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	<title>Revista Pesquisa Fapesp</title>
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		<title>testetit_teste</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Redação]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 18 Jun 2026 13:33:04 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Cartas]]></category>
		<category><![CDATA[Fiat Lux]]></category>
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		<title>Espécies únicas de coral-de-fogo do Brasil enfrentam risco crescente de extinção</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Christiane Cardoso]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 18 Jun 2026 09:00:52 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Ciência]]></category>
		<category><![CDATA[Notícias]]></category>
		<category><![CDATA[Biologia]]></category>
		<category><![CDATA[Oceanografia]]></category>
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					<description><![CDATA[Ondas de calor marinhas, poluição e degradação ambiental aceleram o declínio de espécies endêmicas e levam cientistas a discutir estratégias de conservação em ambientes artificiais]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p><span style="font-weight: 400;">Os recifes de coral brasileiros enfrentam os efeitos combinados do aquecimento dos oceanos, da degradação ambiental e dos sucessivos eventos de branqueamento. O cenário é especialmente preocupante porque o país concentra os únicos sistemas recifais do Atlântico Sul, distribuídos ao longo de cerca de 3 mil quilômetros de litoral, e uma diversidade singular de corais-de-fogo, do gênero </span><i><span style="font-weight: 400;">Millepora</span></i><span style="font-weight: 400;">: das quatro espécies que ocorrem no Brasil, três são exclusivas da costa nacional.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O agravamento desse cenário acaba de ganhar reconhecimento oficial. Em atualização recente da Lista Nacional de Espécies Aquáticas Ameaçadas de Extinção, publicada pelo Ministério do Meio Ambiente e pelo ICMBio em abril deste ano, todas as espécies brasileiras de coral-de-fogo tiveram sua classificação de risco elevada. </span><i><span style="font-weight: 400;">Millepora braziliensis</span></i><span style="font-weight: 400;"> e </span><i><span style="font-weight: 400;">Millepora laboreli</span></i><span style="font-weight: 400;"> passaram a ser consideradas &#8220;criticamente em perigo&#8221;, categoria imediatamente anterior à extinção na natureza; </span><i><span style="font-weight: 400;">Millepora alcicornis</span></i><span style="font-weight: 400;">, também encontrada no Caribe, foi reclassificada como &#8220;em perigo&#8221;, após mortalidade superior a 90% registrada nos últimos eventos de branqueamento; e </span><i><span style="font-weight: 400;">Millepora nitida</span></i><span style="font-weight: 400;"> passou à categoria &#8220;quase ameaçada&#8221;.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">“</span><i><span style="font-weight: 400;">Millepora braziliensis </span></i><span style="font-weight: 400;">é um animal com distribuição extremamente restrita, o que aumenta muito o risco. Um único evento de branqueamento em massa pode ser suficiente para extinguir a espécie”, alerta Miguel Mies, professor do Instituto Oceanográfico da Universidade de São Paulo (IO-USP), coordenador de pesquisas do Projeto Coral Vivo e bolsista </span><a href="https://bv.fapesp.br/pt/auxilios/116966/o-historico-global-de-impactos-das-mudancas-climaticas-em-recifes-de-corais-o-papel-de-refugios-e-at/" target="_blank" rel="noopener"><span style="font-weight: 400;">Jovem Pesquisador da FAPESP</span></a><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A velocidade das mudanças tem levado pesquisadores a discutir estratégias que até recentemente pareciam distantes da conservação de recifes: manter espécies ameaçadas fora do ambiente natural. “Já estamos debatendo como manter essas espécies vivas em sistemas artificiais, porque a natureza atual, modificada pelo ser humano, pode se tornar incompatível com a existência delas”, diz Mies, </span><span style="font-weight: 400;">que também coordena o monitoramento nacional de recifes coralíneos, financiado pelo Coral Vivo e pela Petrobras</span><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O alerta é reforçado por </span><a href="https://doi.org/10.1007/s00338-025-02743-5" target="_blank" rel="noopener"><span style="font-weight: 400;">estudo</span></a><span style="font-weight: 400;"> publicado pelo pesquisador na revista </span><i><span style="font-weight: 400;">Coral Reefs</span></i><span style="font-weight: 400;"> em 2025. Baseado no maior esforço coordenado já realizado para monitorar o branqueamento no Atlântico Sul, o trabalho mostra que o </span><a href="https://revistapesquisa.fapesp.br/pesquisadores-buscam-restaurar-recifes-de-coral-dizimados-por-ondas-de-calor/" target="_blank" rel="noopener"><span style="font-weight: 400;">evento global</span></a><span style="font-weight: 400;"> de branqueamento de 2023–2024 provocou perdas severas em recifes brasileiros, especialmente no Nordeste, e que a repetição desses episódios vem reduzindo a capacidade de recuperação dos ecossistemas.</span></p>
<div id="attachment_587028" style="max-width: 2570px" class="wp-caption aligncenter"><img fetchpriority="high" decoding="async" class="wp-image-587028 size-full" src="https://revistapesquisa.fapesp.br/wp-content/uploads/2026/06/MVK0744-Remanescentes-vivos-de-uma-grande-colonia-de-Millepora-alcicornis-scaled.png" alt="" width="2560" height="1440" srcset="https://revistapesquisa.fapesp.br/wp-content/uploads/2026/06/MVK0744-Remanescentes-vivos-de-uma-grande-colonia-de-Millepora-alcicornis-scaled.png 2560w, https://revistapesquisa.fapesp.br/wp-content/uploads/2026/06/MVK0744-Remanescentes-vivos-de-uma-grande-colonia-de-Millepora-alcicornis-250x141.png 250w, https://revistapesquisa.fapesp.br/wp-content/uploads/2026/06/MVK0744-Remanescentes-vivos-de-uma-grande-colonia-de-Millepora-alcicornis-700x394.png 700w, https://revistapesquisa.fapesp.br/wp-content/uploads/2026/06/MVK0744-Remanescentes-vivos-de-uma-grande-colonia-de-Millepora-alcicornis-1536x864.png 1536w, https://revistapesquisa.fapesp.br/wp-content/uploads/2026/06/MVK0744-Remanescentes-vivos-de-uma-grande-colonia-de-Millepora-alcicornis-2048x1152.png 2048w, https://revistapesquisa.fapesp.br/wp-content/uploads/2026/06/MVK0744-Remanescentes-vivos-de-uma-grande-colonia-de-Millepora-alcicornis-120x68.png 120w" sizes="(max-width: 2560px) 100vw, 2560px" /><p class="wp-caption-text"><span class="media-credits-inline">Marcelo Kitahara / Cebimar </span>Esqueletos de colônias de <em>Millepora alcicornis</em> e <em>Mussismilia harttii</em> mortas devido ao branqueamento ocorrido em 2023-2024<span class="media-credits">Marcelo Kitahara / Cebimar </span></p></div>
<p><b>Ondas de calor e branqueamento</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O principal motor desse declínio é o aquecimento dos oceanos e o aumento da frequência de ondas de calor marinhas, associados às mudanças climáticas. O aumento anômalo da temperatura da água provoca o branqueamento dos corais, fenômeno em que os organismos expulsam as zooxantelas — microalgas responsáveis por grande parte de sua nutrição, que vivem dentro de seus tecidos. Sem essas algas, os corais perdem sua coloração característica e entram em estresse fisiológico severo. Embora o branqueamento possa ser reversível, episódios intensos ou prolongados frequentemente levam à morte das colônias. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O branqueamento em massa vem sendo estudado há décadas, mas pesquisadores apontam 2016 como um ponto de virada nos recifes brasileiros, quando uma forte anomalia de temperatura atingiu diferentes trechos da costa nacional – acompanhando uma tendência que já vinha sendo observada em outras partes do mundo. </span><span style="font-weight: 400;">Na época, pesquisadores questionaram se esse crescimento refletia apenas a ampliação do monitoramento ou se os eventos estavam, de fato, se tornando mais frequentes. </span><span style="font-weight: 400;">Em 2019, contudo, uma nova onda de calor afetou os recifes com intensidade ainda maior. </span><span style="font-weight: 400;">A diferença é que, dessa vez, havia mais grupos de pesquisa atuando simultaneamente em diferentes regiões do país, ampliando a capacidade de observação e tornando o monitoramento mais abrangente. </span><span style="font-weight: 400;"> </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Entre 2023 e 2025, o planeta registrou um dos maiores episódios globais de branqueamento já documentados, afetando 84% das áreas recifais em 82 países e territórios. No mesmo período, recordes de temperatura da superfície do mar foram sucessivamente quebrados.</span></p>
<div id="attachment_587032" style="max-width: 260px" class="wp-caption alignright"><img decoding="async" class="wp-image-587032 size-medium" src="https://revistapesquisa.fapesp.br/wp-content/uploads/2026/06/MVK0651-Esqueletos-de-colonias-de-Millepora-alcicornis-e-Mussismilia-harttii-250x141.png" alt="" width="250" height="141" srcset="https://revistapesquisa.fapesp.br/wp-content/uploads/2026/06/MVK0651-Esqueletos-de-colonias-de-Millepora-alcicornis-e-Mussismilia-harttii-250x141.png 250w, https://revistapesquisa.fapesp.br/wp-content/uploads/2026/06/MVK0651-Esqueletos-de-colonias-de-Millepora-alcicornis-e-Mussismilia-harttii-700x394.png 700w, https://revistapesquisa.fapesp.br/wp-content/uploads/2026/06/MVK0651-Esqueletos-de-colonias-de-Millepora-alcicornis-e-Mussismilia-harttii-1536x864.png 1536w, https://revistapesquisa.fapesp.br/wp-content/uploads/2026/06/MVK0651-Esqueletos-de-colonias-de-Millepora-alcicornis-e-Mussismilia-harttii-2048x1152.png 2048w, https://revistapesquisa.fapesp.br/wp-content/uploads/2026/06/MVK0651-Esqueletos-de-colonias-de-Millepora-alcicornis-e-Mussismilia-harttii-120x68.png 120w" sizes="(max-width: 250px) 100vw, 250px" /><p class="wp-caption-text"><span class="media-credits-inline">Marcelo Kitahara / Cebimar </span>Esqueletos de colônias de <em>Millepora alcicornis</em> e <em>Mussismilia harttii</em> mortas devido ao branqueamento ocorrido em 2023-2024<span class="media-credits">Marcelo Kitahara / Cebimar </span></p></div>
<p><span style="font-weight: 400;">Segundo Ruy Kenji, professor do Instituto de Biologia da Universidade Federal da Bahia (UFBA), o monitoramento dos recifes combina observações de campo com dados de satélite. “Utilizamos sistemas como o Coral Reef Watch [um serviço da NOAA, a agência de pesquisas oceânicas e atmosféricas dos Estados Unidos], que acompanha anomalias térmicas em tempo quase real. Os dados mostram claramente que regiões ao norte de Salvador têm experimentado eventos mais intensos de aquecimento do que a costa leste da Bahia [macrorregião que se estende ao sul da capital baiana até o Espírito Santo], por exemplo”, explica. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Essa diferença regional, contudo, não reduz a gravidade do problema. “O aquecimento está expandindo as áreas tropicais. Regiões antes frias estão ficando mais quentes, o que poderia favorecer a expansão dos corais. Mas a velocidade de mortalidade nas áreas atuais é tão alta que não dá tempo dessa migração acontecer”, afirma.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Os efeitos já aparecem em campo. “Temos testemunhado um declínio quase completo em algumas áreas”, relata Guilherme Longo, professor do Departamento de Oceanografia e Limnologia da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN). Segundo ele, há regiões em que restam apenas esqueletos antigos, já recobertos por outros organismos, de colônias antes abundantes.</span></p>
<p><b>O estresse invisível dos recifes</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Além do aquecimento global, pressões locais tornam os recifes ainda mais vulneráveis. Poluição por esgoto e fertilizantes, contaminação por agrotóxicos, aumento da carga de sedimentos e sobrepesca comprometem a saúde e reduzem a capacidade de recuperação dos corais. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Marcelo Kitahara, oceanógrafo do Centro de Biologia Marinha da Universidade de São Paulo (CEBIMar/USP) e também bolsista </span><a href="https://bv.fapesp.br/pt/auxilios/109324/integrando-ferramentas-e-disciplinas-para-entender-o-futuro-dos-corais-de-aguas-rasas-do-atlantico-s/" target="_blank" rel="noopener"><span style="font-weight: 400;">Jovem Pesquisador da FAPESP</span></a><span style="font-weight: 400;">, destaca o papel dos peixes herbívoros nesse equilíbrio. “Esses peixes controlam o crescimento de algas que competem diretamente com os corais. Sem eles, as algas proliferam e podem sufocar as colônias”, explica. O resultado é um efeito combinado: recifes já fragilizados pelas mudanças climáticas globais tornam-se ainda mais sensíveis aos impactos locais.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Pesquisas recentes também tentam entender se algumas populações possuem maior resistência ao calor. Após o evento de branqueamento de 2019, Kitahara e sua equipe compararam o DNA de colônias da espécie </span><i><span style="font-weight: 400;">Millepora alcicornis</span></i><span style="font-weight: 400;"> coletadas antes e depois da onda de calor, em Arraial d&#8217;Ajuda e Abrolhos, na Bahia. “Identificamos certos genótipos associados a mecanismos de reparo de DNA que parecem conferir maior resistência ao estresse térmico”, afirma. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Os resultados sugerem algum potencial adaptativo, mas ainda insuficiente para garantir a sobrevivência das populações mais ameaçadas. “Tudo depende do número de sobreviventes. Em alguns locais, simplesmente não encontramos mais colônias vivas”, diz Kitahara, que também é pesquisador associado do Smithsonian Institution.</span></p>
<div id="attachment_587016" style="max-width: 710px" class="wp-caption aligncenter"><img decoding="async" class="wp-image-587016 size-large" src="https://revistapesquisa.fapesp.br/wp-content/uploads/2026/06/MVK0281-Peixe-tubicula-brasileiro-700x394.png" alt="eixe-tubícula-brasileiro, com sua toca em uma colônia do coral Mussismilia hispida" width="700" height="394" srcset="https://revistapesquisa.fapesp.br/wp-content/uploads/2026/06/MVK0281-Peixe-tubicula-brasileiro-700x394.png 700w, https://revistapesquisa.fapesp.br/wp-content/uploads/2026/06/MVK0281-Peixe-tubicula-brasileiro-250x141.png 250w, https://revistapesquisa.fapesp.br/wp-content/uploads/2026/06/MVK0281-Peixe-tubicula-brasileiro-1536x864.png 1536w, https://revistapesquisa.fapesp.br/wp-content/uploads/2026/06/MVK0281-Peixe-tubicula-brasileiro-2048x1153.png 2048w, https://revistapesquisa.fapesp.br/wp-content/uploads/2026/06/MVK0281-Peixe-tubicula-brasileiro-120x68.png 120w" sizes="(max-width: 700px) 100vw, 700px" /><p class="wp-caption-text"><span class="media-credits-inline">Marcelo Kitahara / Cebimar </span>Peixe-tubícula-brasileiro, com sua toca em uma colônia do coral <em>Mussismilia hispida</em><span class="media-credits">Marcelo Kitahara / Cebimar </span></p></div>
<p><b>Entre a conservação e a intervenção</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A possibilidade de manter corais ameaçados em ambientes artificiais, como tanques ou aquários — estratégia conhecida como conservação </span><i><span style="font-weight: 400;">ex situ</span></i><span style="font-weight: 400;"> — começa a ganhar espaço entre pesquisadores brasileiros. “Se quisermos garantir a continuidade de algumas espécies, talvez seja necessário remover parte das colônias da natureza e mantê-las em condições controladas”, afirma Mies. Segundo ele, essa alternativa já vem sendo discutida no país, especialmente para as espécies </span><i><span style="font-weight: 400;">Millepora laboreli</span></i><span style="font-weight: 400;"> e </span><i><span style="font-weight: 400;">Millepora braziliensis</span></i><span style="font-weight: 400;">, consideradas criticamente ameaçadas, mas ainda não saiu do papel. “É preciso muita cautela”, alerta. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Segundo ele, a estratégia ainda enfrenta desafios técnicos, financeiros e éticos. “É preciso definir quem tem capacidade para manter esses organismos, garantir financiamento de longo prazo e estabelecer prioridades claras de conservação.”</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Longo ressalta que qualquer intervenção exige cuidado extremo. “Estamos falando de organismos muito sensíveis, que dependem de condições ambientais específicas. Qualquer intervenção exige muito cuidado e responsabilidade”, afirma. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Ainda assim, diante da aceleração das mudanças climáticas, esse debate ganha espaço em diferentes países. Pesquisadores já testam estratégias de conservação ativa em laboratório, incluindo reprodução assistida, bancos genéticos e cultivo de colônias mais resistentes ao calor.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Na Austrália, cientistas ligados à Great Barrier Reef Foundation e ao Australian Institute of Marine Science vêm testando diferentes abordagens para aumentar a resistência dos corais ao aquecimento dos oceanos. Entre as iniciativas estão o cruzamento seletivo de colônias naturalmente resistentes ao calor e técnicas de “treinamento térmico”, nas quais organismos cultivados em ambientes controlados são expostos gradualmente a temperaturas mais altas para estimular mecanismos de adaptação ao estresse térmico. Pesquisadores também investigam o uso de microalgas e bactérias termorresistentes para fortalecer a sobrevivência das colônias durante os eventos de branqueamento. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Nos Estados Unidos, a NOAA também incorporou corais resistentes ao calor à sua estratégia nacional de resiliência de recifes, incluindo reprodução seletiva em laboratório, cultivo de colônias e transplante de fragmentos em áreas degradadas.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Apesar do avanço nas pesquisas, a comunidade científica ressalta que nenhuma dessas estratégias garante a sobrevivência dos recifes em larga escala, especialmente diante do agravamento acelerado do aquecimento global. Na Flórida, por exemplo, uma onda de calor marinha até então sem precedentes, em 2023, devastou colônias cultivadas em viveiros e transplantadas para cinco áreas de restauração conduzidas pela NOAA. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O desafio pode se tornar ainda maior nos próximos meses. Em junho, a agência norte-americana anunciou que o fenômeno El Niño voltou a se estabelecer no Pacífico tropical e pode atingir intensidade moderada ou forte, aumentando o risco de novas ondas de calor marinhas e, consequentemente, de episódios de branqueamento em massa dos corais.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Enquanto isso, o monitoramento dos recifes brasileiros vem sendo ampliado. Após o evento de branqueamento de 2019, pesquisadores de diferentes regiões do país criaram um protocolo nacional de acompanhamento dos recifes, em uma ação do Projeto Coral Vivo, liderado por Mies. O objetivo é padronizar métodos, compartilhar dados e acompanhar de forma mais sistemática os corais brasileiros. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Segundo Kenji, da UFBA, que colabora com o Plano de Ação Nacional para a Conservação dos Ambientes Coralíneos (PAN Corais), os dados de mortalidade ainda precisam ser interpretados com cautela. “Trabalhamos com amostragens. Quando falamos em 100% de mortalidade, estamos nos referindo ao que foi observado em determinadas áreas. Pode haver pequenos remanescentes que não conseguimos detectar”, explica.</span></p>
<div id="attachment_587024" style="max-width: 260px" class="wp-caption alignleft"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-587024 size-medium" src="https://revistapesquisa.fapesp.br/wp-content/uploads/2026/06/MVK2952-Holocanthus-ciliaris-250x141.png" alt="" width="250" height="141" srcset="https://revistapesquisa.fapesp.br/wp-content/uploads/2026/06/MVK2952-Holocanthus-ciliaris-250x141.png 250w, https://revistapesquisa.fapesp.br/wp-content/uploads/2026/06/MVK2952-Holocanthus-ciliaris-700x394.png 700w, https://revistapesquisa.fapesp.br/wp-content/uploads/2026/06/MVK2952-Holocanthus-ciliaris-1536x864.png 1536w, https://revistapesquisa.fapesp.br/wp-content/uploads/2026/06/MVK2952-Holocanthus-ciliaris-2048x1152.png 2048w, https://revistapesquisa.fapesp.br/wp-content/uploads/2026/06/MVK2952-Holocanthus-ciliaris-120x68.png 120w" sizes="auto, (max-width: 250px) 100vw, 250px" /><p class="wp-caption-text"><span class="media-credits-inline">Marcelo Kitahara / Cebimar </span>Peixe-anjo-rainha e, ao fundo, uma colônia do coral-cérebro-da-Bahia, <em>Mussismilia braziliensis</em>, em Abrolhos (BA)<span class="media-credits">Marcelo Kitahara / Cebimar </span></p></div>
<p><span style="font-weight: 400;">A atualização da lista nacional também manteve em categorias de ameaça dois dos principais corais construtores de recifes do país: </span><i><span style="font-weight: 400;">Mussismilia braziliensis</span></i><span style="font-weight: 400;">, classificada como “vulnerável”, e </span><i><span style="font-weight: 400;">Mussismilia harttii</span></i><span style="font-weight: 400;">, considerada “em perigo”.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Embora ocupem apenas 0,1% da área marinha global, os recifes de coral concentram aproximadamente um quarto de toda a biodiversidade oceânica conhecida. Funcionam como abrigo, berçário e fonte de alimento para milhares de espécies, além de contribuírem para a pesca, o turismo e a proteção costeira. “Ainda temos dificuldade de entender que tudo está conectado. O que acontece na Amazônia influencia o oceano, e o que acontece no oceano afeta o clima e as florestas&#8221;, diz Longo.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">“Estamos diante de uma possível extinção causada diretamente por nós”, reflete Mies. Para os pesquisadores, o desafio agora não é apenas compreender a velocidade das mudanças nos recifes, mas decidir até onde a intervenção humana deve ir para evitar a perda definitiva de espécies que existem apenas no Brasil.</span></p>
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		<title>Ambiente cósmico molda estrutura das galáxias de transição, que estão parando de gerar novas estrelas</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Marcos Pivetta]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 04 Jun 2026 12:57:54 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Ciência]]></category>
		<category><![CDATA[Notícias]]></category>
		<category><![CDATA[Evolução]]></category>
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					<description><![CDATA[Processo acelera passagem da forma de espiral para a elíptica]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>Quando entram em sua fase de transição, as galáxias começam a deixar de gerar novas estrelas e mudam progressivamente da forma espiral para a elíptica. Como um adolescente em mutação, modificam sua estrutura e aparência em decorrência do ambiente em que estão inseridas. As que se desenvolvem como integrantes de um grupo de galáxias sofrem mais alterações em sua morfologia e podem até se tornar disformes, possivelmente em razão de colisões e fusões com suas vizinhas. Seu disco externo, a região em que ocorre a formação de estrelas, tende a ser mais tênue. Seu bojo, a área central onde se aglutinam as estrelas mais velhas, torna-se mais proeminente. Já as galáxias de transição que se encontram isoladas no Universo, longe de outras companheiras, tendem a manter suas feições originais, com poucas alterações, por mais tempo.</p>
<p>Essas conclusões parecem óbvias e universais, no sentido de que seria esperado encontrar uma correlação entre a forma de uma galáxia e o ambiente em que ela evolui. Mas um <a href="https://iopscience.iop.org/article/10.3847/1538-4357/ae42ca" target="_blank" rel="noopener">artigo</a> publicado em março no periódico científico <em>The Astrophysical Journal</em> sugere que essa correspondência é muito mais acentuada entre as galáxias de transição do que em outros tipos de galáxias, como as espirais e as elípticas, que se encontram em outra etapa de sua existência. “As galáxias de transição apresentam uma forte assinatura do ambiente de que fazem parte”, diz a astrofísica colombiana Gissel Montaguth, autora principal do estudo, que faz pós-doutorado no Instituto de Astronomia, Geofísica e Ciências Atmosféricas da Universidade de São Paulo (IAG-USP) com bolsa da FAPESP.</p>
<p>A partir de dados obtidos pelo Southern Photometric Local Universe Survey (S-Plus), um <a href="https://revistapesquisa.fapesp.br/mapeamento-brasileiro-do-ceu-encontra-objetos-raros-de-brilho-irregular/" target="_blank" rel="noopener">mapeamento </a>de metade do céu do hemisfério Sul conduzido por um pequeno telescópio robótico brasileiro instalado nos Andes chilenos, Montaguth e seus colaboradores analisaram a influência da localização e dos arredores celestes sobre a estrutura e o formato de 4.012 galáxias. De acordo com um modelo matemático, o perfil de Sérsic, que permite inferir a forma e as estruturas de uma galáxia a partir da distribuição de seu brilho superficial, os objetos da amostra foram classificados em quatro tipos: galáxias do tipo tardio (38% do total), inicial (36%), de transição (12,5%) e outras de formato variado (13,5%).</p>
<p>As galáxias do tipo tardio têm geralmente formato espiral (como a Via Láctea) ou irregular. Sua cor tende, na maioria dos casos, para o azul, um indicativo de que ocorre a gênese de novas estrelas em seu interior. As do tipo inicial compreendem as galáxias elípticas, que não têm braços estelares. Nelas não há mais formação de novas estrelas e sua cor geralmente é vermelha. São galáxias perto de seu fim, mais envelhecidas estruturalmente do que as azuladas, onde nascem muitas estrelas.</p>
<p>As galáxias de transição são menos abundantes do que as incluídas nas duas classes anteriores e, como seu nome sugere, são um meio-termo entre as espirais azuis e as elípticas avermelhadas. As galáxias lenticulares, que têm discos centrais grandes e alongados, mas não têm braços, são a expressão mais comum dessa classe intermediária que quase não produz mais estrelas novas em seu interior. “As galáxias de transição estão passando da fase azul para a vermelha”, comenta Montaguth.</p>
<p>No estudo, o contexto em que se inserem as galáxias das quatro categorias analisadas foi dividido em duas configurações principais. Quase 80% delas ocupam uma posição no espaço dentro de um grupo composto por outras galáxias, que pode variar de tamanho (pequeno, médio e grande). Cada grupo forma uma vizinhança cósmica, um ambiente, que pode reunir desde meia dúzia até uma centena de galáxias. Pouco mais de 20% dos objetos da amostra são galáxias solitárias, sem companheiras, que se localizam em áreas praticamente vazias do Universo.</p>
<p>Posto esse cenário, os astrofísicos fizeram a pergunta de fundo do trabalho: o ambiente em que uma galáxia está influencia sua estrutura? A resposta, depois das análises, foi sim – desde que ela seja uma de transição que habita um grupo composto por mais galáxias. Nesse caso, ela tende a ser de menor porte e a apresentar estruturas mais compactas e evoluídas, tendo perdido seu disco externo e exibindo apenas um núcleo mais denso de estrelas. Nos demais tipos de galáxias, a interferência do lugar ocupado no Universo sobre seu formato é pequena ou não muito significativa.</p>
<p>“Entender a curta fase de transição das galáxias é algo fundamental”, explica a astrofísica Claudia Mendes de Oliveira, do IAG-USP, coautora do artigo e supervisora do pós-doutorado de Montaguth. “Nosso trabalho traz informações importantes sobre os mecanismos físicos que moldam a evolução das galáxias no Universo.” As galáxias podem permanecer em sua etapa de transição por algumas centenas de milhões de anos ou até um bilhão de anos. É pouco, menos de 10% de seu tempo total de vida.</p>
]]></content:encoded>
					
		
		
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		<title>Folheie ou baixe a edição 364</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Redação]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 01 Jun 2026 14:31:34 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Impressa]]></category>
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					<description><![CDATA[Folheie ou baixe a edição de junho de 2026]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<div style="position: relative; padding-top: max(60%,326px); height: 0; width: 100%;"><iframe style="position: absolute; border: none; width: 100%; height: 100%; left: 0; right: 0; top: 0; bottom: 0;" title="Reinvenção do patrimônio" src="https://e.issuu.com/embed.html?d=reinven_o_do_patrim_nio&amp;u=pesquisafapesp" sandbox="allow-top-navigation allow-top-navigation-by-user-activation allow-downloads allow-scripts allow-same-origin allow-popups allow-modals allow-popups-to-escape-sandbox allow-forms" allowfullscreen="allowfullscreen"></iframe></div>
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		<title>Uma floresta flutuante?</title>
		<link>https://revistapesquisa.fapesp.br/uma-floresta-flutuante/?utm_source=rss&#038;utm_medium=rss&#038;utm_campaign=uma-floresta-flutuante</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Redação]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 01 Jun 2026 14:27:28 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Fotolab]]></category>
		<category><![CDATA[Química]]></category>
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					<description><![CDATA[Microrganismos podem ter ação antitumoral]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>Em frascos de laboratório crescem colônias de cianobactérias, microrganismos cuja riqueza química pode dar origem a moléculas com potencial farmacológico. Durante seu treinamento na Faculdade de Ciências Farmacêuticas da Universidade de São Paulo (USP), Andrei Godinho andava com frascos no bolso para coletar água de poças esverdeadas, depois da chuva, e cuidava dos organismos até poder extrair suas substâncias e testar sua potencial ação anticancerígena em células tumorais. “No Brasil, ainda não pusemos no mercado um fármaco oriundo de moléculas da nossa biodiversidade de cianobactérias”, afirma.</p>
<p><em>Imagem enviada por Andrei Celestino Godinho, estudante de graduação em biotecnologia na Escola de Artes, Ciências e Humanidades (EACH) da USP.</em></p>
<p class="bibliografia separador-bibliografia">Sua pesquisa rende fotos bonitas? Mande para <a href="mailto:imagempesquisa@fapesp.br" target="_blank" rel="noopener noreferrer">imagempesquisa@fapesp.br</a>. Seu trabalho poderá ser publicado na revista.</p>
]]></content:encoded>
					
		
		
