220;Estamos empenhados em tentar promover o comércio verde entre a China e o Brasil e, claro, Hong Kong&#8221;, disse Guyot. “Ter uma assinatura vinda da China e de Hong Kong seria muito positivo em termos de incentivo para as empresas e a indústria daqui adotarem este protocolo.”</p>
<hr />
<div class="notes"><strong>Métodos:</strong></div>
<div class="notes">
<p>Ao longo de três meses, jornalistas da HKFP e da Repórter Brasil procuraram investigar os vínculos de Hong Kong com um agricultor brasileiro acusado de desmatamento ilegal na floresta amazônica e se questões socioambientais foram consideradas quando se tratava do papel mais amplo da cidade no comércio brasileiro de carne e, em particular, da importação de miúdos bovinos.</p>
<p>Através do acesso a registros de fazendas e empresas e documentos governamentais no Brasil, a Repórter Brasil conseguiu rastrear o transporte de animais vivos de uma fazenda de propriedade da família do fazendeiro Bruno Heller até o abatedouro 163 Beef. Usando dados obtidos de uma plataforma de cadeia de suprimentos e corroborados pelo Ministério da Agricultura do Brasil, conseguimos rastrear as exportações da 163 Beef para pelo menos quatro empresas em Hong Kong.</p>
<p>Entrevistamos oito pessoas em Hong Kong, Brasil e Alemanha para a história, incluindo algumas que falaram <em>off record</em> ou forneceram informações, buscando vozes diversas em toda a demografia e no espectro político. Também entramos em contato com pelo menos 10 outras pessoas, que se recusaram a comentar ou não responderam aos pedidos de entrevista. Nenhuma das quatro empresas de Hong Kong mencionadas no relatório fez comentários, nem a 163 Beef. Na verdade, a maior barreira para relatar essa história, como é cada vez mais o caso em Hong Kong, foi encontrar pessoas dispostas a falar sobre a situação na cidade.</p>
<p>Em Hong Kong, viajamos para Central, Kwai Chung, Shau Kei Wan, Sheung Wan e Tsuen Wan para visitar essas empresas e explorar se a carne brasileira estava à venda nos supermercados da cidade. Mercedes Hutton, da HKFP, trabalhou em estreita colaboração com Piero Locatelli, da Repórter Brasil, durante toda a investigação, que na época estava baseado em Taiwan, realizando pelo menos cinco videochamadas e se encontrando pessoalmente em Taipei.</p>
<p>A história foi editada pelo editor convidado da HKFP, bem como pelo editor-chefe Tom Grundy.</p>
</div>
<div class="notes"><strong>Referências:<br />
</strong></div>
<div class="notes">
<ul>
<li><a href="https://reporterbrasil.org.br/2023/08/carrefour-purchases-meat-from-slaughterhouse-supplied-by-the-greatest-devastator-of-the-amazon/">Carrefour compra carne de abatedouro abastecido pelo &#8216;maior devastador da Amazônia&#8217;, </a>de Marina Rossi, Repórter Brasil</li>
<li><a href="https://www.gov.br/secom/pt-br/assuntos/noticias/2023/08/pf-deflagra-operacao-contra-suspeito-de-ser-o-maior-devastador-do-bioma-amazonico-ja-investigado">PF deflagra operação contra suspeito de ser o maior devastador do bioma amazônico já investigado</a>, Brazilian government statement</li>
<li><a href="https://eur-lex.europa.eu/legal-content/EN/TXT/?uri=CELEX%3A32023R1115&amp;qid=1687867231461">Regulamento da UE relativo a commodities e produtos associados ao desmatamento e degradação florestal,</a> Parlamento Europeu</li>
<li><a href="https://www.wwf.org.uk/learn/fascinating-facts/amazon#:~:text=The%20Amazon%20rainforest%20covers%20an,the%20side%20of%20the%20UK!">Principais fatos sobre a Amazônia</a>, WWF</li>
<li><a href="https://wwf.panda.org/discover/knowledge_hub/where_we_work/amazon/amazon_threats/unsustainable_cattle_ranching/">Pecuária insustentável</a>, WWF</li>
<li><a href="https://www.greenpeace.org/eastasia/blog/6140/how-hong-kong-links-to-amazon-deforestation-and-what-we-can-help/">Como Hong Kong se liga ao desmatamento da Amazônia e o que podemos ajudar,</a> Greenpeace East Asia</li>
<li><a href="https://www.hku.hk/press/news_detail_17940.html">Estudo da HKU Earth Science revela que o apetite de Hong Kong por carne faz com que a cidade seja uma das maiores emissoras de gases de efeito estufa do mundo,</a> The University of Hong Kong</li>
<li><a href="https://wits.worldbank.org/trade/comtrade/en/country/CHN/year/2022/tradeflow/Imports/partner/ALL/product/020629">China &#8211; Miúdos comestíveis; de bovinos, (exceto línguas e fígados), importações congeladas por país em 2022,</a> Solução de Comércio Integrado Mundial</li>
<li><a href="https://www.fehd.gov.hk/english/forms/fehb164.pdf">Pedido de Permissão para importar Carne ou Aves (Aplicável à importância para reexportação para o Continente/Macau)</a>, Centro de Segurança Alimentar de Hong Kong</li>
<li><a href="https://www.beefontrack.org/">Beefontrack.org</a>, Imaflora</li>
<li><a href="https://drive.google.com/file/d/1JlW1r-38Re7JxMsAJ2-0HW8fZ2xwIwgm/view">Relatório de Carne Bovina 2022</a>, Carne Bovina Brasileira, Associação Brasileira de Exportadores de Carne Bovina, Apex Brasil</li>
<li><a href="https://comexstat.mdic.gov.br/en/geral/86341">Exportações e importações gerais</a>, dados de comércio exterior do governo brasileiro</li>
<li><a href="http://english.customs.gov.cn/statics/1a11198b-def3-4bd2-9157-6fc147a30717.html">Lista de carnes elegíveis para exportação para a China de países ou regiões que atendem aos requisitos de avaliação e revisão</a>, Administração Geral das Alfândegas da República Popular da China</li>
<li><a href="https://www.cfs.gov.hk/english/import/files/approved_plant_list/BRAZIL_01.03.2024.pdf">Lista de plantas brasileiras de processamento de carne aprovadas,</a> Centro de Segurança Alimentar de Hong Kong</li>
<li><a href="https://www.info.gov.hk/gia/general/202110/30/P2021103000756.htm">FEHD junta-se à polícia para invadir suspeita de contrabando de alimentos congelados</a>, comunicado do governo de Hong Kong</li>
<li><a href="https://www.mla.com.au/contentassets/079ba13d266c42a28c90463d33f50103/mena_2022-mla-industry-insights-market-snapshot_rev1_220223.pdf">Instantâneo do mercado:</a> carne bovina e ovina, carne e gado na Austrália</li>
<li><a href="https://www.atohongkong.com.hk/wps/wp-content/uploads/HK2023-0043-Exporter-Guide.pdf">Guia do Exportador</a>, Departamento de Agricultura dos EUA, Serviço Agrícola Estrangeiro, Rede Global de Informações Agrícolas</li>
</ul>
</div>
<div class="notes">Pessoas</div>
<div class="notes">
<ul>
<li><a href="https://research.hktdc.com/en/about-us/louis-chan">Louis Chan</a>, Diretor Adjunto de Pesquisa, Conselho de Desenvolvimento Comercial de Hong Kong, 23 de fevereiro de 2024</li>
<li><a href="https://www.beefontrack.org/who-we-are/">Marina Guyot</a>, Gerente de Políticas Públicas, Imaflora, 28 de fevereiro de 2024</li>
<li><a href="https://www.linkedin.com/in/yuting-lei-18a52380/?originalSubdomain=uk">Lei Yu-ting</a>, Ex-Chefe da Unidade de Pesquisa, Greenpeace Ásia Oriental, 29 de fevereiro de 2024</li>
<li><a href="https://www.linkedin.com/in/honlamng/?originalSubdomain=hk">Tom Ng</a>, Ativista,Greenpeace Ásia Oriental, 24 de janeiro de 2024</li>
<li><a href="https://www.scotconsultoria.com.br/nossa-equipe/2/alcides-torres/">Alcides Torres</a>, Scot Consultoria, 19 de dezembro de 2023</li>
</ul>
</div>
<div id="type_of_story" class="notes">Tipo de história: Investigativa</div>
<div class="notes">
<ul>
<li style="list-style-type: none;">
<ul>Exame aprofundado de um único assunto que requer extensa pesquisa e recursos.</ul>
</li>
</ul>
</div>
<div class='gv-rss-footer'><strong><div class='text-credits-container'><div class='text-credits-section'><span class='credit-label'>Written (English) by</span> <a href='https://globalvoices.org/author/hong-kong-free-press/' class='user-link'>Hong Kong Free Press</a></div><div class='text-credits-section'><span class='credit-label'>Translated (Português) by</span> <a href='https://pt.globalvoices.org/author/juliana-ferreira-de-brito/' class='user-link'>Juliana Ferreira de Brito</a></div></div><span class='source-link'><a href='https://globalvoices.org/2024/04/10/hong-kongs-role-in-illegal-deforestation-of-the-amazon-rainforest-in-brazil/'>Veja o post original (English)</a></span></strong></div>]]></content:encoded>
					
		
		
		<media:content url="https://globalvoices.org/wp-content/uploads/2024/04/53595589219_56a3108045_k-Copy-400x300.jpg" medium="image" width='270' height='202'	/>	</item>
		<item>
		<title>Resolvendo o problema das plantas aquáticas invasoras no Nepal</title>
		<link>https://pt.globalvoices.org/2024/04/09/resolvendo-o-problema-das-plantas-aquaticas-invasoras-no-nepal/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Juliana Stroebel]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 09 Apr 2024 13:51:53 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Arte e Cultura]]></category>
		<category><![CDATA[Boas Notícias]]></category>
		<category><![CDATA[Destaque]]></category>
		<category><![CDATA[Economia e Negócios]]></category>
		<category><![CDATA[História]]></category>
		<category><![CDATA[Indígenas]]></category>
		<category><![CDATA[Inglês]]></category>
		<category><![CDATA[Meio Ambiente]]></category>
		<category><![CDATA[Mídia Cidadã]]></category>
		<category><![CDATA[Mulheres e Gênero]]></category>
		<category><![CDATA[Nepal]]></category>
		<category><![CDATA[Sul da Ásia]]></category>
		<category><![CDATA[Weblog]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://pt.globalvoices.org/?p=111349</guid>

