<?xml version="1.0" encoding="UTF-8"?><rss version="2.0"
	xmlns:content="http://purl.org/rss/1.0/modules/content/"
	xmlns:wfw="http://wellformedweb.org/CommentAPI/"
	xmlns:dc="http://purl.org/dc/elements/1.1/"
	xmlns:atom="http://www.w3.org/2005/Atom"
	xmlns:sy="http://purl.org/rss/1.0/modules/syndication/"
	xmlns:slash="http://purl.org/rss/1.0/modules/slash/"
	>

<channel>
	<title>Revista Pesquisa Fapesp</title>
	<atom:link href="https://revistapesquisa.fapesp.br/feed/" rel="self" type="application/rss+xml" />
	<link>https://revistapesquisa.fapesp.br</link>
	<description>Revista Pesquisa Fapesp</description>
	<lastBuildDate>Thu, 05 Mar 2026 19:39:51 +0000</lastBuildDate>
	<language>pt-BR</language>
	<sy:updatePeriod>
	hourly	</sy:updatePeriod>
	<sy:updateFrequency>
	1	</sy:updateFrequency>
	<generator>https://wordpress.org/?v=6.9</generator>

<image>
	<url>https://revistapesquisa.fapesp.br/wp-content/uploads/2024/10/cropped-icone-site-abas-32x32.png</url>
	<title>Revista Pesquisa Fapesp</title>
	<link>https://revistapesquisa.fapesp.br</link>
	<width>32</width>
	<height>32</height>
</image> 
	<item>
		<title>Antropólogo foi o primeiro doutor em sua área na USP</title>
		<link>https://revistapesquisa.fapesp.br/antropologo-foi-o-primeiro-doutor-em-sua-area-na-usp/?utm_source=rss&#038;utm_medium=rss&#038;utm_campaign=antropologo-foi-o-primeiro-doutor-em-sua-area-na-usp</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Mônica Manir]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 05 Mar 2026 19:39:51 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Obituário ]]></category>
		<category><![CDATA[Antropologia]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://revistapesquisa.fapesp.br/?p=579766</guid>

					<description><![CDATA[João Baptista Borges Pereira estudou questão racial, imigração e religiosidade]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<div id="attachment_579771" style="max-width: 810px" class="wp-caption alignright vertical"><img fetchpriority="high" decoding="async" class="wp-image-579771 size-full" src="https://revistapesquisa.fapesp.br/wp-content/uploads/2026/03/Joao-Baptista-Borges-Pereira-800.jpg" alt="" width="800" height="687" srcset="https://revistapesquisa.fapesp.br/wp-content/uploads/2026/03/Joao-Baptista-Borges-Pereira-800.jpg 800w, https://revistapesquisa.fapesp.br/wp-content/uploads/2026/03/Joao-Baptista-Borges-Pereira-800-250x215.jpg 250w, https://revistapesquisa.fapesp.br/wp-content/uploads/2026/03/Joao-Baptista-Borges-Pereira-800-700x601.jpg 700w, https://revistapesquisa.fapesp.br/wp-content/uploads/2026/03/Joao-Baptista-Borges-Pereira-800-120x103.jpg 120w" sizes="(max-width: 800px) 100vw, 800px" /><p class="wp-caption-text"><span class="media-credits-inline">USP</span>Borges Pereira em registro de 2018<span class="media-credits">USP</span></p></div>
<p>O antropólogo João Baptista Borges Pereira costumava dizer que sua primeira incursão pelos estudos sobre a temática da população negra se deu quando participou, a convite do sociólogo Fernando Henrique Cardoso, de um projeto de pesquisa que envolvia investigar as relações raciais no sul do país. A empreitada, no início da década de 1960, marcou sua trajetória acadêmica e esse foi um dos temas ao qual se dedicou, ao lado da imigração e da religiosidade.</p>
<p>“Ele desempenhou um papel fundamental na área de estudos raciais em nosso campo, em uma época em que esse tema quase não era abordado”, afirma a antropóloga Lilia Moritz Schwarcz, professora da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da Universidade de São Paulo (FFLCH-USP). “Além disso, João Baptista foi um dos precursores na defesa dos direitos de minorias na USP, sobretudo das minorias negras”, completa o sociólogo Reginaldo Prandi, da mesma faculdade. Primeiro doutor em antropologia da USP e diretor da FFLCH em dois mandatos (1985-1989 e 1994-1998), Borges Pereira morreu no dia 13 de fevereiro, aos 96 anos.</p>
<p>Nascido em Santa Cruz do Rio Pardo (SP), o pesquisador iniciou sua formação no curso de magistério na Escola Estadual Leônidas do Amaral Vieira, com o objetivo de futuramente estudar história. Foi nesse ambiente que uma professora o apresentou à sociologia de Antonio Candido (1918-2017), marcando o que ele próprio descreveu como sua primeira troca acadêmica. Ao ingressar no curso de ciências sociais da USP em 1955 e conhecer o antropólogo Egon Schaden (1913-1991), Borges Pereira vivenciou uma segunda troca, esta definitiva.</p>
<p>O pesquisador defendeu sua dissertação de mestrado na Escola de Sociologia e Política de São Paulo, a única instituição na capital paulista a oferecer o grau de mestre em antropologia na época. Sua pesquisa foi inspirada por sua experiência pessoal: no final da década de 1950, ele atuou como diretor de uma escola ginasial (equivalente ao ensino fundamental II) na vila Diva, zona leste de São Paulo, na qual a maioria dos alunos era ex-boias-frias.</p>
<p>Borges Pereira praticamente montou a escola: instalou a cantina, estruturou a Associação de Pais e Mestres, providenciou a iluminação elétrica na rua, entre outras atividades. Para compor o corpo docente, que ele carinhosamente chamou de “equipe de Sorbonne”, conseguiu trazer os sociólogos Duglas Teixeira Monteiro (1926-1978), Gabriel Bolaffi (1934-2011) e outros colegas da USP, todos jovens como ele. “Foi uma pesquisa de observação participante”, costumava dizer. Ao concluir o mestrado, em 1964, ele deixou o cargo e a escola.</p>
<p>Nesse mesmo ano, tornou-se docente na então Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras (FFCL) da USP, onde desenvolveu seu doutorado, voltado a relações raciais e comunicação de massa – mais especificamente à questão do negro no ambiente do rádio. A decisão pelo tema não foi fácil. Seu então orientador, o sociólogo Florestan Fernandes (1920-1995), preferia que o aluno se debruçasse sobre Chavantes, comunidade cafeeira do interior de São Paulo, a fim de integrar um programa de sociologia já em andamento na faculdade sobre o papel da acumulação do capital da lavoura de café na indústria de São Paulo. A contragosto, Borges Pereira chegou a escrever o projeto, mas o rasgou diante de Florestan.</p>
<p>Defendida em 1966, a tese orientada por Schaden virou o livro <em>Cor, profissão e mobilidade: O negro e o rádio de São Paulo</em> (Livraria Pioneira Editora/Edusp), lançado no ano seguinte.  Em 2001, o título foi reeditado pela Edusp. “Esse trabalho se tornou uma referência nas ciências sociais, sobretudo porque inspirou outros livros de alunos do próprio João Baptista, voltados, por exemplo, à presença do negro na televisão”, recorda Prandi. No estudo, o antropólogo identificou o meio radiofônico paulistano como uma esfera de atividade que possibilitava a ascensão social de profissionais negros. Até então, pesquisas sobre mobilidade e integração racial concentravam-se quase exclusivamente no futebol. Borges Pereira conhecia de perto esse universo: antes da carreira acadêmica, atuara como locutor de rádio em Santa Cruz do Rio Pardo.</p>
<p>A vivência no sul do Brasil, durante o projeto que investigou as relações raciais coordenado por Fernando Henrique, inspirou sua tese de livre-docência (1968) sobre a migração italiana na colônia de Pedrinhas Paulista (SP), conhecida como a “Roma brasileira”. O trabalho rendeu o livro <em>Italianos no mundo rural paulista</em>, que saiu em 1974, também pela Edusp. No ano seguinte, tornou-se professor titular do Departamento de Antropologia da FFLCH e, em 1980, realizou estágio de pós-doutorado na Universidade de Coimbra, em Portugal, onde pesquisou sobre a emigração lusitana disseminada pelo continente.</p>
<p>Entre outras funções, o pesquisador foi editor e diretor da <em>Revista de Antropologia</em> da USP, de 1979 a 1990, e dirigiu o Museu de Arqueologia e Etnologia (MAE-USP), na década de 1980. Em 1999, aposentou-se compulsoriamente, mas continuou ativo. Ainda na USP, presidiu a Comissão Permanente de Políticas Públicas para a População Negra e participou da criação do Programa de Inclusão Social, em 2006, que buscou facilitar o acesso de estudantes de escolas públicas àquela universidade.</p>
<p>Contratado em 2002 pela Universidade Presbiteriana Mackenzie, atuou por cerca de duas décadas na instituição como professor do Programa de Pós-graduação em Ciências da Religião. A religiosidade foi outro tema de seu interesse como pesquisador. “Ele estudou como se dava a prática do protestantismo na USP e no Brasil”, lembra o sociólogo José de Souza Martins, da USP. Em 2004, Borges Pereira publicou, já como professor emérito da FFLCH, um artigo para a <em>Revista da USP</em> intitulado “Italianos no protestantismo brasileiro: A face esquecida pela história da imigração”. Ambos presbiterianos, Borges Pereira e Martins debatiam longamente sobre o assunto.</p>
<p>O antropólogo Roberto DaMatta, professor de antropologia social da Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro, também se lembra das longas conversas telefônicas com o colega. “João Baptista era muito afetuoso, e sua obra é diversificada porque nascia de um interesse genuíno pelas pessoas e pelo mundo”, explica.</p>
<p>Até por volta dos 90 anos, Borges Pereira ainda tomava ônibus para lecionar no Mackenzie. O isolamento imposto pela pandemia de Covid-19 (2020-2022) lhe drenou a energia. “A partir de então, ele foi ficando quieto, deprimido”, relata a filha, Flávia Rodrigues Borges Ferreira de Sá, que é historiadora. Ela guarda na memória, entre outras cenas, os bilhetes que, na infância, passava por baixo da porta do escritório da casa onde viviam, numa tentativa de estreitar o contato com o pai, “muito dedicado, mas quase sempre imerso nos trabalhos acadêmicos”.</p>
<p>O antropólogo faleceu em casa, na capital paulista. Deixou a esposa, Maria Teresa, a filha Flávia (outra filha, Valéria, faleceu há 10 anos), seis netos, sete bisnetos e o oitavo a caminho.</p>
]]></content:encoded>
					
		
		
			</item>
		<item>
		<title>Os efeitos colaterais da multiplicação de médicos</title>
		<link>https://revistapesquisa.fapesp.br/os-efeitos-colaterais-da-multiplicacao-de-medicos/?utm_source=rss&#038;utm_medium=rss&#038;utm_campaign=os-efeitos-colaterais-da-multiplicacao-de-medicos</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Fabrício Marques]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 05 Mar 2026 13:06:25 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Capa]]></category>
		<category><![CDATA[Política C&T]]></category>
		<category><![CDATA[Medicina]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://revistapesquisa.fapesp.br/?p=579541</guid>