			</item>
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		<title>Comentários 364</title>
		<link>https://revistapesquisa.fapesp.br/comentarios-364/?utm_source=rss&#038;utm_medium=rss&#038;utm_campaign=comentarios-364</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Redação]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 01 Jun 2026 14:27:25 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Cartas]]></category>
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					<description><![CDATA[Pantanal seco, câncer de intestino e vídeos]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p><strong>Pantanal seco</strong><br />
Uma pesquisa importante (“<a href="https://revistapesquisa.fapesp.br/pantanal-e-o-bioma-brasileiro-que-mais-aqueceu-e-perdeu-chuvas-em-40-anos/" target="_blank" rel="noopener">Um Pantanal mais seco e quente</a>”, edição 360), com dados muito relevantes – inclusive já verificados no estudo que estou desenvolvendo atualmente. Infelizmente, ela revela uma realidade preocupante, especialmente para biomas como a Amazônia e o Pantanal. Neste último, a situação é ainda mais alarmante, com uma progressão acelerada de danos, como a perda de água.<br />
<strong>Marcelo Mazin</strong><br />
*<br />
<strong>Câncer de intestino</strong><br />
Esse tipo de estudo é extremamente importante (“<a href="https://revistapesquisa.fapesp.br/estudo-projeta-aumento-de-mortes-e-de-perda-de-produtividade-por-cancer-de-intestino/" target="_blank" rel="noopener">Os custos de uma doença</a>”, edição 362). Ciência é isso, tem que ser pragmática, em busca de melhores condições para a sociedade. A máquina pública não se preocupa com a família ou os filhos que a pessoa vai deixar se morrer; se preocupa se deixamos de trabalhar e pagar impostos. É necessário mostrar que cuidar da saúde das pessoas é benéfico para todos.<br />
<strong>Marcos Paulo Amorim</strong><br />
**<br />
<strong>Vídeos</strong><br />
Ótimo conteúdo (“<a href="https://revistapesquisa.fapesp.br/aquecimento-global-empurra-corais-para-ponto-de-nao-retorno/" target="_blank" rel="noopener">Aquecimento global empurra corais para ponto de não retorno</a>”). Triste, mas fundamental. Fiquei pensando no próximo El Niño, esperado para o segundo semestre deste ano, e na dificuldade de os países assumirem compromissos juntos. É imprescindível que cada país comece fazendo a sua parte.<br />
<strong>Glaucia Aragão</strong><br />
*<br />
Parabéns pela informação tão didática e importante sobre corais. Agradeço o esforço de conscientização.<br />
<strong>Charles Jacquard</strong><br />
*<br />
Que vídeo completo, superdidático. Muito bom. Vou encaminhar!<br />
<strong>Ana Elisa de Nadal</strong><br />
*<br />
Ótima análise da obra e das ideias de Milton Santos (“<a href="https://revistapesquisa.fapesp.br/milton-santos-100-anos-do-pensador-que-redefiniu-o-espaco-geografico/" target="_blank" rel="noopener">Milton Santos: 100 anos do pensador que redefiniu o espaço geográfico</a>”).<br />
<strong>Márcio José Catelan</strong><br />
*<br />
Parabéns ao professor Fernando Landgraf pela capacidade didática de nos colocar a par de um tema tão contemporâneo quanto importante (“<a href="https://revistapesquisa.fapesp.br/o-que-sao-as-terras-raras/" target="_blank" rel="noopener">O que são as terras-raras?</a>”). Infelizmente, continuamos na lanterna da pesquisa aplicada.<br />
<strong>Georgina Alves Vieira da Silva</strong></p>
<p>Muito esclarecedor e urgente que a população crie o hábito de conhecer mais profundamente o tema terras-raras.<br />
<strong>Eremita Castanheira Novaes</strong><br />
***<br />
<p class="bibliografia">Sua opinião é bem-vinda. As mensagens poderão ser resumidas por motivo de espaço e clareza. <a href="mailto:cartas@fapesp.br" target="_blank" rel="noopener">cartas@fapesp.br</a>.</p></p>
]]></content:encoded>
					
		
		
			</item>
		<item>
		<title>Algoritmos que fazem política</title>
		<link>https://revistapesquisa.fapesp.br/algoritmos-que-fazem-politica/?utm_source=rss&#038;utm_medium=rss&#038;utm_campaign=algoritmos-que-fazem-politica</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Fabio Kon]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 01 Jun 2026 14:27:07 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Resenhas]]></category>
		<category><![CDATA[Ciênc. Política]]></category>
		<category><![CDATA[Computação]]></category>
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					<description><![CDATA[Livro propõe que algoritmos se tornaram instituições da vida contemporânea]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p><img loading="lazy" decoding="async" width="800" height="1193" class="size-full wp-image-585015 alignright" src="https://revistapesquisa.fapesp.br/wp-content/uploads/2026/05/RPF-resenha-algoritmos-2026-06-800.jpg" alt="" srcset="https://revistapesquisa.fapesp.br/wp-content/uploads/2026/05/RPF-resenha-algoritmos-2026-06-800.jpg 800w, https://revistapesquisa.fapesp.br/wp-content/uploads/2026/05/RPF-resenha-algoritmos-2026-06-800-250x373.jpg 250w, https://revistapesquisa.fapesp.br/wp-content/uploads/2026/05/RPF-resenha-algoritmos-2026-06-800-700x1044.jpg 700w, https://revistapesquisa.fapesp.br/wp-content/uploads/2026/05/RPF-resenha-algoritmos-2026-06-800-120x179.jpg 120w" sizes="auto, (max-width: 800px) 100vw, 800px" />Ada é uma jovem agitadamente bonita. Ela está um pouco nervosa porque vai sair com um novo candidato a namorado que conheceu no Tinder. Eles vão jantar pela primeira vez, então ela quer que tudo dê certo. Para garantir, pergunta ao ChatGPT que tipo de restaurante seria mais apropriado para esse primeiro encontro e a resposta foi “italiano moderno. É quase impossível errar com massa”. Ela gostou da sugestão, então abre o Maps, procura por “italiano moderno”, escolhe aquele com melhor avaliação e manda o link para o “candidato”, que responde rapidamente com um ícone de joinha e um emoji de coração.</p>
<p>O Maps mostra que a caminhada até lá levaria 23 minutos e Ada considera ir a pé.  Mas, ao traçar a rota recomendada, percebe que teria que passar por ruas escuras que, mesmo cheias de câmeras de segurança com reconhecimento facial, não inspiram muita confiança; então, ela decide chamar um Uber. Ada fica preocupada, pois a bateria do seu celular está acabando e o Uber está estranhamente caro, mas tudo dá certo. Ao chegar ao restaurante, repara em um rapaz sentado à mesa, fissurado em seu celular, tentando baixar um aplicativo para escolher a música ambiente. Aproxima-se e pergunta: “Alan, é você?”. Ele ergue os olhos, sorri e responde: “Você é mais bonita pessoalmente”.</p>
<p>Vivemos em um mundo regido por algoritmos. Eles ditam boa parte dos nossos movimentos, os caminhos que fazemos, a música que ouvimos, os filmes a que assistimos, as notícias que lemos, a comida que comemos, os remédios que tomamos, os impostos que pagamos e as pessoas com quem nos relacionamos. Eles também influenciam políticas públicas e resultados de eleições.</p>
<p>No livro <em>Política dos algoritmos – Instituições e as transformações da vida social</em>, os cientistas políticos Ricardo Mendonça e Fernando Filgueiras e o cientista da computação Virgílio Almeida não só discutem como os algoritmos estão transformando a vida social (o que já sabíamos), mas também argumentam que os algoritmos são novas instituições. Analisando a digitalização das sociedades sob a ótica do institucionalismo, os autores mostram como o arcabouço conceitual das instituições é adequado para compreender melhor o papel dos algoritmos no contexto atual.</p>
<p>O termo algoritmo designa uma sequência sistemática de operações lógico-matemáticas destinada a resolver um problema ou a alcançar um objetivo específico. Existem algoritmos para colocar nomes em ordem alfabética, resolver sistemas de equações, converter imagens coloridas em branco e preto, localizar registros em um grande banco de dados e muito mais.</p>
<p>Na última década, o aumento do poder do hard­ware dos computadores e a grande quantidade de dados disponíveis para análise impulsionaram o avanço dos algoritmos de aprendizado de máquina, que passaram a obter resultados expressivos em uma nova gama de aplicações. Entre elas estão, por exemplo, a recomendação de filmes em plataformas de <em>streaming</em>, a detecção de fraudes no imposto de renda ou em licitações ou a decisão de quem deve receber um auxílio emergencial em caso de calamidade pública.</p>
<p>Na abertura do livro, é apresentada a ideia de institucionalismo, estabelecendo os conceitos básicos da área. Ao propor que os algoritmos sejam compreendidos como instituições, os autores fogem de abordagens superficiais, tanto daquelas que os tratam, em um extremo, como agentes autônomos animados quanto das que os reduzem a ferramentas neutras. Para os autores, os algoritmos são, simultaneamente, estruturas e formas de agência, com impactos individuais e coletivos.  Em seguida, eles apresentam uma série de exemplos concretos em áreas como segurança pública e saúde, auxiliando o leitor a refletir sobre essa nova forma de enxergar a sociedade.</p>
<p>Por fim, o livro enfatiza a necessidade de a sociedade impor limites ao modo como os algoritmos são inseridos em nossas vidas, ressaltando que valores da ética, da responsabilidade e da democracia devem prevalecer. Trata-se, portanto, de uma leitura fundamental para quem deseja refletir sobre o papel dos algoritmos nas sociedades contemporâneas, seus perigos e oportunidades, e sobre o que podemos fazer para não perdermos o controle. O institucionalismo algorítmico proposto pelos autores oferece um arcabouço analítico consistente para compreender um mundo em transformação.</p>
<p class="bibliografia"><strong>Fabio Kon</strong> é professor titular do Instituto de Matemática, Estatística e Ciência da Computação da Universidade de São Paulo (IME-USP).</p>
]]></content:encoded>
					
		
		
			</item>
		<item>
		<title>Historiadora encontrou refúgio na profissão após a morte da filha</title>
		<link>https://revistapesquisa.fapesp.br/historiadora-encontrou-refugio-na-profissao-apos-a-morte-da-filha/?utm_source=rss&#038;utm_medium=rss&#038;utm_campaign=historiadora-encontrou-refugio-na-profissao-apos-a-morte-da-filha</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Patricia Mariuzzo]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 01 Jun 2026 14:27:05 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Itinerários de pesquisa]]></category>
		<category><![CDATA[Demografia]]></category>
		<category><![CDATA[História]]></category>
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					<description><![CDATA[Especializada em demografia histórica, Ana Silvia Volpi Scott estuda as relações familiares no passado e as desigualdades da sociedade brasileira]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>Nasci na cidade de São Paulo e cresci no bairro Vila Monumento, próximo ao Museu do Ipiranga. Aquele prédio, com suas escadarias, jardins e fontes imponentes, era minha paisagem cotidiana. Talvez isso, aliado à paixão pela leitura, me fez ter um gosto especial pelas aulas de história. Lá pelos 13 anos já tinha decidido que seria historiadora. Egressa da escola pública, fui aprovada no vestibular e entrei no curso de história na USP [Universidade de São Paulo] em 1977, aos 17 anos.</p>
<p>Logo no início da graduação, fui “capturada” pela demografia histórica por influência da professora Maria Luiza Marcílio, uma das responsáveis pela introdução e desenvolvimento dessa área no Brasil e na América Latina. No segundo ano, com uma bolsa de iniciação científica da FAPESP, passei a trabalhar no projeto “População, terra e herança na capitania de São Paulo”, cujo objetivo era entender como a elite paulista gerenciava seu patrimônio, casamentos e sucessões hereditárias entre o final do século XVIII e início do XIX.</p>
<p>Até hoje me emociono ao lembrar da primeira lista nominativa que li no Arquivo Público do Estado de São Paulo. As primeiras contagens populacionais realizadas pela Coroa portuguesa aconteceram no século XVI. No entanto, para aprimorar o controle sobre seus territórios, Portugal passou a elaborar, em meados do século XVIII, listas e mapas das populações de suas colônias na África e na América.</p>
<p>Produzidas até 1836, as listas da capitania de São Paulo trazem o número dos habitantes em cada vila, com nome, idade, cor e naturalidade, identificando ainda os chefes dos domicílios, agregados, dependentes e escravizados. Esses documentos constituem a mais importante coleção de levantamentos populacionais realizados na América portuguesa.</p>
<p>O assunto acabou inspirando minha pesquisa de mestrado, “Dinâmica familiar da elite paulista (1765-1836): Estudo diferencial de demografia histórica das famílias dos proprietários de grandes escravarias do Vale do Paraíba e região da capital de São Paulo”. Defendi a dissertação na USP, em 1987, sob orientação da professora Maria Luiza. Dois anos antes eu havia participado da criação do Centro de Estudos de Demografia Histórica da América Latina [Cedhal], idealizado por ela na USP.</p>
<p>Foi por meio do centro que tive oportunidade de concorrer a uma das bolsas do programa de doutorado do Instituto Universitário Europeu [EUI]. Minha proposta era comparar os padrões de casamentos luso-brasileiros. Em 1989, na companhia do meu marido, Dario, embarquei para Florença, onde fica a sede do instituto. Os três anos que passei na Itália foram permeados por frequentes estadas em Portugal, nas cidades do Porto, Braga e Guimarães. Por conta da riqueza das fontes que encontrei na Europa, desisti da proposta inicial de fazer uma análise comparada e privilegiei na tese o lado português da pesquisa.</p>
<p>Terminado o período da bolsa do EUI, fiquei por alguns meses na Universidade do Minho, em Portugal, com uma bolsa do Instituto Camões. Até que, em 1992, engravidei de Thaís e decidimos voltar ao Brasil, sem eu ter defendido o doutorado.</p>
<p>Anos depois, em 1996, recebi um convite para participar de um projeto no então recém-criado Núcleo de Estudos de População e Sociedade [Neps], na Universidade do Minho, em Portugal. Minha nova estada na Europa culminou com a defesa da minha tese de doutorado “Famílias, formas de união e reprodução social no noroeste português, séculos XVIII e XIX”, junto ao Departamento de História e Civilização do EUI, em 1998.</p>
<div id="attachment_585026" style="max-width: 810px" class="wp-caption alignright"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-585026 size-full" src="https://revistapesquisa.fapesp.br/wp-content/uploads/2026/05/rpf-itinerarios-Ana-Scott-familia-2026-06-800.jpg" alt="" width="800" height="1071" srcset="https://revistapesquisa.fapesp.br/wp-content/uploads/2026/05/rpf-itinerarios-Ana-Scott-familia-2026-06-800.jpg 800w, https://revistapesquisa.fapesp.br/wp-content/uploads/2026/05/rpf-itinerarios-Ana-Scott-familia-2026-06-800-250x335.jpg 250w, https://revistapesquisa.fapesp.br/wp-content/uploads/2026/05/rpf-itinerarios-Ana-Scott-familia-2026-06-800-700x937.jpg 700w, https://revistapesquisa.fapesp.br/wp-content/uploads/2026/05/rpf-itinerarios-Ana-Scott-familia-2026-06-800-120x161.jpg 120w" sizes="auto, (max-width: 800px) 100vw, 800px" /><p class="wp-caption-text"><span class="media-credits-inline">Arquivo pessoal</span>Com o marido, Dario, e a filha, Thaís, em 2006; e com os gêmeos Anna Beatriz e Tomás Aramis, em 2014<span class="media-credits">Arquivo pessoal</span></p></div>
<p>De volta ao Brasil, atuei como professora visitante no Departamento de História da Universidade Estadual de Maringá [UEM], no Paraná, entre 2000 e 2002. E, a partir de 2003, comecei a participar como pesquisadora do Núcleo de Estudos de População da Universidade Estadual de Campinas [<a href="https://www.nepo.unicamp.br/nacaob/app/" target="_blank" rel="noopener">Nepo-Unicamp</a>].</p>
<p>Em 2005, fomos para São Leopoldo [RS] depois que fui aprovada em concurso para ser professora no Programa de Pós-graduação em História da Universidade do Vale do Rio dos Sinos, a Unisinos. Os primeiros anos foram muito felizes: criei um grupo de estudo, exatamente como havia aprendido com a professora Maria Luiza, na USP, e começamos a alimentar um banco de dados [Nacaob] sobre as famílias gaúchas no período colonial.</p>
<p>Eu contava com a colaboração de Dario, que acabou se tornando também um parceiro acadêmico. Por minha “culpa”, ele, que vinha da área de informática, se envolveu na década de 1980 com os desafios de organizar bancos de dados da demografia histórica, passando a colaborar como pesquisador no Cedhal. Em 2020, defendeu seu doutorado em demografia, na Unicamp, com um trabalho sobre a mortalidade da população livre e escravizada em Porto Alegre.</p>
<p>A história de nossa família é marcada por uma tragédia. Em julho de 2007, a Unisinos sediou o simpósio da Associação Nacional de História [Anpuh], o maior encontro brasileiro da área. Por conta disso, Thaís embarcou com uma amiga, Rebeca, em Porto Alegre, para passar férias com os avós em São Paulo. Elas estão entre as 199 vítimas fatais do acidente com a aeronave da TAM no aeroporto de Congonhas, na capital paulista. Tinham 14 anos.</p>
<p>A maneira que encontrei para lidar com uma perda tão brutal foi transformar o trabalho em refúgio. Passava dias inteiros na universidade. Em meio ao processo de luto, veio um convite da editora Contexto para escrever um dos livros da coleção Povos e Civilizações. Em 2010, publiquei <em>Os portugueses</em>, obra em que revisito os grandes ciclos de expansão, crise e reinvenção atravessados por esse povo.</p>
<p>E foi essa palavra, reinvenção, que me guiou quando, aos 48 anos, decidi iniciar um tratamento de fertilidade. Em nome de tudo de bom que vivemos com a Thaís, sentimos que era preciso criar outras memórias. Engravidei já na primeira tentativa de inseminação e, em 2010, chegaram os gêmeos Anna Beatriz e Tomás Aramis.</p>
<p>Iniciei uma nova etapa profissional em 2015, quando fui aprovada em concurso do Departamento de Demografia do Instituto de Filosofia e Ciências Humanas [IFCH] da Unicamp. Pude retomar também meu vínculo como pesquisadora do Nepo e, desde então, parcerias com colegas do departamento e do núcleo têm possibilitado minha inserção em estudos populacionais.</p>
<p>Um deles é o projeto de pesquisa “Regiões: História social das desigualdades no Brasil”, vinculado ao programa Institutos Nacionais de Ciência e Tecnologia do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico [INCT-CNPq], que investiga como processos históricos de longa duração, articulados ao espaço regional brasileiro, produziram e mantêm as desigualdades sociais nos dias de hoje. O outro é o temático FAPESP, “Dinâmicas de incorporação, mobilidade social e dominação no oeste paulista, 1850-1950”, que se debruça sobre diferentes estratos populacionais daquele período.</p>
<p class="bibliografia">A reportagem acima foi publicada com o título “<strong>Histórias de família</strong>” na edição impressa nº 364 de junho de 2026.</p>
]]></content:encoded>
					
		
		
			</item>
		<item>
		<title>O médico que fortaleceu a estatística no Brasil</title>
		<link>https://revistapesquisa.fapesp.br/o-medico-que-fortaleceu-a-estatistica-no-brasil/?utm_source=rss&#038;utm_medium=rss&#038;utm_campaign=o-medico-que-fortaleceu-a-estatistica-no-brasil</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Suzel Tunes]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 01 Jun 2026 14:26:25 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Memória]]></category>
		<category><![CDATA[Demografia]]></category>
		<category><![CDATA[História]]></category>
		<category><![CDATA[Inovação]]></category>
		<category><![CDATA[Tecnologia]]></category>
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					<description><![CDATA[No início do século XX, Bulhões Carvalho implementou novos métodos de trabalho e lançou as bases do IBGE]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>Em 9 de maio de 1826, como resultado dos debates da primeira legislatura do Brasil imperial, definiu-se a criação de uma Comissão de Estatística, sob o argumento irrefutável do senador Francisco de Assis Mascarenhas (1779-1843): “Sem termos a estatística, como conheceremos o Brasil?”. Nascia assim, oficialmente, a área de estatísticas oficiais, definida posteriormente como a produção e disseminação de informações por agências governamentais, com base em regulamentos administrativos, conceitos e definições apropriados, como forma de auxiliar o planejamento, a execução e o acompanhamento de políticas públicas. Por muito tempo, porém, o país continuaria praticamente desconhecido para seus gestores, após fazer censos incompletos ou inteiramente fracassados.</p>
<p>O Censo de 1920 seria um ponto de inflexão nesse cenário devido ao trabalho do médico e demógrafo José Luiz Sayão de Bulhões Carvalho (1866-1940) à frente da Diretoria Geral de Estatística (DGE). “Ele foi o responsável pelo primeiro censo realmente bem-sucedido, resultado de um trabalho hercúleo, após cinco anos de preparação”, destaca o historiador Leandro Malavota, do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), instituição formalizada em 1938, que herdou o acervo do DGE.</p>
<div id="attachment_585052" style="max-width: 810px" class="wp-caption alignright"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-585052 size-full" src="https://revistapesquisa.fapesp.br/wp-content/uploads/2026/05/RFP-memoria-bulhoes-2026-06-800.jpg" alt="" width="800" height="1033" srcset="https://revistapesquisa.fapesp.br/wp-content/uploads/2026/05/RFP-memoria-bulhoes-2026-06-800.jpg 800w, https://revistapesquisa.fapesp.br/wp-content/uploads/2026/05/RFP-memoria-bulhoes-2026-06-800-250x323.jpg 250w, https://revistapesquisa.fapesp.br/wp-content/uploads/2026/05/RFP-memoria-bulhoes-2026-06-800-700x904.jpg 700w, https://revistapesquisa.fapesp.br/wp-content/uploads/2026/05/RFP-memoria-bulhoes-2026-06-800-120x155.jpg 120w" sizes="auto, (max-width: 800px) 100vw, 800px" /><p class="wp-caption-text"><span class="media-credits-inline">Academia Nacional de Medicina / Wikimedia Commons</span>Bulhões Carvalho<span class="media-credits">Academia Nacional de Medicina / Wikimedia Commons</span></p></div>
<p>Até então, o país nunca havia planejado tão minuciosamente um recenseamento da população e da economia e nunca o fizera de forma tão ampla, ressalta o economista Nelson de Castro Senra, professor aposentado da Escola Nacional de Ciências Estatísticas (Ence-IBGE) e autor de artigos e livros sobre a história da estatística no Brasil e Bulhões Carvalho.</p>
<p>“A visão que ele tinha da estatística era muito moderna para a época”, afirma Senra. Segundo ele, foram promovidas iniciativas pioneiras, das quais a mais importante foi a unificação do trabalho estatístico a partir da organização da coleta de dados dos estados e municípios, sob a coordenação do DGE. “Bulhões Carvalho convenceu governadores, presidentes de província e chefes de setores estatísticos dos estados a trabalharem com ele. Até então não se produzia estatística em uníssono.” O demógrafo fez palestras de esclarecimento sobre o censo e conseguiu o apoio da imprensa e da igreja na divulgação para a população. Na tabulação dos dados coletados, utilizou o que havia de melhor em tecnologia, as máquinas Hollerith.</p>
<p>A tabuladora mecânica criada pelo norte-americano Herman Hollerith (1860-1929) era usada no Census Bureau, principal agência estatística federal norte-americano, desde o fim do século XIX. No Brasil, a máquina – que acabaria se tornando mais conhecida pela emissão de comprovantes de rendimentos, convertendo o nome Hollerith em sinônimo de contracheque – foi essencial para o tratamento eficiente dos dados censitários dentro do prazo previsto.</p>
<p>Outra inovação do Censo de 1920 foi a apresentação dos resultados, com o uso de recursos visuais como gráficos, mapas, fotografias e ilustrações didáticas (<a href="https://revistapesquisa.fapesp.br/radiografia-do-campo/" target="_blank" rel="noopener"><em>ver</em> Pesquisa FAPESP <em>nº 289</em></a>). De acordo com Senra, o emprego desses recursos já era conhecido em outros países; no Brasil, foi introduzido por Bulhões Carvalho.</p>
<p>O próprio demógrafo justificou a escolha do recurso gráfico em seu livro <em>Estatística: Método e aplicação </em>(Tipografia Leuzinger, 1933): “A utilidade dos gráficos para esclarecer ou ilustrar as estatísticas é hoje universalmente reconhecida [&#8230;]. Uma simples curva, um pontilhado, a combinação de linhas coloridas, ou de colunas de vários matizes, tornam visível a influência numérica de certos fatos sociais. Suprem, às vezes, por uma noção precisa, instantânea e quase intuitiva, o comentário dos algarismos, não raro longo e enfadonho. Particularizam detalhes, dando ao mesmo tempo a ideia do conjunto”.</p>
<div id="attachment_585072" style="max-width: 1150px" class="wp-caption aligncenter"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-585072 size-full" src="https://revistapesquisa.fapesp.br/wp-content/uploads/2026/05/RFP-memoria-bulhoes-populacao-2026-06-1140.jpg" alt="" width="1140" height="892" srcset="https://revistapesquisa.fapesp.br/wp-content/uploads/2026/05/RFP-memoria-bulhoes-populacao-2026-06-1140.jpg 1140w, https://revistapesquisa.fapesp.br/wp-content/uploads/2026/05/RFP-memoria-bulhoes-populacao-2026-06-1140-250x196.jpg 250w, https://revistapesquisa.fapesp.br/wp-content/uploads/2026/05/RFP-memoria-bulhoes-populacao-2026-06-1140-700x548.jpg 700w, https://revistapesquisa.fapesp.br/wp-content/uploads/2026/05/RFP-memoria-bulhoes-populacao-2026-06-1140-120x94.jpg 120w" sizes="auto, (max-width: 1140px) 100vw, 1140px" /><p class="wp-caption-text"><span class="media-credits-inline">Acervo do IBGE</span>Uma das inovações do Censo de 1920 foi o esmero nas ilustrações<span class="media-credits">Acervo do IBGE</span></p></div>
<p>Os gráficos do Censo de 1920 foram também ampliados em grandes quadros e exibidos na <em>Exposição universal comemorativa do centenário da Independência</em>, no Pavilhão da Estatística, em 1922. A imprensa da época apelidou o local de “Pavilhão da Ciência da Certeza”.</p>
<p>Bulhões Carvalho nunca foi um estatístico graduado – o primeiro curso de formação universitária em estatística no Brasil surgiria apenas em 1953, com a criação da Ence. Ele era um médico – mais especificamente, um demógrafo sanitarista. Carioca, formou-se em 1888 pela Faculdade de Medicina do Rio de Janeiro. Nessa época, a estatística já era bastante usada no estudo e combate de epidemias, como febre amarela, varíola e peste bubônica.</p>
<p>Em 1892, ele entrou para o serviço público como comissário da Inspetoria Geral de Higiene Pública. No ano seguinte, passou para o cargo de auxiliar na Seção de Demografia, sob a coordenação do médico Aureliano Portugal (1851-1924), pioneiro em demografia sanitária no Brasil, com quem teve um treinamento prático nessa área. Também em 1893 ele começou a publicar artigos na revista <em>Brasil-Médico</em> sobre as condições sanitárias da cidade do Rio de Janeiro. Em 1894, ocupou seu primeiro cargo de chefia, à frente da Seção de Demografia do recém-criado Instituto Sanitário Federal. Em um de seus relatórios, ele detalhou, com dados estatísticos, as razões da alta mortalidade pela peste bubônica, febre amarela e varíola.</p>
<div id="attachment_585048" style="max-width: 1150px" class="wp-caption aligncenter"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-585048 size-full" src="https://revistapesquisa.fapesp.br/wp-content/uploads/2026/05/RFP-memoria-bulhoes-sexo-estado-civil-2026-06-1140.jpg" alt="" width="1140" height="416" srcset="https://revistapesquisa.fapesp.br/wp-content/uploads/2026/05/RFP-memoria-bulhoes-sexo-estado-civil-2026-06-1140.jpg 1140w, https://revistapesquisa.fapesp.br/wp-content/uploads/2026/05/RFP-memoria-bulhoes-sexo-estado-civil-2026-06-1140-250x91.jpg 250w, https://revistapesquisa.fapesp.br/wp-content/uploads/2026/05/RFP-memoria-bulhoes-sexo-estado-civil-2026-06-1140-700x255.jpg 700w, https://revistapesquisa.fapesp.br/wp-content/uploads/2026/05/RFP-memoria-bulhoes-sexo-estado-civil-2026-06-1140-120x44.jpg 120w" sizes="auto, (max-width: 1140px) 100vw, 1140px" /><p class="wp-caption-text"><span class="media-credits-inline">Acervo do IBGE</span>As análises populacionais indicaram que no início do século XX a expectativa média de vida era de 34,5 anos, menos da metade que os 76,6 de hoje<span class="media-credits">Acervo do IBGE</span></p></div>
<p>Em 1907, assumiu o comando da DGE sob grandes expectativas. A estatística brasileira tinha, então, um histórico de lacunas e insucessos que o órgão tentava superar desde que fora criado, em 1871. Em 1852, um censo instituído juntamente com a obrigatoriedade de registro civil despertara um levante popular, especialmente em Pernambuco e Alagoas, que ficaria conhecido como Revolta dos Marimbondos. Dizia-se que o governo pretendia escravizar homens pobres livres e reescravizar libertos. Segundo Senra, em seu livro <em>Uma breve história das estatísticas brasileiras (1822-2002)</em> (IBGE, 2009), “o povo, armado de ‘bacamartes, chuços, cacetes e facões’, gritava contra a lei e ameaçava as autoridades”. O governo imperial recuou e suspendeu a aplicação dos decretos.</p>
<p>O primeiro e único censo do Império ocorreu em 1872, já sob a gestão da DGE, criada para esse fim. O Brasil acabava de sair da Guerra do Paraguai (1864-1870), que havia revelado, de forma contundente, a carência de informações: faltavam dados sobre recursos humanos, estoques de alimentos e cartografia confiável, essenciais aos esforços de guerra. Segundo Malavota, os resultados desse censo foram considerados razoáveis, dada a inexperiência e a falta de recursos técnicos.</p>
<div id="attachment_585068" style="max-width: 1150px" class="wp-caption aligncenter"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-585068 size-full" src="https://revistapesquisa.fapesp.br/wp-content/uploads/2026/05/RFP-memoria-bulhoes-censo-1950-2026-06-1140.jpg" alt="" width="1140" height="735" srcset="https://revistapesquisa.fapesp.br/wp-content/uploads/2026/05/RFP-memoria-bulhoes-censo-1950-2026-06-1140.jpg 1140w, https://revistapesquisa.fapesp.br/wp-content/uploads/2026/05/RFP-memoria-bulhoes-censo-1950-2026-06-1140-250x161.jpg 250w, https://revistapesquisa.fapesp.br/wp-content/uploads/2026/05/RFP-memoria-bulhoes-censo-1950-2026-06-1140-700x451.jpg 700w, https://revistapesquisa.fapesp.br/wp-content/uploads/2026/05/RFP-memoria-bulhoes-censo-1950-2026-06-1140-120x77.jpg 120w" sizes="auto, (max-width: 1140px) 100vw, 1140px" /><p class="wp-caption-text"><span class="media-credits-inline">Acervo do IBGE</span>Jipe de campanha de divulgação do Censo de 1950<span class="media-credits">Acervo do IBGE</span></p></div>
<p>Em 1890, foi feito o Recenseamento Geral da República. Em meio à instalação de um novo regime, as instabilidades políticas, com levantes em várias partes do país, desorganização administrativa e falta de recursos comprometeram a qualidade do trabalho. E o Censo de 1900 seria ainda pior, como resultado da falta de recursos humanos e financeiros. “No Distrito Federal, teve de ser anulado, pela falta de confiabilidade”, relata o historiador. Foi necessário refazer o trabalho no Distrito Federal [Rio de Janeiro] em 1906; Bulhões participou da comissão organizadora desse novo recenseamento, antes mesmo de assumir a direção da DGE, no ano seguinte. “Ele entrou com a missão de fazer uma ampla reforma na DGE e estabelecer um sistema estatístico efetivo”, diz Malavota. Ao se aproximar o centenário da Independência, havia também uma pressão social, expressa sobretudo pela imprensa, por dados confiáveis que refletissem a realidade do país – o que explica o prestígio conquistado pelo organizador do Censo bem-sucedido de 1920.</p>
<p>Em 1925, Bulhões Carvalho participou, em Roma, da 16ª reunião do International Statistical Institute (ISI), na qual relatou o trabalho feito no Censo de 1920. Dois anos depois, em outra reunião do ISI, no Cairo, Egito, fez uma exposição sobre acidentes no trabalho e registro civil de óbitos e nascimentos no Brasil. Ele ainda planejou um recenseamento em 1930, que não se concretizou devido à revolução que encerrou a Primeira República. A DGE foi extinta pelo governo Vargas, em 1931, e o demógrafo sanitarista resolveu se aposentar do serviço público. Mas continuou como nome de referência para o setor.</p>
<div id="attachment_585064" style="max-width: 1150px" class="wp-caption aligncenter"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-585064 size-full" src="https://revistapesquisa.fapesp.br/wp-content/uploads/2026/05/RFP-memoria-bulhoes-censo-1940-celular-2026-06-1140.jpg" alt="" width="1140" height="585" srcset="https://revistapesquisa.fapesp.br/wp-content/uploads/2026/05/RFP-memoria-bulhoes-censo-1940-celular-2026-06-1140.jpg 1140w, https://revistapesquisa.fapesp.br/wp-content/uploads/2026/05/RFP-memoria-bulhoes-censo-1940-celular-2026-06-1140-250x128.jpg 250w, https://revistapesquisa.fapesp.br/wp-content/uploads/2026/05/RFP-memoria-bulhoes-censo-1940-celular-2026-06-1140-700x359.jpg 700w, https://revistapesquisa.fapesp.br/wp-content/uploads/2026/05/RFP-memoria-bulhoes-censo-1940-celular-2026-06-1140-120x62.jpg 120w" sizes="auto, (max-width: 1140px) 100vw, 1140px" /><p class="wp-caption-text"><span class="media-credits-inline">Acervo do IBGE | Tânia Rêgo / Agência Brasil</span>O intenso trabalho manual, como no Censo de 1940, diminuiu com o atual uso do celular na coleta de dados<span class="media-credits">Acervo do IBGE | Tânia Rêgo / Agência Brasil</span></p></div>
<p>O demógrafo morreu em 1940 e nunca se casou ou teve filhos. O advogado e estatístico Mário Augusto Teixeira de Freitas (1890-1956), idealizador e primeiro secretário-geral do IBGE, e o advogado e diplomata José Carlos de Macedo Soares (1883-1968), então presidente do IBGE, pediram a Getúlio Vargas (1882-<br />
-1954) para que os sobrinhos dos quais ele cuidava desde a morte do irmão fossem nomeados seus herdeiros. “Esse fato reflete o prestígio que Bulhões conservou com esse grupo”, relata Malavota.</p>
<p>Segundo Senra, o primeiro censo realizado pelo IBGE, em 1940, dois anos após a criação da instituição, “seguia muito de perto os passos de Bulhões adotados no Censo de 1920”. Seu legado não foi apenas a metodologia sistematizada em um manual de 603 páginas: “Ficou também a crença na importância das informações estatísticas como subsídio fundamental para o exercício do poder do Estado e para a tomada de decisões da sociedade”, ressalta Malavota.</p>
<div id="attachment_585044" style="max-width: 1150px" class="wp-caption aligncenter"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-585044 size-full" src="https://revistapesquisa.fapesp.br/wp-content/uploads/2026/05/RFP-memoria-bulhoes-sao-paulo-2026-06-1140.jpg" alt="" width="1140" height="747" srcset="https://revistapesquisa.fapesp.br/wp-content/uploads/2026/05/RFP-memoria-bulhoes-sao-paulo-2026-06-1140.jpg 1140w, https://revistapesquisa.fapesp.br/wp-content/uploads/2026/05/RFP-memoria-bulhoes-sao-paulo-2026-06-1140-250x164.jpg 250w, https://revistapesquisa.fapesp.br/wp-content/uploads/2026/05/RFP-memoria-bulhoes-sao-paulo-2026-06-1140-700x459.jpg 700w, https://revistapesquisa.fapesp.br/wp-content/uploads/2026/05/RFP-memoria-bulhoes-sao-paulo-2026-06-1140-120x79.jpg 120w" sizes="auto, (max-width: 1140px) 100vw, 1140px" /><p class="wp-caption-text"><span class="media-credits-inline">Folhapress</span>Jipes utilizados no Censo de 1950 para chegar aos bairros periféricos da cidade de São Paulo<span class="media-credits">Folhapress</span></p></div>
<p>Segundo o historiador, Bulhões Carvalho e Teixeira de Freitas consolidaram o conceito que perdura até hoje como diretriz do IBGE: a natureza pública das informações. “Eles reconheciam as informações como bens públicos, que devem resultar em benefício para a população, justificando o investimento do Estado”, afirma. Decorre desse conceito o compromisso de divulgação dos dados coletados, expresso no regulamento da DGE, criado por Bulhões. O artigo 7º desse regulamento já trazia a proposta de criação regular de anuários e boletins. “Ele foi pioneiro não apenas na produção, mas na disseminação das informações”, diz o historiador.</p>
<p>Atualmente funcionam no Brasil 35 cursos de graduação em estatística e estima-se em cerca de 15 mil profissionais especializados nessa área em atuação no país. Hoje, com o auxílio da tecnologia, a estatística vislumbra um passo além da divulgação: a interpretação das informações obtidas, visando à elaboração de políticas públicas. Esse é um dos objetivos do projeto liderado pelo matemático Paulo de Martino Jannuzzi, professor da Ence-IBGE e diretor do Centro de Colaboração Interinstitucional de Inteligência Artificial Aplicada às Políticas Públicas (Ciap). “Temos muita informação hoje; vivemos o paradoxo da escassez de conhecimentos na abundância de dados. Os gestores precisam de um facilitador da interpretação desses dados e a IA pode ser uma grande aliada nesse sentido”, afirma.</p>
<p>Com a parceria da Universidade Federal de Goiás (UFG) e Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), além do apoio da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de Goiás (Fapeg), Januzzi tem empregado recursos de IA na formação de um acervo de políticas públicas e na criação de uma ferramenta de consulta destinada a gestores. Segundo ele, uma das vertentes do projeto é oferecer um serviço de respostas técnicas, a partir do emprego da IA generativa, capaz de gerar conteúdos, como textos, imagens, vídeos e áudios. Denominada <a href="https://ciap.org.br/chatpp" target="_blank" rel="noopener">ChatPP</a>, Assistente de Inteligência Artificial para Políticas Públicas, essa ferramenta vem sendo alimentada com um acervo de boas práticas em gestão pública construído a partir de artigos, publicações de eventos e projetos de extensão de universidades.</p>
<p class="bibliografia">A reportagem acima foi publicada com o título “<strong>As bases da estatística no Brasil</strong>” na edição impressa nº 364 de junho de 2026.</p>
<p class="bibliografia"><strong>Artigo científico</strong><br />
SENRA, N. de C. <a href="https://seer.ufrgs.br/estatisticaesociedade/article/view/88248/50689" target="_blank" rel="noopener">Da DGE até hoje, com o IBGE, uma sucessão em linha reta</a>. <strong>Estadística y Sociedad</strong>. n. 5, p. 56-81. nov. 2018.</p>
<p class="bibliografia"><strong>Livros</strong><br />
SENRA, N. de C. (org.) <a href="https://biblioteca.ibge.gov.br/visualizacao/livros/liv36869.pdf" target="_blank" rel="noopener"><strong>Bulhões Carvalho, um médico cuidando da estatística brasileira</strong></a>. Rio de Janeiro: IBGE, 2007.<br />
SENRA, N. de C. <a href="https://biblioteca.ibge.gov.br/index.php/biblioteca-catalogo?view=detalhes&amp;id=242899" target="_blank" rel="noopener"><strong>Uma breve história das estatísticas brasileiras (1822-2002)</strong></a>. Rio de Janeiro: IBGE, 2009.</p>
]]></content:encoded>
					