					<description><![CDATA[O Jacinto-de-água, uma espécie invasora da Amazônia, obstrui os cursos de água do Nepal, sufoca a flora nativa e bloqueia os nutrientes essenciais para a vida aquática. Um grupo de artesanato nepalês reaproveita criativamente sua fibra para utensílios domésticos.]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p><big class='tagline'><em>Jacinto-de-água é uma fonte de fibra economicamente viável e sustentável</em></big></p><div id="attachment_808132" style="width: 1200px" class="wp-caption aligncenter"><a href="https://nepalitimes.com/here-now/weaving-nature-into-craft"><img loading="lazy" decoding="async" aria-describedby="caption-attachment-808132" class="size-featured_image_huge wp-image-808132" src="https://globalvoices.org/wp-content/uploads/2024/03/waterhyacinth1-edited_Denoise-1200x675.jpg" alt="Image via Nepali Times. Used with permission." width="1200" height="675" /></a><p id="caption-attachment-808132" class="wp-caption-text">Imagem por <a href="https://nepalitimes.com/here-now/weaving-nature-into-craft">Nepali Times</a>. Usada sob permissão.</p></div>
<p><em>Esta história foi publicada originalmente por Viola Bordon no <a href="https://nepalitimes.com/here-now/weaving-nature-into-craft">Nepali Times</a>. Uma versão editada é republicada na Global Voices como parte de um acordo de compartilhamento de conteúdo.</em></p>
<p><a href="https://pt.wikipedia.org/wiki/Jacinto-de-%C3%A1gua">O jacinto-de-água</a> (<em>Pontederia crassipes</em>) é uma espécie invasora da Amazônia que obstrui os cursos de água do Nepal, sufocando as plantas indígenas e bloqueando os nutrientes necessários aos peixes e aves aquáticas. Recentemente, um grupo de artesanato nepalês encontrou uma forma inovadora de utilizar a sua fibra para tecer utensílios domésticos de uso diário.</p>
<p>Os jacintos-de-água são um material ideal para consumidores ecologicamente conscientes, e a retirada da planta abre caminho para a regeneração de espécies aquáticas nativas. O <a href="https://nepalknotcraft.com/">Nepal Knotcraft Center (NKC)</a> é quem lidera a colheita e comercializa o artesanato feito com nós, por meio do empreendedorismo e o empoderamento econômico feminino.</p>
<p>“Não sou pioneira, estou construindo um legado de tecelagem, capacitação e produção ecologicamente correta”, diz <a href="https://theyouthcan.org/about-mentor/maya-rai">Maya Rai</a>, CEO do Nepal Knotcraft Center. “O uso de jacintos-de-água fornece uma fonte sustentável de fibra, ao mesmo tempo que é ecologicamente benéfico&#8221;.</p>
<p>O Nepal Knotcraft Center foi fundado em 1984 pelo empresário <a href="https://archive.nepalitimes.com/news.php?id=19062">Shyam Badan Shrestha</a> para <a href="https://english.onlinekhabar.com/shyam-badan-shrestha-entrepreneurship.html">incentivar</a> grupos de mulheres locais a buscar usos inovadores e sustentáveis dos materiais nepaleses locais para tecer produtos para venda no Nepal e no exterior.</p>
<div class="factbox">
<h4>Leia Mais: <a href="https://globalvoices.org/2023/07/28/sustainable-innovations-dang-nepal-turns-dung-into-energy/">Inovações sustentáveis, Dang, nm Nepal, converte esterco em energia</a></h4>
</div>
<p>A própria Maya Rai (foto abaixo) é filha de um tecelão do distrito de Dhankuta e passou o início da sua infância em uma fazenda, antes de conhecer sua segunda família e se mudar para Katmandu. A paixão de Rai pela tecelagem e pelo artesanato a acompanhou, impulsionando sua formação em administração.</p>
<div id="attachment_808133" style="width: 1200px" class="wp-caption aligncenter"><a href="https://nepalitimes.com/here-now/weaving-nature-into-craft"><img loading="lazy" decoding="async" aria-describedby="caption-attachment-808133" class="size-featured_image_huge wp-image-808133" src="https://globalvoices.org/wp-content/uploads/2024/03/waterhyacinth2-1200x675.jpg" alt="Image via Nepali Times, used with permission." width="1200" height="675" /></a><p id="caption-attachment-808133" class="wp-caption-text">Imagem por <a href="https://nepalitimes.com/here-now/weaving-nature-into-craft">Nepali Times</a>. Usada sob permissão.</p></div>
<p>Atualmente, ela trabalha com grupos de tecelagem de comunidades indígenas em todo o Nepal, elevando sistemas de conhecimento tradicionais e levando os produtos ao mercado global. Ela também presta consultoria para programas criativos de economia verde e orienta projetos de empreendedorismo sustentável para jovens.</p>
<p>Rai está sempre buscando introduzir materiais criativos e sustentáveis no mundo do artesanato. Amostras de sálvia, cardamomo, casca de milho, taboa, agulhas de pinheiro e jacinto-de-água estão penduradas nas paredes de seu escritório na zona industrial de Patan. Embora comuns na história do artesanato, esses materiais são negligenciados em muitos ambientes de fabricação.</p>
<div class="factbox">
<h4>Leia Mais: <a href="https://globalvoices.org/2023/01/13/money-may-not-grow-on-trees-but-in-nepal-it-grows-on-bushes/">Dinheiro pode não crescer em árvores, mas no Nepal cresce em arbustos</a></h4>
</div>
<p>Como resultado, o conhecimento sobre como trabalhá-los está desaparecendo, mas a necessidade de materiais orgânicos está aumentando na arquitetura de ponta, no design de produtos e nas bibliotecas de materiais, que procuram opções sustentáveis.</p>
<p>O acesso ao jacinto-de-água é complexo, diz Rai. Não só a colheita em si é difícil, mas ela tem que navegar por uma rede de partes envolvidas para obter jacintos-de-água de várias zonas úmidas, incluindo a <a href="https://en.wikipedia.org/wiki/Koshi_Tappu_Wildlife_Reserve">Reserva de Vida Selvagem Kosi Tappu</a>, na região de Terai, no leste do Nepal, com extensão de 176 quilômetros quadrados de zonas úmidas. <a href="https://archive.nepalitimes.com/news.php?id=19647">Os cursos de água estão completamente obstruídos</a> por jacintos, portanto, removê-los para tecer produtos comercializáveis é uma situação em que todos ganham.</p>
<div id="attachment_808135" style="width: 1200px" class="wp-caption aligncenter"><a href="https://nepalitimes.com/here-now/weaving-nature-into-craft"><img loading="lazy" decoding="async" aria-describedby="caption-attachment-808135" class="size-featured_image_huge wp-image-808135" src="https://globalvoices.org/wp-content/uploads/2024/03/waterhyacinth3-1200x675.jpg" alt="Image via Nepali Times. Used with permission" width="1200" height="675" /></a><p id="caption-attachment-808135" class="wp-caption-text">Imagem por <a href="https://nepalitimes.com/here-now/weaving-nature-into-craft">Nepali Times</a>. Usada sob permissão.</p></div>
<p>Depois de mais de uma década de trabalho, Rai está próxima dos líderes da Floresta Comunitária Kosi Tappu, que apoiaram a sua proposta. O papel de Rai era o de negociar, fazendo a ponte entre os tecelões e a burocracia. Sua capacidade de abrir espaço para inovações nos sistemas tradicionais de artesanato decorre de sua experiência pessoal.</p>
<p>Ao obter permissões da <a href="https://www.groundupconservation.com/2022/02/22/koshi-tappu-a-wetland-haven-and-its-people/">Reserva</a>, ela reduz a distância entre a obtenção e o processamento de materiais, um elemento crucial para tornar a tecelagem lucrativa para o coletivo em Kosi Tappu. Depois que Rai ajudou a abrir caminho, o grupo, formado principalmente por mulheres, começou a obter, colher, processar e enviar jacinto-de-água para o centro de tecelagem em Katmandu, onde essa erva é agora transformada em esteiras, cestos e itens decorativos.</p>
<div id="attachment_808136" style="width: 1200px" class="wp-caption aligncenter"><a href="https://nepalitimes.com/here-now/weaving-nature-into-craft"><img loading="lazy" decoding="async" aria-describedby="caption-attachment-808136" class="size-featured_image_huge wp-image-808136" src="https://globalvoices.org/wp-content/uploads/2024/03/waterhyacinth4-1200x675.jpg" alt="Image via Nepali Times. Used with permission" width="1200" height="675" /></a><p id="caption-attachment-808136" class="wp-caption-text">Imagem por Nepali Times. Usada sob permissão.</p></div>
<p>O trabalho de Maya Rai é combinar duas ideias simples e sustentáveis: usar tecidos orgânicos como alternativa aos materiais plásticos e sintéticos, que tem sido a marca registrada da NKC, e remover espécies invasoras ao fazer isso. Com a aquisição de uma cesta de jacinto-de-água, o consumidor tem uma opção biodegradável e, ao mesmo tempo, promove uma produção restauradora que limpa os cursos de água naturais.</p>
<div class="contributors">Viola Bordon é pesquisadora da Fulbright e estuda materiais por meio de escultura na Escola de Arte da Universidade de Kathmandu.</div>
<div class='gv-rss-footer'><strong><div class='text-credits-container'><div class='text-credits-section'><span class='credit-label'>Written (English) by</span> <a href='https://globalvoices.org/author/nepalitimes/' class='user-link'>Nepali Times</a></div><div class='text-credits-section'><span class='credit-label'>Translated (Português) by</span> <a href='https://pt.globalvoices.org/author/juliana-stroebel/' class='user-link'>Juliana Stroebel</a></div></div><span class='source-link'><a href='https://globalvoices.org/2024/03/29/solving-the-invasive-aquatic-weeds-problem-in-nepal/'>Veja o post original (English)</a></span></strong></div>]]></content:encoded>
					
		
		
		<media:content url="https://globalvoices.org/wp-content/uploads/2024/03/waterhyacinth4-400x300.jpg" medium="image" width='270' height='202'	/>	</item>
		<item>
		<title>Premiado, documentário ‘O Território’ narra luta e resiliência de indígenas brasileiros</title>
		<link>https://pt.globalvoices.org/2024/01/16/premiado-documentario-o-territorio-narra-luta-e-resiliencia-de-indigenas-brasileiros/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Amazônia Real]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 16 Jan 2024 17:55:56 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[América Latina]]></category>
		<category><![CDATA[Arte e Cultura]]></category>
		<category><![CDATA[Ativismo Digital]]></category>
		<category><![CDATA[Brasil]]></category>
		<category><![CDATA[Destaque]]></category>
		<category><![CDATA[Indígenas]]></category>
		<category><![CDATA[Meio Ambiente]]></category>
		<category><![CDATA[Mídia Cidadã]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://pt.globalvoices.org/?p=109685</guid>