					<description><![CDATA[Crescimento da oferta de profissionais no Brasil convive com deficiências de formação e distribuição desigual na assistência pública e privada]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>O Ministério da Educação (MEC) cancelou em fevereiro um edital que previa a abertura de quase 6 mil vagas em cursos de medicina em universidades privadas. A chamada selecionaria propostas para criar novas graduações ou ampliar o número de matrículas em faculdades já existentes no âmbito do Programa Mais Médicos, lançado em 2013 para reduzir a escassez de profissionais no Sistema Único de Saúde (SUS). O programa permite ao governo definir locais para a criação de novos cursos onde existe carência de médicos – em geral, longe dos grandes centros urbanos –, desde que haja uma infraestrutura de serviços de saúde capaz de propiciar uma formação prática de qualidade para os estudantes.</p>
<p>O cancelamento do edital foi uma espécie de freio de arrumação depois do alarme causado pela divulgação dos resultados do Exame Nacional de Avaliação da Formação Médica (Enamed), prova anual criada pelo ministério para examinar a qualidade da formação oferecida pelos cursos – o teste foi aplicado pela primeira vez a alunos de medicina de último ano para verificar o conhecimento adquirido. Dos 39.258 formados em 351 cursos que participaram da Enamed, apenas 67% alcançaram proficiência. Trinta por cento das graduações receberam conceitos 1 (até 39,9% de estudantes proficientes) e 2 (entre 40% e 59,9% de alunos proficientes), performance considerada insuficiente. Faculdades municipais, que tiveram só 944 alunos avaliados, foram as com pior desempenho: apenas 49,7% proficientes. Já as escolas privadas com fins lucrativos se destacaram pelo volume de reprovações: 57,2% de 15.409 estudantes tiraram conceitos 1 e 2. Universidades federais e estaduais registraram índices superiores a 80% de proficiência.</p>
<picture data-tablet="/wp-content/uploads/2026/03/RPF-medicos-2026-03-info1-670-DESKTOP.png" data-tablet_size="670x530" alt="O avanço das graduações de medicina no país">
    <source srcset="/wp-content/uploads/2026/03/RPF-medicos-2026-03-info1-670-DESKTOP.png" media="(min-width: 1920px)" />
    <source srcset="/wp-content/uploads/2026/03/RPF-medicos-2026-03-info1-670-DESKTOP.png" media="(min-width: 1140px)" />
    <img decoding="async" class="responsive-img" src="/wp-content/uploads/2026/03/RPF-medicos-2026-03-info1-760-MOBILE.png" />
  </picture><span class="embed media-credits-inline">Alexandre Affonso / Revista Pesquisa FAPESP</span>
<p>Muitos cursos que tiveram conceito insatisfatório funcionam longe dos centros urbanos – apenas 23 deles estão em capitais –, uma evidência de que a ambição do programa de oferecer formação de qualidade em áreas remotas esbarrou em dificuldades. As cinco instituições com pior resultado ficam nas cidades de Cáceres (MT), Angra dos Reis (RJ), Porto Velho (RO), Aparecida de Goiânia (GO) e Dracena (SP). “São mais de 13 mil graduados que receberão diploma e registro para atender a população sem terem competências mínimas para exercer a medicina. Isso é assustador e coloca em risco a saúde e a segurança de milhões de brasileiros”, disse, em comunicado, José Hiran Gallo, presidente do Conselho Federal de Medicina (CFM). Entre as punições previstas pelo MEC para os cursos reprovados estão a redução do número de vagas autorizadas e o acesso bloqueado a financiamento estudantil do governo.</p>
<p>Não é a primeira vez, após a criação do Mais Médicos, que a oferta de vagas é suspensa. Em 2018, passou a vigorar no país uma moratória de novos cursos depois que dois editais do programa elevaram o número de graduações de medicina de 223 para 341 em apenas seis anos. Na época, tal crescimento levou a um debate nacional sobre os riscos que a expansão teria na qualidade dos futuros profissionais e até a uma alegada saturação do mercado de trabalho. O problema é que a moratória, que durou até 2023, teve efeito contrário ao esperado. Instituições de ensino superior foram à Justiça, alegando que o mercado estava sendo cerceado pela proibição do governo, e conseguiram abrir dezenas de cursos por meio de liminares.</p>
<picture data-tablet="/wp-content/uploads/2026/03/RPF-medicos-2026-03-info2-670-DESKTOP.png" data-tablet_size="670x550" alt="Como progrediu a proporção de médicos por mil habitantes no Brasil (2000-2025)">
    <source srcset="/wp-content/uploads/2026/03/RPF-medicos-2026-03-info2-670-DESKTOP.png" media="(min-width: 1920px)" />
    <source srcset="/wp-content/uploads/2026/03/RPF-medicos-2026-03-info2-670-DESKTOP.png" media="(min-width: 1140px)" />
    <img decoding="async" class="responsive-img" src="/wp-content/uploads/2026/03/RPF-medicos-2026-03-info2-760-MOBILE.png" />
  </picture><span class="embed media-credits-inline">Alexandre Affonso / Revista Pesquisa FAPESP</span>
<p>O resultado é que o número de cursos de medicina seguiu crescendo de forma acelerada e saltou para 448 em 2024. “Faculdades que já existiam também conseguiram liminares para ampliar suas vagas, em um cenário sem qualquer regulação”, explica Sandro Schreiber de Oliveira, epidemiologista da Universidade Federal do Rio Grande (Furg) e diretor-presidente da Associação Brasileira de Educação Médica (Abem). Esse movimento fez com que o número de vagas em faculdades de medicina mais que dobrasse no Brasil, de 23,5 mil vagas em 2014 para 48,5 mil em 2024 – dessas, 79% estão em instituições privadas.</p>
<p><img decoding="async" width="800" height="934" class="size-full wp-image-579564 aligncenter" src="https://revistapesquisa.fapesp.br/wp-content/uploads/2026/03/rpf-medicos-2026-03-800b.jpg" alt="" srcset="https://revistapesquisa.fapesp.br/wp-content/uploads/2026/03/rpf-medicos-2026-03-800b.jpg 800w, https://revistapesquisa.fapesp.br/wp-content/uploads/2026/03/rpf-medicos-2026-03-800b-250x292.jpg 250w, https://revistapesquisa.fapesp.br/wp-content/uploads/2026/03/rpf-medicos-2026-03-800b-700x817.jpg 700w, https://revistapesquisa.fapesp.br/wp-content/uploads/2026/03/rpf-medicos-2026-03-800b-120x140.jpg 120w" sizes="(max-width: 800px) 100vw, 800px" /><span class="media-credits-inline">Talita Hoffmann</span></p>
<p>A péssima repercussão dos resultados do Enamed reacendeu o debate sobre a qualidade da formação dos médicos no Brasil. O Senado reagiu aprovando um projeto de lei, ainda a ser avaliado na Câmara, instituindo um exame de proficiência para os recém-formados como requisito para a obtenção do registro profissional de médico, a exemplo do que acontece com os advogados. Se virar lei, o projeto, que é apoiado por entidades como o CFM e a Associação Médica Brasileira, bloqueará o acesso ao mercado de trabalho de estudantes que investiram seis anos em sua formação e poderá pôr em xeque o esforço, bem-sucedido em termos quantitativos, de ampliar a oferta de médicos no Brasil. Há hoje 650 mil profissionais em atividade no país e a razão de médicos por mil habitantes cresceu de 1,18 no ano 2000 para 2,98 em 2025. A taxa brasileira está abaixo da média dos países industrializados vinculados à Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico (OCDE), que é de 3,7 médicos por mil habitantes, mas já supera a de nações como Canadá (2,75), Estados Unidos (2,72), Japão (2,65) e China (2,52).</p>
<p>Pesquisadores do campo da educação médica observam que o Enamed – um teste de múltipla escolha com 100 questões – aponta apenas um aspecto do aprendizado dos alunos, que é a aquisição de conhecimento. “Outras dimensões, como as habilidades, competências e atitudes dos recém-formados, não são aferidas pela prova”, observa o psicólogo Dario Cecilio-Fernandes, pesquisador do Institute of Medical Education Research Rotterdam (iMERR), em Roterdã, nos Países Baixos. Entre 2019 e 2024, ele liderou um projeto na Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), apoiado pela FAPESP, sobre o impacto de estratégias de avaliação na aprendizagem dos alunos de medicina. Para ele, afirmar que recém-formados são inaptos exclusivamente com base no Enamed é extrapolar o que a prova é capaz de aferir. “Mas o contrário também pode ser verdadeiro. Pode ser controverso afirmar que os médicos sejam competentes apenas porque tiveram bom desempenho no Enamed. Aqui nos Países Baixos, um recém-graduado só ganha autonomia após um período de residência e um tempo de prática sob supervisão. No Brasil, o médico, quando se forma, tem direito de seguir direto para a prática sem supervisão.”</p>
<p>Em sua pesquisa, Cecilio-Fernandes avaliou como funcionam os processos cognitivos dos estudantes de medicina quando estão sendo avaliados. Comparou a performance dos alunos em duas situações: respondendo questões de alta complexidade envolvendo casos clínicos, em que é preciso integrar diferentes informações, ou diante de perguntas que desafiavam principalmente a capacidade de memorização. “Quando se trabalha com questões complexas e casos clínicos, o esforço mental exigido é incomparavelmente maior”, afirma.</p>
</div><div class='overflow-responsive-img' style='text-align:center'><picture data-tablet="/wp-content/uploads/2026/03/RPF-medicos-2026-03-info3-1140.png" data-tablet_size="1140x600" alt="Evolução da oferta de vagas em cursos de graduação em medicina em instituições de ensino superior públicas e particulares (2004-2024)">
    <source srcset="/wp-content/uploads/2026/03/RPF-medicos-2026-03-info3-1140.png" media="(min-width: 1920px)" />
    <source srcset="/wp-content/uploads/2026/03/RPF-medicos-2026-03-info3-1140.png" media="(min-width: 1140px)" />
    <img decoding="async" class="responsive-img" src="/wp-content/uploads/2026/03/RPF-medicos-2026-03-info3-760.png" />
  </picture><span class="embed media-credits-inline">Alexandre Affonso / Revista Pesquisa FAPESP</span></div><div class="post-content sequence">
<p>“Os resultados do Enamed precisam ser cotejados com parâmetros mais abrangentes”, afirma a pediatra Anna Tereza Miranda Soares de Moura, da Faculdade de Ciências Médicas da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj), que participou de um projeto de pesquisa sobre escolas privadas criadas pelo programa Mais Médicos. Segundo ela, as visitas de avaliação feitas pelo MEC a faculdades, em alguns casos, renderam notas altas a cursos que tiveram desempenho ruim no Enamed. “É necessário compreender o que está acontecendo”, alerta. A qualidade, explica Moura, depende de fatores que vão além da existência de infraestrutura adequada, tais como a existência de parcerias com a rede local de saúde para a prática dos alunos, a presença de bons professores e um processo de avaliação contínuo para detectar deficiências e criar estratégias customizadas para combatê-las. “Sempre há vários fatores que explicam uma nota boa ou ruim. Nunca é um motivo só.”</p>
<p>A obstetra Eliana Martorano Amaral, da Faculdade de Ciências Médicas da Unicamp, coordena um programa de pós-graduação em educação para profissões da saúde, criado em 2011, que tem entre seus alvos de pesquisa a rápida expansão das escolas médicas. Segundo ela, os resultados do Enamed não têm nada de surpreendente – o desempenho insuficiente de escolas de medicina predominantemente privadas criadas recentemente já era visível na avaliação do Exame Nacional de Desempenho dos Estudantes (Enade), que abrange os cursos de todas as profissões. O problema, segundo sua análise, foi a forma como se deu a expansão das faculdades. “Houve cursos que abriram 200 vagas de uma vez e ainda as aumentaram em poucos anos. É impossível garantir uma formação de qualidade, com o necessário ensino nos ambientes clínicos com supervisão de qualidade, em uma escala dessas.” Segundo ela, a implementação e o acompanhamento da qualidade de um curso devem ser baseados na ciência que existe sobre como formar médicos. “O Brasil conta com um grande número de professores que se especializaram em educação médica e acompanham pesquisas e congressos sobre o tema.”</p>
<p><img decoding="async" width="800" height="818" class="size-full wp-image-579560 aligncenter" src="https://revistapesquisa.fapesp.br/wp-content/uploads/2026/03/rpf-medicos-2026-03-800c.jpg" alt="" srcset="https://revistapesquisa.fapesp.br/wp-content/uploads/2026/03/rpf-medicos-2026-03-800c.jpg 800w, https://revistapesquisa.fapesp.br/wp-content/uploads/2026/03/rpf-medicos-2026-03-800c-250x256.jpg 250w, https://revistapesquisa.fapesp.br/wp-content/uploads/2026/03/rpf-medicos-2026-03-800c-700x716.jpg 700w, https://revistapesquisa.fapesp.br/wp-content/uploads/2026/03/rpf-medicos-2026-03-800c-120x123.jpg 120w" sizes="(max-width: 800px) 100vw, 800px" /><span class="media-credits-inline">Talita Hoffmann</span></p>
<p>Pesquisadores e estudantes do programa de pós-graduação da Unicamp vão sair em breve a campo para analisar a qualidade das graduações criadas no estado de São Paulo. A ideia é enviar aos coordenadores dos cursos um questionário para saber até que ponto as experiências clínicas supervisionadas dos alunos estão alinhadas com as Diretrizes Curriculares Nacionais de 2025 e seguem parâmetros de qualidade úteis para a autoavaliação das instituições. “Vamos buscar informações sobre o grande ‘Triângulo das Bermudas’ da educação médica, que é compreender como está sendo feita a formação prática dos alunos, se está abrangendo todas as áreas clínicas necessárias”, afirma Amaral. “Nos interessa principalmente a fase entre o 5º e o 6º anos, o internato, que é o aprendizado no local de trabalho, sob supervisão qualificada e não apenas observando”, diz a pesquisadora.</p>
<p>A criação de um curso de medicina está longe de ser um processo trivial e não é de estranhar que problemas tenham aparecido quando o país estabeleceu centenas deles de uma vez. Em um artigo publicado em 2025 na <em>Revista Brasileira de Educação Médica</em>, Moura, da Uerj, e colaboradores observaram que a maioria das faculdades públicas criadas pelo Programa Mais Médicos não tinha programas de desenvolvimento docente – e os que existiam se baseavam apenas em ações pontuais. “Sempre houve dificuldade de provisionar médicos em regiões distantes, fora dos centros urbanos. É natural que isso acontecesse também na hora de recrutar docentes da área médica”, conclui Moura. Ela ressalta que a atração de bons professores pode ser desafiadora até em lugares bem abastecidos de escolas. “Não se pode comparar os ganhos financeiros entre médicos dedicados à assistência e os envolvidos com a docência. Ser professor possui atrativos diferentes, como orientar a formação de futuros profissionais, fazer pesquisa e participar de congressos, mas isso parece ser escasso em parte das faculdades privadas.”</p>
<picture data-tablet="/wp-content/uploads/2026/03/RPF-medicos-2026-03-info4-670-DESKTOP.png" data-tablet_size="670x370" alt="Análise de cursos de medicina">
    <source srcset="/wp-content/uploads/2026/03/RPF-medicos-2026-03-info4-670-DESKTOP.png" media="(min-width: 1920px)" />
    <source srcset="/wp-content/uploads/2026/03/RPF-medicos-2026-03-info4-670-DESKTOP.png" media="(min-width: 1140px)" />
    <img decoding="async" class="responsive-img" src="/wp-content/uploads/2026/03/RPF-medicos-2026-03-info4-670-MOBILE.png" />
  </picture><span class="embed media-credits-inline">Alexandre Affonso / Revista Pesquisa FAPESP</span>
<p>O psicólogo Carlos Alberto Severo Garcia Junior, do Departamento de Ciências Médicas da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), participou da implementação, a partir de 2018, de um novo curso de medicina da universidade no <em>campus</em> de Araranguá, a 220 quilômetros ao sul de Florianópolis, também no âmbito do Programa Mais Médicos. Em um artigo publicado em 2025 na revista <em>Educação e Pesquisa</em>, Garcia apresentou os resultados de um estudo feito com 10 formados na primeira turma. “Eles se sentiam ratinhos de laboratório. Sofreram o impacto de todo tipo de problema que ocorre quando se instala uma nova graduação”, explica. Na percepção dos estudantes, embora o curso atendesse a um anseio da população da cidade e tenha sido planejado por gestores locais ao longo de quatro anos, houve dificuldade de integração dos alunos com a rede de saúde do município – uma queixa dos estudantes é que sua relação com os trabalhadores das Unidades de Atenção Básica era tensa e a formação crítica que recebiam na universidade não era bem aceita no atendimento prático.</p>
<p>A formação também foi comprometida pela pandemia, que fez as aulas presenciais migrarem para a modalidade a distância por dois anos. Garcia aponta outras dificuldades, como a falta de uma estrutura física adequada e a dificuldade de contratar docentes. “Para um profissional da medicina se integrar ao corpo docente de uma instituição federal, ele precisa estar apaixonado pela ideia, porque, em termos de mercado, a remuneração é pouco atraente”, diz. Frequentemente, a exigência de doutorado para contratação de professores é posta de lado, para permitir o preenchimento da vaga por mestres ou especialistas.</p>
<picture data-tablet="/wp-content/uploads/2026/03/RPF-medicos-2026-03-info5-670-DESKTOP.png" data-tablet_size="670x700" alt="Proporção de profissionais nos estados brasileiros">
    <source srcset="/wp-content/uploads/2026/03/RPF-medicos-2026-03-info5-670-DESKTOP.png" media="(min-width: 1920px)" />
    <source srcset="/wp-content/uploads/2026/03/RPF-medicos-2026-03-info5-670-DESKTOP.png" media="(min-width: 1140px)" />
    <img decoding="async" class="responsive-img" src="/wp-content/uploads/2026/03/RPF-medicos-2026-03-info5-760-MOBILE.png" />
  </picture><span class="embed media-credits-inline">Alexandre Affonso / Revista Pesquisa FAPESP</span>
<p>Schreiber, da Abem, enxerga causas mais complexas no desempenho desigual das escolas públicas e privadas. Ele nota que, com a expansão das vagas, criou-se um desnível pronunciado na concorrência nos vestibulares das faculdades de medicina. De um lado, o ingresso em uma instituição pública segue sendo altamente seletivo. A relação entre candidato e vaga, que era de 73,7 em 2013, continua a ser alta – oscilou para 68,5 em 2023. Já nas instituições privadas, há casos até de vagas ociosas: a razão candidato/vaga despencou de 31,8 em 2013 para apenas 7,17 em 2023. “São dois tipos de alunos com formações muito diferentes e é possível que uma parte das escolas privadas não esteja conseguindo resolver as deficiências que estudantes trouxeram das etapas anteriores de sua formação”, explica. “É claro que existem escolas de má qualidade, mas é possível que uma parte das faculdades mal avaliadas esteja se esforçando para dar uma boa formação e esbarre nas lacunas da educação básica dos estudantes.”</p>
<p>Quando foi lançado, em 2013, o Programa Mais Médicos se tornou conhecido por recrutar milhares de profissionais formados em Cuba por meio de um intercâmbio gerido pela Organização Pan-Americana da Saúde. Essa estratégia foi severamente criticada por entidades médicas, sob a alegação de que os critérios para revalidar diplomas no Brasil não estavam sendo cumpridos e a remuneração era paga ao governo cubano e não diretamente aos médicos. Em 2018, Cuba decidiu encerrar a parceria e repatriou 8,5 mil médicos que estavam no Brasil. “Mas as bolsas para os médicos brasileiros inseridos no programa conseguiram repor boa parte dos profissionais cubanos: há 20 mil médicos no programa em 2025, mais que os 18 mil que havia em 2016”, diz a epidemiologista Leonor Maria Pacheco Santos, pesquisadora sênior da Universidade de Brasília (UnB). Ela é autora de vários estudos sobre o programa, além de um artigo de revisão, de 2024, sobre os efeitos do Mais Médicos na Atenção Primária e seus impactos na saúde da população – o trabalho cita estudos evidenciando que, nos três primeiros anos do Mais Médicos, foram evitadas 23 mil hospitalizações e poupados R$ 30 milhões para o SUS.</p>
<picture data-tablet="/wp-content/uploads/2026/03/RPF-medicos-2026-03-info6-670-DESKTOP.png" data-tablet_size="670x660" alt="Quanto os países conseguiram aumentar o número de médicos disponíveis para a população">
    <source srcset="/wp-content/uploads/2026/03/RPF-medicos-2026-03-info6-670-DESKTOP.png" media="(min-width: 1920px)" />
    <source srcset="/wp-content/uploads/2026/03/RPF-medicos-2026-03-info6-670-DESKTOP.png" media="(min-width: 1140px)" />
    <img decoding="async" class="responsive-img" src="/wp-content/uploads/2026/03/RPF-medicos-2026-03-info6-760-MOBILE.png" />
  </picture><span class="embed media-credits-inline">Alexandre Affonso / Revista Pesquisa FAPESP</span>
<p>O programa mudou de formato em 2019, passando a se chamar Médicos pelo Brasil e se concentrando na contratação pela CLT de profissionais brasileiros em pequenos municípios do Norte e do Nordeste. Retomou o nome original em 2023 e começou a recrutar médicos por meio de bolsas. “É um modelo atraente porque as bolsas, na casa dos R$ 14 mil mensais, são pagas regularmente pelo governo federal. Nas versões anteriores, em que a remuneração era feita pelos municípios, havia muita queixa de atraso”, explica Santos, que está fazendo um estudo qualitativo com médicos vinculados ao programa atualmente. Foram entrevistados 11 profissionais em atividade no Nordeste e no Centro-Oeste. “Parte deles diz que participa do programa por idealismo. Outra parte é mais pragmática e elogia a estrutura oferecida – o município se encarrega, por exemplo, de lhes oferecer moradia”, afirma. “Reter esses profissionais a longo prazo ainda é difícil, mas tem havido médicos que permanecem como bolsistas por quatro ou cinco anos”, conta Santos.</p>
<p>É certo que os desdobramentos do Mais Médicos não saíram como planejado em 2013. “As forças do mercado não poderiam ter sido negligenciadas e houve forte pressão dos grandes grupos educacionais privados para explorar a expansão do mercado das escolas médicas, inclusive judicializando pedidos de abertura de novas escolas”, diz Moura, da Uerj. Um estudo liderado pela economista Cristina Helena Almeida de Carvalho, da Faculdade de Educação da UnB, mostrou como grandes empresas educacionais de capital aberto aproveitaram as oportunidades proporcionadas pelo Mais Médicos. O estudo, publicado em 2024 na revista <em>Educação e Sociedade</em>, comparou os ganhos com cursos privados de medicina e com os de uma outra estratégia dos grupos educacionais para ampliar sua lucratividade nos últimos anos, o ensino a distância (EaD). “A receita gerada por um estudante de medicina equivale à de cerca de 30 estudantes de EaD”, informa o artigo. Ocorre que o “ticket médio” de um aluno de medicina de uma escola particular, estimado pelo valor de matrículas e mensalidades que ele paga, é muito superior ao dos demais cursos, com a vantagem adicional de que há baixa evasão e inadimplência. O valor mediano de mensalidades em faculdades privadas e municipais no Brasil era por volta de R$ 9,5 mil em 2022. O estudo aponta o conglomerado Yduqs Educacional, dono das faculdades Estácio, Ibmec e Damasio, como o grupo que mais abriu vagas por meio do Mais Médicos – 1.838 ao todo. Em segundo lugar aparece o grupo Afya, que tem faculdades em várias regiões do país, com 960 vagas do programa, e o Ânima Educacional, que reúne dezenas de universidades, como a Anhembi Morumbi e a São Judas, com 733.</p>
<p>A expansão recente criou desafios novos, sem que velhos problemas tenham sido resolvidos, a exemplo da distribuição desigual dos profissionais no território brasileiro. De acordo com o estudo Demografia Médica no Brasil 2025, coordenado pela Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (FM-USP), Associação Médica Brasileira e pelo Ministério da Saúde, 68% dos médicos se concentram em 48 cidades que, embora tenham mais de meio milhão de habitantes, reúnem só 30% da população do país. Os municípios mais aquinhoados são Vitória (ES), com 18,52 médicos por mil habitantes, Porto Alegre (RS), com 11,81, e Florianópolis (SC), com 10,48. O exemplo mais precário é o da região oeste do Amazonas, que abrange 21 municípios no Alto Juruá e Alto Solimões. Há, ali, 0,21 médico para mil habitantes.</p>
</div><div class='overflow-responsive-img' style='text-align:center'><picture data-tablet="/wp-content/uploads/2026/03/RPF-medicos-2026-03-info7-1140.png" data-tablet_size="1140x500" alt="O número de vagas para residência médica (RM) cresceu em uma velocidade muito menor do que o de matrículas na graduação em medicina (2018-2024">
    <source srcset="/wp-content/uploads/2026/03/RPF-medicos-2026-03-info7-1140.png" media="(min-width: 1920px)" />
    <source srcset="/wp-content/uploads/2026/03/RPF-medicos-2026-03-info7-1140.png" media="(min-width: 1140px)" />
    <img decoding="async" class="responsive-img" src="/wp-content/uploads/2026/03/RPF-medicos-2026-03-info7-760.png" />
  </picture><span class="embed media-credits-inline">Alexandre Affonso / Revista Pesquisa FAPESP</span></div><div class="post-content sequence">
<p>Em 2024, o Brasil tinha 353 mil especialistas, profissionais que concluíram um programa de residência ou obtiveram título por meio de uma sociedade de especialidade médica, e 244 mil generalistas, que concluíram a graduação e estavam habilitados para atuar na Atenção Primária. Como o número de vagas em programas de residência médica vem crescendo a uma velocidade bem inferior à multiplicação dos profissionais graduados, a proporção dos generalistas aumenta ano a ano. Isso vem criando tensões, visíveis em ações judiciais nas quais médicos que fizeram cursos de educação continuada em temas relacionados a especialidades, no modelo de pós-graduação <em>latu sensu</em>, reivindicam o direito de também se apresentarem aos pacientes como especialistas. A maioria desses processos vem sendo rechaçada pela Justiça. “Existe um grande mercado hoje da pós-graduação <em>lato sensu</em>, que não sofre nenhum tipo de regulação do MEC e não equivale a uma formação em especialidade. Mais de 40% dos cursos são na modalidade EaD”, explica Mario Scheffer, do Departamento de Medicina Preventiva da FM-USP, coordenador do estudo Demografia Médica no Brasil 2025.</p>
<p>A disponibilidade de especialistas é desigual. A única especialidade em que o país tem uma proporção maior de profissionais que outros países é a pediatria: há 23,5 pediatras por 100 mil brasileiros, ante 18 desses especialistas em uma média de 41 países pesquisados pelo estudo. No outro extremo, aparecem os psiquiatras, com apenas 6,69 por 100 mil pessoas, frente a 17,8 dos outros países.</p>
<picture data-tablet="/wp-content/uploads/2026/03/RPF-medicos-2026-03-info8-670-DESKTOP-1.png" data-tablet_size="670x560" alt="Progressão do número de médicos no país desde 2009 e estimativas até 2035, segundo sexo">
    <source srcset="/wp-content/uploads/2026/03/RPF-medicos-2026-03-info8-670-DESKTOP.png" media="(min-width: 1920px)" />
    <source srcset="/wp-content/uploads/2026/03/RPF-medicos-2026-03-info8-670-DESKTOP-1.png" media="(min-width: 1140px)" />
    <img decoding="async" class="responsive-img" src="/wp-content/uploads/2026/03/RPF-medicos-2026-03-info8-760-MOBILE.png" />
  </picture><span class="embed media-credits-inline">Alexandre Affonso / Revista Pesquisa FAPESP</span>
<p>A concentração de especialistas e cirurgiões no setor privado é um capítulo à parte na desigualdade. “O médico se apresenta onde há posto de trabalho. Se o setor privado é muito expandido, é natural que os profissionais se concentrem nele. E a remuneração é melhor no setor privado”, afirma Scheffer. O caso de São Paulo, descrito em um projeto regional do Demografia Médica apoiado pela FAPESP, demonstra de forma ainda mais clara a concentração de especialistas e cirurgiões no setor privado. Quarenta por cento da população paulista tem plano de saúde, o índice mais elevado do país – na capital, São Paulo, chega à metade da população. “São Paulo concentra quase um terço dos graduados cursando a residência médica de todo o país, o que consolida o estado como centro formador de especialistas”, diz Scheffer. “O setor privado absorve grande parte da força de trabalho médica especializada depois de formada na rede pública e financiada com bolsas de residência igualmente públicas.”</p>
<p>Outra tendência apontada pelo estudo é a da feminilização da profissão. As mulheres devem se tornar maioria entre os médicos brasileiros neste ano e, mantidas as condições atuais, devem chegar a 60% em 10 anos – em São Paulo, serão dois terços dos profissionais em atividade. Scheffer observa que o Brasil vive uma situação nova, com uma oferta expressiva de médicos, e precisa criar políticas públicas para que toda a sociedade se beneficie do trabalho desses profissionais. “Uma população de médicos mais jovem e feminina e indicadores de demografia que irão superar os de nações de maior renda é o que se desenha para o Brasil na próxima década.”</p>
<p>Uma dúvida é se o país chegará ao ponto de ter profissionais em excesso, como temem as entidades médicas. “Não há parâmetros objetivos para responder a essa pergunta, mas eu arriscaria dizer que o Brasil vai necessitar proporcionalmente de mais profissionais do que os outros países”, afirma Schreiber, da Abem. “Nenhum outro país com as dimensões do Brasil oferece cobertura universal de saúde a toda a sua população e o sistema público se conjuga com um sistema privado com demandas próprias. Precisamos de médicos para abastecer simultaneamente esses dois sistemas.”</p>
<p class="bibliografia separador-bibliografia"><strong>Projetos<br />
1.</strong> Estudo do impacto de estratégias de avaliação na aprendizagem dos alunos de medicina (<a href="https://bv.fapesp.br/pt/auxilios/103698/estudo-do-impacto-de-estrategias-de-avaliacao-na-aprendizagem-dos-alunos-de-medicina/" target="_blank" rel="noopener">nº 18/15642-1</a>) <strong>Modalidade</strong> Jovens Pesquisadores; <strong>Pesquisador responsável</strong> Dario Cecilio Fernandes (Unicamp); <strong>Investimento</strong> R$ 1.418.391,93.<br />
<strong>2.</strong> Força de Trabalho Médico no Estado de São Paulo: evidências para planejamento da oferta, distribuição e formação de médicos especialistas (nº 23/10124-0) <strong>Modalidade</strong> Pesquisa em Políticas Públicas; P<strong>esquisador responsável</strong> Mário César Scheffer (USP); <strong>Investimento</strong> R$ 1.196.409,84.</p>
<p class="bibliografia"><strong>Artigos científicos<br />
</strong>SILVA, M.A.C.N. <em>et al</em>. <a href="https://www.scielo.br/j/rbem/a/X9dhdVfq7QQN57xJxt9N66x/?lang=pt" target="_blank" rel="noopener">Programas de desenvolvimento ou de provimento docente? Retrato das escolas federais do Programa Mais Médicos</a>. <strong>Revista Brasileira de Educação Médica</strong>. v. 49, 2025.<br />
GARCIA JR, C.A.S. <em>et al</em>. <a href="https://www.scielo.br/j/ep/a/LhwwXrYHxhzMWtv6cCLCHvS/?lang=pt" target="_blank" rel="noopener">Desafios pedagógicos na formação médica: experiências de um curso recentemente implementado no sul do Brasil</a>. <strong>Educação e Pesquisa</strong>. v. 51, 2025.<br />
OLIVEIRA, J.P.A. <em>et al</em>. <a href="https://www.scielo.br/j/tes/a/DC5fcN5YD3hVsQzZ8dCMH5g/?lang=pt" target="_blank" rel="noopener">Efeitos do Programa Mais Médicos na Atenção Primária e seus impactos na saúde: uma revisão sistemática</a>. <strong>Trabalho, Educação e Saúde</strong>. v. 22, 2024.<br />
CARVALHO, C.H.A.<em> et al</em>. <a href="https://www.scielo.br/j/es/a/yDc9c9QwYXvx3nNJKWm5DTf/?format=html&amp;lang=pt" target="_blank" rel="noopener">Financeirização da educação superior privada no Brasil. Expansão dos cursos de medicina nos grupos de capital aberto</a> (2013-2022)<strong>. Educação &amp; Sociedade</strong>. v. 45, 2024.</p>
]]></content:encoded>
					
		
		
			</item>
		<item>
		<title>Dicionário kuikuro valoriza saber indígena e amplia preservação linguística no Brasil</title>
		<link>https://revistapesquisa.fapesp.br/dicionario-kuikuro-valoriza-saber-indigena-e-amplia-preservacao-linguistica-no-brasil/?utm_source=rss&#038;utm_medium=rss&#038;utm_campaign=dicionario-kuikuro-valoriza-saber-indigena-e-amplia-preservacao-linguistica-no-brasil</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Redação]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 01 Mar 2026 14:00:27 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Vídeos]]></category>
		<category><![CDATA[Antropologia]]></category>
		<category><![CDATA[Linguística]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://revistapesquisa.fapesp.br/?p=579488</guid>