		
		
			</item>
		<item>
		<title>Novas edições recuperam textos originais de Graciliano Ramos</title>
		<link>https://revistapesquisa.fapesp.br/novas-edicoes-recuperam-textos-originais-de-graciliano-ramos/?utm_source=rss&#038;utm_medium=rss&#038;utm_campaign=novas-edicoes-recuperam-textos-originais-de-graciliano-ramos</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Ana Beatriz Rangel]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 01 Jun 2026 14:18:37 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Humanidades]]></category>
		<category><![CDATA[Literatura]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://revistapesquisa.fapesp.br/?p=585077</guid>

					<description><![CDATA[Manuscritos evidenciam o trabalho detalhista do escritor alagoano, autor de clássicos como <em>Vidas secas</em> e <em>S. Bernardo</em>]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>Em <em>S. Bernardo</em>, romance publicado originalmente em 1934, Graciliano Ramos (1892-1953) narra os conflitos existenciais que acompanham a ascensão de um trabalhador pobre do sertão a proprietário de terra. Em 2026, o título ganhou nova edição pela Todavia, organizada por Thiago Mio Salla, professor da Escola de Comunicação e Artes da Universidade de São Paulo (ECA-USP). Estudioso da obra do escritor alagoano há duas décadas, ele é autor de livros como <em>Graciliano Ramos e a cultura política </em>(Edusp, 2016), fruto de sua tese de doutorado defendida em 2010 na USP. Ambos tiveram apoio da FAPESP.</p>
<p><em>S. Bernardo</em> não é o único a receber novos olhares editoriais. A entrada em domínio público da obra de Graciliano em janeiro de 2024 vem impulsionando uma série de reedições de seu legado literário, que inclui quatro romances, dois livros memorialísticos, um relato de viagem, três volumes infantojuvenis, três coletâneas de contos, além de textos avulsos em prosa e verso publicados na imprensa entre os anos 1900 e 1950. As pesquisas em torno do tema têm contribuído para essa iniciativa. É o caso de Salla que, organizou, além de <em>S. Bernardo</em>, outras três novas edições de Graciliano pela Todavia: os romances <em>Vidas secas </em>(1938) e<em> Angústia </em>(1936) e o infantojuvenil inédito <em>Os filhos da coruja</em>, baseado em poema escrito na década de 1920 e publicado em 2024.</p>
<p>“Em relação a <em>Vidas secas</em>, assim como acontece com <em>Angústia</em> e <em>S. Bernardo</em>, procuramos corrigir os erros acumulados ao longo das sucessivas edições, o que demandou um trabalho de cotejo do original e de outras 12 versões do texto. As alterações foram detalhadas em notas de rodapé e nas notas finais para quem quiser se aprofundar”, explica Salla. As imprecisões corrigidas vão desde a distribuição dos parágrafos e erros gramaticais até a troca de palavras, como é o caso da substituição, no primeiro parágrafo do livro, do verbo “aparecer” no original por “parecer” nas edições à venda até a entrada da obra de Graciliano em domínio público. “Esse tipo de alteração pode levar a equívocos de interpretação”, argumenta o pesquisador.</p>
<p><em>Vidas secas</em>, romance que narra a saga de uma família atravessando as misérias do sertão, tornou-se um clássico da literatura nacional e um sucesso de vendas. “Graciliano é um autor que entra em domínio público com alto potencial comercial, o que naturalmente atrai as editoras. Esse processo amplia a circulação da obra e multiplica as edições; minha preocupação foi preservar a versão mais fiel do texto”, prossegue Salla.</p>
<p>Mario Santin Frugiuele, gerente editorial da Todavia e responsável por conduzir o projeto de reedição das obras de Graciliano realizado por Salla, concluiu o doutorado em filologia e língua portuguesa na USP com uma tese dedicada ao autor alagoano. “Quando iniciei a pesquisa, em 2018, já tinha em vista a entrada da obra em domínio público, em 2024, e a preocupação de que, quando isso ocorresse, houvesse uma edição mais fidedigna à vontade do autor”, conta.</p>
<p>A tese do pesquisador, “Os manuscritos de <em>Vidas secas</em>: A gênese”, analisa o clássico de Graciliano pelo viés da crítica genética. Campo teórico-metodológico, a crítica genética nasceu na França entre as décadas de 1970 e 1980. Seu propósito original é reconstituir o processo de criação de uma obra literária a partir dos vestígios deixados pelo autor, embora hoje essa abordagem seja empregada também em outras formas de expressão artística, como pintura, peça de teatro e roteiro cinematográfico.</p>
<p>No caso de Graciliano, conhecido por revisar obsessivamente os próprios textos, riscando palavras até quase torná-las ilegíveis, o trabalho de pesquisa exigiu uma verdadeira “autópsia” da escrita. “Examinei os manuscritos em mesa de luz e recorri à lupa, à luz infravermelha e outros recursos disponíveis para identificar os traços da grafia. Isso me permitiu compreender em profundidade as rasuras de Graciliano e o modo como desenhava cada letra”, conta Frugiuele. “Inicialmente, ele faz um texto mais derramado, com uso frequente de palavras como ‘coitada’ ou ‘coitadinha’ para descrever a família de retirantes. Os cortes que realizou e que caracterizaram seu estilo conciso e direto fizeram do texto uma obra-prima.”</p>
<div id="attachment_585114" style="max-width: 810px" class="wp-caption alignright"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-585114 size-full" src="https://revistapesquisa.fapesp.br/wp-content/uploads/2026/05/RPF-graciliano-ramos-pagina-2026-06-800.jpg" alt="" width="800" height="1100" srcset="https://revistapesquisa.fapesp.br/wp-content/uploads/2026/05/RPF-graciliano-ramos-pagina-2026-06-800.jpg 800w, https://revistapesquisa.fapesp.br/wp-content/uploads/2026/05/RPF-graciliano-ramos-pagina-2026-06-800-250x344.jpg 250w, https://revistapesquisa.fapesp.br/wp-content/uploads/2026/05/RPF-graciliano-ramos-pagina-2026-06-800-700x963.jpg 700w, https://revistapesquisa.fapesp.br/wp-content/uploads/2026/05/RPF-graciliano-ramos-pagina-2026-06-800-120x165.jpg 120w" sizes="auto, (max-width: 800px) 100vw, 800px" /><p class="wp-caption-text"><span class="media-credits-inline">Biblioteca Brasiliana Guita e José Mindlin – PRCEU / USP</span>Frontispício da prova tipográfica da primeira edição de <em>Vidas secas</em> (1938); durante a revisão do documento, Graciliano riscou a opção anterior de título, <em>O mundo coberto de penas</em><span class="media-credits">Biblioteca Brasiliana Guita e José Mindlin – PRCEU / USP</span></p></div>
<p>Entre as emendas feitas por Graciliano em <em>Vidas secas</em>, identificadas pela análise genética do manuscrito, destaca-se uma que evidencia a consciência do autor sobre o peso do sistema escravista na construção das imagens evocadas pelo personagem Fabiano. Na frase “Vivia trabalhando como um condenado”, presente no capítulo “Cadeia”, o autor substituiu “condenado” por “escravo”. Segundo Edilson Dias de Moura, doutor em literatura pela USP e autor de <em>Graciliano: Romancista, homem público, antirracista</em> (Edições Sesc, 2023), esse não é um caso isolado. “A presença de imagens do homem negro e escravizado no romance é recorrente e intencional, mas, até muito recentemente, foi pouco observada”, constata.</p>
<p>De acordo com Moura, parte da crítica contemporânea tende a enfatizar os aspectos racistas no léxico empregado por Graciliano em seus romances. O pesquisador argumenta, contudo, que essa leitura não deve ser dissociada de uma análise da trajetória do escritor alagoano como funcionário público. “O uso de certas expressões racistas integra o léxico corrente da época e dialoga com as teorias eugenistas que marcaram a formação de Graciliano, mas que ele progressivamente abandona e passa a refutar ao longo dos anos. Em sua trajetória pública, ao contrário, ele atua pela inclusão da população negra.”</p>
<p>Em 1933, quando esteve à frente do Departamento de Instrução Pública de Alagoas, Graciliano promoveu Irene Braga de Miguel Garrido, professora negra que trabalhava no interior do estado, ao cargo de diretora escolar na capital, Maceió. “A gestão de Graciliano na educação alagoana proporcionou gradualmente uma maior inclusão nas escolas. Durante sua gestão, instituiu-se um programa de merenda escolar, medida que, como ele próprio registrou em relatórios, impulsionou o número de matrículas de crianças negras”, afirma Moura.</p>
<p>O percurso de Graciliano no funcionalismo público não foi apenas uma função paralela à vida de escritor, mas o terreno em que despontaram suas primeiras incursões literárias. Em um relatório publicado em 1928, quando era prefeito de Palmeira dos Índios (AL), escreveu: “Constava a existência de um código municipal, coisa inatingível e obscura. Procurei, rebusquei, esquadrinhei, estive quase a recorrer ao espiritismo, convenci-me de que o código era uma espécie de lobisomem”.</p>
<p>O tom sarcástico, incomum à linguagem burocrática dos relatórios, era uma marca de Graciliano e contribuiu para projetá-lo como escritor, segundo Moura. Pelo uso singular de uma prosa marcada por humor e ironia, esses textos escritos para a prefeitura de Palmeira dos Índios passaram a circular na imprensa carioca e nos meios intelectuais, impulsionando a publicação de seu primeiro romance, <em>Caetés</em>, em 1933, pela Schmidt Editora.</p>
<p>A relação entre a obra literária de Graciliano e sua atuação como funcionário público – primeiro como prefeito (1928-1929) e depois como diretor da Imprensa Oficial de Alagoas (1930-1931) – é analisada por Salla no artigo “Entre a escrita e a escrituração: A prosa de guarda-livros de Graciliano Ramos”. O texto integra um dossiê dedicado ao escritor, organizado pelo pesquisador e publicado na <em>Revista USP</em> em 2025. “É possível encontrar o embrião de romances que ele escreveria mais tarde nesses relatórios, pois, enquanto ainda não tinha livros publicados, era ali que o seu estilo encontrava espaço para se manifestar”, observa Salla.</p>
<p>Embora ainda não fosse filiado ao Partido Comunista Brasileiro (PCB), o que só ocorreria em 1945, a notoriedade de seus relatórios e das ações progressistas como funcionário público despertou suspeitas entre os agentes que trabalhavam na repressão do governo Getúlio Vargas (1930-1945). Havia a suspeita quanto a um possível envolvimento do escritor na Intentona Comunista, rebelião político-militar que visava destituir o poder vigente. Ainda que tal envolvimento não se confirmasse e não houvesse nenhuma acusação formal, Graciliano permaneceu preso no Rio de Janeiro por 11 meses, entre 1936 e 1937. A experiência deu origem ao livro <em>Memórias do cárcere</em>, cuja escrita iniciada em 1946 foi interrompida em 1953 com a morte do autor, sendo publicado, no mesmo ano, pela editora José Olympio.</p>
<p>Fabio Cesar Alves, professor de literatura brasileira da USP, sustenta que essa obra mostra uma faceta menos conhecida de Graciliano. “Ele é frequentemente associado à alcunha de ‘escritor da seca’, mas há também um lado mais dostoievskiano, voltado à investigação das profundezas do ser. Essa dimensão aparece tanto em <em>Memórias do cárcere</em> quanto em livros como <em>Angústia </em>ou <em>Infância</em>, que costumam ser menos explorados”, afirma Alves, um dos organizadores do livro <em>Graciliano Ramos, a paixão medida: Ensaios de interpretação da obra </em>(Hucitec, 2025).</p>
<div id="attachment_585086" style="max-width: 1150px" class="wp-caption aligncenter"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-585086 size-full" src="https://revistapesquisa.fapesp.br/wp-content/uploads/2026/05/RPF-graciliano-ramos-amaral-gurgel-2026-06-1140.jpg" alt="" width="1140" height="765" srcset="https://revistapesquisa.fapesp.br/wp-content/uploads/2026/05/RPF-graciliano-ramos-amaral-gurgel-2026-06-1140.jpg 1140w, https://revistapesquisa.fapesp.br/wp-content/uploads/2026/05/RPF-graciliano-ramos-amaral-gurgel-2026-06-1140-250x168.jpg 250w, https://revistapesquisa.fapesp.br/wp-content/uploads/2026/05/RPF-graciliano-ramos-amaral-gurgel-2026-06-1140-700x470.jpg 700w, https://revistapesquisa.fapesp.br/wp-content/uploads/2026/05/RPF-graciliano-ramos-amaral-gurgel-2026-06-1140-120x81.jpg 120w" sizes="auto, (max-width: 1140px) 100vw, 1140px" /><p class="wp-caption-text"><span class="media-credits-inline">Guilherme Gurgel / acervo da Família Amaral Gurgel / Wikimedia Commons</span>O escritor, em 1949, com o radialista Amaral Gurgel, responsável pela adaptação do livro <em>S. Bernardo</em> para a Rádio Globo<span class="media-credits">Guilherme Gurgel / acervo da Família Amaral Gurgel / Wikimedia Commons</span></p></div>
<p>O pesquisador avalia que o teor confessional da obra pode ser atrativo no atual protagonismo da autoficção – gênero que mistura autobiografia com ficção – no cenário literário. No entanto, ele ressalta que o autor alagoano oferece uma experiência distinta aos leitores contemporâneos. “Hoje, há uma demanda do público e uma expectativa dos escritores por uma subjetividade plena e transparente”, diz. “Porém a escrita confessional de Graciliano apresenta um eu esgarçado, marcado pela repressão, e, ao mesmo tempo, atento ao entorno, sempre filtrado pelo olhar do outro. Em <em>Memórias do cárcere</em>, por exemplo, ele se recusa a se chamar pelo próprio nome.”</p>
<p>O caráter subjetivo dos conflitos vividos na prisão, explorados por Graciliano no livro, é apontado por Alves como um dos fatores que explicam a recepção discreta da obra na imprensa comunista da época. Ao relatar o pedido de desculpas de um capitão do Exército após um desentendimento durante o período de detenção, o escritor admite rever sua visão sobre os militares: “O meu juízo a respeito dos militares desmoronava-se, um sujeito de farda aplicara-me lição bem rude”, escreve. Segundo Alves, a perspectiva apresentada na obra não é puramente ideológica nem dogmática e os personagens reais aparecem em suas nuances existenciais. “Além disso, ele não se furta a fazer críticas aos rumos que o PCB vinha tomando, o que certamente não agradou a seus dirigentes”, afirma o pesquisador.</p>
<p>Com a entrada da obra de Graciliano em domínio público, <em>Memórias do cárcere </em>também ganhou nova edição pela Penguin-Companhia das Letras, em 2025. De forma inédita, o volume reúne 11 capítulos reescritos pelo autor para publicação na imprensa e foi organizado pela crítica literária Ieda Lebensztayn, que pesquisou o autor no mestrado, no doutorado e no pós-doutorado na USP, com apoio da FAPESP. Trata-se de versões diferentes das publicadas originalmente em 1953 e que serviram de base para as edições posteriores. Para estabelecer o novo texto, Lebensztayn, além de ter localizado os 11 capítulos reescritos, cotejou os originais publicados pela José Olympio e os datiloscritos corrigidos pelo próprio escritor, preservados na Fundação Casa de Rui Barbosa, no Rio de Janeiro. O trabalho permitiu identificar três passagens ausentes nas versões em circulação até agora.</p>
<p>Atualmente, Lebensztayn trabalha em parceria com Salla na edição da correspondência inédita de Graciliano com outros escritores, como Jorge Amado (1912-2001). Os pesquisadores encontraram as cartas em diferentes arquivos pelo Brasil, entre eles o do Instituto de Estudos Brasileiros da USP, que guarda mais de 15 mil documentos relacionados ao autor. O material deve ser publicado em 2026. “Ao longo desse trabalho, foi possível compreender a obsessão de Graciliano por aprimorar o texto, o que pode ser visto, em um primeiro momento, como um desejo de comunicação com o público”, analisa a crítica literária. “Mas acredito que essa obstinação em ‘consertar’ a escrita também funciona como um reflexo formal do seu desejo de corrigir as injustiças e desigualdades do mundo, marcas que atravessam toda a sua obra.”</p>
<div id="attachment_585090" style="max-width: 1150px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-585090 size-full" src="https://revistapesquisa.fapesp.br/wp-content/uploads/2026/05/RPF-graciliano-ramos-livros-2026-06-1140.jpg" alt="" width="1140" height="466" srcset="https://revistapesquisa.fapesp.br/wp-content/uploads/2026/05/RPF-graciliano-ramos-livros-2026-06-1140.jpg 1140w, https://revistapesquisa.fapesp.br/wp-content/uploads/2026/05/RPF-graciliano-ramos-livros-2026-06-1140-250x102.jpg 250w, https://revistapesquisa.fapesp.br/wp-content/uploads/2026/05/RPF-graciliano-ramos-livros-2026-06-1140-700x286.jpg 700w, https://revistapesquisa.fapesp.br/wp-content/uploads/2026/05/RPF-graciliano-ramos-livros-2026-06-1140-120x49.jpg 120w" sizes="auto, (max-width: 1140px) 100vw, 1140px" /><p class="wp-caption-text"><span class="media-credits-inline">Reprodução</span>Novas edições da obra de Graciliano publicadas pela Todavia (<em>as três primeiras, a partir da esquerda</em>) e pela Penguin-Companhia das Letras<span class="media-credits">Reprodução</span></p></div>
<p class="bibliografia">A reportagem acima foi publicada com o título “<strong>Em busca do texto perdido</strong>” na edição impressa nº 364 de junho de 2026.</p>
<p class="bibliografia"><strong>Projeto</strong><br />
O estilo de Graça nas cartas: Organização e estudo da Série Correspondência Graciliano Ramos no Instituto de Estudos Brasileiros – USP (<a href="https://bv.fapesp.br/pt/bolsas/61106/o-estilo-de-graca-nas-cartas-organizacao-e-estudo-da-serie-correspondencia-graciliano-ramos-no-inst/?q=10/12034-9" target="_blank" rel="noopener">nº 10/12034-9</a>); <strong>Modalidade</strong> Bolsa de Pós-doutorado; <strong>Pesquisador responsável</strong> Marcos Antonio de Moraes (USP); <strong>Bolsista</strong> Ieda Lebensztayn</p>
<p class="bibliografia"><strong>Dossiê</strong><br />
SALLA, T. M. (org.). Dossiê Graciliano Ramos. <strong>Revista USP</strong>. São Paulo, n. 146, 2025.</p>
<p class="bibliografia"><strong>Livros</strong><br />
ALVES, F. C. <strong>Armas de papel: Graciliano Ramos, as <em>Memórias do cárcere</em> e o Partido Comunista</strong>. São Paulo: Editora 34, 2016.<br />
ALVES, F. C. <em>et al</em> (orgs). <em>Graciliano Ramos, a paixão medida: Ensaios de interpretação da obra</em>. São Paulo: Hucitec, 2025.<br />
LEBENSZTAYN, I. <strong>Graciliano Ramos e a <em>novidade</em>: O astrônomo do inferno e os meninos impossíveis.</strong> São Paulo: Hedra, 2010.<br />
MOURA, E. D. de. <strong>Graciliano: Romancista, homem público, antirracista</strong>. São Paulo: Edições Sesc, 2023.<br />
SALLA, T. M. <strong>Graciliano Ramos e a cultura política: Mediação editorial e construção do sentido</strong>. São Paulo: Edusp, 2016.</p>
]]></content:encoded>
					
		
		