					<description><![CDATA[O filme narra a luta dos indígenas da etnia Uru-Eu-Wau-Wau, no estado de Rondônia, Norte do Brasil, para defender o território do desmatamento e invasões, sob ameaças de grileiros e fazendeiros]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p><big class='tagline'><em>A produção venceu categoria do Emmy, prêmio internacional de televisão</em></big></p><div id="attachment_109688" style="width: 800px" class="wp-caption aligncenter"><img loading="lazy" decoding="async" aria-describedby="caption-attachment-109688" class="size-large wp-image-109688" src="https://pt.globalvoices.org/wp-content/uploads/2024/01/territorio-800x450.webp" alt="" width="800" height="450" srcset="https://pt.globalvoices.org/wp-content/uploads/2024/01/territorio-800x450.webp 800w, https://pt.globalvoices.org/wp-content/uploads/2024/01/territorio-400x225.webp 400w, https://pt.globalvoices.org/wp-content/uploads/2024/01/territorio-1200x675.webp 1200w, https://pt.globalvoices.org/wp-content/uploads/2024/01/territorio.webp 1536w" sizes="auto, (max-width: 800px) 100vw, 800px" /><p id="caption-attachment-109688" class="wp-caption-text">Na cerimônia do prêmio, Neidinha e membros da equipe, entre eles Bitaté-Uru-Eu-Wau-Wau e Txai Suruí | Foto: Divulgação</p></div>
<p><em>Essa reportagem, escrita por Leanderson Lima, foi publicada originalmente no <a href="https://amazoniareal.com.br/o-territorio-premiado-no-emmy-wards/">site da Amazônia Real</a> no dia 11 de janeiro de 2024. Ela é republicada aqui em um acordo de parceria com o Global Voices, com edições.</em></p>
<p>A história de Bitaté-Uru-Eu-Wau-Wau e <a href="https://amazoniareal.com.br/neidinha-artista-mundano-e-indigenas-sofrem-emboscada-no-burareiro/">Ivaneide Bandeira</a>, conhecida como Neidinha Suruí, e a luta deles contra o desmatamento na Amazônia, contada no documentário “<a href="https://amazoniareal.com.br/doc-o-territorio/">O Território</a>”, ganhou o mundo e agora um prêmio Emmy.</p>
<p>O filme foi <a href="https://g1.globo.com/ro/rondonia/noticia/2024/01/08/o-territorio-documentario-filmado-em-rondonia-vence-emmy-2023.ghtml">premiado</a> na categoria Mérito excepcional na produção de documentários, no Creative Arts Emmy Awards, que premia categorias técnicas e especiais de séries e programas, no dia 7 de janeiro.</p>
<p>Na cerimônia além de Neidinha e Bitaté, subiram ao palco a ativista indígena Txai Suruí, produtora executiva e filha de Neidinha, e o diretor do filme, o norte-americano Alex Pritz, além de outros membros da equipe.</p>
<p>Para receber a estatueta em Los Angeles, Neidinha, 63 anos, enfrentou uma odisseia de mais de 40 horas de viagem desde seu território, no estado de Rondônia, até a Califórnia.</p>
<p>“Quando anunciaram [que ganhamos], a gente não acreditou. Ficamos chocados. Não conseguimos chorar porque estávamos em choque”, lembra a indigenista.</p>
<p>“[No discurso], falei sobre a importância desse filme para a nossa luta, para a luta dos povos indígenas de todo mundo, em especial do Brasil, de Rondônia, e da importância deste prêmio para o cinema brasileiro, para o cinema indígena”.</p>
<p>O documentário “O Território”, disponível no streaming Disney+, ganhou vários prêmios desde o seu lançamento. Antes do Emmy, <a href="https://amazoniareal.com.br/doc-o-territorio/">venceu</a> no Festival Sundance de 2023 prêmios do Público e Especial do Júri.</p>
<p>Para Neidinha, as premiações serviram para “furar a bolha”:</p>
<blockquote><p>É uma vitória da luta da gente, da luta por direitos humanos e pela natureza, pela defesa da floresta contra o desmatamento, é a luta contra o marco temporal. A gente chegou muito longe. A gente vê pessoas dentro do avião conversando sobre o filme, querendo saber sobre a nossa luta. Pessoas que a gente nunca tinha visto falando sobre a nossa causa e comemorando. Às vezes, filmes como esse atingem um nicho, uma bolha, mas ‘O Território’ fez a gente furar a bolha.</p></blockquote>
<p>Entre os produtores do filme está o cineasta Darren Aronofsky, diretor de “<a href="https://www.imdb.com/title/tt13833688/">A Baleia</a>” (2022).</p>
<h4>Equipe indígena</h4>
<p>O filme narra a história de luta dos indígenas da etnia Uru-Eu-Wau-Wau, do estado de Rondônia, no Norte do Brasil, para defender o território contra invasões, sob ameaças de grileiros e fazendeiros.</p>
<p>Ele mostra a <a href="https://amazoniareal.com.br/guerreiros-uru-eu-wau-wau-relatam-como-expulsaram-grileiros-da-terra-indigena/">apreensão dos indígenas</a> em situações de perigo para a floresta e para as comunidades, além de momentos da rotina da aldeia Uru-Eu. Um dos momentos mais marcantes são as imagens com o líder Ari Uru-Eu-Wau-Wau, <a href="https://amazoniareal.com.br/pf-prende-assassino-de-ari-uru-eu-wau-wau-em-rondonia/">assassinado</a> em abril de 2020.</p>
<p>As gravações ocorreram em um dos períodos mais sombrios da história recente do Brasil, durante o governo de Jair Messias Bolsonaro (2019-2022), que implementou no país uma <a href="https://www.cnnbrasil.com.br/nacional/dossie-acusa-governo-de-promover-politica-anti-indigenista-na-funai/">política considerada anti-indígena</a>, com a <a href="https://www.cartacapital.com.br/politica/nenhum-centimetro-de-terra-indigena-como-o-governo-bolsonaro-agiu-para-cumprir-promessa/">promessa</a> de não regulamentar um território indígena sequer, durante sua presidência.</p>
<p>Foi durante a gestão de Bolsonaro que explodiu o <a href="https://oeco.org.br/noticias/invasoes-de-terras-indigenas-cresceram-252-sob-bolsonaro/">número de invasões</a> em territórios indígenas em todo o país, além do <a href="https://piaui.folha.uol.com.br/como-bolsonaro-rifou-o-meio-ambiente/">desmonte de políticas ambientais</a>. Em Rondônia, onde se passa o filme, Bolsonaro teve <a href="https://exame.com/brasil/eleicoes-2022-presidente-bolsonaro-primeiro-lugar-rondonia/">70% dos votos válidos</a> na eleição vencida pelo atual presidente Luiz Inácio Lula da Silva.</p>
<p>A obra foi filmada durante a pandemia da Covid-19, que só no Brasil vitimou mais de 700 mil pessoas. Como não se podia entrar em áreas indígenas durante este período, os próprios indígenas foram os responsáveis pelas filmagens.</p>
<p>Neidinha contou à Amazônia Real que os equipamentos para as gravações eram deixados na divisa do território, em sacos plásticos, e tudo era desinfetado para evitar riscos de contágio. Os indígenas recebiam orientação online sobre como operar os equipamentos, além de receber instruções sobre o que filmar.</p>
<p>“O Bitaté [líder indígena] falou: ‘Olha, a gente sabe fazer melhor que isso, então vamos fazer do nosso jeito’,” diz Neidinha.</p>
<p>“O Território” narra ameaças e pressões sofridas pelos indígenas Uru-Eu-Wau-Wau que, em um cenário de ausência do Estado, resolvem criar um grupo para defender o próprio território de ameaças externas.</p>
<p>Os protagonistas da história são o jovem líder indígena Bitaté-Uru-Eu-Wau-Wau, de 23 anos, e a ativista Neidinha, a quem Bitaté considera como a sua segunda mãe.<br />
Neidinha lembra que nem ela ou Bitaté imaginavam que o documentário fosse chegar tão longe:</p>
<blockquote><p>O Bitaté me disse certa vez: ‘Mãe, eu achava que o povo nem ia nos assistir. Achei que não ia dar em nada o nosso filme’. A gente achava que seria só mais um documentário, que para nós seria importante, mas talvez não para o resto do mundo. E foi legal porque a National Geographic comprou o filme e a gente ficou de cara [espantados]. Andamos por vários países apresentando o documentário, palestrando, falando sobre a causa indígena, em pleno período Bolsonaro e de pandemia.</p></blockquote>
<h4>Celebração</h4>
<p>Txai Suruí, filha dela e ativista de voz ativa em movimentos indígenas, escreveu em uma postagem no seu <a href="https://www.instagram.com/kanindebrazil/p/C11ugRrA2Lk/?img_index=1">Instagram</a> que a vitória no Emmy foi a “celebração e reconhecimento das vozes e das narrativas em defesa dos territórios, da resistência e luta que permeia a vida dos povos indígenas do Brasil”.</p>