					<description><![CDATA[Parceria entre instituições de pesquisa e comunidade registra vocabulário, cultura material e escrita alfabética desenvolvida por professores kuikuro desde os anos 1990 &#124; 9'38]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p><iframe loading="lazy" title="YouTube video player" src="https://www.youtube.com/embed/GX-IfO_C8hs" width="560" height="315" frameborder="0" allowfullscreen="allowfullscreen"><span data-mce-type="bookmark" style="display: inline-block; width: 0px; overflow: hidden; line-height: 0;" class="mce_SELRES_start">﻿</span></iframe></p>
<p>Parceria entre instituições de pesquisa e comunidade registra vocabulário, <a href="https://revistapesquisa.fapesp.br/dicionarios-e-centro-de-documentacao-registram-linguas-dos-povos-originarios/" target="_blank" rel="noopener">cultura material e escrita alfabética desenvolvida por professores kuikuro desde os anos 1990.</a></p>
]]></content:encoded>
					
		
		
			</item>
		<item>
		<title>O início das HQs no Brasil</title>
		<link>https://revistapesquisa.fapesp.br/o-inicio-das-hqs-no-brasil/?utm_source=rss&#038;utm_medium=rss&#038;utm_campaign=o-inicio-das-hqs-no-brasil</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Juliana Vaz]]></dc:creator>
		<pubDate>Sat, 28 Feb 2026 13:00:10 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Memória]]></category>
		<category><![CDATA[Notícias]]></category>
		<category><![CDATA[Comunicação]]></category>
		<category><![CDATA[História]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://revistapesquisa.fapesp.br/?p=579472</guid>

					<description><![CDATA[Publicadas no país em 1855 e em 1869, as primeiras narrativas ilustradas conciliam uma estética europeia com uma crítica aos costumes da época no Rio de Janeiro ]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>Em meio a notícias sobre a guerra no Paraguai e informes sobre o teatro, a revista <em>A Vida Fluminense</em> de 30 de janeiro de 1869 trazia uma surpresa a seus leitores. Duas de suas oito páginas estampavam o primeiro capítulo de <em>As aventuras de Nhô Quim ou impressões de uma viagem à Corte</em>, um novo formato narrativo gráfico que o semanário apresentou como um “romance ilustrado”. Tratava-se de uma combinação de texto e desenho contando a história de um rapaz interiorano, filho de um rico proprietário de terras de Minas Gerais, que, após se apaixonar por uma moça pobre, é enviado pelo pai ao Rio de Janeiro. Semana a semana, a saga de Nhô Quim prosseguia pela então capital do Império, onde o personagem se envolve em uma série de confusões e episódios rocambolescos.</p>
<p>Criada pelo ilustrador e caricaturista italiano Angelo Agostini (1843-1910), um dos sócios de<em> A Vida Fluminense</em>, o “romance ilustrado” é tradicionalmente considerado a primeira história em quadrinhos do Brasil. A data de sua estreia, 30 de janeiro, foi escolhida em 1984 pela Associação dos Quadrinhistas e Caricaturistas do Estado de São Paulo para a comemoração simbólica do Dia do Quadrinho Nacional.</p>
<p>“<em>Nhô Quim</em> teve como modelo o folhetim literário. A narrativa guarda muitas semelhanças com o romance <em>Memórias de um sargento de milícias</em>, de Manuel Antônio de Almeida [1831-1861]”, afirma o historiador Gilberto Maringoni, da Universidade Federal do ABC e autor de uma tese de doutorado sobre Agostini, defendida na Universidade de São Paulo (USP) em 2006. “A série é tida como a pioneira no país por ser uma narrativa sequencial com personagem fixo e publicada em um meio reprodutível, a imprensa.”</p>
<div id="attachment_579505" style="max-width: 1150px" class="wp-caption aligncenter"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-579505 size-full" src="https://revistapesquisa.fapesp.br/wp-content/uploads/2026/02/RPF-memoria-HQ-Nho_Quim_trem-2026-03-1140.jpg" alt="" width="1140" height="522" srcset="https://revistapesquisa.fapesp.br/wp-content/uploads/2026/02/RPF-memoria-HQ-Nho_Quim_trem-2026-03-1140.jpg 1140w, https://revistapesquisa.fapesp.br/wp-content/uploads/2026/02/RPF-memoria-HQ-Nho_Quim_trem-2026-03-1140-250x114.jpg 250w, https://revistapesquisa.fapesp.br/wp-content/uploads/2026/02/RPF-memoria-HQ-Nho_Quim_trem-2026-03-1140-700x321.jpg 700w, https://revistapesquisa.fapesp.br/wp-content/uploads/2026/02/RPF-memoria-HQ-Nho_Quim_trem-2026-03-1140-120x55.jpg 120w" sizes="auto, (max-width: 1140px) 100vw, 1140px" /><p class="wp-caption-text"><span class="media-credits-inline">AGOSTINI, <strong>A. As aventuras de Nhô-Quim &amp; Zé Caipora</strong>. 2013</span>Obra <em>Nhô Quim</em>, de Agostini, de 1869<span class="media-credits">AGOSTINI, <strong>A. As aventuras de Nhô-Quim & Zé Caipora</strong>. 2013</span></p></div>
<p>Republicado em 2013 pelo Senado Federal, <em>Nhô Quim</em> antecipou recursos formais que os quadrinhos norte-americanos só viriam a apresentar no início do século XX, como a utilização de um mesmo cenário em quadros consecutivos. No âmbito mundial, a obra tida pela crítica como a primeira HQ moderna é <em>Yellow Kid</em>, do cartunista norte-americano Richard Felton Outcault (1863-1928). Surgida em 1895, quase três décadas após <em>Nhô Quim</em>, <em>Yellow Kid</em> fazia uso de balões de fala, ao contrário da série brasileira, que apresentava legendas posicionadas abaixo de cada quadro.</p>
<p>No Brasil, o estabelecimento de um marco zero das HQ tem gerado controvérsias, uma vez que não existe consenso a respeito do que define uma história em quadrinhos. Em 2024, a Biblioteca Nacional do Rio de Janeiro organizou uma exposição em homenagem ao “autor da primeira história em quadrinhos do Brasil”, o artista francês Sébastien Sisson (1824-1898). Sua narrativa pioneira, <em>O namoro, quadros ao vivo</em>, saiu em 15 de outubro de 1855 no jornal <em>O Brasil Ilustrado</em>, 14 anos antes de <em>Nhô Quim</em>.</p>
<p>“<em>O namoro</em> é simples em termos de desenho, mas já contém todos os elementos básicos de uma HQ: um enredo e uma narrativa sequenciada de texto e imagem. Pode ser que os historiadores descubram uma HQ anterior à do Sisson, mas, até o momento, ela foi a primeira”, afirma Bárbara Ferreira, cofundadora do Instituto Sébastien Sisson. O crítico de arte Herman Lima (1897-1981) em seu livro <em>História da caricatura no Brasil</em> (José Olympio, 1963), foi taxativo: “Trata-se evidentemente da primeira história de quadrinhos aparecida no Brasil e mostra, em deliciosas cenas cheias de graça e pitoresco, as diversas fases do namoro no Rio daqueles tempos recuados”.</p>
<div id="attachment_579509" style="max-width: 1150px" class="wp-caption aligncenter"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-579509 size-full" src="https://revistapesquisa.fapesp.br/wp-content/uploads/2026/02/RPF-memoria-HQ-The-Yellow-Kid-2026-03-1140.jpg" alt="" width="1140" height="756" srcset="https://revistapesquisa.fapesp.br/wp-content/uploads/2026/02/RPF-memoria-HQ-The-Yellow-Kid-2026-03-1140.jpg 1140w, https://revistapesquisa.fapesp.br/wp-content/uploads/2026/02/RPF-memoria-HQ-The-Yellow-Kid-2026-03-1140-250x166.jpg 250w, https://revistapesquisa.fapesp.br/wp-content/uploads/2026/02/RPF-memoria-HQ-The-Yellow-Kid-2026-03-1140-700x464.jpg 700w, https://revistapesquisa.fapesp.br/wp-content/uploads/2026/02/RPF-memoria-HQ-The-Yellow-Kid-2026-03-1140-120x80.jpg 120w" sizes="auto, (max-width: 1140px) 100vw, 1140px" /><p class="wp-caption-text"><span class="media-credits-inline">Ohio State University</span><em>Yellow Kid</em>, de Richard Felton Outcault, começou a circular em 1895 com balões de fala em vez de legendas para cada cena, como no Brasil<span class="media-credits">Ohio State University</span></p></div>
<p>Originário da Alsácia, região da França, Sisson aportou aos 28 anos no Rio de Janeiro, onde se estabeleceu como litógrafo. “Ele aprendeu a litografia na oficina de Lemercier, uma das mais importantes de Paris no século XIX. Poucos anos após chegar ao Brasil, começou a desenhar charges e caricaturas em periódicos como <em>O Brasil Ilustrado</em> e a <em>L’Iride Italiana</em>, revista publicada em português e italiano, no Rio de Janeiro”, relata Ferreira. Sua obra mais célebre é <em>Galeria dos brasileiros ilustres</em>, com 90 retratos de personalidades da história do Brasil. Em 1866, ele recebeu o título de “litógrafo e desenhador da Casa Imperial” e, em 1882, foi condecorado pelo imperador com a Ordem da Rosa por restaurar voluntariamente algumas estampas do acervo da Biblioteca Nacional. “Sisson respeitava o imperador e, ao que parece, teve uma boa relação com ele. Mas, como caricaturista, fazia críticas sociais: abordava temas como reparos a obras públicas, atos administrativos, queixas contra o custo de vida, o lixo nas praias e a burocracia pública”, ressalva Ferreira.</p>
<p>Agostini tinha uma relação diferente com o Segundo Reinado. Nascido no Piemonte, norte da Itália, viveu em Paris antes de vir para o Brasil, em 1859. Nessa época, a imprensa ilustrada nacional se consolidava e se tornava um grande laboratório de experimentação gráfica, graças ao impulso dado pela chegada da litografia, na qual o desenho é traçado sobre uma pedra, servindo como matriz para a impressão em papel. A técnica, inventada na Alemanha no final do século XVIII, barateou o processo de reprodução de imagens e facilitou sua ampla circulação.</p>
<p>Foi nesse cenário de modernização da cultura visual que Agostini fundou, em 1876, a <em>Revista Illustrada</em>, considerada a mais importante publicação satírica do período monárquico. Conhecida pelas ilustrações e caricaturas críticas ao regime escravocrata e ao imperador dom Pedro II, foi considerada pelo jurista e diplomata Joaquim Nabuco (1849-1910) “a Bíblia abolicionista do povo, o qual não sabe ler”. Também foi nas páginas da <em>Revista Illustrada</em> que Agostini começou a publicar outra narrativa gráfica pioneira, <em>As aventuras de Zé Caipora</em>, a “primeira história de quadrinhos de longa duração publicada na imprensa brasileira”, nas palavras de Lima.</p>
<div id="attachment_579513" style="max-width: 1150px" class="wp-caption aligncenter"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-579513 size-full" src="https://revistapesquisa.fapesp.br/wp-content/uploads/2026/02/RPF-memoria-HQ-Tico-tico-2026-03-1140.jpg" alt="" width="1140" height="817" srcset="https://revistapesquisa.fapesp.br/wp-content/uploads/2026/02/RPF-memoria-HQ-Tico-tico-2026-03-1140.jpg 1140w, https://revistapesquisa.fapesp.br/wp-content/uploads/2026/02/RPF-memoria-HQ-Tico-tico-2026-03-1140-250x179.jpg 250w, https://revistapesquisa.fapesp.br/wp-content/uploads/2026/02/RPF-memoria-HQ-Tico-tico-2026-03-1140-700x502.jpg 700w, https://revistapesquisa.fapesp.br/wp-content/uploads/2026/02/RPF-memoria-HQ-Tico-tico-2026-03-1140-120x86.jpg 120w" sizes="auto, (max-width: 1140px) 100vw, 1140px" /><p class="wp-caption-text"><span class="media-credits-inline">Livraria do Senado</span>A longeva <em>Tico-Tico</em>, primeira HQ nacional para o público infantil (de 1905 a 1957) e um dos personagens do <em>Gibi</em><span class="media-credits">Livraria do Senado</span></p></div>
<p>“A memória construída sobre Angelo Agostini é a de um artista envolvido com as causas principais do seu tempo: a Abolição, a transformação do regime político de Império para a República, e o anticlericalismo fervoroso”, comenta o historiador Marcelo Balaban, da Universidade de Brasília, e autor dos livros <em>Poeta do lápis: Sátira e política na trajetória de Angelo Agostini no Brasil Imperial (1864-1888)</em> (Editora da Unicamp, 2009) e coorganizador de <em>As aventuras de Nhô Quim, ou impressões de uma viagem à Corte: Romance ilustrado </em>(Chão, 2024). Balaban adverte, porém, que a obra do desenhista italiano é atravessada por preconceito racial e visões estereotipadas sobre pessoas negras que eram amplamente aceitas nos círculos intelectuais da sociedade oitocentista.</p>
<p>“<em>Nhô Quim</em> é uma narrativa inteiramente escorregadia. Por um lado, faz uma sátira à classe senhorial brasileira”, diz Balaban. “Ao mesmo tempo, é cheia de significados não necessariamente abolicionistas e já profundamente racistas, que se apoia na ideia de que pessoas negras não são confiáveis.”</p>
<p>As obras de Sisson e Agostini resultam de um processo abrangente e internacional de experimentação gráfica em curso na Europa, incorporando padrões estéticos desenvolvidos por artistas daquele continente desde a década de 1820. Um deles, o suíço Rodolphe Töpffer (1799-1846), considerado o precursor das HQ na Europa, criou um híbrido de texto e desenho que chamou de “literatura em estampas”, e, nesse formato, publicou narrativas completas que fizeram sucesso na França, como <em>Histoire de M. Vieux Bois</em> (1828). Na Alemanha, Wilhelm Busch (1832-1908) criou em 1865 a narrativa gráfica humorística acompanhada de versos rimados <em>Max und Moritz</em>, que se tornou muito popular. No Brasil, foi editada como <em>Juca e Chico – História de dois meninos em sete travessuras</em>, em tradução para o português feita pelo poeta Olavo Bilac (1865-1918). “É um momento histórico em que artistas de vários países propunham experimentos com caricatura e usavam imagens na construção de narrativas. A noção de HQ ainda não existia, então não dá para pensar em uma única origem para elas. Foi uma experimentação coletiva”, comenta Balaban.</p>
<div id="attachment_579517" style="max-width: 1150px" class="wp-caption aligncenter"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-579517 size-full" src="https://revistapesquisa.fapesp.br/wp-content/uploads/2026/02/RPF-memoria-Viaduto-2026-03-1140.jpg" alt="" width="1140" height="626" srcset="https://revistapesquisa.fapesp.br/wp-content/uploads/2026/02/RPF-memoria-Viaduto-2026-03-1140.jpg 1140w, https://revistapesquisa.fapesp.br/wp-content/uploads/2026/02/RPF-memoria-Viaduto-2026-03-1140-250x137.jpg 250w, https://revistapesquisa.fapesp.br/wp-content/uploads/2026/02/RPF-memoria-Viaduto-2026-03-1140-700x384.jpg 700w, https://revistapesquisa.fapesp.br/wp-content/uploads/2026/02/RPF-memoria-Viaduto-2026-03-1140-120x66.jpg 120w" sizes="auto, (max-width: 1140px) 100vw, 1140px" /><p class="wp-caption-text"><span class="media-credits-inline">Editora Veneta</span>Personagem e página de <em>Viaduto</em>, romance gráfico criado por Ana Luiza Koehler e publicado em 2023<span class="media-credits">Editora Veneta</span></p></div>
<p>O quadrinho brasileiro se consolidou no século XX. Em 1905, foi lançada a revista <em>Tico-Tico</em>, a primeira voltada para o público infantil. Aliando entretenimento e fins educacionais, o então chamado “jornal das crianças” teve Agostini entre seus colaboradores e se tornou uma das revistas mais longevas das histórias em quadrinhos nacionais, circulando como publicação periódica até 1957.</p>
<p>Na década de 1930, a influência do modelo europeu diminui, e os leitores brasileiros passam a ter contato com personagens de sucesso das HQ norte-americanas, como Super-Homem, Popeye e Pato Donald. Os quadrinhos eram publicados nas páginas do <em>Suplemento Juvenil</em>, lançado pelo jornalista e editor russo naturalizado brasileiro Adolfo Aizen (1904-1991), e do <em>Globo Juvenil</em>, de Roberto Marinho (1904-2003). Em 1939, o grupo Globo publicou <em>Gibi</em>, com 32 páginas, que com o tempo se tornou sinônimo de revistas em quadrinhos e seguiu até 1977, com diferentes formatos e periodicidade.</p>
<div id="attachment_579521" style="max-width: 810px" class="wp-caption alignright"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-579521 size-full" src="https://revistapesquisa.fapesp.br/wp-content/uploads/2026/02/RPF-memoria-HQ-Perere-2026-03-800.jpg" alt="" width="800" height="1279" srcset="https://revistapesquisa.fapesp.br/wp-content/uploads/2026/02/RPF-memoria-HQ-Perere-2026-03-800.jpg 800w, https://revistapesquisa.fapesp.br/wp-content/uploads/2026/02/RPF-memoria-HQ-Perere-2026-03-800-250x400.jpg 250w, https://revistapesquisa.fapesp.br/wp-content/uploads/2026/02/RPF-memoria-HQ-Perere-2026-03-800-700x1119.jpg 700w, https://revistapesquisa.fapesp.br/wp-content/uploads/2026/02/RPF-memoria-HQ-Perere-2026-03-800-120x192.jpg 120w" sizes="auto, (max-width: 800px) 100vw, 800px" /><p class="wp-caption-text"><span class="media-credits-inline">Instituto Ziraldo</span><em>Pererê</em>, criada por Ziraldo Alves Pinto, circulou de 1959 a 1964<span class="media-credits">Instituto Ziraldo</span></p></div>
<p>O aparecimento das grandes editoras, como a Ebal, fundada também por Aizen, em 1945, e a Abril, criada em 1950 pelo ítalo-americano naturalizado brasileiro Victor Civita (1907-1990), introduziu no país os heróis da DC Comics e da Marvel, como Capitão América, Homem-Aranha e Batman. “O estabelecimento de uma indústria brasileira foi muito difícil no início por causa da predominância econômica dos quadrinhos norte-americanos”, comenta o biblioteconomista Waldomiro Vergueiro, professor aposentado da Escola de Arte e Comunicação da USP e fundador do grupo de pesquisa Observatório de Histórias em Quadrinhos.</p>
<p>“O cenário só se modificou com o aparecimento de Maurício de Sousa, criador da <em>Revista da Mônica</em>, publicada em 1970 pela Abril. A partir daí o quadrinho brasileiro para o público infantil começou a predominar”, observa Vergueiro. Oliveira cita também a revista <em>Pererê</em>, criada pelo cartunista Ziraldo Alves Pinto (1932-2024) e publicada de 1959 a 1964, com personagens baseados nas lendas brasileiras.</p>
<p>Hoje, as HQ brasileiras proliferam no meio digital e a produção autoral tem crescido significativamente graças à possibilidade de autopublicação e à internet. Além disso, autorias historicamente sub-representadas, como as femininas – a exemplo de Ana Luiza Koehler – e as negras, como Marcelo D’Salete, têm alcançado visibilidade e conquistado relevantes prêmios nacionais, como HQ Mix e Jabuti.</p>
<p class="bibliografia"><strong>Livros</strong><br />
AGOSTINI, A. <strong><a href="https://www2.senado.leg.br/bdsf/handle/id/521244" target="_blank" rel="noopener">As Aventuras de Nhô-Quim &amp; Zé Caipora: os primeiros quadrinhos brasileiros 1869-1883</a></strong>. Brasília: Senado Federal, 2013.<br />
AGOSTINI, A.; FARIA, C. A. de. <strong><a href="https://chaoeditora.com.br/livros/nho-quim/" target="_blank" rel="noopener">As aventuras de Nhô Quim, ou impressões de uma viagem à Corte: Romance ilustrado</a></strong>. São Paulo: Chão Editora, 2024.<br />
BALABAN, M. <strong><a href="https://drive.google.com/file/d/1Yhra9vhQ9K8CpqIC4DUJRYU1LgNeoqPU/view" target="_blank" rel="noopener">Poeta do lápis: sátira e política na trajetória de Angelo Agostini no Brasil Imperial (1864-1888)</a></strong>. Campinas, sp: Editora da Unicamp, 2009.<br />
MARINGONI, G. <strong>Angelo Agostini: Imprensa Ilustrada da Corte Capital à Capital Federal, 1864-1910</strong>. São Paulo, Devir, 2010.<br />
LIMA, H. <strong>História da caricatura no Brasil</strong>. Rio de Janeiro: José Olympio, 1963.</p>
]]></content:encoded>
					
		
		
			</item>
		<item>
		<title>Carlos Crestani</title>
		<link>https://revistapesquisa.fapesp.br/carlos-crestani/?utm_source=rss&#038;utm_medium=rss&#038;utm_campaign=carlos-crestani</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Pesquisa Brasil]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 27 Feb 2026 13:06:16 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Entrevistas]]></category>
		<category><![CDATA[Saúde Pública]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://revistapesquisa.fapesp.br/?p=579452</guid>