			</item>
		<item>
		<title>Reagentes aceleram produção de proteínas sintéticas</title>
		<link>https://revistapesquisa.fapesp.br/reagentes-aceleram-producao-de-proteinas-sinteticas/?utm_source=rss&#038;utm_medium=rss&#038;utm_campaign=reagentes-aceleram-producao-de-proteinas-sinteticas</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Carlos Fioravanti]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 01 Jun 2026 14:15:44 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Pesquisa Inovativa em Pequenas Empresas (PIPE)]]></category>
		<category><![CDATA[Tecnologia]]></category>
		<category><![CDATA[Biotecnologia]]></category>
		<category><![CDATA[Inovação]]></category>
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					<description><![CDATA[Kit reduz de semanas para horas o tempo de síntese de macromoléculas usadas em aplicações médicas e industriais]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>A biomédica Thainá Rodrigues de Almeida segura uma delicada lâmina de gel e examina as marcas deixadas pelas proteínas que acabou de purificar, deixando-as prontas para uso. Como as alturas das marcas são diferentes, ela comenta, desconfiada, que talvez a purificação não tenha sido perfeita. Mais experiente nessa área, a médica-veterinária Iris Todeschini aproxima-se e a tranquiliza: os tamanhos distintos podem ser o resultado de um fenômeno chamado oligomerização, pelo qual estruturas menores se unem para formar uma maior, como vagões de um trem.</p>
<p>Elas estão em um dos laboratórios da Biolinker, uma startup de biotecnologia instalada em um parque industrial de Cotia, na Região Metropolitana de São Paulo. De lá, segundo a fundadora da empresa, a bioquímica e médica-veterinária Mona Oliveira, já saíram cerca de 250 tipos de proteínas – como enzimas, anticorpos e vacinas animais – para grupos de pesquisa de empresas ou universidades de vários estados do país.</p>
<p>A categoria que mais dá orgulho à equipe, por causa de suas estruturas complexas, são os chamados fatores de crescimento, que induzem o desenvolvimento celular, e já são usados por produtores nacionais de carne de laboratório em substituição ao soro fetal bovino (<a href="https://revistapesquisa.fapesp.br/proteinas-vegetais-aprimoram-producao-de-carne-de-laboratorio/" target="_blank" rel="noopener"><em>ver</em> Pesquisa FAPESP <em>nº 343</em></a>). Custam caro: a versão importada para pesquisa do fator de crescimento epitelial (EGF) sai de R$ 3 mil a R$ 8 mil por micrograma (mcg, um milionésimo de grama) e para uso médico, mais purificada, de R$ 10 mil a R$ 30 mil por mcg. O fator de crescimento endotelial vascular (VEGF), que estimula a formação de vasos sanguíneos, pode chegar a R$ 80 mil por mcg.</p>
<div id="attachment_585132" style="max-width: 1150px" class="wp-caption aligncenter"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-585132 size-full" src="https://revistapesquisa.fapesp.br/wp-content/uploads/2026/05/RPF-biolinker-gel-2026-06-1140.jpg" alt="" width="1140" height="729" srcset="https://revistapesquisa.fapesp.br/wp-content/uploads/2026/05/RPF-biolinker-gel-2026-06-1140.jpg 1140w, https://revistapesquisa.fapesp.br/wp-content/uploads/2026/05/RPF-biolinker-gel-2026-06-1140-250x160.jpg 250w, https://revistapesquisa.fapesp.br/wp-content/uploads/2026/05/RPF-biolinker-gel-2026-06-1140-700x448.jpg 700w, https://revistapesquisa.fapesp.br/wp-content/uploads/2026/05/RPF-biolinker-gel-2026-06-1140-120x77.jpg 120w" sizes="auto, (max-width: 1140px) 100vw, 1140px" /><p class="wp-caption-text"><span class="media-credits-inline">Léo Ramos Chaves / Revista Pesquisa FAPESP</span>O tamanho das colunas no gel indica o grau de purificação das proteínas<span class="media-credits">Léo Ramos Chaves / Revista Pesquisa FAPESP</span></p></div>
<p>A Biolinker desenvolveu um sistema de inteligência artificial (IA) que facilita o planejamento e a produção de proteínas materializado em um kit de quatro tubos com 3 centímetros (cm) de altura. O rendimento da primeira versão do kit, lançada em 2020, já com ingredientes liofilizados (em pó), era de 10 microgramas por litro (mcg/L); na mais recente, distribuída a partir de setembro de 2025, saltou para 500 mcg/L. O sistema foi apoiado por cerca de R$ 8 milhões de investidores privados, como o ex-CEO do iFood Fabricio Bloisi, de empresas como o Google e de órgãos públicos, como a FAPESP, a Financiadora de Estudos e Projetos (Finep), o Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae) e o programa Desenvolve São Paulo.</p>
<p>“Reduzimos o tempo de síntese proteica de 15 dias para algumas horas”, afirma Oliveira. É um tempo próximo do executado pelos organismos vivos: as células do pâncreas produzem insulina, formada por 51 aminoácidos, e a deixam pronta para uso em duas horas.</p>
<p>A concorrência, porém, é grande. As poucas fabricantes nacionais de proteínas por engenharia genética – como a Biolinker, a ApexZymes, de Campinas (SP), a ByMyCell e a FastBio, ambas de Ribeirão Preto (SP), cada uma com seu próprio perfil e alvos comerciais muitas vezes sobrepostos – convivem com um mercado competitivo. Nessa área, predominam as filiais de multinacionais e as importadoras de proteínas produzidas na China, nos Estados Unidos e na Europa. Apesar disso, as perspectivas de negócio são boas: em conjunto, o mercado nacional, considerando apenas as enzimas, responde por vendas anuais próximas a US$ 300 milhões, de acordo com levantamentos de duas empresas de consultoria, a Grand View Research e a MarkNtel Advisors, realizados em 2025.</p>
<p>É um mercado grande, apesar de essas macromoléculas serem estruturas minúsculas. Formadas por blocos conhecidos como aminoácidos, as proteínas são de 100 a 10 mil vezes menores que uma célula humana, formada por milhares de tipos diferentes dessa categoria de moléculas complexas. Elas medem em média 5 nanômetros (nm, 1 milionésimo do milímetro), embora as maiores cheguem a 8 nm. Enzimas como a alfa-amilase, lactase e celulase, de menor peso molecular, são essenciais para a produção de alimentos como leite sem lactose e vinhos, detergentes, papel e celulose, etanol, enquanto as de maior porte, como os anticorpos e hormônios, ajudam a salvar vidas.</p>
<p>Tanto o sistema de IA quanto o kit da Biolinker nasceram de processos internos, remodelados para atender a usuários externos. Financiada parcialmente pela Google, a plataforma de IA da empresa, Bioinformatic Agents for Integrated Operations (<a href="http://www.baiohub.com/" target="_blank" rel="noopener">bAIo</a>), integra ferramentas de bioinformática, facilita a confecção de sequências de DNA ou RNA que conduzem a produção de proteínas, determina sua estrutura e interações com outras moléculas em bases públicas de dados. “Já estamos com 140 usuários inscritos”, informa</p>
<p>Esse e outros programas, como o AlphaFold, da Google, e o RoseTTAFold, da Universidade de Washington, ambos nos Estados Unidos, elucidam pelo computador as estruturas de proteínas, normalmente identificadas por meio de técnicas caras e demoradas, como a cristalografia de raios X e a ressonância magnética nuclear. Tais aparelhos revelaram a conformação espacial de cerca de 170 mil proteínas, uma parcela pequena diante dos estimados 200 milhões de tipos produzidos continuamente pelos organismos vivos.</p>
<p>Já o kit consiste em uma técnica de produção de proteínas chamada <em>cell-free</em> (livre de células), usando DNA ou RNA, enzimas e ribossomos (estruturas celulares responsáveis pela síntese proteica), dispensando as próprias células. Ainda que os ribossomos necessitem de armazenamento e transporte sob temperaturas negativas, é um método rápido e flexível, usado mundialmente desde os anos 1960.</p>
<p>Cada fabricante tem seus próprios ingredientes, mas o princípio é o mesmo (<em>ver infográfico abaixo</em>). A Biolinker produz no Brasil o kit <em>cell-free</em>, geralmente importado de multinacionais como Thermo Fisher Scientific, GenScript, Synthelis e Synbio Technologies por um preço médio de R$ 5 mil.</p>
<picture data-tablet="/wp-content/uploads/2026/05/RPF-biolinker-2026-06-info-760.png" data-tablet_size="670x520" alt="Basta misturar: A técnica cell-free simplifica a produção de proteínas">
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  </picture><span class="embed media-credits-inline">Alexandre Affonso/Revista Pesquisa FAPESP</span>
<p>“Para pesquisa em pequena escala, de microgramas, e para ensino, o <em>cell-free </em>é fantástico. É simples e rápido, além de permitir a produção de proteínas que seriam tóxicas para as células, como as do coronavírus”, comenta a bióloga Danielle Pedrolli, da Universidade Estadual Paulista (Unesp), <em>campus</em> de Araraquara, que não participou da pesquisa. “A restrição é que produz apenas uma quantidade limitada de proteínas, diferentemente da <em>E. coli</em> engenheirada, que poderia produzi-las continuamente e em quantidade maior.”</p>
<p>Pedrolli usou a técnica para identificar funções de moléculas específicas no interior das células e para construir sensores para vírus, permitindo sua detecção mesmo em baixas concentrações. Descritos em um artigo publicado em outubro de 2023 na <em>ACS Synthetic Biology</em>, esses sensores poderiam servir para diagnósticos médicos e detecção de contaminantes, a partir de amostras de sangue ou da água e do esgoto.</p>
<p>Em um estudo com o Instituto de Química da Universidade de São Paulo (USP), o médico-veterinário Phelipe Vitale, cofundador da Biolinker, examina as interações entre os reagentes do kit em um aparelho de ressonância magnética nuclear. À medida que a pesquisa avança, ele saberá o que deve ser aprimorado para reduzir o tempo das reações. “Queremos ter o melhor <em>cell-free</em> do mundo”, almeja Oliveira.</p>
<p>Em outra pesquisa, que reforça essa meta, a equipe da empresa tenta produzir proteínas usando células vegetais de espécies brasileiras. Dotada de ribossomos maiores que os das células animais, as de plantas são a princípio capazes de oferecer um rendimento maior. “Está indo bem”, resume Oliveira. Sua previsão é oferecer essa técnica comercialmente a partir de 2028. Uma empresa alemã do grupo Europa Biosite já produz proteínas usando células de tabaco pelo método <em>cell-free</em>, com um rendimento 30 vezes maior que o dos métodos tradicionais.</p>
<div id="attachment_585120" style="max-width: 1150px" class="wp-caption aligncenter"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-585120 size-full" src="https://revistapesquisa.fapesp.br/wp-content/uploads/2026/05/RPF-biolinker-proteina-verde-fluorescente-2026-06-1140.jpg" alt="" width="1140" height="593" srcset="https://revistapesquisa.fapesp.br/wp-content/uploads/2026/05/RPF-biolinker-proteina-verde-fluorescente-2026-06-1140.jpg 1140w, https://revistapesquisa.fapesp.br/wp-content/uploads/2026/05/RPF-biolinker-proteina-verde-fluorescente-2026-06-1140-250x130.jpg 250w, https://revistapesquisa.fapesp.br/wp-content/uploads/2026/05/RPF-biolinker-proteina-verde-fluorescente-2026-06-1140-700x364.jpg 700w, https://revistapesquisa.fapesp.br/wp-content/uploads/2026/05/RPF-biolinker-proteina-verde-fluorescente-2026-06-1140-120x62.jpg 120w" sizes="auto, (max-width: 1140px) 100vw, 1140px" /><p class="wp-caption-text"><span class="media-credits-inline">Léo Ramos Chaves / Revista Pesquisa FAPESP</span>À esquerda, o kit de produção rápida de proteínas. À direita, a proteína verde fluorescente (GFP), usada como marcador de outras proteínas<span class="media-credits">Léo Ramos Chaves / Revista Pesquisa FAPESP</span></p></div>
<p><strong>Ampliação </strong><br />
A Biolinker está ampliando a escala de produção. Em outro laboratório, a médica-veterinária Todeschini mostra um aparelho chamado sonicador. Com um formato semelhante a um <em>mixer</em> usado para triturar alimentos, ele gera frequências de ultrassom que rompem membranas celulares e libera as proteínas produzidas por engenharia genética em bactérias <em>E. coli</em>. “Com esse aparelho, fazíamos de 10 a 15 mililitros (mL) por vez”, ela conta. Em seguida, mostra com satisfação outro aparelho, fechado – o homogeneizador. “Resolveu nossa vida. Faz até 10 L por hora, embora não usemos tanto, porque as empresas compram no máximo 50 mL de proteínas por vez.”</p>
<p>Mais do que equipamentos, o que falta nessa área é mão de obra qualificada, na visão do engenheiro químico Luismar Marques Porto, professor aposentado da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), diretor técnico da empresa de biotecnologia 4Wood Biotech e diretor executivo da consultoria Tubanharon Innovation Systems. “A formação de pessoal para trabalhar com proteínas no Brasil é precária. O ensino é muito compartimentalizado e os institutos pouco integrados.”</p>
<p>Ele conta que, em 2009, conseguiu um financiamento internacional para um projeto em biologia sintética, mas teve de desistir porque não conseguiu formar um grupo de pesquisa na UFSC, do qual seria o coordenador. “Em 2021, para formar a equipe da Divisão de Carne Cultivada da JBS, tive de buscar fora. Trouxe pesquisadores brasileiros que estavam nos Estados Unidos, em Singapura, na Noruega e em outros países para compor a equipe prevista no projeto”, relata. Em março de 2024, para viabilizar outros projetos, Porto deixou a JBS, que em março inaugurou em Florianópolis o JBS Biotech Innovation Center, com o propósito de produzir suplementos proteicos a partir de células semelhantes às do tecido muscular animal, para serem usados em bebidas ricas em proteínas – os <em>shakes</em> – e barras de cereais.</p>
<p>Para Pedrolli, não faltam especialistas. Segundo ela, tem havido um crescimento contínuo de especialistas formados no Brasil desde 2020. A Rede Brasileira de Biologia Sintética reúne cerca de 30 grupos de pesquisa espalhados por 18 instituições de todo o país, como detalhado em um artigo de 2025 na <em>ACS Omega</em>. “O que falta”, observa, “são boas ofertas de emprego para quem termina sua formação acadêmica”.</p>
<p>A despeito das dificuldades, a Biolinker faz planos. Para ampliar a produção e reforçar a equipe de vendas, a empresa, com 12 funcionários, conseguiu R$ 2,5 milhões e pretende conseguir mais R$ 13 milhões de investimento privado. Oliveira busca também parceiros globais. “Já andei pela Bélgica, Alemanha, Portugal, Arábia Saudita, Estados Unidos e Hong Kong”, ela conta. “Até o fim do ano reforçaremos nossa atividade internacional, hoje limitada à Colômbia e a Portugal.”</p>
<p class="bibliografia">A reportagem acima foi publicada com o título “<strong>Proteínas com rapidez</strong>” na edição impressa nº 364 de junho de 2026.</p>
<p class="bibliografia"><strong>Projetos</strong><br />
<strong>1.</strong> Estudo de estabilidade, reprodutibilidade e escalonamento dos kits de cell-free protein sintesis SynthEasy®&#xfe0f; (<a href="https://bv.fapesp.br/pt/auxilios/116316/estudo-de-estabilidade-reprodutibilidade-e-escalonamento-dos-kits-de-cell-free-protein-sintesis-synt/" target="_blank" rel="noopener">n° 23/09974-0</a>); <strong>Modalidade</strong> Programa Pesquisa Inovativa em Pequenas Empresas (Pipe); <strong>Acordo</strong> de Cooperação Sebrae-SP; <strong>Pesquisador responsável</strong> Phelipe Augusto Mariano Vitale (Biolinker); <strong>Investimento</strong> R$ 1.097.076,71.<br />
<strong>2.</strong> Desenvolvimento de kits liofilizados para síntese de proteínas livres de células (CFPS), Syntheasy (<a href="https://bv.fapesp.br/pt/auxilios/106480/desenvolvimento-de-kits-liofilizados-para-sintese-de-proteinas-livres-de-celulas-cfps-syntheasy/" target="_blank" rel="noopener">n° 19/16625-6</a>); <strong>Modalidade</strong> Programa Pesquisa Inovativa em Pequenas Empresas (Pipe); <strong>Pesquisadora responsável</strong> Natalia Marchesan Bexiga (Biolinker); <strong>Investimento</strong> R$ 137.561,67.<br />
<strong>3.</strong> BioApatIgG &#8211; diagnóstico sorológico de baixo custo e alta performance (<a href="https://bv.fapesp.br/pt/auxilios/106829/bioapatigg-diagnostico-sorologico-de-baixo-custo-e-alta-performance/" target="_blank" rel="noopener">n° 20/05023-2</a>); <strong>Modalidade</strong> Programa Pesquisa Inovativa em Pequenas Empresas (Pipe); <strong>Acordo</strong> de Cooperação Finep &#8211; Pipe/Pappe Subvenção; <strong>Pesquisadora responsável</strong> Mona das Neves Oliveira (Biolinker); <strong>Investimento</strong> R$ 857.035,91.<br />
<strong>4.</strong> LuciSTARC sistema de bioluminescência para ambientes químicos complexos (<a href="https://bv.fapesp.br/pt/auxilios/111927/lucistarc-sistema-de-bioluminescencia-para-ambientes-quimicos-complexos/" target="_blank" rel="noopener">n° 22/13678-4</a>); <strong>Modalidade</strong> Programa Pesquisa Inovativa em Pequenas Empresas (Pipe); <strong>Acordo</strong> de Cooperação Sebrae-SP; <strong>Pesquisadora responsável</strong> Mona das Neves Oliveira (Biolinker); <strong>Investimento</strong> R$ 449.452,75.</p>
<p class="bibliografia"><strong>Artigos científicos</strong><br />
FRANCO, R. A. L. <em>et al.</em> <a href="https://pubs.acs.org/doi/10.1021/acssynbio.3c00227" target="_blank" rel="noopener">Signal amplification for cell-free biosensors, an analog-to-digital converter</a>. <strong>ACS Synthetic Biology</strong>. v. 12, n. 10. 4 out. 2023.<br />
SANTOS, L. V. <em>et al.</em> <a href="https://pubs.acs.org/doi/10.1021/acsomega.5c03077https:/pubs.acs.org/doi/10.1021/acsomega.5c03077" target="_blank" rel="noopener">Unveiling the frontiers of synthetic biology in Brazil: Pioneering the national synthetic biology network</a>. <strong>ACS Omega</strong>. v. 10, n. 30. 23 jul. 2023.</p>
]]></content:encoded>
					
		
		
			</item>
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		<title>As novas ferramentas que deverão transformar o sistema financeiro brasileiro</title>
		<link>https://revistapesquisa.fapesp.br/as-novas-ferramentas-que-deverao-transformar-o-sistema-financeiro-brasileiro/?utm_source=rss&#038;utm_medium=rss&#038;utm_campaign=as-novas-ferramentas-que-deverao-transformar-o-sistema-financeiro-brasileiro</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Domingos Zaparolli]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 01 Jun 2026 14:15:19 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Programa de Apoio à Pesquisa em Parceria para Inovação Tecnológica (PITE)]]></category>
		<category><![CDATA[Tecnologia]]></category>
		<category><![CDATA[Inovação]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://revistapesquisa.fapesp.br/?p=585149</guid>

					<description><![CDATA[Uma das novidades é uma moeda digital criada pelo Banco Central para tornar transações comerciais e financeiras mais seguras]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>Ainda este ano, uma versão digital do real, a moeda nacional, será disponibilizada aos brasileiros. O desenvolvimento dessa inovação financeira, batizada de Drex, vem sendo conduzido pelo Banco Central do Brasil. No mundo, dezenas de países elaboram suas versões de moeda digital de banco central (CBDC, de Central Bank Digital Currency), sendo que China, Bahamas, Nigéria e Jamaica estão entre pioneiras no uso de moedas criptografadas oficiais, lançadas por esses países em 2024. A proposta do Drex, contudo, diferencia-se das CBDC em uso. O Banco Central quer disponibilizar não apenas uma moeda digital, mas uma plataforma de transações financeiras seguras. “O Drex é inovador. A principal inspiração é o ambiente de finanças descentralizadas [DeFi, de <em>decentralized finance</em>]”, diz o economista e engenheiro eletricista Fabio Araujo, coordenador do projeto Drex no Banco Central.</p>
<p>O DeFi funciona como uma plataforma independente, em que os usuários realizam transações entre si, sem a intermediação de governos, bancos ou corretoras. Para isso, utiliza a tecnologia <em>blockchain</em>, um registro digital imutável, criptografado, que pode ser compartilhado de forma descentralizada, como ocorre com as criptomoedas (<em>ver glossário abaixo</em>). “Queremos trazer para o ambiente regulado os desenvolvimentos que estão acontecendo em DeFi, que se encontram majoritariamente ao largo da regulação”, detalha Araujo.</p>
</div><div class='overflow-responsive-img' style='text-align:center'><picture data-tablet="/wp-content/uploads/2026/05/RPF-inovacoesfinanceiras-2026-06-info-1140.png" data-tablet_size="1140x560" alt="Glossário">
    <source srcset="/wp-content/uploads/2026/05/RPF-inovacoesfinanceiras-2026-06-info-1140.png" media="(min-width: 1920px)" />
    <source srcset="/wp-content/uploads/2026/05/RPF-inovacoesfinanceiras-2026-06-info-1140.png" media="(min-width: 1140px)" />
    <img decoding="async" class="responsive-img" src="/wp-content/uploads/2026/05/RPF-inovacoesfinanceiras-2026-06-info-760.png" />
  </picture><span class="embed media-credits-inline">Alexandre Affonso/Revista Pesquisa FAPESP</span></div><div class="post-content sequence">
<p>Entre as inovações em DeFi que o Banco Central planeja incorporar ao Drex estão os contratos inteligentes, um sistema que executa transações automaticamente quando condições específicas são atendidas. Um exemplo é a transferência de titularidade de um imóvel ou de um veículo de forma sincronizada com o pagamento. Outra inovação é a tokenização de ativos, ou seja, a conversão de ativos físicos, como títulos públicos, imóveis e outros bens materiais, em uma unidade de valor digital, um token, que pode servir como garantia rastreável de empréstimos.</p>
<p>A meta do Banco Central é lançar uma versão-piloto do Drex em 2026, que permita a ampliação de suas funcionalidades disponíveis ao longo do tempo. Para isso, o desenvolvimento da moeda digital ainda precisa superar desafios importantes, admite Araujo, como avançar em requisitos de segurança e de escala. Será preciso também adaptar serviços financeiros distintos para operação em conjunto, de forma integrada e harmoniosa, independentemente de suas diferentes estruturas tecnológicas.</p>
<p>O Drex é resultado de uma estratégia de inovação aberta. No seu desenvolvimento, o Banco Central teve a colaboração de instituições financeiras, entidades públicas – como a Comissão de Valores Mobiliários – e instituições acadêmicas, como o Instituto de Tecnologia de Massachusetts, a Universidade Federal do Rio de Janeiro, a Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro, a Fundação Centro de Pesquisa e Desenvolvimento em Telecomunicações e o Instituto de Tecnologia e Sociedade do Rio de Janeiro.</p>
<p><img loading="lazy" decoding="async" width="1140" height="776" class="aligncenter size-full wp-image-585158" src="https://revistapesquisa.fapesp.br/wp-content/uploads/2026/05/rpf-inovacoes-financeiras-2026-06-1140-2.jpg" alt="" srcset="https://revistapesquisa.fapesp.br/wp-content/uploads/2026/05/rpf-inovacoes-financeiras-2026-06-1140-2.jpg 1140w, https://revistapesquisa.fapesp.br/wp-content/uploads/2026/05/rpf-inovacoes-financeiras-2026-06-1140-2-250x170.jpg 250w, https://revistapesquisa.fapesp.br/wp-content/uploads/2026/05/rpf-inovacoes-financeiras-2026-06-1140-2-700x476.jpg 700w, https://revistapesquisa.fapesp.br/wp-content/uploads/2026/05/rpf-inovacoes-financeiras-2026-06-1140-2-120x82.jpg 120w" sizes="auto, (max-width: 1140px) 100vw, 1140px" /><span class="media-credits-inline">Alexandre Affonso/Revista Pesquisa FAPESP</span></p>
<p>A moeda digital do Banco Central compõe um conjunto de iniciativas de base tecnológica criadas pela instituição que causaram grande impacto no sistema financeiro nacional. Uma delas é o Pix, sistema de pagamentos instantâneos disponibilizado 24 horas por dia, sete dias por semana, lançado em 2020. Mais de 170 milhões de pessoas físicas estão cadastradas no Pix, cerca de 80% da população do país. Em janeiro, foram realizadas mais de 7 bilhões de transações por essa modalidade, que movimentaram R$ 3,16 bilhões.</p>
<p>“Por volta de 60 países têm sistemas de pagamentos instantâneos em operação, sendo que alguns deles, como o da Coreia do Sul e o de Hong Kong, já estão em operação há mais de duas décadas”, diz Araujo. “Nenhum teve uma adoção tão rápida e abrangente quanto o Pix.” Dois fatores foram decisivos para a grande adesão dos brasileiros à inovação: a gratuidade das transações para as pessoas físicas e a facilidade operacional. O uso de chaves de identificação e QR Code dispensou o usuário de digitar o banco, a agência e a conta do destinatário dos recursos.</p>
<p>Outra iniciativa do Banco Central viabilizada pelo uso de tecnologia é o <em>open finance</em>, ou sistema financeiro aberto, lançado em 2021. Nele, o cliente, e não as instituições, tem o controle dos dados relativos a suas contas bancárias, investimentos, contratação de seguros e previdência, e pode, se desejar, compartilhar de forma digital as informações entre diferentes instituições. Antes, os bancos não disponibilizavam os dados cadastrais e histórico de movimentações de seus clientes para outras instituições.</p>
<p>Com o <em>open finance</em>, o correntista pode permitir que uma gestora de investimentos acesse seus dados cadastrais e histórico no banco no qual é correntista e oferte produtos financeiros com taxas de retorno mais atraentes do que as disponibilizadas pelo banco de origem. O cliente também pode usar seu histórico para negociar empréstimos com várias instituições de crédito, obter melhores condições na contratação de seguros ou realizar uma transferência de Pix por uma instituição usando o saldo constante em outro banco.</p>
<p>Em janeiro, 128 milhões de correntistas já haviam aderido ao <em>open finance</em> no Brasil. O Reino Unido foi o pioneiro, com a adoção em 2018 de um sistema de <em>open banking</em>, uma plataforma mais restrita, limitada ao compartilhamento de informações entre bancos e sem a participação de instituições gestoras de investimentos, seguradoras e empresas de crédito. Brasil e Austrália possuem os sistemas mais completos, que abrangem um maior número de serviços financeiros, e se tornaram referência internacional. União Europeia, Estados Unidos, México e Índia lançaram plataformas de <em>open banking</em> e agora migram para modelos de <em>open finance</em>.</p>
<p><strong>Sempre na vanguarda</strong><br />
Nos últimos 50 anos, o Brasil tem se posicionado entre os líderes globais de desenvolvimento e adoção de tecnologias bancárias. Na década de 1980, os bancos brasileiros investiram em automação como forma de ganhar eficiência para fazer frente a um processo de hiperinflação que fazia o dinheiro perder valor rapidamente. Em um cenário como esse, é preciso agilizar as transações para serem prontamente processadas. O país foi um dos primeiros a ter agências conectadas em tempo real, permitindo que um depósito feito em uma agência bancária de uma cidade qualquer aparecesse no mesmo dia no saldo do cliente beneficiário.</p>
<blockquote><p>O Brasil foi um dos primeiros a implementar o <em>internet banking</em> e o <em>mobile banking</em></p></blockquote>
<p>Também nos anos 1980 surgiram os caixas eletrônicos, que usavam hardware e software desenvolvidos pelas próprias instituições bancárias do país. Nos anos seguintes, os bancos brasileiros investiram em biometria e chips de cartão muito antes de instituições europeias ou norte-americanas.</p>
<p>O Brasil foi, ainda, um dos pioneiros na implementação de <em>internet banking</em> e, na sequência, do <em>mobile banking</em> (sistema para smartphones). Segundo a Federação Brasileira de Bancos (Febraban), 82% das transações bancárias no país foram realizadas por canais digitais em 2024. Como consequência, o número de agências bancárias no país caiu de 22,8 mil para 14,3 mil nos últimos 10 anos.</p>
<p>A disponibilidade de tecnologia bancária de ponta e as oportunidades transacionais surgidas com o <em>open finance</em> impulsionaram as fintechs no Brasil, que somam 1.481 startups, de acordo com a Associação Brasileira de Fintechs (ABFintechs). O aumento da concorrência, por sua vez, estimulou os grandes bancos a inovar. A estimativa da Febraban é que o orçamento dos bancos brasileiros em despesas e investimentos destinados à tecnologia somaram R$ 47,8 bilhões em 2025, valor 58% superior ao verificado cinco anos antes. Os recursos são destinados a desenvolvimentos tecnológicos próprios e a parcerias com centros de pesquisas independentes e universidades.</p>
<p><strong>A força dos agentes de IA</strong><br />
“Há um cenário inovativo intenso no sistema financeiro nacional”, avalia o engenheiro eletricista Anderson Soares, fundador e vice-presidente de tecnologia do Centro de Excelência em Inteligência Artificial da Universidade Federal de Goiás (UFG). “Estamos no top 3 global no uso de inteligência artificial [IA] no setor”, complementa o especialista, que vê o Brasil atrás apenas de China e Coreia do Sul, mas à frente dos Estados Unidos, em intensidade de desenvolvimento de soluções e adoção de sistemas de IA na área financeira.</p>
<p>A inteligência artificial está entre as principais prioridades tecnológicas do setor no país, segundo o documento “Estudo de tecnologias emergentes para o setor bancário 2025”, elaborado pela Febraban e a consultoria Accenture. Uma das principais aplicações de IA constatada é no Ciclo de Vida de Desenvolvimento de Software (SDLC), um processo de criação de softwares em fases estruturadas que englobam análise, planejamento, design, desenvolvimento, testes, implementação e suporte. “O uso de times mistos, formados por humanos e agentes de IA, gera mais eficiência ao processo de criação de softwares, com ganhos de produtividade superiores a 20%”, diz Eduarda Davidovic, diretora-adjunta de Inovação e Tecnologia da Febraban.</p>
<blockquote><p>Os agentes de inteligência artificial são a nova tecnologia emergente</p></blockquote>
<p>Os agentes de IA são uma tecnologia emergente. Trata-se de sistemas computacionais autônomos que usam inteligência artificial generativa para perceber o ambiente, processar informações multimodais, como voz, texto e imagens, e planejar e executar ações para alcançar objetivos predefinidos. São empregados no setor financeiro para executar tarefas que vão do atendimento ao cliente em meios digitais, substituindo os antigos <em>chatbots</em>, ao aconselhamento personalizado de investimentos ou à avaliação de contratação de serviços. Podem ser empregados em ações de apoio a funcionários, fornecendo informações sobre normas, processos e procedimentos, e auxílio às equipes de P&amp;D, dando suporte ao desenvolvimento de softwares e soluções tecnológicas.</p>
<p>O Bradesco foi um dos pioneiros no uso de agentes de IA, com a assistente virtual BIA. Lançada em 2016 como um <em>chatbot</em>, a ferramenta depois evoluiu com a incorporação de recursos de IA generativa. Atualmente, o banco tem três versões do sistema: BIA Cliente, que, segundo a instituição, apresenta uma taxa de resolução das demandas dos usuários sem intervenção humana acima de 85%; BIA Corporativa, voltada para dar suporte aos funcionários; e BIA Tech, destinada ao desenvolvimento de softwares e soluções tecnológicas.</p>
<p>No Itaú Unibanco, os agentes de IA generativa estão por trás de um pioneiro serviço de Pix no WhatsApp, pelo qual os clientes realizam transferências de dinheiro por meios multimodais, como texto, áudio, QR Code e imagem. Cabe ao sistema interpretar automaticamente fotos contendo o valor e a chave Pix. A tecnologia multimodal que serve de base para esse sistema de Pix teve como base pesquisas realizadas no Centro de Ciência de Dados (C2D), criado a partir de uma parceria entre o banco e a Escola Politécnica da Universidade de São Paulo (Poli-USP).</p>
<p>O Itaú também dispõe de um agente de investimentos capaz de interpretar perfis de investidores, analisar cenários de mercado e sugerir estratégias personalizadas, além de um agente de IA generativa jurídico, que analisa mais de 100 mil documentos por mês. O banco soma 21 depósitos de patentes envolvendo o uso de IA em atividades financeiras.</p>
<p>A expectativa é que, no futuro próximo, os agentes de IA possam realizar automaticamente, sem intervenção humana, tarefas complexas, como o pagamento de contas, a contratação de um seguro, a compra de um bem no varejo on-line e até analisar e definir investimentos ou realizar o fluxo de caixa e a gestão financeira de uma empresa. “Ninguém acorda com vontade de pagar um boleto”, brinca Carlos Eduardo Mazzei, diretor de Tecnologia do Itaú Unibanco. “Os agentes de IA vão cuidar das tarefas burocráticas do dia a dia e as pessoas poderão se preocupar em definir as estratégias.”</p>
<p><strong>Soluções maduras</strong><br />
Desenvolver agentes de IA capazes de executar tarefas complexas de forma segura para os usuários e as instituições é um dos principais desafios que os centros de pesquisas dos bancos e seus parceiros na academia enfrentam. “Finanças é um setor de alto risco que demanda soluções tecnológicas suficientemente maduras antes de serem implementadas”, avalia o pesquisador em cybersegurança Marcos Antonio Simplicio Junior, do Departamento de Engenharia de Computação e Sistemas Digitais da Poli-USP.</p>
<p>“O agente de IA pode induzir o cliente a um erro. O banco também fica vulnerável, uma vez que ao disponibilizar e impulsionar o uso da ferramenta pode ser responsabilizado pelas ações do sistema”, complementa Simplicio. Um risco extra, destaca, é o uso malicioso do agente de IA para gerar erros propositais e oportunidades de processos de indenização.</p>
<p>Uma forma de reduzir riscos é manter nas ações dos agentes de IA a tradicional validação humana, exigindo no final do processo a confirmação do cliente de que está de acordo com a ação definida pela IA. Os centros de pesquisas trabalham principalmente no aperfeiçoamento das arquiteturas de sistemas. No Laboratório de Arquitetura e Redes de Computadores (Larc) da USP, que mantém parceria tecnológica com o Bradesco, Simplicio lidera um trabalho de pesquisa ofensiva e defensiva, realizando ataques aos sistemas computacionais dos agentes de IA para descobrir vulnerabilidades que depois serão trabalhadas pelas equipes de desenvolvedores de soluções.</p>
<p>Outra preocupação é com a garantia de que os sistemas de IA façam avaliações isentas e não discriminatórias dos usuários, evitando que a análise para a concessão de um empréstimo ou cartão de crédito seja influenciada por fatores como a orientação sexual ou religiosa do cliente, questões étnicas ou origem geográfica e localização da moradia do usuário. “Nosso desafio é que o sistema de IA use apenas critérios objetivos em suas análises”, diz o engenheiro eletricista Enio Alterman Blay, pesquisador do C2D, que realiza trabalhos numa área conhecida como IA responsável.</p>
<p>Discriminações exercidas por agentes de IA são geradas por bancos de dados desenvolvidos de forma enviesada, diz o especialista. “Trabalhamos no desenvolvimento de ferramentas algorítmicas que resultem em bancos de dados que garantam resultados objetivos para todos os grupos sociais”, diz Blay. Em setembro de 2025, pesquisadores da USP e do Instituto de Ciência e Tecnologia do Itaú publicaram artigo sobre IA responsável no Proceedings of the Workshop on Bots in Software Engineering (WBOTS).</p>
<p><strong><img loading="lazy" decoding="async" width="1140" height="683" class="aligncenter size-full wp-image-585162" src="https://revistapesquisa.fapesp.br/wp-content/uploads/2026/05/rpf-inovacoes-financeiras-2026-06-1140-3.jpg" alt="" srcset="https://revistapesquisa.fapesp.br/wp-content/uploads/2026/05/rpf-inovacoes-financeiras-2026-06-1140-3.jpg 1140w, https://revistapesquisa.fapesp.br/wp-content/uploads/2026/05/rpf-inovacoes-financeiras-2026-06-1140-3-250x150.jpg 250w, https://revistapesquisa.fapesp.br/wp-content/uploads/2026/05/rpf-inovacoes-financeiras-2026-06-1140-3-700x419.jpg 700w, https://revistapesquisa.fapesp.br/wp-content/uploads/2026/05/rpf-inovacoes-financeiras-2026-06-1140-3-120x72.jpg 120w" sizes="auto, (max-width: 1140px) 100vw, 1140px" /><span class="media-credits-inline">Alexandre Affonso/Revista Pesquisa FAPESP</span>Emergência da computação quântica</strong><br />
A computação quântica, que explora propriedades da física quântica para realizar cálculos simultâneos em uma ordem de magnitude muito superior à dos supercomputadores atuais (<a href="https://revistapesquisa.fapesp.br/a-era-dos-qubits/" target="_blank" rel="noopener"><em>ver </em>Pesquisa FAPESP <em>nº 284</em></a>), é outra tecnologia emergente destacada no estudo da Febraban. Apesar de ainda não existirem computadores quânticos comerciais de alta performance e desempenho estável, a tecnologia já é uma das prioridades dos centros de pesquisas das instituições financeiras e de seus parceiros na academia.</p>
<p>“No futuro, algoritmos quânticos vão ampliar a segurança, a precisão e a velocidade das decisões financeiras. Poderão melhorar a qualidade da oferta de crédito, otimizar investimentos em tempo real e apoiar operações em que agentes de IA poderão atuar como ‘clientes’, tomando decisões autônomas”, diz Renata Petrovic, diretora do inovabra, o ecossistema de inovação do Bradesco. “Mas a computação quântica também apresenta potencial para quebrar alguns mecanismos de segurança utilizados hoje pelo sistema bancário”, complementa a executiva. Por isso, segundo ela, a segurança na era pós-quântica é uma das pautas mais discutidas nas áreas de pesquisa do setor.</p>
<p>“É provável que um computador quântico possa quebrar facilmente uma criptografia que hoje não é ameaçada nem pela soma da capacidade computacional de todos os supercomputadores existentes no mundo atuando de forma conjunta durante anos”, prevê Simplicio. “Juntamente com a comunidade internacional de criptologia, estamos trabalhando no desenvolvimento de algoritmos mais robustos, capazes de proporcionar esquemas criptográficos resistentes a ataques promovidos por algoritmos quânticos”, complementa o pesquisador, que recebeu apoio da FAPESP em seus estudos iniciais sobre criptografia pós-quântica e, recentemente, publicou com colegas do Larc-USP um artigo sobre o tema nos anais do 25th International Symposium on Cluster, Cloud and Internet Computing (CCGrid).</p>
<p>A avaliação da comunidade científica, diz Simplicio, é que a computação quântica apresentará um desafio significativo à segurança da criptografia até 2035. “Nossa meta é ter esquemas de criptografia pós-quântica desenvolvidos e em uso no país entre 2030 e 2035”, diz o pesquisador da Poli-USP.</p>
<p class="bibliografia">A reportagem acima foi publicada com o título “<strong>Banco do futuro</strong>” na edição impressa nº 364 de junho de 2026.</p>
<p class="bibliografia"><strong>Projeto</strong><br />
Criptografia pós quântica e eficiente para a construção de aplicações de segurança avançadas (<a href="https://bv.fapesp.br/pt/auxilios/93810/criptografia-pos-quantica-e-eficiente-para-a-construcao-de-aplicacoes-de-seguranca-avancadas/?q=15/50520-6" target="_blank" rel="noopener">nº 15/50520-6</a>); <strong>Modalidade</strong> Parceria para Inovação Tecnológica (Pite); <strong>Pesquisador responsável</strong> Marcos Antonio Simplicio Junior (USP).</p>
<p class="bibliografia"><strong>Artigos científicos</strong><br />
SILVA, C. H. C. <em>et al</em>. <a href="https://sol.sbc.org.br/index.php/wbots/article/view/36920" target="_blank" rel="noopener">Evaluating LLM-based chatbots through touchpoint-driven process models</a>. <strong>Proceedings of the workshop no bots in software engineering (WBOTS)</strong>. 22 set. 2025.<br />
CARDOSO, L.C . <em>et al</em>. <a href="https://ieeexplore.ieee.org/abstract/document/11044812/" target="_blank" rel="noopener">Next-Generation SPIFF/SPIRE identity management systems with post-quantum cryptography algorithms</a>. <strong>2025 IEEE 25<sup>th</sup> International Symposium on Cluster, Cloud and Internet Computing (CCGrid)</strong>. 30 jun. 2025.</p>
]]></content:encoded>
					