<blockquote class="instagram-media" style="background: #FFF; border: 0; border-radius: 3px; box-shadow: 0 0 1px 0 rgba(0,0,0,0.5),0 1px 10px 0 rgba(0,0,0,0.15); margin: 1px; max-width: 540px; min-width: 326px; padding: 0; width: calc(100% - 2px);" data-instgrm-captioned="" data-instgrm-permalink="https://www.instagram.com/p/C11ugRrA2Lk/?utm_source=ig_embed&amp;utm_campaign=loading" data-instgrm-version="14">
<div style="padding: 16px;">
<p>&nbsp;</p>
<div style="display: flex; flex-direction: row; align-items: center;">
<div style="background-color: #f4f4f4; border-radius: 50%; flex-grow: 0; height: 40px; margin-right: 14px; width: 40px;"></div>
<div style="display: flex; flex-direction: column; flex-grow: 1; justify-content: center;">
<div style="background-color: #f4f4f4; border-radius: 4px; flex-grow: 0; height: 14px; margin-bottom: 6px; width: 100px;"></div>
<div style="background-color: #f4f4f4; border-radius: 4px; flex-grow: 0; height: 14px; width: 60px;"></div>
</div>
</div>
<div style="padding: 19% 0;"></div>
<div style="display: block; height: 50px; margin: 0 auto 12px; width: 50px;"></div>
<div style="padding-top: 8px;">
<div style="color: #3897f0; font-family: Arial,sans-serif; font-size: 14px; font-style: normal; font-weight: 550; line-height: 18px;">Ver essa foto no Instagram</div>
</div>
<div style="padding: 12.5% 0;"></div>
<div style="display: flex; flex-direction: row; margin-bottom: 14px; align-items: center;">
<div>
<div style="background-color: #f4f4f4; border-radius: 50%; height: 12.5px; width: 12.5px; transform: translateX(0px) translateY(7px);"></div>
<div style="background-color: #f4f4f4; height: 12.5px; transform: rotate(-45deg) translateX(3px) translateY(1px); width: 12.5px; flex-grow: 0; margin-right: 14px; margin-left: 2px;"></div>
<div style="background-color: #f4f4f4; border-radius: 50%; height: 12.5px; width: 12.5px; transform: translateX(9px) translateY(-18px);"></div>
</div>
<div style="margin-left: 8px;">
<div style="background-color: #f4f4f4; border-radius: 50%; flex-grow: 0; height: 20px; width: 20px;"></div>
<div style="width: 0; height: 0; border-top: 2px solid transparent; border-left: 6px solid #f4f4f4; border-bottom: 2px solid transparent; transform: translateX(16px) translateY(-4px) rotate(30deg);"></div>
</div>
<div style="margin-left: auto;">
<div style="width: 0px; border-top: 8px solid #F4F4F4; border-right: 8px solid transparent; transform: translateY(16px);"></div>
<div style="background-color: #f4f4f4; flex-grow: 0; height: 12px; width: 16px; transform: translateY(-4px);"></div>
<div style="width: 0; height: 0; border-top: 8px solid #F4F4F4; border-left: 8px solid transparent; transform: translateY(-4px) translateX(8px);"></div>
</div>
</div>
<div style="display: flex; flex-direction: column; flex-grow: 1; justify-content: center; margin-bottom: 24px;">
<div style="background-color: #f4f4f4; border-radius: 4px; flex-grow: 0; height: 14px; margin-bottom: 6px; width: 224px;"></div>
<div style="background-color: #f4f4f4; border-radius: 4px; flex-grow: 0; height: 14px; width: 144px;"></div>
</div>
<p>&nbsp;</p>
<p style="color: #c9c8cd; font-family: Arial,sans-serif; font-size: 14px; line-height: 17px; margin-bottom: 0; margin-top: 8px; overflow: hidden; padding: 8px 0 7px; text-align: center; text-overflow: ellipsis; white-space: nowrap;"><a style="color: #c9c8cd; font-family: Arial,sans-serif; font-size: 14px; font-style: normal; font-weight: normal; line-height: 17px; text-decoration: none;" href="https://www.instagram.com/p/C11ugRrA2Lk/?utm_source=ig_embed&amp;utm_campaign=loading" target="_blank" rel="noopener">Uma publicação compartilhada por Kanindé (@kanindebrazil)</a></p>
</div>
</blockquote>
<p><script async src="//www.instagram.com/embed.js"></script></p>
<p>O diretor do filme, Alex Pritz, também comentou sobre a conquista do Emmy, ao site <a href="https://deadline.com/2024/01/creative-arts-emmys-the-territory-exceptional-merit-in-documentary-filmmaking-award-1235698731/">Deadline</a>:</p>
<blockquote><p>To receive the recognition of our peers, alongside such an incredible group of nominees, is an unbelievable honor. We share this award with communities around the world who are standing up in defense of our planet’s continued habitability and fighting for a better future.</p></blockquote>
<blockquote class="translation"><p>Receber o reconhecimento de nossos pares, ao lado de um grupo tão incrível de indicados, é uma honra inacreditável. Dividimos este prêmio com comunidades de todo o mundo que se levantam em defesa da habitabilidade contínua do nosso planeta e lutando por um futuro melhor.</p></blockquote>
<p>Bitaté-Uru-Eu-Wau-Wau disse, também em seu perfil no <a href="https://www.instagram.com/reel/C102GSgtF0E/?igsh=aWRycmo4aWhtYTJt">Instagram</a>:</p>
<blockquote><p>Ganhamos, meu povo merece, principalmente minha comunidade, meu povo Uru-Eu-Wau-Wau, minha associação de Paú, trabalho que não é só meu, é nosso! Estou muito feliz por isso, representando minhas lideranças e é isso. Vencemos e tem mais por vir futuramente.</p></blockquote>
<p>Por ser filho de mãe do povo Juma e de pai do povo Uru-Eu-Wau-Wau, Bitaté divide-se entre os dois territórios – um em Rondônia e outro no sul do estado do Amazonas. Ele é neto de Aruká Juma, um dos últimos de sua etnia. Mesmo com pouca idade, tornou-se liderança de seu povo.. Em 2021, como parte do grupo indígenas que fizeram parte do <a href="https://amazoniareal.com.br/jovens-cidadaos/">blog Jovens Cidadãos</a>, ele <a href="https://amazoniareal.com.br/jovens-cidadaos/meus-avos-warina-uru-eu-wau-wau-e-aruka-juma/">escreveu sobre a relação com os avós</a>.</p>
<p>O Jovens Cidadãos é um projeto criado pela Amazônia Real, iniciado nos anos de 2018 e 2019, e que resultou em uma <a href="https://amazoniareal.com.br/jovens-cidadaos/amazonia-real-lanca-blog-para-jovens-comunicadores-indigenas-26-10-2020/">seção no site da agência</a>, no qual as próprias jovens lideranças narravam sua realidade.</p>
<h4>Inspiração para a vida</h4>
<p>Neidinha é uma das fundadoras da Associação de Defesa Etnoambiental Kanindé, uma das organizações mais reconhecidas do país em defesa dos povos indígenas. Ela nasceu no estado do Acre e chegou em Rondônia com cerca de seis meses de vida. A mudança se deu porque o pai dela começou a trabalhar em um seringal dentro de onde hoje é a Terra Indígena Uru-Eu-Wau-Wau. Daí a proximidade com o povo indígena daquela etnia.</p>
<p>Ela saiu do território aos 12 anos para estudar. Em revistas, aprendeu a ler sobre o velho oeste americano, e diz que vê o retrato daquelas histórias se repetir, de certa forma, no Brasil de hoje:</p>
<blockquote><p>Na literatura os indígenas sempre eram mortos e os coronéis eram os ‘heróis’ para o avanço do Oeste, o que para mim é muito parecido com o avanço da colonização do Brasil. O avanço na Amazônia, não é diferente do faroeste americano”.</p></blockquote>
<p>A ativista conta que o sucesso de “O Território” trouxe mais trabalho, mas também ameaças. Apesar disso, ressalta que o filme não cria heróis ou vilões.</p>
<blockquote><p>Eu não queria um filme onde a gente fosse herói e o outro lado bandido. A gente queria a realidade. O filme consegue ver tanto a pressão em cima do povo indígena quanto a pressão em cima do pobre que é usado, manipulado para grilar terra para o grande ir tomar.</p>
<p>Fortaleceu em mim a certeza que não estou errada na minha luta, porque tem momentos que tu estás tão ameaçado, tão pressionado, que você pensa em maneirar, mas a reação das pessoas em todo o mundo fortaleceu as nossas convicções.</p></blockquote>
<div class='gv-rss-footer'><strong><div class='text-credits-container'><div class='text-credits-section'><span class='credit-label'>Escrito por</span> <a href='https://pt.globalvoices.org/author/amazonia-real/' class='user-link'>Amazônia Real</a></div></div></strong></div>]]></content:encoded>
					