					<description><![CDATA[Composto tem potencial para combater a ansiedade causada por stress social]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<div
  class="waveform-player container interview "
  data-start-time="429"
  data-duration="623"
  id="waveform-player-1"
>
      <figure style="background-image: url(/wp-content/thumbs/1ac95d224f87b5c9053fb09b92828436193bd673_375-202cropped.jpg);"></figure>
      <div class="progress-bar">
    <div class="bg" style="background-image: url(/services/waveform.php?media_url=https%3A%2F%2Fmedia.blubrry.com%2Ffapesp_pesquisa_brasil%2Fcontent.blubrry.com%2Ffapesp_pesquisa_brasil%2FPbr_27FEVEREIRO26.mp3);"></div>
    <div class="pointer"></div>
    <img decoding="async" class="progress-bar overlay" src="/services/waveform.php?media_url=https%3A%2F%2Fmedia.blubrry.com%2Ffapesp_pesquisa_brasil%2Fcontent.blubrry.com%2Ffapesp_pesquisa_brasil%2FPbr_27FEVEREIRO26.mp3">
  </div>
  <div class="play-pause"></div>
  <div class="media-title">
        <span>&nbsp;</span>
      </div>
  <div class="time-display">00:00 / 10:23</div>
  
  <audio preload="none">
    <source type="audio/mpeg" src="https://media.blubrry.com/fapesp_pesquisa_brasil/content.blubrry.com/fapesp_pesquisa_brasil/Pbr_27FEVEREIRO26.mp3" >  </audio>
</div>

<p>Composto tem potencial para combater a ansiedade causada por stress social.</p>
<p><em>Apresentação</em>: Fabrício Marques<br />
<em>Produção, roteiro e edição</em>: Sarah Caravieri</p>
]]></content:encoded>
					
		
		
			</item>
		<item>
		<title>Luciana Rizzo</title>
		<link>https://revistapesquisa.fapesp.br/luciana-rizzo/?utm_source=rss&#038;utm_medium=rss&#038;utm_campaign=luciana-rizzo</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Pesquisa Brasil]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 27 Feb 2026 13:05:25 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Entrevistas]]></category>
		<category><![CDATA[Ambiente]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://revistapesquisa.fapesp.br/?p=579453</guid>

					<description><![CDATA[Pantanal é o bioma brasileiro que mais aqueceu e perdeu chuvas em 40 anos]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<div
  class="waveform-player container interview "
  data-start-time="1052"
  data-duration="539"
  id="waveform-player-2"
>
      <figure style="background-image: url(/wp-content/thumbs/1ac95d224f87b5c9053fb09b92828436193bd673_375-202cropped.jpg);"></figure>
      <div class="progress-bar">
    <div class="bg" style="background-image: url(/services/waveform.php?media_url=https%3A%2F%2Fmedia.blubrry.com%2Ffapesp_pesquisa_brasil%2Fcontent.blubrry.com%2Ffapesp_pesquisa_brasil%2FPbr_27FEVEREIRO26.mp3);"></div>
    <div class="pointer"></div>
    <img decoding="async" class="progress-bar overlay" src="/services/waveform.php?media_url=https%3A%2F%2Fmedia.blubrry.com%2Ffapesp_pesquisa_brasil%2Fcontent.blubrry.com%2Ffapesp_pesquisa_brasil%2FPbr_27FEVEREIRO26.mp3">
  </div>
  <div class="play-pause"></div>
  <div class="media-title">
        <span>&nbsp;</span>
      </div>
  <div class="time-display">00:00 / 08:59</div>
  
  <audio preload="none">
    <source type="audio/mpeg" src="https://media.blubrry.com/fapesp_pesquisa_brasil/content.blubrry.com/fapesp_pesquisa_brasil/Pbr_27FEVEREIRO26.mp3" >  </audio>
</div>

<p>Pantanal é o bioma brasileiro <a href="https://revistapesquisa.fapesp.br/pantanal-e-o-bioma-brasileiro-que-mais-aqueceu-e-perdeu-chuvas-em-40-anos/" target="_blank" rel="noopener">que mais aqueceu e perdeu chuvas em 40 anos.</a></p>
<p><em>Apresentação</em>: Fabrício Marques<br />
<em>Produção, roteiro e edição</em>: Sarah Caravieri</p>
]]></content:encoded>
					
		
		
			</item>
		<item>
		<title>Giselda Durigan</title>
		<link>https://revistapesquisa.fapesp.br/giselda-durigan/?utm_source=rss&#038;utm_medium=rss&#038;utm_campaign=giselda-durigan</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Pesquisa Brasil]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 27 Feb 2026 13:04:29 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Entrevistas]]></category>
		<category><![CDATA[Ambiente]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://revistapesquisa.fapesp.br/?p=579454</guid>

					<description><![CDATA[Campos do Cerrado expostos ao fogo por anos seguidos exibem resiliência]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<div
  class="waveform-player container interview "
  data-start-time="1591"
  data-duration="517"
  id="waveform-player-3"
>
      <figure style="background-image: url(/wp-content/thumbs/1ac95d224f87b5c9053fb09b92828436193bd673_375-202cropped.jpg);"></figure>
      <div class="progress-bar">
    <div class="bg" style="background-image: url(/services/waveform.php?media_url=https%3A%2F%2Fmedia.blubrry.com%2Ffapesp_pesquisa_brasil%2Fcontent.blubrry.com%2Ffapesp_pesquisa_brasil%2FPbr_27FEVEREIRO26.mp3);"></div>
    <div class="pointer"></div>
    <img decoding="async" class="progress-bar overlay" src="/services/waveform.php?media_url=https%3A%2F%2Fmedia.blubrry.com%2Ffapesp_pesquisa_brasil%2Fcontent.blubrry.com%2Ffapesp_pesquisa_brasil%2FPbr_27FEVEREIRO26.mp3">
  </div>
  <div class="play-pause"></div>
  <div class="media-title">
        <span>&nbsp;</span>
      </div>
  <div class="time-display">00:00 / 08:37</div>
  
  <audio preload="none">
    <source type="audio/mpeg" src="https://media.blubrry.com/fapesp_pesquisa_brasil/content.blubrry.com/fapesp_pesquisa_brasil/Pbr_27FEVEREIRO26.mp3" >  </audio>
</div>

<p>Campos do Cerrado <a href="https://revistapesquisa.fapesp.br/pantanal-e-o-bioma-brasileiro-que-mais-aqueceu-e-perdeu-chuvas-em-40-anos/" target="_blank" rel="noopener">expostos ao fogo por anos seguidos exibem resiliência.</a></p>
<p><em>Apresentação</em>: Fabrício Marques<br />
<em>Produção, roteiro e edição</em>: Sarah Caravieri</p>
]]></content:encoded>
					
		
		
			</item>
		<item>
		<title>Rivelino Cavalcante</title>
		<link>https://revistapesquisa.fapesp.br/rivelino-cavalcante/?utm_source=rss&#038;utm_medium=rss&#038;utm_campaign=rivelino-cavalcante</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Pesquisa Brasil]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 27 Feb 2026 13:03:48 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Entrevistas]]></category>
		<category><![CDATA[Ambiente]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://revistapesquisa.fapesp.br/?p=579455</guid>

					<description><![CDATA[Óleo que vazou na costa do Brasil gruda em lixo marinho e vai parar na Flórida]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<div
  class="waveform-player container interview "
  data-start-time="2108"
  data-duration="675"
  id="waveform-player-4"
>
      <figure style="background-image: url(/wp-content/thumbs/1ac95d224f87b5c9053fb09b92828436193bd673_375-202cropped.jpg);"></figure>
      <div class="progress-bar">
    <div class="bg" style="background-image: url(/services/waveform.php?media_url=https%3A%2F%2Fmedia.blubrry.com%2Ffapesp_pesquisa_brasil%2Fcontent.blubrry.com%2Ffapesp_pesquisa_brasil%2FPbr_27FEVEREIRO26.mp3);"></div>
    <div class="pointer"></div>
    <img decoding="async" class="progress-bar overlay" src="/services/waveform.php?media_url=https%3A%2F%2Fmedia.blubrry.com%2Ffapesp_pesquisa_brasil%2Fcontent.blubrry.com%2Ffapesp_pesquisa_brasil%2FPbr_27FEVEREIRO26.mp3">
  </div>
  <div class="play-pause"></div>
  <div class="media-title">
        <span>&nbsp;</span>
      </div>
  <div class="time-display">00:00 / 11:15</div>
  
  <audio preload="none">
    <source type="audio/mpeg" src="https://media.blubrry.com/fapesp_pesquisa_brasil/content.blubrry.com/fapesp_pesquisa_brasil/Pbr_27FEVEREIRO26.mp3" >  </audio>
</div>

<p><a href="https://revistapesquisa.fapesp.br/oleo-da-costa-brasileira-chega-a-florida/" target="_blank" rel="noopener">Óleo que vazou na costa do Brasil gruda em lixo marinho e vai parar na Flórida.</a></p>
<p><em>Apresentação</em>: Fabrício Marques<br />
<em>Produção, roteiro e edição</em>: Sarah Caravieri</p>
]]></content:encoded>
					
		
		
			</item>
		<item>
		<title>Priscila Farias</title>
		<link>https://revistapesquisa.fapesp.br/priscila-farias/?utm_source=rss&#038;utm_medium=rss&#038;utm_campaign=priscila-farias</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Pesquisa Brasil]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 27 Feb 2026 13:02:55 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Entrevistas]]></category>
		<category><![CDATA[Artes Visuais]]></category>
		<category><![CDATA[História]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://revistapesquisa.fapesp.br/?p=579456</guid>

					<description><![CDATA[O design popular das letras pintadas à mão é alvo de estudos acadêmicos]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<div
  class="waveform-player container interview "
  data-start-time="2783"
  data-duration="-1"
  id="waveform-player-5"
>
      <figure style="background-image: url(/wp-content/thumbs/1ac95d224f87b5c9053fb09b92828436193bd673_375-202cropped.jpg);"></figure>
      <div class="progress-bar">
    <div class="bg" style="background-image: url(/services/waveform.php?media_url=https%3A%2F%2Fmedia.blubrry.com%2Ffapesp_pesquisa_brasil%2Fcontent.blubrry.com%2Ffapesp_pesquisa_brasil%2FPbr_27FEVEREIRO26.mp3);"></div>
    <div class="pointer"></div>
    <img decoding="async" class="progress-bar overlay" src="/services/waveform.php?media_url=https%3A%2F%2Fmedia.blubrry.com%2Ffapesp_pesquisa_brasil%2Fcontent.blubrry.com%2Ffapesp_pesquisa_brasil%2FPbr_27FEVEREIRO26.mp3">
  </div>
  <div class="play-pause"></div>
  <div class="media-title">
        <span>&nbsp;</span>
      </div>
  <div class="time-display">00:00 / 00:-1</div>
  
  <audio preload="metadata">
    <source type="audio/mpeg" src="https://media.blubrry.com/fapesp_pesquisa_brasil/content.blubrry.com/fapesp_pesquisa_brasil/Pbr_27FEVEREIRO26.mp3" >  </audio>
</div>

<p><a href="https://revistapesquisa.fapesp.br/abridores-de-letras-inserem-sotaque-proprio-no-espaco-publico/" target="_blank" rel="noopener">O design popular das letras pintadas à mão é alvo de estudos acadêmicos.</a></p>
<p><em>Apresentação</em>: Fabrício Marques<br />
<em>Produção, roteiro e edição</em>: Sarah Caravieri</p>
]]></content:encoded>
					
		
		
			</item>
		<item>
		<title>Impactos do clima mais quente e seco</title>
		<link>https://revistapesquisa.fapesp.br/impactos-do-clima-mais-quente-e-seco/?utm_source=rss&#038;utm_medium=rss&#038;utm_campaign=impactos-do-clima-mais-quente-e-seco</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Pesquisa Brasil]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 27 Feb 2026 13:01:19 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Podcast Pesquisa Brasil]]></category>
		<category><![CDATA[Ambiente]]></category>
		<category><![CDATA[Artes Visuais]]></category>
		<category><![CDATA[História]]></category>
		<category><![CDATA[Saúde Pública]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://revistapesquisa.fapesp.br/?p=579450</guid>

					<description><![CDATA[Podcast discute como o fogo tem efeitos distintos no Cerrado e no Pantanal. E mais: hormônio do bem-estar; poluição marinha; letras populares]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<div
  class="waveform-player container  playlist "
  data-start-time="0"
  data-duration=""
  id="waveform-player-6"
>
      <figure style="background-image: url(/wp-content/thumbs/1ac95d224f87b5c9053fb09b92828436193bd673_375-202cropped.jpg);"></figure>
        <ul class="playlist">
              <li data-position="429">
          07:09          Carlos Crestani        </li>
              <li data-position="1052">
          17:32          Luciana Rizzo        </li>
              <li data-position="1591">
          26:31          Giselda Durigan        </li>
              <li data-position="2108">
          35:08          Rivelino Cavalcante        </li>
              <li data-position="2783">
          46:23          Priscila Farias        </li>
          </ul>
    <div class="progress-bar">
    <div class="bg" style="background-image: url(/services/waveform.php?media_url=https%3A%2F%2Fmedia.blubrry.com%2Ffapesp_pesquisa_brasil%2Fcontent.blubrry.com%2Ffapesp_pesquisa_brasil%2FPbr_27FEVEREIRO26.mp3);"></div>
    <div class="pointer"></div>
    <img decoding="async" class="progress-bar overlay" src="/services/waveform.php?media_url=https%3A%2F%2Fmedia.blubrry.com%2Ffapesp_pesquisa_brasil%2Fcontent.blubrry.com%2Ffapesp_pesquisa_brasil%2FPbr_27FEVEREIRO26.mp3">
  </div>
  <div class="play-pause"></div>
  <div class="media-title">
        <span>&nbsp;</span>
      </div>
  <div class="time-display">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;</div>
  
  <audio preload="none">
    <source type="audio/mpeg" src="https://media.blubrry.com/fapesp_pesquisa_brasil/content.blubrry.com/fapesp_pesquisa_brasil/Pbr_27FEVEREIRO26.mp3" >  </audio>
</div>

<p><strong>Carlos Crestani</strong>: Composto tem potencial para combater a ansiedade causada por stress social.</p>
<p><strong>Luciana Rizzo</strong>: <a href="https://revistapesquisa.fapesp.br/pantanal-e-o-bioma-brasileiro-que-mais-aqueceu-e-perdeu-chuvas-em-40-anos/" target="_blank" rel="noopener">Pantanal é o bioma brasileiro que mais aqueceu e perdeu chuvas em 40 anos.</a></p>
<p><strong>Giselda Durigan</strong>: <a href="https://revistapesquisa.fapesp.br/pantanal-e-o-bioma-brasileiro-que-mais-aqueceu-e-perdeu-chuvas-em-40-anos/" target="_blank" rel="noopener">Campos do Cerrado expostos ao fogo por anos seguidos exibem resiliência.</a></p>
<p><strong>Rivelino Cavalcante</strong>: <a href="https://revistapesquisa.fapesp.br/oleo-da-costa-brasileira-chega-a-florida/" target="_blank" rel="noopener">Óleo que vazou na costa do Brasil gruda em lixo marinho e vai parar na Flórida.</a></p>
<p><strong>Priscila Farias</strong>: <a href="https://revistapesquisa.fapesp.br/abridores-de-letras-inserem-sotaque-proprio-no-espaco-publico/" target="_blank" rel="noopener">O design popular das letras pintadas à mão é alvo de estudos acadêmicos.</a></p>
<p><em>Apresentação</em>: Fabrício Marques<br />
<em>Produção, roteiro e edição</em>: Sarah Caravieri</p>
]]></content:encoded>
					
		
		<enclosure url="https://media.blubrry.com/fapesp_pesquisa_brasil/content.blubrry.com/fapesp_pesquisa_brasil/Pbr_27FEVEREIRO26.mp3" length="57815356" type="audio/mpeg" />

			</item>
		<item>
		<title>Cerco à má conduta</title>
		<link>https://revistapesquisa.fapesp.br/cerco-a-ma-conduta/?utm_source=rss&#038;utm_medium=rss&#038;utm_campaign=cerco-a-ma-conduta</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Redação]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 25 Feb 2026 11:35:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Boas práticas]]></category>
		<category><![CDATA[Ética]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://revistapesquisa.fapesp.br/?p=579357</guid>

					<description><![CDATA[Governo chinês vai fiscalizar universidades para saber se elas investigam violações de seus pesquisadores]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>O Ministério da Ciência e Tecnologia da China anunciou que irá ampliar a fiscalização das universidades do país para avaliar se elas estão investigando e punindo pesquisadores envolvidos com má conduta. Segundo um comunicado do ministério, as instituições devem se concentrar na apuração de artigos de autores chineses publicados em revistas internacionais que sofreram retratação, ou seja, que foram considerados inválidos, por desvios éticos. O governo também exigiu que os resultados dessas investigações se tornem públicos para servirem de exemplo para a comunidade científica. As universidades que acobertarem casos de má conduta poderão sofrer punições severas, que, contudo, não foram detalhadas.</p>
<p>Li Tang, pesquisadora de políticas públicas da Universidade Fudan, em Shangai, e especialista em integridade científica, disse à revista <a href="https://www.nature.com/articles/d41586-026-00321-5" target="_blank" rel="noopener"><em>Nature</em></a> que responsabilizar as instituições pode ser uma maneira eficaz de conter a má conduta acadêmica. “A integridade da pesquisa costuma ser gerenciada com mais eficácia quando feita em nível institucional”, afirmou. Em 2024, a China promoveu uma auditoria nacional, exigindo que as universidades declarassem todas as retratações de artigos de seus pesquisadores e iniciassem investigações. Entre 2021 e 2024, mais de 17 mil <em>papers</em> retratados tinham chineses entre os coautores, segundo um levantamento feito pela <a href="https://www.nature.com/articles/d41586-024-00397-x" target="_blank" rel="noopener"><em>Nature</em></a>.</p>
]]></content:encoded>
					
		
		
			</item>
		<item>
		<title>Baixa representação</title>
		<link>https://revistapesquisa.fapesp.br/baixa-representacao/?utm_source=rss&#038;utm_medium=rss&#038;utm_campaign=baixa-representacao</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Redação]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 25 Feb 2026 11:32:49 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Boas práticas]]></category>
		<category><![CDATA[Ética]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://revistapesquisa.fapesp.br/?p=579355</guid>

					<description><![CDATA[Apenas um em cada cinco membros de academias e associações científicas do mundo é mulher, diz relatório]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>Um <a href="https://www.interacademies.org/publication/towards-gender-equality-scientific-organization-assessment-and-recommendations" target="_blank" rel="noopener">relatório</a> divulgado em 11 de fevereiro, Dia Internacional das Mulheres e Meninas na Ciência, mostrou que as mulheres são apenas 19% dos membros de 136 academias de ciências e associações científicas do mundo. É certo que houve um crescimento de 12% em relação a proporção registrada em 2015, mas os avanços na década foram limitados: apenas uma em cada cinco academias é presidida atualmente por uma mulher e quase metade dessas instituições não tinha mulheres como vice-presidentes ou copresidentes. Nas associações científicas, a representação feminina em cargos de liderança varia entre as disciplinas, mas alcança uma média de 40%.</p>
<p>De acordo com o documento, intitulado “Rumo à igualdade de gênero nas organizações científicas: Avaliação e recomendações”, a baixa representação feminina nessas entidades pode ser atribuída em grande medida a práticas arraigadas e normas de seleção que continuam a moldar quem é indicado ou incentivado a ser membro. “Como resultado, as mulheres permanecem sub-representadas nos grupos de indicações em relação à sua presença entre os cientistas elegíveis”, diz o documento, produzido por entidades como o Conselho Internacional de Ciência, a Parceria Interacadêmica e o Comitê Permanente para a Igualdade de Gênero na Ciência, com base em dados das instituições e em respostas a um questionário aplicado a 600 pesquisadoras. As mulheres que ingressam em organizações científicas, diz o documento, têm uma participação comparável à dos homens nas atividades dessas entidades, mas não reconhecidas de forma equivalente.</p>
<p>“As academias com as maiores proporções de membros femininos, na casa dos 30 a 39%, encontram-se principalmente em partes da América Latina e da Ásia e Pacífico”, afirmou ao site <a href="https://phys.org/news/2026-02-science-academies-women.html" target="_blank" rel="noopener">SciDev.Net</a> a psicóloga Léa Nacache, coordenadora do estudo e diretora de comunicações do Conselho Internacional de Ciência, organização sem fins lucrativos que reúne membros de mais de 250 sociedades, federações e academias científicas do mundo.</p>
<p>Entre as academias nacionais, os destaques positivos vêm de Cuba, com 39% de membros do sexo feminino, e da Austrália, como 38%. O pior desempenho é o da Academia Nacional de Ciências da Coreia do Sul, com apenas 2% de mulheres entre os afiliados. A Academia Brasileira de Ciências, que é presidida pela biomédica Helena Nader, tem 22% de membros mulheres – em 2015, elas eram 13%, de acordo com o documento. Segundo o relatório, dois terços das academias têm políticas relacionadas a gênero, mas menos de 10% dispõem de um orçamento específico para a igualdade de gênero.</p>
]]></content:encoded>
					
		
		
			</item>
		<item>
		<title>Seleção enviesada</title>
		<link>https://revistapesquisa.fapesp.br/selecao-enviesada/?utm_source=rss&#038;utm_medium=rss&#038;utm_campaign=selecao-enviesada</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Redação]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 25 Feb 2026 11:30:14 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Boas práticas]]></category>
		<category><![CDATA[Ética]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://revistapesquisa.fapesp.br/?p=579353</guid>