		
		
			</item>
		<item>
		<title>Como danos causados por descoloração e raios ultravioleta mudam as propriedades do cabelo</title>
		<link>https://revistapesquisa.fapesp.br/como-danos-causados-por-descoloracao-e-raios-ultravioleta-mudam-as-propriedades-do-cabelo/?utm_source=rss&#038;utm_medium=rss&#038;utm_campaign=como-danos-causados-por-descoloracao-e-raios-ultravioleta-mudam-as-propriedades-do-cabelo</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Igor Zolnerkevic]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 01 Jun 2026 14:15:03 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Ciência]]></category>
		<category><![CDATA[Física]]></category>
		<category><![CDATA[Química]]></category>
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					<description><![CDATA[Ao absorver mais água, fios se enfraquecem e se tornam mais quebradiços]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>Pegue um fio de cabelo saudável com as mãos e tente amassá-lo sem danificar sua superfície. “É quase impossível deformá-lo por compressão”, diz o químico Raphael Machado. Ao longo de seu estágio de pós-doutorado no grupo da física Maria Cecília Salvadori, da Universidade de São Paulo (USP), o pesquisador aprendeu a apreciar a surpreendente resistência desse material biológico, comparável à de fibras sintéticas como o náilon. Também constatou como a rigidez de fios de cabelos humanos naturalmente expostos à luz solar ao longo da vida pode ser reduzida em até seis vezes, depois de uma aplicação de um pó descolorante com água oxigenada.</p>
<p>Usando diferentes técnicas de microscopia, Machado produziu uma série de imagens mostrando as propriedades da superfície de fios de cabelo, com uma resolução de até cerca de 60 nanômetros (nm), mais de mil vezes menor do que a própria espessura do filamento. A análise desses mapas microscópicos ajudou a entender melhor como os danos provocados pela descoloração e a radiação ultravioleta [UV] alteram o relevo e a composição química dos fios em posições anatômicas diferentes ao longo da mecha e transformam um material naturalmente hidrofóbico – isto é, que repele a água – em seu oposto, hidrofílico, que “gosta” do líquido. Absorvendo mais água, o cabelo enfraquece sua estrutura e se torna mais quebradiço. Os resultados da pesquisa, publicados em março na revista<em> Journal of the Mechanical Behavior of Biomedical Materials</em>, podem ajudar no desenvolvimento de novos tratamentos.</p>
<p>Fios de cabelo têm uma espessura média de cerca de 100 mil nm, embora existam grandes variações entre populações distintas. Assim como as unhas, são um tecido morto formado principalmente pela proteína queratina. Sua estrutura mais interna é uma pequena região central denominada medula, que é envolvida pelo córtex, camada intermediária que corresponde a cerca de 85% da massa dos cabelos. Os fios nascem do couro cabeludo com o córtex totalmente coberto pela cutícula, estrutura externa que forma uma armadura de escamas de queratina mais compacta e organizada. Por sua vez, a cutícula é recoberta por uma fina camada de gordura, com espessura da ordem de 1 nm, composta pelo ácido 18-metileicosanoico (18-MEA), que se liga a átomos de enxofre da queratina, deixando a porção hidrofóbica da molécula voltada para fora. A aversão natural dos fios à água decorre sobretudo dessa camada, mas também dos espaços criados pelos degraus entre as escamas da cutícula, que reduzem a área de contato com a água.</p>
<p>Durante a descoloração, os reagentes removem o 18-MEA, rompendo sua ligação com a queratina. Ao mesmo tempo, a oxidação degrada a queratina, produzindo moléculas com hidroxilas, carboxilatos e sulfonatos, que atraem água em vez de repeli-la. Enfraquecidas por microfissuras, as escamas da cutícula podem se quebrar e se desprender, expondo o córtex à ação química e à água.</p>
<p>A radiação UV induz reações semelhantes: erode a camada de 18-MEA e também forma moléculas hidrofílicas. Esse processo ocorre de forma mais gradual e localizada, criando pequenos poros na cutícula que podem acelerar os danos causados pela descoloração. Todo esse dano é mais intenso nas pontas dos fios, onde a cutícula já se encontra naturalmente desgastada pelo envelhecimento. “As pontas guardam um histórico de tudo a que elas foram expostas desde o último corte de cabelo”, conta Machado.</p>
<div id="attachment_585196" style="max-width: 1150px" class="wp-caption aligncenter"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-585196 size-full" src="https://revistapesquisa.fapesp.br/wp-content/uploads/2026/05/RPF-cabelo-danificado-microscopia-2026-06-1140.jpg" alt="" width="1140" height="738" srcset="https://revistapesquisa.fapesp.br/wp-content/uploads/2026/05/RPF-cabelo-danificado-microscopia-2026-06-1140.jpg 1140w, https://revistapesquisa.fapesp.br/wp-content/uploads/2026/05/RPF-cabelo-danificado-microscopia-2026-06-1140-250x162.jpg 250w, https://revistapesquisa.fapesp.br/wp-content/uploads/2026/05/RPF-cabelo-danificado-microscopia-2026-06-1140-700x453.jpg 700w, https://revistapesquisa.fapesp.br/wp-content/uploads/2026/05/RPF-cabelo-danificado-microscopia-2026-06-1140-120x78.jpg 120w" sizes="auto, (max-width: 1140px) 100vw, 1140px" /><p class="wp-caption-text"><span class="media-credits-inline">Machado, R. <em>et al</em>. <strong>Journal of the Mechanical Behavior of Biomedical Materials</strong>. 2026</span>Imagem de microscopia eletrônica de varredura da raiz de fio de cabelo humano em quatro diferentes condições: natural e preservado (A); natural, com poucos sinais de alterações (B); descolorido, com alguma deterioração (C); e descolorido, envelhecido e com danos químicos (D)<span class="media-credits">Machado, R. <em>et al</em>. <strong>Journal of the Mechanical Behavior of Biomedical Materials</strong>. 2026</span></p></div>
<p>As mechas analisadas por Machado foram preparadas pela equipe do farmacêutico Flávio Camargo Júnior, gerente de terapia capilar e testes clínicos da Chemyunion, uma indústria química brasileira que vende, no país e no exterior, ingredientes para produtos cosméticos, farmacêuticos e de outros setores. Desde 2016, o Laboratório de Filmes Finos do Instituto de Física da USP, coordenado por Salvadori, presta serviços de microscopia à Chemyunion, que financiou o estudo. A colaboração rendeu sua primeira pesquisa científica em 2021, quando a física Raissa de Oblitas defendeu seu doutorado, orientado por Salvadori, mostrando que uma das fórmulas da empresa foi capaz de penetrar na cutícula e melhorar a resistência dos fios. Durante o processo, Oblitas criou um método mais preciso que o convencional para calcular o chamado módulo elástico, que mede o quão rígido é um material, a partir de imagens de microscopia de força atômica.</p>
<p>Assim como a agulha de uma vitrola extrai música ao subir e descer sobre os pequenos sulcos de um disco de vinil, a ponta nanométrica de um microscópio de força atômica pode se aproximar e se afastar de uma superfície milhares de vezes por segundo, registrando forças de atração e repulsão entre os átomos. “A cada ciclo de aproximação e retração medimos cinco grandezas: topografia da superfície, módulo elástico, deformação, adesão e energia dissipada”, explica Machado. “A adesão, a capacidade de grudar mais ou menos, é a propriedade mais sensível às interações intermoleculares e à composição química superficial.”</p>
<p>Os mapas de adesão revelaram que a descoloração elimina a variedade natural de moléculas da queratina, deixando no lugar uma superfície mais homogênea, dominada pelos sulfonatos e até cinco vezes mais adesiva nas pontas dos fios. Machado validou a composição química inferida pela adesão utilizando um microscópio eletrônico de varredura.</p>
<p>O estudo foi o primeiro a usar uma técnica de análise de dados conhecida como densidade espectral de potência para medir a rugosidade da superfície dos fios. “Foi difícil encontrar um revisor adequado para o artigo, porque não se utiliza normalmente essa ferramenta analítica para estudar fibras capilares”, lembra Salvadori.</p>
<p>A técnica traduz a informação espacial das imagens em gráficos de distribuição de frequências, analisando como a rugosidade está distribuída na superfície dos fios. Os gráficos mostraram que, em fios virgens, predominam frequências mais baixas, dado que indica a presença de feições de relevo maiores, como as bordas das escamas. Por outro lado, em fios descoloridos e irradiados se destacam frequências mais altas, apontando variações no relevo em escala menor, criadas pelos poros e fissuras que tornam a superfície mais áspera, propensa a reter água.</p>
<p>“Os resultados são muito interessantes”, comenta a cientista de materiais Valéria Longo, fundadora e diretora de ciência e inovação da startup Katléia Lab, que não participou do estudo. Criada em São Carlos (SP), a Katléia desenvolve, por meio de um projeto financiado pela FAPESP na modalidade Pesquisa Inovativa em Pequenas Empresas (Pipe), um diagnóstico capilar personalizado. Segundo Longo, analisar a cutícula, a estrutura mais externa dos fios, é importante para entender a interação do cabelo com os cosméticos. Para um diagnóstico ainda mais aprofundado da saúde dos fios, a pesquisadora diz ser necessário um estudo de todo o córtex capilar.</p>
<p class="bibliografia">A reportagem acima foi publicada com o título “<strong>Histórias de um fio de cabelo</strong>” na edição impressa nº 364 de junho de 2026.</p>
<p class="bibliografia"><strong>Artigo científico</strong><br />
MACHADO, R.C.L. <em>et al</em>. <a href="https://www.sciencedirect.com/science/article/pii/S1751616126000470" target="_blank" rel="noopener">Unveiling the link between surface physicochemistry and nanomechanical behavior in bleached and UV-irradiated human hair fibers</a>. <strong>Journal of the Mechanical Behavior of Biomedical Materials</strong>. 6 mar. 2026.</p>
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			</item>
		<item>
		<title>Taxar ultraprocessados pode reduzir doenças crônicas e mortes associadas ao excesso de peso</title>
		<link>https://revistapesquisa.fapesp.br/taxar-ultraprocessados-pode-reduzir-doencas-cronicas-e-mortes-associadas-ao-excesso-de-peso/?utm_source=rss&#038;utm_medium=rss&#038;utm_campaign=taxar-ultraprocessados-pode-reduzir-doencas-cronicas-e-mortes-associadas-ao-excesso-de-peso</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Giselle Soares]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 01 Jun 2026 14:14:46 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Ciência]]></category>
		<category><![CDATA[Economia]]></category>
		<category><![CDATA[Epidemiologia]]></category>
		<category><![CDATA[Saúde Pública]]></category>
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					<description><![CDATA[Tributos podem evitar quase 1,8 milhão de adoecimentos e 237 mil óbitos até 2044]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>Mantido no ritmo atual, o ganho de peso da população adulta brasileira deve levar ao surgimento de 10 milhões de novos casos de 11 doenças crônicas evitáveis entre 2024 e 2044. São enfermidades comuns e bem conhecidas, como diabetes, hipertensão, doenças cardiovasculares e alguns tipos de câncer, que se instalam mais facilmente e com maior frequência quando a massa corporal do indivíduo permanece superior à saudável por alguns anos. Nessas duas décadas, estima-se que a proporção de adultos com sobrepeso – índice de massa corporal (IMC) entre 25 e 29 – no país passe dos 57% atuais para 75% e ocorra pouco mais de 1 milhão de mortes em decorrência desses problemas.</p>
<p>Diante desse cenário, o epidemiologista Leandro Rezende e sua equipe na Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) decidiram simular o impacto que a imposição de taxas a alimentos pouco saudáveis poderia gerar na saúde da população. Eles escolheram trabalhar com os chamados ultraprocessados, categoria genérica de alimentos industrializados aos quais são adicionados altos teores de açúcar, gordura, sal ou compostos químicos com a finalidade de aumentar sua durabilidade ou palatabilidade (<a href="https://revistapesquisa.fapesp.br/alguns-efeitos-dos-alimentos-fabricados/" target="_blank" rel="noopener"><em>ver</em> Pesquisa FAPESP <em>nº 265</em></a>). O consumo desses alimentos cresceu no país – a proporção de calorias obtidas de ultraprocessados subiu de 16% em 2003 para 20% em 2018 –, embora permaneça bem abaixo do de nações como os Estados Unidos, onde ultrapassa os 50% das calorias ingeridas diariamente.</p>
<p>Cobrar mais pelos ultraprocessados gera um efeito relevante, que aumenta com o incremento da taxação. Impor uma taxa de 10% sobre o valor desses alimentos pode, nesses 20 anos, restringir a 67% o total de adultos com sobrepeso em 2044, evitando quase 526 mil casos novos das doenças associadas ao sobrepeso e 71 mil mortes. Com 20% de aumento, a parcela de brasileiros com sobrepeso cairia um pouco mais, para 63%. Seriam evitados 861 mil casos de doenças crônicas e 115 mil óbitos. Já se a taxação chegasse a 50% do valor dos alimentos, a frequência de sobrepeso na população baixaria para 50% em 2044, prevenindo 1,8 milhão de adoecimentos e 237 mil mortes (<em>ver tabela abaixo</em>) Os resultados foram publicados em abril no periódico<a href="https://www.ajpmonline.org/article/S0749-3797(25)00677-4/abstract" target="_blank" rel="noopener"><em> American Journal of Preventive Medicine</em></a>.</p>
</div><div class='overflow-responsive-img' style='text-align:center'><picture data-tablet="/wp-content/uploads/2026/05/RPF-taxacaoultraprocessados-2026-06-info-1140.png" data-tablet_size="1140x280" alt="Efeito progressivo: Quanto maior o tributo cobrado, maior o número de casos de 11 doenças crônicas e de óbitos evitados">
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  </picture><span class="embed media-credits-inline">Alexandre Affonso / Revista Pesquisa FAPESP</span></div><div class="post-content sequence">
<p>“Nosso estudo avança em relação a trabalhos anteriores ao estimar o potencial impacto da tributação do conjunto dos alimentos ultraprocessados, e não de itens isolados, como as bebidas açucaradas”, conta Rezende, coordenador do estudo e do <a href="https://cronicas.unifesp.br/" target="_blank" rel="noopener">Núcleo de Pesquisa em Epidemiologia de Doenças Crônicas</a> da Unifesp. “A maior parte das políticas e dos estudos se concentra em produtos específicos, mas o efeito da alimentação sobre a saúde depende do padrão alimentar geral. Por isso, ações voltadas ao conjunto dos ultraprocessados tendem a ter um potencial maior de impacto na redução do excesso de peso e das doenças crônicas”, explica.</p>
<p>Só a taxação de ultraprocessados, no entanto, pode não resolver o problema e até reduzir o poder de compra. Em um estudo divulgado em março, o economista Valter Palmieri Júnior, da organização não governamental ACT Promoção da Saúde, que defende políticas de saúde pública como a alimentação saudável, analisou o comportamento e a composição da inflação de alimentos no Brasil nas últimas quatro décadas. A conclusão é que o aumento do preço dos alimentos no país é um fenômeno estrutural e sistêmico, e não ocasional, relacionado a problemas conjunturais.</p>
<p>“Nas últimas duas décadas, a inflação de alimentos manteve-se consistentemente acima da inflação geral. Esse aumento, porém, não ocorre de forma homogênea entre os diferentes tipos de alimentos”, escreve Palmieri no documento. “Produtos<em> in natura</em> ou minimamente processados têm registrado elevações de preço mais intensas do que os ultraprocessados. Esse padrão é preocupante, pois o consumo de ultraprocessados está associado ao aumento de doenças crônicas.” De acordo com o trabalho, entre 2006 e 2026, o poder de compra para frutas, por exemplo, caiu cerca de 31%. “Esse movimento altera os incentivos econômicos de consumo e tende a piorar a qualidade da dieta”, afirmou o economista em <a href="https://abori.com.br/economia/estudo-explica-por-que-inflacao-de-alimentos-e-fenomeno-estrutural-no-brasil/" target="_blank" rel="noopener">comunicado à imprensa</a> divulgado pela <em>Agência de Notícias Bori.</em></p>
<div id="attachment_585214" style="max-width: 1150px" class="wp-caption aligncenter"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-585214 size-full" src="https://revistapesquisa.fapesp.br/wp-content/uploads/2026/05/RPF-ultraprocessados-pepino-2026-06-1140.jpg" alt="" width="1140" height="680" srcset="https://revistapesquisa.fapesp.br/wp-content/uploads/2026/05/RPF-ultraprocessados-pepino-2026-06-1140.jpg 1140w, https://revistapesquisa.fapesp.br/wp-content/uploads/2026/05/RPF-ultraprocessados-pepino-2026-06-1140-250x149.jpg 250w, https://revistapesquisa.fapesp.br/wp-content/uploads/2026/05/RPF-ultraprocessados-pepino-2026-06-1140-700x418.jpg 700w, https://revistapesquisa.fapesp.br/wp-content/uploads/2026/05/RPF-ultraprocessados-pepino-2026-06-1140-120x72.jpg 120w" sizes="auto, (max-width: 1140px) 100vw, 1140px" /><p class="wp-caption-text"><span class="media-credits-inline">Léo Ramos Chaves / Revista Pesquisa FAPESP</span>No Brasil, produtos <em>in natura</em> ou minimamente processados têm registrado elevações de preço mais intensas do que os ultraprocessados<span class="media-credits">Léo Ramos Chaves / Revista Pesquisa FAPESP</span></p></div>
<p>“Os efeitos da taxação de alimentos sobre o sobrepeso e a ocorrência de doenças crônicas são plausíveis, mas tendem a ser maiores quando combinados com outras políticas públicas, como a regulação da publicidade, a educação alimentar e a criação de ambientes que favoreçam a escolha de alimentos mais saudáveis”, afirma a epidemiologista Eurídice Martínez Steele, do Núcleo de Pesquisas Epidemiológicas em Nutrição e Saúde da Universidade de São Paulo (Nupens-USP), que não participou do estudo publicado no <em>American Journal of Preventive Medicine</em>. “A resposta ao aumento de preços não é fixa e depende das condições sociais e do ambiente alimentar. Sem políticas complementares, como subsídios a alimentos <em>in natura</em>, a taxação pode ter efeito limitado ou até gerar resultados indesejados, caso não existam substitutos saudáveis acessíveis”, pondera a pesquisadora.</p>
<p>A avaliação de Steele é compartilhada por Helen Hermana Hermsdorff, nutricionista e professora do Departamento de Nutrição e Saúde da Universidade Federal de Viçosa (UFV), que também não participou do trabalho da equipe da Unifesp. “A taxação pode ajudar no enfrentamento das doenças crônicas, mas não resolve o problema sozinha. O sobrepeso e a obesidade envolvem fatores biológicos, sociais e econômicos, o que exige um conjunto mais amplo de políticas públicas. É importante retirar do indivíduo a responsabilidade exclusiva pelo enfrentamento da obesidade e reconhecer que as escolhas alimentares dependem de políticas públicas que tornem as opções saudáveis mais acessíveis”, afirma.</p>
<p>No Brasil, a reforma tributária aprovada em 2023 criou o chamado imposto seletivo, que entra em vigor a partir de janeiro próximo e deve taxar apenas uma parte dos ultraprocessados: as bebidas açucaradas, que incluem refrigerantes, sucos industrializados e chás prontos com açúcar.</p>
<p class="bibliografia">A reportagem acima foi publicada com o título “<strong>O impacto de taxar os ultraprocessados</strong>” na edição impressa nº 364 de junho de 2026.</p>
<p class="bibliografia"><strong>Artigo científico</strong><br />
CAMARGO, J. M. <em>et al.</em> <a href="https://doi.org/10.1016/j.amepre.2025.108209" target="_blank" rel="noopener">Effect of ultraprocessed foods taxation on overweight prevalence and noncommunicable diseases in Brazil</a>. <strong>American Journal of Preventive Medicine</strong>. abr. 2026.</p>
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			</item>
		<item>
		<title>Neurônios ligados à expiração forçada também controlam a pressão arterial</title>
		<link>https://revistapesquisa.fapesp.br/neuronios-ligados-a-expiracao-forcada-tambem-controlam-a-pressao-arterial/?utm_source=rss&#038;utm_medium=rss&#038;utm_campaign=neuronios-ligados-a-expiracao-forcada-tambem-controlam-a-pressao-arterial</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Mariana Ceci]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 01 Jun 2026 14:14:12 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Ciência]]></category>
		<category><![CDATA[Fisiologia]]></category>
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					<description><![CDATA[Experimentados de maneira crônica, episódios intermitentes de queda de oxigenação, típicos da apneia do sono, tornam essas células hiperativas e podem levar à hipertensão]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>Uma conexão intrincada e profunda entre a respiração e a hipertensão arterial começa agora a ser mais bem compreendida graças ao trabalho de pesquisadores brasileiros. Em estudos com ratos, a equipe coordenada pelo fisiologista Davi Moraes, do Instituto de Ciências Biomédicas da Universidade de São Paulo (ICB-USP), verificou que uma região cerebral diminuta responsável pela expiração ativa ou forçada, aquela que exige a contração dos músculos do abdômen para eliminar com mais eficiência dos pulmões o ar rico em gás carbônico (CO<sub>2</sub>), também influencia o controle da pressão sanguínea. Essa região é chamada de parafacial lateral (pFL), um pequeno conjunto de células – nos roedores, elas somam um pouco mais de 100 – localizado na parte anterior do bulbo, estrutura que lembra um cone de sorvete sem a metade inferior e conecta o cérebro à medula espinhal.</p>
<p>Há tempos se sabe que os neurônios desse núcleo, quando ativados, mobilizam a musculatura do abdômen na expiração ativa, ajudando o corpo a expulsar com mais intensidade o ar dos pulmões. Na expiração normal, o ar sai dos pulmões sem esforço, em consequência da elasticidade das estruturas do sistema respiratório, que tendem a voltar ao estado inicial após se expandir. Agora, usando técnicas que permitem mapear as conexões e medir a atividade dos neurônios da região pFL, os pesquisadores constataram que uma parte deles se comunica com neurônios de outras duas regiões próximas – uma em posição ligeiramente mais interna, no bulbo ventrolateral rostral (RVLM), e outra situada a centímetros acima, em uma estrutura chamada ponte – responsáveis por disparar os comandos nervosos que fazem as artérias se contraírem e a pressão sanguínea aumentar (<em>ver infográfico abaixo</em>).</p>
</div><div class='overflow-responsive-img' style='text-align:center'><picture data-tablet="/wp-content/uploads/2026/05/RPF-hipertensao-2026-06-info-1140.png" data-tablet_size="1140x720" alt="Uma forma de controle da pressão: Neurônios do bulbo que ativam os músculos abdominais na expiração forçada também controlam a contração das artérias">
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  </picture><span class="embed media-credits-inline">Alexandre Affonso / Revista Pesquisa Fapesp</span></div><div class="post-content sequence">
<p>“Mostramos agora que os neurônios da região parafacial lateral têm uma função dupla. Eles ativam os músculos que levam à expiração forçada ao mesmo tempo que ativam áreas no bulbo e na ponte responsáveis pela contração da musculatura das artérias”, conta Moraes.</p>
<p>Apresentados em um artigo publicado na edição de janeiro na revista <a href="https://www.ahajournals.org/doi/10.1161/CIRCRESAHA.125.326674?url_ver=Z39.88-2003&amp;rfr_id=ori:rid:crossref.org&amp;rfr_dat=cr_pub%20%200pubmed" target="_blank" rel="noopener"><em>Circulation Research</em></a>, os achados, segundo os pesquisadores, ajudam a entender como a apneia obstrutiva do sono, marcada por interrupções momentâneas na respiração enquanto se dorme, contribui para o surgimento da hipertensão arterial. Também abrem o caminho para a busca de estratégias para controlar a pressão arterial diferentes das atuais. As medicações disponíveis hoje atuam de três formas – reduzem a força ou a frequência dos batimentos cardíacos, ajudam a diminuir o volume de sangue ou relaxam os vasos sanguíneos. Esses anti-hipertensivos, no entanto, não funcionam para cerca de 40% das pessoas com pressão arterial elevada, problema que afeta um em cada três brasileiros adultos e aumenta o risco de acidente vascular cerebral e de doenças cardíacas.</p>
<p>No trabalho da <em>Circulation Research</em>, feito em parceria com a equipe do fisiologista Benedito Honorio Machado, da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto (FMRP) da USP, os pesquisadores usaram um modelo que simula a apneia do sono humano para induzir a hipertensão em ratos. Durante cerca de oito horas por dia, os animais eram expostos de tempos em tempos a uma atmosfera com baixa concentração (6%) de oxigênio (O₂) – no ar, ela é de 21%.</p>
<p>A redução na disponibilidade de O₂ imita o que ocorre na apneia durante o sono, quando interrupções momentâneas e recorrentes na respiração impedem a chegada de ar aos pulmões. Como resultado, os batimentos cardíacos aumentam e os vasos sanguíneos se contraem, fazendo o sangue circular mais intensamente pelos tecidos na tentativa de compensar a redução na disponibilidade de O₂, gás essencial para o funcionamento das células.</p>
<p>Em situações normais, os pulmões, o coração e os vasos sanguíneos atuam de forma coordenada levando níveis adequados de O₂ aos diferentes tecidos e retirando deles o CO<sub>2</sub> gerado pelas células ao desempenhar suas diferentes funções. Essa coordenação é regida por um pequeno sensor químico: o corpúsculo carotídeo, uma estrutura do tamanho de um grão de amendoim situada no pescoço, ao lado da carótida, a artéria que irriga o cérebro. Reduções no nível de O₂ ou aumentos na concentração de CO<sub>2</sub> no sangue ativam neurônios do corpúsculo que se conectam diretamente com o bulbo, onde estão os centros de controle involuntário (automático) da respiração, dos batimentos cardíacos e da contração dos vasos sanguíneos.</p>
<p>No início dos anos 1970, o fisiologista brasileiro Pedro Guertzenstein (1938-1994), trabalhando com o fisiologista de origem alemã Wilhelm Feldberg (1900-1993), havia observado que a atividade do RVLM era fundamental para regular a pressão arterial. Não havia, no entanto, clareza de como os sinais do corpúsculo carotídeo chegavam até o RVLM nas situações em que o O₂ baixava.</p>
<p>Moraes e colaboradores suspeitavam que a região pFL pudesse funcionar como um intermediador dos sinais. É que seus neurônios se encontram em repouso durante a respiração normal, mas são acionados na expiração ativa, justamente a fase da respiração em que o RVLM envia os sinais nervosos que ajustam a contração dos vasos sanguíneos.</p>
<p>A fim de descobrir o papel desse núcleo, os pesquisadores realizaram uma série de experimentos com ratos ao longo de quase sete anos. Em um deles, usaram um vírus inofensivo aos animais para inserir nos neurônios da região pFL o gene codificando uma proteína que os tornava sensíveis à luz. Depois, usando um laser, os pesquisadores ativavam esses neurônios por alguns instantes, simulando o que ocorre quando os níveis de O₂ caem e os de CO<sub>2</sub> aumentam momentaneamente ao se prender a respiração por alguns instantes ou realizar atividade física intensa a ponto de tirar o fôlego. Ao despertar os neurônios da região pFL com a luz, os pesquisadores observaram a mobilização dos músculos abdominais acionados na expiração ativa ao mesmo tempo que detectaram um aumento da atividade dos neurônios do RVLM e da ponte responsáveis pela contração dos vasos sanguíneos. Como resultado, a pressão arterial dos animais aumentou. Ela voltou a baixar quando os neurônios da região pFL eram silenciados.</p>
<p>A seguir, os pesquisadores decidiram investigar o que aconteceria com o organismo se os neurônios da região pFL fossem recrutados repetidamente. “Queríamos saber se essa interação que normalmente é fisiológica, em certas condições, poderia se tornar prejudicial e contribuir para o surgimento da hipertensão”, lembra a fisiologista Karolyne Magalhães, primeira autora do artigo na <em>Circulation Research</em>, que realizou os experimentos durante o doutorado feito sob a orientação de Moraes – hoje ela faz pós-doutorado na Universidade de Alberta, no Canadá.</p>
<p>Para isso, usaram um modelo de ativação mais duradoura dos neurônios da região pFL. Novamente com o auxílio dos vírus, eles modificaram essas células para que apresentassem em sua superfície uma proteína (receptor) que funcionava como um botão de liga e desliga. Ao se conectar a esse receptor, a molécula de clozapina, um medicamento usado para tratar esquizofrenia, mantinha os neurônios da região pFL em atividade por horas, e não mais por alguns instantes. Desse modo, conseguiram simular o que deve ocorrer na região pFL na apneia do sono.</p>
<p>A ativação prolongada aumentou a expiração forçada e elevou a pressão arterial, sem alterar de forma relevante a frequência cardíaca. Esse resultado reforçou a ideia de que os neurônios da região pFL não apenas participam da expiração ativa, mas também acionam os circuitos do bulbo e da ponte que causam vasoconstrição e fazem a pressão arterial subir. “Quem sofre de apneia do sono experimenta de forma crônica, ao longo de 7 ou 8 horas por dia, episódios intermitentes de baixa concentração de O₂ no sangue e a consequente ativação dos neurônios do pFL”, explica Moraes. “O resultado é que esses neurônios se tornam ativos de modo duradouro, como se entendessem que o indivíduo vive em situação de hipóxia [baixa oxigenação] permanente.”</p>
<div id="attachment_585252" style="max-width: 810px" class="wp-caption alignright vertical"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-585252 size-full" src="https://revistapesquisa.fapesp.br/wp-content/uploads/2026/05/RPF-hipertensao-rato-2026-06-800.jpg" alt="" width="800" height="729" srcset="https://revistapesquisa.fapesp.br/wp-content/uploads/2026/05/RPF-hipertensao-rato-2026-06-800.jpg 800w, https://revistapesquisa.fapesp.br/wp-content/uploads/2026/05/RPF-hipertensao-rato-2026-06-800-250x228.jpg 250w, https://revistapesquisa.fapesp.br/wp-content/uploads/2026/05/RPF-hipertensao-rato-2026-06-800-700x638.jpg 700w, https://revistapesquisa.fapesp.br/wp-content/uploads/2026/05/RPF-hipertensao-rato-2026-06-800-120x109.jpg 120w" sizes="auto, (max-width: 800px) 100vw, 800px" /><p class="wp-caption-text"><span class="media-credits-inline">Davi Moraes / ICB-USP</span>A imagem de microscopia do bulbo de um rato mostra, em verde, os neurônios da área parafacial lateral, que controlam a respiração ativa e os níveis da pressão arterial<span class="media-credits">Davi Moraes / ICB-USP</span></p></div>
<p>Na etapa seguinte, fez-se o caminho inverso: em ratos com hipertensão induzida por hipóxia intermitente e crônica, os pesquisadores alteraram os neurônios da região pFL para que se tornassem inativos na presença de clozapina. A ideia era verificar se a inibição desses neurônios diminuiria a atividade do RVLM e da ponte, fazendo baixar a pressão arterial.</p>
<p>Funcionou. A inibição sustentada da região pFL reduziu a expiração ativa e normalizou a pressão arterial nos animais hipertensos. Nos ratos sem hipertensão, que integravam o grupo de controle do estudo, não houve mudança. Esse resultado sugere que o circuito fica especialmente ativo apenas na hipertensão.</p>
<p>“As células caracterizadas pela equipe da USP parecem funcionar como intermediários e transmitir os comandos que recebem do sensor químico de gases do sangue para os circuitos que controlam a contração dos vasos sanguíneos”, comenta o fisiologista Sergio Cravo, da Escola Paulista de Medicina da Universidade Federal de São Paulo (EPM-Unifesp), que não participou do artigo. “É um elemento neural novo, diferente de alguns mecanismos sensíveis ao gás carbônico que já conhecíamos”, completa.</p>
<p>O achado abre caminho para que se busquem novas estratégias farmacológicas para combater a hipertensão. Antes, porém, são necessários mais estudos. “Essa é uma pesquisa básica com características translacionais. É possível que, futuramente, se consiga usar o que se observou nos experimentos com animais para tratar pessoas com hipertensão”, conta o fisiologista Ruy Ribeiro de Campos, também da EPM-Unifesp, que foi orientado por Guertzenstein no doutorado. “Antes disso, no entanto, será necessário conhecer melhor as características das células da região estudada pelos autores e testar o seu papel em outros modelos de hipertensão”, conclui.</p>
<p class="bibliografia">A reportagem acima foi publicada com o título “<strong>Uma conexão entre a respiração e a hipertensão</strong>” na edição impressa nº 364 de junho de 2026.</p>
<p class="bibliografia"><strong>Projetos<br />
1.</strong> Papel dos receptores purinérgicos do corpúsculo carotídeo na insuficiência cardíaca (<a href="https://bv.fapesp.br/pt/auxilios/109276/papel-dos-receptores-purinergicos-do-corpusculo-carotideo-na-insuficiencia-cardiaca/?q=21/06886-7" target="_blank" rel="noopener">nº 21/06886-7</a>); Modalidade Jovem Pesquisador; Pesquisador responsável Davi José de Almeida Moraes (ICB-USP); Investimento R$ 1.456.721,34.<br />
<strong>2.</strong> Contribuição do grupo respiratório parafacial nas respostas inspiratórias, expiratórias e cardiovasculares de ratos à estimulação de fibras aferentes musculares (<a href="https://bv.fapesp.br/pt/bolsas/194811/contribuicao-do-grupo-respiratorio-parafacial-nas-respostas-inspiratorias-expiratorias-e-cardiovascu/?q=19/24060-9" target="_blank" rel="noopener">nº 19/24060-9</a>); <strong>Modalidade</strong> Bolsa de Doutorado; <strong>Pesquisador</strong> <strong>responsável</strong> Davi José de Almeida Moraes (ICB-USP); <strong>Bolsista</strong> Karolyne Silva Magalhães; <strong>Investimento</strong> R$ 318.087,68.<br />
<strong>3.</strong> Modulação astrocítica dos neurônios bulbares envolvidos com a geração e controle das atividades simpática e respiratória de roedores submetidos à hipóxia (<a href="https://bv.fapesp.br/pt/auxilios/104956/modulacao-astrocitica-dos-neuronios-bulbares-envolvidos-com-a-geracao-e-controle-das-atividades-simp/?q=18/15957-2" target="_blank" rel="noopener">nº 18/15957-2</a>); <strong>Modalidade</strong> Projeto Temático; <strong>Pesquisador</strong> <strong>responsável</strong> Benedito Honorio Machado (FMRP-USP); <strong>Investimento</strong> R$ 6.385.117,10.<br />
<strong>4.</strong> Participação dos interneurônios somatostatinérgicos da região parafacial lateral na geração da expiração ativa de camundongos (<a href="https://bv.fapesp.br/pt/bolsas/210031/participacao-dos-interneuronios-somatostatinergicos-da-regiao-parafacial-lateral-na-geracao-da-expir/?q=23/02560-5" target="_blank" rel="noopener">nº 23/02560-5</a>); <strong>Modalidade</strong> Bolsa de Doutorado; <strong>Pesquisador</strong> <strong>responsável</strong> Davi José de Almeida Moraes (ICB-USP); <strong>Bolsista</strong> Nathalia Salim; Investimento R$ 414.736,03.<br />
<strong>5.</strong> Modulação autonômica (simpática e parassimpática) das respostas inflamatórias e cardiocirculatórias em situações fisiopatológicas clínicas e experimentais (<a href="https://bv.fapesp.br/pt/auxilios/108166/modulacao-autonomica-simpatica-e-parassimpatica-das-respostas-inflamatorias-e-cardiocirculatorias-em/?q=20/06043-7" target="_blank" rel="noopener">nº 20/06043-7</a>); <strong>Modalidade</strong> Projeto Temático; <strong>Pesquisador</strong> <strong>responsável</strong> Helio Cesar Salgado (FMRP-USP); <strong>Investimento</strong> R$ 3.862.832,74.</p>
<p class="bibliografia"><strong>Artigo científico<br />
</strong>MAGALHÃES, K. S. <em>et al.</em> <a href="https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/41404666/" target="_blank" rel="noopener">Lateral parafacial neurons evoked expiratory oscillations driving neurogenic hypertension</a>. <strong>Circulation Research</strong>. 6 de jan. de 2026.</p>
]]></content:encoded>
					