		
		
		<media:content url="https://pt.globalvoices.org/wp-content/uploads/2024/01/territorio-400x300.webp" medium="image" width='270' height='202'	/>	</item>
		<item>
		<title>O que cientistas e pesquisadores dizem da seca histórica na Amazônia brasileira</title>
		<link>https://pt.globalvoices.org/2023/10/24/o-que-cientistas-e-pesquisadores-dizem-da-seca-historica-na-amazonia-brasileira/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Amazônia Real]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 24 Oct 2023 18:34:52 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[América Latina]]></category>
		<category><![CDATA[Brasil]]></category>
		<category><![CDATA[Ciência]]></category>
		<category><![CDATA[Meio Ambiente]]></category>
		<category><![CDATA[Mídia Cidadã]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://pt.globalvoices.org/?p=108663</guid>

					<description><![CDATA[O que está acontecendo na Amazônia? Por que o clima na maior floresta tropical do mundo dá sinais de esgotamento? A Amazônia Real procurou cientistas da região sobre como a ciência explica a seca histórica]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p><big class='tagline'><em>Ponto comum entre especialistas é que situação deve piorar</em></big></p><div id="attachment_108664" style="width: 800px" class="wp-caption aligncenter"><img loading="lazy" decoding="async" aria-describedby="caption-attachment-108664" class="size-large wp-image-108664" src="https://pt.globalvoices.org/wp-content/uploads/2023/10/AR_seca-800x449.webp" alt="" width="800" height="449" srcset="https://pt.globalvoices.org/wp-content/uploads/2023/10/AR_seca-800x450.webp 800w, https://pt.globalvoices.org/wp-content/uploads/2023/10/AR_seca-400x225.webp 400w, https://pt.globalvoices.org/wp-content/uploads/2023/10/AR_seca-1200x675.webp 1200w, https://pt.globalvoices.org/wp-content/uploads/2023/10/AR_seca.webp 1536w" sizes="auto, (max-width: 800px) 100vw, 800px" /><p id="caption-attachment-108664" class="wp-caption-text">Na imagem acima, pescadores da Colônia Antônio Aleixo caminham pelo canal do igarapé de acesso ao lago, em Manaus Foto: Alberto César Araújo/Amazônia Real</p></div>
<p><em>Esse texto foi escrito por Wérica Lima, e publicado originalmente e na íntegra no <a href="https://amazoniareal.com.br/ciencia-explica-seca-historica/">site da Amazônia Real</a>, em 6 de outubro de 2023. Ele é republicado aqui, com edições, através de acordo de parceria com o Global Voices.</em></p>
<p>Setembro, com dias marcados pelo cheiro de queimada e neblina seca, foi o segundo mês com mais focos de calor na <a href="https://www.ibge.gov.br/geociencias/cartas-e-mapas/mapas-regionais/15819-amazonia-legal.html">Amazônia Legal</a> nos últimos 25 anos. No início de outubro, Manaus, no Amazonas, registrou 39,2ºC, superando recorde de três décadas. Oito estados da Amazônia Legal enfrentam a mais severa seca dos últimos 40 anos. No rio Amazonas, o nível da água desce cerca de 14 centímetros por dia, segundo <a href="https://www.sgb.gov.br/sace/boletins/Amazonas/20231006_15-20231006%20-%20150321.pdf">boletim</a> do Serviço Geológico do Brasil. Rios e igarapés desaparecem por toda parte, transformando por completo a paisagem.</p>
<p>O que está acontecendo na Amazônia? Por que o clima na maior floresta tropical do mundo dá sinais de esgotamento? Para responder a essas e outras questões, a <strong>Amazônia Real</strong> procurou cientistas da região sobre como a ciência explica a seca histórica. Em comum, eles alertam: vai piorar.</p>
<p>“A tendência é que vai se agravar, tanto no decorrer do atual evento como na frequência e intensidade de eventos desse tipo no futuro”, explica Philip Martin Fearnside, prêmio <a href="https://www.nobelprize.org/prizes/peace/2007/summary/">Nobel da Paz</a> com o IPCC (Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas) em 2007 e colunista da Amazônia Real.</p>
<p>“É uma seca anômala, e de fato só está começando. Então, ela pode ficar ainda pior”, atesta Ane Alencar, diretora de Ciência do <a href="https://ipam.org.br/o-ipam/proposito/">Ipam</a> (Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia) e coordenadora do <a href="https://brasil.mapbiomas.org/metodo-mapbiomas-fogo/">MapBiomas Fogo</a>.</p>
<p>O estado do Amazonas encontra-se em situação de “emergência ambiental” em 55 dos 62 municípios desde 30 de setembro, segundo a <a href="https://www.defesacivil.am.gov.br/wilson-lima-anuncia-novas-medidas-para-enfrentamento-da-estiagem-e-decreta-situacao-de-emergencia-no-estado/">Defesa Civil</a>. O governo estadual instituiu um decreto de estado de emergência válido por 180 dias. O governo do estado vizinho, Acre, decretou situação de emergência nesta sexta-feira (6), por causa da “diminuição abrupta” de sete rios.</p>
<p>De acordo com o Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden), o aumento da temperatura e a redução na umidade dos solos amazônicos já afetam áreas destinadas para a agricultura e a pecuária em 79 municípios.</p>
<p>Philip Fearnside lembra do período de 2015-2016, quando o mesmo fenômeno <a href="https://pt.wikipedia.org/wiki/El_Ni%C3%B1o">El Niño</a> produziu cenas semelhantes às atuais, com animais morrendo dentro dos rios quentes e escassez de oxigênio. Ele alerta que, desta vez, as temperaturas estão mais altas, conforme o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet).</p>
<h4>Calor prolongado</h4>
<p>Apesar do nível do rio Amazonas e do rio Negro, um de seus afluentes, estarem extremamente baixos, mais do que o esperado para essa época, não há uma previsão para a água começar a subir, o que geralmente começa no fim do ano na Amazônia.</p>
<p>O Cemaden, unidade de pesquisa do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação, prevê que a seca na Amazônia deve durar pelo menos até dezembro, quando o fenômeno El Niño atingirá a máxima intensidade. Segundo um estudo do órgão, o déficit de chuvas entre julho e setembro registrado em 2023 na região foi o mais severo desde 1980, atingindo principalmente o interior do Amazonas e o norte do Pará.</p>
<p>Ainda em julho, a Amazônia Real <a href="https://amazoniareal.com.br/el-nino-pode-potencializar-fogo-na-amazonia/">reportou</a> os alertas de pesquisadores sobre a possibilidade do El Niño potencializar o fogo na Amazônia.</p>
<h4>Ebulição no Amazonas</h4>
<p>A <a href="https://g1.globo.com/meio-ambiente/noticia/2023/08/08/julho-foi-o-mes-mais-quente-ja-registrado-no-planeta.ghtml">ebulição global,</a> um termo usado pelo secretário da Organização das Nações Unidas (ONU) para elucidar a gravidade do momento atual, é vívida no Amazonas, no topo entre os oito estados da Amazônia Legal afetados pela seca severa. Vídeos, fotos e publicações registram a mortandade de peixes pela crise climática.</p>
<p>No Lago Tefé, no município de Tefé (Amazonas), na região do Médio Rio Solimões, onde há a <a href="https://pt.wikipedia.org/wiki/Reserva_de_Desenvolvimento_Sustent%C3%A1vel_Mamirau%C3%A1#:~:text=Trata%2Dse%20da%20maior%20reserva,%C3%A0%20prote%C3%A7%C3%A3o%20da%20v%C3%A1rzea%20amaz%C3%B4nica.&amp;text=Est%C3%A1%20localizada%20a%20cerca%20de,Uarini%2C%20Fonte%20Boa%20e%20Mara%C3%A3.">maior reserva florestal do Brasil dedicada à proteção da várzea amazônica</a>, mais de 120 botos morreram. Equipes de pesquisadores do Instituto de Desenvolvimento Sustentável Mamirauá, incluindo veterinários e biólogos, conjecturam que as causas são falta de oxigênio e calor extremo, porém mais estudos serão desenvolvidos para investigar as causas.</p>
<p>“Todos os lagos da região estão sofrendo com a seca, embora não tenham apresentado a mortandade de botos. Essa mortalidade extraordinária está relacionada a mudanças climáticas, efeitos do El Nino e à seca extrema”, diz a pesquisadora Miriam Marmontel, líder do grupo de pesquisa em Mamíferos Aquáticos Amazônicos do Instituto Mamirauá.</p>
<p>Miriam e sua equipe estudam também a possibilidade de outros fatores terem contribuído para a morte dos animais, como a própria poluição e concentração de dejetos. Não há, até o momento, registros de mortes em outras áreas da bacia do Médio Solimões.</p>
<p>Em relato à Amazônia Real, ela diz que os impactos vão muito além do que a mortalidade dos botos, e envolvem toda fauna, flora e os ribeirinhos com a escassez de água, dificuldade de transporte e deslocamento, potencialização de queimadas e geração de fumaça.</p>
<p>“A situação em Tefé está crítica, e já em estado de alerta. Os níveis d’água estão muito baixos, a superfície do lago foi reduzida consideravelmente, barcos recreios já não conseguem chegar ao porto e o abastecimento está ficando comprometido. Comunidades estão ficando isoladas e com dificuldade de coletar água”, contou a pesquisadora. Barco recreio é o nome local de embarcações usadas para transporte de passageiros.</p>
<h4>Efeito cascata</h4>
<p>Fearnside também afirma que o calor vem sendo agravado pelas queimadas e incêndios florestais. No mês de setembro de 2023, foram registrados 6.991 focos, a segunda pior marca desde que o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) começou o monitoramento de incêndios florestais em 1998, perdendo somente para a marca do ano passado (8.659). A qualidade do ar encontra-se em estado “péssimo”, o mais grave de todos, conforme o <a href="https://www.appselva.com.br/">aplicativo de monitoramento “Selva”</a>, da Universidade Estadual do Amazonas (UEA).</p>
<p>O fenômeno El Niño associado às queimadas e desmatamento é uma preocupação a mais neste período, pois a poluição gera um ciclo de decadência que piora e até inibe as chuvas na região. Outro fenômeno climático que agravou ainda mais a situação é o aquecimento do oceano Atlântico Tropical Norte.</p>
<p>“A fumaça provocada pelas queimadas afetam as chuvas de várias formas, uma delas é que as queimadas estão associadas ao desmatamento, então quando se derruba a mata nativa, você está tirando as árvores que são bombas de água e que ficam jogando vapor para atmosfera, ali você já tem um impacto na redução de chuva”, explica Ane Alencar.</p>
<p>A pesquisadora lembra que ambientes secos só tendem a agravar os incêndios florestais. “O que temos visto é que essa situação do El Niño e do aquecimento global tem uma sinergia muito forte e a tendência é que esses eventos se tornem mais frequentes”, diz a pesquisadora.</p>
<p>A região mais afetada pela seca extrema é o norte da Amazônia e, mais especificamente, na calha do rio Amazonas. É lá que, alerta Ane, estão as áreas com maior necessidade de atenção com relação às queimadas e à qualidade do ar.</p>
<p>“Todo mundo estava ciente que o <a href="https://pt.wikipedia.org/wiki/El_Ni%C3%B1o">El Niño</a> estava se instalando e todo mundo sabe que ele traz seca para a Amazônia. Fica de alerta para os agentes governamentais”, avisa ela.</p>
<p>A Amazônia Real procurou a Secretaria de Meio Ambiente do Amazonas, a Defesa Civil e a Secretaria de Comunicação do estado solicitando dados e respostas referentes à crise ambiental na região. Nenhum dos órgãos retornou até a publicação.</p>
<h4>Impactos socioambientais</h4>
<p>Jesem Orellana, epidemiologista da Fiocruz Amazônia, já havia alertado no início de setembro, em <a href="https://amazoniareal.com.br/fumaca-das-queimadas-atinge-manaus/">entrevista à Amazônia Real</a>, sobre os males que as fumaças trazem para a população e o que podia se esperar com a intensificação da crise climática.</p>
<p>Entre as doenças, o epidemiologista destaca, em nova entrevista à agência, o surgimento de pessoas com doenças como asma, bronquite, enfisema pulmonar, idosos e crianças com desidratação, irritação em olhos e garganta. Já a escassez de água potável pode resultar em doenças evitáveis (leptospirose, hepatite A, doença diarreica, disenteria e parasitismo intestinal) e o agravamento de complicações de doenças cardiovasculares e pressão alta.</p>
<p>“Serão justamente os que pouco ou quase nada contribuíram para essa crise climática os mais penalizados. É desumano, cruel e injusto ver essas pessoas adoecendo e morrendo por doenças plenamente evitáveis”, afirma Orellana.</p>
<div class='gv-rss-footer'><strong><div class='text-credits-container'><div class='text-credits-section'><span class='credit-label'>Escrito por</span> <a href='https://pt.globalvoices.org/author/amazonia-real/' class='user-link'>Amazônia Real</a></div></div></strong></div>]]></content:encoded>
					