					<description><![CDATA[Revista médica retrata ensaio clínico feito em Taiwan que falhou em alocar pacientes de forma aleatória]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>O <em>British Medical Journal</em> (<em>BMJ</em>), uma das revistas médicas mais influentes do mundo, anunciou a retratação de um <a href="https://www.bmj.com/content/bmj/386/bmj-2024-079878.full.pdf" target="_blank" rel="noopener">artigo</a> publicado em 2024 que trazia resultados de um ensaio clínico sobre a eficácia de métodos de acesso vascular – procedimento para inserir cateteres que permitem a administração rápida e segura de medicações – em indivíduos que sofrem uma parada cardíaca e são levados por paramédicos para hospitais. O <em>paper</em> havia concluído que a escolha do acesso intravenoso ou do intraósseo, feita pelos profissionais dos serviços de ambulâncias, não fez diferença na proporção de pacientes que sobreviveram ou tiveram desfechos neurológicos favoráveis, entre outros parâmetros.</p>
<p>A justificativa para a retratação foi a existência de falhas na randomização do ensaio clínico, que haviam sido levantadas por um especialista via comentário on-line. A randomização é o processo de alocar participantes de pesquisa aleatoriamente em grupos, garantindo que todos tenham chances iguais de seleção – isso permite que os resultados dos grupos sejam comparáveis e não haja vieses. “Houve um grande número de exclusões, o que afetou o equilíbrio da alocação de pacientes”, informa a nota de retratação, que afirma haver discrepâncias no conjunto original de dados.</p>
<p>O alerta de que o artigo era problemático partiu de Lars Andersen, professor de medicina clínica da Universidade de Aarhus, na Dinamarca, que também atua como revisor estatístico do <em>Journal of the American Medical Association</em>. Ele observou que a randomização das intervenções e a proporção de pacientes em cada grupo não ocorreram na proporção especificada pelos autores.</p>
<p>Equipes de resposta a emergências em Taipei, Taiwan, foram aleatoriamente designadas para usar acesso intraósseo ou intravenoso nos pacientes cardíacos durante 15 dias. O ensaio clínico afirmava que a proporção seria de 1 para 2, com o dobro de pessoas no grupo intravenoso em relação ao intraósseo. Mas os dados mostraram períodos sem randomização, nos quais todas as equipes receberam o mesmo método, e também períodos com uma proporção igual de tratamentos. De todo modo, a proporção de 1 para 2 não foi alcançada: o número de pacientes em cada grupo ficou muito próximo, de cerca de 3.900 pessoas. Os autores atribuíram os problemas ao fato de o estudo ter sido feito em 2021, durante a pandemia de Covid-19, o que impôs restrições não previstas: paramédicos treinados para atuar no ensaio foram atingidos pela doença e se afastaram do trabalho. O cronograma teria sido alterado por razões práticas.</p>
<p>Andersen disse ao site <a href="https://retractionwatch.com/2025/12/29/bmj-retraction-clinical-trial-discrepancies-randomization/" target="_blank" rel="noopener">Retraction Watch</a> que retratar o artigo foi a decisão correta e que os problemas com o ensaio clínico e o manuscrito poderiam levar a conclusões incorretas. Wen-Chu Chiang, pesquisador do Hospital Universitário Nacional de Taiwan e um dos 13 coautores do estudo, afirmou ao mesmo site que a equipe editorial da revista “confirmou que a retratação não implica, de forma alguma, qualquer falha ética ou má conduta”. Ele também classificou os equívocos como “não intencionais”.</p>
]]></content:encoded>
					
		
		
			</item>
		<item>
		<title>Roteiro para reforma</title>
		<link>https://revistapesquisa.fapesp.br/roteiro-para-reforma/?utm_source=rss&#038;utm_medium=rss&#038;utm_campaign=roteiro-para-reforma</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Redação]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 25 Feb 2026 11:27:14 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Boas práticas]]></category>
		<category><![CDATA[Ética]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://revistapesquisa.fapesp.br/?p=579351</guid>

					<description><![CDATA[Declaração de Estocolmo propõe uma série de mudanças na forma de produzir e avaliar publicações científicas]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>Uma conferência organizada em junho de 2025 pela Real Academia Sueca de Ciências reuniu 29 especialistas a fim de discutir soluções para mazelas dos processos de comunicação acadêmica. Os resultados e conclusões do evento foram compilados em novembro em um <em>paper</em> na revista <a href="https://royalsocietypublishing.org/rsos/article/12/11/251805/234088/Reformation-of-science-publishing-the-Stockholm" target="_blank" rel="noopener"><em>Royal Society Open Science</em></a><em>,</em> intitulado “Reforma da publicação científica: a Declaração de Estocolmo”. O documento sugere 34 ações para transformar o modo como as publicações são difundidas e o peso que elas têm na carreira dos pesquisadores.</p>
<p>Uma das propostas centrais é o abandono da cultura do “publique ou pereça”, eliminando, nas instituições de pesquisa, o uso de indicadores quantitativos, a exemplo do número de artigos produzidos por um pesquisador e as citações que eles receberam, como critério para nomeações, financiamento e progressão na carreira. Agora, recomenda-se a adoção de parâmetros de avaliação que privilegiem a qualidade da produção e não o seu volume.</p>
<p>Há diversas proposições relacionadas ao modelo de publicações científicas, como a transição para regimes não comerciais, nos quais os periódicos sejam de propriedade de comunidades de pesquisadores e os autores mantenham seus direitos autorais. Outra meta é a promoção de modelos de acesso aberto “diamante”, integralmente financiados por agências de fomento e organizações filantrópicas, que não cobram taxas de publicação dos autores e disponibilizam os artigos na internet sem custo para os leitores.</p>
<p>Já no campo do combate à má conduta, a declaração propõe credenciar e fomentar organizações sem fins lucrativos especializadas em identificar textos, imagens e dados falsos em artigos científicos. Também recomenda a criação de painéis públicos para avaliar a qualidade e a integridade de revistas e editoras acadêmicas, com o objetivo de estimular a competição entre elas; e de novas estruturas legais para punir autores e periódicos envolvidos com fraudes.</p>
<p>O artigo que compila a Declaração de Estocolmo é assinado por dois participantes da conferência, os pesquisadores Bernhard Sabel e Dan Larhammar. Sabel é professor emérito na Universidade Otto von Guericke, em Magdeburgo, na Alemanha, e fundou uma organização sem fins lucrativos que promove a integridade científica. Já Larhammar dá aulas na Universidade de Uppsala, na Suécia, é ex-presidente da Real Academia e ficou conhecido como um combatente da desinformação científica. Em um <a href="https://royalsociety.org/blog/2025/11/reformation-of-science-publishing/" target="_blank" rel="noopener">blog</a> da Royal Society, do Reino Unido, os dois contextualizam a gravidade da situação: as estimativas da proporção de publicações falsas no mundo variam de 1% até 30%, dependendo do estudo. Eles citam uma análise feita pelo próprio Sabel com 17.120 artigos, que estimou em 5,8% a quantidade de <em>papers</em> da área biomédica com dados falsos, gerados por serviços que vendem trabalhos sob encomenda, as chamadas “fabricas de <em>papers”</em>. Aplicados ao conjunto da produção científica da área, os 5,8% representariam 100 mil artigos biomédicos fraudulentos publicados por ano.</p>
<p>Sabel e Larhammar também calcularam o impacto financeiro dos artigos fraudulentos em análises científicas, ensaios clínicos e em terapias e tecnologias que não cumprem o que prometem. Os investimentos mal direcionados por governos, fundações e indústria a partir desses estudos totalizariam aproximadamente € 4 bilhões por ano, enquanto as perdas globais em pesquisa e desenvolvimento poderiam chegar a € 145 bilhões. Os custos indiretos são imensuráveis e envolvem danos a pacientes, sofrimento humano, frustração com resultados promissores que não são confirmados, prejuízos ambientais e preocupações com a segurança.</p>
<p>O documento se alinha a outras propostas de reforma da publicação científica. Em 2012, a Declaração de São Francisco sobre Avaliação da Pesquisa (Dora) já recomendava não usar o fator de impacto de periódicos como indicador de qualidade de pesquisa. O Plano S, de 2018, baseou-se na premissa de que as publicações financiadas por verbas públicas deveriam estar disponíveis em acesso aberto e, em 2024, o consórcio cOAlition S, da mesma rede de agências de fomento e organizações filantrópicas que criou o Plano S, propôs um sistema de comunicação acadêmica baseado na comunidade. Ou seja: os resultados de pesquisa seriam divulgados de forma aberta e gratuita, sua relevância avaliada por um coletivo de cientistas da mesma área e, ao final, o responsável pelo estudo poderia escolher o melhor momento e a melhor revista para publicar (<a href="https://revistapesquisa.fapesp.br/mudanca-radical-na-comunicacao-cientifica/" target="_blank" rel="noopener"><em>ver </em>Pesquisa FAPESP <em>nº 336</em></a>).</p>
]]></content:encoded>
					
		
		
			</item>
		<item>
		<title>Trechos repetidos</title>
		<link>https://revistapesquisa.fapesp.br/trechos-repetidos/?utm_source=rss&#038;utm_medium=rss&#038;utm_campaign=trechos-repetidos</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Redação]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 25 Feb 2026 11:25:02 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Boas práticas]]></category>
		<category><![CDATA[Ética]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://revistapesquisa.fapesp.br/?p=579349</guid>

					<description><![CDATA[Investigação diz que reitor da Universidade de Maryland acusado de plágio não cometeu má conduta]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>Após mais de um ano de investigações, Darryll John Pines, engenheiro aerospacial e reitor da Universidade de Maryland, em College Park, nos Estados Unidos, foi considerado inocente de acusações de plágio em dois artigos científicos de que é coautor. O próprio Pines havia pedido a apuração depois que o site conservador The Daily Wire o acusara de ter reproduzido nos <em>papers</em> trechos de um site criado em 1996 por um estudante australiano. Em um dos artigos, divulgado em 2002 na revista <em>Proceedings of SPIE &#8211; Smart Structures and Materials</em>, havia 1.500 palavras reproduzidas, o equivalente a 30% no texto. O mesmo material reapareceu, reciclado, em um artigo de 2006 no <em>Journal of Sound and Vibration</em>. Em ambos os casos, o texto copiado sem a devida atribuição constava nas seções introdutórias dos <em>papers</em>, não nos resultados e conclusões, em que a originalidade é vista como mais importante.</p>
<p>A investigação, conduzida de forma independente por um escritório de advocacia, que se estendeu a vários outros artigos do engenheiro, concluiu que o reitor não foi o responsável pela inclusão do texto plagiado nos artigos. De acordo com um comunicado divulgado por e-mail por representantes do College Park, “não foram encontradas evidências de má conduta acadêmica por parte de Pines&#8221;. Liming Salvino, coautora dos dois artigos, foi procurada pelo jornal <a href="https://www.washingtonpost.com/education/2025/12/15/university-of-maryland-pines-cleared-plagiarism/" target="_blank" rel="noopener"><em>The Washington Post</em></a>, mas não se pronunciou sobre o resultado da investigação.</p>
<p>Aos 61 anos, Pines é professor de engenharia aeroespacial e já assinou mais de 250 artigos. Foi o primeiro negro a assumir a reitoria da Universidade de Maryland – ele ocupa o cargo desde 2020 – e é um militante da diversidade no ambiente acadêmico, uma pauta atacada por pessoas e organizações de direita nos Estados Unidos. Ele não foi o único líder universitário afro-americano a ter a produção científica escrutinada e a enfrentar acusações de plágio recentemente.</p>
<p>O caso mais notório foi o da cientista política Claudine Gay. Primeira afro-americana a assumir a reitoria da Universidade Harvard, ela <a href="https://revistapesquisa.fapesp.br/a-gravidade-do-plagio/" target="_blank" rel="noopener">renunciou</a> ao cargo em 2024, depois que o jornal <em>The New York Post</em> e o site de jornalismo político conservador Washington Free Beacon apontaram a existência de mais de 40 trechos de textos escritos por outras pessoas em artigos acadêmicos e na tese de doutorado defendida pela pesquisadora nos anos 1990, sem que as fontes fossem mencionadas.</p>
]]></content:encoded>
					
		
		
			</item>
		<item>
		<title>Dinheiro de volta</title>
		<link>https://revistapesquisa.fapesp.br/dinheiro-de-volta-2/?utm_source=rss&#038;utm_medium=rss&#038;utm_campaign=dinheiro-de-volta-2</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Redação]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 25 Feb 2026 11:23:43 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Boas práticas]]></category>
		<category><![CDATA[Ética]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://revistapesquisa.fapesp.br/?p=579346</guid>

					<description><![CDATA[<em>Ghostwriters</em> que ajudaram a escrever tese são processados e devolvem quantia paga por aluna de doutorado]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>Terminou de forma amigável um processo judicial movido por uma estudante alemã que encomendou a uma agência de <em>ghostwriters</em> um texto de 130 páginas para compor sua tese de doutorado, mas ficou insatisfeita com o resultado. A aluna acabou retirando o processo depois que a agência aceitou devolver os € 16.900, o equivalente a R$ 105 mil pagos pelo trabalho. Segundo reportagem publicada no site jornalístico Die Tageszeitung, a estudante, identificada no processo como Hatice A., trabalhava havia três anos no projeto de doutorado, conduzindo e transcrevendo entrevistas com alunas de uma escola profissionalizante – o objetivo era explorar suas motivações para buscar a qualificação para o ingresso na universidade por meio da educação de adultos. Trabalhando em dois empregos e vendo o prazo para concluir o projeto se esgotar, ela resolveu buscar ajuda externa.</p>
<p>Comprou o pacote de uma agência de <em>ghostwriters</em>, que cobrava € 2.500 por produzir a análise encomendada, acrescido de € 120 por página escrita. Ela forneceu material que já tinha produzido, incluindo bibliografia, e, cinco meses depois, recebeu um texto de 130 páginas, mas não gostou. “Tive a impressão de que eles haviam inserido um monte de tabelas criadas por eles mesmos no texto, unicamente para preencher páginas”, disse, segundo o Die Tageszeitung. Pediu ajustes, novamente ficou insatisfeita e decidiu não apresentar o trabalho.</p>
<p>Embora pudesse ser acusada de má conduta, ela resolveu levar o caso ao Tribunal Regional de Luneburgo, cidade onde fica a agência de <em>ghostwriters</em>, pedindo o dinheiro de volta. A juíza que recebeu o caso, Christina Edinger, observou que estudantes de doutorado se comprometem a produzir trabalhos originais de forma independente e que a aluna poderia ser responsabilizada por quebrar essa regra. Hatice A. alegou que encomendou à agência apenas serviços de apoio, como compilação de material, edição e criação de rascunhos, que não comprometeriam a originalidade da obra. A agência, que a princípio propusera restituir apenas € 2 mil, acabou aceitando devolver a quantia total, depois que a aluna retirou a ação.</p>
<p>Um <a href="https://www.researchgate.net/publication/397140292_Research_Writing_Ghostwriting_and_Academic_Cheating_in_the_Age_of_AI_A_Scoping_Review" target="_blank" rel="noopener">estudo</a> apresentado em outubro por duas pesquisadoras da Universidade de Pretória, na África do Sul, na 2ª Conferência Internacional sobre Pesquisa em Educação, que aconteceu em Lisboa, Portugal, sugere que a contratação desse tipo de serviço pode estar se tornando ainda mais comum e difícil de detectar graças ao uso de programas de inteligência artificial generativa. No trabalho, Brenda van Wyk e Lesego Makhafola afirmam que, além de representar uma ameaça à integridade acadêmica e à qualidade da pesquisa, a tendência é preocupante por favorecer o “desengajamento moral dos estudantes”. Fatores como imaturidade e falta de letramento acadêmico podem contribuir para essas práticas, mas elas também não descartam que a carga de trabalho imposta aos estudantes e até mesmo a falta de interesse e a negligência dos professores contribuam para o comportamento antiético.</p>
]]></content:encoded>
					
		
		
			</item>
		<item>
		<title>Perda de confiança</title>
		<link>https://revistapesquisa.fapesp.br/perda-de-confianca-2/?utm_source=rss&#038;utm_medium=rss&#038;utm_campaign=perda-de-confianca-2</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Redação]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 25 Feb 2026 11:20:32 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Boas práticas]]></category>
		<category><![CDATA[Ética]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://revistapesquisa.fapesp.br/?p=579098</guid>

					<description><![CDATA[Estudo de referência que atestava a segurança do herbicida glifosato é retratado 25 anos após a publicação]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>A revista <em>Regulatory Toxicology and Pharmacology</em> anunciou a <a href="https://www.sciencedirect.com/science/article/pii/S0273230099913715" target="_blank" rel="noopener">retratação</a> de um estudo publicado em 2000 que concluiu que o herbicida glifosato não é cancerígeno. O artigo fazia uma revisão da literatura científica disponível sobre o agrotóxico e seus riscos à saúde humana e serviu como referência, por exemplo, para a renovação da autorização do uso do glifosato pelo Ministério da Saúde do Canadá. O <em>paper</em> recebeu 614 citações em outros artigos, segundo a base de dados Web of Science. Ingrediente ativo de várias marcas de herbicidas no mercado, o glifosato está presente na mais conhecida delas, o Roundup, desenvolvido pela empresa americana Monsanto, que desde 2018 pertence à alemã Bayer.</p>
<p>O editor-chefe do periódico, Martin van den Berg, explicou, na nota de retratação, que foram levantadas várias preocupações éticas no artigo, como a seleção aparentemente enviesada de estudos que embasaram o artigo. Segundo ele, as conclusões se basearam exclusivamente em estudos da própria multinacional Monsanto. Não foram incluídos outros estudos de toxicidade crônica e carcinogenicidade de longo prazo que já haviam sido realizados na época da redação da revisão, em 1999.</p>
<p>A empresa também teria tido participação direta na elaboração do artigo, embora isso não tenha sido declarado. Um processo judicial nos Estados Unidos revelou e-mails trocados entre funcionários da Monsanto em que o grupo se autoelogiava pelo “trabalho árduo” na coleta de dados, redação e revisão do artigo. Uma funcionária da empresa lembrou que, sem dúvida, aquele artigo se tornaria “a referência” sobre a segurança do Roundup e mencionou que o plano era utilizá-lo tanto na defesa do produto quanto na competição com genéricos. A aparente contribuição desses funcionários não consta do artigo. “Essa omissão sugere que os autores podem ter deturpado seus papéis específicos e a natureza colaborativa do trabalho apresentado”, afirmou o editor-chefe do periódico.</p>
<p>A revista encaminhou esses questionamentos ao único dos três autores do estudo que ainda está vivo, o patologista Gary M. Williams, ex-professor do New York Medical College, mas ele não se pronunciou. Com a ausência de resposta, Van den Berg disse ter perdido a confiança nos resultados e conclusões do artigo e optou pela retratação. “O artigo teve um impacto significativo na tomada de decisões regulatórias em relação ao glifosato e ao Roundup por décadas. Dado o seu <em>status</em> como um pilar na avaliação da segurança do glifosato, é imprescindível que a integridade desse artigo de revisão e suas conclusões não sejam comprometidas. As preocupações especificadas aqui tornam necessária essa retratação para preservar a integridade científica da revista”, informou.</p>
<p>O editor destaca, contudo, que a retratação está relacionada a falhas de integridade no estudo, mas não representa uma tomada de posição da revista na discussão sobre os riscos do glifosato à saúde humana, que ele classifica como um “debate em curso”. De acordo com o site <a href="https://retractionwatch.com/2025/12/04/glyphosate-safety-article-retracted-elsevier-monsanto-ghostwriting/" target="_blank" rel="noopener">Retraction Watch</a>, a Bayer divulgou uma declaração segundo a qual a empresa “acredita que a participação da Monsanto foi devidamente citada nos agradecimentos, que declaram claramente: ‘agradecemos aos toxicologistas e outros cientistas da Monsanto que contribuíram significativamente para o desenvolvimento das avaliações de exposição e por meio de muitas outras discussões’”. Segundo o comunicado, “o consenso entre os órgãos reguladores em todo o mundo que realizaram suas próprias avaliações independentes com base no conjunto de evidências é que o glifosato pode ser usado com segurança conforme as instruções, e não é cancerígeno”.</p>
]]></content:encoded>
					
		
		
			</item>
		<item>
		<title>Resultados implausíveis</title>
		<link>https://revistapesquisa.fapesp.br/resultados-implausiveis/?utm_source=rss&#038;utm_medium=rss&#038;utm_campaign=resultados-implausiveis</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Redação]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 25 Feb 2026 11:17:14 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Boas práticas]]></category>
		<category><![CDATA[Notícias]]></category>
		<category><![CDATA[Ética]]></category>
		<category><![CDATA[Matemática]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://revistapesquisa.fapesp.br/?p=578971</guid>

					<description><![CDATA[Matemático envia artigo absurdo gerado por IA para escancarar ação fraudulenta de revista predatória]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>Não é novidade um pesquisador submeter um artigo sem sentido a uma revista com práticas predatórias para provar, de forma risível, que ela não faz uma avaliação criteriosa dos manuscritos que recebe. Esse artifício foi usado novamente, agora por Pascual Diago, professor do Departamento de Ensino de Matemática da Universidade de Valência, na Espanha. Intitulado “Paradoxos obstétricos e equações didáticas: O impacto do ensino da matemática no parto e além”, o falso estudo relacionava desejos de grávidas a números primos e foi escrito por um programa de inteligência artificial. “Incluí gráficos que não explicavam nada e resultados totalmente implausíveis”, afirmou Diago ao site <a href="https://retractionwatch.com/2026/01/30/guest-post-ai-chatgpt-generated-paper-pregnancy-math/" target="_blank" rel="noopener">Retraction Watch</a>. “Uma leitura superficial teria sido suficiente para perceber que ele não fazia o menor sentido.” Ainda assim o artigo foi publicado pelo <em>Clinical Journal of Obstetrics and Gynecology</em>, da editora de acesso aberto Heighten Science Publications.</p>
<p>Diago assinou com um pseudônimo semelhante ao seu nome verdadeiro, “Pascual Chiago”, já que precisava enviar o texto a partir do seu e-mail institucional da universidade. Em novembro, uma mensagem da revista deu a “boa-nova”: o falso estudo havia sido aceito com pequenas modificações, pois era “bem escrito e interessante”. Posteriormente, recebeu uma fatura de US$ 2.949 referente às taxas de publicação. Diago não pagou, mas enviou um recibo falso, gerado por inteligência artificial, feito por meio do “Banco da Trapaça da Espanha”. Ninguém percebeu a brincadeira e, alguns dias depois, o artigo apareceu publicado no site da revista.</p>
]]></content:encoded>
					
		
		
			</item>
		<item>
		<title>Carta de recomendação</title>
		<link>https://revistapesquisa.fapesp.br/carta-de-recomendacao/?utm_source=rss&#038;utm_medium=rss&#038;utm_campaign=carta-de-recomendacao</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Redação]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 25 Feb 2026 11:15:13 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Boas práticas]]></category>
		<category><![CDATA[Notícias]]></category>
		<category><![CDATA[Ética]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://revistapesquisa.fapesp.br/?p=578959</guid>