		
		
			</item>
		<item>
		<title>Levantamentos de organismos bioluminescentes geram propostas turísticas</title>
		<link>https://revistapesquisa.fapesp.br/levantamentos-de-organismos-bioluminescentes-geram-propostas-turisticas/?utm_source=rss&#038;utm_medium=rss&#038;utm_campaign=levantamentos-de-organismos-bioluminescentes-geram-propostas-turisticas</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Igor Zolnerkevic]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 01 Jun 2026 14:11:55 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Ciência]]></category>
		<category><![CDATA[Biodiversidade]]></category>
		<category><![CDATA[Biologia]]></category>
		<category><![CDATA[Química]]></category>
		<category><![CDATA[Zoologia]]></category>
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					<description><![CDATA[Vagalumes e outros seres luminosos podem gerar renda, de forma controlada, para reservas ecológicas]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>Desde 2007, o biólogo Danilo Trabuco do Amaral participa de expedições noturnas em regiões de mata fechada do estado de São Paulo e de outros locais do país procurando por espécies de vagalumes. Um dos lugares que mais impressionaram o pesquisador da Universidade Federal do ABC (UFABC) foi a Estação Ecológica de Jureia-Itatins (EEJI), um dos trechos mais bem preservados de Mata Atlântica, com 844 quilômetros quadrados (km²) de extensão, em Peruíbe, no litoral sul paulista. Ali, Amaral chegou a avistar em uma única noite até 15 vagalumes por metro de trilha. “Eles trombam e pousam em você, de tantos que são”, ele conta.</p>
<p>Em um levantamento inédito na região, Amaral e sua equipe encontraram 23 espécies de vagalumes, quatro de fungos e uma de microrganismo marinho que brilham no escuro – um espetáculo com potencial de aliar turismo à conservação da natureza. Em um artigo publicado em fevereiro na revista <em>Journal for Nature Conservation</em>, eles discutiram os possíveis benefícios de fomentar o ecoturismo de bioluminescência na EEJI e em outras reservas de Mata Atlântica.</p>
<p>A inspiração veio de experiências bem-sucedidas no exterior. No Japão, os vagalumes são celebrados em festivais tradicionais de verão conhecidos como <em>hotaru matsuri, </em>e seu hábitat natural – matas próximas a cursos de água – é preservado, mesmo em áreas urbanas. Nos Estados Unidos, a partir dos anos 2000, o Parque Nacional das Grandes Montanhas Fumegantes, entre o Tennessee e a Carolina do Norte, começou a receber pequenos grupos de turistas para observar o fenômeno da sincronização, em que centenas a milhares de vagalumes <em>Photinus carolinus</em> piscam de maneira coordenada.</p>
<div id="attachment_585303" style="max-width: 810px" class="wp-caption alignright"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-585303 size-full" src="https://revistapesquisa.fapesp.br/wp-content/uploads/2026/05/RPF-bioluminescencia-roxo-2026-06-800.jpg" alt="" width="800" height="868" srcset="https://revistapesquisa.fapesp.br/wp-content/uploads/2026/05/RPF-bioluminescencia-roxo-2026-06-800.jpg 800w, https://revistapesquisa.fapesp.br/wp-content/uploads/2026/05/RPF-bioluminescencia-roxo-2026-06-800-250x271.jpg 250w, https://revistapesquisa.fapesp.br/wp-content/uploads/2026/05/RPF-bioluminescencia-roxo-2026-06-800-700x760.jpg 700w, https://revistapesquisa.fapesp.br/wp-content/uploads/2026/05/RPF-bioluminescencia-roxo-2026-06-800-120x130.jpg 120w" sizes="auto, (max-width: 800px) 100vw, 800px" /><p class="wp-caption-text"><span class="media-credits-inline">Cassius Stevani / USP</span>Em expedições noturnas, por vezes aparecem espécies fluorescentes não identificadas, como esse fungo em tronco de árvore<span class="media-credits">Cassius Stevani / USP</span></p></div>
<p>Nos últimos 10 anos, um conjunto de santuários para vagalumes nas vilas de Nanacamilpa e Ameacameca, a cerca de 100 quilômetros da Cidade do México, tem atraído mais de 100 mil visitantes todo ano à procura da abundância de <em>Photinus palaciosi</em> e sua sincronização parcial, proporcionando renda às comunidades locais e conscientizando o público para a preservação da floresta. O mesmo ocorre na Malásia, em Kuala Selangor, onde enxames de <em>Pteroptyx tener</em> tomam os manguezais nas margens do rio Selangor, piscando em total sincronismo – uma estratégia de comunicação usada no contexto de atração de parceiras reprodutivas.</p>
<p>Apesar de ser o país com a maior diversidade de besouros bioluminescentes, abrigando cerca de 500 das aproximadamente 3 mil espécies conhecidas no mundo, o Brasil ainda explora pouco seu potencial turístico. O destino nacional mais famoso é o Parque Nacional das Emas, em Goiás, uma área plana de Cerrado onde as larvas do vagalume <em>Pyrearinus termitilluminans</em>, abrigadas em milhões de cupinzeiros que podem chegar a quase 2 metros de altura, emitem uma luz verde contínua nas noites de primavera. Passeios noturnos são oferecidos por algumas operadoras de turismo da região, atraindo alguns milhares de visitantes por ano.</p>
<p>Amaral fez iniciação científica e doutorado com o bioquímico Vadim Viviani, da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar), que há mais de 30 anos pesquisa insetos bioluminescentes em todo o país, em busca de novas espécies e do monitoramento de sua diversidade. Isso inclui a clonagem de luciferases – as enzimas responsáveis por induzir a reação química que gera o brilho dos vagalumes, para os quais é central na comunicação, e de outros seres luminosos (<a href="https://revistapesquisa.fapesp.br/verde-amarelo-ou-vermelho/" target="_blank" rel="noopener"><em>ver </em>Pesquisa FAPESP<em> nº 274</em></a>). A reação luminosa é muito utilizada em biotecnologia, no desenvolvimento de novos ensaios para indústria, ambiente e medicina. Mas a Jureia esteve fora do roteiro deles até o início de 2024, quando Amaral esteve lá pela primeira vez.</p>
<div id="attachment_585287" style="max-width: 1150px" class="wp-caption aligncenter"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-585287 size-full" src="https://revistapesquisa.fapesp.br/wp-content/uploads/2026/05/RPF-bioluminescencia-pessoas-2026-06-1140.jpg" alt="" width="1140" height="862" srcset="https://revistapesquisa.fapesp.br/wp-content/uploads/2026/05/RPF-bioluminescencia-pessoas-2026-06-1140.jpg 1140w, https://revistapesquisa.fapesp.br/wp-content/uploads/2026/05/RPF-bioluminescencia-pessoas-2026-06-1140-250x189.jpg 250w, https://revistapesquisa.fapesp.br/wp-content/uploads/2026/05/RPF-bioluminescencia-pessoas-2026-06-1140-700x529.jpg 700w, https://revistapesquisa.fapesp.br/wp-content/uploads/2026/05/RPF-bioluminescencia-pessoas-2026-06-1140-120x91.jpg 120w" sizes="auto, (max-width: 1140px) 100vw, 1140px" /><p class="wp-caption-text"><span class="media-credits-inline">Cassius Stevani / USP</span>Estudantes do curso de química ambiental do IQ-USP fazem observação em campo<span class="media-credits">Cassius Stevani / USP</span></p></div>
<p>Em 2022, o programa Biota-FAPESP, em parceria com a Secretaria de Meio Ambiente, Infraestrutura e Logística do estado de São Paulo e a Fundação Florestal, lançou uma chamada de propostas que contribuíssem com a conservação, a restauração e o uso sustentável da biodiversidade da EEJI. Um dos sete projetos aprovados foi o levantamento de organismos bioluminescentes da região. Extremamente sensíveis à poluição da água, do solo e ao excesso de luz artificial, a presença desses seres funciona como indicador de saúde de um ecossistema.</p>
<p>De janeiro de 2024 a janeiro de 2026, Amaral contou com a ajuda de sua colaboradora e esposa, a bióloga Isabel Bonatelli, da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), e três orientandos – o aluno de graduação Rodrigo Castro e os de mestrado João Roberto Machado e Lara Muniz – para realizar coletas mensais de dois a três dias de duração na EEJI. O grupo aguardava o pôr do sol para explorar os sete locais escolhidos para representar a diversidade de ambientes da estação, seguindo ao longo do rio Una do Prelado e cruzando desde florestas de encostas de montanha até a vegetação à beira da praia da Barra do Una. Os trabalhos se encerravam por volta das 22h30.</p>
<p>Caçar vagalumes exige o máximo possível de escuridão. O segredo para caminhar no escuro sem tropeçar é cobrir lanternas comuns com papel celofane vermelho. “A luz vermelha tem dois benefícios”, explica Amaral. “Ao acender e apagar uma luz branca no escuro, você não consegue enxergar mais nada por algum tempo, enquanto a luz vermelha não interfere tanto na sensibilidade dos olhos. Além disso, os vagalumes não enxergam bem a cor vermelha, então quase não se abalam.”</p>
<div id="attachment_585283" style="max-width: 810px" class="wp-caption alignright"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-585283 size-full" src="https://revistapesquisa.fapesp.br/wp-content/uploads/2026/05/RPF-bioluminescencia-inseto-vermelho-2026-06-800.jpg" alt="" width="800" height="901" srcset="https://revistapesquisa.fapesp.br/wp-content/uploads/2026/05/RPF-bioluminescencia-inseto-vermelho-2026-06-800.jpg 800w, https://revistapesquisa.fapesp.br/wp-content/uploads/2026/05/RPF-bioluminescencia-inseto-vermelho-2026-06-800-250x282.jpg 250w, https://revistapesquisa.fapesp.br/wp-content/uploads/2026/05/RPF-bioluminescencia-inseto-vermelho-2026-06-800-700x788.jpg 700w, https://revistapesquisa.fapesp.br/wp-content/uploads/2026/05/RPF-bioluminescencia-inseto-vermelho-2026-06-800-120x135.jpg 120w" sizes="auto, (max-width: 800px) 100vw, 800px" /><p class="wp-caption-text"><span class="media-credits-inline">Cassius Stevani / USP</span>Os besouros tec-tec se caracterizam pelas lanternas na cabeça<span class="media-credits">Cassius Stevani / USP</span></p></div>
<p>“Você acende um pouco a luz, vê o caminho e segue em silêncio e devagar, porque mesmo uma pisada forte pode afugentar algumas espécies, depois para e presta atenção”, ele relata. “Precisa olhar para cima, onde os vagalumes podem estar voando, mas também para o solo, onde vivem suas larvas bioluminescentes.”</p>
<p>A primeira espécie identificada pela equipe foi a inconfundível larva-trenzinho (<em>Phrixothrix hirtus</em>), o único ser bioluminescente terrestre capaz de emitir luz vermelha. A larva tem uma lanterna dessa cor na cabeça, que pode iluminar seu caminho em busca de presas, como o piolho-de-cobra, que também não enxerga muito bem o vermelho. Assim como todas as espécies de vagalume da família dos fengodídeos, a larva-trenzinho exibe uma sequência de luzes verdes do lado de cada segmento de seu corpo, que espantam predadores em potencial. A maioria das espécies de vagalume passa a maior parte da vida, entre um e dois anos, como larvas predadoras de outros invertebrados, até se transformarem em insetos alados, normalmente no verão, vivendo apenas o tempo de se reproduzir, o que ocorre em poucas semanas.</p>
<p>O levantamento na EEJI encontrou espécies das três principais famílias que ocorrem no Brasil: os fengodídeos, cujas fêmeas adultas permanecem como larvas e apenas os machos se transformam; os elaterídeos, ou besouros tec-tec, conhecidos por duas lanternas laterais verdes, amarelas ou laranja, que acendem quase continuamente; e os lampirídeos, os vagalumes de luz piscante verde, azul ou amarela, localizada geralmente na ponta do abdômen. Amaral está utilizando os dados coletados para revisar a filogenia, ou classificação das espécies, enquanto Bonatelli investiga se a variabilidade genética da população do lampirídeo <em>Photinus succensus</em> na EEJI é suficiente para garantir a sobrevivência da espécie.</p>
<div id="attachment_585275" style="max-width: 1150px" class="wp-caption aligncenter"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-585275 size-full" src="https://revistapesquisa.fapesp.br/wp-content/uploads/2026/05/RPF-bioluminescencia-escorpiao-2026-06-1140.jpg" alt="" width="1140" height="729" srcset="https://revistapesquisa.fapesp.br/wp-content/uploads/2026/05/RPF-bioluminescencia-escorpiao-2026-06-1140.jpg 1140w, https://revistapesquisa.fapesp.br/wp-content/uploads/2026/05/RPF-bioluminescencia-escorpiao-2026-06-1140-250x160.jpg 250w, https://revistapesquisa.fapesp.br/wp-content/uploads/2026/05/RPF-bioluminescencia-escorpiao-2026-06-1140-700x448.jpg 700w, https://revistapesquisa.fapesp.br/wp-content/uploads/2026/05/RPF-bioluminescencia-escorpiao-2026-06-1140-120x77.jpg 120w" sizes="auto, (max-width: 1140px) 100vw, 1140px" /><p class="wp-caption-text"><span class="media-credits-inline">Cassius Stevani / USP</span>Escorpiões frequentemente exibem fluorescência<span class="media-credits">Cassius Stevani / USP</span></p></div>
<p>Em troncos ou embaixo da serrapilheira do chão da floresta, se confundindo com as larvas de vagalumes, os pesquisadores encontraram também redes de filamentos bioluminescentes de fungos, talvez dos gêneros <em>Gerronema</em> e <em>Mycena</em>, de onde brotam cogumelos de brilho verde durante o verão. A luz noturna dos fungos atrai insetos que acabam carregando pequenas porções de seus filamentos para outras áreas, ajudando a dispersá-los pela floresta, <a href="https://revistapesquisa.fapesp.br/ritmo-biologico-controla-brilho-de-cogumelos/" target="_blank" rel="noopener">conforme mostraram experimentos</a> do grupo do químico Cassius Stevani, da Universidade de São Paulo (USP).</p>
<p>Além disso, em setembro e outubro de 2024 a equipe testemunhou um brilho azulado no mar da praia da Barra do Una, criado pelo dinoflagelado <em>Noctiluca scintillans</em>, um dos microrganismos que podem proliferar durante florações de microalgas e emitem luz quando a água se agita, seja pelas ondas ou pelos movimentos dos banhistas. Comum em outras partes do mundo como o Sudeste Asiático, o fenômeno, considerado mecanismo de defesa contra predadores, é observado ocasionalmente em algumas praias das regiões Sul e Sudeste do Brasil.</p>
<p>Amaral vem discutindo com Aruã Caetano, gestor da EEJI, como implementar o turismo de bioluminescência em pequena escala na estação. O acesso à reserva é normalmente restrito a atividades educacionais e de pesquisa, com algumas áreas liberadas a pequenos grupos de turistas autorizados. A ideia é promover passeios noturnos conduzidos por guias especialmente treinados, voltados para pequenos grupos instruídos por meio de palestras e material impresso. Novas trilhas precisariam ser feitas com passarelas e plataformas para reduzir o impacto do pisoteio que compacta o solo, prejudicando fungos e larvas. A atividade ofereceria uma fonte de renda extra à população caiçara que vive dentro ou próxima à estação, além de conscientizá-la a reduzir a poluição luminosa – as luzes externas acesas durante toda a noite em muitas casas da região afugentam os vagalumes, além dos morcegos e das corujas.</p>
<div id="attachment_585291" style="max-width: 810px" class="wp-caption alignright"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-585291 size-full" src="https://revistapesquisa.fapesp.br/wp-content/uploads/2026/05/RPF-bioluminescencia-planta-2026-06-800.jpg" alt="" width="800" height="933" srcset="https://revistapesquisa.fapesp.br/wp-content/uploads/2026/05/RPF-bioluminescencia-planta-2026-06-800.jpg 800w, https://revistapesquisa.fapesp.br/wp-content/uploads/2026/05/RPF-bioluminescencia-planta-2026-06-800-250x292.jpg 250w, https://revistapesquisa.fapesp.br/wp-content/uploads/2026/05/RPF-bioluminescencia-planta-2026-06-800-700x816.jpg 700w, https://revistapesquisa.fapesp.br/wp-content/uploads/2026/05/RPF-bioluminescencia-planta-2026-06-800-120x140.jpg 120w" sizes="auto, (max-width: 800px) 100vw, 800px" /><p class="wp-caption-text"><span class="media-credits-inline">Cassius Stevani / USP</span>Líquens luminosos no núcleo Santana, no Petar<span class="media-credits">Cassius Stevani / USP</span></p></div>
<p>O pesquisador defende que projetos semelhantes poderiam ser aplicados em outras áreas de Mata Atlântica com biodiversidade comparável, como o Parque Estadual Carlos Botelho, em São Miguel Arcanjo, no sudoeste paulista. Ali vive uma das poucas espécies conhecidas de vagalumes brasileiros capazes de atingir alto grau de sincronização, do gênero <em>Bicellonycha</em>. Amaral conta que o piscar coletivo desses insetos produz ondas sincronizadas, como a “ola” de uma torcida em um estádio. Outras espécies até tentam sincronizar, mas raramente conseguem. Na Jureia, sua equipe observou esse comportamento em apenas duas ocasiões.</p>
<p>“Concordo totalmente com o Danilo”, afirma Stevani, um dos responsáveis por elucidar o mecanismo de geração de luz em fungos bioluminescentes (<a href="https://revistapesquisa.fapesp.br/luzes-vivas/" target="_blank" rel="noopener"><em>ver </em>Pesquisa FAPESP <em>nº 168</em></a>), sobre o potencial turístico da luminosidade natural. Desde 2002, Stevani e seus colaboradores frequentam o núcleo Santana do Parque Estadual Turístico do Alto do Ribeira (Petar), em Iporanga, no sul paulista, onde descreveram 17 espécies desses fungos, um dos maiores números já registrados em uma mesma região. Em 2022, a agência de turismo Planeta Trilha venceu uma licitação do parque para oferecer o passeio “Luminescência no Petar”, com guias inicialmente treinados por Stevani.</p>
<p>A proposta da experiência turística é mostrar não apenas fungos bioluminescentes e algumas das cerca de 30 espécies de vagalumes da região, mas também outros fenômenos naturais. Efeitos conhecidos como fluorescência e fosforescência fazem com que alguns seres vivos e minerais brilhem quando iluminados por luz ultravioleta. Folhas podem emitir fluorescência vermelha; líquens, tons de azul, verde ou amarelo; escorpiões, ciano; e opiliões, azul. Rochas de calcita, encontradas na entrada das cavernas do parque, emitem um brilho verde. Também nas cavernas, o choque entre cristais de quartzo pode produzir breves flashes de luz amarela por outro efeito, a triboluminescência, decorrente da quebra dos cristais e recombinação das cargas elétricas geradas.</p>
<div id="attachment_585279" style="max-width: 1150px" class="wp-caption aligncenter"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-585279 size-full" src="https://revistapesquisa.fapesp.br/wp-content/uploads/2026/05/RPF-bioluminescencia-inseto-2026-06-1140.jpg" alt="" width="1140" height="702" srcset="https://revistapesquisa.fapesp.br/wp-content/uploads/2026/05/RPF-bioluminescencia-inseto-2026-06-1140.jpg 1140w, https://revistapesquisa.fapesp.br/wp-content/uploads/2026/05/RPF-bioluminescencia-inseto-2026-06-1140-250x154.jpg 250w, https://revistapesquisa.fapesp.br/wp-content/uploads/2026/05/RPF-bioluminescencia-inseto-2026-06-1140-700x431.jpg 700w, https://revistapesquisa.fapesp.br/wp-content/uploads/2026/05/RPF-bioluminescencia-inseto-2026-06-1140-120x74.jpg 120w" sizes="auto, (max-width: 1140px) 100vw, 1140px" /><p class="wp-caption-text"><span class="media-credits-inline">Cassius Stevani / USP</span>Opilíões, que são aracnídeos, também podem ser fluorescentes<span class="media-credits">Cassius Stevani / USP</span></p></div>
<p>“A experiência da floresta à noite é completamente diferente: os sons, os cheiros, todas as sensações”, descreve o químico Antônio Cardoso Neto, guia turístico da Planeta Trilha. Ele conta que o passeio se tornou uma das atividades principais da agência, tendo atendido cerca de mil pessoas ao longo dos últimos três anos, entre turmas de escolas e grupos de famílias e amigos. “Trabalho no Petar há quase 30 anos e uma das experiências que mais me marcou foi a vez em que uma senhora se agachou para ver de perto um grupo de cerca de 100 cogumelos de <em>Mycena lucentipes</em> crescendo em um tronco e chorou de emoção.”</p>
<p>“Essas operações turísticas não são apenas viáveis, mas desejáveis como ferramentas de desenvolvimento local”, considera o biólogo José Sabino, diretor da Plataforma Brasileira de Biodiversidade e Serviços Ecossistêmicos (BPBES), que pesquisa a relação entre ecoturismo e conservação no Pantanal. Ele nota que os requisitos para observar a bioluminescência – silêncio, controle rigoroso da iluminação e guias especializados – são os mesmos dos passeios de observação de aves noturnas, as chamadas corujadas. Para o pesquisador, as duas atividades poderiam ser facilmente combinadas, ampliando o potencial educativo e imersivo da experiência. “Transformar elementos pouco percebidos da biodiversidade em um ativo valorizado cria um incentivo concreto para a sua proteção.”</p>
<p class="bibliografia">Uma versão deste texto foi publicada na edição impressa <a href="https://revistapesquisa.fapesp.br/wp-content/uploads/2026/05/050-051_bioluminescencia_364.pdf" target="_blank" rel="noopener">representada no pdf</a>.</p>
<p class="bibliografia"><strong>Projeto</strong><br />
Levantamento de organismos bioluminescentes da Estação Ecológica de Jureia-Itatins: biodiversidade, evolução molecular e bioindicador ambiental (<a href="https://bv.fapesp.br/pt/auxilios/113442/levantamento-de-organismos-bioluminescentes-da-estacao-ecologica-de-jureia-itatins-biodiversidade-ev/?q=22/09910-9" target="_blank" rel="noopener">nº 22/09910-9</a>); <strong>Modalidade</strong> Auxílio à pesquisa – Regular; <strong>Programa</strong> Biota; <strong>Pesquisador responsável</strong> Danilo Trabuco do Amaral (UFABC); <strong>Investimento</strong> R$ 273.553,42.</p>
<p class="bibliografia"><strong>Artigo científico</strong><br />
AMARAL, D. T. <em>et al. </em><a href="https://doi.org/10.1016/j.jnc.2026.127247" target="_blank" rel="noopener">Bioluminescent diversity and ecotourism potential in the Juréia-Itatins Ecological Station, integrating conservation and sustainable development</a>. <strong>Journal for Nature Conservation. </strong>24 fev. 2026.</p>
]]></content:encoded>
					