		
		
		<media:content url="https://pt.globalvoices.org/wp-content/uploads/2023/10/AR_seca-400x300.webp" medium="image" width='270' height='202'	/>	</item>
		<item>
		<title>Pela primeira vez, Constituição Federal do Brasil é traduzida para uma língua indígena</title>
		<link>https://pt.globalvoices.org/2023/09/19/pela-primeira-vez-constituicao-federal-do-brasil-e-traduzida-para-uma-lingua-indigena/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Luís Gustavo Carmo]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 19 Sep 2023 13:54:02 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[América Latina]]></category>
		<category><![CDATA[Boas Notícias]]></category>
		<category><![CDATA[Brasil]]></category>
		<category><![CDATA[Destaque]]></category>
		<category><![CDATA[Educação]]></category>
		<category><![CDATA[História]]></category>
		<category><![CDATA[Indígenas]]></category>
		<category><![CDATA[Língua]]></category>
		<category><![CDATA[Mídia Cidadã]]></category>
		<category><![CDATA[Política]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://pt.globalvoices.org/?p=107832</guid>

					<description><![CDATA[Cauã Wirapayé, secretário-geral da Academia de Língua Nheengatu (ALN), um dos tradutores, conversou com o Global Voices sobre a nova versão do documento, sua importância e os desafios enfrentados: "Até onde, de verdade, a gente é protagonista?".]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p><big class='tagline'><em>O documento foi traduzido para o nheengatu, conhecido como &#8216;Língua Geral Amazônica&#8217;</em></big></p><div id="attachment_108192" style="width: 1920px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" aria-describedby="caption-attachment-108192" class="wp-image-108192 size-full" src="https://pt.globalvoices.org/wp-content/uploads/2023/09/CAPAS_GV-6.png" alt="Capa da Constituição Nheengatu" width="1920" height="1080" srcset="https://pt.globalvoices.org/wp-content/uploads/2023/09/CAPAS_GV-6.png 1920w, https://pt.globalvoices.org/wp-content/uploads/2023/09/CAPAS_GV-6-400x225.png 400w, https://pt.globalvoices.org/wp-content/uploads/2023/09/CAPAS_GV-6-800x450.png 800w, https://pt.globalvoices.org/wp-content/uploads/2023/09/CAPAS_GV-6-1536x864.png 1536w, https://pt.globalvoices.org/wp-content/uploads/2023/09/CAPAS_GV-6-1200x675.png 1200w" sizes="auto, (max-width: 1920px) 100vw, 1920px" /><p id="caption-attachment-108192" class="wp-caption-text">Capa da Constituição Nheengatu, que celebra a diversidade linguística indígena | Arte: Luís Gustavo Carmo/Global Voices</p></div>
<p>Em 1988, recém-saído de duas décadas de ditadura militar e com um novo Congresso Nacional eleito, o Brasil publicou uma nova <a href="https://pt.wikipedia.org/wiki/Constitui%C3%A7%C3%A3o_brasileira_de_1988">Constituição Federal</a>. Agora, 35 anos depois, o texto chega pela primeira vez a uma língua indígena.</p>
<p>O processo de tradução envolveu quinze linguísticos indígenas e resultou na <a href="https://www.stf.jus.br/arquivo/cms/noticiaNoticiaStf/anexo/ConstituicaoNheengatu_WEB1.pdf">Constituição Nheengatu</a>, lançada no final de julho em São Gabriel da Cachoeira. O município do estado do Amazonas, região norte, é considerado o mais indígena do país, com <a href="https://oglobo.globo.com/brasil/sao-gabriel-da-cachoeira-no-amazonas-nomeada-capital-estadual-dos-povos-indigenas-25368465">90% da população</a> composta por indígenas e com o <a href="https://g1.globo.com/Noticias/Brasil/0,,AA1346303-5598,00-MUNICIPIO+DO+AMAZONAS+OFICIALIZA+LINGUAS+INDIGENAS.html#:~:text=O%20prefeito%20de%20S%C3%A3o%20Gabriel,munic%C3%ADpio%2C%20ao%20lado%20do%20portugu%C3%AAs.">nheengatu entre suas línguas oficiais</a>.</p>
<p>O lançamento da versão traduzida da Constituição celebra a diversidade linguística dos povos tradicionais e é um marco para a <a href="https://www.ihu.unisinos.br/categorias/616558-unesco-inicia-decada-internacional-das-linguas-indigenas">Década Internacional das Línguas Indígenas</a> (2022-2032) da Organização das Nações Unidas (ONU).</p>
<p>O Brasil tem como idioma oficial o <a href="https://www.ufmg.br/espacodoconhecimento/idiomas-no-brasil/">português</a>, herança da colonização por Portugal, mas registrava <a href="https://www.gov.br/funai/pt-br/assuntos/noticias/2022-02/brasil-registra-274-linguas-indigenas-diferentes-faladas-por-305-etnias">274 línguas indígenas</a> faladas por povos de 305 etnias, segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) de 2010.</p>
<p>Segundo a presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministra Rosa Weber, a escolha pela língua nheengatu, conhecida como &#8220;Língua Geral Amazônica&#8221;, foi pelo papel histórico da mesma, como reporta a <a href="https://agenciabrasil.ebc.com.br/justica/noticia/2023-07/constituicao-brasileira-e-traduzida-pela-1a-vez-para-lingua-indigena">Agência Brasil</a>:</p>
<blockquote><p>Partiu da percepção de que esta língua historicamente permitiu a comunicação entre comunidades de distintos povos espalhados em toda a região amazônica, até a fronteira com o Peru, Colômbia e Venezuela, e chegou, segundo historiadores, a ser prevalente no Brasil, até ser perseguida e proibida. <strong><br />
</strong></p></blockquote>
<p>Para entender mais sobre o idioma nheengatu e a importância da nova versão da Constituição, o Global Voices conversou com <a href="https://www.youtube.com/@cauawirapaye">Cauã Wirapayé</a>, um dos tradutores do documento e o secretário-geral da <a href="https://webindigena.iel.unicamp.br/nheengatu/">Academia de Língua Nheengatu (ALN)</a>.</p>
<h4>A origem do idioma Nheengatu</h4>
<p>Cauã Wirapayé formou professores indígenas no idioma nheengatu entre 2015 e 2020 a convite do <a href="http://portal.mec.gov.br/component/tags/tag/34109">Território Etnoeducacional</a> Tapajós e Arapiuns, impactando cerca de 70 aldeias.</p>
<p>O professor explica que o <a href="https://webindigena.iel.unicamp.br/nheengatu/index.php/167-2/">nheengatu surgiu de forma natural</a> em meio ao intercâmbio linguístico, comercial e cultural que existiu nos centros populacionais urbanos do Amazonas. Era uma &#8220;rede de trocas, comércio e diversidade enorme&#8221; entre os povos que fazia as línguas adquirirem mudanças fonéticas e sintáticas, ele afirma.</p>
<p>Cauã exemplifica que, já na segunda metade do século 19, o termo nheengatu era <a href="https://webindigena.iel.unicamp.br/nheengatu/index.php/167-2/">utilizado na literatura</a> pelo General Couto de Magalhães, também escritor e governador do Pará em 1866.</p>
<p>Com suas modificações, o termo nheengatu passou a ser usado pelos indígenas para se referir à &#8220;língua boa&#8221; — tradução do tupi. &#8220;É uma língua natural que surgiu a partir do uso&#8221;, diz Wirapayé.</p>
<p>&#8220;Língua brasílica&#8221;, &#8220;língua geral&#8221;, &#8220;língua boa&#8221;, &#8220;tupi da Amazônia&#8221;: são muitos os termos que surgiram ao longo da história e que se referem ao nheengatu. O idioma é <a href="https://tupi.fflch.usp.br/">o único descendente do tupi antigo</a> vivo ainda falado nos dias de hoje.</p>
<div id="attachment_108165" style="width: 1920px" class="wp-caption alignleft"><img loading="lazy" decoding="async" aria-describedby="caption-attachment-108165" class="size-full wp-image-108165" src="https://pt.globalvoices.org/wp-content/uploads/2023/09/CAPAS_GV-3.png" alt="Peixe, pássaro, olho, sol, fogo e gato em nheengatu" width="1920" height="1080" srcset="https://pt.globalvoices.org/wp-content/uploads/2023/09/CAPAS_GV-3.png 1920w, https://pt.globalvoices.org/wp-content/uploads/2023/09/CAPAS_GV-3-400x225.png 400w, https://pt.globalvoices.org/wp-content/uploads/2023/09/CAPAS_GV-3-800x450.png 800w, https://pt.globalvoices.org/wp-content/uploads/2023/09/CAPAS_GV-3-1536x864.png 1536w, https://pt.globalvoices.org/wp-content/uploads/2023/09/CAPAS_GV-3-1200x675.png 1200w" sizes="auto, (max-width: 1920px) 100vw, 1920px" /><p id="caption-attachment-108165" class="wp-caption-text">Peixe, pássaro, olho, sol, fogo e gato em nheengatu | Imagem: Luís Gustavo Carmo / Global Voices</p></div>
<p>O pesquisador lembra ainda uma ação da Igreja Católica no período da colonização<span style="font-weight: 400;">. O </span>clero se apropriou do idioma como uma estratégia colonizadora, uma vez que &#8220;ele tinha uma facilidade de ser compreendido por diversos povos de origens diferentes, vindos de troncos e famílias linguísticas diferentes&#8221;.</p>
<p>A Igreja fez com que o nheengatu chegasse a suprimir outras línguas, pontua Cauã:</p>
<blockquote><p><span style="font-size: 1.25rem;">Em alguns lugares, por exemplo no Alto Rio Negro, ela foi levada de forma violenta</span><span style="font-size: 1.25rem;">[&#8230;] Não existe língua tupi lá, o nheengatu foi implantado de forma colonizadora pelas missões da Igreja.</span></p></blockquote>
<h4>Do esquecimento à recuperação</h4>
<p>Com o passar dos séculos e <a href="https://www.nexojornal.com.br/externo/2023/04/22/%E2%80%98As-l%C3%ADnguas-ind%C3%ADgenas-est%C3%A3o-adormecidas-n%C3%A3o-foram-extintas%E2%80%99">o apagamento dos idiomas indígenas</a>, porém, o nheengatu <a href="https://webindigena.iel.unicamp.br/nheengatu/index.php/167-2/">chegou a ser proibido</a> e foi sendo esquecido. Em muitas regiões, deixou de ser ensinado de geração para geração.</p>
<p><span style="font-weight: 400;">“Chegou em um ponto que só pessoas muito idosas falavam a língua”, afirma Wirapayé.</span></p>
<p>Uma <a href="https://memoria.ebc.com.br/cidadania/2016/04/de-1500-linguas-indigenas-no-descobrimento-restaram-181-todas-ameacadas-aponta">pesquisa do Atlas Mundial das Línguas</a>, elaborada pela ONU e divulgada em 2016, apontou que quase 90% das línguas indígenas brasileiras foram extintas e as restantes estavam sob ameaça.</p>
<p>Foram esses riscos enfrentados pelos idiomas de povos originários que levaram, segundo o pesquisador, a um <a href="https://www.leetraindigena.ufscar.br/index.php/leetraindigena/article/view/61">processo de valorização do nheengatu, iniciado</a> em 1999. Uma das consequências foi a implementação do idioma dentro das escolas municipais de aldeias no Tapajós, região do norte do Brasil.</p>
<p>Já são mais de 20 anos de trabalho de revitalização linguística e, de acordo com Cauã, <a href="https://webindigena.iel.unicamp.br/nheengatu/index.php/167-2/#:~:text=Na%20regi%C3%A3o%20do%20Baixo%20Amazonas,tamb%C3%A9m%20entre%20os%20pr%C3%B3prios%20ribeirinhos.">são três </a><span style="font-weight: 400;">as regiões em que o nheengatu segue vivo: baixo Amazonas, baixo Tapajós e alto Rio Negro &#8212; alto e baixo são termos que se referem às regiões em diferentes pontos dos rios.</span></p>
<p><span style="font-size: 1.25rem;">&#8220;Mas existem outros lugares, outros povos que perderam completamente sua língua e por conta do nheengatu ser uma língua geral, hoje em dia, estão buscando aprender esse idioma&#8221;, diz.</span></p>
<h4>Protagonistas</h4>
<p>A <a href="https://portal.trt23.jus.br/trtnoticias/noticias/fique-sabendo-fique-por-dentro/presidente-do-stf-lanca-primeira-constituicao-em-lingua#:~:text=A%20Constitui%C3%A7%C3%A3o%20em%20Nheengatu%20foi,mas%20tamb%C3%A9m%20de%20muita%20alegria%E2%80%9D.">Constituição Nheengatu foi lançada no final de julho</a> de 2023, na Federação das Organizações Indígenas do Rio Negro (<a href="https://www.google.com/search?q=foirn&amp;oq=foirn&amp;aqs=chrome..69i57j0i10i433i512j46i10i175i199i512j46i10i131i433i512j0i10i512l4j46i10i175i199i512j0i10i512.688j0j9&amp;sourceid=chrome&amp;ie=UTF-8">FOIRN</a>), em São Gabriel da Cachoeira, com a presença da presidente da Suprema Corte, Rosa Weber.</p>
<p>Durante o processo de tradução, que durou cerca de três meses, os linguísticos receberam assessoria jurídica para melhor entendimento dos termos e leis. No evento, a ministra Weber <a href="https://portal.trt23.jus.br/trtnoticias/noticias/fique-sabendo-fique-por-dentro/presidente-do-stf-lanca-primeira-constituicao-em-lingua#:~:text=A%20Constitui%C3%A7%C3%A3o%20em%20Nheengatu%20foi,mas%20tamb%C3%A9m%20de%20muita%20alegria%E2%80%9D.">lembrou</a> que o país levou 523 anos para &#8220;chegar a esse momento histórico&#8221;:</p>
<blockquote><p>A língua é muito mais do que um sistema de comunicação. Ela é um componente central da cultura e da identidade de um povo [&#8230;] É a base de valores transmitidos de geração em geração de um povo, que expressa a visão de mundo, a criatividade e o vínculo coletivo entre uma comunidade.</p></blockquote>
<p>Estiveram presentes, também, lideranças políticas indígenas, como a <a href="https://www.gov.br/povosindigenas/pt-br">ministra dos Povos Indígenas</a>, Sônia Guajajara, e a presidente da <a href="https://www.gov.br/funai/pt-br">Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai)</a>, Joenia Wapichana. Na ocasião, <a href="https://portal.stf.jus.br/noticias/verNoticiaDetalhe.asp?idConteudo=510824&amp;ori=1">Sônia afirmou</a> que aquele era um &#8220;gesto de respeito às tradições indígenas&#8221;.</p>
<p>Cauã conta, porém, outro detalhe, ocorrido durante a cerimônia de divulgação do projeto: os indígenas tradutores não tiveram cadeiras reservadas, ao contrário de governantes e outras lideranças.</p>
<p>&#8220;Até onde, de verdade, a gente é protagonista?&#8221;, questiona.</p>
<p>Ele diz que a Constituição Nheengatu é &#8220;um marco não só para a língua indígena, mas para toda a população indígena do Brasil&#8221;. Defende que esse seja apenas o início, uma vez que traduzir o documento para apenas uma das mais de 200 línguas indígenas não faz com que ela alcance a todos.</p>
<p>Na cerimônia, <a href="https://portal.stf.jus.br/noticias/verNoticiaDetalhe.asp?idConteudo=510824&amp;ori=1#:~:text=Assim%2C%20afirmou%20que%20traduzir%20a,%2C%20social%2C%20econ%C3%B4mica%20e%20jur%C3%ADdica.">Sonia Guajajara reafirmou</a> o compromisso de &#8220;garantir que todos os povos indígenas tenham acesso à justiça e conhecimento das leis que regem nosso país”.</p>
<p>Com a mudança entre os governos de Jair Bolsonaro e do atual presidente Lula, há promessa de mudanças no tratamento federal dado aos povos tradicionais.</p>
<p>Enquanto <a href="https://noticias.uol.com.br/colunas/jamil-chade/2022/03/23/onu-denuncia-ataques-de-bolsonaro-aos-indigenas-e-cita-violacao-de-tratados.htm">o ex-presidente foi denunciado pela ONU</a> por ataques aos direitos indígenas, o novo governo implementou pela primeira vez um Ministério dos Povos Indígenas.</p>
<p>Apesar disso, o tradutor avalia que, na prática, &#8220;políticas públicas não são completamente imunes à política partidária&#8221;.</p>
<p>No final de agosto, a <a href="https://www.cnj.jus.br/ministra-rosa-weber-entrega-exemplar-da-constituicao-em-nheengatu-a-biblioteca-nacional/">Constituição Nheengatu passou a integrar o acervo da Biblioteca Nacional</a>, órgão que difunde a produção intelectual brasileira com políticas governamentais de preservação, captação e difusão.</p>
<p>Questionado sobre o futuro, Cauã acredita que serão &#8220;mais 500 anos de luta por direitos que deveriam ser garantidos&#8221;:</p>
<blockquote><p>Se a gente consegue dar continuidade em um período maior de tempo com a criação dessas cadeiras e de políticas públicas ocupadas por pessoas indígenas, talvez a gente consiga estabelecer um processo contínuo de ganho de direitos em que os povos indígenas atuem pelo seu próprio direito.</p></blockquote>
<div class='gv-rss-footer'><strong><div class='text-credits-container'><div class='text-credits-section'><span class='credit-label'>Escrito por</span> <a href='https://pt.globalvoices.org/author/luis-gustavo/' class='user-link'>Luís Gustavo Carmo</a></div></div></strong></div>]]></content:encoded>
					