					<description><![CDATA[Repositório só aceitará manuscritos de novos autores com o endosso de um pesquisador consagrado na área ]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>Desde 21 de janeiro, o tradicional servidor de <em>preprints</em> arXiv impôs uma exigência extra para pesquisadores que submetem um manuscrito pela primeira vez ao repositório. Agora é necessário que o novato apresente o endosso de um autor de sua mesma área do conhecimento que já seja consagrado no arXiv. Até então, era possível publicar trabalhos no repositório sem esse tipo de carta de recomendação. Bastava ter um endereço de e-mail vinculado a uma instituição de pesquisa reconhecida.</p>
<p>Em entrevista à revista <a href="https://www.science.org/content/article/arxiv-preprint-server-clamps-down-ai-slop" target="_blank" rel="noopener"><em>Science</em></a>, Ralph Wijers, astrônomo da Universidade de Amsterdã, nos Países Baixos, e presidente do conselho editorial do arXiv, afirmou que a medida visa refrear a avalanche de submissões de artigos de baixa qualidade gerados por inteligência artificial.</p>
<p>Há algo de pedagógico na proposta. “Queremos desencorajar pessoas muito jovens e sem experiência a enviar trabalhos de baixa qualidade para o arXiv”, disse à <em>Science</em>. De acordo com Wijers, estudantes e jovens pesquisadores recorrem ao repositório para divulgar trabalhos ainda não revisados por pares a fim de melhorar seu histórico de publicações e conseguir um emprego ou uma vaga em um programa de pós-graduação. Mas, segundo o astrônomo, alguns deles não se dão conta de que o arXiv dispõe de 300 voluntários especialistas que analisam previamente os textos submetidos e removem manuscritos com plágio ou propostas que fogem ao escopo da ciência.</p>
<p>Lançado em 1991, o repositório abrigava inicialmente <em>preprints</em> de física, mas se expandiu para a astronomia, matemática, ciências da computação, ciência não linear, biologia quantitativa, finanças quantitativas e, mais recentemente, estatística. Hoje hospeda quase 3 milhões de manuscritos e recebe em média 20 mil novos trabalhos por mês.</p>
<p>Wijers afirma que, antes do advento do ChatGPT, os moderadores rejeitavam, em média, 4% dos manuscritos apresentados. Em anos recentes, o número de submissões que ele classifica como “lixo de IA” cresceu exponencialmente, começando na área de ciência da computação e se expandindo para os outros campos. O índice de rejeição subiu para até 12% em 2025 desde que o chatbot desenvolvido pela OpenAI se consolidou. “E quase todo o conteúdo ruim gerado por IA vem de autores que submetem artigos pela primeira vez”, disse. Ele avalia que os programas de inteligência artificial generativa se tornarão cada vez mais eficientes, dificultando o trabalho dos moderadores de distinguir estudos legítimos e falsos. A exigência do endosso cria uma camada extra de segurança.</p>
]]></content:encoded>
					
		
		
			</item>
		<item>
		<title>João Adolfo Hansen questionou consensos da crítica literária</title>
		<link>https://revistapesquisa.fapesp.br/joao-adolfo-hansen-questionou-consensos-da-critica-literaria/?utm_source=rss&#038;utm_medium=rss&#038;utm_campaign=joao-adolfo-hansen-questionou-consensos-da-critica-literaria</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Ana Beatriz Rangel]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 24 Feb 2026 20:17:11 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Notícias]]></category>
		<category><![CDATA[Obituário ]]></category>
		<category><![CDATA[Literatura]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://revistapesquisa.fapesp.br/?p=579419</guid>

					<description><![CDATA[Professor da USP se tornou uma das principais referências sobre letras coloniais do Brasil]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>O crítico literário João Adolfo Hansen costumava se definir como um apaixonado por livros, plantas e animais. A curiosidade pelo mundo vegetal veio desde cedo, a ponto de hesitar entre os cursos de agronomia e letras na hora de escolher a graduação, como contou em entrevista a <em>Pesquisa FAPESP</em> em 2022 (<a href="https://revistapesquisa.fapesp.br/joao-adolfo-hansen-viagem-pelas-letras-brasileiras/" target="_blank" rel="noopener"><em>ver</em> Pesquisa FAPESP <em>nº 316</em></a>).  A opção pela literatura, no entanto, acabou prevalecendo e o pesquisador se tornou um dos maiores especialistas do país na produção escrita do período colonial brasileiro. Professor emérito da Faculdade de Filosofia Letras e Ciências Humanas da Universidade de São Paulo (FFLCH-USP), ele morreu no dia 16 de fevereiro, aos 83 anos, em São Paulo, em decorrência de um câncer.</p>
<p>Natural de Cosmópolis (SP), Hansen formou-se em letras anglo-germânicas na Pontifícia Universidade Católica de Campinas (PUC-Campinas), em 1964. No mesmo ano, iniciou a carreira docente como professor de latim do curso clássico (atual ensino médio) do Instituto de Educação Presidente Kennedy, em Americana (SP). Em 1983, ingressou no mestrado em Literatura Brasileira na USP, sob orientação de José Carlos Garbuglio. A pesquisa rendeu a dissertação “A ficção da literatura em <em>Grande sertão: Veredas</em>”, publicada em 2000, pela editora Hedra.</p>
<p>“Nesse trabalho, Hansen foi contra a corrente da crítica especializada da época, que atribuía à obra de Guimarães Rosa [1908-1967] um viés místico e reacionário em termos políticos e sociais”, conta Cilaine Alves Cunha, professora de literatura brasileira da FFLCH-USP. “Ele evidenciou que a experimentação de linguagem do romance não era só ruptura estética, mas carregava um sentido político, ao desmontar as ideologias dominantes sobre o sertão”, prossegue a pesquisadora, uma das organizadoras do livro <em>Agudezas seiscentistas e outros ensaios </em>(Edusp, 2019), coletânea com textos do crítico literário sobre as práticas discursivas dos séculos XVI, XVII e XVIII.</p>
<p>No doutorado, também em literatura brasileira na USP, Hansen deu início à pesquisa que o consolidaria como uma das principais referências nos estudos sobre as letras coloniais no Brasil. Em 1988, defendeu a tese “A sátira e o engenho: Gregório de Matos e a Bahia do século XVII”, publicada no ano seguinte pela Companhia das Letras e agraciada com o Prêmio Jabuti, na categoria Estudos Literários, em 1990. “Ele demonstrou que a poesia satírica atribuída a Gregório de Matos [1636-1696] era considerada revolucionária de forma infundada, pois obedecia a preceitos retórico-poéticos e a convenções político-sociais que regulavam as práticas letradas na Bahia do século XVII”, afirma Marcelo Lachat, do Departamento de Letras da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp).</p>
<p>O trabalho de Hansen cotejou os textos atribuídos a Matos com tratados de retórica da época e documentos históricos, evidenciando os modos de circulação da cultura letrada do período. Para Guiomar de Grammont, da Universidade Federal de Ouro Preto (Ufop), a pesquisa se contrapôs à tese do crítico literário Antonio Candido (1918-2017), da USP, hegemônica nos anos 1980, segundo a qual o sistema literário no Brasil só teria se consolidado em meados do século XVIII. “Hansen revelou que, embora não existisse um sistema editorial nos moldes em que conhecemos hoje, havia uma organização cultural estruturada pela retórica, pela religião e pela política luso-brasileira. Aplicar o conceito moderno de ‘literatura’ ao século XVII, segundo ele, era um anacronismo”, explica.</p>
<p>Mais tarde, o pesquisador organizou em parceria com Marcello Moreira, do Departamento de Estudos Linguísticos e Literários da Universidade do Sudoeste da Bahia (Uesb), os cinco volumes de <em>Gregório de Matos: Poemas atribuídos – Códice Asensio-Cunha</em> (Autêntica Editora), lançados em 2014.</p>
<p>O primeiro livro publicado por Hansen foi <em>Alegoria: Construção e interpretação da metáfora</em> (Atual, 1986). A obra explora o uso dessa figura de linguagem em textos da Antiguidade, da Idade Média e do Renascimento. Segundo Paulo Martins, do Departamento de Letras Clássicas e Vernáculas da USP, o autor primeiramente concebeu a obra como um material de apoio didático para professores de literatura. “Mas logo ficou claro que o domínio teórico ali demonstrado ia muito além: o livro já antecipava questões que ele aprofundaria na tese de doutorado sobre Gregório de Matos, tanto que foi relançado depois [2006] pela editora da Unicamp”, diz.</p>
<p>Ao longo da carreira, o pesquisador lançou 23 livros. Além da organização dos poemas atribuídos a Gregório de Matos, reuniu e editou coletâneas da obra do Padre Antonio Vieira (1608-1697), entre elas <em>Antonio Vieira, cartas ao Brasil</em> (Hedra, 2003). “Ele analisa a obra de Vieira a partir das questões de linguagem e da retórica, o que o distingue muito dos estudos marcados pelo positivismo e pelo romantismo do século XIX”, avalia Celso Favaretto, do Departamento de Filosofia da USP.</p>
<p>Hansen dedicou-se também à literatura dos séculos XIX e XX, analisando autores como Cecília Meireles (1901-1964) e Carlos Drummond de Andrade (1902-1987), tema de seu último livro, <em>Drummond e o livro inútil </em>(Pequena Biblioteca de Ensaios, 2020). “Para Hansen, a obra de Drummond evidencia que o ‘eu’ poético não é um desabafo biográfico, mas uma construção ficcional que expõe as imposições do sistema”, diz Grammont. “Em suas aulas, ele recorria a Drummond para mostrar como a literatura é capaz de revelar que a vida vivida sob a lógica do capital pode assumir a forma de uma ‘falsidade’.”</p>
<p>Segundo a pesquisadora da Ufop, Hansen era crítico de leituras sentimentais ou nacionalistas do modernismo. De Cecília Meireles, dedicou-se especialmente a <em>Solombra</em> (1963), obra que analisou no livro <em>Solombra, ou a sombra que cai sobre o eu</em> (Hedra, 2003). “Ele mostrou que Cecília não se encaixava no modernismo ‘heróico’ ou folclórico. Para Hansen, sua poesia mantinha certa continuidade com formas tradicionais, como o romanceiro e a lírica clássica”, afirma Grammont.</p>
<p>No momento, uma coletânea de artigos de Hansen sobre Machado de Assis (1839-1908), Meireles, Drummond e outros autores da literatura brasileira está sendo organizada por Cilaine Alves Cunha e Mayra Laudanna, professora aposentada do Instituto de Estudos Brasileiros da Universidade de São Paulo (IEB-USP). O livro deve ser lançado neste ano.</p>
<p>Hansen foi professor visitante em diversas instituições no exterior. Entre elas, as universidades Stanford e da Califórnia (Ucla), nos Estados Unidos, a École des Hautes Études en Sciences Sociales (EHESS), na França, e a Universidade do Chile (UC). Manteve interlocução com pesquisadores estrangeiros, como o historiador britânico Peter Burke, professor emérito da Universidade de Cambridge, no Reino Unido, que teve um papel importante na tese de doutorado de Hansen – foi Burke quem chamou a atenção do brasileiro para o circuito internacional de modelos culturais articulado pela Companhia de Jesus nos séculos XVI e XVII.</p>
<p>“Nos anos 1980 iniciamos uma série de conversas sobre arte e literatura do século XVII, especialmente da Grã-Bretanha e do Brasil, que prosseguiram até há poucos meses, quando o vi pela última vez”, recorda o historiador britânico em entrevista a <em>Pesquisa FAPESP</em>. “No contexto brasileiro, o interesse de Hansen pelo século XVII era incomum, assim como a amplitude de seu conhecimento sobre literatura e arte francesas, italianas e espanholas.”</p>
<p>Hansen deixa a esposa, Marta Maria Chagas de Carvalho, professora de história da educação da USP, e os filhos Júlia, Laura, Alexandre e André.</p>
]]></content:encoded>
					
		
		
			</item>
		<item>
		<title>Cientista político buscou entender a relação dos brasileiros com a democracia</title>
		<link>https://revistapesquisa.fapesp.br/cientista-politico-buscou-entender-a-relacao-dos-brasileiros-com-a-democracia/?utm_source=rss&#038;utm_medium=rss&#038;utm_campaign=cientista-politico-buscou-entender-a-relacao-dos-brasileiros-com-a-democracia</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Eduardo Magossi]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 23 Feb 2026 20:16:54 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Obituário ]]></category>
		<category><![CDATA[Ciênc. Política]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://revistapesquisa.fapesp.br/?p=579359</guid>

					<description><![CDATA[Professor da USP, José Álvaro Moisés atuou no Ministério da Cultura e investigou a confiança nas instituições]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p><img loading="lazy" decoding="async" width="800" height="778" class="vertical" size-full wp-image-579360 alignright" src="https://revistapesquisa.fapesp.br/wp-content/uploads/2026/02/rpf-josealvaro-800.jpg" alt="" srcset="https://revistapesquisa.fapesp.br/wp-content/uploads/2026/02/rpf-josealvaro-800.jpg 800w, https://revistapesquisa.fapesp.br/wp-content/uploads/2026/02/rpf-josealvaro-800-250x243.jpg 250w, https://revistapesquisa.fapesp.br/wp-content/uploads/2026/02/rpf-josealvaro-800-700x681.jpg 700w, https://revistapesquisa.fapesp.br/wp-content/uploads/2026/02/rpf-josealvaro-800-120x117.jpg 120w" sizes="auto, (max-width: 800px) 100vw, 800px" /> <span class="media-credits-inline">Marcos Santos / USP</span>O cientista político José Álvaro Moisés dedicou boa parte de sua trajetória acadêmica, iniciada em 1974 na Universidade de São Paulo (USP), aos estudos sobre a democracia no Brasil. “Ele foi um dos primeiros cientistas políticos a realizar em termos acadêmicos pesquisas de opinião no país, na década de 1980, para entender a percepção dos brasileiros a respeito do sistema democrático e das instituições”, relata a cientista política Maria Hermínia Tavares de Almeida, pesquisadora sênior do Centro Brasileiro de Análise e Planejamento (Cebrap). O pesquisador morreu no dia 13 de fevereiro, em Ubatuba, no litoral paulista, aos 81 anos.</p>
<p>Maria Hermínia conheceu Moisés nos anos 1960, quando ambos cursavam ciências sociais na USP. No doutorado realizado na mesma instituição, foram orientados pelo cientista político Francisco Weffort (1937-2021). Moisés escreveu a tese “Classes populares e protesto urbano”, que teve apoio da FAPESP e foi defendida em 1978. Entre suas principais referências acadêmicas na USP, além de Weffort, estavam as antropólogas Eunice Durhan (1933-2022) e Ruth Cardoso (1930-2008), e o sociólogo Fernando Henrique Cardoso.</p>
<p>Nascido em Campinas (SP), Moisés se mudou para a capital paulista em 1963, aos 18 anos. Antes de se dedicar integralmente à pesquisa, trabalhou também como repórter, redator e editor no jornal <em>Folha de S.Paulo</em> nas décadas de 1960 e 1970. Em 1974, ingressou como professor na Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas (FFLCH) da USP.  Mais tarde, em 1987, participaria do desmembramento do Departamento de Ciências Sociais daquela universidade. Na ocasião, foram criados os departamentos de Sociologia, de Antropologia e o de Ciência Política, que Moisés dirigiu em seus dois primeiros anos com o cientista político José Augusto Guilhon Albuquerque.</p>
<p>“Ele era um construtor de instituições”, diz Maria Hermínia. Ao longo de sua trajetória, o cientista político ajudou a organizar e presidiu o Núcleo de Pesquisa de Políticas Públicas da USP, criado em 1990, e o Centro de Estudos de Cultura Contemporânea (Cedec), fundado em 1976. Além disso, participou da estruturação da Escola de Artes, Ciências e Humanidades (EACH) da USP na década de 2000, onde coordenou o curso de Gestão de Políticas Públicas (2004-2006).</p>
<p>A preocupação com a democracia brasileira não se limitou à produção acadêmica. A cientista política Lourdes Sola, pesquisadora sênior do Instituto de Estudos Avançados (IEA) da USP, lembra que Moisés estava engajado na militância desde o início da década de 1960. No ensino médio fez parte da Juventude Estudantil Católica, presidiu a União Paulista dos Estudantes Secundaristas (Upes), em 1963, e entrou também na Ação Popular, organização de esquerda com raízes no catolicismo.</p>
<p>Em 1966, durante a ditadura militar (1964-1985) e ano de seu ingresso na graduação da USP, foi preso com outros três colegas de faculdade, acusado de articular a realização de um congresso da União Nacional de Estudantes (UNE) em Minas Gerais. “A efervescência política e intelectual do período de exceção acentuou a sensibilidade política de Moisés”, observa Sola, que atualmente coordena o Grupo de Pesquisa em Economia Política Internacional, Variedades de Democracia e Descarbonização no IEA-USP. “Nos anos 1970, ele apoiou as greves operárias do ABC paulista e participou da fundação do PT [Partido dos Trabalhadores], em 1980.”</p>
<p>A questão sindical inspirou seus primeiros livros. <em>Greve de massa e crise política: Estudo sobre a greve dos 300 mil em São Paulo (1953-54) </em>(Livraria Editora Polis, 1978) é desdobramento da pesquisa de mestrado que realizou na Universidade de Essex, no Reino Unido, defendida em 1972. O prefácio é assinado pelo sociólogo Florestan Fernandes (1920-1995), da USP. Sobre a mesma temática publicou <em>Lições de liberdade e opressão: O novo sindicalismo e a política </em>(Editora Paz e Terra, 1982).</p>
<p>Antes de participar da fundação do PT, Moisés militava no Movimento Democrático Brasileiro (MDB), partido de oposição ao regime militar. O cientista político permaneceu no PT até a vitória de Fernando Henrique Cardoso (PSDB) à Presidência da República em 1994. “Em 1995, ele aceitou o convite de Weffort, que era ministro da Cultura, para dirigir a Secretaria do Apoio à Cultura, onde ficou pelos quatro anos do primeiro mandato de Fernando Henrique. Já no segundo mandato, foi secretário do Audiovisual”, conta Maria Hermínia.</p>
<p>No ano em que Moisés entrou no Ministério da Cultura, foi lançado um de seus livros mais importantes, <em>Os brasileiros e a democracia: Bases sociopolíticas da legitimidade democrática</em> (Ática). Por meio dos estudos sobre a democracia, ingressou em redes internacionais de pesquisa, como a Associação Internacional de Ciência Política.</p>
<p>“No início dos anos 2000, Moisés me procurou para conversar a respeito de pesquisas sobre a política no país e dessas conversas nasceu o projeto ‘Desconfiança nas instituições democráticas pelos cidadãos brasileiros’, que teve apoio da FAPESP”, conta a cientista política Rachel Meneguello, da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp). O estudo, que contou com uma pesquisa nacional em 2006, rendeu dois livros, <em>Democracia e confiança. Por que os cidadãos desconfiam das instituições públicas? </em>(Edusp, 2010) e <em>A desconfiança política e os seus impactos na qualidade da democracia</em> (Edusp, 2013).</p>
<p>Entre 2018 e 2023, Moisés e Meneguello conduziram duas novas pesquisas nacionais, dessa vez dedicada à qualidade da democracia, também com apoio da FAPESP. “Ficamos surpresos com a mudança de percepção dos cidadãos sobre a democracia a partir da ascensão da extrema direita no Brasil”, recorda Meneguello. “Antes, a democracia era entendida sobretudo como a conquista de direitos civis, sociais e políticos. Depois, passou a incorporar a ideia de liberdade sem controle, para fazer o que se quer.”</p>
<p>Para o cientista político Henrique Carlos de Castro, da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), Moisés procurava colocar no centro do debate as crenças, aspirações e percepções dos cidadãos, como ponto de partida para compreender a política e a sociedade brasileiras. “Ele defendia que as instituições tinham a obrigação de funcionar bem, mas isso não era o suficiente para haver democracia: ela mesma dependia da crença da população no seu bom funcionamento”, acrescenta.</p>
<p>Orientando de Moisés no mestrado e no doutorado, o cientista político Rogerio Schlegel destaca o papel do pesquisador na atualização da agenda de pesquisa sobre cultura política no país. “Ele ajudou a incorporar à agenda brasileira debates conduzidos por intelectuais como a cientista política britânica Pippa Norris, da Universidade Harvard, autora de obras como <em>Critical citizens</em> [Oxford University Press, em 1999]”, diz Schlegel, da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp). Em sua avaliação, o pesquisador sustentava que as críticas dos cidadãos poderiam fornecer elementos capazes de aprimorar as instituições e a democracia.</p>
<p>Meneguello ressalta o compromisso de Moisés com a mobilização em defesa da democracia e sua vocação para o diálogo. “Discordávamos em muitos pontos políticos, mas as divergências eram sempre muito produtivas e conseguimos realizar muitas coisas juntos”, afirma. Maria Hermínia concorda: “Ele era um intelectual genuinamente aberto a ideias diferentes das suas”. A pesquisadora pretende agora concluir, ao lado da cientista política Maria Tereza Sadek, da USP, o último projeto do amigo: um livro em homenagem à obra de Weffort sobre democracia. “Moisés trabalhou nesse projeto até os últimos dias de vida”, relata.</p>
<p>O cientista político deixa os filhos Pedro, Reinaldo e Marcelo, que teve com a ex-mulher, a atriz Thaia Perez.</p>
]]></content:encoded>
					
		
		
			</item>
		<item>
		<title>Andrea Musskopf defende o direito da comunidade LGBT+ à cidadania religiosa</title>
		<link>https://revistapesquisa.fapesp.br/andrea-musskopf-defende-o-direito-da-comunidade-lgbt-a-cidadania-religiosa/?utm_source=rss&#038;utm_medium=rss&#038;utm_campaign=andrea-musskopf-defende-o-direito-da-comunidade-lgbt-a-cidadania-religiosa</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Eduardo Magossi]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 22 Feb 2026 12:57:01 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Itinerários de pesquisa]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://revistapesquisa.fapesp.br/?p=578981</guid>