		
		
			</item>
		<item>
		<title>Experimento internacional vai estudar como a Amazônia reage a ambiente rico em dióxido de carbono</title>
		<link>https://revistapesquisa.fapesp.br/experimento-internacional-vai-estudar-como-a-amazonia-reage-a-ambiente-rico-em-dioxido-de-carbono/?utm_source=rss&#038;utm_medium=rss&#038;utm_campaign=experimento-internacional-vai-estudar-como-a-amazonia-reage-a-ambiente-rico-em-dioxido-de-carbono</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Marcos Pivetta]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 01 Jun 2026 13:58:44 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Ciência]]></category>
		<category><![CDATA[Ambiente]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://revistapesquisa.fapesp.br/?p=585310</guid>

					<description><![CDATA[Programa AmazonFace vai acompanhar por dez anos crescimento de seis parcelas da floresta submetidas a uma atmosfera com 50% a mais de CO<sub>2</sub> do que hoje]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>Água, luz solar e dióxido de carbono (CO<sub>2</sub>) são os reagentes que servem de combustível para as plantas fazerem fotossíntese, processo que lhes fornece energia para crescer e se manter vivas. Como se comportaria a Amazônia, a maior floresta tropical do planeta, onde se estima haver 400 bilhões de árvores, se a quantidade de um desses ingredientes, o CO<sub>2</sub>, principal gás responsável pelo aquecimento global, fosse 50% maior do que a atual? Essa é a grande pergunta que vai orientar as atividades do principal experimento de campo do programa AmazonFace, uma colaboração internacional que se iniciou em 2011 e entra agora em sua fase mais importante.</p>
<p>Em junho, começam os testes finais das instalações que vão monitorar em detalhes, pelos próximos 10 anos, seis parcelas de floresta adulta e preservada na reserva ZF2, uma estação experimental do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa), localizada a cerca de 70 quilômetros ao norte do centro de Manaus. A tecnologia usada em campo é denominada <em>free-air CO<sub>2</sub> enrichment </em>(Face) e serviu de inspiração para o nome do programa. Foi criada na década de 1990 nos Estados Unidos e tem sido empregada em estudos que tentam entender o impacto de uma atmosfera rica em CO<sub>2</sub> sobre o comportamento de diversos tipos de vegetação.</p>
<div id="attachment_585311" style="max-width: 810px" class="wp-caption alignright"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-585311 size-full" src="https://revistapesquisa.fapesp.br/wp-content/uploads/2026/05/RPF-amazonface-torre-2026-06-800.jpg" alt="" width="800" height="1151" srcset="https://revistapesquisa.fapesp.br/wp-content/uploads/2026/05/RPF-amazonface-torre-2026-06-800.jpg 800w, https://revistapesquisa.fapesp.br/wp-content/uploads/2026/05/RPF-amazonface-torre-2026-06-800-250x360.jpg 250w, https://revistapesquisa.fapesp.br/wp-content/uploads/2026/05/RPF-amazonface-torre-2026-06-800-700x1007.jpg 700w, https://revistapesquisa.fapesp.br/wp-content/uploads/2026/05/RPF-amazonface-torre-2026-06-800-120x173.jpg 120w" sizes="auto, (max-width: 800px) 100vw, 800px" /><p class="wp-caption-text"><span class="media-credits-inline">João M. Rosa / AmazonFace</span>Torre de liberação de CO<sub>2</sub> na atmosfera<span class="media-credits">João M. Rosa / AmazonFace</span></p></div>
<p>Em linhas gerais, um ar com mais dióxido de carbono produz nas plantas, em maior ou menor grau, um efeito similar ao emprego de um adubo no solo: promove seu crescimento. É como se o excesso de CO<sub>2</sub> disponível atuasse como um fertilizante: as espécies vegetais retiram mais desse gás da atmosfera e contam com um combustível extra para fazer fotossíntese. Os pesquisadores utilizam comumente a expressão “fertilização por CO<sub>2</sub>”. Ao retirar mais dióxido de carbono da atmosfera, um efeito benéfico ao aquecimento global e às mudanças climáticas, as plantas fixam mais carbono e tendem a produzir mais biomassa (troncos, galhos e folhas). Esse é o quadro genérico, derivado de estudos feitos em pequena escala, geralmente com uma ou poucas espécies vegetais.</p>
<p>Em campo, ainda mais em meio a uma floresta tão biodiversa como a amazônica, onde deve haver cerca de 16 mil espécies vegetais, ninguém sabe ao certo qual seria o impacto da fertilização por CO<sub>2</sub> no ecossistema como um todo. É razoável pensar que a floresta turbinada por uma dose extra desse gás pode mudar a forma como as plantas interagem entre si, adaptam-se às mudanças climáticas e usam os insumos disponíveis, como água e nutrientes.</p>
<p>“O experimento é o primeiro no mundo que vai usar a tecnologia Face para estudar uma floresta tropical. Os outros trabalhos foram feitos em zonas de clima temperado, que têm uma vegetação diferente da Amazônia”, comenta o ecólogo e meteorologista David Lapola, da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), um dos dois coordenadores nacionais do AmazonFace. “Se não houver nenhum problema nos testes, deveremos iniciar oficialmente as medições contínuas nas seis parcelas de floresta em agosto.”</p>
<picture data-tablet="/wp-content/uploads/2026/05/RPF-amazonface-2026-06-info-670-DESKTOP.png" data-tablet_size="670x810" alt="O local do AmazonFace: O experimento envolve seis parcelas de floresta preservada em uma área do Inpa situada 70 quilômetros ao norte de Manaus">
    <source srcset="/wp-content/uploads/2026/05/RPF-amazonface-2026-06-info-670-DESKTOP.png" media="(min-width: 1920px)" />
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  </picture><span class="embed media-credits-inline">Alexandre Affonso / Revista Pesquisa FAPESP</span>
<p>Uma estrutura significativa foi montada na estação do Inpa. Cada uma das seis parcelas é circundada por um anel com 30 metros (m) de diâmetro, formado por 16 torres de 35 m de altura conectadas a um tanque de armazenamento de CO<sub>2</sub> líquido. Durante o dia, quando há luz solar e os vegetais absorvem dióxido de carbono para fazer fotossíntese, três parcelas serão “alimentadas” com ar enriquecido por uma dose extra desse gás. O reforço elevará a concentração diurna de dióxido de carbono no interior desse trio de anéis das atuais 420 partes por milhão (ppm) para 620 ppm, concentração que a atmosfera terrestre poderá atingir nos próximos 50 anos ou até o final do século, segundo algumas estimativas. Nos outros três anéis, que funcionam como uma espécie de grupo de controle, será aspergido ar com a quantidade atual de dióxido de carbono. O aumento na concentração de CO<sub>2</sub> empregado no experimento é da mesma ordem de grandeza do que ocorreu no planeta entre o final do século XIX e hoje, quando a concentração atmosférica do gás se elevou em 50%, de 280 para 420 ppm.</p>
<p>No AmazonFace, será possível acompanhar a evolução ao longo do tempo das parcelas de floresta mantidas em um ar rico em CO<sub>2</sub> com as que vivem sob uma atmosfera com a concentração atual desse gás. Os anéis foram instalados em pontos muito próximos da floresta, em ambientes praticamente iguais. Distam entre si cerca de 90 metros. A única grande diferença é a quantidade extra de dióxido de carbono em três das seis parcelas. “Dentro de cada anel, há entre 50 e 70 árvores maduras, sem contar a vegetação de menor porte. Dificilmente existe mais de um exemplar de uma mesma espécie arbórea em cada parcela. Nos seis anéis, deve haver cerca de 400 espécies. Vamos ver no experimento, entre outras questões, quais espécies vão se dar bem ou mal no ambiente rico em CO<sub>2</sub>”, explica o engenheiro florestal Carlos Alberto Quesada, especialista em solos do Inpa, o outro coordenador nacional do AmazonFace. “Os estudos com a tecnologia Face costumam ser feitos em áreas de floresta formadas por apenas uma ou duas espécies de árvores.” Na Austrália, por exemplo, está em curso um experimento desse tipo em uma mata nativa constituída predominantemente por eucaliptos, espécie originária da Oceania.</p>
<div id="attachment_585323" style="max-width: 1150px" class="wp-caption aligncenter"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-585323 size-full" src="https://revistapesquisa.fapesp.br/wp-content/uploads/2026/05/RPF-amazonface-gaiola-2026-06-1140.jpg" alt="" width="1140" height="723" srcset="https://revistapesquisa.fapesp.br/wp-content/uploads/2026/05/RPF-amazonface-gaiola-2026-06-1140.jpg 1140w, https://revistapesquisa.fapesp.br/wp-content/uploads/2026/05/RPF-amazonface-gaiola-2026-06-1140-250x159.jpg 250w, https://revistapesquisa.fapesp.br/wp-content/uploads/2026/05/RPF-amazonface-gaiola-2026-06-1140-700x444.jpg 700w, https://revistapesquisa.fapesp.br/wp-content/uploads/2026/05/RPF-amazonface-gaiola-2026-06-1140-120x76.jpg 120w" sizes="auto, (max-width: 1140px) 100vw, 1140px" /><p class="wp-caption-text"><span class="media-credits-inline">João M. Rosa / AmazonFace</span>Visão da parte interna de um anel<span class="media-credits">João M. Rosa / AmazonFace</span></p></div>
<p>Uma série de dispositivos foram instalados nas parcelas para fornecer informações para os estudos e facilitar o trabalho dos cientistas. Diferentes tipos de sensores registram quase tudo que pode ser mensurado no ambiente sob influência dos anéis: temperatura, direção do vento, concentração de dióxido de carbono (entre outros parâmetros atmosféricos), taxa de fotossíntese nas folhas das plantas, dinâmica das raízes e presença de nutrientes no solo. Medições periódicas da biomassa das plantas vão verificar se e quanto as árvores estão engordando com a dieta extra de CO<sub>2</sub>. Cada anel do AmazonFace conta ainda com os serviços de um guindaste especial de 45 m de altura, que foi usado para a construção das torres do sistema, e será empregado, de agora em diante, como meio de acesso à copa das árvores para a realização de medições.</p>
<p>De 2019 a 2022, o AmazonFace contou com seis pequenas câmaras de topo aberto, com diâmetro de 2,5 m e 3 m de altura, um tipo de estrutura que lembra uma estufa circular com um buraco no teto e é usado há décadas para estudar a reação de plantas a ambientes ricos em CO<sub>2</sub>. Instaladas a cerca de 100 m do trecho da floresta amazônica que abriga os anéis do experimento, as câmaras foram usadas para estudos específicos sobre o efeito da fertilização por CO<sub>2</sub> em certas espécies vegetais ou em determinadas condições ambientais.</p>
<div id="attachment_585327" style="max-width: 810px" class="wp-caption alignright"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-585327 size-full" src="https://revistapesquisa.fapesp.br/wp-content/uploads/2026/05/RPF-amazonface-solo-2026-06-800.jpg" alt="" width="800" height="983" srcset="https://revistapesquisa.fapesp.br/wp-content/uploads/2026/05/RPF-amazonface-solo-2026-06-800.jpg 800w, https://revistapesquisa.fapesp.br/wp-content/uploads/2026/05/RPF-amazonface-solo-2026-06-800-250x307.jpg 250w, https://revistapesquisa.fapesp.br/wp-content/uploads/2026/05/RPF-amazonface-solo-2026-06-800-700x860.jpg 700w, https://revistapesquisa.fapesp.br/wp-content/uploads/2026/05/RPF-amazonface-solo-2026-06-800-120x147.jpg 120w" sizes="auto, (max-width: 800px) 100vw, 800px" /><p class="wp-caption-text"><span class="media-credits-inline">João M. Rosa / AmazonFace</span>Detalhe da presença de água no solo local<span class="media-credits">João M. Rosa / AmazonFace</span></p></div>
<p>Um trabalho que usou dados das câmaras de topo aberto foi publicado no final de abril na revista <em>Nature Communications</em>. No estudo, os pesquisadores constataram que, após terem sido submetidas a um ar rico em dióxido de carbono por um período de oito meses a um ano, a comunidade de plantas de um sub-bosque da floresta – a vegetação de baixa estatura que cresce sob o dossel das árvores – adotou diferentes estratégias radiculares para se adaptar a essa condição atmosférica. Na serrapilheira, camada sobre o solo onde se acumulam restos de plantas e de material orgânico vivo em decomposição, as raízes se tornaram mais compridas e com menor diâmetro, aumentando sua área de atuação. No solo, elas foram mais colonizadas por micorrizas arbusculares, fungos que melhoram a absorção de nutrientes.</p>
<p>“Essas alterações, tanto no solo como na serapilheira, sugerem que as plantas estão se adaptando para aumentar sua eficiência na aquisição de fósforo, um nutriente que, se estiver em falta, limita seu crescimento na Amazônia”, diz a pesquisadora brasileira Nathielly Martins, da Universidade Técnica de Munique, na Alemanha, autora principal do trabalho e integrante da equipe do AmazonFace. No estudo, também foi encontrada uma menor quantidade de fósforo no solo perto das plantas, um indicativo de que as espécies parecem realmente ter elevado sua capacidade de retirar o nutriente quando submetidas a uma atmosfera com mais dióxido de carbono.</p>
<p>Para o botânico Marcos Buckeridge, do Instituto de Biociências da Universidade de São Paulo (IB-USP), que não participa do AmazonFace, o experimento ao ar livre ao norte de Manaus tem potencial de gerar descobertas interessantes sobre os impactos de um ambiente rico em CO<sub>2</sub> na ecologia das plantas, ou seja, como elas se relacionam entre si na floresta e com o ambiente. “Os efeitos fisiológicos de altas concentrações de dióxido de carbono sobre as plantas estão muito bem caracterizados e dificilmente haverá diferenças significativas nas respostas encontradas pelo AmazonFace. Nessas condições, as espécies aumentam a fotossíntese e o acúmulo de reservas energéticas [açúcares]”, afirma Buckeridge. “Mais de mil trabalhos científicos mostraram isso.” Há mais de duas décadas, o pesquisador da USP estuda as reações fisiológicas de plantas cultivadas dentro de câmaras de topo aberto com ar enriquecido de dióxido de carbono (<a href="https://revistapesquisa.fapesp.br/o-jatoba-contra-a-poluicao/" target="_blank" rel="noopener"><em>ver</em> Pesquisa FAPESP <em>nº 80</em></a>).</p>
<p>Até agora, foram investidos cerca de R$ 80 milhões no AmazonFace. Metade da verba veio de uma série de fontes brasileiras: FAPESP, Financiadora de Estudos e Projetos (Finep), Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI) e Fundo Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (FNDCT). Os outros 50% foram provenientes do MetOffice, o serviço de meteorologia do Reino Unido, cuja participação no programa teve início em 2019. O custo total da iniciativa deverá chegar a R$ 260 milhões nos próximos 10 anos. “Temos verbas garantidas para o funcionamento do AmazonFace por cinco anos”, diz Lapola.</p>
<p class="bibliografia">A reportagem acima foi publicada com o título “<strong>Dando um gás na floresta</strong>” na edição impressa nº 364 de junho de 2026.</p>
<p class="bibliografia"><strong>Projeto</strong><br />
AmazonFACE: avaliação dos efeitos do aumento de CO<sub>2</sub> atmosférico na ecologia da Floresta Amazônica (<a href="https://bv.fapesp.br/pt/auxilios/117098/amazonface-avaliacao-dos-efeitos-do-aumento-de-co2-atmosferico-na-ecologia-da-floresta-amazonica/" target="_blank" rel="noopener">n° 23/09046-5</a>); <strong>Modalidade</strong> Projeto Temático; <strong>Pesquisador responsável</strong> David Lapola.</p>
<p class="bibliografia"><strong>Artigo científico</strong><br />
MARTINS, N.P. <em>et al</em>. <a href="https://www.nature.com/articles/s41467-026-72098-0" target="_blank" rel="noopener">Amazonian understory forests change phosphorus acquisition strategies under elevated CO<sub>2</sub></a>. <strong>Nature Communications</strong>. 28 abr. 2026.</p>
]]></content:encoded>
					
		
		
			</item>
		<item>
		<title>Publicações científicas voltam a crescer após a pandemia</title>
		<link>https://revistapesquisa.fapesp.br/publicacoes-cientificas-voltam-a-crescer-apos-a-pandemia/?utm_source=rss&#038;utm_medium=rss&#038;utm_campaign=publicacoes-cientificas-voltam-a-crescer-apos-a-pandemia</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Redação]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 01 Jun 2026 13:57:07 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Dados]]></category>
		<category><![CDATA[Cientometria]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://revistapesquisa.fapesp.br/?p=585345</guid>

					<description><![CDATA[Publicações científicas voltam a crescer após a pandemia]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<ul>
<li>Após queda em quase todos os países durante parte da pandemia, entre 2021 e 2023, o número de publicações científicas indexadas<sup>1</sup> voltou  a crescer entre 2023 e 2025</li>
<li>Entre 2021 e 2023, o total mundial de publicações científicas indexadas diminuiu de 3,10 milhões para 2,90 milhões, retração de 6,7%</li>
<li>Entre 2023 e 2025, a produção mundial voltou a crescer 12,8%, e chegou a 3,27 milhões. Como resultado, o total mundial cresceu 5,2% entre 2021 e 2025</li>
<li>A recuperação entre 2023 e 2025 foi ampla, no entanto poucos países conseguiram recuperar o número de 2021, como mostram os dados abaixo</li>
</ul>
</div><div class='overflow-responsive-img' style='text-align:center'><picture data-tablet="/wp-content/uploads/2026/05/RPF-dados-2026-06-info1-1140.png" data-tablet_size="1140x380" alt="">
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    <source srcset="/wp-content/uploads/2026/05/RPF-dados-2026-06-info1-1140.png" media="(min-width: 1140px)" />
    <img decoding="async" class="responsive-img" src="/wp-content/uploads/2026/05/RPF-dados-2026-06-info1-760.png" />
  </picture><span class="embed media-credits-inline">Recuperação mínima: Evolução das publicações científicas indexadas no período de 2021 a 2025</span></div><div class="post-content sequence">
<ul>
<li>Dos países incluídos na tabela, China e Arábia Saudita foram os únicos onde houve crescimento significativo entre 2021 e 2023 e continuaram se destacando no período seguinte. Entre 2021 e 2025 tiveram crescimento acima de 40%. Outros países com crescimento entre 2021 e 2025 incluem Turquia, Índia, Chile e Coreia do Sul</li>
<li>Entre os demais países do grupo do Brics, a África do Sul praticamente recuperou sua produção pré-‑pandemia<sup>2</sup>, enquanto Brasil e Rússia se mantêm entre os mais afetados<sup>3</sup></li>
<li>Dos países da América Latina incluídos, além do Chile, constam ainda México, que apresentou boa recuperação, mas ainda está com queda em relação a 2021. Já Argentina, assim como o Brasil, mantém-se em 2025, com 10% abaixo do número de 2021</li>
</ul>
</div><div class='overflow-responsive-img' style='text-align:center'><picture data-tablet="/wp-content/uploads/2026/05/RPF-dados-2026-06-info2-1140.png" data-tablet_size="1140x380" alt="Brasil – número de publicações e participação no total mundial 2015-2025">
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  </picture></div><div class="post-content sequence">
<ul>
<li>No Brasil, a produção científica cresceu por mais de três décadas, até atingir o máximo histórico de 92.310 em 2021. Caiu para 75.658 em 2023, com uma recuperação parcial em 2025, 80.454 publicações. O volume, no entanto, ainda permanece 13% abaixo do registrado em 2021, o que coloca o país entre os mais afetados no grupo analisado</li>
<li>A participação do Brasil no total mundial,  que vinha crescendo há mais de três décadas, também caiu. Após atingir o máximo de 3% entre 2019 e 2021, essa participação diminuiu para 2,5% em 2025</li>
</ul>
<p class="bibliografia"><strong>Notas (1) </strong>Publicações dos tipos “Article”, “Review” e “Proceedings Paper”, Base Web of Science/Clarivate <strong>(2)</strong> A pandemia de Covid-19 não apesenta impacto relevante sobre  o número de publicações científicas nos seus primeiros dois anos, 2020 e 2021, segundo dados das bases bibliométricas internacionais <strong>(3)</strong> A Rússia é o único país do grupo selecionado que vem apresentando queda no número de publicações em todos os anos do período analisado, incluindo os anos iniciais da pandemia</p>
<p class="bibliografia"><strong>Fonte </strong>Incites/Web of Science/Clarivate, dados atualizados até 31/03/2026, baixados em 27/04/2026<br />
<strong>Elaboração</strong> GPAFI/DPCTA/Fapesp</p>
]]></content:encoded>
					
		
		