		
		
		<media:content url="https://pt.globalvoices.org/wp-content/uploads/2023/09/CAPAS_GV-6-400x300.png" medium="image" width='270' height='202'	/>	</item>
		<item>
		<title>Com látex, madeira e chinelo, artistas visuais brasileiros criam mapas decoloniais</title>
		<link>https://pt.globalvoices.org/2023/09/14/com-latex-madeira-e-chinelo-artistas-visuais-brasileiros-criam-mapas-decoloniais/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Nonada Jornalismo]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 14 Sep 2023 18:29:09 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[América Latina]]></category>
		<category><![CDATA[Arte e Cultura]]></category>
		<category><![CDATA[Brasil]]></category>
		<category><![CDATA[Destaque]]></category>
		<category><![CDATA[Educação]]></category>
		<category><![CDATA[História]]></category>
		<category><![CDATA[Ideias]]></category>
		<category><![CDATA[Mídia Cidadã]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://pt.globalvoices.org/?p=107206</guid>

					<description><![CDATA[O mapa do Brasil é um desenho feito pelas mãos do colonizador. Artistas têm acrescentado novas imagens a essa cartografia, a partir de obras que, materialmente, provocam sobre a formação Brasil.]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p><big class='tagline'><em>Veja obras que releem e interpretam as linhas da América do Sul</em></big></p><div id="attachment_107209" style="width: 800px" class="wp-caption aligncenter"><img loading="lazy" decoding="async" aria-describedby="caption-attachment-107209" class="size-large wp-image-107209" src="https://pt.globalvoices.org/wp-content/uploads/2023/07/mapa_nonada-800x491.jpeg" alt="" width="800" height="491" srcset="https://pt.globalvoices.org/wp-content/uploads/2023/07/mapa_nonada-800x491.jpeg 800w, https://pt.globalvoices.org/wp-content/uploads/2023/07/mapa_nonada-400x245.jpeg 400w, https://pt.globalvoices.org/wp-content/uploads/2023/07/mapa_nonada.jpeg 970w" sizes="auto, (max-width: 800px) 100vw, 800px" /><p id="caption-attachment-107209" class="wp-caption-text">Obra &#8220;Continentes dobrados&#8221; (América do Sul), de Marina Camargo (2019) | Imagem: Republicada com permissão</p></div>
<p><em>Este texto, escrito por Anna Ortega, foi publicado originalmente no site do <a href="https://www.nonada.com.br/2023/07/com-latex-madeira-e-chinelo-artistas-visuais-criam-novos-mapas-do-brasil/">Nonada Jornalismo</a>, em 1º de julho de 2023. Ele é reproduzido aqui por um acordo de parceria entre o Nonada e o Global Voices, com edições. Todas as imagens aqui são usadas com permissão ou licença para republicação. </em></p>
<p>O <a href="https://pt.wikipedia.org/wiki/Evolu%C3%A7%C3%A3o_territorial_do_Brasil">mapa do Brasil</a> é um desenho feito pelas mãos do colonizador. As fronteiras que o dividem do restante da América do Sul e a própria separação entre os estados são linhas que apontam para processos históricos de invasão deste território.</p>
<p>Artistas brasileiros têm acrescentado novas imagens a essa cartografia, a partir de obras que, materialmente, provocam sobre a <span style="color: #ff0000;"><span style="color: #000000;">formação</span><strong><span style="color: #008000;"> </span></strong></span>do Brasil. Como acontece no trabalho da alagoana <a href="https://marinacamargo.com/">Marina Camargo</a>, a partir de um mapa feito de látex, e da obra de <a href="https://www.galeriainox.com/artista/jefferson-medeiros/">Jefferson Medeiros</a>, artista do Rio de Janeiro, que entalhou o território brasileiro com madeira.</p>
<p>Já o artista paraense <a href="https://www.mauricioigor.com/">Maurício Igor</a> insere seu corpo no mapa, em uma pintura realizada sobre um compensado de 1,5 metros.</p>
<p>Com a pretensão de apresentar o mundo “como ele realmente é”, os primeiros atlas, datados do fim do século 16, já contribuíam para a apropriação de territórios indígenas e a dominação dos povos. Nos séculos seguintes, os mapas continuaram sendo usados pelo capitalismo para instaurar ordem, consolidar blocos econômicos e justificar a exploração de recursos naturais, por exemplo.</p>
<p>Ao longo do tempo, a noção da cartografia como registro da realidade passou a ser contestada e teóricos e artistas começaram a propor uma <a href="https://www.nonada.com.br/2019/03/cartografias-insurgentes-artistas-e-ativistas-subvertem-o-uso-hegemonico-dos-mapas/#:~:text=Foi%20a%20partir%20da%20d%C3%A9cada,do%20colonialismo%20e%20do%20nacionalismo">contra-cartografia ou cartografia crítica</a>, problematizando justamente o uso histórico dos mapas para a legitimação do colonialismo e do nacionalismo.</p>
<p>É o caso da “<a href="https://es.wikipedia.org/wiki/Am%C3%A9rica_invertida">América Invertida</a>”, do artista hispano-uruguaio <a href="https://www.torresgarcia.org.uy/bio.php">Joaquín Torres Garcia</a>, que se tornou um dos maiores símbolos da identidade latino-americana. Em seu manifesto “<a href="https://issuu.com/movbonanza/docs/manifesto_14.docx">A Escola do Sul</a>”, ele explica: “Viramos o mapa de cabeça para baixo para ter uma ideia exata de nossa posição, sem nos incomodar com o que pensa o resto do mundo”.</p>
<p>No contexto da <a href="https://www.nonada.com.br/2022/05/artistas-propoem-arte-indigena-cosmopolitica-e-lembram-legado-de-jaider-esbell/">arte indígena cosmopolítica</a>, como define Denilson Baniwa, o artista apresenta “Não Há Cartografia no Mundo dos Pajés” (2020). O trabalho propõe uma criação a partir de um mapa de rios amazônicos datado do século 17, na qual desenha grafismos, propondo simbolismos contra-coloniais sobre o instrumento hegemônico.</p>
<div id="attachment_107210" style="width: 800px" class="wp-caption aligncenter"><img loading="lazy" decoding="async" aria-describedby="caption-attachment-107210" class="size-large wp-image-107210" src="https://pt.globalvoices.org/wp-content/uploads/2023/07/mapa_nonada01-800x413.jpeg" alt="" width="800" height="413" srcset="https://pt.globalvoices.org/wp-content/uploads/2023/07/mapa_nonada01-800x413.jpeg 800w, https://pt.globalvoices.org/wp-content/uploads/2023/07/mapa_nonada01-400x206.jpeg 400w, https://pt.globalvoices.org/wp-content/uploads/2023/07/mapa_nonada01.jpeg 1024w" sizes="auto, (max-width: 800px) 100vw, 800px" /><p id="caption-attachment-107210" class="wp-caption-text">&#8220;Não Há Cartografia no Mundo dos Pajés&#8221;, de Denilson Baniwa (2020) | Imagem: Reprodução/Republicada com permissão</p></div>
<p>Já a <a href="https://programaitausocialunicef.cenpec.org.br/noticia/cartografias-afetivas-mapas-em-movimento/">pesquisadora Ana Paula do Val</a> discute o conceito de cartografia afetiva e da cartografia de memórias, como pontos de diálogo. Ela acredita que os mapas afetivos dialogam com essas outras linguagens como um processo de mediação sociocultural. Esse envolve processos criativos, que ativam as percepções artísticas e culturais e promovem uma subjetivação, evocando contextos, narrativas e identidades que se manifestam no plano cartográfico.</p>
<p>A artista Lyz Parayzo, artista e ativista, referencia em seu trabalho a série <a href="https://www.moma.org/audio/playlist/181/2429">Bichos</a>, de <a href="https://pt.wikipedia.org/wiki/Lygia_Clark">Lygia Clark</a>. Parayzo esculpe esculturas metálicas, afiadas, que deixam o perigo de uma aproximação sempre em iminência. Embora estática, a sensação é que em algum momento os dentes da engrenagem vão girar, e o mapa do Brasil será desmontado.</p>
<p>Estes artistas nos fazem questionar o que constitui um território, do que é feito este país?, o que reflete um mapa. Confira abaixo:</p>
<h4><strong>Diáspora (2022), de André Vargas</strong><strong> </strong></h4>
<div id="attachment_107211" style="width: 679px" class="wp-caption aligncenter"><img loading="lazy" decoding="async" aria-describedby="caption-attachment-107211" class="size-full wp-image-107211" src="https://pt.globalvoices.org/wp-content/uploads/2023/07/mapa_nonada02.jpeg" alt="" width="679" height="441" srcset="https://pt.globalvoices.org/wp-content/uploads/2023/07/mapa_nonada02.jpeg 679w, https://pt.globalvoices.org/wp-content/uploads/2023/07/mapa_nonada02-400x260.jpeg 400w" sizes="auto, (max-width: 679px) 100vw, 679px" /><p id="caption-attachment-107211" class="wp-caption-text">&#8220;Diáspora&#8221;, de André Vargas (2022) | Imagem: Reprodução/Republicada com permissão</p></div>
<p>Artista que trabalha com o poder da palavra (Ofó, em Iorubá), André Vargas tem nos ditados populares e encantados sua ferramenta de trabalho. A partir de elementos culturais, linguísticos, religiosos, históricos e estéticos, André articula a ancestralidade e evoca fundamentos, principalmente de matrizes africanas. Em práticas artísticas que, diversas vezes, lembram dos ritos, ele se interessa pelo encontro entre memória pessoal e coletiva.</p>
<p>Em sua obra “Diáspora”, esculpida a partir de um<a href="https://www.historiadomundo.com.br/idade-contemporanea/historia-das-havaianas.htm"> chinelo Havaianas</a>, produto muito popular no Brasil, os continentes africano e americano se ligam. O material escolhido, dessa vez, também é central, importa e informa um desejo de falar uma sobre uma história presente, que caminha em nossos pés.</p>
<h4>Sem título (2022), de Maurício Igor</h4>
<div id="attachment_107212" style="width: 800px" class="wp-caption aligncenter"><img loading="lazy" decoding="async" aria-describedby="caption-attachment-107212" class="size-large wp-image-107212" src="https://pt.globalvoices.org/wp-content/uploads/2023/07/mapa_nonada03-800x534.jpeg" alt="" width="800" height="534" srcset="https://pt.globalvoices.org/wp-content/uploads/2023/07/mapa_nonada03-800x534.jpeg 800w, https://pt.globalvoices.org/wp-content/uploads/2023/07/mapa_nonada03-400x267.jpeg 400w, https://pt.globalvoices.org/wp-content/uploads/2023/07/mapa_nonada03.jpeg 1024w" sizes="auto, (max-width: 800px) 100vw, 800px" /><p id="caption-attachment-107212" class="wp-caption-text">Sem título, de Maurício Igor (2022) | Imagem: Reprodução/Republicada com permissão</p></div>