					<description><![CDATA[Seus estudos investigam experiências de fé fora dos padrões heteronormativos]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<div id="attachment_578986" style="max-width: 810px" class="wp-caption alignright"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-578986 size-full" src="https://revistapesquisa.fapesp.br/wp-content/uploads/2026/02/rpf-itinerarios-Andrea-Musskopf-2026-02-800.jpg" alt="" width="800" height="867" srcset="https://revistapesquisa.fapesp.br/wp-content/uploads/2026/02/rpf-itinerarios-Andrea-Musskopf-2026-02-800.jpg 800w, https://revistapesquisa.fapesp.br/wp-content/uploads/2026/02/rpf-itinerarios-Andrea-Musskopf-2026-02-800-250x271.jpg 250w, https://revistapesquisa.fapesp.br/wp-content/uploads/2026/02/rpf-itinerarios-Andrea-Musskopf-2026-02-800-700x759.jpg 700w, https://revistapesquisa.fapesp.br/wp-content/uploads/2026/02/rpf-itinerarios-Andrea-Musskopf-2026-02-800-120x130.jpg 120w" sizes="auto, (max-width: 800px) 100vw, 800px" /><p class="wp-caption-text"><span class="media-credits-inline">Sheila Marchi</span>Musskopf em registro de 2024<span class="media-credits">Sheila Marchi</span></p></div>
<p>Nasci na cidade de Campo Bom, no interior do Rio Grande do Sul, em meados da década de 1970, mas logo mudamos para Teutônia, outro pequeno município gaúcho, que é terra natal de minha mãe e de meu pai e foi onde cresci. Como em muitas pequenas comunidades daquela época, boa parte da vida social girava em torno da fé, no nosso caso, a luterana. Fiz o ensino confirmatório, o equivalente à primeira comunhão da Igreja Católica, participei do grupo de jovens, sempre estive envolvido com a vida da igreja.</p>
<p>Meu comportamento era considerado esquisito pelos padrões locais. E, embora eu tenha assumido certa liderança dentro da igreja, sentia que meu jeito era rejeitado por membros da comunidade. As pessoas diziam de forma velada ou direta que eu não me encaixava naquela cidade de costumes tradicionais. Passei a me entender como homossexual aos 21 anos de idade e, há cerca de um ano, decidi me identificar como uma pessoa não binária. Como expressão disso, além do meu nome civil, André Sidnei, passei a usar também o nome Andrea Musskopf. Mas, naquela época, não tinha informações para lidar com todas essas questões.</p>
<p>Em 1994, prestei vestibular para artes cênicas, mas não passei. No ano seguinte, um grupo de estudantes de teologia visitou minha cidade e me apresentou à Escola Superior de Teologia [EST], ligada à Igreja Evangélica de Confissão Luterana no Brasil [IECLB], em São Leopoldo [RS]. Eu me inscrevi no processo seletivo e consegui entrar. Quando comecei o bacharelado em teologia, o curso não era ainda regulamentado pelo Ministério da Educação [MEC]. Isso só iria acontecer em 1999. Cursar teologia naquela ocasião era o caminho natural para ser pastor e não acadêmico.</p>
<p>Logo me envolvi com movimentos sociais de São Leopoldo e da Região Metropolitana de Porto Alegre, a cerca de 35 quilômetros. Passei a fazer parte da organização não governamental Apoio, Solidariedade e Prevenção à Aids [Aspa]. São Leopoldo tinha um dos maiores índices do estado em casos de infecção e morte por HIV/ Aids. Lutávamos pelo básico: para que a população em geral tivesse acesso a preservativos e as pessoas com HIV pudessem ser medicadas e tratadas.</p>
<p>Ainda na graduação fiz um intercâmbio nos Estados Unidos. Àquela altura, eu já havia me entendido como homossexual. Passei um semestre no Seminário Teológico Wartburg, em Dubuque, no estado de Iowa. Depois fui fazer um estágio em Nova Jersey, cidade vizinha a Nova York. Eu trabalhava em duas igrejas luteranas, uma delas ficava em uma comunidade afro-americana e a outra na área latina. Isso me marcou muito, pois tive contato com questões ligadas à raça, etnia e imigração.</p>
<p>Em termos pessoais, pude lidar mais livremente com a minha sexualidade. Foi nesse período que conheci e me aprofundei nos estudos sobre teologia gay, que reinterpreta a fé por meio das experiências das pessoas fora dos padrões heteronormativos. Meu trabalho de conclusão de curso [TCC] versou sobre esse tema e resultou no livro <em>Uma brecha no armário: Propostas para uma teologia gay</em>, publicado em 2002.</p>
<p>Eu me formei em 2001 e, no ano seguinte, iniciei o mestrado, também na EST. Escolhi como tema a ordenação de homossexuais na igreja luterana, especificamente na IECLB. O trabalho, defendido em 2004, deu origem ao livro <em>Talar rosa: Homossexuais e o ministério na igreja</em> [Editora Oikos, 2005]. Durante a pesquisa, passei um semestre na Universidade de Toronto, no Canadá, onde pude me aprofundar na teologia queer. Na década de 1990, o termo queer, que significa “estranho” em inglês, começou a ser utilizado no âmbito do cruzamento entre as teorias feministas e os estudos gays e lésbicos por acadêmicas nos Estados Unidos, como Teresa de Lauretis, Eve Kosofsky Sedgwick [1950-2009] e Judith Butler.</p>
<div id="attachment_578982" style="max-width: 810px" class="wp-caption alignright vertical"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-578982 size-full" src="https://revistapesquisa.fapesp.br/wp-content/uploads/2026/02/rpf-itinerarios-Andrea-Musskopf-consagracao-2026-02-800.jpg" alt="" width="800" height="702" srcset="https://revistapesquisa.fapesp.br/wp-content/uploads/2026/02/rpf-itinerarios-Andrea-Musskopf-consagracao-2026-02-800.jpg 800w, https://revistapesquisa.fapesp.br/wp-content/uploads/2026/02/rpf-itinerarios-Andrea-Musskopf-consagracao-2026-02-800-250x219.jpg 250w, https://revistapesquisa.fapesp.br/wp-content/uploads/2026/02/rpf-itinerarios-Andrea-Musskopf-consagracao-2026-02-800-700x614.jpg 700w, https://revistapesquisa.fapesp.br/wp-content/uploads/2026/02/rpf-itinerarios-Andrea-Musskopf-consagracao-2026-02-800-120x105.jpg 120w" sizes="auto, (max-width: 800px) 100vw, 800px" /><p class="wp-caption-text"><span class="media-credits-inline">Arquivo pessoal</span>Musskopf durante a ordenação pastoral, na Igreja Batista Nazaré, em Salvador (BA), em 2022<span class="media-credits">Arquivo pessoal</span></p></div>
<p>À medida que ia estudando, subindo os degraus do percurso acadêmico, comecei a questionar de forma mais intensa o papel da igreja na minha vida enquanto homossexual. Juntamente com a ação política passei a manter uma relação de maior independência e autonomia em relação à minha igreja de origem. Assim, comecei a frequentar outros espaços ecumênicos e trabalhar com diversas denominações religiosas tendo como foco a valorização das experiências de pessoas LGBT+ nesse campo e seu direito à cidadania religiosa.</p>
<p>No doutorado, em razão da parca bibliografia sobre teologia queer no Brasil, busquei traçar caminhos para a aplicação dessa perspectiva dentro da realidade do nosso país. Concluí a pesquisa em 2008. Minha defesa na EST atraiu muita gente da comunidade LGBT+ de São Leopoldo. Eu era uma das lideranças locais: ajudei a aprovar legislação na Câmara Municipal, como a Lei Ordinária nº 6.010, de 14 de setembro de 2006, que dispõe sobre o reconhecimento da liberdade de orientação sexual e identidade de gênero, além de prever penalidades para estabelecimentos comerciais que pratiquem discriminação contra esse público. Também participei da organização de paradas do orgulho LGBT+ na cidade e da criação do Grupo de Celebração Ecumênica Inclusiva, bem como fiz parte da diretoria da Associação Brasileira de Diversidade Sexual e de Gênero.</p>
<p>Logo após terminar o doutorado, integrei a administração municipal de São Leopoldo, onde permaneci por quatro anos em diversas funções e cargos. Com o fim do mandato, passei a atuar na EST com maior dedicação e fiquei nessa instituição até 2019. Naquele ano, passei em um concurso na Universidade Federal de Juiz de Fora [UFJF], em Minas Gerais, onde hoje sou docente e coordenador do <a href="https://www2.ufjf.br/ppcir/" target="_blank" rel="noopener">Programa de Pós-graduação em Ciência da Religião</a>.</p>
<p>Em 2022, recebi a ordenação honorária como pastor, pela Igreja Batista Nazaré, de Salvador [BA]. Até hoje não exerci nenhum cargo pastoral, mas foi importante ter esse reconhecimento para, inclusive, ajudar a abrir caminhos para a comunidade LGBT+ nessa seara.</p>
<p>Nos últimos anos, forças reacionárias vêm articulando um movimento antigênero no mundo e no Brasil, o que tem travado a construção de um diálogo frutífero sobre a relação entre religião e questões de diversidade sexual e de gênero em nosso país. Esses obstáculos impactam também a discussão sobre esses temas nas escolas. Crianças e adolescentes continuam saindo da educação básica sem informação e reflexão sobre gênero e sexualidade.</p>
<p>Atualmente, sou líder do Grupo de Estudos Indecências – Religião, Gênero e Sexualidade, criado em 2024, na UFJF. O nome do grupo é inspirado no conceito de indecência, articulado pela teóloga argentina Marcella Althaus-Reid [1952-2009], que questiona padrões dominantes na reflexão teológica, sobretudo quando considerada sua relação com sexualidade e gênero.</p>
<p>Marcella foi a maior influência na minha trajetória acadêmica. Ela viria para a defesa do meu doutorado, mas infelizmente adoeceu e faleceu logo depois. Em sua homenagem e de outras pensadoras e pensadores da comunidade LGBT+ desse campo, continuo no processo de investigar as questões que venho discutindo desde a graduação para mostrar que existem várias possibilidades de se pensar religião e teologia.</p>
]]></content:encoded>
					
		
		
			</item>
		<item>
		<title>Reator aumenta conversão de energia solar em química e produz mais hidrogênio a partir da água</title>
		<link>https://revistapesquisa.fapesp.br/reator-aumenta-conversao-de-energia-solar-em-quimica-e-produz-mais-hidrogenio-a-partir-da-agua/?utm_source=rss&#038;utm_medium=rss&#038;utm_campaign=reator-aumenta-conversao-de-energia-solar-em-quimica-e-produz-mais-hidrogenio-a-partir-da-agua</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Igor Zolnerkevic]]></dc:creator>
		<pubDate>Sat, 21 Feb 2026 12:57:14 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Ciência]]></category>
		<category><![CDATA[Energia]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://revistapesquisa.fapesp.br/?p=579017</guid>

					<description><![CDATA[Emprego de tinta à base de hematita em placas de vidro do protótipo do dispositivo aumenta em oito vezes a eficiência do processo]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>Uma equipe do Laboratório Nacional de Nanotecnologia (LNNano), do Centro Nacional de Pesquisa em Energia e Materiais (CNPEM), em Campinas, São Paulo, aumentou em oito vezes a eficiência de uma tecnologia ainda experimental chamada fotoeletrólise, que converte a energia solar em química e produz gás hidrogênio a partir da água. Os pesquisadores também desenvolveram um método de fabricação em larga escala, a partir de materiais atóxicos e baratos, do reator usado nesse processo, que foi objeto de cinco pedidos de patente.</p>
<p>Os resultados do trabalho foram publicados em setembro de 2025 em artigo que ganhou a capa da revista científica <em>ACS Energy Letters. </em>O experimento é mais um passo na busca por tornar viável o emprego da fotoeletrólise em aplicações industriais. O projeto é financiado pelo Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), com apoio da FAPESP por meio do Centro de Pesquisa em Engenharia Molecular para Materiais Avançados (CEMol) e Centro de Inovação em Novas Energias (Cine).</p>
<p>O gás hidrogênio é um ingrediente essencial para a indústria química, sobretudo na fabricação de fertilizantes, e um potencial substituto dos combustíveis fósseis. A queima de 1 quilo (kg) de hidrogênio libera cerca de três vezes mais energia que a de 1 kg de gasolina, com a vantagem extra de não emitir nenhum gás de efeito estufa, apenas água. Atualmente 76% da produção mundial de hidrogênio ocorre por meio da reforma do gás metano. Esse processo libera em torno de 10 kg de dióxido de carbono (CO<sub>2</sub>), principal gás de efeito estufa, a cada 1 kg de hidrogênio produzido. Nos últimos anos, métodos alternativos vêm sendo desenvolvidos no Brasil e no mundo para sua produção com baixas emissões de carbono, o chamado hidrogênio verde (<em>ver</em> Pesquisa FAPESP <em>nº 333</em>).</p>
<p>Uma dessas tecnologias é a eletrólise, que usa a corrente elétrica gerada por fontes renováveis, como a energia eólica e a solar, para induzir uma reação que transforma as moléculas de água em oxigênio e hidrogênio. A eletrólise responde hoje por menos de 1% da produção global comercial de hidrogênio. A tecnologia ainda é cara, devido à infraestrutura necessária para conectar as fontes renováveis aos reatores de eletrólise e ao custo de seus componentes principais, os eletrodos, feitos de ligas metálicas.</p>
<p>Para reduzir esses custos, algumas linhas de pesquisa apostam em uma tecnologia que integra, em um único equipamento, a captação de energia solar e a produção de hidrogênio: a fotoeletrólise. A exemplo do reator de eletrólise, o fotoeletrolisador é composto por eletrodos, chamados de fotoânodo e fotocátodo. Quando a luz do sol incide sobre o fotoânodo, surgem cargas positivas em sua superfície que, em contato com a água, as transformam em moléculas de oxigênio e prótons. Essas últimas partículas subatômicas são então atraídas para o fotocátodo, onde interagem com elétrons formados por meio da irradiação solar e dão origem ao hidrogênio.</p>
<p>O principal obstáculo ao avanço da fotoeletrólise é a baixa eficiência dos fotoânodos. Desde 2019, o físico Flávio Leandro de Souza, da Universidade Federal do ABC (UFABC), lidera no LNNano uma equipe de cinco pesquisadores dedicada ao aprimoramento de fotoânodos feitos de hematita – um óxido de ferro, de cor âmbar, encontrado em rochas e no solo. O minério é abundante e estável em contato com a água, absorve bem a luz solar, mas normalmente é pouco eficiente em transformá-la em energia química. Para contornar essa limitação, o time liderado por Souza desenvolveu uma tinta à base de hematita e pequenas doses de alumínio e zircônio, dois elementos também abundantes no Brasil. “Com o pigmento, chegamos quase ao limite teórico do que o material pode atingir em termos de eficiência para fazer a conversão da energia solar para a química”, afirma Souza.</p>
<p>A equipe do LNNano pintou com a tinta de hematita 100 placas de vidro de 1 centímetro quadrado (cm²), todas com a mesma capacidade de funcionar como fotoânodos. Dez dessas placas, ligadas em série, formam metade de um protótipo de reator, instaladas em um recipiente retangular por onde circula água, dotado de janelas transparentes para a entrada de luz. Como o foco do estudo era avaliar somente os fotoânodos, a outra metade do reator não era composta de fotocátodos, mas de eletrodos de platina padrão, acoplados a um painel solar comercial.</p>
<p>Os dispositivos operaram de forma estável por mais de 120 horas em laboratório, sob a luz de um simulador solar de grande área, construído pelo físico Renato Gonçalves, do Instituto de Física de São Carlos da Universidade de São Paulo (IFSC-USP), coautor do estudo. Dois protótipos também foram testados ao ar livre, funcionando ao longo de um dia inteiro de sol. Durante os experimentos, os pesquisadores coletaram amostras e realizaram análises de toxicidade, concluindo que a água do reator pode ser descartada com segurança, sem nenhum tratamento especial.</p>
<p>“O trabalho do LNNano enfrenta um dos principais gargalos da área: a transição da pesquisa em laboratório para a construção de dispositivos escaláveis, estáveis e ambientalmente seguros”, avalia o físico Heberton Wender, que pesquisa fotoeletrólise na Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS) e não participou do estudo. Ele também destaca como o uso de vários fotoânodos pequenos, em vez de um único de área maior, melhora a coleta de cargas elétricas no dispositivo. “Essa arquitetura modular eleva o nível de maturidade da tecnologia.”</p>
<p>Souza conta que o próximo passo da pesquisa será montar um protótipo totalmente independente de painéis solares, com 10 fotoânodos de hematita e 10 fotocátodos de óxido de cobre fabricados pelo mesmo método, ainda no primeiro semestre de 2026. De acordo com o pesquisador, a fotoeletrólise pode ser uma alternativa de baixo custo para a produção de hidrogênio verde em aplicações que não precisem de grandes volumes do gás. “Em vez de produzir, envasar e transportar hidrogênio, seria possível instalar estações de fotoeletrólise nos locais onde a indústria precisa dele como insumo”, explica o pesquisador do CNPEM.</p>
<p class="bibliografia"><strong>Projeto</strong><br />
Centro de Pesquisa em Engenharia Molecular para Materiais Avançados (CEMol) (<a href="https://bv.fapesp.br/pt/auxilios/117831/centro-de-pesquisa-em-engenharia-molecular-para-materiais-avancados-cemol/?q=24/00989-7" target="_blank" rel="noopener">nº 24/00989-7</a>) <strong>Modalidade</strong> Centros de Pesquisa, Inovação e Difusão (Cepid); <strong>Pesquisador responsável</strong> Edson Roberto Leite (CNPEM); <strong>Investimento</strong> R$ 9.208.719,64.</p>
<p class="bibliografia"><strong>Artigo científico</strong><br />
RODRÍGUEZ-GUTIÉRREZ, I. <em>et al.</em> <a href="https://pubs.acs.org/doi/10.1021/acsenergylett.5c02340" target="_blank" rel="noopener">Photoelectrode fabrication and modular PEC reactor integration for stable solar hydrogen production</a>. <strong>ACS Energy Letters</strong>. 6 set. 2025.</p>
]]></content:encoded>
					
		
		
			</item>
		<item>
		<title>Bruno Geloneze</title>
		<link>https://revistapesquisa.fapesp.br/bruno-geloneze/?utm_source=rss&#038;utm_medium=rss&#038;utm_campaign=bruno-geloneze</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Pesquisa Brasil]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 20 Feb 2026 13:05:43 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Entrevistas]]></category>
		<category><![CDATA[Medicina]]></category>
		<category><![CDATA[Saúde Pública]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://revistapesquisa.fapesp.br/?p=579328</guid>

					<description><![CDATA[Efeito sanfona piora metabolismo e torna ainda mais difícil perder peso]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<div
  class="waveform-player container interview "
  data-start-time="406"
  data-duration="622"
  id="waveform-player-7"
>
      <figure style="background-image: url(/wp-content/thumbs/94eaafce88967346ef14b21200d38a6f9d85c67a_375-202cropped.jpg);"></figure>
      <div class="progress-bar">
    <div class="bg" style="background-image: url(/services/waveform.php?media_url=https%3A%2F%2Fmedia.blubrry.com%2Ffapesp_pesquisa_brasil%2Fmedia.blubrry.com%2Ffapesp_pesquisa_brasil%2Fcontent.blubrry.com%2Ffapesp_pesquisa_brasil%2FPbr_20fev26.mp3);"></div>
    <div class="pointer"></div>
    <img decoding="async" class="progress-bar overlay" src="/services/waveform.php?media_url=https%3A%2F%2Fmedia.blubrry.com%2Ffapesp_pesquisa_brasil%2Fmedia.blubrry.com%2Ffapesp_pesquisa_brasil%2Fcontent.blubrry.com%2Ffapesp_pesquisa_brasil%2FPbr_20fev26.mp3">
  </div>
  <div class="play-pause"></div>
  <div class="media-title">
        <span>&nbsp;</span>
      </div>
  <div class="time-display">00:00 / 10:22</div>
  
  <audio preload="none">
    <source type="audio/mpeg" src="https://media.blubrry.com/fapesp_pesquisa_brasil/media.blubrry.com/fapesp_pesquisa_brasil/content.blubrry.com/fapesp_pesquisa_brasil/Pbr_20fev26.mp3" >  </audio>
</div>

<p>Efeito sanfona piora metabolismo e torna ainda mais difícil perder peso.</p>
<p><em>Apresentação</em>: Fabrício Marques<br />
<em>Produção, roteiro e edição</em>: Sarah Caravieri</p>
]]></content:encoded>
					
		
		
			</item>
		<item>
		<title>Daniela Bittencourt</title>
		<link>https://revistapesquisa.fapesp.br/daniela-bittencourt/?utm_source=rss&#038;utm_medium=rss&#038;utm_campaign=daniela-bittencourt</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Pesquisa Brasil]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 20 Feb 2026 13:04:55 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Entrevistas]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://revistapesquisa.fapesp.br/?p=579330</guid>

					<description><![CDATA[Embrapa lança projeto de cultivo e melhoramento genético de cannabis]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<div
  class="waveform-player container interview "
  data-start-time="1028"
  data-duration="866"
  id="waveform-player-8"
>
      <figure style="background-image: url(/wp-content/thumbs/94eaafce88967346ef14b21200d38a6f9d85c67a_375-202cropped.jpg);"></figure>
      <div class="progress-bar">
    <div class="bg" style="background-image: url(/services/waveform.php?media_url=https%3A%2F%2Fmedia.blubrry.com%2Ffapesp_pesquisa_brasil%2Fmedia.blubrry.com%2Ffapesp_pesquisa_brasil%2Fcontent.blubrry.com%2Ffapesp_pesquisa_brasil%2FPbr_20fev26.mp3);"></div>
    <div class="pointer"></div>
    <img decoding="async" class="progress-bar overlay" src="/services/waveform.php?media_url=https%3A%2F%2Fmedia.blubrry.com%2Ffapesp_pesquisa_brasil%2Fmedia.blubrry.com%2Ffapesp_pesquisa_brasil%2Fcontent.blubrry.com%2Ffapesp_pesquisa_brasil%2FPbr_20fev26.mp3">
  </div>
  <div class="play-pause"></div>
  <div class="media-title">
        <span>&nbsp;</span>
      </div>
  <div class="time-display">00:00 / 14:26</div>
  