			</item>
		<item>
		<title>Perigo à vista!</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Redação]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 01 Jun 2026 13:35:21 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Notas]]></category>
		<category><![CDATA[Biologia]]></category>
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					<description><![CDATA[Aves e macacos formam uma espécie de “rádio da floresta”: quando um animal percebe perigo, o alerta sonoro se espalha]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<div id="attachment_585447" style="max-width: 1150px" class="wp-caption alignright vertical"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-585447 size-full" src="https://revistapesquisa.fapesp.br/wp-content/uploads/2026/05/RPF-notas-ave-rapina-2026-06.jpg" alt="" width="1140" height="623" srcset="https://revistapesquisa.fapesp.br/wp-content/uploads/2026/05/RPF-notas-ave-rapina-2026-06.jpg 1140w, https://revistapesquisa.fapesp.br/wp-content/uploads/2026/05/RPF-notas-ave-rapina-2026-06-250x137.jpg 250w, https://revistapesquisa.fapesp.br/wp-content/uploads/2026/05/RPF-notas-ave-rapina-2026-06-700x383.jpg 700w, https://revistapesquisa.fapesp.br/wp-content/uploads/2026/05/RPF-notas-ave-rapina-2026-06-120x66.jpg 120w" sizes="auto, (max-width: 1140px) 100vw, 1140px" /><p class="wp-caption-text"><span class="media-credits-inline">Jay Pierstorff / Getty Images</span>Gaviões-asa-de-telha são os primeiros a avisar sobre possíveis predadores<span class="media-credits">Jay Pierstorff / Getty Images</span></p></div>
<p>Aves de rapina do alto das árvores são as primeiras a fazer barulho quando avistam possíveis predadores, que podem ser até mesmo visitantes humanos passeando pela mata. O gavião-asa-de-telha (<em>Parabuteo unicinctus</em>) solta gritos agudos e repetidos, kiii-kiii-kiii, o gavião-bombachinha-grande (<em>Accipiter bicolor</em>) emite notas curtas rápidas, ki-ki-ki-ki-ki, e o falcão-de-coleira (<em>Falco femoralis</em>) um chamado agudo e ritmado, klee-klee-klee. Outras aves próximas captam o chamado, emitem seus próprios sons e espalham o alarme. Rapidamente, diferentes espécies – e não apenas de aves – se conectam em uma rede de informações e fazem a floresta silenciar brevemente. Espécies de aves do gênero <em>Monasa</em>, como o chora-chuva-preto (<em>Monasa nigrifrons</em>), são grandes propagadores de sinais de alarme após ouvirem chamados de outras espécies, que podem ser maiores, incluindo macacos-prego (<em>Sapajus </em>spp<em>.</em>) e macacos-aranha (<em>Ateles </em>spp<em>.</em>). Biólogos da Suíça, da Austrália, do Peru e dos Estados Unidos reconstituíram essa rádio floresta analisando as interações entre 370 espécies de aves e 10 de primatas no Parque Nacional Manu, no Peru. Para simular a propagação de alarmes, eles reproduziram chamados de uma ou mais espécies de aves e primatas e registraram a propagação de alarmes e as reações dos animais (<a href="https://linkinghub.elsevier.com/retrieve/pii/S0960982226001557" target="_blank" rel="noopener"><em>Current Biology</em></a>, 20 de abril).</p>
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		<title>Mesmo mineral, outro resultado</title>
		<link>https://revistapesquisa.fapesp.br/mesmo-mineral-outro-resultado/?utm_source=rss&#038;utm_medium=rss&#038;utm_campaign=mesmo-mineral-outro-resultado</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Redação]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 01 Jun 2026 13:35:03 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Notas]]></category>
		<category><![CDATA[Ambiente]]></category>
		<category><![CDATA[Evolução]]></category>
		<category><![CDATA[Geologia]]></category>
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					<description><![CDATA[O motor que move os continentes da Terra pode ser muito mais antigo do que se imaginava]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<div id="attachment_585457" style="max-width: 1150px" class="wp-caption alignnone vertical"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-585457 size-full" src="https://revistapesquisa.fapesp.br/wp-content/uploads/2026/05/RPF-notas-terra-arqueano-2026-06-1140.jpg" alt="" width="1140" height="710" srcset="https://revistapesquisa.fapesp.br/wp-content/uploads/2026/05/RPF-notas-terra-arqueano-2026-06-1140.jpg 1140w, https://revistapesquisa.fapesp.br/wp-content/uploads/2026/05/RPF-notas-terra-arqueano-2026-06-1140-250x156.jpg 250w, https://revistapesquisa.fapesp.br/wp-content/uploads/2026/05/RPF-notas-terra-arqueano-2026-06-1140-700x436.jpg 700w, https://revistapesquisa.fapesp.br/wp-content/uploads/2026/05/RPF-notas-terra-arqueano-2026-06-1140-120x75.jpg 120w" sizes="auto, (max-width: 1140px) 100vw, 1140px" /><p class="wp-caption-text"><span class="media-credits-inline">NASA / Goddard Space Flight Center / Francis Reddy </span>Representação da Terra no período Arqueano<span class="media-credits">NASA / Goddard Space Flight Center / Francis Reddy </span></p></div>
<p>Em 2024, geólogos de São Paulo e Minas Gerais examinaram as idades de 15 mil amostras do mineral rutilo, que se forma sob temperaturas baixas e altas pressões, verificadas somente quando blocos de rochas que se movimentam em sentidos opostos se encontram. As análises indicaram que as placas litosféricas começaram a se encontrar entre 2,1 bilhões e 1,8 bilhão de anos atrás. O mesmo grupo, em outra análise, chegou a um resultado diferente. “Em rochas da Chapada Diamantina com idade entre 1,8 bilhão e 1 bilhão de anos, encontramos grãos de rutilo que indicam a tectônica [movimentação] de placas operando em períodos bem mais antigos”, conta o geólogo Rodrigo Cerri, da Universidade Estadual Paulista (Unesp), <em>campus</em> de Rio Claro. “Pelo menos na região que é hoje o Brasil, a tectônica de placas poderia estar operando a partir de 3,2 bilhões a 3 bilhões de anos atrás, já no período Arqueano, quando a crosta terrestre começou a se formar e há uma intensa atividade vulcânica” (<a href="https://www.sciencedirect.com/science/article/pii/S0012821X26001196?via%3Dihub" target="_blank" rel="noopener"><em>Earth and Planetary Science Letters</em></a>, 1o de maio).</p>
]]></content:encoded>
					
		
		
			</item>
		<item>
		<title>Infravermelho revela o sexo dos embriões antes de nascerem</title>
		<link>https://revistapesquisa.fapesp.br/infravermelho-revela-o-sexo-dos-embrioes-antes-de-nascerem/?utm_source=rss&#038;utm_medium=rss&#038;utm_campaign=infravermelho-revela-o-sexo-dos-embrioes-antes-de-nascerem</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Redação]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 01 Jun 2026 13:34:50 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Notas]]></category>
		<category><![CDATA[Biotecnologia]]></category>
		<category><![CDATA[Tecnologia]]></category>
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					<description><![CDATA[Agora é possível identificar, ainda dentro do ovo, se um pintinho vai sobreviver e se será macho ou fêmea]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>Uma equipe da Universidade de Illinois em Urbana-Champaign (Uiuc), nos Estados Unidos, usou imagens de infravermelho próximo (NIR) e hiperespectrais (HSI) para prever a mortalidade e o sexo de pintinhos em ovos de galinha antes de eclodirem. Para examinar a mortalidade, em vez de projetar uma luz forte através do ovo, como normalmente se faz, os pesquisadores se valeram de uma câmera hiperespectral para adquirir imagens de 300 ovos antes da incubação e após quatro dias na incubadora. Um modelo computacional atingiu 97% de precisão no quarto dia. Outro teste registrou 75% de precisão no início da incubação na classificação de embriões machos e fêmeas. Como interessam apenas as fêmeas, capazes de pôr mais ovos, 6 bilhões de pintinhos machos são descartados todo ano nos Estados Unidos. “Se pudermos identificar os embriões precocemente, podemos evitar o descarte dos machos e usar os ovos para consumo ou na produção de alimentos”, disse Wadud Ahmed, da Uiuc, em um comunicado da universidade. “Com NIR e HSI basta escanear os ovos e o modelo de aprendizado de máquina determinará o parâmetro desejado”, acrescentou Mohammed Kamruzzaman, também da Uiuc (<a href="https://www.tandfonline.com/doi/full/10.1080/00071668.2026.2620615" target="_blank" rel="noopener"><em>British Poultry Science</em></a>, 20 de fevereiro).</p>
]]></content:encoded>
					
		
		
			</item>
		<item>
		<title>Vermes indicam o estado de conservação dos solos</title>
		<link>https://revistapesquisa.fapesp.br/vermes-indicam-o-estado-de-conservacao-dos-solos/?utm_source=rss&#038;utm_medium=rss&#038;utm_campaign=vermes-indicam-o-estado-de-conservacao-dos-solos</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Redação]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 01 Jun 2026 13:34:30 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Notas]]></category>
		<category><![CDATA[Agricultura]]></category>
		<category><![CDATA[Biologia]]></category>
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					<description><![CDATA[Pequenos vermes podem funcionar como termômetros da saúde do solo]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<div id="attachment_585480" style="max-width: 810px" class="wp-caption alignright"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-585480 size-full" src="https://revistapesquisa.fapesp.br/wp-content/uploads/2026/05/RPF-notas-raizes-vermes-2026-06-800.jpg" alt="" width="800" height="1008" srcset="https://revistapesquisa.fapesp.br/wp-content/uploads/2026/05/RPF-notas-raizes-vermes-2026-06-800.jpg 800w, https://revistapesquisa.fapesp.br/wp-content/uploads/2026/05/RPF-notas-raizes-vermes-2026-06-800-250x315.jpg 250w, https://revistapesquisa.fapesp.br/wp-content/uploads/2026/05/RPF-notas-raizes-vermes-2026-06-800-700x882.jpg 700w, https://revistapesquisa.fapesp.br/wp-content/uploads/2026/05/RPF-notas-raizes-vermes-2026-06-800-120x151.jpg 120w" sizes="auto, (max-width: 800px) 100vw, 800px" /><p class="wp-caption-text"><span class="media-credits-inline">Scot Nelson / Wikimedia Commons</span>Raízes de tomateiro infectado com nematoides das galhas<span class="media-credits">Scot Nelson / Wikimedia Commons</span></p></div>
<p>Quer saber se um solo está saudável? Examine a variedade e a quantidade de um grupo de vermes de corpo cilíndrico e alongado, os nematoides (a minhoca pertence a outro grupo, os anelídeos). Quanto maiores, mais conservado é o solo. Inversamente, quanto menores, mais degradado é o solo. Uma equipe do Instituto Biológico de São Paulo notou contrastes acentuados entre áreas de vegetação nativa ou sob diferentes intensidades de ocupação agrícola no Brasil e em outros países. Em Goiás, Minas Gerais e Distrito Federal, nematoides dos grupos Criconematoidea, Anguinidae e Tylenchidae, comuns em áreas de vegetação nativa, escassearam em áreas ocupadas por culturas agrícolas; por sua vez, os dos gêneros <em>Pratylenchus</em> e <em>Ditylenchus</em> eram encontrados somente em terras cultivadas. Alguns causam danos agrícolas, como o nematoide das galhas (<em>Meloidogyne javanica</em>) e o cavernícola (<em>Radopholus similis</em>). Difíceis de identificar a olho nu, esses animais, com milímetros de comprimento, são transportados por água, ferramentas, tratores ou pelas próprias plantas (<a href="https://www.scielo.br/j/aib/a/FsyK9bHRPVsqXkz4BxbDxhb/?lang=en" target="_blank" rel="noopener"><em>Arquivos do Instituto Biológico</em></a>, fevereiro).</p>
]]></content:encoded>
					
		
		
			</item>
		<item>
		<title>Violino virtual se apoia em leis da física</title>
		<link>https://revistapesquisa.fapesp.br/violino-virtual-se-apoia-em-leis-da-fisica/?utm_source=rss&#038;utm_medium=rss&#038;utm_campaign=violino-virtual-se-apoia-em-leis-da-fisica</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Redação]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 01 Jun 2026 13:34:13 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Notas]]></category>
		<category><![CDATA[Física]]></category>
		<category><![CDATA[Música]]></category>
		<category><![CDATA[Tecnologia]]></category>
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					<description><![CDATA[Violino virtual simula de forma realista o som do instrumento quando as cordas são tocadas com os dedos]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<div id="attachment_585490" style="max-width: 1150px" class="wp-caption alignright vertical"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-585490 size-full" src="https://revistapesquisa.fapesp.br/wp-content/uploads/2026/05/RPF-notas-violino-2026-06-1140.jpg" alt="" width="1140" height="636" srcset="https://revistapesquisa.fapesp.br/wp-content/uploads/2026/05/RPF-notas-violino-2026-06-1140.jpg 1140w, https://revistapesquisa.fapesp.br/wp-content/uploads/2026/05/RPF-notas-violino-2026-06-1140-250x139.jpg 250w, https://revistapesquisa.fapesp.br/wp-content/uploads/2026/05/RPF-notas-violino-2026-06-1140-700x391.jpg 700w, https://revistapesquisa.fapesp.br/wp-content/uploads/2026/05/RPF-notas-violino-2026-06-1140-120x67.jpg 120w" sizes="auto, (max-width: 1140px) 100vw, 1140px" /><p class="wp-caption-text"><span class="media-credits-inline">Isayurtsever / Getty Images</span>O <em>pizzicato</em> produz vibrações agora criadas por computador<span class="media-credits">Isayurtsever / Getty Images</span></p></div>
<p>Uma equipe do Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT) fez um violino computacional, que captura a física do instrumento e produz realisticamente seu som quando as cordas são dedilhadas, um tipo de execução conhecido pelos músicos como <em>pizzicato</em>. Ao dedilhar uma corda, um violinista a puxa lateralmente e a solta, fazendo-a vibrar. As vibrações se propagam pelo instrumento, espalham-se pelo ambiente e permitem ao ouvinte captar o som. Apesar das limitações, o violino computacional poderia servir para construtores de instrumentos musicais ajustarem parâmetros, como o tipo de madeira ou a espessura do corpo do violino, e então ouvir o som resultante. Quando os pesquisadores variaram a espessura da tampa traseira do violino virtual ou mudaram o tipo de madeira, puderam ouvir diferenças claras nos sons. Já existem softwares que permitem aos usuários experimentar violinos virtuais, mas seus sons geralmente resultam da amostragem e da média de milhares de notas tocadas por violinos reais. O arco do violino, segundo os pesquisadores, é uma interação muito mais complexa de modelar  (<a href="https://www.nature.com/articles/s44384-026-00049-6" target="_blank" rel="noopener"><em>npj Acoustics</em></a>, 29 de abril).</p>
]]></content:encoded>
					
		
		
			</item>
		<item>
		<title>Empresa paulista vai produzir diamantes</title>
		<link>https://revistapesquisa.fapesp.br/empresa-paulista-vai-produzir-diamantes/?utm_source=rss&#038;utm_medium=rss&#038;utm_campaign=empresa-paulista-vai-produzir-diamantes</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Redação]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 01 Jun 2026 13:33:48 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Notas]]></category>
		<category><![CDATA[Engenharia]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://revistapesquisa.fapesp.br/?p=585505</guid>

					<description><![CDATA[Diamantes sintéticos de alta tecnologia, antes quase sempre importados, agora são fabricados no Brasil]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<div id="attachment_585506" style="max-width: 810px" class="wp-caption alignright vertical"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-585506 size-full" src="https://revistapesquisa.fapesp.br/wp-content/uploads/2026/05/RPF-notas-diamante-lamina-2026-06-800.jpg" alt="" width="800" height="791" srcset="https://revistapesquisa.fapesp.br/wp-content/uploads/2026/05/RPF-notas-diamante-lamina-2026-06-800.jpg 800w, https://revistapesquisa.fapesp.br/wp-content/uploads/2026/05/RPF-notas-diamante-lamina-2026-06-800-250x247.jpg 250w, https://revistapesquisa.fapesp.br/wp-content/uploads/2026/05/RPF-notas-diamante-lamina-2026-06-800-700x692.jpg 700w, https://revistapesquisa.fapesp.br/wp-content/uploads/2026/05/RPF-notas-diamante-lamina-2026-06-800-120x119.jpg 120w" sizes="auto, (max-width: 800px) 100vw, 800px" /><p class="wp-caption-text"><span class="media-credits-inline">TCarbon</span>Lâmina com diamante monocristalino: componente para sensores<span class="media-credits">TCarbon</span></p></div>
<p>Nascida da Clorovale, fabricante de diamantes sintéticos policristalinos sediada em São José dos Campos, interior paulista, a TCarbon começou a operar em um prédio anexo ao da outra empresa. Seu propósito é fabricar diamantes monocristalinos, normalmente importados dos Estados Unidos, Índia, China e Japão. Também são produzidos por meio da deposição química de átomos de carbono sobre uma base de nióbio ou molibdênio, mas sob pressão três vezes mais alta e temperaturas mais altas que as usadas para os policristalinos. Outra diferença: “O policristalino cresce em múltiplas direções e o monocristalino tem uma única direção de crescimento”, explica o físico Vladimir Airoldi, do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) e consultor científico das duas empresas. Os dois tipos são tão resistentes quanto os naturais e têm várias aplicações. Os policristalinos são usados para revestir ferramentas e brocas ultrassônicas para odontologia e os monocristalinos na produção de joias e componentes para sensores e computadores quânticos e baterias nucleares.</p>
]]></content:encoded>
					
		
		
			</item>
		<item>
		<title>Possível fonte de órgãos para transplantes</title>
		<link>https://revistapesquisa.fapesp.br/possivel-fonte-de-orgaos-para-transplantes/?utm_source=rss&#038;utm_medium=rss&#038;utm_campaign=possivel-fonte-de-orgaos-para-transplantes</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Redação]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 01 Jun 2026 13:33:30 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Notas]]></category>
		<category><![CDATA[Genética]]></category>
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					<description><![CDATA[Porco clonado é criado no Brasil para pesquisas de transplante de órgãos em humanos]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>A Universidade de São Paulo (USP) apresentou o primeiro porco clonado do Brasil, resultado de seis anos de trabalho (<a href="https://revistapesquisa.fapesp.br/equipe-da-usp-tenta-gerar-porcos-geneticamente-modificados-para-fornecer-orgaos-a-seres-humanos/" target="_blank" rel="noopener"><em>ver</em> Pesquisa FAPESP <em>nº 339</em></a>). Após uma gestação de quase quatro meses, o porquinho nasceu saudável, com 1,7 quilograma (kg), no Instituto de Zootecnia, em Piracicaba. Esse e outros animais geneticamente modificados devem ser usados para fornecer órgãos para transplantes em seres humanos. Para reduzir o risco de rejeição, foram implantados sete genes humanos nas células suínas. Os embriões resultantes dessas edições foram transferidos para fêmeas híbridas. Os porcos têm sido escolhidos como potenciais doadores para xenotransplante – transferência de órgãos entre espécies diferentes – pela semelhança de tamanho e funcionamento de seus órgãos com os dos humanos. Com sete meses os animais já atingem o peso necessário ao transplante para uma pessoa com 80 quilos. A meta é aproveitar inicialmente rim, córnea, coração e pele, que atendem 94% da demanda por transplantes do Sistema Único de Saúde (<em>Agência FAPESP</em>, 23 de abril).</p>
]]></content:encoded>
					
		
		
			</item>
		<item>
		<title>47 milhões de galáxias mapeadas</title>
		<link>https://revistapesquisa.fapesp.br/47-milhoes-de-galaxias-mapeadas/?utm_source=rss&#038;utm_medium=rss&#038;utm_campaign=47-milhoes-de-galaxias-mapeadas</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Redação]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 01 Jun 2026 13:32:50 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Notas]]></category>
		<category><![CDATA[Astronomia]]></category>
		<category><![CDATA[Física]]></category>
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					<description><![CDATA[O maior mapa 3D do Universo reúne dados de milhões de galáxias e estrelas para entender a energia escura]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<div id="attachment_585520" style="max-width: 1150px" class="wp-caption alignright vertical"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-585520 size-full" src="https://revistapesquisa.fapesp.br/wp-content/uploads/2026/05/RPF-notas-galaxias-mapeadas-2026-06-1140.jpg" alt="" width="1140" height="680" srcset="https://revistapesquisa.fapesp.br/wp-content/uploads/2026/05/RPF-notas-galaxias-mapeadas-2026-06-1140.jpg 1140w, https://revistapesquisa.fapesp.br/wp-content/uploads/2026/05/RPF-notas-galaxias-mapeadas-2026-06-1140-250x149.jpg 250w, https://revistapesquisa.fapesp.br/wp-content/uploads/2026/05/RPF-notas-galaxias-mapeadas-2026-06-1140-700x418.jpg 700w, https://revistapesquisa.fapesp.br/wp-content/uploads/2026/05/RPF-notas-galaxias-mapeadas-2026-06-1140-120x72.jpg 120w" sizes="auto, (max-width: 1140px) 100vw, 1140px" /><p class="wp-caption-text"><span class="media-credits-inline">Claire Lamman / Desi</span>A Terra está no centro deste mapa de galáxias. No detalhe, a estrutura em grande escala do Universo<span class="media-credits">Claire Lamman / Desi</span></p></div>
<p>Gerenciado pelo Laboratório Nacional Lawrence Berkeley (Berkeley Lab) do Departamento de Energia dos Estados Unidos, o Instrumento Espectroscópico de Energia Escura (Desi) concluiu um mapa com 47 milhões de galáxias e quasares (núcleos ativos de galáxias distantes), além de 20 milhões de estrelas próximas usadas para estudar a Via Láctea. O levantamento de cinco anos, concluído antes do prazo e com 13 milhões de galáxias a mais do que o planejado inicialmente, produziu o maior mapa 3D de alta resolução do Universo já feito. Ao comparar a forma como as galáxias se agrupavam no passado com sua distribuição atual, os pesquisadores rastrearam a influência da energia escura ao longo de 11 bilhões de anos da história cósmica. Os dados obtidos nos três primeiros anos do Desi sugeriram que a energia escura poderia estar evoluindo ao longo do tempo. Se confirmado, isso representaria uma grande mudança na forma de pensar o Universo e seu possível destino, que depende do equilíbrio entre matéria e energia escura (Berkeley Lab, 15 de abril).</p>
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		<title>China aprova implante cerebral</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Redação]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 01 Jun 2026 13:31:38 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Notas]]></category>
		<category><![CDATA[Engenharia]]></category>
		<category><![CDATA[Tecnologia]]></category>
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					<description><![CDATA[China aprova, para uso comercial, chip cerebral invasivo permitindo que pessoas com paralisia movam as mãos]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>A China aprovou um implante cerebral fabricado pela Neuracle, de Xangai, que permite que pessoas com paralisia movam as mãos. É a primeira aprovação mundial de uma interface cérebro-computador invasiva para uso comercial. O chip cerebral, do tamanho de uma moeda, contém oito eletrodos e é colocado em um lado da dura-máter do cérebro, acima do córtex sensório-motor primário. Os eletrodos registram a atividade elétrica neuronal quando uma pessoa imagina mover a mão. Os sinais são enviados a um computador, decodificados e usados ​​para controlar uma luva robótica utilizada pela pessoa, movendo sua mão. Um homem conseguiu agarrar e mover objetos com a mão direita enluvada após receber o dispositivo, indicando que poderia realizar tarefas como comer e beber. Depois de usar a interface cérebro-computador por nove meses, conseguiu agarrar objetos com a mão esquerda, que não havia usado a luva. Exames indicaram que suas conexões neurais na medula espinhal haviam se recuperado. Dispositivos semelhantes estão sendo testados em um número limitado de pacientes. Um deles, da Neuralink, permitiu que três pessoas com paralisia controlassem um cursor na tela do computador pensando em mover os dedos. A tecnologia da Neuralink consiste em um implante fixado no crânio que é conectado a fios contendo mais de mil eletrodos, que penetram no córtex motor do paciente (<a href="https://www.nature.com/articles/s41587-026-03101-8" target="_blank" rel="noopener"><em>Nature Biotechnology</em></a>, 17 abril).</p>
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		<title>Fim dos dinossauros, início dos primatas</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Redação]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 01 Jun 2026 13:31:09 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Notas]]></category>
		<category><![CDATA[Paleontologia]]></category>
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					<description><![CDATA[Pequenos dentes fósseis ajudam a rastrear um dos parentes mais antigos dos primatas]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<div id="attachment_585532" style="max-width: 1150px" class="wp-caption alignright vertical"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-585532 size-full" src="https://revistapesquisa.fapesp.br/wp-content/uploads/2026/05/RPF-notas-primeiros-primatas-2026-06-1140.jpg" alt="" width="1140" height="702" srcset="https://revistapesquisa.fapesp.br/wp-content/uploads/2026/05/RPF-notas-primeiros-primatas-2026-06-1140.jpg 1140w, https://revistapesquisa.fapesp.br/wp-content/uploads/2026/05/RPF-notas-primeiros-primatas-2026-06-1140-250x154.jpg 250w, https://revistapesquisa.fapesp.br/wp-content/uploads/2026/05/RPF-notas-primeiros-primatas-2026-06-1140-700x431.jpg 700w, https://revistapesquisa.fapesp.br/wp-content/uploads/2026/05/RPF-notas-primeiros-primatas-2026-06-1140-120x74.jpg 120w" sizes="auto, (max-width: 1140px) 100vw, 1140px" /><p class="wp-caption-text"><span class="media-credits-inline">Andrey Atuchin / Cuny</span>Representação artística do <em>Purgatorius</em>, um arborícola<span class="media-credits">Andrey Atuchin / Cuny</span></p></div>
<p>Dentes fósseis com poucos milímetros de altura elucidaram um pouco mais da história da evolução dos seres humanos. Os dentes são de <em>Purgatorius</em>, o parente mais antigo conhecido de todos os primatas – um roedor de 10 centímetros (cm) de comprimento e 10 gramas (g) de peso que provavelmente vivia em árvores e se alimentava de insetos e frutas. Os dentes, desenterrados na bacia de Denver, no estado do Colorado, mais ao sul dos Estados Unidos, indicam que essa espécie de primata arcaico começou a se espalhar imediatamente após a extinção dos dinossauros, há cerca de 66 milhões de anos. Até então, esse mamífero havia sido encontrado apenas no atual estado de Montana e no sudoeste do Canadá. “Pequenos fósseis podem facilmente passar despercebidos”, comentou o coordenador do estudo, Stephen Chester, em um comunicado da City University of New York (Cuny), na qual trabalha. “Com buscas mais intensivas, podemos encontrá-los com mais facilidade e descobriremos muitos outros espécimes importantes” (<a href="https://www.tandfonline.com/doi/full/10.1080/02724634.2026.2614024" target="_blank" rel="noopener"><em>Journal of Vertebrate Paleontology</em></a>, 2 de março).</p>
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		<title>Norte de Minas já foi ainda mais seco</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Redação]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 01 Jun 2026 13:29:46 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Notas]]></category>
		<category><![CDATA[Ambiente]]></category>
		<category><![CDATA[climatologia]]></category>
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					<description><![CDATA[Cientistas reconstruíram como era o clima do norte de Minas Gerais há cerca de 150 anos]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<div id="attachment_585542" style="max-width: 810px" class="wp-caption alignright vertical"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-585542 size-full" src="https://revistapesquisa.fapesp.br/wp-content/uploads/2026/05/RPF-notas-imburana-2026-06-800.jpg" alt="" width="800" height="953" srcset="https://revistapesquisa.fapesp.br/wp-content/uploads/2026/05/RPF-notas-imburana-2026-06-800.jpg 800w, https://revistapesquisa.fapesp.br/wp-content/uploads/2026/05/RPF-notas-imburana-2026-06-800-250x298.jpg 250w, https://revistapesquisa.fapesp.br/wp-content/uploads/2026/05/RPF-notas-imburana-2026-06-800-700x834.jpg 700w, https://revistapesquisa.fapesp.br/wp-content/uploads/2026/05/RPF-notas-imburana-2026-06-800-120x143.jpg 120w" sizes="auto, (max-width: 800px) 100vw, 800px" /><p class="wp-caption-text"><span class="media-credits-inline">Milena de Godoy-Veiga / IPA</span>Anéis do tronco de imburana expressam variações do clima ao longo de 150 anos<span class="media-credits">Milena de Godoy-Veiga / IPA</span></p></div>
<p>Pesquisadores da Universidade de São Paulo (USP), do Instituto de Pesquisas Ambientais (IPA) e do Instituto Weizmann, de Israel, conseguiram descobrir como era o clima no norte de Minas Gerais há 150 anos analisando os anéis de crescimento do tronco de 28 imburanas (<em>Commiphora leptophloeos</em>), árvore de até 9 metros (m) de altura e frutos comestíveis, típica de ambientes secos. Coletadas no Parque Nacional Cavernas do Peruaçu, em Januária (MG), as amostras de árvores vivas ou mortas indicaram como as plantas cresciam, em resposta ao clima, de 1870 a 2017. Já nos troncos fósseis, os vasos que conduzem a água na madeira, mais estreitos que nas outras amostras, sugerem que a água era escassa, o ambiente ainda mais seco que o atual e as árvores tinham menor porte, formando uma floresta mais baixa e aberta. Na região, as pesquisas sobre o clima utilizando anéis de crescimento de árvores se concentravam em duas espécies comuns na região, o cedro-rosa (<em>Cedrela fissilis</em>), de até 30 m de altura, e a amburana (<em>Amburana cearensis</em>), que chega a 12 m. Os fósseis de imburana foram os primeiros a ser estudados (<a href="https://www.sciencedirect.com/science/article/pii/S1125786526000408" target="_blank" rel="noopener"><em>Dendrochronologia</em>,</a> maio).</p>
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		<title>Outra forma de construir o DNA</title>
		<link>https://revistapesquisa.fapesp.br/outra-forma-de-construir-o-dna/?utm_source=rss&#038;utm_medium=rss&#038;utm_campaign=outra-forma-de-construir-o-dna</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Redação]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 01 Jun 2026 13:28:54 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Notas]]></category>
		<category><![CDATA[Genética]]></category>
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					<description><![CDATA[Descoberta uma enzima capaz de sintetizar DNA a partir da própria estrutura, sem referência externa]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<div id="attachment_585552" style="max-width: 810px" class="wp-caption alignright vertical"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-585552 size-full" src="https://revistapesquisa.fapesp.br/wp-content/uploads/2026/05/RPF-notas-dna-2026-06-800.jpg" alt="" width="800" height="1013" srcset="https://revistapesquisa.fapesp.br/wp-content/uploads/2026/05/RPF-notas-dna-2026-06-800.jpg 800w, https://revistapesquisa.fapesp.br/wp-content/uploads/2026/05/RPF-notas-dna-2026-06-800-250x317.jpg 250w, https://revistapesquisa.fapesp.br/wp-content/uploads/2026/05/RPF-notas-dna-2026-06-800-700x886.jpg 700w, https://revistapesquisa.fapesp.br/wp-content/uploads/2026/05/RPF-notas-dna-2026-06-800-120x152.jpg 120w" sizes="auto, (max-width: 800px) 100vw, 800px" /><p class="wp-caption-text"><span class="media-credits-inline">Hyunbin Lee / <em>Science</em></span>Fitas de DNA (<em>laranja e azul-escuro</em>) são sintetizadas por uma enzima (<em>amarelo</em>) a partir de um molde de RNA (<em>bege</em>) e por outra (<em>azul-claro</em>) com seus próprios aminoácidos<span class="media-credits">Hyunbin Lee / <em>Science</em></span></p></div>
<p>A construção do ácido desoxirribonucleico (DNA), responsável pela transmissão de informações biológicas de uma geração a outra, geralmente requer um molde a partir do qual proteínas construtoras chamadas enzimas possam trabalhar. Uma equipe da Universidade Stanford, nos Estados Unidos, descobriu que isso pode também ser feito de outra forma: um tipo de enzima conhecida como polimerase Drt3b funciona sem um modelo. Seu próprio formato atua como um molde a partir do qual o novo DNA pode ser sintetizado, sem a necessidade de materiais de referência externos. “Foi uma grande surpresa. Essa é uma maneira fundamentalmente nova pela qual a vida produz DNA”, disse Alex Gao, de Stanford, à revista <em>Science</em>. Feita a partir de experimentos com a bactéria <em>Escherichia coli</em> planejados para identificar enzimas que poderiam ajudar na defesa contra vírus, a descoberta tem implicações para a evolução biológica e os blocos de construção da vida. O conjunto de enzimas Drt3, que abrange a Drt3b, representa outra função surpreendente para as transcriptases reversas, enzimas associadas a vírus como o HIV, que se vale de uma delas para sintetizar uma cópia de seu genoma e inseri-la nos cromossomos da célula hospedeira (<a href="https://www.science.org/doi/10.1126/science.aed1656" target="_blank" rel="noopener"><em>Science</em>,</a> 16 de abril).</p>
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