<p>Maurício Igor investiga questões de identidades em temas como gênero, sexualidade, miscigenação, decolonialidade e o cotidiano na região amazônica. Também tem se debruçado sobre a temática do deslocamento, que se reflete em suas história pessoal, e se desdobra em fotografias, vídeos, performances, textos e instalações. É atualmente mestrando em Processos Artísticos Contemporâneos pela Universidade do Estado de Santa Catarina, no qual pesquisa as poéticas relacionadas ao corpo afro-amazônico em deslocamento.</p>
<p>Uma de suas obras traz o auto retrato do artista, sentado no chão, com o cotovelo apoiado sobre um ventilador, sob o mapa do Brasil. Ele mantém seu olhar longe, para fora do quadro – como quem vê para além do que está circunscrito pelas linhas brasileiras. Seu olhar parece buscar o território de lá, além-mar.</p>
<h4>Invasão (2017), de Jaime Lauriano</h4>
<div id="attachment_107213" style="width: 800px" class="wp-caption aligncenter"><img loading="lazy" decoding="async" aria-describedby="caption-attachment-107213" class="wp-image-107213 size-large" src="https://pt.globalvoices.org/wp-content/uploads/2023/07/mapa_nonada04-800x534.jpeg" alt="" width="800" height="534" srcset="https://pt.globalvoices.org/wp-content/uploads/2023/07/mapa_nonada04-800x534.jpeg 800w, https://pt.globalvoices.org/wp-content/uploads/2023/07/mapa_nonada04-400x267.jpeg 400w, https://pt.globalvoices.org/wp-content/uploads/2023/07/mapa_nonada04.jpeg 1024w" sizes="auto, (max-width: 800px) 100vw, 800px" /><p id="caption-attachment-107213" class="wp-caption-text">&#8220;Invasão&#8221;, de Jaime Lauriano (2017) | Imagem: Neonarte/Reprodução/Republicada com permissão</p></div>
<p>A poética de Jaime Lauriano é conhecida por indagar a História tida como oficial. Ele é um dos artistas mais conhecidos por desenvolver outros mapas do Brasil, ao questionar sua formação e o próprio mito da democracia racial. Lauriano explicita as diferentes camadas de violência que essas narrativas trazem, e parece sintetizar uma série de questões que andam junto à colonização e que seguem atuais, como o desmatamento e a invasão de terras indígenas. Seus trabalhos refletem também uma pesquisa sobre a atualização das violências por instituições de poder e controle – como policiais, presídios, embaixadas e fronteiras.</p>
<h4>América-Látex (2020), de Marina Camargo</h4>
<div id="attachment_107214" style="width: 796px" class="wp-caption aligncenter"><img loading="lazy" decoding="async" aria-describedby="caption-attachment-107214" class="size-large wp-image-107214" src="https://pt.globalvoices.org/wp-content/uploads/2023/07/mapa_nonada05-796x600.jpeg" alt="" width="796" height="600" srcset="https://pt.globalvoices.org/wp-content/uploads/2023/07/mapa_nonada05-796x600.jpeg 796w, https://pt.globalvoices.org/wp-content/uploads/2023/07/mapa_nonada05-400x302.jpeg 400w, https://pt.globalvoices.org/wp-content/uploads/2023/07/mapa_nonada05.jpeg 1024w" sizes="auto, (max-width: 796px) 100vw, 796px" /><p id="caption-attachment-107214" class="wp-caption-text">&#8220;América-Látex&#8221;, de Marina Camargo (2020) | Imagem: Reprodução/Republicada com permissão</p></div>
<p>Os mapas são recorrentes na produção de Marina Camargo, também interessada pelos mecanismos de poder que estes objetos refletem. Ao construí-los a partir do látex, material flexível e elástico, e <a href="https://brasilescola.uol.com.br/historiab/ciclo-borracha.htm">associado à exploração do Brasil</a>, revelam uma cartografia frágil, que, como diz a artista na <span style="color: #000000;">declaração</span> do trabalho “as formas da geografia da América Latina aparecem como uma pele arrancada da superfície, como se fosse um mapa sem base.” Extraído originalmente da Amazônia, a exploração da borracha está na base da colonização do Brasil. <span style="color: #000000;">Outro material utilizado pela artista é o metal. Na série &#8220;Continentes Dobrados&#8221;, ela transforma as figuras cartográficas em formas elásticas, deformando suas dimensões para refletir sobre geopolítica.</span></p>
<h4>“Baaraz Ka’Aupan (2022), de Gustavo Caboco</h4>
<div id="attachment_107215" style="width: 800px" class="wp-caption aligncenter"><img loading="lazy" decoding="async" aria-describedby="caption-attachment-107215" class="size-large wp-image-107215" src="https://pt.globalvoices.org/wp-content/uploads/2023/07/mapa_nonada06-800x534.jpeg" alt="" width="800" height="534" srcset="https://pt.globalvoices.org/wp-content/uploads/2023/07/mapa_nonada06-800x534.jpeg 800w, https://pt.globalvoices.org/wp-content/uploads/2023/07/mapa_nonada06-400x267.jpeg 400w, https://pt.globalvoices.org/wp-content/uploads/2023/07/mapa_nonada06.jpeg 1024w" sizes="auto, (max-width: 800px) 100vw, 800px" /><p id="caption-attachment-107215" class="wp-caption-text">“Baaraz Ka’Aupan&#8221;, de Gustavo Caboco (2022) | Imagem: Reprodução/Republicada com permissão</p></div>
<p>Baaraz Ka’aupan significa “campo em chamas” em língua Wapichana. Para o artista Gustavo Caboco, há um fogo que ultrapassa a borda academicista, incendeia a pesquisa-extrativista e que, com apoio de artefatos-coloniais, contribuíram para um apagamento do pensamento indígena no Brasil. Este mapa vermelho, em chamas, possibilita um alerta e também uma convocação para se olhar o território a partir de perspectivas indígenas. Em seus trabalhos, Gustavo se utiliza do desenho-documento, da pintura, do texto, da animação para fazer caminhos em direção à terra. Ele reflete sobre os deslocamentos dos corpos indígenas e sobre a produção e as retomadas da memória.</p>
<h4>“Colher de Pedreiro” (2021), de Jefferson Medeiros</h4>
<div id="attachment_107216" style="width: 800px" class="wp-caption aligncenter"><img loading="lazy" decoding="async" aria-describedby="caption-attachment-107216" class="size-large wp-image-107216" src="https://pt.globalvoices.org/wp-content/uploads/2023/07/mapa_nonada07-800x530.jpeg" alt="" width="800" height="530" srcset="https://pt.globalvoices.org/wp-content/uploads/2023/07/mapa_nonada07-800x530.jpeg 800w, https://pt.globalvoices.org/wp-content/uploads/2023/07/mapa_nonada07-400x265.jpeg 400w, https://pt.globalvoices.org/wp-content/uploads/2023/07/mapa_nonada07.jpeg 1024w" sizes="auto, (max-width: 800px) 100vw, 800px" /><p id="caption-attachment-107216" class="wp-caption-text">“Colher de Pedreiro”, de Jefferson Medeiros (2021) | Imagem: Reprodução/Republicada com permissão</p></div>
<p>Jefferson Medeiros é formado em História e especializado em Culturas Africanas e Afro-Brasileiras. Sua produção propõe discussões sobre colonialidade, exploração do trabalho e violência no cotidiano urbano periférico, além de questionar as raízes e consequências dessas questões. Utiliza materiais diversos, de concreto a cápsulas de munição, e se interessa por uma epistemologia periférica de compreensão da realidade que experimenta. Em uma de suas obras, o desenho da América do Sul aparece na forma de uma colher de pedreiro.</p>
<h4>Imaginário Cartográfico de uma cidade Brasileira (2017-2020), de Íris Helena</h4>
<div id="attachment_107217" style="width: 800px" class="wp-caption aligncenter"><img loading="lazy" decoding="async" aria-describedby="caption-attachment-107217" class="size-large wp-image-107217" src="https://pt.globalvoices.org/wp-content/uploads/2023/07/mapa_nonada08-800x533.jpeg" alt="" width="800" height="533" srcset="https://pt.globalvoices.org/wp-content/uploads/2023/07/mapa_nonada08-800x533.jpeg 800w, https://pt.globalvoices.org/wp-content/uploads/2023/07/mapa_nonada08-400x266.jpeg 400w, https://pt.globalvoices.org/wp-content/uploads/2023/07/mapa_nonada08.jpeg 1024w" sizes="auto, (max-width: 800px) 100vw, 800px" /><p id="caption-attachment-107217" class="wp-caption-text">&#8220;Imaginário Cartográfico de uma cidade Brasileira&#8221;, de Íris Helena (2017-2020) | Imagem: Reprodução/Republicada com permissão</p></div>
<p>Iris é uma artista multidisciplinar, pesquisadora da paisagem urbana em diálogo com dimensões crítica, filosófica, estética e poética. Sua poética brilha, especialmente, na escolha das superfícies e suportes escolhidos para materializar as paisagens, incluindo itens comuns do cotidiano, como notas fiscais. Em imaginário Cartográfico de uma cidade Brasileira, a artista criou um mapa poético baseado no estudo cartográfico da formação de cidades como João Pessoa (PB), Recife (PE), Natal (RN), Rio de Janeiro (RJ). A disposição urbanística sugerida nos mapas revela traços coloniais, discrepâncias políticas e narrativas de poder e dominação.</p>
<h4>Bandeira #2 (2021), de Lyz Parayzo</h4>
<div id="attachment_107218" style="width: 748px" class="wp-caption aligncenter"><img loading="lazy" decoding="async" aria-describedby="caption-attachment-107218" class="size-large wp-image-107218" src="https://pt.globalvoices.org/wp-content/uploads/2023/07/mapa_nonada09-748x600.jpeg" alt="" width="748" height="600" srcset="https://pt.globalvoices.org/wp-content/uploads/2023/07/mapa_nonada09-748x600.jpeg 748w, https://pt.globalvoices.org/wp-content/uploads/2023/07/mapa_nonada09-400x321.jpeg 400w, https://pt.globalvoices.org/wp-content/uploads/2023/07/mapa_nonada09.jpeg 1024w" sizes="auto, (max-width: 748px) 100vw, 748px" /><p id="caption-attachment-107218" class="wp-caption-text">&#8220;Bandeira #2&#8243;, de Lyz Parayzo (2021) | Imagem: Reprodução/Republicada com permissão</p></div>
<p>Lyz Parayzo é uma artista que trabalha com audiovisual, joalheria, escultura e performance. Tem o corpo como principal suporte de trabalho, e sua performatividade diária como plataforma de pesquisa. Atualmente tem desenvolvido objetos para autodefesa, como é a obra Bandeira #2, que transitam de joias em prata a armaduras, escudos e armas em alumínio.</p>
<div class='gv-rss-footer'><strong><div class='text-credits-container'><div class='text-credits-section'><span class='credit-label'>Escrito por</span> <a href='https://pt.globalvoices.org/author/nonada/' class='user-link'>Nonada Jornalismo</a></div></div></strong></div>]]></content:encoded>
					
		
		
		<media:content url="https://pt.globalvoices.org/wp-content/uploads/2023/07/mapa_nonada-400x300.jpeg" medium="image" width='270' height='202'	/>	</item>
	</channel>
</rss>