  <audio preload="none">
    <source type="audio/mpeg" src="https://media.blubrry.com/fapesp_pesquisa_brasil/media.blubrry.com/fapesp_pesquisa_brasil/content.blubrry.com/fapesp_pesquisa_brasil/Pbr_20fev26.mp3" >  </audio>
</div>

<p><a href="https://revistapesquisa.fapesp.br/embrapa-consegue-autorizacao-especial-para-cultivo-e-melhoramento-genetico-de-cannabis/" target="_blank" rel="noopener">Embrapa lança projeto de cultivo e melhoramento genético de cannabis.</a></p>
<p><em>Apresentação</em>: Fabrício Marques<br />
<em>Produção, roteiro e edição</em>: Sarah Caravieri</p>
]]></content:encoded>
					
		
		
			</item>
		<item>
		<title>André Gonzaga dos Santos</title>
		<link>https://revistapesquisa.fapesp.br/andre-gonzaga-dos-santos/?utm_source=rss&#038;utm_medium=rss&#038;utm_campaign=andre-gonzaga-dos-santos</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Pesquisa Brasil]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 20 Feb 2026 13:03:58 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Entrevistas]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://revistapesquisa.fapesp.br/?p=579331</guid>

					<description><![CDATA[Como a regulamentação pode reduzir entraves para estudos com cannabis]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<div
  class="waveform-player container interview "
  data-start-time="1894"
  data-duration="776"
  id="waveform-player-9"
>
      <figure style="background-image: url(/wp-content/thumbs/94eaafce88967346ef14b21200d38a6f9d85c67a_375-202cropped.jpg);"></figure>
      <div class="progress-bar">
    <div class="bg" style="background-image: url(/services/waveform.php?media_url=https%3A%2F%2Fmedia.blubrry.com%2Ffapesp_pesquisa_brasil%2Fmedia.blubrry.com%2Ffapesp_pesquisa_brasil%2Fcontent.blubrry.com%2Ffapesp_pesquisa_brasil%2FPbr_20fev26.mp3);"></div>
    <div class="pointer"></div>
    <img decoding="async" class="progress-bar overlay" src="/services/waveform.php?media_url=https%3A%2F%2Fmedia.blubrry.com%2Ffapesp_pesquisa_brasil%2Fmedia.blubrry.com%2Ffapesp_pesquisa_brasil%2Fcontent.blubrry.com%2Ffapesp_pesquisa_brasil%2FPbr_20fev26.mp3">
  </div>
  <div class="play-pause"></div>
  <div class="media-title">
        <span>&nbsp;</span>
      </div>
  <div class="time-display">00:00 / 12:56</div>
  
  <audio preload="none">
    <source type="audio/mpeg" src="https://media.blubrry.com/fapesp_pesquisa_brasil/media.blubrry.com/fapesp_pesquisa_brasil/content.blubrry.com/fapesp_pesquisa_brasil/Pbr_20fev26.mp3" >  </audio>
</div>

<p><a href="https://revistapesquisa.fapesp.br/embrapa-consegue-autorizacao-especial-para-cultivo-e-melhoramento-genetico-de-cannabis/" target="_blank" rel="noopener">Como a regulamentação pode reduzir entraves para estudos com cannabis.</a></p>
<p><em>Apresentação</em>: Fabrício Marques<br />
<em>Produção, roteiro e edição</em>: Sarah Caravieri</p>
]]></content:encoded>
					
		
		
			</item>
		<item>
		<title>Marcelo Kitahara</title>
		<link>https://revistapesquisa.fapesp.br/marcelo-kitahara/?utm_source=rss&#038;utm_medium=rss&#038;utm_campaign=marcelo-kitahara</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Pesquisa Brasil]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 20 Feb 2026 13:02:43 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Entrevistas]]></category>
		<category><![CDATA[Biologia]]></category>
		<category><![CDATA[Oceanografia]]></category>
		<category><![CDATA[Zoologia]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://revistapesquisa.fapesp.br/?p=579335</guid>

					<description><![CDATA[Estudo avalia efeitos de uma onda de calor em 2024 na mortalidade de corais]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<div
  class="waveform-player container interview "
  data-start-time="2670"
  data-duration="633"
  id="waveform-player-10"
>
      <figure style="background-image: url(/wp-content/thumbs/94eaafce88967346ef14b21200d38a6f9d85c67a_375-202cropped.jpg);"></figure>
      <div class="progress-bar">
    <div class="bg" style="background-image: url(/services/waveform.php?media_url=https%3A%2F%2Fmedia.blubrry.com%2Ffapesp_pesquisa_brasil%2Fmedia.blubrry.com%2Ffapesp_pesquisa_brasil%2Fcontent.blubrry.com%2Ffapesp_pesquisa_brasil%2FPbr_20fev26.mp3);"></div>
    <div class="pointer"></div>
    <img decoding="async" class="progress-bar overlay" src="/services/waveform.php?media_url=https%3A%2F%2Fmedia.blubrry.com%2Ffapesp_pesquisa_brasil%2Fmedia.blubrry.com%2Ffapesp_pesquisa_brasil%2Fcontent.blubrry.com%2Ffapesp_pesquisa_brasil%2FPbr_20fev26.mp3">
  </div>
  <div class="play-pause"></div>
  <div class="media-title">
        <span>&nbsp;</span>
      </div>
  <div class="time-display">00:00 / 10:33</div>
  
  <audio preload="none">
    <source type="audio/mpeg" src="https://media.blubrry.com/fapesp_pesquisa_brasil/media.blubrry.com/fapesp_pesquisa_brasil/content.blubrry.com/fapesp_pesquisa_brasil/Pbr_20fev26.mp3" >  </audio>
</div>

<p><a href="https://revistapesquisa.fapesp.br/pesquisadores-buscam-restaurar-recifes-de-coral-dizimados-por-ondas-de-calor/" target="_blank" rel="noopener">Estudo avalia efeitos de uma onda de calor em 2024 na mortalidade de corais.</a></p>
<p><em>Apresentação</em>: Fabrício Marques<br />
<em>Produção, roteiro e edição</em>: Sarah Caravieri</p>
]]></content:encoded>
					
		
		
			</item>
		<item>
		<title>Paulino Ribeiro Villas-Boas</title>
		<link>https://revistapesquisa.fapesp.br/paulino-ribeiro-villas-boas/?utm_source=rss&#038;utm_medium=rss&#038;utm_campaign=paulino-ribeiro-villas-boas</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Pesquisa Brasil]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 20 Feb 2026 13:01:05 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Entrevistas]]></category>
		<category><![CDATA[Ciênc. Atmosféricas]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://revistapesquisa.fapesp.br/?p=579337</guid>

					<description><![CDATA[Método simplifica medição de estoque de carbono e densidade do solo]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<div
  class="waveform-player container interview "
  data-start-time="0"
  data-duration=""
  id="waveform-player-11"
>
      <figure style="background-image: url(/wp-content/thumbs/94eaafce88967346ef14b21200d38a6f9d85c67a_375-202cropped.jpg);"></figure>
      <div class="progress-bar">
    <div class="bg" style="background-image: url(/services/waveform.php?media_url=https%3A%2F%2Fmedia.blubrry.com%2Ffapesp_pesquisa_brasil%2Fmedia.blubrry.com%2Ffapesp_pesquisa_brasil%2Fcontent.blubrry.com%2Ffapesp_pesquisa_brasil%2FPbr_20fev26.mp3);"></div>
    <div class="pointer"></div>
    <img decoding="async" class="progress-bar overlay" src="/services/waveform.php?media_url=https%3A%2F%2Fmedia.blubrry.com%2Ffapesp_pesquisa_brasil%2Fmedia.blubrry.com%2Ffapesp_pesquisa_brasil%2Fcontent.blubrry.com%2Ffapesp_pesquisa_brasil%2FPbr_20fev26.mp3">
  </div>
  <div class="play-pause"></div>
  <div class="media-title">
        <span>&nbsp;</span>
      </div>
  <div class="time-display">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;</div>
  
  <audio preload="none">
    <source type="audio/mpeg" src="https://media.blubrry.com/fapesp_pesquisa_brasil/media.blubrry.com/fapesp_pesquisa_brasil/content.blubrry.com/fapesp_pesquisa_brasil/Pbr_20fev26.mp3" >  </audio>
</div>

<p>Método simplifica medição de estoque de carbono e densidade do solo.</p>
<p><em>Apresentação</em>: Fabrício Marques<br />
<em>Produção, roteiro e edição</em>: Sarah Caravieri</p>
]]></content:encoded>
					
		
		
			</item>
		<item>
		<title>O marco regulatório da cannabis medicinal</title>
		<link>https://revistapesquisa.fapesp.br/o-marco-regulatorio-da-cannabis-medicinal/?utm_source=rss&#038;utm_medium=rss&#038;utm_campaign=o-marco-regulatorio-da-cannabis-medicinal</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Pesquisa Brasil]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 20 Feb 2026 13:00:24 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Podcast Pesquisa Brasil]]></category>
		<category><![CDATA[Biologia]]></category>
		<category><![CDATA[Ciênc. Atmosféricas]]></category>
		<category><![CDATA[Medicina]]></category>
		<category><![CDATA[Oceanografia]]></category>
		<category><![CDATA[Saúde Pública]]></category>
		<category><![CDATA[Zoologia]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://revistapesquisa.fapesp.br/?p=579321</guid>

					<description><![CDATA[Podcast discute como as normas da Anvisa terão impacto no cultivo e produção da planta para fins de pesquisa. E mais: gordura marrom; branqueamento de corais; créditos de carbono]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<div
  class="waveform-player container "
  data-start-time="0"
  data-duration=""
  id="waveform-player-12"
>
      <figure style="background-image: url(/wp-content/thumbs/94eaafce88967346ef14b21200d38a6f9d85c67a_375-202cropped.jpg);"></figure>
      <div class="progress-bar">
    <div class="bg" style="background-image: url(/services/waveform.php?media_url=https%3A%2F%2Fmedia.blubrry.com%2Ffapesp_pesquisa_brasil%2Fmedia.blubrry.com%2Ffapesp_pesquisa_brasil%2Fcontent.blubrry.com%2Ffapesp_pesquisa_brasil%2FPbr_20fev26.mp3);"></div>
    <div class="pointer"></div>
    <img decoding="async" class="progress-bar overlay" src="/services/waveform.php?media_url=https%3A%2F%2Fmedia.blubrry.com%2Ffapesp_pesquisa_brasil%2Fmedia.blubrry.com%2Ffapesp_pesquisa_brasil%2Fcontent.blubrry.com%2Ffapesp_pesquisa_brasil%2FPbr_20fev26.mp3">
  </div>
  <div class="play-pause"></div>
  <div class="media-title">
        <span>&nbsp;</span>
      </div>
  <div class="time-display">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;</div>
  
  <audio preload="none">
    <source type="audio/mpeg" src="https://media.blubrry.com/fapesp_pesquisa_brasil/media.blubrry.com/fapesp_pesquisa_brasil/content.blubrry.com/fapesp_pesquisa_brasil/Pbr_20fev26.mp3" >  </audio>
</div>

<p><strong>Bruno Geloneze</strong>: Efeito sanfona piora metabolismo e torna ainda mais difícil perder peso.</p>
<p><strong>Daniela Bittencourt</strong>: <a href="https://revistapesquisa.fapesp.br/embrapa-consegue-autorizacao-especial-para-cultivo-e-melhoramento-genetico-de-cannabis/" target="_blank" rel="noopener">Embrapa lança projeto de cultivo e melhoramento genético de cannabis.</a></p>
<p><strong>André Gonzaga dos Santos</strong>: <a href="https://revistapesquisa.fapesp.br/embrapa-consegue-autorizacao-especial-para-cultivo-e-melhoramento-genetico-de-cannabis/" target="_blank" rel="noopener">Como a regulamentação pode reduzir entraves para estudos com cannabis.</a></p>
<p><strong>Marcelo Kitahara</strong>: <a href="https://revistapesquisa.fapesp.br/pesquisadores-buscam-restaurar-recifes-de-coral-dizimados-por-ondas-de-calor/" target="_blank" rel="noopener">Estudo avalia efeitos de uma onda de calor em 2024 na mortalidade de corais.</a></p>
<p><strong>Paulino Ribeiro Villas-Boas</strong>: Método simplifica medição de estoque de carbono e densidade do solo.</p>
<p><em>Apresentação</em>: Fabrício Marques<br />
<em>Produção, roteiro e edição</em>: Sarah Caravieri</p>
]]></content:encoded>
					
		
		<enclosure url="https://media.blubrry.com/fapesp_pesquisa_brasil/media.blubrry.com/fapesp_pesquisa_brasil/content.blubrry.com/fapesp_pesquisa_brasil/Pbr_20fev26.mp3" length="64340116" type="audio/mpeg" />

			</item>
		<item>
		<title>Quantidade de cacau no chocolate meio amargo é similar ao das versões ao leite e branco, aponta estudo</title>
		<link>https://revistapesquisa.fapesp.br/quantidade-de-cacau-no-chocolate-meio-amargo-e-similar-ao-das-versoes-ao-leite-e-branco-aponta-estudo/?utm_source=rss&#038;utm_medium=rss&#038;utm_campaign=quantidade-de-cacau-no-chocolate-meio-amargo-e-similar-ao-das-versoes-ao-leite-e-branco-aponta-estudo</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Giselle Soares]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 17 Feb 2026 12:57:08 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Ciência]]></category>
		<category><![CDATA[Notícias]]></category>
		<category><![CDATA[Química]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://revistapesquisa.fapesp.br/?p=579054</guid>

					<description><![CDATA[Trabalho do Cena-USP analisou 211 amostras de 116 marcas do produto em barra]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>Um estudo publicado em janeiro na revista <a href="https://doi.org/10.1016/j.foodchem.2025.147313" target="_blank" rel="noopener"><em>Food Chemistry</em></a> por uma equipe do Centro de Energia Nuclear na Agricultura da Universidade de São Paulo (Cena-USP), em Piracicaba, analisou 211 amostras de 116 marcas de chocolate em barra vendidas no país e chegou a um resultado animador e outro, preocupante.</p>
<p>A boa notícia é que nenhum exemplar do produto forneceu indícios de que tenha uma quantidade de cacau abaixo da determinada pela legislação. No Brasil, um alimento pode ser chamado de chocolate se for composto por ao menos 25% de sólidos de cacau, segundo a <a href="https://anvisalegis.datalegis.net/action/ActionDatalegis.php?acao=abrirTextoAto&amp;tipo=RDC&amp;numeroAto=00000723&amp;seqAto=002&amp;valorAno=2022&amp;orgao=RDC/DC/ANVISA/MS&amp;codTipo=&amp;desItem=&amp;desItemFim=&amp;cod_menu=1696&amp;cod_modulo=134&amp;pesquisa=true" target="_blank" rel="noopener">Resolução RDC nº 723, de 2022</a>, da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), que estabelece os critérios mínimos para a classificação desse produto. No caso do chocolate branco, é preciso ter ao menos 20% da manteiga de cacau, uma gordura comestível extraída do fruto.</p>
<p>O dado intrigante foi que as amostras de chocolate meio amargo fabricadas em larga escala por grandes empresas nacionais forneceram indícios de que contêm a mesma proporção de cacau e de açúcar encontrada em chocolates das categorias ao leite e branco, mais baratas e populares. “Isso nos surpreendeu. Quando olhamos os rótulos, a maioria das marcas de chocolate meio amargo indica um teor de cacau em torno de 40%. Mas não foi isso que apareceu de forma clara nos nossos dados”, comenta a botânica Karina Gonçalves, primeira autora do trabalho, que faz pós-doutorado no Cena-USP.</p>
<p>Os resultados sugerem que as amostras de chocolate ao leite, branco e meio amargo, independentemente da classificação, tinham entre 25% e 30% de cacau. Já os da categoria amargo, que anunciam ter acima de 60% do fruto em sua composição, apresentaram dados compatíveis com essa quantidade de cacau em sua receita. Também foram analisados chocolates importados e feitos por fabricantes brasileiros artesanais, que plantam o próprio fruto usado em seus produtos. Nesses casos, a quantidade de cacau determinada pelo estudo nas barras do alimento bateu, em linhas gerais, com a anunciada pelos produtores.</p>
<p>Nos rótulos dos chocolates mais consumidos (branco, ao leite e meio amargo), o açúcar aparece como o primeiro ingrediente, enquanto o cacau ocupa posições secundárias. O ingrediente lidera a formulação apenas na versão amarga. Entre os chocolates importados, o padrão se repete, com exceção dos produtos com 70% ou mais de cacau. Já nos chocolates nacionais artesanais, o cacau é o elemento central e aparece como base das formulações.</p>
<p>Para comentar os resultados do estudo, a reportagem de <em>Pesquisa FAPESP</em> entrou em contato com a Associação Brasileira da Indústria de Chocolates, Amendoim e Balas (Abicab) e grandes empresas do setor (Nestlé, Mondelez, Arcor e Cacau Show). A Abicab disse que não comenta sobre processos de produção. A Arcor preferiu não responder à demanda. As demais não deram retorno.</p>
<p><strong>A razão dos isótopos</strong><br />
O trabalho do Cena não mediu diretamente a quantidade de cacau e açúcar, os dois ingredientes predominantes do chocolate, em sua composição. Ele determinou a proporção de duas formas, denominadas isótopos, dos átomos do elemento químico carbono presentes no alimento. A partir da relação entre os dois isótopos encontrada em uma barra do produto é possível inferir quanto há de cacau (planta C3) e de açúcar (C4) em sua receita. Um dos isótopos é o raro e pesado carbono 13 (<sup>13</sup>C); o outro, o leve e abundante carbono 12 (<sup>12</sup>C). A proporção das duas variantes do átomo, uma razão denominada delta carbono 13, depende da maneira com que as plantas fazem fotossíntese.</p>
<p>As do tipo C3, como o cacaueiro, que representam cerca de 90% das espécies vegetais, fixam mais carbono 12 e menos carbono 13 do que as C4, como o milho e a cana-de-açúcar. Portanto, a chamada assinatura isotópica de plantas C3 (e de seus derivados) resulta em um delta carbono 13 com valores mais baixos, dentro de uma faixa de resultados distintos da apresentada por espécies C4.</p>
<p>Para realizar esse tipo de análise, as amostras de chocolate foram moídas, queimadas e submetidas a um espectrômetro de massas, equipamento capaz de identificar a forma de carbono presente nos ingredientes, no Laboratório de Ecologia Isotópica do Cena. “Além de estimarmos com bom grau de certeza a composição dos dois ingredientes principais do chocolate, a abordagem isotópica também permite determinar a origem geográfica do cacau”, diz o engenheiro-agrônomo Plínio Barbosa de Camargo, do Laboratório de Ecologia Isotópica do Cena, coautor do trabalho.</p>
<p>É possível dizer se o fruto é originário do Brasil ou de outro país. No caso dos produtos artesanais brasileiros, até o bioma de onde vinha o cacau, se Mata Atlântica ou Amazônia, foi determinado com precisão. No estudo, foram feitas ainda análises de isótopos do átomo de nitrogênio, mas, nesse caso, os resultados foram pouco conclusivos. Os pesquisadores do Cena já usaram essa abordagem isotópica para estudar a composição de outros produtos, como <a href="https://revistapesquisa.fapesp.br/traquinagens-etilicas/" target="_blank" rel="noopener">vinhos</a>, <a href="https://revistapesquisa.fapesp.br/dieta-a-base-de-frango-e-milho/" target="_blank" rel="noopener">rações para cães e gatos</a> e <a href="https://revistapesquisa.fapesp.br/polpa-do-tomate-responde-em-media-por-apenas-um-quarto-da-composicao-do-ketchup/" target="_blank" rel="noopener">ketchup</a>.</p>
<p><strong>Achocolatados</strong><br />
Um segundo estudo do grupo do Cena, publicado em janeiro de 2026 na revista <a href="https://doi.org/10.1016/j.foodcont.2025.111945" target="_blank" rel="noopener"><em>Food Control</em></a>, avaliou o teor de cacau de 46 marcas de chocolates em pó e achocolatados. Nos chocolates em pó, os percentuais de cacau variaram entre 16% e 70%, e apenas uma marca apresentou valores inferiores ao mínimo exigido pela Anvisa. Entre os achocolatados, o teor médio de cacau foi de 14%, com predominância de ingredientes derivados de plantas C4, especialmente açúcar (em alguns casos, a contribuição chegou a cerca de 95% da composição). Para os autores, esse é um dado alarmante, considerando que os achocolatados são produtos bastante presentes na alimentação infantil.</p>
<p>Nas análises isotópicas, as formulações industriais não são avaliadas em termos nutricionais. “Não analisamos valor proteico, qualidade nutricional ou se o chocolate é mais ou menos saudável. O foco dos dois trabalhos foi exclusivamente estimar a proporção de açúcar e de cacau presente nos chocolates e achocolatados”, explica Camargo.</p>
<p class="bibliografia"><strong>Artigos científicos</strong><br />
DA SILVA, Karina Gonçalves <em>et al.</em> <a href="https://doi.org/10.1016/j.foodchem.2025.147313" target="_blank" rel="noopener">Stable isotope profiling and machine learning for determining cocoa origin, ingredient composition, and cocoa content in Brazilian chocolates</a>. <strong>Food Chemistry</strong>. v. 499. p. 147313. jan. 2026.<br />
GONÇALVES DA SILVA, Karina <em>et al.</em> <a href="https://doi.org/10.1016/j.foodcont.2025.111945" target="_blank" rel="noopener">Isotopic model as a tool for the prediction of cocoa content in cocoa-derived products: δ13C as a proxy for cocoa percentage</a>. <strong>Food Control</strong>. v. 183. p. 111945. 5 jan. 2026. </p>
]]></content:encoded>
					
		
		
			</item>
	</channel>
</rss>
